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OS MÉDIUNS E SUAS APTIDÕES
A mediunidade nasce com o ser humano. É uma faculdade ligada, inseparavelmente, ao homem; portanto, como diz Kardec –  "não constitui um privilégio para ninguém, porquanto apresenta uma variedade infinita de matizes".  Existem aqueles nos quais a faculdade mediúnica se mostra bem caracterizada; em outros, não é percebida, mas existe.  A mediunidade não é percebida em todas as pessoas da mesma maneira, porque decorre das condições evolutivas de cada um e do seu estado atual, bem como do estado espiritual do comunicante.
A mediunidade não depende de sexo, idade ou temperamento, sendo encontrada em todas as categorias de indivíduos, desde a mais tenra idade até a mais avançada.  Para o exercício da faculdade mediúnica: "a fé não é a condição rigorosa; sem dúvida, lhe secunda os esforços, mas não é indispensável; a pureza da intenção, o desejo e a boa vontade bastam. Têm-se visto pessoas inteiramente incrédulas ficarem espantadas de escrever a seu malgrado, enquanto crentes e sinceros não o conseguem, o que prova que esta faculdade se prende a uma disposição orgânica" (LM, 2ª Parte, cap. XVII, item 209).  O agente é o fluido perispirítico. A ligação ocorre entre o Perispírito do comunicante e o do médium; portanto, o Espírito comunicante não  "entra"  no corpo do médium, ou seja, ele não  "incorpora"  no médium. Toda gesticulação, trejeitos, fungação, bocejos, gritos, choros, risadas, bater as mãos e pés e são atitudes decorrentes da má educação mediúnica.
O Espírito que deseja comunicar-se procura um indivíduo apto a receber-lhe as impressões e a servir-lhe, nem sempre com consciência do médium.  A ligação é feita de acordo com o grau de afinidade existente entre ambos.  Os Espíritos se manifestam de maneiras diversas, mas os médiuns se agrupam em duas categorias: os involuntários e os facultativos. Os involuntários agem por iniciativa dos Espíritos, e os facultativos por iniciativa própria. Todos os gêneros de fenômenos espíritas podem produzir-se pelos médiuns.  A ignorância e a incredulidade têm atribuído aos médiuns um poder sobrenatural e, segundo os tempos e os lugares, eles têm sido considerados santos ou feiticeiros, loucos ou visionários. O Espiritismo descobre neles a simples manifestação mediúnica.  Segundo os efeitos apresentados, os médiuns são divididos em duas grandes categorias: Médiuns de Efeitos Físicos e Médiuns de Efeitos Intelectuais (LM, l.a Parte, cap. XVI, item 187).
MÉDIUNS DE EFEITOS FÍSICOS   "São particularmente aptos para a produção dos fenômenos materiais, como os movimentos dos corpos inertes, os ruídos etc. Podem dividir-se em médiuns facultativos (têm consciência do seu poder e produzem fenômenos espíritas pela própria vontade) e médiuns involuntários (cuja influência dos Espíritos se exerce a seu malgrado)."  Esses fenômenos podem ser espontâneos ou provocados mas sempre com o concurso voluntário ou involuntário de, médiuns dotados dessa faculdade especial.  O agente espiritual dessas manifestações é, geralmente, de ordem inferior. Os Espíritos elevados só se ocupam de manifestações inteligentes e instrutivas (LM, 2.a Parte, cap. XlV, itens 160 e 161).
MÉDIUNS DE EFEITOS INTELECTUAIS   São os mais aptos a receber e a transmitir comunicações inteligentes.  Comenta Kardec que nos diferentes fenômenos produzidos sob a influência mediúnica, em todos há um efeito físico, e aos efeitos físicos se alia, quase sempre, um efeito inteligente, sendo difícil determinar o limite entre os dois.  Sob a denominação de médiuns de efeitos intelectuais incluem-se os sensitivos ou impressionáveis, os auditivos, falantes, videntes, intuitivos, sonâmbulos, curadores, escreventes ou psicógrafos, pneumatógrafos, inspirados, de pressentimento, médiuns proféticos.  Algumas destas faculdades mediúnicas já foram estudadas no primeiro ano do curso e outras serão analisadas nos capítulos seguintes, deste tomo.
De modo geral, pode-se dizer que os médiuns sentem a presença dos Espíritos por uma vaga impressão, uma espécie de tremor dos membros, de formigamento que, às vezes, nem sabem explicar.  O médium pode adquirir tal sutileza que lhe permite reconhecer, pela natureza da impressão, se o Espírito é bom ou mau, e até a sua individualidade, como o cego reconhece, instintivamente, a aproximação dessa ou daquela pessoa.  Um bom Espírito produz impressão suave e agradável; e a impressão de um mau, ao contrário, é penosa, asfixiante e desagradável, produzindo a sensação de coisas imundas (LM, 2.a Parte, cap. XVI, item 187 e n° 65 e seguintes).
SONAMBULISMO Diz Kardec, em "Obras Póstumas"(l) que: "o sonambulismo é um estado transitório entre a encarnação e a desencarnação; constitui um desprendimento parcial, um pé antecipadamente posto no mundo espiritual".  Costuma-se distinguir, entretanto, diferentes ordens de "fenômenos no sonambulismo".  Numa delas, o sonâmbulo age sob a influência do próprio Espírito.
Neste caso, é a alma do médium que, nos momentos de emancipação, vê, ouve e percebe, fora dos limites dos sentidos normais, caracterizando o que se denomina de  "fenômenos anímicos".  Existem, ainda, os casos das pessoas que se levantam, andam e falam, durante o sono, constituindo um ramo diferente no sonambulismo, porquanto, aí, é o Espírito da pessoa que, liberte parcialmente pelo sono, comanda o corpo físico para realizar esta ou aquela atividade.  Há, também, uma terceira hipótese em que se considera um médium sonambúlico propriamente dito, quando seu Espírito, parcialmente liberto do corpo, torna-se instrumento de uma inteligência estranha.
" A experiência mostra que os sonâmbulos recebem, também, comunicações de outros Espíritos, que lhes transmitem o que eles devem dizer e suprem a sua insuficiência" (LE questões 425 a 438). Este estado de desprendimento parcial indica, a princípio, que todos os médiuns, onde haja a emancipação da alma, são sonambúlicos, incluindo-se, aí, os videntes, os audientes, os de psicofonia, etc.  De modo geral, costuma-se distinguir o médium sonambúlico dos demais, pelo estado de independência da alma, mais completo.  "No sonambulismo, o Espírito está na posse total de si mesmo; os órgãos materiais, estando de qualquer forma em catalepsia, não recebem mais as impressões exteriores" (LE, questão 425).  Diz, ainda, Kardec (2):  "Na visão à distância, o sonâmbulo não distingue um objeto ao longe, como o faríamos nós com o auxílio de uma luneta. Não é o objeto, por uma ilusão de ótica, que se aproxima dele, ele é que se aproxima do objeto. Em uma palavra, transporta-se para esse lugar e vê o objeto como se estivesse ao seu lado".
PAPEL DOS MÉDIUNS NAS COMUNICAÇÕES   Em Atos dos Apóstolos, 2: 17-18 ( cap.2 versículos 17 a 18) lê-se:  "E acontecerá nos últimos dias, diz o Senhor, que derramarei do meu Espírito sobre toda a carne; e profetizarão vossos filhos e vossas filhas, e os vossos jovens terão visões, e os vossos anciãos sonharão sonhos. E naqueles dias, derramarei do meu Espírito sobre os meus servos e sobre as minhas servas, e profetizarão".  Os Médiuns são os intérpretes e os instrumentos dos Espíritos.  " Quis o Senhor que a luz se fizesse para todos os homens e que a voz dos Espíritos penetrasse por toda parte, a fim de que cada um pudesse obter a prova da imortalidade”.
É com esse objetivo que os Espíritos se manifestam hoje por toda a Terra, e que a mediunidade, revelando-se entre pessoas de todas as idades e de todas as condições, entre homens e mulheres, crianças e velhos, constitui um sinal de que os tempos chegaram.  Para conhecer as coisas do mundo visível e decobrir os segredos da natureza material, Deus concedeu aos homens a vista física, os sentidos corporais e os instrumentos especiais.  Com o telescópio, ele mergulha o seu olhar nas profundidades do espaço, e com o microscópio descobriu o mundo dos infinitamente pequenos. Para penetrar o mundo invisível, deu-lhe a mediunidade.
Os Médiuns são os intérpretes do ensino dos Espíritos, ou melhor, são os instrumentos materiais pelos quais os Espíritos se exprimem nas suas comunicações com os homens.  Sua missão é sagrada porque tem por fim abrir-lhes os horizontes da vida eterna . Os Espíritos vêm instruir o homem sobre o seu futuro, para conduzi-lo ao caminho do bem, e não para poupar-lhe o trabalho material que lhe cabe neste mundo, para o seu próprio adiantamento, nem para favorecer as suas ambições e a sua cupidez.  Eis do que os médiuns devem compenetrar-se bem, para não fazerem mau uso de suas faculdades.  Aquele que compreende a gravidade do mandato de que se acha investido, cumpre-o religiosamente.
A consciência do médio o condenaria, como por um ato sacrílego, se transformasse em divertimento e distração, para si mesmo e para os outros, as faculdades que lhe foram dadas com uma finalidade séria, pondo-o em relação com os seres do outro mundo.  Como intérpretes do ensinamento dos Espíritos, os médiuns devem desempenhar um papel importante na transformação moral que se opera.  Os serviços que podem prestar estão na razão da boa orientação que derem às suas faculdades, pois os que seguem o mau caminho são mais prejudiciais do que úteis à causa do Espiritismo: pelas más impressões que produzem, retardam mais de uma conversão.  Eis por que terão de prestar contas do uso que fizeram das faculdades que lhes foram dadas para o bem de seus semelhantes
O médium que não quer perder a assistência dos Bons Espíritos, deve trabalhar pela própria melhoria.  O que deseja que a sua faculdade se engrandeça e desenvolva, deve engrandecer-se moralmente, abstendo-se de tudo o que possa desviá-la da sua finalidade providencial.  Se os Bons Espíritos as vezes se servem de instrumentos imperfeitos, é para bem aconselhá-los e procurar levá-los ao bem; mas se encontram corações endurecidos, e se os seus conselhos não são ouvidos, retiram,se, e os maus têm então o campo livre.  A experiência demonstra que, entre os que não aproveitam os conselhos dos Bons Espíritos, as comunicações, após haverem alguns clarões, durante certo tempo, acabam por cair no erro, na verbosidade vazia e no ridículo, sinal incontestável do afastamento dos Bons Espíritos.
Obter a assistência dos Bons Espíritos e livrar-se dos Espíritos levianos e mentirosos, deve ser o objetivo dos esforços constantes de todos os médiuns sérios. Sem isso a mediunidade é uma faculdade estéril, que pode mesmo reverter em prejuízo daquele que a possui, degenerando em obsessão perigosa (ESE, cap. XXVIII, item 9).  Tudo está relacionado à nossa ligação mental, os afins se atraem.  Nenhum médium deve orgulhar-se, envaidecendo-se de sua faculdade. Se suas comunicações merecerem elogios, deve recebê-los como acréscimo de responsabilidade e não como mérito pessoal.  Se derem motivos a críticas, não deve ofender-se, nem melindrar-se, nem alegar, como defesa, que o problema é do Espírito comunicante, porquanto um médium evangelizado e consciente de sua responsabilidade estará sempre envolvido e protegido por Bons Espíritos.
Recomenda-se, portanto, ao bom médium, antes de realizar comunicação com o mundo invisível, preparar-se, adequadamente, através da prece e da boa conduta íntima que, em síntese, resumem-se no "Orai e Vigiai".  “ Pela natureza das comunicações. Estudem as circunstâncias e linguagem e vocês distinguirão. Estudar e observar."  Em torno deste estudo Allan Kardec tece importantes considerações sobre o papel do médium nas comunicações: Qualquer que seja a natureza das comunicações, elas se processam através da irradiação do pensamento.  O Espírito que se comunica requer elementos necessários para dar vestimenta a este pensamento. Não há linguagem articulada no mundo espiritual.  A comunicação terá a forma e a "cor" do pensamento do médium.
Ele cita o exemplo das lunetas coloridas:  É como se observássemos paisagens diferentes através de lunetas verdes, azuis e brancas. Embora as paisagens sejam diversificadas, terão a coloração da luneta com que se observe . Outro exemplo:  É de um músico que, para executar determinada melodia, dispusesse de um violino, uma flauta, um piano e um assobio barato. Sua execução seria de diferentes níveis se utilizasse o violino ou o piano, ou se apenas contasse com o assobio.
Com relação aos médiuns que não estejam em condições ideais para transmitir uma mensagem por falta de conhecimento, Kardec nos diz em [Obras Póstumas-qst 51]:  "Por ser o instrumento para  receber e transmitir o pensamento do Espírito, segundo a impressão mecânica que lhe é dada, poderá o médium produzir o que está fora da órbita de seus conhecimentos se for dotado de flexibilidade e aptidão mediúnica necessárias. É por esta lei que existem médiuns desenhistas, pintores, músicos alheios a estas artes. É ainda por esta lei que quem não sabe ler ou escrever pode receber mensagens psicográficas."
Erasto [LM-cap XIX] diz:  " Assim quando encontramos um médium com o cérebro cheio de conhecimento anterior latente, dele nos servimos de preferência, porque com ele, o esforço da comunicação nos é muito mais fácil do que com um médium cuja inteligência fosse limitada e cujos conhecimentos anteriores tenham sido insuficientes."  "Certamente que poderemos falar de Matemática através de médiuns que desconheçam esta matéria, na atual encarnação, mas, frequentemente, o Espírito deste médium já passou este conhecimento em forma latente, isto é, pessoal ao ser fluídico e não ao ser encarnado (...)"  "Enfim, temos o meio de elaboração penosa ao usar médiuns completamente estranhos ao assunto tratados, ajuntando as letras e as palavras como em tipografia."
Kardec acrescenta as seguintes observações:  "O Espírito comunicante tira do cérebro do médium não suas idéias, mas o material necessário para exprimi-las; quanto mais rico for este cérebro, mais fácil é a comunicação."  E com relação a uma língua estranha ao médium, diz:  "Se o Espírito fala numa língua familiar ao médium, ele irá encontrar em seu cérebro as palavras formadas para revestir a idéia; Se é numa língua estranha, o Espírito comunicante não encontra as palavras, mas simplesmente as letras, no caso do médium saber ler e escrever; Se a língua é estranha ao médium e e este não sabe ler e nem escrever, o cérebro não possui nem as letras e o Espírito comunicante terá que conduzir a mão do médium como se faz com um escolar ao ser alfabetizado."
Vimos como o médium participa do fenômeno mediúnico e muitas vezes ao iniciarmo o desenvolvimento, quando estamos começando a dar as primeiras comunicações, somo assaltados com indagações e dúvidas:  "Como saberá o médium se o pensamento é seu ou do Espírito comunicante?"  Martins Peralva [Estudando a Mediunidade] nos diz:  "Com o estudo edificante, a meditação e o discernimento adquiriremos a capacidade de conhecer a nossa freqüência vibratória. Saberemos comparar o nosso próprio estilo, pontos de vista, hábitos e modos, com os revelados durante o transe mediúnico, ou a simples inspiração quando escrevemos  ou pregamos a doutrina. Não será problema tão difícil separar o nosso, do pensamento do Espírito comunicante. A aplicação aos estudos espíritas, com sinceridade, dar-nos-á, sem dúvida, a chave de muitos enigmas."
Bibliografia: SEARA DOS MÉDIUNS - Emmanuel.  O LIVRO DOS MÉDIUNS -  Allan Kardec. LIVRO DOS ESPÍRITOS -  - Allan Kardec.  ESTUDANDO A MEDIUNlDADE - Martins Peralva.  EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO - Allan Kardec.  OBRAS PÓSTUMAS - Allan Kardec. ATOS DOS APÓSTOLOS - Allan Kardec .

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Quarto Módulo - 1ª aula - O médiun e suas aptidões

  • 1. OS MÉDIUNS E SUAS APTIDÕES
  • 2. A mediunidade nasce com o ser humano. É uma faculdade ligada, inseparavelmente, ao homem; portanto, como diz Kardec – "não constitui um privilégio para ninguém, porquanto apresenta uma variedade infinita de matizes". Existem aqueles nos quais a faculdade mediúnica se mostra bem caracterizada; em outros, não é percebida, mas existe. A mediunidade não é percebida em todas as pessoas da mesma maneira, porque decorre das condições evolutivas de cada um e do seu estado atual, bem como do estado espiritual do comunicante.
  • 3. A mediunidade não depende de sexo, idade ou temperamento, sendo encontrada em todas as categorias de indivíduos, desde a mais tenra idade até a mais avançada. Para o exercício da faculdade mediúnica: "a fé não é a condição rigorosa; sem dúvida, lhe secunda os esforços, mas não é indispensável; a pureza da intenção, o desejo e a boa vontade bastam. Têm-se visto pessoas inteiramente incrédulas ficarem espantadas de escrever a seu malgrado, enquanto crentes e sinceros não o conseguem, o que prova que esta faculdade se prende a uma disposição orgânica" (LM, 2ª Parte, cap. XVII, item 209). O agente é o fluido perispirítico. A ligação ocorre entre o Perispírito do comunicante e o do médium; portanto, o Espírito comunicante não "entra" no corpo do médium, ou seja, ele não "incorpora" no médium. Toda gesticulação, trejeitos, fungação, bocejos, gritos, choros, risadas, bater as mãos e pés e são atitudes decorrentes da má educação mediúnica.
  • 4. O Espírito que deseja comunicar-se procura um indivíduo apto a receber-lhe as impressões e a servir-lhe, nem sempre com consciência do médium. A ligação é feita de acordo com o grau de afinidade existente entre ambos. Os Espíritos se manifestam de maneiras diversas, mas os médiuns se agrupam em duas categorias: os involuntários e os facultativos. Os involuntários agem por iniciativa dos Espíritos, e os facultativos por iniciativa própria. Todos os gêneros de fenômenos espíritas podem produzir-se pelos médiuns. A ignorância e a incredulidade têm atribuído aos médiuns um poder sobrenatural e, segundo os tempos e os lugares, eles têm sido considerados santos ou feiticeiros, loucos ou visionários. O Espiritismo descobre neles a simples manifestação mediúnica. Segundo os efeitos apresentados, os médiuns são divididos em duas grandes categorias: Médiuns de Efeitos Físicos e Médiuns de Efeitos Intelectuais (LM, l.a Parte, cap. XVI, item 187).
  • 5. MÉDIUNS DE EFEITOS FÍSICOS "São particularmente aptos para a produção dos fenômenos materiais, como os movimentos dos corpos inertes, os ruídos etc. Podem dividir-se em médiuns facultativos (têm consciência do seu poder e produzem fenômenos espíritas pela própria vontade) e médiuns involuntários (cuja influência dos Espíritos se exerce a seu malgrado)." Esses fenômenos podem ser espontâneos ou provocados mas sempre com o concurso voluntário ou involuntário de, médiuns dotados dessa faculdade especial. O agente espiritual dessas manifestações é, geralmente, de ordem inferior. Os Espíritos elevados só se ocupam de manifestações inteligentes e instrutivas (LM, 2.a Parte, cap. XlV, itens 160 e 161).
  • 6. MÉDIUNS DE EFEITOS INTELECTUAIS São os mais aptos a receber e a transmitir comunicações inteligentes. Comenta Kardec que nos diferentes fenômenos produzidos sob a influência mediúnica, em todos há um efeito físico, e aos efeitos físicos se alia, quase sempre, um efeito inteligente, sendo difícil determinar o limite entre os dois. Sob a denominação de médiuns de efeitos intelectuais incluem-se os sensitivos ou impressionáveis, os auditivos, falantes, videntes, intuitivos, sonâmbulos, curadores, escreventes ou psicógrafos, pneumatógrafos, inspirados, de pressentimento, médiuns proféticos. Algumas destas faculdades mediúnicas já foram estudadas no primeiro ano do curso e outras serão analisadas nos capítulos seguintes, deste tomo.
  • 7. De modo geral, pode-se dizer que os médiuns sentem a presença dos Espíritos por uma vaga impressão, uma espécie de tremor dos membros, de formigamento que, às vezes, nem sabem explicar. O médium pode adquirir tal sutileza que lhe permite reconhecer, pela natureza da impressão, se o Espírito é bom ou mau, e até a sua individualidade, como o cego reconhece, instintivamente, a aproximação dessa ou daquela pessoa. Um bom Espírito produz impressão suave e agradável; e a impressão de um mau, ao contrário, é penosa, asfixiante e desagradável, produzindo a sensação de coisas imundas (LM, 2.a Parte, cap. XVI, item 187 e n° 65 e seguintes).
  • 8. SONAMBULISMO Diz Kardec, em "Obras Póstumas"(l) que: "o sonambulismo é um estado transitório entre a encarnação e a desencarnação; constitui um desprendimento parcial, um pé antecipadamente posto no mundo espiritual". Costuma-se distinguir, entretanto, diferentes ordens de "fenômenos no sonambulismo". Numa delas, o sonâmbulo age sob a influência do próprio Espírito.
  • 9. Neste caso, é a alma do médium que, nos momentos de emancipação, vê, ouve e percebe, fora dos limites dos sentidos normais, caracterizando o que se denomina de "fenômenos anímicos". Existem, ainda, os casos das pessoas que se levantam, andam e falam, durante o sono, constituindo um ramo diferente no sonambulismo, porquanto, aí, é o Espírito da pessoa que, liberte parcialmente pelo sono, comanda o corpo físico para realizar esta ou aquela atividade. Há, também, uma terceira hipótese em que se considera um médium sonambúlico propriamente dito, quando seu Espírito, parcialmente liberto do corpo, torna-se instrumento de uma inteligência estranha.
  • 10. " A experiência mostra que os sonâmbulos recebem, também, comunicações de outros Espíritos, que lhes transmitem o que eles devem dizer e suprem a sua insuficiência" (LE questões 425 a 438). Este estado de desprendimento parcial indica, a princípio, que todos os médiuns, onde haja a emancipação da alma, são sonambúlicos, incluindo-se, aí, os videntes, os audientes, os de psicofonia, etc. De modo geral, costuma-se distinguir o médium sonambúlico dos demais, pelo estado de independência da alma, mais completo. "No sonambulismo, o Espírito está na posse total de si mesmo; os órgãos materiais, estando de qualquer forma em catalepsia, não recebem mais as impressões exteriores" (LE, questão 425). Diz, ainda, Kardec (2): "Na visão à distância, o sonâmbulo não distingue um objeto ao longe, como o faríamos nós com o auxílio de uma luneta. Não é o objeto, por uma ilusão de ótica, que se aproxima dele, ele é que se aproxima do objeto. Em uma palavra, transporta-se para esse lugar e vê o objeto como se estivesse ao seu lado".
  • 11. PAPEL DOS MÉDIUNS NAS COMUNICAÇÕES Em Atos dos Apóstolos, 2: 17-18 ( cap.2 versículos 17 a 18) lê-se: "E acontecerá nos últimos dias, diz o Senhor, que derramarei do meu Espírito sobre toda a carne; e profetizarão vossos filhos e vossas filhas, e os vossos jovens terão visões, e os vossos anciãos sonharão sonhos. E naqueles dias, derramarei do meu Espírito sobre os meus servos e sobre as minhas servas, e profetizarão". Os Médiuns são os intérpretes e os instrumentos dos Espíritos. " Quis o Senhor que a luz se fizesse para todos os homens e que a voz dos Espíritos penetrasse por toda parte, a fim de que cada um pudesse obter a prova da imortalidade”.
  • 12. É com esse objetivo que os Espíritos se manifestam hoje por toda a Terra, e que a mediunidade, revelando-se entre pessoas de todas as idades e de todas as condições, entre homens e mulheres, crianças e velhos, constitui um sinal de que os tempos chegaram. Para conhecer as coisas do mundo visível e decobrir os segredos da natureza material, Deus concedeu aos homens a vista física, os sentidos corporais e os instrumentos especiais. Com o telescópio, ele mergulha o seu olhar nas profundidades do espaço, e com o microscópio descobriu o mundo dos infinitamente pequenos. Para penetrar o mundo invisível, deu-lhe a mediunidade.
  • 13. Os Médiuns são os intérpretes do ensino dos Espíritos, ou melhor, são os instrumentos materiais pelos quais os Espíritos se exprimem nas suas comunicações com os homens. Sua missão é sagrada porque tem por fim abrir-lhes os horizontes da vida eterna . Os Espíritos vêm instruir o homem sobre o seu futuro, para conduzi-lo ao caminho do bem, e não para poupar-lhe o trabalho material que lhe cabe neste mundo, para o seu próprio adiantamento, nem para favorecer as suas ambições e a sua cupidez. Eis do que os médiuns devem compenetrar-se bem, para não fazerem mau uso de suas faculdades. Aquele que compreende a gravidade do mandato de que se acha investido, cumpre-o religiosamente.
  • 14. A consciência do médio o condenaria, como por um ato sacrílego, se transformasse em divertimento e distração, para si mesmo e para os outros, as faculdades que lhe foram dadas com uma finalidade séria, pondo-o em relação com os seres do outro mundo. Como intérpretes do ensinamento dos Espíritos, os médiuns devem desempenhar um papel importante na transformação moral que se opera. Os serviços que podem prestar estão na razão da boa orientação que derem às suas faculdades, pois os que seguem o mau caminho são mais prejudiciais do que úteis à causa do Espiritismo: pelas más impressões que produzem, retardam mais de uma conversão. Eis por que terão de prestar contas do uso que fizeram das faculdades que lhes foram dadas para o bem de seus semelhantes
  • 15. O médium que não quer perder a assistência dos Bons Espíritos, deve trabalhar pela própria melhoria. O que deseja que a sua faculdade se engrandeça e desenvolva, deve engrandecer-se moralmente, abstendo-se de tudo o que possa desviá-la da sua finalidade providencial. Se os Bons Espíritos as vezes se servem de instrumentos imperfeitos, é para bem aconselhá-los e procurar levá-los ao bem; mas se encontram corações endurecidos, e se os seus conselhos não são ouvidos, retiram,se, e os maus têm então o campo livre. A experiência demonstra que, entre os que não aproveitam os conselhos dos Bons Espíritos, as comunicações, após haverem alguns clarões, durante certo tempo, acabam por cair no erro, na verbosidade vazia e no ridículo, sinal incontestável do afastamento dos Bons Espíritos.
  • 16. Obter a assistência dos Bons Espíritos e livrar-se dos Espíritos levianos e mentirosos, deve ser o objetivo dos esforços constantes de todos os médiuns sérios. Sem isso a mediunidade é uma faculdade estéril, que pode mesmo reverter em prejuízo daquele que a possui, degenerando em obsessão perigosa (ESE, cap. XXVIII, item 9). Tudo está relacionado à nossa ligação mental, os afins se atraem. Nenhum médium deve orgulhar-se, envaidecendo-se de sua faculdade. Se suas comunicações merecerem elogios, deve recebê-los como acréscimo de responsabilidade e não como mérito pessoal. Se derem motivos a críticas, não deve ofender-se, nem melindrar-se, nem alegar, como defesa, que o problema é do Espírito comunicante, porquanto um médium evangelizado e consciente de sua responsabilidade estará sempre envolvido e protegido por Bons Espíritos.
  • 17. Recomenda-se, portanto, ao bom médium, antes de realizar comunicação com o mundo invisível, preparar-se, adequadamente, através da prece e da boa conduta íntima que, em síntese, resumem-se no "Orai e Vigiai". “ Pela natureza das comunicações. Estudem as circunstâncias e linguagem e vocês distinguirão. Estudar e observar." Em torno deste estudo Allan Kardec tece importantes considerações sobre o papel do médium nas comunicações: Qualquer que seja a natureza das comunicações, elas se processam através da irradiação do pensamento. O Espírito que se comunica requer elementos necessários para dar vestimenta a este pensamento. Não há linguagem articulada no mundo espiritual. A comunicação terá a forma e a "cor" do pensamento do médium.
  • 18. Ele cita o exemplo das lunetas coloridas: É como se observássemos paisagens diferentes através de lunetas verdes, azuis e brancas. Embora as paisagens sejam diversificadas, terão a coloração da luneta com que se observe . Outro exemplo: É de um músico que, para executar determinada melodia, dispusesse de um violino, uma flauta, um piano e um assobio barato. Sua execução seria de diferentes níveis se utilizasse o violino ou o piano, ou se apenas contasse com o assobio.
  • 19. Com relação aos médiuns que não estejam em condições ideais para transmitir uma mensagem por falta de conhecimento, Kardec nos diz em [Obras Póstumas-qst 51]: "Por ser o instrumento para receber e transmitir o pensamento do Espírito, segundo a impressão mecânica que lhe é dada, poderá o médium produzir o que está fora da órbita de seus conhecimentos se for dotado de flexibilidade e aptidão mediúnica necessárias. É por esta lei que existem médiuns desenhistas, pintores, músicos alheios a estas artes. É ainda por esta lei que quem não sabe ler ou escrever pode receber mensagens psicográficas."
  • 20. Erasto [LM-cap XIX] diz: " Assim quando encontramos um médium com o cérebro cheio de conhecimento anterior latente, dele nos servimos de preferência, porque com ele, o esforço da comunicação nos é muito mais fácil do que com um médium cuja inteligência fosse limitada e cujos conhecimentos anteriores tenham sido insuficientes." "Certamente que poderemos falar de Matemática através de médiuns que desconheçam esta matéria, na atual encarnação, mas, frequentemente, o Espírito deste médium já passou este conhecimento em forma latente, isto é, pessoal ao ser fluídico e não ao ser encarnado (...)" "Enfim, temos o meio de elaboração penosa ao usar médiuns completamente estranhos ao assunto tratados, ajuntando as letras e as palavras como em tipografia."
  • 21. Kardec acrescenta as seguintes observações: "O Espírito comunicante tira do cérebro do médium não suas idéias, mas o material necessário para exprimi-las; quanto mais rico for este cérebro, mais fácil é a comunicação." E com relação a uma língua estranha ao médium, diz: "Se o Espírito fala numa língua familiar ao médium, ele irá encontrar em seu cérebro as palavras formadas para revestir a idéia; Se é numa língua estranha, o Espírito comunicante não encontra as palavras, mas simplesmente as letras, no caso do médium saber ler e escrever; Se a língua é estranha ao médium e e este não sabe ler e nem escrever, o cérebro não possui nem as letras e o Espírito comunicante terá que conduzir a mão do médium como se faz com um escolar ao ser alfabetizado."
  • 22. Vimos como o médium participa do fenômeno mediúnico e muitas vezes ao iniciarmo o desenvolvimento, quando estamos começando a dar as primeiras comunicações, somo assaltados com indagações e dúvidas: "Como saberá o médium se o pensamento é seu ou do Espírito comunicante?" Martins Peralva [Estudando a Mediunidade] nos diz: "Com o estudo edificante, a meditação e o discernimento adquiriremos a capacidade de conhecer a nossa freqüência vibratória. Saberemos comparar o nosso próprio estilo, pontos de vista, hábitos e modos, com os revelados durante o transe mediúnico, ou a simples inspiração quando escrevemos ou pregamos a doutrina. Não será problema tão difícil separar o nosso, do pensamento do Espírito comunicante. A aplicação aos estudos espíritas, com sinceridade, dar-nos-á, sem dúvida, a chave de muitos enigmas."
  • 23. Bibliografia: SEARA DOS MÉDIUNS - Emmanuel. O LIVRO DOS MÉDIUNS - Allan Kardec. LIVRO DOS ESPÍRITOS - - Allan Kardec. ESTUDANDO A MEDIUNlDADE - Martins Peralva. EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO - Allan Kardec. OBRAS PÓSTUMAS - Allan Kardec. ATOS DOS APÓSTOLOS - Allan Kardec .