Entre a doutrina e o slogan

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Vale destacar que o autor em questão procura analisar a difusão isolada de excerto e da fragmentação das obras de Paulo Freire que assistematicamente tornaram-se extremamente popular. Em decorrência da popularização os fragmentos ganharam vida própria, transformando num slogan educacional. Assim, a partir da influência dos slogans educadores passam a construírem práticas pedagógicas e práticas discursivas tomando o slogan como doutrina.
No entanto, o autor ressalta que os slogans difundem aspectos isolados de uma teoria, mas que exerce um papel simbólico unificador gerando um conjunto de princípios didáticos.
Dessa forma, o slogan converte-se em doutrina literal, símbolo de um movimento prático, nesse caso o slogan representa uma simplificação das idéias originais, apenas um fragmento de uma construção teórica bem mais ampla.
Portanto, em nossa visão (do grupo) o título justifica-se uma vez, que o texto e o próprio autor passam a refletir sobre as conseqüências das máximas como recurso discursivo e prático no campo educacional a relação entre a doutrina e o slogan.

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Entre a doutrina e o slogan

  1. 1. ENTRE A DOUTRINA E O SLOGAN ENTRE LA DOCTRINA Y EL LEMA BETWEEN THE DOCTRINE AND THE SLOGAN Elicio Gomes LimaResenha analítica: Texto: A transformação daselaborações de Freire em máximas pedagógicas leva àtransposição mecânica e ilegítima de valores políticospara o âmbito escolar - Autor: José Sérgio F. deCarvalhoAnalytical review: Text: The transformation of elaborations on Freires teaching leads to maximummechanical transposition and illegitimate political values to the school - Author: José Sérgio F. deCarvalho.Revisión analítica: Texto: La transformación de las elaboraciones sobre la enseñanza de Freire lleva a la transposiciónmecánica máxima y los valores políticos ilegítimos a la escuela - Autor: José Sergio F. de Carvalho.* Mestre em Educação pela UNICAMP – Universidade Estadual de Campinas/SP. Professorconvidado do UNASP-EC – Centro Universitário Adventista de São Paulo e docente efetivo da redepública Estadual e Municipal de São Paulo. Contato: elicio.lima@bol.com.br.
  2. 2. ENTRE A DOUTRINA E O SLOGAN1. Justificativa: Título e Texto:Vale destacar que o autor em questão procura analisar a difusão isolada de excerto e dafragmentação das obras de Paulo Freire que assistematicamente tornaram-se extremamente popular.Em decorrência da popularização os fragmentos ganharam vida própria, transformando num sloganeducacional. Assim, a partir da influência dos slogans educadores passam a construírem práticaspedagógicas e práticas discursivas tomando o slogan como doutrina.No entanto, o autor ressalta que os slogans difundem aspectos isolados de uma teoria, mas queexerce um papel simbólico unificador gerando um conjunto de princípios didáticos.Dessa forma, o slogan converte-se em doutrina literal, símbolo de um movimento prático, nessecaso o slogan representa uma simplificação das idéias originais, apenas um fragmento de umaconstrução teórica bem mais ampla.Portanto, em nossa visão (do grupo) o título justifica-se uma vez, que o texto e o próprio autorpassam a refletir sobre as conseqüências das máximas como recurso discursivo e prático no campoeducacional a relação entre a doutrina e o slogan.2. Principais argumentos:Ao apresentar a sua contraposição, refletindo sobre algumas conseqüências da popularização defragmentos da obra de Paulo Freire, o autor constrói uma argumentação para refutar e analisar aidéia das máximas (slogans) na obra de Paulo Freire, compreendidas como doutrina literal. Assim, anossa discussão procura destacar alguns pontos principais da argumentação estabelecida no textopor José Sérgio F. de Carvalho, vejamos: · Os slogans não oferecem uma elucidação teórica e conceitual da obra; · Cria símbolos unificadores e simplistas da realidade complexa; · Toma a forma de frases impactantes abstraídas dos seus contextos teóricos originais, que passam a impregnar aleatória e genericamente os discursos e práticas pedagógicas; · Tem efeito retórico persuasivo com o objetivo de promover a identificação com um possível núcleo fundamental de idéias e preceitos práticos;
  3. 3. · Os slogans apresentam apenas um fragmento de uma construção teórica que em si mesma é bem mais ampla e complexa que as máximas extraídas das obras como fonte operacional; · Por apresentar uma formula concisa de persuasão, os slogans têm tido um papel importante no que diz respeito ao engajamento de professores na elaboração de suas práticas pedagógicas no cotidiano escolar;Enfim, o autor argumenta que um slogan educacional pode exercer um duplo papel: Divulgarprincípios práticos e vincular fragmentos de teorias que passam a ser interpretados literalmentecomo fundamentos de concepção de educação.3. Exemplos do texto:Torna-se importante avaliar os slogans ao mesmo tempo enquanto uma asserção direta e enquantoum símbolo de um movimento social prático, sem confundir uma coisa com a outra.Um exemplo disso foi o destino dos slogans educacionais tanto de Dewey como de Paulo Freire:Divulgados inicialmente como símbolos das concepções didáticas e pedagógicas, expressões efrases de impactos ligadas a essas perspectivas educacionais passaram progressivamente a serinterpretadas literalmente, como se fossem argumentos que visassem a elucidação teórica a respeitode temas como o papel do professor, das instituições escolares e da aprendizagem dos alunos. Nessaperspectiva, o teor literal do slogan seria para despertar e cultivar nos alunos o interesse por novosmodos de pensamento e valores, por novas práticas de linguagens. Em relação aos professores teriao objetivo de reforçar a necessidade de buscar constantemente meios para tornar as aulas maisatraentes. Assim, seria legitimo que, embora rejeitando o slogan como doutrina liberal,aceitássemos suas preocupações programáticas ou um conjunto de práticas a ele associado.4. Analise do cotidiano escolar – exemplo:Por essa perspectiva, tratando-se da escola pública na qual trabalhamos, (o grupo) decorre como umexemplo de doutrina literal os slogans que apresentam a idéia de autonomia infantil e deprotagonismo juvenil para a formação do cidadão.Contudo, a convergência dessas idéias de autonomia e protagonismo juvenil, fizeram do slogan umadoutrina literal, argumento utilizado para fundamentar a liberdade da criança, dos direitos dascrianças e da importância do ensino democratizado segundo os padrões oficiais.Ao avaliarmos de forma crítica o teor literal de um slogan, percebemos (na escola) que suapertinência está associada às condições especificas das escolas públicas, ou seja, as preocupaçõesprogramáticas e ao contexto estabelecido pelo estado em relação a escola oficial.
  4. 4. Assim, no que diz respeito ao seu conteúdo programático geral, a difusão desses slogans pareceapontar para aspectos que torna legítimo o ato de preparar os alunos para a cidadania, e isso faz comque os professores e professoras estejam dispostos aceitar as idéias e as práticas de ensinoassociadas à doutrina operatória que o slogan exige, determinando um contexto para o ato do fazer aeducação escolar e aplicação do currículo oficial.5. A importância dessa discussão para o desvelar do cotidiano escolar:Na escola estas duas posições muitas vezes se confundem (slogan e doutrina) pela transposiçãomecânica desses conceitos e seus procedimentos do mundo político para o mundo escolar.Nesse contexto freqüentemente adotam procedimentos ou mesmo recorrem a aspectos oufragmentos das teorias para a justificação da ação ou do discurso educacional.Portanto, essa discussão pode inspirar-nos politicamente a adotar uma posição critica e de cautelaque busque avaliar e refletir sobre as conseqüências dos slogans na educação.Essa discussão desperta, sobretudo, a necessidade de analise crítica distintas em relação aoconteúdo literal e ás doutrinas operativas associadas a um slogan, para posicionarmos em relação aaceitação ou não de um ou de outro desses aspectos. Face a isso, essa discussão pode trazersubsídios aos professores em relação as sua praticas pedagógicas, e leva-los a considerar aspróprias exigências da escola e o sentido dos interesses na mediação social da educação.Enfim, essa discussão – essa obra leva-nos a desvelar as características fundamentais e as relaçõesentre o slogan e a doutrina educacional.
  5. 5. REFERENCIAL BIBLIOGRAFIA 1ALVES, Nilda org. O sentido da escola. 2ª ed. – Rio de Janeiro: DP&A, 2000GADOTTI, Moacir. Organização do trabalho na escola. São Paulo: Àtica, 1993HERNÁNDEZ, Fernando. Transgressão e mudança na educação – os projetos de trabalho; trad.Jussara Haubert Rodrigues. – Porto Alegre: Art MED, 1998.MORIN, Edgar. A cabeça bem-feita: repensar a reforma, reformar o pensamento; trad. EloáJacobina. – 6ª ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2002. . Os sete saberes necessários à educação do futuro; trad. Catarina Eleonora F.da Silva e Jeanne Sawwaya. – 5ª ed. – São Paulo: Cortez; 2002.SOUSA, Paulo Nathanael Pereira de. Como entender e aplicar a nova LDB. – São Paulo:Pioneira, 1997.B823p Brasil. Secretaria de Educação Fundamental. - Parâmetros curriculares nacionais : terceiro equarto ciclos: apresentação dos temas transversais / Secretaria de Educação Fundamental. – Brasília: MEC/SEF, 1998.
  6. 6. REFERENCIAL BIBLIOGRÁFICO 2BENJAMIN, Walter. Infância em Berlim por Volta de 1900. Obras escolhidas II. Rua de Mão única. 2.º ed. SãoPaulo. , pp 73-142. Brasiliense, 1985.FARACO, C. Alberto e TEZZA, Cristóvão. Práticas de Textos. 8.º ed. São Paulo. Vozes,2001.FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler. 30.º ed. São Paulo, Cortez, 1995FREIRE, Paulo. Pedagogia doOprimido. 12.º ed. Rio de Janeiro. Paz e Terra, 1983.LIMA, Elicio Gomes. Reflexões Didáticas. São Paulo. Mimeo, 2000.LIMA, Elicio Gomes. Breve Excurso em Thompson e Walter Benjamin. São Paulo. Mimeo.2001.LIMA. Elicio Gomes. Iconografia no livro didático de história: leitura e percepções de alunos do ensino fundamental.– Pará de Minas, MG: Virtual Books, 2012. http://pt.scribd.com/doc/94199339LIMA. Elicio Gomes. Pesquisa sobre o livro didático de história: uma introdução ao tema. – Pará de Minas, MG:Virtual Books, 2011. http://pt.scribd.com/doc/94196969LIMA. Elicio Gomes. Para compreender o livro didático através da história da escrita e do livro.. – Pará de Minas,MG: Virtual Books, 2012. http://pt.scribd.com/doc/94198335LIMA. Elicio Gomes. Gestão Escolar: Desafios da organização e gestão escolar. http://pt.scribd.com/doc/94971143LIMA. Elicio Gomes. Para compreender o livro didático como objeto de pesquisa. Educação e Fronteiras On-Line, Vol.2, No 4 (2012).http://www.periodicos.ufgd.edu.br/index.php/educação/article/view/1563LIMA, Paulo Gomes. Formação de professores: por uma ressignificação do trabalho- Dourados, MS: Editora daUFGD, 2010.RIOS, Terezinha Azeredo. Ética e competência. 10.º ed. São Paulo, 2001.THOMPSON, E. P. A miséria da teoria. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1981.VIGOTSKI, Lev Semenovich. A formação social da mente: o desenvolvimento dos processos psicológicos superior.6ª ed. São Paulo: Martins Fontes, 2000.Elicio gomes lima: Mestre em Educação pela UNICAMP – Universidade Estadual de Campinas/SP. Professor convidado do UNASP-EC – CentroUniversitário Adventista de São Paulo e docente efetivo da rede pública Estadual e Municipal de São Paulo. Contato: elicio.lima@bol.com.br.

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