OFICINA DE ORALIDADE: 
MÉTODOS E TÉCNICAS A PARTIR 
DA HISTÓRIA ORAL 
Profº.Alessandro Euzébio 
aeuzebio@bol.com.br
OFICINA 
ORALIDADE: MÉTODOS E 
TÉCNICAS
Definição 
 A história oral é uma metodologia de pesquisa 
que consiste em registrar, através de entrevistas, 
testemunhos sobre acontecimentos, 
conjunturas, instituições, modos de vida ou 
outros aspectos da história contemporânea.. 
 Seria uma prática de pesquisa para a apreensão 
de narrativas feita com meios eletrônicos 
(gravadores, filmadoras) e destinada à 
elaboração de documentos.
 É um procedimento metodológico que busca 
registrar, através de narrativas induzidas e 
estimuladas, testemunhos, versões e 
interpretações sobre a História em diversos 
aspectos: de vida, social, cultural e outros. 
Privilegia a realização de entrevistas e 
depoimentos com pessoas que participaram de 
processos históricos ou testemunharam 
acontecimentos.
EVOLUÇÃO DE UMA PRÁTICA
Primórdios: tradição oral de sociedades 
africanas e grupos ágrafos. 
A História se constituiu cientificamente a 
partir da crítica da tradição oral e 
do testemunho. 
Século XIX criação da profissão 
acadêmica de historiador: Leopold von 
Ranke, Langlois e Seignobos: primazia 
do documento escrito.
Os testemunhos orais no século XX 
receberam novos sentidos com o surgimento 
dos meios eletrônicos de gravação. 
Os primeiros estudos de história oral 
ocorreram nos E.U.A, os precursores. As 
pesquisas eram da área de Ciência Política e 
concentravam-se na memória dos ex-combatentes 
da 2ª Guerra e de pessoas 
notáveis. Tais estudos não se distanciavam de 
uma história positivista dos heróis.
Paralelamente, desenvolveram-se estudos 
ligados à Antropologia, contemplando grupos 
sociais negligenciados pela outra tendência. 
No México, desde 1956, os arquivos sonoros 
do Departamento de Antropologia registravam 
as recordações dos chefes da Revolução 
Mexicana. 
Na Itália, sociólogos e antropólogos utilizaram 
a pesquisa oral para reconstituir a cultura 
popular.
Anos 60 - desenvolve-se uma concepção associada à 
perspectiva da história vista de baixo, que dá voz às 
minorias e grupos marginalizados 
Anos 70 - a história oral passa a ser considerada uma 
nova metodologia para a pesquisa histórica. Surgem 
associações, revistas, projetos e institutos dedicados a 
história oral em vários países. 
Anos 80 – período que promoveu reflexões 
epistemológicas e metodológicas. Na França e na 
Itália se tornou um meio eficiente para motivar os 
alunos de história.
Anos 90 - Muitos estudos passaram a privilegiar 
a questão da subjetividade dos sujeitos. O Fim 
da Guerra Fria propiciou à pesquisa oral as 
condições de liberdade necessárias e novos 
campos de estudos. 
As câmeras filmadoras permitiram a 
multiplicação dos videogramas, que 
complementaram ou mesmo substituíram os 
fonogramas.
Da influência da Escola 
francesa dos Annales 
Não se pode separar o 
progresso da história oral 
Do restabelecimento 
/desenvolvimento da 
democracia
ORALIDADE NO BRASIL
Em 1975 criou-se na Fundação Getúlio Vargas o 
primeiro programa de história oral destinado a 
colher depoimentos de líderes políticos. 
Criação do CPDOC - Centro de Pesquisa e 
Documentação de História Contem_ porânea do 
Brasil. 
Influência da Ciência Política – intenção de criar 
um arquivo de documentos orais sobre a história 
política brasileira.
Maior emprego da História Oral no início dos 
anos 80, período da abertura política 
brasileira, o que marca a História Oral com um 
caráter democrático. 
São produzidos estudos a partir de entrevistas 
de exilados que retornavam ao país após a 
Anistia.
A partir dos anos 1990, o movimento em 
torno da história oral cresceu muito. Em 1994, 
foi criada a Associação Brasileira de História 
Oral, que congrega membros de todas as 
regiões do país, reúne-se periodicamente em 
encontros regionais e nacionais, e edita 
revistas e boletins. 
Em 1996, foi criada a Associação Internacioal 
de História, que realiza congressos bianuais.
Relação: 
HISTÓRIA LOCAL 
E HISTÓRIA ORAL
Especificidades, contribuições, 
limites.
Especificidades 
A fonte oral é singular e não se presta a 
generalizações. 
Contribui para relativizar conceitos e 
pressupostos que tendem a universalizar e 
a generalizar as experiências humanas. 
São visões particulares dos processos 
coletivos. As narrativas possuem 
dimensões individuais e coletivas.
Duas temporalidades: época do acontecido e da 
narração sobre o acontecido. 
Predomínio da subjetividade: entendida como o 
espaço íntimo do individuo com o qual ele se 
relaciona com o mundo social, resultando tanto em 
marcas singulares na sua formação quanto na 
construção de crenças e valores compartilhados na 
dimensão cultural que vão constituir a experiência 
histórica e coletiva dos grupos. A subjetividade é o 
mundo interno do ser humano. Este mundo interno é 
composto por emoções, sentimentos e 
pensamentos.
Importância do registro subjetivo 
O modo como as pessoas olham para a sua 
vida. O modo como falam dela, a ordenação 
que lhe dão, aquilo que enfatizam, aquilo de 
que não falam, as palavras que escolhem, são 
importantes na compreensão de qualquer 
entrevista.
As potencialidades metodológicas 
e cognitivas da fonte oral 
Recuperar memórias locais, 
comunitárias, étnicas, de gênero, entre 
outras, sob diferentes óticas e versões. 
Recuperar informações sobre 
acontecimentos e processos que não se 
encontram registrados em outros tipos 
de documentos.
Contemplar o registro de visões de 
personagens ou testemunhas da 
história, invisibilizados pela história 
oficial. 
Apresentar revisões através de novas 
versões e interpretações sobre 
determinado assunto ou tema.
Limites da História Oral 
Aplicabilidade do método somente às 
épocas contemporâneas, à história do 
tempo presente; 
Predomínio da subjetividade; 
Possível influência, mesmo que 
involuntária, do transcritor da entrevista; 
Influência da conjuntura sobre o 
documento produzido.
Tipos de entrevista 
História oral de vida – relatos dos sujeitos acerca da 
própria existência, pelos quais se pode conhecer suas 
relações com seu grupo, profissão, classe e sociedade 
em que vivem. Caracteriza-se por depoimentos 
prolongados, orientados por roteiros mais abertos, que 
objetivam reconstituir a trajetória de vida de 
determinado sujeito. 
São 3 tipos: 
Depoimento biográfico único, 
Pesquisa biográfica múltipla, 
Pesquisa biográfica complementar.
Entrevistas temáticas 
São entrevistas que se referem a experiências ou 
processos específicos vividos ou testemunhados 
pelos entrevistados. São conduzidas a partir de um 
tema específico produzindo informações e dados 
mais delimitados. 
Ex: O imaginário sobre Getúlio Vargas; Memórias 
sobre a repressão política; O Holocausto; A 
explosão da bomba atômica em Hiroshima; A 
participação dos pracinhas na Segunda Guerra, 
etc.
Oralidade 
Etapas e Procedimentos
Preparar um projeto/pesquisa 
Escolher um tema / definir objeto de estudo. 
Contato com entrevistas já feitas. 
Decidir quem será entrevistado (estipular 
critérios). 
Estabelecer contatos preliminares com os 
entrevistados para explicar a intenção do 
projeto.
Conseguir equipamento para gravação, 
aprender a manuseá-lo; 
Preparar roteiro de perguntas; 
Conhecer o assunto pesquisado para o bom 
andamento da entrevista. História oral e 
pesquisa documental caminham juntas. 
Levar material de apoio para auxiliar o 
entrevistado a rememorar.
No momento da entrevista 
Registrar, no início da entrevista, para o 
gravador, os seguintes dados: data, nome do 
entrevistador, nome do depoente, local, tema, 
tipo do gravador. 
Manter-se neutro, evitar demonstrações de 
espanto, discordância, etc. 
Ser flexível para rever roteiros. 
Respeitar as idiossincrasias e as características 
da personalidade dos sujeitos.
Considerar os imaginários, os limites, as 
identidades, as diferenças que caracterizam 
aquele sujeito ou grupo social. 
Não interromper o entrevistado e respeitar os 
momentos de emoção, silêncio e esquecimento; 
Evitar perguntas longas e indiretas, formular 
perguntas que provoquem respostas. 
Produzir imagens do encontro.
Recomenda-se que as entrevistas sejam 
realizadas por 2 pesquisadores: 
O primeiro conduzirá o depoimento, 
formulando questões 
O segundo ficará responsável pelas atividades 
de apoio, tais como controle do gravador, 
registro de informações significativas no 
caderno de campo.
Caderno de campo 
Necessário para anotações 
complementares: afirmações não-gravadas 
mais significativas ou de foro 
confidencial, bem como os gestos e as 
expressões, os silêncios e as hesitações, 
as insistências e as repetições, o tom 
peremptório ou evasivo.
Carta de Cessão 
Ao término de uma entrevista é necessário 
apresentar ao entrevistado, para sua 
anuência, uma carta de cessão, que deve ser 
clara e fazer referência às diferentes 
possibilidades de utilização e socialização da 
entrevista. É um documento imprescindível 
para a divulgação e uso da entrevista.
As tarefas podem ser divididas de acordo com 
as aptidões de cada um: 
Tirar fotos, 
Fazer gravações 
Elaborar questões 
Entrevistar 
Escrever no caderno de campo 
Transcrição / Tratamento do material 
gravado
Processamento e análise das entrevistas
Transcrição 
Transposição: código oral escrito 
Versão escrita dos depoimentos, buscando 
reproduzir com fidelidade, tudo o que foi 
dito, sem cortes nem acréscimos.
Passagens pouco claras: colchetes [ ] 
Dúvidas, silêncios e hesitações: reticências 
(...) 
Risos: identificados em parênteses (risos) 
Negrito: para palavras e frases com forte 
entonação; 
Atenção com a pontuação (.,;!?), procurando 
não alterar o sentido das palavras ou frases.
Análise das entrevistas 
Através dos depoimentos é possível: 
Agrupar entrevistas com aproximação 
• temática. 
Construir evidências 
Estabelecer correlações, comparar versões 
Analisar narrativas a partir dos temas 
• definidos anteriormente, fazendo a 
• interlocução com os materiais estudados. 
•
Mediação 
Nessa etapa final serão apresentados os 
resultados e a sistematização final, levantando 
os pontos em comum e as diferenças 
encontradas nas entrevistas. 
O professor assumirá o papel de mediador, 
apontando o que achou interessante, 
perguntando o que os alunos consideraram 
relevante, discutindo com a turma o que se 
aprendeu, as dificuldades encontradas, etc.
Finalização e devolução 
Promover a integração entre a escola e a 
comunidade que gerou o trabalho por meio de 
um produto histórico – um folder, um texto, 
uma exposição, uma palestra, dando acesso 
público aos resultados do trabalho. A 
finalização do projeto pode acontecer em um 
seminário ou feira. Assim a história oral pode 
ser aliada na valorização das histórias e dos 
saberes locais. 
•
Resgata experiências individuais e coletivas, 
fazendo o aluno vê-las como constitutivas de 
uma realidade histórica mais ampla. 
Facilita a percepção de continuidades, 
mudanças, conflitos e permanências; 
Produz um conhecimento que contribui para a 
construção da consciência histórica.
Gera atitudes investigativas. Alunos e 
professores deixam de ser reprodutores do 
conhecimento histórico para assumirem juntos 
o papel de pesquisadores. 
Pode ser instrumento para construção de uma 
história mais plural, menos homogênea, que não 
silencie a multiplicidade de vozes dos diferentes 
sujeitos da História;
Interdisciplinariedade 
A história oral pode estar presente nos estudos 
de outras disciplinas. Há possibilidades de 
trabalho com: 
 Ciências Sociais: análises sociais e 
antropológicas. 
Arte: Registros fotográficos e desenhos. 
Geografia: Estudo de espaços, mapas, 
localidades; 
Matemática:Tabulação de dados, cálculos, 
estatísticas. 
Português: produção de textos, narrativas
ANÁLISE DE TRECHOS DE FILME: 
Narradores de Javé 
Drama, Brasil, 2003, 100 min. Diretora: Eliane Caffé.
Javé é uma localidade fictícia, no sertão 
nordestino, que está prestes a ser inundada 
pela construção de uma hidrelétrica. Para 
alterar a direção dos acontecimentos, seus 
poucos moradores resolvem escrever a história 
da cidade, com o objetivo de transformá-la em 
patrimônio histórico e preservá-la. Com a 
necessidade de escrever um documento 
"científico", Biá inicia suas entrevistas com 
alguns moradores antigos, tentando reescrever 
a história de Vale de Javé.
O problema é que as histórias (são 5 versões 
diferentes) sobre os personagens se 
contradizem e o "escrevinhador" se vê diante 
da difícil tarefa de reunir, a partir das versões 
escutadas, uma única história e registrá-la na 
forma de “documento científico”. Ao longo de 
todo o filme, a diretora aborda a questão da 
história oficial e os excluídos dessa história, 
estabelecendo uma relação entre a oralidade e 
a escrita.
Trecho 1 - Narradores de Javé - Escrita da 
história 
Nesse trecho, Antonio Biá anota a história sobre 
o herói Indalécio e ao escrever o texto sugere ao 
narrador algumas adaptações ao fato. Fragmento 
relevante para identificar a distância entre a fala 
e a escrita na perspectiva da história oral.
Trecho 2 - Narradores de Javé - Questão de 
gênero 
Nesse trecho, o escrivão Biá escuta, sem muito 
interesse, a versão relatada por uma mulher do 
povoado. Nesta versão da história da fundação de 
Javé, a grande heroína é Maria Dina.
Trecho 3 - Narradores de Javé - Oxum 
Na versão de um morador negro do povoado de 
Javé, o herói seria um líder africano chamado 
Indalêo e não Indaleu. Nesta história, surge a 
oralidade da memória como praticada por 
culturas milenares. O narrador canta a história 
em seu dialeto africano.
Rompendo o silêncio 
Série de 5 Documentários, EUA, 
2001, 280 min. Produção: 
Steven Spielberg.
Projeto de registro audiovisual de depoimentos 
da Shoah realizado por Steven Spielberg. 
Rompendo o silêncio retrata os horrores do 
Holocausto sob o ponto de vista de quem o 
vivenciou de perto. 
O Holocausto é o tema da segunda guerra que 
suscita cada vez mais pesquisas orais, não só 
gravadas mas filmadas. 
Outras obras sobre o tema: 
 Silêncio da memória – Nicole Lapider 
 O universo dos campos de concentração – Michael 
Pollack 
 Shoah – Claude Lanzmann
Vídeo - Programa do Globo Universidade: 
Pesquisadores da Fundação Getúlio Vargas, no Rio, 
estudam o movimento negro através dos relatos dos 
integrantes 
História Oral 
Programa televisivo, Brasil, 2010, 24 min.
Alessandro Euzébio 
Mestrando em Educação pela UNINOVE 
Especialista em Identidade, Cultura, Políticas Sociais e Serviço Social 
Especialista em Educação no Ensino Superior 
aeuzebio@bol.com.br

Oficina de história oral

  • 1.
    OFICINA DE ORALIDADE: MÉTODOS E TÉCNICAS A PARTIR DA HISTÓRIA ORAL Profº.Alessandro Euzébio aeuzebio@bol.com.br
  • 2.
  • 3.
    Definição  Ahistória oral é uma metodologia de pesquisa que consiste em registrar, através de entrevistas, testemunhos sobre acontecimentos, conjunturas, instituições, modos de vida ou outros aspectos da história contemporânea..  Seria uma prática de pesquisa para a apreensão de narrativas feita com meios eletrônicos (gravadores, filmadoras) e destinada à elaboração de documentos.
  • 4.
     É umprocedimento metodológico que busca registrar, através de narrativas induzidas e estimuladas, testemunhos, versões e interpretações sobre a História em diversos aspectos: de vida, social, cultural e outros. Privilegia a realização de entrevistas e depoimentos com pessoas que participaram de processos históricos ou testemunharam acontecimentos.
  • 5.
  • 6.
    Primórdios: tradição oralde sociedades africanas e grupos ágrafos. A História se constituiu cientificamente a partir da crítica da tradição oral e do testemunho. Século XIX criação da profissão acadêmica de historiador: Leopold von Ranke, Langlois e Seignobos: primazia do documento escrito.
  • 7.
    Os testemunhos oraisno século XX receberam novos sentidos com o surgimento dos meios eletrônicos de gravação. Os primeiros estudos de história oral ocorreram nos E.U.A, os precursores. As pesquisas eram da área de Ciência Política e concentravam-se na memória dos ex-combatentes da 2ª Guerra e de pessoas notáveis. Tais estudos não se distanciavam de uma história positivista dos heróis.
  • 8.
    Paralelamente, desenvolveram-se estudos ligados à Antropologia, contemplando grupos sociais negligenciados pela outra tendência. No México, desde 1956, os arquivos sonoros do Departamento de Antropologia registravam as recordações dos chefes da Revolução Mexicana. Na Itália, sociólogos e antropólogos utilizaram a pesquisa oral para reconstituir a cultura popular.
  • 9.
    Anos 60 -desenvolve-se uma concepção associada à perspectiva da história vista de baixo, que dá voz às minorias e grupos marginalizados Anos 70 - a história oral passa a ser considerada uma nova metodologia para a pesquisa histórica. Surgem associações, revistas, projetos e institutos dedicados a história oral em vários países. Anos 80 – período que promoveu reflexões epistemológicas e metodológicas. Na França e na Itália se tornou um meio eficiente para motivar os alunos de história.
  • 10.
    Anos 90 -Muitos estudos passaram a privilegiar a questão da subjetividade dos sujeitos. O Fim da Guerra Fria propiciou à pesquisa oral as condições de liberdade necessárias e novos campos de estudos. As câmeras filmadoras permitiram a multiplicação dos videogramas, que complementaram ou mesmo substituíram os fonogramas.
  • 11.
    Da influência daEscola francesa dos Annales Não se pode separar o progresso da história oral Do restabelecimento /desenvolvimento da democracia
  • 12.
  • 13.
    Em 1975 criou-sena Fundação Getúlio Vargas o primeiro programa de história oral destinado a colher depoimentos de líderes políticos. Criação do CPDOC - Centro de Pesquisa e Documentação de História Contem_ porânea do Brasil. Influência da Ciência Política – intenção de criar um arquivo de documentos orais sobre a história política brasileira.
  • 14.
    Maior emprego daHistória Oral no início dos anos 80, período da abertura política brasileira, o que marca a História Oral com um caráter democrático. São produzidos estudos a partir de entrevistas de exilados que retornavam ao país após a Anistia.
  • 15.
    A partir dosanos 1990, o movimento em torno da história oral cresceu muito. Em 1994, foi criada a Associação Brasileira de História Oral, que congrega membros de todas as regiões do país, reúne-se periodicamente em encontros regionais e nacionais, e edita revistas e boletins. Em 1996, foi criada a Associação Internacioal de História, que realiza congressos bianuais.
  • 16.
    Relação: HISTÓRIA LOCAL E HISTÓRIA ORAL
  • 17.
  • 18.
    Especificidades A fonteoral é singular e não se presta a generalizações. Contribui para relativizar conceitos e pressupostos que tendem a universalizar e a generalizar as experiências humanas. São visões particulares dos processos coletivos. As narrativas possuem dimensões individuais e coletivas.
  • 19.
    Duas temporalidades: épocado acontecido e da narração sobre o acontecido. Predomínio da subjetividade: entendida como o espaço íntimo do individuo com o qual ele se relaciona com o mundo social, resultando tanto em marcas singulares na sua formação quanto na construção de crenças e valores compartilhados na dimensão cultural que vão constituir a experiência histórica e coletiva dos grupos. A subjetividade é o mundo interno do ser humano. Este mundo interno é composto por emoções, sentimentos e pensamentos.
  • 20.
    Importância do registrosubjetivo O modo como as pessoas olham para a sua vida. O modo como falam dela, a ordenação que lhe dão, aquilo que enfatizam, aquilo de que não falam, as palavras que escolhem, são importantes na compreensão de qualquer entrevista.
  • 21.
    As potencialidades metodológicas e cognitivas da fonte oral Recuperar memórias locais, comunitárias, étnicas, de gênero, entre outras, sob diferentes óticas e versões. Recuperar informações sobre acontecimentos e processos que não se encontram registrados em outros tipos de documentos.
  • 22.
    Contemplar o registrode visões de personagens ou testemunhas da história, invisibilizados pela história oficial. Apresentar revisões através de novas versões e interpretações sobre determinado assunto ou tema.
  • 23.
    Limites da HistóriaOral Aplicabilidade do método somente às épocas contemporâneas, à história do tempo presente; Predomínio da subjetividade; Possível influência, mesmo que involuntária, do transcritor da entrevista; Influência da conjuntura sobre o documento produzido.
  • 24.
    Tipos de entrevista História oral de vida – relatos dos sujeitos acerca da própria existência, pelos quais se pode conhecer suas relações com seu grupo, profissão, classe e sociedade em que vivem. Caracteriza-se por depoimentos prolongados, orientados por roteiros mais abertos, que objetivam reconstituir a trajetória de vida de determinado sujeito. São 3 tipos: Depoimento biográfico único, Pesquisa biográfica múltipla, Pesquisa biográfica complementar.
  • 25.
    Entrevistas temáticas Sãoentrevistas que se referem a experiências ou processos específicos vividos ou testemunhados pelos entrevistados. São conduzidas a partir de um tema específico produzindo informações e dados mais delimitados. Ex: O imaginário sobre Getúlio Vargas; Memórias sobre a repressão política; O Holocausto; A explosão da bomba atômica em Hiroshima; A participação dos pracinhas na Segunda Guerra, etc.
  • 26.
    Oralidade Etapas eProcedimentos
  • 27.
    Preparar um projeto/pesquisa Escolher um tema / definir objeto de estudo. Contato com entrevistas já feitas. Decidir quem será entrevistado (estipular critérios). Estabelecer contatos preliminares com os entrevistados para explicar a intenção do projeto.
  • 28.
    Conseguir equipamento paragravação, aprender a manuseá-lo; Preparar roteiro de perguntas; Conhecer o assunto pesquisado para o bom andamento da entrevista. História oral e pesquisa documental caminham juntas. Levar material de apoio para auxiliar o entrevistado a rememorar.
  • 29.
    No momento daentrevista Registrar, no início da entrevista, para o gravador, os seguintes dados: data, nome do entrevistador, nome do depoente, local, tema, tipo do gravador. Manter-se neutro, evitar demonstrações de espanto, discordância, etc. Ser flexível para rever roteiros. Respeitar as idiossincrasias e as características da personalidade dos sujeitos.
  • 30.
    Considerar os imaginários,os limites, as identidades, as diferenças que caracterizam aquele sujeito ou grupo social. Não interromper o entrevistado e respeitar os momentos de emoção, silêncio e esquecimento; Evitar perguntas longas e indiretas, formular perguntas que provoquem respostas. Produzir imagens do encontro.
  • 31.
    Recomenda-se que asentrevistas sejam realizadas por 2 pesquisadores: O primeiro conduzirá o depoimento, formulando questões O segundo ficará responsável pelas atividades de apoio, tais como controle do gravador, registro de informações significativas no caderno de campo.
  • 32.
    Caderno de campo Necessário para anotações complementares: afirmações não-gravadas mais significativas ou de foro confidencial, bem como os gestos e as expressões, os silêncios e as hesitações, as insistências e as repetições, o tom peremptório ou evasivo.
  • 33.
    Carta de Cessão Ao término de uma entrevista é necessário apresentar ao entrevistado, para sua anuência, uma carta de cessão, que deve ser clara e fazer referência às diferentes possibilidades de utilização e socialização da entrevista. É um documento imprescindível para a divulgação e uso da entrevista.
  • 34.
    As tarefas podemser divididas de acordo com as aptidões de cada um: Tirar fotos, Fazer gravações Elaborar questões Entrevistar Escrever no caderno de campo Transcrição / Tratamento do material gravado
  • 35.
    Processamento e análisedas entrevistas
  • 36.
    Transcrição Transposição: códigooral escrito Versão escrita dos depoimentos, buscando reproduzir com fidelidade, tudo o que foi dito, sem cortes nem acréscimos.
  • 37.
    Passagens pouco claras:colchetes [ ] Dúvidas, silêncios e hesitações: reticências (...) Risos: identificados em parênteses (risos) Negrito: para palavras e frases com forte entonação; Atenção com a pontuação (.,;!?), procurando não alterar o sentido das palavras ou frases.
  • 38.
    Análise das entrevistas Através dos depoimentos é possível: Agrupar entrevistas com aproximação • temática. Construir evidências Estabelecer correlações, comparar versões Analisar narrativas a partir dos temas • definidos anteriormente, fazendo a • interlocução com os materiais estudados. •
  • 39.
    Mediação Nessa etapafinal serão apresentados os resultados e a sistematização final, levantando os pontos em comum e as diferenças encontradas nas entrevistas. O professor assumirá o papel de mediador, apontando o que achou interessante, perguntando o que os alunos consideraram relevante, discutindo com a turma o que se aprendeu, as dificuldades encontradas, etc.
  • 40.
    Finalização e devolução Promover a integração entre a escola e a comunidade que gerou o trabalho por meio de um produto histórico – um folder, um texto, uma exposição, uma palestra, dando acesso público aos resultados do trabalho. A finalização do projeto pode acontecer em um seminário ou feira. Assim a história oral pode ser aliada na valorização das histórias e dos saberes locais. •
  • 41.
    Resgata experiências individuaise coletivas, fazendo o aluno vê-las como constitutivas de uma realidade histórica mais ampla. Facilita a percepção de continuidades, mudanças, conflitos e permanências; Produz um conhecimento que contribui para a construção da consciência histórica.
  • 42.
    Gera atitudes investigativas.Alunos e professores deixam de ser reprodutores do conhecimento histórico para assumirem juntos o papel de pesquisadores. Pode ser instrumento para construção de uma história mais plural, menos homogênea, que não silencie a multiplicidade de vozes dos diferentes sujeitos da História;
  • 43.
    Interdisciplinariedade A históriaoral pode estar presente nos estudos de outras disciplinas. Há possibilidades de trabalho com:  Ciências Sociais: análises sociais e antropológicas. Arte: Registros fotográficos e desenhos. Geografia: Estudo de espaços, mapas, localidades; Matemática:Tabulação de dados, cálculos, estatísticas. Português: produção de textos, narrativas
  • 44.
    ANÁLISE DE TRECHOSDE FILME: Narradores de Javé Drama, Brasil, 2003, 100 min. Diretora: Eliane Caffé.
  • 45.
    Javé é umalocalidade fictícia, no sertão nordestino, que está prestes a ser inundada pela construção de uma hidrelétrica. Para alterar a direção dos acontecimentos, seus poucos moradores resolvem escrever a história da cidade, com o objetivo de transformá-la em patrimônio histórico e preservá-la. Com a necessidade de escrever um documento "científico", Biá inicia suas entrevistas com alguns moradores antigos, tentando reescrever a história de Vale de Javé.
  • 46.
    O problema éque as histórias (são 5 versões diferentes) sobre os personagens se contradizem e o "escrevinhador" se vê diante da difícil tarefa de reunir, a partir das versões escutadas, uma única história e registrá-la na forma de “documento científico”. Ao longo de todo o filme, a diretora aborda a questão da história oficial e os excluídos dessa história, estabelecendo uma relação entre a oralidade e a escrita.
  • 47.
    Trecho 1 -Narradores de Javé - Escrita da história Nesse trecho, Antonio Biá anota a história sobre o herói Indalécio e ao escrever o texto sugere ao narrador algumas adaptações ao fato. Fragmento relevante para identificar a distância entre a fala e a escrita na perspectiva da história oral.
  • 48.
    Trecho 2 -Narradores de Javé - Questão de gênero Nesse trecho, o escrivão Biá escuta, sem muito interesse, a versão relatada por uma mulher do povoado. Nesta versão da história da fundação de Javé, a grande heroína é Maria Dina.
  • 49.
    Trecho 3 -Narradores de Javé - Oxum Na versão de um morador negro do povoado de Javé, o herói seria um líder africano chamado Indalêo e não Indaleu. Nesta história, surge a oralidade da memória como praticada por culturas milenares. O narrador canta a história em seu dialeto africano.
  • 50.
    Rompendo o silêncio Série de 5 Documentários, EUA, 2001, 280 min. Produção: Steven Spielberg.
  • 51.
    Projeto de registroaudiovisual de depoimentos da Shoah realizado por Steven Spielberg. Rompendo o silêncio retrata os horrores do Holocausto sob o ponto de vista de quem o vivenciou de perto. O Holocausto é o tema da segunda guerra que suscita cada vez mais pesquisas orais, não só gravadas mas filmadas. Outras obras sobre o tema:  Silêncio da memória – Nicole Lapider  O universo dos campos de concentração – Michael Pollack  Shoah – Claude Lanzmann
  • 52.
    Vídeo - Programado Globo Universidade: Pesquisadores da Fundação Getúlio Vargas, no Rio, estudam o movimento negro através dos relatos dos integrantes História Oral Programa televisivo, Brasil, 2010, 24 min.
  • 53.
    Alessandro Euzébio Mestrandoem Educação pela UNINOVE Especialista em Identidade, Cultura, Políticas Sociais e Serviço Social Especialista em Educação no Ensino Superior aeuzebio@bol.com.br