Grupos e organizações

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Resumo acadêmico de Sociologia

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Grupos e organizações

  1. 1. O PODER NAS ORGANIZAÇÕES Sob uma ótica marxista, vemos o poder como um fruto da alienação econômica. A alienação trata-se de um fenômeno no qual se reprime características pessoais em virtude de algum fator externo, no caso em comento, o fator econômico. Trata-se de um poder legitimado pelas capacidades econômicas superiores de um indivíduo. Temos também o poder no nível psicanalítico, o qual se caracteriza também por uma alienação, dessa vez em virtude de uma sensação de impotência e fraqueza diante de outrem, na qual o ser humano age em busca de sua própria segurança. Outra perspectiva de poder pode ser traçada no âmbito da ideologia. Pessoas com grande capacidade de influência possuem facilidade em persuadir outros indivíduos em prol de seus interesses, sejam eles pessoais ou organizacionais. Não obstante a tais afirmações, esse tipo de poder é facilmente identificável nas relações políticas entre candidatos e eleitores. Antes de alcançar a definição de poder que interessa no âmbito organizacional, não seria prolixo relembrar as três formas de autoridade segundo Max Weber. De acordo com Weber, os tipos de autoridade seriam: a tradicional, baseada nos costumes e tradições de um povo, legitimando-se na maioria das vezes pela dita “Vontade Divina”; a carismática, caracterizada pelos atributos pessoais do indivíduo, seja em seus feitos ou em seus discursos eloquentes; a racional -legal, que se baseia nas regras e no ordenamento jurídico reconhecido como válido por uma determina comunidade. Esta última forma de autoridade é a que mais de aproxima com a análise de poder que fazemos com relação às organizações. Finalmente encontramos o conceito de poder como um fenômeno político. Prestes Motta cita Morgan em seu livro, pois este “descreve bem a metáfora política, isto é, o fato de que as organizações podem ser vistas como arenas complexas onde os indivíduos buscam seus interesses particulares por intermédio dos meios oferecidos pelas estruturas e regras burocráticas”. Seguindo esta linha de pensamento, pode-se citar as duas abordagens sobre o poder descritas por Hardy & Clegg apud Cappelle et al, que descrevem o poder sob a perspectiva funcionalista e a crítica, antagônicas entre si. Segundo a primeira corrente, o poder deveria ser suprimido no âmbito organizacional, sendo reconhecidos e concedidos como detentores do poder, grupos informais. Tal postura é endossada pelo reconhecimento dos objetivos da administração que se igualam ao da organização, devendo-se apenas haver uma preocupação com o condicionamento dos empregados a não manifestarem posições contrárias a tais interesses. Sendo assim, não havendo conflitos, ou estes sendo considerados como ilegítimos, não que se falar em uso do poder. Já a corrente crítica reconhece a existência dos conflitos, admitindo que o ser humano, mesmo que extremamente condicionado a apenas executar a tarefa que lhe foi imposta, possui um senso de liberdade que lhes permite resistir à alienação e dominação da cúpula administrativa. Os adeptos de tal corrente buscam entender os mecanismos de dominação dos grupos ditos superiores e também investigam as formas de resistência dos dominados. A abordagem crítica também se aproxima mais do conceito de poder que está sendo discutido neste trabalho, relacionando-se também com os pressupostos de que os atores sociais interagem na arena política em busca de objetivos pessoais e específicos, devendo para tanto agir em cooperação uns com os outros.
  2. 2. O PODER SOCIAL - O Poder social, como já diz o nome, está em meio à sociedade. É a capacidade de um coletivo realizar influência social, ou seja, influenciar uma ou mais pessoas, de forma comunicativa, harmônica, ou até repressiva. Quanto à ação social estratégica, esta se volta para os objetivos organizacionais, enxergando oportunidades, analisando riscos e oportunidades de uma decisão e assumindo os possíveis ônus das mesmas. Dentro de tal concepção, não seria equivocado fazer menção aos administradores públicos. O direito administrativo prevê duas formas de atuação dos agentes públicos: a vinculada e a discricionária. A vinculada está adstrita ao texto legal, de forma que o administrador não pode agir de outra maneira senão a que lhe está legalmente citada. Já a discricionária dá ao administrador, mesmo com estritas opções, determinada liberdade de atuação. Nesta pequena faixa de liberdade de atuação, o administrador, baseado em seus conhecimentos racionais e, logicamente, nos elementos cognitivos inerentes ao seu ser, deve analisar as possíveis consequências de suas ações e agir de maneira que possa cumprir a missão que lhe foi confiada. O QUE É PODER? Poder é, literalmente, o direito de deliberar, agir e mandar e também, dependendo do contexto, a faculdade de exercer a autoridade, a soberania, ou o império de dada circunstância ou a posse do domínio, da influência ou da força. Poder tem também uma relação direta com capacidade de se realizar algo, aquilo que se "pode" ou que se tem o "poder" de realizar ou fazer. A sociologia define poder, geralmente, como a habilidade de impor a sua vontade sobre os outros, mesmo se estes resistirem de alguma maneira. Existem, dentro do contexto sociológico, diversos tipos de poder: o poder social (de Estado); o poder econômico (poder Empresarial); o poder militar (poder político); entre outros. Foi importante para o desenvolvimento da atual concepção de poder os trabalhos de Michel Foucault, Max Weber, Pierre Bourdieu. A DOMINAÇÃO - No cerne de relações sociais, moldadas pelas lutas, Max Weber percebe de fato a dominação, dominação esta, assentada em uma verdadeira constelação de interesses, monopólios econômicos, dominação estabelecida na autoridade, ou seja, o poder de dar ordens, por isso ele acrescenta a cada tipo de atividade tradicional, afetiva ou racional um tipo de dominação particular. Weber definiu as dominações como a oportunidade de encontrar uma pessoa determinada pronta a obedecer a uma ordem de conteúdo determinado. *Dominação Legal (onde qualquer direito pode ser criado e modificado através de um estatuto sancionado corretamente), tendo a “burocracia” como sendo o tipo mais puro desta dominação. Os princípios fundamentais da burocracia, segundo o autor é a Hierarquia Funcional, a Administração baseada em Documentos, a Demanda pela Aprendizagem Profissional, as Atribuições são oficializadas e há uma Exigência de todo o Rendimento do Profissional. A obediência se presta não à pessoa, em virtude de direito próprio, mas à regra, que se conhece competente para designar a quem e em que extensão se há de obedecer. Weber classifica este tipo de dominação como sendo estável, uma vez que é baseada em normas que, como foi dito anteriormente, são criadas e modificadas através de um estatuto sancionado corretamente. Ou seja, o poder de autoridade é legalmente assegurado. *Dominação Tradicional (onde a autoridade é, pura e simplesmente, suportada pela existência de uma fidelidade tradicional); o governante é o patriarca ou senhor, os dominados são os súditos e o funcionário é o servidor. O patriarcalismo é o tipo mais
  3. 3. puro desta dominação. Presta-se obediência à pessoa por respeito, em virtude da tradição de uma dignidade pessoal que se julga sagrada. Todo o comando se prende intrinsecamente a normas tradicionais (não legais) a meu ver seria um tipo de “lei moral”. A criação de um novo direito é, em princípio, impossível, em virtude das normas oriundas da tradição. Também é classificado, por Weber, como sendo uma dominação estável, devido à solidez e estabilidade do meio social, que se acha sob a dependência direta e imediata do aprofundamento da tradição na consciência coletiva. *Dominação Carismática (onde a autoridade é suportada, graças a uma devoção afetiva por parte dos dominados). Ela assenta sobre as “crenças” transmitidas por profetas, sobre o “reconhecimento” que pessoalmente alcançam os heróis e os demagogos, durante as guerras e revoluções, nas ruas e nas tribunas, convertendo a fé e o reconhecimento em deveres invioláveis que lhes são devidos pelos governados. A obediência a uma pessoa se dá devido às suas qualidades pessoais. Não apresenta nenhum procedimento ordenado para a nomeação e substituição. Não há carreiras e não é requerida formação profissional por parte do “portador” do carisma e de seus ajudantes. Weber coloca que a forma mais pura de dominação carismática é o caráter autoritário e imperativo. Contudo, Weber classifica a Dominação Carismática como sendo instável, pois nada há que assegure a perpetuidade da devoção afetiva ao dominador, por parte dos dominados. COMPONENTES DO PODER - o poder se manifesta, invariavelmente, através de pelo menos três componentes: a força, a autoridade e a influência. Levando em consideração o aspecto da legitimidade, teríamos que o poder manifesto pela autoridade é legítimo, pois aceito pela sociedade, e nesse sentido teríamos um exercício de poder legítimo, baseado em três tipos “puros” de dominação: a autoridade burocrática ou racional; a tradicional; e a carismática. Os outros componentes do poder poderiam não ser legítimos, mas da mesma forma manifestações efetivas e que, do nosso ponto de vista, constituem-se na força e na influência. Vejamos cada um desses componentes do poder: *A força - denominamos força o uso ou ameaça de coerção física. A coerção física pode ser expressa através de armas, e é um importante atributo da força. Os Estados reservam o monopólio de todos os meios importantes de coerção física para a polícia ou as forças militares. Uma das principais características do Estado é este monopólio que utiliza para manter a integridade e impor sua vontade sobre o conjunto do seu território. Nos primeiros agrupamentos humanos, a força provavelmente era o único componente do poder, mesmo na Idade Média permanecia com tal significado. Com o advento do capitalismo foram surgindo outras componentes que equilibram o poder manifesto pela força, muito embora ainda permaneça sendo um dos mais importantes componentes do poder. *A autoridade - compreendemos autoridade como um direito estabelecido para tomar decisões e ordenar ações de outrem. Dito de outro modo é a legitimação do poder, através da incorporação de conteúdo jurídico e moral. Essa legitimidade assenta-se sobre o consentimento durável e tendente à unanimidade entre os membros de uma sociedade ou de um grupo social. Max Weber identificou três tipos de autoridades: a burocrática (ou racional), a tradicional e a carismática.
  4. 4. -Autoridade burocrática ou racional-legal, baseada no cargo ou posição formalmente instituída, é a autoridade investida no cargo que o indivíduo ocupa. Ele só tem essa autoridade enquanto estiver ocupando o cargo. O exercício da autoridade é legítimo por estar de acordo com as leis ou com as regras escritas. A lei é o princípio legitimador em função de sua racionalidade, independentemente do líder ou chefe que a faça cumprir. -Autoridade tradicional, baseada na crença, normas e tradições sagradas e que as pessoas obedecem em virtude da tradição. Não há necessidade de legislação. A obediência à autoridade é devida à tradição e aos costumes, à vontade da pessoa. Não há a relação de capacitação com as funções a serem executadas. Legitima o poder no passado e no status herdado. A autoridade se constitui pela vassalagem dos súditos. Gera organizações administrativas e funcionais. -Autoridade carismática, baseada nas qualidades pessoais excepcionais do indivíduo (líder). “Baseada na veneração extra cotidiana da santidade, do poder heroico ou do caráter exemplar de uma pessoa e das ordens por ela reveladas ou criadas” (1991:141), a qual se obedece em função do carisma (imagem de notável sabedoria, invencibilidade ou santidade). Sua natureza é quase religiosa, e a organização ou sociedade permanecerá estável enquanto durar o líder. *Influência - chamamos de influência a habilidade para afetar as decisões e ações de outros, mesmo não possuindo autoridade ou força para assim proceder. É influente um indivíduo que consegue modificar o comportamento dos outros sem ocupar um cargo público ou privado, e sem utilizar nenhuma forma de coerção física. A influência tem aumentado sua importância como um componente do poder. Um aspecto que deve ser considerado é a posse de meios materiais ou não por parte de um grupo ou indivíduo que, utilizando de habilidade na manipulação do que possui, adquire maiores parcelas do poder, ou se constitui de fato numa fonte de poder, modificando o comportamento de outras pessoas de acordo com a sua vontade. *As Elites – entende-se por elite uma minoria que existe em todas as sociedades e que por várias formas é detentora de autoridade ou poder, em contraposição a uma maioria que dele está privada, importante se assinalar que as elites são compostas exclusivamente por pessoas ou grupos que ocupam posições de poder. O PODER E AS ORGANIZAÇÕES - Na estrutura de funcionamento das organizações, a questão do poder é fundamental, pois se trata de um sistema de relações sociais em que existe permanentemente uma hierarquização baseada em diferentes capacidades dos indivíduos nas posições que estes ocupam na organização. O problema do poder na interação entre indivíduos era ignorado pela teoria racionalista clássica, pois “o modelo mecanicista da conduta humana em que se apoiava, excluía as relações complicadas e ambíguas que se desenvolvem em torno das relações de poder”. Crozier (1969, p. 10). Levando-se em consideração essa questão do poder, podemos falar numa organização como uma estrutura hierárquica de poder. Sendo este compreendido como a capacidade que possuem os indivíduos de modificarem o comportamento de outro ou de outros, teremos na base da organização aqueles que apresentam pouco poder, seja pessoal ou institucional, e no topo aqueles que apresentam maior poder, este sendo institucional, mas também pessoal (pois permitiu ao seu possuidor acesso ao poder institucional).
  5. 5. PODER E CONTROLE NAS ORGANIZAÇÕES - o poder e o controle ocupam um lugar central na vida das organizações e na existência dos seres humanos. Há inúmeros fatos que ilustram situações envolvendo relações de poder nas organizações , e a intenção de um indivíduo ou grupo para tentar controlar outros. Se levarmos em consideração as diversas manifestações de poder externo, e os esforços que desenvolvem para colocar limite na atuação das organizações, poderemos compreender que o funcionamento de qualquer organização está relacionado com um conjunto de relações de poder orientadas para o controle. O controle organizacional ao qual a organização submete seus membros não se limita a seus comportamentos individuais e a suas relações sociais, e nem se restringe a estas. E um controle instrumental que lhe permite intervir sobre seu entorno como ator coletivo. A essência do ato de organizar é a perpetuação do controle racional de certos aspectos da realidade humana; daí que se pode dizer que a fronteira da organização se encontra onde o controle termina. Infestas Gil (2001, p.49). Devemos acrescentar que as organizações, por si mesmas, dispõem de poder, pois, além de sofrerem interferência de outras instituições, influenciam o funcionamento de outras organizações, apresentam um poder interorganizacional.

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