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Agradecimentos      Primeiro agradeço a Deus por tudo; pela coragem, disposição eaptidão, para narrar os meandros da minha...
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desastre, a gráfica não entregou o produto na qualidade combinada.Assim, decidi eu mesmo fazer a diagramação e a impressão...
Ao aceitar o honroso convite do autor ANTONIO CARLOS DECARVALHO -Cap Ref EB, dileto amigo e companheiro de lutas noscampos...
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No      final de 2011, com agradável surpresa, recebi do meuamigo e irmão da Arma de Engenharia, Capitão Reformado, Antoni...
disponibilizá-lo na Internet, o que me deixou honrado e feliz. Paramelhor orientar-me, li-o novamente, com o mesmo entusia...
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do “arco da velha”. A citação dos nomes dos participantes nashistórias e as fotos que ilustram as páginas são as testemunh...
dessa apuração, uma estatística, demonstrada em números egráficos, das obras realizadas no 3.º trimestre de 1972. Verifica...
epopeia daqueles rudes tempos de antanho. É bom que se registre,também, que muitos desses livros publicados e postos à dis...
Apresentação     Esta   obra, “Reminiscências de um Pioneiro da Cuiabá –Santarém”, certamente é a essência da lembrança da...
como mola impulsora do cumprimento da missão e a iniciativa quediferencia os mais capazes”.      Quem se deleitar com a le...
Sumário               Capítulo I – Escola de Sargentos das Armas                             Introdução... 023            ...
A vida de solteiro... 141                              O namoro... 143               O passaporte de retorno para o mato.....
O Gato do Acampamento... 216                        O Lavador de Elefante... 216                               O trote... ...
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Capítulo I   Escola de Sargentos das Armas               EsSA                       Introdução     No mês de janeiro de 19...
O Sargento que nos atendeu informou que a inscrição tinhaencerrado no dia anterior. Fiquei até aliviado, mas o papaiargume...
Dr. Toninho Furtado e, dentro do prazo, retornei, fui aprovado e otrabalho de restauração feito pelo Dr. Toninho foi elogi...
Matrícula na EsSA     Na manhã do dia 09 de fevereiro de 1965, apresentei-me naEsSA para matrícula. Após ultrapassar o por...
O dia transcorreu sempre ouvindo um sargento gritando:      - Rápido! Rápido! “Mocorongo” atrasado.       Intencionalmente...
passou dar a instrução de ordem unida para nós. Isso aconteceumais de uma vez.      Na instrução de campo, apesar da perse...
restante carregou o Fonseca. Deu certo! Com um único tiroderrubou todos os alvos (latas). Foi incrível! O único a realizar...
O Luis Antonio tinha um perfil parecido com o meu; tambémmuito tímido. Só que, inexplicavelmente, era “peixe” do Tenente(m...
2ª Fase     Na segunda fase as matérias eram especificas da Arma deEngenharia, além da ordem unida, de educação física, qu...
- Cuidado! Este cara é mau, ele vai se vingar!       Fiquei esperto, não dava as costas para o “cara”. Não foi osuficiente...
muita fúria. Como o Tenente estava agarrado ao cabo, impedia queoutros alunos seguissem atrás de mim. Fiquei sozinho, o ca...
grupo de engenharia recebeu a missão de lançar um campo minado.Às cinco horas da manhã, estávamos lançando o campo minadoq...
os dentes) de deboche, desafiador e vitorioso. Saíram quietinhos ecom os rabos no meio das pernas. Fiquei satisfeito, pois...
Instrutores, monitores, CAS e a Turma de Engenharia - EsSA 1965                      Desfile de Formatura                 ...
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A viagem com destino ao               Rio Grande do Sul     No final do mês de fevereiro de 1966, o pessoal de Minas, SãoP...
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Fiz as apresentações regulamentares. Gazola, o SargentoBrigada, sugeriu que adotasse o nome de guerra CARVALHO. Asugestão ...
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A primeira equipe -               Lagoa Vermelha-RS     Na manhã do dia seguinte da transferência, segui viagem emcompanhi...
Residência e com uma série de problemas. Decidi, inicialmente, ficarsimplesmente na posição de observador. Deixei tudo cor...
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Essa pequena máquina (CAT 933), pela sua versatilidade,tornou-se a mascote da equipe e, para mim, a “menina dos olhos”que ...
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30 Anos e 45 dias no Exército Brasileiro

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  • Extraordinária esta formatação “on line”. Excelente. Imagino a trabalheira. Há que dominar, e muito bem, esta geringonça eletrônica. Véio assim como eu, aprende é nunca.

    Sei, como dizes, a obra é merecedora de respeito e admiração pelos trecheiros das nossas picadas. Agradou-me ver e ler a tua apresentação. Os tópicos que a divides, me deixaram desejoso de ler logo o que nos conta o Cap Carvalho.

    Vou ler com muito prazer. Guardei o e-mail nos meu “especiais”. Desejava fazer uma cópia. Vou ver como poderei fazer esta “operação”.

    Peço a gentileza de transmitir ao Capitão Carvalho os meus cumprimentos. A ti, agradeço haveres lembrado deste véio, presenteando-me com este beleza de trabalho.

    Obrigado mais uma vez.

    Abraços. Saúde. Abençoados dias.

    SELVA !!!
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30 Anos e 45 dias no Exército Brasileiro

  1. 1. 30 Anos e 45 dias de serviço no Exército Brasileiro “Na manhã do dia 31 de março de 1964, ao transporo portão principal da EsSA, pisei pela primeira vez emsolo de um quartel... Era o prenúncio de uma carreiramilitar. Da carreira que teria início no dia 15 de fevereirode 1965 e encerrar-se-ia em 31 de março de 1995.” Antonio Carlos de Carvalho
  2. 2. Autor: Antonio Carlos de Carvalho antccmt@gmail.comRevisor: José Paulo Bueno de CarvalhoCapa: Foto do Portão Principal da EsSA – 1965: Foto atual do Portão:Contra-capa: Foto do Aluno nº 705 Antonio CarlosDiagramação e Impressão: ACCarvalhoFotos: Acervo do autor, do museu do 9º BEC e algumas cedidas por amigos. 2ª Edição 2013 A edição desse livro é um trabalho artesanal do autor, sem fins comerciais. Distribuição gratuita.Apoio: PORTAL DA ADMINISTRAÇÃO PARA CONCURSOS PÚBLICOS www.lacconcursos.com.br 2
  3. 3. Dedicatória Dedico a todos os meus amigos, companheiros da longa caminhadano Exército Brasileiro, de modo muito especial aos da Equipe de Conservae Manutenção do Trânsito (3º B Rv) e Revestimento Primário(Cascalheira – 9º BEC), posso não me lembrar do seu nome, porém aorelembrar o nosso feito, você está presente no meu pensamento. Uma dedicatória especial: À minha Mãe querida, Maria Aparecida Bueno de Carvalho, quemoveu “céus e terras” para que meus irmãos e eu pudéssemos estudar. Ao meu Pai, José Oliveira de Carvalho, quem me conduziu àcarreira militar. Sou feliz na vida militar porque fiz a vontade do meuquerido Pai! A minha querida esposa, Edna Esteves Carvalho, que há 39 anosme acompanha nessa caminhada pela vida a fora! Ao querido filho Luiz, a sua esposa Ana Lúcia, aos seus filhos LuizVinícius e Ana Luiza. A querida filha Ediane, o seu esposo Sílvio, aos seus filhos Samuele Ana Vitória. A querida filha Nádia. 3
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  5. 5. Agradecimentos Primeiro agradeço a Deus por tudo; pela coragem, disposição eaptidão, para narrar os meandros da minha vida... Agradeço ao meu irmão José Paulo Bueno de Carvalho, “Paulinho”,conselheiro e revisor deste trabalho. Sua participação comintelectualidade, dedicação, esmero e sua pertinência muito contribuírampara o enriquecimento desse livro. Agradeço a todos os Comandantes e Chefes que ao longo da carreirareconheceram e valorizaram o meu trabalho. Agradeço, também, aos meus pares e subordinados, que me ajudarama cumprir as mais diversas missões, e pela confiança e amizade. Agradeço, ainda, a colaboração dos “velhos companheiros” da ArmaAzul Turquesa: Tenente Coronel Júlio de Augusto de Oliveira Soares,pela participação no primeiro livro, e os Capitães Ubyrajar de OliveiraHenriques e Emerson Rogério de Oliveira, pela participação na 2ª Ediçãodesse livro. Meu agradecimento especial a toda equipe do site:www.lacconcursos.com.br, que possibilitou a disponibilidade desse livrona internet. Muito obrigado! 5
  6. 6. 6
  7. 7. Após vários anos na reserva, me atrevi a realizar a remotaaspiração de escrever um livro, na narrativa da história da minha vidaconvivida entre familiares, amigos e companheiros que sugiram aoacaso nesta caminhada pela a vida afora. À medida que iarecordando e ordenando aquele emaranhado de lembranças iamsurgindo outras e outras, que formaram o livro – “Até parece quefoi ontem...” Sem dúvida uma experiência singular, valeu! Concluído o livro avaliei que o intervalo vivido no Exército,deveria ser compartilhado com os amigos da caserna, companheirosde tantas aventuras. Pois, nos trinta anos de quartel, vivi uma grandediversidade de funções, missões e situações, algumas “sui generis”!Tive o privilégio de conhecer, trabalhar e conviver com pessoasespeciais, notáveis, educadas, gentis, e, também, com aquelas tidascomo “difíceis” de se relacionar. Todavia, todas elas ajudaram aaprimorar o meu espírito! E, também, porque observei que a históriadas grandiosas obras realizadas pela Engenharia Militar, pouco apouco, vai se apagando, sendo esquecida. Decidi, então, publicar, o primeiro livro, “Reminiscências deum Pioneiro da Cuiabá – Santarém”. Com 144 páginas, narro,sem dúvida, a melhor fase da minha vida militar. Foi a oportunidadede participar, talvez, da maior obra realizada pela Engenharia Militar efoi também a minha afirmação da capacidade de liderar uma equipede construção de obra rodoviária. Não é a história do 9º Batalhão de Engenharia de Construção, éapenas a narrativa dos fatos vividos, principalmente, na chefia daEquipe de Revestimento Primário e alguns fatos do meuconhecimento, relacionados à Unidade Militar ou aos seusIntegrantes. Espero ter tido a sensibilidade para passar, para o papel,determinadas situações não conhecidas ou que às vezes passamdespercebidas aos olhares de muitos, mas, que fazem a diferença nocumprimento da missão. No segundo livro publicado, “30 Anos e 45 dias de serviçono Exército Brasileiro”, (1ª Edição), com 300 páginas, narro, alémdo conteúdo do primeiro livro, toda a minha trajetória no Exército,desde a minha inscrição na EsSA até a transferência para a ReservaRemunerada. O difícil não é escrever o livro em si, mas, sim, em publicá-lo.Razão pela qual comecei pelo menor e foi a minha sorte, pois,contratei uma gráfica para editar o livro e o resultado foi um 7
  8. 8. desastre, a gráfica não entregou o produto na qualidade combinada.Assim, decidi eu mesmo fazer a diagramação e a impressão,contratei apenas a encadernação. O trabalho artesanal ficou bom. Mesmo assim, o custo para produzir um livro é alto. Semincentivo e patrocínio, a solução encontrada, para maior divulgação eatender a grande solicitação dos amigos, companheiros econhecidos, foi a internet e a criação de um site para disponibilizargratuitamente, o livro “30 Anos e 45 dias de serviço no ExércitoBrasileiro”, (2ª Edição). Os fatos narrados, em ambos os livros, são verídicos, não háficção. São lembranças que ficaram armazenadas por décadas naminha memória. É natural que alguma “coisa” tenha se perdido entreos meus neurônios! E, assim reuni e publiquei episódios vividos no quartel e noscanteiros de trabalho. São muitas lembranças – algumasproeminentes, outras nem tanto, situações alegres, às vezes tristesou até banais. Mas, muitas vezes do banal surgiu o significativo!Tudo são peças que se encaixam e formam o “mosaico” de uma vidade muita intensidade, da qual muito me orgulho! Ao contemplar esse“mosaico” certifico que tudo foi importante! No momento em queforam vividos determinados fatos, não pude aperceber que seusvalores seriam o diferencial na posteridade! Nesta vida terrena tudo pode ser passageiro! Entretanto, asamizades verdadeiras são duradouras, persistem para sempre,vencem o tempo, à distância e as adversidades! Dá sentido à vida! A amizade foi e é a minha maior conquista! O Autor. 8
  9. 9. Ao aceitar o honroso convite do autor ANTONIO CARLOS DECARVALHO -Cap Ref EB, dileto amigo e companheiro de lutas noscampos da nossa Engenharia Militar, para que apreciasse e registrassecomentários sobre seu livro “30 Anos e 45 dias de serviço no ExércitoBrasileiro”, intentei transmitir como segue: O LIVRO Chama atenção, à primeira vista, a peculiar feitura do livro. Deforma artesanal, caseira, desassistida de quaisquer recursossofisticados e técnicas de editoração, ela admira pelo primorosoacabamento; pela beleza da capa que atende as principais funçõesbásicas de “proteção”, “identidade” e “apelo à leitura” e, também, pelaexcelente gramatura das páginas. A OBRA Constata-se, já nos primeiros capítulos, a incomum e firmedeterminação do autor em historiar sua jornada pelos caminhos da vidamilitar, o que termina por fazê-lo através desta bela obra. Osacontecimentos marcantes de sua vivência são dispostos em relatosminuciosos, com muita simplicidade e sem ornamentos desnecessários.A hábil exposição dos Capítulos e suas subdivisões, distribuídoscronologicamente e ornados, muitas vezes, com documentos efotografias acumulados através dos tempos, torna a obra, bastanteesclarecedora e de fácil e agradável leitura. A INTENÇÃO Embora os relatos do autor se fixem primitivamente em sua vidapessoal, cabe ressaltar suas fortes e vibrantes virtudes cívicas quandodescreve, com orgulho e desenvoltura, sua profissão de militar doEXÉRCITO BRASILEIRO e, em destaque, sua eficiente participação,quando integrando a Arma de Engenharia de Construção, na nobremissão de desenvolvimento e integração da Pátria. Campo Grande-MS – NOV 2012 Ubyrajar de Oliveira Henriques Cap Ref EB 9
  10. 10. 10
  11. 11. No final de 2011, com agradável surpresa, recebi do meuamigo e irmão da Arma de Engenharia, Capitão Reformado, AntonioCarlos de Carvalho, um exemplar do seu livro: “30 Anos e 45 Dias deServiço no Exército Brasileiro” – que ele define como “o mosaico deuma vida de muita intensidade, da qual muito me orgulho”. Everdadeiramente o é. Li de uma só pegada, as trezentas páginas, amaioria ilustrada com fotos. O livro, uma produção independente, defeitio artesanal e sem fins lucrativos, é desses que a gente começa aler e não quer mais parar. Achei-o maravilhoso, pelo conteúdo, pelaforma e pelo estilo. Autêntico “tocador de serviços”, primeiro nopampa gaúcho e depois na floresta amazônica, o autor,compromissado com a veracidade do relato, usa uma linguagemclara e transparente, para resgatar histórias importantíssimas,vivenciadas por ele e seus companheiros de trabalho, além deregistrar valiosos dados históricos e sociológicos das décadas de1960/1970 . Até me vali de alguns deles, para realinhar um capítulo dolivro que escrevia no momento (Muito Além dos Caminhos),creditando-o na minha referência bibliográfica. O título da obra e a leitura das suas primeiras páginas poderãodar a impressão de que se trata da autobiografia do autor. Mas àmedida que avança a leitura, percebe-se que ele não é tão somente onarrador e o personagem principal das suas próprias histórias.Contadas de forma brilhante, tirando-se o caráter particular esabendo-se avaliar os graus de dificuldades e de riscos de cada uma,elas são quase as mesmas do universo dos “tocadores de serviço”do 3.º Batalhão Rodoviário, de Vacaria (3.º BRv), depois transformadoem 9.º Batalhão de Engenharia de Construção, de Cuiabá (9.º BEC,quando empreenderam uma epopeia na construção das grandesobras da nossa Engenharia Militar. Todos tiveram as suas histórias.Daí, que o “Truquinho” – apelido carinhoso dado pelos amigos quefez ao longo da vida, ao dar lume a esses registros, presta umserviço à História, um tributo ao ex- 3.º BRv, e uma homenagem aosque integraram o “velho batalhão de Vacaria”, cuja fidelidade e amorcontinuam até os dias de hoje. Além do que, comunga com todos osseus amigos, pois como ele mesmo diz: “A amizade foi e é a minhamaior conquista!”. A outra surpresa veio pelo convite, no início deste ano de 2013,para prefaciar o livro revisado, ampliado e com projeto para 11
  12. 12. disponibilizá-lo na Internet, o que me deixou honrado e feliz. Paramelhor orientar-me, li-o novamente, com o mesmo entusiasmo eprazer de antes. Prefaciar um livro equivale a dar-lhe o aval, pois, aocumprimentar o autor naquela primeira leitura, já o avalizaradeclaradamente. Na manhã do dia 31 de Março de 1964, quando o jovemCarvalho transpôs o portão principal da EsSA, em TrêsCorações/MG, para fazer sua inscrição para o curso de Sargento dasArmas, eu ocupava uma trincheira à margem gaúcha do Rio Pelotas,divisa dos estados RS/SC, armado com uma metralhadora INA, como meu Grupo de Combate em posição. Era o MovimentoRevolucionário, que evitou que o Brasil fosse entregue nas mãos doscomunistas. Eu havia me formado na mesma Escola, em 1963, eestava mais de um mês da minha apresentação no 3.º BRv. Em fevereiro de 1966, o pica-fumo 3.º Sargento Carvalho,mineiro da cidade da Campanha, chegou a Vacaria, pronto para oserviço na Unidade. As obras de arte da ferrovia do Tronco PrincipalSul (TPS), estavam sendo ultimadas e o batalhão iniciava aconstrução da BR-285 – Vacaria São Borja (587 km). Com as diversasfrentes de trabalho e com a transferência de pessoal e equipamentoda ferrovia para a rodovia, a azáfama era intensa naquelas paragens.Havia um efetivo civil e militar, contando os familiares, deaproximadamente dez mil pessoas. Sem mais demora, o Carvalho foi destacado para trabalhar notrecho da BR-285, assumindo a chefia da “Equipe de RevestimentoPrimário, Conservação e Manutenção de Trânsito”, com atuaçãoentre Lagoa Vermelha e Passo Fundo. Serviço desgastante, pois tinha a tarefa de manter atrafegabilidade dos trechos abertos, que exigia sacrifício, e não haviadescanso nos finais de semana. Com a equipe volante, ocupavainstalações de beira de estrada, deixadas pelos que seguiam emfrente, como as turmas de bueiros, pontes, Equipamento Pesado...Eram barracões rústicos, sem banheiro e sem luz elétrica. Muitasvezes sem água por perto. Apesar dessas dificuldades e da sua faltade experiência, esse foi o grande palco de atuação e de destaque dojovem militar, que iniciava a carreira. Superou todos os entraves comcoragem, dedicação e, acima de tudo, liderança e capacidade detrabalho. Foi naquele chão gaúcho, de estrada poeirenta e de barrovermelho, que se forjou o profissional da QMG 05 - Engenheiro deCampanha, legítimo trecheiro, chamado de tocador de serviço. Aindahaveria de ser testado em outras missões no chão mato-grossense,com novos riscos e desafios. Longe da BR 285, num lugar chamado Fim do Trecho, à beira doRio Pelotas, eu tocava dois túneis e as cavas de um viaduto – últimasobras do TPS, a cargo do batalhão. Mesmo enfurnado naqueles 12
  13. 13. fundões, tomei conhecimento de que “...um Sargento, chegado daEsSA... um tal de Carvalho, se desempenhava com muita iniciativa...tinha a turma na mão...” E coisa e tal. Ouvi elogios de várias pessoasque chegavam àquelas paradas em visita às Obras. O Major Uiara,oficial da Seção Técnica, na sede, foi um deles a fazer referências aopica-fumo mineiro. Estava curioso para conhecê-lo, mas não lembro quando issoaconteceu. Acho que foi na sede, em Vacaria, no Clube dosSargentos. Dali nasceu a nossa amizade. Até hoje. Em 1967,enquanto a sede do 3.º BRv se fixava em Carazinho/RS, cursei o CAS.Voltei transferido para a 2.ª Cia E Cnst, em Panambi, noroeste doEstado gaúcho. Nessa ocasião trabalhei na BR-285, junto com oCarvalho, cada um na sua missão, eu como fiscal de uma construtoracivil, que fazia a terraplenagem, e depois na construção das pontesdos rios Ibicuá e Moinho, nas bandas da Região das Missões, e elecontinuava com a Equipe de Revestimento Primário, nasproximidades de Carazinho. Logo em seguida, o 3.º Batalhão Rodoviário foi transformadoem 9.º Batalhão de Engenharia de Construção, com sede em Cuiabá,com a missão de implantar a BR–163 Cuiabá – Santarém, até a Serrado Cachimbo, no Estado do Pará, e nós nos reencontramos em 1971,quando lá aportei. Ele chegara um ano antes. A CER/4 ficou encarregada da conclusão da BR-285. Pioneiro do “Escalão Avançado do 9º BEC”, o Carvalhodesembarcou em novembro de 1970, de uma aeronave C 130Hércules, em Cuiabá. Chegou para ficar. Casou, constituiu família,serviu no 9.º BEC em todas as graduações e postos – de 3.° Sargentoa Capitão – e fixou residência, onde mora até hoje. E ainda por cima,diz que quebrou uma tradição cuiabana, quando afirma que nãocomeu “cabeça de pacu” – segundo a lenda: condição para nuncamais deixar o lugar. Em pouco tempo foi destacado para trabalhar na construção daBR–163, na chefia da Equipe de Revestimento Primário, o mesmonome da equipe que liderara no Sul. Os trabalhos estavam no início. Como lá no Sul, o ritmo intenso obrigava o Sargento Carvalho amudanças constantes de acampamentos: Piúva, Castanhal, Córregoda Onça, Rio Lira, Teles Pires, Rio dos Patos... Também como lá,precários, sem condições sanitárias e sem energia elétrica. Osuprimento de alimentos vinha dos céus, em volumes largados emclareiras no mato, por aviões de pequeno porte, fretados ou do apoioda FAB. No atraso ou na falta, o “quebra-torto”, feito de carne de solcom farinha, servia para mitigar a fome. O longo tempo de paragem por aquelas bandas amazônica,embrenhado na selva, com a sua equipe, também chamada de“Equipe da Cascalheira”, atesta que o livro que escreveu tem causos 13
  14. 14. do “arco da velha”. A citação dos nomes dos participantes nashistórias e as fotos que ilustram as páginas são as testemunhas dosacontecimentos, alguns impressionantes, como o capítulo: “Trêsdias perdido”. A narrativa do livro é clara e objetiva, segue o traçado daestrada, na mesma velocidade das equipes de terraplenagem,Disparada e Arrastão, cujas máquinas, conduzidas por operadoresobstinados, avançam, derrubando a mata e deixando atrás de si aestrada aberta, pronta para receber o cascalho da Equipe doSargento Carvalho, que vem logo atrás, ainda no cheiro do vergelceifado e da terra fresca revolvida. Há relatos de passagens heroicasdesses homens intrépidos, de quem eram exigidos coragem esacrifício, dadas as condições e a agressividade da área. Eabnegação, pois trocavam dois meses na floresta, por uma semanajunto à família. Os servidores civis e os militares, em sua maioria, vieramjuntos com a mudança do batalhão para Cuiabá. “O pessoalempregado nas atividades do Batalhão é composto de militares(Oficiais e Praças), em sua maior parte oriundos do extinto 3.°Batalhão Rodoviário. Civis: funcionários públicos federais econtratados, num efetivo que hoje atinge 1.800 servidores”.(Suplemento 9.º BEC – Integração, Desenvolvimento e Segurança –1971) Depois de alguns anos embrenhados na selva amazônica, emarrojadas e sacrificantes missões, submetidos a ataques de índios ea doenças tropicais, cumpriram suas missões e se dispersaram.Como o autor, muitos permanecem por lá até hoje. Sobre a malária, o maior desafio da área de saúde do batalhão,há um relato impressionante do Carvalho, à página 158 do livro: “[...]Além das dificuldades técnicas, havia o terrível fantasma da malária...Lembro-me que quando o Dr. João (médico da Unidade) chegou aoacampamento [...], no final da tarde, em que a malária ataca [...]convidei-o para me acompanhar até ao alojamento maior coberto delona e mostrei a ele, quase que um terço da equipe,aproximadamente 50 homens deitados, tremendo de febre. O Dr.João teve aquela momentânea reação de espanto [...]. Mais adiante.Continua o autor: “Algumas mortes eram repentinas. O trabalhador iabom para Cuiabá na debandada, quando não retornava, ao informarsua falta, recebia como resposta a triste notícia de seu falecimentoocorrido no fim de semana. Causa da morte: malária”. Na sede, lotado no Órgão Central de Apropriação (OCA),encarregado de apurar a produção e os custos dos trabalhosrealizados na BR -163 e na manutenção da BR-364, eu acompanhavatoda a movimentação das equipes naqueles trechos. Ainda guardocomigo um exemplar do Boletim Informativo n.º 2, onde consta, além 14
  15. 15. dessa apuração, uma estatística, demonstrada em números egráficos, das obras realizadas no 3.º trimestre de 1972. Verifica-seque o efetivo civil empregado nas diversas frentes nesse período erade 1.390 servidores. Desses, 1.127 trabalhavam na BR-163 (2.ª Cia eCia Eq). Nos dados fornecidos pelo Laboratório Farmacêutico dobatalhão, consta ter havido nesse período uma incidência de maláriaem 12,24% desse efetivo. Orgulha-me registrar que o Carvalho e tantos outroscompanheiros, entre os quais também me incluo, pertenceram àsafra dos velhos trecheiros, militares e civis, das décadas de1960/1970, do saudoso ex-3.º Batalhão Rodoviário, de Vacaria.Seguiram o exemplo deixado pelos que os precederam, desde acriação do batalhão, em 1917, no tempo da pá e da picareta. A garra ea vontade desses engenheiros precursores, que abriram oscaminhos por enfiadas dentro do mato, deixando lugares deparagens, que depois viraram freguesias e cidades, são as mesmasdos que peregrinaram pelos canteiros de serviços e acampamentosnaquele cenário das grandes obras da Arma azul-turquesa, no iníciodo Governo Militar, em 1964, empenhado no processo dedesenvolvimento do Brasil, estabelecido pelo Plano de IntegraçãoNacional (PIN). A próspera cidade Lucas do Rio Verde é um dessesexemplos. Formou-se ao redor das instalações do batalhão. Inexoravelmente, o tempo passa, as gerações se sucedem e ascoisas mudam. Mas, a História continua a mesma. E deve serlembrada e deve constar da ata, sob pena de ficar sepultada sem osímbolo da cruz, na cova do esquecimento. Assim, procura-se entender por que não constam no AcervoHistórico do 9.º BEC as obras do passado, construídas pelo 3.ºBatalhão Rodoviário. Não estão no site daquela OM, as expressivasobras da ferrovia do Tronco Principal Sul e da rodovia BR- 285 –Vacaria São Borja. É lamentável. Daí vai a importância e a valorização que devem ser dadas acompanheiros, como o Capitão Carvalho que, corajosamente, semmedo de se expor, puxou da memória e desencavou, lá do fundo, ahistória da sua vida militar de 30 anos e 45 dias, preenchendotrezentas páginas com as vivências da sua caminhada no ExércitoBrasileiro. Em uma entrevista para o projeto de História Oral doExército na Engenharia Militar, o General Enzo Martins Peri, atualComandante do Exército, diz: “É muito relevante que se resgate ahistória de todos os que participaram de tantas situações que nãopodem cair no esquecimento. [...] São muitas experiências quemerecem sair do anonimato para fazer parte da História.” O GeneralEnzo serviu no 9.º BEC como capitão e depois foi o seu comandante. Com essa mesma disposição do Carvalho poderia citar tantosoutros escritores militares. São eles que estão gravando em ata a 15
  16. 16. epopeia daqueles rudes tempos de antanho. É bom que se registre,também, que muitos desses livros publicados e postos à disposiçãodo público, vêm com o timbre do idealismo e do sacrifício pecuniário,pois sem incentivo e patrocínio, os custos saem do soldo do autor. Apesar disso, quando menos se espera surge um resgatefabuloso de histórias de luta, de fé e de coragem. Ilustradas comfotos antigas, elas conseguem reavivar na memória desbotada aefervescência dos grandes canteiros de obras e o entusiasmo doshomens que neles labutaram e deixaram a sua marca, como umlegado aos que viriam atrás, na batida, no rastro dos homens queajudaram a construir este país. Ainda é assim, hoje, comprovada pelabrilhante atuação da nossa Arma de Engenharia no atual cenáriobrasileiro. São outros tempos, outras gerações e com tecnologiaavançada, mas a saga continua no mesmo passo firme dos “velhostrecheiros”. Para o nosso orgulho. Parabéns, “Truquinho”! Prossiga! Emerson Rogério de Oliveira Cap Ref Eng/63 – ex- “Tocador de Serviço”N R: O Capitão Emerson Rogério de Oliveira, formado em Ciências e em Letras é autor de quatro livros: - Pote de Barro (1979 – crônicas): - Peregrino do Universo (2000 – crônicas); -Trincheiras Abertas (2007 – histórias/opiniões); e - Muito além dos Caminhos (2012). 16
  17. 17. Apresentação Esta obra, “Reminiscências de um Pioneiro da Cuiabá –Santarém”, certamente é a essência da lembrança daqueles que, nasfrentes de serviço dos Batalhões de Construções, em especial oglorioso 9º Batalhão de Engenharia de Construção, do nossoExército, que delinearam uma epopéia de glória nos diversos rincõesda nossa pátria. Em especial na integração da nossa Amazônia. Originário dos pampas gaúchos, o sempre aplaudido 9º BECteve sua origem com a extinção do 3º Batalhão Rodoviário, cuja sedeera em Carazinho-RS. Chegou às terras do Mato Grosso com ahonrosa missão de implantar a BR-163, Cuiabá – Santarém, trechoCuiabá - 321 km ao norte da Serra do Cachimbo (1.114 km), nos idosdos anos 70. Sobre os passos dos heróis do passado que conquistaram aAmazônia, vieram os “modernos bandeirantes bequeanos” que, aoimplantarem rodovias como a BR-163, tornaram-na verdadeiramentebrasileira. Pois estas veias de penetração permitiram a ocupaçãodestes vastos territórios, por levas de brasileiros, sonhadores, quese tornaram grandes empreendedores ao longo dos anos, aotransformarem o “inferno verde” num dos maiores celeiros dealimentos do mundo, em uma perfeita conjunção de sístole e diástoledesenvolvimentista. A posse verdadeira da Amazônia, só foi possívelpela integração das diversas malhas viárias, cujas artérias principaisforam as construções do porte da BR-163. Espantaram a cobiçaexterna que, de tempos em tempos, questionam esta posse pelonosso povo, dessa imensidão verde que temos por obrigaçãoconhecer o seu valor para as gerações futuras. O autor, em linguajar simples de soldado, traz dasreminiscências de sua memória, feitos dos bravos homens dasfrentes de serviço, sendo o próprio um dos atores principais. Cria acerteza de que suas existências não foram em vão. As históriasurdidas no labor nas inóspitas paragens se entrelaçam onde osoldado e o servidor civil tomam consciência do dia a dia do árduoserviço de suas responsabilidades, pelo desenvolvimento da nossagrandiosa nação, generosamente legada pelo sangue e suor dosheróis pretéritos. O então jovem Sargento Carvalho nos proporciona uma aulados principais atributos que se espera de um soldado de engenharia,do mais jovem recruta ao mais ilustre general, que são – “a lealdade 17
  18. 18. como mola impulsora do cumprimento da missão e a iniciativa quediferencia os mais capazes”. Quem se deleitar com a leitura desta obra, certamente ouvirá oronco dos motores, saberá que a extremada dedicação ao serviçoleva a superação das deficiências. Dá-nos a perfeita dimensão que aliderança é conquistada na confiança e certeza do subordinado deque nunca estará só nos momentos cruciais. Em hipótese algumasentirá a dor da incerteza no reconhecimento dos seus feitos. Estador será maior no seu líder, sempre pronto a sair em defesa dos seusliderados, sobrepujando os seus próprios interesses pessoais. A glória da liderança reside em tirar o máximo do subordinado,que por sua vez, faz da confiança no seu líder a sua profissão de fé.Superando todas as vicissitudes a despontar no horizonte, focandoapenas no sagrado cumprimento da missão, sobrepondo-se acimadaqueles, que não trazem no peito o verdadeiro ardor patrióticomodelador do caráter dos grandes homens de uma nação. Júlio Augusto de Oliveira Soares Tenente Coronel da Arma de Engenharia NR.: O Tenente Coronel Soares serviu nas frentes de serviço: do 6º BE Cnst (Boa Vista-RR) e do 9º BECnst (Cuiabá-MT), respectivamente nos idos de 1989 e 1994. A republicação dessa apresentação é para oleitor que não teve a oportunidade de ler o 1º livro. Reminiscências de um Pioneiro da BR-163, Cuiabá – Santarém Antonio Carlos de Carvalho 18
  19. 19. Sumário Capítulo I – Escola de Sargentos das Armas Introdução... 023 A Matrícula na EsSA... 026 O Curso de Formação de Sargentos (CFS)... 027 A Escolha da 1ª Unidade Militar... 037 A viagem com destino ao Rio Grande do Sul... 038 Capítulo II – Rio Grande do Sul 3º Batalhão Rodoviário... 039 A primeira equipe – Lagoa Vermelha-RS... 43 A vida social em Lagoa Vermelha... 48As primeiras experiências com o convívio com pessoas tão diferentes... 49 As atividades “extra campo”... 52 As parcerias com Prefeitos... 54 Em Santa Bárbara do Sul, queimei a “cara”... 55 De acampamento em acampamento... 58 Amizada ao longo da estrada... 60 Alguns “Atritos”... 62 Trabalho é trabalho, amizade à parte... 64 A volta do Chefe de Campo... 65 Passo Fundo – RS... 66 Os Aprendizes (1)... 71 O melhor asfalto do Brasil... 73 Você está parecendo um suíno!... 74 A mudança de subordinação da Equipe... 75 A quebra de confiança... 78 Carazinho a Vacaria ida e volta de Patrol, que viagem maluca!... 79 Esquina Gaúcha... 80 Curso de Aperfeiçoamento de Sargento (CAS) – Três Corações-MG... 83 Dr. Bozano, fim da missão no Rio Grande do Sul... 87 A revisão do equipamento com destino a Cuiabá-MT... 91 Fim da temporada no Sul... 93Capítulo VI – Mato Grosso/MT - 9º Batalhão de Engenharia de Construção Introdução... 95 Destino: Cuiabá... 96 Os Pioneiros do Escalão Avançado... 098 Assim era Cuiabá... 101 Destino: a Frente de Serviço (mato)... 104 Os Pioneiros da Frente de Serviço... 107 A Balsa do Rio Verde... 109 Três dias perdido... 111 A Retirada do Acampamento do Rio Verde... 117 Abertura do Caminho seco que contornava a Várzea da Piúva... 122 O nascimento da cidade de Lucas do Rio Verde... 126 O trator que ficou atolado por cinco meses... 128 Os primeiros ocupantes das terras ao longo da BR-163... 130 Acampamento do Rio dos Patos... 131 Acampamento da Piúva... 134 Férias, motorista de 1ª viagem... 135 O primeiro desfile do 9º BEC em Cuiabá-MT... 137 Transferência para a Sede do Batalhão... 139 19
  20. 20. A vida de solteiro... 141 O namoro... 143 O passaporte de retorno para o mato... 144 As Equipes de Trabalho do Batalhão... 145 O retorno à Equipe de revestimento Primário... 150 Acampamento do Rio Teles Pires... 153 Missão impossível... 154 A falta de motorista de FNM... 155 Para que Embreagem? ...156 “... foi compactada com pneu de Fé Ne Me” ... 157 Acampamento do Rio Lira, a estruturação da Equipe... 158 Material de acampamento... 158 Mecânica Pesada... 159 Mecânica Leve... 159 Depósito de combustível... 161 O Enfermeiro... 162 A Logística... 163 A Viatura... 164 Manda Brasa e Senta Pua! ... 167 Pagamento da Gratificação de Produção... 168 Disciplina com regras simples... 170 “Seo” Waldemar... 172 “O Onça”... 172 O Primo... 174 Acampamento do Córrego da Onça, período complicado! ... 175 Malária... 177 O Comandante não acreditou! ... 177 Novo Chefe da “Cascalheira”... 180Acampamento do Castanhal, a hora da verdade! Decisões difíceis! ... 181 Sabotagem... 182 Cortar o mal pela raiz! ...183 Do “Motim” ao Recorde!... 184 Xeque-mate na cozinha!... 185 A falta de combustível... 188 Acampamento do Rio Pardo... 190 A reunião de final de ano... 190 Motorista e Caçador! ... 192 Acampamento da Serra do Sinal... 194 Você é um ateu! ... 195 O Soldado Cruz... 195 O casamento... 197 A dificuldade para transportar um Trator de Esteira... 199 Acampamento do Rio Braço Sul... 200 Acampamento do Córrego XV de Novembro... 201 A lei é dura, mas tem que ser seguida... 203 Ideias diferentes! De onde saíram? ... 204 Dois acampamentos ao mesmo tempo... 205 Os Profissionais... 207 Os Aprendizes (2)... 209 Casos Diversos de Acampamento... 211 Não me deixe morrer sem uma vela acesa na mão... 211 Não gostei, vou devolver! ... 212 Não bato na farda! ... 212 A Sobremesa! ... 213 A Gratificação... 213 Sargento! Não sei nadar! ... 214 Caetano estas panelas estão muito pretas! ... 215 20
  21. 21. O Gato do Acampamento... 216 O Lavador de Elefante... 216 O trote... 217 Acidentes e acidentes... 219 Autonomia na condução da Equipe... 222 Os Índios... 223 O Fotógrafo... 226 Missão cumprida... 227 Vida nova na Sede do Batalhão... 231 Vida de casado... 232 A promoção de Segundo Sargento... 233 A troca de Comando do Batalhão... 234 A transferência para o Estado-Maior do Exército... 235 Os “endeusados” e os injustiçados! ... 236 Capítulo VII – Brasília/DF – Estado-Maior do Exército Introdução... 237 A troca de apartamento... 237 Pronto para o serviço no EME... 239 2ª Seção do Gabinete do EME – SG/2... 240 A mudança de chefia da SG/2... 243 As glórias e os ossos da função... 245 O General “RO”... 251 A vida familiar em Brasília... 253 A onde fica isto? ... 256 Vi! Mas fiz que não vi! ... 257 A transferência de volta para Cuiabá-MT ... 258 A viagem de regresso a Cuiabá... 260 Capítulo VIII – O retorno ao Mato Grosso De volta a Cuiabá e ao 9º BEC... 261 Novamente destacado, BR-70, Cuiabá-Cáceres... 261 O trabalho na sede do Batalhão... 265 O Soldado Alípio... 269 A mão poderosa de Deus... 273 Promoção a oficial... 274Capítulo IX – Rosário Oeste-MT, 10ª Delegacia do Serviço Militar Introdução... 275 Delegado do Serviço Militar... 276 Chefe do SFPC/10ª Del SM... 278 Parou a Fábrica de Cimento de Nobres... 280 Fim da Missão de Delegado... 281 Capítulo X – Novamente de volta ao 9º BEC O acumulo de funções... 282 A Equipe “Menina dos olhos do comandante”... 286 Missão cumprida no Exército... 287 Palavras de despedidas... 289 Capítulo XI – A vida depois do quartel A vida na reserva Remunerada (aposentadoria)... 293 Conceituação de uma vida... 307 Transcrição de Elogios... 309 O autor... 325. 21
  22. 22. 22
  23. 23. Capítulo I Escola de Sargentos das Armas EsSA Introdução No mês de janeiro de 1964 fiz o meu alistamento militar,deveria fazer o Serviço Militar em 1965. Rubens Ramos, nossovizinho, estava servindo o Exército, era cabo em Pouso Alegre, aoencontrar o papai comentou: “Por que o Antonio não faz inscrição para a EsSA (Escola deSargentos das Armas), em Três Corações. Ele terminou o Ginásio eestá preparado. Se passar no concurso para a EsSA, em 1965 vaifazer o Curso de Sargento e, em dez meses, será promovido a 3ºSargento.” Papai ficou entusiasmado com a ideia e falou comigo. Fiqueisurpreso e assustado, respondi: - Ah, pai! Eu não tenho jeito para isso. Papai não comentou mais nada comigo, mas se informou detudo e, na véspera do dia 31 de março de 1964, falou: - Amanhã é último dia para fazer a inscrição para EsSA. Cedovamos a Três Corações para fazer sua inscrição. Na manhã do dia 31 de março de 1964, ao transpor o portãoprincipal da EsSA, pisei pela primeira vez em solo de um quartel...Era o prenúncio de uma carreira militar. Da carreira que teria iníciono dia 15 de fevereiro de 1965 e encerrar-se-ia em 31 de março de1995. Portão Principal da EsSA – 1965. 23
  24. 24. O Sargento que nos atendeu informou que a inscrição tinhaencerrado no dia anterior. Fiquei até aliviado, mas o papaiargumentou: - Viemos de longe (38 km), da Campanha e a informação querecebemos do Cabo estava errada. Foi aí que começou a funcionar a força do destino. Estavaescrito que eu deveria ser militar. O Sargento disse: - Minha esposa é de Campanha! Não é que o Sargento era casado com a prima da mamãe! Pararesumir, o Sargento conseguiu fazer minha inscrição com data de 30de março. Outra coincidência! Era a primeira vez que pisava no solo de umquartel, justamente, no dia da Revolução de 31 de Março. O quartelestava tranquilo, na verdade o movimento revolucionário começariana madrugada. Por ocasião da realização do exame intelectual, papai me deudinheiro para hospedagem em Três Corações. Foi a primeira vez queme hospedei em um hotel. Não me preparei para a prova. Para mim,era com se fosse fazer uma prova final do Ginásio. Talvez estadespreocupação tenha feito com que eu fosse aprovado. A prova eradiferente do que estava acostumado. Fui surpreendido e fiqueipreocupado! No Ginásio, queriam saber o que nós sabíamos; naEsSA, queriam saber o que nós não sabíamos! Só depois fui saberque as provas da EsSA eram temidas, justamente por essamentalidade. Nessa semana que fiquei fazendo prova encontrei o meu amigoDirson (Tiquira), que estava servindo na EsSA. Dirson foi meucicerone, mostrando-me o quartel e explicando alguma coisa sobre aEscola. Explicou, por exemplo, que “arma” no nome da Escola sereferia à: Infantaria, Cavalaria, Artilharia, Engenharia eComunicações. Quando ele falou da Arma de Engenharia fiqueientusiasmado e falei: - Quero ir para a Engenharia. Dirson retrucou: - Não é assim: “Eu quero ir”. Engenharia é a arma mais difícil!Só os que tiverem as melhores notas no exame de seleção é que vãopara lá! Passado algum tempo de expectativa, no dia 31 de agosto de1964, recebi o resultado, fui aprovado e convocado para realizar oteste físico e médico. No teste físico fui bem, aprovado com facilidade. No exame desaúde tive problemas com exame odontológico, pois estava comvários dentes cariados. Num prazo de 30 dias, tinha que retornarcom os dentes arrumados. Assim, fiz o tratamento dentário com o 24
  25. 25. Dr. Toninho Furtado e, dentro do prazo, retornei, fui aprovado e otrabalho de restauração feito pelo Dr. Toninho foi elogiado. Agora era só esperar para ser chamado para fazer a matrícula,enfrentar e vencer as adversidades que com certeza teria durante ocurso! Com fé em Deus e com o pensamento positivo estava prontopara a “batalha”. Guardo até hoje o telegrama que informa a minha aprovação no exame intelectual para a EsSA. EsSA – Escola de Sargentos das Armas. Três Corações – MG. 25
  26. 26. Matrícula na EsSA Na manhã do dia 09 de fevereiro de 1965, apresentei-me naEsSA para matrícula. Após ultrapassar o portão de entrada olheipara trás e vi o letreiro da EsSA, que ficava em cima do antigo porão,invertido. Ainda tenho essa visão gravada em minha memória. Meupensamento voou, perguntei-me: “Onde estou me metendo?” Tive uma sensação esquisita de temor e preocupação. Aqueleportão era a divisa do mundo conhecido, daquele pequeno“universo” que conhecia de uma pequena cidade. Sabia que daminha vida ingênua e tímida, trazia pouca vivência para enfrentaraquela mudança repentina. Sem dúvida, a vida ali seria difícil.Balancei a cabeça para espantar aqueles pensamentos negativos,olhei para frente e mudei de pensamento: “Se outros conseguem, eu também consigo...” “Vamos em frente e fé em Deus!” Aquele primeiro dia no quartel seria complicado e cheio denovidades. Pelo menos, de chegada, tive uma boa notícia: estavarelacionado para o Curso de Engenharia. Comecei bem. Era o quequeria e isso ajudou aliviar a pressão e angústia. Fui mandado entregar a documentação na Seção Técnica, nosegundo andar do Pavilhão Principal. Não tive dúvida! Fui pelocaminho mais curto, pelo saguão principal e pela escadaria central.Quando comecei a subir observei que um militar que tinha iniciado adescer, voltou e ficou parado no topo da escada. Quando lá chegueio militar falou: - Escada de aluno é aquela lá no fundo. Esta aqui é só paraoficiais. Desça e volte pela escada certa. Fiz conforme determinado e lá estava o militar, no mesmo lugar,para verificar o meu comportamento. Quando andava pelo pátio escutei: - Antonio! Antonio! Olha para cá, venha aqui! Fiquei surpreso. Olhei e vi meus companheiros de ginásio econhecidos que tinham incorporado em janeiro, atrás das grades.Não tive dúvida e fui ver o que tinha ocorrido. Conversamosbastante, fui comprar cigarros e lanches na cantina. A conversaestava animada, quando apareceu o comandante da guarda e disse: - Quer ficar conversando com seus amigos, vou colocá-lodentro da cela. Saí rápido e, depois dessa, não voltei mais, apesar dos apelosdos amigos encarcerados. A cadeia ficava perto da engenharia, nocanto do pavilhão principal, hoje, deve ser onde funciona aBiblioteca. 26
  27. 27. O dia transcorreu sempre ouvindo um sargento gritando: - Rápido! Rápido! “Mocorongo” atrasado. Intencionalmente, tinha deixado para me apresentar nopenúltimo dia do prazo, razão porque era considerado atrasado e“mocorongo”. Os dias que se seguiram, até o dia da matricula foram infernaispara todos... Muita correria, gritos, castigos e trabalho. Tudo aquilotinha dois propósitos: testar os candidatos e fazer com que os maisfracos desistissem antes da matrícula. Realmente, o método funcionava. Houve desistências. Nem pensei em desistência e continuava com o pensamentofixo: “Se outros conseguem, também consigo.” Em 15 de fevereiro de 1965 fui matriculado no Curso deFormação de Sargentos. Recebi o número 705 e o nome de “guerra”de Antonio Carlos.Curso de Formação de Sargentos (CFS) 1ª Fase Depois da matrícula, a “coisa” ficou mais tranquila com ocomeço das aulas. Todavia, para mim, a “coisa” complicou com aapresentação de um Tenente. O referido oficial instrutor ao serapresentado encarou um a um os alunos. Quando os olhos delebateram nos meus olhos, senti algo estranho e percebi que tinhaencontrado o meu desafeto, nosso sangue não combinou. Só nãosabia que aquilo seria a maior dificuldade que teria durante o curso! A maioria da nossa turma era constituída de cabos e soldadosantigos, experientes com a vida do quartel. Eu fazia parte da minoriade origem civil. Seria lógico que os de origem civil levassem umagrande desvantagem no início do Curso, principalmente, nasinstruções de ordem unida e educação física. Nas instruções de salade aula não havia disparidade. No meu caso tinha uma agravante,podia ser considerado “mocorongo” e, ainda, tinha o meu desafeto, oTenente, a perturbar. Na ordem unida, que exige muita atenção e concentração,sempre estava preocupado com o Tenente. Muitas vezes elechegava por trás e passava o pé para que eu errasse o passo.Acredito que ele queria que eu até caísse. Certo dia osubcomandante da EsSA, o Tenente Coronel Mario Miranda SantaRosa, que era da Arma de Engenharia, deve ter visto alguma coisa deque não gostou, pois ele tirou a mim e mais dois colegas de forma e 27
  28. 28. passou dar a instrução de ordem unida para nós. Isso aconteceumais de uma vez. Na instrução de campo, apesar da perseguição, me saía muitobem. Aquelas longas caminhadas pelo mato nos arredores daCampanha foram de grande valia. O Sargento Cruz era meu amigo ecerto dia me disse: - Não se preocupe! Os pontos que lhe são tirados aqui naEscola, na instrução de campo você recupera em dobro. Por ser sabedor que a instrução de campo tinha peso maior,fiquei mais tranquilo. Em determinada instrução de maneabilidade, em que oexercício seria atravessar rastejando um terreno lamacento, euestava deitado no chão, na linha de largada aguardando o início,quando senti nas minhas costas um par de coturnos e ouvi uma vozmuito conhecida: - Se me derrubar, você vai ver. Com muita força e raiva, apesar daquele peso nas costas,realizei o exercício até com certa facilidade. Percebi que o meusilêncio e a demonstração de força irritavam o Tenente. Ao tirar ouniforme, na gandola, estava a marca dos coturnos. Todas as sextas-feiras havia instrução de campo na fazendaAtalaia, próxima de Três Corações. Em uma grande instrução depatrulha, o Tenente (desafeto) era instrutor-chefe, para separar aspatrulhas disse: - Eu vou escolher duas patrulhas, a dos peixes positivos e a dospeixes negativos. As outras, a escolha é livre. O resultado eu já vouanunciar, primeiro lugar os peixes positivos e em último lugar ospeixes negativos. Óbvio! Fazia eu parte dos peixes negativos. Aliás, fui o primeiroa ser escolhido! O Tenente tinha cometido um grande erro, feriu o amor próprio,o brio de cada um. Falei aos companheiros Fonseca, Bermudez,Roberto, “Coreano”, “Gato Murinha”, Breno e etc.: - Vamos ganhar esta missão na marra. A primeira patrulha a largar foi a dos peixes positivos, aseguinte foi a nossa. No segundo obstáculo era um banhado, onde acavalaria fazia instrução, lugar medonho, fedia estrebaria. Foi lá quealcançamos os peixes positivos, atolados até o pescoço. Eleshaviam cometido um grave erro, pularam em pé. Nós pulamospranchados, literalmente nadamos e passamos por cima dosconcorrentes. A briga foi feia. Houve “agarra-agarra”, socos e“coices”. Passamos a frente e ninguém mais nos alcançou, fomosos mais rápidos em todos os obstáculos. Nosso comandante era oFonseca e, no obstáculo do tiro ao alvo, era ele o atirador. Para queele não chegasse ofegante, um foi na frente para preparar a arma, o 28
  29. 29. restante carregou o Fonseca. Deu certo! Com um único tiroderrubou todos os alvos (latas). Foi incrível! O único a realizar talfaçanha. A última etapa do exercício era subir um morro, uma rampaforte, mais ou menos 1.500 metros. Corri... Além de ganhar acompetição, queria ser o primeiro a chegar. Cheguei primeiro,demonstrando ter ainda fôlego para muito mais. Corrida deresistência era o meu “forte”, pois tinha passado uma infância ejuventude correndo! Ganhamos com muita folga, para maior decepção do Tenente,que ainda teve que dar a recompensa prometida - uma semana dedispensa da revista da noite. Apesar de ser uma semana de provasescritas, fiz questão de ir ao cinema quase todas as noites. Só parater o gosto de entrar no cinema depois do Tenente e me apresentarcom toda altivez possível. Foram muitas pressões. Muitas vezes chorei aquele chororecolhido que ninguém vê. Meu propósito era derrotar o Tenente,estava decidido! Ia terminar o curso com sucesso. Nessa primeira fase não fui nenhuma vez para casa. Para matara saudade e ver como eu estava o papai ou a mamãe vinha até aEscola trazendo bolo e doces. Uma vez foi o Fernando que veio.Essas visitas eram muito importantes. Um alento e a certeza de queno mundo fora daqueles muros, tinha uma família preocupadacomigo. Papai também sempre dava algum dinheiro, pois o alunorecebia menos que um soldado. Eles descontavam o material deestudo, ainda tinha que pagar a lavadeira de roupa e, no final, sósobravam 6,00 cruzeiros novos. O contingente de campanhenses servindo, naquele ano, naEsSA, era grande. No rancho, tinha o Fernando, irmão do Romeu edo Renner. Tinha dia que a comida era “difícil” de ser engolida. Oaluno comia porque não tinha outra opção e a fome era grande. Porém, fui privilegiado! O Fernando, ele era o líder dosrancheiros. Quando me via na fila já avisava os outros rancheirosque serviam – “Aquele é o meu amigo”. Fernando era quem pagava acarne, ele sempre tinha um pedaço especial reservado para mim.Lembro muito bem – ele remexia o fundo da panela e lá vinha um“pedação” de carne sem osso ou pelanca! Graças ao Fernando, fuibem alimentado na EsSA! Os meus colegas ficavam encabulados e perguntavam: – O que você tem com estes rancheiros? A resposta era a pergunta: – Para que servem os amigos? No Curso de Engenharia, tinha o meu amigo de ginásio, o LuisAntonio Lemes dos Reis. Portanto, estávamos sempre próximos,principalmente nas instruções de campo. 29
  30. 30. O Luis Antonio tinha um perfil parecido com o meu; tambémmuito tímido. Só que, inexplicavelmente, era “peixe” do Tenente(meu desafeto). O tratamento do Tenente, em relação a ele era oinverso do que tinha para comigo. O super protegia em qualquersituação! Penso que foi por incentivo do Tenente, que ele fez o Cursode Sargento de Engenharia, em 1967, com êxito. Serviu em UnidadesMilitares do Mato Grosso do Sul; em 1989, tive a grata oportunidadede encontrá-lo em Campo Grande-MS, estava servindo no Comandoda Região. Terminou a primeira fase do curso, me saí muito bem nos testespsicotécnicos, fui atendido na primeira opção e continuei naEngenharia. Depois de quatro meses pude ir para casa, para umdescanso e começar a segunda fase do curso. A primeira carteira de identidade Alunos: Silva Filho, Antonio Carlos e Araújo. EsSA 27/07/1965 30
  31. 31. 2ª Fase Na segunda fase as matérias eram especificas da Arma deEngenharia, além da ordem unida, de educação física, que eramcontinuidade da 1ª fase. Foi então que meu desafeto levou desvantagem. Ele erainstrutor de Topografia, Nós e Aparelhos de Força. Matérias quetinham tudo a ver com matemática, desenho e física. Era tudo o quequeria, era o meu forte. As aulas de Topografia muitas vezes eram ministradas norefeitório, para utilização das mesas grandes para os exercíciosrealizados em cartas topográficas. O Tenente vinha pulando de mesaem mesa e verificando o trabalho de cada um. Na maioria das vezes,“xingava” o aluno e chutava o material. Quando ele pulava na minhamesa, eu parava, ele examinava e chegava a bufar. Nunca dei a ele ogosto de corrigir uma vírgula, pois era o meu forte e ainda meesforçava ao máximo. Outra matéria importante era a construção de pontes esimilares. Na sala de aula era matemática pura; nas aulas práticas,era exigida grande resistência e boa estrutura física. Sendoacostumado ao trabalho pesado, isso não era problema para mim.Sempre era escalado para as equipes de trabalho mais pesado,vigotas, pranchões, painéis, treliças e etc. Fazia parte de uma turmamuito valorizada pelo Instrutor. Nosso efetivo era pequeno, menosda metade do previsto para maioria dos lançamentos de pontes queobrigava um esforço dobrado de cada um. Por exemplo, as vigotaseram projetadas para serem transportadas por dois homens. Na horado apuro nós transportávamos sozinhos. O ótimo desempenho naconstrução me valeu muitos pontos positivos para o conceito geral. Na segunda, fase os alunos do Curso de Aperfeiçoamento deSargentos (CAS), por ser uma turma pequena, faziam as instruçõesde Educação Física e de Campos junto com nosso Curso deFormação de Sargentos (CFS). Os sargentos do CAS eram boas pessoas, porém havia umaexceção: um “cara xucro”, abrutalhado. Durante uma sessão deEducação Física, em um jogo de Futebol Americano, quando passeipelo “dito cujo,” correndo com a bola, ele, que estava parado,simplesmente colocou a mão fechada na altura do meu rosto. Oimpacto foi grande, um verdadeiro e certeiro murro. Fui a nocaute!Caí! Por alguns segundos tudo ficou escuro. Levantei-me... Tomeiconsciência do que tinha acontecido, decidi ir à forra! Quando o “cara” passou correndo por mim, não tive dúvida,passei o pé nele. A queda foi violenta, caiu de boca no chão e,literalmente, comeu capim. Ainda caído, ele olhou para mim emestado de fúria, estava ali o “desafeto nº 02”. Fui alertado pelos colegas: 31
  32. 32. - Cuidado! Este cara é mau, ele vai se vingar! Fiquei esperto, não dava as costas para o “cara”. Não foi osuficiente... Envolvido pelo jogo, descuidei-me por alguns segundos.Mas o sexto sentido fez com que eu olhasse rapidamente para trás evisse aquele par de solas de tênis vindo em minha direção. Abaixei-me instintivamente e o “cara” passou por cima de mim e caiu àfrente. Ele tentara me acertar nas costa com uma voadora! Setivesse sido atingido, com certeza, as consequências seriam sérias. O “cara”, em estado de fúria, totalmente descontrolado, saiucorrendo e atacou um colega que estava com a bola fora do campopara bater um lateral. O Instrutor parou o jogo e o expulsou. A situação estava ficando ruim para mim. Agora eram doisdesafetos, só que este era covarde e traiçoeiro. Mas no dia seguinteveio uma decisão do Comandante do Curso, que amenizou asituação. A partir daquela data o “fera” não mais participaria dejogos coletivos e nem faria parte de equipes nos exercícios decampo. Porém, não poderia descuidar nas instruções onde erausada munição real e explosivos. Com relação ao Tenente (desafeto), a maior vitória foi no mêsde agosto, quando realizamos o segundo exercício de longa duração,no Pico do Gavião, ao lado da cidade de São Tomé das Letras. Oscursos de Engenharia e de Comunicações se uniram para arealização da pista de cordas. O obstáculo maior era a travessia deum riacho de leito rochoso e margens altas, através de um cabo deaço esticado de uma margem à outra. O exercício era de grandedificuldade e, quando o aluno conseguia chegar no meio do riacho,onde o cabo fazia a barriga, era detonado um petardo de TNT(dinamite). O infeliz do aluno subia junto com a coluna de água epedra e, na descida, quando o cabo esticava, não aguentava osolavanco, caía na água e voltava para a margem para tentar atéconseguir a travessia, através do cabo. Aguardava na fila a minha vez, quando o Tenente se aproximoue disse: - É hoje sete, zero, cinco! O Capitão do curso de Comunicação dava dicas para atravessia utilizando um método diferente, mas ninguém tentava.Pensei comigo, vou fazer o que o Capitão esta ensinando. Primeirocolocar o fuzil atravessado nas costas, com a bandoleira bemapertada para não girar, depois deitar por cima do cabo, trançar umaperna no cabo, deixar a outra livre para fazer o equilíbrio e com asmãos puxar o cabo de aço. O resto seria equilíbrio e acompanhar omovimento. O Capitão, ao ver que eu estava seguindo à risca suasinstruções, ficou entusiasmado e começou a me incentivar. Ofamigerado desafeto, com o pé começou a balançar o cabo. Comoeu continuava firme, agarrou o cabo com as mãos e o balançava com 32
  33. 33. muita fúria. Como o Tenente estava agarrado ao cabo, impedia queoutros alunos seguissem atrás de mim. Fiquei sozinho, o cabo jábalançava com muita força numa grande amplitude. Eu ia e voltavaagarrado ao cabo numa boa. O Tenente, na margem, se deu muitomal... Ele não conseguiu acompanhar a força e velocidade do cabo,escorregou e caiu barranceira abaixo... Foi parar dentro d’água! Aproveitei a distração do pessoal dos explosivos com a quedaespetacular do Tenente e atravessei o riacho. Cheguei à outramargem “sequinho da silva”. Não é nem necessário dizer que atorcida era toda minha, só não houve aplausos e gritos porque erauma instrução militar. Aplausos só do Capitão! Todavia o melhor estava por vir. A noite sempre havia umareunião com a participação de todos: instrutores, monitores e alunospara avaliação e comentários. O Tenente Façanha ( foi oencarregado de fazer avaliação daquele dia de instrução. Elecomeçou dizendo: - O Antonio Carlos foi o destaque do dia! Na pista de cordas foisurpreendente, supimpa... Era tal a sua elegância que parecia umnoivo a desfilar! O Tenente não conseguia esconder sua irritação, durante areunião não falou nada. Mas ainda faltava uma vitória esmagadora no tocante aointelectual! Última prova para o encerramento da matéria, peso 4 (omaior) – Nós e Aparelhos de Força. Nessa prova o exercício demaior valor, era achar o valor da força resultante de um complexosistema de roldanas (carretilhas). Estava aí a minha chance,caprichei! Quando o gabarito foi apresentado, ninguém tinha acertado!Impossível, nem o gênio Zilmar tinha acertado. Confusão geral. Amaioria da turma, que não conseguiu fazer o exercício, queriaanulação da questão. O Zilmar afirmava que ele era o único certo; eue mais alguns companheiros, talvez uma meia dúzia, afirmávamosque a nossa resposta era a certa; o Tenente, por sua vez, nãoconseguiu provar que estava certo. Para acabar com a confusão, oTenente pediu um tempo. Dois dias depois fomos levados para um galpão do Parque dePontes. O Tenente realmente era profissional e competente! Láestava montado o sistema de roldanas com a resposta certa. Nãohavia o que contestar, o meu grupo estava certo. O Tenente teve queretificar a nossa nota. No meu embate com o Tenente, eu eravencedor na instrução de campo e na instrução de sala de aula.Estava confirmada a escrita: “Os humilhados serão exaltados.” Para encerrar o curso em novembro foi realizada uma manobrano Pico do Gavião, fiz parte da figuração inimiga, fiquei a semanainteira acampado no cume do Pico. No último dia da manobra o 33
  34. 34. grupo de engenharia recebeu a missão de lançar um campo minado.Às cinco horas da manhã, estávamos lançando o campo minadoquando, ouvimos o chiado característico de deslocamento de arproduzido por granadas de artilharia. O monitor, imediatamente,gritou: - Escondam debaixo das pedras que lá vem fogo! Foi a conta de escondermos e só foram granadas caindo bemem cima de nós. Vimos de pertinho os estilhaços, em brasa,ricochetear por todos os lados... Era bonito, mas extremamenteperigoso. Sorte que o local era rochoso e oferecia bons abrigos eninguém foi ferido. Tinha acontecido que a Artilharia confundiu eabriu fogo uma hora antes do combinado. Ficamos sabendo que ocomandante da artilharia foi transferido. Depois de todo o flagelo consegui chegar ao final do curso eser aprovado. Sem a tribulação sofrida, o curso teria sido umpasseio! A superação valorizou a vitória e também ganheiautoconfiança que foi de grande valia para caminhada que teria navida militar. Não tenho mágoa do Tenente, apesar de toda sua“ojeriza” comigo, nunca foi desonesto com relação às notas.Sempre recebi a menção merecida nas provas escritas. Ainda teria que sofrer mais uma provação, por ocasião darevista do uniforme para a formatura de promoção a sargento. A lojaque vendeu os uniformes não me entregou a tempo os meussapatos. Fui para revista geral (toda a Escola) com os sapatos queusava como aluno, aquele modelo “mercedinho”. Quando um dosmonitores de outro curso bateu os olhos nos meus sapatos, fez omaior escândalo: “Olha só o tipo de sapato que esse pão-duro vai usar naformatura de sargento.” Outros vieram, cada um mais sarcástico que o outro.Verdadeiro assédio moral e execração pública, que me machucou nofundo da minha alma! Fiquei arrasado! Não tive a oportunidade deesclarecer a situação. Até hoje me pergunto: qual a razão parasubmeter o subordinado a tão grande constrangimento? Após arevista, ainda, tive que aguentar a gozação de alguns colegas. Quatro de dezembro de 1965, dia da formatura da promoção aterceiro sargento. Na revista final os “babacas” dos sargentosmonitores vieram direto para cima de mim... Quebraram a cara! Aloja não recebeu a tempo os sapatos que eu tinha comprado. O donoda loja então me deu um par de sapatos da marca “Terra”, a melhormarca de sapatos da época. Poucos eram os oficiais que usavamsapatos daquela marca. A maioria usava mesmo era o “PassoDoble”. Os “babacas” olharam para meus sapatos e ficaramespantados, sem jeito... E ainda tiveram de engolirem a expressãoestampada em meu rosto, daquele sorriso recolhido (que não mostra 34
  35. 35. os dentes) de deboche, desafiador e vitorioso. Saíram quietinhos ecom os rabos no meio das pernas. Fiquei satisfeito, pois mais umavez o humilhado foi exaltado! Assistiram à formatura papai, mamãe, Fernando, Paulinho e aMaria Heloísa. Minha madrinha foi a Gladys (prima). Estava com a alma lavada, com a graça de Deus tinha cumpridoa missão, o sucesso era o resultado do meu esforço, persistência,muita tolerância e renúncia. Era o primeiro passo de uma carreira que seria bem sucedida,dentro do programado e de acordo com o regulamento. No primeirodia de aula, o comandante do curso, o Capitão Novais (José Gilbertode Lima Novais), disse: “Com a realização do Curso de Formação de Sargentos edepois o Curso de Aperfeiçoamento de Sargentos, ao final de trintaanos de serviços prestados, vocês têm a possibilidade de atingir oposto de capitão e passar para reserva com os proventos de major.” Portanto, estava garantida uma carreira que, para época, era degrande valia. A partir daquela data estava em condições de ajudarmeu pai e a família, realizar o desejo daquele menino que, nopassado diante da doença do pai, ficara angustiado. Só dependeriade mim! Apesar dessa boa perspectiva, a minha intenção erapermanecer no Exército somente os cinco anos obrigatórios edepois, pedir baixa. Definitivamente, a minha vocação não era a deser militar. Nesses cinco anos queria continuar os estudos, fazer umpé de meia e seguir uma carreira civil, talvez engenharia oucontabilidade. Todavia estava escrito que seguiria a carreira militariniciada até ao fim! 35
  36. 36. Instrutores, monitores, CAS e a Turma de Engenharia - EsSA 1965 Desfile de Formatura 36
  37. 37. A escolha da 1ª Unidade Militar Naquele ano, vagas só nas unidades militares do nordeste, dosul e Porto Velho – RO, para formação do 5º Batalhão de Engenhariade Construção, a primeira Unidade de Engenharia na Amazônia. Aminha opção era o sul. Dentro do critério de escolha por classificação, por ter sido o18º/41, na minha vez ainda havia vagas abertas em todas as unidadesrelacionadas. Por ser a mais perto, escolhi Lages–SC. Depois paraatender ao pedido do Bruno, troquei Lages por Vacaria-RS, pois paramim fazia pouca diferença. Era o meu destino ir para o Rio Grandedo Sul. O Fonseca (Armando Fonseca) e o Bermudez (Nilton CelenteBermudez) eram os meus companheiros designados para a mesmaUnidade Militar, o 3º Batalhão Rodoviário, que tinha a missão deconstruir um trecho da Ferrovia Tronco Sul. Esta troca da primeira unidade militar mudou muito o meufuturo no Exército. Passados cinco anos, o Batalhão de Vacaria seriatransferido para Cuiabá-MT e o de Lages para Santarém-PA. Meucolega Bruno, com quem trocara de Batalhão, morreu em acidente deserviço no Pará. Promovido a 3º Sargento, feita a escolha da 1ªUnidade Militar onde iria servir, entrei em férias. Terminadas as férias ficamos encostados na EsSA aguardandorecursos financeiros para o deslocamento. Foi um período de muitaansiedade e preocupação. Como seria aquela nova etapa da minhavida militar? A expectativa era de que fosse muito diferente da EsSA,pois se fosse uma continuidade daquela vida, seria insuportável. Engenharia 1965 No centro o Major Novais, eu sou o 1º da direita. 37
  38. 38. A viagem com destino ao Rio Grande do Sul No final do mês de fevereiro de 1966, o pessoal de Minas, SãoPaulo e Rio, que permaneceu na EsSA aguardando recursos, pôdeseguir destino à Unidade a qual fora classificado. Éramos três comdestino ao Rio Grande do Sul - Vacaria, Bento Gonçalves eCachoeira. Por não ter experiência na realização de uma viagem tão longa,a escolha do itinerário, da empresa de ônibus, horários e etc. ficarampor conta dos ditos experientes, o paulista (Roberto) e o carioca(Sílvio). A minha missão era tomar conta da bagagem. Para resumir,foi a pior viagem que já fiz, é bom que se diga. Era fim de carnaval,havia falta de passagens, o fluxo de passageiros era muito grande.Os dois só complicaram, pois não conseguiram comprar passagensdiretas e foram comprando de trecho em trecho. Uma coisa de que não me esqueço foi a primeira visão dacidade de São Paulo, do alto da Serra, logo depois do túnel. Fiqueiadmirado com o tamanho da cidade! Do pé da serra até a onde avista alcançava, tudo era cidade. Grandiosa e assustadora! Confessoque tive também um pouco de receio. Mas logo me tranquilizei, poisestava acompanhado de um paulista e um carioca! De São Paulo à Curitiba o ônibus quebrou, ficamos muito tempona estrada esperando por outro. De Curitiba à Lages foi o pior trechoporque pegamos o famoso “pega jeca” que parava em qualquerlugar, pegava “todo mundo”, tinha passageiro que embarcava comgalinha, pato e etc. Depois de dois dias de viagem, numa noite fria de domingo,chegamos à Lages-SC. Cansados, fomos diretos para um hotel.Separei-me dos companheiros e segui destino sozinho. De Lagespara Vacaria peguei um ônibus direto. Foi o melhor trecho daviagem. Só tive a verdadeira dimensão das bobeiras dos meuscompanheiros quando um ano depois, em férias, fiz a mesmaviagem. De Vacaria-RS direto a São Paulo-SP, pela Empresa Pluma.De São Paulo a Campanha - MG também em um único ônibus. 38
  39. 39. Capítulo II Rio Grande do Sul 3º Batalhão Rodoviário Na manhã do dia 28 de fevereiro de 1966 cheguei em Vacaria-RS. Hospedei-me num hotel próximo da Estação Rodoviária.Aprontei-me, vesti o uniforme de passeio e, a pé, segui para oBatalhão. Na metade do caminho fui alcançado pelo Jipe da PE e oComandante da Patrulha, Sargento Amaral, me deu uma carona até oBatalhão. A princípio pensei que o Amaral estivesse me aplicando umtrote. O que ele me apresentou como sendo o 3º Batalhão Rodoviário(3º B Rv), não era nada parecido com outros quartéis conhecidos.Era um conjunto de prédios de madeira, pátio sem calçamento, tinhamais paisano (civis) do que militares e muitas viaturas civis, malestacionadas por todos os cantos. Acreditem! Aquilo era mesmo oBatalhão! Quartel do 3º Batalhão Rodoviário, Vacaria-RS – 1966. (Foto cedida pelo museu do 9º BEC) 39
  40. 40. Fiz as apresentações regulamentares. Gazola, o SargentoBrigada, sugeriu que adotasse o nome de guerra CARVALHO. Asugestão foi aceita e eu passei a ser chamado de Sargento Carvalho.Na verdade não gostava do nome de guerra Antonio Carlos, era umnome muito “charmoso”, dava rima com Roberto Carlos. Carvalhoimpunha mais respeito. Realmente a mudança de nome combinoucom a mudança de atitude, saí da defensiva e pouco a pouco passeia determinar a minha personalidade, maneira de pensar, agir etrabalhar. Não foi necessário ficar no hotel, pois fiquei instalado na Casade Hóspede, em companhia do Bermudez e do Fonseca,companheiros da EsSA. A Casa de Hóspede funcionava junto com oClube dos Subtenentes e Sargentos. O Clube era bem frequentado efamoso por seus bailes, que contava com grande participação dasociedade Vacariana. A Presidência do Clube era bem disputada. Chegamos emépoca de eleição para a nova diretoria e pudemos sentir o trabalhodessas lideranças, na busca da adesão dos recém-chegados. Um grupo fechado de “antigões”, muito respeitado, meconvidou para uma buchada. Dos recém-chegados fui o único a serconvidado, o que causou até certo “ciúme”. O que fazer? Não podiafaltar de maneira alguma, se o fizesse estaria fechando as portas daboa convivência. Porém, havia um problema – eu não gosto debuchada! A minha sorte foi que a buchada era acompanhada de pãoe um molho de tomate muito bom e gostoso. Disfarçadamente sócomi pão com molho. Da esquerda p/ direita: Mascarello, Corrêa, José Maria, Pascoal, Carvalho e Chagas. Despedida do General Venitius Nazareth Notare. A primeira participação em uma atividade social no Clube dos Subtenentes e Sargentos – Vacaria-RS, Março de 1966. 40
  41. 41. Sem dúvida a mudança de qualidade de vida era imensa, muitoacima daquela imaginada por aquele menino ingênuo e humilde dobairro do Chororó. Boa comida, muito bem instalado e, o que eramelhor, um bom salário - 180 cruzeiros novos. Mandava 100cruzeiros novos para casa todos os meses, o restante era suficientepara um alto padrão de vida de solteiro. Passados 40 dias em Vacaria, trabalhando na instrução dosrecrutas, o Bermudez foi indicado para ser transferido para PassoFundo. Na EsSA tínhamos feito um trato, caso fosse necessáriofaríamos uma troca para ele ficar na sede do Batalhão e eu ir paraCompanhia destacada em seu lugar. O trato foi mantido. Falamoscom o Major Iara, da Seção Técnica, e a troca foi feita. Anteriormente, em conversa com um Sargento antigo noBatalhão sobre as frentes de serviços, fiquei sabendo que a missãoda construção da Ferrovia Tronco Principal Sul (TPS) estava no fim eque, em Passo Fundo, estava sendo instalada a Primeira Companhiapara iniciar a nova missão: construir a rodovia BR-285, Vacaria – SãoBorja. Na oportunidade manifestei a minha vontade de ir para PassoFundo e ouvi a seguinte frase: “Ir para lá é muito difícil! O pessoal é escolhido a dedo, hámuitos voluntários, você é novato... Vai ser muito difícil conseguir.” Não foi tão difícil assim para conseguir o meu primeiro desejo.Em 15 de abril fui transferido para Passo Fundo. Começava ali minhamissão na frente de trabalho do Batalhão. Missão gratificante daqual tenho muito orgulho de ter tido a oportunidade de realizar. Nestamissão tive a chance também de demonstrar a capacidade de chefiade equipe destacada, na realização de qualquer trabalho deconstrução e conservação rodoviária.BR – 285, Vacaria a São Borja, 569 km (Vacaria, Lagoa Vermelha, Passo Fundo, Carazinho, Saldanha Marinho, Santa Bárbara do Sul, Panambi, Ijui, Santo Ângelo e São Borja) 41
  42. 42. Ponte Ferroviária sobre o Rio Santana, construída pelo 3º B Rv.Cinqüenta anos depois de construída a mesma ponte da foto anterior está em pleno uso. O Exército não tem obras inacabadas ou inúteis! (Foto cedida pelo Cap Ubyrajar) 42
  43. 43. A primeira equipe - Lagoa Vermelha-RS Na manhã do dia seguinte da transferência, segui viagem emcompanhia do Major Iara e o motorista era o Soldado Vezário.Almoçamos em Lagoa Vermelha e à noite chegamos a Passo Fundo.Fiquei hospedado na Casa de Hóspede. O efetivo da Residência erapequeno, apenas dois oficiais: Capitão Fagundes e Tenente Corrêa;os Sargentos: Adão Rodrigues de Oliveira, Onofre Tondo, ErnestroFabro e Edmar Neys, poucos cabos, soldados e civis. De manhã me apresentei ao Capitão Fagundes, comandante daResidência, que me recebeu de uma maneira muito fria, não desejounem as boas vindas! Apenas falou: - Não desmanche as malas. Você vai voltar para LagoaVermelha. O Tenente Corrêa vai-te levar e, durante a viagem, eleexplicará a sua missão. Você vai assumir a Equipe de RevestimentoPrimário, Conserva e Manutenção de Trânsito. O Tenente Corrêa, muito mais amistoso, antes de falar damissão deu algumas dicas sobre os costumes da região,principalmente, do linguajar, pois algumas palavras, para o gaúcho,tinham um significado diferente. A Equipe estava fazendo o encascalhamento, no trecho deLagoa Vermelha até a entrada para Erechim e também eraresponsável pela manutenção do trânsito até Passo Fundo, 100 kmde estrada de terra com muitos problemas. Das informações recebidas do Tenente Corrêa, o que maiscausou preocupação foi saber que a Equipe tinha respondido a umIPM (Inquérito Policial Militar). O chefe estava aguardando a minhachegada para cumprir uma punição de 30 dias de prisão. Sem dúvidaera uma equipe problemática e ao mesmo tempo era a “menina dosolhos” do Batalhão, primeira e única equipe trabalhando na novamissão. A Equipe era pequena, o efetivo era em torno de vinte homens,cinco caminhões basculantes (marca FNM), uma motoniveladora,duas pás carregadeiras de rodas, um trator de esteira e dois roloscompactadores. Depois recebi um jipe, uma motoniveladora, uma pácarregadeira de esteira, um trator de esteira e um rolo. Fiquei hospedado no Hotel Avenida, por conta do Batalhão. Noinício o pessoal fazia as refeições no hotel e dormia noacampamento. Com a montagem da cozinha todos passaram a fazersuas refeições no acampamento, inclusive eu. Passei só a dormir nohotel. Sem experiência alguma sobre o trabalho rodoviário, recebi achefia de uma equipe destacada, isto é, isolada do Comando da 43
  44. 44. Residência e com uma série de problemas. Decidi, inicialmente, ficarsimplesmente na posição de observador. Deixei tudo correr sem aminha interferência. Praticamente o “chefe” era o Encarregado deCampo, “Seo Antenor”, um funcionário público “antigão”, cheio dedireitos, dono da verdade e autoritário. Todo o pessoal da equipe já devia estar comentando: “Esse Sargento não quer nada com nada, a “coisa” está pornossa conta.” Muito pelo contrário, eu estava atento a tudo e a todos,observando o perfil - profissional e pessoal - de cada um.Estudando quais medidas administrativas deveriam ser tomadas. No trigésimo dia, na hora da pegada, reuni toda a Equipe e comtoda autoridade e firmeza falei: - A partir de hoje, eu sou o Chefe. Em seguida ditei as novas regras, muito diferente do que erapraticado. Era o fruto de trinta dias de observação. O “Seo Antenor” perdeu toda a autonomia. Ficou encarregadopelos trabalhos na cabeceira da pista e lá deveria permanecer o diatodo, não mais ficaria passeando para baixo e para cima noscaminhões basculantes. Dentre as novas regras, determinei: - Os basculantes seriam abastecidos ao final do expediente, noretorno para o acampamento e não a critério do motorista a qualquerhora do expediente. O combustível do Batalhão ficava depositadoem um posto particular, do Sr. Lima; - Criei um calendário para manutenção dos equipamentos eviaturas; - Ficou estabelecido o itinerário para as viaturas irem ao postode combustível e à oficina mecânica. Acabava com o desfile pelasruas centrais da cidade; - Eu ficara responsável pela extração do cascalho,carregamento e transporte. Resumindo, a equipe passava, de fato,para minhas mãos. O espanto foi geral. Surpreendidos pela mudança radical, oimpacto foi tão grande que não houve qualquer questionamento. Aequipe se ajustou às novas regras, sem traumas, de maneira até bemmais fácil do que imaginado. O mais importante foi que a produçãodobrou. Paralelamente as medidas administrativas, comecei adesenvolver um trabalho social. A equipe era um grupo de boaspessoas. Para melhorar o entrosamento, formamos um time defutebol de salão. Pelo menos uma vez por semana, à noite,alugávamos uma quadra para treinamento. Sempre que possíveldava apoio, principalmente, aos casados e ajudava a resolver os 44
  45. 45. problemas familiares. Rapidamente conquistei a confiança e aestima de todos. A falta de experiência era compensada pela facilidade no tratocom as pessoas e da assimilação rápida da problemática dostrabalhos da construção rodoviária. Em pouco tempo tinha domíniototal de todos os setores da equipe e decidi dispensar os trabalhosdo Chefe de Campo. “Seo” Antenor, apesar de ser funcionáriopúblico, durante muito tempo fora “gato” (agenciador de mão-de-obra) e ainda mantinha algumas características daquela atividade.Portanto, seu estilo não combinava com o meu. Essa minha decisãofoi de grande agrado a todos da Equipe. Pelo conjunto das minhasações, deixei de ser chefe e passei a ser líder! Tinha observado que a Equipe não tinha motivação para fazerum serviço de qualidade e nem se preocupava com a produtividade.A qualidade estava relacionada diretamente aos operadores demotoniveladoras, mais conhecidas como “patrol” ou “magrela”. Aprodução da equipe dependia dos motoristas das basculantes. Para melhorar a qualidade da pista passamos a fazer a superelevação nas curvas e, para escoamento da água de chuva,passamos a fazer o abaulamento nas retas. O cascalho, que erasempre depositado no centro da pista, tanto nas retas como nascurvas; para facilitar o trabalho da “patrol”, nas curvas, passou a serdescarregado na borda externa. Pouco a pouco fui mudando o padrão de trabalho e ao mesmotempo criando o “espírito de corpo”, transformando aquela “turma”,de fato, em uma equipe. Com o início do período de chuvas a equipe passou a prestarsocorro aos caminhoneiros que ficavam bloqueados nos atoleiros.Aquela estrada, por ser um corredor de escoamento da produção daregião, tinha o trânsito pesado e intenso. Muitas vezes, quandochegávamos ao local da interrupção, havia centenas de caminhõesparados. Era o “caos”! Era necessária muita cautela e disciplinapara não criar um grande tumulto. A equipe era bem experiente e impunha respeito. Minhasordens eram fielmente cumpridas, inclusive pelos motoristasusuários da rodovia que seguiam a prioridade de passagem por mimimposta. Certa vez um motorista exaltado avançou fora da vez, ficouatravessado na estrada piorando a situação. Deve ter pensado quecom aquela atitude seria o primeiro a ser puxado para o outro ladodo atoleiro, o famoso “jeitinho brasileiro”. Como estava enganado! Dei ordem aos operadores das máquinas que fizessem com queo caminhão ficasse na valeta encostado ao talude do corte,desobstruindo a pista. Assim foi feito e de maneira tão sutil quepareceu uma causalidade. Quando atravessamos o último caminhãoavisei o motorista afoito: 45
  46. 46. - Seu caminhão está difícil de ser rebocado, vai demorar.Estamos com fome, vamos para o restaurante para comer e depoisvoltamos. Realmente estávamos com fome, era tarde e ainda nãotínhamos almoçado. Mas... Não tinha a intenção de voltar tão rápido.O dito caminhoneiro seria punido exemplarmente! Aguardei no restaurante até que o caminhoneiro viesse pedirclemência para que a operação fosse executada. Em pouco tempona realização de operações deste tipo aprendi que, além de mandar,era necessário demonstrar quem realmente mandava! Porém, semtruculência e nunca dar ordens acima da força que possuía! Emcertas ocasiões, quando ocorria a intenção de manifestação deprotesto, os próprios motoristas usuários da rodovia, seencarregavam de abafar o ato. Meu pessoal não era “santo”, tinha que ficar de “de olho”,principalmente, para evitar que pegassem dinheiro. Quando algumcaminhoneiro oferecia pagamento, eu dizia: - Este trabalho é de graça. Muitos motoristas, de livre iniciativa, para fazer um agrado aopessoal, deixavam pagos no restaurante, refrigerantes ou outrasmelhorias. O IPM que a equipe respondeu foi, justamente, porreceber dinheiro. A “coisa” não era nada fácil... Todo cuidado erapouco! O socorro aos caminhões atolados, anteriormente, era umtrabalho paliativo. Os caminhões eram arrastados para fora dosatoleiros e depois era feita uma raspagem com a “patrol” para aretirada superficial do barro. Nada mais era feito, só restava,portanto, esperar uma chuva mais forte para ter outra interrupção daestrada. Com o recebimento de uma carregadeira de esteira,Caterpillar modelo 933, que tanto podia ser usada como carregadeiraou como trator com lâmina e ainda era dotada de um poderosoguincho, passei a dispor de uma máquina ideal para o serviçonecessário para acabar com os atoleiros. Por ser pequena, a CAT 933 podia ser facilmente transportadana caçamba do FNM. Independentemente de ordem expressa, tomeia iniciativa de sempre levar a CAT 933 para socorrer os caminhõesatolados. Enquanto era realizada a operação de desatolar oscaminhões com o uso das “patrolas”, a CAT 933 estava na pedreiraou cascalheira mais próxima escavando material. Terminado o“desatolamento”, a CAT 933 era trazida para o atoleiro e retirava todoo material ruim (barro) da pista. Depois era levada de volta para apedreira para carregar os basculantes com o material, anteriormenteextraído para preencher a cratera de onde fora tirado o barro doatoleiro, recompondo a estrada. Com esse tipo de operação, pouco apouco os atoleiros foram sendo eliminados. 46
  47. 47. Essa pequena máquina (CAT 933), pela sua versatilidade,tornou-se a mascote da equipe e, para mim, a “menina dos olhos”que estava presente em todas as missões. Só mesmo quemtrabalhou com equipe de manutenção de trânsito sabe avaliar comouma máquina dessa magnitude é importante e passa a ser tratadacomo “um ser vivo”! Outra coisa importante, na CAT 933, foi queveio acompanhada de uma preciosa “peça”- seu operador, o Ângelo,apelidado de “Pica-Pau”. Terminada a missão, na cidade de Lagoa Vermelha, a equipe foitransferida para a cidade de Santa Bárbara do Sul. Outra maravilha do Sul, o trigo! Sgt Carvalho, Arelino, Godinho, Ernesto, Celso e ... 47
  48. 48. A vida social em Lagoa Vermelha A minha vida social teve uma mudança radical, um fim desemana ficava em Lagoa Vermelha e outro em Passo Fundo. Eracomo se morasse em duas cidades. Lagoa Vermelha era uma cidade pequena, porém muito maismovimentada do que a “velha” Campanha. Município rico, ponto depassagem obrigatória para o médio norte do Estado, região dasMissões, e também com parte da fronteira com Argentina. O fluxo decaminhões pela rodovia, que passava por dentro da cidade, eragrande. Vários soldados que conhecera em Vacaria, durante o períodoque ficara na Instrução, eram de Lagoa Vermelha e, com isso, sempretinha alguém me convidando para almoçar ou jantar na casa de seuspais. A maioria tinha irmã bonita e solteira... Muitas davam aquela“bola”. Às vezes, até achava que eram elas que faziam com que eufosse convidado. Porém, a timidez e aquele complexo deinferioridade de menino pobre impediam que eu tirasse proveito dasituação. Na verdade, naquela cidade, não arrumei nenhumanamorada. A maior aproximação que tive foi com uma bonita jovem,filha de um italiano, dono de um bar, por sinal muito severo. Apesarda simpatia mútua, o namoro não chegou a acontecer. Foi em Lagoa Vermelha que realmente fui conhecer a vidanoturna, um mundo novo. O meu guia foi o Godinho, um soldadoengajado, natural daquela cidade, gente boa, educado, bomcompanheiro. Godinho também era companhia para jogar bingo noClube Lagoense. Por influência do Vezário, morador daquela cidade, o Major Iara,muitas vezes passava o fim de semana em Lagoa Vermelha e sempreme convidava para fazer parte do grupo. O Major era solteiro egostava de uma noitada. Pessoa discreta, não gostava de bagunçaou baixaria. Motivo pelo qual, selecionava as pessoas que oacompanhava. Em razão da minha recente formação da EsSA, ficavaencabulado e pouco à vontade com a companhia de um oficialsuperior. Nunca tinha imaginado tal situação. Às vezes me escondiapara não ser convidado. Através da convivência com esse pessoal conheci o MarioVanzim e tornamo-nos grandes amigos. Durante a semana em suacompanhia, frequentava vários ambientes, principalmente, o boliche.Realmente um bom amigo que também era amigo da minha amiga. 48
  49. 49. As primeiras experiências com convívio com pessoas tão diferentes Lagoa Vermelha foi um verdadeiro laboratório para começar aaprender sobre os diversos “tipos” de pessoas com as quaispassaria a trabalhar e também a conviver. Aqueles trinta dias que sófiquei observando foram importantes. Pude fazer uma avaliação decada membro da equipe, seguindo uma lição da minha mãe que dizia: “Temos que aproveitar o que toda pessoa tem de bom!” Realmente, toda pessoa tem algo de bom e foi isso que procureiem cada uma daquelas pessoas, pois seriam meus parceiros nocumprimento da missão. No geral, o grupo era bom. Era questão de saber conduzi-los,não poderia ser truculento e nem marionete. Tinha que encontrar omomento certo de ser severo e a hora de ser flexível, sem nuncadeixar dúvida da minha autoridade de decidir e comandar, sem nuncadeixar de praticar a justiça e não me esquecer do social, da qualidadede vida e do bem estar no ambiente de trabalho. Seguindo estametodologia a liderança viria naturalmente. Naqueles primeiros trinta dias teve uma pessoa, um soldado,com o qual não consegui uma aproximação. O Soldado era umapessoa arredia, não se “enturmava” e era esquisito. Fazia questãode estar sempre diferente, por exemplo: dia frio e todos estavam dejapona ou outro agasalho, ele estava de camiseta; dia quente e todosestavam de camiseta, ele de japona. Era bom operador de máquina,mas... Não era nada cooperativo. Tinha outra pessoa difícil de qualificar, era de trato fácil,educado, agradável, porém tinha um “senão”... Era “porco”, nãotomava banho e por isso dormia na cabine do FNM. No alojamento opessoal não suportava o seu “fedor”. O “Sujismundo” era casado eo pessoal falava: “Como uma mulher pode aguentar um homem fedorento comoesse?” Passado algum tempo, ele trouxe sua família para LagoaVermelha. Quando o pessoal conheceu a senhora, disse: “Como um homem pode aguentar uma mulher “porca” comoessa?” Ela conseguia ser mais “porca” que o marido! Algumas vezesele vinha conversar comigo e se queixava que as crianças delesempre estavam doentes! Pensei comigo: “Pobres crianças... Como ter saúde com tanta sujeira!” 49
  50. 50. Não tinha como falar a realidade. Com muito cuidado falavaque alguma coisa estava errada, deveria levar as crianças ao médicoou ao posto médico. Mas a experiência maior ainda estava para acontecer! Certo diaalguém veio me avisar: - O motorista do caminhão da Sede quer entregar um materialpara o Senhor. Quando vi o motorista, tive uma má impressão do cidadão.Sujeito muito sério, cara de bravo e de pouca conversa. Penseicomigo: “Ainda bem que esse motorista não é da minha equipe!” Passados poucos dias, para meu espanto, o dito motorista veiotransferido para minha equipe. Eu o recebi de maneira educada esem deixar transparecer a minha preocupação. Como estavaenganado! A máxima popular é verdade: “Quem vê cara não vê coração”. O “Seo” Ângelo foi, sem dúvida, uma das pessoas maisespeciais com quem tive a oportunidade de trabalhar e conviver.Além de tudo, excelente motorista de FNM. Ele sempre dizia: “Eu dirigi o primeiro FNM que chegou ao Brasil! Eu odescarreguei do navio no porto do Rio de Janeiro.” Era de pouca conversa... Muito reservado, porém uma fineza depessoa. Que pessoa sensata! Era pessoa que pensava para falar.Ele, vendo que eu não tinha grande conhecimento sobre amanutenção e cuidados com o FNM, com muito jeito, de maneirareservada, passava todas as “dicas” que só um profissionalconhecia. Sem dúvida, essa ajuda foi importante para o meu sucessono comando da equipe. No desempenho da missão de manutenção do trânsito, euandava para baixo e para cima no trecho sobre minharesponsabilidade. Meu jipe (prefixo W-7) era o mais velho doBatalhão e passava a maior parte do tempo indisponível, então eufazia a maioria dos deslocamentos de FNM e o motorista escolhidopassou a ser o “Seo” Ângelo, que além de ser ótimo motorista,impunha respeito. Muitas vezes fazia as refeições nos restaurantes àbeira da estrada. Quando eu chegava, com aquela cara de menino efardado de sargento do Exército, notava que o pessoal fazia algunscomentários e ficava olhando com certa desconfiança e desdém.Mas quando se sentava à mesa, em companhia do “Seo” Ângelo,cessavam cochicho e olhares. Minha pouca idade (cara de menino)causava estranheza, pois o gaúcho sempre foi muito ligado à carreiramilitar. Alguns não aguentavam e, com muito jeito, vinham até mimpara saber como era possível ser sargento com tão pouca idade. 50
  51. 51. Com o passar do tempo, tomei conhecimento de algumasdificuldades vividas pelo “Seo” Ângelo e a superação delas, fizeramcom que o admirasse ainda mais. A Equipe já estava sob meu comando, quando veio transferidoo Bortoloto, o “Soldadão”, apelido dado em razão de seu tamanho.Era operador do trator de esteira, marca Einco, transferido paraminha Equipe. O Comandante da Companhia de Equipamento sógostava da marca Caterpillar, equipamento de outras marcas eledistribuía para as equipes menores! O Soldadão, de origem italiana, era um soldado estilo“Catarina” que servia na PE em Brasília. Era uma pessoadescontraída, com um linguajar muito peculiar, às vezes beirava aingenuidade, de fácil trato, era amigo de todos. Na montagem debarreiras para interrupção da BR era peça fundamental, nessasocasiões vinha à tona o estilo “Catarina”, de obediência extremada! Certo dia apareceu transferido para a equipe o soldado recrutaPaulo Celso, operando uma patrol. Fiquei surpreso! Haviaconhecido o Paulo Celso em Vacaria, no período em que ficara nainstrução e ele era o oposto do “Soldadão”. Como era possível umsoldado recruta ser operador de patrol, um das máquinas maisdifíceis de operar? A explicação era simples: Paulo Celso era filhodo “Seo” Pedro, o operador de patrol mais antigo e experiente doBatalhão, que praticamente criara o filho em cima da máquina, ao seulado. Com a chegada do Paulo Celso foi possível colocar em prática aideia de fazer um trabalho de boa quantidade e apresentação. OPaulo Celso, na verdade, sabia pilotar muito bem a patrol, porémpouco sabia da técnica de acabamento de revestimento primário. Aliestava a oportunidade de formar um novo modelo de operador. Osantigos tinham dificuldades de adaptação à nova técnica e tinham anatural resistência à mudança. No decorrer dos anos seguintes teria a oportunidade deconhecer muitas outras pessoas especiais e diferentes. Desde ocomeço entendi que, para bem comandar, tinha que bem conheceros subordinados. 51

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