O PRIMO BASÍLIO
              EÇA DE QUEIRÓS




Professora: Márcia Oliveira da Silva
José Maria Eça de Queiroz: importante representante
              do realismo português
O Primo Basílio
                 Eça de Queirós

"O Primo Basílio" conta a história de
Luísa, jovem sonhadora e ociosa da sociedade
lisboeta, que acaba envolvida por Basílio, seu
primo, com quem se reencontra, após anos de
distância. Achando-a sozinha, já que Jorge, o
marido, viajara a negócios, Basílio serve-se de
sedução e galanteios, até levá-la a se envolver
profundamente consigo, tornando-se sua amante.
Juliana, a criada, descobre a corres-pondência
trocada por ambos e chantageia a patroa.
Após sofrer muitas humilhações e ter que se
submeter aos caprichos da crudelíssima
criada, Luísa consegue, ajudada por um
amigo, reaver as cartas; e Juliana, pressionada
a entregá-las, ante as ameaças, acaba morrendo
do coração. Após tanto sofrimento, Luísa adoece.
Basílio, de há muito, encontra-se longe de
Lisboa. Jorge regressa ao lar. Certo dia, chega
uma carta do primo para a esposa e o marido
intercepta a correspondência e toma
conhecimento de tudo que ocorrera.
Desesperado e sofrendo demasiadamente, ainda
assim Jorge resolve perdoar Luísa. Ela, no
entanto, piora muito ao saber que o marido
descobrira tudo o que fizera de errado, e vem a
falecer. A reação de Basílio, ao saber da morte
dela, é de pesar, por ter perdido sua diversão em
Lisboa. Destaca-se, ainda, na obra, a figura do
Conselheiro Acácio, amigo do casal, caricatura
repleta de formalismo e hipocrisia
Personagens do livro "O Primo Basílio"

Jorge - é engenheiro e trabalha no Ministério das Obras
Públicas. Bonito, tem a barba curta, muito fina e frisada.
Veste-se com gosto, aprecia a ordem. Não é muito
sentimental, não vai a botequins, não faz noitadas com
amigos, mantendo-se sério desde que era solteiro, em
seus tempos de estudante.


Luísa - moça loira, tem olhos castanhos. Sua vida é
muito vazia e torna-se uma mulher fútil. Até a chegada de
Basílio, não carrega arrependimentos nem culpas. Está
sempre em sua casa, apegada a sua leituras românticas. É
amiga de Leopoldina, uma mulher leviana e devassa.


 Basílio - é primo de Luísa e foi seu namorado, em
tempos anteriores. Pedante, convencido, é cínico
demais, aventureiro, conquistador. Os cabelos são pretos e
anelados, mas já apresentam alguns fios brancos. Seu
bigode é pequeno e lhe dar uma ar de coragem, orgulho e
atrevimento. Sabe cantar bem e seduz com perseverança e
experiência.


 Sebastião - é um amigo íntimo de Jorge. É a única figura
realmente boa e decente, dentre os que frequentam a casa
de Jorge e Luísa. Conservador, tímido, acanhado, mostra-
se um pouco antiquado para a época.
 Julião - é um parente afastado de Jorge. Fala mal de
tudo e de todos. É contra o governo, o sistema, a justiça do
mundo. Quando recebe um cargo público, porém, as
aparências se alteram. Torna-se então, um "amigo da
ordem".


Acácio - é aparentemente sério, excessivamente
moralista, contudo mantém relações sexuais com sua
empregada. Importante é que se mantenha o sigilo desses
seus dois lados, pensa ele, mantendo-se as aparências.
Formalíssimo, educadíssimo, adora usar frases feitas;
 Ernestinho: é primo de Jorge. Seu
sobrenome, Ledesma, dá-lhe um ar ridículo, de lesma
pegajosa. É pequeno, pálido, romântico, escreve seguindo
o interesse do público. A peça "Honra e Paixão", escrita por
ele, é um dramalhão de caráter romântico. De vontade
fraca, não tem estilo próprio.


 Juliana - personagem de peso, a mais complexa e
elaborada de toda a obra, ela impressiona por sua vida
interior. Magra, feia, solteirona, virgem, empregada há
muitos anos, sente-se desesperada ao perceber que não
terá meios para deixar essa condição de vida. Quer
progredir, mudar sua posição social, e fica arrasada todas
as vezes em que vê seus sonhos frustrados. Cada vez
mais, azeda-se, odeia crescentemente.
Em sua revolta, assim como na de Julião, existe apenas
uma atitude pessoal, individualista, egoísta, de quem
quer resolver os próprios problemas
econômicos, progredir socialmente, sem preocupações
classistas. Recebeu apelidos sugestivos como a "tripa
velha", "a isca seca", "a fava torrada", "o saca rolhas". O
determinismo marca-a, mostrando que não teria
possibilidades de um novo destino, o que faz dela um
exemplo de personagem
negativista, pessimista, retrato do Naturalismo
Em princípio, Luísa, Basílio e Jorge são as peças do
questionamento do casamento, que ocorre através do
adultério, e constituem-se nos principais perso-nagens da
história.

Analisando-os, começamos por encontrar uma Luísa
frágil, incapaz de agir e refletir, o que é atribuído, no
decorrer da obra, de forma absolu-tamente naturalista, à
ociosidade da vida que leva e ao temperamento romântico
que mantém, constan-te-mente alimentado pelas leituras
de Walter Scott e de outros romances "água com
açúcar", que lhe proporcionam devaneios, como no caso
de "A Dama das Camélias", de Alexandre Dumas.
Assim, os sinais naturalistas já começam a se misturar aos realistas
nesta obra. Notamos em Luísa, de um lado, a crítica realista à
sentimentalidade romântica. Por outro, surge um certo esvaziamento
psicológico, do qual brota um caráter que é colocado como
móbil, inconsciente, cheio de deixar-se ir. Isso parece até um exagero
das tendências naturalistas, que se mostram muito fortificadas
nessa obra de Eça.

Basílio é mais um tipo do que, propriamente, uma pessoa, como
ocorre com Luísa e a maioria dos personagens. Ele mostra a sua
irresponsabilidade, o cinismo, a mania de grandeza, de ser superior a
tudo e a todos, mantendo uma relação de uso com as mulheres e com
o país. É um janota, um almofadinha, um homem classificado como
maroto e sem paixão, que não apresenta justificação para sua
tirania, já que o que deseja é apenas e tão-somente uma aventura, o
amor de graça, como diz o escritor Teófilo Braga.
Jorge é marcado por uma personalidade pacata. É
manso, dividindo-se entre seu papel de homem casado
e o de engenheiro, diante da sociedade, e aquilo que
sente de verdade, no fundo de si mesmo. Isso justifica
sua truculência radical ao exprimir sua primeira
opinião a respeito do adultério, sua aversão à vida
desregrada que Leopoldina leva, sua cobrança, em
relação à carta de Basílio, apesar de Luísa se encontrar
extremamente adoentada. Por outro lado, ele muda de
opinião e perdoa Luísa, devido ao desespero, pois não
deseja vê-la partir desta vida
Esses personagens típicos da média burguesia lisboeta
somam-se a alguns personagens secun-dários. O
Conselheiro Acácio caracteriza-se, de acordo com
Eça, pelo formalismo oficial e representa o
covencionalismo bem-sucedido, o vazio ou vacuidade
premiada, na exata proporção em que carrega, além do
título de Conselheiro, obtido por uma carta régia, também
a nomeação de Cavaleiro da Ordem de São
Tiago, justamente por todas as obras sem utilidade e
supérfluas escritas por ele, como a "Des-crição das
principais cidades do reino e seus estabelecimentos". Já
Dona Felicidade é a imagem de beatice boba, com seu
temperamento irritadiço. Ernestinho retrata o azedume
do descontentamento; Julião Zuzarte, às vezes, é até um
bom rapaz. Sebastião, contudo, é considerado dono da
força de um ginasta e da resignação de um mártir.
Outra marca naturalista de "O Primo Basílio" é a presença das
classes socialmente inferiores, com sua aversão devastadora aos
mais abastados. Aparecem Paula, o patriota, que detesta padres e
mulheres, a carvoeira que é imunda e disforme de obesidade e
prenhez, as estanqueiras, que têm um carão viúvo, personagens
que servem de exemplo da vizinhança que cerca Luísa e Basílio.
Além desses, temos a figura de Tia Vitória, que é uma ex-
incul-cadeira ou ex-alcoviteira, profissional na arte de orientar
criados contra patrões. Empresta dinheiro aos que estão
desempregados, guarda as economias daqueles que as
têm, providencia que sejam escritas correspondências
amorosas, para as domésticas que não estudaram, vende vestidos
de segunda mão, aluga casacas, aconselha colocações, recebe
confi-dências, dirige intrigas, entende de partos.
São estes, como frequentadores da residência de Luísa e
Jorge, personagens secundários apresen-tados com traços
de grande força naturalista. A expressão máxima
deles, contudo, reside em Juliana, que mostra o caráter
mais completo e verdadeiro do livro, o mais
íntegro, inteiro, de acordo com a opinião de Machado de
Assis. Da forma como se destaca no desen-vol-vimento do
enredo, ela termina por ter que ser considerada um dos
perso-nagens principais, embora tal análise fuja da
postura realista - uma empregada doméstica ser
considerada personagem de maior importância na
história.
Sintetizando os traços mais marcantes de Juliana
Couceiro Taveira, devemos começar pelo seu suplício de
estar servindo há mais de vinte anos, sem que se
acostume a fazê-lo; não nasceu para servir e, sim, para
ser servida. Passa do azedume, do gênio
embezerrado, para as desconfianças, a maldade, o ódio
irracional e pueril pelas patroas para as quais
trabalha, rogando-lhes pragas. Costuma cantar a "Carta
da Adorada" e usar a expressão "récua de
cabras", quando se entristecia.
Juliana é invejosa, curiosa, gulosa, e encontra, em casa
de Jorge e Luísa, o grande segredo de que sempre
precisou. Apossando-se dele, desforra na "piorrinha" - é
assim que chama Luísa, ironicamente, toda a mágoa que
acumulara no decorrer dos anos, inclusive a de ter
conservado sua virgindade, a qual ela comparava com a
"devassidão da bêbeda". A empregada tem um vício, que
é o de trazer o pé sempre muito bonito, enfeitando-o com
botinas e expondo-as no Passeio Público.
Essa personagem, enfim, é um claro exemplo da
utilização do estilo naturalista bem-sucedido no
livro, opondo-se à inconsistência de Luísa e de todos os
outros personagens, que são excessi-vamente
caricatos, modelares, exemplos sumários das teses da
literatura do Naturalismo.

O foco narrativo aparece em terceira pessoa, e revela um
narrador onisciente. Percebemos sua postura
irônica, crítica, reforçando defeitos e vícios de certos
personagens, o que não permite que seja imparcial.
O tempo é cronológico, com uma sequência praticamente
linear. Surgem quebras, quando Luísa recorda o
passado, passando pelo namoro com Basílio e o
casamento com Jorge, ou quando o passado de Juliana é
revelado pelo narrador aos leitores, a fim de que estes
possam compreender melhor a revolta dela.

O espaço está concentrado em Lisboa. Os males que
desagregam a sociedade são mostrados no romance.
Surgem a decadência moral, a ociosidade, o
relacionamento de superfície, o uso das aparências e das
convenções, o tédio disfarçado pela aventura, os abusos
da sexualidade, a hipocrisia, e assim por diante.
Veja se você assimilou bem

1. Vários personagens da obra O Primo Basílio, de
Eça de Queirós, apresentam comportamento
contínuo, deixando transparecer o homem típico
da estética realista. O único personagem que
muda, seja de atitude, seja em relação aos seus
sentimentos, ou ambos, é:
a)Basílio
b)Jorge
c)Julião
d)Paula
e)Conselheiro Acácio
2. A influência, ou melhor, como querem os
estudiosos e críticos especializados, a
intertextualidade é visível na obra O Primo
Basílio, principalmente no que diz respeito ao
determinismo atuando no comportamento da
personagem Luísa. Tal intertextualidade tem por
base:
a) Germinal, Emile Zola
b) Père Goriot, de Balzac
c) Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de
Assis
d) Otelo, de Shakespeare
e) Madame Bovary, de Gustave Flaubert
3. O romance O Primo Basílio é essencialmente:

a) um romance de tese;
b) uma mera crítica ao comportamento burguês sem
qualquer outra intenção;
c) uma descrição do mundo imaginário das mulheres;
d) uma narração crítica que visa ao retorno às bases
românticas;
e) um romance objetivo é fundar o Realismo.
4. A morte de Luísa representa:

a)a morte do Realismo e dos postulados socialistas do
autor;
b) a morte da moral burguesa e do Romantismo;
c) a exaltação do amor e da transcedência;
d) a dualidade humana e o rigor realista;
e) o determinismo naturalista e o retorno aos bons
costumes.

O primo basílio

  • 1.
    O PRIMO BASÍLIO EÇA DE QUEIRÓS Professora: Márcia Oliveira da Silva
  • 2.
    José Maria Eçade Queiroz: importante representante do realismo português
  • 3.
    O Primo Basílio Eça de Queirós "O Primo Basílio" conta a história de Luísa, jovem sonhadora e ociosa da sociedade lisboeta, que acaba envolvida por Basílio, seu primo, com quem se reencontra, após anos de distância. Achando-a sozinha, já que Jorge, o marido, viajara a negócios, Basílio serve-se de sedução e galanteios, até levá-la a se envolver profundamente consigo, tornando-se sua amante. Juliana, a criada, descobre a corres-pondência trocada por ambos e chantageia a patroa.
  • 4.
    Após sofrer muitashumilhações e ter que se submeter aos caprichos da crudelíssima criada, Luísa consegue, ajudada por um amigo, reaver as cartas; e Juliana, pressionada a entregá-las, ante as ameaças, acaba morrendo do coração. Após tanto sofrimento, Luísa adoece. Basílio, de há muito, encontra-se longe de Lisboa. Jorge regressa ao lar. Certo dia, chega uma carta do primo para a esposa e o marido intercepta a correspondência e toma conhecimento de tudo que ocorrera.
  • 5.
    Desesperado e sofrendodemasiadamente, ainda assim Jorge resolve perdoar Luísa. Ela, no entanto, piora muito ao saber que o marido descobrira tudo o que fizera de errado, e vem a falecer. A reação de Basílio, ao saber da morte dela, é de pesar, por ter perdido sua diversão em Lisboa. Destaca-se, ainda, na obra, a figura do Conselheiro Acácio, amigo do casal, caricatura repleta de formalismo e hipocrisia
  • 6.
    Personagens do livro"O Primo Basílio" Jorge - é engenheiro e trabalha no Ministério das Obras Públicas. Bonito, tem a barba curta, muito fina e frisada. Veste-se com gosto, aprecia a ordem. Não é muito sentimental, não vai a botequins, não faz noitadas com amigos, mantendo-se sério desde que era solteiro, em seus tempos de estudante.   Luísa - moça loira, tem olhos castanhos. Sua vida é muito vazia e torna-se uma mulher fútil. Até a chegada de Basílio, não carrega arrependimentos nem culpas. Está sempre em sua casa, apegada a sua leituras românticas. É amiga de Leopoldina, uma mulher leviana e devassa.  
  • 7.
     Basílio -é primo de Luísa e foi seu namorado, em tempos anteriores. Pedante, convencido, é cínico demais, aventureiro, conquistador. Os cabelos são pretos e anelados, mas já apresentam alguns fios brancos. Seu bigode é pequeno e lhe dar uma ar de coragem, orgulho e atrevimento. Sabe cantar bem e seduz com perseverança e experiência.    Sebastião - é um amigo íntimo de Jorge. É a única figura realmente boa e decente, dentre os que frequentam a casa de Jorge e Luísa. Conservador, tímido, acanhado, mostra- se um pouco antiquado para a época.
  • 8.
     Julião -é um parente afastado de Jorge. Fala mal de tudo e de todos. É contra o governo, o sistema, a justiça do mundo. Quando recebe um cargo público, porém, as aparências se alteram. Torna-se então, um "amigo da ordem".   Acácio - é aparentemente sério, excessivamente moralista, contudo mantém relações sexuais com sua empregada. Importante é que se mantenha o sigilo desses seus dois lados, pensa ele, mantendo-se as aparências. Formalíssimo, educadíssimo, adora usar frases feitas;
  • 9.
     Ernestinho: éprimo de Jorge. Seu sobrenome, Ledesma, dá-lhe um ar ridículo, de lesma pegajosa. É pequeno, pálido, romântico, escreve seguindo o interesse do público. A peça "Honra e Paixão", escrita por ele, é um dramalhão de caráter romântico. De vontade fraca, não tem estilo próprio.    Juliana - personagem de peso, a mais complexa e elaborada de toda a obra, ela impressiona por sua vida interior. Magra, feia, solteirona, virgem, empregada há muitos anos, sente-se desesperada ao perceber que não terá meios para deixar essa condição de vida. Quer progredir, mudar sua posição social, e fica arrasada todas as vezes em que vê seus sonhos frustrados. Cada vez mais, azeda-se, odeia crescentemente.
  • 10.
    Em sua revolta,assim como na de Julião, existe apenas uma atitude pessoal, individualista, egoísta, de quem quer resolver os próprios problemas econômicos, progredir socialmente, sem preocupações classistas. Recebeu apelidos sugestivos como a "tripa velha", "a isca seca", "a fava torrada", "o saca rolhas". O determinismo marca-a, mostrando que não teria possibilidades de um novo destino, o que faz dela um exemplo de personagem negativista, pessimista, retrato do Naturalismo
  • 11.
    Em princípio, Luísa,Basílio e Jorge são as peças do questionamento do casamento, que ocorre através do adultério, e constituem-se nos principais perso-nagens da história. Analisando-os, começamos por encontrar uma Luísa frágil, incapaz de agir e refletir, o que é atribuído, no decorrer da obra, de forma absolu-tamente naturalista, à ociosidade da vida que leva e ao temperamento romântico que mantém, constan-te-mente alimentado pelas leituras de Walter Scott e de outros romances "água com açúcar", que lhe proporcionam devaneios, como no caso de "A Dama das Camélias", de Alexandre Dumas.
  • 12.
    Assim, os sinaisnaturalistas já começam a se misturar aos realistas nesta obra. Notamos em Luísa, de um lado, a crítica realista à sentimentalidade romântica. Por outro, surge um certo esvaziamento psicológico, do qual brota um caráter que é colocado como móbil, inconsciente, cheio de deixar-se ir. Isso parece até um exagero das tendências naturalistas, que se mostram muito fortificadas nessa obra de Eça. Basílio é mais um tipo do que, propriamente, uma pessoa, como ocorre com Luísa e a maioria dos personagens. Ele mostra a sua irresponsabilidade, o cinismo, a mania de grandeza, de ser superior a tudo e a todos, mantendo uma relação de uso com as mulheres e com o país. É um janota, um almofadinha, um homem classificado como maroto e sem paixão, que não apresenta justificação para sua tirania, já que o que deseja é apenas e tão-somente uma aventura, o amor de graça, como diz o escritor Teófilo Braga.
  • 13.
    Jorge é marcadopor uma personalidade pacata. É manso, dividindo-se entre seu papel de homem casado e o de engenheiro, diante da sociedade, e aquilo que sente de verdade, no fundo de si mesmo. Isso justifica sua truculência radical ao exprimir sua primeira opinião a respeito do adultério, sua aversão à vida desregrada que Leopoldina leva, sua cobrança, em relação à carta de Basílio, apesar de Luísa se encontrar extremamente adoentada. Por outro lado, ele muda de opinião e perdoa Luísa, devido ao desespero, pois não deseja vê-la partir desta vida
  • 14.
    Esses personagens típicosda média burguesia lisboeta somam-se a alguns personagens secun-dários. O Conselheiro Acácio caracteriza-se, de acordo com Eça, pelo formalismo oficial e representa o covencionalismo bem-sucedido, o vazio ou vacuidade premiada, na exata proporção em que carrega, além do título de Conselheiro, obtido por uma carta régia, também a nomeação de Cavaleiro da Ordem de São Tiago, justamente por todas as obras sem utilidade e supérfluas escritas por ele, como a "Des-crição das principais cidades do reino e seus estabelecimentos". Já Dona Felicidade é a imagem de beatice boba, com seu temperamento irritadiço. Ernestinho retrata o azedume do descontentamento; Julião Zuzarte, às vezes, é até um bom rapaz. Sebastião, contudo, é considerado dono da força de um ginasta e da resignação de um mártir.
  • 15.
    Outra marca naturalistade "O Primo Basílio" é a presença das classes socialmente inferiores, com sua aversão devastadora aos mais abastados. Aparecem Paula, o patriota, que detesta padres e mulheres, a carvoeira que é imunda e disforme de obesidade e prenhez, as estanqueiras, que têm um carão viúvo, personagens que servem de exemplo da vizinhança que cerca Luísa e Basílio. Além desses, temos a figura de Tia Vitória, que é uma ex- incul-cadeira ou ex-alcoviteira, profissional na arte de orientar criados contra patrões. Empresta dinheiro aos que estão desempregados, guarda as economias daqueles que as têm, providencia que sejam escritas correspondências amorosas, para as domésticas que não estudaram, vende vestidos de segunda mão, aluga casacas, aconselha colocações, recebe confi-dências, dirige intrigas, entende de partos.
  • 16.
    São estes, comofrequentadores da residência de Luísa e Jorge, personagens secundários apresen-tados com traços de grande força naturalista. A expressão máxima deles, contudo, reside em Juliana, que mostra o caráter mais completo e verdadeiro do livro, o mais íntegro, inteiro, de acordo com a opinião de Machado de Assis. Da forma como se destaca no desen-vol-vimento do enredo, ela termina por ter que ser considerada um dos perso-nagens principais, embora tal análise fuja da postura realista - uma empregada doméstica ser considerada personagem de maior importância na história.
  • 17.
    Sintetizando os traçosmais marcantes de Juliana Couceiro Taveira, devemos começar pelo seu suplício de estar servindo há mais de vinte anos, sem que se acostume a fazê-lo; não nasceu para servir e, sim, para ser servida. Passa do azedume, do gênio embezerrado, para as desconfianças, a maldade, o ódio irracional e pueril pelas patroas para as quais trabalha, rogando-lhes pragas. Costuma cantar a "Carta da Adorada" e usar a expressão "récua de cabras", quando se entristecia.
  • 18.
    Juliana é invejosa,curiosa, gulosa, e encontra, em casa de Jorge e Luísa, o grande segredo de que sempre precisou. Apossando-se dele, desforra na "piorrinha" - é assim que chama Luísa, ironicamente, toda a mágoa que acumulara no decorrer dos anos, inclusive a de ter conservado sua virgindade, a qual ela comparava com a "devassidão da bêbeda". A empregada tem um vício, que é o de trazer o pé sempre muito bonito, enfeitando-o com botinas e expondo-as no Passeio Público.
  • 19.
    Essa personagem, enfim,é um claro exemplo da utilização do estilo naturalista bem-sucedido no livro, opondo-se à inconsistência de Luísa e de todos os outros personagens, que são excessi-vamente caricatos, modelares, exemplos sumários das teses da literatura do Naturalismo. O foco narrativo aparece em terceira pessoa, e revela um narrador onisciente. Percebemos sua postura irônica, crítica, reforçando defeitos e vícios de certos personagens, o que não permite que seja imparcial.
  • 20.
    O tempo écronológico, com uma sequência praticamente linear. Surgem quebras, quando Luísa recorda o passado, passando pelo namoro com Basílio e o casamento com Jorge, ou quando o passado de Juliana é revelado pelo narrador aos leitores, a fim de que estes possam compreender melhor a revolta dela. O espaço está concentrado em Lisboa. Os males que desagregam a sociedade são mostrados no romance. Surgem a decadência moral, a ociosidade, o relacionamento de superfície, o uso das aparências e das convenções, o tédio disfarçado pela aventura, os abusos da sexualidade, a hipocrisia, e assim por diante.
  • 21.
    Veja se vocêassimilou bem 1. Vários personagens da obra O Primo Basílio, de Eça de Queirós, apresentam comportamento contínuo, deixando transparecer o homem típico da estética realista. O único personagem que muda, seja de atitude, seja em relação aos seus sentimentos, ou ambos, é: a)Basílio b)Jorge c)Julião d)Paula e)Conselheiro Acácio
  • 22.
    2. A influência,ou melhor, como querem os estudiosos e críticos especializados, a intertextualidade é visível na obra O Primo Basílio, principalmente no que diz respeito ao determinismo atuando no comportamento da personagem Luísa. Tal intertextualidade tem por base: a) Germinal, Emile Zola b) Père Goriot, de Balzac c) Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis d) Otelo, de Shakespeare e) Madame Bovary, de Gustave Flaubert
  • 23.
    3. O romanceO Primo Basílio é essencialmente: a) um romance de tese; b) uma mera crítica ao comportamento burguês sem qualquer outra intenção; c) uma descrição do mundo imaginário das mulheres; d) uma narração crítica que visa ao retorno às bases românticas; e) um romance objetivo é fundar o Realismo.
  • 24.
    4. A mortede Luísa representa: a)a morte do Realismo e dos postulados socialistas do autor; b) a morte da moral burguesa e do Romantismo; c) a exaltação do amor e da transcedência; d) a dualidade humana e o rigor realista; e) o determinismo naturalista e o retorno aos bons costumes.