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LENDO, COMPREENDENDO, INTERPRETANDO , ILUSTRANDO E PRODUZINDO UMA 
              NARRATIVA DE TERROR / SUSPENSE / MISTÉRIO.

► PÚBLICO ALVO:
■ Alunos dos 8º anos

► LOCAL:
■ Escola Municipal Luis Lindenberg

►DURAÇÃO:
■ No decorrer do 1º trimestre/2011

► TEXTOS APRESENTADOS PARA ESTUDO
■ TEXTO I: “O retrato oval”, de Edgar Allan Poe 
■ TEXTO II:  “O quadro do palhaço”, de Fernando Ferric

►OBJETIVO GERAL:

■  Apresentar aos alunos o gênero narrativo terror / suspense / Mistério, a fim de levá­los à 
leitura, compreensão e interpretação, bem como a uma discussão literária e a uma reflexão 
linguística. Além disso, também levar esses educandos a tecerem comparações entre os textos 
em estudo, ilustrá­los e a produzirem suas próprias obras literárias. 

►OBJETIVOS:

■ Levar o (a) aluno (a) à leitura, compreensão e interpretação oral e escrita do texto “ O retrato 
oval”, de Edgar Allan Poe;

■ Entender o que é um Conto de Terror/Suspense/Mistério;

■ Identificar as características de um conto de Terror/Suspense/Mistério;

■ Responder às questões propostas (literárias e gramaticais/linguísticas);

■ Comparar as semelhanças e as diferenças entre os contos “O retrato oval”, de Edgar Allan 
Poe e “O quadro do palhaço”, de Fernando Ferric;

■   Ler   outros   textos   de   Terror/Suspense/Mistério,   a   fim  de   apresentar  aos   alunos  histórias 
diferentes desse gênero narrativo em estudo;

■ Ilustrar os contos de terror “O retrato oval”, de Edgar Allan Poe e “O quadro do palhaço”, 
de Fernando Ferric;


■ Produzir um conto de terror/Suspense/Mistério.
QUAL É O OBJETIVO DE UM CONTO DE TERROR?

           Os contos de terror têm por objetivo despertar no leitor sensações e horror diante da 
morte, da loucura e do mal que se escondem na mente humana. Para atingir esse objetivo, 
alguns   contos   apresentam   ao   leitor   elementos   sobre   os   quais   não   se   deixa   dúvida:   são 
sobrenaturais. Assim, as personagens são assombradas por fantasmas e monstros e vivem 
experiências extraordinárias. Em outros, a causa do terror se encontra na mente humana.


(Para viver juntos: português, 8º ano: ensino fundamental / Ana Elisa de A. Penteado. Edições 
                                                 SM, 2009)


                                                 TEXTO I   

                                   O retrato oval (Edgar Allan Poe)

      O castelo em que meu criado se aventurara a forçar entrada, em lugar de deixar­me 
passar   uma   noite   ao   relento,   gravemente   ferido   como   eu   estava,   era   um   daqueles 
edifícios   mesclados   de   soturnidade   e   grandeza   que   por   muito   tempo   carranquearam 
entre os Apeninos, tanto na realidade quanto na imaginação da Sra. Radcliffe. Ao que 
tudo indicava, fora abandonado havia pouco e temporariamente. Acomodamo­nos num 
dos   quartos   menores   e   menos   suntuosamente   mobiliados,   que   ficava   num   remoto 
torreão   do   edifício.   Sua   decoração   era   rica,   porém   esfarrapada   e   antiga.   As   paredes 
estavam   forradas   com   tapeçarias   e   ornadas   com   diversos   e   multiformes   troféus 
heráldicos, juntamente com um número inusual de espirituosas pinturas modernas em 
molduras de ricos arabescos dourados. Por essas pinturas, que pendiam das paredes 
não só de suas principais superfícies, mas de muitos recessos que a arquitetura bizarra 
do castelo fez necessários, por essas pinturas meu delírio incipiente, talvez, fizera­me 
tomar interesse profundo; de modo que ordenei a Pedro fechar os pesados postigos do 
quarto   –   visto   que   já   era   noite   –,   acender   um   alto   candelabro   que   se   encontrava   à 
cabeceira de minha cama e abrir amplamente as cortinas franjadas de veludo negro que 
a   envolviam.   Desejei   que   tudo   isso   fosse   feito   para   que   pudesse   abandonar­me,   ao 
menos alternativamente, se não adormecesse, à contemplação das pinturas e à leitura 
atenta de um pequeno volume encontrado sobre o travesseiro que se propunha a criticá­
las e descrevê­las.  
         Por longo, longo tempo li, e com devoção e dedicação contemplei­as. Rápidas e 
gloriosas,   as   horas   voavam   e   a   meia­noite   profunda   veio.   A   posição   do   candelabro 
desagradava­me, e estendendo a mão com dificuldade, em vez de perturbar meu criado 
adormecido,   ajeitei­o  a   fim   de  lançar   seus   raios   de   luz  mais   em   cheio  sobre   o  livro. 
Mas   a   ação   produziu   um   efeito   completamente   imprevisto.   Os   raios   das   numerosas 
velas (pois eram muitas) agora caíam num nicho do quarto que até o momento estivera 
mergulhado em profunda sombra por uma das colunas da cama. Assim, vi sob a luz 
vívida um quadro não notado antes. Era o retrato de uma jovem, quase mulher feita. 
Olhei a pintura apressadamente e fechei os olhos. Não foi a princípio claro para minha 
própria percepção por que fiz isso. Todavia, enquanto minhas pálpebras permaneciam 
dessa forma fechadas, revi na mente a reação de fechá­las. Foi um movimento impulsivo 
para ganhar tempo para pensar – para certificar­me de que minha vista não me enganara 
–, para acalmar e dominar minha fantasia para uma observação mais calma e segura. Em 
poucos momentos, novamente olhei fixamente a pintura.       O que agora via, certamente 
não podia e não queria duvidar, pois o primeiro clarão  das velas sobre a tela dissipara o 
estupor   de   sonho   que   me   roubava   os   sentidos,     despertando­me   imediatamente   à 
realidade. 
         O retrato, já  o disse, era o de uma jovem. Uma mera cabeça e ombros, feitos à 
maneira denominada tecnicamente de vinheta, muito ao estilo das cabeças favoritas de 
Sully.   Os   braços,   o   busto   e   as   pontas   dos   radiantes   cabelos   dissolviam­se 
imperceptivelmente na vaga mas profunda sombra que formava o fundo do conjunto. A 
moldura  era oval, ricamente dourada e filigranada  à mourisca. Como objeto artístico, 
nada   poderia   ser   mais   admirável   do   que   aquela   pintura   em   si.   Mas   não   seria   a 
elaboração da obra nem a beleza imortal daquela face o que tão repentinamente e com 
veemência comovera­me. Tampouco teria minha fantasia, sacudida de seu meio­sono, 
tomado a cabeça pela de uma pessoa viva. Vi logo que as peculiaridades do desenho, do 
vinhetado e da moldura devem ter dissipado instantaneamente tal idéia – e até  mesmo 
evitado   sua   cogitação   momentânea.   Pensando   seriamente   acerca   desses     pontos, 
permaneci, talvez uma hora, meio sentado, meio reclinado, com minha vista pregada ao 
retrato. Enfim, satisfeito com o verdadeiro segredo de seu efeito, caí de  costas na cama. 
Descobrira   o   feitiço   do   quadro   numa   absoluta   naturalidade   de     expressão,   a   qual 
primeiro   espantou­me   e   por   fim   confundiu­me,   dominou­me   e     aterrorizou­me.   Com 
profundo e reverente temor, recoloquei o candelabro em sua  posição anterior. Sendo a 
causa de minha profunda agitação colocada assim fora de  vista, busquei avidamente o 
volume   que   tratava   das   pinturas   e   suas   histórias.   Dirigindo­   me   ao   número   que 
designava o retrato oval, li as vagas e singulares palavras que se seguem:     “Era uma 
donzela de raríssima beleza, não mais encantadora do que cheia de   alegria. Má foi a 
hora  em  que  viu, amou e desposou o pintor.  Ele, apaixonado,    estudioso,  austero, e 
tendo   já   na   sua   Arte   uma   esposa;   ela,   uma   donzela   de   raríssima     beleza,   não   mais 
encantadora do que cheia de alegria; toda luz e sorrisos, e travessa como uma corça 
nova; amando e acarinhando todas as coisas; odiando apenas a Arte, sua rival; temendo 
só a paleta, os pincéis e outros desfavoráveis instrumentos que a privavam do rosto de 
seu amado. Era, portanto, uma coisa terrível para essa dama ouvir o pintor falar de seu 
desejo de retratar justo sua jovem esposa. No entanto, ela era humilde e obediente, e 
posou submissa por muitas semanas na escura e alta   câmara do torreão, onde a luz 
caía somente do teto sobre a pálida tela. Mas ele, o pintor, glorificava­se com sua obra, 
que continuava de hora a hora, dia a dia. E era um homem apaixonado, impetuoso e 
taciturno,   que   se   perdia   em   devaneios;   de   maneira   que   não   queria   ver   que   a   luz 
espectral   que   caía   naquele   torreão   isolado   debilitava   a   saúde   e   a   vivacidade   de   sua 
esposa, que definhava visivelmente para todos, exceto para ele. Contudo, ela continuava 
a sorrir imóvel, docilmente, porque viu que o pintor (que tinha grande renome) adquiriu 
um fervoroso e ardente prazer em sua tarefa, e trabalhava dia e noite para pintar a que 
tanto o amava, aquela que a cada dia ficava mais desalentada e fraca. E, em verdade, 
alguns   que   viam   o  retrato  falavam,   em   voz   baixa,   de   sua   semelhança   como   de   uma 
poderosa maravilha, e uma prova não só da força do pintor como de seu profundo amor 
pela   qual   ele   pintava   tão   insuperavelmente     bem.   Finalmente,   como   o   trabalho 
aproximava­se de sua conclusão, ninguém mais foi admitido no torreão, pois o pintor 
enlouquecera com o ardor de sua obra, raramente  desviando os olhos da tela, mesmo 
para olhar o rosto de sua esposa. Não queria ver que as tintas que espalhava na tela 
eram tiradas das faces da que posava junto a ele.
E   quando   muitas   semanas   nocivas   passaram   e   pouco   restava   a   fazer,   salvo   uma 
pincelada na boca e um tom nos olhos, o espírito da dama novamente bruxuleou como a 
chama   de   uma   lanterna.   Então,   a   pincelada   foi   dada   e   o   tom   aplicado,   e,   por   um 
momento, o pintor deteve­se extasiado diante da obra em que trabalhara. Porém, em 
seguida,   enquanto   ainda   contemplava­a,   ficou   trêmulo,   muito   pálido   e   espantado, 
exclamando em voz alta: ‘Isto é de fato a própria Vida!’ Voltou­se repentinamente para 
olhar sua amada: estava morta!”O retrato oval (Edgar Allan Poe)
      O castelo em que meu criado se aventurara a forçar entrada, em lugar de deixar­me 
passar   uma   noite   ao   relento,   gravemente   ferido   como   eu   estava,   era   um   daqueles 
edifícios   mesclados   de   soturnidade   e   grandeza   que   por   muito   tempo   carranquearam 
entre os Apeninos, tanto na realidade quanto na imaginação da Sra. Radcliffe. Ao que 
tudo indicava, fora abandonado havia pouco e temporariamente. Acomodamo­nos num 
dos   quartos   menores   e   menos   suntuosamente   mobiliados,   que   ficava   num   remoto 
torreão   do   edifício.   Sua   decoração   era   rica,   porém   esfarrapada   e   antiga.   As   paredes 
estavam   forradas   com   tapeçarias   e   ornadas   com   diversos   e   multiformes   troféus 
heráldicos, juntamente com um número inusual de espirituosas pinturas modernas em 
molduras de ricos arabescos dourados. Por essas pinturas, que pendiam das paredes 
não só de suas principais superfícies, mas de muitos recessos que a arquitetura bizarra 
do castelo fez necessários, por essas pinturas meu delírio incipiente, talvez, fizera­me 
tomar interesse profundo; de modo que ordenei a Pedro fechar os pesados postigos do 
quarto   –   visto   que   já   era   noite   –,   acender   um   alto   candelabro   que   se   encontrava   à 
cabeceira de minha cama e abrir amplamente as cortinas franjadas de veludo negro  que 
a   envolviam.   Desejei   que   tudo   isso   fosse   feito   para   que   pudesse   abandonar­me,   ao 
menos alternativamente, se não adormecesse, à contemplação das pinturas e à leitura 
atenta   de   um   pequeno   volume   encontrado   sobre   o   travesseiro   que   se   propunha   a 
criticá­las e descrevê­las.
         Por longo, longo tempo li, e com devoção e dedicação contemplei­as. Rápidas e 
gloriosas,   as   horas   voavam   e   a   meia­noite   profunda   veio.   A   posição   do   candelabro 
desagradava­me, e estendendo a mão com dificuldade, em vez de perturbar meu criado 
adormecido,   ajeitei­o  a   fim   de  lançar   seus   raios   de   luz  mais   em   cheio  sobre   o  livro. 
Mas   a   ação   produziu   um   efeito   completamente   imprevisto.   Os   raios   das   numerosas 
velas (pois eram muitas) agora caíam num nicho do quarto que até o momento estivera 
mergulhado em profunda sombra por uma das colunas da cama. Assim, vi sob a luz 
vívida um quadro não notado antes. Era o retrato de uma jovem, quase mulher feita. 
Olhei a pintura apressadamente e fechei os olhos. Não foi a princípio claro para minha 
própria percepção por que fiz isso. Todavia, enquanto minhas pálpebras permaneciam 
dessa forma fechadas, revi na mente a reação de fechá­las. Foi um movimento impulsivo 
para ganhar tempo para pensar – para certificar­me de que minha vista não me enganara 
–, para acalmar e dominar minha fantasia para uma observação mais calma e segura. Em 
poucos momentos, novamente olhei fixamente a pintura.       O que agora via, certamente 
não podia e não queria duvidar, pois o primeiro clarão das velas sobre a tela dissipara o 
estupor   de   sonho   que   me   roubava   os   sentidos,   despertando­me   imediatamente   à 
realidade. 
         O retrato, já  o disse, era o de uma jovem. Uma mera cabeça e ombros, feitos à 
maneira denominada tecnicamente de vinheta, muito ao estilo das cabeças favoritas de 
Sully.   Os   braços,   o   busto   e   as   pontas   dos   radiantes   cabelos   dissolviam­se 
imperceptivelmente na vaga mas profunda sombra que formava o fundo do conjunto. A 
moldura  era oval, ricamente dourada e filigranada  à mourisca. Como objeto artístico, 
nada   poderia   ser   mais   admirável   do   que   aquela   pintura   em   si.   Mas   não   seria   a 
elaboração da obra nem a beleza imortal daquela face o que tão repentinamente e com 
veemência comovera­me. Tampouco teria minha fantasia, sacudida de seu meio­sono, 
tomado a cabeça pela de uma pessoa viva. Vi logo que as peculiaridades do desenho, do 
vinhetado e da moldura devem ter dissipado instantaneamente tal idéia – e até mesmo 
evitado   sua   cogitação   momentânea.   Pensando   seriamente   acerca   desses   pontos, 
permaneci, talvez uma hora, meio sentado, meio reclinado, com minha vista pregada ao 
retrato. Enfim, satisfeito com o verdadeiro segredo de seu efeito, caí de costas na cama. 
Descobrira   o   feitiço   do   quadro   numa   absoluta   naturalidade   de   expressão,   a   qual 
primeiro   espantou­me   e   por   fim   confundiu­me,   dominou­me   e   aterrorizou­me.   Com 
profundo e reverente temor, recoloquei o candelabro em sua posição anterior. Sendo a 
causa de minha profunda agitação colocada assim fora de vista, busquei avidamente o 
volume   que   tratava   das   pinturas   e   suas   histórias.   Dirigindo­me   ao   número   que 
designava o retrato oval, li as vagas e singulares palavras que se seguem:     “Era uma 
donzela de raríssima beleza, não mais encantadora do que cheia de alegria. Má foi a hora 
em que viu, amou e desposou o pintor. Ele, apaixonado, estudioso, austero, e tendo já 
na sua Arte uma esposa; ela, uma donzela de raríssima beleza, não mais encantadora do 
que cheia de alegria; toda luz e sorrisos, e travessa como uma corça nova; amando e 
acarinhando todas as coisas; odiando apenas a Arte, sua rival; temendo só a paleta, os 
pincéis e outros desfavoráveis instrumentos que a privavam do rosto de seu amado. 
Era, portanto, uma coisa terrível para essa dama ouvir o pintor falar de seu desejo de 
retratar   justo   sua   jovem   esposa.   No   entanto,   ela   era   humilde   e   obediente,   e   posou 
submissa   por   muitas   semanas   na   escura   e   alta   câmara   do   torreão,   onde   a   luz   caía 
somente do teto sobre a pálida tela. Mas ele, o pintor, glorificava­se com sua obra, que 
continuava   de   hora   a   hora,   dia   a   dia.   E   era   um   homem   apaixonado,   impetuoso   e 
taciturno,   que   se   perdia   em   devaneios;   de   maneira   que   não   queria   ver   que   a   luz 
espectral   que   caía   naquele   torreão   isolado   debilitava   a   saúde   e   a   vivacidade   de   sua 
esposa, que definhava visivelmente para todos, exceto para ele. Contudo, ela continuava 
a sorrir imóvel, docilmente, porque viu que o pintor (que tinha grande renome) adquiriu 
um fervoroso e ardente prazer em sua tarefa, e trabalhava dia e noite para pintar a que 
tanto o amava, aquela que a cada dia ficava mais desalentada e fraca. E, em verdade, 
alguns   que   viam   o  retrato  falavam,   em   voz   baixa,   de   sua   semelhança   como   de   uma 
poderosa maravilha, e uma prova não só da força do pintor como de seu profundo amor 
pela   qual   ele   pintava   tão   insuperavelmente   bem.   Finalmente,   como   o   trabalho 
aproximava­se de sua conclusão, ninguém mais foi admitido no torreão, pois o pintor 
enlouquecera com o ardor de sua obra, raramente desviando os olhos da tela, mesmo 
para olhar o rosto de sua esposa. Não queria ver que as tintas que espalhava na tela 
eram tiradas das faces da que posava junto a ele.  
E   quando   muitas   semanas   nocivas   passaram   e   pouco   restava   a   fazer,   salvo   uma 
pincelada na boca e um tom nos olhos, o espírito da dama novamente bruxuleou como a 
chama   de   uma   lanterna.   Então,   a   pincelada   foi   dada   e   o   tom   aplicado,   e,   por   um 
momento, o pintor deteve­se extasiado diante da obra em que trabalhara. Porém, em 
seguida,   enquanto   ainda   contemplava­a,   ficou   trêmulo,   muito   pálido   e   espantado, 
exclamando em voz alta: ‘Isto é de fato a própria Vida!’ Voltou­se repentinamente para 
olhar sua amada: estava morta!”
ATIVIDADE DE FIXAÇÃO

                                              OBSERVAÇÃO: 

Esta  proposta de atividade foi executada e corrigida em sala de aula com os alunos dos 
8º anos

►O texto “O retrato oval”, de Edgar Allan Poe, foi lido e discutido em sala de aula. Com base 
nessa leitura e discussão, faça o que se pede abaixo:

1) O texto “O retrato oval” pode ser dividido em duas partes: na primeira, um homem ferido que 
se hospeda em um castelo; na segunda, uma bela jovem casa­se com um pintor. Pergunta­se:

a) Qual o foco narrativo da primeira parte?
_____________________________________________________________________

b) Qual o foco narrativo da segunda parte?
_____________________________________________________________________

2)Podemos deduzir que o narrador na primeira parte do texto “O retrato oval” é um homem 
rico. Comprove essa afirmativa com uma passagem do texto.
_____________________________________________________________________

3) Na narrativa ocorre um fato inusitado. Pergunta­se:

a) Que fato é esse?

b) Por que esse fato pode ser considerado inusitado?
_____________________________________________________________________

4) Em “O retrato oval”, uma combinação de fatores cria o suspense, elemento fundamental em 
seu enredo. Um desses fatores é a forma de apresentar o espaço ao leitor. 

a) Com base nas palavras do narrador, indique as características do castelo.

b) Como eram as paredes desse castelo?

c) Como eram os quadros?
_____________________________________________________________________
 
d) Como era a iluminação do castelo?
_____________________________________________________________________
e) Como era a cama?
_____________________________________________________________________

5) O autor do texto “O retrato oval” usou a palavra “soturnidade” que é sinônimo de “lúgubre” 
com a finalidade de caracterizar o ambiente onde a história se passa. Pergunta­se:

a) Qual o significado de lúgubre?
b) Por que o autor usou esse adjetivo?
_____________________________________________________________________


6) Copie o segundo parágrafo do texto “O retrato oval” e, em seguida, responda as questões 
abaixo:

a) Quantos verbos esse parágrafo tem? (destaque­os)
_____________________________________________________________________
b) De quantas orações é formado esse parágrafo?
_____________________________________________________________________
c) Qual é o adjetivo usado para caracterizar a “meia­noite”?
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d) Como se classifica o sujeito dos verbos “li” e “contemplei­as”?
_____________________________________________________________________

e) Em “...as horas voavam e a meia­noite profunda veio”, qual é o sujeito do verbo “voavam” e do verbo “veio”?
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                                                    TEXTO II

                                          O quadro do palhaço
                                               (Fernando Ferric)

      Festa de aniversário na casa de André. Ele estava completando oito anos e, entre 
vários   presentes,   um   recebeu   atenção   especial:   um   quadro   com   a   gravura   de   um 
palhaço. Ele usava um chapéu amassado com uma flor morta e tinha uma fisionomia 
triste.
      André não tinha mais tranquilidade para brincar no seu quarto, se sentia vigiado 
pelo estranho quadro pendurado na cabeceira da cama. Ele tinha a impressão que o 
palhaço se mexia enquanto ele brincava.
      O pior  era  quando  anoitecia. Na hora  de  dormir, ele  ouvia  estranhos  ruídos  que 
pareciam vir do quadro; levantava, ligava a luz e lá estava o palhaço com o semblante 
triste, mas ao mesmo tempo um sorriso cínico. O medo era tão grande que um dia ele 
teve um terrível pesadelo com o palhaço, acordou no meio da noite e foi correndo para o 
quarto da sua mãe.
      Acordou disposto a dar fim naquele medo. Pegou o quadro e colocou no chão e 
ficou observando aquela gravura. Era como se o palhaço tivesse vida. André pegou uma 
faca e começou a raspar os olhos do temível palhaço, pois sem os olhos ele não parecia 
tão terrível assim. Quando sua mãe chegou e viu o que ele tinha feito com o quadro, 
ficou muito nervosa, deu­lhe uma surra, e o pior, deixou André de castigo trancado no 
quarto.
      Ele não sabia o que fazer. Sentia a presença do palhaço no quarto. Se apagava a 
luz, ficava vendo coisas; se acendia, lá estava a gravura, agora sem os olhos e com um 
ar de vingança. Pegou o quadro e colocou embaixo da cama, deitou e pensou que tinha 
achado   uma   boa   solução,   mas   começo   a   ouvir   uma   risada,   bem   baixinha,   como   se 
estivesse provocando.
­   Lá,   lá,   lá,   lá,   lá.   Não   estou   ouvindo   nada!   –   começo   a   cantar   com   as   mãos 
tampando os ouvidos.
     André sentiu um forte puxão em seus braços.
     ­ Agora você vai ouvir! – disse o palhaço em cima de sua cama. 
     O   garoto   não   podia   acreditar   que   o   palhaço   estava   na   sua   frente,   não   era   uma 
gravura, era real. Seu rosto era sombrio, sua maquiagem estava desbotada, usava uma 
roupa rasgada, fétida. Era um circo de horrores.
     ­ Me larga, seu palhaço horroroso! Me larga! – gritou André se debatendo.
     O palhaço  continuou   a segurá­lo com  muita  força,  e dava  gargalhadas.  De  seus 
olhos escorriam um líquido negro. O palhaço ergueu a mão e enfiou com toda força no 
peito de André. Ele sentiu o amargo sabor da morte em seus lábios; não podia se deixar 
sua vida escapar. De repente um clarão, e uma forte sacudida em seus ombros.
     ­ Acorda, filho! Acorda! Calma... Foi apenas um pesadelo. – disse sua mãe.
     A mãe de André o deixou dormir no quarto dela.  Mas ele sabia que seria só naquela 
noite, e teria que enfrentar o quadro novamente.
     Na escola, ao contar o que aconteceu, seus amigos lhe deram a ideia de queimar o 
quadro.
     Com um saco de lixo, eles entraram no quarto sem que a empregada percebesse, 
pegaram o quadro e botaram dentro do saco.
     ­ Onde vamos queimar? – perguntou André aos seus colegas.
     ­ Na minha garagem! Vamos botar fogo nesse palhaço! – respondeu Fernando.
     Jogaram muito álcool, pularam em cima do quadro, chutaram a gravura do palhaço, 
cuspiram em cima dele, um verdadeiro exorcismo.
     ­ Taca fogo, André! Queima ele! – gritou Fernando.
     André riscou o fósforo e jogou em cima do quadro. As labaredas consumiram o 
quadro,   a   gravura   se   desmanchou   até   não   restar   mais   nada.   Todos   comemoraram. 
Menos  a  mãe  de  André que   ficou revoltada   ao  saber  que  o garoto tinha  destruído   o 
quadro que seu avô lhe dera.
     Era   festa   de   aniversário   de   Fernando.   Já   tinha   passado   alguns   meses   após   o 
acontecido. Todos os amigos reunidos, inclusive o André. Muitos presentes chegaram. 
Carrinho de controle remoto, vídeo game, bola, mas faltava desembrulhar um presente. 
Ninguém sabia quem tinha dado aquele que estava encostado  na parede, embrulhado 
com um papel marrom.
     ­Oba! Vamos ver o que é esse! – gritou Fernando chamando os colegas.
     ­ Acho que é um jogo! – disse André.
     ­ Não! Eu acho que é um quebra­cabeça!
     E ao desembrulhar, a terrível surpresa... O quadro do Palhaço!
COMPARANDO OS TEXTOS: “O RETRATO OVAL”, DE EDGAR ALLAN POE E “O 
                    QUADRO DO PALHAÇO”, DE FERNADO FERRIC


OBSERVAÇÃO
Esta proposta de atividade foi executada e corrigida em sala de aula com os alunos dos 
8º anos



► Tomando por base os textos “O retrato oval” e “O quadro do palhaço”, teça semelhanças e 
diferenças entre eles, observando os elementos da narrativa e a caracterização dos mesmos, 
bem como outros elementos pertinentes.




             SEMELHANÇAS                              DIFERENÇAS


   O retrato oval   O quadro do palhaço       O retrato oval      O quadro do 
                                                                    palhaço
TEXTOS COMPLEMENTARES


                                  O mistério do homem de preto
                                          (Luiz Lanzieri)

          Na   delegacia,  um   homem   todo   sujo,   e   com   os   pulsos   machucados,   chegou 
correndo desesperadamente, procurando por ajuda. Ele começou a se exaltar, e alguns 
policiais o levaram a um canto para saber o que se passava. O homem sentou­se em 
uma cadeira, enquanto falava: 
          ­ Meu nome é Ross, e o que venho a dizer é de extrema importância.
          ­ Pare de delongas e comece logo a dizer o que sabe! – Disse um policial.
          ­ Tudo bem. Assim que os Smith foram embora, o homem de preto chegou. Ele 
se mudou para lá, mas ninguém jamais o via. Vivia trancafiado em casa e parecia ser 
altamente anti­social. Porém, eu sei o que ele é, só eu sei o que ele fez com os Smith! 
          O delegado, percebendo a exaltação de um homem que ele logo reconheceu 
como Ross, seu parceiro de pesca, procurou inteirar­se do que estava acontecendo:
          ­Que baderna é essa, Ross? Qual o motivo do escândalo?
          ­ Desculpe, delegado, estou falando sobre aquele homem que chegou à nossa 
cidade. Eu queria fazer uma denúncia!
          ­ Ótimo! Pois então vá logo, também quero saber o que há de tão suspeito com 
esse cara.
          ­   Como   eu   ia   dizendo,   estava   realizando   meus   afazeres,   enquanto   minha 
mulher estava com meus filhos na casa de minha sogra; foi aí que ele bateu à minha 
porta.
          ­ Que estranho... Os boatos são que ele só vive isolado. Que horas eram? – 
Indagou o delegado. 
          ­ Eram mais ou menos 4:30h da tarde, estava para escurecer. Ele me disse que 
em sua casa havia um cano furado. Como eu já havia sido encanador por algum tempo, 
ofereci­me para ajudar.
          E completou: 
          ­ Assim que entrei em sua casa, percebi um cheiro estranho e depois de um 
tempinho andando lá, um pano encardido veio ao meu rosto e eu não me lembro de mais 
nada. Acho que ele me apagou com clorofórmio.
          ­   Continue!   O   que   aconteceu?   –   Perguntaram   os   policiais,   sobretudo   o 
delegado.
          ­   Acordei,   depois,   com   as   mãos   amarradas   a   um   cano   de   ferro   na   parede. 
Percebi que o homem estava com um avental branco sujo de sangue e um cutelo na 
mão.  Quando  abriu   a  geladeira,  percebi  que  lá  havia   vários   pedaços  de   carne,   e,  ao 
reparar melhor, percebi uma cabeça, que era da Srª Smith! Desesperado, perguntei a ele 
o que ele queria e o que ele havia feito coma família Smith. Ele olhou para mim com uma 
cara muito pálida e com olhos brilhantes. E, de maneira muito fria, respondeu: 
          ­ Pois é, Eles não queriam me vender a casa, e como na cidade de onde vim 
eles não aceitam muito antropofagia, eu os usei para servirem a uma causa maior, assim 
como você servirá, para matar minha fome.
Enquanto falava, retirou o seu avental e limpou as mãos. Veio para perto de 
mim e começou a dar uma risadinha forçada. Colocou um toca­disco para funcionar e foi 
tomar um banho, eu acho.
          Com   o   pouco   que   restava   de   minha   força,   consegui   derrubar   o   toca­disco. 
Quando o disco de vinil caiu, quebrou­se todo, e um pedaço caiu perto de minha perna. 
Consegui pegá­lo, cortei a corda, com um ruído não muito alto. Mas o homem deve ter­
se alertado e já  devia estar se enxugando.  Desesperadamente, eu corri até a porta e 
tentei abrir. Estava trancada. Peguei a cadeira e quebrei o vidro da janela. Saí por ali 
mesmo e vim correndo, até chegar aqui. O delegado olhou para ele com uma cara de 
incrédulo e disse:
          ­ Ross, eu também não vou com a cara desse cara, nem sei como ele é direito; 
mas, olhe só: você está confuso. Faça o seguinte: vá para casa, tome um banho e durma 
um pouco. Se amanhã você tiver certeza do que está falando, eu vou dar uma olhada. 
          ­Tá bom, eu acho que foi só um pesadelo mesmo.
Poucos   dias   depois   desses   acontecimentos,   o   jornal   local   exibia   a   foto   de   Ross   na 
seção de desaparecidos. O anúncio dizia que a última vez que fora visto, estava saindo 
da delegacia. 
A PESTE DO BEIJO
                                           Autor: Alessandro Reiffer




                                                                                               
A enfermidade surgira há algumas décadas. Seu desconhecimento pela ciência oficial era completo, e 
logo a doença tornou­se uma pandemia sem controle. Inicialmente, a moléstia incurável ficou conhecida 
como Peste Sanguínea, devido ao fato de afetar o aparelho circulatório dos seres humanos, em particular 
o sangue, e gradualmente ir causando o apodrecimento do líquido sanguíneo. Com tais características, 
logicamente, a Peste Sanguínea era sempre fatal e, uma vez surgidos os primeiros sintomas, quais sejam, 
hemorragias   e   enegrecimento   dos   vasos   sanguíneos,   a   morte   tornava­se   questão   de   algumas   poucas 
semanas.
Verificou­se   que   a   enfermidade   era   causada   por   um   vírus   mutante.   Com   suas   incessantes   mutações 
gênicas, “driblava” todas as tentativas dos cientistas de criar medicamentos ou vacinas contra a moléstia. 
No entanto, o problema maior da peste era que o agente causador possuía um período de incubação um 
tanto longo, cerca de 5 anos. Dessa forma, as pessoas contaminadas não sabiam que possuíam o vírus e, 
durante   o   tempo   de   incubação,   transmitiam­no   incontrolavelmente   a   um   número   indeterminável   de 
indivíduos.   Como era uma doença  do sangue, a transmissão da Peste Sanguínea obviamente   ocorria 
através do contato direto com o sangue ou por secreções corpóreas a ele relacionadas, como esperma e 
leite materno. Relação sexual, uso de drogas injetáveis e transfusões sanguíneas consistiam as principais 
formas de contágio.
Um terrível espetáculo dantesco era a contemplação da morte de uma vítima da Peste Sanguínea. Em uma 
primeira fase, o enfermo apresentava hemorragias pelas narinas, febre alta e leves dores por todo o corpo, 
semelhantes à de uma gripe. Ao mesmo tempo, as veias assumiam gradativamente um tom negro sob a 
pele. Na fase secundária da doença, as dores corporais se intensificavam a um nível insuportável, as 
hemorragias   nasais   tornavam­se  muito   freqüentes,  sendo  que   o  sangue   expulso  era  negro,   viscoso   e 
fétido. O enfermo agora também expelia profusas quantidades de sangue através de vômitos e diarréias 
espantosas,   golfadas   de   um   líquido   espesso   e   gosmento,   em   apodrecimento,   de   um   mau­cheiro 
nauseabundo, de um aspecto repulsivo. Uma tosse constante e insidiosa contribuía para agravar o quadro, 
ocasionando a expectoração de um muco negro e sanguinolento.
O  enfermo   já  não se alimentava  mais, e a morte  vinha com a terceira  fase da peste, absolutamente 
horrível. Não se passava 5 minutos sem que o enfermo expelisse sangue podre, quer por um impiedoso 
ataque   de   tosse,   quer   pela   diarréia,   quer   pelo   vômito.   Enquanto   a   triste   vítima   definhava 
implacavelmente,   e   suas   veias   apresentavam­se   em   uma   tonalidade   morbidamente   escura,   um   fedor 
insuportável e pestilento exalava­se de todo seu corpo, uma vez que devido aos freqüentes vômitos e 
diarréias,   o   sangue  pútrido  acumulava­se ao  seu redor,  e  as  pessoas  temiam   limpá­lo,  receando   que 
pudessem se contaminar. Se o desgraçado não morresse pelas incessantes hemorragias, em um derradeiro 
estágio   surgiam   por   todo   o   corpo   feridas   e   chagas   infeccionadas,   purulentas,   sangrando   e   fedendo 
asquerosamente.
Completava­se então o quadro funesto, e o doente falecia no horror e no abandono absoluto, esquecido 
nos hospitais especialmente construídos para isolar aqueles  infelizes  do restante da população, locais 
estes   cada   vez   mais   lotados,   posto   que   uma   vez   identificado   o   vírus   na   vítima,   ela   era   levada   aos 
mencionados hospitais, ainda que à força.
Um  outro  aspecto tenebroso da Peste Sanguínea consistia no fato de que o vírus somente podia  ser 
identificado   pelos   testes   somente   3   anos   após   o   contágio.   Ou   seja,   o   indivíduo,   durante   3   anos,   se 
estivesse contaminado, não teria como sabê­lo, e poderia alastrar a moléstia de forma assustadora. De 
modo que o número de doentes não cessava de aumentar, e nenhuma das medidas adotadas surtiu o efeito 
desejado, principalmente no que se relacionava ao uso de preservativos nas relações sexuais. Como é já 
sabido, o vírus apresentava uma alta capacidade de mutação, assim, posteriormente comprovou­se que o 
vírus   causador   da   peste   havia   reduzido   consideravelmente   suas   já   ultramicroscópicas   proporções, 
tornando­se capaz de penetrar através dos “poros” invisíveis do material dos preservativos, contaminando 
dessa forma o parceiro.
As autoridades relutaram por muito tempo em tornar pública tal terrível informação, temendo o pânico 
generalizado e intentando aperfeiçoar os preservativos, no que foram frustrados. E quando o número de 
doentes   assumiu   proporções   catastróficas,   não   houve   outro   jeito,   tudo   foi   divulgado.   Muitos   não 
acreditaram   e   prosseguiram   mantendo   relações   usando   as   afamadas   “camisinhas”,   outras   mesmo 
acreditando na revelação, permitiram que o desejo sexual falasse mais alto, ignorando o perigo da doença 
para satisfazê­lo. E ainda houve os que foram tomados de um verdadeiro pavor pelo sexo, o que alterou 
dramaticamente suas relações sociais.
Muitos  indivíduos, temendo contrair a peste, principiaram a manter  relações  amorosas, digamos,  um 
pouco mais “castas”, ou seja, contentando­se apenas com os beijos e com as carícias, que acabavam 
desembocando   na   masturbação   mútua.   No   entanto,   muitas   vezes,   não   conseguiam   frear   o   imperioso 
apetite sexual, concretizando então o ato. Porém, mesmo com todos os temores e cautelas, o número de 
infectados crescia em progressão geométrica, e já havia povos quase que totalmente dizimados pela Peste 
do Sangue.
Já fora dito que o vírus era altamente mutagênico. Pois mais uma mutação deve ter se desencadeado. 
Ocorreu que a doença passou a se manifestar bem mais cedo, reduzindo seu período de incubação para 
pouco mais de 6 meses. No entanto, ela permanecia fatal somente após 5 anos. Durante o longo tempo 
precedente, os sintomas consistiam em chagas e feridas que, gradativamente, iam se espalhando por todo 
o   corpo.   No   princípio,   surgiam   nos   órgãos   sexuais,   nas   mãos   e   nos   lábios.   Eram   como   verrugas 
arroxeadas  e/ou   avermelhadas  que eventualmente  sangravam. Ao longo dos anos, as feridas  nodosas 
alastravam­se pelo restante do corpo e se intensificavam os sangramentos, porém o progresso era lento. 
Verdadeiramente horrível e repugnante era contemplar uma vítima da peste tomada de feridas roxas e 
vermelhas, ainda que fosse somente no início, quando os lábios assumiam um aspecto monstruoso devido 
à concentração de feridas no local. Às vezes, as feridas também exalavam um fétido odor.
Um   outro   sintoma   surgia   alguns   meses   após   o   aparecimento   das   primeiras   feridas.   Tratava­se   da 
impossibilidade dos homens em ter uma ereção completa; o pênis, mesmo durante a mais extremada 
excitação, permanecia parcialmente flácido. Já nas mulheres, quando sexualmente excitadas, não mais 
ocorria a lubrificação natural do órgão genital, mas era liberado um muco espesso, purulento, e, assim, 
como as feridas, um tanto mau­cheiroso. Tal era o quadro que se prolongava quase sem alteração durante 
os quase 5 anos, tempo necessário para a peste ocasionar a morte do enfermo.
Todavia, os leitores devem estar concluindo que se os primeiros sintomas já ocorriam dentro de poucos 
meses após o contágio, conseqüentemente haveria pouco tempo para que o infectado transmitisse o vírus. 
Assim também pensavam médicos e cientistas; no entanto, para espanto e horror de todos, isso não se 
concretizou, isto é, o crescimento do número de casos não se reduziu como se imaginava, mas continuava 
crescendo rapidamente. A doença passou então a ser estudada com mais afinco pelos cientistas, até que 
foi constatado que jovens que jamais tiveram relações sexuais, que não eram usuários de drogas, que 
jamais necessitaram de transfusões sanguíneas e que afirmavam nunca ter mantido o menor contato com 
algum infectado (visivelmente, ao menos) estavam doentes. O que se sabia era que tais jovens, durante os 
meses precedentes ao surgimento da doença, freqüentaram, em todos os casos de estudo, casas noturnas 
onde “ficaram” com pessoas aparentemente saudáveis. O contato físico máximo que ocorreu em tais 
casos foram inofensivos beijos na boca, boca sem feridas, diga­se de passagem.
Foi então que surgiu a horripilante suspeita de que o vírus, através de alguma ominosa mutação, tornou­
se transmissível através da saliva. Foram realizadas pesquisas em pacientes infectados e, diferentemente 
do que ocorria com o vírus no sangue, o vírus na saliva era facilmente identificável. E comprovou­se: a 
Peste do Sangue era agora transmissível pelo contato com a saliva...
Após a divulgação dessa funesta descoberta, o beijo, um dos mais belos e ancestrais costumes humanos, 
foi quase que banido das relações sociais.  Somente beijavam­se pessoas que se conheciam de forma 
íntima, e ainda assim com certas reservas. O temor de contrair a fatal enfermidade era tão intenso que a 
grande maioria das pessoas que antes possuíam mais de um parceiro ou parceira decidiu de uma hora para 
outra permanecer com apenas um, com o mais conhecido ou com o par “oficial” conforme o caso. Claro 
que alguns se recusaram a aceitar o fato, ou nem mesmo se importaram, e continuaram saindo e “ficando” 
com diversas pessoas. Geralmente, alguns meses depois, tais pessoas percebiam em seus lábios o lúgubre 
surgimento de algumas feridas arroxeadas...
É desnecessário que eu explicite ao leitor uma descrição do quadro desolador que se seguiu à descoberta 
da presença do vírus na saliva e que o infectado poderia permanecer com ele em sua boca por seis meses 
sem apresentar sintomas. O beijo transformou­se de um símbolo de amizade, de prazer, paixão ou amor, 
em um símbolo  de medo e morte. As pessoas já não iam a festas, ou a casas noturnas, porque não 
poderiam   “ficar”   com   ninguém,   uma   vez   que   qualquer   contato   erótico   sem   o   ato   do   beijo   era 
naturalmente inconcebível. Quando duas pessoas se apaixonavam, a tortura era quase insuportável, uma 
vez que se temia a aproximação mútua e os conseqüentes beijos, no entanto, muitos enfrentavam o risco e 
davam asas à sua paixão, não sem ter o coração repleto de temores.
Posteriormente, percebeu­se que naqueles casos onde o casal de enamorados ainda permanecia unido, 
aparentemente mantendo­se em verdadeiro sentimento amoroso, não houve manifestação da doença em 
nenhum dos indivíduos, enquanto que os casais que iniciavam o relacionamento e logo o terminavam, a 
Peste do Sangue sempre apresentava seus sintomas, mesmo que os ex­namorados não beijassem ninguém 
mais após o término da relação.
Da   mesma   forma,   foram   identificadas   pessoas   que   jamais   desenvolviam   a   enfermidade,   embora 
mantivessem   relações   sexuais   com   indivíduos   comprovadamente   infectados.   Foi   o   que   ocorreu   com 
certas esposas que, afirmando amarem seus maridos doentes, continuavam dispostas a manter contatos 
sexuais com os mesmos. É claro que a ciência estudou exaustivamente tais mulheres, seu sangue, seu 
sistema imunológico, tentando decifrar esse mistério, na esperança de desenvolver algum medicamento. 
Tudo   em  vão.   Nada, absolutamente  nada de diferente  das outras  pessoas  foi encontrado, e os  casos 
seguiram sem explicação.
Porém... eu... eu tenho minha teoria, talvez absurda, talvez simplória, talvez já imaginada pelo leitor, mas 
vamos a ela... Creio firmemente que as pessoas que não desenvolvem a doença são aquelas que amam seu 
par ou que ao menos buscam amá­lo com sinceridade. A Peste não afeta tais pessoas, ela, de alguma 
forma, por algum motivo desconhecido, respeita seus sentimentos, quando verdadeiros, é como se fosse 
uma moléstia inteligente, que discernisse o sentimento de um e de outro. É por isso que não esperarei 
mais. Irei me declarar àquela jovem de olhar tão meigo que arrebatou minha alma... Amo­a. Ou será que 
apenas julgo que a amo? E se eu estiver enganado com meus sentimentos? E se minha teoria estiver 
errada? E se após beijá­la eu contrair o vírus? Meu Deus, que dúvida massacrante!!! Mas não, eu irei, eu 
irei, não posso mais, confiarei no que sinto, confiarei na minha alma, e que se cumpra o que me reservar 
o Destino...
FIM




BEIJOS GELADOS
Autor: Fernando Ferric 




                                                                                     
Seus   olhos   brilharam   quando   ela   viu   aquele   corpo.   Com   as   pontas   dos   dedos,   ela   podia   sentir   a 
temperatura e a maciez daquela pele branca totalmente despida. Camille também se despiu e começou a 
alisar o peito, os braços, as pernas, sentir cada músculo. Seu corpo tremia de prazer. Com os lábios, sentia 
o sabor... Era algo inexplicável. O prazer só dependia dela. Apreciava beijar aqueles lábios frios, lambê­
los... Fazia suaves movimentos circulares com a língua. Subiu em cima dele e simulou uma penetração 
impossível. 
Enquanto se esfregava e gemia de prazer, olhava para o amigo que a assistia no canto da sala, sentado em 
uma cadeira. Enquanto fazia isso, tocava suas partes intimas, excitando­as. Marcos adorava ver aquilo. 
No   entanto,   já   era   tarde.   Sussurrando   para   não   ser   ouvido,   pediu   para   que   ela   terminasse,   pois   os 
familiares já estavam na sala ao lado, esperando o ente querido. Ele precisava terminar os preparativos, 
maquiar e vestir o falecido. A garota deu­lhe um beijo de agradecimento por mais uma noite de prazer e 
se foi. 
Camille e seu amigo agente funerário se conheciam há muito, desde os tempos de colégio. Em certa 
época da vida, descobriram o mesmo gosto pela morte. Isso se deu quando ela, curiosa, quis visitar o 
local de trabalho do amigo. Ao avistar o corpo másculo de um rapaz, excitou­se. A partir dali, convenceu 
o amigo a liberar sua entrada no necrotério municipal para suas pequenas orgias. No inicio, Marcos achou 
muito   estranho,   mas,   levando   em   conta   o   corpo   dela,   moldado   em   academias,   cedeu,   participando 
algumas vezes da festa. Geralmente, esses eventos aconteciam à noite. Durante o dia, a garota estudava 
em sua casa. 
Assim que um corpo de homem que, aos olhos dele, agradaria Camille, dava entrada no necrotério, o 
amigo ligava para ela; naquela noite não seria diferente... 
­ Oi – beijou­o – E meu falecido. Quem é? 
Ele sorriu. 
­ Você vai gostar. – descobriu o lençol branco. O nome dele é Roberto, tinha 23 anos e morreu em um 
acidente de moto, mas não ficaram muitas marcas. 
Ela o examinou e abriu um largo sorriso. 
­ Hummm, ele parece ser bom. – tocou­o – Eu estava precisando me distrair mesmo... Tava de saco cheio 
de ficar em casa! 
­ Mas temos que ser rápidos. A família já está na sala ao lado, esperando para o velório. 
Ela assentiu com a cabeça. Esses riscos a excitavam. Adorava ser pressionada. 
­ Vou deixar vocês a sós por um tempinho, enquanto preparo a roupa e a maquiagem. – virou­se para o 
corpo – Seja um bom garoto, Roberto! Faça tudo o que ela mandar... – disse, saindo. 
Camille aproximou­se do ouvido do falecido e sussurrou: 
­ Agora somos só eu e você, Beto! 
Passou dois dedos nos lábios do falecido e levou­os aos seus, isso um pouco antes de tirar a sua blusa e 
deitar sobre o corpo frio à sua frente. Em seguida, colocou a língua para fora e lambeu a boca dele, 
sentindo o gosto cru da morte, além de seu cheiro acre. Para ela, amar um morto, mesmo que por alguns 
minutos, era algo mágico, diferente, um ritual com muita energia. Não era apenas sexo. Marcos também 
gostava,  mas  em uma escala menor. Sempre que entrava um cadáver de mulher que o agradava ele 
passava a mão e se acariciava também. 
Camille estava muito excitada e passou a se masturbar, gemendo baixinho, enquanto aumentava o ritmo 
em que conduzia a mão do cadáver. De súbito, Marcos retornou a sala, deslumbrando a cena. Ficou ali, 
encostado na porta, olhando­a . Com os olhos entreabertos, ela ensaiou dizer um “vem” com os lábios. 
Contudo, o som não saiu. O amigo entendeu e aproximou­se. Os dois se beijaram e amaram­se por longos 
minutos. Seria quase um ménage se Roberto pudesse agir. 
Saciados,   vestiram­se   e   prepararam   Roberto   para   o   velório.   Ela,   de   tanto   acompanhar   o   amigo   nas 
madrugadas na funerária, já havia adquirido experiência em maquiar e vestir os mortos. 
­ Pronto! Está lindo, arrumado e cheiroso... Se pudesse ficaria horas com ele. – disse, enquanto acendia 
seu cigarro. 
­ Quando o presunto é boa pinta, fica mais fácil, né? – respondeu Marcos – Estou uns quinze minutos 
atrasado. Vou pedir para os rapazes me ajudarem com o caixão. – beijou­a. 
­ Valeu! – sorriu – Quando tiver umas carnes gostosas assim, não deixe de me ligar. – deu uma leve 
piscada e saiu. 
Camille saiu pela porta dos fundos, como de costume, e foi andando lentamente, passando por trás das 
salas de velório. Enquanto caminhava, observava a lua minguante no céu, cercada de estrelas. Adorava o 
cheiro   suave   da   noite.   Nela,   todos   os   seus   prazeres   eram   consumados.   Contudo,   por   conta   dessa 
observação, deixou de prestar atenção por onde andava, razão pela qual tropeçou em um pedaço de lápide 
cravado na terra. A conseqüência disso foi uma queda que fez sua cabeça ir de encontro a uma pedra 
tumular. Ficou alguns segundos atordoada. Ao se levantar, passou a mão na testa e notou que havia um 
pouco de sangue. 
­ Mas que merda! – resmungou. 
Enquanto tirava terra da roupa, procurou onde tinha tropeçado e achou o resto da lápide. Havia uma 
inscrição. Ela se agachou e limpou a terra que escondia uma parte. 
Maldito daquele que perturbar o descanso dos mortos. 
Camille   assustou­se.   Achou   de   mau   gosto   alguém   ter   colocado   aquilo   em   uma   lápide,   Parecia   uma 
ameaça, uma maldição lançada. 
­ Uma maldição lançada para mim... – pensou em voz alta. 
Estranhou a coincidência de ter tropeçado justamente em uma lápide com aqueles dizeres. 
­ Bobagem! Foi só uma merda de coincidência, eu não acredito nessas porcarias. – esbravejou, pulando o 
muro do cemitério. 
Enquanto caminhava pela rua escura, sua cabeça doía muito e continuava a sangrar. Estava com medo. 
Pela primeira vez, Camille sentiu medo do que estava fazendo. 
Maldito daquele... 
Aquela inscrição não saía da cabeça dela. 
Ela estava com medo. Ansiava por encontrar alguém, mas a rua estava deserta e escura. Mal podia ver o 
chão. Cruzou os braços e foi andando, trêmula. Repentinamente, tropeçou em suas próprias pernas e caiu 
novamente. Ficou alguns segundos no chão e começou a chorar. 
­ Você está bem? 
Ela levantou a cabeça, antes de frente para o chão e só conseguiu visualizar um par de botas. A pessoa 
ajudou­a a se levantar e foi tirando­a do breu da madrugada. O pavor que subitamente tomou conta dela a 
impedia de pronunciar qualquer palavra, nem sequer um obrigado ao samaritano. Enquanto caminhavam, 
ele puxou papo. 
­ Qual é o seu nome? 
­ Camille! 
­ Você fuma? Pode me ceder um cigarro? 
Ela tirou um do maço e entregou a ele. 
­ Pode acender para mim? 
Ela pegou o isqueiro e, com as mãos tremendo, levou­o até o cigarro na boca dele. Ao acender, a chama 
iluminou o rosto do rapaz, e ela o reconheceu imeditamente. 
­ N­Não pode ser! 
Ela se desesperou, empurrou­o tentando correr. Não podia acreditar que era ele. Correu muito até avistar 
a ponte. Olhou para trás e viu que não a seguia. Estava sem ar, não conseguia pensar em nada, só queria 
chegar em casa e esquecer essa terrível noite. 
­ Só eu e você! Agora somos só eu e você... Não foi isso que você me falou? 
Era ele, agora tinha certeza, ela não conseguia correr, sentia que seu corpo já não respondia mais, caiu de 
joelhos. 
­ Não pode ser! Você está morto...! Me deixe em paz! – gritou. 
Era sua maldição, maldita lápide, maldita maldição que caíra sobre ela. 
Dias depois, Marcos ficou muito tenso quando chegou aquele corpo. Retirou o lençol que a cobria. Não 
podia acreditar que aquela fatalidade tinha acontecido. Ela estava morta. Havia dois dias, estava com ele. 
Fora encontrada morta naquela madrugada, resultado de um acidente banal: havia caído sobre uma pedra 
no cemitério. O laudo apontou uma concussão profunda no crânio. Para sorte dele, não descobriram que 
eles   estavam   juntos   na   funerária.   Passou   em   sua   cabeça   tudo   o   que   eles   fizeram,   desde   quando   se 
conheceram até a ultima noite. Lembrou das transas, de todos os mortos que saciaram seus desejos. 
Agora era ela, era a garota que ele amava, a pessoa que mais se parecia com ele. Tinha de ser a despedida 
era a última vez. O corpo de Camille o excitava, ela parecia estar dormindo. Marcos tirou a roupa e 
começou a tocar o corpo dela. Beijou seus lábios, seus seios e a penetrou. Ele tinha a sensação de que não 
estava   sozinho.   Estava   certo.   No   canto   da   sala   fria   e   úmida,   Roberto   e   Camille   observavam,   com 
paciência. 
ILUSTRANDO O TEXTO “O QUADRO DO PALHAÇO”, DE FERNANDO FERRIC




               DENI, PROFESSOR DE PORTUGUÊS
TURMA 801




KAREN, ALUNA DA 801
ESTEFANY, ALUNA DA 801
BEATRIZ, ALUNA DA 801
JOÃO VICTOR, ALUNO DA 801
MATHEUS SANCHES, ALUNO DA 801
MARIANA BORGES, ALUNA DA 801
TURMA 803




BRUNA KAROLAINE, ALUNA 803
HENRIQUE, ALUNO DA 803
MARIANA DE AMORIM, ALUNA DA 803
MARIANA PEDREIRA, ALUNA DA 803
LUCAS, ALUNO DA 803
ILUSTRANDO O TEXTO “O RETRATO OVAL”, DE ADGAR ALLAN POE

                     TURMA 802




                JOHNATAS, ALUNO DA 802
STÉPHANIE, ALUNA DA 802
MARCELA, ALUNA DA 802
SARAH, ALUNA DA 802
TURMA 800




CAIO, ALUNO DA 800
THAYNÁ, ALUNA DA 800
MICHELLY SANTOS, ALUNA DA 800
GABRIELA BRASIL, ALUNA DA 800
MARYANA, ALUNA DA 800
GABRIEL, ALUNO DA  800
PRODUZINDO UM CONTO DE TERROR / SUSPENSE / MISTÉRIO


      Tomando   por   base   os   textos   “O   retrato   oval”,   de   Edgar   Allan   Poe   e   “O   quadro   do 
Palhaço”, de Fernando Ferric, redija um Conto de Terror/Suspense, observando os seguintes 
critérios:

► O Conto se concentrará em torno do seguinte elemento: 
­ Turma 800: Um baú velho;
­ Turma 801: Um espelho;
­ Turma 802: Um quarto negro;
­ Turma 803: Um casaco preto.

► Narrador em primeira pessoa (narrador­personagem) ou em terceira (observador);

► O ambiente deve ser um lugar inusitado;

► O conto deverá ser feito no tempo passado;

► Dê um título bem criativo ao conto;

► O texto deverá ser produzido em dupla;

► O texto deverá ter entre 20 a 40 linhas.
PRODUÇÕES TEXTUAIS

                                O mistério do baú
      Num certo dia, fui ao enterro de Paula. Ela era uma professora de inglês. Eu
   estava com todos os meus amigos, quando, de repente, Pedro, meu amigo de
 infância, mostrou-me uma casa que parecia super aterrorizante. Sua fachada era
         de um tom meio cinza, com partas pretas com ar de envelhecida.
       Como eu era muito curiosa, chamei o Pedro para irmos lá ver, e ele aceitou
prontamente. Aproximamo-nos da casa. Veio um homem em nossa direção. Ele
falava com um tom de voz meio sinistra que nós não poderíamos nos aproximar
daquela casa porque lá havia coisas misteriosas, que não poderíamos saber. Com
muito medo, eu e Pedro saímos correndo e nos escondemos atrás de uma lápide.
Falei para Pedro que estava ainda mais curiosa do que antes. Mas Pedro estava
com medo e voltamos para casa.
       No dia seguinte, fomos lá novamente bem cedinho. Era por volta das seis e
meia da manhã. Chegando perto da casa, vimos um homem dentro dela. Ele era
baixo, gordo e careca e estava com um machado na mão direita e, na esquerda,
uma tesoura. Logo, reconhecemos que era o coveiro que enterrou a Paula. Ficamos
observando por um tempo o homem, achamos que estava se arrumando para o
trabalho. Quando ele saiu, ele não estava mais careca e ficamos surpresos em vê-lo
com um enorme cabelo.
       Ao sair da casa, ele escondeu uma chave no mato que tinha em frente da
sua moradia. Pegamos a tal chave e entramos na casa. Entrando, tivemos a
impressão de que estávamos numa história de terror. As paredes de dentro da casa
eram pintadas de preto. A casa era meio gótica. Ao entrar, deparamo-nos com um
estranho corredor que, ao fundo, havia uma porta com um cadeado muito grande,
impossível de abri-lo, já que não tínhamos a chave, pensamos.
       Andando pela casa, lembramos da chave que pegamos. Foi perfeito! Ela
também abria aquele cadeado! Abrimos a porta e entramos correndo e nos
deparamos com um baú velho. Fomos até a ele e o abrimos. Ao abri-lo,
desvendamos o mistério: o baú continha um grande número de cabelo de pessoas
mortas, inclusive o cabelo de Paula, a professora de inglês.

       (Andressa Novaes e Diana Justo. Alunas do 8º ano. E. M. Luis Lindenberg, 2011)
A Flor Rosa


        Certo dia, um grupo de amigos foi acampar em uma pequena floresta perto
de um lago. Com o passar dos dias, uma garota discutiu com o seu namorado.
Irritada, saiu correndo do lago para o acampamento. Já no fim da tarde, ela estava
arrumando as roupas para ir embora e, logo em seguida, saiu. No caminho voltando
para a sua casa, ela achou uma flor rosa e começou a conversar com ela,
desejando muitas coisas ruins para o seu namorado, inclusive que ele morresse e
que a escola onde eles estudavam pegasse fogo, para ter terremoto...
        Depois de certo tempo, ela perguntou para sua flor o que estava
acontecendo, porque o seu namorado morreu atropelado, a escola pegou fogo e,
com isso, muitas crianças e professores morreram queimadas. Depois disso, houve
um terremoto e muitas pessoas morreram. Sem resposta, ela se estressou, pegou a
flor e jogou fora, e foi sozinha para o tal acampamento que ficava na pequena
floresta.
        Ela passou um bom tempo lá. Achou um baú velho todo sujo com uma
chave brilhosa em cima dele. Abriu-o. Quando olhou, lá estava a flor rosa. Ela
toucou na flor e, do nada, surgiu uma bruxa dizendo que desde quando a tocou
pela primeira vez, os seus desejos já poderiam se considerados realizados. Ela bem
assustada com a bruxa, correu e esta disse que ela ia morrer.
        Depois de alguns anos, a garota desapareceu. O irmão dela foi à delegacia
da cidade dar queixa do seu desaparecimento, e informar que em cima da cama
havia uma carta deixada por ela dizendo: Adeus, meu irmão! Um dia eu volto para
te visitar! Pegue a flor rosa que está no baú no acampamento e deseja muito
dinheiro, paz e felicidade... Adeus!

                        (Matheus Barbosa. Aluno do 8º ano. E. M. Luis Lindenberg, 2011)
O museu aterrorizante


        Algum tempo atrás, eu estava com minha amiga e nossos familiares em um
museu que era rodeado de espelhos e bonecos mal assombrados. Todos que
entravam lá eram aterrorizados. Era cada coisa estranha que eu e minha amiga
ficávamos contando os minutos para sair logo de lá, já que não adiantou contar
nada para os nossos familiares, porque eles não acreditaram.
        Tinha cada coisa pior do que a outra. Eram absurdas, tanto que quem já
tinha entrado nesse lugar não tinha coragem de entrar novamente. Foi tão horrível,
que quando saímos de lá, estávamos passando mal. Aonde eu ia e encontrava
espelhos, pensava nas piores coisas, mas sabia que era a minha imaginação. Minha
amiga não conseguia dormir sozinha, porque passava várias coisas ruins na cabeça
dela.
        No dia seguinte do acontecimento, eu fui para a escola. Chegando nela, eu
minha amiga contamos para todos da classe o que havia acontecido. Poucos
acreditaram, mas tudo bem.
        Um mês depois desse acontecimento, estava andando pela rua, quando, de
repente, encontrei um espelho com a imagem de um boneco querendo me puxar
para dentro dele. Imediatamente, liguei para minha amiga e ela foi ao local onde eu
estava. Então vimos que tudo o que havia acontecido era real e decidimos queimar
o espelho. Depois de queimá-lo, fomos para casa e, do nada, por incrível que
pareça, tudo aquilo foi apagando de nossas mentes.
        Dois dias depois, minha amiga fez uma festa surpresa em sua casa
comemorando o meu aniversário. Depois que todos foram embora, começamos a
abrir os presentes. De repente, encontrei uma caixa com um bilhete escrito assim:
Feliz Aniversário! Ah, ah, ah, ah!!! Com muito medo, eu e minha amiga abrimos a
caixa e adivinha o que estava lá? O espelho com a imagem do boneco
aterrorizante, querendo nos pegar.

             (Jéssica Sampaio e Victória Ramos. Alunas do 8º ano. E. M. Luis Lindenberg,
                                                                                  2011)
A Órfã
       Quando eu tinha onze anos, meus pais morreram em um acidente de carro.
Fui adotado por um senhor chamado José e sua família. Morávamos numa linda
mansão afastada da cidade. Vivi anos felizes nela, até que um dia, meus pais
adotaram também uma menina de nome Anna.
       A princípio, ela se mostrou amável. Fiquei alegre e meu irmão mais novo
também. Anna chegou com poucos pertences na bolsa e ficou comovida com o
quarto que ganhou.
       Mas algo estranho me deixou intrigado. Ela não deixou ninguém mexer em
sua bolsa e, dentro dela tinha apenas uma escova de cabelo, um espelho redondo e
poucos vestidos.
       Para a sua idade – doze anos – era muito esperta e inteligente.
       Nas brincadeiras, não se mostrou amigável, chegando a provocar acidentes
com meu irmão. Comecei, então, a observá-la. Notei que seus modos eram
dissimulados e estranhos.
       Desconfiado, fui até o seu quarto e, investigando os seus pertences, um
ruído me chamou atenção e, com medo, entrei embaixo da cama para esconder-me
e a vi entrando.
       Começou a cantar uma melodia estranha que eu não entendia. Pegou a
pequena bolsa e de lá tirou o espelho. Notei que olhava sua imagem refletida com
muita atenção. Quando olhei, não acreditei no que vi: ou a imagem estava
distorcida, ou era outra pessoa com o rosto totalmente envelhecido. Conseguir sair
do quarto e apavorado, contei para a minha mãe que não acreditou. E Anna atrás
da porta ouviu toda a conversa. Começou, então, a me amedrontar.
       Até que um dia, eu a desafiei. Peguei o espelho e pedi que ela se olhasse na
frente de meus pais. Ela se negou a fazer, e meus pais disseram por que não. Ela
continuou negando.
       Dois dias se passaram. Fomos a um passeio e, no meio do caminho,
avistamos uma pequena igreja. Quando entramos, uma surpresa: cadê Ana? Havia
desaparecido. De repente, ruídos no fundo da igreja me chamaram a atenção.
Quando olhei, Anna estava dentro do espelho com os olhos vermelhos. Ela disse: -
Eu voltarei! Ah, ah, ah, ah!
       Passados vinte e quatro anos, pessoas ainda dizem que vê o rosto da órfã
no espelho da igreja.
                        ( Raikom e Rômullo. Alunos do 8º ano. E. M. Luis Lindenberg, 2011)
Olhos no escuro


       Lembro-me perfeitamente daquele dia... Foi numa manhã de sábado que
tudo começou.
       Chegamos! Bem-vindos ao nosso lar, disse meu pai quando, finalmente,
parou o carro. Da janela do banco de trás, pude ver uma casa antiga, com um ar
sombrio e misterioso, no meio do nada. Peguei minhas coisas e caminhei até à
porta de entrada. Ao entrar, deparei-me com uma enorme teia de aranha. Olhei em
volta e percebi que, praticamente, todas as paredes estavam rachadas. Larguei
minhas coisas ali mesmo e fui para o segundo andar, para o meu quarto.
       Os móveis de madeira até que estavam em bom estado, comparados ao
teto e as paredes. Joguei-me em minha cama, escutando um estranho barulho
vindo de trás dela. Levantei-me e fui ver o que era. Deparei-me com uma pequena
porta de madeira. Passei pela pequena passagem que se estendia à minha frente,
deparando-me com um cômodo pouco iluminado.
       - É melhor você sair. Sussurrou uma voz que vinha de trás de mim.
       - Quem é você?
       Dei um salto batendo com a cabeça no teto. Definitivamente, aquele
cômodo era muito pequeno.
       - Sair... é melhor... sair... A voz foi ficando cada vez mais baixa, até
desaparecer.
       Admito que fiquei com um pouco de medo. Mas a curiosidade falou mais
alto e eu continuei dentro daquele quarto, tateando as paredes, encontrei um
interruptor. A Luz se acendeu, mas, devido às paredes negras, o quarto continuou
mal iluminado. Dei de ombros, decepcionada por não ter nada lá. Virei-me para sair
do pequeno cômodo, quando senti uma mão no meu ombro. A mão me puxou para
o centro do quarto, foi quando vi um rosto. Era de uma garota ruiva, mais ou menos
da minha idade, com a pele fria e pálida. Quando olhei em seus olhos, que estavam
completamente negros, eu me senti estranha. Senti como se minha alma estivesse
saindo do meu corpo. Minha cabeça girava.
       Escutei um grito e, talvez por medo, fechei os olhos. Quando os abri,
deparei-me com meu próprio corpo estirado no chão. Tentei gritar, mas nada saiu
de minha boca. Eu sabia o que tinha acontecido. Só não queria acreditar. Não podia
ser verdade.
       - Melanie! Cadê você filha? A voz de minha mãe ecoou pelas escadas.
Escutei os passos de meus pais subindo as escadas. Logo os vi entrando no
quarto e, depois, entrando no quarto escuro onde meu corpo jazia. Foi só então que
realmente entendi. O quarto era mal assombrado.
       Há alguns anos, uma garota havia morado com sua família, até que sua
mãe morreu e seu pai casou-se com outra mulher. Sua madrasta, por ciúmes, a
trancava no quarto e a obrigava a ficar dias e dias sem água ou alimento. A garota
morreu pouco tempo depois. Dizem que o espírito dela continua no quarto onde
morreu: o quarto negro. Toda vez que uma nova família se muda para aquela casa,
um dos filhos acaba descobrindo o quarto e, por isso, morrendo.
       Foi o que aconteceu comigo.

          (Alexia e Stéphanie. Alunos do 8º ano. E. M. Luis Lindenberg, 2011)



                             O misterioso casaco preto


       Eu estava passando pelo lixão, quando encontrei um casaco preto em
perfeito estado. Voltei para casa correndo para amostrá-lo para a minha mãe. Ela
gostou muito. Depois, fui amostrar aos meus amigos. Eles também gostaram.
       Passei em frente a uma casa que estava em reforma. Era de uma família
rica. Ela estava precisando de um ajudante na obra. Ofereceram-me um trabalho
com um salário razoável. Eu aceitei.
       Comecei no dia seguinte. O trabalho foi doloroso, mas consegui ganhar o
meu primeiro salário. Cheguei a casa, dei a metade do dinheiro e, com o resto, fui
comprar algumas roupas para mim. Retornarei a casa bem tarde e, quanto me
deitei em minha cama, ouvi um barulho muito estranho.
       Quando olhei para a cozinha, vi que meu casaco preto estava pegando uma
faca. Saí desesperado em direção à porta, só que ela estava trancada. Consegui
sair pela janela. O casaco estava tentando me perseguir, mas cheguei a tempo à
casa de Júnior, meu amigo.
       Toquei a campainha diversas vezes, mas não tinha ninguém em casa. Fui
para a casa de Daniel, por sorte ele estava lá, mas não quis me ajudar porque não
acreditou no que eu havia dito. Ele fechou a parta no meu rosto. Saí correndo da
casa de Daniel e fui para a casa de Emanuel, só que ele tinha viajado para o
México.
Não tendo para onde correr, fui para a delegacia. Só sei de uma coisa: o
casaco deve está me procurando até hoje atrás de vingança.

          (Suzana e Victor Joshua. Alunos do 8º ano. E. M. Luis Lindenberg,
                                                                      2011)




                         O misterioso homem de preto


       Há seis meses atrás, em uma vila distante da cidade, um homem misterioso
foi morar numa casa antiga da vila. Em sua mudança, ele pedia para tomar muito
cuidado com suas caixas pesadas. Quando foi para tirar o seu armário, disse:
       - Espera! Tenha muito cuidado com esse armário, pois foi herança do meu
avô.
       Nesse mesmo dia, ele vestiu um casaco preto e saiu com o seu carro antigo.
Todos da vila achavam estranho o misterioso homem de preto, como era chamado
na vila. Durante o dia, ele ficava em casa; à noite, ele saía com o seu carro antigo
para a balada no centro da cidade. Lá, ele conhecia uma mulher por noite e a
levava para sua casa. Cada uma que entrava, não saía. Até que um dia, uma
mulher desconfiou dele, e toda noite, ela vigiava da janela a atitude do homem.
       Certo dia, a tal mulher, chamada Noêmia, falou para o seu marido:
       - Jorge, eu estou desconfiada desse nosso vizinho da frente.
       - Está desconfiada de quê, Noêmia? Disse o marido dela.
       - De dia, ele não sai de casa; e à noite, ele sai e traz uma mulher por noite.
E todas as que entram na casa, não saem mais.
       Em um belo dia, Noêmia disse para o seu marido que iria entrar na casa do
André, o misterioso homem de preto.
       - Você está louca, ninguém entra lá. Disse o marido dela.
       Ela abaixou a cabeça e fez cara de quem tinha concordado com o que o
marido falou, mas, na verdade, ela iria entrar na casa.
       Um dia após o outro, a mulher continuava a observar o homem.
Até que um dia, Noêmia entrou na casa do tal homem e acabou vendo o
que ela queria ver: o armário misterioso. Quando ela abriu o armário, levou um
susto, pois viu várias armas, facas e machados que eram usados para matar as
mulheres. Em um quarto escuro havia várias caixas pesadas e com um cheiro
estranho. Quando ela abriu uma das caixas, viu pedaços de corpos de mulheres. Ela
ficou assustada e, imediatamente, foi à delegacia. Chegando lá, o delegado falou
para ela:
       - Vai para a sua casa, pois você está muito nervosa.
       Ela voltou, mas...
       Passou um dia, dois dias e nada de Noêmia. O marido dela achou estranho o
desaparecimento da sua mulher. No terceiro dia, o misterioso homem de preto se
mudou da vila.
       No dia seguinte, Jorge falou para os vizinhos:
       - Vamos entrar na casa desse homem. E quando eles entraram, lá havia
uma caixa fechada e, quando abriram, lá estava Noêmia e, junto do corpo dela, um
bilhete escrito assim: Isso é uma amostra para quem se mete nos meus assuntos.
Assinado: O misterioso homem de preto.

            (Flávia e Shayane. Alunas do 8º ano. E. M. Luis Lindenberg, 2011)
Gargalhadas
A tarde estava muito quente e os estudantes esperavam ansiosos pelas férias.

Muitos pensavam em viajar; outros não queriam sair da sua cidade.

        Na escola “Aprendiz do Saber”, alguns alunos necessitavam de boas
notas para serem aprovados, principalmente um grupo de meninos: Matheus,
Gustavo, Gabriel, Felipe e Lucas. Todos eram alunos da professora Beth. Eram
os que menos prestavam atenção às aulas.
        Beth, cuidadosamente, informou ao grupo que para sair de férias, era
necessário que fizesse um provão com toda a matéria estudada. Então, o grupo
resolveu reunir-se na casa do menos bagunceiro, Matheus, porque a
concentração para o estudo era obrigatória.
        Corria tudo muito bem, até que Matheus resolveu ir à cozinha pedir à
sua mãe que preparasse um lanche para os seus amigos. Para surpresa dele,
sua mãe não estava em casa. Para agradar aos colegas, resolveu fazer o lanche.
Percebeu que nada na cozinha funcionava. Preocupado e nervoso, achou melhor
telefonar para sua mãe, porém o telefone também não funcionava.
        Com muito medo, Matheus correu até o quarto onde estavam seus
colegas e, chorando, pediu ajuda. Todos riram e zombaram muito dele. De
repente, Carlos parou de rir porque viu um vulto passar pela janela do quarto.
Gabriel, o mais risonho, ouviu um barulho, uma espécie de ruído vindo da porta
principal. Todos ficaram quietos. O silêncio era sepulcral.       Ninguém falava.
Ninguém piscava.
        A noite estava aproximando-se. Se faltasse energia, não havia velas. O
pânico cada vez mais crescia. Então o grupo resolveu fugir, mas por todos os
lugares da casa se ouviam ruídos e, fugir dali, já não era mais possível.
           De repente, a energia acabou, e a porta principal se abriu e do nada
apareceu João, um aluno caprichoso e inteligente, pálido, com os olhos
arregalados e com as roupas rasgadas. Os colegas correram para ajudá-lo.
Naquele momento, todos perderam o medo e, quando perguntaram o que havia
acontecido, João respondeu entusiasmado que era dia trinta e um de outubro, dia
das bruxas.
          Nesse momento, surgiu a professora Beth, a mãe de Rodolfo e os outros
colegas de classe, todos fantasiados e sorridentes, porque tudo o que estava
acontecendo não passava de uma armação, pois era o aniversário de Matheus.
          Acenderam as luzes e todos, felizes, começaram a grande festa. Que
noite! Que maravilha de festa! Parecia um sonho! Bolo, salgadinhos, docinhos de
vários sabores, refrigerantes, sucos e muitas coisas gostosas. A diversão parecia
não ter fim.
          A meia noite se aproximava e, com ela, muita euforia.
De repente, num instante quase incalculável, as luzes se apagaram. Na parede
da sala, do lado esquerdo, havia um enorme espelho que a mãe de Matheus
havia ganhado de um misterioso homem que só se vestia com uma capa preta,
que morava em frente à sua casa. Nele, apesar de não ter energia, refletia um
vulto e, como estava tudo muito escuro, não dava para identificá-lo bem. Por um
instante, percebemos que o tal vulto tinha forma humana. Em sua mão esquerda,
tinha um enorme baú velho todo negro cheio de teias de aranha e com muita
poeira.
          O vulto se aproximava e, cada vez mais perto de todos, o lugar ia
ficando muito frio e sombrio. De repente, uma gargalhada ecoou, deixando todo o
ambiente enfeitiçado. As pessoas ficaram embriagadas e, num piscar de olhos,
todas estavam no quarto de Matheus.Antes, o quarto dele era pintado com cores
suaves, leves; agora, o espaço era lúgubre. Tudo nele era gótico. Nesse
momento, o vulto saiu de um armário que havia no quarto e com um tom de voz
estranho e macabro disse:
          - Vocês me invocaram para uma causa nobre. Aqui estou!
Ninguém entendeu nada. E ele novamente disse:
        - Chamaram-me. Aqui estou!
        Dessa vez, todos entenderam o que o vulto estava dizendo e, com os
olhos arregalados e os corações palpitantes, disseram em coro:
        Tudo não passava de uma brincadeira. Volta do lugar de onde veio, de
onde nunca deveria ter saído.
        E ele respondeu:
        Já estou indo, porém levo comigo, nesse velho baú negro, o que há de
mais sagrado em vocês: suas vidas. Agora, elas são minhas! Farão companhia a
outras milhares que aqui dentro estão, envolvidas no calor eterno.
        Nesse instante, um enorme raio de cor roxa envolveu todo o quarto e,
como num passe de mágica, todos nós estávamos novamente na sala. Agora
com as luzes acesas, sorridentes e muito alegres. Afinal, era a festa de
aniversário de Matheus.
        Matheus sentiu-se sede. Foi até a cozinha, de seus lábios ecoou um
enorme grito aterrorizante. Todos foram ver o que havia acontecido. Ao chegar à
cozinha, a mesa que nela havia, estava forrada com uma toalha negra com renda
de veludo roxo e, em cima dela, apenas um pedaço de bolo de chocolate, um
copo com suco de boldo e um bilhete escrito no guardanapo: Deliciem-se do
último pedaço de bolo, e do suco, não se preocupem, porque para onde todos
vocês irão, muito suco de boldo beberão. Não pensem que fui embora. Estou
apenas arrumando meu maravilhoso e envolvente casaco preto e arrumando o
meu magnífico baú preto. Aguarde minha gargalhada. Será o fim de todos.
        Da sua eterna e infinita companheira: a morte.
        Gargalhadas!
                          (SILVA, Aldeni de Faria. Gargalhadas, 04/2011)
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

(Para viver juntos: português, 8º ano: ensino fundamental / Ana Elisa de A. 
Penteado. Edições SM, 2009)


htttp://contosgrotescos.blogspot.com/2010/11/beijos­gelados.html 
(Acessado em 04/02/11)


htttp://contosgrotescos.blogspot.com/2011/11/beste­do­beijo.html 
(Acessado em 04/02/11)

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Proposta de atividade do conto terror oficia

  • 1. LENDO, COMPREENDENDO, INTERPRETANDO , ILUSTRANDO E PRODUZINDO UMA  NARRATIVA DE TERROR / SUSPENSE / MISTÉRIO. ► PÚBLICO ALVO: ■ Alunos dos 8º anos ► LOCAL: ■ Escola Municipal Luis Lindenberg ►DURAÇÃO: ■ No decorrer do 1º trimestre/2011 ► TEXTOS APRESENTADOS PARA ESTUDO ■ TEXTO I: “O retrato oval”, de Edgar Allan Poe  ■ TEXTO II:  “O quadro do palhaço”, de Fernando Ferric ►OBJETIVO GERAL: ■  Apresentar aos alunos o gênero narrativo terror / suspense / Mistério, a fim de levá­los à  leitura, compreensão e interpretação, bem como a uma discussão literária e a uma reflexão  linguística. Além disso, também levar esses educandos a tecerem comparações entre os textos  em estudo, ilustrá­los e a produzirem suas próprias obras literárias.  ►OBJETIVOS: ■ Levar o (a) aluno (a) à leitura, compreensão e interpretação oral e escrita do texto “ O retrato  oval”, de Edgar Allan Poe; ■ Entender o que é um Conto de Terror/Suspense/Mistério; ■ Identificar as características de um conto de Terror/Suspense/Mistério; ■ Responder às questões propostas (literárias e gramaticais/linguísticas); ■ Comparar as semelhanças e as diferenças entre os contos “O retrato oval”, de Edgar Allan  Poe e “O quadro do palhaço”, de Fernando Ferric; ■   Ler   outros   textos   de   Terror/Suspense/Mistério,   a   fim  de   apresentar  aos   alunos  histórias  diferentes desse gênero narrativo em estudo; ■ Ilustrar os contos de terror “O retrato oval”, de Edgar Allan Poe e “O quadro do palhaço”,  de Fernando Ferric; ■ Produzir um conto de terror/Suspense/Mistério.
  • 2. QUAL É O OBJETIVO DE UM CONTO DE TERROR? Os contos de terror têm por objetivo despertar no leitor sensações e horror diante da  morte, da loucura e do mal que se escondem na mente humana. Para atingir esse objetivo,  alguns   contos   apresentam   ao   leitor   elementos   sobre   os   quais   não   se   deixa   dúvida:   são  sobrenaturais. Assim, as personagens são assombradas por fantasmas e monstros e vivem  experiências extraordinárias. Em outros, a causa do terror se encontra na mente humana. (Para viver juntos: português, 8º ano: ensino fundamental / Ana Elisa de A. Penteado. Edições  SM, 2009) TEXTO I    O retrato oval (Edgar Allan Poe)       O castelo em que meu criado se aventurara a forçar entrada, em lugar de deixar­me  passar   uma   noite   ao   relento,   gravemente   ferido   como   eu   estava,   era   um   daqueles  edifícios   mesclados   de   soturnidade   e   grandeza   que   por   muito   tempo   carranquearam  entre os Apeninos, tanto na realidade quanto na imaginação da Sra. Radcliffe. Ao que  tudo indicava, fora abandonado havia pouco e temporariamente. Acomodamo­nos num  dos   quartos   menores   e   menos   suntuosamente   mobiliados,   que   ficava   num   remoto  torreão   do   edifício.   Sua   decoração   era   rica,   porém   esfarrapada   e   antiga.   As   paredes  estavam   forradas   com   tapeçarias   e   ornadas   com   diversos   e   multiformes   troféus  heráldicos, juntamente com um número inusual de espirituosas pinturas modernas em  molduras de ricos arabescos dourados. Por essas pinturas, que pendiam das paredes  não só de suas principais superfícies, mas de muitos recessos que a arquitetura bizarra  do castelo fez necessários, por essas pinturas meu delírio incipiente, talvez, fizera­me  tomar interesse profundo; de modo que ordenei a Pedro fechar os pesados postigos do  quarto   –   visto   que   já   era   noite   –,   acender   um   alto   candelabro   que   se   encontrava   à  cabeceira de minha cama e abrir amplamente as cortinas franjadas de veludo negro que  a   envolviam.   Desejei   que   tudo   isso   fosse   feito   para   que   pudesse   abandonar­me,   ao  menos alternativamente, se não adormecesse, à contemplação das pinturas e à leitura  atenta de um pequeno volume encontrado sobre o travesseiro que se propunha a criticá­ las e descrevê­las.            Por longo, longo tempo li, e com devoção e dedicação contemplei­as. Rápidas e  gloriosas,   as   horas   voavam   e   a   meia­noite   profunda   veio.   A   posição   do   candelabro  desagradava­me, e estendendo a mão com dificuldade, em vez de perturbar meu criado  adormecido,   ajeitei­o  a   fim   de  lançar   seus   raios   de   luz  mais   em   cheio  sobre   o  livro.  Mas   a   ação   produziu   um   efeito   completamente   imprevisto.   Os   raios   das   numerosas  velas (pois eram muitas) agora caíam num nicho do quarto que até o momento estivera  mergulhado em profunda sombra por uma das colunas da cama. Assim, vi sob a luz  vívida um quadro não notado antes. Era o retrato de uma jovem, quase mulher feita.  Olhei a pintura apressadamente e fechei os olhos. Não foi a princípio claro para minha  própria percepção por que fiz isso. Todavia, enquanto minhas pálpebras permaneciam  dessa forma fechadas, revi na mente a reação de fechá­las. Foi um movimento impulsivo 
  • 3. para ganhar tempo para pensar – para certificar­me de que minha vista não me enganara  –, para acalmar e dominar minha fantasia para uma observação mais calma e segura. Em  poucos momentos, novamente olhei fixamente a pintura.       O que agora via, certamente  não podia e não queria duvidar, pois o primeiro clarão  das velas sobre a tela dissipara o  estupor   de   sonho   que   me   roubava   os   sentidos,     despertando­me   imediatamente   à  realidade.           O retrato, já  o disse, era o de uma jovem. Uma mera cabeça e ombros, feitos à  maneira denominada tecnicamente de vinheta, muito ao estilo das cabeças favoritas de  Sully.   Os   braços,   o   busto   e   as   pontas   dos   radiantes   cabelos   dissolviam­se  imperceptivelmente na vaga mas profunda sombra que formava o fundo do conjunto. A  moldura  era oval, ricamente dourada e filigranada  à mourisca. Como objeto artístico,  nada   poderia   ser   mais   admirável   do   que   aquela   pintura   em   si.   Mas   não   seria   a  elaboração da obra nem a beleza imortal daquela face o que tão repentinamente e com  veemência comovera­me. Tampouco teria minha fantasia, sacudida de seu meio­sono,  tomado a cabeça pela de uma pessoa viva. Vi logo que as peculiaridades do desenho, do  vinhetado e da moldura devem ter dissipado instantaneamente tal idéia – e até  mesmo  evitado   sua   cogitação   momentânea.   Pensando   seriamente   acerca   desses     pontos,  permaneci, talvez uma hora, meio sentado, meio reclinado, com minha vista pregada ao  retrato. Enfim, satisfeito com o verdadeiro segredo de seu efeito, caí de  costas na cama.  Descobrira   o   feitiço   do   quadro   numa   absoluta   naturalidade   de     expressão,   a   qual  primeiro   espantou­me   e   por   fim   confundiu­me,   dominou­me   e     aterrorizou­me.   Com  profundo e reverente temor, recoloquei o candelabro em sua  posição anterior. Sendo a  causa de minha profunda agitação colocada assim fora de  vista, busquei avidamente o  volume   que   tratava   das   pinturas   e   suas   histórias.   Dirigindo­   me   ao   número   que  designava o retrato oval, li as vagas e singulares palavras que se seguem:     “Era uma  donzela de raríssima beleza, não mais encantadora do que cheia de   alegria. Má foi a  hora  em  que  viu, amou e desposou o pintor.  Ele, apaixonado,    estudioso,  austero, e  tendo   já   na   sua   Arte   uma   esposa;   ela,   uma   donzela   de   raríssima     beleza,   não   mais  encantadora do que cheia de alegria; toda luz e sorrisos, e travessa como uma corça  nova; amando e acarinhando todas as coisas; odiando apenas a Arte, sua rival; temendo  só a paleta, os pincéis e outros desfavoráveis instrumentos que a privavam do rosto de  seu amado. Era, portanto, uma coisa terrível para essa dama ouvir o pintor falar de seu  desejo de retratar justo sua jovem esposa. No entanto, ela era humilde e obediente, e  posou submissa por muitas semanas na escura e alta   câmara do torreão, onde a luz  caía somente do teto sobre a pálida tela. Mas ele, o pintor, glorificava­se com sua obra,  que continuava de hora a hora, dia a dia. E era um homem apaixonado, impetuoso e  taciturno,   que   se   perdia   em   devaneios;   de   maneira   que   não   queria   ver   que   a   luz  espectral   que   caía   naquele   torreão   isolado   debilitava   a   saúde   e   a   vivacidade   de   sua  esposa, que definhava visivelmente para todos, exceto para ele. Contudo, ela continuava  a sorrir imóvel, docilmente, porque viu que o pintor (que tinha grande renome) adquiriu  um fervoroso e ardente prazer em sua tarefa, e trabalhava dia e noite para pintar a que  tanto o amava, aquela que a cada dia ficava mais desalentada e fraca. E, em verdade,  alguns   que   viam   o  retrato  falavam,   em   voz   baixa,   de   sua   semelhança   como   de   uma  poderosa maravilha, e uma prova não só da força do pintor como de seu profundo amor  pela   qual   ele   pintava   tão   insuperavelmente     bem.   Finalmente,   como   o   trabalho  aproximava­se de sua conclusão, ninguém mais foi admitido no torreão, pois o pintor  enlouquecera com o ardor de sua obra, raramente  desviando os olhos da tela, mesmo 
  • 4. para olhar o rosto de sua esposa. Não queria ver que as tintas que espalhava na tela  eram tiradas das faces da que posava junto a ele. E   quando   muitas   semanas   nocivas   passaram   e   pouco   restava   a   fazer,   salvo   uma  pincelada na boca e um tom nos olhos, o espírito da dama novamente bruxuleou como a  chama   de   uma   lanterna.   Então,   a   pincelada   foi   dada   e   o   tom   aplicado,   e,   por   um  momento, o pintor deteve­se extasiado diante da obra em que trabalhara. Porém, em  seguida,   enquanto   ainda   contemplava­a,   ficou   trêmulo,   muito   pálido   e   espantado,  exclamando em voz alta: ‘Isto é de fato a própria Vida!’ Voltou­se repentinamente para  olhar sua amada: estava morta!”O retrato oval (Edgar Allan Poe)       O castelo em que meu criado se aventurara a forçar entrada, em lugar de deixar­me  passar   uma   noite   ao   relento,   gravemente   ferido   como   eu   estava,   era   um   daqueles  edifícios   mesclados   de   soturnidade   e   grandeza   que   por   muito   tempo   carranquearam  entre os Apeninos, tanto na realidade quanto na imaginação da Sra. Radcliffe. Ao que  tudo indicava, fora abandonado havia pouco e temporariamente. Acomodamo­nos num  dos   quartos   menores   e   menos   suntuosamente   mobiliados,   que   ficava   num   remoto  torreão   do   edifício.   Sua   decoração   era   rica,   porém   esfarrapada   e   antiga.   As   paredes  estavam   forradas   com   tapeçarias   e   ornadas   com   diversos   e   multiformes   troféus  heráldicos, juntamente com um número inusual de espirituosas pinturas modernas em  molduras de ricos arabescos dourados. Por essas pinturas, que pendiam das paredes  não só de suas principais superfícies, mas de muitos recessos que a arquitetura bizarra  do castelo fez necessários, por essas pinturas meu delírio incipiente, talvez, fizera­me  tomar interesse profundo; de modo que ordenei a Pedro fechar os pesados postigos do  quarto   –   visto   que   já   era   noite   –,   acender   um   alto   candelabro   que   se   encontrava   à  cabeceira de minha cama e abrir amplamente as cortinas franjadas de veludo negro  que  a   envolviam.   Desejei   que   tudo   isso   fosse   feito   para   que   pudesse   abandonar­me,   ao  menos alternativamente, se não adormecesse, à contemplação das pinturas e à leitura  atenta   de   um   pequeno   volume   encontrado   sobre   o   travesseiro   que   se   propunha   a  criticá­las e descrevê­las.          Por longo, longo tempo li, e com devoção e dedicação contemplei­as. Rápidas e  gloriosas,   as   horas   voavam   e   a   meia­noite   profunda   veio.   A   posição   do   candelabro  desagradava­me, e estendendo a mão com dificuldade, em vez de perturbar meu criado  adormecido,   ajeitei­o  a   fim   de  lançar   seus   raios   de   luz  mais   em   cheio  sobre   o  livro.  Mas   a   ação   produziu   um   efeito   completamente   imprevisto.   Os   raios   das   numerosas  velas (pois eram muitas) agora caíam num nicho do quarto que até o momento estivera  mergulhado em profunda sombra por uma das colunas da cama. Assim, vi sob a luz  vívida um quadro não notado antes. Era o retrato de uma jovem, quase mulher feita.  Olhei a pintura apressadamente e fechei os olhos. Não foi a princípio claro para minha  própria percepção por que fiz isso. Todavia, enquanto minhas pálpebras permaneciam  dessa forma fechadas, revi na mente a reação de fechá­las. Foi um movimento impulsivo  para ganhar tempo para pensar – para certificar­me de que minha vista não me enganara  –, para acalmar e dominar minha fantasia para uma observação mais calma e segura. Em  poucos momentos, novamente olhei fixamente a pintura.       O que agora via, certamente  não podia e não queria duvidar, pois o primeiro clarão das velas sobre a tela dissipara o  estupor   de   sonho   que   me   roubava   os   sentidos,   despertando­me   imediatamente   à  realidade.           O retrato, já  o disse, era o de uma jovem. Uma mera cabeça e ombros, feitos à  maneira denominada tecnicamente de vinheta, muito ao estilo das cabeças favoritas de  Sully.   Os   braços,   o   busto   e   as   pontas   dos   radiantes   cabelos   dissolviam­se 
  • 5. imperceptivelmente na vaga mas profunda sombra que formava o fundo do conjunto. A  moldura  era oval, ricamente dourada e filigranada  à mourisca. Como objeto artístico,  nada   poderia   ser   mais   admirável   do   que   aquela   pintura   em   si.   Mas   não   seria   a  elaboração da obra nem a beleza imortal daquela face o que tão repentinamente e com  veemência comovera­me. Tampouco teria minha fantasia, sacudida de seu meio­sono,  tomado a cabeça pela de uma pessoa viva. Vi logo que as peculiaridades do desenho, do  vinhetado e da moldura devem ter dissipado instantaneamente tal idéia – e até mesmo  evitado   sua   cogitação   momentânea.   Pensando   seriamente   acerca   desses   pontos,  permaneci, talvez uma hora, meio sentado, meio reclinado, com minha vista pregada ao  retrato. Enfim, satisfeito com o verdadeiro segredo de seu efeito, caí de costas na cama.  Descobrira   o   feitiço   do   quadro   numa   absoluta   naturalidade   de   expressão,   a   qual  primeiro   espantou­me   e   por   fim   confundiu­me,   dominou­me   e   aterrorizou­me.   Com  profundo e reverente temor, recoloquei o candelabro em sua posição anterior. Sendo a  causa de minha profunda agitação colocada assim fora de vista, busquei avidamente o  volume   que   tratava   das   pinturas   e   suas   histórias.   Dirigindo­me   ao   número   que  designava o retrato oval, li as vagas e singulares palavras que se seguem:     “Era uma  donzela de raríssima beleza, não mais encantadora do que cheia de alegria. Má foi a hora  em que viu, amou e desposou o pintor. Ele, apaixonado, estudioso, austero, e tendo já  na sua Arte uma esposa; ela, uma donzela de raríssima beleza, não mais encantadora do  que cheia de alegria; toda luz e sorrisos, e travessa como uma corça nova; amando e  acarinhando todas as coisas; odiando apenas a Arte, sua rival; temendo só a paleta, os  pincéis e outros desfavoráveis instrumentos que a privavam do rosto de seu amado.  Era, portanto, uma coisa terrível para essa dama ouvir o pintor falar de seu desejo de  retratar   justo   sua   jovem   esposa.   No   entanto,   ela   era   humilde   e   obediente,   e   posou  submissa   por   muitas   semanas   na   escura   e   alta   câmara   do   torreão,   onde   a   luz   caía  somente do teto sobre a pálida tela. Mas ele, o pintor, glorificava­se com sua obra, que  continuava   de   hora   a   hora,   dia   a   dia.   E   era   um   homem   apaixonado,   impetuoso   e  taciturno,   que   se   perdia   em   devaneios;   de   maneira   que   não   queria   ver   que   a   luz  espectral   que   caía   naquele   torreão   isolado   debilitava   a   saúde   e   a   vivacidade   de   sua  esposa, que definhava visivelmente para todos, exceto para ele. Contudo, ela continuava  a sorrir imóvel, docilmente, porque viu que o pintor (que tinha grande renome) adquiriu  um fervoroso e ardente prazer em sua tarefa, e trabalhava dia e noite para pintar a que  tanto o amava, aquela que a cada dia ficava mais desalentada e fraca. E, em verdade,  alguns   que   viam   o  retrato  falavam,   em   voz   baixa,   de   sua   semelhança   como   de   uma  poderosa maravilha, e uma prova não só da força do pintor como de seu profundo amor  pela   qual   ele   pintava   tão   insuperavelmente   bem.   Finalmente,   como   o   trabalho  aproximava­se de sua conclusão, ninguém mais foi admitido no torreão, pois o pintor  enlouquecera com o ardor de sua obra, raramente desviando os olhos da tela, mesmo  para olhar o rosto de sua esposa. Não queria ver que as tintas que espalhava na tela  eram tiradas das faces da que posava junto a ele.   E   quando   muitas   semanas   nocivas   passaram   e   pouco   restava   a   fazer,   salvo   uma  pincelada na boca e um tom nos olhos, o espírito da dama novamente bruxuleou como a  chama   de   uma   lanterna.   Então,   a   pincelada   foi   dada   e   o   tom   aplicado,   e,   por   um  momento, o pintor deteve­se extasiado diante da obra em que trabalhara. Porém, em  seguida,   enquanto   ainda   contemplava­a,   ficou   trêmulo,   muito   pálido   e   espantado,  exclamando em voz alta: ‘Isto é de fato a própria Vida!’ Voltou­se repentinamente para  olhar sua amada: estava morta!”
  • 6. ATIVIDADE DE FIXAÇÃO OBSERVAÇÃO:  Esta  proposta de atividade foi executada e corrigida em sala de aula com os alunos dos  8º anos ►O texto “O retrato oval”, de Edgar Allan Poe, foi lido e discutido em sala de aula. Com base  nessa leitura e discussão, faça o que se pede abaixo: 1) O texto “O retrato oval” pode ser dividido em duas partes: na primeira, um homem ferido que  se hospeda em um castelo; na segunda, uma bela jovem casa­se com um pintor. Pergunta­se: a) Qual o foco narrativo da primeira parte? _____________________________________________________________________ b) Qual o foco narrativo da segunda parte? _____________________________________________________________________ 2)Podemos deduzir que o narrador na primeira parte do texto “O retrato oval” é um homem  rico. Comprove essa afirmativa com uma passagem do texto. _____________________________________________________________________ 3) Na narrativa ocorre um fato inusitado. Pergunta­se: a) Que fato é esse? b) Por que esse fato pode ser considerado inusitado? _____________________________________________________________________ 4) Em “O retrato oval”, uma combinação de fatores cria o suspense, elemento fundamental em  seu enredo. Um desses fatores é a forma de apresentar o espaço ao leitor.  a) Com base nas palavras do narrador, indique as características do castelo. b) Como eram as paredes desse castelo? c) Como eram os quadros? _____________________________________________________________________   d) Como era a iluminação do castelo? _____________________________________________________________________ e) Como era a cama? _____________________________________________________________________ 5) O autor do texto “O retrato oval” usou a palavra “soturnidade” que é sinônimo de “lúgubre”  com a finalidade de caracterizar o ambiente onde a história se passa. Pergunta­se: a) Qual o significado de lúgubre?
  • 7. b) Por que o autor usou esse adjetivo? _____________________________________________________________________ 6) Copie o segundo parágrafo do texto “O retrato oval” e, em seguida, responda as questões  abaixo: a) Quantos verbos esse parágrafo tem? (destaque­os) _____________________________________________________________________ b) De quantas orações é formado esse parágrafo? _____________________________________________________________________ c) Qual é o adjetivo usado para caracterizar a “meia­noite”? _____________________________________________________________________ d) Como se classifica o sujeito dos verbos “li” e “contemplei­as”? _____________________________________________________________________ e) Em “...as horas voavam e a meia­noite profunda veio”, qual é o sujeito do verbo “voavam” e do verbo “veio”? _____________________________________________________________________ TEXTO II O quadro do palhaço (Fernando Ferric) Festa de aniversário na casa de André. Ele estava completando oito anos e, entre  vários   presentes,   um   recebeu   atenção   especial:   um   quadro   com   a   gravura   de   um  palhaço. Ele usava um chapéu amassado com uma flor morta e tinha uma fisionomia  triste. André não tinha mais tranquilidade para brincar no seu quarto, se sentia vigiado  pelo estranho quadro pendurado na cabeceira da cama. Ele tinha a impressão que o  palhaço se mexia enquanto ele brincava. O pior  era  quando  anoitecia. Na hora  de  dormir, ele  ouvia  estranhos  ruídos  que  pareciam vir do quadro; levantava, ligava a luz e lá estava o palhaço com o semblante  triste, mas ao mesmo tempo um sorriso cínico. O medo era tão grande que um dia ele  teve um terrível pesadelo com o palhaço, acordou no meio da noite e foi correndo para o  quarto da sua mãe. Acordou disposto a dar fim naquele medo. Pegou o quadro e colocou no chão e  ficou observando aquela gravura. Era como se o palhaço tivesse vida. André pegou uma  faca e começou a raspar os olhos do temível palhaço, pois sem os olhos ele não parecia  tão terrível assim. Quando sua mãe chegou e viu o que ele tinha feito com o quadro,  ficou muito nervosa, deu­lhe uma surra, e o pior, deixou André de castigo trancado no  quarto. Ele não sabia o que fazer. Sentia a presença do palhaço no quarto. Se apagava a  luz, ficava vendo coisas; se acendia, lá estava a gravura, agora sem os olhos e com um  ar de vingança. Pegou o quadro e colocou embaixo da cama, deitou e pensou que tinha  achado   uma   boa   solução,   mas   começo   a   ouvir   uma   risada,   bem   baixinha,   como   se  estivesse provocando.
  • 8. ­   Lá,   lá,   lá,   lá,   lá.   Não   estou   ouvindo   nada!   –   começo   a   cantar   com   as   mãos  tampando os ouvidos. André sentiu um forte puxão em seus braços. ­ Agora você vai ouvir! – disse o palhaço em cima de sua cama.  O   garoto   não   podia   acreditar   que   o   palhaço   estava   na   sua   frente,   não   era   uma  gravura, era real. Seu rosto era sombrio, sua maquiagem estava desbotada, usava uma  roupa rasgada, fétida. Era um circo de horrores. ­ Me larga, seu palhaço horroroso! Me larga! – gritou André se debatendo. O palhaço  continuou   a segurá­lo com  muita  força,  e dava  gargalhadas.  De  seus  olhos escorriam um líquido negro. O palhaço ergueu a mão e enfiou com toda força no  peito de André. Ele sentiu o amargo sabor da morte em seus lábios; não podia se deixar  sua vida escapar. De repente um clarão, e uma forte sacudida em seus ombros. ­ Acorda, filho! Acorda! Calma... Foi apenas um pesadelo. – disse sua mãe. A mãe de André o deixou dormir no quarto dela.  Mas ele sabia que seria só naquela  noite, e teria que enfrentar o quadro novamente. Na escola, ao contar o que aconteceu, seus amigos lhe deram a ideia de queimar o  quadro. Com um saco de lixo, eles entraram no quarto sem que a empregada percebesse,  pegaram o quadro e botaram dentro do saco. ­ Onde vamos queimar? – perguntou André aos seus colegas. ­ Na minha garagem! Vamos botar fogo nesse palhaço! – respondeu Fernando. Jogaram muito álcool, pularam em cima do quadro, chutaram a gravura do palhaço,  cuspiram em cima dele, um verdadeiro exorcismo. ­ Taca fogo, André! Queima ele! – gritou Fernando. André riscou o fósforo e jogou em cima do quadro. As labaredas consumiram o  quadro,   a   gravura   se   desmanchou   até   não   restar   mais   nada.   Todos   comemoraram.  Menos  a  mãe  de  André que   ficou revoltada   ao  saber  que  o garoto tinha  destruído   o  quadro que seu avô lhe dera. Era   festa   de   aniversário   de   Fernando.   Já   tinha   passado   alguns   meses   após   o  acontecido. Todos os amigos reunidos, inclusive o André. Muitos presentes chegaram.  Carrinho de controle remoto, vídeo game, bola, mas faltava desembrulhar um presente.  Ninguém sabia quem tinha dado aquele que estava encostado  na parede, embrulhado  com um papel marrom. ­Oba! Vamos ver o que é esse! – gritou Fernando chamando os colegas. ­ Acho que é um jogo! – disse André. ­ Não! Eu acho que é um quebra­cabeça! E ao desembrulhar, a terrível surpresa... O quadro do Palhaço!
  • 9. COMPARANDO OS TEXTOS: “O RETRATO OVAL”, DE EDGAR ALLAN POE E “O  QUADRO DO PALHAÇO”, DE FERNADO FERRIC OBSERVAÇÃO Esta proposta de atividade foi executada e corrigida em sala de aula com os alunos dos  8º anos ► Tomando por base os textos “O retrato oval” e “O quadro do palhaço”, teça semelhanças e  diferenças entre eles, observando os elementos da narrativa e a caracterização dos mesmos,  bem como outros elementos pertinentes. SEMELHANÇAS DIFERENÇAS O retrato oval O quadro do palhaço O retrato oval O quadro do  palhaço
  • 10. TEXTOS COMPLEMENTARES O mistério do homem de preto (Luiz Lanzieri) Na   delegacia,  um   homem   todo   sujo,   e   com   os   pulsos   machucados,   chegou  correndo desesperadamente, procurando por ajuda. Ele começou a se exaltar, e alguns  policiais o levaram a um canto para saber o que se passava. O homem sentou­se em  uma cadeira, enquanto falava:  ­ Meu nome é Ross, e o que venho a dizer é de extrema importância. ­ Pare de delongas e comece logo a dizer o que sabe! – Disse um policial. ­ Tudo bem. Assim que os Smith foram embora, o homem de preto chegou. Ele  se mudou para lá, mas ninguém jamais o via. Vivia trancafiado em casa e parecia ser  altamente anti­social. Porém, eu sei o que ele é, só eu sei o que ele fez com os Smith!  O delegado, percebendo a exaltação de um homem que ele logo reconheceu  como Ross, seu parceiro de pesca, procurou inteirar­se do que estava acontecendo: ­Que baderna é essa, Ross? Qual o motivo do escândalo? ­ Desculpe, delegado, estou falando sobre aquele homem que chegou à nossa  cidade. Eu queria fazer uma denúncia! ­ Ótimo! Pois então vá logo, também quero saber o que há de tão suspeito com  esse cara. ­   Como   eu   ia   dizendo,   estava   realizando   meus   afazeres,   enquanto   minha  mulher estava com meus filhos na casa de minha sogra; foi aí que ele bateu à minha  porta. ­ Que estranho... Os boatos são que ele só vive isolado. Que horas eram? –  Indagou o delegado.  ­ Eram mais ou menos 4:30h da tarde, estava para escurecer. Ele me disse que  em sua casa havia um cano furado. Como eu já havia sido encanador por algum tempo,  ofereci­me para ajudar. E completou:  ­ Assim que entrei em sua casa, percebi um cheiro estranho e depois de um  tempinho andando lá, um pano encardido veio ao meu rosto e eu não me lembro de mais  nada. Acho que ele me apagou com clorofórmio. ­   Continue!   O   que   aconteceu?   –   Perguntaram   os   policiais,   sobretudo   o  delegado. ­   Acordei,   depois,   com   as   mãos   amarradas   a   um   cano   de   ferro   na   parede.  Percebi que o homem estava com um avental branco sujo de sangue e um cutelo na  mão.  Quando  abriu   a  geladeira,  percebi  que  lá  havia   vários   pedaços  de   carne,   e,  ao  reparar melhor, percebi uma cabeça, que era da Srª Smith! Desesperado, perguntei a ele  o que ele queria e o que ele havia feito coma família Smith. Ele olhou para mim com uma  cara muito pálida e com olhos brilhantes. E, de maneira muito fria, respondeu:  ­ Pois é, Eles não queriam me vender a casa, e como na cidade de onde vim  eles não aceitam muito antropofagia, eu os usei para servirem a uma causa maior, assim  como você servirá, para matar minha fome.
  • 11. Enquanto falava, retirou o seu avental e limpou as mãos. Veio para perto de  mim e começou a dar uma risadinha forçada. Colocou um toca­disco para funcionar e foi  tomar um banho, eu acho. Com   o   pouco   que   restava   de   minha   força,   consegui   derrubar   o   toca­disco.  Quando o disco de vinil caiu, quebrou­se todo, e um pedaço caiu perto de minha perna.  Consegui pegá­lo, cortei a corda, com um ruído não muito alto. Mas o homem deve ter­ se alertado e já  devia estar se enxugando.  Desesperadamente, eu corri até a porta e  tentei abrir. Estava trancada. Peguei a cadeira e quebrei o vidro da janela. Saí por ali  mesmo e vim correndo, até chegar aqui. O delegado olhou para ele com uma cara de  incrédulo e disse: ­ Ross, eu também não vou com a cara desse cara, nem sei como ele é direito;  mas, olhe só: você está confuso. Faça o seguinte: vá para casa, tome um banho e durma  um pouco. Se amanhã você tiver certeza do que está falando, eu vou dar uma olhada.  ­Tá bom, eu acho que foi só um pesadelo mesmo. Poucos   dias   depois   desses   acontecimentos,   o   jornal   local   exibia   a   foto   de   Ross   na  seção de desaparecidos. O anúncio dizia que a última vez que fora visto, estava saindo  da delegacia. 
  • 12. A PESTE DO BEIJO Autor: Alessandro Reiffer        A enfermidade surgira há algumas décadas. Seu desconhecimento pela ciência oficial era completo, e  logo a doença tornou­se uma pandemia sem controle. Inicialmente, a moléstia incurável ficou conhecida  como Peste Sanguínea, devido ao fato de afetar o aparelho circulatório dos seres humanos, em particular  o sangue, e gradualmente ir causando o apodrecimento do líquido sanguíneo. Com tais características,  logicamente, a Peste Sanguínea era sempre fatal e, uma vez surgidos os primeiros sintomas, quais sejam,  hemorragias   e   enegrecimento   dos   vasos   sanguíneos,   a   morte   tornava­se   questão   de   algumas   poucas  semanas. Verificou­se   que   a   enfermidade   era   causada   por   um   vírus   mutante.   Com   suas   incessantes   mutações  gênicas, “driblava” todas as tentativas dos cientistas de criar medicamentos ou vacinas contra a moléstia.  No entanto, o problema maior da peste era que o agente causador possuía um período de incubação um  tanto longo, cerca de 5 anos. Dessa forma, as pessoas contaminadas não sabiam que possuíam o vírus e,  durante   o   tempo   de   incubação,   transmitiam­no   incontrolavelmente   a   um   número   indeterminável   de  indivíduos.   Como era uma doença  do sangue, a transmissão da Peste Sanguínea obviamente   ocorria  através do contato direto com o sangue ou por secreções corpóreas a ele relacionadas, como esperma e  leite materno. Relação sexual, uso de drogas injetáveis e transfusões sanguíneas consistiam as principais  formas de contágio. Um terrível espetáculo dantesco era a contemplação da morte de uma vítima da Peste Sanguínea. Em uma  primeira fase, o enfermo apresentava hemorragias pelas narinas, febre alta e leves dores por todo o corpo,  semelhantes à de uma gripe. Ao mesmo tempo, as veias assumiam gradativamente um tom negro sob a  pele. Na fase secundária da doença, as dores corporais se intensificavam a um nível insuportável, as  hemorragias   nasais   tornavam­se  muito   freqüentes,  sendo  que   o  sangue   expulso  era  negro,   viscoso   e  fétido. O enfermo agora também expelia profusas quantidades de sangue através de vômitos e diarréias  espantosas,   golfadas   de   um   líquido   espesso   e   gosmento,   em   apodrecimento,   de   um   mau­cheiro  nauseabundo, de um aspecto repulsivo. Uma tosse constante e insidiosa contribuía para agravar o quadro,  ocasionando a expectoração de um muco negro e sanguinolento. O  enfermo   já  não se alimentava  mais, e a morte  vinha com a terceira  fase da peste, absolutamente  horrível. Não se passava 5 minutos sem que o enfermo expelisse sangue podre, quer por um impiedoso  ataque   de   tosse,   quer   pela   diarréia,   quer   pelo   vômito.   Enquanto   a   triste   vítima   definhava  implacavelmente,   e   suas   veias   apresentavam­se   em   uma   tonalidade   morbidamente   escura,   um   fedor  insuportável e pestilento exalava­se de todo seu corpo, uma vez que devido aos freqüentes vômitos e  diarréias,   o   sangue  pútrido  acumulava­se ao  seu redor,  e  as  pessoas  temiam   limpá­lo,  receando   que  pudessem se contaminar. Se o desgraçado não morresse pelas incessantes hemorragias, em um derradeiro 
  • 13. estágio   surgiam   por   todo   o   corpo   feridas   e   chagas   infeccionadas,   purulentas,   sangrando   e   fedendo  asquerosamente. Completava­se então o quadro funesto, e o doente falecia no horror e no abandono absoluto, esquecido  nos hospitais especialmente construídos para isolar aqueles  infelizes  do restante da população, locais  estes   cada   vez   mais   lotados,   posto   que   uma   vez   identificado   o   vírus   na   vítima,   ela   era   levada   aos  mencionados hospitais, ainda que à força. Um  outro  aspecto tenebroso da Peste Sanguínea consistia no fato de que o vírus somente podia  ser  identificado   pelos   testes   somente   3   anos   após   o   contágio.   Ou   seja,   o   indivíduo,   durante   3   anos,   se  estivesse contaminado, não teria como sabê­lo, e poderia alastrar a moléstia de forma assustadora. De  modo que o número de doentes não cessava de aumentar, e nenhuma das medidas adotadas surtiu o efeito  desejado, principalmente no que se relacionava ao uso de preservativos nas relações sexuais. Como é já  sabido, o vírus apresentava uma alta capacidade de mutação, assim, posteriormente comprovou­se que o  vírus   causador   da   peste   havia   reduzido   consideravelmente   suas   já   ultramicroscópicas   proporções,  tornando­se capaz de penetrar através dos “poros” invisíveis do material dos preservativos, contaminando  dessa forma o parceiro. As autoridades relutaram por muito tempo em tornar pública tal terrível informação, temendo o pânico  generalizado e intentando aperfeiçoar os preservativos, no que foram frustrados. E quando o número de  doentes   assumiu   proporções   catastróficas,   não   houve   outro   jeito,   tudo   foi   divulgado.   Muitos   não  acreditaram   e   prosseguiram   mantendo   relações   usando   as   afamadas   “camisinhas”,   outras   mesmo  acreditando na revelação, permitiram que o desejo sexual falasse mais alto, ignorando o perigo da doença  para satisfazê­lo. E ainda houve os que foram tomados de um verdadeiro pavor pelo sexo, o que alterou  dramaticamente suas relações sociais. Muitos  indivíduos, temendo contrair a peste, principiaram a manter  relações  amorosas, digamos,  um  pouco mais “castas”, ou seja, contentando­se apenas com os beijos e com as carícias, que acabavam  desembocando   na   masturbação   mútua.   No   entanto,   muitas   vezes,   não   conseguiam   frear   o   imperioso  apetite sexual, concretizando então o ato. Porém, mesmo com todos os temores e cautelas, o número de  infectados crescia em progressão geométrica, e já havia povos quase que totalmente dizimados pela Peste  do Sangue. Já fora dito que o vírus era altamente mutagênico. Pois mais uma mutação deve ter se desencadeado.  Ocorreu que a doença passou a se manifestar bem mais cedo, reduzindo seu período de incubação para  pouco mais de 6 meses. No entanto, ela permanecia fatal somente após 5 anos. Durante o longo tempo  precedente, os sintomas consistiam em chagas e feridas que, gradativamente, iam se espalhando por todo  o   corpo.   No   princípio,   surgiam   nos   órgãos   sexuais,   nas   mãos   e   nos   lábios.   Eram   como   verrugas  arroxeadas  e/ou   avermelhadas  que eventualmente  sangravam. Ao longo dos anos, as feridas  nodosas  alastravam­se pelo restante do corpo e se intensificavam os sangramentos, porém o progresso era lento.  Verdadeiramente horrível e repugnante era contemplar uma vítima da peste tomada de feridas roxas e  vermelhas, ainda que fosse somente no início, quando os lábios assumiam um aspecto monstruoso devido  à concentração de feridas no local. Às vezes, as feridas também exalavam um fétido odor. Um   outro   sintoma   surgia   alguns   meses   após   o   aparecimento   das   primeiras   feridas.   Tratava­se   da  impossibilidade dos homens em ter uma ereção completa; o pênis, mesmo durante a mais extremada  excitação, permanecia parcialmente flácido. Já nas mulheres, quando sexualmente excitadas, não mais  ocorria a lubrificação natural do órgão genital, mas era liberado um muco espesso, purulento, e, assim,  como as feridas, um tanto mau­cheiroso. Tal era o quadro que se prolongava quase sem alteração durante  os quase 5 anos, tempo necessário para a peste ocasionar a morte do enfermo. Todavia, os leitores devem estar concluindo que se os primeiros sintomas já ocorriam dentro de poucos  meses após o contágio, conseqüentemente haveria pouco tempo para que o infectado transmitisse o vírus.  Assim também pensavam médicos e cientistas; no entanto, para espanto e horror de todos, isso não se  concretizou, isto é, o crescimento do número de casos não se reduziu como se imaginava, mas continuava  crescendo rapidamente. A doença passou então a ser estudada com mais afinco pelos cientistas, até que 
  • 14. foi constatado que jovens que jamais tiveram relações sexuais, que não eram usuários de drogas, que  jamais necessitaram de transfusões sanguíneas e que afirmavam nunca ter mantido o menor contato com  algum infectado (visivelmente, ao menos) estavam doentes. O que se sabia era que tais jovens, durante os  meses precedentes ao surgimento da doença, freqüentaram, em todos os casos de estudo, casas noturnas  onde “ficaram” com pessoas aparentemente saudáveis. O contato físico máximo que ocorreu em tais  casos foram inofensivos beijos na boca, boca sem feridas, diga­se de passagem. Foi então que surgiu a horripilante suspeita de que o vírus, através de alguma ominosa mutação, tornou­ se transmissível através da saliva. Foram realizadas pesquisas em pacientes infectados e, diferentemente  do que ocorria com o vírus no sangue, o vírus na saliva era facilmente identificável. E comprovou­se: a  Peste do Sangue era agora transmissível pelo contato com a saliva... Após a divulgação dessa funesta descoberta, o beijo, um dos mais belos e ancestrais costumes humanos,  foi quase que banido das relações sociais.  Somente beijavam­se pessoas que se conheciam de forma  íntima, e ainda assim com certas reservas. O temor de contrair a fatal enfermidade era tão intenso que a  grande maioria das pessoas que antes possuíam mais de um parceiro ou parceira decidiu de uma hora para  outra permanecer com apenas um, com o mais conhecido ou com o par “oficial” conforme o caso. Claro  que alguns se recusaram a aceitar o fato, ou nem mesmo se importaram, e continuaram saindo e “ficando”  com diversas pessoas. Geralmente, alguns meses depois, tais pessoas percebiam em seus lábios o lúgubre  surgimento de algumas feridas arroxeadas... É desnecessário que eu explicite ao leitor uma descrição do quadro desolador que se seguiu à descoberta  da presença do vírus na saliva e que o infectado poderia permanecer com ele em sua boca por seis meses  sem apresentar sintomas. O beijo transformou­se de um símbolo de amizade, de prazer, paixão ou amor,  em um símbolo  de medo e morte. As pessoas já não iam a festas, ou a casas noturnas, porque não  poderiam   “ficar”   com   ninguém,   uma   vez   que   qualquer   contato   erótico   sem   o   ato   do   beijo   era  naturalmente inconcebível. Quando duas pessoas se apaixonavam, a tortura era quase insuportável, uma  vez que se temia a aproximação mútua e os conseqüentes beijos, no entanto, muitos enfrentavam o risco e  davam asas à sua paixão, não sem ter o coração repleto de temores. Posteriormente, percebeu­se que naqueles casos onde o casal de enamorados ainda permanecia unido,  aparentemente mantendo­se em verdadeiro sentimento amoroso, não houve manifestação da doença em  nenhum dos indivíduos, enquanto que os casais que iniciavam o relacionamento e logo o terminavam, a  Peste do Sangue sempre apresentava seus sintomas, mesmo que os ex­namorados não beijassem ninguém  mais após o término da relação. Da   mesma   forma,   foram   identificadas   pessoas   que   jamais   desenvolviam   a   enfermidade,   embora  mantivessem   relações   sexuais   com   indivíduos   comprovadamente   infectados.   Foi   o   que   ocorreu   com  certas esposas que, afirmando amarem seus maridos doentes, continuavam dispostas a manter contatos  sexuais com os mesmos. É claro que a ciência estudou exaustivamente tais mulheres, seu sangue, seu  sistema imunológico, tentando decifrar esse mistério, na esperança de desenvolver algum medicamento.  Tudo   em  vão.   Nada, absolutamente  nada de diferente  das outras  pessoas  foi encontrado, e os  casos  seguiram sem explicação. Porém... eu... eu tenho minha teoria, talvez absurda, talvez simplória, talvez já imaginada pelo leitor, mas  vamos a ela... Creio firmemente que as pessoas que não desenvolvem a doença são aquelas que amam seu  par ou que ao menos buscam amá­lo com sinceridade. A Peste não afeta tais pessoas, ela, de alguma  forma, por algum motivo desconhecido, respeita seus sentimentos, quando verdadeiros, é como se fosse  uma moléstia inteligente, que discernisse o sentimento de um e de outro. É por isso que não esperarei  mais. Irei me declarar àquela jovem de olhar tão meigo que arrebatou minha alma... Amo­a. Ou será que  apenas julgo que a amo? E se eu estiver enganado com meus sentimentos? E se minha teoria estiver  errada? E se após beijá­la eu contrair o vírus? Meu Deus, que dúvida massacrante!!! Mas não, eu irei, eu  irei, não posso mais, confiarei no que sinto, confiarei na minha alma, e que se cumpra o que me reservar  o Destino...
  • 16. Autor: Fernando Ferric        Seus   olhos   brilharam   quando   ela   viu   aquele   corpo.   Com   as   pontas   dos   dedos,   ela   podia   sentir   a  temperatura e a maciez daquela pele branca totalmente despida. Camille também se despiu e começou a  alisar o peito, os braços, as pernas, sentir cada músculo. Seu corpo tremia de prazer. Com os lábios, sentia  o sabor... Era algo inexplicável. O prazer só dependia dela. Apreciava beijar aqueles lábios frios, lambê­ los... Fazia suaves movimentos circulares com a língua. Subiu em cima dele e simulou uma penetração  impossível.  Enquanto se esfregava e gemia de prazer, olhava para o amigo que a assistia no canto da sala, sentado em  uma cadeira. Enquanto fazia isso, tocava suas partes intimas, excitando­as. Marcos adorava ver aquilo.  No   entanto,   já   era   tarde.   Sussurrando   para   não   ser   ouvido,   pediu   para   que   ela   terminasse,   pois   os  familiares já estavam na sala ao lado, esperando o ente querido. Ele precisava terminar os preparativos,  maquiar e vestir o falecido. A garota deu­lhe um beijo de agradecimento por mais uma noite de prazer e  se foi.  Camille e seu amigo agente funerário se conheciam há muito, desde os tempos de colégio. Em certa  época da vida, descobriram o mesmo gosto pela morte. Isso se deu quando ela, curiosa, quis visitar o  local de trabalho do amigo. Ao avistar o corpo másculo de um rapaz, excitou­se. A partir dali, convenceu  o amigo a liberar sua entrada no necrotério municipal para suas pequenas orgias. No inicio, Marcos achou  muito   estranho,   mas,   levando   em   conta   o   corpo   dela,   moldado   em   academias,   cedeu,   participando  algumas vezes da festa. Geralmente, esses eventos aconteciam à noite. Durante o dia, a garota estudava  em sua casa.  Assim que um corpo de homem que, aos olhos dele, agradaria Camille, dava entrada no necrotério, o  amigo ligava para ela; naquela noite não seria diferente...  ­ Oi – beijou­o – E meu falecido. Quem é?  Ele sorriu.  ­ Você vai gostar. – descobriu o lençol branco. O nome dele é Roberto, tinha 23 anos e morreu em um  acidente de moto, mas não ficaram muitas marcas.  Ela o examinou e abriu um largo sorriso.  ­ Hummm, ele parece ser bom. – tocou­o – Eu estava precisando me distrair mesmo... Tava de saco cheio  de ficar em casa!  ­ Mas temos que ser rápidos. A família já está na sala ao lado, esperando para o velório.  Ela assentiu com a cabeça. Esses riscos a excitavam. Adorava ser pressionada.  ­ Vou deixar vocês a sós por um tempinho, enquanto preparo a roupa e a maquiagem. – virou­se para o  corpo – Seja um bom garoto, Roberto! Faça tudo o que ela mandar... – disse, saindo.  Camille aproximou­se do ouvido do falecido e sussurrou: 
  • 17. ­ Agora somos só eu e você, Beto!  Passou dois dedos nos lábios do falecido e levou­os aos seus, isso um pouco antes de tirar a sua blusa e  deitar sobre o corpo frio à sua frente. Em seguida, colocou a língua para fora e lambeu a boca dele,  sentindo o gosto cru da morte, além de seu cheiro acre. Para ela, amar um morto, mesmo que por alguns  minutos, era algo mágico, diferente, um ritual com muita energia. Não era apenas sexo. Marcos também  gostava,  mas  em uma escala menor. Sempre que entrava um cadáver de mulher que o agradava ele  passava a mão e se acariciava também.  Camille estava muito excitada e passou a se masturbar, gemendo baixinho, enquanto aumentava o ritmo  em que conduzia a mão do cadáver. De súbito, Marcos retornou a sala, deslumbrando a cena. Ficou ali,  encostado na porta, olhando­a . Com os olhos entreabertos, ela ensaiou dizer um “vem” com os lábios.  Contudo, o som não saiu. O amigo entendeu e aproximou­se. Os dois se beijaram e amaram­se por longos  minutos. Seria quase um ménage se Roberto pudesse agir.  Saciados,   vestiram­se   e   prepararam   Roberto   para   o   velório.   Ela,   de   tanto   acompanhar   o   amigo   nas  madrugadas na funerária, já havia adquirido experiência em maquiar e vestir os mortos.  ­ Pronto! Está lindo, arrumado e cheiroso... Se pudesse ficaria horas com ele. – disse, enquanto acendia  seu cigarro.  ­ Quando o presunto é boa pinta, fica mais fácil, né? – respondeu Marcos – Estou uns quinze minutos  atrasado. Vou pedir para os rapazes me ajudarem com o caixão. – beijou­a.  ­ Valeu! – sorriu – Quando tiver umas carnes gostosas assim, não deixe de me ligar. – deu uma leve  piscada e saiu.  Camille saiu pela porta dos fundos, como de costume, e foi andando lentamente, passando por trás das  salas de velório. Enquanto caminhava, observava a lua minguante no céu, cercada de estrelas. Adorava o  cheiro   suave   da   noite.   Nela,   todos   os   seus   prazeres   eram   consumados.   Contudo,   por   conta   dessa  observação, deixou de prestar atenção por onde andava, razão pela qual tropeçou em um pedaço de lápide  cravado na terra. A conseqüência disso foi uma queda que fez sua cabeça ir de encontro a uma pedra  tumular. Ficou alguns segundos atordoada. Ao se levantar, passou a mão na testa e notou que havia um  pouco de sangue.  ­ Mas que merda! – resmungou.  Enquanto tirava terra da roupa, procurou onde tinha tropeçado e achou o resto da lápide. Havia uma  inscrição. Ela se agachou e limpou a terra que escondia uma parte.  Maldito daquele que perturbar o descanso dos mortos.  Camille   assustou­se.   Achou   de   mau   gosto   alguém   ter   colocado   aquilo   em   uma   lápide,   Parecia   uma  ameaça, uma maldição lançada.  ­ Uma maldição lançada para mim... – pensou em voz alta.  Estranhou a coincidência de ter tropeçado justamente em uma lápide com aqueles dizeres.  ­ Bobagem! Foi só uma merda de coincidência, eu não acredito nessas porcarias. – esbravejou, pulando o  muro do cemitério.  Enquanto caminhava pela rua escura, sua cabeça doía muito e continuava a sangrar. Estava com medo.  Pela primeira vez, Camille sentiu medo do que estava fazendo.  Maldito daquele...  Aquela inscrição não saía da cabeça dela.  Ela estava com medo. Ansiava por encontrar alguém, mas a rua estava deserta e escura. Mal podia ver o  chão. Cruzou os braços e foi andando, trêmula. Repentinamente, tropeçou em suas próprias pernas e caiu  novamente. Ficou alguns segundos no chão e começou a chorar. 
  • 18. ­ Você está bem?  Ela levantou a cabeça, antes de frente para o chão e só conseguiu visualizar um par de botas. A pessoa  ajudou­a a se levantar e foi tirando­a do breu da madrugada. O pavor que subitamente tomou conta dela a  impedia de pronunciar qualquer palavra, nem sequer um obrigado ao samaritano. Enquanto caminhavam,  ele puxou papo.  ­ Qual é o seu nome?  ­ Camille!  ­ Você fuma? Pode me ceder um cigarro?  Ela tirou um do maço e entregou a ele.  ­ Pode acender para mim?  Ela pegou o isqueiro e, com as mãos tremendo, levou­o até o cigarro na boca dele. Ao acender, a chama  iluminou o rosto do rapaz, e ela o reconheceu imeditamente.  ­ N­Não pode ser!  Ela se desesperou, empurrou­o tentando correr. Não podia acreditar que era ele. Correu muito até avistar  a ponte. Olhou para trás e viu que não a seguia. Estava sem ar, não conseguia pensar em nada, só queria  chegar em casa e esquecer essa terrível noite.  ­ Só eu e você! Agora somos só eu e você... Não foi isso que você me falou?  Era ele, agora tinha certeza, ela não conseguia correr, sentia que seu corpo já não respondia mais, caiu de  joelhos.  ­ Não pode ser! Você está morto...! Me deixe em paz! – gritou.  Era sua maldição, maldita lápide, maldita maldição que caíra sobre ela.  Dias depois, Marcos ficou muito tenso quando chegou aquele corpo. Retirou o lençol que a cobria. Não  podia acreditar que aquela fatalidade tinha acontecido. Ela estava morta. Havia dois dias, estava com ele.  Fora encontrada morta naquela madrugada, resultado de um acidente banal: havia caído sobre uma pedra  no cemitério. O laudo apontou uma concussão profunda no crânio. Para sorte dele, não descobriram que  eles   estavam   juntos   na   funerária.   Passou   em   sua   cabeça   tudo   o   que   eles   fizeram,   desde   quando   se  conheceram até a ultima noite. Lembrou das transas, de todos os mortos que saciaram seus desejos.  Agora era ela, era a garota que ele amava, a pessoa que mais se parecia com ele. Tinha de ser a despedida  era a última vez. O corpo de Camille o excitava, ela parecia estar dormindo. Marcos tirou a roupa e  começou a tocar o corpo dela. Beijou seus lábios, seus seios e a penetrou. Ele tinha a sensação de que não  estava   sozinho.   Estava   certo.   No   canto   da   sala   fria   e   úmida,   Roberto   e   Camille   observavam,   com  paciência. 
  • 41. PRODUZINDO UM CONTO DE TERROR / SUSPENSE / MISTÉRIO Tomando   por   base   os   textos   “O   retrato   oval”,   de   Edgar   Allan   Poe   e   “O   quadro   do  Palhaço”, de Fernando Ferric, redija um Conto de Terror/Suspense, observando os seguintes  critérios: ► O Conto se concentrará em torno do seguinte elemento:  ­ Turma 800: Um baú velho; ­ Turma 801: Um espelho; ­ Turma 802: Um quarto negro; ­ Turma 803: Um casaco preto. ► Narrador em primeira pessoa (narrador­personagem) ou em terceira (observador); ► O ambiente deve ser um lugar inusitado; ► O conto deverá ser feito no tempo passado; ► Dê um título bem criativo ao conto; ► O texto deverá ser produzido em dupla; ► O texto deverá ter entre 20 a 40 linhas.
  • 42. PRODUÇÕES TEXTUAIS O mistério do baú Num certo dia, fui ao enterro de Paula. Ela era uma professora de inglês. Eu estava com todos os meus amigos, quando, de repente, Pedro, meu amigo de infância, mostrou-me uma casa que parecia super aterrorizante. Sua fachada era de um tom meio cinza, com partas pretas com ar de envelhecida. Como eu era muito curiosa, chamei o Pedro para irmos lá ver, e ele aceitou prontamente. Aproximamo-nos da casa. Veio um homem em nossa direção. Ele falava com um tom de voz meio sinistra que nós não poderíamos nos aproximar daquela casa porque lá havia coisas misteriosas, que não poderíamos saber. Com muito medo, eu e Pedro saímos correndo e nos escondemos atrás de uma lápide. Falei para Pedro que estava ainda mais curiosa do que antes. Mas Pedro estava com medo e voltamos para casa. No dia seguinte, fomos lá novamente bem cedinho. Era por volta das seis e meia da manhã. Chegando perto da casa, vimos um homem dentro dela. Ele era baixo, gordo e careca e estava com um machado na mão direita e, na esquerda, uma tesoura. Logo, reconhecemos que era o coveiro que enterrou a Paula. Ficamos observando por um tempo o homem, achamos que estava se arrumando para o trabalho. Quando ele saiu, ele não estava mais careca e ficamos surpresos em vê-lo com um enorme cabelo. Ao sair da casa, ele escondeu uma chave no mato que tinha em frente da sua moradia. Pegamos a tal chave e entramos na casa. Entrando, tivemos a impressão de que estávamos numa história de terror. As paredes de dentro da casa eram pintadas de preto. A casa era meio gótica. Ao entrar, deparamo-nos com um estranho corredor que, ao fundo, havia uma porta com um cadeado muito grande, impossível de abri-lo, já que não tínhamos a chave, pensamos. Andando pela casa, lembramos da chave que pegamos. Foi perfeito! Ela também abria aquele cadeado! Abrimos a porta e entramos correndo e nos deparamos com um baú velho. Fomos até a ele e o abrimos. Ao abri-lo, desvendamos o mistério: o baú continha um grande número de cabelo de pessoas mortas, inclusive o cabelo de Paula, a professora de inglês. (Andressa Novaes e Diana Justo. Alunas do 8º ano. E. M. Luis Lindenberg, 2011)
  • 43. A Flor Rosa Certo dia, um grupo de amigos foi acampar em uma pequena floresta perto de um lago. Com o passar dos dias, uma garota discutiu com o seu namorado. Irritada, saiu correndo do lago para o acampamento. Já no fim da tarde, ela estava arrumando as roupas para ir embora e, logo em seguida, saiu. No caminho voltando para a sua casa, ela achou uma flor rosa e começou a conversar com ela, desejando muitas coisas ruins para o seu namorado, inclusive que ele morresse e que a escola onde eles estudavam pegasse fogo, para ter terremoto... Depois de certo tempo, ela perguntou para sua flor o que estava acontecendo, porque o seu namorado morreu atropelado, a escola pegou fogo e, com isso, muitas crianças e professores morreram queimadas. Depois disso, houve um terremoto e muitas pessoas morreram. Sem resposta, ela se estressou, pegou a flor e jogou fora, e foi sozinha para o tal acampamento que ficava na pequena floresta. Ela passou um bom tempo lá. Achou um baú velho todo sujo com uma chave brilhosa em cima dele. Abriu-o. Quando olhou, lá estava a flor rosa. Ela toucou na flor e, do nada, surgiu uma bruxa dizendo que desde quando a tocou pela primeira vez, os seus desejos já poderiam se considerados realizados. Ela bem assustada com a bruxa, correu e esta disse que ela ia morrer. Depois de alguns anos, a garota desapareceu. O irmão dela foi à delegacia da cidade dar queixa do seu desaparecimento, e informar que em cima da cama havia uma carta deixada por ela dizendo: Adeus, meu irmão! Um dia eu volto para te visitar! Pegue a flor rosa que está no baú no acampamento e deseja muito dinheiro, paz e felicidade... Adeus! (Matheus Barbosa. Aluno do 8º ano. E. M. Luis Lindenberg, 2011)
  • 44. O museu aterrorizante Algum tempo atrás, eu estava com minha amiga e nossos familiares em um museu que era rodeado de espelhos e bonecos mal assombrados. Todos que entravam lá eram aterrorizados. Era cada coisa estranha que eu e minha amiga ficávamos contando os minutos para sair logo de lá, já que não adiantou contar nada para os nossos familiares, porque eles não acreditaram. Tinha cada coisa pior do que a outra. Eram absurdas, tanto que quem já tinha entrado nesse lugar não tinha coragem de entrar novamente. Foi tão horrível, que quando saímos de lá, estávamos passando mal. Aonde eu ia e encontrava espelhos, pensava nas piores coisas, mas sabia que era a minha imaginação. Minha amiga não conseguia dormir sozinha, porque passava várias coisas ruins na cabeça dela. No dia seguinte do acontecimento, eu fui para a escola. Chegando nela, eu minha amiga contamos para todos da classe o que havia acontecido. Poucos acreditaram, mas tudo bem. Um mês depois desse acontecimento, estava andando pela rua, quando, de repente, encontrei um espelho com a imagem de um boneco querendo me puxar para dentro dele. Imediatamente, liguei para minha amiga e ela foi ao local onde eu estava. Então vimos que tudo o que havia acontecido era real e decidimos queimar o espelho. Depois de queimá-lo, fomos para casa e, do nada, por incrível que pareça, tudo aquilo foi apagando de nossas mentes. Dois dias depois, minha amiga fez uma festa surpresa em sua casa comemorando o meu aniversário. Depois que todos foram embora, começamos a abrir os presentes. De repente, encontrei uma caixa com um bilhete escrito assim: Feliz Aniversário! Ah, ah, ah, ah!!! Com muito medo, eu e minha amiga abrimos a caixa e adivinha o que estava lá? O espelho com a imagem do boneco aterrorizante, querendo nos pegar. (Jéssica Sampaio e Victória Ramos. Alunas do 8º ano. E. M. Luis Lindenberg, 2011)
  • 45. A Órfã Quando eu tinha onze anos, meus pais morreram em um acidente de carro. Fui adotado por um senhor chamado José e sua família. Morávamos numa linda mansão afastada da cidade. Vivi anos felizes nela, até que um dia, meus pais adotaram também uma menina de nome Anna. A princípio, ela se mostrou amável. Fiquei alegre e meu irmão mais novo também. Anna chegou com poucos pertences na bolsa e ficou comovida com o quarto que ganhou. Mas algo estranho me deixou intrigado. Ela não deixou ninguém mexer em sua bolsa e, dentro dela tinha apenas uma escova de cabelo, um espelho redondo e poucos vestidos. Para a sua idade – doze anos – era muito esperta e inteligente. Nas brincadeiras, não se mostrou amigável, chegando a provocar acidentes com meu irmão. Comecei, então, a observá-la. Notei que seus modos eram dissimulados e estranhos. Desconfiado, fui até o seu quarto e, investigando os seus pertences, um ruído me chamou atenção e, com medo, entrei embaixo da cama para esconder-me e a vi entrando. Começou a cantar uma melodia estranha que eu não entendia. Pegou a pequena bolsa e de lá tirou o espelho. Notei que olhava sua imagem refletida com muita atenção. Quando olhei, não acreditei no que vi: ou a imagem estava distorcida, ou era outra pessoa com o rosto totalmente envelhecido. Conseguir sair do quarto e apavorado, contei para a minha mãe que não acreditou. E Anna atrás da porta ouviu toda a conversa. Começou, então, a me amedrontar. Até que um dia, eu a desafiei. Peguei o espelho e pedi que ela se olhasse na frente de meus pais. Ela se negou a fazer, e meus pais disseram por que não. Ela continuou negando. Dois dias se passaram. Fomos a um passeio e, no meio do caminho, avistamos uma pequena igreja. Quando entramos, uma surpresa: cadê Ana? Havia desaparecido. De repente, ruídos no fundo da igreja me chamaram a atenção. Quando olhei, Anna estava dentro do espelho com os olhos vermelhos. Ela disse: - Eu voltarei! Ah, ah, ah, ah! Passados vinte e quatro anos, pessoas ainda dizem que vê o rosto da órfã no espelho da igreja. ( Raikom e Rômullo. Alunos do 8º ano. E. M. Luis Lindenberg, 2011)
  • 46. Olhos no escuro Lembro-me perfeitamente daquele dia... Foi numa manhã de sábado que tudo começou. Chegamos! Bem-vindos ao nosso lar, disse meu pai quando, finalmente, parou o carro. Da janela do banco de trás, pude ver uma casa antiga, com um ar sombrio e misterioso, no meio do nada. Peguei minhas coisas e caminhei até à porta de entrada. Ao entrar, deparei-me com uma enorme teia de aranha. Olhei em volta e percebi que, praticamente, todas as paredes estavam rachadas. Larguei minhas coisas ali mesmo e fui para o segundo andar, para o meu quarto. Os móveis de madeira até que estavam em bom estado, comparados ao teto e as paredes. Joguei-me em minha cama, escutando um estranho barulho vindo de trás dela. Levantei-me e fui ver o que era. Deparei-me com uma pequena porta de madeira. Passei pela pequena passagem que se estendia à minha frente, deparando-me com um cômodo pouco iluminado. - É melhor você sair. Sussurrou uma voz que vinha de trás de mim. - Quem é você? Dei um salto batendo com a cabeça no teto. Definitivamente, aquele cômodo era muito pequeno. - Sair... é melhor... sair... A voz foi ficando cada vez mais baixa, até desaparecer. Admito que fiquei com um pouco de medo. Mas a curiosidade falou mais alto e eu continuei dentro daquele quarto, tateando as paredes, encontrei um interruptor. A Luz se acendeu, mas, devido às paredes negras, o quarto continuou mal iluminado. Dei de ombros, decepcionada por não ter nada lá. Virei-me para sair do pequeno cômodo, quando senti uma mão no meu ombro. A mão me puxou para o centro do quarto, foi quando vi um rosto. Era de uma garota ruiva, mais ou menos da minha idade, com a pele fria e pálida. Quando olhei em seus olhos, que estavam completamente negros, eu me senti estranha. Senti como se minha alma estivesse saindo do meu corpo. Minha cabeça girava. Escutei um grito e, talvez por medo, fechei os olhos. Quando os abri, deparei-me com meu próprio corpo estirado no chão. Tentei gritar, mas nada saiu de minha boca. Eu sabia o que tinha acontecido. Só não queria acreditar. Não podia ser verdade. - Melanie! Cadê você filha? A voz de minha mãe ecoou pelas escadas.
  • 47. Escutei os passos de meus pais subindo as escadas. Logo os vi entrando no quarto e, depois, entrando no quarto escuro onde meu corpo jazia. Foi só então que realmente entendi. O quarto era mal assombrado. Há alguns anos, uma garota havia morado com sua família, até que sua mãe morreu e seu pai casou-se com outra mulher. Sua madrasta, por ciúmes, a trancava no quarto e a obrigava a ficar dias e dias sem água ou alimento. A garota morreu pouco tempo depois. Dizem que o espírito dela continua no quarto onde morreu: o quarto negro. Toda vez que uma nova família se muda para aquela casa, um dos filhos acaba descobrindo o quarto e, por isso, morrendo. Foi o que aconteceu comigo. (Alexia e Stéphanie. Alunos do 8º ano. E. M. Luis Lindenberg, 2011) O misterioso casaco preto Eu estava passando pelo lixão, quando encontrei um casaco preto em perfeito estado. Voltei para casa correndo para amostrá-lo para a minha mãe. Ela gostou muito. Depois, fui amostrar aos meus amigos. Eles também gostaram. Passei em frente a uma casa que estava em reforma. Era de uma família rica. Ela estava precisando de um ajudante na obra. Ofereceram-me um trabalho com um salário razoável. Eu aceitei. Comecei no dia seguinte. O trabalho foi doloroso, mas consegui ganhar o meu primeiro salário. Cheguei a casa, dei a metade do dinheiro e, com o resto, fui comprar algumas roupas para mim. Retornarei a casa bem tarde e, quanto me deitei em minha cama, ouvi um barulho muito estranho. Quando olhei para a cozinha, vi que meu casaco preto estava pegando uma faca. Saí desesperado em direção à porta, só que ela estava trancada. Consegui sair pela janela. O casaco estava tentando me perseguir, mas cheguei a tempo à casa de Júnior, meu amigo. Toquei a campainha diversas vezes, mas não tinha ninguém em casa. Fui para a casa de Daniel, por sorte ele estava lá, mas não quis me ajudar porque não acreditou no que eu havia dito. Ele fechou a parta no meu rosto. Saí correndo da casa de Daniel e fui para a casa de Emanuel, só que ele tinha viajado para o México.
  • 48. Não tendo para onde correr, fui para a delegacia. Só sei de uma coisa: o casaco deve está me procurando até hoje atrás de vingança. (Suzana e Victor Joshua. Alunos do 8º ano. E. M. Luis Lindenberg, 2011) O misterioso homem de preto Há seis meses atrás, em uma vila distante da cidade, um homem misterioso foi morar numa casa antiga da vila. Em sua mudança, ele pedia para tomar muito cuidado com suas caixas pesadas. Quando foi para tirar o seu armário, disse: - Espera! Tenha muito cuidado com esse armário, pois foi herança do meu avô. Nesse mesmo dia, ele vestiu um casaco preto e saiu com o seu carro antigo. Todos da vila achavam estranho o misterioso homem de preto, como era chamado na vila. Durante o dia, ele ficava em casa; à noite, ele saía com o seu carro antigo para a balada no centro da cidade. Lá, ele conhecia uma mulher por noite e a levava para sua casa. Cada uma que entrava, não saía. Até que um dia, uma mulher desconfiou dele, e toda noite, ela vigiava da janela a atitude do homem. Certo dia, a tal mulher, chamada Noêmia, falou para o seu marido: - Jorge, eu estou desconfiada desse nosso vizinho da frente. - Está desconfiada de quê, Noêmia? Disse o marido dela. - De dia, ele não sai de casa; e à noite, ele sai e traz uma mulher por noite. E todas as que entram na casa, não saem mais. Em um belo dia, Noêmia disse para o seu marido que iria entrar na casa do André, o misterioso homem de preto. - Você está louca, ninguém entra lá. Disse o marido dela. Ela abaixou a cabeça e fez cara de quem tinha concordado com o que o marido falou, mas, na verdade, ela iria entrar na casa. Um dia após o outro, a mulher continuava a observar o homem.
  • 49. Até que um dia, Noêmia entrou na casa do tal homem e acabou vendo o que ela queria ver: o armário misterioso. Quando ela abriu o armário, levou um susto, pois viu várias armas, facas e machados que eram usados para matar as mulheres. Em um quarto escuro havia várias caixas pesadas e com um cheiro estranho. Quando ela abriu uma das caixas, viu pedaços de corpos de mulheres. Ela ficou assustada e, imediatamente, foi à delegacia. Chegando lá, o delegado falou para ela: - Vai para a sua casa, pois você está muito nervosa. Ela voltou, mas... Passou um dia, dois dias e nada de Noêmia. O marido dela achou estranho o desaparecimento da sua mulher. No terceiro dia, o misterioso homem de preto se mudou da vila. No dia seguinte, Jorge falou para os vizinhos: - Vamos entrar na casa desse homem. E quando eles entraram, lá havia uma caixa fechada e, quando abriram, lá estava Noêmia e, junto do corpo dela, um bilhete escrito assim: Isso é uma amostra para quem se mete nos meus assuntos. Assinado: O misterioso homem de preto. (Flávia e Shayane. Alunas do 8º ano. E. M. Luis Lindenberg, 2011)
  • 50. Gargalhadas A tarde estava muito quente e os estudantes esperavam ansiosos pelas férias. Muitos pensavam em viajar; outros não queriam sair da sua cidade. Na escola “Aprendiz do Saber”, alguns alunos necessitavam de boas notas para serem aprovados, principalmente um grupo de meninos: Matheus, Gustavo, Gabriel, Felipe e Lucas. Todos eram alunos da professora Beth. Eram os que menos prestavam atenção às aulas. Beth, cuidadosamente, informou ao grupo que para sair de férias, era necessário que fizesse um provão com toda a matéria estudada. Então, o grupo resolveu reunir-se na casa do menos bagunceiro, Matheus, porque a concentração para o estudo era obrigatória. Corria tudo muito bem, até que Matheus resolveu ir à cozinha pedir à sua mãe que preparasse um lanche para os seus amigos. Para surpresa dele, sua mãe não estava em casa. Para agradar aos colegas, resolveu fazer o lanche. Percebeu que nada na cozinha funcionava. Preocupado e nervoso, achou melhor telefonar para sua mãe, porém o telefone também não funcionava. Com muito medo, Matheus correu até o quarto onde estavam seus colegas e, chorando, pediu ajuda. Todos riram e zombaram muito dele. De repente, Carlos parou de rir porque viu um vulto passar pela janela do quarto. Gabriel, o mais risonho, ouviu um barulho, uma espécie de ruído vindo da porta principal. Todos ficaram quietos. O silêncio era sepulcral. Ninguém falava. Ninguém piscava. A noite estava aproximando-se. Se faltasse energia, não havia velas. O pânico cada vez mais crescia. Então o grupo resolveu fugir, mas por todos os lugares da casa se ouviam ruídos e, fugir dali, já não era mais possível. De repente, a energia acabou, e a porta principal se abriu e do nada apareceu João, um aluno caprichoso e inteligente, pálido, com os olhos
  • 51. arregalados e com as roupas rasgadas. Os colegas correram para ajudá-lo. Naquele momento, todos perderam o medo e, quando perguntaram o que havia acontecido, João respondeu entusiasmado que era dia trinta e um de outubro, dia das bruxas. Nesse momento, surgiu a professora Beth, a mãe de Rodolfo e os outros colegas de classe, todos fantasiados e sorridentes, porque tudo o que estava acontecendo não passava de uma armação, pois era o aniversário de Matheus. Acenderam as luzes e todos, felizes, começaram a grande festa. Que noite! Que maravilha de festa! Parecia um sonho! Bolo, salgadinhos, docinhos de vários sabores, refrigerantes, sucos e muitas coisas gostosas. A diversão parecia não ter fim. A meia noite se aproximava e, com ela, muita euforia. De repente, num instante quase incalculável, as luzes se apagaram. Na parede da sala, do lado esquerdo, havia um enorme espelho que a mãe de Matheus havia ganhado de um misterioso homem que só se vestia com uma capa preta, que morava em frente à sua casa. Nele, apesar de não ter energia, refletia um vulto e, como estava tudo muito escuro, não dava para identificá-lo bem. Por um instante, percebemos que o tal vulto tinha forma humana. Em sua mão esquerda, tinha um enorme baú velho todo negro cheio de teias de aranha e com muita poeira. O vulto se aproximava e, cada vez mais perto de todos, o lugar ia ficando muito frio e sombrio. De repente, uma gargalhada ecoou, deixando todo o ambiente enfeitiçado. As pessoas ficaram embriagadas e, num piscar de olhos, todas estavam no quarto de Matheus.Antes, o quarto dele era pintado com cores suaves, leves; agora, o espaço era lúgubre. Tudo nele era gótico. Nesse momento, o vulto saiu de um armário que havia no quarto e com um tom de voz estranho e macabro disse: - Vocês me invocaram para uma causa nobre. Aqui estou!
  • 52. Ninguém entendeu nada. E ele novamente disse: - Chamaram-me. Aqui estou! Dessa vez, todos entenderam o que o vulto estava dizendo e, com os olhos arregalados e os corações palpitantes, disseram em coro: Tudo não passava de uma brincadeira. Volta do lugar de onde veio, de onde nunca deveria ter saído. E ele respondeu: Já estou indo, porém levo comigo, nesse velho baú negro, o que há de mais sagrado em vocês: suas vidas. Agora, elas são minhas! Farão companhia a outras milhares que aqui dentro estão, envolvidas no calor eterno. Nesse instante, um enorme raio de cor roxa envolveu todo o quarto e, como num passe de mágica, todos nós estávamos novamente na sala. Agora com as luzes acesas, sorridentes e muito alegres. Afinal, era a festa de aniversário de Matheus. Matheus sentiu-se sede. Foi até a cozinha, de seus lábios ecoou um enorme grito aterrorizante. Todos foram ver o que havia acontecido. Ao chegar à cozinha, a mesa que nela havia, estava forrada com uma toalha negra com renda de veludo roxo e, em cima dela, apenas um pedaço de bolo de chocolate, um copo com suco de boldo e um bilhete escrito no guardanapo: Deliciem-se do último pedaço de bolo, e do suco, não se preocupem, porque para onde todos vocês irão, muito suco de boldo beberão. Não pensem que fui embora. Estou apenas arrumando meu maravilhoso e envolvente casaco preto e arrumando o meu magnífico baú preto. Aguarde minha gargalhada. Será o fim de todos. Da sua eterna e infinita companheira: a morte. Gargalhadas! (SILVA, Aldeni de Faria. Gargalhadas, 04/2011)