Capitalismo

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Capitalismo

  1. 1. prof.ademiraquino@gmail.com O Modo De Produção Capitalista O mundo, hoje, é formado por 225 países amplamente diferenciados em termos econômicos, sociais, políticos eculturais. Há nações ricas, pobres e as atualmente denominadas de “emergentes”. Diversos também são os regimespolíticos, compreendendo monarquias e repúblicas, estas divididas em regimes parlamentarista ou presidencialista,além de democracias e ditaduras. Para entendermos a estrutura do mundo atual, no presente tópico, estudaremos ocapitalismo e, no seguinte, o socialismo, modos de produção que edificaram a realidade contemporânea. Definimos capitalismo como o modo de produção no qual existe uma separação entre os meios de produção etambém os de reprodução do capital, apropriados pela burguesia, e os produtores, que formam o proletariado, setorsocial que, nada tendo a oferecer ao mercado, vende sua força de trabalho. Como sistema sócio-econômico, o capi-talismo apresenta as seguintes características básicas:• A PRODUÇÃO É VOLTADA AO MERCADO — no capitalismo, os bens econômicos conhecem dois valores, o de uso, quando consumidos pelas pessoas e grupos sociais, e o de troca, ou seja, quando eles, circulando no mercado, geram acumulação de capital nas mãos dos donos dos meios de produção. Assim, o produto, para adquirir efetivo valor econômico, é transformado em mercadoria;• ECONOMIA MONETÁRIA — no capitalismo, a moeda desempenha dois papeis fundamentais, de padrão de troca e o de aferição de ganho ou perda numa operação comercial. Noutros termos, a moeda é um meio pelo qual as mercadorias circulam e os lucros ou prejuízos são avaliados;• GERENCIAMENTO PRIVADO DA PRODUÇÃO E DOS SERVIÇOS — o capitalista, direta ou indiretamente, através de quadros burocráticos (administradores, contadores, gerentes, etc.), controla todas as etapas da produção de gêneros e da oferta de serviços, dominando assim o processo do trabalho. Ele define a tecnologia a ser aplicada, o ritmo da produção, a admissão ou demissão de trabalhadores e a política salarial;• O PAPEL DO SISTEMA FINANCEIRO — no início do capitalismo, o proprietário investia na produção apenas seu próprio capital. Com o desenvolvimento quantitativo e qualitativo da produção, foram demandados crescentes investimentos. Maiores lucros exigiam aplicações mais volumosas. Até o século XVIII, o capitalista aplicava seus rendimentos na ampliação da produção. Já no século seguinte, houve a integração entre o capital financeiro e o industrial. O burguês tomava empréstimos nos bancos para investir em suas fábricas ou firmas prestadoras de serviços e aplicava seus lucros na rede bancária para acelerar exponencialmente sua acumulação de capital. A Origem e as Etapas do CapitalismoO início do capitalismo é causa e decorrência da desintegração do feudalismo. Este último, marcado, grosso modo,pelo particularismo político e por uma produção voltada, basicamente, à subsistência dos moradores do feudo, foivitimado, a partir do século XII e XIII, pelo crescimento demográfico gerador de escassez de gêneros, pelo êxodorural, pelo crescimento demográfico urbano, pelo incremento da economia monetária e pela aceleração das trocascomerciais inter-regionais. Quanto à produção de bens, o mercado, que passou a conhecer um extraordinárioaumento da demanda, foi progressivamente destruindo os regimes arcaicos de trabalho. O artesanato, sistemacaracterizado pela inexistência de uma cisão entre o produtor e os meios de produção, já que o artesão é dono damatéria prima, da oficina, das ferramentas e do produto, não mais atendia à crescente sede de consumo do homemeuropeu ocidental. Numa fase posterior, surgiria o regime doméstico de produção, no qual o trabalho era divididoentre os membros da família. Progressivamente, nasceria o sistema manufatureiro, já caracterizado peloassalariamento e pela divisão social do trabalho. Para o capitalista, o regime manufatureiro tinha o defeito devalorizar a habilidade manual, o que proporcionava um amplo poder de barganha salarial por parte do produtor.Assim, os trabalhadores altamente qualificados tinham condições de exigir uma alta remuneração. No século XVIII,com a Revolução Industrial marcada pela produção por meio de máquinas, cuja operação era tecnicamente simples,ocorreu, não só o aumento da produção como também a desvalorização dos salários, ampliando os lucros doscapitalistas. Consolidava-se, dessa maneira, o modo de produção capitalista. 1
  2. 2. prof.ademiraquino@gmail.comDo séculos XII e XIII ao XVIII, o capitalismo conheceu a fase comercial ou mercantil, ao longo da qual o pólo principalde acumulação de capital não foi o produtivo, mas o circulador de mercadorias. Neste período, ocorre a acumulaçãoprimitiva de capital que, calcada em formas de produção ainda pré-capitalistas, antecedeu e propiciou a plena implan-tação do capitalismo como modo de produção. Nesta etapa, a burguesia, além de destruir e criar sucessivos regimesde produção, também navegou pelos oceanos em busca de metais preciosos e de gêneros comercializáveis naEuropa, quando da expansão ultramarina moderna. Para apoiar os esforços dos comerciantes, os estadosabsolutistas europeus adotaram uma política econômica mercantilista, cujos elementos definidores são:• PROTECIONISMO — os governos barravam a entrada de gêneros estrangeiros, por meio de alta tributação ou proibição explícita, isentando, simultaneamente, de impostos os produtos nacionais enviados aos mercados externos, que assim passavam a ter preços competitivos. O slogan do mercantilismo era “vender sempre, comprar nunca ou quase nunca”;• BALANÇA COMERCIAL FAVORÁVEL — o interesse dos estados nacionais e de suas burguesias era obter um superávit financeiro nas suas trocas com os demais países, o que implicava a aceleração da acumulação de capital. Dessa maneira, as burguesias ficavam mais ricas e os governos mais poderosos;• METALISMO — os metais preciosos tornaram-se padrões de medida da acumulação de capital e a quantidade de metais amoedáveis tornou-se o símbolo da riqueza nacional. No século XVIII, fruto das transformações econômicas e sociais ocasionadas pelo capital mercantil, o capitalismo,particularmente o britânico, entrou na fase industrial, marcada pela produção levada a efeito por máquinas. Oextraordinário crescimento econômico do período, calcado no sacrifício da classe operária, obrigada a longas horasde trabalho e a verter o sangue e o suor de suas mulheres e crianças, alterou o mundo. Os mercados, agora, sãoglobais e isto leva à independência política dos países americanos. A economia, as idéias liberais e as instituiçõespolíticas européias começavam a se mundializar. A partir de meados do século XIX, a Europa, os Estados Unidos da América e o Japão experimentavam aSegunda Revolução Industrial, marcada:• PELA DIFUSÃO DA INDÚSTRIA — de fato, se a Primeira Revolução Industrial foi um fenômeno inglês, agora o uso de máquinas se alastrava pela França, Bélgica, norte da Itália, Estados Unidos, Rússia e também ocorrendo no Japão;• POR NOVAS FONTES ENERGÉTICAS — a Primeira Revolução Industrial fora movida pelo carvão e pelas máquinas a vapor. A Segunda se basearia no petróleo e no aproveitamento da eletricidade;• PELA INTEGRAÇÃO ENTRE AS INDÚSTRIAS E OS BANCOS — os capitalistas passaram a captar no sistema financeiro recursos para o incremento da produção e, ao mesmo tempo, investiam seus lucros nos mercados financeiros buscando a aceleração da acumulação de capital. Esta, agora, amplamente aumentada, possibilitaria o aparecimento de grandes fortunas, tais como os Morgan, Rockefeller, e os Rothschild, dentre outros; 2
  3. 3. prof.ademiraquino@gmail.com• PELO SURGIMENTO E A CONSOLIDAÇÃO DO CAPITALISMO OLIGOPOLISTA— nasciam, no período, osoligopólios, ou seja, enormes conglomerados empresariais que dominam os diversos ramos da produçãoeconômica e da oferta de serviços. Estes oligopólios se apresentam em três formas. A primeira são os “trusts”,isto é, grupos capitalistas que formam uma única organização, cujo controle administrativo e financeiro está nasmãos de seus proprietários — se a firma for patrimonial — ou dos acionistas, se ela é anônima, visandomonopolizar a produção de um determinado produto ou a oferta de um tipo de serviço em plano nacional oumundial. As “holdings”, empresas cuja única finalidade é administrar todas as demais de um mesmo grupoempresarial. E, por fim, os “cartéis” que consistem em várias empresas que, atuando num mesmo ramo deprodução ou de oferta de serviços, estabelecem acordos para definir áreas geográficas de atuação, uma políticacomum de preços, regras de concorrência e publicidade e impedir a entrada de concorrentes nos mercados;• PELA CISÃO ENTRE PROPRIEDADE E ADMINIS-TRAÇÃO — nas antigas empresas patrimoniais, o donoou os donos controlavam a administração da produção egerenciamento de suas firmas. A crescente complexidadedo capitalismo, com a implantação de enormesconglomerados, tornou necessária a criação dassociedades anônimas, apropriadas pelos detentores deações. Nelas, os donos (acionistas) não mais administrame os quadros burocráticos administrativos não sãoproprietários, tendo com o capital da empresa um vínculoempregatício e salarial. O presidente e os diretores deempresas como a General Motors, a Volkswagen e a Mit-subishi, por exemplo, são, embora recebendo bons salá-rios, meros empregados. Dentre os motivos da formaçãodas sociedades anônimas está o fato de que, nelas, osacionistas não respondem com seu patrimônio, o quepermite vôos empresarias de alto risco. Um bom exemplodisto foi a criação da empresa construtora do canal deSuez, que exigia enormes investimentos e oferecia gravesriscos. Nenhum capitalista, por mais próspero que fosse,estava disposto a arriscar seus bens em caso da falênciada empreiteira que assumisse a edificação do canal.Vendidas ações no mercado financeiro, milhares emilhares de ingleses e franceses raciocinaram, que se oprojeto tivesse êxito, ficariam ricos. Se ocorresse ocontrário, perderiam somente os poucos francos e librasinvestidos nas ações. Uma conseqüência dessa separação entre a propriedade e a administração das empresasfoi a emergência de uma “nova classe média”, não mais o pequeno proprietário, o profissional liberal e ofuncionário público, mas um segmento social que possuía “saber especializado” para vender ao capital (engenheiros, técnicos, executivos, etc). O surgimento desse novo setor social, contrariando a profecia de KarlMarx de que ocorreria o desaparecimento das classes médias pela concentração de capital nas mãos de alguns epela proletarização crescente da maioria da sociedade, foi um fator que impediu a revolução socialista na EuropaOcidental e nos Estados Unidos da América;• PELA CORRIDA NEOCOLONIALISTA E O IMPERALISMO — oextraordinário aumento da produção, em razão de uma tecnologia crescentemente sofisticada, gerou excedentesque superavam a demanda dos mercados dos países ricos; além disso, os lucros dos capitalistas proporcionaramexcedentes de capital que precisavam ser aplicados no setor de serviços dos países periféricos ao ContinenteEuropeu. Também as nações hegemônicas se viam diante do desafio da explosão demográfica e necessitavamde áreas externas para a fixação de contingentes populacionais e, por fim, a indústria dos países centrais aindaprecisava de matérias primas produzidas pelas áreas periféricas. Todas estas razões levaram à corridaimperialista em direção à Ásia e à África que consubstanciou a fase imperialista do capitalismo. 3
  4. 4. prof.ademiraquino@gmail.com As Fases do Capitalismo O Capitalismo do Século XX Após a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), provocada, dentre outros fatores, pela “corrida neocolonialista” epela competição industrial e comercial entre as potências capitalistas, as nações européias tiveram seu parqueindustrial e sua agricultura parcialmente destruídos e, com isso, os Estados Unidos tornaram-se a grande naçãocapitalista. Exportando excedentes agrícolas e bens industriais para uma Europa economicamente abalada, aeconomia americana conheceu uma extraordinária prosperidade ao longo da década de 20. Não só gênerosamericanos se espalharam pelo mundo, como também, através do cinema e da música, os valores culturais es-tadunidenses. O “american way of life” (o “modo de vida americano”) era o paradigma universal. Como reflexo doêxito econômico, a bolsa de Nova Iorque substituíra à bolsa de Londres como o “coração” financeiro do planeta. OsEstados Unidos, aos olhos de todos, eram a realização do paraíso. O “american dream” (“sonho americano”) sematerializara. Na segunda metade dos anos 20, a economia européia, graças também ao auxílio de empresas e bancosamericanos, começou a se reconstruir. Pouco a pouco, os Estados Unidos diminuíam suas vendas para o VelhoContinente e, cada vez mais, excedentes agrícolas eram empilhados em armazéns norte-americanos e bensindustriais lotavam os pátios de suas fábricas. O início da crise não foi percebido pela maioria dos cidadãos dosEstados Unidos que continuaram a manter sua prosperidade em função daespeculação financeira. O país, no qual prevalecia a mentalidade liberal denão intervenção estatal, estava sendo vitimado pelo duplo fenômeno dasuperprodução e do crescente subconsumo, raiz inexorável das crisesclássicas do capitalismo. O colapso foi acelerado pela “quebra” da bolsa deNova Iorque em outubro de 1929. Afloraria, então, a “Grande Depressão”dos anos 30. Milhões e milhões de desempregados coalhavam as ruas;incontáveis eram as falências; milhares de pequenos agricultores perdiamsuas propriedades pelo não pagamento de empréstimos bancários. Em1932, Washington foi cenário de uma batalha campal entre forças policiaise ex-combatentes da “Grande Guerra”, que exigiam o pagamento dos“bônus de guerra”. Pela primeira vez, os partidos de “esquerda” cresciamna América do Norte. O “espectro do comunismo” rondava os EstadosUnidos da América. Em 1933, assumia a presidência dos Estados Unidos Franklin DelanoRoosevelt, líder do Partido Democrata. Sua equipe de governo era formadapor intelectuais graduados em faculdades de elite, todos eles admiradoresdas idéias de John Maynard Keynes, teórico inglês que previra a crise e jápropusera soluções. Ao longo dos “cem dias”, denominação dada aos primeiros meses da gestão Roosevelt, osconceitos do economista britânico foram testados na construção de uma represa no vale do Rio Tennessee, estadobastante pobre e alagadiço. Constatados os bons resultados, a administração federal, através do NRA (“NationalRecovery Administration”—“Administração de Recuperação Nacional”), instituiu o “New Deal” (o “Novo Trato”, isto é,uma forma nova de gerenciar a economia). Este, basicamente, consistia na intervenção estatal na economia demercado. A presença do governo se fez pela compra de excedentes agrícolas e industriais, pela fixação de cotasdecrescentes de produção, pelos contratos públicos para ampliar a produção das empresas privadas e pela criaçãode um Estado previdenciário. Para financiar os gastos estatais que decorreriam dessa política, realizou-se uma rígidareforma tributária, que aumentou as alíquotas do imposto de renda. Apesar dos êxitos iniciais da aplicação do “NewDeal”, a crise começava a retornar a partir de 1937, só sendo superada pela “economia de guerra” estabelecida emfunção do segundo conflito mundial. 4
  5. 5. prof.ademiraquino@gmail.com O Capitalismo do Pós-Segunda Guerra Mundial No final da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), os Estados Unidos da América se consolidavam como a naçãocapitalista mundialmente dominante. A Inglaterra, enfraquecida, estava na iminência de perder suas áreas coloniais;a França, ocupada pela Alemanha, conhecia o colapso econômico; a Alemanha e o Japão, destruídos pelos Aliados.A URSS, ausente do sistema econômico mundial pelo caráter socialista de sua organização política, também foravitimada pela barbárie nazista. Os Estados Unidos reinavam de maneira absoluta. Uma clara expressão dessahegemonia foi a realização, em 1944, da Conferencia de Bretton Woods, onde se estabeleceu que o dólar seria amoeda-padrão da economia mundial. A partir daí, o valor das moedas internacionais não mais seria fixado pelasreservas metálicas dos diversos países, mas por reservas e recursos cambiais em dólar. Além disso, eram criados oBanco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI), que, logo depois, seriam incorporados pela Organização dasNações Unidas. Até a Segunda Grande Guerra, os excedentes de capital dos países ricos eram aplicados, nas áreas periféricas,no setor de serviços. Agora, o capitalismo norte-americano passou a orientar seus investimentos na produçãoindustrial das nações menos desenvolvidas, tirando proveito da mão de obra barata e do relativo alargamento dosmercados internos dos países pobres. Decorre daí a crescente participação de empresas transnacionais norte-americanas, não só na economia européia, como também na dos países subdesenvolvidos. Em razão disso, osistema financeiro mundial começava a ser controlado pelos complexos bancários americanos. A dominação econômica dos Estados Unidos é acentuada pelo abalo sofrido pelos estados europeus com oprocesso de descolonização em curso na Ásia e África. Também politicamente, o Velho Mundo crescentementeperderia a sua importância, em função da bipolarização do poder mundial entre os Estados Unidos e a UniãoSoviética. A consciência desse debilitamento econômico e político lançaria as raízes do “sonho” da UnidadeEuropéia. Em 1955, as nações que então se libertaram do imperialismo ocidental, promoveram, na Indonésia, a Conferênciade Bandung, onde se firmaria o conceito de “terceiromundismo”. Este apresentava duas dimensões: do ponto de vistaeconômico, significava aqueles estados que se definiam como “países em desenvolvimento” e exigiam investimentose apoio das nações hegemônicas para superar as deficiências da infraestrutura econômica e a pobreza de suaspopulações. No aspecto político, surgiria o “bloco das nações não – alinhadas” que defendia a eqüidistância entre omundo ocidental, liderada pelos E.U.A, e os países socialistas, então encabeçados pela URSS.O planeta, nasegunda metade do século XX, passaria a conhecer a seguinte “divisão mundial do trabalho”: as potênciascapitalistas do Hemisfério Norte ( E.U.A, Europa Ocidental e Canadá ), popularmente denominadas “primeiro mundo”,vendem tecnologia avançada , investem capitais em serviços e indústrias nos países “subdesenvolvidos”, delesimportando matérias primas, gêneros agrícolas e também alguns bens manufaturados. As nações socialistas,notadamente a União Soviética e a República Popular da China, perseguiam o desenvolvimento econômico por meiode um rígido planejamento econômico estatal, buscando se afastar do Ocidente. No “terceiro mundo”, alguns paíseseram estritamente exportadores de matérias primas ( Arábia Saudita, Angola, Bolívia, etc ); outros levaram adiante aindustrialização com o apoio de investimentos nacionais e estrangeiros ( Brasil, México, Argentina, etc ) e, finalmente,na Ásia, onde Japão emergiu para a condição de potência capitalista hegemônica, diversas nações, procurandoimitar o “modelo” econômico nipônico, encetaram uma industrialização voltada à produção de bens de consumocalcada numa tecnologia de média sofisticação ( Coréia do Sul, Taiwan, Cingapura, etc ). Outro aspecto importante do capitalismo contemporâneo é a crescente internacionalização da produção industrial,dos serviços, das redes de comunicação e, principalmente, do sistema financeiro. Esta “mundialização” econômicavem gerando uma padronização da tecnologia e dos métodos administrativos. As consequências negativas de talprocesso são o aumento das diferenciações sociais, mesmo nos países “ricos”, e, ainda mais grave, a exclusão deinúmeras nações do desenvolvimento econômico, particularmente as do Hemisfério Sul, em função da carência detecnologia e de sistemas administrativos modernos. Finalmente, o mundo conhece o fenômeno da “terciarização”, isto é, o crescimento do setor serviços, alterando atradicional estrutura do capitalismo baseada na produção. Atualmente, os serviços são responsáveis por mais de20% da renda gerada pelo comércio mundial. O capitalismo, sistema econômico responsável pela maior produtividade e acumulação de capital já experi-mentadas pelo mundo, não vem conseguindo, mesmo no seu auge, solucionar o problema da distribuição de renda.Pelo contrário, as desigualdades sociais e regionais estão se ampliando, o que gera uma profunda “fratura social”. O 5
  6. 6. prof.ademiraquino@gmail.comcolapso do “SOREX” (“Socialismo realmente existente”), sigla usada para definir as formas estatizantes de socialismoreinantes na ex-União Soviética e nas demais “democracias populares” do leste europeu, de início, no começo dadécada de 90, pareciam confirmar a superioridade do capitalismo e sua plena vitória ideológica em todo o planeta. Noentanto, o agravamento das tensões sociais, em função das crescentes contradições entre “incluídos” no sistema eos dele “excluídos” recolocou a questão de um novo socialismo futuro.Indicações:Assista ao filme Ilha das Flores que retrata uma realidade capitalista muitas vezes não veiculada pela mídia.http://www.youtube.com/watch?v=Zfo4Uyf5sgg&playnext=1&list=PL96450A53D799AB86 (parte 1)http://www.youtube.com/watch?v=6IrGibVoBME&feature=related (parte 2)http://www.youtube.com/watch?v=3NddTNoDvm8&feature=related (parte 3)• Filme: GERMINAL – Direção de Claude Berri. França, 1993. O filme retrata a realidade sócio-política do final doséculo XIX e ínicio do século XX na Europa, mas especificamente na França. Retrata a vida diária de um trabalhadornas minas de carvão e as precariedades em que viviam.• Filme: WALL STREET – Direção de Oliver Stone. EUA, 1987. Nessa visão envolvente dos bastidores do mundoempresarial em 1980, um jovem e ambicioso corretor (Sheen) é atraído pelo mundo ilegal e altamente lucrativo daespionagem empresarial ao ser seduzido pelo poder, status e magia financeira da lenda de wall Street, GordonGekko (Douglas). Mas ele logo descobre que a riqueza adquirida da noite para o dia tem um preço muito alto. DarylHannah e Martin Sheen co-estrelam essa história de impressionante visão moral sobre o sonho americano que deuerrado. Filme: CAPITALISMO: UMA HISTÓRIA DE AMOR. Michael Moore apresenta uma análise de como o capitalismo corrompeu os ideais de liberdade previstos na Constituição dos Estados Unidos, visando gerar lucros cada vez maiores para um grupo seleto da sociedade, enquanto que a maioria perde cada vez mais direitos. 6

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