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INDUSTRIALIZAÇÃO BRASILEIRA
14/09/2020
INDÚSTRIA
Indústria é a concentração das atividades produtivas destinadas
a transformar matéria-prima em mercadorias para os mais diferentes
consumos. Sua importância é tão grande nos dias atuais que quase tudo o
que consumimos e utilizamos é processado ou produzido pela indústria.
Evolução da Indústria
A evolução histórica da indústria pode ser reconhecida em três estágios: o
artesanato, a manufatura e a maquinofatura.
Artesanato – estágio em que o produtor (artesão) executa sozinho
todas as fases da produção e até mesmo a comercialização do produto.
O modo de produzir artesanal prevaleceu até por volta do século XVII,
mas ainda pode ser encontrado em vários países do mundo.
Manufatura – nessa fase, já ocorria divisão do trabalho, onde cada
operário realizava uma tarefa ou se responsabilizava por parte da
produção. Embora já houvesse o emprego de máquinas simples, a
produção dependia fundamentalmente do trabalho manual.
O estágio da manufatura corresponde, de modo geral, à transformação do
artesão em assalariado. A manufatura caracterizou a fase inicial do
capitalismo, nos séculos XVII e meados do século XVIII.
Apesar do termo manufatura, corresponder ao segundo estágio da
evolução da indústria, ele é empregado também para designar os
produtos industrializados (manufaturados).
Maquinofatura – é o processo iniciado no século XVIII com a Revolução
Industrial. Caracteriza-se pelo emprego maciço de máquinas e fontes de
energia como o carvão mineral e o petróleo, produção em larga escala,
grande divisão e especialização do trabalho.
Durante a Primeira Revolução Industrial, a mecanização se estendeu do
setor têxtil para a metalurgia e as fábricas empregavam grande número
de trabalhadores.
A partir do final do século XIX, período conhecido como Segunda
Revolução Industrial, com o uso de novas tecnologias, o mundo todo
passou a comprar e utilizar produtos industrializados e fabricados nos
grandes centros.
Nesse período as grandes indústrias tinham filiais em diversos países,
as multinacionais ou transnacionais.
Em meados do século XX, após as duas grandes guerras, o mundo
capitalista se reorganizou. A mobilidade das empresas, do capital e a
revolução tecnológica, acentuaram a internacionalização da economia.
As grandes indústrias passaram a incorporar tecnologias modernas,
dando início à fase da Terceira Revolução Industrial e também
da Globalização.
As indústrias de base, também chamadas de indústrias de bens de
produção, são aquelas que fazem a transformação da matéria-prima
bruta, encontrada diretamente no meio natural, em matéria-prima
processada, que será usada em outros ramos industriais. Dessa forma,
esse tipo de indústria produz equipamentos e matéria-prima que serão
usados por outras indústrias.
Já as indústrias de bens intermediários são aquelas que produzem
bens manufaturados ou matéria-prima processada para outros ramos
industriais, ou seja, para a produção de outros bens. São insumos que
serão usados para outras indústrias produzirem.
As indústrias de bens de consumo produzem e direcionam essa
produção diretamente ao mercado consumidor. Elas se dividem em
indústrias de bens duráveis e não duráveis.
Os bens duráveis são aquelas mercadorias que podem ser usadas
por bastante tempo, como eletrônicos, roupas e calçados etc.
Os não duráveis são os produtos perecíveis, ou seja, que seu prazo
de validade é curto, como alimentos, remédios etc.
Fatores locacionais
Os fatores locacionais são os elementos que atraem as
indústrias no que se refere à sua localização de produção.
Algumas áreas oferecem vantagens para que a indústria
se estabeleça nelas, como:
matéria-prima;
mão de obra qualificada;
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infraestruturas de transportes;
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redes de comunicação.
A industrialização no Brasil foi historicamente tardia ou retardatária.
Enquanto na Europa se desenvolvia a Primeira Revolução Industrial, o
Brasil vivia sob o regime de economia colonial.
A metrópole portuguesa proibia o desenvolvimento da manufatura e da
indústria, especialmente por dois motivos:
os produtos iriam concorrer com o comércio do reino;
a colônia poderia se tornar independente, o que não interessava à
metrópole.
Em 1808, com a vinda da família real para o Brasil, o regente D. João
tomou algumas medidas que favoreceram o desenvolvimento industrial,
entre elas:
a extinção da lei que proibia a instalação de indústrias de tecidos na
colônia;
liberação da importação de matéria prima para abastecer as fábricas,
sem a cobrança da taxa de importação.
Fatores da Industrialização no Brasil
Vários fatores contribuíram para o processo de industrialização no Brasil:
•a exportação de café gerou lucros que permitiram o investimento na
indústria;
•os imigrantes estrangeiros traziam consigo as técnicas de fabricação de
diversos produtos;
•a formação de uma classe média urbana consumidora, estimulou a
criação de indústrias;
•a dificuldade de importação de produtos industrializados durante
a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) estimulou a indústria.
A passagem de uma sociedade operária para uma urbano industrial,
mudou a paisagem de algumas cidades brasileiras, principalmente de São
Paulo e Rio de Janeiro.
As primeiras indústrias tinham caráter de pequeno e médio portes,
voltadas ao processamento alimentício e produção de tecidos. São
Paulo era o grande polo industrial do país, que havia se espalhado,
principalmente pela Região Sudeste, para aproveitar a infraestrutura
local (estradas, ferrovias, portos, cidades).
A proximidade do mercado consumidor e concentração de mão de obra
imigrante que dominava o processo industrial europeu, todos esses
fatores disponibilizados pela economia cafeeira.
Vale ressaltar que, mundialmente, nesse período, acontecia a Primeira
Guerra Mundial. Com a guerra, dificultam-se as importações de
produtos, incentivando-se o surgimento de novos ramos industriais. Mais
tarde, após a Segunda Guerra Mundial, a Europa não tinha condições de
exportar produtos industrializados, pois todo o continente se encontrava
totalmente devastado pelo confronto armado.
Então, o Brasil teve que incrementar o seu parque industrial e realizar a
conhecida industrialização por substituição de importação.
Outro fator importantíssimo que estimulou a industrialização no Brasil foi
o incentivo nacional. A segunda etapa do desenvolvimento industrial
brasileiro teve participação definitiva de dois governantes.
Getúlio Vargas (1930-1945)
Foi responsável pela infraestrutura necessária para a instalação de
indústrias no país no período de seu primeiro governo. Entre as suas
realizações, estão a Companhia Siderúrgica Nacional, organizada em
1941, posta em funcionamento em 1946, em Volta Redonda, Rio de
Janeiro, e a mineradora Companhia Vale do Rio Doce, instalada em
1942, em Minas Gerais. Também fundou, em 1945, a Fábrica Nacional
de Motores (FNM) e a Companhia Hidrelétrica de São Francisco.
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Através do seu Plano de Metas, privilegiou as obras para geração de
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país. Seu governo se preocupou em proteger a produção nacional,
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Nessa época, além das montadoras, vieram indústrias de aparelhos
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  • 2. INDÚSTRIA Indústria é a concentração das atividades produtivas destinadas a transformar matéria-prima em mercadorias para os mais diferentes consumos. Sua importância é tão grande nos dias atuais que quase tudo o que consumimos e utilizamos é processado ou produzido pela indústria. Evolução da Indústria A evolução histórica da indústria pode ser reconhecida em três estágios: o artesanato, a manufatura e a maquinofatura.
  • 3. Artesanato – estágio em que o produtor (artesão) executa sozinho todas as fases da produção e até mesmo a comercialização do produto. O modo de produzir artesanal prevaleceu até por volta do século XVII, mas ainda pode ser encontrado em vários países do mundo.
  • 4. Manufatura – nessa fase, já ocorria divisão do trabalho, onde cada operário realizava uma tarefa ou se responsabilizava por parte da produção. Embora já houvesse o emprego de máquinas simples, a produção dependia fundamentalmente do trabalho manual. O estágio da manufatura corresponde, de modo geral, à transformação do artesão em assalariado. A manufatura caracterizou a fase inicial do capitalismo, nos séculos XVII e meados do século XVIII. Apesar do termo manufatura, corresponder ao segundo estágio da evolução da indústria, ele é empregado também para designar os produtos industrializados (manufaturados).
  • 5. Maquinofatura – é o processo iniciado no século XVIII com a Revolução Industrial. Caracteriza-se pelo emprego maciço de máquinas e fontes de energia como o carvão mineral e o petróleo, produção em larga escala, grande divisão e especialização do trabalho. Durante a Primeira Revolução Industrial, a mecanização se estendeu do setor têxtil para a metalurgia e as fábricas empregavam grande número de trabalhadores.
  • 6. A partir do final do século XIX, período conhecido como Segunda Revolução Industrial, com o uso de novas tecnologias, o mundo todo passou a comprar e utilizar produtos industrializados e fabricados nos grandes centros. Nesse período as grandes indústrias tinham filiais em diversos países, as multinacionais ou transnacionais. Em meados do século XX, após as duas grandes guerras, o mundo capitalista se reorganizou. A mobilidade das empresas, do capital e a revolução tecnológica, acentuaram a internacionalização da economia. As grandes indústrias passaram a incorporar tecnologias modernas, dando início à fase da Terceira Revolução Industrial e também da Globalização.
  • 7. As indústrias de base, também chamadas de indústrias de bens de produção, são aquelas que fazem a transformação da matéria-prima bruta, encontrada diretamente no meio natural, em matéria-prima processada, que será usada em outros ramos industriais. Dessa forma, esse tipo de indústria produz equipamentos e matéria-prima que serão usados por outras indústrias.
  • 8. Já as indústrias de bens intermediários são aquelas que produzem bens manufaturados ou matéria-prima processada para outros ramos industriais, ou seja, para a produção de outros bens. São insumos que serão usados para outras indústrias produzirem.
  • 9. As indústrias de bens de consumo produzem e direcionam essa produção diretamente ao mercado consumidor. Elas se dividem em indústrias de bens duráveis e não duráveis. Os bens duráveis são aquelas mercadorias que podem ser usadas por bastante tempo, como eletrônicos, roupas e calçados etc. Os não duráveis são os produtos perecíveis, ou seja, que seu prazo de validade é curto, como alimentos, remédios etc.
  • 10. Fatores locacionais Os fatores locacionais são os elementos que atraem as indústrias no que se refere à sua localização de produção. Algumas áreas oferecem vantagens para que a indústria se estabeleça nelas, como: matéria-prima; mão de obra qualificada; fontes de energia; infraestruturas de transportes; mercado consumidor; incentivos fiscais; redes de comunicação.
  • 11. A industrialização no Brasil foi historicamente tardia ou retardatária. Enquanto na Europa se desenvolvia a Primeira Revolução Industrial, o Brasil vivia sob o regime de economia colonial. A metrópole portuguesa proibia o desenvolvimento da manufatura e da indústria, especialmente por dois motivos: os produtos iriam concorrer com o comércio do reino; a colônia poderia se tornar independente, o que não interessava à metrópole. Em 1808, com a vinda da família real para o Brasil, o regente D. João tomou algumas medidas que favoreceram o desenvolvimento industrial, entre elas: a extinção da lei que proibia a instalação de indústrias de tecidos na colônia; liberação da importação de matéria prima para abastecer as fábricas, sem a cobrança da taxa de importação.
  • 12. Fatores da Industrialização no Brasil Vários fatores contribuíram para o processo de industrialização no Brasil: •a exportação de café gerou lucros que permitiram o investimento na indústria; •os imigrantes estrangeiros traziam consigo as técnicas de fabricação de diversos produtos; •a formação de uma classe média urbana consumidora, estimulou a criação de indústrias; •a dificuldade de importação de produtos industrializados durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) estimulou a indústria. A passagem de uma sociedade operária para uma urbano industrial, mudou a paisagem de algumas cidades brasileiras, principalmente de São Paulo e Rio de Janeiro.
  • 13. As primeiras indústrias tinham caráter de pequeno e médio portes, voltadas ao processamento alimentício e produção de tecidos. São Paulo era o grande polo industrial do país, que havia se espalhado, principalmente pela Região Sudeste, para aproveitar a infraestrutura local (estradas, ferrovias, portos, cidades). A proximidade do mercado consumidor e concentração de mão de obra imigrante que dominava o processo industrial europeu, todos esses fatores disponibilizados pela economia cafeeira.
  • 14. Vale ressaltar que, mundialmente, nesse período, acontecia a Primeira Guerra Mundial. Com a guerra, dificultam-se as importações de produtos, incentivando-se o surgimento de novos ramos industriais. Mais tarde, após a Segunda Guerra Mundial, a Europa não tinha condições de exportar produtos industrializados, pois todo o continente se encontrava totalmente devastado pelo confronto armado. Então, o Brasil teve que incrementar o seu parque industrial e realizar a conhecida industrialização por substituição de importação. Outro fator importantíssimo que estimulou a industrialização no Brasil foi o incentivo nacional. A segunda etapa do desenvolvimento industrial brasileiro teve participação definitiva de dois governantes.
  • 15. Getúlio Vargas (1930-1945) Foi responsável pela infraestrutura necessária para a instalação de indústrias no país no período de seu primeiro governo. Entre as suas realizações, estão a Companhia Siderúrgica Nacional, organizada em 1941, posta em funcionamento em 1946, em Volta Redonda, Rio de Janeiro, e a mineradora Companhia Vale do Rio Doce, instalada em 1942, em Minas Gerais. Também fundou, em 1945, a Fábrica Nacional de Motores (FNM) e a Companhia Hidrelétrica de São Francisco.
  • 16. Juscelino Kubitschek (1956-1960) Através do seu Plano de Metas, privilegiou as obras para geração de energia, os transportes e, principalmente, a construção de rodovias, que facilitaram a instalação de montadoras e veículos estrangeiras em nosso país. Seu governo se preocupou em proteger a produção nacional, marcou o início da internacionalização do parque industrial brasileiro. Nessa época, além das montadoras, vieram indústrias de aparelhos eletrônicos e alimentos, que mais tarde passaram a controlar o mercado interno, após a compra de empresas nacionais incapazes de competir com a tecnologia empregada por essas transnacionais.