MEDICALIZANDO A
APRENDIZAGEM: AS PATOLOGIAS
DA INFANCIA
Professora:Zélia Medeiros Silveira
2021
Problematizações iniciais
■ Como se constitui a criança?
■ Que necessidades das crianças precisam ser atendidas pelos adultos hoje?
■ Todas as infâncias são iguais? Existe umacriança universal?
O que representa ser normal?
Os modos de vida moderna nos fazem adoecer, sobretudo a
sobrecarga de trabalho e a necessidade de corresponder as
expectativas dos outros.
A sociedade estabelece o que se espera de nós, estabelecendo
o que é ou não normal.
Como nos relacionamos quando os comportamentos
nossos e dos outros não são os esperados?
 Os sofrimentos individuais são estabelecidos a partir das
condições de vida, da maneira como acolhemos ou
afastamos as pessoas.
 A depressão, a desatenção, o pânico podem ser
manifestações da violência em que estamos vivendo
nossos corpos e nossa subjetividade.
 Buscamos ocultar e silenciar nossos sofrimentos e nossos
conflitos.
Quem estabelece o que é normal?
Modos de levar a vida.
Modos de aprender. (infinitas possibilidades)
Modos de se subjetivar
Nos constituímos na alteridade e na diferença.
As diferenças que caracterizam a nossa humanidade são
consideradas transtornos.
Desigualdade são transformadas em doenças em problemas
biológicos e individuais.
Biologização da vida.
Nesse cenário está aberto o terreno para medicalização.
A patologização naturaliza a vida.
As crianças são o principal alvo da medicalização pelas doenças do
não aprender e do não se comportar.
Para tudo tem remédio?
■ Entre os relevantes debates na atualidade a respeito da educação e da
infância, a medicalização encontra-se no rol de temas preocupantes.
O remédio ensina?
■ Uma das principais intervenções diante do diagnóstico das
dificuldades de aprendizagem é o uso do medicamento
metilfenidato, também conhecido pelos nomes de Ritalina e
Concerta.
■ Dados registrados pela ANVISA, sobre a prescrição e o consumo
deste medicamento no Brasil: aumento de 700% na prescrição de
Ritalina para crianças entre 2003 e 2012.
■ O estudo demonstra que há, em todos os anos pesquisados, picos
de utilização do remédio no segundo semestre, e diminuição nos
meses correspondentes ao período de férias escolares.
A vida deve ser medicalizada?
■ Os ditos comportamentos desviantes tornam-se frequentemente alvo
de diagnósticos, discursos e práticas biomédicas que culminam, muitas
vezes, com a recomendação de terapêuticas farmacológicas. A
patologização acrítica aciona, portanto, o funcionamento de
engrenagens como a medicalização da vida, o uso banalizado de drogas
psicotrópicas e seus consequentes riscos para o desenvolvimento
infantil (CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA, 2012; MOYSES &
COLLARES, 2010).
■ Qual o papel da psicologia?
■ E dos testes psicológicos?
TDAH: carro chefe dos diagnósticos e da
prescrição de Ritalina, antidepressivo e
ansiolítico.
TDAHouSilenciamento dascrianças?
O poder dos diagnósticos na
medicalização
O poder dos diagnósticos na medicalização
Autismo: (1943) é um quadro raríssimo, 0,04 % por cento.
Hoje estima-se que, 1 em cada 80 crianças tem TEA
Transtorno bipolar na infância. Aumentou 40 vezes mais o
aumento o diagnóstico nos últimos 10 anos.
TOD: aumento considerável a cada ano.
A criança não pode ser reduzida ao seu diagnóstico.
Alguns critérios considerados pelos
psicólogos e médicos no diagnóstico de
TDAH
1. Não consegue prestar muita atenção a detalhes ou comete erros por
descuido nos trabalhos da escola ou tarefas.
2. Tem dificuldade de manter a atenção em tarefas ou atividades de
lazer.
3. Parece não estar ouvindo quando se fala diretamente com ele.
4. Não segue instruções até o fim e não termina deveres de escola,
tarefas ou obrigações.
5. Tem dificuldade para organizar tarefas e atividades.
6. Evita, não gosta ou se envolve contra a vontade em tarefas.
E você? O que pensa disso?
E......
■ Como abrir questões de partida que permitam pensar
a infância e suas patologias, de modo que, entre
neurobiologia e diagnósticos, possamos encontrar a
criança?
E a Psicologia?
■ O Conselho Federal de Psicologia (CFP) lançou, em 2012, a
cartilha “Subsídio à campanha não à medicalização da vida”
em que afirma:
■ Uma vez classificadas como “doentes”, as pessoas
tornam-se “pacientes” e consequentemente
“consumidoras” de exames, tratamentos, terapias e
medicamentos, que transformam seu corpo e sua
subjetividade em problemas, alvos da lógica medicalizante,
que deverão ser sanados individualmente (CFP
,2012,p.17).
E se o diagnóstico estiver equivocado?
Quemarcaobjetivaesubjetivaamedicalização deixaránesse
sujeitoemconstituição?
Referências
■ Rocha, E.H.Crenças de uma professora e seus alunos sobre o processo de
ensino-aprendizagem. Dissertação de Mestrado Não-Publicada, Programa
de Pós-Graduação em Psicologia Escolar,Pontifícia Universidade Católica de
Campinas,Campinas: 2004
■ Ciasca, S.M. Distúrbios e dificuldades de aprendizagem em crianças:
análise do diagnóstico interdisciplinar. Tese de Doutorado Não-Publicada,
Programa de Pós-Graduação em Neurociências, Universidade Estadual de
Campinas,Campinas: 1994

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  • 1.
    MEDICALIZANDO A APRENDIZAGEM: ASPATOLOGIAS DA INFANCIA Professora:Zélia Medeiros Silveira 2021
  • 2.
    Problematizações iniciais ■ Comose constitui a criança? ■ Que necessidades das crianças precisam ser atendidas pelos adultos hoje? ■ Todas as infâncias são iguais? Existe umacriança universal?
  • 5.
    O que representaser normal? Os modos de vida moderna nos fazem adoecer, sobretudo a sobrecarga de trabalho e a necessidade de corresponder as expectativas dos outros. A sociedade estabelece o que se espera de nós, estabelecendo o que é ou não normal.
  • 6.
    Como nos relacionamosquando os comportamentos nossos e dos outros não são os esperados?  Os sofrimentos individuais são estabelecidos a partir das condições de vida, da maneira como acolhemos ou afastamos as pessoas.  A depressão, a desatenção, o pânico podem ser manifestações da violência em que estamos vivendo nossos corpos e nossa subjetividade.  Buscamos ocultar e silenciar nossos sofrimentos e nossos conflitos.
  • 7.
    Quem estabelece oque é normal? Modos de levar a vida. Modos de aprender. (infinitas possibilidades) Modos de se subjetivar Nos constituímos na alteridade e na diferença.
  • 8.
    As diferenças quecaracterizam a nossa humanidade são consideradas transtornos. Desigualdade são transformadas em doenças em problemas biológicos e individuais. Biologização da vida. Nesse cenário está aberto o terreno para medicalização. A patologização naturaliza a vida. As crianças são o principal alvo da medicalização pelas doenças do não aprender e do não se comportar.
  • 9.
    Para tudo temremédio? ■ Entre os relevantes debates na atualidade a respeito da educação e da infância, a medicalização encontra-se no rol de temas preocupantes.
  • 10.
    O remédio ensina? ■Uma das principais intervenções diante do diagnóstico das dificuldades de aprendizagem é o uso do medicamento metilfenidato, também conhecido pelos nomes de Ritalina e Concerta. ■ Dados registrados pela ANVISA, sobre a prescrição e o consumo deste medicamento no Brasil: aumento de 700% na prescrição de Ritalina para crianças entre 2003 e 2012. ■ O estudo demonstra que há, em todos os anos pesquisados, picos de utilização do remédio no segundo semestre, e diminuição nos meses correspondentes ao período de férias escolares.
  • 12.
    A vida deveser medicalizada? ■ Os ditos comportamentos desviantes tornam-se frequentemente alvo de diagnósticos, discursos e práticas biomédicas que culminam, muitas vezes, com a recomendação de terapêuticas farmacológicas. A patologização acrítica aciona, portanto, o funcionamento de engrenagens como a medicalização da vida, o uso banalizado de drogas psicotrópicas e seus consequentes riscos para o desenvolvimento infantil (CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA, 2012; MOYSES & COLLARES, 2010). ■ Qual o papel da psicologia? ■ E dos testes psicológicos?
  • 13.
    TDAH: carro chefedos diagnósticos e da prescrição de Ritalina, antidepressivo e ansiolítico. TDAHouSilenciamento dascrianças? O poder dos diagnósticos na medicalização
  • 14.
    O poder dosdiagnósticos na medicalização Autismo: (1943) é um quadro raríssimo, 0,04 % por cento. Hoje estima-se que, 1 em cada 80 crianças tem TEA Transtorno bipolar na infância. Aumentou 40 vezes mais o aumento o diagnóstico nos últimos 10 anos. TOD: aumento considerável a cada ano. A criança não pode ser reduzida ao seu diagnóstico.
  • 15.
    Alguns critérios consideradospelos psicólogos e médicos no diagnóstico de TDAH 1. Não consegue prestar muita atenção a detalhes ou comete erros por descuido nos trabalhos da escola ou tarefas. 2. Tem dificuldade de manter a atenção em tarefas ou atividades de lazer. 3. Parece não estar ouvindo quando se fala diretamente com ele. 4. Não segue instruções até o fim e não termina deveres de escola, tarefas ou obrigações. 5. Tem dificuldade para organizar tarefas e atividades. 6. Evita, não gosta ou se envolve contra a vontade em tarefas.
  • 16.
    E você? Oque pensa disso?
  • 17.
    E...... ■ Como abrirquestões de partida que permitam pensar a infância e suas patologias, de modo que, entre neurobiologia e diagnósticos, possamos encontrar a criança?
  • 18.
    E a Psicologia? ■O Conselho Federal de Psicologia (CFP) lançou, em 2012, a cartilha “Subsídio à campanha não à medicalização da vida” em que afirma: ■ Uma vez classificadas como “doentes”, as pessoas tornam-se “pacientes” e consequentemente “consumidoras” de exames, tratamentos, terapias e medicamentos, que transformam seu corpo e sua subjetividade em problemas, alvos da lógica medicalizante, que deverão ser sanados individualmente (CFP ,2012,p.17).
  • 19.
    E se odiagnóstico estiver equivocado? Quemarcaobjetivaesubjetivaamedicalização deixaránesse sujeitoemconstituição?
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    Referências ■ Rocha, E.H.Crençasde uma professora e seus alunos sobre o processo de ensino-aprendizagem. Dissertação de Mestrado Não-Publicada, Programa de Pós-Graduação em Psicologia Escolar,Pontifícia Universidade Católica de Campinas,Campinas: 2004 ■ Ciasca, S.M. Distúrbios e dificuldades de aprendizagem em crianças: análise do diagnóstico interdisciplinar. Tese de Doutorado Não-Publicada, Programa de Pós-Graduação em Neurociências, Universidade Estadual de Campinas,Campinas: 1994