UM TAPINHA NÃO DÓI
Josi de Castro
A violência contra a
mulher é inaceitável,
degradante e monstruosa,
é vergonhoso que ainda
hoje contabilizamos 4,4
assassinatos a cada 100 mil
mulheres, dados que fazem
do Brasil 7º no ranking de
países com esse tipo de
crime. O Estado do Rio
Grande do Sul, ocupa a 13ª
posição na classificação
nacional, com cerca de
470,52 registros por 100 mil
mulheres, no ano de 2013.
Pensamos que ao analisar
dados como esses, que
estão longe da nossa
realidade, que não se
aplicam ao nosso pequeno
município, pois é, estamos
enganados Campos Borges
ocupa a 10ª posição no
ranking de municípios
gaúchos com maior índice
de violência contra a
mulher, com 19 registros
no ano de 2013, que
significa 1.740 mulheres
por 100 mil. Com a lei
Maria da Penha, em vigor
desde 2006, alguns avanços
foram obtidos, porém, está
muito longe de chegar a
uma solução para o
problema.
É evidente que somente a
lei não é capaz de mudar
essa realidade, precisamos
analisar a raiz do problema
para que possamos
encontrar meios de conter
a violência doméstica.
Viemos de uma sociedade
patriarcal, onde a mulher
era vista como
propriedade, primeiro do
pai e posteriormente do
marido, o seu papel na se
resumia a cuidar da casa e
dos filhos sem direito de
manifestar opinião, isso
quando as possuía, por que
fora educada para
obedecer sem questionar.
Apesar de muitas gerações
passadas, ainda trazemos
presente essas mazelas do
passado, mesmo sem
perceber, desde a infância
se cria o mito que o menino
pode determinadas coisas e
a menina não, fazendo com
que os pequenos cresçam
diferenciados, não apenas
em gênero mais em direitos
também.
UM TAPINHA DÓI
SIM, E A DOR
MORAL É BEM MAIS
FORTE QUE A DOR
FÍSICA
Em alguns casos a
submissão feminina a uma
relação de violência tem
como causa o fator
econômico, muitas
mulheres não tem como
suprir suas necessidades e a
de seus filhos, não possuem
emprego, e nem estudo
para que possam arranjar
trabalho, fazendo com que
permaneçam ao lado de
seu agressor. O medo de
não ter como sustentar a si
mesma e aos filhos, ou
ainda o temor de serem
assassinadas faz com que as
mulheres não denunciem
seus agressores.
Essa relação de poder entre
os gêneros permanece até
hoje, mesmo que em
muitas áreas tenha sido
alterada conforme a
realidade. Já passou do
momento de deixar o
machismo no passado e
encarar que o velho ditado
“um tapinha não dói”, está
totalmente equivocado, um
tapinha dói sim, e a dor
moral é bem mais forte que
a dor física, pois as marcas
do corpo desaparecem com
o passar dos dias, mas os
ferimentos da dignidade
permanecem por tempo
indeterminado.
É hora de dar um basta na
submissão feminina, ainda
que se tenha consciência de
que uma realidade tão
degradante não muda da
noite para o dia.

Um tapinha não dói

  • 1.
    UM TAPINHA NÃODÓI Josi de Castro A violência contra a mulher é inaceitável, degradante e monstruosa, é vergonhoso que ainda hoje contabilizamos 4,4 assassinatos a cada 100 mil mulheres, dados que fazem do Brasil 7º no ranking de países com esse tipo de crime. O Estado do Rio Grande do Sul, ocupa a 13ª posição na classificação nacional, com cerca de 470,52 registros por 100 mil mulheres, no ano de 2013. Pensamos que ao analisar dados como esses, que estão longe da nossa realidade, que não se aplicam ao nosso pequeno município, pois é, estamos enganados Campos Borges ocupa a 10ª posição no ranking de municípios gaúchos com maior índice de violência contra a mulher, com 19 registros no ano de 2013, que significa 1.740 mulheres por 100 mil. Com a lei Maria da Penha, em vigor desde 2006, alguns avanços foram obtidos, porém, está muito longe de chegar a uma solução para o problema. É evidente que somente a lei não é capaz de mudar essa realidade, precisamos analisar a raiz do problema para que possamos encontrar meios de conter a violência doméstica. Viemos de uma sociedade patriarcal, onde a mulher era vista como propriedade, primeiro do pai e posteriormente do marido, o seu papel na se resumia a cuidar da casa e dos filhos sem direito de manifestar opinião, isso quando as possuía, por que fora educada para obedecer sem questionar. Apesar de muitas gerações passadas, ainda trazemos presente essas mazelas do passado, mesmo sem perceber, desde a infância se cria o mito que o menino pode determinadas coisas e a menina não, fazendo com que os pequenos cresçam diferenciados, não apenas em gênero mais em direitos também. UM TAPINHA DÓI SIM, E A DOR MORAL É BEM MAIS FORTE QUE A DOR FÍSICA Em alguns casos a submissão feminina a uma relação de violência tem como causa o fator econômico, muitas mulheres não tem como suprir suas necessidades e a de seus filhos, não possuem emprego, e nem estudo para que possam arranjar trabalho, fazendo com que permaneçam ao lado de seu agressor. O medo de não ter como sustentar a si mesma e aos filhos, ou ainda o temor de serem assassinadas faz com que as mulheres não denunciem seus agressores. Essa relação de poder entre os gêneros permanece até hoje, mesmo que em muitas áreas tenha sido alterada conforme a realidade. Já passou do momento de deixar o machismo no passado e encarar que o velho ditado “um tapinha não dói”, está totalmente equivocado, um tapinha dói sim, e a dor moral é bem mais forte que a dor física, pois as marcas do corpo desaparecem com o passar dos dias, mas os ferimentos da dignidade permanecem por tempo indeterminado. É hora de dar um basta na submissão feminina, ainda que se tenha consciência de que uma realidade tão degradante não muda da noite para o dia.