SEXUALIDADE NO ÂMBITO ESCOLAR
Aline Caroline Magno Nôvo Almeida
Carlos Augusto de Souza Queiroz Jr
Christie Lobato Marques
Hyron Sergio de Souza Bezerra
Raíssa Lorena Silva da Costa
Tássia Silva Petry
Ymole Monteiro de Souza
RESUMO: A temática da sexualidade na escola alega a necessidade dos adolescentes
adquirirem conhecimentos sobre o assunto, a fim de tornar mínimos os riscos de saúde e
diminuir o grau de vulnerabilidade a que as mesmas estão expostas. Contudo, do ponto
de vista da Pedagogia, é preciso refletir sobre a postura do educador frente à relação
aluno-sexualidade. Em questionários aplicados a 41 pais e 49 alunos de ensino médio,
os resultados apontam que os pais associam sexualidade a sexo, não se sentem à
vontade para falar sobre sexualidade com seus filhos e acreditam que sexo antes do
casamento é irresponsabilidade, pecado e desvaloriza os jovens. Avaliando os resultados
percebemos que as concepções dos pais consultados se relacionam, principalmente, com
a ideia de uma sexualidade ligada à essencialidade do corpo, desprovida de fatores
psicológicos e culturais; e que a conversa com seus filhos sobre sexualidade ainda é um
tabu.
Palavras-chave: sexualidade, escola, pais, adolescência.
INTRODUÇÃO
A Sexualidade é um termo amplamente abrangente que engloba inúmeros
fatores e dificilmente se encaixa em uma definição única e absoluta. O termo
“sexualidade” nos remete a um universo onde tudo é relativo, pessoal e muitas vezes
paradoxal. Pode-se dizer que é traço mais íntimo do ser humano e como tal, se
manifesta diferentemente em cada indivíduo de acordo com a realidade e as
experiências vivenciadas pelo mesmo.
Muitas pessoas acham que ao discorrer sobre sexualidade fala-se de sexo, porém
é importante entender que sexo se refere à definição dos órgãos genitais (masculino ou
feminino), e também pode ser compreendido como uma relação sexual, enquanto que o
conceito de sexualidade está ligado a tudo aquilo que somos capazes de sentir e
expressar. De acordo com o conceito da Organização Mundial Da Saúde:
"A sexualidade faz parte da personalidade de cada um, é uma
necessidade básica e um aspecto do ser humano que não pode ser separado de
outros aspectos da vida. Sexualidade não é sinônimo de coito (relação sexual)
e não se limita à ocorrência ou não de orgasmo. Sexualidade é muito mais
que isso, é a energia que motiva a encontrar o amor, contato e intimidade e se
expressa na forma de sentir, nos movimentos das pessoas, e como estas
tocam e são tocadas. A sexualidade influência pensamentos, sentimentos,
ações e interações e, portanto a saúde física e mental. Se saúde é um direito
humano fundamental, a saúde sexual também deveria ser considerada um
direito humano básico." (WHO TECHNICAL REPORTS SERIES, 1975.
A sexualidade está presente desde o nascimento até a morte, onde a sexualidade
humana pode se transformar ao longo dos anos, dependendo das experiências que as
pessoas se admitem vivenciarem. Sendo assim, é possível entender a sexualidade como
uma característica dinâmica e imutável, ou seja, assim como os cabelos mudam de cor e
de textura ao longo dos anos, a sexualidade também muda conforme o tempo passa. A
maneira como nos sentimos atraídos pelas outras pessoas também pode mudar em
intensidade, em orientação e identidade, ao longo da vida e de acordo com as vivências
que os indivíduos se permitem.
SEXUALIDADE NO MEIO ESCOLAR
A sexualidade está relacionada à vida, sensações, sentimentos e emoções
relacionados ao prazer. Como envolve diversas dimensões humanas, é um tema muitas
vezes difícil de ser tratado e, por isso, permeado de dúvidas, preconceitos, estereótipos e
tabus.
No contexto escolar ainda existe muito silenciamento por assuntos que dizem
respeito à sexualidade como mostra o gráfico 1, esse ato aparentemente bloqueado,
trazido por um histórico social, também impede muitos educadores de levarem a
discussão de sexualidade até a sala de aula. No entanto, existem outras realidades, como
o medo da orientação sexual escolar, que precisa ser superado para que haja visão mais
compreensiva dos alunos sobre o assunto.
xi fi fri % Fi Fri %
sim 75 83 75 83
não 15 17 90 100
Σ 90 100
Tabela de frequência do gráfico 1
83%
17%
Sexualidade deve ser discutida?
sim
não
A orientação sexual também é vista como um problema escolar, pela maneira
como esse tema é trabalhado na escola. Fatores como os livros didáticos, onde muitos
deles não trazem uma discussão sobre orientação sexual; a dificuldade de expressar
concepções de sexualidade como: educação sexual, orientação sexual na escola; a
inserção do tema como especificidade somente das ciências biológicas, são deficiências
dessa educação para os professores e consequentemente na vida de jovens e
adolescentes. O gráfico 2 mostra como os pais acham que o tema sexualidade dever ser
discutido na escola.
Gráfico 2: Como deve ser discutida a sexualidade na Escola?
Como deve ser discutida a sexualidade na Escola?
3%
7%
7%
14%
16%
21%
32%
Como deve ser discutida a sexualidade na Escola?
Não deve discutir
Através de filmes e/ou
videos
Em feira de ciências e
exposição
Através de trabalhos de
pesquisas
Respondendo as dúvidas
dos alunos
Em aula
Através de palestras
Gráfico 1: Sexualidade deve ser discutida?
xi fi fri % Fi Fri %
Não deve discutir 3 3 3 3
Através de filmes e/ou vídeos 6 7 9 10
Em feira de ciências e exposição 6 7 15 11,1
Através de trabalhos de pesquisas 13 14 28 31,1
Respondendo as dúvidas dos alunos 14 16 42 46,7
Em aula 19 21 61 67,8
Através de palestras 29 32 90 100
Σ 90 100
Tabela de frequência do gráfico 2
O fato de trabalhar só o aparelho reprodutor nas aulas de ciências, não desperta
tanto o interesse dos adolescentes, pois nesta fase, os hormônios tornam-se mais ativos
contribuindo para que a discussão da sexualidade seja o centro das atenções. A escola
precisa associar a sexualidade com a vida, a saúde, ao prazer e ao bem estar.
Assim sendo, a escola é considerado o lugar mais adequado para se trabalhar o
tema sexualidade, pois é ela que tem a missão de colaborar com a família em todas as
etapas da educação da criança e ainda inclusive dar a orientação sexual, porque a
sexualidade, assim como a inteligência, será construída a partir das possibilidades
individuais e de sua interação com o meio e a sua cultura.
A maioria dos pais afirmou não conversar com seus filhos sobre sexualidade
como mostra o gráfico 3. Porém, no texto analisado os pais pontuaram assuntos que
conversam com seus filhos sendo apresentado com isso mais de um assunto, como
exibe o gráfico 4. Interessante notar que todos os assuntos disponíveis na questão são
temas relacionados à sexualidade. No entanto, os pais não possuem essa percepção.
sim não
28
72
Conversa com os filhos
sim não
Gráfico 3: Conversa com os filhos
Conversa com os filhos
xi fi fri % Fi Fri %
sim 25 28 25 28
não 65 72 90 100
Σ 90 100
Tabela de frequência do gráfico 3.
Gráfico 4: Assuntos abordados com os filhos
Assuntos abordados com os filhos
Xi fi fri % Fi Fri %
Namoro 19 21 19 21
Desejo 3 3 22 24,4
Homosexualidade 3 3 25 27,2
Mudanças corporais 4 4 29 32,2
Amor 4 4 33 36,7
Sexo 5 6 38 42,2
Aborto 6 7 44 48,9
Métodos Anticonceptivos 7 8 51 68,89
DST/AIDS 11 12 62 68,89
Gravidez 13 14 75 83,33
Menstruação 15 17 90 100
Σ 90 100
Tabela de frequência do gráfico 4.
0 5 10 15 20 25
Namoro
Desejo
Homosexualidade
Mudanças corporais
Amor
Sexo
Aborto
Métodos Anticonceptivos
DST/AIDS
Gravidez
Menstruação
Assuntos abordados com os filhos
6%
13%
14%
18%
20%
29%
Motivos para não conversar com os filhos
Tem Medo
Não Tem Medo
Eles não tem Interesse
Não gosta de conversar
Nunca surgiu ocasião
Não se sente bem
A conversa sobre sexualidade com os filhos para alguns autores seria um tabu na
cultura brasileira, principalmente no que diz respeito à educação das moças. (PARKER,
2000) Segundo Görgen (1994, p 3).
Em várias culturas, os pais não têm o costume de falar com os seus filhos a
respeito de relacionamentos sexuais, reprodução e anticoncepção. Antigamente talvez
outros membros da família, por exemplo, os tios ou tias, assumiam esta tarefa. Hoje,
tanto os pais como também outros membros da família, não se sentem informados o
suficiente nem aceitos pelos adolescentes para aconselhá-los a este respeito. Em várias
pesquisas realizadas, os pais expressaram a sua necessidade de saber mais sobre
educação sexual, contracepção e prevenção à AIDS para poderem falar a respeito com
os seus filhos.
Os pais apresentaram diversos motivos para não conversarem com seus filhos
sobre o tema sexualidade conforme o gráfico 5, os levando a pensar que a escola deve
discutir sobre sexualidade. Sendo que essa discussão deve ser feita através de palestras.
Interessante lembrar que as palestras quase sempre são pontuais e feitas por pessoas
externas à escola e relacionadas à área da saúde (enfermeiros, médicos). Ao se entender
a escola como uma instância envolvida na produção de identidades sexuais e de gênero
e com a validação de determinadas formas de viver a masculinidade, a feminilidade e as
sexualidades.
Gráfico 5: Motivos para não conversar com os filhos
Tabela de frequência do gráfico 5.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O adolescente vive a sua sexualidade de forma ardente nessa fase de sua vida. A
escola juntamente com a família tem a função de orientar os mesmos para que assim os
jovens não venham sofrer com a falta de informações sobre o assunto abordado. O
educador precisa ter conhecimento sobre o desenvolvimento integral do adolescente
para, assim, entender a sexualidade e orientar o aluno afim de que os mesmo façam as
escolhas corretas em toda sua vida. Devido à resistência de alguns pais, muitos
professores preferem discorrer apenas o básico sobre sexualidade.
No entanto deve-se ter em mente que a educação/orientação sexual na
adolescência acaba colaborando na prevenção de diversos problemas que podem surgir
devido à falta de informação, como a gravidez precoce, a contaminação por DST’s e o
abuso sexual. Com o conhecimento necessário acerca da sexualidade, o adolescente terá
condições de tomar suas próprias decisões de modo consciente.
Enquanto pais, professores e sociedade em geral não mudarem sua forma de
agir e pensar, a sexualidade continuará sendo um tabu para muitos, o que acaba
acarretando a falta de uma educação sexual adequada e necessária para o mundo atual,
onde os jovens tem cada vez mais acesso aos meios de comunicação, tais como
televisão e internet.
É de fundamental importância e se faz necessário que os adolescentes sejam
conscientizados sobre o valor do exercício da sexualidade de forma sadia, natural. Onde
saibam diferenciar o certo do errado, o que é melhor para suas vidas.
Por fim, pode-se garantir que caso a orientação sexual venha ser implantada nas
escolas, sendo repassada através de uma equipe capacitada e qualificada, os alunos,
principalmente os adolescentes que ainda possuem pouca informação, vão aprender a
lidar com a sexualidade de maneira proveitosa e natural.
Motivos para não conversar com os filhos
Xi fi fri % Fi Fri %
Tem Medo 5 6 5 5,6
Não Tem Medo 12 13 17 18,9
Eles não tem Interesse 13 14 30 33,3
Não gosta de conversar 16 18 46 51,1
Nunca surgiu ocasião 18 20 64 71,1
Não se sente bem 26 29 90 100
Σ 90 100
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
GÖRGEN, R.. Trad. RÖHR, G. S. Sexualidade na adolescência - enriquecimento ou
ameaça? Grupo Adolescer. Terceira Conferência Mundial sobre a População, set/ 1994.
Disponível em: http://elogica.br.inter.net/lumigun/texgund1.htm. Acesso em março de
2015.
LOURO, G. L. Gênero, Sexualidade e Educação: Uma perspectiva Pós-
estruturalista. Petrópolis, RJ: Vozes, 1997.
LOURO, G. L. O Corpo Educado: Pedagogias da Sexualidade. Belo Horizonte:
Autêntica, 1999.
LOURO, G. L. Gênero, História e Educação: Construção e Desconstrução. Revista
Educação & Realidade, v. 20, n. 2, 1995.
LOURO, G. L. Currículo, Gênero e Sexualidade – O “normal”, o “diferente” e o
“excêntrico”.
In: LOURO, G. L. Corpo, Gênero e Sexualidade: Um Debate Contemporâneo.
Petrópolis, RJ: Vozes, 2003.
LOURO, G. L. Gênero e sexualidade: pedagogias contemporâneas. Pro-Prosições,
Campinas, v. 19, n. 2, ago. 2008. Disponível em <http://www.scielo.br/scielo.php?script
=sci_arttext&pid=S0103-73072008000200003&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em março
de 2015.
MEIRA, L. B. Sexo: Aquilo que os pais não falaram para os filhos. 7ª ed. João
Pessoa: Autor Associado, 2002.
MEYER, D. E. E.; KLEIN, C.; ANDRADE, S. dos S. Sexualidade, prazeres e
vulnerabilidade: implicações educativas. Educ. rev., Belo Horizonte, n. 46, dez. 2007.
Disponível em <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-
46982007 000200009&lng=pt&nrm =iso>. Acesso em março de 2015.

Sexualidade no âmbito escolar

  • 1.
    SEXUALIDADE NO ÂMBITOESCOLAR Aline Caroline Magno Nôvo Almeida Carlos Augusto de Souza Queiroz Jr Christie Lobato Marques Hyron Sergio de Souza Bezerra Raíssa Lorena Silva da Costa Tássia Silva Petry Ymole Monteiro de Souza RESUMO: A temática da sexualidade na escola alega a necessidade dos adolescentes adquirirem conhecimentos sobre o assunto, a fim de tornar mínimos os riscos de saúde e diminuir o grau de vulnerabilidade a que as mesmas estão expostas. Contudo, do ponto de vista da Pedagogia, é preciso refletir sobre a postura do educador frente à relação aluno-sexualidade. Em questionários aplicados a 41 pais e 49 alunos de ensino médio, os resultados apontam que os pais associam sexualidade a sexo, não se sentem à vontade para falar sobre sexualidade com seus filhos e acreditam que sexo antes do casamento é irresponsabilidade, pecado e desvaloriza os jovens. Avaliando os resultados percebemos que as concepções dos pais consultados se relacionam, principalmente, com a ideia de uma sexualidade ligada à essencialidade do corpo, desprovida de fatores psicológicos e culturais; e que a conversa com seus filhos sobre sexualidade ainda é um tabu. Palavras-chave: sexualidade, escola, pais, adolescência. INTRODUÇÃO A Sexualidade é um termo amplamente abrangente que engloba inúmeros fatores e dificilmente se encaixa em uma definição única e absoluta. O termo “sexualidade” nos remete a um universo onde tudo é relativo, pessoal e muitas vezes paradoxal. Pode-se dizer que é traço mais íntimo do ser humano e como tal, se manifesta diferentemente em cada indivíduo de acordo com a realidade e as experiências vivenciadas pelo mesmo. Muitas pessoas acham que ao discorrer sobre sexualidade fala-se de sexo, porém é importante entender que sexo se refere à definição dos órgãos genitais (masculino ou feminino), e também pode ser compreendido como uma relação sexual, enquanto que o conceito de sexualidade está ligado a tudo aquilo que somos capazes de sentir e expressar. De acordo com o conceito da Organização Mundial Da Saúde:
  • 2.
    "A sexualidade fazparte da personalidade de cada um, é uma necessidade básica e um aspecto do ser humano que não pode ser separado de outros aspectos da vida. Sexualidade não é sinônimo de coito (relação sexual) e não se limita à ocorrência ou não de orgasmo. Sexualidade é muito mais que isso, é a energia que motiva a encontrar o amor, contato e intimidade e se expressa na forma de sentir, nos movimentos das pessoas, e como estas tocam e são tocadas. A sexualidade influência pensamentos, sentimentos, ações e interações e, portanto a saúde física e mental. Se saúde é um direito humano fundamental, a saúde sexual também deveria ser considerada um direito humano básico." (WHO TECHNICAL REPORTS SERIES, 1975. A sexualidade está presente desde o nascimento até a morte, onde a sexualidade humana pode se transformar ao longo dos anos, dependendo das experiências que as pessoas se admitem vivenciarem. Sendo assim, é possível entender a sexualidade como uma característica dinâmica e imutável, ou seja, assim como os cabelos mudam de cor e de textura ao longo dos anos, a sexualidade também muda conforme o tempo passa. A maneira como nos sentimos atraídos pelas outras pessoas também pode mudar em intensidade, em orientação e identidade, ao longo da vida e de acordo com as vivências que os indivíduos se permitem. SEXUALIDADE NO MEIO ESCOLAR A sexualidade está relacionada à vida, sensações, sentimentos e emoções relacionados ao prazer. Como envolve diversas dimensões humanas, é um tema muitas vezes difícil de ser tratado e, por isso, permeado de dúvidas, preconceitos, estereótipos e tabus. No contexto escolar ainda existe muito silenciamento por assuntos que dizem respeito à sexualidade como mostra o gráfico 1, esse ato aparentemente bloqueado, trazido por um histórico social, também impede muitos educadores de levarem a discussão de sexualidade até a sala de aula. No entanto, existem outras realidades, como o medo da orientação sexual escolar, que precisa ser superado para que haja visão mais compreensiva dos alunos sobre o assunto. xi fi fri % Fi Fri % sim 75 83 75 83 não 15 17 90 100 Σ 90 100 Tabela de frequência do gráfico 1
  • 3.
    83% 17% Sexualidade deve serdiscutida? sim não A orientação sexual também é vista como um problema escolar, pela maneira como esse tema é trabalhado na escola. Fatores como os livros didáticos, onde muitos deles não trazem uma discussão sobre orientação sexual; a dificuldade de expressar concepções de sexualidade como: educação sexual, orientação sexual na escola; a inserção do tema como especificidade somente das ciências biológicas, são deficiências dessa educação para os professores e consequentemente na vida de jovens e adolescentes. O gráfico 2 mostra como os pais acham que o tema sexualidade dever ser discutido na escola. Gráfico 2: Como deve ser discutida a sexualidade na Escola? Como deve ser discutida a sexualidade na Escola? 3% 7% 7% 14% 16% 21% 32% Como deve ser discutida a sexualidade na Escola? Não deve discutir Através de filmes e/ou videos Em feira de ciências e exposição Através de trabalhos de pesquisas Respondendo as dúvidas dos alunos Em aula Através de palestras Gráfico 1: Sexualidade deve ser discutida?
  • 4.
    xi fi fri% Fi Fri % Não deve discutir 3 3 3 3 Através de filmes e/ou vídeos 6 7 9 10 Em feira de ciências e exposição 6 7 15 11,1 Através de trabalhos de pesquisas 13 14 28 31,1 Respondendo as dúvidas dos alunos 14 16 42 46,7 Em aula 19 21 61 67,8 Através de palestras 29 32 90 100 Σ 90 100 Tabela de frequência do gráfico 2 O fato de trabalhar só o aparelho reprodutor nas aulas de ciências, não desperta tanto o interesse dos adolescentes, pois nesta fase, os hormônios tornam-se mais ativos contribuindo para que a discussão da sexualidade seja o centro das atenções. A escola precisa associar a sexualidade com a vida, a saúde, ao prazer e ao bem estar. Assim sendo, a escola é considerado o lugar mais adequado para se trabalhar o tema sexualidade, pois é ela que tem a missão de colaborar com a família em todas as etapas da educação da criança e ainda inclusive dar a orientação sexual, porque a sexualidade, assim como a inteligência, será construída a partir das possibilidades individuais e de sua interação com o meio e a sua cultura. A maioria dos pais afirmou não conversar com seus filhos sobre sexualidade como mostra o gráfico 3. Porém, no texto analisado os pais pontuaram assuntos que conversam com seus filhos sendo apresentado com isso mais de um assunto, como exibe o gráfico 4. Interessante notar que todos os assuntos disponíveis na questão são temas relacionados à sexualidade. No entanto, os pais não possuem essa percepção. sim não 28 72 Conversa com os filhos sim não Gráfico 3: Conversa com os filhos
  • 5.
    Conversa com osfilhos xi fi fri % Fi Fri % sim 25 28 25 28 não 65 72 90 100 Σ 90 100 Tabela de frequência do gráfico 3. Gráfico 4: Assuntos abordados com os filhos Assuntos abordados com os filhos Xi fi fri % Fi Fri % Namoro 19 21 19 21 Desejo 3 3 22 24,4 Homosexualidade 3 3 25 27,2 Mudanças corporais 4 4 29 32,2 Amor 4 4 33 36,7 Sexo 5 6 38 42,2 Aborto 6 7 44 48,9 Métodos Anticonceptivos 7 8 51 68,89 DST/AIDS 11 12 62 68,89 Gravidez 13 14 75 83,33 Menstruação 15 17 90 100 Σ 90 100 Tabela de frequência do gráfico 4. 0 5 10 15 20 25 Namoro Desejo Homosexualidade Mudanças corporais Amor Sexo Aborto Métodos Anticonceptivos DST/AIDS Gravidez Menstruação Assuntos abordados com os filhos
  • 6.
    6% 13% 14% 18% 20% 29% Motivos para nãoconversar com os filhos Tem Medo Não Tem Medo Eles não tem Interesse Não gosta de conversar Nunca surgiu ocasião Não se sente bem A conversa sobre sexualidade com os filhos para alguns autores seria um tabu na cultura brasileira, principalmente no que diz respeito à educação das moças. (PARKER, 2000) Segundo Görgen (1994, p 3). Em várias culturas, os pais não têm o costume de falar com os seus filhos a respeito de relacionamentos sexuais, reprodução e anticoncepção. Antigamente talvez outros membros da família, por exemplo, os tios ou tias, assumiam esta tarefa. Hoje, tanto os pais como também outros membros da família, não se sentem informados o suficiente nem aceitos pelos adolescentes para aconselhá-los a este respeito. Em várias pesquisas realizadas, os pais expressaram a sua necessidade de saber mais sobre educação sexual, contracepção e prevenção à AIDS para poderem falar a respeito com os seus filhos. Os pais apresentaram diversos motivos para não conversarem com seus filhos sobre o tema sexualidade conforme o gráfico 5, os levando a pensar que a escola deve discutir sobre sexualidade. Sendo que essa discussão deve ser feita através de palestras. Interessante lembrar que as palestras quase sempre são pontuais e feitas por pessoas externas à escola e relacionadas à área da saúde (enfermeiros, médicos). Ao se entender a escola como uma instância envolvida na produção de identidades sexuais e de gênero e com a validação de determinadas formas de viver a masculinidade, a feminilidade e as sexualidades. Gráfico 5: Motivos para não conversar com os filhos
  • 7.
    Tabela de frequênciado gráfico 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS O adolescente vive a sua sexualidade de forma ardente nessa fase de sua vida. A escola juntamente com a família tem a função de orientar os mesmos para que assim os jovens não venham sofrer com a falta de informações sobre o assunto abordado. O educador precisa ter conhecimento sobre o desenvolvimento integral do adolescente para, assim, entender a sexualidade e orientar o aluno afim de que os mesmo façam as escolhas corretas em toda sua vida. Devido à resistência de alguns pais, muitos professores preferem discorrer apenas o básico sobre sexualidade. No entanto deve-se ter em mente que a educação/orientação sexual na adolescência acaba colaborando na prevenção de diversos problemas que podem surgir devido à falta de informação, como a gravidez precoce, a contaminação por DST’s e o abuso sexual. Com o conhecimento necessário acerca da sexualidade, o adolescente terá condições de tomar suas próprias decisões de modo consciente. Enquanto pais, professores e sociedade em geral não mudarem sua forma de agir e pensar, a sexualidade continuará sendo um tabu para muitos, o que acaba acarretando a falta de uma educação sexual adequada e necessária para o mundo atual, onde os jovens tem cada vez mais acesso aos meios de comunicação, tais como televisão e internet. É de fundamental importância e se faz necessário que os adolescentes sejam conscientizados sobre o valor do exercício da sexualidade de forma sadia, natural. Onde saibam diferenciar o certo do errado, o que é melhor para suas vidas. Por fim, pode-se garantir que caso a orientação sexual venha ser implantada nas escolas, sendo repassada através de uma equipe capacitada e qualificada, os alunos, principalmente os adolescentes que ainda possuem pouca informação, vão aprender a lidar com a sexualidade de maneira proveitosa e natural. Motivos para não conversar com os filhos Xi fi fri % Fi Fri % Tem Medo 5 6 5 5,6 Não Tem Medo 12 13 17 18,9 Eles não tem Interesse 13 14 30 33,3 Não gosta de conversar 16 18 46 51,1 Nunca surgiu ocasião 18 20 64 71,1 Não se sente bem 26 29 90 100 Σ 90 100
  • 8.
    REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS GÖRGEN, R..Trad. RÖHR, G. S. Sexualidade na adolescência - enriquecimento ou ameaça? Grupo Adolescer. Terceira Conferência Mundial sobre a População, set/ 1994. Disponível em: http://elogica.br.inter.net/lumigun/texgund1.htm. Acesso em março de 2015. LOURO, G. L. Gênero, Sexualidade e Educação: Uma perspectiva Pós- estruturalista. Petrópolis, RJ: Vozes, 1997. LOURO, G. L. O Corpo Educado: Pedagogias da Sexualidade. Belo Horizonte: Autêntica, 1999. LOURO, G. L. Gênero, História e Educação: Construção e Desconstrução. Revista Educação & Realidade, v. 20, n. 2, 1995. LOURO, G. L. Currículo, Gênero e Sexualidade – O “normal”, o “diferente” e o “excêntrico”. In: LOURO, G. L. Corpo, Gênero e Sexualidade: Um Debate Contemporâneo. Petrópolis, RJ: Vozes, 2003. LOURO, G. L. Gênero e sexualidade: pedagogias contemporâneas. Pro-Prosições, Campinas, v. 19, n. 2, ago. 2008. Disponível em <http://www.scielo.br/scielo.php?script =sci_arttext&pid=S0103-73072008000200003&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em março de 2015. MEIRA, L. B. Sexo: Aquilo que os pais não falaram para os filhos. 7ª ed. João Pessoa: Autor Associado, 2002. MEYER, D. E. E.; KLEIN, C.; ANDRADE, S. dos S. Sexualidade, prazeres e vulnerabilidade: implicações educativas. Educ. rev., Belo Horizonte, n. 46, dez. 2007. Disponível em <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102- 46982007 000200009&lng=pt&nrm =iso>. Acesso em março de 2015.