TRABALHANDO A SINTAXE A PARTIR DA ANÁLISE DO LIVRO DIDÁTICO: “DIÁLOGO LINGUA PORTUGUESA"

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Este artigo busca analisar os conteúdo de um livro de portugues quanto o tipo de gramática adota, seja verificando se as propostas apresentadas pelos autores estão embasadas na Teoria Lingüística Moderna.

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TRABALHANDO A SINTAXE A PARTIR DA ANÁLISE DO LIVRO DIDÁTICO: “DIÁLOGO LINGUA PORTUGUESA"

  1. 1. TRABALHANDO A SINTAXE A PARTIR DA ANÁLISE DO LIVRO DIDÁTICO: “DIÁLOGO LINGUA PORTUGUESA”. Ivanil MartinsResumo Este artigo tem por objetivo fazer a análise do livro “Diálogo Língua Portuguesa”,elaborado para alunos do 8º ano (antiga 7ª série), do Ensino Fundamental, tendo comoautores: Eliana Beltrão, Maria Lúcia Velloso e Tereza Gordilho. Do livro em questão, primamos por analisar o conteúdo do módulo 05, constantesnas páginas 142 a 169, que aborda os estudos da sintaxe.Palavras-chaves: sintaxe, ensino-aprendizagem, livro didático, alunos.IntroduçãoSegundo o Dicionário Houaiss, a sintaxe é definida por três vertentes: Na Gramática como estudo das palavras enquanto elemento de uma frase, observando suas relações de concordâncias, subordinações e ordens. Na lingüística, que vê como componente do sistema lingüístico que determina as relações formais que interligam os constituintes da sentença, atribuindo-lhe uma estrutura. E na gramática gerativa que estuda como componente da gramática de uma língua que constitui a realização da gramática universal e que contém os princípios e regras que produzem as sentenças gramaticais dessa mesma língua, através de combinação de palavras e de elementos funcionais (tempo, concordância, afixos etc). E ainda, qualquer conjunto de regras sintáticas que se pode depreender do uso numa determinada época, escola, autor etc. (grifo nosso). Dessa forma, procuraremos avaliar no livro didático em questão, nos conteúdoscorrelacionados a sintaxe, em especifico o módulo 05, verificando se as propostasapresentadas pelos autores estão embasadas na Teoria Lingüística Moderna, bem como,verificando em qual perspectiva os autores se identificam, seja Funcionalista ou Formalista dalíngua. Serão analisados os textos, gêneros textuais expostos no livro e os exercíciosmorfossintáticos concernentes ao assunto.
  2. 2. Revendo uma conceituação de Gramática. A partir dos anos 80, o ensino de Língua Portuguesa vem passando por mudanças ereestruturações. Desse marco, podemos citar a obra “O texto na sala de aula”, de JoãoWanderlei Geraldi. A partir de então, muitos pesquisadores têm discutido em suas pesquisas arelação entre Ensino e Gramática. Com a implantação dos PCN´s, nos anos 90, configura-se um novo paradigma comrelação ao ensino da Língua Portuguesa. Um trabalho pioneiro é a obra “Porque (não) ensinarGramática na Escola” de Sírio Possenti, que enfatiza as polêmicas em torno do Ensino daGramática. Possenti levanta algumas inquietações ao longo do texto em torno do que é ensinarlíngua ou ensinar gramática. Suas colocações são pertinentes, pois, evoca as preocupações eas fragilidades dos professores de Língua Portuguesa. Travaglia acrescenta que antes de se ensinar a gramática é necessária que se entendaprimeiro o que seria saber gramática e o que é ser gramatical. Para ele, gramática é definidacomo manual de regras a serem seguidas, convencionada como “Norma Culta” ou “NormaPadrão”. E ser gramatical é aquele que segue as prescrições/regras da gramática. Cabe ressaltar que, na “Norma Padrão” tudo o que foge a essa regra é rotulado como“errado” ou “não gramatical”, contrapondo qualquer outra variação. Travaglia (1996)explicita os três tipos de gramática, a saber: 1) Gramática Normativa: Estuda apenas os fatos da língua padrão, norma essa que se tornou oficial, definida como uma espécie de lei que regula o uso da língua em uma sociedade. 2) Gramática Descritiva: Prisma por descrever e registrar uma determinada variedade da língua do ponto de vista sincrônico, não desprezando outras variedades da língua e não apenas a variedade padrão. 3) Gramática Internalizada: Estuda os outros dois tipos de gramáticas, dando maior ênfase em discorrer sobre a gramática descritiva. (Travaglia, 1996, pp.17 a 20). Corroborando com o entendimento de Travaglia, importante se faz destacar as falhasdo Ensino da Língua Portuguesa, pautadas por Perini (2000), no livro “Sofrendo a Gramáticaa matéria que ninguém aprende”, que atribui à rejeição em torno do ensino da gramática, combase nas deficiências/falhas que a inutilizam enquanto disciplina, são elas: A 1ª deficiência consiste em o fato de as disciplinas estarem mal colocados nos livrosdidáticos, levando em consideração que os professores ao serem questionados pelos alunos
  3. 3. acerca de o porquê é necessário aprender a gramática? ou mesmo, qual a importância dagramática para a vida? Recebem como resposta que a gramática é necessária para falar, ler eescrever melhor. Nessa concepção não é levado em consideração que ler e escrever com proficiênciaestão intrinsecamente ligados ao domínio da língua, fator este preponderante para asdiferentes situações de interação social. (Bakhtin 1992). (Gêneros dos discursos in estética dacriação verbal, 1992). A segunda deficiência refere-se à metodologia adotada pelos professores que éineficiente: Consiste na idéia de que os professores impregnam nos alunados que, para serproficiente na escrita é necessário dominar a gramática. Não levam em consideração o fato dese os alunos tiverem a prática da leitura dentro e fora da sala de aula, refletirá no processo deescrita, sem necessariamente se “decorar” regras gramaticais, e por conseqüência esse leitorterá grandes progressos no avanço de seu vocabulário e maior interação nas práticas sociais. Perini enfatiza ainda que, o ensino da gramática na escola não é errado, o errado é aforma como a trabalhada, tendo em vista que aos mecanismos utilizados pelos professores nãocondizem à realidade dos alunados, gerando dessa forma, constantes conflitos internos entreeles. Pois, se eles não conseguem entender para que serve a gramática, nunca saberão comoela será útil em suas vidas, em sociedade. Para isso, basta que se trabalhe em sala de aula com definições de gramáticas quesejam compreensíveis aos alunos e que os conteúdos estejam dentro das realidade atuais aosalunos. Dessa forma, os alunos poderiam associar a gramática ensinada em sala de aula comsuas variedades lingüísticas, sabendo discernir que em dados momentos, pode-se escreverutilizando de gêneros textuais de seu cotidiano, e em outros momentos, será necessário aplicaras regras gramáticas, intitulada como “Norma Padrão”. Analisando a estrutura da sintaxe inserida no livro “Diálogo” A primeira observação a ser feita acerca do livro “Diálogo Língua Portuguesa”concerne à sensibilidade que os autores tiveram em assimilar o título do livro que é “Diálogo”a todos os compêndios inseridos nos capítulos. Deixando claro que o objetivo é conquistar a
  4. 4. atenção dos jovens, enriquecendo todos os conteúdos com textos que falam a linguagem dosjovens, repletos de atualidades e diversos gêneros textuais. Partindo desse pressuposto, abordam concomitantemente a EstruturaFormalista/Norma Padrão, que tem como foco abordar as características estruturais da língua,desprezando qualquer outra forma de apreensão da língua e a Estrutura Funcional/GramáticaDescritiva e Internalizada que consiste que dá importância ao emprego da linguagem,valorizando os conhecimentos lingüísticos do falante, sejam elas sócio-cultural e sócio-histórica. (RODRIGUES; MATTOS, 2007). Segundo Halliday (1985), essas duas abordagens se contrapõem dado ao tipo deorientação que cada uma segue. Para ele, o Formalismo preocupa-se somente em analisar osacontecimentos da língua somente pela lógica e filosofia, caracterizado pela aplicação dasmetodologias de forma sintagmática. Dessa forma, a gramática busca somente a análiseestrutural da língua. Ancoradas nesta concepção, tendem a enfatizar os traços universais dalíngua, creditando à sintaxe o centro dos estudos lingüísticos. No que tange ao Funcionalismo, Halliday (1985) afirma que essa abordagem busca avalorização dos estudos descritivos da língua, considerando a semântica como partefundamental na análise de texto que são carregados de léxicos de um povo. Do módulo 05, alvo de nossa análise, pode-se constatar que os autores optaram portrabalhar com diversidades de gêneros discursivos, tais como: História em quadrinhos,reportagens de jornais, tirinhas, propagandas, artigos de opiniões, textos literários, etc. Comisso, depreendemos que os conteúdos abordados fazem parte da Estrutura Funcionalista dalíngua. Além da Estrutura Funcionalista, os autores, também fazem uso da EstruturaFormalista ou Gramática Normativa, aplicados nos exercícios de morfossintaxe, estudando alíngua em seus aspectos semânticos, sintáticos e morfológicas. Outra observação que não pode passar despercebida é o fato de os compêndiosestarem “recheados” de comunicação verbal e não verbal, fazendo com isso que os alunos seinteressem pelos textos. No primeiro texto do módulo 05, pp. 142 e 143, tem como linguagem verbal odepoimento de uma jovem, que foi acometida por uma doença “leucemia” e após a vitóriasobre a doença, passou a ser voluntária em uma Casa de Apoio à Criança com Câncer. Constaainda, um projeto de redação – Mesa redonda e o conteúdo da sintaxe a ser trabalhado, asaber: Período composto por coordenação e; pontuação das orações coordenadas.
  5. 5. As linguagens não verbais, presente no texto, são: Foto da adolescente detentora dodepoimento; foto de jovens com mãos e rostos pintados, reivindicando por algum objetivo;um skate; um olho; uma mão e uma sombra de um homem com o brilho do sol a sua frente. Isso demonstra que o texto interage com as figuras, despertando nos alunos ointeresse pela leitura e oportunizando desenvolvimento no processo de letramento. A SINTAXE TRABALHADA NOS EXERCÍCIOS Dos exercícios apresentados no livro, elencamos alguns que asseveram a acuidadedos autores em instigar os alunos, fazendo questionários a partir dos textos propostos napágina, a serem respondidos com próprias palavras, e solicitando ainda, que os alunosjustifiquem suas respostas, despertando nos alunos o senso crítico e a transcreveremconforme, seus conhecimentos internalizados a partir de suas origens e meio social em quevivem, conforme exemplos: 1) “Na sua opinião, por que a pesquisa sobre os jovens interessa aos: pais? Diretores da escola? Políticos? Publicitários?” Os diagnósticos desses exercícios oportunizarão ao professor analisar os aspectossintáticos/semânticos presentes nas respostas pessoais de cada aluno. Dessa forma, será ummediador no processo de competência comunicativa dos alunados (Uchôa 2007). Ademais,esses diagnósticos permitirão “o levantamento de um perfil sociolingüístico dos alunos, o queservirá de subsídios para elaboração de estratégias pedagógicas e de material didáticoadequado (Uchôa apud Bortoni-Ricardo, 2005:59). Com relação ao emprego da sintaxe voltada para a abordagem Formalista da língua,podemos elucidar através do exemplo constante no texto abaixo.  Alguns voluntários arrecadam dinheiro, e outros distribuem alimentos. a) Esse período é composto por duas orações. Separe-as de acordo com o esquema. Identifique o sujeito e predicado das duas orações.
  6. 6. Do exercício em tela, constata-se que exclusivamente está condicionado à abordagemda sintaxe como estrutura, desprezando a semântica. Com isso, considera-se a língua comoum sistema de relação, ou mais precisamente, um conjunto de sistemas ligados uns aos outros,cujos elementos (fonemas, morfemas, palavras, etc) não tem nenhum valor independente dasrelações de equivalência e de oposição que os ligam). CONCLUSÃO “Porque a fala, e com ela, indiretamente, o pensamento, é uma habilidade que, em contraste com todas as outras aptidões físicas, não se desenvolve nos indivíduos, mas entre os indivíduos. É com os outros que aprendemos a falar. A linguagem, por assim dizer, é uma rede aberta entre as pessoas, uma rede em que nossos pensamentos e conhecimentos estão inextricavelmente presos”(HEISEMBERG, 1996, p.163) Em consonância com as afirmações de Heisemberg, concluímos nosso artigoafirmando que assim como os historiadores dizem que “um povo sem história é um povo sempassado”, podemos também dizer que um País que não valoriza a língua de um povo estáfadado a ser um País sem história. É através da interação social que o homem se desenvolve,caracterizando a linguagem como imutável. Dentro dessa ótica, os professores têm o papel inexorável de ensinar todas as trêsconcepções de Gramáticas, Normativa, Descritiva e Internalizada, propiciando aos alunos umconhecimento sistemático sobre os aspectos que estão presentes em sua experiência social.BIBLIOGRAFIAUCHÔA, C.E.F. O ensino da gramática: caminhos e descaminhos. Ed. Lucerna, 2007.BRASIL, Parâmetros Curriculares Nacionais de Língua Portuguesa. Brasília. 2001.TRAVAGLIA L.Carlos. Gramática e interação: uma proposta par ao ensino de gramática no1º e 2º graus, São Paulo, 1996.HALLIDAY, M.A.K. . E a visão sistêmico-funcional das relações entre discurso e gramática. 1985.
  7. 7. PERINI.M. Para uma nova gramática do português. São Paulo, Ática, 1985.GIRALDI. J.W O texto na sala de aula. São Paulo: Ed. Ática, 1996.Dicionário eletrônico Houaiss

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