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Competições	pedagógicas	e	festivais
esportivos:	questões	pertinentes	ao
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Renato	Sampaio	Sadi
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COMPETIÇÕES PEDAGÓGICAS E FESTIVAIS ESPORTIVOS:
QUESTÕES PERTINENTES AO TREINAMENTO ESPORTIVO*
Dr. ALCIDES JOSÉ SCAGLIA
Faculdade de Educação Física – Módulo – Caraguatatuba – SP
Faculdade de Educação Física – UNASP – Hortolândia - SP
Dra. MARA MEDEIROS
Universidade Federal de Goiás - UFG
Dr. RENATO SAMPAIO SADI
Faculdade de Educação Física – Universidade Federal de Goiás – UFG
RESUMO
O objetivo deste artigo é socializar o tema das competições pedagógicas e festivais
esportivos no que diz respeito às aulas de educação física e aulas de treinamento.
Discutimos a descentralização política do esporte educacional e o debate da pedagogia do
esporte no sentido de fixar as competições como conteúdo a ser ensinado para crianças e
adolescentes. Para isto abordamos a necessidade de princípios esboçando uma proposta
unitária de esporte escolar/esporte de base.
PALAVRAS CHAVES: competições; treinamento; esporte; pedagogia.
PEDAGOGIC COMPETITIONS AND SPORT FESTIVALS:
ASPECTS OF TRAINING IN SPORTS
ABSTRACT
The objective of this article is to socialize the pedagogic competitions and sports festivals
subject in that it says respect to the physical education lessons and training lessons. We
argue the decentralization politics of the educational sport and the discussion of teaching
sport in the direction to fix the competitions as content to be taught for children and
adolescent. For this we approach the necessity of principles sketching a sport proposal
with unity between schoolar sport/basis sport.
KEY-WORDS : competitions, training, sports, pedagogy
*
Trabalho organizado a partir das intervenções dos autores na Mesa Redonda: “Competições Pedagógicas e
Festivais Esportivos” – Seminário Nacional Esporte Escolar e Inclusão Social. Faculdade de Educação Física
da Universidade de Brasília – UnB – Ministério do Esporte – ME, em 05 de dezembro de 2003.
COMPETICIONES PEDAGÓGICAS E FESTIVALES ESPORTIVOS:
ASPECTOS DE LO ENTRENAMIENTO ESPORTIVO
RESUMEN
El objetivo de este artículo es socializar el tema de las competiciones pedagógicas y de los
festivales esportivos en que dice respecto a las lecciones de la educación física y de las
lecciones de entrenamiento. Discutimos la política de la descentralización del deporte
educativo y la discusión de la pedagogía del deporte en la dirección para fijar las
competiciones como contenido de ser enseñado para los niños y adolescentes. Para esto
acercamos a la necesidad de principios que bosquejan una unidad entre deporte escolar e
la oferta del deporte de la base.
PALABRAS CHAVE: competiciones, entrenamiento, deporte, pedagogia
INTRODUÇÃO
O conceito de competições pedagógicas e festivais esportivos está relacionado aos
jogos escolares, ao esporte escolar e/ou educacional e, indiretamente ao treinamento
esportivo. Como conceito em formação se refere às possibilidades de intervenção docente
na educação física e esporte. Se o conteúdo e a forma do esporte for considerado mais
horizontal e democrático, o papel do treinamento também pode ser re-significado. As
perspectivas desta re-significação com mudanças concretas estão relacionadas com o atual
momento da política de esporte no Brasil. Com base nestas informações consideramos
importante diferenciar as atividades corporais e esportivas no currículo escolar sem
dicotomizá-las. Assim, a educação física como componente curricular contempla o esporte
como conteúdo e, ao mesmo tempo, a parcela “escolar” do esporte como um complemento
da educação física. Ambos, nessa concepção estão interligados na idéia de currículo
ampliado. 1
Nesta perspectiva ao se discutir o ensino de esportes não se pode descartar a
necessidade de se ensinar a competir, pois a competição como um conteúdo do
planejamento do professor pode enriquecer/incrementar o processo de ensino. As
competições pedagógicas e os festivais esportivos tanto em aulas de educação física como
em aulas de treinamento, constituído como conteúdo de ensino, são partes integrantes do
1
- Sobre Currículo ampliado ver Coletivo de Autores (1992) Saviani (1994)
projeto pedagógico da escola, podendo, portanto, ser compreendidos como possibilidade
educacional, como ferramenta de intervenção.
Os modelos metodológicos do esporte de alto rendimento no desenvolvimento do
conteúdo das competições encontram-se limitados2
na perspectiva de mudança da
pedagogia do esporte. Isso implica em considerar processos metodológicos diferenciados
para o ensino do esporte, e concomitantemente para as (e a partir das) competições, ao
longo dos anos de escolarização.
A crítica ao modelo tradicional (e espontaneísta) da educação física possibilita hoje,
no Brasil, a formulação de políticas horizontais de esporte. O plano do Estado democrático
como base histórica para tal possibilidade e os avanços redesenhados pela área acadêmica
sustentam as teses críticas reafirmando o acesso ao esporte, o direito ao esporte, a
contribuição do esporte para a inclusão social e o desenvolvimento humano bem como as
sub-divisões do esporte delimitadas hoje no atual formato do Ministério do Esporte (esporte
educacional, de participação e lazer e de alto rendimento). Para além dessas determinações
é necessário dar um passo à frente, posicionando a crítica da crítica em direção a uma
síntese da problemática por meio de uma programática adequada à realidade educacional do
país. Nesse sentido ganha relevo questões pertinentes ao treinamento esportivo pensado a
partir do esporte escolar/esporte de base.
A particularidade das competições pedagógicas e festivais esportivos encerra uma
lógica de democratização das atividades de educação física e esporte. As competições são o
ponto chave do esporte, o sentido da sua existência.
Como desenvolver o esporte escolar de forma democrática e ao mesmo tempo
indicar elementos para o esporte de base? Isso se faz a partir da escola? Esta é uma questão
chave, que a crítica da educação física procurou ocultar (ou mesmo negar).
Por outro lado as interfaces, diferenças e semelhanças do esporte escolar/esporte de
base com a educação física como componente curricular, são temas atuais e polêmicos
ainda não totalmente consumidos.
2
O modelo tradicional de competição de alto rendimento encontra-se limitado, pois, segundo a sua
organização e objetivos, apresenta caráter seletivo, conservador, reprodutor da ideologia liberal (valorização
dos vencedores), e principalmente, utiliza a competição como forma de avaliação do trabalho e não como
conteúdo de ensino e parte de um processo planejado e gradual. Autores que pesquisam a pedagogia do
esporte (Paes, 1996; Greco, 1998 e Freire, 1998 e 2003) já alertaram para o fato de que os estudantes
aprendem muito pouco sobre esportes e competição no desenrolar desse modelo de ensino.
O que une a educação física ao esporte escolar é o conceito de educação esportiva.
Promover tal unidade de forma descentralizada ainda é um desafio para professores,
gestores e intelectuais.
Na mesma direção quando chamamos de esporte escolar aquele praticado no contra
turno da educação física, destacamos o caráter unitário do projeto pedagógico da escola.
Isso significa planejar e executar uma educação esportiva de qualidade, garantindo o acesso
de todos os estudantes à prática e ao conhecimento do esporte. De um lado, aumentam as
chances de prática esportiva, pois há um aumento na carga horária do conteúdo (aumento
do número total de aulas – educação física somada ao esporte escolar), de outro, em função
deste aumento, uma valorização do conhecimento específico da educação esportiva. O
caráter desafiador torna-se permanente na medida em que ainda convivemos com uma
estrutura esportiva hierárquica e centralizadora.
Este texto pretende focar as competições pedagógicas e os festivais esportivos
relacionando-os às questões do treinamento procurando pontuar tensões da atualidade
política com necessidades da área de educação física no país.
DESCENTRALIZAÇÃO DAS COMPETIÇÕES ESPORTIVAS DE CARÁTER
EDUCACIONAL
Historicamente herdamos um formato fechado de competições nacionais para
atender o público de doze a dezessete anos de idade. Tal formato seletivo possibilita poucas
mudanças e os resultados quase sempre confirmam os estudantes de destaque e excluem
aqueles considerados “sem aptidão”. Os Jogos Estudantis, por exemplo, (Jogos Escolares
Brasileiros - para adolescentes de 12 a 14 anos e Jogos da Juventude - para a faixa etária de
15 a 17 anos) são constituídos basicamente por este formato fechado/centralizador. Equipes
representativas do país se reúnem em uma cidade e realizam competições esportivas. Por
outro lado a perspectiva de descentralização das competições educacionais deveria ter
como princípio a retomada da idéia de pedagogia do esporte vinculada à festas esportivas
realizadas nas escolas, municípios, e/ou regiões, com um fim nelas mesmas, isto é, sem a
caracterização de etapa de disputa. Descentralizar e, na seqüência massificar as
competições poderia contribuir para a superação da idéia dos “campeões natos” (e da
“seleção de talentos esportivos”). Também poderia amenizar as próprias disputas do esporte
de rendimento feitas por meio de fases de classificação, no município, no estado e,
posteriormente no país. Quando a competição se esgota nela mesma, o ponto de vista
pedagógico prevalece e o processo democrático se instala. O caráter de “guerra” e os
componentes de vitória/derrota são abrandados. Esse ponto de partida sustenta as
características das competições pedagógicas e festivais esportivos que descrevemos na
seqüência.
O fundamental na pedagogia do esporte aqui preconizada é agregar jogos, festivais,
brincadeiras, ludicidade bem como o ensino de técnicas e táticas. Isso pode ser otimizado
através de competições locais. Agregar essas manifestações da cultura ao esporte, tanto
pode ser feita do ponto de vista de preparar para o esporte, como de viver a realidade da
infância/adolescência no esporte.
O ensino de esportes antes, durante e depois das competições é um desafio para os
professores de educação física, já que nessa lógica o esporte torna-se um meio de educação
e não um fim de competição. As competições podem marcar um sentido de congraçamento,
de relação social complexa entre as pessoas, porque elas não iniciam quando o árbitro apita
o jogo, e não se encerram no próprio jogo, mas desde a preparação do evento, passando por
uma série de manifestações, de relações complexas, sociais e culturais, entre os estudantes,
a partir de uma participação ativa e motivante garantida na organização e desenvolvimento
da prática e do conhecimento do esporte. Por isso defendemos um ensino de esportes antes,
durante e depois das competições por meio não só de técnicas corporais, mas de imitações
pela imaginação, inteligência tática, atividades de cooperação e conhecimento do esporte.
As tecnologias digitais da atualidade permitem que esse ensino seja processado, de forma
ágil, veloz, democrática e produtiva.
Quando terminam as competições, há necessidade da escola, do professor, e
estudantes, continuarem envolvidos com o esporte. Quais foram os resultados? A
competição foi filmada? Ela possibilitou às pessoas conhecerem seus corpos em
movimento, suas ações e atitudes? Houve fotografias? Houve registros?
Quais seriam os objetivos dos municípios com as competições pedagógicas e os
festivais esportivos? Nesta perspectiva, a descentralização constituída pela responsabilidade
social dos sujeitos desencadeia o desenvolvimento do esporte escolar como elo de ligação
com o esporte de base. O município pode ser o pólo para a aplicação de treinamento. Por
exemplo, de cinqüenta escolas, uma ou duas unidades poderiam se agregar à perspectiva de
um pólo de treinamento com infra-estrutura direcionada à formação de base para o
desenvolvimento, ou seja, a partir do treinamento sistemático e adequado, formar o futuro
atleta com novas bases de organização pedagógica. Para melhorar a eficácia do sistema
esportivo brasileiro, composto pela gestão administrativa e burocrática que implica em
opções políticas e pedagógicas, a descentralização das competições aumenta as chances de
democracia interna entre os agentes.
Dentro das esferas financeira, administrativa e pedagógica dos sistemas de educação
e esporte, as questões de centralização e descentralização se confundem. Neste sentido
caberia articular um projeto de competições dado a partir de diretrizes centrais do(s) poder
(es) público com a autonomia pedagógica dos municípios, uma autonomia relativa, isto é,
democrática na participação das decisões estratégicas e responsável pela operação das
ações do projeto. Mesmo assim é necessário ter atenção (e impedir) quanto a
desdobramentos como privatização e terceirização dos recursos (cf. Sadi, 1996, p. 63).
Assim, as justificativas para as competições pedagógicas e festivais esportivos, de
forma mais horizontal e descentralizada seriam:
• Ausências de mecanismos de integração e inter e multi-disciplinaridade. As escolas
quando promovem as suas competições, o fazem no sentido da competição como
guerra; da competição como vitória a qualquer custo. Não há integração
comunitária, nem troca de experiências educativas e sócio-culturais.
• Ausência de mecanismos motivadores da participação popular no processo de
organização dos jogos. As competições normalmente são organizadas nos gabinetes
e com pouca participação, pouca motivação.
• Ausência de conhecimento sobre o esporte, sobre os valores educativos nas/das
competições. Não há a difusão desse conhecimento. O modelo olímpico é
reproduzido nas competições escolares.
Para inverter a lógica das competições de caráter olímpico e tradicional, da
competição para o resultado, a medalha, o índice, a comunidade deve participar ativamente
no processo, opinando sobre o esporte, organizando e formulando em conjunto, uma
política democrática de competições pedagógicas e festivais esportivos.
UMA OPÇÃO DE POLÍTICA DE TREINAMENTO ESPORTIVO
A idéia do treinamento deve ser re-significada e não desprezada se consideramos a
necessidade de garantir o direito dos que se destacam no interior das aulas de educação
física, ou seja, a proposta de democratização do acesso ao esporte a partir da escola, não
deve macular os valores da educação física regular. Na tentativa de mostrar que é possível
conciliar uma política de treinamento com a educação física é que trazemos, aqui, o
exemplo da experiência concreta de um país na construção de uma política de massificação
do esporte a partir da educação física, como é o caso de Cuba.
Os projetos esportivos de massa de Cuba, na atualidade, atendem a objetivos de
preparação física da população, visto que a inclusão social foi uma conquista que teve lugar
com o triunfo da revolução em 1959. Antes disso, apenas 30% das escolas privadas
ofereciam educação física nos seus currículos e se praticava apenas o beisebol e o boxe
como atividade popular, sendo estes os únicos esportes praticados pelos negros visto que
existia a discriminação racial no esporte. Outra característica do contexto esportivo cubano
antes da revolução era a existência de clubes privados, onde se praticava modalidades
consideradas de elite, como basquete, vôlei, tênis e tênis de mesa.
É importante deixar claro que em Cuba existe uma tendência nacional para o esporte
de rendimento e que a Educação Física é a base da pirâmide desse alto rendimento. Ou seja,
no transcurso do desenvolvimento do esporte naquele país, criou-se uma estrutura capaz de
realizar uma massificação e, a partir daí, selecionar talentos.
A Educação Física, base da pirâmide, faz parte do currículo escolar no Círculo
Infantil, Ensino Primário, Ensino Secundário, Pré Universitário e Universidades. Logo
acima na pirâmide existem as Escuelas de Iniciación Deportiva (EIDE), que abrigam os
talentos identificados nas escolas comuns. Os atletas que se destacam nos campeonatos
Inter EIDEs, passam para outros centros, que se encontram um pouco acima na estrutura
piramidal, que são as ESPAs (Escuela Superior de Perfeccionamento Atlético) que
oferecem um treinamento mais apurado. Finalmente, no topo da pirâmide, se encontram os
Centros de Alto Rendimento (CEAR), onde estão as equipes nacionais. No caso do curso
universitário, existe um currículo especial para os atletas que atende as características
específicas dos treinamentos e a agenda de competições.
Uma vez que se trata de um país que sempre demonstrou a opção pelo esporte de
rendimento, é necessário considerar que também os festivais esportivos, em Cuba, são
realizados com o objetivo de desenvolver o esporte naquele país. O ponto máximo acontece
todos os anos, desde 1961, quando se celebra a “Fiesta Deportiva” com os jogos escolares
nacionais reunindo todas as modalidades desportivas e que contam com a participação da
totalidade das crianças e jovens das escolas de Cuba. Outro exemplo é o plano LPV (Listo
Para Vencer), ou seja, Pronto Para Vencer. Este plano consiste em estabelecer competições
entre escolas, fábricas, campos de trabalho, dentre outros, com diferentes parâmetros de
medida como participação, promoção, competição, popularização, mas sempre com o
objetivo de melhorar os resultados em todos os níveis e criar um movimento de
massificação do esporte. Isso vem permitindo também, com recursos mínimos, fazer uma
média nacional para saber qual é o estado físico da população cubana.
Um exemplo do que seria considerado por eles como uma competição pedagógica é
o projeto “Mi Escuela Campeona” que, em uma data significativa, elege-se uma
determinada modalidade para uma integração entre escolas. Mas, também nesse caso, com
vistas à especialização, na medida em que se trata de uma maneira de se formar equipes de
base.
Como entendemos que não existem modelos ideais, o exemplo cubano de uma
política unitária de esporte apenas ilustra os caminhos da questão do treinamento esportivo
no Brasil.
DIFERENÇAS E SEMELHANÇAS ENTRE O ESPORTE ESCOLAR E O ESPORTE DE
BASE NO BRASIL
Na seqüência apresentamos algumas considerações sobre faixas etárias para
competições pedagógicas e festivais esportivos, visando pontuar diferenças e semelhanças
entre o esporte escolar e o esporte de base no Brasil, tendo como uma das referências, a
política cubana de esportes. Concebemos o componente escolar/educacional do esporte
articulado com a perspectiva de formação de base, isto é, de formação de atletas.
Na mesma direção cabe rever a pirâmide de exclusão esportiva, simbolizada no
triângulo de segregação, na qual uma maioria inicia incluída e uma minoria chega ao topo.
A partir da educação física, das brincadeiras populares, dos jogos, das brincadeiras de rua
para as competições, uma nova pirâmide (mais larga, de inclusão e democratização do
acesso) deveria criar os elos de ligação do esporte escolar com o esporte de base. A nova
fase da política de esporte também poderia indicar as necessidades de tensão da pirâmide de
exclusão, na busca por um esporte democrático.
Com competições pedagógicas e festivais esportivos para todos, o desenvolvimento
da pirâmide esportiva poderia incluir um maior número de estudantes alargando as
possibilidades, conseqüentemente, ao longo dos anos de escolarização, teríamos um maior
número de praticantes de nível iniciante e médio.
O caráter das seleções esportivas na íntima relação com o conteúdo das competições
pedagógicas e festivais esportivos pode incluir um maior número de pessoas nas aulas de
educação física e aulas de treinamento. O alargamento da pirâmide, com praticantes de
nível intermediário e com um esporte de rendimento de novo significado bem como a busca
de um ser integral, de atletas que se relacionam eticamente com a sociedade não só com a
sua marca individual de campeão, mas com serviços efetivos à comunidade é um outro
desafio para a área de educação física e esporte.
Assim, promover e difundir uma pedagogia de esporte não-tradicional, não-
tecnicista, garantindo o direito a práticas adequadas com faixas etárias equilibradas é uma
questão a ser enfrentada frente ao quadro que temos hoje. As mudanças na atuação docente
requerem um conjunto complexo de determinações, entre as quais um mapeamento de
idades, interesses e práticas diversificadas de esporte.
Nesse sentido como combinar os festivais esportivos e as competições pedagógicas
no Brasil, com as competições pedagógicas em uma perspectiva de fomentar o esporte de
base, tendo como meta o desenvolvimento sócio-econômico? Para garantir o direito
daqueles que se destacam no interior do esporte escolar, a iniciação esportiva e o
treinamento podem ser promovidos, a partir de unidades preparadas para este fim, como
clubes e escolas sede, assumindo-se a perspectiva de uma pedagogia de esporte não
tradicional/não tecnicista.
Como diferenciar as competições pedagógicas dos festivais esportivos e assim
diferenciar o esporte escolar do esporte de base? As atividades que chamamos de
competições pedagógicas são as atividades tradicionais, as atividades da cultura escolar. Os
festivais esportivos como o próprio nome indica, são atividades festivas, de integração, de
caráter mais lúdico, com maior participação e envolvimento de pais na organização dos
eventos. Uma não exclui a outra embora os festivais sejam mais voltados às crianças de sete
a doze anos, sem excluir a possibilidade de organizá-los para estudantes de treze anos em
diante. Da mesma forma as competições pedagógicas com ênfase para adolescentes de treze
e quatorze anos não excluem as crianças menores. Tudo depende das estratégias de
desenvolvimento do esporte escolar. Em algumas regiões, poderão ocorrer mudanças neste
padrão. Isso por que concebemos tal estrutura de forma flexível, implicando em um modelo
aberto que tende a incorporar o valor do esporte (escolar e de base) e das competições
pedagógicas a partir dos festivais esportivos, Como os princípios se situam no estímulo à
prática, ao conhecimento do esporte e, na perspectiva de encaminhamento dos alunos
destacados a pólos de treinamento, o modelo pode ser ajustado e adequado às questões
nacionais, às peculiaridades do Brasil e a uma nova configuração de desenvolvimento
sócio-econômico local (e global), que é a necessidade central da atual política de governo
federal.
Nessa lógica pontuamos uma certa transição entre os festivais e as competições, em
uma faixa etária chave - o início da adolescência formal, de treze para quatorze anos. Nessa
faixa etária, a competição pode simbolizar o amadurecimento do jogo, o que não significa
excluí-lo como possibilidade educacional.
Se na atividade docente houver a aplicação prática das competições pedagógicas e
festivais esportivos a partir de uma concepção global de sua realidade, de forma a garantir o
esporte escolar vinculado ao esporte de base, a contribuição educacional será mais efetiva
na medida em que o acesso democrático e de qualidade for garantido. Por hipótese, o
desenvolvimento sócio-econômico do país depende desse vínculo. Tal lógica implica em
considerar o esporte escolar e o esporte de base como formadores do homem sem criar
dicotomia em suas manifestações.
O ensino do esporte deve levar os alunos a compreender a lógica do jogo,
oportunizar o desenvolvimento da inteligência individual e coletiva, integrar a comunidade
com a escola, estimular a preparação e a avaliação dos jogos. São princípios que,
sistematizados, desenvolvem o esporte em períodos de médio e longo prazo, e ao mesmo
tempo, desenvolvem as competições pedagógicas e os festivais esportivos, na realidade
mais imediata.
Por outro lado, a forma de premiar os estudantes é um aspecto importante. Por
exemplo, as medalhas podem ser substituídas por troféus (para o coletivo) e por certificados
de mérito (para os indivíduos). Isso faz com que a premiação por destaques (primeiro,
segundo, terceiro lugares) seja atenuada, valorizando a participação e democratizando as
competições e os festivais. Os prêmios são estímulos e incentivos para os alunos destacados
e também podem ser agregados a todos os participantes.
A tabela nº 1 resume as classificações apresentadas. Obviamente, não se trata de um
modelo pronto, mas de idéias em discussão, com a oportunidade, de dar um salto
significativo, isto é, não ficar no plano da crítica pura ao esporte, mas superando a acidez
desta crítica, vislumbrar a idéia de síntese: o esporte como o eixo de articulação da
cidadania a partir da escola e da formação esportiva básica tendo as competições
pedagógicas e os festivais esportivos como ferramentas indispensáveis para a intervenção
crítica do professor.
Tabela nº 1
Competições Pedagógicas De 13 a 14 anos
Festivais Esportivos De 07 a 12 anos
CARACTERÍSTICAS DAS COMPETIÇÕES PEDAGÓGICAS E DOS FESTIVAIS
ESPORTIVOS: PRINCÍPIOS PEDAGÓGICOS
Quatro princípios pedagógicos devem orientar um projeto de competições
esportivas educacionais: ensinar esporte a todos; ensinar bem o esporte a todos; ensinar
mais do que o esporte a todos; ensinar a gostar do esporte. (cf. Freire, 1998).
Para orientar o primeiro princípio é necessário promover competições mais
equilibradas, por conseqüência mais desafiadoras, nas quais as equipes se encontrem em
níveis próximos tanto em relação às suas habilidades quanto à compreensão do jogo.
Isso pode ser conseguido por meio de um compromisso em possibilitar o
aprendizado da competição a todos os alunos sem enaltecer alguns em detrimento de
outros, pela razão de formar equipes com alunos considerados habilidosos, enquanto outros
aprendem a competir nos bancos de suplência.
Com relação ao segundo princípio é preciso entender e ressaltar que a competição
deve ser vista como um conteúdo a ser aprendido por todos os alunos, sendo assim não só
todos devem jogar um tempo significativo nas partidas, como também ter acesso ao
conteúdo da competição, sua organização, preparação, discussão e avaliação. Ensinar bem
requer pesquisa, dosagem adequada de conteúdo, metodologias dinâmicas, ajustadas à
realidade e contínua avaliação do processo.
Por outro lado, ensinar bem é criar oportunidades de experiências diversificadas no
conteúdo. No futebol, por exemplo, existem disputas de pênalti americano, campeonato de
gol a gol, tiro rápido, tiro certeiro, gol caixote e bola na trave entre outros. No basquete
temos a bandeja maluca, arremesso rápido, mata-mata, enterradas e long-jump. No
voleibol, o saque ao alvo, corte ao alvo, finta maluca, saque rápido e rally-bol. Tais
atividades podem ser traduzidas para aulas de treinamento sem prejuízo da preparação de
equipes e/ou periodização de competições. Isso implica na re-significação citada
anteriormente.
Para que isso ocorra, é necessário modificar a postura do professor frente à
competição.
Questões emocionais, de atitude e postura dos professores são pontos constitutivos
de mediação do processo de ensino-aprendizagem. As bases comportamentais das
competições dependem destas questões.
Um professor que grita com seus alunos, atribui a culpa da derrota de sua equipe no
árbitro ou agride verbalmente outras pessoas ao longo da competição, demonstrando
descontrole emocional, ou então reprodução de comportamentos presentes nas competições
esportivas massificadas, não conseguirá ensinar a seus alunos o fair-play (jogo justo)
tampouco a assimilação de atitudes éticas e morais frente às situações competitivas, o que
pode contribuir para a violência no esporte.
O terceiro princípio, referente ao conhecimento do esporte e fundamental para o
desenvolvimento do processo educacional de competições é a consciente participação dos
pais, seu envolvimento nos objetivos e sua co-responsabilidade pelo sucesso da
aprendizagem. Este princípio implica também em variadas formas de apropriação de
saberes por meio de mídia impressa e televisiva, internet e temas transversais como ética,
raça, gênero e questões regionais. A integração dos pais nesse sentido torna-se um
importante elemento.
Por fim, para gostar do esporte (quarto princípio) há necessidade de alterações nas
estruturas físicas do jogo para que as intervenções pedagógicas possam ocorrer e os
princípios se materializem em ações práticas, seja em aulas de educação física ou em aulas
de treinamento. (Quadro nº 1) Logo, deve haver uma redução das medidas dos jogos para
cada categoria. Assim, o tamanho do campo ou quadra aumenta à medida que as crianças
crescem, bem como os alvos. Por exemplo, a tabela de basquete fica mais baixa para
crianças menores, o mesmo acontece com o tamanho do gol no futebol e altura da rede no
vôlei, além do fato da utilização, principalmente nos festivais esportivos, de jogos
realizados no interior das aulas.
Por que crianças pequenas devem jogar nos campos oficiais? Por que uma criança
não pode viver a sensação de enterrar uma bola no jogo de basquete? Cravar uma bola no
jogo de voleibol?
Pensamos que as crianças não precisam depender de atributos físicos ou do ganho
de habilidades técnicas para experimentar todas as possibilidades de jogo, pois um
ambiente pedagógico deve satisfazer essas necessidades e desejos nos alunos.
A mesma preocupação se volta para os objetos que intermediam os jogos, ou seja,
as bolas também devem ser de pesos e tamanhos adequados às crianças. Crianças menores
arremessam bolas mais leves, chutam bolas que não são oficiais.
Quadro nº 1
EEssttrruuttuurraass aa sseerreemm mmooddiiffiiccaaddaass nnaass ccoommppeettiiççõõeess ppeeddaaggóóggiiccaass ee ffeessttiivvaaiiss eessppoorrttiivvooss::
•• AAllttuurraa ddee oobbssttááccuullooss,, rreeddeess ee ttaabbeellaass..
•• TTaammaannhhoo ddee ppiissttaass ee qquuaaddrraass
•• TTaammaannhhoo ddee ttrraavveess ee lliinnhhaass
•• NNúúmmeerroo ddee jjooggaaddoorreess ppoorr eeqquuiippee
•• PPeessoo ddee bboollaass
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Entendemos que as competições pedagógicas e os festivais esportivos, uma vez que
integram os direitos dos estudantes, devam ser desenvolvidos no ambiente escolar como um
dos conteúdos previstos para aulas de educação física e aulas de treinamento. Tal medida
pressupõe, por parte dos professores, uma revisão dos valores sedimentados pela crítica ao
esporte dos anos 80 e 90.
Se de um lado a negação do esporte na escola tinha como eixo a valorização da
educação física para todos e a perspectiva de não seletividade dos alunos, de outro o
abandono de uma efetiva atuação no esporte reforçou a perspectiva de falta de rumo neste
campo.
No intuito de problematizar as competições pedagógicas e os festivais esportivos
dentro da idéia de educação esportiva, constatamos a necessidade de um ensino da
competição por meio de processos metodológicos diferenciados. Tal ensino deveria abarcar
os códigos da crítica da educação física combinados com a perspectiva de desenvolvimento
social, econômico, cultural e político do esporte. As diferenças entre o esporte escolar e o
esporte de base bem como os princípios pedagógicos aqui abordados poder-se-iam
constituir ferramentas de intervenção do professor.
A estrutura da atividade docente obedecendo à concepção unitária aqui defendida
pode servir tanto para aulas de educação física como para aulas de treinamento. Para
desenvolver os conteúdos das competições pedagógicas e festivais esportivos, educação
física e esporte devem caminhar unidos no projeto pedagógico da escola.
A descentralização das competições educacionais como eixo de articulação e
envolvimento da sociedade possibilita ao conteúdo treinamento esportivo uma retomada da
idéia de pedagogia do esporte associada ao caráter de festa popular. Hoje, o apontar de uma
direção na política de educação física e esporte considerando novos rumos para a questão
do treinamento esportivo escolar requer um olhar de síntese das concepções presentes, o
que implica em esforços (e tolerâncias) que se estendem dos gabinetes à prática
profissional.
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Pedagogia dos esportes. Campinas: Papirus, 1999.
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Scaglia medeiros sadi_artigo

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    See discussions, stats, and author profiles for this publication at: https://www.researchgate.net/publication/278966294 Competições pedagógicas e festivais esportivos: questões pertinentes ao treinamento esportivo Article · August 2004 CITATIONS 0 READS 35 3 authors, including: Some of the authors of this publication are also working on these related projects: http://www.politicadeesquerda.com.br View project A EXPERIÊNCIA E PERCURSO DA FORMAÇÃO ESPORTIVA DOS JOVENS ATLETAS DO ESTADO DE MATO GROSSO: ESTUDO LONGITUDINAL E MULTIDIMENSIONAL View project Renato Sampaio Sadi Federal University of São João del-Rei 65 PUBLICATIONS 17 CITATIONS SEE PROFILE Alcides Scaglia University of Campinas 63 PUBLICATIONS 60 CITATIONS SEE PROFILE All content following this page was uploaded by Renato Sampaio Sadi on 22 June 2015. The user has requested enhancement of the downloaded file.
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    COMPETIÇÕES PEDAGÓGICAS EFESTIVAIS ESPORTIVOS: QUESTÕES PERTINENTES AO TREINAMENTO ESPORTIVO* Dr. ALCIDES JOSÉ SCAGLIA Faculdade de Educação Física – Módulo – Caraguatatuba – SP Faculdade de Educação Física – UNASP – Hortolândia - SP Dra. MARA MEDEIROS Universidade Federal de Goiás - UFG Dr. RENATO SAMPAIO SADI Faculdade de Educação Física – Universidade Federal de Goiás – UFG RESUMO O objetivo deste artigo é socializar o tema das competições pedagógicas e festivais esportivos no que diz respeito às aulas de educação física e aulas de treinamento. Discutimos a descentralização política do esporte educacional e o debate da pedagogia do esporte no sentido de fixar as competições como conteúdo a ser ensinado para crianças e adolescentes. Para isto abordamos a necessidade de princípios esboçando uma proposta unitária de esporte escolar/esporte de base. PALAVRAS CHAVES: competições; treinamento; esporte; pedagogia. PEDAGOGIC COMPETITIONS AND SPORT FESTIVALS: ASPECTS OF TRAINING IN SPORTS ABSTRACT The objective of this article is to socialize the pedagogic competitions and sports festivals subject in that it says respect to the physical education lessons and training lessons. We argue the decentralization politics of the educational sport and the discussion of teaching sport in the direction to fix the competitions as content to be taught for children and adolescent. For this we approach the necessity of principles sketching a sport proposal with unity between schoolar sport/basis sport. KEY-WORDS : competitions, training, sports, pedagogy * Trabalho organizado a partir das intervenções dos autores na Mesa Redonda: “Competições Pedagógicas e Festivais Esportivos” – Seminário Nacional Esporte Escolar e Inclusão Social. Faculdade de Educação Física da Universidade de Brasília – UnB – Ministério do Esporte – ME, em 05 de dezembro de 2003.
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    COMPETICIONES PEDAGÓGICAS EFESTIVALES ESPORTIVOS: ASPECTOS DE LO ENTRENAMIENTO ESPORTIVO RESUMEN El objetivo de este artículo es socializar el tema de las competiciones pedagógicas y de los festivales esportivos en que dice respecto a las lecciones de la educación física y de las lecciones de entrenamiento. Discutimos la política de la descentralización del deporte educativo y la discusión de la pedagogía del deporte en la dirección para fijar las competiciones como contenido de ser enseñado para los niños y adolescentes. Para esto acercamos a la necesidad de principios que bosquejan una unidad entre deporte escolar e la oferta del deporte de la base. PALABRAS CHAVE: competiciones, entrenamiento, deporte, pedagogia INTRODUÇÃO O conceito de competições pedagógicas e festivais esportivos está relacionado aos jogos escolares, ao esporte escolar e/ou educacional e, indiretamente ao treinamento esportivo. Como conceito em formação se refere às possibilidades de intervenção docente na educação física e esporte. Se o conteúdo e a forma do esporte for considerado mais horizontal e democrático, o papel do treinamento também pode ser re-significado. As perspectivas desta re-significação com mudanças concretas estão relacionadas com o atual momento da política de esporte no Brasil. Com base nestas informações consideramos importante diferenciar as atividades corporais e esportivas no currículo escolar sem dicotomizá-las. Assim, a educação física como componente curricular contempla o esporte como conteúdo e, ao mesmo tempo, a parcela “escolar” do esporte como um complemento da educação física. Ambos, nessa concepção estão interligados na idéia de currículo ampliado. 1 Nesta perspectiva ao se discutir o ensino de esportes não se pode descartar a necessidade de se ensinar a competir, pois a competição como um conteúdo do planejamento do professor pode enriquecer/incrementar o processo de ensino. As competições pedagógicas e os festivais esportivos tanto em aulas de educação física como em aulas de treinamento, constituído como conteúdo de ensino, são partes integrantes do 1 - Sobre Currículo ampliado ver Coletivo de Autores (1992) Saviani (1994)
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    projeto pedagógico daescola, podendo, portanto, ser compreendidos como possibilidade educacional, como ferramenta de intervenção. Os modelos metodológicos do esporte de alto rendimento no desenvolvimento do conteúdo das competições encontram-se limitados2 na perspectiva de mudança da pedagogia do esporte. Isso implica em considerar processos metodológicos diferenciados para o ensino do esporte, e concomitantemente para as (e a partir das) competições, ao longo dos anos de escolarização. A crítica ao modelo tradicional (e espontaneísta) da educação física possibilita hoje, no Brasil, a formulação de políticas horizontais de esporte. O plano do Estado democrático como base histórica para tal possibilidade e os avanços redesenhados pela área acadêmica sustentam as teses críticas reafirmando o acesso ao esporte, o direito ao esporte, a contribuição do esporte para a inclusão social e o desenvolvimento humano bem como as sub-divisões do esporte delimitadas hoje no atual formato do Ministério do Esporte (esporte educacional, de participação e lazer e de alto rendimento). Para além dessas determinações é necessário dar um passo à frente, posicionando a crítica da crítica em direção a uma síntese da problemática por meio de uma programática adequada à realidade educacional do país. Nesse sentido ganha relevo questões pertinentes ao treinamento esportivo pensado a partir do esporte escolar/esporte de base. A particularidade das competições pedagógicas e festivais esportivos encerra uma lógica de democratização das atividades de educação física e esporte. As competições são o ponto chave do esporte, o sentido da sua existência. Como desenvolver o esporte escolar de forma democrática e ao mesmo tempo indicar elementos para o esporte de base? Isso se faz a partir da escola? Esta é uma questão chave, que a crítica da educação física procurou ocultar (ou mesmo negar). Por outro lado as interfaces, diferenças e semelhanças do esporte escolar/esporte de base com a educação física como componente curricular, são temas atuais e polêmicos ainda não totalmente consumidos. 2 O modelo tradicional de competição de alto rendimento encontra-se limitado, pois, segundo a sua organização e objetivos, apresenta caráter seletivo, conservador, reprodutor da ideologia liberal (valorização dos vencedores), e principalmente, utiliza a competição como forma de avaliação do trabalho e não como conteúdo de ensino e parte de um processo planejado e gradual. Autores que pesquisam a pedagogia do esporte (Paes, 1996; Greco, 1998 e Freire, 1998 e 2003) já alertaram para o fato de que os estudantes aprendem muito pouco sobre esportes e competição no desenrolar desse modelo de ensino.
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    O que unea educação física ao esporte escolar é o conceito de educação esportiva. Promover tal unidade de forma descentralizada ainda é um desafio para professores, gestores e intelectuais. Na mesma direção quando chamamos de esporte escolar aquele praticado no contra turno da educação física, destacamos o caráter unitário do projeto pedagógico da escola. Isso significa planejar e executar uma educação esportiva de qualidade, garantindo o acesso de todos os estudantes à prática e ao conhecimento do esporte. De um lado, aumentam as chances de prática esportiva, pois há um aumento na carga horária do conteúdo (aumento do número total de aulas – educação física somada ao esporte escolar), de outro, em função deste aumento, uma valorização do conhecimento específico da educação esportiva. O caráter desafiador torna-se permanente na medida em que ainda convivemos com uma estrutura esportiva hierárquica e centralizadora. Este texto pretende focar as competições pedagógicas e os festivais esportivos relacionando-os às questões do treinamento procurando pontuar tensões da atualidade política com necessidades da área de educação física no país. DESCENTRALIZAÇÃO DAS COMPETIÇÕES ESPORTIVAS DE CARÁTER EDUCACIONAL Historicamente herdamos um formato fechado de competições nacionais para atender o público de doze a dezessete anos de idade. Tal formato seletivo possibilita poucas mudanças e os resultados quase sempre confirmam os estudantes de destaque e excluem aqueles considerados “sem aptidão”. Os Jogos Estudantis, por exemplo, (Jogos Escolares Brasileiros - para adolescentes de 12 a 14 anos e Jogos da Juventude - para a faixa etária de 15 a 17 anos) são constituídos basicamente por este formato fechado/centralizador. Equipes representativas do país se reúnem em uma cidade e realizam competições esportivas. Por outro lado a perspectiva de descentralização das competições educacionais deveria ter como princípio a retomada da idéia de pedagogia do esporte vinculada à festas esportivas realizadas nas escolas, municípios, e/ou regiões, com um fim nelas mesmas, isto é, sem a caracterização de etapa de disputa. Descentralizar e, na seqüência massificar as competições poderia contribuir para a superação da idéia dos “campeões natos” (e da
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    “seleção de talentosesportivos”). Também poderia amenizar as próprias disputas do esporte de rendimento feitas por meio de fases de classificação, no município, no estado e, posteriormente no país. Quando a competição se esgota nela mesma, o ponto de vista pedagógico prevalece e o processo democrático se instala. O caráter de “guerra” e os componentes de vitória/derrota são abrandados. Esse ponto de partida sustenta as características das competições pedagógicas e festivais esportivos que descrevemos na seqüência. O fundamental na pedagogia do esporte aqui preconizada é agregar jogos, festivais, brincadeiras, ludicidade bem como o ensino de técnicas e táticas. Isso pode ser otimizado através de competições locais. Agregar essas manifestações da cultura ao esporte, tanto pode ser feita do ponto de vista de preparar para o esporte, como de viver a realidade da infância/adolescência no esporte. O ensino de esportes antes, durante e depois das competições é um desafio para os professores de educação física, já que nessa lógica o esporte torna-se um meio de educação e não um fim de competição. As competições podem marcar um sentido de congraçamento, de relação social complexa entre as pessoas, porque elas não iniciam quando o árbitro apita o jogo, e não se encerram no próprio jogo, mas desde a preparação do evento, passando por uma série de manifestações, de relações complexas, sociais e culturais, entre os estudantes, a partir de uma participação ativa e motivante garantida na organização e desenvolvimento da prática e do conhecimento do esporte. Por isso defendemos um ensino de esportes antes, durante e depois das competições por meio não só de técnicas corporais, mas de imitações pela imaginação, inteligência tática, atividades de cooperação e conhecimento do esporte. As tecnologias digitais da atualidade permitem que esse ensino seja processado, de forma ágil, veloz, democrática e produtiva. Quando terminam as competições, há necessidade da escola, do professor, e estudantes, continuarem envolvidos com o esporte. Quais foram os resultados? A competição foi filmada? Ela possibilitou às pessoas conhecerem seus corpos em movimento, suas ações e atitudes? Houve fotografias? Houve registros? Quais seriam os objetivos dos municípios com as competições pedagógicas e os festivais esportivos? Nesta perspectiva, a descentralização constituída pela responsabilidade social dos sujeitos desencadeia o desenvolvimento do esporte escolar como elo de ligação
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    com o esportede base. O município pode ser o pólo para a aplicação de treinamento. Por exemplo, de cinqüenta escolas, uma ou duas unidades poderiam se agregar à perspectiva de um pólo de treinamento com infra-estrutura direcionada à formação de base para o desenvolvimento, ou seja, a partir do treinamento sistemático e adequado, formar o futuro atleta com novas bases de organização pedagógica. Para melhorar a eficácia do sistema esportivo brasileiro, composto pela gestão administrativa e burocrática que implica em opções políticas e pedagógicas, a descentralização das competições aumenta as chances de democracia interna entre os agentes. Dentro das esferas financeira, administrativa e pedagógica dos sistemas de educação e esporte, as questões de centralização e descentralização se confundem. Neste sentido caberia articular um projeto de competições dado a partir de diretrizes centrais do(s) poder (es) público com a autonomia pedagógica dos municípios, uma autonomia relativa, isto é, democrática na participação das decisões estratégicas e responsável pela operação das ações do projeto. Mesmo assim é necessário ter atenção (e impedir) quanto a desdobramentos como privatização e terceirização dos recursos (cf. Sadi, 1996, p. 63). Assim, as justificativas para as competições pedagógicas e festivais esportivos, de forma mais horizontal e descentralizada seriam: • Ausências de mecanismos de integração e inter e multi-disciplinaridade. As escolas quando promovem as suas competições, o fazem no sentido da competição como guerra; da competição como vitória a qualquer custo. Não há integração comunitária, nem troca de experiências educativas e sócio-culturais. • Ausência de mecanismos motivadores da participação popular no processo de organização dos jogos. As competições normalmente são organizadas nos gabinetes e com pouca participação, pouca motivação. • Ausência de conhecimento sobre o esporte, sobre os valores educativos nas/das competições. Não há a difusão desse conhecimento. O modelo olímpico é reproduzido nas competições escolares. Para inverter a lógica das competições de caráter olímpico e tradicional, da competição para o resultado, a medalha, o índice, a comunidade deve participar ativamente no processo, opinando sobre o esporte, organizando e formulando em conjunto, uma política democrática de competições pedagógicas e festivais esportivos.
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    UMA OPÇÃO DEPOLÍTICA DE TREINAMENTO ESPORTIVO A idéia do treinamento deve ser re-significada e não desprezada se consideramos a necessidade de garantir o direito dos que se destacam no interior das aulas de educação física, ou seja, a proposta de democratização do acesso ao esporte a partir da escola, não deve macular os valores da educação física regular. Na tentativa de mostrar que é possível conciliar uma política de treinamento com a educação física é que trazemos, aqui, o exemplo da experiência concreta de um país na construção de uma política de massificação do esporte a partir da educação física, como é o caso de Cuba. Os projetos esportivos de massa de Cuba, na atualidade, atendem a objetivos de preparação física da população, visto que a inclusão social foi uma conquista que teve lugar com o triunfo da revolução em 1959. Antes disso, apenas 30% das escolas privadas ofereciam educação física nos seus currículos e se praticava apenas o beisebol e o boxe como atividade popular, sendo estes os únicos esportes praticados pelos negros visto que existia a discriminação racial no esporte. Outra característica do contexto esportivo cubano antes da revolução era a existência de clubes privados, onde se praticava modalidades consideradas de elite, como basquete, vôlei, tênis e tênis de mesa. É importante deixar claro que em Cuba existe uma tendência nacional para o esporte de rendimento e que a Educação Física é a base da pirâmide desse alto rendimento. Ou seja, no transcurso do desenvolvimento do esporte naquele país, criou-se uma estrutura capaz de realizar uma massificação e, a partir daí, selecionar talentos. A Educação Física, base da pirâmide, faz parte do currículo escolar no Círculo Infantil, Ensino Primário, Ensino Secundário, Pré Universitário e Universidades. Logo acima na pirâmide existem as Escuelas de Iniciación Deportiva (EIDE), que abrigam os talentos identificados nas escolas comuns. Os atletas que se destacam nos campeonatos Inter EIDEs, passam para outros centros, que se encontram um pouco acima na estrutura piramidal, que são as ESPAs (Escuela Superior de Perfeccionamento Atlético) que oferecem um treinamento mais apurado. Finalmente, no topo da pirâmide, se encontram os Centros de Alto Rendimento (CEAR), onde estão as equipes nacionais. No caso do curso
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    universitário, existe umcurrículo especial para os atletas que atende as características específicas dos treinamentos e a agenda de competições. Uma vez que se trata de um país que sempre demonstrou a opção pelo esporte de rendimento, é necessário considerar que também os festivais esportivos, em Cuba, são realizados com o objetivo de desenvolver o esporte naquele país. O ponto máximo acontece todos os anos, desde 1961, quando se celebra a “Fiesta Deportiva” com os jogos escolares nacionais reunindo todas as modalidades desportivas e que contam com a participação da totalidade das crianças e jovens das escolas de Cuba. Outro exemplo é o plano LPV (Listo Para Vencer), ou seja, Pronto Para Vencer. Este plano consiste em estabelecer competições entre escolas, fábricas, campos de trabalho, dentre outros, com diferentes parâmetros de medida como participação, promoção, competição, popularização, mas sempre com o objetivo de melhorar os resultados em todos os níveis e criar um movimento de massificação do esporte. Isso vem permitindo também, com recursos mínimos, fazer uma média nacional para saber qual é o estado físico da população cubana. Um exemplo do que seria considerado por eles como uma competição pedagógica é o projeto “Mi Escuela Campeona” que, em uma data significativa, elege-se uma determinada modalidade para uma integração entre escolas. Mas, também nesse caso, com vistas à especialização, na medida em que se trata de uma maneira de se formar equipes de base. Como entendemos que não existem modelos ideais, o exemplo cubano de uma política unitária de esporte apenas ilustra os caminhos da questão do treinamento esportivo no Brasil. DIFERENÇAS E SEMELHANÇAS ENTRE O ESPORTE ESCOLAR E O ESPORTE DE BASE NO BRASIL Na seqüência apresentamos algumas considerações sobre faixas etárias para competições pedagógicas e festivais esportivos, visando pontuar diferenças e semelhanças entre o esporte escolar e o esporte de base no Brasil, tendo como uma das referências, a política cubana de esportes. Concebemos o componente escolar/educacional do esporte articulado com a perspectiva de formação de base, isto é, de formação de atletas.
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    Na mesma direçãocabe rever a pirâmide de exclusão esportiva, simbolizada no triângulo de segregação, na qual uma maioria inicia incluída e uma minoria chega ao topo. A partir da educação física, das brincadeiras populares, dos jogos, das brincadeiras de rua para as competições, uma nova pirâmide (mais larga, de inclusão e democratização do acesso) deveria criar os elos de ligação do esporte escolar com o esporte de base. A nova fase da política de esporte também poderia indicar as necessidades de tensão da pirâmide de exclusão, na busca por um esporte democrático. Com competições pedagógicas e festivais esportivos para todos, o desenvolvimento da pirâmide esportiva poderia incluir um maior número de estudantes alargando as possibilidades, conseqüentemente, ao longo dos anos de escolarização, teríamos um maior número de praticantes de nível iniciante e médio. O caráter das seleções esportivas na íntima relação com o conteúdo das competições pedagógicas e festivais esportivos pode incluir um maior número de pessoas nas aulas de educação física e aulas de treinamento. O alargamento da pirâmide, com praticantes de nível intermediário e com um esporte de rendimento de novo significado bem como a busca de um ser integral, de atletas que se relacionam eticamente com a sociedade não só com a sua marca individual de campeão, mas com serviços efetivos à comunidade é um outro desafio para a área de educação física e esporte. Assim, promover e difundir uma pedagogia de esporte não-tradicional, não- tecnicista, garantindo o direito a práticas adequadas com faixas etárias equilibradas é uma questão a ser enfrentada frente ao quadro que temos hoje. As mudanças na atuação docente requerem um conjunto complexo de determinações, entre as quais um mapeamento de idades, interesses e práticas diversificadas de esporte. Nesse sentido como combinar os festivais esportivos e as competições pedagógicas no Brasil, com as competições pedagógicas em uma perspectiva de fomentar o esporte de base, tendo como meta o desenvolvimento sócio-econômico? Para garantir o direito daqueles que se destacam no interior do esporte escolar, a iniciação esportiva e o treinamento podem ser promovidos, a partir de unidades preparadas para este fim, como clubes e escolas sede, assumindo-se a perspectiva de uma pedagogia de esporte não tradicional/não tecnicista.
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    Como diferenciar ascompetições pedagógicas dos festivais esportivos e assim diferenciar o esporte escolar do esporte de base? As atividades que chamamos de competições pedagógicas são as atividades tradicionais, as atividades da cultura escolar. Os festivais esportivos como o próprio nome indica, são atividades festivas, de integração, de caráter mais lúdico, com maior participação e envolvimento de pais na organização dos eventos. Uma não exclui a outra embora os festivais sejam mais voltados às crianças de sete a doze anos, sem excluir a possibilidade de organizá-los para estudantes de treze anos em diante. Da mesma forma as competições pedagógicas com ênfase para adolescentes de treze e quatorze anos não excluem as crianças menores. Tudo depende das estratégias de desenvolvimento do esporte escolar. Em algumas regiões, poderão ocorrer mudanças neste padrão. Isso por que concebemos tal estrutura de forma flexível, implicando em um modelo aberto que tende a incorporar o valor do esporte (escolar e de base) e das competições pedagógicas a partir dos festivais esportivos, Como os princípios se situam no estímulo à prática, ao conhecimento do esporte e, na perspectiva de encaminhamento dos alunos destacados a pólos de treinamento, o modelo pode ser ajustado e adequado às questões nacionais, às peculiaridades do Brasil e a uma nova configuração de desenvolvimento sócio-econômico local (e global), que é a necessidade central da atual política de governo federal. Nessa lógica pontuamos uma certa transição entre os festivais e as competições, em uma faixa etária chave - o início da adolescência formal, de treze para quatorze anos. Nessa faixa etária, a competição pode simbolizar o amadurecimento do jogo, o que não significa excluí-lo como possibilidade educacional. Se na atividade docente houver a aplicação prática das competições pedagógicas e festivais esportivos a partir de uma concepção global de sua realidade, de forma a garantir o esporte escolar vinculado ao esporte de base, a contribuição educacional será mais efetiva na medida em que o acesso democrático e de qualidade for garantido. Por hipótese, o desenvolvimento sócio-econômico do país depende desse vínculo. Tal lógica implica em considerar o esporte escolar e o esporte de base como formadores do homem sem criar dicotomia em suas manifestações. O ensino do esporte deve levar os alunos a compreender a lógica do jogo, oportunizar o desenvolvimento da inteligência individual e coletiva, integrar a comunidade
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    com a escola,estimular a preparação e a avaliação dos jogos. São princípios que, sistematizados, desenvolvem o esporte em períodos de médio e longo prazo, e ao mesmo tempo, desenvolvem as competições pedagógicas e os festivais esportivos, na realidade mais imediata. Por outro lado, a forma de premiar os estudantes é um aspecto importante. Por exemplo, as medalhas podem ser substituídas por troféus (para o coletivo) e por certificados de mérito (para os indivíduos). Isso faz com que a premiação por destaques (primeiro, segundo, terceiro lugares) seja atenuada, valorizando a participação e democratizando as competições e os festivais. Os prêmios são estímulos e incentivos para os alunos destacados e também podem ser agregados a todos os participantes. A tabela nº 1 resume as classificações apresentadas. Obviamente, não se trata de um modelo pronto, mas de idéias em discussão, com a oportunidade, de dar um salto significativo, isto é, não ficar no plano da crítica pura ao esporte, mas superando a acidez desta crítica, vislumbrar a idéia de síntese: o esporte como o eixo de articulação da cidadania a partir da escola e da formação esportiva básica tendo as competições pedagógicas e os festivais esportivos como ferramentas indispensáveis para a intervenção crítica do professor. Tabela nº 1 Competições Pedagógicas De 13 a 14 anos Festivais Esportivos De 07 a 12 anos CARACTERÍSTICAS DAS COMPETIÇÕES PEDAGÓGICAS E DOS FESTIVAIS ESPORTIVOS: PRINCÍPIOS PEDAGÓGICOS Quatro princípios pedagógicos devem orientar um projeto de competições esportivas educacionais: ensinar esporte a todos; ensinar bem o esporte a todos; ensinar mais do que o esporte a todos; ensinar a gostar do esporte. (cf. Freire, 1998).
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    Para orientar oprimeiro princípio é necessário promover competições mais equilibradas, por conseqüência mais desafiadoras, nas quais as equipes se encontrem em níveis próximos tanto em relação às suas habilidades quanto à compreensão do jogo. Isso pode ser conseguido por meio de um compromisso em possibilitar o aprendizado da competição a todos os alunos sem enaltecer alguns em detrimento de outros, pela razão de formar equipes com alunos considerados habilidosos, enquanto outros aprendem a competir nos bancos de suplência. Com relação ao segundo princípio é preciso entender e ressaltar que a competição deve ser vista como um conteúdo a ser aprendido por todos os alunos, sendo assim não só todos devem jogar um tempo significativo nas partidas, como também ter acesso ao conteúdo da competição, sua organização, preparação, discussão e avaliação. Ensinar bem requer pesquisa, dosagem adequada de conteúdo, metodologias dinâmicas, ajustadas à realidade e contínua avaliação do processo. Por outro lado, ensinar bem é criar oportunidades de experiências diversificadas no conteúdo. No futebol, por exemplo, existem disputas de pênalti americano, campeonato de gol a gol, tiro rápido, tiro certeiro, gol caixote e bola na trave entre outros. No basquete temos a bandeja maluca, arremesso rápido, mata-mata, enterradas e long-jump. No voleibol, o saque ao alvo, corte ao alvo, finta maluca, saque rápido e rally-bol. Tais atividades podem ser traduzidas para aulas de treinamento sem prejuízo da preparação de equipes e/ou periodização de competições. Isso implica na re-significação citada anteriormente. Para que isso ocorra, é necessário modificar a postura do professor frente à competição. Questões emocionais, de atitude e postura dos professores são pontos constitutivos de mediação do processo de ensino-aprendizagem. As bases comportamentais das competições dependem destas questões. Um professor que grita com seus alunos, atribui a culpa da derrota de sua equipe no árbitro ou agride verbalmente outras pessoas ao longo da competição, demonstrando descontrole emocional, ou então reprodução de comportamentos presentes nas competições esportivas massificadas, não conseguirá ensinar a seus alunos o fair-play (jogo justo)
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    tampouco a assimilaçãode atitudes éticas e morais frente às situações competitivas, o que pode contribuir para a violência no esporte. O terceiro princípio, referente ao conhecimento do esporte e fundamental para o desenvolvimento do processo educacional de competições é a consciente participação dos pais, seu envolvimento nos objetivos e sua co-responsabilidade pelo sucesso da aprendizagem. Este princípio implica também em variadas formas de apropriação de saberes por meio de mídia impressa e televisiva, internet e temas transversais como ética, raça, gênero e questões regionais. A integração dos pais nesse sentido torna-se um importante elemento. Por fim, para gostar do esporte (quarto princípio) há necessidade de alterações nas estruturas físicas do jogo para que as intervenções pedagógicas possam ocorrer e os princípios se materializem em ações práticas, seja em aulas de educação física ou em aulas de treinamento. (Quadro nº 1) Logo, deve haver uma redução das medidas dos jogos para cada categoria. Assim, o tamanho do campo ou quadra aumenta à medida que as crianças crescem, bem como os alvos. Por exemplo, a tabela de basquete fica mais baixa para crianças menores, o mesmo acontece com o tamanho do gol no futebol e altura da rede no vôlei, além do fato da utilização, principalmente nos festivais esportivos, de jogos realizados no interior das aulas. Por que crianças pequenas devem jogar nos campos oficiais? Por que uma criança não pode viver a sensação de enterrar uma bola no jogo de basquete? Cravar uma bola no jogo de voleibol? Pensamos que as crianças não precisam depender de atributos físicos ou do ganho de habilidades técnicas para experimentar todas as possibilidades de jogo, pois um ambiente pedagógico deve satisfazer essas necessidades e desejos nos alunos. A mesma preocupação se volta para os objetos que intermediam os jogos, ou seja, as bolas também devem ser de pesos e tamanhos adequados às crianças. Crianças menores arremessam bolas mais leves, chutam bolas que não são oficiais.
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    Quadro nº 1 EEssttrruuttuurraassaa sseerreemm mmooddiiffiiccaaddaass nnaass ccoommppeettiiççõõeess ppeeddaaggóóggiiccaass ee ffeessttiivvaaiiss eessppoorrttiivvooss:: •• AAllttuurraa ddee oobbssttááccuullooss,, rreeddeess ee ttaabbeellaass.. •• TTaammaannhhoo ddee ppiissttaass ee qquuaaddrraass •• TTaammaannhhoo ddee ttrraavveess ee lliinnhhaass •• NNúúmmeerroo ddee jjooggaaddoorreess ppoorr eeqquuiippee •• PPeessoo ddee bboollaass CONSIDERAÇÕES FINAIS Entendemos que as competições pedagógicas e os festivais esportivos, uma vez que integram os direitos dos estudantes, devam ser desenvolvidos no ambiente escolar como um dos conteúdos previstos para aulas de educação física e aulas de treinamento. Tal medida pressupõe, por parte dos professores, uma revisão dos valores sedimentados pela crítica ao esporte dos anos 80 e 90. Se de um lado a negação do esporte na escola tinha como eixo a valorização da educação física para todos e a perspectiva de não seletividade dos alunos, de outro o abandono de uma efetiva atuação no esporte reforçou a perspectiva de falta de rumo neste campo. No intuito de problematizar as competições pedagógicas e os festivais esportivos dentro da idéia de educação esportiva, constatamos a necessidade de um ensino da competição por meio de processos metodológicos diferenciados. Tal ensino deveria abarcar os códigos da crítica da educação física combinados com a perspectiva de desenvolvimento social, econômico, cultural e político do esporte. As diferenças entre o esporte escolar e o esporte de base bem como os princípios pedagógicos aqui abordados poder-se-iam constituir ferramentas de intervenção do professor. A estrutura da atividade docente obedecendo à concepção unitária aqui defendida pode servir tanto para aulas de educação física como para aulas de treinamento. Para desenvolver os conteúdos das competições pedagógicas e festivais esportivos, educação física e esporte devem caminhar unidos no projeto pedagógico da escola.
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    A descentralização dascompetições educacionais como eixo de articulação e envolvimento da sociedade possibilita ao conteúdo treinamento esportivo uma retomada da idéia de pedagogia do esporte associada ao caráter de festa popular. Hoje, o apontar de uma direção na política de educação física e esporte considerando novos rumos para a questão do treinamento esportivo escolar requer um olhar de síntese das concepções presentes, o que implica em esforços (e tolerâncias) que se estendem dos gabinetes à prática profissional. REFERÊNCIAS BILIOGRÁFICAS BRACHT, V. Educação Física & Ciência: cenas de um casamento (in)feliz. Ijuí: Unijuí, 2001. COLETIVO DE AUTORES, Metodologia do Ensino de Educação Física. São Paulo: Cortez, 1992. COLECTIVO DE AUTORES. Manual de Educación Física. Quinto Grado. La Habana: Pueblo y Educación, 1981. ESTATUTO DO DESPORTO. Projeto de Lei 4874/01. Brasília: Câmara dos Deputados, 2001. FREIRE, J. B. Pedagogia do Futebol. Londrina: Ed. Midiograf, 1998. ___________ & SCAGLIA, A. Educação como prática corporal. São Paulo: Scipione, 2003. GRECCO, Pablo & BENDA Rodolfo N. Iniciação Esportiva Universal. Da aprendizagem motora ao ensino técnico. Belo Horizonte: UFMG, 1998. KUNZ, E. Transformação Didático-Pedagógica do Esporte. Ijuí: UNIJUÍ, 2000. PAES, R. R. Educação Física Escolar: O esporte como conteúdo pedagógico de ensino fundamental. Campinas: Tese de Doutorado, Unicamp, 1996. PARLEBÁS, P. Perspectivas para uma Educação Física Moderna. Cadernos Técnicos. Unisport Andalucia, Malaga: Espanha, 1987. SADI, R.S. Condicionantes políticos da formação docente. São Paulo: Dissertação de Mestrado, PUC-SP, 1996. _________. A qualidade da educação física escolar. In: Educação Física Escolar: Política, Investigação e Intervenção. Vitória: Proteoria, 2001. SAVIANI D. Escola e Democracia. Campinas: Autores Associados, 1994. SCAGLIA, A. J. et. all. Festivais de esportes: uma prática pedagógica. Anais do I Congresso Internacional de Educação Física e Motricidade Humana e VII Simpósio Paulista de Educação Física, Rio Claro: Revista Motriz, 1999. SOUZA, A. J. É jogando que se aprende: o caso do voleibol. In NISTA PICCOLO, V. Pedagogia dos esportes. Campinas: Papirus, 1999. View publication statsView publication stats