Radiodifusão pública:
um desafio conceitual na América Latina
Universidade de Sorocaba - UNISO
Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura
Territórios comunicacionais: mídia e fronteira
Prof. Dr. Paulo Celso da Silva
Aluno: Paulo Marquêz
 Significado do termo
• A radiodifusão, segundo a legislação brasileira,
compreende os serviços destinados a serem recebidos
direta e livremente pelo público em geral e é
dividida em radiodifusão sonora (rádio) e radiodifusão de
sons e imagens (televisão).
Pra começar...
 Referências conceituais: o que é ou não considerado
PÚBLICO
 Desafios: construção do sentido de público
 Resultados parciais da pesquisa
 Conclusão
 Referências bibliográficas
Resumo
 Objetivo: análise de dados do sistema de radiodifusão
pública em 10 países que integram a União das Nações
Sul-Americanas – UNASUL.
 Universo da pesquisa: 140 emissoras públicas:
• que estão sob o controle do Estado direta ou indiretamente
[concessões para uso sem fins lucrativos e fundações,
empresas e universidades públicas];
• aquelas que recebem financiamento público;
• emissoras comunitárias não foram incluídas, por pertencerem
ao campo do direito privado.
 Produção: Observatório da Radiodifusão Pública na
América Latina, vinculado ao Laboratório de Políticas de
Comunicação da Universidade de Brasília (UnB) em parceria
com o Programa de Pós-Graduação em Comunicação da
Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ).
 Aspectos abordados: estrutura, forma de gestão, fontes de
financiamento, mecanismos de transparência e prestação de
contas, instrumentos de participação da sociedade na gestão,
processos de produção e distribuição de conteúdos.
 Discussão: ascensão ao poder de governos vinculados a
partidos de esquerda no século XXI, estabelecendo políticas
de comunicação para aproximar emissoras estatais da noção
de público, considerando os princípios que caracterizam a
atuação dessa mídia, conforme prescritos pela UNESCO.
 Desafios: firmar novos conceitos sobre o que é público.
Características fundamentais:
a radiodifusão pública segundo a UNESCO.
 UNIVERSALIDADE
• ser acessível a todos os cidadãos independente de sua posição
social ou poder econômico;
 DIVERSIDADE
• refletir interesses públicos diversos [e divergentes] ao oferecer
ampla variedade de programas no que se refere a gêneros,
público e temas abordados;
 INDEPENDÊNCIA
• operar como fórum no qual as ideias possam ser expressadas
livremente, o que significa independência contra pressões
financeiras comerciais ou influência política;
 DIFERENCIAÇÃO
• oferecer um serviço distinto das outras emissoras [modo novo
de organizar e produzir diferente, sem exclusão de qualquer
gênero].
Referências conceituais:
o que é ou não considerado “público”?
 Extremos:
• PÚBLICO como “lugar ou coisa”, com o qual o cidadão não se
identifica e sente-se desvinculado... uma espécie de “lugar de
ninguém”;
• PÚBLICO como “lugar ou coisa” submetido ao interesse de
alguém em particular, privatizado por segmentos privilegiados
e poderosos das sociedades;
Referências conceituais:
como tudo isso é visto na América Latina?
 Reforço negativo
• Vivências cotidianas do cidadão reforçam em sua mente,
interpretações particulares do processo de ele (não) participa
da dinâmica dos acontecimentos no que denominamos
ESPAÇO PÚBLICO.
• Exclusão social [falta de moradia, saúde, educação, etc.]
 Sensação do cidadão
• a administração pública é ineficaz e inoperante em oferecer
serviços públicos básicos de modo SATISFATÓRIO. Com isso, o
Estado, em suas instâncias governamentais, está longe de
oferecer a todos o tão desejado “bem comum”.
 Correntes de pensamentos
• Modelo europeu: prestar uma nova forma de serviços aos
cidadãos ao oferecer-lhes COMUNICAÇÃO PÚBLICA.
• Modelo americano: o que define o “serviço público” é muito
mais o “caráter” da necessidade e muito menos o ente jurídico
que o atenda.
Resultados parciais:
Tendências de mudança na radiodifusão pública
 Conceito de novo marco regulatório
 Mudança na natureza jurídica das emissoras
 Instituição de mecanismos de participação social
 A batalha da diversificação das fontes de
financiamento
 Renovação da programação e abertura para mercado
independente
Comunicação Pública:
Um novo conceito ou (apenas) mais um rótulo?
 Conceito de Comunicação Pública
• Diz respeito à troca e a partilha de informações de utilidade
pública, assim como a manutenção do liame social, cuja
responsabilidade é incumbência das instituições públicas;
• Espera-se da Comunicação Pública que sua prática contribua
para alimentar o conhecimento cívico, facilitar a ação pública e
garantir o debate público;
Comunicação Pública:
Um novo conceito ou (apenas) mais um rótulo?
• Emerge como fator estratégico para a plena vivência da
democracia; e
• Espaço privilegiado de negociação entre a sociedade e o
Estado.
Comunicação Pública:
Um novo conceito ou (apenas) mais um rótulo?
 Fundamentos da Comunicação Pública
• Veracidade das informações.
• Contribuição dos servidores públicos.
• Informação transparente, pontual e bem apresentada.
 Cenário da Comunicação Pública
• Sociedade democrática.
• Direito à informação.
• Prestação de contas.
• Cidadania.
Comunicação Pública:
Um novo conceito ou (apenas) mais um rótulo?
 Política de Comunicação Pública
• Comunicação comprometida com a democracia;
• Comunicação como garantia de cidadania;
• Comunicação como expressão da opinião pública.
Comunicação Pública:
Um novo conceito ou (apenas) mais um rótulo?
 Atuação em Comunicação Pública
• Compromisso em privilegiar o interesse público em relação ao
interesse individual ou corporativo;
• Centralizar o processo no cidadão;
• Tratar comunicação como um processo mais amplo do que
informação
• Adaptação dos instrumentos às necessidades, possibilidades e
interesses dos públicos; e
• Assumir a complexidade da comunicação, tratando-a como um
todo uno. (Duarte, 2007, p. 59)
Comunicação Pública:
Um novo conceito ou (apenas) mais um rótulo?
 Quem faz Comunicação Pública?
“A comunicação pública deve ser realizada por
todos que integram a área pública, de maneira
autônoma e descentralizada de acordo com suas
características, buscando encontrar a melhor forma
de expressão da comunicação em cada setor das
políticas públicas adotadas pelo Estado”.
(Elizabeth Brandão)

Radiodifusão Pública

  • 1.
    Radiodifusão pública: um desafioconceitual na América Latina Universidade de Sorocaba - UNISO Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura Territórios comunicacionais: mídia e fronteira Prof. Dr. Paulo Celso da Silva Aluno: Paulo Marquêz
  • 2.
     Significado dotermo • A radiodifusão, segundo a legislação brasileira, compreende os serviços destinados a serem recebidos direta e livremente pelo público em geral e é dividida em radiodifusão sonora (rádio) e radiodifusão de sons e imagens (televisão). Pra começar...
  • 3.
     Referências conceituais:o que é ou não considerado PÚBLICO  Desafios: construção do sentido de público  Resultados parciais da pesquisa  Conclusão  Referências bibliográficas
  • 4.
    Resumo  Objetivo: análisede dados do sistema de radiodifusão pública em 10 países que integram a União das Nações Sul-Americanas – UNASUL.  Universo da pesquisa: 140 emissoras públicas: • que estão sob o controle do Estado direta ou indiretamente [concessões para uso sem fins lucrativos e fundações, empresas e universidades públicas]; • aquelas que recebem financiamento público; • emissoras comunitárias não foram incluídas, por pertencerem ao campo do direito privado.
  • 5.
     Produção: Observatórioda Radiodifusão Pública na América Latina, vinculado ao Laboratório de Políticas de Comunicação da Universidade de Brasília (UnB) em parceria com o Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ).  Aspectos abordados: estrutura, forma de gestão, fontes de financiamento, mecanismos de transparência e prestação de contas, instrumentos de participação da sociedade na gestão, processos de produção e distribuição de conteúdos.
  • 6.
     Discussão: ascensãoao poder de governos vinculados a partidos de esquerda no século XXI, estabelecendo políticas de comunicação para aproximar emissoras estatais da noção de público, considerando os princípios que caracterizam a atuação dessa mídia, conforme prescritos pela UNESCO.  Desafios: firmar novos conceitos sobre o que é público.
  • 7.
    Características fundamentais: a radiodifusãopública segundo a UNESCO.  UNIVERSALIDADE • ser acessível a todos os cidadãos independente de sua posição social ou poder econômico;  DIVERSIDADE • refletir interesses públicos diversos [e divergentes] ao oferecer ampla variedade de programas no que se refere a gêneros, público e temas abordados;
  • 8.
     INDEPENDÊNCIA • operarcomo fórum no qual as ideias possam ser expressadas livremente, o que significa independência contra pressões financeiras comerciais ou influência política;  DIFERENCIAÇÃO • oferecer um serviço distinto das outras emissoras [modo novo de organizar e produzir diferente, sem exclusão de qualquer gênero].
  • 9.
    Referências conceituais: o queé ou não considerado “público”?  Extremos: • PÚBLICO como “lugar ou coisa”, com o qual o cidadão não se identifica e sente-se desvinculado... uma espécie de “lugar de ninguém”; • PÚBLICO como “lugar ou coisa” submetido ao interesse de alguém em particular, privatizado por segmentos privilegiados e poderosos das sociedades;
  • 10.
    Referências conceituais: como tudoisso é visto na América Latina?  Reforço negativo • Vivências cotidianas do cidadão reforçam em sua mente, interpretações particulares do processo de ele (não) participa da dinâmica dos acontecimentos no que denominamos ESPAÇO PÚBLICO. • Exclusão social [falta de moradia, saúde, educação, etc.]
  • 11.
     Sensação docidadão • a administração pública é ineficaz e inoperante em oferecer serviços públicos básicos de modo SATISFATÓRIO. Com isso, o Estado, em suas instâncias governamentais, está longe de oferecer a todos o tão desejado “bem comum”.
  • 12.
     Correntes depensamentos • Modelo europeu: prestar uma nova forma de serviços aos cidadãos ao oferecer-lhes COMUNICAÇÃO PÚBLICA. • Modelo americano: o que define o “serviço público” é muito mais o “caráter” da necessidade e muito menos o ente jurídico que o atenda.
  • 15.
    Resultados parciais: Tendências demudança na radiodifusão pública  Conceito de novo marco regulatório  Mudança na natureza jurídica das emissoras  Instituição de mecanismos de participação social  A batalha da diversificação das fontes de financiamento  Renovação da programação e abertura para mercado independente
  • 16.
    Comunicação Pública: Um novoconceito ou (apenas) mais um rótulo?  Conceito de Comunicação Pública • Diz respeito à troca e a partilha de informações de utilidade pública, assim como a manutenção do liame social, cuja responsabilidade é incumbência das instituições públicas; • Espera-se da Comunicação Pública que sua prática contribua para alimentar o conhecimento cívico, facilitar a ação pública e garantir o debate público;
  • 17.
    Comunicação Pública: Um novoconceito ou (apenas) mais um rótulo? • Emerge como fator estratégico para a plena vivência da democracia; e • Espaço privilegiado de negociação entre a sociedade e o Estado.
  • 18.
    Comunicação Pública: Um novoconceito ou (apenas) mais um rótulo?  Fundamentos da Comunicação Pública • Veracidade das informações. • Contribuição dos servidores públicos. • Informação transparente, pontual e bem apresentada.  Cenário da Comunicação Pública • Sociedade democrática. • Direito à informação. • Prestação de contas. • Cidadania.
  • 19.
    Comunicação Pública: Um novoconceito ou (apenas) mais um rótulo?  Política de Comunicação Pública • Comunicação comprometida com a democracia; • Comunicação como garantia de cidadania; • Comunicação como expressão da opinião pública.
  • 20.
    Comunicação Pública: Um novoconceito ou (apenas) mais um rótulo?  Atuação em Comunicação Pública • Compromisso em privilegiar o interesse público em relação ao interesse individual ou corporativo; • Centralizar o processo no cidadão; • Tratar comunicação como um processo mais amplo do que informação • Adaptação dos instrumentos às necessidades, possibilidades e interesses dos públicos; e • Assumir a complexidade da comunicação, tratando-a como um todo uno. (Duarte, 2007, p. 59)
  • 21.
    Comunicação Pública: Um novoconceito ou (apenas) mais um rótulo?  Quem faz Comunicação Pública? “A comunicação pública deve ser realizada por todos que integram a área pública, de maneira autônoma e descentralizada de acordo com suas características, buscando encontrar a melhor forma de expressão da comunicação em cada setor das políticas públicas adotadas pelo Estado”. (Elizabeth Brandão)