C             A             P            ´I            T             U             L            O
– – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – –




                                                    2
                      ˆ
                   MECANICA NEWTONIANA –
                      PART´     ´
                          ICULA UNICA




2.1          ¸˜
      INTRODUCAO

A ciˆncia da mecˆnica busca fornecer uma descri¸˜o precisa e consistente da dinˆmica de part´
     e              a                                  ca                               a              ıculas
e sistemas de part´  ıculas, isto ´, um grupo de leis f´
                                  e                    ısicas descrevem matematicamente os movimentos
dos corpos e agregados de corpos. Para isto, necessitamos de alguns conceitos fundamentais como
distˆncia e tempo que permitem definir a velocidade e acelera¸˜o da part´
     a                                                                      ca            ıcula. O terceiro
conceito fundamental, massa, exige alguma elabora¸˜o, que forneceremos quando discutirmos as
                                                             ca
Leis de Newton.
       As Leis F´ ısicas devem ser baseadas num fato experimental. N˜o podemos esperar a priori
                                                                              a
que a atra¸˜o gravitacional entre dois corpos deve variar exatamente com o inverso do quadrado
             ca
da distˆncia entre eles. Mas experimentos indicam que isso ´ assim. Uma vez que os dados de um
        a                                                           e
grupo de experimentos tenham sido correlacionados e um postulado tenha sido formulado relativo
ao fenˆmeno a que se referem os dados, ent˜o v´rias implica¸˜es podem ser obtidas. Se essas
        o                                          a a                 co
implica¸˜es forem todas verificadas experimentalmente, podemos acreditar que o postulado ´ ge-
         co                                                                                             e
ralmente verdadeiro. O postulado ent˜o assume o status de uma lei f´
                                          a                                  ısica. Se alguns experimentos
discordam com as previs˜es da lei, a teoria deve ser modificada para ser consistente com os fatos.
                             o
       Newton nos forneceu as leis fundamentais da mecˆnica. Declaramos aqui estas leis em termos
                                                               a
modernos, discutindo seus significados, ent˜o derivando as implica¸˜es das leis em v´rias situa¸˜es.∗
                                               a                         co                 a          co
Mas a estrutura l´gica da ciˆncia da mecˆnica n˜o ´ t˜o clara. Nossa linha de racioc´
                      o             e            a         a e a                                     ınio na
interpreta¸˜o das leis de Newton n˜o ´ a unica poss´ † N˜o discutiremos os detalhes filos´ficos da
            ca                         a e ´              ıvel.   a                                o
mecˆnica mas somente forneceremos a elabora¸˜o das leis de Newton que nos permitem continuar
     a                                              ca
com a discuss˜o da dinˆmica cl´ssica. Dedicaremos nossa aten¸˜o neste cap´
                a         a          a                                ca            ıtulo para o movimento
de uma unica part´
          ´           ıcula, deixando sistemas de part´    ıculas para serem discutidos nos Cap´  ıtulos 9 e
11–13.

   ∗ Truesdell (Tr68) mostra que Leonhard Euler (1707-1783) esclareceu e desenvolveu os conceitos Newtonianos.

Euler “colocou muito da mecˆnica na sua forma moderna” e “tornou a mecˆnica simples e f´cil” (p. 106).
                             a                                              a              a
   † Ernest Mach (1838-1916) expressou seu ponto de vista em seu famoso livro publicado em 1883; E. Mach, Die

Mechanica in Ihrer Entwicklung historisch-Kritisch dargestellt[A ciˆncia da mecˆnica](Praga, 1883). Uma tradu¸˜o
                                                                   e           a                             ca
da ultima edi¸˜o ´ dispon´
   ´         ca e        ıvel (Ma60). Discuss˜es interessantes tamb´m s˜o proporcionadas por R. B. Lindsay e H.
                                             o                       e   a
Margeneau (Li36) e N. Feather (Fe59).


                                                      47
48   ---   2 / MECANICA NEWTONIANA – PART´
                  ˆ                            ´
                                         ICULA UNICA



2.2    LEIS DE NEWTON

Come¸amos simplesmente enunciando na forma convencional as Leis de Newton da mecˆnica∗ :
    c                                                                           a

     I. Um corpo permanece em repouso ou em movimento uniforme a menos que atue sobre ele
        uma for¸a.
               c

  II. Um corpo move-se sobre a¸˜o de uma for¸a de tal maneira que a taxa de varia¸˜o temporal
                               ca           c                                    ca
      do momento ´ igual a for¸a.
                 e            c

III. Se dois corpos exercem for¸as um sobre o outro, essas for¸as s˜o iguais em magnitude e de
                               c                              c    a
     dire¸˜es opostas.
         co

       Essas leis s˜o deste modo familiares que algumas vezes tendemos a n˜o perceber os verdadeiros
                   a                                                           a
significados (ou falta deles) como lei f´   ısica. A Primeira Lei, por exemplo, ´ sem sentido sem
                                                                                     e
o conceito de “for¸a”, uma palavra usada por Newton em todas as trˆs leis. De fato, sozinha, a
                     c                                                       e
Primeira Lei conduz a um significado preciso somente se a for¸a for nula; isto ´, o corpo permanece
                                                                  c                e
em repouso ou em movimento uniforme (isto ´, n˜o acelerado e retil´
                                                e a                    ınio) sem estar sujeito a qualquer
for¸a que seja. O corpo movendo-se dessa maneira ´ denominado como corpo livre (ou part´
   c                                                   e                                            ıcula
livre). A quest˜o sobre o sistema de referˆncia com respeito ao qual o “movimento uniforme” ´
                   a                           e                                                         e
medido ser´ discutido na se¸˜o seguinte.
            a                 ca
       Destacando a falta deste conte´do na Primeira Lei de Newton, Senhor Arthur Eddington†
                                       u
observou, de certa forma alegremente, o que realmente a lei diz ´ que “todas part´
                                                                    e                 ıculas continua em
seu estado de repouso ou em movimento uniforme retil´      ıneo exceto quando for¸ado externamente”.
                                                                                   c
Isto ´ fortemente poss´ para Newton, quem pensou alguma coisa muito clara para seu enunciado.
     e                   ıvel
Mas isso enfatiza que a Primeira Lei a qual por si s´ provanos com a unica no¸˜o qualitativa sobre
                                                       o                   ´       ca
“for¸a”.
     c
       A segunda Lei fornece um enunciado expl´  ıcito: a For¸a est´ relacionada com a taxa de varia¸˜o
                                                             c      a                                 ca
temporal do momento. Newton apropriadamente definiu momento (entretanto ele usou o termo
quantidade de movimento) como o produto da massa pela velocidade, tal que

                                                     p ≡ mv                                                   (2.1)

Portanto, a Segunda Lei de Newton pode ser expressada como

                                                     dp  d
                                               F=       = (mv)                                                (2.2)
                                                     dt  dt
A defini¸˜o de for¸a torna-se completa e precisa somente quando “massa” ´ definida. Assim a
          ca        c                                                        e
Primeira e a Segunda Leis n˜o s˜o realmente “leis” no senso usual; mais precisamente, elas podem
                              a a
ser consideradas defini¸˜es. Como o comprimento, tempo e a massa s˜o conceitos j´ entendidos,
                         co                                             a          a
n´s usamos a Primeira e a Segunda Leis de Newton como a defini¸˜o operacional de for¸a. A
  o                                                                   ca                   c
terceira Lei de Newton, entretanto, ´ realmente uma lei. Ela ´ um enunciado a respeito do mundo
                                     e                        e
real f´                                ısica nas leis de movimento de Newton.‡
      ısico (natural) e cont´m toda a f´
                            e
      Devemos adicionar, entretanto, que a Terceira Lei n˜o ´ uma lei geral da natureza. A lei
                                                             a e
´ aplicada quando exerce-se uma for¸a em um objeto (pontual) sobre outro objeto (pontual) ´
e                                      c                                                       e
    ∗ Enunciada em 1687 por Sr.          Isaac Newton (1642-1727) em Philosophiae naturalis principia mathama-
tica[Principios matem´tica de filosofia natural, normalmente chamada de Principia](Londres, 1687). Anteriormente,
                        a
Galileo (1564-1642) generalizou os resultados dos seus pr´prios experimentos matem´ticos com suposi¸˜es equiva-
                                                             o                         a                  co
lentes a Primeira e Segunda Leis de Newton. Mas Galileu n˜o forneceu uma descri¸˜o completa da dinˆmica porque
                                                               a                    ca                  a
ele n˜o conhecia o significado da terceira Lei de Newton - e portanto faltou determinar preciamente o significado de
      a
for¸a
   c
     † Senhor Arthur Eddington (Ed30, p. 124).
     ‡ O presente racioc´
                        ınio aqui, a saber, a Primeira e Segunda Leis s˜o realmente defini¸˜es e a Terceira Lei cont´m
                                                                       a                 co                        e
a F´ısica, esta n˜o ´ a unica interpreta¸˜o poss´
                 a e ´                    ca     ıvel. Lindsay and Margenau (Li36), por exemplo, apresentam que as
duas primeira Leis s˜o Leis F´
                      a                      ˜
                                ısicas e entAo derivam a Terceira Lei como uma conseq¨ˆncia.
                                                                                       ue


Projeto AIUTA – Mecˆnica Cl´ssica I
                   a       a                                                                           (UNIFRA–2004)
2.2. LEIS DE NEWTON   ---   49


direcionada ao longo de uma linha que une os objetos. Tais for¸as s˜o chamadas for¸as centrais;
                                                                   c   a                 c
a Terceira Lei ´ aplicada se a for¸a central ´ atrativa ou repulsiva. As for¸as gravitacional e ele-
                e                   c          e                               c
trost´tica s˜o for¸as centrais, assim as Leis de Newton podem ser usadas em problemas envolvendo
     a      a     c
esses tipos de for¸as. As vezes for¸as el´sticas (as quais s˜o realmente manifesta¸˜es macrosc´picas
                  c                 c    a                  a                      co            o
de for¸as eletrost´ticas microsc´picas) s˜o centrais. Por exemplo, dois objetos pontuais conectados
      c           a              o        a
diretamente por uma mola ou corda el´tica s˜o sujeitos a for¸as que obedecem a Terceira Lei.
                                           a      a                 c
Alguma for¸a que depende da velocidade de intera¸˜o entre os corpos ´ n˜o central, e a Terceira
            c                                          ca                  e a
Lei n˜o pode ser aplicada. For¸as dependentes da velocidade s˜o cracter´
      a                           c                                 a        ısticas de intera¸˜es que
                                                                                              co
se propagam com velocidades finitas. Assim a for¸a entre cargas em movimento n˜o obedece a
                                                       c                                  a
Terceira Lei, porque a for¸a se propaga com a velocidade da luz. At´ mesmo a for¸a gravitacio-
                            c                                            e               c
nal entre corpos em movimento ´ dependente da velocidade, mas o efeito ´ pequeno e de dif´
                                    e                                            e                 ıcil
detec¸˜o. O unico efeito observado ´ a precess˜o do peri´lio dos planetas mais internos (visto na
      ca      ´                        e          a           e
se¸˜o 8.9). Retornaremos a discuss˜o da Terceira Lei de Newton no Cap´
  ca                                  a                                     ıtulo 9.
      Para demonstrar o significado da Terceira Lei de Newton, vamos parafrase´-lo da seguinte
                                                                                      a
maneira, o qual incorpora a defini¸˜o apropriada de massa:
                                     ca
III’. Se dois corpos constituiem um sistema ideal e isolado, ent˜o as acelera¸˜es destes corpos s˜o
                                                                a            co                  a
      sempre em dire¸˜es opostas, e a raz˜o da magnitude das acelera¸˜es ´ constante. Esta raz˜o
                     co                  a                            co e                       a
      constante ´ o inverso da raz˜o das massas dos corpos.
                e                 a
Com esse procedimento, podemos dar a defini¸˜o pr´tica de massa e dessa forma fornecer um signi-
                                          ca    a
ficado preciso para as equa¸˜es que resumem a dinˆmica Newtoniana. Para dois corpos isolados,
                            co                  a
1 e 2, a Terceira Lei diz que
                                         F1 = −F2                                        (2.3)
      Usando a defini¸˜o de for¸a como apresentado pela Segunda Lei, temos
                    ca        c
                                              dp1    dp2
                                                  =−                                              (2.4a)
                                               dt     dt
ou, com massas constantes,
                                            dv1               dv2
                                      m1           = m2 −                                         (2.4b)
                                             dt                dt
e, como a acelera¸˜o ´ derivada temporal da velocidade,
                 ca e

                                           m1 (a1 ) = m2 (− a2 )                                  (2.4c)

Portanto,
                                            m2       a1
                                                =−                                          (2.5)
                                            m1       a2
onde o sinal negativo indica somente que os vetores acelera¸˜o est˜o em dire¸˜es opostas. A massa
                                                           ca     a         co
´ considerada uma grandeza positiva.
e
      Sempre podemos selecionar, digamos, m1 como unidade de massa. Ent˜o, comparando a
                                                                                a
rela¸˜o das acelera¸˜es onde m1 ´ permitido interagir com qualquer outro corpo, podemos deter-
    ca              co           e
minar a massa do outro corpo. Para medir as acelera¸˜es, devemos ter rel´gios e r´guas apropria-
                                                       co                 o        e
das; tamb´m, devemos escolher um sistema de coordenadas ou sistema de referˆncia adequado. A
            e                                                                   e
quest˜o de um “sistema de referˆncias adequado” ´ discutido na pr´xima se¸˜o.
       a                        e                  e                o        ca
      Um dos mais comuns m´todos de determina¸˜o de massa de um objeto ´ pela pesagem – por
                              e                   ca                          e
exemplo pela compara¸˜o de seu peso a de um padr˜o por meio de uma balan¸a de contra peso.
                       ca                             a                         c
Esse procedimento faz uso do fato que em um campo gravitacional o peso de um corpo ´ apenas
                                                                                          e
a for¸a gravitacional agindo no corpo; isto ´, a equa¸˜o de Newton F = ma se torna W = mg,
      c                                     e         ca
onde g ´ acelera¸˜o devido a gravidade. A validade do uso desse procedimento apoia-se em uma
         e       ca
hip´tese fundamental: que a massa m que aparece na equa¸˜o de Newton ´ definida de acordo
    o                                                         ca              e
com enunciado III ´ igual a massa m que aparece na equa¸˜o da for¸a gravitacional. Essas duas
                    e                                       ca        c
massas s˜o chamadas de massa inercial e massa gravitacional, respectivamente. As defini¸˜es
          a                                                                                  co
podem ser enunciadas como segue:

Projeto AIUTA – Mecˆnica Cl´ssica I
                   a       a                                                              (UNIFRA–2004)
50   ---    2 / MECANICA NEWTONIANA – PART´
                   ˆ                            ´
                                          ICULA UNICA



       Massa Inercial: ´ a massa que determina a acelera¸˜o de um corpo sob a a¸˜o de uma dada
                       e                                ca                     ca
       for¸a.
          c
       Massa Gravitacional: ´ a massa que determina as for¸as gravitacionais entre um corpo e
                            e                             c
       outros corpos.

       Galileu foi o primeiro a testar a equivalˆncia de massa inercial e massa gravitacional em
                                                      e
seu (possivelmente falso) experimento com quedas de objetos na Torre de Pisa. Newton tamb´m       e
considereou o problema e mediu os per´      ıodos de pˆndulos de comprimento iguais mas com materiais
                                                        e
diferentes. Nem Newton nem Galileu encontraram qualquer diferen¸a mas os m´todos foram tanto
                                                                        c           e
rudimentares.∗ Em 1890 E¨tv¨s† inventou um m´todo engenhoso para testar a equivalˆncia das
                                 o o                       e                                 e
massas inerciais e gravitacionais. Usando dois ojetos feitos com materiais diferentes, ele comparou
o efeito da for¸a gravitacional da Terra (isto ´, o peso) com o efeito da for¸a inercial causada
                   c                                  e                            c
pela rota¸˜o da terra. O experimento envolveu um m´todo de efeito nulo usando uma balan¸a de
          ca                                                 e                                  c
tor¸˜o sens´ e por essa raz˜o foi altamente preciso. Experiemntos mais recentes (notavelmente
    ca        ıvel                 a
os de Dicke ‡ ), usando essencialmente o mesmo m´todo teve melhor precis˜o, e sabemos agora que
                                                          e                   a
a massa inercial e a massa gravitacional s˜o idˆnticas dentro de algumas partes em 101 2. Esse
                                                  a     e
resultado ´ consideravelmente importante na teoria geral da relatividade § . A afirma¸˜o da exata
            e                                                                             ca
igualadade da massa gravitacional ´ expressa com principio de equivalˆncia.
                                         e                                    e
       A terceira lei de Newton ´ declarada em termos de dois corpos que consistem um sistema
                                      e
           ´
isolado. E imposs´     ıvel alcan¸ar tal condi¸˜o ideal; cada corpo no universo interage com todos os
                                 c             ca
outros corpos, embora a for¸a de intera¸˜o possa ser muito fraca para ser de qualquer importˆncia
                                 c           ca                                                 a
pr´tica se grandes distˆncias s˜o envolvidas. Newton evitou a quest˜o de como distinguir o efeito
   a                        a        a                                    a
desejado de todos os outros efeitos estranhos. Mas esta pr´tica dificilmente enfatizar´ sozinha a
                                                                 a                         a
                           ca                                  ´
enormidade da afirma¸˜o de Newton na Terceira Lei. E um tributo ` profundidade da percep¸˜o
                                                                           a                      ca
dele e a perspic´cia f´
                     a     ısica das conclus˜es baseando-se em observa¸˜es limitadas, prosperamente
                                             o                          co
sustentou o teste de experimento por 300 anos. Apenas neste s´culo houve medidas com detal-
                                                                      e
hes suficientemente relevantes contendo discrepˆncias com as predi¸˜es da teoria de Newton. A
                                                        a                 co
persegui¸˜o desses detalhes conduziu ao desenvolviemnto da teoria da relatividade e da mecˆnica
         ca                                                                                     a
quˆntica¶ . Outra interpreta¸˜o da Terceira Lei de Newton ´ baseada no conceito de momento
   a                               ca                              e
arranjando a Equa¸˜o 2.4a fornece
                        ca
                                                d
                                                  (p1 + p2 ) = 0
                                               dt
ou
                                            p1 + p2 = constante                                 (2.6)
A declara¸˜o que momento ´ conservado na intera¸˜o isolada de duas part´
          ca                e                   ca                       ıculas ´ um caso especial
                                                                                e
de uma declara¸˜o mais geral conserva¸˜o de momento linear. F´
                ca                     ca                            ısicos apreciam leis de con-
serva¸˜o gerais, e a conserva¸˜o de momento linear acredita-se ser sempre obedecida, mais tarde
     ca                       ca
modificaremos nossas defini¸˜es de momento da Equa¸˜o ?? para altas velocidades aproximando-se
                            co                     ca
a velocidade da luz.

2.3                      ˆ
        SISTEMAS DE REFERENCIAS

Newton percebeu que, para as leis de movimento terem significado, o movimento dos corpos devem
ser medidos relativos ao mesmo sistema de refˆncia. O sistema de refˆncia ´ chamado de referˆncia
                                             e                      e     e                  e
inercial se as leis de Newton s˜o validas realmente neste sistema; que ´, se um corpo n˜o est´
                                a                                         e                a    a
     ∗ Noexperimento de Newton, ele pode ter detectado uma diferen¸a de somente uma parte em 103 .
                                                                     c
     † Roland Van E¨tv¨s (1848- 1919) um conde H´ ngaro, sua pesquisa em problemas gravitacionais conduziram ao
                     o o                             u
desenvolvimento de um gravitˆmetro, o qual foi usado em estudos geol´gicos.
                               o                                        o
    ‡ P. G. Roll, R. Krotkov e R. H. Dicke, Ann. Phys. (n.Y.) 26, 442 (1964) Ver tamb´m BraginsKy e Pavov, Sov.
                                                                                      e
Phys. - JETP 34, 463 (1972).
    § Ver, por exemplo, as discurss˜es feitas por P. G. Bergmann (Be96) eJ. Weber (We61). Olivro de Weber tamb´m
                                   o                                                                          e
fornece uma an´lise do experimento de E¨tv¨s.
                  a                         o o
    ¶ Ver tamb´m a Se¸˜o 2.8.
                e      ca


Projeto AIUTA – Mecˆnica Cl´ssica I
                   a       a                                                                      (UNIFRA–2004)
ˆ
                                                                           2.3. SISTEMAS DE REFERENCIAS     ---   51


sujeito a for¸as externas move-se em uma linha reta com velocidade constante (ou se mant´m
               c                                                                                                 e
em repouso), ent˜o o sistema de coordenadas que estabelece este fato ´ um sistema de referˆncia
                    a                                                            e                           e
inercial. Esta ´ uma defini¸˜o operacional clara e um que tamb´m segue da teoria da relatividade
                 e              ca                                     e
geral.
       Se as leis de Newton s˜o v´lidas em um sistema de referˆncia, ent˜o elas tamb´m s˜o v´lidas
                                 a a                                 e           a               e    a a
em qualquer sistema de referˆncia em movimento uniforme (isto ´, n˜o acelerado) com respeito
                                    e                                      e a
ao primeiro sistema.∗ Este ´ um resultado do fato que a equa¸˜o F =m¨ envolve uma derivada
                                  e                                    ca            r
segunda de r: Uma mudan¸a de coordenadas envolvendo uma velocidade constante n˜o influˆncia
                                c                                                                   a        e
a equa¸˜o. Este resultado ´ chamado de invariˆncia de Galileu ou princ´
        ca                      e                      a                               ıpio da relatividade
Newtoniana.
       A teoria da relatividade tem mostrado que os conceitos de repouso absolutos e um sistema de
referˆncia descrito inercial absoluto n˜o tem sentido. Ent˜o mesmo que adotemos um sistema de
      e                                         a                 a
referˆncia descrito com respeito `s estrelas “fixas” – e realmente tais sistemas as equa¸˜es Newto-
      e                                 a                                                           co
nianas s˜o v´lidas com um alto grau de precis˜o – tal sistema n˜o ´ na realidade um referˆncial
          a a                                          a                 a e                                e
inercial absoluto. Todavia podemos considerar as estrelas “fixas” para definir um sistema de re-
ferˆncia que se aproxima de um referˆncia inercial “absoluta” para que at´ certos pontos satisfa¸am
    e                                         e                                    e                           c
ao nosso prop´sito.
                 o
       Embora o sistema de referˆncia das estrelas-fixas seja um sistema convencionalmente defin´
                                      e                                                                         ıvel
e conveniente para muitos prop´sitos, devemos enfatizar que as defini¸˜es fundamentais de um
                                        o                                          co
referˆncial inercial n˜o fazem men¸˜es as estrelas fixas ou vice-versa. Se um corpo n˜o est´ sujeito
      e                 a                  co                                                     a      a
a for¸as e movimenta-se com velocidade constante em um certo referˆncial, este sistema ´, por
      c                                                                          e                         e
defini¸˜o um sistema de referˆncia inercial. Como a descri¸˜o precisa de movimento de um objeto
       ca                          e                              ca
f´
 ısico real no mundo f´    ısico real ´ normalmente dificil, usaremos idealiza¸˜es e aproxima¸˜es de
                                         a                                           co                   co
graus variados; isto ´: desprezaremos as for¸as mais fracas sobre o corpo se estas for¸as n˜o afetam
                       e                          c                                              c     a
significativamente o corpo.
       Se desejarmos descrever o movimento de, digamos, de uma part´            ıcula livre e se escolhermos
para esse prop´sito algum sistema de coordenadas num referˆncial inercial, ent˜o requeremos que
                  o                                                  e                      a
a equa¸˜o (vetorial) do movimento da part´
        ca                                          ıcula seja independente da posi¸˜o da origem do sis-
                                                                                       ca
tema coordenado e independente de sua orienta¸˜o no espa¸o. Al´m disso iremos requerer que
                                                         ca          c       e
o tempo seja homogˆneo; isto ´, uma part´
                          e              e           ıcula livre movendo-se com velocidade constante no
sistema coordenado durante um certo intervalo de tempo que n˜o deve ser durante um intervalo
                                                                        a
de tempo posterior, seja encotrado movendo-se com velocidade diferente.
       Podemos ilustrar a importˆncia dessas propriedades pelo seguinte exemplo. Considere como
                                       a
na Figura 2-1, uma part´      ıcula livre movendo-se ao longo de uma trajet´ria AC. Para descrever o
                                                                                  o
movimento da part´    ıcula, vamos escolher um sistema de coordenadas retangulares no qual a origem
de move em um c´    ırculo, como mostrado. Para simplificar, vamos formar a orienta¸˜o dos eixos fixo
                                                                                              ca
no espa¸o. A part´
         c           ıcula move-se com uma velocidade relativa vp relativo a um referencial inercial.
Se o sistema de coordenadas move-se com uma velocidade linear vc quando passa no ponto B, e
se vc = vp , ent˜o para um observador no sistema de coordenadas m´vel a part´
                  a                                                         o             ıcula (em A) parece
estar em repouso. Algum tempo depois, no entanto, quando a part´               ıcula est´ em C e o sistema
                                                                                         a
de coordenadas em D, a part´        ıcula parecer´ estar acelerada em rela¸˜o ao observador. Devemos,
                                                  a                          ca
portanto, concluir que o sitema de coordenadas em rota¸˜o n˜o pode ser considerado um referencial
                                                                ca a
inercial.
       Estas observa¸˜es n˜o s˜o suficientes para decidir se o tempo ´ homogˆneo. Para alcan¸ar
                      co       a a                                            e          e                       c
semelhantes conclus˜es, repetidas medidas devem ser feitas em situa¸˜es idˆnticas em diversos
                        o                                                        co       e
instantes de tempo; idˆnticos resultados indicar˜o a homogeneidade do tempo.
                          e                             a
       As equa¸˜es de Newton n˜o descrevem o movimento dos corpos em sistemas de referˆncia n˜o-
                co                   a                                                                e          a
inercial. Podemos desenvolver um m´todo para descrever o movimento de uma part´
                                               e                                                  ıcula para um
sistema de coordenadas em rota¸˜o, mas, como ser´ visto no Cap´
                                        ca                  a             ıtulo 10, as equa¸˜es resultantes
                                                                                               co
    ∗ No Cap´ıtulo 10, discutiremos as modifica¸˜es que devem ser feitas nas equa¸˜es de Newton se desejamos
                                                co                              co
descrever o movimento de um corpo em rela¸˜o a um sistema de referˆncia n˜o inercial, isto ´, um referˆncia que
                                             ca                    e      a                e          e
est´ acelerado em rela¸˜o a um referˆncia inercial.
   a                   ca           e


Projeto AIUTA – Mecˆnica Cl´ssica I
                   a       a                                                                          (UNIFRA–2004)
52   ---   2 / MECANICA NEWTONIANA – PART´
                  ˆ                            ´
                                         ICULA UNICA




                                              FIGURA 2-1




contˆm v´rios termos que n˜o aparecem na simples equa¸˜o Newtoniana F = ma. Para o momento,
     e    a                a                           ca
ent˜o, restringimos nossa aten¸˜o para os sistemas de referˆncia inercial para descrever a dinˆmica
   a                          ca                           e                                  a
de part´ıculas.

2.4    A EQUACAO DO MOVIMENTO PARA UMA PART´
             ¸˜                            ICULA

A equa¸˜o newtoniana F = dp/dt podem expressar alternativamente como
      ca

                                            d           dv
                                       F=      (mv) = m    = m¨
                                                              r                                (2.7)
                                            dt          dt
se adotarmos que a massa m n˜o varia com o tempo. Esta ´ uma equa¸˜o diferencial de segunda
                                 a                           e            ca
ordem que pode ser integrada para encontrar r = r(t) se a fun¸˜o F ´ conhecida.
                                                                ca     e
      Especificando os valores iniciais de r e r = v obtemos as duas constantes arbrit´rias da
                                                  ˙                                          a
integra¸˜o. Ent˜o determinamos o movimento da part´
        ca         a                                     ıcula pela fun¸˜o da for¸a F e os valores
                                                                        ca          c
iniciais para a posi¸˜o r e a velocidade v.
                     ca
      A for¸a F pode ser uma fun¸˜o de alguma combina¸˜o da posi¸˜o, velocidade e tempo, e
             c                       ca                     ca           ca
´ geralmente denotada como F(r, v, t). Para um certo sistema dinˆmico, normalmente queremos
e                                                                    a
saber r e v como uma fun¸˜o do tempo. Isto ´ obtido resolvendo a Equa¸˜o 2.7 em ¨. A aplica¸˜o
                             ca                 e                          ca           r         ca
da Equa¸˜o 2.7 para situa¸˜es f´
          ca                 co ısicas ´ uma importante parte da mecˆmica.
                                         e                              a
      Neste cap´ ıtulo, estudaremos v´rios exemplos no qual a fun¸˜o for¸a ´ conhecida. Iniciaremos
                                      a                          ca      c e
usando fun¸˜es for¸a mais simples (constante ou dependente somente de r, ou v ou t) em uma
              co      c
dimens˜o espacial somente, como uma revis˜o das disciplinas b´sicas de f´
        a                                     a                  a           ısica. Isso ´ importante
                                                                                          e
                       a              ca                         ˜
para formar bons h´bitos na resolu¸˜o de problemas. Abaixo sAo apresentadas algumas t´cnicas   e
uteis para resolver problemas.
´

  1. Fazer um esbo¸o (esquema gr´fico – desenho) do problema, indicando as for¸as, velocidade
                   c            a                                            c
     e assim por diante.

  2. Escreva as grandezas e seus valores fornecidos.

  3. Escreva as equa¸˜es que ser˜o utilizadas e o que ´ para ser determinanado.
                    co          a                     e

Projeto AIUTA – Mecˆnica Cl´ssica I
                   a       a                                                            (UNIFRA–2004)
2.4. A EQUACAO DO MOVIMENTO PARA UMA PART´
                                                           ¸˜                            ICULA      ---   53


  4. As equa¸˜es que descrevem o problema normalmente devem ser manipuladas a fim de achar
              co
     a grandeza procurada. Manipula¸˜es alg´bricas bem como a diferencia¸˜o ou integra¸˜o s˜o
                                     co     e                            ca           ca a
     usualmente exigidas. Algumas vezes c´lculos num´ricos usando o computador s˜o mais f´ceis,
                                          a         e                           a        a
     se for o unico m´todo para a solu¸˜o.
              ´      e                ca

  5. Finalmente, coloque os valores reais fornecidos, para obter os valores das vari´veis das gran-
                                                                                    a
     dezas procuradas.

Vamos considerar o problema do bloco deslizando no plano inclinado. O ˆngulo do plano inclinado
                                                                      a
´ θ e a massa do bloco ser´ 100 g. O esquema do problema ´ mostrado na Figura 2-2a.
e                         a                               e

E X E M P L O 2.1 − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − −−

Se um bloco desliza sem atrito sob um plano inclinado fixo, θ = 30o , qual ´ a acelera¸˜o
                                                                          e          ca
deste?




                                              FIGURA 2-2



Solu¸˜o: Duas for¸as atuam no bloco (ver Figura 2-2a): a for¸a gravitacional Fg e a for¸a normal
     ca            c                                           c                          c
do plano N empurrando para cima no bloco (sem atrito neste exemplo). O bloco ´ pressionado
                                                                                       e
para ficar sobre o plano, e a unica dire¸˜o que ele pode se mover ´ na dire¸˜o x, subindo e descendo
                             ´         ca                        e        ca
o plano. N´s tomamos a dire¸˜o + x para descer o plano. A for¸a resultante F ´ constante; a
           o                   ca                                   c                 e
Equa¸˜o 2.7 se torna
     ca
                                            F = Fg + N

e porque F ´ a for¸a resultante do sistema que atua no bloco,
           e      c

                                                 F = m¨
                                                      r

ou

                                              Fg + N = m¨
                                                        r                                             (2.8)

      Este vetor deve ser aplicado em duas dire¸˜es: x e y (perpendicular a x). A componente da
                                               co
for¸a na dire¸˜o y ´ zero, porque n˜o ocorre acelera¸˜o nesta dire¸˜o. A for¸a Fg est´ dividida
   c         ca     e               a                ca            ca         c       a
vetorialmente dentro de suas componentes x e y (linhas na Figura ??a). A Equa¸˜o 2.8 se torna
                                                                                ca
dire¸˜o y
     ca
                                       −Fg cos θ + N = 0                                  (2.9)

dire¸˜o x
    ca
                                              Fg sin θ = m¨
                                                          x                                         (2.10)

Projeto AIUTA – Mecˆnica Cl´ssica I
                   a       a                                                                   (UNIFRA–2004)
54   ---   2 / MECANICA NEWTONIANA – PART´
                  ˆ                            ´
                                         ICULA UNICA



com o resultado adquirido
                                            Fg           mg sin θ
                                        x=
                                        ¨       sin θ =           = g sin θ
                                            m              m
                                                          g
                                        x = g sin (30◦ ) = = 4.9m/s2
                                        ¨                                                      (2.11)
                                                          2
Portanto, a acelera¸˜o do bloco ´ constante.
                   ca           e
     Podemos encontrar a velocidade do bloco ap´s este se mover do repouso uma distˆncia x0
                                                 o                                 a
descendo o plano pela multiplica¸˜o da Equa¸˜o 2.11 por 2x e integrando
                                ca           ca          ˙
                                                     2x¨ = 2xg sin θ
                                                       ˙x    ˙
                                                  d 2                dx
                                                     (x ) = 2g sin θ
                                                      ˙
                                                  dt                 dt
                                                  2
                                                 v0                           x0
                                                      d(x2 ) = 2g sin θ
                                                        ˙                          dx
                                             0                            0

Para t = 0, ambos x = x = 0, e, para t = tf inal , x = x0 , e a velocidade x = v0 .
                      ˙                                                    ˙
                                                       2
                                                      v0 = 2g sin θx0
                                                      v0 =     2g sin θx0
−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−

E X E M P L O 2.2 − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − −

Se o coeficiente de atrito est´tico entre o bloco e o plano previsto do exemplo anterior
                             a
´ µs = 0.4, em que ˆngulo θ o bloco come¸ar´ a deslizar se estiver inicialmente em
e                   a                        c a
repouso?


Solu¸˜o: Necessitamos de uma for¸a de atrito adicional f (veja Figura 2.2b). A for¸a de atrito
     ca                           c                                               c
est´tica tem o valor m´ximo aproximado
   a                  a

                                                         fmax = µs N                           (2.12)
e a Equa¸˜o 2.7 torna-se, na forma de suas componentes,
        ca

dire¸˜o y
    ca
                                                      −Fg cos θ + N = 0                        (2.13)
dire¸˜o x
    ca
                                                  −fs + Fg sin θ = m¨
                                                                    x                          (2.14)
A for¸a de atrito est´tica fs ter´ algum valor entre fs ≤ fmax para manter x = 0 – para manter o
     c               a           a                                         ¨
bloco em repouso. Entretanto, o ˆngulo θ do plano aumenta, logo a for¸a de atrito est´tica ser´
                                   a                                    c              a       a
incapaz de manter o bloco no repouso. Nesse ˆngulo θ , fs torna-se
                                               a

                                      fs (θ = θ ) = fmax = µs N = µs Fg cos θ
e


                                            m¨ = Fg sin θ − fmax
                                             x

                                            m¨ = Fg sin θ − µs Fg cos θ
                                             x

                                                 x = g(sin θ − µs cos θ)
                                                 ¨                                             (2.15)

Projeto AIUTA – Mecˆnica Cl´ssica I
                   a       a                                                              (UNIFRA–2004)
2.4. A EQUACAO DO MOVIMENTO PARA UMA PART´
                                                                ¸˜                            ICULA   ---   55


Imediatamente antes do bloco come¸ar deslizar, a acelera¸˜o ´ x = 0, assim
                                 c                      ca e ¨


                                                sin θ − µs cos θ = 0
                                                     tan θ = µs = 0.4
                                                θ = tan−1 (0.4) = 22◦

−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−

E X E M P L O 2.3 − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − −

Depois que o bloco do exemplo anterior come¸a a deslizar, o coeficiente da fric¸˜o
                                             c                                ca
cin´tica (do movimento) torna-se µk = 0.3. Encontre a acelera¸˜o para o ˆngulo de
   e                                                         ca         a
θ = 30o .

Solu¸˜o: Similarmente ao Exemplo 2.2, a fric¸˜o cin´tica torna-se (aproximadamente)
    ca                                      ca     e

                                               fk = µk N = µk Fg cos θ                                (2.16)
e

                                      m¨ = Fg sin θ − fk = mg(sin θ − µk cos θ)
                                       x                                                              (2.17)
                                           x = g(sin θ − µk cos θ) = 0.24g
                                           ¨                                                          (2.18)
      Geralmente, a for¸a de fric¸˜o est´tica (fmax = µs N ) ´ maior que aquela da fric¸˜o cin´tica
                        c        ca     a                     e                         ca    e
(fk = µk N ). Isto pode ser observado em uma experiˆncia simples. Se diminuirmos o ˆngulo θ
                                                          e                                a
abaixo de 16.7o , encontramos que x < 0, e o bloco permanece parado. Se levantarmos o apoio do
                                    ¨
bloco acima de θ = 16.7o , encontramos que o bloco n˜o inicia o movimento novamente at´ que
                                                          a                                  e
θ ≥ 22o . A fric¸˜o est´tica determina quando o movimento tem in´ novamente. N˜o h´ uma
                 ca     a                                            ıcio                a a
acelera¸˜o descontinua enquanto o bloco come¸a se mover devido a diferen¸a entre µs e µk . Para
       ca                                       c                           c
velocidades pequenas, o coeficiente de fric¸˜o muda rapidamente de µs a µk .
                                           ca
      O assunto da fric¸˜o ´ ainda uma ´rea de pesquisa interessante e importante. H´ sempre
                        ca e              a                                                a
algumas surpresas. Por exemplo, mesmo que calcul´ssemos o valor absoluto da for¸a de fric¸˜o
                                                        a                             c         ca
como f = µN , a pesquisa mostrou que a for¸a de fric¸˜o ´ diretamente proporcional, n˜o `
                                                  c         ca e                               a a
carga, mas ` ´rea de contato microsc´pica entre os dois objetos (ao contr´rio da ´rea de contato
             aa                       o                                    a      a
aparente). N´s usamos o µN como uma aproxima¸˜o porque, enquanto N aumenta, ”faz assim a
              o                                      ca
a
´rea de contato real em um n´ microsc´pico”. Por centenas de anos antes dos 1940s, aceitou-se
                              ıvel        o
que a carga – e n˜o a ´rea – eram respons´veis diretamente. Acreditamos tamb´m que a for¸a de
                   a   a                    a                                   e             c
fric¸˜o est´tica ´ maior que aquela de fric¸˜o cin´tica porque a liga¸˜o dos ´tomos entre os dois
    ca     a     e                          ca      e                 ca      a
objetos n˜o tem como se desenvolver por muito tempo no movimento cin´tico.
          a                                                               e
−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−

EFEITO DAS FORCAS DE RETARDAMENTO
              ¸

Devemos enfatizar que a for¸a F na Equa¸˜o 2.7 n˜o ´ necessariamente constante, e de fato, ela
                            c              ca      a e
pode consistir de v´rias partes distintas, como vimos nos exemplos anteriores. Por exemplo, se
                    a
uma part´ıcula cai num campo gravitacional constante, a for¸a gravitacional ´ Fg = mg, onde g ´
                                                           c                e                 e
a acelera¸˜o da gravidade. Se conjuntamente, existe uma for¸a de retardamento Fr e que ´ uma
         ca                                                  c                           e
fun¸˜o da velocidade instantˆnea, ent˜o a for¸a total ´
   ca                       a         a       c       e

                                                  F = Fg + Fr
                                                    = mg + Fr (v)                                     (2.19)

Projeto AIUTA – Mecˆnica Cl´ssica I
                   a       a                                                                  (UNIFRA–2004)
56   ---   2 / MECANICA NEWTONIANA – PART´
                  ˆ                            ´
                                         ICULA UNICA



Geralmente ´ suficiente considerar que Fr (v) ´ simplesmente proporcional a alguma potˆncia da
             e                                  e                                        e
velocidade. Em geral, as for¸as de retardamento reais s˜o mais complicadas, mas a aproxima¸˜o
                               c                        a                                    ca
pela lei das potˆncias ´ util em muitas ocasi˜es na qual a velocidade n˜o tem grandes varia¸˜es.
                e       e ´                   o                        a                    co
Neste caso, se Fr ∝ v n , ent˜o a equa¸˜o de movimento pode geralmente ser integrada diretamente
                             a        ca
ao passo que, se a real dependˆncia da velocidade for usada, provavelmente ser´ necess´rio uma
                                 e                                              a       a
integra¸˜o num´rica. Com a aproxima¸˜o da lei da potˆncia, podemos escrever
       ca       e                       ca             e

                                                                  v
                                              F = mg − mkv n                                               (2.20)
                                                                  v

onde k ´ uma constante positiva que especifica o poder da for¸a de retardamento e v/v ´ um vetor
         e                                                       c                           e
unit´rio na dire¸˜o de v. Experimentalmente, encontramos que, para um objeto relativamente
     a             ca
pequeno movendo-se no ar, n ∼ 1 para velocidades menores que aproximadamente 24 m/s (∼ 80
                                  =
ft/s). Para altas velocidades mas com valores abaixo da velocidade do som (∼ 330 m/s ou 1.100
ft/s), a for¸a de retardamento ´ aproximadamente proporcional ao quadrado da velocidade.∗ Para
            c                      e
simplificar, a dependˆncia de v 2 quase sempre ´ usada para velocidades acima da velocidade do
                        e                            e
som.
       O efeito da resistˆncia do ar ´ importante, por exemplo, para um jogo de ping-pong, uma bola
                          e           e
leve movendo-se velozmente desvia sua trajet´ria e, para um proj´til de morteiro lan¸ado contra um
                                                o                    e                   c
inimigo. Extensa tabelas foram constru´     ıdas para proj´teis bal´
                                                           e       ısticos militares de diferentes tipos
com a velocidade em fun¸˜o do tempo de vˆo. Existem v´rias for¸as atuando sobre um proj´til
                             ca                 o              a         c                           e
em vˆo. A resistˆncia do ar ´ chamada de for¸a de arraste W e ´ oposta a velocidade do proj´til,
      o            e            e                 c                   e                             e
como mostra a Figura 2-3a. A velocidade v n˜o ´ normalmente paralela ao eixo de simetria do
                                                    a e
proj´til. O componente da for¸a atuando perpendicularmente a for¸a de arraste ´ conhecida, como
     e                            c                                     c            e
for¸a de ascens˜o La . Deve haver tamb´m outras for¸as devido a rota¸˜o e oscila¸˜o do proj´til, e
   c             a                         e             c                 ca          ca         e
um c´lculo da trajet´ria bal´
      a                 o       ıstica do projeto ´ extremamente complexo. A express˜o de Prandtl
                                                  e                                        a
para resistˆncia do ar†´
            e              e
                                                    1
                                             W = cW ρAv 2                                        (2.21)
                                                    2
onde cW ´ o coeficiente de arraste adimensional, ρ ´ a densidade do ar, v ´ a velocidade e A
           e                                           e                        e
´ a ´rea da sec¸˜o reta do objeto (proj´til) medida perpendicularmente com a velocidade. Nas
e a             ca                       e
Figuras 2-3b, plotamos alguns valores t´ıpicos para cW , e nas Figuras 2-3c e d podemos calcular a
resistˆncia W usada na Equa¸˜o 2.21 para um proj´til de diˆmetro 10 cm e usando os valores de cW
      e                      ca                    e        a
apresentados. A resistˆncia do ar aumenta drasticamente pr´ximo ` velocidade do som (n´mero de
                      e                                      o     a                      u
Mach M = velocidade/velocidade do som). Abaixo das velocidades de aproximadamente 400 m/s
´ evidente que uma equa¸˜o de pelo menos segundo grau ´ necess´ria para descrever a for¸a de
e                         ca                                 e       a                        c
resistˆncia. Para altas velocidades, o retardamento da for¸a varia aproximadamente linearmente
      e                                                     c
com a velocidade.
      V´rios exemplos de movimento de uma part´
        a                                          ıcula sujeita a v´rias for¸as s˜o descritas a se-
                                                                    a        c    a
guir. Esses exemplos s˜o particularmente bons para a inicia¸˜o a c´lculos computacionais usando
                       a                                      ca    a
alguns dos programas comerciais de matem´tica simb´lica, de planilhas ou para os estudantes es-
                                            a          o
creverem seus pr´prios programas. Os resultados computacionais, especialmente os gr´ficos podem
                 o                                                                    a
muitas vezes ser comparados com os resultados anal´  ıticos apresentamos aqui. Algumas das Figu-
ras mostradas nesta se¸˜o foram produzidas usando c´lculos computacionais, e v´rios problemas
                       ca                               a                           a
propostos no final do cap´ ıtulo s˜o propostos para os estudantes iniciarem experiˆncias no uso do
                                 a                                                 e
computador, se assim desejar o professor ou estudante.

    ∗ O movimento de uma part´  ıcula num meio na qual h´ uma for¸a resistente proporcional a velocidade ou com o
                                                        a         c
quadrado da velocidade (ou uma combina¸˜o linear das duas) foi estudado por Newton em seu Principia (1687). A
                                          ca
extens˜o para alguma potˆncia da velocidade foi feito por Joham Bernoulli em 1711. O termo lei da resistˆncia de
       a                   e                                                                                e
Stokes ´ algumas vezes aplicada para uma for¸a resistente proporcional a velocidade; a lei da resistˆncia de Newton
        e                                     c                                                     e
´ uma for¸a de retardamento proporcional ao quadrado da velocidade.
e         c
    † Veja o artigo de E. Melchior e H. Reuschel no “Handbook on Weaponry” (Rh82, p.137)



Projeto AIUTA – Mecˆnica Cl´ssica I
                   a       a                                                                         (UNIFRA–2004)
2.4. A EQUACAO DO MOVIMENTO PARA UMA PART´
                                                                ¸˜                            ICULA            ---   57




FIGURA 2-3 (a) For¸as aerodinˆmicas agindo no proj´til. W ´ a for¸a de arraste (for¸a da resistˆncia do ar) e ´ oposta
                       c           a                     e       e     c               c          e             e
a velocidade do proj´til v. Observe que v dever´ estar num ˆngulo α com o eixo da simetria do proj´til. O componente
                     e                           a             a                                      e
da for¸a de a¸˜o perpendicular a for¸a de arraste ´ chamada de for¸a de ascens˜o Fa . O ponto D ´ o centro de press˜o.
      c      ca                       c            e                 c         a                   e                 a
Finalmente, a for¸a gravitacional Fg age para baixo. Se o centro de press˜o n˜o est´ no centro de massa do proj´til, h´
                  c                                                        a  a      a                            e    a
tamb´m um torque em torno do centro de massa. (b) O coeficiente de arraste cW , da lei de resistˆncia de Rheinmetall
     e                                                                                              e
(Rh82), ´ plotado como fun¸˜o do n´ mero M de Mach . Observe a grande varia¸˜o pr´xima da velocidade do som onde
         e                   ca       u                                          ca    o
M = 1. (c) A for¸a de resistˆncia do ar W (for¸a de arraste) ´ mostrada com uma fun¸˜o da velocidade para um proj´til de
                c           e                 c              e                      ca                             e
diˆmetro igual a 10 cm. Observe a inflex˜o pr´xima da velocidade do som. (d) Mesma an´lise de (c) para altas velocidades.
  a                                     a     o                                        a




E X E M P L O 2.4 − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − −−




Como um exemplo simples de movimento resistivo de uma part´
                                                          ıcula, encontramos o
movimento e a velocidade do movimento horizontal em um meio em que a for¸a de
                                                                         c
retardamento ´ proporcional a velocidade
             e


Solu¸˜o: Um esbo¸o do problema ´ mostrado na Figura 2-4. A Equa¸˜o Newtoniana F = ma
     ca            c              e                            ca
fornece-nos equa¸˜o de movimento: dire¸˜o x
                ca                    ca




                                                         dv
                                               ma = m       = −kmv                                             (2.22)
                                                         dt

Projeto AIUTA – Mecˆnica Cl´ssica I
                   a       a                                                                             (UNIFRA–2004)
58   ---   2 / MECANICA NEWTONIANA – PART´
                  ˆ                            ´
                                         ICULA UNICA




                                                    FIGURA 2-4



onde kmv ´ a magnitude da for¸a de resistˆncia (k = constante). Portanto
         e                   c           e

                                                     dv
                                                        = −k       dt
                                                      v
                                                    ln v = −kt + C1                    (2.23)

A integra¸˜o constante na Equa¸˜o 2.23 pode ser avaliada se prescrevermos a condi¸˜o inicial
          ca                        ca                                           ca
v(t = 0) ≡ v0 . Logo C1 = ln v0 , e
                                        v = v0 e−kt                                 (2.24)
Podemos integrar esta equa¸˜o para obter o deslocamento x como fun¸˜o do tempo:
                          ca                                      ca

                                                       dx
                                                v=        = v0 e−kt
                                                       dt
                                                                  v0 −kt
                                      x = v0        e−kt dt = −     e    + C2         (2.25a)
                                                                  k

A condi¸˜o inicial x(t = 0) ≡ 0 implica C2 = v0 /k. Ent˜o
       ca                                              a
                                                       v0
                                                x=        (1 − e−kt )                (2.25b)
                                                       k
Este resultado mostra que x aproxima-se do valor v0 /k conforme t → ∞.
     Podemos tamb´m obter a velocidade como fun¸˜o do deslocamento escrevendo
                   e                              ca

                                               dv   dv dt   dv 1
                                                  =       =   .
                                               dx   dt dx   dt v
portanto

                                                    dv   dv
                                                v      =    = −kv
                                                    dx   dt
ou

                                                      dv
                                                         = −k
                                                      dx
para a qual encontramos, usando as mesmas condi¸˜es iniciais,
                                               co

                                                     v = v0 − kx                       (2.26)

   Portanto, a velocidade decresce linearmente com o deslocamento.
−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−

Projeto AIUTA – Mecˆnica Cl´ssica I
                   a       a                                                      (UNIFRA–2004)
2.4. A EQUACAO DO MOVIMENTO PARA UMA PART´
                                                               ¸˜                            ICULA   ---   59


E X E M P L O 2.5 − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − −

Encontre o deslocamento e a velocidade de uma part´
                                                  ıcula que se encontra em mo-
vimento vertical em um meio que tem uma for¸a de retardamento proporcional `
                                             c                               a
velocidade.

Solu¸˜o: Considere uma part´
     ca                        ıcula caindo com velocidade inicial v0 de uma altura h e campo
gravitacional constante (Figura 2.5). A equa¸˜o de movimento ´
                                            ca                e
dire¸˜o z
    ca
                                           dv
                                     F =m     = −mg − kmv                               (2.27)
                                           dt
onde −kmv representa a for¸a positiva para cima desde z onde v = z no sentido positivo para cima,
                          c                                      ˙
assim como o movimento para baixo - isto ´, v < 0, assim −kmv > 0. A partir da Equa¸˜o 2.27,
                                           e                                            ca
temos

                                                     dv
                                                          = −dt                                      (2.28)
                                                   kv + g
Integrando a Equa¸˜o 2.28 e considerando v(t = 0) ≡ v0 , temos (notando que v0 < 0)
                 ca

                                      1
                                        ln(kv0 + g) = −t + c
                                      k
                                            kv + g = e−kt+kc

                                                      dz   g  kv0 + g −kt
                                                 v=      =− +        e                               (2.29)
                                                      dt   k     k

Integrando mais uma vez e calculando a constante no sentido z(t = 0) ≡ h, temos

                                                  gt kv0 + g
                                          z =h−     +        (1 − e−kt )                             (2.30)
                                                  k    k2




                                                   FIGURA 2-5



Projeto AIUTA – Mecˆnica Cl´ssica I
                   a       a                                                                 (UNIFRA–2004)
60   ---   2 / MECANICA NEWTONIANA – PART´
                  ˆ                            ´
                                         ICULA UNICA




                                              FIGURA 2-6



A Equa¸˜o 2.29 mostra que enquanto o tempo se torna muito longo, a velocidade se aproxima do
        ca
valor limite −g/k; esta ´ chamada velocidade terminal, vt . A Equa¸˜o 2.27 resulta no mesmo
                        e                                            ca
resultado, porque a for¸a desaparecer´ – e daqui nenhum acceleration mais adicional ocorrer´ –
                       c             a                                                      a
quando v = −g/k. Se a velocidade inicial exceder a velocidade terminal em magnitude, ent˜o   a
o corpo come¸a imediatamente a retardar para baixo e v aproxima-se da velocidade terminal
              c
na dire¸˜o oposta. A Figura 2-6 ilustra estes resultados para velocidades descendentes (valores
        ca
positivos).
−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−

E X E M P L O 2.6 − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − −

Em seguida, tratamos o movimento do proj´til em duas dimens˜es, primeiramente
                                            e                   o
sem considerar a resistˆncia do ar. Deixe a velocidade do a¸aime do proj´til ser v0
                        e                                   c             e
e o ˆngulo de eleva¸˜o ser θ (Figura 2-7). Calcule o deslocamento, a velocidade, e o
    a                ca
alcance do proj´til.
               e




                                              FIGURA 2-7



Projeto AIUTA – Mecˆnica Cl´ssica I
                   a       a                                                              (UNIFRA–2004)
2.4. A EQUACAO DO MOVIMENTO PARA UMA PART´
                                                                    ¸˜                            ICULA   ---   61


Solu¸˜o: Usando F = mg , as componentes da for¸a tornam-se
     ca                                       c
dire¸˜o x
    ca
                                       0 = m¨ x                                                       (2.31a)
dire¸˜o y
    ca
                                                        −mg = m¨
                                                               y                                      (2.31b)
Desconsiderando a altura da arma, e assumindo x = y = 0 e t = 0. Ent˜o
                                                                    a


                                                        x=0
                                                        ¨

                                                        x = v0 cos θ
                                                        ˙

                                                        x = v0 t cos θ                                    (2.32)

e


                                                  y = −g
                                                  ¨

                                                  y = −gt + v0 sin θ
                                                  ˙

                                                        −gt2
                                                  y=         + v0 t sin θ                                 (2.33)
                                                         2
A velocidade e o deslocamento total como fun¸˜es do tempo s˜o encontrados por:
                                            co             a

                                      v=     x2 + y 2 = (v0 + g 2 t2 − 2v0 gt sin θ)1/2
                                             ˙    ˙       2
                                                                                                          (2.34)
e
                                                                                           1/2
                                                                   g 2 t4
                                 r=        x2 + y 2 =    v0 t2 +
                                                          2
                                                                          − v0 gt3 sin θ                  (2.35)
                                                                     4
Podemos encontrar o alcance determinando o valor de x quando o proj´til atinge o solo, isto ´ ,
                                                                   e                        e
quando y = 0

                                                        −gt
                                               y=t          + v0 sin θ      =0                            (2.36)
                                                         2
Um valor de y = 0 ocorre para t = 0 e o outro para t = T .


                                               −gT
                                                   + v0 sin θ = 0
                                                2
                                                                      2v0 sin θ
                                                              T =                                         (2.37)
                                                                         g

O alcance R ´ encontrado a partir de
            e
                                                                         2
                                                                      2v0
                                           x(t = T ) = alcance =           sin θ cos θ                    (2.38)
                                                                       g
                                                                      2
                                                                     v0
                                                R = alcance =           sin 2θ                            (2.39)
                                                                     g
Observe que o alcance m´ximo ocorre para θ = 45◦ .
                       a

Projeto AIUTA – Mecˆnica Cl´ssica I
                   a       a                                                                      (UNIFRA–2004)
62   ---   2 / MECANICA NEWTONIANA – PART´
                  ˆ                            ´
                                         ICULA UNICA



      Vamos usar algum n´mero atual nestes c´lculos. Os alem˜es usaram uma arma de longo
                          u                     a                 a
alcance nomeada Grande Cabina na Primeira Guerra Mundial que bombardeou Paris. O m´           ıssel
chegou a uma velocidade de 1, 450m/s. Encontre o alcance previsto, a altura m´xima do proj´til,
                                                                                 a            e
e o tempo de vˆo do proj´til se θ = 55◦ . Temos v0 = 1, 450m/s e θ = 55o , assim (da Equa¸˜o 2.39)
              o         e                                                                ca
o alcance torna-se

                                                 (1450m/s)2
                                          R=                [sin (110o )] = 202km
                                                   9.8m/s2
a Grande Cabina atual alcan¸a 120km . A diferen¸a ´ um resultado do efeito real da resistˆncia
                             c                   c e                                     e
do ar.
     Para encontrar a altura m´xima atingida, precisamos calcular y para o tempo T /2 onde T ´
                               a                                                             e
o tempo de vˆo do proj´til:
            o          e


                                                (2)(1450m/s)(sin 55o )
                                          T =                          = 242s
                                                       9.8m/s2

                                      T         −gT 2   v0 T
                     ymax t =              =          +      sin θ
                                      2          8       2

                                                −(9.8m/s)(242s)2   (1450m/s)(242s) sin (55o )
                                           =                     +
                                                       8                      2
                                           = 72km



−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−

E X E M P L O 2.7 − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − −

A seguir, adicionamos os efeitos da resistˆncia do ar no movimento do proj´til do
                                           e                                  e
exemplo anterior. Calcule o decrescimento do alcance deste supondo que a for¸a cau-
                                                                              c
sada pela resistˆncia do ar seja diretamente proporcional ` velocidade do proj´til.
                e                                         a                   e

Solu¸˜o: As condi¸˜es iniciais s˜o as mesmas do exemplo anterior.
    ca           co             a
                                                            
                                    x(t = 0) = 0 = y(t = 0)
                                                            
                                                            
                                    x(t = 0) = v0 cos θ ≡ U
                                    ˙                                                                (2.40)
                                                            
                                                            
                                                            
                                    y(t = 0) = v0 sin θ ≡ V
                                    ˙
                                                            

Entretanto, as equa¸˜es do movimento, Equa¸˜o 2.31, torna-se
                   co                     ca

                                                   m¨ = −kmx
                                                    x      ˙                                         (2.41)
                                                   m¨ = −kmy − mg
                                                    y      ˙                                         (2.42)

A Equa¸˜o 2.41 ´ exatamente a mesma usada no Exemplo 2.4. A solu¸˜o ´, portanto
      ca       e                                                ca e

                                                           U
                                                      x=     (1 − e−kt )                             (2.43)
                                                           k
Similarmente, a Equa¸˜o 2.42 ´ a mesma em rela¸˜o ` equa¸˜o do movimento no Exemplo 2.5.
                    ca       e                ca a      ca

Projeto AIUTA – Mecˆnica Cl´ssica I
                   a       a                                                                    (UNIFRA–2004)
2.4. A EQUACAO DO MOVIMENTO PARA UMA PART´
                                                                ¸˜                            ICULA           ---   63


Podemos usar a solu¸˜o encontrada neste exemplo com a condi¸˜o de h = 0 (o fato que considera-
                     ca                                        ca
mos a part´ıcula a ser projetada em declive no Exemplo 2.5 ´ de que n˜o h´ conseq¨ˆncia. O sinal
                                                            e         a a        ue
da velocidade inicial automaticamente leva isto ao c´lculo.) Portanto
                                                    a
                                        gt kV + g
                                         y=−
                                           +          (1 − e−kt )                           (2.44)
                                        k       k2
A trajet´ria ´ mostrada na Figura 2-8 por v´rios valores do retardamento da for¸a constante k que
        o e                                a                                    c
´ dado pelo vˆo do proj´til.
e             o         e
     O alcance R , o qual ´ o alcance incluindo a resistˆncia do ar, pode ser encontrado previa-
                           e                             e
mente pelo calculo do tempo T requerido pela trajet´ria inteira e ent˜o, substituindo este valor na
                                                    o                a
Equa¸˜o 2.43 por x. Este tempo T ´ encontrado previamente pela descoberta que t = T quando
     ca                             e
y = 0. Da Equa¸˜o 2.44, encontramos
                ca
                                                   kV + g
                                             T =          (1 − e−kt )                                         (2.45)
                                                     gk
Esta ´ uma equa¸˜o transcendental, e, portanto, n˜o podemos obter uma express˜o anal´
     e          ca                               a                           a       ıtica para
T . Apesar de tudo n´s ainda temos m´todos poderosos para usar para solucionar tais problemas.
                    o                e




FIGURA 2-8 As trajet´rias calculadas, da part´
                        o                       ıcula na resistˆncia do ar (Fres = −kmv) para v´rios valores de k ( nas
                                                               e                               a
unidades s−1 ). Os c´lculos foram apresentados para valores de θ = 60◦ e v0 = 600m/s. Os valores de y (Equa¸˜o 2.44)
                    a                                                                                         ca
s˜o marcados versus x (Equa¸˜o 2.43).
 a                           ca



Apresentamos dois deles aqui: (1) o m´todo de perturba¸˜o para encontrar uma solu¸˜o apro-
                                     e                ca                         ca
ximada, e (2) o m´todo num´rico, o qual, pode normalmente ser constatado como o desejado.
                 e          e
Compararemos os resultados.

M´todo de Perturba¸˜o. Para usar o m´todo de perturba¸˜o, encontramos um parˆmetro de
   e                   ca                  e                 ca                       a
expans˜o ou uma fun¸˜o constante que ´ normalmente pequeno. No presente caso, este parˆmetro
       a            ca                e                                                  a
´ o retardamento da constante k, porque j´ t´
e                                        a ınhamos solucionado o presente problema com k = 0,
e agora poder´ıamos manter o retardamento da for¸a, mas deixar o k ser pequeno. Entretanto, se
                                                c
expandirmos o termo exponencial da Equa¸˜o 2.45 (veja Equa¸˜o D.34 do Apˆndice D) na s´rie de
                                         ca                  ca            e             e
for¸as com inten¸˜o de manter somente os termos mais baixos de k n , onde k ´ o nosso parˆmetro
   c            ca                                                          e            a
de expans˜o.
          a
                                kV + g        1        1
                          T =            kT − k 2 T 2 + k 3 T 3 − ...                    (2.46)
                                  gk          2        6

Projeto AIUTA – Mecˆnica Cl´ssica I
                   a       a                                                                            (UNIFRA–2004)
64   ---   2 / MECANICA NEWTONIANA – PART´
                  ˆ                            ´
                                         ICULA UNICA



Se mantivermos somente termos na expans˜o atrav´s do k 3 , esta equa¸˜o pode ser reestruturada
                                       a       e                    ca
na forma
                                         2V /g    1
                                  T =           + kT 2                                  (2.47)
                                      1 + kV /g 3
Agora, temos o parˆmetro de expans˜o k no denominador do primeiro termo no lado direito da
                  a                 a
equa¸˜o. Precisamos expandir esse termo em uma s´rie de for¸as (S´ries de Taylor, ver Equa¸˜o
    ca                                          e          c     e                        ca
D.8 do Apˆndice D):
         e
                                          1
                                                = 1 − (kV /g) + (kV /g)2 − ...           (2.48)
                                      1 + kV /g
Onde podemos manter somente temos atrav´s de k 2 , pois somente temos termos atrav´s de k na
                                           e                                       e
Equa¸˜o 2.47. Se inserirmos esta expans˜o da Equa¸˜o 2.48 no primeiro termo do lado direito da
    ca                                 a         ca
Equa¸˜o 2.47 e mantermos somente os termos em k para primeira ordem, temos
    ca

                                             2V      T2  2V 2
                                       T =      +       − 2 k + O(k 2 )                  (2.49)
                                              g      3    g
No qual escolhemos excluir o O(k 2 ), os termos da orem k 2 e mais altos. No limite k → 0 (sem
resistˆncia do ar), a Equa¸˜o 2.49 nos mostra o mesmo resultado que no exemplo anterior:
      e                   ca
                                                            2V   2v0 sin θ
                                         T (k = 0) = T0 =      =
                                                             g      g
Entretanto, se k ´ pequeno (mas n˜o foi totalmente exclu´
                 e                a                     ıdo) o tempo do vˆo ser´ aproximadamente
                                                                         o     a
igual a T0 . Ent˜o se usarmos este valor aproximado para T = T0 no lado direito da Equa¸˜o 2.49
                a                                                                        ca
teremos

                                                   2V          kV
                                               T ∼
                                                 =        1−                             (2.50)
                                                    g          3g
a qual ´ desejada uma express˜o aproximada para o tempo de vˆo.
       e                     a                               o
     A seguir escrevemos a equa¸˜o para x (Equa¸˜o 2.43) na forma expandida:
                               ca              ca

                                             U     1        1
                                        x=     kt − k 2 t2 + k 3 t3 − ...                (2.51)
                                             k     2        6
J´ que x(t = T ) ≡ R , temos aproximadamente para o alcance
 a

                                                        1
                                               R ∼ U T − kT 2
                                                 =                                       (2.52)
                                                        2
onde, novamente, mantemos os termos somente atrav´s da primeira ordem do k. Agora podemos
                                                    e
avaliar esta express˜o pelo uso do valor de T da Equa¸˜o 2.50. Se mantermos somente os termos
                    a                                ca
lineares no k, encontramos

                                                  2U v    4kV
                                              R ∼
                                                =      1−                                (2.53)
                                                   g       3g
A quantidade 2U V /g agora pode ser escrita (usando as Equa¸˜es 2.40) como
                                                           co

                                      2U v  2v 2            v2
                                           = 0 sin θ cos θ = 0 sin 2θ = R                (2.54)
                                       g     g               g
As quais podem ser reconhecidas em rela¸˜o ao alcance R do proj´til quando a resistˆncia do ar ´
                                       ca                      e                   e           e
desprezada. Ent˜o
               a

                                                       4kV
                                               R ∼R 1−
                                                 =                                       (2.55)
                                                        3g

Projeto AIUTA – Mecˆnica Cl´ssica I
                   a       a                                                        (UNIFRA–2004)
2.4. A EQUACAO DO MOVIMENTO PARA UMA PART´
                                                            ¸˜                            ICULA         ---   65


Al´m dessa s´rie de valores de k podemos esperar que nosso m´todo de perturba¸˜o esteja correto?
  e         e                                               e                ca
Se olharmos a expans˜o na Equa¸˜o 2.48, vemos que a expans˜o n˜o ir´ convergir a n˜o ser que
                      a           ca                          a a     a              a
kV /g < 1 ou k < g/V , e na verdade gostar´
                                          ıamos que k << g/V = g/(v0 sin θ).


M´todo Num´rico. A Equa¸˜o 2.45 pode ser resolvida numericamente usando um computador
   e            e              ca
por uma variedade de m´todos, estabelecemos a volta para solucionar a equa¸˜o para T por
                           e                                                        ca
muitos valores de k at´ 0, 08s−1 : Ti (ki ). Estes valores de T e k est˜o inseridos na Equa¸˜o 2.43
                       e                                               a                   ca
para encontrar o alcance R , o qual ´ mostrado na Figura 2-9. O alcance decai rapidamente com
                                      e
o aumento da resistˆncia do ar, exatamente como esperamos, mas n˜o ´ mostrada a dependˆncia
                    e                                                  a e                    e
linear sugerida pela solu¸˜o do m´todo de perturba¸˜o da Equa¸˜o 2.55.
                         ca       e                   ca          ca
      Para o movimento do proj´til descrito nas Figuras 2-8 e 2-9, a aproxima¸˜o linear n˜o est´
                                e                                             ca         a     a
constatada para os valores de k t˜o baixos quanto 0.01s−1 e incorretamente mostra que o alcance
                                  a
´ zero para todos valores de k maiores do que 0.014s−1 . Esta desconcordˆncia com o m´todo
e                                                                           a              e
de perturba¸˜o n˜o ´ uma surpresa, pois o resultado linear para o alcance R era dependente
             ca  a e
em k << g/(v0 sin θ) = 0.02s−1 , o qual ´ dificilmente verdade at´ para o k = 0.01s−1 . Essa
                                           e                        e
concordˆncia pode ser adequada para k = 0.005s−1 . Os resultados mostrados na Figura 2-8
         a
indicam que para valores de k > 0.005s−1 , dificilmente a resistˆncia pode ser considerada numa
                                                               e
perturba¸˜o. De fato, para k > 0.01s−1 a resistˆncia torna-se valor dominante no movimento do
          ca                                   e
proj´til.
    e
−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−




FIGURA 2-9      O valor de alcance calculado aproximadamente e numericamente para um dado proj´til ´ mostrado na
                                                                                              e    e
Figura 2-8 e plotado como uma fun¸˜o da for¸a constante de retardamento k.
                                  ca        c




     O exemplo anterior indica como o mundo real pode ser complicado. Neste exemplo, ainda
podemos fazer algumas suposi¸˜es n˜o f´
                             co    a ısicas – assumindo por exemplo que a for¸a de retardamento
                                                                             c
´ sempre linearmente proporcional a velocidade. Ent˜o nossos c´lculos num´ricos n˜o s˜o precisos,
e                                                   a         a          e       a a
pois como mostra a Figura 2-3 a melhor suposi¸˜o pode ser incluir um termo retardat´rio v 2
                                                 ca                                      o
conforme necess´rio. Da mesma forma adicionando termos podemos resolver dificuldades com o
                a
c´lculo num´rico, e fazer um c´lculo similar no pr´ximo exemplo. Temos que incluir o arquivo
 a           e                 a                   o
do autor Matchcad para produzir as Figuras 2-8 e 2-9 no Apˆndice H para aqueles estudantes
                                                              e
poderem reproduzir os c´lculos. Enfatizamos que h´ muitas formas para a performance do c´lculo
                        a                         a                                        a
num´rico com computadores, e o estudante ir´ provavelmente querer transformar n´meros com
    e                                         a                                     u
praticidade.

Projeto AIUTA – Mecˆnica Cl´ssica I
                   a       a                                                                      (UNIFRA–2004)
66   ---   2 / MECANICA NEWTONIANA – PART´
                  ˆ                            ´
                                         ICULA UNICA



E X E M P L O 2.8 − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − −

Use os dados mostrados na Figura 2-3 para calcular a trajet´ria de um proj´til real.
                                                              o                e
Suponha uma velocidade do a¸aime de 600m/s, a eleva¸˜o do injetor de 450 , e uma
                               c                         ca
massa do proj´til de 30kg. Trace em um plano a altura y versus a distˆncia horizontal
                e                                                      a
x e trace y, x, e y versus o tempo com e sem resistˆncia do ar. Inclua somente a
              ˙    ˙                                   e
resistˆncia do ar e a gravidade, ignore outras for¸as poss´
      e                                           c       ıveis tais como o elevador.

Solu¸˜o: Primeiramente, fa¸amos uma tabela da for¸a de retardamento versus a velocidade inter-
     ca                     c                       c
pretando a Figura 2-3. Interprete a for¸a a cada 50m/s para a Figura 2-3c e a cada 100m/s para
                                       c
a Figura 2-3d. Podemos ent˜o usar uma linha reta entre os valores tabular. Usemos o sistema de
                            a
coordenadas mostrado na Figura 2-7. A equa¸˜o do movimento torna-se
                                              ca
                                                            Fx
                                                      x=−
                                                      ¨                                                     (2.56)
                                                            m
                                                 Fy
                                                  y=−
                                                  ¨  −g                                   (2.57)
                                                 m
onde Fx e Fy s˜o as for¸as de retardamento. Suponha que g ´ constante. Fx ser´ sempre um
                a        c                                      e                   a
n´mero positivo, mas Fy > 0 para o proj´til que sobe, e Fy < 0 para o proj´til que desce. Deixe θ
 u                                       e                                 e
ser o ˆngulo de eleva¸˜o dos proj´teis na horizontal em qualquer instante.
      a              ca          e
                                                  v   =       x2 + y 2
                                                              ˙    ˙                                        (2.58)
                                                        y˙
                                              tan θ   =                                                     (2.59)
                                                        x
                                                        ˙
                                                Fx    = F cos θ                                             (2.60)
                                                Fy    = F sin θ                                             (2.61)




FIGURA 2-10      Os resultados do Exemplo 2.8. As linhas s´lidas s˜o os resultados se a resistˆncia do ar n˜o estiver
                                                           o       a                          e            a
inclu´
     ıda, enquanto que as linhas tracejadas abrangem os resultados que incluem a for¸a de resistˆncia do ar. Em (a)
                                                                                    c           e
tamb´m incluimos o efeito da densidade do ar causando uma pequena dependˆncia quando o proj´til sobe.
     e                                                                    e                   e




Projeto AIUTA – Mecˆnica Cl´ssica I
                   a       a                                                                           (UNIFRA–2004)
2.4. A EQUACAO DO MOVIMENTO PARA UMA PART´
                                                         ¸˜                            ICULA   ---   67


Podemos calcular Fx e Fy para qualquer instante sabendo x e y. Acima de um intervalo pequeno
                                                        ˙ ˙
do tempo, x e y podem ser calculados.
          ˙ ˙



                                                   t
                                      x =
                                      ˙                xdt + v0 cos θ
                                                       ¨                                       (2.62)
                                               0
                                                   t
                                      y
                                      ˙   =            y dt + v0 sin θ
                                                       ¨                                       (2.63)
                                               0
                                                   t
                                      x =              xdt
                                                       ˙                                       (2.64)
                                               0
                                                   t
                                      y   =            ydt
                                                       ˙                                       (2.65)
                                               0




      Escrevemos um programa de computador curto para conter nossa tabela para as for¸as de
                                                                                        c
retardamento e para executar os c´lculos para x, y, x, e y em fun¸˜o do tempo. Devemos calcular
                                  a           ˙ ˙                 ca
as integrais para intervalos pequenos de tempo pois as for¸as s˜o dependentes do tempo. Figura
                                                           c    a
2-10 mostra os resultados.
      Observe a grande diferen¸a que a resistˆncia do ar faz. Na Figura 2-10a, a distˆncia horizontal
                                c            e                                       a
(escala) que o proj´til viaja ´ aproximadamente 16km comparados a quase 37km sem nenhuma
                    e          e
resistˆncia do ar. Nosso c´lculo ignorou o fato que a densidade do ar depende da altura. Se
      e                      a
fizermos exame da diminui¸˜o na densidade do ar com altura, obtemos a terceira curva com uma
                            ca
escala de 18km mostrados na Figura 2-10a. Se incluirmos tamb´m o elevador, a escala seria ainda
                                                                 e
maior. Observe que a mudan¸a nas velocidades na Figura 2-10c e 2-10d espelham a for¸a resistiva
                               c                                                          c
do ar da Figura 2-3. O decr´scimo r´pido da velocidade ocorre at´ alcan¸ar a velocidade do som,
                              e      a                              e      c
e avalia ent˜o os n´
            a      ıveis de mudan¸a das velocidades um pouco fora.
                                  c
−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−


     Isto conclui nossa subse¸˜o dos efeitos das for¸as de retardamento. Muito mais coisas pode-
                                ca                     c
riam ser feitas para incluir efeitos reais, mas o m´todo est´ desobstru´
                                                   e        a          ıdo. Normalmente, um efeito ´
                                                                                                   e
adicionado para um tempo, e os resultados s˜o analisados antes que um outro efeito seja adicionado.
                                               a

                      ˆ
OUTROS EXEMPLOS DA DINAMICA
Conclu´ımos esta se¸˜o com dois exemplos padr˜o adicionais do comportamento dinˆmico da
                   ca                        a                                 a
part´
    ıcula.




E X E M P L O 2.9 −−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−



A M´quina de Atwood consiste em uma roldana lisa com dois corpos suspensos por
     a
uma corda de massa desprez´ ıvel em cada ponta. Ache a acelera¸˜o dos corpos e a
                                                              ca
tens˜o na corda (a)quando a roldana est´ em repouso e (b) quando a roldana est´
    a                                  a                                       a
dentro de um elevador descendo com acelera¸˜o constante α.
                                          ca

Projeto AIUTA – Mecˆnica Cl´ssica I
                   a       a                                                            (UNIFRA–2004)
68   ---   2 / MECANICA NEWTONIANA – PART´
                  ˆ                            ´
                                         ICULA UNICA




                                                  FIGURA 2-11



Solu¸˜o: Desprezamos a massa da corda e assumimos que a roldana est´ lisa – isto ´, n˜o tem
     ca                                                                a           e a
atrito com a corda. A tens˜o T deve ser a mesma por toda a corda. As equa¸˜es de movimento se
                          a                                              co
transformam, para cada massa, para o caso (a),

                                              m1 x1 = m1 g − T
                                                 ¨                                         (2.66)
                                              m2 x2 = m2 g − T
                                                 ¨                                         (2.67)
Observe novamente a finalidade do conceito de for¸a: Precisamos apenas identificar as for¸as
                                                   c                                   c
atuando em cada massa. A tens˜o T ´ a mesma em ambas equa¸˜es. Se a corda ´ inextens´
                                a     e                         co          e         ıvel,
ent˜o x2 = −x1 , e as Equa¸˜es 2.66 e 2.67 podem ser combinadas
   a ¨      ¨             co

                                       m1 x1 = m1 g − (m2 g − m2 x2 )
                                          ¨                      ¨
                                             = m1 g − (m2 g + m2 x1 )
                                                                 ¨
Rearranjando,

                                         g(m1 − m2 )
                                           x1 =
                                           ¨         = −x2¨                             (2.68)
                                          m1 + m2
Se m1 > m2 , ent˜o x1 > 0, e x2 < 0. A tens˜o pode ser obtida das Equa¸˜es 2.68 e 2.66:
                a ¨          ¨             a                          co


                                       T    = m1 g − m1 x1
                                                         ¨
                                                          (m1 − m2 )
                                       T    = m1 g − m1 g
                                                           m1 + m2
                                              2m1 m2 g
                                       T    =                                              (2.69)
                                              m1 + m2
      Para o caso (b), no qual a roldana est´ em um elevador, o sistema de coordenadas com origens
                                            a
no centro da roldana n˜o est´ longe de ser um sistema inercial. Precisamos de um sistema inercial
                        a     a
com origem no topo do cabo do elevador (Figura 2-11b). As equa¸˜es de movimento no sistema
                                                                     co
inercial (x1 = x1 + x1 , x2 = x2 + x2 ) s˜o
                                         a


                                      m1 x1 = m1 (¨1 + x1 ) = m1 g − T
                                         ¨        x    ¨
                                      m2 x2 = m2 (¨2 + x2 ) = m2 g − T
                                         ¨        x    ¨

Projeto AIUTA – Mecˆnica Cl´ssica I
                   a       a                                                          (UNIFRA–2004)
2.4. A EQUACAO DO MOVIMENTO PARA UMA PART´
                                                               ¸˜                            ICULA   ---   69




                                                                            
                                  m1 x1 = m1 g − T − m1 x1 = m1 (g − α) − T 
                                     ¨                  ¨
                                                                                                     (2.70)
                                  m2 x2 = m2 g − T − m2 x2 = m2 (g − α) − T
                                     ¨                  ¨
                                                                              

onde x1 = x2 = α. Temos x2 = −¨1 , assim resolvemos para x1 eliminando-o antes
     ¨    ¨             ¨     x                          ¨


                                                             (m1 − m2 )
                                        x1 = −¨2 = (g − α)
                                        ¨     x                                                      (2.71)
                                                              m1 + m2
e

                                                    2m1 m2 (g − α)
                                              T =                                                    (2.72)
                                                      m1 + m2
Repare que os resultados para a tens˜o e a acelera¸˜o est˜o corretos se a acelera¸˜o da gravidade
                                     a             ca    a                       ca
estiver reduzida da quantia de acelera¸˜o α do elevador. A altera¸˜o para um elevador ascendente
                                      ca                         ca
deveria ser ´bvia.
            o
−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−

E X E M P L O 2.10 − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − −−

No nosso ultimo exemplo revimos muitas equa¸˜es de movimento para uma part´
          ´                                  co                            ıcula,
examinamos o movimento da uma part´   ıcula como um campo eletromagn´tico. Con-
                                                                    e
sidere uma part´ıcula carregada entrando na regi˜o do campo magn´tico uniforme
                                                a                 e
B – por exemplo, o campo da terra – como mostra a Figura 2-12. Determine seu
subseq¨ ente movimento.
       u




                                                FIGURA 2-12



Solu¸˜o: Escolhendo o sistema de coordenadas cartesianas com seu eixo y paralelo ao campo
    ca
magn´tico. Se q ´ a carga da part´
     e           e               ıcula, v ´ sua velocidade, a sua acelera¸˜o e B o campo magn´tico
                                          e                              ca                  e
da Terra, ent˜o:
             a

                                               v = xi + yj + zk
                                                   ˙    ˙     ˙
                                               a = xi + y j + z k
                                                   ¨    ¨     ¨
                                               B = B0 j

Projeto AIUTA – Mecˆnica Cl´ssica I
                   a       a                                                                 (UNIFRA–2004)
70   ---   2 / MECANICA NEWTONIANA – PART´
                  ˆ                            ´
                                         ICULA UNICA



A for¸a magn´tica F = qv × B = ma, assim
     c      e

                           m(¨i + y j + z k) = q(xi + yj + zk) × B0 j = qB0 (xk − zi)
                             x    ¨     ¨        ˙    ˙    ˙                 ˙    ˙

Igualando, as componentes vetoriais fornecem
                                                            
                                                m¨ = −qB0 z 
                                                 x         ˙
                                                            
                                                            
                                                m¨ = 0
                                                 y                                           (2.73)
                                                            
                                                            
                                                            
                                                m¨ = qB0 x
                                                 z       ˙
                                                            

Integrando a segunda destas equa¸˜es, m¨ = 0 temos:
                                co     y

                                                    y = y0
                                                    ˙   ˙

Onde y0 ´ uma constante e ´ o valor inicial de y. Integrando a segunda em fun¸˜o do tempo,
       ˙ e                e                     ˙                            ca
fornece:
                                        y = y0 t + y0
                                             ˙
onde y0 tamb´m ´ uma constante.
             e e
     Para integrar a 1o e a ultima equa¸˜o da Equa¸˜o 2.73, admitimos α = qB0 /m, assim ent˜o
                            ´          ca         ca                                       a

                                                  x = −αz
                                                  ¨     ˙
                                                                                             (2.74)
                                                   z = αx
                                                   ¨    ˙

Estas duas simultˆneas equa¸˜es diferenciais podem facilmente ser desembreadas por uma diferen-
                  a         co
cia¸˜o e substituindo na outra, fornecendo
   ca
                                        ...
                                         z = α¨ = −α2 z
                                              x       ˙
                                        ...
                                        x = −α¨ = −α2 x
                                                z       ˙

assim ent˜o
         a
                                                 ...        
                                                  z = −α2 z 
                                                          ˙
                                                 ...                                         (2.75)
                                                 x = −α2 x
                                                         ˙
Ambas destas equa¸˜es diferenciais tˆm-se a mesma forma de solu¸˜o. Usando a t´cnica do exemplo
                 co                 e                          ca             e
C.2 do apˆndice C, temos
         e

                                         x = A cos αt + B sin αt + x0
                                         z = A cos αt + B sin αt + z0

Onde A,A ,B,B , x0 e z0 s˜o constantes de integra¸˜o que s˜o determinadas pela posi¸˜o inicial e
                          a                         ca       a                     ca
velocidade da part´
                  ıcula e pelas equa¸˜es de movimento, Equa¸˜o 2.74. Estas solu¸˜es podem ser
                                     co                         ca             co
reescritas
                                                                 
                                 (x − x0 ) = A cos αt + B sin αt 
                                                                 
                                                                 
                                                                 
                                 (y − y0 ) = y0 t
                                             ˙                                          (2.76)
                                                                 
                                                                 
                                                                 
                                 (z − z0 ) = A cos αt + B sin αt
                                                                 

As coordenadas x e z s˜o relacionadas pela Equa¸˜o 2.74, assim substituindo as Equa¸˜es ?? na
                      a                        ca                                  co
primeira equa¸˜o da Equa¸˜o 2.74 determinando
             ca          ca

                           −α2 A cos αt − α2 B sin αt = −α(−αA sin αt + B cos αt)            (2.77)

Projeto AIUTA – Mecˆnica Cl´ssica I
                   a       a                                                            (UNIFRA–2004)
2.4. A EQUACAO DO MOVIMENTO PARA UMA PART´
                                                              ¸˜                            ICULA   ---   71


Porque a Equa¸˜o 2.77 ´ v´lida para todo t, em particular t = 0 e t = π/2α, Equa¸˜o 2.77 produz
             ca       e a                                                       ca

                                               −α2 A = −α2 B
que ´
    e

                                                    A=B
e

                                                −α2 B = α2 A
fornece

                                                   B = −A
n´s agora temos
 o
                                                                       
                                      (x − x0 ) = A cos αt + B sin αt 
                                                                       
                                                                       
                                      (y − y0 ) = y0 t
                                                  ˙                                                 (2.78)
                                                                       
                                                                       
                                                                       
                                      (z − z0 ) = −B cos αt + A sin αt
                                                                       

se t = 0, z = z0 e x = 0, ent˜o da Equa¸˜o 2.78, diferenciando e armando t = 0, fornece
          ˙   ˙    ˙         a         ca

                                                    αB = 0
e

                                                    αA = z0
                                                         ˙
ent˜o
   a
                                                           z0
                                                           ˙
                                             (x − x0 ) =      cos αt
                                                           α
                                             (y − y0 ) = y0 t
                                                         ˙
                                                           z0
                                                           ˙
                                             (z − z0 ) =      sin αt
                                                           α
Finalmente,                                                               
                                                    z0 m
                                                    ˙             qB0 t
                                       x − x0 =             cos           
                                                                          
                                                    qB0            m
                                                                          
                                                                          
                                                                          
                                                                          
                                                                          
                                                                          
                                      (y − y0 ) = y0 t
                                                  ˙                                                 (2.79)
                                                                        
                                                                        
                                                                        
                                                    z0 m
                                                    ˙             qB0 t 
                                                                        
                                        z − z0 =            sin
                                                                        
                                                                        
                                                                        
                                                    qB0            m
Estas s˜o equa¸˜es parametrizadas da h´lice circular de raio z0 m/qB0 . Assim, o mais r´pido que a
        a       co                       e                   ˙                         a
part´ıcula entra no campo ou a maior massa, o lado do raio da h´lice. E a maior carga da part´
                                                                e                             ıcula
ou o mais forte campo magn´tico, e pequena h´lice. Note tamb´m como a part´
                                e                 e               e                ıcula carregada
´ capturada pelo campo magn´tico - justamente flutuando ao longo da dire¸˜o do campo. Neste
e                                e                                           ca
exemplo, a part´ ıcula n˜o tem nenhuma componente inicial da velocidade ao longo do eixo x, mas
                        a
mesmo se tivesse ela n˜o flutuaria ao longo do eixo (veja problema 2-31). Finalmente, note que a
                        a
for¸a magn´tica da part´
   c        e             ıcula sempre atua perpendicular a uma velocidade e desde j´ n˜o pode ser
                                                                                    a a
acelerada. A Equa¸˜o 2.79 verifica este fato.
                    ca

Projeto AIUTA – Mecˆnica Cl´ssica I
                   a       a                                                                (UNIFRA–2004)
72   ---   2 / MECANICA NEWTONIANA – PART´
                  ˆ                            ´
                                         ICULA UNICA



     O campo magn´tico da Terra n˜o ´ t˜o simples quanto o campo uniforme deste exemplo. No
                    e               a e a
entanto este exemplo fornece uma percep¸˜o de um dos mecanismos pelo qual o campo magn´tico
                                         ca                                                  e
da terra prende raios c´smicos de baixa energia e o vento solar para criar zonas de Van Allen.
                       o
−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−

2.5                         ¸˜
        TEOREMAS DE CONSERVACAO

Agora retornamos a uma discuss˜o detalhada da mecˆnica Newtoniana de uma unica part´
                                   a                      a                        ´          ıcula
para derivar-mos teoremas importantes quanto a grandezas conservativas. Devemos enfatizar que
n˜o estamos provando a conserva¸˜o de v´rias grandezas. Estamos simplesmente deduzindo as
 a                                  ca         a
consequˆncias das leis de Newton na dinˆmica. Estas implica¸˜es podem ser testadas em experi-
        e                                    a                    co
mentos e suas verifica¸˜es ent˜o podem confirmar as leis da dinˆmica. O fato ´ que esses teoremas
                       co       a                                  a          e
de conserva¸˜o tˆm realmente sido v´lidos em muitos exemplos e fornecem uma importante prova
            ca e                       a
da exatid˜o das leis de Newton, pelo menos na f´
          a                                       ısica cl´ssica.
                                                          a
     O primeiro teorema de conserva¸˜o de interesse ´ o momento linear de uma part´
                                        ca              e                                ıcula. Se
a part´
      ıcula ´ livre, isto ´, se a part´
            e             e           ıcula n˜o est´ sujeita a nenhuma for¸a, ent˜o a Equa¸˜o 2.2
                                               a   a                      c      a         ca
fica simplesmente p = 0. Portanto, p ´ um vetor constante no tempo, e o primeiro teorema de
                    ˙                      e
conserva¸˜o ´
         ca e

I.    O momento linear total p da part´
                                      ıcula ´ conservado quando a for¸a total ´ zero.
                                            e                        c        e

      Observe que este resultado ´ derivado de uma equa¸˜o vetorial, p = 0, e portanto ´ aplicada
                                 e                     ca            ˙                 e
para cada componente do momento linear. Para expressar o resultado de outra forma, seja s algum
vetor constante tal que F · s = 0, independente do tempo.
Ent˜o
    a
                                         p·s=F·s=0
                                          ˙
ou, integrando com rela¸˜o ao tempo,
                       ca

                                              p · s = constante                              (2.80)

o qual afirma que o componente do momento linear na dire¸˜o em que a for¸a torna-se nulo, ´
                                                       ca              c                  e
constante no tempo.
     O momento angular L de uma part´ ıcula com rela¸˜o a origem, da qual um vetor posi¸˜o
                                                    ca                                 ca
r ´ medido, ´ definido por
  e         e
                                      L≡r×p                                        (2.81)
      O torque ou o momento de uma for¸a N com rela¸˜o a mesma origem, ´ definido como
                                      c            ca                  e

                                                 N≡r×F                                       (2.82)

onde r ´ o vetor posi¸˜o da origem at´ o ponto onde a for¸a F ´ aplicada. Como F = mv para a
       e              ca             e                   c    e                     ˙
part´
    ıcula, o torque torna-se
                                     N = r × mv = r × p
                                                ˙        ˙
Agora
                                      ˙  d
                                      L = (r × p) = (˙ × p) + (r × p)
                                                     r             ˙
                                         dt
mas
                                       r × p = r × mv = m(˙ × r) ≡ 0
                                       ˙       ˙          r ˙
ent˜o
   a
                                              ˙
                                              L=r×p=N
                                                  ˙                                          (2.83)

Se n˜o h´ torque agindo na part´
    a a                                                     a ˙
                               ıcula (isto ´, se N = 0), ent˜o L = 0 e L ´ um vetor constante no
                                           e                             e
tempo. O segundo teorema importante da conserva¸˜o ´
                                                   ca e

Projeto AIUTA – Mecˆnica Cl´ssica I
                   a       a                                                            (UNIFRA–2004)
¸˜
                                                                                    2.5. TEOREMAS DE CONSERVACAO   ---   73


II. O momento angular de uma part´
                                 ıcula n˜o sujeita a torque ´ conservada.
                                        a                   e

     Lembramos que o estudante que uma escolha criteriosa da origem de um sistema de coorde-
nadas frequentemente possibilitar´ que um problema seja resolvido muito mais facilmente do que
                                   a
uma escolha da origem de forma casual. Por exemplo, o torque ser´ zero no sistema de coordenadas
                                                                  a
cujo centro est´ localizado na dire¸˜o da resultante da for¸a. O momento angular ser´ conservado
               a                   ca                      c                        a
nesse caso.
     Se o trabalho realizado sobre uma part´  ıcula por uma for¸a F transformando a part´
                                                                c                        ıcula de
uma Condi¸˜o 1 para a Condi¸˜o 2, ent˜o este trabalho ´ definido como sendo
            ca                 ca        a                 e

                                                                       2
                                                     W12 ≡                 F · dr                                  (2.84)
                                                                   1


Se F ´ a for¸a resultante l´
     e      c              ıquida agindo na part´
                                                ıcula,


                                            dv dr            dv
                                F · dr = m      ·    dt = m     · vdt
                                            dt dt            dt
                                          m d              m d 2
                                        =      (v · v)dt =       (v )dt = d( 1 mv 2 )
                                                                             2                                     (2.85)
                                          2 dt              2 dt
A integra¸˜o da Equa¸˜o 2.84 ´, assim, uma diferencial exata, e o trabalho feito pela for¸a total F
         ca           ca       e                                                         c
agindo na part´
              ıcula ´ igual a varia¸˜o da sua energia cin´tica:
                    e              ca                    e
                                                           2

                                      W12 =   ( 2 mv 2 )
                                                1                     2    2
                                                               = 1 m(v2 − v1 ) = T2 − T1
                                                                 2                                                 (2.86)
                                                           1

           1
onde T ≡ 2 mv 2 ´ a energia cin´tica da part´
                  e                  e             ıcula. Se T1 > T2 ent˜o W12 < 0, a part´
                                                                           a                ıcula realiza
                                e                           e      ´
trabalho resultando no decr´scimo de sua energia cin´tica. E importante ressaltar que a for¸a F     c
da Equa¸˜o 2.85 ´ a for¸a total (isto ´, resultante l´
         ca        e       c               e              ıquida das for¸as) sobre a part´
                                                                          c              ıcula.
      Vamos agora examinar a integral que aparece na Equa¸˜o 2.84 de um ponto de vista diferente.
                                                                 ca
Em muitos problemas f´    ısicos, a for¸a F tem a propriedade que o trabalho requerido para mover a
                                       c
part´
    ıcula de uma posi¸˜o para outra sem nenhuma mudan¸a na energia cin´tica depende somente
                        ca                                       c                e
da posi¸˜o inicial e final e n˜o da trajet´ria tomada pela part´
        ca                        a           o                        ıcula. Por exemplo, assumindo o
trabalho feito para mudar a part´   ıcula do ponto 1, na Figura 2-13, para o ponto 2 ´ independente das
                                                                                      e
trajet´rias reais a, b ou c. Esta propriedade ´ demonstrada, por exemplo, pelo campo gravitacional
      o                                         e
constante. Assim, se a part´  ıcula de massa m ´ levantada por uma altura h (por qualquer trajet´ria),
                                                e                                                  o
ent˜o um trabalho mgh foi realizado sobre a part´
   a                                                   ıcula, e a part´
                                                                      ıcula pode fazer um trabalho igual
retornando para a sua posi¸˜o original.
                              ca




                                                       FIGURA 2-13



Projeto AIUTA – Mecˆnica Cl´ssica I
                   a       a                                                                               (UNIFRA–2004)
74   ---   2 / MECANICA NEWTONIANA – PART´
                  ˆ                            ´
                                         ICULA UNICA



     Esta capacidade de realizar trabalho ´ chamada energia potencial da part´
                                          e                                     ıcula.
     Podemos definir a energia potencial da part´ıcula em termos do trabalho (feito pela for¸a F)
                                                                                           c
requerido para transportar a part´ıcula de um ponto 1 para um ponto 2 (sem troca l´    ıquida na
energia cin´tica):
           e
                                                         2
                                                             F · dr = U1 − U2                             (2.87)
                                                     1
O trabalho feito para mover a part´  ıcula ´ simplesmente a diferen¸a na energia potencial U nos
                                           e                        c
dois pontos. Por exemplo, se levantamos uma maleta de uma posi¸˜o 1 no ch˜o at´ uma posi¸˜o
                                                                    ca          a    e          ca
2 sob uma mesa, n´s como agente externo realizamos trabalho contra a for¸a da gravidade. Seja
                   o                                                          c
a for¸a F da Equa¸˜o 2.87 a for¸a da gravidade, quando levantamos a maleta, F · dr se torna
     c             ca             c
negativo. O resultado da integra¸˜o na Equa¸˜o 2.87 ´ U2 − U1 negativo, ent˜o a energia potencial
                                ca            ca       e                      a
na posi¸˜o 2 sob a mesa ´ maior que a da posi¸˜o 1 no ch˜o. A mudan¸a na energia potencial
       ca                 e                       ca          a             c
U2 −U1 ´ o negativo do trabalho feito pela for¸a gravitacional, como pode ser visto multiplicando-se
        e                                     c
ambos os lados da Equa¸˜o 2.87 por −1. Como agente externo, fazemos trabalho positivo (contra
                        ca
a gravidade) para elevar a energia potencial da maleta.
     A Equa¸˜o 2.87 pode ser reproduzida∗ se escrevemos F como gradiente da fun¸˜o escalar U :
             ca                                                                      ca

                                                 F = −grad U = − U                                        (2.88)

Ent˜o
   a
                                    2                    2                        2
                                        F · dr = −           ( U ) · dr = −           dU = U1 − U2        (2.89)
                                1                    1                        1
      Na maioria dos sistemas de interesse, a energia potencial ´ fun¸˜o da posi¸˜o e, possivelmente,
                                                                e    ca         ca
do tempo: U = U (r) ou U = U (r, t). N˜o consideramos casos em que a energia potencial ´ fun¸˜o
                                           a                                                 e   ca
da velocidade† .
       ´
      E importante perceber que a energia potencial ´ definida apenas dentro de uma constante
                                                        e
aditiva; isto ´, a for¸a definida por − U n˜o ´ diferente daquela definida por − (U + constante).
              e       c                      a e
Portanto a energia potencial n˜o tem um significado absoluto; apenas diferen¸as de energia poten-
                                 a                                             c
cial s˜o fisicamente significativas (como na Equa¸˜o 2.87).
      a                                             ca
      Se escolhemos um certo sistema de referˆncia inercial para descrever um processo mecˆnico,
                                                 e                                             a
as leis do movimento s˜o as mesmas como em qualquer outro sistema de referˆncia em movimento
                         a                                                      e
uniforme relativo ao sistema de referˆncia original. A velocidade de uma part´
                                         e                                          ıcula ´ em geral
                                                                                          e
diferente dependendo de qual sistema de referˆncia inercial escolhemos como base para descrever
                                                  e
o movimento. Ent˜o achamos que ´ imposs´ atribuir uma energia cin´tica absoluta para uma
                     a                e        ıvel                         e
part´ıcula do mesmo jeito que ´ imposs´ atribuir um significado absoluto para a energia potencial.
                               e        ıvel
Ambas limita¸˜es s˜o resultado do fato que a escolha de uma origem do sistema de coordenadas
                co    a
usada para descrever processos f´  ısicos ´ sempre arbitr´ria. James Clerk Maxwell (1831 - 1879)
                                           e              a
resumiu a situa¸˜o como sendo‡ :
                  ca
       Devemos, portanto, considerar a energia de um sistema material como a grandeza
       a que devemos determinar o acr´scimo ou diminui¸˜o enquanto o sistema passa de
                                        e               ca
       uma condi¸˜o definida a outra. O valor absoluto de energia na condi¸˜o padr˜o ´
                 ca                                                         ca      a e
       desconhecida por n´s, e isso n˜o teria importˆncia se fosse conhecida, como todos
                         o            a             a
       fenˆmenos dependem da varia¸˜o de energia e n˜o de seu valor absoluto.
          o                         ca               a
     Agora, definimos a energia total de uma part´
                                                ıcula como a soma das energias cin´tica e
                                                                                  e
potencial:
                                       E ≡T +U                                    (2.90)
   ∗ A condi¸˜o necess´ria e suficiente que permite uma fun¸˜o vetorial ser representada pelo gradiente de uma
             ca         a                                      ca
fun¸˜o escalar ´ que o rotacional da fun¸˜o vetorial se anule identicamente.
   ca           e                       ca
    † Potenciais dependentes da velocidade s˜o necess´rios em certas situa¸˜es, e.g., no eletromagnetismo (os cha-
                                            a          a                   co
mados potenciais de Li´nard-Wiechert)
                       e
    ‡ J. C. Maxwell, Matter and Motion (Cambridge, 1877), p.91.



Projeto AIUTA – Mecˆnica Cl´ssica I
                   a       a                                                                         (UNIFRA–2004)
¸˜
                                                                  2.5. TEOREMAS DE CONSERVACAO   ---   75


A derivada total na vari´vel tempo de E ´
                        a               e
                                            dE   dT   dU
                                               =    +                                            (2.91)
                                            dt   dt   dt
Para obter as derivadas temporais que aparecem ` direita da equa¸˜o, primeiro notemos que a
                                               a                ca
Equa¸˜o 2.85 pode ser escrita como:
     ca
                                                   1
                                        F · dr = d( mv 2 ) = dT                                  (2.92)
                                                   2
Dividindo por dt,
                                          dT     dr
                                             =F·    =F·r
                                                       ˙                                         (2.93)
                                          dt     dt
Temos tamb´m
          e
                                        dU         ∂U dxi   ∂U
                                           =              +
                                        dt     i
                                                   ∂xi dt   ∂t
                                                   ∂U       ∂U
                                           =           xi +
                                                       ˙
                                               i
                                                   ∂xi      ∂t
                                                          ∂U
                                           = ( U) · r +
                                                    ˙                                            (2.94)
                                                          ∂t
Substituindo as Equa¸˜es 2.93 e 2.94 na 2.91, encontramos
                    co
                                      dE                       ∂U
                                         = F · r + ( U) · r +
                                               ˙          ˙
                                      dt                       ∂t
                                                            ∂U
                                         = (F + U ) · r +
                                                      ˙
                                                            ∂t
                                           ∂U
                                         =                                                       (2.95)
                                            ∂t
como o termo F + U desaparece em visto da defini¸˜o de energia potencial (Equa¸˜o 2.88) se a
                                                       ca                            ca
for¸a total for uma for¸a conservativa F = − U .
   c                   c
     Se U n˜o for uma fun¸˜o expl´
             a             ca      ıcita do tempo (i.e., se ∂U/∂t = 0; lembre que n˜o consideramos
                                                                                   a
potenciais dependentes da velocidade), o campo de for¸a representado por F ´ conservativo. Sob
                                                        c                     e
estas condi¸˜es temos o terceiro teorema importante da conserva¸˜o:
            co                                                     ca
III. A energia total E de uma part´
                                  ıcula em um campo de for¸as conservativo ´ constante no
                                                          c                e
    tempo.
       Deve ser repetido que n˜o provamos as leis de conserva¸˜o do momento linear, momento
                               a                                ca
angular, e energia. Apenas derivamos v´rias consequˆncias das leis de Newton; isto ´, se estas leis
                                         a             e                              e
s˜o v´lidas em uma certa situa¸˜o, ent˜o momento e energia ser˜o conservados. Mas nos tornamos
 a a                            ca     a                        a
t˜o apaixonados por estes teoremas de conserva¸˜o que os elevamos ao n´ de leis e insistimos
 a                                                  ca                      ıvel
que eles s˜o v´lidos em qualquer teoria f´
           a a                             ısica, at´ mesmo aquelas aplicadas a situa¸˜es em que a
                                                    e                                co
mecˆnica Newtoniana n˜o ´ v´lida, como por exemplo, na intera¸˜o de cargas em movimento ou em
     a                  a e a                                   ca
sistemas de mecˆnica quˆntica. Ainda n˜o temos leis de conserva¸˜o para estas situa¸˜es, mas sim
                 a       a               a                        ca                  co
postulados da conserva¸˜o que for¸amos sobre a teoria. Por, exemplo, se temos duas cargas el´tricas
                       ca          c                                                        e
isoladas em movimento, as for¸as eletromagn´ticas entre elas n˜o s˜o conservativas. Portanto,
                                 c               e                a a
dotamos o campo eletromagn´tico de uma certa quantidade de energia para que a conserva¸˜o de
                              e                                                             ca
energia seja v´lida. Este procedimento ´ satisfat´rio apenas se as consequˆncias n˜o contradizem
               a                         e          o                       e       a
nenhum fato experimental, e este ´ o caso das cargas em movimento. Ent˜o estendemos o conceito
                                   e                                      a
usual de energia para incluir “energia eletromagn´tica” e satisfazer nossa pr´-concebida no¸˜o de
                                                     e                        e             ca
que a energia deve ser conservada. Pode parecer um arbitr´rio e dr´stico passo a se dar, mas nada,
                                                           a       a
que foi dito, sucedeu com tanto sucesso, e estas “leis” da conserva¸˜o foram o mais bem sucedido
                                                                   ca

Projeto AIUTA – Mecˆnica Cl´ssica I
                   a       a                                                             (UNIFRA–2004)
76   ---    2 / MECANICA NEWTONIANA – PART´
                   ˆ                            ´
                                          ICULA UNICA



conjunto de princ´ıpios da f´
                            ısica. A recusa em abandonar a conserva¸˜o de energia e momento
                                                                      ca
levaram Wolfgang Pauli (1900-1958) a postular em 1930 a existˆncia do neutrino para ajustar as
                                                                e
             ˜
contas que nAo “fechavam” para energia e momento no decaimento radiativo β. Este postulado
permitiu a Enrico Fermi (1901 - 1954) construir uma grande teoria do decaimento β em 1934,
mas a observa¸˜o direta do neutrino n˜o foi feita at´ 1953, quando Reines e Cowan realizaram seu
              ca                      a             e
famoso experimento∗ . Aderindo a convic¸˜o que energia e momento devem ser conservados, uma
                                         ca
nova part´
         ıcula elementar foi descoberta, que ´ de grande importˆncia nas teorias modernas....
                                             e                  a

E X E M P L O 2.11−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−

Um ratinho de massa “m” joga-se sobre a borda externa de uma p´ de um ventilador
                                                               a
de teto girando livremente com momento de in´rcia “I” e raio “R”. De qual raz˜o ´
                                            e                                a e
alterada a velocidade angular?

Solu¸˜o: O momento angular deve ser conservado durante o processo. Usaremos o conceito
     ca
de momento de in´rcia aprendido na f´
                  e                   ısica elementar para relacionar momento angular L com a
velocidade angular ω : L = Iω. O momento angular inicial L0 = Iω0 deve ser igual ao momento
angular L (ventilador mais ratinho) ap´s o ratinho ter se jogado sobre o ventilador. A velocidade
                                      o
da borda externa da p´ ´ v = ωR.
                      ae

                                                                    v
                                                L = Iω + mvR =        (I + mR2 )
                                                                    R

                                                L = L0 = Iω0

                                      v                v0
                                        (I + mR2 ) = I
                                      R                R

                                                v        I
                                                   =
                                                v0   I + mR2


e
                     ω        I
                        =
                     ω0   I + mR2
−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−

2.6     ENERGIA

O conceito de energia era mais popular na ´poca de Newton que atualmente. Mais tarde estu-
                                            e
daremos duas novas formula¸˜es da dinˆmica, diferentes da de Newton e baseada na energia – o
                            co         a
m´todo Lagrangiano e o Hamiltoniano.
  e
      Por volta do s´culo XIX, tornou-se claro que o calor era outra forma de energia e n˜o uma
                    e                                                                      a
forma de fluido(chamado “cal´rico”) que fluia entre corpos quente e frio. Conde Rumford† , a quem
                             o
´ dado o cr´dito, que a grande quantidae de alor gerada na perfura¸˜o dos canh˜es era causada
e           e                                                       ca            o
pelo atrito e n˜o pelo chamado cal´rico. A energia produzida pelo atrito ´ apenas ´ a energia
                a                  o                                        e          e
calor´
     ıfica, troc´vel com a energia mecˆnica, e assim a conserva¸˜o total de energia ´ satisfeita.
               a                     a                        ca                    e
     ∗ C.
        L. Cowan, F. Reines, F. B. Harrison, H. W. Kruse, e A. D. McGuire, Science, 124, 103 (1956).
     † Benjamim  Thompson (1753 - 1814) nascido em Massachusetts e emigrado para Europa em 1776 como um
ref´gio legalista. Em meio as atividades deste militar destacado e, depois, na carreira cient´
   u                                                                                         ıfica, ele superviosonou
a perfura¸˜o dos canh˜es como chefe do departamento de guerra da Bavaria
          ca          o


Projeto AIUTA – Mecˆnica Cl´ssica I
                   a       a                                                                          (UNIFRA–2004)
2.6. ENERGIA   ---   77


      Por todo o s´culo XIX, cientistas realizaram experimentos sobre conserva¸˜o de energia,
                    e                                                             ca
resultando na importˆncia que ela tem atualmente. Hermann von Helmholtz (1821 - 1894) formulou
                      a
a lei geral da conserva¸˜o de energia em 1847. Baseado na conclus˜o do experimento calorim´trico
                       ca                                         a                          e
de James Perscott Joule (1818 - 1889) que iniciou em 1840.
      Considere uma part´ ıcula pontual sob influˆncia de uma for¸a conservativa com potencial U .
                                                e               c
A conserva¸˜o de energia (na realidade, energia mecˆnica, para ser exato neste caso) est´ refletida
            ca                                      a                                   a
na Equa¸˜o 2.90.
         ca
                                                  1
                                    E = T + U = mv 2 + U (x)                                (2.96)
                                                  2
onde consideramos somente o caso unidimensional. Podemos reescrever a Equa¸˜o 2.96 como
                                                                               ca

                                                  dx         2
                                         v(t) =      =±        [E − U (x)]                               (2.97)
                                                  dt         m
e integrando
                                                       x
                                                               ±dx
                                          t − t0 =                                                       (2.98)
                                                            2
                                                      x0
                                                            m [E   − U (x)]
onde x = x0 e t = t0 . Temos formalmente a solu¸˜o para o caso unidimensional na Equa¸˜o 2.98;
                                                        ca                                             ca
isto ´, encontramos x(t). Todo o restante ´ inserido no potencial U (x) da Equa¸˜o 2.98 e integrado,
     e                                         e                                          ca
usando c´lculos num´ricos se necess´rio. Estudaremos mais adiante com alguns detalhes o potencial
           a            e                a
       1
U = 2 kx2 para oscila¸˜es harmˆnicas e U = −k/x para a for¸a gravitacional.
                          co          o                                 c
       Podemos ter uma boa id´ia a respeito do movimento de uma unica part´
                                    e                                         ´            ıcula examinando o
gr´fico de um exemplo de U (x) conforme mostra a Figura 2-14. Primeiro, nota-se que, devido
   a
a 1 mv 2 = T ≥ 0, E ≥ U (x), para algum movimento f´
   2                                                              ısico real. Vˆ-se na Figura 2-14 que o
                                                                                  e
movimento ´ ligado∗ para as energias E1 e E2 . Para E1 , o movimento ´ peri´dico, entre os pontos
              e                                                                   e    o
de retorno xa e xb . Similarmente, para E2 o movimento tamb´m ´ peri´dico, por´m h´ duas
                                                                            e e       o             e    a
poss´ıveis regi˜es: xc ≤ x ≤ xd e xe ≤ x ≤ xf . A part´
                o                                             ıcula n˜o pode “saltar” de uma “cavidade”
                                                                        a
para outra; uma vez numa cavidade, a part´        ıcula permanecer´ nela para sempre se a a sua energia
                                                                       a
for sempre E2 . O movimento para uma part´          ıcula com energia E0 tem um unico valor, x = x0 . A
                                                                                      ´
part´ıcula est´ em repouso com T = T0 [E0 = U (x0 )].
               a
       O movimento para a part´       ıcula de energia E3 ´ simples: a part´
                                                            e                    ıcula vem do infinito, p´ra  a
em x = xg e retorna para o infinito–muito semelhante a uma bola de tˆnis arremessada contra
                                                                                    e
uma parede. Para a energia E4 , o movimento ´ n˜o-ligado e a part´
                                                       e a                     ıcula pode estar em qualquer
posi¸˜o. Sua velocidade mudar´ conforme se movimenta porque depende da diferen¸a entre E4
     ca                               a                                                             c
e U (x). Se a part´    ıcula se move para a direita, sua velocidade aumentatar´ e dimunuir´ mas
                                                                                           a              a
continuar´ movendo-se para o infinito.
            a
       O movimento da part´     ıcula E1 ´ semelhante ao de uma massa presa a uma mola. O potencial
                                          e
na regi˜o xa < x < xb pode ser aproximadamente U (x) = 1 k(x − x0 )2 . Uma part´
         a                                                         2                          ıcula com energia
em torno de E0 oscilar´ quase no ponto x = x0 . Estes pontos s˜o como um ponto de equil´
                           a                                              a                               ıbrio,
porque a part´  ıcula est´ no ponto x = x0 ela permanecer´ ali. O equil´
                          a                                    a              ıbrio pode ser est´vel, inst´vel
                                                                                                   a        a
ou neutro. O unico equil´
                 ´           ıbrio examinado ´ o est´vel porque se a part´
                                               e       a                      ıcula est´ localizada na regi˜o
                                                                                        a                     a
onde x = x0 dever´ finalmente retornar ao ponto. Podemos usar uma tigela esf´ricae e uma uma
                      a                                                                      e
bolinha de a¸o como um exemplo. Com a tigela na su posi¸˜o natural, a bola pode rolar de um
               c                                                       ca
ponto a outro no interior da tigela; mas finalemente ficar´ em repouso na sua base–em outros
                                                                      a
termos, h´ um equil´
            a           ıbrio est´vel. Se virarmos a tigela com borda superior para baixo e colocar
                                  a
a bola precisamente em de x = x0 (no topo da tigela), a bola estar´ em equil´    a             ıbrio. Se a bola
estiver localizada liegiramente fora do ponto x = x0 , ela rola para fora (descer´!!); chamamos este
                                                                                           a
equil´ıbrio de inst´vel. O equil´
                    a                ıbrio neutro ´ observado quando a bola estiver rolando sobre um
                                                   e
plano polido, numa superf´ horizontal.
                               ıcie
       Em geral, podemos expressar o potencial U (x) em s´ries de Taylor em torno do ponto de
                                                                     e
equil´ıbrio. Por simplicidade, assumimos o ponto de equil´           ıbrio para x = 0 em x = x0 (se n˜o,     a
    ∗ N.T.:   ligado aqui significa confinado a uma certa regi˜o do espa¸o.
                                                            a         c


Projeto AIUTA – Mecˆnica Cl´ssica I
                   a       a                                                                      (UNIFRA–2004)
78   ---   2 / MECANICA NEWTONIANA – PART´
                  ˆ                            ´
                                         ICULA UNICA




                                                     FIGURA 2-14




podemos redefinir o sistema de coordenadas para obtˆ-lo). Ent˜o temos
                                                  e         a

                                                dU           x2     d2 U              x3    d3 U
                          U (x) = U0 + x                 +                        +                    + ...        (2.99)
                                                dx           2!     dx2               3!    dx3
                                                     0                        0                    0

O subscrito zero indica que esta grandeza est´ sendo calculada em x = 0. A energia potencial
                                              a
U0 para x = 0 ´ simplesmente uma constante que podemos definir como sendo zero sem que haja
               e
qualquer tipo de perda ou generaliza¸˜o. Se x = 0 ´ um ponto de equil´
                                    ca            e                  ıbrio, ent˜o
                                                                               a

                                       dU
                                                =0                 Ponto de Equil´
                                                                                 ıbrio                             (2.100)
                                       dx
                                            0

e a Equa¸˜o 2.99 fica
        ca
                                                x2   d2 U              x3     d3 U
                                      U (x) =                      +                       + ...                   (2.101)
                                                2!   dx2               3!     dx3
                                                              0                        0

    Pr´ximo ao ponto de equil´
       o                       ıbrio x = 0, o valor do x ´ pequeno, e cada termo na Equa¸˜o 2.101 ´
                                                         e                              ca        e
muito menor do que o anterior. Por essa raz˜o, pegamos somente o primeiro termo na Equa¸˜o 2.101:
                                            a                                             ca

                                                             x2        d2 U
                                                 U (x) =                                                           (2.102)
                                                             2         dx2        0

                             ıbrio em x = 0 ´ est´vel ou inst´vel examinando o termo (d2 U/dx2 )0 .
Podemos determinar se o equil´              e a              a
Se o x = 0 o equil´
                  ıbrio ´ est´vel, U (x) deve ser maior (mais positivo) no outro lado de x = 0.
                        e    a
Como x2 ´ sempre positivo, as condi¸˜es para o equil´
        e                           co               ıbrio s˜o
                                                            a

                                         d2 U
                                                     >0           Equil´
                                                                       ıbrio Est´vel
                                                                                a
                                         dx2     0
                                                                                                                   (2.103)
                                         d2 U
                                                     <0           Equil´
                                                                       ıbrio Inst´vel
                                                                                 a
                                         dx2     0

Caso (d2 U/dx2 )0 for zero, os termos de ordem superior devem ser examinados(ver Problema 2-45
e 2-46).

Projeto AIUTA – Mecˆnica Cl´ssica I
                   a       a                                                                                   (UNIFRA–2004)
2.6. ENERGIA   ---   79


E X E M P L O 2.12 − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − −


Considerando um sistema de roldanas, massas e fios finos apresentado na Figura 2-15.
Um fio de comprimento b ´ fixado no ponto A, passando sobre uma roldana no ponto
                           e
B localizada a uma distˆncia 2d , e finalmente liga-se na massa m1 . Outra roldana com
                       a
massa m2 ´ fixada passando sobre o fio, puxando-o para baixo entre A e B. Calcule a
          e
distˆncia x1 quando o sistema est´ em equil´
    a                             a         ıbrio e determine se o equil´
                                                                        ıbrio ´ est´vel
                                                                              e    a
ou n˜o. Essas roldanas n˜o possuem massa.
     a                   a


Solu¸˜o: Podemos resolver este exemplo usando for¸as (i. e., quando x1 = 0 = x1 ) ou energia.
     ca                                            c                  ¨          ˙
Escolhemos o m´todo da energia, porque em equil´
               e                                 ıbrio a energia cin´tica ´ zero e necessitamos
                                                                    e     e
quantificar somente com a energia potencial quando a Equa¸˜o 2.100 ´ aplicada.
                                                          ca        e
      Admitindo U = 0 ao longo da linha AB.


                                         U = −m1 gx1 − m2 g(x2 + c)                               (2.104)


      Assumindo que a polia que suporta a massa m2 ´ pequena, ent˜o podemos ignorar o raio. A
                                                   e             a
distˆncia c na Figura 2-15 ´ constante.
    a                      e



                                x2 =   [(b − x1 )2 /4] − d2
                                 U = −m1 gx1 − m2 g     [(b − x1 )2 /4] − d2 − m2 gc




                                                  FIGURA 2-15




             ca                                       ca          ıbrio (x1 )0 ≡ x0 :
Por determina¸˜o dU/dx1 = 0, podemos determinar a posi¸˜o de equil´

Projeto AIUTA – Mecˆnica Cl´ssica I
                   a       a                                                                  (UNIFRA–2004)
80   ---   2 / MECANICA NEWTONIANA – PART´
                  ˆ                            ´
                                         ICULA UNICA




                                               dU                              m2 g(b − x0 )
                                                          = −m1 g +                              =0
                                               dx1    0                 4 [(b − x1 )2 /4] − d2

                       4m1      [(b − x1 )2 /4] − d2 = m2 (b − x0 )

                            (b − x0 )2 (4m2 − m2 ) = 16m2 d2
                                          1    2        1

                                                                       4m1 d
                                                     x0 = b −                                             (2.105)
                                                                      4m2 − m2
                                                                        1    2

Note que a real solu¸˜o existe somente quando 4m2 > m2 .
                    ca                           1      2
     Sob quais circunstˆncias a massa m2 ir´ puxar m1 at´ a polia B (i. e., x1 = 0)? Podemos
                       a                   a                e
usar a Equa¸˜o 2.103 para determinar se o equil´
           ca                                  ıbrio ´ est´vel ou n˜o:
                                                     e    a        a

                  d2 U              −m2 g                      m2 g(b − x1 )2
                       2 =                             +
                   dx1     4{[(b − x1 )2 /4] − d2 }1/2   16{[(b − x1 )2 /4] − d2 }3/2
Agora insira x1 = x0 .

                                               d2 U               g(4m2 − m2 )3/2
                                                                      1     2
                                                              =
                                               dx21       0           4m2 d
                                                                         2

A condi¸˜o para o equil´
       ca               ıbrio (movimento real) previamente foi para 4m2 > m2 , ent˜o o equil´
                                                                      1    2      a         ıbrio,
quando ele existe, ser´ est´vel, porque (d2 U/dx2 )0 > 0.
                      a    a
−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−

E X E M P L O 2.13 − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − −

Considere um potencial unidimensional
                                                              −Wd2 (x2 + d2 )
                                               U(x) =                                                     (2.106)
                                                                x4 + 8d4
                                                                   ´
Trace o potencial e discuta o movimento dos diversos valores de x. E um movimento
ligado ou n˜o ligado? Em um gr´fico, mostre onde est˜o os valores de equil´
            a                   a                     a                  ıbrio. S˜o
                                                                                 a
eles est´veis ou inst´veis? Encontre o ponto de giro para E = −W/8, sabendo-se que
        a            a
W ´ uma constante positiva.
    e

Solu¸˜o: Reescreva o potencial como
    ca
                                               U (x)   −(y 2 + 1)                        x
                                      Z(y) =         =                      onde y =                      (2.107)
                                                W       y4 + 8                           d
Primeiro, encontre os pontos de equil´
                                     ıbrio, considerando o potencial.
                                          dZ   −2y   4y 3 (y 2 + 1)
                                             = 4   +                =0
                                          dy  y +8    (y 4 + 8)2
Isto ´ reduzido para
     e
                                                 y(y 4 + 2y 2 − 8) = 0

                                                y(y 2 + 4)(y 2 − 2) = 0
                                                                       2
                                                                      y0 = 2, 0



Projeto AIUTA – Mecˆnica Cl´ssica I
                   a       a                                                                          (UNIFRA–2004)
2.6. ENERGIA   ---   81


Assim
                                        x01 = 0
                                                   
                                                   
                                                   
                                              √
                                                   
                                                   
                                        x02 = 2d                                          (2.108)
                                                   
                                                √ 
                                                   
                                        x03 = − 2d

Estes s˜o os trˆs pontos de equil´
       a       e                 ıbrio. Consideremos U (x)/W versus x/d na Figura 2-16.




                                        FIGURA 2-16



O equil´
       ıbrio ´ est´vel em x02 e x03 , mas inst´vel em x01 . O movimento ´ delimitado para todas
             e    a                           a                         e
energias E < 0. Por fim, determinamos todos os pontos de giro para energia E por coloca¸˜o   ca
E = U (x).
                                       W             −W (y 2 + 1)
                                E=−        = U (y) =                                   (2.109)
                                        8               y4 + 8


                                       y 4 + 8 = 8y 2 + 8

                                           y 4 = 8y 2
                                                     √
                                            y = ±2 2, 0                                   (2.110)
                                                   √       √
Os pontos de giro obtidos para E = −W/8, s˜o x = −2 2d e +2 2d, assim com x = 0 – quando
                                          a
o ponto de equil´
                ıbrio ´ inst´vel.
                      e     a
−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−

Projeto AIUTA – Mecˆnica Cl´ssica I
                   a       a                                                        (UNIFRA–2004)
82   ---   2 / MECANICA NEWTONIANA – PART´
                  ˆ                            ´
                                         ICULA UNICA



2.7    MOVIMENTO DE FOGUETES

A dinˆmica Newtoniana elementar possui uma aplica¸˜o interessante no Movimento de Foguetes.
      a                                               ca
Examinaremos dois casos, (1) movimento de foguetes no espa¸o livre e (2) ascens˜o vertical de
                                                               c                    a
foguetes sob efeito da gravidade. O primeiro caso exige uma aplica¸˜o da conserva¸˜o do momento
                                                                  ca             ca
linear. O segundo, requer aplica¸˜es mais complexas da Segunda Lei de Newton.
                                 co



Movimento de Foguetes no Espa¸o Livre
                             c

Aqui assumiremos que o foguete (espa¸onave) move-se sem influˆncia de for¸as externas. Escol-
                                       c                         e           c
hemos um sistema fechado no qual a Segunda Lei de Newton possa ser aplicada. No espa¸o livre
                                                                                          c
(espa¸o sideral) o movimento da espa¸onave depender´ totalmente de sua pr´pria energia. Ela se
     c                               c                a                      o
movimentar´ pela rea¸˜o ` massa ejetada com velocidade elevada, isto ´, para conservar o momento
             a        ca a                                            e
linear, a espa¸onave dever´ se mover na dire¸˜o oposta. O diagrama do movimento da espa¸onave
               c          a                 ca                                             c
´ mostrado na figura 2-17. Num tempo qualquer t, a massa total instantˆnea da espa¸onave ´ m
e                                                                         a           c      e
e a velocidade instantˆnea ´ v em rela¸˜o ao sistema de referˆncia inercial.
                      a     e         ca                     e




                                              FIGURA 2-17




     Assumiremos que haver´ movimento apenas na dire¸˜o x, desta forma eliminaremos a nota¸˜o
                             a                        ca                                  ca
vetorial. Durante o intervalo de tempo dt uma massa dm ser´ ejetada pelo sistema de propuls˜o
                                                           a                               a
do foguete com velocidade −u em rela¸˜o a espa¸onave. Imediatamente ap´s a massa dm ser
                                       ca        c                         o
ejetada, a massa da espa¸onave e sua velocidade ser˜o m − dm e v + dv, respectivamente.
                         c                         a


      Momento inicial = mv                                      (no tempo t)                   (2.111)

      Momento final = (v − dm )(v + dv)                 +    dm (v − u)     (no tempo t + dt)

                               Espa¸onave sem dm
                                   c                        Descarga do foguete dm             (2.112)


Observe que a velocidade de eje¸˜o da massa dm em rela¸˜o ao sistema de referˆncia ´ v − u. A
                               ca                      ca                    e     e
conserva¸˜o do momento linear exige que as Equa¸˜es 2.111 e 2.112 sejam iguais. N˜o h´ for¸as
        ca                                     co                                a a       c

Projeto AIUTA – Mecˆnica Cl´ssica I
                   a       a                                                             (UNIFRA–2004)
2.7. MOVIMENTO DE FOGUETES   ---   83


externas (Fext = 0).

                              pinicial = pfinal

                               p(t) = p(t + dt)
                                mv = (m − dm )(v + dv) + dm (v − u)                                   (2.113)
                                mv = mv + mdv − vdm − dm dv + vdm − udm
                               mdv = udm

                                           dm
                                  dv = u                                                              (2.114)
                                            m


Onde desprezamos o produto das duas diferenciais dm dv. Temos que considerar que dm seja uma
massa positiva ejetada da espa¸onave. A mudan¸a na massa da pr´pria espa¸onave ´ dm, onde
                              c               c                o         c       e

                                                          dm = −dm                                    (2.115)

e
                                                 dm
                                                         dv = −u                       (2.116)
                                                  m
porque dm deve ser negativo. Assumindo m0 e v0 como sendo a massa e velocidade inicial da
espa¸onave, respectivamente, e integrando a Equa¸˜o 2.116 para os valores finais de m e v.
    c                                           ca
                                                    v              m
                                                                       dm
                                                        dv = −u
                                                   v0             m0    m
                                                                   m0
                                                  v − v0 = u ln                                       (2.117)
                                                                   m
                                                                        m0
                                                        v = v0 + u ln                                 (2.118)
                                                                        m


A velocidade de exaust˜o u ´ considerada constante. Assim, para maximizar a velocidade da
                        a       e
espa¸onave, precisamos maximizar a velocidade de exaust˜o u e a raz˜o m0 /m.
     c                                                    a           a
      Sendo que a velocidade final da espa¸onave ´ limitada pela raz˜o m0 , os engenheiros tiveram
                                          c     e                  a m
que construir foguetes com multi-est´gios. A massa m´
                                      a                 ınima (sem combust´  ıvel) da espa¸onave ´
                                                                                          c      e
limitada pela estrutura do material. Contudo, se o tanque de combust´   ıvel puder ser dispensado
ap´s a queima, a massa restante da espa¸onave ser´ menor. A espa¸onave poder´ conter dois ou
   o                                      c        a                c              a
mais tanques de combust´  ıvel, podendo cada um deles ser descartados separadamente.
      Por exemplo, seja

                       m0   = Massa total inicial da espa¸onave
                                                         c
                       m1   = ma + mb
                       ma   = Massa do primeiro est´gio carregado
                                                     a
                       mb   = Massa do primeiro est´gio (tanque de combust´
                                                     a                     ıvel, etc.)
                       v1   = Velocidade final do primeiro est´gio na combust˜o
                                                              a              a
                              completa, ap´s todo combust´ ser queimado
                                           o                ıvel
                                             m0
                        v1 = v0 + u ln                                                                (2.119)
                                             m1
Ap´s a combust˜o completa a velocidade v1 do primeiro est´gio ´ alcan¸ada, e a massa mb ´
   o            a                                             a    e      c                  e
descartada no espa¸o. A seguir, o foguete do segundo est´gio ´ acionado com a mesma velocidade
                  c                                     a    e

Projeto AIUTA – Mecˆnica Cl´ssica I
                   a       a                                                                      (UNIFRA–2004)
84   ---   2 / MECANICA NEWTONIANA – PART´
                  ˆ                            ´
                                         ICULA UNICA



de exaust˜o, e temos ent˜o
         a              a

                   ma   = Massa total inicial da espa¸onave no segundo est´gio
                                                     c                    a
                   m2   = mc + md
                   mc   = Massa do segundo est´gio carregado
                                                a
                   md   = Massa do segundo est´gio (tanque de combust´
                                                a                      ıvel, etc.)
                   v1   = Velocidade inicial do segundo est´gio
                                                           a
                   v2   = Velocidade final do segundo est´gio ap´s combust˜o completa
                                                         a      o          a
                                        ma
                    v2 = v1 + u ln                                                         (2.120)
                                        m2
                                        m0 ma
                    v2 = v0 + u ln                                                         (2.121)
                                        m1 m2

       O produto (m0 ma /m1 m2 ) pode ser muito maior que somente (m0 /m1 ). Foguetes com multi-
est´gios s˜o mais comumente usados na decolagem sob a a¸˜o da gravidade do que no espa¸o
   a        a                                                ca                              c
livre.
       Vimos que as espa¸onaves s˜o impulsionadas como resultado da conserva¸˜o do momento
                         c        a                                             ca
linear. Mas os engenheiros e cientistas preferem se referir ao termo for¸a atrav´s da express˜o
                                                                        c        e           a
“propuls˜o” do foguete. Se multiplicarmos a Equa¸˜o 2.116 por m e dividirmos os dois lados por
          a                                       ca
dt ,temos
                                            dv      dm
                                          m    = −u                                     (2.122)
                                            dt       dt
Como no lado esquerdo da equa¸˜o “aparece” ma(for¸a), o lado direito ´ chamado de propuls˜o:
                             ca                  c                   e                   a

                                                                 dm
                                                Propuls˜o ≡ −u
                                                       a                                   (2.123)
                                                                 dt
Como dm/dt ´ negativo, a propuls˜o ser´ positiva.
           e                    a     a

      ˜                  ¸˜
ASCENSAO VERTICAL SOB A ACAO DA GRAVIDADE

O movimento real de um foguete tentando deixar o campo gravitacional da terra ´ muito compli-
                                                                                  e
cado. Para prop´sitos anal´
                o          ıticos, come¸amos fazendo v´rias simplifica¸˜es. O foguete ter´ somente
                                       c              a               co                a
movimento vertical, sem um componente horizontal. Desprezaremos a resistˆncia do ar e assumi-
                                                                            e
remos que a acelera¸˜o da gravidade ´ constante com a altura. Tamb´m assumiremos que a taxa
                    ca                e                                e
de queima de combust´  ıvel seja constante. Todos estes fatores que foram desprezados podem ser
inclu´ıdos em uma an´lise num´rica computacional.
                     a         e
       Podemos usar os resultados do caso anterior de movimento de foguete em um espa¸o livre,
                                                                                          c
por´m n˜o temos mais Fext = 0. A geometria est´ apresentada na Figura 2-18. Novamente temos
    e    a                                       a
dm positiva, com dm = −dm . A for¸a externa Fext ´
                                      c              e

                                                           d
                                                  Fext =      (mv)
                                                           dt
ou
                                      Fext dt = d(mv) = dp = p(t + dt) − p(t)              (2.124)
com respeito a um pequeno instante de tempo diferencial.
     Para o sistema da nave espacial, encontramos as equa¸˜es do momento linear final e inicial
                                                         co
nas Equa¸˜es 2.111–2.116. Agora usamos estes resultados na equa¸˜o 2.116 para obter
        co                                                     ca

                                          P (t + dt) − p(t) = mdv + udm                    (2.125)

Projeto AIUTA – Mecˆnica Cl´ssica I
                   a       a                                                           (UNIFRA–2004)
2.7. MOVIMENTO DE FOGUETES   ---   85




                                                      FIGURA 2-18



No espa¸o livre, Fext = 0, mas na ascens˜o, Fext = −mg. Combinando as Equa¸˜es 2.124 e 2.125
       c                                 a                                co
obtemos
                      Fext dt = − mg dt = m dv + u dm ⇒ −mg = mv + um
                                                                ˙    ˙              (2.126)
Como a taxa de queima de combust´ ´ constante,
                                ıvel e
                                                     dm
                                              m=
                                              ˙         = −α ,              α>0                            (2.127)
                                                     dt
a Equa¸˜o 2.126 se torna
      ca
                                                     α
                                                 dv = −g +
                                                       u dt                                 (2.128)
                                                    m
Esta equa¸˜o, entretanto, tem trˆs vari´veis desconhecidas (v, m, t), portanto, usamos a Equa¸˜o 2.127
         ca                     e      a                                                     ca
para eliminar o tempo, obtendo
                                                g   u
                                         dv =     −     dm                                  (2.129)
                                                α m
Assumindo que os valores inicial e final da velocidade sejam 0 e v, respectivamente e da massa m0
e m respectivamente, assim temos que
                                          v           m
                                                            g   u
                                              dv =            −   dm
                                      0              m0     α m

                                                      g                 m0
                                              v=−       (m0 − m) + u ln                                    (2.130)
                                                      α                 m
Podemos integrar a Equa¸˜o 2.127 para obter o tempo:
                       ca
                                                     m                  t
                                                          dm = −α           dt
                                                     m0             0


                                                 m0 − m = αt                                               (2.131)

A Equa¸˜o 2.130 se torna
      ca
                                                                    m0
                                                 v = −gt + u ln                                            (2.132)
                                                                    m

Projeto AIUTA – Mecˆnica Cl´ssica I
                   a       a                                                                           (UNIFRA–2004)
86   ---   2 / MECANICA NEWTONIANA – PART´
                  ˆ                            ´
                                         ICULA UNICA



     Podemos continuar com a Equa¸˜o 2.130 e integrar mais uma vez para determinar a altura
                                      ca
do foguete (problema 2-52). Tal integra¸˜o ´ tediosa e o problema ´ facilmente manejado por
                                          ca e                        e
m´todos computacionais. Mesmo com o fim da exaust˜o, o foguete continuar´ subindo porque
  e                                                      a                     a
ainda possui velocidade vertical de subida. Eventualmente, com as simplifica¸˜es precedentes, a
                                                                             co
for¸a gravitacional ir´ parar o foguete (porque assumimos a gravidade constante, sem diminuir
   c                  a
com a altura).
     Uma situa¸˜o interessante ocorre quando a velocidade de exaust˜o u n˜o ´ suficientemente
                ca                                                    a     a e
grande para fazer v na Equa¸˜o 2.132 ser positiva. Neste caso, o foguete permanecer´ no ch˜o.
                              ca                                                      a      a
Esta situa¸˜o ocorre por causa dos limites de integra¸˜o que assumimos na Equa¸˜o 2.130. Dever´
          ca                                         ca                       ca               ıa
ser necess´rio queimar combust´ suficiente antes que a propuls˜o do foguete o levantasse do ch˜o
          a                     ıvel                             a                            a
                       ´
(ver problema 2-54). E claro que foguetes n˜o s˜o projetados desta maneira; eles s˜o feitos para
                                             a a                                   a
alcan¸ar alturas desejadas a medida que os foguetes atingem taxa de queima m´xima.
     c                                                                        a

E X E M P L O 2.14 − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − −

Considere o primeiro est´gio de um foguete Saturno V usado pelo programa lunar
                           a
Apollo. A massa inicial ´ de 2.8 × 106 kg, e a massa de combust´
                             e                                      ıvel do primeiro
est´gio ´ de 2.1 × 106 kg. Assuma uma baixa propuls˜o de 37 × 106 N. A velocidade de
   a    e                                          a
exaust˜o ´ de 2, 600m/s. Calcule a velocidade final do primeiro est´gio ap´s a com-
       a e                                                         a       o
bust˜o. Usando o resultado do Problema 2-52 (Equa¸˜o 2.133). Logo ap´s, calcule a
     a                                              ca                   o
altura de combust˜o.
                   a

Solu¸˜o: Para a propuls˜o (Equa¸˜o 2.123), determinamos o valor da combust˜o:
    ca                 a       ca                                         a
                              dm   P ropulsao   37 × 106 N
                                 =            =            = −1.42 × 104 Kg/s
                              dt       −u       −2600m/s
A massa final do foguete ´ (2.8 × 106 kg − 2.1 × 106 kg) que ´ igual a 0.7 × 106 kg. Podemos usar a
                        e                                   e
Equa¸˜o 2.130 para determinarmos a velocidade do foguete durante a combust˜o (vb ):
    ca                                                                           a
                                      9.8m/s2 (2.1 × 106 kg)              2.8 × 106 kg
                          vb = −                             + 2600m/s ln
                                         1.42 × 104 kg/s                  0.7 × 106 kg

                          vb = 2.16 × 103 m/s


O momento da combust˜o tb , dado pela Equa¸˜o 2.131, ´
                    a                     ca         e
                                               m0 − m     2.1 × 106 kg
                                        tb =          =                 = 148s
                                                 α      1.42 × 104 kg/s
ou aproximadamente 2 1 min.
                      2
     Usamos o resultado do Problema 2-52 para obtermos a altura da combust˜o yb :
                                                                          a
                                                     1      mu        m0
                                           yb = utb − gt2 −    ln                              (2.133)
                                                     2 b    α         m

                                                          1
                            yb    = (2600m/s)(148s) − (9.8m/s2 ) · (148s)2
                                                          2
                                      (0.7 × 106 kg) · (2600m/s)    2.8 × 106 kg
                                    −                 4 kg/s
                                                                 ln
                                            1.42 × 10               0.7 × 106 kg
                            yb    = 9.98 × 104 m ≈ 100km
A altura real ser´ cerca de somente dois ter¸os deste valor.
                 a                          c
−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−

Projeto AIUTA – Mecˆnica Cl´ssica I
                   a       a                                                               (UNIFRA–2004)
2.7. MOVIMENTO DE FOGUETES       ---   87


E X E M P L O 2.15 − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − −

O ˆnibus espacial tem sido descrito como uma incr´
   o                                                   ıvel m´quina voando. Embora o
                                                             a
o
ˆnibus ´ tamb´m complexo para descrevermos completamente, podemos examinar
         e      e
a ascen¸˜o do lan¸amento fazendo algumas considera¸˜es. Dois sistemas prim´rios
        ca         c                                     co                       a
levantam a nave do ch˜o para a ´rbita. O principal mecanismo do ˆnibus espa-
                        a            o                                    o
cial (SSME) constitui-se de trˆs outros mecanismos interiores a nave, queimando
                                 e
hidrogˆnio l´
       e    ıquido (LH2 ) e oxigˆnio l´
                                e      ıquido (LO2 ) armazenados em um grande tanque
preso a parte externa para a nave decolar. O principal impulso prov´m de dois fogue-
                                                                      e
tes auxiliados por combust´ıveis s´lidos (SRB) presentes nos lados externos do tanque.
                                  o
Ambos sistemas realizam a queima durante os dois primeiros minutos de lan¸amento,
                                                                             c
depois que o combust´ ıvel no SRB ´ consumido as arma¸˜es SRB s˜o lan¸adas ao
                                       e                     co         a     c
                                                                                     1
mar (Figura 2-19) para serem resgatadas depois no oceano. Durante os pr´ximos 6 2
                                                                            o
minutos




FIGURA 2-19      Lan¸amento e ascen¸˜o do ˆnibus espacial, colocando a nave em ´rbita. O tempo est´ descrito entre
                     c               ca     o                                  o                  a
parˆnteses ao lado do evento (minutos:segundos).
   e




os SSMEs mantˆm o ˆnibus espacial em ascen¸˜o e fornecem a maior parte da velo-
                e    o                         ca
cidade horizontal necess´ria para entrar em ´rbita.
                        a                    o
     Embora n˜o seja totalmente correto, assumimos que o foguete est´ se movendo
              a                                                       a
verticalmente durante a queima do SRB (2 minutos) e calculamos a velocidade e altura
do ˆnibus. Tamb´m assumimos que durante os pr´ximos 6 1 minutos de vˆo o ˆnibus
   o             e                                o       2              o   o
est´ se movendo 45◦ para a horizontal, e calculamos sua velocidade orbital.
   a

Projeto AIUTA – Mecˆnica Cl´ssica I
                   a       a                                                                        (UNIFRA–2004)
88   ---   2 / MECANICA NEWTONIANA – PART´
                  ˆ                            ´
                                         ICULA UNICA



     Os dados espec´
                   ıficos para as trˆs principais partes do ˆnibus espacial para uma
                                   e                       o
 ıpica altura s˜o∗
t´             a

       Nave Espacial (atual spa¸onave/aeronave):
                               c

                   Massa com carga paga: 105, 000 Kg

       Tanque Externo (combust´ para SSME):
                              ıvel

                   Tanque cheio: 36, 000 Kg
                   Combust´ıveis LH2 e LO2 : 7.2 × 105 Kg
                   Massa total carregada: 7.56 × 105 Kg

       SRBs (dois):

                   Massa total quando vazio: 1.68 × 105 Kg
                   Combust´ S´lido: 1.01 × 106 Kg
                           ıvel o
                   Massa total carregada: 1.18 × 106 Kg

       Massa total do ˆnibus espacial abastecido no lan¸amento: 2.04 × 106 Kg
                      o                                c
       Propuls˜o de todos os SSMEs: 5.0 × 106 N
              a
       Propuls˜o de todos os SRBs: 23.6 × 106 N
              a
       Propuls˜o total no lan¸amento: 28.6 × 106 N
              a              c

Embora os SSMEs queimem em diferentes n´  ıveis de energia para manter a acelera¸˜o
                                                                                ca
inferior a 3g (porque existem limita¸˜es na estrutura da nave, n˜o por causa dos
                                    co                           a
astronautas), assumimos que os SSMEs queimam de maneira constande durante 8 1      2
minutos completos.

Solu¸˜o: Durante os 2 primeiros minutos, quando ambos sistemas mecˆnicos est˜o em aqueci-
     ca                                                                 a         a
mento, n˜o ´ errado se adicionarmos o impulso para ambos sistemas, para encontrar a dm/dt total,
         a e
e usar a Equa¸˜o 2.123 para encontrar uma velocidade m´dia de escapamento u.
              ca                                       e
     Primeiros 120 segundos:


                                 ∆m(SRB) = 1.01 × 106 Kg


                                               2
                              ∆m(SSM E) =         7.2 × 105 Kg = 1.7 × 105 Kg
                                              8.5


                                       dm    1.18 × 106 Kg
                                          =−               = −9800Kg/s
                                       dt         120s

Da Equa¸˜o 2.127, α = 9800Kg/s.
       ca

               a                                                               co      ˆ
   ∗ Os dados s˜o de K. M. Joels, G. P. Kennedy, e D. Larkin, O Manual de Opera¸˜es do Onibus Espacial (New

York: Ballantine, 1982).


Projeto AIUTA – Mecˆnica Cl´ssica I
                   a       a                                                                  (UNIFRA–2004)
2.7. MOVIMENTO DE FOGUETES   ---   89




                                                         Impulso   28.6 × 106 N
                                                    u=           =              = 2900m/s
                                                         −dm/dt     9800Kg/s


                                                   m0 = 2.04 × 106 Kg


                     Combust´ carbonizado = 1.18 × 106 Kg
                            ıvel


                                                    m = 0.86 × 106 Kg


Calculamos a velocidade de carboniza¸˜o usando a Equa¸˜o 2.130:
                                    ca               ca



                                      9.8m/s2 (1.18 × 106 Kg)                     2.04
                             v=                               + (2900m/s) ln
                                            9800Kg/s                              0.86


                             v = 1325m/s ≈ 2900M P H



A altura pode ser determinada pela Equa¸˜o 2.133:
                                       ca


                                             1
            v = 2900m/s(120s) −                9.8m/s2 (120s)2
                                             2


                                          (0.86 × 106 Kg) · (2900m/s)      2.04
                                      −                               ln          = 58Km ≈ 36miles
                                                   9800Kg/s                0.86



Os valores atuais na combust˜o comtleta do SRB est˜o em torno de v = 1300m/s e y = 45Km.
                            a                     a
     Com o tempo as arma¸˜es SRB s˜o lan¸adas ao mar, o ˆnibus inicia o giro em torno de si
                           co         a      c                o
preparando-se para entrar em ´rbita. Na dire¸˜o horizontal, o vˆo ocorre como se estivesse em
                              o                ca                o
um espa¸o livre (desprezando a resistencia do ar, a qual ´ pequena a uma altitude de 50Km). A
        c                                                e
propuls˜o dos SSMEs n˜o ´ suficiente para acelerar o ˆnibus verticalmente, mas mant´m o ˆnibus
       a               a e                           o                             e    o
para este pousar suavemente. Vamos assumir que agora o ˆngulo de ascen¸˜o ´ em m´dia 45◦ e
                                                            a             ca e       e
usar a Equa¸˜o 2.118 para calcular a velocidade horizontal.
            ca

                                       m0 (ap´s lan¸ar as arma¸˜es SRB): 6.9 × 105 Kg
                                             o     c          co

                                       Combust´ localizado no tanque externo: 5.5 × 105 Kg
                                              ıvel

                                      m (ap´s interromper SSME): 1.4 × 105 Kg
                                           o

Calculamos a velocidade de escapamento do SSME usando a Equa¸˜o 2.123:
                                                            ca

Projeto AIUTA – Mecˆnica Cl´ssica I
                   a       a                                                                     (UNIFRA–2004)
90   ---   2 / MECANICA NEWTONIANA – PART´
                  ˆ                            ´
                                         ICULA UNICA




                                                 impulso
                                           u=−
                                                  dm/dt


                                  dm             5.5 × 105 Kg
                                     (SSM E) = −         60s = −1400Kg/s
                                  dt              6.5min min


                                                −5 × 106 N
                                           u=              = 3550m/s
                                                −1400Kg/s

                                        uhorz = 3550m/s(cos 45◦ ) = 2500m/s


                                                               6.9
                                        uhorz = (2500m/s) ln
                                                               1.4


                                             = 4000m/s ≈ 8900MPH


     Ap´s esgotar todo o combust´ do tanque externo, os SSMEs desligam e o tanque externo
        o                        ıvel
´ lan¸ado ao mar. O sistema que manobra a nave consiste de dois mecanismos propulsores de
e    c
(27,000-N) , eventualmente colocando a nave na posi¸˜o correta da orbita com uma velocidade de
                                                   ca
aproximadamente 8,000 m/s e altitude de 400 Km.
−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−

2.8          ¸˜         ˆ
       LIMITACOES DA MECANICA NEWTONIANA

Neste cap´ ıtulo, introduzimos conceitos como posi¸˜o, tempo, momento e energia. Conclu´
                                                    ca                                      ımos
que todas s˜o grandezas mensur´veis e que podem ser especificadas com alguma precis˜o desejada,
            a                     a                                                    a
dependendo somente do grau de sofistica¸˜o dos instrumentos de medida. De certo, esta implica¸˜o
                                          ca                                                  ca
aparenta ser verificada em nossas experiˆncias com todos os objetos macrosc´picos. Em qualquer
                                          e                                  o
instante do tempo, por exemplo, podemos medir com grande precis˜o a posi¸˜o de, por exemplo,
                                                                    a       ca
um planeta em ´rbita em torno do sol. Uma s´rie de tais medi¸˜es nos permite determinar (tamb´m
                 o                            e              co                                e
com grande precis˜o) a velocidade do planeta em qualquer posi¸˜o.
                    a                                           ca
      Quando tentamos fazer medi¸˜es de objetos microsc´picos, entretanto, encontramos uma
                                     co                     o
limita¸˜o fundamental na precis˜o dos resultados. Por exemplo, podemos (satisfatoriamente) medir
      ca                         a
a posi¸˜o de um el´tron pelo espalhamento de um f´ton de luz pelo el´tron. O car´ter ondulat´rio
      ca            e                                o                e           a           o
do f´ton impede uma medi¸˜o exata, e s´ podemos determinar a posi¸˜o do el´tron dentro de uma
    o                       ca            o                          ca      e
incerteza ∆x relacionada com o tamanho (isto ´, comprimento de onda) do f´ton. Pelo pr´prio
                                                 e                             o            o
ato de medi¸˜o, entretanto, induzimos uma mudan¸a de estado do el´tron, pois o espalhamento do
             ca                                     c               e
f´ton transmite momento ao el´tron. Este momento possui uma incerteza ∆p. O produto ∆x ∆p
 o                               e
´ uma medida da precis˜o com a qual podemos medir simultaneamente a posi¸˜o e o momento
e                         a                                                      ca
e relacionado a este, a velocidade; ∆x → 0, ∆p → 0 implica uma medi¸˜o com uma precis˜o
                                                                          ca                    a
inimagin´vel. Foi mostrado pelo f´
         a                          ısico alem˜o Werner Heisenlug (1901-1976) em 1927, que este
                                              a
produto deve ser sempre maior que um certo valor m´     ınimo.∗ N˜o podemos ent˜o, especificar
                                                                   a                a
simultaneamente ambos posi¸˜o e momento do el´tron com uma precis˜o infinita, pois para ∆x →
                              ca                  e                     a
0, ent˜o ∆p → ∞ pelo Princ´
      a                        ıpio da Incerteza de Heisenberg† poder ser satisfat´rio.
                                                                                      o
    ∗ Este resultado pode ser aplicado para medidas de energia num tempo particular, em cada caso o produto ´
                                                                                                            e
certamente ∆E ∆t (Possuindo as mesmas dimens˜es ∆x ∆p).
                                                     o
    † N.T.: muitos f´
                    ısicos preferem se referir a este princ´
                                                           ıpio como o Princ´
                                                                            ıpio da Imprecis˜o.
                                                                                            a


Projeto AIUTA – Mecˆnica Cl´ssica I
                   a       a                                                                   (UNIFRA–2004)
¸˜         ˆ
                                                                     2.8. LIMITACOES DA MECANICA NEWTONIANA                ---   91


      O valor m´     ınimo de ∆x ∆p ´ da ordem de 10−34 J s. Isto ´ extremamente pequeno para
                                            e                                 ˙          e
padr˜es macrosc´picos, para objetos na escala-laborat´rio n˜o existe dificuldade pr´tica em fazer-
     o                o                                                 o       a                               a
se medi¸˜es simultˆneas de posi¸˜o e momento. As leis de Newton podem portanto ser aplicadas
          co            a                 ca
se a posi¸˜o e o momento podem ser precisamente definidos. Mas pelo Princ´
            ca                                                                                              ıpio da Incerteza,
a mecˆnica Newtoniana n˜o pode ser aplicada ` sistemas microsc´picos. Para solucionar estas
        a                         a                             a                          o
dificuldades fundamentais no sistema newtoniano, um novo m´todo para tratar fenˆmenos mi-
                                                                                     e                               o
crosc´picos foi desenvolvido no in´
      o                                       ıcio de 1926. O trabalho de Ervin Schr¨dinger (1887-1961),
                                                                                                       o
Heisenlug, Max Born(1872-1970), Paul Dirac (1902-1984) e outros subseq¨entemente colocaram           u
esta nova disciplina sobre uma firme fundamenta¸˜o. A mecˆnica Newtoniana, ent˜o, ´ perfeit-
                                                                  ca               a                               a e
amente adequada para descrever fenˆmenos em larga escala. Por´m, precisamos da nova mecˆnica
                                                o                                     e                                      a
(mecˆnica quˆntica) para analisar processos no dom´
      a           a                                                     ınio atˆmico. Quanto mais o tamanho do
                                                                                 o
sistema aumenta de escala, a mecˆnica quˆntica tende ` mecˆnica newtoniana.
                                            a           a                 a       a
      Em adi¸˜o as limita¸˜es fundamentais da mecˆnica Newtoniana, como na aplica¸˜o a objetos
                ca              co                                 a                                               ca
microsc´picos, existe uma dificuldade inerente no esquema Newtoniano – o que reside no conceito
          o
de tempo. Na vis˜o Newtoniana, o tempo ´ absoluto, isto ´, sup˜e-se que seja sempre poss´
                        a                                  e                     e       o                                      ıvel
determinar sem ambig¨idade quando dois eventos ocorreram simultaneamente ou quando um pre-
                            u
cedeu o outro. Para decidir a seq¨ˆncia temporal de eventos, os dois observadores devem estar
                                             ue
em comunica¸˜o instantˆnea, atrav´s de algum tipo de sinal ou estabelecendo-se dois rel´gios em
                 ca            a               e                                                                         o
sincronismo exato em seus pontos de observa¸˜o. Por´m, a sincroniza¸˜o dos rel´gios para ser
                                                             ca           e                      ca              o
exata requer o conhecimento do tempo de trˆnsito de um sinal na dire¸˜o de um observador para
                                                           a                                   ca
o outro (podemos conseguir isto dispondo de dois rel´gios sincronizados, mas isto ´ um argumento
                                                                     o                                        e
circular). Quando realmente medimos a velocidade dos sinais, entretanto, sempre obtemos uma
velocidade m´dia de propaga¸˜o em dire¸˜es opostas. E para criar um experimento que me¸a a
                 e                     ca             co                                                                       c
velocidade somente em uma dire¸˜o de propaga¸˜o inevitavelmente nos leva a introdu¸˜o de novas
                                          ca                  ca                                                    ca
generaliza¸˜es que n˜o podemos determinar antes do experimento.
             co           a
      Sabemos que comunica¸˜o instantˆnea por sinaliza¸˜o ´ imposs´
                                     ca             a                       ca e              ıvel: intera¸˜es entre corpos
                                                                                                             co
materiais propagam-se com uma velocidade finita, e uma intera¸˜o de algum tipo deve ocorrer
                                                                                        ca
para que um sinal seja transmitido. A velocidade m´xima de propaga¸˜o de qualquer sinal ´ a
                                                                       a                         ca                              e
velocidade da luz no espa¸o livre(v´cuo): c ∼ 3 × 108 m/s.∗
                                 c            a            =
      As dificuldades em estabelecer-se uma escala de tempo entre corpos separados nos leva acre-
ditar que o tempo, afinal de contas, n˜o ´ absoluto, e que o tempo e o espa¸o est˜o de alguma
                                                   a e                                                   c        a
maneira intimamente relacionados. A solu¸˜o para este dilema foi encontrada no per´
                                                        ca                                                        ıodo de 1904-
1905 por Hendrik Lorenz (1853-1928), Henri Poincar´ (1854-1912) e Albert Einstein (1879-1955)
                                                                       e
e foi resumido na teoria especial da relatividade (ver Cap´                        ıtulo 14).
      A mecˆnica Newtoniana est´, portanto, sujeita a limita¸˜es fundamentais quando pequenas
               a                           a                                      co
distˆncias ou grandes velocidades s˜o encontradas. Dificuldades com a mecˆnica Newtoniana
    a                                            a                                                         a
tamb´m podem ocorrer quando objetos extremamente massivos ou enormes distˆncias est˜o en-
      e                                                                                                       a            a
volvidas. Uma limita¸˜o pr´tica tamb´m ocorre quando o sistema ´ constitu´ por um grande
                            ca       a             e                                        e            ıdo
n´mero de corpos. No Cap´
  u                                  ıtulo 8, veremos que podemos obter uma solu¸˜o geral de maneira  ca
concisa para o movimento de um sistema constitu´ de mais de dois corpos em intera¸˜o mesmo
                                                                  ıdo                                                 ca
que esta seja simplesmente gravitacional. Para calcular o movimento num sistema, de trˆs cor-                              e
pos, devemos recorrer a procedimentos de aproxima¸˜o num´rica. Embora tal m´todo seja, em
                                                                      ca           e                            e
princ´ıpio, capaz de qualquer exatid˜o desejada, o trabalho envolvido ´ consider´vel. O movimento
                                              a                                              e            a
de sistemas ainda mais complexos (por exemplo, o sistema composto de todos grandes objetos no
sistema solar) pode, da mesma maneira, ser computado, mas o procedimento se torna rapidamente
muito pesado para ser utilizado para qualquer sistema grande. Para calcular o movimento de
mol´culas individuais em, digamos, um cent´
    e                                                     ımetro c´bico de g´s contendo ≈ 101 9 mol´culas ´ cla-
                                                                     u             a                                e        e
ramente imposs´     ıvel. Um m´todo bem sucedido de calcular as propriedades m´dias de tais sistemas
                                   e                                                                   e
foi desenvolvido na segunda metade do s´culo dezenove por Boltzman, Maxwell, Gibbs, Liouville
                                                      e

   ∗ A velocidade da luz ´ bem definida como 299, 792, 458.0 m/s fazendo compara¸˜es com outras medidas mais
                         e                                                     co
padronizadas. Metro ´ a defini¸˜o de diatˆncia viajada pela luz no v´cuo durante um intervalo de tempo de
                       e       ca        a                            a
1/299, 792, 458 de um segundo.


Projeto AIUTA – Mecˆnica Cl´ssica I
                   a       a                                                                                        (UNIFRA–2004)
92   ---   2 / MECANICA NEWTONIANA – PART´
                  ˆ                            ´
                                         ICULA UNICA



e outros. Estes procedimento permitiram a dinˆmica dos sistemas serem calculados atrav´s da
                                                 a                                           e
teoria de probabilidades, e uma mecˆnica estat´
                                      a        ıstica foi desenvolvida. Alguns coment´rios sobre a
                                                                                     a
formula¸˜o de conceitos estat´
        ca                    ıstico em mecˆnica podem ser encontrados na Se¸˜o 7.13.
                                           a                                   ca




Projeto AIUTA – Mecˆnica Cl´ssica I
                   a       a                                                          (UNIFRA–2004)
¸˜         ˆ
                                                       2.8. LIMITACOES DA MECANICA NEWTONIANA   ---   93


                                      PROBLEMAS


 2-2. Uma part´ıcula de massa m ´ for¸ada a mover-se na superf´ de uma esfera de raio R por
                                  e   c                       ıcie
      uma for¸a aplicada F(θ, φ). Escreva a equa¸˜o do movimento.
             c                                  ca

 2-5. Um piloto de um jato de guerra percebe que ´ capaz de suportar uma acelera¸˜o de 9g antes
                                                    e                            ca
      de ser jogado para fora. O piloto aponta para baixo no plano vertical dele at´ mover-se a
                                                                                    e
      uma velocidade de Mach 3 e pretende virar-se para cima em uma manobra circular antes de
      colidir contra o solo. (a) Onde ocorre a acelera¸˜o m´xima na manobra? (b) Qual o c´
                                                      ca   a                             ırculo
      m´ınimo que o piloto pode empregar?

 2-6. Na nevasca de 88, uma vaqueira foi for¸ada a soltar fardos de feno de um aeroplano para
                                               c
      alimentar sua cria¸˜o de gado. O aeroplano voou horizontalmente a 160 Km/h e abandonou
                         ca
      os fardos a uma altura de 80 m sobre o plano alcan¸ado. (a) Ela procura os fardos aterrizados
                                                        c
      sobre a forragem 30 m atr´s do gado de modo que n˜o chega a encontr´-los. Onde ela deveria
                                a                         a                a
      soltar os fardos do aeroplano? (b) Para n˜o encontrar o gado, qual ´ o grande erro de tempo
                                                 a                       e
      que ela cometeu ao empurrar os fardos para fora do aeroplano? Despreze a resistˆncia do ar.
                                                                                       e

 2-7. Inclua a resistˆncia do ar para os fardos de feno no problema anterior. Um fardo de feno
                      e
      tem aproximadamente 30 Kg e uma ´rea m´dia de aproximadamente 0.2m2 . Considere a
                                            a      e
      resistˆncia como sendo proporcional ao quadrado da velocidade e considere cW = 0.8. Esbo¸e
            e                                                                                     c
      as trajet´rias com um computador se os fardos de feno aterrizam 30m atr´s do gado para
               o                                                                    a
      ambas situa¸˜es, ou seja, com e sem resistˆncia do ar. Se os fardos de feno foram liberados ao
                   co                           e
      mesmo tempo nos dois casos, qual ´ a distˆncia entre as posi¸˜es de aterrizagem dos fardos?
                                         e       a                  co

2-10. Repita o Exemplo 2.4 executado por uma calculadora usando um computador para resolver
      a Equa¸˜o 2.22. Use os seguintes valores: m = 1Kg, v0 = 10m/s, x0 = 0, e k = 0.1s−1 .
             ca
      Esbo¸e os planos de v versus t, x versus t, e v versus x. Compare com os resultados do
          c
      Exemplo 2.4 para ver se seus resultados s˜o razo´veis.
                                               a      a

2-11. Considere uma part´  ıcula de massa m que se mant´m do in´ at´ o fim do movimento em
                                                         e         ıcio e
      um campo gravitacional constante. Se uma for¸a de resistˆncia proporcional ao quadrado da
                                                     c          e
      velocidade (isto ´, kmv 2 ) ´ encontrada, mostre que a distˆncia s da queda da part´
                       e           e                             a                       ıcula em
      acelera¸˜o de v0 para v1 ´ dada por
             ca                  e
                                                                   2
                                                        1    g − kv0
                                       s(v0 → v1 ) =      ln       2
                                                       2k    g − kv1

2-12. Uma part´ ıcula est´ projetada verticalmente para cima em um campo gravitacional constante
                         a
      com uma velocidade inicial v0 . Mostre que se h´ uma for¸a de retardamento proporcional
                                                         a       c
      ao quadrado da velocidade instantˆnea, a velocidade da part´
                                          a                        ıcula quando ela retorna a sua
      posi¸˜o inicial ´
          ca          e
                                                   v0 vt
                                                    2    2
                                                   v0 + vt
       onde vt ´ a velocidade final(terminal).
               e

2-13. Uma part´  ıcula move-se sob a influˆncia de uma for¸a de retardamento equivalente a mk(v 3 +
                                         e               c
      a2 v), onde k e a s˜o constantes. Mostre que para alguns valores de velocidade inicial a
                           a
      part´ıcula nunca ir´ se mover a uma distˆncia maior do que π/2ka e que a part´
                         a                      a                                    ıcula cessa o
      movimento somente para t → ∞.

Projeto AIUTA – Mecˆnica Cl´ssica I
                   a       a                                                            (UNIFRA–2004)
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                  ˆ                            ´
                                         ICULA UNICA



2-15. Uma part´ıcula de massa m escorrega para baixo em um plano inclinado sob influˆncia da
                                                                                        e
      gravidade. Se o movimento ´ contido por uma for¸a f = kmv 2 , mostre que o tempo requerido
                                 e                   c
      para a part´
                 ıcula mover-se a uma distˆncia desde o in´ at´ cessar o movimento ´
                                          a               ıcio e                     e

                                                        cosh−1 (ekd )
                                                      t= √
                                                           kg sin θ
        onde θ ´ o ˆngulo de inclina¸˜o do plano.
               e a                  ca
2-17. Um forte jogador bate na bola elevando-a a uma altura de 0.7 m acima de uma casa. Todas
      as batidas dos jogadores possuem um ˆngulo de eleva¸˜o de 350 e movem-se em dire¸˜o a
                                             a             ca                              ca
      um muro de 2 m de altura e 60 m distante do centro do campo. Qual a velocidade inicial
      necess´ria para a bola deixar o centro do campo ao muro? Ignore a resistˆncia do ar.
            a                                                                 e
2-18. Inclua a resistˆncia do ar proporcional ao quadrado da velocidade da bola no problema
                     e
      precedente. Considere o coeficiente de resistˆncia cw = 0.5, o raio da bola como 5 cm e uma
                                                  e
      massa de 200 g. (a) Encontre a velocidade inicial da bola necess´ria para alcan¸ar o muro.
                                                                        a              c
      (b) Para esta velocidade, encontre o ˆngulo de eleva¸˜o inicial que permite ` bola facilmente
                                           a              ca                      a
      alcan¸ar o muro. Agora a bola pode verticalmente alcan¸ar o muro?
           c                                                   c
2-19. Se um proj´til move-se tal que a distˆncia do ponto de proje¸˜o ´ sempre crescente, encontre
                  e                        a                      ca e
      o ˆngulo horizontal m´ximo com que a part´
        a                    a                    ıcula pode ter sido projetada. (Assuma que n˜oa
      existe resistˆncia do ar)
                   e
2-20. Um estintor de incˆndio projeta seu jato em um corpo de massa 10kg, do tipo a que as
                         e
      curvas de Figura 2-3 se aplicam. A velocidade do jato ´ 140m/s. Com que ˆngulo deve estar
                                                            e                 a
      o tambor elevado para bater em um alvo no mesmo plano horizontal que o extintor e 100m
      distante? Compare os resultados com aqueles para o exemplo sem retardamento.
2-22. O movimento de uma part´    ıcula carregada em um campo eletromagn´tico pode ser obtido
                                                                            e
      pela Equa¸˜o de Lorentz ∗ para a for¸a em uma part´
                ca                             c               ıcula em tal campo. Se o vetor do
      campo el´trico for E e o vetor do campo magn´tico for B, a for¸a em uma part´
              e                                     e               c             ıcula de massa
      m carrega com uma carga q que tem uma velocidade v ´ dada por
                                                             e

                                                      F = qE + qv×B

        onde assumimos que v << c(velocidade da luz).
         (a) Se n˜o houver nenhum campo el´trico e se a part´
                 a                            e              ıcula entra num campo magn´tico em
                                                                                          e
             sentido perpendicular `s linhas do fluxomagn´tico, mostre que a trajet´ria ´ um c´
                                   a                    e                         o e        ırculo
             com raio
                                                     mv     v
                                                 r=     =
                                                     qB    ωc
                onde ωc ≡ qB/m ´ a frequˆncia do ciclotron.
                               e        e
        (b) Escolha a posi¸˜o do eixo z no sentido de B e deixe o plano E e B contido no plano xy.
                          ca
            Assim
                                          B = Bk, E = Ey j + Ez k
                mostre que as componentes do movimento para z s˜o
                                                               a
                                                                         qEz 2
                                                    z(t) = z0 + z0 t +
                                                                ˙           t
                                                                         2m
                onde
                                                    z(0) ≡ z0 e      z(0) ≡ z0
                                                                     ˙      ˙
     ∗ Veja,   por exemplo, Heald e Marion, Radia¸˜o Eletromagn´tica Cl´ssica (95, Se¸˜o 1.7).
                                                 ca            e       a             ca


Projeto AIUTA – Mecˆnica Cl´ssica I
                   a       a                                                                     (UNIFRA–2004)
¸˜         ˆ
                                                             2.8. LIMITACOES DA MECANICA NEWTONIANA   ---   95


        (c) Continue o c´lculo e obtenha as expre¸˜es para x(t) e y(t). Mostre que as m´dias do
                        a                        co        ˙      ˙                    e
            tempo destes componentes da velocidade s˜o
                                                     a
                                                            Ey
                                                      x =
                                                      ˙        ,     y =0
                                                                     ˙
                                                            B
              (Mostre que o movimento ´ peri´dico e ent˜o a m´dia sobre um per´
                                      e     o          a     e                ıodo completo)
        (d) Integre as equa¸˜es da velociade encontradas em (c) e mostre (com as condi¸˜es iniciais
                           co                                                         co
            x(0) = −A/ωc , x(0) = Ey /B, y(0) = 0, y(0) = A) que
                            ˙                       ˙

                                               −A            Ey                 A
                                      x(t) =      cos ωc t +    t,     y(t) =      sin ωc t
                                               ωc            B                  ωc
              Estas s˜o as equa¸˜es param´tricas de um cicl´ide. Esboce a proje¸˜o da trajet´ria
                     a         co          e                 o                     ca          o
              no plano xy para os casos (i) A > |Ey /B|, (ii) A < |Ey /B|, e (iii) A = |Ey /B|. (O
              ultimo caso da um cicl´ide.)
              ´                     o

2-27. Uma corda que possui uma massa total de 0.4kg e comprimento total de 4m tem 0.6m de
      corda suspensa verticalmente para baixo. Quanto trabalho deve ser feito para situar a corda
      na bancada?

2-28. Uma superbola de massa M e uma bola de gude de massa m s˜o lan¸adas de uma altura h
                                                                       a     c
      com a bola de gude exatamente no topo da superbola. Uma superbola tem um coeficiente
      de restitui¸˜o perto de 1(i.e., sua colis˜o ´ essencialmente el´stica). Ignore o tamanho da
                 ca                            a e                   a
      superbola e da bola de gude. A superbola colide com o solo, rebate e bate na bola de gude,
      a qual move-se novamente para cima. Considerando que o movimento oferece resistˆncia, e
      explique a eleva¸˜o do movimento e qual a eleva¸˜o da grande bola.
                      ca                                ca

2-29. Um autom´vel trafegando em uma estrada com grau de inclina¸˜o de 8%, colide fortemente
                 o                                                ca
      e derrapa 30m antes de parar totalmente. Um perito mediu o coeficiente de fric¸˜o cin´tico
                                                                                    ca    e
      entre os pneus e a estrada como sendo igual a µk = 0.45. O perito est´ correto em afirmar
                                                                           a
      que o motorista excedeu o limite de velocidade em 25 MPH? Explique.

2-30. Um estudante solta um bal˜o cheio d’´gua do telhado de uma alto edif´ urbano tentando
                                a          a                                ıcio
      atingir seu companheiro de quarto no solo (que est´ apressado). O primeiro estudante baixa
                                                        a
      a cabe¸a para tr´s ouvindo distante o barulho da ´gua 4.021 s ap´s a queda do bal˜o. Se a
             c        a                                 a               o                 a
      velocidade do som ´ 331 m/s, encontre a altura do edif´
                         e                                  ıcio, desprezando a resistˆncia do ar.
                                                                                      e

2-31. No Exemplo 2.10, a velocidade inicial de aproxima¸˜o da particula carregada n˜o possui
                                                        ca                         a
      componente ao longo do eixo x. Mostre que, mesmo que ela possuisse um componente x,
      o movimento subsequente da part´ıcula seria o mesmo – que somente o raio da h´lice seria
                                                                                   e
      alterado.

2-33. Execute um c´lculo de computador para um objeto que move-se verticalmente no ar sob
                    a
      a gravidade e que experimenta uma for¸a de retardamento proporcional ao quadrado da
                                                c
      velocidade do objeto (veja a Equa¸˜o 2.21). Use as vari´veis m para a massa e r para
                                          ca                      a
      o raio do objeto. Todos os objetos s˜o deixados cair do repouso do alto de um edif´
                                             a                                                ıcio
      100 − m − tall. Use um valor de cw = 0.5 e trace um plano no computador da altura y,
      velocidade v, e acelera¸˜o a contra t para as seguintes condi¸˜es e responda `s perguntas:
                             ca                                    co              a

        (a) Uma bola beisebol de m = 0.145 Kg e r = 0.0366 m.
        (b) Uma bola de ping-pong de m = 0.0024 Kg e r = 0.0019 m.
        (c) Um pingo de chuva de r = 0.003 m.
        (d) Todos os objetos alcan¸am suas velocidades terminais? Discuta os valores das velocida-
                                   c
            des terminais e explique suas diferen¸as.
                                                 c

Projeto AIUTA – Mecˆnica Cl´ssica I
                   a       a                                                                  (UNIFRA–2004)
96   ---   2 / MECANICA NEWTONIANA – PART´
                  ˆ                            ´
                                         ICULA UNICA



        (e) Como pode uma bola de beisebol ser jogada mais distante do que uma esfera do ping-
            pong mesmo que a bola de beisebol seja muito mais maci¸a?
                                                                  c
        (f ) Discuta as velocidades terminais de pingos de chuva grandes e pequenos. Qual as
             velocidades terminais dos pingos de chuva com raios 0.002 m e 0.004 m?
2-35. Execute os c´lculos num´ricos do Exemplo 2.7 para os valores dados na Figura 2-8. Trace
                  a           e
      ambas as Figuras 2-8 e 2-9. N˜o duplique a solu¸˜o no apˆndice H; componha sua pr´pria
                                   a                 ca       e                         o
      solu¸˜o.
          ca
2-36. A arma est´ localizada em uma ribanceira de altura h com vista para o vale do rio. Se a
                 a
      velocidade do m´ ´ v0 , encontre a express˜o para o alcance como uma fun¸˜o da eleva¸˜o do
                     ıssil e                    a                             ca          ca
      a
      ˆngulo da arma. Achar numericamente o m´ximo alcance fora do vale para uma determinada
                                                a
      h e v0 .
2-40. Uma part´
              ıcula movimenta-se numa ´rbita bi-dimensional definida por:
                                      o
                                            x(t) = A(2αt − sin αt)

                                             y(t) = A(1 − cos αt)

       (a)Encontre a acelera¸˜o tangencial at e a acelera¸˜o normal an como uma fun¸˜o de tempo
                            ca                           ca                        ca
       onde as componentes tangenciais e normal s˜o dadas em rela¸˜o a velocidade.
                                                   a                ca
       (b)Determine em quais momentos an tem um m´ximo na orbita.
                                                 a        ´
2-41. Um trem move-se ao longo de uma trilha com uma velocidade constante u. Uma mulher no
      trem joga uma bola de massa m para frente com uma velocidade v com respeito a si mesma.
      (a) Qual ´ a energia cin´tica ganha pela bola em rela¸˜o a medida por uma pessoa no trem?
               e              e                            ca
      (b) para uma pessoa de p´ sobre a via f´rrea? (c) Qual o trabalho feito pela mulher para
                                 e             e
      jogar a bola e (d) do trem?
2-42. Um cubo s´lido de densidade uniforme e lado b est´ em equil´
                 o                                        a          ıbrio no topo do cilindro de
      raio R (Figura 2-C). Os planos dos quatro lados do cubo s˜o paralelos ao eixo do cilindro.
                                                                 a
      O contato entre o cubo e a esfera ´ perfeitamente ´spero. Sob quais condi¸˜es o equil´
                                        e               a                       co         ıbrio ´
                                                                                                 e
      est´vel ou n˜o?
         a        a
2-44. Resolva o Exemplo 2.12 usando de preferˆncia for¸as no lugar de energias. Como vocˆ pode
                                              e        c                                e
      determinar se o sistema encontra-se em equil´
                                                  ıbrio inst´vel ou est´vel?
                                                            a          a
                                            ıbrio ´ est´vel ou inst´vel quando (d2 U/dx2 )0 = 0.
2-45. Descreva como se determina se um equil´     e    a           a
2-49. Um foguete extremamente bem-constru´ tem uma massa (m0 /m) de 10, um novo com-
                                            ıdo
      bust´ ´ desenvolvido tendo como velocidade da exaust˜o 4, 500m/s. A uma taxa constante
          ıvel e                                            a
      para 300s. Calcule a velocidade m´xima deste foguete de est´gio unico, com acelera¸˜o con-
                                       a                         a    ´                 ca
      stante presumido da gravidade. Se a velocidade do escape de uma part´    ıcula da terra for
      11.3km/s, pode um foguete de est´gio unico similar com a mesma raz˜o de massa e veloci-
                                       a   ´                               a
      dade de exaust˜o ser constru´ para alcan¸ar a lua?
                    a              ıdo         c
2-50. Uma gota da ´gua que cai na atmosfera ´ esf´rica. Suponha que como a gota passa atrav´s de
                    a                         e e                                            e
      uma nuvem, adquire massa a uma taxa proporcional a kA onde k ´ uma constante (> 0) e A
                                                                         e
      sua ´rea de se¸˜o transversal. Considere uma gota de raio inicial r0 que entra em uma nuvem
          a         ca
      com velocidade v0 . Assuma que n˜o h´ for¸as resistivas e mostre (a) que o raio aumenta
                                         a a       c
      linear com o tempo, e (b) que se o r0 for pequeno podendo ser desprez´ ent˜o a velocidade
                                                                             ıvel    a
      aumenta linearmente com o tempo dentro da nuvem.
2-51. Um foguete num espa¸o distante de campo gravitacional desprez´
                            c                                       ıvel come¸a do repouso a
                                                                             c
      acelerar uniformemente at´ uma velocidade v. A massa inicial do foguete ´ m0 . Quanto
                                e                                              e
      trabalho faz o motor do foguete?

Projeto AIUTA – Mecˆnica Cl´ssica I
                   a       a                                                          (UNIFRA–2004)
¸˜         ˆ
                                                    2.8. LIMITACOES DA MECANICA NEWTONIANA   ---   97


2-52. Considere um foguete de est´gio unico que faz exame fora da ´rbita da terra em que a altura
                                   a    ´                           o
      do foguete na queima total de combust´    ıvel est´ dada pela Equa¸˜o 2.133. Quanto mais
                                                        a                ca
      distante na altura ir´ o foguete ap´s a queima total do combust´
                           a              o                           ıvel?
2-53. Um foguete tem uma massa inicial m e uma taxa de combust˜o do combust´ α(Equa¸˜o
                                                                 a             ıvel       ca
      2.127). Qual ´ a velocidade m´
                   e               ınima da exaust˜o que permita que o foguete levante imedia-
                                                  a
      tamente depois do acendimento?
2-54. Um foguete possui uma massa inicial de 7 × 104 Kg e no disparo queima-se combust´ na
                                                                                       ıvel
      taxa de 250Kg/s. A velocidade de escape ´ 2.500m/s. Se o foguete tem uma subida vertical
                                              e
      partindo da Terra, quanto tempo depois do disparo do motor do foguete ser´ a decolagem
                                                                                a
      do foguete? O que est´ errado com o projeto deste foguete?
                           a
2-55. Considere um foguete de n est´gios, com cada velocidade de descarga u. Cada est´gio do
                                   a                                                  a
      foguete tem a mesma propor¸˜o de consumo (k = mi /mf ). Mostre que a velocidade final do
                                ca
      est´gio nth ´ nu ln k.
         a        e
2-56. Para realizar um salvamento, uma embarca¸˜o lunar precisa pairar exatamente acima da
                                                 ca
      superf´ da lua, a qual tem uma acelera¸˜o gravitacional de g/6. A velocidade de exaust˜o
             ıcie                           ca                                              a
      ´ 2, 000m/s, mas a quantidade de combust´ a ser usado ´ provavelmente apenas 20% da
      e                                        ıvel            e
      massa total. Por quanto tempo pode a embarca¸˜o pairar?
                                                    ca
2-57. Um novo lan¸a proj´til ´ desenvolvido no ano de 2013 que pode lan¸ar uma sonda esf´rica de
                  c      e e                                            c                 e
      104 kg com velocidade inicial de 6, 000m/s. Para prop´sitos de testes, objetos s˜o lan¸ados
                                                            o                         a     c
      verticalmente.
        (a) Desconsiderando a resistˆncia do ar e assumindo a acelera¸˜o da gravidade constante.
                                    e                                ca
            Determine a altura que o objeto lan¸ado pode alcan¸ar acima da superf´ da terra.
                                               c              c                   ıcie
        (b) Se o objeto tem raio de 20cm e a resistˆncia do ar ´ proporcional ao quadrado da
                                                    e           e
            velocidade do objeto com Cw = 0.2. Determine a altura m´xima alcan¸ada, assumindo
                                                                   a          c
            que a densidade do ar ´ constante.
                                  e
        (c) Agora tamb´m inclua o fato que a acelera¸˜o da gravidade decresce quando o objeto
                       e                              ca
            sobe acima da terra. Encontre a altura alcan¸ada.
                                                        c
        (d) Agora considere os efeitos do decr´scimo da densidade do ar com a altitude no c´lculo.
                                              e                                            a
            Podemos muito grosseiramente representar a densidade do ar por log10 (ρ) = −0.05h +
            0.11 onde ρ ´ a densidade em kg/m3 e h ´ a altitude acima da terra em km. Determine
                        e                           e
            que altura o objeto vai alcan¸ar.
                                         c
2-58. Um novo foguete com simples-est´gio ser´ desenvolvido em 2013, e ter´ uma velocidade de
                                        a     a                             a
      exaust˜o de g´s de 4, 000m/s. A massa total do foguete ´ de 105 kg, com 90% dessa massa
             a     a                                          e
      sendo combust´ıvel. O combust´ queima rapidamente em 100s a uma taxa constante. Para
                                    ıvel
      propor um teste, o foguete ´ lan¸ado verticalmente a partir da superf´ da Terra. Dentro
                                 e    c                                    ıcie
      disso responda as partes (a) e (d) do problema anterior.




Projeto AIUTA – Mecˆnica Cl´ssica I
                   a       a                                                          (UNIFRA–2004)

Leis de newton da mecanica

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    C A P ´I T U L O – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – 2 ˆ MECANICA NEWTONIANA – PART´ ´ ICULA UNICA 2.1 ¸˜ INTRODUCAO A ciˆncia da mecˆnica busca fornecer uma descri¸˜o precisa e consistente da dinˆmica de part´ e a ca a ıculas e sistemas de part´ ıculas, isto ´, um grupo de leis f´ e ısicas descrevem matematicamente os movimentos dos corpos e agregados de corpos. Para isto, necessitamos de alguns conceitos fundamentais como distˆncia e tempo que permitem definir a velocidade e acelera¸˜o da part´ a ca ıcula. O terceiro conceito fundamental, massa, exige alguma elabora¸˜o, que forneceremos quando discutirmos as ca Leis de Newton. As Leis F´ ısicas devem ser baseadas num fato experimental. N˜o podemos esperar a priori a que a atra¸˜o gravitacional entre dois corpos deve variar exatamente com o inverso do quadrado ca da distˆncia entre eles. Mas experimentos indicam que isso ´ assim. Uma vez que os dados de um a e grupo de experimentos tenham sido correlacionados e um postulado tenha sido formulado relativo ao fenˆmeno a que se referem os dados, ent˜o v´rias implica¸˜es podem ser obtidas. Se essas o a a co implica¸˜es forem todas verificadas experimentalmente, podemos acreditar que o postulado ´ ge- co e ralmente verdadeiro. O postulado ent˜o assume o status de uma lei f´ a ısica. Se alguns experimentos discordam com as previs˜es da lei, a teoria deve ser modificada para ser consistente com os fatos. o Newton nos forneceu as leis fundamentais da mecˆnica. Declaramos aqui estas leis em termos a modernos, discutindo seus significados, ent˜o derivando as implica¸˜es das leis em v´rias situa¸˜es.∗ a co a co Mas a estrutura l´gica da ciˆncia da mecˆnica n˜o ´ t˜o clara. Nossa linha de racioc´ o e a a e a ınio na interpreta¸˜o das leis de Newton n˜o ´ a unica poss´ † N˜o discutiremos os detalhes filos´ficos da ca a e ´ ıvel. a o mecˆnica mas somente forneceremos a elabora¸˜o das leis de Newton que nos permitem continuar a ca com a discuss˜o da dinˆmica cl´ssica. Dedicaremos nossa aten¸˜o neste cap´ a a a ca ıtulo para o movimento de uma unica part´ ´ ıcula, deixando sistemas de part´ ıculas para serem discutidos nos Cap´ ıtulos 9 e 11–13. ∗ Truesdell (Tr68) mostra que Leonhard Euler (1707-1783) esclareceu e desenvolveu os conceitos Newtonianos. Euler “colocou muito da mecˆnica na sua forma moderna” e “tornou a mecˆnica simples e f´cil” (p. 106). a a a † Ernest Mach (1838-1916) expressou seu ponto de vista em seu famoso livro publicado em 1883; E. Mach, Die Mechanica in Ihrer Entwicklung historisch-Kritisch dargestellt[A ciˆncia da mecˆnica](Praga, 1883). Uma tradu¸˜o e a ca da ultima edi¸˜o ´ dispon´ ´ ca e ıvel (Ma60). Discuss˜es interessantes tamb´m s˜o proporcionadas por R. B. Lindsay e H. o e a Margeneau (Li36) e N. Feather (Fe59). 47
  • 2.
    48 --- 2 / MECANICA NEWTONIANA – PART´ ˆ ´ ICULA UNICA 2.2 LEIS DE NEWTON Come¸amos simplesmente enunciando na forma convencional as Leis de Newton da mecˆnica∗ : c a I. Um corpo permanece em repouso ou em movimento uniforme a menos que atue sobre ele uma for¸a. c II. Um corpo move-se sobre a¸˜o de uma for¸a de tal maneira que a taxa de varia¸˜o temporal ca c ca do momento ´ igual a for¸a. e c III. Se dois corpos exercem for¸as um sobre o outro, essas for¸as s˜o iguais em magnitude e de c c a dire¸˜es opostas. co Essas leis s˜o deste modo familiares que algumas vezes tendemos a n˜o perceber os verdadeiros a a significados (ou falta deles) como lei f´ ısica. A Primeira Lei, por exemplo, ´ sem sentido sem e o conceito de “for¸a”, uma palavra usada por Newton em todas as trˆs leis. De fato, sozinha, a c e Primeira Lei conduz a um significado preciso somente se a for¸a for nula; isto ´, o corpo permanece c e em repouso ou em movimento uniforme (isto ´, n˜o acelerado e retil´ e a ınio) sem estar sujeito a qualquer for¸a que seja. O corpo movendo-se dessa maneira ´ denominado como corpo livre (ou part´ c e ıcula livre). A quest˜o sobre o sistema de referˆncia com respeito ao qual o “movimento uniforme” ´ a e e medido ser´ discutido na se¸˜o seguinte. a ca Destacando a falta deste conte´do na Primeira Lei de Newton, Senhor Arthur Eddington† u observou, de certa forma alegremente, o que realmente a lei diz ´ que “todas part´ e ıculas continua em seu estado de repouso ou em movimento uniforme retil´ ıneo exceto quando for¸ado externamente”. c Isto ´ fortemente poss´ para Newton, quem pensou alguma coisa muito clara para seu enunciado. e ıvel Mas isso enfatiza que a Primeira Lei a qual por si s´ provanos com a unica no¸˜o qualitativa sobre o ´ ca “for¸a”. c A segunda Lei fornece um enunciado expl´ ıcito: a For¸a est´ relacionada com a taxa de varia¸˜o c a ca temporal do momento. Newton apropriadamente definiu momento (entretanto ele usou o termo quantidade de movimento) como o produto da massa pela velocidade, tal que p ≡ mv (2.1) Portanto, a Segunda Lei de Newton pode ser expressada como dp d F= = (mv) (2.2) dt dt A defini¸˜o de for¸a torna-se completa e precisa somente quando “massa” ´ definida. Assim a ca c e Primeira e a Segunda Leis n˜o s˜o realmente “leis” no senso usual; mais precisamente, elas podem a a ser consideradas defini¸˜es. Como o comprimento, tempo e a massa s˜o conceitos j´ entendidos, co a a n´s usamos a Primeira e a Segunda Leis de Newton como a defini¸˜o operacional de for¸a. A o ca c terceira Lei de Newton, entretanto, ´ realmente uma lei. Ela ´ um enunciado a respeito do mundo e e real f´ ısica nas leis de movimento de Newton.‡ ısico (natural) e cont´m toda a f´ e Devemos adicionar, entretanto, que a Terceira Lei n˜o ´ uma lei geral da natureza. A lei a e ´ aplicada quando exerce-se uma for¸a em um objeto (pontual) sobre outro objeto (pontual) ´ e c e ∗ Enunciada em 1687 por Sr. Isaac Newton (1642-1727) em Philosophiae naturalis principia mathama- tica[Principios matem´tica de filosofia natural, normalmente chamada de Principia](Londres, 1687). Anteriormente, a Galileo (1564-1642) generalizou os resultados dos seus pr´prios experimentos matem´ticos com suposi¸˜es equiva- o a co lentes a Primeira e Segunda Leis de Newton. Mas Galileu n˜o forneceu uma descri¸˜o completa da dinˆmica porque a ca a ele n˜o conhecia o significado da terceira Lei de Newton - e portanto faltou determinar preciamente o significado de a for¸a c † Senhor Arthur Eddington (Ed30, p. 124). ‡ O presente racioc´ ınio aqui, a saber, a Primeira e Segunda Leis s˜o realmente defini¸˜es e a Terceira Lei cont´m a co e a F´ısica, esta n˜o ´ a unica interpreta¸˜o poss´ a e ´ ca ıvel. Lindsay and Margenau (Li36), por exemplo, apresentam que as duas primeira Leis s˜o Leis F´ a ˜ ısicas e entAo derivam a Terceira Lei como uma conseq¨ˆncia. ue Projeto AIUTA – Mecˆnica Cl´ssica I a a (UNIFRA–2004)
  • 3.
    2.2. LEIS DENEWTON --- 49 direcionada ao longo de uma linha que une os objetos. Tais for¸as s˜o chamadas for¸as centrais; c a c a Terceira Lei ´ aplicada se a for¸a central ´ atrativa ou repulsiva. As for¸as gravitacional e ele- e c e c trost´tica s˜o for¸as centrais, assim as Leis de Newton podem ser usadas em problemas envolvendo a a c esses tipos de for¸as. As vezes for¸as el´sticas (as quais s˜o realmente manifesta¸˜es macrosc´picas c c a a co o de for¸as eletrost´ticas microsc´picas) s˜o centrais. Por exemplo, dois objetos pontuais conectados c a o a diretamente por uma mola ou corda el´tica s˜o sujeitos a for¸as que obedecem a Terceira Lei. a a c Alguma for¸a que depende da velocidade de intera¸˜o entre os corpos ´ n˜o central, e a Terceira c ca e a Lei n˜o pode ser aplicada. For¸as dependentes da velocidade s˜o cracter´ a c a ısticas de intera¸˜es que co se propagam com velocidades finitas. Assim a for¸a entre cargas em movimento n˜o obedece a c a Terceira Lei, porque a for¸a se propaga com a velocidade da luz. At´ mesmo a for¸a gravitacio- c e c nal entre corpos em movimento ´ dependente da velocidade, mas o efeito ´ pequeno e de dif´ e e ıcil detec¸˜o. O unico efeito observado ´ a precess˜o do peri´lio dos planetas mais internos (visto na ca ´ e a e se¸˜o 8.9). Retornaremos a discuss˜o da Terceira Lei de Newton no Cap´ ca a ıtulo 9. Para demonstrar o significado da Terceira Lei de Newton, vamos parafrase´-lo da seguinte a maneira, o qual incorpora a defini¸˜o apropriada de massa: ca III’. Se dois corpos constituiem um sistema ideal e isolado, ent˜o as acelera¸˜es destes corpos s˜o a co a sempre em dire¸˜es opostas, e a raz˜o da magnitude das acelera¸˜es ´ constante. Esta raz˜o co a co e a constante ´ o inverso da raz˜o das massas dos corpos. e a Com esse procedimento, podemos dar a defini¸˜o pr´tica de massa e dessa forma fornecer um signi- ca a ficado preciso para as equa¸˜es que resumem a dinˆmica Newtoniana. Para dois corpos isolados, co a 1 e 2, a Terceira Lei diz que F1 = −F2 (2.3) Usando a defini¸˜o de for¸a como apresentado pela Segunda Lei, temos ca c dp1 dp2 =− (2.4a) dt dt ou, com massas constantes, dv1 dv2 m1 = m2 − (2.4b) dt dt e, como a acelera¸˜o ´ derivada temporal da velocidade, ca e m1 (a1 ) = m2 (− a2 ) (2.4c) Portanto, m2 a1 =− (2.5) m1 a2 onde o sinal negativo indica somente que os vetores acelera¸˜o est˜o em dire¸˜es opostas. A massa ca a co ´ considerada uma grandeza positiva. e Sempre podemos selecionar, digamos, m1 como unidade de massa. Ent˜o, comparando a a rela¸˜o das acelera¸˜es onde m1 ´ permitido interagir com qualquer outro corpo, podemos deter- ca co e minar a massa do outro corpo. Para medir as acelera¸˜es, devemos ter rel´gios e r´guas apropria- co o e das; tamb´m, devemos escolher um sistema de coordenadas ou sistema de referˆncia adequado. A e e quest˜o de um “sistema de referˆncias adequado” ´ discutido na pr´xima se¸˜o. a e e o ca Um dos mais comuns m´todos de determina¸˜o de massa de um objeto ´ pela pesagem – por e ca e exemplo pela compara¸˜o de seu peso a de um padr˜o por meio de uma balan¸a de contra peso. ca a c Esse procedimento faz uso do fato que em um campo gravitacional o peso de um corpo ´ apenas e a for¸a gravitacional agindo no corpo; isto ´, a equa¸˜o de Newton F = ma se torna W = mg, c e ca onde g ´ acelera¸˜o devido a gravidade. A validade do uso desse procedimento apoia-se em uma e ca hip´tese fundamental: que a massa m que aparece na equa¸˜o de Newton ´ definida de acordo o ca e com enunciado III ´ igual a massa m que aparece na equa¸˜o da for¸a gravitacional. Essas duas e ca c massas s˜o chamadas de massa inercial e massa gravitacional, respectivamente. As defini¸˜es a co podem ser enunciadas como segue: Projeto AIUTA – Mecˆnica Cl´ssica I a a (UNIFRA–2004)
  • 4.
    50 --- 2 / MECANICA NEWTONIANA – PART´ ˆ ´ ICULA UNICA Massa Inercial: ´ a massa que determina a acelera¸˜o de um corpo sob a a¸˜o de uma dada e ca ca for¸a. c Massa Gravitacional: ´ a massa que determina as for¸as gravitacionais entre um corpo e e c outros corpos. Galileu foi o primeiro a testar a equivalˆncia de massa inercial e massa gravitacional em e seu (possivelmente falso) experimento com quedas de objetos na Torre de Pisa. Newton tamb´m e considereou o problema e mediu os per´ ıodos de pˆndulos de comprimento iguais mas com materiais e diferentes. Nem Newton nem Galileu encontraram qualquer diferen¸a mas os m´todos foram tanto c e rudimentares.∗ Em 1890 E¨tv¨s† inventou um m´todo engenhoso para testar a equivalˆncia das o o e e massas inerciais e gravitacionais. Usando dois ojetos feitos com materiais diferentes, ele comparou o efeito da for¸a gravitacional da Terra (isto ´, o peso) com o efeito da for¸a inercial causada c e c pela rota¸˜o da terra. O experimento envolveu um m´todo de efeito nulo usando uma balan¸a de ca e c tor¸˜o sens´ e por essa raz˜o foi altamente preciso. Experiemntos mais recentes (notavelmente ca ıvel a os de Dicke ‡ ), usando essencialmente o mesmo m´todo teve melhor precis˜o, e sabemos agora que e a a massa inercial e a massa gravitacional s˜o idˆnticas dentro de algumas partes em 101 2. Esse a e resultado ´ consideravelmente importante na teoria geral da relatividade § . A afirma¸˜o da exata e ca igualadade da massa gravitacional ´ expressa com principio de equivalˆncia. e e A terceira lei de Newton ´ declarada em termos de dois corpos que consistem um sistema e ´ isolado. E imposs´ ıvel alcan¸ar tal condi¸˜o ideal; cada corpo no universo interage com todos os c ca outros corpos, embora a for¸a de intera¸˜o possa ser muito fraca para ser de qualquer importˆncia c ca a pr´tica se grandes distˆncias s˜o envolvidas. Newton evitou a quest˜o de como distinguir o efeito a a a a desejado de todos os outros efeitos estranhos. Mas esta pr´tica dificilmente enfatizar´ sozinha a a a ca ´ enormidade da afirma¸˜o de Newton na Terceira Lei. E um tributo ` profundidade da percep¸˜o a ca dele e a perspic´cia f´ a ısica das conclus˜es baseando-se em observa¸˜es limitadas, prosperamente o co sustentou o teste de experimento por 300 anos. Apenas neste s´culo houve medidas com detal- e hes suficientemente relevantes contendo discrepˆncias com as predi¸˜es da teoria de Newton. A a co persegui¸˜o desses detalhes conduziu ao desenvolviemnto da teoria da relatividade e da mecˆnica ca a quˆntica¶ . Outra interpreta¸˜o da Terceira Lei de Newton ´ baseada no conceito de momento a ca e arranjando a Equa¸˜o 2.4a fornece ca d (p1 + p2 ) = 0 dt ou p1 + p2 = constante (2.6) A declara¸˜o que momento ´ conservado na intera¸˜o isolada de duas part´ ca e ca ıculas ´ um caso especial e de uma declara¸˜o mais geral conserva¸˜o de momento linear. F´ ca ca ısicos apreciam leis de con- serva¸˜o gerais, e a conserva¸˜o de momento linear acredita-se ser sempre obedecida, mais tarde ca ca modificaremos nossas defini¸˜es de momento da Equa¸˜o ?? para altas velocidades aproximando-se co ca a velocidade da luz. 2.3 ˆ SISTEMAS DE REFERENCIAS Newton percebeu que, para as leis de movimento terem significado, o movimento dos corpos devem ser medidos relativos ao mesmo sistema de refˆncia. O sistema de refˆncia ´ chamado de referˆncia e e e e inercial se as leis de Newton s˜o validas realmente neste sistema; que ´, se um corpo n˜o est´ a e a a ∗ Noexperimento de Newton, ele pode ter detectado uma diferen¸a de somente uma parte em 103 . c † Roland Van E¨tv¨s (1848- 1919) um conde H´ ngaro, sua pesquisa em problemas gravitacionais conduziram ao o o u desenvolvimento de um gravitˆmetro, o qual foi usado em estudos geol´gicos. o o ‡ P. G. Roll, R. Krotkov e R. H. Dicke, Ann. Phys. (n.Y.) 26, 442 (1964) Ver tamb´m BraginsKy e Pavov, Sov. e Phys. - JETP 34, 463 (1972). § Ver, por exemplo, as discurss˜es feitas por P. G. Bergmann (Be96) eJ. Weber (We61). Olivro de Weber tamb´m o e fornece uma an´lise do experimento de E¨tv¨s. a o o ¶ Ver tamb´m a Se¸˜o 2.8. e ca Projeto AIUTA – Mecˆnica Cl´ssica I a a (UNIFRA–2004)
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    ˆ 2.3. SISTEMAS DE REFERENCIAS --- 51 sujeito a for¸as externas move-se em uma linha reta com velocidade constante (ou se mant´m c e em repouso), ent˜o o sistema de coordenadas que estabelece este fato ´ um sistema de referˆncia a e e inercial. Esta ´ uma defini¸˜o operacional clara e um que tamb´m segue da teoria da relatividade e ca e geral. Se as leis de Newton s˜o v´lidas em um sistema de referˆncia, ent˜o elas tamb´m s˜o v´lidas a a e a e a a em qualquer sistema de referˆncia em movimento uniforme (isto ´, n˜o acelerado) com respeito e e a ao primeiro sistema.∗ Este ´ um resultado do fato que a equa¸˜o F =m¨ envolve uma derivada e ca r segunda de r: Uma mudan¸a de coordenadas envolvendo uma velocidade constante n˜o influˆncia c a e a equa¸˜o. Este resultado ´ chamado de invariˆncia de Galileu ou princ´ ca e a ıpio da relatividade Newtoniana. A teoria da relatividade tem mostrado que os conceitos de repouso absolutos e um sistema de referˆncia descrito inercial absoluto n˜o tem sentido. Ent˜o mesmo que adotemos um sistema de e a a referˆncia descrito com respeito `s estrelas “fixas” – e realmente tais sistemas as equa¸˜es Newto- e a co nianas s˜o v´lidas com um alto grau de precis˜o – tal sistema n˜o ´ na realidade um referˆncial a a a a e e inercial absoluto. Todavia podemos considerar as estrelas “fixas” para definir um sistema de re- ferˆncia que se aproxima de um referˆncia inercial “absoluta” para que at´ certos pontos satisfa¸am e e e c ao nosso prop´sito. o Embora o sistema de referˆncia das estrelas-fixas seja um sistema convencionalmente defin´ e ıvel e conveniente para muitos prop´sitos, devemos enfatizar que as defini¸˜es fundamentais de um o co referˆncial inercial n˜o fazem men¸˜es as estrelas fixas ou vice-versa. Se um corpo n˜o est´ sujeito e a co a a a for¸as e movimenta-se com velocidade constante em um certo referˆncial, este sistema ´, por c e e defini¸˜o um sistema de referˆncia inercial. Como a descri¸˜o precisa de movimento de um objeto ca e ca f´ ısico real no mundo f´ ısico real ´ normalmente dificil, usaremos idealiza¸˜es e aproxima¸˜es de a co co graus variados; isto ´: desprezaremos as for¸as mais fracas sobre o corpo se estas for¸as n˜o afetam e c c a significativamente o corpo. Se desejarmos descrever o movimento de, digamos, de uma part´ ıcula livre e se escolhermos para esse prop´sito algum sistema de coordenadas num referˆncial inercial, ent˜o requeremos que o e a a equa¸˜o (vetorial) do movimento da part´ ca ıcula seja independente da posi¸˜o da origem do sis- ca tema coordenado e independente de sua orienta¸˜o no espa¸o. Al´m disso iremos requerer que ca c e o tempo seja homogˆneo; isto ´, uma part´ e e ıcula livre movendo-se com velocidade constante no sistema coordenado durante um certo intervalo de tempo que n˜o deve ser durante um intervalo a de tempo posterior, seja encotrado movendo-se com velocidade diferente. Podemos ilustrar a importˆncia dessas propriedades pelo seguinte exemplo. Considere como a na Figura 2-1, uma part´ ıcula livre movendo-se ao longo de uma trajet´ria AC. Para descrever o o movimento da part´ ıcula, vamos escolher um sistema de coordenadas retangulares no qual a origem de move em um c´ ırculo, como mostrado. Para simplificar, vamos formar a orienta¸˜o dos eixos fixo ca no espa¸o. A part´ c ıcula move-se com uma velocidade relativa vp relativo a um referencial inercial. Se o sistema de coordenadas move-se com uma velocidade linear vc quando passa no ponto B, e se vc = vp , ent˜o para um observador no sistema de coordenadas m´vel a part´ a o ıcula (em A) parece estar em repouso. Algum tempo depois, no entanto, quando a part´ ıcula est´ em C e o sistema a de coordenadas em D, a part´ ıcula parecer´ estar acelerada em rela¸˜o ao observador. Devemos, a ca portanto, concluir que o sitema de coordenadas em rota¸˜o n˜o pode ser considerado um referencial ca a inercial. Estas observa¸˜es n˜o s˜o suficientes para decidir se o tempo ´ homogˆneo. Para alcan¸ar co a a e e c semelhantes conclus˜es, repetidas medidas devem ser feitas em situa¸˜es idˆnticas em diversos o co e instantes de tempo; idˆnticos resultados indicar˜o a homogeneidade do tempo. e a As equa¸˜es de Newton n˜o descrevem o movimento dos corpos em sistemas de referˆncia n˜o- co a e a inercial. Podemos desenvolver um m´todo para descrever o movimento de uma part´ e ıcula para um sistema de coordenadas em rota¸˜o, mas, como ser´ visto no Cap´ ca a ıtulo 10, as equa¸˜es resultantes co ∗ No Cap´ıtulo 10, discutiremos as modifica¸˜es que devem ser feitas nas equa¸˜es de Newton se desejamos co co descrever o movimento de um corpo em rela¸˜o a um sistema de referˆncia n˜o inercial, isto ´, um referˆncia que ca e a e e est´ acelerado em rela¸˜o a um referˆncia inercial. a ca e Projeto AIUTA – Mecˆnica Cl´ssica I a a (UNIFRA–2004)
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    52 --- 2 / MECANICA NEWTONIANA – PART´ ˆ ´ ICULA UNICA FIGURA 2-1 contˆm v´rios termos que n˜o aparecem na simples equa¸˜o Newtoniana F = ma. Para o momento, e a a ca ent˜o, restringimos nossa aten¸˜o para os sistemas de referˆncia inercial para descrever a dinˆmica a ca e a de part´ıculas. 2.4 A EQUACAO DO MOVIMENTO PARA UMA PART´ ¸˜ ICULA A equa¸˜o newtoniana F = dp/dt podem expressar alternativamente como ca d dv F= (mv) = m = m¨ r (2.7) dt dt se adotarmos que a massa m n˜o varia com o tempo. Esta ´ uma equa¸˜o diferencial de segunda a e ca ordem que pode ser integrada para encontrar r = r(t) se a fun¸˜o F ´ conhecida. ca e Especificando os valores iniciais de r e r = v obtemos as duas constantes arbrit´rias da ˙ a integra¸˜o. Ent˜o determinamos o movimento da part´ ca a ıcula pela fun¸˜o da for¸a F e os valores ca c iniciais para a posi¸˜o r e a velocidade v. ca A for¸a F pode ser uma fun¸˜o de alguma combina¸˜o da posi¸˜o, velocidade e tempo, e c ca ca ca ´ geralmente denotada como F(r, v, t). Para um certo sistema dinˆmico, normalmente queremos e a saber r e v como uma fun¸˜o do tempo. Isto ´ obtido resolvendo a Equa¸˜o 2.7 em ¨. A aplica¸˜o ca e ca r ca da Equa¸˜o 2.7 para situa¸˜es f´ ca co ısicas ´ uma importante parte da mecˆmica. e a Neste cap´ ıtulo, estudaremos v´rios exemplos no qual a fun¸˜o for¸a ´ conhecida. Iniciaremos a ca c e usando fun¸˜es for¸a mais simples (constante ou dependente somente de r, ou v ou t) em uma co c dimens˜o espacial somente, como uma revis˜o das disciplinas b´sicas de f´ a a a ısica. Isso ´ importante e a ca ˜ para formar bons h´bitos na resolu¸˜o de problemas. Abaixo sAo apresentadas algumas t´cnicas e uteis para resolver problemas. ´ 1. Fazer um esbo¸o (esquema gr´fico – desenho) do problema, indicando as for¸as, velocidade c a c e assim por diante. 2. Escreva as grandezas e seus valores fornecidos. 3. Escreva as equa¸˜es que ser˜o utilizadas e o que ´ para ser determinanado. co a e Projeto AIUTA – Mecˆnica Cl´ssica I a a (UNIFRA–2004)
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    2.4. A EQUACAODO MOVIMENTO PARA UMA PART´ ¸˜ ICULA --- 53 4. As equa¸˜es que descrevem o problema normalmente devem ser manipuladas a fim de achar co a grandeza procurada. Manipula¸˜es alg´bricas bem como a diferencia¸˜o ou integra¸˜o s˜o co e ca ca a usualmente exigidas. Algumas vezes c´lculos num´ricos usando o computador s˜o mais f´ceis, a e a a se for o unico m´todo para a solu¸˜o. ´ e ca 5. Finalmente, coloque os valores reais fornecidos, para obter os valores das vari´veis das gran- a dezas procuradas. Vamos considerar o problema do bloco deslizando no plano inclinado. O ˆngulo do plano inclinado a ´ θ e a massa do bloco ser´ 100 g. O esquema do problema ´ mostrado na Figura 2-2a. e a e E X E M P L O 2.1 − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − −− Se um bloco desliza sem atrito sob um plano inclinado fixo, θ = 30o , qual ´ a acelera¸˜o e ca deste? FIGURA 2-2 Solu¸˜o: Duas for¸as atuam no bloco (ver Figura 2-2a): a for¸a gravitacional Fg e a for¸a normal ca c c c do plano N empurrando para cima no bloco (sem atrito neste exemplo). O bloco ´ pressionado e para ficar sobre o plano, e a unica dire¸˜o que ele pode se mover ´ na dire¸˜o x, subindo e descendo ´ ca e ca o plano. N´s tomamos a dire¸˜o + x para descer o plano. A for¸a resultante F ´ constante; a o ca c e Equa¸˜o 2.7 se torna ca F = Fg + N e porque F ´ a for¸a resultante do sistema que atua no bloco, e c F = m¨ r ou Fg + N = m¨ r (2.8) Este vetor deve ser aplicado em duas dire¸˜es: x e y (perpendicular a x). A componente da co for¸a na dire¸˜o y ´ zero, porque n˜o ocorre acelera¸˜o nesta dire¸˜o. A for¸a Fg est´ dividida c ca e a ca ca c a vetorialmente dentro de suas componentes x e y (linhas na Figura ??a). A Equa¸˜o 2.8 se torna ca dire¸˜o y ca −Fg cos θ + N = 0 (2.9) dire¸˜o x ca Fg sin θ = m¨ x (2.10) Projeto AIUTA – Mecˆnica Cl´ssica I a a (UNIFRA–2004)
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    54 --- 2 / MECANICA NEWTONIANA – PART´ ˆ ´ ICULA UNICA com o resultado adquirido Fg mg sin θ x= ¨ sin θ = = g sin θ m m g x = g sin (30◦ ) = = 4.9m/s2 ¨ (2.11) 2 Portanto, a acelera¸˜o do bloco ´ constante. ca e Podemos encontrar a velocidade do bloco ap´s este se mover do repouso uma distˆncia x0 o a descendo o plano pela multiplica¸˜o da Equa¸˜o 2.11 por 2x e integrando ca ca ˙ 2x¨ = 2xg sin θ ˙x ˙ d 2 dx (x ) = 2g sin θ ˙ dt dt 2 v0 x0 d(x2 ) = 2g sin θ ˙ dx 0 0 Para t = 0, ambos x = x = 0, e, para t = tf inal , x = x0 , e a velocidade x = v0 . ˙ ˙ 2 v0 = 2g sin θx0 v0 = 2g sin θx0 −−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−− E X E M P L O 2.2 − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − Se o coeficiente de atrito est´tico entre o bloco e o plano previsto do exemplo anterior a ´ µs = 0.4, em que ˆngulo θ o bloco come¸ar´ a deslizar se estiver inicialmente em e a c a repouso? Solu¸˜o: Necessitamos de uma for¸a de atrito adicional f (veja Figura 2.2b). A for¸a de atrito ca c c est´tica tem o valor m´ximo aproximado a a fmax = µs N (2.12) e a Equa¸˜o 2.7 torna-se, na forma de suas componentes, ca dire¸˜o y ca −Fg cos θ + N = 0 (2.13) dire¸˜o x ca −fs + Fg sin θ = m¨ x (2.14) A for¸a de atrito est´tica fs ter´ algum valor entre fs ≤ fmax para manter x = 0 – para manter o c a a ¨ bloco em repouso. Entretanto, o ˆngulo θ do plano aumenta, logo a for¸a de atrito est´tica ser´ a c a a incapaz de manter o bloco no repouso. Nesse ˆngulo θ , fs torna-se a fs (θ = θ ) = fmax = µs N = µs Fg cos θ e m¨ = Fg sin θ − fmax x m¨ = Fg sin θ − µs Fg cos θ x x = g(sin θ − µs cos θ) ¨ (2.15) Projeto AIUTA – Mecˆnica Cl´ssica I a a (UNIFRA–2004)
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    2.4. A EQUACAODO MOVIMENTO PARA UMA PART´ ¸˜ ICULA --- 55 Imediatamente antes do bloco come¸ar deslizar, a acelera¸˜o ´ x = 0, assim c ca e ¨ sin θ − µs cos θ = 0 tan θ = µs = 0.4 θ = tan−1 (0.4) = 22◦ −−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−− E X E M P L O 2.3 − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − Depois que o bloco do exemplo anterior come¸a a deslizar, o coeficiente da fric¸˜o c ca cin´tica (do movimento) torna-se µk = 0.3. Encontre a acelera¸˜o para o ˆngulo de e ca a θ = 30o . Solu¸˜o: Similarmente ao Exemplo 2.2, a fric¸˜o cin´tica torna-se (aproximadamente) ca ca e fk = µk N = µk Fg cos θ (2.16) e m¨ = Fg sin θ − fk = mg(sin θ − µk cos θ) x (2.17) x = g(sin θ − µk cos θ) = 0.24g ¨ (2.18) Geralmente, a for¸a de fric¸˜o est´tica (fmax = µs N ) ´ maior que aquela da fric¸˜o cin´tica c ca a e ca e (fk = µk N ). Isto pode ser observado em uma experiˆncia simples. Se diminuirmos o ˆngulo θ e a abaixo de 16.7o , encontramos que x < 0, e o bloco permanece parado. Se levantarmos o apoio do ¨ bloco acima de θ = 16.7o , encontramos que o bloco n˜o inicia o movimento novamente at´ que a e θ ≥ 22o . A fric¸˜o est´tica determina quando o movimento tem in´ novamente. N˜o h´ uma ca a ıcio a a acelera¸˜o descontinua enquanto o bloco come¸a se mover devido a diferen¸a entre µs e µk . Para ca c c velocidades pequenas, o coeficiente de fric¸˜o muda rapidamente de µs a µk . ca O assunto da fric¸˜o ´ ainda uma ´rea de pesquisa interessante e importante. H´ sempre ca e a a algumas surpresas. Por exemplo, mesmo que calcul´ssemos o valor absoluto da for¸a de fric¸˜o a c ca como f = µN , a pesquisa mostrou que a for¸a de fric¸˜o ´ diretamente proporcional, n˜o ` c ca e a a carga, mas ` ´rea de contato microsc´pica entre os dois objetos (ao contr´rio da ´rea de contato aa o a a aparente). N´s usamos o µN como uma aproxima¸˜o porque, enquanto N aumenta, ”faz assim a o ca a ´rea de contato real em um n´ microsc´pico”. Por centenas de anos antes dos 1940s, aceitou-se ıvel o que a carga – e n˜o a ´rea – eram respons´veis diretamente. Acreditamos tamb´m que a for¸a de a a a e c fric¸˜o est´tica ´ maior que aquela de fric¸˜o cin´tica porque a liga¸˜o dos ´tomos entre os dois ca a e ca e ca a objetos n˜o tem como se desenvolver por muito tempo no movimento cin´tico. a e −−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−− EFEITO DAS FORCAS DE RETARDAMENTO ¸ Devemos enfatizar que a for¸a F na Equa¸˜o 2.7 n˜o ´ necessariamente constante, e de fato, ela c ca a e pode consistir de v´rias partes distintas, como vimos nos exemplos anteriores. Por exemplo, se a uma part´ıcula cai num campo gravitacional constante, a for¸a gravitacional ´ Fg = mg, onde g ´ c e e a acelera¸˜o da gravidade. Se conjuntamente, existe uma for¸a de retardamento Fr e que ´ uma ca c e fun¸˜o da velocidade instantˆnea, ent˜o a for¸a total ´ ca a a c e F = Fg + Fr = mg + Fr (v) (2.19) Projeto AIUTA – Mecˆnica Cl´ssica I a a (UNIFRA–2004)
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    56 --- 2 / MECANICA NEWTONIANA – PART´ ˆ ´ ICULA UNICA Geralmente ´ suficiente considerar que Fr (v) ´ simplesmente proporcional a alguma potˆncia da e e e velocidade. Em geral, as for¸as de retardamento reais s˜o mais complicadas, mas a aproxima¸˜o c a ca pela lei das potˆncias ´ util em muitas ocasi˜es na qual a velocidade n˜o tem grandes varia¸˜es. e e ´ o a co Neste caso, se Fr ∝ v n , ent˜o a equa¸˜o de movimento pode geralmente ser integrada diretamente a ca ao passo que, se a real dependˆncia da velocidade for usada, provavelmente ser´ necess´rio uma e a a integra¸˜o num´rica. Com a aproxima¸˜o da lei da potˆncia, podemos escrever ca e ca e v F = mg − mkv n (2.20) v onde k ´ uma constante positiva que especifica o poder da for¸a de retardamento e v/v ´ um vetor e c e unit´rio na dire¸˜o de v. Experimentalmente, encontramos que, para um objeto relativamente a ca pequeno movendo-se no ar, n ∼ 1 para velocidades menores que aproximadamente 24 m/s (∼ 80 = ft/s). Para altas velocidades mas com valores abaixo da velocidade do som (∼ 330 m/s ou 1.100 ft/s), a for¸a de retardamento ´ aproximadamente proporcional ao quadrado da velocidade.∗ Para c e simplificar, a dependˆncia de v 2 quase sempre ´ usada para velocidades acima da velocidade do e e som. O efeito da resistˆncia do ar ´ importante, por exemplo, para um jogo de ping-pong, uma bola e e leve movendo-se velozmente desvia sua trajet´ria e, para um proj´til de morteiro lan¸ado contra um o e c inimigo. Extensa tabelas foram constru´ ıdas para proj´teis bal´ e ısticos militares de diferentes tipos com a velocidade em fun¸˜o do tempo de vˆo. Existem v´rias for¸as atuando sobre um proj´til ca o a c e em vˆo. A resistˆncia do ar ´ chamada de for¸a de arraste W e ´ oposta a velocidade do proj´til, o e e c e e como mostra a Figura 2-3a. A velocidade v n˜o ´ normalmente paralela ao eixo de simetria do a e proj´til. O componente da for¸a atuando perpendicularmente a for¸a de arraste ´ conhecida, como e c c e for¸a de ascens˜o La . Deve haver tamb´m outras for¸as devido a rota¸˜o e oscila¸˜o do proj´til, e c a e c ca ca e um c´lculo da trajet´ria bal´ a o ıstica do projeto ´ extremamente complexo. A express˜o de Prandtl e a para resistˆncia do ar†´ e e 1 W = cW ρAv 2 (2.21) 2 onde cW ´ o coeficiente de arraste adimensional, ρ ´ a densidade do ar, v ´ a velocidade e A e e e ´ a ´rea da sec¸˜o reta do objeto (proj´til) medida perpendicularmente com a velocidade. Nas e a ca e Figuras 2-3b, plotamos alguns valores t´ıpicos para cW , e nas Figuras 2-3c e d podemos calcular a resistˆncia W usada na Equa¸˜o 2.21 para um proj´til de diˆmetro 10 cm e usando os valores de cW e ca e a apresentados. A resistˆncia do ar aumenta drasticamente pr´ximo ` velocidade do som (n´mero de e o a u Mach M = velocidade/velocidade do som). Abaixo das velocidades de aproximadamente 400 m/s ´ evidente que uma equa¸˜o de pelo menos segundo grau ´ necess´ria para descrever a for¸a de e ca e a c resistˆncia. Para altas velocidades, o retardamento da for¸a varia aproximadamente linearmente e c com a velocidade. V´rios exemplos de movimento de uma part´ a ıcula sujeita a v´rias for¸as s˜o descritas a se- a c a guir. Esses exemplos s˜o particularmente bons para a inicia¸˜o a c´lculos computacionais usando a ca a alguns dos programas comerciais de matem´tica simb´lica, de planilhas ou para os estudantes es- a o creverem seus pr´prios programas. Os resultados computacionais, especialmente os gr´ficos podem o a muitas vezes ser comparados com os resultados anal´ ıticos apresentamos aqui. Algumas das Figu- ras mostradas nesta se¸˜o foram produzidas usando c´lculos computacionais, e v´rios problemas ca a a propostos no final do cap´ ıtulo s˜o propostos para os estudantes iniciarem experiˆncias no uso do a e computador, se assim desejar o professor ou estudante. ∗ O movimento de uma part´ ıcula num meio na qual h´ uma for¸a resistente proporcional a velocidade ou com o a c quadrado da velocidade (ou uma combina¸˜o linear das duas) foi estudado por Newton em seu Principia (1687). A ca extens˜o para alguma potˆncia da velocidade foi feito por Joham Bernoulli em 1711. O termo lei da resistˆncia de a e e Stokes ´ algumas vezes aplicada para uma for¸a resistente proporcional a velocidade; a lei da resistˆncia de Newton e c e ´ uma for¸a de retardamento proporcional ao quadrado da velocidade. e c † Veja o artigo de E. Melchior e H. Reuschel no “Handbook on Weaponry” (Rh82, p.137) Projeto AIUTA – Mecˆnica Cl´ssica I a a (UNIFRA–2004)
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    2.4. A EQUACAODO MOVIMENTO PARA UMA PART´ ¸˜ ICULA --- 57 FIGURA 2-3 (a) For¸as aerodinˆmicas agindo no proj´til. W ´ a for¸a de arraste (for¸a da resistˆncia do ar) e ´ oposta c a e e c c e e a velocidade do proj´til v. Observe que v dever´ estar num ˆngulo α com o eixo da simetria do proj´til. O componente e a a e da for¸a de a¸˜o perpendicular a for¸a de arraste ´ chamada de for¸a de ascens˜o Fa . O ponto D ´ o centro de press˜o. c ca c e c a e a Finalmente, a for¸a gravitacional Fg age para baixo. Se o centro de press˜o n˜o est´ no centro de massa do proj´til, h´ c a a a e a tamb´m um torque em torno do centro de massa. (b) O coeficiente de arraste cW , da lei de resistˆncia de Rheinmetall e e (Rh82), ´ plotado como fun¸˜o do n´ mero M de Mach . Observe a grande varia¸˜o pr´xima da velocidade do som onde e ca u ca o M = 1. (c) A for¸a de resistˆncia do ar W (for¸a de arraste) ´ mostrada com uma fun¸˜o da velocidade para um proj´til de c e c e ca e diˆmetro igual a 10 cm. Observe a inflex˜o pr´xima da velocidade do som. (d) Mesma an´lise de (c) para altas velocidades. a a o a E X E M P L O 2.4 − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − −− Como um exemplo simples de movimento resistivo de uma part´ ıcula, encontramos o movimento e a velocidade do movimento horizontal em um meio em que a for¸a de c retardamento ´ proporcional a velocidade e Solu¸˜o: Um esbo¸o do problema ´ mostrado na Figura 2-4. A Equa¸˜o Newtoniana F = ma ca c e ca fornece-nos equa¸˜o de movimento: dire¸˜o x ca ca dv ma = m = −kmv (2.22) dt Projeto AIUTA – Mecˆnica Cl´ssica I a a (UNIFRA–2004)
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    58 --- 2 / MECANICA NEWTONIANA – PART´ ˆ ´ ICULA UNICA FIGURA 2-4 onde kmv ´ a magnitude da for¸a de resistˆncia (k = constante). Portanto e c e dv = −k dt v ln v = −kt + C1 (2.23) A integra¸˜o constante na Equa¸˜o 2.23 pode ser avaliada se prescrevermos a condi¸˜o inicial ca ca ca v(t = 0) ≡ v0 . Logo C1 = ln v0 , e v = v0 e−kt (2.24) Podemos integrar esta equa¸˜o para obter o deslocamento x como fun¸˜o do tempo: ca ca dx v= = v0 e−kt dt v0 −kt x = v0 e−kt dt = − e + C2 (2.25a) k A condi¸˜o inicial x(t = 0) ≡ 0 implica C2 = v0 /k. Ent˜o ca a v0 x= (1 − e−kt ) (2.25b) k Este resultado mostra que x aproxima-se do valor v0 /k conforme t → ∞. Podemos tamb´m obter a velocidade como fun¸˜o do deslocamento escrevendo e ca dv dv dt dv 1 = = . dx dt dx dt v portanto dv dv v = = −kv dx dt ou dv = −k dx para a qual encontramos, usando as mesmas condi¸˜es iniciais, co v = v0 − kx (2.26) Portanto, a velocidade decresce linearmente com o deslocamento. −−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−− Projeto AIUTA – Mecˆnica Cl´ssica I a a (UNIFRA–2004)
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    2.4. A EQUACAODO MOVIMENTO PARA UMA PART´ ¸˜ ICULA --- 59 E X E M P L O 2.5 − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − Encontre o deslocamento e a velocidade de uma part´ ıcula que se encontra em mo- vimento vertical em um meio que tem uma for¸a de retardamento proporcional ` c a velocidade. Solu¸˜o: Considere uma part´ ca ıcula caindo com velocidade inicial v0 de uma altura h e campo gravitacional constante (Figura 2.5). A equa¸˜o de movimento ´ ca e dire¸˜o z ca dv F =m = −mg − kmv (2.27) dt onde −kmv representa a for¸a positiva para cima desde z onde v = z no sentido positivo para cima, c ˙ assim como o movimento para baixo - isto ´, v < 0, assim −kmv > 0. A partir da Equa¸˜o 2.27, e ca temos dv = −dt (2.28) kv + g Integrando a Equa¸˜o 2.28 e considerando v(t = 0) ≡ v0 , temos (notando que v0 < 0) ca 1 ln(kv0 + g) = −t + c k kv + g = e−kt+kc dz g kv0 + g −kt v= =− + e (2.29) dt k k Integrando mais uma vez e calculando a constante no sentido z(t = 0) ≡ h, temos gt kv0 + g z =h− + (1 − e−kt ) (2.30) k k2 FIGURA 2-5 Projeto AIUTA – Mecˆnica Cl´ssica I a a (UNIFRA–2004)
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    60 --- 2 / MECANICA NEWTONIANA – PART´ ˆ ´ ICULA UNICA FIGURA 2-6 A Equa¸˜o 2.29 mostra que enquanto o tempo se torna muito longo, a velocidade se aproxima do ca valor limite −g/k; esta ´ chamada velocidade terminal, vt . A Equa¸˜o 2.27 resulta no mesmo e ca resultado, porque a for¸a desaparecer´ – e daqui nenhum acceleration mais adicional ocorrer´ – c a a quando v = −g/k. Se a velocidade inicial exceder a velocidade terminal em magnitude, ent˜o a o corpo come¸a imediatamente a retardar para baixo e v aproxima-se da velocidade terminal c na dire¸˜o oposta. A Figura 2-6 ilustra estes resultados para velocidades descendentes (valores ca positivos). −−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−− E X E M P L O 2.6 − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − Em seguida, tratamos o movimento do proj´til em duas dimens˜es, primeiramente e o sem considerar a resistˆncia do ar. Deixe a velocidade do a¸aime do proj´til ser v0 e c e e o ˆngulo de eleva¸˜o ser θ (Figura 2-7). Calcule o deslocamento, a velocidade, e o a ca alcance do proj´til. e FIGURA 2-7 Projeto AIUTA – Mecˆnica Cl´ssica I a a (UNIFRA–2004)
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    2.4. A EQUACAODO MOVIMENTO PARA UMA PART´ ¸˜ ICULA --- 61 Solu¸˜o: Usando F = mg , as componentes da for¸a tornam-se ca c dire¸˜o x ca 0 = m¨ x (2.31a) dire¸˜o y ca −mg = m¨ y (2.31b) Desconsiderando a altura da arma, e assumindo x = y = 0 e t = 0. Ent˜o a x=0 ¨ x = v0 cos θ ˙ x = v0 t cos θ (2.32) e y = −g ¨ y = −gt + v0 sin θ ˙ −gt2 y= + v0 t sin θ (2.33) 2 A velocidade e o deslocamento total como fun¸˜es do tempo s˜o encontrados por: co a v= x2 + y 2 = (v0 + g 2 t2 − 2v0 gt sin θ)1/2 ˙ ˙ 2 (2.34) e 1/2 g 2 t4 r= x2 + y 2 = v0 t2 + 2 − v0 gt3 sin θ (2.35) 4 Podemos encontrar o alcance determinando o valor de x quando o proj´til atinge o solo, isto ´ , e e quando y = 0 −gt y=t + v0 sin θ =0 (2.36) 2 Um valor de y = 0 ocorre para t = 0 e o outro para t = T . −gT + v0 sin θ = 0 2 2v0 sin θ T = (2.37) g O alcance R ´ encontrado a partir de e 2 2v0 x(t = T ) = alcance = sin θ cos θ (2.38) g 2 v0 R = alcance = sin 2θ (2.39) g Observe que o alcance m´ximo ocorre para θ = 45◦ . a Projeto AIUTA – Mecˆnica Cl´ssica I a a (UNIFRA–2004)
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    62 --- 2 / MECANICA NEWTONIANA – PART´ ˆ ´ ICULA UNICA Vamos usar algum n´mero atual nestes c´lculos. Os alem˜es usaram uma arma de longo u a a alcance nomeada Grande Cabina na Primeira Guerra Mundial que bombardeou Paris. O m´ ıssel chegou a uma velocidade de 1, 450m/s. Encontre o alcance previsto, a altura m´xima do proj´til, a e e o tempo de vˆo do proj´til se θ = 55◦ . Temos v0 = 1, 450m/s e θ = 55o , assim (da Equa¸˜o 2.39) o e ca o alcance torna-se (1450m/s)2 R= [sin (110o )] = 202km 9.8m/s2 a Grande Cabina atual alcan¸a 120km . A diferen¸a ´ um resultado do efeito real da resistˆncia c c e e do ar. Para encontrar a altura m´xima atingida, precisamos calcular y para o tempo T /2 onde T ´ a e o tempo de vˆo do proj´til: o e (2)(1450m/s)(sin 55o ) T = = 242s 9.8m/s2 T −gT 2 v0 T ymax t = = + sin θ 2 8 2 −(9.8m/s)(242s)2 (1450m/s)(242s) sin (55o ) = + 8 2 = 72km −−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−− E X E M P L O 2.7 − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − A seguir, adicionamos os efeitos da resistˆncia do ar no movimento do proj´til do e e exemplo anterior. Calcule o decrescimento do alcance deste supondo que a for¸a cau- c sada pela resistˆncia do ar seja diretamente proporcional ` velocidade do proj´til. e a e Solu¸˜o: As condi¸˜es iniciais s˜o as mesmas do exemplo anterior. ca co a  x(t = 0) = 0 = y(t = 0)   x(t = 0) = v0 cos θ ≡ U ˙ (2.40)    y(t = 0) = v0 sin θ ≡ V ˙  Entretanto, as equa¸˜es do movimento, Equa¸˜o 2.31, torna-se co ca m¨ = −kmx x ˙ (2.41) m¨ = −kmy − mg y ˙ (2.42) A Equa¸˜o 2.41 ´ exatamente a mesma usada no Exemplo 2.4. A solu¸˜o ´, portanto ca e ca e U x= (1 − e−kt ) (2.43) k Similarmente, a Equa¸˜o 2.42 ´ a mesma em rela¸˜o ` equa¸˜o do movimento no Exemplo 2.5. ca e ca a ca Projeto AIUTA – Mecˆnica Cl´ssica I a a (UNIFRA–2004)
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    2.4. A EQUACAODO MOVIMENTO PARA UMA PART´ ¸˜ ICULA --- 63 Podemos usar a solu¸˜o encontrada neste exemplo com a condi¸˜o de h = 0 (o fato que considera- ca ca mos a part´ıcula a ser projetada em declive no Exemplo 2.5 ´ de que n˜o h´ conseq¨ˆncia. O sinal e a a ue da velocidade inicial automaticamente leva isto ao c´lculo.) Portanto a gt kV + g y=− + (1 − e−kt ) (2.44) k k2 A trajet´ria ´ mostrada na Figura 2-8 por v´rios valores do retardamento da for¸a constante k que o e a c ´ dado pelo vˆo do proj´til. e o e O alcance R , o qual ´ o alcance incluindo a resistˆncia do ar, pode ser encontrado previa- e e mente pelo calculo do tempo T requerido pela trajet´ria inteira e ent˜o, substituindo este valor na o a Equa¸˜o 2.43 por x. Este tempo T ´ encontrado previamente pela descoberta que t = T quando ca e y = 0. Da Equa¸˜o 2.44, encontramos ca kV + g T = (1 − e−kt ) (2.45) gk Esta ´ uma equa¸˜o transcendental, e, portanto, n˜o podemos obter uma express˜o anal´ e ca a a ıtica para T . Apesar de tudo n´s ainda temos m´todos poderosos para usar para solucionar tais problemas. o e FIGURA 2-8 As trajet´rias calculadas, da part´ o ıcula na resistˆncia do ar (Fres = −kmv) para v´rios valores de k ( nas e a unidades s−1 ). Os c´lculos foram apresentados para valores de θ = 60◦ e v0 = 600m/s. Os valores de y (Equa¸˜o 2.44) a ca s˜o marcados versus x (Equa¸˜o 2.43). a ca Apresentamos dois deles aqui: (1) o m´todo de perturba¸˜o para encontrar uma solu¸˜o apro- e ca ca ximada, e (2) o m´todo num´rico, o qual, pode normalmente ser constatado como o desejado. e e Compararemos os resultados. M´todo de Perturba¸˜o. Para usar o m´todo de perturba¸˜o, encontramos um parˆmetro de e ca e ca a expans˜o ou uma fun¸˜o constante que ´ normalmente pequeno. No presente caso, este parˆmetro a ca e a ´ o retardamento da constante k, porque j´ t´ e a ınhamos solucionado o presente problema com k = 0, e agora poder´ıamos manter o retardamento da for¸a, mas deixar o k ser pequeno. Entretanto, se c expandirmos o termo exponencial da Equa¸˜o 2.45 (veja Equa¸˜o D.34 do Apˆndice D) na s´rie de ca ca e e for¸as com inten¸˜o de manter somente os termos mais baixos de k n , onde k ´ o nosso parˆmetro c ca e a de expans˜o. a kV + g 1 1 T = kT − k 2 T 2 + k 3 T 3 − ... (2.46) gk 2 6 Projeto AIUTA – Mecˆnica Cl´ssica I a a (UNIFRA–2004)
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    64 --- 2 / MECANICA NEWTONIANA – PART´ ˆ ´ ICULA UNICA Se mantivermos somente termos na expans˜o atrav´s do k 3 , esta equa¸˜o pode ser reestruturada a e ca na forma 2V /g 1 T = + kT 2 (2.47) 1 + kV /g 3 Agora, temos o parˆmetro de expans˜o k no denominador do primeiro termo no lado direito da a a equa¸˜o. Precisamos expandir esse termo em uma s´rie de for¸as (S´ries de Taylor, ver Equa¸˜o ca e c e ca D.8 do Apˆndice D): e 1 = 1 − (kV /g) + (kV /g)2 − ... (2.48) 1 + kV /g Onde podemos manter somente temos atrav´s de k 2 , pois somente temos termos atrav´s de k na e e Equa¸˜o 2.47. Se inserirmos esta expans˜o da Equa¸˜o 2.48 no primeiro termo do lado direito da ca a ca Equa¸˜o 2.47 e mantermos somente os termos em k para primeira ordem, temos ca 2V T2 2V 2 T = + − 2 k + O(k 2 ) (2.49) g 3 g No qual escolhemos excluir o O(k 2 ), os termos da orem k 2 e mais altos. No limite k → 0 (sem resistˆncia do ar), a Equa¸˜o 2.49 nos mostra o mesmo resultado que no exemplo anterior: e ca 2V 2v0 sin θ T (k = 0) = T0 = = g g Entretanto, se k ´ pequeno (mas n˜o foi totalmente exclu´ e a ıdo) o tempo do vˆo ser´ aproximadamente o a igual a T0 . Ent˜o se usarmos este valor aproximado para T = T0 no lado direito da Equa¸˜o 2.49 a ca teremos 2V kV T ∼ = 1− (2.50) g 3g a qual ´ desejada uma express˜o aproximada para o tempo de vˆo. e a o A seguir escrevemos a equa¸˜o para x (Equa¸˜o 2.43) na forma expandida: ca ca U 1 1 x= kt − k 2 t2 + k 3 t3 − ... (2.51) k 2 6 J´ que x(t = T ) ≡ R , temos aproximadamente para o alcance a 1 R ∼ U T − kT 2 = (2.52) 2 onde, novamente, mantemos os termos somente atrav´s da primeira ordem do k. Agora podemos e avaliar esta express˜o pelo uso do valor de T da Equa¸˜o 2.50. Se mantermos somente os termos a ca lineares no k, encontramos 2U v 4kV R ∼ = 1− (2.53) g 3g A quantidade 2U V /g agora pode ser escrita (usando as Equa¸˜es 2.40) como co 2U v 2v 2 v2 = 0 sin θ cos θ = 0 sin 2θ = R (2.54) g g g As quais podem ser reconhecidas em rela¸˜o ao alcance R do proj´til quando a resistˆncia do ar ´ ca e e e desprezada. Ent˜o a 4kV R ∼R 1− = (2.55) 3g Projeto AIUTA – Mecˆnica Cl´ssica I a a (UNIFRA–2004)
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    2.4. A EQUACAODO MOVIMENTO PARA UMA PART´ ¸˜ ICULA --- 65 Al´m dessa s´rie de valores de k podemos esperar que nosso m´todo de perturba¸˜o esteja correto? e e e ca Se olharmos a expans˜o na Equa¸˜o 2.48, vemos que a expans˜o n˜o ir´ convergir a n˜o ser que a ca a a a a kV /g < 1 ou k < g/V , e na verdade gostar´ ıamos que k << g/V = g/(v0 sin θ). M´todo Num´rico. A Equa¸˜o 2.45 pode ser resolvida numericamente usando um computador e e ca por uma variedade de m´todos, estabelecemos a volta para solucionar a equa¸˜o para T por e ca muitos valores de k at´ 0, 08s−1 : Ti (ki ). Estes valores de T e k est˜o inseridos na Equa¸˜o 2.43 e a ca para encontrar o alcance R , o qual ´ mostrado na Figura 2-9. O alcance decai rapidamente com e o aumento da resistˆncia do ar, exatamente como esperamos, mas n˜o ´ mostrada a dependˆncia e a e e linear sugerida pela solu¸˜o do m´todo de perturba¸˜o da Equa¸˜o 2.55. ca e ca ca Para o movimento do proj´til descrito nas Figuras 2-8 e 2-9, a aproxima¸˜o linear n˜o est´ e ca a a constatada para os valores de k t˜o baixos quanto 0.01s−1 e incorretamente mostra que o alcance a ´ zero para todos valores de k maiores do que 0.014s−1 . Esta desconcordˆncia com o m´todo e a e de perturba¸˜o n˜o ´ uma surpresa, pois o resultado linear para o alcance R era dependente ca a e em k << g/(v0 sin θ) = 0.02s−1 , o qual ´ dificilmente verdade at´ para o k = 0.01s−1 . Essa e e concordˆncia pode ser adequada para k = 0.005s−1 . Os resultados mostrados na Figura 2-8 a indicam que para valores de k > 0.005s−1 , dificilmente a resistˆncia pode ser considerada numa e perturba¸˜o. De fato, para k > 0.01s−1 a resistˆncia torna-se valor dominante no movimento do ca e proj´til. e −−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−− FIGURA 2-9 O valor de alcance calculado aproximadamente e numericamente para um dado proj´til ´ mostrado na e e Figura 2-8 e plotado como uma fun¸˜o da for¸a constante de retardamento k. ca c O exemplo anterior indica como o mundo real pode ser complicado. Neste exemplo, ainda podemos fazer algumas suposi¸˜es n˜o f´ co a ısicas – assumindo por exemplo que a for¸a de retardamento c ´ sempre linearmente proporcional a velocidade. Ent˜o nossos c´lculos num´ricos n˜o s˜o precisos, e a a e a a pois como mostra a Figura 2-3 a melhor suposi¸˜o pode ser incluir um termo retardat´rio v 2 ca o conforme necess´rio. Da mesma forma adicionando termos podemos resolver dificuldades com o a c´lculo num´rico, e fazer um c´lculo similar no pr´ximo exemplo. Temos que incluir o arquivo a e a o do autor Matchcad para produzir as Figuras 2-8 e 2-9 no Apˆndice H para aqueles estudantes e poderem reproduzir os c´lculos. Enfatizamos que h´ muitas formas para a performance do c´lculo a a a num´rico com computadores, e o estudante ir´ provavelmente querer transformar n´meros com e a u praticidade. Projeto AIUTA – Mecˆnica Cl´ssica I a a (UNIFRA–2004)
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    66 --- 2 / MECANICA NEWTONIANA – PART´ ˆ ´ ICULA UNICA E X E M P L O 2.8 − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − Use os dados mostrados na Figura 2-3 para calcular a trajet´ria de um proj´til real. o e Suponha uma velocidade do a¸aime de 600m/s, a eleva¸˜o do injetor de 450 , e uma c ca massa do proj´til de 30kg. Trace em um plano a altura y versus a distˆncia horizontal e a x e trace y, x, e y versus o tempo com e sem resistˆncia do ar. Inclua somente a ˙ ˙ e resistˆncia do ar e a gravidade, ignore outras for¸as poss´ e c ıveis tais como o elevador. Solu¸˜o: Primeiramente, fa¸amos uma tabela da for¸a de retardamento versus a velocidade inter- ca c c pretando a Figura 2-3. Interprete a for¸a a cada 50m/s para a Figura 2-3c e a cada 100m/s para c a Figura 2-3d. Podemos ent˜o usar uma linha reta entre os valores tabular. Usemos o sistema de a coordenadas mostrado na Figura 2-7. A equa¸˜o do movimento torna-se ca Fx x=− ¨ (2.56) m Fy y=− ¨ −g (2.57) m onde Fx e Fy s˜o as for¸as de retardamento. Suponha que g ´ constante. Fx ser´ sempre um a c e a n´mero positivo, mas Fy > 0 para o proj´til que sobe, e Fy < 0 para o proj´til que desce. Deixe θ u e e ser o ˆngulo de eleva¸˜o dos proj´teis na horizontal em qualquer instante. a ca e v = x2 + y 2 ˙ ˙ (2.58) y˙ tan θ = (2.59) x ˙ Fx = F cos θ (2.60) Fy = F sin θ (2.61) FIGURA 2-10 Os resultados do Exemplo 2.8. As linhas s´lidas s˜o os resultados se a resistˆncia do ar n˜o estiver o a e a inclu´ ıda, enquanto que as linhas tracejadas abrangem os resultados que incluem a for¸a de resistˆncia do ar. Em (a) c e tamb´m incluimos o efeito da densidade do ar causando uma pequena dependˆncia quando o proj´til sobe. e e e Projeto AIUTA – Mecˆnica Cl´ssica I a a (UNIFRA–2004)
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    2.4. A EQUACAODO MOVIMENTO PARA UMA PART´ ¸˜ ICULA --- 67 Podemos calcular Fx e Fy para qualquer instante sabendo x e y. Acima de um intervalo pequeno ˙ ˙ do tempo, x e y podem ser calculados. ˙ ˙ t x = ˙ xdt + v0 cos θ ¨ (2.62) 0 t y ˙ = y dt + v0 sin θ ¨ (2.63) 0 t x = xdt ˙ (2.64) 0 t y = ydt ˙ (2.65) 0 Escrevemos um programa de computador curto para conter nossa tabela para as for¸as de c retardamento e para executar os c´lculos para x, y, x, e y em fun¸˜o do tempo. Devemos calcular a ˙ ˙ ca as integrais para intervalos pequenos de tempo pois as for¸as s˜o dependentes do tempo. Figura c a 2-10 mostra os resultados. Observe a grande diferen¸a que a resistˆncia do ar faz. Na Figura 2-10a, a distˆncia horizontal c e a (escala) que o proj´til viaja ´ aproximadamente 16km comparados a quase 37km sem nenhuma e e resistˆncia do ar. Nosso c´lculo ignorou o fato que a densidade do ar depende da altura. Se e a fizermos exame da diminui¸˜o na densidade do ar com altura, obtemos a terceira curva com uma ca escala de 18km mostrados na Figura 2-10a. Se incluirmos tamb´m o elevador, a escala seria ainda e maior. Observe que a mudan¸a nas velocidades na Figura 2-10c e 2-10d espelham a for¸a resistiva c c do ar da Figura 2-3. O decr´scimo r´pido da velocidade ocorre at´ alcan¸ar a velocidade do som, e a e c e avalia ent˜o os n´ a ıveis de mudan¸a das velocidades um pouco fora. c −−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−− Isto conclui nossa subse¸˜o dos efeitos das for¸as de retardamento. Muito mais coisas pode- ca c riam ser feitas para incluir efeitos reais, mas o m´todo est´ desobstru´ e a ıdo. Normalmente, um efeito ´ e adicionado para um tempo, e os resultados s˜o analisados antes que um outro efeito seja adicionado. a ˆ OUTROS EXEMPLOS DA DINAMICA Conclu´ımos esta se¸˜o com dois exemplos padr˜o adicionais do comportamento dinˆmico da ca a a part´ ıcula. E X E M P L O 2.9 −−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−− A M´quina de Atwood consiste em uma roldana lisa com dois corpos suspensos por a uma corda de massa desprez´ ıvel em cada ponta. Ache a acelera¸˜o dos corpos e a ca tens˜o na corda (a)quando a roldana est´ em repouso e (b) quando a roldana est´ a a a dentro de um elevador descendo com acelera¸˜o constante α. ca Projeto AIUTA – Mecˆnica Cl´ssica I a a (UNIFRA–2004)
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    68 --- 2 / MECANICA NEWTONIANA – PART´ ˆ ´ ICULA UNICA FIGURA 2-11 Solu¸˜o: Desprezamos a massa da corda e assumimos que a roldana est´ lisa – isto ´, n˜o tem ca a e a atrito com a corda. A tens˜o T deve ser a mesma por toda a corda. As equa¸˜es de movimento se a co transformam, para cada massa, para o caso (a), m1 x1 = m1 g − T ¨ (2.66) m2 x2 = m2 g − T ¨ (2.67) Observe novamente a finalidade do conceito de for¸a: Precisamos apenas identificar as for¸as c c atuando em cada massa. A tens˜o T ´ a mesma em ambas equa¸˜es. Se a corda ´ inextens´ a e co e ıvel, ent˜o x2 = −x1 , e as Equa¸˜es 2.66 e 2.67 podem ser combinadas a ¨ ¨ co m1 x1 = m1 g − (m2 g − m2 x2 ) ¨ ¨ = m1 g − (m2 g + m2 x1 ) ¨ Rearranjando, g(m1 − m2 ) x1 = ¨ = −x2¨ (2.68) m1 + m2 Se m1 > m2 , ent˜o x1 > 0, e x2 < 0. A tens˜o pode ser obtida das Equa¸˜es 2.68 e 2.66: a ¨ ¨ a co T = m1 g − m1 x1 ¨ (m1 − m2 ) T = m1 g − m1 g m1 + m2 2m1 m2 g T = (2.69) m1 + m2 Para o caso (b), no qual a roldana est´ em um elevador, o sistema de coordenadas com origens a no centro da roldana n˜o est´ longe de ser um sistema inercial. Precisamos de um sistema inercial a a com origem no topo do cabo do elevador (Figura 2-11b). As equa¸˜es de movimento no sistema co inercial (x1 = x1 + x1 , x2 = x2 + x2 ) s˜o a m1 x1 = m1 (¨1 + x1 ) = m1 g − T ¨ x ¨ m2 x2 = m2 (¨2 + x2 ) = m2 g − T ¨ x ¨ Projeto AIUTA – Mecˆnica Cl´ssica I a a (UNIFRA–2004)
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    2.4. A EQUACAODO MOVIMENTO PARA UMA PART´ ¸˜ ICULA --- 69  m1 x1 = m1 g − T − m1 x1 = m1 (g − α) − T  ¨ ¨ (2.70) m2 x2 = m2 g − T − m2 x2 = m2 (g − α) − T ¨ ¨  onde x1 = x2 = α. Temos x2 = −¨1 , assim resolvemos para x1 eliminando-o antes ¨ ¨ ¨ x ¨ (m1 − m2 ) x1 = −¨2 = (g − α) ¨ x (2.71) m1 + m2 e 2m1 m2 (g − α) T = (2.72) m1 + m2 Repare que os resultados para a tens˜o e a acelera¸˜o est˜o corretos se a acelera¸˜o da gravidade a ca a ca estiver reduzida da quantia de acelera¸˜o α do elevador. A altera¸˜o para um elevador ascendente ca ca deveria ser ´bvia. o −−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−− E X E M P L O 2.10 − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − −− No nosso ultimo exemplo revimos muitas equa¸˜es de movimento para uma part´ ´ co ıcula, examinamos o movimento da uma part´ ıcula como um campo eletromagn´tico. Con- e sidere uma part´ıcula carregada entrando na regi˜o do campo magn´tico uniforme a e B – por exemplo, o campo da terra – como mostra a Figura 2-12. Determine seu subseq¨ ente movimento. u FIGURA 2-12 Solu¸˜o: Escolhendo o sistema de coordenadas cartesianas com seu eixo y paralelo ao campo ca magn´tico. Se q ´ a carga da part´ e e ıcula, v ´ sua velocidade, a sua acelera¸˜o e B o campo magn´tico e ca e da Terra, ent˜o: a v = xi + yj + zk ˙ ˙ ˙ a = xi + y j + z k ¨ ¨ ¨ B = B0 j Projeto AIUTA – Mecˆnica Cl´ssica I a a (UNIFRA–2004)
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    70 --- 2 / MECANICA NEWTONIANA – PART´ ˆ ´ ICULA UNICA A for¸a magn´tica F = qv × B = ma, assim c e m(¨i + y j + z k) = q(xi + yj + zk) × B0 j = qB0 (xk − zi) x ¨ ¨ ˙ ˙ ˙ ˙ ˙ Igualando, as componentes vetoriais fornecem  m¨ = −qB0 z  x ˙   m¨ = 0 y (2.73)    m¨ = qB0 x z ˙  Integrando a segunda destas equa¸˜es, m¨ = 0 temos: co y y = y0 ˙ ˙ Onde y0 ´ uma constante e ´ o valor inicial de y. Integrando a segunda em fun¸˜o do tempo, ˙ e e ˙ ca fornece: y = y0 t + y0 ˙ onde y0 tamb´m ´ uma constante. e e Para integrar a 1o e a ultima equa¸˜o da Equa¸˜o 2.73, admitimos α = qB0 /m, assim ent˜o ´ ca ca a x = −αz ¨ ˙ (2.74) z = αx ¨ ˙ Estas duas simultˆneas equa¸˜es diferenciais podem facilmente ser desembreadas por uma diferen- a co cia¸˜o e substituindo na outra, fornecendo ca ... z = α¨ = −α2 z x ˙ ... x = −α¨ = −α2 x z ˙ assim ent˜o a ...  z = −α2 z  ˙ ... (2.75) x = −α2 x ˙ Ambas destas equa¸˜es diferenciais tˆm-se a mesma forma de solu¸˜o. Usando a t´cnica do exemplo co e ca e C.2 do apˆndice C, temos e x = A cos αt + B sin αt + x0 z = A cos αt + B sin αt + z0 Onde A,A ,B,B , x0 e z0 s˜o constantes de integra¸˜o que s˜o determinadas pela posi¸˜o inicial e a ca a ca velocidade da part´ ıcula e pelas equa¸˜es de movimento, Equa¸˜o 2.74. Estas solu¸˜es podem ser co ca co reescritas  (x − x0 ) = A cos αt + B sin αt     (y − y0 ) = y0 t ˙ (2.76)    (z − z0 ) = A cos αt + B sin αt  As coordenadas x e z s˜o relacionadas pela Equa¸˜o 2.74, assim substituindo as Equa¸˜es ?? na a ca co primeira equa¸˜o da Equa¸˜o 2.74 determinando ca ca −α2 A cos αt − α2 B sin αt = −α(−αA sin αt + B cos αt) (2.77) Projeto AIUTA – Mecˆnica Cl´ssica I a a (UNIFRA–2004)
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    2.4. A EQUACAODO MOVIMENTO PARA UMA PART´ ¸˜ ICULA --- 71 Porque a Equa¸˜o 2.77 ´ v´lida para todo t, em particular t = 0 e t = π/2α, Equa¸˜o 2.77 produz ca e a ca −α2 A = −α2 B que ´ e A=B e −α2 B = α2 A fornece B = −A n´s agora temos o  (x − x0 ) = A cos αt + B sin αt    (y − y0 ) = y0 t ˙ (2.78)    (z − z0 ) = −B cos αt + A sin αt  se t = 0, z = z0 e x = 0, ent˜o da Equa¸˜o 2.78, diferenciando e armando t = 0, fornece ˙ ˙ ˙ a ca αB = 0 e αA = z0 ˙ ent˜o a z0 ˙ (x − x0 ) = cos αt α (y − y0 ) = y0 t ˙ z0 ˙ (z − z0 ) = sin αt α Finalmente,  z0 m ˙ qB0 t x − x0 = cos   qB0 m       (y − y0 ) = y0 t ˙ (2.79)    z0 m ˙ qB0 t   z − z0 = sin    qB0 m Estas s˜o equa¸˜es parametrizadas da h´lice circular de raio z0 m/qB0 . Assim, o mais r´pido que a a co e ˙ a part´ıcula entra no campo ou a maior massa, o lado do raio da h´lice. E a maior carga da part´ e ıcula ou o mais forte campo magn´tico, e pequena h´lice. Note tamb´m como a part´ e e e ıcula carregada ´ capturada pelo campo magn´tico - justamente flutuando ao longo da dire¸˜o do campo. Neste e e ca exemplo, a part´ ıcula n˜o tem nenhuma componente inicial da velocidade ao longo do eixo x, mas a mesmo se tivesse ela n˜o flutuaria ao longo do eixo (veja problema 2-31). Finalmente, note que a a for¸a magn´tica da part´ c e ıcula sempre atua perpendicular a uma velocidade e desde j´ n˜o pode ser a a acelerada. A Equa¸˜o 2.79 verifica este fato. ca Projeto AIUTA – Mecˆnica Cl´ssica I a a (UNIFRA–2004)
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    72 --- 2 / MECANICA NEWTONIANA – PART´ ˆ ´ ICULA UNICA O campo magn´tico da Terra n˜o ´ t˜o simples quanto o campo uniforme deste exemplo. No e a e a entanto este exemplo fornece uma percep¸˜o de um dos mecanismos pelo qual o campo magn´tico ca e da terra prende raios c´smicos de baixa energia e o vento solar para criar zonas de Van Allen. o −−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−− 2.5 ¸˜ TEOREMAS DE CONSERVACAO Agora retornamos a uma discuss˜o detalhada da mecˆnica Newtoniana de uma unica part´ a a ´ ıcula para derivar-mos teoremas importantes quanto a grandezas conservativas. Devemos enfatizar que n˜o estamos provando a conserva¸˜o de v´rias grandezas. Estamos simplesmente deduzindo as a ca a consequˆncias das leis de Newton na dinˆmica. Estas implica¸˜es podem ser testadas em experi- e a co mentos e suas verifica¸˜es ent˜o podem confirmar as leis da dinˆmica. O fato ´ que esses teoremas co a a e de conserva¸˜o tˆm realmente sido v´lidos em muitos exemplos e fornecem uma importante prova ca e a da exatid˜o das leis de Newton, pelo menos na f´ a ısica cl´ssica. a O primeiro teorema de conserva¸˜o de interesse ´ o momento linear de uma part´ ca e ıcula. Se a part´ ıcula ´ livre, isto ´, se a part´ e e ıcula n˜o est´ sujeita a nenhuma for¸a, ent˜o a Equa¸˜o 2.2 a a c a ca fica simplesmente p = 0. Portanto, p ´ um vetor constante no tempo, e o primeiro teorema de ˙ e conserva¸˜o ´ ca e I. O momento linear total p da part´ ıcula ´ conservado quando a for¸a total ´ zero. e c e Observe que este resultado ´ derivado de uma equa¸˜o vetorial, p = 0, e portanto ´ aplicada e ca ˙ e para cada componente do momento linear. Para expressar o resultado de outra forma, seja s algum vetor constante tal que F · s = 0, independente do tempo. Ent˜o a p·s=F·s=0 ˙ ou, integrando com rela¸˜o ao tempo, ca p · s = constante (2.80) o qual afirma que o componente do momento linear na dire¸˜o em que a for¸a torna-se nulo, ´ ca c e constante no tempo. O momento angular L de uma part´ ıcula com rela¸˜o a origem, da qual um vetor posi¸˜o ca ca r ´ medido, ´ definido por e e L≡r×p (2.81) O torque ou o momento de uma for¸a N com rela¸˜o a mesma origem, ´ definido como c ca e N≡r×F (2.82) onde r ´ o vetor posi¸˜o da origem at´ o ponto onde a for¸a F ´ aplicada. Como F = mv para a e ca e c e ˙ part´ ıcula, o torque torna-se N = r × mv = r × p ˙ ˙ Agora ˙ d L = (r × p) = (˙ × p) + (r × p) r ˙ dt mas r × p = r × mv = m(˙ × r) ≡ 0 ˙ ˙ r ˙ ent˜o a ˙ L=r×p=N ˙ (2.83) Se n˜o h´ torque agindo na part´ a a a ˙ ıcula (isto ´, se N = 0), ent˜o L = 0 e L ´ um vetor constante no e e tempo. O segundo teorema importante da conserva¸˜o ´ ca e Projeto AIUTA – Mecˆnica Cl´ssica I a a (UNIFRA–2004)
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    ¸˜ 2.5. TEOREMAS DE CONSERVACAO --- 73 II. O momento angular de uma part´ ıcula n˜o sujeita a torque ´ conservada. a e Lembramos que o estudante que uma escolha criteriosa da origem de um sistema de coorde- nadas frequentemente possibilitar´ que um problema seja resolvido muito mais facilmente do que a uma escolha da origem de forma casual. Por exemplo, o torque ser´ zero no sistema de coordenadas a cujo centro est´ localizado na dire¸˜o da resultante da for¸a. O momento angular ser´ conservado a ca c a nesse caso. Se o trabalho realizado sobre uma part´ ıcula por uma for¸a F transformando a part´ c ıcula de uma Condi¸˜o 1 para a Condi¸˜o 2, ent˜o este trabalho ´ definido como sendo ca ca a e 2 W12 ≡ F · dr (2.84) 1 Se F ´ a for¸a resultante l´ e c ıquida agindo na part´ ıcula, dv dr dv F · dr = m · dt = m · vdt dt dt dt m d m d 2 = (v · v)dt = (v )dt = d( 1 mv 2 ) 2 (2.85) 2 dt 2 dt A integra¸˜o da Equa¸˜o 2.84 ´, assim, uma diferencial exata, e o trabalho feito pela for¸a total F ca ca e c agindo na part´ ıcula ´ igual a varia¸˜o da sua energia cin´tica: e ca e 2 W12 = ( 2 mv 2 ) 1 2 2 = 1 m(v2 − v1 ) = T2 − T1 2 (2.86) 1 1 onde T ≡ 2 mv 2 ´ a energia cin´tica da part´ e e ıcula. Se T1 > T2 ent˜o W12 < 0, a part´ a ıcula realiza e e ´ trabalho resultando no decr´scimo de sua energia cin´tica. E importante ressaltar que a for¸a F c da Equa¸˜o 2.85 ´ a for¸a total (isto ´, resultante l´ ca e c e ıquida das for¸as) sobre a part´ c ıcula. Vamos agora examinar a integral que aparece na Equa¸˜o 2.84 de um ponto de vista diferente. ca Em muitos problemas f´ ısicos, a for¸a F tem a propriedade que o trabalho requerido para mover a c part´ ıcula de uma posi¸˜o para outra sem nenhuma mudan¸a na energia cin´tica depende somente ca c e da posi¸˜o inicial e final e n˜o da trajet´ria tomada pela part´ ca a o ıcula. Por exemplo, assumindo o trabalho feito para mudar a part´ ıcula do ponto 1, na Figura 2-13, para o ponto 2 ´ independente das e trajet´rias reais a, b ou c. Esta propriedade ´ demonstrada, por exemplo, pelo campo gravitacional o e constante. Assim, se a part´ ıcula de massa m ´ levantada por uma altura h (por qualquer trajet´ria), e o ent˜o um trabalho mgh foi realizado sobre a part´ a ıcula, e a part´ ıcula pode fazer um trabalho igual retornando para a sua posi¸˜o original. ca FIGURA 2-13 Projeto AIUTA – Mecˆnica Cl´ssica I a a (UNIFRA–2004)
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    74 --- 2 / MECANICA NEWTONIANA – PART´ ˆ ´ ICULA UNICA Esta capacidade de realizar trabalho ´ chamada energia potencial da part´ e ıcula. Podemos definir a energia potencial da part´ıcula em termos do trabalho (feito pela for¸a F) c requerido para transportar a part´ıcula de um ponto 1 para um ponto 2 (sem troca l´ ıquida na energia cin´tica): e 2 F · dr = U1 − U2 (2.87) 1 O trabalho feito para mover a part´ ıcula ´ simplesmente a diferen¸a na energia potencial U nos e c dois pontos. Por exemplo, se levantamos uma maleta de uma posi¸˜o 1 no ch˜o at´ uma posi¸˜o ca a e ca 2 sob uma mesa, n´s como agente externo realizamos trabalho contra a for¸a da gravidade. Seja o c a for¸a F da Equa¸˜o 2.87 a for¸a da gravidade, quando levantamos a maleta, F · dr se torna c ca c negativo. O resultado da integra¸˜o na Equa¸˜o 2.87 ´ U2 − U1 negativo, ent˜o a energia potencial ca ca e a na posi¸˜o 2 sob a mesa ´ maior que a da posi¸˜o 1 no ch˜o. A mudan¸a na energia potencial ca e ca a c U2 −U1 ´ o negativo do trabalho feito pela for¸a gravitacional, como pode ser visto multiplicando-se e c ambos os lados da Equa¸˜o 2.87 por −1. Como agente externo, fazemos trabalho positivo (contra ca a gravidade) para elevar a energia potencial da maleta. A Equa¸˜o 2.87 pode ser reproduzida∗ se escrevemos F como gradiente da fun¸˜o escalar U : ca ca F = −grad U = − U (2.88) Ent˜o a 2 2 2 F · dr = − ( U ) · dr = − dU = U1 − U2 (2.89) 1 1 1 Na maioria dos sistemas de interesse, a energia potencial ´ fun¸˜o da posi¸˜o e, possivelmente, e ca ca do tempo: U = U (r) ou U = U (r, t). N˜o consideramos casos em que a energia potencial ´ fun¸˜o a e ca da velocidade† . ´ E importante perceber que a energia potencial ´ definida apenas dentro de uma constante e aditiva; isto ´, a for¸a definida por − U n˜o ´ diferente daquela definida por − (U + constante). e c a e Portanto a energia potencial n˜o tem um significado absoluto; apenas diferen¸as de energia poten- a c cial s˜o fisicamente significativas (como na Equa¸˜o 2.87). a ca Se escolhemos um certo sistema de referˆncia inercial para descrever um processo mecˆnico, e a as leis do movimento s˜o as mesmas como em qualquer outro sistema de referˆncia em movimento a e uniforme relativo ao sistema de referˆncia original. A velocidade de uma part´ e ıcula ´ em geral e diferente dependendo de qual sistema de referˆncia inercial escolhemos como base para descrever e o movimento. Ent˜o achamos que ´ imposs´ atribuir uma energia cin´tica absoluta para uma a e ıvel e part´ıcula do mesmo jeito que ´ imposs´ atribuir um significado absoluto para a energia potencial. e ıvel Ambas limita¸˜es s˜o resultado do fato que a escolha de uma origem do sistema de coordenadas co a usada para descrever processos f´ ısicos ´ sempre arbitr´ria. James Clerk Maxwell (1831 - 1879) e a resumiu a situa¸˜o como sendo‡ : ca Devemos, portanto, considerar a energia de um sistema material como a grandeza a que devemos determinar o acr´scimo ou diminui¸˜o enquanto o sistema passa de e ca uma condi¸˜o definida a outra. O valor absoluto de energia na condi¸˜o padr˜o ´ ca ca a e desconhecida por n´s, e isso n˜o teria importˆncia se fosse conhecida, como todos o a a fenˆmenos dependem da varia¸˜o de energia e n˜o de seu valor absoluto. o ca a Agora, definimos a energia total de uma part´ ıcula como a soma das energias cin´tica e e potencial: E ≡T +U (2.90) ∗ A condi¸˜o necess´ria e suficiente que permite uma fun¸˜o vetorial ser representada pelo gradiente de uma ca a ca fun¸˜o escalar ´ que o rotacional da fun¸˜o vetorial se anule identicamente. ca e ca † Potenciais dependentes da velocidade s˜o necess´rios em certas situa¸˜es, e.g., no eletromagnetismo (os cha- a a co mados potenciais de Li´nard-Wiechert) e ‡ J. C. Maxwell, Matter and Motion (Cambridge, 1877), p.91. Projeto AIUTA – Mecˆnica Cl´ssica I a a (UNIFRA–2004)
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    ¸˜ 2.5. TEOREMAS DE CONSERVACAO --- 75 A derivada total na vari´vel tempo de E ´ a e dE dT dU = + (2.91) dt dt dt Para obter as derivadas temporais que aparecem ` direita da equa¸˜o, primeiro notemos que a a ca Equa¸˜o 2.85 pode ser escrita como: ca 1 F · dr = d( mv 2 ) = dT (2.92) 2 Dividindo por dt, dT dr =F· =F·r ˙ (2.93) dt dt Temos tamb´m e dU ∂U dxi ∂U = + dt i ∂xi dt ∂t ∂U ∂U = xi + ˙ i ∂xi ∂t ∂U = ( U) · r + ˙ (2.94) ∂t Substituindo as Equa¸˜es 2.93 e 2.94 na 2.91, encontramos co dE ∂U = F · r + ( U) · r + ˙ ˙ dt ∂t ∂U = (F + U ) · r + ˙ ∂t ∂U = (2.95) ∂t como o termo F + U desaparece em visto da defini¸˜o de energia potencial (Equa¸˜o 2.88) se a ca ca for¸a total for uma for¸a conservativa F = − U . c c Se U n˜o for uma fun¸˜o expl´ a ca ıcita do tempo (i.e., se ∂U/∂t = 0; lembre que n˜o consideramos a potenciais dependentes da velocidade), o campo de for¸a representado por F ´ conservativo. Sob c e estas condi¸˜es temos o terceiro teorema importante da conserva¸˜o: co ca III. A energia total E de uma part´ ıcula em um campo de for¸as conservativo ´ constante no c e tempo. Deve ser repetido que n˜o provamos as leis de conserva¸˜o do momento linear, momento a ca angular, e energia. Apenas derivamos v´rias consequˆncias das leis de Newton; isto ´, se estas leis a e e s˜o v´lidas em uma certa situa¸˜o, ent˜o momento e energia ser˜o conservados. Mas nos tornamos a a ca a a t˜o apaixonados por estes teoremas de conserva¸˜o que os elevamos ao n´ de leis e insistimos a ca ıvel que eles s˜o v´lidos em qualquer teoria f´ a a ısica, at´ mesmo aquelas aplicadas a situa¸˜es em que a e co mecˆnica Newtoniana n˜o ´ v´lida, como por exemplo, na intera¸˜o de cargas em movimento ou em a a e a ca sistemas de mecˆnica quˆntica. Ainda n˜o temos leis de conserva¸˜o para estas situa¸˜es, mas sim a a a ca co postulados da conserva¸˜o que for¸amos sobre a teoria. Por, exemplo, se temos duas cargas el´tricas ca c e isoladas em movimento, as for¸as eletromagn´ticas entre elas n˜o s˜o conservativas. Portanto, c e a a dotamos o campo eletromagn´tico de uma certa quantidade de energia para que a conserva¸˜o de e ca energia seja v´lida. Este procedimento ´ satisfat´rio apenas se as consequˆncias n˜o contradizem a e o e a nenhum fato experimental, e este ´ o caso das cargas em movimento. Ent˜o estendemos o conceito e a usual de energia para incluir “energia eletromagn´tica” e satisfazer nossa pr´-concebida no¸˜o de e e ca que a energia deve ser conservada. Pode parecer um arbitr´rio e dr´stico passo a se dar, mas nada, a a que foi dito, sucedeu com tanto sucesso, e estas “leis” da conserva¸˜o foram o mais bem sucedido ca Projeto AIUTA – Mecˆnica Cl´ssica I a a (UNIFRA–2004)
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    76 --- 2 / MECANICA NEWTONIANA – PART´ ˆ ´ ICULA UNICA conjunto de princ´ıpios da f´ ısica. A recusa em abandonar a conserva¸˜o de energia e momento ca levaram Wolfgang Pauli (1900-1958) a postular em 1930 a existˆncia do neutrino para ajustar as e ˜ contas que nAo “fechavam” para energia e momento no decaimento radiativo β. Este postulado permitiu a Enrico Fermi (1901 - 1954) construir uma grande teoria do decaimento β em 1934, mas a observa¸˜o direta do neutrino n˜o foi feita at´ 1953, quando Reines e Cowan realizaram seu ca a e famoso experimento∗ . Aderindo a convic¸˜o que energia e momento devem ser conservados, uma ca nova part´ ıcula elementar foi descoberta, que ´ de grande importˆncia nas teorias modernas.... e a E X E M P L O 2.11−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−− Um ratinho de massa “m” joga-se sobre a borda externa de uma p´ de um ventilador a de teto girando livremente com momento de in´rcia “I” e raio “R”. De qual raz˜o ´ e a e alterada a velocidade angular? Solu¸˜o: O momento angular deve ser conservado durante o processo. Usaremos o conceito ca de momento de in´rcia aprendido na f´ e ısica elementar para relacionar momento angular L com a velocidade angular ω : L = Iω. O momento angular inicial L0 = Iω0 deve ser igual ao momento angular L (ventilador mais ratinho) ap´s o ratinho ter se jogado sobre o ventilador. A velocidade o da borda externa da p´ ´ v = ωR. ae v L = Iω + mvR = (I + mR2 ) R L = L0 = Iω0 v v0 (I + mR2 ) = I R R v I = v0 I + mR2 e ω I = ω0 I + mR2 −−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−− 2.6 ENERGIA O conceito de energia era mais popular na ´poca de Newton que atualmente. Mais tarde estu- e daremos duas novas formula¸˜es da dinˆmica, diferentes da de Newton e baseada na energia – o co a m´todo Lagrangiano e o Hamiltoniano. e Por volta do s´culo XIX, tornou-se claro que o calor era outra forma de energia e n˜o uma e a forma de fluido(chamado “cal´rico”) que fluia entre corpos quente e frio. Conde Rumford† , a quem o ´ dado o cr´dito, que a grande quantidae de alor gerada na perfura¸˜o dos canh˜es era causada e e ca o pelo atrito e n˜o pelo chamado cal´rico. A energia produzida pelo atrito ´ apenas ´ a energia a o e e calor´ ıfica, troc´vel com a energia mecˆnica, e assim a conserva¸˜o total de energia ´ satisfeita. a a ca e ∗ C. L. Cowan, F. Reines, F. B. Harrison, H. W. Kruse, e A. D. McGuire, Science, 124, 103 (1956). † Benjamim Thompson (1753 - 1814) nascido em Massachusetts e emigrado para Europa em 1776 como um ref´gio legalista. Em meio as atividades deste militar destacado e, depois, na carreira cient´ u ıfica, ele superviosonou a perfura¸˜o dos canh˜es como chefe do departamento de guerra da Bavaria ca o Projeto AIUTA – Mecˆnica Cl´ssica I a a (UNIFRA–2004)
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    2.6. ENERGIA --- 77 Por todo o s´culo XIX, cientistas realizaram experimentos sobre conserva¸˜o de energia, e ca resultando na importˆncia que ela tem atualmente. Hermann von Helmholtz (1821 - 1894) formulou a a lei geral da conserva¸˜o de energia em 1847. Baseado na conclus˜o do experimento calorim´trico ca a e de James Perscott Joule (1818 - 1889) que iniciou em 1840. Considere uma part´ ıcula pontual sob influˆncia de uma for¸a conservativa com potencial U . e c A conserva¸˜o de energia (na realidade, energia mecˆnica, para ser exato neste caso) est´ refletida ca a a na Equa¸˜o 2.90. ca 1 E = T + U = mv 2 + U (x) (2.96) 2 onde consideramos somente o caso unidimensional. Podemos reescrever a Equa¸˜o 2.96 como ca dx 2 v(t) = =± [E − U (x)] (2.97) dt m e integrando x ±dx t − t0 = (2.98) 2 x0 m [E − U (x)] onde x = x0 e t = t0 . Temos formalmente a solu¸˜o para o caso unidimensional na Equa¸˜o 2.98; ca ca isto ´, encontramos x(t). Todo o restante ´ inserido no potencial U (x) da Equa¸˜o 2.98 e integrado, e e ca usando c´lculos num´ricos se necess´rio. Estudaremos mais adiante com alguns detalhes o potencial a e a 1 U = 2 kx2 para oscila¸˜es harmˆnicas e U = −k/x para a for¸a gravitacional. co o c Podemos ter uma boa id´ia a respeito do movimento de uma unica part´ e ´ ıcula examinando o gr´fico de um exemplo de U (x) conforme mostra a Figura 2-14. Primeiro, nota-se que, devido a a 1 mv 2 = T ≥ 0, E ≥ U (x), para algum movimento f´ 2 ısico real. Vˆ-se na Figura 2-14 que o e movimento ´ ligado∗ para as energias E1 e E2 . Para E1 , o movimento ´ peri´dico, entre os pontos e e o de retorno xa e xb . Similarmente, para E2 o movimento tamb´m ´ peri´dico, por´m h´ duas e e o e a poss´ıveis regi˜es: xc ≤ x ≤ xd e xe ≤ x ≤ xf . A part´ o ıcula n˜o pode “saltar” de uma “cavidade” a para outra; uma vez numa cavidade, a part´ ıcula permanecer´ nela para sempre se a a sua energia a for sempre E2 . O movimento para uma part´ ıcula com energia E0 tem um unico valor, x = x0 . A ´ part´ıcula est´ em repouso com T = T0 [E0 = U (x0 )]. a O movimento para a part´ ıcula de energia E3 ´ simples: a part´ e ıcula vem do infinito, p´ra a em x = xg e retorna para o infinito–muito semelhante a uma bola de tˆnis arremessada contra e uma parede. Para a energia E4 , o movimento ´ n˜o-ligado e a part´ e a ıcula pode estar em qualquer posi¸˜o. Sua velocidade mudar´ conforme se movimenta porque depende da diferen¸a entre E4 ca a c e U (x). Se a part´ ıcula se move para a direita, sua velocidade aumentatar´ e dimunuir´ mas a a continuar´ movendo-se para o infinito. a O movimento da part´ ıcula E1 ´ semelhante ao de uma massa presa a uma mola. O potencial e na regi˜o xa < x < xb pode ser aproximadamente U (x) = 1 k(x − x0 )2 . Uma part´ a 2 ıcula com energia em torno de E0 oscilar´ quase no ponto x = x0 . Estes pontos s˜o como um ponto de equil´ a a ıbrio, porque a part´ ıcula est´ no ponto x = x0 ela permanecer´ ali. O equil´ a a ıbrio pode ser est´vel, inst´vel a a ou neutro. O unico equil´ ´ ıbrio examinado ´ o est´vel porque se a part´ e a ıcula est´ localizada na regi˜o a a onde x = x0 dever´ finalmente retornar ao ponto. Podemos usar uma tigela esf´ricae e uma uma a e bolinha de a¸o como um exemplo. Com a tigela na su posi¸˜o natural, a bola pode rolar de um c ca ponto a outro no interior da tigela; mas finalemente ficar´ em repouso na sua base–em outros a termos, h´ um equil´ a ıbrio est´vel. Se virarmos a tigela com borda superior para baixo e colocar a a bola precisamente em de x = x0 (no topo da tigela), a bola estar´ em equil´ a ıbrio. Se a bola estiver localizada liegiramente fora do ponto x = x0 , ela rola para fora (descer´!!); chamamos este a equil´ıbrio de inst´vel. O equil´ a ıbrio neutro ´ observado quando a bola estiver rolando sobre um e plano polido, numa superf´ horizontal. ıcie Em geral, podemos expressar o potencial U (x) em s´ries de Taylor em torno do ponto de e equil´ıbrio. Por simplicidade, assumimos o ponto de equil´ ıbrio para x = 0 em x = x0 (se n˜o, a ∗ N.T.: ligado aqui significa confinado a uma certa regi˜o do espa¸o. a c Projeto AIUTA – Mecˆnica Cl´ssica I a a (UNIFRA–2004)
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    78 --- 2 / MECANICA NEWTONIANA – PART´ ˆ ´ ICULA UNICA FIGURA 2-14 podemos redefinir o sistema de coordenadas para obtˆ-lo). Ent˜o temos e a dU x2 d2 U x3 d3 U U (x) = U0 + x + + + ... (2.99) dx 2! dx2 3! dx3 0 0 0 O subscrito zero indica que esta grandeza est´ sendo calculada em x = 0. A energia potencial a U0 para x = 0 ´ simplesmente uma constante que podemos definir como sendo zero sem que haja e qualquer tipo de perda ou generaliza¸˜o. Se x = 0 ´ um ponto de equil´ ca e ıbrio, ent˜o a dU =0 Ponto de Equil´ ıbrio (2.100) dx 0 e a Equa¸˜o 2.99 fica ca x2 d2 U x3 d3 U U (x) = + + ... (2.101) 2! dx2 3! dx3 0 0 Pr´ximo ao ponto de equil´ o ıbrio x = 0, o valor do x ´ pequeno, e cada termo na Equa¸˜o 2.101 ´ e ca e muito menor do que o anterior. Por essa raz˜o, pegamos somente o primeiro termo na Equa¸˜o 2.101: a ca x2 d2 U U (x) = (2.102) 2 dx2 0 ıbrio em x = 0 ´ est´vel ou inst´vel examinando o termo (d2 U/dx2 )0 . Podemos determinar se o equil´ e a a Se o x = 0 o equil´ ıbrio ´ est´vel, U (x) deve ser maior (mais positivo) no outro lado de x = 0. e a Como x2 ´ sempre positivo, as condi¸˜es para o equil´ e co ıbrio s˜o a d2 U >0 Equil´ ıbrio Est´vel a dx2 0 (2.103) d2 U <0 Equil´ ıbrio Inst´vel a dx2 0 Caso (d2 U/dx2 )0 for zero, os termos de ordem superior devem ser examinados(ver Problema 2-45 e 2-46). Projeto AIUTA – Mecˆnica Cl´ssica I a a (UNIFRA–2004)
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    2.6. ENERGIA --- 79 E X E M P L O 2.12 − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − Considerando um sistema de roldanas, massas e fios finos apresentado na Figura 2-15. Um fio de comprimento b ´ fixado no ponto A, passando sobre uma roldana no ponto e B localizada a uma distˆncia 2d , e finalmente liga-se na massa m1 . Outra roldana com a massa m2 ´ fixada passando sobre o fio, puxando-o para baixo entre A e B. Calcule a e distˆncia x1 quando o sistema est´ em equil´ a a ıbrio e determine se o equil´ ıbrio ´ est´vel e a ou n˜o. Essas roldanas n˜o possuem massa. a a Solu¸˜o: Podemos resolver este exemplo usando for¸as (i. e., quando x1 = 0 = x1 ) ou energia. ca c ¨ ˙ Escolhemos o m´todo da energia, porque em equil´ e ıbrio a energia cin´tica ´ zero e necessitamos e e quantificar somente com a energia potencial quando a Equa¸˜o 2.100 ´ aplicada. ca e Admitindo U = 0 ao longo da linha AB. U = −m1 gx1 − m2 g(x2 + c) (2.104) Assumindo que a polia que suporta a massa m2 ´ pequena, ent˜o podemos ignorar o raio. A e a distˆncia c na Figura 2-15 ´ constante. a e x2 = [(b − x1 )2 /4] − d2 U = −m1 gx1 − m2 g [(b − x1 )2 /4] − d2 − m2 gc FIGURA 2-15 ca ca ıbrio (x1 )0 ≡ x0 : Por determina¸˜o dU/dx1 = 0, podemos determinar a posi¸˜o de equil´ Projeto AIUTA – Mecˆnica Cl´ssica I a a (UNIFRA–2004)
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    80 --- 2 / MECANICA NEWTONIANA – PART´ ˆ ´ ICULA UNICA dU m2 g(b − x0 ) = −m1 g + =0 dx1 0 4 [(b − x1 )2 /4] − d2 4m1 [(b − x1 )2 /4] − d2 = m2 (b − x0 ) (b − x0 )2 (4m2 − m2 ) = 16m2 d2 1 2 1 4m1 d x0 = b − (2.105) 4m2 − m2 1 2 Note que a real solu¸˜o existe somente quando 4m2 > m2 . ca 1 2 Sob quais circunstˆncias a massa m2 ir´ puxar m1 at´ a polia B (i. e., x1 = 0)? Podemos a a e usar a Equa¸˜o 2.103 para determinar se o equil´ ca ıbrio ´ est´vel ou n˜o: e a a d2 U −m2 g m2 g(b − x1 )2 2 = + dx1 4{[(b − x1 )2 /4] − d2 }1/2 16{[(b − x1 )2 /4] − d2 }3/2 Agora insira x1 = x0 . d2 U g(4m2 − m2 )3/2 1 2 = dx21 0 4m2 d 2 A condi¸˜o para o equil´ ca ıbrio (movimento real) previamente foi para 4m2 > m2 , ent˜o o equil´ 1 2 a ıbrio, quando ele existe, ser´ est´vel, porque (d2 U/dx2 )0 > 0. a a −−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−− E X E M P L O 2.13 − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − Considere um potencial unidimensional −Wd2 (x2 + d2 ) U(x) = (2.106) x4 + 8d4 ´ Trace o potencial e discuta o movimento dos diversos valores de x. E um movimento ligado ou n˜o ligado? Em um gr´fico, mostre onde est˜o os valores de equil´ a a a ıbrio. S˜o a eles est´veis ou inst´veis? Encontre o ponto de giro para E = −W/8, sabendo-se que a a W ´ uma constante positiva. e Solu¸˜o: Reescreva o potencial como ca U (x) −(y 2 + 1) x Z(y) = = onde y = (2.107) W y4 + 8 d Primeiro, encontre os pontos de equil´ ıbrio, considerando o potencial. dZ −2y 4y 3 (y 2 + 1) = 4 + =0 dy y +8 (y 4 + 8)2 Isto ´ reduzido para e y(y 4 + 2y 2 − 8) = 0 y(y 2 + 4)(y 2 − 2) = 0 2 y0 = 2, 0 Projeto AIUTA – Mecˆnica Cl´ssica I a a (UNIFRA–2004)
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    2.6. ENERGIA --- 81 Assim x01 = 0    √   x02 = 2d (2.108)  √   x03 = − 2d Estes s˜o os trˆs pontos de equil´ a e ıbrio. Consideremos U (x)/W versus x/d na Figura 2-16. FIGURA 2-16 O equil´ ıbrio ´ est´vel em x02 e x03 , mas inst´vel em x01 . O movimento ´ delimitado para todas e a a e energias E < 0. Por fim, determinamos todos os pontos de giro para energia E por coloca¸˜o ca E = U (x). W −W (y 2 + 1) E=− = U (y) = (2.109) 8 y4 + 8 y 4 + 8 = 8y 2 + 8 y 4 = 8y 2 √ y = ±2 2, 0 (2.110) √ √ Os pontos de giro obtidos para E = −W/8, s˜o x = −2 2d e +2 2d, assim com x = 0 – quando a o ponto de equil´ ıbrio ´ inst´vel. e a −−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−− Projeto AIUTA – Mecˆnica Cl´ssica I a a (UNIFRA–2004)
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    82 --- 2 / MECANICA NEWTONIANA – PART´ ˆ ´ ICULA UNICA 2.7 MOVIMENTO DE FOGUETES A dinˆmica Newtoniana elementar possui uma aplica¸˜o interessante no Movimento de Foguetes. a ca Examinaremos dois casos, (1) movimento de foguetes no espa¸o livre e (2) ascens˜o vertical de c a foguetes sob efeito da gravidade. O primeiro caso exige uma aplica¸˜o da conserva¸˜o do momento ca ca linear. O segundo, requer aplica¸˜es mais complexas da Segunda Lei de Newton. co Movimento de Foguetes no Espa¸o Livre c Aqui assumiremos que o foguete (espa¸onave) move-se sem influˆncia de for¸as externas. Escol- c e c hemos um sistema fechado no qual a Segunda Lei de Newton possa ser aplicada. No espa¸o livre c (espa¸o sideral) o movimento da espa¸onave depender´ totalmente de sua pr´pria energia. Ela se c c a o movimentar´ pela rea¸˜o ` massa ejetada com velocidade elevada, isto ´, para conservar o momento a ca a e linear, a espa¸onave dever´ se mover na dire¸˜o oposta. O diagrama do movimento da espa¸onave c a ca c ´ mostrado na figura 2-17. Num tempo qualquer t, a massa total instantˆnea da espa¸onave ´ m e a c e e a velocidade instantˆnea ´ v em rela¸˜o ao sistema de referˆncia inercial. a e ca e FIGURA 2-17 Assumiremos que haver´ movimento apenas na dire¸˜o x, desta forma eliminaremos a nota¸˜o a ca ca vetorial. Durante o intervalo de tempo dt uma massa dm ser´ ejetada pelo sistema de propuls˜o a a do foguete com velocidade −u em rela¸˜o a espa¸onave. Imediatamente ap´s a massa dm ser ca c o ejetada, a massa da espa¸onave e sua velocidade ser˜o m − dm e v + dv, respectivamente. c a Momento inicial = mv (no tempo t) (2.111) Momento final = (v − dm )(v + dv) + dm (v − u) (no tempo t + dt) Espa¸onave sem dm c Descarga do foguete dm (2.112) Observe que a velocidade de eje¸˜o da massa dm em rela¸˜o ao sistema de referˆncia ´ v − u. A ca ca e e conserva¸˜o do momento linear exige que as Equa¸˜es 2.111 e 2.112 sejam iguais. N˜o h´ for¸as ca co a a c Projeto AIUTA – Mecˆnica Cl´ssica I a a (UNIFRA–2004)
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    2.7. MOVIMENTO DEFOGUETES --- 83 externas (Fext = 0). pinicial = pfinal p(t) = p(t + dt) mv = (m − dm )(v + dv) + dm (v − u) (2.113) mv = mv + mdv − vdm − dm dv + vdm − udm mdv = udm dm dv = u (2.114) m Onde desprezamos o produto das duas diferenciais dm dv. Temos que considerar que dm seja uma massa positiva ejetada da espa¸onave. A mudan¸a na massa da pr´pria espa¸onave ´ dm, onde c c o c e dm = −dm (2.115) e dm dv = −u (2.116) m porque dm deve ser negativo. Assumindo m0 e v0 como sendo a massa e velocidade inicial da espa¸onave, respectivamente, e integrando a Equa¸˜o 2.116 para os valores finais de m e v. c ca v m dm dv = −u v0 m0 m m0 v − v0 = u ln (2.117) m m0 v = v0 + u ln (2.118) m A velocidade de exaust˜o u ´ considerada constante. Assim, para maximizar a velocidade da a e espa¸onave, precisamos maximizar a velocidade de exaust˜o u e a raz˜o m0 /m. c a a Sendo que a velocidade final da espa¸onave ´ limitada pela raz˜o m0 , os engenheiros tiveram c e a m que construir foguetes com multi-est´gios. A massa m´ a ınima (sem combust´ ıvel) da espa¸onave ´ c e limitada pela estrutura do material. Contudo, se o tanque de combust´ ıvel puder ser dispensado ap´s a queima, a massa restante da espa¸onave ser´ menor. A espa¸onave poder´ conter dois ou o c a c a mais tanques de combust´ ıvel, podendo cada um deles ser descartados separadamente. Por exemplo, seja m0 = Massa total inicial da espa¸onave c m1 = ma + mb ma = Massa do primeiro est´gio carregado a mb = Massa do primeiro est´gio (tanque de combust´ a ıvel, etc.) v1 = Velocidade final do primeiro est´gio na combust˜o a a completa, ap´s todo combust´ ser queimado o ıvel m0 v1 = v0 + u ln (2.119) m1 Ap´s a combust˜o completa a velocidade v1 do primeiro est´gio ´ alcan¸ada, e a massa mb ´ o a a e c e descartada no espa¸o. A seguir, o foguete do segundo est´gio ´ acionado com a mesma velocidade c a e Projeto AIUTA – Mecˆnica Cl´ssica I a a (UNIFRA–2004)
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    84 --- 2 / MECANICA NEWTONIANA – PART´ ˆ ´ ICULA UNICA de exaust˜o, e temos ent˜o a a ma = Massa total inicial da espa¸onave no segundo est´gio c a m2 = mc + md mc = Massa do segundo est´gio carregado a md = Massa do segundo est´gio (tanque de combust´ a ıvel, etc.) v1 = Velocidade inicial do segundo est´gio a v2 = Velocidade final do segundo est´gio ap´s combust˜o completa a o a ma v2 = v1 + u ln (2.120) m2 m0 ma v2 = v0 + u ln (2.121) m1 m2 O produto (m0 ma /m1 m2 ) pode ser muito maior que somente (m0 /m1 ). Foguetes com multi- est´gios s˜o mais comumente usados na decolagem sob a a¸˜o da gravidade do que no espa¸o a a ca c livre. Vimos que as espa¸onaves s˜o impulsionadas como resultado da conserva¸˜o do momento c a ca linear. Mas os engenheiros e cientistas preferem se referir ao termo for¸a atrav´s da express˜o c e a “propuls˜o” do foguete. Se multiplicarmos a Equa¸˜o 2.116 por m e dividirmos os dois lados por a ca dt ,temos dv dm m = −u (2.122) dt dt Como no lado esquerdo da equa¸˜o “aparece” ma(for¸a), o lado direito ´ chamado de propuls˜o: ca c e a dm Propuls˜o ≡ −u a (2.123) dt Como dm/dt ´ negativo, a propuls˜o ser´ positiva. e a a ˜ ¸˜ ASCENSAO VERTICAL SOB A ACAO DA GRAVIDADE O movimento real de um foguete tentando deixar o campo gravitacional da terra ´ muito compli- e cado. Para prop´sitos anal´ o ıticos, come¸amos fazendo v´rias simplifica¸˜es. O foguete ter´ somente c a co a movimento vertical, sem um componente horizontal. Desprezaremos a resistˆncia do ar e assumi- e remos que a acelera¸˜o da gravidade ´ constante com a altura. Tamb´m assumiremos que a taxa ca e e de queima de combust´ ıvel seja constante. Todos estes fatores que foram desprezados podem ser inclu´ıdos em uma an´lise num´rica computacional. a e Podemos usar os resultados do caso anterior de movimento de foguete em um espa¸o livre, c por´m n˜o temos mais Fext = 0. A geometria est´ apresentada na Figura 2-18. Novamente temos e a a dm positiva, com dm = −dm . A for¸a externa Fext ´ c e d Fext = (mv) dt ou Fext dt = d(mv) = dp = p(t + dt) − p(t) (2.124) com respeito a um pequeno instante de tempo diferencial. Para o sistema da nave espacial, encontramos as equa¸˜es do momento linear final e inicial co nas Equa¸˜es 2.111–2.116. Agora usamos estes resultados na equa¸˜o 2.116 para obter co ca P (t + dt) − p(t) = mdv + udm (2.125) Projeto AIUTA – Mecˆnica Cl´ssica I a a (UNIFRA–2004)
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    2.7. MOVIMENTO DEFOGUETES --- 85 FIGURA 2-18 No espa¸o livre, Fext = 0, mas na ascens˜o, Fext = −mg. Combinando as Equa¸˜es 2.124 e 2.125 c a co obtemos Fext dt = − mg dt = m dv + u dm ⇒ −mg = mv + um ˙ ˙ (2.126) Como a taxa de queima de combust´ ´ constante, ıvel e dm m= ˙ = −α , α>0 (2.127) dt a Equa¸˜o 2.126 se torna ca α dv = −g + u dt (2.128) m Esta equa¸˜o, entretanto, tem trˆs vari´veis desconhecidas (v, m, t), portanto, usamos a Equa¸˜o 2.127 ca e a ca para eliminar o tempo, obtendo g u dv = − dm (2.129) α m Assumindo que os valores inicial e final da velocidade sejam 0 e v, respectivamente e da massa m0 e m respectivamente, assim temos que v m g u dv = − dm 0 m0 α m g m0 v=− (m0 − m) + u ln (2.130) α m Podemos integrar a Equa¸˜o 2.127 para obter o tempo: ca m t dm = −α dt m0 0 m0 − m = αt (2.131) A Equa¸˜o 2.130 se torna ca m0 v = −gt + u ln (2.132) m Projeto AIUTA – Mecˆnica Cl´ssica I a a (UNIFRA–2004)
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    86 --- 2 / MECANICA NEWTONIANA – PART´ ˆ ´ ICULA UNICA Podemos continuar com a Equa¸˜o 2.130 e integrar mais uma vez para determinar a altura ca do foguete (problema 2-52). Tal integra¸˜o ´ tediosa e o problema ´ facilmente manejado por ca e e m´todos computacionais. Mesmo com o fim da exaust˜o, o foguete continuar´ subindo porque e a a ainda possui velocidade vertical de subida. Eventualmente, com as simplifica¸˜es precedentes, a co for¸a gravitacional ir´ parar o foguete (porque assumimos a gravidade constante, sem diminuir c a com a altura). Uma situa¸˜o interessante ocorre quando a velocidade de exaust˜o u n˜o ´ suficientemente ca a a e grande para fazer v na Equa¸˜o 2.132 ser positiva. Neste caso, o foguete permanecer´ no ch˜o. ca a a Esta situa¸˜o ocorre por causa dos limites de integra¸˜o que assumimos na Equa¸˜o 2.130. Dever´ ca ca ca ıa ser necess´rio queimar combust´ suficiente antes que a propuls˜o do foguete o levantasse do ch˜o a ıvel a a ´ (ver problema 2-54). E claro que foguetes n˜o s˜o projetados desta maneira; eles s˜o feitos para a a a alcan¸ar alturas desejadas a medida que os foguetes atingem taxa de queima m´xima. c a E X E M P L O 2.14 − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − Considere o primeiro est´gio de um foguete Saturno V usado pelo programa lunar a Apollo. A massa inicial ´ de 2.8 × 106 kg, e a massa de combust´ e ıvel do primeiro est´gio ´ de 2.1 × 106 kg. Assuma uma baixa propuls˜o de 37 × 106 N. A velocidade de a e a exaust˜o ´ de 2, 600m/s. Calcule a velocidade final do primeiro est´gio ap´s a com- a e a o bust˜o. Usando o resultado do Problema 2-52 (Equa¸˜o 2.133). Logo ap´s, calcule a a ca o altura de combust˜o. a Solu¸˜o: Para a propuls˜o (Equa¸˜o 2.123), determinamos o valor da combust˜o: ca a ca a dm P ropulsao 37 × 106 N = = = −1.42 × 104 Kg/s dt −u −2600m/s A massa final do foguete ´ (2.8 × 106 kg − 2.1 × 106 kg) que ´ igual a 0.7 × 106 kg. Podemos usar a e e Equa¸˜o 2.130 para determinarmos a velocidade do foguete durante a combust˜o (vb ): ca a 9.8m/s2 (2.1 × 106 kg) 2.8 × 106 kg vb = − + 2600m/s ln 1.42 × 104 kg/s 0.7 × 106 kg vb = 2.16 × 103 m/s O momento da combust˜o tb , dado pela Equa¸˜o 2.131, ´ a ca e m0 − m 2.1 × 106 kg tb = = = 148s α 1.42 × 104 kg/s ou aproximadamente 2 1 min. 2 Usamos o resultado do Problema 2-52 para obtermos a altura da combust˜o yb : a 1 mu m0 yb = utb − gt2 − ln (2.133) 2 b α m 1 yb = (2600m/s)(148s) − (9.8m/s2 ) · (148s)2 2 (0.7 × 106 kg) · (2600m/s) 2.8 × 106 kg − 4 kg/s ln 1.42 × 10 0.7 × 106 kg yb = 9.98 × 104 m ≈ 100km A altura real ser´ cerca de somente dois ter¸os deste valor. a c −−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−− Projeto AIUTA – Mecˆnica Cl´ssica I a a (UNIFRA–2004)
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    2.7. MOVIMENTO DEFOGUETES --- 87 E X E M P L O 2.15 − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − − O ˆnibus espacial tem sido descrito como uma incr´ o ıvel m´quina voando. Embora o a o ˆnibus ´ tamb´m complexo para descrevermos completamente, podemos examinar e e a ascen¸˜o do lan¸amento fazendo algumas considera¸˜es. Dois sistemas prim´rios ca c co a levantam a nave do ch˜o para a ´rbita. O principal mecanismo do ˆnibus espa- a o o cial (SSME) constitui-se de trˆs outros mecanismos interiores a nave, queimando e hidrogˆnio l´ e ıquido (LH2 ) e oxigˆnio l´ e ıquido (LO2 ) armazenados em um grande tanque preso a parte externa para a nave decolar. O principal impulso prov´m de dois fogue- e tes auxiliados por combust´ıveis s´lidos (SRB) presentes nos lados externos do tanque. o Ambos sistemas realizam a queima durante os dois primeiros minutos de lan¸amento, c depois que o combust´ ıvel no SRB ´ consumido as arma¸˜es SRB s˜o lan¸adas ao e co a c 1 mar (Figura 2-19) para serem resgatadas depois no oceano. Durante os pr´ximos 6 2 o minutos FIGURA 2-19 Lan¸amento e ascen¸˜o do ˆnibus espacial, colocando a nave em ´rbita. O tempo est´ descrito entre c ca o o a parˆnteses ao lado do evento (minutos:segundos). e os SSMEs mantˆm o ˆnibus espacial em ascen¸˜o e fornecem a maior parte da velo- e o ca cidade horizontal necess´ria para entrar em ´rbita. a o Embora n˜o seja totalmente correto, assumimos que o foguete est´ se movendo a a verticalmente durante a queima do SRB (2 minutos) e calculamos a velocidade e altura do ˆnibus. Tamb´m assumimos que durante os pr´ximos 6 1 minutos de vˆo o ˆnibus o e o 2 o o est´ se movendo 45◦ para a horizontal, e calculamos sua velocidade orbital. a Projeto AIUTA – Mecˆnica Cl´ssica I a a (UNIFRA–2004)
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    88 --- 2 / MECANICA NEWTONIANA – PART´ ˆ ´ ICULA UNICA Os dados espec´ ıficos para as trˆs principais partes do ˆnibus espacial para uma e o ıpica altura s˜o∗ t´ a Nave Espacial (atual spa¸onave/aeronave): c Massa com carga paga: 105, 000 Kg Tanque Externo (combust´ para SSME): ıvel Tanque cheio: 36, 000 Kg Combust´ıveis LH2 e LO2 : 7.2 × 105 Kg Massa total carregada: 7.56 × 105 Kg SRBs (dois): Massa total quando vazio: 1.68 × 105 Kg Combust´ S´lido: 1.01 × 106 Kg ıvel o Massa total carregada: 1.18 × 106 Kg Massa total do ˆnibus espacial abastecido no lan¸amento: 2.04 × 106 Kg o c Propuls˜o de todos os SSMEs: 5.0 × 106 N a Propuls˜o de todos os SRBs: 23.6 × 106 N a Propuls˜o total no lan¸amento: 28.6 × 106 N a c Embora os SSMEs queimem em diferentes n´ ıveis de energia para manter a acelera¸˜o ca inferior a 3g (porque existem limita¸˜es na estrutura da nave, n˜o por causa dos co a astronautas), assumimos que os SSMEs queimam de maneira constande durante 8 1 2 minutos completos. Solu¸˜o: Durante os 2 primeiros minutos, quando ambos sistemas mecˆnicos est˜o em aqueci- ca a a mento, n˜o ´ errado se adicionarmos o impulso para ambos sistemas, para encontrar a dm/dt total, a e e usar a Equa¸˜o 2.123 para encontrar uma velocidade m´dia de escapamento u. ca e Primeiros 120 segundos: ∆m(SRB) = 1.01 × 106 Kg 2 ∆m(SSM E) = 7.2 × 105 Kg = 1.7 × 105 Kg 8.5 dm 1.18 × 106 Kg =− = −9800Kg/s dt 120s Da Equa¸˜o 2.127, α = 9800Kg/s. ca a co ˆ ∗ Os dados s˜o de K. M. Joels, G. P. Kennedy, e D. Larkin, O Manual de Opera¸˜es do Onibus Espacial (New York: Ballantine, 1982). Projeto AIUTA – Mecˆnica Cl´ssica I a a (UNIFRA–2004)
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    2.7. MOVIMENTO DEFOGUETES --- 89 Impulso 28.6 × 106 N u= = = 2900m/s −dm/dt 9800Kg/s m0 = 2.04 × 106 Kg Combust´ carbonizado = 1.18 × 106 Kg ıvel m = 0.86 × 106 Kg Calculamos a velocidade de carboniza¸˜o usando a Equa¸˜o 2.130: ca ca 9.8m/s2 (1.18 × 106 Kg) 2.04 v= + (2900m/s) ln 9800Kg/s 0.86 v = 1325m/s ≈ 2900M P H A altura pode ser determinada pela Equa¸˜o 2.133: ca 1 v = 2900m/s(120s) − 9.8m/s2 (120s)2 2 (0.86 × 106 Kg) · (2900m/s) 2.04 − ln = 58Km ≈ 36miles 9800Kg/s 0.86 Os valores atuais na combust˜o comtleta do SRB est˜o em torno de v = 1300m/s e y = 45Km. a a Com o tempo as arma¸˜es SRB s˜o lan¸adas ao mar, o ˆnibus inicia o giro em torno de si co a c o preparando-se para entrar em ´rbita. Na dire¸˜o horizontal, o vˆo ocorre como se estivesse em o ca o um espa¸o livre (desprezando a resistencia do ar, a qual ´ pequena a uma altitude de 50Km). A c e propuls˜o dos SSMEs n˜o ´ suficiente para acelerar o ˆnibus verticalmente, mas mant´m o ˆnibus a a e o e o para este pousar suavemente. Vamos assumir que agora o ˆngulo de ascen¸˜o ´ em m´dia 45◦ e a ca e e usar a Equa¸˜o 2.118 para calcular a velocidade horizontal. ca m0 (ap´s lan¸ar as arma¸˜es SRB): 6.9 × 105 Kg o c co Combust´ localizado no tanque externo: 5.5 × 105 Kg ıvel m (ap´s interromper SSME): 1.4 × 105 Kg o Calculamos a velocidade de escapamento do SSME usando a Equa¸˜o 2.123: ca Projeto AIUTA – Mecˆnica Cl´ssica I a a (UNIFRA–2004)
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    90 --- 2 / MECANICA NEWTONIANA – PART´ ˆ ´ ICULA UNICA impulso u=− dm/dt dm 5.5 × 105 Kg (SSM E) = − 60s = −1400Kg/s dt 6.5min min −5 × 106 N u= = 3550m/s −1400Kg/s uhorz = 3550m/s(cos 45◦ ) = 2500m/s 6.9 uhorz = (2500m/s) ln 1.4 = 4000m/s ≈ 8900MPH Ap´s esgotar todo o combust´ do tanque externo, os SSMEs desligam e o tanque externo o ıvel ´ lan¸ado ao mar. O sistema que manobra a nave consiste de dois mecanismos propulsores de e c (27,000-N) , eventualmente colocando a nave na posi¸˜o correta da orbita com uma velocidade de ca aproximadamente 8,000 m/s e altitude de 400 Km. −−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−− 2.8 ¸˜ ˆ LIMITACOES DA MECANICA NEWTONIANA Neste cap´ ıtulo, introduzimos conceitos como posi¸˜o, tempo, momento e energia. Conclu´ ca ımos que todas s˜o grandezas mensur´veis e que podem ser especificadas com alguma precis˜o desejada, a a a dependendo somente do grau de sofistica¸˜o dos instrumentos de medida. De certo, esta implica¸˜o ca ca aparenta ser verificada em nossas experiˆncias com todos os objetos macrosc´picos. Em qualquer e o instante do tempo, por exemplo, podemos medir com grande precis˜o a posi¸˜o de, por exemplo, a ca um planeta em ´rbita em torno do sol. Uma s´rie de tais medi¸˜es nos permite determinar (tamb´m o e co e com grande precis˜o) a velocidade do planeta em qualquer posi¸˜o. a ca Quando tentamos fazer medi¸˜es de objetos microsc´picos, entretanto, encontramos uma co o limita¸˜o fundamental na precis˜o dos resultados. Por exemplo, podemos (satisfatoriamente) medir ca a a posi¸˜o de um el´tron pelo espalhamento de um f´ton de luz pelo el´tron. O car´ter ondulat´rio ca e o e a o do f´ton impede uma medi¸˜o exata, e s´ podemos determinar a posi¸˜o do el´tron dentro de uma o ca o ca e incerteza ∆x relacionada com o tamanho (isto ´, comprimento de onda) do f´ton. Pelo pr´prio e o o ato de medi¸˜o, entretanto, induzimos uma mudan¸a de estado do el´tron, pois o espalhamento do ca c e f´ton transmite momento ao el´tron. Este momento possui uma incerteza ∆p. O produto ∆x ∆p o e ´ uma medida da precis˜o com a qual podemos medir simultaneamente a posi¸˜o e o momento e a ca e relacionado a este, a velocidade; ∆x → 0, ∆p → 0 implica uma medi¸˜o com uma precis˜o ca a inimagin´vel. Foi mostrado pelo f´ a ısico alem˜o Werner Heisenlug (1901-1976) em 1927, que este a produto deve ser sempre maior que um certo valor m´ ınimo.∗ N˜o podemos ent˜o, especificar a a simultaneamente ambos posi¸˜o e momento do el´tron com uma precis˜o infinita, pois para ∆x → ca e a 0, ent˜o ∆p → ∞ pelo Princ´ a ıpio da Incerteza de Heisenberg† poder ser satisfat´rio. o ∗ Este resultado pode ser aplicado para medidas de energia num tempo particular, em cada caso o produto ´ e certamente ∆E ∆t (Possuindo as mesmas dimens˜es ∆x ∆p). o † N.T.: muitos f´ ısicos preferem se referir a este princ´ ıpio como o Princ´ ıpio da Imprecis˜o. a Projeto AIUTA – Mecˆnica Cl´ssica I a a (UNIFRA–2004)
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    ¸˜ ˆ 2.8. LIMITACOES DA MECANICA NEWTONIANA --- 91 O valor m´ ınimo de ∆x ∆p ´ da ordem de 10−34 J s. Isto ´ extremamente pequeno para e ˙ e padr˜es macrosc´picos, para objetos na escala-laborat´rio n˜o existe dificuldade pr´tica em fazer- o o o a a se medi¸˜es simultˆneas de posi¸˜o e momento. As leis de Newton podem portanto ser aplicadas co a ca se a posi¸˜o e o momento podem ser precisamente definidos. Mas pelo Princ´ ca ıpio da Incerteza, a mecˆnica Newtoniana n˜o pode ser aplicada ` sistemas microsc´picos. Para solucionar estas a a a o dificuldades fundamentais no sistema newtoniano, um novo m´todo para tratar fenˆmenos mi- e o crosc´picos foi desenvolvido no in´ o ıcio de 1926. O trabalho de Ervin Schr¨dinger (1887-1961), o Heisenlug, Max Born(1872-1970), Paul Dirac (1902-1984) e outros subseq¨entemente colocaram u esta nova disciplina sobre uma firme fundamenta¸˜o. A mecˆnica Newtoniana, ent˜o, ´ perfeit- ca a a e amente adequada para descrever fenˆmenos em larga escala. Por´m, precisamos da nova mecˆnica o e a (mecˆnica quˆntica) para analisar processos no dom´ a a ınio atˆmico. Quanto mais o tamanho do o sistema aumenta de escala, a mecˆnica quˆntica tende ` mecˆnica newtoniana. a a a a Em adi¸˜o as limita¸˜es fundamentais da mecˆnica Newtoniana, como na aplica¸˜o a objetos ca co a ca microsc´picos, existe uma dificuldade inerente no esquema Newtoniano – o que reside no conceito o de tempo. Na vis˜o Newtoniana, o tempo ´ absoluto, isto ´, sup˜e-se que seja sempre poss´ a e e o ıvel determinar sem ambig¨idade quando dois eventos ocorreram simultaneamente ou quando um pre- u cedeu o outro. Para decidir a seq¨ˆncia temporal de eventos, os dois observadores devem estar ue em comunica¸˜o instantˆnea, atrav´s de algum tipo de sinal ou estabelecendo-se dois rel´gios em ca a e o sincronismo exato em seus pontos de observa¸˜o. Por´m, a sincroniza¸˜o dos rel´gios para ser ca e ca o exata requer o conhecimento do tempo de trˆnsito de um sinal na dire¸˜o de um observador para a ca o outro (podemos conseguir isto dispondo de dois rel´gios sincronizados, mas isto ´ um argumento o e circular). Quando realmente medimos a velocidade dos sinais, entretanto, sempre obtemos uma velocidade m´dia de propaga¸˜o em dire¸˜es opostas. E para criar um experimento que me¸a a e ca co c velocidade somente em uma dire¸˜o de propaga¸˜o inevitavelmente nos leva a introdu¸˜o de novas ca ca ca generaliza¸˜es que n˜o podemos determinar antes do experimento. co a Sabemos que comunica¸˜o instantˆnea por sinaliza¸˜o ´ imposs´ ca a ca e ıvel: intera¸˜es entre corpos co materiais propagam-se com uma velocidade finita, e uma intera¸˜o de algum tipo deve ocorrer ca para que um sinal seja transmitido. A velocidade m´xima de propaga¸˜o de qualquer sinal ´ a a ca e velocidade da luz no espa¸o livre(v´cuo): c ∼ 3 × 108 m/s.∗ c a = As dificuldades em estabelecer-se uma escala de tempo entre corpos separados nos leva acre- ditar que o tempo, afinal de contas, n˜o ´ absoluto, e que o tempo e o espa¸o est˜o de alguma a e c a maneira intimamente relacionados. A solu¸˜o para este dilema foi encontrada no per´ ca ıodo de 1904- 1905 por Hendrik Lorenz (1853-1928), Henri Poincar´ (1854-1912) e Albert Einstein (1879-1955) e e foi resumido na teoria especial da relatividade (ver Cap´ ıtulo 14). A mecˆnica Newtoniana est´, portanto, sujeita a limita¸˜es fundamentais quando pequenas a a co distˆncias ou grandes velocidades s˜o encontradas. Dificuldades com a mecˆnica Newtoniana a a a tamb´m podem ocorrer quando objetos extremamente massivos ou enormes distˆncias est˜o en- e a a volvidas. Uma limita¸˜o pr´tica tamb´m ocorre quando o sistema ´ constitu´ por um grande ca a e e ıdo n´mero de corpos. No Cap´ u ıtulo 8, veremos que podemos obter uma solu¸˜o geral de maneira ca concisa para o movimento de um sistema constitu´ de mais de dois corpos em intera¸˜o mesmo ıdo ca que esta seja simplesmente gravitacional. Para calcular o movimento num sistema, de trˆs cor- e pos, devemos recorrer a procedimentos de aproxima¸˜o num´rica. Embora tal m´todo seja, em ca e e princ´ıpio, capaz de qualquer exatid˜o desejada, o trabalho envolvido ´ consider´vel. O movimento a e a de sistemas ainda mais complexos (por exemplo, o sistema composto de todos grandes objetos no sistema solar) pode, da mesma maneira, ser computado, mas o procedimento se torna rapidamente muito pesado para ser utilizado para qualquer sistema grande. Para calcular o movimento de mol´culas individuais em, digamos, um cent´ e ımetro c´bico de g´s contendo ≈ 101 9 mol´culas ´ cla- u a e e ramente imposs´ ıvel. Um m´todo bem sucedido de calcular as propriedades m´dias de tais sistemas e e foi desenvolvido na segunda metade do s´culo dezenove por Boltzman, Maxwell, Gibbs, Liouville e ∗ A velocidade da luz ´ bem definida como 299, 792, 458.0 m/s fazendo compara¸˜es com outras medidas mais e co padronizadas. Metro ´ a defini¸˜o de diatˆncia viajada pela luz no v´cuo durante um intervalo de tempo de e ca a a 1/299, 792, 458 de um segundo. Projeto AIUTA – Mecˆnica Cl´ssica I a a (UNIFRA–2004)
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    92 --- 2 / MECANICA NEWTONIANA – PART´ ˆ ´ ICULA UNICA e outros. Estes procedimento permitiram a dinˆmica dos sistemas serem calculados atrav´s da a e teoria de probabilidades, e uma mecˆnica estat´ a ıstica foi desenvolvida. Alguns coment´rios sobre a a formula¸˜o de conceitos estat´ ca ıstico em mecˆnica podem ser encontrados na Se¸˜o 7.13. a ca Projeto AIUTA – Mecˆnica Cl´ssica I a a (UNIFRA–2004)
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    ¸˜ ˆ 2.8. LIMITACOES DA MECANICA NEWTONIANA --- 93 PROBLEMAS 2-2. Uma part´ıcula de massa m ´ for¸ada a mover-se na superf´ de uma esfera de raio R por e c ıcie uma for¸a aplicada F(θ, φ). Escreva a equa¸˜o do movimento. c ca 2-5. Um piloto de um jato de guerra percebe que ´ capaz de suportar uma acelera¸˜o de 9g antes e ca de ser jogado para fora. O piloto aponta para baixo no plano vertical dele at´ mover-se a e uma velocidade de Mach 3 e pretende virar-se para cima em uma manobra circular antes de colidir contra o solo. (a) Onde ocorre a acelera¸˜o m´xima na manobra? (b) Qual o c´ ca a ırculo m´ınimo que o piloto pode empregar? 2-6. Na nevasca de 88, uma vaqueira foi for¸ada a soltar fardos de feno de um aeroplano para c alimentar sua cria¸˜o de gado. O aeroplano voou horizontalmente a 160 Km/h e abandonou ca os fardos a uma altura de 80 m sobre o plano alcan¸ado. (a) Ela procura os fardos aterrizados c sobre a forragem 30 m atr´s do gado de modo que n˜o chega a encontr´-los. Onde ela deveria a a a soltar os fardos do aeroplano? (b) Para n˜o encontrar o gado, qual ´ o grande erro de tempo a e que ela cometeu ao empurrar os fardos para fora do aeroplano? Despreze a resistˆncia do ar. e 2-7. Inclua a resistˆncia do ar para os fardos de feno no problema anterior. Um fardo de feno e tem aproximadamente 30 Kg e uma ´rea m´dia de aproximadamente 0.2m2 . Considere a a e resistˆncia como sendo proporcional ao quadrado da velocidade e considere cW = 0.8. Esbo¸e e c as trajet´rias com um computador se os fardos de feno aterrizam 30m atr´s do gado para o a ambas situa¸˜es, ou seja, com e sem resistˆncia do ar. Se os fardos de feno foram liberados ao co e mesmo tempo nos dois casos, qual ´ a distˆncia entre as posi¸˜es de aterrizagem dos fardos? e a co 2-10. Repita o Exemplo 2.4 executado por uma calculadora usando um computador para resolver a Equa¸˜o 2.22. Use os seguintes valores: m = 1Kg, v0 = 10m/s, x0 = 0, e k = 0.1s−1 . ca Esbo¸e os planos de v versus t, x versus t, e v versus x. Compare com os resultados do c Exemplo 2.4 para ver se seus resultados s˜o razo´veis. a a 2-11. Considere uma part´ ıcula de massa m que se mant´m do in´ at´ o fim do movimento em e ıcio e um campo gravitacional constante. Se uma for¸a de resistˆncia proporcional ao quadrado da c e velocidade (isto ´, kmv 2 ) ´ encontrada, mostre que a distˆncia s da queda da part´ e e a ıcula em acelera¸˜o de v0 para v1 ´ dada por ca e 2 1 g − kv0 s(v0 → v1 ) = ln 2 2k g − kv1 2-12. Uma part´ ıcula est´ projetada verticalmente para cima em um campo gravitacional constante a com uma velocidade inicial v0 . Mostre que se h´ uma for¸a de retardamento proporcional a c ao quadrado da velocidade instantˆnea, a velocidade da part´ a ıcula quando ela retorna a sua posi¸˜o inicial ´ ca e v0 vt 2 2 v0 + vt onde vt ´ a velocidade final(terminal). e 2-13. Uma part´ ıcula move-se sob a influˆncia de uma for¸a de retardamento equivalente a mk(v 3 + e c a2 v), onde k e a s˜o constantes. Mostre que para alguns valores de velocidade inicial a a part´ıcula nunca ir´ se mover a uma distˆncia maior do que π/2ka e que a part´ a a ıcula cessa o movimento somente para t → ∞. Projeto AIUTA – Mecˆnica Cl´ssica I a a (UNIFRA–2004)
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    94 --- 2 / MECANICA NEWTONIANA – PART´ ˆ ´ ICULA UNICA 2-15. Uma part´ıcula de massa m escorrega para baixo em um plano inclinado sob influˆncia da e gravidade. Se o movimento ´ contido por uma for¸a f = kmv 2 , mostre que o tempo requerido e c para a part´ ıcula mover-se a uma distˆncia desde o in´ at´ cessar o movimento ´ a ıcio e e cosh−1 (ekd ) t= √ kg sin θ onde θ ´ o ˆngulo de inclina¸˜o do plano. e a ca 2-17. Um forte jogador bate na bola elevando-a a uma altura de 0.7 m acima de uma casa. Todas as batidas dos jogadores possuem um ˆngulo de eleva¸˜o de 350 e movem-se em dire¸˜o a a ca ca um muro de 2 m de altura e 60 m distante do centro do campo. Qual a velocidade inicial necess´ria para a bola deixar o centro do campo ao muro? Ignore a resistˆncia do ar. a e 2-18. Inclua a resistˆncia do ar proporcional ao quadrado da velocidade da bola no problema e precedente. Considere o coeficiente de resistˆncia cw = 0.5, o raio da bola como 5 cm e uma e massa de 200 g. (a) Encontre a velocidade inicial da bola necess´ria para alcan¸ar o muro. a c (b) Para esta velocidade, encontre o ˆngulo de eleva¸˜o inicial que permite ` bola facilmente a ca a alcan¸ar o muro. Agora a bola pode verticalmente alcan¸ar o muro? c c 2-19. Se um proj´til move-se tal que a distˆncia do ponto de proje¸˜o ´ sempre crescente, encontre e a ca e o ˆngulo horizontal m´ximo com que a part´ a a ıcula pode ter sido projetada. (Assuma que n˜oa existe resistˆncia do ar) e 2-20. Um estintor de incˆndio projeta seu jato em um corpo de massa 10kg, do tipo a que as e curvas de Figura 2-3 se aplicam. A velocidade do jato ´ 140m/s. Com que ˆngulo deve estar e a o tambor elevado para bater em um alvo no mesmo plano horizontal que o extintor e 100m distante? Compare os resultados com aqueles para o exemplo sem retardamento. 2-22. O movimento de uma part´ ıcula carregada em um campo eletromagn´tico pode ser obtido e pela Equa¸˜o de Lorentz ∗ para a for¸a em uma part´ ca c ıcula em tal campo. Se o vetor do campo el´trico for E e o vetor do campo magn´tico for B, a for¸a em uma part´ e e c ıcula de massa m carrega com uma carga q que tem uma velocidade v ´ dada por e F = qE + qv×B onde assumimos que v << c(velocidade da luz). (a) Se n˜o houver nenhum campo el´trico e se a part´ a e ıcula entra num campo magn´tico em e sentido perpendicular `s linhas do fluxomagn´tico, mostre que a trajet´ria ´ um c´ a e o e ırculo com raio mv v r= = qB ωc onde ωc ≡ qB/m ´ a frequˆncia do ciclotron. e e (b) Escolha a posi¸˜o do eixo z no sentido de B e deixe o plano E e B contido no plano xy. ca Assim B = Bk, E = Ey j + Ez k mostre que as componentes do movimento para z s˜o a qEz 2 z(t) = z0 + z0 t + ˙ t 2m onde z(0) ≡ z0 e z(0) ≡ z0 ˙ ˙ ∗ Veja, por exemplo, Heald e Marion, Radia¸˜o Eletromagn´tica Cl´ssica (95, Se¸˜o 1.7). ca e a ca Projeto AIUTA – Mecˆnica Cl´ssica I a a (UNIFRA–2004)
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    ¸˜ ˆ 2.8. LIMITACOES DA MECANICA NEWTONIANA --- 95 (c) Continue o c´lculo e obtenha as expre¸˜es para x(t) e y(t). Mostre que as m´dias do a co ˙ ˙ e tempo destes componentes da velocidade s˜o a Ey x = ˙ , y =0 ˙ B (Mostre que o movimento ´ peri´dico e ent˜o a m´dia sobre um per´ e o a e ıodo completo) (d) Integre as equa¸˜es da velociade encontradas em (c) e mostre (com as condi¸˜es iniciais co co x(0) = −A/ωc , x(0) = Ey /B, y(0) = 0, y(0) = A) que ˙ ˙ −A Ey A x(t) = cos ωc t + t, y(t) = sin ωc t ωc B ωc Estas s˜o as equa¸˜es param´tricas de um cicl´ide. Esboce a proje¸˜o da trajet´ria a co e o ca o no plano xy para os casos (i) A > |Ey /B|, (ii) A < |Ey /B|, e (iii) A = |Ey /B|. (O ultimo caso da um cicl´ide.) ´ o 2-27. Uma corda que possui uma massa total de 0.4kg e comprimento total de 4m tem 0.6m de corda suspensa verticalmente para baixo. Quanto trabalho deve ser feito para situar a corda na bancada? 2-28. Uma superbola de massa M e uma bola de gude de massa m s˜o lan¸adas de uma altura h a c com a bola de gude exatamente no topo da superbola. Uma superbola tem um coeficiente de restitui¸˜o perto de 1(i.e., sua colis˜o ´ essencialmente el´stica). Ignore o tamanho da ca a e a superbola e da bola de gude. A superbola colide com o solo, rebate e bate na bola de gude, a qual move-se novamente para cima. Considerando que o movimento oferece resistˆncia, e explique a eleva¸˜o do movimento e qual a eleva¸˜o da grande bola. ca ca 2-29. Um autom´vel trafegando em uma estrada com grau de inclina¸˜o de 8%, colide fortemente o ca e derrapa 30m antes de parar totalmente. Um perito mediu o coeficiente de fric¸˜o cin´tico ca e entre os pneus e a estrada como sendo igual a µk = 0.45. O perito est´ correto em afirmar a que o motorista excedeu o limite de velocidade em 25 MPH? Explique. 2-30. Um estudante solta um bal˜o cheio d’´gua do telhado de uma alto edif´ urbano tentando a a ıcio atingir seu companheiro de quarto no solo (que est´ apressado). O primeiro estudante baixa a a cabe¸a para tr´s ouvindo distante o barulho da ´gua 4.021 s ap´s a queda do bal˜o. Se a c a a o a velocidade do som ´ 331 m/s, encontre a altura do edif´ e ıcio, desprezando a resistˆncia do ar. e 2-31. No Exemplo 2.10, a velocidade inicial de aproxima¸˜o da particula carregada n˜o possui ca a componente ao longo do eixo x. Mostre que, mesmo que ela possuisse um componente x, o movimento subsequente da part´ıcula seria o mesmo – que somente o raio da h´lice seria e alterado. 2-33. Execute um c´lculo de computador para um objeto que move-se verticalmente no ar sob a a gravidade e que experimenta uma for¸a de retardamento proporcional ao quadrado da c velocidade do objeto (veja a Equa¸˜o 2.21). Use as vari´veis m para a massa e r para ca a o raio do objeto. Todos os objetos s˜o deixados cair do repouso do alto de um edif´ a ıcio 100 − m − tall. Use um valor de cw = 0.5 e trace um plano no computador da altura y, velocidade v, e acelera¸˜o a contra t para as seguintes condi¸˜es e responda `s perguntas: ca co a (a) Uma bola beisebol de m = 0.145 Kg e r = 0.0366 m. (b) Uma bola de ping-pong de m = 0.0024 Kg e r = 0.0019 m. (c) Um pingo de chuva de r = 0.003 m. (d) Todos os objetos alcan¸am suas velocidades terminais? Discuta os valores das velocida- c des terminais e explique suas diferen¸as. c Projeto AIUTA – Mecˆnica Cl´ssica I a a (UNIFRA–2004)
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    96 --- 2 / MECANICA NEWTONIANA – PART´ ˆ ´ ICULA UNICA (e) Como pode uma bola de beisebol ser jogada mais distante do que uma esfera do ping- pong mesmo que a bola de beisebol seja muito mais maci¸a? c (f ) Discuta as velocidades terminais de pingos de chuva grandes e pequenos. Qual as velocidades terminais dos pingos de chuva com raios 0.002 m e 0.004 m? 2-35. Execute os c´lculos num´ricos do Exemplo 2.7 para os valores dados na Figura 2-8. Trace a e ambas as Figuras 2-8 e 2-9. N˜o duplique a solu¸˜o no apˆndice H; componha sua pr´pria a ca e o solu¸˜o. ca 2-36. A arma est´ localizada em uma ribanceira de altura h com vista para o vale do rio. Se a a velocidade do m´ ´ v0 , encontre a express˜o para o alcance como uma fun¸˜o da eleva¸˜o do ıssil e a ca ca a ˆngulo da arma. Achar numericamente o m´ximo alcance fora do vale para uma determinada a h e v0 . 2-40. Uma part´ ıcula movimenta-se numa ´rbita bi-dimensional definida por: o x(t) = A(2αt − sin αt) y(t) = A(1 − cos αt) (a)Encontre a acelera¸˜o tangencial at e a acelera¸˜o normal an como uma fun¸˜o de tempo ca ca ca onde as componentes tangenciais e normal s˜o dadas em rela¸˜o a velocidade. a ca (b)Determine em quais momentos an tem um m´ximo na orbita. a ´ 2-41. Um trem move-se ao longo de uma trilha com uma velocidade constante u. Uma mulher no trem joga uma bola de massa m para frente com uma velocidade v com respeito a si mesma. (a) Qual ´ a energia cin´tica ganha pela bola em rela¸˜o a medida por uma pessoa no trem? e e ca (b) para uma pessoa de p´ sobre a via f´rrea? (c) Qual o trabalho feito pela mulher para e e jogar a bola e (d) do trem? 2-42. Um cubo s´lido de densidade uniforme e lado b est´ em equil´ o a ıbrio no topo do cilindro de raio R (Figura 2-C). Os planos dos quatro lados do cubo s˜o paralelos ao eixo do cilindro. a O contato entre o cubo e a esfera ´ perfeitamente ´spero. Sob quais condi¸˜es o equil´ e a co ıbrio ´ e est´vel ou n˜o? a a 2-44. Resolva o Exemplo 2.12 usando de preferˆncia for¸as no lugar de energias. Como vocˆ pode e c e determinar se o sistema encontra-se em equil´ ıbrio inst´vel ou est´vel? a a ıbrio ´ est´vel ou inst´vel quando (d2 U/dx2 )0 = 0. 2-45. Descreva como se determina se um equil´ e a a 2-49. Um foguete extremamente bem-constru´ tem uma massa (m0 /m) de 10, um novo com- ıdo bust´ ´ desenvolvido tendo como velocidade da exaust˜o 4, 500m/s. A uma taxa constante ıvel e a para 300s. Calcule a velocidade m´xima deste foguete de est´gio unico, com acelera¸˜o con- a a ´ ca stante presumido da gravidade. Se a velocidade do escape de uma part´ ıcula da terra for 11.3km/s, pode um foguete de est´gio unico similar com a mesma raz˜o de massa e veloci- a ´ a dade de exaust˜o ser constru´ para alcan¸ar a lua? a ıdo c 2-50. Uma gota da ´gua que cai na atmosfera ´ esf´rica. Suponha que como a gota passa atrav´s de a e e e uma nuvem, adquire massa a uma taxa proporcional a kA onde k ´ uma constante (> 0) e A e sua ´rea de se¸˜o transversal. Considere uma gota de raio inicial r0 que entra em uma nuvem a ca com velocidade v0 . Assuma que n˜o h´ for¸as resistivas e mostre (a) que o raio aumenta a a c linear com o tempo, e (b) que se o r0 for pequeno podendo ser desprez´ ent˜o a velocidade ıvel a aumenta linearmente com o tempo dentro da nuvem. 2-51. Um foguete num espa¸o distante de campo gravitacional desprez´ c ıvel come¸a do repouso a c acelerar uniformemente at´ uma velocidade v. A massa inicial do foguete ´ m0 . Quanto e e trabalho faz o motor do foguete? Projeto AIUTA – Mecˆnica Cl´ssica I a a (UNIFRA–2004)
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    ¸˜ ˆ 2.8. LIMITACOES DA MECANICA NEWTONIANA --- 97 2-52. Considere um foguete de est´gio unico que faz exame fora da ´rbita da terra em que a altura a ´ o do foguete na queima total de combust´ ıvel est´ dada pela Equa¸˜o 2.133. Quanto mais a ca distante na altura ir´ o foguete ap´s a queima total do combust´ a o ıvel? 2-53. Um foguete tem uma massa inicial m e uma taxa de combust˜o do combust´ α(Equa¸˜o a ıvel ca 2.127). Qual ´ a velocidade m´ e ınima da exaust˜o que permita que o foguete levante imedia- a tamente depois do acendimento? 2-54. Um foguete possui uma massa inicial de 7 × 104 Kg e no disparo queima-se combust´ na ıvel taxa de 250Kg/s. A velocidade de escape ´ 2.500m/s. Se o foguete tem uma subida vertical e partindo da Terra, quanto tempo depois do disparo do motor do foguete ser´ a decolagem a do foguete? O que est´ errado com o projeto deste foguete? a 2-55. Considere um foguete de n est´gios, com cada velocidade de descarga u. Cada est´gio do a a foguete tem a mesma propor¸˜o de consumo (k = mi /mf ). Mostre que a velocidade final do ca est´gio nth ´ nu ln k. a e 2-56. Para realizar um salvamento, uma embarca¸˜o lunar precisa pairar exatamente acima da ca superf´ da lua, a qual tem uma acelera¸˜o gravitacional de g/6. A velocidade de exaust˜o ıcie ca a ´ 2, 000m/s, mas a quantidade de combust´ a ser usado ´ provavelmente apenas 20% da e ıvel e massa total. Por quanto tempo pode a embarca¸˜o pairar? ca 2-57. Um novo lan¸a proj´til ´ desenvolvido no ano de 2013 que pode lan¸ar uma sonda esf´rica de c e e c e 104 kg com velocidade inicial de 6, 000m/s. Para prop´sitos de testes, objetos s˜o lan¸ados o a c verticalmente. (a) Desconsiderando a resistˆncia do ar e assumindo a acelera¸˜o da gravidade constante. e ca Determine a altura que o objeto lan¸ado pode alcan¸ar acima da superf´ da terra. c c ıcie (b) Se o objeto tem raio de 20cm e a resistˆncia do ar ´ proporcional ao quadrado da e e velocidade do objeto com Cw = 0.2. Determine a altura m´xima alcan¸ada, assumindo a c que a densidade do ar ´ constante. e (c) Agora tamb´m inclua o fato que a acelera¸˜o da gravidade decresce quando o objeto e ca sobe acima da terra. Encontre a altura alcan¸ada. c (d) Agora considere os efeitos do decr´scimo da densidade do ar com a altitude no c´lculo. e a Podemos muito grosseiramente representar a densidade do ar por log10 (ρ) = −0.05h + 0.11 onde ρ ´ a densidade em kg/m3 e h ´ a altitude acima da terra em km. Determine e e que altura o objeto vai alcan¸ar. c 2-58. Um novo foguete com simples-est´gio ser´ desenvolvido em 2013, e ter´ uma velocidade de a a a exaust˜o de g´s de 4, 000m/s. A massa total do foguete ´ de 105 kg, com 90% dessa massa a a e sendo combust´ıvel. O combust´ queima rapidamente em 100s a uma taxa constante. Para ıvel propor um teste, o foguete ´ lan¸ado verticalmente a partir da superf´ da Terra. Dentro e c ıcie disso responda as partes (a) e (d) do problema anterior. Projeto AIUTA – Mecˆnica Cl´ssica I a a (UNIFRA–2004)