Com a “dança das cadeiras” aonde vai a Educação Profissional no Brasil?
Capucho & Marinho
O professor voltado para as atividades necessárias à sua sobrevivência, no sentido de
que, nela, as ações se dão automática e irrefletidamente e, com tantas más notícias
vindas do Ministério da Educação (MEC) desde a chegada de Mendonça Filho (DEM),
nem percebeu a “dança das cadeiras” e as mudanças administrativas na Secretaria de
Educação Profissional e Tecnológica do Ministério da Educação.
Saiu o professor Marcos Antônio Viegas filho, filiado ao DEM e atuante no IFPE-
Ipojuca e entrou a psicóloga Eline Nascimento da TGI Consultoria em Gestão. Sua
nomeação foi publicada no Diário Oficial da União no início do mês de outubro e
iniciou suas atividades no último dia 07, momento em que apresentou suas propostas
frente ao novo cargo.
Em sua apresentação salientou o papel da educação profissional e a importância da
SETEC na agenda da competitividade brasileira, ficando claro seu alinhamento e
disposição para implantar as políticas e reformas colocadas em curso desde a destituição
do projeto eleito em 2014. Na sua fala ainda destacou a ênfase dada à necessidade da
educação profissional vincular-se diretamente à “qualidade e competividade dos
processos produtivos”.
Para uma profissional que não se preocupa em atualizar o Currículo Lattes desde 2004,
parece claro que a qualificação profissional e a dedicação ao campo educacional não é
requisito para dirigir o mais alto cargo da Educação Profissional e Tecnológica do país.
Provavelmente deve ter sido contratada por “notório saber”, uma vez que para o atual
governo basta entender de gestão empresarial para estar apto a exercer cargos no campo
educacional.
Mas quem é Eline Nascimento e para onde levará a Educação Profissional e
Tecnológica do país?
A primeira pergunta não é de difícil resposta. A nova titular da SETEC é pernambucana,
com formação em psicologia, atuou como psicóloga educacional na rede privada de
ensino e no Colégio de Aplicação da UFPE entre 1998 e 2005 e concentrou suas
atividades na área de gestão empresarial e de pessoas, atuando na TGI Consultoria em
Gestão, empresa ligada ao Porto de Suape e a Construtora Moura Dubeux, em
Pernambuco, com destaque para projetos de empreendedorismo juvenil, liderança e
desenvolvimento de equipes.
Pessoa de confiança do atual Ministro da Educação parece evidente que Eline assumiu o cargo para
colocar em curso as reformas dos Institutos Federais, buscando dialogar mais com os interesses do
setor empresarial do que com professores, estudantes, pais e a comunidade escolar em geral.
Frente a essa constatação responder a segunda pergunta é algo um tanto duvidoso. Não
pela falta de clareza do projeto de Educação Profissional e Tecnológica imposto ao país,
mas pela forma como as coisas vem sendo conduzidas na SETEC nos últimos meses.
Logo após formar uma equipe com quadros advindos dos Institutos Federais e
apresentar a PEC 241, que propõe o congelamento dos investimentos em educação por
20 anos, o atual governo muda a direção da SETEC colocando na gestão pessoas com
maior compromisso com o mundo empresarial do que com o campo Educacional.
Por mais que tenhamos clareza do papel da Educação Profissional no país e sua
importância para a formação de capital humano em conformação com a necessidade
empresarial, não podemos nos contentar com proposições de educação que dificultarão
o acesso ao conhecimento historicamente produzido pela humanidade e desfigurem a
identidade dos Institutos Federais, tão duramente erigida em torno do compromisso com
a oferta de formação profissional básica integrada e de reconhecida qualidade, bem
como seu papel na expansão do Ensino Superior no Brasil.
Enquanto as cadeiras se revezam em Brasília, a maior preocupação é com a qualidade
social da educação ofertada aos estudantes que diariamente ocupam as cadeiras das
salas de aula dos IFs e com a “noite sem fim” anunciada aos professores e demais
profissionais atuantes na instituição.
Ainda não é possível afirmar ao certo o que o novo projeto de formação profissional
reserva para nossa juventude. Mas a julgar pelo perfil da nova secretária da
SETEC/MEC, formadora de “talentos” de jovens empreendedores, não se pode esperar
algo diferente daquilo que a educação empresarial propõe.
Capucho & Marinho

Reforma do Ensino Médio

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    Com a “dançadas cadeiras” aonde vai a Educação Profissional no Brasil? Capucho & Marinho O professor voltado para as atividades necessárias à sua sobrevivência, no sentido de que, nela, as ações se dão automática e irrefletidamente e, com tantas más notícias vindas do Ministério da Educação (MEC) desde a chegada de Mendonça Filho (DEM), nem percebeu a “dança das cadeiras” e as mudanças administrativas na Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica do Ministério da Educação. Saiu o professor Marcos Antônio Viegas filho, filiado ao DEM e atuante no IFPE- Ipojuca e entrou a psicóloga Eline Nascimento da TGI Consultoria em Gestão. Sua nomeação foi publicada no Diário Oficial da União no início do mês de outubro e iniciou suas atividades no último dia 07, momento em que apresentou suas propostas frente ao novo cargo. Em sua apresentação salientou o papel da educação profissional e a importância da SETEC na agenda da competitividade brasileira, ficando claro seu alinhamento e disposição para implantar as políticas e reformas colocadas em curso desde a destituição do projeto eleito em 2014. Na sua fala ainda destacou a ênfase dada à necessidade da educação profissional vincular-se diretamente à “qualidade e competividade dos processos produtivos”. Para uma profissional que não se preocupa em atualizar o Currículo Lattes desde 2004, parece claro que a qualificação profissional e a dedicação ao campo educacional não é requisito para dirigir o mais alto cargo da Educação Profissional e Tecnológica do país. Provavelmente deve ter sido contratada por “notório saber”, uma vez que para o atual governo basta entender de gestão empresarial para estar apto a exercer cargos no campo educacional. Mas quem é Eline Nascimento e para onde levará a Educação Profissional e Tecnológica do país? A primeira pergunta não é de difícil resposta. A nova titular da SETEC é pernambucana, com formação em psicologia, atuou como psicóloga educacional na rede privada de ensino e no Colégio de Aplicação da UFPE entre 1998 e 2005 e concentrou suas atividades na área de gestão empresarial e de pessoas, atuando na TGI Consultoria em Gestão, empresa ligada ao Porto de Suape e a Construtora Moura Dubeux, em Pernambuco, com destaque para projetos de empreendedorismo juvenil, liderança e desenvolvimento de equipes.
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    Pessoa de confiançado atual Ministro da Educação parece evidente que Eline assumiu o cargo para colocar em curso as reformas dos Institutos Federais, buscando dialogar mais com os interesses do setor empresarial do que com professores, estudantes, pais e a comunidade escolar em geral. Frente a essa constatação responder a segunda pergunta é algo um tanto duvidoso. Não pela falta de clareza do projeto de Educação Profissional e Tecnológica imposto ao país, mas pela forma como as coisas vem sendo conduzidas na SETEC nos últimos meses. Logo após formar uma equipe com quadros advindos dos Institutos Federais e apresentar a PEC 241, que propõe o congelamento dos investimentos em educação por 20 anos, o atual governo muda a direção da SETEC colocando na gestão pessoas com maior compromisso com o mundo empresarial do que com o campo Educacional. Por mais que tenhamos clareza do papel da Educação Profissional no país e sua importância para a formação de capital humano em conformação com a necessidade empresarial, não podemos nos contentar com proposições de educação que dificultarão o acesso ao conhecimento historicamente produzido pela humanidade e desfigurem a identidade dos Institutos Federais, tão duramente erigida em torno do compromisso com a oferta de formação profissional básica integrada e de reconhecida qualidade, bem como seu papel na expansão do Ensino Superior no Brasil. Enquanto as cadeiras se revezam em Brasília, a maior preocupação é com a qualidade social da educação ofertada aos estudantes que diariamente ocupam as cadeiras das salas de aula dos IFs e com a “noite sem fim” anunciada aos professores e demais profissionais atuantes na instituição. Ainda não é possível afirmar ao certo o que o novo projeto de formação profissional reserva para nossa juventude. Mas a julgar pelo perfil da nova secretária da SETEC/MEC, formadora de “talentos” de jovens empreendedores, não se pode esperar algo diferente daquilo que a educação empresarial propõe. Capucho & Marinho