GEOGRAFIA POLÍTICA/2012

PROFESSOR: TIAGO DALESSI

CAPÍTULO 1: REGIONALIZAÇÃO DO ESPAÇO
1- O MUNDO DIVIDIDO: PAÍSES CAPITALISTAS E SOCIALISTAS
1.1 – FASES DO CAPITALISMO
O Capitalismo Comercial
Essa etapa do capitalismo estendeu-se desde fins do século XV até o século XVIII. Foi marcada pela
expansão marítima das potências da Europa Ocidental na época (Portugal e Espanha).
O grande acúmulo de capitais se dava na esfera da circulação, ou seja, por meio do comércio, daí o
termo capitalismo comercial para designar o período. A economia funcionava segundo a doutrina mercantilista,
que, em sentido amplo, pregava a intervenção governamental na economia, a fim de promover a prosperidade
nacional e aumentar o poder do Estado. Nesse sentido, defendia a necessidade de riquezas no interior dos
Estados, e a riqueza e o poder de um país eram medidos pela quantidade de metais preciosos (ouro e prata)
que possuíam. Esse princípio ficou conhecido como metalismo.
Outro meio de acumular riquezas era manter uma balança comercial sempre favorável, daí o esforço
para exportar mais do que importar, garantindo saldos comerciais positivos.
O mercantilismo foi fundamental para o desenvolvimento do capitalismo, pois permitiu, como resultado
de um comércio altamente lucrativo, das explorações das colônias e da pirataria, grande acúmulo de capitais
nas mãos da burguesia européia. Karl Marx designou essa fase como a da acumulação primitiva do capital.
O Capitalismo Industrial
O capitalismo industrial foi marcado por grandes transformações econômicas, sociais, políticas e
culturais. As maiores mudanças resultam do que se convencionou chamar Revolução Industrial (estamos nos
referindo aqui à Primeira Revolução Industrial, ocorrida no Reino Unido na segunda metade do século XVIII).
Um de seus aspectos mais importantes foi a enorme potencialização da capacidade de transformação da
natureza, por meio da utilização cada vez mais disseminada de máquinas movidas a vapor, tornando acessível
aos consumidores uma quantidade cada vez maior de produtos, o que multiplicava os lucros dos produtores.
O comércio não era mais a essência do sistema. O lucro – objetivo dessa nova fase do capitalismo –
advinha fundamentalmente da produção de mercadorias.
A toda jornada de trabalho corresponde uma remuneração, que permitirá a subsistência do trabalhador.
No entanto, o trabalhador produz um valor maior do que aquele que recebe na forma de salário, e essa fatia de
trabalho não-pago é apropriada pelos donos das fábricas, das fazendas, das minas, etc. Dessa forma, todo
produto ou serviço vendido traz embutido esse valor não transferido ao trabalhador, permitindo o acúmulo de
lucro pelos capitalistas.
Se no mercantilismo (fase comercial), o Estado absolutista era favorável aos interesses da burguesia
comercial, no tocante a atuação da nova burguesia industrial, ou capitalista, era um empecilho. Ele não deveria
intervir na economia, que funcionaria segundo a lógica do mercado, guiada pela livre concorrência.
Consolidava-se, assim, uma nova doutrina econômica: o liberalismo.
Dentro das fábricas, mudanças importantes estavam acontecendo: a produtividade e a capacidade de
produção aumentavam velozmente; aprofundava-se a divisão de trabalho e crescia a produção em série. Nessa
época, segunda metade do século XIX, estava ocorrendo o que se convencionou chamar de Segunda
Revolução Industrial. Uma das características mais importantes desse período foi a introdução de novas
tecnologias e novas fontes de energia no processo produtivo.
Com o brutal aumento da produção, pois a industrialização expandia-se para outros países, acirrou-se
cada vez mais a concorrência. Era cada vez maior a necessidade de garantirem novos mercados
consumidores, novas fontes de matérias-primas e novas áreas para investimentos lucrativos. Foi dentro desse
quadro que ocorreu a expansão imperialista na Ásia e na África.
A partilha imperialista das potências industriais consolidou a divisão internacional do trabalho, pela
qual as colônias se especializavam em fornecer matérias-primas baratas para os países que então se
industrializavam. Tal divisão, delineada no capitalismo comercial, consolidou-se na fase do capitalismo
industrial. Assim, estruturou-se nas colônias uma economia complementar e subordinada à das potências
imperialistas.
A Alemanha, por ter se unificado tardiamente (1871), perdeu a fase mais importante da corrida
imperialista e sentiu-se lesada, especialmente frente ao Reino Unido e à França. Além disso, como a sua
indústria crescia em ritmo mais rápido que a dos demais países, também se ressentia mais da falta de
mercados consumidores. O choque de interesses internos e externos entre as potências imperialistas européias
acabou levando o mundo à Primeira Guerra Mundial (1914-1918).

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O Capitalismo Financeiro
Uma das conseqüências mais importantes do crescimento acelerado da economia capitalista foi o brutal
processo de concentração e centralização de capitais. Várias empresas surgiram e cresceram rapidamente:
indústrias, bancos, corretoras de valores, casas comerciais, etc. A acirrada concorrência favoreceu as grandes
empresas, levando a fusões e incorporações que resultaram, a partir de fins do século XIX, na monopolização
ou oligopolização de muitos setores da economia.
O liberalismo restringe-se cada vez mais ao plano da ideologia, pois o mercado passa a ser
oligopolizado, dominado por grandes corporações, substituindo a livre concorrência e o livre mercado. O
Estado, por sua vez, passa a intervir na economia, seja como agente produtor ou empresário. Essa atuação do
Estado na economia intensificou-se após a crise de 1929, que viria a sepultar definitivamente o liberalismo
clássico.
A crise de 1929 deveu-se ao excesso de produção industrial e agrícola, pois os baixos salários pagos
na época impediam a expansão do mercado de consumo interno; à recuperação da indústria européia, que
passou a importar menos dos Estados Unidos; e à exagerada especulação com ações na bolsa de valores.
Colocando em prática em 1933, pelo então presidente Franklin Roosevelt, o New Deal (“novo acordo”)
foi um clássico exemplo de intervenção do Estado na economia. Baseado em um audacioso plano de obras
públicas, com o objetivo principal de acabar com o desemprego, o New Deal foi fundamental para a
recuperação da economia norte-americana.
Essa política de intervenção estatal numa economia oligopolizada, que acaba favorecendo o grande
capital, ficou conhecida como Keynesianismo, por ter sido o economista inglês John Maynard Keynes seu
principal teórico e defensor.
1.2 - CARACTERISTICAS DO CAPITALISMO
 Propriedade Privada dos meios de produção – Os meios de produção (bancos, supermercados,
lojas,...) pertencem predominantemente a uma pessoa ou a um grupo de pessoas.
 Economia de Mercado – São as empresas que decidem como e quanto produzir e estabelecem o
preço e as condições de circulação das mercadorias.
 Lei da Oferta e da Procura – Os preços das mercadorias variam de acordo com a procura por parte do
consumidor e a quantidade do produto em oferta, isto é, colocada à venda.
 Trabalho Assalariado – O trabalhador recebe um salário por seu trabalho, havendo concentração de
renda, principalmente nos países mais pobres.
 Neoliberalismo – Doutrina econômica que, especialmente nas duas últimas décadas, retomou vários
preceitos do liberalismo clássico. Um dos pontos principais do neoliberalismo é a idéia do Estado
mínimo, isto é, o governo deveria ter sua atuação restrita ao campo social (destinando o mínimo de
recursos à saúde, educação e previdência, por exemplo), além de não interferir no processo
econômico, que seria regulado exclusivamente pelas leis de mercado.
1.3 – ORGANIZAÇÃO DAS EMPRESAS NO SISTEMA CAPITALISTA
 Monopólio – Situação em que há uma única empresa fornecedora de determinado produto, que
controla sua oferta e seu preço.
 Oligopólio – Grupo constituído por um pequeno número de empresas que controlam os preços de um
produto.
 Cartel – Associação ou combinação entre empresas, geralmente de um mesmo segmento, para
garantir o controle da produção e dos preços.
 Truste – fusões e incorporações entre empresas que realizam uma mesma atividade com o intuito de
garantir o domínio do mercado.
 Holding – Uma empresa que detém o controle de diversas outras empresas, que atuam em diferentes
ramos de atividades. As holding são grandes corporações que podem produzir desde canetas a
aparelhos eletrônicos, carros e aviões.
1.4 – SISTEMA SOCIALISTA
 Estatização – As terras e os meios de produção devem pertencer ao Estado, que também passa a
controlar e a definir o salário dos trabalhadores.
 Economia Planificada – As atividades econômicas devem seguir uma planificação idealizada e
executada pelo Estado, que decide o que e como produzir.
 Pleno emprego – Para executar suas várias funções e diminuir as desigualdades sociais, o Estado cria
um imenso quadro de funcionários, garantindo emprego a todos.

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

Relação Social – O objetivo é eliminar as diferenças sociais, gerando uma melhor distribuição da
renda.
1.5 – GUERRA FRIA
 Ordem Bipolar – Por serem superpotências econômicas e militares, EUA e URSS influenciavam outras
nações, que a eles se aliaram na formação dos dois grandes blocos que polarizaram a economia e a
sociedade do pós - segunda guerra. Essa situação perdurou até a década de 1990.
 Muro de Berlim – Em 1949, como conseqüência da bipolarização, os países da Europa alinharam-se
em dois blocos: a Europa Ocidental capitalista, sob a influencia dos EUA, e a Europa Oriental socialista,
sob a influência da URSS e em 1961 foi construído o muro de Berlim.

A partir de 1990, praticamente todos os países do bloco socialista passaram a adotar o capitalismo.
Atualmente, praticamente somente China, Cuba e Coréia do Norte continuam socialistas, embora incluam em
sua economia algumas características do capitalismo.
Com o fim da União Soviética em 1991 e a conseqüente dissolução do socialismo, os Estados Unidos
viram-se transformados em “vencedores” da Guerra Fria, assumindo o papel de grande potência mundial.
Porém, apesar do grande poderio norte-americano, Japão e Alemanha (reunificada) também apareciam como
pólos da economia mundial, formando uma nova era multipolar, em detrimento da bipolaridade outrora
existente. Desta forma, temos o mundo sob a influência de três grandes pólos, os EUA, o Japão e a Europa,
representada pela União Européia, tendo Alemanha, França e Reino Unido como sustentáculos econômicos.
O FIM DA GUERRA FRIA
Muito se discute sobre uma possível data que marque o fim da Guerra Fria, o fato é que uma série de
acontecimentos desencadearam a dissolução do conflito Leste x Oeste. A falta de democracia, o atraso
econômico e a crise nas repúblicas soviéticas acabaram por acelerar a crise do socialismo no final da década
de 1980. Em 1989 cai o Muro de Berlim e as duas Alemanhas são reunificadas. No começo da década de 1990,
o então presidente da União Soviética, Mikhail Gorbachev começou a acelerar o fim do socialismo naquele país
e nos aliados. Com reformas econômicas, acordos com os EUA e mudanças políticas, o sistema foi se
enfraquecendo. Era o fim de um período de embates políticos, ideológicos e militares. O capitalismo vitorioso,
aos poucos, iria sendo implantado nos países socialistas. Os Estados Unidos assumiram o papel de única
superpotência, os conflitos étnicos e nacionais ressurgiram com força total, e o poder não é mais de quem tem
armas mais poderosas, mas de quem tem a economia mais forte. Veremos a seguir alguns fatores
responsáveis pelo fim da bipolaridade mundial.
A crise da URSS
A economia soviética teve um considerável sucesso no período em que o mundo guiava-se pelos
padrões tecnológicos estabelecidos pela II Revolução Industrial (industrias de siderurgia, química, petrolífera,

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aeronáutica, naval, etc). Isto colocou a URSS em igualdade com as economias capitalistas e em alguns
momentos à frente, como o lançamento do primeiro satélite Sputnik I, em 1957, e o primeiro homem em órbita
ao redor da Terra, Iúri Gagárin, em 1961.
Guiados pelo padrão tecnológico da II Revolução Industrial, a URSS priorizou indústrias de bens de
produção e de capital, com grande prioridade para a indústria bélica. Isto porém virou um problema na medida
em que as indústrias de bens de produção não possuíam os devidos investimentos, gerando um grande
descompasso econômico, com produções excessivas de ferro e aço de um lado, e a carência de
eletrodomésticos e automóveis de outro. O quadro crítico acentua-se a partir da década de 1970, com a
chamada Terceira Revolução Industrial, que demanda altos investimentos em pesquisa e tecnologia
favorecendo o crescimento de setores como a informática e a robótica (estes exigem uma economia mais
dinâmica, baseada numa economia de mercado). ( ver texto “A Terceira Revolução industrial” no capítulo 8)
A URSS começa a se defasar econômica e tecnologicamente em meados de 1970, sendo reconhecida
apenas por seu poderio militar, seu arsenal nuclear e sua capacidade de destruição em massa. Graças a seu
baixo dinamismo econômico, sua produtividade industrial não acompanhava nem de longe os avanços dos
países capitalistas desenvolvidos mais competitivos. Seu parque industrial, sucateado, era incapaz de produzir
bens de consumo em quantidade e qualidade suficientes para abastecer a própria população. As filas
intermináveis eram parte do cotidiano dos soviéticos e o descontentamento se generalizava. A situação
agravasse nos anos 80, com o governo norte-americano de Ronald Reagan, que aumentou os orçamentos com
defesa. Como a União Soviética não tinha mais condições de continuar com a corrida armamentista, os acordos
de paz entre as duas superpotências tornaram-se necessários. Foi com essa missão que Gorbachev chegou,
em 1985, à liderança da URSS.
A era Gorbachev (1985-1991) e o fim da União Soviética
Sua plataforma política defendia a necessidade de reformar a União Soviética, para que ela se
adequasse à realidade mundial. Em seu governo, uma nova geração de políticos se firmou, e impulsionou a
dinâmica de reformas na URSS e a aproximação diplomática com o mundo ocidental.
Dentre as reformas propostas por Gorbachev, temos a Perestroika e a Glasnost:
- Perestroika (reestruturação): série de medidas de reforma econômicas. Para Gorbatchov, não seria
necessário erradicar o sistema socialista, mas uma reformulação deste seria inevitável. Para tanto, ele passou a
diminuir o orçamento militar da União Soviética, o que implicou em diminuição de armamentos. Além disso, era
preciso acabar com a ditadura, desmontando o aparelho repressor erigido na era Stálin.
- Glasnost (transparência) : visava a "liberdade de expressão" à imprensa soviética e a transparência do
governo para a população, permitindo o pluripartidarismo e retirando a forte censura que o governo comunista
impunha. Esta abertura política desencadeou uma série de movimentos separatistas na URSS, levando à sua
completa fragmentação política.
Gorbachev sofreu um golpe de Estado, liderado pelos comunistas conservadores, porém, o golpe
fracassou e Mikhail foi reconduzido ao poder com o apoio de Boris Yeltsin. No entanto, o poder central se
enfraqueceu, visto que as repúblicas – uma a uma – proclamavam sua independência política. A cartada final
ocorreu em dezembro de 1991, quando a própria Rússia, sustentáculo da União Soviética, proclamou a sua
independência. Com o fim da União Soviética um novo acordo foi firmado (acordo de Minsk), originando a
CEI (Comunidade dos Estados Independentes), composto pelas antigas repúblicas soviéticas, exceto Estônia,
Letônia e Lituânia. Boris Yeltsin foi eleito o novo presidente, renunciando em dezembro de 1999. Em seu lugar,
Vladimir Putin foi eleito em março de 2000.

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Hoje a Rússia sofre graves problemas com desemprego e baixo crescimento econômico, resultados da
tumultuada transição do socialismo para o capitalismo. O PIB só veio a crescer significativamente a partir de
1999. Um dos grandes problemas enfrentados hoje é o grande número de movimentos separatistas dentro
de seu território.

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O LESTE EUROPEU
Durante toda a Guerra Fria, a região do Leste europeu fez parte do chamado 2° mundo, sendo controlada
pela URSS através do Pacto de Varsóvia. Com as políticas reformistas de Gorbachev e o fim da URSS, as
frentes de independência se tornaram mais fortes nessa região, fazendo com que os países aderissem ao
capitalismo e reorganizassem a sua economia e política. Os países integrantes* do Leste Europeu eram/são:
- Pôlonia
- Alemanha Oriental (hoje reunificada)
- Tchecoslováquia (hoje dividida em repúblicas Tcheca e Eslováquia)
- Hungria
- Romênia
- Bulgária
- Albânia**
- Iugoslávia** (hoje dividida em Sérvia, Montenegro, Eslovênia, Croácia, Bósnia-Herzegovina e
Macedônia)

* Estes países formavam um bloco fechado na Europa, limitado pela “Cortina de Ferro”.
** Apesar da Albânia e Iugoslávia não estabelecerem relações diretas com Moscou, o regime socialista ditatorial
era presente em ambos.
Polônia e Hungria
Na Polônia, a abertura política começou com a legalização do Solidariedade (sindicato político fundado
em 1980 que defendia a liberdade de expressão dos trabalhadores) em 1989. No mesmo ano, a URSS
começava a retirar do Leste europeu suas tropas do pacto de Varsóvia. Sem a pressão militar dos soviéticos, as
medidas liberais ganharam força, não só na Polônia como em outros países da região. Além disso,
restabeleceram a ligação religiosa com o Vaticano e a liberdade religiosa.
A Hungria também iniciou suas reformas em janeiro de 1989, quando o parlamento aprovou a lei que
permite o pluripartidarismo. O país tornou-se uma democracia e passou a se chamar República da Hungria.

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Alemanha Oriental
Em 9 de novembro de 1989, a conselho de Gorbachev, o governo anunciou a livre passagem dos
alemães da parte oriental para a ocidental., levando a própria população à iniciativa de derrubar o muro de
Berlim. Em 1990, Lothar de Maiziere, primeiro-ministro da Alemanha oriental, negociou a unificação das duas
Alemanhas com Helmut Kohl, que governava a Alemanha ocidental. A República Democrática Alemã não
existia mais. Em 3 de outubro de 1990, a Alemanha estava reunificada.
Tchecoslováquia e Bulgária
Em 1° de janeiro de 1993, a Tchecoslováquia se dividiu, de forma pacífica, dando origem a dois
países diferentes: na sua porção menos desenvolvida, formou-se a Eslováquia; e na sua parte mais
desenvolvida e industrializada, a República Tcheca, destaque na produção de automóveis e cerveja.
Na Bulgária a transição também aconteceu de forma pacífica. O pluripartidarismo foi admitido em 1988
e as reformas passaram a acontecer com o fim do Partido Comunista. Em 1990, passou a ser denominado
República da Bulgária.
Romênia
Na Romênia, as reformas aconteceram lentamente. Com uma economia superada, a Romênia tem
aproveitado a entrada do capital estrangeiro, nos últimos anos, para melhorar sua situação econômica e tentar
se reerguer.
ex-Iugoslávia
O desmembramento da Iugoslávia deu origem a novos países: União da Sérvia e Montenegro,
Eslovênia, Croácia, Bósnia-Herzegovina e Macedônia. A separação do país foi marcada por sangrentos
conflitos. Atualmente ocorreu a separação da Sérvia e Montenegro, em maio de 2006
Albânia
Foi o último Estado do Leste Europeu a implementar reformas. Encerrou sua fase socialista com altos
níveis de pobreza. Foi aliado da URSS até 1961, para posteriormente aliar-se à China até 1978. Depois das
relações cortadas com a China, o país fechou-se num regime altamente autoritário e isolado, fiel à doutrina
stalinista. Esta situação de instabilidade deixou o país extremamente despreparado para a transição
econômica. Sem rumo, o governo albanês procura administrar os mecanismos do novo regime, ao mesmo
tempo em que tenta encontrar soluções para os eternos problemas de miséria e desemprego.

O presidente George Bush (1989-1992) chamou de Nova Ordem Mundial. O que deixava de existir era
a velha ordem bipolar e a rivalidade entre sistemas econômicos opostos que buscavam competir usando a
capacidade militar. O mundo passava a funcionar sob a égide do capitalismo. A multipolaridade econômica não
mudou significativamente a distribuição da riqueza no mundo. Os países ricos continuam ricos. E os pobres (exterceiro mundo) continuam pobres. A corrida armamentista perdeu força e a prioridade passou a ser a busca

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por novos mercados e crescimento do capitalismo. Esta nova fase passou a ser chamada de Globalização, com
um crescente fluxo de informações, mercadorias, capital, serviços e pessoas em escala global. As redes que
ordenam este fluxo podem ser materiais e virtuais, transformando o mundo em uma espécie de aldeia global.
2- OS TRÊS MUNDOS
Durante o período da Guerra Fria também era comum regionalizar o espaço mundial em “três mundos”.
 Primeiro Mundo – Constituído pelos países capitalistas desenvolvidos, como EUA, Reino Unido,
França, etc.
 Segundo Mundo – Formado pelos países socialistas, como China, URSS, Polônia, Hungria, etc.
 Terceiro Mundo – Constituído por um conjunto muito heterogêneo de países subdesenvolvidos
(pobres), como Brasil, Marrocos, Egito, etc.
3- REGIONALIZAÇÃO PELO NÍVEL DE DESENVOLVIMENTO
PRINCIPAIS CARACTERISTICAS DOS PAÍSES DESENVOLVIDOS
 Elevado padrão de vida da maior parcela da população.
 Dominação econômica, tecnológica e política sobre países subdesenvolvidos.
 Desenvolvimento industrial e tecnológico.
 Os setores secundários e terciários abrigam a maior parte da PEA.
 Elevados investimentos em educação e em ciência.
 Baixo índice de mortalidade infantil e de analfabetismo.
 Ingestão de calorias diárias muito acima do mínimo recomendado.
 Predomínio de população urbana.
 Expectativa de vida além dos setenta anos.
 Acesso aos benefícios sociais à maioria da população.
 Emprego predominante de técnicas modernas, de máquinas e mão-de-obra qualificada no campo.
 Modernos e eficientes meios de comunicação e de transportes.
 A maior parte da população pertence à classe média e tem elevado padrão de vida e de consumo.
PAÍSES SUBDESENVOLVIDOS
Quando, a partir da Segunda guerra Mundial, se começou a falar correntemente do
‘subdesenvolvimento’ (era, soube-se muito mais tarde, a tradução do termo under-development que os políticos
americanos tinham fabricado), através disso foi possível saber que três quartos da humanidade sofriam de fome
e atrair a atenção sobre o fato de que a população dos países pobres seria mais que o dobro nos trinta anos
seguintes...
(LACOSTE, Yves. Geografia do Subdesenvolvimento: geopolítica de uma crise. 1985:31)

Apesar de só começar a ser discutido após a segunda guerra mundial e de ser um termo originado por
políticos norte-americanos, podemos dizer que as origens do subdesenvolvimento estão no longo período de
dominação política e econômica e no tipo de relação estabelecida entre colônia e metrópole, durante a
existência dos grandes impérios coloniais. Esses grandes impérios surgidos nos períodos denominados
colonialismo (séc. XV a XVIII) e imperialismo (séc. XIX) refletiam o poder de antigas potências mercantilistas
(Portugal e Espanha) e de potências da Revolução Industrial (França, Inglaterra e Holanda).
O fato de se tornarem independentes não garante às ex-colônias o desenvolvimento. Junto à sua
independência somam-se os problemas decorrentes de sua antiga relação com as metrópoles além da sua
própria incapacidade de administrar o próprio destino. Governos ditatoriais, submissão aos interesses de
empresas transnacionais, corrupção, conflitos étnicos e dívida externa são outros agravantes da situação de
pobreza já existente nesses países.
Apesar das diferenças entre os próprios países subdesenvolvidos, algumas características se fazem
comuns:
 Má distribuição de renda.
 Dependência econômica, política, tecnológica e até mesmo cultural em relação aos países
desenvolvidos.
 Economia primário-exportadora (países pouco industrializados).
 Os setores primário e terciário da economia e o mercado informal abrigam a maior parte da população
empregada.
 Altos índices de analfabetismo, de mortalidade e de natalidade e elevado crescimento populacional.
 Ingestão de calorias diárias abaixo do mínimo recomendado.
 Alto índice de pessoas vivendo em submoradias.

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 Dividas externas impagáveis.
 Proliferação de grandes centros urbanos sem infra-estrutura.
 Concentração de renda.
PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DOS PAÍSES EMERGENTES
Não existe homogeneidade na classificação dos países subdesenvolvidos. Enquanto alguns ainda
permanecem com as relações econômicas existentes na época colonial, outros se industrializaram e cresceram
economicamente. Estes últimos pertencem ao grupo dos Novos Países Industrializados (NICs – New
Idustrialized Countries), também chamados de economias emergentes e países capitalistas semiperiféricos. A
este grupo pertencem países como Brasil, Argentina, México, Índia, África do Sul e Tigres Asiáticos (Hong
Kong, Cingapura, Taiwan e Coréia do Sul).
São paises pobres, industrializados ou em fase de industrialização. Apesar de industrializados, são
dependentes de tecnologia.
4 – CONFRONTO: NORTE / SUL
Na lógica bipolar, era comum classificarmos os países em Primeiro, Segundo e Terceiro Mundo, além
do constante uso da expressão “conflito Leste x Oeste”. Com a Nova Ordem Mundial, essa classificação já não
tem mais sentido. Como o Segundo Mundo, que era formado pelas nações socialistas, não existe mais, os
países são classificados em ricos e pobres, ou desenvolvidos e subdesenvolvidos. E o mundo ficou dividido em
países do Norte (desenvolvidos) e países do Sul (subdesenvolvidos). Na Nova Ordem, o conflito Leste-Oeste da
guerra fria foi substituído pelo conflito Norte-Sul, que opõe entre si as grandes diferenças que separam a
riqueza, a tecnologia e o alto nível de vida da pobreza, da exclusão dos novos meios técnico-científicos e dos
baixos níveis de vida.

Algumas características desta nova divisão:
-

-

-

-

O grande contingente de ex-colônias asiáticas, africanas e americanas (com exceção de Estados
Unidos, Canadá, Austrália e Nova Zelândia) forma o bloco dos países do Sul. Apesar de terem
características comuns, esses países apresentam profundas diferenças entre si.
Alguns países se destacam na oferta de oportunidades para investimentos das empresas
transnacionais. São países subdesenvolvidos industrializados ou em fase de industrialização. São os
chamados países emergentes, e o Brasil está entre eles.
Os antigos países socialistas são chamados hoje de países de economia “em transição”, porque
passam por uma fase de adaptação à economia de mercado. Apenas China*, Cuba, Coréia do Norte,
Vietnã, Líbia e Laos ainda resistem como socialistas.
A África Subsaariana está à margem da economia global. Seus países sofrem com conflitos tribais,
fome, seca e aids. Além disso, encontram-se na total dependência do FMI e do Banco Mundial. Diante

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desse estado de miséria, a África não desperta interesse, nem como consumidora nem como opção de
investimento de capital especulativo.
* O caso chinês é especial, visto que possui um “socialismo de mercado”, ou seja, uma economia capitalista
regida por uma política socialista.
Nota: A oposição ‘Norte’ rico ou desenvolvido e ‘Sul’ pobre ou subdesenvolvido é bastante esquemática. Como
classificar os países do Leste Europeu, por exemplo? Eles pertencem ao ‘Norte’ ou ao ‘Sul’? Já a China, pelos
aspectos demográfico, econômico e geopolítico e por suas contradições, é inclassificável. Além disso, cada vez
mais o ‘Sul’ aparece dentro do ‘Norte’, em conseqüência do aprofundamento das desigualdades sociais e do
aumento da imigração.
MOREIRA e SENE. Geografia Geral e do Brasil, espaço geográfico e globalização. 2005
5- O SISTEMA-MUNDO: CENTRO E PERIFERIA
Uma outra forma de classificação dos países seria a de países centrais e países periféricos. Esta forma
de classificação também surgiu com o fim da Guerra Fria, sendo extremamente conveniente ao sistema
capitalista. Ela designa os países como centrais (que se encontram no “centro” do sistema capitalista) e
periféricos (o restante, na “periferia” do sistema capitalista). Observe o mapa abaixo:

“Países centrais” é uma expressão usada para designar uma tríade: Estados Unidos, Japão e união Européia,
que comandam o sistema capitalista. O restante do mundo é formado por países de periferia com maior ou
menor grau de integração a um dos pólos que compõem o centro do sistema capitalista. Os Estados unidos é o
único que influencia o mundo inteiro; os outros países do centro têm uma influência mais regional. Mesmo na
periferia há nações com certa influência regional, como é o caso da China, da Índia e do Brasil. A China, aliás,
ora é classificada como potência, quando se considera o aspecto geopolítico (Potência militar e membro do
conselho de segurança da ONU), ora como país emergente, quando se considera que se trata de um país da
periferia, como mostra o mapa, embora muito importante economicamente. Em resumo, nem sempre há
consenso na classificação dos países.
MOREIRA e SENE. Geografia Geral e do Brasil, espaço geográfico e globalização. 2005
6- REGIONALIZAÇÃO SEGUNDO IDH (Índice de Desenvolvimento Humano)
O IDH é um eficiente método para analisar a qualidade de vida de um país, pois não levam em
consideração apenas indicadores econômicos, mas também variáveis como expectativa de vida e educação. As
variáveis utilizadas são:
- Expectativa de vida: a esperança de vida ao nascer

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Educação: o conhecimento, medido pela taxa de alfabetização de adultos e pela taxa bruta de
matrículas no ensino fundamental, médio e superior.
- PPC (PIB per capita): a renda distribuída para a população, permitindo um padrão de vida mais
decente.
Estas três variáveis combinadas oscilam entre valores de 0 a 1. Quanto mais próximo de 1, melhor é o
padrão de vida da população, quanto mais próximo de 0, pior.
-

EXERCÍCIOS DE APLICAÇÃO:
01) Assinale a alternativa que caracteriza país subdesenvolvido:
a) Hegemonia econômica e comercial; indústria incipiente está relacionada à agroindústria e beneficiamento de
recursos minerais.
b) Baixo ou médio IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), considerando-se as dimensões renda, educação
e expectativa de vida.
c) Distribuição de renda igualitária; a pobreza generalizada da população leva à necessidade de recorrer à
ajuda internacional.
d) Grande crescimento populacional; altas taxas de natalidade e mortalidade infantil refletem no aumento da
expectativa de vida.
e) Exportador de recursos energéticos; a independência do mercado mundial de petróleo e urânio fragiliza a
economia.
02)(UFJF/2009 - VESTIBULAR A DISTÂNCIA) Em Geografia, o que representa o espaço concreto dominado e
apropriado por uma sociedade ou por um Estado e identificado pela posse é:

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a) a natureza.
b) a paisagem.
c) a região.
d) o lugar.
e) o território.
03)(PASES I/2009) Leia o trecho do romance abaixo, que revela a visão do escritor ao observar o espaço:
Eram cinco horas da manhã e o cortiço acordava, abrindo, não os olhos, mas a sua infinidade de portas e
janela alinhadas. [...] Entretanto, das portas surgiam cabeças congestionadas de sono; ouviam-se amplos
bochechos, fortes como o marulhar das ondas; pigarreava-se por toda a parte; começavam as xícaras a tilintar;
o cheiro quente do café aquecia, suplantando todos os outros; trocavam-se de janelas para janelas as primeiras
palavras, os bons dias; reatavam-se conversas interrompidas à noite; a pequenada cá fora traquinava já, e lá
dentro das casas vinham choros abafados de crianças que ainda não andam.
(AZEVEDO, Aluísio. O Cortiço. Disponível em: www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bn000003.pdf.
Acesso em: 07 nov. 2008.)
Considerando os conceitos de Geografia, é CORRETO afirmar que, neste trecho do romance, aparece presente
o conceito de:
a) território, pois revela uma forma de contemplação do espaço.
b) paisagem, já que indica uma forma de observar e descrever um espaço.
c) região, uma vez que revela uma forma de representar o espaço.
d) meio ambiente, pois assinala a relação entre o poeta e o local descrito.
e) Nenhuma das anteriores.
04)(UERJ/2008)

O príncipe Michael Bates anunciou que quer vender seu país, Sealand. Trata-se de uma antiga plataforma
militar, construída pela Inglaterra durante a Segunda Guerra Mundial e abandonada após o conflito. Em 1967, o
ex-major inglês Roy Bates, sua mulher e seu filho Michael desembarcaram no local, proclamaram a
independência, instauraram um reinado, criaram uma constituição, um hino e uma bandeira. Eles são
sustentados por pessoas que compram títulos para virar cidadãos de Sealand, mas preferem continuar vivendo
em seu país de origem. Sealand emite selos, passaportes e cunha moedas, entre outras características de um
Estado independente. Adaptado de Época, 15/01/2007
Até o momento nenhum país reconhece a existência de Sealand. A famíla Bates, no entanto, argumenta que
Sealand possui os três principais elementos constitutivos do Estado-Nação Moderno. Estes três elementos são:
(A) povo – governo – território
(B) moeda – hino – fronteira
(C) constituição – etnia – história
(D) cidadão – legislação – bandeira

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05)(PISM III/2008) Observe a figura abaixo que apresenta uma afirmativa feita por Lênin.

A afirmativa de Lênin é representada por um período em que as duas potências, Estados Unidos e União
Soviética, a fim de garantir suas áreas de influência, colocaram seus arsenais bélicos, inclusive os nucleares,
em permanente exposição e assinaram tratados militares com seus aliados, criando a Organização do Tratado
do Atlântico Norte (OTAN), liderada pelos Estados Unidos, e o Pacto de Varsóvia, liderado pela União Soviética.
A rivalidade entre as duas potências levou o mundo a um período de tensão conhecido como:
a) Guerra Fria.
b) Guerra Ideológica.
c) Guerra do Golfo.
d) Guerra Mundial.
e) Guerra do Vietnã.
Gabarito:
01-B

02-E

03-B

04-A

05-A

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CAPÍTULO 2: GLOBALIZAÇÃO
Políticos:
ANTES DA POSSE:
Nosso partido cumpre o que promete.
Só os tolos podem crer que
não lutaremos contra a corrupção.
Porque, se há algo certo para nós, é que
a honestidade e a transparência são fundamentais
para alcançar nossos ideais
Mostraremos que é grande estupidez crer que
as máfias continuarão no governo, como sempre.
Asseguramos sem dúvida que
a justiça social será o alvo de nossa ação.
Apesar disso, há idiotas que imaginam que
se possa governar com as manchas da velha política.
Quando assumirmos o poder, faremos tudo para que
se termine com os marajás e as negociatas.
Não permitiremos de nenhum modo que
nossas crianças morram de fome.
Cumpriremos nossos propósitos mesmo que
os recursos econômicos do país se esgotem.
Exerceremos o poder até que
Compreendam que
Somos a nova política.
APÓS A POSSE:
LEIA NOVAMENTE AGORA DE BAIXO PARA CIMA
1- GLOBALIZAÇÃO


Globalização – Tendência pela qual o mundo todo vem passando nos últimos anos e que objetiva a
constituição de um amplo mercado de dimensões planetárias, explorado pelas grandes corporações
transnacionais. As fronteiras nacionais, por conta da maior liberdade comercial e também pelo avanço das
novas tecnologias de difusão das informações, passariam a não mais serem obstáculos para os fluxos
econômicos globais.

É um fenômeno observado na necessidade de formar uma Aldeia Global [...].A rigor, as sociedades do
mundo estão em processo de globalização desde o início da História. Mas o processo histórico a que se
denomina Globalização é bem mais recente, datando (dependendo da conceituação e da interpretação) do
colapso do bloco socialista e o conseqüente fim da Guerra Fria (entre 1989 e 1991), do refluxo capitalista com a
estagnação econômica da URSS (a partir de 1975) ou ainda do próprio fim da Segunda Guerra Mundial. As
principais características da globalização são a homogeneização dos centros urbanos, a expansão das
corporações para regiões fora de seus núcleos geopolíticos (transnacionais), a revolução tecnológica nas
comunicações e na eletrônica (Revolução técnico-científica), a reorganização geopolítica do mundo em
blocos comerciais regionais (não mais ideológicos), a hibridização entre culturas populares locais e uma cultura
de massa supostamente "universal", entre outros. (Wikipedia, 2007).
Na realidade, sob um novo rótulo, encontra-se um processo muito antigo, que continua a se expandir. A
Globalização é um processo pelo qual o espaço mundial adquire unidade. O ponto de partida desse movimento
remonta às grandes navegações européias do séc. XV, que conferiram unidade à aventura histórica dos povos
e configuraram, na consciência dos homens, a imagem geográfica do planeta. Entretanto, os fatores que
contribuíram para que o processo de globalização se intensificasse são decorrentes do “encurtamento de
distâncias” no planeta, promovido pela extraordinária evolução dos sistemas de transporte e comunicações.

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Esta evolução está totalmente inserida no contexto da Terceira Revolução Industrial, ou Revolução TécnicoCientífica.
Em suma, vale lembrar esse processo de integração mundial chamado globalização não é só
econômico. Ele tem ao mesmo tempo uma dimensão política, social e cultural enraizadas em seu processo.
1.1 Revolução Técnico-científica *
O setor mais importante dessa revolução é certamente a indústria da informática, como surgimento dos
softwares e o avanço no armazenamento e processamento de informações por redes digitais e cabos de fibras
ópticas. A informática invadiu bancos, Bolsas de Valores, hospitais, repartições públicas, escolas, fábricas, lojas
e supermercados e até mesmo a nossa casa. Isto contribuiu para o inevitável avanço das telecomunicações e
setores como a biotecnologia. Além destes, os meios de transporte também são beneficiados, proporcionando
uma velocidade cada vez maior de deslocamento a grandes distâncias. Podemos dizer que o avanço deste
conjunto de técnicas combinadas é responsável pelo encurtamento das distâncias e pela eliminação de
fronteiras através dos fluxos das redes mundiais. Porém, os lugares que apresentam as melhores infraestruturas e o maior poder aquisitivo são privilegiados. Estes lugares estão sobretudo nas cidades globais,
localizadas predominantemente nos países desenvolvidos.
1.2 A mundialização do capital e o papel das transnacionais
A globalização é o atual momento da expansão capitalista. Pode-se dizer que ela está para o
capitalismo informacional assim como o colonialismo esteve para sua etapa comercial ou o imperialismo para o
final da fase industrial e início da financeira. Trata-se de uma expansão que visa aumentar os mercados e,
portanto, o lucro, o que de fato move os capitais, tanto produtivos como especulativos, no mercado mundial.
- capitais especulativos: de curto prazo, conhecidos como smart money (dinheiro esperto) ou hot money
(dinheiro quente), ávidos por lucratividade e movimentam-se com grande rapidez no sistema financeiro.
- capitais produtivos: a entrada destes capitais é mais demorada, pois são investimentos de longo prazo,
por isso são menos suscetíveis às oscilações do mercado.
As empresas transnacionais são consideradas as principais responsáveis pela mundialização dos capitais
produtivos, constituindo-se num grande símbolo da globalização do capital.
A Terceira Revolução Industrial
No pós-Segunda Guerra Mundial, embalados pelo auxílio econômico do Plano Marshall e de acordos
bilaterais, os aliados dos Estados Unidos na Europa e na Ásia cresceram aceleradamente. Movidas por acirrada
concorrência, as empresas dos EUA, do Japão e da Europa Ocidental fizeram um grande esforço visando à
introdução de novas tecnologias, principalmente daquelas aplicadas ao processo produtivo, tais como a
informática e a robótica. Isso possibilitou uma crescente elevação dos índices de produtividade dessas
economias, tornando-as mais competitivas.
Evidentemente, para alcançar esse novo patamar tecnológico houve um esforço conjunto entre as
empresas e os Estados em que elas estavam sediadas no sentido de se investir maciçamente em pesquisa e
desenvolvimento e na elevação dos níveis de qualificação de mão-de-obra. A essas novas tecnologias e às
mudanças radicais que elas estão provocando, não só do ponto de vista socioeconômico, mas também cultural,
dá-se o nome de Terceira Revolução Industrial, ou Revolução Técnico-científica ou, ainda, Revolução
Informacional. É o capitalismo adentrando seu atual período técnico-científico, no dizer do geógrafo Milton
Santos, ou em sua etapa informacional, segundo definição do sociólogo Manuel Castells. Os países líderes
desse processo que está em curso são os Estados Unidos e o Japão, seguidos de perto pela União Européia,
bloco em que se destacam a Alemanha, a França e o Reino Unido.
MOREIRA e SENE. Geografia Geral e do Brasil, espaço geográfico e globalização. São Paulo, 2005

2- MIGRAÇÕES INTERNACIONAIS
A população de um país não é apenas modificada pelas mortes e nascimentos de seus habitantes. É
preciso levar em conta, também, os movimentos de entrada e de saída, ou seja, as migrações que ocorrem em
seu território.
As migrações internas são aquelas que se processam no interior de um país como, por exemplo, o
êxodo rural, que é constante no Brasil. A partir das duas últimas décadas do século XX tem-se verificado no
Brasil um acréscimo acentuado de migrações. As migrações internacionais recentes no Brasil têm, como países

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de destino, essencialmente, os EUA, Portugal, Espanha, Itália, Inglaterra, França, Canadá, Austrália, Suíça,
Alemanha, Polônia, Bélgica, Países Baixos, Japão, Paraguai e Israel, quase num movimento inverso ao que se
deu no século XIX. Note-se, no entanto, que as migrações brasileiras para o Paraguai constituíram um
fenômeno que teve o seu início ao longo dos anos 70. Segundo as estatísticas, o maior número de brasileiros
imigrantes está nos Estados Unidos. O segundo contingente situa-se no Paraguai (os chamados "brasiguaios").
No fluxo inverso, porém, é expressiva a presença de imigrantes provenientes da Bolívia e do Peru
desde os anos 80, os quais têm, em sua maioria, se radicados em São Paulo.
Segundo a Convenção das Nações Unidas relativa ao Estatuto dos Refugiados, mais conhecida como
Convenção de Genebra de 1951, refugiado é toda a pessoa que, em razão de fundados temores de
perseguição devido à sua raça, religião, nacionalidade, associação a determinado grupo social ou opinião
política, encontra-se fora de seu país de origem e que, por causa dos ditos temores, não pode ou não quer
regressar ao mesmo.
O número de refugiados no planeta tem aumentado nos últimos anos em decorrência do elevado
número de conflitos étnicos, nacionalistas e religiosos verificados no planeta, principalmente a partir dos anos
80 e 90, coincidente com a acentuação das características da globalização que deram mais visibilidade às
minorias graças à evolução dos meios de transporte e telecomunicações.
Xenofobia - é comumente associado a aversão a outras raças e culturas. É também associado à fobia
em relação a pessoas ou grupos diferentes, com os quais o indivíduo que apresenta a fobia habitualmente não
entra em contato e evita. Na Europa encontramos nos dias atuais o pior cenário onde se pode visualizar os
problemas trazidos por visões xenófobas, aumentam cada vez mais as restrições à imigração, com a subida ao
poder de organizações de direita e extrema direita que acusam os imigrantes de roubar os empregos da
população européia, mas o grande senão dessa história é que a Europa enfrenta uma séria crise de
desemprego estrutural que não tem nada a ver com a imigração e sim com a concorrência com as economias
asiáticas que oferecem mão de obra barata e custos trabalhistas bem menores em relação ao estado de bem
estar social ainda vigente em várias sociedades européias. Outra questão grave a ser analisada diz respeito ao
envelhecimento da população européia que terá que recorrer à imigração para repor os estoques de mão de
obra futuros.
3- GLOBALIZAÇÃO ENQUANTO UM MOVIMENTO CONTÍNUO DOS FLUXOS

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4- CARACTERÍSTICAS DA ECONOMIA GLOBAL
A partir da segunda metade do século XX, as empresas industriais, comerciais e de prestação de
serviços (bancos, hotéis, redes de restaurantes, companhias de telecomunicações etc.) começaram a
instalarem filiais em vários países do mundo, num processo que ficou conhecido como mundialização ou
internacionalização do capital e da produção.
O processo de expansão do capitalismo constituiu a chamada economia global, que influenciou
diversos países e se caracteriza pelo seguinte:












Crescimento do comércio internacional – O fluxo de mercadorias entre os países foi multiplicado por seis
entre 1975 e 1995. Nos últimos anos, produtos originários de vários lugares do planeta podem ser
encontrados no mercado interno dos países. Entretanto, cerca de dois terços do fluxo mundial de
mercadorias ocorre entre os países desenvolvidos, que têm maior capacidade de consumo. Uma decisão
política ou econômica tomada em qualquer ponto do planeta pode provocar reações em todo o mundo. Por
exemplo, se o banco Mundial eleva a taxa de juros de empréstimos, todos os países que têm dívida externa
são prejudicados.
Mundialização da produção – Grande parte da produção e do comércio mundiais é controlada por
empresas que têm sedes nos países desenvolvidos. Essas empresas têm filiais em vários países dos cinco
continentes e se beneficiam da mão-de-obra barata, das matérias-primas, dos mercados consumidores, da
redução de impostos oferecidos pelos governos locais e da ausência de legislação e fiscalização rigorosas,
principalmente nos países subdesenvolvidos. A busca por maiores lucros leva as empresas transnacionais
a produzir componentes de um produto no país ou na região onde as condições lhes sejam mais favoráveis.
Assim, um automóvel, por exemplo, pode ter as peças fabricadas em vários países e ser montado em outro.
È a fábrica global. Na economia global, as atividades desenvolvidas pelos mais variados tipos de
trabalhadores exigem cada vez mais criatividade e qualificação. As empresas modernas querem
funcionários capazes de se adaptar às novas tecnologias introduzidas no processo de produção. As
jornadas de trabalho e os salários estão mais flexíveis. A carga horária perde em importância para a
qualidade do trabalho e os pagamentos são efetuados de acordo com a produtividade de cada trabalhador.
Rápida expansão dos fluxos financeiros – Bilhões de dólares são movimentados pelo mundo todos os
dias, como investimentos em bolsas de valores ou pagamentos por mercadorias o serviços. Com o
desenvolvimento da informática e dos meios de comunicação, as transnacionais realizam-se de forma mais
rápida.
Crescente importância da tecnologia – O desenvolvimento tecnológico nas áreas de informática e
telecomunicações permite que uma pessoa receba informação em tempo real em qualquer ponto do
planeta. A expansão das telecomunicações foi possível graças à construção de satélites e à criação e
instalação de fibras ópticas, que são cabos que transmitem dados a uma altíssima velocidade.
Sociedade global – A grande circulação de informações, mercadorias e pessoas fez surgir uma sociedade
em que determinados valores são globais. Há uma padronização das formas de trabalho, da produção e do
consumo. Milhares de pessoas do planeta alimenta-se nas mesmas redes de restaurantes, bebem os
mesmos refrigerantes, ouvem as mesmas músicas e assistem aos mesmos filmes. Contudo, cabe destacar
que a globalização é seletiva, beneficiando alguns lugares do planeta e determinadas sociedades ou grupos
sociais. Milhões de pessoas ainda estão excluídas desse processo.
Os centros de poder da economia global – Um grupo formado por cinco países, o chamado G5 (EUA,
Japão, Alemanha, França e Inglaterra), é o que mais se beneficia com o processo de globalização. Esses
novos centros de poder econômico e tecnológico detêm as sedes de muitas das principais empresas
transnacionais que atuam nos mais variados setores da economia global. A atuação desses cinco países
promove uma regionalização do espaço mundial de acordo com seus interesses econômicos.

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5- O BRASIL E O BRIC
Fonte: Atualidades, Vestibular + ENEM 2011. São Paulo: Ed. Abril, 2010. pág. 128-133.
Com uma economia em franca expansão, o Brasil ganha influência no cenário mundial e integra
o grupo de países emergentes que podem se tornar a maior força econômica do mundo.
Embora possua um território de dimensões continentais, riquezas
naturais invejáveis e a quinta maior população do mundo, o Brasil sempre
exerceu papel secundário no cenário internacional. Mas essa situação
começou a mudar nos últimos anos, e o país passou a ocupar um lugar de
maior destaque nas grandes questões da atualidade.
No front econômico, o Brasil consolida a sua influência mundial
como o principal exportador de commodities (matérias-primas). Com a
descoberta de enormes reservas de petróleo em camadas profundas (présal), a expectativa é a de que o país também se torne um grande
fornecedor de energia. Na última década, ao lado da estabilização
financeira, que converteu o Brasil num destino seguro e desejado para o
capital estrangeiro, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro esteve em
franca expansão até a eclosão da crise mundial, no fim de 2008 - mas o
impacto no país foi considerado modesto, e a expectativa de 2010 foi de
crescimento de 5%. O reconhecimento externo da importância econômica do Brasil cristalizou-se com a
inclusão do país num seleto grupo de nações emergentes que vem dando o que falar na imprensa mundial: o
Bric, nome formado pelas iniciais de Brasil, Rússia, Índia e China.
À medida que amplia a sua participação na economia global, o país busca maior projeção política. Além
de ser um dos líderes do movimento pela reforma do Conselho de Segurança da ONU, o ex-governo Lula veio
assumindo a dianteira na campanha pela maior liberalização do comércio mundial. Nas crises regionais, o Brasil
também marca presença ao chefiar desde 2004 a missão da paz da ONU no Haiti. Em 2010, a diplomacia
brasileira deu um passo ambicioso, ao tentar mediar o impasse nuclear envolvendo o Irã e as potências
ocidentais. Depois, entrou em choque direto com os Estados Unidos, ao votar contra as novas sanções
aprovadas na ONU contra o Irã.
Nasce o Bric
Em 2001, quando o economista Jim O'Neill, chefe de pesquisa em economia global do banco Goldman
Sachs, debruçou-se sobre os principais dados econômicos desses quatro grandes países emergentes,
percebeu que eles se destacavam dos demais. Não apenas porque Brasil, Rússia, China e Índia são países
grandes e populosos; nem somente porque apresentavam economia em rápido crescimento. O que chamou
sua atenção foi a constatação - com base em projeções demográficas e econômicas - de que o grupo, quando
somado, poderia representar em 2050 a maior força econômica do planeta, suplantando os Estados Unidos, o
Japão e os membros da União Europeia.
O economista juntou os quatro países e criou um bloco que não existia. Para nomeá-lo, ele concebeu
um acrônimo, ao pegar emprestado de cada país a sua letra inicial: Bric. Acrônimo é o nome que se da a uma
palavra que surge quando se juntam uma ou mais letras iniciais de um conjunto maior com o objetivo de
simplificar a comunicação. Pode "pegar" ou não, dependendo da sua adequação ou originalidade. E chamar os
quatro grandes emergentes de Bric’s caiu no gosto de jornalistas e economistas, e dos próprios governos
desses países, que em junho de 2009 realizaram sua primeira reunião, em Ecaterimburgo, na Rússia, e
emitiram uma declaração conjunta, pedindo o estabelecimento de uma ordem mundial multipolar.
Consumo interno
A expectativa para a próxima década é de expansão da classe média na área do Bric e em larga
medida, a força do Bric provem da enorme fatia da população mundial concentrada nos quatro países. Neles
vivem 2,7 bilhões de habitantes, o equivalente a 40% da humanidade. A grande maioria contingente e de
chineses e indianos, os países com as mais aceleradas taxas de crescimento econômico entre as grandes
economias. O Bric também possui um território enorme. Somada, a área dos quatro países representa um
quarto das terras do planeta. Nesse vasto território, há muita riqueza, como petróleo (Rússia e Brasil), produtos
agrícolas (Brasil), mão de obra farta e barata (China) e potencial para o desenvolvimento de mais produtos com
as inovações científicas e tecnológicas (China e Índia).
De acordo com um informe publicado em 2010 pelo Goldman Sachs, a expansão da classe média no
Bric, especialmente na China e na Índia, orientara o mercado mundial, já que o perfil de consumo dessa classe

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social difere daquele típico das camadas mais pobres - no qual o peso do gasto com comida e roupa é
proporcionalmente bem mais elevado do que com educação ou lazer.
6- GLOBALIZAÇÃO E MEIO AMBIENTE

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7 - GLOBALIZAÇÃO E OS ORGANISMOS INTERNACIONAIS
As fronteiras nacionais no mundo globalizado têm sido ultrapassadas por outras fronteiras mais amplas,
mais abrangentes: as fronteiras supranacionais dos organismos internacionais de financiamento, empresas
transnacionais e blocos econômicos, que agem no território do Estado-nação ultrapassando suas fronteiras e
pondo em xeque a própria soberania do Estado. Além de organismos com fins econômicos, temos também os
organismos com fins humanitários, como A ONU.
-

FMI (Fundo Monetário Internacional): surgiu na conferência de Bretton Woods em 1944 e começou a
funcionar em 1945. Está sediado em Washington e seus objetivos são promover a cooperação
monetária internacional, favorecer a expansão e o desenvolvimento do comércio internacional e dar
assessoria aos países membros que enfrentam dificuldades financeiras. O FMI age sob a ótica do
neoliberalismo. Uma das exigências impostas por esse organismo é a adoção de práticas econômicas
liberais para quem recorre a ele. Estados Unidos, Japão, Alemanha, França e Reino Unido são os
maiores acionistas do fundo.

-

Banco Mundial: também originado na conferência de Bretton Woods. Tem sede em Washington e é
composto pelos mesmos países do FMI. Porém, enquanto o FMI se encarrega de preservar o sistema
financeiro internacional, o Banco Mundial se encarrega de estabelecer projetos que visam o
desenvolvimento e melhores condições de vida. A diminuição da pobreza é o seu principal objetivo. O
Banco mundial começou seus trabalhos em março de 1946, através do BIRD (Banco Internacional de
Reconstrução e Desenvolvimento). Hoje é formado por mais quatro instituições além do BIRD:
Associação Internacional de Desenvolvimento (AID), Corporação Financeira Internacional (CFI),
Agência Multilateral de Garantia de Investimento (AMGI) e Centro Internacional para Arbitragem de
Disputas sobre Investimentos (Ciadi).

-

GATT e OMC: o GATT (Acordo Geral de Tarifas e Comércio) foi um acordo provisório que entrou em
vigor em janeiro de 1948, durando até 1995, quando se tornou a Organização Mundial de Comércio
(OMC). Existem algumas diferenças básicas entre GATT e OMC. O primeiro era só um ‘acordo
provisório’, a OMC é uma ‘organização mundial’. Quando o GATT foi criado, o comércio mundial era
dominado por bens e produtos (agrícolas, minerais, industriais). Com o passar do tempo a economia
mundial ficou mais complexa. O comércio mundial de serviços (transporte, turismo, telecomunicações)
e de ideias (livros, patentes), classificadas como propriedades intelectuais, tornou-se extremamente
importante. Nesses setores, a OMC ampliou o GATT, que foi extinto como órgão, mas teve preservados
seus acordos para o comércio de bens e produtos, fazendo parte dos tratados da OMC. Em suma, a
OMC tem status permanente, é uma organização internacional (como o FMI e o Banco Mundial) e suas
resoluções têm base legal, visto que seus membros concordam em seguir as regras estabelecidas.

-

ONU: A ONU foi criada em 1945, na conferência de San Francisco. Foi criada com o objetivo de
preservar a paz mundial e desenvolver relações de cooperação entre os povos. A Assembléia Geral e o
Conselho de Segurança são os dois órgãos de deliberação das Nações Unidas. Na Assembléia Geral,
cada Estado dispõe de um voto e as decisões são tomadas por maioria simples. No que concerne às
questões de paz e segurança, a Assembléia Geral está limitada a produzir recomendações, pois a
tomada de decisões é atribuída ao Conselho de Segurança. O Conselho de Segurança é composto por
5 membros permanentes e 10 rotativos, eleitos pela Assembléia Geral. Os membros permanentes –
Estados Unidos, Rússia, China, Grã-Bretanha e França – dispõem de direito de veto. As decisões
dependem de uma maioria de 9 votos e da inexistência de 1 veto. Embasada na doutrina Bush, a
invasão do Iraque em 2003 desencadeou a crise da ONU. O ataque norte-americano ao Iraque tinha o
apoio da Grã-Bretanha, mas enfrentava a oposição dos outros 3 membros permanentes do Conselho
de Segurança e a resolução elaborada por Washington não reuniria os 9 votos necessários para
aprovação. A operação militar foi deflagrada à revelia da ONU. A articulação da França, Rússia e China
para bloquear a resolução proposta por Washington revelou a instabilidade da ordem mundial. O
desrespeito ao Conselho de Segurança, pela maior potência do mundo, atingiu a credibilidade do
sistema global de segurança coletiva.

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-

TERCEIRO SETOR: Para entendermos o que é o Terceiro Setor devemos localizar anteriormente quais
são o Primeiro Setor e o Segundo Setor. Na conceituação tradicional, o primeiro setor é o Estado,
representado por entes políticos (Prefeituras Municipais, Governos dos Estados e Presidência da
República), além de entidades a estes entes ligados (Ministérios, Secretarias, Autarquias, entre outras).
Quer dizer, chamamos de primeiro setor o setor público, que obedece ao seu caráter público e exerce
atividades públicas. O segundo setor é o Mercado (Empresas), composto por entidades privadas que
exercem atividades privadas, ou seja, atuam em benefício próprio e particular. O Terceiro Setor é
composto de por organizações privadas sem fins lucrativos, que atuam nas lacunas deixadas pelos
setores público e privado, buscando a promoção do bem-estar social. Quer dizer, o terceiro setor não é
nem público nem privado, é um espaço institucional que abriga entidades privadas com finalidade
pública. Esta atuação é realizada por meio da produção de bens e prestação de serviços, com o
investimento privado na área social. Isso não significa eximir o governo de suas responsabilidades, mas
reconhecer que a parceria com a sociedade permite a formação de uma sociedade melhor. Portanto, o
Terceiro Setor não é, e não pode ser, substituto da função do Estado. A idéia é de complementação e
auxílio na resolução de problemas sociais. Para comparar com os termos financeiros anteriormente
explicados, no caso do Terceiro Setor utiliza-se o dinheiro privado em atividades públicas. Fonte:
<http://www.cedac.org.br/OSCIP.pdf>, acesso em 21/01/2010.

-

TERCEIRA VIA: A terceira via é uma corrente da ideologia social-democrata. É também conhecida
como social-democracia contemporânea. Este pensamento defende um Estado necessário, em que sua
interferência não seja, nem máxima, como no socialismo, nem mínima, como ocorre no liberalismo. Mas
que a atuação estatal seja adequada à conjuntura vivida pelo país. Esta teoria também defende a
responsabilidade fiscal dos governantes, o combate à miséria, carga tributária proporcional à renda,
com o Estado sendo o responsável pela segurança, saúde, educação, previdência etc. Algumas figuras
políticas como Bill Clinton, Barack Obama, Tony Blair - conhecido também como o corifeu da terceira
via - e Fernando Henrique Cardoso são exemplos da terceira via. Um dos principais defensores e
difusores do pensamento da Terceira Via é o sociólogo britânico Anthony Giddens. Ele expõe
regularmente suas visões por meio de contribuições ao think tank Policy Network do Reino Unido.

8- INTEGRAÇÃO E BLOCOS ECONÔMICOS
Na economia-mundo há uma grande ampliação das trocas comerciais internacionais. Por causa dessa
forte integração, alguns países procuram agrupar-se para enfrentar melhor a concorrência no mercado mundial
globalizado. A formação de blocos econômicos é uma regionalização dentro do espaço mundial, mas também
uma forma de aumentar as relações em escala global, pois, ao participar de um bloco, um país tem acesso a
vários mercados consumidores, dentro e fora de seu bloco. Os principais blocos regionais são: União Europeia,
Mercosul, Nafta e Apec. Na formação dos blocos econômicos existem etapas distintas que determinam o nível
de integração dos países membros.
As etapas de integração econômica se constituem em cinco: a zona de livre comércio, a união
aduaneira, o mercado comum, a união monetária e a união política.







Zona de Livre Comércio: nesta, as mercadorias circulam livremente entre os países membros. As tarifas
alfandegárias são eliminadas, há flexibilidade nos padrões de produção, controle sanitário e de fronteiras. O
NAFTA encontra-se neste estágio.
União Aduaneira: além da eliminação de tarifas ocorrida na Zona de Livre Comércio, existe aqui a adoção
de uma tarifa externa comum (TEC), adotada para as relações com outros países fora do bloco. O Mercosul
encontra-se neste estágio.
Mercado Comum: além da TEC e da livre circulação de mercadorias, existe aqui a livre circulação de
capitais, serviços e pessoas. É comum a padronização de impostos para a população, empresas, leis
trabalhistas, ambientais, etc.
União Monetária (Econômica): engloba todas as características anteriores com a adição de uma moeda
comum (emitida por um único Banco Central). Há também a padronização de políticas macroeconômicas
para todos os países. O único bloco que atinge esse nível de integração é a União Europeia. Cabe ao
Banco Central Europeu a emissão da moeda única utilizada.
União Política: é a etapa mais avançada da integração. Além de todas as características anteriores engloba
a unificação das políticas de relações internacionais, defesa, segurança interna (terrorismo, narcotráfico) e
segurança externa (guerras). A União Europeia planeja chegar a este patamar.

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Os Blocos Econômicos são frutos do mundo globalizado. Os agentes da globalização estão cada vez mais
interessados em acordos internacionais que permitam a livre circulação de seus produtos e na formação de
blocos econômicos que possibilitem diminuir as tarifas alfandegárias. Essa tendência coloca em risco a
importância política de alguns países que em alguns casos podem perder o controle da sua economia. Uma das
formas de manter os mercados globalizados sob o controle dos Estados foi à criação de blocos econômicos
regionais. Os principais são: Nafta (Acordo de livre comércio da América do Norte), Mercosul (Mercado Comum
do Sul), Asean (Associação das nações do sudeste asiático), Apec (Cooperação Econômica da Ásia e do
Pacífico), UE (União Européia).
EXERCÍCIOS DE APLICAÇÃO:
01)(ENEM/2010) Um banco inglês decidiu cobrar de seus clientes cinco libras toda vez que recorressem aos
funcionários de suas agências. E o motivo disso é que, na verdade, não querem clientes em suas agências; o
que querem é reduzir o número de agências, fazendo com que os clientes usem as máquinas automáticas em
todo tipo de transações. Em suma, eles querem se livrar de seus funcionários.
HOBSBAWM, E. O novo século. São Paulo: Companhia das Letras, 2000 (adaptado).
O exemplo mencionado permite identificar um aspecto da adoção de novas tecnologias na economia capitalista
contemporânea. Um argumento utilizado pelas empresas e uma consequência social de tal aspecto estão em
A) qualidade total e estabilidade no trabalho.
B) pleno emprego e enfraquecimento dos sindicatos.
C) diminuição dos custos e insegurança no emprego.
D) responsabilidade social e redução do desemprego.
E) maximização dos lucros e aparecimento de empregos.

02)(ENEM/2010) OG-20 é o grupo que reúne os países do G-7, os mais industrializados do mundo (EUA,
Japão, Alemanha, França, Reino Unido, Itália e Canadá), a União Europeia e os principais emergentes (Brasil,
Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Coreia do Sul, Indonésia, México e
Turquia). Esse grupo de países vem ganhando força nos fóruns internacionais de decisão e consulta.
ALLAN, R. Crise global. Disponível em: http://conteudoclippingmp.planejamento.gov.br. Acesso em: 31 jul.
2010.
Entre os países emergentes que formam o G-20, estão os chamados BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China),
termo criado em 2001 para referir-se aos países que
A) apresentam características econômicas promissoras para as próximas décadas.
B) possuem base tecnológica mais elevada.
C) apresentam índices de igualdade social e econômica mais acentuados.
D) apresentam diversidade ambiental suficiente para impulsionar a economia global.
E) possuem similaridades culturais capazes de alavancar a economia mundial.
03)(UFJF/2010) Leia abaixo notícia veiculada no site da BBC:
Socorro a bancos em 1 ano supera ajuda a países pobres em 50, diz ONU
A indústria financeira internacional recebeu no último ano quase dez vezes mais dinheiro público em
ajuda do que todos os países pobres em meio século, segundo aponta um relatório divulgado pela Campanha
da ONU pelas Metas do Milênio.
Segundo a organização, que promove o cumprimento das metas das Nações Unidas para o combate à
pobreza no mundo, os países em desenvolvimento receberam em 49 anos o equivalente a US$ 2 trilhões em
doações de países ricos.
Disponível em: <http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/06/090624_relatoriobancos_rw.shtml>.
Acesso em: 24 jun. 2009. Adaptado.
Leia as afirmativas a seguir:

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I - Um dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio é garantir que, até 2015, todos os jovens, de ambos os
sexos, terminem uma etapa de curso do ensino superior.
II - O papel dos bancos é dar liquidez e financiar a produção, mas, nos Estados Unidos, eles transformaram-se
em ferramenta de especulação, sendo uma das causas da crise financeira atual.
III - Os governos neoliberais utilizam a nacionalização apenas para forçarem os bancos a promover os
financiamentos da economia sem acréscimos exagerados nas taxas de juro.
IV - Depois do sistema financeiro, a outra prioridade dos governos será combater o desemprego, não por
sentimento de humanidade com os trabalhadores vitimados, mas para evitar agitação social.
Sobre a atual crise financeira mundial, assinale a alternativa CORRETA.
a) Apenas as afirmativas I e II são verdadeiras.
b) Apenas as afirmativas II, III e IV são verdadeiras.
c) Apenas as afirmativas I, II e III são verdadeiras.
d) Apenas as afirmativas II e IV são verdadeiras.
e) As afirmativas I, II, III e IV são verdadeiras.
04)(ENEM/2009*)

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05)(ENEM/2009*)

06)(UFMG/2006) O comércio internacional, após o fim da Guerra Fria, foi marcado por importantes mudanças.
Assim sendo, é INCORRETO afirmar que, entre essas mudanças, se inclui o fato de que
A) a nova configuração do mercado internacional, resultante do crescente antagonismo entre países pobres e
ricos, ou seja, entre Sul e Norte, provocou redirecionamento dos fluxos de troca.
B) a Organização Mundial do Comércio (OMC), visando a ampliar a redução de tarifas alfandegárias e a dar à
instituição maior poder de controle sobre o comércio internacional, substituiu o Acordo Geral de Tarifas e
Comércio (GATT).
C) o comércio apresentou grande crescimento em algumas áreas continentais, chegando a superar, em certos
casos, as trocas realizadas com países situados a distâncias maiores.
D) o comércio internacional adotou regras que facilitam as trocas, mas, por outro lado, conservou, ainda,
artifícios que restringem as vantagens dos países menos desenvolvidos.
07)(UFV/2006) Os diferentes meios de comunicação (rádio, televisão, internet, telefone) possibilitaram um
aumento nos fluxos de informações no Mundo, integrando regiões que anteriormente eram quase isoladas.
Com base nesta afirmativa, responda:
Quais as regiões mundiais que apresentam a rede de meios de comunicação mais densa?
08)(UFV/2006) Os diferentes meios de comunicação (rádio, televisão, internet, telefone) possibilitaram um
aumento nos fluxos de informações no Brasil, integrando regiões que anteriormente eram quase isoladas. Com
base nesta afirmativa, responda:
a) Qual a região brasileira que apresenta a rede de meios de comunicação mais densa?
b) Aponte dois motivos que justificam a maior densidade dos fluxos de informações nesta região. Explique cada
um deles.
09)(PISM III/2008) Leia, com atenção, o texto abaixo.
“Em Honolulu tudo é muito bem planejado, o que dá a sensação que se é um ator participando de um filme. Em
nenhum outro lugar essa sensação parece ser tão forte. Ao caminhar-se, particularmente pela área dos hotéis,
na praia de Waikiki, a sensação de cenário de filme se reforça. Os hotéis, uns ao lado dos outros - como
grandes torres fincadas no chão - têm lobbies que se comunicam, pontuados por belíssimos (mas falsos) jardins
tropicais, absolutamente simétricos, sem uma única folha caída no chão, sem nem tampouco folhas
amarelecidas, fontes de água corrente, lagos com peixes coloridos, tochas, aléias serpenteadas por belos
gramados de todos os tamanhos, poltronas confortáveis, bancos colocados estrategicamente e, evidentemente,
muitas lojas. Tudo muito limpo. Um filme de Elvis Presley. A saída do hotel para ir à praia também não parecia
menos controlada, elevadores conduziam os hóspedes das várias torres à rouparia para se pegar toalhas de
praia (é claro que só depois de assinar um recibo, no qual se esclarecia sobre o uso e o horário da devolução).”
(CARLOS, Ana Fani A. O turismo e a produção do não-lugar. Disponível em:
<http://www.cefetsp.br/edu/eso/lourdes/turismoproducaonaolugar.html>. Acesso em: 23 out. 2007.)
De acordo com o texto, a indústria do turismo:

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a) é uma forma de indústria gerenciada pelo turista.
b) liberta as horas de lazer das regras de mercado.
c) produz espaço com uma forte identidade.
d) produz espaços heterogêneos e inclusivos.
e) transforma tudo o que toca em artificial.
10)(PISM III/2007) Sobre a mobilidade populacional do mundo contemporâneo é CORRETO afirmar que:
a) as migrações econômicas são causadas pelas semelhanças existentes entre o crescimento econômico e o
crescimento populacional de um país ou de uma região.
b) o desenvolvimento do capitalismo europeu, do início do século XIX até os dias atuais, fez com que as ondas
migratórias, freqüentes no velho continente, fossem suspensas.
c) a globalização aumentou a fuga de cérebros: a transferência de profissionais altamente qualificados, dos
países subdesenvolvidos para os desenvolvidos.
d) os países que convivem com grandes explosões demográficas estimulam políticas para a atração de
imigrantes; é a ocorrência do fenômeno conhecido como imigração.
e) os migrantes, ao remeterem dinheiro aos seus países de origem, não afetam a economia nacional, que perde
a arrecadação de impostos e investimentos nas cidades natais.
GABARITO:
01-C
02-A
03-B
04-A
05-E
06-A
07-ABERTA
08-ABERTA
09-E
10-C
AMÉRICA

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Capitulo 3: América
MAPA DA AMÉRICA

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1- BLOCOS ECONOMICOS DO CONTINENTE AMERICANO




MERCOSUL: Com a criação do Mercosul, em 1991, o Brasil e a Argentina ganharam a oportunidade de
superar suas divergências históricas e buscar soluções comuns para seus problemas, por meio da
cooperação e da integração econômica. A eles juntaram-se o Paraguai e o Uruguai, que assumiram o
objetivo de tornar a região capaz de competir em escala mundial, caminhando no sentido da construção
de um espaço econômico integrado. O objetivo é o de favorecer o crescimento do comércio interno latinoamericano e, além disso, ampliar as relações econômicas com outros pólos importantes da economia
mundial. As dificuldades da busca dessa unificação têm se colocado de várias maneiras ao longo do
tempo e estão ligadas à grande diferença de dimensões entre as economias dos parceiros,
principalmente a do Brasil e a dos demais membros do bloco. As crises econômicas que os dois
principais integrantes do bloco têm atravessado colocam dificuldades nesse processo. Apesar disso, o
intercâmbio comercial no Cone Sul revelou extraordinário dinamismo após a constituição do Mercosul. A
perspectiva, entretanto, é de que a integração dos países do Mercosul continue evoluindo. Neste sentido,
o bloco já conseguiu a adesão de dois países como associados (Chile e Bolívia) e negocia o
estreitamento de relações com a CAN (Comunidade Andina das Nações), incluindo a possibilidade de
unificação dos dois blocos. A África do Sul e a Índia estão negociando acordos comerciais com o
Mercosul e começaram contatos nesse sentido com a China.
NAFTA

CANADÁ: Um dos países mais desenvolvidos do mundo, porém, possui algumas dificuldades. Grande parte do
território apresenta clima muito frio (obstáculo à sua ocupação e incremento da população). Este pequeno
número de habitantes gera problemas de ordem econômica (mercado interno reduzido e escassa mão-deobra). Resultado: dependência de investimentos externos (EUA).
MÉXICO: Embora o México possa se beneficiar da integração econômica, percebe-se uma ampliação muito
maior da área de influência das empresas norte americanas e canadenses, que passaram a dispor da ampla
mão-de-obra barata* formada pelos mexicanos. O país enfrenta grandes problemas sociais e alto crescimento
vegetativo, acentuando os movimentos migratórios. A Região metropolitana da cidade do México abriga
aproximadamente 30% da população do país. Esta urbanização crescente e desordenada aumenta as tensões
sociais já existentes (pobreza, desemprego, marginalidade). A delicada situação torna-se fator de peso para
que a emigração clandestina para os EUA aumente cada vez mais. Além disso, existe a forte dependência
tecnológica e financeira e a alta concentração fundiária (Região sul do país - Chiapas).
* Maquiladoras:a exploração da mão-de-obra barata ocorre principalmente na região norte do país. Lá estão
instaladas as empresas chamadas maquiladoras, ou seja, filiais de empresas dos EUA que produzem visando
o retorno para o mercado de consumo norte-americano, principalmente automóveis, eletrônicos e autopeças. A
tecnologia e os componentes são norte-americanos, cabendo ao México apenas a montagem final. Estas
empresas geram lucros pois reduzem seus custos, utilizam-se de fontes de energia mexicanas e poluem o
ambiente desse país, preservando o seu lugar de origem.
ESTADOS UNIDOS: é a economia mais dinâmica do mundo (PIB na casa dos 12,4 trilhões de dólares) e um
enorme e potente mercado consumidor. Os EUA são os maiores interessados na manutenção do Nafta e de
outros blocos econômicos na América. No Nafta, seus interesses estão no livre trânsito de sua produção
industrial nos dois países membros, ampliando seu mercado consumidor. Cerca de 80% do capital industrial do
Canadá é norte-americano. No México, o Nafta visa estancar o fluxo de mexicanos para o país, facilitando a
fixação de empresas no México. Os EUA são também os idealizadores e os maiores interessados na
implementação da Alça no continente americano.
Ao mesmo tempo, está em negociação já há algum tempo uma série de acordos com a União Europeia,
também no sentido de se buscar desenvolver relações econômicas com o menor número de obstáculos
possíveis.
Como vemos, além de buscar o fortalecimento interno de seus membros, o Mercosul expande-se na
América Latina e viabiliza o estabelecimento de parcerias com outros blocos e outros países importantes no

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cenário econômico mundial, como a África do Sul, a Índia e a China. Visa, dessa maneira, também fortalecer as
relações com países fora do eixo Europa - EUA - Japão.







ALCA: Na primeira reunião da “Cúpula das Américas”, entre outros temas, foi discutida a proposta da
constituição da ALCA (Associação de Livre Comércio das Américas), formulada pelo governo dos EUA,
com a previsão do envolvimento de todos os países americanos, com exceção de Cuba. Foi definido
também que as negociações entre os países para a sua implementação deveriam estar concluídas até
2005 e que funcionaria a partir de 2006. Entretanto, em função de divergências entre os países, as
negociações deverão se estender por um período maior. A ALCA foi concebida, desde o início, como um
projeto de grande envergadura. Se vier a ser criada, ela não será uma área de livre comércio tradicional,
isto é, não envolverá apenas o comércio de bens dentro das Américas. A proposta de sua constituição
aponta no caminho de se estabelecer um acordo global que pretende abarcar serviços, o sistema
financeiro, as compras governamentais e os investimentos. A Alca, tal como foi proposta pelos EUA,
levaria à perda de autonomia na condução de aspectos essenciais da política econômica pelos países
participantes. O Brasil, por exemplo, seria obrigado a manter o seu mercado interno sempre aberto, para
os produtos dos EUA e de outros países do continente americano. As empresas brasileiras teriam de
concorrer com as grandes corporações norte-americanas e todo o seu poder tecnológico, financeiro e
comercial. Em função dessas questões, que são agravadas pela grande disparidade ente os níveis da
atividade econômica dos EUA e do restante da América, nota-se resistência de vários países e abrirem
seus mercados e abrirem mão de sua capacidade de formular políticas nos próprios territórios. Dessa
maneira, aquilo que poderia ser uma forma de integração continental enfrenta uma série de dúvidas
quanto a sua real capacidade de promover o progresso para todos os países que formariam esse bloco,
pois muitos acreditam que esse tipo de organização, se for implementado com as características que
apresenta hoje, somente contribuiria para aumentar a pobreza, a estagnação econômica e o agravamento
da subordinação da economia de grande parte dos países do continente aos fluxos da riqueza mundial.
Pacto Andino: Os membros são: Bolívia, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela. Formado com o objetivo
de aumentar a integração econômica entre os países-membros. Em 1992 começou a vigorar como zona
de livre comércio.
CARICOM: Antigo Comunidade e Mercado Comum do Caribe e atual Comunidade do Caribe, é um bloco
de cooperação econômica e política, criado em 1973, formado por 14 países e seis territórios da região
caribenha. Estabelecido em 4 de Julho de 1973 pelo Tratado de Chaguaramas (Trinidad e Tobago) e com
sede em Georgetown (Guiana), a CARICOM veio substituir a CARIFTA (Associação de Livre Comércio do
Caribe), que existia desde 1965.O Objetivo do bloco foi formado por ex-colônias de potências européias
que, após a sua independência, viram-se na contingência de aliar-se para suprir limitações decorrentes
da sua nova condição e acelerar o seu processo de desenvolvimento econômico. Além de incentivar a
cooperação econômica entre os membros, a organização participa da coordenação da política externa e
desenvolve projetos comuns nas áreas de saúde, educação e comunicação. Este bloco de integração
regional visa promover o livre comércio, o livre movimento do trabalho e do capital; coordenar a
agricultura, a indústria e política estrangeira entre os seus países membros. Desde 1997 defendem o
tratamento diferenciado para economias pouco desenvolvidas, incluindo prazos maiores para o
cumprimento de futuros acordos de comércio. Em 1998, Cuba foi admitida como observadora do
Caricom. O bloco marca para 1999 o início do livre comércio entre seus integrantes, mas a decisão não
se efetiva. Em maio e em julho de 2000 a República Dominicana e Cuba, respectivamente, firmam
acordos de livre comércio com o bloco. Na cúpula da Caricom, em julho, fica estabelecida a criação de
uma Corte Caribenha de Justiça e é marcada para dezembro a finalização da estruturação do livre
comércio entre os membros. Os países-membros sao: Antígua e Barbuda, Bahamas, Barbados, Belize,
Dominica, Granada, Guiana, Haiti, Jamaica, Santa Lúcia, São Cristóvão e Névis, São Vicente e
Granadinas, Trinidad e Tobago e Suriname. Sendo os territórios associados: Bermudas, Montserrat
(1974), Ilhas Virgens Britânicas, Turks e Caicos (1991), Ilhas Caimán e Anguilla (1999).
APEC: (Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico). Membros: Austrália, Brunei, Canadá, Indonésia,
Japão, Malásia, Nova Zelândia, Filipinas, Cingapura, Coréia do Sul, Tailândia, EUA, China, Hong Kong,
Taiwan, México, Papua Nova Guiné, Chile, Peru, Rússia e Vietnã. A queda das tarifas já vem ocorrendo
nos últimos anos. Em 2000 o bloco destacou-se como o maior do planeta em volume de negócios. De
tudo que é exportado no mundo, cerca de 30% parte da APEC.
Fonte: Obra coletiva concebida. Projeto Araribá - Geografia 8ª série. São Paulo: Ed. Moderna, 2006. p. 58.

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2- HAITI – A GUERRA CIVIL

O Haiti é um país da América Central, que faz fronteira com a República Dominicana, a leste. Além
desta fronteira, os territórios mais próximos são as Bahamas e Cuba a noroeste, Turks e Caicos a norte, e
Navassa a sudoeste. A capital é Porto Príncipe.
Em 5 de dezembro de 1492, Cristóvão Colombo chegou a uma grande ilha, à qual deu o nome de
Hispaniola. Mais tarde passou a ser chamada de São Domingos pelos franceses. Dividida entre dois países, a
República Dominicana e o Haiti, é a segunda maior das Grandes Antilhas.
A parte ocidental da ilha, onde hoje fica o Haiti, foi cedida à França pela Espanha em 1697. No século
XVIII, a região foi a mais próspera colônia francesa na América, graças à exportação de açúcar, cacau e café.
Após uma revolta de escravos, a servidão foi abolida em 1794. Nesse mesmo ano, a França passou a dominar
toda a ilha. Em 1801, o ex-escravo Toussaint l'Ouverture tornou-se governador-geral, mas, logo depois, foi
deposto e morto pelos franceses. O líder Jacques Dessalines organizou o exército e derrotou os franceses em
1803. No ano seguinte, foi declarada a independência e Dessalines proclamou-se imperador.
Após período de instabilidade, o país é dividido em dois e a parte oriental - atual República Dominicana
- reocupada pela Espanha. Em 1822, o presidente Jean-Pierre Boyer reunificou o país e conquistou toda a ilha.
Em 1844, porém, nova revolta derrubou Boyer e a República Dominicana conquistou a independência.
Da segunda metade do século XIX ao começo do século XX, 20 governantes sucederam-se no poder.
Desses, 16 foram depostos ou assassinados. Tropas dos Estados Unidos da América ocuparam o Haiti entre
1915 e 1934, sob o pretexto de proteger os interesses norte-americanos no país.
Depois de mais um período de grande conturbação política, foram realizadas eleições presidenciais
livres em dezembro de 1990, vencida pelo padre esquerdista Jean-Bertrand Aristide. Em setembro de 1991,

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Aristide foi deposto num golpe de Estado liderado pelo General Raul Cedras e se exilou nos EUA. A
Organização dos Estados Americanos (OEA), a Organização das Nações Unidas (ONU) e os EUA impuseram
sanções econômicas ao país para forçar os militares a permitirem a volta de Aristide ao poder.
Em julho de 1993, Cedras e Aristide assinaram pacto em Nova York, acordando o retorno do governo
constitucional e a reforma das Forças Armadas. Em outubro de 1993, porém, grupos paramilitares impediram o
desembarque de soldados norte-americanos, integrantes de uma Força de Paz da ONU. O elevado número de
refugiados haitianos que tentavam ingressar nos EUA fez aumentar a pressão americana pela volta de Aristide.
Em maio de 1994, o Conselho de Segurança da ONU decretou bloqueio total ao país. A junta militar
empossou um civil, Émile Jonassaint, para exercer a presidência até as eleições marcadas para fevereiro de
1995. Os EUA denunciaram o ato como ilegal. Em julho, a ONU autorizou uma intervenção militar, liderada
pelos EUA.
Em setembro de 1994, força multinacional, liderada pelos EUA, entrou no Haiti para reempossar
Aristide. Os chefes militares haitianos renunciaram a seus postos e foram anistiados. Jonaissant deixou a
presidência em outubro e Aristide reassumiu o País com a economia destroçada pelas convulsões internas.
No período de 1994-2000, apesar de avanços como a eleição democrática de dois presidentes, o Haiti
viveu mergulhado em crises. Devido à instabilidade, reformas políticas profundas não puderam ser
implementadas.
A eleição parlamentar e presidencial de 2000 foi marcada pela suspeita de manipulação por Aristide e
seu partido. O diálogo entre oposição e governo ficou prejudicado. Em 2003, a oposição passou a clamar pela
renúncia de Aristide. A Comunidade do Caribe, Canadá, União Europeia, França, Organização dos Estados
Americanos e EUA, apresentaram-se como mediadores. Entretanto, a oposição refutou as propostas de
mediação, aprofundando a crise.
Em fevereiro de 2004, conflitos armados eclodiram em Gonaives, espalhando-se por outras cidades nos
dias subseqUentes. Gradualmente, os insurgentes assumiram o controle do norte do Haiti. Apesar dos esforços
diplomáticos, a oposição armada ameaçou marchar sobre Porto Príncipe. Aristide deixou o país em 29 de
fevereiro e asilou-se na África do Sul. De acordo com as regras de sucessão constitucional, o presidente da
Suprema Corte, Bonifácio Alexandre, assumiu a presidência, interinamente. Bonifácio requisitou, de imediato,
assistência das Nações Unidas para apoiar uma transição política pacífica e constitucional e manter a
segurança interna. Nesse sentido, o Conselho de Segurança (CS) aprovou o envio da Força Multinacional
Interina (MIF) que, prontamente, iniciou seu desdobramento, liderada pelos EUA.
Para o comando do componente militar da MINUSTAH (Force Commander) foi designado o General
Augusto Heleno Ribeiro Pereira, do Exército Brasileiro. O efetivo autorizado para o contingente militar é de
6.700 homens, oriundos dos seguintes países contribuintes: Argentina, Benin, Bolívia, Brasil, Canadá, Chade,
Chile, Croácia, França, Jordânia, Nepal, Paraguai, Peru, Portugal, Turquia e Uruguai.
Haiti é uma república presidencialista com um Presidente eleito e uma Assembléia Nacional. A
constituição foi introduzida em 1987 e teve como modelo as constituições dos Estados Unidos da América e da
França. Foi parcial ou completamente suspensa durante alguns anos, mas voltou à plena validade em 1994.
Desde o período de colonização o Haiti possui uma economia primária. Produzia açúcar de excelente
qualidade, que concorreu com o açúcar brasileiro no século XVII e junto com toda produção das Antilhas serviu
para a desvalorização do açúcar brasileiro na Europa. Após vários regimes ditatoriais, hoje em dia seu principal
produto de exportação ainda continua sendo o açúcar, além de outros produtos como banana, manga, milho,
batata-doce, legumes, tubérculos e muito mais.
Atualmente sua economia encontra-se destroçada e em ruínas. O país permanece extremamente
pobre, sendo o mais pobre da América e de todo Hemisfério Ocidental, tão miserável como Timor-Leste,
Afeganistão, entre outros. 50,2% da população é analfabeta, a expectativa de vida é de apenas 51 anos. Sua
renda per capita é um-terço da renda da favela da Rocinha, no Rio de Janeiro.
Embora a densidade populacional do Haiti suba em média a 270 habitantes por quilometro quadrado, a
sua população está concentrada nas zonas urbanas, planícies costeiras e vales. Cerca de 95% dos haitianos
são de ascendência africana. O resto da população é principalmente mulata, de ascendência mista caucasianaafricana. Uma minúscula minoria tem sangue europeu. Cerca de dois terços da população vivem em áreas
rurais.
O francês é uma das duas línguas oficiais, mas é falado só por cerca de 10% da população. Quase
todos os haitianos falam Krèyol (Crioulo), a outra língua oficial do país. O inglês é cada vez mais falado entre os
jovens e no setor empresarial.
O catolicismo romano é a religião de estado, professada pela maioria da população. Houve algumas
conversões ao protestantismo. Muitos haitianos também praticam tradições vodu, sem ver nelas nenhum
conflito com a sua fé cristã. A padroeira do Haiti, na Igreja Católica, é Nossa Senhora do Perpétuo Socorro.

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Por religiões:
Católicos 64% Protestantes 23,6%

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Sem filiação 5%

Vodu ou espírita 5%

Sem ou outras 2,4%.

3- BOLÍVIA e o Gás Natural
Fonte: Atualidades Vestibular – 1°semestre 2009. Editora Abril. Pág. 80-81.

Ao aumentar o controle estatal sobre a exploração das riquezas naturais do país e ampliar os direitos dos
indígenas, o presidente Evo Morales desafiou os interesses dos líderes da região da Meia Lua, que pressionam
por autonomia.
O país
A Bolívia é uma das nações mais pobres do continente americano, com alta taxa de analfabetismo e o
menor índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da América do Sul. Situada no centro-oeste do continente sulamericano, com 1.098.581 quilômetros quadrados de extensão, o país não tem saída para o mar. Em seu
território, a Cordilheira dos Andes atinge a largura máxima – 650 quilômetros. La paz é a capital mais alta do
mundo, localizada a 3.636 metros acima do nível do mar. No norte e no leste, as montanhas dão lugar a
planícies cobertas pela floresta Amazônica e, no sudeste, a pantanosa região do Chaco.
Sua população, de 9,7milhões de habitantes, é bastante miscigenada. Estima-se que cerca de 60% dos
bolivianos sejam de ORIGEM INDÍGENA. Considerando os mestiços, esse percentual alcança 85%, enquanto
os brancos correspondem a 15% dos habitantes. Além do espanhol, a Bolívia tem mais dois idiomas oficiais: o
quíchua e o aimará, ambos de origem indígena.
Em 2005, 0 país elegeu o primeiro presidente indígena, Evo Morales. Com trajetória política ligada aos
movimentos sociais e defensor de posições nacionalistas, Morales confronta os interesses da elite oposicionista
da região da Meia Lua, que reivindica autonomia. Outro sério problema esta relacionado ao narcotráfico e ao
controle sobre o cultivo de folha de coca, matéria-prima para a produção da cocaína.
História
O nome do país é uma homenagem a Simon Bolívar, o líder da independência da América hispânica.
Ao comandar a emancipação da Bolívia em 1825, com Antônio José de Sucre, Bolívar se tornou o primeiro
presidente da nação. Nos anos seguintes, a Bolívia sofreu consideráveis perdas territoriais para os países
vizinhos. Na Guerra do Pacifico (1879-1884), os bolivianos tiveram de ceder parte de seu território ao Chile,
ficando sem acesso ao mar. Em 1903, após conflito com seringueiros brasileiros, a nação vendeu ao Brasil o
atual estado do Acre. A descoberta de petróleo no sudeste provocou a Guerra do Chaco (1932-1935), em que a
Bolívia saiu derrotada e perdeu o território para o Paraguai.

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A história recente do país é repleta de confrontos, lutas populares e golpes. Um levante revolucionário
em 1952 pôs no poder Victor Paz Estenssoro, que nacionalizou as minas de estanho, decretou a reforma
agrária e instituiu o sufrágio universal. As décadas de 1960 e 1970 foram marcadas por sucessivos golpes de
Estado, que colocaram ditadores no poder. Em 1985, com Estenssoro de volta a Presidência, o país adotou um
programa de ajuste sob a orientação do Fundo Monetário Internacional (FMI) para lidar com a grave crise
econômica, com corte de subsídios e privatizações.
Hidrocarbonetos
A pobreza e a falta de infraestrutura são alguns dos principais problemas da nação. O Produto Interno
Bruto (PIB) boliviano é de 11,2 bilhões de dólares (2006), cerca de 1% do PIB brasileiro. O país possui reservas
significativas de estanho e prata, e, nos últimos anos, o GÁS NATURAL ganhou importância estratégica
fundamental para sua economia.
Desde que a petrolífera espanhola YPF descobriu um dos maiores depósitos de gás natural da América
do SuI em Tarija, no suI da Bolívia, em 2000, a pressão para a nacionalização dos recursos naturais se
intensificou. As manifestações populares levaram a deposição de dois presidentes. Em 2003, sindicatos, líderes
indígenas e camponeses iniciaram grandes protestos contra a construção de um gasoduto que exportaria gás
natural para os Estados Unidos e para o México, via Chile, o que provocou a queda do presidente Gonzalo
Sánchez Lozada. Em seu lugar, assumiu o vice, Carlos Mesa. Contudo, em janeiro de 2005, ressurgiram os
protestos, com a exigência de nacionalização das reservas energéticas, o que resultou na renúncia de Mesa.
Posteriormente foram marcadas eleições presidenciais para dezembro de 2005. As pressões populares
puseram o gás natural no centro do debate político, o que favoreceu a candidatura do indígena e ex-líder
cocaleiro Evo Morales, cuja promessa de campanha incluía a nacionalização do principal recurso natural do
país.
Evo Morales
Nas eleições presidenciais de 2005, EVO MORALES venceu em primeiro turno, com 53,7%dos votos, e
tornou-se o primeiro indígena a ocupar a Presidência da Bolívia. O resultado da eleição se insere no fenômeno
que vem sendo chamado de "onda vermelha", com a subida ao poder de diversos lideres de esquerda na
América Latina, como Hugo Chávez, na Venezuela, e Rafael Correa, no Equador.
Morales iniciou sua trajetória política como representante dos cocaleiros, combatendo os programas de
erradicação da coca. Elegeu-se deputado em 1997 e, em 2002, concorreu a Presidência, ficando em segundo
lugar. Eleito pelo Movimento ao Socialismo (MAS), ele assumiu o comando do país com a promessa de
nacionalizar as riquezas minerais, combater a pobreza e promover a inclusão da população indígena.
Morales cumpriu um dos compromissos de campanha logo em 2006: nacionalizou a exploração de gás
natural e petróleo (os hidrocarbonetos) e aumentou os impostos pagos pelo setor. A onda de estatizações
prosseguiu em 2007 e 2008, com a compra de metalúrgicas, empresas de telecomunicações e de petróleo,
incluindo duas refinarias da Petrobras, até então a maior companhia petrolífera instalada no país. Em agosto de
2007, Morales promulgou a legislação da reforma agrária, que prevê a distribuição de até 30 milhões de
hectares de terra aos camponeses pobres.
Divisão interna
As reformas estruturais promovidas por Morales, sobretudo a nacionalização dos hidrocarbonetos, não
agradaram aos interesses da elite econômica da região da Meia Lua, formada pelos quatro departamentos mais
ricos da Bolívia - Santa Cruz de La Sierra, Tarija, Pando e Beni. Situada no leste boliviano, a região ostenta
diferenças étnicas, culturais e econômicas em relação ao restante do país. É lá que se encontram quase todas
as reservas de gás e petróleo.
A insatisfação levou os departamentos a buscar autonomia. A questão envolve uma disputa para saber
quem controla os recursos minerais do país e se beneficia de sua exploração - o governo central ou a Meia Lua.
A polêmica questão deu origem a violentos conflitos em 2008.
Os interesses da Meia Lua também foram confrontados com a decisão de Morales de convocar uma
Assembleia Constituinte para mudar a Carta em 2006. Sua intenção era transformar em lei mudanças que
garantissem que o país - e não apenas a elite ligada a interesses estrangeiros - usufruísse as terras e as
riquezas naturais bolivianas.
O texto final da Constituição foi aprovado por cerca de 60% dos bolivianos, em referendo realizado em
janeiro deste ano. Entre os pontos polêmicos estão à ampliação dos poderes dos indígenas, o maior controle do
Estado sobre os recursos naturais e a reeleição presidencial. A aplicação da nova Carta enfrenta forte oposição
da Meia Lua, o que contribui para manter o país dividido.
Plantações de coca

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Os indígenas bolivianos tem a tradição de mascar a folha de coca, também usada em chás e
medicamentos. Eles afirmam que o consumo das folhas alivia os efeitos da altitude no corpo, uma ajuda
fundamental para habitantes que vivem acima dos 3 mil metros de altitude. Isso nada tem a ver com o tráfico
internacional de drogas, que utiliza a folha como matéria-prima para a produção de cocaína. Uma convenção da
ONU de 1961 reconheceu os usos tradicionais da coca, mas ao mesmo tempo estabeleceu um prazo de 25
anos para que os países produtores e consumidores eliminassem o habito de mascar as folhas.
4- COLÔMBIA: GUERRILHAS E DROGAS
A tragédia da Colômbia
A Colômbia é um país que parece agonizante. Aparenta estar num estado terminal devorado
internamente por um processo auto destrutivo, de difícil entendimento. Quase todas as forças políticas, quase
todos os grupos e classes, e quase todos os interesses, internos e externos, estão em guerra uns contra os
outros. A sociedade colombiana assemelha-se a cada dia que passa com o mundo lúgubre do filósofo Hobbes
onde cada homem é o lobo do outro homem.
Tornou-se a Colômbia uma espécie de nação-pária, uma terra dos “intocáveis”, devido ao crescente
poder que o narcotráfico adquiriu nos últimos anos na vida econômica, política e mesmo institucional (o
presidente anterior, Ernesto Samper foi publicamente acusado de ter sido eleito com o dinheiro do narcotráfico).
O nome Colômbia é hoje universalmente associado à ilicitude, à marginalidade, à delinquência criminosa, e o
cidadão comum, o infeliz colombiano, passou a ser apontado universal e injustamente como um potencial ou
efetivo traficante.
Os Estados Unidos pressionam para que uma solução venha a ser tomada em breve, fracassado tal
política de pacificação, acredita-se, é bem provável que ocorra no futuro uma intervenção armada externa,
articulada pelo governo norte-americano.
A Colômbia tem 35,7 milhões de habitantes e sua capital é Bogotá, sendo que o país possui 1.141mil
km2, uma área superior em extensão à Península Ibérica e à França somadas. Geograficamente divide-se
numa parte litorânea, banhada por dois oceanos, o Atlântico (Mar do Caribe) ao Norte, e o Pacífico ao Oeste;
na região Andina onde se alinham três cordilheiras, a oriental, a central e a ocidental; e na área da floresta
amazônica, que abarca quase 40% do seu território.
A Guerrilha
Independente da existência hoje dois grandes grupos guerrilheiros em atividade na Colômbia, a FARC
(Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e a ELN (Exército de Libertação Nacional), é um fato histórico a
sobrevivência do bandoleirismo nas regiões rurais mais afastadas. Resultado este, o banditismo social, do
infeliz convívio de um latifúndio em expansão com uma guerra civil permanente. Desde o século passado, e
ainda em tempos bem mais remoto, bandos armados viviam de assaltos e de pilhagens das fazendas, minas e
dos vilarejos do interior. Pode-se considerá-los, a tais bandos, como uma espécie de resistência arcaica, de
origem agrária e indígena, reagindo ao domínio do governo colonial espanhol, e depois à hegemonia do crioulo
colombiano (branco de origem ibérica), configurada nos dois grandes partidos governantes.
FARC/ ELN: o primeiro deles, a FARC - liderado por Tirofijo, o mais antigo chefe guerrilheiro ainda em
atividade -, surgiu em 1959, inspirado da vitória de Fidel Castro em Cuba. Foram os comunistas colombianos
quem o organizaram, estimando o número dos seus combatentes em 22 ou 25 mil guerrilheiros. O segundo
desses movimentos, o ELN, veio um pouco depois e sua inspiração é guevarista. Cada um deles a seu modo
são tributários da teoria foquista que visa chegar ao poder não pelos procedimentos democráticos, mas pela
luta armada revolucionária. Até uns dez anos atrás seus recursos vinham das pilhagens, dos sequestros (a
Colômbia é recordista mundial nesta nefanda prática), dos confiscos forçados e das taxas de proteção cobradas
às empresas e aos fazendeiros.
Paramilitares: sabe-se que são formados por ex-oficiais e ex-policiais a serviço de fazendeiros e outros
endinheirados, e, tudo indica, contam com a simpatia de setores das Forças Armadas colombianas, que os têm
como uma força auxiliar informal na luta anti-guerrilheira. Atribui-se a eles a maioria das mortes por encomenda
que tem ocorrido no país (três candidatos à presidência foram até agora assassinados).
A aliança com o narcotráfico: no desencanto geral entre as esquerdas que se seguiu à fórmula
revolucionária na década dos noventa (a estagnação econômica e política de Cuba, a derrota eleitoral dos
sandinistas na Nicarágua, e a pouca expressividade dos zapatistas em Chiapas, no México), a guerrilha
colombiana perdeu o rumo. Virou uma nau sem bússola e sem direção. Isolaram-se ainda mais ficando nas
selvas, encerradas nas regiões que de certo modo controlavam anteriormente. Aproximaram-se então do
narcotráfico, servindo de milícia protetora das áreas do plantio da folha de coca espalhadas nas clareiras da
floresta, ou exigindo tributos dos camponeses seus produtores.

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A força e a sobrevivência da guerrilha derivam da função que elas assumiram nos últimos dez anos: ser
a milícia protetora do complexo da cocaína (zonas de plantio, as vias terrestres de tráfego e os aeroportos
utilizados pelos traficantes), situado geograficamente na parte da Amazônia colombiana, região de difícil
acesso, quase despovoada, com 400 mil km2 de extensão. O seu epicentro é o departamento de Guavira e sua
cidade principal São José de Guavira, é tida como a capital da cocaína colombiana. Uma das suas tarefas é
garantir a inviolabilidade dos territórios da coca para que seus carregamentos possam ser negociados pelos
dois poderosos cartéis do narcotráfico: o de Cali e o de Medelin.
Os Estados Unidos e a Colômbia
"Dizer que a Colômbia é uma potência responsável com a qual podemos tratar como fazemos com a Holanda,
Bélgica, Suíça ou Dinamarca é um absurdo. Neste momento a analogia que podemos estabelecer é com um
grupo de bandidos,."
Th.Roosevelt, Presidente dos EUA, 1903.
A Colômbia juntamente com o México tem uma relação atormentada com os Estados Unidos. São os
dois países latino-americanos que mais foram mutilados pelos interesses expansionistas da grande potência do
Norte. O México foi obrigado, depois da derrota na Guerra Mexicano-americana de 1846, a entregar mais de um
milhão de km2 aos americanos (os atuais estados do Texas, a Califórnia, o Novo México e o Arizona), enquanto
que a Colômbia teve que assistir impotente os Estados Unidos promoverem em 1903, um levante separatista no
então departamento do Panamá. Vitorioso o movimento, graças ao apoio providencial dos fuzileiros navais
americanos, a independência panamenha redundou na completa separação da Colômbia e na entrega da atual
Zona do Canal para que ali os americanos construíssem, com direitos perpétuos, uma “avenida da civilização”
como o Presidente Theodor Roosevelt chamou o canal. Mesmo que os americanos oferecessem mais tarde
uma indenização de 25 milhões de dólares ao governo colombiano.
A violência dos narcotraficantes: num primeiro momento, na história das relações mais recentes entre o
governo americano e o colombiano, os Estados Unidos convenceram um dos presidentes a fazer com que os
condenados pelo narcotráfico cumprissem pena nas cadeias americanas. O resultado foi trágico. Os traficantes
rebelados, revivendo os dias terríveis da violência, atacaram as instituições governamentais, chegando a
assassinar até o Ministra da Justiça do país. Agora a situação prenuncia uma ação direita por parte dos
Estados Unidos.
A preocupação estratégica: no crescente avolumar da retórica intervencionista, existe uma motivação
de ordem mais ampla. Os grupos mais conservadores dominantes no Senado e no Pentágono norte-americano
nunca se conformaram com o Tratado Carter-Torrijos, assinado em 1977, que comprometeu os Estados Unidos
a devolver em etapas a Zona do Canal para os panamenhos. Temem os americanos retirar-se de uma área
estratégica - o controle sobre a Zona do Canal - num momento de recrudecimento das atividades guerrilheiras
na Colômbia. Esta é talvez a razão principal - ocultada pelo pretexto de combater o narcotráfico - dos agentes
do governo dos Estados Unidos, tanto dos generais americanos vinculados ao Pentágono como o chefe do
Departamento anti-drogas (DEA), o general Barry McCaffrey, estarem pressionando os governo latinoamericanos, vizinhos ou não da Colômbia, a assumirem um ocupação colegiada da Colômbia no futuro
próximo.
Uma intervenção coletiva: os americanos têm em mente uma operação similar a que patrocinaram, sob
os auspícios da OEA, em 1965, na ocupação da Republica Dominicana, quando evitaram a ascensão ao poder
de um governo pró-esquerdista. Operação que contou então com o pronto apoio da ditadura militar brasileira,
que recém assumira o poder. O trabalho deles, dos agentes norte-americanos, resume-se em transformar as
preocupações do seu país (a luta contra a droga e o problema estratégico da Zona do Canal), num problema
geral dos latino-americanos, ou pelo menos dos sul-americanos. Conseguido tal objetivo os Estados Unidos
não precisariam assumir os desgastantes custos, morais e materiais, de uma intervenção militar direta na
Colômbia, arriscando-se com suas tropas a reproduzir, ainda que palidamente, um novo Vietnã nas florestas da
Amazônia.
Exercícios de Aplicação:
a) Cite e explique um interesse dos EUA na Colômbia, nos dias atuais.
b) Por que mesmo sabendo onde estão localizadas as plantações de coca na Colômbia, os governantes não
agem contra essa política?

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5- VENEZUELA DE HUGO CHAVEZ

Trajetória Política
No dia 4 de Fevereiro de 1992, o então tenente-coronel Hugo Chávez, comandando cerca de 300
efetivos, protagonizou um golpe de Estado contra o presidente Carlos Andrés Pérez, da Acción Democrática
(1974-1979 e 1989-1993). Os partidários de Chávez justificam essa ruptura constitucional como uma reação à
crise econômica venezuelana, marcada por inflação e desemprego decorrentes de medidas econômicas
adotadas por Pérez, logo após a sua posse face à grave situação econômica que o país estava passando. A
Venezuela era um dos poucos países da américa latina que nunca tivera sofrido um golpe de estado. De fato,
violentas manifestações populares já há tempo vinham ocorrendo.
Embora fracassada, a tentativa de golpe em 1992 serviu para catapultar Hugo Chávez ao cenário
[4]
nacional. , depois de amargar dois anos de cadeia. Após o fim do mandato de Carlos Andrés Pérez, graças a
uma anistia do novo presidente, Rafael Caldera Rodríguez, Chávez abandona a vida militar e passa a se
dedicar à política. O agravamento da crise social e o crescente descrédito nas instituições políticas tradicionais
o favorecem.
Em 1997, fundou o Movimiento V República (MVR) e, nas eleições presidenciais de 6 de Dezembro de
1998, apoiado por uma coligação de esquerda e centro-esquerda - o Polo Patriótico - organizada em torno do
MVR, Chávez foi eleito com 56% dos votos. Assumiu a presidência da Venezuela em 1999, para um mandato
inicialmente previsto de cinco anos, pondo fim a quatro décadas de domínio dos chamados partidos
tradicionais. Ao tomar posse, em 2 de fevereiro de 1999, decretou a realização de um referendo sobre a
convocação de uma nova Assembléia Constituinte. Em 25 de abril de 1999, atendendo ao plebiscito, 70% dos
venezuelanos manifestam-se favoráveis.
Do ponto de vista da estrutura de poder político, a Constituição da Quinta República (mais tarde
denominada República Bolivariana de Venezuela) outorgou maiores poderes ao presidente, ampliando as
prerrogativas do executivo em detrimento dos demais poderes. O parlamento torna-se unicameral, com a
extinção do Senado. A nova Constituição também aumentou o espaço de intervenção do Estado. Houve
também avanços no tocante ao reconhecimento de direitos culturais e linguísticos das comunidades indígenas.

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Em razão da nova ordem constitucional, foram realizadas novas eleições presidenciais e legislativas em 30 de
Julho de 2000, nas quais Chávez foi reeleito presidente da República, com 59,7% dos votos.
Entre esse mês e Novembro do ano seguinte, Chávez promulgou um total de 49 decretos. Entre esses
encontravam-se a Lei de Hidrocarbonetos, que fixava a participação do Estado no setor petrolífero em 51%, e a
Lei de Terras e Desenvolvimento Agrário, prevendo a expropriação de terras latifundiárias. As novas leis
estariam na origem de contestação social, oriunda principalmente dos sectores empresariais, mas que em
breve se estendeu aos sindicatos, aos setores conservadores da Igreja Católica (a Igreja Católica, oficialmente,
não endossa nenhum partido político) e televisões privadas, que acusavam o presidente de querer tornar a
Venezuela um país comunista.

Estados Unidos e o Golpe de estado
Vários integrantes do governo dos EUA havia mantido frequentes contatos com diversos líderes
golpistas, nos meses e, principalmente, nas semanas anteriores ao golpe. Entretanto o governo americano
negou, por diversas vezes, que estivesse patrocinando, ou sequer apoiando, qualquer solução não-democrática
para a Venezuela: Os Estados Unidos não sabiam que haveria essa tentativa de derrubar ou de tirar de Hugo
Chávez do poder, declarou um alto oficial do governo americano (Newsday, 11/24/2004). O governo de Chávez
alegou, meses depois do golpe, que os Estados Unidos apoiaram o golpe de estado, afirmando que nos dias do
golpe os radares do país detectaram a presença de navios e aviões militares americanos em território
venezuelano. Em 4 de junho de 2002 a Assembléia Geral da Organização dos Estados Americanos aprovou
uma Declaração Sobre a Democracia Na Venezuela, condenando o golpe de estado ocorrido em 11 de abril
daquele ano. Em Outubro de 2002 uma greve paralisou o país durante 9 semanas.
Permanência ou não de Hugo Chávez no poder
O referendo teve lugar no dia 15 de Agosto de 2004; 58% dos votantes apoiaram a permanência de
Chávez na presidência até ao fim do mandato, que ocorreria nos próximos dois anos e meio. A oposição alegou
que tinha sido cometida fraude, mas os observadores internacionais presentes durante o processo (entre os
quais se encontravam o antigo primeiro-ministro português António Guterres e Jimmy Carter) consideraram que
o referendo ocorreu dentro da normalidade e legalidade. A vitória de Chávez foi reconhecida como legítima,
com algum atraso, pelos Estados Unidos.
O Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos aprovou, em 16/12/2002, a
Resolução CP/RES. 833 (1349/02), na qual demonstrou preocupação com certas ações da Coordinadora
Democrática - inconformada com sua derrota no plebiscito - e a exortou a encontrar uma solução democrática
para suas pretensões. Em 2008 as suspeitas de que os Estados Unidos estiveram "envolvidos" no golpe de
Estado de 2002 contra o presidente venezuelano, Hugo Chávez foram confirmadas por uma ONG americana.
Domingo decisivo na Venezuela
A Assembleia Nacional venezuelana propôs, em 9 de Dezembro de 2008, formalmente, a realização de
uma emenda à Constituição Nacional para permitir a reeleição presidencial indefinida de Hugo Chávez, tal
como este tinha pedido. A formalização da proposta foi transmitida em simultâneo e obrigatoriamente pelas
rádios e televisões do país.
Venezuela em 2009
O ano inicia quando, por ordem de Chávez, expulsa o embaixador e delegação de Israel, em represária
à intervenção militar israelense na Faixa de Gaza, em 6 de janeiro de 2009. De acordo com o CIA World
Factbook, a economia venezuelana tem crescido a taxas recordes desde que o golpe de estado contra Chávez
foi derrotado. Seu PIB real, ajustado para a paridade de poder aquisitivo, cresceu 18 % em 2004 - recuperando
o crescimento negativo dos anos anteriores. Tradicionalmente, desde 1930, quando a Venezuela, ao invés de
desvalorizar a moeda para proteger sua agricultura, optou por importar tudo o que consome, usando para isso
suas receitas do petróleo, a Venezuela produz muito poucos alimentos.
O petróleo é a maior riqueza da Venezuela, e responde por 90% de suas exportações, 50% de sua
arrecadação federal em impostos, e 30% do seu PIB. Os maiores importadores de petróleo venezuelano foram,
em 2006, Bermuda 49.5%, Estados Unidos 23.6%, e Antilhas Holandesas 6,9%.
Apesar das riquezas geradas pelo petróleo, 37.9% da população venezuelana ainda vive abaixo da
linha de pobreza. Entretanto a Venezuela ainda consegue apresentar uma melhor distribuição de renda que o
Brasil.

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Exercícios de Aplicação:
a) Qual a importância do petróleo para a Venezuela?
b) Qual é a vantagem para Hugo Chávez em estatizar as empresas venezuelanas?
6- Estrada que ligará o Atlântico ao Pacífico através dos dois países melhora integração da
infraestrutura regional.
A rodovia Interoceânica Sul, que ligará o Peru e o Brasil, estará pronta no 1º trimestre de 2011,
segundo informou o ministério de Transportes e Comunicações (MTC) peruano. A iniciativa, que demanda
investimento de por volta de US$ 1,6 bilhão, será a base para iniciar o desenvolvimento bioceânico entre os
dois países, além de ser um aporte para toda a América Latina, já que permitirá ligar o Atlântico e o Pacífico.
“Vamos ter um nível de interconexão física extraordinário”, avaliou o ministro do MTC, Enrique Cornejo,
acrescentando que a obra de infraestrutura permitirá impulsionar o desenvolvimento bioceânico e fortalecer a
relação fronteiriça e regional das duas nações, aumentando o intercâmbio comercial e turístico. Segundo
Cornejo, 50% do investimento total já foi executado.
A Interoceânica Sul, que tem uma extensão de 2 mil quilômetros, está dividida em cinco trechos. O
trecho Urcos-Iñapari, na fronteira brasileira, é de 710 quilômetros, dos quais já foram asfaltados mais de 300
quilômetros.
De acordo com o ministro, Brasil e Peru têm também a intenção de desenvolver projetos conjuntos para
construção de hidrovias na região amazônica.

7- SENDERO LUMINOSO – PERU
O Sendero Luminoso é uma organização guerrilheira de inspiração maoísta fundada na década de 1960
pelos corpos discentes e docentes de universidades do Peru (especialmente da província de Ayacucho).
Abimael Guzmán (professor de Filosofia da Universidade Nacional de San Cristóbal de Huamanga) é
considerado seu fundador por excelência, e adota o codinome Presidente Gonzalo.
O Sendero Luminoso é considerado o maior movimento terrorista do Peru, e está entre os dois maiores
grupos de ação da América do Sul (ao lado das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, FARC). O seu
nome oficial é Partido Comunista do Peru (PCP), porém o nome Sendero Luminoso é mais popular por
diferenciar o grupo dos diversos partidos comunistas no Peru. O seu objetivo era o de superar as instituições
burguesas peruanas por meio de um regime revolucionário e comunista de base camponesa, utilizando-se do
conceito maoísta de Nova Democracia. Desde a captura de seu líder, Abimael Guzmán em 12 de setembro de
1992, o Sendero Luminoso teve apenas atuações esporádicas. A ideologia e as táticas do Sendero Luminoso
influenciaram outros grupos insurgentes de caráter maoísta como o Partido Comunista do Nepal (maoísta) e
outras organizações associadas ao Movimento Revolucionário Internacional.

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Após a prisão de Guzmán, vários líderes do Sendero também foram detidos nos anos seguintes, o que
diminuiu bastante as atividades do grupo. Estas incluem principalmente ataques com bombas, além de
assassinatos e possivelmente envolvimento com o comércio de pasta de coca. Degladiaram-se com os militares
peruanos e grupos paramilitares supostamente treinados pelo Estados Unidos, os Sinchis. Além disso, opõe-se
a outra grande força revolucionária do Peru, o Movimento Revolucionário Tupac Amaru.
Estima-se que o Sendero Luminoso tenha cerca de dois mil guerrilheiros, e um grande número de
membros em outras funções. O grupo é responsável pela morte de aproximadamente 31.000 pessoas, entre
civis, camponeses, militares, e militantes de esquerda rivais.
O Sendero Luminoso (SL) surgiu em 1964 como uma dissidência (bandeira vermelha) do Partido
Comunista do Peru (PCP), sob orientação do carismático professor Abimael Guzmán (conhecido por sua
capacidade de engajar os alunos).
O nome Sendero Luminoso baseia-se em uma máxima do marxista peruano José Carlos Mariátegui: "El
Marxismo-Leninismo abrirá el sendero luminoso hacia la revolución" ("O Marxismo-Leninismo abrirá o caminho
iluminado para a revolução"). Esta citação era usada no cabeçalho do jornal do grupo e no Peru os diversos
partidos comunistas são diferenciados pelo título de suas publicações. Os historiadores e estudiosos em geral
normalmente se referem ao Sendero Luminoso como PCP-SL.
Na década de 1970 o SL expandiu suas atividades, inicialmente restritas às universidades da província
de Ayacucho, para outras universidades no Peru, ganhando força como movimento estudantil. Seguia a linha
de outros movimentos revolucionários de então, ou seja: grupos estudantis de classe média ou média-baixa
tentando estabelecer a revolução em bases camponesas. (O exemplo mais destacada é o da revolução
cubana; no Brasil desenvolvia-se algo semelhante, na chamada guerrilha do Araguaia). Após algum tempo o
movimento, no entanto, tentou abandonar suas raízes na universidade e proclamou-se um "partido em
reconstrução".
Em 1977 o SL passou da guerrilha rural para a urbana. Nas eleições de 1980, as primeiras após 12
anos de governo militar, o partido recusou-se a participar e promoveu ataques e o boicote às seções eleitorais.
Em maio daquele ano chegou mesmo a esboçar o começo de uma revolução efetiva.
Na década de 1980 o grupo cresceu bastante, tanto em membros quanto em área ocupada. Suas áreas
de dominação eram o centro e o sul do Peru, além de ter presença também nos subúrbios de Lima.
Com a captura de Guzmán em 1992 e demais lideranças até 1995, o Sendero perdeu muito da sua
força. Chegou mesmo a enfrentar milícias de camponeses, aos quais supostamente representava. Suas ações
passaram a ficar mais espaçadas, sendo as últimas delas um ataque a bomba contra a embaixada
estadunidense em Lima (foram mortas 10 pessoas e 30 ficaram feridas) em 2002 e o sequestro de funcionários
argentinos que trabalhavam em um gasoduto em Ayacucho (foram libertados após resgate), em junho de 2003.

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8- EUA E A CRISE ECONÔMICA

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EXERCÍCIOS DE APLICAÇÃO:
01)(UFMG/2006) É INCORRETO afirmar que a atual política externa brasileira e o papel geopolítico do País,
hoje, no mundo, representam
A) uma aproximação do NAFTA, em razão da necessidade de se concretizarem os tratados comerciais entre
esse bloco e o Mercosul, tendo-se em vista a implementação da ALCA.
B) um reforço em sua posição econômica e, possivelmente, um novo papel geopolítico no mundo, graças à
qualidade de potência regional do Brasil na América do Sul.
C) um repúdio à ocupação do Iraque e, por outro lado, um apoio à criação do Estado da Palestina, posições
formalmente defendidas nos foros internacionais de que o Brasil participa.
D) uma defesa da idéia do perdão, tanto pelo Brasil quanto pelos países centrais, da dívida dos países mais
pobres do mundo . especialmente os africanos.
02)(UFMG/2006) A instabilidade político-social que vem ocorrendo na América do Sul pode, segundo alguns
especialistas, colocar em risco a democracia na região. Considerando-se essa instabilidade político-social, é
INCORRETO afirmar que
A) o PIB tem registrado em alguns países uma expansão superior à média regional, mas, em parte destes, o
percentual da população que vive abaixo da linha da pobreza continua a aumentar.
B) a América do Sul se transformou, nos últimos anos, no principal foco de interesse externo dos Estados
Unidos, o que tem estimulado manifestações populares pautadas na defesa da soberania dos países que a
constituem.

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C) a expectativa das populações em relação à implantação da democracia no subcontinente incluía a
aproximação dos padrões de qualidade de vida existentes em países no Hemisfério Norte, de igual regime.
D) a região convive com a prática da corrupção, a interrupção de mandatos de presidentes legitimamente
eleitos e o descompasso entre as propostas de campanha eleitoral e os programas sociais e econômicos
implantados posteriormente.
03)(PUC-PR) Sobre o espaço urbano na América Latina, afirma-se:

São verdadeiras as afirmações:
a) Somente I e III.
b) Somente I e II.
c) Somente III e IV.
d) Somente IV e V.

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e) Somente I e V.
04)(Centro Universitário Serra dos Órgãos/2006) Nas últimas décadas, o Brasil participa cada vez mais das
trocas internacionais. Ele procura manter antigas posições, conquistar novos mercados, além de participar, na
Organização Mundial do Comércio (OMC), dos debates a respeito dos novos rumos do comércio internacional.
Em relação à posição do Brasil nas trocas internacionais, assinale a única afirmativa FALSA.
a) Duvida das vantagens de formação da Alca caso os Estados Unidos não retirem as restrições às
importações de produtos concorrentes dos produtos americanos.
b) Deixou de ser um tradicional fornecedor de produtos primários e passou a exportar produtos
industrializados e semimanufaturados.
c) Aumentou o intercâmbio com os países do Terceiro Mundo, especialmente Argentina e China.
d) Perdeu sua importante posição de exportador de alimentos.
e) Conquistou vantagens comparativas ao exportar produtos industrializados com alto valor agregado.
05)(UFV/2005) Durante boa parte da década passada, as maquiladoras representaram o símbolo do suposto
milagre econômico do México, após seu ingresso no North American Free Trade Agreement (Nafta), com os
Estados Unidos e o Canadá. O pico da expansão das maquiladoras foi alcançado em 2000, quando no norte do
México, ao longo da fronteira com os EUA, chegaram a funcionar cerca de 3.600 fábricas desse tipo, com 1,3
milhão de funcionários, que exportaram o equivalente a US$ 70 bilhões em mercadorias. De lá para cá, o
milagre parece ter começado a perder seu brilho. Nos dois últimos anos, pelo menos 500 maquiladoras
fecharam suas portas, pondo no olho da rua mais de 300 mil trabalhadores. Somente no primeiro trimestre de
2002, o nível de emprego nas maquiladoras diminuiu 17,7% em relação ao mesmo período do ano precedente.
(Carta Capital, 17 jul. 2002, p. 20.)
O texto acima se refere a um dos aspectos do processo de integração do México ao Nafta. Assinale a
alternativa que NÃO apresenta uma conseqüência deste processo para o México.
a) O país ficou dependente da intensidade e do padrão de consumo de outros países.
b) As maquiladoras, além de recolherem poucos impostos, geram sérios impactos ambientais.
c) A renda produzida pelas empresas maquiladoras não promoveu a ampliação do mercado consumidor
interno.
d) A presença das maquiladoras no norte do país gerou um intenso deslocamento da população naquela
direção.
e) Após a instalação das maquiladoras, a indústria de base do país experimentou intenso
desenvolvimento.

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06)(UFMG/2011) Analise este mapa:

A partir dessa análise e considerando outros conhecimentos sobre o assunto,
a) EXPLIQUE por que o autor do mapa reforçou algumas linhas de fronteira e as denominou “linhas de fratura”.
b) Embora a fronteira da Bolívia com o Chile não tenha sido identificada, no mapa, como “linha de ruptura”,
sabe-se que há uma faixa de disputa entre esses dois países. EXPLIQUE qual é o interesse boliviano nessa
estreita faixa de terra.
c) IDENTIFIQUE e EXPLIQUE a natureza de outros problemas que geram tensões entre os países andinos,
bem como entre estes e os países vizinhos não andinos.

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07)(UFRJ/2005)

O mapa mostra a América do Sul e o Caribe na perspectiva do Comando Militar Unificado dos Estados Unidos
da América. Indique dois interesses econômico-estratégicos norte-americanos na região do Caribe.
08)(UFBA) A América Latina vem passando, desde o inicio da última década, por processos de
redemocratização que reativaram projetos socioeconômicos há muito desejados pelos povos da região. Porem,
existem disparidades entre os desejos por justiça social dos povos latinos e as possibilidades políticoeconomicas de se chegar, mais rapidamente, à justa equidade sócio-espacial.
Em relação a esse momento singular na região, responda às questões a seguir.
a) Identifique o país da América Andina onde os movimentos sociais históricos levaram ao poder executivo do
Estado Nacional um descendente de ameríndios, em 2006, e explique de que maneira a sua ação política vem
colocando em xeque a globalização em seu país.
b) Explique dois fatores ligados as ações paramilitares e/ou econômicas dos narcotraficantes que caracterizam
a atual crise de governabilidade vivenciada pela Colômbia.
Em relação à crise de governabilidade na Colômbia ligada a fatores paramilitares e/ou econômicos dos
narcotraficantes, pode-se destacar:

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09)(PISM III/2009) Leia a notícia a seguir.
“Brasil explora o Paraguai em Itaipu”, diz o título principal do jornal ABC Color. “Esta deve ser a prioridade
máxima do próximo governo”. No texto, afirma-se que o Paraguai é um dos poucos países do mundo com
excedentes energéticos, mas devido ao acordo assinado durante período de ditaduras militares nos dois países
e “mantido por governos corruptos, não pode usufruir, legitimamente, de seus recursos naturais, como faria
qualquer nação do planeta”.
Ainda de acordo com o mesmo texto, na primeira página do jornal, no caso de Itaipu, o povo paraguaio é
“obrigado a ceder ao Brasil” a maior riqueza que o país dispõe para sair da pobreza.
Fonte: http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2008/04/080420_paraguaiitaipu_ir.shtml.
Acesso em 30/11/2008.
O Paraguai é um dos poucos países do mundo com excedentes energéticos porque:
a) desenvolve uma política de utilização de fontes alternativas.
b) o setor agrícola utiliza apenas a mão-de-obra dos indígenas.
c) o seu IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) é elevado.
d) possui uma produção de energia elétrica acima da demanda.
e) utiliza o excesso de gás produzido pelas refinarias bolivianas.
10)(PISM III/2006) Ao analisar a organização do espaço americano, é CORRETO afirmar:
a) A província de Chiapas, no sul do México, a mais pobre do país, ganhou notoriedade mundial em meados
dos anos 90, pela ação guerrilheira do Exército Zapatista de Libertação Nacional.
b) Os processos de independência de toda a América Latina, ocorridos ao longo dos séculos XV e XVI,
coincidiram com o crescimento da economia norte-americana e sua afirmação como potência imperialista.
c) A América Platina, depois do México, foi o segundo foco de maior influência dos Estados Unidos nas
Américas, porque o país não queria ter surpresas desagradáveis em sua fronteira sul.
d) A base naval de Guantánamo, um enclave militar dos Estados Unidos em território cubano, no extremo
sudeste da ilha, foi devolvida ao controle de Fidel Castro, com o fim da “Guerra Fria”.
e) O poder paralelo dos cartéis de drogas, aliado ao medo de surtos de militarismo, tem levado os maiores
produtores de cocaína, como a Costa Rica e o Panamá, a buscarem o mercado internacional de armas.
GABARITO:
01-A
06-Aberta

02-B
07-Aberta

03-A
08-Aberta

04-D
09-D

05-E
10-C

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Capítulo 4: ÁFRICA
Para refletir:
Colha os frutos de seu trabalho, estudo e dedicação, sua aprovação no vestibular.

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1- AS FRONTEIRAS DA ÁFRICA
O imperialismo europeu e a fragmentação territorial da África
A África passou por inúmeros choques sociais, políticos e culturais em consequência da exploração
comercial e da divisão do território pelos países europeus desde o século XVI, que explicam, em grande parte,
a fragilidade dos Estados nacionais africanos. A partilha do continente deu-se de forma arbitrária. A
demarcação das fronteiras não respeitou as populações nativas. Tribos rivais ficaram confinadas entre as
mesmas fronteiras, enquanto tribos etnicamente relacionadas foram separadas pelos limites estabelecidos.
A ação dos colonizadores portugueses, ingleses, belgas, alemães, franceses e holandeses, combinada
a outros fatores, resultou em div,ersos problemas econômicos, sociais e territoriais, tais como:




O impedimento de um desenvolvimento auto-sustentado pelos próprios povoados e comunidades
africanos.
A formalização da partilha do território em regiões de propriedade européia (Congresso de Berlim,
1885).
A drenagem de alimentos e minérios para a construção de ferrovias e portos voltados à exportação.

O escoamento de recursos naturais visava o abastecimento de matéria-prima farta e barata para as
indústrias européias.


Congresso de Berlim – Congresso realizado em Berlim, entre novembro de 1884 e fevereiro de
1885, contando com 12 países, sendo os principais Alemanha, Inglaterra, França, Espanha, Itália,
Bélgica e Portugal. Os participantes, nesse encontro, estabeleceram regras para manter e ampliar
suas áreas de domínio na África.

O redesenho do continente
As retiradas das potencias européias do território africano foi em grande parte ocasionada pela situação
econômica desastrosa em que elas se encontravam após a Segunda Guerra Mundial. Manter a administração

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das colônias e a segurança militar dentro delas tornou-se muito oneroso. Isso desencadeou um verdadeiro
redesenho do continente, além de propiciar um clima de indefinições territoriais e vazios políticos, com
conseqüente disputa pelo poder. Estados corruptos, liderados por elites tribais e alinhados aos interesses
estrangeiros, implantavam projetos de industrialização e modernização com mão de ferro e forte controle
estatal.
Paralelamente a essa política, alguns intelectuais africanos, como Kwane Nkrumah, de Togo, e Edem
Kodjo, ex-primeiro-ministro do Togo e ex-secretário-geral da então OUA (Organização da Unidade Africana),
defendiam o reordenamento das fronteiras, visando a uma união que levasse à estabilidade entre os povos e à
prosperidade do continente. Porém a maioria dos primeiros líderes da independência do continente prometiam
não interferir nas fronteiras dos Estados vizinhos, mantendo, com tal atitude, a confusão produzida pela partilha
da África estabelecida na Conferencia de Berlim de 1885. O reordenamento do território foi também dificultado
pela diversidade étnica e pela ampla rede de inimizades entre povos africanos.
A política de não-interferência no traçado das fronteiras gerou grandes instabilidades e graves conflitos
pela definição dos novos Estados-nação africanos.
Alguns especialistas sugerem que a reconfiguração do continente é um processo que já está em
andamento e que “potencias” econômicas regionais, como a África do Sul, a Nigéria, Angola, Uganda e
Ruanda, estão buscando consolidar sua influência sobre os demais.
Exercícios:
a) Que fatores levaram as colônias africanas a conquistar a independência após a Segunda Guerra Mundial?
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b) Explique as polêmicas surgidas em torno do redesenho das fronteiras dos países africanos após a
independência.
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c) Por que os europeus não levaram em conta a antiga divisão étnica do continente para delimitarem seus
territórios na Conferência de Berlim?
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d) Quais os efeitos sociais e políticos da nova divisão feita pelos europeus no continente africano?
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e) Que objetivos tinham as nações européias, como França, Inglaterra e Alemanha, ao realizar a divisão do
território africano?

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2- ECONOMIA AFRICANA
O desenvolvimento agropecuário
As atividades agropecuárias têm como sempre tiveram importância incontestável na economia da
África. Em determinadas regiões, entre 50% e 90% da população vivem dessas atividades.
Do passado pré-colonial, ainda restam atividades de pastoreio nômade nas áreas mais quentes e
secas, onde as condições adversas do clima e do ambiente desestimulam a fixação de comunidades. Os
grupos pastores nômades, voltados à criação de bovinos e caprinos, ainda trabalham com técnicas
rudimentares e suas atividades são de subsistência.
Na agricultura africana em geral, predomina o cultivo de pequenas propriedades com o uso de técnicas
rudimentares. O resultado é uma agricultura de subsistência, que pode render excedentes para o mercado
interno e mesmo para a exportação intermediada por comerciantes.
As práticas rudimentares, que incluem o desmatamento e o uso intensivo da mesma área para cultivo,
prejudicam os solos. Com o esgotamento da fertilidade de uma área, os camponeses se deslocam para outras,
acelerando, por exemplo, a destruição de solos e ecossistemas das savanas e das estepes. Mas esse
deslocamento pode ser atribuído também à perda das terras para os grandes proprietários e empresas
agrícolas.
Assim como nos continentes americano e asiático, o modelo colonial colocou a África no papel de
fornecedora de matérias-primas e de compradora de produtos industrializados das potencias européias, ou
seja, numa posição subordinada dentro da DIT.
Essa situação provocou grandes endividamentos nos países africanos, principalmente após o processo
de descolonização, além de ter imprimido uma “vocação” agrícola e mineradora no continente, colaborando
para o aumento do quadro de miséria e de péssima distribuição de renda.
Em diferentes regiões da África, a organização do espaço agrícola baseia-se em propriedades de
grande extensões, geralmente de propriedade de colonos europeus que utilizam mão-de-obra familiar e
assalariada.
A maior parte dos cultivos é realizada com técnicas modernas e eficientes, e a finalidade da produção é
a comercialização. Entre os principais produtos agrícolas exportados pelo continente africano, destacam-se o
algodão, o amendoim (óleo), o cacau, o café e a cana-de-açúcar.
Economia de mineração
Em países como Angola, Nigéria, Mauritânia, Argélia, Líbia, África do Sul, República Democrática do
Congo e Zâmbia, os produtos minerais representam, muitas vezes, mais da metade das exportações totais.
Apesar disso, sua exploração ocupa uma parcela muito pequena da população economicamente ativa.
Uma grande variedade de métodos é empregada para a extração mineral, dependendo do tamanho das
jazidas e da disponibilidade de capital e tecnologia.
As jazidas de metais e pedras preciosas atraem multidões de aventureiros, além de jovens e crianças
que acabam trabalhando como escravos em tais atividades. Em jazidas onde os minerais são encontrados
próximo à superfície, demandando assim menos infra-estrutura, a exploração é feita por garimpeiros,
individualmente ou em pequenos grupos, usando métodos simples de trabalho. Nas jazidas mais profundas,
são necessários equipamentos modernos de sondagem e perfuração, e por isso a extração é feita por grandes
companhias mineradoras, principalmente norte-americanas e europeias.
Ainda que muitas das companhias mineradoras tenham sido nacionalizadas em vários países africanos,
a maior parte da produção mineral é exportada sob a forma de minério bruto para os países da Europa
Ocidental, os Estados Unidos e o Japão. Isso ocorre porque o processamento dos minerais não é realizado em
terras africanas, o que mantém os países do continente numa posição subordinada na DIT e lhes dificulta o
desenvolvimento econômico pela falta ou o encarecimento de matéria-prima mineral para uso interno.
Se sofressem processos de beneficiamento e industrialização em unidades produtivas locais, os
produtos minerais extraídos dos países africanos acabariam agregando maior valor e gerariam superávit nas
balanças comerciais, permitindo investimentos em infra-estrutura e na qualificação da mão-de-obra local.

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Angola, Serra Leoa e Congo são exemplos de países em que a extração de diamantes é realizada por
meio de trabalho escravo e infantil, gerando mutilações, migrações em massa, assassinatos, tráfico de armas e
colapso econômico.

A industrialização tardia e incompleta
O setor industrial dos países africanos, de modo geral, não apresenta diversificação e dinamismo
suficientes para sustentar um desenvolvimento econômico autônomo. As exceções são: Egito e África do Sul.
Por serem compradores de produtos industrializados dos países do centro do sistema capitalista, as
nações africanas permanecem como meras exportadoras de matérias-primas (minérios e produtos agrícolas). A
diferença entre a necessidade de produtos industrializados e a disponibilidade interna de capitais para comprálos impede uma acumulação de capitais no continente, pois a maioria dos escassos recursos financeiros acaba
sendo canalizada para o exterior com as importações.
Boa parte das indústrias que atuam em solo africano é composta de transnacionais ou de empresas
ligadas a grupos tradicionais da pequena elite africana, altamente concentradora de lucros.
O processo de industrialização iniciou-se na África após a descolonização, nas décadas de 1950 e
1960, quando grande número de Estados-nação foram formados com alto grau de desarticulação econômica,
social e política.
Das tentativas bem-sucedidas de desenvolvimento industrial, podemos citar alguns elementos positivos,
por terem contribuído para a mudança da organização dos espaços produtivos:





o fortalecimento das economias nacionais, por meio do aumento da renda das populações e do
consumo interno, e da geração de novas atividades produtivas e novos postos de trabalho.
O incremento das bases econômicas nacionais, visando diminuir as exportações e aumentar a
poupança interna dos países.
O surgimento da OUA (Organização da Unidade Africana), em 1961, buscando dar unidade política e
estabilidade econômica e territorial à África.
O aumento do grau de beneficiamento das mercadorias, visando aumentar a lucratividade dos setores
voltados para a exportação.

Obstáculos à industrialização
Apesar das tentativas de alguns governos e de uma pequena elite, o continente enfrenta obstáculos
próprios de região recém-descolonizada para o desenvolvimento das atividades industriais. Os principais são:







Pequena participação no comércio mundial.
Escassez de capital.
Investimentos externos diretos.
Escassez de mão-de-obra qualificada.
Mercado interno restrito.
Intermináveis guerras civis.

Exercícios de Aplicação:
a) Qual era o papel dos países africanos na DIT durante o período colonial?
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b) Explique as características da nova DIT.

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3- AFRICA NA MARGEM DA GLOBALIZAÇÃO
As relações com a África será uma prioridade da Presidência portuguesa da União Europeia. Portugal
tem laços antigos e fortes com vários países africanos a sul do Saara. Essa circunstância histórica dá
credibilidade ao nosso país quando na Europa comunitária se debatem temas relacionados com África.
A UE tira vantagem do capital de conhecimento e capacidade de relação que Portugal possui quanto
aos países africanos. E estes lucram por terem em Bruxelas uma voz que pode chamar a atenção para os seus
problemas.
O fato é que a África é hoje um continente que conta pouco no cenário internacional. Sobretudo, ficou à
margem da globalização. Enquanto a entrada da China, da Índia e de outros países asiáticos no mercado
mundial arrancou centenas de milhões de pessoas à miséria, o isolamento de África levou a que, no último
quarto de século, o número de pobres tenha duplicado neste continente.
É, por isso, urgente fazer com que África entre na economia mundial, cada vez mais globalizada. O que
implica abrir os mercados da UE às exportações africanas. Alguma coisa já se progrediu nesse caminho, mas o
protecionismo da política agrícola europeia continua a travar muitas importações que poderiam vir de África.
É importante atacar alguns problemas urgentes, como as doenças, pois bastariam 1,5 milhões de euros
(o que os EUA gastam em armas durante quatro dias...) ao longo de cinco anos para erradicar a malária
daquele continente — basicamente graças à generalização do uso de mosquiteiros. É uma tragédia humana e
um desastre econômico.
A ajuda dos países ricos aos africanos, nomeadamente por parte da UE, tem ficado aquém das
promessas. Por exemplo, das que foram feitas na reunião do G8, na Escócia, em 2005.
No início da recente reunião do G8, na Alemanha, o Papa Bento XVI recordou ter agradecido a Angela
Merkel, em nome da Igreja Católica, a decisão de manter na agenda daquele grupo a pobreza no mundo, em
particular na África. E o Papa renovou o apelo a aumentar substancialmente a ajuda ao desenvolvimento, em
favor das populações mais carentes, sobretudo as africanas. No entanto, a resposta dos países ricos parece
continuar a pouco ultrapassar as palavras e as boas intenções.
A Alemanha limitou-se a garantir que iriam cumprir os compromissos de há dois anos... Entretanto, o
Banco Mundial reconheceu que ajuda à África não cresceu como previsto, nem os mercados ocidentais se
abriram como prometido.
Há, ainda, um ponto essencial: a má administração dos governantes e a corrupção em muitos países
africanos, responsável em larga medida pela miséria em que eles se encontram.
A própria ajuda ao desenvolvimento torna-se, assim, mal vista pelas opiniões públicas na Europa, que a
consideram (em parte, infelizmente, com razão) como dinheiro desperdiçado. Daí que seja prioritária a questão
da democracia, dos direitos humanos e da luta contra a corrupção em África, mesmo do ponto de vista
econômico.
Julgo que, nessa matéria, a UE deve lidar com os países africanos exatamente com o mesmo grau de
exigência que usa para com os países europeus. Proceder de outro modo seria tratar os Africanos como
inferiores. Uma forma de neocolonialismo.
Por isso o empenho que Portugal põe, e bem, é que União Europeia e União Africana, não devem levar
a fechar os olhos a violações de direitos humanos na África. Ainda quando dirigentes políticos africanos fingem
não ver tais violações, como desgraçadamente acontece em relação ao Zimbábue.
Fonte: http://www.alem-mar.org/cgi-bin/quickregister, capturado em 06.12.2007.
Exercícios:
a) O continente africano faz parte do processo de globalização? Justifique.
b) Em sua opinião, a África conseguiria sair da crise econômica sem ajuda da União Europeia ou os Estados
Unidos? Justifique.

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4- ANGOLA: Petróleo, Diamante e Prosperidade
O resultado mais cruel de conflitos no país esta na desarticulação política justificada pela diversidade
étnica e o desabastecimento geral da população, além das mutilações resultantes de milhares de minas
(explosivos que detonam ao serem tocados) distribuídas no território angolano.
Angola expressa a realidade de quase todos os países ao sul do Saara. Além da guerra, a fome agride
a grande maioria da população. A desorganização política impede a concretização do sonho de muitos líderes
nacionalistas, que almejavam ver a África livre do jugo colonial e coesa nos ideais de liberdade e bem-estar.
Angola celebrou no último dia 11 de novembro de 2008, 33 anos de independência, transferindo a
soberania de Portugal, para o “Povo Angolano”.
Esse mesmo “Povo Angolano” que lutou pela sua independência, gostou de brigar / lutar e iniciou uma
guerra civil. Lá se foram mais vinte e poucos anos de desgraça. Podemos dizer que a república tem apenas
seis anos. Lutaram angolano X angolano; e junto dos angolanos ou contra os angolanos a África do Sul, Cuba,
União Soviética, o Antigo Zaire, hoje República Democrática do Congo, alem da China e mercenários
portugueses e ingleses.
Sentiu falta de alguém? Então vamos colocá-lo ai também: Os EUA, que apoiaram inicialmente apenas
a FNLA – Frente Nacional de Libertação de Angola, e não tardaram a ajudar também a UNITA – União Nacional
para a Independência Total de Angola. A sua estratégia foi durante muito tempo dividir Angola.
Quem venceu e está até hoje no poder: MPLA – Movimento Popular de Libertação de Angola é José
Eduardo dos Santos.

O presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, dá as boas-vindas ao presidente Lula.
Foto: Ricardo Stuckert/PR
Durante esse período, a economia sofreu um atraso devido à rebelião. O desenvolvimento não é
possível em condições de guerra civil. Finalmente, a sociedade angolana livrou-se desse fardo. O tempo é
propício. Atualmente, Angola é um país em obras divididas por empreiteiras brasileiras, nas quais a Odebrecht
aparece como a principal quanto ao volume, além de portuguesas e chinesas. É inegável e surpreendente a
influência da cultura brasileira em Angola, bem como, também de empresas e produtos brasileiros. Nós, os
brasileiros, já fomos os queridinhos do povo angolano. Hoje disputamos esse posto com os chineses.

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Angola é o maior produtor de petróleo na África, depois de ter ultrapassado a Nigéria. Angola é
atualmente a origem de 5% das importações petrolíferas norte-americanas (496 mil barris diários) e no primeiro
trimestre de 2008 foi o principal fornecedor de petróleo da China, ultrapassando a Arábia Saudita, graças a um
aumento de 55% nas suas exportações para o país asiático.
Não é só isso. Desde sua adesão a OPEP em 2007, Angola entrou com força e por cima, com a sua
produção petrolífera. Senão veja: O ministro angolano do Petróleo, Desidério Costa, foi nomeado presidente da
Organização de Países Exportadores de Petróleo – Opep para 2009. No meio dos “sheik” árabes, um africano
angolano, tomando conta da mais poderosa e endinheirada organização mundial.
Às voltas com taxas de crescimento que rondam os 20% nos últimos cinco anos, o país tem se
transformado no mais recente Eldorado de uma legião de empreendedores. Associados sempre a angolanos,
esses empresários chegam diariamente a Luanda em vôos lotados. Há uma crença geral de que vale a pena
explorar qualquer atividade econômica em Angola. Há demanda por tudo e restrições de oferta de toda ordem.
Também colabora para essa situação o fato de a economia estar baseada fortemente na exploração de
petróleo e minerais (principalmente diamante e ouro).
Diante da escassez de mão de obra especializada, essas empresas operam com mão de obra
estrangeira que, evidentemente, condiciona sua ida à custa da manutenção de um padrão de vida similar aos
de seus países de origem. Tudo isso faz com que Luanda seja uma das cidades mais caras do mundo para
viver.
Fonte: http://mercadoafricano.blogspot.com/2008/12/angola-petrleo-diamante-e-prosperidade.html

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5- A queda de Mubarak no Egito e "a Berlim de 1989 dos árabes"
Fonte: http://folha13.blogspot.com/2011/02/queda-de-mubarak-no-egito-e-berlim-de.html,
acessado em 18/02/2011.
Por Leandro Paterniani
Como o “11 de fevereiro” passará para a História ainda é cedo
para saber: tudo depende da dimensão que as repercussões da queda
do ditador do Egito Mubarak tomarão daqui para frente. Há quem diga
que estamos assistindo apenas ao começo de uma revolução
democrática árabe, que poderá colocar fim a uma série de ditaduras que
persistem no norte da África e no Oriente Médio, instalando, nos seus
lugares, regimes democráticos. Entretanto, uma coisa já sabemos: para
o Egito, essa data já faz parte de sua História. Após trinta anos de
opressão, o povo egípcio finalmente está livre do ditador Mubarak.
Chama à atenção, sobretudo, a mobilização popular que culminou com a renúncia de Mubarak: nos últimos 18
dias, pessoas das mais diversas partes do mundo acompanharam pela internet e pela TV cada lance da luta do
povo egípcio, que desde o dia 25 de janeiro tomou as ruas e iniciou um movimento que buscava muito mais que
uma transformação econômica, mas sim uma ruptura política.
Embora a Praça Tahrir tivesse sido tomada por egípcios das mais diversas idades e classes sociais, é
impossível não reconhecer o protagonismo da juventude egípcia nesse processo. E, neste sentido, é muito
especial vermos a juventude tomando as ruas e, movidas pela esperança e pelo desejo de uma sociedade de
direitos e democrática, derrubar um regime ditatorial. Torcemos para que agora o Egito possa experimentar
uma transição tranqüila para um governo democrático, fazendo valer a luta desses milhões de egípcios que
lutam por dias melhores. O Boteko reproduz aqui um texto do jornalista do El País Javier Valenzuela, intitulado
“A Berlim de 1989 dos árabes”. Boa leitura!
A Berlim de 1989 dos árabes
“Foi duro, muito duro, e absolutamente deslumbrante. O povo egípcio, liderado por sua ciber-juventude
democrática, em dado ao mundo uma imensa lição de claridade de idéias, valentia e tenacidade. A imensa
multidão da Praça de Tahrir, jovens e adultos, de classe média e pobres, homens e mulheres, cristãos e
muçulmanos, insistia na saída do ditador Mubarak antes mesmo de contemplar a possibilidade de uma
transição para a democracia mais ou menos negociada entre o regime e a oposição, e tinha toda razão do
mundo. Nada do que o regime prometesse teria a menor credibilidade se seguisse no trono um faraó convertido
em múmia, um cadáver político teimosamente agarrado ao poder.
Mubarak acaba de ir-se. O povo venceu na persistência. Na noite passada, Mubarak ainda insistia em
permanecer no cargo até setembro, liderando a transição. Era um disparate monumental, ainda que tivesse o
apoio dos falcões de Israel, de outros déspotas árabes, dos elementos mais conservadores dos norteamericanos e da pusilanimidade de dirigentes europeus. Era um despropósito porque o povo de Tahrir não
aceitaria, não abandonaria o combate. Ao contrário, iria redobrá-lo, mesmo que decepcionado e frustrado,
contando também com o reforço de outras centenas de milhares de egípcios em suas orações de sexta-feira
nas mesquitas. Nos últimos dias o lema do povo era esse: “se o rei é teimoso em seus esforços de agarrar-se
ao poder, muito mais somos nós”.
Como o governo podia conter a multidão que tem ocupado as ruas das principais cidades egípcias?
Somente uma matança de proporções descomunais, uma matança nunca vista ao vivo na História da
Humanidade, poderia tentar conter hoje o movimento egípcio e mesmo assim era improvável que conseguisse
seu objetivo. O blefe de Mubarak na noite anterior não teria o menor futuro. A partir do momento que o Exército
egípcio, a instituição com maior prestígio no país e da qual saíram os presidentes Nasser, Sadat e Mubarak, se
negou a disparar contra as massas, afirmando inclusive que compreendia e apoiava seus motivos, a revolução
democrática egípcia já estava em vias de ganhar. Agora, acaba de conseguir seu primeiro objetivo concreto: a
renúncia do ditador. E é um momento para regozijo. Dos egípcios, dos povos árabes e de todos os democratas
do planeta.
Acaba de triunfar a primeira e decisiva fase de uma revolução democrática. A humanidade não havia
vivido nada semelhante desde a queda do Muro de Berlim e a dissolução do império soviético. E esta primavera
dos povos árabes tem muito pouco ou nada a ver com a revolução de Teerã, em 1979. Somente cabe comparála com Berlim em 1989. É a história em movimento, é, em plena crise econômica, o retorno ao primeiro plano da
política internacional de luta contra a ditadura e em favor dos direitos humanos.

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Já são dois ditadores árabes derrubados, o tunisiano Ben Ali e o egípcio Mubarak, nesta revolução
democrática árabe que faz cair por terra estúpidos preconceitos ocidentais, como aquele que afirma que o
árabe e o muçulmano são totalmente incompatíveis com a democracia.
6- ÁFRICA DO SUL: APARTHEID
Fonte: KRAJEWSKI, Ângela Corrêa. Geografia – Pesquisa e Ação. Volume Único para Ensino Médio.
São Paulo: Ed. Moderna, 2005. pág. 142-144.
A África do sul ocupa uma posição estratégica no sul do continente africano, como eixo de passagem
entre os oceanos Atlântico e Índico. Além disso, possui muitos recursos naturais, especialmente ouro, pedras
preciosas e minerais. Porém, sua inserção como potência regional define-se mais pela sua liderança no
continente, reforçada pela formação da União Africana em julho de 2002. Essa nova organização é uma
iniciativa para estimular o desenvolvimento e combater a pobreza no continente.
A experiência democrática da África do Sul e o vigoroso crescimento econômico na última década
começam a exercer forte influência sobre o continente, especialmente na África Subsaariana.
As relações comerciais entre a África do Sul e a maioria dos países estiveram suspensas por décadas.
O bloqueio econômico determinado ao país pela ONU foi represália à política do apartheid - regime político que
vigorou de 1948 ao início da década de 1990, no qual apenas a minoria branca exercia direitos políticos,
econômicos e sociais, excluindo a imensa maioria negra. Por esse motivo, a África do Sul foi um dos países
africanos que mais alimentou o noticiário internacional no período. Diversas vezes o apartheid foi analisado pela
imprensa internacional, em vista dos horrores praticados contra a maioria negra. A discriminação, expressa na
Constituição gerava protestos em todo o mundo e, obviamente, no país.
Os primeiros colonos europeus que chegaram à região no século XVII eram holandeses calvinistas;
formaram grandes latifúndios e escravizaram membros de diversas etnias locais. Os bôeres (fazendeiros),
como eram chamados os holandeses e seus descendentes, fixaram-se no extremo sul do continente e foram
senhores da região até a chegada dos ingleses, no século XIX. A Coroa britânica passou a ter interesse na
região e, motivada pela descoberta de ouro, iniciou um processo maciço de colonização, obrigando os bôeres a
procurar novas áreas no interior.
Estes fundaram posteriormente o Estado Livre de Orange e a República do Transvaal, formando
grandes fazendas e escravizando principalmente os zulus, nativos locais. A base religiosa calvinista dos bôeres,
que buscavam com ela justificar a dominação sobre as populações negras locais, de certa forma foi
responsável pela gênese do apartheid.
No final do século XIX e início do século XX, a invasão do Transvaal pelos britânicos desencadeou a
Guerra dos Bôeres, que durou de 1899 a 1902. Como resultado, todo o extremo sul da África passou a fazer
parte do Império Britânico, com o nome de União Sul-Africana.
Em 1948, o Partido Nacional, formado pela minoria de descendentes de bôeres, ganhou as eleições,
rompeu com o Império Britânico e proclamou a independência do país. A partir desse momento, a política do
apartheid tomou forma legal e estendeu-se por todo o território sul-africano, negando à maioria negra o direito
de voto e participação política em geral. Em 1959, o governo de Pretória criou os bantustões, áreas específicas
para abrigar negros, verdadeiros bolsões de mão-de-obra barata, completamente segregados, e que
aumentaram ainda mais o fosso entre brancos e negros.
Por determinação do governo local, as línguas dos grupos étnicos negros eram proibidas nas escolas,
onde se ensinava o africânder - língua de origem bôer. Em 1976, protestos tomaram conta das ruas de Soweto.
Estudantes e professores das escolas dos negros reivindicavam o ensino unificado em inglês, resistindo ao
domínio forçado da língua africânder.
As manifestações dos estudantes foram duramente reprimidas pela polícia, com numerosas mortes.
Esses protestos reavivaram a pressão internacional sobre o regime. O apartheid foi condenado pela
maioria das nações do mundo, pois representava a continuação da opressão colonial a uma nação livre.
Nelson Mandela, líder do Congresso Nacional Africano (CNA), partido político ilegal e que resistiu bravamente
ao apartheid, e Desmond Tutu, bispo da Igreja Anglicana e prêmio Nobel da Paz de 1984, foram fundamentais
para o fim do apartheid.
As primeiras eleições multirraciais na África do Sul, em 1994, e a vitória de Nelson Mandela só foram
possíveis após longo trabalho junto às lideranças brancas do país, que, pressionadas pela crescente
organização dos negros e pelas sanções internacionais, resolveram ceder.
Foram quatro anos de longas negociações antes das eleições. O Partido Nacional recuou em 2 de
fevereiro de 1990, quando o presidente sul-africano, Frederik De Klerk, anunciou, num discurso tenso, o fim do
apartheid e a libertação de Mandela. Costurou-se, dessa forma, uma aliança para a reconstrução nacional. O
instrumento utilizado pelo CNA foi um acordo muito bem articulado, que propôs um governo de unidade para o
país. Qualquer partido que conseguisse 5% dos votos teria o direito de compor um ministério. Essa foi a fórmula

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encontrada para consolidar um acordo geral, incluindo até a participação de dois segmentos radicais: os ultra
direitistas brancos, representantes dos africânderes (descendentes dos colonos holandeses, que tiveram uma
chapa encabeçada pela Frente da Liberdade), e o Partido Inkatha, liderado pelo chefe zulu Mangosuthu
Buthelezi, que por muito tempo rivalizou-se com o CNA.
7 – NOVOS DESAFIOS DA ÁFRICA DO SUL
Fonte: KRAJEWSKI, Ângela Corrêa. Geografia – Pesquisa e Ação. Volume Único para Ensino Médio.
São Paulo: Ed. Moderna, 2005. pág. 144-145.
O país símbolo da segregação racial realizou eleições presidenciais livres em 1994, com a vitória de
Nelson Mandela, príncipe da etnia xhosa, que ocupou por 27 anos uma das celas do presídio central de
Johanesburgo como preso político. Primeiro presidente negro de um país colonizado por holandeses e ingleses
(estes em menor número), Mandela marcou um novo período da África do Sul.
Tabo Mbeki, vice-presidente no governo de Nelson Mandela, foi eleito presidente em junho de 1999,
com amplo apoio popular. O que se espera é uma reorganização econômica que permita à população negra
melhores condições socioeconômicas para resgatar, no mínimo, seu direito inalienável a uma vida digna.
Apesar de a população da África do Sul ser em sua maioria negra, o país enfrenta desafio para diminuir
a desigualdade social entre os diferentes grupos étnicos negros e a população branca, de origem européia.
Ainda que os avanços democráticos dos últimos anos tenham sido enormes, 75% da riqueza nacional
concentram-se nas mãos de 20% da população, especialmente da branca. Este quadro toma evidente que
muitos esforços serão necessários para romper com uma espécie de apartheid econômico que toma conta do
país. A taxa de desemprego entre os negros, por exemplo, atinge 42% da população economicamente ativa;
entre a minoria branca, o desemprego é de apenas 4%.
Outro grave problema do país são os infectados pela aids. Com 4,7 milhões no final de 2000, a África
do Sul é o país com o maior número de portadores do HIV (o vírus da aids) do mundo.A epidemia atinge 11,6%
da população e quase um quarto das mulheres grávidas. Segundo projeções da ONU, essa situação provocará
uma redução de 18 anos na expectativa de vida da população, entre 2000 e 2005.
Por sua gravidade, a aids também se tomou um problema econômico, a tal ponto que, segundo
estimativa da ONU, a moléstia será responsável pelo encolhimento de 17% do PIB sul-africano na próxima
década.
Apesar das dificuldades sociais, a economia da África do Sul está cada vez mais diversificada.
Destacam-se quatro regiões industriais: Transvaal (onde se encontra a indústria pesada e de mineração),
Cidade do Cabo (com concentração da indústria alimentícia), Durban (com forte presença do setor químico,
refino de petróleo e produção de pasta de papel) e Porto Elizabeth e Pretória, ocupados por montadoras de
automóveis, indústrias têxteis, químicas e siderúrgicas.

Em 2004, a África do Sul era a primeira do mundo em exportação de ouro e cromo, a quinta de
diamantes e a nona de minério de ferro, níquel e urânio. Além disso, é a oitava em reservas de carvão mineral,
assumindo mais de 110 minas em atividade. Do ponto de vista agrícola, é uma grande produtora de cana-de-

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açúcar e uva, apesar da falta de água para irrigação. Está entre os 10 maiores produtores mundiais de vinho,
outro produto exportado em escala comercial.
Com a experiência democrática recente e o desenvolvimento econômico, a África do Sul projeta-se
como a grande liderança da nova União Africana, principalmente na chamada África Negra. Nenhum outro país
dessa porção do continente dispõe de base industrial e forças armadas com a atualidade das sul-africanas. A
Nigéria tenta rivalizar-se com ela no comércio intra-África, mas não obtém os mesmos resultados por falta de
condições econômicas e militares.
8- CONFLITO NO CONGO
20/11/2008
Entenda o conflito na República Democrática do Congo
Fonte: Site Folha São Paulo
O atual conflito na República Democrática do Congo (RDC, chamada de Zaire entre 1971 e 1997) tem
raízes em choques étnicos e em interesses comerciais e políticos que já levaram a ex-colônia belga a ser palco
do que foi chamado de Primeira Guerra Mundial Africana, entre 1998 e 2003.
Nações vizinhas e até países como Zimbábue e Namíbia, que não fazem fronteira com o Congo,
enviaram tropas ao território congolês em apoio às facções em combate.
A instabilidade causada pelo grande fluxo de
refugiados que entraram no país em 1994, fugindo de um
genocídio em Ruanda, ajudou a enfraquecer a ditadura de
Mobuto Sese Seko, que estava no poder desde 1965. Ele
acabou derrubado em 1997 por uma rebelião liderada por
Laurent Kabila, com apoio dos regimes de Ruanda e Uganda.
Mas os dois países logo passaram a desafiar a autoridade de
Kabila, que buscou apoio de outros países para manter o
poder no país, renomeado por ele de República Democrática
do Congo.
Angola, Chade, Sudão, Zimbábue e Namíbia
apoiaram o regime de Kinshasa, e Ruanda, Uganda e
Burundi - este último de forma não oficial - respaldaram o
rebelde ACD (Agrupamento Congolês para a Democracia).
Durante os seis anos de combate, cerca de 3,5 milhões de
pessoas morreram de fome, doenças ou em razão da violência.
Tréguas provisórias
Apesar de tréguas provisórias, os combates continuaram. Em janeiro de 2001, o presidente Laurent
Kabila foi assassinado por um de seus guarda-costas. Seu filho Joseph, então com 30 anos, assumiu o cargo e,
em outubro de 2002, assinou um acordo de paz com as facções rebeldes para criar um governo de unidade
nacional. Após o armistício, a ACD se transformou em um partido político, com atual presença no Parlamento
após eleições gerais, e suas milícias foram absorvidas pelo Exército como parte do processo de reconciliação
nacional.
Os conflitos étnicos regionais, entretanto, persistiram. O atual conflito tem como protagonistas os
mesmos atores locais, as antigas milícias da ACD que se integraram nas Forças Armadas da RDC, mas que só
ficaram ao lado do governo até 2004. Nesse ano, voltaram a pegar em armas contra Kinshasa quando o
governo quis substituir Laurent Nkunda e outros comandantes da etnia tutsi congolesa, conhecidos também
como banyamulenge, por militares de outras regiões da RDC.
Tutsis
Nkunda lidera cerca de 4.000 soldados, todos banyamulenges, e afirma que luta para evitar que a
comunidade seja massacrada pelas tribos rivais e pela milícia hutu interahamwe, acusada de genocídio dos
tutsis de 1994 em Ruanda e que fugiu ao leste da RDC quando um regime tutsi assumiu o controle em Kigali, a
capital ruandesa.
Kabila, que após liderar um governo de transição foi eleito para a Presidência em 2005, tem como
aliadas as milícias locais Mai-Mai, que defendem seus territórios de outros grupos, e também as Forças
Democráticas de Libertação de Ruanda (FDLR).

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Em meio aos combates cada vez mais freqüentes, a ONU (Organização das Nações Unidas) tenta
manter a assistência às milhares de pessoas que vivem em campos de refugiados no país. A organização
mantém no Congo a sua maior força de paz, com 17 mil soldados.
A fragilidade do governo, que não consegue manter presença em todo o território do terceiro maior país
da África, possibilita o domínio de áreas do país pelos rebeldes - algumas com ricas minas de cobre, ouro,
diamante e zinco - e alimenta o temor de que países vizinhos ambicionem novamente envolver-se de forma
direta no conflito.
9- SOMÁLIA: Piratas mantêm capitão refém atiram em navios dos EUA
Os piratas somalis que mantém um capitão de navio americano como refém reagiram a tiros a uma
aproximação de marinheiros americanos, informou neste sábado a rede de televisão CNN.
O incidente ocorreu na manhã deste sábado, quando o navio de guerra americano USS Bainbridge
mandou um pequeno grupo em um barco em direção ao bote salva-vidas onde se encontram os piratas e o
capitão Richard Phillips, informou um funcionário do governo.
Entenda os ataques de piratas na Somália
Ao perceberem a aproximação, os piratas atiraram contra os marinheiros americanos, que retornaram
ao USS Bainbridge principal sem revidar aos tiros.
Phillips é refém dos piratas desde a última quarta-feira, quando o navio que comandava, o Maersk
Alabama, foi interceptado. Porém, os 20 membros da tripulação conseguiram recuperar o controle do cargueiro,
mas os piratas fugiram com o capitão, que se ofereceu como refém para garantir a segurança de seus
subordinados.
O USS Bainbridge foi mandado imediatamente para o local pela Marinha americana, a fim de
acompanhar de perto os acontecimentos. Ontem chegou o segundo navio para ajudar na missão, o USS
Halyburton, em um terceiro, o USS Boxer, chega ainda neste sábado ao local.
Os piratas somalis que estão com Phillips já haviam dito neste sábado que uma eventual tentativa de
resgate do capitão poderia resultar em um "desastre" - assim como ocorreu ontem, quando uma operação de
resgate realizada por tropas francesas em outra embarcação tomada por piratas na costa da Somália terminou
com a morte de um refém e de dois sequestradores.
Na sexta-feira, Phillips tentou escapar do grupo pulando ao mar e nadando em direção a um navio
americano, mas foi recapturado antes que a Marinha conseguisse ajudar.
O Maersk Alabama, sem o seu capitão, chegou ao seu destino final, o porto de Mombaça (Quênia). O
cargueiro se dirigia ao local para levar uma carga de contêineres de comida do Programa Mundial de Alimentos
da ONU que dali seguiriam para Uganda e Ruanda.
Mais sequestros
Neste sábado ocorreu mais um sequestro de navio na costa da Somália. Desta vez foi um rebocador de
bandeira italiana, com dez italianos entre os 16 membros da tribulação. Trata-se do barco "Buccaneer", de
propriedade da empresa Micoperi, de Rávena (costa adriática italiana), que foi atacado por um número
desconhecido de piratas quando se encontrava a alguns quilômetros do golfo, entre Socotra e Iêmen.
O dono da Micoperi, Claudio Bortolotti, confirmou à imprensa local que o rebocador, de 75 metros,
viajava de Cingapura até o canal de Suez, mas evitou fornecer mais detalhes. O "Buccaneer" arrastava mais
duas barcaças.
Ainda segundo o governo italiano, os 16 membros da tripulação se encontravam em bom estado e não
estavam armados. Além dos italianos, ainda estavam a bordo um croata e cinco romenos. A fragata de guerra
"Maestrale" estava à caminho do local onde está o rebocador italiano e deve chegar à zona do sequestro nas
próximas horas.
Fonte: Folha de São Paulo, 11/04/2009 on-line
10- SUDÃO: UM PAÍS EM PÉ DE GUERRA
No coração da África, existe um país miserável, governado pela violência e devastado pela fome. O
Sudão está dividido em regiões e religiões que travam uma batalha sem fim.
Que país é esse que astros do cinema e outras celebridades visitam, se engajando em campanhas
humanitárias e pacifistas? É um lugar quase sempre sem paz. Maior país africano, o Sudão tem uma historia
antiga que se confunde com a do Egito. Trata-se de uma história recente de dominação pelos próprios egípcios
e também pelos britânicos.

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Setenta e cinco por cento dos sudaneses são muçulmanos; e 20% praticantes de religiões tribais; e 5%,
cristãos. Mas a principal divisão sempre foi entre a população negra africana no sul, e os negros de origem
árabe, ao norte. Essa divisão foi agravada a partir dos anos 1980 com a intenção do governo de estabelecer a
Sharia, a lei islâmica, inclusive no sul não-muçulmano.
Já o conflito em Darfour, no oeste do país, tem motivos basicamente econômicos. A desertificação
numa área super povoada fez crescer as tensões étnicas e levou a uma revolta contra o governo central próárabe, em 2003. Uma guerra de milícias, com relatos de atrocidades de ambas as partes, teria deixado 300 mil
mortos e dois milhões de refugiados. Eles são os retratos atuais da longa tragédia sudanesa.
Omar al-Bashir, que governa o país com poderes absolutos desde um golpe militar, há 20 anos,
apoiaria as milícias árabes. Em particular, a Janjawid, acusada de promover massacres e estupros em massa –
uma limpeza étnica para varrer certas tribos não-árabes do mapa. Para muitos, genocídio. Mesmo assim, o
pedido de prisão de Omar al-Bashir, expedido esta semana pelo Tribunal Penal Internacional por crimes de
guerra e contra a humanidade, não tem apoio unânime.
Na África, o Sudão não tem boas relações com vizinhos como Chade, Quênia, Uganda e Etiópia, mas
têm aliados como Egito e Líbia. Para os Estados Unidos, é um Estado que promove o terrorismo e para a
China, um importante parceiro econômico. Os chineses compram a maior parte do petróleo sudanês e fornecem
armas ao país.
O governante sudanês se defende – atacando. “Quem usa todo tipo de armamento contra Gaza é que
deve ser julgado”, disse o presidente sudanês Omar al-Bashir, se referindo à recente ofensiva de Israel no
território palestino.
Al-Bashir também acusa os Estados Unidos e países europeus de roubo das riquezas da África no
passado e de uma tentativa agora de criar o que ele chama de “neocolonialismo”.
Para piorar o que já está ruim, o presidente do Sudão expulsou 13 organizações humanitárias do país.
As agências tinham mais de seis mil funcionários, entre sudaneses e estrangeiros. Segundo a ONU, a decisão
vai deixar mais de dois milhões de pessoas sem comida, água e atendimento médico.
Fonte: http://www.africa21digital.com/noticia.kmf?cod=8222248&indice=0&canal=404, capturado em maio/2009.
11- RUANDA: A MORTE MORA AO LADO
Fonte: KRAJEWSKI, Ângela Corrêa. Geografia – Pesquisa e Ação. Volume Único para Ensino Médio.
São Paulo: Ed. Moderna, 2005. pág. 169-170.
O continente africano tinha importância não só como área de apoio para as longínquas terras da Ásia
como também, e mais precisamente, como fornecedor de mão-de-obra escrava para sustentar a expansão
colonial no continente americano.
Em 1884, nações européias promoveram a Conferência de Berlim, com o intuito de dividir a África entre
si. Os resultados dessa conferência permitem compreender as dificuldades atuais da maioria dos países do
continente africano.
A África passou por um significativo processo de artificialização de fronteiras, pelo qual as nações
européias colonialistas, ao definirem as divisas dos territórios coloniais no continente, separavam povos amigos
e deixavam num mesmo território povos inimigos, com o claro objetivo de dificultar alianças que pudessem
colocar em risco o processo neocolonial. A forma como foi executada a partilha da África explica a realidade
africana no final do século XX, quando, num mesmo país, grupos rivais lutavam pelo poder, dificultando o
estabelecimento de Estados nacionais coesos.
"Campos da morte - versão africana da limpeza étnica - trucidam 200 mil pessoas" é o título de uma das
matérias publicadas na imprensa sobre a África equatorial, especialmente na região centro oriental, em meados
de 1994, e nos dá uma ligeira idéia da proporção de mais um conflito étnico no continente africano.
Ruanda, país encravado na África Central, até então conhecido por ter sido cenário do filme Nas
montanhas dos gorilas, viu-se arrasada pela guerra étnica iniciada em 1990 e intensificada a partir de 1994,
após o assassinato de dois presidentes: Juvenal Habyarimana, de Ruanda, e Cyprien Ntaryamira, do Burundi.
O avião em que viajavam foi derrubado quando aterrissava em Kigali, capital de Ruanda. Os motivos que
levaram a essa tragédia não são recentes. Os dois presidentes - de etnia hutu – estavam chegando de uma
conferência de paz realizada na Tanzânia, onde haviam discutido possíveis soluções para o conflito étnico que
há séculos dizima as populações dos dois países.
De certa forma, o conflito em Ruanda é uma demonstração de que a realidade africana é o efeito
retardado da política colonial que, ao definir as fronteiras da dominação, provocou a desintegração das relações
tribais. Até a primeira metade do século XIX, as etnias tutsi e hutu viviam em relativa harmonia no território que

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hoje é ocupado por Ruanda e Burundi. Os tutsis, de pele mais clara, biótipo longilíneo e maior estatura, eram
pastores vindos da Etiópia e fundaram seu reino na região por volta do século XV. Nessa mesma área viviam os
hutus, povo de tradição agrícola, originário da Bacia do Congo, de pele mais escura e menor estatura.
Quando a colonização se alastrou, a região, inicialmente sob domínio alemão e posteriormente belga,
teve sua estrutura social modificada, o que provocou uma ruptura nas relações até então vigentes. Os tutsis
foram escolhidos para intermediar o processo de dominação colonial e passaram a ser treinados para o
exército, além de ocuparem cargos elevados na burocracia local. As escolas exigiam altura mínima, com o
intuito de dificultar o acesso dos hutus, bem mais baixos. Assim, durante toda a colonização, os tutsis
tiveram privilégios que agravaram progressivamente as diferenças étnicas.
Em 1959, eclodiu a primeira rebelião hutu. Os tutsis aprisionados tiveram seus pés cortados a golpes de
facão, de modo a reduzir a diferença de estatura entre eles. Se essa era a grande diferença entre eles, então
estava resolvido!
Ruanda tornou-se independente em 1962, e os tutsis, minoritários na região, ficaram à mercê dos
hutus. A maioria dos tutsis acabou fugindo para a vizinha Uganda e lá se articulou para tentar reconquistar o
poder.
O governo hutu de Ruanda, liderado desde 1973 por Juvenal Habyarimana, com receio do poder de
organização dos tutsis, insuflou os conflitos étnicos entre os dois povos. Entre os meios que utilizou para isso
está a obrigatoriedade de constar na identidade dos ruandeses sua origem étnica. O governo cogitou destinar
áreas específicas para a população tutsi, repetindo a idéia dos bantustões sul-africanos, com vistas à formação
de um apartheid local. Essa situação de conflito étnico não é específica de Ruanda. O Burundi, país ao sul de
Ruanda, compartilha com os ruandeses a mesma sina. Em outubro de 1993, o presidente burundinês Melchior
Ndadaye, hutu eleito pela maioria, foi assassinado por milícias do exército local, de maioria tutsi. Nos meses
seguintes, hutus revoltados promoveram uma chacina que deixou 80 mil mortos. Os conflitos entre hutus e
tutsis em Ruanda promoveram um genocídio com um milhão de mortos e dois milhões de refugiados.
EXERCÍCIOS DE APLICAÇÃO:
01)(ENEM/2009*)

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02)(PISM III/2008) O Sudão é o cenário da crise humanitária mais grave da atualidade, só comparável à da
vizinha República Democrática do Congo. Aproximadamente 2 milhões de pessoas morreram, 400 mil deixaram
o país e outros 4 milhões perderam suas casas, formando a maior população de refugiados internos do mundo.
Sobre os conflitos do Sudão e da República Democrática do Congo (RDC), é CORRETO afirmar que,
a) no Sudão, os adversários são grupos que divergem sobre a forma de governo.
b) no Sudão, os grupos paramilitares lutam pela reunificação do norte e sul.
c) no Sudão, a disputa por água, petróleo e terras férteis explica o conflito.
d) na RDC, os conflitos são alimentados por diferenças religiosas.
e) na RDC, os grupos rebeldes lutam pela independência do país.
03)(ENEM/2007) A identidade negra não surge da tomada de consciência de uma diferença de pigmentação ou
de uma diferença biológica entre populações negras e brancas e(ou) negras e amarelas. Ela resulta de um
longo processo histórico que começa com o descobrimento, no século XV, do continente africano e de seus
habitantes pelos navegadores portugueses, descobrimento esse que abriu o caminho às relações mercantilistas
com a África, ao tráfico negreiro, à escravidão e, enfim, à colonização do continente africano e de seus povos.
K. Munanga. Algumas considerações sobre a diversidade e a identidade negra no Brasil. In: Diversidade
na educação: reflexões e experiências. Brasília: SEMTEC/MEC, 2003, p. 37.
Com relação ao assunto tratado no texto acima, é correto afirmar que:
a)
b)
c)
d)
e)

a colonização da África pelos europeus foi simultânea ao descobrimento desse continente.
a existência de lucrativo comércio na África levou os portugueses a desenvolverem esse continente.
o surgimento do tráfico negreiro foi posterior ao início da escravidão no Brasil.
a exploração da África decorreu do movimento de expansão européia do início da Idade Moderna.
a colonização da África antecedeu as relações comerciais entre esse continente e a Europa.

04)(CONCURSO PJF) O continente africano caracteriza-se por:
IIIIII-

Apresentar grandes problemas decorrentes da colonização que não respeitou os espaços
tradicionais das antigas sociedades desse continente.
Muitos países, após a independência, acabaram mantendo os territórios coloniais, o que causa um
conjunto de conflitos separatistas presenciados na atualidade.
Vários países têm investido na infra-estrutura para recebimento de turistas que são atraídos pela
diversidade natural, com destaque a África do Sul.

Para responder, utilize as opções seguintes:
a)
b)
c)
d)
e)

Se todas as afirmativas forem corretas.
Se somente a afirmativa I for correta.
Se forem corretas as afirmativas I e III.
Se forem corretas as afirmativas I e II.
Se forem corretas as afirmativas II e III.

05)(UFJF/2006) Leia o texto abaixo:
“A natureza do conflito mudou. O século vinte, o mais sangrento da história da humanidade, foi definido,
primeiro, pelas guerras entre países e, depois, pelos receios da guerra fria de confronto violento entre duas
superpotências. Agora, esses receios deram lugar aos medos das guerras locais e regionais, travadas
predominantemente em países pobres, no interior de Estados fracos ou falidos e com pequenas armas
como as preferidas. A maioria das vítimas das guerras de hoje é civil. Há menos conflitos no mundo hoje do
que em 1990, mas a parcela desses conflitos que ocorre em países pobres aumentou.”
Fonte: Relatório do Desenvolvimento Humano 2005. ONU.
Marque a alternativa que apresenta um país e o recurso natural do qual provêm meios para sustentar conflitos
violentos:

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GABARITO:
01-B

02-C

03-D

04-A

05-B

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Capítulo 5: EUROPA
MAPA POLITICO DA EUROPA

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1- CARACTERÍSTICAS DEMOGRÁFICAS
A Europa, embora seja um continente bastante populoso desde tempos muitos antigos, tem tido um
crescimento demográfico muito pequeno nas últimas décadas. Atualmente possui cerca de 744 milhões de
habitantes, com estimativas de 701 milhões para o ano de 2025. Isso, porque ao contrário do que ocorre nos
demais continentes, a população europeia decresce a cada ano. O número de pessoas com mais de 65 anos é
muito elevado na Europa. Essa situação deve se a dois fatores: a natalidade vem diminuindo cada vez mais e a
esperança de vida tem se elevado, situando-se em 73 anos. Mas, mesmo que seu crescimento vegetativo seja
negativo, o continente consegue manter seu nível populacional, graças à influência de imigrantes.
Três quartos da população europeia vivem nas cidades, cuja história se reflete em suas estruturas:
geralmente o centro abriga casarões antigos e históricos, e a periferia é ocupada por bairros residenciais e
polígonos industriais. As cidades mais populosas da Europa são Paris, Londres, Berlim e Moscou.
A rede de infra-estrutura urbana da Europa é das mais completas do mundo, com muitas rodovias,
ferrovias, hidrovias, portos e aeroportos. Os principais eixos de comunicação se localizam no centro do
continente, seguindo o curso dos grandes rios, como o Reno, o Sena e o Danúbio.
Além da avançada rede de infra-estrutura no sistema de transportes e comunicações, a Europa
apresenta, no seu espaço agrícola, tudo o que há de mais moderno: tratores, colheitadeiras, sistemas de
irrigação, métodos de confinamento do gado. Isso tudo reduziu a necessidade de mão-de-obra e,
consequentemente, de população no campo.
A população dispensada das atividades agrárias contribuiu para a urbanização do continente, já que, a
partir da Revolução Industrial, os setores industrial e de serviços cresceram muito rapidamente, atraindo
famílias do campo para compor o operariado nas cidades.
Um continente de migrações
Os maiores fluxos migratórios do continente europeu ocorreram da metade do século XIX até o início do
século XX. Calcula-se que, nesse período, 50 a 60 milhões de pessoas deixaram a Europa. Esse número
equivale a mais ou menos um terço da população brasileira atual, que é de cerca de 170 milhões.
Entre os fatores que motivaram tão significativo migração pode-se destacar o estado de miséria em que
se encontravam vários países europeus. Além disso, a falta de trabalho gerada pela modernização dos
sistemas produtivos expulsou grande parte da população, que vislumbrou a possibilidade de garantir sua
sobrevivência em terras estrangeiras.
O principal destino das migrações, naquele momento, foi o continente americano, o chamado Novo
Mundo. Os atuais Estados Unidos da América se tornaram o país que mais atraiu esse fluxo, dadas as
possibilidades de obtenção de terras, principalmente no oeste do seu território.
Fluxos migratórios atuais
Atualmente a Europa vive uma situação inversa: calcula-se que 15,6 milhões de pessoas entraram na
sua parte ocidental na década de 1990. a principal causa das migrações rumo à Europa é a crise
socioeconômica nos países pobres, sobretudo no Norte da África e também nas Américas Central e do Sul.
O desenvolvimento conquistado pelas nações européias viabiliza melhores oportunidades de emprego
e de aceso aos serviços públicos de saúde e de educação oferecidos pelos governos. Isso motiva as
populações dos países pobres a migrar para o Velho Mundo.
Além da necessidade de mão-de-obra para certos tipos de trabalho, alguns países europeus,
principalmente a França e o reino Unido, atraem jovens nascidos nos seus antigos territórios coloniais. Esses
jovens procuram especialização profissional em universidades e institutos técnicos desses países, cujos
idiomas receberam como herança dos tempos coloniais.
Existe também forte movimento migratório de um país a outro dentro do próprio continente,
principalmente do leste europeu para a Europa Ocidental, em vista das desigualdades econômicas entre as
duas regiões.
Outro fator que motiva o fluxo migratório são as perseguições políticas e os conflitos étnicos tanto na
própria Europa. Como no caso dos albaneses, quanto fora dela, como no caso dos curdos, povo que habita
uma região do Oriente Médio que ocupa diversos países. Essas pessoas entram nos países que escolhem
como destino na condição de refugiados.
Um dos principais problemas dos governos europeus tem sido o de imigrantes que conseguem entrar e
permanecer no país sem permissão oficial do Estado. São os imigrantes ilegais que, tendo conseguido acesso

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à Europa, passam a trabalhar no setor informal da economia, cuja fiscalização não é rigorosa, podendo ter
casos de xenofobia.

2- LESTE EUROPEU
O Leste Europeu é uma região que abriga países situados na parte central ou oriental do continente
europeu. Há várias interpretações para a abrangência do termo, freqüentemente contraditórias e influenciadas
por fatores geopolíticos e ideológicos. O número de países que o Leste Europeu compreende depende da área
incluída em cada interpretação.
Ainda assim, mesmo que não tenham nenhuma homogeneidade absoluta, grande número dos países
da região apresenta várias similaridades, como a presença forte das nações e dos idiomas eslavos, e da
religião cristã ortodoxa. Além disso, todos os estados-nações da região (à exceção da Grécia) adotaram em
algum momento de suas histórias o regime econômico socialista e o regime político de partido único, a maioria
deles entre os anos de 1945 e 1991.
A divisão entre Europa do Leste e a Europa Ocidental ficou bem visível depois da cisão deste
continente entre o bloco socialista e o capitalista, delimitada pela simbólica Cortina de Ferro. É considerada a
Europa Oriental desde a fronteira germano-polonesa, Hungria, Eslovênia, Croácia; até os montes Urais, divisão
natural entre Europa e Ásia. Atentemos, já que existiam duas Europas Orientais; um termo com conotação
geográfica e outro, política (do qual excluímos a Grécia), equivalendo à antiga área de influência da URSS.
Existem tentativas de transformar o Leste Europeu num termo puramente geográfico, diminuindo ou
liquidando por completo a sua conotação histórica. É por isso que algumas fontes incluem no Leste Europeu a
Grécia, e também às vezes o Chipre e a parte europeia da Turquia (países que nunca adoptaram o regime
comunista).
Uma outra tentativa de acabar com a conotação histórica do termo Leste Europeu foi feita pelas Nações
Unidas, que na sua divisão das regiões do mundo excluem do Leste Europeu todos os países que integravam a
antiga Iugoslávia e a Albânia (que fazem parte do Sul Europeu) e os países bálticos (que fazem parte do Norte
Europeu).
Os habitantes e fontes nos países europeus pós-comunistas utilizam o termo Leste Europeu
normalmente apenas em relação a países mais a leste geográfico da Europa, isto é, à Rússia, à Ucrânia, à
Bielorússia e à Moldávia. Os países situados a sul da Roménia, da Hungria e da Croácia são designados como
os Balcãs, enquanto a Polónia, a República Checa, a Eslováquia, a Hungria, a Eslovénia e, ás vezes, a Croácia
são normalmente designados como Europa Central.
Alguns habitantes dos países pós-comunistas da Europa Central bem como dos países bálticos
consideram frequentemente o termo Leste Europeu utilizado em relação aos países deles como pejorativo do
ponto de vista cultural (o que tem muito a ver com o fato de este termo ter sido definido e usado por
nacionalistas alemães do sec. XIX e XX em relação a povos localizados a leste da Alemanha em contextos
racistas, errado do ponto de vista geográfico e obsoleto do ponto de visto político - depois do fim da Cortina de
Ferro o uso do termo Leste Europeu em relação a todos os países europeus pós-comunistas perdeu qualquer
sentido, uma vez que atualmente referir-se-ia aos países tão diferentes como a Eslovénia, um país
desenvolvido e pertencente a União Europeia.
O Leste Europeu foi uma das regiões do mundo onde a ideologia socialista mais ganhou adeptos e
permaneceu mais tempo como regime político e econômico instituído. Já no século XIX, o socialismo em sua
vertente utópica era utilizado por movimentos emancipacionistas dos povos da região em sua busca pela
libertação dos grandes impérios.
O Leste Europeu foi o palco central da Guerra Fria, fronteira direta entre o bloco socialista e as
potências capitalistas em reconstrução. Dizia-se que uma "cortina de ferro" havia sido baixada na região. Nesse
contexto, foram criadas entidades para unir os países socialistas do Leste em cooperação política (Cominform),
econômica (COMECON) e militar (Pacto de Varsóvia).
Com a dissolução do Bloco Socialista, a Guerra Fria acabou e os países do Leste Europeu aderiram à
democracia liberal e capitalista. Os últimos remanescentes socialistas hoje em dia no Leste Europeu são a
Bielorrússia e a Moldávia, onde os partidos comunistas retornaram ao poder democraticamente por voto direto.

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3- RÚSSIA
Fonte: KRAJEWSKI, Ângela Corrêa. Geografia – Pesquisa e Ação. Volume Único para Ensino Médio.
São Paulo: Ed. Moderna, 2005.
A Rússia ressurgiu no cenário internacional depois do fim da URSS. Além da crise política, enfrentou
diversos problemas econômicos que resultaram na falta de alimentos e moradia para a população carente.
Apesar disso, conseguiu manter parte de suas forças armadas e ainda influencia as decisões políticas
internacionais por ser integrante do Conselho de Segurança da ONU. Uma séria crise financeira em 1998
desestruturou ainda mais a economia russa, mas o país recebeu empréstimos de organismos multilaterais,
como o FMI, com o objetivo de evitar uma volta dos antigos comunistas ao poder.
Além de ser a principal potência nuclear depois dos Estados Unidos, a Rússia possui um dos maiores
exércitos do mundo, o que lhe garante uma posição destacada no cenário internacional. Após a glasnost,
entretanto, sua tecnologia bélica tornou-se inferior à da superpotência, o que a obriga a adotar táticas de guerra
convencionais utilizando menos recursos eletrônicos.
Uma das constantes preocupações de estrategistas russos é a manutenção de saídas para o Mar
Mediterrâneo, que representa caminho para navios russos transportarem produtos para outros mercados da
Europa. Como a Rússia é banhada pelo Mar Negro, e a passagem deste para o Mediterrâneo - o Estreito de
Bósforo – é controlada pela Turquia, a Rússia precisa manter um acesso terrestre até este mar.
Não foi por outra razão que, no conflito de Kosovo, os russos ocuparam o aeroporto de Pristina com
tropas, exigindo participação na gestão do país. Foi uma maneira de manter sob sua influência a área de uma
das antigas repúblicas socialistas e uma das poucas com as quais tem alguma tradição em comum - a
Iugoslávia e a Rússia têm origem eslava, empregam o alfabeto cirilico e praticam o catolicismo ortodoxo.
O final da Guerra Fria representou maior aproximação com os Estados Unidos. Além de cooperação
científica e tecnológica, os antigos inimigos chegaram a trocar informações durante o ataque dos Estados
Unidos ao Afeganistão em 2001 - a Rússia passou dados sobre aquele país, que foi ocupado pela então URSS
durante quase uma década; em troca os americanos não questionariam os russos pelas mortes de cidadãos
tchetchenos que lutavam pela independência da região (de maioria muçulmana).
Apesar dessa reaproximação, a Rússia vive alguns impasses. Um deles é o de pertencer ou não à
Europa, o que permitiria uma eventual adesão à União Européia no futuro.
Dividida em 21 repúblicas, 10 distritos autônomos e uma região autônoma, encontra-se no país grande
diversidade étnica e religiosa. Embora predominantes, os eslavos convivem com caucasianos e tártaros.
Católicos ortodoxos convivem com judeus e muçulmanos, nem sempre em paz.
Dos cerca de 150 milhões de habitantes da Rússia, aproximadamente 30 milhões não são russos e
estão divididos em mais de 100 grupos étnicos, dos quais o maior é o dos tártaros, com cerca de 5 milhões.
Como resultado dessa variedade étnica e cultural, surgiram diversos focos de desequilíbrio interno devido a
conflitos separatistas, como na Tchetchênia.
A adesão dos países bálticos à União Européia e à Otan também gera preocupação às autoridades
russas. A Rússia tem perdido influência sobre os países que estiveram sob seu controle em um passado muito
recente.
Ainda persiste, desde o final da Segunda Guerra Mundial, a polêmica sobre a posse das Ilhas Kurilas,
antes pertencentes ao Japão, que as quer de volta. Não bastasse isso, assistiu à entrada dos Estados Unidos
no Afeganistão e teve que cooperar com eles, na ocupação de um país que já esteve sob dominação mlilitar
soviética.
Se as dificuldades não são poucas, as saídas também não são fáceis. A Comunidade de Estados
Independentes (CEI), bloco econômico criado logo após o fim da URSS para manter a integração econômica
entre os países que a compunham, não conseguiu prosperar.
Alternativas econômicas existem e têm sido aplicadas. A Rússia é um dos maiores produtores mundiais
de petróleo e possui uma indústria de base importante. A escassez de alimentos diminuiu muito, apesar do
aparecimento da máfia russa – grupo que se aproveitou do desmonte do Estado soviético para, de posse de
informações estratégicas, explorar parte da população de maneira ilícita.
Quando as coisas não caminham bem, algo tem que ser feito. E foi feito. Vladimir Putin, presidente
eleito em 2001 e que atuou no órgão de investigação da antiga URSS, apresentou um novo hino (simbolizando
uma nova meta) à população russa. Sua letra ressalta a herança soviética e sua melodia também lembra o
antigo hino da URSS. Mudar recuperando um passado vitorioso expressa claramente o objetivo da "nova"
Rússia do terceiro milênio: voltar a influenciar as decisões internacionais.
O imponente desfile militar ocorrido em Moscou em maio de 2005, em comemoração aos 60 anos do
término da Segunda Guerra Mundial, é um exemplo das intenções do atual governo russo em se projetar
novamente como potência no século XXI.

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4- INTERNACIONAL – UNIÃO EUROPEIA
Efeito dominó
A crise econômica originada na Grécia ameaça vizinhos e lança dúvidas quanto ao futuro do euro, o
maior símbolo da integração europeia.
Por Denise Odorissi
Fonte: Atualidades, Vestibular + ENEM 2011. São Paulo: Ed. Abril, 2010. pág. 94-96.
Quando ensaiava uma recuperação
econômica da crise mundial iniciada em 2008, a
União Europeia (UE) voltou à beira do abismo. E a
fenda começou a se abrir justamente na Grécia,
uma das economias mais frágeis do bloco.
Os dois momentos estão intimamente
ligados. Nos últimos anos, a Grécia fez
empréstimos pesados, financiou crescimento
econômico médio de 4% ao ano entre 2001 e
2008, mas também elevou demais os gastos
públicos e o endividamento do Estado. Quando a
crise de crédito estourou, em 2008, o país não
tinha recursos para lidar com ela e não conseguia
novos empréstimos por já estar muito endividado.
Para tentar amenizar o problema, o
governo grego aumentou ainda mais seus gastos
para dar incentivos a diversos setores da
economia. Mas não adiantou: o desemprego
aumentou, desaqueceu o consumo e a
arrecadação de impostos, em 2009. A dívida
publica se aprofundou e o déficit no orçamento ou seja, a diferença entre o que o país gasta e o que arrecada - ficou em 13,6% do Produto lnterno Bruto (PIB),
um dos mais altos da Europa e quatro vezes acima do previsto pelas regras impostas aos 16 integrantes da UE
que utilizam o euro como moeda. Um ranking internacional pôs a Grécia, em abril, em quarto lugar entre os
países que apresentam o maior risco para os investidores internacionais.
Sem encontrar outra alternativa, o primeiro-ministro grego, Georges Panpadreu, pediu empréstimos a
UE e ao Fundo Monetário Internacional (FMI) para evitar dar um calote de 270 bilhões de euros aos credores (a
moratória, que é quando o país para de pagar suas dividas por falta de recursos).
Ao liberar a ajuda bilionária à Grécia, o FMI instou outros países europeus a adotar rapidamente pIanos
de ajuste fiscal. Como a economia do bloco europeu é interligada, há risco de outros países membros entrarem
em crise por causa da Grécia. Foi criado ate um acrônimo para designar as nações que mais preocupam os
investidores internacionais: PIlGS (com as iniciais de Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha), numa
referenda a palavra porco em inglês, para indicar as países que estariam com uma economia suja.
Sessenta anos apos a sua fundação, o principal desafio da UE é passar ao Mundo a imagem de um
bloco solido. Para tanto, precisa conciliar os interesses dos 27 países-membros e promover um modelo
eficiente de crescimento e cooperação. Mas o horizonte mostra incertezas. Em abril, o nível de desemprego
bateu recorde, com 10% da população da UE sem trabalho. A atual crise Ievanta duvidas sobre a eficiência de
uma moeda única para economias tão diferentes. Especula-se, ate mesmo, uma futura desfragmentação da
Zona do Euro.
A União Europeia é o maior bloco econômico do planeta, com um PIB maior que o Norte-americano.
Sua Constituição foi instituída nos últimos 60 anos, após a II Guerra Mundial. O bloco teve origem em
1951,quando seis países – Alemanha Ocidental, França, Bélgica, Holanda, ltáIia e Luxemburgo – fundaram a
Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (Ceca). Em 1957, o Tratado de Roma criou a Comunidade
Econômica Europeia (CEE), instituindo as “quatro liberdades fundamentais” (livre circulação de pessoas, de
mercadorias, de capitais e de serviços). Entre 1973 e 1995, entraram para a comunidade Dinamarca, Reino
Unido, Irlanda, Grécia, Espanha, Portugal, Áustria, Finlândia e Suécia. Com a Tratado de Maastrich, em
1992,nasceu a União Europeia. Em 2004, houve a maior ampliação com o ingresso de mais dez nações:
Eslováquia, Eslovênia, Hungria, Estônia, Letônia, Lituânia, Polônia, Republica Tcheca, Chipre e Malta. Também
passaram a fazer parte do bloco, em 2007, a Romênia e a Bulgária - dois dos países mais pobres da Europa.

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5- IRA: EXÉRCITO REPUBLICANO IRLANDÊS
Fonte: KRAJEWSKI, Ângela Corrêa. Geografia – Pesquisa e Ação. Volume Único para Ensino Médio.
São Paulo: Ed. Moderna, 2005. pág. 153-155.
Em setembro de 1997, o Exército Republicano Irlandês (IRA) propôs um cessar-fogo ao Reino Unido,
com o intuito de sentar-se à mesa de negociações e discutir o futuro da Irlanda do Norte. Não era sem tempo,
pois o conflito na Irlanda tem provocado, por mais de um século, lutas sangrentas e centenas de mortos.
A questão irlandesa entre católicos e protestantes teve início com a própria história do Reino Unido. No
início do século XII, a Ilha da Irlanda, sob domínio dos normandos, foi cedida ao rei inglês Henrique lI. Em 1534,
um episódio entre o soberano Henrique VIII e o papa Clemente VII foi utilizado pela nobreza inglesa,
descontente com os tributos pagos a Roma, para romper seus laços com a Igreja Católica. O rei pretendia
anular seu casamento com Catarina de Aragão, da Casa Real Espanhola, para se casar com Ana Bolena.
Como o papa, pressionado por Carlos V, rei da Espanha e do Sacro Império Romano-Germânico, não o
atendeu, Henrique VIII rompeu com a Igreja Católica e criou a Igreja Anglicana (protestante). Com isso, além da
questão matrimonial do monarca, resolveu-se o problema dos tributos.
Os séculos seguintes foram marcados por forte perseguição aos católicos da Irlanda e pela expansão
do poder protestante na ilha em virtude de sucessivas migrações inglesas para a região. Em 1801, pelo Union
Act, a Irlanda foi anexada e passou a fazer parte do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda.
No século XIX, a minoria católica da Irlanda organizou-se em um movimento pela independência e de
resistência às imposições coloniais britânicas. Esse movimento pode ser identificado como a origem do IRA e
do Sinn Feinn; o primeiro, de caráter militar, o segundo, de caráter político.
Por volta de 1916, os nacionalistas do Sinn Feinn desencadearam a Revolta da Páscoa, que se
transformou no estopim da Guerra Anglo- Irlandesa, que se iniciou em 1918 e terminou em 1922. O resultado
desse conflito foi o primeiro IrelandAct, documento que estabeleceu um Estado independente no sul da ilha, o
Eire, de maioria católica e associado ao Reino Unido. O norte da ilha, a Irlanda do Norte, ou Ulster, continuou
diretamente ligado ao Reino Unido, por ter maioria protestante.

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Em 1937, o primeiro-ministro do Eire, Éamon de Valera, promulgou a Constituição que fez da Irlanda
uma nação soberana dentro da Comunidade Britânica. Em 1949, esse ato foi ratificado com o segundo Ireland
Act, dessa vez com o aval da Inglaterra, que aceitou a independência, sendo então proclamada a República da
Irlanda.
A minoria católica do Ulster, além de sofrer perseguições religiosas, vivia em situação de grande
injustiça social, como resultado da ocupação colonial dos séculos anteriores. Nesse contexto, o IRA
permaneceu como base de sustentação de luta para unir o Ulster à República da Irlanda, deixando para trás
séculos de influência e dominação britânicas.
Os unionistas, protestantes descendentes dos colonos ingleses, queriam continuar como província do
Reino Unido. Desde a década de 1960, os dois grupos têm se confrontado violentamente, utilizando táticas
terroristas.
Em março de 1972, com o aumento da violência, o governo britânico assumiu a administração do
Ulster, retirando a autonomia da região, que podia até aquele momento manter parlamento próprio. O IRA
ampliou suas ações terroristas desde então, causando várias baixas no exército britânico. Somaram-se, desde
o final da década de 1960, mais de 3 mil mortos nos conflitos entre católicos e protestantes. A partir de 1972, a
organização passou a agir também em solo britânico.
O IRA possui duas frentes de ação. Uma delas, o Sinn Feinn, busca na política e na legalidade influir
nas decisões do Parlamento britânico. A outra, formada por extremistas radicais conhecidos como provas, atua
de maneira terrorista: ataca desde lojas às vésperas do Natal até membros da família real britânica.
Na década de 1990, o número de extremistas do IRA diminuiu, e a organização perdeu apoio da
população, cansada da violência. Diante disso e da necessidade de manter um contingente oneroso de
soldados para garantir a paz na região, o governo britânico se dispôs a negociar com a República da Irlanda
uma saída pacífica para o longo conflito.
Em julho de 1997, o IRA anunciou novo cessar fogo e, dois meses depois, o Sinn Feinn foi aceito nas
negociações de paz. Em maio de 1998 foi assinado um tratado de paz, ratificado por um plebiscito que obteve
71% de votos favoráveis na Irlanda do Norte e 94% na República da Irlanda.
Os principais pontos do tratado defendem que:
• a Irlanda do Norte continue fazendo parte do Reino Unido, a menos que a maior parte da população opte pela
separação;
• seja eleita uma Assembléia de 108 membros, escolhidos entre católicos e protestantes norte-irlandeses, que
se renove a cada cinco anos e tenha como objetivo definir políticas públicas que promovam o desenvolvimento
econômico e social no país;
O acordo entrou em vigor em 2000, mas a paz permanece uma incógnita, já que durante anos a
desconfiança marcou as relações entre britânicos e católicos da Irlanda do Norte. Após os atentados de 11 de
setembro nos EUA, os países ocidentais intensificaram a preocupação com ações terroristas, o que levou
autoridades britânicas a suspeitarem de envolvimento entre o IRA remanescente e lideranças da Al Qaeda.
6- A QUESTÃO BASCA
A região do país basco encontra-se no nordeste da Espanha e no sudoeste da França. Os bascos têm
em comum às tradições culturais e a língua basca. A língua falada no país (euskara) é a mesma há 4000 anos,
e tem desempenhado um papel fundamental na preservação da unidade cultural do povo basco e desafiado, de
todas as formas o governo espanhol, para obter sua independência. A origem dessa língua é desconhecida e
não se assemelha com nenhuma outra língua européia, servindo como importante fator de identidade cultural
desse povo. Esta região é berço do povo mais antigo da Europa. São tão antigos que perderam o vínculo com
qualquer outra etnia do planeta. Poucos povos do mundo são tão presos a terra como os bascos. É uma
relação profunda que dura, pelo menos, 150 000 anos, idade dos primeiros vestígios da ocupação humana na
região.O país é dividido em 4 províncias espanholas e 3 francesas. Os conflitos são praticamente inexistentes
no território francês, diferentemente da Espanha.

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PAÍS BASCO

Fonte: Wikipedia, 2007
Quanto a história, o movimento nacionalista basco surge no fim do séc. XIX e vai se intensificar com a
ditadura do General Franco (1939-75), na Espanha. Em 1959 é formado o ETA - Euskadi ta Askatasuna ( Pátria
Basca e Liberdade ). Este grupo tem como principal objetivo a independência do País Basco e a incorporação,
ao seu território, de todas as áreas onde se fala o "euskera" ou vasconço, na Espanha e na França. Com a
Constituição espanhola de 1978, três das quatro províncias (Alava, Biscaia e Guipúzcoa), formaram a
Comunidade Autônoma Basca (Euskadi). Esta região espanhola apresenta importantes atividades industriais
tendo como principal centro financeiro e industrial a cidade de Bilbao, considerada capital basca. Mesmo
adquirindo uma certa autonomia, os remanescentes do ETA (considerado como organização terrorista por
vários governos mundiais) decidem continuar a sua luta, utilizando a violência como meio de coação e
intimidação. As atitudes violentas do ETA não ganham à simpatia da população e em 2005 eles entram em
cessar-fogo e passam a lutar por meios políticos.
Formado por três Províncias situadas na região nordeste da Espanha, o país Basco tem 2,1 milhões de
habitantes (pouco mais de 5% da população da Espanha). As línguas oficiais são o castelhano e o basco
(falado por cerca de 20% dos bascos).
Desde 1979, o país Basco tem estatuto de região autônoma da Espanha, o que lhe permite ter
instituições próprias, como parlamento, governo e polícia. O estatuto também lhe transfere competência
decisória no que se refere a indústria, pesquisa, transportes e infra-estrutura, agricultura e pesca. Em áreas
como educação e saúde, as decisões são tomadas conjuntamente entre os representantes da região autônoma
e o Estado espanhol. Apenas assuntos relacionados a defesa, relações exteriores e alfândega são de
competência exclusiva do governo central da Espanha, sediada em Madri.
A idéia de um país Basco soberano surgiu com Sabino Arana, criador da palavra “euskadi” (pátria
basca), que fundou em 1985, o PNV (Partido Nacionalista Basco). Ele pregava a independência das sete
províncias históricas do país Navarra, também na Espanha, e as Labourd, Baixa Navarra e Soule, na França.
ETA – (Euskadi ta Askatasuna, ou Pátria Basca e Liberdade) foi fundado em 1959 por dissidentes da
ala jovem do PNV. Em 1968, o grupo inicia a luta armada pela independência total (chamada de
autodeterminação) da região em relação à Espanha. O grupo terrorista quer a realização de um referendo do
qual participariam os “bascos puros” (população originária da região ou os que apóiam a causa separatista),
mas a Espanha rejeita a proposta.
Em 1980, o ETA realizou sua mais violenta campanha, ao matar 118 pessoas. O pior atentado atribuído
ao grupo ocorreu em 1987: a explosão de uma bomba em um supermercado de Barcelona matou 21 pessoas.

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Em 1995, o atual primeiro-ministro da Espanha, José Maria Aznar (do Partido Popular, de centro-direita), foi
alvo de um atentado do ETA. Em 2001, as ações terroristas do grupo resultaram em 12 mortes. Os atentados
de autoria do ETA realizados até hoje já ultrapassaram 800 vítimas, número superior ao total de terroristas que
estão presos, que gira em torno de 700.
As autoridades espanholas afirmam desconhecer o número total de integrantes do grupo, mas os meios
de comunicação falam em centenas de milhares. O grupo costuma empregar armamento leve (geralmente
pistola ou revólver). Os explosivos usados nos atentados são provenientes de assaltos a lojas que
comercializam o produto na França. O ETA busca financiar suas atividades com práticas como a do “imposto
revolucionário”, como é chamada a extorsão praticada contra empresários (mediante ameaças de morte).
7- Chechênia

Depois do fim da União Soviética, um grupo de líderes chechenos declarou-se como um governo
legítimo, anunciando um novo parlamento e declarando independência como República Ichkéria da Chechênia.
Até hoje, sua independência não foi reconhecida por nenhum país. Entretanto, esta declaração tem causado
conflitos armados em que diversos grupos rivais chechenos e o exército da Rússia se envolveram, resultando
em aproximadamente 150 mil mortos, no período entre 1994 e 2003.
Localizada entre os mares Cáspio e Negro, predomina na Chechênia relevo acidentado, originado por
dobramentos modernos e marcado por montanhas elevadas e pontiagudas. Seu clima é predominantemente
temperado seco, com baixas temperaturas no inverno e nas áreas de elevadas altitudes. Para o governo russo,
essa república é estratégica, principalmente em razão da passagem de oleodutos que ligam Moscou aos poços
de petróleo da região do Mar Cáspio.
Como parte do Império Russo desde 1859, a região checheno-inguchétia foi incorporada como
República Socialista Soviética Autônoma da Checheno-Ingushkaya durante a fundação da União Soviética.
Durante o regime soviético, os chechenos, acusados de colaboração com a Alemanha nazista (que não
chegaram a conquistar a Chechênia), sofreram uma deportação - de natureza genocida - para a então
República Socialista Soviética do Casaquistão (o atual Cazaquistão independente) e depois para a Sibéria,
durante a Segunda Guerra Mundial. A república foi abolida entre 1944 e 1957, tornando-se no oblast de Grózni.
Depois do colapso da União Soviética, um movimento de independência surgiu na Chechênia, enquanto a
Rússia recusava-se a permitir a secessão.
Djokhar Dudaiev, presidente nacionalista da República da Chechênia, declarou a independência
chechena em 1991. Em 1994 o presidente da Rússia Boris Iéltsin enviou quarenta mil soldados para evitar a
separação da região da Chechênia, importante produtora de petróleo, da Rússia.
A Rússia entrou numa guerra que alguns comparam ao que foi a Guerra do Vietnã para os EUA. Os
insurgentes chechenos infligiram grandes baixas aos russos. As tropas russas não tinham conseguido capturar
a capital chechena, Grózni, até o fim daquele ano. Os russos finalmente tomaram Grózni em fevereiro de 1995
após pesada luta. Em agosto de 1996 Iéltsin concordou com um cessar-fogo com os líderes chechenos, e um
tratado de paz foi formalmente assinado em maio de 1997.

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O conflito retornou em setembro de 1999, dando início à Segunda Guerra da Chechênia, tornando sem
sentido o acordo de 1997. Os separatistas chechenos ainda querem a independência da Chechênia e
organizaram ataques na república e em outras regiões da Rússia, incluindo Moscou. Uma década de guerra
deixou a maior parte do território sob controle militar. Guerrilheiros islâmicos chechenos invadiram a vizinha
república russa do Daguestão e anunciaram a criação de um estado islâmico; a maioria da população, em
ambas as repúblicas, é muçulmano sunita. Os militares russos expulsaram os rebeldes para a Chechênia em
setembro, mês em que atentados contra diversos edifícios em cidades russas mataram mais de 300 pessoas. O
governo, responsabilizando diretamente os separatistas chechenos, enviou tropas à república.
Apesar da pressão para um cessar-fogo, o governo russo rejeitou mediação internacional. Mas as
denúncias de massacres, estupros e torturas cometidos pelas tropas contra centenas de civis levam o país a
aceitar, em março de 2000, a visita de representantes da ONU à Chechênia. As emboscadas e os ataques
camicases contra as tropas russas prosseguem, assim como os bombardeios aéreos russos. Em junho de
2000, o presidente Vladimir Putin colocou a Chechênia sob administração direta da Presidência da Federação.
Em março de 2003, o governo Russo organiza um referendo na Chechênia sobre a nova constituição
local, que estabelece subordinação da república a Moscou. A lei é aprovada por supostos 96% dos eleitores,
mas o referendo é condenado internacionalmente como irregular. Num pleito igualmente criticado, em outubro
de 2003, Akhmad Kadyrov, é eleito presidente da Chechênia com 81% dos votos.
Em setembro de 2004, uma escola em Beslan, na república da Ossétia do Norte, foi palco de uma das
maiores barbáries da atualidade. Terroristas chechenos aprisionaram, torturaram e mataram crianças, pais e
professores. O líder separatista Shamil Bassaiev assumiu a autoria desse e de outros ataques (como a
explosão no metrô de Moscou, em fevereiro do mesmo ano).
8- GEÓRGIA X RÚSSIA
Fontes: G1, Folhaonline, UOLvestibular
O processo de tensão existente entre Rússia e Geórgia existe desde o início da década de 1990, com o
desmembramento da URSS. Localizada no continente europeu, em regiões de fronteira com o continente
asiático, a Ossétia do Sul é um território de mais ou menos 4 mil quilômetros quadrados localizado a cerca de
100 quilômetros ao norte da capital da Geórgia, Tbilisi, na encosta sul das montanhas do Cáucaso.
O colapso da União Soviética alimentou o nascimento de um movimento separatista na Ossétia do Sul,
que sempre se sentiu mais próxima da Rússia que da Geórgia. A região livrou-se do controle georgiano durante
uma guerra travada em 1991 e 1992 e na qual milhares de pessoas morreram. A Ossétia do Sul mantém uma
relação estreita com a vizinha russa Ossétia do Norte, que fica do lado norte do Cáucaso (veja o mapa abaixo).
GEÓRGIA: regiões separatistas

Fonte: g1.globo.com, 2008
A maior parte de seus quase 70 mil habitantes é etnicamente distinta dos georgianos e fala sua própria
língua. Essas pessoas afirmam ter sido absorvidas à força pela Geórgia, durante o regime soviético, e agora
desejam exercer seu direito à autodeterminação.

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GEOGRAFIA POLÍTICA/2012

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Cerca de dois terços do Orçamento anual da região, de cerca de US$ 30 milhões, vêm do governo
russo. Quase todos os moradores dali exibem passaportes russos e usam o rublo russo como moeda. A estatal
russa Gazprom, uma gigante do ramo do gás, está construindo novos gasodutos e novas instalações para
abastecer a região desde a Rússia. As obras foram avaliadas em 15 bilhões de rublos (US$ 640 milhões).
O estado de 'cristalização' do conflito na Ossétia do Sul, assim como o da outra região separatista
georgiana, a Abkházia, permitiu à Rússia preservar um instrumento vital de influência sobre seu vizinho do sul.
Moscou também quer um fim na tentativa da Geórgia de integrar a Organização do Tratado do Atlântico Norte
(Otan, a aliança de defesa ocidental). Há pouco, o ministro russo do Exterior, Sergei Lavrov, em um longo
ensaio sobre a posição da Rússia no mundo, insistiu que a Otan deve ser suplantada como o principal fiador da
segurança européia.
Em agosto de 2008, a Geórgia resolveu mandar suas tropas para a Ossétia do Sul (vale lembrar que
instabilidade dura desde o início dos anos 90). Um analista do jornal britânico "The Guardian", lembra que o
presidente georgiano Mikhail Saakashvili (eleito em 2004) está enfrentado uma crise econômica e uma fase de
impopularidade.
Com a invasão da Ossétia do Sul, ele estaria resolvendo um problema nacional pendente há anos e
conquistaria o apoio popular, a pretexto de enfrentar o inimigo externo. Além disso, Saakashvili não contava
com uma reação russa, certo de que Putin não teria coragem de enfrentar militarmente um aliado dos Estados
Unidos.
Os russos reagiram duramente à ação georgiana, independentemente dos protestos dos norteamericanos. A Rússia aceitou em 12 de agosto de 2008 o cessar-fogo negociado pelo presidente da França,
Nicolas Sarkozy, em parte porque já atingiu seus objetivos, mostrando ao mundo que está disposta a lutar para
manter a hegemonia sobre a região. Além de riquezas provenientes do gás e do petróleo, a Rússia mantém
quase um monopólio do fornecimento de energia para a Europa. Conta ainda com um milhão de soldados,
milhares de ogivas nucleares e um gigantesco orçamento militar.
9- O CALDEIRÃO ÉTNICO NA IUGOSLÁVIA

Fonte: KRAJEWSKI, Ângela Corrêa. Geografia – Pesquisa e Ação. Volume Único para Ensino Médio.
São Paulo: Ed. Moderna, 2005. pág. 157-160.
A Iugoslávia ("País dos Eslavos do Sul") surgiu após a Primeira Guerra Mundial e, a partir de 1991,
fragmentou-se em diversos países, num cenário de guerra civil que dividiu seu território e produziu imagens de
violência sem precedentes.
Até o final da década de 1980, seu território, localizado nos Bálcãs, sudeste da Europa, possuía área de
2
255 mil km , um pouco maior que a do estado de São Paulo. Com um vasto litoral voltado para o Mar Adriático,
os Bálcãs apresentam uma variedade de povos e nacionalidades - sérvios, croatas, eslovenos, montenegrinos,
macedônios, bósnios, albaneses, húngaros, búlgaros e romenos -, que seguem três religiões - o islamismo, o
catolicismo e o cristianismo ortodoxo - e utilizam dois alfabetos, o cirílico e o latino. Após os conflitos iniciados
2
em 1990, a Iugoslávia teve sua área reduzida para pouco mais de 100 mil km .
A grande diversidade étnica, religiosa e cultural resulta de o país estar situado numa área de fronteiras
entre vastos impérios e culturas. No final do século XIX, a região balcânica abrigava dois impérios: o Império
Turco-Otomano, ao sul, e o Império Austro-Húngaro, ao norte, além de pequenos Estados semi-independentes,
oriundos do enfraquecimento do domínio otomano na região: Romênia, Bulgária, Albânia, Sérvia e Montenegro.
A Grécia já era independente desde o século XIX.
No início do século XX, a Sérvia encabeçou um projeto pan-eslavista para formar a Grande Sérvia,
reunindo os povos eslavos dos Bálcãs e dominando outras etnias da região. A resistência sérvia ao domínio
austro-húngaro acendeu o estopim da Primeira Guerra Mundial, com o assassinato do arquiduque Francisco
Ferdinando.
Os tratados assinados entre vencedores e vencidos no final da Primeira Guerra Mundial redividiram
politicamente a Europa. Com o desmembramento do Império Austro-Húngaro, surgiram a Polônia, a
Tchecoslováquia, a Hungria e o Reino dos Sérvios, Croatas e Eslovenos.
O artificialismo da unificação de antigos povos balcânicos era evidente, pois não existia consciência
nacional única nem laços que os unissem. Essa unificação foi conduzida pela maioria sérvia, o que gerou o
ressentimento das minorias.
Na Segunda Guerra Mundial, os nazistas transformaram-se no inimigo externo comum, e o problema
das nacionalidades ficou em segundo plano. Josep Broz Tito, um croata, teve papel decisivo na resistência,

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como líder dos partisans - guerrilheiros comunistas que lutavam contra os invasores nazistas. A vitória,
conquistada com pouquíssima ajuda externa, deu-lhe força para tomar o poder e proclamar a República
Popular da Iugoslávia, de orientação socialista.
O país incluía seis repúblicas autônomas com direitos iguais: Sérvia, Croácia, Eslovênia, Montenegro,
Macedônia e Bósnia-Herzegovina. Foram criadas ainda duas províncias autônomas: Kosovo e Vojvodina, com
o objetivo de enfraquecer o poder dos sérvios. A Iugoslávia surgiu na Primeira Guerra Mundial como Reino dos
Sérvios, Croatas e Eslovenos, mas só se consolidou na Segunda, com Tito, que permaneceu como o grande
líder do país até sua morte.

A Iugoslávia foi o primeiro país socialista surgido independentemente da União Soviética, e o traço
característico de sua organização foi o sistema federativo. É fácil justificar a opção por esse sistema, pois o país
abrigava grande número de nacionalidades que, sem direitos e deveres iguais, poderiam levar à sua
desintegração em vista dos conflitos históricos entre elas.
Na medida em que não houve repressão às nacionalidades e todas as repúblicas participavam dos
organismos estatais, conseguiu-se uma unidade política comandada pela mão forte da liderança aceita por
todos: Tito.
As nações que formavam a Iugoslávia foram obrigadas a conviver, muitas vezes a contragosto.
Enquanto se fez presente o "pai forte", diretivo e que lhes dava relativa liberdade, a Iugoslávia manteve-se
unida. Essa unidade consolidou-se graças ao sistema desenvolvido por Tito, com destaque para dois objetivos
básicos:
• união de todas as nacionalidades em um ideal comum, o socialismo;
• autogestão, isto é, a chance de os operários decidirem sobre os rumos das empresas, desde que em
harmonia com a economia nacional organizada pelo Estado, que, na realidade, era representado por um único
partido: a Liga dos Comunistas da Iugoslávia.
Com Tito, a Iugoslávia transformou-se num país coeso e um dos membros mais importantes do
movimento dos "países não-alinhados".
As razões dos conflitos
Norman Stone, articulista do Sunday Times, foi feliz ao sintetizar, em 1992, as causas profundas da
desintegração iugoslava: "Na Iugoslávia havia seis repúblicas, cinco povos, quatro idiomas, três religiões e um
partido - o comunista".

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Após a morte de Tito, em 1980, que coincidiu com o agravamento da crise econômica no país, as
reivindicações das nacionalidades começaram a abalar a unidade iugoslava. Esse quadro tornou-se ainda mais
sério com o colapso do socialismo no Leste Europeu, entre 1989 e 1990. O "castelo de cartas" começou a ruir;
a Iugoslávia, a partir de então, foi esfacelada por movimentos separatistas.
No fim dos anos 1980, Slobodan Milosevic, o líder da ainda socialista Iugoslávia, pressentia o fim do
seu país, já que o socialismo estava perecendo em todo o Leste Europeu. A saída que encontrou foi revigorar o
ultranacionalismo dos sérvios, etnia majoritária na região, para que assumissem o controle total do país.
A crise acentuou as diferenças entre as repúblicas iugoslavas, cada qual querendo encontrar o seu
próprio destino. O pluripartidarismo começou a vigorar em várias regiões, assim como eleições de líderes não
socialistas.
A Sérvia reacendeu seu desejo de expansão ao anexar, em 1989, a província de Kosovo, a mais pobre
da Iugoslávia. Milosevic acusava Kosovo de sugar subsídios sérvios em beneficio da população albanesa.
Em 1991, a Macedônia proclamou sua independência, sem reconhecimento internacional. No mesmo
ano, a Eslovênia e a Croácia anunciaram independência, tendo sido invadidas por tropa sérvias até a resolução
do conflito, quando foram oficialmente reconhecidas como nações livres.
A Bósnia-Herzegovina, que havia proclamado soberania em 1990, iniciou, em 1992, seu processo de
independência, o que acarretou uma violenta guerra civil entre os principais povos do país: bósnios,
muçulmanos, croatas e sérvios. Os dois primeiros desejavam a independência; os sérvios, minoritários na
região, rejeitavam a idéia de viver em um país dominado por muçulmanos - croatas, almejando integrar o
território bósnio ao sérvio.
Os sérvios chegaram a controlar 70% do território da Bósnia. Atrocidades foram cometidas de ambos os
lados, no conflito armado mais violento desde a Segunda Guerra Mundial e que provocou a morte de 200 mil
pessoas e mais de I milhão de refugiados, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados
(Acnur).
Muitas tentativas foram feitas pela ONU no sentido de manter a ajuda humanitária às regiões sitiadas
pelos sérvios, principalmente a Sarajevo, capital da Bósnia. A situação só foi controlada com a ameaça de
intervenção militar dos Estados Unidos, o que levou à assinatura do Tratado de Dayton, em 1995. Por esse
tratado formou-se, de um lado, a Federação Bósnia, controlada por bósnios muçulmanos e bósnios croatas; do
outro, a República Srpska, governada por sérvios e com o apoio de Slobodan Milosevic.

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A Guerra de Kosovo, no final da década de 1990, foi outro grave conflito na região dos Bálcãs. A
retirada da autonomia dessa província por Slobodan Milosevic, em 1989, provocou a população albanesa,
liderada pelo Exército de Libertação de Kosovo (ELK), a lutar pela independência da região.
Em 1998, Milosevic invadiu a província com o intuito de reacender o nacionalismo sérvio, sendo
acusado de limpeza étnica, tática já utilizada na Guerra da Bósnia.
A comunidade internacional mobilizou-se, porém Milosevic recusou-se a devolver a autonomia a
Kosovo. Um dos motivos alegados para a recusa foi a região representar um marco da história sérvia, pois
nesse local, próximo a Pristina (capital da província), o exército turco-otomano venceu os sérvios na batalha de
Kosovo Polje (Batalha do Campo dos Melros), em 1389, assumindo o controle da região até o final da Primeira
Guerra.
Em março de 1999, temendo que o conflito se estendesse para além das fronteiras iugoslavas e
colocasse em risco a paz na Europa, a Organização do Tratado do Atlântico Norte decidiu atacar a Iugoslávia,
já prevendo o veto da Rússia à intervenção da ONU na região.
No ano em que comemorava seu cinqüentenário, a Otan desconsiderou seu próprio estatuto, pelo qual
o uso de suas forças poderia ocorrer somente em caso de ataque a um de seus países membros.
As operações militares da Otan foram principalmente aéreas e com "alvos específicos", o que
configurou a chamada "guerra cirúrgica". Sendo a região cortada pelos Alpes Dináricos, cadeia de formação
terciária, com montanhas muito Íngremes, era difícil o ingresso por terra. Havia também a preocupação com a
tradição guerrilheira dos sérvios e seu grande conhecimento da região. Os Estados Unidos, por sua vez,
queriam evitar o contato direto de seus soldados com os do oponente, as conseqüentes baixas em suas tropas
e a repulsa da sociedade norte-americana ao ataque.
Após 78 dias de guerra, com violentos ataques aéreos e mais de 1.200 civis mortos, Milosevic rendeuse e retirou as tropas iugoslavas de Kosovo. É importante ressaltar o papel da federação russa no recuo
iugoslavo, pois foi com a intermediação da Rússia que o plano de paz prosperou. Em junho de 1999, a força
internacional de paz da ONU assumiu o controle militar em Kosovo.
Em 24 de setembro de 2000, foram realizadas eleições presidenciais na Iugoslávia, com vitória do líder
da oposição Vojislav Kostunica. Milosevic, porém, manipulou os resultados da eleição, convocou um segundo
turno e, posteriormente, anulou uma insurreição pacífica. Manifestantes invadiram o prédio do Parlamento,
exigindo a renúncia de Milosevic e gritando o nome de Kostunica, que assumiu a Presidência em 6 de outubro
de 2000. Milosevic foi preso, extraditado e julgado por crimes de guerra pelo tribunal internacional da ONU, em
Haia, na Holanda.
Em virtude dos acontecimentos anteriores, em março de 2003 ocorreu a extinção formal da Federação
Iugoslava. Sérvia e Montenegro firmaram um acordo de apoio militar e permissão de saída da Sérvia para o
mar.
10- O CÁUCASO
O nome origina-se cordilheira de mesmo nome que corta a região. Situada entre o mar Negro e o mar
Cáspio. A região marca uma das fronteiras entre a Europa e a Ásia cujos territórios dividem-se em uma porção
geograficamente européia e outra asiática. A região é de ocupação muito antiga e de grande diversidade étnica.
Teve duas influências religiosas marcantes: a cristã ortodoxa e o islamismo. Os conflitos que ocorrem hoje na
região são ligados aos nacionalismos (motivos políticos), e às diferenças religiosas. A zona de maior conflito é a
Chechênia, na federação russa. O conflito explodiu em dezembro de 1994 a 96, onde as forças armadas russas
tentaram submeter pela força os nacionalistas chechenos do general Djokar Doudaiev, que recusam a adesão à
Federação Russa e reclamavam independência. Em 2002 terroristas chechenos atacaram um teatro em
Moscou. A situação da independência total ainda encontra-se pendente.

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CÁUCASO

Fonte: Google imagens, 2007
EXERCÍCIOS DE APLICAÇÃO:
01)(PISM III/2011) Após o “grande alargamento” de 2004, em que dez Estados foram admitidos no seleto clube
da União Europeia, decidiu-se colocar em regime de espera os países saídos da ex-Iugoslávia, alegando
impotência para solucionar tantas tensões regionais.
DÉRENS, Jean-Arnault. O sonho distante da integração plena. Le Monde Diplomatique Brasil. São Paulo:
Instituto Polis. ano 3. n. 28. nov. 2009.
Quais são os dois países saídos da ex-Iugoslávia?
a) Albânia e Moldávia.
b) Argélia e Chechênia.
c) Croácia e Macedônia.
d) Romênia e Armênia.
e) Ucrânia e Geórgia.
02)(IFET JF/2011) Observe o seguinte mapa e o texto que se encontra abaixo dele:

Em 9 de novembro de 1989, os alemães começaram a derrubar o muro de Berlim. Negociações aceleradas
entre os governos das duas Alemanhas levaram à concretização do processo de unificação em 1990. A
Alemanha voltou a ser um só país, tendo Berlim como capital.
MÉDICI, Míriam; ALMEIDA, Míriam. Geografia: geografia política e a nova ordem mundial. São Paulo: Nova
Geração, 1999. p. 45.
Após 20 anos, um grande problema enfrentado durante a reunificação foi:

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a) incluir a ex-Alemanha Oriental (RDA) na União Europeia, rejeitada pela França e Inglaterra.
b) instaurar um governo democrático na RDA, interessada em permanecer com o modelo de partido único.
c) equilibrar as diferenças econômicas entre a RFA (mais rica) e a RDA (pobre), para conter a discriminação
sofrida pelos alemães orientais por parte dos alemães ocidentais.
d) vencer as tropas do Pacto de Varsóvia presentes na fronteira das Alemanhas e contrárias à reunificação.
e) negociar com a União Soviética, país que controlava a política externa da RDA e que era contrária à
reunificação das Alemanhas, inclusive usando as tropas do Pacto de Varsóvia para impedir a reunificação.
03)(PISM III/2009) Leia o texto a seguir.
Putin denuncia que invasão da Ossétia do Sul pela Geórgia foi instigada pelos Estados Unidos
O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, afirmou, que foram os Estados Unidos os instigadores da Geórgia
para que agredisse a Ossétia do Sul. “Parceiros norte-americanos foram preparando as forças armadas
georgianas, investindo muito dinheiro e mandando numerosos instrutores para ali, para mobilização do exército.
Eles simplesmente impeliram um dos lados em conflito – o lado georgiano – rumo a ações agressivas,”
descreveu. O ex-presidente russo acrescentou que “se a Rússia não tivesse defendido a Ossétia do Sul, teria
havido um segundo ataque no Norte do Cáucaso”.
Fonte: http://www.horadopovo.com.br/2008/setembro/2705-26-09-08/P6/pag6h.htm. Acesso em 30/11/2008.
Leia as afirmativas a seguir.
I - A Geórgia é um importante elo no corredor energético que liga a região do Cáspio e da Ásia Central, rica em
petróleo, à União Européia.
II - O povo da Ossétia do Sul deseja se unir a seus semelhantes étnicos na Ossétia do Norte, que é uma
república autônoma dentro da Federação Russa.
III - Duas regiões separatistas da Geórgia, a Ossétia do Sul e a Abkhazia, são o motivo do conflito com a
Rússia.
IV - Com a queda da União Soviética, a independência da Geórgia foi proclamada em 1991.
Sobre esse conflito é CORRETO afirmar que:
a) Apenas as afirmativas I e II são verdadeiras.
b) Apenas as afirmativas II e IV são verdadeiras.
c) Apenas as afirmativas I e III são verdadeiras.
d) Apenas as afirmativas I, II e III são verdadeiras.
e) As afirmativas I, II, III e IV são verdadeiras.
04)(ENEM/2009*) A figura apresenta diferentes limites para a Europa, o que significa que existem divergências
com relação ao que se considera como território europeu.

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De acordo com a figura,
a) a visão geopolítica recente é mais restrita, com um número diminuto de países integrando a União Europeia.
b) a delimitação da Europa na visão clássica, separando-a da Ásia, tem como referência critérios naturais, ou
seja, os Montes Urais.
c) a visão geopolítica dos tempos da Guerra Fria sobre os limites territoriais da Europa supõe o limite entre
civilizações desenvolvidas e subdesenvolvidas.
d) a visão geopolítica recente incorpora elementos da religião dos países indicados.
e) a representação mais ampla a respeito das fronteiras da Europa, que engloba a Rússia chegando ao oceano
Pacífico, descaracteriza a uniformidade cultural, econômica e ambiental encontrada na visão clássica.
05)(UFJF/2004) Leia o texto abaixo:
“Uma única moeda, uma única economia. Doze países europeus funcionam como departamentos de uma
grande unidade econômica. Alemanha, Áustria, Bélgica, Espanha, Finlândia, França, Grécia, Holanda,
Irlanda, Itália, Luxemburgo e Portugal fazem parte da zona do euro, a parte mais integrada da União
Européia, dotada de uma moeda comum. Além deles, o bloco engloba ainda Dinamarca, Reino Unido e
Suécia, que não aderiram ao euro, pois preferiram preservar a moeda nacional.
(...)A União Européia é a única que, além de promover a integração comercial, permite a livre circulação de
pessoas”.
Fonte: Atualidades 2003. São Paulo: Abril, 2002.
a) Sabendo que a integração implica inevitável perda de autonomia para cada país, tomado individualmente,
por que eles optaram pela construção de um bloco econômico?
b) Por que países como a Bulgária, Chipre, Eslováquia, Eslovênia, Estônia, Hungria, Letônia, Lituânia, Malta,
Polônia, República Theca, Romênia e Turquia estão enfrentando dificuldades?

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06)(PISM III/2008) Leia a seguinte tabela.

Por meio dessa tabela, pode-se inferir que:
a) os países da ASEAN são os maiores exportadores.
b) os países pobres estão excluídos desse comércio.
c) os países europeus têm saldo negativo nesse comércio.
d) os países do NAFTA exportam mais do que importam.
e) os países do MERCOSUL destacam-se nesse comércio.
07)(PISM III/2007) Observe o mapa:

Ele representa o mundo sob uma perspectiva eurocêntrica e assentada na projeção de Mercator. É possível
chegar a essa conclusão porque:
a) a projeção revela uma visão de mundo, ou seja, uma ideologia. Foi criada na Idade Média Ocidental e mostra
a profunda religiosidade pela localização central de Jerusalém.

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b) a projeção tem meridianos curvos, o que distorce as áreas e formas: a representação faz com que o
hemisfério Oriental seja mais destacado que o hemisfério Ocidental.
c) a projeção é centrada na União Soviética. Foi criada durante a Guerra Fria quando o Estado Soviético
encontrava-se parcialmente envolvido por países satélites ou áreas militares.
d) a projeção bi-dimensional valoriza o hemisfério Norte como parâmetro para a localização de países centrais e
dominantes em termos econômicos e políticos da época.
e) a projeção caracteriza-se pela crítica do colonialismo e também pelos movimentos de descolonização e
concretiza cartograficamente a igualdade entre os Estados.
08)(UFV/2007) Observe a tabela abaixo, que mostra dados sobre a União Européia, o Mercosul e a
Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC).

Com base na análise da tabela e em conhecimentos sobre a dinâmica dos blocos econômicos e da formação
de áreas de acordos comerciais, assinale a afirmativa CORRETA:
a) Os dados revelam que a grande desigualdade socioeconômica intra e interblocos reflete os diferentes
processos de formação socioespacial.
b) A área de acordo comercial na África Austral é a mais promissora, devido ao grande mercado consumidor e à
maior igualdade social.
c) O Mercosul é o bloco que se encontra no estágio mais avançado de integração, entrando na fase da união
monetária.
d) A União Européia, mesmo tendo os melhores índices de PNB e renda per capita, encontra dificuldades no
processo de integração que permanece na união aduaneira.
e) Os blocos, mesmo tendo diferenças, são exemplos de como os países podem se fortalecer numa estratégia
contra a hegemonia do capitalismo imperialista.
09) Sobre a União Européia é CORRETO afirmar:
IA eliminação de tarifas alfandegárias permitiu a livre circulação de mercadorias entre os países que
compõem o bloco.
IIA uniformidade cultural foi um dos fatores que possibilitou a unificação dos países.
IIIOs países membros da União Européia definiram, a partir do Tratado de Maastricht, que não
aprovarão a inclusão de nenhum outro adepto ao grupo.
Para responder, utilize as opções seguintes:
f) Se todas as afirmativas forem corretas.
g) Se somente a afirmativa I for correta.
h) Se forem corretas as afirmativas I e III.
i) Se forem corretas as afirmativas I e II.
j) Se forem corretas as afirmativas II e III.
10)(UFLA/2006-2) Leia os textos abaixo:
Texto 1: “Ao contrário da União Européia, o Nafta não prevê a livre circulação de trabalhadores, que
continuarão proibidas de migrar em busca de melhores oportunidades de emprego.”
(PRAXEDES & PILETTI. O Mercosul e a sociedade global. São Paulo: Ática)
Texto 2: “A União Européia é o mais poderoso bloco regional ou organização econômica do planeta. Quatro
dos seus países-membros (Alemanha, França, Itália e Reino Unido) integram o seleto grupo dos sete países
mais ricos do mundo, o Grupo dos Sete (G7).”

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(MEDICI & ALMEIDA. Geografia – A Globalização Econômica. São Paulo: Nov Geração, 1999, pág. 70)
Pode-se afirmar que as alternativas abaixo se referem a cláusulas contempladas pela União Européia após a
assinatura do Tratado de Maastricht, EXCETO:
a) Definição de uma moeda única – o Euro – em toda a União Européia.
b) Estabelecimento de direitos básicos, tais como a livre circulação de pessoas, o direito à assistência
previdenciária, a igualdade de tratamento entre homens e mulheres, a melhoria das condições e das
oportunidades de trabalho, para todos os habitantes da área da União Européia.
c) Tendência à consolidação da estrutura parlamentar como modelo político administrativo, especialmente
após a criação do Parlamento europeu.
d) Definição de uma Tarifa Externa Comum (TEC) que privilegie as balanças comerciais dos países
periféricos fora da União Européia, como, por exemplo, Brasil e Argentina, que mantém relações
comerciais com a organização.
e) NDA.
GABARITO:
01-C
06-C

02-C
07-D

03-E
08-A

04-B
09-B

05-Aberta
10-D

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CAPÍTULO 6: CONTINENTE ASIÁTICO
ÁSIA – UM CONTINENTE DE CONTRASTES

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1- REGIONALIZAÇÃO DA ÁSIA
A Ásia é marcada pela pluralidade cultural e por uma história marcada pelas grandes civilizações, como
a sínica (China, Mongólia, Coreia do Norte, Coreia do Sul, Taiwan e Sudeste Asiático), a hindu (Índia) e a
islâmica (Oriente Médio).
Além dessa pluralidade sociocultural, o continente apresenta paisagens diversificadas, que incluem a
cadeia montanhosa do Himalaia, os planaltos áridos da China e da Mongólia, as planícies geladas da Sibéria e
as grandes aglomerações urbanas do litoral chinês (Xangai, Tianjin etc.), da Índia (Mumbai, Calcutá e Délhi) e
do Japão (eixo Tóquio-Osaka).
O continente asiático pode ser dividido em seis regiões: Ásia Setentrional, Central, Meridional, Sudeste,
Extremo Oriente e Oriente Médio.
Ásia Setentrional
Localiza-se na Zona Glacial Ártica, abrangida pela Rússia em toda a sua extensão leste-oeste, e
apresenta climas dos tipos polar e subpolar, com invernos longos e rigorosos, cujas temperaturas podem atingir
até 50ºC negativos.
Suas formações vegetais estão adaptadas às rigorosas condições climáticas. Entre elas predominam a
taiga ou floresta de coníferas, que cobre grande parte da região e é intensamente explorada economicamente
para a obtenção de madeira e celulose, e a tundra, ao norte, caracterizada por ser uma vegetação rasteira e
resistente às baixíssimas temperaturas.
A hidrografia da Ásia Setentrional é formada por rios extensos como o Ob, o Ienissei e o Lena, muito
utilizados para a geração de energia elétrica em seus trechos de planalto ao sul. Grande parte dos cursos de
água da região permanece congelada durante o inverno.
A região é ocupada por grandes campos de exploração de petróleo e gás, além de grandes plantações
agrícolas que se beneficiam de seu solo rico em nutrientes.
Ásia Central
A região é composta de cinco países situados a leste do Mar Cáspio: Cazaquistão, Uzbequistão,
Turcomenistão, Tadjiquistão e Quirguistão, nos quais predominam populações russas, eslavas e de origem
turca muçulmana.
A região apresenta relevo de planícies e altos planaltos no leste. Também se localizam montanhas na
divisa com o Oriente Médio.
A vegetação é constituída basicamente por estepes e espécies típicas de áreas desérticas. Esse tipo de
paisagem natural ocorre em razão do predomínio de climas secos, semi-áridos e áridos na região.
Dos grandes rios, o Syr Daria e o Amur Daria, destacam-se na rede hidrográfica da Ásia central, que
possui muitos cursos de água temporários por causa dos baixos índices pluviométricos.
A região é marcada pelos inúmeros conflitos entre etnias, agravados no passado pela reação comercial
desigual com a Rússia. Esses conflitos, somados ao clima desfavorável para agricultura, determinaram
economias e estruturas sociais precárias, marcadas pela instabilidade econômica.
Ásia Meridional
A Ásia Meridional ou subcontinental Indiano caracteriza-se por abrigar povos indianos e indochineses.
Do ponto de vista de seu relevo, a região apresenta três grandes unidades: a Cordilheira do Himalaia,
uma cadeia de altas montanhas, de formação geológica recente, na fronteira da China com a Índia, o Nepal e
Butão, com mais de 2 mil quilômetros de extensão e picos muito elevados, incluindo o Everest, o mais alto do
planeta, com 8.848 metros de altitude.
O clima predominante na Ásia Meridional é o tropical, sujeito ao regime das monções, ventos que, de
acordo com a sua direção, provocam secas prolongadas ou períodos de grande quantidade de chuvas. As
secas são resultados das monções de inverno, que ocorrem de dezembro a maio; as chuvas resultam das
monções de verão, que ocorrem de junho a novembro. No interior do Planalto do Decã e no deserto de Thar,
situado entre o Paquistão e a Índia, predominam climas secos, com temperaturas elevadas. A vegetação da
região é composta de florestas tropicais, nas áreas mais úmidas, e de savanas, nas áreas semi-úmidas.
Entre os países que compõem o subcontinente, o mais importante economicamente é a Índia, país
marcado por fortes contrastes. A população indiana ultrapassa 1,1 bilhão de habitantes, mas cerca de 500
milhões deles vivem na pobreza ou na miséria, com menos de 2 dólares por dia. Enquanto isso uma pequena
parcela da população nos centros urbanos, como Délhi e Calcutá, vivendo em pólos de alta tecnologia, vivem
com renda média de 13.000 dólares por ano.
Ásia Sudeste

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A região do Sudeste Asiático é constituída: pela Península da Indochina, localizada entre a Baía de
Bengala e o Mar da China Meridional; pela Península Malaia, situada entre o Estreito de Málaca e o Mar da
China; e pelo arquipélago da Insulíndia, que se estende desde o Índico até o Pacífico. Compreende países
continentais (Vietnã, Laos, Camboja, Tailândia, Mianmar, Malásia, Cingapura) e insulares (Indonésia, Brunei,
Filipinas e Timor Leste).
As formas de relevo predominantes no sudeste asiático são baixos planaltos e planícies, com clima
predominante equatorial, o que favorece a ocorrência de florestas exuberantes.
A Insulíndia abriga a Indonésia, onde há grande incidência de vulcões e terremotos. Essa região
ganhou destaque na imprensa devido à perda de mais de 250 mil pessoas, causada pela enorme onda
oceânica (tsunami) que atingiu em dezembro de 2004, provocada por um abalo sísmico no Oceano Índico,
próximo ao litoral indonésio.
Alguns países do Sudeste Asiático, como a Malásia, Cingapura, a Tailândia e a Indonésia, apresentam
grande crescimento econômico nas décadas de 1970 a 1990, impulsionando pela expansão das transnacionais
japonesas e norte americanas na região. Essas transnacionais se instalaram nesses países devido ao baixo
preço da mão de obra e das matérias primas. Ao lado da modernização trazida por tais empresas, os governos
locais fizeram amplos investimentos em educação, o que contribuiu para acelerar o crescimento regional.
Esses países ficaram conhecidos como os NPI’s (Novos Países Industrializados).
Extremo Oriente
O Extremo Oriente, região com grande variedade de paisagens, agrupa a China, o Japão, a Coreia do
Norte, a Coreia do Sul, Taiwan e a Mongólia.
Quanto aos climas, verificam-se o subtropical e o temperado, com influência das monções no Japão e
na Península da Coreia, que favorecem o desenvolvimento de florestas subtropicais e temperada. No oeste da
China predominam os climas frio de montanha e o desértico, o que propicia o desenvolvimento de vegetação
xerófila e de estepes, que também são encontradas na Mongólia, em razão dos climas árido e semi árido que lá
ocorrem.
Entre a China e a Mongólia há o deserto da Mongólia, que ocupa grande parte da porção sul mongol.
Oriente Médio
O Oriente Médio é a região asiática que compreende os países habitados principalmente por árabes de
maioria muçulmana. As populações do Irã e do Afeganistão, embora tenham maioria muçulmana, são de
origem persa. Israel é a exceção, com população majoritariamente judaica.
O relevo do Oriente Médio é constituído em grande parte por planaltos circundados por montanhas. As
planícies estão situadas em geral entre o litoral e os conjuntos montanhosos. No interior da região, destaca-se a
Planície da Mesopotâmia, região de grande valor histórico-cultural, localizada entre os rios Tigre e Eufrates.
Os climas predominantes são o árido e semi árido, o que explica o fato de quase toda a região ser
constituída por desertos. Além da escassez de chuvas, há oscilações diárias da temperatura, que varia de mais
de 40ºC durante o dia até menos de 10ºC à noite.
O Oriente Médio é marcado pelos grandes conflitos geopolíticos dos séculos XX e XXI. A região, que
concentra cerca de 35% das jazidas de petróleo do mundo, atraiu as grandes potências, como a França, a
Inglaterra, os EUA e a Rússia, que atuaram na política da região visando à exploração desse mineral.
A partir da criação do Estado de Israel, em 1948, os conflitos entre árabes e israelenses têm se
multiplicado. Da década de 1980 até hoje diversas guerras marcaram a região (Irã – Iraque, Iraque – Kuwait,
EUA – Afeganistão, EUA – Iraque).

2- POPULAÇÃO ASIÁTICA
A Ásia, embora seja o mais extenso dos continentes da terra, possui mais da metade da população
mundial. A Índia e a China são os países mais populosos, não só do continente como também do mundo,
somando atualmente mais de 2,3 bilhões de habitantes.
A maior parte da população asiática concentra-se na porção meridional e no extremo leste do
continente.
A distribuição da população pelo continente é irregular. Há áreas onde a concentração de habitantes é
muito elevada, como em Bangladesh, onde a densidade demográfica é de mais 880 hab./Km2, e na Índia é 303
hab./Km2. Há também espaços em que essa densidade é baixa.

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Políticas de controle demográfico
A população asiática está em constante crescimento, apesar da existência de políticas oficiais de
controle da natalidade em muitos países, como a China, que adotou a norma de um filho por casal no meio
urbano e dois no meio rural, caso o primeiro tenha sido menina, e a índia, que promoveu políticas de
conscientização e de planejamento familiar. O efeito dessas políticas é a redução do crescimento demográfico.
Por exemplo, de acordo com a ONU, a população de países como a Índia e a China deverá crescer em média
1,2% e 0,7% ao ano, respectivamente, até 2015. Esses percentuais são pequenos, comparados, por exemplo,
ao do Brasil, que é de 2,0% ao ano.
Crescimento demográfico e desigualdades sociais
Os fatores que colaboraram para o crescimento demográfico acelerado na Ásia foram a elevada
natalidade e o controle da mortalidade, este último devido à melhoria das condições de higiene e à ampliação
do atendimento médico-hospitalar.
O elevado crescimento demográfico e as desigualdades sociais têm influência negativa sobre o
desenvolvimento do continente. Grande parcela da população asiática é analfabeta e possui baixo poder
aquisitivo. Apesar da melhora dos últimos anos, as taxas de mortalidade infantil continuam elevadas, a
expectativa de vida permanece baixa e o analfabetismo atingia, por exemplo, 50% da população indiana e 60%
da paquistanesa na virada do milênio.
Os melhores índices educacionais da Ásia são apresentados pelo Japão e por Israel, países que têm
mais de 98% de sua população alfabetizada e, no caso japonês, cerca de 45% matriculados nas universidades.
Uma população de grande diversidade cultural e religiosa
Diversas línguas e dialetos são falados no continente asiático. Contudo, os mais difundidos são o
chinês, o hindu, o árabe, o japonês, o inglês e o eslavo (Rússia asiática).
Muitas são as religiões praticadas na Ásia: o islamismo, no Oriente Médio e na Ásia Central; o
hinduísmo e o budismo, na Ásia Meridional e no Sudeste Asiático; o confucionismo, na China; o xintoísmo, no
Japão. O cristianismo é praticado esparsamente por diversos grupos em todo o continente.
3- A ECONOMIA DO CONTINENTE ASIÁTICO
A Ásia agrícola
A agropecuária e a exportação dos recursos naturais são fundamentais para a economia da Ásia desde
tempos passados. Em apenas certas regiões de alguns países a indústria e os serviços se destacam como
geradoras de emprego e de renda.
As atividades agropecuárias são muito importantes para a economia asiática, principalmente para os
países subdesenvolvidos do continente. Uma fatia considerável da população ainda mora no campo e
concentra-se no setor primário da economia.
Na maioria dos países asiáticos, as atividades agrícolas são realizadas com pouca tecnologia e baixa
mecanização. Japão e Israel são os que mais utilizam técnicas agrícolas modernas e irrigação. Por isso, apesar
de terem áreas agricultáveis limitadas, obtêm elevada produtividade.
Vários povos asiáticos praticam a agricultura de subsistência, responsável pela produção de alimentos
para o consumo interno, especialmente de arroz.
Outros praticam a plantation, monocultura cuja produção é destinada principalmente à exportação. Esse
sistema agrícola foi introduzido no período da colonização europeia no continente.
Entre os principais produtos da agricultura asiática estão: o arroz, o trigo, o algodão, a cevada, o chá, o
tabaco e as frutas. A China e a Índia são os maiores produtores mundiais de arroz, alimento básico de muitos
povos asiáticos.
A pecuária, outra importante atividade econômica no continente, é praticada principalmente na forma
extensiva, ou seja, com o gado solto no pasto. Os principais rebanhos são de bovinos, suínos, ovinos e
bufalinos.
A Índia tem o maior rebanho de gado bovino do mundo. No entanto, o consumo de carne dos indianos é
baixo, pois os hindus, que são a maioria da população indiana, não comem carne de qualquer origem,
principalmente a bovina, porque consideram a vaca um animal sagrado.
Os recursos minerais

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A exploração e industrialização de recursos naturais e energéticos, como o carvão mineral, os minérios
de ferro, ouro, estanho e cobre, além do petróleo e do gás natural, são fundamentais para a economia do
continente asiático.
4- COREIA DO NORTE
O FANTASMA DA BOMBA
Quase 20 anos após o fim da Guerra Fria, o mundo ainda vive sob a ameaça de um conflito envolvendo
armamentos atômicos, como mostra a crise com a Coreia do Norte
Fonte: Atualidades Vestibulares 2010. Editora Abril. Pag. 74-75.
Na madrugada de 25 de maio de 2009, 39 estações sísmicas ao redor do mundo detectaram um tremor
de 4,52 graus na escala Richter na Coreia do Norte. Pensou-se, primeiro, em terremoto. Mas não. Era um teste
nuclear subterrâneo, conforme anunciou horas depois o governo norte-coreano. Foi a segunda explosão
atômica subterrânea feita pelo país em três anos e provocou forte reação da comunidade internacional.
Em uma reunião de emergência convocada após o teste, o Conselho de Segurança da ONU condenou
por unanimidade a explosão e, imediatamente, passou a discutir uma resolução para endurecer as sanções
contra o governo comunista norte-coreano, um dos regimes mais fechados do mundo.
Prós e contras
A pressão das potências ocidentais sobre a Coreia do Norte expõe a tensão nuclear permanente sob a
qual o mundo vive, quase duas décadas depois do fim da Guerra Fria. O problema coreano é a crise do
momento, mas está longe de ser o único que preocupa. Também na Ásia, a Índia e o Paquistão, ambos
detentores de arsenal atômico,mantêm tensa disputa de fronteiras há mais de 50 anos. O Irã é outro foco de
tensão, pois, apesar de o governo iraniano reafirmar a intenção pacífica de seu programa nuclear, o Ocidente
teme que o enriquecimento de urânio tenha como finalidade desenvolver a bomba atômica. Ao mesmo tempo,
tudo indica que, também no Oriente Médio, Israel tenha armamentos atômicos. E as preocupações vão além,
porque é possível que parte do velho arsenal da União Soviética tenha caído em mãos ignoradas após a
desagregação do país. Quanto às potências atômicas, com mais de 40 anos do Tratado de Não-Proliferação
Nuclear, o desarmamento ainda não andou.
Diferentemente do que muita gente pensa, o domínio sobre a energia do átomo não é sinônimo de
poder destrutivo, pode também ter muitos efeitos benéficos para o ser humano. Entre eles citam-se a medicina,
a produção de alimentos e as políticas ambientais como áreas nas quais a radioatividade exerce um papel
importante. Além disso, num mundo em que a produção de energia está baseada na queima de combustíveis
fósseis, com sua emissão de gases poluentes, a geração de eletricidade com energia nuclear aparece como
uma alternativa menos prejudicial. Basta lembrar que a França produz mais de 75% de sua energia elétrica em
usinas atômicas. Não se pode esquecer, porém, o perigo de contaminação das usinas em caso de acidente como em Three Mille Island, nos Estados Unidos,em 1979, e em Chernobyl, na URSS (região da atual Ucrânia),
em 1986. Nesse último acidente, o mais grave da história, uma nuvem radioativa cobriu boa parte da Europa.
Dezenas de milhares de pessoas morreram, tanto no momento do acidente, quanto nos anos seguintes.
Quando se lida com energia nuclear todo o cuidado é pouco. Até um pequeno equipamento pode virar
foco de um desastre. Isso ocorreu no Brasil em 1987, quando um aparelho de radioterapia (para tratamento
médico), abandonado de forma irresponsável, foi parar em um ferro-velho em Goiânia (GO). Feito em pedaços,
liberou seu material radioativo - o césio 137-, matando quatro pessoas e contaminando 621.
Tratado nuclear
Não é à toa que, para boa parte da humanidade, a manipulação da força do átomo se identifique com
um risco do apocalipse: está muito presente na memória coletiva a colossal destruição causada pela bomba
atômica nas cidades japonesas de Hiroshima, em 6 de agosto de 1945, e Nagasaki, três dias depois, em que
morreram no total170 mil pessoas de imediato, e muitas outras nos anos seguintes. Isso ocorreu no fim da II
Guerra Mundial.
Com o desenvolvimento da bomba também pelos soviéticos, a corrida nuclear tomou-se um dos
elementos centrais do período da Guerra Fria, de 1945a 1991. Passaram a ter armas atômicas, além dos EUA
e da URSS, os governos de Reino Unido, França e China. Estávamos nesse ponto quando, temendo a
multiplicação dos arsenais nucleares, fechou-se em 1968 o acordo conhecido como Tratado de NãoProliferação Nuclear (TNP).

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



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Assinado atualmente por 188 países, o tratado divide as nações em dois blocos:
Os cincos países que explodiram uma bomba atômica antes de 1°de janeiro de 1967: EUA, Federação
Russa, China, Reino Unido e França (que também são os membros permanentes do Conselho de
Segurança da ONU). Eles possuem pleno domínio da tecnologia nuclear – inclusive para fins militares e têm liberdade para ampliá-Io, mas não podem repassar sua tecnologia bélica para outros.
Os demais países (os não-nucleares), que podem pesquisar e desenvolver a energia atômica para fins
pacíficos, sujeitando-se às inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica.

No decorrer dos anos, outros três países capacitaram-se para produzir armas nucleares - Israel, Índia e
Paquistão - e não aderiram ao tratado. Índia e Paquistão explodiram bombas e fizeram questão de anunciar o
feito. Israel nunca admitiu, mas também não nega que possua tais armas. A Coreia do Norte abandonou o TNP
em 2002.
Enquanto isso, outro tratado, negociado em 1996, tenta proibir todas as explosões nucleares. O Tratado
de Proibição Total de Testes Nucleares (CTBT), porém, não pode entrar em vigor antes de ser ratificado pelos
44 países que participaram das negociações e têm força nuclear ou reatores de pesquisa. Entre os que não
assinaram o acordo, estão Estados Unidos e China.

Coreia do Norte
A protagonista da atual crise, a Coreia do Norte, vive há seis décadas em um regime comunista
fechado, numa ditadura de partido único, enfrentando dificuldades econômicas que afundam o país na pobreza.
O jogo de pressão com o poderio nuclear se desenrola faz alguns anos e parece uma forma de arrancar ajuda
econômica e barganhar garantias de segurança.

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5- CHINA – A NOVA POTÊNCIA
Fonte: KRAJEWSKI, Ângela Corrêa. Geografia – Pesquisa e Ação. Volume Único para Ensino Médio.
São Paulo: Ed. Moderna, 2005.
Um país que detém o maior exército do mundo (cerca de 2,5 milhões de homens), é potência nuclear,
participa como membro permanente do Conselho de Segurança da ONU e tem a maior população do planeta cerca de 1,3 bilhão - deve ser considerado quando se discute o sistema internacional. Não bastassem esses
aspectos, a China tem atraído investimentos de diversos países, além de desenvolver tecnologias de ponta,
como a produção de satélites artificiais e foguetes.
A China é a economia que mais vigor tem demonstrado nas últimas décadas, com níveis constantes de
crescimento. Isso se deve ao fato de ter conseguido a posição de parceiro comercial preferencial dos Estados
Unidos, o que a favorece enormemente. Nessa condição, empresas norte-americanas recebem financiamento
para se instalarem na China, embora os investimentos também cheguem de outros países, como do Japão.
Apesar da preferência comercial, a China enfrenta problemas na sua relação com os norte-americanos.
Temas como o respeito aos direitos humanos e à propriedade intelectual têm produzido tensão. O volume de
negócios entre eles, contudo, tem feito com que essas questões não sejam radicalizadas e não se tornem
motivo para um rompimento diplomático ou uma guerra. Se os Estados Unidos vêem a China como um imenso
mercado consumidor, esta, por sua vez, ganha investimentos e tecnologia com a presença dos grupos norteamericanos.
Zonas Econômicas Especiais
Outra política adotada pelo governo chinês foi a criação, a partir do final da década de 1970, das Zonas
Econômicas Especiais (ZEEs). As Zonas Econômicas Especiais são áreas específicas para a entrada de
capital internacional, que, por meio de joint ventures - associação entre empresas estrangeiras e locais -,
produzem para a exportação. Dessa maneira, criam-se empregos para a população do país e, ao mesmo
tempo, produzem-se mercadorias vendida aos demais países do mundo.
Como atrativo ao investimento externo, o país oferece os baixos salários pagos aos chineses e um duro
controle disciplinar dos trabalhadores.
Foi por esse caráter controlador que a China se diferenciou da União Soviética. Não houve abertura
política; ao contrário, as manifestações populares são reprimidas, impedindo a liberdade de expressão.
Taiwan
No âmbito diplomático, a China enfrenta um grande problema com Taiwan, ilha ocupada desde 1949
por dissidentes da Revolução Chinesa e que chegou a se afirmar como república autônoma - a República de
Formosa.
Durante a Guerra Fria, Taiwan representou uma possibilidade de contenção do socialismo chinês,
sendo discretamente apoiada pelos Estados Unidos. Entretanto, com o fim da bipolaridade, perdeu essa
função. A realização de eleições para a Presidência, em 2000, foi um teste para as relações China- Taiwan. Os
vencedores do pleito podem ter vida longa no poder desde que não ousem declarar a independência do país,
sob pena de sofrer uma invasão chinesa, o que teria conseqüências drásticas.
Dos diversos conflitos internacionais que envolvem a China, o mais complicado diz respeito à ilha de
Taiwan, situada a apenas 150 quilômetros do território continental. A ilha, pouco povoada e sem maior
importância econômica até a segunda metade do século XX, abriga desde 1949 o regime nacionalista chinês
que lá se refugiou depois que as forças do presidente Chiang Kaichek foram derrotadas pelos comunistas.
No plano comercial, porém, Taiwan mantém um intenso comércio exterior. Isso garante a prosperidade
econômica e o elevado padrão de vida de seus 22 milhões de habitantes. As empresas de Taiwan se tornaram
grandes investidoras na economia do continente. Ainda assim, o potencial de conflito é muito grande.
Ocupação de Territórios
Na década de 1990, a China recuperou, por meio de acordos, áreas como Macau, sob domínio de
Portugal desde o século XVI, e Hong Kong, administrada pelo Reino Unido desde 1842. Porém, ainda mantém
uma área em litígio na fronteira com a Índia.
O Tibete, localizado na cordilheira do Himalaia, era uma monarquia teocrática (governada por
sacerdotes) até ser invadida e anexada pela China, em 1950. Nove anos depois, as tropas chinesas
esmagaram uma rebelião nacionalista na região, forçando o sacerdote supremo dos budistas tibetanos, o Dalai

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Lama, a se refugiar na Índia. O regime chinês se empenha em diluir a identidade nacional dos tibetanos,
reprimindo sua religião e incentivando a imigração de chineses da etnia han, majoritária no país, a fim de
inverter o perfil populacional do Tibete.
A ocupação do litoral ocorreu por meio de atividades diversificadas. Porém, é na faixa litorânea que
estão as maiores concentrações de indústrias, como as do Cantão, ao Sul, as de Xangai, e Nanquim, ao centro,
e as de Beijing (Pequim) até Shenyang, ao norte. A faixa litorânea é a que mais se assemelha aos países
capitalistas europeus e da América do Norte. Xangai é um exemplo disso.
A China do interior apresenta algumas áreas industriais, como Nanquin, Wuhan, Taiyuan, Xian, entre
outras. Apesar da modernização, encontra-se nessa área parte expressiva da população chinesa, vivendo
basicamente da agricultura. Muitos autores chamam essa parte do país de "China Eterna", numa referência à
sua pouca alteração em relação ao passado.
A China do Oeste é a menos dinâmica do ponto de vista econômico, em razão das dificuldades relativas
à sua ocupação. Lá estão elementos naturais, como o deserto de Gobi, ao Norte, e elevadas montanhas, a
Oeste, ultrapassando os 4 mil metros de altitude. Nessa região vivem os tibetanos, povo que professa a fé
budista tibetana e que luta pela independência da China.
Na fronteira com o Butão e o Nepal encontra-se o maior conjunto de dobramentos modernos do mundo,
a Cordilheira do Himalaia. Faz parte deste conjunto montanhoso o Everest, pico mais alto do planeta com cerca
de 8.900 metros de altitude.
O Brasil tem se aproximado bastante dos chineses tanto em relação à intensificação de relações
comerciais quanto para consolidar projetos bilaterais. Desde a década de 1990 uma série de acordos de
cooperação técnica possibilitou a construção e o lançamento de satélites para exploração mineral da Terra.
CHINA, ABERTURA SÓ NA ECONOMIA
A economia chinesa ficou estagnada na maior parte do século XX, quando o país esteve mergulhado
em crises, guerras e revoluções. A China só começou a progredir no final da década de 1970, após a morte, em
1976, do líder comunista Mao Tse-tung. O novo dirigente comunista, Deng Xiaoping, abandonou a rigidez
ideológica do maoísmo e pôs em marcha, em 1978, um ambicioso programa de modernização. As empresas
estrangeiras foram incentivadas a se instalar no país, por meio da isenção de impostos e da garantia de uma
força de trabalho barata, instruída e obediente (até hoje, os sindicatos livres são proibidos no país).
As fazendas coletivas, de baixa produtividade, foram dissolvidas, e os camponeses se tornaram
proprietários das terras. O Estado, que antes controlava totalmente a atividade econômica, iniciou uma lenta
retirada, dando lugar à nova classe de empreendedores capitalistas. A busca do lucro se tornou o motor da
sociedade.
Maoísmo
No poder entre 1949 e 1976, o líder revolucionário Mao Tse-tung aplicou na China sua interpretação
particular, das teorias de Karl Marx e de Vladimir Lênin. O maoísmo se distingue das demais variantes do
pensamento comunista por um igualitarismo radical (a tentativa de eliminar todos os tipos de diferença social),
pelo papel de destaque atribuído aos camponeses na luta de classe se pela ideia da revolução como um
conflito permanente mesmo depois da conquista do poder.
Mas de uma coisa o regime chinês nunca abriu mão - o poder absoluto do Partido Comunista. Na
China. ao contrário do que ocorreu na antiga URSS, as reformas no sistema de planejamento estatal ficaram
limitadas à economia. No plano político, o país continua submetido a um regime de partido único, tal como nos
tempos de Mao. Não existem eleições democráticas, a imprensa é censurada e os atos de protesto são
violentamente reprimidos. O episódio mais dramático em que o regime chinês exibiu sua face autoritária foi o
"massacre da Praça da Paz Celestial". em junho de 1989. Naquela ocasião,o exército, sob as ordens de Deng.
usou a força contra uma manifestação estudantil pela democracia,no centro de Pequim, causando centenas de
mortes.
Desigualdade Social
O rápido desenvolvimento chinês tem colocado novos desafios para seu regime político. É verdade que
a abertura da China para a economia global proporcionou uma existência mais confortável a centenas de
milhões de pessoas. Mas um número ainda maior está sofrendo os efeitos negativos da rápida transição para o
capitalismo.

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As reformas econômicas criaram ganhadores e perdedores. Mais de 1 bilhão de chineses sobrevivem
com uma renda inferior a 2 dólares por mês- menos do que o salário mínimo brasileiro. A desigualdade social é
Chocante,até mesmo nas cidades modernas da província de Guangdong, no sul, onde estão instaladas as
empresas multinacionais - quase todas norte-americanas, japonesas e dos chamados "tigres asiáticos", como a
Coreia do Sul e Taiwan - que operam no país.
Lá, uma minoria de executivos de paletó e gravata, engenheiros e técnicos especializados, fluentes em
inglês, recebe altos salários e desfruta de uma qualidade de vida equivalente à das elites ocidentais. Sua
ostentação contrasta com a penúria em que vivem os milhões de operários das zonas econômicas especiais.
Eles suportam jornadas de 12 a 16 horas de trabalho diário em troca de salários muito baixos. Moram em
alojamentos precários, amontoados em pequenos dormitórios que abrigam de dez a vinte pessoas.
Esses trabalhadores são, na maioria, camponeses que deixaram suas aldeias, empurrados pela
pobreza, pela falta de perspectivas e pela crescente disparidade econômica entre as cidades e a zona rural. O
ingresso da China na Organização Mundial do Comércio (OMC), em 2000, agravou as condições de vida dos
agricultores, ao derrubar as barreiras alfandegárias que protegiam os produtores locais contra a concorrência
das importações. O desemprego no campo está provocando uma das maiores migrações em massa da história
da humanidade. O governo prevê que, até 2020, mais de 300 milhões de chineses deverão deixar as regiões
agrícolas em busca de oportunidades nas grandes metrópoles.
Agora, um dos grandes dilemas do país é o de gerar vagas no mercado de trabalho para essa multidão
de camponeses deslocados pelas reformas capitalistas. A eles, somam-se os milhões de operários que
perderão o emprego com a privatização das indústrias estatais, e mais os jovens em busca de trabalho ao
alcançarem a idade adulta.
Obstáculos ao Desenvolvimento Chinês
Para alcançar plenamente a condição de grande potência, a China terá de superar outros problemas.
além da crescente desigualdade social e das tensões sociais daí resultantes. O desenvolvimento das forças
produtivas se deu em prejuízo do meio ambiente, causando algumas das maiores catástrofes ecológicas de
todos os tempos. As cidades chinesas são as mais poluídas do mundo, com graves efeitos sobre a saúde de
seus habitantes.
No plano político, há dúvidas sobre por quanto tempo os dirigentes comunistas serão capazes de
manter um regime repressivo, no qual as ideias não podem circular livremente. O autoritarismo limita a difusão
dos novos recursos tecnológicos, como a Internet. Um caso muito revelador é o que envolveu a chegada do
Google à China, no início de 2006. Para ser autorizada a operar no país, essa empresa norte-americana de
tecnologia da informação teve de assumir o compromisso de censurar os sítes que tratam de assuntos
considerados tabus, como a ocupação do Tibete e a repressão policial à seita religiosa Falun Gong.
Alguns analistas acreditam que, com o tempo, a emergente classe média chinesa, influenciada pelo
contato com os países ocidentais, passará a reivindicar maior participação na vida política. Há motivos de sobra
para o descontentamento. O monopólio do poder pelo (PCC) Partido Comunista provoca, entre outras
distorções, um alto grau de corrupção das autoridades.
Um rival estratégico dos EUA
Se a China superar as barreiras a seu avanço econômico e social, ocupará um lugar de destaque no
mapa geopolítico do século XXI. A ascensão chinesa incomoda especialmente os EUA, que emergiram da
Guerra Fria numa situação privilegiada de hegemonia política internacional. A curto prazo, os norte-americanos
não vêem motivo de preocupação, dada sua enorme vantagem em todos o critérios que definem o poderio das
nações. O PIB dos EUA, país com menos de um quarto da população da China, é oito a nove vezes maior. A
superioridade tecnológica e militar norte-americana é esmagadora.
Os EUA temem, porém, que a expansão econômica da China acabe produzindo um aumento de sua
capacidade militar. De fato, os chineses já estão usando uma parte de sua nova riqueza para modernizar as
Forças Armadas. Entre os novos armamentos de seu arsenal, encontram-se mísseis capazes de atingir Taiwan
e Japão.
A atitude dos EUA é ambígua. Por um lado, o governo do presidente George W. Bush encarou a China
como um inimigo potencial, capaz de pôr em risco a supremacia norte-americana no cenário estratégico do
Extremo Oriente. Por outro lado, os negócios dos EUA estão tão entrelaçados com a economia chinesa que
qualquer atrito mais sério entre os dois países poderá provocar um colapso financeiro em escala mundial.
Os dirigentes chineses, de sua parte, se esforçam em evitar um confronto com os EUA. Mas deixam
claro que, se o país se sentir ameaçado em seu território - o que inclui, na visão de Pequim, os direitos

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históricos sobre a ilha de Taiwan -. reagirá com todas as forças. Para o bem e para o mal. a China já conquistou
sua vaga no clube das grandes potências. E veio para ficar.

6- JAPÃO: MAIOR POTÊNCIA ECONOMICA DA ÁSIA
Fonte: KRAJEWSKI, Ângela Corrêa. Geografia – Pesquisa e Ação. Volume Único para Ensino Médio.
São Paulo: Ed. Moderna, 2005. pág. 137-138
O Japão aparece como importante centro de produção tecnológica; entretanto, seu papel vai além.
Empresas e grupos financeiros japoneses estão entre os maiores do mundo. A industrialização do Japão
estruturou-se no final do século XIX. Antes disso, o país era dividido em xogunatos, sistema político
fragmentado em domínios militares. Em 1868, com o enfraquecimento do sistema, o poder retomou às mãos do
imperador Mutsuhito, iniciando-se a Restauração Meiji, período de significativa modernização. Estabeleceu- se
uma Constituição e o ensino passou a ser obrigatório. Foram criados os zaibatsus, grandes monopólios
familiares concentrando indústrias e bancos, que se transformaram na base econômica do país. O
fortalecimento econômico e militar resultante da Era Meiji alimentou o caráter expansionista do Japão.
O imperialismo japonês só foi freado com sua derrota na Segunda Guerra. Reconstruída com o apoio
dos EUA, a economia japonesa foi a que mais cresceu, do fim da Segunda Guerra à década de 1980. Para
atingir esse destaque, aprimorou tecnologias empregadas em mercadorias produzidas em outros países. Com o
avanço tecnológico, o Japão superou vários países e tornou-se um grande exportador de automóveis,
computadores e artigos eletrônicos. Ao mesmo tempo, consolidou o mercado interno com uma política de
distribuição de renda.
Após a Segunda Guerra, o Japão foi proibido pelos EUA de dispor de forças armadas e produzir
armamentos. Isso não o impediu de desenvolver tecnologias para produtos civis que também podem ser
usadas para fins militares. Esse fato o toma um produtor potencial de armamentos. Desde o início da década de
1990, com a flexibilização da Constituição, o Japão passou a investir em defesa.
Estima-se que o volume gasto pelo país no setor ocupa o segundo lugar no mundo, perdendo apenas
para os Estados Unidos, depois do fim da União Soviética. A Constituição japonesa, no entanto, mantém um
artigo que proíbe o país de intervir militarmente fora de seus domínios. As forças armadas japonesas, providas
com os mais modernos equipamentos militares, devem entrar em ação apenas em caso de ataques a seu
território. O grande volume de recursos gastos na área militar indica, contudo, que as intenções japonesas não
são apenas de defesa, e sim de ampliar sua influência no mundo. Prova disso é a aspiração japonesa,
expressa várias vezes, de integrar, como membro permanente, o Conselho de Segurança da ONU, caso ele
venha a ser alterado.
Além disso, o país exerce enorme influência em grande parte do Sudeste Asiático. É possível perceber
que os Tigres Asiáticos só alcançaram notoriedade e desenvolvimento no final do século XX graças aos
investimentos japoneses.
A primeira geração dos chamados Tigres Asiáticos, composta por Cingapura, Coréia do Sul, Hong Kong
e Taiwan, recebeu investimentos japoneses e passou a montar produtos antes completamente fabricados no
Japão.
Em pouco tempo, esses países desenvolveram tecnologia própria, principalmente a Coréia do Sul, que
adotou o modelo japonês dos zaibatsus (grandes grupos econômicos incentivados pelo Estado, resultando em
empresas como a Honda e a Mitsubishi) e criou os chaebols (grupos que se transformaram em marcas
mundiais coreanas, como a Hyundai, a Ásia Motors, a Samsung e a Lucky-Goldstar). Os Tigres Asiáticos
conseguiram desenvolver produtos e tecnologia nos campos da informática, eletrônica e indústria
automobilística e passaram a exportá-los para o mundo todo. Esse modelo foi chamado de plataforma de
exportação.
Nas últimas cinco décadas, o ritmo de desenvolvimento industrial do Japão criou uma demanda
crescente por matérias-primas, não apenas para abastecer as fábricas, mas também para gerar energia. Como
o território japonês é extremamente pobre em recursos minerais e energéticos fósseis, o país foi obrigado a se
tornar um grande importador desses produtos. Hoje em dia, as empresas japonesas importam mais de 90% do
que consomem, por exemplo, de ferro, bauxita, manganês, cobre, petróleo, carvão e gás natural.
O país tem vários vulcões ativos que também tornam possível a exploração da energia geotérmica,
embora ainda de maneira restrita.
A invasão brasileira do Oriente começou em 1988, quando a comunidade dobrou de tamanho em
relação ao ano anterior, de cerca de 2 mil para 4 mil pessoas, segundo dados do Departamento de Imigração
japonês. Mesmo com a estagnação da economia japonesa, o número de dekasseguis continuou crescendo. Em

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2003 já havia 274 mil, 2,4% a mais que no ano anterior. Trata-se do terceiro maior grupo de estrangeiros no
país, depois de coreanos, com 614 mil pessoas, e chineses, com 462 mil.
Para o Brasil, trabalhadores no exterior significam entrada de divisas. De acordo com dados do Banco
Interamericano de Desenvolvimento (BID), os dekasseguis enviaram US$ 2 bilhões ao país em 2003.

7- ÍNDIA
Fonte: KRAJEWSKI, Ângela Corrêa. Geografia – Pesquisa e Ação. Volume Único para Ensino Médio.
São Paulo: Ed. Moderna, 2005. pág. 146-148.
A Índia tornou-se colônia britânica em 1849. A reação contra esse domínio intensificou-se após a
Primeira Guerra Mundial, sob a liderança de Mohandas Karamchand Gandhi, denominado pelos indianos de
Mahatma (Grande Alma). Gandhi tinha por base uma ação pacífica, apoiada em greves e boicote aos produtos
britânicos. Em 1947, a Inglaterra reconheceu a independência da Índia.
Com a saída das tropas britânicas, veio à tona o conflito entre hindus e muçulmanos — que já existia na
sociedade hindu, e Gandhi tentara inutilmente resolver. Esse conflito culminou com a divisão do território
indiano em dois países: a Índia (de maioria hindu) e o Paquistão (de maioria muçulmana). Essa divisão,
entretanto, não satisfazia por completo às aspirações muçulmanas, pois a região de Caxemira, de maioria
muçulmana, ficou sob domínio da Índia. Até hoje essa situação é contestada pela população muçulmana do
território, com o apoio do Paquistão.
O país foi dividido em castas presente no hinduísmo, como a figura a seguir.

A questão entre a Índia e o Paquistão ganhou importância internacional, pois envolve dois países que
possuem bomba atômica. O fato é mais preocupante, segundo a visão ocidental do problema, diante da nova
ordem mundial, na qual as decisões sobre o que deve e o que pode ser feito no mundo já não dependem
exclusivamente de Moscou e de Washington.
Tem uma das maiores populações do mundo, sendo que 50% da população são analfabetos. A
expectativa de vida é de 63 anos e a mortalidade infantil é 63%º (por mil).
O país tem a maior parte da população nas áreas rurais, sendo 64% da PEA. O arroz é o principal
produto cultivado na Índia, seguido por trigo, milho, algodão, cana-de-açúcar e chá, mas mesmo sendo um país
agrário, tem grande parte da população passando fome e em estado de desnutrição. Ao mesmo tempo em que
viveu um intenso processo de industrialização, a Índia recebeu investimentos externos, principalmente dos
Estados Unidos, para a modernização da agricultura. Conhecida como Revolução Verde, essas mudanças
incluíram a introdução de novas variedades de sementes, o uso de fertilizantes químicos e pesticidas, a
expansão da irrigação e da mecanização. É importante lembrar que a Índia tem o maior rebanho de bovinos do
mundo.

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Na Índia as indústrias ainda estão concentradas em algumas cidades, tais como: Calcutá, Bombaim,
Madras e Nova Délhi (capital do país). Embora o parque industrial esteja situado entre os dez maiores do
mundo, lembrando que há um grande desenvolvimento tecnológico e cientifico, ela absorve apenas 29% da
PEA.
No conflito da Caxemira (Índia X Paquistão) - 2/3 de seu território estão sob o domínio indiano. 1/3 sob
o controle do Paquistão. Habitada majoritariamente por muçulmanos, a Caxemira foi alvo de duas das três
guerras já travadas entre os dois países. O Paquistão reivindica o controle total da Caxemira sob o argumento
de que lá vive uma população de maioria islâmica - a mesma do país. Já a Índia tem uma população
majoritariamente hindu. Nessa porção do sul da Ásia levou a uma corrida armamentista nas últimas décadas
que culminou com a entrada de Índia e Paquistão, em 1998, no seleto clube dos países detentores de armas
nucleares.
Não bastassem as diferenças sociais, a fronteira da Índia é marcada por focos de tensão. É o caso da
fronteira com a China, que já resultou numa guerra em 1959 e outra em 1962. Os permanentes conflitos com
seus vizinhos tornam incerto o futuro do país.

Fonte: www.academia.g12.br

Fonte: folhaonline/UOL

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08- NOVOS ARES NO ORIENTE MÉDIO?
Lideres árabes elogiam mudança de discurso dos Estados Unidos para a região, mas ainda esperam por
ações concretas.
Fonte: Atualidades Vestibulares 2010. Editora Abril
A Universidade do Cairo, no Egito, foi o palco, em junho, de um aguardado discurso do novo presidente
dos EUA, Barack Obama. Em sua fala, o governante norte-americano propôs “um novo começo” nas relações
entre os EUA e os muçulmanos (seguidores da religião islâmica), que representam a grande maioria da
população no Oriente Médio, e manifestou a vontade de pôr fim à situação de “desconfiança mútua”. Citou
trechos do Alcorão, o livro sagrado do islamismo, e afirmou que os EUA não estão em guerra contra o Islã.
Entre os temas mais importantes para a região, Obama reafirmou o apoio norte-americano a Israel, mas
defendeu o direito de a Palestina existir. Até mesmo no caso do Irã, cujo governo é considerado hostil aos EUA,
ele julga que o país tem o direito de utilizar energia nuclear para fins pacíficos ou civis.
A diferença em relação ao presidente anterior, George W Bush, é significativa. Obama não pronunciou
nenhuma vez as palavras "terror" ou "terrorismo", a marca registrada de seu antecessor. A mudança de tom
ganhou aplausos no auditório da universidade e elogios de várias lideranças de países árabes.
Ao mesmo tempo, essas lideranças dizem esperar ações concretas de Obama que comprovem uma
transformação efetiva. A política de "guerra ao terror" de Bush fez crescer, entre as populações do Oriente
Médio, um sentimento generalizado de hostilidade contra os EUA. Muitos analistas avaliam que isso contribuiu
para o aumento da influência de grupos fundamentalistas islâmicos, que eram vistos como os maiores
opositores a Bush. Por isso, sua postura teria sido prejudicial aos interesses norte-americanos.
Obama, ao buscar atrair a simpatia da opinião pública e dos governantes locais, procura soldar alianças
regionais que defendam de modo mais eficaz a política norte-americana. Para conseguir isso, não hesita em
dirigir-se até mesmo a governos hostis, como o do Irã e o da Síria.
Região de conflitos
Berço de civilizações milenares, o Oriente Médio é a região do mundo que concentra o maior número
de conflitos por quilômetro quadrado. Não por acaso, tem sido a prioridade da política externa de Obama em
seus primeiros meses de governo. Fatores políticos e econômicos explicam a importância do Oriente Médio no
mundo contemporâneo. A área abriga as maiores reservas conhecidas de petróleo e gás do planeta, que, nos
últimos 100 anos, se tornaram chaves para a economia mundial. Quase dois terços de todas as jazidas do
mundo estão concentrados ali. As disputas pelo controle dos recursos petrolíferos estiveram na origem de
muitas intervenções armadas de potências estrangeiras, principalmente a França, o Reino Unido e os EUA.
Uma das razões para a ocupação do Iraque pelos EUA, em 2003, está nesse interesse pelas riquezas naturais
do país.
O grande acontecimento que impactou a região no século XX foi a fundação do Estado de Israel, em
1948. O novo país, ao ocupar o território da Palestina, desalojando milhares de árabes palestinos que ali
viviam, criou uma situação de tensão que perdura até hoje.
Outras disputas fazem parte desse quadro geral. A Arábia Saudita, que tem população de maioria
sunita (uma das vertentes do islamismo), opõe-se ao crescimento de influência do Irã, de maioria xiita (outro
ramo do islamismo). O governo saudita busca exercer um papel de peso nas negociações de paz entre Israel e
os palestinos. De outro lado, o Irã tem ascendência sobre partidos xiitas que estão no governo do Iraque e
fornece ajuda financeira a grupos como o Hezbollah, no Líbano, e o Hamas, nos territórios palestinos.
Nos últimos anos, ganhou relevância a questão do programa nuclear do Irã, pois as potências
ocidentais acreditam que o país dá passos largos para construir bombas atômicas. Toda essa situação
conflituosa está relacionada ainda ao que acontece nas regiões limítrofes ao Oriente Médio, como a Ásia
Central, onde se situam Afeganistão e Paquistão.
Saída do Iraque
No Iraque, ocupado desde 2003 por forças lideradas pelos EUA e pelo Reino Unido, a situação de caos
persiste, embora a violência tenha diminuído nos últimos anos. De acordo com o governo iraquiano, a guerra
causou a morte de aproximadamente 5,7 mil pessoas em 2008, bem menos que os 16,2 mil mortos no ano
anterior. Ainda assim, há muita incerteza sobre o futuro do país. Obama anunciou que as missões de combate
dos EUA no Iraque encerrariam em agosto de 2010 – três meses depois do prazo em que havia prometido, na
campanha eleitoral, retirar as tropas. A maior parte dos 142 mil soldados norte-americanos no país sairá do
território iraquiano.

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09- IRÃ

ABALO NA REPÚBLICA ISLÃMICA
Anúncio da reeleição do presidente Ahmadinejad é contestado por acusações de fraude e provoca
manifestações de protesto com milhares de pessoas, reprimidas pelo regime dos aiatolás.
Fonte: Atualidades Vestibular 2010. Editora Abril. Pag. 70-73
Multidões tomaram as ruas de Teerã, a capital do Irã, em gigantescas manifestações de protesto. Nas
eleições presidenciais de junho de 2009, muitos iranianos acreditavam na vitória do candidato oposicionista Mir
Hossein Mousavi sobre o atual presidente Mahmoud Ahmadinejad, que concorria à reeleição. No mínimo,
tinham a certeza de que a disputa iria para o segundo turno.
A expectativa tinha como base os grandes comícios de Mousavi e as entusiasmadas demonstrações de
apoio. Em vez disso, depois de encerrada a eleição, o órgão oficial encarregado da apuração indicou que o
vitorioso havia sido Ahmadinejad, com 63% dos votos, contra 34% para Mousavi. A eleição estava encerrada
em primeiro turno.
O anúncio provocou uma explosão de revolta. Manifestantes inconformados passaram a enfrentar
milícias leais ao governo para expressar seu protesto e acusar o regime de fraudar o resultado. A repressão foi
violenta: numa das imagens mais chocantes, gravada em um telefone celular e transmitida para o mundo pela
internet, uma jovem morre após levar um tiro. Os confrontos causaram pelo menos 20 mortes, e a oposição fala
em até 150.
O líder religioso supremo, o aiatolá Ali Khamenei, que tem o poder de fato no Irã, condenou os atos e
disse que as eleições foram justas. Após alguns dias, a situação aparentemente se estabilizou. É possível
avaliar, porém, que o regime teocrático que vigora no país há 30 anos, sob o comando dos aiatolás, sofreu um
sério abalo.
Radicais e moderados
O confronto entre posições diferentes no interior do regime, que sempre existiu, ficou mais explícito
durante o governo de Ahmadinejad. O presidente representa a ala radical, também chamada pela imprensa
ocidental de conservadora. É o setor que se opõe de maneira mais enfática à influência das grandes potências
ocidentais na região, em todos os terrenos - militar, político, econômico e cultural. O atual governo reprime até o
uso de roupas ocidentais, impondo às mulheres o uso do véu sobre a cabeça quando estão em público. Do
outro lado, estão os moderados, como os ex-presidentes Hashemi Rafsanjani e Mohammad Khatami,
interessados em reaproximar o país do Ocidente. É preciso ficar atento, porém, ao fato de que os dois lados
têm referência na Revolução Islâmica e não se propõem a modificar a estrutura do regime. Além disso, tanto
radicais quanto moderados defendem a continuidade do programa nuclear.
Programa nuclear
O Irã é um dos países-chave do Oriente Médio. A partir da Revolução Islâmica, em 1979,
afastou-se da área de influência dos Estados Unidos (EUA) e tornou-se fonte de preocupação para
potências ocidentais, que têm grandes interesses econômicos e políticos na região. Países árabes
como o Egito e a Arábia Saudita, também se sentiram incomodados com o crescimento da influência
que dificulta suas próprias pretensões de firmar-se como potências regionais.

a nação
todas as
vizinhos,
iraniana,

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O regime iraniano posiciona-se frontalmente contra Israel, o que atrai a simpatia de setores palestinos e
árabes. Mantém relações estreitas com a Síria - outro país considerado hostil pelos EUA - e exerce influência
sobre partidos xiitas no governo do Iraque. Além disso, é acusado de dar apoio a grupos fundamentalistas
islâmicos, como o libanês Hezbollah e o palestino Hamas. O ex-presidente norte-americano George W. Bush
havia colocado o Irã como um dos integrantes do "eixo do mal" - nações que favoreceriam o terrorismo
internacional.
As manifestações puseram em segundo plano até a principal acusação feita nos últimos anos ao Irã: a
de que o país planeja fabricar armas nucleares. As potências ocidentais, com os EUA à frente, estão
convencidas de que o Irã desenvolve um programa atômico secreto com fins militares. O governo iraniano
nega, afirmando que desenvolve pesquisas nesse campo com fins pacíficos, para produzir energia elétrica.
Após a eleição de Ahmadinejad, em 2005, os atritos se acirraram. O presidente afirma que o Irã tem o
"direito inalienável" de produzir energia nuclear, e por isso desenvolve o enriquecimento do urânio. Em níveis
baixos, o enriquecimento produz combustível para usinas de geração de energia elétrica, o que é permitido pelo
Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), do qual o Irã faz parte. Apenas o enriquecimento em nível alto
poderia ser usado para produzir armas nucleares.
Diante da negativa do Irã de parar o programa nuclear, a ONU aprovou, entre dezembro de 2006 e
março de 2008, três séries de sanções econômicas contra o país. Nas três ocasiões, a resposta de
Ahmadinejad foi ignorar as ameaças e anunciar que não haveria recuo nas atividades nucleares.
Herdeiro dos persas
Vizinho de diversos países árabes, o Irã tem origem distinta. Seus antepassados são os persas, que
constituíram um império de grande importância na Antiguidade. A partir de 642 d.C., com a conquista árabe, a
região adotou a religião islâmica, mas o povo manteve sua singularidade, com idioma e cultura próprios. Até
1935, o país ainda se chamava Pérsia. A grande maioria da população segue o islamismo, principalmente a
vertente xiita da religião (os sunitas e os xiitas constituem dois dos principais ramos do islamismo).
Polêmicas de Ahmadinejad

A eleição de Ahmadinejad como presidente, em 2005, foi uma surpresa. Extremamente religioso,
considerado radical defensor dos valores originais da Revolução Islâmica, esse ex-prefeito de Teerã derrotou o
importante líder religioso Hashemi Rafsanjani, que tem posições mais moderadas e havia sido presidente do
país entre 1989 e 1997.
A gestão de Ahmadinejad caracteriza-se pela defesa do programa nuclear nacional e por forte
posicionamento contra os Estados Unidos e o Estado de Israel. O presidente declarou-se a favor da destruição
do Estado de Israel e causou indignação internacional ao pôr em dúvida a ocorrência do Holocausto – a
execução de 6 milhões de judeus pelos nazistas durante a Primeira Guerra Mundial. Os adversários internos

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dizem que a sua gestão econômica é desastrosa, marcada pela alta da inflação e pelo aumento dos índices de
desemprego.
No plano das relações exteriores, uma nova situação abriu-se a partir da posse de Barack Obama como
presidente dos EUA. Desde o início, o governante norte-americano deixou clara a posição de buscar trazer os
regimes do Irã e da Síria para uma negociação diplomática. Rompeu, assim, com a orientação de Bush, que
não admitia conversações com países considerados hostis.
Os acenos de Obama foram, em um primeiro momento, repelidos pelo presidente iraniano e pelo líder
supremo, para os quais seriam necessárias ações concretas - como o fim do apoio ao Estado de Israel e a
retirada das tropas norte-americanas do Iraque e do Afeganistão - para que houvesse mudanças nas relações
entre os países.
Por outro lado, o presidente norte americano não abandonou a política de pressões, tendo renovado em
março as sanções econômicas dos Estados Unidos contra o Irã, vigentes desde 1995.
Eleições de 2009
Num debate de TV durante a campanha eleitoral de 2009, os iranianos viram Ahmadinejad afirmar que
seu principal oponente, Mousavi, era o preferido das elites. Comum a agressividade sem precedentes, atacou
os ex-presidentes Khatami e Rafsanjani, apoiadores de Mousavi, apontando-os como corruptos. Mousavi
criticou duramente a política externa de Ahmadinejad, acusando-o de ter isolado o Irã da comunidade
internacional. Comprometeu-se a negociar com os Estados Unidos, mas sem abrir mão do programa nuclear
iraniano.
A campanha eleitoral de Mousavi recebeu o apoio entusiástico de comerciantes, dos setores jovens e
da população mais instruída das cidades. Os comícios atraíram, também, muitas mulheres, que sofrem
opressão por causa das rígidas imposições religiosas em vigor.
Ahmadinejad tem apoio principalmente nas áreas rurais e entre os mais pobres. Sua política é
qualificada de populista, por fornecer auxílio em dinheiro aos setores mais necessitados. Membros do Exército e
integrantes da Guarda Revolucionária, o grupo militar de elite do regime, também compõe a base de
sustentação do presidente.
As eleições registraram o comparecimento recorde de 85% dos eleitores. Quando a agência oficial de
notícias apresentou Ahmadinejad como vencedor no primeiro turno, com grande diferença em relação a
Mousavi, o oposicionista não aceitou o resultado e acusou o governo de ter promovido uma grande fraude
eleitoral. O candidato passou, então, a reivindicar a anulação do pleito e a convocação de novas eleições.
Imediatamente, surgiram protestos em Teerã e em outras cidades, numa amplitude jamais vista no país
desde a Revolução de 1979. As manifestações duraram vários dias, reunindo centenas de milhares de
participantes, e passaram a ser reprimidas pela milícia islâmica dos basijis, os "vigilantes da revolução", um
corpo paramilitar vinculado à Guarda Revolucionária.
Khamenei respaldou a vitória de Ahmadinejad e declarou que o resultado deveria ser reconhecido por
todos, exigindo o fim dos atos públicos e o alinhamento da oposição com a apuração oficial. O líder supremo
não admitiu a possibilidade de fraude nem a convocação de novas eleições. Na mesma linha, o Conselho dos
Guardiães concordou apenas com a recontagem de votos das urnas que apresentaram irregularidades.
Entre os fatos que dão base às suspeitas de fraude estão:




O anúncio dos primeiros resultados poucas horas depois do fechamento das urnas, quando seriam
necessários alguns dias para a apuração;
O estranho resultado a favor de Ahmadinejad, que teria sido vitorioso até mesmo nas regiões de origem
dos outros três candidatos;
O comparecimento, em algumas localidades, de mais de 100% dos eleitores registrados.

Observadores isentos, contudo, não excluem a possibilidade de vitória do presidente, já que ele tinha o
respaldo de um enorme contingente da população rural, que não se manifestou de forma ruidosa nem teve
ampla cobertura de mídia, como os apoiadores de Mousavi.
A reação internacional variou da cautela demonstrada por Obama, que criticou de forma moderada a
repressão aos atos, até a posição mais dura da União Europeia, que exigiu o fim da repressão e a garantia da
liberdade de expressão. O governo iraniano acusou as potências estrangeiras de insuflar os protestos e tentar
interferir na política interna do país.
Analistas afirmam que, por trás do embate entre Ahmadinejad e Mousavi, há uma luta mais profunda
entre seus principais apoiadores, Khamenei - autoridade máxima do país - e Rafsanjani, a eminência parda do
regime, que preside a Assembleia dos Especialistas, organismo encarregado de escolher ou destituir o líder

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supremo. Ambos são representantes da geração que tomou o poder com a Revolução Islâmica e disputam o
controle da República.
10- As Guerras do Kuait e do Iraque
Fonte: O Atlas do Oriente Médio. O mapeamento completo de todos os conflitos. Editora Publifolha. Pag. 94-95
Em 1988, ao fim da guerra com os iranianos, o Iraque estava enfraquecido economicamente, pagara
elevado preço humano por ter desencadeado o conflito (1980) e, ainda assim, tinha posição internacional
relativamente sólida.
Entre suas vantagens cruciais, havia em primeiro lugar as enormes reservas petrolíferas, com as· quais
estava em boa posição para, com o tempo, recuperar os prejuízos econômicos. Em segundo lugar, as Forças
Armadas iraquianas, apesar das perdas, eram as mais fortes da região do golfo Pérsico, e observadores
ocidentais as encaravam com respeito. E, em terceiro lugar, dado que o Irã era tratado com tanta desconfiança
por ser um regime revolucionário, o Iraque recebera importante apoio do Ocidente (em especial dos EUA)
durante a guerra e tinha a possibilidade de continuar beneficiando-se dessas boas relações.
Nos 15 anos seguintes, o regime de Saddam Hussein perderia todas essas vantagens e, por fim, o
poder. A intervenção e a ocupação militar pelos EUA e Grã-Bretanha (2003) se mostrariam fundamentais para
finalmente empurrar o país para o caos e a violência, mas os alicerces do desastre foram assentados pelo
próprio Saddam Hussein.
A guerra com o Irã deixou o Iraque muito endividado, em particular pelos US$ 14 bilhões devidos ao
Kuait. A postura adotada por Saddam Hussein era que o Iraque travara a guerra como defensor dos árabes
contra o tradicional inimigo persa (não que isso houvesse verdadeiramente entrado nos cálculos estratégicos de
Saddam em 1980, quando suas forças atacaram o Irã). Por conseguinte, Saddam alegava que a dívida deveria
ser esquecida ou aliviada. Em 1990, porém, o Kuait estava pressionando para receber pagamento. Na Opep, o
Iraque defendia tanto cortes gerais na produção quanto uma cota de produção maior para si próprio, de modo
que os preços do petróleo e a receita iraquiana com o produto aumentassem, possibilitando alguma quitação da
dívida e mais fundos para a reconstrução. O Iraque acusou o Kuait de aumentar a produção, não respeitando a
própria cota, para manter os preços baixos. Ademais, o Iraque começou a acusar o Kuait de perfuração dirigida,
não-vertical, para roubar o petróleo dos campos iraquianos contíguos.
Quase todas as instalações portuárias iraquianas tinham sido destruídas durante a guerra, e havia
pouca dúvida de que o litoral extra e o moderno porto que o Iraque ganharia controlando o Kuait aumentariam a
segurança iraquiana a longo prazo. Com essa combinação de elementos, era claramente tentador para
Saddam Hussein ressuscitar as reivindicações territoriais que o Iraque fizera sobre o Kuait antes da
independência do emirado.
Apesar da longa lista de queixas que o Iraque alardeava contra o Kuait, a invasão de agosto de 1990
(com o pretexto de apoiar uma revolução popular naquele país, apesar de não existir revolução de fato)
surpreendeu os outros Estados árabes e o Ocidente. A reação foi rápida, tendo tanto a Liga Árabe quanto a
ONU condenado a invasão. Passada uma semana, tropas americanas começavam a desembarcar na Arábia
Saudita para garantir que o lraque não tomasse uma iniciativa militar ainda mais ambiciosa, embora não
houvesse nenhuma indicação clara nesse sentido.
Um grande esforço diplomático, liderado pelo governo Bush (pai) nos EUA e apoiado por seus aliados
da Europa ocidental e pelas monarquias árabes do golfo Pérsico, reuniu uma coalizão de 34 países para impor
a exigência da ONU (com o respaldo legal das resoluções do Conselho de Segurança) de que o Iraque saísse
do Kuait. Quando Saddam Hussein se recusou a tirar suas forças de lá, um mês de ofensiva aérea e uma
semana de guerra terrestre lhe infligiram uma derrota decisiva e expulsaram os iraquianos do emirado. A
rapidez e a facilidade da vitória constituíram outra surpresa. Os EUA cogitaram ir além e levar a guerra ao
Iraque, até Bagdá, mas acabaram resolvendo não exceder o mandato da ONU.
Não se dispõem de dados seguros sobre o número de mortos iraquianos que resultou da ofensiva
comandada pelos EUA. As estimativas geralmente aceitas para o número de militares mortos ficam na casa dos
10 mil durante a ofensiva aérea e 10 mil durante a guerra terrestre. Já o número de mortos civis costuma ser
calculado em 2.500 - 3.500.

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11- ISRAELENSES E PALESTINOS
Mais obstáculos à paz
Novo governo israelenses defende posições consideradas inaceitáveis pelos palestinos, que, por sua
vez, se dividem em um grave conflito entre suas duas principais organizações.
Fonte: Atualidades Vestibular 2010. Editora Abril. Pag. 66-69
Quando se examina o sangrento e prolongado conflito entre Israel e os palestinos, a impressão é que a
situação não para de se complicar. Após décadas de tentativas infrutíferas de acordos de paz, há uma situação
de impasse sem precedentes. Do lado israelense, o novo governo do primeiro-ministro Benyamin Netanyahu
defende posições que os palestinos consideram inaceitáveis até para iniciar conversações. No campo palestino,
há uma séria divisão entre as duas principais organizações: o grupo laico Fatah – que dirige a Autoridade
nacional palestina (ANP), instalada na Cisjordânia – e o grupo islâmico Hamas – que controla a Faixa de Gaza.
O cotidiano de quem vive nessa parte do mundo é marcado por mortes e destruição. O último conflito
aberto ocorreu no fim de 2008, quando Israel iniciou uma ofensiva à Faixa de Gaza, com fortes bombardeios e
ataques terrestres, que causaram, em três semanas, mais de 1,4 mil mortes. A ofensiva agravou a situação de
desastre humanitário existente no território por causa do bloqueio imposto por Israel, que impede a entrada ou
saída de pessoas e mercadorias.
Problemas não resolvidos
Para entender essa situação, é preciso recuar no tempo. O marco desse conflito foi a criação do Estado
de Israel, em 1948, que provocou a expulsão de milhares de palestinos das terras nas quais viviam. No ano
anterior, a Organização das Nações Unidas (ONU) havia aprovado uma resolução apoiando a divisão da
Palestina em um Estado judeu e outro árabe, que nunca se constituiu. A nova situação causou desestabilização
em todo o Oriente Médio, que tem como uma de suas expressões as guerras entre Israel e nações árabes
vizinhas. No decorrer de décadas, houve vários choques armados.
Em 1993 ocorreram os Acordos de Oslo, mediados pelos Estados Unidos (EUA), que traçaram a meta
de que a região contivesse dois Estados: um judeu (Israel) e um palestino, esse último formado por duas
porções de terras descontinuas - a Faixa de Gaza e a Cisjordânia, sob ocupação israelense desde a Guerra
dos Seis Dias (1967). Os mesmos acordos definiram a criação da ANP, para dar os passos rumo à organização
institucional dos palestinos. Nos últimos anos, essa é a perspectiva para a região que dá o tom nas
negociações internacionais.
Desde o inicio das conversas, porém, problemas sérios deixaram de ser resolvidos. Um é a situação de
Jerusalém. Os palestinos defendem a ideia de que a parte oriental da cidade, ocupada pelos israelenses desde
1967, seja a capital de seu futuro Estado. Israel não aceita, pois considera a cidade inteira como a sua capital.
Outro ponto fundamental para os palestinos não encontra acordo: o direito ao retorno dos que foram expulsos
do território israelense. Com a criação de Israel, mais de 700 mil palestinos tornaram-se refugiados. Outra
grande onda de deslocamentos ocorreu após a Guerra dos Seis Dias, quando outros 500 mil tiveram de deixar
sua casa. Os refugiados, seus filhos e netos, somam agora quase 4,7 milhões de pessoas, segundo a ONU.
Esse enorme contingente vive precariamente em campos de refugiados. O governo israelense não aceita
debater sua volta, pois o eventual regresso poria em xeque as próprias bases nas quais Israel se assenta.
Assentamentos israelenses
Embora Israel tenha se comprometido com os Acordos de Oslo, manteve a política de criar
assentamentos nos dois territórios destinados ao futuro Estado palestino. Colonos israelenses instalaram-se
nos locais, expulsando os palestinos, e formaram povoações situadas em regiões de população árabe. Para
parte dos religiosos judeus, essas áreas pertencem a seu país desde os tempos bíblicos.
Em 2005, o governo israelense decidiu abandonar a Faixa de Gaza. Retirou todos os 21 assentamentos
ali existentes, além de quatro pequenas colônias no norte da Cisjordânia. Para muitos palestinos, a medida não
era um recuo, mas apenas um meio de consolidar e ampliar os assentamentos na Cisjordânia - área muito
maior e mais próspera que a minúscula Faixa de Gaza. Existem cerca de 300 mil colonos israelenses na
Cisjordânia e 180 mil em Jerusalém Oriental.
Além disso, desde 2002 Israel passou a isolar as populações palestinas da Cisjordânia, separando vilas
e bairros uns dos outros por meio da construção de um enorme muro de concreto. A justificativa inicial era
impedir a entrada de terroristas em Israel. Na prática, o muro propiciou que o país anexasse áreas palestinas e
hoje restringe a circulação de pessoas e mercadorias pela região.

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GEOGRAFIA POLÍTICA/2012

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Tiago.148.252

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    GEOGRAFIA POLÍTICA/2012 PROFESSOR: TIAGODALESSI CAPÍTULO 1: REGIONALIZAÇÃO DO ESPAÇO 1- O MUNDO DIVIDIDO: PAÍSES CAPITALISTAS E SOCIALISTAS 1.1 – FASES DO CAPITALISMO O Capitalismo Comercial Essa etapa do capitalismo estendeu-se desde fins do século XV até o século XVIII. Foi marcada pela expansão marítima das potências da Europa Ocidental na época (Portugal e Espanha). O grande acúmulo de capitais se dava na esfera da circulação, ou seja, por meio do comércio, daí o termo capitalismo comercial para designar o período. A economia funcionava segundo a doutrina mercantilista, que, em sentido amplo, pregava a intervenção governamental na economia, a fim de promover a prosperidade nacional e aumentar o poder do Estado. Nesse sentido, defendia a necessidade de riquezas no interior dos Estados, e a riqueza e o poder de um país eram medidos pela quantidade de metais preciosos (ouro e prata) que possuíam. Esse princípio ficou conhecido como metalismo. Outro meio de acumular riquezas era manter uma balança comercial sempre favorável, daí o esforço para exportar mais do que importar, garantindo saldos comerciais positivos. O mercantilismo foi fundamental para o desenvolvimento do capitalismo, pois permitiu, como resultado de um comércio altamente lucrativo, das explorações das colônias e da pirataria, grande acúmulo de capitais nas mãos da burguesia européia. Karl Marx designou essa fase como a da acumulação primitiva do capital. O Capitalismo Industrial O capitalismo industrial foi marcado por grandes transformações econômicas, sociais, políticas e culturais. As maiores mudanças resultam do que se convencionou chamar Revolução Industrial (estamos nos referindo aqui à Primeira Revolução Industrial, ocorrida no Reino Unido na segunda metade do século XVIII). Um de seus aspectos mais importantes foi a enorme potencialização da capacidade de transformação da natureza, por meio da utilização cada vez mais disseminada de máquinas movidas a vapor, tornando acessível aos consumidores uma quantidade cada vez maior de produtos, o que multiplicava os lucros dos produtores. O comércio não era mais a essência do sistema. O lucro – objetivo dessa nova fase do capitalismo – advinha fundamentalmente da produção de mercadorias. A toda jornada de trabalho corresponde uma remuneração, que permitirá a subsistência do trabalhador. No entanto, o trabalhador produz um valor maior do que aquele que recebe na forma de salário, e essa fatia de trabalho não-pago é apropriada pelos donos das fábricas, das fazendas, das minas, etc. Dessa forma, todo produto ou serviço vendido traz embutido esse valor não transferido ao trabalhador, permitindo o acúmulo de lucro pelos capitalistas. Se no mercantilismo (fase comercial), o Estado absolutista era favorável aos interesses da burguesia comercial, no tocante a atuação da nova burguesia industrial, ou capitalista, era um empecilho. Ele não deveria intervir na economia, que funcionaria segundo a lógica do mercado, guiada pela livre concorrência. Consolidava-se, assim, uma nova doutrina econômica: o liberalismo. Dentro das fábricas, mudanças importantes estavam acontecendo: a produtividade e a capacidade de produção aumentavam velozmente; aprofundava-se a divisão de trabalho e crescia a produção em série. Nessa época, segunda metade do século XIX, estava ocorrendo o que se convencionou chamar de Segunda Revolução Industrial. Uma das características mais importantes desse período foi a introdução de novas tecnologias e novas fontes de energia no processo produtivo. Com o brutal aumento da produção, pois a industrialização expandia-se para outros países, acirrou-se cada vez mais a concorrência. Era cada vez maior a necessidade de garantirem novos mercados consumidores, novas fontes de matérias-primas e novas áreas para investimentos lucrativos. Foi dentro desse quadro que ocorreu a expansão imperialista na Ásia e na África. A partilha imperialista das potências industriais consolidou a divisão internacional do trabalho, pela qual as colônias se especializavam em fornecer matérias-primas baratas para os países que então se industrializavam. Tal divisão, delineada no capitalismo comercial, consolidou-se na fase do capitalismo industrial. Assim, estruturou-se nas colônias uma economia complementar e subordinada à das potências imperialistas. A Alemanha, por ter se unificado tardiamente (1871), perdeu a fase mais importante da corrida imperialista e sentiu-se lesada, especialmente frente ao Reino Unido e à França. Além disso, como a sua indústria crescia em ritmo mais rápido que a dos demais países, também se ressentia mais da falta de mercados consumidores. O choque de interesses internos e externos entre as potências imperialistas européias acabou levando o mundo à Primeira Guerra Mundial (1914-1918). 148
  • 2.
    GEOGRAFIA POLÍTICA/2012 PROFESSOR: TIAGODALESSI O Capitalismo Financeiro Uma das conseqüências mais importantes do crescimento acelerado da economia capitalista foi o brutal processo de concentração e centralização de capitais. Várias empresas surgiram e cresceram rapidamente: indústrias, bancos, corretoras de valores, casas comerciais, etc. A acirrada concorrência favoreceu as grandes empresas, levando a fusões e incorporações que resultaram, a partir de fins do século XIX, na monopolização ou oligopolização de muitos setores da economia. O liberalismo restringe-se cada vez mais ao plano da ideologia, pois o mercado passa a ser oligopolizado, dominado por grandes corporações, substituindo a livre concorrência e o livre mercado. O Estado, por sua vez, passa a intervir na economia, seja como agente produtor ou empresário. Essa atuação do Estado na economia intensificou-se após a crise de 1929, que viria a sepultar definitivamente o liberalismo clássico. A crise de 1929 deveu-se ao excesso de produção industrial e agrícola, pois os baixos salários pagos na época impediam a expansão do mercado de consumo interno; à recuperação da indústria européia, que passou a importar menos dos Estados Unidos; e à exagerada especulação com ações na bolsa de valores. Colocando em prática em 1933, pelo então presidente Franklin Roosevelt, o New Deal (“novo acordo”) foi um clássico exemplo de intervenção do Estado na economia. Baseado em um audacioso plano de obras públicas, com o objetivo principal de acabar com o desemprego, o New Deal foi fundamental para a recuperação da economia norte-americana. Essa política de intervenção estatal numa economia oligopolizada, que acaba favorecendo o grande capital, ficou conhecida como Keynesianismo, por ter sido o economista inglês John Maynard Keynes seu principal teórico e defensor. 1.2 - CARACTERISTICAS DO CAPITALISMO  Propriedade Privada dos meios de produção – Os meios de produção (bancos, supermercados, lojas,...) pertencem predominantemente a uma pessoa ou a um grupo de pessoas.  Economia de Mercado – São as empresas que decidem como e quanto produzir e estabelecem o preço e as condições de circulação das mercadorias.  Lei da Oferta e da Procura – Os preços das mercadorias variam de acordo com a procura por parte do consumidor e a quantidade do produto em oferta, isto é, colocada à venda.  Trabalho Assalariado – O trabalhador recebe um salário por seu trabalho, havendo concentração de renda, principalmente nos países mais pobres.  Neoliberalismo – Doutrina econômica que, especialmente nas duas últimas décadas, retomou vários preceitos do liberalismo clássico. Um dos pontos principais do neoliberalismo é a idéia do Estado mínimo, isto é, o governo deveria ter sua atuação restrita ao campo social (destinando o mínimo de recursos à saúde, educação e previdência, por exemplo), além de não interferir no processo econômico, que seria regulado exclusivamente pelas leis de mercado. 1.3 – ORGANIZAÇÃO DAS EMPRESAS NO SISTEMA CAPITALISTA  Monopólio – Situação em que há uma única empresa fornecedora de determinado produto, que controla sua oferta e seu preço.  Oligopólio – Grupo constituído por um pequeno número de empresas que controlam os preços de um produto.  Cartel – Associação ou combinação entre empresas, geralmente de um mesmo segmento, para garantir o controle da produção e dos preços.  Truste – fusões e incorporações entre empresas que realizam uma mesma atividade com o intuito de garantir o domínio do mercado.  Holding – Uma empresa que detém o controle de diversas outras empresas, que atuam em diferentes ramos de atividades. As holding são grandes corporações que podem produzir desde canetas a aparelhos eletrônicos, carros e aviões. 1.4 – SISTEMA SOCIALISTA  Estatização – As terras e os meios de produção devem pertencer ao Estado, que também passa a controlar e a definir o salário dos trabalhadores.  Economia Planificada – As atividades econômicas devem seguir uma planificação idealizada e executada pelo Estado, que decide o que e como produzir.  Pleno emprego – Para executar suas várias funções e diminuir as desigualdades sociais, o Estado cria um imenso quadro de funcionários, garantindo emprego a todos. 149
  • 3.
    GEOGRAFIA POLÍTICA/2012 PROFESSOR: TIAGODALESSI  Relação Social – O objetivo é eliminar as diferenças sociais, gerando uma melhor distribuição da renda. 1.5 – GUERRA FRIA  Ordem Bipolar – Por serem superpotências econômicas e militares, EUA e URSS influenciavam outras nações, que a eles se aliaram na formação dos dois grandes blocos que polarizaram a economia e a sociedade do pós - segunda guerra. Essa situação perdurou até a década de 1990.  Muro de Berlim – Em 1949, como conseqüência da bipolarização, os países da Europa alinharam-se em dois blocos: a Europa Ocidental capitalista, sob a influencia dos EUA, e a Europa Oriental socialista, sob a influência da URSS e em 1961 foi construído o muro de Berlim. A partir de 1990, praticamente todos os países do bloco socialista passaram a adotar o capitalismo. Atualmente, praticamente somente China, Cuba e Coréia do Norte continuam socialistas, embora incluam em sua economia algumas características do capitalismo. Com o fim da União Soviética em 1991 e a conseqüente dissolução do socialismo, os Estados Unidos viram-se transformados em “vencedores” da Guerra Fria, assumindo o papel de grande potência mundial. Porém, apesar do grande poderio norte-americano, Japão e Alemanha (reunificada) também apareciam como pólos da economia mundial, formando uma nova era multipolar, em detrimento da bipolaridade outrora existente. Desta forma, temos o mundo sob a influência de três grandes pólos, os EUA, o Japão e a Europa, representada pela União Européia, tendo Alemanha, França e Reino Unido como sustentáculos econômicos. O FIM DA GUERRA FRIA Muito se discute sobre uma possível data que marque o fim da Guerra Fria, o fato é que uma série de acontecimentos desencadearam a dissolução do conflito Leste x Oeste. A falta de democracia, o atraso econômico e a crise nas repúblicas soviéticas acabaram por acelerar a crise do socialismo no final da década de 1980. Em 1989 cai o Muro de Berlim e as duas Alemanhas são reunificadas. No começo da década de 1990, o então presidente da União Soviética, Mikhail Gorbachev começou a acelerar o fim do socialismo naquele país e nos aliados. Com reformas econômicas, acordos com os EUA e mudanças políticas, o sistema foi se enfraquecendo. Era o fim de um período de embates políticos, ideológicos e militares. O capitalismo vitorioso, aos poucos, iria sendo implantado nos países socialistas. Os Estados Unidos assumiram o papel de única superpotência, os conflitos étnicos e nacionais ressurgiram com força total, e o poder não é mais de quem tem armas mais poderosas, mas de quem tem a economia mais forte. Veremos a seguir alguns fatores responsáveis pelo fim da bipolaridade mundial. A crise da URSS A economia soviética teve um considerável sucesso no período em que o mundo guiava-se pelos padrões tecnológicos estabelecidos pela II Revolução Industrial (industrias de siderurgia, química, petrolífera, 150
  • 4.
    GEOGRAFIA POLÍTICA/2012 PROFESSOR: TIAGODALESSI aeronáutica, naval, etc). Isto colocou a URSS em igualdade com as economias capitalistas e em alguns momentos à frente, como o lançamento do primeiro satélite Sputnik I, em 1957, e o primeiro homem em órbita ao redor da Terra, Iúri Gagárin, em 1961. Guiados pelo padrão tecnológico da II Revolução Industrial, a URSS priorizou indústrias de bens de produção e de capital, com grande prioridade para a indústria bélica. Isto porém virou um problema na medida em que as indústrias de bens de produção não possuíam os devidos investimentos, gerando um grande descompasso econômico, com produções excessivas de ferro e aço de um lado, e a carência de eletrodomésticos e automóveis de outro. O quadro crítico acentua-se a partir da década de 1970, com a chamada Terceira Revolução Industrial, que demanda altos investimentos em pesquisa e tecnologia favorecendo o crescimento de setores como a informática e a robótica (estes exigem uma economia mais dinâmica, baseada numa economia de mercado). ( ver texto “A Terceira Revolução industrial” no capítulo 8) A URSS começa a se defasar econômica e tecnologicamente em meados de 1970, sendo reconhecida apenas por seu poderio militar, seu arsenal nuclear e sua capacidade de destruição em massa. Graças a seu baixo dinamismo econômico, sua produtividade industrial não acompanhava nem de longe os avanços dos países capitalistas desenvolvidos mais competitivos. Seu parque industrial, sucateado, era incapaz de produzir bens de consumo em quantidade e qualidade suficientes para abastecer a própria população. As filas intermináveis eram parte do cotidiano dos soviéticos e o descontentamento se generalizava. A situação agravasse nos anos 80, com o governo norte-americano de Ronald Reagan, que aumentou os orçamentos com defesa. Como a União Soviética não tinha mais condições de continuar com a corrida armamentista, os acordos de paz entre as duas superpotências tornaram-se necessários. Foi com essa missão que Gorbachev chegou, em 1985, à liderança da URSS. A era Gorbachev (1985-1991) e o fim da União Soviética Sua plataforma política defendia a necessidade de reformar a União Soviética, para que ela se adequasse à realidade mundial. Em seu governo, uma nova geração de políticos se firmou, e impulsionou a dinâmica de reformas na URSS e a aproximação diplomática com o mundo ocidental. Dentre as reformas propostas por Gorbachev, temos a Perestroika e a Glasnost: - Perestroika (reestruturação): série de medidas de reforma econômicas. Para Gorbatchov, não seria necessário erradicar o sistema socialista, mas uma reformulação deste seria inevitável. Para tanto, ele passou a diminuir o orçamento militar da União Soviética, o que implicou em diminuição de armamentos. Além disso, era preciso acabar com a ditadura, desmontando o aparelho repressor erigido na era Stálin. - Glasnost (transparência) : visava a "liberdade de expressão" à imprensa soviética e a transparência do governo para a população, permitindo o pluripartidarismo e retirando a forte censura que o governo comunista impunha. Esta abertura política desencadeou uma série de movimentos separatistas na URSS, levando à sua completa fragmentação política. Gorbachev sofreu um golpe de Estado, liderado pelos comunistas conservadores, porém, o golpe fracassou e Mikhail foi reconduzido ao poder com o apoio de Boris Yeltsin. No entanto, o poder central se enfraqueceu, visto que as repúblicas – uma a uma – proclamavam sua independência política. A cartada final ocorreu em dezembro de 1991, quando a própria Rússia, sustentáculo da União Soviética, proclamou a sua independência. Com o fim da União Soviética um novo acordo foi firmado (acordo de Minsk), originando a CEI (Comunidade dos Estados Independentes), composto pelas antigas repúblicas soviéticas, exceto Estônia, Letônia e Lituânia. Boris Yeltsin foi eleito o novo presidente, renunciando em dezembro de 1999. Em seu lugar, Vladimir Putin foi eleito em março de 2000. 151
  • 5.
    GEOGRAFIA POLÍTICA/2012 PROFESSOR: TIAGODALESSI Hoje a Rússia sofre graves problemas com desemprego e baixo crescimento econômico, resultados da tumultuada transição do socialismo para o capitalismo. O PIB só veio a crescer significativamente a partir de 1999. Um dos grandes problemas enfrentados hoje é o grande número de movimentos separatistas dentro de seu território. 152
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    GEOGRAFIA POLÍTICA/2012 PROFESSOR: TIAGODALESSI O LESTE EUROPEU Durante toda a Guerra Fria, a região do Leste europeu fez parte do chamado 2° mundo, sendo controlada pela URSS através do Pacto de Varsóvia. Com as políticas reformistas de Gorbachev e o fim da URSS, as frentes de independência se tornaram mais fortes nessa região, fazendo com que os países aderissem ao capitalismo e reorganizassem a sua economia e política. Os países integrantes* do Leste Europeu eram/são: - Pôlonia - Alemanha Oriental (hoje reunificada) - Tchecoslováquia (hoje dividida em repúblicas Tcheca e Eslováquia) - Hungria - Romênia - Bulgária - Albânia** - Iugoslávia** (hoje dividida em Sérvia, Montenegro, Eslovênia, Croácia, Bósnia-Herzegovina e Macedônia) * Estes países formavam um bloco fechado na Europa, limitado pela “Cortina de Ferro”. ** Apesar da Albânia e Iugoslávia não estabelecerem relações diretas com Moscou, o regime socialista ditatorial era presente em ambos. Polônia e Hungria Na Polônia, a abertura política começou com a legalização do Solidariedade (sindicato político fundado em 1980 que defendia a liberdade de expressão dos trabalhadores) em 1989. No mesmo ano, a URSS começava a retirar do Leste europeu suas tropas do pacto de Varsóvia. Sem a pressão militar dos soviéticos, as medidas liberais ganharam força, não só na Polônia como em outros países da região. Além disso, restabeleceram a ligação religiosa com o Vaticano e a liberdade religiosa. A Hungria também iniciou suas reformas em janeiro de 1989, quando o parlamento aprovou a lei que permite o pluripartidarismo. O país tornou-se uma democracia e passou a se chamar República da Hungria. 153
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    GEOGRAFIA POLÍTICA/2012 PROFESSOR: TIAGODALESSI Alemanha Oriental Em 9 de novembro de 1989, a conselho de Gorbachev, o governo anunciou a livre passagem dos alemães da parte oriental para a ocidental., levando a própria população à iniciativa de derrubar o muro de Berlim. Em 1990, Lothar de Maiziere, primeiro-ministro da Alemanha oriental, negociou a unificação das duas Alemanhas com Helmut Kohl, que governava a Alemanha ocidental. A República Democrática Alemã não existia mais. Em 3 de outubro de 1990, a Alemanha estava reunificada. Tchecoslováquia e Bulgária Em 1° de janeiro de 1993, a Tchecoslováquia se dividiu, de forma pacífica, dando origem a dois países diferentes: na sua porção menos desenvolvida, formou-se a Eslováquia; e na sua parte mais desenvolvida e industrializada, a República Tcheca, destaque na produção de automóveis e cerveja. Na Bulgária a transição também aconteceu de forma pacífica. O pluripartidarismo foi admitido em 1988 e as reformas passaram a acontecer com o fim do Partido Comunista. Em 1990, passou a ser denominado República da Bulgária. Romênia Na Romênia, as reformas aconteceram lentamente. Com uma economia superada, a Romênia tem aproveitado a entrada do capital estrangeiro, nos últimos anos, para melhorar sua situação econômica e tentar se reerguer. ex-Iugoslávia O desmembramento da Iugoslávia deu origem a novos países: União da Sérvia e Montenegro, Eslovênia, Croácia, Bósnia-Herzegovina e Macedônia. A separação do país foi marcada por sangrentos conflitos. Atualmente ocorreu a separação da Sérvia e Montenegro, em maio de 2006 Albânia Foi o último Estado do Leste Europeu a implementar reformas. Encerrou sua fase socialista com altos níveis de pobreza. Foi aliado da URSS até 1961, para posteriormente aliar-se à China até 1978. Depois das relações cortadas com a China, o país fechou-se num regime altamente autoritário e isolado, fiel à doutrina stalinista. Esta situação de instabilidade deixou o país extremamente despreparado para a transição econômica. Sem rumo, o governo albanês procura administrar os mecanismos do novo regime, ao mesmo tempo em que tenta encontrar soluções para os eternos problemas de miséria e desemprego. O presidente George Bush (1989-1992) chamou de Nova Ordem Mundial. O que deixava de existir era a velha ordem bipolar e a rivalidade entre sistemas econômicos opostos que buscavam competir usando a capacidade militar. O mundo passava a funcionar sob a égide do capitalismo. A multipolaridade econômica não mudou significativamente a distribuição da riqueza no mundo. Os países ricos continuam ricos. E os pobres (exterceiro mundo) continuam pobres. A corrida armamentista perdeu força e a prioridade passou a ser a busca 154
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    GEOGRAFIA POLÍTICA/2012 PROFESSOR: TIAGODALESSI por novos mercados e crescimento do capitalismo. Esta nova fase passou a ser chamada de Globalização, com um crescente fluxo de informações, mercadorias, capital, serviços e pessoas em escala global. As redes que ordenam este fluxo podem ser materiais e virtuais, transformando o mundo em uma espécie de aldeia global. 2- OS TRÊS MUNDOS Durante o período da Guerra Fria também era comum regionalizar o espaço mundial em “três mundos”.  Primeiro Mundo – Constituído pelos países capitalistas desenvolvidos, como EUA, Reino Unido, França, etc.  Segundo Mundo – Formado pelos países socialistas, como China, URSS, Polônia, Hungria, etc.  Terceiro Mundo – Constituído por um conjunto muito heterogêneo de países subdesenvolvidos (pobres), como Brasil, Marrocos, Egito, etc. 3- REGIONALIZAÇÃO PELO NÍVEL DE DESENVOLVIMENTO PRINCIPAIS CARACTERISTICAS DOS PAÍSES DESENVOLVIDOS  Elevado padrão de vida da maior parcela da população.  Dominação econômica, tecnológica e política sobre países subdesenvolvidos.  Desenvolvimento industrial e tecnológico.  Os setores secundários e terciários abrigam a maior parte da PEA.  Elevados investimentos em educação e em ciência.  Baixo índice de mortalidade infantil e de analfabetismo.  Ingestão de calorias diárias muito acima do mínimo recomendado.  Predomínio de população urbana.  Expectativa de vida além dos setenta anos.  Acesso aos benefícios sociais à maioria da população.  Emprego predominante de técnicas modernas, de máquinas e mão-de-obra qualificada no campo.  Modernos e eficientes meios de comunicação e de transportes.  A maior parte da população pertence à classe média e tem elevado padrão de vida e de consumo. PAÍSES SUBDESENVOLVIDOS Quando, a partir da Segunda guerra Mundial, se começou a falar correntemente do ‘subdesenvolvimento’ (era, soube-se muito mais tarde, a tradução do termo under-development que os políticos americanos tinham fabricado), através disso foi possível saber que três quartos da humanidade sofriam de fome e atrair a atenção sobre o fato de que a população dos países pobres seria mais que o dobro nos trinta anos seguintes... (LACOSTE, Yves. Geografia do Subdesenvolvimento: geopolítica de uma crise. 1985:31) Apesar de só começar a ser discutido após a segunda guerra mundial e de ser um termo originado por políticos norte-americanos, podemos dizer que as origens do subdesenvolvimento estão no longo período de dominação política e econômica e no tipo de relação estabelecida entre colônia e metrópole, durante a existência dos grandes impérios coloniais. Esses grandes impérios surgidos nos períodos denominados colonialismo (séc. XV a XVIII) e imperialismo (séc. XIX) refletiam o poder de antigas potências mercantilistas (Portugal e Espanha) e de potências da Revolução Industrial (França, Inglaterra e Holanda). O fato de se tornarem independentes não garante às ex-colônias o desenvolvimento. Junto à sua independência somam-se os problemas decorrentes de sua antiga relação com as metrópoles além da sua própria incapacidade de administrar o próprio destino. Governos ditatoriais, submissão aos interesses de empresas transnacionais, corrupção, conflitos étnicos e dívida externa são outros agravantes da situação de pobreza já existente nesses países. Apesar das diferenças entre os próprios países subdesenvolvidos, algumas características se fazem comuns:  Má distribuição de renda.  Dependência econômica, política, tecnológica e até mesmo cultural em relação aos países desenvolvidos.  Economia primário-exportadora (países pouco industrializados).  Os setores primário e terciário da economia e o mercado informal abrigam a maior parte da população empregada.  Altos índices de analfabetismo, de mortalidade e de natalidade e elevado crescimento populacional.  Ingestão de calorias diárias abaixo do mínimo recomendado.  Alto índice de pessoas vivendo em submoradias. 155
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    GEOGRAFIA POLÍTICA/2012 PROFESSOR: TIAGODALESSI  Dividas externas impagáveis.  Proliferação de grandes centros urbanos sem infra-estrutura.  Concentração de renda. PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DOS PAÍSES EMERGENTES Não existe homogeneidade na classificação dos países subdesenvolvidos. Enquanto alguns ainda permanecem com as relações econômicas existentes na época colonial, outros se industrializaram e cresceram economicamente. Estes últimos pertencem ao grupo dos Novos Países Industrializados (NICs – New Idustrialized Countries), também chamados de economias emergentes e países capitalistas semiperiféricos. A este grupo pertencem países como Brasil, Argentina, México, Índia, África do Sul e Tigres Asiáticos (Hong Kong, Cingapura, Taiwan e Coréia do Sul). São paises pobres, industrializados ou em fase de industrialização. Apesar de industrializados, são dependentes de tecnologia. 4 – CONFRONTO: NORTE / SUL Na lógica bipolar, era comum classificarmos os países em Primeiro, Segundo e Terceiro Mundo, além do constante uso da expressão “conflito Leste x Oeste”. Com a Nova Ordem Mundial, essa classificação já não tem mais sentido. Como o Segundo Mundo, que era formado pelas nações socialistas, não existe mais, os países são classificados em ricos e pobres, ou desenvolvidos e subdesenvolvidos. E o mundo ficou dividido em países do Norte (desenvolvidos) e países do Sul (subdesenvolvidos). Na Nova Ordem, o conflito Leste-Oeste da guerra fria foi substituído pelo conflito Norte-Sul, que opõe entre si as grandes diferenças que separam a riqueza, a tecnologia e o alto nível de vida da pobreza, da exclusão dos novos meios técnico-científicos e dos baixos níveis de vida. Algumas características desta nova divisão: - - - - O grande contingente de ex-colônias asiáticas, africanas e americanas (com exceção de Estados Unidos, Canadá, Austrália e Nova Zelândia) forma o bloco dos países do Sul. Apesar de terem características comuns, esses países apresentam profundas diferenças entre si. Alguns países se destacam na oferta de oportunidades para investimentos das empresas transnacionais. São países subdesenvolvidos industrializados ou em fase de industrialização. São os chamados países emergentes, e o Brasil está entre eles. Os antigos países socialistas são chamados hoje de países de economia “em transição”, porque passam por uma fase de adaptação à economia de mercado. Apenas China*, Cuba, Coréia do Norte, Vietnã, Líbia e Laos ainda resistem como socialistas. A África Subsaariana está à margem da economia global. Seus países sofrem com conflitos tribais, fome, seca e aids. Além disso, encontram-se na total dependência do FMI e do Banco Mundial. Diante 156
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    GEOGRAFIA POLÍTICA/2012 PROFESSOR: TIAGODALESSI desse estado de miséria, a África não desperta interesse, nem como consumidora nem como opção de investimento de capital especulativo. * O caso chinês é especial, visto que possui um “socialismo de mercado”, ou seja, uma economia capitalista regida por uma política socialista. Nota: A oposição ‘Norte’ rico ou desenvolvido e ‘Sul’ pobre ou subdesenvolvido é bastante esquemática. Como classificar os países do Leste Europeu, por exemplo? Eles pertencem ao ‘Norte’ ou ao ‘Sul’? Já a China, pelos aspectos demográfico, econômico e geopolítico e por suas contradições, é inclassificável. Além disso, cada vez mais o ‘Sul’ aparece dentro do ‘Norte’, em conseqüência do aprofundamento das desigualdades sociais e do aumento da imigração. MOREIRA e SENE. Geografia Geral e do Brasil, espaço geográfico e globalização. 2005 5- O SISTEMA-MUNDO: CENTRO E PERIFERIA Uma outra forma de classificação dos países seria a de países centrais e países periféricos. Esta forma de classificação também surgiu com o fim da Guerra Fria, sendo extremamente conveniente ao sistema capitalista. Ela designa os países como centrais (que se encontram no “centro” do sistema capitalista) e periféricos (o restante, na “periferia” do sistema capitalista). Observe o mapa abaixo: “Países centrais” é uma expressão usada para designar uma tríade: Estados Unidos, Japão e união Européia, que comandam o sistema capitalista. O restante do mundo é formado por países de periferia com maior ou menor grau de integração a um dos pólos que compõem o centro do sistema capitalista. Os Estados unidos é o único que influencia o mundo inteiro; os outros países do centro têm uma influência mais regional. Mesmo na periferia há nações com certa influência regional, como é o caso da China, da Índia e do Brasil. A China, aliás, ora é classificada como potência, quando se considera o aspecto geopolítico (Potência militar e membro do conselho de segurança da ONU), ora como país emergente, quando se considera que se trata de um país da periferia, como mostra o mapa, embora muito importante economicamente. Em resumo, nem sempre há consenso na classificação dos países. MOREIRA e SENE. Geografia Geral e do Brasil, espaço geográfico e globalização. 2005 6- REGIONALIZAÇÃO SEGUNDO IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) O IDH é um eficiente método para analisar a qualidade de vida de um país, pois não levam em consideração apenas indicadores econômicos, mas também variáveis como expectativa de vida e educação. As variáveis utilizadas são: - Expectativa de vida: a esperança de vida ao nascer 157
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    GEOGRAFIA POLÍTICA/2012 PROFESSOR: TIAGODALESSI Educação: o conhecimento, medido pela taxa de alfabetização de adultos e pela taxa bruta de matrículas no ensino fundamental, médio e superior. - PPC (PIB per capita): a renda distribuída para a população, permitindo um padrão de vida mais decente. Estas três variáveis combinadas oscilam entre valores de 0 a 1. Quanto mais próximo de 1, melhor é o padrão de vida da população, quanto mais próximo de 0, pior. - EXERCÍCIOS DE APLICAÇÃO: 01) Assinale a alternativa que caracteriza país subdesenvolvido: a) Hegemonia econômica e comercial; indústria incipiente está relacionada à agroindústria e beneficiamento de recursos minerais. b) Baixo ou médio IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), considerando-se as dimensões renda, educação e expectativa de vida. c) Distribuição de renda igualitária; a pobreza generalizada da população leva à necessidade de recorrer à ajuda internacional. d) Grande crescimento populacional; altas taxas de natalidade e mortalidade infantil refletem no aumento da expectativa de vida. e) Exportador de recursos energéticos; a independência do mercado mundial de petróleo e urânio fragiliza a economia. 02)(UFJF/2009 - VESTIBULAR A DISTÂNCIA) Em Geografia, o que representa o espaço concreto dominado e apropriado por uma sociedade ou por um Estado e identificado pela posse é: 158
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    GEOGRAFIA POLÍTICA/2012 PROFESSOR: TIAGODALESSI a) a natureza. b) a paisagem. c) a região. d) o lugar. e) o território. 03)(PASES I/2009) Leia o trecho do romance abaixo, que revela a visão do escritor ao observar o espaço: Eram cinco horas da manhã e o cortiço acordava, abrindo, não os olhos, mas a sua infinidade de portas e janela alinhadas. [...] Entretanto, das portas surgiam cabeças congestionadas de sono; ouviam-se amplos bochechos, fortes como o marulhar das ondas; pigarreava-se por toda a parte; começavam as xícaras a tilintar; o cheiro quente do café aquecia, suplantando todos os outros; trocavam-se de janelas para janelas as primeiras palavras, os bons dias; reatavam-se conversas interrompidas à noite; a pequenada cá fora traquinava já, e lá dentro das casas vinham choros abafados de crianças que ainda não andam. (AZEVEDO, Aluísio. O Cortiço. Disponível em: www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bn000003.pdf. Acesso em: 07 nov. 2008.) Considerando os conceitos de Geografia, é CORRETO afirmar que, neste trecho do romance, aparece presente o conceito de: a) território, pois revela uma forma de contemplação do espaço. b) paisagem, já que indica uma forma de observar e descrever um espaço. c) região, uma vez que revela uma forma de representar o espaço. d) meio ambiente, pois assinala a relação entre o poeta e o local descrito. e) Nenhuma das anteriores. 04)(UERJ/2008) O príncipe Michael Bates anunciou que quer vender seu país, Sealand. Trata-se de uma antiga plataforma militar, construída pela Inglaterra durante a Segunda Guerra Mundial e abandonada após o conflito. Em 1967, o ex-major inglês Roy Bates, sua mulher e seu filho Michael desembarcaram no local, proclamaram a independência, instauraram um reinado, criaram uma constituição, um hino e uma bandeira. Eles são sustentados por pessoas que compram títulos para virar cidadãos de Sealand, mas preferem continuar vivendo em seu país de origem. Sealand emite selos, passaportes e cunha moedas, entre outras características de um Estado independente. Adaptado de Época, 15/01/2007 Até o momento nenhum país reconhece a existência de Sealand. A famíla Bates, no entanto, argumenta que Sealand possui os três principais elementos constitutivos do Estado-Nação Moderno. Estes três elementos são: (A) povo – governo – território (B) moeda – hino – fronteira (C) constituição – etnia – história (D) cidadão – legislação – bandeira 159
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    GEOGRAFIA POLÍTICA/2012 PROFESSOR: TIAGODALESSI 05)(PISM III/2008) Observe a figura abaixo que apresenta uma afirmativa feita por Lênin. A afirmativa de Lênin é representada por um período em que as duas potências, Estados Unidos e União Soviética, a fim de garantir suas áreas de influência, colocaram seus arsenais bélicos, inclusive os nucleares, em permanente exposição e assinaram tratados militares com seus aliados, criando a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), liderada pelos Estados Unidos, e o Pacto de Varsóvia, liderado pela União Soviética. A rivalidade entre as duas potências levou o mundo a um período de tensão conhecido como: a) Guerra Fria. b) Guerra Ideológica. c) Guerra do Golfo. d) Guerra Mundial. e) Guerra do Vietnã. Gabarito: 01-B 02-E 03-B 04-A 05-A 160
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    GEOGRAFIA POLÍTICA/2012 PROFESSOR: TIAGODALESSI CAPÍTULO 2: GLOBALIZAÇÃO Políticos: ANTES DA POSSE: Nosso partido cumpre o que promete. Só os tolos podem crer que não lutaremos contra a corrupção. Porque, se há algo certo para nós, é que a honestidade e a transparência são fundamentais para alcançar nossos ideais Mostraremos que é grande estupidez crer que as máfias continuarão no governo, como sempre. Asseguramos sem dúvida que a justiça social será o alvo de nossa ação. Apesar disso, há idiotas que imaginam que se possa governar com as manchas da velha política. Quando assumirmos o poder, faremos tudo para que se termine com os marajás e as negociatas. Não permitiremos de nenhum modo que nossas crianças morram de fome. Cumpriremos nossos propósitos mesmo que os recursos econômicos do país se esgotem. Exerceremos o poder até que Compreendam que Somos a nova política. APÓS A POSSE: LEIA NOVAMENTE AGORA DE BAIXO PARA CIMA 1- GLOBALIZAÇÃO  Globalização – Tendência pela qual o mundo todo vem passando nos últimos anos e que objetiva a constituição de um amplo mercado de dimensões planetárias, explorado pelas grandes corporações transnacionais. As fronteiras nacionais, por conta da maior liberdade comercial e também pelo avanço das novas tecnologias de difusão das informações, passariam a não mais serem obstáculos para os fluxos econômicos globais. É um fenômeno observado na necessidade de formar uma Aldeia Global [...].A rigor, as sociedades do mundo estão em processo de globalização desde o início da História. Mas o processo histórico a que se denomina Globalização é bem mais recente, datando (dependendo da conceituação e da interpretação) do colapso do bloco socialista e o conseqüente fim da Guerra Fria (entre 1989 e 1991), do refluxo capitalista com a estagnação econômica da URSS (a partir de 1975) ou ainda do próprio fim da Segunda Guerra Mundial. As principais características da globalização são a homogeneização dos centros urbanos, a expansão das corporações para regiões fora de seus núcleos geopolíticos (transnacionais), a revolução tecnológica nas comunicações e na eletrônica (Revolução técnico-científica), a reorganização geopolítica do mundo em blocos comerciais regionais (não mais ideológicos), a hibridização entre culturas populares locais e uma cultura de massa supostamente "universal", entre outros. (Wikipedia, 2007). Na realidade, sob um novo rótulo, encontra-se um processo muito antigo, que continua a se expandir. A Globalização é um processo pelo qual o espaço mundial adquire unidade. O ponto de partida desse movimento remonta às grandes navegações européias do séc. XV, que conferiram unidade à aventura histórica dos povos e configuraram, na consciência dos homens, a imagem geográfica do planeta. Entretanto, os fatores que contribuíram para que o processo de globalização se intensificasse são decorrentes do “encurtamento de distâncias” no planeta, promovido pela extraordinária evolução dos sistemas de transporte e comunicações. 161
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    GEOGRAFIA POLÍTICA/2012 PROFESSOR: TIAGODALESSI Esta evolução está totalmente inserida no contexto da Terceira Revolução Industrial, ou Revolução TécnicoCientífica. Em suma, vale lembrar esse processo de integração mundial chamado globalização não é só econômico. Ele tem ao mesmo tempo uma dimensão política, social e cultural enraizadas em seu processo. 1.1 Revolução Técnico-científica * O setor mais importante dessa revolução é certamente a indústria da informática, como surgimento dos softwares e o avanço no armazenamento e processamento de informações por redes digitais e cabos de fibras ópticas. A informática invadiu bancos, Bolsas de Valores, hospitais, repartições públicas, escolas, fábricas, lojas e supermercados e até mesmo a nossa casa. Isto contribuiu para o inevitável avanço das telecomunicações e setores como a biotecnologia. Além destes, os meios de transporte também são beneficiados, proporcionando uma velocidade cada vez maior de deslocamento a grandes distâncias. Podemos dizer que o avanço deste conjunto de técnicas combinadas é responsável pelo encurtamento das distâncias e pela eliminação de fronteiras através dos fluxos das redes mundiais. Porém, os lugares que apresentam as melhores infraestruturas e o maior poder aquisitivo são privilegiados. Estes lugares estão sobretudo nas cidades globais, localizadas predominantemente nos países desenvolvidos. 1.2 A mundialização do capital e o papel das transnacionais A globalização é o atual momento da expansão capitalista. Pode-se dizer que ela está para o capitalismo informacional assim como o colonialismo esteve para sua etapa comercial ou o imperialismo para o final da fase industrial e início da financeira. Trata-se de uma expansão que visa aumentar os mercados e, portanto, o lucro, o que de fato move os capitais, tanto produtivos como especulativos, no mercado mundial. - capitais especulativos: de curto prazo, conhecidos como smart money (dinheiro esperto) ou hot money (dinheiro quente), ávidos por lucratividade e movimentam-se com grande rapidez no sistema financeiro. - capitais produtivos: a entrada destes capitais é mais demorada, pois são investimentos de longo prazo, por isso são menos suscetíveis às oscilações do mercado. As empresas transnacionais são consideradas as principais responsáveis pela mundialização dos capitais produtivos, constituindo-se num grande símbolo da globalização do capital. A Terceira Revolução Industrial No pós-Segunda Guerra Mundial, embalados pelo auxílio econômico do Plano Marshall e de acordos bilaterais, os aliados dos Estados Unidos na Europa e na Ásia cresceram aceleradamente. Movidas por acirrada concorrência, as empresas dos EUA, do Japão e da Europa Ocidental fizeram um grande esforço visando à introdução de novas tecnologias, principalmente daquelas aplicadas ao processo produtivo, tais como a informática e a robótica. Isso possibilitou uma crescente elevação dos índices de produtividade dessas economias, tornando-as mais competitivas. Evidentemente, para alcançar esse novo patamar tecnológico houve um esforço conjunto entre as empresas e os Estados em que elas estavam sediadas no sentido de se investir maciçamente em pesquisa e desenvolvimento e na elevação dos níveis de qualificação de mão-de-obra. A essas novas tecnologias e às mudanças radicais que elas estão provocando, não só do ponto de vista socioeconômico, mas também cultural, dá-se o nome de Terceira Revolução Industrial, ou Revolução Técnico-científica ou, ainda, Revolução Informacional. É o capitalismo adentrando seu atual período técnico-científico, no dizer do geógrafo Milton Santos, ou em sua etapa informacional, segundo definição do sociólogo Manuel Castells. Os países líderes desse processo que está em curso são os Estados Unidos e o Japão, seguidos de perto pela União Européia, bloco em que se destacam a Alemanha, a França e o Reino Unido. MOREIRA e SENE. Geografia Geral e do Brasil, espaço geográfico e globalização. São Paulo, 2005 2- MIGRAÇÕES INTERNACIONAIS A população de um país não é apenas modificada pelas mortes e nascimentos de seus habitantes. É preciso levar em conta, também, os movimentos de entrada e de saída, ou seja, as migrações que ocorrem em seu território. As migrações internas são aquelas que se processam no interior de um país como, por exemplo, o êxodo rural, que é constante no Brasil. A partir das duas últimas décadas do século XX tem-se verificado no Brasil um acréscimo acentuado de migrações. As migrações internacionais recentes no Brasil têm, como países 162
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    GEOGRAFIA POLÍTICA/2012 PROFESSOR: TIAGODALESSI de destino, essencialmente, os EUA, Portugal, Espanha, Itália, Inglaterra, França, Canadá, Austrália, Suíça, Alemanha, Polônia, Bélgica, Países Baixos, Japão, Paraguai e Israel, quase num movimento inverso ao que se deu no século XIX. Note-se, no entanto, que as migrações brasileiras para o Paraguai constituíram um fenômeno que teve o seu início ao longo dos anos 70. Segundo as estatísticas, o maior número de brasileiros imigrantes está nos Estados Unidos. O segundo contingente situa-se no Paraguai (os chamados "brasiguaios"). No fluxo inverso, porém, é expressiva a presença de imigrantes provenientes da Bolívia e do Peru desde os anos 80, os quais têm, em sua maioria, se radicados em São Paulo. Segundo a Convenção das Nações Unidas relativa ao Estatuto dos Refugiados, mais conhecida como Convenção de Genebra de 1951, refugiado é toda a pessoa que, em razão de fundados temores de perseguição devido à sua raça, religião, nacionalidade, associação a determinado grupo social ou opinião política, encontra-se fora de seu país de origem e que, por causa dos ditos temores, não pode ou não quer regressar ao mesmo. O número de refugiados no planeta tem aumentado nos últimos anos em decorrência do elevado número de conflitos étnicos, nacionalistas e religiosos verificados no planeta, principalmente a partir dos anos 80 e 90, coincidente com a acentuação das características da globalização que deram mais visibilidade às minorias graças à evolução dos meios de transporte e telecomunicações. Xenofobia - é comumente associado a aversão a outras raças e culturas. É também associado à fobia em relação a pessoas ou grupos diferentes, com os quais o indivíduo que apresenta a fobia habitualmente não entra em contato e evita. Na Europa encontramos nos dias atuais o pior cenário onde se pode visualizar os problemas trazidos por visões xenófobas, aumentam cada vez mais as restrições à imigração, com a subida ao poder de organizações de direita e extrema direita que acusam os imigrantes de roubar os empregos da população européia, mas o grande senão dessa história é que a Europa enfrenta uma séria crise de desemprego estrutural que não tem nada a ver com a imigração e sim com a concorrência com as economias asiáticas que oferecem mão de obra barata e custos trabalhistas bem menores em relação ao estado de bem estar social ainda vigente em várias sociedades européias. Outra questão grave a ser analisada diz respeito ao envelhecimento da população européia que terá que recorrer à imigração para repor os estoques de mão de obra futuros. 3- GLOBALIZAÇÃO ENQUANTO UM MOVIMENTO CONTÍNUO DOS FLUXOS 163
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    GEOGRAFIA POLÍTICA/2012 PROFESSOR: TIAGODALESSI 4- CARACTERÍSTICAS DA ECONOMIA GLOBAL A partir da segunda metade do século XX, as empresas industriais, comerciais e de prestação de serviços (bancos, hotéis, redes de restaurantes, companhias de telecomunicações etc.) começaram a instalarem filiais em vários países do mundo, num processo que ficou conhecido como mundialização ou internacionalização do capital e da produção. O processo de expansão do capitalismo constituiu a chamada economia global, que influenciou diversos países e se caracteriza pelo seguinte:       Crescimento do comércio internacional – O fluxo de mercadorias entre os países foi multiplicado por seis entre 1975 e 1995. Nos últimos anos, produtos originários de vários lugares do planeta podem ser encontrados no mercado interno dos países. Entretanto, cerca de dois terços do fluxo mundial de mercadorias ocorre entre os países desenvolvidos, que têm maior capacidade de consumo. Uma decisão política ou econômica tomada em qualquer ponto do planeta pode provocar reações em todo o mundo. Por exemplo, se o banco Mundial eleva a taxa de juros de empréstimos, todos os países que têm dívida externa são prejudicados. Mundialização da produção – Grande parte da produção e do comércio mundiais é controlada por empresas que têm sedes nos países desenvolvidos. Essas empresas têm filiais em vários países dos cinco continentes e se beneficiam da mão-de-obra barata, das matérias-primas, dos mercados consumidores, da redução de impostos oferecidos pelos governos locais e da ausência de legislação e fiscalização rigorosas, principalmente nos países subdesenvolvidos. A busca por maiores lucros leva as empresas transnacionais a produzir componentes de um produto no país ou na região onde as condições lhes sejam mais favoráveis. Assim, um automóvel, por exemplo, pode ter as peças fabricadas em vários países e ser montado em outro. È a fábrica global. Na economia global, as atividades desenvolvidas pelos mais variados tipos de trabalhadores exigem cada vez mais criatividade e qualificação. As empresas modernas querem funcionários capazes de se adaptar às novas tecnologias introduzidas no processo de produção. As jornadas de trabalho e os salários estão mais flexíveis. A carga horária perde em importância para a qualidade do trabalho e os pagamentos são efetuados de acordo com a produtividade de cada trabalhador. Rápida expansão dos fluxos financeiros – Bilhões de dólares são movimentados pelo mundo todos os dias, como investimentos em bolsas de valores ou pagamentos por mercadorias o serviços. Com o desenvolvimento da informática e dos meios de comunicação, as transnacionais realizam-se de forma mais rápida. Crescente importância da tecnologia – O desenvolvimento tecnológico nas áreas de informática e telecomunicações permite que uma pessoa receba informação em tempo real em qualquer ponto do planeta. A expansão das telecomunicações foi possível graças à construção de satélites e à criação e instalação de fibras ópticas, que são cabos que transmitem dados a uma altíssima velocidade. Sociedade global – A grande circulação de informações, mercadorias e pessoas fez surgir uma sociedade em que determinados valores são globais. Há uma padronização das formas de trabalho, da produção e do consumo. Milhares de pessoas do planeta alimenta-se nas mesmas redes de restaurantes, bebem os mesmos refrigerantes, ouvem as mesmas músicas e assistem aos mesmos filmes. Contudo, cabe destacar que a globalização é seletiva, beneficiando alguns lugares do planeta e determinadas sociedades ou grupos sociais. Milhões de pessoas ainda estão excluídas desse processo. Os centros de poder da economia global – Um grupo formado por cinco países, o chamado G5 (EUA, Japão, Alemanha, França e Inglaterra), é o que mais se beneficia com o processo de globalização. Esses novos centros de poder econômico e tecnológico detêm as sedes de muitas das principais empresas transnacionais que atuam nos mais variados setores da economia global. A atuação desses cinco países promove uma regionalização do espaço mundial de acordo com seus interesses econômicos. 165
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    GEOGRAFIA POLÍTICA/2012 PROFESSOR: TIAGODALESSI 5- O BRASIL E O BRIC Fonte: Atualidades, Vestibular + ENEM 2011. São Paulo: Ed. Abril, 2010. pág. 128-133. Com uma economia em franca expansão, o Brasil ganha influência no cenário mundial e integra o grupo de países emergentes que podem se tornar a maior força econômica do mundo. Embora possua um território de dimensões continentais, riquezas naturais invejáveis e a quinta maior população do mundo, o Brasil sempre exerceu papel secundário no cenário internacional. Mas essa situação começou a mudar nos últimos anos, e o país passou a ocupar um lugar de maior destaque nas grandes questões da atualidade. No front econômico, o Brasil consolida a sua influência mundial como o principal exportador de commodities (matérias-primas). Com a descoberta de enormes reservas de petróleo em camadas profundas (présal), a expectativa é a de que o país também se torne um grande fornecedor de energia. Na última década, ao lado da estabilização financeira, que converteu o Brasil num destino seguro e desejado para o capital estrangeiro, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro esteve em franca expansão até a eclosão da crise mundial, no fim de 2008 - mas o impacto no país foi considerado modesto, e a expectativa de 2010 foi de crescimento de 5%. O reconhecimento externo da importância econômica do Brasil cristalizou-se com a inclusão do país num seleto grupo de nações emergentes que vem dando o que falar na imprensa mundial: o Bric, nome formado pelas iniciais de Brasil, Rússia, Índia e China. À medida que amplia a sua participação na economia global, o país busca maior projeção política. Além de ser um dos líderes do movimento pela reforma do Conselho de Segurança da ONU, o ex-governo Lula veio assumindo a dianteira na campanha pela maior liberalização do comércio mundial. Nas crises regionais, o Brasil também marca presença ao chefiar desde 2004 a missão da paz da ONU no Haiti. Em 2010, a diplomacia brasileira deu um passo ambicioso, ao tentar mediar o impasse nuclear envolvendo o Irã e as potências ocidentais. Depois, entrou em choque direto com os Estados Unidos, ao votar contra as novas sanções aprovadas na ONU contra o Irã. Nasce o Bric Em 2001, quando o economista Jim O'Neill, chefe de pesquisa em economia global do banco Goldman Sachs, debruçou-se sobre os principais dados econômicos desses quatro grandes países emergentes, percebeu que eles se destacavam dos demais. Não apenas porque Brasil, Rússia, China e Índia são países grandes e populosos; nem somente porque apresentavam economia em rápido crescimento. O que chamou sua atenção foi a constatação - com base em projeções demográficas e econômicas - de que o grupo, quando somado, poderia representar em 2050 a maior força econômica do planeta, suplantando os Estados Unidos, o Japão e os membros da União Europeia. O economista juntou os quatro países e criou um bloco que não existia. Para nomeá-lo, ele concebeu um acrônimo, ao pegar emprestado de cada país a sua letra inicial: Bric. Acrônimo é o nome que se da a uma palavra que surge quando se juntam uma ou mais letras iniciais de um conjunto maior com o objetivo de simplificar a comunicação. Pode "pegar" ou não, dependendo da sua adequação ou originalidade. E chamar os quatro grandes emergentes de Bric’s caiu no gosto de jornalistas e economistas, e dos próprios governos desses países, que em junho de 2009 realizaram sua primeira reunião, em Ecaterimburgo, na Rússia, e emitiram uma declaração conjunta, pedindo o estabelecimento de uma ordem mundial multipolar. Consumo interno A expectativa para a próxima década é de expansão da classe média na área do Bric e em larga medida, a força do Bric provem da enorme fatia da população mundial concentrada nos quatro países. Neles vivem 2,7 bilhões de habitantes, o equivalente a 40% da humanidade. A grande maioria contingente e de chineses e indianos, os países com as mais aceleradas taxas de crescimento econômico entre as grandes economias. O Bric também possui um território enorme. Somada, a área dos quatro países representa um quarto das terras do planeta. Nesse vasto território, há muita riqueza, como petróleo (Rússia e Brasil), produtos agrícolas (Brasil), mão de obra farta e barata (China) e potencial para o desenvolvimento de mais produtos com as inovações científicas e tecnológicas (China e Índia). De acordo com um informe publicado em 2010 pelo Goldman Sachs, a expansão da classe média no Bric, especialmente na China e na Índia, orientara o mercado mundial, já que o perfil de consumo dessa classe 166
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    GEOGRAFIA POLÍTICA/2012 PROFESSOR: TIAGODALESSI social difere daquele típico das camadas mais pobres - no qual o peso do gasto com comida e roupa é proporcionalmente bem mais elevado do que com educação ou lazer. 6- GLOBALIZAÇÃO E MEIO AMBIENTE 167
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    GEOGRAFIA POLÍTICA/2012 PROFESSOR: TIAGODALESSI 7 - GLOBALIZAÇÃO E OS ORGANISMOS INTERNACIONAIS As fronteiras nacionais no mundo globalizado têm sido ultrapassadas por outras fronteiras mais amplas, mais abrangentes: as fronteiras supranacionais dos organismos internacionais de financiamento, empresas transnacionais e blocos econômicos, que agem no território do Estado-nação ultrapassando suas fronteiras e pondo em xeque a própria soberania do Estado. Além de organismos com fins econômicos, temos também os organismos com fins humanitários, como A ONU. - FMI (Fundo Monetário Internacional): surgiu na conferência de Bretton Woods em 1944 e começou a funcionar em 1945. Está sediado em Washington e seus objetivos são promover a cooperação monetária internacional, favorecer a expansão e o desenvolvimento do comércio internacional e dar assessoria aos países membros que enfrentam dificuldades financeiras. O FMI age sob a ótica do neoliberalismo. Uma das exigências impostas por esse organismo é a adoção de práticas econômicas liberais para quem recorre a ele. Estados Unidos, Japão, Alemanha, França e Reino Unido são os maiores acionistas do fundo. - Banco Mundial: também originado na conferência de Bretton Woods. Tem sede em Washington e é composto pelos mesmos países do FMI. Porém, enquanto o FMI se encarrega de preservar o sistema financeiro internacional, o Banco Mundial se encarrega de estabelecer projetos que visam o desenvolvimento e melhores condições de vida. A diminuição da pobreza é o seu principal objetivo. O Banco mundial começou seus trabalhos em março de 1946, através do BIRD (Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento). Hoje é formado por mais quatro instituições além do BIRD: Associação Internacional de Desenvolvimento (AID), Corporação Financeira Internacional (CFI), Agência Multilateral de Garantia de Investimento (AMGI) e Centro Internacional para Arbitragem de Disputas sobre Investimentos (Ciadi). - GATT e OMC: o GATT (Acordo Geral de Tarifas e Comércio) foi um acordo provisório que entrou em vigor em janeiro de 1948, durando até 1995, quando se tornou a Organização Mundial de Comércio (OMC). Existem algumas diferenças básicas entre GATT e OMC. O primeiro era só um ‘acordo provisório’, a OMC é uma ‘organização mundial’. Quando o GATT foi criado, o comércio mundial era dominado por bens e produtos (agrícolas, minerais, industriais). Com o passar do tempo a economia mundial ficou mais complexa. O comércio mundial de serviços (transporte, turismo, telecomunicações) e de ideias (livros, patentes), classificadas como propriedades intelectuais, tornou-se extremamente importante. Nesses setores, a OMC ampliou o GATT, que foi extinto como órgão, mas teve preservados seus acordos para o comércio de bens e produtos, fazendo parte dos tratados da OMC. Em suma, a OMC tem status permanente, é uma organização internacional (como o FMI e o Banco Mundial) e suas resoluções têm base legal, visto que seus membros concordam em seguir as regras estabelecidas. - ONU: A ONU foi criada em 1945, na conferência de San Francisco. Foi criada com o objetivo de preservar a paz mundial e desenvolver relações de cooperação entre os povos. A Assembléia Geral e o Conselho de Segurança são os dois órgãos de deliberação das Nações Unidas. Na Assembléia Geral, cada Estado dispõe de um voto e as decisões são tomadas por maioria simples. No que concerne às questões de paz e segurança, a Assembléia Geral está limitada a produzir recomendações, pois a tomada de decisões é atribuída ao Conselho de Segurança. O Conselho de Segurança é composto por 5 membros permanentes e 10 rotativos, eleitos pela Assembléia Geral. Os membros permanentes – Estados Unidos, Rússia, China, Grã-Bretanha e França – dispõem de direito de veto. As decisões dependem de uma maioria de 9 votos e da inexistência de 1 veto. Embasada na doutrina Bush, a invasão do Iraque em 2003 desencadeou a crise da ONU. O ataque norte-americano ao Iraque tinha o apoio da Grã-Bretanha, mas enfrentava a oposição dos outros 3 membros permanentes do Conselho de Segurança e a resolução elaborada por Washington não reuniria os 9 votos necessários para aprovação. A operação militar foi deflagrada à revelia da ONU. A articulação da França, Rússia e China para bloquear a resolução proposta por Washington revelou a instabilidade da ordem mundial. O desrespeito ao Conselho de Segurança, pela maior potência do mundo, atingiu a credibilidade do sistema global de segurança coletiva. 168
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    GEOGRAFIA POLÍTICA/2012 PROFESSOR: TIAGODALESSI - TERCEIRO SETOR: Para entendermos o que é o Terceiro Setor devemos localizar anteriormente quais são o Primeiro Setor e o Segundo Setor. Na conceituação tradicional, o primeiro setor é o Estado, representado por entes políticos (Prefeituras Municipais, Governos dos Estados e Presidência da República), além de entidades a estes entes ligados (Ministérios, Secretarias, Autarquias, entre outras). Quer dizer, chamamos de primeiro setor o setor público, que obedece ao seu caráter público e exerce atividades públicas. O segundo setor é o Mercado (Empresas), composto por entidades privadas que exercem atividades privadas, ou seja, atuam em benefício próprio e particular. O Terceiro Setor é composto de por organizações privadas sem fins lucrativos, que atuam nas lacunas deixadas pelos setores público e privado, buscando a promoção do bem-estar social. Quer dizer, o terceiro setor não é nem público nem privado, é um espaço institucional que abriga entidades privadas com finalidade pública. Esta atuação é realizada por meio da produção de bens e prestação de serviços, com o investimento privado na área social. Isso não significa eximir o governo de suas responsabilidades, mas reconhecer que a parceria com a sociedade permite a formação de uma sociedade melhor. Portanto, o Terceiro Setor não é, e não pode ser, substituto da função do Estado. A idéia é de complementação e auxílio na resolução de problemas sociais. Para comparar com os termos financeiros anteriormente explicados, no caso do Terceiro Setor utiliza-se o dinheiro privado em atividades públicas. Fonte: <http://www.cedac.org.br/OSCIP.pdf>, acesso em 21/01/2010. - TERCEIRA VIA: A terceira via é uma corrente da ideologia social-democrata. É também conhecida como social-democracia contemporânea. Este pensamento defende um Estado necessário, em que sua interferência não seja, nem máxima, como no socialismo, nem mínima, como ocorre no liberalismo. Mas que a atuação estatal seja adequada à conjuntura vivida pelo país. Esta teoria também defende a responsabilidade fiscal dos governantes, o combate à miséria, carga tributária proporcional à renda, com o Estado sendo o responsável pela segurança, saúde, educação, previdência etc. Algumas figuras políticas como Bill Clinton, Barack Obama, Tony Blair - conhecido também como o corifeu da terceira via - e Fernando Henrique Cardoso são exemplos da terceira via. Um dos principais defensores e difusores do pensamento da Terceira Via é o sociólogo britânico Anthony Giddens. Ele expõe regularmente suas visões por meio de contribuições ao think tank Policy Network do Reino Unido. 8- INTEGRAÇÃO E BLOCOS ECONÔMICOS Na economia-mundo há uma grande ampliação das trocas comerciais internacionais. Por causa dessa forte integração, alguns países procuram agrupar-se para enfrentar melhor a concorrência no mercado mundial globalizado. A formação de blocos econômicos é uma regionalização dentro do espaço mundial, mas também uma forma de aumentar as relações em escala global, pois, ao participar de um bloco, um país tem acesso a vários mercados consumidores, dentro e fora de seu bloco. Os principais blocos regionais são: União Europeia, Mercosul, Nafta e Apec. Na formação dos blocos econômicos existem etapas distintas que determinam o nível de integração dos países membros. As etapas de integração econômica se constituem em cinco: a zona de livre comércio, a união aduaneira, o mercado comum, a união monetária e a união política.      Zona de Livre Comércio: nesta, as mercadorias circulam livremente entre os países membros. As tarifas alfandegárias são eliminadas, há flexibilidade nos padrões de produção, controle sanitário e de fronteiras. O NAFTA encontra-se neste estágio. União Aduaneira: além da eliminação de tarifas ocorrida na Zona de Livre Comércio, existe aqui a adoção de uma tarifa externa comum (TEC), adotada para as relações com outros países fora do bloco. O Mercosul encontra-se neste estágio. Mercado Comum: além da TEC e da livre circulação de mercadorias, existe aqui a livre circulação de capitais, serviços e pessoas. É comum a padronização de impostos para a população, empresas, leis trabalhistas, ambientais, etc. União Monetária (Econômica): engloba todas as características anteriores com a adição de uma moeda comum (emitida por um único Banco Central). Há também a padronização de políticas macroeconômicas para todos os países. O único bloco que atinge esse nível de integração é a União Europeia. Cabe ao Banco Central Europeu a emissão da moeda única utilizada. União Política: é a etapa mais avançada da integração. Além de todas as características anteriores engloba a unificação das políticas de relações internacionais, defesa, segurança interna (terrorismo, narcotráfico) e segurança externa (guerras). A União Europeia planeja chegar a este patamar. 169
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    GEOGRAFIA POLÍTICA/2012 PROFESSOR: TIAGODALESSI Os Blocos Econômicos são frutos do mundo globalizado. Os agentes da globalização estão cada vez mais interessados em acordos internacionais que permitam a livre circulação de seus produtos e na formação de blocos econômicos que possibilitem diminuir as tarifas alfandegárias. Essa tendência coloca em risco a importância política de alguns países que em alguns casos podem perder o controle da sua economia. Uma das formas de manter os mercados globalizados sob o controle dos Estados foi à criação de blocos econômicos regionais. Os principais são: Nafta (Acordo de livre comércio da América do Norte), Mercosul (Mercado Comum do Sul), Asean (Associação das nações do sudeste asiático), Apec (Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico), UE (União Européia). EXERCÍCIOS DE APLICAÇÃO: 01)(ENEM/2010) Um banco inglês decidiu cobrar de seus clientes cinco libras toda vez que recorressem aos funcionários de suas agências. E o motivo disso é que, na verdade, não querem clientes em suas agências; o que querem é reduzir o número de agências, fazendo com que os clientes usem as máquinas automáticas em todo tipo de transações. Em suma, eles querem se livrar de seus funcionários. HOBSBAWM, E. O novo século. São Paulo: Companhia das Letras, 2000 (adaptado). O exemplo mencionado permite identificar um aspecto da adoção de novas tecnologias na economia capitalista contemporânea. Um argumento utilizado pelas empresas e uma consequência social de tal aspecto estão em A) qualidade total e estabilidade no trabalho. B) pleno emprego e enfraquecimento dos sindicatos. C) diminuição dos custos e insegurança no emprego. D) responsabilidade social e redução do desemprego. E) maximização dos lucros e aparecimento de empregos. 02)(ENEM/2010) OG-20 é o grupo que reúne os países do G-7, os mais industrializados do mundo (EUA, Japão, Alemanha, França, Reino Unido, Itália e Canadá), a União Europeia e os principais emergentes (Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Coreia do Sul, Indonésia, México e Turquia). Esse grupo de países vem ganhando força nos fóruns internacionais de decisão e consulta. ALLAN, R. Crise global. Disponível em: http://conteudoclippingmp.planejamento.gov.br. Acesso em: 31 jul. 2010. Entre os países emergentes que formam o G-20, estão os chamados BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), termo criado em 2001 para referir-se aos países que A) apresentam características econômicas promissoras para as próximas décadas. B) possuem base tecnológica mais elevada. C) apresentam índices de igualdade social e econômica mais acentuados. D) apresentam diversidade ambiental suficiente para impulsionar a economia global. E) possuem similaridades culturais capazes de alavancar a economia mundial. 03)(UFJF/2010) Leia abaixo notícia veiculada no site da BBC: Socorro a bancos em 1 ano supera ajuda a países pobres em 50, diz ONU A indústria financeira internacional recebeu no último ano quase dez vezes mais dinheiro público em ajuda do que todos os países pobres em meio século, segundo aponta um relatório divulgado pela Campanha da ONU pelas Metas do Milênio. Segundo a organização, que promove o cumprimento das metas das Nações Unidas para o combate à pobreza no mundo, os países em desenvolvimento receberam em 49 anos o equivalente a US$ 2 trilhões em doações de países ricos. Disponível em: <http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/06/090624_relatoriobancos_rw.shtml>. Acesso em: 24 jun. 2009. Adaptado. Leia as afirmativas a seguir: 170
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    GEOGRAFIA POLÍTICA/2012 PROFESSOR: TIAGODALESSI I - Um dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio é garantir que, até 2015, todos os jovens, de ambos os sexos, terminem uma etapa de curso do ensino superior. II - O papel dos bancos é dar liquidez e financiar a produção, mas, nos Estados Unidos, eles transformaram-se em ferramenta de especulação, sendo uma das causas da crise financeira atual. III - Os governos neoliberais utilizam a nacionalização apenas para forçarem os bancos a promover os financiamentos da economia sem acréscimos exagerados nas taxas de juro. IV - Depois do sistema financeiro, a outra prioridade dos governos será combater o desemprego, não por sentimento de humanidade com os trabalhadores vitimados, mas para evitar agitação social. Sobre a atual crise financeira mundial, assinale a alternativa CORRETA. a) Apenas as afirmativas I e II são verdadeiras. b) Apenas as afirmativas II, III e IV são verdadeiras. c) Apenas as afirmativas I, II e III são verdadeiras. d) Apenas as afirmativas II e IV são verdadeiras. e) As afirmativas I, II, III e IV são verdadeiras. 04)(ENEM/2009*) 171
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    GEOGRAFIA POLÍTICA/2012 PROFESSOR: TIAGODALESSI 05)(ENEM/2009*) 06)(UFMG/2006) O comércio internacional, após o fim da Guerra Fria, foi marcado por importantes mudanças. Assim sendo, é INCORRETO afirmar que, entre essas mudanças, se inclui o fato de que A) a nova configuração do mercado internacional, resultante do crescente antagonismo entre países pobres e ricos, ou seja, entre Sul e Norte, provocou redirecionamento dos fluxos de troca. B) a Organização Mundial do Comércio (OMC), visando a ampliar a redução de tarifas alfandegárias e a dar à instituição maior poder de controle sobre o comércio internacional, substituiu o Acordo Geral de Tarifas e Comércio (GATT). C) o comércio apresentou grande crescimento em algumas áreas continentais, chegando a superar, em certos casos, as trocas realizadas com países situados a distâncias maiores. D) o comércio internacional adotou regras que facilitam as trocas, mas, por outro lado, conservou, ainda, artifícios que restringem as vantagens dos países menos desenvolvidos. 07)(UFV/2006) Os diferentes meios de comunicação (rádio, televisão, internet, telefone) possibilitaram um aumento nos fluxos de informações no Mundo, integrando regiões que anteriormente eram quase isoladas. Com base nesta afirmativa, responda: Quais as regiões mundiais que apresentam a rede de meios de comunicação mais densa? 08)(UFV/2006) Os diferentes meios de comunicação (rádio, televisão, internet, telefone) possibilitaram um aumento nos fluxos de informações no Brasil, integrando regiões que anteriormente eram quase isoladas. Com base nesta afirmativa, responda: a) Qual a região brasileira que apresenta a rede de meios de comunicação mais densa? b) Aponte dois motivos que justificam a maior densidade dos fluxos de informações nesta região. Explique cada um deles. 09)(PISM III/2008) Leia, com atenção, o texto abaixo. “Em Honolulu tudo é muito bem planejado, o que dá a sensação que se é um ator participando de um filme. Em nenhum outro lugar essa sensação parece ser tão forte. Ao caminhar-se, particularmente pela área dos hotéis, na praia de Waikiki, a sensação de cenário de filme se reforça. Os hotéis, uns ao lado dos outros - como grandes torres fincadas no chão - têm lobbies que se comunicam, pontuados por belíssimos (mas falsos) jardins tropicais, absolutamente simétricos, sem uma única folha caída no chão, sem nem tampouco folhas amarelecidas, fontes de água corrente, lagos com peixes coloridos, tochas, aléias serpenteadas por belos gramados de todos os tamanhos, poltronas confortáveis, bancos colocados estrategicamente e, evidentemente, muitas lojas. Tudo muito limpo. Um filme de Elvis Presley. A saída do hotel para ir à praia também não parecia menos controlada, elevadores conduziam os hóspedes das várias torres à rouparia para se pegar toalhas de praia (é claro que só depois de assinar um recibo, no qual se esclarecia sobre o uso e o horário da devolução).” (CARLOS, Ana Fani A. O turismo e a produção do não-lugar. Disponível em: <http://www.cefetsp.br/edu/eso/lourdes/turismoproducaonaolugar.html>. Acesso em: 23 out. 2007.) De acordo com o texto, a indústria do turismo: 172
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    GEOGRAFIA POLÍTICA/2012 PROFESSOR: TIAGODALESSI a) é uma forma de indústria gerenciada pelo turista. b) liberta as horas de lazer das regras de mercado. c) produz espaço com uma forte identidade. d) produz espaços heterogêneos e inclusivos. e) transforma tudo o que toca em artificial. 10)(PISM III/2007) Sobre a mobilidade populacional do mundo contemporâneo é CORRETO afirmar que: a) as migrações econômicas são causadas pelas semelhanças existentes entre o crescimento econômico e o crescimento populacional de um país ou de uma região. b) o desenvolvimento do capitalismo europeu, do início do século XIX até os dias atuais, fez com que as ondas migratórias, freqüentes no velho continente, fossem suspensas. c) a globalização aumentou a fuga de cérebros: a transferência de profissionais altamente qualificados, dos países subdesenvolvidos para os desenvolvidos. d) os países que convivem com grandes explosões demográficas estimulam políticas para a atração de imigrantes; é a ocorrência do fenômeno conhecido como imigração. e) os migrantes, ao remeterem dinheiro aos seus países de origem, não afetam a economia nacional, que perde a arrecadação de impostos e investimentos nas cidades natais. GABARITO: 01-C 02-A 03-B 04-A 05-E 06-A 07-ABERTA 08-ABERTA 09-E 10-C AMÉRICA 173
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    GEOGRAFIA POLÍTICA/2012 PROFESSOR: TIAGODALESSI 1- BLOCOS ECONOMICOS DO CONTINENTE AMERICANO   MERCOSUL: Com a criação do Mercosul, em 1991, o Brasil e a Argentina ganharam a oportunidade de superar suas divergências históricas e buscar soluções comuns para seus problemas, por meio da cooperação e da integração econômica. A eles juntaram-se o Paraguai e o Uruguai, que assumiram o objetivo de tornar a região capaz de competir em escala mundial, caminhando no sentido da construção de um espaço econômico integrado. O objetivo é o de favorecer o crescimento do comércio interno latinoamericano e, além disso, ampliar as relações econômicas com outros pólos importantes da economia mundial. As dificuldades da busca dessa unificação têm se colocado de várias maneiras ao longo do tempo e estão ligadas à grande diferença de dimensões entre as economias dos parceiros, principalmente a do Brasil e a dos demais membros do bloco. As crises econômicas que os dois principais integrantes do bloco têm atravessado colocam dificuldades nesse processo. Apesar disso, o intercâmbio comercial no Cone Sul revelou extraordinário dinamismo após a constituição do Mercosul. A perspectiva, entretanto, é de que a integração dos países do Mercosul continue evoluindo. Neste sentido, o bloco já conseguiu a adesão de dois países como associados (Chile e Bolívia) e negocia o estreitamento de relações com a CAN (Comunidade Andina das Nações), incluindo a possibilidade de unificação dos dois blocos. A África do Sul e a Índia estão negociando acordos comerciais com o Mercosul e começaram contatos nesse sentido com a China. NAFTA CANADÁ: Um dos países mais desenvolvidos do mundo, porém, possui algumas dificuldades. Grande parte do território apresenta clima muito frio (obstáculo à sua ocupação e incremento da população). Este pequeno número de habitantes gera problemas de ordem econômica (mercado interno reduzido e escassa mão-deobra). Resultado: dependência de investimentos externos (EUA). MÉXICO: Embora o México possa se beneficiar da integração econômica, percebe-se uma ampliação muito maior da área de influência das empresas norte americanas e canadenses, que passaram a dispor da ampla mão-de-obra barata* formada pelos mexicanos. O país enfrenta grandes problemas sociais e alto crescimento vegetativo, acentuando os movimentos migratórios. A Região metropolitana da cidade do México abriga aproximadamente 30% da população do país. Esta urbanização crescente e desordenada aumenta as tensões sociais já existentes (pobreza, desemprego, marginalidade). A delicada situação torna-se fator de peso para que a emigração clandestina para os EUA aumente cada vez mais. Além disso, existe a forte dependência tecnológica e financeira e a alta concentração fundiária (Região sul do país - Chiapas). * Maquiladoras:a exploração da mão-de-obra barata ocorre principalmente na região norte do país. Lá estão instaladas as empresas chamadas maquiladoras, ou seja, filiais de empresas dos EUA que produzem visando o retorno para o mercado de consumo norte-americano, principalmente automóveis, eletrônicos e autopeças. A tecnologia e os componentes são norte-americanos, cabendo ao México apenas a montagem final. Estas empresas geram lucros pois reduzem seus custos, utilizam-se de fontes de energia mexicanas e poluem o ambiente desse país, preservando o seu lugar de origem. ESTADOS UNIDOS: é a economia mais dinâmica do mundo (PIB na casa dos 12,4 trilhões de dólares) e um enorme e potente mercado consumidor. Os EUA são os maiores interessados na manutenção do Nafta e de outros blocos econômicos na América. No Nafta, seus interesses estão no livre trânsito de sua produção industrial nos dois países membros, ampliando seu mercado consumidor. Cerca de 80% do capital industrial do Canadá é norte-americano. No México, o Nafta visa estancar o fluxo de mexicanos para o país, facilitando a fixação de empresas no México. Os EUA são também os idealizadores e os maiores interessados na implementação da Alça no continente americano. Ao mesmo tempo, está em negociação já há algum tempo uma série de acordos com a União Europeia, também no sentido de se buscar desenvolver relações econômicas com o menor número de obstáculos possíveis. Como vemos, além de buscar o fortalecimento interno de seus membros, o Mercosul expande-se na América Latina e viabiliza o estabelecimento de parcerias com outros blocos e outros países importantes no 175
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    GEOGRAFIA POLÍTICA/2012 PROFESSOR: TIAGODALESSI cenário econômico mundial, como a África do Sul, a Índia e a China. Visa, dessa maneira, também fortalecer as relações com países fora do eixo Europa - EUA - Japão.     ALCA: Na primeira reunião da “Cúpula das Américas”, entre outros temas, foi discutida a proposta da constituição da ALCA (Associação de Livre Comércio das Américas), formulada pelo governo dos EUA, com a previsão do envolvimento de todos os países americanos, com exceção de Cuba. Foi definido também que as negociações entre os países para a sua implementação deveriam estar concluídas até 2005 e que funcionaria a partir de 2006. Entretanto, em função de divergências entre os países, as negociações deverão se estender por um período maior. A ALCA foi concebida, desde o início, como um projeto de grande envergadura. Se vier a ser criada, ela não será uma área de livre comércio tradicional, isto é, não envolverá apenas o comércio de bens dentro das Américas. A proposta de sua constituição aponta no caminho de se estabelecer um acordo global que pretende abarcar serviços, o sistema financeiro, as compras governamentais e os investimentos. A Alca, tal como foi proposta pelos EUA, levaria à perda de autonomia na condução de aspectos essenciais da política econômica pelos países participantes. O Brasil, por exemplo, seria obrigado a manter o seu mercado interno sempre aberto, para os produtos dos EUA e de outros países do continente americano. As empresas brasileiras teriam de concorrer com as grandes corporações norte-americanas e todo o seu poder tecnológico, financeiro e comercial. Em função dessas questões, que são agravadas pela grande disparidade ente os níveis da atividade econômica dos EUA e do restante da América, nota-se resistência de vários países e abrirem seus mercados e abrirem mão de sua capacidade de formular políticas nos próprios territórios. Dessa maneira, aquilo que poderia ser uma forma de integração continental enfrenta uma série de dúvidas quanto a sua real capacidade de promover o progresso para todos os países que formariam esse bloco, pois muitos acreditam que esse tipo de organização, se for implementado com as características que apresenta hoje, somente contribuiria para aumentar a pobreza, a estagnação econômica e o agravamento da subordinação da economia de grande parte dos países do continente aos fluxos da riqueza mundial. Pacto Andino: Os membros são: Bolívia, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela. Formado com o objetivo de aumentar a integração econômica entre os países-membros. Em 1992 começou a vigorar como zona de livre comércio. CARICOM: Antigo Comunidade e Mercado Comum do Caribe e atual Comunidade do Caribe, é um bloco de cooperação econômica e política, criado em 1973, formado por 14 países e seis territórios da região caribenha. Estabelecido em 4 de Julho de 1973 pelo Tratado de Chaguaramas (Trinidad e Tobago) e com sede em Georgetown (Guiana), a CARICOM veio substituir a CARIFTA (Associação de Livre Comércio do Caribe), que existia desde 1965.O Objetivo do bloco foi formado por ex-colônias de potências européias que, após a sua independência, viram-se na contingência de aliar-se para suprir limitações decorrentes da sua nova condição e acelerar o seu processo de desenvolvimento econômico. Além de incentivar a cooperação econômica entre os membros, a organização participa da coordenação da política externa e desenvolve projetos comuns nas áreas de saúde, educação e comunicação. Este bloco de integração regional visa promover o livre comércio, o livre movimento do trabalho e do capital; coordenar a agricultura, a indústria e política estrangeira entre os seus países membros. Desde 1997 defendem o tratamento diferenciado para economias pouco desenvolvidas, incluindo prazos maiores para o cumprimento de futuros acordos de comércio. Em 1998, Cuba foi admitida como observadora do Caricom. O bloco marca para 1999 o início do livre comércio entre seus integrantes, mas a decisão não se efetiva. Em maio e em julho de 2000 a República Dominicana e Cuba, respectivamente, firmam acordos de livre comércio com o bloco. Na cúpula da Caricom, em julho, fica estabelecida a criação de uma Corte Caribenha de Justiça e é marcada para dezembro a finalização da estruturação do livre comércio entre os membros. Os países-membros sao: Antígua e Barbuda, Bahamas, Barbados, Belize, Dominica, Granada, Guiana, Haiti, Jamaica, Santa Lúcia, São Cristóvão e Névis, São Vicente e Granadinas, Trinidad e Tobago e Suriname. Sendo os territórios associados: Bermudas, Montserrat (1974), Ilhas Virgens Britânicas, Turks e Caicos (1991), Ilhas Caimán e Anguilla (1999). APEC: (Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico). Membros: Austrália, Brunei, Canadá, Indonésia, Japão, Malásia, Nova Zelândia, Filipinas, Cingapura, Coréia do Sul, Tailândia, EUA, China, Hong Kong, Taiwan, México, Papua Nova Guiné, Chile, Peru, Rússia e Vietnã. A queda das tarifas já vem ocorrendo nos últimos anos. Em 2000 o bloco destacou-se como o maior do planeta em volume de negócios. De tudo que é exportado no mundo, cerca de 30% parte da APEC. Fonte: Obra coletiva concebida. Projeto Araribá - Geografia 8ª série. São Paulo: Ed. Moderna, 2006. p. 58. 176
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    GEOGRAFIA POLÍTICA/2012 PROFESSOR: TIAGODALESSI 2- HAITI – A GUERRA CIVIL O Haiti é um país da América Central, que faz fronteira com a República Dominicana, a leste. Além desta fronteira, os territórios mais próximos são as Bahamas e Cuba a noroeste, Turks e Caicos a norte, e Navassa a sudoeste. A capital é Porto Príncipe. Em 5 de dezembro de 1492, Cristóvão Colombo chegou a uma grande ilha, à qual deu o nome de Hispaniola. Mais tarde passou a ser chamada de São Domingos pelos franceses. Dividida entre dois países, a República Dominicana e o Haiti, é a segunda maior das Grandes Antilhas. A parte ocidental da ilha, onde hoje fica o Haiti, foi cedida à França pela Espanha em 1697. No século XVIII, a região foi a mais próspera colônia francesa na América, graças à exportação de açúcar, cacau e café. Após uma revolta de escravos, a servidão foi abolida em 1794. Nesse mesmo ano, a França passou a dominar toda a ilha. Em 1801, o ex-escravo Toussaint l'Ouverture tornou-se governador-geral, mas, logo depois, foi deposto e morto pelos franceses. O líder Jacques Dessalines organizou o exército e derrotou os franceses em 1803. No ano seguinte, foi declarada a independência e Dessalines proclamou-se imperador. Após período de instabilidade, o país é dividido em dois e a parte oriental - atual República Dominicana - reocupada pela Espanha. Em 1822, o presidente Jean-Pierre Boyer reunificou o país e conquistou toda a ilha. Em 1844, porém, nova revolta derrubou Boyer e a República Dominicana conquistou a independência. Da segunda metade do século XIX ao começo do século XX, 20 governantes sucederam-se no poder. Desses, 16 foram depostos ou assassinados. Tropas dos Estados Unidos da América ocuparam o Haiti entre 1915 e 1934, sob o pretexto de proteger os interesses norte-americanos no país. Depois de mais um período de grande conturbação política, foram realizadas eleições presidenciais livres em dezembro de 1990, vencida pelo padre esquerdista Jean-Bertrand Aristide. Em setembro de 1991, 177
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    GEOGRAFIA POLÍTICA/2012 PROFESSOR: TIAGODALESSI Aristide foi deposto num golpe de Estado liderado pelo General Raul Cedras e se exilou nos EUA. A Organização dos Estados Americanos (OEA), a Organização das Nações Unidas (ONU) e os EUA impuseram sanções econômicas ao país para forçar os militares a permitirem a volta de Aristide ao poder. Em julho de 1993, Cedras e Aristide assinaram pacto em Nova York, acordando o retorno do governo constitucional e a reforma das Forças Armadas. Em outubro de 1993, porém, grupos paramilitares impediram o desembarque de soldados norte-americanos, integrantes de uma Força de Paz da ONU. O elevado número de refugiados haitianos que tentavam ingressar nos EUA fez aumentar a pressão americana pela volta de Aristide. Em maio de 1994, o Conselho de Segurança da ONU decretou bloqueio total ao país. A junta militar empossou um civil, Émile Jonassaint, para exercer a presidência até as eleições marcadas para fevereiro de 1995. Os EUA denunciaram o ato como ilegal. Em julho, a ONU autorizou uma intervenção militar, liderada pelos EUA. Em setembro de 1994, força multinacional, liderada pelos EUA, entrou no Haiti para reempossar Aristide. Os chefes militares haitianos renunciaram a seus postos e foram anistiados. Jonaissant deixou a presidência em outubro e Aristide reassumiu o País com a economia destroçada pelas convulsões internas. No período de 1994-2000, apesar de avanços como a eleição democrática de dois presidentes, o Haiti viveu mergulhado em crises. Devido à instabilidade, reformas políticas profundas não puderam ser implementadas. A eleição parlamentar e presidencial de 2000 foi marcada pela suspeita de manipulação por Aristide e seu partido. O diálogo entre oposição e governo ficou prejudicado. Em 2003, a oposição passou a clamar pela renúncia de Aristide. A Comunidade do Caribe, Canadá, União Europeia, França, Organização dos Estados Americanos e EUA, apresentaram-se como mediadores. Entretanto, a oposição refutou as propostas de mediação, aprofundando a crise. Em fevereiro de 2004, conflitos armados eclodiram em Gonaives, espalhando-se por outras cidades nos dias subseqUentes. Gradualmente, os insurgentes assumiram o controle do norte do Haiti. Apesar dos esforços diplomáticos, a oposição armada ameaçou marchar sobre Porto Príncipe. Aristide deixou o país em 29 de fevereiro e asilou-se na África do Sul. De acordo com as regras de sucessão constitucional, o presidente da Suprema Corte, Bonifácio Alexandre, assumiu a presidência, interinamente. Bonifácio requisitou, de imediato, assistência das Nações Unidas para apoiar uma transição política pacífica e constitucional e manter a segurança interna. Nesse sentido, o Conselho de Segurança (CS) aprovou o envio da Força Multinacional Interina (MIF) que, prontamente, iniciou seu desdobramento, liderada pelos EUA. Para o comando do componente militar da MINUSTAH (Force Commander) foi designado o General Augusto Heleno Ribeiro Pereira, do Exército Brasileiro. O efetivo autorizado para o contingente militar é de 6.700 homens, oriundos dos seguintes países contribuintes: Argentina, Benin, Bolívia, Brasil, Canadá, Chade, Chile, Croácia, França, Jordânia, Nepal, Paraguai, Peru, Portugal, Turquia e Uruguai. Haiti é uma república presidencialista com um Presidente eleito e uma Assembléia Nacional. A constituição foi introduzida em 1987 e teve como modelo as constituições dos Estados Unidos da América e da França. Foi parcial ou completamente suspensa durante alguns anos, mas voltou à plena validade em 1994. Desde o período de colonização o Haiti possui uma economia primária. Produzia açúcar de excelente qualidade, que concorreu com o açúcar brasileiro no século XVII e junto com toda produção das Antilhas serviu para a desvalorização do açúcar brasileiro na Europa. Após vários regimes ditatoriais, hoje em dia seu principal produto de exportação ainda continua sendo o açúcar, além de outros produtos como banana, manga, milho, batata-doce, legumes, tubérculos e muito mais. Atualmente sua economia encontra-se destroçada e em ruínas. O país permanece extremamente pobre, sendo o mais pobre da América e de todo Hemisfério Ocidental, tão miserável como Timor-Leste, Afeganistão, entre outros. 50,2% da população é analfabeta, a expectativa de vida é de apenas 51 anos. Sua renda per capita é um-terço da renda da favela da Rocinha, no Rio de Janeiro. Embora a densidade populacional do Haiti suba em média a 270 habitantes por quilometro quadrado, a sua população está concentrada nas zonas urbanas, planícies costeiras e vales. Cerca de 95% dos haitianos são de ascendência africana. O resto da população é principalmente mulata, de ascendência mista caucasianaafricana. Uma minúscula minoria tem sangue europeu. Cerca de dois terços da população vivem em áreas rurais. O francês é uma das duas línguas oficiais, mas é falado só por cerca de 10% da população. Quase todos os haitianos falam Krèyol (Crioulo), a outra língua oficial do país. O inglês é cada vez mais falado entre os jovens e no setor empresarial. O catolicismo romano é a religião de estado, professada pela maioria da população. Houve algumas conversões ao protestantismo. Muitos haitianos também praticam tradições vodu, sem ver nelas nenhum conflito com a sua fé cristã. A padroeira do Haiti, na Igreja Católica, é Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. 178
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    GEOGRAFIA POLÍTICA/2012 Por religiões: Católicos64% Protestantes 23,6% PROFESSOR: TIAGO DALESSI Sem filiação 5% Vodu ou espírita 5% Sem ou outras 2,4%. 3- BOLÍVIA e o Gás Natural Fonte: Atualidades Vestibular – 1°semestre 2009. Editora Abril. Pág. 80-81. Ao aumentar o controle estatal sobre a exploração das riquezas naturais do país e ampliar os direitos dos indígenas, o presidente Evo Morales desafiou os interesses dos líderes da região da Meia Lua, que pressionam por autonomia. O país A Bolívia é uma das nações mais pobres do continente americano, com alta taxa de analfabetismo e o menor índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da América do Sul. Situada no centro-oeste do continente sulamericano, com 1.098.581 quilômetros quadrados de extensão, o país não tem saída para o mar. Em seu território, a Cordilheira dos Andes atinge a largura máxima – 650 quilômetros. La paz é a capital mais alta do mundo, localizada a 3.636 metros acima do nível do mar. No norte e no leste, as montanhas dão lugar a planícies cobertas pela floresta Amazônica e, no sudeste, a pantanosa região do Chaco. Sua população, de 9,7milhões de habitantes, é bastante miscigenada. Estima-se que cerca de 60% dos bolivianos sejam de ORIGEM INDÍGENA. Considerando os mestiços, esse percentual alcança 85%, enquanto os brancos correspondem a 15% dos habitantes. Além do espanhol, a Bolívia tem mais dois idiomas oficiais: o quíchua e o aimará, ambos de origem indígena. Em 2005, 0 país elegeu o primeiro presidente indígena, Evo Morales. Com trajetória política ligada aos movimentos sociais e defensor de posições nacionalistas, Morales confronta os interesses da elite oposicionista da região da Meia Lua, que reivindica autonomia. Outro sério problema esta relacionado ao narcotráfico e ao controle sobre o cultivo de folha de coca, matéria-prima para a produção da cocaína. História O nome do país é uma homenagem a Simon Bolívar, o líder da independência da América hispânica. Ao comandar a emancipação da Bolívia em 1825, com Antônio José de Sucre, Bolívar se tornou o primeiro presidente da nação. Nos anos seguintes, a Bolívia sofreu consideráveis perdas territoriais para os países vizinhos. Na Guerra do Pacifico (1879-1884), os bolivianos tiveram de ceder parte de seu território ao Chile, ficando sem acesso ao mar. Em 1903, após conflito com seringueiros brasileiros, a nação vendeu ao Brasil o atual estado do Acre. A descoberta de petróleo no sudeste provocou a Guerra do Chaco (1932-1935), em que a Bolívia saiu derrotada e perdeu o território para o Paraguai. 179
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    GEOGRAFIA POLÍTICA/2012 PROFESSOR: TIAGODALESSI A história recente do país é repleta de confrontos, lutas populares e golpes. Um levante revolucionário em 1952 pôs no poder Victor Paz Estenssoro, que nacionalizou as minas de estanho, decretou a reforma agrária e instituiu o sufrágio universal. As décadas de 1960 e 1970 foram marcadas por sucessivos golpes de Estado, que colocaram ditadores no poder. Em 1985, com Estenssoro de volta a Presidência, o país adotou um programa de ajuste sob a orientação do Fundo Monetário Internacional (FMI) para lidar com a grave crise econômica, com corte de subsídios e privatizações. Hidrocarbonetos A pobreza e a falta de infraestrutura são alguns dos principais problemas da nação. O Produto Interno Bruto (PIB) boliviano é de 11,2 bilhões de dólares (2006), cerca de 1% do PIB brasileiro. O país possui reservas significativas de estanho e prata, e, nos últimos anos, o GÁS NATURAL ganhou importância estratégica fundamental para sua economia. Desde que a petrolífera espanhola YPF descobriu um dos maiores depósitos de gás natural da América do SuI em Tarija, no suI da Bolívia, em 2000, a pressão para a nacionalização dos recursos naturais se intensificou. As manifestações populares levaram a deposição de dois presidentes. Em 2003, sindicatos, líderes indígenas e camponeses iniciaram grandes protestos contra a construção de um gasoduto que exportaria gás natural para os Estados Unidos e para o México, via Chile, o que provocou a queda do presidente Gonzalo Sánchez Lozada. Em seu lugar, assumiu o vice, Carlos Mesa. Contudo, em janeiro de 2005, ressurgiram os protestos, com a exigência de nacionalização das reservas energéticas, o que resultou na renúncia de Mesa. Posteriormente foram marcadas eleições presidenciais para dezembro de 2005. As pressões populares puseram o gás natural no centro do debate político, o que favoreceu a candidatura do indígena e ex-líder cocaleiro Evo Morales, cuja promessa de campanha incluía a nacionalização do principal recurso natural do país. Evo Morales Nas eleições presidenciais de 2005, EVO MORALES venceu em primeiro turno, com 53,7%dos votos, e tornou-se o primeiro indígena a ocupar a Presidência da Bolívia. O resultado da eleição se insere no fenômeno que vem sendo chamado de "onda vermelha", com a subida ao poder de diversos lideres de esquerda na América Latina, como Hugo Chávez, na Venezuela, e Rafael Correa, no Equador. Morales iniciou sua trajetória política como representante dos cocaleiros, combatendo os programas de erradicação da coca. Elegeu-se deputado em 1997 e, em 2002, concorreu a Presidência, ficando em segundo lugar. Eleito pelo Movimento ao Socialismo (MAS), ele assumiu o comando do país com a promessa de nacionalizar as riquezas minerais, combater a pobreza e promover a inclusão da população indígena. Morales cumpriu um dos compromissos de campanha logo em 2006: nacionalizou a exploração de gás natural e petróleo (os hidrocarbonetos) e aumentou os impostos pagos pelo setor. A onda de estatizações prosseguiu em 2007 e 2008, com a compra de metalúrgicas, empresas de telecomunicações e de petróleo, incluindo duas refinarias da Petrobras, até então a maior companhia petrolífera instalada no país. Em agosto de 2007, Morales promulgou a legislação da reforma agrária, que prevê a distribuição de até 30 milhões de hectares de terra aos camponeses pobres. Divisão interna As reformas estruturais promovidas por Morales, sobretudo a nacionalização dos hidrocarbonetos, não agradaram aos interesses da elite econômica da região da Meia Lua, formada pelos quatro departamentos mais ricos da Bolívia - Santa Cruz de La Sierra, Tarija, Pando e Beni. Situada no leste boliviano, a região ostenta diferenças étnicas, culturais e econômicas em relação ao restante do país. É lá que se encontram quase todas as reservas de gás e petróleo. A insatisfação levou os departamentos a buscar autonomia. A questão envolve uma disputa para saber quem controla os recursos minerais do país e se beneficia de sua exploração - o governo central ou a Meia Lua. A polêmica questão deu origem a violentos conflitos em 2008. Os interesses da Meia Lua também foram confrontados com a decisão de Morales de convocar uma Assembleia Constituinte para mudar a Carta em 2006. Sua intenção era transformar em lei mudanças que garantissem que o país - e não apenas a elite ligada a interesses estrangeiros - usufruísse as terras e as riquezas naturais bolivianas. O texto final da Constituição foi aprovado por cerca de 60% dos bolivianos, em referendo realizado em janeiro deste ano. Entre os pontos polêmicos estão à ampliação dos poderes dos indígenas, o maior controle do Estado sobre os recursos naturais e a reeleição presidencial. A aplicação da nova Carta enfrenta forte oposição da Meia Lua, o que contribui para manter o país dividido. Plantações de coca 180
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    GEOGRAFIA POLÍTICA/2012 PROFESSOR: TIAGODALESSI Os indígenas bolivianos tem a tradição de mascar a folha de coca, também usada em chás e medicamentos. Eles afirmam que o consumo das folhas alivia os efeitos da altitude no corpo, uma ajuda fundamental para habitantes que vivem acima dos 3 mil metros de altitude. Isso nada tem a ver com o tráfico internacional de drogas, que utiliza a folha como matéria-prima para a produção de cocaína. Uma convenção da ONU de 1961 reconheceu os usos tradicionais da coca, mas ao mesmo tempo estabeleceu um prazo de 25 anos para que os países produtores e consumidores eliminassem o habito de mascar as folhas. 4- COLÔMBIA: GUERRILHAS E DROGAS A tragédia da Colômbia A Colômbia é um país que parece agonizante. Aparenta estar num estado terminal devorado internamente por um processo auto destrutivo, de difícil entendimento. Quase todas as forças políticas, quase todos os grupos e classes, e quase todos os interesses, internos e externos, estão em guerra uns contra os outros. A sociedade colombiana assemelha-se a cada dia que passa com o mundo lúgubre do filósofo Hobbes onde cada homem é o lobo do outro homem. Tornou-se a Colômbia uma espécie de nação-pária, uma terra dos “intocáveis”, devido ao crescente poder que o narcotráfico adquiriu nos últimos anos na vida econômica, política e mesmo institucional (o presidente anterior, Ernesto Samper foi publicamente acusado de ter sido eleito com o dinheiro do narcotráfico). O nome Colômbia é hoje universalmente associado à ilicitude, à marginalidade, à delinquência criminosa, e o cidadão comum, o infeliz colombiano, passou a ser apontado universal e injustamente como um potencial ou efetivo traficante. Os Estados Unidos pressionam para que uma solução venha a ser tomada em breve, fracassado tal política de pacificação, acredita-se, é bem provável que ocorra no futuro uma intervenção armada externa, articulada pelo governo norte-americano. A Colômbia tem 35,7 milhões de habitantes e sua capital é Bogotá, sendo que o país possui 1.141mil km2, uma área superior em extensão à Península Ibérica e à França somadas. Geograficamente divide-se numa parte litorânea, banhada por dois oceanos, o Atlântico (Mar do Caribe) ao Norte, e o Pacífico ao Oeste; na região Andina onde se alinham três cordilheiras, a oriental, a central e a ocidental; e na área da floresta amazônica, que abarca quase 40% do seu território. A Guerrilha Independente da existência hoje dois grandes grupos guerrilheiros em atividade na Colômbia, a FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e a ELN (Exército de Libertação Nacional), é um fato histórico a sobrevivência do bandoleirismo nas regiões rurais mais afastadas. Resultado este, o banditismo social, do infeliz convívio de um latifúndio em expansão com uma guerra civil permanente. Desde o século passado, e ainda em tempos bem mais remoto, bandos armados viviam de assaltos e de pilhagens das fazendas, minas e dos vilarejos do interior. Pode-se considerá-los, a tais bandos, como uma espécie de resistência arcaica, de origem agrária e indígena, reagindo ao domínio do governo colonial espanhol, e depois à hegemonia do crioulo colombiano (branco de origem ibérica), configurada nos dois grandes partidos governantes. FARC/ ELN: o primeiro deles, a FARC - liderado por Tirofijo, o mais antigo chefe guerrilheiro ainda em atividade -, surgiu em 1959, inspirado da vitória de Fidel Castro em Cuba. Foram os comunistas colombianos quem o organizaram, estimando o número dos seus combatentes em 22 ou 25 mil guerrilheiros. O segundo desses movimentos, o ELN, veio um pouco depois e sua inspiração é guevarista. Cada um deles a seu modo são tributários da teoria foquista que visa chegar ao poder não pelos procedimentos democráticos, mas pela luta armada revolucionária. Até uns dez anos atrás seus recursos vinham das pilhagens, dos sequestros (a Colômbia é recordista mundial nesta nefanda prática), dos confiscos forçados e das taxas de proteção cobradas às empresas e aos fazendeiros. Paramilitares: sabe-se que são formados por ex-oficiais e ex-policiais a serviço de fazendeiros e outros endinheirados, e, tudo indica, contam com a simpatia de setores das Forças Armadas colombianas, que os têm como uma força auxiliar informal na luta anti-guerrilheira. Atribui-se a eles a maioria das mortes por encomenda que tem ocorrido no país (três candidatos à presidência foram até agora assassinados). A aliança com o narcotráfico: no desencanto geral entre as esquerdas que se seguiu à fórmula revolucionária na década dos noventa (a estagnação econômica e política de Cuba, a derrota eleitoral dos sandinistas na Nicarágua, e a pouca expressividade dos zapatistas em Chiapas, no México), a guerrilha colombiana perdeu o rumo. Virou uma nau sem bússola e sem direção. Isolaram-se ainda mais ficando nas selvas, encerradas nas regiões que de certo modo controlavam anteriormente. Aproximaram-se então do narcotráfico, servindo de milícia protetora das áreas do plantio da folha de coca espalhadas nas clareiras da floresta, ou exigindo tributos dos camponeses seus produtores. 181
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    GEOGRAFIA POLÍTICA/2012 PROFESSOR: TIAGODALESSI A força e a sobrevivência da guerrilha derivam da função que elas assumiram nos últimos dez anos: ser a milícia protetora do complexo da cocaína (zonas de plantio, as vias terrestres de tráfego e os aeroportos utilizados pelos traficantes), situado geograficamente na parte da Amazônia colombiana, região de difícil acesso, quase despovoada, com 400 mil km2 de extensão. O seu epicentro é o departamento de Guavira e sua cidade principal São José de Guavira, é tida como a capital da cocaína colombiana. Uma das suas tarefas é garantir a inviolabilidade dos territórios da coca para que seus carregamentos possam ser negociados pelos dois poderosos cartéis do narcotráfico: o de Cali e o de Medelin. Os Estados Unidos e a Colômbia "Dizer que a Colômbia é uma potência responsável com a qual podemos tratar como fazemos com a Holanda, Bélgica, Suíça ou Dinamarca é um absurdo. Neste momento a analogia que podemos estabelecer é com um grupo de bandidos,." Th.Roosevelt, Presidente dos EUA, 1903. A Colômbia juntamente com o México tem uma relação atormentada com os Estados Unidos. São os dois países latino-americanos que mais foram mutilados pelos interesses expansionistas da grande potência do Norte. O México foi obrigado, depois da derrota na Guerra Mexicano-americana de 1846, a entregar mais de um milhão de km2 aos americanos (os atuais estados do Texas, a Califórnia, o Novo México e o Arizona), enquanto que a Colômbia teve que assistir impotente os Estados Unidos promoverem em 1903, um levante separatista no então departamento do Panamá. Vitorioso o movimento, graças ao apoio providencial dos fuzileiros navais americanos, a independência panamenha redundou na completa separação da Colômbia e na entrega da atual Zona do Canal para que ali os americanos construíssem, com direitos perpétuos, uma “avenida da civilização” como o Presidente Theodor Roosevelt chamou o canal. Mesmo que os americanos oferecessem mais tarde uma indenização de 25 milhões de dólares ao governo colombiano. A violência dos narcotraficantes: num primeiro momento, na história das relações mais recentes entre o governo americano e o colombiano, os Estados Unidos convenceram um dos presidentes a fazer com que os condenados pelo narcotráfico cumprissem pena nas cadeias americanas. O resultado foi trágico. Os traficantes rebelados, revivendo os dias terríveis da violência, atacaram as instituições governamentais, chegando a assassinar até o Ministra da Justiça do país. Agora a situação prenuncia uma ação direita por parte dos Estados Unidos. A preocupação estratégica: no crescente avolumar da retórica intervencionista, existe uma motivação de ordem mais ampla. Os grupos mais conservadores dominantes no Senado e no Pentágono norte-americano nunca se conformaram com o Tratado Carter-Torrijos, assinado em 1977, que comprometeu os Estados Unidos a devolver em etapas a Zona do Canal para os panamenhos. Temem os americanos retirar-se de uma área estratégica - o controle sobre a Zona do Canal - num momento de recrudecimento das atividades guerrilheiras na Colômbia. Esta é talvez a razão principal - ocultada pelo pretexto de combater o narcotráfico - dos agentes do governo dos Estados Unidos, tanto dos generais americanos vinculados ao Pentágono como o chefe do Departamento anti-drogas (DEA), o general Barry McCaffrey, estarem pressionando os governo latinoamericanos, vizinhos ou não da Colômbia, a assumirem um ocupação colegiada da Colômbia no futuro próximo. Uma intervenção coletiva: os americanos têm em mente uma operação similar a que patrocinaram, sob os auspícios da OEA, em 1965, na ocupação da Republica Dominicana, quando evitaram a ascensão ao poder de um governo pró-esquerdista. Operação que contou então com o pronto apoio da ditadura militar brasileira, que recém assumira o poder. O trabalho deles, dos agentes norte-americanos, resume-se em transformar as preocupações do seu país (a luta contra a droga e o problema estratégico da Zona do Canal), num problema geral dos latino-americanos, ou pelo menos dos sul-americanos. Conseguido tal objetivo os Estados Unidos não precisariam assumir os desgastantes custos, morais e materiais, de uma intervenção militar direta na Colômbia, arriscando-se com suas tropas a reproduzir, ainda que palidamente, um novo Vietnã nas florestas da Amazônia. Exercícios de Aplicação: a) Cite e explique um interesse dos EUA na Colômbia, nos dias atuais. b) Por que mesmo sabendo onde estão localizadas as plantações de coca na Colômbia, os governantes não agem contra essa política? 182
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    GEOGRAFIA POLÍTICA/2012 PROFESSOR: TIAGODALESSI 5- VENEZUELA DE HUGO CHAVEZ Trajetória Política No dia 4 de Fevereiro de 1992, o então tenente-coronel Hugo Chávez, comandando cerca de 300 efetivos, protagonizou um golpe de Estado contra o presidente Carlos Andrés Pérez, da Acción Democrática (1974-1979 e 1989-1993). Os partidários de Chávez justificam essa ruptura constitucional como uma reação à crise econômica venezuelana, marcada por inflação e desemprego decorrentes de medidas econômicas adotadas por Pérez, logo após a sua posse face à grave situação econômica que o país estava passando. A Venezuela era um dos poucos países da américa latina que nunca tivera sofrido um golpe de estado. De fato, violentas manifestações populares já há tempo vinham ocorrendo. Embora fracassada, a tentativa de golpe em 1992 serviu para catapultar Hugo Chávez ao cenário [4] nacional. , depois de amargar dois anos de cadeia. Após o fim do mandato de Carlos Andrés Pérez, graças a uma anistia do novo presidente, Rafael Caldera Rodríguez, Chávez abandona a vida militar e passa a se dedicar à política. O agravamento da crise social e o crescente descrédito nas instituições políticas tradicionais o favorecem. Em 1997, fundou o Movimiento V República (MVR) e, nas eleições presidenciais de 6 de Dezembro de 1998, apoiado por uma coligação de esquerda e centro-esquerda - o Polo Patriótico - organizada em torno do MVR, Chávez foi eleito com 56% dos votos. Assumiu a presidência da Venezuela em 1999, para um mandato inicialmente previsto de cinco anos, pondo fim a quatro décadas de domínio dos chamados partidos tradicionais. Ao tomar posse, em 2 de fevereiro de 1999, decretou a realização de um referendo sobre a convocação de uma nova Assembléia Constituinte. Em 25 de abril de 1999, atendendo ao plebiscito, 70% dos venezuelanos manifestam-se favoráveis. Do ponto de vista da estrutura de poder político, a Constituição da Quinta República (mais tarde denominada República Bolivariana de Venezuela) outorgou maiores poderes ao presidente, ampliando as prerrogativas do executivo em detrimento dos demais poderes. O parlamento torna-se unicameral, com a extinção do Senado. A nova Constituição também aumentou o espaço de intervenção do Estado. Houve também avanços no tocante ao reconhecimento de direitos culturais e linguísticos das comunidades indígenas. 183
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    GEOGRAFIA POLÍTICA/2012 PROFESSOR: TIAGODALESSI Em razão da nova ordem constitucional, foram realizadas novas eleições presidenciais e legislativas em 30 de Julho de 2000, nas quais Chávez foi reeleito presidente da República, com 59,7% dos votos. Entre esse mês e Novembro do ano seguinte, Chávez promulgou um total de 49 decretos. Entre esses encontravam-se a Lei de Hidrocarbonetos, que fixava a participação do Estado no setor petrolífero em 51%, e a Lei de Terras e Desenvolvimento Agrário, prevendo a expropriação de terras latifundiárias. As novas leis estariam na origem de contestação social, oriunda principalmente dos sectores empresariais, mas que em breve se estendeu aos sindicatos, aos setores conservadores da Igreja Católica (a Igreja Católica, oficialmente, não endossa nenhum partido político) e televisões privadas, que acusavam o presidente de querer tornar a Venezuela um país comunista. Estados Unidos e o Golpe de estado Vários integrantes do governo dos EUA havia mantido frequentes contatos com diversos líderes golpistas, nos meses e, principalmente, nas semanas anteriores ao golpe. Entretanto o governo americano negou, por diversas vezes, que estivesse patrocinando, ou sequer apoiando, qualquer solução não-democrática para a Venezuela: Os Estados Unidos não sabiam que haveria essa tentativa de derrubar ou de tirar de Hugo Chávez do poder, declarou um alto oficial do governo americano (Newsday, 11/24/2004). O governo de Chávez alegou, meses depois do golpe, que os Estados Unidos apoiaram o golpe de estado, afirmando que nos dias do golpe os radares do país detectaram a presença de navios e aviões militares americanos em território venezuelano. Em 4 de junho de 2002 a Assembléia Geral da Organização dos Estados Americanos aprovou uma Declaração Sobre a Democracia Na Venezuela, condenando o golpe de estado ocorrido em 11 de abril daquele ano. Em Outubro de 2002 uma greve paralisou o país durante 9 semanas. Permanência ou não de Hugo Chávez no poder O referendo teve lugar no dia 15 de Agosto de 2004; 58% dos votantes apoiaram a permanência de Chávez na presidência até ao fim do mandato, que ocorreria nos próximos dois anos e meio. A oposição alegou que tinha sido cometida fraude, mas os observadores internacionais presentes durante o processo (entre os quais se encontravam o antigo primeiro-ministro português António Guterres e Jimmy Carter) consideraram que o referendo ocorreu dentro da normalidade e legalidade. A vitória de Chávez foi reconhecida como legítima, com algum atraso, pelos Estados Unidos. O Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos aprovou, em 16/12/2002, a Resolução CP/RES. 833 (1349/02), na qual demonstrou preocupação com certas ações da Coordinadora Democrática - inconformada com sua derrota no plebiscito - e a exortou a encontrar uma solução democrática para suas pretensões. Em 2008 as suspeitas de que os Estados Unidos estiveram "envolvidos" no golpe de Estado de 2002 contra o presidente venezuelano, Hugo Chávez foram confirmadas por uma ONG americana. Domingo decisivo na Venezuela A Assembleia Nacional venezuelana propôs, em 9 de Dezembro de 2008, formalmente, a realização de uma emenda à Constituição Nacional para permitir a reeleição presidencial indefinida de Hugo Chávez, tal como este tinha pedido. A formalização da proposta foi transmitida em simultâneo e obrigatoriamente pelas rádios e televisões do país. Venezuela em 2009 O ano inicia quando, por ordem de Chávez, expulsa o embaixador e delegação de Israel, em represária à intervenção militar israelense na Faixa de Gaza, em 6 de janeiro de 2009. De acordo com o CIA World Factbook, a economia venezuelana tem crescido a taxas recordes desde que o golpe de estado contra Chávez foi derrotado. Seu PIB real, ajustado para a paridade de poder aquisitivo, cresceu 18 % em 2004 - recuperando o crescimento negativo dos anos anteriores. Tradicionalmente, desde 1930, quando a Venezuela, ao invés de desvalorizar a moeda para proteger sua agricultura, optou por importar tudo o que consome, usando para isso suas receitas do petróleo, a Venezuela produz muito poucos alimentos. O petróleo é a maior riqueza da Venezuela, e responde por 90% de suas exportações, 50% de sua arrecadação federal em impostos, e 30% do seu PIB. Os maiores importadores de petróleo venezuelano foram, em 2006, Bermuda 49.5%, Estados Unidos 23.6%, e Antilhas Holandesas 6,9%. Apesar das riquezas geradas pelo petróleo, 37.9% da população venezuelana ainda vive abaixo da linha de pobreza. Entretanto a Venezuela ainda consegue apresentar uma melhor distribuição de renda que o Brasil. 184
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    GEOGRAFIA POLÍTICA/2012 PROFESSOR: TIAGODALESSI Exercícios de Aplicação: a) Qual a importância do petróleo para a Venezuela? b) Qual é a vantagem para Hugo Chávez em estatizar as empresas venezuelanas? 6- Estrada que ligará o Atlântico ao Pacífico através dos dois países melhora integração da infraestrutura regional. A rodovia Interoceânica Sul, que ligará o Peru e o Brasil, estará pronta no 1º trimestre de 2011, segundo informou o ministério de Transportes e Comunicações (MTC) peruano. A iniciativa, que demanda investimento de por volta de US$ 1,6 bilhão, será a base para iniciar o desenvolvimento bioceânico entre os dois países, além de ser um aporte para toda a América Latina, já que permitirá ligar o Atlântico e o Pacífico. “Vamos ter um nível de interconexão física extraordinário”, avaliou o ministro do MTC, Enrique Cornejo, acrescentando que a obra de infraestrutura permitirá impulsionar o desenvolvimento bioceânico e fortalecer a relação fronteiriça e regional das duas nações, aumentando o intercâmbio comercial e turístico. Segundo Cornejo, 50% do investimento total já foi executado. A Interoceânica Sul, que tem uma extensão de 2 mil quilômetros, está dividida em cinco trechos. O trecho Urcos-Iñapari, na fronteira brasileira, é de 710 quilômetros, dos quais já foram asfaltados mais de 300 quilômetros. De acordo com o ministro, Brasil e Peru têm também a intenção de desenvolver projetos conjuntos para construção de hidrovias na região amazônica. 7- SENDERO LUMINOSO – PERU O Sendero Luminoso é uma organização guerrilheira de inspiração maoísta fundada na década de 1960 pelos corpos discentes e docentes de universidades do Peru (especialmente da província de Ayacucho). Abimael Guzmán (professor de Filosofia da Universidade Nacional de San Cristóbal de Huamanga) é considerado seu fundador por excelência, e adota o codinome Presidente Gonzalo. O Sendero Luminoso é considerado o maior movimento terrorista do Peru, e está entre os dois maiores grupos de ação da América do Sul (ao lado das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, FARC). O seu nome oficial é Partido Comunista do Peru (PCP), porém o nome Sendero Luminoso é mais popular por diferenciar o grupo dos diversos partidos comunistas no Peru. O seu objetivo era o de superar as instituições burguesas peruanas por meio de um regime revolucionário e comunista de base camponesa, utilizando-se do conceito maoísta de Nova Democracia. Desde a captura de seu líder, Abimael Guzmán em 12 de setembro de 1992, o Sendero Luminoso teve apenas atuações esporádicas. A ideologia e as táticas do Sendero Luminoso influenciaram outros grupos insurgentes de caráter maoísta como o Partido Comunista do Nepal (maoísta) e outras organizações associadas ao Movimento Revolucionário Internacional. 185
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    GEOGRAFIA POLÍTICA/2012 PROFESSOR: TIAGODALESSI Após a prisão de Guzmán, vários líderes do Sendero também foram detidos nos anos seguintes, o que diminuiu bastante as atividades do grupo. Estas incluem principalmente ataques com bombas, além de assassinatos e possivelmente envolvimento com o comércio de pasta de coca. Degladiaram-se com os militares peruanos e grupos paramilitares supostamente treinados pelo Estados Unidos, os Sinchis. Além disso, opõe-se a outra grande força revolucionária do Peru, o Movimento Revolucionário Tupac Amaru. Estima-se que o Sendero Luminoso tenha cerca de dois mil guerrilheiros, e um grande número de membros em outras funções. O grupo é responsável pela morte de aproximadamente 31.000 pessoas, entre civis, camponeses, militares, e militantes de esquerda rivais. O Sendero Luminoso (SL) surgiu em 1964 como uma dissidência (bandeira vermelha) do Partido Comunista do Peru (PCP), sob orientação do carismático professor Abimael Guzmán (conhecido por sua capacidade de engajar os alunos). O nome Sendero Luminoso baseia-se em uma máxima do marxista peruano José Carlos Mariátegui: "El Marxismo-Leninismo abrirá el sendero luminoso hacia la revolución" ("O Marxismo-Leninismo abrirá o caminho iluminado para a revolução"). Esta citação era usada no cabeçalho do jornal do grupo e no Peru os diversos partidos comunistas são diferenciados pelo título de suas publicações. Os historiadores e estudiosos em geral normalmente se referem ao Sendero Luminoso como PCP-SL. Na década de 1970 o SL expandiu suas atividades, inicialmente restritas às universidades da província de Ayacucho, para outras universidades no Peru, ganhando força como movimento estudantil. Seguia a linha de outros movimentos revolucionários de então, ou seja: grupos estudantis de classe média ou média-baixa tentando estabelecer a revolução em bases camponesas. (O exemplo mais destacada é o da revolução cubana; no Brasil desenvolvia-se algo semelhante, na chamada guerrilha do Araguaia). Após algum tempo o movimento, no entanto, tentou abandonar suas raízes na universidade e proclamou-se um "partido em reconstrução". Em 1977 o SL passou da guerrilha rural para a urbana. Nas eleições de 1980, as primeiras após 12 anos de governo militar, o partido recusou-se a participar e promoveu ataques e o boicote às seções eleitorais. Em maio daquele ano chegou mesmo a esboçar o começo de uma revolução efetiva. Na década de 1980 o grupo cresceu bastante, tanto em membros quanto em área ocupada. Suas áreas de dominação eram o centro e o sul do Peru, além de ter presença também nos subúrbios de Lima. Com a captura de Guzmán em 1992 e demais lideranças até 1995, o Sendero perdeu muito da sua força. Chegou mesmo a enfrentar milícias de camponeses, aos quais supostamente representava. Suas ações passaram a ficar mais espaçadas, sendo as últimas delas um ataque a bomba contra a embaixada estadunidense em Lima (foram mortas 10 pessoas e 30 ficaram feridas) em 2002 e o sequestro de funcionários argentinos que trabalhavam em um gasoduto em Ayacucho (foram libertados após resgate), em junho de 2003. 186
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    GEOGRAFIA POLÍTICA/2012 PROFESSOR: TIAGODALESSI 8- EUA E A CRISE ECONÔMICA 187
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    GEOGRAFIA POLÍTICA/2012 PROFESSOR: TIAGODALESSI EXERCÍCIOS DE APLICAÇÃO: 01)(UFMG/2006) É INCORRETO afirmar que a atual política externa brasileira e o papel geopolítico do País, hoje, no mundo, representam A) uma aproximação do NAFTA, em razão da necessidade de se concretizarem os tratados comerciais entre esse bloco e o Mercosul, tendo-se em vista a implementação da ALCA. B) um reforço em sua posição econômica e, possivelmente, um novo papel geopolítico no mundo, graças à qualidade de potência regional do Brasil na América do Sul. C) um repúdio à ocupação do Iraque e, por outro lado, um apoio à criação do Estado da Palestina, posições formalmente defendidas nos foros internacionais de que o Brasil participa. D) uma defesa da idéia do perdão, tanto pelo Brasil quanto pelos países centrais, da dívida dos países mais pobres do mundo . especialmente os africanos. 02)(UFMG/2006) A instabilidade político-social que vem ocorrendo na América do Sul pode, segundo alguns especialistas, colocar em risco a democracia na região. Considerando-se essa instabilidade político-social, é INCORRETO afirmar que A) o PIB tem registrado em alguns países uma expansão superior à média regional, mas, em parte destes, o percentual da população que vive abaixo da linha da pobreza continua a aumentar. B) a América do Sul se transformou, nos últimos anos, no principal foco de interesse externo dos Estados Unidos, o que tem estimulado manifestações populares pautadas na defesa da soberania dos países que a constituem. 191
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    GEOGRAFIA POLÍTICA/2012 PROFESSOR: TIAGODALESSI C) a expectativa das populações em relação à implantação da democracia no subcontinente incluía a aproximação dos padrões de qualidade de vida existentes em países no Hemisfério Norte, de igual regime. D) a região convive com a prática da corrupção, a interrupção de mandatos de presidentes legitimamente eleitos e o descompasso entre as propostas de campanha eleitoral e os programas sociais e econômicos implantados posteriormente. 03)(PUC-PR) Sobre o espaço urbano na América Latina, afirma-se: São verdadeiras as afirmações: a) Somente I e III. b) Somente I e II. c) Somente III e IV. d) Somente IV e V. 192
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    GEOGRAFIA POLÍTICA/2012 PROFESSOR: TIAGODALESSI e) Somente I e V. 04)(Centro Universitário Serra dos Órgãos/2006) Nas últimas décadas, o Brasil participa cada vez mais das trocas internacionais. Ele procura manter antigas posições, conquistar novos mercados, além de participar, na Organização Mundial do Comércio (OMC), dos debates a respeito dos novos rumos do comércio internacional. Em relação à posição do Brasil nas trocas internacionais, assinale a única afirmativa FALSA. a) Duvida das vantagens de formação da Alca caso os Estados Unidos não retirem as restrições às importações de produtos concorrentes dos produtos americanos. b) Deixou de ser um tradicional fornecedor de produtos primários e passou a exportar produtos industrializados e semimanufaturados. c) Aumentou o intercâmbio com os países do Terceiro Mundo, especialmente Argentina e China. d) Perdeu sua importante posição de exportador de alimentos. e) Conquistou vantagens comparativas ao exportar produtos industrializados com alto valor agregado. 05)(UFV/2005) Durante boa parte da década passada, as maquiladoras representaram o símbolo do suposto milagre econômico do México, após seu ingresso no North American Free Trade Agreement (Nafta), com os Estados Unidos e o Canadá. O pico da expansão das maquiladoras foi alcançado em 2000, quando no norte do México, ao longo da fronteira com os EUA, chegaram a funcionar cerca de 3.600 fábricas desse tipo, com 1,3 milhão de funcionários, que exportaram o equivalente a US$ 70 bilhões em mercadorias. De lá para cá, o milagre parece ter começado a perder seu brilho. Nos dois últimos anos, pelo menos 500 maquiladoras fecharam suas portas, pondo no olho da rua mais de 300 mil trabalhadores. Somente no primeiro trimestre de 2002, o nível de emprego nas maquiladoras diminuiu 17,7% em relação ao mesmo período do ano precedente. (Carta Capital, 17 jul. 2002, p. 20.) O texto acima se refere a um dos aspectos do processo de integração do México ao Nafta. Assinale a alternativa que NÃO apresenta uma conseqüência deste processo para o México. a) O país ficou dependente da intensidade e do padrão de consumo de outros países. b) As maquiladoras, além de recolherem poucos impostos, geram sérios impactos ambientais. c) A renda produzida pelas empresas maquiladoras não promoveu a ampliação do mercado consumidor interno. d) A presença das maquiladoras no norte do país gerou um intenso deslocamento da população naquela direção. e) Após a instalação das maquiladoras, a indústria de base do país experimentou intenso desenvolvimento. 193
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    GEOGRAFIA POLÍTICA/2012 PROFESSOR: TIAGODALESSI 06)(UFMG/2011) Analise este mapa: A partir dessa análise e considerando outros conhecimentos sobre o assunto, a) EXPLIQUE por que o autor do mapa reforçou algumas linhas de fronteira e as denominou “linhas de fratura”. b) Embora a fronteira da Bolívia com o Chile não tenha sido identificada, no mapa, como “linha de ruptura”, sabe-se que há uma faixa de disputa entre esses dois países. EXPLIQUE qual é o interesse boliviano nessa estreita faixa de terra. c) IDENTIFIQUE e EXPLIQUE a natureza de outros problemas que geram tensões entre os países andinos, bem como entre estes e os países vizinhos não andinos. 194
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    GEOGRAFIA POLÍTICA/2012 PROFESSOR: TIAGODALESSI 07)(UFRJ/2005) O mapa mostra a América do Sul e o Caribe na perspectiva do Comando Militar Unificado dos Estados Unidos da América. Indique dois interesses econômico-estratégicos norte-americanos na região do Caribe. 08)(UFBA) A América Latina vem passando, desde o inicio da última década, por processos de redemocratização que reativaram projetos socioeconômicos há muito desejados pelos povos da região. Porem, existem disparidades entre os desejos por justiça social dos povos latinos e as possibilidades políticoeconomicas de se chegar, mais rapidamente, à justa equidade sócio-espacial. Em relação a esse momento singular na região, responda às questões a seguir. a) Identifique o país da América Andina onde os movimentos sociais históricos levaram ao poder executivo do Estado Nacional um descendente de ameríndios, em 2006, e explique de que maneira a sua ação política vem colocando em xeque a globalização em seu país. b) Explique dois fatores ligados as ações paramilitares e/ou econômicas dos narcotraficantes que caracterizam a atual crise de governabilidade vivenciada pela Colômbia. Em relação à crise de governabilidade na Colômbia ligada a fatores paramilitares e/ou econômicos dos narcotraficantes, pode-se destacar: 195
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    GEOGRAFIA POLÍTICA/2012 PROFESSOR: TIAGODALESSI 09)(PISM III/2009) Leia a notícia a seguir. “Brasil explora o Paraguai em Itaipu”, diz o título principal do jornal ABC Color. “Esta deve ser a prioridade máxima do próximo governo”. No texto, afirma-se que o Paraguai é um dos poucos países do mundo com excedentes energéticos, mas devido ao acordo assinado durante período de ditaduras militares nos dois países e “mantido por governos corruptos, não pode usufruir, legitimamente, de seus recursos naturais, como faria qualquer nação do planeta”. Ainda de acordo com o mesmo texto, na primeira página do jornal, no caso de Itaipu, o povo paraguaio é “obrigado a ceder ao Brasil” a maior riqueza que o país dispõe para sair da pobreza. Fonte: http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2008/04/080420_paraguaiitaipu_ir.shtml. Acesso em 30/11/2008. O Paraguai é um dos poucos países do mundo com excedentes energéticos porque: a) desenvolve uma política de utilização de fontes alternativas. b) o setor agrícola utiliza apenas a mão-de-obra dos indígenas. c) o seu IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) é elevado. d) possui uma produção de energia elétrica acima da demanda. e) utiliza o excesso de gás produzido pelas refinarias bolivianas. 10)(PISM III/2006) Ao analisar a organização do espaço americano, é CORRETO afirmar: a) A província de Chiapas, no sul do México, a mais pobre do país, ganhou notoriedade mundial em meados dos anos 90, pela ação guerrilheira do Exército Zapatista de Libertação Nacional. b) Os processos de independência de toda a América Latina, ocorridos ao longo dos séculos XV e XVI, coincidiram com o crescimento da economia norte-americana e sua afirmação como potência imperialista. c) A América Platina, depois do México, foi o segundo foco de maior influência dos Estados Unidos nas Américas, porque o país não queria ter surpresas desagradáveis em sua fronteira sul. d) A base naval de Guantánamo, um enclave militar dos Estados Unidos em território cubano, no extremo sudeste da ilha, foi devolvida ao controle de Fidel Castro, com o fim da “Guerra Fria”. e) O poder paralelo dos cartéis de drogas, aliado ao medo de surtos de militarismo, tem levado os maiores produtores de cocaína, como a Costa Rica e o Panamá, a buscarem o mercado internacional de armas. GABARITO: 01-A 06-Aberta 02-B 07-Aberta 03-A 08-Aberta 04-D 09-D 05-E 10-C 196
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    GEOGRAFIA POLÍTICA/2012 PROFESSOR: TIAGODALESSI Capítulo 4: ÁFRICA Para refletir: Colha os frutos de seu trabalho, estudo e dedicação, sua aprovação no vestibular. 197
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    GEOGRAFIA POLÍTICA/2012 PROFESSOR: TIAGODALESSI 1- AS FRONTEIRAS DA ÁFRICA O imperialismo europeu e a fragmentação territorial da África A África passou por inúmeros choques sociais, políticos e culturais em consequência da exploração comercial e da divisão do território pelos países europeus desde o século XVI, que explicam, em grande parte, a fragilidade dos Estados nacionais africanos. A partilha do continente deu-se de forma arbitrária. A demarcação das fronteiras não respeitou as populações nativas. Tribos rivais ficaram confinadas entre as mesmas fronteiras, enquanto tribos etnicamente relacionadas foram separadas pelos limites estabelecidos. A ação dos colonizadores portugueses, ingleses, belgas, alemães, franceses e holandeses, combinada a outros fatores, resultou em div,ersos problemas econômicos, sociais e territoriais, tais como:    O impedimento de um desenvolvimento auto-sustentado pelos próprios povoados e comunidades africanos. A formalização da partilha do território em regiões de propriedade européia (Congresso de Berlim, 1885). A drenagem de alimentos e minérios para a construção de ferrovias e portos voltados à exportação. O escoamento de recursos naturais visava o abastecimento de matéria-prima farta e barata para as indústrias européias.  Congresso de Berlim – Congresso realizado em Berlim, entre novembro de 1884 e fevereiro de 1885, contando com 12 países, sendo os principais Alemanha, Inglaterra, França, Espanha, Itália, Bélgica e Portugal. Os participantes, nesse encontro, estabeleceram regras para manter e ampliar suas áreas de domínio na África. O redesenho do continente As retiradas das potencias européias do território africano foi em grande parte ocasionada pela situação econômica desastrosa em que elas se encontravam após a Segunda Guerra Mundial. Manter a administração 198
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    GEOGRAFIA POLÍTICA/2012 PROFESSOR: TIAGODALESSI das colônias e a segurança militar dentro delas tornou-se muito oneroso. Isso desencadeou um verdadeiro redesenho do continente, além de propiciar um clima de indefinições territoriais e vazios políticos, com conseqüente disputa pelo poder. Estados corruptos, liderados por elites tribais e alinhados aos interesses estrangeiros, implantavam projetos de industrialização e modernização com mão de ferro e forte controle estatal. Paralelamente a essa política, alguns intelectuais africanos, como Kwane Nkrumah, de Togo, e Edem Kodjo, ex-primeiro-ministro do Togo e ex-secretário-geral da então OUA (Organização da Unidade Africana), defendiam o reordenamento das fronteiras, visando a uma união que levasse à estabilidade entre os povos e à prosperidade do continente. Porém a maioria dos primeiros líderes da independência do continente prometiam não interferir nas fronteiras dos Estados vizinhos, mantendo, com tal atitude, a confusão produzida pela partilha da África estabelecida na Conferencia de Berlim de 1885. O reordenamento do território foi também dificultado pela diversidade étnica e pela ampla rede de inimizades entre povos africanos. A política de não-interferência no traçado das fronteiras gerou grandes instabilidades e graves conflitos pela definição dos novos Estados-nação africanos. Alguns especialistas sugerem que a reconfiguração do continente é um processo que já está em andamento e que “potencias” econômicas regionais, como a África do Sul, a Nigéria, Angola, Uganda e Ruanda, estão buscando consolidar sua influência sobre os demais. Exercícios: a) Que fatores levaram as colônias africanas a conquistar a independência após a Segunda Guerra Mundial? _________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ b) Explique as polêmicas surgidas em torno do redesenho das fronteiras dos países africanos após a independência. _________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ c) Por que os europeus não levaram em conta a antiga divisão étnica do continente para delimitarem seus territórios na Conferência de Berlim? _________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ d) Quais os efeitos sociais e políticos da nova divisão feita pelos europeus no continente africano? _________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________ e) Que objetivos tinham as nações européias, como França, Inglaterra e Alemanha, ao realizar a divisão do território africano? 199
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    GEOGRAFIA POLÍTICA/2012 PROFESSOR: TIAGODALESSI _________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________ 2- ECONOMIA AFRICANA O desenvolvimento agropecuário As atividades agropecuárias têm como sempre tiveram importância incontestável na economia da África. Em determinadas regiões, entre 50% e 90% da população vivem dessas atividades. Do passado pré-colonial, ainda restam atividades de pastoreio nômade nas áreas mais quentes e secas, onde as condições adversas do clima e do ambiente desestimulam a fixação de comunidades. Os grupos pastores nômades, voltados à criação de bovinos e caprinos, ainda trabalham com técnicas rudimentares e suas atividades são de subsistência. Na agricultura africana em geral, predomina o cultivo de pequenas propriedades com o uso de técnicas rudimentares. O resultado é uma agricultura de subsistência, que pode render excedentes para o mercado interno e mesmo para a exportação intermediada por comerciantes. As práticas rudimentares, que incluem o desmatamento e o uso intensivo da mesma área para cultivo, prejudicam os solos. Com o esgotamento da fertilidade de uma área, os camponeses se deslocam para outras, acelerando, por exemplo, a destruição de solos e ecossistemas das savanas e das estepes. Mas esse deslocamento pode ser atribuído também à perda das terras para os grandes proprietários e empresas agrícolas. Assim como nos continentes americano e asiático, o modelo colonial colocou a África no papel de fornecedora de matérias-primas e de compradora de produtos industrializados das potencias européias, ou seja, numa posição subordinada dentro da DIT. Essa situação provocou grandes endividamentos nos países africanos, principalmente após o processo de descolonização, além de ter imprimido uma “vocação” agrícola e mineradora no continente, colaborando para o aumento do quadro de miséria e de péssima distribuição de renda. Em diferentes regiões da África, a organização do espaço agrícola baseia-se em propriedades de grande extensões, geralmente de propriedade de colonos europeus que utilizam mão-de-obra familiar e assalariada. A maior parte dos cultivos é realizada com técnicas modernas e eficientes, e a finalidade da produção é a comercialização. Entre os principais produtos agrícolas exportados pelo continente africano, destacam-se o algodão, o amendoim (óleo), o cacau, o café e a cana-de-açúcar. Economia de mineração Em países como Angola, Nigéria, Mauritânia, Argélia, Líbia, África do Sul, República Democrática do Congo e Zâmbia, os produtos minerais representam, muitas vezes, mais da metade das exportações totais. Apesar disso, sua exploração ocupa uma parcela muito pequena da população economicamente ativa. Uma grande variedade de métodos é empregada para a extração mineral, dependendo do tamanho das jazidas e da disponibilidade de capital e tecnologia. As jazidas de metais e pedras preciosas atraem multidões de aventureiros, além de jovens e crianças que acabam trabalhando como escravos em tais atividades. Em jazidas onde os minerais são encontrados próximo à superfície, demandando assim menos infra-estrutura, a exploração é feita por garimpeiros, individualmente ou em pequenos grupos, usando métodos simples de trabalho. Nas jazidas mais profundas, são necessários equipamentos modernos de sondagem e perfuração, e por isso a extração é feita por grandes companhias mineradoras, principalmente norte-americanas e europeias. Ainda que muitas das companhias mineradoras tenham sido nacionalizadas em vários países africanos, a maior parte da produção mineral é exportada sob a forma de minério bruto para os países da Europa Ocidental, os Estados Unidos e o Japão. Isso ocorre porque o processamento dos minerais não é realizado em terras africanas, o que mantém os países do continente numa posição subordinada na DIT e lhes dificulta o desenvolvimento econômico pela falta ou o encarecimento de matéria-prima mineral para uso interno. Se sofressem processos de beneficiamento e industrialização em unidades produtivas locais, os produtos minerais extraídos dos países africanos acabariam agregando maior valor e gerariam superávit nas balanças comerciais, permitindo investimentos em infra-estrutura e na qualificação da mão-de-obra local. 200
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    GEOGRAFIA POLÍTICA/2012 PROFESSOR: TIAGODALESSI Angola, Serra Leoa e Congo são exemplos de países em que a extração de diamantes é realizada por meio de trabalho escravo e infantil, gerando mutilações, migrações em massa, assassinatos, tráfico de armas e colapso econômico. A industrialização tardia e incompleta O setor industrial dos países africanos, de modo geral, não apresenta diversificação e dinamismo suficientes para sustentar um desenvolvimento econômico autônomo. As exceções são: Egito e África do Sul. Por serem compradores de produtos industrializados dos países do centro do sistema capitalista, as nações africanas permanecem como meras exportadoras de matérias-primas (minérios e produtos agrícolas). A diferença entre a necessidade de produtos industrializados e a disponibilidade interna de capitais para comprálos impede uma acumulação de capitais no continente, pois a maioria dos escassos recursos financeiros acaba sendo canalizada para o exterior com as importações. Boa parte das indústrias que atuam em solo africano é composta de transnacionais ou de empresas ligadas a grupos tradicionais da pequena elite africana, altamente concentradora de lucros. O processo de industrialização iniciou-se na África após a descolonização, nas décadas de 1950 e 1960, quando grande número de Estados-nação foram formados com alto grau de desarticulação econômica, social e política. Das tentativas bem-sucedidas de desenvolvimento industrial, podemos citar alguns elementos positivos, por terem contribuído para a mudança da organização dos espaços produtivos:     o fortalecimento das economias nacionais, por meio do aumento da renda das populações e do consumo interno, e da geração de novas atividades produtivas e novos postos de trabalho. O incremento das bases econômicas nacionais, visando diminuir as exportações e aumentar a poupança interna dos países. O surgimento da OUA (Organização da Unidade Africana), em 1961, buscando dar unidade política e estabilidade econômica e territorial à África. O aumento do grau de beneficiamento das mercadorias, visando aumentar a lucratividade dos setores voltados para a exportação. Obstáculos à industrialização Apesar das tentativas de alguns governos e de uma pequena elite, o continente enfrenta obstáculos próprios de região recém-descolonizada para o desenvolvimento das atividades industriais. Os principais são:       Pequena participação no comércio mundial. Escassez de capital. Investimentos externos diretos. Escassez de mão-de-obra qualificada. Mercado interno restrito. Intermináveis guerras civis. Exercícios de Aplicação: a) Qual era o papel dos países africanos na DIT durante o período colonial? _________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ b) Explique as características da nova DIT. 201
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    GEOGRAFIA POLÍTICA/2012 PROFESSOR: TIAGODALESSI _________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ 3- AFRICA NA MARGEM DA GLOBALIZAÇÃO As relações com a África será uma prioridade da Presidência portuguesa da União Europeia. Portugal tem laços antigos e fortes com vários países africanos a sul do Saara. Essa circunstância histórica dá credibilidade ao nosso país quando na Europa comunitária se debatem temas relacionados com África. A UE tira vantagem do capital de conhecimento e capacidade de relação que Portugal possui quanto aos países africanos. E estes lucram por terem em Bruxelas uma voz que pode chamar a atenção para os seus problemas. O fato é que a África é hoje um continente que conta pouco no cenário internacional. Sobretudo, ficou à margem da globalização. Enquanto a entrada da China, da Índia e de outros países asiáticos no mercado mundial arrancou centenas de milhões de pessoas à miséria, o isolamento de África levou a que, no último quarto de século, o número de pobres tenha duplicado neste continente. É, por isso, urgente fazer com que África entre na economia mundial, cada vez mais globalizada. O que implica abrir os mercados da UE às exportações africanas. Alguma coisa já se progrediu nesse caminho, mas o protecionismo da política agrícola europeia continua a travar muitas importações que poderiam vir de África. É importante atacar alguns problemas urgentes, como as doenças, pois bastariam 1,5 milhões de euros (o que os EUA gastam em armas durante quatro dias...) ao longo de cinco anos para erradicar a malária daquele continente — basicamente graças à generalização do uso de mosquiteiros. É uma tragédia humana e um desastre econômico. A ajuda dos países ricos aos africanos, nomeadamente por parte da UE, tem ficado aquém das promessas. Por exemplo, das que foram feitas na reunião do G8, na Escócia, em 2005. No início da recente reunião do G8, na Alemanha, o Papa Bento XVI recordou ter agradecido a Angela Merkel, em nome da Igreja Católica, a decisão de manter na agenda daquele grupo a pobreza no mundo, em particular na África. E o Papa renovou o apelo a aumentar substancialmente a ajuda ao desenvolvimento, em favor das populações mais carentes, sobretudo as africanas. No entanto, a resposta dos países ricos parece continuar a pouco ultrapassar as palavras e as boas intenções. A Alemanha limitou-se a garantir que iriam cumprir os compromissos de há dois anos... Entretanto, o Banco Mundial reconheceu que ajuda à África não cresceu como previsto, nem os mercados ocidentais se abriram como prometido. Há, ainda, um ponto essencial: a má administração dos governantes e a corrupção em muitos países africanos, responsável em larga medida pela miséria em que eles se encontram. A própria ajuda ao desenvolvimento torna-se, assim, mal vista pelas opiniões públicas na Europa, que a consideram (em parte, infelizmente, com razão) como dinheiro desperdiçado. Daí que seja prioritária a questão da democracia, dos direitos humanos e da luta contra a corrupção em África, mesmo do ponto de vista econômico. Julgo que, nessa matéria, a UE deve lidar com os países africanos exatamente com o mesmo grau de exigência que usa para com os países europeus. Proceder de outro modo seria tratar os Africanos como inferiores. Uma forma de neocolonialismo. Por isso o empenho que Portugal põe, e bem, é que União Europeia e União Africana, não devem levar a fechar os olhos a violações de direitos humanos na África. Ainda quando dirigentes políticos africanos fingem não ver tais violações, como desgraçadamente acontece em relação ao Zimbábue. Fonte: http://www.alem-mar.org/cgi-bin/quickregister, capturado em 06.12.2007. Exercícios: a) O continente africano faz parte do processo de globalização? Justifique. b) Em sua opinião, a África conseguiria sair da crise econômica sem ajuda da União Europeia ou os Estados Unidos? Justifique. 202
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    GEOGRAFIA POLÍTICA/2012 PROFESSOR: TIAGODALESSI 4- ANGOLA: Petróleo, Diamante e Prosperidade O resultado mais cruel de conflitos no país esta na desarticulação política justificada pela diversidade étnica e o desabastecimento geral da população, além das mutilações resultantes de milhares de minas (explosivos que detonam ao serem tocados) distribuídas no território angolano. Angola expressa a realidade de quase todos os países ao sul do Saara. Além da guerra, a fome agride a grande maioria da população. A desorganização política impede a concretização do sonho de muitos líderes nacionalistas, que almejavam ver a África livre do jugo colonial e coesa nos ideais de liberdade e bem-estar. Angola celebrou no último dia 11 de novembro de 2008, 33 anos de independência, transferindo a soberania de Portugal, para o “Povo Angolano”. Esse mesmo “Povo Angolano” que lutou pela sua independência, gostou de brigar / lutar e iniciou uma guerra civil. Lá se foram mais vinte e poucos anos de desgraça. Podemos dizer que a república tem apenas seis anos. Lutaram angolano X angolano; e junto dos angolanos ou contra os angolanos a África do Sul, Cuba, União Soviética, o Antigo Zaire, hoje República Democrática do Congo, alem da China e mercenários portugueses e ingleses. Sentiu falta de alguém? Então vamos colocá-lo ai também: Os EUA, que apoiaram inicialmente apenas a FNLA – Frente Nacional de Libertação de Angola, e não tardaram a ajudar também a UNITA – União Nacional para a Independência Total de Angola. A sua estratégia foi durante muito tempo dividir Angola. Quem venceu e está até hoje no poder: MPLA – Movimento Popular de Libertação de Angola é José Eduardo dos Santos. O presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, dá as boas-vindas ao presidente Lula. Foto: Ricardo Stuckert/PR Durante esse período, a economia sofreu um atraso devido à rebelião. O desenvolvimento não é possível em condições de guerra civil. Finalmente, a sociedade angolana livrou-se desse fardo. O tempo é propício. Atualmente, Angola é um país em obras divididas por empreiteiras brasileiras, nas quais a Odebrecht aparece como a principal quanto ao volume, além de portuguesas e chinesas. É inegável e surpreendente a influência da cultura brasileira em Angola, bem como, também de empresas e produtos brasileiros. Nós, os brasileiros, já fomos os queridinhos do povo angolano. Hoje disputamos esse posto com os chineses. 203
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    GEOGRAFIA POLÍTICA/2012 PROFESSOR: TIAGODALESSI Angola é o maior produtor de petróleo na África, depois de ter ultrapassado a Nigéria. Angola é atualmente a origem de 5% das importações petrolíferas norte-americanas (496 mil barris diários) e no primeiro trimestre de 2008 foi o principal fornecedor de petróleo da China, ultrapassando a Arábia Saudita, graças a um aumento de 55% nas suas exportações para o país asiático. Não é só isso. Desde sua adesão a OPEP em 2007, Angola entrou com força e por cima, com a sua produção petrolífera. Senão veja: O ministro angolano do Petróleo, Desidério Costa, foi nomeado presidente da Organização de Países Exportadores de Petróleo – Opep para 2009. No meio dos “sheik” árabes, um africano angolano, tomando conta da mais poderosa e endinheirada organização mundial. Às voltas com taxas de crescimento que rondam os 20% nos últimos cinco anos, o país tem se transformado no mais recente Eldorado de uma legião de empreendedores. Associados sempre a angolanos, esses empresários chegam diariamente a Luanda em vôos lotados. Há uma crença geral de que vale a pena explorar qualquer atividade econômica em Angola. Há demanda por tudo e restrições de oferta de toda ordem. Também colabora para essa situação o fato de a economia estar baseada fortemente na exploração de petróleo e minerais (principalmente diamante e ouro). Diante da escassez de mão de obra especializada, essas empresas operam com mão de obra estrangeira que, evidentemente, condiciona sua ida à custa da manutenção de um padrão de vida similar aos de seus países de origem. Tudo isso faz com que Luanda seja uma das cidades mais caras do mundo para viver. Fonte: http://mercadoafricano.blogspot.com/2008/12/angola-petrleo-diamante-e-prosperidade.html 204
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    GEOGRAFIA POLÍTICA/2012 PROFESSOR: TIAGODALESSI 5- A queda de Mubarak no Egito e "a Berlim de 1989 dos árabes" Fonte: http://folha13.blogspot.com/2011/02/queda-de-mubarak-no-egito-e-berlim-de.html, acessado em 18/02/2011. Por Leandro Paterniani Como o “11 de fevereiro” passará para a História ainda é cedo para saber: tudo depende da dimensão que as repercussões da queda do ditador do Egito Mubarak tomarão daqui para frente. Há quem diga que estamos assistindo apenas ao começo de uma revolução democrática árabe, que poderá colocar fim a uma série de ditaduras que persistem no norte da África e no Oriente Médio, instalando, nos seus lugares, regimes democráticos. Entretanto, uma coisa já sabemos: para o Egito, essa data já faz parte de sua História. Após trinta anos de opressão, o povo egípcio finalmente está livre do ditador Mubarak. Chama à atenção, sobretudo, a mobilização popular que culminou com a renúncia de Mubarak: nos últimos 18 dias, pessoas das mais diversas partes do mundo acompanharam pela internet e pela TV cada lance da luta do povo egípcio, que desde o dia 25 de janeiro tomou as ruas e iniciou um movimento que buscava muito mais que uma transformação econômica, mas sim uma ruptura política. Embora a Praça Tahrir tivesse sido tomada por egípcios das mais diversas idades e classes sociais, é impossível não reconhecer o protagonismo da juventude egípcia nesse processo. E, neste sentido, é muito especial vermos a juventude tomando as ruas e, movidas pela esperança e pelo desejo de uma sociedade de direitos e democrática, derrubar um regime ditatorial. Torcemos para que agora o Egito possa experimentar uma transição tranqüila para um governo democrático, fazendo valer a luta desses milhões de egípcios que lutam por dias melhores. O Boteko reproduz aqui um texto do jornalista do El País Javier Valenzuela, intitulado “A Berlim de 1989 dos árabes”. Boa leitura! A Berlim de 1989 dos árabes “Foi duro, muito duro, e absolutamente deslumbrante. O povo egípcio, liderado por sua ciber-juventude democrática, em dado ao mundo uma imensa lição de claridade de idéias, valentia e tenacidade. A imensa multidão da Praça de Tahrir, jovens e adultos, de classe média e pobres, homens e mulheres, cristãos e muçulmanos, insistia na saída do ditador Mubarak antes mesmo de contemplar a possibilidade de uma transição para a democracia mais ou menos negociada entre o regime e a oposição, e tinha toda razão do mundo. Nada do que o regime prometesse teria a menor credibilidade se seguisse no trono um faraó convertido em múmia, um cadáver político teimosamente agarrado ao poder. Mubarak acaba de ir-se. O povo venceu na persistência. Na noite passada, Mubarak ainda insistia em permanecer no cargo até setembro, liderando a transição. Era um disparate monumental, ainda que tivesse o apoio dos falcões de Israel, de outros déspotas árabes, dos elementos mais conservadores dos norteamericanos e da pusilanimidade de dirigentes europeus. Era um despropósito porque o povo de Tahrir não aceitaria, não abandonaria o combate. Ao contrário, iria redobrá-lo, mesmo que decepcionado e frustrado, contando também com o reforço de outras centenas de milhares de egípcios em suas orações de sexta-feira nas mesquitas. Nos últimos dias o lema do povo era esse: “se o rei é teimoso em seus esforços de agarrar-se ao poder, muito mais somos nós”. Como o governo podia conter a multidão que tem ocupado as ruas das principais cidades egípcias? Somente uma matança de proporções descomunais, uma matança nunca vista ao vivo na História da Humanidade, poderia tentar conter hoje o movimento egípcio e mesmo assim era improvável que conseguisse seu objetivo. O blefe de Mubarak na noite anterior não teria o menor futuro. A partir do momento que o Exército egípcio, a instituição com maior prestígio no país e da qual saíram os presidentes Nasser, Sadat e Mubarak, se negou a disparar contra as massas, afirmando inclusive que compreendia e apoiava seus motivos, a revolução democrática egípcia já estava em vias de ganhar. Agora, acaba de conseguir seu primeiro objetivo concreto: a renúncia do ditador. E é um momento para regozijo. Dos egípcios, dos povos árabes e de todos os democratas do planeta. Acaba de triunfar a primeira e decisiva fase de uma revolução democrática. A humanidade não havia vivido nada semelhante desde a queda do Muro de Berlim e a dissolução do império soviético. E esta primavera dos povos árabes tem muito pouco ou nada a ver com a revolução de Teerã, em 1979. Somente cabe comparála com Berlim em 1989. É a história em movimento, é, em plena crise econômica, o retorno ao primeiro plano da política internacional de luta contra a ditadura e em favor dos direitos humanos. 205
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    GEOGRAFIA POLÍTICA/2012 PROFESSOR: TIAGODALESSI Já são dois ditadores árabes derrubados, o tunisiano Ben Ali e o egípcio Mubarak, nesta revolução democrática árabe que faz cair por terra estúpidos preconceitos ocidentais, como aquele que afirma que o árabe e o muçulmano são totalmente incompatíveis com a democracia. 6- ÁFRICA DO SUL: APARTHEID Fonte: KRAJEWSKI, Ângela Corrêa. Geografia – Pesquisa e Ação. Volume Único para Ensino Médio. São Paulo: Ed. Moderna, 2005. pág. 142-144. A África do sul ocupa uma posição estratégica no sul do continente africano, como eixo de passagem entre os oceanos Atlântico e Índico. Além disso, possui muitos recursos naturais, especialmente ouro, pedras preciosas e minerais. Porém, sua inserção como potência regional define-se mais pela sua liderança no continente, reforçada pela formação da União Africana em julho de 2002. Essa nova organização é uma iniciativa para estimular o desenvolvimento e combater a pobreza no continente. A experiência democrática da África do Sul e o vigoroso crescimento econômico na última década começam a exercer forte influência sobre o continente, especialmente na África Subsaariana. As relações comerciais entre a África do Sul e a maioria dos países estiveram suspensas por décadas. O bloqueio econômico determinado ao país pela ONU foi represália à política do apartheid - regime político que vigorou de 1948 ao início da década de 1990, no qual apenas a minoria branca exercia direitos políticos, econômicos e sociais, excluindo a imensa maioria negra. Por esse motivo, a África do Sul foi um dos países africanos que mais alimentou o noticiário internacional no período. Diversas vezes o apartheid foi analisado pela imprensa internacional, em vista dos horrores praticados contra a maioria negra. A discriminação, expressa na Constituição gerava protestos em todo o mundo e, obviamente, no país. Os primeiros colonos europeus que chegaram à região no século XVII eram holandeses calvinistas; formaram grandes latifúndios e escravizaram membros de diversas etnias locais. Os bôeres (fazendeiros), como eram chamados os holandeses e seus descendentes, fixaram-se no extremo sul do continente e foram senhores da região até a chegada dos ingleses, no século XIX. A Coroa britânica passou a ter interesse na região e, motivada pela descoberta de ouro, iniciou um processo maciço de colonização, obrigando os bôeres a procurar novas áreas no interior. Estes fundaram posteriormente o Estado Livre de Orange e a República do Transvaal, formando grandes fazendas e escravizando principalmente os zulus, nativos locais. A base religiosa calvinista dos bôeres, que buscavam com ela justificar a dominação sobre as populações negras locais, de certa forma foi responsável pela gênese do apartheid. No final do século XIX e início do século XX, a invasão do Transvaal pelos britânicos desencadeou a Guerra dos Bôeres, que durou de 1899 a 1902. Como resultado, todo o extremo sul da África passou a fazer parte do Império Britânico, com o nome de União Sul-Africana. Em 1948, o Partido Nacional, formado pela minoria de descendentes de bôeres, ganhou as eleições, rompeu com o Império Britânico e proclamou a independência do país. A partir desse momento, a política do apartheid tomou forma legal e estendeu-se por todo o território sul-africano, negando à maioria negra o direito de voto e participação política em geral. Em 1959, o governo de Pretória criou os bantustões, áreas específicas para abrigar negros, verdadeiros bolsões de mão-de-obra barata, completamente segregados, e que aumentaram ainda mais o fosso entre brancos e negros. Por determinação do governo local, as línguas dos grupos étnicos negros eram proibidas nas escolas, onde se ensinava o africânder - língua de origem bôer. Em 1976, protestos tomaram conta das ruas de Soweto. Estudantes e professores das escolas dos negros reivindicavam o ensino unificado em inglês, resistindo ao domínio forçado da língua africânder. As manifestações dos estudantes foram duramente reprimidas pela polícia, com numerosas mortes. Esses protestos reavivaram a pressão internacional sobre o regime. O apartheid foi condenado pela maioria das nações do mundo, pois representava a continuação da opressão colonial a uma nação livre. Nelson Mandela, líder do Congresso Nacional Africano (CNA), partido político ilegal e que resistiu bravamente ao apartheid, e Desmond Tutu, bispo da Igreja Anglicana e prêmio Nobel da Paz de 1984, foram fundamentais para o fim do apartheid. As primeiras eleições multirraciais na África do Sul, em 1994, e a vitória de Nelson Mandela só foram possíveis após longo trabalho junto às lideranças brancas do país, que, pressionadas pela crescente organização dos negros e pelas sanções internacionais, resolveram ceder. Foram quatro anos de longas negociações antes das eleições. O Partido Nacional recuou em 2 de fevereiro de 1990, quando o presidente sul-africano, Frederik De Klerk, anunciou, num discurso tenso, o fim do apartheid e a libertação de Mandela. Costurou-se, dessa forma, uma aliança para a reconstrução nacional. O instrumento utilizado pelo CNA foi um acordo muito bem articulado, que propôs um governo de unidade para o país. Qualquer partido que conseguisse 5% dos votos teria o direito de compor um ministério. Essa foi a fórmula 206
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    GEOGRAFIA POLÍTICA/2012 PROFESSOR: TIAGODALESSI encontrada para consolidar um acordo geral, incluindo até a participação de dois segmentos radicais: os ultra direitistas brancos, representantes dos africânderes (descendentes dos colonos holandeses, que tiveram uma chapa encabeçada pela Frente da Liberdade), e o Partido Inkatha, liderado pelo chefe zulu Mangosuthu Buthelezi, que por muito tempo rivalizou-se com o CNA. 7 – NOVOS DESAFIOS DA ÁFRICA DO SUL Fonte: KRAJEWSKI, Ângela Corrêa. Geografia – Pesquisa e Ação. Volume Único para Ensino Médio. São Paulo: Ed. Moderna, 2005. pág. 144-145. O país símbolo da segregação racial realizou eleições presidenciais livres em 1994, com a vitória de Nelson Mandela, príncipe da etnia xhosa, que ocupou por 27 anos uma das celas do presídio central de Johanesburgo como preso político. Primeiro presidente negro de um país colonizado por holandeses e ingleses (estes em menor número), Mandela marcou um novo período da África do Sul. Tabo Mbeki, vice-presidente no governo de Nelson Mandela, foi eleito presidente em junho de 1999, com amplo apoio popular. O que se espera é uma reorganização econômica que permita à população negra melhores condições socioeconômicas para resgatar, no mínimo, seu direito inalienável a uma vida digna. Apesar de a população da África do Sul ser em sua maioria negra, o país enfrenta desafio para diminuir a desigualdade social entre os diferentes grupos étnicos negros e a população branca, de origem européia. Ainda que os avanços democráticos dos últimos anos tenham sido enormes, 75% da riqueza nacional concentram-se nas mãos de 20% da população, especialmente da branca. Este quadro toma evidente que muitos esforços serão necessários para romper com uma espécie de apartheid econômico que toma conta do país. A taxa de desemprego entre os negros, por exemplo, atinge 42% da população economicamente ativa; entre a minoria branca, o desemprego é de apenas 4%. Outro grave problema do país são os infectados pela aids. Com 4,7 milhões no final de 2000, a África do Sul é o país com o maior número de portadores do HIV (o vírus da aids) do mundo.A epidemia atinge 11,6% da população e quase um quarto das mulheres grávidas. Segundo projeções da ONU, essa situação provocará uma redução de 18 anos na expectativa de vida da população, entre 2000 e 2005. Por sua gravidade, a aids também se tomou um problema econômico, a tal ponto que, segundo estimativa da ONU, a moléstia será responsável pelo encolhimento de 17% do PIB sul-africano na próxima década. Apesar das dificuldades sociais, a economia da África do Sul está cada vez mais diversificada. Destacam-se quatro regiões industriais: Transvaal (onde se encontra a indústria pesada e de mineração), Cidade do Cabo (com concentração da indústria alimentícia), Durban (com forte presença do setor químico, refino de petróleo e produção de pasta de papel) e Porto Elizabeth e Pretória, ocupados por montadoras de automóveis, indústrias têxteis, químicas e siderúrgicas. Em 2004, a África do Sul era a primeira do mundo em exportação de ouro e cromo, a quinta de diamantes e a nona de minério de ferro, níquel e urânio. Além disso, é a oitava em reservas de carvão mineral, assumindo mais de 110 minas em atividade. Do ponto de vista agrícola, é uma grande produtora de cana-de- 207
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    GEOGRAFIA POLÍTICA/2012 PROFESSOR: TIAGODALESSI açúcar e uva, apesar da falta de água para irrigação. Está entre os 10 maiores produtores mundiais de vinho, outro produto exportado em escala comercial. Com a experiência democrática recente e o desenvolvimento econômico, a África do Sul projeta-se como a grande liderança da nova União Africana, principalmente na chamada África Negra. Nenhum outro país dessa porção do continente dispõe de base industrial e forças armadas com a atualidade das sul-africanas. A Nigéria tenta rivalizar-se com ela no comércio intra-África, mas não obtém os mesmos resultados por falta de condições econômicas e militares. 8- CONFLITO NO CONGO 20/11/2008 Entenda o conflito na República Democrática do Congo Fonte: Site Folha São Paulo O atual conflito na República Democrática do Congo (RDC, chamada de Zaire entre 1971 e 1997) tem raízes em choques étnicos e em interesses comerciais e políticos que já levaram a ex-colônia belga a ser palco do que foi chamado de Primeira Guerra Mundial Africana, entre 1998 e 2003. Nações vizinhas e até países como Zimbábue e Namíbia, que não fazem fronteira com o Congo, enviaram tropas ao território congolês em apoio às facções em combate. A instabilidade causada pelo grande fluxo de refugiados que entraram no país em 1994, fugindo de um genocídio em Ruanda, ajudou a enfraquecer a ditadura de Mobuto Sese Seko, que estava no poder desde 1965. Ele acabou derrubado em 1997 por uma rebelião liderada por Laurent Kabila, com apoio dos regimes de Ruanda e Uganda. Mas os dois países logo passaram a desafiar a autoridade de Kabila, que buscou apoio de outros países para manter o poder no país, renomeado por ele de República Democrática do Congo. Angola, Chade, Sudão, Zimbábue e Namíbia apoiaram o regime de Kinshasa, e Ruanda, Uganda e Burundi - este último de forma não oficial - respaldaram o rebelde ACD (Agrupamento Congolês para a Democracia). Durante os seis anos de combate, cerca de 3,5 milhões de pessoas morreram de fome, doenças ou em razão da violência. Tréguas provisórias Apesar de tréguas provisórias, os combates continuaram. Em janeiro de 2001, o presidente Laurent Kabila foi assassinado por um de seus guarda-costas. Seu filho Joseph, então com 30 anos, assumiu o cargo e, em outubro de 2002, assinou um acordo de paz com as facções rebeldes para criar um governo de unidade nacional. Após o armistício, a ACD se transformou em um partido político, com atual presença no Parlamento após eleições gerais, e suas milícias foram absorvidas pelo Exército como parte do processo de reconciliação nacional. Os conflitos étnicos regionais, entretanto, persistiram. O atual conflito tem como protagonistas os mesmos atores locais, as antigas milícias da ACD que se integraram nas Forças Armadas da RDC, mas que só ficaram ao lado do governo até 2004. Nesse ano, voltaram a pegar em armas contra Kinshasa quando o governo quis substituir Laurent Nkunda e outros comandantes da etnia tutsi congolesa, conhecidos também como banyamulenge, por militares de outras regiões da RDC. Tutsis Nkunda lidera cerca de 4.000 soldados, todos banyamulenges, e afirma que luta para evitar que a comunidade seja massacrada pelas tribos rivais e pela milícia hutu interahamwe, acusada de genocídio dos tutsis de 1994 em Ruanda e que fugiu ao leste da RDC quando um regime tutsi assumiu o controle em Kigali, a capital ruandesa. Kabila, que após liderar um governo de transição foi eleito para a Presidência em 2005, tem como aliadas as milícias locais Mai-Mai, que defendem seus territórios de outros grupos, e também as Forças Democráticas de Libertação de Ruanda (FDLR). 208
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    GEOGRAFIA POLÍTICA/2012 PROFESSOR: TIAGODALESSI Em meio aos combates cada vez mais freqüentes, a ONU (Organização das Nações Unidas) tenta manter a assistência às milhares de pessoas que vivem em campos de refugiados no país. A organização mantém no Congo a sua maior força de paz, com 17 mil soldados. A fragilidade do governo, que não consegue manter presença em todo o território do terceiro maior país da África, possibilita o domínio de áreas do país pelos rebeldes - algumas com ricas minas de cobre, ouro, diamante e zinco - e alimenta o temor de que países vizinhos ambicionem novamente envolver-se de forma direta no conflito. 9- SOMÁLIA: Piratas mantêm capitão refém atiram em navios dos EUA Os piratas somalis que mantém um capitão de navio americano como refém reagiram a tiros a uma aproximação de marinheiros americanos, informou neste sábado a rede de televisão CNN. O incidente ocorreu na manhã deste sábado, quando o navio de guerra americano USS Bainbridge mandou um pequeno grupo em um barco em direção ao bote salva-vidas onde se encontram os piratas e o capitão Richard Phillips, informou um funcionário do governo. Entenda os ataques de piratas na Somália Ao perceberem a aproximação, os piratas atiraram contra os marinheiros americanos, que retornaram ao USS Bainbridge principal sem revidar aos tiros. Phillips é refém dos piratas desde a última quarta-feira, quando o navio que comandava, o Maersk Alabama, foi interceptado. Porém, os 20 membros da tripulação conseguiram recuperar o controle do cargueiro, mas os piratas fugiram com o capitão, que se ofereceu como refém para garantir a segurança de seus subordinados. O USS Bainbridge foi mandado imediatamente para o local pela Marinha americana, a fim de acompanhar de perto os acontecimentos. Ontem chegou o segundo navio para ajudar na missão, o USS Halyburton, em um terceiro, o USS Boxer, chega ainda neste sábado ao local. Os piratas somalis que estão com Phillips já haviam dito neste sábado que uma eventual tentativa de resgate do capitão poderia resultar em um "desastre" - assim como ocorreu ontem, quando uma operação de resgate realizada por tropas francesas em outra embarcação tomada por piratas na costa da Somália terminou com a morte de um refém e de dois sequestradores. Na sexta-feira, Phillips tentou escapar do grupo pulando ao mar e nadando em direção a um navio americano, mas foi recapturado antes que a Marinha conseguisse ajudar. O Maersk Alabama, sem o seu capitão, chegou ao seu destino final, o porto de Mombaça (Quênia). O cargueiro se dirigia ao local para levar uma carga de contêineres de comida do Programa Mundial de Alimentos da ONU que dali seguiriam para Uganda e Ruanda. Mais sequestros Neste sábado ocorreu mais um sequestro de navio na costa da Somália. Desta vez foi um rebocador de bandeira italiana, com dez italianos entre os 16 membros da tribulação. Trata-se do barco "Buccaneer", de propriedade da empresa Micoperi, de Rávena (costa adriática italiana), que foi atacado por um número desconhecido de piratas quando se encontrava a alguns quilômetros do golfo, entre Socotra e Iêmen. O dono da Micoperi, Claudio Bortolotti, confirmou à imprensa local que o rebocador, de 75 metros, viajava de Cingapura até o canal de Suez, mas evitou fornecer mais detalhes. O "Buccaneer" arrastava mais duas barcaças. Ainda segundo o governo italiano, os 16 membros da tripulação se encontravam em bom estado e não estavam armados. Além dos italianos, ainda estavam a bordo um croata e cinco romenos. A fragata de guerra "Maestrale" estava à caminho do local onde está o rebocador italiano e deve chegar à zona do sequestro nas próximas horas. Fonte: Folha de São Paulo, 11/04/2009 on-line 10- SUDÃO: UM PAÍS EM PÉ DE GUERRA No coração da África, existe um país miserável, governado pela violência e devastado pela fome. O Sudão está dividido em regiões e religiões que travam uma batalha sem fim. Que país é esse que astros do cinema e outras celebridades visitam, se engajando em campanhas humanitárias e pacifistas? É um lugar quase sempre sem paz. Maior país africano, o Sudão tem uma historia antiga que se confunde com a do Egito. Trata-se de uma história recente de dominação pelos próprios egípcios e também pelos britânicos. 209
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    GEOGRAFIA POLÍTICA/2012 PROFESSOR: TIAGODALESSI Setenta e cinco por cento dos sudaneses são muçulmanos; e 20% praticantes de religiões tribais; e 5%, cristãos. Mas a principal divisão sempre foi entre a população negra africana no sul, e os negros de origem árabe, ao norte. Essa divisão foi agravada a partir dos anos 1980 com a intenção do governo de estabelecer a Sharia, a lei islâmica, inclusive no sul não-muçulmano. Já o conflito em Darfour, no oeste do país, tem motivos basicamente econômicos. A desertificação numa área super povoada fez crescer as tensões étnicas e levou a uma revolta contra o governo central próárabe, em 2003. Uma guerra de milícias, com relatos de atrocidades de ambas as partes, teria deixado 300 mil mortos e dois milhões de refugiados. Eles são os retratos atuais da longa tragédia sudanesa. Omar al-Bashir, que governa o país com poderes absolutos desde um golpe militar, há 20 anos, apoiaria as milícias árabes. Em particular, a Janjawid, acusada de promover massacres e estupros em massa – uma limpeza étnica para varrer certas tribos não-árabes do mapa. Para muitos, genocídio. Mesmo assim, o pedido de prisão de Omar al-Bashir, expedido esta semana pelo Tribunal Penal Internacional por crimes de guerra e contra a humanidade, não tem apoio unânime. Na África, o Sudão não tem boas relações com vizinhos como Chade, Quênia, Uganda e Etiópia, mas têm aliados como Egito e Líbia. Para os Estados Unidos, é um Estado que promove o terrorismo e para a China, um importante parceiro econômico. Os chineses compram a maior parte do petróleo sudanês e fornecem armas ao país. O governante sudanês se defende – atacando. “Quem usa todo tipo de armamento contra Gaza é que deve ser julgado”, disse o presidente sudanês Omar al-Bashir, se referindo à recente ofensiva de Israel no território palestino. Al-Bashir também acusa os Estados Unidos e países europeus de roubo das riquezas da África no passado e de uma tentativa agora de criar o que ele chama de “neocolonialismo”. Para piorar o que já está ruim, o presidente do Sudão expulsou 13 organizações humanitárias do país. As agências tinham mais de seis mil funcionários, entre sudaneses e estrangeiros. Segundo a ONU, a decisão vai deixar mais de dois milhões de pessoas sem comida, água e atendimento médico. Fonte: http://www.africa21digital.com/noticia.kmf?cod=8222248&indice=0&canal=404, capturado em maio/2009. 11- RUANDA: A MORTE MORA AO LADO Fonte: KRAJEWSKI, Ângela Corrêa. Geografia – Pesquisa e Ação. Volume Único para Ensino Médio. São Paulo: Ed. Moderna, 2005. pág. 169-170. O continente africano tinha importância não só como área de apoio para as longínquas terras da Ásia como também, e mais precisamente, como fornecedor de mão-de-obra escrava para sustentar a expansão colonial no continente americano. Em 1884, nações européias promoveram a Conferência de Berlim, com o intuito de dividir a África entre si. Os resultados dessa conferência permitem compreender as dificuldades atuais da maioria dos países do continente africano. A África passou por um significativo processo de artificialização de fronteiras, pelo qual as nações européias colonialistas, ao definirem as divisas dos territórios coloniais no continente, separavam povos amigos e deixavam num mesmo território povos inimigos, com o claro objetivo de dificultar alianças que pudessem colocar em risco o processo neocolonial. A forma como foi executada a partilha da África explica a realidade africana no final do século XX, quando, num mesmo país, grupos rivais lutavam pelo poder, dificultando o estabelecimento de Estados nacionais coesos. "Campos da morte - versão africana da limpeza étnica - trucidam 200 mil pessoas" é o título de uma das matérias publicadas na imprensa sobre a África equatorial, especialmente na região centro oriental, em meados de 1994, e nos dá uma ligeira idéia da proporção de mais um conflito étnico no continente africano. Ruanda, país encravado na África Central, até então conhecido por ter sido cenário do filme Nas montanhas dos gorilas, viu-se arrasada pela guerra étnica iniciada em 1990 e intensificada a partir de 1994, após o assassinato de dois presidentes: Juvenal Habyarimana, de Ruanda, e Cyprien Ntaryamira, do Burundi. O avião em que viajavam foi derrubado quando aterrissava em Kigali, capital de Ruanda. Os motivos que levaram a essa tragédia não são recentes. Os dois presidentes - de etnia hutu – estavam chegando de uma conferência de paz realizada na Tanzânia, onde haviam discutido possíveis soluções para o conflito étnico que há séculos dizima as populações dos dois países. De certa forma, o conflito em Ruanda é uma demonstração de que a realidade africana é o efeito retardado da política colonial que, ao definir as fronteiras da dominação, provocou a desintegração das relações tribais. Até a primeira metade do século XIX, as etnias tutsi e hutu viviam em relativa harmonia no território que 210
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    GEOGRAFIA POLÍTICA/2012 PROFESSOR: TIAGODALESSI hoje é ocupado por Ruanda e Burundi. Os tutsis, de pele mais clara, biótipo longilíneo e maior estatura, eram pastores vindos da Etiópia e fundaram seu reino na região por volta do século XV. Nessa mesma área viviam os hutus, povo de tradição agrícola, originário da Bacia do Congo, de pele mais escura e menor estatura. Quando a colonização se alastrou, a região, inicialmente sob domínio alemão e posteriormente belga, teve sua estrutura social modificada, o que provocou uma ruptura nas relações até então vigentes. Os tutsis foram escolhidos para intermediar o processo de dominação colonial e passaram a ser treinados para o exército, além de ocuparem cargos elevados na burocracia local. As escolas exigiam altura mínima, com o intuito de dificultar o acesso dos hutus, bem mais baixos. Assim, durante toda a colonização, os tutsis tiveram privilégios que agravaram progressivamente as diferenças étnicas. Em 1959, eclodiu a primeira rebelião hutu. Os tutsis aprisionados tiveram seus pés cortados a golpes de facão, de modo a reduzir a diferença de estatura entre eles. Se essa era a grande diferença entre eles, então estava resolvido! Ruanda tornou-se independente em 1962, e os tutsis, minoritários na região, ficaram à mercê dos hutus. A maioria dos tutsis acabou fugindo para a vizinha Uganda e lá se articulou para tentar reconquistar o poder. O governo hutu de Ruanda, liderado desde 1973 por Juvenal Habyarimana, com receio do poder de organização dos tutsis, insuflou os conflitos étnicos entre os dois povos. Entre os meios que utilizou para isso está a obrigatoriedade de constar na identidade dos ruandeses sua origem étnica. O governo cogitou destinar áreas específicas para a população tutsi, repetindo a idéia dos bantustões sul-africanos, com vistas à formação de um apartheid local. Essa situação de conflito étnico não é específica de Ruanda. O Burundi, país ao sul de Ruanda, compartilha com os ruandeses a mesma sina. Em outubro de 1993, o presidente burundinês Melchior Ndadaye, hutu eleito pela maioria, foi assassinado por milícias do exército local, de maioria tutsi. Nos meses seguintes, hutus revoltados promoveram uma chacina que deixou 80 mil mortos. Os conflitos entre hutus e tutsis em Ruanda promoveram um genocídio com um milhão de mortos e dois milhões de refugiados. EXERCÍCIOS DE APLICAÇÃO: 01)(ENEM/2009*) 211
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    GEOGRAFIA POLÍTICA/2012 PROFESSOR: TIAGODALESSI 02)(PISM III/2008) O Sudão é o cenário da crise humanitária mais grave da atualidade, só comparável à da vizinha República Democrática do Congo. Aproximadamente 2 milhões de pessoas morreram, 400 mil deixaram o país e outros 4 milhões perderam suas casas, formando a maior população de refugiados internos do mundo. Sobre os conflitos do Sudão e da República Democrática do Congo (RDC), é CORRETO afirmar que, a) no Sudão, os adversários são grupos que divergem sobre a forma de governo. b) no Sudão, os grupos paramilitares lutam pela reunificação do norte e sul. c) no Sudão, a disputa por água, petróleo e terras férteis explica o conflito. d) na RDC, os conflitos são alimentados por diferenças religiosas. e) na RDC, os grupos rebeldes lutam pela independência do país. 03)(ENEM/2007) A identidade negra não surge da tomada de consciência de uma diferença de pigmentação ou de uma diferença biológica entre populações negras e brancas e(ou) negras e amarelas. Ela resulta de um longo processo histórico que começa com o descobrimento, no século XV, do continente africano e de seus habitantes pelos navegadores portugueses, descobrimento esse que abriu o caminho às relações mercantilistas com a África, ao tráfico negreiro, à escravidão e, enfim, à colonização do continente africano e de seus povos. K. Munanga. Algumas considerações sobre a diversidade e a identidade negra no Brasil. In: Diversidade na educação: reflexões e experiências. Brasília: SEMTEC/MEC, 2003, p. 37. Com relação ao assunto tratado no texto acima, é correto afirmar que: a) b) c) d) e) a colonização da África pelos europeus foi simultânea ao descobrimento desse continente. a existência de lucrativo comércio na África levou os portugueses a desenvolverem esse continente. o surgimento do tráfico negreiro foi posterior ao início da escravidão no Brasil. a exploração da África decorreu do movimento de expansão européia do início da Idade Moderna. a colonização da África antecedeu as relações comerciais entre esse continente e a Europa. 04)(CONCURSO PJF) O continente africano caracteriza-se por: IIIIII- Apresentar grandes problemas decorrentes da colonização que não respeitou os espaços tradicionais das antigas sociedades desse continente. Muitos países, após a independência, acabaram mantendo os territórios coloniais, o que causa um conjunto de conflitos separatistas presenciados na atualidade. Vários países têm investido na infra-estrutura para recebimento de turistas que são atraídos pela diversidade natural, com destaque a África do Sul. Para responder, utilize as opções seguintes: a) b) c) d) e) Se todas as afirmativas forem corretas. Se somente a afirmativa I for correta. Se forem corretas as afirmativas I e III. Se forem corretas as afirmativas I e II. Se forem corretas as afirmativas II e III. 05)(UFJF/2006) Leia o texto abaixo: “A natureza do conflito mudou. O século vinte, o mais sangrento da história da humanidade, foi definido, primeiro, pelas guerras entre países e, depois, pelos receios da guerra fria de confronto violento entre duas superpotências. Agora, esses receios deram lugar aos medos das guerras locais e regionais, travadas predominantemente em países pobres, no interior de Estados fracos ou falidos e com pequenas armas como as preferidas. A maioria das vítimas das guerras de hoje é civil. Há menos conflitos no mundo hoje do que em 1990, mas a parcela desses conflitos que ocorre em países pobres aumentou.” Fonte: Relatório do Desenvolvimento Humano 2005. ONU. Marque a alternativa que apresenta um país e o recurso natural do qual provêm meios para sustentar conflitos violentos: 212
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    GEOGRAFIA POLÍTICA/2012 PROFESSOR: TIAGODALESSI GABARITO: 01-B 02-C 03-D 04-A 05-B 213
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    GEOGRAFIA POLÍTICA/2012 PROFESSOR: TIAGODALESSI Capítulo 5: EUROPA MAPA POLITICO DA EUROPA 214
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    GEOGRAFIA POLÍTICA/2012 PROFESSOR: TIAGODALESSI 1- CARACTERÍSTICAS DEMOGRÁFICAS A Europa, embora seja um continente bastante populoso desde tempos muitos antigos, tem tido um crescimento demográfico muito pequeno nas últimas décadas. Atualmente possui cerca de 744 milhões de habitantes, com estimativas de 701 milhões para o ano de 2025. Isso, porque ao contrário do que ocorre nos demais continentes, a população europeia decresce a cada ano. O número de pessoas com mais de 65 anos é muito elevado na Europa. Essa situação deve se a dois fatores: a natalidade vem diminuindo cada vez mais e a esperança de vida tem se elevado, situando-se em 73 anos. Mas, mesmo que seu crescimento vegetativo seja negativo, o continente consegue manter seu nível populacional, graças à influência de imigrantes. Três quartos da população europeia vivem nas cidades, cuja história se reflete em suas estruturas: geralmente o centro abriga casarões antigos e históricos, e a periferia é ocupada por bairros residenciais e polígonos industriais. As cidades mais populosas da Europa são Paris, Londres, Berlim e Moscou. A rede de infra-estrutura urbana da Europa é das mais completas do mundo, com muitas rodovias, ferrovias, hidrovias, portos e aeroportos. Os principais eixos de comunicação se localizam no centro do continente, seguindo o curso dos grandes rios, como o Reno, o Sena e o Danúbio. Além da avançada rede de infra-estrutura no sistema de transportes e comunicações, a Europa apresenta, no seu espaço agrícola, tudo o que há de mais moderno: tratores, colheitadeiras, sistemas de irrigação, métodos de confinamento do gado. Isso tudo reduziu a necessidade de mão-de-obra e, consequentemente, de população no campo. A população dispensada das atividades agrárias contribuiu para a urbanização do continente, já que, a partir da Revolução Industrial, os setores industrial e de serviços cresceram muito rapidamente, atraindo famílias do campo para compor o operariado nas cidades. Um continente de migrações Os maiores fluxos migratórios do continente europeu ocorreram da metade do século XIX até o início do século XX. Calcula-se que, nesse período, 50 a 60 milhões de pessoas deixaram a Europa. Esse número equivale a mais ou menos um terço da população brasileira atual, que é de cerca de 170 milhões. Entre os fatores que motivaram tão significativo migração pode-se destacar o estado de miséria em que se encontravam vários países europeus. Além disso, a falta de trabalho gerada pela modernização dos sistemas produtivos expulsou grande parte da população, que vislumbrou a possibilidade de garantir sua sobrevivência em terras estrangeiras. O principal destino das migrações, naquele momento, foi o continente americano, o chamado Novo Mundo. Os atuais Estados Unidos da América se tornaram o país que mais atraiu esse fluxo, dadas as possibilidades de obtenção de terras, principalmente no oeste do seu território. Fluxos migratórios atuais Atualmente a Europa vive uma situação inversa: calcula-se que 15,6 milhões de pessoas entraram na sua parte ocidental na década de 1990. a principal causa das migrações rumo à Europa é a crise socioeconômica nos países pobres, sobretudo no Norte da África e também nas Américas Central e do Sul. O desenvolvimento conquistado pelas nações européias viabiliza melhores oportunidades de emprego e de aceso aos serviços públicos de saúde e de educação oferecidos pelos governos. Isso motiva as populações dos países pobres a migrar para o Velho Mundo. Além da necessidade de mão-de-obra para certos tipos de trabalho, alguns países europeus, principalmente a França e o reino Unido, atraem jovens nascidos nos seus antigos territórios coloniais. Esses jovens procuram especialização profissional em universidades e institutos técnicos desses países, cujos idiomas receberam como herança dos tempos coloniais. Existe também forte movimento migratório de um país a outro dentro do próprio continente, principalmente do leste europeu para a Europa Ocidental, em vista das desigualdades econômicas entre as duas regiões. Outro fator que motiva o fluxo migratório são as perseguições políticas e os conflitos étnicos tanto na própria Europa. Como no caso dos albaneses, quanto fora dela, como no caso dos curdos, povo que habita uma região do Oriente Médio que ocupa diversos países. Essas pessoas entram nos países que escolhem como destino na condição de refugiados. Um dos principais problemas dos governos europeus tem sido o de imigrantes que conseguem entrar e permanecer no país sem permissão oficial do Estado. São os imigrantes ilegais que, tendo conseguido acesso 215
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    GEOGRAFIA POLÍTICA/2012 PROFESSOR: TIAGODALESSI à Europa, passam a trabalhar no setor informal da economia, cuja fiscalização não é rigorosa, podendo ter casos de xenofobia. 2- LESTE EUROPEU O Leste Europeu é uma região que abriga países situados na parte central ou oriental do continente europeu. Há várias interpretações para a abrangência do termo, freqüentemente contraditórias e influenciadas por fatores geopolíticos e ideológicos. O número de países que o Leste Europeu compreende depende da área incluída em cada interpretação. Ainda assim, mesmo que não tenham nenhuma homogeneidade absoluta, grande número dos países da região apresenta várias similaridades, como a presença forte das nações e dos idiomas eslavos, e da religião cristã ortodoxa. Além disso, todos os estados-nações da região (à exceção da Grécia) adotaram em algum momento de suas histórias o regime econômico socialista e o regime político de partido único, a maioria deles entre os anos de 1945 e 1991. A divisão entre Europa do Leste e a Europa Ocidental ficou bem visível depois da cisão deste continente entre o bloco socialista e o capitalista, delimitada pela simbólica Cortina de Ferro. É considerada a Europa Oriental desde a fronteira germano-polonesa, Hungria, Eslovênia, Croácia; até os montes Urais, divisão natural entre Europa e Ásia. Atentemos, já que existiam duas Europas Orientais; um termo com conotação geográfica e outro, política (do qual excluímos a Grécia), equivalendo à antiga área de influência da URSS. Existem tentativas de transformar o Leste Europeu num termo puramente geográfico, diminuindo ou liquidando por completo a sua conotação histórica. É por isso que algumas fontes incluem no Leste Europeu a Grécia, e também às vezes o Chipre e a parte europeia da Turquia (países que nunca adoptaram o regime comunista). Uma outra tentativa de acabar com a conotação histórica do termo Leste Europeu foi feita pelas Nações Unidas, que na sua divisão das regiões do mundo excluem do Leste Europeu todos os países que integravam a antiga Iugoslávia e a Albânia (que fazem parte do Sul Europeu) e os países bálticos (que fazem parte do Norte Europeu). Os habitantes e fontes nos países europeus pós-comunistas utilizam o termo Leste Europeu normalmente apenas em relação a países mais a leste geográfico da Europa, isto é, à Rússia, à Ucrânia, à Bielorússia e à Moldávia. Os países situados a sul da Roménia, da Hungria e da Croácia são designados como os Balcãs, enquanto a Polónia, a República Checa, a Eslováquia, a Hungria, a Eslovénia e, ás vezes, a Croácia são normalmente designados como Europa Central. Alguns habitantes dos países pós-comunistas da Europa Central bem como dos países bálticos consideram frequentemente o termo Leste Europeu utilizado em relação aos países deles como pejorativo do ponto de vista cultural (o que tem muito a ver com o fato de este termo ter sido definido e usado por nacionalistas alemães do sec. XIX e XX em relação a povos localizados a leste da Alemanha em contextos racistas, errado do ponto de vista geográfico e obsoleto do ponto de visto político - depois do fim da Cortina de Ferro o uso do termo Leste Europeu em relação a todos os países europeus pós-comunistas perdeu qualquer sentido, uma vez que atualmente referir-se-ia aos países tão diferentes como a Eslovénia, um país desenvolvido e pertencente a União Europeia. O Leste Europeu foi uma das regiões do mundo onde a ideologia socialista mais ganhou adeptos e permaneceu mais tempo como regime político e econômico instituído. Já no século XIX, o socialismo em sua vertente utópica era utilizado por movimentos emancipacionistas dos povos da região em sua busca pela libertação dos grandes impérios. O Leste Europeu foi o palco central da Guerra Fria, fronteira direta entre o bloco socialista e as potências capitalistas em reconstrução. Dizia-se que uma "cortina de ferro" havia sido baixada na região. Nesse contexto, foram criadas entidades para unir os países socialistas do Leste em cooperação política (Cominform), econômica (COMECON) e militar (Pacto de Varsóvia). Com a dissolução do Bloco Socialista, a Guerra Fria acabou e os países do Leste Europeu aderiram à democracia liberal e capitalista. Os últimos remanescentes socialistas hoje em dia no Leste Europeu são a Bielorrússia e a Moldávia, onde os partidos comunistas retornaram ao poder democraticamente por voto direto. 216
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    GEOGRAFIA POLÍTICA/2012 PROFESSOR: TIAGODALESSI 3- RÚSSIA Fonte: KRAJEWSKI, Ângela Corrêa. Geografia – Pesquisa e Ação. Volume Único para Ensino Médio. São Paulo: Ed. Moderna, 2005. A Rússia ressurgiu no cenário internacional depois do fim da URSS. Além da crise política, enfrentou diversos problemas econômicos que resultaram na falta de alimentos e moradia para a população carente. Apesar disso, conseguiu manter parte de suas forças armadas e ainda influencia as decisões políticas internacionais por ser integrante do Conselho de Segurança da ONU. Uma séria crise financeira em 1998 desestruturou ainda mais a economia russa, mas o país recebeu empréstimos de organismos multilaterais, como o FMI, com o objetivo de evitar uma volta dos antigos comunistas ao poder. Além de ser a principal potência nuclear depois dos Estados Unidos, a Rússia possui um dos maiores exércitos do mundo, o que lhe garante uma posição destacada no cenário internacional. Após a glasnost, entretanto, sua tecnologia bélica tornou-se inferior à da superpotência, o que a obriga a adotar táticas de guerra convencionais utilizando menos recursos eletrônicos. Uma das constantes preocupações de estrategistas russos é a manutenção de saídas para o Mar Mediterrâneo, que representa caminho para navios russos transportarem produtos para outros mercados da Europa. Como a Rússia é banhada pelo Mar Negro, e a passagem deste para o Mediterrâneo - o Estreito de Bósforo – é controlada pela Turquia, a Rússia precisa manter um acesso terrestre até este mar. Não foi por outra razão que, no conflito de Kosovo, os russos ocuparam o aeroporto de Pristina com tropas, exigindo participação na gestão do país. Foi uma maneira de manter sob sua influência a área de uma das antigas repúblicas socialistas e uma das poucas com as quais tem alguma tradição em comum - a Iugoslávia e a Rússia têm origem eslava, empregam o alfabeto cirilico e praticam o catolicismo ortodoxo. O final da Guerra Fria representou maior aproximação com os Estados Unidos. Além de cooperação científica e tecnológica, os antigos inimigos chegaram a trocar informações durante o ataque dos Estados Unidos ao Afeganistão em 2001 - a Rússia passou dados sobre aquele país, que foi ocupado pela então URSS durante quase uma década; em troca os americanos não questionariam os russos pelas mortes de cidadãos tchetchenos que lutavam pela independência da região (de maioria muçulmana). Apesar dessa reaproximação, a Rússia vive alguns impasses. Um deles é o de pertencer ou não à Europa, o que permitiria uma eventual adesão à União Européia no futuro. Dividida em 21 repúblicas, 10 distritos autônomos e uma região autônoma, encontra-se no país grande diversidade étnica e religiosa. Embora predominantes, os eslavos convivem com caucasianos e tártaros. Católicos ortodoxos convivem com judeus e muçulmanos, nem sempre em paz. Dos cerca de 150 milhões de habitantes da Rússia, aproximadamente 30 milhões não são russos e estão divididos em mais de 100 grupos étnicos, dos quais o maior é o dos tártaros, com cerca de 5 milhões. Como resultado dessa variedade étnica e cultural, surgiram diversos focos de desequilíbrio interno devido a conflitos separatistas, como na Tchetchênia. A adesão dos países bálticos à União Européia e à Otan também gera preocupação às autoridades russas. A Rússia tem perdido influência sobre os países que estiveram sob seu controle em um passado muito recente. Ainda persiste, desde o final da Segunda Guerra Mundial, a polêmica sobre a posse das Ilhas Kurilas, antes pertencentes ao Japão, que as quer de volta. Não bastasse isso, assistiu à entrada dos Estados Unidos no Afeganistão e teve que cooperar com eles, na ocupação de um país que já esteve sob dominação mlilitar soviética. Se as dificuldades não são poucas, as saídas também não são fáceis. A Comunidade de Estados Independentes (CEI), bloco econômico criado logo após o fim da URSS para manter a integração econômica entre os países que a compunham, não conseguiu prosperar. Alternativas econômicas existem e têm sido aplicadas. A Rússia é um dos maiores produtores mundiais de petróleo e possui uma indústria de base importante. A escassez de alimentos diminuiu muito, apesar do aparecimento da máfia russa – grupo que se aproveitou do desmonte do Estado soviético para, de posse de informações estratégicas, explorar parte da população de maneira ilícita. Quando as coisas não caminham bem, algo tem que ser feito. E foi feito. Vladimir Putin, presidente eleito em 2001 e que atuou no órgão de investigação da antiga URSS, apresentou um novo hino (simbolizando uma nova meta) à população russa. Sua letra ressalta a herança soviética e sua melodia também lembra o antigo hino da URSS. Mudar recuperando um passado vitorioso expressa claramente o objetivo da "nova" Rússia do terceiro milênio: voltar a influenciar as decisões internacionais. O imponente desfile militar ocorrido em Moscou em maio de 2005, em comemoração aos 60 anos do término da Segunda Guerra Mundial, é um exemplo das intenções do atual governo russo em se projetar novamente como potência no século XXI. 217
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    GEOGRAFIA POLÍTICA/2012 PROFESSOR: TIAGODALESSI 4- INTERNACIONAL – UNIÃO EUROPEIA Efeito dominó A crise econômica originada na Grécia ameaça vizinhos e lança dúvidas quanto ao futuro do euro, o maior símbolo da integração europeia. Por Denise Odorissi Fonte: Atualidades, Vestibular + ENEM 2011. São Paulo: Ed. Abril, 2010. pág. 94-96. Quando ensaiava uma recuperação econômica da crise mundial iniciada em 2008, a União Europeia (UE) voltou à beira do abismo. E a fenda começou a se abrir justamente na Grécia, uma das economias mais frágeis do bloco. Os dois momentos estão intimamente ligados. Nos últimos anos, a Grécia fez empréstimos pesados, financiou crescimento econômico médio de 4% ao ano entre 2001 e 2008, mas também elevou demais os gastos públicos e o endividamento do Estado. Quando a crise de crédito estourou, em 2008, o país não tinha recursos para lidar com ela e não conseguia novos empréstimos por já estar muito endividado. Para tentar amenizar o problema, o governo grego aumentou ainda mais seus gastos para dar incentivos a diversos setores da economia. Mas não adiantou: o desemprego aumentou, desaqueceu o consumo e a arrecadação de impostos, em 2009. A dívida publica se aprofundou e o déficit no orçamento ou seja, a diferença entre o que o país gasta e o que arrecada - ficou em 13,6% do Produto lnterno Bruto (PIB), um dos mais altos da Europa e quatro vezes acima do previsto pelas regras impostas aos 16 integrantes da UE que utilizam o euro como moeda. Um ranking internacional pôs a Grécia, em abril, em quarto lugar entre os países que apresentam o maior risco para os investidores internacionais. Sem encontrar outra alternativa, o primeiro-ministro grego, Georges Panpadreu, pediu empréstimos a UE e ao Fundo Monetário Internacional (FMI) para evitar dar um calote de 270 bilhões de euros aos credores (a moratória, que é quando o país para de pagar suas dividas por falta de recursos). Ao liberar a ajuda bilionária à Grécia, o FMI instou outros países europeus a adotar rapidamente pIanos de ajuste fiscal. Como a economia do bloco europeu é interligada, há risco de outros países membros entrarem em crise por causa da Grécia. Foi criado ate um acrônimo para designar as nações que mais preocupam os investidores internacionais: PIlGS (com as iniciais de Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha), numa referenda a palavra porco em inglês, para indicar as países que estariam com uma economia suja. Sessenta anos apos a sua fundação, o principal desafio da UE é passar ao Mundo a imagem de um bloco solido. Para tanto, precisa conciliar os interesses dos 27 países-membros e promover um modelo eficiente de crescimento e cooperação. Mas o horizonte mostra incertezas. Em abril, o nível de desemprego bateu recorde, com 10% da população da UE sem trabalho. A atual crise Ievanta duvidas sobre a eficiência de uma moeda única para economias tão diferentes. Especula-se, ate mesmo, uma futura desfragmentação da Zona do Euro. A União Europeia é o maior bloco econômico do planeta, com um PIB maior que o Norte-americano. Sua Constituição foi instituída nos últimos 60 anos, após a II Guerra Mundial. O bloco teve origem em 1951,quando seis países – Alemanha Ocidental, França, Bélgica, Holanda, ltáIia e Luxemburgo – fundaram a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (Ceca). Em 1957, o Tratado de Roma criou a Comunidade Econômica Europeia (CEE), instituindo as “quatro liberdades fundamentais” (livre circulação de pessoas, de mercadorias, de capitais e de serviços). Entre 1973 e 1995, entraram para a comunidade Dinamarca, Reino Unido, Irlanda, Grécia, Espanha, Portugal, Áustria, Finlândia e Suécia. Com a Tratado de Maastrich, em 1992,nasceu a União Europeia. Em 2004, houve a maior ampliação com o ingresso de mais dez nações: Eslováquia, Eslovênia, Hungria, Estônia, Letônia, Lituânia, Polônia, Republica Tcheca, Chipre e Malta. Também passaram a fazer parte do bloco, em 2007, a Romênia e a Bulgária - dois dos países mais pobres da Europa. 218
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    GEOGRAFIA POLÍTICA/2012 PROFESSOR: TIAGODALESSI 5- IRA: EXÉRCITO REPUBLICANO IRLANDÊS Fonte: KRAJEWSKI, Ângela Corrêa. Geografia – Pesquisa e Ação. Volume Único para Ensino Médio. São Paulo: Ed. Moderna, 2005. pág. 153-155. Em setembro de 1997, o Exército Republicano Irlandês (IRA) propôs um cessar-fogo ao Reino Unido, com o intuito de sentar-se à mesa de negociações e discutir o futuro da Irlanda do Norte. Não era sem tempo, pois o conflito na Irlanda tem provocado, por mais de um século, lutas sangrentas e centenas de mortos. A questão irlandesa entre católicos e protestantes teve início com a própria história do Reino Unido. No início do século XII, a Ilha da Irlanda, sob domínio dos normandos, foi cedida ao rei inglês Henrique lI. Em 1534, um episódio entre o soberano Henrique VIII e o papa Clemente VII foi utilizado pela nobreza inglesa, descontente com os tributos pagos a Roma, para romper seus laços com a Igreja Católica. O rei pretendia anular seu casamento com Catarina de Aragão, da Casa Real Espanhola, para se casar com Ana Bolena. Como o papa, pressionado por Carlos V, rei da Espanha e do Sacro Império Romano-Germânico, não o atendeu, Henrique VIII rompeu com a Igreja Católica e criou a Igreja Anglicana (protestante). Com isso, além da questão matrimonial do monarca, resolveu-se o problema dos tributos. Os séculos seguintes foram marcados por forte perseguição aos católicos da Irlanda e pela expansão do poder protestante na ilha em virtude de sucessivas migrações inglesas para a região. Em 1801, pelo Union Act, a Irlanda foi anexada e passou a fazer parte do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda. No século XIX, a minoria católica da Irlanda organizou-se em um movimento pela independência e de resistência às imposições coloniais britânicas. Esse movimento pode ser identificado como a origem do IRA e do Sinn Feinn; o primeiro, de caráter militar, o segundo, de caráter político. Por volta de 1916, os nacionalistas do Sinn Feinn desencadearam a Revolta da Páscoa, que se transformou no estopim da Guerra Anglo- Irlandesa, que se iniciou em 1918 e terminou em 1922. O resultado desse conflito foi o primeiro IrelandAct, documento que estabeleceu um Estado independente no sul da ilha, o Eire, de maioria católica e associado ao Reino Unido. O norte da ilha, a Irlanda do Norte, ou Ulster, continuou diretamente ligado ao Reino Unido, por ter maioria protestante. 219
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    GEOGRAFIA POLÍTICA/2012 PROFESSOR: TIAGODALESSI Em 1937, o primeiro-ministro do Eire, Éamon de Valera, promulgou a Constituição que fez da Irlanda uma nação soberana dentro da Comunidade Britânica. Em 1949, esse ato foi ratificado com o segundo Ireland Act, dessa vez com o aval da Inglaterra, que aceitou a independência, sendo então proclamada a República da Irlanda. A minoria católica do Ulster, além de sofrer perseguições religiosas, vivia em situação de grande injustiça social, como resultado da ocupação colonial dos séculos anteriores. Nesse contexto, o IRA permaneceu como base de sustentação de luta para unir o Ulster à República da Irlanda, deixando para trás séculos de influência e dominação britânicas. Os unionistas, protestantes descendentes dos colonos ingleses, queriam continuar como província do Reino Unido. Desde a década de 1960, os dois grupos têm se confrontado violentamente, utilizando táticas terroristas. Em março de 1972, com o aumento da violência, o governo britânico assumiu a administração do Ulster, retirando a autonomia da região, que podia até aquele momento manter parlamento próprio. O IRA ampliou suas ações terroristas desde então, causando várias baixas no exército britânico. Somaram-se, desde o final da década de 1960, mais de 3 mil mortos nos conflitos entre católicos e protestantes. A partir de 1972, a organização passou a agir também em solo britânico. O IRA possui duas frentes de ação. Uma delas, o Sinn Feinn, busca na política e na legalidade influir nas decisões do Parlamento britânico. A outra, formada por extremistas radicais conhecidos como provas, atua de maneira terrorista: ataca desde lojas às vésperas do Natal até membros da família real britânica. Na década de 1990, o número de extremistas do IRA diminuiu, e a organização perdeu apoio da população, cansada da violência. Diante disso e da necessidade de manter um contingente oneroso de soldados para garantir a paz na região, o governo britânico se dispôs a negociar com a República da Irlanda uma saída pacífica para o longo conflito. Em julho de 1997, o IRA anunciou novo cessar fogo e, dois meses depois, o Sinn Feinn foi aceito nas negociações de paz. Em maio de 1998 foi assinado um tratado de paz, ratificado por um plebiscito que obteve 71% de votos favoráveis na Irlanda do Norte e 94% na República da Irlanda. Os principais pontos do tratado defendem que: • a Irlanda do Norte continue fazendo parte do Reino Unido, a menos que a maior parte da população opte pela separação; • seja eleita uma Assembléia de 108 membros, escolhidos entre católicos e protestantes norte-irlandeses, que se renove a cada cinco anos e tenha como objetivo definir políticas públicas que promovam o desenvolvimento econômico e social no país; O acordo entrou em vigor em 2000, mas a paz permanece uma incógnita, já que durante anos a desconfiança marcou as relações entre britânicos e católicos da Irlanda do Norte. Após os atentados de 11 de setembro nos EUA, os países ocidentais intensificaram a preocupação com ações terroristas, o que levou autoridades britânicas a suspeitarem de envolvimento entre o IRA remanescente e lideranças da Al Qaeda. 6- A QUESTÃO BASCA A região do país basco encontra-se no nordeste da Espanha e no sudoeste da França. Os bascos têm em comum às tradições culturais e a língua basca. A língua falada no país (euskara) é a mesma há 4000 anos, e tem desempenhado um papel fundamental na preservação da unidade cultural do povo basco e desafiado, de todas as formas o governo espanhol, para obter sua independência. A origem dessa língua é desconhecida e não se assemelha com nenhuma outra língua européia, servindo como importante fator de identidade cultural desse povo. Esta região é berço do povo mais antigo da Europa. São tão antigos que perderam o vínculo com qualquer outra etnia do planeta. Poucos povos do mundo são tão presos a terra como os bascos. É uma relação profunda que dura, pelo menos, 150 000 anos, idade dos primeiros vestígios da ocupação humana na região.O país é dividido em 4 províncias espanholas e 3 francesas. Os conflitos são praticamente inexistentes no território francês, diferentemente da Espanha. 220
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    GEOGRAFIA POLÍTICA/2012 PROFESSOR: TIAGODALESSI PAÍS BASCO Fonte: Wikipedia, 2007 Quanto a história, o movimento nacionalista basco surge no fim do séc. XIX e vai se intensificar com a ditadura do General Franco (1939-75), na Espanha. Em 1959 é formado o ETA - Euskadi ta Askatasuna ( Pátria Basca e Liberdade ). Este grupo tem como principal objetivo a independência do País Basco e a incorporação, ao seu território, de todas as áreas onde se fala o "euskera" ou vasconço, na Espanha e na França. Com a Constituição espanhola de 1978, três das quatro províncias (Alava, Biscaia e Guipúzcoa), formaram a Comunidade Autônoma Basca (Euskadi). Esta região espanhola apresenta importantes atividades industriais tendo como principal centro financeiro e industrial a cidade de Bilbao, considerada capital basca. Mesmo adquirindo uma certa autonomia, os remanescentes do ETA (considerado como organização terrorista por vários governos mundiais) decidem continuar a sua luta, utilizando a violência como meio de coação e intimidação. As atitudes violentas do ETA não ganham à simpatia da população e em 2005 eles entram em cessar-fogo e passam a lutar por meios políticos. Formado por três Províncias situadas na região nordeste da Espanha, o país Basco tem 2,1 milhões de habitantes (pouco mais de 5% da população da Espanha). As línguas oficiais são o castelhano e o basco (falado por cerca de 20% dos bascos). Desde 1979, o país Basco tem estatuto de região autônoma da Espanha, o que lhe permite ter instituições próprias, como parlamento, governo e polícia. O estatuto também lhe transfere competência decisória no que se refere a indústria, pesquisa, transportes e infra-estrutura, agricultura e pesca. Em áreas como educação e saúde, as decisões são tomadas conjuntamente entre os representantes da região autônoma e o Estado espanhol. Apenas assuntos relacionados a defesa, relações exteriores e alfândega são de competência exclusiva do governo central da Espanha, sediada em Madri. A idéia de um país Basco soberano surgiu com Sabino Arana, criador da palavra “euskadi” (pátria basca), que fundou em 1985, o PNV (Partido Nacionalista Basco). Ele pregava a independência das sete províncias históricas do país Navarra, também na Espanha, e as Labourd, Baixa Navarra e Soule, na França. ETA – (Euskadi ta Askatasuna, ou Pátria Basca e Liberdade) foi fundado em 1959 por dissidentes da ala jovem do PNV. Em 1968, o grupo inicia a luta armada pela independência total (chamada de autodeterminação) da região em relação à Espanha. O grupo terrorista quer a realização de um referendo do qual participariam os “bascos puros” (população originária da região ou os que apóiam a causa separatista), mas a Espanha rejeita a proposta. Em 1980, o ETA realizou sua mais violenta campanha, ao matar 118 pessoas. O pior atentado atribuído ao grupo ocorreu em 1987: a explosão de uma bomba em um supermercado de Barcelona matou 21 pessoas. 221
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    GEOGRAFIA POLÍTICA/2012 PROFESSOR: TIAGODALESSI Em 1995, o atual primeiro-ministro da Espanha, José Maria Aznar (do Partido Popular, de centro-direita), foi alvo de um atentado do ETA. Em 2001, as ações terroristas do grupo resultaram em 12 mortes. Os atentados de autoria do ETA realizados até hoje já ultrapassaram 800 vítimas, número superior ao total de terroristas que estão presos, que gira em torno de 700. As autoridades espanholas afirmam desconhecer o número total de integrantes do grupo, mas os meios de comunicação falam em centenas de milhares. O grupo costuma empregar armamento leve (geralmente pistola ou revólver). Os explosivos usados nos atentados são provenientes de assaltos a lojas que comercializam o produto na França. O ETA busca financiar suas atividades com práticas como a do “imposto revolucionário”, como é chamada a extorsão praticada contra empresários (mediante ameaças de morte). 7- Chechênia Depois do fim da União Soviética, um grupo de líderes chechenos declarou-se como um governo legítimo, anunciando um novo parlamento e declarando independência como República Ichkéria da Chechênia. Até hoje, sua independência não foi reconhecida por nenhum país. Entretanto, esta declaração tem causado conflitos armados em que diversos grupos rivais chechenos e o exército da Rússia se envolveram, resultando em aproximadamente 150 mil mortos, no período entre 1994 e 2003. Localizada entre os mares Cáspio e Negro, predomina na Chechênia relevo acidentado, originado por dobramentos modernos e marcado por montanhas elevadas e pontiagudas. Seu clima é predominantemente temperado seco, com baixas temperaturas no inverno e nas áreas de elevadas altitudes. Para o governo russo, essa república é estratégica, principalmente em razão da passagem de oleodutos que ligam Moscou aos poços de petróleo da região do Mar Cáspio. Como parte do Império Russo desde 1859, a região checheno-inguchétia foi incorporada como República Socialista Soviética Autônoma da Checheno-Ingushkaya durante a fundação da União Soviética. Durante o regime soviético, os chechenos, acusados de colaboração com a Alemanha nazista (que não chegaram a conquistar a Chechênia), sofreram uma deportação - de natureza genocida - para a então República Socialista Soviética do Casaquistão (o atual Cazaquistão independente) e depois para a Sibéria, durante a Segunda Guerra Mundial. A república foi abolida entre 1944 e 1957, tornando-se no oblast de Grózni. Depois do colapso da União Soviética, um movimento de independência surgiu na Chechênia, enquanto a Rússia recusava-se a permitir a secessão. Djokhar Dudaiev, presidente nacionalista da República da Chechênia, declarou a independência chechena em 1991. Em 1994 o presidente da Rússia Boris Iéltsin enviou quarenta mil soldados para evitar a separação da região da Chechênia, importante produtora de petróleo, da Rússia. A Rússia entrou numa guerra que alguns comparam ao que foi a Guerra do Vietnã para os EUA. Os insurgentes chechenos infligiram grandes baixas aos russos. As tropas russas não tinham conseguido capturar a capital chechena, Grózni, até o fim daquele ano. Os russos finalmente tomaram Grózni em fevereiro de 1995 após pesada luta. Em agosto de 1996 Iéltsin concordou com um cessar-fogo com os líderes chechenos, e um tratado de paz foi formalmente assinado em maio de 1997. 222
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    GEOGRAFIA POLÍTICA/2012 PROFESSOR: TIAGODALESSI O conflito retornou em setembro de 1999, dando início à Segunda Guerra da Chechênia, tornando sem sentido o acordo de 1997. Os separatistas chechenos ainda querem a independência da Chechênia e organizaram ataques na república e em outras regiões da Rússia, incluindo Moscou. Uma década de guerra deixou a maior parte do território sob controle militar. Guerrilheiros islâmicos chechenos invadiram a vizinha república russa do Daguestão e anunciaram a criação de um estado islâmico; a maioria da população, em ambas as repúblicas, é muçulmano sunita. Os militares russos expulsaram os rebeldes para a Chechênia em setembro, mês em que atentados contra diversos edifícios em cidades russas mataram mais de 300 pessoas. O governo, responsabilizando diretamente os separatistas chechenos, enviou tropas à república. Apesar da pressão para um cessar-fogo, o governo russo rejeitou mediação internacional. Mas as denúncias de massacres, estupros e torturas cometidos pelas tropas contra centenas de civis levam o país a aceitar, em março de 2000, a visita de representantes da ONU à Chechênia. As emboscadas e os ataques camicases contra as tropas russas prosseguem, assim como os bombardeios aéreos russos. Em junho de 2000, o presidente Vladimir Putin colocou a Chechênia sob administração direta da Presidência da Federação. Em março de 2003, o governo Russo organiza um referendo na Chechênia sobre a nova constituição local, que estabelece subordinação da república a Moscou. A lei é aprovada por supostos 96% dos eleitores, mas o referendo é condenado internacionalmente como irregular. Num pleito igualmente criticado, em outubro de 2003, Akhmad Kadyrov, é eleito presidente da Chechênia com 81% dos votos. Em setembro de 2004, uma escola em Beslan, na república da Ossétia do Norte, foi palco de uma das maiores barbáries da atualidade. Terroristas chechenos aprisionaram, torturaram e mataram crianças, pais e professores. O líder separatista Shamil Bassaiev assumiu a autoria desse e de outros ataques (como a explosão no metrô de Moscou, em fevereiro do mesmo ano). 8- GEÓRGIA X RÚSSIA Fontes: G1, Folhaonline, UOLvestibular O processo de tensão existente entre Rússia e Geórgia existe desde o início da década de 1990, com o desmembramento da URSS. Localizada no continente europeu, em regiões de fronteira com o continente asiático, a Ossétia do Sul é um território de mais ou menos 4 mil quilômetros quadrados localizado a cerca de 100 quilômetros ao norte da capital da Geórgia, Tbilisi, na encosta sul das montanhas do Cáucaso. O colapso da União Soviética alimentou o nascimento de um movimento separatista na Ossétia do Sul, que sempre se sentiu mais próxima da Rússia que da Geórgia. A região livrou-se do controle georgiano durante uma guerra travada em 1991 e 1992 e na qual milhares de pessoas morreram. A Ossétia do Sul mantém uma relação estreita com a vizinha russa Ossétia do Norte, que fica do lado norte do Cáucaso (veja o mapa abaixo). GEÓRGIA: regiões separatistas Fonte: g1.globo.com, 2008 A maior parte de seus quase 70 mil habitantes é etnicamente distinta dos georgianos e fala sua própria língua. Essas pessoas afirmam ter sido absorvidas à força pela Geórgia, durante o regime soviético, e agora desejam exercer seu direito à autodeterminação. 223
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    GEOGRAFIA POLÍTICA/2012 PROFESSOR: TIAGODALESSI Cerca de dois terços do Orçamento anual da região, de cerca de US$ 30 milhões, vêm do governo russo. Quase todos os moradores dali exibem passaportes russos e usam o rublo russo como moeda. A estatal russa Gazprom, uma gigante do ramo do gás, está construindo novos gasodutos e novas instalações para abastecer a região desde a Rússia. As obras foram avaliadas em 15 bilhões de rublos (US$ 640 milhões). O estado de 'cristalização' do conflito na Ossétia do Sul, assim como o da outra região separatista georgiana, a Abkházia, permitiu à Rússia preservar um instrumento vital de influência sobre seu vizinho do sul. Moscou também quer um fim na tentativa da Geórgia de integrar a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan, a aliança de defesa ocidental). Há pouco, o ministro russo do Exterior, Sergei Lavrov, em um longo ensaio sobre a posição da Rússia no mundo, insistiu que a Otan deve ser suplantada como o principal fiador da segurança européia. Em agosto de 2008, a Geórgia resolveu mandar suas tropas para a Ossétia do Sul (vale lembrar que instabilidade dura desde o início dos anos 90). Um analista do jornal britânico "The Guardian", lembra que o presidente georgiano Mikhail Saakashvili (eleito em 2004) está enfrentado uma crise econômica e uma fase de impopularidade. Com a invasão da Ossétia do Sul, ele estaria resolvendo um problema nacional pendente há anos e conquistaria o apoio popular, a pretexto de enfrentar o inimigo externo. Além disso, Saakashvili não contava com uma reação russa, certo de que Putin não teria coragem de enfrentar militarmente um aliado dos Estados Unidos. Os russos reagiram duramente à ação georgiana, independentemente dos protestos dos norteamericanos. A Rússia aceitou em 12 de agosto de 2008 o cessar-fogo negociado pelo presidente da França, Nicolas Sarkozy, em parte porque já atingiu seus objetivos, mostrando ao mundo que está disposta a lutar para manter a hegemonia sobre a região. Além de riquezas provenientes do gás e do petróleo, a Rússia mantém quase um monopólio do fornecimento de energia para a Europa. Conta ainda com um milhão de soldados, milhares de ogivas nucleares e um gigantesco orçamento militar. 9- O CALDEIRÃO ÉTNICO NA IUGOSLÁVIA Fonte: KRAJEWSKI, Ângela Corrêa. Geografia – Pesquisa e Ação. Volume Único para Ensino Médio. São Paulo: Ed. Moderna, 2005. pág. 157-160. A Iugoslávia ("País dos Eslavos do Sul") surgiu após a Primeira Guerra Mundial e, a partir de 1991, fragmentou-se em diversos países, num cenário de guerra civil que dividiu seu território e produziu imagens de violência sem precedentes. Até o final da década de 1980, seu território, localizado nos Bálcãs, sudeste da Europa, possuía área de 2 255 mil km , um pouco maior que a do estado de São Paulo. Com um vasto litoral voltado para o Mar Adriático, os Bálcãs apresentam uma variedade de povos e nacionalidades - sérvios, croatas, eslovenos, montenegrinos, macedônios, bósnios, albaneses, húngaros, búlgaros e romenos -, que seguem três religiões - o islamismo, o catolicismo e o cristianismo ortodoxo - e utilizam dois alfabetos, o cirílico e o latino. Após os conflitos iniciados 2 em 1990, a Iugoslávia teve sua área reduzida para pouco mais de 100 mil km . A grande diversidade étnica, religiosa e cultural resulta de o país estar situado numa área de fronteiras entre vastos impérios e culturas. No final do século XIX, a região balcânica abrigava dois impérios: o Império Turco-Otomano, ao sul, e o Império Austro-Húngaro, ao norte, além de pequenos Estados semi-independentes, oriundos do enfraquecimento do domínio otomano na região: Romênia, Bulgária, Albânia, Sérvia e Montenegro. A Grécia já era independente desde o século XIX. No início do século XX, a Sérvia encabeçou um projeto pan-eslavista para formar a Grande Sérvia, reunindo os povos eslavos dos Bálcãs e dominando outras etnias da região. A resistência sérvia ao domínio austro-húngaro acendeu o estopim da Primeira Guerra Mundial, com o assassinato do arquiduque Francisco Ferdinando. Os tratados assinados entre vencedores e vencidos no final da Primeira Guerra Mundial redividiram politicamente a Europa. Com o desmembramento do Império Austro-Húngaro, surgiram a Polônia, a Tchecoslováquia, a Hungria e o Reino dos Sérvios, Croatas e Eslovenos. O artificialismo da unificação de antigos povos balcânicos era evidente, pois não existia consciência nacional única nem laços que os unissem. Essa unificação foi conduzida pela maioria sérvia, o que gerou o ressentimento das minorias. Na Segunda Guerra Mundial, os nazistas transformaram-se no inimigo externo comum, e o problema das nacionalidades ficou em segundo plano. Josep Broz Tito, um croata, teve papel decisivo na resistência, 224
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    GEOGRAFIA POLÍTICA/2012 PROFESSOR: TIAGODALESSI como líder dos partisans - guerrilheiros comunistas que lutavam contra os invasores nazistas. A vitória, conquistada com pouquíssima ajuda externa, deu-lhe força para tomar o poder e proclamar a República Popular da Iugoslávia, de orientação socialista. O país incluía seis repúblicas autônomas com direitos iguais: Sérvia, Croácia, Eslovênia, Montenegro, Macedônia e Bósnia-Herzegovina. Foram criadas ainda duas províncias autônomas: Kosovo e Vojvodina, com o objetivo de enfraquecer o poder dos sérvios. A Iugoslávia surgiu na Primeira Guerra Mundial como Reino dos Sérvios, Croatas e Eslovenos, mas só se consolidou na Segunda, com Tito, que permaneceu como o grande líder do país até sua morte. A Iugoslávia foi o primeiro país socialista surgido independentemente da União Soviética, e o traço característico de sua organização foi o sistema federativo. É fácil justificar a opção por esse sistema, pois o país abrigava grande número de nacionalidades que, sem direitos e deveres iguais, poderiam levar à sua desintegração em vista dos conflitos históricos entre elas. Na medida em que não houve repressão às nacionalidades e todas as repúblicas participavam dos organismos estatais, conseguiu-se uma unidade política comandada pela mão forte da liderança aceita por todos: Tito. As nações que formavam a Iugoslávia foram obrigadas a conviver, muitas vezes a contragosto. Enquanto se fez presente o "pai forte", diretivo e que lhes dava relativa liberdade, a Iugoslávia manteve-se unida. Essa unidade consolidou-se graças ao sistema desenvolvido por Tito, com destaque para dois objetivos básicos: • união de todas as nacionalidades em um ideal comum, o socialismo; • autogestão, isto é, a chance de os operários decidirem sobre os rumos das empresas, desde que em harmonia com a economia nacional organizada pelo Estado, que, na realidade, era representado por um único partido: a Liga dos Comunistas da Iugoslávia. Com Tito, a Iugoslávia transformou-se num país coeso e um dos membros mais importantes do movimento dos "países não-alinhados". As razões dos conflitos Norman Stone, articulista do Sunday Times, foi feliz ao sintetizar, em 1992, as causas profundas da desintegração iugoslava: "Na Iugoslávia havia seis repúblicas, cinco povos, quatro idiomas, três religiões e um partido - o comunista". 225
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    GEOGRAFIA POLÍTICA/2012 PROFESSOR: TIAGODALESSI Após a morte de Tito, em 1980, que coincidiu com o agravamento da crise econômica no país, as reivindicações das nacionalidades começaram a abalar a unidade iugoslava. Esse quadro tornou-se ainda mais sério com o colapso do socialismo no Leste Europeu, entre 1989 e 1990. O "castelo de cartas" começou a ruir; a Iugoslávia, a partir de então, foi esfacelada por movimentos separatistas. No fim dos anos 1980, Slobodan Milosevic, o líder da ainda socialista Iugoslávia, pressentia o fim do seu país, já que o socialismo estava perecendo em todo o Leste Europeu. A saída que encontrou foi revigorar o ultranacionalismo dos sérvios, etnia majoritária na região, para que assumissem o controle total do país. A crise acentuou as diferenças entre as repúblicas iugoslavas, cada qual querendo encontrar o seu próprio destino. O pluripartidarismo começou a vigorar em várias regiões, assim como eleições de líderes não socialistas. A Sérvia reacendeu seu desejo de expansão ao anexar, em 1989, a província de Kosovo, a mais pobre da Iugoslávia. Milosevic acusava Kosovo de sugar subsídios sérvios em beneficio da população albanesa. Em 1991, a Macedônia proclamou sua independência, sem reconhecimento internacional. No mesmo ano, a Eslovênia e a Croácia anunciaram independência, tendo sido invadidas por tropa sérvias até a resolução do conflito, quando foram oficialmente reconhecidas como nações livres. A Bósnia-Herzegovina, que havia proclamado soberania em 1990, iniciou, em 1992, seu processo de independência, o que acarretou uma violenta guerra civil entre os principais povos do país: bósnios, muçulmanos, croatas e sérvios. Os dois primeiros desejavam a independência; os sérvios, minoritários na região, rejeitavam a idéia de viver em um país dominado por muçulmanos - croatas, almejando integrar o território bósnio ao sérvio. Os sérvios chegaram a controlar 70% do território da Bósnia. Atrocidades foram cometidas de ambos os lados, no conflito armado mais violento desde a Segunda Guerra Mundial e que provocou a morte de 200 mil pessoas e mais de I milhão de refugiados, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur). Muitas tentativas foram feitas pela ONU no sentido de manter a ajuda humanitária às regiões sitiadas pelos sérvios, principalmente a Sarajevo, capital da Bósnia. A situação só foi controlada com a ameaça de intervenção militar dos Estados Unidos, o que levou à assinatura do Tratado de Dayton, em 1995. Por esse tratado formou-se, de um lado, a Federação Bósnia, controlada por bósnios muçulmanos e bósnios croatas; do outro, a República Srpska, governada por sérvios e com o apoio de Slobodan Milosevic. 226
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    GEOGRAFIA POLÍTICA/2012 PROFESSOR: TIAGODALESSI A Guerra de Kosovo, no final da década de 1990, foi outro grave conflito na região dos Bálcãs. A retirada da autonomia dessa província por Slobodan Milosevic, em 1989, provocou a população albanesa, liderada pelo Exército de Libertação de Kosovo (ELK), a lutar pela independência da região. Em 1998, Milosevic invadiu a província com o intuito de reacender o nacionalismo sérvio, sendo acusado de limpeza étnica, tática já utilizada na Guerra da Bósnia. A comunidade internacional mobilizou-se, porém Milosevic recusou-se a devolver a autonomia a Kosovo. Um dos motivos alegados para a recusa foi a região representar um marco da história sérvia, pois nesse local, próximo a Pristina (capital da província), o exército turco-otomano venceu os sérvios na batalha de Kosovo Polje (Batalha do Campo dos Melros), em 1389, assumindo o controle da região até o final da Primeira Guerra. Em março de 1999, temendo que o conflito se estendesse para além das fronteiras iugoslavas e colocasse em risco a paz na Europa, a Organização do Tratado do Atlântico Norte decidiu atacar a Iugoslávia, já prevendo o veto da Rússia à intervenção da ONU na região. No ano em que comemorava seu cinqüentenário, a Otan desconsiderou seu próprio estatuto, pelo qual o uso de suas forças poderia ocorrer somente em caso de ataque a um de seus países membros. As operações militares da Otan foram principalmente aéreas e com "alvos específicos", o que configurou a chamada "guerra cirúrgica". Sendo a região cortada pelos Alpes Dináricos, cadeia de formação terciária, com montanhas muito Íngremes, era difícil o ingresso por terra. Havia também a preocupação com a tradição guerrilheira dos sérvios e seu grande conhecimento da região. Os Estados Unidos, por sua vez, queriam evitar o contato direto de seus soldados com os do oponente, as conseqüentes baixas em suas tropas e a repulsa da sociedade norte-americana ao ataque. Após 78 dias de guerra, com violentos ataques aéreos e mais de 1.200 civis mortos, Milosevic rendeuse e retirou as tropas iugoslavas de Kosovo. É importante ressaltar o papel da federação russa no recuo iugoslavo, pois foi com a intermediação da Rússia que o plano de paz prosperou. Em junho de 1999, a força internacional de paz da ONU assumiu o controle militar em Kosovo. Em 24 de setembro de 2000, foram realizadas eleições presidenciais na Iugoslávia, com vitória do líder da oposição Vojislav Kostunica. Milosevic, porém, manipulou os resultados da eleição, convocou um segundo turno e, posteriormente, anulou uma insurreição pacífica. Manifestantes invadiram o prédio do Parlamento, exigindo a renúncia de Milosevic e gritando o nome de Kostunica, que assumiu a Presidência em 6 de outubro de 2000. Milosevic foi preso, extraditado e julgado por crimes de guerra pelo tribunal internacional da ONU, em Haia, na Holanda. Em virtude dos acontecimentos anteriores, em março de 2003 ocorreu a extinção formal da Federação Iugoslava. Sérvia e Montenegro firmaram um acordo de apoio militar e permissão de saída da Sérvia para o mar. 10- O CÁUCASO O nome origina-se cordilheira de mesmo nome que corta a região. Situada entre o mar Negro e o mar Cáspio. A região marca uma das fronteiras entre a Europa e a Ásia cujos territórios dividem-se em uma porção geograficamente européia e outra asiática. A região é de ocupação muito antiga e de grande diversidade étnica. Teve duas influências religiosas marcantes: a cristã ortodoxa e o islamismo. Os conflitos que ocorrem hoje na região são ligados aos nacionalismos (motivos políticos), e às diferenças religiosas. A zona de maior conflito é a Chechênia, na federação russa. O conflito explodiu em dezembro de 1994 a 96, onde as forças armadas russas tentaram submeter pela força os nacionalistas chechenos do general Djokar Doudaiev, que recusam a adesão à Federação Russa e reclamavam independência. Em 2002 terroristas chechenos atacaram um teatro em Moscou. A situação da independência total ainda encontra-se pendente. 227
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    GEOGRAFIA POLÍTICA/2012 PROFESSOR: TIAGODALESSI CÁUCASO Fonte: Google imagens, 2007 EXERCÍCIOS DE APLICAÇÃO: 01)(PISM III/2011) Após o “grande alargamento” de 2004, em que dez Estados foram admitidos no seleto clube da União Europeia, decidiu-se colocar em regime de espera os países saídos da ex-Iugoslávia, alegando impotência para solucionar tantas tensões regionais. DÉRENS, Jean-Arnault. O sonho distante da integração plena. Le Monde Diplomatique Brasil. São Paulo: Instituto Polis. ano 3. n. 28. nov. 2009. Quais são os dois países saídos da ex-Iugoslávia? a) Albânia e Moldávia. b) Argélia e Chechênia. c) Croácia e Macedônia. d) Romênia e Armênia. e) Ucrânia e Geórgia. 02)(IFET JF/2011) Observe o seguinte mapa e o texto que se encontra abaixo dele: Em 9 de novembro de 1989, os alemães começaram a derrubar o muro de Berlim. Negociações aceleradas entre os governos das duas Alemanhas levaram à concretização do processo de unificação em 1990. A Alemanha voltou a ser um só país, tendo Berlim como capital. MÉDICI, Míriam; ALMEIDA, Míriam. Geografia: geografia política e a nova ordem mundial. São Paulo: Nova Geração, 1999. p. 45. Após 20 anos, um grande problema enfrentado durante a reunificação foi: 228
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    GEOGRAFIA POLÍTICA/2012 PROFESSOR: TIAGODALESSI a) incluir a ex-Alemanha Oriental (RDA) na União Europeia, rejeitada pela França e Inglaterra. b) instaurar um governo democrático na RDA, interessada em permanecer com o modelo de partido único. c) equilibrar as diferenças econômicas entre a RFA (mais rica) e a RDA (pobre), para conter a discriminação sofrida pelos alemães orientais por parte dos alemães ocidentais. d) vencer as tropas do Pacto de Varsóvia presentes na fronteira das Alemanhas e contrárias à reunificação. e) negociar com a União Soviética, país que controlava a política externa da RDA e que era contrária à reunificação das Alemanhas, inclusive usando as tropas do Pacto de Varsóvia para impedir a reunificação. 03)(PISM III/2009) Leia o texto a seguir. Putin denuncia que invasão da Ossétia do Sul pela Geórgia foi instigada pelos Estados Unidos O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, afirmou, que foram os Estados Unidos os instigadores da Geórgia para que agredisse a Ossétia do Sul. “Parceiros norte-americanos foram preparando as forças armadas georgianas, investindo muito dinheiro e mandando numerosos instrutores para ali, para mobilização do exército. Eles simplesmente impeliram um dos lados em conflito – o lado georgiano – rumo a ações agressivas,” descreveu. O ex-presidente russo acrescentou que “se a Rússia não tivesse defendido a Ossétia do Sul, teria havido um segundo ataque no Norte do Cáucaso”. Fonte: http://www.horadopovo.com.br/2008/setembro/2705-26-09-08/P6/pag6h.htm. Acesso em 30/11/2008. Leia as afirmativas a seguir. I - A Geórgia é um importante elo no corredor energético que liga a região do Cáspio e da Ásia Central, rica em petróleo, à União Européia. II - O povo da Ossétia do Sul deseja se unir a seus semelhantes étnicos na Ossétia do Norte, que é uma república autônoma dentro da Federação Russa. III - Duas regiões separatistas da Geórgia, a Ossétia do Sul e a Abkhazia, são o motivo do conflito com a Rússia. IV - Com a queda da União Soviética, a independência da Geórgia foi proclamada em 1991. Sobre esse conflito é CORRETO afirmar que: a) Apenas as afirmativas I e II são verdadeiras. b) Apenas as afirmativas II e IV são verdadeiras. c) Apenas as afirmativas I e III são verdadeiras. d) Apenas as afirmativas I, II e III são verdadeiras. e) As afirmativas I, II, III e IV são verdadeiras. 04)(ENEM/2009*) A figura apresenta diferentes limites para a Europa, o que significa que existem divergências com relação ao que se considera como território europeu. 229
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    GEOGRAFIA POLÍTICA/2012 PROFESSOR: TIAGODALESSI De acordo com a figura, a) a visão geopolítica recente é mais restrita, com um número diminuto de países integrando a União Europeia. b) a delimitação da Europa na visão clássica, separando-a da Ásia, tem como referência critérios naturais, ou seja, os Montes Urais. c) a visão geopolítica dos tempos da Guerra Fria sobre os limites territoriais da Europa supõe o limite entre civilizações desenvolvidas e subdesenvolvidas. d) a visão geopolítica recente incorpora elementos da religião dos países indicados. e) a representação mais ampla a respeito das fronteiras da Europa, que engloba a Rússia chegando ao oceano Pacífico, descaracteriza a uniformidade cultural, econômica e ambiental encontrada na visão clássica. 05)(UFJF/2004) Leia o texto abaixo: “Uma única moeda, uma única economia. Doze países europeus funcionam como departamentos de uma grande unidade econômica. Alemanha, Áustria, Bélgica, Espanha, Finlândia, França, Grécia, Holanda, Irlanda, Itália, Luxemburgo e Portugal fazem parte da zona do euro, a parte mais integrada da União Européia, dotada de uma moeda comum. Além deles, o bloco engloba ainda Dinamarca, Reino Unido e Suécia, que não aderiram ao euro, pois preferiram preservar a moeda nacional. (...)A União Européia é a única que, além de promover a integração comercial, permite a livre circulação de pessoas”. Fonte: Atualidades 2003. São Paulo: Abril, 2002. a) Sabendo que a integração implica inevitável perda de autonomia para cada país, tomado individualmente, por que eles optaram pela construção de um bloco econômico? b) Por que países como a Bulgária, Chipre, Eslováquia, Eslovênia, Estônia, Hungria, Letônia, Lituânia, Malta, Polônia, República Theca, Romênia e Turquia estão enfrentando dificuldades? 230
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    GEOGRAFIA POLÍTICA/2012 PROFESSOR: TIAGODALESSI 06)(PISM III/2008) Leia a seguinte tabela. Por meio dessa tabela, pode-se inferir que: a) os países da ASEAN são os maiores exportadores. b) os países pobres estão excluídos desse comércio. c) os países europeus têm saldo negativo nesse comércio. d) os países do NAFTA exportam mais do que importam. e) os países do MERCOSUL destacam-se nesse comércio. 07)(PISM III/2007) Observe o mapa: Ele representa o mundo sob uma perspectiva eurocêntrica e assentada na projeção de Mercator. É possível chegar a essa conclusão porque: a) a projeção revela uma visão de mundo, ou seja, uma ideologia. Foi criada na Idade Média Ocidental e mostra a profunda religiosidade pela localização central de Jerusalém. 231
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    GEOGRAFIA POLÍTICA/2012 PROFESSOR: TIAGODALESSI b) a projeção tem meridianos curvos, o que distorce as áreas e formas: a representação faz com que o hemisfério Oriental seja mais destacado que o hemisfério Ocidental. c) a projeção é centrada na União Soviética. Foi criada durante a Guerra Fria quando o Estado Soviético encontrava-se parcialmente envolvido por países satélites ou áreas militares. d) a projeção bi-dimensional valoriza o hemisfério Norte como parâmetro para a localização de países centrais e dominantes em termos econômicos e políticos da época. e) a projeção caracteriza-se pela crítica do colonialismo e também pelos movimentos de descolonização e concretiza cartograficamente a igualdade entre os Estados. 08)(UFV/2007) Observe a tabela abaixo, que mostra dados sobre a União Européia, o Mercosul e a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC). Com base na análise da tabela e em conhecimentos sobre a dinâmica dos blocos econômicos e da formação de áreas de acordos comerciais, assinale a afirmativa CORRETA: a) Os dados revelam que a grande desigualdade socioeconômica intra e interblocos reflete os diferentes processos de formação socioespacial. b) A área de acordo comercial na África Austral é a mais promissora, devido ao grande mercado consumidor e à maior igualdade social. c) O Mercosul é o bloco que se encontra no estágio mais avançado de integração, entrando na fase da união monetária. d) A União Européia, mesmo tendo os melhores índices de PNB e renda per capita, encontra dificuldades no processo de integração que permanece na união aduaneira. e) Os blocos, mesmo tendo diferenças, são exemplos de como os países podem se fortalecer numa estratégia contra a hegemonia do capitalismo imperialista. 09) Sobre a União Européia é CORRETO afirmar: IA eliminação de tarifas alfandegárias permitiu a livre circulação de mercadorias entre os países que compõem o bloco. IIA uniformidade cultural foi um dos fatores que possibilitou a unificação dos países. IIIOs países membros da União Européia definiram, a partir do Tratado de Maastricht, que não aprovarão a inclusão de nenhum outro adepto ao grupo. Para responder, utilize as opções seguintes: f) Se todas as afirmativas forem corretas. g) Se somente a afirmativa I for correta. h) Se forem corretas as afirmativas I e III. i) Se forem corretas as afirmativas I e II. j) Se forem corretas as afirmativas II e III. 10)(UFLA/2006-2) Leia os textos abaixo: Texto 1: “Ao contrário da União Européia, o Nafta não prevê a livre circulação de trabalhadores, que continuarão proibidas de migrar em busca de melhores oportunidades de emprego.” (PRAXEDES & PILETTI. O Mercosul e a sociedade global. São Paulo: Ática) Texto 2: “A União Européia é o mais poderoso bloco regional ou organização econômica do planeta. Quatro dos seus países-membros (Alemanha, França, Itália e Reino Unido) integram o seleto grupo dos sete países mais ricos do mundo, o Grupo dos Sete (G7).” 232
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    GEOGRAFIA POLÍTICA/2012 PROFESSOR: TIAGODALESSI (MEDICI & ALMEIDA. Geografia – A Globalização Econômica. São Paulo: Nov Geração, 1999, pág. 70) Pode-se afirmar que as alternativas abaixo se referem a cláusulas contempladas pela União Européia após a assinatura do Tratado de Maastricht, EXCETO: a) Definição de uma moeda única – o Euro – em toda a União Européia. b) Estabelecimento de direitos básicos, tais como a livre circulação de pessoas, o direito à assistência previdenciária, a igualdade de tratamento entre homens e mulheres, a melhoria das condições e das oportunidades de trabalho, para todos os habitantes da área da União Européia. c) Tendência à consolidação da estrutura parlamentar como modelo político administrativo, especialmente após a criação do Parlamento europeu. d) Definição de uma Tarifa Externa Comum (TEC) que privilegie as balanças comerciais dos países periféricos fora da União Européia, como, por exemplo, Brasil e Argentina, que mantém relações comerciais com a organização. e) NDA. GABARITO: 01-C 06-C 02-C 07-D 03-E 08-A 04-B 09-B 05-Aberta 10-D 233
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    GEOGRAFIA POLÍTICA/2012 PROFESSOR: TIAGODALESSI CAPÍTULO 6: CONTINENTE ASIÁTICO ÁSIA – UM CONTINENTE DE CONTRASTES 234
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    GEOGRAFIA POLÍTICA/2012 PROFESSOR: TIAGODALESSI 1- REGIONALIZAÇÃO DA ÁSIA A Ásia é marcada pela pluralidade cultural e por uma história marcada pelas grandes civilizações, como a sínica (China, Mongólia, Coreia do Norte, Coreia do Sul, Taiwan e Sudeste Asiático), a hindu (Índia) e a islâmica (Oriente Médio). Além dessa pluralidade sociocultural, o continente apresenta paisagens diversificadas, que incluem a cadeia montanhosa do Himalaia, os planaltos áridos da China e da Mongólia, as planícies geladas da Sibéria e as grandes aglomerações urbanas do litoral chinês (Xangai, Tianjin etc.), da Índia (Mumbai, Calcutá e Délhi) e do Japão (eixo Tóquio-Osaka). O continente asiático pode ser dividido em seis regiões: Ásia Setentrional, Central, Meridional, Sudeste, Extremo Oriente e Oriente Médio. Ásia Setentrional Localiza-se na Zona Glacial Ártica, abrangida pela Rússia em toda a sua extensão leste-oeste, e apresenta climas dos tipos polar e subpolar, com invernos longos e rigorosos, cujas temperaturas podem atingir até 50ºC negativos. Suas formações vegetais estão adaptadas às rigorosas condições climáticas. Entre elas predominam a taiga ou floresta de coníferas, que cobre grande parte da região e é intensamente explorada economicamente para a obtenção de madeira e celulose, e a tundra, ao norte, caracterizada por ser uma vegetação rasteira e resistente às baixíssimas temperaturas. A hidrografia da Ásia Setentrional é formada por rios extensos como o Ob, o Ienissei e o Lena, muito utilizados para a geração de energia elétrica em seus trechos de planalto ao sul. Grande parte dos cursos de água da região permanece congelada durante o inverno. A região é ocupada por grandes campos de exploração de petróleo e gás, além de grandes plantações agrícolas que se beneficiam de seu solo rico em nutrientes. Ásia Central A região é composta de cinco países situados a leste do Mar Cáspio: Cazaquistão, Uzbequistão, Turcomenistão, Tadjiquistão e Quirguistão, nos quais predominam populações russas, eslavas e de origem turca muçulmana. A região apresenta relevo de planícies e altos planaltos no leste. Também se localizam montanhas na divisa com o Oriente Médio. A vegetação é constituída basicamente por estepes e espécies típicas de áreas desérticas. Esse tipo de paisagem natural ocorre em razão do predomínio de climas secos, semi-áridos e áridos na região. Dos grandes rios, o Syr Daria e o Amur Daria, destacam-se na rede hidrográfica da Ásia central, que possui muitos cursos de água temporários por causa dos baixos índices pluviométricos. A região é marcada pelos inúmeros conflitos entre etnias, agravados no passado pela reação comercial desigual com a Rússia. Esses conflitos, somados ao clima desfavorável para agricultura, determinaram economias e estruturas sociais precárias, marcadas pela instabilidade econômica. Ásia Meridional A Ásia Meridional ou subcontinental Indiano caracteriza-se por abrigar povos indianos e indochineses. Do ponto de vista de seu relevo, a região apresenta três grandes unidades: a Cordilheira do Himalaia, uma cadeia de altas montanhas, de formação geológica recente, na fronteira da China com a Índia, o Nepal e Butão, com mais de 2 mil quilômetros de extensão e picos muito elevados, incluindo o Everest, o mais alto do planeta, com 8.848 metros de altitude. O clima predominante na Ásia Meridional é o tropical, sujeito ao regime das monções, ventos que, de acordo com a sua direção, provocam secas prolongadas ou períodos de grande quantidade de chuvas. As secas são resultados das monções de inverno, que ocorrem de dezembro a maio; as chuvas resultam das monções de verão, que ocorrem de junho a novembro. No interior do Planalto do Decã e no deserto de Thar, situado entre o Paquistão e a Índia, predominam climas secos, com temperaturas elevadas. A vegetação da região é composta de florestas tropicais, nas áreas mais úmidas, e de savanas, nas áreas semi-úmidas. Entre os países que compõem o subcontinente, o mais importante economicamente é a Índia, país marcado por fortes contrastes. A população indiana ultrapassa 1,1 bilhão de habitantes, mas cerca de 500 milhões deles vivem na pobreza ou na miséria, com menos de 2 dólares por dia. Enquanto isso uma pequena parcela da população nos centros urbanos, como Délhi e Calcutá, vivendo em pólos de alta tecnologia, vivem com renda média de 13.000 dólares por ano. Ásia Sudeste 235
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    GEOGRAFIA POLÍTICA/2012 PROFESSOR: TIAGODALESSI A região do Sudeste Asiático é constituída: pela Península da Indochina, localizada entre a Baía de Bengala e o Mar da China Meridional; pela Península Malaia, situada entre o Estreito de Málaca e o Mar da China; e pelo arquipélago da Insulíndia, que se estende desde o Índico até o Pacífico. Compreende países continentais (Vietnã, Laos, Camboja, Tailândia, Mianmar, Malásia, Cingapura) e insulares (Indonésia, Brunei, Filipinas e Timor Leste). As formas de relevo predominantes no sudeste asiático são baixos planaltos e planícies, com clima predominante equatorial, o que favorece a ocorrência de florestas exuberantes. A Insulíndia abriga a Indonésia, onde há grande incidência de vulcões e terremotos. Essa região ganhou destaque na imprensa devido à perda de mais de 250 mil pessoas, causada pela enorme onda oceânica (tsunami) que atingiu em dezembro de 2004, provocada por um abalo sísmico no Oceano Índico, próximo ao litoral indonésio. Alguns países do Sudeste Asiático, como a Malásia, Cingapura, a Tailândia e a Indonésia, apresentam grande crescimento econômico nas décadas de 1970 a 1990, impulsionando pela expansão das transnacionais japonesas e norte americanas na região. Essas transnacionais se instalaram nesses países devido ao baixo preço da mão de obra e das matérias primas. Ao lado da modernização trazida por tais empresas, os governos locais fizeram amplos investimentos em educação, o que contribuiu para acelerar o crescimento regional. Esses países ficaram conhecidos como os NPI’s (Novos Países Industrializados). Extremo Oriente O Extremo Oriente, região com grande variedade de paisagens, agrupa a China, o Japão, a Coreia do Norte, a Coreia do Sul, Taiwan e a Mongólia. Quanto aos climas, verificam-se o subtropical e o temperado, com influência das monções no Japão e na Península da Coreia, que favorecem o desenvolvimento de florestas subtropicais e temperada. No oeste da China predominam os climas frio de montanha e o desértico, o que propicia o desenvolvimento de vegetação xerófila e de estepes, que também são encontradas na Mongólia, em razão dos climas árido e semi árido que lá ocorrem. Entre a China e a Mongólia há o deserto da Mongólia, que ocupa grande parte da porção sul mongol. Oriente Médio O Oriente Médio é a região asiática que compreende os países habitados principalmente por árabes de maioria muçulmana. As populações do Irã e do Afeganistão, embora tenham maioria muçulmana, são de origem persa. Israel é a exceção, com população majoritariamente judaica. O relevo do Oriente Médio é constituído em grande parte por planaltos circundados por montanhas. As planícies estão situadas em geral entre o litoral e os conjuntos montanhosos. No interior da região, destaca-se a Planície da Mesopotâmia, região de grande valor histórico-cultural, localizada entre os rios Tigre e Eufrates. Os climas predominantes são o árido e semi árido, o que explica o fato de quase toda a região ser constituída por desertos. Além da escassez de chuvas, há oscilações diárias da temperatura, que varia de mais de 40ºC durante o dia até menos de 10ºC à noite. O Oriente Médio é marcado pelos grandes conflitos geopolíticos dos séculos XX e XXI. A região, que concentra cerca de 35% das jazidas de petróleo do mundo, atraiu as grandes potências, como a França, a Inglaterra, os EUA e a Rússia, que atuaram na política da região visando à exploração desse mineral. A partir da criação do Estado de Israel, em 1948, os conflitos entre árabes e israelenses têm se multiplicado. Da década de 1980 até hoje diversas guerras marcaram a região (Irã – Iraque, Iraque – Kuwait, EUA – Afeganistão, EUA – Iraque). 2- POPULAÇÃO ASIÁTICA A Ásia, embora seja o mais extenso dos continentes da terra, possui mais da metade da população mundial. A Índia e a China são os países mais populosos, não só do continente como também do mundo, somando atualmente mais de 2,3 bilhões de habitantes. A maior parte da população asiática concentra-se na porção meridional e no extremo leste do continente. A distribuição da população pelo continente é irregular. Há áreas onde a concentração de habitantes é muito elevada, como em Bangladesh, onde a densidade demográfica é de mais 880 hab./Km2, e na Índia é 303 hab./Km2. Há também espaços em que essa densidade é baixa. 236
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    GEOGRAFIA POLÍTICA/2012 PROFESSOR: TIAGODALESSI Políticas de controle demográfico A população asiática está em constante crescimento, apesar da existência de políticas oficiais de controle da natalidade em muitos países, como a China, que adotou a norma de um filho por casal no meio urbano e dois no meio rural, caso o primeiro tenha sido menina, e a índia, que promoveu políticas de conscientização e de planejamento familiar. O efeito dessas políticas é a redução do crescimento demográfico. Por exemplo, de acordo com a ONU, a população de países como a Índia e a China deverá crescer em média 1,2% e 0,7% ao ano, respectivamente, até 2015. Esses percentuais são pequenos, comparados, por exemplo, ao do Brasil, que é de 2,0% ao ano. Crescimento demográfico e desigualdades sociais Os fatores que colaboraram para o crescimento demográfico acelerado na Ásia foram a elevada natalidade e o controle da mortalidade, este último devido à melhoria das condições de higiene e à ampliação do atendimento médico-hospitalar. O elevado crescimento demográfico e as desigualdades sociais têm influência negativa sobre o desenvolvimento do continente. Grande parcela da população asiática é analfabeta e possui baixo poder aquisitivo. Apesar da melhora dos últimos anos, as taxas de mortalidade infantil continuam elevadas, a expectativa de vida permanece baixa e o analfabetismo atingia, por exemplo, 50% da população indiana e 60% da paquistanesa na virada do milênio. Os melhores índices educacionais da Ásia são apresentados pelo Japão e por Israel, países que têm mais de 98% de sua população alfabetizada e, no caso japonês, cerca de 45% matriculados nas universidades. Uma população de grande diversidade cultural e religiosa Diversas línguas e dialetos são falados no continente asiático. Contudo, os mais difundidos são o chinês, o hindu, o árabe, o japonês, o inglês e o eslavo (Rússia asiática). Muitas são as religiões praticadas na Ásia: o islamismo, no Oriente Médio e na Ásia Central; o hinduísmo e o budismo, na Ásia Meridional e no Sudeste Asiático; o confucionismo, na China; o xintoísmo, no Japão. O cristianismo é praticado esparsamente por diversos grupos em todo o continente. 3- A ECONOMIA DO CONTINENTE ASIÁTICO A Ásia agrícola A agropecuária e a exportação dos recursos naturais são fundamentais para a economia da Ásia desde tempos passados. Em apenas certas regiões de alguns países a indústria e os serviços se destacam como geradoras de emprego e de renda. As atividades agropecuárias são muito importantes para a economia asiática, principalmente para os países subdesenvolvidos do continente. Uma fatia considerável da população ainda mora no campo e concentra-se no setor primário da economia. Na maioria dos países asiáticos, as atividades agrícolas são realizadas com pouca tecnologia e baixa mecanização. Japão e Israel são os que mais utilizam técnicas agrícolas modernas e irrigação. Por isso, apesar de terem áreas agricultáveis limitadas, obtêm elevada produtividade. Vários povos asiáticos praticam a agricultura de subsistência, responsável pela produção de alimentos para o consumo interno, especialmente de arroz. Outros praticam a plantation, monocultura cuja produção é destinada principalmente à exportação. Esse sistema agrícola foi introduzido no período da colonização europeia no continente. Entre os principais produtos da agricultura asiática estão: o arroz, o trigo, o algodão, a cevada, o chá, o tabaco e as frutas. A China e a Índia são os maiores produtores mundiais de arroz, alimento básico de muitos povos asiáticos. A pecuária, outra importante atividade econômica no continente, é praticada principalmente na forma extensiva, ou seja, com o gado solto no pasto. Os principais rebanhos são de bovinos, suínos, ovinos e bufalinos. A Índia tem o maior rebanho de gado bovino do mundo. No entanto, o consumo de carne dos indianos é baixo, pois os hindus, que são a maioria da população indiana, não comem carne de qualquer origem, principalmente a bovina, porque consideram a vaca um animal sagrado. Os recursos minerais 237
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    GEOGRAFIA POLÍTICA/2012 PROFESSOR: TIAGODALESSI A exploração e industrialização de recursos naturais e energéticos, como o carvão mineral, os minérios de ferro, ouro, estanho e cobre, além do petróleo e do gás natural, são fundamentais para a economia do continente asiático. 4- COREIA DO NORTE O FANTASMA DA BOMBA Quase 20 anos após o fim da Guerra Fria, o mundo ainda vive sob a ameaça de um conflito envolvendo armamentos atômicos, como mostra a crise com a Coreia do Norte Fonte: Atualidades Vestibulares 2010. Editora Abril. Pag. 74-75. Na madrugada de 25 de maio de 2009, 39 estações sísmicas ao redor do mundo detectaram um tremor de 4,52 graus na escala Richter na Coreia do Norte. Pensou-se, primeiro, em terremoto. Mas não. Era um teste nuclear subterrâneo, conforme anunciou horas depois o governo norte-coreano. Foi a segunda explosão atômica subterrânea feita pelo país em três anos e provocou forte reação da comunidade internacional. Em uma reunião de emergência convocada após o teste, o Conselho de Segurança da ONU condenou por unanimidade a explosão e, imediatamente, passou a discutir uma resolução para endurecer as sanções contra o governo comunista norte-coreano, um dos regimes mais fechados do mundo. Prós e contras A pressão das potências ocidentais sobre a Coreia do Norte expõe a tensão nuclear permanente sob a qual o mundo vive, quase duas décadas depois do fim da Guerra Fria. O problema coreano é a crise do momento, mas está longe de ser o único que preocupa. Também na Ásia, a Índia e o Paquistão, ambos detentores de arsenal atômico,mantêm tensa disputa de fronteiras há mais de 50 anos. O Irã é outro foco de tensão, pois, apesar de o governo iraniano reafirmar a intenção pacífica de seu programa nuclear, o Ocidente teme que o enriquecimento de urânio tenha como finalidade desenvolver a bomba atômica. Ao mesmo tempo, tudo indica que, também no Oriente Médio, Israel tenha armamentos atômicos. E as preocupações vão além, porque é possível que parte do velho arsenal da União Soviética tenha caído em mãos ignoradas após a desagregação do país. Quanto às potências atômicas, com mais de 40 anos do Tratado de Não-Proliferação Nuclear, o desarmamento ainda não andou. Diferentemente do que muita gente pensa, o domínio sobre a energia do átomo não é sinônimo de poder destrutivo, pode também ter muitos efeitos benéficos para o ser humano. Entre eles citam-se a medicina, a produção de alimentos e as políticas ambientais como áreas nas quais a radioatividade exerce um papel importante. Além disso, num mundo em que a produção de energia está baseada na queima de combustíveis fósseis, com sua emissão de gases poluentes, a geração de eletricidade com energia nuclear aparece como uma alternativa menos prejudicial. Basta lembrar que a França produz mais de 75% de sua energia elétrica em usinas atômicas. Não se pode esquecer, porém, o perigo de contaminação das usinas em caso de acidente como em Three Mille Island, nos Estados Unidos,em 1979, e em Chernobyl, na URSS (região da atual Ucrânia), em 1986. Nesse último acidente, o mais grave da história, uma nuvem radioativa cobriu boa parte da Europa. Dezenas de milhares de pessoas morreram, tanto no momento do acidente, quanto nos anos seguintes. Quando se lida com energia nuclear todo o cuidado é pouco. Até um pequeno equipamento pode virar foco de um desastre. Isso ocorreu no Brasil em 1987, quando um aparelho de radioterapia (para tratamento médico), abandonado de forma irresponsável, foi parar em um ferro-velho em Goiânia (GO). Feito em pedaços, liberou seu material radioativo - o césio 137-, matando quatro pessoas e contaminando 621. Tratado nuclear Não é à toa que, para boa parte da humanidade, a manipulação da força do átomo se identifique com um risco do apocalipse: está muito presente na memória coletiva a colossal destruição causada pela bomba atômica nas cidades japonesas de Hiroshima, em 6 de agosto de 1945, e Nagasaki, três dias depois, em que morreram no total170 mil pessoas de imediato, e muitas outras nos anos seguintes. Isso ocorreu no fim da II Guerra Mundial. Com o desenvolvimento da bomba também pelos soviéticos, a corrida nuclear tomou-se um dos elementos centrais do período da Guerra Fria, de 1945a 1991. Passaram a ter armas atômicas, além dos EUA e da URSS, os governos de Reino Unido, França e China. Estávamos nesse ponto quando, temendo a multiplicação dos arsenais nucleares, fechou-se em 1968 o acordo conhecido como Tratado de NãoProliferação Nuclear (TNP). 238
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    GEOGRAFIA POLÍTICA/2012   PROFESSOR: TIAGODALESSI Assinado atualmente por 188 países, o tratado divide as nações em dois blocos: Os cincos países que explodiram uma bomba atômica antes de 1°de janeiro de 1967: EUA, Federação Russa, China, Reino Unido e França (que também são os membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU). Eles possuem pleno domínio da tecnologia nuclear – inclusive para fins militares e têm liberdade para ampliá-Io, mas não podem repassar sua tecnologia bélica para outros. Os demais países (os não-nucleares), que podem pesquisar e desenvolver a energia atômica para fins pacíficos, sujeitando-se às inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica. No decorrer dos anos, outros três países capacitaram-se para produzir armas nucleares - Israel, Índia e Paquistão - e não aderiram ao tratado. Índia e Paquistão explodiram bombas e fizeram questão de anunciar o feito. Israel nunca admitiu, mas também não nega que possua tais armas. A Coreia do Norte abandonou o TNP em 2002. Enquanto isso, outro tratado, negociado em 1996, tenta proibir todas as explosões nucleares. O Tratado de Proibição Total de Testes Nucleares (CTBT), porém, não pode entrar em vigor antes de ser ratificado pelos 44 países que participaram das negociações e têm força nuclear ou reatores de pesquisa. Entre os que não assinaram o acordo, estão Estados Unidos e China. Coreia do Norte A protagonista da atual crise, a Coreia do Norte, vive há seis décadas em um regime comunista fechado, numa ditadura de partido único, enfrentando dificuldades econômicas que afundam o país na pobreza. O jogo de pressão com o poderio nuclear se desenrola faz alguns anos e parece uma forma de arrancar ajuda econômica e barganhar garantias de segurança. 239
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    GEOGRAFIA POLÍTICA/2012 PROFESSOR: TIAGODALESSI 5- CHINA – A NOVA POTÊNCIA Fonte: KRAJEWSKI, Ângela Corrêa. Geografia – Pesquisa e Ação. Volume Único para Ensino Médio. São Paulo: Ed. Moderna, 2005. Um país que detém o maior exército do mundo (cerca de 2,5 milhões de homens), é potência nuclear, participa como membro permanente do Conselho de Segurança da ONU e tem a maior população do planeta cerca de 1,3 bilhão - deve ser considerado quando se discute o sistema internacional. Não bastassem esses aspectos, a China tem atraído investimentos de diversos países, além de desenvolver tecnologias de ponta, como a produção de satélites artificiais e foguetes. A China é a economia que mais vigor tem demonstrado nas últimas décadas, com níveis constantes de crescimento. Isso se deve ao fato de ter conseguido a posição de parceiro comercial preferencial dos Estados Unidos, o que a favorece enormemente. Nessa condição, empresas norte-americanas recebem financiamento para se instalarem na China, embora os investimentos também cheguem de outros países, como do Japão. Apesar da preferência comercial, a China enfrenta problemas na sua relação com os norte-americanos. Temas como o respeito aos direitos humanos e à propriedade intelectual têm produzido tensão. O volume de negócios entre eles, contudo, tem feito com que essas questões não sejam radicalizadas e não se tornem motivo para um rompimento diplomático ou uma guerra. Se os Estados Unidos vêem a China como um imenso mercado consumidor, esta, por sua vez, ganha investimentos e tecnologia com a presença dos grupos norteamericanos. Zonas Econômicas Especiais Outra política adotada pelo governo chinês foi a criação, a partir do final da década de 1970, das Zonas Econômicas Especiais (ZEEs). As Zonas Econômicas Especiais são áreas específicas para a entrada de capital internacional, que, por meio de joint ventures - associação entre empresas estrangeiras e locais -, produzem para a exportação. Dessa maneira, criam-se empregos para a população do país e, ao mesmo tempo, produzem-se mercadorias vendida aos demais países do mundo. Como atrativo ao investimento externo, o país oferece os baixos salários pagos aos chineses e um duro controle disciplinar dos trabalhadores. Foi por esse caráter controlador que a China se diferenciou da União Soviética. Não houve abertura política; ao contrário, as manifestações populares são reprimidas, impedindo a liberdade de expressão. Taiwan No âmbito diplomático, a China enfrenta um grande problema com Taiwan, ilha ocupada desde 1949 por dissidentes da Revolução Chinesa e que chegou a se afirmar como república autônoma - a República de Formosa. Durante a Guerra Fria, Taiwan representou uma possibilidade de contenção do socialismo chinês, sendo discretamente apoiada pelos Estados Unidos. Entretanto, com o fim da bipolaridade, perdeu essa função. A realização de eleições para a Presidência, em 2000, foi um teste para as relações China- Taiwan. Os vencedores do pleito podem ter vida longa no poder desde que não ousem declarar a independência do país, sob pena de sofrer uma invasão chinesa, o que teria conseqüências drásticas. Dos diversos conflitos internacionais que envolvem a China, o mais complicado diz respeito à ilha de Taiwan, situada a apenas 150 quilômetros do território continental. A ilha, pouco povoada e sem maior importância econômica até a segunda metade do século XX, abriga desde 1949 o regime nacionalista chinês que lá se refugiou depois que as forças do presidente Chiang Kaichek foram derrotadas pelos comunistas. No plano comercial, porém, Taiwan mantém um intenso comércio exterior. Isso garante a prosperidade econômica e o elevado padrão de vida de seus 22 milhões de habitantes. As empresas de Taiwan se tornaram grandes investidoras na economia do continente. Ainda assim, o potencial de conflito é muito grande. Ocupação de Territórios Na década de 1990, a China recuperou, por meio de acordos, áreas como Macau, sob domínio de Portugal desde o século XVI, e Hong Kong, administrada pelo Reino Unido desde 1842. Porém, ainda mantém uma área em litígio na fronteira com a Índia. O Tibete, localizado na cordilheira do Himalaia, era uma monarquia teocrática (governada por sacerdotes) até ser invadida e anexada pela China, em 1950. Nove anos depois, as tropas chinesas esmagaram uma rebelião nacionalista na região, forçando o sacerdote supremo dos budistas tibetanos, o Dalai 240
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    GEOGRAFIA POLÍTICA/2012 PROFESSOR: TIAGODALESSI Lama, a se refugiar na Índia. O regime chinês se empenha em diluir a identidade nacional dos tibetanos, reprimindo sua religião e incentivando a imigração de chineses da etnia han, majoritária no país, a fim de inverter o perfil populacional do Tibete. A ocupação do litoral ocorreu por meio de atividades diversificadas. Porém, é na faixa litorânea que estão as maiores concentrações de indústrias, como as do Cantão, ao Sul, as de Xangai, e Nanquim, ao centro, e as de Beijing (Pequim) até Shenyang, ao norte. A faixa litorânea é a que mais se assemelha aos países capitalistas europeus e da América do Norte. Xangai é um exemplo disso. A China do interior apresenta algumas áreas industriais, como Nanquin, Wuhan, Taiyuan, Xian, entre outras. Apesar da modernização, encontra-se nessa área parte expressiva da população chinesa, vivendo basicamente da agricultura. Muitos autores chamam essa parte do país de "China Eterna", numa referência à sua pouca alteração em relação ao passado. A China do Oeste é a menos dinâmica do ponto de vista econômico, em razão das dificuldades relativas à sua ocupação. Lá estão elementos naturais, como o deserto de Gobi, ao Norte, e elevadas montanhas, a Oeste, ultrapassando os 4 mil metros de altitude. Nessa região vivem os tibetanos, povo que professa a fé budista tibetana e que luta pela independência da China. Na fronteira com o Butão e o Nepal encontra-se o maior conjunto de dobramentos modernos do mundo, a Cordilheira do Himalaia. Faz parte deste conjunto montanhoso o Everest, pico mais alto do planeta com cerca de 8.900 metros de altitude. O Brasil tem se aproximado bastante dos chineses tanto em relação à intensificação de relações comerciais quanto para consolidar projetos bilaterais. Desde a década de 1990 uma série de acordos de cooperação técnica possibilitou a construção e o lançamento de satélites para exploração mineral da Terra. CHINA, ABERTURA SÓ NA ECONOMIA A economia chinesa ficou estagnada na maior parte do século XX, quando o país esteve mergulhado em crises, guerras e revoluções. A China só começou a progredir no final da década de 1970, após a morte, em 1976, do líder comunista Mao Tse-tung. O novo dirigente comunista, Deng Xiaoping, abandonou a rigidez ideológica do maoísmo e pôs em marcha, em 1978, um ambicioso programa de modernização. As empresas estrangeiras foram incentivadas a se instalar no país, por meio da isenção de impostos e da garantia de uma força de trabalho barata, instruída e obediente (até hoje, os sindicatos livres são proibidos no país). As fazendas coletivas, de baixa produtividade, foram dissolvidas, e os camponeses se tornaram proprietários das terras. O Estado, que antes controlava totalmente a atividade econômica, iniciou uma lenta retirada, dando lugar à nova classe de empreendedores capitalistas. A busca do lucro se tornou o motor da sociedade. Maoísmo No poder entre 1949 e 1976, o líder revolucionário Mao Tse-tung aplicou na China sua interpretação particular, das teorias de Karl Marx e de Vladimir Lênin. O maoísmo se distingue das demais variantes do pensamento comunista por um igualitarismo radical (a tentativa de eliminar todos os tipos de diferença social), pelo papel de destaque atribuído aos camponeses na luta de classe se pela ideia da revolução como um conflito permanente mesmo depois da conquista do poder. Mas de uma coisa o regime chinês nunca abriu mão - o poder absoluto do Partido Comunista. Na China. ao contrário do que ocorreu na antiga URSS, as reformas no sistema de planejamento estatal ficaram limitadas à economia. No plano político, o país continua submetido a um regime de partido único, tal como nos tempos de Mao. Não existem eleições democráticas, a imprensa é censurada e os atos de protesto são violentamente reprimidos. O episódio mais dramático em que o regime chinês exibiu sua face autoritária foi o "massacre da Praça da Paz Celestial". em junho de 1989. Naquela ocasião,o exército, sob as ordens de Deng. usou a força contra uma manifestação estudantil pela democracia,no centro de Pequim, causando centenas de mortes. Desigualdade Social O rápido desenvolvimento chinês tem colocado novos desafios para seu regime político. É verdade que a abertura da China para a economia global proporcionou uma existência mais confortável a centenas de milhões de pessoas. Mas um número ainda maior está sofrendo os efeitos negativos da rápida transição para o capitalismo. 241
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    GEOGRAFIA POLÍTICA/2012 PROFESSOR: TIAGODALESSI As reformas econômicas criaram ganhadores e perdedores. Mais de 1 bilhão de chineses sobrevivem com uma renda inferior a 2 dólares por mês- menos do que o salário mínimo brasileiro. A desigualdade social é Chocante,até mesmo nas cidades modernas da província de Guangdong, no sul, onde estão instaladas as empresas multinacionais - quase todas norte-americanas, japonesas e dos chamados "tigres asiáticos", como a Coreia do Sul e Taiwan - que operam no país. Lá, uma minoria de executivos de paletó e gravata, engenheiros e técnicos especializados, fluentes em inglês, recebe altos salários e desfruta de uma qualidade de vida equivalente à das elites ocidentais. Sua ostentação contrasta com a penúria em que vivem os milhões de operários das zonas econômicas especiais. Eles suportam jornadas de 12 a 16 horas de trabalho diário em troca de salários muito baixos. Moram em alojamentos precários, amontoados em pequenos dormitórios que abrigam de dez a vinte pessoas. Esses trabalhadores são, na maioria, camponeses que deixaram suas aldeias, empurrados pela pobreza, pela falta de perspectivas e pela crescente disparidade econômica entre as cidades e a zona rural. O ingresso da China na Organização Mundial do Comércio (OMC), em 2000, agravou as condições de vida dos agricultores, ao derrubar as barreiras alfandegárias que protegiam os produtores locais contra a concorrência das importações. O desemprego no campo está provocando uma das maiores migrações em massa da história da humanidade. O governo prevê que, até 2020, mais de 300 milhões de chineses deverão deixar as regiões agrícolas em busca de oportunidades nas grandes metrópoles. Agora, um dos grandes dilemas do país é o de gerar vagas no mercado de trabalho para essa multidão de camponeses deslocados pelas reformas capitalistas. A eles, somam-se os milhões de operários que perderão o emprego com a privatização das indústrias estatais, e mais os jovens em busca de trabalho ao alcançarem a idade adulta. Obstáculos ao Desenvolvimento Chinês Para alcançar plenamente a condição de grande potência, a China terá de superar outros problemas. além da crescente desigualdade social e das tensões sociais daí resultantes. O desenvolvimento das forças produtivas se deu em prejuízo do meio ambiente, causando algumas das maiores catástrofes ecológicas de todos os tempos. As cidades chinesas são as mais poluídas do mundo, com graves efeitos sobre a saúde de seus habitantes. No plano político, há dúvidas sobre por quanto tempo os dirigentes comunistas serão capazes de manter um regime repressivo, no qual as ideias não podem circular livremente. O autoritarismo limita a difusão dos novos recursos tecnológicos, como a Internet. Um caso muito revelador é o que envolveu a chegada do Google à China, no início de 2006. Para ser autorizada a operar no país, essa empresa norte-americana de tecnologia da informação teve de assumir o compromisso de censurar os sítes que tratam de assuntos considerados tabus, como a ocupação do Tibete e a repressão policial à seita religiosa Falun Gong. Alguns analistas acreditam que, com o tempo, a emergente classe média chinesa, influenciada pelo contato com os países ocidentais, passará a reivindicar maior participação na vida política. Há motivos de sobra para o descontentamento. O monopólio do poder pelo (PCC) Partido Comunista provoca, entre outras distorções, um alto grau de corrupção das autoridades. Um rival estratégico dos EUA Se a China superar as barreiras a seu avanço econômico e social, ocupará um lugar de destaque no mapa geopolítico do século XXI. A ascensão chinesa incomoda especialmente os EUA, que emergiram da Guerra Fria numa situação privilegiada de hegemonia política internacional. A curto prazo, os norte-americanos não vêem motivo de preocupação, dada sua enorme vantagem em todos o critérios que definem o poderio das nações. O PIB dos EUA, país com menos de um quarto da população da China, é oito a nove vezes maior. A superioridade tecnológica e militar norte-americana é esmagadora. Os EUA temem, porém, que a expansão econômica da China acabe produzindo um aumento de sua capacidade militar. De fato, os chineses já estão usando uma parte de sua nova riqueza para modernizar as Forças Armadas. Entre os novos armamentos de seu arsenal, encontram-se mísseis capazes de atingir Taiwan e Japão. A atitude dos EUA é ambígua. Por um lado, o governo do presidente George W. Bush encarou a China como um inimigo potencial, capaz de pôr em risco a supremacia norte-americana no cenário estratégico do Extremo Oriente. Por outro lado, os negócios dos EUA estão tão entrelaçados com a economia chinesa que qualquer atrito mais sério entre os dois países poderá provocar um colapso financeiro em escala mundial. Os dirigentes chineses, de sua parte, se esforçam em evitar um confronto com os EUA. Mas deixam claro que, se o país se sentir ameaçado em seu território - o que inclui, na visão de Pequim, os direitos 242
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    GEOGRAFIA POLÍTICA/2012 PROFESSOR: TIAGODALESSI históricos sobre a ilha de Taiwan -. reagirá com todas as forças. Para o bem e para o mal. a China já conquistou sua vaga no clube das grandes potências. E veio para ficar. 6- JAPÃO: MAIOR POTÊNCIA ECONOMICA DA ÁSIA Fonte: KRAJEWSKI, Ângela Corrêa. Geografia – Pesquisa e Ação. Volume Único para Ensino Médio. São Paulo: Ed. Moderna, 2005. pág. 137-138 O Japão aparece como importante centro de produção tecnológica; entretanto, seu papel vai além. Empresas e grupos financeiros japoneses estão entre os maiores do mundo. A industrialização do Japão estruturou-se no final do século XIX. Antes disso, o país era dividido em xogunatos, sistema político fragmentado em domínios militares. Em 1868, com o enfraquecimento do sistema, o poder retomou às mãos do imperador Mutsuhito, iniciando-se a Restauração Meiji, período de significativa modernização. Estabeleceu- se uma Constituição e o ensino passou a ser obrigatório. Foram criados os zaibatsus, grandes monopólios familiares concentrando indústrias e bancos, que se transformaram na base econômica do país. O fortalecimento econômico e militar resultante da Era Meiji alimentou o caráter expansionista do Japão. O imperialismo japonês só foi freado com sua derrota na Segunda Guerra. Reconstruída com o apoio dos EUA, a economia japonesa foi a que mais cresceu, do fim da Segunda Guerra à década de 1980. Para atingir esse destaque, aprimorou tecnologias empregadas em mercadorias produzidas em outros países. Com o avanço tecnológico, o Japão superou vários países e tornou-se um grande exportador de automóveis, computadores e artigos eletrônicos. Ao mesmo tempo, consolidou o mercado interno com uma política de distribuição de renda. Após a Segunda Guerra, o Japão foi proibido pelos EUA de dispor de forças armadas e produzir armamentos. Isso não o impediu de desenvolver tecnologias para produtos civis que também podem ser usadas para fins militares. Esse fato o toma um produtor potencial de armamentos. Desde o início da década de 1990, com a flexibilização da Constituição, o Japão passou a investir em defesa. Estima-se que o volume gasto pelo país no setor ocupa o segundo lugar no mundo, perdendo apenas para os Estados Unidos, depois do fim da União Soviética. A Constituição japonesa, no entanto, mantém um artigo que proíbe o país de intervir militarmente fora de seus domínios. As forças armadas japonesas, providas com os mais modernos equipamentos militares, devem entrar em ação apenas em caso de ataques a seu território. O grande volume de recursos gastos na área militar indica, contudo, que as intenções japonesas não são apenas de defesa, e sim de ampliar sua influência no mundo. Prova disso é a aspiração japonesa, expressa várias vezes, de integrar, como membro permanente, o Conselho de Segurança da ONU, caso ele venha a ser alterado. Além disso, o país exerce enorme influência em grande parte do Sudeste Asiático. É possível perceber que os Tigres Asiáticos só alcançaram notoriedade e desenvolvimento no final do século XX graças aos investimentos japoneses. A primeira geração dos chamados Tigres Asiáticos, composta por Cingapura, Coréia do Sul, Hong Kong e Taiwan, recebeu investimentos japoneses e passou a montar produtos antes completamente fabricados no Japão. Em pouco tempo, esses países desenvolveram tecnologia própria, principalmente a Coréia do Sul, que adotou o modelo japonês dos zaibatsus (grandes grupos econômicos incentivados pelo Estado, resultando em empresas como a Honda e a Mitsubishi) e criou os chaebols (grupos que se transformaram em marcas mundiais coreanas, como a Hyundai, a Ásia Motors, a Samsung e a Lucky-Goldstar). Os Tigres Asiáticos conseguiram desenvolver produtos e tecnologia nos campos da informática, eletrônica e indústria automobilística e passaram a exportá-los para o mundo todo. Esse modelo foi chamado de plataforma de exportação. Nas últimas cinco décadas, o ritmo de desenvolvimento industrial do Japão criou uma demanda crescente por matérias-primas, não apenas para abastecer as fábricas, mas também para gerar energia. Como o território japonês é extremamente pobre em recursos minerais e energéticos fósseis, o país foi obrigado a se tornar um grande importador desses produtos. Hoje em dia, as empresas japonesas importam mais de 90% do que consomem, por exemplo, de ferro, bauxita, manganês, cobre, petróleo, carvão e gás natural. O país tem vários vulcões ativos que também tornam possível a exploração da energia geotérmica, embora ainda de maneira restrita. A invasão brasileira do Oriente começou em 1988, quando a comunidade dobrou de tamanho em relação ao ano anterior, de cerca de 2 mil para 4 mil pessoas, segundo dados do Departamento de Imigração japonês. Mesmo com a estagnação da economia japonesa, o número de dekasseguis continuou crescendo. Em 243
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    GEOGRAFIA POLÍTICA/2012 PROFESSOR: TIAGODALESSI 2003 já havia 274 mil, 2,4% a mais que no ano anterior. Trata-se do terceiro maior grupo de estrangeiros no país, depois de coreanos, com 614 mil pessoas, e chineses, com 462 mil. Para o Brasil, trabalhadores no exterior significam entrada de divisas. De acordo com dados do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), os dekasseguis enviaram US$ 2 bilhões ao país em 2003. 7- ÍNDIA Fonte: KRAJEWSKI, Ângela Corrêa. Geografia – Pesquisa e Ação. Volume Único para Ensino Médio. São Paulo: Ed. Moderna, 2005. pág. 146-148. A Índia tornou-se colônia britânica em 1849. A reação contra esse domínio intensificou-se após a Primeira Guerra Mundial, sob a liderança de Mohandas Karamchand Gandhi, denominado pelos indianos de Mahatma (Grande Alma). Gandhi tinha por base uma ação pacífica, apoiada em greves e boicote aos produtos britânicos. Em 1947, a Inglaterra reconheceu a independência da Índia. Com a saída das tropas britânicas, veio à tona o conflito entre hindus e muçulmanos — que já existia na sociedade hindu, e Gandhi tentara inutilmente resolver. Esse conflito culminou com a divisão do território indiano em dois países: a Índia (de maioria hindu) e o Paquistão (de maioria muçulmana). Essa divisão, entretanto, não satisfazia por completo às aspirações muçulmanas, pois a região de Caxemira, de maioria muçulmana, ficou sob domínio da Índia. Até hoje essa situação é contestada pela população muçulmana do território, com o apoio do Paquistão. O país foi dividido em castas presente no hinduísmo, como a figura a seguir. A questão entre a Índia e o Paquistão ganhou importância internacional, pois envolve dois países que possuem bomba atômica. O fato é mais preocupante, segundo a visão ocidental do problema, diante da nova ordem mundial, na qual as decisões sobre o que deve e o que pode ser feito no mundo já não dependem exclusivamente de Moscou e de Washington. Tem uma das maiores populações do mundo, sendo que 50% da população são analfabetos. A expectativa de vida é de 63 anos e a mortalidade infantil é 63%º (por mil). O país tem a maior parte da população nas áreas rurais, sendo 64% da PEA. O arroz é o principal produto cultivado na Índia, seguido por trigo, milho, algodão, cana-de-açúcar e chá, mas mesmo sendo um país agrário, tem grande parte da população passando fome e em estado de desnutrição. Ao mesmo tempo em que viveu um intenso processo de industrialização, a Índia recebeu investimentos externos, principalmente dos Estados Unidos, para a modernização da agricultura. Conhecida como Revolução Verde, essas mudanças incluíram a introdução de novas variedades de sementes, o uso de fertilizantes químicos e pesticidas, a expansão da irrigação e da mecanização. É importante lembrar que a Índia tem o maior rebanho de bovinos do mundo. 244
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    GEOGRAFIA POLÍTICA/2012 PROFESSOR: TIAGODALESSI Na Índia as indústrias ainda estão concentradas em algumas cidades, tais como: Calcutá, Bombaim, Madras e Nova Délhi (capital do país). Embora o parque industrial esteja situado entre os dez maiores do mundo, lembrando que há um grande desenvolvimento tecnológico e cientifico, ela absorve apenas 29% da PEA. No conflito da Caxemira (Índia X Paquistão) - 2/3 de seu território estão sob o domínio indiano. 1/3 sob o controle do Paquistão. Habitada majoritariamente por muçulmanos, a Caxemira foi alvo de duas das três guerras já travadas entre os dois países. O Paquistão reivindica o controle total da Caxemira sob o argumento de que lá vive uma população de maioria islâmica - a mesma do país. Já a Índia tem uma população majoritariamente hindu. Nessa porção do sul da Ásia levou a uma corrida armamentista nas últimas décadas que culminou com a entrada de Índia e Paquistão, em 1998, no seleto clube dos países detentores de armas nucleares. Não bastassem as diferenças sociais, a fronteira da Índia é marcada por focos de tensão. É o caso da fronteira com a China, que já resultou numa guerra em 1959 e outra em 1962. Os permanentes conflitos com seus vizinhos tornam incerto o futuro do país. Fonte: www.academia.g12.br Fonte: folhaonline/UOL 245
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    GEOGRAFIA POLÍTICA/2012 PROFESSOR: TIAGODALESSI 08- NOVOS ARES NO ORIENTE MÉDIO? Lideres árabes elogiam mudança de discurso dos Estados Unidos para a região, mas ainda esperam por ações concretas. Fonte: Atualidades Vestibulares 2010. Editora Abril A Universidade do Cairo, no Egito, foi o palco, em junho, de um aguardado discurso do novo presidente dos EUA, Barack Obama. Em sua fala, o governante norte-americano propôs “um novo começo” nas relações entre os EUA e os muçulmanos (seguidores da religião islâmica), que representam a grande maioria da população no Oriente Médio, e manifestou a vontade de pôr fim à situação de “desconfiança mútua”. Citou trechos do Alcorão, o livro sagrado do islamismo, e afirmou que os EUA não estão em guerra contra o Islã. Entre os temas mais importantes para a região, Obama reafirmou o apoio norte-americano a Israel, mas defendeu o direito de a Palestina existir. Até mesmo no caso do Irã, cujo governo é considerado hostil aos EUA, ele julga que o país tem o direito de utilizar energia nuclear para fins pacíficos ou civis. A diferença em relação ao presidente anterior, George W Bush, é significativa. Obama não pronunciou nenhuma vez as palavras "terror" ou "terrorismo", a marca registrada de seu antecessor. A mudança de tom ganhou aplausos no auditório da universidade e elogios de várias lideranças de países árabes. Ao mesmo tempo, essas lideranças dizem esperar ações concretas de Obama que comprovem uma transformação efetiva. A política de "guerra ao terror" de Bush fez crescer, entre as populações do Oriente Médio, um sentimento generalizado de hostilidade contra os EUA. Muitos analistas avaliam que isso contribuiu para o aumento da influência de grupos fundamentalistas islâmicos, que eram vistos como os maiores opositores a Bush. Por isso, sua postura teria sido prejudicial aos interesses norte-americanos. Obama, ao buscar atrair a simpatia da opinião pública e dos governantes locais, procura soldar alianças regionais que defendam de modo mais eficaz a política norte-americana. Para conseguir isso, não hesita em dirigir-se até mesmo a governos hostis, como o do Irã e o da Síria. Região de conflitos Berço de civilizações milenares, o Oriente Médio é a região do mundo que concentra o maior número de conflitos por quilômetro quadrado. Não por acaso, tem sido a prioridade da política externa de Obama em seus primeiros meses de governo. Fatores políticos e econômicos explicam a importância do Oriente Médio no mundo contemporâneo. A área abriga as maiores reservas conhecidas de petróleo e gás do planeta, que, nos últimos 100 anos, se tornaram chaves para a economia mundial. Quase dois terços de todas as jazidas do mundo estão concentrados ali. As disputas pelo controle dos recursos petrolíferos estiveram na origem de muitas intervenções armadas de potências estrangeiras, principalmente a França, o Reino Unido e os EUA. Uma das razões para a ocupação do Iraque pelos EUA, em 2003, está nesse interesse pelas riquezas naturais do país. O grande acontecimento que impactou a região no século XX foi a fundação do Estado de Israel, em 1948. O novo país, ao ocupar o território da Palestina, desalojando milhares de árabes palestinos que ali viviam, criou uma situação de tensão que perdura até hoje. Outras disputas fazem parte desse quadro geral. A Arábia Saudita, que tem população de maioria sunita (uma das vertentes do islamismo), opõe-se ao crescimento de influência do Irã, de maioria xiita (outro ramo do islamismo). O governo saudita busca exercer um papel de peso nas negociações de paz entre Israel e os palestinos. De outro lado, o Irã tem ascendência sobre partidos xiitas que estão no governo do Iraque e fornece ajuda financeira a grupos como o Hezbollah, no Líbano, e o Hamas, nos territórios palestinos. Nos últimos anos, ganhou relevância a questão do programa nuclear do Irã, pois as potências ocidentais acreditam que o país dá passos largos para construir bombas atômicas. Toda essa situação conflituosa está relacionada ainda ao que acontece nas regiões limítrofes ao Oriente Médio, como a Ásia Central, onde se situam Afeganistão e Paquistão. Saída do Iraque No Iraque, ocupado desde 2003 por forças lideradas pelos EUA e pelo Reino Unido, a situação de caos persiste, embora a violência tenha diminuído nos últimos anos. De acordo com o governo iraquiano, a guerra causou a morte de aproximadamente 5,7 mil pessoas em 2008, bem menos que os 16,2 mil mortos no ano anterior. Ainda assim, há muita incerteza sobre o futuro do país. Obama anunciou que as missões de combate dos EUA no Iraque encerrariam em agosto de 2010 – três meses depois do prazo em que havia prometido, na campanha eleitoral, retirar as tropas. A maior parte dos 142 mil soldados norte-americanos no país sairá do território iraquiano. 246
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    GEOGRAFIA POLÍTICA/2012 PROFESSOR: TIAGODALESSI 09- IRÃ ABALO NA REPÚBLICA ISLÃMICA Anúncio da reeleição do presidente Ahmadinejad é contestado por acusações de fraude e provoca manifestações de protesto com milhares de pessoas, reprimidas pelo regime dos aiatolás. Fonte: Atualidades Vestibular 2010. Editora Abril. Pag. 70-73 Multidões tomaram as ruas de Teerã, a capital do Irã, em gigantescas manifestações de protesto. Nas eleições presidenciais de junho de 2009, muitos iranianos acreditavam na vitória do candidato oposicionista Mir Hossein Mousavi sobre o atual presidente Mahmoud Ahmadinejad, que concorria à reeleição. No mínimo, tinham a certeza de que a disputa iria para o segundo turno. A expectativa tinha como base os grandes comícios de Mousavi e as entusiasmadas demonstrações de apoio. Em vez disso, depois de encerrada a eleição, o órgão oficial encarregado da apuração indicou que o vitorioso havia sido Ahmadinejad, com 63% dos votos, contra 34% para Mousavi. A eleição estava encerrada em primeiro turno. O anúncio provocou uma explosão de revolta. Manifestantes inconformados passaram a enfrentar milícias leais ao governo para expressar seu protesto e acusar o regime de fraudar o resultado. A repressão foi violenta: numa das imagens mais chocantes, gravada em um telefone celular e transmitida para o mundo pela internet, uma jovem morre após levar um tiro. Os confrontos causaram pelo menos 20 mortes, e a oposição fala em até 150. O líder religioso supremo, o aiatolá Ali Khamenei, que tem o poder de fato no Irã, condenou os atos e disse que as eleições foram justas. Após alguns dias, a situação aparentemente se estabilizou. É possível avaliar, porém, que o regime teocrático que vigora no país há 30 anos, sob o comando dos aiatolás, sofreu um sério abalo. Radicais e moderados O confronto entre posições diferentes no interior do regime, que sempre existiu, ficou mais explícito durante o governo de Ahmadinejad. O presidente representa a ala radical, também chamada pela imprensa ocidental de conservadora. É o setor que se opõe de maneira mais enfática à influência das grandes potências ocidentais na região, em todos os terrenos - militar, político, econômico e cultural. O atual governo reprime até o uso de roupas ocidentais, impondo às mulheres o uso do véu sobre a cabeça quando estão em público. Do outro lado, estão os moderados, como os ex-presidentes Hashemi Rafsanjani e Mohammad Khatami, interessados em reaproximar o país do Ocidente. É preciso ficar atento, porém, ao fato de que os dois lados têm referência na Revolução Islâmica e não se propõem a modificar a estrutura do regime. Além disso, tanto radicais quanto moderados defendem a continuidade do programa nuclear. Programa nuclear O Irã é um dos países-chave do Oriente Médio. A partir da Revolução Islâmica, em 1979, afastou-se da área de influência dos Estados Unidos (EUA) e tornou-se fonte de preocupação para potências ocidentais, que têm grandes interesses econômicos e políticos na região. Países árabes como o Egito e a Arábia Saudita, também se sentiram incomodados com o crescimento da influência que dificulta suas próprias pretensões de firmar-se como potências regionais. a nação todas as vizinhos, iraniana, 247
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    GEOGRAFIA POLÍTICA/2012 PROFESSOR: TIAGODALESSI O regime iraniano posiciona-se frontalmente contra Israel, o que atrai a simpatia de setores palestinos e árabes. Mantém relações estreitas com a Síria - outro país considerado hostil pelos EUA - e exerce influência sobre partidos xiitas no governo do Iraque. Além disso, é acusado de dar apoio a grupos fundamentalistas islâmicos, como o libanês Hezbollah e o palestino Hamas. O ex-presidente norte-americano George W. Bush havia colocado o Irã como um dos integrantes do "eixo do mal" - nações que favoreceriam o terrorismo internacional. As manifestações puseram em segundo plano até a principal acusação feita nos últimos anos ao Irã: a de que o país planeja fabricar armas nucleares. As potências ocidentais, com os EUA à frente, estão convencidas de que o Irã desenvolve um programa atômico secreto com fins militares. O governo iraniano nega, afirmando que desenvolve pesquisas nesse campo com fins pacíficos, para produzir energia elétrica. Após a eleição de Ahmadinejad, em 2005, os atritos se acirraram. O presidente afirma que o Irã tem o "direito inalienável" de produzir energia nuclear, e por isso desenvolve o enriquecimento do urânio. Em níveis baixos, o enriquecimento produz combustível para usinas de geração de energia elétrica, o que é permitido pelo Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), do qual o Irã faz parte. Apenas o enriquecimento em nível alto poderia ser usado para produzir armas nucleares. Diante da negativa do Irã de parar o programa nuclear, a ONU aprovou, entre dezembro de 2006 e março de 2008, três séries de sanções econômicas contra o país. Nas três ocasiões, a resposta de Ahmadinejad foi ignorar as ameaças e anunciar que não haveria recuo nas atividades nucleares. Herdeiro dos persas Vizinho de diversos países árabes, o Irã tem origem distinta. Seus antepassados são os persas, que constituíram um império de grande importância na Antiguidade. A partir de 642 d.C., com a conquista árabe, a região adotou a religião islâmica, mas o povo manteve sua singularidade, com idioma e cultura próprios. Até 1935, o país ainda se chamava Pérsia. A grande maioria da população segue o islamismo, principalmente a vertente xiita da religião (os sunitas e os xiitas constituem dois dos principais ramos do islamismo). Polêmicas de Ahmadinejad A eleição de Ahmadinejad como presidente, em 2005, foi uma surpresa. Extremamente religioso, considerado radical defensor dos valores originais da Revolução Islâmica, esse ex-prefeito de Teerã derrotou o importante líder religioso Hashemi Rafsanjani, que tem posições mais moderadas e havia sido presidente do país entre 1989 e 1997. A gestão de Ahmadinejad caracteriza-se pela defesa do programa nuclear nacional e por forte posicionamento contra os Estados Unidos e o Estado de Israel. O presidente declarou-se a favor da destruição do Estado de Israel e causou indignação internacional ao pôr em dúvida a ocorrência do Holocausto – a execução de 6 milhões de judeus pelos nazistas durante a Primeira Guerra Mundial. Os adversários internos 248
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    GEOGRAFIA POLÍTICA/2012 PROFESSOR: TIAGODALESSI dizem que a sua gestão econômica é desastrosa, marcada pela alta da inflação e pelo aumento dos índices de desemprego. No plano das relações exteriores, uma nova situação abriu-se a partir da posse de Barack Obama como presidente dos EUA. Desde o início, o governante norte-americano deixou clara a posição de buscar trazer os regimes do Irã e da Síria para uma negociação diplomática. Rompeu, assim, com a orientação de Bush, que não admitia conversações com países considerados hostis. Os acenos de Obama foram, em um primeiro momento, repelidos pelo presidente iraniano e pelo líder supremo, para os quais seriam necessárias ações concretas - como o fim do apoio ao Estado de Israel e a retirada das tropas norte-americanas do Iraque e do Afeganistão - para que houvesse mudanças nas relações entre os países. Por outro lado, o presidente norte americano não abandonou a política de pressões, tendo renovado em março as sanções econômicas dos Estados Unidos contra o Irã, vigentes desde 1995. Eleições de 2009 Num debate de TV durante a campanha eleitoral de 2009, os iranianos viram Ahmadinejad afirmar que seu principal oponente, Mousavi, era o preferido das elites. Comum a agressividade sem precedentes, atacou os ex-presidentes Khatami e Rafsanjani, apoiadores de Mousavi, apontando-os como corruptos. Mousavi criticou duramente a política externa de Ahmadinejad, acusando-o de ter isolado o Irã da comunidade internacional. Comprometeu-se a negociar com os Estados Unidos, mas sem abrir mão do programa nuclear iraniano. A campanha eleitoral de Mousavi recebeu o apoio entusiástico de comerciantes, dos setores jovens e da população mais instruída das cidades. Os comícios atraíram, também, muitas mulheres, que sofrem opressão por causa das rígidas imposições religiosas em vigor. Ahmadinejad tem apoio principalmente nas áreas rurais e entre os mais pobres. Sua política é qualificada de populista, por fornecer auxílio em dinheiro aos setores mais necessitados. Membros do Exército e integrantes da Guarda Revolucionária, o grupo militar de elite do regime, também compõe a base de sustentação do presidente. As eleições registraram o comparecimento recorde de 85% dos eleitores. Quando a agência oficial de notícias apresentou Ahmadinejad como vencedor no primeiro turno, com grande diferença em relação a Mousavi, o oposicionista não aceitou o resultado e acusou o governo de ter promovido uma grande fraude eleitoral. O candidato passou, então, a reivindicar a anulação do pleito e a convocação de novas eleições. Imediatamente, surgiram protestos em Teerã e em outras cidades, numa amplitude jamais vista no país desde a Revolução de 1979. As manifestações duraram vários dias, reunindo centenas de milhares de participantes, e passaram a ser reprimidas pela milícia islâmica dos basijis, os "vigilantes da revolução", um corpo paramilitar vinculado à Guarda Revolucionária. Khamenei respaldou a vitória de Ahmadinejad e declarou que o resultado deveria ser reconhecido por todos, exigindo o fim dos atos públicos e o alinhamento da oposição com a apuração oficial. O líder supremo não admitiu a possibilidade de fraude nem a convocação de novas eleições. Na mesma linha, o Conselho dos Guardiães concordou apenas com a recontagem de votos das urnas que apresentaram irregularidades. Entre os fatos que dão base às suspeitas de fraude estão:    O anúncio dos primeiros resultados poucas horas depois do fechamento das urnas, quando seriam necessários alguns dias para a apuração; O estranho resultado a favor de Ahmadinejad, que teria sido vitorioso até mesmo nas regiões de origem dos outros três candidatos; O comparecimento, em algumas localidades, de mais de 100% dos eleitores registrados. Observadores isentos, contudo, não excluem a possibilidade de vitória do presidente, já que ele tinha o respaldo de um enorme contingente da população rural, que não se manifestou de forma ruidosa nem teve ampla cobertura de mídia, como os apoiadores de Mousavi. A reação internacional variou da cautela demonstrada por Obama, que criticou de forma moderada a repressão aos atos, até a posição mais dura da União Europeia, que exigiu o fim da repressão e a garantia da liberdade de expressão. O governo iraniano acusou as potências estrangeiras de insuflar os protestos e tentar interferir na política interna do país. Analistas afirmam que, por trás do embate entre Ahmadinejad e Mousavi, há uma luta mais profunda entre seus principais apoiadores, Khamenei - autoridade máxima do país - e Rafsanjani, a eminência parda do regime, que preside a Assembleia dos Especialistas, organismo encarregado de escolher ou destituir o líder 249
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    GEOGRAFIA POLÍTICA/2012 PROFESSOR: TIAGODALESSI supremo. Ambos são representantes da geração que tomou o poder com a Revolução Islâmica e disputam o controle da República. 10- As Guerras do Kuait e do Iraque Fonte: O Atlas do Oriente Médio. O mapeamento completo de todos os conflitos. Editora Publifolha. Pag. 94-95 Em 1988, ao fim da guerra com os iranianos, o Iraque estava enfraquecido economicamente, pagara elevado preço humano por ter desencadeado o conflito (1980) e, ainda assim, tinha posição internacional relativamente sólida. Entre suas vantagens cruciais, havia em primeiro lugar as enormes reservas petrolíferas, com as· quais estava em boa posição para, com o tempo, recuperar os prejuízos econômicos. Em segundo lugar, as Forças Armadas iraquianas, apesar das perdas, eram as mais fortes da região do golfo Pérsico, e observadores ocidentais as encaravam com respeito. E, em terceiro lugar, dado que o Irã era tratado com tanta desconfiança por ser um regime revolucionário, o Iraque recebera importante apoio do Ocidente (em especial dos EUA) durante a guerra e tinha a possibilidade de continuar beneficiando-se dessas boas relações. Nos 15 anos seguintes, o regime de Saddam Hussein perderia todas essas vantagens e, por fim, o poder. A intervenção e a ocupação militar pelos EUA e Grã-Bretanha (2003) se mostrariam fundamentais para finalmente empurrar o país para o caos e a violência, mas os alicerces do desastre foram assentados pelo próprio Saddam Hussein. A guerra com o Irã deixou o Iraque muito endividado, em particular pelos US$ 14 bilhões devidos ao Kuait. A postura adotada por Saddam Hussein era que o Iraque travara a guerra como defensor dos árabes contra o tradicional inimigo persa (não que isso houvesse verdadeiramente entrado nos cálculos estratégicos de Saddam em 1980, quando suas forças atacaram o Irã). Por conseguinte, Saddam alegava que a dívida deveria ser esquecida ou aliviada. Em 1990, porém, o Kuait estava pressionando para receber pagamento. Na Opep, o Iraque defendia tanto cortes gerais na produção quanto uma cota de produção maior para si próprio, de modo que os preços do petróleo e a receita iraquiana com o produto aumentassem, possibilitando alguma quitação da dívida e mais fundos para a reconstrução. O Iraque acusou o Kuait de aumentar a produção, não respeitando a própria cota, para manter os preços baixos. Ademais, o Iraque começou a acusar o Kuait de perfuração dirigida, não-vertical, para roubar o petróleo dos campos iraquianos contíguos. Quase todas as instalações portuárias iraquianas tinham sido destruídas durante a guerra, e havia pouca dúvida de que o litoral extra e o moderno porto que o Iraque ganharia controlando o Kuait aumentariam a segurança iraquiana a longo prazo. Com essa combinação de elementos, era claramente tentador para Saddam Hussein ressuscitar as reivindicações territoriais que o Iraque fizera sobre o Kuait antes da independência do emirado. Apesar da longa lista de queixas que o Iraque alardeava contra o Kuait, a invasão de agosto de 1990 (com o pretexto de apoiar uma revolução popular naquele país, apesar de não existir revolução de fato) surpreendeu os outros Estados árabes e o Ocidente. A reação foi rápida, tendo tanto a Liga Árabe quanto a ONU condenado a invasão. Passada uma semana, tropas americanas começavam a desembarcar na Arábia Saudita para garantir que o lraque não tomasse uma iniciativa militar ainda mais ambiciosa, embora não houvesse nenhuma indicação clara nesse sentido. Um grande esforço diplomático, liderado pelo governo Bush (pai) nos EUA e apoiado por seus aliados da Europa ocidental e pelas monarquias árabes do golfo Pérsico, reuniu uma coalizão de 34 países para impor a exigência da ONU (com o respaldo legal das resoluções do Conselho de Segurança) de que o Iraque saísse do Kuait. Quando Saddam Hussein se recusou a tirar suas forças de lá, um mês de ofensiva aérea e uma semana de guerra terrestre lhe infligiram uma derrota decisiva e expulsaram os iraquianos do emirado. A rapidez e a facilidade da vitória constituíram outra surpresa. Os EUA cogitaram ir além e levar a guerra ao Iraque, até Bagdá, mas acabaram resolvendo não exceder o mandato da ONU. Não se dispõem de dados seguros sobre o número de mortos iraquianos que resultou da ofensiva comandada pelos EUA. As estimativas geralmente aceitas para o número de militares mortos ficam na casa dos 10 mil durante a ofensiva aérea e 10 mil durante a guerra terrestre. Já o número de mortos civis costuma ser calculado em 2.500 - 3.500. 250
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    GEOGRAFIA POLÍTICA/2012 PROFESSOR: TIAGODALESSI 11- ISRAELENSES E PALESTINOS Mais obstáculos à paz Novo governo israelenses defende posições consideradas inaceitáveis pelos palestinos, que, por sua vez, se dividem em um grave conflito entre suas duas principais organizações. Fonte: Atualidades Vestibular 2010. Editora Abril. Pag. 66-69 Quando se examina o sangrento e prolongado conflito entre Israel e os palestinos, a impressão é que a situação não para de se complicar. Após décadas de tentativas infrutíferas de acordos de paz, há uma situação de impasse sem precedentes. Do lado israelense, o novo governo do primeiro-ministro Benyamin Netanyahu defende posições que os palestinos consideram inaceitáveis até para iniciar conversações. No campo palestino, há uma séria divisão entre as duas principais organizações: o grupo laico Fatah – que dirige a Autoridade nacional palestina (ANP), instalada na Cisjordânia – e o grupo islâmico Hamas – que controla a Faixa de Gaza. O cotidiano de quem vive nessa parte do mundo é marcado por mortes e destruição. O último conflito aberto ocorreu no fim de 2008, quando Israel iniciou uma ofensiva à Faixa de Gaza, com fortes bombardeios e ataques terrestres, que causaram, em três semanas, mais de 1,4 mil mortes. A ofensiva agravou a situação de desastre humanitário existente no território por causa do bloqueio imposto por Israel, que impede a entrada ou saída de pessoas e mercadorias. Problemas não resolvidos Para entender essa situação, é preciso recuar no tempo. O marco desse conflito foi a criação do Estado de Israel, em 1948, que provocou a expulsão de milhares de palestinos das terras nas quais viviam. No ano anterior, a Organização das Nações Unidas (ONU) havia aprovado uma resolução apoiando a divisão da Palestina em um Estado judeu e outro árabe, que nunca se constituiu. A nova situação causou desestabilização em todo o Oriente Médio, que tem como uma de suas expressões as guerras entre Israel e nações árabes vizinhas. No decorrer de décadas, houve vários choques armados. Em 1993 ocorreram os Acordos de Oslo, mediados pelos Estados Unidos (EUA), que traçaram a meta de que a região contivesse dois Estados: um judeu (Israel) e um palestino, esse último formado por duas porções de terras descontinuas - a Faixa de Gaza e a Cisjordânia, sob ocupação israelense desde a Guerra dos Seis Dias (1967). Os mesmos acordos definiram a criação da ANP, para dar os passos rumo à organização institucional dos palestinos. Nos últimos anos, essa é a perspectiva para a região que dá o tom nas negociações internacionais. Desde o inicio das conversas, porém, problemas sérios deixaram de ser resolvidos. Um é a situação de Jerusalém. Os palestinos defendem a ideia de que a parte oriental da cidade, ocupada pelos israelenses desde 1967, seja a capital de seu futuro Estado. Israel não aceita, pois considera a cidade inteira como a sua capital. Outro ponto fundamental para os palestinos não encontra acordo: o direito ao retorno dos que foram expulsos do território israelense. Com a criação de Israel, mais de 700 mil palestinos tornaram-se refugiados. Outra grande onda de deslocamentos ocorreu após a Guerra dos Seis Dias, quando outros 500 mil tiveram de deixar sua casa. Os refugiados, seus filhos e netos, somam agora quase 4,7 milhões de pessoas, segundo a ONU. Esse enorme contingente vive precariamente em campos de refugiados. O governo israelense não aceita debater sua volta, pois o eventual regresso poria em xeque as próprias bases nas quais Israel se assenta. Assentamentos israelenses Embora Israel tenha se comprometido com os Acordos de Oslo, manteve a política de criar assentamentos nos dois territórios destinados ao futuro Estado palestino. Colonos israelenses instalaram-se nos locais, expulsando os palestinos, e formaram povoações situadas em regiões de população árabe. Para parte dos religiosos judeus, essas áreas pertencem a seu país desde os tempos bíblicos. Em 2005, o governo israelense decidiu abandonar a Faixa de Gaza. Retirou todos os 21 assentamentos ali existentes, além de quatro pequenas colônias no norte da Cisjordânia. Para muitos palestinos, a medida não era um recuo, mas apenas um meio de consolidar e ampliar os assentamentos na Cisjordânia - área muito maior e mais próspera que a minúscula Faixa de Gaza. Existem cerca de 300 mil colonos israelenses na Cisjordânia e 180 mil em Jerusalém Oriental. Além disso, desde 2002 Israel passou a isolar as populações palestinas da Cisjordânia, separando vilas e bairros uns dos outros por meio da construção de um enorme muro de concreto. A justificativa inicial era impedir a entrada de terroristas em Israel. Na prática, o muro propiciou que o país anexasse áreas palestinas e hoje restringe a circulação de pessoas e mercadorias pela região. 251
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