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*MÓDULO 1* Noções de variação linguística Introdução Em boa parte dos vestibulares atualmente, há ênfase em verificar se o candidato conhece os diferentes usos possíveis de nossa língua. Discutiremos este assunto partindo da leitura do texto abaixo. 
No texto acima, notamos que os dois ladrões conhecem tanto as diferentes formas de falar o português como as implicações que cada forma traz. Eles sabem que certas formas são mais valorizadas que outras, por isso alteram o modo de falar na presença do guarda. Há diferentes formas de usar a língua portuguesa, por isso não podemos dizer que ela é homogênea. Assim, o importante para o falante será perceber em que contexto ele deve usar cada uma de suas variantes. Em uma entrevista de emprego, por exemplo, espera-se que o falante opte por uma variante diferente daquela que ele usa para bater papo com seus amigos. 
A concepção moderna de língua, segundo Celso Cunha em sua Nova gramática do português contemporâneo, coloca-a “como instrumento de comunicação social, maleável e diversificado em todos os seus aspectos, meio de expressão de indivíduos que vivem em sociedades também diversificadas social, cultural e geograficamente”. Essa diversificação na sociedade faz com que surja na língua a variação linguística, ou seja, pode-se perceber que a situação (formal ou informal), o grupo social a que o falante pertence, a região e a época em que vive caracterizam o modo de um brasileiro expressar-se em português. De maneira bastante simplificada, podemos considerar a existência de três tipos gerais de variação, conforme mostra o quadro: 
TIPO 
ASPECTO AO QUAL SE RELACIONA 
Variação sociocultural 
idade, sexo, escolaridade, condições econômicas do falante e grupo social do qual ele faz parte 
Variação geográfica 
região em que o falante vive durante um certo tempo 
Variação histórica 
tempo (época) em que o falante vive 
Adão Iturrusgarai. Aline. Folha de S. Paulo, 31/8/2000.  O emprego das palavras vosmecê (você) e parvoíce (besteira), que estão totalmente fora de uso hoje em dia, evidencia que o personagem realmente é mais velho (bem mais velho...) que a filha do outro personagem. Variação sociocultural A maneira como utilizamos a linguagem (como nos expressamos) é formada no convívio com outras pessoas que fazem parte do nosso grupo social. Assim, normalmente nos expressamos de acordo com nossa formação sociocultural. Nossa linguagem será adequada ao meio em que fomos criados e à nossa classe social. É claro que, assim como existe uma certa mobilidade social no mundo em que vivemos, ao longo de nossa vida podemos incorporar modos de expressão diferentes, à medida que vamos mudando de ambiente e reconstruindo nossa história de vida. A variante social mais notável é a que existe entre pessoas de classes socioeconômicas distintas. Uma pessoa da classe A não falará como alguém da classe C. Aliás, normalmente, quanto mais elevada estiver na escala econômica, mais próxima a linguagem da pessoa estará do que conhecemos por norma culta. Isto se explica: no mundo em que vivemos, é claro que é a linguagem dos mais ricos e mais poderosos que é considerada a de maior “prestígio”..., concorda? 
Relacionada a esse tipo de variação está aquela que diz respeito ao grau de instrução do falante. É lógico que pessoas de classe social mais alta, do ponto de vista 
Sketch - Dois homens tramando um assalto 
— Valeu, mermão? Tu traz o berro que nóis vamo rendê o caixa bonitinho. Engrossou, enche o cara de chumbo. Pra arejá. 
— Podes crê. Servicinho manero. É só entrá e pegá. 
— Tá com o berro aí? 
— Tá na mão. 
Aparece um guarda. 
— Ih, sujou. Disfarça, disfarça... 
O guarda passa por eles. 
— Discordo terminantemente. O imperativo categórico de Hegel chega a Marx diluído pela fenomenologia de Feurbach. 
— Pelo amor de Deus! Isso é o mesmo que dizer que Kierkegaard não passa de um Kant com algumas sílabas a mais. Ou que os iluministas do século 18... 
O guarda se afasta. 
— O berro, tá recheado? 
— Tá. 
— Então vamlá! 
VERÍSSIMO, Luís Fernando. O Estado de S. Paulo, 8/3/1998.
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financeiro, terão mais chances de estudar e se aprimorar culturalmente, aproximando-se mais do padrão culto de linguagem. Outro tipo importante e interessante de variação linguística é aquele que aparece quando confrontamos gerações diferentes: um grupo de idosos de 60 anos não fala como um grupo de adolescentes de 16... Cada geração tem sua maneira própria de se comunicar e isso é fácil observar no dia a dia. Um importante fenômeno linguístico que aparece quando estudamos as variações entre gerações é a gíria. Cada geração adota um certo número de expressões, uma certa maneira de falar, para marcar uma diferença entre a sua e a geração anterior. Para cada situação de expressão da nossa linguagem, temos um certo nível linguístico. Ao nível que utilizamos em situações em que não nos preocupamos tanto em atingir a chamada norma culta, chamamos de nível informal; ao nível que utilizamos em situações de comunicação que exigem uma linguagem mais próxima da norma culta, chamamos de nível formal. Entre o nível formal e o informal, podemos ter vários níveis intermediários. 
Variação geográfica Pessoas de diferentes regiões falam de maneiras diferentes. A essas características próprias da fala de um determinado lugar damos o nome de regionalismos. Os regionalismos são próprios dos falares locais, dialetos e sotaques. Geralmente, pessoas de uma determinada região agrupam-se em torno de um centro populacional economicamente ou politicamente mais relevante e assumem o dialeto característico do local. Assim, um carioca irá se expressar com o r chiado característico do Rio de Janeiro, um piracicabano normalmente emitirá um r que os estudiosos conhecem por retroflexo, e assim por diante. Essas diferenças se estenderão ao vocabulário, à estrutura das frases e até aos significados das palavras. Com o passar dos anos e o avanço dos meios de comunicação sobre todo o território brasileiro, as diferenças regionais vão diminuindo cada vez mais. As redes de televisão, por exemplo, atingem todo o país com uma linguagem típica do Sudeste brasileiro, principalmente São Paulo, o que acaba contribuindo para uma uniformização dos dialetos em torno de um padrão de linguagem que aos poucos apaga as diferenças entre eles. 
Variação histórica Ao ler textos escritos em português há cem anos, por exemplo, você certamente sentirá um certo estranhamento e terá uma dificuldade de compreensão e fluência maior do que teria se lesse um artigo de jornal publicado na semana passada, por exemplo. Isso acontece porque as línguas variam com o tempo. O nosso você já foi vossa mercê e vosmecê, chegando, em nossos dias, a ser ouvido como simplesmente cê. Em boa hora tornou-se embora. É fácil percebermos essas diferenças quando nos deparamos com livros cujas edições são muito antigas. O vocabulário de há cem anos não era o mesmo de hoje, a grafia de muitas palavras também não, o mesmo ocorria com a sintaxe. 
Norma culta e adequação da linguagem Você deve ter notado, então, que a língua possui diversas variantes. Mas, ao tomarmos contato com a língua na escola, adotamos uma determinada variante que serve como referência. Essa variante-padrão, ao longo dos tempos e por diversos motivos, ficou sendo conhecida como a norma culta da língua. Norma culta da língua é a chamada variante-padrão da língua; aquela variante de maior prestígio, utilizada pelas pessoas que compõem a chamada elite da sociedade. A norma culta, tradicionalmente, acaba servindo como parâmetro e sendo adotada para o ensino da língua nas escolas, além de ser utilizada como padrão para situações formais e na comunicação escrita na sociedade. Toda língua muda com o tempo, portanto a norma culta também muda, de acordo com as modificações que ela sofre no seu uso. Convém, assim, que o falante saiba distinguir quais são as situações em que ele deve seguir essa variante- -padrão daquelas em que pode usar uma variante mais popular. Outros tipos de variação linguística Além das variações linguísticas relacionadas a tempo e espaço, existem outros tipos de variação, que podem ocorrer tanto na língua-padrão quanto nas variedades não padrão da língua. As principais variações dizem respeito ao uso da língua em situações de oralidade/escrita e de formalidade/informalidade. 
 *ATENÇÃO, ESTUDANTE!*  Para complementar o estudo deste Módulo, utilize seu LIVRO DIDÁTICO. 
Variação sociocultural, portanto, é aquela que se manifesta quando o uso da língua é marcado por diferenças conforme a classe socioeconômica, o grau de instrução, a geração ou a situação de comunicação em que se encontra o falante. 
Variação geográfica é aquela marcada por diferenças regionais: a dimensão do Brasil permite-nos perceber diferentes sotaques, vocabulários, estruturas de frase e sentidos das palavras nas diferentes regiões. 
Variação histórica acontece porque a língua vai recebendo transformações na forma de falar, novas palavras, novas grafias e novos sentidos para palavras já existentes.
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*********** ATIVIDADES *********** .1. (UEG-GO) 
Folha de S. Paulo, 1/5/2007. É correto afirmar que, na charge, 
(A) a linguagem dos políticos é apropriada pelos traficantes de drogas. 
(B) a linguagem dos traficantes de drogas é apropriada pelos políticos. 
(C) o contexto dos políticos é apropriado pelos traficantes de drogas. 
(D) o contexto dos traficantes de drogas é apropriado pelos políticos. 
(E) não há apropriação nem da linguagem nem do contexto. 
.2. (ENEM-MEC) Iscute o que tô dizendo, Seu dotô, seu coroné: De fome tão padecendo Meus fio e minha muié. Sem briga, questão nem guerra, Meça desta grande terra Umas tarefa pra eu! Tenha pena do agregado Não me dêxe deserdado PATATIVA DO ASSARÉ. A terra é naturá. In: Cordéis e outros poemas. Fortaleza: Universidade Federal do Ceará, 2008 (fragmento). A partir da análise da linguagem utilizada no poema, infere-se que o eu lírico revela-se como falante de uma variedade linguística específica. Esse falante, em seu grupo social, é identificado como um falante 
(A) escolarizado proveniente de uma metrópole. 
(B) sertanejo morador de uma área rural. 
(C) idoso que habita uma comunidade urbana. 
(D) escolarizado que habita uma comunidade do interior do país. 
(E) estrangeiro que imigrou para uma comunidade do Sul do país. 
.3. (ENEM-MEC) Antigamente Acontecia o indivíduo apanhar constipação; ficando perrengue, mandava o próprio chamar o doutor e, depois, ir à botica para aviar a receita, de cápsulas ou pílulas fedorentas. Doença nefasta era a phtísica, feia era o gálico. Antigamente, os sobrados tinham assombrações, os meninos, lombrigas [...] ANDRADE, Carlos Drummond de. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: Companhia José Aguilar, p. 1.184. O texto acima está escrito em linguagem de uma época passada. Observe uma outra versão, em linguagem atual. Antigamente Acontecia o indivíduo apanhar um resfriado; ficando mal, mandava o próprio chamar o doutor e, depois, ir à farmácia para aviar a receita, de cápsulas ou pílulas fedorentas. Doença nefasta era a tuberculose, feia era a sífilis. Antigamente, os sobrados tinham assombrações, os meninos, vermes [...] Comparando-se esses dois textos, verifica-se que, na segunda versão, houve mudanças relativas a 
(A) vocabulário. 
(B) construções sintáticas. 
(C) pontuação. 
(D) fonética. 
(E) regência verbal. 
.4. (ENEM-MEC) 
Venho solicitar a clarividente atenção de Vossa Excelência para que seja conjurada uma calamidade que está prestes a desabar em cima da juventude feminina do Brasil. Refiro-me, senhor presidente, ao movimento entusiasta que está empolgando centenas de moças, atraindo-as para se transformarem em jogadoras de futebol, sem se levar em conta que a mulher não poderá praticar este esporte violento sem afetar, seriamente, o equilíbrio fisiológico das suas funções orgânicas, devido à natureza que dispôs a ser mãe. Ao que dizem os jornais, no Rio de Janeiro, já estão formados nada menos
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de dez quadros femininos. Em São Paulo e Belo Horizonte também já estão se constituindo outros. E, neste crescendo, dentro de um ano, é provável que em todo o Brasil estejam organizados uns 200 clubes femininos de futebol: ou seja: 200 núcleos destroçados da saúde de 2,2 mil futuras mães, que, além do mais, ficarão presas a uma mentalidade depressiva e propensa aos exibicionismos rudes e extravagantes. Coluna Pênalti. Carta Capital, 28/4/2010. O trecho é parte de uma carta de um cidadão brasileiro, José Fuzeira, encaminhada, em abril de 1940, ao então presidente da República Getúlio Vargas. As opções linguísticas de Fuzeira mostram que seu texto foi elaborado em linguagem 
(A) regional, adequada à troca de informações na situação apresentada. 
(B) jurídica, exigida pelo tema relacionado ao domínio do futebol. 
(C) coloquial, considerando-se que ele era um cidadão brasileiro comum. 
(D) culta, adequando-se ao seu interlocutor e à situação de comunicação. 
(E) informal, pressupondo o grau de escolaridade de seu interlocutor. 
.5. (INEP-MEC) Vício na fala Para dizerem milho dizem mio Para melhor dizem mió Para pior pió Para telha dizem teia Para telhado dizem teiado E vão fazendo telhados ANDRADE, Oswald de. Obras completas. 5.ª ed. São Paulo: Globo, 1991, p. 80. Ao explorar a emotividade da linguagem, o autor faz referência às variantes linguísticas de natureza 
(A) estilística, pois utiliza a escrita para, de certa forma, marcar uma nova época literária. 
(B) regional, pois há regiões em que essa variedade linguística descrita no poema é aceita como padrão oficial. 
(C) de registro, já que as variantes são formadas pelo processo de neologismo, típico em autores modernistas. 
(D) sociocultural, pois revela o conflito social entre as variantes de uma mesma língua. 
(E) temporal, pois marca a variação linguística de diferentes épocas. .6. (ENEM-MEC) 
Veja, 7/5/1997. Na parte superior do anúncio, há um comentário escrito à mão que aborda a questão das atividades linguísticas e sua relação com as modalidades oral e escrita da língua. Esse comentário deixa evidente uma posição crítica quanto a usos que se fazem da linguagem, enfatizando ser necessário 
(A) implementar a fala, tendo em vista maior desenvoltura, naturalidade e segurança no uso da língua. 
(B) conhecer gêneros mais formais da modalidade oral para a obtenção de clareza na comunicação oral e escrita. 
(C) dominar as diferentes variedades do registro oral da língua portuguesa para escrever com adequação, eficiência e correção. 
(D) empregar vocabulário adequado e usar regras da norma-padrão da língua em se tratando da modalidade escrita. 
(E) utilizar recursos mais expressivos e menos desgastados da variedade-padrão da língua para se expressar com alguma segurança e sucesso. 
.7. (ENEM-MEC) Gerente – Boa tarde. Em que eu posso ajudá-lo? Cliente – Estou interessado em financiamento para compra de veículo. Gerente – Nós dispomos de várias modalidades de crédito. O senhor é nosso cliente? Cliente – Sou Júlio César Fontoura, também sou funcionário do banco. Gerente – Julinho, é você, cara? Aqui é a Helena! Cê tá em Brasília? Pensei que você inda tivesse na agência de Uberlândia! Passa aqui pra gente conversar com calma. BORTONI-RICARDO, S. M. Educação em língua materna. São Paulo: Parábola, 2004 (adaptado).
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Na representação escrita da conversa telefônica entre a gerente do banco e o cliente, observa-se que a maneira de falar da gerente foi alterada de repente devido 
(A) à adequação de sua fala à conversa com um amigo, caracterizada pela informalidade. 
(B) à iniciativa do cliente em se apresentar como funcionário do banco. 
(C) ao fato de ambos terem nascido em Uberlândia (Minas Gerais). 
(D) à intimidade forçada pelo cliente ao fornecer seu nome completo. 
(E) ao seu interesse profissional em financiar o veículo de Júlio. 
.8. (ENEM-MEC) As dimensões continentais do Brasil são objeto de reflexões expressas em diferentes linguagens. Esse tema aparece no seguinte poema: “[...] Que importa que uns falem mole descansado Que os cariocas arranhem os erres na garganta Que os capixabas e paroaras escancarem [ as vogais? Que tem se o quinhentos réis meridional Vira cinco tostões do Rio pro Norte? Junto formamos este assombro de misérias e [ grandezas, Brasil, nome de vegetal! [...]” ANDRADE, Mário de. Poesias completas. 6.ª ed. São Paulo: Martins Editora, 1980. O texto poético ora reproduzido trata das diferenças brasileiras no âmbito 
(A) étnico e religioso. 
(B) linguístico e econômico. 
(C) racial e folclórico. 
(D) histórico e geográfico. 
(E) literário e popular. 
.9. (ENEM-MEC) Vera, Sílvia e Emília saíram para passear pela chácara com Irene. — A senhora tem um jardim deslumbrante, dona Irene! — comenta Sílvia, maravilhada diante dos canteiros de rosas e hortênsias. — Para começar, deixe o “senhora” de lado e esqueça o “dona” também — diz Irene, sorrindo. — Já é um custo aguentar a Vera me chamando de “tia” o tempo todo. Meu nome é Irene. Todas sorriem. Irene prossegue: — Agradeço os elogios para o jardim, só que você vai ter de fazê-los para a Eulália, que é quem cuida das flores. Eu sou um fracasso na jardinagem. BAGNO, M. A língua de Eulália: novela sociolinguística. São Paulo: Contexto, 2003 (adaptado). Na língua portuguesa, a escolha por “você” ou “senhor(a)” denota o grau de liberdade ou de respeito que deve haver entre os interlocutores. No diálogo apresentado acima, observa-se o emprego dessas formas. A personagem Sílvia emprega a forma “senhora” ao se referir à Irene. Na situação apresentada no texto, o emprego de “senhora” ao se referir à interlocutora ocorre porque Sílvia 
(A) pensa que Irene é a jardineira da casa. 
(B) acredita que Irene gosta de todos que a visitam. 
(C) observa que Irene e Eulália são pessoas que vivem em área rural. 
(D) deseja expressar por meio de sua fala o fato de sua família conhecer Irene. 
(E) considera que Irene é uma pessoa mais velha, com a qual não tem intimidade. 
.10. (ENEM-MEC) A escrita é uma das formas de expressão que as pessoas utilizam para comunicar algo e tem várias finalidades: informar, entreter, convencer, divulgar, descrever. Assim, o conhecimento acerca das variedades linguísticas sociais, regionais e de registro torna-se necessário para que se use a língua nas mais diversas situações comunicativas. Considerando as informações acima, imagine que você está à procura de um emprego e encontrou duas empresas que precisam de novos funcionários. Uma delas exige uma carta de solicitação de emprego. Ao redigi-la, você 
(A) fará uso da linguagem metafórica. 
(B) apresentará elementos não verbais. 
(C) utilizará o registro informal. 
(D) evidenciará a norma-padrão. 
(E) fará uso de gírias. 
________________________________________________ *Anotações*
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.11. (ENEM-MEC) 
Dick Browne. O melhor de Hagar, o horrível, v. 2. L&PM pocket, p. 55-6 (com adaptações). Assinale o trecho do diálogo que apresenta um registro informal, ou coloquial, da linguagem. 
(A) “Tá legal, espertinho! Onde é que você esteve?!” 
(B) “E lembre-se: se você disser uma mentira, os seus chifres cairão!” 
(C) “Estou atrasado porque ajudei uma velhinha a atravessar a rua...” 
(D) “... e ela me deu um anel mágico que me levou a um tesouro” 
(E) “mas bandidos o roubaram e os persegui até a Etiópia, onde um dragão...” 
.12. (UNICAMP-SP) O trecho abaixo foi extraído de uma crônica em que mãe e filho conversam sobre o presente que ele pretendia lhe dar no Dia das Mães. [...] — Posso escolher meu presente do Dia das Mães, meu fofinho? — Não, mãe. Perde a graça. Este ano, a senhora vai ver. Compro um barato. — Barato? Admito que você compre uma lembrancinha barata, mas não diga isso a sua mãe. É fazer pouco-caso de mim. — lh, mãe, a senhora está por fora mil anos. Não sabe que barato é o melhor que tem, é um barato! — Deixe eu escolher, deixe... — Mãe é ruim de escolha. Olha aquele blazer furado que a senhora me deu no Natal! — Seu porcaria, tem coragem de dizer que sua mãe lhe deu um blazer furado? — Viu? Não sabe nem o que é furado? Aquela cor já era, mãe, já era! [...] ANDRADE, Carlos Drummond de. Poesia e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1988. Em que tipo de variação linguística o autor se apoia para criar as situações humorísticas apresentadas nesse diálogo? Justifique sua resposta. ________________________________________________ ________________________________________________ ________________________________________________ ________________________________________________ ________________________________________________ ________________________________________________ ________________________________________________ ________________________________________________ ________________________________________________ ________________________________________________ ________________________________________________ ________________________________________________ ________________________________________________ .13. (UFMA) 
Folha de S. Paulo, 12/4/2003. Considerando a fala dos interlocutores, pode-se concluir que 
(A) o uso de “excelência” denota desrespeito, pois o depoente não reconhece no deputado uma autoridade. 
(B) o efeito humorístico é provocado pela passagem brusca da linguagem formal para a informal. 
(C) o uso da linguagem formal e da informal evidencia a classe social a que pertencem as personagens. 
(D) a linguagem empregada no texto serve apenas para compor as imagens do deputado e do depoente. 
(E) o pronome “seu” foi usado pelo depoente como sinal de respeito para com o parlamentar ilustre.
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.14. (ENEM-MEC) Há certos usos consagrados na fala, e até mesmo na escrita, que, a depender do estrato social e do nível de escolaridade do falante, são, sem dúvida, previsíveis. Ocorrem até mesmo em falantes que dominam a variedade-padrão, pois, na verdade, revelam tendências existentes na língua em seu processo de mudança que não podem ser bloqueadas em nome de um “ideal linguístico” que estaria representado pelas regras da gramática normativa. Usos como ter por haver em construções existenciais (tem muitos livros na estante), o do pronome objeto na posição de sujeito (para mim fazer o trabalho), a não concordância das passivas com se (aluga-se casas) são indícios da existência, não de uma norma única, mas de uma pluralidade de normas, entendida, mais uma vez, norma como conjunto de hábitos linguísticos, sem implicar juízo de valor. CALLOU, D. Gramática, variação e normas. In: VIEIRA, S. R.; BRANDÃO, S. (orgs.). Ensino de gramática: descrição e uso. São Paulo: Contexto, 2007 (fragmento). Considerando a reflexão trazida no texto a respeito da multiplicidade do discurso, verifica-se que 
(A) estudantes que não conhecem as diferenças entre língua escrita e língua falada empregam, indistintamente, usos aceitos na conversa com amigos quando vão elaborar um texto escrito. 
(B) falantes que dominam a variedade-padrão do português do Brasil demonstram usos que confirmam a diferença entre a norma idealizada e a efetivamente praticada, mesmo por falantes mais escolarizados. 
(C) moradores de diversas regiões do país que enfrentam dificuldades ao se expressar na escrita revelam a constante modificação das regras de emprego de pronomes e os casos especiais de concordância. 
(D) pessoas que se julgam no direito de contrariar a gramática ensinada na escola gostam de apresentar usos não aceitos socialmente para esconderem seu desconhecimento da norma-padrão. 
(E) usuários que desvendam os mistérios e sutilezas da língua portuguesa empregam formas do verbo ter quando, na verdade, deveriam usar formas do verbo haver, contrariando as regras gramaticais. 
.15. (ENEM-MEC) MANDIOCA — mais um presente da Amazônia Aipim, castelinha, macaxeira, maniva, maniveira. As designações da Manihot utilissima podem variar de região, no Brasil, mas uma delas deve ser levada em conta em todo o território nacional: pão-de-pobre — e por motivos óbvios. 
Rica em fécula, a mandioca — uma planta rústica e nativa da Amazônia disseminada no mundo inteiro, especialmente pelos colonizadores portugueses — é a base de sustento de muitos brasileiros e o único alimento disponível para mais de 600 milhões de pessoas em vários pontos do planeta, e em particular em algumas regiões da África. O melhor do Globo Rural, fev. 2005 (fragmento). De acordo com o texto, há no Brasil uma variedade de nomes para a Manihot utilissima, nome científico da mandioca. Esse fenômeno revela que 
(A) existem variedades regionais para nomear uma mesma espécie de planta. 
(B) mandioca é nome específico para a espécie existente na região amazônica. 
(C) “pão-de-pobre” é designação específica para a planta da região amazônica. 
(D) os nomes designam espécies diferentes da planta, conforme a região. 
(E) a planta é nomeada conforme as particularidades que apresenta. 
.16. (ENEM-MEC) Motivadas ou não historicamente, normas prestigiadas ou estigmatizadas pela comunidade sobrepõem-se ao longo do território, seja numa relação de oposição, seja de complementaridade, sem, contudo, anular a interseção de usos que configuram uma norma nacional distinta da do português europeu. Ao focalizar essa questão, que opõe não só as normas do português de Portugal às normas do português brasileiro, mas também as chamadas normas cultas locais às populares ou vernáculas, deve-se insistir na ideia de que essas normas se consolidaram em diferentes momentos da nossa história e que só a partir do século XVIII se pode começar a pensar na bifurcação das variantes continentais, ora em consequência de mudanças ocorridas no Brasil, ora em Portugal, ora, ainda, em ambos os territórios. CALLOU, D. Gramática, variação e normas. In: VIEIRA, S. R.; BRANDÃO, S. (orgs.). Ensino de gramática: descrição e uso. São Paulo: Contexto, 2007 (adaptado). O português do Brasil não é uma língua uniforme. A variação linguística é um fenômeno natural, ao qual todas as línguas estão sujeitas. Ao considerar as variedades linguísticas, o texto mostra que as normas podem ser aprovadas ou condenadas socialmente, chamando a atenção do leitor para a 
(A) desconsideração da existência das normas populares pelos falantes da norma culta. 
(B) difusão do português de Portugal em todas as regiões do Brasil só a partir do século XVIII. 
(C) existência de usos da língua que caracterizam uma norma nacional do Brasil, distinta da de Portugal. 
(D) inexistência de normas cultas locais e populares ou vernáculas em um determinado país. 
(E) necessidade de se rejeitar a ideia de que os usos frequentes de uma língua devem ser aceitos.
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.17. (ENEM-MEC) 
Disponível em: http://revistaescola.abril.com.br. Acesso em: 27/4/2010. Calvin apresenta a Haroldo (seu tigre de estimação) sua escultura na neve, fazendo uso de uma linguagem especializada. Os quadrinhos rompem com a expectativa do leitor, porque 
(A) Calvin, na sua última fala, emprega um registro formal e adequado para a expressão de uma criança. 
(B) Haroldo, no último quadrinho, apropria-se do registro Iinguístico usado por Calvin na apresentação de sua obra de arte. 
(C) Calvin emprega um registro de linguagem incompatível com a linguagem de quadrinhos. 
(D) Calvin, no último quadrinho, utiliza um registro linguístico informal. 
(E) Haroldo não compreende o que Calvin lhe explica, em razão do registro formal utilizado por este último. 
.18. (ENEM-MEC) Maurício e o leão chamado Millôr Livro de Flavia Maria ilustrado por cartunista nasce como um dos grandes títulos do gênero infantil Um livro infantil ilustrado por Millôr há de ter alguma grandeza natural, um viço qualquer que o destaque de um gênero que invade as livrarias (2 mil títulos novos, todo ano) nem sempre com qualidade. Uma pegada que o afaste do risco de fazer sombra ao fato de ser ilustrado por Millôr: Maurício – O Leão de Menino (CosacNaify, 24 páginas, R$ 35), de Flavia Maria, tem essa pegada. Disponível em: http://www.revistalingua.com.br. Acesso em: 30/4/2010 (fragmento). Como qualquer outra variedade linguística, a norma- -padrão tem suas especificidades. No texto, observam-se marcas da norma-padrão que são determinadas pelo veículo em que ele circula, que é a revista Língua Portuguesa. Entre essas marcas, evidencia-se 
(A) a obediência às normas gramaticais, como a concordância em “um gênero que invade as livrarias”. 
(B) a presença de vocabulário arcaico, como em “há de ter alguma grandeza natural”. 
(C) o predomínio de linguagem figurada, como em “um viço qualquer que o destaque”. 
(D) o emprego de expressões regionais, como em “tem essa pegada”. 
(E) o uso de termos técnicos, como em “grandes títulos do gênero infantil”. 
.19. (ENEM-MEC) Quando vou a São Paulo, ando na rua ou vou ao mercado, apuro o ouvido; não espero só o sotaque geral dos nordestinos, onipresentes, mas para conferir a pronúncia de cada um; os paulistas pensam que todo nordestino fala igual; contudo as variações são mais numerosas que as notas de uma escala musical. Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí têm no falar de seus nativos muito mais variantes do que se imagina. E a gente se goza uns dos outros, imita o vizinho, e todo mundo ri, porque parece impossível que um praiano de beira-mar não chegue sequer perto de um sertanejo de Quixeramobim. O pessoal do Cariri, então, até se orgulha do falar deles. Têm uns tês doces, quase um the; já nós, ásperos sertanejos, fazemos um duro au ou eu de todos os terminais em al ou el — carnavau, Raqueu... Já os paraibanos trocam o I pelo r. José Américo só me chamava, afetuosamente, de Raquer. QUEIROZ, Raquel de. O Estado de S. Paulo, 9/5/1998 (fragmento adaptado). Raquel de Queiroz comenta, em seu texto, um tipo de variação linguística que se percebe no falar de pessoas de diferentes regiões. As características regionais exploradas no texto manifestam-se 
(A) na fonologia. 
(B) no uso do léxico. 
(C) no grau de formalidade. 
(D) na organização sintática. 
(E) na estruturação morfológica. 
________________________________________________ *Anotações*
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Literatura – Linguagem e contexto A linguagem da literatura *********** ATIVIDADES *********** Leitura da imagem .1. (EDM-SP) Observe a fotografia. 
DICK REED/CORBIS – LATINSTOCK  Rota 66, a lendária estrada norte-americana que ligava Chicago a Los Angeles tornou-se símbolo de aventura e liberdade Faça uma breve descrição dos elementos presentes na imagem. ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ .2. (EDM-SP) A posição em que a foto foi tirada chama a nossa atenção para a estrada. Que efeito o fotógrafo pode ter pretendido desencadear no espectador ao optar por essa tomada? ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ .3. (EDM-SP) Leia uma declaração do fotógrafo suíço Robert Frank, que percorreu a Rota 66 registrando imagens da paisagem americana. Quando as pessoas olham as minhas fotos, eu quero que elas se sintam como quando desejam reler um verso de um poema. Observe mais uma vez a foto da abertura. Se ela fosse vista como um “verso de um poema”, sobre o que falaria esse verso? ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ Da imagem para o texto .4. (EDM-SP) Vamos ver como a literatura explora possibilidades da linguagem. Leia um trecho de On the road, de Jack Kerouac. A viagem Cena 1 Num piscar de olhos estávamos de volta à estrada principal e naquela noite vi todo o estado de Nebraska desenrolando-se diante dos meus olhos. Cento e setenta quilômetros por hora, direto sem escalas, cidades adormecidas, tráfego nenhum, um trem da Union Pacific deixado para trás, ao luar. Eu não estava nem um pouco assustado aquela noite; me parecia algo perfeitamente normal voar a 170, conversando e observando todas as cidades do Nebraska — Ogallala, Gothenburg, Kearney, Grand Island, Columbus — se sucederem com uma rapidez onírica* enquanto seguíamos viagem. Era um carro magnífico; portava-se na estrada como um navio no oceano. Longas curvas graduais eram o seu forte. “Ah, homem, essa barca é um sonho”, suspirava Dean. “Pense no que poderíamos fazer se tivéssemos um carro assim. [...] Curtiríamos o mundo inteiro num carro como esse, você e eu, Sal, porque, na verdade, a estrada finalmente deve conduzir a todos os cantos do mundo. Não pode levar a outro lugar, certo? [...]” * onírica: relativa aos sonhos. Cena 2 
“Qual é a sua estrada, homem? — a estrada do místico, a estrada do louco, a estrada do arco-íris, a estrada dos peixes, qualquer estrada... Há sempre uma estrada em qualquer lugar, para qualquer pessoa, em qualquer circunstância. Como, onde, por quê?”
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Concordamos gravemente, sob a chuva. “[...] Decidi abrir mão de tudo. Você me viu quebrar a cara tentando de tudo, me sacrificando e você sabe que isso não importa; nós sacamos a vida, Sal — sabemos como domá-la, e sabemos que o negócio é continuar no caminho, pegando leve, curtindo o que pintar da velha maneira tradicional. Afinal, de que outra maneira poderíamos curtir? Nós sabemos disso.” Suspirávamos sob a chuva. [...] “E assim”, disse Dean, “vou seguindo a vida para onde ela me levar. [...]” KEROUAC, Jack. On the road (Pé na estrada). Tradução de Eduardo Bueno. Porto Alegre: L&PM, 2004, p. 281-2; 305-6 (fragmento). 
a) Que elementos, presentes na cena 1, asseguram ao leitor tratar-se da história de uma viagem? 
___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ 
b) Identifique no texto as passagens que revelam ser essa viagem a concretização de um desejo típico da juventude: a busca da liberdade. 
___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ .5. (EDM-SP) No trecho a seguir, explique de que maneira a pontuação contribui para dar ao leitor a sensação de velocidade do carro em que viajam Sal e Dean. Cento e setenta quilômetros por hora, direto sem escalas, cidades adormecidas, tráfego nenhum, um trem da Union Pacific deixado para trás, ao luar. 
___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ .6. (EDM-SP) Logo no início da cena 2, Dean pergunta a Sal: “Qual é a sua estrada, homem?”. O que ele quer dizer com isso? Que sentido atribui ao termo “estrada”? ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ .7. (EDM-SP) 
a) Identifique, na cena 2, uma passagem que permite associar o comportamento das personagens a valores próprios da juventude. 
___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ 
b) Explique por que ela transmite valores associados à juventude. 
___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ .8. (EDM-SP) 
a) Como Dean resume sua filosofia de vida? 
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b) O que ela sugere, em termos de comportamento? 
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Jack Kerouac tornou-se o ídolo de sua geração quando o romance On the road foi publicado em 1957. A viagem de dois amigos, Sal Paradise e Dean Moriarty, pelos Estados Unidos, boa parte feita na Rota 66, estrada que liga Chicago a Los Angeles, traduziu a visão de mundo de uma juventude que decidiu questionar os valores com os quais tinha sido criada. 
KEYSTONE / GLOBO.COM
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A essência da arte literária está na palavra. Usada por escritores e poetas em todo o seu potencial significativo e sonoro, a palavra estabelece uma interessante relação entre um autor e seus leitores/ouvintes. “Ah, homem, essa barca é um sonho”, afirma Dean no texto de Jack Kerouac. Para compreender a imagem criada pela personagem, nós precisamos realizar uma série de decodificações. Sabemos que Dean e Sal viajam de carro; sabemos que uma “barca” não trafega em estradas. Com essas informações, procuramos reconstruir o sentido da comparação implícita que está na base da imagem criada: o carro em que viajam é tão grande e confortável que parece uma barca. Em seguida, reconhecemos que a afirmação de que o carro “é um sonho” também foi criada a partir de outra comparação entre nossos sonhos e todas as coisas que desejamos muito. Reconstituída a comparação original, podemos interpretar que Dean quer dizer que aquele é um carro maravilhoso, objeto de desejo e fantasia dos dois jovens. No texto de Kerouac, palavras como barca e sonho foram usadas em sentido conotativo (ou figurado), aquele que as palavras e expressões adquirem em um dado contexto, quando o seu sentido literal é modificado. Nos textos literários, predomina o sentido conotativo. A linguagem conotativa é característica de textos com função estética, ou seja, que exploram diferentes recursos linguísticos e estilísticos para produzir um efeito artístico. 
Época, 9/6/2008, p. 87.  Na expressão monstros sagrados, a palavra monstros apresenta sentido figurado, ou seja, conotativo Em textos não literários, o que predomina é o sentido denotativo (ou literal). Dizemos que uma palavra foi utilizada em sentido literal quando é tomada em seu significado “básico”, que pode ser apreendido sem ajuda do contexto. A linguagem denotativa é típica de textos com função utilitária, ou seja, que têm como finalidade predominante satisfazer a alguma necessidade específica, como informar, argumentar, convencer, etc. O trabalho com o sentido conotativo ou figurado é uma característica essencial da linguagem literária. Quando a literatura explora a conotação, como no fragmento de On the road, estabelece-se uma interessante relação entre leitor e texto. Ao ler um romance ou um poema ou ao ouvir uma história, o leitor/ouvinte precisa reconhecer o significado das palavras e reconstruir os mundos ficcionais que elas descrevem. O leitor/ouvinte desempenha, portanto, um papel ativo, já que também cria, em sua imaginação, mundos ficcionais correspondentes àqueles propostos nos textos ou vive, na fantasia, experiências semelhantes às descritas. Recursos expressivos Dá-se o nome de figuras de linguagem aos recursos utilizados com o fim de tornar mais expressiva a linguagem. As figuras de linguagem compreendem: 
 as figuras de palavra (ou tropos); 
 as figuras de sintaxe (ou de construção); 
 as figuras de pensamento; e 
 as figuras de harmonia (ou sonoras). 
Intertextualidade Quantas vezes, ao ler um texto ou ver uma determinada propaganda, você tem a sensação de já ter visto o texto em algum lugar? Quer ver só? No início de sua produção poética, Carlos Drummond de Andrade escreveu um poema que viria a torná-lo muito conhecido. O “sucesso” do poema foi provocado, no início, pelo estranhamento por ele causado. Você certamente já teve oportunidade de lê-lo. No meio do caminho No meio do caminho tinha uma pedra tinha uma pedra no meio do caminho tinha uma pedra no meio do caminho tinha uma pedra. Nunca me esquecerei desse acontecimento na vida de minhas retinas tão fatigadas. Nunca me esquecerei que no meio do caminho tinha uma pedra tinha uma pedra no meio do caminho no meio do caminho tinha uma pedra. (Carlos Drummond de Andrade)
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Mas, por que estamos falando de poesia e Drummond, em uma seção destinada à apresentação do conceito de intertextualidade? Porque muitos são os textos que recuperam a imagem da “pedra” drummondiana. Observe, por exemplo, a seguir, um anúncio publicitário veiculado para a divulgação de um projeto de educação ambiental, patrocinado pela empresa de turismo Soletur e orientado pelo Ibama. Não é preciso, lido o anúncio, dizer por que o escolhemos. A intertextualidade é evidente, pois a referência ao poema de Drummond é óbvia! Intertextualidade é a relação que se estabelece entre dois textos, quando um deles faz referência a elementos existentes no outro. Esses elementos podem dizer respeito ao conteúdo, à forma, ou mesmo à forma e ao conteúdo. 
 A propaganda 
vale-se do recurso 
da intertextualidade para indicar a poluição das praias. O trecho intertextual é: “No 
meio do caminho 
tinha uma pedra...”. 
No poema, a “pedra 
no meio do caminho” são os obstáculos, 
as dificuldades, 
os problemas. 
A propaganda faz 
uso do termo em 
seu sentido literal (rocha). Isso pode ser percebido pela enumeração das outras “coisas” no meio do caminho (uma ponta de cigarro, uma lata, um saco plástico, cacos de vidro) que evidenciam a poluição das praias pelos banhistas. 
Estilo de época A constatação de traços comuns na produção de uma mesma época identifica um estilo de época. O estudo da literatura depende do reconhecimento dos padrões e das semelhanças que constituem um estilo de época. O uso particular que um escritor ou poeta faz dos elementos que distinguem uma estética define o estilo individual de um autor, sempre marcado pelo olhar específico que dirige aos temas característicos de um período e pelo uso singular que faz dos recursos de linguagem associados a uma determinada estética literária. Literatura brasileira A literatura brasileira tem sua história dividida em duas grandes eras, que acompanham a evolução política e econômica do país: a Era Colonial e a Era Nacional, separadas por um Período de Transição, que corresponde à emancipação política do Brasil. As eras apresentam subdivisões chamadas de escolas literárias ou estilos de época. Dessa forma, temos: 
Era Colonial (de 1500 a 1808) 
 Quinhentismo (de 1500 a 1601)  Seiscentismo ou Barroco (de 1601 a 1768)  Setecentismo ou Arcadismo (de 1768 a 1808) 
Período de Transição 
(de 1808 a 1836) 
Era Nacional (de 1836 até nossos dias) 
 Romantismo (de 1836 a 1881)  Realismo/Naturalismo (de 1881 a 1893)  Parnasianismo (de 1882 a 1893)  Simbolismo (de 1893 a 1902)  Pré-Modernismo (de 1902 a 1922)  Modernismo (de 1922 a 1945)  Pós-Modernismo (de 1945 até nossos dias) 
As datas que indicam o início e o fim de cada época têm de ser entendidas apenas como marcos. Toda época apresenta um período de ascensão, um ponto máximo e um período de decadência (que coincide com o período de ascensão da próxima época). Dessa forma podemos perceber, ao final do Arcadismo, um período de Pré- -Romantismo; ao final do Romantismo, um Pré-Realismo, e assim por diante. De todos esses momentos de transição, caracterizados pela quebra das velhas estruturas (apesar de “o novo sempre pagar tributo ao velho”), o mais significativo para a literatura brasileira foi o Pré-Modernismo (entre 1902 e 1922), em que se destacaram Euclides da Cunha, Lima Barreto, Monteiro Lobato e Augusto dos Anjos. 
 *ATENÇÃO, ESTUDANTE!*  Para complementar o estudo deste Módulo, utilize seu LIVRO DIDÁTICO. 
________________________________________________ *Anotações*
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As questões 9 e 10 referem-se ao poema. A dança e a alma A DANÇA? Não é movimento, súbito gesto musical. É concentração, num momento, da humana graça natural. No solo não, no éter pairamos, nele amaríamos ficar. A dança — não vento nos ramos: seiva, força, perene estar. Um estar entre céu e chão, novo domínio conquistado, onde busque nossa paixão libertar-se por todo lado... Onde a alma possa descrever suas mais divinas parábolas sem fugir à forma do ser, por sobre o mistério das fábulas. ANDRADE, Carlos Drummond de. Obra completa. Rio de Janeiro: Aguilar, 1964, p. 366. .9. (ENEM-MEC) A definição de dança, em linguagem de dicionário, que mais se aproxima do que está expresso no poema é 
(A) a mais antiga das artes, servindo como elemento de comunicação e afirmação do homem em todos os momentos de sua existência. 
(B) a forma de expressão corporal que ultrapassa os limites físicos, possibilitando ao homem a liberação de seu espírito. 
(C) a manifestação do ser humano, formada por uma sequência de gestos, passos e movimentos desconcertados. 
(D) o conjunto organizado de movimentos do corpo, com ritmo determinado por instrumentos musicais, ruídos, cantos, emoções, etc. 
(E) o movimento diretamente ligado ao psiquismo do indivíduo e, por consequência, ao seu desenvolvimento intelectual e à sua cultura. 
.10. (ENEM-MEC) O poema “A dança e a alma” é construído com base em contrastes, como “movimento” e “concentração”. Em uma das estrofes, o termo que estabelece contraste com solo é 
(A) éter. 
(B) seiva. 
(C) chão. 
(D) paixão. 
(E) ser. 
Textos para as questões 11 e 12. Texto 1 – Autorretrato Provinciano que nunca soube Escolher bem uma gravata; Pernambucano a quem repugna A faca do pernambucano; Poeta ruim que na arte da prosa Envelheceu na infância da arte, E até mesmo escrevendo crônicas Ficou cronista de província; Arquiteto falhado, músico Falhado (engoliu um dia Um piano, mas o teclado Ficou de fora); sem família, Religião ou filosofia; Mal tendo a inquietação de espírito Que vem do sobrenatural, E em matéria de profissão Um tísico* profissional. BANDEIRA, Manuel. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: Aguilar, 1983, p. 395. * tísico: tuberculoso. Texto 2 – Poema de sete faces Quando nasci, um anjo torto desses que vivem na sombra disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida. As casas espiam os homens que correm atrás de mulheres. A tarde talvez fosse azul, não houvesse tantos desejos. [...] Meu Deus, por que me abandonaste se sabias que eu não era Deus se sabias que eu era fraco. Mundo mundo vasto mundo, se eu me chamasse Raimundo seria uma rima, não seria uma solução. Mundo mundo vasto mundo mais vasto é o meu coração. ANDRADE, Carlos Drummond de. Obra completa. Rio de Janeiro: Aguilar, 1964, p. 53. .11. (ENEM-MEC) Esses poemas têm em comum o fato de 
(A) descreverem aspectos físicos dos próprios autores. 
(B) refletirem um sentimento pessimista. 
(C) terem a doença como tema. 
(D) narrarem a vida dos autores desde o nascimento. 
(E) defenderem crenças religiosas.
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.12. (ENEM-MEC) No verso “Meu Deus, por que me abandonaste”, do texto 2, Drummond retoma as palavras de Cristo, na cruz, pouco antes de morrer. Esse recurso de repetir palavras de outrem equivale a 
(A) emprego de termos moralizantes. 
(B) uso de vício de linguagem pouco tolerado. 
(C) repetição desnecessária de ideias. 
(D) emprego estilístico da fala de outra pessoa. 
(E) uso de uma pergunta sem resposta. 
.13. (ENEM-MEC) Cidade grande Que beleza, Montes Claros. Como cresceu Montes Claros. Quanta indústria em Montes Claros. Montes Claros cresceu tanto, ficou urbe tão notória, prima-rica do Rio de Janeiro, que já tem cinco favelas por enquanto, e mais promete. ANDRADE, Carlos Drummond de. Poesia e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1983. Entre os recursos expressivos empregados no texto, destaca-se a 
(A) metalinguagem, que consiste em fazer a linguagem referir-se à própria linguagem. 
(B) intertextualidade, na qual o texto retoma e reelabora outros textos. 
(C) ironia, que consiste em se dizer o contrário do que se pensa, com intenção crítica. 
(D) denotação, caracterizada pelo uso das palavras em seu sentido próprio e objetivo. 
(E) prosopopeia, que consiste em personificar coisas inanimadas, atribuindo-lhes vida. 
.14. (ENEM-MEC) Érico Veríssimo relata, em suas memórias, um episódio da adolescência que teve influência significativa em sua carreira de escritor. Lembro-me de que certa noite — eu teria uns quatorze anos, quando muito — encarregaram-me de segurar uma lâmpada elétrica à cabeceira da mesa de operações, enquanto um médico fazia os primeiros curativos num pobre-diabo que soldados da Polícia Municipal haviam “carneado”. [...] Apesar do horror e da náusea, continuei firme onde estava, talvez pensando assim: se esse caboclo pode aguentar tudo isso sem gemer, por que não hei de poder ficar segurando esta lâmpada para ajudar o doutor a costurar esses talhos e salvar essa vida? [...] 
Desde que, adulto, comecei a escrever romances, tem-me animado até hoje a ideia de que o menos que o escritor pode fazer, numa época de atrocidades e injustiças como a nossa, é acender a sua lâmpada, fazer luz sobre a realidade de seu mundo, evitando que sobre ele caia a escuridão, propícia aos ladrões, aos assassinos e aos tiranos. Sim, segurar a lâmpada, a despeito da náusea e do horror. Se não tivermos uma lâmpada elétrica, acendamos o nosso toco de vela ou, em último caso, risquemos fósforos repetidamente, como um sinal de que não desertamos nosso posto. VERÍSSIMO, Érico. Solo de Clarineta. Tomo I. Porto Alegre: Editora Globo, 1978. Nesse texto, por meio da metáfora da lâmpada que ilumina a escuridão, Érico Veríssimo define como uma das funções do escritor e, por extensão, da literatura, 
(A) criar a fantasia. 
(B) permitir o sonho. 
(C) denunciar o real. 
(D) criar o belo. 
(E) fugir da náusea. 
.15. (ENEM-MEC) Em muitos jornais, encontramos charges, quadrinhos, ilustrações, inspirados nos fatos noticiados. Veja um exemplo: 
Jornal do Commercio, 22/8/1993. O texto que se refere a uma situação semelhante à que inspirou a charge é: 
(A) Descansem o meu leito solitário 
Na floresta dos homens esquecida, À sombra de uma cruz, e escrevam nela — Foi poeta — sonhou — e amou na vida. AZEVEDO, Álvares de. Poesias escolhidas. Rio de Janeiro/Brasília: José Aguilar/INL,1971. 
(B) Essa cova em que estás 
Com palmos medida, é a conta menor que tiraste em vida. É de bom tamanho, Nem largo nem fundo, É a parte que te cabe deste latifúndio. MELO NETO, João Cabral de. Morte e Vida Severina e outros poemas em voz alta. Rio de Janeiro: Sabiá, 1967.
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(C) Medir é a medida 
mede A terra, medo do homem, a lavra; lavra duro campo, muito cerco, vária várzea. CHAMIE, Mário. Sábado na hora da escutas. São Paulo: Summums, 1978. 
(D) Vou contar para vocês 
um caso que sucedeu na Paraíba do Norte com um homem que se chamava Pedro João Boa-Morte, lavrador de Chapadinha: talvez tenha morte boa porque vida ele não tinha. GULLAR, Ferreira. Toda poesia. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1983. 
(E) Trago-te flores, — restos arrancados 
Da terra que nos viu passar E ora mortos nos deixa e separados. ASSIS, Machado de. Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguillar, 1986. .16. (ENEM-MEC) Quem não passou pela experiência de estar lendo um texto e defrontar-se com passagens já lidas em outros? Os textos conversam entre si em um diálogo constante. Esse fenômeno tem a denominação de intertextualidade. Leia os seguintes textos: 
I. Quando nasci, um anjo torto 
desses que vivem na sombra disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida. ANDRADE, Carlos Drummond de. Alguma poesia. Rio de Janeiro: Aguilar, 1964. 
II. Quando nasci veio um anjo safado 
O chato dum querubim E decretou que eu tava predestinado A ser errado assim Já de saída a minha estrada entortou Mas vou até o fim. BUARQUE, Chico. Letra e Música. São Paulo: Cia. das Letras, 1989. 
III. Quando nasci um anjo esbelto 
Desses que tocam trombeta, anunciou: Vai carregar bandeira. Carga muito pesada pra mulher Esta espécie ainda envergonhada. PRADO, Adélia. Bagagem. Rio de Janeiro: Guanabara, 1986. Adélia Prado e Chico Buarque estabelecem intertextualidade, em relação a Carlos Drummond de Andrade, por 
(A) reiteração de imagens. 
(B) oposição de ideias. 
(C) falta de criatividade. 
(D) negação dos versos. 
(E) ausência de recursos. 
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*MÓDULO 2* A interpretação de textos Introdução Um dos tópicos mais cobrados nos vestibulares nos últimos anos é a interpretação de textos, que será o tema desta seção. 
Acho a televisão muito educativa. Toda vez que alguém liga a TV, vou para o outro quarto e leio um livro. 
Groucho Marx (1890-1977), 
comediante norte-americano 
HULTON ARCHIVE / GETTY IMAGES BRISTOL, Brian. Por que amamos ler? – Grandes escritores tentam explicar nosso fascínio pela leitura. São Paulo: Novo Conceito, 2008. 
Ler um texto não é difícil quando se domina uma língua, mas compreendê-lo não é tão simples assim. Cada leitor, de acordo com a sua história de leitura, ou seja, de acordo com os textos que já tenha lido, sua vivência no mundo, sua formação cultural etc., terá uma forma de encarar um texto e de compreendê-lo. Vejamos um exemplo: 
Não tem jeito mesmo... “Trinta palavras no máximo; não há espaço para mais”, disse o chefe da redação ao jornalista. Por isso, a notícia que apareceu no jornal foi: Uma mulher escorregou numa casca de banana, numa faixa de pedestres da Banhofstrasse. Foi imediatamente transportada para a clínica da universidade, onde lhe foi diagnosticada uma perna quebrada. A primeira reação surgiu imediatamente, numa carta registrada em que um importador de bananas escrevia: “Protestamos veementemente contra o descrédito dado ao nosso produto. Considerando que, nos últimos meses, vocês publicaram pelo menos 14 comentários negativos sobre os países produtores de bananas, não podemos deixar de inferir uma intenção de difamação deliberada de sua parte.” Por sua vez, o diretor da clínica da universidade também se pronunciou, alegando que a expressão “foi transportada” poderia significar “o transporte de seres humanos como se tratasse de carga”, o que contrariava totalmente os hábitos de seu hospital. “Além disso”, salientou, “posso provar que a fratura da perna resultou da queda e não, como foi sugerido com intenção malévola, do transporte para o hospital”. 
Para finalizar, um membro do Departamento 
Municipal de Engenharia Civil telefonou, informando ao jornal que a causa do tombo não deveria ser atribuída ao estado da faixa de pedestres. Além disso, como o Comitê de Defesa das Faixas para Pedestres estava prestes a concluir seu relatório, após seis anos de trabalho, perguntava se seria possível — para evitar possíveis consequências políticas — não fazer qualquer alusão a tais passagens nos próximos meses. A notícia foi revista e, na manhã seguinte, apareceu com o seguinte texto: Uma mulher caiu na rua e quebrou a perna. No dia seguinte, os editores receberam apenas duas cartas a respeito. Uma, indignada, era da Associação Não Lucrativa dos Direitos das Mulheres, cuja porta-voz repudiava “vivamente e em definitivo” o texto discriminatório uma mulher caiu, o qual evocava uma associação infeliz com “mulheres caídas” e constituía uma prova de que “mais uma vez, neste mundo dominado pelo homem, a imagem da mulher estava sendo manipulada da maneira mais pérfida e chauvinista!” A carta ameaçava com um processo judicial, boicote e outras medidas. A outra reação veio de um leitor que cancelava sua assinatura, alegando o número cada vez maior de notícias triviais e sem interesse. Seleções do Reader's Digest. Tomo XXXVI, n.° 217. Junho de 1989, p. 109 e 110, apud I. Koch, Coerência textual. São Paulo, Contexto, 1997. 
Note que, neste caso, o texto foi compreendido de maneira diferente pelos leitores. Cada um, a partir de sua visão de mundo e de seu posicionamento neste, chegou a um sentido diferente para o mesmo texto. Mas, embora haja, então, a influência do conhecimento de mundo e do posicionamento dentro deste na compreensão de um texto, ler com compreensão também se pode aprender se prestarmos atenção a alguns pontos, dos quais trataremos nesta seção. Infelizmente, não é possível esgotar o assunto, uma vez que mesmo os estudiosos da leitura ainda não conseguiram determinar todos os tópicos que serão necessários à aprendizagem da leitura. O conhecimento de mundo e a leitura O nosso conhecimento de mundo nos permite relacionar o assunto de um texto com coisas do mundo, mas também nos permite perceber se a forma de um texto é igual à de outro, se um texto retoma um outro, se uma informação foi corretamente apresentada ou não. À medida que vamos lendo, vamos aprendendo a nos deter em determinados trechos ou passar mais rápido por outros, de acordo com o nosso principal objetivo de leitura, mas também conforme consigamos construir mais facilmente ou não o sentido do texto.
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Dessa forma, constatamos que o conhecimento de mundo vai nos ajudar a compreender o texto bem escrito e até a inferir o significado correto de textos mal escritos. Assim, se o conhecimento pode ajudar tanto na compreensão de um texto, o melhor a fazer é procurar ampliá-lo cada vez mais, lendo muito diferentes tipos de textos e sobre diferentes assuntos. Além disso, nessas leituras, é bastante importante prestar atenção ao gênero de texto e à sua estrutura, aos objetivos do texto e à linguagem empregada. O gênero de texto e a sua estrutura Conhecer, pelo menos um pouco, o gênero de texto que se está lendo pode ajudar bastante na sua compreensão. Afinal, se estamos lendo um editorial de um jornal e sabemos que este é um gênero de texto em que se defende a posição do jornal sobre um determinado tema, constataremos a necessidade de ficarmos atentos aos pontos de vista e argumentos que serão apresentados. Mas se estivermos diante de um trecho de um manual para instalação de videocassete, teremos outra preocupação; o mesmo ocorrerá se o texto for um e-mail de um amigo, uma piada, um poema ou um conto. Note que cada gênero, dada a sua estrutura e o conjunto de elementos que o compõem, impõe ao leitor um certo olhar. A linguagem Além do gênero de texto, é importante estarmos atentos também à linguagem empregada em cada texto e aos efeitos de sentido que ela pode produzir, isto é: em um bom texto, a escolha das palavras, das construções sintáticas, do tamanho dos parágrafos etc. costuma contribuir para expressar o sentido “desejado” pelo autor. Fica bem visível tal ideia quando comparamos textos sobre um mesmo assunto publicados por jornais diferentes. Vejamos dois trechos retirados de notícias publicadas pela Folha de S. Paulo e pelo O Estado de S. Paulo a respeito de um atentado ocorrido em Israel e de seus possíveis autores: “O grupo islâmico Hamas assumiu o atentado e divulgou foto e nome do suicida.” (O Estado de S. Paulo) “O grupo extremista Hamas reivindicou a autoria do atentado, o pior desde julho.” (Folha de S. Paulo) Reflita sobre as diferenças de escolha de vocabulário: “grupo islâmico” X “grupo extremista”; “assumiu o atentado” X “reivindicou a autoria do atentado”. Estão os dois jornais falando exatamente a mesma coisa? Parece que não! Há ainda a informação a mais que cada jornal trouxe: o jornal O Estado de S. Paulo reforçou a assunção do atentado pelo grupo ao dizer que ele até mostrou foto e nome do suicida; enquanto a Folha qualificou a intensidade do atentado relacionando-o a anteriores, uma vez que mostrou que este foi “o pior desde julho”, deixando subentendida a ideia de que antes houve outros piores. Na finalização das duas notícias também encontramos outro ponto de confronto: “O governo israelense já estuda uma ‘resposta’ aos terroristas.” (O Estado de S. Paulo) “O governo israelense, porém, aprovou uma reação militar.” (Folha de S. Paulo) Os predicados de ambos os períodos trazem ideias bem diferentes. Enquanto a Folha afirma a reação militar por meio do verbo “aprovou”, o jornal O Estado de S. Paulo diz que o governo israelense estaria pensando sobre isso, como nos sugere o verbo “estuda”. Você deve estar se perguntando: se a intenção dos dois jornais é informar, por que tantas diferenças de linguagem que levam a diferenças de sentido? Porque cada jornal é produzido por homens diferentes que têm visões/conhecimentos de mundo/interesses diferentes uns dos outros, e isso acaba refletindo na linguagem que empregam, mesmo quando tentam buscar a neutralidade e a imparcialidade. Daí a necessidade de estar bem atento à linguagem para que você perceba não só o assunto que é tratado em um texto, mas também o modo como este foi apresentado e consiga, assim, perceber a intencionalidade que subjaz a cada texto. Lendo com atenção, veremos que em todos os textos, quando bem escritos, a linguagem serve — mais do que para falar de um assunto — para mostrar também como o autor se relaciona com tal assunto e como imagina atingir o leitor. 
 *ATENÇÃO, ESTUDANTE!*  Para complementar o estudo deste Módulo, utilize seu LIVRO DIDÁTICO. 
*********** ATIVIDADES *********** .1. (ENEM-MEC) Quem é pobre, pouco se apega, é um giro-o-giro no vago dos gerais, que nem os pássaros de rios e lagoas. O senhor vê: o Zé-Zim, o melhor meeiro meu aqui, risonho e habilidoso. Pergunto: — Zé-Zim, por que é que você não cria galinhas-d’angola, como todo o mundo faz? — Quero criar nada não... — me deu resposta: — Eu gosto muito de mudar... [...] Belo um dia, ele tora. Ninguém discrepa. Eu, tantas, mesmo digo. Eu dou proteção. [...] Essa não faltou também à minha mãe, quando eu era menino, no sertãozinho de minha terra. [...] Gente melhor do lugar eram todos dessa família Guedes, Jidião Guedes; quando saíram de lá, nos trouxeram junto, minha mãe e eu. Ficamos existindo em território baixio da Sirga, da outra banda, ali onde o de- -Janeiro vai no São Francisco, o senhor sabe. ROSA, J. G. Grande Sertão: Veredas. Rio de Janeiro: José Olympio, 1995 (fragmento).
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Na passagem citada, Riobaldo expõe uma situação decorrente de uma desigualdade social típica das áreas rurais brasileiras marcadas pela concentração de terras e pela relação de dependência entre agregados e fazendeiros. No texto, destaca-se essa relação porque o personagem-narrador 
(A) relata a seu interlocutor a história de Zé-Zim, demonstrando sua pouca disposição em ajudar seus agregados, uma vez que superou essa condição graças à sua força de trabalho. 
(B) descreve o processo de transformação de um meeiro — espécie de agregado — em proprietário de terra. 
(C) denuncia a falta de compromisso e a desocupação dos moradores, que pouco se envolvem no trabalho da terra. 
(D) mostra como a condição material da vida do sertanejo é dificultada pela sua dupla condição de homem livre e, ao mesmo tempo, dependente. 
(E) mantém o distanciamento narrativo condizente com sua posição social, de proprietário de terras. 
.2. (ENEM-MEC) A discussão sobre “o fim do livro de papel” com a chegada da mídia eletrônica me lembra a discussão idêntica sobre a obsolescência do folheto de cordel. Os folhetos talvez não existam mais daqui a 100 ou 200 anos, mas, mesmo que isso aconteça, os poemas de Leandro Gomes de Barros ou Manuel Camilo dos Santos continuarão sendo publicados e lidos — em CD-ROM, em livro eletrônico, em “chips quânticos”, sei lá o quê. O texto é uma espécie de alma imortal, capaz de reencarnar em corpos variados: página impressa, livro em braile, folheto, “coffee-table book”, cópia manuscrita, arquivo PDF... Qualquer texto pode se reencarnar nesses (e em outros) formatos, não importa se é Moby Dick ou Viagem a São Saruê, se é Macbeth ou O livro de piadas de Casseta & Planeta. TAVARES, Bráulio. Disponível em: http://jornaldaparaiba.globo.com. Acesso em: 13/2/2011. Ao refletir sobre a possível extinção do livro impresso e o surgimento de outros suportes em via eletrônica, o cronista manifesta seu ponto de vista, defendendo que 
(A) o cordel é um dos gêneros textuais, por exemplo, que será extinto com o avanço da tecnologia. 
(B) o livro impresso permanecerá como objeto cultural veiculador de impressões e de valores culturais. 
(C) o surgimento da mídia eletrônica decretou o fim do prazer de se ler textos em livros e suportes impressos. 
(D) os textos continuarão vivos e passíveis de reprodução em novas tecnologias, mesmo que os livros desapareçam. 
(E) os livros impressos desaparecerão e, com eles, a possibilidade de se ler obras literárias dos mais diversos gêneros. .3. (ENEM-MEC) O hipertexto refere-se à escritura eletrônica não sequencial e não linear, que se bifurca e permite ao leitor o acesso a um número praticamente ilimitado de outros textos a partir de escolhas locais e sucessivas, em tempo real. Assim, o leitor tem condições de definir interativamente o fluxo de sua leitura a partir de assuntos tratados no texto sem se prender a uma sequência fixa ou a tópicos estabelecidos por um autor. Trata-se de uma forma de estruturação textual que faz do leitor simultaneamente coautor do texto final. O hipertexto se caracteriza, pois, como um processo de escritura/leitura eletrônica multilinearizado, multissequencial e indeterminado, realizado em um novo espaço de escrita. Assim, ao permitir vários níveis de tratamento de um tema, o hipertexto oferece a possibilidade de múltiplos graus de profundidade simultaneamente, já que não tem sequência definida, mas liga textos não necessariamente correlacionados. MARCUSCHI, L. A. Disponível em: http://www.pucsp.br. Acesso em: 29/6/2011. O computador mudou nossa maneira de ler e escrever, e o hipertexto pode ser considerado como um novo espaço de escrita e leitura. Definido como um conjunto de blocos autônomos de texto, apresentado em meio eletrônico computadorizado e no qual há remissões associando entre si diversos elementos, o hipertexto 
(A) é uma estratégia que, ao possibilitar caminhos totalmente abertos, desfavorece o leitor, ao confundir os conceitos cristalizados tradicionalmente. 
(B) é uma forma artificial de produção da escrita, que, ao desviar o foco da leitura, pode ter como consequência o menosprezo pela escrita tradicional. 
(C) exige do leitor um maior grau de conhecimentos prévios, por isso deve ser evitado pelos estudantes nas suas pesquisas escolares. 
(D) facilita a pesquisa, pois proporciona uma informação específica, segura e verdadeira, em qualquer site de busca ou blog oferecidos na internet. 
(E) possibilita ao leitor escolher seu próprio percurso de leitura, sem seguir sequência predeterminada, constituindo-se em atividade mais coletiva e colaborativa. 
________________________________________________ *Anotações*
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.4. (ENEM-MEC) 
IMODESTO “As colunas do Alvorada podiam ser mais fáceis de construir, sem aquelas curvas. Mas foram elas que o mundo inteiro copiou” Brasília 50 anos. Veja, n.º 2.138, nov. 2009. Utilizadas desde a Antiguidade, as colunas, elementos verticais de sustentação, foram sofrendo modificações e incorporando novos materiais com ampliação de possibilidades. Ainda que as clássicas colunas gregas sejam retomadas, notáveis inovações são percebidas, por exemplo, nas obras de Oscar Niemeyer, arquiteto brasileiro nascido no Rio de Janeiro em 1907. No desenho de Niemeyer, das colunas do Palácio da Alvorada, observa-se 
(A) a presença de um capitel muito simples, reforçando a sustentação. 
(B) o traçado simples de amplas linhas curvas opostas, resultando em formas marcantes. 
(C) a disposição simétrica das curvas, conferindo saliência e distorção à base. 
(D) a oposição de curvas em concreto, configurando certo peso e rebuscamento. 
(E) o excesso de linhas curvas, levando a um exagero na ornamentação. 
.5. (ENEM-MEC) Conceitos e importância das lutas Antes de se tornarem esporte, as lutas ou as artes marciais tiveram duas conotações principais: eram praticadas com o objetivo guerreiro ou tinham um apelo filosófico como concepção de vida bastante significativo. Atualmente, nos deparamos com a grande expansão das artes marciais em nível mundial. As raízes orientais foram se disseminando, ora pela necessidade de luta pela sobrevivência ou para a “defesa pessoal”, ora pela possibilidade de ter as artes marciais como própria filosofia de vida. CARREIRO, E. A. Educação Física na escola: implicações para a prática pedagógica. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2008 (fragmento). 
Um dos problemas da violência que está presente principalmente nos grandes centros urbanos são as brigas e os enfrentamentos de torcidas organizadas, além da formação de gangues, que se apropriam de gestos das lutas, resultando, muitas vezes, em fatalidades. Portanto, o verdadeiro objetivo da aprendizagem desses movimentos foi mal compreendido, afinal as lutas 
(A) se tornaram um esporte, mas eram praticadas com o objetivo guerreiro a fim de garantir a sobrevivência. 
(B) apresentam a possibilidade de desenvolver o autocontrole, o respeito ao outro e a formação do caráter. 
(C) possuem como objetivo principal a “defesa pessoal” por meio de golpes agressivos sobre o adversário. 
(D) sofreram transformações em seus princípios filosóficos em razão de sua disseminação pelo mundo. 
(E) se disseminaram pela necessidade de luta pela sobrevivência ou como filosofia pessoal de vida. 
.6. (ENEM-MEC) O tema da velhice foi objeto de estudo de brilhantes filósofos ao longo dos tempos. Um dos melhores livros sobre o assunto foi escrito pelo pensador e orador romano Cícero: A Arte do Envelhecimento. Cícero nota, primeiramente, que todas as idades têm seus encantos e suas dificuldades. E depois aponta para um paradoxo da humanidade. Todos sonhamos ter uma vida longa, o que significa viver muitos anos. Quando realizamos a meta, em vez de celebrar o feito, nos atiramos a um estado de melancolia e amargura. Ler as palavras de Cícero sobre envelhecimento pode ajudar a aceitar melhor a passagem do tempo. NOGUEIRA, P. Saúde & Bem-Estar Antienvelhecimento. Época, 28/4/2008. O autor discute problemas relacionados ao envelhecimento, apresentando argumentos que levam a inferir que seu objetivo é 
(A) esclarecer que a velhice é inevitável. 
(B) contar fatos sobre a arte de envelhecer. 
(C) defender a ideia de que a velhice é desagradável. 
(D) influenciar o leitor para que lute contra o envelhecimento. 
(E) mostrar às pessoas que é possível aceitar, sem angústia, o envelhecimento. 
________________________________________________ *Anotações*
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.7. (UNICAMP-SP) Considere a tira a seguir: 
Jornal da Tarde, 8/2/2001. Nessa tira, a crítica ao “estrategista militar” não é explícita. Para compreender a tira, o leitor deve reconhecer uma alusão a um fato histórico e uma hipótese sobre transmissão genética. 
a) Qual é o fato histórico ao qual a tira faz alusão? 
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b) Qual é a explicação para as qualidades profissionais do estrategista? 
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c) Explicite o raciocínio da personagem que critica o estrategista. 
___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ .8. (UNICAMP-SP) Uma das últimas edições do jornal Visão de Barão Geraldo trazia em sua seção “Sorria” esta anedota: “No meio de uma visita de rotina, o presidente daquela enorme empresa chega ao setor de produção e pergunta ao encarregado: — Quantos funcionários trabalham neste setor? Depois de pensar por alguns segundos, o encarregado responde: — Mais ou menos a metade!” 
a) Explique o que quis perguntar o presidente da empresa. 
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b) Explique o que respondeu o encarregado. 
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c) Um dos sentidos de trabalhar é “estar empregado”. Supondo que o encarregado entendesse a fala do presidente da empresa nesse sentido e quisesse dar uma resposta correta, que resposta teria que dar? 
___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ .9. (FUVEST-SP) Eu te amo Ah, se já perdemos a noção da hora, Se juntos já jogamos tudo fora, Me conta agora como hei de partir... Se, ao te conhecer, dei pra sonhar, fiz tantos desvarios, Rompi com o mundo, queimei meus navios, Me diz pra onde é que inda posso ir... [...] Se entornaste a nossa sorte pelo chão, Se na bagunça do teu coração Meu sangue errou de veia e se perdeu... [...] Como, se nos amamos como dois pagãos, Teus seios inda estão nas minhas mãos, Me explica com que cara eu vou sair... Não, acho que estás só fazendo de conta, Te dei meus olhos pra tomares conta, Agora conta como hei de partir... (Tom Jobim e Chico Buarque) O sentimento de perplexidade expresso nas frases “como hei de partir”, “pra onde é que inda posso ir” e “com que cara eu vou sair” deve-se ao fato de que a relação amorosa do sujeito: 
(A) foi marcada por sucessivos desencontros, em virtude da intensidade da paixão. 
(B) constituiu uma radical experiência de fusão com o outro, da qual não vê como sair. 
(C) provocou a subordinação emocional da pessoa amada, de quem ele já não pode se livrar. 
(D) ameaça jamais desfazer-se, agravando-se assim uma interdependência destrutiva. 
(E) está-se esgotando, sem que os amantes saibam o que fazer para reacender a paixão.
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Texto para as questões 10 e 11. — Mandaram ler este livro... Se o tal do livro for fraquinho, o desprazer pode significar um precipitado mas decisivo adeus à literatura; se for estimulante, outros virão sem o peso da obrigação. As experiências com que o leitor se identifica não são necessariamente as mais familiares, mas as que mostram o quanto é vivo um repertório de novas questões. Uma leitura proveitosa leva à convicção de que as palavras podem constituir um movimento profundamente revelador do próximo, do mundo, de nós mesmos. Tal convicção faz caminhar para uma outra, mais ampla, que um antigo pensador romano assim formulou: Nada do que é humano me é alheio. Cláudio Ferraretti, Inédito. .10. (FUVEST-SP) De acordo com o texto, a identificação do leitor com o que lê ocorre sobretudo quando: 
(A) ele sabe reconhecer na obra o valor consagrado pela tradição da crítica literária. 
(B) ele já conhece, com alguma intimidade, as experiências representadas numa obra. 
(C) a obra expressa, em fórmulas sintéticas, a sabedoria dos antigos humanistas. 
(D) a obra o introduz num campo de questões cuja vitalidade ele pode reconhecer. 
(E) a obra expressa convicções tão verdadeiras que se furtam à discussão. 
.11. (FUVEST-SP) O sentido da frase “Nada do que é humano me é alheio” é equivalente ao desta outra construção: 
(A) O que não diz respeito ao Homem não deixa de me interessar. 
(B) Tudo o que se refere ao Homem diz respeito a mim. 
(C) Como sou humano, não me alheio a nada. 
(D) Para ser humano, mantenho interesse por tudo. 
(E) A nada me sinto alheio que não seja humano. 
.12. (UNICAMP-SP) Marca-passo natural – Uma alternativa menos invasiva pode substituir o implante do marca-passo eletrônico [...]. Cientistas do Hospital John Hopkins, nos EUA, conseguiram converter células cardíacas de porquinhos- -da-índia em células especializadas, que atuam como um marca-passo, controlando o ritmo dos batimentos cardíacos. No experimento, o coração dos suínos recuperou a regularidade dos movimentos. A expectativa é de que em alguns anos seja possível testar a técnica em humanos. lstoÉ, n.º 1720, 18/9/2002. 
a) Alguém que nunca tivesse ouvido falar de marca- -passo poderia dar uma definição desse instrumento lendo este texto. Qual é essa definição? 
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b) A ocorrência da expressão “a técnica”, no final do texto, indica que ela foi explicada anteriormente. Em que consiste essa técnica? 
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c) Apesar do nome, o porquinho-da-índia é um roedor. Sendo assim, há uma forma equivocada de referir-se a ele no texto. Qual é essa forma e como se explica sua ocorrência? 
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a) A posição assumida no texto baseia-se em uma distinção entre (medicamento) contraceptivo e (medicamento) abortivo. Explique o que vem a ser aborto para os fabricantes de P. 
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b) Com base no trecho transcrito, pode-se dizer que o folheto toma posição numa polêmica que tem um aspecto ético-religioso e um aspecto científico. Qual é a questão ético-religiosa da polêmica? Qual é a questão científica? 
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CENTRO ESPÍRITA VOVÓ MARIA CONGA Mãe Maria Ensina qualquer tipo de simpatia, pois com uma única consulta, ela desvendará todos os mistérios que lhe atormenta: casos amorosos, financeiros, prosperidade em seu trabalho, vícios, doenças, impotência sexual, problemas de família e perseguições. Desvendará qualquer que for o problema. Não perca mais tempo, faça hoje mesmo uma consulta com MÃE MARIA, pelos BÚZIOS – CARTAS E TAROT. ORAÇÃO HEI DE VENCER Traga sempre consigo esta oração. Bendito seja a luz do dia, Bendito seja quem o guia, Bendito seja o filho de Deus e de Virgem Maria, assim como Deus separou a noite do dia, separe minha alma de má companhia e meu corpo da feitiçaria. Pelo poder de Deus e da Virgem Maria. ATENDIMENTO TODOS OS DIAS DAS 9:00 ÀS 20:00 HS Fone: (019) 3387-2554 Rua Dr. Lúcio Peixoto, 330 – Chapadão – Campinas-SP 
simpatia s.f. 1. afinidade moral, similitude no sentir e no pensar que aproxima duas ou mais pessoas. [...] – 3. impressão agradável, disposição favorável que se experimenta em relação a alguém que pouco se conhece. [...] – 6. atração por uma coisa ou uma ideia. [...] – 9. Brasileirismo: usada como interlocutório pessoal (— Qual o seu nome, simpatia?). – 10. “Brasileirismo”: ação (observação de algum ritual, uso de um determinado objeto etc.) praticada supersticiosamente com finalidade de conseguir algo que se deseja. 
a) Dentre as definições do dicionário Houaiss mencionadas, qual é a mais próxima do sentido da palavra “simpatia” no texto? 
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b) Há no texto duas ocorrências de “desvendar”, sendo que uma delas não coincide com o uso-padrão desse termo. Qual é? Por quê? 
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c) Independentemente do título, algumas características da segunda parte do texto são de uma oração ou prece ou reza. Quais são essas características? 
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Literatura brasileira Quinhentismo (1500-1601) Marco inicial Carta a El-Rei D. Manuel, de Pero Vaz de Caminha. Panorama histórico Este primeiro século da história do Brasil, de 1500 a 1601, ainda não pode ser considerado como uma verdadeira literatura. Os textos são informações que viajantes e missionários europeus colheram sobre nossa terra. Quanto ao estilo, não passa de uma manifestação da literatura portuguesa no Brasil. Quanto ao aspecto ideológico, nota-se que os escritores tinham uma visão aportuguesada da nossa realidade, então, registravam curiosidades da terra recém-descoberta. Os escritos apresentam uma visão ufanista dos valores da terra, que serviam de incentivo à imigração e aos investimentos da Metrópole na Colônia. 
 Detalhe de Brasil, mapa de Giovanni Battista Ramusio, 1557 (Cid Collection – Instituto Cultural Banco Santos) Verifica-se que os textos encontrados variam de acordo com os interesses da Coroa portuguesa: alguns são meramente informativos, outros são tipicamente propagandísticos, e existem aqueles que são de caráter catequético. Todos eles, porém, têm como assunto básico a terra do Brasil, sua flora e fauna, seus habitantes e curiosidades locais e culturais. Nos períodos literários nacionalistas, Romantismo e Modernismo, os autores costumavam recuperar os textos quinhentistas e reaproveitar as informações neles contidas. Os românticos exaltavam ingenuamente e os modernistas analisavam criticamente a colonização. “E depois de acabada a missa, [...] muitos deles [os índios] se levantaram e começaram a tocar corno ou buzina, saltando e dançando por um bom tempo.” (Carta de Caminha) Principais autores e obras 
 Pero Vaz de Caminha — Carta a El-Rei D. Manuel 
 Pero Lopes de Sousa — Diário de Navegação 
 Pero de Magalhães Gândavo — Tratado da Terra do Brasil; História da Província de Santa Cruz, a que Vulgarmente Chamamos Brasil 
 Gabriel Soares de Sousa — Tratado Descritivo do Brasil 
 Ambrósio Fernandes Brandão — Diálogos das Grandezas do Brasil 
 Padre José de Anchieta — Poesias de José de Anchieta; Na Festa de São Lourenço; Na Festa de Natal; Na Visitação de Santa Isabel; Arte de Gramática da Língua Mais Usada na Costa do Brasil; Cartas, Informações, Fragmentos Históricos e Sermões 
 Fique ligado! Pesquise!  
 Assistir: aos filmes Como era gostoso o meu francês; 1492, a conquista do paraíso; Cristóvão Colombo e Dança com lobos; compare a visão sobre o índio apresentada nesses filmes com aquela presente nos filmes que tratam do trabalho da cavalaria no Oeste americano. 
 Pesquisar: sobre as relações da literatura do século XVI com o movimento Pau-Brasil, de Oswald de Andrade, e com o Tropicalismo (século XX). 
 Ouvir: a música Tropicália, de Caetano Veloso, que se encontra no disco Tropicália ou Panis et circensis (1968), prestando atenção na parte inicial, falada. 
 *ATENÇÃO, ESTUDANTE!*  Para complementar o estudo deste Módulo, utilize seu LIVRO DIDÁTICO. 
*********** ATIVIDADES *********** .1. (ENEM-MEC) Quando os portugueses se instalaram no Brasil, o país era povoado de índios. Importaram, depois, da África, grande número de escravos. O Português, o Índio e o Negro constituem, durante o período colonial, as três bases da população brasileira. Mas no que se refere à cultura, a contribuição do Português foi de longe a mais notada. 
Durante muito tempo o português e o tupi viveram lado a lado como línguas de comunicação. Era o tupi que utilizavam os bandeirantes nas suas expedições. Em 1694, dizia o Padre Antônio Vieira que “as famílias dos portugueses e índios em São Paulo estão tão ligadas
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hoje umas com as outras, que as mulheres e os filhos se criam mística e domesticamente, e a língua que nas ditas famílias se fala é a dos Índios, e a portuguesa a vão os meninos aprender à escola”. TEYSSIER, P. História da língua portuguesa. Lisboa: Livraria Sá da Costa, 1984 (adaptado). A identidade de uma nação está diretamente ligada à cultura de seu povo. O texto mostra que, no período colonial brasileiro, o Português, o Índio e o Negro formaram a base da população e que o patrimônio linguístico brasileiro é resultado da 
(A) contribuição dos índios na escolarização dos brasileiros. 
(B) diferença entre as línguas dos colonizadores e as dos indígenas. 
(C) importância do Padre Antônio Vieira para a literatura de língua portuguesa. 
(D) origem das diferenças entre a língua portuguesa e as línguas tupi. 
(E) interação pacífica no uso da língua portuguesa e da língua tupi. 
.2. (ENEM-MEC) 
ECKHOUT, A. Índio Tapuia (1610-1666). Disponível em: http://www.diaadia.pr.gov.br. Acesso em: 9/7/2009. A feição deles é serem pardos, maneira d’avermelhados, de bons rostos e bons narizes, bem feitos. Andam nus, sem nenhuma cobertura, nem estimam nenhuma cousa cobrir, nem mostrar suas vergonhas. E estão acerca disso com tanta inocência como têm em mostrar o rosto. CAMINHA, P. V. A carta. Disponível em: www.dominiopublico.gov.br. Acesso em: 12/8/2009. Ao se estabelecer uma relação entre a obra de Eckhout e o trecho do texto de Caminha, conclui-se que 
(A) ambos se identificam pelas características estéticas marcantes, como tristeza e melancolia, do movimento romântico das artes plásticas. 
(B) o artista, na pintura, foi fiel ao seu objeto, representando-o de maneira realista, ao passo que o texto é apenas fantasioso. 
(C) a pintura e o texto têm uma característica em comum, que é representar o habitante das terras que sofreriam processo colonizador. 
(D) o texto e a pintura são baseados no contraste entre a cultura europeia e a cultura indígena. 
(E) há forte direcionamento religioso no texto e na pintura, uma vez que o índio representado é objeto da catequização jesuítica. 
.3. (ENEM-MEC) No Brasil colonial, os portugueses procuravam ocupar e explorar os territórios descobertos, nos quais viviam índios, que eles queriam cristianizar e usar como força de trabalho. Os missionários aprendiam os idiomas dos nativos para catequizá-los nas suas próprias línguas. Ao longo do tempo, as línguas se influenciaram. O resultado desse processo foi a formação de uma língua geral, desdobrada em duas variedades: o abanheenga, ao sul, e o nheengatu, ao norte. Quase todos se comunicavam na língua geral, sendo poucos aqueles que falavam apenas o português. De acordo com o texto, a língua geral formou-se e consolidou-se no contexto histórico do Brasil-Colônia. Portanto, a formação desse idioma e suas variedades foram condicionadas 
(A) pelo interesse dos indígenas em aprender a religião dos portugueses. 
(B) pelo interesse dos portugueses em aprimorar o saber linguístico dos índios. 
(C) pela percepção dos indígenas de que as suas línguas precisavam aperfeiçoar-se. 
(D) pelo interesse unilateral dos indígenas em aprender uma nova língua com os portugueses. 
(E) pela distribuição espacial das línguas indígenas, que era anterior à chegada dos portugueses. 
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.4. (MACKENZIE-SP) A produção literária do Quinhentismo brasileiro caracterizou-se pela preocupação com: 
(A) a descrição da terra recém-descoberta e a educação dos nativos e colonos. 
(B) a denúncia de desmandos dos governantes portugueses e a salvação da alma. 
(C) a defesa dos indígenas escravizados pelo colonizador e o elogio da vida bucólica. 
(D) a recusa de modelos culturais europeus e a pesquisa do “caráter nacional”. 
(E) o combate a formas poéticas decadentes e a valorização dos sentimentos. 
.5. (INEP-MEC) A exuberância da natureza brasileira impressionou artistas e viajantes europeus nos séculos XVI e XVII. Leia o texto e observe a imagem a seguir: [...] A América foi para os viajantes, evangelizadores e filósofos uma construção imaginária e simbólica. Diante da absoluta novidade, como explicá-la? Como compreendê-la? Como ter acesso ao seu sentido? Colombo, Vespúcio, Pero Vaz de Caminha, Las Casas, dispunham de um único instrumento para aproximar-se do Mundo Novo: os livros. [...] O Novo Mundo já existia, não como realidade geográfica e cultural, mas como texto, e os que para aqui vieram ou os que sobre aqui escreveram não cessam de conferir a exatidão dos antigos textos e o que aqui se encontra. CHAUÍ, M. apud FRANZ, T. S. Educação para uma compreensão crítica da arte. Florianópolis: Letras Contemporâneas Oficina Editorial, 2003, p. 95. 
 MUSEUS CASTRO MAIA DEBRET, J. B. Tribo Guaicuru em busca de novas pastagens, 1834-1839. Com base no texto e na imagem, é correto afirmar: 
I. O olhar do viajante europeu é contaminado pelo imaginário construído a partir de textos da Antiguidade e por relatos produzidos no contexto cultural europeu. 
II. Os artistas viajantes produziram imagens precisas e detalhadas que apresentam com exatidão a realidade geográfica do Brasil. 
III. Nas representações feitas por artistas estrangeiros coexistem elementos simbólicos e mitológicos oriundos do imaginário europeu e elementos advindos da observação da natureza e das coisas que o artista tinha diante de seus olhos. 
IV. A imagem de Debret registra uma cena cotidiana e revela a capacidade do artista em documentar os costumes e a realidade do indígena brasileiro. 
Assinale a alternativa que contém todas as afirmativas corretas. 
(A) I e II. 
(C) II e IV. 
(E) II, III e IV. 
(B) I e III. 
(D) I, III e IV. 
.6. (INEP-MEC) [...] Certa ocasião ouvimos, quase à meia-noite, gritos de mulher [...] acudimos imediatamente e verificamos que se tratava apenas de uma mulher em hora do parto. O pai recebeu a criança nos braços, depois de cortar com os dentes o cordão umbilical e amarrá-lo. Em seguida, continuando no seu ofício de parteiro, enxugou com o polegar o nariz do filho, como é de praxe entre os selvagens do país. Note-se que nossas parteiras, ao contrário, apertam o nariz aos recém-nascidos para dar maior beleza, afilando-o. LÉRY, Jean de. Viagem à terra do Brasil, 1578. In: AMADO, Janaína; GARClAS, Leônidas Franco. Navegar é preciso – descobrimentos marítimos europeus. São Paulo: Atual, 1989, p. 46-7. A descrição do viajante francês no final do século XVI sobre os habitantes nativos das terras portuguesas na América nos possibilita identificar no texto: 
(A) a absorção das práticas médicas das populações nativas pelos europeus. 
(B) a violência do colonizador em relação às práticas higienizadoras dos nativos considerados bárbaros. 
(C) o choque do europeu em relação às práticas indígenas, denotando o confronto entre as duas culturas. 
(D) a aceitação do método adotado pelos indígenas, no parto, considerado superior à prática médica europeia. 
(E) a surpresa das populações nativas diante do espanto dos europeus em relação às práticas de pajelança.
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.7. (PSC/UFAM-AM) Caracterizam a literatura dos viajantes as afirmativas abaixo, exceto: 
(A) Os escritos dos viajantes refletem a visão, os conceitos e os interesses dos europeus em relação às terras do além-mar. 
(B) Observa-se a necessidade de informar a Coroa portuguesa sobre as potencialidades econômicas da nova terra. 
(C) O conjunto do registro dos viajantes tem, sobretudo, valor documental e histórico. 
(D) As crônicas dos viajantes surgiram como o desdobramento de um processo de mudanças estruturais na Europa. 
(E) Havia, por parte dos cronistas, uma preocupação estética, um apuro literário formal. 
.8. (INEP-MEC) José de Anchieta, o “Apóstolo do Brasil”, trouxe em sua bagagem, vindo das Canárias, onde nasceu, mais do que seu pendor poético. Vinha ele com mais meia dúzia de bravos com a espantosa missão de converter e educar os índios, que a seus olhos e dos outros, a princípio, não reconheciam qualquer cultura. DELACY, M. Introdução ao teatro. Petrópolis: Vozes, 2003. Com base no texto e nos conhecimentos sobre a prática de catequização de José de Anchieta, considere as afirmativas a seguir: 
I. Para catequizar, Anchieta valeu-se de sua criatividade, usando cocares coloridos, pintura corporal e outros adereços que os indígenas lhe mostravam. 
II. Com a missão de levar Jesus àqueles “bugres e incultos”, Anchieta se afastou de suas próprias crenças convertendo-se à religião daquele povo. 
III. Com a finalidade de catequizar, Anchieta começou a escrever autos, baseados nos autos medievais, nas obras de Gil Vicente e em encenações espanholas. 
IV. Para implantar a fé como lhe foi ordenado, Anchieta representava os autos na língua pátria de Portugal. 
Estão corretas apenas as afirmativas: 
(A) I e III. 
(B) I e IV. 
(C) II e IV. 
(D) I, II e III. 
(E) II, III e IV. .9. (INEP-MEC) Esta gentilidade nenhuma cousa adora, nem conhece a Deus; somente aos trovões chama TUPANE, que é como quem diz “cousa divina”. E assim nós não temos outro vocábulo mais conveniente para os trazer ao conhecimento de Deus, que chamar-lhe PAI TUPANE. (Manuel da Nóbrega) No texto, 
(A) o missionário apresenta as razões de sua condenação às atitudes profanas entre os gentios, que busca catequizar. 
(B) explicita-se a predominância da função fática, pois o emissor tematiza a busca da melhor palavra para designar a divindade. 
(C) o emissor nega o sentimento de veneração entre os gentios, mas se apropria de uma manifestação linguística deles por reconhecer nela traços de sacralidade. 
(D) o autor revela sua estratégia de missionário: tenta influenciar a prática religiosa dos nativos pelo descrédito que passa a atribuir à palavra Tupane. 
(E) o religioso informa sobre as práticas dos nativos e defende a urgência de a metrópole adotar medidas para a alfabetização dos gentios. 
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*MÓDULO 3* Gêneros textuais – Conceito e organização Um para cada ocasião Os gêneros textuais são praticamente infinitos. Escolhemos qual deles usar conforme o momento, a situação e a intenção da comunicação. Você sabia que, ao ler o horóscopo do jornal ou escrever um scrap (recado) para algum amigo no site de relacionamentos Orkut, você está exercendo sua capacidade de compreender e aplicar diferentes formas de expressão textual? Sem perceber, você transita de um gênero de texto para outro o tempo inteiro. Usamos a expressão gênero textual como uma noção propositalmente vaga para nos referir aos textos materializados que encontramos em nossa vida diária e que apresentam características sociocomunicativas definidas por conteúdos, propriedades funcionais, estilo e composição característica. Observe o texto reproduzido abaixo. Sobre ele, você diria que se trata de um anúncio, parte de uma campanha publicitária cujo objetivo é estimular os estabelecimentos de saúde a notificarem casos de violência contra crianças, mulheres e idosos. Ele é um exemplo de que, para nos comunicarmos, utilizamos determinados gêneros textuais, de acordo com a intenção comunicativa, o momento e a situação em que ocorre essa comunicação. Temos, assim, uma forma- -padrão de estruturação do texto. No dia a dia, reconhecemos e utilizamos cada um desses padrões e estruturações, sem pensar em sua existência teórica. O ENEM, e também diversos vestibulares, avalia com frequência a capacidade do estudante de reconhecer os gêneros de texto. Dessa forma, vamos listar aqui alguns gêneros presentes em nosso cotidiano. 
 O texto publicitário costuma se estruturar em frases curtas e em ordem direta. Também faz uso de elementos não verbais para reforçar sua mensagem – como a imagem utilizada no anúncio ao lado 
 SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE/SP 
 Histórias em quadrinhos: utilizam, geralmente, um tipo de discurso direto que é apresentado dentro de balõezinhos. Sua principal característica é o uso da linguagem verbal (palavras) e da não verbal (ilustração). 
 Charge: faz uso de linguagem não verbal (caricatura) e, na maioria das vezes, também da verbal. Costuma satirizar algum fato em evidência com uma ou mais personagens envolvidas. 
 Classificado: gênero de texto vinculado ao universo jornalístico, em que indivíduos ou empresas oferecem um produto ou um serviço. É escrito de forma breve e concisa, apresentando alguns elementos básicos do produto ou serviço que possam interessar ao leitor. 
Esses são apenas alguns exemplos de gêneros de texto. Nos estudos da literatura, temos, por exemplo, crônicas, contos, prosa etc. Os gêneros textuais englobam esses e todos os textos produzidos por usuários de uma língua. Assim, ao lado da crônica, do conto, vamos também identificar a carta pessoal, a conversa telefônica, o e-mail. São muitos os gêneros de texto que circulam por aí. São as situações que definem qual utilizar. É importante frisar que o conceito de texto não se limita à linguagem verbal, ou seja, às palavras. O texto pode ter várias dimensões, como o texto cinematográfico, o teatral, o coreográfico (dança e música) ou o pictórico (pintura). Uma obra de arte ou uma ilustração, portanto, são formas de expressão textual, providas de significado. Alguns exemplos de gêneros textuais que encontramos no dia a dia: telefonema, sermão, carta comercial, carta pessoal, romance, bilhete, reportagem jornalística, aula expositiva, reunião de condomínio, notícia jornalística, horóscopo, receita culinária, bula de remédio, lista de compras, cardápio de restaurante, instruções de uso, outdoor, inquérito policial, resenha, edital de concurso, piada, conversação espontânea, conferência, carta eletrônica, bate-papo por computador, aulas virtuais, e assim por diante. Conteúdo, estrutura e estilo Como se organizam os gêneros textuais Não importa qual o gênero, todo texto pode ser analisado sob três características: 
 O conteúdo temático: refere-se aos traços que marcam a função social do gênero nas situações de uso. É o que define para que ele serve, quem são seus destinatários preferenciais, seu tipo de conteúdo básico. 
 A construção composicional (ou estrutura): é como o gênero se estrutura, como é seu acabamento. Na estrutura, indicam-se como são as bases, os alicerces que sustentam o gênero em questão. 
 O estilo: são as marcas Iinguísticas próprias do gênero. Alguns usos sintáticos, escolhas lexicais mais comuns no uso do gênero dado.
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A seguir está reproduzida uma página da revista Veja com resenhas. Vamos analisar a resenha de acordo com suas características como gênero textual: 
Fonte: Veja, 18/4/2012, p. 164.
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1. Conteúdo temático: 
 Constrói-se baseada em outra obra. 
 Sintetiza informações consideradas relevantes dentro da obra resenhada. 
 É uma análise dos principais pontos (ideias ou acontecimentos) da obra resenhada. 
 Há um posicionamento crítico diante da obra ou de um tema relacionado, baseado em critérios como: composição interna (coerência e consistência de suas ideias), relevância (ou não) dentro do universo de referências em que se insere etc. 
2. Estrutura: 
 Apresenta dados da obra resenhada em forma de ficha técnica. 
 Não há, normalmente, uma tese definida. 
 Há informações extraídas da obra resenhada (ou de outras obras semelhantes) e comentários analíticos sobre ela, baseados em exemplificação, contextualização histórica, importância do autor ou da obra em seu universo de referências etc. 
3. Estilo: 
 Uso preferencial da terceira pessoa. 
 Uso preferencial de orações em ordem direta. 
 Uso preferencial de períodos e parágrafos curtos. 
Abordar criticamente um texto consiste em opinar sobre ele, apresentando problemas e qualidades que o autor da resenha julga importante destacar para o leitor. Portanto, a abordagem crítica não significa, necessariamente, um levantamento dos problemas detectados no objeto do texto. Pode constituir-se também no destaque de certas qualidades. Em resumo: a resenha é a apresentação de um texto resultante da apreciação crítica por parte do autor. 
Tipos de texto Atenção: não confunda gêneros textuais com tipos de texto. Os gêneros textuais são organizados com base em vários tipos de texto (descrição, narração, dissertação, exposição, injunção — que serão detalhados ao longo do curso). Assim, um tipo textual pode aparecer em qualquer gênero textual, da mesma forma que um único gênero pode conter mais de um tipo textual. Uma carta, por exemplo, pode ter passagens narrativas e descritivas. Outro exemplo: um conto de fadas e uma piada são gêneros textuais diferentes, mas ambos são textos narrativos. 
 *ATENÇÃO, ESTUDANTE!*  Para complementar o estudo deste Módulo, utilize seu LIVRO DIDÁTICO. *********** ATIVIDADES *********** Textos para as questões de 1 a 3. Entre a vitória e a crise Barack Obama, o primeiro presidente negro dos Estados Unidos, assumiu prometendo mudanças e herdou o maior déficit fiscal em seis décadas No início de janeiro de 2009, poucas semanas antes de assumir o posto de presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, filho de um queniano negro e de uma norte-americana branca, falou ao comando editorial do jornal The Washington Post sobre o significado de os Estados Unidos terem seu primeiro presidente negro: “Há uma geração inteira que vai crescer achando normal que o posto mais elevado do planeta seja ocupado por um afro-americano”, declarou. “É algo radical. Muda como as crianças negras olham para elas mesmas e muda também como as crianças brancas olham para as crianças negras. E eu não subestimaria a força disso.” A véspera da posse, 20 de janeiro, foi marcada por eventos do chamado Dia de Martin Luther King (1929- -1968), feriado nacional que homenageia o ativista político que se tornou um ícone da luta pelos direitos civis de negros e mulheres. “Amanhã [referindo-se ao dia da posse], vamos nos unir como uma só pessoa no mesmo local em que o sonho de Dr. King ainda ecoa”, disse Obama, numa alusão ao discurso “Eu Tenho um Sonho”, sobre o desejo de coexistência harmoniosa entre brancos e negros, feito por Luther King em Washington, em 1963. Sonhos à parte, Obama assumiu a Casa Branca como o presidente em um momento em que o país registra a maior dívida em sua história recente. Herdou um rombo orçamentário estimado em 1,2 trilhão de dólares para 2009, o maior desde o fim da Segunda Guerra Mundial. A carranca da crise surge, inevitavelmente, por trás do clima festivo. Os sinais de desequilíbrio não param de aparecer. Pouco antes da posse, a crise projetou-se sobre o Citigroup e o Bank of America, o maior banco americano, que pediu ao governo um socorro financeiro de 20 bilhões de dólares. “As dificuldades de Obama são muito mais profundas e mais globais”, escreveu o colunista Martin Wolf, em artigo no jornal inglês Financial Times que teve repercussão entre economistas. Como primeiro negro a presidir os Estados Unidos, a posse de Obama é o coroamento de uma jornada histórica. A dúvida é saber se seu governo marcará uma nova era, aprumando os EUA para manterem seu status de potência dominante do século 21, ou se será o começo do fim de uma supremacia que moldou o planeta tal como conhecemos hoje.
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Carta de leitor Obama terá grandes desafios pela frente, ainda mais com a herança que Bush deixou. Chama a atenção dos americanos ao ser sincero quanto às dificuldades que seu governo enfrentará. Agora, só nos resta esperar os impactos da nova hegemonia ou da queda americana. Lígia Paiva, Araguari, MG. 
Veja, 28/1/2009. 
O Estado de S. Paulo, 31/1/2009. .1. (AED-SP) Embora tratem do mesmo tema, a reportagem, a carta de leitor e a charge acima representam diferentes gêneros de texto. Com base na leitura dos textos, indique, para cada gênero representado, uma característica que permita diferenciá-lo dos demais. ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ .2. (AED-SP) Em uma sociedade letrada como a nossa, são construídos textos diversos que variam de acordo com as necessidades cotidianas de comunicação. Assim, para utilizar-se de algum gênero textual, é preciso que conheçamos seus elementos. Tendo em mente a carta de leitor apresentada, pode-se afirmar que ela é um gênero textual que 
(A) apresenta sua estrutura por parágrafos, organizados pela tipologia da ordem da injunção (comando) e estilo de linguagem com alto grau de formalidade. 
(B) se inscreve em uma categoria cujo objetivo é o de descrever os assuntos e temas que circularam nos jornais e revistas do país semanalmente. 
(C) se organiza por uma estrutura bastante flexível, em que o locutor encaminha a ampliação dos temas tratados para o veículo de comunicação. 
(D) se organiza em torno de um tema, de um estilo e em forma de paragrafação, representando, em conjunto, as ideias e opiniões de locutores que interagem diretamente com o veículo de comunicação. 
(E) se constitui por um estilo caracterizado pelo uso da variedade não padrão da língua e tema construído por fatos políticos. 
.3. (AED-SP) Observando a charge, é possível afirmar que seu autor 
(A) demonstrou conhecimento insuficiente de fatos ou personagens relevantes na história recente dos Estados Unidos. 
(B) expressou graficamente sua visão sobre o novo contexto político e econômico norte-americano por meio do humor e da sátira. 
(C) optou por um gênero textual caracterizado pelo caráter burlesco e pela total carência de conteúdo crítico. 
(D) priorizou a qualidade da ilustração e o aspecto estético, deixando a criticidade e a abordagem de temas em evidência em segundo plano. 
(E) usou um dos personagens retratados para revelar sua crença na solidez da atual conjuntura econômica norte-americana. 
Textos para as questões de 4 a 6. Instruções dos medicamentos devem facilitar a leitura e a compreensão 
Em setembro de 2009, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou que todos os laboratórios passassem a fornecer bulas de remédio com letras maiores do que o tamanho atual nas caixas dos medicamentos. O objetivo da resolução foi facilitar a leitura pelos pacientes e obrigar as empresas a dar informações mais claras sobre quantidade, características, composição e apresentação dos
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medicamentos. Segundo as novas orientações, a bula do paciente deve ser organizada em formato de perguntas e respostas às principais dúvidas sobre o remédio, como as indicações e contraindicações. A seguir, um modelo do novo tipo de bula: 
Medicamento Anvisa® . Paracetamol . APRESENTAÇÕES Comprimidos revestidos de: - 500 mg em embalagem com 20 ou 200 comprimidos - 750 mg em embalagens de 20 ou 200 comprimidos USO ORAL USO ADULTO ACIMA DE 12 ANOS COMPOSIÇÃO Medicamento Anvisa® 500 mg Cada comprimido revestido contém 500 mg de paracetamol Excipientes: ácido esteárico, amido pré-gelatinizado, hipromelose, macrogol e providona 1. PARA QUE ESTE MEDICAMENTO É INDICADO? Medicamento Anvisa® é indicado para o tratamento de febre e de dores leves a moderadas, de adultos, tais como dores associadas a gripes e resfriados comuns, dor de cabeça, dor de dente, dor nas costas, dores associadas a artrites e cólicas menstruais. 2. COMO ESTE MEDICAMENTO FUNCIONA? Medicamento Anvisa® reduz a febre atuando no centro regulador da temperatura do Sistema Nervoso Central (SNC) e diminui a sensibilidade para a dor. Seu efeito tem início 15 a 30 minutos após a administração oral e permanece por um período de 4 a 6 horas. 
Disponível em: http://www.portal.anvisa.gov.br. Acesso em: 30/6/2010. .4. (AED-SP) No exemplo apresentado, o texto caracterizado como gênero bula de remédio é construído com base em 
(A) fatos e dados narrativos sobre medicamentos. 
(B) teses defendidas pelo produtor da bula acerca do uso de medicamentos. 
(C) procedimentos relativos ao uso de medicamentos. 
(D) crítica sobre o uso de medicamentos. 
(E) relatos de especialistas sobre as reações acerca do uso de medicamentos. 
.5. (AED-SP) Assinale, entre as alternativas a seguir, aquela que não apresenta características do gênero de texto em questão. 
(A) Prescrições ao usuário. 
(B) Descrição das características do produto. 
(C) Informações sobre a composição do produto. 
(D) Indicações e contraindicações do produto. 
(E) Narrações e depoimentos sobre o uso do produto. .6. (AED-SP) Com base nas novas orientações da Anvisa para a formulação das bulas de remédio, pode-se dizer que 
(A) somente as pessoas que possuem vasto conhecimento de termos técnicos conseguirão compreender as informações presentes nesse gênero de texto. 
(B) as dificuldades para ler a bula do remédio receitado pelo médico podem diminuir sensivelmente. 
(C) a bula de remédio sempre foi um gênero de texto conhecido por ser de fácil leitura e compreensão para todos os leitores, tanto no âmbito linguístico, quanto no material e no de conteúdo. 
(D) as informações, que antes eram expostas de forma clara neste gênero de texto, serão fornecidas de forma mais confusa e menos compreensível. 
(E) todas as alternativas anteriores estão corretas. 
.7. (ENEM-MEC) Diferentemente do texto escrito, que em geral compele os leitores a lerem numa onda linear — da esquerda para a direita e de cima para baixo, na página impressa —, hipertextos encorajam os leitores a moverem-se de um bloco de texto a outro, rapidamente e não sequencialmente. Considerando que o hipertexto oferece uma multiplicidade de caminhos a seguir, podendo ainda o leitor incorporar seus caminhos e suas decisões como novos caminhos, inserindo informações novas, o leitor-navegador passa a ter um papel mais ativo e uma oportunidade diferente da de um leitor de texto impresso. Dificilmente dois leitores de hipertextos farão os mesmos caminhos e tomarão as mesmas decisões. MARCUSCHI, L. A. Cognição, linguagem e práticas interacionais. Rio de Janeiro: Lucerna, 2007. No que diz respeito à relação entre o hipertexto e o conhecimento por ele produzido, o texto apresentado deixa claro que o hipertexto muda a noção tradicional de autoria, porque 
(A) é o leitor que constrói a versão final do texto. 
(B) o autor detém o controle absoluto do que escreve. 
(C) aclara os limites entre o leitor e o autor. 
(D) propicia um evento textual-interativo em que apenas o autor é ativo. 
(E) só o autor conhece o que eletronicamente se dispõe para o leitor. 
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.8. (ENEM-MEC) La Vie en Rose 
ITURRUSGARAI, A. La Vie en Rose. Folha de S. Paulo, 11/8/2007. Os quadrinhos exemplificam que as Histórias em Quadrinhos constituem um gênero textual 
(A) em que a imagem pouco contribui para facilitar a interpretação da mensagem contida no texto, como pode ser constatado no primeiro quadrinho. 
(B) cuja linguagem se caracteriza por ser rápida e clara, que facilita a compreensão, como se percebe na fala do segundo quadrinho: “</DIV> </SPAN> <BR CLEAR = ALL> < BR> <BR> <SCRIPT>”. 
(C) em que o uso de letras com espessuras diversas está ligado a sentimentos expressos pelos personagens, como pode ser percebido no último quadrinho. 
(D) que possui em seu texto escrito características próximas a uma conversação face a face, como pode ser percebido no segundo quadrinho. 
(E) em que a localização casual dos balões nos quadrinhos expressa com clareza a sucessão cronológica da história, como pode ser percebido no segundo quadrinho. 
.9. (ENEM-MEC) Em Touro Indomável, que a cinemateca lança nesta semana nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, a dor maior e a violência verdadeira vêm dos demônios de La Motta — que fizeram dele tanto um astro no ringue como um homem fadado à destruição. Dirigida como um senso vertiginoso do destino de seu personagem, essa obra-prima de Martin Scorcese é daqueles filmes que falam à perfeição de seu tema (o boxe) para então transcendê-lo e tratar do que importa: aquilo que faz dos seres humanos apenas isso mesmo, humanos e tremendamente imperfeitos. Veja, 18/2/2009 (adaptado). Ao escolher este gênero textual, o produtor do texto objetivou 
(A) construir uma apreciação irônica do filme. 
(B) evidenciar argumentos contrários ao filme de Scorcese. 
(C) elaborar uma narrativa com descrição de tipos literários. 
(D) apresentar ao leitor um painel da obra e se posicionar criticamente. 
(E) afirmar que o filme transcende o seu objetivo inicial e, por isso, perde sua qualidade. 
.10. (ENEM-MEC) 
Disponível em: http://www.uol.com.br. Acesso em: 10/5/2009. Observe a charge, que satiriza o comportamento dos participantes de uma entrevista coletiva por causa do que fazem, do que falam e do ambiente em que se encontram. Considerando-se os elementos da charge, conclui-se que ela 
(A) defende, em teoria, o desmatamento. 
(B) valoriza a transparência pública. 
(C) destaca a atuação dos ambientalistas. 
(D) ironiza o comportamento da imprensa. 
(E) critica a ineficácia das políticas. 
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.11. (ENEM-MEC) 
Disponível em: http://www.heliorubiales.zip.net. Acesso em: 7/5/2009. A figura é uma adaptação da bandeira nacional. O uso dessa imagem no anúncio tem como principal objetivo 
(A) mostrar à população que a Mata Atlântica é mais importante para o país do que a ordem e o progresso. 
(B) criticar a estética da bandeira nacional, que não reflete com exatidão a essência do país que representa. 
(C) informar à população sobre a alteração que a bandeira oficial do país sofrerá. 
(D) alertar a população para o desmatamento da Mata Atlântica e fazer um apelo para que as derrubadas acabem. 
(E) incentivar as campanhas ambientalistas e ecológicas em defesa da Amazônia. 
.12. (ENEM-MEC) Dario vinha apressado, guarda-chuva no braço esquerdo e, assim que dobrou a esquina, diminuiu o passo até parar, encostando-se à parede de uma casa. Por ela escorregando, sentou-se na calçada, ainda úmida da chuva, e descansou na pedra o cachimbo. Dois ou três passantes rodearam-no e indagaram se não se sentia bem. Dario abriu a boca, moveu os lábios, não se ouviu resposta. O senhor gordo, de branco, sugeriu que devia sofrer de ataque. TREVISAN, D. Uma vela para Dario. Cemitério de Elefantes. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1964 (adaptado). No texto, um acontecimento é narrado em linguagem literária. Esse mesmo fato, se relatado em versão jornalística, com características de notícia, seria identificado em: 
(A) Aí, amigão, fui diminuindo o passo e tentei me apoiar no guarda-chuva... mas não deu. Encostei na parede e fui escorregando. Foi mal, cara! Perdi os sentidos ali mesmo. Um povo que passava falou comigo e tentou me socorrer. E eu, ali, estatelado, sem conseguir falar nada! Cruzes! Que mal! 
(B) O representante comercial Dario Ferreira, 43 anos, não resistiu e caiu na calçada da Rua da Abolição, quase esquina com a Padre Vieira, no centro da 
cidade, ontem por volta do meio-dia. O homem ainda tentou apoiar-se no guarda-chuva que trazia, mas não conseguiu. Aos populares que tentaram socorrê- -lo não conseguiu dar qualquer informação. 
(C) Eu logo vi que podia se tratar de um ataque. Eu vinha logo atrás. O homem, todo aprumado, de guarda-chuva no braço e cachimbo na boca, dobrou a esquina e foi diminuindo o passo até se sentar no chão da calçada. Algumas pessoas que passavam pararam para ajudar, mas ele nem conseguia falar. 
(D) Vítima 
Idade: entre 40 e 45 anos Sexo: masculino Cor: branca Ocorrência: Encontrado desacordado na Rua da Abolição, quase esquina com Padre Vieira. Ambulância chamada às 12*h*34*min por homem desconhecido. A caminho. 
(E) Pronto socorro? Por favor, tem um homem caído na calçada da rua da Abolição, quase esquina com a Padre Vieira. Ele parece desmaiado. Tem um grupo de pessoas em volta dele. Mas parece que ninguém aqui pode ajudar. Ele precisa de uma ambulância rápido. Por favor, venham logo! 
.13. (ENEM-MEC) S.O.S Português Por que pronunciamos muitas palavras de um jeito diferente da escrita? Pode-se refletir sobre esse aspecto da língua com base em duas perspectivas. Na primeira delas, fala e escrita são dicotômicas, o que restringe o ensino da língua ao código. Daí vem o entendimento de que a escrita é mais complexa que a fala, e seu ensino restringe-se ao conhecimento das regras gramaticais, sem a preocupação com situações de uso. Outra abordagem permite encarar as diferenças como um produto distinto de duas modalidades da língua: a oral e a escrita. A questão é que nem sempre nos damos conta disso. S.O.S Português. Nova Escola. São Paulo: Abril, Ano XXV, n.° 231, abr. 2010 (fragmento adaptado). O assunto tratado no fragmento é relativo à língua portuguesa e foi publicado em uma revista destinada a professores. Entre as características próprias desse tipo de texto, identificam-se as marcas linguísticas próprias do uso 
(A) regional, pela presença de léxico de determinada região do Brasil. 
(B) literário, pela conformidade com as normas da gramática. 
(C) técnico, por meio de expressões próprias de textos científicos. 
(D) coloquial, por meio do registro de informalidade. 
(E) oral, por meio do uso de expressões típicas da oralidade.
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.14. (ENEM-MEC) No capricho O Adãozinho, meu cumpade, enquanto esperava pelo delegado, olhava para um quadro, a pintura de uma senhora. Ao entrar a autoridade e percebendo que o cabôco admirava tal figura, perguntou: “Que tal? Gosta desse quadro?” E o Adãozinho, com toda a sinceridade que Deus dá ao cabôco da roça: “Mais pelo amor de Deus, hein, dotô! Que muié feia! Parece fiote de cruis-credo, parente do deus-me-livre, mais horríver que briga de cego no escuro.” Ao que o delegado não teve como deixar de confessar, um pouco secamente: “É a minha mãe.” E o cabôco, em cima da bucha, não perde a linha: “Mais dotô, inté que é uma feiura caprichada.” BOLDRIN, R. Almanaque Brasil de Cultura Popular. São Paulo: Andreato Comunicação e Cultura, n.º 62, 2004 (adaptado). Por suas características formais, por sua função e uso, o texto pertence ao gênero 
(A) anedota, pelo enredo e humor característicos. 
(B) crônica, pela abordagem literária de fatos do cotidiano. 
(C) depoimento, pela apresentação de experiências pessoais. 
(D) relato, pela descrição minuciosa de fatos verídicos. 
(E) reportagem, pelo registro impessoal de situações reais. 
.15. (ENEM-MEC) 
Disponível em: http://www.ccsp.com.br. Acesso em: 27/7/2010 (adaptado). O texto é uma propaganda de um adoçante que tem o seguinte mote: “Mude sua embalagem”. A estratégia que o autor utiliza para o convencimento do leitor baseia-se no emprego de recursos expressivos, verbais e não verbais, com vistas a 
(A) ridicularizar a forma física do possível cliente do produto anunciado, aconselhando-o a uma busca de mudanças estéticas. 
(B) enfatizar a tendência da sociedade contemporânea de buscar hábitos alimentares saudáveis, reforçando tal postura. 
(C) criticar o consumo excessivo de produtos industrializados por parte da população, propondo a redução desse consumo. 
(D) associar o vocábulo “açúcar” à imagem do corpo fora de forma, sugerindo a substituição desse produto pelo adoçante. 
(E) relacionar a imagem do saco de açúcar a um corpo humano que não desenvolve atividades físicas, incentivando a prática esportiva. 
.16. (ENEM-MEC) Prima Julieta Prima Julieta irradiava um fascínio singular. Era a feminilidade em pessoa. Quando a conheci, sendo ainda garoto e já sensibilíssimo ao charme feminino, teria ela uns trinta ou trinta e dois anos de idade. Apenas pelo seu andar percebia-se que era uma deusa, diz Virgílio de outra mulher. Prima Julieta caminhava em ritmo lento, agitando a cabeça para trás, remando os belos braços brancos. A cabeleira loura incluía reflexos metálicos. Ancas poderosas. Os olhos de um verde azulado borboleteavam. A voz rouca e ácida, em dois planos: voz de pessoa da alta sociedade. MENDES, M. A idade do serrote. Rio de Janeiro: Sabiá, 1968. Entre os elementos constitutivos dos gêneros, está o modo como se organiza a própria composição textual, tendo-se em vista o objetivo de seu autor: narrar, descrever, argumentar, explicar, instruir. No trecho, reconhece-se uma sequência textual 
(A) explicativa, em que se expõem informações objetivas referentes à prima Julieta. 
(B) instrucional, em que se ensina o comportamento feminino, inspirado em prima Julieta. 
(C) narrativa, em que se contam fatos que, no decorrer do tempo, envolvem prima Julieta. 
(D) descritiva, em que se constrói a imagem de prima Julieta a partir do que os sentidos do enunciador captam. 
(E) argumentativa, em que se defende a opinião do enunciador sobre prima Julieta, buscando-se a adesão do leitor a essas ideias. 
________________________________________________ *Anotações*
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Literatura brasileira Barroco (1601-1768) Marco inicial Publicação do poema Prosopopeia, de Bento Teixeira. Panorama histórico O Barroco brasileiro coincide, historicamente, com a época da colonização e absorve as influências do ideal do colono português. Em termos sociais, temos como centros dessa cultura a Bahia e Pernambuco. Não podemos falar de período barroco sem falar de uma cultura gerada por essa fase, resultado de uma tentativa angustiada de conciliar ideias opostas: o teocentrismo medieval e o antropocentrismo clássico. O Barroco, de certo modo, já vinha se manifestando no final do Renascimento, época em que se iniciam os conflitos. Além do padre Antônio Vieira, prosador português, devemos citar a poesia do baiano Gregório de Matos. 
 MUSEUS ESTATAIS DE BERLIM  Amor Victorius, Michelangelo Caravaggio, 1602-03. Óleo sobre tela, 156 x 113 cm Características barrocas 
 Dualismo: trata-se de uma atitude que designa o culto do contraste tão tipicamente barroco. Assim, o homem sempre estava entre dois aspectos: o racionalismo mundano e o espiritual teocêntrico. Essas posturas antagônicas em geral se relacionam 
metaforicamente nos textos: o claro e o escuro; o belo e o feio; o prazer e o sofrimento; o quente e o frio. 
 Fusionismo: na arte barroca, o artista não se limita a expor os contrários, porém quer fundi-los, conciliá- -los, integrá-los, através de uma linguagem profundamente metafórica. 
 Feísmo: trata-se de uma preferência pelos aspectos cruéis, dolorosos e sangrentos, pelo “belo horrendo”, pelo espetáculo trágico, deformando as imagens pelo exagero, a resvalar pelo grotesco. 
 Pessimismo: vivendo na órbita do medo e da dúvida, o Barroco manifesta-se por uma visão desencantada do mundo. A morte é uma constante preocupação, ao lado da consciência da fugacidade do tempo e da incerteza e inconstância da vida. 
 Atitude lúdica: o termo “lúdica” deriva de “ludo”, que significa “jogo”. Portanto, podemos notar que a arte barroca nos proporciona um eterno jogo de contrastes, enredando-nos em verdadeiros labirintos sintáticos e semânticos que, muitas vezes, levam- -nos a um niilismo temático. 
 Cultismo: também conhecido como “gongorismo” ou “culteranismo”, designa um processo construtivo que excede nas utilizações das figuras de linguagem, causando um rebuscamento formal, uma excessiva ornamentação estilística ou um preciosismo. Normalmente, os textos cultistas são extravagantes, herméticos e, não raro, de gosto duvidoso. 
 Conceptismo: trata-se de um processo construtivo também conhecido como “quevedismo”, por causa do escritor espanhol Quevedo, e que resulta, finalmente, numa elaboração racional, numa retórica aprimorada, através de um jogo de conceitos. Quando analisamos um raciocínio, devemos perceber se ele foi estruturado em bases verdadeiras, um silogismo, ou se em bases falsas ou metafóricas, um sofisma. 
Principais autores e obras 
 Gregório de Matos (1633-1696) — I. Poesia Sacra; II. Poesia Lírica; III. Poesia Graciosa; IV e V. Poesia Satírica; VI. Poesia Última 
(Nada publicou em vida; a compilação de sua poesia, a partir de cópias manuscritas, realizou-se entre 1923 e 1933, pela Academia Brasileira de Letras.) 
 Padre Antônio Vieira (1608-1697) — 500 Cartas; 200 Sermões; História do Futuro; Esperanças de Portugal, Quinto Império do Mundo; Clavis Prophetarum (A Chave das Profecias) 
 Bento Teixeira (1560-1618) — Prosopopeia
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 Fique ligado! Pesquise!  
 Assistir: ao filme Caravaggio, que trata da vida e da obra de um dos mais importantes pintores do Pré- -Barroco. 
 Pesquisar: sobre a obra de grandes artistas plásticos barrocos e pré-barrocos, como Caravaggio, Tintoretto, Giuseppe Arcimboldo, Georges de la Tour e Antoon Van Dyck; e também sobre o genial Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, arquiteto, pintor e escultor brasileiro, que deixou significativas obras no Barroco mineiro. 
 Ouvir: a música de Vivaldi, a maior celebridade da música barroca. 
 Ler: a obra Boca do Inferno, de Ana Miranda (Editora Companhia das Letras), que trata da vida do poeta baiano barroco Gregório de Matos e inclui também o padre Antônio Vieira. 
 *ATENÇÃO, ESTUDANTE!*  Para complementar o estudo deste Módulo, utilize seu LIVRO DIDÁTICO. 
*********** ATIVIDADES *********** .1. (FGV-RJ) Observe as afirmativas referentes ao Barroco: 
I. A poesia caracteriza-se pelo culto do contraste e consciência da efemeridade da vida. 
II. Percebe-se uma postura antitética entre o pensamento teocêntrico e o antropocêntrico. 
III. Tem em Gregório de Matos seu maior representante na literatura brasileira. 
Assinale a alternativa correta. 
(A) Apenas I e II são verdadeiras. 
(B) Apenas I e III são verdadeiras. 
(C) Apenas II e III são verdadeiras. 
(D) Todas são verdadeiras. 
(E) Nenhuma é verdadeira. 
.2. (INEP-MEC) Nasce o Sol, e não dura mais que um dia, Depois da Luz se segue a noite escura, Em tristes sombras morre a formosura, Em contínuas tristezas, a alegria. Na estrofe acima, de um soneto de Gregório de Matos, a principal característica do Barroco é: 
(A) culto da natureza. 
(B) a utilização de rimas alternadas. 
(C) a forte presença de antíteses. 
(D) culto do amor cortês. 
(E) uso de aliterações. .3. (UFPE/UFRPE) O estilo barroco — que nos séculos XVII e XVIII se destacou com a arte de Diogo Velázquez, Rubens, Caravaggio, entre outros — pode ser considerado como: 
(A) expressão do respeito aos princípios da arte clássica greco-romana. 
(B) imitação dos pintores renascentistas florentinos. 
(C) reflexo das concepções estéticas do Antigo Oriente. 
(D) consagração do racionalismo e cartesianismo na arte. 
(E) resultado de uma arte que desafiava os padrões clássicos. 
.4. (INEP-MEC) 
 MARISTELA DO VALLE / FOLHA IMAGEM ALEIJADINHO. Cristo do carregamento da Cruz. Enciclopédia Barsa, 1998. Pequei, Senhor; mas não porque hei pecado, Da vossa alta clemência me despido; Porque quanto mais tenho delinquido, Vos tenho a perdoar mais empenhado. Obras poéticas de Gregório de Matos. Rio de Janeiro: Record: 1990. Durante o período colonial brasileiro, as principais manifestações artísticas, populares ou eruditas foram, assim como nos demais aspectos da vida cotidiana, marcadas pela influência da religiosidade. Nesse sentido, com base na análise da presença da religiosidade na obra de Aleijadinho e Gregório de Matos, é correto afirmar: 
(A) Ambas são modelos da arte barroca, uma vez que se inspiram mais na temática cristã do que em elementos oriundos da mitologia greco-romana. 
(B) A presença da temática religiosa em ambos deve-se à influência protestante holandesa na região da Bahia e de Minas Gerais. 
(C) No trecho do poema, tem-se a expressão de um pecador que, embora creia em Deus, não tem certeza de que obterá o perdão divino. 
(D) A pobreza estética da obra de Aleijadinho e Matos deriva da censura promovida pela Santa Inquisição às obras artísticas no Brasil.
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.5. (UFPA) Assinale a alternativa correta a respeito de Gregório de Matos ou do Barroco. 
(A) Gregório de Matos é considerado o autor mais importante do Barroco brasileiro por ter introduzido a estética no país e ter escrito poemas épicos, de herança camoniana, em louvor à pátria, traço do nativismo literário da época. 
(B) A crítica reconhece a obra lírica de Gregório de Matos como superior à satírica, porque, nela, o autor não trabalha com o jogo de palavras que instaura o erótico e às vezes até o licencioso. 
(C) Tematicamente, a poesia de Gregório de Matos trabalha a religião, o amor, os costumes e a reflexão moral, às vezes por meio de um jogo entre erotismo idealizado X sensualismo desenfreado; temor divino X desrespeito pelos encarregados dos cultos. 
(D) Conceptismo e cultismo são processos técnicos e expressivos do Barroco que dão simplicidade aos textos, principal objetivo da estética que repudiava os torneios na linguagem. 
(E) O Barroco se destaca como movimento literário único, uma vez que somente em sua estética encontramos o uso de sugestões de luz, cor e som, bem como o uso de metáforas, hipérboles, perífrases, antíteses e paradoxos. 
.6. (INEP-MEC) Leia atentamente o fragmento do sermão do padre Antônio Vieira: A primeira cousa que me desedifica, peixes, de vós, é que comeis uns aos outros. Grande escândalo é este, mas a circunstância o faz ainda maior. Não só vos comeis uns aos outros, senão que os grandes comem os pequenos. Se fora pelo contrário era menos mal. Se os pequenos comeram os grandes, bastara um grande para muitos pequenos; mas como os grandes comem os pequenos, não bastam cem pequenos, nem mil, para um só grande [...]. Os homens, com suas más e perversas cobiças, vêm a ser como os peixes que se comem uns aos outros. Tão alheia causa é não só da razão, mas da mesma natureza, que, sendo criados no mesmo elemento, todos cidadãos da mesma pátria, e todos finalmente irmãos, vivais de vos comer. VIEIRA, Antônio. Obras completas do padre Antônio Vieira: sermões. Vol. III. Prefaciados e revistos pelo Pe. Gonçalo Alves. Porto: Lello & Irmão, 1993, p. 264-5. O texto de Vieira contém algumas características do Barroco. Dentre as alternativas a seguir, assinale aquela em que não se confirmam essas tendências estéticas. 
(A) A utilização da alegoria, da comparação, como recursos oratórios, visando à persuasão do ouvinte. 
(B) A tentativa de convencer o homem do século XVII, imbuído de práticas e sentimentos comuns ao semipaganismo renascentista, a retomar o caminho do espiritualismo medieval, privilegiando os valores cristãos. 
(C) A presença do discurso dramático, recorrendo ao princípio horaciano de “ensinar deleitando” — tendência didática e moralizante, comum à Contrarreforma. 
(D) O tratamento do tema principal — a denúncia à cobiça humana — através do conceptismo, ou jogo de ideias. 
(E) O culto do contraste, sugerindo a oposição bem X mal, em linguagem simples, concisa, direta e expressiva da intenção barroca de resgatar os valores greco-Iatinos. 
.7. (INEP-MEC) O pregar há de ser como quem semeia, e não como quem ladrilha ou azuleja. Ordenado, mas como as estrelas. [...] Todas as estrelas estão por sua ordem; mas é ordem que faz influência, não é ordem que faça lavor. Não fez Deus o céu em xadrez de estrelas, como os pregadores fazem o sermão em xadrez de palavras. Se de uma parte há-de estar branco, da outra há-de estar negro; se de uma parte está dia, da outra há-de estar noite; se de uma parte dizem luz, da outra hão-de dizer sombra; se de uma parte dizem desceu, da outra hão-de dizer subiu. Basta que não havemos de ver num sermão duas palavras em paz? Todas hão-de estar sempre em fronteira com o seu contrário? Aprendamos do céu o estilo da disposição, e também o das palavras. VIEIRA, A. Sermão da Sexagésima. No texto, Vieira critica um certo estilo de fazer sermão, que era comum na arte de pregar dos padres dominicanos da época. O uso da palavra xadrez tem o objetivo de 
(A) defender a ordenação das ideias em um sermão. 
(B) fazer alusão metafórica a um certo tipo de tecido. 
(C) comparar o sermão de certos pregadores a uma verdadeira prisão. 
(D) mostrar que o xadrez se assemelha ao semear. 
(E) criticar a preocupação com a simetria do sermão. 
________________________________________________ *Anotações*
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*MÓDULO 4* A interpretação de textos As competências avaliadas pelo ENEM Saber ler e interpretar um texto adequadamente é condição essencial para qualquer pessoa obter sucesso na vida pessoal e profissional. Nos exames oficiais, como o ENEM e o vestibular, a interpretação de textos vem ocupando boa parte da prova e cumprindo, por isso, um papel decisivo no ingresso à universidade. 
 FOLHA IMAGEM Neste Módulo, você vai conhecer as competências (eixos cognitivos) que são avaliadas nas provas do ENEM e observar como elas são utilizadas nas questões de interpretação de textos. O que é o ENEM? O ENEM é um exame oferecido anualmente a estudantes que estão cursando ou já concluíram o Ensino Médio. Criado em 1998, contou, em sua primeira versão, com a participação de 157 mil inscritos; hoje, cerca de 6 milhões de estudantes participam do exame anualmente. Aos poucos, o ENEM ganhou projeção e reconhecimento nacional, principalmente porque a pontuação obtida pelos participantes passou a servir para o ingresso em várias universidades federais, estaduais e particulares ou passou a compor a nota final de alguns exames vestibulares. Além disso, a concessão de bolsas de estudo em universidades públicas ou em faculdades particulares está vinculada a resultados do ENEM. A avaliação no ENEM As provas do ENEM não têm em vista avaliar se o aluno é capaz ou não de memorizar informações. Seu principal objetivo é avaliar se o aluno tem estruturas mentais desenvolvidas o suficiente para lhe possibilitar interpretar dados, pensar, tomar decisões adequadas, aplicar conhecimentos em situações concretas. E também se tem, na vida social, uma postura ética, cidadã. Para aferir essas capacidades, o ENEM avalia cinco competências que, segundo os idealizadores do exame, são importantes não apenas para a resolução de questões, mas para toda a vida. Mas o que são competências? Eis a explicação de Philippe Perrenoud, especialista em educação: [Competência é a] capacidade de agir eficazmente em um determinado tipo de situação, apoiada em conhecimentos, mas sem limitar-se a eles. Construir as competências desde a escola. Porto Alegre: Artmed, 1999, p. 7. As cinco competências avaliadas pelo ENEM são estas: 
.1. 
DOMINAR LINGUAGENS (DL) Dominar a norma culta da língua portuguesa e fazer uso das linguagens matemática, artística e científica e das línguas espanhola e inglesa. 
.2. 
COMPREENDER FENÔMENOS (CF) Construir e aplicar conceitos das várias áreas do conhecimento, para a compreensão de fenômenos naturais, de processos histórico-geográficos, da produção tecnológica e das manifestações artísticas. 
.3. 
ENFRENTAR SITUAÇÕES-PROBLEMA (SP) Selecionar, organizar, relacionar e interpretar dados e informações, representados de diferentes formas, para tomar decisões e enfrentar situações- -problema. 
.4. 
CONSTRUIR ARGUMENTAÇÃO (CA) Relacionar informações, representadas de diferentes formas, e conhecimentos disponíveis em situações concretas, para construir argumentação consistente. 
.5. 
ELABORAR PROPOSTAS (EP) Recorrer aos conhecimentos desenvolvidos na escola, para elaboração de propostas de intervenção solidária na realidade, respeitando os valores humanos e considerando a diversidade sociocultural. 
< www.enem.inep.gov.br >. Em maio de 2009, o MEC publicou o documento Matriz de Referência para o Enem 2009, reiterando as cinco competências gerais, mas chamando-as de eixos cognitivos. Divulgou também uma relação com as competências específicas de cada área a serem avaliadas no ENEM. Conheça o documento na íntegra acessando o site www.enem.inep.gov.br.
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*********** ATIVIDADES *********** As questões a seguir foram extraídas de provas do ENEM. Depois de resolvê-las, indique as competências (eixos cognitivos) que estão sendo avaliadas em cada uma delas. .1. (ENEM-MEC) 
As linhas nas duas figuras geram um efeito que se associa ao seguinte ditado popular: 
(A) Os últimos serão os primeiros. 
(B) Os opostos se atraem. 
(C) Quem espera sempre alcança. 
(D) As aparências enganam. 
(E) Quanto maior a altura, maior o tombo. 
Competências avaliadas: ____________________________ 
.2. (ENEM-MEC) O gráfico abaixo foi extraído de matéria publicada no caderno Economia & Negócios do jornal O Estado de S. Paulo, em 11/6/2006. 
É um título adequado para a matéria jornalística em que esse gráfico foi apresentado: 
(A) Brasil: inflação acumulada em 12 meses menor que a dos EUA 
(B) Inflação do Terceiro Mundo supera pela sétima vez a do Primeiro Mundo 
(C) Inflação brasileira estável no período de 2001 a 2006 
(D) Queda no índice de preços ao consumidor no período 2001-2005 
(E) EUA: ataques terroristas causam hiperinflação 
Competências avaliadas: ____________________________ 
.3. (ENEM-MEC) Os efeitos dos anti-inflamatórios estão associados à presença de inibidores da enzima chamada ciclooxigenase 2 (COX-2). Essa enzima degrada substâncias liberadas de tecidos lesados e as transforma em prostaglandinas pró-inflamatórias, responsáveis pelo aparecimento de dor e inchaço. Os anti-inflamatórios produzem efeitos colaterais decorrentes da inibição de uma outra enzima, a COX-1, responsável pela formação de prostaglandinas, protetoras da mucosa gastrintestinal. O esquema abaixo mostra alguns anti-inflamatórios (nome genérico). As setas indicam a maior ou a menor afinidade dessas substâncias pelas duas enzimas. 
Com base nessas informações, é correto concluir que 
(A) o piroxicam é o anti-inflamatório que mais pode interferir na formação de prostaglandinas protetoras da mucosa gastrintestinal. 
(B) o rofecoxibe é o anti-inflamatório que tem a maior afinidade pela enzima COX-1. 
(C) a aspirina tem o mesmo grau de afinidade pelas duas enzimas. 
(D) o diclofenaco, pela posição que ocupa no esquema, tem sua atividade anti-inflamatória neutralizada pelas duas enzimas. 
(E) o nimesulide apresenta o mesmo grau de afinidade pelas enzimas COX-1 e COX-2. 
Competências avaliadas: ____________________________
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.4. (ENEM-MEC) Tendências nas migrações internacionais O relatório anual (2002) da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) revela transformações na origem dos fluxos migratórios. Observa-se aumento das migrações de chineses, filipinos, russos e ucranianos com destino aos países- -membros da OCDE. Também foi registrado aumento de fluxos migratórios provenientes da América Latina. Trends in international migration – 2002. Disponível em: www.ocde.org. Acesso em: 9/2/2006 (com adaptações). No mapa seguinte, estão destacados, com a cor preta, os países que mais receberam esses fluxos migratórios em 2002. 
As migrações citadas estão relacionadas, principalmente, à 
(A) ameaça de terrorismo em países pertencentes à OCDE. 
(B) política dos países mais ricos de incentivo à imigração. 
(C) perseguição religiosa em países muçulmanos. 
(D) repressão política em países do Leste Europeu. 
(E) busca de oportunidades de emprego. 
Competências avaliadas: ____________________________ 
________________________________________________ *Anotações* .5. (ENEM-MEC) Os mapas a seguir revelam como as fronteiras e suas representações gráficas são mutáveis. 
Essas significativas mudanças nas fronteiras de países da Europa Oriental nas duas últimas décadas do século XX, direta ou indiretamente, resultaram 
(A) do fortalecimento geopolítico da URSS e de seus países aliados, na ordem internacional. 
(B) da crise do capitalismo na Europa, representada principalmente pela queda do muro de Berlim. 
(C) da luta de antigas e tradicionais comunidades nacionais e religiosas oprimidas por Estados criados antes da Segunda Guerra Mundial. 
(D) do avanço do capitalismo e da ideologia neoliberal no mundo ocidental. 
(E) da necessidade de alguns países subdesenvolvidos ampliarem seus territórios. 
Competências avaliadas: ____________________________ 
________________________________________________ *Anotações*
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.6. (ENEM-MEC) Com base em projeções realizadas por especialistas, prevê-se, para o fim do século XXI, aumento de temperatura média, no planeta, entre 1,4 ºC e 5,8 ºC. Como consequência desse aquecimento, possivelmente o clima será mais quente e mais úmido bem como ocorrerão mais enchentes em algumas áreas e secas crônicas em outras. O aquecimento também provocará o desaparecimento de algumas geleiras, o que acarretará o aumento do nível dos oceanos e a inundação de certas áreas litorâneas. As mudanças climáticas previstas para o fim do século XXI 
(A) provocarão a redução das taxas de evaporação e de condensação do ciclo da água. 
(B) poderão interferir nos processos do ciclo da água que envolvem mudanças de estado físico. 
(C) promoverão o aumento da disponibilidade de alimento das espécies marinhas. 
(D) induzirão o aumento dos mananciais, o que solucionará os problemas de falta de água no planeta. 
(E) causarão o aumento do volume de todos os cursos de água, o que minimizará os efeitos da poluição aquática. 
Competências avaliadas: ____________________________ 
.7. (ENEM-MEC) 
GONSALES, Fernando. Vá Pentear Macacos! São Paulo: Devir, 2004. São características do tipo de reprodução representado na tirinha: 
(A) simplicidade, permuta de material gênico e variabilidade genética. 
(B) rapidez, simplicidade e semelhança genética. 
(C) variabilidade genética, mutação e evolução lenta. 
(D) gametogênese, troca de material gênico e complexidade. 
(E) clonagem, gemulação e partenogênese. 
Competências avaliadas: ____________________________ 
Texto para as questões 8 e 9. O Aedes aegypti é vetor transmissor da dengue. Uma pesquisa feita em São Luís-MA, de 2000 a 2002, mapeou os tipos de reservatório onde esse mosquito era encontrado. A tabela abaixo mostra parte dos dados coletados nessa pesquisa. tipos de reservatórios população de A. aegypti 2000 2001 2002 
pneu 
895 
1.658 
974 
tambor/tanque/depósito de barro 
6.855 
46.444 
32.787 
vaso de planta 
456 
3.191 
1.399 
material de construção/peça de carro 
271 
436 
276 
garrafa/lata/plástico 
675 
2.100 
1.059 
poço/cisterna 
44 
428 
275 
caixa-d’água 
248 
1.689 
1.014 
recipiente natural, armadilha, piscina e outros 
615 
2.658 
1.178 total 10.059 58.604 38.962 
Caderno Saúde Pública, vol. 20, n.º 5, Rio de Janeiro, out./2004 (com adaptações). .8. (ENEM-MEC) De acordo com essa pesquisa, o alvo inicial para a redução mais rápida dos focos do mosquito vetor da dengue nesse município deveria ser constituído por 
(A) pneus e caixas-d’água. 
(B) tambores, tanques e depósitos de barro. 
(C) vasos de plantas, poços e cisternas. 
(D) materiais de construção e peças de carro. 
(E) garrafas, latas e plásticos. 
Competências avaliadas: ____________________________ 
.9. (ENEM-MEC) Se mantido o percentual de redução da população total de A. aegypti observada de 2001 para 2002, teria sido encontrado, em 2003, um número total de mosquitos 
(A) menor que 5.000. 
(B) maior que 5.000 e menor que 10.000. 
(C) maior que 10.000 e menor que 15.000. 
(D) maior que 15.000 e menor que 20.000. 
(E) maior que 20.000. 
Competências avaliadas: ____________________________
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SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 140 LCP  Português  
.10. (ENEM-MEC) Representar objetos tridimensionais em uma folha de papel nem sempre é tarefa fácil. O artista holandês Escher (1898-1972) explorou essa dificuldade criando várias figuras planas impossíveis de serem construídas como objetos tridimensionais, a exemplo da litografia Belvedere, reproduzida abaixo. 
Considere que um marceneiro tenha encontrado algumas figuras supostamente desenhadas por Escher e deseje construir uma delas com ripas rígidas de madeira que tenham o mesmo tamanho. Qual dos desenhos a seguir ele poderia reproduzir em um modelo tridimensional real? 
(A) 
(D) 
(B) 
(E) 
(C) 
Competências avaliadas: ____________________________ .11. (ENEM-MEC) A diversidade de formas geométricas espaciais criadas pelo homem, ao mesmo tempo em que traz benefícios, causa dificuldades em algumas situações. Suponha, por exemplo, que um cozinheiro precise utilizar exatamente 100 mL de azeite de uma lata que contenha 1.200 mL e queira guardar o restante do azeite em duas garrafas, com capacidade para 500 mL e 800 mL cada, deixando cheia a garrafa maior. Considere que ele não disponha de instrumento de medida e decida resolver o problema utilizando apenas a lata e as duas garrafas. As etapas do procedimento utilizado por ele estão ilustradas nas figuras a seguir, tendo sido omitida a 5.ª etapa. 
Qual das situações ilustradas a seguir corresponde à 5.ª etapa do procedimento? 
(A) 
(D) 
(B) 
(E) 
(C) 
Competências avaliadas: ____________________________ 
________________________________________________ *Anotações*
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Literatura brasileira Arcadismo (1768-1808) Marco inicial Publicação de Obras Poéticas, de Cláudio Manuel da Costa. 
 ARQUIVO / UFMG  Vários poetas árcades participaram do movimento contra o governo português conhecido por Conjuração Mineira, mas somente Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, pagou com a vida a ousadia de querer lutar pela nossa independência. Na ilustração, uma representação impressionante do suplício de Tiradentes, obra do pintor Pedro Américo (1843-1905) Panorama histórico O Arcadismo ou Neoclassicismo corresponde ao período de superação dos conflitos religiosos da época barroca. No século XVIII, a fé e a religião perdem importância, e a Razão e a Ciência passam a explicar o homem e o mundo. O Arcadismo coincide com o Século das Luzes, marcado pelo Iluminismo (Rousseau, Montesquieu, Voltaire); pelo Empirismo Científico (Newton, Lavoisier, Lineu, Locke); pelo Enciclopedismo (Diderot, D’Alembert) e, no âmbito político, pelo Despotismo Esclarecido. Representa, historicamente, o último período de dominação da aristocracia e as primeiras investidas da burguesia emergente na Revolução Comercial. A partir da Revolução Francesa (1789), a burguesia assume a condição de classe dominante. Em Portugal, corresponde à época do Marquês de Pombal (1750-1777), que operou profundas transformações administrativas e educacionais, como a expulsão dos jesuítas, o fim da submissão à Santa Inquisição, a laicização do ensino, a reforma universitária e a divulgação das ideias científicas. No Brasil, corresponde ao apogeu da mineração do ouro em Minas Gerais e à transferência do centro econômico e cultural da Colônia do Norte (Pernambuco e Bahia) para o Centro-Sudeste (Minas Gerais e Rio de Janeiro). Corresponde, também, à fase das primeiras rebeliões contra o estatuto colonial, como a Inconfidência Mineira, a Revolução dos Alfaiates, etc. Daí o nativismo, que passa a ser reivindicatório, e não mais apenas descritivo e pitoresco, como ocorrera no Quinhentismo e no Barroco. A vida literária ganha novo alento com o surgimento de um público leitor. Estabiliza-se, dessa forma, a relação autor-obra-leitor, vale dizer, surgem escritores brasileiros, que escrevem sobre o Brasil, para leitores brasileiros. Características árcades 
 Volta aos modelos clássicos: revalorização dos princípios poéticos greco-romanos e renascentistas. Daí a denominação Neoclassicismo. 
 Arte como imitação dos grandes autores: o poeta imita, não a natureza, como propugnava Aristóteles na Antiguidade, mas os autores antigos ou renascentistas (Horácio, Ovídio, Virgílio, Petrarca, Camões). O poeta arcádico não visa à originalidade, mas à perfeição na imitação do modelo. 
 Bucolismo e pastoralismo: os árcades tematizam a natureza, vista sempre como cenário ameno e aprazível. A natureza é convencional e serve de cenário para a vida serena dos pastores e suas musas, ou de testemunha impassível dos lamentos e desenganos do poeta. 
 Temas clássicos: o carpe diem (= aproveita o dia), quando o pastor, tendo em vista que o tempo passa e tudo degenera, convida a pastora a viver e gozar o momento presente; o aurea mediocritas (= mediania de ouro), ideal de vida pacata e sem excessos ou extremos; o fugere urbem (= fugir da civilização), que consiste na exaltação da vida simples, e o locus amoenus (= lugar ameno), que significa buscar a felicidade na natureza. Os poetas árcades adotavam como lema o inutilia truncat (= cortar o inútil), exprimindo a oposição aos exageros ornamentais do Barroco. 
 Fingimento e afetação: os poetas árcades adotavam pseudônimos pastoris e se referiam a suas amadas como musas. Sempre estavam envolvidos em cenas poéticas e musicais que exaltavam a vida campestre. Não existe, porém, a subjetividade melancólica que ainda vai assolar o homem romântico; os sentimentos são “fingidos”, usados como motivos estéticos, e não espontâneos.
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SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 142 LCP  Português  
Principais autores e obras 
 Cláudio Manuel da Costa (1729-1789; pseudônimo: Glauceste Satúrnio) — Obras Poéticas; Vila Rica 
 Tomás Antônio Gonzaga (1744-1810; pseudônimos: Dirceu e Critilo) — Marília de Dirceu; Cartas Chilenas 
 Basílio da Gama (1741-1795; pseudônimo: Termindo Sipílio) — O Uraguai 
 Frei Santa Rita Durão (1722-1784) — Caramuru 
 Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765-1805; pseudônimo: Elmano Sadino) — Idílios Marítimos; Rimas; A Pena de Talião 
Pré-Romantismo (1808-1836) Denomina-se Pré-Romantismo a fase de transição entre a Era Colonial e a Era Nacional (1808-1836). Essa fase foi marcada, no plano histórico, pela transmigração da Família Real Portuguesa e pelos desdobramentos de sua presença no Brasil (Abertura dos Portos, Imprensa Régia, primeiros cursos superiores de Medicina e Direito, etc.). No plano literário, destacam-se: o jornalismo político (Evaristo da Veiga, Hipólito da Costa e Januário Barbosa da Cunha); a oratória sacra (Frei Francisco de Monte Alverne) e a poesia didática e moralizante (Padre Sousa Caldas e Américo Elísio, pseudônimo de José Bonifácio de Andrada e Silva). 
 Fique ligado! Pesquise!  
 Assistir: aos filmes Danton – O processo da Revolução (1982), de Andrzej Wajda; Ligações perigosas (1988), de Stephen Frears; Casanova e a Revolução (1982), de Ettore Scola; Amadeus (1984), de Milos Forman — todos relacionados com o contexto político e cultural europeu da época. Veja também A Missão (1986), de Roland Joffé, cujo tema também foi tratado pelo poeta árcade brasileiro Basílio da Gama, em seu poema épico O Uraguai. 
 Pesquisar: sobre as ideias e as obras dos filósofos iluministas Voltaire, Montesquieu, Rousseau, Diderot e D’Alembert. Procure saber também sobre a Enciclopédia, escrita por eles, e sobre o Despotismo Esclarecido. 
 Ouvir: os compositores de destaque da época, como Johann Sebastian Bach e Wolfgang Amadeus Mozart. 
 Comparar: os princípios que regem a Constituição brasileira e as ideias políticas dos iluministas do século XVIII. 
 Conhecer: a pintura da época, especialmente a do pintor francês Antoine Watteau. 
 *ATENÇÃO, ESTUDANTE!*  Para complementar o estudo deste Módulo, utilize seu LIVRO DIDÁTICO. *********** ATIVIDADES *********** Texto para as questões 1 e 2. 01 Torno a ver-vos, ó montes; o destino 02 Aqui me torna a pôr nestes outeiros, 03 Onde um tempo os gabões deixei grosseiros 04 Pelo traje da Corte, rico e fino. 05 Aqui estou entre Almendro, entre Corino, 06 Os meus fiéis, meus doces companheiros, 07 Vendo correr os míseros vaqueiros 08 Atrás de seu cansado desatino. 09 Se o bem desta choupana pode tanto, 10 Que chega a ter mais preço, e mais valia 11 Que, da Cidade, o lisonjeiro encanto, 12 Aqui descanse a louca fantasia, 13 E o que até agora se tornava em pranto 14 Se converta em afetos de alegria. COSTA, Cláudio Manoel da. In: FILHO, Domício Proença. A poesia dos inconfidentes. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2002, p. 78-9. .1. (ENEM-MEC) Considerando o soneto de Cláudio Manoel da Costa e os elementos constitutivos do Arcadismo brasileiro, assinale a opção correta acerca da relação entre o poema e o momento histórico de sua produção. 
(A) Os “montes” e “outeiros”, mencionados na primeira estrofe, são imagens relacionadas à Metrópole, ou seja, ao lugar onde o poeta se vestiu com traje “rico e fino”. 
(B) A oposição entre a Colônia e a Metrópole, como núcleo do poema, revela uma contradição vivenciada pelo poeta, dividido entre a civilidade do mundo urbano da Metrópole e a rusticidade da terra da Colônia. 
(C) O bucolismo presente nas imagens do poema é elemento estético do Arcadismo que evidencia a preocupação do poeta árcade em realizar uma representação literária realista da vida nacional. 
(D) A relação de vantagem da “choupana” sobre a “Cidade”, na terceira estrofe, é formulação literária que reproduz a condição histórica paradoxalmente vantajosa da Colônia sobre a Metrópole. 
(E) A realidade de atraso social, político e econômico do Brasil Colônia está representada esteticamente no poema pela referência, na última estrofe, à transformação do pranto em alegria.
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SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 143 LCP  Português  
.2. (ENEM-MEC) Assinale a opção que apresenta um verso do soneto de Cláudio Manoel da Costa em que o poeta se dirige ao seu interlocutor. 
(A) “Torno a ver-vos, ó montes; o destino” (v. 1). 
(B) “Aqui estou entre Almendro, entre Corino” (v. 5). 
(C) “Os meus fiéis, meus doces companheiros” (v. 6). 
(D) “Vendo correr os míseros vaqueiros” (v. 7). 
(E) “Que, da Cidade, o lisonjeiro encanto” (v. 11). 
.3. (FATEC-SP) Sobre o Arcadismo brasileiro só não se pode afirmar que: 
(A) tem suas fontes nos antigos autores gregos e latinos, dos quais imita os motivos e as formas. 
(B) teve em Cláudio Manuel da Costa o representante que, de forma original, recusou a motivação bucólica e os modelos camonianos da lírica amorosa. 
(C) nos legou os poemas de feição épica Caramuru (de Frei José de Santa Rita Durão) e O Uraguai (de Basílio da Gama), no qual se reconhece qualidade literária destacada em relação ao primeiro. 
(D) norteou, em termos dos valores estéticos básicos, a produção dos versos de Marília de Dirceu, obra que celebrizou Tomás Antônio Gonzaga e que destaca a originalidade de estilo e de tratamento local dos temas pelo autor. 
(E) apresentou uma corrente de conotação ideológica, envolvida com as questões sociais do seu tempo, com a crítica aos abusos do poder da Coroa portuguesa. 
Leia o texto abaixo, de autoria de Cláudio Manuel da Costa, para responder às questões 4 e 5. Este é o rio, a montanha é esta, Estes os troncos, estes os rochedos; São estes inda os mesmos arvoredos; Esta é a mesma rústica floresta. Tudo cheio de horror se manifesta, Rio, montanha, troncos e penedos; Que de amor nos suavíssimos enredos Foi cena alegre, e urna é já funesta. Oh quão lembrado estou de haver subido Aquele monte, e as vezes que, baixando, Deixei do pranto o vale umedecido! Tudo me está a memória retratando; Que da mesma saudade o infame ruído Vem as mortas espécies despertando. .4. (INEP-MEC) Assinale a opção que se refere ao texto de modo correto. 
(A) Observa-se o elogio do pastoralismo, com a consequente crítica aos males que o meio urbano traz ao homem. 
(B) A natureza é cenário tranquilo, retratada sem levar em conta o estado de espírito de quem a descreve. 
(C) A antítese “Foi cena alegre, e urna é já funesta” resume o poema, indicando a passagem do tempo e a lembrança do amor perdido. 
(D) Exemplo típico do Arcadismo, constata-se o predomínio da razão sobre a emoção, o que revela a influência da lógica iluminista. 
(E) Recomenda que se aproveite o dia (carpe diem), embora fazendo referência à constância da vida e à previsibilidade do destino. 
.5. (INEP-MEC) Ainda a respeito do poema, assinale a opção incorreta. 
(A) A métrica regular e a estrutura — um soneto — indicam a proximidade do Romantismo. 
(B) Apresenta construções em ordem indireta, mas sem o radicalismo da escrita barroca. 
(C) Percebe-se uma identificação entre o poeta e a natureza que o rodeia. 
(D) A organização em dois quartetos e dois tercetos é de natureza greco-latina. 
(E) Há uma contenção do poeta no uso de figuras de linguagem, como a metáfora “e urna é já funesta”. 
.6. (UESPI-PI) Assinale a alternativa correta acerca do Arcadismo brasileiro e de seus autores. 
(A) Foi um movimento literário posterior ao Romantismo, que teve repercussão em todo o Brasil, especialmente em Minas e São Paulo. 
(B) A obra lírica mais divulgada foi Marília de Dirceu, longo poema de Tomás Antônio Gonzaga. Nele, o poeta se transforma em Dirceu, pastor que se enamora da pastora Marília, tendo como cenário um ambiente bucólico. 
(C) Cláudio Manuel da Costa, também árcade, escreveu Cartas Chilenas, uma crítica à colonização portuguesa. 
(D) Silva Alvarenga é o autor de O Uraguai, único poema épico do Arcadismo. 
(E) Entre as características árcades estão: a volta aos padrões greco-latinos, a visão idílica da natureza, o uso exacerbado da linguagem figurada, das contradições e dos contrastes. 
________________________________________________ *Anotações*
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.7. (SEE-AC) Assinale E nas erradas e C nas corretas. 
01. (**) 
A literatura brasileira da fase colonial é autônoma em relação à Metrópole. 
02. (**) 
Toda a literatura colonial é basicamente advinda dos membros da Companhia de Jesus, sem nenhuma contribuição dos colonos. 
03. (**) 
A Carta de Pero Vaz de Caminha é considerada como nossa “certidão de nascimento”. 
04. (**) 
A literatura dos cronistas é basicamente informativa, geográfica e curiosa das coisas locais. 
05. (**) 
Autores românticos e modernistas valeram-se de sugestões temáticas e formais das crônicas de viagem. 
06. (**) 
A literatura dos viajantes é ocorrência exclusivamente brasileira, não tendo nenhum similar em nenhuma outra parte do mundo. 
07. (**) 
A poesia de Anchieta está presa aos modelos renascentistas e reflete, em seus sonetos, uma transparente influência de Camões. 
08. (**) 
A literatura de informação ressalta a importância do trabalho com o estilo, com a forma. 
09. (**) 
A atitude de Caminha em frente à terra recém- -descoberta é de decepção e de repulsa pelo índio. 
10. (**) 
A produção informativa do Quinhentismo tem maior valor histórico-documental que literário. 
11. (**) 
A exaltação das virtudes da terra prestava-se, também, ao incentivo à imigração e aos investimentos da Europa na Colônia. 
.8. (SEE-AC) Coloque o nome do estilo a que se referem as definições seguintes (Barroco ou Arcadismo). 
a) Procurou-se o campo, a sua pureza, para uma motivação estética contra certa conturbação anterior nas letras. (________________) 
b) Os pastores seriam o modelo, procurando-se, acima de tudo, simplicidade. (________________) 
c) A arte é complexa, cheia de contrastes e hesitações. (________________) 
d) É um tempo místico, religioso, com o homem tentando obter uma resposta para os seus problemas nos valores espirituais. (________________) 
e) A finalidade é depurar a língua, voltando ao “cattivo gusto”. (________________) 
f) “Inutilia truncat” é o lema, a expressão de vanguarda para os seus princípios estéticos. (________________) 
g) O estilo é contornado, rebuscado, com uma série de raciocínios, ficando o homem em certo dilema. (________________) 
h) O Iluminismo é um dos princípios básicos, isso na França, numa época em que o Enciclopedismo é uma nota marcante. (________________) 
i) A arte é o reflexo de todo o luxo que caracteriza a escultura e a pintura das igrejas. (________________) 
j) Nos poemas, a ordem da frase passa a ser mais direta, embora ainda se procure certa perfeição formal. (________________) 
.9. (UFPE) Ao longo da história da literatura, ocorrem vários estilos. O Barroco, por exemplo, é o nome de um estilo que predominou no século XVII. Podemos dizer que estilo literário 
(A) é a síntese das características do principal escritor de uma época. 
(B) são os procedimentos artísticos e as concepções de mundo predominantes nas obras de uma certa época. 
(C) é o conjunto dos estilos individuais de todos os autores de uma certa época. 
(D) é a expressão exata do modo de pensar de todos os escritores de uma certa época. 
(E) n.d.a. 
________________________________________________ *Anotações*
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SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 154 LCT  Português  
*MÓDULO 1* 
Organização textual – Gêneros argumentativos 
Recursos para convencer 
Nos gêneros argumentativos, o autor geralmente tem 
a intenção de convencer seus interlocutores e, para isso, 
precisa apresentar bons argumentos, que consistem em 
fatos e opiniões. É comum encontrarmos circulando no 
rádio, na TV, nas revistas, nos jornais e na internet temas 
polêmicos que exigem uma posição por parte dos 
ouvintes, espectadores e leitores. Num jornal, por 
exemplo, podemos identificar vários gêneros 
argumentativos – o artigo de opinião, o editorial, a 
coluna. Por vezes, alguns textos de caráter informativo, 
como reportagens, podem trazer juízos de valor ou 
adotar um posicionamento crítico (veja a reportagem 
reproduzida em Atividades 1). 
O importante, para se preparar para a prova do 
ENEM, é saber reconhecer estratégias argumentativas e 
procedimentos de argumentação. Os procedimentos 
implicam estruturar o texto de acordo com o receptor 
(uso de linguagem adequada e construção coerente da 
argumentação), e as estratégias são recursos que podem 
ser usados para reforçar a argumentação. Agora, 
analisemos alguns gêneros que, de imediato, podem ser 
identificados como argumentativos: 
 Artigo opinativo: comum nos jornais e revistas, ele é, 
em geral, escrito por colaboradores ou 
personalidades convidadas e não reflete 
necessariamente a opinião do veículo de 
comunicação. Analisa um fato ou uma série de fatos 
em relação ao contexto político, social, econômico ou 
comportamental. Segue a estrutura de um texto 
dissertativo: introdução/desenvolvimento/conclusão. 
Pode ser escrito na primeira ou na terceira pessoa. 
 Coluna: é um espaço dos jornais e revistas 
prioritariamente destinado à informação exclusiva, ao 
bastidor da notícia – comporta a manifestação do 
colunista sobre aquele fato que está informando ou 
analisando, muitas vezes com postura crítica em 
relação aos acontecimentos. Dois exemplos: 
Gustavo Ioschpe, da revista Veja, e Clóvis Rossi, do 
jornal Folha de S. Paulo. 
 Editorial/Carta ao leitor: espaço reservado nos 
jornais e revistas para manifestar a opinião do 
veículo, da instituição – opinião que, na verdade, é 
definida pelos dirigentes (muitas vezes, o próprio 
dono) da empresa. Diferentemente dos outros 
formatos, o editorial não tem nenhuma preocupação 
em informar o leitor, mas em formar opinião. Em vez 
de fatos, traz argumentos, que se tornam 
convincentes graças a recursos de retórica. Por 
emitir a opinião do veículo, o texto pode vir sem a 
assinatura do autor ou então ser assinado pelo 
editor, em nome da publicação. 
Esses são apenas alguns gêneros. É importante 
saber que a argumentação e a persuasão estão 
presentes no texto publicitário, nas cartas argumentativas 
e, principalmente, em textos de caráter teoricamente 
informativo. 
REPRODUÇÃO 
 Campanha da Prefeitura de São Paulo mostra bons motivos para 
adotar um animal de estimação com responsabilidade 
 Os gêneros argumentativos têm a finalidade de 
persuadir e convencer o leitor a respeito de 
determinado assunto. 
 As estratégias argumentativas podem ser 
construídas a partir de exemplos e comparação, 
citações, menções a dados numéricos, uso de ironia 
ou, ainda, na apresentação de uma ideia para, em 
seguida, contradizê-la ou diminuir sua importância. 
 A falácia é construída quando se dá segmento a um 
raciocínio errado, fazendo-o aparentar verdadeiro. 
Argumentos que se destinam à persuasão podem 
parecer convincentes para grande parte do público 
apesar de conter falácias, mas não deixam de ser 
falsos.
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SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 155 LCT  Português  
Articulação de ideias – Coesão e coerência 
 Articular ideias é estabelecer a relação entre 
palavras e frases. Devidamente conectadas, elas 
formam um todo que tem sentido para determinado 
grupo de pessoas em determinada situação. 
 Há dois fatores importantes para tornar um texto 
inteligível: coesão e coerência. 
 A coesão consiste nas articulações gramaticais 
existentes entre as palavras, orações, frases, e 
parágrafos que garantem sua conexão textual. Um 
dos recursos mais comuns é o uso de conectivos, 
como as conjunções, por exemplo. Para cada tipo de 
relação que se pretende estabelecer entre duas 
orações, existe uma conjunção que se adapta a ela. 
Algumas conjunções: 
 aditivas: e, nem, não só... como também 
 adversativas: mas, porém, contudo, todavia, 
entretanto 
 concessivas: embora, apesar de 
 explicativas: pois (antes de verbo), porque 
 conclusivas: portanto, logo, por isso, pois (depois de 
verbo) 
 Coerência é o resultado da articulação das ideias de 
um texto. É a estrutura lógico-semântica que faz com 
que, numa situação discursiva, palavras e frases 
componham um todo significativo para os 
interlocutores. Ela está, portanto, ligada à 
possibilidade de compreensão daquilo que se ouve 
ou lê. 
 Recursos expressivos: as figuras de linguagem ou 
de estilo são empregadas para valorizar o texto, 
tornando a linguagem mais rica e expressiva. Usam-se, 
para isso, as palavras em seu sentido conotativo, 
e não com seu significado literal. As principais são: 
comparação 
metáfora 
metonímia 
ironia 
Pontos de vista – Recursos persuasivos 
 Para se preparar para a prova do ENEM, é 
importante desenvolver a capacidade de ler, 
compreender e interpretar textos de diferentes 
gêneros e linguagens, como fotos, charges e poesia. 
 Identificar diferentes pontos de vista – Não são 
apenas os artigos opinativos das revistas e dos 
jornais que apresentam uma postura sobre 
determinado assunto. Ao resolver questões que 
mostram pontos de vista diversos, é importante 
distinguir frases ou períodos que evidenciem (ou 
representem argumentos que reforcem) a opinião do 
autor. 
 Em questões que exigem a análise de textos 
opinativos, é fundamental responder de acordo com 
a opinião expressa no texto, e não a partir de sua 
própria. Não há posicionamento certo ou errado, mas 
maneiras de expor um ponto de vista. 
 Existem duas principais estratégias de persuasão. A 
explícita expõe claramente seu ponto de vista e 
recorre a argumentos lógicos e racionais, às vezes 
propositalmente incorretos. A implícita, mais sutil, 
apela para o emocional. 
Organização textual – Gêneros narrativos 
 Tipos de texto – Basicamente, há seis tipos de texto: 
descrição, narração, injunção, argumentação, 
exposição e agrupamento tipológico “relatar”. De 
modo geral, podemos dizer que a descrição se 
caracteriza por ser um “retrato verbal” de pessoas, 
objetos, animais, sentimentos, cenas ou ambientes; 
a narração é um entrelaçamento de fatos contados 
por um narrador, envolvendo personagens, 
localizadas no tempo e no espaço; e a argumentação 
é a expressão de opinião a respeito de um assunto. 
 Elementos do texto narrativo: 
 Enredo: sequência de acontecimentos narrados na 
história. 
 Foco narrativo (1.ª e 3.ª pessoa): presença de 
narrador (narrador-personagem, narrador- 
-observador). 
 Personagens (protagonista, antagonista e 
coadjuvante). 
 Tempo (cronológico e psicológico). 
 Espaço. 
 Os gêneros narrativos são inúmeros; os mais 
conhecidos são: romance, crônica, conto, novela, 
fábula. Há ainda: piada, mito, novela etc. 
 Romance: narrativa longa, de enredo normalmente 
imaginário, mas verossímil. Os personagens são 
mais elaborados psicologicamente. 
 Crônica: narrativa curta, inspirada em algum fato 
cotidiano. Pode fazer uma crítica indireta ou ter 
toques de humor. 
 A diferença entre antítese e paradoxo é que a 
antítese se baseia na comparação por contraste ou 
justaposição de contrários, enquanto o paradoxo se 
reconhece como uma relação interna de contrários: 
 Antítese: Eu sou tímido, você é extrovertido. 
 Paradoxo: Eu sou um tímido extrovertido.
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********** ATIVIDADES 1 ********** 
Texto para a questão 1. 
Por que tantas tragédias? 
Há um imenso equívoco no modo de ocupação 
do solo brasileiro. Construímos casas 
nas várzeas e nas encostas íngremes 
O Brasil foi premiado pela natureza por rios de imenso 
volume d’água e, como consequência, algumas das 
maiores várzeas (áreas originalmente florestadas) do 
mundo. Isso é a razão de nossa proverbial fertilidade e 
explica nossa aptidão para produzir comida, a base da 
nossa atual prosperidade. No entanto, há um imenso 
equívoco no modo de ocupação do solo brasileiro. 
Construímos nossas casas nas várzeas – que, num 
ecossistema equilibrado, absorviam a água que 
transbordava dos rios – e nas encostas íngremes. 
Esse erro é cometido mais ou menos do mesmo jeito 
no país todo, o que explica por que regiões tão diversas 
como Santa Catarina, Alagoas e Pará tenham problemas 
semelhantes. Várzea ocupada é aquilo que os noticiários 
chamam de enchente. Encosta ocupada é mais 
conhecida como deslizamento. A questão central agora é 
desocupar essas regiões para que, no ano que vem, 
quando chover de novo, não haja ninguém mais morando 
lá. 
E onde botamos as pessoas que vivem em várzeas e 
encostas? Para responder a essa pergunta, é importante 
antes entender por que essas regiões foram ocupadas. A 
resposta é complexa, mas pode ser simplificada em duas 
palavras: especulação imobiliária. 
No Brasil, país de economia historicamente instável, 
sempre foi ótimo negócio ser dono de terra e ficar lá 
sentado nela sem fazer nada. O modelo de urbanização 
do país, que concentrava a economia no centro da 
cidade e ia se expandindo para fora, garantia a certeza 
de que um terreno distante ontem viraria centro amanhã 
e seu valor se multiplicaria. Por conta disso, há na região 
central das maiores cidades brasileiras uma quantidade 
imensa de terrenos vazios ou subutilizados, só 
esperando valorização. Isso faz os preços de imóveis 
disparar, e os trabalhadores demandados pelas cidades 
acabam indo se espremer em várzeas e encostas, únicas 
terras baratas. 
Isso é um problema para as cidades, porque força os 
trabalhadores a atravessar dezenas de quilômetros de 
asfalto para chegar ao trabalho, no centro. E é aí que 
mora nossa grande oportunidade. 
O que o Brasil precisa fazer agora é tirar as pessoas 
das encostas e várzeas e colocá-las nesses pedaços 
vazios do centro da cidade (a última coisa que queremos 
é colocar as pessoas ainda mais longe, aumentando 
ainda mais o trânsito e os custos do transporte público). 
Isso trará várias vantagens. Permitirá às cidades fazerem 
grandes parques lineares em volta dos rios, onde hoje há 
avenidas, com instalações esportivas e ciclovias. Levará 
trabalhadores para as regiões centrais, diminuindo a 
pressão no transporte público e no trânsito. Embelezará 
as cidades, criará oportunidades econômicas, moverá a 
economia e fará o Brasil rodar. 
Mas como fazer os especuladores colaborar? O 
remédio tem três doses: educação, fiscalização e 
punição. Primeiro ensina-se os proprietários a adaptarem 
sua situação para que os terrenos vazios parem de 
prejudicar a cidade e sejam ocupados. Dá-se a eles um 
prazo para se adaptar – e prazos curtos funcionam muito 
melhor do que prazos longos. Quem não se adapta paga 
impostos cada vez mais altos ou é desapropriado. 
Precisamos começar a fazer isso rápido, assim que as 
chuvas pararem. Mas o planejamento precisa ser de 
longuíssimo prazo, coisa de 30 anos, para que as obras 
de 2011 não sejam apenas a maquiagem de sempre 
(piscinões, muros, dragas e aumentos de calha), mas o 
primeiro passo de uma reforma profunda no sistema de 
ocupação do Brasil. 
Blog Sustentável é Pouco. Adaptado. Disponível em: 
< http://veja.abril.com.br/blog/denis-russo/ >. 
1. (AED-SP) 
O texto tem uma estrutura dissertativo-argumentativa – 
há um posicionamento do autor e ele encadeia ideias 
para sustentar seu ponto de vista. Quais foram os 
argumentos utilizados? 
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2. (ENEM-MEC) 
O então presidente Lula assinou, em 29 de setembro de 
2008, decreto sobre o Novo Acordo Ortográfico da 
Língua Portuguesa. As novas regras afetam 
principalmente o uso dos acentos agudo e circunflexo, do 
trema e do hífen. 
Longe de um consenso, muita polêmica tem-se levantado 
em Macau e nos oito países de língua portuguesa: Brasil, 
Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, 
Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste. 
Comparando as diferentes opiniões sobre a validade de 
se estabelecer o acordo para fins de unificação, o 
argumento que, em grande parte, foge a essa discussão 
é
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(A) “A Academia (Brasileira de Letras) encara essa aprovação como um marco histórico. Inscreve-se, finalmente, a Língua Portuguesa no rol daquelas que conseguiram beneficiar-se há mais tempo da unificação de seu sistema de grafar, numa demonstração de consciência da política do idioma e de maturidade na defesa, difusão e ilustração da língua da Lusofonia.” SANDRONI, C. Presidente da ABL. Disponível em: < http://www.academia.org.br >. (B) “Acordo ortográfico? Não, obrigado. Sou contra. Visceralmente contra. Filosoficamente contra. Linguisticamente contra. Eu gosto do ‘c’ do ‘actor’ e o ‘p’ de ‘cepticismo’. Representam um património, uma pegada etimológica que faz parte de uma identidade cultural. A pluralidade é um valor que deve ser estudado e respeitado. Aceitar essa aberração significa apenas que a irmandade entre Portugal e o Brasil continua a ser a irmandade do atraso.” COUTINHO, J. P. Folha de S. Paulo. Ilustrada. 28 set. 2008, E1 (adaptado). (C) “Há um conjunto de necessidades políticas e econômicas com vista à internacionalização do português como identidade e marca econômica. É possível que o [Fernando] Pessoa, como produto de exportação, valha mais do que a PT [Portugal Telecom]. Tem um valor econômico único.” RIBEIRO, J. A. P. Ministro da Cultura de Portugal. Disponível em: < http://ultimahora.publico.clix.pt >. (D) “É um acto cívico batermo-nos contra o Acordo Ortográfico. O acordo não leva a unidade nenhuma. Não se pode aplicar na ordem interna um instrumento que não está aceito internacionalmente e nem assegura a defesa da língua como património, como prevê a Constituição nos artigos 9.º e 68.º.” MOURA, V. G. Escritor e eurodeputado. Disponível em: < www.mundoportugues.org >. (E) “Se é para ter uma lusofonia, o conceito [unificação da língua] deve ser mais abrangente e temos de estar em paridade. Unidade não significa que temos que andar todos ao mesmo passo. Não é necessário que nos tornemos homogéneos. Até porque o que enriquece a língua portuguesa são as diversas literaturas e formas de utilização.” RODRIGUES, M. H. Presidente do Instituto Português do Oriente, sediado em Macau. Disponível em: < http://taichungpou.blogspot.com > (adaptado). ________________________________________________ *Anotações* 3. (ENEM-MEC) A Herança Cultural da Inquisição A Inquisição gerou uma série de comportamentos humanos defensivos na população da época, especialmente por ter perdurado na Espanha e em Portugal durante quase 300 anos, ou no mínimo quinze gerações. Embora a Inquisição tenha terminado há mais de um século, a pergunta que fiz a vários sociólogos, historiadores e psicólogos era se alguns desses comportamentos culturais não poderiam ter-se perpetuado entre nós. Na maioria, as respostas foram negativas, ou seja, embora alterasse sem dúvida o comportamento da época, nenhum comportamento permanece tanto tempo depois, sem reforço ou estímulo continuado. Não sou psicólogo nem sociólogo para discordar, mas tenho a impressão de que existem alguns comportamentos estranhos na sociedade brasileira, e que fazem sentido se você os considerar resquícios da era da Inquisição. […] KANITZ, S. A Herança Cultural da Inquisição. In: Revista Veja. Ano 38, n.º 5, 2 fev. 2005 (fragmento). Considerando-se o posicionamento do autor do fragmento a respeito de comportamentos humanos, o texto (A) enfatiza a herança da Inquisição em comportamentos culturais observados em Portugal e na Espanha. (B) contesta sociólogos, psicólogos e historiadores sobre a manutenção de comportamentos gerados pela Inquisição. (C) contrapõe argumentos de historiadores e sociólogos a respeito de comportamentos culturais inquisidores. (D) relativiza comportamentos originados na Inquisição e observados na sociedade brasileira. (E) questiona a existência de comportamentos culturais brasileiros marcados pela herança da Inquisição. Textos para as questões 4 e 5. Texto I É praticamente impossível imaginarmos nossas vidas sem o plástico. Ele está presente em embalagens de alimentos, bebidas e remédios, além de eletrodomésticos, automóveis etc. Esse uso ocorre devido à sua atoxicidade e à inércia, isto é: quando em contato com outras substâncias, o plástico não as contamina; ao contrário, protege o produto embalado. Outras duas grandes vantagens garantem o uso dos plásticos em larga escala: são leves, quase não alteram o peso do material embalado, e são 100% recicláveis, fato que, infelizmente, não é aproveitado, visto que, em todo o mundo, a percentagem de plástico reciclado, quando comparado ao total produzido, ainda é irrelevante. Revista Mãe Terra. Minuano, ano I, n.º 6 (adaptado).
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Texto II 
Sacolas plásticas são leves e voam ao vento. Por 
isso, elas entopem esgotos e bueiros, causando 
enchentes. São encontradas até no estômago de 
tartarugas marinhas, baleias, focas e golfinhos, mortos 
por sufocamento. 
Sacolas plásticas descartáveis são gratuitas para os 
consumidores, mas têm um custo incalculável para o 
meio ambiente. 
Veja, 8 jul. 2009. Fragmentos de texto publicitário do 
Instituto Akatu pelo Consumo Consciente. 
4. (ENEM-MEC) 
Na comparação dos textos, observa-se que 
(A) o texto I apresenta um alerta a respeito do efeito da 
reciclagem de materiais plásticos; o texto II justifica o 
uso desse material reciclado. 
(B) o texto I tem como objetivo precípuo apresentar a 
versatilidade e as vantagens do uso do plástico na 
contemporaneidade; o texto II objetiva alertar os 
consumidores sobre os problemas ambientais 
decorrentes de embalagens plásticas não recicladas. 
(C) o texto I expõe vantagens, sem qualquer ressalva, do 
uso do plástico; o texto II busca convencer o leitor a 
evitar o uso de embalagens plásticas. 
(D) o texto I ilustra o posicionamento de fabricantes de 
embalagens plásticas, mostrando por que elas 
devem ser usadas; o texto II ilustra o posicionamento 
de consumidores comuns, que buscam praticidade e 
conforto. 
(E) o texto I apresenta um alerta a respeito da 
possibilidade de contaminação de produtos 
orgânicos e industrializados decorrente do uso de 
plástico em suas embalagens; o texto II apresenta 
vantagens do consumo de sacolas plásticas: leves, 
descartáveis e gratuitas. 
5. (ENEM-MEC) 
Em contraste com o texto I, no texto II são empregadas, 
predominantemente, estratégias argumentativas que 
(A) atraem o leitor por meio de previsões para o futuro. 
(B) apelam à emoção do leitor, mencionando a morte de 
animais. 
(C) orientam o leitor a respeito dos modos de usar 
conscientemente as sacolas plásticas. 
(D) intimidam o leitor com as nocivas consequências do 
uso indiscriminado de sacolas plásticas. 
(E) recorrem à informação, por meio de constatações, 
para convencer o leitor a evitar o uso de sacolas 
plásticas. 
________________________________________________ 
*Anotações* 
6. (ENEM-MEC) 
Cientistas da Grã-Bretanha anunciaram ter 
identificado o primeiro gene humano relacionado com o 
desenvolvimento da linguagem, o FOXP2. A descoberta 
pode ajudar os pesquisadores a compreender os 
misteriosos mecanismos do discurso – que é uma 
característica exclusiva dos seres humanos. O gene 
pode indicar por que e como as pessoas aprendem a se 
comunicar e a se expressar e por que algumas crianças 
têm disfunções nessa área. Segundo o professor 
Anthony Monaco, do Centro Wellcome Trust de Genética 
Humana, de Oxford, além de ajudar a diagnosticar 
desordens de discurso, o estudo do gene vai possibilitar 
a descoberta de outros genes com imperfeições. Dessa 
forma, o prosseguimento das investigações pode levar a 
descobrir também esses genes associados e, assim, 
abrir uma possibilidade de curar todos os males 
relacionados à linguagem. 
Disponível em: < http://www.bbc.co.uk > (adaptado). 
Para convencer o leitor da veracidade das informações 
contidas no texto, o autor recorre à estratégia de 
(A) citar autoridade especialista no assunto em questão. 
(B) destacar os cientistas da Grã-Bretanha. 
(C) apresentar citações de diferentes fontes de 
divulgação científica. 
(D) detalhar os procedimentos efetuados durante o 
processo da pesquisa. 
(E) elencar as possíveis consequências positivas que a 
descoberta vai trazer. 
Texto para as questões 7 e 8. 
Quando eu falo com vocês, procuro usar o código de 
vocês. A figura do índio no Brasil de hoje não pode ser 
aquela de 500 anos atrás, do passado, que representa 
aquele primeiro contato. Da mesma forma que o Brasil de 
hoje não é o Brasil de ontem, tem 160 milhões de 
pessoas com diferentes sobrenomes. Vieram para cá 
asiáticos, europeus, africanos, e todo mundo quer ser 
brasileiro. A importante pergunta que nós fazemos é: 
qual é o pedaço de índio que vocês têm? O seu cabelo? 
São seus olhos? Ou é o nome da sua rua? O nome da 
sua praça? Enfim, vocês devem ter um pedaço de índio 
dentro de vocês. Para nós, o importante é que vocês 
olhem para a gente como seres humanos, como pessoas 
que nem precisam de paternalismos, nem precisam ser 
tratadas com privilégios. Nós não queremos tomar o 
Brasil de vocês, nós queremos compartilhar esse Brasil 
com vocês. 
TERENA, M. Debate. MORIN, E. Saberes globais e saberes 
locais. Rio de Janeiro: Garamond, 2000 (adaptado). 
7. (ENEM-MEC) 
Na situação de comunicação da qual o texto foi retirado, 
a norma-padrão da língua portuguesa é empregada com 
a finalidade de
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(A) demonstrar a clareza e a complexidade da nossa 
língua materna. 
(B) situar os dois lados da interlocução em posições 
simétricas. 
(C) comprovar a importância da correção gramatical nos 
diálogos cotidianos. 
(D) mostrar como as línguas indígenas foram 
incorporadas à língua portuguesa. 
(E) ressaltar a importância do código linguístico que 
adotamos como língua nacional. 
8. (ENEM-MEC) 
Os procedimentos argumentativos utilizados no texto 
permitem inferir que o ouvinte/leitor, no qual o emissor 
foca o seu discurso, pertence 
(A) ao mesmo grupo social do falante/autor. 
(B) a um grupo de brasileiros considerados como não 
índios. 
(C) a um grupo étnico que representa a maioria europeia 
que vive no país. 
(D) a um grupo formado por estrangeiros que falam 
português. 
(E) a um grupo sociocultural formado por brasileiros 
naturalizados e imigrantes. 
9. (ENEM-MEC) 
DIGA NÃO AO NÃO 
Quem disse que alguma coisa é impossível? 
Olhe ao redor. O mundo está cheio de coisas que, 
segundo os pessimistas, nunca teriam acontecido. 
“Impossível.” 
“Impraticável.” 
“Não.” 
E ainda assim, sim. 
Sim, Santos Dumont foi o primeiro homem a decolar a 
bordo de um avião, impulsionado por um motor 
aeronáutico. 
Sim, Visconde de Mauá, um dos maiores 
empreendedores do Brasil, inaugurou a primeira rodovia 
pavimentada do país. 
Sim, uma empresa brasileira também inovou no país. 
Abasteceu o primeiro voo comercial brasileiro. 
Foi a primeira empresa privada a produzir petróleo na 
Bacia de Campos. 
Desenvolveu um óleo combustível mais limpo, o OC 
Plus. 
O que é necessário para transformar o não em sim? 
Curiosidade. Mente aberta. Vontade de arriscar. 
E quando o problema parece insolúvel, quando o desafio 
é muito duro, dizer: vamos lá. 
Soluções de energia para um mundo real. 
Jornal da ABI. n.º 336, dez. 2008 (adaptado). 
O texto publicitário apresenta a oposição entre 
“impossível”, “impraticável”, “não” e “sim”, “sim”, “sim”. 
Essa oposição, usada como um recurso argumentativo, 
tem a função de 
(A) minimizar a importância da invenção do avião por 
Santos Dumont. 
(B) mencionar os feitos de grandes empreendedores da 
história do Brasil. 
(C) ressaltar a importância do pessimismo para 
promover transformações. 
(D) associar os empreendimentos da empresa petrolífera 
a feitos históricos. 
(E) ironizar os empreendimentos rodoviários de 
Visconde de Mauá no Brasil. 
10. (ENEM-MEC) 
Os filhos de Ana eram bons, uma coisa verdadeira e 
sumarenta. Cresciam, tomavam banho, exigiam para si, 
malcriados, instantes cada vez mais completos. A 
cozinha era enfim espaçosa, o fogão enguiçado dava 
estouros. O calor era forte no apartamento que estavam 
aos poucos pagando. Mas o vento batendo nas cortinas 
que ela mesma cortara lembrava-lhe que se quisesse 
podia parar e enxugar a testa, olhando o calmo horizonte. 
Como um lavrador. Ela plantara as sementes que tinha 
na mão, não outras, mas essas apenas. 
LISPECTOR, C. Laços de família. 
Rio de Janeiro: Rocco, 1998. 
A autora emprega por duas vezes o conectivo mas no 
fragmento apresentado. Observando aspectos da 
organização, estruturação e funcionalidade dos 
elementos que articulam o texto, o conectivo mas 
(A) expressa o mesmo conteúdo nas duas situações em 
que aparece no texto. 
(B) quebra a fluidez do texto e prejudica a compreensão, 
se usado no início da frase. 
(C) ocupa posição fixa, sendo inadequado seu uso na 
abertura da frase. 
(D) contém uma ideia de sequência temporal que 
direciona a conclusão do leitor. 
(E) assume funções discursivas distintas nos dois 
contextos de uso. 
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*Anotações*
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11. (ENEM-MEC) O Flamengo começou a partida no ataque, enquanto o Botafogo procurava fazer uma forte marcação no meio- -campo e tentar lançamentos para Victor Simões, isolado entre os zagueiros rubro-negros. Mesmo com mais posse de bola, o time dirigido por Cuca tinha grande dificuldade de chegar à área alvinegra por causa do bloqueio montado pelo Botafogo na frente da sua área. No entanto, na primeira chance rubro-negra, saiu o gol. Após cruzamento da direita de Ibson, a zaga alvinegra rebateu a bola de cabeça para o meio da área. Kléberson apareceu na jogada e cabeceou por cima do goleiro Renan. Ronaldo Angelim apareceu nas costas da defesa e empurrou para o fundo da rede quase que em cima da linha: Flamengo 1 a 0. Disponível em: < http://momentodofutebol.blogspot.com > (adaptado). O texto, que narra uma parte do jogo final do Campeonato Carioca de futebol, realizado em 2009, contém vários conectivos, sendo que (A) após é conectivo de causa, já que apresenta o motivo de a zaga alvinegra ter rebatido a bola de cabeça. (B) enquanto tem um significado alternativo, porque conecta duas opções possíveis para serem aplicadas no jogo. (C) no entanto tem significado de tempo, porque ordena os fatos observados no jogo em ordem cronológica de ocorrência. (D) mesmo traz ideia de concessão, já que “com mais posse de bola”, ter dificuldade não é algo naturalmente esperado. (E) por causa de indica consequência, porque as tentativas de ataque do Flamengo motivaram o Botafogo a fazer um bloqueio. 12. (ENEM-MEC) No ano passado, o governo promoveu uma campanha a fim de reduzir os índices de violência. Noticiando o fato, um jornal publicou a seguinte manchete: CAMPANHA CONTRA A VIOLÊNCIA DO GOVERNO DO ESTADO ENTRA EM NOVA FASE A manchete tem um duplo sentido, e isso dificulta o entendimento. Considerando o objetivo da notícia, esse problema poderia ter sido evitado com a seguinte redação: (A) Campanha contra o governo do Estado e a violência entram em nova fase. (B) A violência do governo do Estado entra em nova fase de Campanha. (C) Campanha contra o governo do Estado entra em nova fase de violência. (D) A violência da Campanha do governo do Estado entra em nova fase. (E) Campanha do governo do Estado contra a violência entra em nova fase. 13. (ENEM-MEC) Aumento do efeito estufa ameaça plantas, diz estudo 3 6 9 O aumento de dióxido de carbono na atmosfera, resultante do uso de combustíveis fósseis e das queimadas, pode ter consequências calamitosas para o clima mundial, mas também pode afetar diretamente o crescimento das plantas. Cientistas da Universidade de Basel, na Suíça, mostraram que, embora o dióxido de carbono seja essencial para o crescimento dos vegetais, quantidades excessivas desse gás prejudicam a saúde das plantas e têm efeitos incalculáveis na agricultura de vários países. O Estado de S. Paulo, 20 set. 1992, p.32. O texto acima possui elementos coesivos que promovem sua manutenção temática. A partir dessa perspectiva, conclui-se que (A) a palavra “mas”, na linha 4, contradiz a afirmação inicial do texto: linhas de 1 a 4. (B) a palavra “embora”, na linha 7, introduz uma explicação que não encontra complemento no restante do texto. (C) as expressões “consequências calamitosas”, na linha 3, e “efeitos incalculáveis”, na linha 10, reforçam a ideia que perpassa o texto sobre o perigo do efeito estufa. (D) o uso da palavra “cientistas”, na linha 5, é desnecessário para dar credibilidade ao texto, uma vez que se fala em “estudo” no título do texto. (E) a palavra “gás”, na linha 9, refere-se a “combustíveis fósseis” e “queimadas”, nas linhas 2 e 3, reforçando a ideia de catástrofe. 14. (ENEM-MEC) O mundo é grande O mundo é grande e cabe Nesta janela sobre o mar. O mar é grande e cabe Na cama e no colchão de amar. O amor é grande e cabe No breve espaço de beijar. ANDRADE, Carlos Drummond de. Poesia e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1983. Neste poema, o poeta realizou uma opção estilística: a reiteração de determinadas construções e expressões linguísticas, como o uso da mesma conjunção para estabelecer a relação entre as frases. Essa conjunção estabelece, entre as ideias relacionadas, um sentido de (A) oposição. (B) comparação. (C) conclusão. (D) alternância. (E) finalidade.
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15. (FUVEST-SP) Belo Horizonte, 28 de julho de 1942. Meu caro Mário, Estou te escrevendo rapidamente, se bem que haja muitíssima coisa que eu quero te falar (a respeito da Conferência, que acabei de ler agora). Vem-me uma vontade imensa de desabafar com você tudo o que ela me fez sentir. Mas é longo, não tenho o direito de tomar seu tempo e te chatear. Fernando Sabino. No texto, o conectivo “se bem que” estabelece relação de: (A) conformidade. (B) condição. (C) concessão. (D) alternância. (E) consequência. 16. (ENEM-MEC) Texto I Ser brotinho não é viver em um píncaro azulado; é muito mais! Ser brotinho é sorrir bastante dos homens e rir interminavelmente das mulheres, rir como se o ridículo, visível ou invisível, provocasse uma tosse de riso irresistível. CAMPOS, Paulo Mendes. Ser brotinho. In: SANTOS, Joaquim Ferreira dos (Org.). As cem melhores crônicas brasileiras. Rio de Janeiro: Objetiva, 2005, p. 91. Texto II Ser gagá não é viver apenas nos idos do passado: é muito mais! É saber que todos os amigos já morreram e os que teimam em viver são entrevados. É sorrir, interminavelmente, não por necessidade interior, mas porque a boca não fecha ou a dentadura é maior que a arcada. FERNANDES, Millôr. Ser gagá. In: SANTOS, Joaquim Ferreira dos (Org.). As cem melhores crônicas brasileiras. Rio de Janeiro: Objetiva, 2005, p. 225. Os textos utilizam os mesmos recursos expressivos para definir as fases da vida, entre eles, (A) expressões coloquiais com significados semelhantes. (B) ênfase no aspecto contraditório da vida dos seres humanos. (C) recursos específicos de textos escritos em linguagem formal. (D) termos denotativos que se realizam com sentido objetivo. (E) metalinguagem que explica com humor o sentido de palavras. Texto para as questões 17 e 18. Cidade grande Que beleza, Montes Claros. Como cresceu Montes Claros. Quanta indústria em Montes Claros. Montes Claros cresceu tanto, ficou urbe tão notória, prima-rica do Rio de Janeiro, que já tem cinco favelas por enquanto, e mais promete. ANDRADE, Carlos Drummond de. Poesia e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1983. 17. (ENEM-MEC) Entre os recursos expressivos empregados no texto, destaca-se a (A) metalinguagem, que consiste em fazer a linguagem referir-se à própria linguagem. (B) intertextualidade, na qual o texto retoma e reelabora outros textos. (C) ironia, que consiste em se dizer o contrário do que se pensa, com intenção crítica. (D) denotação, caracterizada pelo uso das palavras em seu sentido próprio e objetivo. (E) prosopopeia, que consiste em personificar coisas inanimadas, atribuindo-lhes vida. 18. (ENEM-MEC) No trecho “Montes Claros cresceu tanto,/ (...),/ que já tem cinco favelas”, a palavra que contribui para estabelecer uma relação de consequência. Dos seguintes versos, todos de Carlos Drummond de Andrade, apresentam esse mesmo tipo de relação: (A) “Meu Deus, por que me abandonaste / se sabias que eu não era Deus / se sabias que eu era fraco.” (B) “No meio-dia branco de luz uma voz que aprendeu / a ninar nos longes da senzala – e nunca se esqueceu / chamava para o café.” (C) “Teus ombros suportam o mundo / e ele não pesa mais que a mão de uma criança.” (D) “A ausência é um estar em mim. / E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços, / que rio e danço e invento exclamações alegres.” (E) “Penetra surdamente no reino das palavras. / Lá estão os poemas que esperam ser escritos.” ________________________________________________ *Anotações*
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19. (ENEM-MEC) Metáfora (Gilberto Gil) Uma lata existe para conter algo, Mas quando o poeta diz: “Lata” Pode estar querendo dizer o incontível Uma meta existe para ser um alvo, Mas quando o poeta diz: “Meta” Pode estar querendo dizer o inatingível Por isso não se meta a exigir do poeta Que determine o conteúdo em sua lata Na lata do poeta tudonada cabe, Pois ao poeta cabe fazer Com que na lata venha caber O incabível Deixe a meta do poeta não discuta, Deixe a sua meta fora da disputa Meta dentro e fora, lata absoluta Deixe-a simplesmente metáfora. Disponível em: < http://www.letras.terra.com.br >. A metáfora é a figura de linguagem identificada pela comparação subjetiva, pela semelhança ou analogia entre elementos. O texto de Gilberto Gil brinca com a linguagem remetendo-nos a essa conhecida figura. O trecho em que se identifica a metáfora é: (A) “Uma lata existe para conter algo”. (B) “Mas quando o poeta diz: ‘Lata’”. (C) “Uma meta existe para ser um alvo”. (D) “Por isso não se meta a exigir do poeta”. (E) “Que determine o conteúdo em sua lata”. Texto para as questões 20 e 21. A carreira do crime Estudo feito por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz sobre adolescentes recrutados pelo tráfico de drogas nas favelas cariocas expõe as bases sociais dessas quadrilhas, contribuindo para explicar as dificuldades que o Estado enfrenta no combate ao crime organizado. O tráfico oferece aos jovens de escolaridade precária (nenhum dos entrevistados havia completado o ensino fundamental) um plano de carreira bem-estruturado, com salários que variam de R$ 400,00 a R$ 12.000,00 mensais. Para uma base de comparação, convém notar que, segundo dados do IBGE de 2001, 59% da população brasileira com mais de dez anos que declara ter uma atividade remunerada ganha no máximo o “piso salarial” oferecido pelo crime. Dos traficantes ouvidos pela pesquisa, 25% recebiam mais de R$ 2.000,00 mensais; já na população brasileira essa taxa não ultrapassa 6%. Tais rendimentos mostram que as políticas sociais compensatórias, como o Bolsa-Escola (que paga R$ 15,00 mensais por aluno matriculado), são por si sós incapazes de impedir que o narcotráfico continue aliciando crianças provenientes de estratos de baixa renda: tais políticas aliviam um pouco o orçamento familiar e incentivam os pais a manterem os filhos estudando, o que de modo algum impossibilita a opção pela delinquência. No mesmo sentido, os programas voltados aos jovens vulneráveis ao crime organizado (circo-escolas, oficinas de cultura, escolinhas de futebol) são importantes, mas não resolvem o problema. A única maneira de reduzir a atração exercida pelo tráfico é a repressão, que aumenta os riscos para os que escolhem esse caminho. Os rendimentos pagos aos adolescentes provam isso: eles são elevados precisamente porque a possibilidade de ser preso não é desprezível. É preciso que o Executivo federal e os estaduais desmontem as organizações paralelas erguidas pelas quadrilhas, para que a certeza de punição elimine o fascínio dos salários do crime. Editorial. Folha de S. Paulo, 15 jan. 2003. 20. (ENEM-MEC) No Editorial, o autor defende a tese de que “as políticas sociais que procuram evitar a entrada dos jovens no tráfico não terão chance de sucesso enquanto a remuneração oferecida pelos traficantes for tão mais compensatória que aquela oferecida pelos programas do governo”. Para comprovar sua tese, o autor apresenta (A) instituições que divulgam o crescimento de jovens no crime organizado. (B) sugestões que ajudam a reduzir a atração exercida pelo crime organizado. (C) políticas sociais que impedem o aliciamento de crianças no crime organizado. (D) pesquisadores que se preocupam com os jovens envolvidos no crime organizado. (E) números que comparam os valores pagos entre os programas de governo e o crime organizado. 21. (ENEM-MEC) Com base nos argumentos do autor, o texto aponta para (A) uma denúncia de quadrilhas que se organizam em torno do narcotráfico. (B) a constatação de que o narcotráfico restringe-se aos centros urbanos. (C) a informação de que as políticas sociais compensatórias eliminarão a atividade criminosa a longo prazo. (D) o convencimento do leitor de que para haver a superação do problema do narcotráfico é preciso aumentar a ação policial. (E) uma exposição numérica realizada com o fim de mostrar que o negócio do narcotráfico é vantajoso e sem riscos.
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SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 163 LCT  Português  
22. (ENEM-MEC) Texto I O professor deve ser um guia seguro, muito senhor de sua língua; se outra for a orientação, vamos cair na “língua brasileira”, refúgio nefasto e confissão nojenta de ignorância do idioma pátrio, recurso vergonhoso de homens de cultura falsa e de falso patriotismo. Como havemos de querer que respeitem a nossa nacionalidade se somos os primeiros a descuidar daquilo que exprime e representa o idioma pátrio? ALMEIDA, N. M. Gramática metódica da língua portuguesa. Prefácio. São Paulo: Saraiva, 1999 (adaptado). Texto II Alguns leitores poderão achar que a linguagem desta Gramática se afasta do padrão estrito usual neste tipo de livro. Assim, o autor escreve “tenho que reformular”, e não “tenho de reformular”; “pode-se colocar dois constituintes”, e não “podem-se colocar dois constituintes”; e assim por diante. Isso foi feito de caso pensado, com a preocupação de aproximar a linguagem da gramática do padrão atual brasileiro presente nos textos técnicos e jornalísticos de nossa época. REIS, N. Nota do editor. PERINI, M. A. Gramática descritiva do português. São Paulo: Ática, 1996. Confrontando-se as opiniões defendidas nos dois textos, conclui-se que (A) ambos os textos tratam da questão do uso da língua com o objetivo de criticar a linguagem do brasileiro. (B) os dois textos defendem a ideia de que o estudo da gramática deve ter o objetivo de ensinar as regras prescritivas da língua. (C) a questão do português falado no Brasil é abordada nos dois textos, que procuram justificar como é correto e aceitável o uso coloquial do idioma. (D) o primeiro texto enaltece o padrão estrito da língua, ao passo que o segundo defende que a linguagem jornalística deve criar suas próprias regras gramaticais. (E) o primeiro texto prega a rigidez gramatical no uso da língua, enquanto o segundo defende uma adequação da língua escrita ao padrão atual brasileiro. ________________________________________________ *Anotações* 23. (ENEM-MEC) Apesar da ciência, ainda é possível acreditar no sopro divino – o momento em que o Criador deu vida até ao mais insignificante dos microrganismos? Resposta de Dom Odilo Scherer, cardeal-arcebispo de São Paulo, nomeado pelo papa Bento XVI em 2007: “Claro que sim. Estaremos falando sempre que, em algum momento, começou a existir algo, para poder evoluir em seguida. O ato do Criador precede a possibilidade de evolução: só evolui algo que existe. Do nada, nada surge e evolui.” LIMA, Eduardo. Testemunha de Deus. Superinteressante, São Paulo, n.º 263-A, p. 9, mar. 2009 (com adaptações). Resposta de Daniel Dennett, filósofo americano ateu e evolucionista radical, formado em Harvard e Doutor por Oxford: “É claro que é possível, assim como se pode acreditar que um super-homem veio para a Terra há 530 milhões de anos e ajustou o DNA da fauna cambriana, provocando a explosão da vida daquele período. Mas não há razão para crer em fantasias desse tipo.” LIMA, Eduardo. Advogado do Diabo. Superinteressante, São Paulo, n.º 263-A, p. 11, mar. 2009 (com adaptações). Os dois entrevistados responderam a questões idênticas, e as respostas a uma delas foram reproduzidas aqui. Tais respostas revelam opiniões opostas: um defende a existência de Deus e o outro não concorda com isso. Para defender seu ponto de vista, (A) o religioso ataca a ciência, desqualificando a Teoria da Evolução, e o ateu apresenta comprovações científicas dessa teoria para derrubar a ideia de que Deus existe. (B) Scherer impõe sua opinião, pela expressão “claro que sim”, por se considerar autoridade competente para definir o assunto, enquanto Dennett expressa dúvida, com expressões como “é possível”, assumindo não ter opinião formada. (C) o arcebispo critica a teoria do Design Inteligente, pondo em dúvida a existência de Deus, e o ateu argumenta com base no fato de que algo só pode evoluir se, antes, existir. (D) o arcebispo usa uma lacuna da ciência para defender a existência de Deus, enquanto o filósofo faz uma ironia, sugerindo que qualquer coisa inventada poderia preencher essa lacuna. (E) o filósofo utiliza dados históricos em sua argumentação, ao afirmar que a crença em Deus é algo primitivo, criado na época cambriana, enquanto o religioso baseia sua argumentação no fato de que algumas coisas podem “surgir do nada”.
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SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 164 LCT  Português  
24. (ENEM-MEC) 
Texto I 
O chamado “fumante passivo” é aquele indivíduo que 
não fuma, mas acaba respirando a fumaça dos cigarros 
fumados ao seu redor. Até hoje, discutem-se muito os 
efeitos do fumo passivo, mas uma coisa é certa: quem 
não fuma não é obrigado a respirar a fumaça dos outros. 
O fumo passivo é um problema de saúde pública em 
todos os países do mundo. Na Europa, estima-se que 
79% das pessoas estão expostas à fumaça “de segunda 
mão”, enquanto, nos Estados Unidos, 88% dos não 
fumantes acabam fumando passivamente. A Sociedade 
do Câncer da Nova Zelândia informa que o fumo passivo 
é a terceira entre as principais causas de morte no país, 
depois do fumo ativo e do uso de álcool. 
Disponível em: < www.terra.com.br > (fragmento). 
Texto II 
Disponível em: < www.rickjaimecomics.blogspot.com >. 
Ao abordar a questão do tabagismo, os textos I e II 
procuram demonstrar que 
(A) a quantidade de cigarros consumidos por pessoa, 
diariamente, excede o máximo de nicotina 
recomendado para os indivíduos, inclusive para os 
não fumantes. 
(B) para garantir o prazer que o indivíduo tem ao fumar, 
será necessário aumentar as estatísticas de fumo 
passivo. 
(C) a conscientização dos fumantes passivos é uma 
maneira de manter a privacidade de cada indivíduo e 
garantir a saúde de todos. 
(D) os não fumantes precisam ser respeitados e 
poupados, pois estes também estão sujeitos às 
doenças causadas pelo tabagismo. 
(E) o fumante passivo não é obrigado a inalar as 
mesmas toxinas que um fumante, portanto depende 
dele evitar ou não a contaminação proveniente da 
exposição ao fumo. 
25. (ENEM-MEC) 
MOSTRE QUE SUA MEMÓRIA É MELHOR 
DO QUE A DE COMPUTADOR E GUARDE 
ESTA CONDIÇÃO: 12 X SEM JUROS. 
Campanha publicitária de loja de eletroeletrônicos. Revista Época, n.º 424, 3/7/2006. 
Ao circularem socialmente, os textos realizam-se como 
práticas de linguagem, assumindo configurações 
específicas, formais e de conteúdo. Considerando o 
contexto em que circula o texto publicitário, seu objetivo 
básico é 
(A) influenciar o comportamento do leitor, por meio de 
apelos que visam à adesão ao consumo. 
(B) definir regras de comportamento social pautadas no 
combate ao consumismo exagerado. 
(C) defender a importância do conhecimento de 
informática pela população de baixo poder aquisitivo. 
(D) facilitar o uso de equipamentos de informática pelas 
classes sociais economicamente desfavorecidas. 
(E) questionar o fato de o homem ser mais inteligente 
que a máquina, mesmo a mais moderna. 
26. (ENEM-MEC) 
Se os tubarões fossem homens 
Se os tubarões fossem homens, eles seriam mais 
gentis com os peixes pequenos? 
Certamente, se os tubarões fossem homens, fariam 
construir resistentes gaiolas no mar para os peixes 
pequenos, com todo o tipo de alimento, tanto animal 
como vegetal. Cuidariam para que as gaiolas tivessem 
sempre água fresca e adotariam todas as providências 
sanitárias. 
Naturalmente haveria também escolas nas gaiolas. 
Nas aulas, os peixinhos aprenderiam como nadar para a 
goela dos tubarões. Eles aprenderiam, por exemplo, a 
usar a geografia para localizar os grandes tubarões 
deitados preguiçosamente por aí. A aula principal seria, 
naturalmente, a formação moral dos peixinhos. A eles 
seria ensinado que o ato mais grandioso e mais sublime 
é o sacrifício alegre de um peixinho e que todos deveriam 
acreditar nos tubarões, sobretudo quando estes 
dissessem que cuidavam de sua felicidade futura. Os 
peixinhos saberiam que este futuro só estaria garantido 
se aprendessem a obediência. 
Cada peixinho que na guerra matasse alguns 
peixinhos inimigos seria condecorado com uma pequena 
Ordem das Algas e receberia o título de herói. 
BRECHT, B. Histórias do Sr. Keuner. São Paulo: 
Editora 34, 2006 (adaptado).
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Como produção humana, a literatura veicula valores que nem sempre estão representados diretamente no texto, mas são transfigurados pela linguagem literária e podem até entrar em contradição com as convenções sociais e revelar o quanto a sociedade perverteu os valores humanos que ela própria criou. É o que ocorre na narrativa do dramaturgo alemão Bertolt Brecht mostrada. Por meio da hipótese apresentada, o autor (A) demonstra o quanto a literatura pode ser alienadora ao retratar, de modo positivo, as relações de opressão existentes na sociedade. (B) revela a ação predatória do homem no mar, questionando a utilização dos recursos naturais pelo homem ocidental. (C) defende que a força colonizadora e civilizatória do homem ocidental valorizou a organização das sociedades africanas e asiáticas, elevando-as ao modo de organização cultural e social da sociedade moderna. (D) questiona o modo de organização das sociedades ocidentais capitalistas, que se desenvolveram fundamentadas nas relações de opressão em que os mais fortes exploram os mais fracos. (E) evidencia a dinâmica social do trabalho coletivo em que os mais fortes colaboram com os mais fracos, de modo a guiá-los na realização de tarefas. Texto para as questões 27 e 28. Negrinha Negrinha era uma pobre órfã de sete anos. Preta? Não; fusca, mulatinha escura, de cabelos ruços e olhos assustados. Nascera na senzala, de mãe escrava, e seus primeiros anos vivera-os pelos cantos escuros da cozinha, sobre velha esteira e trapos imundos. Sempre escondida, que a patroa não gostava de crianças. Excelente senhora, a patroa. Gorda, rica, dona do mundo, amimada dos padres, com lugar certo na igreja e camarote de luxo reservado no céu. Entaladas as banhas no trono (uma cadeira de balanço na sala de jantar), ali bordava, recebia as amigas e o vigário, dando audiências, discutindo o tempo. Uma virtuosa senhora em suma – “dama de grandes virtudes apostólicas, esteio da religião e da moral”, dizia o reverendo. Ótima, a dona Inácia. Mas não admitia choro de criança. Ai! Punha-lhe os nervos em carne viva. [...] A excelente dona Inácia era mestra na arte de judiar de crianças. Vinha da escravidão, fora senhora de escravos – e daquelas ferozes, amigas de ouvir cantar o bolo e estalar o bacalhau. Nunca se afizera ao regime novo – essa indecência de negro igual. LOBATO, M. Negrinha. In: MORICONE, I. Os cem melhores contos brasileiros do século. Rio de Janeiro: Objetiva, 2000 (fragmento). 27. (ENEM-MEC) A narrativa focaliza um momento histórico-social de valores contraditórios. Essa contradição infere-se, no contexto, pela (A) falta de aproximação entre a menina e a senhora, preocupada com as amigas. (B) receptividade da senhora para com os padres, mas deselegante para com as beatas. (C) ironia do padre a respeito da senhora, que era perversa com as crianças. (D) resistência da senhora em aceitar a liberdade dos negros, evidenciada no final do texto. (E) rejeição aos criados por parte da senhora, que preferia tratá-los com castigos. 28. (AED-SP) O fragmento apresenta característica marcante do gênero narrativo conto ao: (A) relatar um enredo imaginário, mas de caráter verossímil, e apresentar personagens vivendo uma sequência de conflitos, em vários capítulos. (B) estruturar-se em uma narrativa curta, que gira em torno de um só conflito, com poucos personagens. (C) inspirar-se em temas do cotidiano, constituindo um relato pessoal do autor sobre determinado fato do dia a dia. (D) estruturar-se exclusivamente em 1.ª pessoa: o narrador, autor da história, relata os fatos. (E) desenvolver uma narrativa eminentemente factual sobre a realidade, sobrepondo o conteúdo real ao imaginário. 29. (ENEM-MEC) Depois de um bom jantar: feijão com carne-seca, orelha de porco e couve com angu, arroz-mole engordurado, carne de vento assada no espeto, torresmo enxuto de toicinho da barriga, viradinho de milho verde e um prato de caldo de couve, jantar encerrado por um prato fundo de canjica com torrões de açúcar, Nhô Tomé saboreou o café forte e se estendeu na rede. A mão direita sob a cabeça, à guisa de travesseiro, o indefectível cigarro de palha entre as pontas do indicador e do polegar, envernizados pela fumaça, de unhas encanoadas e longas, ficou-se de pança para o ar, modorrento, a olhar para as ripas do telhado. Quem come e não deita, a comida não aproveita, pensava Nhô Tomé... E pôs-se a cochilar. A sua modorra durou pouco; Tia Policena, ao passar pela sala, bradou assombrada: — Êêh! Sinhô! Vai drumi agora? Não! Num presta... Dá pisadêra e póde morrê de ataque de cabeça! Despois do armoço num far-má... mais despois da janta?! Cornélio Pires. Conversas ao pé do fogo. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 1987.
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Nesse trecho, extraído de texto publicado originalmente em 1921, o narrador (A) apresenta, sem explicitar juízos de valor, costumes da época, descrevendo os pratos servidos no jantar e a atitude de Nhô Tomé e de Tia Policena. (B) desvaloriza a norma culta da língua porque incorpora à narrativa usos próprios da linguagem regional das personagens. (C) condena os hábitos descritos, dando voz a Tia Policena, que tenta impedir Nhô Tomé de deitar-se após as refeições. (D) utiliza a diversidade sociocultural e linguística para demonstrar seu desrespeito às populações das zonas rurais do início do século XX. (E) manifesta preconceito em relação a Tia Policena ao transcrever a fala dela com os erros próprios da região. Texto para as questões 30 e 31. Amor é fogo que arde sem se ver; é ferida que dói e não se sente; é um contentamento descontente; é dor que desatina sem doer. É um não querer mais que bem-querer; é solitário andar por entre a gente; é nunca contentar-se de contente; é cuidar que se ganha em se perder. É querer estar preso por vontade; é servir a quem vence, o vencedor; é ter com quem nos mata lealdade. Mas como causar pode seu favor nos corações humanos amizade, se tão contrário a si é o mesmo Amor? (Luís de Camões) 30. (ENEM-MEC) O poema tem como característica a figura de linguagem denominada antítese, relação de oposição de palavras ou ideias. Assinale a opção em que essa oposição se faz claramente presente. (A) “Amor é fogo que arde sem se ver”. (B) “é um contentamento descontente”. (C) “é servir a quem vence, o vencedor”. (D) “Mas como causar pode seu favor”. (E) “se tão contrário a si é o mesmo Amor?”. 31. (ENEM-MEC) O poema pode ser considerado como um texto (A) argumentativo. (B) narrativo. (C) épico. (D) de propaganda. (E) teatral. 32. (ENEM-MEC) Miguilim De repente lá vinha um homem a cavalo. Eram dois. Um senhor de fora, o claro de roupa. Miguilim saudou, pedindo a bênção. O homem trouxe o cavalo cá bem junto. Ele era de óculos, corado, alto, com um chapéu diferente, mesmo. — Deus te abençoe, pequenino. Como é teu nome? — Miguilim. Eu sou irmão do Dito. — E o seu irmão Dito é o dono daqui? — Não, meu senhor. O Ditinho está em glória. O homem esbarrava o avanço do cavalo, que era zelado, manteúdo, formoso como nenhum outro. Redizia: — Ah, não sabia, não. Deus o tenha em sua guarda... Mas que é que há, Miguilim? Miguilim queria ver se o homem estava mesmo sorrindo para ele, por isso é que o encarava. — Por que você aperta os olhos assim? Você não é limpo de vista? Vamos até lá. Quem é que está em tua casa? — É Mãe, e os meninos... Estava Mãe, estava tio Terez, estavam todos. O senhor alto e claro se apeou. O outro, que vinha com ele, era um camarada. O senhor perguntava à Mãe muitas coisas do Miguilim. Depois perguntava a ele mesmo: — Miguilim, espia daí: quantos dedos da minha mão você está enxergando? E agora? João Guimarães Rosa. Manuelzão e Miguilim. 9.ª ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984. Essa história, com narrador-observador em terceira pessoa, apresenta os acontecimentos da perspectiva de Miguilim. O fato de o ponto de vista do narrador ter Miguilim como referência, inclusive espacial, fica explicitado em (A) “O homem trouxe o cavalo cá bem junto.” (B) “Ele era de óculos, corado, alto (...)” (C) “O homem esbarrava o avanço do cavalo, (...)” (D) “Miguilim queria ver se o homem estava mesmo sorrindo para ele, (...)” (E) “Estava Mãe, estava tio Terez, estavam todos.” ________________________________________________ *Anotações*
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33. (ENEM-MEC) Ferreira Gullar, um dos grandes poetas brasileiros da atualidade, é autor de “Bicho urbano”, poema sobre a sua relação com as pequenas e grandes cidades. Bicho urbano Se disser que prefiro morar em Pirapemas ou em outra qualquer pequena cidade do país estou mentindo ainda que lá se possa de manhã lavar o rosto no orvalho e o pão preserve aquele branco sabor de alvorada. ..................................................................... A natureza me assusta. Com seus matos sombrios suas águas suas aves que são como aparições me assusta quase tanto quanto esse abismo de gases e de estrelas aberto sob minha cabeça. Ferreira Gullar. Toda poesia. Rio de Janeiro: José Olympio Editora, 1991. Embora não opte por viver numa pequena cidade, o poeta reconhece elementos de valor no cotidiano das pequenas comunidades. Para expressar a relação do homem com alguns desses elementos, ele recorre à sinestesia, construção de linguagem em que se mesclam impressões sensoriais diversas. Assinale a opção em que se observa esse recurso. (A) “e o pão preserve aquele branco / sabor de alvorada.” (B) “ainda que lá se possa de manhã / lavar o rosto no orvalho” (C) “A natureza me assusta. / Com seus matos sombrios suas águas” (D) “suas aves que são como aparições / me assusta quase tanto quanto” (E) “me assusta quase tanto quanto / esse abismo / de gases e de estrelas” ________________________________________________ *Anotações* 34. (ENEM-MEC) O açúcar O branco açúcar que adoçará meu café nesta manhã de Ipanema não foi produzido por mim nem surgiu dentro do açucareiro por milagre. Vejo-o puro e afável ao paladar como beijo de moça, água na pele, flor que se dissolve na boca. Mas este açúcar não foi feito por mim. Este açúcar veio da mercearia da esquina e tampouco o fez o Oliveira, [ dono da mercearia. Este açúcar veio de uma usina de açúcar em Pernambuco ou no Estado do Rio e tampouco o fez o dono da usina. Este açúcar era cana e veio dos canaviais extensos que não nascem por acaso no regaço do vale. (...) Em usinas escuras, homens de vida amarga e dura produziram este açúcar branco e puro com que adoço meu café esta manhã em Ipanema. Ferreira Gullar. Toda Poesia. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1980, p. 227-8. A antítese que configura uma imagem da divisão social do trabalho na sociedade brasileira é expressa poeticamente na oposição entre a doçura do branco açúcar e (A) o trabalho do dono da mercearia de onde veio o açúcar. (B) o beijo de moça, a água na pele e a flor que se dissolve na boca. (C) o trabalho do dono do engenho em Pernambuco, onde se produz o açúcar. (D) a beleza dos extensos canaviais que nascem no regaço do vale. (E) o trabalho dos homens de vida amarga em usinas escuras.
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35. (ENEM-MEC) 
O jivaro 
Um Sr. Matter, que fez uma viagem de exploração à 
América do Sul, conta a um jornal sua conversa com um 
índio jivaro, desses que sabem reduzir a cabeça de um 
morto até ela ficar bem pequenina. Queria assistir a uma 
dessas operações, e o índio lhe disse que exatamente 
ele tinha contas a acertar com um inimigo. 
O Sr. Matter: 
— Não, não! Um homem, não. Faça isso com a 
cabeça de um macaco. 
E o índio: 
— Por que um macaco? Ele não me fez nenhum mal! 
(Rubem Braga) 
O assunto de uma crônica pode ser uma experiência 
pessoal do cronista, uma informação obtida por ele ou 
um caso imaginário. O modo de apresentar o assunto 
também varia: pode ser uma descrição objetiva, uma 
exposição argumentativa ou uma narrativa sugestiva. 
Quanto à finalidade pretendida, pode-se promover uma 
reflexão, definir um sentimento ou tão somente provocar 
o riso. 
Na crônica “O jivaro”, escrita a partir da reportagem de 
um jornal, Rubem Braga se vale dos seguintes 
elementos: 
ASSUNTO 
MODO DE 
APRESENTAR 
FINALIDADE 
(A) caso 
imaginário 
descrição 
objetiva 
provocar 
o riso 
(B) informação 
colhida 
narrativa 
sugestiva 
promover 
reflexão 
(C) informação 
colhida 
descrição 
objetiva 
definir um 
sentimento 
(D) experiência 
pessoal 
narrativa 
sugestiva 
provocar 
o riso 
(E) experiência 
pessoal 
exposição 
argumentativa 
promover 
reflexão 
________________________________________________ 
*Anotações* 
********** ATIVIDADES 2 ********** 
C1 
Aplicar as tecnologias da comunicação e da 
informação na escola, no trabalho e em outros 
contextos relevantes para sua vida. 
H1 
Identificar as diferentes linguagens e seus recursos 
expressivos como elementos de caracterização dos 
sistemas de comunicação. 
36. (ENEM-MEC) 
Observe a imagem: 
< http://www.sunhill-phuket.com >. 
O logotipo acima é da rede hoteleira Sun Hill, na 
Tailândia. Ele trabalha formas que sugerem elementos 
da paisagem ____________. Os traços dessas formas e 
os das letras são ____________, evocando a imagem 
do(a) ____________. 
Qual a alternativa que completa as lacunas? 
(A) campestre, arredondados, lua. 
(B) marítima, irregulares, mar. 
(C) campestre, irregulares, vegetação. 
(D) marítima, arredondados, sol. 
(E) urbana, irregulares, vegetação. 
H2 
Recorrer aos conhecimentos sobre as linguagens dos 
sistemas de comunicação e informação para resolver 
problemas sociais. 
37. (ENEM-MEC) 
José Dias precisa sair de sua casa e chegar até o 
trabalho, conforme mostra o Quadro 1. Ele vai de ônibus 
e pega três linhas: 1) de sua casa até o terminal de 
integração entre a zona norte e a zona central; 2) deste 
terminal até outro entre as zonas central e sul; 3) deste 
último terminal até onde trabalha. Sabe-se que há uma 
correspondência numérica, nominal e cromática das 
linhas que José toma, conforme o Quadro 2.
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SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 169 LCT  Português  
José Dias deverá, então, tomar a seguinte sequência de linhas de ônibus, para ir de casa ao trabalho: (A) L. 102 – Circular zona central – L. Vermelha. (B) L. Azul – L. 101 – Circular zona norte. (C) Circular zona norte – L. Vermelha – L. 100. (D) L. 100 – Circular zona central – L. Azul. (E) L. Amarela – L. 102 – Circular zona sul. H3 Relacionar informações geradas nos sistemas de comunicação e informação, considerando a função social desses sistemas. 38. (ENEM-MEC) Para verificarmos essa ideia de linguagem como forma de representação da realidade, vamos ler os dois trechos seguintes. Neles, dois jornais diferentes apresentam um mesmo assunto: a presença de comerciais inseridos em programas de televisão (o chamado merchandising), de forma mais ou menos implícita. Texto A – JORNAL A MERCHANDISING Quanto mais discreto melhor Impulsionado pelos reality shows e novelas, o comercial subliminar ganha novo fôlego e se adapta ao temperamento de apresentadores e roteiristas. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 7 jul. 2002. Caderno Telejornal, p. 4. Texto B – JORNAL B Quanto vale o show? A publicidade invadiu programas e novelas, para alegria das emissoras e apreensão dos que acham que a prática extrapolou. Folha de S. Paulo, São Paulo, 7 jul. 2002. Caderno TVFolha, p. 6-7. Fornecido pela Agência Folha. Tendo em vista que as duas reportagens tratam de um mesmo assunto e foram publicadas na mesma data, pode-se afirmar que: (A) apenas o texto A levanta os aspectos negativos do merchandising, a partir da opinião de roteiristas e apresentadores. (B) os dois textos transmitem diferentes visões sobre o assunto: em A foram levantados os aspectos positivos (marcados pelos termos “melhor”, “ganha” e “se adapta”); em B, os negativos (marcados pelos termos “invadiu”, “apreensão” e “extrapolou”). (C) apenas o texto B levanta os aspectos positivos do merchandising, a partir da opinião de jornalistas. (D) os dois textos transmitem a mesma visão sobre o assunto: em ambos, verifica-se 20% de aumento no merchandising em programas de TV. (E) os dois textos usam a mesma estratégia para noticiar o merchandising e ambas as notícias são favoráveis a ela. H4 Reconhecer posições críticas aos usos sociais que são feitos das linguagens e dos sistemas de comunicação e informação. 39. (ENEM-MEC) Em alguns supermercados, é comum observar que produtos como arroz, feijão, leite, carnes etc. ficam nos últimos corredores. Na entrada e nas laterais, ficam bolachas, biscoitos, produtos de beleza, artigos importados, bebidas etc. Essa maneira de organizar o espaço faz parte de uma estratégia comercial que tem por finalidade (A) atrair o consumidor para os gêneros de primeira necessidade. (B) estimular o consumo de produtos que não são de primeira necessidade. (C) organizar melhor o espaço para que o consumidor se sinta satisfeito. (D) facilitar as compras do consumidor. (E) levar o consumidor a comprar mais arroz, feijão e leite. 40. (ENEM-MEC) Comunicação contra o preconceito Imagine assistir, na TV, a uma história infantil em que o príncipe se apaixona por uma dama do “Palácio dos Macacos”. Ela é representada por uma atriz branca com o rosto inteiramente pintado de preto. Ao ser beijada pelo príncipe, selando a união sob as benções do rei, ela se transforma: some a tinta preta e ela agora é uma princesa toda branca. O estarrecedor preconceito manifesto na história não foi veiculado em programa humorístico (o que não o tornaria menos condenável), nem em uma produção estrangeira pobre e inconsequente, nem em produção independente brasileira. Foi levado ao ar na maior rede de televisão da América Latina, umas das maiores do mundo, em um dos programas infantis de maior audiência do Brasil. LORENZO, Aldé. Opinião. Jornal Educação Pública, 19/11/2003. Os termos de concessão de emissoras no Brasil preveem compromissos com a educação, a informação e o entretenimento. A leitura do texto anterior permite afirmar que a emissora (A) educou para a igualdade entre as etnias. (B) informou sobre a cultura afro-brasileira. (C) incorreu em manifestação de preconceito. (D) esclareceu sobre a diversidade étnica. (E) contou uma história isenta de preconceito. ________________________________________________ *Anotações*
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*MÓDULO 2* 
Gêneros digitais – Comunicação e tecnologia 
 A internet reúne duas características importantes: 
interatividade e massividade. Nesse meio de 
comunicação, diferentemente da televisão, do rádio 
ou dos jornais, todos podem ser, ao mesmo tempo, 
emissores e receptores da mensagem. Conectados 
com o mundo por meio dos nossos computadores e 
celulares, vivenciamos um processo que o sociólogo 
canadense Marshall McLuhan havia previsto e 
chamado de “aldeia global”. 
 As Novas Tecnologias de Informação e 
Comunicação (NTICs), que incluem equipamentos 
como câmeras de vídeo em microcomputadores 
(webcam), celulares, TV por assinatura e internet, 
estão entre as principais ferramentas de troca de 
informação. Pouco a pouco, elas fazem parte do 
cotidiano de um número cada vez maior de pessoas 
e afirmam-se como instrumentos indispensáveis às 
comunicações pessoais, de trabalho e de lazer. 
 Exclusão digital: grande parte da população 
brasileira e mundial ainda não tem acesso às NTICs, 
permanecendo à margem do processo de 
informatização da sociedade. Esse fenômeno é 
chamado de exclusão digital – um descompasso 
entre o ritmo de desenvolvimento tecnológico e a 
distribuição de seus benefícios entre todos os 
setores da sociedade. 
 Hipertexto é todo texto que possibilita uma leitura 
não linear e uma maior interatividade e atuação 
explorativa do leitor. O hipertexto permite que o leitor 
desvie o fluxo da leitura para assuntos relacionados, 
aprofundando sua compreensão do texto inicial. Não 
raro, porém, o leitor opta por outros caminhos na 
leitura e não retorna ao texto inicial. 
Expressões corporais – Identidade e integração 
 A dança pode ser definida como uma sequência de 
movimentos com o próprio corpo que segue uma 
coreografia ou é realizada de forma livre, em 
harmonia com um ritmo ou mesmo sem música. No 
decorrer dos séculos, a dança firmou-se como uma 
das três principais artes cênicas, ao lado da música e 
do teatro – elementos que muitas vezes andam 
juntos. 
 Folclore é o conjunto das tradições, lendas ou 
crenças populares de um país. O folclore brasileiro é 
rico em danças que representam as tradições e as 
culturas regionais. Em geral, elas estão ligadas à 
religiosidade, às festas, às lendas, aos 
acontecimentos históricos e às brincadeiras. 
 As principais danças folclóricas brasileiras são: 
samba, samba de roda, maracatu, frevo, forró, baião, 
cateretê (catira), quadrilha, congo, tambor de crioula, 
bumba meu boi, bugio e fandango. 
WIKIMEDIA COMMONS 
 O frevo, típico de Pernambuco, caracteriza-se pelos movimentos 
rápidos 
 Brincadeiras e jogos são instrumentos de interação 
social, pois desenvolvem tanto habilidades 
perceptivo-motoras quanto habilidades sociais. A 
criança, por exemplo, vivencia, na brincadeira, 
situações de competição e de exclusão, preparando- 
-se de forma saudável para vivências futuras. 
Exemplos de brincadeiras tradicionais: jogar peteca, 
pular amarelinha, empinar pipa e dançar ciranda 
acompanhada de cantigas de roda, 
 Grande parte da população economicamente ativa 
trabalha por um longo período de tempo em frente 
aos computadores (muitas vezes, sem postura nem 
iluminação adequadas) ou passa longos períodos 
sentada ou em pé. Alguns problemas comuns 
decorrentes do estilo de vida moderno: 
sedentarismo, doenças decorrentes do esforço 
repetitivo, alimentação desbalanceada e estresse. 
 Corpolatria é o culto exagerado do corpo, no sentido 
do aperfeiçoamento estético, e não da preservação 
da saúde. A mídia e a sociedade tendem a valorizar 
determinados padrões de beleza, que excluem 
grande parte da população. 
Artes – Recursos expressivos 
 As manifestações artísticas são documentos 
importantes para conhecer as grandes civilizações 
do passado. As pirâmides do Egito, por exemplo, 
foram construídas para servir de túmulo aos faraós. 
Já a arte da Antiguidade Clássica (séculos VIII a.C. a 
V a.C.) se refere às civilizações grega e romana. 
 O Renascimento (século XIII ao XVII) retomou 
princípios da Antiguidade Clássica. Já o Barroco 
(século XVII ao XVIII) foi marcado pela maior 
dramaticidade em relação ao Renascimento e pela 
demanda do espiritual, com grandes expressões na 
arquitetura. 
 Arte Moderna é a denominação genérica que 
recebem os movimentos artísticos que se 
desenvolveram do fim do século XIX e no decorrer 
do XX. Essa denominação abarca:
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 Impressionismo: a pintura visa a captar as mudanças da natureza. Representado por Claude Monet e Auguste Renoir.  Fauvismo: simplificação das formas, cores brutais e pinceladas violentas, como se vê na obra de Paul Gauguin.  Cubismo: geometrização das formas e a sensação de uma pintura escultórica, caso de Pablo Picasso.  Expressionismo: com suas cores violentas e a sua temática de solidão e de miséria, reflete a amargura que invadia os círculos artísticos e intelectuais. Entre seus nomes está o norueguês Edvard Munch.  Surrealismo: representado pelo pintor espanhol Salvador Dalí, enfatiza a importância do papel do inconsciente na atividade criativa.  Dadaísmo: baseado no nonsense e no absurdo, como forma de contradizer a cultura estabelecida.  Arte cinética: explora efeitos visuais por meio de movimentos físicos ou ilusão de ótica.  Pop Art: consiste no uso de ícones da cultura de massa como tema. Seu maior expoente foi Andy Warhol.  A Semana de Arte Moderna de 1922 propunha uma arte brasileira independente, livre das amarras e dos complexos de inferioridade que a vinculavam aos padrões estrangeiros. Entre seus organizadores estavam os escritores Mário e Oswald de Andrade e a pintora Anita Malfatti. Culturas brasileiras – Diversidade  Os movimentos culturais são diferentes dos gêneros musicais porque abrangem outras propostas, de ideologia e de comportamento. Entre os principais movimentos culturais da história recente do Brasil estão a Bossa Nova e o Tropicalismo.  Entre os mais conhecidos gêneros musicais praticados no Brasil estão choro (ou chorinho), baião, marchinha, samba, rock, jazz, rap e MPB – a sigla para Música Popular Brasileira abrange grande diversidade de estilos musicais, derivados de várias matrizes.  Heranças culturais: nossa cultura possui tradições herdadas dos portugueses, africanos, indígenas e imigrantes do período de guerras na Europa. Por isso, é mais adequado falar em “culturas brasileiras”, no plural. Textos codificados – Sistemas simbólicos  Signos visuais são meios de comunicação visual, que se subdividem em três categorias, de acordo com a relação com o objeto representado:  Ícones: representam um modelo imitativo de um objeto, de uma forma, de um espaço ou de uma situação. Exemplos: ícones de programas na tela do computador, fotografias, mapas, objetos de arte.  Indícios: têm origem em formas ou situações naturais ou casuais. Exemplo: marcas dos pneus de um carro indicam uma freada brusca.  Símbolos: representam o objeto de maneira totalmente livre. Sua compreensão exige certo conhecimento de mundo. Exemplo: suástica, bandeira.  Os sistemas simbólicos surgiram diante da demanda de situações específicas de interlocução. Alguns sistemas universalmente usados são: a linguagem de sinais ou libras, o braile, a sinalização por bandeiras e as partituras. ********** ATIVIDADES 1 ********** Texto para a questão 1. A rede mudou a amizade? Graças às redes sociais, nunca foi tão fácil conhecer gente nova; algo que está transformando a própria definição de amizade Qual é a primeira coisa que você faz quando entra na internet? Checa seu e-mail, dá uma olhadinha no Twitter, confere as atualizações dos seus contatos no Orkut ou no Facebook? Há diversos estudos comprovando que interagir com outras pessoas, principalmente com amigos, é o que mais fazemos na internet. Só o Facebook já tem mais de 500 milhões de usuários, que juntos passam 700 bilhões de minutos por mês conectados ao site – que chegou a superar o Google em número de acessos diários. A internet é a ferramenta mais poderosa já inventada no que diz respeito à amizade. E está transformando nossas relações: tornou muito mais fácil manter contato com os amigos e conhecer gente nova. Mas será que as amizades on-line não fazem com que as pessoas acabem se isolando e tenham menos amigos off-line, “de verdade”? Essa tese, geralmente citada nos debates sobre o assunto, foi criada em 1995 pelo sociólogo norte-americano Robert Putnam. E provavelmente está errada. Uma pesquisa feita pela Universidade de Toronto constatou que a internet faz você ter mais amigos – dentro e fora da rede. Durante a década passada, período de surgimento e ascensão dos sites de rede social, o número médio de amizades das pessoas cresceu. E os chamados heavy users, que passam mais tempo na internet, foram os que ganharam mais amigos no mundo real – 38% mais. Já quem não usava a internet ampliou suas amizades em apenas 4,6%. Então, as pessoas começam a se adicionar no Facebook e no final todo mundo vira amigo? Não é bem assim. A internet raramente cria amizades do zero – na maior parte dos casos, ela funciona como potencializadora de relações que já haviam se insinuado na vida real. Um estudo feito pela Universidade de Michigan constatou que o segundo maior uso do Facebook, depois de interagir com amigos, é olhar os
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perfis de pessoas que acabamos de conhecer. Se você gostar do perfil, adiciona aquela pessoa, e está formado um vínculo. As redes sociais têm o poder de transformar os chamados elos latentes (pessoas que frequentam o mesmo ambiente social que você, mas não são suas amigas) em elos fracos – uma forma superficial de amizade. Pois é. Por mais que existam exceções a qualquer regra, todos os estudos apontam que amizades geradas com a ajuda da internet são mais fracas, sim, do que aquelas que nascem e crescem fora dela. Isso não é inteiramente ruim. Os seus amigos do peito geralmente são parecidos com você: pertencem ao mesmo mundo e gostam das mesmas coisas. Os elos fracos não. Eles transitam por grupos diferentes do seu, e por isso podem lhe apresentar coisas e pessoas novas e ampliar seus horizontes – gerando uma renovação de ideias que faz bem a todos os relacionamentos, inclusive às amizades antigas. Os sites sociais como Orkut e Facebook tornam mais fácil fazer, manter e gerenciar amigos. Mas também influem no desenvolvimento das relações – pois as possibilidades de interagir com outras pessoas são limitadas pelas ferramentas que os sites oferecem. “Você entra nas redes sociais e faz o que elas querem que você faça: escrever uma mensagem, mandar um link, cutucar”, diz o físico e especialista em redes Augusto de Franco, que já escreveu mais de 20 livros sobre o tema. O problema, por assim dizer, é que a maioria das redes na internet é simétrica: se você quiser ter acesso às informações de uma pessoa ou mesmo falar reservadamente com ela, é obrigado a pedir a amizade dela, que tem de aceitar. Como é meio grosseiro dizer “não” a alguém que você conhece, mesmo que só de vista, todo mundo acabava adicionando todo mundo. E isso vai levando à banalização do conceito de amizade. “As pessoas a quem você está conectado não são necessariamente suas amigas de verdade”, diz o sociólogo Nicholas Christakis, da Universidade Harvard. Superinteressante, São Paulo, fev. 2011. 1. (AED-SP) De acordo com o texto, a afirmação de que “a internet aumenta o número de amizades” é válida? Explique. ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ 2. (ENEM-MEC) Cada vez mais, as pessoas trabalham e administram serviços de suas casas, como mostra a pesquisa realizada em 1993 pela Fundação Europeia para a Melhoria da Qualidade de Vida e Ambiente de Trabalho. Por conseguinte, a “centralidade da casa” é uma tendência importante da nova sociedade. Porém, não significa o fim da cidade, pois locais de trabalho, escolas, complexos médicos, postos de atendimento ao consumidor, áreas recreativas, ruas comerciais, shopping centers, estádios de esportes e parques ainda existem e continuarão existindo. E as pessoas deslocar-se-ão entre todos esses lugares com mobilidade crescente, exatamente devido à flexibilidade recém-conquistada pelos sistemas de trabalho e integração social em redes: como o tempo fica mais flexível, os lugares tornam-se mais singulares à medida que as pessoas circulam entre elas em um padrão cada vez mais móvel. CASTELLS, M. A Sociedade em Rede. V. 1. São Paulo: Paz e Terra, 2002. As tecnologias de informação e comunicação têm a capacidade de modificar, inclusive, a forma de as pessoas trabalharem. De acordo com o proposto pelo autor, (A) a “centralidade da casa” tende a concentrar as pessoas em suas casas e, consequentemente, reduzir a circulação das pessoas nas áreas comuns da cidade, como ruas comerciais e shopping centers. (B) as pessoas irão se deslocar por diversos lugares, com mobilidade crescente, propiciada pela flexibilidade recém-conquistada pelos sistemas de trabalho e pela integração social em redes. (C) cada vez mais as pessoas trabalham e administram serviços de suas casas, tendência que deve diminuir com o passar dos anos. (D) o deslocamento das pessoas entre diversos lugares é um dos fatores causadores do estresse nos grandes centros urbanos. (E) o fim da cidade será uma das consequências inevitáveis da mobilidade crescente. 3. (ENEM-MEC) O “Portal Domínio Público”, lançado em novembro de 2004, propõe o compartilhamento de conhecimentos de forma equânime e gratuita, colocando à disposição de todos os usuários da internet, uma biblioteca virtual que deverá constituir referência para professores, alunos, pesquisadores e para a população em geral. Esse portal constitui um ambiente virtual que permite a coleta, a integração, a preservação e o compartilhamento de conhecimentos, sendo seu principal objetivo o de promover o amplo acesso às obras literárias, artísticas e científicas (na forma de textos, sons, imagens e vídeos), já em domínio público ou que tenham a sua divulgação devidamente autorizada. BRASIL. Ministério da Educação. Disponível em: < http://www.dominiopublico.gov.br > (adaptado).
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Considerando a função social das informações geradas nos sistemas de comunicação e informação, o ambiente virtual descrito no texto exemplifica (A) a dependência das escolas públicas quanto ao uso de sistemas de informação. (B) a ampliação do grau de interação entre as pessoas, a partir de tecnologia convencional. (C) a democratização da informação, por meio da disponibilização de conteúdo cultural e científico à sociedade. (D) a comercialização do acesso a diversas produções culturais nacionais e estrangeiras via tecnologia da informação e da comunicação. (E) a produção de repertório cultural direcionado a acadêmicos e educadores. 4. (ENEM-MEC) É muito raro que um novo modo de comunicação ou de expressão suplante completamente os anteriores. Fala-se menos desde que a escrita foi inventada? Claro que não. Contudo, a função da palavra viva mudou, uma parte de suas missões nas culturas puramente orais tendo sido preenchida pela escrita: transmissão dos conhecimentos e das narrativas, estabelecimento de contratos, realização dos principais atos rituais ou sociais etc. Novos estilos de conhecimento (o conhecimento “teórico”, por exemplo) e novos gêneros (o código de leis, o romance etc.) surgiram. A escrita não fez com que a palavra desaparecesse, ela complexificou e reorganizou o sistema da comunicação e da memória social. A fotografia substituiu a pintura? Não, ainda há pintores ativos. As pessoas continuam, mais do que nunca, a visitar museus, exposições e galerias, compram as obras dos artistas para pendurá-las em casa. Em contrapartida, é verdade que os pintores, os desenhistas, os gravadores, os escultores não são mais – como foram até o século XIX – os únicos produtores de imagens. LÉVY, P. Cibercultura. São Paulo: Editora 34, 1999 (fragmento). A substituição pura e simples do antigo pelo novo ou do natural pelo técnico tem sido motivo de preocupação de muita gente. O texto encaminha uma discussão em torno desse temor ao (A) considerar as relações entre o conhecimento teórico e o conhecimento empírico e acrescenta que novos gêneros textuais surgiram com o progresso. (B) observar que a língua escrita não é uma transcrição fiel da língua oral e explica que as palavras antigas devem ser utilizadas para preservar a tradição. (C) perguntar sobre a razão de as pessoas visitarem museus, exposições etc., e reafirma que os fotógrafos são os únicos responsáveis pela produção de obras de arte. (D) reconhecer que as pessoas temem que o avanço dos meios de comunicação, inclusive on-line, substitua o homem e leve alguns profissionais ao esquecimento. (E) revelar o receio das pessoas em experimentar novos meios de comunicação, com medo de se sentirem retrógradas. 5. (ENEM-MEC) Texto I Época, 12 out. 2009 (adaptado). Texto II CONEXÃO SEM FIO NO BRASIL Onde haverá cobertura de telefonia celular para baixar publicações para o Kindle Época, 12 out. 2009. A capa da revista Época de 12 de outubro de 2009 traz um anúncio sobre o lançamento do livro digital no Brasil. Já o texto II traz informações referentes à abrangência de acessibilidade das tecnologias de comunicação e informação nas diferentes regiões do país. A partir da leitura dos dois textos, infere-se que o advento do livro digital no Brasil
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(A) possibilitará o acesso das diferentes regiões do país 
às informações antes restritas, uma vez que 
eliminará as distâncias, por meio da distribuição 
virtual. 
(B) criará a expectativa de viabilizar a democratização 
da leitura, porém, esbarra na insuficiência do acesso 
à internet por meio da telefonia celular, ainda 
deficiente no país. 
(C) fará com que os livros impressos tornem-se 
obsoletos, em razão da diminuição dos gastos com 
os produtos digitais gratuitamente distribuídos pela 
internet. 
(D) garantirá a democratização dos usos da tecnologia 
no país, levando em consideração as características 
de cada região no que se refere aos hábitos de 
leitura e acesso à informação. 
(E) impulsionará o crescimento da qualidade da leitura 
dos brasileiros, uma vez que as características do 
produto permitem que a leitura aconteça a despeito 
das adversidades geopolíticas. 
6. (ENEM-MEC) 
No programa do balé Parade, apresentado em 18 de 
maio de 1917, foi empregada publicamente, pela primeira 
vez, a palavra sur-realisme. Pablo Picasso desenhou o 
cenário e a indumentária, cujo efeito foi tão 
surpreendente que se sobrepôs à coreografia. A música 
de Erik Satie era uma mistura de jazz, música popular e 
sons reais tais como tiros de pistola, combinados com as 
imagens do balé de Charlie Chaplin, caubóis e vilões, 
mágica chinesa e Ragtime. Os tempos não eram 
propícios para receber a nova mensagem cênica 
demasiado provocativa devido ao repicar da máquina de 
escrever, aos zumbidos de sirene e dínamo e aos 
rumores de aeroplano previstos por Cocteau para a 
partitura de Satie. Já a ação coreográfica confirmava a 
tendência marcadamente teatral da gestualidade cênica, 
dada pela justaposição, colagem de ações isoladas 
seguindo um estímulo musical. 
SILVA, S. M. O surrealismo e a dança. GUINSBURG, J.; LEIRNER 
(Org.). O surrealismo. São Paulo: Perspectiva, 2008 (adaptado). 
As manifestações corporais na história das artes da cena 
muitas vezes demonstram as condições cotidianas de um 
determinado grupo social, como se pode observar na 
descrição acima do balé Parade, o qual reflete 
(A) a falta de diversidade cultural na sua proposta 
estética. 
(B) a alienação dos artistas em relação às tensões da 
Segunda Guerra Mundial. 
(C) uma disputa cênica entre as linguagens das artes 
visuais, do figurino e da música. 
(D) as inovações tecnológicas nas partes cênicas, 
musicais, coreográficas e de figurino. 
(E) uma narrativa com encadeamentos claramente 
lógicos e lineares. 
7. (ENEM-MEC) 
Teatro do Oprimido é um método teatral que 
sistematiza exercícios, jogos e técnicas teatrais 
elaboradas pelo teatrólogo brasileiro Augusto Boal, 
recentemente falecido, que visa à desmecanização física 
e intelectual de seus praticantes. Partindo do princípio de 
que a linguagem teatral não deve ser diferenciada da que 
é usada cotidianamente pelo cidadão comum (oprimido), 
ele propõe condições práticas para que o oprimido se 
aproprie dos meios do fazer teatral e, assim, amplie suas 
possibilidades de expressão. Nesse sentido, todos 
podem desenvolver essa linguagem e, 
consequentemente, fazer teatro. Trata-se de um teatro 
em que o espectador é convidado a substituir o 
protagonista e mudar a condução ou mesmo o fim da 
história, conforme o olhar interpretativo e contextualizado 
do receptor. 
Companhia Teatro do Oprimido. Disponível em: 
< www.ctorio.org.br > (adaptado). 
Considerando-se as características do Teatro do 
Oprimido apresentadas, conclui-se que 
(A) esse modelo teatral é um método tradicional de fazer 
teatro que usa, nas suas ações cênicas, a linguagem 
rebuscada e hermética falada normalmente pelo 
cidadão comum. 
(B) a forma de recepção desse modelo teatral se 
destaca pela separação entre atores e público, na 
qual os atores representam seus personagens e a 
plateia assiste passivamente ao espetáculo. 
(C) sua linguagem teatral pode ser democratizada e 
apropriada pelo cidadão comum, no sentido de 
proporcionar-lhe autonomia crítica para 
compreensão e interpretação do mundo em que vive. 
(D) o convite ao espectador para substituir o 
protagonista e mudar o fim da história evidencia que 
a proposta de Boal se aproxima das regras do teatro 
tradicional para a preparação de atores. 
(E) a metodologia teatral do Teatro do Oprimido segue a 
concepção do teatro clássico aristotélico, que visa à 
desautomação física e intelectual de seus 
praticantes. 
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8. (ENEM-MEC) Disponível em: < http://algarveturistico.com >. O desenvolvimento das capacidades físicas (qualidades motoras passíveis de treinamento) ajuda na tomada de decisões em relação à melhor execução do movimento. A capacidade física predominante no movimento representado na imagem é (A) a velocidade, que permite ao músculo executar uma sucessão rápida de gestos em movimentação de intensidade máxima. (B) a resistência, que admite a realização de movimentos durante considerável período de tempo, sem perda da qualidade da execução. (C) a flexibilidade, que permite a amplitude máxima de um movimento, em uma ou mais articulações, sem causar lesões. (D) a agilidade, que possibilita a execução de movimentos rápidos e ligeiros com mudanças de direção. (E) o equilíbrio, que permite a realização dos mais variados movimentos, com o objetivo de sustentar o corpo sobre uma base. 9. (ENEM-MEC) Jean-Baptiste Debret. Entrudo, 1834. Na obra Entrudo, de Jean-Baptiste Debret (1768-1848), apresentada acima, (A) registram-se cenas da vida íntima dos senhores de engenho e suas relações com os escravos. (B) identifica-se a presença de traços marcantes do movimento artístico denominado Cubismo. (C) identificam-se, nas fisionomias, sentimentos de angústia e inquietações que revelam as relações conflituosas entre senhores e escravos. (D) observa-se a composição harmoniosa e destacam-se as imagens que representam figuras humanas. (E) constata-se que o artista utilizava a técnica do óleo sobre tela, com pinceladas breves e manchas, sem delinear as figuras ou as fisionomias. 10. (ENEM-MEC) MONET, C. Mulher com sombrinha. 1875, 100 × 81 cm. In: BECKETT, W. História da Pintura. São Paulo: Ática, 1997. Em busca de maior naturalismo em suas obras e fundamentando-se em novo conceito estético, Monet, Degas, Renoir e outros artistas passaram a explorar novas formas de composição artística, que resultaram no estilo denominado Impressionismo. Observadores atentos da natureza, esses artistas passaram a (A) retratar, em suas obras, as cores que idealizavam de acordo com o reflexo da luz solar nos objetos. (B) usar mais a cor preta, fazendo contornos nítidos, que melhor definiam as imagens e as cores do objeto representado. (C) retratar paisagens em diferentes horas do dia, recriando, em suas telas, as imagens por eles idealizadas. (D) usar pinceladas rápidas de cores puras e dissociadas diretamente na tela, sem misturá-las antes na paleta. (E) usar as sombras em tons de cinza e preto e com efeitos esfumaçados, tal como eram realizadas no Renascimento.
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11. (ENEM-MEC) 
“Todas as manhãs quando acordo, experimento um 
prazer supremo: o de ser Salvador Dalí.” 
NÉRET, G. Salvador Dalí. Taschen, 1996. 
Assim escreveu o pintor dos “relógios moles” e das 
“girafas em chamas” em 1931. Esse artista excêntrico 
deu apoio ao general Franco durante a Guerra Civil 
Espanhola e, por esse motivo, foi afastado do movimento 
surrealista por seu líder, André Breton. Dessa forma, Dalí 
criou seu próprio estilo, baseado na interpretação dos 
sonhos e estudos de Sigmund Freud, denominado 
“método de interpretação paranoico”. Esse método era 
constituído por textos visuais que demonstram imagens 
(A) do fantástico, impregnado de civismo pelo governo 
espanhol, em que a busca pela emoção e pela 
dramaticidade desenvolveram um estilo 
incomparável. 
(B) do onírico, que misturava sonho com realidade e 
interagia refletindo a unidade entre o consciente e o 
inconsciente como um universo único ou pessoal. 
(C) da linha inflexível da razão, dando vazão a uma 
forma de produção despojada no traço, na temática e 
nas formas vinculadas ao real. 
(D) do reflexo que, apesar do termo “paranoico”, possui 
sobriedade e elegância advindas de uma técnica de 
cores discretas e desenhos precisos. 
(E) da expressão e intensidade entre o consciente e a 
liberdade, declarando o amor pela forma de conduzir 
o enredo histórico dos personagens retratados. 
12. (UFSCar-SP, adaptada) 
Tropicália 
Sobre a cabeça os aviões 
Sob os meus pés os caminhões 
Aponta contra os chapadões 
Meu nariz 
Eu organizo o movimento 
Eu oriento o carnaval 
Eu inauguro o monumento 
No planalto central do país 
Viva a Bossa, sa, sa 
Viva a palhoça, ça, ça, ça, ça 
Viva a Bossa, sa, sa 
Viva a palhoça, ça, ça, ça, ça 
O monumento 
É de papel crepom e prata 
Os olhos verdes da mulata 
A cabeleira esconde 
Atrás da verde mata 
O luar do sertão 
O monumento não tem porta 
A entrada é uma rua antiga 
Estreita e torta 
E no joelho uma criança 
Sorridente, feia e morta 
Estende a mão 
(...) 
(Caetano Veloso) 
No final da década de 1960, surgiu um movimento 
musical no Brasil do qual participaram ativamente, dentre 
outros, Gilberto Gil e Caetano Veloso – autor da letra de 
música acima, que expressa muitas das propostas do 
movimento. Essa tendência recebeu o nome de: 
(A) Bossa Nova. 
(B) Concretismo. 
(C) Jovem Guarda. 
(D) Tropicalismo. 
(E) Semana de Arte Moderna. 
13. (ENEM-MEC) 
Antonio Rocco. Os imigrantes, 1910, 
Pinacoteca do Estado de São Paulo. 
Um dia, os imigrantes aglomerados na amurada da 
proa chegavam à fedentina quente de um porto, num 
silêncio de mato e de febre amarela. Santos. — É aqui! 
Buenos Aires é aqui! — Tinham trocado o rótulo das 
bagagens, desciam em fila. Faziam suas necessidades 
nos trens dos animais onde iam. Jogavam-nos num 
pavilhão comum em São Paulo. — Buenos Aires é aqui! 
— Amontoados com trouxas, sanfonas e baús, num carro 
de bois, que pretos guiavam através do mato por 
estradas esburacadas, chegavam uma tarde nas 
senzalas donde acabava de sair o braço escravo. 
Formavam militarmente nas madrugadas do terreiro 
homens e mulheres, ante feitores de espingarda ao 
ombro. 
Oswald de Andrade. Marco Zero II – Chão. 
Rio de Janeiro: Globo, 1991.
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Levando-se em consideração o texto de Oswald de Andrade e a pintura de Antonio Rocco reproduzida acima, relativos à imigração europeia para o Brasil, é correto afirmar que (A) a visão da imigração presente na pintura é trágica e, no texto, otimista. (B) a pintura confirma a visão do texto quanto à imigração de argentinos para o Brasil. (C) os dois autores retratam dificuldades dos imigrantes na chegada ao Brasil. (D) Antonio Rocco retrata de forma otimista a imigração, destacando o pioneirismo do imigrante. (E) Oswald de Andrade mostra que a condição de vida do imigrante era melhor que a dos ex-escravos. 14. (ENEM-MEC) Cuitelinho Cheguei na bera do porto Onde as onda se espaia. As garça dá meia volta, Senta na bera da praia. E o cuitelinho não gosta Que o botão da rosa caia. Quando eu vim da minha terra, Despedi da parentaia. Eu entrei em Mato Grosso, Dei em terras paraguaia. Lá tinha revolução, Enfrentei fortes bataia. A tua saudade corta Como o aço de navaia. O coração fica aflito, Bate uma e outra faia. E os oio se enche d’água Que até a vista se atrapaia. Folclore recolhido por Paulo Vanzolini e Antônio Xandó. BORTONI-RICARDO, S. M. Educação em língua materna. São Paulo: Parábola, 2004. Transmitida por gerações, a canção Cuitelinho manifesta aspectos culturais de um povo, nos quais se inclui sua forma de falar, além de registrar um momento histórico. Depreende-se disso que a importância em preservar a produção cultural de uma nação consiste no fato de que produções como a canção Cuitelinho evidenciam a (A) recriação da realidade brasileira de forma ficcional. (B) criação neológica na língua portuguesa. (C) formação da identidade nacional por meio da tradição oral. (D) incorreção da língua portuguesa que é falada por pessoas do interior do Brasil. (E) padronização de palavras que variam regionalmente, mas possuem mesmo significado. 15. (ENEM-MEC) Figura 1 Disponível em: < http://www.numaboa.com >. Figura 2 Disponível em: < http://www.poracaso.com >. Figura 3 Disponível em: < http://www.decodificandocodigos.pbwiki.com >. Figura 4 Disponível em: < http://www.numaboa.com >. O homem desenvolveu seus sistemas simbólicos para utilizá-los em situações específicas de interlocução. A necessidade de criar dispositivos que permitissem o diálogo em momentos e/ou lugares distintos levou à adoção universal de alguns desses sistemas. Considerando que a interpretação de textos codificados depende da sintonia e da sincronia entre o emissor e o receptor, pode-se afirmar que a
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SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 178 LCT  Português  
(A) recepção das mensagens que utilizam o sistema 
simbólico da figura 1 pode ser feita horas depois de 
sua emissão. 
(B) recepção de uma mensagem codificada com o 
auxílio do sistema simbólico mostrado na figura 2 
independe do momento de sua emissão. 
(C) mensagem que é mostrada na figura 4 será 
decodificada sem o auxílio da língua falada. 
(D) figura 3 mostra um sistema simbólico cuja criação é 
anterior à criação do sistema mostrado na figura 2. 
(E) figura 4 representa um sistema simbólico que recorre 
à utilização do som para a transmissão das 
mensagens. 
16. (ENEM-MEC) 
Os signos visuais, como meios de comunicação, são 
classificados em categorias de acordo com seus 
significados. A categoria denominada indício corresponde 
aos signos visuais que têm origem em formas ou 
situações naturais ou casuais, as quais, devido à 
ocorrência em circunstâncias idênticas, muitas vezes 
repetidas, indicam algo e adquirem significado. Por 
exemplo, nuvens negras indicam tempestade. 
Com base nesse conceito, escolha a opção que 
representa um signo da categoria dos indícios. 
(A) 
(B) 
(C) 
(D) 
(E) 
17. (ENEM-MEC) 
A linguagem utilizada pelos chineses há milhares de 
anos é repleta de símbolos, os ideogramas, que revelam 
parte da história desse povo. Os ideogramas primitivos 
são quase um desenho dos objetos representados. 
Naturalmente, esses desenhos alteraram-se com o 
tempo, como ilustra a seguinte evolução do ideograma 
, 
que significa cavalo e em que estão representados 
cabeça, cascos e cauda do animal. 
Considerando o processo mencionado acima, escolha a 
sequência que poderia representar a evolução do 
ideograma chinês para a palavra luta. 
(A) 
(B) 
(C) 
(D) 
(E)
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SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 179 LCT  Português  
********** ATIVIDADES 2 ********** 
C3 
Compreender e usar a linguagem corporal como 
relevante para a própria vida, integradora social e 
formadora da identidade. 
H9 
Reconhecer as manifestações corporais de movimento 
como originárias de necessidades cotidianas de um 
grupo social. 
18. (ENEM-MEC) 
Os vínculos entre o esporte e as guerras foram muito 
estreitos. Há cem anos, na França, sociedades de 
ginástica, de tiro e de esgrima se desenvolveram sob o 
controle rígido do Exército. Cabia ao esporte preparar os 
futuros quadros políticos do país. Atualmente o esporte 
praticado pelas pessoas está mais relacionado ao lazer. 
RAGACHE, G. Esportes e jogos. São Paulo: 
Ática, 2001 (adaptado). 
A partir da leitura do texto, pode-se inferir que, na 
atualidade, a prática esportiva pessoal está mais 
relacionada 
(A) ao treinamento militar. 
(B) à preparação de quadros políticos. 
(C) ao interesse pela diversão. 
(D) à participação nas Olimpíadas. 
(E) às sociedades de ginástica e de esgrima. 
19. (ENEM-MEC) 
É bastante conhecida, no caso brasileiro, a história do 
povo africano que, vivendo nas senzalas, inventou a 
capoeira. Enquanto fingia estar dançando, treinava 
golpes para defender-se dos seus opressores. 
RAGACHE, G. Esportes e jogos. São Paulo: 
Ática, 2001 (adaptado). 
A partir da leitura do texto, é possível afirmar que os 
povos 
(A) copiam movimentos de outros lugares. 
(B) criam movimentos relacionados às suas 
necessidades. 
(C) são incapazes de elaborar movimentos. 
(D) se limitam aos movimentos que já conhecem. 
(E) só se movimentam para se defender. 
________________________________________________ 
*Anotações* 
H10 
Reconhecer a necessidade de transformação de hábitos 
corporais em função das necessidades cinestésicas. 
20. (ENEM-MEC) 
Observe a charge e responda à questão. 
< http://portaldearaguari.bIogspot.com >. 
Assinale a alternativa correta. 
(A) A charge satiriza o comportamento do jogador, que 
não se preocupa com o próprio condicionamento 
físico. 
(B) A falta de uma bola de futebol, na charge, indica que 
esta se refere, na verdade, a problemas políticos, e 
não a problemas do futebol. 
(C) A crítica maior da charge é feita à qualidade dos 
times de futebol, representados pelos uniformes do 
jogador. 
(D) O fato de o autor não ter tirado das camisas de 
uniforme as marcas patrocinadoras dos times mostra 
crítica ao excesso de propaganda no futebol. 
(E) A referência ao estilista do jogador mostra uma 
crítica do autor da charge à invasão do mundo 
fashion nos gramados, por meio de uniformes 
estilizados. 
H11 
Reconhecer a linguagem corporal como meio de 
interação social, considerando os limites de 
desempenho e as alternativas de adaptação para 
diferentes indivíduos. 
21. (ENEM-MEC) 
As pinturas corporais foram sempre muito utilizadas 
pelos povos indígenas em rituais de festas, magias e 
lutos. Atualmente vemos pessoas pintarem os rostos por 
protesto político, como foi o caso dos estudantes 
chamados de “caras-pintadas”. Também os torcedores 
de futebol pintam no rosto a bandeira de seus times. 
Com base nesses exemplos, pode-se concluir que tais 
gestos representam diferentes formas de 
(A) preconceitos. 
(B) expressões culturais. 
(C) manifestações esportivas. 
(D) sentimentos religiosos. 
(E) protestos políticos.
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SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 180 LCT  Português  
*MÓDULO 3* 
Literatura brasileira 
Romantismo 
RÉUNION DES MUSÉES NATIONAUX 
 Representação da Queda da Bastilha, evento que marcou a 
Revolução Francesa, auge do Iluminismo, movimento inspirador do 
Romantismo brasileiro 
 O indivíduo, com seus sentimentos e expectativas, 
foi valorizado com o avanço da burguesia, a 
decadência da monarquia e o triunfo dos valores 
como a liberdade e a igualdade de direitos difundidos 
pelo Iluminismo e pela Revolução Francesa. 
 O Romantismo foi a expressão desse individualismo. 
A literatura romântica caracterizou-se pelo 
egocentrismo, pela idealização e pela melancolia. No 
Brasil, foi consolidado o sentimento de amor à pátria. 
 A poesia romântica brasileira divide-se em três 
gerações: 
 A primeira geração é marcada pelo nacionalismo e 
pelo indianismo. 
 A segunda geração, dos ultrarromânticos, 
caracteriza-se pelo pessimismo e pelo desencanto 
com a vida, sentimentos a que se refere a expressão 
“mal do século”. É uma expressão também vinculada 
às doenças pulmonares fatais, destacadamente a 
tuberculose, que vitimavam os boêmios, entre eles 
importantes nomes das artes nacionais e 
internacionais. 
 A terceira geração somou à temática romântica as 
questões sociais, entre elas a condenação das 
desigualdades, como aquela determinada pela 
escravidão. 
 A prosa romântica abordou essencialmente a mesma 
temática explorada pela poesia do período no Brasil, 
incluindo subjetividade, idealização, sentimentalismo, 
nacionalismo e temática social. Nos romances, os 
finais felizes ganharam espaço, atendendo à 
expectativa do crescente público. 
 O romance brasileiro da época dividiu-se em três 
gêneros principais: 
 O indianista valorizou o indígena como “bom 
selvagem” e parte do mito fundador da identidade 
nacional, em sua união com o colonizador europeu. 
 O urbano retratou o dia a dia e os eventos especiais, 
como as festas, nas cidades. Alguns retrataram os 
conflitos vividos pela sociedade burguesa, como o 
dilema entre o interesse financeiro e o sentimento 
amoroso. 
 O regionalista descreveu as diferentes áreas e 
culturas do vasto território brasileiro, também em 
busca de um mapeamento que ajudasse a criar uma 
identidade nacional. 
 Uma obra se destaca do conjunto de romances do 
período por descrever a sociedade de modo mais 
realista, distanciando-se da idealização de 
personagens e situações da sociedade burguesa: 
Memórias de um Sargento de Milícias, de Manuel 
Antônio de Almeida. A obra é construída em torno da 
figura do malandro, que ressurgiria mais tarde em 
vários romances brasileiros, como Macunaíma, de 
Mário de Andrade, e Serafim Ponte Grande, de 
Oswald de Andrade. 
Realismo e Naturalismo 
 O avanço do conhecimento científico sobre a 
natureza e as relações sociais a partir da segunda 
metade do século XIX alimentou teorias cientificistas 
e deterministas, ambiente que fomentou o 
surgimento da literatura realista, atenta à condição 
objetiva do ser humano em oposição à idealização 
cultivada no Romantismo. 
 A crítica social foi outro aspecto essencial do 
Realismo, com o uso da observação fria e 
distanciada dos acontecimentos. O extremo da 
postura cientificista na literatura foi o Naturalismo, 
que procurou explicar o ser humano e sua situação 
como resultado da raça, do ambiente e das 
circunstâncias históricas. 
 Machado de Assis renovou a literatura brasileira com 
a refinada ironia do texto e a originalidade da 
narrativa, destacando-se o romance Memórias 
Póstumas de Brás Cubas, no qual o narrador, depois 
de morto, conta a história de sua vida. Em Portugal, 
o grande nome da prosa realista foi Eça de Queirós, 
que, assim como Machado de Assis, criticou os 
costumes da elite burguesa da época.
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SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 181 LCT  Português  
Parnasianismo e Simbolismo 
 O culto à forma foi o atributo fundamental do período 
literário parnasiano, que surgiu e se consolidou no 
cenário nacional nas últimas décadas do século XIX 
(e continuaria influenciando o conceito de “bom 
gosto” literário até a explosão do Modernismo, já na 
segunda década do século XX). Os parnasianos 
defendiam o retorno aos ideais clássicos da arte, 
baseados na beleza greco-romana, equilíbrio e 
objetividade. Reagiam contra o que chamavam de 
excessos de fantasia e emoção do Romantismo. No 
Brasil, Olavo Bilac, Raimundo Correia e Alberto de 
Oliveira foram os principais autores do período e 
formaram a “tríade parnasiana”. 
 Uma das pretensões fundamentais do Simbolismo 
era a reintegração à natureza. O marco inaugural do 
movimento foi a publicação, em 1857, de As Flores 
do Mal, de Charles Baudelaire. Em 
Correspondências, poema que integra o livro e que 
influenciaria toda uma geração de autores, inclusive 
no Brasil, o decifrar dos símbolos revelaria ao 
homem a correspondência entre tudo no mundo, 
matéria e espírito, homem e natureza. A sinestesia, 
que estabelece vínculos entre sentidos diferentes, é 
uma das figuras de linguagem mais utilizadas no 
período. O discurso científico e materialista da época 
foi posto em xeque pelos simbolistas. 
 A música, por seu caráter imaterial, fortemente 
sugestivo, era uma das principais inspirações dos 
simbolistas. Os autores do período buscavam a 
aproximação entre literatura e música, pelo uso 
recorrente de figuras de linguagem, como a 
aliteração (repetições de sons consonantais) e a 
assonância (repetição de sons vocálicos). Para os 
simbolistas, só a sugestão era capaz de levar o 
homem a intuir os mistérios do universo, como a 
existência e a morte. 
 Cruz e Sousa foi o grande poeta simbolista brasileiro. 
Os livros Missal (prosa) e Broquéis (poesia), de sua 
autoria, inauguram o Simbolismo no Brasil, em 1893. 
A poesia de Cruz e Sousa foi marcada pelos temas 
da morte, da existência e da religiosidade e pela 
predominância de imagens imprecisas e forte 
musicalidade. Outro autor brasileiro de destaque foi 
Alphonsus de Guimaraens, que tratou 
frequentemente do tema da morte da mulher amada. 
Pré-Modernismo 
 O nacionalismo foi uma das principais características 
do Pré-Modernismo. Os autores desse período 
literário defendiam a integração nacional ampla e 
generosa e valorizavam os usos e costumes 
brasileiros. Os pré-modernistas também fizeram da 
literatura um instrumento de transformação social, 
elegendo novas personagens (os pobres, de modo 
geral) e denunciando e ironizando a ordem vigente. 
 Com a campanha de Canudos, Euclides da Cunha 
chegou à conclusão: “O sertanejo é, antes de tudo, 
um forte”. Revendo as teorias de superioridade de 
raça e degenerescência social em vigor no começo 
do século XX, o autor de Os Sertões reconheceu a 
força genuína desse homem, vítima da pobreza, da 
desnutrição, do analfabetismo, da doença. 
 Policarpo Quaresma, protagonista do romance Triste 
Fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto, é 
considerado o Dom Quixote brasileiro. Caracteriza- 
-se, a exemplo da personagem do espanhol Miguel 
de Cervantes, por seu idealismo e pela não 
correspondência entre aquilo em que acredita e 
aquilo que de fato é. Policarpo é defensor 
apaixonado das coisas e da gente do Brasil, 
sonhador de um país integrado e generoso. 
Terminará a vida perseguido e desiludido, vítima 
daqueles que sempre usaram o nome da pátria em 
nome de vantagens pessoais. 
 Lima Barreto foi um dos defensores da nova atitude 
preconizada pelos escritores pré-modernistas: a 
adoção de uma linguagem mais coloquial, próxima 
do cotidiano da população, contrária ao 
academicismo vigente no Brasil. Por esse motivo, 
Lima Barreto foi acusado, injustamente, de escrever 
em mau português. 
 Monteiro Lobato foi também uma das principais 
figuras do Pré-Modernismo. Ele revelou, por meio de 
Jeca Tatu, personagem de conto do livro Urupês, a 
situação de abandono do trabalhador rural e da 
agricultura brasileira. Jeca Tatu era o símbolo do 
caipira pobre, doente e desamparado. Lobato foi 
também precursor de campanhas nacionalistas, 
como a do petróleo brasileiro. 
 Augusto dos Anjos foi o maior destaque na poesia do 
período. Publicou uma única obra: Eu. 
Modernismo 
 Mário de Andrade e Oswald de Andrade foram os 
principais teóricos e articuladores do movimento 
modernista no Brasil, influenciados pelas vanguardas 
artísticas europeias das duas primeiras décadas do 
século XX, com destaque para o Cubismo, o 
Dadaísmo e o Surrealismo. 
 Manuel Bandeira é o terceiro grande nome da 
primeira geração do Modernismo brasileiro. O poema 
Poética é uma síntese da nova sensibilidade 
modernista, em oposição ao formalismo e 
academicismo que vigoravam na arte. 
 A Semana de Arte Moderna foi o marco inaugural do 
Modernismo no Brasil. Reuniu, no Teatro Municipal 
de São Paulo, nos dias 13, 15 e 17 de fevereiro de 
1922, os novos artistas brasileiros. A arte moderna 
provocou a reação irada de muitos na plateia, que 
vaiaram.
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SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 182 LCT  Português  
 O nacionalismo também foi uma das características do Modernismo brasileiro, mas com particularidades: os modernistas defendiam a cultura brasileira, suas tradições mais antigas e originais, sem idealização. Era um nacionalismo crítico, capaz de valorizar as qualidades brasileiras, como a cultura popular, e também de apontar os vícios crônicos do país.  O romance de 30 foi uma das grandes realizações da segunda geração do Modernismo, que vai de 1930 a 1945. Autores das mais diversas localidades do país, como Graciliano Ramos, José Lins do Rego e Érico Veríssimo, transformaram a literatura em ferramenta de denúncia social, retratando problemas da vida brasileira sem idealização, como retirantes da seca. Empregaram linguagem que incorpora o vocabulário e a sintaxe de suas personagens.  Vidas Secas (1938), de Graciliano Ramos, é a obra mais popular da segunda geração do Modernismo (e também a inspiração para um clássico do cinema brasileiro, dirigido por Nelson Pereira dos Santos e lançado em 1963). Revela a miséria de uma família nordestina que foge da seca. Graciliano utilizou linguagem concisa e direta, sem floreios, para mimetizar a secura da vida sertaneja. Um dos destaques da obra é o uso do discurso indireto livre, que cria o efeito de monólogo interior e aproxima o leitor dos dramas das personagens. Além disso, o emprego das linguagens antropomórfica e zoomórfica coloca homens e animais no mesmo plano; ainda mais: animaliza os homens e humaniza os animais, em especial a cadela Baleia.  O ciclo da cana-de-açúcar foi o grande tema de José Lins do Rego. Seus romances retrataram a vida nos engenhos do Nordeste e as oposições entre a casa- -grande e a senzala. O livro que fecha o ciclo, Fogo Morto, de 1943, mostra a derrocada do modo de produção tradicional do açúcar, com a industrialização e a chegada do sistema produtivo das usinas. No Rio Grande do Sul, Érico Veríssimo narrou a conturbada formação de seu estado, no épico O Tempo e o Vento. Enquanto isso, seu conterrâneo Dyonélio Machado se ocupou de temas urbanos, de cunho psicológico.  A poesia de Carlos Drummond de Andrade lançou o tema do gauchismo, isto é, do eu-lírico que não se encaixa no mundo, vive em total descompasso com ele. Seu livro de estreia, Alguma Poesia, de 1930, representa essa fase gauche. Drummond foi também o poeta engajado socialmente, como nas obras Sentimento do Mundo e A Rosa do Povo. Depois, adotou postura mais reflexiva, metafísica e filosófica, como em Claro Enigma. A fase final de sua obra poética é memorialista, como em Boitempo I e II.  A pesquisa estética foi uma das principais características da terceira fase do Modernismo brasileiro, a Geração de 45. Os autores do período acompanham conquistas das gerações anteriores, mas inovam nas formas artísticas de expressão.  Foi o alcance dado ao sertão de Minas Gerais o grande destaque da obra do escritor João Guimarães Rosa, principalmente em Grande Sertão: Veredas. As questões em jogo no livro, como amor, amizade e traição, dizem respeito a todos, independentemente de serem vividas por jagunços.  Metalinguagem e fluxo de consciência são duas características que distinguem a obra de Clarice Lispector. O fluxo de consciência permite o aprofundamento do exame psicológico da personagem, levando o leitor para a “mente” delas.  João Cabral de Melo Neto foi o principal representante da poesia do Modernismo da Geração de 45. É reconhecido pelo estilo conciso e pelo apuro formal de seus versos. ********** ATIVIDADES 1 ********** 1. (ENEM-MEC) Soneto Já da morte o palor me cobre o rosto, Nos lábios meus o alento desfalece, Surda agonia o coração fenece, E devora meu ser mortal desgosto! Do leito embalde no macio encosto Tento o sono reter!… já esmorece O corpo exausto que o repouso esquece… Eis o estado em que a mágoa me tem posto! O adeus, o teu adeus, minha saudade, Fazem que insano do viver me prive E tenha os olhos meus na escuridade. Dá-me a esperança com que o ser mantive! Volve ao amante os olhos por piedade, Olhos por quem viveu quem já não vive! AZEVEDO, A. Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2000. O núcleo temático do soneto citado é típico da segunda geração romântica, porém configura um lirismo que o projeta para além desse momento específico. O fundamento desse lirismo é (A) a angústia alimentada pela constatação da irreversibilidade da morte. (B) a melancolia que frustra a possibilidade de reação diante da perda. (C) o descontrole das emoções provocado pela autopiedade. (D) o desejo de morrer como alívio para a desilusão amorosa. (E) o gosto pela escuridão como solução para o sofrimento.
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2. (ENEM-MEC) Pobre Isaura! Sempre e em toda parte esta contínua importunação de senhores e de escravos, que não a deixam sossegar um só momento! Como não devia viver aflito e atribulado aquele coração! Dentro de casa contava ela quatro inimigos, cada qual mais porfiado em roubar-lhe a paz da alma, e torturar-lhe o coração: três amantes, Leôncio, Belchior, e André, e uma êmula terrível e desapiedada, Rosa. Fácil lhe fora repelir as importunações e insolências dos escravos e criados; mas que seria dela, quando viesse o senhor?!... GUIMARÃES, B. A escrava Isaura. São Paulo: Ática, 1995 (adaptado). A personagem Isaura, como afirma o título do romance, era uma escrava. No trecho apresentado, os sofrimentos por que passa a protagonista (A) assemelham-se aos das demais escravas do país, o que indica o estilo realista da abordagem do tema da escravidão pelo autor do romance. (B) demonstram que, historicamente, os problemas vividos pelas escravas brasileiras, como Isaura, eram mais de ordem sentimental do que física. (C) diferem dos que atormentavam as demais escravas do Brasil do século XIX, o que revela o caráter idealista da abordagem do tema pelo autor do romance. (D) indicam que, quando o assunto era o amor, as escravas brasileiras, de acordo com a abordagem lírica do tema pelo autor, eram tratadas como as demais mulheres da sociedade. (E) revelam a condição degradante das mulheres escravas no Brasil, que, como Isaura, de acordo com a denúncia feita pelo autor, eram importunadas e torturadas fisicamente pelos seus senhores. 3. (ENEM-MEC) O sertão e o sertanejo Ali começa o sertão chamado bruto. Nesses campos, tão diversos pelo matiz das cores, o capim crescido e ressecado pelo ardor do sol transforma-se em vicejante tapete de relva, quando lavra o incêndio que algum tropeiro, por acaso ou mero desenfado, ateia com uma faúlha do seu isqueiro. Minando à surda na touceira, queda a vívida centelha. Corra daí a instantes qualquer aragem, por débil que seja, e levanta-se a língua de fogo esguia e trêmula, como que a contemplar medrosa e vacilante os espaços imensos que se alongam diante dela. O fogo, detido em pontos, aqui, ali, a consumir com mais lentidão algum estorvo, vai aos poucos morrendo até se extinguir de todo, deixando como sinal da avassaladora passagem o alvacento lençol, que lhe foi seguindo os velozes passos. Por toda a parte melancolia; de todos os lados tétricas perspectivas. É cair, porém, daí a dias copiosa chuva, e parece que uma varinha de fada andou por aqueles sombrios recantos a traçar às pressas jardins encantados e nunca vistos. Entra tudo num trabalho íntimo de espantosa atividade. Transborda a vida. TAUNAY, A. Inocência. São Paulo: Ática, 1993 (adaptado). O romance romântico teve fundamental importância na formação da ideia de nação. Considerando o trecho acima, é possível reconhecer que uma das principais e permanentes contribuições do Romantismo para construção da identidade da nação é a (A) possibilidade de apresentar uma dimensão desconhecida da natureza nacional, marcada pelo subdesenvolvimento e pela falta de perspectiva de renovação. (B) consciência da exploração da terra pelos colonizadores e pela classe dominante local, o que coibiu a exploração desenfreada das riquezas naturais do país. (C) construção, em linguagem simples, realista e documental, sem fantasia ou exaltação, de uma imagem da terra que revelou o quanto é grandiosa a natureza brasileira. (D) expansão dos limites geográficos da terra, que promoveu o sentimento de unidade do território nacional e deu a conhecer os lugares mais distantes do Brasil aos brasileiros. (E) valorização da vida urbana e do progresso, em detrimento do interior do Brasil, formulando um conceito de nação centrado nos modelos da nascente burguesia brasileira. 4. (ENEM-MEC) No trecho a seguir, o narrador, ao descrever a personagem, critica sutilmente um outro estilo de época: o Romantismo. Naquele tempo contava apenas uns quinze ou dezesseis anos; era talvez a mais atrevida criatura da nossa raça, e, com certeza, a mais voluntariosa. Não digo que já lhe coubesse a primazia da beleza, entre as mocinhas do tempo, porque isto não é romance, em que o autor sobredoura a realidade e fecha os olhos às sardas e espinhas; mas também não digo que lhe maculasse o rosto nenhuma sarda ou espinha, não. Era bonita, fresca, saía das mãos da natureza, cheia daquele feitiço, precário e eterno, que o indivíduo passa a outro indivíduo, para os fins secretos da criação. Machado de Assis. Memórias Póstumas de Brás Cubas. Rio de Janeiro: Jackson,1957. A frase do texto em que se percebe a crítica do narrador ao Romantismo está transcrita na alternativa:
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SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 184 LCT  Português  
(A) “... o autor sobredoura a realidade e fecha os olhos 
às sardas e espinhas...” 
(B) “... era talvez a mais atrevida criatura da nossa 
raça...” 
(C) “Era bonita, fresca, saía das mãos da natureza, cheia 
daquele feitiço, precário e eterno...” 
(D) “Naquele tempo contava apenas uns quinze ou 
dezesseis anos...” 
(E) “... o indivíduo passa a outro indivíduo, para os fins 
secretos da criação.” 
5. (ENEM-MEC) 
Capítulo III 
Um criado trouxe o café. Rubião pegou na xícara e, 
enquanto lhe deitava açúcar, ia disfarçadamente mirando 
a bandeja, que era de prata lavrada. Prata, ouro, eram os 
metais que amava de coração; não gostava de bronze, 
mas o amigo Palha disse-lhe que era matéria de preço, e 
assim se explica este par de figuras que aqui está na 
sala: um Mefistófeles e um Fausto. Tivesse, porém, de 
escolher, escolheria a bandeja, – primor de argentaria, 
execução fina e acabada. O criado esperava teso e sério. 
Era espanhol; e não foi sem resistência que Rubião o 
aceitou das mãos de Cristiano; por mais que lhe dissesse 
que estava acostumado aos seus crioulos de Minas, e 
não queria línguas estrangeiras em casa, o amigo Palha 
insistiu, demonstrando-lhe a necessidade de ter criados 
brancos. Rubião cedeu com pena. O seu bom pajem, que 
ele queria pôr na sala, como um pedaço da província, 
nem o pôde deixar na cozinha, onde reinava um francês, 
Jean; foi degradado a outros serviços. 
ASSIS, M. Quincas Borba. In: Obra completa. V. 1. 
Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1993 (fragmento). 
Quincas Borba situa-se entre as obras-primas do autor e 
da literatura brasileira. No fragmento apresentado, a 
peculiaridade do texto que garante a universalização de 
sua abordagem reside 
(A) no conflito entre o passado pobre e o presente rico, 
que simboliza o triunfo da aparência sobre a 
essência. 
(B) no sentimento de nostalgia do passado devido à 
substituição da mão de obra escrava pela dos 
imigrantes. 
(C) na referência a Fausto e Mefistófeles, que 
representam o desejo de eternização de Rubião. 
(D) na admiração dos metais por parte de Rubião, que 
metaforicamente representam a durabilidade dos 
bens produzidos pelo trabalho. 
(E) na resistência de Rubião aos criados estrangeiros, 
que reproduz o sentimento de xenofobia. 
6. (ENEM-MEC) 
Cárcere das almas 
Ah! Toda a alma num cárcere anda presa, 
Soluçando nas trevas, entre as grades 
Do calabouço olhando imensidades, 
Mares, estrelas, tardes, natureza. 
Tudo se veste de uma igual grandeza 
Quando a alma entre grilhões as liberdades 
Sonha e, sonhando, as imortalidades 
Rasga no etéreo o Espaço da Pureza. 
Ó almas presas, mudas e fechadas 
Nas prisões colossais e abandonadas, 
Da Dor no calabouço, atroz, funéreo! 
Nesses silêncios solitários, graves, 
que chaveiro do Céu possui as chaves 
para abrir-vos as portas do Mistério?! 
CRUZ E SOUSA, J. Poesia completa. Florianópolis: 
Fundação Catarinense de Cultura / Fundação 
Banco do Brasil, 1993. 
Os elementos formais e temáticos relacionados ao 
contexto cultural do Simbolismo encontrados no poema 
Cárcere das almas, de Cruz e Sousa, são 
(A) a opção pela abordagem, em linguagem simples e 
direta, de temas filosóficos. 
(B) a prevalência do lirismo amoroso e intimista em 
relação à temática nacionalista. 
(C) o refinamento estético da forma poética e o 
tratamento metafísico de temas universais. 
(D) a evidente preocupação do eu-lírico com a realidade 
social expressa em imagens poéticas inovadoras. 
(E) a liberdade formal da estrutura poética que dispensa 
a rima e a métrica tradicionais em favor de temas do 
cotidiano. 
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*Anotações*
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7. (ENEM-MEC) 
Texto 1 
O Morcego 
Meia-noite. Ao meu quarto me recolho. 
Meu Deus! E este morcego! E, agora, vede: 
Na bruta ardência orgânica da sede, 
Morde-me a goela ígneo e escaldante molho. 
“Vou mandar levantar outra parede...” 
Digo. Ergo-me a tremer. Fecho o ferrolho 
E olho o teto. E vejo-o ainda, igual a um olho, 
Circularmente sobre a minha rede! 
Pego de um pau. Esforços faço. Chego 
A tocá-lo. Minh’alma se concentra. 
Que ventre produziu tão feio parto?! 
A Consciência Humana é este morcego! 
Por mais que a gente faça, à noite, ele entra 
Imperceptivelmente em nosso quarto! 
ANJOS, A. Obra completa. Rio de Janeiro: Aguilar, 1994. 
Texto 2 
O lugar-comum em que se converteu a imagem de um 
poeta doentio, com o gosto do macabro e do horroroso, 
dificulta que se veja, na obra de Augusto dos Anjos, o 
olhar clínico, o comportamento analítico, até mesmo 
certa frieza, certa impessoalidade científica. 
CUNHA, F. Romantismo e modernidade na poesia. 
Rio de Janeiro: Cátedra, 1988 (adaptado). 
Em consonância com os comentários do texto 2 acerca 
da poética de Augusto dos Anjos, o poema O Morcego 
apresenta-se, enquanto percepção do mundo, como 
forma estética capaz de 
(A) reencantar a vida pelo mistério com que os fatos 
banais são revestidos na poesia. 
(B) expressar o caráter doentio da sociedade moderna 
por meio do gosto pelo macabro. 
(C) representar realisticamente as dificuldades do 
cotidiano sem associá-lo a reflexões de cunho 
existencial. 
(D) abordar dilemas humanos universais a partir de um 
ponto de vista distanciado e analítico acerca do 
cotidiano. 
(E) conseguir a atenção do leitor pela inclusão de 
elementos das histórias de horror e suspense na 
estrutura lírica da poesia. 
Textos para as questões 8 e 9. 
O canto do guerreiro 
Aqui na floresta 
Dos ventos batida, 
Façanhas de bravos 
Não geram escravos, 
Que estimem a vida 
Sem guerra e lidar. 
— Ouvi-me, Guerreiros, 
— Ouvi meu cantar. 
Valente na guerra, 
Quem há, como eu sou? 
Quem vibra o tacape 
Com mais valentia? 
Quem golpes daria 
Fatais, como eu dou? 
— Guerreiros, ouvi-me; 
— Quem há, como eu sou? 
(Gonçalves Dias) 
Macunaíma 
(Epílogo) 
Acabou-se a história e morreu a vitória. 
Não havia mais ninguém lá. Dera tangolomângolo na 
tribo Tapanhumas e os filhos dela se acabaram de um 
em um. Não havia mais ninguém lá. Aqueles lugares, 
aqueles campos, furos puxadouros arrastadouros meios-barrancos, 
aqueles matos misteriosos, tudo era solidão 
do deserto... Um silêncio imenso dormia à beira do rio 
Uraricoera. Nenhum conhecido sobre a terra não sabia 
nem falar da tribo nem contar aqueles casos tão 
pançudos. Quem podia saber do Herói? 
(Mário de Andrade) 
8. (ENEM-MEC) 
A leitura comparativa dos dois textos acima indica que 
(A) ambos têm como tema a figura do indígena brasileiro 
apresentada de forma realista e heróica, como 
símbolo máximo do nacionalismo romântico. 
(B) a abordagem da temática adotada no texto escrito 
em versos é discriminatória em relação aos povos 
indígenas do Brasil. 
(C) as perguntas “— Quem há, como eu sou?” (1.º texto) 
e “Quem podia saber do Herói?” (2.º texto) 
expressam diferentes visões da realidade indígena 
brasileira. 
(D) o texto romântico, assim como o modernista, aborda 
o extermínio dos povos indígenas como resultado do 
processo de colonização no Brasil. 
(E) os versos em primeira pessoa revelam que os 
indígenas podiam expressar-se poeticamente, mas 
foram silenciados pela colonização, como demonstra 
a presença do narrador, no segundo texto.
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SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 186 LCT  Português  
9. (ENEM-MEC) Considerando-se a linguagem desses dois textos, verifica-se que (A) a função da linguagem centrada no receptor está ausente tanto no primeiro quanto no segundo texto. (B) a linguagem utilizada no primeiro texto é coloquial, enquanto, no segundo, predomina a linguagem formal. (C) há, em cada um dos textos, a utilização de pelo menos uma palavra de origem indígena. (D) a função da linguagem, no primeiro texto, centra-se na forma de organização da linguagem e, no segundo, no relato de informações reais. (E) a função da linguagem centrada na primeira pessoa, predominante no segundo texto, está ausente no primeiro. 10. (ENEM-MEC) Erro de português Quando o português chegou Debaixo de uma bruta chuva Vestiu o índio Que pena! Fosse uma manhã de Sol O índio tinha despido O português. Oswald de Andrade. Poesias reunidas. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1978. O primitivismo observável no poema acima, de Oswald de Andrade, caracteriza de forma marcante (A) o regionalismo do Nordeste. (B) o concretismo paulista. (C) a poesia Pau-Brasil. (D) o simbolismo pré-modernista. (E) o tropicalismo baiano. 11. (ENEM-MEC) Namorados O rapaz chegou-se para junto da moça e disse: — Antônia, ainda não me acostumei com o seu [ corpo, com a sua cara. A moça olhou de lado e esperou. — Você não sabe quando a gente é criança e de [ repente vê uma lagarta listrada? A moça se lembrava: — A gente fica olhando... A meninice brincou de novo nos olhos dela. O rapaz prosseguiu com muita doçura: — Antônia, você parece uma lagarta listrada. A moça arregalou os olhos, fez exclamações. O rapaz concluiu: — Antônia, você é engraçada! Você parece louca. Manuel Bandeira. Poesia completa & prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1985. No poema de Bandeira, importante representante da poesia modernista, destaca-se como característica da escola literária dessa época (A) a reiteração de palavras como recurso de construção de rimas ricas. (B) a utilização expressiva da linguagem falada em situações do cotidiano. (C) a criativa simetria de versos para reproduzir o ritmo do tema abordado. (D) a escolha do tema do amor romântico, caracterizador do estilo literário dessa época. (E) o recurso ao diálogo, gênero discursivo típico do Realismo. 12. (ENEM-MEC) Murilo Mendes, em um de seus poemas, dialoga com a carta de Pero Vaz de Caminha. A terra é mui graciosa, Tão fértil eu nunca vi. A gente vai passear, No chão espeta um caniço, No dia seguinte nasce Bengala de castão de oiro. Tem goiabas, melancias, Banana que nem chuchu. Quanto aos bichos, tem-nos muito, De plumagens mui vistosas. Tem macaco até demais Diamantes tem à vontade Esmeralda é para os trouxas. Reforçai, Senhor, a arca, Cruzados não faltarão, Vossa perna encanareis, Salvo o devido respeito. Ficarei muito saudoso Se for embora daqui. Murilo Mendes. Murilo Mendes — poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994. Arcaísmos e termos coloquiais misturam-se nesse poema, criando um efeito de contraste, como ocorre em (A) “A terra é mui graciosa” / “Tem macaco até demais”. (B) “Salvo o devido respeito” / “Reforçai, Senhor, a arca”. (C) “A gente vai passear” / “Ficarei muito saudoso”. (D) “De plumagens mui vistosas” / “Bengala de castão de oiro”. (E) “No chão espeta um caniço” / “Diamantes tem à vontade”. ________________________________________________ *Anotações*
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SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 187 LCT  Português  
13. (ENEM-MEC) 
No poema “Procura da poesia”, Carlos Drummond de 
Andrade expressa a concepção estética de se fazer com 
palavras o que o escultor Michelângelo fazia com 
mármore. O fragmento abaixo exemplifica essa 
afirmação. 
(...) 
Penetra surdamente no reino das palavras. 
Lá estão os poemas que esperam ser escritos. 
(...) 
Chega mais perto e contempla as palavras. 
Cada uma 
tem mil faces secretas sob a face neutra 
e te pergunta, sem interesse pela resposta, 
pobre ou terrível, que lhe deres: 
trouxeste a chave? 
Carlos Drummond de Andrade. A rosa do povo. 
Rio de Janeiro: Record, 1997, p. 13-14. 
Esse fragmento poético ilustra o seguinte tema constante 
entre autores modernistas: 
(A) a nostalgia do passado colonialista revisitado. 
(B) a preocupação com o engajamento político e social 
da literatura. 
(C) o trabalho quase artesanal com as palavras, 
despertando sentidos novos. 
(D) a produção de sentidos herméticos na busca da 
perfeição poética. 
(E) a contemplação da natureza brasileira na perspectiva 
ufanista da pátria. 
14. (ENEM-MEC) 
Texto I 
Agora Fabiano conseguia arranjar as ideias. O que o 
segurava era a família. Vivia preso como um novilho 
amarrado ao mourão, suportando ferro quente. Se não 
fosse isso, um soldado amarelo não lhe pisava o pé não. 
(...) Tinha aqueles cambões pendurados ao pescoço. 
Deveria continuar a arrastá-los? Sinha Vitória dormia mal 
na cama de varas. Os meninos eram uns brutos, como o 
pai. Quando crescessem, guardariam as reses de um 
patrão invisível, seriam pisados, maltratados, 
machucados por um soldado amarelo. 
Graciliano Ramos. Vidas Secas. São Paulo: 
Martins, 23.ª ed., 1969, p. 75. 
Texto II 
Para Graciliano, o roceiro pobre é um outro, 
enigmático, impermeável. Não há solução fácil para uma 
tentativa de incorporação dessa figura no campo da 
ficção. É lidando com o impasse, ao invés de fáceis 
soluções, que Graciliano vai criar Vidas Secas, 
elaborando uma linguagem, uma estrutura romanesca, 
uma constituição de narrador em que narrador e criaturas 
se tocam, mas não se identificam. Em grande medida, o 
debate acontece porque, para a intelectualidade 
brasileira naquele momento, o pobre, a despeito de 
aparecer idealizado em certos aspectos, ainda é visto 
como um ser humano de segunda categoria, simples 
demais, incapaz de ter pensamentos demasiadamente 
complexos. O que Vidas Secas faz é, com pretenso não 
envolvimento da voz que controla a narrativa, dar conta 
de uma riqueza humana de que essas pessoas seriam 
plenamente capazes. 
Luís Bueno. Guimarães, Clarice e antes. In: Teresa. 
São Paulo: USP, n.º 2, 2001, p. 254. 
A partir do trecho de Vidas Secas (texto I) e das 
informações do texto II, relativas às concepções artísticas 
do romance social de 1930, avalie as seguintes 
afirmativas. 
I. O pobre, antes tratado de forma exótica e 
folclórica pelo regionalismo pitoresco, 
transforma-se em protagonista privilegiado do 
romance social de 30. 
II. A incorporação do pobre e de outros 
marginalizados indica a tendência da ficção 
brasileira da década de 30 de tentar superar a 
grande distância entre o intelectual e as 
camadas populares. 
III. Graciliano Ramos e os demais autores da 
década de 30 conseguiram, com suas obras, 
modificar a posição social do sertanejo na 
realidade nacional. 
É correto apenas o que se afirma em 
(A) I. 
(B) II. 
(C) III. 
(D) I e II. 
(E) II e III. 
15. (ENEM-MEC) 
No decênio de 1870, Franklin Távora defendeu a tese 
de que no Brasil havia duas literaturas independentes 
dentro da mesma língua: uma do Norte e outra do Sul, 
regiões segundo ele muito diferentes por formação 
histórica, composição étnica, costumes, modismos 
linguísticos etc. Por isso, deu aos romances regionais 
que publicou o título geral de Literatura do Norte. Em 
nossos dias, um escritor gaúcho, Viana Moog, procurou 
mostrar com bastante engenho que no Brasil há, em 
verdade, literaturas setoriais diversas, refletindo as 
características locais. 
CANDIDO, A. A nova narrativa. A educação pela noite e 
outros ensaios. São Paulo: Ática, 2003.
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SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 188 LCT  Português  
Com relação à valorização, no romance regionalista brasileiro, do homem e da paisagem de determinadas regiões nacionais, sabe-se que (A) o romance do Sul do Brasil se caracteriza pela temática essencialmente urbana, colocando em relevo a formação do homem por meio da mescla de características locais e dos aspectos culturais trazidos de fora pela imigração europeia. (B) José de Alencar, representante, sobretudo, do romance urbano, retrata a temática da urbanização das cidades brasileiras e das relações conflituosas entre as raças. (C) o romance do Nordeste caracteriza-se pelo acentuado realismo no uso do vocabulário, pelo temário local, expressando a vida do homem em face da natureza agreste, e assume frequentemente o ponto de vista dos menos favorecidos. (D) a literatura urbana brasileira, da qual um dos expoentes é Machado de Assis, põe em relevo a formação do homem brasileiro, o sincretismo religioso, as raízes africanas e indígenas que caracterizam o nosso povo. (E) Érico Veríssimo, Rachel de Queiroz, Simões Lopes Neto e Jorge Amado são romancistas das décadas de 30 e 40 do século XX, cuja obra retrata a problemática do homem urbano em confronto com a modernização do país promovida pelo Estado Novo. 16. (ENEM-MEC) Texto I Logo depois transferiram para o trapiche o depósito dos objetos que o trabalho do dia lhes proporcionava. Estranhas coisas entraram então para o trapiche. Não mais estranhas, porém, que aqueles meninos, moleques de todas as cores e de idades as mais variadas, desde os nove aos dezesseis anos, que à noite se estendiam pelo assoalho e por debaixo da ponte e dormiam, indiferentes ao vento que circundava o casarão uivando, indiferentes à chuva que muitas vezes os lavava, mas com os olhos puxados para as luzes dos navios, com os ouvidos presos às canções que vinham das embarcações... AMADO, J. Capitães da Areia. São Paulo: Companhia das Letras, 2008 (fragmento). Texto II À margem esquerda do rio Belém, nos fundos do mercado de peixe, ergue-se o velho ingazeiro – ali os bêbados são felizes. Curitiba os considera animais sagrados, provê as suas necessidades de cachaça e pirão. No trivial contentavam-se com as sobras do mercado. TREVISAN, D. 35 noites de paixão: contos escolhidos. Rio de Janeiro: BestBolso, 2009 (fragmento). Sob diferentes perspectivas, os fragmentos citados são exemplos de uma abordagem literária recorrente na literatura brasileira do século XX. Em ambos os textos, (A) a linguagem afetiva aproxima os narradores dos personagens marginalizados. (B) a ironia marca o distanciamento dos narradores em relação aos personagens. (C) o detalhamento do cotidiano dos personagens revela a sua origem social. (D) o espaço onde vivem os personagens é uma das marcas de sua exclusão. (E) a crítica à indiferença da sociedade pelos marginalizados é direta. 17. (ENEM-MEC) Após estudar na Europa, Anita Malfatti retornou ao Brasil com uma mostra que abalou a cultura nacional do início do século XX. Elogiada por seus mestres na Europa, Anita se considerava pronta para mostrar seu trabalho no Brasil, mas enfrentou as duras críticas de Monteiro Lobato. Com a intenção de criar uma arte que valorizasse a cultura brasileira, Anita Malfatti e outros artistas modernistas (A) buscaram libertar a arte brasileira das normas acadêmicas europeias, valorizando as cores, a originalidade e os temas nacionais. (B) defenderam a liberdade limitada de uso da cor, até então utilizada de forma irrestrita, afetando a criação artística nacional. (C) representaram a ideia de que a arte deveria copiar fielmente a natureza, tendo como finalidade a prática educativa. (D) mantiveram de forma fiel a realidade nas figuras retratadas, defendendo uma liberdade artística ligada à tradição acadêmica. (E) buscaram a liberdade na composição de suas figuras, respeitando limites de temas abordados. 18. (ENEM-MEC) O poema abaixo pertence à poesia concreta brasileira. O termo latino de seu título significa “epitalâmio”, poema ou canto em homenagem aos que se casam.
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SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 189 LCT  Português  
Considerando que símbolos e sinais são utilizados 
geralmente para demonstrações objetivas, ao serem 
incorporados no poema “Epithalamium - II”, 
(A) adquirem novo potencial de significação. 
(B) eliminam a subjetividade do poema. 
(C) opõem-se ao tema principal do poema. 
(D) invertem seu sentido original. 
(E) tornam-se confusos e equivocados. 
19. (ENEM-MEC) 
Quem não passou pela experiência de estar lendo um 
texto e defrontar-se com passagens já lidas em outros? 
Os textos conversam entre si em um diálogo constante. 
Esse fenômeno tem a denominação de intertextualidade. 
Leia os seguintes textos: 
I. Quando nasci, um anjo torto 
Desses que vivem na sombra 
Disse: Vai Carlos! Ser “gauche” na vida 
Carlos Drummond de Andrade. Alguma 
poesia. Rio de Janeiro: Aguilar, 1964. 
II. Quando nasci veio um anjo safado 
O chato dum querubim 
E decretou que eu tava predestinado 
A ser errado assim 
Já de saída a minha estrada entortou 
Mas vou até o fim. 
Chico Buarque. Letra e Música. 
São Paulo: Cia. das Letras, 1989. 
III. Quando nasci um anjo esbelto 
Desses que tocam trombeta, anunciou: 
Vai carregar bandeira. 
Carga muito pesada pra mulher 
Esta espécie ainda envergonhada. 
Adélia Prado. Bagagem. Rio 
de Janeiro: Guanabara, 1986. 
Adélia Prado e Chico Buarque estabelecem 
intertextualidade, em relação a Carlos Drummond de 
Andrade, por 
(A) reiteração de imagens. 
(B) oposição de ideias. 
(C) falta de criatividade. 
(D) negação dos versos. 
(E) ausência de recursos. 
*Anotações*
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SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 190 LCT  Português  
********** ATIVIDADES 2 ********** 
C8 
Compreender e usar a língua portuguesa como 
língua materna, geradora de significação e 
integradora da organização do mundo e da própria 
identidade. 
H27 
Reconhecer os usos da norma-padrão da língua 
portuguesa nas diferentes situações de comunicação. 
Observe o anúncio publicitário abaixo, publicado na 
revista Le lis blanc (São Paulo, dez. 2004), e responda às 
duas próximas questões. 
saia de saia 
Sim, elas estão com tudo: 
com flores imensas ou bem miúdas, 
lisas, com pregas, rodadas e muito balanço 
20. (ENEM-MEC) 
No anúncio publicitário acima, ocorreu um caso de 
homonímia perfeita, ou seja, palavras de mesma grafia, 
mesma pronúncia, sentidos diferentes. 
Assinale, dentre os itens seguintes, aqueles que 
possuem a mesma caracterização semântica e depois 
marque a alternativa adequada. 
I. A dança de acasalamento do animal lembra a 
maneira como o jovem dança neste momento. 
II. A taxa cobrada pelo serviço taxa apenas as 
pessoas de baixa renda. 
III. O primeiro passo é dirigir-se ao paço municipal 
para receber as orientações. 
IV. Os devotos de São Tomás de Aquino são 
extremamente fervorosos. 
V. Na Capital Federal, a descriminação do senador 
gerou manifestações contra a discriminação das 
pessoas. 
(A) Há homônimos perfeitos apenas nos itens I e II. 
(B) Há homônimos perfeitos apenas nos itens I, II e III. 
(C) Há homônimos perfeitos apenas nos itens II, III e IV. 
(D) Há homônimos perfeitos apenas nos itens I, II e IV. 
(E) Há homônimos perfeitos em todos os itens. 
21. (ENEM-MEC) 
Tendo como referência o anúncio publicitário acima, 
marque V (verdadeiro) ou F (falso) para as proposições 
abaixo. 
I. A preposição “com”, utilizada no texto 
publicitário, orienta para uma relação semântica 
de conteúdo, sendo que a expressão “estão com 
tudo” pode ser substituída por “possuem” sem 
que se prejudiquem a coerência e a correção 
gramatical do texto. 
II. No texto, o termo “rodadas” foi mal empregado, 
uma vez que não mantém o paralelismo da 
enumeração introduzida pelos dois-pontos, não 
admitindo a preposição “com” na ligação com 
seu termo regente. 
III. No texto, os termos “imensas” e “miúdas” são 
considerados antônimos, já que expressam 
características opostas, em que um pode ser 
empregado pelo oposto do outro. 
Assinale a alternativa correta. 
(A) Apenas a proposição I é verdadeira. 
(B) Apenas a proposição III é verdadeira. 
(C) Apenas as proposições II e III são verdadeiras. 
(D) Apenas as proposições I e III são verdadeiras. 
(E) Todas as proposições são verdadeiras. 
22. (ENEM-MEC) 
A figura a seguir trata da “taxa de desocupação” no 
Brasil, ou seja, a proporção de pessoas desocupadas em 
relação à população economicamente ativa de uma 
determinada região em um recorte de tempo. 
Disponível em: < http://www.ibge.gov.br > (adaptado). 
A norma-padrão da língua portuguesa está respeitada, 
na interpretação do gráfico, em: 
(A) Durante o ano de 2008, foi em geral decrescente a 
taxa de desocupação no Brasil. 
(B) Nos primeiros meses de 2009, houveram acréscimos 
na taxa de desocupação. 
(C) Em 12/2008, por ocasião das festas, a taxa de 
desempregados foram reduzidos. 
(D) A taxa de pessoas desempregadas em 04/08 e 
02/09, é estatisticamente igual: 8,5. 
(E) Em março de 2009 as taxas tenderam à piorar: 9 
entre 100 pessoas desempregadas. 
________________________________________________ 
*Anotações*

Portugues

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    LCP  Português _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 99 LCP  Português  *MÓDULO 1* Noções de variação linguística Introdução Em boa parte dos vestibulares atualmente, há ênfase em verificar se o candidato conhece os diferentes usos possíveis de nossa língua. Discutiremos este assunto partindo da leitura do texto abaixo. No texto acima, notamos que os dois ladrões conhecem tanto as diferentes formas de falar o português como as implicações que cada forma traz. Eles sabem que certas formas são mais valorizadas que outras, por isso alteram o modo de falar na presença do guarda. Há diferentes formas de usar a língua portuguesa, por isso não podemos dizer que ela é homogênea. Assim, o importante para o falante será perceber em que contexto ele deve usar cada uma de suas variantes. Em uma entrevista de emprego, por exemplo, espera-se que o falante opte por uma variante diferente daquela que ele usa para bater papo com seus amigos. A concepção moderna de língua, segundo Celso Cunha em sua Nova gramática do português contemporâneo, coloca-a “como instrumento de comunicação social, maleável e diversificado em todos os seus aspectos, meio de expressão de indivíduos que vivem em sociedades também diversificadas social, cultural e geograficamente”. Essa diversificação na sociedade faz com que surja na língua a variação linguística, ou seja, pode-se perceber que a situação (formal ou informal), o grupo social a que o falante pertence, a região e a época em que vive caracterizam o modo de um brasileiro expressar-se em português. De maneira bastante simplificada, podemos considerar a existência de três tipos gerais de variação, conforme mostra o quadro: TIPO ASPECTO AO QUAL SE RELACIONA Variação sociocultural idade, sexo, escolaridade, condições econômicas do falante e grupo social do qual ele faz parte Variação geográfica região em que o falante vive durante um certo tempo Variação histórica tempo (época) em que o falante vive Adão Iturrusgarai. Aline. Folha de S. Paulo, 31/8/2000.  O emprego das palavras vosmecê (você) e parvoíce (besteira), que estão totalmente fora de uso hoje em dia, evidencia que o personagem realmente é mais velho (bem mais velho...) que a filha do outro personagem. Variação sociocultural A maneira como utilizamos a linguagem (como nos expressamos) é formada no convívio com outras pessoas que fazem parte do nosso grupo social. Assim, normalmente nos expressamos de acordo com nossa formação sociocultural. Nossa linguagem será adequada ao meio em que fomos criados e à nossa classe social. É claro que, assim como existe uma certa mobilidade social no mundo em que vivemos, ao longo de nossa vida podemos incorporar modos de expressão diferentes, à medida que vamos mudando de ambiente e reconstruindo nossa história de vida. A variante social mais notável é a que existe entre pessoas de classes socioeconômicas distintas. Uma pessoa da classe A não falará como alguém da classe C. Aliás, normalmente, quanto mais elevada estiver na escala econômica, mais próxima a linguagem da pessoa estará do que conhecemos por norma culta. Isto se explica: no mundo em que vivemos, é claro que é a linguagem dos mais ricos e mais poderosos que é considerada a de maior “prestígio”..., concorda? Relacionada a esse tipo de variação está aquela que diz respeito ao grau de instrução do falante. É lógico que pessoas de classe social mais alta, do ponto de vista Sketch - Dois homens tramando um assalto — Valeu, mermão? Tu traz o berro que nóis vamo rendê o caixa bonitinho. Engrossou, enche o cara de chumbo. Pra arejá. — Podes crê. Servicinho manero. É só entrá e pegá. — Tá com o berro aí? — Tá na mão. Aparece um guarda. — Ih, sujou. Disfarça, disfarça... O guarda passa por eles. — Discordo terminantemente. O imperativo categórico de Hegel chega a Marx diluído pela fenomenologia de Feurbach. — Pelo amor de Deus! Isso é o mesmo que dizer que Kierkegaard não passa de um Kant com algumas sílabas a mais. Ou que os iluministas do século 18... O guarda se afasta. — O berro, tá recheado? — Tá. — Então vamlá! VERÍSSIMO, Luís Fernando. O Estado de S. Paulo, 8/3/1998.
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    LCP  Português _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 100 LCP  Português  financeiro, terão mais chances de estudar e se aprimorar culturalmente, aproximando-se mais do padrão culto de linguagem. Outro tipo importante e interessante de variação linguística é aquele que aparece quando confrontamos gerações diferentes: um grupo de idosos de 60 anos não fala como um grupo de adolescentes de 16... Cada geração tem sua maneira própria de se comunicar e isso é fácil observar no dia a dia. Um importante fenômeno linguístico que aparece quando estudamos as variações entre gerações é a gíria. Cada geração adota um certo número de expressões, uma certa maneira de falar, para marcar uma diferença entre a sua e a geração anterior. Para cada situação de expressão da nossa linguagem, temos um certo nível linguístico. Ao nível que utilizamos em situações em que não nos preocupamos tanto em atingir a chamada norma culta, chamamos de nível informal; ao nível que utilizamos em situações de comunicação que exigem uma linguagem mais próxima da norma culta, chamamos de nível formal. Entre o nível formal e o informal, podemos ter vários níveis intermediários. Variação geográfica Pessoas de diferentes regiões falam de maneiras diferentes. A essas características próprias da fala de um determinado lugar damos o nome de regionalismos. Os regionalismos são próprios dos falares locais, dialetos e sotaques. Geralmente, pessoas de uma determinada região agrupam-se em torno de um centro populacional economicamente ou politicamente mais relevante e assumem o dialeto característico do local. Assim, um carioca irá se expressar com o r chiado característico do Rio de Janeiro, um piracicabano normalmente emitirá um r que os estudiosos conhecem por retroflexo, e assim por diante. Essas diferenças se estenderão ao vocabulário, à estrutura das frases e até aos significados das palavras. Com o passar dos anos e o avanço dos meios de comunicação sobre todo o território brasileiro, as diferenças regionais vão diminuindo cada vez mais. As redes de televisão, por exemplo, atingem todo o país com uma linguagem típica do Sudeste brasileiro, principalmente São Paulo, o que acaba contribuindo para uma uniformização dos dialetos em torno de um padrão de linguagem que aos poucos apaga as diferenças entre eles. Variação histórica Ao ler textos escritos em português há cem anos, por exemplo, você certamente sentirá um certo estranhamento e terá uma dificuldade de compreensão e fluência maior do que teria se lesse um artigo de jornal publicado na semana passada, por exemplo. Isso acontece porque as línguas variam com o tempo. O nosso você já foi vossa mercê e vosmecê, chegando, em nossos dias, a ser ouvido como simplesmente cê. Em boa hora tornou-se embora. É fácil percebermos essas diferenças quando nos deparamos com livros cujas edições são muito antigas. O vocabulário de há cem anos não era o mesmo de hoje, a grafia de muitas palavras também não, o mesmo ocorria com a sintaxe. Norma culta e adequação da linguagem Você deve ter notado, então, que a língua possui diversas variantes. Mas, ao tomarmos contato com a língua na escola, adotamos uma determinada variante que serve como referência. Essa variante-padrão, ao longo dos tempos e por diversos motivos, ficou sendo conhecida como a norma culta da língua. Norma culta da língua é a chamada variante-padrão da língua; aquela variante de maior prestígio, utilizada pelas pessoas que compõem a chamada elite da sociedade. A norma culta, tradicionalmente, acaba servindo como parâmetro e sendo adotada para o ensino da língua nas escolas, além de ser utilizada como padrão para situações formais e na comunicação escrita na sociedade. Toda língua muda com o tempo, portanto a norma culta também muda, de acordo com as modificações que ela sofre no seu uso. Convém, assim, que o falante saiba distinguir quais são as situações em que ele deve seguir essa variante- -padrão daquelas em que pode usar uma variante mais popular. Outros tipos de variação linguística Além das variações linguísticas relacionadas a tempo e espaço, existem outros tipos de variação, que podem ocorrer tanto na língua-padrão quanto nas variedades não padrão da língua. As principais variações dizem respeito ao uso da língua em situações de oralidade/escrita e de formalidade/informalidade.  *ATENÇÃO, ESTUDANTE!*  Para complementar o estudo deste Módulo, utilize seu LIVRO DIDÁTICO. Variação sociocultural, portanto, é aquela que se manifesta quando o uso da língua é marcado por diferenças conforme a classe socioeconômica, o grau de instrução, a geração ou a situação de comunicação em que se encontra o falante. Variação geográfica é aquela marcada por diferenças regionais: a dimensão do Brasil permite-nos perceber diferentes sotaques, vocabulários, estruturas de frase e sentidos das palavras nas diferentes regiões. Variação histórica acontece porque a língua vai recebendo transformações na forma de falar, novas palavras, novas grafias e novos sentidos para palavras já existentes.
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    LCP  Português _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 101 LCP  Português  *********** ATIVIDADES *********** .1. (UEG-GO) Folha de S. Paulo, 1/5/2007. É correto afirmar que, na charge, (A) a linguagem dos políticos é apropriada pelos traficantes de drogas. (B) a linguagem dos traficantes de drogas é apropriada pelos políticos. (C) o contexto dos políticos é apropriado pelos traficantes de drogas. (D) o contexto dos traficantes de drogas é apropriado pelos políticos. (E) não há apropriação nem da linguagem nem do contexto. .2. (ENEM-MEC) Iscute o que tô dizendo, Seu dotô, seu coroné: De fome tão padecendo Meus fio e minha muié. Sem briga, questão nem guerra, Meça desta grande terra Umas tarefa pra eu! Tenha pena do agregado Não me dêxe deserdado PATATIVA DO ASSARÉ. A terra é naturá. In: Cordéis e outros poemas. Fortaleza: Universidade Federal do Ceará, 2008 (fragmento). A partir da análise da linguagem utilizada no poema, infere-se que o eu lírico revela-se como falante de uma variedade linguística específica. Esse falante, em seu grupo social, é identificado como um falante (A) escolarizado proveniente de uma metrópole. (B) sertanejo morador de uma área rural. (C) idoso que habita uma comunidade urbana. (D) escolarizado que habita uma comunidade do interior do país. (E) estrangeiro que imigrou para uma comunidade do Sul do país. .3. (ENEM-MEC) Antigamente Acontecia o indivíduo apanhar constipação; ficando perrengue, mandava o próprio chamar o doutor e, depois, ir à botica para aviar a receita, de cápsulas ou pílulas fedorentas. Doença nefasta era a phtísica, feia era o gálico. Antigamente, os sobrados tinham assombrações, os meninos, lombrigas [...] ANDRADE, Carlos Drummond de. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: Companhia José Aguilar, p. 1.184. O texto acima está escrito em linguagem de uma época passada. Observe uma outra versão, em linguagem atual. Antigamente Acontecia o indivíduo apanhar um resfriado; ficando mal, mandava o próprio chamar o doutor e, depois, ir à farmácia para aviar a receita, de cápsulas ou pílulas fedorentas. Doença nefasta era a tuberculose, feia era a sífilis. Antigamente, os sobrados tinham assombrações, os meninos, vermes [...] Comparando-se esses dois textos, verifica-se que, na segunda versão, houve mudanças relativas a (A) vocabulário. (B) construções sintáticas. (C) pontuação. (D) fonética. (E) regência verbal. .4. (ENEM-MEC) Venho solicitar a clarividente atenção de Vossa Excelência para que seja conjurada uma calamidade que está prestes a desabar em cima da juventude feminina do Brasil. Refiro-me, senhor presidente, ao movimento entusiasta que está empolgando centenas de moças, atraindo-as para se transformarem em jogadoras de futebol, sem se levar em conta que a mulher não poderá praticar este esporte violento sem afetar, seriamente, o equilíbrio fisiológico das suas funções orgânicas, devido à natureza que dispôs a ser mãe. Ao que dizem os jornais, no Rio de Janeiro, já estão formados nada menos
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    LCP  Português _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 102 LCP  Português  de dez quadros femininos. Em São Paulo e Belo Horizonte também já estão se constituindo outros. E, neste crescendo, dentro de um ano, é provável que em todo o Brasil estejam organizados uns 200 clubes femininos de futebol: ou seja: 200 núcleos destroçados da saúde de 2,2 mil futuras mães, que, além do mais, ficarão presas a uma mentalidade depressiva e propensa aos exibicionismos rudes e extravagantes. Coluna Pênalti. Carta Capital, 28/4/2010. O trecho é parte de uma carta de um cidadão brasileiro, José Fuzeira, encaminhada, em abril de 1940, ao então presidente da República Getúlio Vargas. As opções linguísticas de Fuzeira mostram que seu texto foi elaborado em linguagem (A) regional, adequada à troca de informações na situação apresentada. (B) jurídica, exigida pelo tema relacionado ao domínio do futebol. (C) coloquial, considerando-se que ele era um cidadão brasileiro comum. (D) culta, adequando-se ao seu interlocutor e à situação de comunicação. (E) informal, pressupondo o grau de escolaridade de seu interlocutor. .5. (INEP-MEC) Vício na fala Para dizerem milho dizem mio Para melhor dizem mió Para pior pió Para telha dizem teia Para telhado dizem teiado E vão fazendo telhados ANDRADE, Oswald de. Obras completas. 5.ª ed. São Paulo: Globo, 1991, p. 80. Ao explorar a emotividade da linguagem, o autor faz referência às variantes linguísticas de natureza (A) estilística, pois utiliza a escrita para, de certa forma, marcar uma nova época literária. (B) regional, pois há regiões em que essa variedade linguística descrita no poema é aceita como padrão oficial. (C) de registro, já que as variantes são formadas pelo processo de neologismo, típico em autores modernistas. (D) sociocultural, pois revela o conflito social entre as variantes de uma mesma língua. (E) temporal, pois marca a variação linguística de diferentes épocas. .6. (ENEM-MEC) Veja, 7/5/1997. Na parte superior do anúncio, há um comentário escrito à mão que aborda a questão das atividades linguísticas e sua relação com as modalidades oral e escrita da língua. Esse comentário deixa evidente uma posição crítica quanto a usos que se fazem da linguagem, enfatizando ser necessário (A) implementar a fala, tendo em vista maior desenvoltura, naturalidade e segurança no uso da língua. (B) conhecer gêneros mais formais da modalidade oral para a obtenção de clareza na comunicação oral e escrita. (C) dominar as diferentes variedades do registro oral da língua portuguesa para escrever com adequação, eficiência e correção. (D) empregar vocabulário adequado e usar regras da norma-padrão da língua em se tratando da modalidade escrita. (E) utilizar recursos mais expressivos e menos desgastados da variedade-padrão da língua para se expressar com alguma segurança e sucesso. .7. (ENEM-MEC) Gerente – Boa tarde. Em que eu posso ajudá-lo? Cliente – Estou interessado em financiamento para compra de veículo. Gerente – Nós dispomos de várias modalidades de crédito. O senhor é nosso cliente? Cliente – Sou Júlio César Fontoura, também sou funcionário do banco. Gerente – Julinho, é você, cara? Aqui é a Helena! Cê tá em Brasília? Pensei que você inda tivesse na agência de Uberlândia! Passa aqui pra gente conversar com calma. BORTONI-RICARDO, S. M. Educação em língua materna. São Paulo: Parábola, 2004 (adaptado).
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    LCP  Português _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 103 LCP  Português  Na representação escrita da conversa telefônica entre a gerente do banco e o cliente, observa-se que a maneira de falar da gerente foi alterada de repente devido (A) à adequação de sua fala à conversa com um amigo, caracterizada pela informalidade. (B) à iniciativa do cliente em se apresentar como funcionário do banco. (C) ao fato de ambos terem nascido em Uberlândia (Minas Gerais). (D) à intimidade forçada pelo cliente ao fornecer seu nome completo. (E) ao seu interesse profissional em financiar o veículo de Júlio. .8. (ENEM-MEC) As dimensões continentais do Brasil são objeto de reflexões expressas em diferentes linguagens. Esse tema aparece no seguinte poema: “[...] Que importa que uns falem mole descansado Que os cariocas arranhem os erres na garganta Que os capixabas e paroaras escancarem [ as vogais? Que tem se o quinhentos réis meridional Vira cinco tostões do Rio pro Norte? Junto formamos este assombro de misérias e [ grandezas, Brasil, nome de vegetal! [...]” ANDRADE, Mário de. Poesias completas. 6.ª ed. São Paulo: Martins Editora, 1980. O texto poético ora reproduzido trata das diferenças brasileiras no âmbito (A) étnico e religioso. (B) linguístico e econômico. (C) racial e folclórico. (D) histórico e geográfico. (E) literário e popular. .9. (ENEM-MEC) Vera, Sílvia e Emília saíram para passear pela chácara com Irene. — A senhora tem um jardim deslumbrante, dona Irene! — comenta Sílvia, maravilhada diante dos canteiros de rosas e hortênsias. — Para começar, deixe o “senhora” de lado e esqueça o “dona” também — diz Irene, sorrindo. — Já é um custo aguentar a Vera me chamando de “tia” o tempo todo. Meu nome é Irene. Todas sorriem. Irene prossegue: — Agradeço os elogios para o jardim, só que você vai ter de fazê-los para a Eulália, que é quem cuida das flores. Eu sou um fracasso na jardinagem. BAGNO, M. A língua de Eulália: novela sociolinguística. São Paulo: Contexto, 2003 (adaptado). Na língua portuguesa, a escolha por “você” ou “senhor(a)” denota o grau de liberdade ou de respeito que deve haver entre os interlocutores. No diálogo apresentado acima, observa-se o emprego dessas formas. A personagem Sílvia emprega a forma “senhora” ao se referir à Irene. Na situação apresentada no texto, o emprego de “senhora” ao se referir à interlocutora ocorre porque Sílvia (A) pensa que Irene é a jardineira da casa. (B) acredita que Irene gosta de todos que a visitam. (C) observa que Irene e Eulália são pessoas que vivem em área rural. (D) deseja expressar por meio de sua fala o fato de sua família conhecer Irene. (E) considera que Irene é uma pessoa mais velha, com a qual não tem intimidade. .10. (ENEM-MEC) A escrita é uma das formas de expressão que as pessoas utilizam para comunicar algo e tem várias finalidades: informar, entreter, convencer, divulgar, descrever. Assim, o conhecimento acerca das variedades linguísticas sociais, regionais e de registro torna-se necessário para que se use a língua nas mais diversas situações comunicativas. Considerando as informações acima, imagine que você está à procura de um emprego e encontrou duas empresas que precisam de novos funcionários. Uma delas exige uma carta de solicitação de emprego. Ao redigi-la, você (A) fará uso da linguagem metafórica. (B) apresentará elementos não verbais. (C) utilizará o registro informal. (D) evidenciará a norma-padrão. (E) fará uso de gírias. ________________________________________________ *Anotações*
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    LCP  Português _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 104 LCP  Português  .11. (ENEM-MEC) Dick Browne. O melhor de Hagar, o horrível, v. 2. L&PM pocket, p. 55-6 (com adaptações). Assinale o trecho do diálogo que apresenta um registro informal, ou coloquial, da linguagem. (A) “Tá legal, espertinho! Onde é que você esteve?!” (B) “E lembre-se: se você disser uma mentira, os seus chifres cairão!” (C) “Estou atrasado porque ajudei uma velhinha a atravessar a rua...” (D) “... e ela me deu um anel mágico que me levou a um tesouro” (E) “mas bandidos o roubaram e os persegui até a Etiópia, onde um dragão...” .12. (UNICAMP-SP) O trecho abaixo foi extraído de uma crônica em que mãe e filho conversam sobre o presente que ele pretendia lhe dar no Dia das Mães. [...] — Posso escolher meu presente do Dia das Mães, meu fofinho? — Não, mãe. Perde a graça. Este ano, a senhora vai ver. Compro um barato. — Barato? Admito que você compre uma lembrancinha barata, mas não diga isso a sua mãe. É fazer pouco-caso de mim. — lh, mãe, a senhora está por fora mil anos. Não sabe que barato é o melhor que tem, é um barato! — Deixe eu escolher, deixe... — Mãe é ruim de escolha. Olha aquele blazer furado que a senhora me deu no Natal! — Seu porcaria, tem coragem de dizer que sua mãe lhe deu um blazer furado? — Viu? Não sabe nem o que é furado? Aquela cor já era, mãe, já era! [...] ANDRADE, Carlos Drummond de. Poesia e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1988. Em que tipo de variação linguística o autor se apoia para criar as situações humorísticas apresentadas nesse diálogo? Justifique sua resposta. ________________________________________________ ________________________________________________ ________________________________________________ ________________________________________________ ________________________________________________ ________________________________________________ ________________________________________________ ________________________________________________ ________________________________________________ ________________________________________________ ________________________________________________ ________________________________________________ ________________________________________________ .13. (UFMA) Folha de S. Paulo, 12/4/2003. Considerando a fala dos interlocutores, pode-se concluir que (A) o uso de “excelência” denota desrespeito, pois o depoente não reconhece no deputado uma autoridade. (B) o efeito humorístico é provocado pela passagem brusca da linguagem formal para a informal. (C) o uso da linguagem formal e da informal evidencia a classe social a que pertencem as personagens. (D) a linguagem empregada no texto serve apenas para compor as imagens do deputado e do depoente. (E) o pronome “seu” foi usado pelo depoente como sinal de respeito para com o parlamentar ilustre.
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    LCP  Português _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 105 LCP  Português  .14. (ENEM-MEC) Há certos usos consagrados na fala, e até mesmo na escrita, que, a depender do estrato social e do nível de escolaridade do falante, são, sem dúvida, previsíveis. Ocorrem até mesmo em falantes que dominam a variedade-padrão, pois, na verdade, revelam tendências existentes na língua em seu processo de mudança que não podem ser bloqueadas em nome de um “ideal linguístico” que estaria representado pelas regras da gramática normativa. Usos como ter por haver em construções existenciais (tem muitos livros na estante), o do pronome objeto na posição de sujeito (para mim fazer o trabalho), a não concordância das passivas com se (aluga-se casas) são indícios da existência, não de uma norma única, mas de uma pluralidade de normas, entendida, mais uma vez, norma como conjunto de hábitos linguísticos, sem implicar juízo de valor. CALLOU, D. Gramática, variação e normas. In: VIEIRA, S. R.; BRANDÃO, S. (orgs.). Ensino de gramática: descrição e uso. São Paulo: Contexto, 2007 (fragmento). Considerando a reflexão trazida no texto a respeito da multiplicidade do discurso, verifica-se que (A) estudantes que não conhecem as diferenças entre língua escrita e língua falada empregam, indistintamente, usos aceitos na conversa com amigos quando vão elaborar um texto escrito. (B) falantes que dominam a variedade-padrão do português do Brasil demonstram usos que confirmam a diferença entre a norma idealizada e a efetivamente praticada, mesmo por falantes mais escolarizados. (C) moradores de diversas regiões do país que enfrentam dificuldades ao se expressar na escrita revelam a constante modificação das regras de emprego de pronomes e os casos especiais de concordância. (D) pessoas que se julgam no direito de contrariar a gramática ensinada na escola gostam de apresentar usos não aceitos socialmente para esconderem seu desconhecimento da norma-padrão. (E) usuários que desvendam os mistérios e sutilezas da língua portuguesa empregam formas do verbo ter quando, na verdade, deveriam usar formas do verbo haver, contrariando as regras gramaticais. .15. (ENEM-MEC) MANDIOCA — mais um presente da Amazônia Aipim, castelinha, macaxeira, maniva, maniveira. As designações da Manihot utilissima podem variar de região, no Brasil, mas uma delas deve ser levada em conta em todo o território nacional: pão-de-pobre — e por motivos óbvios. Rica em fécula, a mandioca — uma planta rústica e nativa da Amazônia disseminada no mundo inteiro, especialmente pelos colonizadores portugueses — é a base de sustento de muitos brasileiros e o único alimento disponível para mais de 600 milhões de pessoas em vários pontos do planeta, e em particular em algumas regiões da África. O melhor do Globo Rural, fev. 2005 (fragmento). De acordo com o texto, há no Brasil uma variedade de nomes para a Manihot utilissima, nome científico da mandioca. Esse fenômeno revela que (A) existem variedades regionais para nomear uma mesma espécie de planta. (B) mandioca é nome específico para a espécie existente na região amazônica. (C) “pão-de-pobre” é designação específica para a planta da região amazônica. (D) os nomes designam espécies diferentes da planta, conforme a região. (E) a planta é nomeada conforme as particularidades que apresenta. .16. (ENEM-MEC) Motivadas ou não historicamente, normas prestigiadas ou estigmatizadas pela comunidade sobrepõem-se ao longo do território, seja numa relação de oposição, seja de complementaridade, sem, contudo, anular a interseção de usos que configuram uma norma nacional distinta da do português europeu. Ao focalizar essa questão, que opõe não só as normas do português de Portugal às normas do português brasileiro, mas também as chamadas normas cultas locais às populares ou vernáculas, deve-se insistir na ideia de que essas normas se consolidaram em diferentes momentos da nossa história e que só a partir do século XVIII se pode começar a pensar na bifurcação das variantes continentais, ora em consequência de mudanças ocorridas no Brasil, ora em Portugal, ora, ainda, em ambos os territórios. CALLOU, D. Gramática, variação e normas. In: VIEIRA, S. R.; BRANDÃO, S. (orgs.). Ensino de gramática: descrição e uso. São Paulo: Contexto, 2007 (adaptado). O português do Brasil não é uma língua uniforme. A variação linguística é um fenômeno natural, ao qual todas as línguas estão sujeitas. Ao considerar as variedades linguísticas, o texto mostra que as normas podem ser aprovadas ou condenadas socialmente, chamando a atenção do leitor para a (A) desconsideração da existência das normas populares pelos falantes da norma culta. (B) difusão do português de Portugal em todas as regiões do Brasil só a partir do século XVIII. (C) existência de usos da língua que caracterizam uma norma nacional do Brasil, distinta da de Portugal. (D) inexistência de normas cultas locais e populares ou vernáculas em um determinado país. (E) necessidade de se rejeitar a ideia de que os usos frequentes de uma língua devem ser aceitos.
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    LCP  Português _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 106 LCP  Português  .17. (ENEM-MEC) Disponível em: http://revistaescola.abril.com.br. Acesso em: 27/4/2010. Calvin apresenta a Haroldo (seu tigre de estimação) sua escultura na neve, fazendo uso de uma linguagem especializada. Os quadrinhos rompem com a expectativa do leitor, porque (A) Calvin, na sua última fala, emprega um registro formal e adequado para a expressão de uma criança. (B) Haroldo, no último quadrinho, apropria-se do registro Iinguístico usado por Calvin na apresentação de sua obra de arte. (C) Calvin emprega um registro de linguagem incompatível com a linguagem de quadrinhos. (D) Calvin, no último quadrinho, utiliza um registro linguístico informal. (E) Haroldo não compreende o que Calvin lhe explica, em razão do registro formal utilizado por este último. .18. (ENEM-MEC) Maurício e o leão chamado Millôr Livro de Flavia Maria ilustrado por cartunista nasce como um dos grandes títulos do gênero infantil Um livro infantil ilustrado por Millôr há de ter alguma grandeza natural, um viço qualquer que o destaque de um gênero que invade as livrarias (2 mil títulos novos, todo ano) nem sempre com qualidade. Uma pegada que o afaste do risco de fazer sombra ao fato de ser ilustrado por Millôr: Maurício – O Leão de Menino (CosacNaify, 24 páginas, R$ 35), de Flavia Maria, tem essa pegada. Disponível em: http://www.revistalingua.com.br. Acesso em: 30/4/2010 (fragmento). Como qualquer outra variedade linguística, a norma- -padrão tem suas especificidades. No texto, observam-se marcas da norma-padrão que são determinadas pelo veículo em que ele circula, que é a revista Língua Portuguesa. Entre essas marcas, evidencia-se (A) a obediência às normas gramaticais, como a concordância em “um gênero que invade as livrarias”. (B) a presença de vocabulário arcaico, como em “há de ter alguma grandeza natural”. (C) o predomínio de linguagem figurada, como em “um viço qualquer que o destaque”. (D) o emprego de expressões regionais, como em “tem essa pegada”. (E) o uso de termos técnicos, como em “grandes títulos do gênero infantil”. .19. (ENEM-MEC) Quando vou a São Paulo, ando na rua ou vou ao mercado, apuro o ouvido; não espero só o sotaque geral dos nordestinos, onipresentes, mas para conferir a pronúncia de cada um; os paulistas pensam que todo nordestino fala igual; contudo as variações são mais numerosas que as notas de uma escala musical. Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí têm no falar de seus nativos muito mais variantes do que se imagina. E a gente se goza uns dos outros, imita o vizinho, e todo mundo ri, porque parece impossível que um praiano de beira-mar não chegue sequer perto de um sertanejo de Quixeramobim. O pessoal do Cariri, então, até se orgulha do falar deles. Têm uns tês doces, quase um the; já nós, ásperos sertanejos, fazemos um duro au ou eu de todos os terminais em al ou el — carnavau, Raqueu... Já os paraibanos trocam o I pelo r. José Américo só me chamava, afetuosamente, de Raquer. QUEIROZ, Raquel de. O Estado de S. Paulo, 9/5/1998 (fragmento adaptado). Raquel de Queiroz comenta, em seu texto, um tipo de variação linguística que se percebe no falar de pessoas de diferentes regiões. As características regionais exploradas no texto manifestam-se (A) na fonologia. (B) no uso do léxico. (C) no grau de formalidade. (D) na organização sintática. (E) na estruturação morfológica. ________________________________________________ *Anotações*
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    LCP  Português _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 107 LCP  Português  Literatura – Linguagem e contexto A linguagem da literatura *********** ATIVIDADES *********** Leitura da imagem .1. (EDM-SP) Observe a fotografia. DICK REED/CORBIS – LATINSTOCK  Rota 66, a lendária estrada norte-americana que ligava Chicago a Los Angeles tornou-se símbolo de aventura e liberdade Faça uma breve descrição dos elementos presentes na imagem. ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ .2. (EDM-SP) A posição em que a foto foi tirada chama a nossa atenção para a estrada. Que efeito o fotógrafo pode ter pretendido desencadear no espectador ao optar por essa tomada? ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ .3. (EDM-SP) Leia uma declaração do fotógrafo suíço Robert Frank, que percorreu a Rota 66 registrando imagens da paisagem americana. Quando as pessoas olham as minhas fotos, eu quero que elas se sintam como quando desejam reler um verso de um poema. Observe mais uma vez a foto da abertura. Se ela fosse vista como um “verso de um poema”, sobre o que falaria esse verso? ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ Da imagem para o texto .4. (EDM-SP) Vamos ver como a literatura explora possibilidades da linguagem. Leia um trecho de On the road, de Jack Kerouac. A viagem Cena 1 Num piscar de olhos estávamos de volta à estrada principal e naquela noite vi todo o estado de Nebraska desenrolando-se diante dos meus olhos. Cento e setenta quilômetros por hora, direto sem escalas, cidades adormecidas, tráfego nenhum, um trem da Union Pacific deixado para trás, ao luar. Eu não estava nem um pouco assustado aquela noite; me parecia algo perfeitamente normal voar a 170, conversando e observando todas as cidades do Nebraska — Ogallala, Gothenburg, Kearney, Grand Island, Columbus — se sucederem com uma rapidez onírica* enquanto seguíamos viagem. Era um carro magnífico; portava-se na estrada como um navio no oceano. Longas curvas graduais eram o seu forte. “Ah, homem, essa barca é um sonho”, suspirava Dean. “Pense no que poderíamos fazer se tivéssemos um carro assim. [...] Curtiríamos o mundo inteiro num carro como esse, você e eu, Sal, porque, na verdade, a estrada finalmente deve conduzir a todos os cantos do mundo. Não pode levar a outro lugar, certo? [...]” * onírica: relativa aos sonhos. Cena 2 “Qual é a sua estrada, homem? — a estrada do místico, a estrada do louco, a estrada do arco-íris, a estrada dos peixes, qualquer estrada... Há sempre uma estrada em qualquer lugar, para qualquer pessoa, em qualquer circunstância. Como, onde, por quê?”
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    LCP  Português _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 108 LCP  Português  Concordamos gravemente, sob a chuva. “[...] Decidi abrir mão de tudo. Você me viu quebrar a cara tentando de tudo, me sacrificando e você sabe que isso não importa; nós sacamos a vida, Sal — sabemos como domá-la, e sabemos que o negócio é continuar no caminho, pegando leve, curtindo o que pintar da velha maneira tradicional. Afinal, de que outra maneira poderíamos curtir? Nós sabemos disso.” Suspirávamos sob a chuva. [...] “E assim”, disse Dean, “vou seguindo a vida para onde ela me levar. [...]” KEROUAC, Jack. On the road (Pé na estrada). Tradução de Eduardo Bueno. Porto Alegre: L&PM, 2004, p. 281-2; 305-6 (fragmento). a) Que elementos, presentes na cena 1, asseguram ao leitor tratar-se da história de uma viagem? ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ b) Identifique no texto as passagens que revelam ser essa viagem a concretização de um desejo típico da juventude: a busca da liberdade. ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ .5. (EDM-SP) No trecho a seguir, explique de que maneira a pontuação contribui para dar ao leitor a sensação de velocidade do carro em que viajam Sal e Dean. Cento e setenta quilômetros por hora, direto sem escalas, cidades adormecidas, tráfego nenhum, um trem da Union Pacific deixado para trás, ao luar. ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ .6. (EDM-SP) Logo no início da cena 2, Dean pergunta a Sal: “Qual é a sua estrada, homem?”. O que ele quer dizer com isso? Que sentido atribui ao termo “estrada”? ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ .7. (EDM-SP) a) Identifique, na cena 2, uma passagem que permite associar o comportamento das personagens a valores próprios da juventude. ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ b) Explique por que ela transmite valores associados à juventude. ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ .8. (EDM-SP) a) Como Dean resume sua filosofia de vida? ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ b) O que ela sugere, em termos de comportamento? ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ________________________________________________ Jack Kerouac tornou-se o ídolo de sua geração quando o romance On the road foi publicado em 1957. A viagem de dois amigos, Sal Paradise e Dean Moriarty, pelos Estados Unidos, boa parte feita na Rota 66, estrada que liga Chicago a Los Angeles, traduziu a visão de mundo de uma juventude que decidiu questionar os valores com os quais tinha sido criada. KEYSTONE / GLOBO.COM
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    LCP  Português _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 109 LCP  Português  A essência da arte literária está na palavra. Usada por escritores e poetas em todo o seu potencial significativo e sonoro, a palavra estabelece uma interessante relação entre um autor e seus leitores/ouvintes. “Ah, homem, essa barca é um sonho”, afirma Dean no texto de Jack Kerouac. Para compreender a imagem criada pela personagem, nós precisamos realizar uma série de decodificações. Sabemos que Dean e Sal viajam de carro; sabemos que uma “barca” não trafega em estradas. Com essas informações, procuramos reconstruir o sentido da comparação implícita que está na base da imagem criada: o carro em que viajam é tão grande e confortável que parece uma barca. Em seguida, reconhecemos que a afirmação de que o carro “é um sonho” também foi criada a partir de outra comparação entre nossos sonhos e todas as coisas que desejamos muito. Reconstituída a comparação original, podemos interpretar que Dean quer dizer que aquele é um carro maravilhoso, objeto de desejo e fantasia dos dois jovens. No texto de Kerouac, palavras como barca e sonho foram usadas em sentido conotativo (ou figurado), aquele que as palavras e expressões adquirem em um dado contexto, quando o seu sentido literal é modificado. Nos textos literários, predomina o sentido conotativo. A linguagem conotativa é característica de textos com função estética, ou seja, que exploram diferentes recursos linguísticos e estilísticos para produzir um efeito artístico. Época, 9/6/2008, p. 87.  Na expressão monstros sagrados, a palavra monstros apresenta sentido figurado, ou seja, conotativo Em textos não literários, o que predomina é o sentido denotativo (ou literal). Dizemos que uma palavra foi utilizada em sentido literal quando é tomada em seu significado “básico”, que pode ser apreendido sem ajuda do contexto. A linguagem denotativa é típica de textos com função utilitária, ou seja, que têm como finalidade predominante satisfazer a alguma necessidade específica, como informar, argumentar, convencer, etc. O trabalho com o sentido conotativo ou figurado é uma característica essencial da linguagem literária. Quando a literatura explora a conotação, como no fragmento de On the road, estabelece-se uma interessante relação entre leitor e texto. Ao ler um romance ou um poema ou ao ouvir uma história, o leitor/ouvinte precisa reconhecer o significado das palavras e reconstruir os mundos ficcionais que elas descrevem. O leitor/ouvinte desempenha, portanto, um papel ativo, já que também cria, em sua imaginação, mundos ficcionais correspondentes àqueles propostos nos textos ou vive, na fantasia, experiências semelhantes às descritas. Recursos expressivos Dá-se o nome de figuras de linguagem aos recursos utilizados com o fim de tornar mais expressiva a linguagem. As figuras de linguagem compreendem:  as figuras de palavra (ou tropos);  as figuras de sintaxe (ou de construção);  as figuras de pensamento; e  as figuras de harmonia (ou sonoras). Intertextualidade Quantas vezes, ao ler um texto ou ver uma determinada propaganda, você tem a sensação de já ter visto o texto em algum lugar? Quer ver só? No início de sua produção poética, Carlos Drummond de Andrade escreveu um poema que viria a torná-lo muito conhecido. O “sucesso” do poema foi provocado, no início, pelo estranhamento por ele causado. Você certamente já teve oportunidade de lê-lo. No meio do caminho No meio do caminho tinha uma pedra tinha uma pedra no meio do caminho tinha uma pedra no meio do caminho tinha uma pedra. Nunca me esquecerei desse acontecimento na vida de minhas retinas tão fatigadas. Nunca me esquecerei que no meio do caminho tinha uma pedra tinha uma pedra no meio do caminho no meio do caminho tinha uma pedra. (Carlos Drummond de Andrade)
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    LCP  Português _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 110 LCP  Português  Mas, por que estamos falando de poesia e Drummond, em uma seção destinada à apresentação do conceito de intertextualidade? Porque muitos são os textos que recuperam a imagem da “pedra” drummondiana. Observe, por exemplo, a seguir, um anúncio publicitário veiculado para a divulgação de um projeto de educação ambiental, patrocinado pela empresa de turismo Soletur e orientado pelo Ibama. Não é preciso, lido o anúncio, dizer por que o escolhemos. A intertextualidade é evidente, pois a referência ao poema de Drummond é óbvia! Intertextualidade é a relação que se estabelece entre dois textos, quando um deles faz referência a elementos existentes no outro. Esses elementos podem dizer respeito ao conteúdo, à forma, ou mesmo à forma e ao conteúdo.  A propaganda vale-se do recurso da intertextualidade para indicar a poluição das praias. O trecho intertextual é: “No meio do caminho tinha uma pedra...”. No poema, a “pedra no meio do caminho” são os obstáculos, as dificuldades, os problemas. A propaganda faz uso do termo em seu sentido literal (rocha). Isso pode ser percebido pela enumeração das outras “coisas” no meio do caminho (uma ponta de cigarro, uma lata, um saco plástico, cacos de vidro) que evidenciam a poluição das praias pelos banhistas. Estilo de época A constatação de traços comuns na produção de uma mesma época identifica um estilo de época. O estudo da literatura depende do reconhecimento dos padrões e das semelhanças que constituem um estilo de época. O uso particular que um escritor ou poeta faz dos elementos que distinguem uma estética define o estilo individual de um autor, sempre marcado pelo olhar específico que dirige aos temas característicos de um período e pelo uso singular que faz dos recursos de linguagem associados a uma determinada estética literária. Literatura brasileira A literatura brasileira tem sua história dividida em duas grandes eras, que acompanham a evolução política e econômica do país: a Era Colonial e a Era Nacional, separadas por um Período de Transição, que corresponde à emancipação política do Brasil. As eras apresentam subdivisões chamadas de escolas literárias ou estilos de época. Dessa forma, temos: Era Colonial (de 1500 a 1808)  Quinhentismo (de 1500 a 1601)  Seiscentismo ou Barroco (de 1601 a 1768)  Setecentismo ou Arcadismo (de 1768 a 1808) Período de Transição (de 1808 a 1836) Era Nacional (de 1836 até nossos dias)  Romantismo (de 1836 a 1881)  Realismo/Naturalismo (de 1881 a 1893)  Parnasianismo (de 1882 a 1893)  Simbolismo (de 1893 a 1902)  Pré-Modernismo (de 1902 a 1922)  Modernismo (de 1922 a 1945)  Pós-Modernismo (de 1945 até nossos dias) As datas que indicam o início e o fim de cada época têm de ser entendidas apenas como marcos. Toda época apresenta um período de ascensão, um ponto máximo e um período de decadência (que coincide com o período de ascensão da próxima época). Dessa forma podemos perceber, ao final do Arcadismo, um período de Pré- -Romantismo; ao final do Romantismo, um Pré-Realismo, e assim por diante. De todos esses momentos de transição, caracterizados pela quebra das velhas estruturas (apesar de “o novo sempre pagar tributo ao velho”), o mais significativo para a literatura brasileira foi o Pré-Modernismo (entre 1902 e 1922), em que se destacaram Euclides da Cunha, Lima Barreto, Monteiro Lobato e Augusto dos Anjos.  *ATENÇÃO, ESTUDANTE!*  Para complementar o estudo deste Módulo, utilize seu LIVRO DIDÁTICO. ________________________________________________ *Anotações*
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    LCP  Português _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 111 LCP  Português  As questões 9 e 10 referem-se ao poema. A dança e a alma A DANÇA? Não é movimento, súbito gesto musical. É concentração, num momento, da humana graça natural. No solo não, no éter pairamos, nele amaríamos ficar. A dança — não vento nos ramos: seiva, força, perene estar. Um estar entre céu e chão, novo domínio conquistado, onde busque nossa paixão libertar-se por todo lado... Onde a alma possa descrever suas mais divinas parábolas sem fugir à forma do ser, por sobre o mistério das fábulas. ANDRADE, Carlos Drummond de. Obra completa. Rio de Janeiro: Aguilar, 1964, p. 366. .9. (ENEM-MEC) A definição de dança, em linguagem de dicionário, que mais se aproxima do que está expresso no poema é (A) a mais antiga das artes, servindo como elemento de comunicação e afirmação do homem em todos os momentos de sua existência. (B) a forma de expressão corporal que ultrapassa os limites físicos, possibilitando ao homem a liberação de seu espírito. (C) a manifestação do ser humano, formada por uma sequência de gestos, passos e movimentos desconcertados. (D) o conjunto organizado de movimentos do corpo, com ritmo determinado por instrumentos musicais, ruídos, cantos, emoções, etc. (E) o movimento diretamente ligado ao psiquismo do indivíduo e, por consequência, ao seu desenvolvimento intelectual e à sua cultura. .10. (ENEM-MEC) O poema “A dança e a alma” é construído com base em contrastes, como “movimento” e “concentração”. Em uma das estrofes, o termo que estabelece contraste com solo é (A) éter. (B) seiva. (C) chão. (D) paixão. (E) ser. Textos para as questões 11 e 12. Texto 1 – Autorretrato Provinciano que nunca soube Escolher bem uma gravata; Pernambucano a quem repugna A faca do pernambucano; Poeta ruim que na arte da prosa Envelheceu na infância da arte, E até mesmo escrevendo crônicas Ficou cronista de província; Arquiteto falhado, músico Falhado (engoliu um dia Um piano, mas o teclado Ficou de fora); sem família, Religião ou filosofia; Mal tendo a inquietação de espírito Que vem do sobrenatural, E em matéria de profissão Um tísico* profissional. BANDEIRA, Manuel. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: Aguilar, 1983, p. 395. * tísico: tuberculoso. Texto 2 – Poema de sete faces Quando nasci, um anjo torto desses que vivem na sombra disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida. As casas espiam os homens que correm atrás de mulheres. A tarde talvez fosse azul, não houvesse tantos desejos. [...] Meu Deus, por que me abandonaste se sabias que eu não era Deus se sabias que eu era fraco. Mundo mundo vasto mundo, se eu me chamasse Raimundo seria uma rima, não seria uma solução. Mundo mundo vasto mundo mais vasto é o meu coração. ANDRADE, Carlos Drummond de. Obra completa. Rio de Janeiro: Aguilar, 1964, p. 53. .11. (ENEM-MEC) Esses poemas têm em comum o fato de (A) descreverem aspectos físicos dos próprios autores. (B) refletirem um sentimento pessimista. (C) terem a doença como tema. (D) narrarem a vida dos autores desde o nascimento. (E) defenderem crenças religiosas.
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    LCP  Português _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 112 LCP  Português  .12. (ENEM-MEC) No verso “Meu Deus, por que me abandonaste”, do texto 2, Drummond retoma as palavras de Cristo, na cruz, pouco antes de morrer. Esse recurso de repetir palavras de outrem equivale a (A) emprego de termos moralizantes. (B) uso de vício de linguagem pouco tolerado. (C) repetição desnecessária de ideias. (D) emprego estilístico da fala de outra pessoa. (E) uso de uma pergunta sem resposta. .13. (ENEM-MEC) Cidade grande Que beleza, Montes Claros. Como cresceu Montes Claros. Quanta indústria em Montes Claros. Montes Claros cresceu tanto, ficou urbe tão notória, prima-rica do Rio de Janeiro, que já tem cinco favelas por enquanto, e mais promete. ANDRADE, Carlos Drummond de. Poesia e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1983. Entre os recursos expressivos empregados no texto, destaca-se a (A) metalinguagem, que consiste em fazer a linguagem referir-se à própria linguagem. (B) intertextualidade, na qual o texto retoma e reelabora outros textos. (C) ironia, que consiste em se dizer o contrário do que se pensa, com intenção crítica. (D) denotação, caracterizada pelo uso das palavras em seu sentido próprio e objetivo. (E) prosopopeia, que consiste em personificar coisas inanimadas, atribuindo-lhes vida. .14. (ENEM-MEC) Érico Veríssimo relata, em suas memórias, um episódio da adolescência que teve influência significativa em sua carreira de escritor. Lembro-me de que certa noite — eu teria uns quatorze anos, quando muito — encarregaram-me de segurar uma lâmpada elétrica à cabeceira da mesa de operações, enquanto um médico fazia os primeiros curativos num pobre-diabo que soldados da Polícia Municipal haviam “carneado”. [...] Apesar do horror e da náusea, continuei firme onde estava, talvez pensando assim: se esse caboclo pode aguentar tudo isso sem gemer, por que não hei de poder ficar segurando esta lâmpada para ajudar o doutor a costurar esses talhos e salvar essa vida? [...] Desde que, adulto, comecei a escrever romances, tem-me animado até hoje a ideia de que o menos que o escritor pode fazer, numa época de atrocidades e injustiças como a nossa, é acender a sua lâmpada, fazer luz sobre a realidade de seu mundo, evitando que sobre ele caia a escuridão, propícia aos ladrões, aos assassinos e aos tiranos. Sim, segurar a lâmpada, a despeito da náusea e do horror. Se não tivermos uma lâmpada elétrica, acendamos o nosso toco de vela ou, em último caso, risquemos fósforos repetidamente, como um sinal de que não desertamos nosso posto. VERÍSSIMO, Érico. Solo de Clarineta. Tomo I. Porto Alegre: Editora Globo, 1978. Nesse texto, por meio da metáfora da lâmpada que ilumina a escuridão, Érico Veríssimo define como uma das funções do escritor e, por extensão, da literatura, (A) criar a fantasia. (B) permitir o sonho. (C) denunciar o real. (D) criar o belo. (E) fugir da náusea. .15. (ENEM-MEC) Em muitos jornais, encontramos charges, quadrinhos, ilustrações, inspirados nos fatos noticiados. Veja um exemplo: Jornal do Commercio, 22/8/1993. O texto que se refere a uma situação semelhante à que inspirou a charge é: (A) Descansem o meu leito solitário Na floresta dos homens esquecida, À sombra de uma cruz, e escrevam nela — Foi poeta — sonhou — e amou na vida. AZEVEDO, Álvares de. Poesias escolhidas. Rio de Janeiro/Brasília: José Aguilar/INL,1971. (B) Essa cova em que estás Com palmos medida, é a conta menor que tiraste em vida. É de bom tamanho, Nem largo nem fundo, É a parte que te cabe deste latifúndio. MELO NETO, João Cabral de. Morte e Vida Severina e outros poemas em voz alta. Rio de Janeiro: Sabiá, 1967.
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    LCP  Português _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 113 LCP  Português  (C) Medir é a medida mede A terra, medo do homem, a lavra; lavra duro campo, muito cerco, vária várzea. CHAMIE, Mário. Sábado na hora da escutas. São Paulo: Summums, 1978. (D) Vou contar para vocês um caso que sucedeu na Paraíba do Norte com um homem que se chamava Pedro João Boa-Morte, lavrador de Chapadinha: talvez tenha morte boa porque vida ele não tinha. GULLAR, Ferreira. Toda poesia. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1983. (E) Trago-te flores, — restos arrancados Da terra que nos viu passar E ora mortos nos deixa e separados. ASSIS, Machado de. Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguillar, 1986. .16. (ENEM-MEC) Quem não passou pela experiência de estar lendo um texto e defrontar-se com passagens já lidas em outros? Os textos conversam entre si em um diálogo constante. Esse fenômeno tem a denominação de intertextualidade. Leia os seguintes textos: I. Quando nasci, um anjo torto desses que vivem na sombra disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida. ANDRADE, Carlos Drummond de. Alguma poesia. Rio de Janeiro: Aguilar, 1964. II. Quando nasci veio um anjo safado O chato dum querubim E decretou que eu tava predestinado A ser errado assim Já de saída a minha estrada entortou Mas vou até o fim. BUARQUE, Chico. Letra e Música. São Paulo: Cia. das Letras, 1989. III. Quando nasci um anjo esbelto Desses que tocam trombeta, anunciou: Vai carregar bandeira. Carga muito pesada pra mulher Esta espécie ainda envergonhada. PRADO, Adélia. Bagagem. Rio de Janeiro: Guanabara, 1986. Adélia Prado e Chico Buarque estabelecem intertextualidade, em relação a Carlos Drummond de Andrade, por (A) reiteração de imagens. (B) oposição de ideias. (C) falta de criatividade. (D) negação dos versos. (E) ausência de recursos. ________________________________________________ *Anotações*
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    LCP  Português _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 114 LCP  Português  *MÓDULO 2* A interpretação de textos Introdução Um dos tópicos mais cobrados nos vestibulares nos últimos anos é a interpretação de textos, que será o tema desta seção. Acho a televisão muito educativa. Toda vez que alguém liga a TV, vou para o outro quarto e leio um livro. Groucho Marx (1890-1977), comediante norte-americano HULTON ARCHIVE / GETTY IMAGES BRISTOL, Brian. Por que amamos ler? – Grandes escritores tentam explicar nosso fascínio pela leitura. São Paulo: Novo Conceito, 2008. Ler um texto não é difícil quando se domina uma língua, mas compreendê-lo não é tão simples assim. Cada leitor, de acordo com a sua história de leitura, ou seja, de acordo com os textos que já tenha lido, sua vivência no mundo, sua formação cultural etc., terá uma forma de encarar um texto e de compreendê-lo. Vejamos um exemplo: Não tem jeito mesmo... “Trinta palavras no máximo; não há espaço para mais”, disse o chefe da redação ao jornalista. Por isso, a notícia que apareceu no jornal foi: Uma mulher escorregou numa casca de banana, numa faixa de pedestres da Banhofstrasse. Foi imediatamente transportada para a clínica da universidade, onde lhe foi diagnosticada uma perna quebrada. A primeira reação surgiu imediatamente, numa carta registrada em que um importador de bananas escrevia: “Protestamos veementemente contra o descrédito dado ao nosso produto. Considerando que, nos últimos meses, vocês publicaram pelo menos 14 comentários negativos sobre os países produtores de bananas, não podemos deixar de inferir uma intenção de difamação deliberada de sua parte.” Por sua vez, o diretor da clínica da universidade também se pronunciou, alegando que a expressão “foi transportada” poderia significar “o transporte de seres humanos como se tratasse de carga”, o que contrariava totalmente os hábitos de seu hospital. “Além disso”, salientou, “posso provar que a fratura da perna resultou da queda e não, como foi sugerido com intenção malévola, do transporte para o hospital”. Para finalizar, um membro do Departamento Municipal de Engenharia Civil telefonou, informando ao jornal que a causa do tombo não deveria ser atribuída ao estado da faixa de pedestres. Além disso, como o Comitê de Defesa das Faixas para Pedestres estava prestes a concluir seu relatório, após seis anos de trabalho, perguntava se seria possível — para evitar possíveis consequências políticas — não fazer qualquer alusão a tais passagens nos próximos meses. A notícia foi revista e, na manhã seguinte, apareceu com o seguinte texto: Uma mulher caiu na rua e quebrou a perna. No dia seguinte, os editores receberam apenas duas cartas a respeito. Uma, indignada, era da Associação Não Lucrativa dos Direitos das Mulheres, cuja porta-voz repudiava “vivamente e em definitivo” o texto discriminatório uma mulher caiu, o qual evocava uma associação infeliz com “mulheres caídas” e constituía uma prova de que “mais uma vez, neste mundo dominado pelo homem, a imagem da mulher estava sendo manipulada da maneira mais pérfida e chauvinista!” A carta ameaçava com um processo judicial, boicote e outras medidas. A outra reação veio de um leitor que cancelava sua assinatura, alegando o número cada vez maior de notícias triviais e sem interesse. Seleções do Reader's Digest. Tomo XXXVI, n.° 217. Junho de 1989, p. 109 e 110, apud I. Koch, Coerência textual. São Paulo, Contexto, 1997. Note que, neste caso, o texto foi compreendido de maneira diferente pelos leitores. Cada um, a partir de sua visão de mundo e de seu posicionamento neste, chegou a um sentido diferente para o mesmo texto. Mas, embora haja, então, a influência do conhecimento de mundo e do posicionamento dentro deste na compreensão de um texto, ler com compreensão também se pode aprender se prestarmos atenção a alguns pontos, dos quais trataremos nesta seção. Infelizmente, não é possível esgotar o assunto, uma vez que mesmo os estudiosos da leitura ainda não conseguiram determinar todos os tópicos que serão necessários à aprendizagem da leitura. O conhecimento de mundo e a leitura O nosso conhecimento de mundo nos permite relacionar o assunto de um texto com coisas do mundo, mas também nos permite perceber se a forma de um texto é igual à de outro, se um texto retoma um outro, se uma informação foi corretamente apresentada ou não. À medida que vamos lendo, vamos aprendendo a nos deter em determinados trechos ou passar mais rápido por outros, de acordo com o nosso principal objetivo de leitura, mas também conforme consigamos construir mais facilmente ou não o sentido do texto.
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    LCP  Português _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 115 LCP  Português  Dessa forma, constatamos que o conhecimento de mundo vai nos ajudar a compreender o texto bem escrito e até a inferir o significado correto de textos mal escritos. Assim, se o conhecimento pode ajudar tanto na compreensão de um texto, o melhor a fazer é procurar ampliá-lo cada vez mais, lendo muito diferentes tipos de textos e sobre diferentes assuntos. Além disso, nessas leituras, é bastante importante prestar atenção ao gênero de texto e à sua estrutura, aos objetivos do texto e à linguagem empregada. O gênero de texto e a sua estrutura Conhecer, pelo menos um pouco, o gênero de texto que se está lendo pode ajudar bastante na sua compreensão. Afinal, se estamos lendo um editorial de um jornal e sabemos que este é um gênero de texto em que se defende a posição do jornal sobre um determinado tema, constataremos a necessidade de ficarmos atentos aos pontos de vista e argumentos que serão apresentados. Mas se estivermos diante de um trecho de um manual para instalação de videocassete, teremos outra preocupação; o mesmo ocorrerá se o texto for um e-mail de um amigo, uma piada, um poema ou um conto. Note que cada gênero, dada a sua estrutura e o conjunto de elementos que o compõem, impõe ao leitor um certo olhar. A linguagem Além do gênero de texto, é importante estarmos atentos também à linguagem empregada em cada texto e aos efeitos de sentido que ela pode produzir, isto é: em um bom texto, a escolha das palavras, das construções sintáticas, do tamanho dos parágrafos etc. costuma contribuir para expressar o sentido “desejado” pelo autor. Fica bem visível tal ideia quando comparamos textos sobre um mesmo assunto publicados por jornais diferentes. Vejamos dois trechos retirados de notícias publicadas pela Folha de S. Paulo e pelo O Estado de S. Paulo a respeito de um atentado ocorrido em Israel e de seus possíveis autores: “O grupo islâmico Hamas assumiu o atentado e divulgou foto e nome do suicida.” (O Estado de S. Paulo) “O grupo extremista Hamas reivindicou a autoria do atentado, o pior desde julho.” (Folha de S. Paulo) Reflita sobre as diferenças de escolha de vocabulário: “grupo islâmico” X “grupo extremista”; “assumiu o atentado” X “reivindicou a autoria do atentado”. Estão os dois jornais falando exatamente a mesma coisa? Parece que não! Há ainda a informação a mais que cada jornal trouxe: o jornal O Estado de S. Paulo reforçou a assunção do atentado pelo grupo ao dizer que ele até mostrou foto e nome do suicida; enquanto a Folha qualificou a intensidade do atentado relacionando-o a anteriores, uma vez que mostrou que este foi “o pior desde julho”, deixando subentendida a ideia de que antes houve outros piores. Na finalização das duas notícias também encontramos outro ponto de confronto: “O governo israelense já estuda uma ‘resposta’ aos terroristas.” (O Estado de S. Paulo) “O governo israelense, porém, aprovou uma reação militar.” (Folha de S. Paulo) Os predicados de ambos os períodos trazem ideias bem diferentes. Enquanto a Folha afirma a reação militar por meio do verbo “aprovou”, o jornal O Estado de S. Paulo diz que o governo israelense estaria pensando sobre isso, como nos sugere o verbo “estuda”. Você deve estar se perguntando: se a intenção dos dois jornais é informar, por que tantas diferenças de linguagem que levam a diferenças de sentido? Porque cada jornal é produzido por homens diferentes que têm visões/conhecimentos de mundo/interesses diferentes uns dos outros, e isso acaba refletindo na linguagem que empregam, mesmo quando tentam buscar a neutralidade e a imparcialidade. Daí a necessidade de estar bem atento à linguagem para que você perceba não só o assunto que é tratado em um texto, mas também o modo como este foi apresentado e consiga, assim, perceber a intencionalidade que subjaz a cada texto. Lendo com atenção, veremos que em todos os textos, quando bem escritos, a linguagem serve — mais do que para falar de um assunto — para mostrar também como o autor se relaciona com tal assunto e como imagina atingir o leitor.  *ATENÇÃO, ESTUDANTE!*  Para complementar o estudo deste Módulo, utilize seu LIVRO DIDÁTICO. *********** ATIVIDADES *********** .1. (ENEM-MEC) Quem é pobre, pouco se apega, é um giro-o-giro no vago dos gerais, que nem os pássaros de rios e lagoas. O senhor vê: o Zé-Zim, o melhor meeiro meu aqui, risonho e habilidoso. Pergunto: — Zé-Zim, por que é que você não cria galinhas-d’angola, como todo o mundo faz? — Quero criar nada não... — me deu resposta: — Eu gosto muito de mudar... [...] Belo um dia, ele tora. Ninguém discrepa. Eu, tantas, mesmo digo. Eu dou proteção. [...] Essa não faltou também à minha mãe, quando eu era menino, no sertãozinho de minha terra. [...] Gente melhor do lugar eram todos dessa família Guedes, Jidião Guedes; quando saíram de lá, nos trouxeram junto, minha mãe e eu. Ficamos existindo em território baixio da Sirga, da outra banda, ali onde o de- -Janeiro vai no São Francisco, o senhor sabe. ROSA, J. G. Grande Sertão: Veredas. Rio de Janeiro: José Olympio, 1995 (fragmento).
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    LCP  Português _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 116 LCP  Português  Na passagem citada, Riobaldo expõe uma situação decorrente de uma desigualdade social típica das áreas rurais brasileiras marcadas pela concentração de terras e pela relação de dependência entre agregados e fazendeiros. No texto, destaca-se essa relação porque o personagem-narrador (A) relata a seu interlocutor a história de Zé-Zim, demonstrando sua pouca disposição em ajudar seus agregados, uma vez que superou essa condição graças à sua força de trabalho. (B) descreve o processo de transformação de um meeiro — espécie de agregado — em proprietário de terra. (C) denuncia a falta de compromisso e a desocupação dos moradores, que pouco se envolvem no trabalho da terra. (D) mostra como a condição material da vida do sertanejo é dificultada pela sua dupla condição de homem livre e, ao mesmo tempo, dependente. (E) mantém o distanciamento narrativo condizente com sua posição social, de proprietário de terras. .2. (ENEM-MEC) A discussão sobre “o fim do livro de papel” com a chegada da mídia eletrônica me lembra a discussão idêntica sobre a obsolescência do folheto de cordel. Os folhetos talvez não existam mais daqui a 100 ou 200 anos, mas, mesmo que isso aconteça, os poemas de Leandro Gomes de Barros ou Manuel Camilo dos Santos continuarão sendo publicados e lidos — em CD-ROM, em livro eletrônico, em “chips quânticos”, sei lá o quê. O texto é uma espécie de alma imortal, capaz de reencarnar em corpos variados: página impressa, livro em braile, folheto, “coffee-table book”, cópia manuscrita, arquivo PDF... Qualquer texto pode se reencarnar nesses (e em outros) formatos, não importa se é Moby Dick ou Viagem a São Saruê, se é Macbeth ou O livro de piadas de Casseta & Planeta. TAVARES, Bráulio. Disponível em: http://jornaldaparaiba.globo.com. Acesso em: 13/2/2011. Ao refletir sobre a possível extinção do livro impresso e o surgimento de outros suportes em via eletrônica, o cronista manifesta seu ponto de vista, defendendo que (A) o cordel é um dos gêneros textuais, por exemplo, que será extinto com o avanço da tecnologia. (B) o livro impresso permanecerá como objeto cultural veiculador de impressões e de valores culturais. (C) o surgimento da mídia eletrônica decretou o fim do prazer de se ler textos em livros e suportes impressos. (D) os textos continuarão vivos e passíveis de reprodução em novas tecnologias, mesmo que os livros desapareçam. (E) os livros impressos desaparecerão e, com eles, a possibilidade de se ler obras literárias dos mais diversos gêneros. .3. (ENEM-MEC) O hipertexto refere-se à escritura eletrônica não sequencial e não linear, que se bifurca e permite ao leitor o acesso a um número praticamente ilimitado de outros textos a partir de escolhas locais e sucessivas, em tempo real. Assim, o leitor tem condições de definir interativamente o fluxo de sua leitura a partir de assuntos tratados no texto sem se prender a uma sequência fixa ou a tópicos estabelecidos por um autor. Trata-se de uma forma de estruturação textual que faz do leitor simultaneamente coautor do texto final. O hipertexto se caracteriza, pois, como um processo de escritura/leitura eletrônica multilinearizado, multissequencial e indeterminado, realizado em um novo espaço de escrita. Assim, ao permitir vários níveis de tratamento de um tema, o hipertexto oferece a possibilidade de múltiplos graus de profundidade simultaneamente, já que não tem sequência definida, mas liga textos não necessariamente correlacionados. MARCUSCHI, L. A. Disponível em: http://www.pucsp.br. Acesso em: 29/6/2011. O computador mudou nossa maneira de ler e escrever, e o hipertexto pode ser considerado como um novo espaço de escrita e leitura. Definido como um conjunto de blocos autônomos de texto, apresentado em meio eletrônico computadorizado e no qual há remissões associando entre si diversos elementos, o hipertexto (A) é uma estratégia que, ao possibilitar caminhos totalmente abertos, desfavorece o leitor, ao confundir os conceitos cristalizados tradicionalmente. (B) é uma forma artificial de produção da escrita, que, ao desviar o foco da leitura, pode ter como consequência o menosprezo pela escrita tradicional. (C) exige do leitor um maior grau de conhecimentos prévios, por isso deve ser evitado pelos estudantes nas suas pesquisas escolares. (D) facilita a pesquisa, pois proporciona uma informação específica, segura e verdadeira, em qualquer site de busca ou blog oferecidos na internet. (E) possibilita ao leitor escolher seu próprio percurso de leitura, sem seguir sequência predeterminada, constituindo-se em atividade mais coletiva e colaborativa. ________________________________________________ *Anotações*
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    LCP  Português _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 117 LCP  Português  .4. (ENEM-MEC) IMODESTO “As colunas do Alvorada podiam ser mais fáceis de construir, sem aquelas curvas. Mas foram elas que o mundo inteiro copiou” Brasília 50 anos. Veja, n.º 2.138, nov. 2009. Utilizadas desde a Antiguidade, as colunas, elementos verticais de sustentação, foram sofrendo modificações e incorporando novos materiais com ampliação de possibilidades. Ainda que as clássicas colunas gregas sejam retomadas, notáveis inovações são percebidas, por exemplo, nas obras de Oscar Niemeyer, arquiteto brasileiro nascido no Rio de Janeiro em 1907. No desenho de Niemeyer, das colunas do Palácio da Alvorada, observa-se (A) a presença de um capitel muito simples, reforçando a sustentação. (B) o traçado simples de amplas linhas curvas opostas, resultando em formas marcantes. (C) a disposição simétrica das curvas, conferindo saliência e distorção à base. (D) a oposição de curvas em concreto, configurando certo peso e rebuscamento. (E) o excesso de linhas curvas, levando a um exagero na ornamentação. .5. (ENEM-MEC) Conceitos e importância das lutas Antes de se tornarem esporte, as lutas ou as artes marciais tiveram duas conotações principais: eram praticadas com o objetivo guerreiro ou tinham um apelo filosófico como concepção de vida bastante significativo. Atualmente, nos deparamos com a grande expansão das artes marciais em nível mundial. As raízes orientais foram se disseminando, ora pela necessidade de luta pela sobrevivência ou para a “defesa pessoal”, ora pela possibilidade de ter as artes marciais como própria filosofia de vida. CARREIRO, E. A. Educação Física na escola: implicações para a prática pedagógica. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2008 (fragmento). Um dos problemas da violência que está presente principalmente nos grandes centros urbanos são as brigas e os enfrentamentos de torcidas organizadas, além da formação de gangues, que se apropriam de gestos das lutas, resultando, muitas vezes, em fatalidades. Portanto, o verdadeiro objetivo da aprendizagem desses movimentos foi mal compreendido, afinal as lutas (A) se tornaram um esporte, mas eram praticadas com o objetivo guerreiro a fim de garantir a sobrevivência. (B) apresentam a possibilidade de desenvolver o autocontrole, o respeito ao outro e a formação do caráter. (C) possuem como objetivo principal a “defesa pessoal” por meio de golpes agressivos sobre o adversário. (D) sofreram transformações em seus princípios filosóficos em razão de sua disseminação pelo mundo. (E) se disseminaram pela necessidade de luta pela sobrevivência ou como filosofia pessoal de vida. .6. (ENEM-MEC) O tema da velhice foi objeto de estudo de brilhantes filósofos ao longo dos tempos. Um dos melhores livros sobre o assunto foi escrito pelo pensador e orador romano Cícero: A Arte do Envelhecimento. Cícero nota, primeiramente, que todas as idades têm seus encantos e suas dificuldades. E depois aponta para um paradoxo da humanidade. Todos sonhamos ter uma vida longa, o que significa viver muitos anos. Quando realizamos a meta, em vez de celebrar o feito, nos atiramos a um estado de melancolia e amargura. Ler as palavras de Cícero sobre envelhecimento pode ajudar a aceitar melhor a passagem do tempo. NOGUEIRA, P. Saúde & Bem-Estar Antienvelhecimento. Época, 28/4/2008. O autor discute problemas relacionados ao envelhecimento, apresentando argumentos que levam a inferir que seu objetivo é (A) esclarecer que a velhice é inevitável. (B) contar fatos sobre a arte de envelhecer. (C) defender a ideia de que a velhice é desagradável. (D) influenciar o leitor para que lute contra o envelhecimento. (E) mostrar às pessoas que é possível aceitar, sem angústia, o envelhecimento. ________________________________________________ *Anotações*
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    LCP  Português _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 118 LCP  Português  .7. (UNICAMP-SP) Considere a tira a seguir: Jornal da Tarde, 8/2/2001. Nessa tira, a crítica ao “estrategista militar” não é explícita. Para compreender a tira, o leitor deve reconhecer uma alusão a um fato histórico e uma hipótese sobre transmissão genética. a) Qual é o fato histórico ao qual a tira faz alusão? ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ b) Qual é a explicação para as qualidades profissionais do estrategista? ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ c) Explicite o raciocínio da personagem que critica o estrategista. ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ .8. (UNICAMP-SP) Uma das últimas edições do jornal Visão de Barão Geraldo trazia em sua seção “Sorria” esta anedota: “No meio de uma visita de rotina, o presidente daquela enorme empresa chega ao setor de produção e pergunta ao encarregado: — Quantos funcionários trabalham neste setor? Depois de pensar por alguns segundos, o encarregado responde: — Mais ou menos a metade!” a) Explique o que quis perguntar o presidente da empresa. ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ b) Explique o que respondeu o encarregado. ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ c) Um dos sentidos de trabalhar é “estar empregado”. Supondo que o encarregado entendesse a fala do presidente da empresa nesse sentido e quisesse dar uma resposta correta, que resposta teria que dar? ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ .9. (FUVEST-SP) Eu te amo Ah, se já perdemos a noção da hora, Se juntos já jogamos tudo fora, Me conta agora como hei de partir... Se, ao te conhecer, dei pra sonhar, fiz tantos desvarios, Rompi com o mundo, queimei meus navios, Me diz pra onde é que inda posso ir... [...] Se entornaste a nossa sorte pelo chão, Se na bagunça do teu coração Meu sangue errou de veia e se perdeu... [...] Como, se nos amamos como dois pagãos, Teus seios inda estão nas minhas mãos, Me explica com que cara eu vou sair... Não, acho que estás só fazendo de conta, Te dei meus olhos pra tomares conta, Agora conta como hei de partir... (Tom Jobim e Chico Buarque) O sentimento de perplexidade expresso nas frases “como hei de partir”, “pra onde é que inda posso ir” e “com que cara eu vou sair” deve-se ao fato de que a relação amorosa do sujeito: (A) foi marcada por sucessivos desencontros, em virtude da intensidade da paixão. (B) constituiu uma radical experiência de fusão com o outro, da qual não vê como sair. (C) provocou a subordinação emocional da pessoa amada, de quem ele já não pode se livrar. (D) ameaça jamais desfazer-se, agravando-se assim uma interdependência destrutiva. (E) está-se esgotando, sem que os amantes saibam o que fazer para reacender a paixão.
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    LCP  Português _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 119 LCP  Português  Texto para as questões 10 e 11. — Mandaram ler este livro... Se o tal do livro for fraquinho, o desprazer pode significar um precipitado mas decisivo adeus à literatura; se for estimulante, outros virão sem o peso da obrigação. As experiências com que o leitor se identifica não são necessariamente as mais familiares, mas as que mostram o quanto é vivo um repertório de novas questões. Uma leitura proveitosa leva à convicção de que as palavras podem constituir um movimento profundamente revelador do próximo, do mundo, de nós mesmos. Tal convicção faz caminhar para uma outra, mais ampla, que um antigo pensador romano assim formulou: Nada do que é humano me é alheio. Cláudio Ferraretti, Inédito. .10. (FUVEST-SP) De acordo com o texto, a identificação do leitor com o que lê ocorre sobretudo quando: (A) ele sabe reconhecer na obra o valor consagrado pela tradição da crítica literária. (B) ele já conhece, com alguma intimidade, as experiências representadas numa obra. (C) a obra expressa, em fórmulas sintéticas, a sabedoria dos antigos humanistas. (D) a obra o introduz num campo de questões cuja vitalidade ele pode reconhecer. (E) a obra expressa convicções tão verdadeiras que se furtam à discussão. .11. (FUVEST-SP) O sentido da frase “Nada do que é humano me é alheio” é equivalente ao desta outra construção: (A) O que não diz respeito ao Homem não deixa de me interessar. (B) Tudo o que se refere ao Homem diz respeito a mim. (C) Como sou humano, não me alheio a nada. (D) Para ser humano, mantenho interesse por tudo. (E) A nada me sinto alheio que não seja humano. .12. (UNICAMP-SP) Marca-passo natural – Uma alternativa menos invasiva pode substituir o implante do marca-passo eletrônico [...]. Cientistas do Hospital John Hopkins, nos EUA, conseguiram converter células cardíacas de porquinhos- -da-índia em células especializadas, que atuam como um marca-passo, controlando o ritmo dos batimentos cardíacos. No experimento, o coração dos suínos recuperou a regularidade dos movimentos. A expectativa é de que em alguns anos seja possível testar a técnica em humanos. lstoÉ, n.º 1720, 18/9/2002. a) Alguém que nunca tivesse ouvido falar de marca- -passo poderia dar uma definição desse instrumento lendo este texto. Qual é essa definição? ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ b) A ocorrência da expressão “a técnica”, no final do texto, indica que ela foi explicada anteriormente. Em que consiste essa técnica? ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ c) Apesar do nome, o porquinho-da-índia é um roedor. Sendo assim, há uma forma equivocada de referir-se a ele no texto. Qual é essa forma e como se explica sua ocorrência? ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ .13. (UNICAMP-SP) No folheto intitulado “Saúde da mulher – orientações”, distribuído em consultórios médicos, encontramos estas informações acerca de um produto que, aqui, chamaremos “P”: “A liberdade da mulher pode ficar comprometida quando surge em sua vida o risco de uma gravidez indesejada. Para estas situações, ela pode contar com P, um método de Contracepção de Emergência, ou pós-ato sexual, capaz de evitar a gestação com grande margem de segurança. O ginecologista poderá orientá-la sobre o uso correto desse método. [...] P é um método indolor, bastante prático e quase sem efeitos colaterais. Deve ser tomado num período de até 72 horas após o ato sexual desprotegido, sendo mais efetivo nas primeiras 48 horas. Age inibindo ou retardando a ovulação e torna o útero um ambiente impróprio para que o óvulo se implante. Dessa forma, não pode ser considerado um método abortivo, já que, quando atua, ainda não houve implantação do óvulo no útero.”
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    LCP  Português _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 120 LCP  Português  a) A posição assumida no texto baseia-se em uma distinção entre (medicamento) contraceptivo e (medicamento) abortivo. Explique o que vem a ser aborto para os fabricantes de P. ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ b) Com base no trecho transcrito, pode-se dizer que o folheto toma posição numa polêmica que tem um aspecto ético-religioso e um aspecto científico. Qual é a questão ético-religiosa da polêmica? Qual é a questão científica? ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ .14. (UNICAMP-SP) Leia atentamente o folheto (distribuído nos pontos de ônibus e feiras de Campinas) e as definições de “simpatia” extraídas do Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. CENTRO ESPÍRITA VOVÓ MARIA CONGA Mãe Maria Ensina qualquer tipo de simpatia, pois com uma única consulta, ela desvendará todos os mistérios que lhe atormenta: casos amorosos, financeiros, prosperidade em seu trabalho, vícios, doenças, impotência sexual, problemas de família e perseguições. Desvendará qualquer que for o problema. Não perca mais tempo, faça hoje mesmo uma consulta com MÃE MARIA, pelos BÚZIOS – CARTAS E TAROT. ORAÇÃO HEI DE VENCER Traga sempre consigo esta oração. Bendito seja a luz do dia, Bendito seja quem o guia, Bendito seja o filho de Deus e de Virgem Maria, assim como Deus separou a noite do dia, separe minha alma de má companhia e meu corpo da feitiçaria. Pelo poder de Deus e da Virgem Maria. ATENDIMENTO TODOS OS DIAS DAS 9:00 ÀS 20:00 HS Fone: (019) 3387-2554 Rua Dr. Lúcio Peixoto, 330 – Chapadão – Campinas-SP simpatia s.f. 1. afinidade moral, similitude no sentir e no pensar que aproxima duas ou mais pessoas. [...] – 3. impressão agradável, disposição favorável que se experimenta em relação a alguém que pouco se conhece. [...] – 6. atração por uma coisa ou uma ideia. [...] – 9. Brasileirismo: usada como interlocutório pessoal (— Qual o seu nome, simpatia?). – 10. “Brasileirismo”: ação (observação de algum ritual, uso de um determinado objeto etc.) praticada supersticiosamente com finalidade de conseguir algo que se deseja. a) Dentre as definições do dicionário Houaiss mencionadas, qual é a mais próxima do sentido da palavra “simpatia” no texto? ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ b) Há no texto duas ocorrências de “desvendar”, sendo que uma delas não coincide com o uso-padrão desse termo. Qual é? Por quê? ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ c) Independentemente do título, algumas características da segunda parte do texto são de uma oração ou prece ou reza. Quais são essas características? ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ *Anotações*
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    LCP  Português _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 121 LCP  Português  Literatura brasileira Quinhentismo (1500-1601) Marco inicial Carta a El-Rei D. Manuel, de Pero Vaz de Caminha. Panorama histórico Este primeiro século da história do Brasil, de 1500 a 1601, ainda não pode ser considerado como uma verdadeira literatura. Os textos são informações que viajantes e missionários europeus colheram sobre nossa terra. Quanto ao estilo, não passa de uma manifestação da literatura portuguesa no Brasil. Quanto ao aspecto ideológico, nota-se que os escritores tinham uma visão aportuguesada da nossa realidade, então, registravam curiosidades da terra recém-descoberta. Os escritos apresentam uma visão ufanista dos valores da terra, que serviam de incentivo à imigração e aos investimentos da Metrópole na Colônia.  Detalhe de Brasil, mapa de Giovanni Battista Ramusio, 1557 (Cid Collection – Instituto Cultural Banco Santos) Verifica-se que os textos encontrados variam de acordo com os interesses da Coroa portuguesa: alguns são meramente informativos, outros são tipicamente propagandísticos, e existem aqueles que são de caráter catequético. Todos eles, porém, têm como assunto básico a terra do Brasil, sua flora e fauna, seus habitantes e curiosidades locais e culturais. Nos períodos literários nacionalistas, Romantismo e Modernismo, os autores costumavam recuperar os textos quinhentistas e reaproveitar as informações neles contidas. Os românticos exaltavam ingenuamente e os modernistas analisavam criticamente a colonização. “E depois de acabada a missa, [...] muitos deles [os índios] se levantaram e começaram a tocar corno ou buzina, saltando e dançando por um bom tempo.” (Carta de Caminha) Principais autores e obras  Pero Vaz de Caminha — Carta a El-Rei D. Manuel  Pero Lopes de Sousa — Diário de Navegação  Pero de Magalhães Gândavo — Tratado da Terra do Brasil; História da Província de Santa Cruz, a que Vulgarmente Chamamos Brasil  Gabriel Soares de Sousa — Tratado Descritivo do Brasil  Ambrósio Fernandes Brandão — Diálogos das Grandezas do Brasil  Padre José de Anchieta — Poesias de José de Anchieta; Na Festa de São Lourenço; Na Festa de Natal; Na Visitação de Santa Isabel; Arte de Gramática da Língua Mais Usada na Costa do Brasil; Cartas, Informações, Fragmentos Históricos e Sermões  Fique ligado! Pesquise!   Assistir: aos filmes Como era gostoso o meu francês; 1492, a conquista do paraíso; Cristóvão Colombo e Dança com lobos; compare a visão sobre o índio apresentada nesses filmes com aquela presente nos filmes que tratam do trabalho da cavalaria no Oeste americano.  Pesquisar: sobre as relações da literatura do século XVI com o movimento Pau-Brasil, de Oswald de Andrade, e com o Tropicalismo (século XX).  Ouvir: a música Tropicália, de Caetano Veloso, que se encontra no disco Tropicália ou Panis et circensis (1968), prestando atenção na parte inicial, falada.  *ATENÇÃO, ESTUDANTE!*  Para complementar o estudo deste Módulo, utilize seu LIVRO DIDÁTICO. *********** ATIVIDADES *********** .1. (ENEM-MEC) Quando os portugueses se instalaram no Brasil, o país era povoado de índios. Importaram, depois, da África, grande número de escravos. O Português, o Índio e o Negro constituem, durante o período colonial, as três bases da população brasileira. Mas no que se refere à cultura, a contribuição do Português foi de longe a mais notada. Durante muito tempo o português e o tupi viveram lado a lado como línguas de comunicação. Era o tupi que utilizavam os bandeirantes nas suas expedições. Em 1694, dizia o Padre Antônio Vieira que “as famílias dos portugueses e índios em São Paulo estão tão ligadas
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    LCP  Português _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 122 LCP  Português  hoje umas com as outras, que as mulheres e os filhos se criam mística e domesticamente, e a língua que nas ditas famílias se fala é a dos Índios, e a portuguesa a vão os meninos aprender à escola”. TEYSSIER, P. História da língua portuguesa. Lisboa: Livraria Sá da Costa, 1984 (adaptado). A identidade de uma nação está diretamente ligada à cultura de seu povo. O texto mostra que, no período colonial brasileiro, o Português, o Índio e o Negro formaram a base da população e que o patrimônio linguístico brasileiro é resultado da (A) contribuição dos índios na escolarização dos brasileiros. (B) diferença entre as línguas dos colonizadores e as dos indígenas. (C) importância do Padre Antônio Vieira para a literatura de língua portuguesa. (D) origem das diferenças entre a língua portuguesa e as línguas tupi. (E) interação pacífica no uso da língua portuguesa e da língua tupi. .2. (ENEM-MEC) ECKHOUT, A. Índio Tapuia (1610-1666). Disponível em: http://www.diaadia.pr.gov.br. Acesso em: 9/7/2009. A feição deles é serem pardos, maneira d’avermelhados, de bons rostos e bons narizes, bem feitos. Andam nus, sem nenhuma cobertura, nem estimam nenhuma cousa cobrir, nem mostrar suas vergonhas. E estão acerca disso com tanta inocência como têm em mostrar o rosto. CAMINHA, P. V. A carta. Disponível em: www.dominiopublico.gov.br. Acesso em: 12/8/2009. Ao se estabelecer uma relação entre a obra de Eckhout e o trecho do texto de Caminha, conclui-se que (A) ambos se identificam pelas características estéticas marcantes, como tristeza e melancolia, do movimento romântico das artes plásticas. (B) o artista, na pintura, foi fiel ao seu objeto, representando-o de maneira realista, ao passo que o texto é apenas fantasioso. (C) a pintura e o texto têm uma característica em comum, que é representar o habitante das terras que sofreriam processo colonizador. (D) o texto e a pintura são baseados no contraste entre a cultura europeia e a cultura indígena. (E) há forte direcionamento religioso no texto e na pintura, uma vez que o índio representado é objeto da catequização jesuítica. .3. (ENEM-MEC) No Brasil colonial, os portugueses procuravam ocupar e explorar os territórios descobertos, nos quais viviam índios, que eles queriam cristianizar e usar como força de trabalho. Os missionários aprendiam os idiomas dos nativos para catequizá-los nas suas próprias línguas. Ao longo do tempo, as línguas se influenciaram. O resultado desse processo foi a formação de uma língua geral, desdobrada em duas variedades: o abanheenga, ao sul, e o nheengatu, ao norte. Quase todos se comunicavam na língua geral, sendo poucos aqueles que falavam apenas o português. De acordo com o texto, a língua geral formou-se e consolidou-se no contexto histórico do Brasil-Colônia. Portanto, a formação desse idioma e suas variedades foram condicionadas (A) pelo interesse dos indígenas em aprender a religião dos portugueses. (B) pelo interesse dos portugueses em aprimorar o saber linguístico dos índios. (C) pela percepção dos indígenas de que as suas línguas precisavam aperfeiçoar-se. (D) pelo interesse unilateral dos indígenas em aprender uma nova língua com os portugueses. (E) pela distribuição espacial das línguas indígenas, que era anterior à chegada dos portugueses. ________________________________________________ *Anotações*
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    LCP  Português _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 123 LCP  Português  .4. (MACKENZIE-SP) A produção literária do Quinhentismo brasileiro caracterizou-se pela preocupação com: (A) a descrição da terra recém-descoberta e a educação dos nativos e colonos. (B) a denúncia de desmandos dos governantes portugueses e a salvação da alma. (C) a defesa dos indígenas escravizados pelo colonizador e o elogio da vida bucólica. (D) a recusa de modelos culturais europeus e a pesquisa do “caráter nacional”. (E) o combate a formas poéticas decadentes e a valorização dos sentimentos. .5. (INEP-MEC) A exuberância da natureza brasileira impressionou artistas e viajantes europeus nos séculos XVI e XVII. Leia o texto e observe a imagem a seguir: [...] A América foi para os viajantes, evangelizadores e filósofos uma construção imaginária e simbólica. Diante da absoluta novidade, como explicá-la? Como compreendê-la? Como ter acesso ao seu sentido? Colombo, Vespúcio, Pero Vaz de Caminha, Las Casas, dispunham de um único instrumento para aproximar-se do Mundo Novo: os livros. [...] O Novo Mundo já existia, não como realidade geográfica e cultural, mas como texto, e os que para aqui vieram ou os que sobre aqui escreveram não cessam de conferir a exatidão dos antigos textos e o que aqui se encontra. CHAUÍ, M. apud FRANZ, T. S. Educação para uma compreensão crítica da arte. Florianópolis: Letras Contemporâneas Oficina Editorial, 2003, p. 95.  MUSEUS CASTRO MAIA DEBRET, J. B. Tribo Guaicuru em busca de novas pastagens, 1834-1839. Com base no texto e na imagem, é correto afirmar: I. O olhar do viajante europeu é contaminado pelo imaginário construído a partir de textos da Antiguidade e por relatos produzidos no contexto cultural europeu. II. Os artistas viajantes produziram imagens precisas e detalhadas que apresentam com exatidão a realidade geográfica do Brasil. III. Nas representações feitas por artistas estrangeiros coexistem elementos simbólicos e mitológicos oriundos do imaginário europeu e elementos advindos da observação da natureza e das coisas que o artista tinha diante de seus olhos. IV. A imagem de Debret registra uma cena cotidiana e revela a capacidade do artista em documentar os costumes e a realidade do indígena brasileiro. Assinale a alternativa que contém todas as afirmativas corretas. (A) I e II. (C) II e IV. (E) II, III e IV. (B) I e III. (D) I, III e IV. .6. (INEP-MEC) [...] Certa ocasião ouvimos, quase à meia-noite, gritos de mulher [...] acudimos imediatamente e verificamos que se tratava apenas de uma mulher em hora do parto. O pai recebeu a criança nos braços, depois de cortar com os dentes o cordão umbilical e amarrá-lo. Em seguida, continuando no seu ofício de parteiro, enxugou com o polegar o nariz do filho, como é de praxe entre os selvagens do país. Note-se que nossas parteiras, ao contrário, apertam o nariz aos recém-nascidos para dar maior beleza, afilando-o. LÉRY, Jean de. Viagem à terra do Brasil, 1578. In: AMADO, Janaína; GARClAS, Leônidas Franco. Navegar é preciso – descobrimentos marítimos europeus. São Paulo: Atual, 1989, p. 46-7. A descrição do viajante francês no final do século XVI sobre os habitantes nativos das terras portuguesas na América nos possibilita identificar no texto: (A) a absorção das práticas médicas das populações nativas pelos europeus. (B) a violência do colonizador em relação às práticas higienizadoras dos nativos considerados bárbaros. (C) o choque do europeu em relação às práticas indígenas, denotando o confronto entre as duas culturas. (D) a aceitação do método adotado pelos indígenas, no parto, considerado superior à prática médica europeia. (E) a surpresa das populações nativas diante do espanto dos europeus em relação às práticas de pajelança.
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    LCP  Português _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 124 LCP  Português  .7. (PSC/UFAM-AM) Caracterizam a literatura dos viajantes as afirmativas abaixo, exceto: (A) Os escritos dos viajantes refletem a visão, os conceitos e os interesses dos europeus em relação às terras do além-mar. (B) Observa-se a necessidade de informar a Coroa portuguesa sobre as potencialidades econômicas da nova terra. (C) O conjunto do registro dos viajantes tem, sobretudo, valor documental e histórico. (D) As crônicas dos viajantes surgiram como o desdobramento de um processo de mudanças estruturais na Europa. (E) Havia, por parte dos cronistas, uma preocupação estética, um apuro literário formal. .8. (INEP-MEC) José de Anchieta, o “Apóstolo do Brasil”, trouxe em sua bagagem, vindo das Canárias, onde nasceu, mais do que seu pendor poético. Vinha ele com mais meia dúzia de bravos com a espantosa missão de converter e educar os índios, que a seus olhos e dos outros, a princípio, não reconheciam qualquer cultura. DELACY, M. Introdução ao teatro. Petrópolis: Vozes, 2003. Com base no texto e nos conhecimentos sobre a prática de catequização de José de Anchieta, considere as afirmativas a seguir: I. Para catequizar, Anchieta valeu-se de sua criatividade, usando cocares coloridos, pintura corporal e outros adereços que os indígenas lhe mostravam. II. Com a missão de levar Jesus àqueles “bugres e incultos”, Anchieta se afastou de suas próprias crenças convertendo-se à religião daquele povo. III. Com a finalidade de catequizar, Anchieta começou a escrever autos, baseados nos autos medievais, nas obras de Gil Vicente e em encenações espanholas. IV. Para implantar a fé como lhe foi ordenado, Anchieta representava os autos na língua pátria de Portugal. Estão corretas apenas as afirmativas: (A) I e III. (B) I e IV. (C) II e IV. (D) I, II e III. (E) II, III e IV. .9. (INEP-MEC) Esta gentilidade nenhuma cousa adora, nem conhece a Deus; somente aos trovões chama TUPANE, que é como quem diz “cousa divina”. E assim nós não temos outro vocábulo mais conveniente para os trazer ao conhecimento de Deus, que chamar-lhe PAI TUPANE. (Manuel da Nóbrega) No texto, (A) o missionário apresenta as razões de sua condenação às atitudes profanas entre os gentios, que busca catequizar. (B) explicita-se a predominância da função fática, pois o emissor tematiza a busca da melhor palavra para designar a divindade. (C) o emissor nega o sentimento de veneração entre os gentios, mas se apropria de uma manifestação linguística deles por reconhecer nela traços de sacralidade. (D) o autor revela sua estratégia de missionário: tenta influenciar a prática religiosa dos nativos pelo descrédito que passa a atribuir à palavra Tupane. (E) o religioso informa sobre as práticas dos nativos e defende a urgência de a metrópole adotar medidas para a alfabetização dos gentios. ________________________________________________ *Anotações*
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    LCP  Português _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 125 LCP  Português  *MÓDULO 3* Gêneros textuais – Conceito e organização Um para cada ocasião Os gêneros textuais são praticamente infinitos. Escolhemos qual deles usar conforme o momento, a situação e a intenção da comunicação. Você sabia que, ao ler o horóscopo do jornal ou escrever um scrap (recado) para algum amigo no site de relacionamentos Orkut, você está exercendo sua capacidade de compreender e aplicar diferentes formas de expressão textual? Sem perceber, você transita de um gênero de texto para outro o tempo inteiro. Usamos a expressão gênero textual como uma noção propositalmente vaga para nos referir aos textos materializados que encontramos em nossa vida diária e que apresentam características sociocomunicativas definidas por conteúdos, propriedades funcionais, estilo e composição característica. Observe o texto reproduzido abaixo. Sobre ele, você diria que se trata de um anúncio, parte de uma campanha publicitária cujo objetivo é estimular os estabelecimentos de saúde a notificarem casos de violência contra crianças, mulheres e idosos. Ele é um exemplo de que, para nos comunicarmos, utilizamos determinados gêneros textuais, de acordo com a intenção comunicativa, o momento e a situação em que ocorre essa comunicação. Temos, assim, uma forma- -padrão de estruturação do texto. No dia a dia, reconhecemos e utilizamos cada um desses padrões e estruturações, sem pensar em sua existência teórica. O ENEM, e também diversos vestibulares, avalia com frequência a capacidade do estudante de reconhecer os gêneros de texto. Dessa forma, vamos listar aqui alguns gêneros presentes em nosso cotidiano.  O texto publicitário costuma se estruturar em frases curtas e em ordem direta. Também faz uso de elementos não verbais para reforçar sua mensagem – como a imagem utilizada no anúncio ao lado  SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE/SP  Histórias em quadrinhos: utilizam, geralmente, um tipo de discurso direto que é apresentado dentro de balõezinhos. Sua principal característica é o uso da linguagem verbal (palavras) e da não verbal (ilustração).  Charge: faz uso de linguagem não verbal (caricatura) e, na maioria das vezes, também da verbal. Costuma satirizar algum fato em evidência com uma ou mais personagens envolvidas.  Classificado: gênero de texto vinculado ao universo jornalístico, em que indivíduos ou empresas oferecem um produto ou um serviço. É escrito de forma breve e concisa, apresentando alguns elementos básicos do produto ou serviço que possam interessar ao leitor. Esses são apenas alguns exemplos de gêneros de texto. Nos estudos da literatura, temos, por exemplo, crônicas, contos, prosa etc. Os gêneros textuais englobam esses e todos os textos produzidos por usuários de uma língua. Assim, ao lado da crônica, do conto, vamos também identificar a carta pessoal, a conversa telefônica, o e-mail. São muitos os gêneros de texto que circulam por aí. São as situações que definem qual utilizar. É importante frisar que o conceito de texto não se limita à linguagem verbal, ou seja, às palavras. O texto pode ter várias dimensões, como o texto cinematográfico, o teatral, o coreográfico (dança e música) ou o pictórico (pintura). Uma obra de arte ou uma ilustração, portanto, são formas de expressão textual, providas de significado. Alguns exemplos de gêneros textuais que encontramos no dia a dia: telefonema, sermão, carta comercial, carta pessoal, romance, bilhete, reportagem jornalística, aula expositiva, reunião de condomínio, notícia jornalística, horóscopo, receita culinária, bula de remédio, lista de compras, cardápio de restaurante, instruções de uso, outdoor, inquérito policial, resenha, edital de concurso, piada, conversação espontânea, conferência, carta eletrônica, bate-papo por computador, aulas virtuais, e assim por diante. Conteúdo, estrutura e estilo Como se organizam os gêneros textuais Não importa qual o gênero, todo texto pode ser analisado sob três características:  O conteúdo temático: refere-se aos traços que marcam a função social do gênero nas situações de uso. É o que define para que ele serve, quem são seus destinatários preferenciais, seu tipo de conteúdo básico.  A construção composicional (ou estrutura): é como o gênero se estrutura, como é seu acabamento. Na estrutura, indicam-se como são as bases, os alicerces que sustentam o gênero em questão.  O estilo: são as marcas Iinguísticas próprias do gênero. Alguns usos sintáticos, escolhas lexicais mais comuns no uso do gênero dado.
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    LCP  Português _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 126 LCP  Português  A seguir está reproduzida uma página da revista Veja com resenhas. Vamos analisar a resenha de acordo com suas características como gênero textual: Fonte: Veja, 18/4/2012, p. 164.
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    LCP  Português _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 127 LCP  Português  1. Conteúdo temático:  Constrói-se baseada em outra obra.  Sintetiza informações consideradas relevantes dentro da obra resenhada.  É uma análise dos principais pontos (ideias ou acontecimentos) da obra resenhada.  Há um posicionamento crítico diante da obra ou de um tema relacionado, baseado em critérios como: composição interna (coerência e consistência de suas ideias), relevância (ou não) dentro do universo de referências em que se insere etc. 2. Estrutura:  Apresenta dados da obra resenhada em forma de ficha técnica.  Não há, normalmente, uma tese definida.  Há informações extraídas da obra resenhada (ou de outras obras semelhantes) e comentários analíticos sobre ela, baseados em exemplificação, contextualização histórica, importância do autor ou da obra em seu universo de referências etc. 3. Estilo:  Uso preferencial da terceira pessoa.  Uso preferencial de orações em ordem direta.  Uso preferencial de períodos e parágrafos curtos. Abordar criticamente um texto consiste em opinar sobre ele, apresentando problemas e qualidades que o autor da resenha julga importante destacar para o leitor. Portanto, a abordagem crítica não significa, necessariamente, um levantamento dos problemas detectados no objeto do texto. Pode constituir-se também no destaque de certas qualidades. Em resumo: a resenha é a apresentação de um texto resultante da apreciação crítica por parte do autor. Tipos de texto Atenção: não confunda gêneros textuais com tipos de texto. Os gêneros textuais são organizados com base em vários tipos de texto (descrição, narração, dissertação, exposição, injunção — que serão detalhados ao longo do curso). Assim, um tipo textual pode aparecer em qualquer gênero textual, da mesma forma que um único gênero pode conter mais de um tipo textual. Uma carta, por exemplo, pode ter passagens narrativas e descritivas. Outro exemplo: um conto de fadas e uma piada são gêneros textuais diferentes, mas ambos são textos narrativos.  *ATENÇÃO, ESTUDANTE!*  Para complementar o estudo deste Módulo, utilize seu LIVRO DIDÁTICO. *********** ATIVIDADES *********** Textos para as questões de 1 a 3. Entre a vitória e a crise Barack Obama, o primeiro presidente negro dos Estados Unidos, assumiu prometendo mudanças e herdou o maior déficit fiscal em seis décadas No início de janeiro de 2009, poucas semanas antes de assumir o posto de presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, filho de um queniano negro e de uma norte-americana branca, falou ao comando editorial do jornal The Washington Post sobre o significado de os Estados Unidos terem seu primeiro presidente negro: “Há uma geração inteira que vai crescer achando normal que o posto mais elevado do planeta seja ocupado por um afro-americano”, declarou. “É algo radical. Muda como as crianças negras olham para elas mesmas e muda também como as crianças brancas olham para as crianças negras. E eu não subestimaria a força disso.” A véspera da posse, 20 de janeiro, foi marcada por eventos do chamado Dia de Martin Luther King (1929- -1968), feriado nacional que homenageia o ativista político que se tornou um ícone da luta pelos direitos civis de negros e mulheres. “Amanhã [referindo-se ao dia da posse], vamos nos unir como uma só pessoa no mesmo local em que o sonho de Dr. King ainda ecoa”, disse Obama, numa alusão ao discurso “Eu Tenho um Sonho”, sobre o desejo de coexistência harmoniosa entre brancos e negros, feito por Luther King em Washington, em 1963. Sonhos à parte, Obama assumiu a Casa Branca como o presidente em um momento em que o país registra a maior dívida em sua história recente. Herdou um rombo orçamentário estimado em 1,2 trilhão de dólares para 2009, o maior desde o fim da Segunda Guerra Mundial. A carranca da crise surge, inevitavelmente, por trás do clima festivo. Os sinais de desequilíbrio não param de aparecer. Pouco antes da posse, a crise projetou-se sobre o Citigroup e o Bank of America, o maior banco americano, que pediu ao governo um socorro financeiro de 20 bilhões de dólares. “As dificuldades de Obama são muito mais profundas e mais globais”, escreveu o colunista Martin Wolf, em artigo no jornal inglês Financial Times que teve repercussão entre economistas. Como primeiro negro a presidir os Estados Unidos, a posse de Obama é o coroamento de uma jornada histórica. A dúvida é saber se seu governo marcará uma nova era, aprumando os EUA para manterem seu status de potência dominante do século 21, ou se será o começo do fim de uma supremacia que moldou o planeta tal como conhecemos hoje.
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    LCP  Português _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 128 LCP  Português  Carta de leitor Obama terá grandes desafios pela frente, ainda mais com a herança que Bush deixou. Chama a atenção dos americanos ao ser sincero quanto às dificuldades que seu governo enfrentará. Agora, só nos resta esperar os impactos da nova hegemonia ou da queda americana. Lígia Paiva, Araguari, MG. Veja, 28/1/2009. O Estado de S. Paulo, 31/1/2009. .1. (AED-SP) Embora tratem do mesmo tema, a reportagem, a carta de leitor e a charge acima representam diferentes gêneros de texto. Com base na leitura dos textos, indique, para cada gênero representado, uma característica que permita diferenciá-lo dos demais. ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ .2. (AED-SP) Em uma sociedade letrada como a nossa, são construídos textos diversos que variam de acordo com as necessidades cotidianas de comunicação. Assim, para utilizar-se de algum gênero textual, é preciso que conheçamos seus elementos. Tendo em mente a carta de leitor apresentada, pode-se afirmar que ela é um gênero textual que (A) apresenta sua estrutura por parágrafos, organizados pela tipologia da ordem da injunção (comando) e estilo de linguagem com alto grau de formalidade. (B) se inscreve em uma categoria cujo objetivo é o de descrever os assuntos e temas que circularam nos jornais e revistas do país semanalmente. (C) se organiza por uma estrutura bastante flexível, em que o locutor encaminha a ampliação dos temas tratados para o veículo de comunicação. (D) se organiza em torno de um tema, de um estilo e em forma de paragrafação, representando, em conjunto, as ideias e opiniões de locutores que interagem diretamente com o veículo de comunicação. (E) se constitui por um estilo caracterizado pelo uso da variedade não padrão da língua e tema construído por fatos políticos. .3. (AED-SP) Observando a charge, é possível afirmar que seu autor (A) demonstrou conhecimento insuficiente de fatos ou personagens relevantes na história recente dos Estados Unidos. (B) expressou graficamente sua visão sobre o novo contexto político e econômico norte-americano por meio do humor e da sátira. (C) optou por um gênero textual caracterizado pelo caráter burlesco e pela total carência de conteúdo crítico. (D) priorizou a qualidade da ilustração e o aspecto estético, deixando a criticidade e a abordagem de temas em evidência em segundo plano. (E) usou um dos personagens retratados para revelar sua crença na solidez da atual conjuntura econômica norte-americana. Textos para as questões de 4 a 6. Instruções dos medicamentos devem facilitar a leitura e a compreensão Em setembro de 2009, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou que todos os laboratórios passassem a fornecer bulas de remédio com letras maiores do que o tamanho atual nas caixas dos medicamentos. O objetivo da resolução foi facilitar a leitura pelos pacientes e obrigar as empresas a dar informações mais claras sobre quantidade, características, composição e apresentação dos
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    LCP  Português _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 129 LCP  Português  medicamentos. Segundo as novas orientações, a bula do paciente deve ser organizada em formato de perguntas e respostas às principais dúvidas sobre o remédio, como as indicações e contraindicações. A seguir, um modelo do novo tipo de bula: Medicamento Anvisa® . Paracetamol . APRESENTAÇÕES Comprimidos revestidos de: - 500 mg em embalagem com 20 ou 200 comprimidos - 750 mg em embalagens de 20 ou 200 comprimidos USO ORAL USO ADULTO ACIMA DE 12 ANOS COMPOSIÇÃO Medicamento Anvisa® 500 mg Cada comprimido revestido contém 500 mg de paracetamol Excipientes: ácido esteárico, amido pré-gelatinizado, hipromelose, macrogol e providona 1. PARA QUE ESTE MEDICAMENTO É INDICADO? Medicamento Anvisa® é indicado para o tratamento de febre e de dores leves a moderadas, de adultos, tais como dores associadas a gripes e resfriados comuns, dor de cabeça, dor de dente, dor nas costas, dores associadas a artrites e cólicas menstruais. 2. COMO ESTE MEDICAMENTO FUNCIONA? Medicamento Anvisa® reduz a febre atuando no centro regulador da temperatura do Sistema Nervoso Central (SNC) e diminui a sensibilidade para a dor. Seu efeito tem início 15 a 30 minutos após a administração oral e permanece por um período de 4 a 6 horas. Disponível em: http://www.portal.anvisa.gov.br. Acesso em: 30/6/2010. .4. (AED-SP) No exemplo apresentado, o texto caracterizado como gênero bula de remédio é construído com base em (A) fatos e dados narrativos sobre medicamentos. (B) teses defendidas pelo produtor da bula acerca do uso de medicamentos. (C) procedimentos relativos ao uso de medicamentos. (D) crítica sobre o uso de medicamentos. (E) relatos de especialistas sobre as reações acerca do uso de medicamentos. .5. (AED-SP) Assinale, entre as alternativas a seguir, aquela que não apresenta características do gênero de texto em questão. (A) Prescrições ao usuário. (B) Descrição das características do produto. (C) Informações sobre a composição do produto. (D) Indicações e contraindicações do produto. (E) Narrações e depoimentos sobre o uso do produto. .6. (AED-SP) Com base nas novas orientações da Anvisa para a formulação das bulas de remédio, pode-se dizer que (A) somente as pessoas que possuem vasto conhecimento de termos técnicos conseguirão compreender as informações presentes nesse gênero de texto. (B) as dificuldades para ler a bula do remédio receitado pelo médico podem diminuir sensivelmente. (C) a bula de remédio sempre foi um gênero de texto conhecido por ser de fácil leitura e compreensão para todos os leitores, tanto no âmbito linguístico, quanto no material e no de conteúdo. (D) as informações, que antes eram expostas de forma clara neste gênero de texto, serão fornecidas de forma mais confusa e menos compreensível. (E) todas as alternativas anteriores estão corretas. .7. (ENEM-MEC) Diferentemente do texto escrito, que em geral compele os leitores a lerem numa onda linear — da esquerda para a direita e de cima para baixo, na página impressa —, hipertextos encorajam os leitores a moverem-se de um bloco de texto a outro, rapidamente e não sequencialmente. Considerando que o hipertexto oferece uma multiplicidade de caminhos a seguir, podendo ainda o leitor incorporar seus caminhos e suas decisões como novos caminhos, inserindo informações novas, o leitor-navegador passa a ter um papel mais ativo e uma oportunidade diferente da de um leitor de texto impresso. Dificilmente dois leitores de hipertextos farão os mesmos caminhos e tomarão as mesmas decisões. MARCUSCHI, L. A. Cognição, linguagem e práticas interacionais. Rio de Janeiro: Lucerna, 2007. No que diz respeito à relação entre o hipertexto e o conhecimento por ele produzido, o texto apresentado deixa claro que o hipertexto muda a noção tradicional de autoria, porque (A) é o leitor que constrói a versão final do texto. (B) o autor detém o controle absoluto do que escreve. (C) aclara os limites entre o leitor e o autor. (D) propicia um evento textual-interativo em que apenas o autor é ativo. (E) só o autor conhece o que eletronicamente se dispõe para o leitor. ________________________________________________ *Anotações*
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    LCP  Português _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 130 LCP  Português  .8. (ENEM-MEC) La Vie en Rose ITURRUSGARAI, A. La Vie en Rose. Folha de S. Paulo, 11/8/2007. Os quadrinhos exemplificam que as Histórias em Quadrinhos constituem um gênero textual (A) em que a imagem pouco contribui para facilitar a interpretação da mensagem contida no texto, como pode ser constatado no primeiro quadrinho. (B) cuja linguagem se caracteriza por ser rápida e clara, que facilita a compreensão, como se percebe na fala do segundo quadrinho: “</DIV> </SPAN> <BR CLEAR = ALL> < BR> <BR> <SCRIPT>”. (C) em que o uso de letras com espessuras diversas está ligado a sentimentos expressos pelos personagens, como pode ser percebido no último quadrinho. (D) que possui em seu texto escrito características próximas a uma conversação face a face, como pode ser percebido no segundo quadrinho. (E) em que a localização casual dos balões nos quadrinhos expressa com clareza a sucessão cronológica da história, como pode ser percebido no segundo quadrinho. .9. (ENEM-MEC) Em Touro Indomável, que a cinemateca lança nesta semana nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, a dor maior e a violência verdadeira vêm dos demônios de La Motta — que fizeram dele tanto um astro no ringue como um homem fadado à destruição. Dirigida como um senso vertiginoso do destino de seu personagem, essa obra-prima de Martin Scorcese é daqueles filmes que falam à perfeição de seu tema (o boxe) para então transcendê-lo e tratar do que importa: aquilo que faz dos seres humanos apenas isso mesmo, humanos e tremendamente imperfeitos. Veja, 18/2/2009 (adaptado). Ao escolher este gênero textual, o produtor do texto objetivou (A) construir uma apreciação irônica do filme. (B) evidenciar argumentos contrários ao filme de Scorcese. (C) elaborar uma narrativa com descrição de tipos literários. (D) apresentar ao leitor um painel da obra e se posicionar criticamente. (E) afirmar que o filme transcende o seu objetivo inicial e, por isso, perde sua qualidade. .10. (ENEM-MEC) Disponível em: http://www.uol.com.br. Acesso em: 10/5/2009. Observe a charge, que satiriza o comportamento dos participantes de uma entrevista coletiva por causa do que fazem, do que falam e do ambiente em que se encontram. Considerando-se os elementos da charge, conclui-se que ela (A) defende, em teoria, o desmatamento. (B) valoriza a transparência pública. (C) destaca a atuação dos ambientalistas. (D) ironiza o comportamento da imprensa. (E) critica a ineficácia das políticas. ________________________________________________ *Anotações*
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    LCP  Português _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 131 LCP  Português  .11. (ENEM-MEC) Disponível em: http://www.heliorubiales.zip.net. Acesso em: 7/5/2009. A figura é uma adaptação da bandeira nacional. O uso dessa imagem no anúncio tem como principal objetivo (A) mostrar à população que a Mata Atlântica é mais importante para o país do que a ordem e o progresso. (B) criticar a estética da bandeira nacional, que não reflete com exatidão a essência do país que representa. (C) informar à população sobre a alteração que a bandeira oficial do país sofrerá. (D) alertar a população para o desmatamento da Mata Atlântica e fazer um apelo para que as derrubadas acabem. (E) incentivar as campanhas ambientalistas e ecológicas em defesa da Amazônia. .12. (ENEM-MEC) Dario vinha apressado, guarda-chuva no braço esquerdo e, assim que dobrou a esquina, diminuiu o passo até parar, encostando-se à parede de uma casa. Por ela escorregando, sentou-se na calçada, ainda úmida da chuva, e descansou na pedra o cachimbo. Dois ou três passantes rodearam-no e indagaram se não se sentia bem. Dario abriu a boca, moveu os lábios, não se ouviu resposta. O senhor gordo, de branco, sugeriu que devia sofrer de ataque. TREVISAN, D. Uma vela para Dario. Cemitério de Elefantes. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1964 (adaptado). No texto, um acontecimento é narrado em linguagem literária. Esse mesmo fato, se relatado em versão jornalística, com características de notícia, seria identificado em: (A) Aí, amigão, fui diminuindo o passo e tentei me apoiar no guarda-chuva... mas não deu. Encostei na parede e fui escorregando. Foi mal, cara! Perdi os sentidos ali mesmo. Um povo que passava falou comigo e tentou me socorrer. E eu, ali, estatelado, sem conseguir falar nada! Cruzes! Que mal! (B) O representante comercial Dario Ferreira, 43 anos, não resistiu e caiu na calçada da Rua da Abolição, quase esquina com a Padre Vieira, no centro da cidade, ontem por volta do meio-dia. O homem ainda tentou apoiar-se no guarda-chuva que trazia, mas não conseguiu. Aos populares que tentaram socorrê- -lo não conseguiu dar qualquer informação. (C) Eu logo vi que podia se tratar de um ataque. Eu vinha logo atrás. O homem, todo aprumado, de guarda-chuva no braço e cachimbo na boca, dobrou a esquina e foi diminuindo o passo até se sentar no chão da calçada. Algumas pessoas que passavam pararam para ajudar, mas ele nem conseguia falar. (D) Vítima Idade: entre 40 e 45 anos Sexo: masculino Cor: branca Ocorrência: Encontrado desacordado na Rua da Abolição, quase esquina com Padre Vieira. Ambulância chamada às 12*h*34*min por homem desconhecido. A caminho. (E) Pronto socorro? Por favor, tem um homem caído na calçada da rua da Abolição, quase esquina com a Padre Vieira. Ele parece desmaiado. Tem um grupo de pessoas em volta dele. Mas parece que ninguém aqui pode ajudar. Ele precisa de uma ambulância rápido. Por favor, venham logo! .13. (ENEM-MEC) S.O.S Português Por que pronunciamos muitas palavras de um jeito diferente da escrita? Pode-se refletir sobre esse aspecto da língua com base em duas perspectivas. Na primeira delas, fala e escrita são dicotômicas, o que restringe o ensino da língua ao código. Daí vem o entendimento de que a escrita é mais complexa que a fala, e seu ensino restringe-se ao conhecimento das regras gramaticais, sem a preocupação com situações de uso. Outra abordagem permite encarar as diferenças como um produto distinto de duas modalidades da língua: a oral e a escrita. A questão é que nem sempre nos damos conta disso. S.O.S Português. Nova Escola. São Paulo: Abril, Ano XXV, n.° 231, abr. 2010 (fragmento adaptado). O assunto tratado no fragmento é relativo à língua portuguesa e foi publicado em uma revista destinada a professores. Entre as características próprias desse tipo de texto, identificam-se as marcas linguísticas próprias do uso (A) regional, pela presença de léxico de determinada região do Brasil. (B) literário, pela conformidade com as normas da gramática. (C) técnico, por meio de expressões próprias de textos científicos. (D) coloquial, por meio do registro de informalidade. (E) oral, por meio do uso de expressões típicas da oralidade.
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    LCP  Português _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 132 LCP  Português  .14. (ENEM-MEC) No capricho O Adãozinho, meu cumpade, enquanto esperava pelo delegado, olhava para um quadro, a pintura de uma senhora. Ao entrar a autoridade e percebendo que o cabôco admirava tal figura, perguntou: “Que tal? Gosta desse quadro?” E o Adãozinho, com toda a sinceridade que Deus dá ao cabôco da roça: “Mais pelo amor de Deus, hein, dotô! Que muié feia! Parece fiote de cruis-credo, parente do deus-me-livre, mais horríver que briga de cego no escuro.” Ao que o delegado não teve como deixar de confessar, um pouco secamente: “É a minha mãe.” E o cabôco, em cima da bucha, não perde a linha: “Mais dotô, inté que é uma feiura caprichada.” BOLDRIN, R. Almanaque Brasil de Cultura Popular. São Paulo: Andreato Comunicação e Cultura, n.º 62, 2004 (adaptado). Por suas características formais, por sua função e uso, o texto pertence ao gênero (A) anedota, pelo enredo e humor característicos. (B) crônica, pela abordagem literária de fatos do cotidiano. (C) depoimento, pela apresentação de experiências pessoais. (D) relato, pela descrição minuciosa de fatos verídicos. (E) reportagem, pelo registro impessoal de situações reais. .15. (ENEM-MEC) Disponível em: http://www.ccsp.com.br. Acesso em: 27/7/2010 (adaptado). O texto é uma propaganda de um adoçante que tem o seguinte mote: “Mude sua embalagem”. A estratégia que o autor utiliza para o convencimento do leitor baseia-se no emprego de recursos expressivos, verbais e não verbais, com vistas a (A) ridicularizar a forma física do possível cliente do produto anunciado, aconselhando-o a uma busca de mudanças estéticas. (B) enfatizar a tendência da sociedade contemporânea de buscar hábitos alimentares saudáveis, reforçando tal postura. (C) criticar o consumo excessivo de produtos industrializados por parte da população, propondo a redução desse consumo. (D) associar o vocábulo “açúcar” à imagem do corpo fora de forma, sugerindo a substituição desse produto pelo adoçante. (E) relacionar a imagem do saco de açúcar a um corpo humano que não desenvolve atividades físicas, incentivando a prática esportiva. .16. (ENEM-MEC) Prima Julieta Prima Julieta irradiava um fascínio singular. Era a feminilidade em pessoa. Quando a conheci, sendo ainda garoto e já sensibilíssimo ao charme feminino, teria ela uns trinta ou trinta e dois anos de idade. Apenas pelo seu andar percebia-se que era uma deusa, diz Virgílio de outra mulher. Prima Julieta caminhava em ritmo lento, agitando a cabeça para trás, remando os belos braços brancos. A cabeleira loura incluía reflexos metálicos. Ancas poderosas. Os olhos de um verde azulado borboleteavam. A voz rouca e ácida, em dois planos: voz de pessoa da alta sociedade. MENDES, M. A idade do serrote. Rio de Janeiro: Sabiá, 1968. Entre os elementos constitutivos dos gêneros, está o modo como se organiza a própria composição textual, tendo-se em vista o objetivo de seu autor: narrar, descrever, argumentar, explicar, instruir. No trecho, reconhece-se uma sequência textual (A) explicativa, em que se expõem informações objetivas referentes à prima Julieta. (B) instrucional, em que se ensina o comportamento feminino, inspirado em prima Julieta. (C) narrativa, em que se contam fatos que, no decorrer do tempo, envolvem prima Julieta. (D) descritiva, em que se constrói a imagem de prima Julieta a partir do que os sentidos do enunciador captam. (E) argumentativa, em que se defende a opinião do enunciador sobre prima Julieta, buscando-se a adesão do leitor a essas ideias. ________________________________________________ *Anotações*
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    LCP  Português _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 133 LCP  Português  Literatura brasileira Barroco (1601-1768) Marco inicial Publicação do poema Prosopopeia, de Bento Teixeira. Panorama histórico O Barroco brasileiro coincide, historicamente, com a época da colonização e absorve as influências do ideal do colono português. Em termos sociais, temos como centros dessa cultura a Bahia e Pernambuco. Não podemos falar de período barroco sem falar de uma cultura gerada por essa fase, resultado de uma tentativa angustiada de conciliar ideias opostas: o teocentrismo medieval e o antropocentrismo clássico. O Barroco, de certo modo, já vinha se manifestando no final do Renascimento, época em que se iniciam os conflitos. Além do padre Antônio Vieira, prosador português, devemos citar a poesia do baiano Gregório de Matos.  MUSEUS ESTATAIS DE BERLIM  Amor Victorius, Michelangelo Caravaggio, 1602-03. Óleo sobre tela, 156 x 113 cm Características barrocas  Dualismo: trata-se de uma atitude que designa o culto do contraste tão tipicamente barroco. Assim, o homem sempre estava entre dois aspectos: o racionalismo mundano e o espiritual teocêntrico. Essas posturas antagônicas em geral se relacionam metaforicamente nos textos: o claro e o escuro; o belo e o feio; o prazer e o sofrimento; o quente e o frio.  Fusionismo: na arte barroca, o artista não se limita a expor os contrários, porém quer fundi-los, conciliá- -los, integrá-los, através de uma linguagem profundamente metafórica.  Feísmo: trata-se de uma preferência pelos aspectos cruéis, dolorosos e sangrentos, pelo “belo horrendo”, pelo espetáculo trágico, deformando as imagens pelo exagero, a resvalar pelo grotesco.  Pessimismo: vivendo na órbita do medo e da dúvida, o Barroco manifesta-se por uma visão desencantada do mundo. A morte é uma constante preocupação, ao lado da consciência da fugacidade do tempo e da incerteza e inconstância da vida.  Atitude lúdica: o termo “lúdica” deriva de “ludo”, que significa “jogo”. Portanto, podemos notar que a arte barroca nos proporciona um eterno jogo de contrastes, enredando-nos em verdadeiros labirintos sintáticos e semânticos que, muitas vezes, levam- -nos a um niilismo temático.  Cultismo: também conhecido como “gongorismo” ou “culteranismo”, designa um processo construtivo que excede nas utilizações das figuras de linguagem, causando um rebuscamento formal, uma excessiva ornamentação estilística ou um preciosismo. Normalmente, os textos cultistas são extravagantes, herméticos e, não raro, de gosto duvidoso.  Conceptismo: trata-se de um processo construtivo também conhecido como “quevedismo”, por causa do escritor espanhol Quevedo, e que resulta, finalmente, numa elaboração racional, numa retórica aprimorada, através de um jogo de conceitos. Quando analisamos um raciocínio, devemos perceber se ele foi estruturado em bases verdadeiras, um silogismo, ou se em bases falsas ou metafóricas, um sofisma. Principais autores e obras  Gregório de Matos (1633-1696) — I. Poesia Sacra; II. Poesia Lírica; III. Poesia Graciosa; IV e V. Poesia Satírica; VI. Poesia Última (Nada publicou em vida; a compilação de sua poesia, a partir de cópias manuscritas, realizou-se entre 1923 e 1933, pela Academia Brasileira de Letras.)  Padre Antônio Vieira (1608-1697) — 500 Cartas; 200 Sermões; História do Futuro; Esperanças de Portugal, Quinto Império do Mundo; Clavis Prophetarum (A Chave das Profecias)  Bento Teixeira (1560-1618) — Prosopopeia
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    LCP  Português _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 134 LCP  Português   Fique ligado! Pesquise!   Assistir: ao filme Caravaggio, que trata da vida e da obra de um dos mais importantes pintores do Pré- -Barroco.  Pesquisar: sobre a obra de grandes artistas plásticos barrocos e pré-barrocos, como Caravaggio, Tintoretto, Giuseppe Arcimboldo, Georges de la Tour e Antoon Van Dyck; e também sobre o genial Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, arquiteto, pintor e escultor brasileiro, que deixou significativas obras no Barroco mineiro.  Ouvir: a música de Vivaldi, a maior celebridade da música barroca.  Ler: a obra Boca do Inferno, de Ana Miranda (Editora Companhia das Letras), que trata da vida do poeta baiano barroco Gregório de Matos e inclui também o padre Antônio Vieira.  *ATENÇÃO, ESTUDANTE!*  Para complementar o estudo deste Módulo, utilize seu LIVRO DIDÁTICO. *********** ATIVIDADES *********** .1. (FGV-RJ) Observe as afirmativas referentes ao Barroco: I. A poesia caracteriza-se pelo culto do contraste e consciência da efemeridade da vida. II. Percebe-se uma postura antitética entre o pensamento teocêntrico e o antropocêntrico. III. Tem em Gregório de Matos seu maior representante na literatura brasileira. Assinale a alternativa correta. (A) Apenas I e II são verdadeiras. (B) Apenas I e III são verdadeiras. (C) Apenas II e III são verdadeiras. (D) Todas são verdadeiras. (E) Nenhuma é verdadeira. .2. (INEP-MEC) Nasce o Sol, e não dura mais que um dia, Depois da Luz se segue a noite escura, Em tristes sombras morre a formosura, Em contínuas tristezas, a alegria. Na estrofe acima, de um soneto de Gregório de Matos, a principal característica do Barroco é: (A) culto da natureza. (B) a utilização de rimas alternadas. (C) a forte presença de antíteses. (D) culto do amor cortês. (E) uso de aliterações. .3. (UFPE/UFRPE) O estilo barroco — que nos séculos XVII e XVIII se destacou com a arte de Diogo Velázquez, Rubens, Caravaggio, entre outros — pode ser considerado como: (A) expressão do respeito aos princípios da arte clássica greco-romana. (B) imitação dos pintores renascentistas florentinos. (C) reflexo das concepções estéticas do Antigo Oriente. (D) consagração do racionalismo e cartesianismo na arte. (E) resultado de uma arte que desafiava os padrões clássicos. .4. (INEP-MEC)  MARISTELA DO VALLE / FOLHA IMAGEM ALEIJADINHO. Cristo do carregamento da Cruz. Enciclopédia Barsa, 1998. Pequei, Senhor; mas não porque hei pecado, Da vossa alta clemência me despido; Porque quanto mais tenho delinquido, Vos tenho a perdoar mais empenhado. Obras poéticas de Gregório de Matos. Rio de Janeiro: Record: 1990. Durante o período colonial brasileiro, as principais manifestações artísticas, populares ou eruditas foram, assim como nos demais aspectos da vida cotidiana, marcadas pela influência da religiosidade. Nesse sentido, com base na análise da presença da religiosidade na obra de Aleijadinho e Gregório de Matos, é correto afirmar: (A) Ambas são modelos da arte barroca, uma vez que se inspiram mais na temática cristã do que em elementos oriundos da mitologia greco-romana. (B) A presença da temática religiosa em ambos deve-se à influência protestante holandesa na região da Bahia e de Minas Gerais. (C) No trecho do poema, tem-se a expressão de um pecador que, embora creia em Deus, não tem certeza de que obterá o perdão divino. (D) A pobreza estética da obra de Aleijadinho e Matos deriva da censura promovida pela Santa Inquisição às obras artísticas no Brasil.
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    LCP  Português _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 135 LCP  Português  .5. (UFPA) Assinale a alternativa correta a respeito de Gregório de Matos ou do Barroco. (A) Gregório de Matos é considerado o autor mais importante do Barroco brasileiro por ter introduzido a estética no país e ter escrito poemas épicos, de herança camoniana, em louvor à pátria, traço do nativismo literário da época. (B) A crítica reconhece a obra lírica de Gregório de Matos como superior à satírica, porque, nela, o autor não trabalha com o jogo de palavras que instaura o erótico e às vezes até o licencioso. (C) Tematicamente, a poesia de Gregório de Matos trabalha a religião, o amor, os costumes e a reflexão moral, às vezes por meio de um jogo entre erotismo idealizado X sensualismo desenfreado; temor divino X desrespeito pelos encarregados dos cultos. (D) Conceptismo e cultismo são processos técnicos e expressivos do Barroco que dão simplicidade aos textos, principal objetivo da estética que repudiava os torneios na linguagem. (E) O Barroco se destaca como movimento literário único, uma vez que somente em sua estética encontramos o uso de sugestões de luz, cor e som, bem como o uso de metáforas, hipérboles, perífrases, antíteses e paradoxos. .6. (INEP-MEC) Leia atentamente o fragmento do sermão do padre Antônio Vieira: A primeira cousa que me desedifica, peixes, de vós, é que comeis uns aos outros. Grande escândalo é este, mas a circunstância o faz ainda maior. Não só vos comeis uns aos outros, senão que os grandes comem os pequenos. Se fora pelo contrário era menos mal. Se os pequenos comeram os grandes, bastara um grande para muitos pequenos; mas como os grandes comem os pequenos, não bastam cem pequenos, nem mil, para um só grande [...]. Os homens, com suas más e perversas cobiças, vêm a ser como os peixes que se comem uns aos outros. Tão alheia causa é não só da razão, mas da mesma natureza, que, sendo criados no mesmo elemento, todos cidadãos da mesma pátria, e todos finalmente irmãos, vivais de vos comer. VIEIRA, Antônio. Obras completas do padre Antônio Vieira: sermões. Vol. III. Prefaciados e revistos pelo Pe. Gonçalo Alves. Porto: Lello & Irmão, 1993, p. 264-5. O texto de Vieira contém algumas características do Barroco. Dentre as alternativas a seguir, assinale aquela em que não se confirmam essas tendências estéticas. (A) A utilização da alegoria, da comparação, como recursos oratórios, visando à persuasão do ouvinte. (B) A tentativa de convencer o homem do século XVII, imbuído de práticas e sentimentos comuns ao semipaganismo renascentista, a retomar o caminho do espiritualismo medieval, privilegiando os valores cristãos. (C) A presença do discurso dramático, recorrendo ao princípio horaciano de “ensinar deleitando” — tendência didática e moralizante, comum à Contrarreforma. (D) O tratamento do tema principal — a denúncia à cobiça humana — através do conceptismo, ou jogo de ideias. (E) O culto do contraste, sugerindo a oposição bem X mal, em linguagem simples, concisa, direta e expressiva da intenção barroca de resgatar os valores greco-Iatinos. .7. (INEP-MEC) O pregar há de ser como quem semeia, e não como quem ladrilha ou azuleja. Ordenado, mas como as estrelas. [...] Todas as estrelas estão por sua ordem; mas é ordem que faz influência, não é ordem que faça lavor. Não fez Deus o céu em xadrez de estrelas, como os pregadores fazem o sermão em xadrez de palavras. Se de uma parte há-de estar branco, da outra há-de estar negro; se de uma parte está dia, da outra há-de estar noite; se de uma parte dizem luz, da outra hão-de dizer sombra; se de uma parte dizem desceu, da outra hão-de dizer subiu. Basta que não havemos de ver num sermão duas palavras em paz? Todas hão-de estar sempre em fronteira com o seu contrário? Aprendamos do céu o estilo da disposição, e também o das palavras. VIEIRA, A. Sermão da Sexagésima. No texto, Vieira critica um certo estilo de fazer sermão, que era comum na arte de pregar dos padres dominicanos da época. O uso da palavra xadrez tem o objetivo de (A) defender a ordenação das ideias em um sermão. (B) fazer alusão metafórica a um certo tipo de tecido. (C) comparar o sermão de certos pregadores a uma verdadeira prisão. (D) mostrar que o xadrez se assemelha ao semear. (E) criticar a preocupação com a simetria do sermão. ________________________________________________ *Anotações*
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    LCP  Português _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 136 LCP  Português  *MÓDULO 4* A interpretação de textos As competências avaliadas pelo ENEM Saber ler e interpretar um texto adequadamente é condição essencial para qualquer pessoa obter sucesso na vida pessoal e profissional. Nos exames oficiais, como o ENEM e o vestibular, a interpretação de textos vem ocupando boa parte da prova e cumprindo, por isso, um papel decisivo no ingresso à universidade.  FOLHA IMAGEM Neste Módulo, você vai conhecer as competências (eixos cognitivos) que são avaliadas nas provas do ENEM e observar como elas são utilizadas nas questões de interpretação de textos. O que é o ENEM? O ENEM é um exame oferecido anualmente a estudantes que estão cursando ou já concluíram o Ensino Médio. Criado em 1998, contou, em sua primeira versão, com a participação de 157 mil inscritos; hoje, cerca de 6 milhões de estudantes participam do exame anualmente. Aos poucos, o ENEM ganhou projeção e reconhecimento nacional, principalmente porque a pontuação obtida pelos participantes passou a servir para o ingresso em várias universidades federais, estaduais e particulares ou passou a compor a nota final de alguns exames vestibulares. Além disso, a concessão de bolsas de estudo em universidades públicas ou em faculdades particulares está vinculada a resultados do ENEM. A avaliação no ENEM As provas do ENEM não têm em vista avaliar se o aluno é capaz ou não de memorizar informações. Seu principal objetivo é avaliar se o aluno tem estruturas mentais desenvolvidas o suficiente para lhe possibilitar interpretar dados, pensar, tomar decisões adequadas, aplicar conhecimentos em situações concretas. E também se tem, na vida social, uma postura ética, cidadã. Para aferir essas capacidades, o ENEM avalia cinco competências que, segundo os idealizadores do exame, são importantes não apenas para a resolução de questões, mas para toda a vida. Mas o que são competências? Eis a explicação de Philippe Perrenoud, especialista em educação: [Competência é a] capacidade de agir eficazmente em um determinado tipo de situação, apoiada em conhecimentos, mas sem limitar-se a eles. Construir as competências desde a escola. Porto Alegre: Artmed, 1999, p. 7. As cinco competências avaliadas pelo ENEM são estas: .1. DOMINAR LINGUAGENS (DL) Dominar a norma culta da língua portuguesa e fazer uso das linguagens matemática, artística e científica e das línguas espanhola e inglesa. .2. COMPREENDER FENÔMENOS (CF) Construir e aplicar conceitos das várias áreas do conhecimento, para a compreensão de fenômenos naturais, de processos histórico-geográficos, da produção tecnológica e das manifestações artísticas. .3. ENFRENTAR SITUAÇÕES-PROBLEMA (SP) Selecionar, organizar, relacionar e interpretar dados e informações, representados de diferentes formas, para tomar decisões e enfrentar situações- -problema. .4. CONSTRUIR ARGUMENTAÇÃO (CA) Relacionar informações, representadas de diferentes formas, e conhecimentos disponíveis em situações concretas, para construir argumentação consistente. .5. ELABORAR PROPOSTAS (EP) Recorrer aos conhecimentos desenvolvidos na escola, para elaboração de propostas de intervenção solidária na realidade, respeitando os valores humanos e considerando a diversidade sociocultural. < www.enem.inep.gov.br >. Em maio de 2009, o MEC publicou o documento Matriz de Referência para o Enem 2009, reiterando as cinco competências gerais, mas chamando-as de eixos cognitivos. Divulgou também uma relação com as competências específicas de cada área a serem avaliadas no ENEM. Conheça o documento na íntegra acessando o site www.enem.inep.gov.br.
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    LCP  Português _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 137 LCP  Português  *********** ATIVIDADES *********** As questões a seguir foram extraídas de provas do ENEM. Depois de resolvê-las, indique as competências (eixos cognitivos) que estão sendo avaliadas em cada uma delas. .1. (ENEM-MEC) As linhas nas duas figuras geram um efeito que se associa ao seguinte ditado popular: (A) Os últimos serão os primeiros. (B) Os opostos se atraem. (C) Quem espera sempre alcança. (D) As aparências enganam. (E) Quanto maior a altura, maior o tombo. Competências avaliadas: ____________________________ .2. (ENEM-MEC) O gráfico abaixo foi extraído de matéria publicada no caderno Economia & Negócios do jornal O Estado de S. Paulo, em 11/6/2006. É um título adequado para a matéria jornalística em que esse gráfico foi apresentado: (A) Brasil: inflação acumulada em 12 meses menor que a dos EUA (B) Inflação do Terceiro Mundo supera pela sétima vez a do Primeiro Mundo (C) Inflação brasileira estável no período de 2001 a 2006 (D) Queda no índice de preços ao consumidor no período 2001-2005 (E) EUA: ataques terroristas causam hiperinflação Competências avaliadas: ____________________________ .3. (ENEM-MEC) Os efeitos dos anti-inflamatórios estão associados à presença de inibidores da enzima chamada ciclooxigenase 2 (COX-2). Essa enzima degrada substâncias liberadas de tecidos lesados e as transforma em prostaglandinas pró-inflamatórias, responsáveis pelo aparecimento de dor e inchaço. Os anti-inflamatórios produzem efeitos colaterais decorrentes da inibição de uma outra enzima, a COX-1, responsável pela formação de prostaglandinas, protetoras da mucosa gastrintestinal. O esquema abaixo mostra alguns anti-inflamatórios (nome genérico). As setas indicam a maior ou a menor afinidade dessas substâncias pelas duas enzimas. Com base nessas informações, é correto concluir que (A) o piroxicam é o anti-inflamatório que mais pode interferir na formação de prostaglandinas protetoras da mucosa gastrintestinal. (B) o rofecoxibe é o anti-inflamatório que tem a maior afinidade pela enzima COX-1. (C) a aspirina tem o mesmo grau de afinidade pelas duas enzimas. (D) o diclofenaco, pela posição que ocupa no esquema, tem sua atividade anti-inflamatória neutralizada pelas duas enzimas. (E) o nimesulide apresenta o mesmo grau de afinidade pelas enzimas COX-1 e COX-2. Competências avaliadas: ____________________________
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    LCP  Português _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 138 LCP  Português  .4. (ENEM-MEC) Tendências nas migrações internacionais O relatório anual (2002) da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) revela transformações na origem dos fluxos migratórios. Observa-se aumento das migrações de chineses, filipinos, russos e ucranianos com destino aos países- -membros da OCDE. Também foi registrado aumento de fluxos migratórios provenientes da América Latina. Trends in international migration – 2002. Disponível em: www.ocde.org. Acesso em: 9/2/2006 (com adaptações). No mapa seguinte, estão destacados, com a cor preta, os países que mais receberam esses fluxos migratórios em 2002. As migrações citadas estão relacionadas, principalmente, à (A) ameaça de terrorismo em países pertencentes à OCDE. (B) política dos países mais ricos de incentivo à imigração. (C) perseguição religiosa em países muçulmanos. (D) repressão política em países do Leste Europeu. (E) busca de oportunidades de emprego. Competências avaliadas: ____________________________ ________________________________________________ *Anotações* .5. (ENEM-MEC) Os mapas a seguir revelam como as fronteiras e suas representações gráficas são mutáveis. Essas significativas mudanças nas fronteiras de países da Europa Oriental nas duas últimas décadas do século XX, direta ou indiretamente, resultaram (A) do fortalecimento geopolítico da URSS e de seus países aliados, na ordem internacional. (B) da crise do capitalismo na Europa, representada principalmente pela queda do muro de Berlim. (C) da luta de antigas e tradicionais comunidades nacionais e religiosas oprimidas por Estados criados antes da Segunda Guerra Mundial. (D) do avanço do capitalismo e da ideologia neoliberal no mundo ocidental. (E) da necessidade de alguns países subdesenvolvidos ampliarem seus territórios. Competências avaliadas: ____________________________ ________________________________________________ *Anotações*
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    LCP  Português _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 139 LCP  Português  .6. (ENEM-MEC) Com base em projeções realizadas por especialistas, prevê-se, para o fim do século XXI, aumento de temperatura média, no planeta, entre 1,4 ºC e 5,8 ºC. Como consequência desse aquecimento, possivelmente o clima será mais quente e mais úmido bem como ocorrerão mais enchentes em algumas áreas e secas crônicas em outras. O aquecimento também provocará o desaparecimento de algumas geleiras, o que acarretará o aumento do nível dos oceanos e a inundação de certas áreas litorâneas. As mudanças climáticas previstas para o fim do século XXI (A) provocarão a redução das taxas de evaporação e de condensação do ciclo da água. (B) poderão interferir nos processos do ciclo da água que envolvem mudanças de estado físico. (C) promoverão o aumento da disponibilidade de alimento das espécies marinhas. (D) induzirão o aumento dos mananciais, o que solucionará os problemas de falta de água no planeta. (E) causarão o aumento do volume de todos os cursos de água, o que minimizará os efeitos da poluição aquática. Competências avaliadas: ____________________________ .7. (ENEM-MEC) GONSALES, Fernando. Vá Pentear Macacos! São Paulo: Devir, 2004. São características do tipo de reprodução representado na tirinha: (A) simplicidade, permuta de material gênico e variabilidade genética. (B) rapidez, simplicidade e semelhança genética. (C) variabilidade genética, mutação e evolução lenta. (D) gametogênese, troca de material gênico e complexidade. (E) clonagem, gemulação e partenogênese. Competências avaliadas: ____________________________ Texto para as questões 8 e 9. O Aedes aegypti é vetor transmissor da dengue. Uma pesquisa feita em São Luís-MA, de 2000 a 2002, mapeou os tipos de reservatório onde esse mosquito era encontrado. A tabela abaixo mostra parte dos dados coletados nessa pesquisa. tipos de reservatórios população de A. aegypti 2000 2001 2002 pneu 895 1.658 974 tambor/tanque/depósito de barro 6.855 46.444 32.787 vaso de planta 456 3.191 1.399 material de construção/peça de carro 271 436 276 garrafa/lata/plástico 675 2.100 1.059 poço/cisterna 44 428 275 caixa-d’água 248 1.689 1.014 recipiente natural, armadilha, piscina e outros 615 2.658 1.178 total 10.059 58.604 38.962 Caderno Saúde Pública, vol. 20, n.º 5, Rio de Janeiro, out./2004 (com adaptações). .8. (ENEM-MEC) De acordo com essa pesquisa, o alvo inicial para a redução mais rápida dos focos do mosquito vetor da dengue nesse município deveria ser constituído por (A) pneus e caixas-d’água. (B) tambores, tanques e depósitos de barro. (C) vasos de plantas, poços e cisternas. (D) materiais de construção e peças de carro. (E) garrafas, latas e plásticos. Competências avaliadas: ____________________________ .9. (ENEM-MEC) Se mantido o percentual de redução da população total de A. aegypti observada de 2001 para 2002, teria sido encontrado, em 2003, um número total de mosquitos (A) menor que 5.000. (B) maior que 5.000 e menor que 10.000. (C) maior que 10.000 e menor que 15.000. (D) maior que 15.000 e menor que 20.000. (E) maior que 20.000. Competências avaliadas: ____________________________
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    LCP  Português _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 140 LCP  Português  .10. (ENEM-MEC) Representar objetos tridimensionais em uma folha de papel nem sempre é tarefa fácil. O artista holandês Escher (1898-1972) explorou essa dificuldade criando várias figuras planas impossíveis de serem construídas como objetos tridimensionais, a exemplo da litografia Belvedere, reproduzida abaixo. Considere que um marceneiro tenha encontrado algumas figuras supostamente desenhadas por Escher e deseje construir uma delas com ripas rígidas de madeira que tenham o mesmo tamanho. Qual dos desenhos a seguir ele poderia reproduzir em um modelo tridimensional real? (A) (D) (B) (E) (C) Competências avaliadas: ____________________________ .11. (ENEM-MEC) A diversidade de formas geométricas espaciais criadas pelo homem, ao mesmo tempo em que traz benefícios, causa dificuldades em algumas situações. Suponha, por exemplo, que um cozinheiro precise utilizar exatamente 100 mL de azeite de uma lata que contenha 1.200 mL e queira guardar o restante do azeite em duas garrafas, com capacidade para 500 mL e 800 mL cada, deixando cheia a garrafa maior. Considere que ele não disponha de instrumento de medida e decida resolver o problema utilizando apenas a lata e as duas garrafas. As etapas do procedimento utilizado por ele estão ilustradas nas figuras a seguir, tendo sido omitida a 5.ª etapa. Qual das situações ilustradas a seguir corresponde à 5.ª etapa do procedimento? (A) (D) (B) (E) (C) Competências avaliadas: ____________________________ ________________________________________________ *Anotações*
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    LCP  Português _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 141 LCP  Português  Literatura brasileira Arcadismo (1768-1808) Marco inicial Publicação de Obras Poéticas, de Cláudio Manuel da Costa.  ARQUIVO / UFMG  Vários poetas árcades participaram do movimento contra o governo português conhecido por Conjuração Mineira, mas somente Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, pagou com a vida a ousadia de querer lutar pela nossa independência. Na ilustração, uma representação impressionante do suplício de Tiradentes, obra do pintor Pedro Américo (1843-1905) Panorama histórico O Arcadismo ou Neoclassicismo corresponde ao período de superação dos conflitos religiosos da época barroca. No século XVIII, a fé e a religião perdem importância, e a Razão e a Ciência passam a explicar o homem e o mundo. O Arcadismo coincide com o Século das Luzes, marcado pelo Iluminismo (Rousseau, Montesquieu, Voltaire); pelo Empirismo Científico (Newton, Lavoisier, Lineu, Locke); pelo Enciclopedismo (Diderot, D’Alembert) e, no âmbito político, pelo Despotismo Esclarecido. Representa, historicamente, o último período de dominação da aristocracia e as primeiras investidas da burguesia emergente na Revolução Comercial. A partir da Revolução Francesa (1789), a burguesia assume a condição de classe dominante. Em Portugal, corresponde à época do Marquês de Pombal (1750-1777), que operou profundas transformações administrativas e educacionais, como a expulsão dos jesuítas, o fim da submissão à Santa Inquisição, a laicização do ensino, a reforma universitária e a divulgação das ideias científicas. No Brasil, corresponde ao apogeu da mineração do ouro em Minas Gerais e à transferência do centro econômico e cultural da Colônia do Norte (Pernambuco e Bahia) para o Centro-Sudeste (Minas Gerais e Rio de Janeiro). Corresponde, também, à fase das primeiras rebeliões contra o estatuto colonial, como a Inconfidência Mineira, a Revolução dos Alfaiates, etc. Daí o nativismo, que passa a ser reivindicatório, e não mais apenas descritivo e pitoresco, como ocorrera no Quinhentismo e no Barroco. A vida literária ganha novo alento com o surgimento de um público leitor. Estabiliza-se, dessa forma, a relação autor-obra-leitor, vale dizer, surgem escritores brasileiros, que escrevem sobre o Brasil, para leitores brasileiros. Características árcades  Volta aos modelos clássicos: revalorização dos princípios poéticos greco-romanos e renascentistas. Daí a denominação Neoclassicismo.  Arte como imitação dos grandes autores: o poeta imita, não a natureza, como propugnava Aristóteles na Antiguidade, mas os autores antigos ou renascentistas (Horácio, Ovídio, Virgílio, Petrarca, Camões). O poeta arcádico não visa à originalidade, mas à perfeição na imitação do modelo.  Bucolismo e pastoralismo: os árcades tematizam a natureza, vista sempre como cenário ameno e aprazível. A natureza é convencional e serve de cenário para a vida serena dos pastores e suas musas, ou de testemunha impassível dos lamentos e desenganos do poeta.  Temas clássicos: o carpe diem (= aproveita o dia), quando o pastor, tendo em vista que o tempo passa e tudo degenera, convida a pastora a viver e gozar o momento presente; o aurea mediocritas (= mediania de ouro), ideal de vida pacata e sem excessos ou extremos; o fugere urbem (= fugir da civilização), que consiste na exaltação da vida simples, e o locus amoenus (= lugar ameno), que significa buscar a felicidade na natureza. Os poetas árcades adotavam como lema o inutilia truncat (= cortar o inútil), exprimindo a oposição aos exageros ornamentais do Barroco.  Fingimento e afetação: os poetas árcades adotavam pseudônimos pastoris e se referiam a suas amadas como musas. Sempre estavam envolvidos em cenas poéticas e musicais que exaltavam a vida campestre. Não existe, porém, a subjetividade melancólica que ainda vai assolar o homem romântico; os sentimentos são “fingidos”, usados como motivos estéticos, e não espontâneos.
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    LCP  Português _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 142 LCP  Português  Principais autores e obras  Cláudio Manuel da Costa (1729-1789; pseudônimo: Glauceste Satúrnio) — Obras Poéticas; Vila Rica  Tomás Antônio Gonzaga (1744-1810; pseudônimos: Dirceu e Critilo) — Marília de Dirceu; Cartas Chilenas  Basílio da Gama (1741-1795; pseudônimo: Termindo Sipílio) — O Uraguai  Frei Santa Rita Durão (1722-1784) — Caramuru  Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765-1805; pseudônimo: Elmano Sadino) — Idílios Marítimos; Rimas; A Pena de Talião Pré-Romantismo (1808-1836) Denomina-se Pré-Romantismo a fase de transição entre a Era Colonial e a Era Nacional (1808-1836). Essa fase foi marcada, no plano histórico, pela transmigração da Família Real Portuguesa e pelos desdobramentos de sua presença no Brasil (Abertura dos Portos, Imprensa Régia, primeiros cursos superiores de Medicina e Direito, etc.). No plano literário, destacam-se: o jornalismo político (Evaristo da Veiga, Hipólito da Costa e Januário Barbosa da Cunha); a oratória sacra (Frei Francisco de Monte Alverne) e a poesia didática e moralizante (Padre Sousa Caldas e Américo Elísio, pseudônimo de José Bonifácio de Andrada e Silva).  Fique ligado! Pesquise!   Assistir: aos filmes Danton – O processo da Revolução (1982), de Andrzej Wajda; Ligações perigosas (1988), de Stephen Frears; Casanova e a Revolução (1982), de Ettore Scola; Amadeus (1984), de Milos Forman — todos relacionados com o contexto político e cultural europeu da época. Veja também A Missão (1986), de Roland Joffé, cujo tema também foi tratado pelo poeta árcade brasileiro Basílio da Gama, em seu poema épico O Uraguai.  Pesquisar: sobre as ideias e as obras dos filósofos iluministas Voltaire, Montesquieu, Rousseau, Diderot e D’Alembert. Procure saber também sobre a Enciclopédia, escrita por eles, e sobre o Despotismo Esclarecido.  Ouvir: os compositores de destaque da época, como Johann Sebastian Bach e Wolfgang Amadeus Mozart.  Comparar: os princípios que regem a Constituição brasileira e as ideias políticas dos iluministas do século XVIII.  Conhecer: a pintura da época, especialmente a do pintor francês Antoine Watteau.  *ATENÇÃO, ESTUDANTE!*  Para complementar o estudo deste Módulo, utilize seu LIVRO DIDÁTICO. *********** ATIVIDADES *********** Texto para as questões 1 e 2. 01 Torno a ver-vos, ó montes; o destino 02 Aqui me torna a pôr nestes outeiros, 03 Onde um tempo os gabões deixei grosseiros 04 Pelo traje da Corte, rico e fino. 05 Aqui estou entre Almendro, entre Corino, 06 Os meus fiéis, meus doces companheiros, 07 Vendo correr os míseros vaqueiros 08 Atrás de seu cansado desatino. 09 Se o bem desta choupana pode tanto, 10 Que chega a ter mais preço, e mais valia 11 Que, da Cidade, o lisonjeiro encanto, 12 Aqui descanse a louca fantasia, 13 E o que até agora se tornava em pranto 14 Se converta em afetos de alegria. COSTA, Cláudio Manoel da. In: FILHO, Domício Proença. A poesia dos inconfidentes. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2002, p. 78-9. .1. (ENEM-MEC) Considerando o soneto de Cláudio Manoel da Costa e os elementos constitutivos do Arcadismo brasileiro, assinale a opção correta acerca da relação entre o poema e o momento histórico de sua produção. (A) Os “montes” e “outeiros”, mencionados na primeira estrofe, são imagens relacionadas à Metrópole, ou seja, ao lugar onde o poeta se vestiu com traje “rico e fino”. (B) A oposição entre a Colônia e a Metrópole, como núcleo do poema, revela uma contradição vivenciada pelo poeta, dividido entre a civilidade do mundo urbano da Metrópole e a rusticidade da terra da Colônia. (C) O bucolismo presente nas imagens do poema é elemento estético do Arcadismo que evidencia a preocupação do poeta árcade em realizar uma representação literária realista da vida nacional. (D) A relação de vantagem da “choupana” sobre a “Cidade”, na terceira estrofe, é formulação literária que reproduz a condição histórica paradoxalmente vantajosa da Colônia sobre a Metrópole. (E) A realidade de atraso social, político e econômico do Brasil Colônia está representada esteticamente no poema pela referência, na última estrofe, à transformação do pranto em alegria.
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    LCP  Português _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 143 LCP  Português  .2. (ENEM-MEC) Assinale a opção que apresenta um verso do soneto de Cláudio Manoel da Costa em que o poeta se dirige ao seu interlocutor. (A) “Torno a ver-vos, ó montes; o destino” (v. 1). (B) “Aqui estou entre Almendro, entre Corino” (v. 5). (C) “Os meus fiéis, meus doces companheiros” (v. 6). (D) “Vendo correr os míseros vaqueiros” (v. 7). (E) “Que, da Cidade, o lisonjeiro encanto” (v. 11). .3. (FATEC-SP) Sobre o Arcadismo brasileiro só não se pode afirmar que: (A) tem suas fontes nos antigos autores gregos e latinos, dos quais imita os motivos e as formas. (B) teve em Cláudio Manuel da Costa o representante que, de forma original, recusou a motivação bucólica e os modelos camonianos da lírica amorosa. (C) nos legou os poemas de feição épica Caramuru (de Frei José de Santa Rita Durão) e O Uraguai (de Basílio da Gama), no qual se reconhece qualidade literária destacada em relação ao primeiro. (D) norteou, em termos dos valores estéticos básicos, a produção dos versos de Marília de Dirceu, obra que celebrizou Tomás Antônio Gonzaga e que destaca a originalidade de estilo e de tratamento local dos temas pelo autor. (E) apresentou uma corrente de conotação ideológica, envolvida com as questões sociais do seu tempo, com a crítica aos abusos do poder da Coroa portuguesa. Leia o texto abaixo, de autoria de Cláudio Manuel da Costa, para responder às questões 4 e 5. Este é o rio, a montanha é esta, Estes os troncos, estes os rochedos; São estes inda os mesmos arvoredos; Esta é a mesma rústica floresta. Tudo cheio de horror se manifesta, Rio, montanha, troncos e penedos; Que de amor nos suavíssimos enredos Foi cena alegre, e urna é já funesta. Oh quão lembrado estou de haver subido Aquele monte, e as vezes que, baixando, Deixei do pranto o vale umedecido! Tudo me está a memória retratando; Que da mesma saudade o infame ruído Vem as mortas espécies despertando. .4. (INEP-MEC) Assinale a opção que se refere ao texto de modo correto. (A) Observa-se o elogio do pastoralismo, com a consequente crítica aos males que o meio urbano traz ao homem. (B) A natureza é cenário tranquilo, retratada sem levar em conta o estado de espírito de quem a descreve. (C) A antítese “Foi cena alegre, e urna é já funesta” resume o poema, indicando a passagem do tempo e a lembrança do amor perdido. (D) Exemplo típico do Arcadismo, constata-se o predomínio da razão sobre a emoção, o que revela a influência da lógica iluminista. (E) Recomenda que se aproveite o dia (carpe diem), embora fazendo referência à constância da vida e à previsibilidade do destino. .5. (INEP-MEC) Ainda a respeito do poema, assinale a opção incorreta. (A) A métrica regular e a estrutura — um soneto — indicam a proximidade do Romantismo. (B) Apresenta construções em ordem indireta, mas sem o radicalismo da escrita barroca. (C) Percebe-se uma identificação entre o poeta e a natureza que o rodeia. (D) A organização em dois quartetos e dois tercetos é de natureza greco-latina. (E) Há uma contenção do poeta no uso de figuras de linguagem, como a metáfora “e urna é já funesta”. .6. (UESPI-PI) Assinale a alternativa correta acerca do Arcadismo brasileiro e de seus autores. (A) Foi um movimento literário posterior ao Romantismo, que teve repercussão em todo o Brasil, especialmente em Minas e São Paulo. (B) A obra lírica mais divulgada foi Marília de Dirceu, longo poema de Tomás Antônio Gonzaga. Nele, o poeta se transforma em Dirceu, pastor que se enamora da pastora Marília, tendo como cenário um ambiente bucólico. (C) Cláudio Manuel da Costa, também árcade, escreveu Cartas Chilenas, uma crítica à colonização portuguesa. (D) Silva Alvarenga é o autor de O Uraguai, único poema épico do Arcadismo. (E) Entre as características árcades estão: a volta aos padrões greco-latinos, a visão idílica da natureza, o uso exacerbado da linguagem figurada, das contradições e dos contrastes. ________________________________________________ *Anotações*
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    LCP  Português _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 144 LCP  Português  .7. (SEE-AC) Assinale E nas erradas e C nas corretas. 01. (**) A literatura brasileira da fase colonial é autônoma em relação à Metrópole. 02. (**) Toda a literatura colonial é basicamente advinda dos membros da Companhia de Jesus, sem nenhuma contribuição dos colonos. 03. (**) A Carta de Pero Vaz de Caminha é considerada como nossa “certidão de nascimento”. 04. (**) A literatura dos cronistas é basicamente informativa, geográfica e curiosa das coisas locais. 05. (**) Autores românticos e modernistas valeram-se de sugestões temáticas e formais das crônicas de viagem. 06. (**) A literatura dos viajantes é ocorrência exclusivamente brasileira, não tendo nenhum similar em nenhuma outra parte do mundo. 07. (**) A poesia de Anchieta está presa aos modelos renascentistas e reflete, em seus sonetos, uma transparente influência de Camões. 08. (**) A literatura de informação ressalta a importância do trabalho com o estilo, com a forma. 09. (**) A atitude de Caminha em frente à terra recém- -descoberta é de decepção e de repulsa pelo índio. 10. (**) A produção informativa do Quinhentismo tem maior valor histórico-documental que literário. 11. (**) A exaltação das virtudes da terra prestava-se, também, ao incentivo à imigração e aos investimentos da Europa na Colônia. .8. (SEE-AC) Coloque o nome do estilo a que se referem as definições seguintes (Barroco ou Arcadismo). a) Procurou-se o campo, a sua pureza, para uma motivação estética contra certa conturbação anterior nas letras. (________________) b) Os pastores seriam o modelo, procurando-se, acima de tudo, simplicidade. (________________) c) A arte é complexa, cheia de contrastes e hesitações. (________________) d) É um tempo místico, religioso, com o homem tentando obter uma resposta para os seus problemas nos valores espirituais. (________________) e) A finalidade é depurar a língua, voltando ao “cattivo gusto”. (________________) f) “Inutilia truncat” é o lema, a expressão de vanguarda para os seus princípios estéticos. (________________) g) O estilo é contornado, rebuscado, com uma série de raciocínios, ficando o homem em certo dilema. (________________) h) O Iluminismo é um dos princípios básicos, isso na França, numa época em que o Enciclopedismo é uma nota marcante. (________________) i) A arte é o reflexo de todo o luxo que caracteriza a escultura e a pintura das igrejas. (________________) j) Nos poemas, a ordem da frase passa a ser mais direta, embora ainda se procure certa perfeição formal. (________________) .9. (UFPE) Ao longo da história da literatura, ocorrem vários estilos. O Barroco, por exemplo, é o nome de um estilo que predominou no século XVII. Podemos dizer que estilo literário (A) é a síntese das características do principal escritor de uma época. (B) são os procedimentos artísticos e as concepções de mundo predominantes nas obras de uma certa época. (C) é o conjunto dos estilos individuais de todos os autores de uma certa época. (D) é a expressão exata do modo de pensar de todos os escritores de uma certa época. (E) n.d.a. ________________________________________________ *Anotações*
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    LCT  Português _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 154 LCT  Português  *MÓDULO 1* Organização textual – Gêneros argumentativos Recursos para convencer Nos gêneros argumentativos, o autor geralmente tem a intenção de convencer seus interlocutores e, para isso, precisa apresentar bons argumentos, que consistem em fatos e opiniões. É comum encontrarmos circulando no rádio, na TV, nas revistas, nos jornais e na internet temas polêmicos que exigem uma posição por parte dos ouvintes, espectadores e leitores. Num jornal, por exemplo, podemos identificar vários gêneros argumentativos – o artigo de opinião, o editorial, a coluna. Por vezes, alguns textos de caráter informativo, como reportagens, podem trazer juízos de valor ou adotar um posicionamento crítico (veja a reportagem reproduzida em Atividades 1). O importante, para se preparar para a prova do ENEM, é saber reconhecer estratégias argumentativas e procedimentos de argumentação. Os procedimentos implicam estruturar o texto de acordo com o receptor (uso de linguagem adequada e construção coerente da argumentação), e as estratégias são recursos que podem ser usados para reforçar a argumentação. Agora, analisemos alguns gêneros que, de imediato, podem ser identificados como argumentativos:  Artigo opinativo: comum nos jornais e revistas, ele é, em geral, escrito por colaboradores ou personalidades convidadas e não reflete necessariamente a opinião do veículo de comunicação. Analisa um fato ou uma série de fatos em relação ao contexto político, social, econômico ou comportamental. Segue a estrutura de um texto dissertativo: introdução/desenvolvimento/conclusão. Pode ser escrito na primeira ou na terceira pessoa.  Coluna: é um espaço dos jornais e revistas prioritariamente destinado à informação exclusiva, ao bastidor da notícia – comporta a manifestação do colunista sobre aquele fato que está informando ou analisando, muitas vezes com postura crítica em relação aos acontecimentos. Dois exemplos: Gustavo Ioschpe, da revista Veja, e Clóvis Rossi, do jornal Folha de S. Paulo.  Editorial/Carta ao leitor: espaço reservado nos jornais e revistas para manifestar a opinião do veículo, da instituição – opinião que, na verdade, é definida pelos dirigentes (muitas vezes, o próprio dono) da empresa. Diferentemente dos outros formatos, o editorial não tem nenhuma preocupação em informar o leitor, mas em formar opinião. Em vez de fatos, traz argumentos, que se tornam convincentes graças a recursos de retórica. Por emitir a opinião do veículo, o texto pode vir sem a assinatura do autor ou então ser assinado pelo editor, em nome da publicação. Esses são apenas alguns gêneros. É importante saber que a argumentação e a persuasão estão presentes no texto publicitário, nas cartas argumentativas e, principalmente, em textos de caráter teoricamente informativo. REPRODUÇÃO  Campanha da Prefeitura de São Paulo mostra bons motivos para adotar um animal de estimação com responsabilidade  Os gêneros argumentativos têm a finalidade de persuadir e convencer o leitor a respeito de determinado assunto.  As estratégias argumentativas podem ser construídas a partir de exemplos e comparação, citações, menções a dados numéricos, uso de ironia ou, ainda, na apresentação de uma ideia para, em seguida, contradizê-la ou diminuir sua importância.  A falácia é construída quando se dá segmento a um raciocínio errado, fazendo-o aparentar verdadeiro. Argumentos que se destinam à persuasão podem parecer convincentes para grande parte do público apesar de conter falácias, mas não deixam de ser falsos.
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    LCT  Português _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 155 LCT  Português  Articulação de ideias – Coesão e coerência  Articular ideias é estabelecer a relação entre palavras e frases. Devidamente conectadas, elas formam um todo que tem sentido para determinado grupo de pessoas em determinada situação.  Há dois fatores importantes para tornar um texto inteligível: coesão e coerência.  A coesão consiste nas articulações gramaticais existentes entre as palavras, orações, frases, e parágrafos que garantem sua conexão textual. Um dos recursos mais comuns é o uso de conectivos, como as conjunções, por exemplo. Para cada tipo de relação que se pretende estabelecer entre duas orações, existe uma conjunção que se adapta a ela. Algumas conjunções:  aditivas: e, nem, não só... como também  adversativas: mas, porém, contudo, todavia, entretanto  concessivas: embora, apesar de  explicativas: pois (antes de verbo), porque  conclusivas: portanto, logo, por isso, pois (depois de verbo)  Coerência é o resultado da articulação das ideias de um texto. É a estrutura lógico-semântica que faz com que, numa situação discursiva, palavras e frases componham um todo significativo para os interlocutores. Ela está, portanto, ligada à possibilidade de compreensão daquilo que se ouve ou lê.  Recursos expressivos: as figuras de linguagem ou de estilo são empregadas para valorizar o texto, tornando a linguagem mais rica e expressiva. Usam-se, para isso, as palavras em seu sentido conotativo, e não com seu significado literal. As principais são: comparação metáfora metonímia ironia Pontos de vista – Recursos persuasivos  Para se preparar para a prova do ENEM, é importante desenvolver a capacidade de ler, compreender e interpretar textos de diferentes gêneros e linguagens, como fotos, charges e poesia.  Identificar diferentes pontos de vista – Não são apenas os artigos opinativos das revistas e dos jornais que apresentam uma postura sobre determinado assunto. Ao resolver questões que mostram pontos de vista diversos, é importante distinguir frases ou períodos que evidenciem (ou representem argumentos que reforcem) a opinião do autor.  Em questões que exigem a análise de textos opinativos, é fundamental responder de acordo com a opinião expressa no texto, e não a partir de sua própria. Não há posicionamento certo ou errado, mas maneiras de expor um ponto de vista.  Existem duas principais estratégias de persuasão. A explícita expõe claramente seu ponto de vista e recorre a argumentos lógicos e racionais, às vezes propositalmente incorretos. A implícita, mais sutil, apela para o emocional. Organização textual – Gêneros narrativos  Tipos de texto – Basicamente, há seis tipos de texto: descrição, narração, injunção, argumentação, exposição e agrupamento tipológico “relatar”. De modo geral, podemos dizer que a descrição se caracteriza por ser um “retrato verbal” de pessoas, objetos, animais, sentimentos, cenas ou ambientes; a narração é um entrelaçamento de fatos contados por um narrador, envolvendo personagens, localizadas no tempo e no espaço; e a argumentação é a expressão de opinião a respeito de um assunto.  Elementos do texto narrativo:  Enredo: sequência de acontecimentos narrados na história.  Foco narrativo (1.ª e 3.ª pessoa): presença de narrador (narrador-personagem, narrador- -observador).  Personagens (protagonista, antagonista e coadjuvante).  Tempo (cronológico e psicológico).  Espaço.  Os gêneros narrativos são inúmeros; os mais conhecidos são: romance, crônica, conto, novela, fábula. Há ainda: piada, mito, novela etc.  Romance: narrativa longa, de enredo normalmente imaginário, mas verossímil. Os personagens são mais elaborados psicologicamente.  Crônica: narrativa curta, inspirada em algum fato cotidiano. Pode fazer uma crítica indireta ou ter toques de humor.  A diferença entre antítese e paradoxo é que a antítese se baseia na comparação por contraste ou justaposição de contrários, enquanto o paradoxo se reconhece como uma relação interna de contrários:  Antítese: Eu sou tímido, você é extrovertido.  Paradoxo: Eu sou um tímido extrovertido.
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    LCT  Português _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 156 LCT  Português  ********** ATIVIDADES 1 ********** Texto para a questão 1. Por que tantas tragédias? Há um imenso equívoco no modo de ocupação do solo brasileiro. Construímos casas nas várzeas e nas encostas íngremes O Brasil foi premiado pela natureza por rios de imenso volume d’água e, como consequência, algumas das maiores várzeas (áreas originalmente florestadas) do mundo. Isso é a razão de nossa proverbial fertilidade e explica nossa aptidão para produzir comida, a base da nossa atual prosperidade. No entanto, há um imenso equívoco no modo de ocupação do solo brasileiro. Construímos nossas casas nas várzeas – que, num ecossistema equilibrado, absorviam a água que transbordava dos rios – e nas encostas íngremes. Esse erro é cometido mais ou menos do mesmo jeito no país todo, o que explica por que regiões tão diversas como Santa Catarina, Alagoas e Pará tenham problemas semelhantes. Várzea ocupada é aquilo que os noticiários chamam de enchente. Encosta ocupada é mais conhecida como deslizamento. A questão central agora é desocupar essas regiões para que, no ano que vem, quando chover de novo, não haja ninguém mais morando lá. E onde botamos as pessoas que vivem em várzeas e encostas? Para responder a essa pergunta, é importante antes entender por que essas regiões foram ocupadas. A resposta é complexa, mas pode ser simplificada em duas palavras: especulação imobiliária. No Brasil, país de economia historicamente instável, sempre foi ótimo negócio ser dono de terra e ficar lá sentado nela sem fazer nada. O modelo de urbanização do país, que concentrava a economia no centro da cidade e ia se expandindo para fora, garantia a certeza de que um terreno distante ontem viraria centro amanhã e seu valor se multiplicaria. Por conta disso, há na região central das maiores cidades brasileiras uma quantidade imensa de terrenos vazios ou subutilizados, só esperando valorização. Isso faz os preços de imóveis disparar, e os trabalhadores demandados pelas cidades acabam indo se espremer em várzeas e encostas, únicas terras baratas. Isso é um problema para as cidades, porque força os trabalhadores a atravessar dezenas de quilômetros de asfalto para chegar ao trabalho, no centro. E é aí que mora nossa grande oportunidade. O que o Brasil precisa fazer agora é tirar as pessoas das encostas e várzeas e colocá-las nesses pedaços vazios do centro da cidade (a última coisa que queremos é colocar as pessoas ainda mais longe, aumentando ainda mais o trânsito e os custos do transporte público). Isso trará várias vantagens. Permitirá às cidades fazerem grandes parques lineares em volta dos rios, onde hoje há avenidas, com instalações esportivas e ciclovias. Levará trabalhadores para as regiões centrais, diminuindo a pressão no transporte público e no trânsito. Embelezará as cidades, criará oportunidades econômicas, moverá a economia e fará o Brasil rodar. Mas como fazer os especuladores colaborar? O remédio tem três doses: educação, fiscalização e punição. Primeiro ensina-se os proprietários a adaptarem sua situação para que os terrenos vazios parem de prejudicar a cidade e sejam ocupados. Dá-se a eles um prazo para se adaptar – e prazos curtos funcionam muito melhor do que prazos longos. Quem não se adapta paga impostos cada vez mais altos ou é desapropriado. Precisamos começar a fazer isso rápido, assim que as chuvas pararem. Mas o planejamento precisa ser de longuíssimo prazo, coisa de 30 anos, para que as obras de 2011 não sejam apenas a maquiagem de sempre (piscinões, muros, dragas e aumentos de calha), mas o primeiro passo de uma reforma profunda no sistema de ocupação do Brasil. Blog Sustentável é Pouco. Adaptado. Disponível em: < http://veja.abril.com.br/blog/denis-russo/ >. 1. (AED-SP) O texto tem uma estrutura dissertativo-argumentativa – há um posicionamento do autor e ele encadeia ideias para sustentar seu ponto de vista. Quais foram os argumentos utilizados? ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ 2. (ENEM-MEC) O então presidente Lula assinou, em 29 de setembro de 2008, decreto sobre o Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. As novas regras afetam principalmente o uso dos acentos agudo e circunflexo, do trema e do hífen. Longe de um consenso, muita polêmica tem-se levantado em Macau e nos oito países de língua portuguesa: Brasil, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste. Comparando as diferentes opiniões sobre a validade de se estabelecer o acordo para fins de unificação, o argumento que, em grande parte, foge a essa discussão é
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    LCT  Português _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 157 LCT  Português  (A) “A Academia (Brasileira de Letras) encara essa aprovação como um marco histórico. Inscreve-se, finalmente, a Língua Portuguesa no rol daquelas que conseguiram beneficiar-se há mais tempo da unificação de seu sistema de grafar, numa demonstração de consciência da política do idioma e de maturidade na defesa, difusão e ilustração da língua da Lusofonia.” SANDRONI, C. Presidente da ABL. Disponível em: < http://www.academia.org.br >. (B) “Acordo ortográfico? Não, obrigado. Sou contra. Visceralmente contra. Filosoficamente contra. Linguisticamente contra. Eu gosto do ‘c’ do ‘actor’ e o ‘p’ de ‘cepticismo’. Representam um património, uma pegada etimológica que faz parte de uma identidade cultural. A pluralidade é um valor que deve ser estudado e respeitado. Aceitar essa aberração significa apenas que a irmandade entre Portugal e o Brasil continua a ser a irmandade do atraso.” COUTINHO, J. P. Folha de S. Paulo. Ilustrada. 28 set. 2008, E1 (adaptado). (C) “Há um conjunto de necessidades políticas e econômicas com vista à internacionalização do português como identidade e marca econômica. É possível que o [Fernando] Pessoa, como produto de exportação, valha mais do que a PT [Portugal Telecom]. Tem um valor econômico único.” RIBEIRO, J. A. P. Ministro da Cultura de Portugal. Disponível em: < http://ultimahora.publico.clix.pt >. (D) “É um acto cívico batermo-nos contra o Acordo Ortográfico. O acordo não leva a unidade nenhuma. Não se pode aplicar na ordem interna um instrumento que não está aceito internacionalmente e nem assegura a defesa da língua como património, como prevê a Constituição nos artigos 9.º e 68.º.” MOURA, V. G. Escritor e eurodeputado. Disponível em: < www.mundoportugues.org >. (E) “Se é para ter uma lusofonia, o conceito [unificação da língua] deve ser mais abrangente e temos de estar em paridade. Unidade não significa que temos que andar todos ao mesmo passo. Não é necessário que nos tornemos homogéneos. Até porque o que enriquece a língua portuguesa são as diversas literaturas e formas de utilização.” RODRIGUES, M. H. Presidente do Instituto Português do Oriente, sediado em Macau. Disponível em: < http://taichungpou.blogspot.com > (adaptado). ________________________________________________ *Anotações* 3. (ENEM-MEC) A Herança Cultural da Inquisição A Inquisição gerou uma série de comportamentos humanos defensivos na população da época, especialmente por ter perdurado na Espanha e em Portugal durante quase 300 anos, ou no mínimo quinze gerações. Embora a Inquisição tenha terminado há mais de um século, a pergunta que fiz a vários sociólogos, historiadores e psicólogos era se alguns desses comportamentos culturais não poderiam ter-se perpetuado entre nós. Na maioria, as respostas foram negativas, ou seja, embora alterasse sem dúvida o comportamento da época, nenhum comportamento permanece tanto tempo depois, sem reforço ou estímulo continuado. Não sou psicólogo nem sociólogo para discordar, mas tenho a impressão de que existem alguns comportamentos estranhos na sociedade brasileira, e que fazem sentido se você os considerar resquícios da era da Inquisição. […] KANITZ, S. A Herança Cultural da Inquisição. In: Revista Veja. Ano 38, n.º 5, 2 fev. 2005 (fragmento). Considerando-se o posicionamento do autor do fragmento a respeito de comportamentos humanos, o texto (A) enfatiza a herança da Inquisição em comportamentos culturais observados em Portugal e na Espanha. (B) contesta sociólogos, psicólogos e historiadores sobre a manutenção de comportamentos gerados pela Inquisição. (C) contrapõe argumentos de historiadores e sociólogos a respeito de comportamentos culturais inquisidores. (D) relativiza comportamentos originados na Inquisição e observados na sociedade brasileira. (E) questiona a existência de comportamentos culturais brasileiros marcados pela herança da Inquisição. Textos para as questões 4 e 5. Texto I É praticamente impossível imaginarmos nossas vidas sem o plástico. Ele está presente em embalagens de alimentos, bebidas e remédios, além de eletrodomésticos, automóveis etc. Esse uso ocorre devido à sua atoxicidade e à inércia, isto é: quando em contato com outras substâncias, o plástico não as contamina; ao contrário, protege o produto embalado. Outras duas grandes vantagens garantem o uso dos plásticos em larga escala: são leves, quase não alteram o peso do material embalado, e são 100% recicláveis, fato que, infelizmente, não é aproveitado, visto que, em todo o mundo, a percentagem de plástico reciclado, quando comparado ao total produzido, ainda é irrelevante. Revista Mãe Terra. Minuano, ano I, n.º 6 (adaptado).
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    LCT  Português _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 158 LCT  Português  Texto II Sacolas plásticas são leves e voam ao vento. Por isso, elas entopem esgotos e bueiros, causando enchentes. São encontradas até no estômago de tartarugas marinhas, baleias, focas e golfinhos, mortos por sufocamento. Sacolas plásticas descartáveis são gratuitas para os consumidores, mas têm um custo incalculável para o meio ambiente. Veja, 8 jul. 2009. Fragmentos de texto publicitário do Instituto Akatu pelo Consumo Consciente. 4. (ENEM-MEC) Na comparação dos textos, observa-se que (A) o texto I apresenta um alerta a respeito do efeito da reciclagem de materiais plásticos; o texto II justifica o uso desse material reciclado. (B) o texto I tem como objetivo precípuo apresentar a versatilidade e as vantagens do uso do plástico na contemporaneidade; o texto II objetiva alertar os consumidores sobre os problemas ambientais decorrentes de embalagens plásticas não recicladas. (C) o texto I expõe vantagens, sem qualquer ressalva, do uso do plástico; o texto II busca convencer o leitor a evitar o uso de embalagens plásticas. (D) o texto I ilustra o posicionamento de fabricantes de embalagens plásticas, mostrando por que elas devem ser usadas; o texto II ilustra o posicionamento de consumidores comuns, que buscam praticidade e conforto. (E) o texto I apresenta um alerta a respeito da possibilidade de contaminação de produtos orgânicos e industrializados decorrente do uso de plástico em suas embalagens; o texto II apresenta vantagens do consumo de sacolas plásticas: leves, descartáveis e gratuitas. 5. (ENEM-MEC) Em contraste com o texto I, no texto II são empregadas, predominantemente, estratégias argumentativas que (A) atraem o leitor por meio de previsões para o futuro. (B) apelam à emoção do leitor, mencionando a morte de animais. (C) orientam o leitor a respeito dos modos de usar conscientemente as sacolas plásticas. (D) intimidam o leitor com as nocivas consequências do uso indiscriminado de sacolas plásticas. (E) recorrem à informação, por meio de constatações, para convencer o leitor a evitar o uso de sacolas plásticas. ________________________________________________ *Anotações* 6. (ENEM-MEC) Cientistas da Grã-Bretanha anunciaram ter identificado o primeiro gene humano relacionado com o desenvolvimento da linguagem, o FOXP2. A descoberta pode ajudar os pesquisadores a compreender os misteriosos mecanismos do discurso – que é uma característica exclusiva dos seres humanos. O gene pode indicar por que e como as pessoas aprendem a se comunicar e a se expressar e por que algumas crianças têm disfunções nessa área. Segundo o professor Anthony Monaco, do Centro Wellcome Trust de Genética Humana, de Oxford, além de ajudar a diagnosticar desordens de discurso, o estudo do gene vai possibilitar a descoberta de outros genes com imperfeições. Dessa forma, o prosseguimento das investigações pode levar a descobrir também esses genes associados e, assim, abrir uma possibilidade de curar todos os males relacionados à linguagem. Disponível em: < http://www.bbc.co.uk > (adaptado). Para convencer o leitor da veracidade das informações contidas no texto, o autor recorre à estratégia de (A) citar autoridade especialista no assunto em questão. (B) destacar os cientistas da Grã-Bretanha. (C) apresentar citações de diferentes fontes de divulgação científica. (D) detalhar os procedimentos efetuados durante o processo da pesquisa. (E) elencar as possíveis consequências positivas que a descoberta vai trazer. Texto para as questões 7 e 8. Quando eu falo com vocês, procuro usar o código de vocês. A figura do índio no Brasil de hoje não pode ser aquela de 500 anos atrás, do passado, que representa aquele primeiro contato. Da mesma forma que o Brasil de hoje não é o Brasil de ontem, tem 160 milhões de pessoas com diferentes sobrenomes. Vieram para cá asiáticos, europeus, africanos, e todo mundo quer ser brasileiro. A importante pergunta que nós fazemos é: qual é o pedaço de índio que vocês têm? O seu cabelo? São seus olhos? Ou é o nome da sua rua? O nome da sua praça? Enfim, vocês devem ter um pedaço de índio dentro de vocês. Para nós, o importante é que vocês olhem para a gente como seres humanos, como pessoas que nem precisam de paternalismos, nem precisam ser tratadas com privilégios. Nós não queremos tomar o Brasil de vocês, nós queremos compartilhar esse Brasil com vocês. TERENA, M. Debate. MORIN, E. Saberes globais e saberes locais. Rio de Janeiro: Garamond, 2000 (adaptado). 7. (ENEM-MEC) Na situação de comunicação da qual o texto foi retirado, a norma-padrão da língua portuguesa é empregada com a finalidade de
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    LCT  Português _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 159 LCT  Português  (A) demonstrar a clareza e a complexidade da nossa língua materna. (B) situar os dois lados da interlocução em posições simétricas. (C) comprovar a importância da correção gramatical nos diálogos cotidianos. (D) mostrar como as línguas indígenas foram incorporadas à língua portuguesa. (E) ressaltar a importância do código linguístico que adotamos como língua nacional. 8. (ENEM-MEC) Os procedimentos argumentativos utilizados no texto permitem inferir que o ouvinte/leitor, no qual o emissor foca o seu discurso, pertence (A) ao mesmo grupo social do falante/autor. (B) a um grupo de brasileiros considerados como não índios. (C) a um grupo étnico que representa a maioria europeia que vive no país. (D) a um grupo formado por estrangeiros que falam português. (E) a um grupo sociocultural formado por brasileiros naturalizados e imigrantes. 9. (ENEM-MEC) DIGA NÃO AO NÃO Quem disse que alguma coisa é impossível? Olhe ao redor. O mundo está cheio de coisas que, segundo os pessimistas, nunca teriam acontecido. “Impossível.” “Impraticável.” “Não.” E ainda assim, sim. Sim, Santos Dumont foi o primeiro homem a decolar a bordo de um avião, impulsionado por um motor aeronáutico. Sim, Visconde de Mauá, um dos maiores empreendedores do Brasil, inaugurou a primeira rodovia pavimentada do país. Sim, uma empresa brasileira também inovou no país. Abasteceu o primeiro voo comercial brasileiro. Foi a primeira empresa privada a produzir petróleo na Bacia de Campos. Desenvolveu um óleo combustível mais limpo, o OC Plus. O que é necessário para transformar o não em sim? Curiosidade. Mente aberta. Vontade de arriscar. E quando o problema parece insolúvel, quando o desafio é muito duro, dizer: vamos lá. Soluções de energia para um mundo real. Jornal da ABI. n.º 336, dez. 2008 (adaptado). O texto publicitário apresenta a oposição entre “impossível”, “impraticável”, “não” e “sim”, “sim”, “sim”. Essa oposição, usada como um recurso argumentativo, tem a função de (A) minimizar a importância da invenção do avião por Santos Dumont. (B) mencionar os feitos de grandes empreendedores da história do Brasil. (C) ressaltar a importância do pessimismo para promover transformações. (D) associar os empreendimentos da empresa petrolífera a feitos históricos. (E) ironizar os empreendimentos rodoviários de Visconde de Mauá no Brasil. 10. (ENEM-MEC) Os filhos de Ana eram bons, uma coisa verdadeira e sumarenta. Cresciam, tomavam banho, exigiam para si, malcriados, instantes cada vez mais completos. A cozinha era enfim espaçosa, o fogão enguiçado dava estouros. O calor era forte no apartamento que estavam aos poucos pagando. Mas o vento batendo nas cortinas que ela mesma cortara lembrava-lhe que se quisesse podia parar e enxugar a testa, olhando o calmo horizonte. Como um lavrador. Ela plantara as sementes que tinha na mão, não outras, mas essas apenas. LISPECTOR, C. Laços de família. Rio de Janeiro: Rocco, 1998. A autora emprega por duas vezes o conectivo mas no fragmento apresentado. Observando aspectos da organização, estruturação e funcionalidade dos elementos que articulam o texto, o conectivo mas (A) expressa o mesmo conteúdo nas duas situações em que aparece no texto. (B) quebra a fluidez do texto e prejudica a compreensão, se usado no início da frase. (C) ocupa posição fixa, sendo inadequado seu uso na abertura da frase. (D) contém uma ideia de sequência temporal que direciona a conclusão do leitor. (E) assume funções discursivas distintas nos dois contextos de uso. ________________________________________________ *Anotações*
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    LCT  Português _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 160 LCT  Português  11. (ENEM-MEC) O Flamengo começou a partida no ataque, enquanto o Botafogo procurava fazer uma forte marcação no meio- -campo e tentar lançamentos para Victor Simões, isolado entre os zagueiros rubro-negros. Mesmo com mais posse de bola, o time dirigido por Cuca tinha grande dificuldade de chegar à área alvinegra por causa do bloqueio montado pelo Botafogo na frente da sua área. No entanto, na primeira chance rubro-negra, saiu o gol. Após cruzamento da direita de Ibson, a zaga alvinegra rebateu a bola de cabeça para o meio da área. Kléberson apareceu na jogada e cabeceou por cima do goleiro Renan. Ronaldo Angelim apareceu nas costas da defesa e empurrou para o fundo da rede quase que em cima da linha: Flamengo 1 a 0. Disponível em: < http://momentodofutebol.blogspot.com > (adaptado). O texto, que narra uma parte do jogo final do Campeonato Carioca de futebol, realizado em 2009, contém vários conectivos, sendo que (A) após é conectivo de causa, já que apresenta o motivo de a zaga alvinegra ter rebatido a bola de cabeça. (B) enquanto tem um significado alternativo, porque conecta duas opções possíveis para serem aplicadas no jogo. (C) no entanto tem significado de tempo, porque ordena os fatos observados no jogo em ordem cronológica de ocorrência. (D) mesmo traz ideia de concessão, já que “com mais posse de bola”, ter dificuldade não é algo naturalmente esperado. (E) por causa de indica consequência, porque as tentativas de ataque do Flamengo motivaram o Botafogo a fazer um bloqueio. 12. (ENEM-MEC) No ano passado, o governo promoveu uma campanha a fim de reduzir os índices de violência. Noticiando o fato, um jornal publicou a seguinte manchete: CAMPANHA CONTRA A VIOLÊNCIA DO GOVERNO DO ESTADO ENTRA EM NOVA FASE A manchete tem um duplo sentido, e isso dificulta o entendimento. Considerando o objetivo da notícia, esse problema poderia ter sido evitado com a seguinte redação: (A) Campanha contra o governo do Estado e a violência entram em nova fase. (B) A violência do governo do Estado entra em nova fase de Campanha. (C) Campanha contra o governo do Estado entra em nova fase de violência. (D) A violência da Campanha do governo do Estado entra em nova fase. (E) Campanha do governo do Estado contra a violência entra em nova fase. 13. (ENEM-MEC) Aumento do efeito estufa ameaça plantas, diz estudo 3 6 9 O aumento de dióxido de carbono na atmosfera, resultante do uso de combustíveis fósseis e das queimadas, pode ter consequências calamitosas para o clima mundial, mas também pode afetar diretamente o crescimento das plantas. Cientistas da Universidade de Basel, na Suíça, mostraram que, embora o dióxido de carbono seja essencial para o crescimento dos vegetais, quantidades excessivas desse gás prejudicam a saúde das plantas e têm efeitos incalculáveis na agricultura de vários países. O Estado de S. Paulo, 20 set. 1992, p.32. O texto acima possui elementos coesivos que promovem sua manutenção temática. A partir dessa perspectiva, conclui-se que (A) a palavra “mas”, na linha 4, contradiz a afirmação inicial do texto: linhas de 1 a 4. (B) a palavra “embora”, na linha 7, introduz uma explicação que não encontra complemento no restante do texto. (C) as expressões “consequências calamitosas”, na linha 3, e “efeitos incalculáveis”, na linha 10, reforçam a ideia que perpassa o texto sobre o perigo do efeito estufa. (D) o uso da palavra “cientistas”, na linha 5, é desnecessário para dar credibilidade ao texto, uma vez que se fala em “estudo” no título do texto. (E) a palavra “gás”, na linha 9, refere-se a “combustíveis fósseis” e “queimadas”, nas linhas 2 e 3, reforçando a ideia de catástrofe. 14. (ENEM-MEC) O mundo é grande O mundo é grande e cabe Nesta janela sobre o mar. O mar é grande e cabe Na cama e no colchão de amar. O amor é grande e cabe No breve espaço de beijar. ANDRADE, Carlos Drummond de. Poesia e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1983. Neste poema, o poeta realizou uma opção estilística: a reiteração de determinadas construções e expressões linguísticas, como o uso da mesma conjunção para estabelecer a relação entre as frases. Essa conjunção estabelece, entre as ideias relacionadas, um sentido de (A) oposição. (B) comparação. (C) conclusão. (D) alternância. (E) finalidade.
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    LCT  Português _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 161 LCT  Português  15. (FUVEST-SP) Belo Horizonte, 28 de julho de 1942. Meu caro Mário, Estou te escrevendo rapidamente, se bem que haja muitíssima coisa que eu quero te falar (a respeito da Conferência, que acabei de ler agora). Vem-me uma vontade imensa de desabafar com você tudo o que ela me fez sentir. Mas é longo, não tenho o direito de tomar seu tempo e te chatear. Fernando Sabino. No texto, o conectivo “se bem que” estabelece relação de: (A) conformidade. (B) condição. (C) concessão. (D) alternância. (E) consequência. 16. (ENEM-MEC) Texto I Ser brotinho não é viver em um píncaro azulado; é muito mais! Ser brotinho é sorrir bastante dos homens e rir interminavelmente das mulheres, rir como se o ridículo, visível ou invisível, provocasse uma tosse de riso irresistível. CAMPOS, Paulo Mendes. Ser brotinho. In: SANTOS, Joaquim Ferreira dos (Org.). As cem melhores crônicas brasileiras. Rio de Janeiro: Objetiva, 2005, p. 91. Texto II Ser gagá não é viver apenas nos idos do passado: é muito mais! É saber que todos os amigos já morreram e os que teimam em viver são entrevados. É sorrir, interminavelmente, não por necessidade interior, mas porque a boca não fecha ou a dentadura é maior que a arcada. FERNANDES, Millôr. Ser gagá. In: SANTOS, Joaquim Ferreira dos (Org.). As cem melhores crônicas brasileiras. Rio de Janeiro: Objetiva, 2005, p. 225. Os textos utilizam os mesmos recursos expressivos para definir as fases da vida, entre eles, (A) expressões coloquiais com significados semelhantes. (B) ênfase no aspecto contraditório da vida dos seres humanos. (C) recursos específicos de textos escritos em linguagem formal. (D) termos denotativos que se realizam com sentido objetivo. (E) metalinguagem que explica com humor o sentido de palavras. Texto para as questões 17 e 18. Cidade grande Que beleza, Montes Claros. Como cresceu Montes Claros. Quanta indústria em Montes Claros. Montes Claros cresceu tanto, ficou urbe tão notória, prima-rica do Rio de Janeiro, que já tem cinco favelas por enquanto, e mais promete. ANDRADE, Carlos Drummond de. Poesia e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1983. 17. (ENEM-MEC) Entre os recursos expressivos empregados no texto, destaca-se a (A) metalinguagem, que consiste em fazer a linguagem referir-se à própria linguagem. (B) intertextualidade, na qual o texto retoma e reelabora outros textos. (C) ironia, que consiste em se dizer o contrário do que se pensa, com intenção crítica. (D) denotação, caracterizada pelo uso das palavras em seu sentido próprio e objetivo. (E) prosopopeia, que consiste em personificar coisas inanimadas, atribuindo-lhes vida. 18. (ENEM-MEC) No trecho “Montes Claros cresceu tanto,/ (...),/ que já tem cinco favelas”, a palavra que contribui para estabelecer uma relação de consequência. Dos seguintes versos, todos de Carlos Drummond de Andrade, apresentam esse mesmo tipo de relação: (A) “Meu Deus, por que me abandonaste / se sabias que eu não era Deus / se sabias que eu era fraco.” (B) “No meio-dia branco de luz uma voz que aprendeu / a ninar nos longes da senzala – e nunca se esqueceu / chamava para o café.” (C) “Teus ombros suportam o mundo / e ele não pesa mais que a mão de uma criança.” (D) “A ausência é um estar em mim. / E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços, / que rio e danço e invento exclamações alegres.” (E) “Penetra surdamente no reino das palavras. / Lá estão os poemas que esperam ser escritos.” ________________________________________________ *Anotações*
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    LCT  Português _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 162 LCT  Português  19. (ENEM-MEC) Metáfora (Gilberto Gil) Uma lata existe para conter algo, Mas quando o poeta diz: “Lata” Pode estar querendo dizer o incontível Uma meta existe para ser um alvo, Mas quando o poeta diz: “Meta” Pode estar querendo dizer o inatingível Por isso não se meta a exigir do poeta Que determine o conteúdo em sua lata Na lata do poeta tudonada cabe, Pois ao poeta cabe fazer Com que na lata venha caber O incabível Deixe a meta do poeta não discuta, Deixe a sua meta fora da disputa Meta dentro e fora, lata absoluta Deixe-a simplesmente metáfora. Disponível em: < http://www.letras.terra.com.br >. A metáfora é a figura de linguagem identificada pela comparação subjetiva, pela semelhança ou analogia entre elementos. O texto de Gilberto Gil brinca com a linguagem remetendo-nos a essa conhecida figura. O trecho em que se identifica a metáfora é: (A) “Uma lata existe para conter algo”. (B) “Mas quando o poeta diz: ‘Lata’”. (C) “Uma meta existe para ser um alvo”. (D) “Por isso não se meta a exigir do poeta”. (E) “Que determine o conteúdo em sua lata”. Texto para as questões 20 e 21. A carreira do crime Estudo feito por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz sobre adolescentes recrutados pelo tráfico de drogas nas favelas cariocas expõe as bases sociais dessas quadrilhas, contribuindo para explicar as dificuldades que o Estado enfrenta no combate ao crime organizado. O tráfico oferece aos jovens de escolaridade precária (nenhum dos entrevistados havia completado o ensino fundamental) um plano de carreira bem-estruturado, com salários que variam de R$ 400,00 a R$ 12.000,00 mensais. Para uma base de comparação, convém notar que, segundo dados do IBGE de 2001, 59% da população brasileira com mais de dez anos que declara ter uma atividade remunerada ganha no máximo o “piso salarial” oferecido pelo crime. Dos traficantes ouvidos pela pesquisa, 25% recebiam mais de R$ 2.000,00 mensais; já na população brasileira essa taxa não ultrapassa 6%. Tais rendimentos mostram que as políticas sociais compensatórias, como o Bolsa-Escola (que paga R$ 15,00 mensais por aluno matriculado), são por si sós incapazes de impedir que o narcotráfico continue aliciando crianças provenientes de estratos de baixa renda: tais políticas aliviam um pouco o orçamento familiar e incentivam os pais a manterem os filhos estudando, o que de modo algum impossibilita a opção pela delinquência. No mesmo sentido, os programas voltados aos jovens vulneráveis ao crime organizado (circo-escolas, oficinas de cultura, escolinhas de futebol) são importantes, mas não resolvem o problema. A única maneira de reduzir a atração exercida pelo tráfico é a repressão, que aumenta os riscos para os que escolhem esse caminho. Os rendimentos pagos aos adolescentes provam isso: eles são elevados precisamente porque a possibilidade de ser preso não é desprezível. É preciso que o Executivo federal e os estaduais desmontem as organizações paralelas erguidas pelas quadrilhas, para que a certeza de punição elimine o fascínio dos salários do crime. Editorial. Folha de S. Paulo, 15 jan. 2003. 20. (ENEM-MEC) No Editorial, o autor defende a tese de que “as políticas sociais que procuram evitar a entrada dos jovens no tráfico não terão chance de sucesso enquanto a remuneração oferecida pelos traficantes for tão mais compensatória que aquela oferecida pelos programas do governo”. Para comprovar sua tese, o autor apresenta (A) instituições que divulgam o crescimento de jovens no crime organizado. (B) sugestões que ajudam a reduzir a atração exercida pelo crime organizado. (C) políticas sociais que impedem o aliciamento de crianças no crime organizado. (D) pesquisadores que se preocupam com os jovens envolvidos no crime organizado. (E) números que comparam os valores pagos entre os programas de governo e o crime organizado. 21. (ENEM-MEC) Com base nos argumentos do autor, o texto aponta para (A) uma denúncia de quadrilhas que se organizam em torno do narcotráfico. (B) a constatação de que o narcotráfico restringe-se aos centros urbanos. (C) a informação de que as políticas sociais compensatórias eliminarão a atividade criminosa a longo prazo. (D) o convencimento do leitor de que para haver a superação do problema do narcotráfico é preciso aumentar a ação policial. (E) uma exposição numérica realizada com o fim de mostrar que o negócio do narcotráfico é vantajoso e sem riscos.
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    LCT  Português _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 163 LCT  Português  22. (ENEM-MEC) Texto I O professor deve ser um guia seguro, muito senhor de sua língua; se outra for a orientação, vamos cair na “língua brasileira”, refúgio nefasto e confissão nojenta de ignorância do idioma pátrio, recurso vergonhoso de homens de cultura falsa e de falso patriotismo. Como havemos de querer que respeitem a nossa nacionalidade se somos os primeiros a descuidar daquilo que exprime e representa o idioma pátrio? ALMEIDA, N. M. Gramática metódica da língua portuguesa. Prefácio. São Paulo: Saraiva, 1999 (adaptado). Texto II Alguns leitores poderão achar que a linguagem desta Gramática se afasta do padrão estrito usual neste tipo de livro. Assim, o autor escreve “tenho que reformular”, e não “tenho de reformular”; “pode-se colocar dois constituintes”, e não “podem-se colocar dois constituintes”; e assim por diante. Isso foi feito de caso pensado, com a preocupação de aproximar a linguagem da gramática do padrão atual brasileiro presente nos textos técnicos e jornalísticos de nossa época. REIS, N. Nota do editor. PERINI, M. A. Gramática descritiva do português. São Paulo: Ática, 1996. Confrontando-se as opiniões defendidas nos dois textos, conclui-se que (A) ambos os textos tratam da questão do uso da língua com o objetivo de criticar a linguagem do brasileiro. (B) os dois textos defendem a ideia de que o estudo da gramática deve ter o objetivo de ensinar as regras prescritivas da língua. (C) a questão do português falado no Brasil é abordada nos dois textos, que procuram justificar como é correto e aceitável o uso coloquial do idioma. (D) o primeiro texto enaltece o padrão estrito da língua, ao passo que o segundo defende que a linguagem jornalística deve criar suas próprias regras gramaticais. (E) o primeiro texto prega a rigidez gramatical no uso da língua, enquanto o segundo defende uma adequação da língua escrita ao padrão atual brasileiro. ________________________________________________ *Anotações* 23. (ENEM-MEC) Apesar da ciência, ainda é possível acreditar no sopro divino – o momento em que o Criador deu vida até ao mais insignificante dos microrganismos? Resposta de Dom Odilo Scherer, cardeal-arcebispo de São Paulo, nomeado pelo papa Bento XVI em 2007: “Claro que sim. Estaremos falando sempre que, em algum momento, começou a existir algo, para poder evoluir em seguida. O ato do Criador precede a possibilidade de evolução: só evolui algo que existe. Do nada, nada surge e evolui.” LIMA, Eduardo. Testemunha de Deus. Superinteressante, São Paulo, n.º 263-A, p. 9, mar. 2009 (com adaptações). Resposta de Daniel Dennett, filósofo americano ateu e evolucionista radical, formado em Harvard e Doutor por Oxford: “É claro que é possível, assim como se pode acreditar que um super-homem veio para a Terra há 530 milhões de anos e ajustou o DNA da fauna cambriana, provocando a explosão da vida daquele período. Mas não há razão para crer em fantasias desse tipo.” LIMA, Eduardo. Advogado do Diabo. Superinteressante, São Paulo, n.º 263-A, p. 11, mar. 2009 (com adaptações). Os dois entrevistados responderam a questões idênticas, e as respostas a uma delas foram reproduzidas aqui. Tais respostas revelam opiniões opostas: um defende a existência de Deus e o outro não concorda com isso. Para defender seu ponto de vista, (A) o religioso ataca a ciência, desqualificando a Teoria da Evolução, e o ateu apresenta comprovações científicas dessa teoria para derrubar a ideia de que Deus existe. (B) Scherer impõe sua opinião, pela expressão “claro que sim”, por se considerar autoridade competente para definir o assunto, enquanto Dennett expressa dúvida, com expressões como “é possível”, assumindo não ter opinião formada. (C) o arcebispo critica a teoria do Design Inteligente, pondo em dúvida a existência de Deus, e o ateu argumenta com base no fato de que algo só pode evoluir se, antes, existir. (D) o arcebispo usa uma lacuna da ciência para defender a existência de Deus, enquanto o filósofo faz uma ironia, sugerindo que qualquer coisa inventada poderia preencher essa lacuna. (E) o filósofo utiliza dados históricos em sua argumentação, ao afirmar que a crença em Deus é algo primitivo, criado na época cambriana, enquanto o religioso baseia sua argumentação no fato de que algumas coisas podem “surgir do nada”.
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    LCT  Português _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 164 LCT  Português  24. (ENEM-MEC) Texto I O chamado “fumante passivo” é aquele indivíduo que não fuma, mas acaba respirando a fumaça dos cigarros fumados ao seu redor. Até hoje, discutem-se muito os efeitos do fumo passivo, mas uma coisa é certa: quem não fuma não é obrigado a respirar a fumaça dos outros. O fumo passivo é um problema de saúde pública em todos os países do mundo. Na Europa, estima-se que 79% das pessoas estão expostas à fumaça “de segunda mão”, enquanto, nos Estados Unidos, 88% dos não fumantes acabam fumando passivamente. A Sociedade do Câncer da Nova Zelândia informa que o fumo passivo é a terceira entre as principais causas de morte no país, depois do fumo ativo e do uso de álcool. Disponível em: < www.terra.com.br > (fragmento). Texto II Disponível em: < www.rickjaimecomics.blogspot.com >. Ao abordar a questão do tabagismo, os textos I e II procuram demonstrar que (A) a quantidade de cigarros consumidos por pessoa, diariamente, excede o máximo de nicotina recomendado para os indivíduos, inclusive para os não fumantes. (B) para garantir o prazer que o indivíduo tem ao fumar, será necessário aumentar as estatísticas de fumo passivo. (C) a conscientização dos fumantes passivos é uma maneira de manter a privacidade de cada indivíduo e garantir a saúde de todos. (D) os não fumantes precisam ser respeitados e poupados, pois estes também estão sujeitos às doenças causadas pelo tabagismo. (E) o fumante passivo não é obrigado a inalar as mesmas toxinas que um fumante, portanto depende dele evitar ou não a contaminação proveniente da exposição ao fumo. 25. (ENEM-MEC) MOSTRE QUE SUA MEMÓRIA É MELHOR DO QUE A DE COMPUTADOR E GUARDE ESTA CONDIÇÃO: 12 X SEM JUROS. Campanha publicitária de loja de eletroeletrônicos. Revista Época, n.º 424, 3/7/2006. Ao circularem socialmente, os textos realizam-se como práticas de linguagem, assumindo configurações específicas, formais e de conteúdo. Considerando o contexto em que circula o texto publicitário, seu objetivo básico é (A) influenciar o comportamento do leitor, por meio de apelos que visam à adesão ao consumo. (B) definir regras de comportamento social pautadas no combate ao consumismo exagerado. (C) defender a importância do conhecimento de informática pela população de baixo poder aquisitivo. (D) facilitar o uso de equipamentos de informática pelas classes sociais economicamente desfavorecidas. (E) questionar o fato de o homem ser mais inteligente que a máquina, mesmo a mais moderna. 26. (ENEM-MEC) Se os tubarões fossem homens Se os tubarões fossem homens, eles seriam mais gentis com os peixes pequenos? Certamente, se os tubarões fossem homens, fariam construir resistentes gaiolas no mar para os peixes pequenos, com todo o tipo de alimento, tanto animal como vegetal. Cuidariam para que as gaiolas tivessem sempre água fresca e adotariam todas as providências sanitárias. Naturalmente haveria também escolas nas gaiolas. Nas aulas, os peixinhos aprenderiam como nadar para a goela dos tubarões. Eles aprenderiam, por exemplo, a usar a geografia para localizar os grandes tubarões deitados preguiçosamente por aí. A aula principal seria, naturalmente, a formação moral dos peixinhos. A eles seria ensinado que o ato mais grandioso e mais sublime é o sacrifício alegre de um peixinho e que todos deveriam acreditar nos tubarões, sobretudo quando estes dissessem que cuidavam de sua felicidade futura. Os peixinhos saberiam que este futuro só estaria garantido se aprendessem a obediência. Cada peixinho que na guerra matasse alguns peixinhos inimigos seria condecorado com uma pequena Ordem das Algas e receberia o título de herói. BRECHT, B. Histórias do Sr. Keuner. São Paulo: Editora 34, 2006 (adaptado).
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    LCT  Português _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 165 LCT  Português  Como produção humana, a literatura veicula valores que nem sempre estão representados diretamente no texto, mas são transfigurados pela linguagem literária e podem até entrar em contradição com as convenções sociais e revelar o quanto a sociedade perverteu os valores humanos que ela própria criou. É o que ocorre na narrativa do dramaturgo alemão Bertolt Brecht mostrada. Por meio da hipótese apresentada, o autor (A) demonstra o quanto a literatura pode ser alienadora ao retratar, de modo positivo, as relações de opressão existentes na sociedade. (B) revela a ação predatória do homem no mar, questionando a utilização dos recursos naturais pelo homem ocidental. (C) defende que a força colonizadora e civilizatória do homem ocidental valorizou a organização das sociedades africanas e asiáticas, elevando-as ao modo de organização cultural e social da sociedade moderna. (D) questiona o modo de organização das sociedades ocidentais capitalistas, que se desenvolveram fundamentadas nas relações de opressão em que os mais fortes exploram os mais fracos. (E) evidencia a dinâmica social do trabalho coletivo em que os mais fortes colaboram com os mais fracos, de modo a guiá-los na realização de tarefas. Texto para as questões 27 e 28. Negrinha Negrinha era uma pobre órfã de sete anos. Preta? Não; fusca, mulatinha escura, de cabelos ruços e olhos assustados. Nascera na senzala, de mãe escrava, e seus primeiros anos vivera-os pelos cantos escuros da cozinha, sobre velha esteira e trapos imundos. Sempre escondida, que a patroa não gostava de crianças. Excelente senhora, a patroa. Gorda, rica, dona do mundo, amimada dos padres, com lugar certo na igreja e camarote de luxo reservado no céu. Entaladas as banhas no trono (uma cadeira de balanço na sala de jantar), ali bordava, recebia as amigas e o vigário, dando audiências, discutindo o tempo. Uma virtuosa senhora em suma – “dama de grandes virtudes apostólicas, esteio da religião e da moral”, dizia o reverendo. Ótima, a dona Inácia. Mas não admitia choro de criança. Ai! Punha-lhe os nervos em carne viva. [...] A excelente dona Inácia era mestra na arte de judiar de crianças. Vinha da escravidão, fora senhora de escravos – e daquelas ferozes, amigas de ouvir cantar o bolo e estalar o bacalhau. Nunca se afizera ao regime novo – essa indecência de negro igual. LOBATO, M. Negrinha. In: MORICONE, I. Os cem melhores contos brasileiros do século. Rio de Janeiro: Objetiva, 2000 (fragmento). 27. (ENEM-MEC) A narrativa focaliza um momento histórico-social de valores contraditórios. Essa contradição infere-se, no contexto, pela (A) falta de aproximação entre a menina e a senhora, preocupada com as amigas. (B) receptividade da senhora para com os padres, mas deselegante para com as beatas. (C) ironia do padre a respeito da senhora, que era perversa com as crianças. (D) resistência da senhora em aceitar a liberdade dos negros, evidenciada no final do texto. (E) rejeição aos criados por parte da senhora, que preferia tratá-los com castigos. 28. (AED-SP) O fragmento apresenta característica marcante do gênero narrativo conto ao: (A) relatar um enredo imaginário, mas de caráter verossímil, e apresentar personagens vivendo uma sequência de conflitos, em vários capítulos. (B) estruturar-se em uma narrativa curta, que gira em torno de um só conflito, com poucos personagens. (C) inspirar-se em temas do cotidiano, constituindo um relato pessoal do autor sobre determinado fato do dia a dia. (D) estruturar-se exclusivamente em 1.ª pessoa: o narrador, autor da história, relata os fatos. (E) desenvolver uma narrativa eminentemente factual sobre a realidade, sobrepondo o conteúdo real ao imaginário. 29. (ENEM-MEC) Depois de um bom jantar: feijão com carne-seca, orelha de porco e couve com angu, arroz-mole engordurado, carne de vento assada no espeto, torresmo enxuto de toicinho da barriga, viradinho de milho verde e um prato de caldo de couve, jantar encerrado por um prato fundo de canjica com torrões de açúcar, Nhô Tomé saboreou o café forte e se estendeu na rede. A mão direita sob a cabeça, à guisa de travesseiro, o indefectível cigarro de palha entre as pontas do indicador e do polegar, envernizados pela fumaça, de unhas encanoadas e longas, ficou-se de pança para o ar, modorrento, a olhar para as ripas do telhado. Quem come e não deita, a comida não aproveita, pensava Nhô Tomé... E pôs-se a cochilar. A sua modorra durou pouco; Tia Policena, ao passar pela sala, bradou assombrada: — Êêh! Sinhô! Vai drumi agora? Não! Num presta... Dá pisadêra e póde morrê de ataque de cabeça! Despois do armoço num far-má... mais despois da janta?! Cornélio Pires. Conversas ao pé do fogo. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 1987.
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    LCT  Português _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 166 LCT  Português  Nesse trecho, extraído de texto publicado originalmente em 1921, o narrador (A) apresenta, sem explicitar juízos de valor, costumes da época, descrevendo os pratos servidos no jantar e a atitude de Nhô Tomé e de Tia Policena. (B) desvaloriza a norma culta da língua porque incorpora à narrativa usos próprios da linguagem regional das personagens. (C) condena os hábitos descritos, dando voz a Tia Policena, que tenta impedir Nhô Tomé de deitar-se após as refeições. (D) utiliza a diversidade sociocultural e linguística para demonstrar seu desrespeito às populações das zonas rurais do início do século XX. (E) manifesta preconceito em relação a Tia Policena ao transcrever a fala dela com os erros próprios da região. Texto para as questões 30 e 31. Amor é fogo que arde sem se ver; é ferida que dói e não se sente; é um contentamento descontente; é dor que desatina sem doer. É um não querer mais que bem-querer; é solitário andar por entre a gente; é nunca contentar-se de contente; é cuidar que se ganha em se perder. É querer estar preso por vontade; é servir a quem vence, o vencedor; é ter com quem nos mata lealdade. Mas como causar pode seu favor nos corações humanos amizade, se tão contrário a si é o mesmo Amor? (Luís de Camões) 30. (ENEM-MEC) O poema tem como característica a figura de linguagem denominada antítese, relação de oposição de palavras ou ideias. Assinale a opção em que essa oposição se faz claramente presente. (A) “Amor é fogo que arde sem se ver”. (B) “é um contentamento descontente”. (C) “é servir a quem vence, o vencedor”. (D) “Mas como causar pode seu favor”. (E) “se tão contrário a si é o mesmo Amor?”. 31. (ENEM-MEC) O poema pode ser considerado como um texto (A) argumentativo. (B) narrativo. (C) épico. (D) de propaganda. (E) teatral. 32. (ENEM-MEC) Miguilim De repente lá vinha um homem a cavalo. Eram dois. Um senhor de fora, o claro de roupa. Miguilim saudou, pedindo a bênção. O homem trouxe o cavalo cá bem junto. Ele era de óculos, corado, alto, com um chapéu diferente, mesmo. — Deus te abençoe, pequenino. Como é teu nome? — Miguilim. Eu sou irmão do Dito. — E o seu irmão Dito é o dono daqui? — Não, meu senhor. O Ditinho está em glória. O homem esbarrava o avanço do cavalo, que era zelado, manteúdo, formoso como nenhum outro. Redizia: — Ah, não sabia, não. Deus o tenha em sua guarda... Mas que é que há, Miguilim? Miguilim queria ver se o homem estava mesmo sorrindo para ele, por isso é que o encarava. — Por que você aperta os olhos assim? Você não é limpo de vista? Vamos até lá. Quem é que está em tua casa? — É Mãe, e os meninos... Estava Mãe, estava tio Terez, estavam todos. O senhor alto e claro se apeou. O outro, que vinha com ele, era um camarada. O senhor perguntava à Mãe muitas coisas do Miguilim. Depois perguntava a ele mesmo: — Miguilim, espia daí: quantos dedos da minha mão você está enxergando? E agora? João Guimarães Rosa. Manuelzão e Miguilim. 9.ª ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984. Essa história, com narrador-observador em terceira pessoa, apresenta os acontecimentos da perspectiva de Miguilim. O fato de o ponto de vista do narrador ter Miguilim como referência, inclusive espacial, fica explicitado em (A) “O homem trouxe o cavalo cá bem junto.” (B) “Ele era de óculos, corado, alto (...)” (C) “O homem esbarrava o avanço do cavalo, (...)” (D) “Miguilim queria ver se o homem estava mesmo sorrindo para ele, (...)” (E) “Estava Mãe, estava tio Terez, estavam todos.” ________________________________________________ *Anotações*
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    LCT  Português _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 167 LCT  Português  33. (ENEM-MEC) Ferreira Gullar, um dos grandes poetas brasileiros da atualidade, é autor de “Bicho urbano”, poema sobre a sua relação com as pequenas e grandes cidades. Bicho urbano Se disser que prefiro morar em Pirapemas ou em outra qualquer pequena cidade do país estou mentindo ainda que lá se possa de manhã lavar o rosto no orvalho e o pão preserve aquele branco sabor de alvorada. ..................................................................... A natureza me assusta. Com seus matos sombrios suas águas suas aves que são como aparições me assusta quase tanto quanto esse abismo de gases e de estrelas aberto sob minha cabeça. Ferreira Gullar. Toda poesia. Rio de Janeiro: José Olympio Editora, 1991. Embora não opte por viver numa pequena cidade, o poeta reconhece elementos de valor no cotidiano das pequenas comunidades. Para expressar a relação do homem com alguns desses elementos, ele recorre à sinestesia, construção de linguagem em que se mesclam impressões sensoriais diversas. Assinale a opção em que se observa esse recurso. (A) “e o pão preserve aquele branco / sabor de alvorada.” (B) “ainda que lá se possa de manhã / lavar o rosto no orvalho” (C) “A natureza me assusta. / Com seus matos sombrios suas águas” (D) “suas aves que são como aparições / me assusta quase tanto quanto” (E) “me assusta quase tanto quanto / esse abismo / de gases e de estrelas” ________________________________________________ *Anotações* 34. (ENEM-MEC) O açúcar O branco açúcar que adoçará meu café nesta manhã de Ipanema não foi produzido por mim nem surgiu dentro do açucareiro por milagre. Vejo-o puro e afável ao paladar como beijo de moça, água na pele, flor que se dissolve na boca. Mas este açúcar não foi feito por mim. Este açúcar veio da mercearia da esquina e tampouco o fez o Oliveira, [ dono da mercearia. Este açúcar veio de uma usina de açúcar em Pernambuco ou no Estado do Rio e tampouco o fez o dono da usina. Este açúcar era cana e veio dos canaviais extensos que não nascem por acaso no regaço do vale. (...) Em usinas escuras, homens de vida amarga e dura produziram este açúcar branco e puro com que adoço meu café esta manhã em Ipanema. Ferreira Gullar. Toda Poesia. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1980, p. 227-8. A antítese que configura uma imagem da divisão social do trabalho na sociedade brasileira é expressa poeticamente na oposição entre a doçura do branco açúcar e (A) o trabalho do dono da mercearia de onde veio o açúcar. (B) o beijo de moça, a água na pele e a flor que se dissolve na boca. (C) o trabalho do dono do engenho em Pernambuco, onde se produz o açúcar. (D) a beleza dos extensos canaviais que nascem no regaço do vale. (E) o trabalho dos homens de vida amarga em usinas escuras.
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    LCT  Português _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 168 LCT  Português  35. (ENEM-MEC) O jivaro Um Sr. Matter, que fez uma viagem de exploração à América do Sul, conta a um jornal sua conversa com um índio jivaro, desses que sabem reduzir a cabeça de um morto até ela ficar bem pequenina. Queria assistir a uma dessas operações, e o índio lhe disse que exatamente ele tinha contas a acertar com um inimigo. O Sr. Matter: — Não, não! Um homem, não. Faça isso com a cabeça de um macaco. E o índio: — Por que um macaco? Ele não me fez nenhum mal! (Rubem Braga) O assunto de uma crônica pode ser uma experiência pessoal do cronista, uma informação obtida por ele ou um caso imaginário. O modo de apresentar o assunto também varia: pode ser uma descrição objetiva, uma exposição argumentativa ou uma narrativa sugestiva. Quanto à finalidade pretendida, pode-se promover uma reflexão, definir um sentimento ou tão somente provocar o riso. Na crônica “O jivaro”, escrita a partir da reportagem de um jornal, Rubem Braga se vale dos seguintes elementos: ASSUNTO MODO DE APRESENTAR FINALIDADE (A) caso imaginário descrição objetiva provocar o riso (B) informação colhida narrativa sugestiva promover reflexão (C) informação colhida descrição objetiva definir um sentimento (D) experiência pessoal narrativa sugestiva provocar o riso (E) experiência pessoal exposição argumentativa promover reflexão ________________________________________________ *Anotações* ********** ATIVIDADES 2 ********** C1 Aplicar as tecnologias da comunicação e da informação na escola, no trabalho e em outros contextos relevantes para sua vida. H1 Identificar as diferentes linguagens e seus recursos expressivos como elementos de caracterização dos sistemas de comunicação. 36. (ENEM-MEC) Observe a imagem: < http://www.sunhill-phuket.com >. O logotipo acima é da rede hoteleira Sun Hill, na Tailândia. Ele trabalha formas que sugerem elementos da paisagem ____________. Os traços dessas formas e os das letras são ____________, evocando a imagem do(a) ____________. Qual a alternativa que completa as lacunas? (A) campestre, arredondados, lua. (B) marítima, irregulares, mar. (C) campestre, irregulares, vegetação. (D) marítima, arredondados, sol. (E) urbana, irregulares, vegetação. H2 Recorrer aos conhecimentos sobre as linguagens dos sistemas de comunicação e informação para resolver problemas sociais. 37. (ENEM-MEC) José Dias precisa sair de sua casa e chegar até o trabalho, conforme mostra o Quadro 1. Ele vai de ônibus e pega três linhas: 1) de sua casa até o terminal de integração entre a zona norte e a zona central; 2) deste terminal até outro entre as zonas central e sul; 3) deste último terminal até onde trabalha. Sabe-se que há uma correspondência numérica, nominal e cromática das linhas que José toma, conforme o Quadro 2.
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    LCT  Português _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 169 LCT  Português  José Dias deverá, então, tomar a seguinte sequência de linhas de ônibus, para ir de casa ao trabalho: (A) L. 102 – Circular zona central – L. Vermelha. (B) L. Azul – L. 101 – Circular zona norte. (C) Circular zona norte – L. Vermelha – L. 100. (D) L. 100 – Circular zona central – L. Azul. (E) L. Amarela – L. 102 – Circular zona sul. H3 Relacionar informações geradas nos sistemas de comunicação e informação, considerando a função social desses sistemas. 38. (ENEM-MEC) Para verificarmos essa ideia de linguagem como forma de representação da realidade, vamos ler os dois trechos seguintes. Neles, dois jornais diferentes apresentam um mesmo assunto: a presença de comerciais inseridos em programas de televisão (o chamado merchandising), de forma mais ou menos implícita. Texto A – JORNAL A MERCHANDISING Quanto mais discreto melhor Impulsionado pelos reality shows e novelas, o comercial subliminar ganha novo fôlego e se adapta ao temperamento de apresentadores e roteiristas. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 7 jul. 2002. Caderno Telejornal, p. 4. Texto B – JORNAL B Quanto vale o show? A publicidade invadiu programas e novelas, para alegria das emissoras e apreensão dos que acham que a prática extrapolou. Folha de S. Paulo, São Paulo, 7 jul. 2002. Caderno TVFolha, p. 6-7. Fornecido pela Agência Folha. Tendo em vista que as duas reportagens tratam de um mesmo assunto e foram publicadas na mesma data, pode-se afirmar que: (A) apenas o texto A levanta os aspectos negativos do merchandising, a partir da opinião de roteiristas e apresentadores. (B) os dois textos transmitem diferentes visões sobre o assunto: em A foram levantados os aspectos positivos (marcados pelos termos “melhor”, “ganha” e “se adapta”); em B, os negativos (marcados pelos termos “invadiu”, “apreensão” e “extrapolou”). (C) apenas o texto B levanta os aspectos positivos do merchandising, a partir da opinião de jornalistas. (D) os dois textos transmitem a mesma visão sobre o assunto: em ambos, verifica-se 20% de aumento no merchandising em programas de TV. (E) os dois textos usam a mesma estratégia para noticiar o merchandising e ambas as notícias são favoráveis a ela. H4 Reconhecer posições críticas aos usos sociais que são feitos das linguagens e dos sistemas de comunicação e informação. 39. (ENEM-MEC) Em alguns supermercados, é comum observar que produtos como arroz, feijão, leite, carnes etc. ficam nos últimos corredores. Na entrada e nas laterais, ficam bolachas, biscoitos, produtos de beleza, artigos importados, bebidas etc. Essa maneira de organizar o espaço faz parte de uma estratégia comercial que tem por finalidade (A) atrair o consumidor para os gêneros de primeira necessidade. (B) estimular o consumo de produtos que não são de primeira necessidade. (C) organizar melhor o espaço para que o consumidor se sinta satisfeito. (D) facilitar as compras do consumidor. (E) levar o consumidor a comprar mais arroz, feijão e leite. 40. (ENEM-MEC) Comunicação contra o preconceito Imagine assistir, na TV, a uma história infantil em que o príncipe se apaixona por uma dama do “Palácio dos Macacos”. Ela é representada por uma atriz branca com o rosto inteiramente pintado de preto. Ao ser beijada pelo príncipe, selando a união sob as benções do rei, ela se transforma: some a tinta preta e ela agora é uma princesa toda branca. O estarrecedor preconceito manifesto na história não foi veiculado em programa humorístico (o que não o tornaria menos condenável), nem em uma produção estrangeira pobre e inconsequente, nem em produção independente brasileira. Foi levado ao ar na maior rede de televisão da América Latina, umas das maiores do mundo, em um dos programas infantis de maior audiência do Brasil. LORENZO, Aldé. Opinião. Jornal Educação Pública, 19/11/2003. Os termos de concessão de emissoras no Brasil preveem compromissos com a educação, a informação e o entretenimento. A leitura do texto anterior permite afirmar que a emissora (A) educou para a igualdade entre as etnias. (B) informou sobre a cultura afro-brasileira. (C) incorreu em manifestação de preconceito. (D) esclareceu sobre a diversidade étnica. (E) contou uma história isenta de preconceito. ________________________________________________ *Anotações*
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    LCT  Português _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 170 LCT  Português  *MÓDULO 2* Gêneros digitais – Comunicação e tecnologia  A internet reúne duas características importantes: interatividade e massividade. Nesse meio de comunicação, diferentemente da televisão, do rádio ou dos jornais, todos podem ser, ao mesmo tempo, emissores e receptores da mensagem. Conectados com o mundo por meio dos nossos computadores e celulares, vivenciamos um processo que o sociólogo canadense Marshall McLuhan havia previsto e chamado de “aldeia global”.  As Novas Tecnologias de Informação e Comunicação (NTICs), que incluem equipamentos como câmeras de vídeo em microcomputadores (webcam), celulares, TV por assinatura e internet, estão entre as principais ferramentas de troca de informação. Pouco a pouco, elas fazem parte do cotidiano de um número cada vez maior de pessoas e afirmam-se como instrumentos indispensáveis às comunicações pessoais, de trabalho e de lazer.  Exclusão digital: grande parte da população brasileira e mundial ainda não tem acesso às NTICs, permanecendo à margem do processo de informatização da sociedade. Esse fenômeno é chamado de exclusão digital – um descompasso entre o ritmo de desenvolvimento tecnológico e a distribuição de seus benefícios entre todos os setores da sociedade.  Hipertexto é todo texto que possibilita uma leitura não linear e uma maior interatividade e atuação explorativa do leitor. O hipertexto permite que o leitor desvie o fluxo da leitura para assuntos relacionados, aprofundando sua compreensão do texto inicial. Não raro, porém, o leitor opta por outros caminhos na leitura e não retorna ao texto inicial. Expressões corporais – Identidade e integração  A dança pode ser definida como uma sequência de movimentos com o próprio corpo que segue uma coreografia ou é realizada de forma livre, em harmonia com um ritmo ou mesmo sem música. No decorrer dos séculos, a dança firmou-se como uma das três principais artes cênicas, ao lado da música e do teatro – elementos que muitas vezes andam juntos.  Folclore é o conjunto das tradições, lendas ou crenças populares de um país. O folclore brasileiro é rico em danças que representam as tradições e as culturas regionais. Em geral, elas estão ligadas à religiosidade, às festas, às lendas, aos acontecimentos históricos e às brincadeiras.  As principais danças folclóricas brasileiras são: samba, samba de roda, maracatu, frevo, forró, baião, cateretê (catira), quadrilha, congo, tambor de crioula, bumba meu boi, bugio e fandango. WIKIMEDIA COMMONS  O frevo, típico de Pernambuco, caracteriza-se pelos movimentos rápidos  Brincadeiras e jogos são instrumentos de interação social, pois desenvolvem tanto habilidades perceptivo-motoras quanto habilidades sociais. A criança, por exemplo, vivencia, na brincadeira, situações de competição e de exclusão, preparando- -se de forma saudável para vivências futuras. Exemplos de brincadeiras tradicionais: jogar peteca, pular amarelinha, empinar pipa e dançar ciranda acompanhada de cantigas de roda,  Grande parte da população economicamente ativa trabalha por um longo período de tempo em frente aos computadores (muitas vezes, sem postura nem iluminação adequadas) ou passa longos períodos sentada ou em pé. Alguns problemas comuns decorrentes do estilo de vida moderno: sedentarismo, doenças decorrentes do esforço repetitivo, alimentação desbalanceada e estresse.  Corpolatria é o culto exagerado do corpo, no sentido do aperfeiçoamento estético, e não da preservação da saúde. A mídia e a sociedade tendem a valorizar determinados padrões de beleza, que excluem grande parte da população. Artes – Recursos expressivos  As manifestações artísticas são documentos importantes para conhecer as grandes civilizações do passado. As pirâmides do Egito, por exemplo, foram construídas para servir de túmulo aos faraós. Já a arte da Antiguidade Clássica (séculos VIII a.C. a V a.C.) se refere às civilizações grega e romana.  O Renascimento (século XIII ao XVII) retomou princípios da Antiguidade Clássica. Já o Barroco (século XVII ao XVIII) foi marcado pela maior dramaticidade em relação ao Renascimento e pela demanda do espiritual, com grandes expressões na arquitetura.  Arte Moderna é a denominação genérica que recebem os movimentos artísticos que se desenvolveram do fim do século XIX e no decorrer do XX. Essa denominação abarca:
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    LCT  Português _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 171 LCT  Português   Impressionismo: a pintura visa a captar as mudanças da natureza. Representado por Claude Monet e Auguste Renoir.  Fauvismo: simplificação das formas, cores brutais e pinceladas violentas, como se vê na obra de Paul Gauguin.  Cubismo: geometrização das formas e a sensação de uma pintura escultórica, caso de Pablo Picasso.  Expressionismo: com suas cores violentas e a sua temática de solidão e de miséria, reflete a amargura que invadia os círculos artísticos e intelectuais. Entre seus nomes está o norueguês Edvard Munch.  Surrealismo: representado pelo pintor espanhol Salvador Dalí, enfatiza a importância do papel do inconsciente na atividade criativa.  Dadaísmo: baseado no nonsense e no absurdo, como forma de contradizer a cultura estabelecida.  Arte cinética: explora efeitos visuais por meio de movimentos físicos ou ilusão de ótica.  Pop Art: consiste no uso de ícones da cultura de massa como tema. Seu maior expoente foi Andy Warhol.  A Semana de Arte Moderna de 1922 propunha uma arte brasileira independente, livre das amarras e dos complexos de inferioridade que a vinculavam aos padrões estrangeiros. Entre seus organizadores estavam os escritores Mário e Oswald de Andrade e a pintora Anita Malfatti. Culturas brasileiras – Diversidade  Os movimentos culturais são diferentes dos gêneros musicais porque abrangem outras propostas, de ideologia e de comportamento. Entre os principais movimentos culturais da história recente do Brasil estão a Bossa Nova e o Tropicalismo.  Entre os mais conhecidos gêneros musicais praticados no Brasil estão choro (ou chorinho), baião, marchinha, samba, rock, jazz, rap e MPB – a sigla para Música Popular Brasileira abrange grande diversidade de estilos musicais, derivados de várias matrizes.  Heranças culturais: nossa cultura possui tradições herdadas dos portugueses, africanos, indígenas e imigrantes do período de guerras na Europa. Por isso, é mais adequado falar em “culturas brasileiras”, no plural. Textos codificados – Sistemas simbólicos  Signos visuais são meios de comunicação visual, que se subdividem em três categorias, de acordo com a relação com o objeto representado:  Ícones: representam um modelo imitativo de um objeto, de uma forma, de um espaço ou de uma situação. Exemplos: ícones de programas na tela do computador, fotografias, mapas, objetos de arte.  Indícios: têm origem em formas ou situações naturais ou casuais. Exemplo: marcas dos pneus de um carro indicam uma freada brusca.  Símbolos: representam o objeto de maneira totalmente livre. Sua compreensão exige certo conhecimento de mundo. Exemplo: suástica, bandeira.  Os sistemas simbólicos surgiram diante da demanda de situações específicas de interlocução. Alguns sistemas universalmente usados são: a linguagem de sinais ou libras, o braile, a sinalização por bandeiras e as partituras. ********** ATIVIDADES 1 ********** Texto para a questão 1. A rede mudou a amizade? Graças às redes sociais, nunca foi tão fácil conhecer gente nova; algo que está transformando a própria definição de amizade Qual é a primeira coisa que você faz quando entra na internet? Checa seu e-mail, dá uma olhadinha no Twitter, confere as atualizações dos seus contatos no Orkut ou no Facebook? Há diversos estudos comprovando que interagir com outras pessoas, principalmente com amigos, é o que mais fazemos na internet. Só o Facebook já tem mais de 500 milhões de usuários, que juntos passam 700 bilhões de minutos por mês conectados ao site – que chegou a superar o Google em número de acessos diários. A internet é a ferramenta mais poderosa já inventada no que diz respeito à amizade. E está transformando nossas relações: tornou muito mais fácil manter contato com os amigos e conhecer gente nova. Mas será que as amizades on-line não fazem com que as pessoas acabem se isolando e tenham menos amigos off-line, “de verdade”? Essa tese, geralmente citada nos debates sobre o assunto, foi criada em 1995 pelo sociólogo norte-americano Robert Putnam. E provavelmente está errada. Uma pesquisa feita pela Universidade de Toronto constatou que a internet faz você ter mais amigos – dentro e fora da rede. Durante a década passada, período de surgimento e ascensão dos sites de rede social, o número médio de amizades das pessoas cresceu. E os chamados heavy users, que passam mais tempo na internet, foram os que ganharam mais amigos no mundo real – 38% mais. Já quem não usava a internet ampliou suas amizades em apenas 4,6%. Então, as pessoas começam a se adicionar no Facebook e no final todo mundo vira amigo? Não é bem assim. A internet raramente cria amizades do zero – na maior parte dos casos, ela funciona como potencializadora de relações que já haviam se insinuado na vida real. Um estudo feito pela Universidade de Michigan constatou que o segundo maior uso do Facebook, depois de interagir com amigos, é olhar os
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    LCT  Português _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 172 LCT  Português  perfis de pessoas que acabamos de conhecer. Se você gostar do perfil, adiciona aquela pessoa, e está formado um vínculo. As redes sociais têm o poder de transformar os chamados elos latentes (pessoas que frequentam o mesmo ambiente social que você, mas não são suas amigas) em elos fracos – uma forma superficial de amizade. Pois é. Por mais que existam exceções a qualquer regra, todos os estudos apontam que amizades geradas com a ajuda da internet são mais fracas, sim, do que aquelas que nascem e crescem fora dela. Isso não é inteiramente ruim. Os seus amigos do peito geralmente são parecidos com você: pertencem ao mesmo mundo e gostam das mesmas coisas. Os elos fracos não. Eles transitam por grupos diferentes do seu, e por isso podem lhe apresentar coisas e pessoas novas e ampliar seus horizontes – gerando uma renovação de ideias que faz bem a todos os relacionamentos, inclusive às amizades antigas. Os sites sociais como Orkut e Facebook tornam mais fácil fazer, manter e gerenciar amigos. Mas também influem no desenvolvimento das relações – pois as possibilidades de interagir com outras pessoas são limitadas pelas ferramentas que os sites oferecem. “Você entra nas redes sociais e faz o que elas querem que você faça: escrever uma mensagem, mandar um link, cutucar”, diz o físico e especialista em redes Augusto de Franco, que já escreveu mais de 20 livros sobre o tema. O problema, por assim dizer, é que a maioria das redes na internet é simétrica: se você quiser ter acesso às informações de uma pessoa ou mesmo falar reservadamente com ela, é obrigado a pedir a amizade dela, que tem de aceitar. Como é meio grosseiro dizer “não” a alguém que você conhece, mesmo que só de vista, todo mundo acabava adicionando todo mundo. E isso vai levando à banalização do conceito de amizade. “As pessoas a quem você está conectado não são necessariamente suas amigas de verdade”, diz o sociólogo Nicholas Christakis, da Universidade Harvard. Superinteressante, São Paulo, fev. 2011. 1. (AED-SP) De acordo com o texto, a afirmação de que “a internet aumenta o número de amizades” é válida? Explique. ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ 2. (ENEM-MEC) Cada vez mais, as pessoas trabalham e administram serviços de suas casas, como mostra a pesquisa realizada em 1993 pela Fundação Europeia para a Melhoria da Qualidade de Vida e Ambiente de Trabalho. Por conseguinte, a “centralidade da casa” é uma tendência importante da nova sociedade. Porém, não significa o fim da cidade, pois locais de trabalho, escolas, complexos médicos, postos de atendimento ao consumidor, áreas recreativas, ruas comerciais, shopping centers, estádios de esportes e parques ainda existem e continuarão existindo. E as pessoas deslocar-se-ão entre todos esses lugares com mobilidade crescente, exatamente devido à flexibilidade recém-conquistada pelos sistemas de trabalho e integração social em redes: como o tempo fica mais flexível, os lugares tornam-se mais singulares à medida que as pessoas circulam entre elas em um padrão cada vez mais móvel. CASTELLS, M. A Sociedade em Rede. V. 1. São Paulo: Paz e Terra, 2002. As tecnologias de informação e comunicação têm a capacidade de modificar, inclusive, a forma de as pessoas trabalharem. De acordo com o proposto pelo autor, (A) a “centralidade da casa” tende a concentrar as pessoas em suas casas e, consequentemente, reduzir a circulação das pessoas nas áreas comuns da cidade, como ruas comerciais e shopping centers. (B) as pessoas irão se deslocar por diversos lugares, com mobilidade crescente, propiciada pela flexibilidade recém-conquistada pelos sistemas de trabalho e pela integração social em redes. (C) cada vez mais as pessoas trabalham e administram serviços de suas casas, tendência que deve diminuir com o passar dos anos. (D) o deslocamento das pessoas entre diversos lugares é um dos fatores causadores do estresse nos grandes centros urbanos. (E) o fim da cidade será uma das consequências inevitáveis da mobilidade crescente. 3. (ENEM-MEC) O “Portal Domínio Público”, lançado em novembro de 2004, propõe o compartilhamento de conhecimentos de forma equânime e gratuita, colocando à disposição de todos os usuários da internet, uma biblioteca virtual que deverá constituir referência para professores, alunos, pesquisadores e para a população em geral. Esse portal constitui um ambiente virtual que permite a coleta, a integração, a preservação e o compartilhamento de conhecimentos, sendo seu principal objetivo o de promover o amplo acesso às obras literárias, artísticas e científicas (na forma de textos, sons, imagens e vídeos), já em domínio público ou que tenham a sua divulgação devidamente autorizada. BRASIL. Ministério da Educação. Disponível em: < http://www.dominiopublico.gov.br > (adaptado).
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    LCT  Português _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 173 LCT  Português  Considerando a função social das informações geradas nos sistemas de comunicação e informação, o ambiente virtual descrito no texto exemplifica (A) a dependência das escolas públicas quanto ao uso de sistemas de informação. (B) a ampliação do grau de interação entre as pessoas, a partir de tecnologia convencional. (C) a democratização da informação, por meio da disponibilização de conteúdo cultural e científico à sociedade. (D) a comercialização do acesso a diversas produções culturais nacionais e estrangeiras via tecnologia da informação e da comunicação. (E) a produção de repertório cultural direcionado a acadêmicos e educadores. 4. (ENEM-MEC) É muito raro que um novo modo de comunicação ou de expressão suplante completamente os anteriores. Fala-se menos desde que a escrita foi inventada? Claro que não. Contudo, a função da palavra viva mudou, uma parte de suas missões nas culturas puramente orais tendo sido preenchida pela escrita: transmissão dos conhecimentos e das narrativas, estabelecimento de contratos, realização dos principais atos rituais ou sociais etc. Novos estilos de conhecimento (o conhecimento “teórico”, por exemplo) e novos gêneros (o código de leis, o romance etc.) surgiram. A escrita não fez com que a palavra desaparecesse, ela complexificou e reorganizou o sistema da comunicação e da memória social. A fotografia substituiu a pintura? Não, ainda há pintores ativos. As pessoas continuam, mais do que nunca, a visitar museus, exposições e galerias, compram as obras dos artistas para pendurá-las em casa. Em contrapartida, é verdade que os pintores, os desenhistas, os gravadores, os escultores não são mais – como foram até o século XIX – os únicos produtores de imagens. LÉVY, P. Cibercultura. São Paulo: Editora 34, 1999 (fragmento). A substituição pura e simples do antigo pelo novo ou do natural pelo técnico tem sido motivo de preocupação de muita gente. O texto encaminha uma discussão em torno desse temor ao (A) considerar as relações entre o conhecimento teórico e o conhecimento empírico e acrescenta que novos gêneros textuais surgiram com o progresso. (B) observar que a língua escrita não é uma transcrição fiel da língua oral e explica que as palavras antigas devem ser utilizadas para preservar a tradição. (C) perguntar sobre a razão de as pessoas visitarem museus, exposições etc., e reafirma que os fotógrafos são os únicos responsáveis pela produção de obras de arte. (D) reconhecer que as pessoas temem que o avanço dos meios de comunicação, inclusive on-line, substitua o homem e leve alguns profissionais ao esquecimento. (E) revelar o receio das pessoas em experimentar novos meios de comunicação, com medo de se sentirem retrógradas. 5. (ENEM-MEC) Texto I Época, 12 out. 2009 (adaptado). Texto II CONEXÃO SEM FIO NO BRASIL Onde haverá cobertura de telefonia celular para baixar publicações para o Kindle Época, 12 out. 2009. A capa da revista Época de 12 de outubro de 2009 traz um anúncio sobre o lançamento do livro digital no Brasil. Já o texto II traz informações referentes à abrangência de acessibilidade das tecnologias de comunicação e informação nas diferentes regiões do país. A partir da leitura dos dois textos, infere-se que o advento do livro digital no Brasil
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    LCT  Português _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 174 LCT  Português  (A) possibilitará o acesso das diferentes regiões do país às informações antes restritas, uma vez que eliminará as distâncias, por meio da distribuição virtual. (B) criará a expectativa de viabilizar a democratização da leitura, porém, esbarra na insuficiência do acesso à internet por meio da telefonia celular, ainda deficiente no país. (C) fará com que os livros impressos tornem-se obsoletos, em razão da diminuição dos gastos com os produtos digitais gratuitamente distribuídos pela internet. (D) garantirá a democratização dos usos da tecnologia no país, levando em consideração as características de cada região no que se refere aos hábitos de leitura e acesso à informação. (E) impulsionará o crescimento da qualidade da leitura dos brasileiros, uma vez que as características do produto permitem que a leitura aconteça a despeito das adversidades geopolíticas. 6. (ENEM-MEC) No programa do balé Parade, apresentado em 18 de maio de 1917, foi empregada publicamente, pela primeira vez, a palavra sur-realisme. Pablo Picasso desenhou o cenário e a indumentária, cujo efeito foi tão surpreendente que se sobrepôs à coreografia. A música de Erik Satie era uma mistura de jazz, música popular e sons reais tais como tiros de pistola, combinados com as imagens do balé de Charlie Chaplin, caubóis e vilões, mágica chinesa e Ragtime. Os tempos não eram propícios para receber a nova mensagem cênica demasiado provocativa devido ao repicar da máquina de escrever, aos zumbidos de sirene e dínamo e aos rumores de aeroplano previstos por Cocteau para a partitura de Satie. Já a ação coreográfica confirmava a tendência marcadamente teatral da gestualidade cênica, dada pela justaposição, colagem de ações isoladas seguindo um estímulo musical. SILVA, S. M. O surrealismo e a dança. GUINSBURG, J.; LEIRNER (Org.). O surrealismo. São Paulo: Perspectiva, 2008 (adaptado). As manifestações corporais na história das artes da cena muitas vezes demonstram as condições cotidianas de um determinado grupo social, como se pode observar na descrição acima do balé Parade, o qual reflete (A) a falta de diversidade cultural na sua proposta estética. (B) a alienação dos artistas em relação às tensões da Segunda Guerra Mundial. (C) uma disputa cênica entre as linguagens das artes visuais, do figurino e da música. (D) as inovações tecnológicas nas partes cênicas, musicais, coreográficas e de figurino. (E) uma narrativa com encadeamentos claramente lógicos e lineares. 7. (ENEM-MEC) Teatro do Oprimido é um método teatral que sistematiza exercícios, jogos e técnicas teatrais elaboradas pelo teatrólogo brasileiro Augusto Boal, recentemente falecido, que visa à desmecanização física e intelectual de seus praticantes. Partindo do princípio de que a linguagem teatral não deve ser diferenciada da que é usada cotidianamente pelo cidadão comum (oprimido), ele propõe condições práticas para que o oprimido se aproprie dos meios do fazer teatral e, assim, amplie suas possibilidades de expressão. Nesse sentido, todos podem desenvolver essa linguagem e, consequentemente, fazer teatro. Trata-se de um teatro em que o espectador é convidado a substituir o protagonista e mudar a condução ou mesmo o fim da história, conforme o olhar interpretativo e contextualizado do receptor. Companhia Teatro do Oprimido. Disponível em: < www.ctorio.org.br > (adaptado). Considerando-se as características do Teatro do Oprimido apresentadas, conclui-se que (A) esse modelo teatral é um método tradicional de fazer teatro que usa, nas suas ações cênicas, a linguagem rebuscada e hermética falada normalmente pelo cidadão comum. (B) a forma de recepção desse modelo teatral se destaca pela separação entre atores e público, na qual os atores representam seus personagens e a plateia assiste passivamente ao espetáculo. (C) sua linguagem teatral pode ser democratizada e apropriada pelo cidadão comum, no sentido de proporcionar-lhe autonomia crítica para compreensão e interpretação do mundo em que vive. (D) o convite ao espectador para substituir o protagonista e mudar o fim da história evidencia que a proposta de Boal se aproxima das regras do teatro tradicional para a preparação de atores. (E) a metodologia teatral do Teatro do Oprimido segue a concepção do teatro clássico aristotélico, que visa à desautomação física e intelectual de seus praticantes. ________________________________________________ *Anotações*
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    LCT  Português _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 175 LCT  Português  8. (ENEM-MEC) Disponível em: < http://algarveturistico.com >. O desenvolvimento das capacidades físicas (qualidades motoras passíveis de treinamento) ajuda na tomada de decisões em relação à melhor execução do movimento. A capacidade física predominante no movimento representado na imagem é (A) a velocidade, que permite ao músculo executar uma sucessão rápida de gestos em movimentação de intensidade máxima. (B) a resistência, que admite a realização de movimentos durante considerável período de tempo, sem perda da qualidade da execução. (C) a flexibilidade, que permite a amplitude máxima de um movimento, em uma ou mais articulações, sem causar lesões. (D) a agilidade, que possibilita a execução de movimentos rápidos e ligeiros com mudanças de direção. (E) o equilíbrio, que permite a realização dos mais variados movimentos, com o objetivo de sustentar o corpo sobre uma base. 9. (ENEM-MEC) Jean-Baptiste Debret. Entrudo, 1834. Na obra Entrudo, de Jean-Baptiste Debret (1768-1848), apresentada acima, (A) registram-se cenas da vida íntima dos senhores de engenho e suas relações com os escravos. (B) identifica-se a presença de traços marcantes do movimento artístico denominado Cubismo. (C) identificam-se, nas fisionomias, sentimentos de angústia e inquietações que revelam as relações conflituosas entre senhores e escravos. (D) observa-se a composição harmoniosa e destacam-se as imagens que representam figuras humanas. (E) constata-se que o artista utilizava a técnica do óleo sobre tela, com pinceladas breves e manchas, sem delinear as figuras ou as fisionomias. 10. (ENEM-MEC) MONET, C. Mulher com sombrinha. 1875, 100 × 81 cm. In: BECKETT, W. História da Pintura. São Paulo: Ática, 1997. Em busca de maior naturalismo em suas obras e fundamentando-se em novo conceito estético, Monet, Degas, Renoir e outros artistas passaram a explorar novas formas de composição artística, que resultaram no estilo denominado Impressionismo. Observadores atentos da natureza, esses artistas passaram a (A) retratar, em suas obras, as cores que idealizavam de acordo com o reflexo da luz solar nos objetos. (B) usar mais a cor preta, fazendo contornos nítidos, que melhor definiam as imagens e as cores do objeto representado. (C) retratar paisagens em diferentes horas do dia, recriando, em suas telas, as imagens por eles idealizadas. (D) usar pinceladas rápidas de cores puras e dissociadas diretamente na tela, sem misturá-las antes na paleta. (E) usar as sombras em tons de cinza e preto e com efeitos esfumaçados, tal como eram realizadas no Renascimento.
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    LCT  Português _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 176 LCT  Português  11. (ENEM-MEC) “Todas as manhãs quando acordo, experimento um prazer supremo: o de ser Salvador Dalí.” NÉRET, G. Salvador Dalí. Taschen, 1996. Assim escreveu o pintor dos “relógios moles” e das “girafas em chamas” em 1931. Esse artista excêntrico deu apoio ao general Franco durante a Guerra Civil Espanhola e, por esse motivo, foi afastado do movimento surrealista por seu líder, André Breton. Dessa forma, Dalí criou seu próprio estilo, baseado na interpretação dos sonhos e estudos de Sigmund Freud, denominado “método de interpretação paranoico”. Esse método era constituído por textos visuais que demonstram imagens (A) do fantástico, impregnado de civismo pelo governo espanhol, em que a busca pela emoção e pela dramaticidade desenvolveram um estilo incomparável. (B) do onírico, que misturava sonho com realidade e interagia refletindo a unidade entre o consciente e o inconsciente como um universo único ou pessoal. (C) da linha inflexível da razão, dando vazão a uma forma de produção despojada no traço, na temática e nas formas vinculadas ao real. (D) do reflexo que, apesar do termo “paranoico”, possui sobriedade e elegância advindas de uma técnica de cores discretas e desenhos precisos. (E) da expressão e intensidade entre o consciente e a liberdade, declarando o amor pela forma de conduzir o enredo histórico dos personagens retratados. 12. (UFSCar-SP, adaptada) Tropicália Sobre a cabeça os aviões Sob os meus pés os caminhões Aponta contra os chapadões Meu nariz Eu organizo o movimento Eu oriento o carnaval Eu inauguro o monumento No planalto central do país Viva a Bossa, sa, sa Viva a palhoça, ça, ça, ça, ça Viva a Bossa, sa, sa Viva a palhoça, ça, ça, ça, ça O monumento É de papel crepom e prata Os olhos verdes da mulata A cabeleira esconde Atrás da verde mata O luar do sertão O monumento não tem porta A entrada é uma rua antiga Estreita e torta E no joelho uma criança Sorridente, feia e morta Estende a mão (...) (Caetano Veloso) No final da década de 1960, surgiu um movimento musical no Brasil do qual participaram ativamente, dentre outros, Gilberto Gil e Caetano Veloso – autor da letra de música acima, que expressa muitas das propostas do movimento. Essa tendência recebeu o nome de: (A) Bossa Nova. (B) Concretismo. (C) Jovem Guarda. (D) Tropicalismo. (E) Semana de Arte Moderna. 13. (ENEM-MEC) Antonio Rocco. Os imigrantes, 1910, Pinacoteca do Estado de São Paulo. Um dia, os imigrantes aglomerados na amurada da proa chegavam à fedentina quente de um porto, num silêncio de mato e de febre amarela. Santos. — É aqui! Buenos Aires é aqui! — Tinham trocado o rótulo das bagagens, desciam em fila. Faziam suas necessidades nos trens dos animais onde iam. Jogavam-nos num pavilhão comum em São Paulo. — Buenos Aires é aqui! — Amontoados com trouxas, sanfonas e baús, num carro de bois, que pretos guiavam através do mato por estradas esburacadas, chegavam uma tarde nas senzalas donde acabava de sair o braço escravo. Formavam militarmente nas madrugadas do terreiro homens e mulheres, ante feitores de espingarda ao ombro. Oswald de Andrade. Marco Zero II – Chão. Rio de Janeiro: Globo, 1991.
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    LCT  Português _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 177 LCT  Português  Levando-se em consideração o texto de Oswald de Andrade e a pintura de Antonio Rocco reproduzida acima, relativos à imigração europeia para o Brasil, é correto afirmar que (A) a visão da imigração presente na pintura é trágica e, no texto, otimista. (B) a pintura confirma a visão do texto quanto à imigração de argentinos para o Brasil. (C) os dois autores retratam dificuldades dos imigrantes na chegada ao Brasil. (D) Antonio Rocco retrata de forma otimista a imigração, destacando o pioneirismo do imigrante. (E) Oswald de Andrade mostra que a condição de vida do imigrante era melhor que a dos ex-escravos. 14. (ENEM-MEC) Cuitelinho Cheguei na bera do porto Onde as onda se espaia. As garça dá meia volta, Senta na bera da praia. E o cuitelinho não gosta Que o botão da rosa caia. Quando eu vim da minha terra, Despedi da parentaia. Eu entrei em Mato Grosso, Dei em terras paraguaia. Lá tinha revolução, Enfrentei fortes bataia. A tua saudade corta Como o aço de navaia. O coração fica aflito, Bate uma e outra faia. E os oio se enche d’água Que até a vista se atrapaia. Folclore recolhido por Paulo Vanzolini e Antônio Xandó. BORTONI-RICARDO, S. M. Educação em língua materna. São Paulo: Parábola, 2004. Transmitida por gerações, a canção Cuitelinho manifesta aspectos culturais de um povo, nos quais se inclui sua forma de falar, além de registrar um momento histórico. Depreende-se disso que a importância em preservar a produção cultural de uma nação consiste no fato de que produções como a canção Cuitelinho evidenciam a (A) recriação da realidade brasileira de forma ficcional. (B) criação neológica na língua portuguesa. (C) formação da identidade nacional por meio da tradição oral. (D) incorreção da língua portuguesa que é falada por pessoas do interior do Brasil. (E) padronização de palavras que variam regionalmente, mas possuem mesmo significado. 15. (ENEM-MEC) Figura 1 Disponível em: < http://www.numaboa.com >. Figura 2 Disponível em: < http://www.poracaso.com >. Figura 3 Disponível em: < http://www.decodificandocodigos.pbwiki.com >. Figura 4 Disponível em: < http://www.numaboa.com >. O homem desenvolveu seus sistemas simbólicos para utilizá-los em situações específicas de interlocução. A necessidade de criar dispositivos que permitissem o diálogo em momentos e/ou lugares distintos levou à adoção universal de alguns desses sistemas. Considerando que a interpretação de textos codificados depende da sintonia e da sincronia entre o emissor e o receptor, pode-se afirmar que a
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    LCT  Português _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 178 LCT  Português  (A) recepção das mensagens que utilizam o sistema simbólico da figura 1 pode ser feita horas depois de sua emissão. (B) recepção de uma mensagem codificada com o auxílio do sistema simbólico mostrado na figura 2 independe do momento de sua emissão. (C) mensagem que é mostrada na figura 4 será decodificada sem o auxílio da língua falada. (D) figura 3 mostra um sistema simbólico cuja criação é anterior à criação do sistema mostrado na figura 2. (E) figura 4 representa um sistema simbólico que recorre à utilização do som para a transmissão das mensagens. 16. (ENEM-MEC) Os signos visuais, como meios de comunicação, são classificados em categorias de acordo com seus significados. A categoria denominada indício corresponde aos signos visuais que têm origem em formas ou situações naturais ou casuais, as quais, devido à ocorrência em circunstâncias idênticas, muitas vezes repetidas, indicam algo e adquirem significado. Por exemplo, nuvens negras indicam tempestade. Com base nesse conceito, escolha a opção que representa um signo da categoria dos indícios. (A) (B) (C) (D) (E) 17. (ENEM-MEC) A linguagem utilizada pelos chineses há milhares de anos é repleta de símbolos, os ideogramas, que revelam parte da história desse povo. Os ideogramas primitivos são quase um desenho dos objetos representados. Naturalmente, esses desenhos alteraram-se com o tempo, como ilustra a seguinte evolução do ideograma , que significa cavalo e em que estão representados cabeça, cascos e cauda do animal. Considerando o processo mencionado acima, escolha a sequência que poderia representar a evolução do ideograma chinês para a palavra luta. (A) (B) (C) (D) (E)
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    LCT  Português _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 179 LCT  Português  ********** ATIVIDADES 2 ********** C3 Compreender e usar a linguagem corporal como relevante para a própria vida, integradora social e formadora da identidade. H9 Reconhecer as manifestações corporais de movimento como originárias de necessidades cotidianas de um grupo social. 18. (ENEM-MEC) Os vínculos entre o esporte e as guerras foram muito estreitos. Há cem anos, na França, sociedades de ginástica, de tiro e de esgrima se desenvolveram sob o controle rígido do Exército. Cabia ao esporte preparar os futuros quadros políticos do país. Atualmente o esporte praticado pelas pessoas está mais relacionado ao lazer. RAGACHE, G. Esportes e jogos. São Paulo: Ática, 2001 (adaptado). A partir da leitura do texto, pode-se inferir que, na atualidade, a prática esportiva pessoal está mais relacionada (A) ao treinamento militar. (B) à preparação de quadros políticos. (C) ao interesse pela diversão. (D) à participação nas Olimpíadas. (E) às sociedades de ginástica e de esgrima. 19. (ENEM-MEC) É bastante conhecida, no caso brasileiro, a história do povo africano que, vivendo nas senzalas, inventou a capoeira. Enquanto fingia estar dançando, treinava golpes para defender-se dos seus opressores. RAGACHE, G. Esportes e jogos. São Paulo: Ática, 2001 (adaptado). A partir da leitura do texto, é possível afirmar que os povos (A) copiam movimentos de outros lugares. (B) criam movimentos relacionados às suas necessidades. (C) são incapazes de elaborar movimentos. (D) se limitam aos movimentos que já conhecem. (E) só se movimentam para se defender. ________________________________________________ *Anotações* H10 Reconhecer a necessidade de transformação de hábitos corporais em função das necessidades cinestésicas. 20. (ENEM-MEC) Observe a charge e responda à questão. < http://portaldearaguari.bIogspot.com >. Assinale a alternativa correta. (A) A charge satiriza o comportamento do jogador, que não se preocupa com o próprio condicionamento físico. (B) A falta de uma bola de futebol, na charge, indica que esta se refere, na verdade, a problemas políticos, e não a problemas do futebol. (C) A crítica maior da charge é feita à qualidade dos times de futebol, representados pelos uniformes do jogador. (D) O fato de o autor não ter tirado das camisas de uniforme as marcas patrocinadoras dos times mostra crítica ao excesso de propaganda no futebol. (E) A referência ao estilista do jogador mostra uma crítica do autor da charge à invasão do mundo fashion nos gramados, por meio de uniformes estilizados. H11 Reconhecer a linguagem corporal como meio de interação social, considerando os limites de desempenho e as alternativas de adaptação para diferentes indivíduos. 21. (ENEM-MEC) As pinturas corporais foram sempre muito utilizadas pelos povos indígenas em rituais de festas, magias e lutos. Atualmente vemos pessoas pintarem os rostos por protesto político, como foi o caso dos estudantes chamados de “caras-pintadas”. Também os torcedores de futebol pintam no rosto a bandeira de seus times. Com base nesses exemplos, pode-se concluir que tais gestos representam diferentes formas de (A) preconceitos. (B) expressões culturais. (C) manifestações esportivas. (D) sentimentos religiosos. (E) protestos políticos.
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    LCT  Português _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 180 LCT  Português  *MÓDULO 3* Literatura brasileira Romantismo RÉUNION DES MUSÉES NATIONAUX  Representação da Queda da Bastilha, evento que marcou a Revolução Francesa, auge do Iluminismo, movimento inspirador do Romantismo brasileiro  O indivíduo, com seus sentimentos e expectativas, foi valorizado com o avanço da burguesia, a decadência da monarquia e o triunfo dos valores como a liberdade e a igualdade de direitos difundidos pelo Iluminismo e pela Revolução Francesa.  O Romantismo foi a expressão desse individualismo. A literatura romântica caracterizou-se pelo egocentrismo, pela idealização e pela melancolia. No Brasil, foi consolidado o sentimento de amor à pátria.  A poesia romântica brasileira divide-se em três gerações:  A primeira geração é marcada pelo nacionalismo e pelo indianismo.  A segunda geração, dos ultrarromânticos, caracteriza-se pelo pessimismo e pelo desencanto com a vida, sentimentos a que se refere a expressão “mal do século”. É uma expressão também vinculada às doenças pulmonares fatais, destacadamente a tuberculose, que vitimavam os boêmios, entre eles importantes nomes das artes nacionais e internacionais.  A terceira geração somou à temática romântica as questões sociais, entre elas a condenação das desigualdades, como aquela determinada pela escravidão.  A prosa romântica abordou essencialmente a mesma temática explorada pela poesia do período no Brasil, incluindo subjetividade, idealização, sentimentalismo, nacionalismo e temática social. Nos romances, os finais felizes ganharam espaço, atendendo à expectativa do crescente público.  O romance brasileiro da época dividiu-se em três gêneros principais:  O indianista valorizou o indígena como “bom selvagem” e parte do mito fundador da identidade nacional, em sua união com o colonizador europeu.  O urbano retratou o dia a dia e os eventos especiais, como as festas, nas cidades. Alguns retrataram os conflitos vividos pela sociedade burguesa, como o dilema entre o interesse financeiro e o sentimento amoroso.  O regionalista descreveu as diferentes áreas e culturas do vasto território brasileiro, também em busca de um mapeamento que ajudasse a criar uma identidade nacional.  Uma obra se destaca do conjunto de romances do período por descrever a sociedade de modo mais realista, distanciando-se da idealização de personagens e situações da sociedade burguesa: Memórias de um Sargento de Milícias, de Manuel Antônio de Almeida. A obra é construída em torno da figura do malandro, que ressurgiria mais tarde em vários romances brasileiros, como Macunaíma, de Mário de Andrade, e Serafim Ponte Grande, de Oswald de Andrade. Realismo e Naturalismo  O avanço do conhecimento científico sobre a natureza e as relações sociais a partir da segunda metade do século XIX alimentou teorias cientificistas e deterministas, ambiente que fomentou o surgimento da literatura realista, atenta à condição objetiva do ser humano em oposição à idealização cultivada no Romantismo.  A crítica social foi outro aspecto essencial do Realismo, com o uso da observação fria e distanciada dos acontecimentos. O extremo da postura cientificista na literatura foi o Naturalismo, que procurou explicar o ser humano e sua situação como resultado da raça, do ambiente e das circunstâncias históricas.  Machado de Assis renovou a literatura brasileira com a refinada ironia do texto e a originalidade da narrativa, destacando-se o romance Memórias Póstumas de Brás Cubas, no qual o narrador, depois de morto, conta a história de sua vida. Em Portugal, o grande nome da prosa realista foi Eça de Queirós, que, assim como Machado de Assis, criticou os costumes da elite burguesa da época.
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    LCT  Português _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 181 LCT  Português  Parnasianismo e Simbolismo  O culto à forma foi o atributo fundamental do período literário parnasiano, que surgiu e se consolidou no cenário nacional nas últimas décadas do século XIX (e continuaria influenciando o conceito de “bom gosto” literário até a explosão do Modernismo, já na segunda década do século XX). Os parnasianos defendiam o retorno aos ideais clássicos da arte, baseados na beleza greco-romana, equilíbrio e objetividade. Reagiam contra o que chamavam de excessos de fantasia e emoção do Romantismo. No Brasil, Olavo Bilac, Raimundo Correia e Alberto de Oliveira foram os principais autores do período e formaram a “tríade parnasiana”.  Uma das pretensões fundamentais do Simbolismo era a reintegração à natureza. O marco inaugural do movimento foi a publicação, em 1857, de As Flores do Mal, de Charles Baudelaire. Em Correspondências, poema que integra o livro e que influenciaria toda uma geração de autores, inclusive no Brasil, o decifrar dos símbolos revelaria ao homem a correspondência entre tudo no mundo, matéria e espírito, homem e natureza. A sinestesia, que estabelece vínculos entre sentidos diferentes, é uma das figuras de linguagem mais utilizadas no período. O discurso científico e materialista da época foi posto em xeque pelos simbolistas.  A música, por seu caráter imaterial, fortemente sugestivo, era uma das principais inspirações dos simbolistas. Os autores do período buscavam a aproximação entre literatura e música, pelo uso recorrente de figuras de linguagem, como a aliteração (repetições de sons consonantais) e a assonância (repetição de sons vocálicos). Para os simbolistas, só a sugestão era capaz de levar o homem a intuir os mistérios do universo, como a existência e a morte.  Cruz e Sousa foi o grande poeta simbolista brasileiro. Os livros Missal (prosa) e Broquéis (poesia), de sua autoria, inauguram o Simbolismo no Brasil, em 1893. A poesia de Cruz e Sousa foi marcada pelos temas da morte, da existência e da religiosidade e pela predominância de imagens imprecisas e forte musicalidade. Outro autor brasileiro de destaque foi Alphonsus de Guimaraens, que tratou frequentemente do tema da morte da mulher amada. Pré-Modernismo  O nacionalismo foi uma das principais características do Pré-Modernismo. Os autores desse período literário defendiam a integração nacional ampla e generosa e valorizavam os usos e costumes brasileiros. Os pré-modernistas também fizeram da literatura um instrumento de transformação social, elegendo novas personagens (os pobres, de modo geral) e denunciando e ironizando a ordem vigente.  Com a campanha de Canudos, Euclides da Cunha chegou à conclusão: “O sertanejo é, antes de tudo, um forte”. Revendo as teorias de superioridade de raça e degenerescência social em vigor no começo do século XX, o autor de Os Sertões reconheceu a força genuína desse homem, vítima da pobreza, da desnutrição, do analfabetismo, da doença.  Policarpo Quaresma, protagonista do romance Triste Fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto, é considerado o Dom Quixote brasileiro. Caracteriza- -se, a exemplo da personagem do espanhol Miguel de Cervantes, por seu idealismo e pela não correspondência entre aquilo em que acredita e aquilo que de fato é. Policarpo é defensor apaixonado das coisas e da gente do Brasil, sonhador de um país integrado e generoso. Terminará a vida perseguido e desiludido, vítima daqueles que sempre usaram o nome da pátria em nome de vantagens pessoais.  Lima Barreto foi um dos defensores da nova atitude preconizada pelos escritores pré-modernistas: a adoção de uma linguagem mais coloquial, próxima do cotidiano da população, contrária ao academicismo vigente no Brasil. Por esse motivo, Lima Barreto foi acusado, injustamente, de escrever em mau português.  Monteiro Lobato foi também uma das principais figuras do Pré-Modernismo. Ele revelou, por meio de Jeca Tatu, personagem de conto do livro Urupês, a situação de abandono do trabalhador rural e da agricultura brasileira. Jeca Tatu era o símbolo do caipira pobre, doente e desamparado. Lobato foi também precursor de campanhas nacionalistas, como a do petróleo brasileiro.  Augusto dos Anjos foi o maior destaque na poesia do período. Publicou uma única obra: Eu. Modernismo  Mário de Andrade e Oswald de Andrade foram os principais teóricos e articuladores do movimento modernista no Brasil, influenciados pelas vanguardas artísticas europeias das duas primeiras décadas do século XX, com destaque para o Cubismo, o Dadaísmo e o Surrealismo.  Manuel Bandeira é o terceiro grande nome da primeira geração do Modernismo brasileiro. O poema Poética é uma síntese da nova sensibilidade modernista, em oposição ao formalismo e academicismo que vigoravam na arte.  A Semana de Arte Moderna foi o marco inaugural do Modernismo no Brasil. Reuniu, no Teatro Municipal de São Paulo, nos dias 13, 15 e 17 de fevereiro de 1922, os novos artistas brasileiros. A arte moderna provocou a reação irada de muitos na plateia, que vaiaram.
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    LCT  Português _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 182 LCT  Português   O nacionalismo também foi uma das características do Modernismo brasileiro, mas com particularidades: os modernistas defendiam a cultura brasileira, suas tradições mais antigas e originais, sem idealização. Era um nacionalismo crítico, capaz de valorizar as qualidades brasileiras, como a cultura popular, e também de apontar os vícios crônicos do país.  O romance de 30 foi uma das grandes realizações da segunda geração do Modernismo, que vai de 1930 a 1945. Autores das mais diversas localidades do país, como Graciliano Ramos, José Lins do Rego e Érico Veríssimo, transformaram a literatura em ferramenta de denúncia social, retratando problemas da vida brasileira sem idealização, como retirantes da seca. Empregaram linguagem que incorpora o vocabulário e a sintaxe de suas personagens.  Vidas Secas (1938), de Graciliano Ramos, é a obra mais popular da segunda geração do Modernismo (e também a inspiração para um clássico do cinema brasileiro, dirigido por Nelson Pereira dos Santos e lançado em 1963). Revela a miséria de uma família nordestina que foge da seca. Graciliano utilizou linguagem concisa e direta, sem floreios, para mimetizar a secura da vida sertaneja. Um dos destaques da obra é o uso do discurso indireto livre, que cria o efeito de monólogo interior e aproxima o leitor dos dramas das personagens. Além disso, o emprego das linguagens antropomórfica e zoomórfica coloca homens e animais no mesmo plano; ainda mais: animaliza os homens e humaniza os animais, em especial a cadela Baleia.  O ciclo da cana-de-açúcar foi o grande tema de José Lins do Rego. Seus romances retrataram a vida nos engenhos do Nordeste e as oposições entre a casa- -grande e a senzala. O livro que fecha o ciclo, Fogo Morto, de 1943, mostra a derrocada do modo de produção tradicional do açúcar, com a industrialização e a chegada do sistema produtivo das usinas. No Rio Grande do Sul, Érico Veríssimo narrou a conturbada formação de seu estado, no épico O Tempo e o Vento. Enquanto isso, seu conterrâneo Dyonélio Machado se ocupou de temas urbanos, de cunho psicológico.  A poesia de Carlos Drummond de Andrade lançou o tema do gauchismo, isto é, do eu-lírico que não se encaixa no mundo, vive em total descompasso com ele. Seu livro de estreia, Alguma Poesia, de 1930, representa essa fase gauche. Drummond foi também o poeta engajado socialmente, como nas obras Sentimento do Mundo e A Rosa do Povo. Depois, adotou postura mais reflexiva, metafísica e filosófica, como em Claro Enigma. A fase final de sua obra poética é memorialista, como em Boitempo I e II.  A pesquisa estética foi uma das principais características da terceira fase do Modernismo brasileiro, a Geração de 45. Os autores do período acompanham conquistas das gerações anteriores, mas inovam nas formas artísticas de expressão.  Foi o alcance dado ao sertão de Minas Gerais o grande destaque da obra do escritor João Guimarães Rosa, principalmente em Grande Sertão: Veredas. As questões em jogo no livro, como amor, amizade e traição, dizem respeito a todos, independentemente de serem vividas por jagunços.  Metalinguagem e fluxo de consciência são duas características que distinguem a obra de Clarice Lispector. O fluxo de consciência permite o aprofundamento do exame psicológico da personagem, levando o leitor para a “mente” delas.  João Cabral de Melo Neto foi o principal representante da poesia do Modernismo da Geração de 45. É reconhecido pelo estilo conciso e pelo apuro formal de seus versos. ********** ATIVIDADES 1 ********** 1. (ENEM-MEC) Soneto Já da morte o palor me cobre o rosto, Nos lábios meus o alento desfalece, Surda agonia o coração fenece, E devora meu ser mortal desgosto! Do leito embalde no macio encosto Tento o sono reter!… já esmorece O corpo exausto que o repouso esquece… Eis o estado em que a mágoa me tem posto! O adeus, o teu adeus, minha saudade, Fazem que insano do viver me prive E tenha os olhos meus na escuridade. Dá-me a esperança com que o ser mantive! Volve ao amante os olhos por piedade, Olhos por quem viveu quem já não vive! AZEVEDO, A. Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2000. O núcleo temático do soneto citado é típico da segunda geração romântica, porém configura um lirismo que o projeta para além desse momento específico. O fundamento desse lirismo é (A) a angústia alimentada pela constatação da irreversibilidade da morte. (B) a melancolia que frustra a possibilidade de reação diante da perda. (C) o descontrole das emoções provocado pela autopiedade. (D) o desejo de morrer como alívio para a desilusão amorosa. (E) o gosto pela escuridão como solução para o sofrimento.
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    LCT  Português _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 183 LCT  Português  2. (ENEM-MEC) Pobre Isaura! Sempre e em toda parte esta contínua importunação de senhores e de escravos, que não a deixam sossegar um só momento! Como não devia viver aflito e atribulado aquele coração! Dentro de casa contava ela quatro inimigos, cada qual mais porfiado em roubar-lhe a paz da alma, e torturar-lhe o coração: três amantes, Leôncio, Belchior, e André, e uma êmula terrível e desapiedada, Rosa. Fácil lhe fora repelir as importunações e insolências dos escravos e criados; mas que seria dela, quando viesse o senhor?!... GUIMARÃES, B. A escrava Isaura. São Paulo: Ática, 1995 (adaptado). A personagem Isaura, como afirma o título do romance, era uma escrava. No trecho apresentado, os sofrimentos por que passa a protagonista (A) assemelham-se aos das demais escravas do país, o que indica o estilo realista da abordagem do tema da escravidão pelo autor do romance. (B) demonstram que, historicamente, os problemas vividos pelas escravas brasileiras, como Isaura, eram mais de ordem sentimental do que física. (C) diferem dos que atormentavam as demais escravas do Brasil do século XIX, o que revela o caráter idealista da abordagem do tema pelo autor do romance. (D) indicam que, quando o assunto era o amor, as escravas brasileiras, de acordo com a abordagem lírica do tema pelo autor, eram tratadas como as demais mulheres da sociedade. (E) revelam a condição degradante das mulheres escravas no Brasil, que, como Isaura, de acordo com a denúncia feita pelo autor, eram importunadas e torturadas fisicamente pelos seus senhores. 3. (ENEM-MEC) O sertão e o sertanejo Ali começa o sertão chamado bruto. Nesses campos, tão diversos pelo matiz das cores, o capim crescido e ressecado pelo ardor do sol transforma-se em vicejante tapete de relva, quando lavra o incêndio que algum tropeiro, por acaso ou mero desenfado, ateia com uma faúlha do seu isqueiro. Minando à surda na touceira, queda a vívida centelha. Corra daí a instantes qualquer aragem, por débil que seja, e levanta-se a língua de fogo esguia e trêmula, como que a contemplar medrosa e vacilante os espaços imensos que se alongam diante dela. O fogo, detido em pontos, aqui, ali, a consumir com mais lentidão algum estorvo, vai aos poucos morrendo até se extinguir de todo, deixando como sinal da avassaladora passagem o alvacento lençol, que lhe foi seguindo os velozes passos. Por toda a parte melancolia; de todos os lados tétricas perspectivas. É cair, porém, daí a dias copiosa chuva, e parece que uma varinha de fada andou por aqueles sombrios recantos a traçar às pressas jardins encantados e nunca vistos. Entra tudo num trabalho íntimo de espantosa atividade. Transborda a vida. TAUNAY, A. Inocência. São Paulo: Ática, 1993 (adaptado). O romance romântico teve fundamental importância na formação da ideia de nação. Considerando o trecho acima, é possível reconhecer que uma das principais e permanentes contribuições do Romantismo para construção da identidade da nação é a (A) possibilidade de apresentar uma dimensão desconhecida da natureza nacional, marcada pelo subdesenvolvimento e pela falta de perspectiva de renovação. (B) consciência da exploração da terra pelos colonizadores e pela classe dominante local, o que coibiu a exploração desenfreada das riquezas naturais do país. (C) construção, em linguagem simples, realista e documental, sem fantasia ou exaltação, de uma imagem da terra que revelou o quanto é grandiosa a natureza brasileira. (D) expansão dos limites geográficos da terra, que promoveu o sentimento de unidade do território nacional e deu a conhecer os lugares mais distantes do Brasil aos brasileiros. (E) valorização da vida urbana e do progresso, em detrimento do interior do Brasil, formulando um conceito de nação centrado nos modelos da nascente burguesia brasileira. 4. (ENEM-MEC) No trecho a seguir, o narrador, ao descrever a personagem, critica sutilmente um outro estilo de época: o Romantismo. Naquele tempo contava apenas uns quinze ou dezesseis anos; era talvez a mais atrevida criatura da nossa raça, e, com certeza, a mais voluntariosa. Não digo que já lhe coubesse a primazia da beleza, entre as mocinhas do tempo, porque isto não é romance, em que o autor sobredoura a realidade e fecha os olhos às sardas e espinhas; mas também não digo que lhe maculasse o rosto nenhuma sarda ou espinha, não. Era bonita, fresca, saía das mãos da natureza, cheia daquele feitiço, precário e eterno, que o indivíduo passa a outro indivíduo, para os fins secretos da criação. Machado de Assis. Memórias Póstumas de Brás Cubas. Rio de Janeiro: Jackson,1957. A frase do texto em que se percebe a crítica do narrador ao Romantismo está transcrita na alternativa:
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    LCT  Português _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 184 LCT  Português  (A) “... o autor sobredoura a realidade e fecha os olhos às sardas e espinhas...” (B) “... era talvez a mais atrevida criatura da nossa raça...” (C) “Era bonita, fresca, saía das mãos da natureza, cheia daquele feitiço, precário e eterno...” (D) “Naquele tempo contava apenas uns quinze ou dezesseis anos...” (E) “... o indivíduo passa a outro indivíduo, para os fins secretos da criação.” 5. (ENEM-MEC) Capítulo III Um criado trouxe o café. Rubião pegou na xícara e, enquanto lhe deitava açúcar, ia disfarçadamente mirando a bandeja, que era de prata lavrada. Prata, ouro, eram os metais que amava de coração; não gostava de bronze, mas o amigo Palha disse-lhe que era matéria de preço, e assim se explica este par de figuras que aqui está na sala: um Mefistófeles e um Fausto. Tivesse, porém, de escolher, escolheria a bandeja, – primor de argentaria, execução fina e acabada. O criado esperava teso e sério. Era espanhol; e não foi sem resistência que Rubião o aceitou das mãos de Cristiano; por mais que lhe dissesse que estava acostumado aos seus crioulos de Minas, e não queria línguas estrangeiras em casa, o amigo Palha insistiu, demonstrando-lhe a necessidade de ter criados brancos. Rubião cedeu com pena. O seu bom pajem, que ele queria pôr na sala, como um pedaço da província, nem o pôde deixar na cozinha, onde reinava um francês, Jean; foi degradado a outros serviços. ASSIS, M. Quincas Borba. In: Obra completa. V. 1. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1993 (fragmento). Quincas Borba situa-se entre as obras-primas do autor e da literatura brasileira. No fragmento apresentado, a peculiaridade do texto que garante a universalização de sua abordagem reside (A) no conflito entre o passado pobre e o presente rico, que simboliza o triunfo da aparência sobre a essência. (B) no sentimento de nostalgia do passado devido à substituição da mão de obra escrava pela dos imigrantes. (C) na referência a Fausto e Mefistófeles, que representam o desejo de eternização de Rubião. (D) na admiração dos metais por parte de Rubião, que metaforicamente representam a durabilidade dos bens produzidos pelo trabalho. (E) na resistência de Rubião aos criados estrangeiros, que reproduz o sentimento de xenofobia. 6. (ENEM-MEC) Cárcere das almas Ah! Toda a alma num cárcere anda presa, Soluçando nas trevas, entre as grades Do calabouço olhando imensidades, Mares, estrelas, tardes, natureza. Tudo se veste de uma igual grandeza Quando a alma entre grilhões as liberdades Sonha e, sonhando, as imortalidades Rasga no etéreo o Espaço da Pureza. Ó almas presas, mudas e fechadas Nas prisões colossais e abandonadas, Da Dor no calabouço, atroz, funéreo! Nesses silêncios solitários, graves, que chaveiro do Céu possui as chaves para abrir-vos as portas do Mistério?! CRUZ E SOUSA, J. Poesia completa. Florianópolis: Fundação Catarinense de Cultura / Fundação Banco do Brasil, 1993. Os elementos formais e temáticos relacionados ao contexto cultural do Simbolismo encontrados no poema Cárcere das almas, de Cruz e Sousa, são (A) a opção pela abordagem, em linguagem simples e direta, de temas filosóficos. (B) a prevalência do lirismo amoroso e intimista em relação à temática nacionalista. (C) o refinamento estético da forma poética e o tratamento metafísico de temas universais. (D) a evidente preocupação do eu-lírico com a realidade social expressa em imagens poéticas inovadoras. (E) a liberdade formal da estrutura poética que dispensa a rima e a métrica tradicionais em favor de temas do cotidiano. ________________________________________________ *Anotações*
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    LCT  Português _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 185 LCT  Português  7. (ENEM-MEC) Texto 1 O Morcego Meia-noite. Ao meu quarto me recolho. Meu Deus! E este morcego! E, agora, vede: Na bruta ardência orgânica da sede, Morde-me a goela ígneo e escaldante molho. “Vou mandar levantar outra parede...” Digo. Ergo-me a tremer. Fecho o ferrolho E olho o teto. E vejo-o ainda, igual a um olho, Circularmente sobre a minha rede! Pego de um pau. Esforços faço. Chego A tocá-lo. Minh’alma se concentra. Que ventre produziu tão feio parto?! A Consciência Humana é este morcego! Por mais que a gente faça, à noite, ele entra Imperceptivelmente em nosso quarto! ANJOS, A. Obra completa. Rio de Janeiro: Aguilar, 1994. Texto 2 O lugar-comum em que se converteu a imagem de um poeta doentio, com o gosto do macabro e do horroroso, dificulta que se veja, na obra de Augusto dos Anjos, o olhar clínico, o comportamento analítico, até mesmo certa frieza, certa impessoalidade científica. CUNHA, F. Romantismo e modernidade na poesia. Rio de Janeiro: Cátedra, 1988 (adaptado). Em consonância com os comentários do texto 2 acerca da poética de Augusto dos Anjos, o poema O Morcego apresenta-se, enquanto percepção do mundo, como forma estética capaz de (A) reencantar a vida pelo mistério com que os fatos banais são revestidos na poesia. (B) expressar o caráter doentio da sociedade moderna por meio do gosto pelo macabro. (C) representar realisticamente as dificuldades do cotidiano sem associá-lo a reflexões de cunho existencial. (D) abordar dilemas humanos universais a partir de um ponto de vista distanciado e analítico acerca do cotidiano. (E) conseguir a atenção do leitor pela inclusão de elementos das histórias de horror e suspense na estrutura lírica da poesia. Textos para as questões 8 e 9. O canto do guerreiro Aqui na floresta Dos ventos batida, Façanhas de bravos Não geram escravos, Que estimem a vida Sem guerra e lidar. — Ouvi-me, Guerreiros, — Ouvi meu cantar. Valente na guerra, Quem há, como eu sou? Quem vibra o tacape Com mais valentia? Quem golpes daria Fatais, como eu dou? — Guerreiros, ouvi-me; — Quem há, como eu sou? (Gonçalves Dias) Macunaíma (Epílogo) Acabou-se a história e morreu a vitória. Não havia mais ninguém lá. Dera tangolomângolo na tribo Tapanhumas e os filhos dela se acabaram de um em um. Não havia mais ninguém lá. Aqueles lugares, aqueles campos, furos puxadouros arrastadouros meios-barrancos, aqueles matos misteriosos, tudo era solidão do deserto... Um silêncio imenso dormia à beira do rio Uraricoera. Nenhum conhecido sobre a terra não sabia nem falar da tribo nem contar aqueles casos tão pançudos. Quem podia saber do Herói? (Mário de Andrade) 8. (ENEM-MEC) A leitura comparativa dos dois textos acima indica que (A) ambos têm como tema a figura do indígena brasileiro apresentada de forma realista e heróica, como símbolo máximo do nacionalismo romântico. (B) a abordagem da temática adotada no texto escrito em versos é discriminatória em relação aos povos indígenas do Brasil. (C) as perguntas “— Quem há, como eu sou?” (1.º texto) e “Quem podia saber do Herói?” (2.º texto) expressam diferentes visões da realidade indígena brasileira. (D) o texto romântico, assim como o modernista, aborda o extermínio dos povos indígenas como resultado do processo de colonização no Brasil. (E) os versos em primeira pessoa revelam que os indígenas podiam expressar-se poeticamente, mas foram silenciados pela colonização, como demonstra a presença do narrador, no segundo texto.
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    LCT  Português _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 186 LCT  Português  9. (ENEM-MEC) Considerando-se a linguagem desses dois textos, verifica-se que (A) a função da linguagem centrada no receptor está ausente tanto no primeiro quanto no segundo texto. (B) a linguagem utilizada no primeiro texto é coloquial, enquanto, no segundo, predomina a linguagem formal. (C) há, em cada um dos textos, a utilização de pelo menos uma palavra de origem indígena. (D) a função da linguagem, no primeiro texto, centra-se na forma de organização da linguagem e, no segundo, no relato de informações reais. (E) a função da linguagem centrada na primeira pessoa, predominante no segundo texto, está ausente no primeiro. 10. (ENEM-MEC) Erro de português Quando o português chegou Debaixo de uma bruta chuva Vestiu o índio Que pena! Fosse uma manhã de Sol O índio tinha despido O português. Oswald de Andrade. Poesias reunidas. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1978. O primitivismo observável no poema acima, de Oswald de Andrade, caracteriza de forma marcante (A) o regionalismo do Nordeste. (B) o concretismo paulista. (C) a poesia Pau-Brasil. (D) o simbolismo pré-modernista. (E) o tropicalismo baiano. 11. (ENEM-MEC) Namorados O rapaz chegou-se para junto da moça e disse: — Antônia, ainda não me acostumei com o seu [ corpo, com a sua cara. A moça olhou de lado e esperou. — Você não sabe quando a gente é criança e de [ repente vê uma lagarta listrada? A moça se lembrava: — A gente fica olhando... A meninice brincou de novo nos olhos dela. O rapaz prosseguiu com muita doçura: — Antônia, você parece uma lagarta listrada. A moça arregalou os olhos, fez exclamações. O rapaz concluiu: — Antônia, você é engraçada! Você parece louca. Manuel Bandeira. Poesia completa & prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1985. No poema de Bandeira, importante representante da poesia modernista, destaca-se como característica da escola literária dessa época (A) a reiteração de palavras como recurso de construção de rimas ricas. (B) a utilização expressiva da linguagem falada em situações do cotidiano. (C) a criativa simetria de versos para reproduzir o ritmo do tema abordado. (D) a escolha do tema do amor romântico, caracterizador do estilo literário dessa época. (E) o recurso ao diálogo, gênero discursivo típico do Realismo. 12. (ENEM-MEC) Murilo Mendes, em um de seus poemas, dialoga com a carta de Pero Vaz de Caminha. A terra é mui graciosa, Tão fértil eu nunca vi. A gente vai passear, No chão espeta um caniço, No dia seguinte nasce Bengala de castão de oiro. Tem goiabas, melancias, Banana que nem chuchu. Quanto aos bichos, tem-nos muito, De plumagens mui vistosas. Tem macaco até demais Diamantes tem à vontade Esmeralda é para os trouxas. Reforçai, Senhor, a arca, Cruzados não faltarão, Vossa perna encanareis, Salvo o devido respeito. Ficarei muito saudoso Se for embora daqui. Murilo Mendes. Murilo Mendes — poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994. Arcaísmos e termos coloquiais misturam-se nesse poema, criando um efeito de contraste, como ocorre em (A) “A terra é mui graciosa” / “Tem macaco até demais”. (B) “Salvo o devido respeito” / “Reforçai, Senhor, a arca”. (C) “A gente vai passear” / “Ficarei muito saudoso”. (D) “De plumagens mui vistosas” / “Bengala de castão de oiro”. (E) “No chão espeta um caniço” / “Diamantes tem à vontade”. ________________________________________________ *Anotações*
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    LCT  Português _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 187 LCT  Português  13. (ENEM-MEC) No poema “Procura da poesia”, Carlos Drummond de Andrade expressa a concepção estética de se fazer com palavras o que o escultor Michelângelo fazia com mármore. O fragmento abaixo exemplifica essa afirmação. (...) Penetra surdamente no reino das palavras. Lá estão os poemas que esperam ser escritos. (...) Chega mais perto e contempla as palavras. Cada uma tem mil faces secretas sob a face neutra e te pergunta, sem interesse pela resposta, pobre ou terrível, que lhe deres: trouxeste a chave? Carlos Drummond de Andrade. A rosa do povo. Rio de Janeiro: Record, 1997, p. 13-14. Esse fragmento poético ilustra o seguinte tema constante entre autores modernistas: (A) a nostalgia do passado colonialista revisitado. (B) a preocupação com o engajamento político e social da literatura. (C) o trabalho quase artesanal com as palavras, despertando sentidos novos. (D) a produção de sentidos herméticos na busca da perfeição poética. (E) a contemplação da natureza brasileira na perspectiva ufanista da pátria. 14. (ENEM-MEC) Texto I Agora Fabiano conseguia arranjar as ideias. O que o segurava era a família. Vivia preso como um novilho amarrado ao mourão, suportando ferro quente. Se não fosse isso, um soldado amarelo não lhe pisava o pé não. (...) Tinha aqueles cambões pendurados ao pescoço. Deveria continuar a arrastá-los? Sinha Vitória dormia mal na cama de varas. Os meninos eram uns brutos, como o pai. Quando crescessem, guardariam as reses de um patrão invisível, seriam pisados, maltratados, machucados por um soldado amarelo. Graciliano Ramos. Vidas Secas. São Paulo: Martins, 23.ª ed., 1969, p. 75. Texto II Para Graciliano, o roceiro pobre é um outro, enigmático, impermeável. Não há solução fácil para uma tentativa de incorporação dessa figura no campo da ficção. É lidando com o impasse, ao invés de fáceis soluções, que Graciliano vai criar Vidas Secas, elaborando uma linguagem, uma estrutura romanesca, uma constituição de narrador em que narrador e criaturas se tocam, mas não se identificam. Em grande medida, o debate acontece porque, para a intelectualidade brasileira naquele momento, o pobre, a despeito de aparecer idealizado em certos aspectos, ainda é visto como um ser humano de segunda categoria, simples demais, incapaz de ter pensamentos demasiadamente complexos. O que Vidas Secas faz é, com pretenso não envolvimento da voz que controla a narrativa, dar conta de uma riqueza humana de que essas pessoas seriam plenamente capazes. Luís Bueno. Guimarães, Clarice e antes. In: Teresa. São Paulo: USP, n.º 2, 2001, p. 254. A partir do trecho de Vidas Secas (texto I) e das informações do texto II, relativas às concepções artísticas do romance social de 1930, avalie as seguintes afirmativas. I. O pobre, antes tratado de forma exótica e folclórica pelo regionalismo pitoresco, transforma-se em protagonista privilegiado do romance social de 30. II. A incorporação do pobre e de outros marginalizados indica a tendência da ficção brasileira da década de 30 de tentar superar a grande distância entre o intelectual e as camadas populares. III. Graciliano Ramos e os demais autores da década de 30 conseguiram, com suas obras, modificar a posição social do sertanejo na realidade nacional. É correto apenas o que se afirma em (A) I. (B) II. (C) III. (D) I e II. (E) II e III. 15. (ENEM-MEC) No decênio de 1870, Franklin Távora defendeu a tese de que no Brasil havia duas literaturas independentes dentro da mesma língua: uma do Norte e outra do Sul, regiões segundo ele muito diferentes por formação histórica, composição étnica, costumes, modismos linguísticos etc. Por isso, deu aos romances regionais que publicou o título geral de Literatura do Norte. Em nossos dias, um escritor gaúcho, Viana Moog, procurou mostrar com bastante engenho que no Brasil há, em verdade, literaturas setoriais diversas, refletindo as características locais. CANDIDO, A. A nova narrativa. A educação pela noite e outros ensaios. São Paulo: Ática, 2003.
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    LCT  Português _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 188 LCT  Português  Com relação à valorização, no romance regionalista brasileiro, do homem e da paisagem de determinadas regiões nacionais, sabe-se que (A) o romance do Sul do Brasil se caracteriza pela temática essencialmente urbana, colocando em relevo a formação do homem por meio da mescla de características locais e dos aspectos culturais trazidos de fora pela imigração europeia. (B) José de Alencar, representante, sobretudo, do romance urbano, retrata a temática da urbanização das cidades brasileiras e das relações conflituosas entre as raças. (C) o romance do Nordeste caracteriza-se pelo acentuado realismo no uso do vocabulário, pelo temário local, expressando a vida do homem em face da natureza agreste, e assume frequentemente o ponto de vista dos menos favorecidos. (D) a literatura urbana brasileira, da qual um dos expoentes é Machado de Assis, põe em relevo a formação do homem brasileiro, o sincretismo religioso, as raízes africanas e indígenas que caracterizam o nosso povo. (E) Érico Veríssimo, Rachel de Queiroz, Simões Lopes Neto e Jorge Amado são romancistas das décadas de 30 e 40 do século XX, cuja obra retrata a problemática do homem urbano em confronto com a modernização do país promovida pelo Estado Novo. 16. (ENEM-MEC) Texto I Logo depois transferiram para o trapiche o depósito dos objetos que o trabalho do dia lhes proporcionava. Estranhas coisas entraram então para o trapiche. Não mais estranhas, porém, que aqueles meninos, moleques de todas as cores e de idades as mais variadas, desde os nove aos dezesseis anos, que à noite se estendiam pelo assoalho e por debaixo da ponte e dormiam, indiferentes ao vento que circundava o casarão uivando, indiferentes à chuva que muitas vezes os lavava, mas com os olhos puxados para as luzes dos navios, com os ouvidos presos às canções que vinham das embarcações... AMADO, J. Capitães da Areia. São Paulo: Companhia das Letras, 2008 (fragmento). Texto II À margem esquerda do rio Belém, nos fundos do mercado de peixe, ergue-se o velho ingazeiro – ali os bêbados são felizes. Curitiba os considera animais sagrados, provê as suas necessidades de cachaça e pirão. No trivial contentavam-se com as sobras do mercado. TREVISAN, D. 35 noites de paixão: contos escolhidos. Rio de Janeiro: BestBolso, 2009 (fragmento). Sob diferentes perspectivas, os fragmentos citados são exemplos de uma abordagem literária recorrente na literatura brasileira do século XX. Em ambos os textos, (A) a linguagem afetiva aproxima os narradores dos personagens marginalizados. (B) a ironia marca o distanciamento dos narradores em relação aos personagens. (C) o detalhamento do cotidiano dos personagens revela a sua origem social. (D) o espaço onde vivem os personagens é uma das marcas de sua exclusão. (E) a crítica à indiferença da sociedade pelos marginalizados é direta. 17. (ENEM-MEC) Após estudar na Europa, Anita Malfatti retornou ao Brasil com uma mostra que abalou a cultura nacional do início do século XX. Elogiada por seus mestres na Europa, Anita se considerava pronta para mostrar seu trabalho no Brasil, mas enfrentou as duras críticas de Monteiro Lobato. Com a intenção de criar uma arte que valorizasse a cultura brasileira, Anita Malfatti e outros artistas modernistas (A) buscaram libertar a arte brasileira das normas acadêmicas europeias, valorizando as cores, a originalidade e os temas nacionais. (B) defenderam a liberdade limitada de uso da cor, até então utilizada de forma irrestrita, afetando a criação artística nacional. (C) representaram a ideia de que a arte deveria copiar fielmente a natureza, tendo como finalidade a prática educativa. (D) mantiveram de forma fiel a realidade nas figuras retratadas, defendendo uma liberdade artística ligada à tradição acadêmica. (E) buscaram a liberdade na composição de suas figuras, respeitando limites de temas abordados. 18. (ENEM-MEC) O poema abaixo pertence à poesia concreta brasileira. O termo latino de seu título significa “epitalâmio”, poema ou canto em homenagem aos que se casam.
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    LCT  Português _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 189 LCT  Português  Considerando que símbolos e sinais são utilizados geralmente para demonstrações objetivas, ao serem incorporados no poema “Epithalamium - II”, (A) adquirem novo potencial de significação. (B) eliminam a subjetividade do poema. (C) opõem-se ao tema principal do poema. (D) invertem seu sentido original. (E) tornam-se confusos e equivocados. 19. (ENEM-MEC) Quem não passou pela experiência de estar lendo um texto e defrontar-se com passagens já lidas em outros? Os textos conversam entre si em um diálogo constante. Esse fenômeno tem a denominação de intertextualidade. Leia os seguintes textos: I. Quando nasci, um anjo torto Desses que vivem na sombra Disse: Vai Carlos! Ser “gauche” na vida Carlos Drummond de Andrade. Alguma poesia. Rio de Janeiro: Aguilar, 1964. II. Quando nasci veio um anjo safado O chato dum querubim E decretou que eu tava predestinado A ser errado assim Já de saída a minha estrada entortou Mas vou até o fim. Chico Buarque. Letra e Música. São Paulo: Cia. das Letras, 1989. III. Quando nasci um anjo esbelto Desses que tocam trombeta, anunciou: Vai carregar bandeira. Carga muito pesada pra mulher Esta espécie ainda envergonhada. Adélia Prado. Bagagem. Rio de Janeiro: Guanabara, 1986. Adélia Prado e Chico Buarque estabelecem intertextualidade, em relação a Carlos Drummond de Andrade, por (A) reiteração de imagens. (B) oposição de ideias. (C) falta de criatividade. (D) negação dos versos. (E) ausência de recursos. *Anotações*
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    LCT  Português _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio 190 LCT  Português  ********** ATIVIDADES 2 ********** C8 Compreender e usar a língua portuguesa como língua materna, geradora de significação e integradora da organização do mundo e da própria identidade. H27 Reconhecer os usos da norma-padrão da língua portuguesa nas diferentes situações de comunicação. Observe o anúncio publicitário abaixo, publicado na revista Le lis blanc (São Paulo, dez. 2004), e responda às duas próximas questões. saia de saia Sim, elas estão com tudo: com flores imensas ou bem miúdas, lisas, com pregas, rodadas e muito balanço 20. (ENEM-MEC) No anúncio publicitário acima, ocorreu um caso de homonímia perfeita, ou seja, palavras de mesma grafia, mesma pronúncia, sentidos diferentes. Assinale, dentre os itens seguintes, aqueles que possuem a mesma caracterização semântica e depois marque a alternativa adequada. I. A dança de acasalamento do animal lembra a maneira como o jovem dança neste momento. II. A taxa cobrada pelo serviço taxa apenas as pessoas de baixa renda. III. O primeiro passo é dirigir-se ao paço municipal para receber as orientações. IV. Os devotos de São Tomás de Aquino são extremamente fervorosos. V. Na Capital Federal, a descriminação do senador gerou manifestações contra a discriminação das pessoas. (A) Há homônimos perfeitos apenas nos itens I e II. (B) Há homônimos perfeitos apenas nos itens I, II e III. (C) Há homônimos perfeitos apenas nos itens II, III e IV. (D) Há homônimos perfeitos apenas nos itens I, II e IV. (E) Há homônimos perfeitos em todos os itens. 21. (ENEM-MEC) Tendo como referência o anúncio publicitário acima, marque V (verdadeiro) ou F (falso) para as proposições abaixo. I. A preposição “com”, utilizada no texto publicitário, orienta para uma relação semântica de conteúdo, sendo que a expressão “estão com tudo” pode ser substituída por “possuem” sem que se prejudiquem a coerência e a correção gramatical do texto. II. No texto, o termo “rodadas” foi mal empregado, uma vez que não mantém o paralelismo da enumeração introduzida pelos dois-pontos, não admitindo a preposição “com” na ligação com seu termo regente. III. No texto, os termos “imensas” e “miúdas” são considerados antônimos, já que expressam características opostas, em que um pode ser empregado pelo oposto do outro. Assinale a alternativa correta. (A) Apenas a proposição I é verdadeira. (B) Apenas a proposição III é verdadeira. (C) Apenas as proposições II e III são verdadeiras. (D) Apenas as proposições I e III são verdadeiras. (E) Todas as proposições são verdadeiras. 22. (ENEM-MEC) A figura a seguir trata da “taxa de desocupação” no Brasil, ou seja, a proporção de pessoas desocupadas em relação à população economicamente ativa de uma determinada região em um recorte de tempo. Disponível em: < http://www.ibge.gov.br > (adaptado). A norma-padrão da língua portuguesa está respeitada, na interpretação do gráfico, em: (A) Durante o ano de 2008, foi em geral decrescente a taxa de desocupação no Brasil. (B) Nos primeiros meses de 2009, houveram acréscimos na taxa de desocupação. (C) Em 12/2008, por ocasião das festas, a taxa de desempregados foram reduzidos. (D) A taxa de pessoas desempregadas em 04/08 e 02/09, é estatisticamente igual: 8,5. (E) Em março de 2009 as taxas tenderam à piorar: 9 entre 100 pessoas desempregadas. ________________________________________________ *Anotações*