KELLE CRISTIANE GRILANDA DE PAULAA PRODUÇÃO FOTOGRÁFICA COMO FERRAMENTA NA ARTE/EDUCAÇÃO                        BARRETOS  ...
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Título: A produção fotográfica como ferramenta na arte/educaçãoAutora: Kelle Cristiane Grilanda de Paula                  ...
Ao meu esposo, Marcelo Bianchi de Paula, por todo seu apoio e ajuda,por ser um companheiro presente em todas as horas e po...
AGRADECIMENTOS       A Deus, porque sem Ele não conseguiria chegar onde cheguei.       À minha filha, Gabriela, que, por v...
Você não fotografa com sua máquina. Você fotografacom toda sua cultura.                                 Sebastião Salgado
RESUMOEste trabalho tem por objetivo estudar a partir de uma pesquisa teórico-prática, a produçãofotográfica como ferramen...
SUMÁRIOLISTA DE IMAGENS......................................................................................................
LISTA DE IMAGENSFig.01. With my tongue in my cheek , Marchel Duchamp, 1920…………………………......18Fig.02. Three Stoppages Étalon...
LISTA DE ANEXOSANEXO A – O Belo..............................................................................................
10                                      INTRODUÇÃO       No ambiente escolar, o desenvolvimento tecnológico trouxe novas f...
11fotografia, apesar de ser elaborada a partir de uma imagem estática de algo físico podetambém ser subjetiva.
12                                         CAPÍTULO 1                          ARTE/EDUCAÇÃO E FOTOGRAFIA       O desenvol...
13       Pelos estudos realizados em teoria da História da Arte é possível perceber mudançasna produção artística, movidas...
14          A pesquisa de Nara Cristina Santos sobre arte, tecnologia e contemporaneidadeconfirma a ideia de que a evoluçã...
15       Partindo de um tema, uma proposta, os alunos expressaram-se através da fotografia deforma criativa e criadora, po...
16falta, a dificuldade ou a impossibilidade de registrar o que imaginou e a simulação de umasituação ou sentimento.       ...
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18depósito e fixação (Dust breeding) e até os próprios ready-made (Fonte), em que o produtofinal é o próprio objeto, trans...
19       Entre 1914 e 1929, em período de guerra, houve grande desenvolvimento das técnicase das máquinas, em especial avi...
20simbólicas. A fotomontagem dadaísta desempenhou um papel importante nessa mistura demateriais e signos.       No Express...
21       Para outros artistas, tanto fotógrafos quanto pintores, a fotografia não é absorvida notrabalho da obra, é a obra...
22               Fig. 08. Spiral Jetty, Rober Smithson, 1970       Na Arte Corporal (Body Art) e na arte de acontecimento ...
23documento, memória ou arquivo e depois para integrá-la, conceber a ação em função dascaracterísticas fotográficas, em se...
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25                                        CAPÍTULO 3                       A FOTOGRAFIA COMO FERRAMENTA                   ...
26registrado é um produto de um elaborado processo de criação (grifo do autor) por parte deseu autor”. (KOSSOY, 2009, p. 4...
27       Este processo de busca por imagens que alcance o objetivo traçado, contornandoobstáculos e buscando soluções, tra...
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29Fundamental. Tal fato acontece, talvez, pela falta de recursos financeiros para a aquisiçãodestes materiais para uso dos...
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31       Esta atividade, mesmo que não seja percebida pela criança, atua no seudesenvolvimento cognitivo, estimula sua ima...
32Fig. 11. O Belo, Rafaella Beatriz de Souza, 2011   Fig. 12. O Belo, Thayna Harumi Silva da Graça, 2011         A segunda...
33uma maneira mais próxima percebe-se sua beleza, a grandiosidade na sua pequenez.Concluído esta primeira parte, propõe-se...
34expressá-lo, escolhe um ou mais colegas, orienta-os quanto a posição e a expressão quedevem fazer e os fotografa.       ...
35estímulo e uma nova forma de percepção, pois não irão desenhar o que imaginam, mascapturar a imagem do que lhes chama a ...
36      Fig. 25, Bolhas, Gabriel Tavares Sorati Dias, 2011   Fig. 26. Ou isto ou aquilo,                                  ...
37e fazê-lo perceber a variedade de objetos e formas de fazer arte, preparando aulas que estejamde acordo com a faixa etár...
38desejavam. Observou-se tal fator ao repará-los esperando o vento parar, procurando o tinhamimaginado, esperando uma form...
39          Em Poesia em fotografia, os alunos relembraram a proposta Sentimentos retratados,quanto a necessidade de escol...
40atividades que trabalham com o interesse do aluno facilitam o envolvimento deles,favorecendo a aplicação de temas e prop...
41                                        CONCLUSÃO       Este estudo demonstrou que os aparelhos fotográficos podem ser o...
42       Esta pesquisa desperta, também, novas perspectivas e possibilidades de trabalhos comprodução fotográfica, diferen...
43                          REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICASBARBOSA, A. M. (org.) Arte/Educação contemporânea: consonâncias inte...
44SOUCY, D. Não existe expressão sem conteúdo. In: BARBOSA, A. M. Arte/Educaçãocontemporânea: consonâncias internacionais....
45                                                ANEXOS                                                ANEXO ATema: O BEL...
46                                              ANEXO BTema: O FEIOHenrique Murakami Silva (8 anos), 2011               Ra...
47                                                ANEXO CTema: SIMPLICIDADELaura Fernanda Barbosa Nunes (8 anos), 2011    ...
48                                 ANEXO DTema: COMO UM PÁSSARO                             Como um pássaro               ...
49Geovanna Santos da Silva (9anos), 2011                Antonio Carlos Cantidio Neto (8 anos), 2011Thayna Harumi Silva da ...
50                                          ANEXO ETema: SENTIMENTOS RETRATADOSHyogo Rodrigues Ferreira (8 anos), 2011    ...
51                                                ANEXO FTema: DO ARMÁRIO DE BRINQUEDOS...Thauanny Alves Silveira (10 anos...
52                                               ANEXO GTema: PRIMAVERAGeovanna Santos da Silva (9 anos), 2011            ...
53                                              ANEXO HTema: POESIA EM FOTOGRAFIA                                        C...
54                                         A BAILARINA                                               Cecília Meireles     ...
55                                             BOLHAS                                                Cecília Meireles     ...
56                                     OU ISTO OU AQUILO                                              Cecília Meireles    ...
57            AS MENINAS                  Cecília MeirelesArabelaabria a janela.Carolinaerguia a cortina.E Mariaolhava e s...
58              ANEXO IEXPOSIÇÃO – FOTOGRAFIA TAMBÉM É ARTE
59                           ANEXO JRESULTADOS DE PESQUISA REALIZADA COM OS ALUNOS          Você gotou dos trabalhos com f...
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A PRODUÇÃO FOTOGRÁFICA COMO FERRAMENTA NA ARTE/EDUCAÇÃO

  1. 1. KELLE CRISTIANE GRILANDA DE PAULAA PRODUÇÃO FOTOGRÁFICA COMO FERRAMENTA NA ARTE/EDUCAÇÃO BARRETOS 2011
  2. 2. KELLE CRISTIANE GRILANDA DE PAULAA PRODUÇÃO FOTOGRÁFICA COMO FERRAMENTA NA ARTE/EDUCAÇÃO Trabalho de Conclusão de Curso de Artes Visuais, de Departamento de Artes Visuais da Universidade de Brasília. Orientador: Prof. Christus Menezes Nóbrega Co-orientadora: Profª. Marta Mencarini Guimarães BARRETOS 2011
  3. 3. Título: A produção fotográfica como ferramenta na arte/educaçãoAutora: Kelle Cristiane Grilanda de Paula Examinadores:Aprovado em ___/___/___ ____________________________ Prof. Orientador Christus Menezes Nóbrega ____________________________ Profa. Maria Goreti Vieira Vulcão ____________________________ Examinadora ____________________________ Examinadora
  4. 4. Ao meu esposo, Marcelo Bianchi de Paula, por todo seu apoio e ajuda,por ser um companheiro presente em todas as horas e por me mostrar as floresquando eu encontrei os espinhos.
  5. 5. AGRADECIMENTOS A Deus, porque sem Ele não conseguiria chegar onde cheguei. À minha filha, Gabriela, que, por várias vezes, precisou ser paciente e ceder às suasvontades para contribuir com meus estudos. Pelo seu carinho e, mesmo ainda sendo tãojovem, ter paciência e compreensão nos momentos em que eu não tive. Aos meus pais, Albino e Maria Helena, pelos valores transmitidos, por me ensinarem aimportância do estudo em nossas vidas e por aceitarem e compreenderem os meus momentosde ausência. Aos colegas de curso que transformaram momentos de desesperos em momentos dedescontração; que compartilharam dúvidas, angústias e descobertas; que fizeram com que estacaminhada fosse mais alegre. Aos professores, em toda minha vida escolar, que compartilharam conhecimentos eforam responsáveis no seu papel de educador, não apenas cumprindo currículo, masdespertando o prazer do aprender e sendo exemplos de profissionais. Tudo isso foi muitoimportante para que eu concluísse mais essa etapa. À co-orientadora Marta Mencarini Guimarães, pela sua dedicação ecomprometimento; por compartilhar seus conhecimentos e propor uma correção explicativa edialógica. Ao orientador Christus Menezes Nóbrega, pela sua responsabilidade,comprometimento e comunicação de saberes não apenas nesta etapa final, mas também nosoutros momentos que trilhou conosco esta caminhada, como tutor de TecnologiasContemporâneas na Escola; estes momentos foram sensivelmente importantes para estapesquisa. A todos os demais familiares, amigos, professores e tutores que, de uma forma ou deoutra, me ajudaram na conclusão desta etapa, seja me ouvindo, me apoiando, esclarecendodúvidas, me fortalecendo e sendo pacientes.
  6. 6. Você não fotografa com sua máquina. Você fotografacom toda sua cultura. Sebastião Salgado
  7. 7. RESUMOEste trabalho tem por objetivo estudar a partir de uma pesquisa teórico-prática, a produçãofotográfica como ferramenta artística em sala de aula, visando a relação da arte/educação coma fotografia como instrumento para o desenvolvimento da criatividade, sensibilidade eimaginação dos alunos, situando-a como objeto de arte e proporcionando ao ensino técnicascontemporâneas e tecnológicas de produção artística com propostas de trabalhos fotográficosao arte/educador do Ensino Fundamental I.Palavras-chaves: produção fotográfica; arte/educação; linguagem artística; criatividade;imaginação; expressividade
  8. 8. SUMÁRIOLISTA DE IMAGENS........................................................................................................08LISTA DE ANEXOS..........................................................................................................09INTRODUÇÃO...................................................................................................................10CAPÍTULO 1. ARTE/EDUCAÇÃO E FOTOGRAFIA..................................................12CAPÍTULO 2. A HISTÓRIA DA FOTOGRAFIA NA HISTÓRIA DA ARTE...........17CAPÍTULO 3. A FOTOGRAFIA COMO FERRAMENTA NA PRODUÇÃOARTÍSTICA NA ESCOLA................................................................................................253.1 Criatividade infantil e processo fotográfico................................................................283.2 Propostas para uso da fotografia na arte/educação do ............................................. –Ensino Fundamental I ........................................................................................................313.3 Resultados da aplicação da pesquisa em sala de aula.................................................37CONCLUSÃO......................................................................................................................41REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS...............................................................................43ANEXOS ..............................................................................................................................45
  9. 9. LISTA DE IMAGENSFig.01. With my tongue in my cheek , Marchel Duchamp, 1920…………………………......18Fig.02. Three Stoppages Étalon, Marchel Duchamp , 1913-14……………….…………….18Fig.03. Dust breeding, Marchel Duchamp, 1920……………………………….…………....18Fig.04. Fonte, Marchel Duchamp, 1917...................................................................................18Fig. 05. Fotografias aéreas, Kasimir Malévich, 1914-15........................................................19Fig. 06. Erth Day, 22 April, Robert Rauschenberg, 1970………………………………….....20Fig. 07. Uma e três cadeiras, Josseph Kossuth, 1965.............................................................21Fig. 08. Spiral Jetty, Rober Smithson, 1970………………………………………………….22Fig. 09. Ação Sentimental, Gina Pane, 1973.............................................................................22Fig. 10. Sem título (Ofélia), Gregory Crewdson, 2001...........................................................23Fig. 11. O Belo, Rafaella Beatriz de Souza, 2011.....................................................................32Fig. 12. O Belo, Thayna Harumi Silva da Graça, 2011............................................................32Fig. 13. O Feio, Lucas Vinicius de Lima, 2011........................................................................32Fig. 14. O Feio, Pedro de Oliveira Campos Filho, 2011..........................................................32Fig. 15. Simplicidade,Gabriel Tavares Sorati Dias, 2011.........................................................33Fig. 16. Simplicidade, João Vítor Narciso da Silva, 2011.......................................................33Fig.17. Como um pássaro, João Emídio da Silva Neto, 2011..................................................33Fig. 18. Como um pássaro, Luís Fernando Ap. Moreira Garcia, 2011.....................................33Fig. 19. Tristeza, Gabriel Tavares Sorati Dias, 2011................................................................34Fig. 20. Perdão, Alberto da Silva Neto, 2011..........................................................................34Fig. 21. Do armário de brinquedos... Antonio Carlos Cantidio Neto, 2011............................34Fig. 22. Do armário de brinquedos... Rafaella Beatriz de Souza, 2011...................................34Fig. 23. Primavera, Maria Eduarda da Silva Fidelis, 2011......................................................35Fig. 24. Primavera, Hyogo Rodrigues Ferreira, 2011..............................................................35Fig. 25, Bolhas, Gabriel Tavares Sorati Dias, 2011..................................................................36Fig. 26. Ou isto ou aquilo, Emanoelle Cristina dos Santos Silva, 2011...................................36
  10. 10. LISTA DE ANEXOSANEXO A – O Belo.............................................................................................................45ANEXO B – O Feio...............................................................................................................46ANEXO C – Simplicidade.....................................................................................................47ANEXO D – Como um pássaro..............................................................................................48ANEXO E – Sentimentos Retratados.....................................................................................50ANEXO F – Do armário de Brinquedos.................................................................................51ANEXO G – Primavera...........................................................................................................52ANEXO H – Poesia em Fotografia.........................................................................................53ANEXO I – Exposição – Fotografia também é Arte..............................................................58ANEXO J – Resultados de pesquisa realizada com os alunos................................................59
  11. 11. 10 INTRODUÇÃO No ambiente escolar, o desenvolvimento tecnológico trouxe novas ferramentas e,consequentemente, outros anseios e necessidades tanto para os alunos quanto para osprofessores, que se somam às mudanças educacionais das últimas décadas. No ensino-aprendizagem da arte/educação observa-se a implantação de novasferramentas, novos materiais, que atualizam o sistema educacional e suprem as necessidades eos anseios dos alunos em relação às tecnologias contemporâneas; uma destas tecnologias é afotografia, que no final do século XX conquistou espaço entre os artistas sendo consideradatambém uma linguagem artística. A produção fotográfica é um recurso presente na vida dos alunos e une o anseiotecnológico à arte/educação, podendo, assim, ser mais um instrumento em sala de aula paradesenvolvimento de trabalhos artísticos que visem, por exemplo, a criatividade, aexpressividade e a composição de imagens. A imagem fotográfica permite que o autor elabore uma imagem a partir de seuentendimento, de sua intenção, do seu modo particular de ver o mundo ou uma situaçãoespecífica; que represente um sentimento ou um pensamento através do que e de como seregistra algo. O registro fotográfico depende do interesse em um objeto, cena ou momento; de comoenquadrar o que está sendo visto e qual ângulo de visão será utilizado. Dessa forma afotografia age como linguagem artística, nem sempre com imagens óbvias, apesar de registraralgo real, podendo também trabalhar a subjetividade do tema e comunicação imagética. O arte/educador, aproveitando esta relação de objetividade e subjetividade da imagemfotográfica, pode desenvolver a visão artística do aluno à medida que apresenta propostas edesafios a serem realizados com um aparelho fotográfico que foquem uma visão individual ecriativa de diversos assuntos, pois a decisão do que e de como fotografar depende da intençãoe dos objetivos propostos para e pelos alunos. Com objetivos específicos, formulados pelo arte/educador, dependendo do conteúdo aser trabalhado, esta pesquisa visa verificar a possibilidade de oferecer ao aluno uma novaopção de material para a elaboração de seus trabalhos artísticos; demonstrar que a fotografiapode ir além dos registros de cenas e momentos, mas uma forma de expressão, de transmissãode ideias conduzida pela vontade de seu autor e fazer com que o aluno perceba que a
  12. 12. 11fotografia, apesar de ser elaborada a partir de uma imagem estática de algo físico podetambém ser subjetiva.
  13. 13. 12 CAPÍTULO 1 ARTE/EDUCAÇÃO E FOTOGRAFIA O desenvolvimento tecnológico trouxe para as escolas as tecnologias de informação,como computador, acesso a internet, lousa digital, data show e a máquina fotográfica, quepodem ser utilizadas para um ensino-aprendizagem de qualidade. Tecnologias como a internet, o computador e a máquina fotográfica, no entanto, nãoestão restritas ao ambiente escolar, elas fazem parte do dia-a-dia da sociedade, estão presentesna vida da maioria dos alunos e, também, na arte contemporânea. O emprego das tecnologias na educação traz novos anseios, questionamentos eexpectativa tanto para os alunos quanto para os professores: como utilizar e aplicar estasnovas ferramentas no ensino-aprendizagem de forma eficiente. Na arte/educação os Parâmetros Curriculares Nacionais colocam aos arte/educadoresque as Artes Visuais devem estar atentas as transformações estéticas do século XX e por issoir além das formas tradicionais, incorporando a arte contemporânea e a arte tecnológica nocurrículo escolar. A educação de artes visuais requer entendimento sobre os conteúdos, materiais e técnicas com os quais se esteja trabalhando, assim como a compreensão destes em diversos momentos da história da arte, inclusive a arte contemporânea. Para tanto, a escola, especialmente nos cursos de Arte, deve colaborar para que os alunos passem por um conjunto amplo de experiências de aprender e criar, articulando percepção, imaginação, sensibilidade, conhecimento e produção artística pessoal e grupal. A educação visual deve considerar a complexidade de uma proposta educacional que leve em conta as possibilidades e os modos pelos quais os alunos transformam seus conhecimentos de arte, ou seja, o modo como aprendem, criam, desenvolvem-se e modificam suas concepções de arte. (PCN, 1998, p. 63). Seguindo a proposta de variedade de materiais e técnicas na produção artística, LúciaGouveia Pimentel afirma que “os modos de conhecer e produzir obras de arte são muitodiversos. Precisamos conhecer não somente os tradicionais, mas também os que usam novastecnologias, para podermos escolher qual o mais apropriado para a nossa expressão artística”(PIMENTEL, 2007, p. 291). Para Nara Cristina Santos “na arte, a tecnologia surge como umcaminho para conduzir o artista a criar [...]. Então a finalidade técnica pode dar lugar a umfazer humano, através do fazer maquínico da tecnologia” (SANTOS, 2007, p. 156).Analisando tais ideias, nota-se que os aparelhos tecnológicos e seus produtos também fazemparte do universo de materiais que podem ser utilizados para a produção artística dos alunos e,assim, torná-los conhecedores e criadores de novas linguagens artísticas.
  14. 14. 13 Pelos estudos realizados em teoria da História da Arte é possível perceber mudançasna produção artística, movidas pelas descobertas de novos materiais que possibilitaram novastécnicas e estilos. A princípio, ainda na Arte Rupestre, eram usados pigmentos naturaisencontrados na natureza; com a evolução humana e a busca por conhecimentos, por técnicas,por novas maneiras de misturar elementos naturais, novos materiais foram descobertos. NoRenascimento, a produção da tinta a óleo transformou uma época e o modo de pintar, dandomaior liberdade ao artista, mesmo assim, a arte ainda estava centrada entre o desenho, apintura, a escultura e a arquitetura. Com as mudanças sociais, a industrialização e o surgimento da fotografia, quepossibilitou o registro de uma imagem real, vários artistas questionaram a função do realismo,dessa forma, a arte sofreu novas modificações, deixando de ser apenas algo decorativo paraser vivenciada e pensada. A fotografia também possibilitou a libertação da arte da busca pelorealismo das imagens. O Cubismo, com suas formas geométricas representadas, na maioria das vezes, porcubos e cilindros, rompeu com os padrões estéticos que idealizavam a perfeição das formas nabusca da imagem realista da natureza. A imagem única e fiel à natureza, tão apreciada peloseuropeus desde o Renascimento, deu lugar a esta nova forma de expressão onde um únicoobjeto pode ser visto por diferentes ângulos ao mesmo tempo. A discussão da arte como algo para ser vivenciado, para ser útil, fez surgir uma novaaplicação para arte, na arquitetura e no designer de móveis e objetos. A Bauhaus combatia aarte pela arte e estimulava a livre criação com a finalidade de ressaltar a personalidade dohomem. Mais importante que formar um profissional, era formar homens ligados aosfenômenos culturais e sociais mais expressivos do mundo moderno. Hoje, a arte é consequência destes desenvolvimentos técnicos, estéticos e conceituais,representando as transformações, o modo de vida e o pensar da humanidade. A arte evoluiujunto com o ser humano. À medida que o ser humano se transforma, transforma também seumodo de viver, acarretando novas questões sociais e políticas, que, consequentemente,acarretam em novos sentimentos, novas indagações e reflexões, e estas, por sua vez, levam anovas formas de arte, de expressão humana. As novas formas de arte, a maneira como é produzida, o que é considerado arte e osmateriais que são utilizados em sua elaboração, traduzem esta evolução. A pintura e aescultura não perderam seu valor, mas dividem espaço com outras formas de arte como a ArteConceitual, a fotografia, o vídeo-arte, a performance ou a ciberarte, por exemplo.
  15. 15. 14 A pesquisa de Nara Cristina Santos sobre arte, tecnologia e contemporaneidadeconfirma a ideia de que a evolução da técnica sobre a arte pode revelar e limitar a criaçãoartística e que o artista é desafiado a buscar novos conhecimentos num processo dinâmico,pois a técnica não está destinada exclusivamente à arte, ao contrário, a arte recorre à técnicapara acontecer e, dessa forma, a técnica pode levar a um processo artístico que exige arequalificação da própria técnica e da gênese estrutural da própria arte. A produção fotográfica é uma técnica que revelou novos meios para a criação artísticae fez com que o artista buscasse por novos conhecimentos, novas formas de ver e produzirarte. Santos também entende que a visão de arte, do ponto de vista da linguagem artística eda técnica, remete-se a mesma visão do período da Renascença, que compreendia o desenho,a pintura, a escultura, a arquitetura e a gravura. Afastando esta primeira classificação, a arteenvolve todas estas linguagens e outras apoiadas em novas técnicas e tecnologias que fazemparte do universo artístico contemporâneo. De acordo com Santos, “a máquina fotográfica, por exemplo, enquanto ‘aparelho quesimula o olho’1, programada para produzir automaticamente fotografia, pode ter dado início àarte tecnológica” e “a fotografia seria, como linguagem, a primeira explicação visual de umponto de vista tomado, ou apreendido através de um aparelho, inicialmente não compreendidocomo arte” (SANTOS, 2007, pp.155-156) No âmbito da arte e educação há a afirmação de Ana Mae Barbosa: são muitas as visões de Arte/Educação que dependem da ênfase dada às funções da arte na educação. Para Eisner, as que operam até os nossos dias são: 1- auto-expressão criadora; 2- solução criadora de problemas; 3- desenvolvimento cognitivo; 4- cultura visual; 5- ser disciplina; 6- potencializar a performance acadêmica; 7- preparação para o trabalho. (BARBOSA, 2008, pp. 12-13) A partir da pesquisa bibliográfica somada à aplicação em campo da utilização dafotografia como técnica artística com crianças do Ensino Fundamental I, com faixa etária deoito e dez anos, pode ser observada que a produção fotográfica se encaixa e pode ser utilizadanestas funções.1 Vilém Flusser (FLUSSER, 1985, p. 27)
  16. 16. 15 Partindo de um tema, uma proposta, os alunos expressaram-se através da fotografia deforma criativa e criadora, pois cada um compôs sua imagem, escolheu o objeto a serfotografado, ou seja, mesmo ao capturarem uma imagem real, eles criaram esta imagem. Esta observação é reforçada com as afirmações de Boris Kossoy, de que na imagemfotográfica há os recursos técnicos, ópticos, químicos ou eletrônicos, mas também estãopresentes os processos mentais e culturais, que se sobrepõe aos demais e se “articulam namente e nas ações do fotógrafo ao longo de um complexo processo de criação (grifo doautor)”. (KOSSOY, 2009, p. 27) A produção fotográfica também permite que o aluno e/ou artista ao encontrar umasolução crie um novo problema e que busque a resolução deste também, desencadeando umalinha de pensamento que o leve a concluir o que objetivou. Ao pensarem em soluções ou emcomo criar ou conseguir uma imagem, uma composição ou uma expressão, odesenvolvimento cognitivo também é estimulado. A cultura visual também tem uma relação muito forte com a fotografia. Cada vez maisa fotografia faz parte do cotidiano humano: retrata costumes, documenta acontecimentos edivulga produtos e ideias. Nos estudos de Raimundo Martins sobre a cultura visual lê-se “a cultura visual discutee trata a imagem não pelo seu valor estético, mas, principalmente, buscando compreender opapel social da imagem na vida da cultura” (MARTINS, 2007, p. 26). Entender como asimagens podem obedecer ao interesse do autor, que podem ser produzidas segundo a vontadee a ideologia de quem a produz, sendo, muitas vezes, manipulada, passando uma mensagemaparentemente verídica é muito importante, principalmente para preparar uma sociedadecarregada de publicidade. Nos anúncios publicitários, muitas vezes, são colocadas pessoas alegres, mostrando-secompletamente realizadas perante a um bem adquirível, ou ao apoiar e relatar os feitos decandidatos a cargos políticos, por exemplo. Tais imagens trazem a sensação de realidade parao que está sendo comunicado e leva, muitas vezes, a crença de que aquilo que está sendo vistorealmente é verdade. É preciso formar cidadãos conscientes de que uma imagem, a exemplo de, umafotografia, assim como um vídeo, pode ser manipulada; que embora tais aparelhos captem oreal, esta realidade pode ser encenada. Ao produzir uma fotografia o aluno pode perceber que sua produção não tem comoproduto apenas a imagem, mas sua observação, sua ideologia, suas preferências, a presença, a
  17. 17. 16falta, a dificuldade ou a impossibilidade de registrar o que imaginou e a simulação de umasituação ou sentimento. Ao utilizar a tecnologia na sala de aula, oferecer aos alunos novos materiais, desafiá-los em novas propostas, oferta-se ao aluno estímulo e, dessa forma, potencializa-se aperformance acadêmica tanto do aluno quanto do professor, além de preparar tais alunos aotrabalho, não apenas por ensinar uma técnica que pode ser utilizada no mercado de trabalho,mas, principalmente, porque fotografia na arte/educação propicia o trabalho criativo e acriatividade não está relacionada apenas ao fazer artístico, a algo genial, mas as várias açõeshumanas, inclusive no trabalho Num quadro cultural como o nosso, de condicionamentos massificastes, só é criativo quem consegue ser ‘genial’ – não alguém que fosse espontâneo, autêntico, imaginativo, sensível; tampouco se concebe que o potencial criador do homem possa desdobrar-se no trabalho ou em função da maturidade alcançada, na visão generosa da convivência humana, pois a própria criatividade é considerada como algo inteiramente à margem do fazer natural. (OSTROWER, 2008, p. 133) O arte/educador, sabendo que a criatividade não está à margem do fazer natural e éfundamental em todas as áreas humanas, deve estar consciente de que sua função não éapenas promover e descobrir o artista que há no aluno, mas propiciar conhecimento eentendimento do mundo que o cerca, de fazê-lo identificar-se dentro da sua cultura e dedescobrir novos saberes e fazeres, criando e expressando-se através de vários materiais, emespecial, os tecnológicos, cada vez mais presentes e necessários tanto na vida dos alunosquanto na sociedade.
  18. 18. 17 CAPÍTULO 2 A HISTÓRIA DA FOTOGRAFIA NA HISTÓRIA DA ARTE De acordo com Philippe Dubois, no livro O ato fotográfico (2011), historicamente arelação entre arte e fotografia surgiu com o desejo de que a fotografia tinha de "se fazerpintura", com o Movimento Pictorialista (1890-1914), e em seguida com a obra fundadora deMarcel Duchamp (1887-1968). No Movimento Pictoralista, alguns fotógrafos pretenderam tornar a fotografia umaarte, reagindo contra o culto dominante da foto como simples técnica de registro objetivo efiel da realidade, no entanto, o que os pictoralistas conseguiram foi uma inversão: tratar afotografia como uma pintura. Os artistas manipulavam as imagens de todas as maneiras:efeitos flou (ligeira perda de nitidez de uma imagem fotográfica provocado, em geral, peladifusão da luz), encenação e composição do sujeito e intervenções posteriores sobre onegativo e sobre as provas, com pincéis, lápis, instrumentos e outros produtos. Segundo o autor, Marchel Duchamp é um marco para o século XX e para a artecontemporânea, ao abandonar tudo que tem relação com a representação clássica, mesmo nassuas formas mais revolucionárias, como o Impressionismo (1874-1886)2 e o Cubismo (1907-1914), em benefício de uma concepção da arte baseada na lógica do ato, da experiência, dosujeito, da situação, do referencial, que é a própria lógica que a fotografia faz emergir: alógica do índice. A arte de Duchamp e a fotografia têm em comum funcionarem como uma imagemmimética, comparativa, mas, em primeiro lugar como simples impressão de uma presença,como um traço físico de um estar-aí ou de um ter-estado-aí. Toda obra de Duchamp pode ser considerada como conceitualmente fotográfica, pois étrabalhada pela lógica do índice, do ato e do traço, do signo ligado ao seu referente. Alguns exemplos são seus trabalhos construídos com base na inscrição das sombrasconduzidas, as que implicam a moldagem (With my tongue in my cheek), as obtidas pordecalque e por transporte (Three Stoppages Étalon), os construídos aleatoriamente por2 A denominação Impressionismo originou-se de um texto jornalístico que rotulou a primeira exposição dessemovimento de Exposição dos Impressionistas, em 1874(http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia_ic/index.cfm?fuseaction=termos_texto&cd_verbete=3638)Em 1886 há registros da dispersão do grupo de artistas impressionistas.(http://mundoestranho.abril.com.br/materia/o_que_foi_o_impressionismo)
  19. 19. 18depósito e fixação (Dust breeding) e até os próprios ready-made (Fonte), em que o produtofinal é o próprio objeto, transformado em obra pela decisão artística. Fig.01. With my tongue in my cheek , Fig.02. Three Stoppages Étalon Marchel Duchamp, 1959 Marchel Duchamp , 1913-14 Fig.03. Dust breeding, Marchel Duchamp, 1920 Fig.04. Fonte, Marchel Duchamp, 1917 A segunda grande tendência fundada no campo da fotografia como arte são os iníciosda abstração em torno dos trabalhos de El Lissitzky (1890-1941), de Kasimir Malévitch(1878-1935) e do Movimento Suprematista (1913-1919). A fotografia, destinada ao real, e a arte abstrata, que rejeitaria uma figuração domundo, foram unidas em um dos componentes centrais da abstração suprematista: suapercepção, concepção e representação de um novo espaço. Estas características dosuprematismo estão diretamente vinculadas à fotografia aérea ou antiárea.
  20. 20. 19 Entre 1914 e 1929, em período de guerra, houve grande desenvolvimento das técnicase das máquinas, em especial aviação e instrumentos óticos. Este desenvolvimento permitiuque o homem saísse do solo rumo ao céu equipado com armas de tiro e aparelhos fotográficossuperpoderosos. Nesse período artistas como Lissitzky e Malévitch interessaram-se tanto pelasfotografias aéreas que registravam as paisagens terrestres transformadas e mal identificáveisquanto as que eram feitas no solo, registradas mais ou menos na vertical, mostrandoesquadrilhas de aviões em pleno vôo, compondo curiosos hieróglifos no céu. Essas visões do mundo definem um modo diferente de percepção e de representaçãodo espaço. Fig. 05. Fotografias aéreas. (No alto e acima), Kasimir Malévich, 1914-15 Nos anos 50, Félix Nadar (1820-1910) fotografou Paris de seu balão e nos EstadosUnidos, entre 1923 e 1932, Alfred Stieglitz (1864-1946) fotografou céu e nuvens com o títulode Equivalências. O Dadaísmo e o Surrealismo desenvolveram a prática do associacionismo, ou seja,metáfora, colagem, agrupamento, montagem. São nestes pontos que se encontram ofundamento das relações entre a fotografia e a arte contemporânea. A fotomontagem é umadas características evidente destes movimentos em sua relação com a fotografia, por um ladocom objetivo de integrar a imagem fotográfica numa espécie de grande mistura de suportes,como se essa imagem devesse ter de volta a sua condição de objeto, quase que de consumo, eaté de dejeto e por outro fazer com essa mixagem corresponda a jogos de combinações
  21. 21. 20simbólicas. A fotomontagem dadaísta desempenhou um papel importante nessa mistura demateriais e signos. No Expressionismo Abstrato (1940 – final dos anos 50), arte americana que surgiu aofinal da Segunda Guerra Mundial, tem na sua segunda geração, como nome mais expressivoRobert Rauschenberg (1925-2008) que transformou suas grandes superfícies em verdadeirassobreposições. Em seus agrupamentos, as fotografias têm uma espécie de condição dupla: nãopassam de um objeto entre outros e são fotografias porque transparecem por meio de diversasfiltragens, expressando a alma simbólica de suas construções. Fig. 06. Erth Day, 22 April, Robert Rauschenberg, 1970 A Pop Art (final da década de 50) também marcou uma evolução na utilização dafotografia pela arte contemporânea, pois a reprodução é o assunto do trabalho destemovimento. A relação entre Pop Art e fotografia é privilegiada não por ser utilitária, masporque a fotografia exprime a filosofia do movimento. Paralelamente a esses movimentos americanos, na Europa, surge entre 1950 e 1970uma nova arte da representação. É impossível descrever o papel desempenhado pelafotografia no trabalho de cada artista da Nova Figuração. Para alguns artistas o importante é otrabalho sobre as noções de marca, de vestígio, de impregnação, para outros a foto é uminstrumento técnico e simbólico essencial à elaboração do trabalho. Para vários artistas da Nova Figuração, na maioria pintores, a fotografia é oinstrumento para seu trabalho, sobretudo do ponto de vista simbólico: a obra elabora-se pelafotografia e a é incorporada pela tela, sendo apenas um instrumento no processo.
  22. 22. 21 Para outros artistas, tanto fotógrafos quanto pintores, a fotografia não é absorvida notrabalho da obra, é a obra em seu próprio corpo, por meio de manipulações com preocupaçõescerta de conotação de ordem social, na maioria das vezes uma certa arte do cotidiano,utilizando sempre a fotografia para questionar a arte e os ritos sociais. Na Arte Conceitual (final da década de 60), Arte Ambiental (Land Art) (final dadécada de 60) e Arte Corporal (Body Art) (final da década de 60), seus princípios, estão deacordo com a fotografia, pois é impossível pensar no produto artístico sem nele inscrever oprocesso pelo qual é resultado. Na Arte Conceitual a fotografia intervém de maneira as vezes direta ou como nasobras de Joseph Kossuth (1945), em que na maioria das vezes reuni lado a lado três ordens derepresentação de uma mesma realidade, uma delas sendo a fotografia. Fig. 07. Uma e três cadeiras, Josseph Kossuth, 1965 Na Arte Ambiental (Land Art, Earth Art, Arte-paisagem) a relação com a fotografia édireta. Em um primeiro momento a fotografia pode intervir como simples meio de registro,principalmente porque estes trabalhos acontecem na maioria das vezes em lugar em que, sema fotografia, permaneceriam quase desconhecidos.
  23. 23. 22 Fig. 08. Spiral Jetty, Rober Smithson, 1970 Na Arte Corporal (Body Art) e na arte de acontecimento (Happening e Performance)percebe-se os mesmos motivos e propostas descritas na arte ambiental. Porém, ao lado dessasimples utilização há experiências de performances que utilizavam da linguagem fotográfica,como na atuação de Gina Pane (1939-1990) que realiza suas ações diante do público e comuma fotógrafa, de acordo com um programa de deslocamento, enquadramentos, ritmos,tomadas, tendo a fotógrafa a “função” de pincel da artista. Gina Pane concebe ações emfunção de captações fotográficas em função das possibilidades expressivas que a fotografiaproporciona. Fig. 09. Ação Sentimental, Gina Pane, 1973 Todas estas práticas contemporâneas (Arte Conceitual, Ambiental, Corporal, DeAcontecimento) utilizam a fotografia, em primeiro lugar como simples instrumento para
  24. 24. 23documento, memória ou arquivo e depois para integrá-la, conceber a ação em função dascaracterísticas fotográficas, em seguida por embeber, impregnar-se com a sua lógica, do traço,da impressão e, por fim, da inversão de papéis, tendo a própria fotografia como práticaartística, como a ação3 de Arnulf Rainer (1929), que queimava seu corpo ao sol imprimindoem seu corpo a silhueta de um objeto deixado sobre ele. Por fim, a instalação fotográfica que se define pelo fato de que a imagem fotográficaem si mesma só ter sentido quando encenada num espaço e num tempo determinado e a obraem seu conjunto é o resultado dessa situação. Trata-se de considerar a fotografia não apenascomo uma imagem, mas também como um objeto, uma realidade física que pode sertridimensional, que tem consciência, densidade, matéria, volume. A instalação ou escultura fotográfica pode recobrir as formas mais diversas. Umsimples livro ou álbum de fotografias pode ser descrito como uma instalação ou umaescultura. Do mesmo modo, pode-se considerar que uma exposição de fotos também funcionade acordo com este principio, com intencionalidade ou não de produzir efeitos próprios àexposição. Portanto, “a partir do momento em que uma foto é olhada, é olhada como umobjeto, por alguém, num lugar e momento determinados e, em função disso, mantém certasrelações com aquele que olha” (DUBOIS, 2011, p. 292). A conquista do espaço entre os artistas da fotografia como linguagem artística,segundo Charlotte Cotton, ocorreu no final do século XX: Desde meados dos anos 70, a teoria da fotografia tem-se voltado para a ideia de que as fotos podem ser entendidas como processos de codificação e significação cultural. [...] Em lugar de indícios (ou da falta) de originalidade de um profissional ou da manifestação de um propósito autoral, as fotografias foram vistas como sinais (grifo do autor) que adquiriram seu significado ou valor a partir de sua inserção no bojo de um sistema mais amplo de codificações sociais e culturais. (COTTON, 2010, p. 191)3 O termo ação é usado por P. Dubois, por isso também foi utilizado nesta pesquisa. O termo neste caso, noentanto, refere-se a performance como linguagem.
  25. 25. 24 Fig. 10. Sem título (Ofélia), Gregory Crewdson, 2001 A fotografia como linguagem artística tem, portanto, uma trajetória, uma história denovas utilizações e visões dentro da História da Arte. A primeira fotografia reconhecida foiuma imagem produzida em 1825, porém, seu entendimento como arte ocorreu somente nofinal de século XX, sendo, dessa forma técnica relativamente nova e ainda pouco difundida eutilizada como ferramenta artística e/ou objeto de arte na arte/educação.
  26. 26. 25 CAPÍTULO 3 A FOTOGRAFIA COMO FERRAMENTA NA PRODUÇÃO ARTÍSTICA NA ESCOLA A fotografia como instrumento de produção e criação artística se consolida à medidaque possibilita o autor produzir a imagem, construir significados, transmitir ideias e emoçõesa partir da captura de uma imagem real. O conceito de que a fotografia não é algo pronto, mas construído, é embasado noestudo de vários teóricos. Dubois (2011) coloca a fotografia como um verdadeiro materialicônico bruto e manipulável como qualquer outra substância concreta (recortável, combináveletc.), e, portanto, utilizável em diversas realizações artísticas, em que o jogo de comparações(contrárias ou não) pode exibir todos os seus efeitos. Vilém Flusser descreve o ato fotográfico como de um caçador “que persegue a caça natundra. Com a diferença que o caçador não se movimenta na pradaria aberta, mas na florestadensa da cultura.” (FLUSSER, 1985, p. 18) Antonio Luís Marques Tavares ao descrever a fotografia como obra de artecontemporânea expõe o caráter subjetivo da fotografia, pois tem na sua essência a criação demetáforas, de conotações, de analogias diversas, capaz de converter a objetividade emsubjetividade. “O visível não é necessariamente aquilo que nos é apresentado.” (TAVARES,2009, p. 125) A fotografia é, portanto, algo que se busca, que se espera, que exige sensibilidade,intencionalidade, percepção, intuição, criatividade e conhecimentos teóricos. Fazer fotografiaexige mais que saber fotografar; não é apenas deixar a máquina no modo automático (recursodas máquinas digitais que “percebe” a luminosidade do ambiente, a necessidade ou não doflash), enquadrar e apertar o disparador, mas é preciso sentir a imagem, o momento e o ânguloa ser fotografado; a composição, a expressão. É preciso que o autor se expresse, exponha suasensibilidade e raciocínio, para não apenas capturar uma imagem, mas construir uma ideia,criar um canal de comunicação com o receptor. Este processo de comunicação através de imagem está envolvido com a proposta daarte/educação. A fotografia vista como um processo elaborado segundo a vontade do autor eque converte objetividade em subjetividade converge em um ato criativo. Essa colocação deque a fotografia é um processo criativo é citada por Boris Kossoy ao expor que “arepresentação fotográfica é uma recriação do mundo físico, tangível ou intangível; o assunto
  27. 27. 26registrado é um produto de um elaborado processo de criação (grifo do autor) por parte deseu autor”. (KOSSOY, 2009, p. 43) Quando o sujeito constrói uma imagem, ele o faz com uma intenção, ele expressa suavisão sobre o assunto. Esse processo de criação e expressão também ocorre com a fotografia,como já exposto neste capítulo, porém como a expressão está relacionada ao conteúdo, oarte/educador deve estar ciente da necessidade de um assunto, um tema, uma linha depensamento para a representatividade imagética e que, mesmo que este tema não sejadelimitado pelo professor, ele será elaborado e delimitado pelo próprio aluno, porque não épossível criar sem um objetivo, uma ideia base. Donald Soucy, alerta ao citar Lowenfeld que “separar o conteúdo de sua representaçãosignifica privar um corpo de sua alma e vice-versa. Num trabalho criativo, o assunto e o modopelo qual ele é representado formam um todo inseparável”. (SOUCY, 2008, p. 42). Afotografia de uma flor, por exemplo, pode ser a forma encontrada para expressar um conceitosubjetivo, como beleza ou simplicidade. A reprodução fotográfica de uma flor tem, portanto,um conteúdo, que pode ser mais subjetivo, como no caso de um conceito abstrato, ouobjetivo, se o seu conteúdo fosse apenas fotografar flores, ainda assim teria um assuntodelimitado, que estaria ligado à expressividade do aluno, pois junto com a escolha de umadeterminada flor estão as preferências e os conceitos formados por aquele aluno. Dessa forma, a maneira como um indivíduo se expressa está relacionada à capacidadede criar, de imaginar. De acordo com Arthur D. Efland, “a imaginação é criativa, porquetransforma o pensamento intelectual em movimento”, e ainda, ao citar Kant discorre que aimaginação é uma “faculdade produtiva da cognição” (EFLAND, 2008, p. 320). Para que osujeito imagine, componha, crie, ele precisa pensar. Neste ponto a produção fotográficademonstra-se eficiente também no desenvolvimento cognitivo, principalmente se estaprodução estiver relacionada a um tema. Numa atividade em sala de aula na qual o arte/educador trabalha o conceito belo epropõe aos alunos fazerem um desenho segundo o conceito apresentado, eles pensam eimaginam qualquer cena ou objeto que para eles representem o que foi pedido. Ao realizaresta mesma atividade substituindo o desenho pela fotografia, o aluno deverá pensar, imaginare selecionar, porque nem tudo que ele relacionou ao belo está no espaço que tem parafotografar. Talvez não seja possível conseguir a imagem do que havia imaginado e, por isso,precisa buscar soluções, pensar em possibilidades, observar e analisar as opções que o espaçooferece.
  28. 28. 27 Este processo de busca por imagens que alcance o objetivo traçado, contornandoobstáculos e buscando soluções, transforma o próprio indivíduo: Frente à realidade concreta e em qualquer situação de vida, o indivíduo é delimitado por uma série de fatores (ordem material, ambiental, social, cultural, e de ordem interna vivencial, afetiva) que se combina em múltiplos níveis intelectuais e emocionais, em parte tornando-se conhecidos, conscientes e em parte permanecendo desconhecidos, inconscientes. Face à complexidade dos níveis e das qualificações mútuas, o equilíbrio interior é uma verdadeira conquista para o indivíduo, já porque a multiplicitude de limites em tempos e espaços vários, ele vive. E no viver, ele próprio se transforma e altera os componentes de seu equilíbrio interior. (OSTROWER, 2008, p. 149) O fato de estruturar e reestruturar uma ideia estimula a imaginação cognitiva. Afotografia é uma ferramenta que pode ser usada artisticamente porque equipa o sujeito aexpressar, desenhar (entendendo o desenho como a elaboração de uma imagem) seu mundo.Para Efland (2008) as ferramentas ou estratégias cognitivas envolvidas no processo deaprendizagem incluem a imaginação como uma função esquematizadora e suas extensõespelas projeções metafóricas. “A metáfora, em particular, constrói ligações que nos permitementender e estruturar o conhecimento em diferentes domínios, para estabelecer conexões entrecoisas aparentemente não relacionadas.” (EFLAND, 2008, p. 343) Analisando, portanto, o quanto a imaginação é importante para o cognitivo, oarte/educador deve levar aos alunos ferramentas que possam trabalhar com estes conceitos. Afotografia apresenta-se como uma opção, pois é uma linguagem artística que envolveimaginação, criatividade e expressividade na sua composição, que carrega simbolismo,subjetividade, emoções e ideias. No percurso histórico da fotografia há várias posições quanto ao princípio da realidadeem relação à imagem produzida pelo aparelho fotográfico e seu referente. Dubois (2011)apresenta este percurso em três tempos: - a fotografia como espelho do real (o discurso da mimese): este discurso já é colocadono início do século XIX, procede de sua natureza técnica, de seu procedimento mecânico semque a mão do artista intervenha diretamente, opondo-a à obra de arte, produto de trabalho, dagenialidade e do talento manual do artista. - a fotografia como transformação do real (discurso do código e da desconstrução):analisou-se a fotografia não como um espelho neutro, mas um instrumento de transposição, deanálise, de interpretação e de transformação do real, sendo, então, culturalmente codificada. - a fotografia como traço de um real (o discurso do índice e da referência): a imagemescolhida tem um valor particular, pois é determinada pelo seu referente, sendo esta o traço deum real. O principio do traço marca, no entanto, apenas um momento no conjunto do processo
  29. 29. 28fotográfico. O sentido e o cume desse momento se dão a partir da interpretação cultural ecodificação, realizada através de escolhas e decisões humanas. Neste terceiro tempo a fotografia é apresentada como sendo em primeiro lugar índice,para depois tornar-se parecida (ícone) e adquirir sentido (símbolo). Para um projetopedagógico este processo reforça a força da produção fotográfica em atividades cognitivas,criativas e expressivas. Por exemplo, uma flor na transmissão do conceito de belo. Após a decisão de tomar aimagem de uma flor como simbologia, busca-se um referencial, escolhe-se uma flor – o índice–; ao fotografá-la transforma-a num ícone – uma imagem parecida com o real –, que setransformará no símbolo do conceito de belo. Kossoy argumenta que “a imagem fotográfica é antes de tudo uma representação apartir do real (grifo do autor) segundo o olhar e a ideologia de seu autor” (KOSSOY, 2009, p.30). “O assunto uma vez representado na imagem é um novo real: interpretado e idealizado[...] uma segunda realidade (grifo do autor) (KOSSOY, 2009, p. 43). O assunto registradopode partir de uma proposta do professor para fazer o aluno perceber, sentir ou imaginar e seapropriar de imagens reais que existam ao seu redor para criar a sua representatividade. Afinalização da produção fotográfica, porém, depende do aluno/fotógrafo e sua interpretação é,como em outros objetos de arte, resultado da leitura, entendimento e contexto do receptor.3.1. Criatividade infantil e processo fotográfico Geisa Nunes de Souza Mozzer e Fabrícia Teixeira Borges (2008) pontuam acriatividade infantil como um processo psíquico que se constrói desde muito cedo e que sedesenvolve em conjunto com outras funções superiores como a imaginação, o pensamento, amemória e a brincadeira. Segundo as autoras, a possibilidade de criar está ligada ao contextohistórico, familiar, escolar e à riqueza de experiências vivenciadas pela criança. Proporcionar à criança uma variedade de materiais e possibilidades, portanto é,expandir as experiências vividas pelas crianças e, consequentemente, estimular odesenvolvimento do pensar e imaginar. Por isso outros materiais, além dos tradicionais,devem ser oferecidos às crianças, em especial os tecnológicos que não apenas são materiaisdiferentes como também possibilitam o contato com as novidades de uma época. A máquina fotográfica como uma opção de material artístico disponível ao aluno aindaé incomum na maioria das escolas, principalmente nos primeiros anos do Ensino
  30. 30. 29Fundamental. Tal fato acontece, talvez, pela falta de recursos financeiros para a aquisiçãodestes materiais para uso dos alunos. Na maioria das escolas a máquina fotográfica é utilizadaapenas registrar eventos escolares e sob orientação de muitos cuidados. Outro fator da produção fotográfica não ser tão explorada, principalmente nosprimeiros anos do Ensino Fundamental, possivelmente, é a descrença do arte/educador noentendimento do aluno à fotografia como uma produção artística. A criança, no entanto, não possui o entendimento do fazer artístico como umaexperiência segregada e intencional de produzir Arte. A criança desenha porque gosta dedesenhar, não porque esta preocupada em fazer Arte e quando proposto a elas uma produçãoartística, elas farão com o material que lhe for oferecido e o classificará como arte. Esta condição infantil de produzir arte livre da intencionalidade de sua ação éencontrada nos estudos de Fayga Ostrower (2008) ao afirmar que nas crianças, a expressãoartística equivale a um experimento direto que não é diferente de qualquer outra experiênciade vida, o que o classifica como um experimento artístico são os materiais considerados, pelosadultos, como artísticos. A criança não tem uma preocupação seletiva, o cuidado dereconhecer os aspectos do trabalho realizado e de resguardá-los para o futuro. Durante seucrescimento, porém, a preocupação seletiva surge, mas a concentração aplicada em umaatividade não é transferida para momentos futuros, os novos momentos substituirão os quepassaram e terão em novas solicitações, um potencial novo de tensão e ação. Cada trabalho, portanto, faz com que a criança crie, pense-o como único, não seatendo no que fez anteriormente, mas preocupada com o resultado desse trabalho que estásendo feito. A autora relata que conforme a criança se discrimina, em relação a si mesma e aosoutros, também reestrutura seu potencial sensível e racional em níveis mais complexos. Suarealidade terá mudado e, ao mesmo tempo, seu caráter da convivência com sua realidade, assolicitações, as possibilidades de controle e as formas de comunicação. Entende-se, dessaforma, que a criatividade infantil pode ser estimulada. O estudo da criatividade que se mostra presente na maioria das pessoas por MitjánsMartinez é citado por Geisa Mozzer e Fabrícia Borges. Segundo elas, a autora entende queeste processo humano é constituído na relação histórica que o indivíduo estabelece com o seucontexto social, não apenas no sentido da história passada do sujeito, “mas referindo-se ànatureza dos processos psicológicos humanos que se constituem num contexto cultural
  31. 31. 30específico”. (MARTINEZ apud MOZZER e BORGES, 2008, p. 2)4 e Vigotski entende acriatividade não como uma qualidade natural do sujeito, mas como resultado da interaçãoentre o indivíduo e o contexto social. Para Ostrower “nas crianças, o criar – que está em todo seu viver e agir – é umatomada de contato com o mundo, em que a criança muda principalmente a si mesma.”(OSTROWER, 2008, p. 130) e a genialidade como proposta é um parâmetro esmagador paraqualquer processo normal de desenvolvimento e de maturação, além de arbitrário, porqueseria preciso determinar quem seria o gênio e qual seria a genialidade que serviria dereferência para a criatividade humana. Criar significa mais do que inventar, mais do que produzir algum fenômeno novo. Criar significa dar forma a um conhecimento novo que é ao mesmo tempo integrado em um contexto global [...] tanto enriquece espiritualmente o indivíduo que cria, como também o indivíduo que recebe a criação e recria para si. (Ostrower, 2008, pp. 134-135) Percebe-se, então, que o processo de criação ocorre a partir do que existe de real, deescolhas, de decisões, que passa a ser parte, também, dessa realidade, trazendo novosconhecimentos tanto para o autor quanto para os receptores dessa criação, sem buscar criaçõesgeniosas, mas produções que possibilitem o fazer, o expressar e o conhecer. A produção fotográfica, portanto, pode ser entendida como um ato criativo, poisenvolve a opção e decisão do autor da fotografia, fazendo com que o indivíduo atue eproduza, somando sua característica tecnológica ao seu caráter criativo e artístico, podendoser considerada uma ferramenta no ensino-aprendizagem da arte-educação. A importância de estimular a criatividade, não está apenas em relacioná-la a criação dealgo novo, ou de elaborar obras grandiosas, mas em perceber o indivíduo como um serautêntico, capaz de ser expressivo e dar formas ao pensamento e as emoções. De acordo comOstrower, o criar é um processo existencial, que abrange além dos pensamentos e emoções acapacidade para a percepção, configurando formas, discernindo símbolos e envolvendo oconsciente e o inconsciente. A produção fotográfica é um meio que possibilita a percepção, diferencia símbolos,envolve o consciente e o inconsciente, em especial quando se trabalha com temas abstratosque peçam uma imagem para representá-lo. A criança, desde os primeiros anos do EnsinoFundamental, possui, mesmo que não o faça com seletividade e percepção do que estáelaborando, capacidade de representar símbolos, de criar formas que traduzam seuentendimento sobre um conceito com imagens reais.4 Arquivo em PDF disponível em http://www.revistas.ufg.br/index.php/interacao/article/view/5269/4314
  32. 32. 31 Esta atividade, mesmo que não seja percebida pela criança, atua no seudesenvolvimento cognitivo, estimula sua imaginação, criatividade e fomenta suasensibilidade. 3.2. Propostas para uso da fotografia na arte/educação do Ensino Fundamental I Ao iniciar a pesquisa bibliográfica sobre o tema estudado, o interesse de por emprática as descobertas e suposições que tais estudos proporcionaram foram despertados. Estanecessidade tornou-se uma pesquisa de campo para avaliar a possibilidade real e areceptividade dos alunos em relação à fotografia. As propostas pensadas envolveram conceitos abstratos relacionados à arte, temastransversais de valores, reflexão sobre preferências, visualidade de emoções e temasinterdisciplinares. Durante a aplicação da pesquisa de campo, oito propostas foram trabalhadas. Estaspropostas foram planejadas a partir da própria vivência com os alunos, pensando no meiofísico, no que havia naquele espaço que possibilitasse sua realização apenas com umamáquina fotográfica e a imaginação. Também foi observado o que os alunos já eram capazesde desenhar sobre um tema, sendo propostos somente temas possíveis de serem elaboradoscom imagens que pudessem ser desenhadas, ou seja, que eles saberiam retratar através de umdesenho. Estas propostas envolveram o conceito de belo, de feio, de simplicidade, dainterpretação da escrita para a imagem, da visualidade de sentimentos e da organização eplanejamento de preferências pessoais. A primeira proposta envolve o conceito de belo. A partir de uma roda de conversa écolocado o questionamento do que é belo, por que o que estavam sugerindo é, para eles, beloe, se for pedido para representarem (desenharem) o que pensam sobre este conceito, o quefariam. Após a discussão sobre o tema, a explanação de como exemplificariam o belo atravésde imagens, é pedido que cada aluno crie três fotografias que representem o tema. Este trabalho visa o desenvolvimento da sensibilidade e a valorização do local que osalunos frequentam.
  33. 33. 32Fig. 11. O Belo, Rafaella Beatriz de Souza, 2011 Fig. 12. O Belo, Thayna Harumi Silva da Graça, 2011 A segunda proposta levanta o questionamento do conceito feio. Esta proposta segue omesmo modelo aplicado em relação ao belo. Após debate sobre como representar o feioatravés de imagem, é orientado que fotografem o que enxergam como feio no ambiente emque se encontram. Este trabalho objetiva o desenvolvimento da sensibilidade, a reflexão sobre atitudes ea responsabilidade de cada um em preservar o ambiente em que vive.Fig. 13. O Feio, Lucas Vinicius de Lima, 2011 Fig. 14. O Feio, Pedro de Oliveira Campos Filho, 2011 A terceira proposta trata do tema simplicidade. A princípio também é feita uma rodade conversa para debate do tema simplicidade e qual o valor deste conceito, relacionando-o apequenas atitudes do dia-a-dia que fazem a diferença, mesmo que passem despercebidas,como um carinho, a ajuda de um colega, um beijo de mãe, etc. Na roda de conversa é dadoespaço para que os alunos exponham suas opiniões e dêem exemplos; em seguida sãomostradas três fotos de pequenas flores e perguntado a eles se conhecem aquelas flores. Maisuma vez a proposta abre espaço para que os alunos expressem sua opinião e em seguidarevela quais são as flores: flores de mato, muito pequenas, mas que quando observadas de
  34. 34. 33uma maneira mais próxima percebe-se sua beleza, a grandiosidade na sua pequenez.Concluído esta primeira parte, propõe-se aos alunos que fotografem o que para eles traduziriao conceito de simplicidade. Este trabalho busca o desenvolvimento da sensibilidade, da percepção e propõe umareflexão sobre o valor às pequenas coisas que cada um tem em sua vida.Fig. 15. Simplicidade,Gabriel Tavares Sorati Dias, 2011 Fig. 16. Simplicidade, João Vítor Narciso da Silva, 2011 A quarta proposta engloba a visualidade da escrita, através da representação de umpoema com uma imagem. O poema apresentado é Como um pássaro (Anexo D), escritopensando nos recursos que o espaço oferece. Após terminar a leitura é proposto aos alunosque o interpretem, imaginando-se como pássaros e tendo a máquina fotográfica como uminstrumento que registre a sua visão. Este trabalho tem como objetivo o estímulo a imaginação e o incentivo a leitura.Fig.17. Como um pássaro, João Emídio da Silva Neto, 2011 Fig. 18. Como um pássaro, Luís Fernando Aparecido Moreira Garcia, 2011 A quinta proposta é o registro de sentimentos. Para esta atividade são escritos esorteados vários sentimentos: amor, solidão, amizade, tristeza, felicidade, perdão, alegria,raiva, companheirismo, dor, saudade. Cada aluno sorteia um sentimento, pensa em como
  35. 35. 34expressá-lo, escolhe um ou mais colegas, orienta-os quanto a posição e a expressão quedevem fazer e os fotografa. Nesta proposta é discutido como as imagens publicitárias são produzidas, que o que étransmitido em uma imagem nem sempre é verdade, que uma imagem pode ser simulada deacordo com a intencionalidade de quem a produz para convencer quem a vê. O objetivo desta proposta é mostrar que uma imagem pode transmitir um sentimento,uma emoção e que, nem sempre, o que uma imagem transmite realmente é verídico, podendohaver manipulação e por isso é preciso ser crítico, nem sempre acreditando no que se vê.Fig. 19. Tristeza, Gabriel Tavares Sorati Dias, 2011 Fig. 20. Perdão, Alberto da Silva Neto, 2011 A sexta proposta tem como objetivo a percepção das preferências, a visão e amontagem de composições harmônicas partindo do tema Do armário de brinquedos... Nessaatividade as orientações são simples: escolher o que quiserem, que esteja no armário debrinquedos, dispô-los da maneira como desejarem sobre a mesa e fotografá-los.Fig. 21. Do armário de brinquedos... Fig. 22. Do armário de brinquedos...Antonio Carlos Cantidio Neto, 2011 Rafaella Beatriz de Souza, 2011 A sétima proposta refere-se a uma atividade comumente feita com desenho, que elestalvez já tenham feito-a dessa forma, várias vezes, e, por isso, a fotografia traz um novo
  36. 36. 35estímulo e uma nova forma de percepção, pois não irão desenhar o que imaginam, mascapturar a imagem do que lhes chama a atenção. A partir do tema Primavera, os alunos criamfotograficamente imagens que a represente. O objetivo desta proposta é desenvolver a percepção e a sensibilidade, substituindo odesenho por uma fotografia que traduza seu entendimento sobre um tema.Fig. 23, Primavera, Maria Eduarda da Silva Fidelis, 2011 Fig. 24. Primavera, Hyogo Rodrigues Ferreira, 2011 A oitava proposta, Poesia em fotografia, traz várias opções numa mesma atividade, e épensada a partir da interdisciplinaridade com a disciplina de Língua Portuguesa, focando maisuma vez a visualidade da escrita, através da representação de um poema com uma imagem.Desta vez são oferecidos cinco poemas de Cecília Meirelles (Anexo H), para os alunos lereme escolherem aquele que preferirem, e acessórios para serem usados na produção fotográfica.Depois da escolha dos poemas, cada aluno pensa em como representá-lo, relembrando eutilizando os conhecimentos que adquiriram nas outras propostas. Este trabalho tem como objetivo o estímulo a criatividade, a síntese da poesia atravésde imagens e o incentivo a leitura.
  37. 37. 36 Fig. 25, Bolhas, Gabriel Tavares Sorati Dias, 2011 Fig. 26. Ou isto ou aquilo, Emanoelle Cristina dos Santos Silva, 2011 Em todas as propostas devem haver dicas de uma boa fotografia, socialização dasproduções com os colegas e a escolha das fotos para posterior revelação, utilizando para issoum notebook, e finalizando-as com uma roda de conversa para expor o que imaginaram esentiram ao realizá-las. A exemplos de outras propostas há A escola que eu vejo, da educadora Ana PaulaJanoni Aleixo Silva (2009), cuja proposta envolve promover autonomia e identidade atravésdas próprias produções inseridas no coletivo; estabelecer relações entre o meio ambiente e asformas de vida que ali se estabelecem; valorizar as atitudes de manutenção e preservação dosespaços coletivos e do meio ambiente e a utilização das mídias, como a máquina fotográfica,como aliadas no processo educacional. Esta proposta é realizada através de roda de conversa, exibição de várias fotografias delugares, perguntas às crianças sobre o que é aquele material (imagem fotográfica) eapresentação do projeto, explicando que cada criança produzirá, no mínimo, duas fotografiasdo ambiente escolar, de lugares que gostam ou não gostam, utilizando elas próprias a câmerafotográfica digital, demonstrando com isso a importância de se observar o ambiente no qualvivemos e produzirmos material para tal. As propostas para atividades de arte/educação com a fotografia comoferramenta artística dão liberdade para que o arte/educador seja criativo e adapte temas epreferências dos alunos ao espaço, percebendo o que o ambiente oferece. O arte/educadorpode também preparar materiais, cenários, ensinar história da arte com a produção fotográfica
  38. 38. 37e fazê-lo perceber a variedade de objetos e formas de fazer arte, preparando aulas que estejamde acordo com a faixa etária de seus alunos. 3.3. Resultados da aplicação da pesquisa em sala de aula A pesquisa foi aplicada no Projeto Período Integral Cavalgando para o Futuro, umprojeto de contraturno escolar, com crianças que frequentam o terceiro ano do EnsinoFundamental, com faixa etária entre oito e dez anos. Foram aplicadas as oito primeiraspropostas apresentadas no subtítulo anterior deste capítulo. Através da realização desta pesquisa foi possível perceber a necessidade de introduzirna arte/educação novas ferramentas de produção artística, que supram o desejo dos alunos emconhecer e trabalhar com tecnologias presentes no seu cotidiano, para facilitar e promover oseu desenvolvimento intelectual e perceptivo em relação ao mundo. A aplicação da pesquisa em sala de aula proporcionou, também, o conhecimento doquanto é importante o contato com diferentes materiais e limitações para estimular e expandiro contato com o mundo e as descobertas, de possibilitar escolhas e descobrir habilidades. A pesquisa de campo fortaleceu a teoria, apresentou dados e situações complementaresao trabalho desenvolvido que reforçaram a ideia de que a produção fotográfica é umaferramenta possível de ser trabalhada em sala de aula desde os primeiros anos do ensinofundamental, que desperta o interesse dos alunos, pode trazer problemáticas, promover acriatividade, a imaginação e a percepção do mundo. Os resultados demonstraram também que a imaginação cognitiva pode ser estimuladaatravés da produção fotográfica. Em algumas produções, alguns alunos, pensaram numacomposição ou objeto a ser fotografado, mas ao tentar conseguir a imagem que tinhamplanejado, percebiam-se diante de alguns obstáculos como o de não encontrar o queimaginaram, fazendo-os buscar outra ideia ou solução, fomentando uma linha de pensamento. Nessa experiência alguns pontos merecem destaques. De início percebeu-se quealguns alunos nunca tinham manuseado uma máquina fotográfica e mesmo depois daexplicação de como fotografar, alguns ainda perguntavam onde olhar ou onde “apertar”. Taisalunos demonstraram-se um pouco inseguros, mas muito entusiasmados em poderfotografarem. Outros fatores interessantes observados foram a dedicação, o tempo utilizado e aconcentração de alguns alunos, que são agitados em sala, ao buscarem a imagem que
  39. 39. 38desejavam. Observou-se tal fator ao repará-los esperando o vento parar, procurando o tinhamimaginado, esperando uma formiga, borboleta ou pássaro ficarem parados e os deixarfotografar. O envolvimento de um aluno, com déficit de atenção, que ficava andando, observandoe selecionando o que queria e atendia a proposta por vários minutos, também foi um fatorpositivo. Na proposta Como um pássaro, ao trabalhar a produção fotográfica a partir dainterpretação de um poema foi possível perceber a interpretação imaginativa do mundo pelosalunos. Um deles não se ateve as descrições do poema, livrando-se do que já estava descritopara buscar novas ideias, mas que para isso precisou buscar soluções alternativas para suaprimeira proposta, pois percebeu que seria inviável realizá-la naquele espaço. O alunoimaginou-se um pássaro com interesse na procura pela sua comida, uma minhoca, porémpercebeu que seria difícil encontrar uma para fotografá-la e que seria necessário mudar ouadaptar sua ideia, obtendo como solução fotografar uma formiga. A proposta com registros de sentimentos aparentemente foi a mais complexa. Algunsalunos, assim que leram o que iriam registrar, disseram, de imediato, já saber o que fazer e seprontificaram a serem os primeiros, outros tiveram mais dificuldade, querendo dicas daprofessora e dos colegas. Em alguns casos os alunos/modelos disseram qual pose queriamfazer, porém foi sempre reforçado que o fotógrafo era quem decidia, podendo acatar ou não asugestão. Após a produção fotográfica, ao discutir sobre a indução e manipulação das imagensfotográficas, os alunos demonstraram grande entendimento sobre a questão de passar umamensagem, forjar uma imagem e fazer com que o receptor acredite na veracidade da mesma. A proposta Do armário de brinquedos foi uma das que envolveu menos explicações,mas nem por isso menos envolvimento e entusiasmo. Colocado o título na lousa e explicado oque era para fazer, eles logo quiseram montar suas composições. Foi possível reparar que elesescolhiam os brinquedos e jogos que mais gostavam e se preocupavam, na maioria das vezes,em dispô-los harmonicamente. Quanto ao tema Primavera, não foi preciso muitas explicações. Pelo tema serapresentado após uma aula explicativa sobre as estações do ano, a primavera em especial, esugerido que substituíssem o desenho por uma fotografia, eles não ficaram inseguros e nemtiveram dúvidas. A maioria das fotos foi feita em um jardim que estava recebendo novasflores, possibilitando a evidência de que um mesmo tema e até mesmo um objeto em comumpodem ser vistos de maneiras diferentes.
  40. 40. 39 Em Poesia em fotografia, os alunos relembraram a proposta Sentimentos retratados,quanto a necessidade de escolher e orientar os colegas para que transmitissem a mensagemque elaboraram e antes de escolherem um poema, a maioria dos alunos, observou primeiro osacessórios disponíveis, analisando as possibilidades que teriam para depois escolherem apoesia. Alguns alunos convidados a posarem para seus colegas se recusaram, mas ao veroutros colegas sendo fotografados, pediram para que alguém os convidasse, demonstrandoque atividades desse tipo além da imaginação também auxiliam na desinibição. Apenas umapoesia, As meninas, não teve nenhum registro fotográfico. Observando o desenvolvimento dos alunos em cada aula, o interesse deles, suaspreocupações em conseguir alcançar o objetivo proposto, a satisfação ao ver e compartilharsuas produções com os colegas, nota-se que atividades com produção fotográfica oferecemnovas perspectivas e novos desafios para os alunos na busca pelo desenvolvimento criativo eexpressivo e na realização artística. No final da aplicação da pesquisa, com as oito propostas, foi realizada uma exposiçãocom as produções dos alunos para os pais e responsáveis por eles, alunos de outras turmas doProjeto Cavalgando para o Futuro, comunidade que o frequenta e para os funcionários eprofessores em geral. A receptividade e o interesse dos visitantes da exposição foi um fator positivo, assimcomo o entusiasmo dos alunos ao mostrarem seus trabalhos, sem medo de críticas; o quedemonstrou que estavam realmente satisfeito com o que tinham feito. A direção da unidade, assim como a coordenação também demonstraramcontentamento com os resultados obtidos, partindo delas a proposta de estender o prazo daexposição para que os alunos de outras escolas e projetos pudessem visitá-la e de convidar aTV local (TVB) para exibição da exposição. Houve o comparecimento da equipe dereportagem da TVB, que realizou entrevista com a educadora e com os alunos, exibindo-a emtelejornal da emissora. Num questionário aplicado aos alunos ficou constatada a unanimidade da aceitaçãodas atividades propostas, pelos principais motivos de manusearem uma máquina fotográfica esaírem da sala de aula. Todos os alunos gostariam de realizar outros trabalhos como este. Ostemas preferidos por eles foram: O Belo e Primavera. A análise dos resultados da aplicação da pesquisa em sala de aula reforça, portanto, autilidade da produção fotográfica no ensino da arte-educação, levanta novos questionamentose ideias de novas propostas para trabalhos futuros que dêem continuidade a este e conclui que
  41. 41. 40atividades que trabalham com o interesse do aluno facilitam o envolvimento deles,favorecendo a aplicação de temas e propostas ensinadas e planejadas pelo arte/educadordentro do planejamento curricular.
  42. 42. 41 CONCLUSÃO Este estudo demonstrou que os aparelhos fotográficos podem ser oferecidos comoferramenta na arte/educação com o intuito de fomentar a criatividade, a imaginação, asensibilidade e a expressividade do aluno. Foi possível notar que o desenvolvimento criativo, imaginativo e expressivo doindivíduo envolve vários fatores, entre eles, o contato com vários materiais, técnicas eobjetivos. A produção fotográfica, planejada e orientada pelo arte/educador, contempla estesfatores, pois apresenta ao aluno o contato com novos materiais – os aparelhos fotográficos –,novas técnicas – a produção fotográfica como expressão artística – e os objetivos, que seapresentam de acordo com a necessidade do contexto do aluno e intenção do arte/educador. Através do estudo de vários autores percebeu-se o quanto a criatividade, a imaginaçãoe a expressividade são importantes não apenas como requisito para a formação de artistas,mas para todas as áreas humanas. Com a pesquisa de campo, vivenciou-se a aplicação da produção fotográfica naarte/educação, a receptividade dos alunos à proposta de atividade, as exigências criativas, oplanejamento tanto do arte/educador quanto dos alunos, o questionamento e conhecimento doaluno sobre o próprio eu – suas ideias –, reflexão sobre como expressar-se através de umaimagem e o contentamento deles com a sua realização. Dessa forma, observou-se que é possível desenvolver a criatividade e a expressividadedo aluno através da fotografia, uma linguagem contemporânea que utiliza um recursoacessível e que desperta o interesse deles. A máquina fotográfica, portanto, demonstra-se uma ferramenta útil ao ambienteescolar, não apenas como aparelho para registrar eventos importantes para a sala de aula oupara a escola, mas para servir como material didático, assim como o computador já serve. Ao trabalhar com a produção fotográfica o arte/educador tem a possibilidade detransportar as novidades do mundo exterior à escola para dentro dela, de dar oportunidade aosalunos de adquirir novos conhecimentos, de refletir sobre suas opiniões, ideias e maneiras dese expressar, de oferecer contato com materiais e aparelhos que não o fariam se não fosse aescola (apesar dos aparelhos fotográficos estarem cada vez mais acessíveis, nem todos osalunos têm acesso a eles) e, portanto, ofertar ao aluno a possibilidade de desenvolvimento eenriquecimento cognitivo, cultural, tecnológico e artístico.
  43. 43. 42 Esta pesquisa desperta, também, novas perspectivas e possibilidades de trabalhos comprodução fotográfica, diferentes e/ou complementares aos apresentados neste estudo. As propostas apresentadas neste estudo referem-se a fotografia “bruta”, porém afotografia permite intervenções nas imagens capturadas pelo aparelho fotográfico paracorreções e/ou modificações. Após as produções fotográficas o arte/educador pode, também, utilizar de meiosgráficos, através de softwares específicos ou de recursos do Windows para tratar imperfeições,melhorar enquadramento, tratar luminosidade, contraste, saturação ou equilíbrio da cor. Estasatividades pós-produção podem estimular a análise, a autocrítica e a imaginação do aluno,além de oferecer outros conhecimentos tecnológicos, relacionados, agora, ao computador. Outras atividades e fontes de estudo que envolve a fotografia podem ser o uso desoftwares específicos, como por exemplo o Gimp, um software livre que traz váriaspossibilidades de intervenções estimulando e provocando a criatividade de quem o opera, paraa manipulação de imagens, montagens fotográficas e outras interferências que possibilitam ainter-relação da arte/educação e a produção artística com a tecnologia.
  44. 44. 43 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICASBARBOSA, A. M. (org.) Arte/Educação contemporânea: consonâncias internacionais. 2ed. São Paulo: Cortez Editora, 2008BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: arte.Brasília: MEC/SEF, 1998. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/arte.pdf.Acessado em Agosto 2011COTTON, C. A fotografia como arte contemporânea. Trad. Maria Silvia Mourão Neto. SãoPaulo: Editora WMF Martins Fontes, 2010 (Coleção arte&fotografia)DUBOIS, P. O ato fotográfico. Trad. Marina Appenzeller. 14 ed. Campinas, SP: Papirus,2011 (Série Ofício de Arte e Forma)EFLAND, A. D. Imaginação na cognição: o propósito da arte. In: BARBOSA, A. M.Arte/Educação contemporânea: consonâncias internacionais. 2 ed. São Paulo: CortezEditora, 2008FLUSSER, V. Filosofia da caixa preta: ensaios para uma futura filosofia da fotografia. SãoPaulo: Ed. Hucitec, 1985. Disponível em:http://www.iphi.org.br/sites/filosofia_brasil/Vil%C3%A9m_Flusser_-_Filosofia_da_Caixa_Preta.pdf. Acessado em Maio 2011KOSSOY, B. Realidade e ficções na trama fotográfica. 3 ed. Cotia-SP: Ateliê Editorial,2002MARTINS, R. A cultura visual e a construção social da arte, da imagem e das práticas dover. In: OLIVEIRA, M. O. (org.) Arte, Educação e Cultura. Santa Maria/RS: Ed. da UFSM,2007MOZZER, G. N. S. e BORGES, F. T. A criatividade infantil na perspectiva de LevVigotski. In: Inter Ação, Revista da Faculdade de Educação da UFG, v.33, n. 2, 2008Disponível em http://www.revistas.ufg.br/index.php/interacao/article/view/5269/4314.Acessado em 10 Outubro 2011OSTROWER, F. Criatividade e processos de criação. 23 ed. Petrópoles-RJ: Vozes, 2008PIMENTEL, L. G. Formação de professor@s: ensino de arte e tecnologias contemporâneas.In: OLIVEIRA, M. O. (org.) Arte, Educação e Cultura. Santa Maria/RS: Ed. Da UFSM,2007SANTOS, N. C. Arte, tecnologia e contemporaneidade: no caminho da apoptose. In:OLIVEIRA, M. O. (org.) Arte, Educação e Cultura. Santa Maria/RS: Ed. Da UFSM, 2007SILVA, A. P. J. A. A escola que eu vejo: trabalhando com fotografia na educação infantil.Batatais, SP, 2009. Disponível emhttp://sites.google.com/site/projetosereflexoes/home/projetos-pedaggicos/a-escola-que-eu-vejo-2. Acessado em 10 Outubro 2011
  45. 45. 44SOUCY, D. Não existe expressão sem conteúdo. In: BARBOSA, A. M. Arte/Educaçãocontemporânea: consonâncias internacionais. 2 ed. São Paulo: Cortez Editora, 2008TAVARES, A. L. M. A fotografia artística e o seu lugar na arte contemporânea. Sapiens:história, patrimônio e arqueologia. Nº 1 (julho 09). 2009, p. 118-129. Disponível emhttp://www.revistasapiens.org/Biblioteca/numero1/A_fotografia_artistica.pdf Acessado em06 Abril 2011
  46. 46. 45 ANEXOS ANEXO ATema: O BELOAlberto da Silva Neto (8 anos), 2011 Fernando Higuti Rodrigues (8 anos), 2011Carlos Augusto Barra da costa (8 anos), 2011 Jaqueline Lemes Nascimento (9 anos), 2011 Gabriel Tavares Sorati Dias (8 anos), 2011
  47. 47. 46 ANEXO BTema: O FEIOHenrique Murakami Silva (8 anos), 2011 Rafaella Beatriz de Souza (8 anos), 2011Hugo Augusto Gonçalves (8 anos), 2011 Antonio Cantidio Neto (8 anos), 2011 Fábio Spósito da Costa (8 anos), 2011
  48. 48. 47 ANEXO CTema: SIMPLICIDADELaura Fernanda Barbosa Nunes (8 anos), 2011 Luis Fernando Ap. Moreira Garcia (9 anos), 2011Pedro de Oliveira Campos Filho (7 anos), 2011 Luzia Filatieri (8 anos), 2011 Ana Julia Paiva de Oliveira (8 anos), 2011
  49. 49. 48 ANEXO DTema: COMO UM PÁSSARO Como um pássaro Quando olho para o céu vejo um pássaro a voar e com minha imaginação me coloco em seu lugar. Que será que ele vê lá na imensidão do céu? Será que ele vê a nuvem como um algodão-doce de mel? Será que vê crianças brincando ou pulando corda? Será que vê idosos contando sua vida em prosa? Será que vê as flores com todo seu colorido? Será que vê animais procurando na sombra abrigo? Será que vê pessoas tristes com lágrimas no olhar ou será que vê pessoas felizes alegres a caminhar? Eu queria ser um pássaro para livre poder voar e no azul do céu meus sonhos realizar. PAULA, Kelle de. Como um pássaro, 2011
  50. 50. 49Geovanna Santos da Silva (9anos), 2011 Antonio Carlos Cantidio Neto (8 anos), 2011Thayna Harumi Silva da Graça (8 anos), 2011 Henrique Murakami Silva (8 anos), 2011 Thauanny Alves Silveira (9 anos), 2011
  51. 51. 50 ANEXO ETema: SENTIMENTOS RETRATADOSHyogo Rodrigues Ferreira (8 anos), 2011 Jaqueline Lemes Nascimento (8 anos), 2011Tema: Solidão Tema: PerdãoThauanny Alves Silveira (9 anos), 2011 Lucas Vinícius de Lima (9 anos), 2011Tema: Saudade Tema: AmorGeovanna Santos da Silva (9 anos), 2011 João Emídio da Silva Neto (8 anos), 2011Tema: Raiva Tema: Amizade
  52. 52. 51 ANEXO FTema: DO ARMÁRIO DE BRINQUEDOS...Thauanny Alves Silveira (10 anos), 2011 Laura Cristina de Faria Ribeiro (8 anos), 2011Beatriz Neves Pereira da Silva (9 anos), 2011 Hugo Augusto Gonçalves (8 anos), 2011 Gabriel Tavares Sorati Dias (9 anos), 2011
  53. 53. 52 ANEXO GTema: PRIMAVERAGeovanna Santos da Silva (9 anos), 2011 Caio Henrique de Souza (8 anos), 2011Antonio Cantidio Neto (8 anos), 2011 Pedro de Oliveira Campos Filho (8 anos), 2011 João Vitor Narciso da Silva (9 anos), 2011
  54. 54. 53 ANEXO HTema: POESIA EM FOTOGRAFIA COLAR DE CAROLINA Cecília Meireles Com seu colar de coral, Carolina corre por entre as colunas da colina. O colar de Carolina colore o colo de cal, torna corada a menina. E o sol, vendo aquela cor Do colar de Carolina, põe coroas de coral nas colunas da colina.Caio Henrique de Souza (8 anos), 2011 Maria Eduarda da Silva Fidelis (8 anos), 2011
  55. 55. 54 A BAILARINA Cecília Meireles Esta menina tão pequenina quer ser bailarina. Não conhece nem dó nem ré mas sabe ficar na ponta do pé. Não conhece nem mi nem fá mas inclina o corpo para cá e para lá. Não conhece em lá nem si, mas fecha os olhos e sorri. Roda, roda, roda com bracinhos no ar e ao fica tonta nem sai do lugar. Põe no cabelo uma estrela e um véu e diz que caiu do céu. Esta menina tão pequenina quer ser bailarina. Mas depois esquece todas as danças, e também quer dormir como as outras crianças.Hugo Augusto Gonçalves (8 anos), 2011 Jaqueline Lemes Nascimento (9 anos), 2011
  56. 56. 55 BOLHAS Cecília Meireles Olha a bolha d’ água no galho! Olha o orvalho! Olha a bolha de vinho na rolha! Olha a bolha! Olha a bolha na mão que trabalha! Olha a bolha de sabão na ponta da palha: brilha, espelha e se espalha. Olha a bolha! Olha a bolha que molha a mão do menino: A bolha da chuva da calha.Caio Gabriel Martins Lima (10 anos), 2011 Hyogo Rodrigues Ferreira (9 anos), 2011
  57. 57. 56 OU ISTO OU AQUILO Cecília Meireles Ou se tem chuva e não se tem sol, ou se tem sol e não se tem chuva! Ou se calça a luva e não se põe o anel, ou se põe o anel e não se calça a luva! Quem sobe nos ares não fica no chão, quem fica no chão não sobe nos ares. É uma grande pena que não se possa estar ao mesmo tempo nos dois lugares! Ou guardo dinheiro e não compro doce, ou compro o doce e gasto o dinheiro. Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo... e vivo escolhendo o dia inteiro! Não sei se brinco, não sei se estudo, se saio correndo ou fico tranquilo. Mas não consegui entender ainda qual é melhor: se é isto ou aquilo.Álvaro de Lima Neto (8 anos), 2011 Antonio Carlos Cantidio Neto (9 anos), 2011
  58. 58. 57 AS MENINAS Cecília MeirelesArabelaabria a janela.Carolinaerguia a cortina.E Mariaolhava e sorria:“Bom dia!”Arabelafoi sempre a mais bela.Carolina,a mais sabia menina.E Mariaapenas sorria:“bom dia!”Pensaremos em cada meninaque vivia na aquela janela;uma que se chamava Arabela,outra que se chamou Carolina.Mas a nossa profunda saudadeé Maria, Maria, Maria,que com dizia com voz de amizade:“Bom dia!”
  59. 59. 58 ANEXO IEXPOSIÇÃO – FOTOGRAFIA TAMBÉM É ARTE
  60. 60. 59 ANEXO JRESULTADOS DE PESQUISA REALIZADA COM OS ALUNOS Você gotou dos trabalhos com fotografia? 20 15 Sim Não 10 5 0 1 Tema Preferido7 Belo6 Feio5 Sentimentos Retratados4 Como um pássaro Do armário de brinquedos3 Primavera2 Poesia em Fotografia1 Simplicidade Todos0 1 Gostaria de fazer outros trabalhos como este? 18 16 14 12 10 Série1 8 6 4 2 0 Sim Não

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