SlideShare uma empresa Scribd logo
UNIVERSIDADE FEDERAL DA FRONTEIRA SUL – UFFS
Graduação em Pedagogia – 5ª fase
Disciplina: Literatura Infanto Juvenil
Professora: Neide Cardoso
Alunas: Adriana Machado, Daiane Regina May, Karieli Ferrari, Lilian P. Luterek, Susana F. Frighetto
Durel e Tatiane Paula dos Santos.
SEQUÊNCIA DIDÁTICA
CHAPECÓ
2014
CONSTRUÇÃO DE LIVRO COLETIVO DE CONTOS
Disciplina: Língua portuguesa (Literatura)
Ano: 4ª ano
Professoras: Adriana Machado, Daiane Regina May, Karieli Ferrari, Lilian Patricia Luterek,
Susana de Fátima Frighetto Durel e Tatiane Paula dos Santos.
Áreas envolvidas:
 História
 Artes
Tema:
 Contos de terror
Levantamento dos conhecimentos prévios:
 Vocês conhecem algum conto?
 Quais são os tipos de conto?
 Qual é a estrutura textual de um conto?
 O que caracteriza um conto?
 Quais contos são mais interessantes?
 Você conhece algum conto de terror?
 Do que você tem medo?
Objetivos:
 Conhecer contos de terror;
 Aprender a estrutura textual dos contos.
 Construir contos para confecção de um livro de contos da turma;
 Promover situações de leitura e escrita;
 Apossar-se de recursos linguísticos para produzir contos de terror.
 Colocar-se na posição de leitor e revisar os próprios textos.
Conteúdos:
 O que é um conto.
 Estrutura textual dos contos.
 Características da linguagem utilizada nos contos de terror.
 Produção e revisão de textos;
 Criação de um conto individualmente, levando em consideração a estrutura textual e a
construção da escrita.
Tempo estimado:
 Cinco aulas.
Material necessário:
 Conto Medo de Espelhos e Medo? Todo mundo tem!;
 Folhas de ofício;
 Lápis de cor;
 Livros que trabalhem diferentes gêneros textuais;
 Cartolinas e Canetas;
 Almofadas;
Desenvolvimento:
Flexibilização
Para alunos com deficiência visual
Invista na riqueza da descrição dos personagens, para que o aluno cego envolva-se na história.
É importante que ele tenha acesso ao conto em braile. Conte com a ajuda do AEE para
antecipar algumas etapas do projeto, se julgar necessário. O trabalho em duplas ajuda o aluno
com deficiência visual. O colega pode servir como escriba para o aluno cego durante as
produções coletivas, mas é importante oferecer tempo extra para que o aluno faça a
transcrição dos textos para o braile. As informações contidas no cartaz devem ser repetidas
em voz alta para que o aluno faça seus registros no caderno. Para digitar a versão final dos
textos, oriente-o a utilizar um teclado adaptado e amplie o tempo de realização desta etapa.
1ª etapa: Organizar a sala para a leitura de um conto de terror. Deixando a sala escura,
pedindo para os alunos se colocarem em circulo, sentados no chão da sala em almofadas.
Depois de tudo organizado, realizaremos a leitura do conto Medo de Espelhos de Heloisa
Pietro. Entregaremos uma cópia do conto para cada um.
2ª etapa: Após a leitura do conto Medo de Espelhos promoveremos um debate sobre o conto,
com as seguintes perguntas: o que entenderam do conto? Sentiram medo? Suspense? Quais as
partes do conto que mais sentiram medo? Do que vocês tem medo? Se algum trecho frustrou e
poderia ser diferente? Após o debate proporemos que em grupos, escrevam em cartolinas
palavras e expressões que apontem medo, suspense e maldade. Depois de prontas, serão
expostas na parede da sala.
3ª etapa: Após a criação das cartolinas, explicaremos o que é um conto, como ele se
estrutura, a diferença entre contos de terror e contos de fada. E entregaremos um questionário
sobre a explicação dada. Devem responder e entregar.
4ª etapa: Realizaremos a leitura do conto Medo? Todo mundo tem, de Heloisa Pietro.
Proveremos um novo debate, solicitando relatos de casos em que os alunos sentiram medo,
com as seguintes perguntas: como o corpo humano geralmente reage ao medo? Quais são as
sensações físicas? Quais expressões utilizam no dia a dia para manifestar medo? E se há um
antídoto ou uma solução para esse sentimento, qual é? Eles devem tomar notas durante o
debate.
5ª etapa: Depois de compreendido o que é um conto, proporemos as crianças, a criação de um
conto de terror. Podem escrever sobre os seus medos, sobre os medos dos colegas, o tema será
livre, mas deve ser de terror. Para isso utilizaram as cartolinas que estão expostas na sala,
criaram seus contos a partir das expressões contidas nas cartolinas. Para auxiliar a criação do
conto iremos ao laboratório de informática, aonde eles deveram procurar mais contos, para
que tenham mais conhecimentos sobre os contos na hora de produzir o seu conto.
6ª etapa: Retomaremos a atividade de criação do conto, deixando os alunos livres para
escreverem e auxiliando-os conforme sentirem necessidades. No termino desta aula
recolheremos os contos e revisaremos quais os problemas de escrita são comuns e precisam
ser melhorados, como o uso de sinais de pontuação, para ampliar as sensações.
7ª etapa: Depois de revisar os contos, entregaremos para as crianças e mostraremos aonde há
necessidade de mudanças, após concluir os contos daremos inicio a confecção do nosso livro
de contos, terminando de montar nosso livro, deixaremos o mesmo disponível para outras
turmas estarem utilizando esse material.
Avaliação:
 Avaliaremos a compreensão sobre os contos, quanto as suas características, o
comportamento leitor e escritor dos estudantes: comentários e apreciação da leitura,
anotações, preocupação com a legibilidade do texto e a disponibilidade para realizar as
atividades, quanto à atividade desenvolvida, avaliaremos a escrita, pontuação,
acentuação, a estrutura do texto e se o aluno compreendeu a linguagem dos contos.
Medo de Espelhos
Isabela calçou as botas pretas, vestiu seu moletom preto, longo, sobre as calças também
pretas, olhou-se no espelho e ficou satisfeita: seria difícil vê-la quando se embrenhasse na
mata naquela noite sem luar.
Prendeu os cabelos lisos, pretos, num rabo de cavalo e depois os cobriu com um gorro preto.
“Pronto, virei ninja”, pensou. Apanhou a lanterna, velas, ovos, o alazão já selado pra ela. O
garoto a cumprimentou no escuro da noite:
· Que bom que você está dando risada. Está voltando a ser que nem antes.
· Joaquim, todos desapareceram na mata? Ela perguntou, ajeitando-se na sela.
· A gente tem que andar depressa. Se não conseguirmos prender o Rodrigo antes do
amanhecer, toda aquela turistada vira vampiro que nem ele.
Galopando ao lado do amigo na rua principal da pequena cidade vazia, encravada no coração
de uma montanha de Minas Gerais, Isabela lembrou-se da primeira vez que ouvira falar da tal
da mata dos vampiros.
Era inverno em São Paulo e seus pais tinham decidido dar uma festa. O dia todo fora marcado
por coisinhas que davam errado, como geladeira quebrada, o cachorro fazendo xixi no tapete
novo(...)
A casa foi ficando lotada. No sofá em frente ao piano, sentaram-se os amigos de sempre. Mas
com eles apareceu um grupo de desconhecidos, uma gente estranha que Isabela nunca vira
antes. Eles riam muito. Cochichavam entre si. Havia uma moça que sentou no meio do sofá.
Era como se ela fingisse o tempo todo. O rosto de traços até bonitos ficava feio. Ricardo,
melhor amigo de seu pai, sentou-se ao lado dela. Foi então que Isabela percebeu. O ar ficou
cheio de cores. Como se aquelas pessoas estivessem atrás de uma vidraça transparente e ela
estivesse sozinha do lado de fora desse muro quase invisível. A moça riu. Esticou as mãos
com se fizesse um gesto normal. E começou a puxar uma luz bonita, suave, perolada que
estava em volta do corpo de Ricardo. Ele foi ficando pálido, opaco, como se estivesse
perdendo vida. Era horrível de ver.
· Você já ouviu falar da mata de vampiros? Isabela sentiu um frio na espinha e virou-se para
ver quem lhe fazia essa pergunta. O medo cedeu lugar ao fascínio. Era o garoto mais lindo
que ela já vira. Ele sorriu, olhando fundo para ela, e sentou-se na beirada da cadeira.
· Fica em Minas Gerais. É uma mata-esconderijo. Um refúgio de vampiros. Quem passa toda
uma noite sem luar perdido nela, é transformado em vampiro também.
· Rodrigo, para de falar essas coisas. Você não sabe que dá azar? – disse a moça do sofá,
como se estivesse lhe dando um aviso.
Depois da festa, lembrou-se Isabela, Rodrigo passara a freqüentar sua casa diariamente.
Ninguém reclamava da constância de sua presença. Era como se ele hipnotizasse a família
inteira.
Isabela nunca tinha se divertido tanto. Jamais tinha encontrado alguém como ele. Dar uma
volta na rua, tomar um sorvete, ir ao cinema, tudo isso lhe dava uma sensação de felicidade
tão intensa como ela nunca havia experimentado. Até que ele lhe contou toda a verdade.
· Você sabe que esse negócio de vampirismo é pra valer, não é mesmo, Isabela? – ele lhe
disse um dia.
· Que bobagem, Rodrigo. Você está brincando comigo.
· Eu não estou falando de vampirismo de sangue. Mas de vampirismo de energia, de
imaginação, de sonhos, coisas assim.
· Continuo achando bobagem – ela disse rindo, enquanto trocava o CD. Depois dessa
conversa, Rodrigo simplesmente sumiu. Sem mais nem menos. No primeiro dia Isabela até
conseguiu levar a vida normalmente. Mas no segundo, no terceiro, a falta de Rodrigo
começou a doer. Concentrar-se? Impossível. Comer? De jeito nenhum! Rir ? Nem pensar! E
os sonhos? Tinham desaparecido. Era noite em claro seguida de outra noite em claro. De
repente, ele voltou. Do mesmo jeito, sem explicação.
· Isabela, eu sei que você sentiu minha falta.
· É porque eu gosto muito de você, Rodrigo, só isso. É normal.
· Não, minha amiga. Não é normal. Eu não sou seu namorado. Você não está apaixonada por
mim.
· Não? – ela perguntou. – Pensei que estivesse.
· Não. É que eu sou um vampiro.
· Para com isso, cara.
· Sou mesmo. E você precisa me ajudar. Eu tenho que mudar. Não agüento mais viver assim.
Preciso voltar a ser humano. Me ajude, Isabela, me ajude por favor.
· Ajudo sim. Mas como? – perguntou a garota.
· Vou te ensinar os princípios básicos do vampirismo – ele lhe explicou. – Você precisa se
proteger de mim. Eu perco o controle, às vezes. Se isso acontecer, não sei se consigo deixar
você escapar. Preste atenção e ouça bem: vampiros não sugam sangue. Não são sobrenaturais,
nem imortais, muito menos especiais. Mas tem poderes. Controlam a mente e por isso podem
ser letais.
Duas horas da manhã. Isabela novamente acordou das recordações e prestou atenção no
perigo que corria. Joaquim e ela haviam alcançado o alto da colinha. Agora podiam ver o lago
e a pequena mata logo atrás.
· A gente tem que entrar na mata. Mas antes vamos tomar as providencias – disse Joaquim. E
pediu :
· Me dê os ovos, Isabela. Isabela lhe entregou a caixa e Joaquim começou a quebrá-los, um
por um, contra as pedras que cercavam o lago. Ovos são símbolos de vida. Vampiros os
odeiam por isso. Ovos são mais poderosos que alho. Rodrigo não seria capaz de transpor
aquele circulo. Depois que eles o jogassem lá dentro, ele ficaria aprisionado.
· Deixe que eu espalho o mel – disse Isabela.
Quando abriu a tampa do vidro e sentiu o doce aroma do mel, Isabela lembrou-se da traição.
- Isabela, eu preciso dos seus sonhos para poder viver. Fique ao meu lado. Durma um pouco.
Não se preocupe. Vou usá-los, mas depois eu os devolvo a você – disse Rodrigo, em pleno
sábado de verão.
Isabela obedeceu. A cabeça encostada no ombro do vampiro teve sonhos maravilhosos.
Rodrigo começou a aparecer nas imagens encantadoras. Ela o recebeu de braços abertos. De
repente, o choque do despertar.
· Muito obrigada, querida. Agora seus sonhos me pertencem para sempre. Ao lado de
Rodrigo, a moça da festa.
· É isso aí, garota. Temos sonhos para os próximos quatro anos. Você tem muita imaginação.
O período que se seguiu foi de um sofrimento absurdo. O corpo se retorcia de dor. Febre,
cansaço, a tristeza mais profunda. Chamaram vários médicos, mas ninguém sabia que doença
era aquela. Seus pais resolveram leva-la para a montanha. Era seu lugar preferido. Foi então
que Joaquim veio visitá-la. Velho amigo, filho do dono da tropa de cavalos de aluguel.
· Isabela – ele lhe disse – eu sei direitinho o que você tem. Aqui, a gente diz que é mordida
de vampiro.
· Mas eu não fui mordida – ela protestou.
· Me dê o seu braço – disse o garoto.
Isabela estendeu o braço e, pela primeira vez, reparou numa estranha cicatriz bem abaixo dos
pulsos.
· O que é isso? – ela perguntou.
· Não faz mal, não. Vou lhe dar o remédio. O gosto é esquisito. Mas vai dar certo. O
tratamento era estranho. Ovos crus misturados com mel. Todos os dias ao entardecer. De
inicio, não houve melhora alguma. Até que Isabela tem um pesadelo horrível. Despertou
chorando, assustada. Mas já era um começo.
De volta a mata, Isabela guardou o vidro vazio de mel. Retirou um espelho da mochila.
Escondeu-o debaixo de um arbusto. Respirou fundo.
· Fique aqui, Joaquim – ela disse ao amigo – cuide bem de tudo.
· Quero ir com você, Isabela. Os dois estão juntos. É perigo na certa.
· Cuide do circulo. Preciso enfrentar tudo isso sozinha. Pode deixar. Isabela apagou a
lanterna. Caminhando nas pontas dos pés, atravessou a mata. Viu jovens, velhos e até
crianças, adormecidos. Aproximou-se do lago.
Sentados à margem das águas, Rodrigo e a vampira assistiam aos sonhos humanos que se
refletiam nas águas. Embora a cena fosse fascinante, o tédio de ambos era óbvio. Na verdade,
detestavam-se. Rodrigo levantou-se e afastou-se em direção ás arvores. Isabela preparou-se
para surpreendê-lo. Quando ele passou ao seu lado, ela se revelou.
· Como vai meu vampiro preferido? – perguntou rindo.
· Você? – ele disse – O que você está fazendo aqui?
· Eu sobrevivi.
· Mas é impossível! – ele disse.
Ela saiu correndo e rindo entre as árvores.
· Você está bravo comigo?
· Não sei. – Ele a seguia ainda atordoado.
· É que você sente alivio também. Você gosta um pouco de mim, eu sei. Isabela havia
crescido naquelas matas. Correu pelos atalhos. O vampiro em seu encalço. Chegou ao
laguinho. Joaquim os aguardava. Quando Rodrigo passou por ele, o peão prendeu-lhe os
braços e o atirou no meio do circulo. O vampiro gritava.
· Apanhe o espelho – disse Isabela. A garota entrou para o circulo.
· Olhe aqui! Veja bem como é a sua cara! De inicio, não havia imagem, nada.
· Pare com isso dói demais! – Dizia o vampiro. – Eu não existo!
· Existe sim! Olhe outra vez, - ela ordenou.
· Não tem nada, não tem nada, - ele dizia, os olhos secos, a voz fina.
· Olhe então para mim. Eu estou aqui ao seu lado. Também estou perto de você, no reflexo.
Pode fazer o que eu estou pedindo.
Na hora que Isabela se fitou no espelho, porém o susto foi horrível! Porque no lugar de seu
rosto jovem, Isabela viu uma mistura de sua própria imagem com a da garota que sempre o
acompanhava: o mesmo sorriso falso, os traços bonitos sobrepondo-se aos seus. O resultado
era um hibrido assustador.
· Foi por isso que você fugiu? Esta é a cara que vê em mim? – ela lhe perguntou. Ele
continuou calado. Isabela desatou a falar.
· Agora entendo. Tudinho. Você morre de medo. Você é cego. Aliás, pior que cego. Você vê
mal. Vê tudo misturado.
O vampiro continuava olhando para o espelho. O reflexo vazio, os olhos fundos, a boca
semiaberta.
E quando Isabela afastou os olhos do espelho e reparou naquele rosto inerte sentiu um
carinho inesperado, inexplicável, até mesmo tolo de tão sem sentido. Ela o abraçou
rapidamente. O vampiro continuou imóvel, os ombros duros, o rosto seco. Até que ela gritou:
· Veja! No espelho surgia uma massa uniforme, escura e, por trás dela, uma nova imagem.
Era o rosto do vampiro que nascia no espelho. Mas agora havia pequenas rugas, imperfeições,
dor, tristeza, alegria, todas as emoções.
· Viu só? Você é gente também! Agora, feche os olhos e durma. Você vai sonhar. Sozinho -
ela disse, satisfeita.
Rodrigo foi tomado por um sono intenso, Isabela acomodou a cabeça dele na relva. Deu um
beijo rápido em seus cabelos. Saiu do círculo. Montou a cavalo ao lado de Joaquim. Naquele
momento, ela tinha certeza de que tudo ia dar certo.
· Será que a gente quebrou o feitiço, de verdade?- perguntou Joaquim, desconfiado.
· Claro que sim – respondeu Isabela, confiante. – Eu sei que no fundo ele é humano de
verdade.
· Não sei não, não sei não – murmurou Joaquim.
Isabela saiu galopando. Depois diminuindo a velocidade, perguntou ao amigo:
· Você se lembra daquela historia antiga do sapo e do escorpião?
· A minha preferida?
· Só você mesmo pra gostar de um troço daqueles. Agora eu inventei outro jeito de contar. É
assim: era uma vez um sapo e um escorpião, que estavam parados à margem de um rio. O
escorpião pediu carona ao sapo.
· Até aí, é igual a minha ... – disse Joaquim. Isabela prosseguiu:
· O sapo desconfiou. “ Mas se eu te der uma carona, você me mata. Eu sei que você é
egoísta, traidor,falso e mentiroso.”
· Tá, ta – apressou Joaquim – e, daí?
· “Juro que não vou te picar!” promete o escorpião. O sapo lhe deu uma carona. Mas quando
chegaram no meio do rio, o sapo sentiu o escorpião se mexendo em suas costas... “ Escorpião,
pode abaixar o rabinho e guardar o seu veneno. Você não sabe que, se você me picar,
morreremos os dois?”
· “Mas esta é a minha natureza” – completou Joaquim.
· Essa é a parte que eu mudei. Ouça bem. O sapo diz assim: “Escuta aqui, ô seu
escorpiãozinho de nada, você sabia que eu também tenho veneno?”. “Tão mortal quanto o
meu?”, perguntou o escorpião. “ Você pica, mata e pronto. Já eu solto um veneno que te deixa
cego e cheio de coceiras. Você nunca mais vai saber onde picar. Agora salta já das minhas
costas. Olha aí um tronco de árvores. Agarre-se nele que eu vou afundar”, disse o sapo. Então
o sapo mergulhou no lago e o atravessou por debaixo da água. Na maior facilidade. Como o
escorpião não sabe nadar, ficou gritando feito um bobo: “Socorro! Me tirem daqui”, enquanto
o tronco deslizava rio abaixo. Quando o sapo chegou à margem, acenou para o escorpião e
disse: “Agora, duas leis da vida: número 1, traição não vale a pena: número 2, ser legal não é
ser bobo!”.
· Ta certo, ta certo, Isabela, gostei – disse Joaquim. O rosto cansado e feliz, roupas imundas,
Isabela arrancou o gorro preto. O dia nascia. Ela sorriu. Mas Joaquim balançou a cabeça.
· Não sei não – ele repetia.
· O que é isso, Joaquim?
· Vocês de São Paulo, acham que tudo é fácil.
· E você?
· Eu sou mineiro. Eu conheço a vida. Eu sei das montanhas. Pra mim o negócio é diferente.
· Você está querendo dizer o quê.
· Que o feitiço pode voltar. Que ele vira vampiro outra vez.
· Você está louco! No fundo, o Rodrigo é bom, eu tenho certeza - disse Isabela.
· Será? – perguntou Joaquim e, saiu disparado pelo meio da floresta. Isabela também saiu a
todo o galope, rindo, louca para ficar ao lado do amigo, mas por mais que ela tentasse
alcança-lo, só conseguia ouvir sua voz, ecoando entre os pinheiros, repetindo sempre a mesma
cantiga:
· Não sei não, não sei não...
Conto: Medo de Espelhos
Escola:
Professora:
Disciplina:
Aluno:
1. O que é um conto?
2. Qual a diferença entre contos de fadas e de terror?
3. Você gostou do conto Medo de Espelhos? Por que?
4. Qual foi o trecho do conto que você sentiu medo?
5. Escreve do que você tem medo.
Sequência didática de contos de terror

Mais conteúdo relacionado

Mais procurados

Texto narrativo
Texto narrativoTexto narrativo
Texto narrativo
Ana Arminda Moreira
 
SIMULADO DE LÍNGUA PORTUGUESA - 7° ANO - doc
SIMULADO DE LÍNGUA PORTUGUESA - 7° ANO - docSIMULADO DE LÍNGUA PORTUGUESA - 7° ANO - doc
SIMULADO DE LÍNGUA PORTUGUESA - 7° ANO - doc
wendell Viana
 
Notícia gênero textual
Notícia gênero textualNotícia gênero textual
Notícia gênero textual
Ana Lúcia Moura Neves
 
Conto Maravilhoso
Conto MaravilhosoConto Maravilhoso
Conto Maravilhoso
galine1000
 
Ficha de leitura 9.º ano
Ficha de leitura 9.º ano Ficha de leitura 9.º ano
Ficha de leitura 9.º ano
Salomé Raposo
 
Conto Popular
Conto PopularConto Popular
Conto Popular
edinaprado
 
Sinopse livros e filmes
Sinopse livros e filmesSinopse livros e filmes
Sinopse livros e filmes
Rosângela Ferreira Luz
 
A menina que odiava ler livros!
A menina que odiava ler livros!A menina que odiava ler livros!
A menina que odiava ler livros!
silviaholanda
 
Gêneros textuais – notícia, hq, cartum
Gêneros textuais – notícia, hq, cartumGêneros textuais – notícia, hq, cartum
Gêneros textuais – notícia, hq, cartum
Maria das Dores Justo
 
Conto Fantástico
Conto FantásticoConto Fantástico
Conto Fantástico
Mariany Dutra
 
Avaliação 7º ano paradidático 1 gabarito
Avaliação 7º ano   paradidático 1 gabaritoAvaliação 7º ano   paradidático 1 gabarito
Avaliação 7º ano paradidático 1 gabarito
Karla Costa
 
Projeto gincana de leitura
Projeto gincana de leituraProjeto gincana de leitura
Projeto gincana de leitura
eucenir
 
Contos produzidos pelos alunos do 7º ano A e B 2014 - Escola Batistina Braga
Contos produzidos pelos alunos do 7º ano A e B 2014 - Escola Batistina BragaContos produzidos pelos alunos do 7º ano A e B 2014 - Escola Batistina Braga
Contos produzidos pelos alunos do 7º ano A e B 2014 - Escola Batistina Braga
profesfrancleite
 
Contos de fadas
Contos de fadasContos de fadas
Contos de fadas
CLAUDIA
 
Jogo Pedagógico sobre "Advérbios".
Jogo Pedagógico sobre "Advérbios". Jogo Pedagógico sobre "Advérbios".
Jogo Pedagógico sobre "Advérbios".
Paula Meyer Piagentini
 
Guia de aprendizagem de Português 1° ano do Ensino Médio do Tempo Integral
Guia de aprendizagem de Português 1° ano do Ensino Médio do Tempo Integral Guia de aprendizagem de Português 1° ano do Ensino Médio do Tempo Integral
Guia de aprendizagem de Português 1° ano do Ensino Médio do Tempo Integral
Val Valença
 
Aula Divertida: Jogo dos Advérbios
Aula Divertida: Jogo dos AdvérbiosAula Divertida: Jogo dos Advérbios
Aula Divertida: Jogo dos Advérbios
Letras Mágicas
 
Livro capitães da areia, de jorge amado análise
Livro capitães da areia, de jorge amado análiseLivro capitães da areia, de jorge amado análise
Livro capitães da areia, de jorge amado análise
Karin Cristine
 
Gênero notícia
Gênero notíciaGênero notícia
Gênero notícia
Pibid Letras UEA
 
LÍNGUA PORTUGUESA | SEMANA 22 | 3ª SÉRIE | INFORMAÇÃO NO TEXTO
LÍNGUA PORTUGUESA | SEMANA 22 | 3ª SÉRIE | INFORMAÇÃO NO TEXTOLÍNGUA PORTUGUESA | SEMANA 22 | 3ª SÉRIE | INFORMAÇÃO NO TEXTO
LÍNGUA PORTUGUESA | SEMANA 22 | 3ª SÉRIE | INFORMAÇÃO NO TEXTO
GoisBemnoEnem
 

Mais procurados (20)

Texto narrativo
Texto narrativoTexto narrativo
Texto narrativo
 
SIMULADO DE LÍNGUA PORTUGUESA - 7° ANO - doc
SIMULADO DE LÍNGUA PORTUGUESA - 7° ANO - docSIMULADO DE LÍNGUA PORTUGUESA - 7° ANO - doc
SIMULADO DE LÍNGUA PORTUGUESA - 7° ANO - doc
 
Notícia gênero textual
Notícia gênero textualNotícia gênero textual
Notícia gênero textual
 
Conto Maravilhoso
Conto MaravilhosoConto Maravilhoso
Conto Maravilhoso
 
Ficha de leitura 9.º ano
Ficha de leitura 9.º ano Ficha de leitura 9.º ano
Ficha de leitura 9.º ano
 
Conto Popular
Conto PopularConto Popular
Conto Popular
 
Sinopse livros e filmes
Sinopse livros e filmesSinopse livros e filmes
Sinopse livros e filmes
 
A menina que odiava ler livros!
A menina que odiava ler livros!A menina que odiava ler livros!
A menina que odiava ler livros!
 
Gêneros textuais – notícia, hq, cartum
Gêneros textuais – notícia, hq, cartumGêneros textuais – notícia, hq, cartum
Gêneros textuais – notícia, hq, cartum
 
Conto Fantástico
Conto FantásticoConto Fantástico
Conto Fantástico
 
Avaliação 7º ano paradidático 1 gabarito
Avaliação 7º ano   paradidático 1 gabaritoAvaliação 7º ano   paradidático 1 gabarito
Avaliação 7º ano paradidático 1 gabarito
 
Projeto gincana de leitura
Projeto gincana de leituraProjeto gincana de leitura
Projeto gincana de leitura
 
Contos produzidos pelos alunos do 7º ano A e B 2014 - Escola Batistina Braga
Contos produzidos pelos alunos do 7º ano A e B 2014 - Escola Batistina BragaContos produzidos pelos alunos do 7º ano A e B 2014 - Escola Batistina Braga
Contos produzidos pelos alunos do 7º ano A e B 2014 - Escola Batistina Braga
 
Contos de fadas
Contos de fadasContos de fadas
Contos de fadas
 
Jogo Pedagógico sobre "Advérbios".
Jogo Pedagógico sobre "Advérbios". Jogo Pedagógico sobre "Advérbios".
Jogo Pedagógico sobre "Advérbios".
 
Guia de aprendizagem de Português 1° ano do Ensino Médio do Tempo Integral
Guia de aprendizagem de Português 1° ano do Ensino Médio do Tempo Integral Guia de aprendizagem de Português 1° ano do Ensino Médio do Tempo Integral
Guia de aprendizagem de Português 1° ano do Ensino Médio do Tempo Integral
 
Aula Divertida: Jogo dos Advérbios
Aula Divertida: Jogo dos AdvérbiosAula Divertida: Jogo dos Advérbios
Aula Divertida: Jogo dos Advérbios
 
Livro capitães da areia, de jorge amado análise
Livro capitães da areia, de jorge amado análiseLivro capitães da areia, de jorge amado análise
Livro capitães da areia, de jorge amado análise
 
Gênero notícia
Gênero notíciaGênero notícia
Gênero notícia
 
LÍNGUA PORTUGUESA | SEMANA 22 | 3ª SÉRIE | INFORMAÇÃO NO TEXTO
LÍNGUA PORTUGUESA | SEMANA 22 | 3ª SÉRIE | INFORMAÇÃO NO TEXTOLÍNGUA PORTUGUESA | SEMANA 22 | 3ª SÉRIE | INFORMAÇÃO NO TEXTO
LÍNGUA PORTUGUESA | SEMANA 22 | 3ª SÉRIE | INFORMAÇÃO NO TEXTO
 

Destaque

Proposta de atividade do conto terror oficia
Proposta de atividade do conto terror  oficiaProposta de atividade do conto terror  oficia
Proposta de atividade do conto terror oficia
Janete Garcia de Freitas
 
Conto de mistério
Conto de mistérioConto de mistério
Conto de mistério
fernandavsm
 
O cavaleiro sem cabeça rodrigo
O cavaleiro sem cabeça   rodrigoO cavaleiro sem cabeça   rodrigo
O cavaleiro sem cabeça rodrigo
fantas45
 
Fantasmas chateados
Fantasmas chateadosFantasmas chateados
Fantasmas chateados
Rose Tavares
 
Dançando com o morto
Dançando com o mortoDançando com o morto
Dançando com o morto
Rose Tavares
 
Livro - Contos de terror - 5º ano "E"
Livro - Contos de terror - 5º ano "E"Livro - Contos de terror - 5º ano "E"
Livro - Contos de terror - 5º ano "E"
Guilherme Leão
 

Destaque (6)

Proposta de atividade do conto terror oficia
Proposta de atividade do conto terror  oficiaProposta de atividade do conto terror  oficia
Proposta de atividade do conto terror oficia
 
Conto de mistério
Conto de mistérioConto de mistério
Conto de mistério
 
O cavaleiro sem cabeça rodrigo
O cavaleiro sem cabeça   rodrigoO cavaleiro sem cabeça   rodrigo
O cavaleiro sem cabeça rodrigo
 
Fantasmas chateados
Fantasmas chateadosFantasmas chateados
Fantasmas chateados
 
Dançando com o morto
Dançando com o mortoDançando com o morto
Dançando com o morto
 
Livro - Contos de terror - 5º ano "E"
Livro - Contos de terror - 5º ano "E"Livro - Contos de terror - 5º ano "E"
Livro - Contos de terror - 5º ano "E"
 

Semelhante a Sequência didática de contos de terror

Apostila_sugestoes_para a _aula_letramento_literario.pdf
Apostila_sugestoes_para a _aula_letramento_literario.pdfApostila_sugestoes_para a _aula_letramento_literario.pdf
Apostila_sugestoes_para a _aula_letramento_literario.pdf
LilianPiola
 
Oficina 02 -contos-de-fadas-e-aprendizagem
Oficina 02 -contos-de-fadas-e-aprendizagemOficina 02 -contos-de-fadas-e-aprendizagem
Oficina 02 -contos-de-fadas-e-aprendizagem
Marlete Outeiro
 
Lasanha Assassina
Lasanha AssassinaLasanha Assassina
Sequência didática margarida friorenta
Sequência didática margarida friorentaSequência didática margarida friorenta
Sequência didática margarida friorenta
Professora Cida
 
Informativo2
Informativo2Informativo2
Leitura e interpretacao_de_textos
Leitura e interpretacao_de_textosLeitura e interpretacao_de_textos
Leitura e interpretacao_de_textos
Marcos Ataide
 
Leituraeinterpretacaodetextos 140507190836-phpapp02
Leituraeinterpretacaodetextos 140507190836-phpapp02Leituraeinterpretacaodetextos 140507190836-phpapp02
Leituraeinterpretacaodetextos 140507190836-phpapp02
Sonia Ramos
 
Leitura e interpretação de texto
Leitura e interpretação de textoLeitura e interpretação de texto
Leitura e interpretação de texto
Augusto Bertotto
 
Leituraeinterpretacaodetextos 140507190836-phpapp02
Leituraeinterpretacaodetextos 140507190836-phpapp02Leituraeinterpretacaodetextos 140507190836-phpapp02
Leituraeinterpretacaodetextos 140507190836-phpapp02
mariacarmcorreia
 
Cap 6
Cap 6Cap 6
Blog
BlogBlog
Atividades de dezembro 2015
Atividades de dezembro 2015Atividades de dezembro 2015
Atividades de dezembro 2015
António Pires
 
projeto nossos amigos, os animais
projeto nossos amigos,  os animaisprojeto nossos amigos,  os animais
projeto nossos amigos, os animais
simonennascimento
 
Atividade teoricos
Atividade teoricosAtividade teoricos
A girafa que comia estrelas (1)
A girafa que comia estrelas (1)A girafa que comia estrelas (1)
A girafa que comia estrelas (1)
bibliotecap
 
Apresentação Sorocaba
Apresentação SorocabaApresentação Sorocaba
Apresentação Sorocaba
Maria Emília Delgado
 
Apresentação Sorocaba
Apresentação SorocabaApresentação Sorocaba
Apresentação Sorocaba
Maria Emília Delgado
 
Exercicios elementos da narratica 2015
Exercicios elementos da narratica 2015Exercicios elementos da narratica 2015
Exercicios elementos da narratica 2015
Olivier Fausti Olivier
 
Exercicios elementos da narratica 2015
Exercicios elementos da narratica 2015Exercicios elementos da narratica 2015
Exercicios elementos da narratica 2015
Olivier Fausti Olivier
 
A verdade usa máscara
A verdade usa máscaraA verdade usa máscara
A verdade usa máscara
Antonio Altvater
 

Semelhante a Sequência didática de contos de terror (20)

Apostila_sugestoes_para a _aula_letramento_literario.pdf
Apostila_sugestoes_para a _aula_letramento_literario.pdfApostila_sugestoes_para a _aula_letramento_literario.pdf
Apostila_sugestoes_para a _aula_letramento_literario.pdf
 
Oficina 02 -contos-de-fadas-e-aprendizagem
Oficina 02 -contos-de-fadas-e-aprendizagemOficina 02 -contos-de-fadas-e-aprendizagem
Oficina 02 -contos-de-fadas-e-aprendizagem
 
Lasanha Assassina
Lasanha AssassinaLasanha Assassina
Lasanha Assassina
 
Sequência didática margarida friorenta
Sequência didática margarida friorentaSequência didática margarida friorenta
Sequência didática margarida friorenta
 
Informativo2
Informativo2Informativo2
Informativo2
 
Leitura e interpretacao_de_textos
Leitura e interpretacao_de_textosLeitura e interpretacao_de_textos
Leitura e interpretacao_de_textos
 
Leituraeinterpretacaodetextos 140507190836-phpapp02
Leituraeinterpretacaodetextos 140507190836-phpapp02Leituraeinterpretacaodetextos 140507190836-phpapp02
Leituraeinterpretacaodetextos 140507190836-phpapp02
 
Leitura e interpretação de texto
Leitura e interpretação de textoLeitura e interpretação de texto
Leitura e interpretação de texto
 
Leituraeinterpretacaodetextos 140507190836-phpapp02
Leituraeinterpretacaodetextos 140507190836-phpapp02Leituraeinterpretacaodetextos 140507190836-phpapp02
Leituraeinterpretacaodetextos 140507190836-phpapp02
 
Cap 6
Cap 6Cap 6
Cap 6
 
Blog
BlogBlog
Blog
 
Atividades de dezembro 2015
Atividades de dezembro 2015Atividades de dezembro 2015
Atividades de dezembro 2015
 
projeto nossos amigos, os animais
projeto nossos amigos,  os animaisprojeto nossos amigos,  os animais
projeto nossos amigos, os animais
 
Atividade teoricos
Atividade teoricosAtividade teoricos
Atividade teoricos
 
A girafa que comia estrelas (1)
A girafa que comia estrelas (1)A girafa que comia estrelas (1)
A girafa que comia estrelas (1)
 
Apresentação Sorocaba
Apresentação SorocabaApresentação Sorocaba
Apresentação Sorocaba
 
Apresentação Sorocaba
Apresentação SorocabaApresentação Sorocaba
Apresentação Sorocaba
 
Exercicios elementos da narratica 2015
Exercicios elementos da narratica 2015Exercicios elementos da narratica 2015
Exercicios elementos da narratica 2015
 
Exercicios elementos da narratica 2015
Exercicios elementos da narratica 2015Exercicios elementos da narratica 2015
Exercicios elementos da narratica 2015
 
A verdade usa máscara
A verdade usa máscaraA verdade usa máscara
A verdade usa máscara
 

Último

Marinha do Brasil (MB) Politíca Naval.pdf
Marinha do Brasil (MB) Politíca Naval.pdfMarinha do Brasil (MB) Politíca Naval.pdf
Marinha do Brasil (MB) Politíca Naval.pdf
Falcão Brasil
 
Slides Lição 4, CPAD, O Encontro de Rute com Boaz, 3Tr24.pptx
Slides Lição 4, CPAD, O Encontro de Rute com Boaz, 3Tr24.pptxSlides Lição 4, CPAD, O Encontro de Rute com Boaz, 3Tr24.pptx
Slides Lição 4, CPAD, O Encontro de Rute com Boaz, 3Tr24.pptx
LuizHenriquedeAlmeid6
 
Plano Estratégico Institucional do Centro Gestor e Operacional do Sistema de ...
Plano Estratégico Institucional do Centro Gestor e Operacional do Sistema de ...Plano Estratégico Institucional do Centro Gestor e Operacional do Sistema de ...
Plano Estratégico Institucional do Centro Gestor e Operacional do Sistema de ...
Falcão Brasil
 
28 - Agente de Endemias (40 mapas mentais) - Amostra.pdf
28 - Agente de Endemias (40 mapas mentais) - Amostra.pdf28 - Agente de Endemias (40 mapas mentais) - Amostra.pdf
28 - Agente de Endemias (40 mapas mentais) - Amostra.pdf
SheylaAlves6
 
A GEOPOLÍTICA ATUAL E A INTEGRAÇÃO ECONÔMICA E SOCIAL
A GEOPOLÍTICA ATUAL E A INTEGRAÇÃO ECONÔMICA E SOCIALA GEOPOLÍTICA ATUAL E A INTEGRAÇÃO ECONÔMICA E SOCIAL
A GEOPOLÍTICA ATUAL E A INTEGRAÇÃO ECONÔMICA E SOCIAL
ArapiracaNoticiasFat
 
Escola de Comando e Estado-Maior da Aeronáutica (ECEMAR).pdf
Escola de Comando e Estado-Maior da Aeronáutica (ECEMAR).pdfEscola de Comando e Estado-Maior da Aeronáutica (ECEMAR).pdf
Escola de Comando e Estado-Maior da Aeronáutica (ECEMAR).pdf
Falcão Brasil
 
Geotecnologias Aplicadas na Gestão de Riscos e Desastres Hidrológicos.pdf
Geotecnologias Aplicadas na Gestão de Riscos e Desastres Hidrológicos.pdfGeotecnologias Aplicadas na Gestão de Riscos e Desastres Hidrológicos.pdf
Geotecnologias Aplicadas na Gestão de Riscos e Desastres Hidrológicos.pdf
Falcão Brasil
 
UFCD_7224_Prevenção de acidentes em contexto domiciliário e institucional_índ...
UFCD_7224_Prevenção de acidentes em contexto domiciliário e institucional_índ...UFCD_7224_Prevenção de acidentes em contexto domiciliário e institucional_índ...
UFCD_7224_Prevenção de acidentes em contexto domiciliário e institucional_índ...
Manuais Formação
 
A Industria Brasileira de Defesa - Situação Atual e Perspectivas de Evolução.pdf
A Industria Brasileira de Defesa - Situação Atual e Perspectivas de Evolução.pdfA Industria Brasileira de Defesa - Situação Atual e Perspectivas de Evolução.pdf
A Industria Brasileira de Defesa - Situação Atual e Perspectivas de Evolução.pdf
Falcão Brasil
 
História das ideias pedagógicas no Brasil - Demerval Saviani.pdf
História das ideias pedagógicas no Brasil - Demerval Saviani.pdfHistória das ideias pedagógicas no Brasil - Demerval Saviani.pdf
História das ideias pedagógicas no Brasil - Demerval Saviani.pdf
LeideLauraCenturionL
 
Que Pena Amor! Eugénio de Sá - Soneto.ppsx
Que Pena Amor! Eugénio de Sá - Soneto.ppsxQue Pena Amor! Eugénio de Sá - Soneto.ppsx
Que Pena Amor! Eugénio de Sá - Soneto.ppsx
Luzia Gabriele
 
Aviação de Asas Rotativas. Aos Rotores, o Sabre!.pdf
Aviação de Asas Rotativas. Aos Rotores, o Sabre!.pdfAviação de Asas Rotativas. Aos Rotores, o Sabre!.pdf
Aviação de Asas Rotativas. Aos Rotores, o Sabre!.pdf
Falcão Brasil
 
UFCD_5673_Segurança nos transportes_índice.pdf
UFCD_5673_Segurança nos transportes_índice.pdfUFCD_5673_Segurança nos transportes_índice.pdf
UFCD_5673_Segurança nos transportes_índice.pdf
Manuais Formação
 
Análise dos resultados do desmatamento obtidos pelo SIAD.ppt
Análise dos resultados do desmatamento obtidos pelo SIAD.pptAnálise dos resultados do desmatamento obtidos pelo SIAD.ppt
Análise dos resultados do desmatamento obtidos pelo SIAD.ppt
Falcão Brasil
 
Boletim informativo - Contacto - julho de 2024
Boletim informativo - Contacto - julho de 2024Boletim informativo - Contacto - julho de 2024
Boletim informativo - Contacto - julho de 2024
Bibliotecas Escolares AEIDH
 
Endereços — Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia - ...
Endereços — Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia - ...Endereços — Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia - ...
Endereços — Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia - ...
Falcão Brasil
 
APRESENTAÇÃO CURSO FORMAÇÃO EXPERT EM MODERAÇÃO DE FOCUS GROUP.pdf
APRESENTAÇÃO  CURSO FORMAÇÃO EXPERT EM MODERAÇÃO DE FOCUS GROUP.pdfAPRESENTAÇÃO  CURSO FORMAÇÃO EXPERT EM MODERAÇÃO DE FOCUS GROUP.pdf
APRESENTAÇÃO CURSO FORMAÇÃO EXPERT EM MODERAÇÃO DE FOCUS GROUP.pdf
portaladministradores
 
Manual de Identidade Visual do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Prot...
Manual de Identidade Visual do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Prot...Manual de Identidade Visual do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Prot...
Manual de Identidade Visual do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Prot...
Falcão Brasil
 
Oceano, Fonte de Vida e Beleza Maria Inês Aroeira Braga.ppsx
Oceano, Fonte de Vida e Beleza Maria Inês Aroeira Braga.ppsxOceano, Fonte de Vida e Beleza Maria Inês Aroeira Braga.ppsx
Oceano, Fonte de Vida e Beleza Maria Inês Aroeira Braga.ppsx
Luzia Gabriele
 

Último (20)

Marinha do Brasil (MB) Politíca Naval.pdf
Marinha do Brasil (MB) Politíca Naval.pdfMarinha do Brasil (MB) Politíca Naval.pdf
Marinha do Brasil (MB) Politíca Naval.pdf
 
Slides Lição 4, CPAD, O Encontro de Rute com Boaz, 3Tr24.pptx
Slides Lição 4, CPAD, O Encontro de Rute com Boaz, 3Tr24.pptxSlides Lição 4, CPAD, O Encontro de Rute com Boaz, 3Tr24.pptx
Slides Lição 4, CPAD, O Encontro de Rute com Boaz, 3Tr24.pptx
 
Plano Estratégico Institucional do Centro Gestor e Operacional do Sistema de ...
Plano Estratégico Institucional do Centro Gestor e Operacional do Sistema de ...Plano Estratégico Institucional do Centro Gestor e Operacional do Sistema de ...
Plano Estratégico Institucional do Centro Gestor e Operacional do Sistema de ...
 
28 - Agente de Endemias (40 mapas mentais) - Amostra.pdf
28 - Agente de Endemias (40 mapas mentais) - Amostra.pdf28 - Agente de Endemias (40 mapas mentais) - Amostra.pdf
28 - Agente de Endemias (40 mapas mentais) - Amostra.pdf
 
A GEOPOLÍTICA ATUAL E A INTEGRAÇÃO ECONÔMICA E SOCIAL
A GEOPOLÍTICA ATUAL E A INTEGRAÇÃO ECONÔMICA E SOCIALA GEOPOLÍTICA ATUAL E A INTEGRAÇÃO ECONÔMICA E SOCIAL
A GEOPOLÍTICA ATUAL E A INTEGRAÇÃO ECONÔMICA E SOCIAL
 
Escola de Comando e Estado-Maior da Aeronáutica (ECEMAR).pdf
Escola de Comando e Estado-Maior da Aeronáutica (ECEMAR).pdfEscola de Comando e Estado-Maior da Aeronáutica (ECEMAR).pdf
Escola de Comando e Estado-Maior da Aeronáutica (ECEMAR).pdf
 
Geotecnologias Aplicadas na Gestão de Riscos e Desastres Hidrológicos.pdf
Geotecnologias Aplicadas na Gestão de Riscos e Desastres Hidrológicos.pdfGeotecnologias Aplicadas na Gestão de Riscos e Desastres Hidrológicos.pdf
Geotecnologias Aplicadas na Gestão de Riscos e Desastres Hidrológicos.pdf
 
UFCD_7224_Prevenção de acidentes em contexto domiciliário e institucional_índ...
UFCD_7224_Prevenção de acidentes em contexto domiciliário e institucional_índ...UFCD_7224_Prevenção de acidentes em contexto domiciliário e institucional_índ...
UFCD_7224_Prevenção de acidentes em contexto domiciliário e institucional_índ...
 
A Industria Brasileira de Defesa - Situação Atual e Perspectivas de Evolução.pdf
A Industria Brasileira de Defesa - Situação Atual e Perspectivas de Evolução.pdfA Industria Brasileira de Defesa - Situação Atual e Perspectivas de Evolução.pdf
A Industria Brasileira de Defesa - Situação Atual e Perspectivas de Evolução.pdf
 
História das ideias pedagógicas no Brasil - Demerval Saviani.pdf
História das ideias pedagógicas no Brasil - Demerval Saviani.pdfHistória das ideias pedagógicas no Brasil - Demerval Saviani.pdf
História das ideias pedagógicas no Brasil - Demerval Saviani.pdf
 
Que Pena Amor! Eugénio de Sá - Soneto.ppsx
Que Pena Amor! Eugénio de Sá - Soneto.ppsxQue Pena Amor! Eugénio de Sá - Soneto.ppsx
Que Pena Amor! Eugénio de Sá - Soneto.ppsx
 
Aviação de Asas Rotativas. Aos Rotores, o Sabre!.pdf
Aviação de Asas Rotativas. Aos Rotores, o Sabre!.pdfAviação de Asas Rotativas. Aos Rotores, o Sabre!.pdf
Aviação de Asas Rotativas. Aos Rotores, o Sabre!.pdf
 
UFCD_5673_Segurança nos transportes_índice.pdf
UFCD_5673_Segurança nos transportes_índice.pdfUFCD_5673_Segurança nos transportes_índice.pdf
UFCD_5673_Segurança nos transportes_índice.pdf
 
Análise dos resultados do desmatamento obtidos pelo SIAD.ppt
Análise dos resultados do desmatamento obtidos pelo SIAD.pptAnálise dos resultados do desmatamento obtidos pelo SIAD.ppt
Análise dos resultados do desmatamento obtidos pelo SIAD.ppt
 
Boletim informativo - Contacto - julho de 2024
Boletim informativo - Contacto - julho de 2024Boletim informativo - Contacto - julho de 2024
Boletim informativo - Contacto - julho de 2024
 
Endereços — Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia - ...
Endereços — Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia - ...Endereços — Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia - ...
Endereços — Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia - ...
 
APRESENTAÇÃO CURSO FORMAÇÃO EXPERT EM MODERAÇÃO DE FOCUS GROUP.pdf
APRESENTAÇÃO  CURSO FORMAÇÃO EXPERT EM MODERAÇÃO DE FOCUS GROUP.pdfAPRESENTAÇÃO  CURSO FORMAÇÃO EXPERT EM MODERAÇÃO DE FOCUS GROUP.pdf
APRESENTAÇÃO CURSO FORMAÇÃO EXPERT EM MODERAÇÃO DE FOCUS GROUP.pdf
 
Manual de Identidade Visual do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Prot...
Manual de Identidade Visual do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Prot...Manual de Identidade Visual do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Prot...
Manual de Identidade Visual do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Prot...
 
Oceano, Fonte de Vida e Beleza Maria Inês Aroeira Braga.ppsx
Oceano, Fonte de Vida e Beleza Maria Inês Aroeira Braga.ppsxOceano, Fonte de Vida e Beleza Maria Inês Aroeira Braga.ppsx
Oceano, Fonte de Vida e Beleza Maria Inês Aroeira Braga.ppsx
 
TALENTOS DA NOSSA ESCOLA .
TALENTOS DA NOSSA ESCOLA                .TALENTOS DA NOSSA ESCOLA                .
TALENTOS DA NOSSA ESCOLA .
 

Sequência didática de contos de terror

  • 1. UNIVERSIDADE FEDERAL DA FRONTEIRA SUL – UFFS Graduação em Pedagogia – 5ª fase Disciplina: Literatura Infanto Juvenil Professora: Neide Cardoso Alunas: Adriana Machado, Daiane Regina May, Karieli Ferrari, Lilian P. Luterek, Susana F. Frighetto Durel e Tatiane Paula dos Santos. SEQUÊNCIA DIDÁTICA CHAPECÓ 2014
  • 2. CONSTRUÇÃO DE LIVRO COLETIVO DE CONTOS Disciplina: Língua portuguesa (Literatura) Ano: 4ª ano Professoras: Adriana Machado, Daiane Regina May, Karieli Ferrari, Lilian Patricia Luterek, Susana de Fátima Frighetto Durel e Tatiane Paula dos Santos. Áreas envolvidas:  História  Artes Tema:  Contos de terror Levantamento dos conhecimentos prévios:  Vocês conhecem algum conto?  Quais são os tipos de conto?  Qual é a estrutura textual de um conto?  O que caracteriza um conto?  Quais contos são mais interessantes?  Você conhece algum conto de terror?  Do que você tem medo? Objetivos:  Conhecer contos de terror;  Aprender a estrutura textual dos contos.  Construir contos para confecção de um livro de contos da turma;  Promover situações de leitura e escrita;  Apossar-se de recursos linguísticos para produzir contos de terror.  Colocar-se na posição de leitor e revisar os próprios textos. Conteúdos:  O que é um conto.  Estrutura textual dos contos.  Características da linguagem utilizada nos contos de terror.  Produção e revisão de textos;  Criação de um conto individualmente, levando em consideração a estrutura textual e a construção da escrita.
  • 3. Tempo estimado:  Cinco aulas. Material necessário:  Conto Medo de Espelhos e Medo? Todo mundo tem!;  Folhas de ofício;  Lápis de cor;  Livros que trabalhem diferentes gêneros textuais;  Cartolinas e Canetas;  Almofadas; Desenvolvimento: Flexibilização Para alunos com deficiência visual Invista na riqueza da descrição dos personagens, para que o aluno cego envolva-se na história. É importante que ele tenha acesso ao conto em braile. Conte com a ajuda do AEE para antecipar algumas etapas do projeto, se julgar necessário. O trabalho em duplas ajuda o aluno com deficiência visual. O colega pode servir como escriba para o aluno cego durante as produções coletivas, mas é importante oferecer tempo extra para que o aluno faça a transcrição dos textos para o braile. As informações contidas no cartaz devem ser repetidas em voz alta para que o aluno faça seus registros no caderno. Para digitar a versão final dos textos, oriente-o a utilizar um teclado adaptado e amplie o tempo de realização desta etapa. 1ª etapa: Organizar a sala para a leitura de um conto de terror. Deixando a sala escura, pedindo para os alunos se colocarem em circulo, sentados no chão da sala em almofadas. Depois de tudo organizado, realizaremos a leitura do conto Medo de Espelhos de Heloisa Pietro. Entregaremos uma cópia do conto para cada um. 2ª etapa: Após a leitura do conto Medo de Espelhos promoveremos um debate sobre o conto, com as seguintes perguntas: o que entenderam do conto? Sentiram medo? Suspense? Quais as partes do conto que mais sentiram medo? Do que vocês tem medo? Se algum trecho frustrou e poderia ser diferente? Após o debate proporemos que em grupos, escrevam em cartolinas palavras e expressões que apontem medo, suspense e maldade. Depois de prontas, serão expostas na parede da sala. 3ª etapa: Após a criação das cartolinas, explicaremos o que é um conto, como ele se estrutura, a diferença entre contos de terror e contos de fada. E entregaremos um questionário sobre a explicação dada. Devem responder e entregar. 4ª etapa: Realizaremos a leitura do conto Medo? Todo mundo tem, de Heloisa Pietro. Proveremos um novo debate, solicitando relatos de casos em que os alunos sentiram medo, com as seguintes perguntas: como o corpo humano geralmente reage ao medo? Quais são as
  • 4. sensações físicas? Quais expressões utilizam no dia a dia para manifestar medo? E se há um antídoto ou uma solução para esse sentimento, qual é? Eles devem tomar notas durante o debate. 5ª etapa: Depois de compreendido o que é um conto, proporemos as crianças, a criação de um conto de terror. Podem escrever sobre os seus medos, sobre os medos dos colegas, o tema será livre, mas deve ser de terror. Para isso utilizaram as cartolinas que estão expostas na sala, criaram seus contos a partir das expressões contidas nas cartolinas. Para auxiliar a criação do conto iremos ao laboratório de informática, aonde eles deveram procurar mais contos, para que tenham mais conhecimentos sobre os contos na hora de produzir o seu conto. 6ª etapa: Retomaremos a atividade de criação do conto, deixando os alunos livres para escreverem e auxiliando-os conforme sentirem necessidades. No termino desta aula recolheremos os contos e revisaremos quais os problemas de escrita são comuns e precisam ser melhorados, como o uso de sinais de pontuação, para ampliar as sensações. 7ª etapa: Depois de revisar os contos, entregaremos para as crianças e mostraremos aonde há necessidade de mudanças, após concluir os contos daremos inicio a confecção do nosso livro de contos, terminando de montar nosso livro, deixaremos o mesmo disponível para outras turmas estarem utilizando esse material. Avaliação:  Avaliaremos a compreensão sobre os contos, quanto as suas características, o comportamento leitor e escritor dos estudantes: comentários e apreciação da leitura, anotações, preocupação com a legibilidade do texto e a disponibilidade para realizar as atividades, quanto à atividade desenvolvida, avaliaremos a escrita, pontuação, acentuação, a estrutura do texto e se o aluno compreendeu a linguagem dos contos.
  • 5. Medo de Espelhos Isabela calçou as botas pretas, vestiu seu moletom preto, longo, sobre as calças também pretas, olhou-se no espelho e ficou satisfeita: seria difícil vê-la quando se embrenhasse na mata naquela noite sem luar. Prendeu os cabelos lisos, pretos, num rabo de cavalo e depois os cobriu com um gorro preto. “Pronto, virei ninja”, pensou. Apanhou a lanterna, velas, ovos, o alazão já selado pra ela. O garoto a cumprimentou no escuro da noite: · Que bom que você está dando risada. Está voltando a ser que nem antes. · Joaquim, todos desapareceram na mata? Ela perguntou, ajeitando-se na sela. · A gente tem que andar depressa. Se não conseguirmos prender o Rodrigo antes do amanhecer, toda aquela turistada vira vampiro que nem ele. Galopando ao lado do amigo na rua principal da pequena cidade vazia, encravada no coração de uma montanha de Minas Gerais, Isabela lembrou-se da primeira vez que ouvira falar da tal da mata dos vampiros. Era inverno em São Paulo e seus pais tinham decidido dar uma festa. O dia todo fora marcado por coisinhas que davam errado, como geladeira quebrada, o cachorro fazendo xixi no tapete novo(...) A casa foi ficando lotada. No sofá em frente ao piano, sentaram-se os amigos de sempre. Mas com eles apareceu um grupo de desconhecidos, uma gente estranha que Isabela nunca vira antes. Eles riam muito. Cochichavam entre si. Havia uma moça que sentou no meio do sofá. Era como se ela fingisse o tempo todo. O rosto de traços até bonitos ficava feio. Ricardo, melhor amigo de seu pai, sentou-se ao lado dela. Foi então que Isabela percebeu. O ar ficou cheio de cores. Como se aquelas pessoas estivessem atrás de uma vidraça transparente e ela estivesse sozinha do lado de fora desse muro quase invisível. A moça riu. Esticou as mãos com se fizesse um gesto normal. E começou a puxar uma luz bonita, suave, perolada que estava em volta do corpo de Ricardo. Ele foi ficando pálido, opaco, como se estivesse perdendo vida. Era horrível de ver. · Você já ouviu falar da mata de vampiros? Isabela sentiu um frio na espinha e virou-se para ver quem lhe fazia essa pergunta. O medo cedeu lugar ao fascínio. Era o garoto mais lindo que ela já vira. Ele sorriu, olhando fundo para ela, e sentou-se na beirada da cadeira. · Fica em Minas Gerais. É uma mata-esconderijo. Um refúgio de vampiros. Quem passa toda uma noite sem luar perdido nela, é transformado em vampiro também. · Rodrigo, para de falar essas coisas. Você não sabe que dá azar? – disse a moça do sofá, como se estivesse lhe dando um aviso. Depois da festa, lembrou-se Isabela, Rodrigo passara a freqüentar sua casa diariamente. Ninguém reclamava da constância de sua presença. Era como se ele hipnotizasse a família inteira. Isabela nunca tinha se divertido tanto. Jamais tinha encontrado alguém como ele. Dar uma volta na rua, tomar um sorvete, ir ao cinema, tudo isso lhe dava uma sensação de felicidade tão intensa como ela nunca havia experimentado. Até que ele lhe contou toda a verdade.
  • 6. · Você sabe que esse negócio de vampirismo é pra valer, não é mesmo, Isabela? – ele lhe disse um dia. · Que bobagem, Rodrigo. Você está brincando comigo. · Eu não estou falando de vampirismo de sangue. Mas de vampirismo de energia, de imaginação, de sonhos, coisas assim. · Continuo achando bobagem – ela disse rindo, enquanto trocava o CD. Depois dessa conversa, Rodrigo simplesmente sumiu. Sem mais nem menos. No primeiro dia Isabela até conseguiu levar a vida normalmente. Mas no segundo, no terceiro, a falta de Rodrigo começou a doer. Concentrar-se? Impossível. Comer? De jeito nenhum! Rir ? Nem pensar! E os sonhos? Tinham desaparecido. Era noite em claro seguida de outra noite em claro. De repente, ele voltou. Do mesmo jeito, sem explicação. · Isabela, eu sei que você sentiu minha falta. · É porque eu gosto muito de você, Rodrigo, só isso. É normal. · Não, minha amiga. Não é normal. Eu não sou seu namorado. Você não está apaixonada por mim. · Não? – ela perguntou. – Pensei que estivesse. · Não. É que eu sou um vampiro. · Para com isso, cara. · Sou mesmo. E você precisa me ajudar. Eu tenho que mudar. Não agüento mais viver assim. Preciso voltar a ser humano. Me ajude, Isabela, me ajude por favor. · Ajudo sim. Mas como? – perguntou a garota. · Vou te ensinar os princípios básicos do vampirismo – ele lhe explicou. – Você precisa se proteger de mim. Eu perco o controle, às vezes. Se isso acontecer, não sei se consigo deixar você escapar. Preste atenção e ouça bem: vampiros não sugam sangue. Não são sobrenaturais, nem imortais, muito menos especiais. Mas tem poderes. Controlam a mente e por isso podem ser letais. Duas horas da manhã. Isabela novamente acordou das recordações e prestou atenção no perigo que corria. Joaquim e ela haviam alcançado o alto da colinha. Agora podiam ver o lago e a pequena mata logo atrás. · A gente tem que entrar na mata. Mas antes vamos tomar as providencias – disse Joaquim. E pediu : · Me dê os ovos, Isabela. Isabela lhe entregou a caixa e Joaquim começou a quebrá-los, um por um, contra as pedras que cercavam o lago. Ovos são símbolos de vida. Vampiros os odeiam por isso. Ovos são mais poderosos que alho. Rodrigo não seria capaz de transpor aquele circulo. Depois que eles o jogassem lá dentro, ele ficaria aprisionado. · Deixe que eu espalho o mel – disse Isabela. Quando abriu a tampa do vidro e sentiu o doce aroma do mel, Isabela lembrou-se da traição. - Isabela, eu preciso dos seus sonhos para poder viver. Fique ao meu lado. Durma um pouco. Não se preocupe. Vou usá-los, mas depois eu os devolvo a você – disse Rodrigo, em pleno sábado de verão. Isabela obedeceu. A cabeça encostada no ombro do vampiro teve sonhos maravilhosos. Rodrigo começou a aparecer nas imagens encantadoras. Ela o recebeu de braços abertos. De repente, o choque do despertar.
  • 7. · Muito obrigada, querida. Agora seus sonhos me pertencem para sempre. Ao lado de Rodrigo, a moça da festa. · É isso aí, garota. Temos sonhos para os próximos quatro anos. Você tem muita imaginação. O período que se seguiu foi de um sofrimento absurdo. O corpo se retorcia de dor. Febre, cansaço, a tristeza mais profunda. Chamaram vários médicos, mas ninguém sabia que doença era aquela. Seus pais resolveram leva-la para a montanha. Era seu lugar preferido. Foi então que Joaquim veio visitá-la. Velho amigo, filho do dono da tropa de cavalos de aluguel. · Isabela – ele lhe disse – eu sei direitinho o que você tem. Aqui, a gente diz que é mordida de vampiro. · Mas eu não fui mordida – ela protestou. · Me dê o seu braço – disse o garoto. Isabela estendeu o braço e, pela primeira vez, reparou numa estranha cicatriz bem abaixo dos pulsos. · O que é isso? – ela perguntou. · Não faz mal, não. Vou lhe dar o remédio. O gosto é esquisito. Mas vai dar certo. O tratamento era estranho. Ovos crus misturados com mel. Todos os dias ao entardecer. De inicio, não houve melhora alguma. Até que Isabela tem um pesadelo horrível. Despertou chorando, assustada. Mas já era um começo. De volta a mata, Isabela guardou o vidro vazio de mel. Retirou um espelho da mochila. Escondeu-o debaixo de um arbusto. Respirou fundo. · Fique aqui, Joaquim – ela disse ao amigo – cuide bem de tudo. · Quero ir com você, Isabela. Os dois estão juntos. É perigo na certa. · Cuide do circulo. Preciso enfrentar tudo isso sozinha. Pode deixar. Isabela apagou a lanterna. Caminhando nas pontas dos pés, atravessou a mata. Viu jovens, velhos e até crianças, adormecidos. Aproximou-se do lago. Sentados à margem das águas, Rodrigo e a vampira assistiam aos sonhos humanos que se refletiam nas águas. Embora a cena fosse fascinante, o tédio de ambos era óbvio. Na verdade, detestavam-se. Rodrigo levantou-se e afastou-se em direção ás arvores. Isabela preparou-se para surpreendê-lo. Quando ele passou ao seu lado, ela se revelou. · Como vai meu vampiro preferido? – perguntou rindo. · Você? – ele disse – O que você está fazendo aqui? · Eu sobrevivi. · Mas é impossível! – ele disse. Ela saiu correndo e rindo entre as árvores. · Você está bravo comigo? · Não sei. – Ele a seguia ainda atordoado. · É que você sente alivio também. Você gosta um pouco de mim, eu sei. Isabela havia crescido naquelas matas. Correu pelos atalhos. O vampiro em seu encalço. Chegou ao laguinho. Joaquim os aguardava. Quando Rodrigo passou por ele, o peão prendeu-lhe os braços e o atirou no meio do circulo. O vampiro gritava. · Apanhe o espelho – disse Isabela. A garota entrou para o circulo. · Olhe aqui! Veja bem como é a sua cara! De inicio, não havia imagem, nada.
  • 8. · Pare com isso dói demais! – Dizia o vampiro. – Eu não existo! · Existe sim! Olhe outra vez, - ela ordenou. · Não tem nada, não tem nada, - ele dizia, os olhos secos, a voz fina. · Olhe então para mim. Eu estou aqui ao seu lado. Também estou perto de você, no reflexo. Pode fazer o que eu estou pedindo. Na hora que Isabela se fitou no espelho, porém o susto foi horrível! Porque no lugar de seu rosto jovem, Isabela viu uma mistura de sua própria imagem com a da garota que sempre o acompanhava: o mesmo sorriso falso, os traços bonitos sobrepondo-se aos seus. O resultado era um hibrido assustador. · Foi por isso que você fugiu? Esta é a cara que vê em mim? – ela lhe perguntou. Ele continuou calado. Isabela desatou a falar. · Agora entendo. Tudinho. Você morre de medo. Você é cego. Aliás, pior que cego. Você vê mal. Vê tudo misturado. O vampiro continuava olhando para o espelho. O reflexo vazio, os olhos fundos, a boca semiaberta. E quando Isabela afastou os olhos do espelho e reparou naquele rosto inerte sentiu um carinho inesperado, inexplicável, até mesmo tolo de tão sem sentido. Ela o abraçou rapidamente. O vampiro continuou imóvel, os ombros duros, o rosto seco. Até que ela gritou: · Veja! No espelho surgia uma massa uniforme, escura e, por trás dela, uma nova imagem. Era o rosto do vampiro que nascia no espelho. Mas agora havia pequenas rugas, imperfeições, dor, tristeza, alegria, todas as emoções. · Viu só? Você é gente também! Agora, feche os olhos e durma. Você vai sonhar. Sozinho - ela disse, satisfeita. Rodrigo foi tomado por um sono intenso, Isabela acomodou a cabeça dele na relva. Deu um beijo rápido em seus cabelos. Saiu do círculo. Montou a cavalo ao lado de Joaquim. Naquele momento, ela tinha certeza de que tudo ia dar certo. · Será que a gente quebrou o feitiço, de verdade?- perguntou Joaquim, desconfiado. · Claro que sim – respondeu Isabela, confiante. – Eu sei que no fundo ele é humano de verdade. · Não sei não, não sei não – murmurou Joaquim. Isabela saiu galopando. Depois diminuindo a velocidade, perguntou ao amigo: · Você se lembra daquela historia antiga do sapo e do escorpião? · A minha preferida? · Só você mesmo pra gostar de um troço daqueles. Agora eu inventei outro jeito de contar. É assim: era uma vez um sapo e um escorpião, que estavam parados à margem de um rio. O escorpião pediu carona ao sapo. · Até aí, é igual a minha ... – disse Joaquim. Isabela prosseguiu: · O sapo desconfiou. “ Mas se eu te der uma carona, você me mata. Eu sei que você é egoísta, traidor,falso e mentiroso.” · Tá, ta – apressou Joaquim – e, daí?
  • 9. · “Juro que não vou te picar!” promete o escorpião. O sapo lhe deu uma carona. Mas quando chegaram no meio do rio, o sapo sentiu o escorpião se mexendo em suas costas... “ Escorpião, pode abaixar o rabinho e guardar o seu veneno. Você não sabe que, se você me picar, morreremos os dois?” · “Mas esta é a minha natureza” – completou Joaquim. · Essa é a parte que eu mudei. Ouça bem. O sapo diz assim: “Escuta aqui, ô seu escorpiãozinho de nada, você sabia que eu também tenho veneno?”. “Tão mortal quanto o meu?”, perguntou o escorpião. “ Você pica, mata e pronto. Já eu solto um veneno que te deixa cego e cheio de coceiras. Você nunca mais vai saber onde picar. Agora salta já das minhas costas. Olha aí um tronco de árvores. Agarre-se nele que eu vou afundar”, disse o sapo. Então o sapo mergulhou no lago e o atravessou por debaixo da água. Na maior facilidade. Como o escorpião não sabe nadar, ficou gritando feito um bobo: “Socorro! Me tirem daqui”, enquanto o tronco deslizava rio abaixo. Quando o sapo chegou à margem, acenou para o escorpião e disse: “Agora, duas leis da vida: número 1, traição não vale a pena: número 2, ser legal não é ser bobo!”. · Ta certo, ta certo, Isabela, gostei – disse Joaquim. O rosto cansado e feliz, roupas imundas, Isabela arrancou o gorro preto. O dia nascia. Ela sorriu. Mas Joaquim balançou a cabeça. · Não sei não – ele repetia. · O que é isso, Joaquim? · Vocês de São Paulo, acham que tudo é fácil. · E você? · Eu sou mineiro. Eu conheço a vida. Eu sei das montanhas. Pra mim o negócio é diferente. · Você está querendo dizer o quê. · Que o feitiço pode voltar. Que ele vira vampiro outra vez. · Você está louco! No fundo, o Rodrigo é bom, eu tenho certeza - disse Isabela. · Será? – perguntou Joaquim e, saiu disparado pelo meio da floresta. Isabela também saiu a todo o galope, rindo, louca para ficar ao lado do amigo, mas por mais que ela tentasse alcança-lo, só conseguia ouvir sua voz, ecoando entre os pinheiros, repetindo sempre a mesma cantiga: · Não sei não, não sei não...
  • 10. Conto: Medo de Espelhos Escola: Professora: Disciplina: Aluno: 1. O que é um conto? 2. Qual a diferença entre contos de fadas e de terror? 3. Você gostou do conto Medo de Espelhos? Por que? 4. Qual foi o trecho do conto que você sentiu medo? 5. Escreve do que você tem medo.