O documento discute a doutrina social da Igreja Católica ao longo da história, desde os Santos Padres até documentos papais modernos. Aborda temas como a propriedade privada, a justiça social, os direitos dos trabalhadores e a caridade cristã.
1 - Introdução
Asistematização do ensino social da Igreja Católica por
meio da Rerum Novarum, que abre uma série de
documentos do magistério da Igreja dirigidos aos
católicos e a todos os homens.
3.
I. A DoutrinaSocial dos Santos Padres
O pensamento social dos Santos Padres se
condensa na tese de que a riqueza pertence aos
pobres; aquele que a possui é apenas seu
administrador.
Na Didaqué (doutrina dos doze apóstolos)
: "Não deverás repelir o indigente. Terás tudo em
comum com teu irmão e não dirás que um bem é
teu, porque, se se partilham os bens imortais,
quanto mais devem ser partilhados os bens
passageiros".
4.
São Basílio ensinaque "aquele que
despoja um homem de sua roupa é um
ladrão. O que não veste a nudez do
indigente, quando pode fazê-Io
Santo Ambrósio com a seguinte linha
de pensamento que, quando o rico dá
ao pobre, de fato não faz mais que um
ato de restituição: "não é teu bem que
distribuis ao pobre.
Santo Agostinho reafirma o direito
dos pobres em sua definição de
justiça quando diz tratar-se de uma
"virtude pela qual damos a cada um
o que é seu"
5.
A destinação dosbens terrenos, dada por Deus. era
para todos os seus filhos, porém o pecado despertou
no homem os instintos egoístas propriedade
particular
São Clemente explícita: o uso comum
de tudo que há neste mundo
destinava-se a todos
São João Crisóstomo afirma:
"Deus nunca fez uns ricos e
outros pobres. Deu a mesma
terra para todos. A terra é toda
do Senhor e os frutos da terra
devem ser comum a todos.
6.
A Doutrina Socialna Visãoda
Doutrina Escolástica
A Doutrina Escolástica é o resumo das doutrinas
teológico-filosóficas dominantes na idade média
caracterizadas sobretudo pelo problema da
relação entre a fé e a razão.
A justiça distributiva consiste em distribuir os bens aos
membros da comunidade, não na medida daquilo que
oferecem ao mercado
Todo homem vive um aspecto
social que o torna submetido à
justiça. Uma lei é justa ou injusta,
na medida em que ou promove o
bem comum ou o compromete.
7.
Os bens sãode um, mas são para todos. Somos apenas
administradores dos bens de todos, Uma vez satisfeitas
as suas necessidades, o proprietário deve aos demais os
bens que sobram.
8.
A Doutrina Socialda Igreja
na Época Moderna
No século XIX Divisão em classes,
encontramos um desinteresse acentuado
dos católicos ricos e influentes pela classe
mais empobrecida.
O proletariado não se diferenciava
muito da antiga escravidão". A
solidariedade e a fraternidade
evangélica não eram assumidas na
vivência da burguesia católica
9.
Na França cresceua miséria do
proletariado e os católicos se
dividiram, surgindo cristãos como
Monge Lacordaire e Beato
Ozanam (1848) que defenderam
uma mudança decisiva nas
injustas estruturas sociais
10.
Os católicos aliam-seaos monarquistas e
levam ao poder Luiz Napoleão Bonaparte
e a Igreja faz uma aliança com a
burguesia, surgindo, assim, católicos
conservadores e monarquistas que
defendem a família, a ordem e a
propriedade privada. Do lado oposto há o
proletariado sob a influência do
socialismo.
Karl Marx propõe que os proletários
do mundo inteiro unam suas forças.
Defronte do liberalismo capitalista
houve uma conscientização de parte
dos católicos, no tocante a miséria e
o abandono em que a
grande indústria e o mundo
financeiro lançaram o operário.
11.
Grupos cada vezmais numerosos, que assumiram
decididamente uma posição contrária ao capitalismo,
nascia o catolicismo social. respeito pela dignidade
da pessoa humana e dá importância à família
Do catolicismo social surgem duas orientações:
Aristocrata sociais recorrendo às instituições existentes e
confiando no paternalisrno das classes altas (assistencialismo),
Democrata. originou-se na pequena burguesia e entre
os intelectuais, chamado "democracia cristã", que luta pela
justiça e pela liberdade em favor da classe operária. A Luz
Rerum Novarum, em 1891
O movimento social-cristão protestava contra a
exploração do homem pelo homem, o que leva
a Igreja a fazer duras críticas ao sistema
econômico visando a moral cristã.
A tudo istodeve acrescentar-se o
monopólio do trabalho e dos
papéis de crédito, que se tornaram
o quinhão de um pequeno número
de ricos e de opulentos, que
impõem um jugo quase servil à
imensa multidão de proletários..
2. Alerta do Papa ao Estado
Leão XIII em sua encíclica alerta para as duas graves
consequências ideológicas surgidas neste século:
O liberalismo capitalista, que exalta a liberdade
ao preço de uma imensa iniquidade social e o
coletivismo socialista que reivindica a igualdade
ao preço de um sacrifício intolerável da liberdade.
18.
3. O Programado Papa leão
3.1. O acesso e a garantia da
propriedade para todos como direito
natural do homem.
3.2. O repouso dominical, uma vez que o
trabalho ininterrupto em condições
absolutamente desumanas
3.3. A limitação da jornada de trabalho
(de 14 a 16 horas diárias) principalmente
para mulheres e crianças.
3.4. O justo salário. Entende-se por justo
salário aquele que garante condições de
vida digna
3.5. A previdência social (auxílio-doença,
fundo de garantia, aposentadoria etc.).
19.
QUADRAGESIMO ANNO:
RESTAURAÇÃO DAORDEM SOCIAL
CORPORATIVISMO CRISTÃO
I. Histórico
Esta é a segunda grande encíclica social publicada
por Pio XI, em 15.05.1931, na comemoração dos 40
anos da promulgação da Rerum Novarum.
21.
Propostas mais concretassão:
• Reforma ajustada da economia à razão iluminada pela
caridade cristã.
• Colaboração mútua e harmoniosa de todas as atividades
humanas na sociedade.
• Reconstrução do plano divino para todos os homens.
• O enriquecimento é lícito sempre que não menospreze
os direitos alheios.
• "Lei da temperança cristã" contra os apegos
desordenados, que são uma afronta aos pobres, e que se
baseia em “buscar primeiro o reino de Deus e sua
justiça".
• Lei da Caridade: muito mais ampla que a pura justiça.
• Igualdade radical de todos os homens na mesma família
de filhos de Deus,
22.
A Carta Apostólica
OCTOGESIMAADVENIENS
foi escrita em 14 de maio de 1971 pelo Papa
Paulo VI, por ocasião do 800 aniversário da
Encíclica Rerum
23.
Ideologias e liberdadehumana
Os movimentos históricos
A atração das correntes socialistas
Evolução histórica do marxismo
A ideologia liberal
O discernimento cristão
O renascer das utopias
A interrogação das ciências sobre o homem
A ambiguidade do progresso
III. OS CRISTÃOS PERANTE ESTES NOVOS
PROBLEMAS
Dinamismo da doutrina social da Igreja
Para uma maior justiça
Mudança de estruturas
Significado cristão da ação política
Compartilha das responsabilidades
IV. APELO À AÇÃO
Necessidade de se comprometer na ação
Pluralismo das opções
A Carta está subdividida em
tópicos dispostos da
seguinte forma:
I. NOVOS PROBLEMAS SOCIAIS
A urbanização
Os cristãos na cidade
Os jovens
O lugar da mulher
Os trabalhadores
As vítimas das mudanças
As discriminações
Direito à emigração
Criar postos de trabalho
Os meios de comunicação social
O meio ambiente
II. ASPIRAÇÕES FUNDAMENTAIS E
CORRENTES DE IDÉIAS
Vantagens e limitações dos
reconhecimentos jurídicos
A sociedade política
24.
Hoje, mais doque nunca, a Palavra de Deus não
poderá ser anunciada e ouvida senão na medida
em que ela for acompanhada do testemunho do
poder do Espírito Santo, que opera na ação dos
cristãos ao serviço dos seus irmãos, justamente
nos pontos onde se joga a sua existência e o
seu futuro.