Termos Essenciais Sujeito

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Termos Essenciais Sujeito

  1. 1. Autora Mariangela Rios de Oliveira 2009 Língua Portuguesa IV Esse material é parte integrante do Videoaulas on-line do IESDE BRASIL S/A, mais informações www.videoaulasonline.com.br
  2. 2. © 2008 – IESDE Brasil S.A. É proibida a reprodução, mesmo parcial, por qualquer processo, sem autorização por escrito dos autores e do detentor dos direitos autorais. Todos os direitos reservados. IESDE Brasil S.A. Al. Dr. Carlos de Carvalho, 1.482 • Batel 80730-200 • Curitiba • PR www.iesde.com.br 048 Oliveira, Mariangela Rios de. / Língua Portuguesa IV / Mariangela Rios de Oliveira. — Curitiba : IESDE Brasil S.A. , 2009. 148 p. ISBN: 978-85-7638-963-7 1. Língua portuguesa – Sintaxe. 2. Descrição e análise lingüística. 3. Paráfrase. 4. Palavras e expressões. I. Título. CDD 469.5 Esse material é parte integrante do Videoaulas on-line do IESDE BRASIL S/A, mais informações www.videoaulasonline.com.br
  3. 3. Sumário Sintaxe: definição e objeto | 7 O que é sintaxe? | 7 O objeto da sintaxe: o sintagma | 10 Frase, oração e período | 19 Definição e classificação de frase | 19 Estrutura oracional| 22 Conceito e função do período | 23 Termos essenciais: sujeito | 31 Sujeito: termo essencial? | 31 Definindo sujeito | 32 Tipos de sujeito | 35 Termos essenciais: predicado | 43 Predicado: função e forma | 43 Tipos de predicado | 44 Termos integrantes: complementos verbais | 51 O conceito de “termo integrante” | 51 Tipos de complemento verbal | 52 Termos integrantes: complemento nominal | 63 O conceito de “complemento nominal” | 63 Representações | 64 Funções sintáticas integradas | 65 Complemento ou adjunto? | 67 Termos acessórios: adjunto adnominal | 73 Função acessória e hierarquia oracional | 73 Formas de expressão | 74 Papéis semânticos | 76 Esse material é parte integrante do Videoaulas on-line do IESDE BRASIL S/A, mais informações www.videoaulasonline.com.br
  4. 4. Termos acessórios: adjunto adverbial | 81 Duas funções: complemento e adjunto adverbial | 81 A função “adjunto adverbial” | 82 Expressão e ordem | 84 Classificação| 85 Aposto e vocativo: funções sintáticas oracionais? | 93 Relações sintáticas e relações textuais | 93 Aposto – termo mais que acessório | 94 Vocativo – termo “isolado” | 98 Vozes verbais | 103 Voz ativa | 103 Voz passiva | 105 Funções sintáticas e relações textuais | 113 Informatividade | 113 Seqüências tipológicas| 115 Paráfrase | 123 Conceito e características | 123 Usos parafrásticos| 125 Gabarito | 133 Referências | 143 Esse material é parte integrante do Videoaulas on-line do IESDE BRASIL S/A, mais informações www.videoaulasonline.com.br
  5. 5. Apresentação Neste livro, em 12 aulas, tratamos de um dos mais fundamentais níveis de análise gramatical da língua portuguesa – a sintaxe do período simples. Partimos da abordagem mais geral para a mais específica, na des- crição e análise dos termos da oração. Procuramos vincular a perspectiva da tradição gramatical com outra perspectiva mais ampla, de viés funcio- nal ou textual. Assim orientados, começamos pela própria discussão sobre a de- finição de sintaxe, debruçando-nos sobre sua unidade básica – o sintag- ma, identificando suas características e tipos. A seguir, ainda numa abor- dagem mais genérica, tratamos das correspondências e distinções entre frase, oração e período. Para o tratamento das várias funções oracionais, pautamo-nos na tradicional distinção entre papéis essenciais, complementares e acessó- rios. Observamos o que essa tríade tem de coerente e em que aspectos também apresenta-se problemática. Além do que preconizam os com- pêndios de gramática e lingüística, interessa-nos, nessa abordagem, levar em conta a questão da freqüência de uso, com base na consideração de que algumas práticas ou membros de uma categoria são mais produtivos e regulares do que outros. Consideramos que, para a comunidade lingüís- tica, nem todos os membros de uma mesma categoria sintática têm igual visibilidade, representatividade ou status. No tratamento das categorias acima referido, analisamos por últi- mo e separadamente duas funções que extrapolam o nível oracional – o aposto e o vocativo. Esses papéis, entendidos como usos motivados por fatores pragmáticos, são analisados em termos de efeito de sentido que sua articulação provoca. As três vozes verbais do português – ativa, passiva e reflexiva – são trabalhadas também em capítulo específico, com base em suas distinções semântico-sintáticas e a partir de seu variado índice de ocorrência. No penúltimo capítulo, as funções sintáticas oracionais são trata- das com base no viés discursivo. O foco deste capítulo é a abordagem ar- ticulada entre pontos gramaticais e relações textuais, na demonstração de Esse material é parte integrante do Videoaulas on-line do IESDE BRASIL S/A, mais informações www.videoaulasonline.com.br
  6. 6. como a análise de um nível gramatical, como o sintático, pode concorrer para a depreensão dos sentidos em elaboração na dimensão textual. As- sim, questões como informatividade e organização interna de seqüên- cias tipológicas são trabalhadas em sua vinculação com a organização sintática dos termos da oração. Por fim, este livro apresenta um capítulo dedicado à paráfrase, uma estratégia de reformulação que concorre para imprimir aos textos a unidade de sentido e de forma que devem manifestar. Tal estratégia é compreendida como processo constitutivo dos textos em geral, sejam eles literários ou não, capaz de concorrer para o equilíbrio entre velhos e novos informes. Esperamos, assim, que este livro seja um relevante instrumento para todos aqueles que se debruçam sobre a descrição e a análise da lín- gua portuguesa. Cremos que, com base nas informações e reflexões aqui trazidas, seja possível a compreensão maior da nossa língua materna, não somente no que concerne à organização sintática do período sim- ples, mas sim à articulação geral dos sentidos e sua expressão formal. Esse material é parte integrante do Videoaulas on-line do IESDE BRASIL S/A, mais informações www.videoaulasonline.com.br
  7. 7. Termos essenciais: sujeito Esta aula é dedicada a uma das funções sintáticas consideradas “essenciais” na organização das orações em língua portuguesa – o sujeito.Trataremos nesta seção da questão da“essencialidade”do su- jeito, de sua definição, além de apresentarmos os tipos de sujeito tradicionalmente considerados, refle- tindo sobre essa classificação e as formas de sua manifestação na organização dos textos. Sujeito: termo essencial? A identificação do sujeito como um dos“termos essenciais da oração”tem grande tradição no âm- bito da descrição e da análise sintática da língua portuguesa. A classificação do sujeito como essencial, conforme recomendação da NGB1 , encontra-se em Cunha e Cintra (1985), Kury (1986) e Luft (1987), por exemplo. De acordo com essa perspectiva, a oração é formada por dois sintagmas fundamentais, am- bos com o mesmo grau de relevância – o sintagma nominal (SN) na função de sujeito e o sintagma ver- bal (SV) na função de predicado. A partir do sujeito assim compreendido, na oração (1), teríamos com base em Cunha e Cintra (1985, p. 119), a seguinte organização estrutural: (1) Aquela nossa amiga não disse uma palavra. Oração Sujeito Predicado Aquela nossa amiga não disse uma palavra Conforme podemos observar pelo diagrama acima, considerar o sujeito tão essencial quanto o predicadosignificaatribuiraambasasfunçõesomesmostatus,situando-osnomesmonívelhierárquico, como integrantes do plano maior – a oração. Conforme discutiremos nesta aula, tal compreensão acaba por se tornar um entrave ao estudo de alguns tipos de sujeito. 1 Sigla da Nomenclatura Gramatical Brasileira, documento oficial, de meados do século XX, que normatizou e simplificou, para fins educacio- nais e outros, a terminologia da gramática do português. Esse material é parte integrante do Videoaulas on-line do IESDE BRASIL S/A, mais informações www.videoaulasonline.com.br
  8. 8. Por conta das dificuldades em relação ao termo essencial, nem todos os estudiosos assumem explicitamente esse atributo. Sem negar a relevância da função sintática sujeito, autores como Rocha Lima (1987) e Bechara (1999) destacam a ocorrência de orações nas quais é possível prescindir do sujeito. Rocha Lima (1987, p. 205) nos informa que“a oração consta de dois termos”, enquanto Bechara (1999, p. 408) refere-se ao sujeito como um “grupo natural”; ambos os autores não utilizam o termo essencial no tratamento do sujeito. O mesmo faz Azeredo (1995, p. 45), que nomeia o sujeito como um dos“dois constituintes centrais”da oração. Consideramos, pois, que as alternativas expostas no parágrafo anterior constituem estratégias mais adequadas e viáveis para descrever e analisar o papel do sujeito na língua portuguesa. É preciso repensar e redefinir o rótulo essencial, atribuído oficialmente pela NGB, há décadas, ao termo sujeito. Devemos compreender que, nesse caso, o rótulo essencial deve ser assumido como central ou básico, por exemplo. Definindo sujeito A maioria das gramáticas do português define o sujeito pelo viés semântico, ou seja, pelo sentido que, em geral, essa função sintática expressa. Assim, encontramos, a título de exemplificação, as duas seguintes afirmações sobre o que é sujeito: a) Cunha e Cintra (1985, p. 119):“O sujeito é o ser sobre o qual se faz uma declaração”. b) Rocha Lima (1987, p. 205):“Sujeito: o ser de quem se diz algo”. Como podemos observar pelas definições de Cunha e Cintra e de Lima, a função sujeito encontra- se referida em termos de um“ser”a partir do qual se declara ou se“diz algo”. Em outras fontes bibliográficas, a definição de sujeito é ampliada, com o acréscimo de informa- ções de nível morfológico (c) ou de nível morfossintático2 (d): c) Luft (1987, p. 23): “Sujeito – ser de quem se diz alguma coisa – é o elemento com o qual con- corda o verbo”. d) Bechara (1999, p. 409):“Chama-se sujeito à unidade ou sintagma nominal que estabelece uma relação predicativa com o núcleo verbal para constituir uma oração”. Em Luft (1987), o critério semântico (“o ser”) e o morfológico (“com o qual o verbo concorda”) são usados para a definição do sujeito. Já em Bechara (1999), privilegia-se o viés morfossintático, com a menção ao SN (sintagma nominal) e a relação predicativa com o verbo na constituição da oração. Partindo das quatro definições, resta-nos, portanto,“testar”sua validade em orações que exibam distintas configurações sintáticas. Para tanto, vamos observar as quatro orações a seguir: 2 Entendemos por morfossintaxe o nível de análise lingüística que combina critérios morfológicos e sintáticos, como o estudo da relação entre a classe dos substantivos e sua função na organização da frase portuguesa, como sujeito e complemento verbal ou nominal. 32 | Língua Portuguesa IV Esse material é parte integrante do Videoaulas on-line do IESDE BRASIL S/A, mais informações www.videoaulasonline.com.br
  9. 9. 33|Termos essenciais: sujeito Sujeito Predicado (1) O presidente deseja a paz. (2) Os homens desejam a paz. (3) A paz é desejada. (4) A maioria dos homens deseja(m)3 a paz. Dos quatro arranjos oracionais exemplificados, apenas o primeiro enquadra-se plenamente nas definições de sujeito aqui expostas. Em (1), o SN o presidente é, de fato, um“ser”identificado, a partir do qual é feita uma declaração; a forma verbal deseja, na terceira pessoa do singular, concorda com esse SN também na terceira pessoa do singular, estabelecendo a relação predicativa necessária à configura- ção oracional. Nos exemplos seguintes, os critérios de definição parecem não ser suficientes para dar conta da função sintática sujeito. Na oração (2), o sujeito os homens, no plural, torna imprecisa a referência; tra- ta-se de um SN de sentido genérico, que não nos permite saber, com maior especificidade, de quem, exatamente, se faz a declaração. Embora concorde com a forma verbal desejam, que também se en- contra no plural, o sujeito os homens, pela imprecisão semântica, não é tão categórico quanto o ilus- trado em (1) – o presidente. A inadequação ou insuficiência do critério semântico para a definição do sujeito mantém-se em relação à oração (3). Nela, o sujeito a paz, SN com sentido mais abstrato, praticamente impede que seja interpretado como“um ser”, afastando-se mais ainda do critério semântico definidor do sujeito. O mes- mo comentário vale para todas as orações articuladas em torno de sujeitos formados por substantivos abstratos, uma vez que o sentido mais vago desses termos não tem maior compatibilidade com a no- ção de“ser”. Na oração (4), a insuficiência do critério semântico é acompanhada da insuficiência do critério morfossintático. Nessa oração, não podemos considerar o SN a maioria dos homens um “ser”, ademais, esse tipo de SN pode admitir duas interpretações de seu núcleo – maioria ou homens, o que cria um ou- tro problema, de nível morfossintático – com que termo concorda o verbo? Por conta dessa complexi- dade, a norma padrão indica como possível, em orações desse tipo, o uso do verbo no plural ou singular, partindo-se das duas possíveis interpretações do núcleo do sujeito. Portanto, além da imprecisão refe- rencial, temos, nesse caso, também o problema da concordância verbal, o que torna o sujeito a maioria dos homens menos possível ainda de ser definido a partir dos quatro apresentados aqui. Como podemos observar, a definição de sujeito é tarefa complexa. Para identificar o sujeito, um ou dois critérios, como os até agora apresentados, podem não ser suficientes. Assim, devemos lançar mão de outros parâmetros para essa tarefa. Um critério adicional para identificação do sujeito pode ser o sintático, ou seja, a posição ocupada por esse constituinte na oração. Na língua portuguesa, em geral, o sujeito ocupa a primeira posição oracional, vindo à frente do predicado. Se observarmos a ordenação das orações (1), (2), (3) e (4), podemos constatar que a posição inicial em todas é ocupada pelo sujeito, a que se segue o predicado. Por vezes, o critério sintático tem papel fundamental na identificação do sujeito, como o único meio capaz de cumprir essa tarefa, na impossibilidade de aplicação dos demais critérios. Estamos nos referindo a pares de oração como os que se seguem, em que a troca de ordenação dos constituintes 3 Os parênteses indicam que o verbo pode estar no singular deseja ou no plural desejam. Esse material é parte integrante do Videoaulas on-line do IESDE BRASIL S/A, mais informações www.videoaulasonline.com.br
  10. 10. implica mudança sensível do sentido veiculado. Nesses casos, não foi o sujeito que“mudou”de posição, pelo contrário, a mudança posicional motivou a mudança de funções sintáticas no interior da oração. É o que ilustramos em: (5) João ama Maria. (5’) Maria ama João. (6) O professor é americano. (6’) O americano é professor. O único meio de identificar o sujeito nos pares (5) / (5’) e (6) / (6’) é justamente sua ordenação na estrutura oracional. Assim, em (5), João é o“ser”de quem se diz algo, no caso, que ama Maria; já em (5’), a mudança sintática operada faz com que Maria funcione como sujeito, o “ser”que ama João. Na oração (6), o SN o professor, em posição inicial, atua como sujeito, como o“ser”sobre o qual se declara que é americano; contrastivamente, em (6’), o ao SN o americano, codificado como sujeito, é atribuído o comentário é professor. Por outro lado, tal como os demais critérios, a abordagem sintática, por si, não é suficiente para a depreensão ou identificação do sujeito oracional na maioria das orações da língua portu- guesa. Uma prova do que declaramos é a possibilidade das quatro primeiras orações referidas nes- ta aula admitirem sujeito posposto ao predicado, sem maiores prejuízos para o conteúdo oracional veiculado, como em: Predicado Sujeito (1’) Deseja a paz o presidente. (2’) Desejam a paz os homens. (3’) É desejada a paz. (4’) Deseja(m) a paz a maioria dos homens. Embora o sentido não seja profundamente alterado, em termos semânticos, a troca posicio- nal entre os constituintes das orações de (1) a (4) provoca certos efeitos de sentido distintos. Um de tais efeitos seria, por exemplo, a ênfase no desejo de paz, informação que se destaca, nas qua- tro orações acima referidas, pela passagem do predicado à primeira posição na ordem dos consti- tuintes oracionais. Por essa razão, dizemos que a ordem dos constituintes no português é um componente da gra- mática, ou seja, faz parte do conjunto das regularidades lingüísticas de nosso idioma. Entre essas regu- laridades, situa-se justamente a posição inicial do sujeito na oração. Devido a essa tendência de uso, é comum que a comunidade lingüística4 , de modo geral, interprete como sujeito todo e qualquer consti- tuinte situado na posição inicial da oração. 4Assim denominamos o conjunto de usuários da língua, na modalidade falada ou escrita, que a tem com língua materna, independentemente das situações de variação no uso. 34 | Língua Portuguesa IV Esse material é parte integrante do Videoaulas on-line do IESDE BRASIL S/A, mais informações www.videoaulasonline.com.br
  11. 11. 35|Termos essenciais: sujeito Tipos de sujeito A seguir, listamos os distintos modos de classificação do sujeito, de acordo com a tradição gra- matical5 . Como poderemos observar, não há um só critério para tal classificação; há tipos de sujeito que se distinguem por traços estruturais, enquanto outros se definem por traços semântico-pragmáticos. Ademais, os tipos não têm a mesma produtividade na língua, o que significa que a freqüência de uso desses padrões não é equilibrada – há sujeitos mais e menos recorrentes. Essa diversidade de parâmetros costuma causar certa confusão aos que estudam nossa língua, conforme será aqui exposto. Passemos, então, aos tipos: Sujeito simples Trata-se do tipo mais comum. O sujeito simples tem um só núcleo; em outras palavras, apresenta-se como o SN, que, funcionando como sujeito, tem apenas um determinado (ou termo principal), indepen- dentemente do número de determinantes (ou termos secundários). Retomemos algumas orações para a exemplificação desse tipo de sujeito: (2) Os homens desejam a paz. (4) A maioria dos homens deseja(m) a paz. (5) João ama Maria. (6) O professor é americano. Embora os sujeitos de (2), (4), (5) e (6) apresentem algumas distinções, todos têm em comum o fato de serem do tipo “simples”, uma vez que possuem um só núcleo. No caso mais específico de (4), o que pode ocasionar dúvida é a definição do núcleo – que tanto pode ser maioria quanto homens (razão pela qual o verbo, como referimos anteriormente, pode ser flexionado no plural ou não). Como a classificação do sujeito simples leva em conta somente o critério estrutural, são conside- rados como simples os sujeitos pronominais destacados em (7), (8), (9) e (10): (7) Alguém deseja a paz. (8) Ninguém ama Maria. (9) Ele é professor. (10) Ambos são professores. Como percebemos, são muitos e distintos os modos de expressão do sujeito simples. Podem atuar nessa função substantivos, como em (5); pronomes pessoais, como em (9); pronomes indefinidos, como em (7) e (8); numerais, como em (10), além de outras classes de palavra. Quanto à extensão, também se verifica grande variabilidade. Classificamos como sujeito simples desde sintagmas como Maria (5’) ou o professor (6), até expressões formadas por maior número de cons- tituintes, como a maioria dos homens (4), ou ainda construções do tipo: 5Segundo a NGB, há quatro tipos de sujeito: simples, composto, indeterminado e oração sem sujeito; nesta aula, incluímos mais um – o oculto, pela tradição com que tem sido referido como um outro tipo de manifestação do sujeito. Esse material é parte integrante do Videoaulas on-line do IESDE BRASIL S/A, mais informações www.videoaulasonline.com.br
  12. 12. (11) O professor daquela cidade distante deseja a paz. Assim, a classificação em sujeito simples não leva em conta nada mais do que a ocorrência de um, e um somente, núcleo, com o qual deverá concordar o verbo. Sujeito composto Classifica-se como composto o sujeito que tem mais de um núcleo. Assim, nas orações com su- jeito composto, o verbo deve ocorrer no plural, uma vez que, como já vimos neste capítulo (Luft, 1987; Bechara, 1999), uma das características do sujeito é justamente a concordância de número em relação ao verbo. Ao contrário do sujeito simples, o tipo composto não é dos mais freqüentes. Essa constatação pa- rece sugerir que a comunidade lingüística, em geral, tende a fazer declarações sobre“um”ser, e não so- bre várias entidades especificadas individualmente. São exemplos de sujeito composto: (12) O professor e o aluno são americanos. (13) O presidente, os ministros e toda a nação desejam a paz. (14) Eu e você amamos Maria. As orações apresentadas ilustram três características do sujeito composto: podem ter variada quantidade de núcleos, são formados por classes de palavra distintas e, em geral, os núcleos são conec- tados pela partícula e, a mais freqüente para expressar adição em língua portuguesa. Sujeito indeterminado Dizemos que o sujeito é indeterminado quando desconhecemos, não temos interesse em saber ou não queremos dizer quem executa a ação. Embora não tenha visibilidade maior na estrutura da ora- ção, conforme Luft (1987, p. 25), esse tipo de sujeito“existe na idéia”, e a língua dispõe de recursos espe- cíficos para marcar essa existência não muito clara ou relevante. Como podemos observar, ao contrário do sujeito simples e do composto, definidos em termos de padrões estruturais – a quantidade de núcleos, o sujeito composto é classificado pelo viés semântico e morfossintático. Segundo a tradição gramatical, há dois recursos para a expressão desse tipo de sujei- to, ambos de natureza gramatical: a) Verbo na 3.ª pessoa do plural, sem referência a SN contido na oração: (15) Fizeram uma passeata pela paz. (16) Falaram mal do professor. Em (15) e (16), o sujeito indeterminado é marcado somente pela desinência de plural _m, usada nas formas verbais fizeram e falaram. Na verdade, em termos estritamente formais, este seria um tipo de oração“sem sujeito”expresso. Ao usar tipos de oração como esses, estamos privilegiando a ação verbal; nesses casos, ou o sujeito é pressuposto ou mesmo irrelevante, como ocorre em (15), ou não temos in- teresse, não queremos informá-lo, como parece ser o caso de (16). 36 | Língua Portuguesa IV Esse material é parte integrante do Videoaulas on-line do IESDE BRASIL S/A, mais informações www.videoaulasonline.com.br
  13. 13. 37|Termos essenciais: sujeito Devemos ressalvar que, caso houvesse um SN plural com o qual os verbos fizeram e falaram pu- dessem concordar (como em Os moradores fizeram uma passeata e Os alunos falaram mal do professor) estaríamos diante de sujeito simples, e não de indeterminado. b) Verbo na 3.ª pessoa do singular, com o pronome se: (17) Precisa-se de professores. (18) Vive-se bem aqui. (19) Devagar se vai ao longe. Conforme a tradição gramatical, nas orações (17), (18) e (19), a indeterminação do sujeito é assina- lada pela partícula se, que se classifica nesses casos como“marca de indeterminação do sujeito”, equiva- lente a alguém. Dessa forma, as orações referidas poderiam ser parafraseadas, respectivamente, por: (17’) Alguém precisa de professores. (18’) Alguém vive bem aqui. (19’) Devagar alguém vai ao longe. Ambos os recursos de expressão nos remetem à discussão, já referida neste capítulo, sobre a característica “essencial” do sujeito. Como observamos nos exemplos de (15) a (19), o sujeito indeter- minado tem visibilidade e nível de importância menores do que o predicado, esse sim, o grande com- ponente oracional. Sujeito oculto (determinado) Embora tenha grande tradição de registro na descrição gramatical da língua portuguesa, esse tipo de sujeito, também nomeado de elíptico, não consta entre os citados ou previstos pela NGB. Devido a essa lacuna, há tendência de se incluir o sujeito oculto na classe do sujeito simples, como um subtipo deste. Chama-se de oculto o sujeito que pode ser identificado na oração, ainda que não esteja formal- mente expresso ou marcado por um termo específico. Ao contrário do sujeito indeterminado, o sujeito oculto está subentendido, sendo recuperável por intermédio de duas estratégias: a) Pela identificação da desinência verbal: (20) Fizemos uma passeata. (21) Falaste bem do professor. As desinências verbais _mos e ­_ste, respectivamente em (20) e (21), informam claramente sobre o sujeito de ambas as oraçãos – nós e tu, sem necessidade de outro recurso para tal identificação. b) Pela presença do sujeito no contexto (oração ou período) anterior: (22) Ambos são professores e dão aula de Matemática. (23) A maioria dos homens deseja a paz; mesmo assim não consegue deter a violência. Esse material é parte integrante do Videoaulas on-line do IESDE BRASIL S/A, mais informações www.videoaulasonline.com.br
  14. 14. Em (22), é o sujeito da primeira oração (ambos são professores) que atua também como sujeito da segunda oração (dão aula de Matemática). Somente chegamos à identificação do sujeito ambos da se- gunda, que aí está oculto, pela recuperação do contexto anterior. O mesmo comentário podemos fazer em relação a (23) – para a recuperação do sujeito a maioria dos homens, oculto na segunda oração, é ne- cessário o contexto anterior, onde se encontra expresso esse SN. Na verdade, a utilização do sujeito oculto é considerada estratégia eficiente e adequada na escri- ta padrão. Com esse recurso, evitam-se repetições ou retomadas literais de SN, promovendo o“enxuga- mento”do texto, a concisão da expressão, considerada uma das qualidades básicas da produção escrita de qualidade. Vejamos, como exemplo um pequeno trecho, extraído de uma revista semanal: (24) Os crachás “high tech” de hoje em dia são uma maravilha: abrem portas e são o seu RG no trabalho. No exemplo (24), formado por três orações, apenas o sujeito simples da primeira oração é expres- so na íntegra (os crachás “high tech” de hoje em dia); a partir daí, temos a elipse desse sujeito nas duas orações subseqüentes (abrem portas e são o seu RG no trabalho). O símbolo indica a ausência formal do sujeito, o que não acarreta problema para produção e a compreensão de (24). Oração sem sujeito De acordo com a tradição gramatical, a oração sem sujeito caracteriza-se pela ênfase no processo verbal. Trata-se de um tipo de oração em que não se atribui a nenhum ser ou entidade a realização des- se processo. Portanto, de acordo com Cunha e Cintra (1985, p. 126), considera-se que o sujeito, nessas construções, é“inexistente”e o verbo se classifica como“impessoal”. A oração sem sujeito, dessa forma, não se confunde com o sujeito indeterminado, uma vez que neste caso o sujeito existe, embora não se possa ou não se queira identificá-lo. Conforme Cunha e Cintra (1985, p. 126), a oração sem sujeito manifesta-se, basicamente, por três modos de expressão: a) Com verbos ou expressões referentes a fenômenos da natureza: (25) Chove lá fora. (26) Faz frio aqui dentro. (27) Anoitecia no meio da selva. Nos exemplos (25), (26) e (27), somente se declara sobre os acontecimentos naturais – chover, fa- zer frio e anoitecer; é neles que se centra a informação. Casos como esse são, geralmente, trazidos à dis- cussão como argumentos contra a“essencialidade”do sujeito, uma vez que se trata aqui, efetivamente, da inexistência de uma função considerada fundamental na organização oracional do português. Essa situação é interpretada por muitos estudiosos da língua como um dos pontos críticos e contraditórios da descrição feita pela tradição gramatical. b) Com verbo haver no sentido de“existir”: (28) Nessa escola, não havia professor de Matemática. (29) Atualmente, há muitas passeatas pela paz. (30) Houve noites em que não dormi. 38 | Língua Portuguesa IV Esse material é parte integrante do Videoaulas on-line do IESDE BRASIL S/A, mais informações www.videoaulasonline.com.br
  15. 15. 39|Termos essenciais: sujeito Como podemos observar, os exemplos do tipo b são característicos da língua escrita padrão; trata-se de orações de uso mais raro no trato cotidiano. Em geral, quando o verbo haver é usado com o sentido de existir, verificamos tendência a que ele concorde com o sintagma subseqüente, o qual deixa de ser interpre- tado como complemento verbal e passa a funcionar como sujeito. Assim, as variantes de (29) e (30) a seguir constituem alternativas populares e“inadequadas”do ponto de vista do uso padrão: (29’) Atualmente, hão muitas passeatas pela paz. (30’) Houveram noites em que não dormi. Em (29’) e (30’), o verbo haver encontra-se no plural devido ao entendimento, considerado“falso” pela descrição da gramática tradicional, de que muitas passeatas e noites, respectivamente, são sujeitos de ambas as orações, quando, segundo a norma padrão, esses constituintes devem ser interpretados como complementos do verbo, ficando a função de sujeito vazia, inexistente. Na verdade, no modo mais informal de expressão, o verbo haver costuma ser substituído por ter. Progressivamente, essa alternativa parece vir ganhando espaço na comunidade lingüística e se consa- grando como modo regular de expressão da oração sem sujeito mais consagrada entre as pessoas. A música popular brasileira, por exemplo, muitas vezes concorre para a fixação de alternativas menos mo- delares, como os versos a seguir, que iniciam a letra da música Roda viva, de Chico Buarque: (31) Tem dias que a gente se sente / como quem partiu ou morreu Se fôssemos usar um registro lingüístico formal, o verbo que inicia (31) deveria ser modificado para há dias ou existem dias. Mas a mudança somente do termo verbal não seria suficiente, porque, além do uso de tem, o que confere ao verso do poeta a marca da informalidade não se encontra apenas no verbo inicial – está também na expressão a gente se sente, variante popular do uso padrão nós nos sentimos. Em termos sintáticos, outro aspecto interessante desse verso é que, conforme a perspectiva gramatical adotada, admitem-se duas análises: na primeira, mais convencional, consideraríamos dias o sujeito de tem (para tanto, deveríamos usar o acento circunflexo, na marcação do plural – têm); na se- gunda análise, mais correspondente ao uso popular, interpretaríamos dias como objeto de tem, classifi- cando o verbo como impessoal e a oração como de sujeito inexistente. De acordo com Cunha e Cintra (1985, p. 127), o uso do verbo ter como impessoal é corrente “na linguagem coloquial do Brasil”, além de estar consagrado na literatura moderna e em outras manifesta- ções. Citam os autores ainda que tal uso “deve estender-se ao português das nações africanas”, devido ao registro de ocorrências desse tipo em fontes literárias do português de Angola. c) Com os verbos haver, fazer e ir indicando tempo decorrido e com o verbo ser na referência a tempo geral: (32) Há tempos / não vemos uma passeata pela paz. (33) Faz três anos / que ele é professor. (34) Vai para dois meses / que não durmo bem. (35) Era cedo / quando adormeci. Observamos que o tipo de oração impessoal ilustrado em c é usado como referência temporal dentro de outras orações. Trata-se de um sintagma que se centra exclusivamente na marcação do pro- cesso temporal, daí seu uso como“suporte”para as demais orações. Nos exemplos de (32) a (35), as ora- ções iniciais fornecem informações subsidiárias para as subseqüentes, que atuam como principais. Esse material é parte integrante do Videoaulas on-line do IESDE BRASIL S/A, mais informações www.videoaulasonline.com.br
  16. 16. Texto complementar (BECHARA, 1999) Sujeito é uma noção gramatical, e não semântica, isto é, uma referência à realidade designada, como ocorre com as noções de agente e paciente. Assim, o sujeito não é necessariamente o agente do processo designado pelo núcleo verbal, como se patenteia em: Machado de Assis escreveu extraordinários romances. O sujeito pode representar o paciente desse processo: Extraordinários romances foram escritos por Machado de Assis. O sujeito, quando explicitado ou claro na oração, está representado – e só pode sê-lo – por uma expressão substantiva exercida por um substantivo (homem, criança, sol), ou pronome (eu) ou equi- valente. Diz-se, portanto, que o núcleo do sujeito é um substantivo ou equivalente. Uma palavra não é substantivo porque pode exercer a função de sujeito; ao contrário, só pode ser sujeito porque é um substantivo ou equivalente. A característica fundamental do sujeito explícito é estar em consonância com o sujeito grama- tical do verbo do predicado, isto é, se adapte (isto é concorde) ao seu número, pessoa e gênero (nes- se caso quando há particípio no predicado): Eu nasci. Nós nascemos. Elas não eram nascidas. O reconhecimento seguinte do sujeito se faz pela sua posição normal à esquerda do predica- do, bem como por responder às perguntas quem? (aplicado a seres animados), que? o quê? (aplicado a coisas), feitas antes do verbo. José escreveu uma bela redação. Quem escreveu uma bela redação? – José. O livro caiu. Que caiu? – O livro. Estudos lingüísticos 1. Com base nos versos6 abaixo, extraídos da letra de“Eduardo e Mônica”, faça o que se pede: Eduardo e Mônica fizeram natação, fotografia, Teatro e artesanato e foram viajar. A Mônica explicava pro Eduardo Coisas sobre o céu, a terra, a água e o ar: Ele aprendeu a beber, deixou o cabelo crescer E decidiu trabalhar. (In: RUSSO, Renato. Legião Urbana – dois. CD Emi, 1995) 6 Em poemas e letras de música, cada linha representa um verso; um conjunto de versos constitui uma estrofe. 40 | Língua Portuguesa IV Esse material é parte integrante do Videoaulas on-line do IESDE BRASIL S/A, mais informações www.videoaulasonline.com.br
  17. 17. 41|Termos essenciais: sujeito a) Justifique a flexão de plural das formas verbais fizeram e foram viajar, levando em conta o tipo de sujeito com que concordam: b) Identifique e classifique o sujeito do terceiro, quinto e sexto versos: 2. Leia a primeira estrofe do poema“Morte do leiteiro”e responda: Há pouco leite no país, é preciso entregá-lo cedo. Há muita sede no país, é preciso entregá-la cedo. Há no país uma legenda, que ladrão se mata com tiro. ANDRADE, Carlos Drummond. Obra Completa. Rio de Janeiro: Aguilar, 1967, p. 169 a) Como se classificam os sujeitos do primeiro, quarto e sexto versos? b) Aponte uma justificativa para o uso desse tipo de sujeito, com base em sua definição gramati- cal e no efeito de sentido articulado pela estrofe: Esse material é parte integrante do Videoaulas on-line do IESDE BRASIL S/A, mais informações www.videoaulasonline.com.br
  18. 18. 3. Observe o par de orações: Grande parte dos torcedores saiu antes do fim do jogo. Grande parte dos torcedores saíram antes do fim do jogo. Por que são admitidas as duas possibilidades de flexão verbal assinaladas? 42 | Língua Portuguesa IV Esse material é parte integrante do Videoaulas on-line do IESDE BRASIL S/A, mais informações www.videoaulasonline.com.br
  19. 19. Gabarito Termos essenciais: sujeito 1. a) Os verbos encontram-se flexionados porque concordam com o sujeito composto Eduardo e Mônica, que, por ter dois núcleos, motiva a flexão de plural nos referidos verbos. b) Terceiro verso: sujeito simples Mônica Quinto verso: Sujeito simples: ele Sexto verso: Sujeito oculto: recuperável pelo contexto anterior – ele 2. a) Nos três versos, trata-se de orações sem sujeito, com o verbo impessoal haver. b) Segundo a definição gramatical, nas orações sem sujeito, enfatiza-se o processo verbal em si mesmo; na estrofe apresentada, uma das motivações do poeta para esse uso pode ser aponta- da no destaque que ele dá à situação do país, não importando quem vive tal situação ou dela participa. Interessa ao poeta mostrar a quadro nacional, não se voltando para os personagens, no caso, os brasileiros. 3 Porque está prevista a concordância do sujeito grande maioria dos torcedores com um dos dois constituintes – maioria ou torcedores, o que pode fazer com que o verbo fique, respectivamente, no singular ou no plural. Ambas as alternativas são abonadas pela tradição gramatical. Esse material é parte integrante do Videoaulas on-line do IESDE BRASIL S/A, mais informações www.videoaulasonline.com.br

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