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O SERTÃO, AS CIDADES: Retirolândia, Santa Luz e São Paulo:Retirolândia (Bahia): O nome Retirolândia vem de “retiro, retira...
alfabetização, a falta de educação, a falta do conceito de vergonha” (POSTMAN, 1999, p.31). O conceitode vergonha, acima m...
Podemos perceber nas falas das crianças as observações realizadas pela antropóloga brasileira TâniaDauster 5onde afirma: “...
A Invenção da Infância. Disponível em <http://portacurtas.org.br/filme/?name=ainvencaodainfancia>.Acessado em 11/04/2013.A...
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Texto encontro 2

  1. 1. NEICA - Núcleo de Estudos Interdisciplinar da Criança e do Adolescente.Blumenau/SC.2º ENCONTRO: Construção Sociocultural da Infância no BrasilLocal: E.B.M. Profª Alice ThieleData: 25/04/2013 Horário: 18h30min.Articuladoras: Silvia Olenia Clemente dos Santos1e Geovana Hillesheim Henning2Conteúdo: Concepção social de infância e de criança no Brasil contemporâneo em relação às classessociais.Informações sobre o filme:SINOPSE:“Ser criança não significa ter infância.” O conceito de infância começou a ser construído entre osséculos XVI e XVII, a partir das conquistas do pensamento humanista. No Brasil do final do século XX, nointerior da Bahia, crianças pobres trabalham em canaviais, plantações de sisal e pedreiras em troca decomida ou de alguns poucos centavos. Ao mesmo tempo, em uma metrópole como São Paulo, o sonho deuma infância livre do trabalho e preocupações é substituído, nas classes média e alta, por uma extenuanterotina de atividades de preparação para a competitiva vida adulta. Em ambos os casos há o advento de umacultura essencialmente audiovisual: a televisão. É neste mundo da cultura audiovisual, com apologia aosexo e à violência que o mundo dos adultos e das crianças começa a se confundir.1Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Regional de Blumenau – FURB.2Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Regional de Blumenau – FURB.1Direção: Liliana SulzbachRoteiro: Liliana SulzbachTrilha original: Nico NicolaiesvkyNarração: Kiko FerrazLocal de Produção: RSAno: 2000Gênero: DocumentárioDuração: 26 minCor: ColoridoPaís: Brasil
  2. 2. O SERTÃO, AS CIDADES: Retirolândia, Santa Luz e São Paulo:Retirolândia (Bahia): O nome Retirolândia vem de “retiro, retirantes”. Reza que a cidade era somente umavasta campina quando moradores de cidades mais antigas ao redor se retiravam nos domingos e feriadospara comerem, beberem e se divertirem. Dessas famílias que se retiravam, algumas construíram casa efugiram da agonizante vida na cidade. No começo, Retirolândia era somente um povoado de Conceição doCoité, mas depois de alguns anos conseguiu sua independência. Possui a maior festa sinsaleira da região.Santa Luz (Bahia): Município criado com a denominação de Santa Luzia e território desmembrado demunicípio de Queimadas. É reconhecida na região pela produção do Sisal que foi mais intensivamenteexplorado até os anos 90, e hoje é o maior produtor de pedra da Bahia, bem como jazidas de ouro recém-descobertas, ainda possui uma das maiores reservas de cromo da região Nordeste, muito embora seja poucoexplorado.São Paulo é um município brasileiro, capital do estado de São Paulo e principal centro financeiro,corporativo e mercantil da América do Sul. É a cidade mais populosa do Brasil, do continente americano ede todo o hemisfério sul. O município possui o 10º maior PIB do mundo, representando, isoladamente,12,26% de todo o PIB brasileiro e 36% de toda a produção de bens e serviços do estado de São Paulo. É asexta cidade mais populosa do planeta e sua região metropolitana, é a quarta maior aglomeração urbana domundo.(Informações retiradas dos endereços eletrônicos: http://www.fundacine.org.br ehttp://portacurtas.org.br/filme/?name=a_invencao_da_infancia e do site http://pt.wikipedia.org).Considerações sobre a Invenção da Infância“Uma época na qual crianças podem trabalhar como adultos, consumir como adultos, partilhar das informações como adultos,não reconhece o mundo infantil como diferente ou especial. Um mundo onde adultos e crianças compartilham da mesmarealidade física e virtual, é um mundo de iguais” (Narração do Curta)Na sociedade Medieval, assim que as crianças eram desmamadas - caso superassem o alto índice demortalidade- por volta dos sete anos, tornavam-se “companheiras naturais dos adultos” (Ariès, 2011). Apartir desta idade as crianças eram “misturadas” à vida coletiva dos adultos, partilhando de seus trabalhos elazer. Nesta sociedade, segundo os estudos de P. Ariès em A História Social da Criança e da Família, nãoexistia o “sentimento de infância”3tal como hoje o conhecemos.Neil Postman, em seu livro sobre O Desaparecimento da Infância (1999) argumenta que dentre asrazões pelas quais o conceito de infância não existia na época medieval encontram-se: “a falta de3Para Ariès, a ausência do “sentimento de infância” está relacionada a não “consciência da particularidade infantil”, quediferencia a criança do adulto. O sentimento de infância descrito por este autor, não está relacionada à falta de afeição dosadultos pelas crianças.2
  3. 3. alfabetização, a falta de educação, a falta do conceito de vergonha” (POSTMAN, 1999, p.31). O conceitode vergonha, acima mencionado, tem relação com o fato de que, naquela época, os adultos não escondiamdas crianças certos “segredos” da vida adulta. Neste contexto social a criança é definida, assim, por sua“invisibilidade”, ou a falta de importância que tinha na sociedade. Este autor também pontua, como Ariès,a alta taxa de mortalidade infantil na Idade Média como possível causa do pouco envolvimento emocionaldos adultos com as crianças.É no Renascimento, com a invenção da prensa tipográfica, por Gutenberg, e da “sociedade letrada”que nasce a infância (idem, p.33). Todavia, este “nascimento” surge mais propriamente em decorrência deuma nova concepção de adulto, o adulto que deveria saber ler e escrever, enquanto a criança era aquela queainda não dominava os código escrito e que precisaria, portanto, passar pelo processo da educação, uma“espécie de quarentena”4, onde as crianças eram afastadas da convivência do mundo adulto mais amplo eestariam agora restritas aos espaços da família e da escola.A percepção de infância que temos na atualidade adquiriu esta configuração desde os séculos XVI eXVII, todavia, segundo Pinto (1997) nos últimos 150 anos, a infância adquiriu, de fato, “expressão social,não somente no plano da enunciação e dos princípios, mas, sobretudo, no plano da prática socialgeneralizada” (PINTO, p.43).Para Marchi (2009):O contexto histórico mais geral e consensualmente denominado modernidade é considerado operíodo no qual as ideias de infância e criança tomaram a forma com a qual somos hojefamiliarizados. Como parte desse processo de instalação da vida e sociedade modernas, aconstrução social da infância não poderia ser um processo sem conflitos ou contradições.Diversos autores dedicam-se, na verdade, a demonstrar que a história da infância – pautadapelas imagens e representações sociais as mais contrastantes e mesmo contraditórias sobre ascrianças – é a história de uma luta política por sua definição, educação e controle.O documentário A Invenção da Infância (1996) dá visibilidade às imagens e representações sociaisde crianças brasileiras que vivenciam infâncias diferenciadas, mesmo sendo amparadas pela legislação,como é o caso do Estatuto da Criança e do Adolescente. Esta obra apresenta os contrastes sociais entre oscontextos de Retirolândia e Santa Luz na Bahia e São Paulo, vividos pelos meninos: Gilmar, Sivanildo, ZéMário, Adriano e Geomar Rodrigues Araújo e pelas meninas: Lívia Solon Arida, Beatriz SimoneGonçalves Fernandes e Carolina Nemer.O eixo central do documentário gira em torno da “invenção e fim” da infância. Inicialmente éafirmado que entre as descobertas pelo ser humano na modernidade está a infância. Sendo estacompreendida como um período no qual as crianças “como seres frágeis” precisam dos cuidados dosadultos. A ideia de proteção está implícita nesta afirmação.4Para Ariès as crianças precisariam ser submetidas a um regime especial - chamado de quarentena – para a transição para omundo adulto. A escola seria este lugar especial, seria o único meio adequado de formação das crianças.3
  4. 4. Podemos perceber nas falas das crianças as observações realizadas pela antropóloga brasileira TâniaDauster 5onde afirma: “Que o trabalho precoce, produz, contudo, uma passagem forçada à vida adulta quelembra o conceito de ‘infância curta’ de Ariès (1978), segundo o qual uma criança a partir dos 5 ou 7 anospassa, sem transição, para o mundo do trabalho e dos adultos” (1992, p.35).As crianças relatam, no documentário, as dificuldades que encontram para desempenhar asatividades extraescolares (no caso das meninas de classe média de S.Paulo) e o trabalho na pedreira e nosisal (no caso dos meninos pobres da Bahia):- “Eu acho que eu trabalho porque não tem jeito, tem que trabalhar mesmo”. Geomar- “O meu trabalho tá sendo quase o mesmo dos adulto. É uma vida de adulto”. Geomar- “Horário pra ir no clube é horário pra ir no clube, horário de ir pra escola é horário de ir pra escola,horário de ir pro tênis é pro tênis, horário de ir pro balé é pro balé. Carolina- “Trabalho duro, perigoso. A pessoa pode se cortar, pode furar um olho”. Sivanildo –pedreira- “Porque às vezes eu quero fazer uma coisa mais divertida, mais descontraída e não posso. Porquetem que fazer muita lição, tem que estudar muito”. Ana LíviaDauster afirma também que “A criança que trabalha e estuda, reedita a imagem da infância noantigo regime, mergulhada em uma sociabilidade densa, de tênues fronteiras entre o público e privado (...)”(1992, p.36).Analisamos esta afirmação na fala de Geomar e Sivanildo:- “Eu tenho doze anos e trabalho aqui desde os nove. Deu muito trabalho pra eu aprender a trabalhar,porque eu não sabia, não sabia botá palha, não sabia corta. Aí eu fui aprendendo aos poucos,estendendo fibra, aprendendo mais e, agora eu sei mais um pouco”. Geomar- “Só dá tempo de brincadeira de tardinha, de manhã tá na escola e a tarde tá trabalhando, pára àscinco horas, sobra uma hora de relógio”. Sivanildo – pedreiraAlém do trabalho precoce, o compartilhamento por adultos e crianças da mesma realidade física evirtual (Postman,1999) faz com que as crianças sejam na atualidade “confundidas” com adultos, criandoum mundo de iguais (tal qual no mundo medieval).Após as observações aqui realizadas, podemos indagar: ser criança significa ter infância? Asdesigualdades sociais podem interferir na infância das crianças em nosso país? O trabalho infantil, asextenuantes atividades extraescolares infantis e a cultura audiovisual podem sugerir uma “infância de curtaduração”, um “mundo de iguais” ou a emergência de novos tipos de infância?Referências:5No artigo intitulado: Uma infância de curta duração: trabalho e escola, a autora associa a questão da infância curta a umaescola que se constitui e se produz socialmente de curta duração para as crianças de classes populares, devido a sua necessidadede inclusão precoce no mundo do trabalho infantil.4
  5. 5. A Invenção da Infância. Disponível em <http://portacurtas.org.br/filme/?name=ainvencaodainfancia>.Acessado em 11/04/2013.ARIES, Philippe. História social da criança e da família. 2ª ed. Rio de Janeiro: LTC, 2011.DAUSTER. Tânia. Uma infância de curta duração: trabalho e escola. Caderno de Pesquisa. São Paulo,nº 82. p. 31-36. 1992.MARCHI. Rita de Cássia. As Teorias da Socialização e o Novo Paradigma para os Estudos Sociais daInfância. Revista Educação & Realidade. UFRGS. Porto Alegre. RS. Volume 34(1) p. 227-246. Jan/abr2009.PINTO, Manuel. A Infância como construção social. In: PINTO, Manuel; SARMENTO, Manuel Jacinto(org.). As crianças: contextos e identidades. Portugal: Uminho /Centro de Estudos da Criança, 1997. p. 33-73.POSTMAN, Neil. O Desaparecimento da Infância. Rio de Janeiro: Graphia, 1999. A Invenção daInfância.5
  6. 6. A Invenção da Infância. Disponível em <http://portacurtas.org.br/filme/?name=ainvencaodainfancia>.Acessado em 11/04/2013.ARIES, Philippe. História social da criança e da família. 2ª ed. Rio de Janeiro: LTC, 2011.DAUSTER. Tânia. Uma infância de curta duração: trabalho e escola. Caderno de Pesquisa. São Paulo,nº 82. p. 31-36. 1992.MARCHI. Rita de Cássia. As Teorias da Socialização e o Novo Paradigma para os Estudos Sociais daInfância. Revista Educação & Realidade. UFRGS. Porto Alegre. RS. Volume 34(1) p. 227-246. Jan/abr2009.PINTO, Manuel. A Infância como construção social. In: PINTO, Manuel; SARMENTO, Manuel Jacinto(org.). As crianças: contextos e identidades. Portugal: Uminho /Centro de Estudos da Criança, 1997. p. 33-73.POSTMAN, Neil. O Desaparecimento da Infância. Rio de Janeiro: Graphia, 1999. A Invenção daInfância.5

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