Festas Juninas
                Festas de São João

              Origens, Tradições e História




                  LÚCIA HELENA VITALLI RANGEL



Patrocínio:
Copyright © YOKI Alimentos S.A.

    EDIÇÃO, CAPA E FOTOGRAFIAS: Publishing Solutions
    IMPRESSÃO E ACABAMENTO: Ipsis Gráfica e Editora




                              Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
                                       (Câmara Brasileira do Livro, SP Brasil)
                                                                      ,

             Rangel, Lúcia Helena Vitalli
                Festas juninas, festas de São João: origens, tradições e história / Lúcia Helena Vitalli
             Rangel. – São Paulo: Publishing Solutions, 2008.

                 Bibliografia.
                 ISBN 978-85-61653-00-2

                 1. Festa de São João – História 2. Festas juninas – História. I. Título.

                                         Índice para catálogo sistemático:
                                 1. Festas juninas : Costumes : História 394.268209




                        Todos os direitos desta edição são reservados à YOKI Alimentos S.A.
                                  Rua Paes Leme, 524 – 4º andar – São Paulo, SP
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                                       Endereço na Internet: www.yoki.com.br
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Apresentação


   “   O balão vai subindo, vem caindo a
       garoa. O céu é tão lindo e a noite é
                                                cheirinho do cravo, da canela e do gengibre.
                                                    O fato é que as festas juninas são come-
tão boa. São João, São João, acende a           moradas em todo o país e representam
fogueira no meu coração.”                       uma das mais ricas manifestações culturais
    Quem não cantou e se encantou com           brasileiras. No entanto, na mesma medida
essa música de Carlos Braga e Alberto           em que essas tradições culturais perma-
Ribeiro? Ou não colocou chapéu de palha         necem, apesar das profundas mudanças
e dançou a quadrilha com o balancê e o          estruturais do Brasil — que em pouco mais
caminho da roça? Ou ainda resistiu às           de meio século passou de eminentemente
delícias dessa festa?                           rural à condição de urbano —, começam a
    Aliás, a culinária junina é um capítulo à   se esgarçar na memória das novas gera-
parte. A canjiquinha e o munguzá no             ções de brasileiros as origens desses feste-
Nordeste, o curau e o bolo de fubá com erva-    jos. As crianças continuam dançando a qua-
doce no Sudeste, o amendoim torradinho ou       drilha no mês de junho, porém não conhe-
em suas variações, como a paçoquinha, o         cem mais a história da festa e de seus santos,
pé-de-moleque e o gibi. Além, é claro, da       o significado de seus rituais, as letras das
pipoca, sem dúvida uma unanimidade              músicas mais tradicionais.
nacional. E o cheirinho dessa época... Festa        Este livro, patrocinado pela Yoki, em-
junina sem quentão, quem já viu? No ar o        presa ligada às tradições brasileiras e, em
                                                                                                 5
especial, a essa festa, uma vez que está         variados das comemorações. Narra sua his-
    envolvida na produção de ingredientes e          tória, que remonta a períodos anteriores à era
    quitutes juninos há mais de quarenta anos,       cristã, e o papel dos santos juninos nos fes-
    é uma colaboração no sentido de manter           tejos; fala das diversidades regionais, da re-
    vivo na memória nacional esse verdadeiro         presentação do boi-bumbá no Norte à tra-
    patrimônio cultural. Na decisão de publicá-      dição caipira no Sudeste; explica as origens
    lo pesou também o compromisso da em-             da quadrilha e das roupas usadas na festa.
    presa com as novas gerações, pois a idéia        Contém também o roteiro do casamento
    é que o livro possa servir de subsídio para      caipira e da dança da quadrilha, reproduz
    a pesquisa escolar.                              as letras das músicas mais representativas e
        Para desenvolver um trabalho com o nível     ensina a fazer os quitutes típicos de todas as
    de profundidade adequado, a Yoki contratou       regiões de nosso país.
    a antropóloga Lúcia Helena Vitalli Rangel,            Esperamos que você, leitor, aprecie a
    especialista no assunto, que foi auxiliada por   nossa contribuição e tenha tanto prazer em
    Vivian Catenacci. O conteúdo dessa pesquisa      ler este livro quanto nós, da Yoki, tivemos
    é agora lançado em forma de livro. Festas        em editá-lo.
    Juninas, Festas de São João abrange aspectos          Bom proveito!



                                                                            GABRIEL JOÃO CHERUBINI
                                                              VICE-PRESIDENTE – YOKI ALIMENTOS S.A.




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Apresentação à 3a Edição


   C      om o sucesso das edições ante-rio
          res, estamos apresentando a 3a
edição de Festas Juninas, Festas de São João
                                                como tema a Festa Junina. Nesta 3a edição
                                                estamos acrescentando um capítulo de
                                                poesias juninas, onde publicamos as
– Origens, Tradições e Histórias, totalizando   poesias vencedoras do Concurso de Poesia
180.000 exemplares publicados. O                de Dois Córregos, cidade do interior de São
resultado da pesquisa elaborada por Lúcia       Paulo. Não deixe de ler!
Helena Vitalli Rangel mostra-se oportuna e          O livro tem como objetivo ajudar na
atual. Os festejos juninos estão enraizados     perpetuação dessa tradição cultural tão
em nossas memórias, com suas melodias e         importante. Para isso pretende ser um
aromas característicos.                         subsídio à pesquisa do tema, princi-
    Esta edição apresenta nova diagra-          palmente às crianças em idade escolar. Em
mação e apresentação gráfica. Facilitar o       seu conteúdo encontramos, simpatias ju-
acesso ao conteúdo da obra é nosso intuito.     ninas, adivinhas, letras de músicas cantadas
Buscamos uma aparência mais leve. No            nas festas juninas, representação de casa-
projeto gráfico note-se o destaque dado aos     mento matuto e evolução da quadrilha
elementos ícones das festas juninas. Tudo       caipira. E como não poderia deixar de
para estimular a leitura desse material de      faltar, as saborosas comidas típicas en-
pesquisa tão bem aceito, nas escolas e          contradas em qualquer festa junina.
bibliotecas brasileiras.                            Convido você, leitor, a entrar neste
    A Yoki participa dessas festas tão bra-     mundo maravilhoso.
sileiras, estimulando ações que dêem con-
tinuidade a essas vivências e também pa-                              GABRIEL JOÃO CHERUBINI
trocinando eventos culturais que tenham                 VICE-PRESIDENTE – YOKI ALIMENTOS S.A.

                                                                                                7
Sumário

    11   NOTA INTRODUTÓRIA

    15   1 Origem das Festas Juninas
    16   A coleta e o cultivo
    18   Rituais de fertilidade
    18   O dia de São João na Sardenha

    21   2 As Comemorações Juninas no Brasil
    22   As relações sociais e o compadrio
    24   São João em Caruaru e Campina Grande
    25   Na Região Norte
    25   No Sudeste

    27   3 Santo Antônio, São João e São Pedro
    27   Santo Antônio: camarada e casamenteiro
    29   Simpatias, sortes e adivinhas para Santo Antônio
    32   A festa de Santo Antônio
    34   São João, a purificação pelo batismo
    36   Simpatias, sortes e adivinhas para São João
    39   A festa de São João
    42   São Pedro, fundador da Igreja Católica
    43   A festa de São Pedro
8
47    4 Casamento Caipira ou Matuto
47    Sugestão para a representação do casamento caipira ou matuto

51    5 Danças Juninas
51    Origem da quadrilha
52    Trajes usados na dança
53    Sugestão para a evolução da quadrilha caipira
55    Fandango
57    Bumba-meu-boi
58    Lundu
58    Cateretê

61    6 Jogos Juninos
61    Jogos de terreiro
62    Jogos de barracas

65    7 Músicas Juninas

73    8 O Mastro

77    9 Comidas e Bebidas Juninas

 97   Concurso de redações
119   Concurso de Poesias
127   Bibliografia
                                                                     9
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Nota Introdutória


   E    ste livro é resultado de uma pes-
        quisa realizada a pedido da Yoki,
o que gerou uma troca fecunda entre
                                               não apenas porque a pesquisa a respeito
                                               da realidade social contribui para o
                                               conhecimento da vida de um povo e das
universidade e empresa.                        questões sociais, políticas, econômicas e
    O tema festas juninas proporciona um       culturais que o configuram, mas também
campo fértil de análise do significado desse   porque sua prática revela o prazer de
período tão importante na cultura brasi-       conhecer.
leira: sua origem, sua transformação na            O ato de conhecer conduz ao desco-
história européia e suas redefinições no       brimento, à ampliação da capacidade de
contexto brasileiro, desde os tempos           analisar, de sistematizar, de explicar.
coloniais até a atualidade.                    Conhecer, portanto, amplia os horizontes
    A pesquisa, concebida por mim, foi rea-    da consciência, da cidadania e da crítica.
lizada em conjunto com Vivian Catenacci,           Tudo isso fornece bases consistentes
na ocasião minha aluna no curso de             para as instituições de ensino e, particu-
graduação em Ciências Sociais da PUC-SP    .   larmente, para a universidade, centro de
    A prática da pesquisa representa um        ensino, pesquisa e extensão.
dos pilares fundamentais do conhecimento           Outro aspecto importante a ressaltar
sobre a vida social. Aprender fazendo é        é que a atividade de pesquisa enriquece
muito importante na formação do aluno,         de modo muito especial a relação pro-
                                                                                            11
fessor/aluno. Produzir em conjunto é         Sendo assim, este livro tem caráter
     estimulante para ambos porque ensinar    didático e constitui um convite à pesquisa.
     e aprender são dimensões do mesmo ato,   Agradeço à Yoki a oportunidade de realizar
     cuja base pode estar assentada na        um trabalho prazeroso e importante e a
     reciprocidade.                           Vivian a saudável prática da partilha.

                                                                 LÚCIA HELENA VITALLI RANGEL




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1                                         Origem das Festas Juninas


   O         calendário das festas católicas
            é marcado por diversas come-
morações de dias de santos. Seu ciclo mais
                                               desse, outros santos reverenciados em
                                               junho: Santo Antônio (dia 13) e São Pedro e
                                               São Paulo (dia 29).
importante se inicia com o nascimento de            Se pesquisarmos a origem dessas
Jesus Cristo e se encerra com sua paixão e     festividades, perceberemos que elas
morte. Na tradição brasileira, as maiores      remontam a um tempo muito antigo, ante-
festas são Natal, Páscoa e São João. As        rior ao surgimento da era cristã. De acordo
comemorações de cunho religioso foram          com o livro O ramo de ouro, de sir James
apropriadas de tal forma pelo povo             George Frazer, o mês de junho, tempo do
brasileiro que ele transformou o Carnaval      solstício de verão (no dia 21 ou 22 de junho
— ritual de folia que marca o início da        o Sol, ao meio-dia, atinge seu ponto mais
Quaresma, período que vai da quarta-feira      alto no céu; esse é o dia mais longo e a noite
de Cinzas ao domingo de Páscoa — em            mais curta do ano) no Hemisfério Norte, era
uma das maiores expressões festivas do         a época do ano em que diversos povos —
Brasil no decorrer do século XX.               celtas, bretões, bascos, sardenhos, egípcios,
    Do mesmo modo, as comemorações             persas, sírios, sumérios — faziam rituais de
de São João (24 de junho) fazem parte de       invocação de fertilidade para estimular o
um ciclo festivo que passou a ser conhecido    crescimento da vegetação, promover a
como festas juninas e homenageia, além         fartura nas colheitas e trazer chuvas.
                                                                                                15
Na verdade, os rituais de fertilidade     sidade e a vegetação renasce, brota e flo-
     associados ao cultivo das plantas, incluindo   resce para oferecer as sementes do novo
     todo o ciclo agrícola — a preparação do        ciclo, cujos frutos estarão maduros no verão.
     terreno, o plantio e a colheita —, sempre           No Hemisfério Norte, as quatro estações
     foram praticados pelas mais diversas           do ano estão demarcadas nitidamente; na
     sociedades e culturas em todos os tempos.      região equatorial e nas tropicais do Hemis-
     Das tradições estudadas por Frazer             fério Sul, o movimento cíclico alterna os perío-
     destacam-se os ritos celebrados nas terras     dos de chuva e de estiagem, mas ainda assim
     do Mediterrâneo oriental (Egito, Síria,        o ciclo vegetativo pode ser observado da
     Grécia, Babilônia) com o objetivo de regu-     mesma maneira — alteração na coloração e
     lar as estações do ano, especialmente a        perda das folhas, seca e renascimento.
     passagem da primavera para o verão, que             O que ocorre com a natureza é algo
     sela a superação do inverno.                   semelhante à saga de Tamuz e Adônis, que
                                                    submergem do mundo subterrâneo e
              A Coleta e o Cultivo                  retornam todos os anos para viver com
                                                    suas amadas Istar e Afrodite e com elas
         O ciclo anual da natureza prevê a morte    fertilizar a vida.
     e o ressurgimento da vegetação. Todos os
     anos as plantas passam por um processo de              As lendas de Tamuz e Adônis
     transformação: no outono, as folhas mudam
     de cor, tornando-se amareladas e murchas;          “Na literatura religiosa da Babilônia,
     no inverno, elas caem e deixam a planta sem    Tamuz surge como o jovem esposo ou
     folhas até que chega a primavera. O sol        amante de Istar, a grande deusa-mãe, a
     então começa a brilhar com mais inten-         personificação das energias reprodutivas da
16
natureza. [...] Tamuz morria anualmente [...]    que confiou a Perséfone, rainha dos infer-
e todos os anos sua amante divina viajava,       nos. Mas, quando Perséfone abriu a arca e
em busca dele, ‘para a terra de onde não         viu a beleza da criança, recusou-se a
há retorno, para a mansão das trevas, onde       devolvê-la a Afrodite [...]. A disputa entre as
o pó se acumula na porta e no ferrolho’. Du-     deusas do amor e da morte foi resolvida por
rante sua ausência, a paixão do amor deixa-      Zeus, que determinou que Adônis devia viver
va de atuar: homens e animais esqueciam          parte do ano com Perséfone no mundo infe-
de reproduzir-se, toda a vida ficava amea-       rior, e com Afrodite, no mundo superior ou
çada de extinção. Tão intimamente ligadas        na terra, durante a outra parte. [...] a luta
à deusa estavam as funções sexuais de todo       entre Afrodite e Perséfone pela posse de
o reino animal que, sem a sua presença, elas     Adônis reflete claramente a luta entre Istar
não podiam ser realizadas. [...] A inflexível    e Alatu na terra dos mortos, ao passo que a
rainha das regiões infernais, Alatu ou Eresh-    decisão de Zeus de que Adônis devia passar
Kigal, permitia, não sem relutância, que Istar   parte do ano no mundo inferior e parte do
fosse aspergida com a água da vida e             ano no mundo superior é apenas uma versão
partisse, provavelmente em companhia do          grega do desaparecimento e reapareci-
amante Tamuz, para o mundo superior e que,       mento anual de Tamuz.”
com esse retorno, toda a natureza revivesse.”                           (Frazer, 1978, p. 123)

                                                      Com o tempo os homens, além de
    “Refletida no espelho da mitologia           desfrutar o ciclo da natureza coletando seus
grega a divindade oriental, Adônis surge         frutos, passaram a domesticar animais e a
como um belo jovem, amado de Afrodite. Em        cultivar plantas para sua alimentação. O
sua infância, a deusa o ocultou numa arca,       cultivo de raízes e legumes, juntamente com
                                                                                                   17
a caça, a pesca e a coleta, representa o        rituais mais expressivos que o homena-
     conjunto das atividades produtivas que          geavam estão os jardins de Adônis: na prima-
     tornaram possível a adaptação da espécie        vera, durante oito dias, as mulheres plantavam
     humana em todas as regiões do planeta,          em vasos ou cestos sementes de trigo, cevada,
     mas foi a produção de grãos e a domes-          alface, funcho e vários tipos de flores. Com o
     ticação de animais que ampliaram essa           calor do sol, as plantas cresciam rapidamente
     capacidade adaptativa.                          e, como não tinham raízes, murchavam ao
          Imitando o ciclo anual da natureza, o      final dos oito dias, quando então os pequenos
     homem descobriu as sementes que podia           jardins eram levados, juntamente com as
     guardar a cada colheita e replantar no ano      imagens de Adônis morto, para ser lançados
     seguinte, quando seriam fertilizadas pela       ao mar ou em outras águas.
     incidência solar e irrigadas pelas chuvas. As        Os rituais de fertilidade perduraram
     sementes dos grãos germinam e crescem. O        através dos tempos. Na era cristã, mesmo
     homem colhe, debulha, seca e tritura os         que fossem considerados pagãos, não era
     grãos para que eles se tornem seu alimento.     mais possível acabar com eles. Segundo
                                                     Frazer, é por esse motivo que a Igreja
              Rituais de Fertilidade                 Católica, em vez de condená-los, os adapta
                                                     às comemorações do dia de São João, que
         Com o cultivo da terra pelo homem,          teria nascido em 24 de junho, dia do solstício.
     surgiram os rituais de invocação de fertili-
     dade para ajudar o crescimento das plan-           O Dia de São João na Sardenha
     tas e proporcionar uma boa colheita.
         Na Grécia, por exemplo, Adônis era              Conta Frazer que, no início do século XX,
     considerado o espírito dos cereais. Entre os    na Sardenha, os jardins de Adônis ainda eram
18
plantados na festa do solstício de verão, que   lançando-o contra a porta do templo.
lá tem o nome de festa de São João:             Sentam-se em seguida em círculo na grama
                                                e comem ovos e verduras ao som da música
     “No final de março ou 1o de abril, um      de flautas. O vinho é misturado numa taça
jovem da aldeia se apresenta a uma moça,        servida a todos, que dela vão bebendo,
pede-lhe para ser a sua comare (comadre         passando-a adiante. Em seguida dão-se as
ou namorada) e oferece-se para ser o seu        mãos e cantam ‘Namorados de São João’
compare. O convite é considerado como           (Compare e comare di San Giovanni) várias
honra pela família da moça e aceito com         vezes, enquanto as flautas tocam durante
satisfação. No fim de maio, a moça faz um       todo o tempo. Quando se cansam de cantar,
vaso com a casca de um sobreiro, enche-o        levantam-se e dançam alegremente em
de terra e nele semeia um punhado de trigo      círculo até a noite”.
e cevada. Como o vaso é colocado ao sol e                             (Frazer, 1978, p. 133)
regado com freqüência, os grãos brotam
com rapidez e, na véspera do solstício               Outro aspecto que aproxima a festa de
(véspera de São João, 23 de junho), já está     São João às de Adônis e Tamuz é o costume
bem desenvolvido. [...] No dia de São João,     de tomar banhos no mar, em rios, nascentes
o rapaz e a moça, vestidos com suas me-         ou no sereno na noite da véspera. Também
lhores roupas, acompanhados por uma             perdura, desde os tempos antigos, o costume
grande comitiva e precedidos de crianças        de acender fogueiras e tochas, que devem
que correm e brincam, vão em procissão até      livrar as plantas e colheitas dos espíritos maus
uma igreja da aldeia. Ali quebram o vaso,       que podem impedir a fertilidade.



                                                                                                   19
20
2                           As Comemorações Juninas no Brasil


    N      a Europa, os festejos do solstício
           de verão foram adaptados à
cultura local, de modo que em Portugal foi
                                                a realização dos rituais mais importantes
                                                para os povos que aqui viviam, referentes
                                                à preparação dos novos plantios e às
incluída a festa de Santo Antônio de Lisboa     colheitas. O período que vai de junho a
ou de Pádua, em 13 de junho. A tradição         setembro é a época da seca em muitas
cristã completou o ciclo com os festejos de     regiões do Brasil, quando os rios estão
São Pedro e São Paulo, ambos apóstolos          baixos e o solo pronto para enfrentar o
da maior importância, homenageados em           plantio. Derruba-se a mata, queimam-se
29 de junho.                                    as ramagens para limpar o terreno, que é
     Quando os portugueses iniciaram o          adubado com as cinzas, e a seguir começa
empreendimento colonial no Brasil, a partir     o plantio. É a técnica da oivara, tão
de 1500, as festas de São João eram ainda       difundida entre os povos do continente
o centro das comemorações de junho.             americano.
Alguns cronistas contam que os jesuítas             Nessa época os roçados velhos, do
acendiam fogueiras e tochas em junho,           ano anterior, ainda estão em pleno vigor,
provocando grande atração sobre os              repletos de mandioca, cará, inhame,
indígenas.                                      batata-doce, banana, abóbora, abacaxi,
     Mesmo que no Brasil essa época mar-        e a colheita de milho, feijão e amendoim
casse o início do inverno, ela coincidia com    ainda se encontra em período de consumo.
                                                                                            21
Esse é um tempo bom para pescar e caçar.           As Relações Sociais e o Compadrio
     Uma série ritual, que dura todo o período,
     inclui um conjunto muito variado de festas            Outro fato que ajuda a compreender a
     que congregam as comunidades indígenas           importância desses festejos está relacionado
     em danças, cantos, rezas e muita fartura         com a forma de sociabilidade que foi
     de comida. Deve-se agradecer a abun-             característica da sociedade brasileira. Desde
     dância, reforçar os laços de parentesco (as      o período colonial até meados do século XX,
     festas são uma ótima ocasião para ali-           a maioria da população de todas as regiões
     anças matrimoniais), reverenciar as divin-       do Brasil vivia no campo (até 1950, 70% da
     dades aliadas e rezar forte para que os          população brasileira vivia na zona rural;
     espíritos malignos não impeçam a fer-            hoje, mais de 70% vive nas cidades). Fossem
     tilidade. O ato de atear fogo para limpar        colonos e agregados das fazendas agrícolas
     o mato, além de fertilizar o solo, serve         ou vaqueiros em grandes fazendas de gado,
     principalmente para afastar esses espíritos      fossem pescadores nas regiões litorâneas ou
     malignos.                                        seringueiros na Amazônia, fossem sitiantes
          Houve, portanto, certa coincidência         por esse Brasil afora, os brasileiros viviam
     entre o propósito católico de atrair os índios   integrados em grupos familiares, enten-
     ao convívio missionário catequético e as         dendo-se como família o conjunto de pais e
     práticas rituais indígenas, simbolizadas         filhos, tios e primos, avós e sogros.
     pelas fogueiras de São João. Talvez seja por          As relações familiares eram comple-
     causa disso que os festejos juninos tenham       mentadas pela instituição do compadrio,
     tomado as proporções e a importância que         que servia para integrar outras pessoas à
     adquiriram no calendário das festas              família, estreitando assim os laços entre vizi-
     brasileiras.                                     nhos e entre patrões e empregados. Até
22
mesmo os escravos podiam ser apadri-               Os laços de compadrio
nhados pelos senhores de terra.                eram muito importantes,
    Havia duas formas principais de tornar-    pois os padrinhos po-
se compadre e comadre, padrinho e              diam substituir os pais na
madrinha: uma era, e ainda é, pelo batismo;    ausência ou na morte
a outra, por meio da fogueira. Nas festas de   destes, os compadres inte-
São João, os homens, principalmente,           gravam grupos de coope-
formavam duplas de compadres de fogueira:      ração no trabalho agrícola e os
ficavam um de cada lado da fogueira e          afilhados eram devedores de
deveriam pular as brasas dando-se as mãos      obrigações aos padrinhos. A instituição
em sentido cruzado. Era comum recitarem        beneficiava os patrões, que tinham um
versos como estes:                             séquito de compadres e afilhados leais
    São João dormiu,                           tanto nas relações de trabalho como nas
        São Pedro acordô,                      campanhas políticas, quando se benefi-
               vamo sê cumpadre                ciavam do voto de cabresto.
                      que São João mandô.          O compadrio ainda vigora em muitas
                       (Nordeste sertanejo)    localidades, mas o processo de urbanização
    Ou:                                        que hoje atinge todas as regiões do país
    São João disse,                            enfraquece essa instituição e promove
    São Pedro confirmou,                       diversas mudanças nas formas de sociabili-
    que nosso Senhor Jesus Cristo mandou       dade. Atualmente, os favores (doações,
    a gente ser compadre                       pagamentos, promessas) têm sido mais
    nesta vida e na outra também.              importantes nas eleições do que a lealdade
                       (Amazônia cabocla)      advinda dos laços de compadrio.
                                                                                            23
São João em Caruaru e                    rainha do milho, pela rezadeira, pela
              Campina Grande                        rendeira, pela parteira. Ali há também
                                                    correio, posto bancário, delegacia, igreja,
          Hoje as festas juninas possuem cor lo-    restaurantes, teatro de mamulengo. Atores
     cal. De acordo com a região do país,           encenam nas ruas o cotidiano dos habitan-
     variam os tipos de dança, indumentária e       tes da região. O maior cuscuz do mundo,
     comida. A tônica é a fogueira, o foguetório,   segundo o Livro Guinness de Recordes, é
     o milho, a pinga, o mastro e as rezas dos      feito lá, numa cuscuzeira que mede 3,3
     santos.                                        metros de altura e 1,5 metro de diâmetro e
          No Nordeste sertanejo, o São João é       comporta 700 quilos de massa.
     comemorado nos sítios, nas paróquias, nos           Uma das grandes atrações da festa é o
     arraiais, nas casas e nas cidades. A impor-    desfile junino na véspera de São João de
     tância dessa festa pode ser avaliada pelo      mais de vinte carros alegóricos, carroças
     número de nordestinos e turistas que           ornamentadas com cortejo de bacamar-
     escolhem essa época do ano para sair de        teiros, bandas de pífaros, quadrilhas,
     férias e participar dos festejos juninos. As   casamentos matutos e grupos folclóricos.
     cidades de Caruaru, em Pernambuco, e                Campina Grande construiu um Forró-
     Campina Grande, na Paraíba, são as que         dromo que recebe todos os anos milhões
     mais atraem gente curiosa em conhecer as       de pessoas. Elas se divertem assistindo a
     maiores festas de São João do mundo.           apresentações do tradicional forró pé-de-
          Caruaru criou uma cidade cenográfica,     serra, de quadrilhas, cantores, bandas e
     a Vila do Forró, que é a réplica de uma        desfiles de jegues, participam de jogos e
     cidade típica do sertão, com casas coloridas   brincadeiras e deleitam-se com as comidas
     de arquitetura simples habitadas pela          típicas vendidas nas barracas.
24
Na Região Norte                                      No Sudeste
     Na Amazônia cabocla, a tradição de                A tradição caipira, especialmente a do
homenagear os santos possui um calendário         Sudeste do Brasil, caracteriza-se pelas festas
que tem início em junho, com Santo Antônio, e     realizadas em terreiros rurais, onde não
termina em dezembro, com São Benedito. Cada       faltam os elementos típicos dos três santos
comunidade homenageia seus santos preferidos      de junho. Mas elas também se espalharam
e padroeiros, com destaque para os santos         pelas cidades e hoje as festas juninas
juninos. São festas de arraial que começam no     acontecem, principalmente, em escolas,
décimo dia depois das novenas e nas quais         clubes e bairros.
estão presentes as fogueiras, o foguetório, o          Como em outras partes do Brasil, o
mastro, banhos, muita comida e folia.             calendário das festas paulistas destaca os
     No eixo Belém/Parintins/Manaus, desde os     rodeios e as festas de peão boiadeiro
tempos coloniais, a criação do boi, introduzida   como eventos ou espetáculos mais
pelos portugueses, deu lugar a manifestações      importantes, que se realizam de março a
culturais que lhe são típicas: o boi-bumbá,       dezembro.
dançado em diversas ocasiões, transformou-se           As festas juninas, com maior ou menor
atualmente em grande espetáculo, cujo ápice       destaque, ainda são realizadas em todas as
é a disputa entre os grupos Caprichoso e          regiões do Brasil e representam uma das
Garantido no Bumbódromo de Parintins, nos         manifestações culturais brasileiras mais
dias 28, 29 e 30 de junho.                        expressivas.




                                                                                                   25
26
3                        Santo Antônio, São João e São Pedro


         Santo Antônio:                       o padre Antônio Vieira em um sermão de
     Camarada e Casamenteiro                  1663 realizado no Maranhão: “Se vos
                                              adoece o filho, Santo Antônio; se vos foge


   F     estejado no dia 13 de junho, Santo
         Antônio é um dos santos de maior
devoção popular tanto no Brasil como em
                                              um escravo, Santo Antônio; se requereis o
                                              despacho, Santo Antônio; se aguardais a
                                              sentença, Santo Antônio; se perdeis a
Portugal. Fernando de Bulhões nasceu em       menor miudeza de vossa casa, Santo
Lisboa em 15 de agosto de 1195 e faleceu      Antônio; e, talvez se quereis os bens
em Pádua, na Itália, em 13 de junho de        alheios, Santo Antônio”.
1231. Recebeu o nome de Antônio ao                 É o santo familiar e protetor dos
passar, em 1220, da Ordem de Santo            varejistas em geral, por isso é comum
Agostinho para a Ordem de São Francisco       encontrar sua figura em estabelecimentos
e é conhecido como Santo Antônio de           comerciais. É também o padroeiro das
Lisboa ou Santo Antônio de Pádua.             povoações e dos soldados, pois enfrentou
    Santo Antônio era admirado por seus       em vida aventuras guerreiras como soldado
dotes de ótimo orador, pois quando pre-       português. Sua figura aparece com des-
gava a palavra de Deus ela era entendida      taque em episódios da História do Brasil:
até mesmo por estrangeiros. É por assim       teria desempenhado o papel de heróico
dizer o “santo dos milagres”, como afirmou    defensor da integridade do solo brasileiro,
                                                                                            27
como explicam os cronistas que relatam a             Os devotos mais exagerados só
     libertação de Pernambuco dos holandeses,         confiam seu pedido à imagem do Santo
     assim como os que falam da defesa da             Antônio das igrejas franciscanas, pro-
     colônia do Sacramento, ao Sul, e do Rio de       curadas especialmente nas terças-feiras e
     Janeiro com relação aos franceses, atri-         de modo particular no dia 13 de junho.
     buindo a vitória à proteção deste santo.             Todos são devotos desse santo
          Sua influência é marcante entre o povo      “camarada”. Os cantadores se apegam
     brasileiro. Seus devotos, em geral, não têm      muito a Santo Antônio para tentar vencer
     em casa uma imagem grande do santo e             os desafios, pois o consideram o mais fiel e
     preferem levar no bolso uma pequena para         o maior intercessor; os vaqueiros pedem
     se proteger. É a ele que as moças ansiosas       proteção contra o estouro da boiada e os
     pedem um noivo. A prática de colocar o santo     pescadores acreditam que no dia 13 de
     de cabeça para baixo no sereno, amarrada         junho as redes se enchem de peixes. Basta
     num esteio, ou de jogá-lo no fundo do poço       lançá-las dizendo:
     até que o pedido seja atendido, por exemplo,
     é bastante comum entre os devotos.                   No dia 13 de junho
          Dos santos juninos, somente Santo Antônio           é pô a rede e tirá:
     é feito de madeira. Em geral, é esculpido em                  os peixes ’stão na fiúza
     nó de pinho, daí terem surgido os versos:                           de Santo Antônio falá.

         Meu querido Santo Antônio                        Em homenagem a Santo Antônio,
           feito de nó de pinho,                      geralmente realizam-se duas espécies de
                com vós arranjo o que quero,          rezas e festas: os responsos, quando ele é
                     porque peço com jeitinho.        invocado para achar objetos perdidos, e a
28
trezena, cerimônia que se prolonga com        estar sendo usados pela primeira vez,
cânticos, foguetório e comes e bebes de 1o    senão… nada de a simpatia funcionar!
a 13 de junho de cada ano.

    Simpatias, Sortes e Adivinhas                A seguir, algumas simpatias feitas para
        para Santo Antônio                    Santo Antônio:

     O relacionamento entre os devotos e          Em certas zonas paulistas, como na
os santos juninos, principalmente Santo       Serrana e na Mantiqueira, Santo Antônio
Antônio e São João, é quase familiar:         recebe um vintém para achar os animais
cheio de intimidades, chega a ser, por        perdidos nas matas e uma pequena moeda
vezes, irreverente, debochado e quase         de cobre para o porco voltar ao chiqueiro.
obsceno. Esse caráter fica bastante               Moças solteiras, desejosas de se casar,
evidente quando se entra em contato com       em várias regiões do Brasil, colocam-no de
as simpatias, sortes, adivinhas e acalantos   cabeça para baixo atrás da porta ou dentro
feitos a esses santos:                        do poço ou enterram-no até o pescoço.
                                              Fazem o pedido e, enquanto não são
    Confessei-me a Santo Antônio,             atendidas, lá fica a imagem de cabeça para
    confessei que estava amando.              baixo. E elas pedem:
    Ele deu-me por penitência
    que fosse continuando.                        Meu Santo Antônio querido,
                                                  meu santo de carne e osso,
    Os objetos utilizados nas simpatias e         se tu não me dás marido,
adivinhações devem ser virgens, ou seja,          não tiro você do poço.
                                                                                            29
Meu querido Santo Antônio,                       vem amansar minha sogra,
     feito de nó de pinho,                            que é levada do diabo.
     me arranje um casamento
     com um moço bonitinho (ou bonzinho).
                                                      Para arrumar namorado ou marido,
     Santo Antônio, casamenteiro,                 basta amarrar uma fita vermelha e outra
     não deixe a (dizer o nome) ficar solteira.   branca no braço da imagem de Santo
     Santo Antônio, me case já,                   Antônio, fazendo a ele o pedido. Rezar um
     enquanto sou moça e viva.                    Pai-Nosso e uma Salve-Rainha. Pendurar a
                                                  imagem de cabeça para baixo sob a cama.
     O milho colhido tarde                        Ela só deve ser desvirada quando a pessoa
     não dá palha nem espiga.                     alcançar o pedido.
     Minha avó tem lá em casa
     um Santo Antônio velhinho.
     Em os moços não me querendo                       Para sonhar com o noivo, basta colocar
     dou pancadas no santinho.                    três rosas vermelhas debaixo do travesseiro
                                                  na véspera de Santo Antônio.
     Santo Antônio, Santo Antônio,
     abaixai-me esta barriga,
     que não sei que tem dentro,                      A moça quer saber com quem vai se
     se é rapaz ou rapariga.                      casar? Então, no dia de Santo Antônio, em
                                                  cada refeição que fizer, deve deixar um pouco
     Santo Antônio pequenino,                     de comida no prato. No final do dia, ela
     mansador de burro brabo,                     precisa rezar para Nossa Senhora e pedir
30
para que o homem amado venha comer os                     no meio, Nossa Senhora,
restos que deixou durante o dia. Depois é só             com seu raminho na mão.
adormecer, e o amado aparecerá em seus
sonhos comendo a comida.
                                                    Se o noivado não vai muito bem ou se
                                               está se prolongando muito, as donzelas
    No dia 13, é comum ir à igreja para        rezam a seguinte oração:
receber o “pãozinho de Santo Antônio”, que          “Padre Santo Antônio dos cativos, vós que
é dado gratuitamente pelos frades. Em          sois um amarrador certo, amarrai, por vosso
troca, os fiéis costumam deixar ofertas. O     amor, quem de mim quer fugir, empenhai o
pão, que é bento, deve ser deixado junto       vosso hábito e o vosso santo cordão com
aos demais mantimentos para que estes          algemas fortes e duros grilhões que façam
não faltem jamais.                             impedir os passos de (nome do amado), que
    Feito um pedido a Santo Antônio, caso      de mim quer fugir, e fazei, ó meu bem-
a pessoa tenha pressa em ser atendida, deve    aventurado Santo Antônio, que ele case
rezar um Pai-Nosso pela metade que o santo     comigo sem demora!
a atenderá logo, para que o suplicante              Pelos vossos milagres; pela palavra
termine a oração.                              quando a Jesus faláveis; pela defesa do
                                               vosso pai, um pedido eis-me a fazer.
                                                    Abrandai a ira do mar; o sopro do vento;
   Santo Antônio também é bastante             o negrume da noite; a chama abrasadora
lembrado nos acalantos:                        do sol; a frialdade da lua; a voracidade das
        Numa ponta, Santo Antônio,             feras; o horror dos desertos. Depois de tudo
          noutra ponta, São João,              isso, abrandai o que de mais empedernido
                                                                                                31
existe sobre a terra: o coração dos homens.   artigo “Santos padroeiros no domínio
         Oh!, meu milagroso Santo Antônio, fazei   folclórico” (Cultura Política, n. 35, dez. 1943),
     com que aquele por quem meu coração           descreve uma festa de Santo Antônio na
     chama ouça a minha voz e, ouvindo-a, vá       cidade de Guarabira (Espírito Santo): na
     aos pés de Deus Nosso Senhor, comigo, vossa   noite de 13 de junho, no centro de um terreiro
     humilde devota.                               bem varrido, decorado com bambu e
         Amém.” ”                                  bandeirinhas de papel coloridas, encontra-
                                                   se um mastro com uma bandeira e a figura
           A Festa de Santo Antônio                de Santo Antônio em seu topo. Numa casa
                                                   em frente, há um oratório preparado com a
         Nos primeiros treze dias de junho, os     imagem do padroeiro da festa.
     devotos de Santo Antônio rezam as trezenas         Em determinado momento, começam as
     com o intuito de alcançar graças através da   cantorias e danças matutas/caipiras ao som
     sua intervenção ou de agradecer um milagre    de violas, pandeiros e tambor. Os devotos en-
     que o santo tenha realizado:                  tram dançando no meio do terreiro e cantam:

                Se queres milagres,                          Fui ao mato cortar lenha,
                implora confiante                           Santo Antônio me chamou.
                de Antônio o favor.                        Quando o santo chama a gente
                Seu braço é tão forte                          que fará os pecador.
                que do erro e da morte
                destrói o furor…                       E todos na roda respondem:
                                                                 Na porta da sala,
         O folclorista Basílio de Magalhães, no                  tá me chamando.
32
Oh gente danada,              Como o dia de Santo Antônio é
     tá me xingando!          comemorado alguns dias antes do
    Eu não sou daqui,         nascimento de São João, estão presentes
   vou me arretirando.        em suas festividades elementos próprios
    Ai, ai, ai! Ai, ai, ai!   das festas deste último, como os fogos e
Santo Antônio me chamou!      a fogueira.




                                                                         33
São João,                        e início dos festejos, é esperado com es-
          a Purificação pelo Batismo                pecial ansiedade. Segundo Frei Vicente do
                                                    Salvador, um dos primeiros brasileiros a
         João Batista nasceu no dia 24 de           escrever a história de sua terra, já no ano
     junho, alguns anos antes de seu primo Jesus    de 1603 os índios acudiam a todos os fes-
     Cristo, e morreu em 29 de agosto do ano        tejos portugueses, em especial os de São
     31 d.C., na Palestina. Foi degolado por        João, por causa das fogueiras e capelas.
     ordem de Herodes Antipas a pedido de sua           São João é muito querido por todos,
     enteada Salomé, pois a pregação do filho       sem distinção de sexo nem de idade.
     de Santa Isabel e São Zacarias incomo-         Moças, velhas, crianças e homens o fazem
     dava a moral da época. Antes mesmo de          de oráculo nas adivinhações e festejam o
     Jesus, João Batista já pregava publicamen-     seu dia com fogos de artifício, tiros e
     te às margens do rio Jordão. Ele instituiu,    balões coloridos, além dos banhos
     pela prática de purificação através da         coletivos de madrugada. Acende-se uma
     imersão na água, o batismo, tendo inclu-       fogueira à porta de cada casa para
     sive batizado o próprio Cristo nas águas       lembrar a fogueira que Santa Isabel
     desse rio.                                     acendeu para avisar Nossa Senhora do
         São João ocupa papel de destaque nas       nascimento do seu filho.
     festas, pois, dentre os santos de junho, foi       São João, segundo a tradição, ador-
     ele que deu ao mês o seu nome (mês de          mece no seu dia, pois se estivesse
     São João) e é em sua homenagem que se          acordado vendo as fogueiras que são
     chamam “joaninas” as festas realizadas no      acesas para homenageá-lo não resistiria:
     decurso dos seus trinta dias. O dia 23 de      desceria à Terra e ela correria o risco de
     junho, véspera do nascimento de São João       incendiar-se.
34
A lenda do surgimento da fogueira de São João
    Dizem que Santa Isabel era muito amiga de Nossa Senhora e, por isso, costumavam visitar-
se. Uma tarde, Santa Isabel foi à casa de Nossa Senhora e aproveitou para contar-lhe que
dentro de algum tempo nasceria seu filho, que se chamaria João Batista.
    Nossa Senhora então perguntou:
    — Como poderei saber do nascimento dessa criança?
    — Vou acender uma fogueira bem grande; assim você poderá vê-la de longe e saberá
que João nasceu. Mandarei também erguer um mastro com uma boneca sobre ele.
    Santa Isabel cumpriu a promessa. Certo dia Nossa Senhora viu ao longe uma fumaceira e depois
umas chamas bem vermelhas. Foi à casa de Isabel e encontrou o menino João Batista, que mais tarde
seria um dos santos mais importantes da religião católica. Isso se deu no dia 24 de junho.


                           A lenda das bombas de São João
    Antes de São João nascer, seu pai, São Zacarias, andava muito triste por não ter filhos.
Certa vez, um anjo de asas coloridas, envolto em uma luz misteriosa, apareceu à frente de
Zacarias e anunciou que ele seria pai.
    A alegria de Zacarias foi tão grande que ele perdeu a voz desse momento em diante. No
dia do nascimento do filho, perguntaram a Zacarias como a criança se chamaria. Fazendo um
grande esforço, ele respondeu “João” e a partir daí recuperou a voz. Todos fizeram um barulhão
enorme. Foram vivas para todos os lados.
    Vem daí o costume de as bombinhas, tão apreciadas pelas crianças, fazerem parte
dos festejos juninos.
                                                                                                    35
Simpatias, Sortes e                   seguir, enfiar a faca numa bananeira. No
           Adivinhas para São João                 outro dia, pela manhã, retirá-la e interpretar
                                                   o desenho, ou melhor, as iniciais do nome
         A moça deve apanhar pimentas num pé       da pessoa com quem vai se casar.
     de pimenteira com os olhos vendados.
     Caso ela colha pimenta verde, seu noivo
     será jovem; se for madura, o casamento será       Na noite de São João, escrever o nome de
     com um velho ou viúvo; se a pimenta for de    quatro pretendentes em cada ponta do lençol
     verde para madura, o casamento será com       e dar um nó em cada uma delas. De manhã, o
     um homem de meia-idade.                       nó que estiver desmanchado tem o nome
                                                   daquele com quem a pessoa vai se casar.

         Aplicar um jejum forçado a um galo por
     três dias. À noite, no terreiro iluminado,        No dia de São João, perguntar o nome
     colocar montículos de milho nos pés de        do primeiro mendigo que lhe pedir
     moços e moças, que devem ter formado          esmolas. Esse será o nome do futuro cônjuge.
     uma grande roda. Soltar, então, o galo            Na noite de São João, encher uma ba-
     faminto no centro. O montículo de milho       cia com água e ir com ela para a beira da
     escolhido pelo galináceo será daquele(a)      fogueira. Rezar então uma Ave-Maria e,
     que se casará em breve.                       quando terminar, aparecerá na água a som-
                                                   bra do rapaz com quem a moça se casará.

         Passar descalço sobre as brasas da
     fogueira com uma faca nova na mão. A              Escrever três nomes em pedaços de
36
papel. Dobrá-los bem e colocar, aleatoria-   relento. Na manhã seguinte, interpretar o
mente, um no fogão, outro na rua e o últi-   que está desenhado na clara: torre de
mo sob o travesseiro. Ao amanhecer, des-     igreja é casamento (em algumas regiões
dobrar o que está sob o travesseiro; esse    do Brasil) ou ingresso na vida religiosa
será o futuro cônjuge.                       (Maranhão); túmulo, caixão de defunto ou
                                             rede de defunto significa morte na certa em
                                             algumas regiões; em outras, a rede
     Na noite de São João, passar um ramo    também pode ser interpretada como
de manjericão na fogueira e jogá-lo no te-   renda, de que é feito o véu de noiva;
lhado. Se na manhã seguinte ele estiver      significa, portanto, casamento.
verde, a pessoa vai se casar com moço. Se
estiver murcho, o noivo será velho.
                                                 Encher uma bacia ou prato virgem com
                                             água e levá-la para a beira da fogueira
    Ainda ao pé da fogueira, segurar um      na noite de São João. Acender então uma
papel branco e passá-lo por cima da fo-      vela e, enquanto se vai rezando uma Ave-
gueira. Sem deixar o papel queimar, girá-    Maria, deixar os pingos da cera caírem na
lo enquanto se reza uma Salve-Rainha. A      água. Depois é só interpretar a inicial do
fumaça vai desenhar o rosto do futuro        nome da pessoa com quem vai se casar.
marido.

                                                  Pôr três pratos sobre uma mesa: um com
   Na noite de 23 de junho, quebrar um       flores, outro com água e o terceiro com um
ovo dentro de um copo e deixá-lo ao          terço ou rosário. Os candidatos à sorte en-
                                                                                           37
tram na sala com os olhos vendados e             nhã seguinte, se ele estiver viçoso, é sinal
     postam-se atrás das cadeiras à frente das        de casamento; se estiver murcho, nada de
     quais estão os pratos. As flores significam      casamento.
     casamento; o terço, ingresso na vida reli-
     giosa; a água, viagem. Esta é uma sorte ca-
     racterística de regiões marítimas ou fluviais.       Para curar verrugas, passar sobre elas
                                                      o primeiro ramo que encontrar ao clarear
                                                      o dia de São João.
         Quando estiverem soltando um balão,
     pensar em algo que se deseja. Se ele subir,
     acontecerá o que se pensou; caso se incen-          À meia-noite de São João, aquele que
     deie, certamente o “sorteiro” ficará solteiro.   não enxergar sua imagem completa no rio
         Prender uma fita no travesseiro e rezar      morrerá logo. Quem enxergar seu corpo
     para São João. No outro dia, se ela apa-         apenas pela metade morrerá no decorrer
     recer solta é porque a pessoa vai se casar.      do ano.

                                                                     Salve-Rainha
         Numa bacia com água, colocar duas                Esta oração está presente em muitas
     agulhas. Se elas se juntarem, é sinal de que     adivinhações de São João e Santo Antônio.
     a pessoa deve se casar em breve.
                                                          “ Salve-Rainha, mãe de misericórdia,
                                                      vida, doçura e esperança nossa, salve!
         Às 6 da tarde da véspera de São João,            A vós bradamos, os degredados filhos
     pôr um cravo num copo com água. Na ma-           de Eva.
38
A vós suspiramos, gemendo e chorando,     des ninguém mais trabalha. Enfeitam-se
neste vale de lágrimas.                        sítios, fazendas e ruas com bandeirolas
     Eia, pois, advogada nossa, esses vossos   coloridas para a grande festa da véspera
olhos misericordiosos a nós volvei e depois    de São João. Prepara-se a lenha para a
deste desterro mostrai-nos Jesus, bendito      grande fogueira, onde serão assados ba-
fruto do vosso ventre,                         tata-doce, mandioca, cebola do reino e
     Ó clemente,                               milho. Em torno dela sentam-se os familia-
     Ó piedosa,                                res de sangue e de fogueira.
     Ó doce sempre Virgem Maria.                    O formato da fogueira varia de lugar
     Rogai por nós, Santa Mãe de Deus, para    para lugar: pode ser quadrada, piramidal,
que sejamos dignos das promessas de Cristo.    empilhada… Quanto mais alta, maior é o
     Amém.” ”                                  prestígio de quem a armou. A madeira
                                               utilizada também varia bastante: pinho,
         A Festa de São João                   peroba, maçaranduba, piúva. Não se
                                               queimam cedro, imbaúba nem as ramas da
     Em festa de São João, na maioria das      videira, por terem uma relação estreita com
regiões brasileiras, não faltam fogos de       a passagem de Jesus na terra.
artifício, fogueira, muita comida (o bolo de        Os balões levam, segundo os devo-
São João, principalmente nos bairros rurais,   tos, os pedidos para o santo. Quando a
é essencial), bebida e danças típicas de       fogueira começa a queimar, o mastro, que
cada localidade.                               recebeu a bandeira do santo homenagea-
     No Nordeste, por exemplo, essa festa é    do, já se encontra preparado. Ele é levan-
tão tradicional que no dia 23 de junho,        tado enquanto se fazem preces, pedidos
depois do meio-dia, em algumas localida-       e simpatias:
                                                                                             39
São João Batista, batista João,               praticada em alguns lugares hoje em dia.
         levanto a bandeira                            Os devotos se dirigem ao rio cantando
         com o livro na mão.                           com entusiasmo:
         O nosso corpo é uma podridão,
         no fundo da terra,                               Vamos, vamos,
         no centro do chão.                               toca a marchar,
                                                          n’água de São João
         São João adormeceu                               vamos nos lavar.
         no colo de sua tia.
         Se meu São João soubesse                         Depois do banho coletivo, todos voltam
         quando era seu dia,                           para o terreiro cantando:
         descia do céu na terra
         cum bandeira de alegria.                         N’água de São João me lavei.
                                                          Toda mazela que tinha deixei!
          Depois do levantamento do mastro, tem
     início a queima de fogos, soltam-se os busca-         Ou ainda trazem na cabeça grinaldas
     pés e as bombinhas. A arvorezinha, também         de folhagens:
     chamada de mastro, que é plantada em frente
     às casas e, no lugar da festa, é plantada perto      Capelinha de melão
     da fogueira, está enfeitada com laranja,             é de São João.
     milho verde, coco, presentes, garrafas, etc.         É de cravo, é de rosa,
          A cerimônia do batismo simbólico de             é de manjericão.
     São João Batista faz parte da tradição da
     festa, mesmo que ela tenha deixado de ser            A cerimônia do banho varia de uma
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região para outra. No Mato Grosso, por       devotos lavam e esfregam o corpo com
exemplo, não são as pessoas que se ba-       esses ingredientes. Acredita-se que o banho-
nham nos rios, e sim a imagem do santo.      de-cheiro tenha o poder mágico de trazer
Na Região Norte, principalmente em           muita felicidade às pessoas que o praticam.
Belém e Manaus, o banho-de-cheiro faz             As danças regionais, o som de violas,
parte das tradições juninas. A preparação    rabecas e sanfonas, o banho do santo, o
do banho de São João inicia-se alguns        ato de pular a fogueira, a fartura de ali-
dias antes da festa. Trevos, ervas e cipós   mentos e bebidas — tudo isso transforma a
são pisados, raízes e paus são ralados       festa de São João numa noite de encanta-
dentro de uma bacia ou cuia com água e       mento que inspira amores e indica a sorte
depois guardados em garrafas até o           de seus participantes. No fim da festa, todos
momento do banho.                            pisam as brasas da fogueira para demons-
    Chegada a hora da cerimônia, os          trar sua devoção.




                                                                                             41
São Pedro,                         Pedro que está roncando” ou “ele está
          Fundador da Igreja Católica               mudando os móveis de lugar”.
                                                        No dia de São Pedro, todos os que
         São Pedro, o apóstolo e pescador do        receberam seu nome devem acender fo-
     lago de Genezareth, cativa seus devotos        gueiras na porta de suas casas. Além disso,
     pela história pessoal. Homem de origem         se alguém amarrar uma fita no braço de
     humilde, ele foi apóstolo de Cristo e depois   alguém chamado Pedro, ele tem a obri-
     encarregado de fundar a Igreja Católica,       gação de dar um presente ou pagar uma
     tendo sido seu primeiro papa.                  bebida àquele que o amarrou, em ho-
         Considerado o protetor das viúvas e        menagem ao santo.
     dos pescadores, São Pedro é festejado no
     dia 29 de junho com a realização de                      Acalanto de São Pedro
     grandes procissões marítimas em várias
     cidades do Brasil. Em terra, os fogos e o          Acalanto registrado em Cunha (São
     pau-de-sebo são as principais atrações de      Paulo):
     sua festa.
         Depois de sua morte, São Pedro,                Acordei de madrugada,
     segundo a tradição católica, foi nomeado           fui varrê a Conceição.
     chaveiro do céu. Assim, para entrar no céu,        Encontrei Nossa Senhora
     é necessário que São Pedro abra as portas.         com dois livrinhos na mão.
     Também lhe é atribuída a responsabilidade          Eu pedi um com ela,
     de fazer chover. Quando começa a trovejar,         ela me disse que não;
     e as crianças choram com medo, é costume           eu tornei a lhe pedi,
     acalmá-las dizendo: “É a barriga de São            ela me deu um cordão.
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Numa ponta tinha São Pedro,              mesma empolgação presente na festa de
   na outra tinha São João,                 São João.
   no meio tinha um letreiro                    Também se fazem procissões terrestres,
   da Virgem da Conceição.                  organizadas pelas viúvas, e fluviais, pois,
                                            como vimos, São Pedro é o protetor dos
        A Festa de São Pedro                pescadores e das viúvas. Em várias regiões
                                            do Brasil, a brincadeira mais comum na
    Em homenagem ao santo, acendem-         festa é a do pau-de-sebo.
se fogueiras, erguem-se mastros com sua         Embora São Paulo também seja home-
bandeira e queimam-se fogos, porém          nageado em 29 de junho, ele não é figura
não há, na noite de 29 de junho, a          de destaque nas festividades desse mês.




                               A mãe de São Pedro
    A bondade, a simplicidade e a boa-fé desse santo estão presentes nesta história:
    “ A mãe de São Pedro era uma velhinha muito má, não tinha amizades e todos fugiam
dela. Certo dia, quando estava lavando num córrego um molhe de folhinhas de cebolas,
uma delas se desprendeu, ganhou a correnteza e lá se foi água abaixo. Ao não conseguir
pegá-la, ela exclamou:
    — Ora, seja tudo pelo amor de Deus!
    Não levou muito tempo, ela morreu e foi apresentar-se no céu. Mas acabou indo para
                                                                                          43
o inferno, tão grande era o peso de seus pecados. O filho ainda andava pelo mundo e não
     lhe podia valer.
          Quando São Pedro morreu, foi nomeado chaveiro do céu. Sua mãe o viu no gozo das
     glórias celestes e pediu-lhe por gestos que a salvasse. Como ele não podia resolver nada
     por si, apelou ao Senhor:
          — Salva minha mãe, Divino Mestre.
          O Senhor lhe respondeu com essas palavras:
          — Se houver, no Livro das Almas, na vida de tua mãe, ao menos uma boa ação, estará
     salva caso ela saiba aproveitá-la.
          Examinou-se o livro e a certa altura, nas contas da mãe de São Pedro, encontrou-se a
     folhinha de cebola, nada mais! Era a mesma que motivara o comentário da velha, que ao
     menos uma vez na vida se mostrara conformada:
          — Seja tudo pelo amor de Deus!
          Então o Senhor disse a Pedro:
          — Lança uma das pontas da folhinha em direção ao inferno. Tua mãe que se agarre a
     ela e tu a puxarás. Se ela conseguir subir até aqui, estará salva.
          Pedro fez tudo o que o Senhor lhe ordenou.
          A velhinha agarrou-se à folha, mas uma porção de almas, querendo aproveitar a
     oportunidade de salvação, segurou-se às pernas da velha. Apesar disso, ela subia.
     Quando o grupo já estava a certa altura, outras almas se agarravam às pernas das
     primeiras.
          A velha, indignada, de avara que era, esperneou e atirou novamente ao inferno as
     companheiras, pois não queria levá-las para o céu. Nesse mesmo instante, porém, a
     folha de cebola partiu-se, e a mãe de São Pedro ficou no espaço. Não tinha por onde
44
subir ao céu, e o pedacinho de folha que conservava nas mãos não a deixava voltar ao
inferno.
    E até hoje ela vive assim: nem na terra nem no céu.
    Costuma-se dizer que quem fica com a mãe de São Pedro não está nem com Deus nem
com o diabo.””




                                                                                       45
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subir ao céu, e o pedacinho de folha que conservava nas mãos não a deixava voltar ao
inferno.
    E até hoje ela vive assim: nem na terra nem no céu.
    Costuma-se dizer que quem fica com a mãe de São Pedro não está nem com Deus nem
com o diabo.””




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4                                  Casamento Caipira ou Matuto


   O        casamento caipira ou matuto
           aborda de forma bem-humo-
rada a instituição do casamento e as re-
                                             casar com ela. Como ele tenta fugir, o pai
                                             pede a interferência do delegado e de
                                             seus ajudantes. Em algumas localidades,
lações sexuais pré-nupciais e suas conse-    o casamento civil é realizado após a ceri-
qüências. Seu enredo, com algumas va-        mônia religiosa, sob a vigilância do
riações de uma região para outra, é o        delegado e de seus auxiliares. Depois, é
seguinte:                                    só acompanhar a sanfona, o triângulo e
    A noiva fica grávida antes do casa-      a zabumba e comemorar o casamento
mento e seus pais obrigam o noivo a se       com a dança da quadrilha.




     Sugestão para a Representação do Casamento Caipira ou Matuto

              Personagens                                     Cenário

    Padre, coroinha, noiva, noivo, dele-         Representação de um altar de igreja
gado, ajudantes do delegado, pais da noiva   ou capela.
e padrinhos.                                     Os convidados estão posicionados em
                                                                                          47
duas fileiras, deixando o centro para a noiva. O padre anuncia a
     chegada da noiva, que entra com o pai e vai até o altar, onde
     estão o padre, devidamente paramentado, seu coroinha e os
     padrinhos e pais dos noivos.
         Os personagens, carregando bastante no sotaque interiorano,
     dizem o seguinte:

        PADRE: A noiva tá chegano! Vamo batê parma pr’ela, pessoar!!!
     Cadê o noivo???
        N OIVA: Ai, mãe, ele num vem, acho que vou dismaiá... (E,
     simulando um desmaio, é acudida pela mãe e pela madrinha.)

        O pai da noiva faz um sinal para o delegado e cochicha
     com ele.

         D E L E G A D O : Peraí, seu padre, eu já vô buscá ele. (Sai
     acompanhado por dois ajudantes, armados de espingarda e
     cassetetes.)

         Entra o noivo empurrado pelo delegado, que permanece no
     altar, grande parte da cerimônia, atrás do noivo, para que ele
     não fuja.

        PADRE: Bão, vamo começá logo esse casório. Ocê, Chiquinha
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Dengosa, promete, de coração, pra marido toda vida o Pedrinho
Foguetão?
    NOIVA: Mas que pregunta isquisita seu vigário faz pra mim. Eu
vim aqui mais o Pedrinho num foi pra dizê que sim???
    PADRE: E ocê, Pedrinho, que me olha assim tão prosa, qué mesmo
pra sua esposa a sinhá Chiquinha Dengosa?
    NOIVO: Num havia de querê, num é essa minha opinião, mas,
se não caso com a Chiquinha, vô direto pro caixão... (Vira-se para
o delegado, que está com a espingarda em punho.)
    P ADRE: Então, em nome do cravo e do manjericão, caso a
Chiquinha Dengosa com o Pedrinho Foguetão! E viva os noivos!
    C ONVIDADOS : Viva!!! (Conforme os noivos passam pelos
convidados, pode-se jogar arroz.)
    PADRE: E vamo pro baile, pessoar!!!

   Com os convidados já devidamente formados, tem início a
quadrilha — o grande baile do casamento.




                                                                     49
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5                                                            Danças Juninas


         Origem da Quadrilha                    Depois desceu as escadarias do palácio e
                                                caiu no gosto do povo, que modificou suas


    T    ambém chamada de quadrilha
         caipira ou de quadrilha matuta, é
muito comum nas festas juninas. Consta de
                                                evoluções básicas e introduziu outras,
                                                alterando inclusive a música.
                                                     A sanfona, o triângulo e a zabumba são
diversas evoluções em pares e é aberta pelo     os instrumentos musicais que em geral
noivo e pela noiva, pois a quadrilha            acompanham a quadrilha. Também são
representa o grande baile do casamento          comuns a viola e o violão. Nossos com-
que hipoteticamente se realizou.                positores deram um colorido brasileiro à
    Esse tipo de dança (quadrille) surgiu       sua música e hoje uma das canções pre-
em Paris no século XVIII, tendo como            feridas para dançar a quadrilha é Festa na
origem a contredanse française, que por         roça, de Mario Zan.
sua vez é uma adaptação da country dance             O marcador, ou “marcante”, da qua-
inglesa, segundo os estudos de Maria            drilha desempenha papel fundamental,
Amália Giffoni.                                 pois é ele que dá a voz de comando em
    A quadrilha foi introduzida no Brasil du-   francês não muito correto misturado com o
rante a Regência e fez bastante sucesso nos     português e dirige as evoluções da dança.
salões brasileiros do século XIX, prin-         Hoje, dança-se a quadrilha apenas nas
cipalmente no Rio de Janeiro, sede da Corte.    festas juninas e em comemorações festivas
                                                                                              51
no meio rural, onde apareceram outras          com gola alta, cintura marcada, mangas
     danças dela derivadas, como a quadrilha        “presunto” e botinas de salto abotoadas do
     caipira, no Estado de São Paulo, o baile       lado. Os cavalheiros vestiam paletó até o
     sifilítico, na Bahia e em Goiás, a saruê       joelho, com três botões, colete, calças
     (combina passos da quadrilha com outros        estreitas, camisa de colarinho duro, gravata
     de danças nacionais rurais e sua marcação      de laço e botinas.
     mistura francês e português), no Brasil Cen-       Hoje em dia, na tradição rural brasileira,
     tral, e a mana-chica (quadrilha sapateada)     o vestuário típico das festas juninas não difere
     em Campos, no Rio de Janeiro.                  do de outras festas: homens e mulheres usam
           A quadrilha é mais comum no Brasil       suas melhores roupas. Nos centros urbanos,
     sertanejo e caipira, mas também é dançada      há uma interpretação do vestuário caipira
     em outras regiões de maneira muito             ou sertanejo baseada no hábito de
     própria, caso de Belém do Pará, onde há        confeccionar roupas femininas com tecido de
     mistura com outras danças regionais. Ali,      chita florido e as masculinas com tecidos de
     há o comando do marcador e durante a           algodão listrados e escuros. Assim, as roupas
     evolução da quadrilha dança-se o carimbó,      usadas para dançar a quadrilha variam
     o xote, o siriá e o lundum, sempre com os      conforme as características culturais de cada
     trajes típicos.                                região do país.
                                                        Os trajes mais comuns são: para os
            Trajes Usados na Dança                  cavalheiros, camisa de estampa xadrez,
                                                    com imitação de remendos na calça e na
         No fim do século XIX as damas que          camisa, chapéu de palha, talvez um lenço
     dançavam a quadrilha usavam vestidos até       no pescoço e botas de cano; as damas
     os pés, sem muita roda, no estilo blusão,      geralmente usam vestidos com estampas
52
florais, de cores fortes, com babados e              “B ALANCÊ” E “TUR” (balanceio e giro): :
rendas, mangas bufantes e laçarotes no           damas e cavalheiros fazem o passo no
cabelo ou chapéu de palha.                       lugar, balançando os braços naturalmente,
                                                 e giram dançando juntos.
    Sugestão para a Evolução da                      GRANDE PASSEIO: as damas colocam-se
         Quadrilha Caipira                       à direita dos cavalheiros e os dois dão-se
                                                 os braços. Do lado de fora o outro braço
    CAMINHO DA FESTA: os pares seguem atrás
                  ESTA                           continua balanceando ao longo do corpo.
dos noivos, iniciando a dança e parando em       Formam um círculo e seguem dançando.
determinado momento no centro terreiro.          Quando o marcador anuncia nova evolu-
    ANARIÊ (do francês en arrière, para trás):
                                             :   ção, a progressão cessa e os participantes
as damas e os cavalheiros se separam (4          fazem o que foi ordenado.
metros, aproximadamente), formando duas              “CHANGÊ” DE DAMAS (trocar de damas):   :
colunas.                                         no grande passeio, os cavalheiros avançam
    OS CAVALHEIROS CUMPRIMENTAM AS DAMAS:
                       UMPRIMENTAM               e colocam-se ao lado da dama imediata-
eles se aproximam das damas, cumprimen-          mente à frente. Se for dito “mais uma vez”,
tando-as. Flexionam o tronco, mantendo a         repetem o movimento. Os comandos
cabeça erguida, e voltam a seus lugares,         “passar duas” e “passar quatro” também
caminhando de costas.                            são executados pelo cavalheiro.
    AS DAMAS CUMPRIMENTAM OS CAVALHEIROS:
                 UMPRIMENTAM                         OLHA O TÚNEL: os noivos, que estão na
elas repetem a evolução dos cavalheiros.         frente, param e elevam os braços internos
    SAUDAÇÃO GERAL: tanto as damas como          para cima e, de mãos dadas, fazem o túnel.
os cavalheiros andam para a frente e,            O segundo par flexiona o tronco, passa pelo
quando se encontram, cumprimentam-se.            túnel, coloca-se à frente dos noivos e eleva
                                                                                                53
os braços, e assim sucessivamente, até que           J Á C ONSERTOU! : voltam a dançar no
                                                                ONSERTOU

     todos passem. Executa-se o passo no lugar       outro sentido.
     durante essa evolução.                               OLHA O CARACOL!: em coluna e com as mãos
         SEGUE O PASSEIO: é a voz de comando         ainda sobre os ombros de quem está à frente,
     para que o grande passeio continue.             todos obedecem às ordens do marcador, que
         CAMINHO DA ROÇA: as fileiras de damas e     começará a descrever um percurso cheio de
     cavalheiros fundem-se, formando uma só co-      curvas que fazem lembrar o casco de um ca-
     luna. O primeiro segura, com as mãos à altura   racol. Quando o marcador disser “desvirar”, o
     dos ombros, as mãos de quem está atrás. Os      guia deverá fazer as curvas em sentido contrário,
     demais colocam as mãos nos ombros de            voltando a dançar em linha reta.
     quem está à sua frente. A coluna progride,           FORMAR A GRANDE RODA: os participantes
     fazendo curvas para um lado e para outro,       da quadrilha dão as mãos formando uma
     como se fosse uma serpente. O marcador da       grande roda e, ao ouvir a voz de comando
     quadrilha continua dando voz de comando.        “à direita”, “à esquerda”, deverão se des-
         OLHA A CHUVA!: todos dão meia-volta.        locar no sentido determinado pelo marcador.
         J Á P A S S O U ! : todos dão meia-volta         DAMAS AO CENTRO: as damas formam
     novamente dizendo “ehh!”.                       uma roda no centro e deslocam-se no
         O LHA A C OBRA! : as damas gritam e         sentido indicado pelo marcador.
     pulam, os cavalheiros procuram segurá-las            COROA DE ROSAS: os cavalheiros, de mãos
     em seus braços.                                 dadas, erguem os braços na vertical sobre a
         É MENTIRA! : os “caipiras” ou “matutos”     cabeça das damas, como se as coroassem,
     continuam o passo e gritam “uhh!”.              depois abaixam os braços passando-os pela
         A PONTE QUEBROU! : todos dão meia-          frente, até a altura da cintura das damas,
     volta novamente.                                contornando-as. Fazem o passo no lugar
54
durante a coroação. Depois podem               festas juninas, o fandango tem sentidos
deslocar-se “à direita” e “à esquerda”.        diferentes de acordo com a localidade.
     COROA DE ESPINHOS: nesse momento, são         No Sul (Paraná, Santa Catarina, Rio
as damas quem elevam os braços sobre a         Grande do Sul e até em São Paulo) o fan-
cabeça dos cavalheiros, coroando-os.           dango é um baile com várias danças
     O LHA O GRANDE P ASSEIO! : repetem a      regionais: anu, candeeiro, caranguejo,
formação descrita anteriormente.               chimarrita, chula, marrafa, pericó, quero-
     V AI COMEÇAR O GRANDE BAILE. OLHA A       quero, cana-verde, marinheiro, polca, etc.
VALSA DOS NOIVOS!: os noivos entram no cen-    A coreografia não é improvisada e segue a
tro da roda e dançam juntos.                   tradição.
     O L H A O S P ADRINHOS ! : os padrinhos       O fandango se divide em três grupos
dançam no centro da roda.                      nessa região:
     BAILE GERAL!: todos os pares dançam no
centro da roda.                                     1. BATIDOS: caracterizam-se pelo forte
     O GRANDE BAILE ESTÁ ACABANDO. VAMOS       sapateado, barulhento, que quase abafa o
NOS DESPEDIR DO PESSOAL! : todos executam a    conjunto de tocadores. Apenas os homens
evolução do grande baile e se retiram do       sapateiam.
centro do terreiro, despedindo-se das pes-          2. VALSADOS: dança lenta com pares
soas que estão assistindo.                     fixos, do começo ao fim.
                                                    3. MISTOS: as valsas são intercaladas
                                                          ISTOS

               Fandango                        de batidos.

     Dançado em várias regiões do país em         Em São Paulo, o fandango é uma
festividades católicas como o Natal e as       dança que se aproxima do cateretê e às
                                                                                             55
vezes é sinônimo de chula (bailado                        Eu plantei caninha-verde
     masculino muito comum no Rio Grande do                     sete palmos de fundura.
     Sul, de coreografia agitada e bastante                   Quando foi de madrugada
     complexa).                                                  a cana ’stava madura.
          No Norte do Brasil, o fandango não é             Uai, uai, sete palmos de fundura.
     baile nem dança de par ou individual. É                  Quando foi de madrugada
     sempre um auto popular, seqüência de temas                  a cana ’stava madura.
     com certa articulação, que tem origem na                  Pra cantar caninha-verde
     convergência das cantigas portuguesas,                       não precisa imaginá.
     como aponta Cascudo (1988, p. 320 e 321),                De qualquer folha de mato
     e está presente no nosso país desde a                      tiro um verso pra cantá.
     primeira década do século XIX.                         Eu tenho um chapéu de palha,
          Já no Nordeste brasileiro, o fandango                  de pano não posso ter.
     é o auto característico dos marujos, sendo               De palha eu mesmo faço,
     conhecido também como chegança dos                           de pano não sei fazer.
     marujos ou marujada.                                    Eu tenho um chapéu de palha
          A cana-verde dançada principalmente
            cana-verde,                                      que custou mil e quinhentos.
     no Sul e no Centro do Brasil, apesar de fazer          Quando eu ponho na cabeça
     parte do fandango, também é bem popu-                     não me falta casamento.
     lar em outras festividades. Nas festas juninas,
     as quadras dessa dança são geralmente                            Formação
     improvisadas, podendo encarregar-se des-
     sa tarefa tanto os violeiros como os próprios        Forma-se uma roda em fila, no sentido
     dançadores.                                       dos ponteiros do relógio. A cana-verde
56
pode ser dançada só por homens e                  o bumba-meu-boi tem características dife-
também por pares.                                 rentes e recebe inclusive denominações
                                                  distintas de acordo com a localidade em que
               Movimentação                       é apresentado: no Piauí e no Maranhão,
                                                  chama-se bumba-meu-boi; na Amazônia,
    Os participantes deslocam-se, saindo          boi-bumbá; em Santa Catarina, boi-de-
com o pé esquerdo (eu); no quarto passo,          mamão; no Recife, é o boi-calemba e no
batem o pé direito (verde) com uma palma          Estado do Rio de Janeiro, folguedo-do-boi.
para o centro da roda. Quando cantam                   O enredo da dança é o seguinte: uma
“madrugada”, a palma deverá estar do              mulher grávida (cujo nome varia de acordo
lado de fora, sempre junto com o pé               com a região do Brasil) sente vontade de
direito. No refrão (uai, uai) a roda faz meia-    comer língua de boi. O marido resolve
volta, girando no sentido contrário, e segue      atender a seu desejo e mata o primeiro boi
sempre a mesma movimentação, ou seja,             que encontra. Logo depois, o dono do boi,
uma palma para dentro e outra para fora,          que era seu patrão, aparece e fica muito
sempre batendo com o pé direito.                  zangado ao ver o animal morto. Para con-
    No Maranhão, essa dança é executada           sertar a situação, surge um curandeiro, que
de forma bastante semelhante à da                 consegue ressuscitar o boi. Nesse momento,
quadrilha.                                        todos se alegram e começam a brincar.
                                                       Os participantes do bumba-meu-boi
            Bumba-meu-boi                         dançam e tocam instrumentos enquanto as
                                                  pessoas que assistem se divertem quando
     Dança dramática presente em várias           o boi ameaça correr atrás de alguém. O
festividades, como o Natal e as festas juninas,   boi do espetáculo é feito de papelão ou
                                                                                                57
madeira e recoberto por um pano colorido.        teado, além do canto acompanhado por
     Dentro da carcaça, alguém faz os movi-           guitarras e violões. Em geral, a música é
     mentos do boi.                                   executada como compasso binário, com
                                                      certo predomínio de sons rebatidos.
                    Lundu                                  Essa dança é típica das festas juninas
             (lundum/londu/landu)                     nos Estados do Norte (como parte da qua-
                                                      drilha tradicional e independente desta),
          De origem africana, o lundu foi trazido     Nordeste e Sudeste do Brasil.
     para o Brasil pelos escravos vindos prin-
     cipalmente de Angola. Nessa dança,                                Cateretê
     homens e mulheres, apesar de formar pares,
     dançam soltos.                                        Dança rural do Sul do país, o cateretê
          A mulher dança no lugar e tenta seduzir     foi introduzido pelos jesuítas nas comemo-
     com seus encantos o parceiro. A princípio        rações em homenagem a Santa Cruz, São
     ela demonstra certa indiferença, mas, no         Gonçalo, Espírito Santo, São João e Nossa
     desenrolar da dança, passa a mostrar in-         Senhora da Conceição. É uma dança bas-
     teresse pelo rapaz, que a seduz e a envolve.     tante difundida nos Estados de São Paulo,
     Nesse momento, os movimentos são mais            Rio de Janeiro e Minas Gerais e também
     rápidos e revelam a paixão que passa a           está presente nas festas católicas do Pará,
     existir entre os dançarinos. Logo o cavalheiro   Mato Grosso e Amazonas.
     passa a provocar outra dama e o lundu                 Nas zonas litorâneas, geralmente é
     recomeça com a mesma vivacidade.                 dançado com tamancos de madeira dura. No
          O lundu é executado com o estalar dos       interior desses Estados, os dançarinos dançam
     dedos dos dançarinos, castanholas e sapa-        descalços (Taubaté, Cunha, Lagoinha) ou usam
58
esporas nos sapatos (Barretos, Guaratinguetá,   duas fileiras, com acompanhamento de
Itararé). Em algumas cidades o cateretê é       viola, cantos, sapateado e palmas. Os saltos
conhecido como catira (Araçatuba, Nazaré        e a formação em círculo aparecem rapida-
Paulista, Piracaia e Pereira Barreto).          mente. Os dançarinos não cantam, apenas
     Em geral, o cateretê é dançado apenas      batem os pés e as mãos e acompanham a
por homens, porém, em alguns Estados,           evolução. As melodias são cantadas por dois
como Minas Gerais, as mulheres também           violeiros, o mestre, que canta a primeira voz,
participam da dança. Os dançarinos formam       e o contramestre, que faz a segunda.




                                                                                                 59
60
6                                                               Jogos Juninos


   O        s jogos que valem prendas são
            uma atração tradicional nas
festas juninas. Dividem-se em jogos de
                                               sebo é então solidamente plantado no chão
                                               e muitas vezes recebe, no topo, um triângulo
                                               de madeira ao qual se amarra dinheiro
terreiro e jogos de barracas.                  (uma cédula de valor alto ou um depósito
                                               repleto de dinheiro).
           Jogos de Terreiro                        A brincadeira consiste em, abraçado ao
                                               pau-de-sebo, tentar subir e alcançar o
Pau-de-sebo                                    prêmio. Como o mastro foi revestido com
    Brincadeira que anima as festas juninas,   cera, dificilmente os que participam da
principalmente a festa em homenagem a          brincadeira conseguem subir até seu topo,
São Pedro no Sudeste, e também está            Escorregam até perto do chão e voltam a
presente nas festas natalinas, no Nordeste.    insistir várias vezes, até desistir ou atingir o
O pau-de-sebo é um mastro (não confundir       alvo, quando recebem palmas e vivas das
com o mastro dos santos juninos) de            pessoas que estão assistindo.
madeira envernizada com aproximada-
mente 5 metros de altura. É cuidadosa-         Catar amendoim
mente preparado: tiram-se todos os                 Cada criança deve apanhar, com uma
nódulos da madeira, que depois é lixada,       colher, os amendoins colocados à sua
e passa-se sebo de boi ou cera. O pau-de-      frente, a uma certa distância, e levá-los
                                                                                                  61
para seu lugar, junto à linha de partida,     Corrida de três pés
     um de cada vez. Vence quem primeiro               Cada jogador amarra a sua perna
     reunir cinco grãos.                           esquerda à perna direita do parceiro e,
                                                   assim, os dois pulam até a linha de chegada.
     Corrida de funis
          Introduzir dois funis numa corda, com               Jogos de Barracas
     a parte mais estreita voltada para um laço
     feito no centro. Os jogadores terão de,       Acertar o Alvo
     apenas soprando, levar os funis até o laço.       Cada jogador recebe três bolinhas e,
                                                   de certa distância, procura jogá-las dentro
     Corrida do saci                               da boca de um grande caipira, desenhado
        Riscar no chão duas linhas paralelas,      em cartolina. Em algumas regiões, um pa-
     sendo uma a de chegada. Ao sinal combi-       lhaço substitui o caipira no cartaz.
     nado, as crianças saem pulando num pé só
     em direção à linha de chegada.                Jogo de argolas
                                                       Colocam-se várias garrafas estrategi-
     Corrida de sacos                              camente no centro de uma barraca. Cada
         Semelhante à corrida do Saci, cada        jogador recebe determinado número de
     jogador faz o percurso com o corpo enfiado    argolas e tenta encaixá-las nas garrafas.
     num saco bem preso à cintura.
                                                   Pescaria
                                                       Num tanque de areia, colocam-se
                                                   peixinhos feitos de lata ou papelão. Cada
                                                   um tem na boca uma argolinha, que deverá
62
ser enganchada pelo anzol do pescador, ou
jogador. Cada peixinho tem um número que
corresponde a uma prenda.

Tiro ao Alvo
    Coloca-se um alvo a certa distância; o
jogador deverá acertá-lo utilizando dardos.

Toca do Coelho
    Várias tocas numeradas são espalha-
das num espaço fechado da barraca. Os
jogadores apostam em determinada
toca. Quando se solta ali um coelhinho,
vence o jogador da toca em que ele
primeiro entrar.




                                              63
64
7                                                         Músicas Juninas



    A     s músicas típicas das festas juninas
          podem ser apenas cantadas ou
também dançadas. Até hoje muitas são
                                                    as de Derramando o gai (coco de Luiz
                                                 Gonzaga e Zé Dantas):

compostas especialmente pelos nordes-                   Eu nesse coco num vadeio mai,
tinos, e formam o repertório do forró, que              apagaro o candihero,
se transformou em baile realizado não                   derramaro o gai
apenas no período junino.                               Apagaro o candihero,
    Entre os compositores e cantores mais               derramaro o gai.
famosos, destaca-se o pernambucano Luiz                 Coisa boa nesse escuro
Gonzaga. Algumas estrofes de suas músicas               eu sei que não sai.
são conhecidas de todos os brasileiros,
como as de Olha pro céu, meu amor (em                   Já não tão mai respeitando
parceria com José Fernandes):                           nem eu qui sou pai,
                                                        pois me dero um beliscão,
          Olha pro céu, meu amor.                       quase a carça cai.
           Vê como ele está lindo.                      Não se pr’onde vai
        Olha praquele balão multicor                    por isso nesse coco
         como no céu vai sumindo                        num vadeio mai
                                                                                           65
Capelinha de melão
                                                  (João de Barros e Adalberto Ribeiro)


                                                    Capelinha de melão
                                                    é de São João.
        e as de São João na roça (em parceria       É de cravo, é de rosa,
     com Zé Dantas):                                é de manjericão.
                                                    São João está dormindo,
        A fogueira tá queimando                     não me ouve não.
        em homenagem a São João.                    Acordai, acordai,
        O forró já começou.                         acordai, João.
        Vamos, gente, arrasta pé nesse salão.       Atirei rosas pelo caminho.
                                                    A ventania veio e levou.
         Algumas das músicas juninas mais           Tu me fizeste com seus espinhos
     conhecidas, pelo menos na Região Sudeste,      uma coroa de flor.
     são as seguintes:

                   Cai, cai, balão                    Pedro, Antônio e João
                                                 (Benedito Lacerda e Oswaldo Santiago)
        Cai, cai, balão.
        Cai, cai, balão.                            Com a filha de João
        Aqui na minha mão.                          Antônio ia se casar,
        Não vou lá, não vou lá, não vou lá.         mas Pedro fugiu com a noiva
        Tenho medo de apanhar.                      na hora de ir pro altar.
66
A fogueira está queimando,        São João ficou zangado.
o balão está subindo,             São João só dá cartão
Antônio estava chorando           com direito a batizado.
e Pedro estava fugindo.
                                  São João não me atendendo
E no fim dessa história,          a São Pedro fui correndo.
ao apagar-se a fogueira,          No portão do paraíso
João consolava Antônio,           disse o velho num sorriso:
que caiu na bebedeira.            ”Minha gente eu sou chaveiro,
                                  nunca fui casamenteiro”.

Isto é lá com Santo Antônio
        (Lamartine Babo)


Eu pedi numa oração
ao querido São João
que me desse um matrimônio.

São João disse que não,
São João disse que não,
isto é lá com Santo Antônio.
Implorei a São João
desse ao menos um cartão
que eu levasse a Santo Antônio.
                                                                  67
Balãozinho

     Venha cá, meu balãozinho.      Toda mata pega fogo.
     Diga aonde você vai.           Passarinhos vão morrer.
     Vou subindo, vou pra longe,    Se cair em nossas matas,
     vou pra casa dos meus pais.    o que pode acontecer.
                                    Já estou arrependido.
     Ah, ah, ah, mas que bobagem.   Quanto mal faz um balão.
     Nunca vi balão ter pai.        Ficarei bem quietinho,
     Fique quieto neste canto       amarrado num cordão.
     e daí você não sai.




68
Chegou a hora da fogueira          Sonho de papel
        (Lamartine Babo)        (Carlos Braga e Alberto Ribeiro)


Chegou a hora da fogueira.    O balão vai subindo,
É noite de São João.          vem caindo a garoa.
O céu fica todo iluminado,    O céu é tão lindo
fica todo estrelado,          e a noite é tão boa.
pintadinho de balão.
                              São João, São João,
Pensando na cabocla a noite   acende a fogueira
também fica uma fogueira      no meu coração.
dentro do meu coração.
Quando eu era pequenino,      Sonho de papel
de pé no chão,                a girar na escuridão
recortava papel fino          soltei em seu louvor
pra fazer balão.              no sonho multicor.
E o balão ia subindo
para o azul da imensidão.     Oh! Meu São João.
Hoje em dia meu destino       Meu balão azul
não vive em paz.              foi subindo devagar.
O balão de papel fino
já não sobe mais.             O vento que soprou
O balão da ilusão             meu sonho carregou.
levou pedra e foi ao chão.    Nem vai mais voltar.
                                                                   69
Sem título                      As moça dançam com o padre,
     (Djalma da Silveira Allegro e Paulo Soveral)   as véia com o delegado.
                                                    Uns ainda tão na mesa
          A mesa tá preparada,                      comendo doce e salgado.
          os conviva vão chegando,
          o quentão vai se servido,                 A fogueira vai queimando
          o leitão tá esturricando.                 que dá gos to a gente vê.
          Tem pipoca, tem pamonha,                  As estrelas ain da piscando,
          mio verde com fartura.                    o sol quase pra nascê.
          Tem cabrito e frango assado,              Tá todo mundo esperando
          tem doce de rapadura.                     otro dia amanhe cê…
          Tem tanta coisa gostosa
          que barriga quase fura…
          Chame o Mané Sanfoneiro
          que o baile vai começá!
          Vamos dançá a quadrilha,
          cada um no seu lugar.                          Pula a fogueira
                                                             (João B. Filho)
          E a festança continua,
          continua o arrasta-pé.                    Pula a fogueira Iaiá,
          Dança home com otro home                  pula a fogueira Ioiô.
          e muié com otra muié.                     Cuidado para não se queimar.
          Um já gastô as butinas,                   Olha que a fogueira
          otro já sentô cansado.                    já queimou o meu amor.
70
Nesta noite de festança    Nesta noite de folguedo
todos caem na dança        todos brincam sem medo
alegrando o coração.       a soltar seu pistolão.
Foguetes, cantos e troca   Morena flor do sertão,
na cidade e na roça        quero saber se tu és
em louvor a São João.      dona do meu coração.




                                                     71
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8                                                                     O Mastro


    C      omo os demais elementos das
           festas juninas que estão direta-
mente relacionados com a época da co-
                                                de meia-idade que segura o menino Jesus
                                                nos braços; São João é uma criança de
                                                cabelos encaracolados que tem um carnei-
lheita (do milho, principalmente, no Brasil),   rinho no colo, simbolizando Jesus Cristo,
os mastros são símbolos da fecundação           apontado por São João Batista como o
vegetal, segundo o folclorista Câmara           verdadeiro Cordeiro de Deus; São Pedro
Cascudo (1988, p. 481 e 482).                   aparece na bandeira como uma pessoa
     No topo do mastro, que deve ter mais       idosa que tem nas mãos as chaves do céu.
ou menos 5 a 6 metros de altura, fica a ban-         A preparação do mastro, até a ocasião
deira do santo padroeiro da festa, símbolo      de seu erguimento, é parte essencial das
da sua presença durante a festividade. A        festas em homenagem aos santos juninos,
crença popular é de que o mastro tem o          principalmente São João. O mastro recebe
poder de sinalizar, dependendo do lado          um tratamento especial desde o momento
para onde virar a bandeira que está no seu      da escolha da madeira. O tronco da árvore
topo, muita prosperidade ou morte.              deve ser o mais reto possível e ser cortado
     Em alguns lugares, colocam-se três         em uma sexta-feira de lua minguante por
bandeiras sobre o mastro, cada uma com          três pessoas que, antes de derrubá-lo, de-
a figura de um dos santos juninos: Santo        vem rezar o Pai-Nosso. No momento em
Antônio é representado como um homem            que a árvore é derrubada e cai no chão,
                                                                                              73
esses homens, em sinal de respeito, devem       azul e o vermelho são as cores preferidas.
     tirar o chapéu e evitar cuspir naquele lugar.   Evita-se pôr pregos no mastro e é geral-
          O transporte do tronco escolhido para      mente o promotor da festa quem determina
     mastro também requer cuidado especial.          onde será feito o buraco para levantá-lo.
     A madeira deve ser colocada sobre um tipo           Também são chamadas de mastro as
     de andor ou nos ombros dos homens, que          árvores que em geral nessa época, mais
     não precisam ser os mesmos que derru-           especificamente no dia de cada santo ju-
     baram a árvore. Na verdade, todos os            nino, são plantadas em frente às casas dos
     homens que participarão da festa querem         roceiros enquanto eles rezam a oração
     carregá-lo pelo menos por alguns                Salve-Rainha. Depois de erguidas, essas
     instantes, até o seu levantamento. As           arvorezinhas são decoradas com fitas,
     mulheres levam a bandeira que será              flores, laranjas espetadas nos galhos e
     colocada em seu topo.                           cipós de flor-de-são-joão. Seu pé fica repleto
          A preparação do mastro não inclui          de ovos de galinha, grãos de milho e feijão,
     necessariamente a pintura. Quando ele é         para assegurar que a colheita seja farta e
     pintado, em geral adquire uma só cor no         haja uma boa produção de ovos, sem
     Norte do Brasil e duas cores no Sul, onde o     pestes nem doenças.




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75
76
9                                        Comidas e Bebidas Juninas


   P   rodutos agrícolas genuinamente
       americanos, como milho, amen-
doim, batata-doce e mandioca, cultivados
                                              modo de preparo dos pratos e temperos
                                              variados — que provocaram mudanças no
                                              processamento desses produtos.
pela população indígena, tornaram-se a            Hoje eles constituem o cardápio básico
base da alimentação dos brasileiros. Os       das festas juninas, acrescentando-se pro-
portugueses trouxeram a tecnologia, como      dutos regionais como o pinhão sulino, as
o forno de fazer farinha, e costumes —        castanha-de-caju e a do pará.




                            Arroz-Doce
    Arroz lavado
    Leite, açúcar (ou leite condensado)
    Canela em pau
    Raspas de limão ou laranja
    Canela em pó
    Cozinhe o arroz na água com a canela em pau e, se quiser, com
as raspas de limão ou laranja. Depois de cozido, acrescente o leite
quente e o açúcar ou leite condensado. Salpique canela em pó.
                                                                                           77
Bolo de Batata-Doce
                 1 quilo de batatas-doces cozidas e amassadas
                 3 xícaras de açúcar refinado
                 4 gemas, leite puro de 1 coco
                 120 gramas de manteiga
                 100 gramas de castanhas-do-pará torradas e moídas
                 1 xícara de farinha de trigo
                 1 colher de chá de fermento
                 2 claras em neve
          Misture a batata-doce com todos os ingredientes. Se ficar
     pesado, junte um pouco de leite de vaca. Bata bem e coloque, por
     último, as claras em neve. Forno quente em fôrma untada.

                              Bolo de Fubá
                   1 xícara e meia de açúcar
                   1 xícara e meia de farinha de trigo
                   1 xícara de fubá
                   1 xícara de óleo
                   1 xícara de leite
                   1 colher de chá de fermento
                   3 ovos
                   1 colher de chá de erva-doce
         Bata todos os ingredientes e leve ao forno para assar, de
     preferência numa forma com buraco no meio.
78
Bolo de Fubá Cozido
    2 xícaras de chá de fubá
    2 xícaras de chá de açúcar
    2 xícaras de chá de leite
    2 colheres de sopa cheias de manteiga
    1 colher de chá de erva-doce
    4 cravos-da-índia
    1 rama de canela
    1 pitada de sal
    Faça um mingau com todos os ingredientes, mexendo sempre
até ficar solto da panela. Deixe esfriar.
    4 ovos
    1 colher de sopa bem cheia de fermento em pó
    1 xícara de chá de leite
    1 pires de queijo parmesão ralado
    Bata as claras em neve e adicione as gemas batendo um pouco
mais. Junte ao mingau já frio, adicione o fermento em pó dissolvido
no leite e o queijo parmesão ralado. Leve ao forno quente em
fôrma untada com manteiga.




                                                                      79
Bolo de Macaxeira
         1 quilo de macaxeira crua ralada
         1 coco ralado
         1/2 litro de leite
         1 colher de sopa de manteiga
         Açúcar a gosto
         Misture tudo e leve ao forno em fôrma untada.

                                 Bolo de Milho
         500 gramas de milho para angu (xerém)
         1 colher de chá de erva-doce
         2 cocos
         250 gramas de açúcar refinado
         3 xícaras de água quente para retirar o leite dos cocos
         Sal a gosto
         2 colheres de sopa de fubá
         Cozinhe o xerém no leite de coco. Depois de cozido, acrescente
     os outros ingredientes e leve a assar em tabuleiros untados. Uma
     vez assado, corte em retângulos.

                            Bolo de Milho Elétrico
         1 lata de milho sem água
         1 medida da lata de açúcar
         1 medida da lata de milho de leite de coco
80
1 medida da lata de flocos de milho
     3 ovos inteiros
     1/2 pote pequeno de margarina
     Bata bem o milho (sem a água) com o leite de coco e os ovos no
liquidificador, acrescente os demais ingredientes, um por vez, batendo
sempre até formar uma massa homogênea. Asse em forno regular,
em fôrma bastante untada e polvilhada. Assim que desenformar,
polvilhe açúcar peneirado por cima do bolo ainda quente.

                        Bolo de Milho Verde
    6 espigas de milho verde
    2 xícaras de chá de leite
    2 colheres de sopa de margarina derretida
    2 xícaras de chá de açúcar
    4 ovos
    1 colher de café de canela em pó
    1 colher de sobremesa de fermento em pó
    Retire os grãos de milho verde com uma faca afiada, cortando-
os rente ao sabugo. Coloque o milho e o leite no liquidificador e
bata muito bem. Junte os ovos, o açúcar, a canela e a margarina,
batendo até ficar uma mistura homogênea. Finalmente acrescente
o fermento. Unte muito bem uma assadeira com margarina. Leve
ao forno por aproximadamente 40 minutos. Deixe esfriar durante
duas a três horas e corte em quadradinhos.
                                                                         81
Bolo de Santo Antônio
         250 gramas de farinha de trigo
         250 gramas de manteiga
         8 ovos
         250 gramas de açúcar
         10 gramas de erva-doce
         100 gramas de castanhas-do-pará assadas sem casca
         Misture o açúcar com a manteiga até ficarem bem ligados,
     acrescente a erva-doce e vá colocando as gemas uma a uma,
     mexendo sempre. Bata bastante e, por fim, junte a farinha de trigo.
     Asse em fôrma redonda, untada e forrada com papel vegetal,
     também untado. Forno regular. Com as claras, faça uma massa
     de suspiro e cubra o bolo depois de assado, enfeitando-o com
     castanhas. Volte ao forno para o suspiro dourar.

                              Bolo de São João
         1 tigela de massa de mandioca lavada
         14 gemas de ovos
         1/2 quilo de açúcar
         100 gramas de manteiga
         1 xícara de leite de coco
         Bata as gemas e, quando estiverem bem batidas, acrescente
     100 gramas de manteiga e 1 xícara de leite de coco sem água.
     Junte os demais ingredientes e continue a bater até que tudo esteja
82
bem ligado. Leve ao forno regular numa assadeira untada com
manteiga.

                           Bolo Souza Leão
     1 quilo de açúcar
     4 cocos
     2 quilos de mandioca mole
     400 gramas de manteiga
     5 xícaras de água
     12 gemas
     1 pitada de sal
     Desmanche a mandioca em bastante água. Peneire. Ponha num
saco grande e lave bastante, até perder completamente a goma.
Esprema e pese 1 quilo. Coloque a massa em uma tigela grande
e “machuque” as gemas uma a uma. Reserve.
     Com 3 xícaras de água quente, retire o leite dos cocos e acrescente
à massa. Faça uma calda rala com o açúcar e 2 xícaras de água,
desmanche nela a manteiga e despeje-a quente na massa, aos
poucos, mexendo com uma colher de pau. Tempere com sal. Peneire
e leve a assar em fôrma untada. Forno quente. Está assado quando,
introduzindo um palito no bolo, ele sair melado com uma massa
ligada, como grude.



                                                                           83
Broa de Fubá
          700 gramas de farinha de trigo
          300 gramas de fubá
          150 gramas de açúcar
          150 gramas de margarina
          10 gramas de sal (1 pitada)
          100 gramas de fermento de pão
          Erva-doce
          Numa bacia, coloque a farinha e, fazendo no centro uma cova,
     junte o fermento desmanchado em um pouco de água ou leite (vai
     dobrar de volume). Acrescente o sal, o açúcar, o fubá, a margarina
     e a erva-doce. Misture e bata bem. Deixe descansar por 40 minutos.
          Faça então as broinhas do formato que quiser e deixe crescer já
     na fôrma untada com manteiga e farinha de trigo ou fubá. Depois
     de crescerem, leve ao forno a 200 graus.

                            Canjica ou Mungunzá
         Milho próprio para canjica
         Leite
         Canela em pau
         Opcionais: casquinhas de limão ou laranja, leite condensado, coco
     ralado, amendoim torrado.
         Deixe o milho da canjica de molho na água de preferência de
     um dia para outro. Cozinhe em água suficiente na panela de
84
pressão por mais ou menos 20 minutos com a canela em pau e, se
quiser, as casquinhas de limão ou laranja. Depois de cozido,
acrescente o leite quente e o açúcar (ou leite condensado) e deixe
ferver mais um pouco (querendo, pode-se pôr também coco ralado
e amendoim torrado).

                       Canjica Pernambucana
     25 espigas de milho verde
     1 xícara de leite de coco grosso
     4 litros de leite de coco ralo
     3 xícaras de açúcar refinado
     1 colher de sopa de manteiga
     1 colher de sopa rasa de sal
     1 xícara de chá de erva-doce
     50 gramas de queijo de manteiga ralado (opcional)
     Rale as espigas e lave a massa com parte do leite ralo em
peneira finíssima. Passe na máquina de carne (peça sem dente) ou
no liquidificador. Junte o resto do leite ralo e leve ao fogo, mexendo
sempre com colher de pau. Depois de meia hora de fervura,
acrescente os outros ingredientes e, por último, o leite grosso.
Cozinhe com fervura constante, sempre mexendo. Despeje em
pratos e polvilhe com canela em pó.



                                                                         85
Curau
          Espigas de milho verde
          Açúcar
          Água (ou leite)
          Canela em pó
          Retire o milho da espiga com uma faca, rale-o ou bata-o no
     liquidificador e passe-o em peneiras finas, apertando bem com
     uma colher para obter o suco. Junte o açúcar e leve ao fogo,
     acrescentando água ou leite e mexendo sempre com uma colher
     de pau, até que o creme fique totalmente cozido. Despeje em
     recipientes untados com água fria e salpique canela em pó.
          Com o farelo que sobrou na peneira ao preparar o curau,
     aproveite para fazer bolinhos de milho verde fritos. Basta
     acrescentar ovos, sal, um pouco de óleo e uma pitada de fermento.
     Com uma colher, em panela com óleo quente, vá fritando pequenas
     quantidades de massa.

                              Cuscuz de Milho
          250 gramas de flocos de milho
          1 coco raspado
          Sal ou açúcar a gosto
          Água
          Com a água salgada, umedeça os flocos de milho, misture bem
     e leve a cozinhar no cuscuzeiro. Ou faça o seguinte: ferva água numa
86
chaleira; coloque a massa em um pires, formando montes; cubra
com um guardanapo úmido, amarre embaixo do pires e tampe
com ele a boca da chaleira. Em 10 a 15 minutos o cuscuz estará
cozido. Deixe esfriar e ensope-o com leite de coco açucarado e com
um pouquinho de sal. Leve ao fogo e mexa sempre até ferver.

                              Grude
    1 quilo de goma (polvilho)
    250 gramas de coco raspado
    1 colher de café de sal
    Lave a goma até tirar o azedo, passe por um tecido fino e
seque, colocando um pano sobre ela. Quando estiver apenas ú-
mida, passe numa peneira e junte o coco e o sal, misturando bem
para a massa ficar ligada. Leve para assar no forno em assadeira.




                                                                     87
Pamonha com coco
         25 espigas
         2 1/2 xícaras de açúcar refinado
         Leite grosso de 2 cocos
         Leite ralo de 2 cocos (7 xícaras)
         1 xícara de chá de erva-doce
         1 colher de sopa de manteiga derretida
         Cascas de milho verde em formato de saquinhos
         Rale o milho. Com a metade do leite do coco ralo, lave a
     massa e passe-a por peneira mais grossa do que a da canjica.
     Acrescente o restante dos ingredientes. Encha os saquinhos feitos
     com as palhas, amarre-os com tiras finas de palha e leve a cozinhar
     em bastante água fervente com um pouquinho de sal.

                                   Pamonha
          Fazer pamonha no interior é sempre um acontecimento festivo
     que reúne familiares, vizinhos e amigos. Todos dividem as tarefas
     e trabalham num clima de muita alegria e empolgação.

         Espigas de milho verde
         Leite
         Banha
         Açúcar (se for pamonha doce)
         Sal (se for pamonha salgada)
88
Reservar boas palhas de milho para fazer os saquinhos das pamonhas e
também para amarrá-las.
    Descasque e rale as espigas de milho, raspando os sabugos com
uma colher. Acrescente o leite, a banha quente em quantidade suficiente
para uma massa consistente e tempere com açúcar ou com sal.
    Coloque a massa em cada saquinho feito da palha, amarre-
os e leve para cozinhar em um caldeirão com água fervente. Cubra
com sabugos para que as pamonhas afundem na água,
proporcionando cozimento homogêneo.
    OBSERVAÇÃO: na pamonha salgada, pode-se acrescentar, em
cada uma, pedaços de queijo fresco.

                           Pé-de-moleque
    1 quilo de amendoim cru e com casca
    2 copos de açúcar
    1 colher de café de bicarbonato
    Leve uma panela ao fogo com o amendoim e o açúcar e vá
mexendo com uma colher de pau para torrar. Quando estiver
caramelado, apague o fogo e jogue o bicarbonato.
    Mexa bem e jogue numa superfície de mármore devidamente
untada com manteiga. Deixe esfriar e quebre os pedaços.




                                                                           89
Pé-de-moleque da Amazônia
         1 quilo e meio de massa de macaxeira (aipim ou mandioca) mole
         2 cocos
         600 gramas de açúcar refinado
         5 gramas de cravo torrado
         5 gramas de erva-doce torrada
         1 litro de água quente
         300 gramas de castanhas-do-pará torradas e moídas
         100 gramas de castanhas-do-pará torradas para enfeitar
         2 ovos inteiros
         2 gemas
         1 colher de sopa de manteiga derretida
         Desmanche a massa na água; peneire e lave até perder o
     azedo. Esprema e pese 1 quilo. Retire o leite dos cocos com toda a
     água e junte à massa com o restante dos ingredientes. Enfeite com
     castanhas inteiras. Fôrma untada e forno quente.
         Esta receita também pode ser feita de maneira mais simples,
     com macaxeira cozida e amassada, castanha-do-pará, açúcar e
     erva-doce. Misturar bem todos os ingredientes e fazer pequenas
     porções redondas e achatadas. Levar à chapa do fogão a lenha.
     O resultado é uma espécie de bolacha torrada por fora e macia
     por dentro. Essa é uma das delícias culinárias típicas das
     populações ribeirinhas da Amazônia.

90
Pé-de-Moleque de Rapadura
     1 rapadura pura
     1/2 quilo de amendoim torrado sem casca e ligeiramente
     moído ou passado no liquidificador
     1 xícara de café de leite
     1 pedaço médio de gengibre cortado miúdo
     Pique bem a rapadura e leve ao fogo para derreter juntamente
com o leite e o gengibre, mexendo com uma colher de pau. Quando
desmanchar e formar um melado, coloque um pouco deste numa
xícara com água — se estiver no ponto, formará uma bolinha
consistente. Apague o fogo, acrescente o amendoim e bata bem.
Quando o fundo da panela começar a ficar esbranquiçado,
despeje numa superfície de mármore untada com manteiga. Deixe
esfriar e corte os pés-de-moleque.

                           Pipoca Doce
    1 xícara de chá de milho de pipoca
    1 xícara de açúcar
    1 xícara de chá de água
    1 1/2 xícara de óleo
    Misture bem os ingredientes até formar uma calda. Tampe a
panela e deixe a pipoca estourar. Depois de pronta, despeje-a numa
assadeira e deixe esfriar para ficar crocante.

                                                                     91
Pipoca Salgada
        Numa panela ou pipoqueira, coloque o milho de pipoca com
     um pouco de óleo. Tampe a panela, dando umas sacudidelas para
     que os grãos estourem. Acrescente sal e misture bem.

                           Sopa de Milho Verde
         20 espigas de milho verde
         5 espigas de milho maduro
         1 quilo de costelinha de boi
         Temperos secos a gosto
         Sal
         Vinagre
         Coentro
         Cebolinha
         2 dentes de alho amassados
         4 tomates picados
         2 cebolas picadas
         1 pimentão picado
         2 colheres de sopa de extrato de tomate
         Rale os 5 milhos maduros e reserve. Em um caldeirão, refogue
     as costelinhas com todos os temperos secos e verdes e junte os
     grãos dos milhos ralados e as outras espigas de milho. Cubra tudo
     com bastante água e deixe em fogo brando até que as espigas
     estejam cozidas. É preciso mexer constantemente, pois os grãos
92
ralados descem ao fundo do caldeirão. Observe sempre a água
para que o milho cozinhe bem.

                            Tapioca
     Goma
     Sal a gosto
     Coco ralado
     Lave bem a goma para tirar todo o azedo. Deixe secar numa
vasilha coberta com um guardanapo e, quando estiver úmida, passe
na peneira. Ponha sal com muito cuidado, pois ela salga com
facilidade.
     Leve uma frigideira ao fogo e, quando estiver bem quente,
acrescente uma xícara ou um punhado da goma e espalhe com a
mão mesmo em toda a superfície da frigideira. Espalhe por cima
um pouco de coco ralado e polvilhe sobre o coco um pouco de
goma. Quando estiver levantando dos lados, retire e feche em
forma de papel.

                  Para Assar na Fogueira
                          Batata-doce
    Embrulhe em papel-alumínio e coloque na fogueira para
cozinhar. Depois de cozida, abra ao meio e cubra com manteiga
ou queijo catupiry.
                                                                   93
Cebola do reino
         Embrulhe em papel-alumínio e coloque na fogueira para
     cozinhar. Depois de cozida, corte em pedaços e tempere com azeite
     de oliva.

                              Bebidas Juninas
                                   Quentão
          1 garrafa de pinga
          2 xícaras de açúcar
          2 xícaras de água
          Gengibre
          Canela em pau
          Cravo
          Noz-moscada ralada
          Limão cortado em quatro
          Leve ao fogo todos os ingredientes, menos a pinga, e deixe ferver
     até soltar o sabor. Tire do fogo e acrescente a pinga. Leve novamente
     ao fogo até levantar fervura.

                                Vinho Quente
         Vinho tinto
         Canela em pau
         Cravo
94
Gengibre picado
     2 xícaras de açúcar
     2 xícaras de água
     Opcional: frutas picadas (maçã, abacaxi, uva, pêssego...)
     Leve todos os ingredientes ao fogo, menos o vinho e as frutas, e
deixe ferver até soltar o sabor. Tire do fogo e acrescente o vinho,
leve ao fogo novamente até levantar fervura. Se quiser, acrescente
as frutas picadas.




                                                                        95
96
Concurso de Redações
                            Apresentação das Redações Nota 10



    S    andro Silva escreve que ficou bonito
         vestido de noivo e a noiva ficou
linda na dança da quadrilha de sua escola.
                                                a moça Isabel avisou sua prima Maria do
                                                nascimento de seu filho através de uma
                                                fogueira bem alta acendida na noite de
Raiza Ribeiro descreve que São João dormiu      São João.
no dia de seu aniversário e Caroline Cracho          Hugo Bertazoni aprendeu histórias das
que São João, Santo Antônio e São Pedro         festas juninas com seus avós. “Minha avó diz
brigaram no céu para saber qual deles era       que conquistou meu avô em uma dessas fes-
o santo mais importante da festa junina.        tas. “Ela só não diz que deixou Santo Antônio
Letícia Abelha informa que essa festa já teve   de cabeça para baixo, aquela tradicional
o nome de Festa Joanina, porque São João        simpatia para arrumar casamento”. Ele diz
era homenageado.                                saber “que os tempos são outros, mas se
     David Silva afirma que a criançada fica    Deus quiser essas festas nunca vão acabar”.
esperando a hora da comilança e Rodrigo              Essas frases, retiradas das dez redações
da Costa que “soltou balão, que faz parte       de crianças que venceram o Concurso Cul-
da tradição, mas que tomou cuidado para         tural, promovido pela Yoki em 2003, refle-
não queimar nada não”.                          tem duas coisas muito importantes. Primeiro,
     Priscila Brito garante que é preciso ter   são o resultado de um trabalho de pesquisa,
bom coração para entrar na festa, que é         que tão bem faz ao desenvolvimento in-
considerada por Daniel Lisboa como uma          telectual das crianças; segundo, explicitam
das mais antigas e populares do Brasil.         vivências positivas e alegres que acabam
Alessandra Mallmann conta que em uma            conferindo à infância aquela aura mágica que
época que não tinha telefone ou correio,        depois de adultos elas nunca esquecerão!
                                                                                                97
98
“Festas Juninas”
     Conta a lenda dos mais velhos que no dia do seu aniversário São João não conseguiu
ser acordado por sua mãe. Tanto dormiu, que perdeu o mais lindo espetáculo de uma
noite Junina. O céu fica iluminado como se fosse dia, com a explosão dos fogos de artifícios,
dando colorido especial juntando-se ao brilho das estrelas. No chão o calor das fogueiras
a que das noites frias do mês de junho; incendeia o coração dos namorados; que com
suas crendices tradicionais, tiram sua sorte nas brincadeiras e advinhações.
     O clima festeiro de alegria toma conta do povo, da cidade aos lugarejos mais
distantes. O Terreiro se transforma em arraiá, ao som do forró, quadrilha e xaxado ninguém
dança sozinho; somente de rosto colado, o suor castiga o corpo os pés ficam encaliçado
mais o povo não arreda o pé, e quando vem da fé, o dia já tem clareado. Comida não
pode faltar, pamonha, canjica e milho assado. Fica a vontade do próximo São João
poder brincar mais animado.

                                                         RAIZA LEITE VIANA RIBEIRO • RECIFE – PE




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O Arraial da Paz
     Precisamos fazer uma grande festa, a maior possível, bem enfeitada, colorida, com
muitas bandeirinhas, balõezinhos, uma grande fogueira, muita música, e danças, com
muita alegria e inúmeros convidados.
     Com barracas de doces, comidas, bebidas, pipocas, milho-verde e tudo de bom que
existir.
     Vamos fazer brincadeiras, reunir todos os amigos e as famílias, nessa grande festa é
proibido indiferenças, todas as pessoas podem ir, ricos e pobres, brancos e negros, enfim
todos aqueles que querem paz, amor e diversão.
     Nessa festa tudo será dividido haverá muita união, compreensão, afeto, harmonia e
muita esperança no futuro para que se mantenha tudo isso sempre.
     Para entrar nessa festa é preciso ter um bom coração, gostar da natureza e dos animais,
respeitar o próximo e ter fé em Deus.
     Essa festa pode ser comemorada todos os dias do ano, sempre que você quiser.
     É um verdadeiro arraial da paz feito para você, nunca deixe de sonhar, de ser feliz, de
acreditar que o mundo pode ser uma grande festa colorida e que você será sempre o
convidado especial.
     Então vamos todos começar a comemorar dar as mãos e cantar. E se cantarmos bem
alto o mundo irá ouvir e só basta começar.

                                                        PRISCILA NUNES DE BRITO • CAMPINAS – SP

                                                                                                  101
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Briga na Festa Junina
    No céu, São João, Santo Antônio e São Pedro estavam brigando para ver qual era o
santo mais importante das Festas Juninas:
    — Eu sou o santo mais importante das Festas Juninas. As moças me deixam até de
castigo; de ponta cabeça e embaixo da cama. Eu arranjo muitos casamentos sofridamente
e me orgulho disso! — disse Santo Antônio.
    — E eu que além de guardar as portas do céu, tenho que confirmar os compadres
que pulam fogueiras, pois a música diz: “ São João falou, São Pedro confirmou, que nós
somos compadres, porque Deus mandou ”! — disse São Pedro.
    — Eu também já estou cansado de ler o futuro das pessoas e me acordarem nas
Festas Juninas! — falou São João.
    — Xiii! Não estão vendo que a quadrilha vai começar! — exclamou Deus.
    E a quadrilha começou. Lindo como nunca. As moças com tranças e vestidos floridos
e os moços com chapéis de palhas, camisa xadrez e calça jeans.
    — Quantas guloseimas! Pipocas, paçocas, pamonhas, tapiocas!
    — Por isso que você está engordando alguns quilinhos João! — falou São Pedro.
    — Mas você não é nenhum santinho, vive alagando a grande São Paulo! – exclamou
São João.
    — Agüenta! — gritou Deus
    Eu tenho barracas com jogos, como pescaria e argolinhas. E como Deus e os santos
estavam vendo uma Festa Junina lá no Maranhão, a rua ficou repleta de Bois-Bumbá. A
festa estava repleta de bandeirinhas coloridas, também tinha uma fogueira imensa. E se
você quer saber como terminou a briga, Deus deu uma bronca nos santos e eles nunca
mais brigaram.

                                               CAROLINE ANDREASSA CARACHO • SÃO PAULO – SP
                                                                                             103
104
Festas Juninas
    F oi com meu avô que aprendi muitas coisas sobre festas juninas.
    E le com sua simplicidade, criado na roça me falou o quanto essas festas eram
importante para as famílias que viviam na zona rural.
    S empre quando ele começa a falar fico atento. Eu sei que essa tradição foi trazida
pelos europeus, onde lá eles comemoravam as grandes safras. Aprendi isso na escola.
Mas as histórias que meu avô conta é demais!
    T odo ano no mês de junho acontecia a tão esperada festa.
    A s moças e os rapazes chegavam na festa sem par, mas nunca iam embora sem
deixar um coração apertado.
    S empre acabava em casamento.
    J ura a minha avó que foi numa dessas festas que meu avô à conquistou. Ela só não
diz que deixou Santo Antônio de cabeça pra baixo. Aquela tradicional simpatia para
arrumar casamento.
    U ma vez meu avô disse que algumas pessoas ridicularizam esse povo da roça.
    N a escola sempre aprendi que devemos respeitar e resgatar os costumes desse povo.
Falei isso pro meu avô e ele ficou feliz.
    I gnorar esses costumes é impossível pois o cheirinho da pipoca e o gostinho da paçoca
é inresistível. E o meu avô concorda.
    N ão dá também prá resistir ao som da sanfona e as guloseimas dessa gostosa festa.
    A h! Mas uma coisa é certa, eu adoro essas festas.
    Sei que os tempos são outros. Mas se Deus quiser essas festas nunca vão deixar de existir.

                                                            HUGO BERTAZOLI • MOGI GUAÇU – SP
                                                                                                 105
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História de um Milhinho de Pipoca
     Eu sou um pequeno grão de milho de pipoca. Nasci há alguns meses junto com
muitos irmãozinhos, todos enfileiradas na mamãe espiga. E foi ela que contou que estamos
reservados para uma festa muito especial.
     — O destino de vocês é ajudarem a animar uma festa junina.
     Como nós não sabíamos o que era esta festa, nos explicou tudo bem direitinho: disse
que a comemoração é bem antiga e era chamada “festa Joanina” porque homenageava
São João. Sendo uma festa religiosa, não faltavam procissões e missas.
     Com o passar do tempo, São Pedro e Santo Antônio também começaram a ser
homenageados. Como as festas sempre aconteciam nos meses de junho, viraram tradição.
Sendo um mês frio, havia sempre uma fogueira para aquecer o povo. As bebidas também
eram quentes: canjicão e quentão. A pipoca quentinha não podia faltar e o local da
festança era todo enfeitado com bandeirolas.
     Eu e meus irmãozinhos começamos a ficar preocupados.
     — A pipoca quentinha somos nós?
     — Claro, a maior glória para um milhinho de pipoca como vocês é estourarem de alegria
no mês de junho – mamãe nos acalmou, fazendo com que todos imaginassem a cena –
Enquanto um gostoso cheirinho invade o ar, olhinhos gulosos de crianças com roupinhas
caipiras brilham aguardadndo o momento de saborear esta delícia tão simples e insubstituível.
     Desde o dia que mamãe nos falou sobre esta festa, não vemos a hora de participar.
Hoje estamos dentro de uma sacolinha esperando o grande momento de ir para panela.
Oba! O mês de junho chegou!

                                                          LETÍCIA SOARES ABELHA • IPATINGA – MG
                                                                                                  107
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“Festas Juninas”
    A noite estava fria. O céu cheinho de estrelas curiosas. Todas olhavam para a casa de
Isabel. Queriam ser as primeiras a ver o menino que ia nascer.
    O mês era de junho. O dia, 24!
    Foi nesta noite fria, cheia de estrelas e grilos, que João nasceu.
    Zacarias e sua esposa estavam felicíssimos. Os vizinhos e parentes também estavam
alegras.
    Mas no meio de tanta felicidade surgiu uma preocupação:
    — Zacarias, disse Isabel, minha prima Maria não sabe, que Joãozinho nasceu. Como
vou avisá-lá?
    Não havia telefone naquele tempo. Nem telégrafo. Nem correio.
    Então, acenderam uma fogueira e levantaram um mastro ali perto.
    Nossa Senhora, que morava muito longe, viu a claridade e adivinhou:
    — Garanto que o filho de Isabel nasceu.
    Esperou o dia amanhecer. Arrumou uns presentes e montou num camelo.
    Ia visitar sua prima. Ia dar-lhe os parabéns. E sabe de uma coisa? Ainda hoje o povo
acende fogueira na noite de São João. E comem muitas coisas gostosas!

                                                        ALESSANDRA MALLMANN • ESTRELA – RS




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Festa de São João
    Fui na festa de São João, pra cantar uma canção, e tocar meu violão. Mas chegando
lá esqueci o refrão.
    Fui então soltar balão, pois faz parte da tradição, mas tomei cuidado pra não queimar
nada não.
    Comi Pipoca Yoki pra ficar bem mais forte e também tomei quentão.
    Fui dançar a quadrilha, com uma linda menina, vestida de Festa Junina.
    Estava tudo legal, tinha fogos e foguetes na festa do arraial.
    Tinha tudo de bom, algodão doce, pé de moleque, vinho e pinhão.
    Naquela noite estrelada, toda a criançada brincava animada.
    Fui pular a fogueira, queimei meus pés e tive que me jogar na cachoeira.
    Saí todo molhado, mas o mais engraçado foi na hora do casamento, quando os
noivos chegaram encima de um jumento.
    Veio a melhor parte, teria que ter muita sorte, como toda festa de São João, teve um
bingão e o prêmio seria um computador. Aí fiz uma oração ao querido São João pra
ganhar no bingão. Pena que era muita gente envolvida pra realizar o sonho da minha
VIDA!

                                                         RODRIGO DA COSTA • BLUMENAU – SC




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Redação sobre Festas Juninas
    A Festa Junina é uma das mais antigas e populares do Brasil.
    Ela começa no dia 13 de junho e dura todo o mês.
                       O céu cheio de estrelas
                       Parece trazer uma canção
                       Para comemorar neste mês
                       Santo Antônio, São Pedro e São João.
    Antigamente, os agricultores pediam aos santos uma boa colheita. E para se
protegerem dos maus espíritos, eles usavam bombas e fogos de artifício.
                       As crianças soltaram bombinhas
                       Os adultos soltaram rojões
                       São Pedro respondeu
                       Com muitos trovões.
    São três os santos homenageados nas festas juninas no dia 13, São João, no dia 24,
São Pedro, no dia 25 de junho.
    No interior, as festas ainda são muito parecidas com aquelas trazidas da Europa.
    Na cidade há uma lei que proíbe soltar balões e fazer fogueiras nas ruas. Mas as
quermesses nas escolas, igrejas e clubes continuam animando o mês.
                       Na noite de São João
                       em volta da alegre fogueira
                       com a turma tocando violão
                       vamos dançar a noite inteira.
    No céu-espada-buscape-balão; na mesa-milho, licor, cocada YOKI. Uma festa típica
de São João, lá fora onde, a fogueira queima chama Maria Helena.

                                                            DANIEL LISBOA • SALVADOR – BA
                                                                                            113
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As Festas Juninas
     Festa junina é festa pra valer.
     Todo mundo gosta de festas juninas, velho, rapaz, moça, menino e menina.
     As crianças fazem a maior festa nos dias de festa junina é muita alegria e correria
nesses dias de festança, a gente fica só esperando a hora da comilança, os vizinhos se
ajuntam para acender a fogueira, soltam bombas e rojões, só não pode soltar balão pra
não causar confusão.
     As mocinhas e rapazes se preparam pra quadrilhas, todos cantam e dançam nos
modos de antigamente, dos tempos dos meus avós. depois de tanta folia é a hora da
alegria e pra repor a energia comemos de tudo um pouco, bolo de milho, mugunzá,
arroz doce, amendoins, pé-de-moleque, cocada, milho assado e cozido, doses de diversos
tipos e tapioca recheada.
     Os homens bebem quentão pra alegrar o coração e arrastar pé no forró, as mulheres
amimadas dançam até de madrugada e só então vão para casa levar a criançada
cansada de tanta festa e folia, aí agente dorme sonhando e fica só esperando o ano que
vem, para ter novamente muita festa no Brasil, e fartura, muita dança e alegria durante as
festas juninas.

                                                   DAVID ABRANAVEL SANTOS SILVA • MACEIÓ – AL




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Festa Junina
     Oi meu nome é Sandro Lino da Silva tenho 7 anos
     Eu gosto muito do mês de junho porque é comemorada a festa junina e também o
dia dos santos = São João, São Pedro e Santo Antônio.
     Quando chega a festa junina as pessoas enfeitam toda a rua com bandeiras balões.
fazem barracas e vendem doces, pipocas, amendoim, pé de moleque e batata doce
assada na brasa da fogueira e toca da música caipira para as pessoas dançarem. eu
gosto muito de estourar bombinhas e buscapés
     Eu sei que é um pouco perigoso mais eu tomo cuidado.
     Na minha escola todo ano as professoras fazem festinhas pra nós, enfeitam a escola
toda com bandeiras de papel e nós dança quadrilha
     Eu já dancei 3 vez mais a vez que eu mais gostei foi o ano passado porque eu fui o
noivo a professora me emprestou o terno porque eu não tinha fiquei bem bonito a minha
noiva também ficou linda esse ano eu quero dançar de novo as professoras, fazem bolo
de fubá e canjica é muito bom
     Eu estudo num colégio de freiras elas são muito boazinhas eu queria muito ganhar os
livros pra ajudar a minha escola, porque ela é municipal e nós só temos ajuda do prefeito,
as professoras ia ficar muito feliz se eu desse os livros pra escola.
     Se eu ganhar o dinheiro eu vou dar pra minha mãe porque ela tá precisando mais a
minha mãe nunca vai poder me da um. Eu assisto a Fábrica Maluca todo dia daí eu vi a
Eliana falando dessa promoção daí eu escrevi pra ver se eu ganho. A Eliana mandou
pesquisar na internet ou no livro pra saber mais sobre a festa junina mais como eu não
tenho nenhum dos dois eu escrevi o que eu sabia.
     Espero que tenha gostado da minha histórinha,
     Ficarei muito feliz se eu ganhar
     Muito obrigado fiquem todos com Deus.
                                                      SANDRO LINO DA SILVA • LUPIONÓPOLIS – PR
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Concurso de Poesias


    E   ste capítulo é dedicado às poesias
        juninas. Um material rico e que tra-
duz, por meio de versos, a importância das
                                                   A cidade é tradicional incentivadora
                                               de eventos, que mantêm vivos os costumes
                                               e hábitos do interior. Essa filosofia, de
Festas Juninas em nossa cultura. Todos os      promover atividades que resgatam as
trabalhos foram selecionados durante o         raízes do povo brasileiro, também faz
tradicional Concurso Regional de Quadrilhas    parte da missão da Yoki Alimentos, que
promovido, em 2007, pela prefeitura de Dois    apoiou essa manifestação cultural da
Córregos, no interior Paulista.                região.




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Sonho Caipira
      S e tem coisa que me anima
      É ver uma festa junina
      Não sei bem o que me troca
      Se o calor da fogueira ou o cheiro da pipoca

         S ó sei que fico de um jeito
         Me dá uma sardade no peito
         Uma vontade de grita, de tirá o sapato
         E corrê pro arraia

                Mas a vida tem seus caminhos
                E com moço fino eu fui me casá
                Vim morá aqui na cidade e tenho que me comportá
                Ele diz que moça fina não pode se misturá

                       E ntão eu fico na janela vendo a quadria dançá
                       E quando a fogueira apaga
                       A minha maior alegria
                       É esperá junho de novo chegá

                              M.C.P.C. - DOIS CÓRREGOS (CONCURSO REGIONAL)


120
Festa Junina
               F esta de comemoração
               E muita animação
               Todos reunidos
               Para festejar o mês de São João

               T em quadrilha e tem família
               Tem bomba e tem rojão
               Todos dançam, comem e bebem
               Na maior agitação

               F esta junina é pra isso
               Pular, sorrir e se divertir
               Não importa idade, raça ou cor
               O que todos querem é curtir

               A festa começa ao escurecer
               E vai até o sol raiar
               Ninguém tem a menor vontade
               De fazer essa alegria terminar

LETHICIA MASSOLINI ROMAQUELI - DOIS CÓRREGOS(CONCURSO MUNICIPAL)


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Se nóis não recicrá o mundo vai acabá
      Q uando chega as festa junina
      Fico esperano a sanfona tocá
      E só folia e alegria, que o coração chega a apertá
      Prá agradecê, no pé do mastro, a coieita eu vô ofertá

      A ntonio, Pedro e João, parô prá adimirá
      Esse ano o tema é fazê o povo conscientizá
      As roupa tão bonita, não dá prá compará
      paper, vidro, latinha e prástico, usamo pra enfeitá

      A té a lenha prá fogueira logo, logo
      Nem árvore vai precisá cortá
      Ceis vão vê, o fogo vai sê recicrave, hão de inventá.
      Lá de longe vai dá pra avistá, o brilho do arraiá

      A emporgação é tanta com essa história de recicrá
      Que dá vontade até de prantá os mio dos piruá
      Já pensô se os grão brota, que bonito vai sê o miará
      É o jeito caipira prá camada de ozônio preservá.

                MARILDA CASONATO – MINEIROS DO TIETÊ (CONCURSO REGIONAL)


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Ao Reciclar, Viver
                      I
     A vontade de viver bem nesta terra
    Se encontra lá bem dentro do teu ser
    Da consciência soberana que carrega
       Dentro dela, reciclado o saber

                        II

     Temos metas ao forjar este ambiente
  Vidro, plástico, embalagens ganham vida
    Conquistando a natureza no presente
    Geração que aproveita não é perdida

                        III

   Lixo orgânico, eu entendo sua história
      Mais parece um arauto do amor
  Quando quase não resiste à luto inglória
    Húmus forte, gera a inesperada flor

                        IV

    Cate aquilo que não possa mais usar
       Na coleta seletivo e inteligente
     Vamos descalçar a bota da miséria
      Reciclando este país e sua gente

MARCONDES SEROTINI FILHO – BARRA BONITA (CONCURSO REGIONAL)
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Reciclagem
                             O planeta em que vivemos
                             Tem recursos limitados
                             Muitos já estão esgotados
                             Disso tudo já sabemos.

                     M as estamos aguardando
                     Um milagre acontecer
                     Com os braços cruzados e sem nada fazer
                     Assim, os dias vão passando!

            H á tempo ainda, talvez!
            Não fique só no abstrato
            Reciclar é um belo ato
            Faça então sua vez!

      Mais o que é reciclagem?
      É evitar desperdício pela reutilização
      De materiais como vidro, plásticos, papelão
      E Tantos outros: é impossível a contagem!

                               ANTONIO VIEIRA - JAÚ (CONCURSO REGIONAL)


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Bibliografia


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Tudo sobre festas junina

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  • 2.
    Copyright © YOKIAlimentos S.A. EDIÇÃO, CAPA E FOTOGRAFIAS: Publishing Solutions IMPRESSÃO E ACABAMENTO: Ipsis Gráfica e Editora Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP Brasil) , Rangel, Lúcia Helena Vitalli Festas juninas, festas de São João: origens, tradições e história / Lúcia Helena Vitalli Rangel. – São Paulo: Publishing Solutions, 2008. Bibliografia. ISBN 978-85-61653-00-2 1. Festa de São João – História 2. Festas juninas – História. I. Título. Índice para catálogo sistemático: 1. Festas juninas : Costumes : História 394.268209 Todos os direitos desta edição são reservados à YOKI Alimentos S.A. Rua Paes Leme, 524 – 4º andar – São Paulo, SP CEP 05424-904 Tel.: (11) 4346-4177 Endereço na Internet: www.yoki.com.br 4
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    Apresentação “ O balão vai subindo, vem caindo a garoa. O céu é tão lindo e a noite é cheirinho do cravo, da canela e do gengibre. O fato é que as festas juninas são come- tão boa. São João, São João, acende a moradas em todo o país e representam fogueira no meu coração.” uma das mais ricas manifestações culturais Quem não cantou e se encantou com brasileiras. No entanto, na mesma medida essa música de Carlos Braga e Alberto em que essas tradições culturais perma- Ribeiro? Ou não colocou chapéu de palha necem, apesar das profundas mudanças e dançou a quadrilha com o balancê e o estruturais do Brasil — que em pouco mais caminho da roça? Ou ainda resistiu às de meio século passou de eminentemente delícias dessa festa? rural à condição de urbano —, começam a Aliás, a culinária junina é um capítulo à se esgarçar na memória das novas gera- parte. A canjiquinha e o munguzá no ções de brasileiros as origens desses feste- Nordeste, o curau e o bolo de fubá com erva- jos. As crianças continuam dançando a qua- doce no Sudeste, o amendoim torradinho ou drilha no mês de junho, porém não conhe- em suas variações, como a paçoquinha, o cem mais a história da festa e de seus santos, pé-de-moleque e o gibi. Além, é claro, da o significado de seus rituais, as letras das pipoca, sem dúvida uma unanimidade músicas mais tradicionais. nacional. E o cheirinho dessa época... Festa Este livro, patrocinado pela Yoki, em- junina sem quentão, quem já viu? No ar o presa ligada às tradições brasileiras e, em 5
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    especial, a essafesta, uma vez que está variados das comemorações. Narra sua his- envolvida na produção de ingredientes e tória, que remonta a períodos anteriores à era quitutes juninos há mais de quarenta anos, cristã, e o papel dos santos juninos nos fes- é uma colaboração no sentido de manter tejos; fala das diversidades regionais, da re- vivo na memória nacional esse verdadeiro presentação do boi-bumbá no Norte à tra- patrimônio cultural. Na decisão de publicá- dição caipira no Sudeste; explica as origens lo pesou também o compromisso da em- da quadrilha e das roupas usadas na festa. presa com as novas gerações, pois a idéia Contém também o roteiro do casamento é que o livro possa servir de subsídio para caipira e da dança da quadrilha, reproduz a pesquisa escolar. as letras das músicas mais representativas e Para desenvolver um trabalho com o nível ensina a fazer os quitutes típicos de todas as de profundidade adequado, a Yoki contratou regiões de nosso país. a antropóloga Lúcia Helena Vitalli Rangel, Esperamos que você, leitor, aprecie a especialista no assunto, que foi auxiliada por nossa contribuição e tenha tanto prazer em Vivian Catenacci. O conteúdo dessa pesquisa ler este livro quanto nós, da Yoki, tivemos é agora lançado em forma de livro. Festas em editá-lo. Juninas, Festas de São João abrange aspectos Bom proveito! GABRIEL JOÃO CHERUBINI VICE-PRESIDENTE – YOKI ALIMENTOS S.A. 6
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    Apresentação à 3aEdição C om o sucesso das edições ante-rio res, estamos apresentando a 3a edição de Festas Juninas, Festas de São João como tema a Festa Junina. Nesta 3a edição estamos acrescentando um capítulo de poesias juninas, onde publicamos as – Origens, Tradições e Histórias, totalizando poesias vencedoras do Concurso de Poesia 180.000 exemplares publicados. O de Dois Córregos, cidade do interior de São resultado da pesquisa elaborada por Lúcia Paulo. Não deixe de ler! Helena Vitalli Rangel mostra-se oportuna e O livro tem como objetivo ajudar na atual. Os festejos juninos estão enraizados perpetuação dessa tradição cultural tão em nossas memórias, com suas melodias e importante. Para isso pretende ser um aromas característicos. subsídio à pesquisa do tema, princi- Esta edição apresenta nova diagra- palmente às crianças em idade escolar. Em mação e apresentação gráfica. Facilitar o seu conteúdo encontramos, simpatias ju- acesso ao conteúdo da obra é nosso intuito. ninas, adivinhas, letras de músicas cantadas Buscamos uma aparência mais leve. No nas festas juninas, representação de casa- projeto gráfico note-se o destaque dado aos mento matuto e evolução da quadrilha elementos ícones das festas juninas. Tudo caipira. E como não poderia deixar de para estimular a leitura desse material de faltar, as saborosas comidas típicas en- pesquisa tão bem aceito, nas escolas e contradas em qualquer festa junina. bibliotecas brasileiras. Convido você, leitor, a entrar neste A Yoki participa dessas festas tão bra- mundo maravilhoso. sileiras, estimulando ações que dêem con- tinuidade a essas vivências e também pa- GABRIEL JOÃO CHERUBINI trocinando eventos culturais que tenham VICE-PRESIDENTE – YOKI ALIMENTOS S.A. 7
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    Sumário 11 NOTA INTRODUTÓRIA 15 1 Origem das Festas Juninas 16 A coleta e o cultivo 18 Rituais de fertilidade 18 O dia de São João na Sardenha 21 2 As Comemorações Juninas no Brasil 22 As relações sociais e o compadrio 24 São João em Caruaru e Campina Grande 25 Na Região Norte 25 No Sudeste 27 3 Santo Antônio, São João e São Pedro 27 Santo Antônio: camarada e casamenteiro 29 Simpatias, sortes e adivinhas para Santo Antônio 32 A festa de Santo Antônio 34 São João, a purificação pelo batismo 36 Simpatias, sortes e adivinhas para São João 39 A festa de São João 42 São Pedro, fundador da Igreja Católica 43 A festa de São Pedro 8
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    47 4 Casamento Caipira ou Matuto 47 Sugestão para a representação do casamento caipira ou matuto 51 5 Danças Juninas 51 Origem da quadrilha 52 Trajes usados na dança 53 Sugestão para a evolução da quadrilha caipira 55 Fandango 57 Bumba-meu-boi 58 Lundu 58 Cateretê 61 6 Jogos Juninos 61 Jogos de terreiro 62 Jogos de barracas 65 7 Músicas Juninas 73 8 O Mastro 77 9 Comidas e Bebidas Juninas 97 Concurso de redações 119 Concurso de Poesias 127 Bibliografia 9
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    Nota Introdutória E ste livro é resultado de uma pes- quisa realizada a pedido da Yoki, o que gerou uma troca fecunda entre não apenas porque a pesquisa a respeito da realidade social contribui para o conhecimento da vida de um povo e das universidade e empresa. questões sociais, políticas, econômicas e O tema festas juninas proporciona um culturais que o configuram, mas também campo fértil de análise do significado desse porque sua prática revela o prazer de período tão importante na cultura brasi- conhecer. leira: sua origem, sua transformação na O ato de conhecer conduz ao desco- história européia e suas redefinições no brimento, à ampliação da capacidade de contexto brasileiro, desde os tempos analisar, de sistematizar, de explicar. coloniais até a atualidade. Conhecer, portanto, amplia os horizontes A pesquisa, concebida por mim, foi rea- da consciência, da cidadania e da crítica. lizada em conjunto com Vivian Catenacci, Tudo isso fornece bases consistentes na ocasião minha aluna no curso de para as instituições de ensino e, particu- graduação em Ciências Sociais da PUC-SP . larmente, para a universidade, centro de A prática da pesquisa representa um ensino, pesquisa e extensão. dos pilares fundamentais do conhecimento Outro aspecto importante a ressaltar sobre a vida social. Aprender fazendo é é que a atividade de pesquisa enriquece muito importante na formação do aluno, de modo muito especial a relação pro- 11
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    fessor/aluno. Produzir emconjunto é Sendo assim, este livro tem caráter estimulante para ambos porque ensinar didático e constitui um convite à pesquisa. e aprender são dimensões do mesmo ato, Agradeço à Yoki a oportunidade de realizar cuja base pode estar assentada na um trabalho prazeroso e importante e a reciprocidade. Vivian a saudável prática da partilha. LÚCIA HELENA VITALLI RANGEL 12
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    1 Origem das Festas Juninas O calendário das festas católicas é marcado por diversas come- morações de dias de santos. Seu ciclo mais desse, outros santos reverenciados em junho: Santo Antônio (dia 13) e São Pedro e São Paulo (dia 29). importante se inicia com o nascimento de Se pesquisarmos a origem dessas Jesus Cristo e se encerra com sua paixão e festividades, perceberemos que elas morte. Na tradição brasileira, as maiores remontam a um tempo muito antigo, ante- festas são Natal, Páscoa e São João. As rior ao surgimento da era cristã. De acordo comemorações de cunho religioso foram com o livro O ramo de ouro, de sir James apropriadas de tal forma pelo povo George Frazer, o mês de junho, tempo do brasileiro que ele transformou o Carnaval solstício de verão (no dia 21 ou 22 de junho — ritual de folia que marca o início da o Sol, ao meio-dia, atinge seu ponto mais Quaresma, período que vai da quarta-feira alto no céu; esse é o dia mais longo e a noite de Cinzas ao domingo de Páscoa — em mais curta do ano) no Hemisfério Norte, era uma das maiores expressões festivas do a época do ano em que diversos povos — Brasil no decorrer do século XX. celtas, bretões, bascos, sardenhos, egípcios, Do mesmo modo, as comemorações persas, sírios, sumérios — faziam rituais de de São João (24 de junho) fazem parte de invocação de fertilidade para estimular o um ciclo festivo que passou a ser conhecido crescimento da vegetação, promover a como festas juninas e homenageia, além fartura nas colheitas e trazer chuvas. 15
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    Na verdade, osrituais de fertilidade sidade e a vegetação renasce, brota e flo- associados ao cultivo das plantas, incluindo resce para oferecer as sementes do novo todo o ciclo agrícola — a preparação do ciclo, cujos frutos estarão maduros no verão. terreno, o plantio e a colheita —, sempre No Hemisfério Norte, as quatro estações foram praticados pelas mais diversas do ano estão demarcadas nitidamente; na sociedades e culturas em todos os tempos. região equatorial e nas tropicais do Hemis- Das tradições estudadas por Frazer fério Sul, o movimento cíclico alterna os perío- destacam-se os ritos celebrados nas terras dos de chuva e de estiagem, mas ainda assim do Mediterrâneo oriental (Egito, Síria, o ciclo vegetativo pode ser observado da Grécia, Babilônia) com o objetivo de regu- mesma maneira — alteração na coloração e lar as estações do ano, especialmente a perda das folhas, seca e renascimento. passagem da primavera para o verão, que O que ocorre com a natureza é algo sela a superação do inverno. semelhante à saga de Tamuz e Adônis, que submergem do mundo subterrâneo e A Coleta e o Cultivo retornam todos os anos para viver com suas amadas Istar e Afrodite e com elas O ciclo anual da natureza prevê a morte fertilizar a vida. e o ressurgimento da vegetação. Todos os anos as plantas passam por um processo de As lendas de Tamuz e Adônis transformação: no outono, as folhas mudam de cor, tornando-se amareladas e murchas; “Na literatura religiosa da Babilônia, no inverno, elas caem e deixam a planta sem Tamuz surge como o jovem esposo ou folhas até que chega a primavera. O sol amante de Istar, a grande deusa-mãe, a então começa a brilhar com mais inten- personificação das energias reprodutivas da 16
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    natureza. [...] Tamuzmorria anualmente [...] que confiou a Perséfone, rainha dos infer- e todos os anos sua amante divina viajava, nos. Mas, quando Perséfone abriu a arca e em busca dele, ‘para a terra de onde não viu a beleza da criança, recusou-se a há retorno, para a mansão das trevas, onde devolvê-la a Afrodite [...]. A disputa entre as o pó se acumula na porta e no ferrolho’. Du- deusas do amor e da morte foi resolvida por rante sua ausência, a paixão do amor deixa- Zeus, que determinou que Adônis devia viver va de atuar: homens e animais esqueciam parte do ano com Perséfone no mundo infe- de reproduzir-se, toda a vida ficava amea- rior, e com Afrodite, no mundo superior ou çada de extinção. Tão intimamente ligadas na terra, durante a outra parte. [...] a luta à deusa estavam as funções sexuais de todo entre Afrodite e Perséfone pela posse de o reino animal que, sem a sua presença, elas Adônis reflete claramente a luta entre Istar não podiam ser realizadas. [...] A inflexível e Alatu na terra dos mortos, ao passo que a rainha das regiões infernais, Alatu ou Eresh- decisão de Zeus de que Adônis devia passar Kigal, permitia, não sem relutância, que Istar parte do ano no mundo inferior e parte do fosse aspergida com a água da vida e ano no mundo superior é apenas uma versão partisse, provavelmente em companhia do grega do desaparecimento e reapareci- amante Tamuz, para o mundo superior e que, mento anual de Tamuz.” com esse retorno, toda a natureza revivesse.” (Frazer, 1978, p. 123) Com o tempo os homens, além de “Refletida no espelho da mitologia desfrutar o ciclo da natureza coletando seus grega a divindade oriental, Adônis surge frutos, passaram a domesticar animais e a como um belo jovem, amado de Afrodite. Em cultivar plantas para sua alimentação. O sua infância, a deusa o ocultou numa arca, cultivo de raízes e legumes, juntamente com 17
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    a caça, apesca e a coleta, representa o rituais mais expressivos que o homena- conjunto das atividades produtivas que geavam estão os jardins de Adônis: na prima- tornaram possível a adaptação da espécie vera, durante oito dias, as mulheres plantavam humana em todas as regiões do planeta, em vasos ou cestos sementes de trigo, cevada, mas foi a produção de grãos e a domes- alface, funcho e vários tipos de flores. Com o ticação de animais que ampliaram essa calor do sol, as plantas cresciam rapidamente capacidade adaptativa. e, como não tinham raízes, murchavam ao Imitando o ciclo anual da natureza, o final dos oito dias, quando então os pequenos homem descobriu as sementes que podia jardins eram levados, juntamente com as guardar a cada colheita e replantar no ano imagens de Adônis morto, para ser lançados seguinte, quando seriam fertilizadas pela ao mar ou em outras águas. incidência solar e irrigadas pelas chuvas. As Os rituais de fertilidade perduraram sementes dos grãos germinam e crescem. O através dos tempos. Na era cristã, mesmo homem colhe, debulha, seca e tritura os que fossem considerados pagãos, não era grãos para que eles se tornem seu alimento. mais possível acabar com eles. Segundo Frazer, é por esse motivo que a Igreja Rituais de Fertilidade Católica, em vez de condená-los, os adapta às comemorações do dia de São João, que Com o cultivo da terra pelo homem, teria nascido em 24 de junho, dia do solstício. surgiram os rituais de invocação de fertili- dade para ajudar o crescimento das plan- O Dia de São João na Sardenha tas e proporcionar uma boa colheita. Na Grécia, por exemplo, Adônis era Conta Frazer que, no início do século XX, considerado o espírito dos cereais. Entre os na Sardenha, os jardins de Adônis ainda eram 18
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    plantados na festado solstício de verão, que lançando-o contra a porta do templo. lá tem o nome de festa de São João: Sentam-se em seguida em círculo na grama e comem ovos e verduras ao som da música “No final de março ou 1o de abril, um de flautas. O vinho é misturado numa taça jovem da aldeia se apresenta a uma moça, servida a todos, que dela vão bebendo, pede-lhe para ser a sua comare (comadre passando-a adiante. Em seguida dão-se as ou namorada) e oferece-se para ser o seu mãos e cantam ‘Namorados de São João’ compare. O convite é considerado como (Compare e comare di San Giovanni) várias honra pela família da moça e aceito com vezes, enquanto as flautas tocam durante satisfação. No fim de maio, a moça faz um todo o tempo. Quando se cansam de cantar, vaso com a casca de um sobreiro, enche-o levantam-se e dançam alegremente em de terra e nele semeia um punhado de trigo círculo até a noite”. e cevada. Como o vaso é colocado ao sol e (Frazer, 1978, p. 133) regado com freqüência, os grãos brotam com rapidez e, na véspera do solstício Outro aspecto que aproxima a festa de (véspera de São João, 23 de junho), já está São João às de Adônis e Tamuz é o costume bem desenvolvido. [...] No dia de São João, de tomar banhos no mar, em rios, nascentes o rapaz e a moça, vestidos com suas me- ou no sereno na noite da véspera. Também lhores roupas, acompanhados por uma perdura, desde os tempos antigos, o costume grande comitiva e precedidos de crianças de acender fogueiras e tochas, que devem que correm e brincam, vão em procissão até livrar as plantas e colheitas dos espíritos maus uma igreja da aldeia. Ali quebram o vaso, que podem impedir a fertilidade. 19
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    2 As Comemorações Juninas no Brasil N a Europa, os festejos do solstício de verão foram adaptados à cultura local, de modo que em Portugal foi a realização dos rituais mais importantes para os povos que aqui viviam, referentes à preparação dos novos plantios e às incluída a festa de Santo Antônio de Lisboa colheitas. O período que vai de junho a ou de Pádua, em 13 de junho. A tradição setembro é a época da seca em muitas cristã completou o ciclo com os festejos de regiões do Brasil, quando os rios estão São Pedro e São Paulo, ambos apóstolos baixos e o solo pronto para enfrentar o da maior importância, homenageados em plantio. Derruba-se a mata, queimam-se 29 de junho. as ramagens para limpar o terreno, que é Quando os portugueses iniciaram o adubado com as cinzas, e a seguir começa empreendimento colonial no Brasil, a partir o plantio. É a técnica da oivara, tão de 1500, as festas de São João eram ainda difundida entre os povos do continente o centro das comemorações de junho. americano. Alguns cronistas contam que os jesuítas Nessa época os roçados velhos, do acendiam fogueiras e tochas em junho, ano anterior, ainda estão em pleno vigor, provocando grande atração sobre os repletos de mandioca, cará, inhame, indígenas. batata-doce, banana, abóbora, abacaxi, Mesmo que no Brasil essa época mar- e a colheita de milho, feijão e amendoim casse o início do inverno, ela coincidia com ainda se encontra em período de consumo. 21
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    Esse é umtempo bom para pescar e caçar. As Relações Sociais e o Compadrio Uma série ritual, que dura todo o período, inclui um conjunto muito variado de festas Outro fato que ajuda a compreender a que congregam as comunidades indígenas importância desses festejos está relacionado em danças, cantos, rezas e muita fartura com a forma de sociabilidade que foi de comida. Deve-se agradecer a abun- característica da sociedade brasileira. Desde dância, reforçar os laços de parentesco (as o período colonial até meados do século XX, festas são uma ótima ocasião para ali- a maioria da população de todas as regiões anças matrimoniais), reverenciar as divin- do Brasil vivia no campo (até 1950, 70% da dades aliadas e rezar forte para que os população brasileira vivia na zona rural; espíritos malignos não impeçam a fer- hoje, mais de 70% vive nas cidades). Fossem tilidade. O ato de atear fogo para limpar colonos e agregados das fazendas agrícolas o mato, além de fertilizar o solo, serve ou vaqueiros em grandes fazendas de gado, principalmente para afastar esses espíritos fossem pescadores nas regiões litorâneas ou malignos. seringueiros na Amazônia, fossem sitiantes Houve, portanto, certa coincidência por esse Brasil afora, os brasileiros viviam entre o propósito católico de atrair os índios integrados em grupos familiares, enten- ao convívio missionário catequético e as dendo-se como família o conjunto de pais e práticas rituais indígenas, simbolizadas filhos, tios e primos, avós e sogros. pelas fogueiras de São João. Talvez seja por As relações familiares eram comple- causa disso que os festejos juninos tenham mentadas pela instituição do compadrio, tomado as proporções e a importância que que servia para integrar outras pessoas à adquiriram no calendário das festas família, estreitando assim os laços entre vizi- brasileiras. nhos e entre patrões e empregados. Até 22
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    mesmo os escravospodiam ser apadri- Os laços de compadrio nhados pelos senhores de terra. eram muito importantes, Havia duas formas principais de tornar- pois os padrinhos po- se compadre e comadre, padrinho e diam substituir os pais na madrinha: uma era, e ainda é, pelo batismo; ausência ou na morte a outra, por meio da fogueira. Nas festas de destes, os compadres inte- São João, os homens, principalmente, gravam grupos de coope- formavam duplas de compadres de fogueira: ração no trabalho agrícola e os ficavam um de cada lado da fogueira e afilhados eram devedores de deveriam pular as brasas dando-se as mãos obrigações aos padrinhos. A instituição em sentido cruzado. Era comum recitarem beneficiava os patrões, que tinham um versos como estes: séquito de compadres e afilhados leais São João dormiu, tanto nas relações de trabalho como nas São Pedro acordô, campanhas políticas, quando se benefi- vamo sê cumpadre ciavam do voto de cabresto. que São João mandô. O compadrio ainda vigora em muitas (Nordeste sertanejo) localidades, mas o processo de urbanização Ou: que hoje atinge todas as regiões do país São João disse, enfraquece essa instituição e promove São Pedro confirmou, diversas mudanças nas formas de sociabili- que nosso Senhor Jesus Cristo mandou dade. Atualmente, os favores (doações, a gente ser compadre pagamentos, promessas) têm sido mais nesta vida e na outra também. importantes nas eleições do que a lealdade (Amazônia cabocla) advinda dos laços de compadrio. 23
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    São João emCaruaru e rainha do milho, pela rezadeira, pela Campina Grande rendeira, pela parteira. Ali há também correio, posto bancário, delegacia, igreja, Hoje as festas juninas possuem cor lo- restaurantes, teatro de mamulengo. Atores cal. De acordo com a região do país, encenam nas ruas o cotidiano dos habitan- variam os tipos de dança, indumentária e tes da região. O maior cuscuz do mundo, comida. A tônica é a fogueira, o foguetório, segundo o Livro Guinness de Recordes, é o milho, a pinga, o mastro e as rezas dos feito lá, numa cuscuzeira que mede 3,3 santos. metros de altura e 1,5 metro de diâmetro e No Nordeste sertanejo, o São João é comporta 700 quilos de massa. comemorado nos sítios, nas paróquias, nos Uma das grandes atrações da festa é o arraiais, nas casas e nas cidades. A impor- desfile junino na véspera de São João de tância dessa festa pode ser avaliada pelo mais de vinte carros alegóricos, carroças número de nordestinos e turistas que ornamentadas com cortejo de bacamar- escolhem essa época do ano para sair de teiros, bandas de pífaros, quadrilhas, férias e participar dos festejos juninos. As casamentos matutos e grupos folclóricos. cidades de Caruaru, em Pernambuco, e Campina Grande construiu um Forró- Campina Grande, na Paraíba, são as que dromo que recebe todos os anos milhões mais atraem gente curiosa em conhecer as de pessoas. Elas se divertem assistindo a maiores festas de São João do mundo. apresentações do tradicional forró pé-de- Caruaru criou uma cidade cenográfica, serra, de quadrilhas, cantores, bandas e a Vila do Forró, que é a réplica de uma desfiles de jegues, participam de jogos e cidade típica do sertão, com casas coloridas brincadeiras e deleitam-se com as comidas de arquitetura simples habitadas pela típicas vendidas nas barracas. 24
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    Na Região Norte No Sudeste Na Amazônia cabocla, a tradição de A tradição caipira, especialmente a do homenagear os santos possui um calendário Sudeste do Brasil, caracteriza-se pelas festas que tem início em junho, com Santo Antônio, e realizadas em terreiros rurais, onde não termina em dezembro, com São Benedito. Cada faltam os elementos típicos dos três santos comunidade homenageia seus santos preferidos de junho. Mas elas também se espalharam e padroeiros, com destaque para os santos pelas cidades e hoje as festas juninas juninos. São festas de arraial que começam no acontecem, principalmente, em escolas, décimo dia depois das novenas e nas quais clubes e bairros. estão presentes as fogueiras, o foguetório, o Como em outras partes do Brasil, o mastro, banhos, muita comida e folia. calendário das festas paulistas destaca os No eixo Belém/Parintins/Manaus, desde os rodeios e as festas de peão boiadeiro tempos coloniais, a criação do boi, introduzida como eventos ou espetáculos mais pelos portugueses, deu lugar a manifestações importantes, que se realizam de março a culturais que lhe são típicas: o boi-bumbá, dezembro. dançado em diversas ocasiões, transformou-se As festas juninas, com maior ou menor atualmente em grande espetáculo, cujo ápice destaque, ainda são realizadas em todas as é a disputa entre os grupos Caprichoso e regiões do Brasil e representam uma das Garantido no Bumbódromo de Parintins, nos manifestações culturais brasileiras mais dias 28, 29 e 30 de junho. expressivas. 25
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    3 Santo Antônio, São João e São Pedro Santo Antônio: o padre Antônio Vieira em um sermão de Camarada e Casamenteiro 1663 realizado no Maranhão: “Se vos adoece o filho, Santo Antônio; se vos foge F estejado no dia 13 de junho, Santo Antônio é um dos santos de maior devoção popular tanto no Brasil como em um escravo, Santo Antônio; se requereis o despacho, Santo Antônio; se aguardais a sentença, Santo Antônio; se perdeis a Portugal. Fernando de Bulhões nasceu em menor miudeza de vossa casa, Santo Lisboa em 15 de agosto de 1195 e faleceu Antônio; e, talvez se quereis os bens em Pádua, na Itália, em 13 de junho de alheios, Santo Antônio”. 1231. Recebeu o nome de Antônio ao É o santo familiar e protetor dos passar, em 1220, da Ordem de Santo varejistas em geral, por isso é comum Agostinho para a Ordem de São Francisco encontrar sua figura em estabelecimentos e é conhecido como Santo Antônio de comerciais. É também o padroeiro das Lisboa ou Santo Antônio de Pádua. povoações e dos soldados, pois enfrentou Santo Antônio era admirado por seus em vida aventuras guerreiras como soldado dotes de ótimo orador, pois quando pre- português. Sua figura aparece com des- gava a palavra de Deus ela era entendida taque em episódios da História do Brasil: até mesmo por estrangeiros. É por assim teria desempenhado o papel de heróico dizer o “santo dos milagres”, como afirmou defensor da integridade do solo brasileiro, 27
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    como explicam oscronistas que relatam a Os devotos mais exagerados só libertação de Pernambuco dos holandeses, confiam seu pedido à imagem do Santo assim como os que falam da defesa da Antônio das igrejas franciscanas, pro- colônia do Sacramento, ao Sul, e do Rio de curadas especialmente nas terças-feiras e Janeiro com relação aos franceses, atri- de modo particular no dia 13 de junho. buindo a vitória à proteção deste santo. Todos são devotos desse santo Sua influência é marcante entre o povo “camarada”. Os cantadores se apegam brasileiro. Seus devotos, em geral, não têm muito a Santo Antônio para tentar vencer em casa uma imagem grande do santo e os desafios, pois o consideram o mais fiel e preferem levar no bolso uma pequena para o maior intercessor; os vaqueiros pedem se proteger. É a ele que as moças ansiosas proteção contra o estouro da boiada e os pedem um noivo. A prática de colocar o santo pescadores acreditam que no dia 13 de de cabeça para baixo no sereno, amarrada junho as redes se enchem de peixes. Basta num esteio, ou de jogá-lo no fundo do poço lançá-las dizendo: até que o pedido seja atendido, por exemplo, é bastante comum entre os devotos. No dia 13 de junho Dos santos juninos, somente Santo Antônio é pô a rede e tirá: é feito de madeira. Em geral, é esculpido em os peixes ’stão na fiúza nó de pinho, daí terem surgido os versos: de Santo Antônio falá. Meu querido Santo Antônio Em homenagem a Santo Antônio, feito de nó de pinho, geralmente realizam-se duas espécies de com vós arranjo o que quero, rezas e festas: os responsos, quando ele é porque peço com jeitinho. invocado para achar objetos perdidos, e a 28
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    trezena, cerimônia quese prolonga com estar sendo usados pela primeira vez, cânticos, foguetório e comes e bebes de 1o senão… nada de a simpatia funcionar! a 13 de junho de cada ano. Simpatias, Sortes e Adivinhas A seguir, algumas simpatias feitas para para Santo Antônio Santo Antônio: O relacionamento entre os devotos e Em certas zonas paulistas, como na os santos juninos, principalmente Santo Serrana e na Mantiqueira, Santo Antônio Antônio e São João, é quase familiar: recebe um vintém para achar os animais cheio de intimidades, chega a ser, por perdidos nas matas e uma pequena moeda vezes, irreverente, debochado e quase de cobre para o porco voltar ao chiqueiro. obsceno. Esse caráter fica bastante Moças solteiras, desejosas de se casar, evidente quando se entra em contato com em várias regiões do Brasil, colocam-no de as simpatias, sortes, adivinhas e acalantos cabeça para baixo atrás da porta ou dentro feitos a esses santos: do poço ou enterram-no até o pescoço. Fazem o pedido e, enquanto não são Confessei-me a Santo Antônio, atendidas, lá fica a imagem de cabeça para confessei que estava amando. baixo. E elas pedem: Ele deu-me por penitência que fosse continuando. Meu Santo Antônio querido, meu santo de carne e osso, Os objetos utilizados nas simpatias e se tu não me dás marido, adivinhações devem ser virgens, ou seja, não tiro você do poço. 29
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    Meu querido SantoAntônio, vem amansar minha sogra, feito de nó de pinho, que é levada do diabo. me arranje um casamento com um moço bonitinho (ou bonzinho). Para arrumar namorado ou marido, Santo Antônio, casamenteiro, basta amarrar uma fita vermelha e outra não deixe a (dizer o nome) ficar solteira. branca no braço da imagem de Santo Santo Antônio, me case já, Antônio, fazendo a ele o pedido. Rezar um enquanto sou moça e viva. Pai-Nosso e uma Salve-Rainha. Pendurar a imagem de cabeça para baixo sob a cama. O milho colhido tarde Ela só deve ser desvirada quando a pessoa não dá palha nem espiga. alcançar o pedido. Minha avó tem lá em casa um Santo Antônio velhinho. Em os moços não me querendo Para sonhar com o noivo, basta colocar dou pancadas no santinho. três rosas vermelhas debaixo do travesseiro na véspera de Santo Antônio. Santo Antônio, Santo Antônio, abaixai-me esta barriga, que não sei que tem dentro, A moça quer saber com quem vai se se é rapaz ou rapariga. casar? Então, no dia de Santo Antônio, em cada refeição que fizer, deve deixar um pouco Santo Antônio pequenino, de comida no prato. No final do dia, ela mansador de burro brabo, precisa rezar para Nossa Senhora e pedir 30
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    para que ohomem amado venha comer os no meio, Nossa Senhora, restos que deixou durante o dia. Depois é só com seu raminho na mão. adormecer, e o amado aparecerá em seus sonhos comendo a comida. Se o noivado não vai muito bem ou se está se prolongando muito, as donzelas No dia 13, é comum ir à igreja para rezam a seguinte oração: receber o “pãozinho de Santo Antônio”, que “Padre Santo Antônio dos cativos, vós que é dado gratuitamente pelos frades. Em sois um amarrador certo, amarrai, por vosso troca, os fiéis costumam deixar ofertas. O amor, quem de mim quer fugir, empenhai o pão, que é bento, deve ser deixado junto vosso hábito e o vosso santo cordão com aos demais mantimentos para que estes algemas fortes e duros grilhões que façam não faltem jamais. impedir os passos de (nome do amado), que Feito um pedido a Santo Antônio, caso de mim quer fugir, e fazei, ó meu bem- a pessoa tenha pressa em ser atendida, deve aventurado Santo Antônio, que ele case rezar um Pai-Nosso pela metade que o santo comigo sem demora! a atenderá logo, para que o suplicante Pelos vossos milagres; pela palavra termine a oração. quando a Jesus faláveis; pela defesa do vosso pai, um pedido eis-me a fazer. Abrandai a ira do mar; o sopro do vento; Santo Antônio também é bastante o negrume da noite; a chama abrasadora lembrado nos acalantos: do sol; a frialdade da lua; a voracidade das Numa ponta, Santo Antônio, feras; o horror dos desertos. Depois de tudo noutra ponta, São João, isso, abrandai o que de mais empedernido 31
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    existe sobre aterra: o coração dos homens. artigo “Santos padroeiros no domínio Oh!, meu milagroso Santo Antônio, fazei folclórico” (Cultura Política, n. 35, dez. 1943), com que aquele por quem meu coração descreve uma festa de Santo Antônio na chama ouça a minha voz e, ouvindo-a, vá cidade de Guarabira (Espírito Santo): na aos pés de Deus Nosso Senhor, comigo, vossa noite de 13 de junho, no centro de um terreiro humilde devota. bem varrido, decorado com bambu e Amém.” ” bandeirinhas de papel coloridas, encontra- se um mastro com uma bandeira e a figura A Festa de Santo Antônio de Santo Antônio em seu topo. Numa casa em frente, há um oratório preparado com a Nos primeiros treze dias de junho, os imagem do padroeiro da festa. devotos de Santo Antônio rezam as trezenas Em determinado momento, começam as com o intuito de alcançar graças através da cantorias e danças matutas/caipiras ao som sua intervenção ou de agradecer um milagre de violas, pandeiros e tambor. Os devotos en- que o santo tenha realizado: tram dançando no meio do terreiro e cantam: Se queres milagres, Fui ao mato cortar lenha, implora confiante Santo Antônio me chamou. de Antônio o favor. Quando o santo chama a gente Seu braço é tão forte que fará os pecador. que do erro e da morte destrói o furor… E todos na roda respondem: Na porta da sala, O folclorista Basílio de Magalhães, no tá me chamando. 32
  • 31.
    Oh gente danada, Como o dia de Santo Antônio é tá me xingando! comemorado alguns dias antes do Eu não sou daqui, nascimento de São João, estão presentes vou me arretirando. em suas festividades elementos próprios Ai, ai, ai! Ai, ai, ai! das festas deste último, como os fogos e Santo Antônio me chamou! a fogueira. 33
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    São João, e início dos festejos, é esperado com es- a Purificação pelo Batismo pecial ansiedade. Segundo Frei Vicente do Salvador, um dos primeiros brasileiros a João Batista nasceu no dia 24 de escrever a história de sua terra, já no ano junho, alguns anos antes de seu primo Jesus de 1603 os índios acudiam a todos os fes- Cristo, e morreu em 29 de agosto do ano tejos portugueses, em especial os de São 31 d.C., na Palestina. Foi degolado por João, por causa das fogueiras e capelas. ordem de Herodes Antipas a pedido de sua São João é muito querido por todos, enteada Salomé, pois a pregação do filho sem distinção de sexo nem de idade. de Santa Isabel e São Zacarias incomo- Moças, velhas, crianças e homens o fazem dava a moral da época. Antes mesmo de de oráculo nas adivinhações e festejam o Jesus, João Batista já pregava publicamen- seu dia com fogos de artifício, tiros e te às margens do rio Jordão. Ele instituiu, balões coloridos, além dos banhos pela prática de purificação através da coletivos de madrugada. Acende-se uma imersão na água, o batismo, tendo inclu- fogueira à porta de cada casa para sive batizado o próprio Cristo nas águas lembrar a fogueira que Santa Isabel desse rio. acendeu para avisar Nossa Senhora do São João ocupa papel de destaque nas nascimento do seu filho. festas, pois, dentre os santos de junho, foi São João, segundo a tradição, ador- ele que deu ao mês o seu nome (mês de mece no seu dia, pois se estivesse São João) e é em sua homenagem que se acordado vendo as fogueiras que são chamam “joaninas” as festas realizadas no acesas para homenageá-lo não resistiria: decurso dos seus trinta dias. O dia 23 de desceria à Terra e ela correria o risco de junho, véspera do nascimento de São João incendiar-se. 34
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    A lenda dosurgimento da fogueira de São João Dizem que Santa Isabel era muito amiga de Nossa Senhora e, por isso, costumavam visitar- se. Uma tarde, Santa Isabel foi à casa de Nossa Senhora e aproveitou para contar-lhe que dentro de algum tempo nasceria seu filho, que se chamaria João Batista. Nossa Senhora então perguntou: — Como poderei saber do nascimento dessa criança? — Vou acender uma fogueira bem grande; assim você poderá vê-la de longe e saberá que João nasceu. Mandarei também erguer um mastro com uma boneca sobre ele. Santa Isabel cumpriu a promessa. Certo dia Nossa Senhora viu ao longe uma fumaceira e depois umas chamas bem vermelhas. Foi à casa de Isabel e encontrou o menino João Batista, que mais tarde seria um dos santos mais importantes da religião católica. Isso se deu no dia 24 de junho. A lenda das bombas de São João Antes de São João nascer, seu pai, São Zacarias, andava muito triste por não ter filhos. Certa vez, um anjo de asas coloridas, envolto em uma luz misteriosa, apareceu à frente de Zacarias e anunciou que ele seria pai. A alegria de Zacarias foi tão grande que ele perdeu a voz desse momento em diante. No dia do nascimento do filho, perguntaram a Zacarias como a criança se chamaria. Fazendo um grande esforço, ele respondeu “João” e a partir daí recuperou a voz. Todos fizeram um barulhão enorme. Foram vivas para todos os lados. Vem daí o costume de as bombinhas, tão apreciadas pelas crianças, fazerem parte dos festejos juninos. 35
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    Simpatias, Sortes e seguir, enfiar a faca numa bananeira. No Adivinhas para São João outro dia, pela manhã, retirá-la e interpretar o desenho, ou melhor, as iniciais do nome A moça deve apanhar pimentas num pé da pessoa com quem vai se casar. de pimenteira com os olhos vendados. Caso ela colha pimenta verde, seu noivo será jovem; se for madura, o casamento será Na noite de São João, escrever o nome de com um velho ou viúvo; se a pimenta for de quatro pretendentes em cada ponta do lençol verde para madura, o casamento será com e dar um nó em cada uma delas. De manhã, o um homem de meia-idade. nó que estiver desmanchado tem o nome daquele com quem a pessoa vai se casar. Aplicar um jejum forçado a um galo por três dias. À noite, no terreiro iluminado, No dia de São João, perguntar o nome colocar montículos de milho nos pés de do primeiro mendigo que lhe pedir moços e moças, que devem ter formado esmolas. Esse será o nome do futuro cônjuge. uma grande roda. Soltar, então, o galo Na noite de São João, encher uma ba- faminto no centro. O montículo de milho cia com água e ir com ela para a beira da escolhido pelo galináceo será daquele(a) fogueira. Rezar então uma Ave-Maria e, que se casará em breve. quando terminar, aparecerá na água a som- bra do rapaz com quem a moça se casará. Passar descalço sobre as brasas da fogueira com uma faca nova na mão. A Escrever três nomes em pedaços de 36
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    papel. Dobrá-los beme colocar, aleatoria- relento. Na manhã seguinte, interpretar o mente, um no fogão, outro na rua e o últi- que está desenhado na clara: torre de mo sob o travesseiro. Ao amanhecer, des- igreja é casamento (em algumas regiões dobrar o que está sob o travesseiro; esse do Brasil) ou ingresso na vida religiosa será o futuro cônjuge. (Maranhão); túmulo, caixão de defunto ou rede de defunto significa morte na certa em algumas regiões; em outras, a rede Na noite de São João, passar um ramo também pode ser interpretada como de manjericão na fogueira e jogá-lo no te- renda, de que é feito o véu de noiva; lhado. Se na manhã seguinte ele estiver significa, portanto, casamento. verde, a pessoa vai se casar com moço. Se estiver murcho, o noivo será velho. Encher uma bacia ou prato virgem com água e levá-la para a beira da fogueira Ainda ao pé da fogueira, segurar um na noite de São João. Acender então uma papel branco e passá-lo por cima da fo- vela e, enquanto se vai rezando uma Ave- gueira. Sem deixar o papel queimar, girá- Maria, deixar os pingos da cera caírem na lo enquanto se reza uma Salve-Rainha. A água. Depois é só interpretar a inicial do fumaça vai desenhar o rosto do futuro nome da pessoa com quem vai se casar. marido. Pôr três pratos sobre uma mesa: um com Na noite de 23 de junho, quebrar um flores, outro com água e o terceiro com um ovo dentro de um copo e deixá-lo ao terço ou rosário. Os candidatos à sorte en- 37
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    tram na salacom os olhos vendados e nhã seguinte, se ele estiver viçoso, é sinal postam-se atrás das cadeiras à frente das de casamento; se estiver murcho, nada de quais estão os pratos. As flores significam casamento. casamento; o terço, ingresso na vida reli- giosa; a água, viagem. Esta é uma sorte ca- racterística de regiões marítimas ou fluviais. Para curar verrugas, passar sobre elas o primeiro ramo que encontrar ao clarear o dia de São João. Quando estiverem soltando um balão, pensar em algo que se deseja. Se ele subir, acontecerá o que se pensou; caso se incen- À meia-noite de São João, aquele que deie, certamente o “sorteiro” ficará solteiro. não enxergar sua imagem completa no rio Prender uma fita no travesseiro e rezar morrerá logo. Quem enxergar seu corpo para São João. No outro dia, se ela apa- apenas pela metade morrerá no decorrer recer solta é porque a pessoa vai se casar. do ano. Salve-Rainha Numa bacia com água, colocar duas Esta oração está presente em muitas agulhas. Se elas se juntarem, é sinal de que adivinhações de São João e Santo Antônio. a pessoa deve se casar em breve. “ Salve-Rainha, mãe de misericórdia, vida, doçura e esperança nossa, salve! Às 6 da tarde da véspera de São João, A vós bradamos, os degredados filhos pôr um cravo num copo com água. Na ma- de Eva. 38
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    A vós suspiramos,gemendo e chorando, des ninguém mais trabalha. Enfeitam-se neste vale de lágrimas. sítios, fazendas e ruas com bandeirolas Eia, pois, advogada nossa, esses vossos coloridas para a grande festa da véspera olhos misericordiosos a nós volvei e depois de São João. Prepara-se a lenha para a deste desterro mostrai-nos Jesus, bendito grande fogueira, onde serão assados ba- fruto do vosso ventre, tata-doce, mandioca, cebola do reino e Ó clemente, milho. Em torno dela sentam-se os familia- Ó piedosa, res de sangue e de fogueira. Ó doce sempre Virgem Maria. O formato da fogueira varia de lugar Rogai por nós, Santa Mãe de Deus, para para lugar: pode ser quadrada, piramidal, que sejamos dignos das promessas de Cristo. empilhada… Quanto mais alta, maior é o Amém.” ” prestígio de quem a armou. A madeira utilizada também varia bastante: pinho, A Festa de São João peroba, maçaranduba, piúva. Não se queimam cedro, imbaúba nem as ramas da Em festa de São João, na maioria das videira, por terem uma relação estreita com regiões brasileiras, não faltam fogos de a passagem de Jesus na terra. artifício, fogueira, muita comida (o bolo de Os balões levam, segundo os devo- São João, principalmente nos bairros rurais, tos, os pedidos para o santo. Quando a é essencial), bebida e danças típicas de fogueira começa a queimar, o mastro, que cada localidade. recebeu a bandeira do santo homenagea- No Nordeste, por exemplo, essa festa é do, já se encontra preparado. Ele é levan- tão tradicional que no dia 23 de junho, tado enquanto se fazem preces, pedidos depois do meio-dia, em algumas localida- e simpatias: 39
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    São João Batista,batista João, praticada em alguns lugares hoje em dia. levanto a bandeira Os devotos se dirigem ao rio cantando com o livro na mão. com entusiasmo: O nosso corpo é uma podridão, no fundo da terra, Vamos, vamos, no centro do chão. toca a marchar, n’água de São João São João adormeceu vamos nos lavar. no colo de sua tia. Se meu São João soubesse Depois do banho coletivo, todos voltam quando era seu dia, para o terreiro cantando: descia do céu na terra cum bandeira de alegria. N’água de São João me lavei. Toda mazela que tinha deixei! Depois do levantamento do mastro, tem início a queima de fogos, soltam-se os busca- Ou ainda trazem na cabeça grinaldas pés e as bombinhas. A arvorezinha, também de folhagens: chamada de mastro, que é plantada em frente às casas e, no lugar da festa, é plantada perto Capelinha de melão da fogueira, está enfeitada com laranja, é de São João. milho verde, coco, presentes, garrafas, etc. É de cravo, é de rosa, A cerimônia do batismo simbólico de é de manjericão. São João Batista faz parte da tradição da festa, mesmo que ela tenha deixado de ser A cerimônia do banho varia de uma 40
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    região para outra.No Mato Grosso, por devotos lavam e esfregam o corpo com exemplo, não são as pessoas que se ba- esses ingredientes. Acredita-se que o banho- nham nos rios, e sim a imagem do santo. de-cheiro tenha o poder mágico de trazer Na Região Norte, principalmente em muita felicidade às pessoas que o praticam. Belém e Manaus, o banho-de-cheiro faz As danças regionais, o som de violas, parte das tradições juninas. A preparação rabecas e sanfonas, o banho do santo, o do banho de São João inicia-se alguns ato de pular a fogueira, a fartura de ali- dias antes da festa. Trevos, ervas e cipós mentos e bebidas — tudo isso transforma a são pisados, raízes e paus são ralados festa de São João numa noite de encanta- dentro de uma bacia ou cuia com água e mento que inspira amores e indica a sorte depois guardados em garrafas até o de seus participantes. No fim da festa, todos momento do banho. pisam as brasas da fogueira para demons- Chegada a hora da cerimônia, os trar sua devoção. 41
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    São Pedro, Pedro que está roncando” ou “ele está Fundador da Igreja Católica mudando os móveis de lugar”. No dia de São Pedro, todos os que São Pedro, o apóstolo e pescador do receberam seu nome devem acender fo- lago de Genezareth, cativa seus devotos gueiras na porta de suas casas. Além disso, pela história pessoal. Homem de origem se alguém amarrar uma fita no braço de humilde, ele foi apóstolo de Cristo e depois alguém chamado Pedro, ele tem a obri- encarregado de fundar a Igreja Católica, gação de dar um presente ou pagar uma tendo sido seu primeiro papa. bebida àquele que o amarrou, em ho- Considerado o protetor das viúvas e menagem ao santo. dos pescadores, São Pedro é festejado no dia 29 de junho com a realização de Acalanto de São Pedro grandes procissões marítimas em várias cidades do Brasil. Em terra, os fogos e o Acalanto registrado em Cunha (São pau-de-sebo são as principais atrações de Paulo): sua festa. Depois de sua morte, São Pedro, Acordei de madrugada, segundo a tradição católica, foi nomeado fui varrê a Conceição. chaveiro do céu. Assim, para entrar no céu, Encontrei Nossa Senhora é necessário que São Pedro abra as portas. com dois livrinhos na mão. Também lhe é atribuída a responsabilidade Eu pedi um com ela, de fazer chover. Quando começa a trovejar, ela me disse que não; e as crianças choram com medo, é costume eu tornei a lhe pedi, acalmá-las dizendo: “É a barriga de São ela me deu um cordão. 42
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    Numa ponta tinhaSão Pedro, mesma empolgação presente na festa de na outra tinha São João, São João. no meio tinha um letreiro Também se fazem procissões terrestres, da Virgem da Conceição. organizadas pelas viúvas, e fluviais, pois, como vimos, São Pedro é o protetor dos A Festa de São Pedro pescadores e das viúvas. Em várias regiões do Brasil, a brincadeira mais comum na Em homenagem ao santo, acendem- festa é a do pau-de-sebo. se fogueiras, erguem-se mastros com sua Embora São Paulo também seja home- bandeira e queimam-se fogos, porém nageado em 29 de junho, ele não é figura não há, na noite de 29 de junho, a de destaque nas festividades desse mês. A mãe de São Pedro A bondade, a simplicidade e a boa-fé desse santo estão presentes nesta história: “ A mãe de São Pedro era uma velhinha muito má, não tinha amizades e todos fugiam dela. Certo dia, quando estava lavando num córrego um molhe de folhinhas de cebolas, uma delas se desprendeu, ganhou a correnteza e lá se foi água abaixo. Ao não conseguir pegá-la, ela exclamou: — Ora, seja tudo pelo amor de Deus! Não levou muito tempo, ela morreu e foi apresentar-se no céu. Mas acabou indo para 43
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    o inferno, tãogrande era o peso de seus pecados. O filho ainda andava pelo mundo e não lhe podia valer. Quando São Pedro morreu, foi nomeado chaveiro do céu. Sua mãe o viu no gozo das glórias celestes e pediu-lhe por gestos que a salvasse. Como ele não podia resolver nada por si, apelou ao Senhor: — Salva minha mãe, Divino Mestre. O Senhor lhe respondeu com essas palavras: — Se houver, no Livro das Almas, na vida de tua mãe, ao menos uma boa ação, estará salva caso ela saiba aproveitá-la. Examinou-se o livro e a certa altura, nas contas da mãe de São Pedro, encontrou-se a folhinha de cebola, nada mais! Era a mesma que motivara o comentário da velha, que ao menos uma vez na vida se mostrara conformada: — Seja tudo pelo amor de Deus! Então o Senhor disse a Pedro: — Lança uma das pontas da folhinha em direção ao inferno. Tua mãe que se agarre a ela e tu a puxarás. Se ela conseguir subir até aqui, estará salva. Pedro fez tudo o que o Senhor lhe ordenou. A velhinha agarrou-se à folha, mas uma porção de almas, querendo aproveitar a oportunidade de salvação, segurou-se às pernas da velha. Apesar disso, ela subia. Quando o grupo já estava a certa altura, outras almas se agarravam às pernas das primeiras. A velha, indignada, de avara que era, esperneou e atirou novamente ao inferno as companheiras, pois não queria levá-las para o céu. Nesse mesmo instante, porém, a folha de cebola partiu-se, e a mãe de São Pedro ficou no espaço. Não tinha por onde 44
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    subir ao céu,e o pedacinho de folha que conservava nas mãos não a deixava voltar ao inferno. E até hoje ela vive assim: nem na terra nem no céu. Costuma-se dizer que quem fica com a mãe de São Pedro não está nem com Deus nem com o diabo.”” 45
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    subir ao céu,e o pedacinho de folha que conservava nas mãos não a deixava voltar ao inferno. E até hoje ela vive assim: nem na terra nem no céu. Costuma-se dizer que quem fica com a mãe de São Pedro não está nem com Deus nem com o diabo.”” 45
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    4 Casamento Caipira ou Matuto O casamento caipira ou matuto aborda de forma bem-humo- rada a instituição do casamento e as re- casar com ela. Como ele tenta fugir, o pai pede a interferência do delegado e de seus ajudantes. Em algumas localidades, lações sexuais pré-nupciais e suas conse- o casamento civil é realizado após a ceri- qüências. Seu enredo, com algumas va- mônia religiosa, sob a vigilância do riações de uma região para outra, é o delegado e de seus auxiliares. Depois, é seguinte: só acompanhar a sanfona, o triângulo e A noiva fica grávida antes do casa- a zabumba e comemorar o casamento mento e seus pais obrigam o noivo a se com a dança da quadrilha. Sugestão para a Representação do Casamento Caipira ou Matuto Personagens Cenário Padre, coroinha, noiva, noivo, dele- Representação de um altar de igreja gado, ajudantes do delegado, pais da noiva ou capela. e padrinhos. Os convidados estão posicionados em 47
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    duas fileiras, deixandoo centro para a noiva. O padre anuncia a chegada da noiva, que entra com o pai e vai até o altar, onde estão o padre, devidamente paramentado, seu coroinha e os padrinhos e pais dos noivos. Os personagens, carregando bastante no sotaque interiorano, dizem o seguinte: PADRE: A noiva tá chegano! Vamo batê parma pr’ela, pessoar!!! Cadê o noivo??? N OIVA: Ai, mãe, ele num vem, acho que vou dismaiá... (E, simulando um desmaio, é acudida pela mãe e pela madrinha.) O pai da noiva faz um sinal para o delegado e cochicha com ele. D E L E G A D O : Peraí, seu padre, eu já vô buscá ele. (Sai acompanhado por dois ajudantes, armados de espingarda e cassetetes.) Entra o noivo empurrado pelo delegado, que permanece no altar, grande parte da cerimônia, atrás do noivo, para que ele não fuja. PADRE: Bão, vamo começá logo esse casório. Ocê, Chiquinha 48
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    Dengosa, promete, decoração, pra marido toda vida o Pedrinho Foguetão? NOIVA: Mas que pregunta isquisita seu vigário faz pra mim. Eu vim aqui mais o Pedrinho num foi pra dizê que sim??? PADRE: E ocê, Pedrinho, que me olha assim tão prosa, qué mesmo pra sua esposa a sinhá Chiquinha Dengosa? NOIVO: Num havia de querê, num é essa minha opinião, mas, se não caso com a Chiquinha, vô direto pro caixão... (Vira-se para o delegado, que está com a espingarda em punho.) P ADRE: Então, em nome do cravo e do manjericão, caso a Chiquinha Dengosa com o Pedrinho Foguetão! E viva os noivos! C ONVIDADOS : Viva!!! (Conforme os noivos passam pelos convidados, pode-se jogar arroz.) PADRE: E vamo pro baile, pessoar!!! Com os convidados já devidamente formados, tem início a quadrilha — o grande baile do casamento. 49
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    5 Danças Juninas Origem da Quadrilha Depois desceu as escadarias do palácio e caiu no gosto do povo, que modificou suas T ambém chamada de quadrilha caipira ou de quadrilha matuta, é muito comum nas festas juninas. Consta de evoluções básicas e introduziu outras, alterando inclusive a música. A sanfona, o triângulo e a zabumba são diversas evoluções em pares e é aberta pelo os instrumentos musicais que em geral noivo e pela noiva, pois a quadrilha acompanham a quadrilha. Também são representa o grande baile do casamento comuns a viola e o violão. Nossos com- que hipoteticamente se realizou. positores deram um colorido brasileiro à Esse tipo de dança (quadrille) surgiu sua música e hoje uma das canções pre- em Paris no século XVIII, tendo como feridas para dançar a quadrilha é Festa na origem a contredanse française, que por roça, de Mario Zan. sua vez é uma adaptação da country dance O marcador, ou “marcante”, da qua- inglesa, segundo os estudos de Maria drilha desempenha papel fundamental, Amália Giffoni. pois é ele que dá a voz de comando em A quadrilha foi introduzida no Brasil du- francês não muito correto misturado com o rante a Regência e fez bastante sucesso nos português e dirige as evoluções da dança. salões brasileiros do século XIX, prin- Hoje, dança-se a quadrilha apenas nas cipalmente no Rio de Janeiro, sede da Corte. festas juninas e em comemorações festivas 51
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    no meio rural,onde apareceram outras com gola alta, cintura marcada, mangas danças dela derivadas, como a quadrilha “presunto” e botinas de salto abotoadas do caipira, no Estado de São Paulo, o baile lado. Os cavalheiros vestiam paletó até o sifilítico, na Bahia e em Goiás, a saruê joelho, com três botões, colete, calças (combina passos da quadrilha com outros estreitas, camisa de colarinho duro, gravata de danças nacionais rurais e sua marcação de laço e botinas. mistura francês e português), no Brasil Cen- Hoje em dia, na tradição rural brasileira, tral, e a mana-chica (quadrilha sapateada) o vestuário típico das festas juninas não difere em Campos, no Rio de Janeiro. do de outras festas: homens e mulheres usam A quadrilha é mais comum no Brasil suas melhores roupas. Nos centros urbanos, sertanejo e caipira, mas também é dançada há uma interpretação do vestuário caipira em outras regiões de maneira muito ou sertanejo baseada no hábito de própria, caso de Belém do Pará, onde há confeccionar roupas femininas com tecido de mistura com outras danças regionais. Ali, chita florido e as masculinas com tecidos de há o comando do marcador e durante a algodão listrados e escuros. Assim, as roupas evolução da quadrilha dança-se o carimbó, usadas para dançar a quadrilha variam o xote, o siriá e o lundum, sempre com os conforme as características culturais de cada trajes típicos. região do país. Os trajes mais comuns são: para os Trajes Usados na Dança cavalheiros, camisa de estampa xadrez, com imitação de remendos na calça e na No fim do século XIX as damas que camisa, chapéu de palha, talvez um lenço dançavam a quadrilha usavam vestidos até no pescoço e botas de cano; as damas os pés, sem muita roda, no estilo blusão, geralmente usam vestidos com estampas 52
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    florais, de coresfortes, com babados e “B ALANCÊ” E “TUR” (balanceio e giro): : rendas, mangas bufantes e laçarotes no damas e cavalheiros fazem o passo no cabelo ou chapéu de palha. lugar, balançando os braços naturalmente, e giram dançando juntos. Sugestão para a Evolução da GRANDE PASSEIO: as damas colocam-se Quadrilha Caipira à direita dos cavalheiros e os dois dão-se os braços. Do lado de fora o outro braço CAMINHO DA FESTA: os pares seguem atrás ESTA continua balanceando ao longo do corpo. dos noivos, iniciando a dança e parando em Formam um círculo e seguem dançando. determinado momento no centro terreiro. Quando o marcador anuncia nova evolu- ANARIÊ (do francês en arrière, para trás): : ção, a progressão cessa e os participantes as damas e os cavalheiros se separam (4 fazem o que foi ordenado. metros, aproximadamente), formando duas “CHANGÊ” DE DAMAS (trocar de damas): : colunas. no grande passeio, os cavalheiros avançam OS CAVALHEIROS CUMPRIMENTAM AS DAMAS: UMPRIMENTAM e colocam-se ao lado da dama imediata- eles se aproximam das damas, cumprimen- mente à frente. Se for dito “mais uma vez”, tando-as. Flexionam o tronco, mantendo a repetem o movimento. Os comandos cabeça erguida, e voltam a seus lugares, “passar duas” e “passar quatro” também caminhando de costas. são executados pelo cavalheiro. AS DAMAS CUMPRIMENTAM OS CAVALHEIROS: UMPRIMENTAM OLHA O TÚNEL: os noivos, que estão na elas repetem a evolução dos cavalheiros. frente, param e elevam os braços internos SAUDAÇÃO GERAL: tanto as damas como para cima e, de mãos dadas, fazem o túnel. os cavalheiros andam para a frente e, O segundo par flexiona o tronco, passa pelo quando se encontram, cumprimentam-se. túnel, coloca-se à frente dos noivos e eleva 53
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    os braços, eassim sucessivamente, até que J Á C ONSERTOU! : voltam a dançar no ONSERTOU todos passem. Executa-se o passo no lugar outro sentido. durante essa evolução. OLHA O CARACOL!: em coluna e com as mãos SEGUE O PASSEIO: é a voz de comando ainda sobre os ombros de quem está à frente, para que o grande passeio continue. todos obedecem às ordens do marcador, que CAMINHO DA ROÇA: as fileiras de damas e começará a descrever um percurso cheio de cavalheiros fundem-se, formando uma só co- curvas que fazem lembrar o casco de um ca- luna. O primeiro segura, com as mãos à altura racol. Quando o marcador disser “desvirar”, o dos ombros, as mãos de quem está atrás. Os guia deverá fazer as curvas em sentido contrário, demais colocam as mãos nos ombros de voltando a dançar em linha reta. quem está à sua frente. A coluna progride, FORMAR A GRANDE RODA: os participantes fazendo curvas para um lado e para outro, da quadrilha dão as mãos formando uma como se fosse uma serpente. O marcador da grande roda e, ao ouvir a voz de comando quadrilha continua dando voz de comando. “à direita”, “à esquerda”, deverão se des- OLHA A CHUVA!: todos dão meia-volta. locar no sentido determinado pelo marcador. J Á P A S S O U ! : todos dão meia-volta DAMAS AO CENTRO: as damas formam novamente dizendo “ehh!”. uma roda no centro e deslocam-se no O LHA A C OBRA! : as damas gritam e sentido indicado pelo marcador. pulam, os cavalheiros procuram segurá-las COROA DE ROSAS: os cavalheiros, de mãos em seus braços. dadas, erguem os braços na vertical sobre a É MENTIRA! : os “caipiras” ou “matutos” cabeça das damas, como se as coroassem, continuam o passo e gritam “uhh!”. depois abaixam os braços passando-os pela A PONTE QUEBROU! : todos dão meia- frente, até a altura da cintura das damas, volta novamente. contornando-as. Fazem o passo no lugar 54
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    durante a coroação.Depois podem festas juninas, o fandango tem sentidos deslocar-se “à direita” e “à esquerda”. diferentes de acordo com a localidade. COROA DE ESPINHOS: nesse momento, são No Sul (Paraná, Santa Catarina, Rio as damas quem elevam os braços sobre a Grande do Sul e até em São Paulo) o fan- cabeça dos cavalheiros, coroando-os. dango é um baile com várias danças O LHA O GRANDE P ASSEIO! : repetem a regionais: anu, candeeiro, caranguejo, formação descrita anteriormente. chimarrita, chula, marrafa, pericó, quero- V AI COMEÇAR O GRANDE BAILE. OLHA A quero, cana-verde, marinheiro, polca, etc. VALSA DOS NOIVOS!: os noivos entram no cen- A coreografia não é improvisada e segue a tro da roda e dançam juntos. tradição. O L H A O S P ADRINHOS ! : os padrinhos O fandango se divide em três grupos dançam no centro da roda. nessa região: BAILE GERAL!: todos os pares dançam no centro da roda. 1. BATIDOS: caracterizam-se pelo forte O GRANDE BAILE ESTÁ ACABANDO. VAMOS sapateado, barulhento, que quase abafa o NOS DESPEDIR DO PESSOAL! : todos executam a conjunto de tocadores. Apenas os homens evolução do grande baile e se retiram do sapateiam. centro do terreiro, despedindo-se das pes- 2. VALSADOS: dança lenta com pares soas que estão assistindo. fixos, do começo ao fim. 3. MISTOS: as valsas são intercaladas ISTOS Fandango de batidos. Dançado em várias regiões do país em Em São Paulo, o fandango é uma festividades católicas como o Natal e as dança que se aproxima do cateretê e às 55
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    vezes é sinônimode chula (bailado Eu plantei caninha-verde masculino muito comum no Rio Grande do sete palmos de fundura. Sul, de coreografia agitada e bastante Quando foi de madrugada complexa). a cana ’stava madura. No Norte do Brasil, o fandango não é Uai, uai, sete palmos de fundura. baile nem dança de par ou individual. É Quando foi de madrugada sempre um auto popular, seqüência de temas a cana ’stava madura. com certa articulação, que tem origem na Pra cantar caninha-verde convergência das cantigas portuguesas, não precisa imaginá. como aponta Cascudo (1988, p. 320 e 321), De qualquer folha de mato e está presente no nosso país desde a tiro um verso pra cantá. primeira década do século XIX. Eu tenho um chapéu de palha, Já no Nordeste brasileiro, o fandango de pano não posso ter. é o auto característico dos marujos, sendo De palha eu mesmo faço, conhecido também como chegança dos de pano não sei fazer. marujos ou marujada. Eu tenho um chapéu de palha A cana-verde dançada principalmente cana-verde, que custou mil e quinhentos. no Sul e no Centro do Brasil, apesar de fazer Quando eu ponho na cabeça parte do fandango, também é bem popu- não me falta casamento. lar em outras festividades. Nas festas juninas, as quadras dessa dança são geralmente Formação improvisadas, podendo encarregar-se des- sa tarefa tanto os violeiros como os próprios Forma-se uma roda em fila, no sentido dançadores. dos ponteiros do relógio. A cana-verde 56
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    pode ser dançadasó por homens e o bumba-meu-boi tem características dife- também por pares. rentes e recebe inclusive denominações distintas de acordo com a localidade em que Movimentação é apresentado: no Piauí e no Maranhão, chama-se bumba-meu-boi; na Amazônia, Os participantes deslocam-se, saindo boi-bumbá; em Santa Catarina, boi-de- com o pé esquerdo (eu); no quarto passo, mamão; no Recife, é o boi-calemba e no batem o pé direito (verde) com uma palma Estado do Rio de Janeiro, folguedo-do-boi. para o centro da roda. Quando cantam O enredo da dança é o seguinte: uma “madrugada”, a palma deverá estar do mulher grávida (cujo nome varia de acordo lado de fora, sempre junto com o pé com a região do Brasil) sente vontade de direito. No refrão (uai, uai) a roda faz meia- comer língua de boi. O marido resolve volta, girando no sentido contrário, e segue atender a seu desejo e mata o primeiro boi sempre a mesma movimentação, ou seja, que encontra. Logo depois, o dono do boi, uma palma para dentro e outra para fora, que era seu patrão, aparece e fica muito sempre batendo com o pé direito. zangado ao ver o animal morto. Para con- No Maranhão, essa dança é executada sertar a situação, surge um curandeiro, que de forma bastante semelhante à da consegue ressuscitar o boi. Nesse momento, quadrilha. todos se alegram e começam a brincar. Os participantes do bumba-meu-boi Bumba-meu-boi dançam e tocam instrumentos enquanto as pessoas que assistem se divertem quando Dança dramática presente em várias o boi ameaça correr atrás de alguém. O festividades, como o Natal e as festas juninas, boi do espetáculo é feito de papelão ou 57
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    madeira e recobertopor um pano colorido. teado, além do canto acompanhado por Dentro da carcaça, alguém faz os movi- guitarras e violões. Em geral, a música é mentos do boi. executada como compasso binário, com certo predomínio de sons rebatidos. Lundu Essa dança é típica das festas juninas (lundum/londu/landu) nos Estados do Norte (como parte da qua- drilha tradicional e independente desta), De origem africana, o lundu foi trazido Nordeste e Sudeste do Brasil. para o Brasil pelos escravos vindos prin- cipalmente de Angola. Nessa dança, Cateretê homens e mulheres, apesar de formar pares, dançam soltos. Dança rural do Sul do país, o cateretê A mulher dança no lugar e tenta seduzir foi introduzido pelos jesuítas nas comemo- com seus encantos o parceiro. A princípio rações em homenagem a Santa Cruz, São ela demonstra certa indiferença, mas, no Gonçalo, Espírito Santo, São João e Nossa desenrolar da dança, passa a mostrar in- Senhora da Conceição. É uma dança bas- teresse pelo rapaz, que a seduz e a envolve. tante difundida nos Estados de São Paulo, Nesse momento, os movimentos são mais Rio de Janeiro e Minas Gerais e também rápidos e revelam a paixão que passa a está presente nas festas católicas do Pará, existir entre os dançarinos. Logo o cavalheiro Mato Grosso e Amazonas. passa a provocar outra dama e o lundu Nas zonas litorâneas, geralmente é recomeça com a mesma vivacidade. dançado com tamancos de madeira dura. No O lundu é executado com o estalar dos interior desses Estados, os dançarinos dançam dedos dos dançarinos, castanholas e sapa- descalços (Taubaté, Cunha, Lagoinha) ou usam 58
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    esporas nos sapatos(Barretos, Guaratinguetá, duas fileiras, com acompanhamento de Itararé). Em algumas cidades o cateretê é viola, cantos, sapateado e palmas. Os saltos conhecido como catira (Araçatuba, Nazaré e a formação em círculo aparecem rapida- Paulista, Piracaia e Pereira Barreto). mente. Os dançarinos não cantam, apenas Em geral, o cateretê é dançado apenas batem os pés e as mãos e acompanham a por homens, porém, em alguns Estados, evolução. As melodias são cantadas por dois como Minas Gerais, as mulheres também violeiros, o mestre, que canta a primeira voz, participam da dança. Os dançarinos formam e o contramestre, que faz a segunda. 59
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    6 Jogos Juninos O s jogos que valem prendas são uma atração tradicional nas festas juninas. Dividem-se em jogos de sebo é então solidamente plantado no chão e muitas vezes recebe, no topo, um triângulo de madeira ao qual se amarra dinheiro terreiro e jogos de barracas. (uma cédula de valor alto ou um depósito repleto de dinheiro). Jogos de Terreiro A brincadeira consiste em, abraçado ao pau-de-sebo, tentar subir e alcançar o Pau-de-sebo prêmio. Como o mastro foi revestido com Brincadeira que anima as festas juninas, cera, dificilmente os que participam da principalmente a festa em homenagem a brincadeira conseguem subir até seu topo, São Pedro no Sudeste, e também está Escorregam até perto do chão e voltam a presente nas festas natalinas, no Nordeste. insistir várias vezes, até desistir ou atingir o O pau-de-sebo é um mastro (não confundir alvo, quando recebem palmas e vivas das com o mastro dos santos juninos) de pessoas que estão assistindo. madeira envernizada com aproximada- mente 5 metros de altura. É cuidadosa- Catar amendoim mente preparado: tiram-se todos os Cada criança deve apanhar, com uma nódulos da madeira, que depois é lixada, colher, os amendoins colocados à sua e passa-se sebo de boi ou cera. O pau-de- frente, a uma certa distância, e levá-los 61
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    para seu lugar,junto à linha de partida, Corrida de três pés um de cada vez. Vence quem primeiro Cada jogador amarra a sua perna reunir cinco grãos. esquerda à perna direita do parceiro e, assim, os dois pulam até a linha de chegada. Corrida de funis Introduzir dois funis numa corda, com Jogos de Barracas a parte mais estreita voltada para um laço feito no centro. Os jogadores terão de, Acertar o Alvo apenas soprando, levar os funis até o laço. Cada jogador recebe três bolinhas e, de certa distância, procura jogá-las dentro Corrida do saci da boca de um grande caipira, desenhado Riscar no chão duas linhas paralelas, em cartolina. Em algumas regiões, um pa- sendo uma a de chegada. Ao sinal combi- lhaço substitui o caipira no cartaz. nado, as crianças saem pulando num pé só em direção à linha de chegada. Jogo de argolas Colocam-se várias garrafas estrategi- Corrida de sacos camente no centro de uma barraca. Cada Semelhante à corrida do Saci, cada jogador recebe determinado número de jogador faz o percurso com o corpo enfiado argolas e tenta encaixá-las nas garrafas. num saco bem preso à cintura. Pescaria Num tanque de areia, colocam-se peixinhos feitos de lata ou papelão. Cada um tem na boca uma argolinha, que deverá 62
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    ser enganchada peloanzol do pescador, ou jogador. Cada peixinho tem um número que corresponde a uma prenda. Tiro ao Alvo Coloca-se um alvo a certa distância; o jogador deverá acertá-lo utilizando dardos. Toca do Coelho Várias tocas numeradas são espalha- das num espaço fechado da barraca. Os jogadores apostam em determinada toca. Quando se solta ali um coelhinho, vence o jogador da toca em que ele primeiro entrar. 63
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    7 Músicas Juninas A s músicas típicas das festas juninas podem ser apenas cantadas ou também dançadas. Até hoje muitas são as de Derramando o gai (coco de Luiz Gonzaga e Zé Dantas): compostas especialmente pelos nordes- Eu nesse coco num vadeio mai, tinos, e formam o repertório do forró, que apagaro o candihero, se transformou em baile realizado não derramaro o gai apenas no período junino. Apagaro o candihero, Entre os compositores e cantores mais derramaro o gai. famosos, destaca-se o pernambucano Luiz Coisa boa nesse escuro Gonzaga. Algumas estrofes de suas músicas eu sei que não sai. são conhecidas de todos os brasileiros, como as de Olha pro céu, meu amor (em Já não tão mai respeitando parceria com José Fernandes): nem eu qui sou pai, pois me dero um beliscão, Olha pro céu, meu amor. quase a carça cai. Vê como ele está lindo. Não se pr’onde vai Olha praquele balão multicor por isso nesse coco como no céu vai sumindo num vadeio mai 65
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    Capelinha de melão (João de Barros e Adalberto Ribeiro) Capelinha de melão é de São João. e as de São João na roça (em parceria É de cravo, é de rosa, com Zé Dantas): é de manjericão. São João está dormindo, A fogueira tá queimando não me ouve não. em homenagem a São João. Acordai, acordai, O forró já começou. acordai, João. Vamos, gente, arrasta pé nesse salão. Atirei rosas pelo caminho. A ventania veio e levou. Algumas das músicas juninas mais Tu me fizeste com seus espinhos conhecidas, pelo menos na Região Sudeste, uma coroa de flor. são as seguintes: Cai, cai, balão Pedro, Antônio e João (Benedito Lacerda e Oswaldo Santiago) Cai, cai, balão. Cai, cai, balão. Com a filha de João Aqui na minha mão. Antônio ia se casar, Não vou lá, não vou lá, não vou lá. mas Pedro fugiu com a noiva Tenho medo de apanhar. na hora de ir pro altar. 66
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    A fogueira estáqueimando, São João ficou zangado. o balão está subindo, São João só dá cartão Antônio estava chorando com direito a batizado. e Pedro estava fugindo. São João não me atendendo E no fim dessa história, a São Pedro fui correndo. ao apagar-se a fogueira, No portão do paraíso João consolava Antônio, disse o velho num sorriso: que caiu na bebedeira. ”Minha gente eu sou chaveiro, nunca fui casamenteiro”. Isto é lá com Santo Antônio (Lamartine Babo) Eu pedi numa oração ao querido São João que me desse um matrimônio. São João disse que não, São João disse que não, isto é lá com Santo Antônio. Implorei a São João desse ao menos um cartão que eu levasse a Santo Antônio. 67
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    Balãozinho Venha cá, meu balãozinho. Toda mata pega fogo. Diga aonde você vai. Passarinhos vão morrer. Vou subindo, vou pra longe, Se cair em nossas matas, vou pra casa dos meus pais. o que pode acontecer. Já estou arrependido. Ah, ah, ah, mas que bobagem. Quanto mal faz um balão. Nunca vi balão ter pai. Ficarei bem quietinho, Fique quieto neste canto amarrado num cordão. e daí você não sai. 68
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    Chegou a horada fogueira Sonho de papel (Lamartine Babo) (Carlos Braga e Alberto Ribeiro) Chegou a hora da fogueira. O balão vai subindo, É noite de São João. vem caindo a garoa. O céu fica todo iluminado, O céu é tão lindo fica todo estrelado, e a noite é tão boa. pintadinho de balão. São João, São João, Pensando na cabocla a noite acende a fogueira também fica uma fogueira no meu coração. dentro do meu coração. Quando eu era pequenino, Sonho de papel de pé no chão, a girar na escuridão recortava papel fino soltei em seu louvor pra fazer balão. no sonho multicor. E o balão ia subindo para o azul da imensidão. Oh! Meu São João. Hoje em dia meu destino Meu balão azul não vive em paz. foi subindo devagar. O balão de papel fino já não sobe mais. O vento que soprou O balão da ilusão meu sonho carregou. levou pedra e foi ao chão. Nem vai mais voltar. 69
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    Sem título As moça dançam com o padre, (Djalma da Silveira Allegro e Paulo Soveral) as véia com o delegado. Uns ainda tão na mesa A mesa tá preparada, comendo doce e salgado. os conviva vão chegando, o quentão vai se servido, A fogueira vai queimando o leitão tá esturricando. que dá gos to a gente vê. Tem pipoca, tem pamonha, As estrelas ain da piscando, mio verde com fartura. o sol quase pra nascê. Tem cabrito e frango assado, Tá todo mundo esperando tem doce de rapadura. otro dia amanhe cê… Tem tanta coisa gostosa que barriga quase fura… Chame o Mané Sanfoneiro que o baile vai começá! Vamos dançá a quadrilha, cada um no seu lugar. Pula a fogueira (João B. Filho) E a festança continua, continua o arrasta-pé. Pula a fogueira Iaiá, Dança home com otro home pula a fogueira Ioiô. e muié com otra muié. Cuidado para não se queimar. Um já gastô as butinas, Olha que a fogueira otro já sentô cansado. já queimou o meu amor. 70
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    Nesta noite defestança Nesta noite de folguedo todos caem na dança todos brincam sem medo alegrando o coração. a soltar seu pistolão. Foguetes, cantos e troca Morena flor do sertão, na cidade e na roça quero saber se tu és em louvor a São João. dona do meu coração. 71
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    8 O Mastro C omo os demais elementos das festas juninas que estão direta- mente relacionados com a época da co- de meia-idade que segura o menino Jesus nos braços; São João é uma criança de cabelos encaracolados que tem um carnei- lheita (do milho, principalmente, no Brasil), rinho no colo, simbolizando Jesus Cristo, os mastros são símbolos da fecundação apontado por São João Batista como o vegetal, segundo o folclorista Câmara verdadeiro Cordeiro de Deus; São Pedro Cascudo (1988, p. 481 e 482). aparece na bandeira como uma pessoa No topo do mastro, que deve ter mais idosa que tem nas mãos as chaves do céu. ou menos 5 a 6 metros de altura, fica a ban- A preparação do mastro, até a ocasião deira do santo padroeiro da festa, símbolo de seu erguimento, é parte essencial das da sua presença durante a festividade. A festas em homenagem aos santos juninos, crença popular é de que o mastro tem o principalmente São João. O mastro recebe poder de sinalizar, dependendo do lado um tratamento especial desde o momento para onde virar a bandeira que está no seu da escolha da madeira. O tronco da árvore topo, muita prosperidade ou morte. deve ser o mais reto possível e ser cortado Em alguns lugares, colocam-se três em uma sexta-feira de lua minguante por bandeiras sobre o mastro, cada uma com três pessoas que, antes de derrubá-lo, de- a figura de um dos santos juninos: Santo vem rezar o Pai-Nosso. No momento em Antônio é representado como um homem que a árvore é derrubada e cai no chão, 73
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    esses homens, emsinal de respeito, devem azul e o vermelho são as cores preferidas. tirar o chapéu e evitar cuspir naquele lugar. Evita-se pôr pregos no mastro e é geral- O transporte do tronco escolhido para mente o promotor da festa quem determina mastro também requer cuidado especial. onde será feito o buraco para levantá-lo. A madeira deve ser colocada sobre um tipo Também são chamadas de mastro as de andor ou nos ombros dos homens, que árvores que em geral nessa época, mais não precisam ser os mesmos que derru- especificamente no dia de cada santo ju- baram a árvore. Na verdade, todos os nino, são plantadas em frente às casas dos homens que participarão da festa querem roceiros enquanto eles rezam a oração carregá-lo pelo menos por alguns Salve-Rainha. Depois de erguidas, essas instantes, até o seu levantamento. As arvorezinhas são decoradas com fitas, mulheres levam a bandeira que será flores, laranjas espetadas nos galhos e colocada em seu topo. cipós de flor-de-são-joão. Seu pé fica repleto A preparação do mastro não inclui de ovos de galinha, grãos de milho e feijão, necessariamente a pintura. Quando ele é para assegurar que a colheita seja farta e pintado, em geral adquire uma só cor no haja uma boa produção de ovos, sem Norte do Brasil e duas cores no Sul, onde o pestes nem doenças. 74
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    9 Comidas e Bebidas Juninas P rodutos agrícolas genuinamente americanos, como milho, amen- doim, batata-doce e mandioca, cultivados modo de preparo dos pratos e temperos variados — que provocaram mudanças no processamento desses produtos. pela população indígena, tornaram-se a Hoje eles constituem o cardápio básico base da alimentação dos brasileiros. Os das festas juninas, acrescentando-se pro- portugueses trouxeram a tecnologia, como dutos regionais como o pinhão sulino, as o forno de fazer farinha, e costumes — castanha-de-caju e a do pará. Arroz-Doce Arroz lavado Leite, açúcar (ou leite condensado) Canela em pau Raspas de limão ou laranja Canela em pó Cozinhe o arroz na água com a canela em pau e, se quiser, com as raspas de limão ou laranja. Depois de cozido, acrescente o leite quente e o açúcar ou leite condensado. Salpique canela em pó. 77
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    Bolo de Batata-Doce 1 quilo de batatas-doces cozidas e amassadas 3 xícaras de açúcar refinado 4 gemas, leite puro de 1 coco 120 gramas de manteiga 100 gramas de castanhas-do-pará torradas e moídas 1 xícara de farinha de trigo 1 colher de chá de fermento 2 claras em neve Misture a batata-doce com todos os ingredientes. Se ficar pesado, junte um pouco de leite de vaca. Bata bem e coloque, por último, as claras em neve. Forno quente em fôrma untada. Bolo de Fubá 1 xícara e meia de açúcar 1 xícara e meia de farinha de trigo 1 xícara de fubá 1 xícara de óleo 1 xícara de leite 1 colher de chá de fermento 3 ovos 1 colher de chá de erva-doce Bata todos os ingredientes e leve ao forno para assar, de preferência numa forma com buraco no meio. 78
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    Bolo de FubáCozido 2 xícaras de chá de fubá 2 xícaras de chá de açúcar 2 xícaras de chá de leite 2 colheres de sopa cheias de manteiga 1 colher de chá de erva-doce 4 cravos-da-índia 1 rama de canela 1 pitada de sal Faça um mingau com todos os ingredientes, mexendo sempre até ficar solto da panela. Deixe esfriar. 4 ovos 1 colher de sopa bem cheia de fermento em pó 1 xícara de chá de leite 1 pires de queijo parmesão ralado Bata as claras em neve e adicione as gemas batendo um pouco mais. Junte ao mingau já frio, adicione o fermento em pó dissolvido no leite e o queijo parmesão ralado. Leve ao forno quente em fôrma untada com manteiga. 79
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    Bolo de Macaxeira 1 quilo de macaxeira crua ralada 1 coco ralado 1/2 litro de leite 1 colher de sopa de manteiga Açúcar a gosto Misture tudo e leve ao forno em fôrma untada. Bolo de Milho 500 gramas de milho para angu (xerém) 1 colher de chá de erva-doce 2 cocos 250 gramas de açúcar refinado 3 xícaras de água quente para retirar o leite dos cocos Sal a gosto 2 colheres de sopa de fubá Cozinhe o xerém no leite de coco. Depois de cozido, acrescente os outros ingredientes e leve a assar em tabuleiros untados. Uma vez assado, corte em retângulos. Bolo de Milho Elétrico 1 lata de milho sem água 1 medida da lata de açúcar 1 medida da lata de milho de leite de coco 80
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    1 medida dalata de flocos de milho 3 ovos inteiros 1/2 pote pequeno de margarina Bata bem o milho (sem a água) com o leite de coco e os ovos no liquidificador, acrescente os demais ingredientes, um por vez, batendo sempre até formar uma massa homogênea. Asse em forno regular, em fôrma bastante untada e polvilhada. Assim que desenformar, polvilhe açúcar peneirado por cima do bolo ainda quente. Bolo de Milho Verde 6 espigas de milho verde 2 xícaras de chá de leite 2 colheres de sopa de margarina derretida 2 xícaras de chá de açúcar 4 ovos 1 colher de café de canela em pó 1 colher de sobremesa de fermento em pó Retire os grãos de milho verde com uma faca afiada, cortando- os rente ao sabugo. Coloque o milho e o leite no liquidificador e bata muito bem. Junte os ovos, o açúcar, a canela e a margarina, batendo até ficar uma mistura homogênea. Finalmente acrescente o fermento. Unte muito bem uma assadeira com margarina. Leve ao forno por aproximadamente 40 minutos. Deixe esfriar durante duas a três horas e corte em quadradinhos. 81
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    Bolo de SantoAntônio 250 gramas de farinha de trigo 250 gramas de manteiga 8 ovos 250 gramas de açúcar 10 gramas de erva-doce 100 gramas de castanhas-do-pará assadas sem casca Misture o açúcar com a manteiga até ficarem bem ligados, acrescente a erva-doce e vá colocando as gemas uma a uma, mexendo sempre. Bata bastante e, por fim, junte a farinha de trigo. Asse em fôrma redonda, untada e forrada com papel vegetal, também untado. Forno regular. Com as claras, faça uma massa de suspiro e cubra o bolo depois de assado, enfeitando-o com castanhas. Volte ao forno para o suspiro dourar. Bolo de São João 1 tigela de massa de mandioca lavada 14 gemas de ovos 1/2 quilo de açúcar 100 gramas de manteiga 1 xícara de leite de coco Bata as gemas e, quando estiverem bem batidas, acrescente 100 gramas de manteiga e 1 xícara de leite de coco sem água. Junte os demais ingredientes e continue a bater até que tudo esteja 82
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    bem ligado. Leveao forno regular numa assadeira untada com manteiga. Bolo Souza Leão 1 quilo de açúcar 4 cocos 2 quilos de mandioca mole 400 gramas de manteiga 5 xícaras de água 12 gemas 1 pitada de sal Desmanche a mandioca em bastante água. Peneire. Ponha num saco grande e lave bastante, até perder completamente a goma. Esprema e pese 1 quilo. Coloque a massa em uma tigela grande e “machuque” as gemas uma a uma. Reserve. Com 3 xícaras de água quente, retire o leite dos cocos e acrescente à massa. Faça uma calda rala com o açúcar e 2 xícaras de água, desmanche nela a manteiga e despeje-a quente na massa, aos poucos, mexendo com uma colher de pau. Tempere com sal. Peneire e leve a assar em fôrma untada. Forno quente. Está assado quando, introduzindo um palito no bolo, ele sair melado com uma massa ligada, como grude. 83
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    Broa de Fubá 700 gramas de farinha de trigo 300 gramas de fubá 150 gramas de açúcar 150 gramas de margarina 10 gramas de sal (1 pitada) 100 gramas de fermento de pão Erva-doce Numa bacia, coloque a farinha e, fazendo no centro uma cova, junte o fermento desmanchado em um pouco de água ou leite (vai dobrar de volume). Acrescente o sal, o açúcar, o fubá, a margarina e a erva-doce. Misture e bata bem. Deixe descansar por 40 minutos. Faça então as broinhas do formato que quiser e deixe crescer já na fôrma untada com manteiga e farinha de trigo ou fubá. Depois de crescerem, leve ao forno a 200 graus. Canjica ou Mungunzá Milho próprio para canjica Leite Canela em pau Opcionais: casquinhas de limão ou laranja, leite condensado, coco ralado, amendoim torrado. Deixe o milho da canjica de molho na água de preferência de um dia para outro. Cozinhe em água suficiente na panela de 84
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    pressão por maisou menos 20 minutos com a canela em pau e, se quiser, as casquinhas de limão ou laranja. Depois de cozido, acrescente o leite quente e o açúcar (ou leite condensado) e deixe ferver mais um pouco (querendo, pode-se pôr também coco ralado e amendoim torrado). Canjica Pernambucana 25 espigas de milho verde 1 xícara de leite de coco grosso 4 litros de leite de coco ralo 3 xícaras de açúcar refinado 1 colher de sopa de manteiga 1 colher de sopa rasa de sal 1 xícara de chá de erva-doce 50 gramas de queijo de manteiga ralado (opcional) Rale as espigas e lave a massa com parte do leite ralo em peneira finíssima. Passe na máquina de carne (peça sem dente) ou no liquidificador. Junte o resto do leite ralo e leve ao fogo, mexendo sempre com colher de pau. Depois de meia hora de fervura, acrescente os outros ingredientes e, por último, o leite grosso. Cozinhe com fervura constante, sempre mexendo. Despeje em pratos e polvilhe com canela em pó. 85
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    Curau Espigas de milho verde Açúcar Água (ou leite) Canela em pó Retire o milho da espiga com uma faca, rale-o ou bata-o no liquidificador e passe-o em peneiras finas, apertando bem com uma colher para obter o suco. Junte o açúcar e leve ao fogo, acrescentando água ou leite e mexendo sempre com uma colher de pau, até que o creme fique totalmente cozido. Despeje em recipientes untados com água fria e salpique canela em pó. Com o farelo que sobrou na peneira ao preparar o curau, aproveite para fazer bolinhos de milho verde fritos. Basta acrescentar ovos, sal, um pouco de óleo e uma pitada de fermento. Com uma colher, em panela com óleo quente, vá fritando pequenas quantidades de massa. Cuscuz de Milho 250 gramas de flocos de milho 1 coco raspado Sal ou açúcar a gosto Água Com a água salgada, umedeça os flocos de milho, misture bem e leve a cozinhar no cuscuzeiro. Ou faça o seguinte: ferva água numa 86
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    chaleira; coloque amassa em um pires, formando montes; cubra com um guardanapo úmido, amarre embaixo do pires e tampe com ele a boca da chaleira. Em 10 a 15 minutos o cuscuz estará cozido. Deixe esfriar e ensope-o com leite de coco açucarado e com um pouquinho de sal. Leve ao fogo e mexa sempre até ferver. Grude 1 quilo de goma (polvilho) 250 gramas de coco raspado 1 colher de café de sal Lave a goma até tirar o azedo, passe por um tecido fino e seque, colocando um pano sobre ela. Quando estiver apenas ú- mida, passe numa peneira e junte o coco e o sal, misturando bem para a massa ficar ligada. Leve para assar no forno em assadeira. 87
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    Pamonha com coco 25 espigas 2 1/2 xícaras de açúcar refinado Leite grosso de 2 cocos Leite ralo de 2 cocos (7 xícaras) 1 xícara de chá de erva-doce 1 colher de sopa de manteiga derretida Cascas de milho verde em formato de saquinhos Rale o milho. Com a metade do leite do coco ralo, lave a massa e passe-a por peneira mais grossa do que a da canjica. Acrescente o restante dos ingredientes. Encha os saquinhos feitos com as palhas, amarre-os com tiras finas de palha e leve a cozinhar em bastante água fervente com um pouquinho de sal. Pamonha Fazer pamonha no interior é sempre um acontecimento festivo que reúne familiares, vizinhos e amigos. Todos dividem as tarefas e trabalham num clima de muita alegria e empolgação. Espigas de milho verde Leite Banha Açúcar (se for pamonha doce) Sal (se for pamonha salgada) 88
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    Reservar boas palhasde milho para fazer os saquinhos das pamonhas e também para amarrá-las. Descasque e rale as espigas de milho, raspando os sabugos com uma colher. Acrescente o leite, a banha quente em quantidade suficiente para uma massa consistente e tempere com açúcar ou com sal. Coloque a massa em cada saquinho feito da palha, amarre- os e leve para cozinhar em um caldeirão com água fervente. Cubra com sabugos para que as pamonhas afundem na água, proporcionando cozimento homogêneo. OBSERVAÇÃO: na pamonha salgada, pode-se acrescentar, em cada uma, pedaços de queijo fresco. Pé-de-moleque 1 quilo de amendoim cru e com casca 2 copos de açúcar 1 colher de café de bicarbonato Leve uma panela ao fogo com o amendoim e o açúcar e vá mexendo com uma colher de pau para torrar. Quando estiver caramelado, apague o fogo e jogue o bicarbonato. Mexa bem e jogue numa superfície de mármore devidamente untada com manteiga. Deixe esfriar e quebre os pedaços. 89
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    Pé-de-moleque da Amazônia 1 quilo e meio de massa de macaxeira (aipim ou mandioca) mole 2 cocos 600 gramas de açúcar refinado 5 gramas de cravo torrado 5 gramas de erva-doce torrada 1 litro de água quente 300 gramas de castanhas-do-pará torradas e moídas 100 gramas de castanhas-do-pará torradas para enfeitar 2 ovos inteiros 2 gemas 1 colher de sopa de manteiga derretida Desmanche a massa na água; peneire e lave até perder o azedo. Esprema e pese 1 quilo. Retire o leite dos cocos com toda a água e junte à massa com o restante dos ingredientes. Enfeite com castanhas inteiras. Fôrma untada e forno quente. Esta receita também pode ser feita de maneira mais simples, com macaxeira cozida e amassada, castanha-do-pará, açúcar e erva-doce. Misturar bem todos os ingredientes e fazer pequenas porções redondas e achatadas. Levar à chapa do fogão a lenha. O resultado é uma espécie de bolacha torrada por fora e macia por dentro. Essa é uma das delícias culinárias típicas das populações ribeirinhas da Amazônia. 90
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    Pé-de-Moleque de Rapadura 1 rapadura pura 1/2 quilo de amendoim torrado sem casca e ligeiramente moído ou passado no liquidificador 1 xícara de café de leite 1 pedaço médio de gengibre cortado miúdo Pique bem a rapadura e leve ao fogo para derreter juntamente com o leite e o gengibre, mexendo com uma colher de pau. Quando desmanchar e formar um melado, coloque um pouco deste numa xícara com água — se estiver no ponto, formará uma bolinha consistente. Apague o fogo, acrescente o amendoim e bata bem. Quando o fundo da panela começar a ficar esbranquiçado, despeje numa superfície de mármore untada com manteiga. Deixe esfriar e corte os pés-de-moleque. Pipoca Doce 1 xícara de chá de milho de pipoca 1 xícara de açúcar 1 xícara de chá de água 1 1/2 xícara de óleo Misture bem os ingredientes até formar uma calda. Tampe a panela e deixe a pipoca estourar. Depois de pronta, despeje-a numa assadeira e deixe esfriar para ficar crocante. 91
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    Pipoca Salgada Numa panela ou pipoqueira, coloque o milho de pipoca com um pouco de óleo. Tampe a panela, dando umas sacudidelas para que os grãos estourem. Acrescente sal e misture bem. Sopa de Milho Verde 20 espigas de milho verde 5 espigas de milho maduro 1 quilo de costelinha de boi Temperos secos a gosto Sal Vinagre Coentro Cebolinha 2 dentes de alho amassados 4 tomates picados 2 cebolas picadas 1 pimentão picado 2 colheres de sopa de extrato de tomate Rale os 5 milhos maduros e reserve. Em um caldeirão, refogue as costelinhas com todos os temperos secos e verdes e junte os grãos dos milhos ralados e as outras espigas de milho. Cubra tudo com bastante água e deixe em fogo brando até que as espigas estejam cozidas. É preciso mexer constantemente, pois os grãos 92
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    ralados descem aofundo do caldeirão. Observe sempre a água para que o milho cozinhe bem. Tapioca Goma Sal a gosto Coco ralado Lave bem a goma para tirar todo o azedo. Deixe secar numa vasilha coberta com um guardanapo e, quando estiver úmida, passe na peneira. Ponha sal com muito cuidado, pois ela salga com facilidade. Leve uma frigideira ao fogo e, quando estiver bem quente, acrescente uma xícara ou um punhado da goma e espalhe com a mão mesmo em toda a superfície da frigideira. Espalhe por cima um pouco de coco ralado e polvilhe sobre o coco um pouco de goma. Quando estiver levantando dos lados, retire e feche em forma de papel. Para Assar na Fogueira Batata-doce Embrulhe em papel-alumínio e coloque na fogueira para cozinhar. Depois de cozida, abra ao meio e cubra com manteiga ou queijo catupiry. 93
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    Cebola do reino Embrulhe em papel-alumínio e coloque na fogueira para cozinhar. Depois de cozida, corte em pedaços e tempere com azeite de oliva. Bebidas Juninas Quentão 1 garrafa de pinga 2 xícaras de açúcar 2 xícaras de água Gengibre Canela em pau Cravo Noz-moscada ralada Limão cortado em quatro Leve ao fogo todos os ingredientes, menos a pinga, e deixe ferver até soltar o sabor. Tire do fogo e acrescente a pinga. Leve novamente ao fogo até levantar fervura. Vinho Quente Vinho tinto Canela em pau Cravo 94
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    Gengibre picado 2 xícaras de açúcar 2 xícaras de água Opcional: frutas picadas (maçã, abacaxi, uva, pêssego...) Leve todos os ingredientes ao fogo, menos o vinho e as frutas, e deixe ferver até soltar o sabor. Tire do fogo e acrescente o vinho, leve ao fogo novamente até levantar fervura. Se quiser, acrescente as frutas picadas. 95
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    Concurso de Redações Apresentação das Redações Nota 10 S andro Silva escreve que ficou bonito vestido de noivo e a noiva ficou linda na dança da quadrilha de sua escola. a moça Isabel avisou sua prima Maria do nascimento de seu filho através de uma fogueira bem alta acendida na noite de Raiza Ribeiro descreve que São João dormiu São João. no dia de seu aniversário e Caroline Cracho Hugo Bertazoni aprendeu histórias das que São João, Santo Antônio e São Pedro festas juninas com seus avós. “Minha avó diz brigaram no céu para saber qual deles era que conquistou meu avô em uma dessas fes- o santo mais importante da festa junina. tas. “Ela só não diz que deixou Santo Antônio Letícia Abelha informa que essa festa já teve de cabeça para baixo, aquela tradicional o nome de Festa Joanina, porque São João simpatia para arrumar casamento”. Ele diz era homenageado. saber “que os tempos são outros, mas se David Silva afirma que a criançada fica Deus quiser essas festas nunca vão acabar”. esperando a hora da comilança e Rodrigo Essas frases, retiradas das dez redações da Costa que “soltou balão, que faz parte de crianças que venceram o Concurso Cul- da tradição, mas que tomou cuidado para tural, promovido pela Yoki em 2003, refle- não queimar nada não”. tem duas coisas muito importantes. Primeiro, Priscila Brito garante que é preciso ter são o resultado de um trabalho de pesquisa, bom coração para entrar na festa, que é que tão bem faz ao desenvolvimento in- considerada por Daniel Lisboa como uma telectual das crianças; segundo, explicitam das mais antigas e populares do Brasil. vivências positivas e alegres que acabam Alessandra Mallmann conta que em uma conferindo à infância aquela aura mágica que época que não tinha telefone ou correio, depois de adultos elas nunca esquecerão! 97
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    “Festas Juninas” Conta a lenda dos mais velhos que no dia do seu aniversário São João não conseguiu ser acordado por sua mãe. Tanto dormiu, que perdeu o mais lindo espetáculo de uma noite Junina. O céu fica iluminado como se fosse dia, com a explosão dos fogos de artifícios, dando colorido especial juntando-se ao brilho das estrelas. No chão o calor das fogueiras a que das noites frias do mês de junho; incendeia o coração dos namorados; que com suas crendices tradicionais, tiram sua sorte nas brincadeiras e advinhações. O clima festeiro de alegria toma conta do povo, da cidade aos lugarejos mais distantes. O Terreiro se transforma em arraiá, ao som do forró, quadrilha e xaxado ninguém dança sozinho; somente de rosto colado, o suor castiga o corpo os pés ficam encaliçado mais o povo não arreda o pé, e quando vem da fé, o dia já tem clareado. Comida não pode faltar, pamonha, canjica e milho assado. Fica a vontade do próximo São João poder brincar mais animado. RAIZA LEITE VIANA RIBEIRO • RECIFE – PE 99
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    O Arraial daPaz Precisamos fazer uma grande festa, a maior possível, bem enfeitada, colorida, com muitas bandeirinhas, balõezinhos, uma grande fogueira, muita música, e danças, com muita alegria e inúmeros convidados. Com barracas de doces, comidas, bebidas, pipocas, milho-verde e tudo de bom que existir. Vamos fazer brincadeiras, reunir todos os amigos e as famílias, nessa grande festa é proibido indiferenças, todas as pessoas podem ir, ricos e pobres, brancos e negros, enfim todos aqueles que querem paz, amor e diversão. Nessa festa tudo será dividido haverá muita união, compreensão, afeto, harmonia e muita esperança no futuro para que se mantenha tudo isso sempre. Para entrar nessa festa é preciso ter um bom coração, gostar da natureza e dos animais, respeitar o próximo e ter fé em Deus. Essa festa pode ser comemorada todos os dias do ano, sempre que você quiser. É um verdadeiro arraial da paz feito para você, nunca deixe de sonhar, de ser feliz, de acreditar que o mundo pode ser uma grande festa colorida e que você será sempre o convidado especial. Então vamos todos começar a comemorar dar as mãos e cantar. E se cantarmos bem alto o mundo irá ouvir e só basta começar. PRISCILA NUNES DE BRITO • CAMPINAS – SP 101
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    Briga na FestaJunina No céu, São João, Santo Antônio e São Pedro estavam brigando para ver qual era o santo mais importante das Festas Juninas: — Eu sou o santo mais importante das Festas Juninas. As moças me deixam até de castigo; de ponta cabeça e embaixo da cama. Eu arranjo muitos casamentos sofridamente e me orgulho disso! — disse Santo Antônio. — E eu que além de guardar as portas do céu, tenho que confirmar os compadres que pulam fogueiras, pois a música diz: “ São João falou, São Pedro confirmou, que nós somos compadres, porque Deus mandou ”! — disse São Pedro. — Eu também já estou cansado de ler o futuro das pessoas e me acordarem nas Festas Juninas! — falou São João. — Xiii! Não estão vendo que a quadrilha vai começar! — exclamou Deus. E a quadrilha começou. Lindo como nunca. As moças com tranças e vestidos floridos e os moços com chapéis de palhas, camisa xadrez e calça jeans. — Quantas guloseimas! Pipocas, paçocas, pamonhas, tapiocas! — Por isso que você está engordando alguns quilinhos João! — falou São Pedro. — Mas você não é nenhum santinho, vive alagando a grande São Paulo! – exclamou São João. — Agüenta! — gritou Deus Eu tenho barracas com jogos, como pescaria e argolinhas. E como Deus e os santos estavam vendo uma Festa Junina lá no Maranhão, a rua ficou repleta de Bois-Bumbá. A festa estava repleta de bandeirinhas coloridas, também tinha uma fogueira imensa. E se você quer saber como terminou a briga, Deus deu uma bronca nos santos e eles nunca mais brigaram. CAROLINE ANDREASSA CARACHO • SÃO PAULO – SP 103
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    Festas Juninas F oi com meu avô que aprendi muitas coisas sobre festas juninas. E le com sua simplicidade, criado na roça me falou o quanto essas festas eram importante para as famílias que viviam na zona rural. S empre quando ele começa a falar fico atento. Eu sei que essa tradição foi trazida pelos europeus, onde lá eles comemoravam as grandes safras. Aprendi isso na escola. Mas as histórias que meu avô conta é demais! T odo ano no mês de junho acontecia a tão esperada festa. A s moças e os rapazes chegavam na festa sem par, mas nunca iam embora sem deixar um coração apertado. S empre acabava em casamento. J ura a minha avó que foi numa dessas festas que meu avô à conquistou. Ela só não diz que deixou Santo Antônio de cabeça pra baixo. Aquela tradicional simpatia para arrumar casamento. U ma vez meu avô disse que algumas pessoas ridicularizam esse povo da roça. N a escola sempre aprendi que devemos respeitar e resgatar os costumes desse povo. Falei isso pro meu avô e ele ficou feliz. I gnorar esses costumes é impossível pois o cheirinho da pipoca e o gostinho da paçoca é inresistível. E o meu avô concorda. N ão dá também prá resistir ao som da sanfona e as guloseimas dessa gostosa festa. A h! Mas uma coisa é certa, eu adoro essas festas. Sei que os tempos são outros. Mas se Deus quiser essas festas nunca vão deixar de existir. HUGO BERTAZOLI • MOGI GUAÇU – SP 105
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    História de umMilhinho de Pipoca Eu sou um pequeno grão de milho de pipoca. Nasci há alguns meses junto com muitos irmãozinhos, todos enfileiradas na mamãe espiga. E foi ela que contou que estamos reservados para uma festa muito especial. — O destino de vocês é ajudarem a animar uma festa junina. Como nós não sabíamos o que era esta festa, nos explicou tudo bem direitinho: disse que a comemoração é bem antiga e era chamada “festa Joanina” porque homenageava São João. Sendo uma festa religiosa, não faltavam procissões e missas. Com o passar do tempo, São Pedro e Santo Antônio também começaram a ser homenageados. Como as festas sempre aconteciam nos meses de junho, viraram tradição. Sendo um mês frio, havia sempre uma fogueira para aquecer o povo. As bebidas também eram quentes: canjicão e quentão. A pipoca quentinha não podia faltar e o local da festança era todo enfeitado com bandeirolas. Eu e meus irmãozinhos começamos a ficar preocupados. — A pipoca quentinha somos nós? — Claro, a maior glória para um milhinho de pipoca como vocês é estourarem de alegria no mês de junho – mamãe nos acalmou, fazendo com que todos imaginassem a cena – Enquanto um gostoso cheirinho invade o ar, olhinhos gulosos de crianças com roupinhas caipiras brilham aguardadndo o momento de saborear esta delícia tão simples e insubstituível. Desde o dia que mamãe nos falou sobre esta festa, não vemos a hora de participar. Hoje estamos dentro de uma sacolinha esperando o grande momento de ir para panela. Oba! O mês de junho chegou! LETÍCIA SOARES ABELHA • IPATINGA – MG 107
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    “Festas Juninas” A noite estava fria. O céu cheinho de estrelas curiosas. Todas olhavam para a casa de Isabel. Queriam ser as primeiras a ver o menino que ia nascer. O mês era de junho. O dia, 24! Foi nesta noite fria, cheia de estrelas e grilos, que João nasceu. Zacarias e sua esposa estavam felicíssimos. Os vizinhos e parentes também estavam alegras. Mas no meio de tanta felicidade surgiu uma preocupação: — Zacarias, disse Isabel, minha prima Maria não sabe, que Joãozinho nasceu. Como vou avisá-lá? Não havia telefone naquele tempo. Nem telégrafo. Nem correio. Então, acenderam uma fogueira e levantaram um mastro ali perto. Nossa Senhora, que morava muito longe, viu a claridade e adivinhou: — Garanto que o filho de Isabel nasceu. Esperou o dia amanhecer. Arrumou uns presentes e montou num camelo. Ia visitar sua prima. Ia dar-lhe os parabéns. E sabe de uma coisa? Ainda hoje o povo acende fogueira na noite de São João. E comem muitas coisas gostosas! ALESSANDRA MALLMANN • ESTRELA – RS 109
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    Festa de SãoJoão Fui na festa de São João, pra cantar uma canção, e tocar meu violão. Mas chegando lá esqueci o refrão. Fui então soltar balão, pois faz parte da tradição, mas tomei cuidado pra não queimar nada não. Comi Pipoca Yoki pra ficar bem mais forte e também tomei quentão. Fui dançar a quadrilha, com uma linda menina, vestida de Festa Junina. Estava tudo legal, tinha fogos e foguetes na festa do arraial. Tinha tudo de bom, algodão doce, pé de moleque, vinho e pinhão. Naquela noite estrelada, toda a criançada brincava animada. Fui pular a fogueira, queimei meus pés e tive que me jogar na cachoeira. Saí todo molhado, mas o mais engraçado foi na hora do casamento, quando os noivos chegaram encima de um jumento. Veio a melhor parte, teria que ter muita sorte, como toda festa de São João, teve um bingão e o prêmio seria um computador. Aí fiz uma oração ao querido São João pra ganhar no bingão. Pena que era muita gente envolvida pra realizar o sonho da minha VIDA! RODRIGO DA COSTA • BLUMENAU – SC 111
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    Redação sobre FestasJuninas A Festa Junina é uma das mais antigas e populares do Brasil. Ela começa no dia 13 de junho e dura todo o mês. O céu cheio de estrelas Parece trazer uma canção Para comemorar neste mês Santo Antônio, São Pedro e São João. Antigamente, os agricultores pediam aos santos uma boa colheita. E para se protegerem dos maus espíritos, eles usavam bombas e fogos de artifício. As crianças soltaram bombinhas Os adultos soltaram rojões São Pedro respondeu Com muitos trovões. São três os santos homenageados nas festas juninas no dia 13, São João, no dia 24, São Pedro, no dia 25 de junho. No interior, as festas ainda são muito parecidas com aquelas trazidas da Europa. Na cidade há uma lei que proíbe soltar balões e fazer fogueiras nas ruas. Mas as quermesses nas escolas, igrejas e clubes continuam animando o mês. Na noite de São João em volta da alegre fogueira com a turma tocando violão vamos dançar a noite inteira. No céu-espada-buscape-balão; na mesa-milho, licor, cocada YOKI. Uma festa típica de São João, lá fora onde, a fogueira queima chama Maria Helena. DANIEL LISBOA • SALVADOR – BA 113
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    As Festas Juninas Festa junina é festa pra valer. Todo mundo gosta de festas juninas, velho, rapaz, moça, menino e menina. As crianças fazem a maior festa nos dias de festa junina é muita alegria e correria nesses dias de festança, a gente fica só esperando a hora da comilança, os vizinhos se ajuntam para acender a fogueira, soltam bombas e rojões, só não pode soltar balão pra não causar confusão. As mocinhas e rapazes se preparam pra quadrilhas, todos cantam e dançam nos modos de antigamente, dos tempos dos meus avós. depois de tanta folia é a hora da alegria e pra repor a energia comemos de tudo um pouco, bolo de milho, mugunzá, arroz doce, amendoins, pé-de-moleque, cocada, milho assado e cozido, doses de diversos tipos e tapioca recheada. Os homens bebem quentão pra alegrar o coração e arrastar pé no forró, as mulheres amimadas dançam até de madrugada e só então vão para casa levar a criançada cansada de tanta festa e folia, aí agente dorme sonhando e fica só esperando o ano que vem, para ter novamente muita festa no Brasil, e fartura, muita dança e alegria durante as festas juninas. DAVID ABRANAVEL SANTOS SILVA • MACEIÓ – AL 115
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    Festa Junina Oi meu nome é Sandro Lino da Silva tenho 7 anos Eu gosto muito do mês de junho porque é comemorada a festa junina e também o dia dos santos = São João, São Pedro e Santo Antônio. Quando chega a festa junina as pessoas enfeitam toda a rua com bandeiras balões. fazem barracas e vendem doces, pipocas, amendoim, pé de moleque e batata doce assada na brasa da fogueira e toca da música caipira para as pessoas dançarem. eu gosto muito de estourar bombinhas e buscapés Eu sei que é um pouco perigoso mais eu tomo cuidado. Na minha escola todo ano as professoras fazem festinhas pra nós, enfeitam a escola toda com bandeiras de papel e nós dança quadrilha Eu já dancei 3 vez mais a vez que eu mais gostei foi o ano passado porque eu fui o noivo a professora me emprestou o terno porque eu não tinha fiquei bem bonito a minha noiva também ficou linda esse ano eu quero dançar de novo as professoras, fazem bolo de fubá e canjica é muito bom Eu estudo num colégio de freiras elas são muito boazinhas eu queria muito ganhar os livros pra ajudar a minha escola, porque ela é municipal e nós só temos ajuda do prefeito, as professoras ia ficar muito feliz se eu desse os livros pra escola. Se eu ganhar o dinheiro eu vou dar pra minha mãe porque ela tá precisando mais a minha mãe nunca vai poder me da um. Eu assisto a Fábrica Maluca todo dia daí eu vi a Eliana falando dessa promoção daí eu escrevi pra ver se eu ganho. A Eliana mandou pesquisar na internet ou no livro pra saber mais sobre a festa junina mais como eu não tenho nenhum dos dois eu escrevi o que eu sabia. Espero que tenha gostado da minha histórinha, Ficarei muito feliz se eu ganhar Muito obrigado fiquem todos com Deus. SANDRO LINO DA SILVA • LUPIONÓPOLIS – PR 117
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    Concurso de Poesias E ste capítulo é dedicado às poesias juninas. Um material rico e que tra- duz, por meio de versos, a importância das A cidade é tradicional incentivadora de eventos, que mantêm vivos os costumes e hábitos do interior. Essa filosofia, de Festas Juninas em nossa cultura. Todos os promover atividades que resgatam as trabalhos foram selecionados durante o raízes do povo brasileiro, também faz tradicional Concurso Regional de Quadrilhas parte da missão da Yoki Alimentos, que promovido, em 2007, pela prefeitura de Dois apoiou essa manifestação cultural da Córregos, no interior Paulista. região. 119
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    Sonho Caipira S e tem coisa que me anima É ver uma festa junina Não sei bem o que me troca Se o calor da fogueira ou o cheiro da pipoca S ó sei que fico de um jeito Me dá uma sardade no peito Uma vontade de grita, de tirá o sapato E corrê pro arraia Mas a vida tem seus caminhos E com moço fino eu fui me casá Vim morá aqui na cidade e tenho que me comportá Ele diz que moça fina não pode se misturá E ntão eu fico na janela vendo a quadria dançá E quando a fogueira apaga A minha maior alegria É esperá junho de novo chegá M.C.P.C. - DOIS CÓRREGOS (CONCURSO REGIONAL) 120
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    Festa Junina F esta de comemoração E muita animação Todos reunidos Para festejar o mês de São João T em quadrilha e tem família Tem bomba e tem rojão Todos dançam, comem e bebem Na maior agitação F esta junina é pra isso Pular, sorrir e se divertir Não importa idade, raça ou cor O que todos querem é curtir A festa começa ao escurecer E vai até o sol raiar Ninguém tem a menor vontade De fazer essa alegria terminar LETHICIA MASSOLINI ROMAQUELI - DOIS CÓRREGOS(CONCURSO MUNICIPAL) 121
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    Se nóis nãorecicrá o mundo vai acabá Q uando chega as festa junina Fico esperano a sanfona tocá E só folia e alegria, que o coração chega a apertá Prá agradecê, no pé do mastro, a coieita eu vô ofertá A ntonio, Pedro e João, parô prá adimirá Esse ano o tema é fazê o povo conscientizá As roupa tão bonita, não dá prá compará paper, vidro, latinha e prástico, usamo pra enfeitá A té a lenha prá fogueira logo, logo Nem árvore vai precisá cortá Ceis vão vê, o fogo vai sê recicrave, hão de inventá. Lá de longe vai dá pra avistá, o brilho do arraiá A emporgação é tanta com essa história de recicrá Que dá vontade até de prantá os mio dos piruá Já pensô se os grão brota, que bonito vai sê o miará É o jeito caipira prá camada de ozônio preservá. MARILDA CASONATO – MINEIROS DO TIETÊ (CONCURSO REGIONAL) 122
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    Ao Reciclar, Viver I A vontade de viver bem nesta terra Se encontra lá bem dentro do teu ser Da consciência soberana que carrega Dentro dela, reciclado o saber II Temos metas ao forjar este ambiente Vidro, plástico, embalagens ganham vida Conquistando a natureza no presente Geração que aproveita não é perdida III Lixo orgânico, eu entendo sua história Mais parece um arauto do amor Quando quase não resiste à luto inglória Húmus forte, gera a inesperada flor IV Cate aquilo que não possa mais usar Na coleta seletivo e inteligente Vamos descalçar a bota da miséria Reciclando este país e sua gente MARCONDES SEROTINI FILHO – BARRA BONITA (CONCURSO REGIONAL) 123
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    Reciclagem O planeta em que vivemos Tem recursos limitados Muitos já estão esgotados Disso tudo já sabemos. M as estamos aguardando Um milagre acontecer Com os braços cruzados e sem nada fazer Assim, os dias vão passando! H á tempo ainda, talvez! Não fique só no abstrato Reciclar é um belo ato Faça então sua vez! Mais o que é reciclagem? É evitar desperdício pela reutilização De materiais como vidro, plásticos, papelão E Tantos outros: é impossível a contagem! ANTONIO VIEIRA - JAÚ (CONCURSO REGIONAL) 124
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    Bibliografia AMARAL, Rita deCássia de Mello Peixoto. Festa à brasileira: significados do festejar, no país que “não é sério”. São Paulo: FFLCH/USP 1998. Tese de doutoramento. , ARAÚJO, Alceu Maynard. Folclore nacional. São Paulo: Melhoramentos, 1964. BETTTENCOURT, Gastão de. Os três santos de junho do folclore brasílico. Rio de Janeiro: Agir, 1947. BORGES, Geruza Helena. Festas juninas. Belo Horizonte: Mazza, 1993. BRANDÃO, Carlos Rodrigues. Cavalhadas de Pirenópolis. Goiânia: Oriente, 1974. CAMELO, C. Nery. Alma do Nordeste. 3. ed. Rio de Janeiro, 1936. CANDIDO, Antônio. Os parceiros do Rio Bonito. 3. ed. São Paulo: Duas Cidades, 1975. CARNEIRO, Sandra Maria. Balão no céu, alegria na terra. Rio de Janeiro: Funarte, 1986. CARVALHO, Murilo. Artistas e festas populares. São Paulo: Brasiliense, 1977. CARVALHO, Murilo. Religião no povo. João Pessoa: Imprensa Universitária, 1974. 127
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