VASCO DA  GAMA O caminho marítimo para  a índia
QUEM ERA VASCO DA GAMA? Filho do  alcaide-mor  de  Sines ,  Estêvão da Gama , o rei  D. Manuel I  (1495-1521) confiou-lhe o comando da frota que, em  8 de Julho  de  1497 , zarpou do  rio Tejo  em  demanda da Índia , com cento e cinquenta homens entre marinheiros, soldados e religiosos, distribuídos por quatro pequenas embarcações: São Gabriel , feita especialmente para esta viagem, comandada pelo próprio Vasco da Gama;  São Rafael , também feita especialmente para esta viagem, comandada por  Paulo da Gama , irmão do capitão-mor;  Bérrio , oferecida por D. Manuel de Bérrio, seu proprietário, sob o comando de  Nicolau Coelho ; e  uma carraca de nome  São Miguel  para transporte de mantimentos, sob o comando de  Gonçalo Nunes , que foi queimada perto da  baía de São Brás , na costa oriental africana.
A VIAGEM À ÌNDIA                A                                                                                                                                                                      AVIAGEM  Caminho percorrido pela expedição (a preto). Nesta figura também se pode ver, para comparação, o caminho percorrido por  Pêro da Covilhã  (a laranja) separado de  Afonso de Paiva  (a azul) depois da longa viagem juntos (a verde). Iniciava-se, assim, a expedição a  8 de Julho  de  1497 . A linha de navegação de Lisboa a  Cabo Verde  foi a habitual e no  Oceano Índico  é descrita por Álvaro Velho: «rota costeira até Melinde e travessia directa deste porto até Calecute ». Durante esta expedição foram determinadas  latitudes  através da observação solar, como refere  João de Barros . Relatam os  Diários de Bordo  das naus muitas experiências inéditas. Encontrou esta ansiosa tripulação rica  fauna  e  flora . Fizeram contacto perto de  Santa Helena  com tribos que comiam  lobos-marinhos ,  baleias , carne de  gazelas  e  raízes  de ervas; andavam cobertos com peles e as suas armas eram simples lanças de madeira de  zambujo  e  cornos  de animais; viram tribos que tocavam  flautas  rústicas de forma coordenada, o que era surpreendente perante a visão dos negros pelos europeus. Ao mesmo tempo que o  escorbuto  se instalava na tripulação, cruzavam-se em  Moçambique  com  palmeiras  que davam  cocos . Apesar das adversidades de uma viagem desta escala, a tripulação mantinha a curiosidade e o ânimo em conseguir a proeza e conviver com os povos. Para isso reuniam forças até para assaltar navios em busca de pilotos. Com os prisioneiros, podia o capitão-mor fazer trocas, ou colocá-los a trabalhar na faina; ao rei de  Mombaça  pediu pilotos cristãos que ele tinha detido e assim trocou prisioneiros. Seria com a ajuda destes pilotos que chegariam a Calecute, terra tão desejada, onde o fascínio se perdia agora pela moda, costumes e riqueza dos nativos. Sabe-se, por  Damião de Góis , que durante a viagem foram colocados cinco  padrões : São Rafael, no  rio dos Bons Sinais ; São Jorge, em  Moçambique , Santo Espírito, em  Melinde ; Santa Maria, nos  Ilhéus , e São Gabriel, em Calecute. Estes monumentos destinavam-se a afirmar a soberania portuguesa nos locais para que outros exploradores não tomassem as terras como por si descobertas
CHEGADA À ÌNDIA A entrada em Calecute sofreu alguma oposição, também devido ao patrocínio dos mercadores  árabes  que queriam manter os Europeus afastados. A perseverança de Vasco da Gama fez com que se iniciassem, mesmo assim, as negociações entre ele e o  samorim , de onde resultava uma carta comprovatória do encontro que dizia: « Vasco da Gama, fidalgo da vossa casa, veio à minha terra, com o que eu folguei. Em minha terra, há muita  canela , e muito  cravo  e  gengibre  e  pimenta  e muitas  pedras preciosas . E o que quero da tua é  ouro  e  prata  e  coral  e  escarlata ».
O RETORNO A  12 de Julho  de  1499 , depois de mais de dois anos do início desta expedição, entra a  caravela   Bérrio  no  rio Tejo , comandada por  Nicolau Coelho , com a notícia que iria emocionar  Lisboa : os portugueses chegaram à Índia pelo mar. Vasco da Gama tinha ficado para trás, na  ilha Terceira , preferindo acompanhar o seu irmão, gravemente doente, renunciado assim aos festejos e felicitações pela notícia. Das naus envolvidas, apenas a  São Rafael  não regressou, pois teria sido queimada por incapacidade de a manobrar, consequência do reduzido número a que se via a tripulação no regresso, fruto das doenças responsáveis pela morte de cerca de metade da tripulação, como o  escorbuto , que se fez sentir mais afincadamente durante a travessia do  Oceano Índico . Vasco da Gama retornava ao país em  29 de Agosto  e seria recebido pelo próprio rei D. Manuel I com contentamento que lhe atribuía o título de  Dom  e grandes recompensas. Fez Nicolau Coelho  fidalgo  da sua  casa , assim como a todos os outros, conforme os serviços que haviam prestado. D. Manuel I apressa-se a  dar a notícia  aos  reis de Espanha , numa exibição orgulhosa do feito e para avisar, simultaneamente, que as rotas seriam doravante exploradas pela Coroa Portuguesa. Há notícia de um mercador  italiano  que espalhou por  Florença  a boa-nova: « Descobriram 1800  léguas  de novas terras além do  Cabo da Boa Esperança , cujo cabo foi descoberto no tempo do  rei João . O capitão descobriu uma grande cidade  muralhada  , com muito boas casas de pedra, no  estilo mourisco , habitada por  mouros  da cor dos  indianos . O capitão desembarcou aqui e o rei deu-lhe um piloto para cruzar o golfo ». O mercador referia-se a  Melinde .
A ROTA  DO CABO

Vasco da Gama

  • 1.
    VASCO DA GAMA O caminho marítimo para a índia
  • 2.
    QUEM ERA VASCODA GAMA? Filho do alcaide-mor de Sines , Estêvão da Gama , o rei D. Manuel I (1495-1521) confiou-lhe o comando da frota que, em 8 de Julho de 1497 , zarpou do rio Tejo em demanda da Índia , com cento e cinquenta homens entre marinheiros, soldados e religiosos, distribuídos por quatro pequenas embarcações: São Gabriel , feita especialmente para esta viagem, comandada pelo próprio Vasco da Gama; São Rafael , também feita especialmente para esta viagem, comandada por Paulo da Gama , irmão do capitão-mor; Bérrio , oferecida por D. Manuel de Bérrio, seu proprietário, sob o comando de Nicolau Coelho ; e uma carraca de nome São Miguel para transporte de mantimentos, sob o comando de Gonçalo Nunes , que foi queimada perto da baía de São Brás , na costa oriental africana.
  • 3.
    A VIAGEM ÀÌNDIA          A                                                                                                                                                                    AVIAGEM  Caminho percorrido pela expedição (a preto). Nesta figura também se pode ver, para comparação, o caminho percorrido por Pêro da Covilhã (a laranja) separado de Afonso de Paiva (a azul) depois da longa viagem juntos (a verde). Iniciava-se, assim, a expedição a 8 de Julho de 1497 . A linha de navegação de Lisboa a Cabo Verde foi a habitual e no Oceano Índico é descrita por Álvaro Velho: «rota costeira até Melinde e travessia directa deste porto até Calecute ». Durante esta expedição foram determinadas latitudes através da observação solar, como refere João de Barros . Relatam os Diários de Bordo das naus muitas experiências inéditas. Encontrou esta ansiosa tripulação rica fauna e flora . Fizeram contacto perto de Santa Helena com tribos que comiam lobos-marinhos , baleias , carne de gazelas e raízes de ervas; andavam cobertos com peles e as suas armas eram simples lanças de madeira de zambujo e cornos de animais; viram tribos que tocavam flautas rústicas de forma coordenada, o que era surpreendente perante a visão dos negros pelos europeus. Ao mesmo tempo que o escorbuto se instalava na tripulação, cruzavam-se em Moçambique com palmeiras que davam cocos . Apesar das adversidades de uma viagem desta escala, a tripulação mantinha a curiosidade e o ânimo em conseguir a proeza e conviver com os povos. Para isso reuniam forças até para assaltar navios em busca de pilotos. Com os prisioneiros, podia o capitão-mor fazer trocas, ou colocá-los a trabalhar na faina; ao rei de Mombaça pediu pilotos cristãos que ele tinha detido e assim trocou prisioneiros. Seria com a ajuda destes pilotos que chegariam a Calecute, terra tão desejada, onde o fascínio se perdia agora pela moda, costumes e riqueza dos nativos. Sabe-se, por Damião de Góis , que durante a viagem foram colocados cinco padrões : São Rafael, no rio dos Bons Sinais ; São Jorge, em Moçambique , Santo Espírito, em Melinde ; Santa Maria, nos Ilhéus , e São Gabriel, em Calecute. Estes monumentos destinavam-se a afirmar a soberania portuguesa nos locais para que outros exploradores não tomassem as terras como por si descobertas
  • 4.
    CHEGADA À ÌNDIAA entrada em Calecute sofreu alguma oposição, também devido ao patrocínio dos mercadores árabes que queriam manter os Europeus afastados. A perseverança de Vasco da Gama fez com que se iniciassem, mesmo assim, as negociações entre ele e o samorim , de onde resultava uma carta comprovatória do encontro que dizia: « Vasco da Gama, fidalgo da vossa casa, veio à minha terra, com o que eu folguei. Em minha terra, há muita canela , e muito cravo e gengibre e pimenta e muitas pedras preciosas . E o que quero da tua é ouro e prata e coral e escarlata ».
  • 5.
    O RETORNO A 12 de Julho de 1499 , depois de mais de dois anos do início desta expedição, entra a caravela Bérrio no rio Tejo , comandada por Nicolau Coelho , com a notícia que iria emocionar Lisboa : os portugueses chegaram à Índia pelo mar. Vasco da Gama tinha ficado para trás, na ilha Terceira , preferindo acompanhar o seu irmão, gravemente doente, renunciado assim aos festejos e felicitações pela notícia. Das naus envolvidas, apenas a São Rafael não regressou, pois teria sido queimada por incapacidade de a manobrar, consequência do reduzido número a que se via a tripulação no regresso, fruto das doenças responsáveis pela morte de cerca de metade da tripulação, como o escorbuto , que se fez sentir mais afincadamente durante a travessia do Oceano Índico . Vasco da Gama retornava ao país em 29 de Agosto e seria recebido pelo próprio rei D. Manuel I com contentamento que lhe atribuía o título de Dom e grandes recompensas. Fez Nicolau Coelho fidalgo da sua casa , assim como a todos os outros, conforme os serviços que haviam prestado. D. Manuel I apressa-se a dar a notícia aos reis de Espanha , numa exibição orgulhosa do feito e para avisar, simultaneamente, que as rotas seriam doravante exploradas pela Coroa Portuguesa. Há notícia de um mercador italiano que espalhou por Florença a boa-nova: « Descobriram 1800 léguas de novas terras além do Cabo da Boa Esperança , cujo cabo foi descoberto no tempo do rei João . O capitão descobriu uma grande cidade muralhada , com muito boas casas de pedra, no estilo mourisco , habitada por mouros da cor dos indianos . O capitão desembarcou aqui e o rei deu-lhe um piloto para cruzar o golfo ». O mercador referia-se a Melinde .
  • 6.
    A ROTA DO CABO