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ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL | FUNDAMENTOS DA EDUCAÇÃO CRISTÃ 2

   DISCIPLINA: DOUTRINAS BÍBLICAS
   TEMA: LEI X GRAÇA

   O conceito de graça                                                                             AULA 1
   OBJETIVO(S)

             Conceituar biblicamente a palavra graça.

   INTRODUÇÃO

            Estaremos, nas próximas aulas, buscando a revelação de Deus sobre a graça como influência do
   Espírito para nos salvar, em contraste com a lei que foi de suma importância para nos conduzir a Cristo.

   DESENVOLVIMENTO

             1. O conceito de graça

            No Antigo Testamento graça significa favor, especialmente na frase ‘achar graça’ (Gênesis 6.8). No
   Novo Testamento a palavra graça refere-se àquele favor que o homem não merece, mas que Deus livremente
   lhe concede.
            Paulo destacou em Romanos 6.14 a graça como algo que se contrasta com a lei. Entretanto, graça
   também exprime a corrente de misericórdia divina, pela qual o homem é chamado, é salvo, é justificado, e
   habilitado para viver bem e achar isso suficiente para ele.
            Em Romanos, capítulo 6, Paulo, inspirado pelo Espírito Santo nos mostra que a graça não nos deixa
   permanecer no pecado, antes, nos livra do poder do pecado.

             2. A graça como uma influencia divina

            Vamos nos aprofundar um pouco mais no conceito de graça.
            Muitas pessoas usam a graça para justificar seus pecados. Já que é a graça que nos salva, então,
   vamos pecar! Esta falta de conhecimento leva o crente para uma vida de derrotas e fora dos princípios de
   Deus.
            Queremos ressaltar nesta aula, que graça é muito mais que um favor imerecido. Essa dimensão de
   graça pode ser percebida em alguns versículos da Palavra de Deus (Lucas 2. 40). Com relação a Jesus, fica
   claro que ele não recebeu um favor imerecido de Deus, pois não pecou como nós pecamos. Ele não estava
   entre aqueles que se rebelaram contra Deus, pois era o Filho de Deus e veio para ser obediente. Logo, graça
   neste sentido tem a ver com a direção do Espírito Santo em sua vida; e não como um favor imerecido (João
   1.14-17).
            Jesus estava cheio da graça Divina, por isso pôde refletir a plenitude e a glória de Deus! Diz-nos o
   texto que todos nós temos recebido desta plenitude de Cristo e graça sobre graça.
            Dia após dia estamos sendo ensinados por Jesus através do Espírito Santo (Atos 20. 32).
            O Espírito Santo fala ao nosso coração. A palavra da Sua graça é poderosa para nos edificar e nos
   dar herança entre todos os que são santificados.
            Em Romanos 6. 14, podemos ver que o pecado, por causa da graça, não tem mais domínio sobre
   nós. Quando éramos do mundo o pecado nos escravizava, mas agora que somos de Cristo, somos livres
   para vivermos em novidade de vida. A graça é a vida de Jesus em nossas vidas.
            Graça é o Seu poder se manifestando em nós para o cumprimento das Escrituras em nós. Não
   somente isso, mas estarmos de tal forma vivendo em obediência, visando agradar ao nosso Pai celestial no
   dia-a-dia de nossas vidas.
   O conceito de graça                                        1                                          AULA 1
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            Se a graça é a vida de Jesus em nós, então ela se manifesta de forma muito clara e maravilhosa.
   Graça é a ajuda divina quando necessitamos. Em (Gênesis 20. 6 ), Deus impediu Abimeleque de pecar contra
   Ele. Jó afirma que a presença de Deus preservava o seu espírito (Jó 10. 12).
            No salmo 84. 11 a ajuda divina é certa para todos aqueles que andam corretamente diante d’Ele. Em
   1 Coríntios 10.13, a ajuda divina é manifestada no guardar o indivíduo de pecar contra Deus. Em 1 Pedro 1.
   5 somos guardados por Deus através da fé. Ele nos concede fé para que possamos estar andando segundo
   a graça que nos foi dada.
            A graça nos conduz ao crescimento espiritual, concedendo-nos entendimento da Palavra e do amor
   de Deus.
            O desejo de Deus é que cresçamos na graça d’Ele. A graça nos leva à oração intercessora. Leva-
   nos também a preocupar-nos com os outros. Ela nos leva a ter um profundo amor pelas almas pecadoras e
   a orarmos para que estas venham a se arrepender de seus pecados.
            Jesus nos ensina uma grande lição em João 17.11: orarmos uns pelos outros. Ele pediu ao Seu Pai
   por nós afim de que fôssemos um com Ele, assim como Ele é com o Pai.
            Paulo intercedeu pela igreja a fim de que eles recebessem abundantes favores do Senhor (1 Tes-
   salonicenses 1.1-2). A graça nos faz alcançar almas preciosíssimas ( João 6. 44 ).
            Somente a graça pode trazer um homem para Jesus, através da:
            a) Redenção. Ele nos redimiu do pecado trazendo-nos para o Seu infinito amor (Efésios 1. 5-9, 11,
   12);
            b) Justificação. Fomos declarados inocentes perante Deus mediante a morte de Jesus (Romanos
   3. 22-24; 4. 4,5,16 e 5. 2,6-8,15-21 ).
            A graça afeta o caráter e conduta do crente. Em 2 Coríntios 1.12, Paulo afirma que a nossa capa-
   cidade de viver no mundo não vem de uma inteligência humana e sim da graça de Jesus. É Ele quem nos
   capacita a viver no mundo, sem sermos influenciados pelo mundo. É Deus quem opera em nós o querer e
   efetuar o bem. Ele nos conduz em direção à Sua vontade (Filipenses 2. 13).
            Concluímos então que graça é a ação do Espírito Santo no coração do homem, levando-o a estar
   dentro da vontade de Deus (Romanos 1.7). Somente mediante a graça de Deus é que podemos ter paz.

   REFLEXÃO SOBRE A REALIDADE ATUAL

            Atualmente, o número de religiões tem aumentado consideravelmente; entretanto devemos ficar
   atentos à verdade imutável da palavra de Deus. Discernir a graça de Deus é fundamental para não sermos
   ludibriados com as vãs filosofias.

   MINISTRAÇÃO E APLICAÇÃO PRÁTICA

          Senhor, obrigado pela Tua graça, pela ação e influência do Espírito Santo em minha vida. Leva-me
   para mais perto de Ti e a descansar diariamente na Tua maravilhosa graça.




   O conceito de graça                                        2                                        AULA 1
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   O conceito de Lei e sua importância                                                               AULA 2
   OBJETIVO(S)

           Identificar a Lei como o meio usado por Deus para: (a) revelar o pecado, (b) destacar a graça como
   o meio usado por Deus para salvar o homem, (c) meio usado por Deus para conduzir o homem a Cristo.
           Reconhecer que em Cristo fomos resgatados da maldição da Lei.

   INTRODUÇÃO

            A lei foi um verdadeiro presente de Deus para o homem. Através da lei Deus pôde resgatar o homem
   das terríveis garras do pecado. Nesta aula veremos a importância da lei estabelecida por Deus na Sua palavra,
   visando conduzir o homem a Cristo, único meio de salvação e libertação do pecado.

   DESENVOLVIMENTO

              1. A definição de Lei

            De uma foram bastante simples, a palavra lei significa preceito que exprime a vontade de Deus.
            A palavra Torah, traduzida por lei, significa propriamente uma direção, que era primitivamente ritual.
   Observa-se em algumas passagens da Bíblia que a palavra lei designa a vontade de Deus revelada (Salmos
   1.2 - 19.7 – 119; Isaias 8.20 - 42.12 e Jeremias 31.33). Outras vezes, num sentido mais restrito, significa as
   observâncias rituais ou cerimoniais da religião judaica (Efésios 2.15 e Hebreus 10.1). Dentro deste contexto,
   Paulo afirma que ‘ninguém será justificado diante dele por obras da lei’ (Romanos 3.20).

              2. A importância da Lei

            a) Na revelação do pecado. A Bíblia é bastante clara quando relata que sem Lei não há pecado. Ob-
   serve: “Porque até ao regime da Lei havia pecado no mundo, mas o pecado não é levado em conta quando
   não há lei” (Romanos 5.13). ”Que diremos, pois? É a Lei pecado? De modo nenhum! Mas eu não teria
   conhecido o pecado, senão por intermédio da lei; pois não teria eu conhecido a cobiça, se a lei não dissera:
   Não cobiçarás” (Romanos 7.7). ”O aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a Lei” I (Coríntios
   15.56).
            b) Destacar a graça como o meio usado por Deus para salvar o homem. A lei foi de suma importância
   para revelar ao homem sua condição de pecador. A lei revela o pecado com um senhor que exige absoluta
   obediência. Entretanto, a mesma lei que foi importante para destacar o pecado também serve como elemento
   fundamental para destacar a necessidade da graça como a única e exclusiva forma de Deus salvar o homem.
   “Sobreveio a Lei para que avultasse a ofensa; mas onde abundou o pecado, superabundou a graça, (...)”
   (Romanos 5.20).
            c) Meio usado por Deus para conduzir o homem a Cristo. A lei revela a santidade e a perfeição de
   Deus. A Bíblia revela ainda que a lei é espiritual, entretanto, nós seres humanos somos carnais (Romanos
   7.14), logo, por mais que nos esforcemos, por nós mesmos, jamais conseguiremos atingir o elevado padrão
   espiritual estabelecido pela lei. Sendo assim, só há uma saída para o homem, reconhecer que sua salvação
   depende exclusivamente de Jesus Cristo, o único que cumpriu todos os preceitos da lei. Dessa forma, a
   lei nos serviu como aio (pessoa encarregada da educação de crianças nobres ou ricas) para nos conduzir
   a Cristo, ou seja, para nos revelar que em Cristo é possível a libertação do pecado. “Porque o fim da Lei é
   Cristo, para justiça de todo aquele que crê” (Romanos 10.4).




   O conceito de Lei e sua importância                        3                                            AULA 2
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              3. Cristo nos resgatou da maldição da Lei

           “Eis que, hoje, eu ponho diante de vós a bênção e a maldição (...)” (Deuteronômio 11.26).
           No livro de Deuteronômio, Capítulo 11, Moisés relaciona bênção com obediência e maldição com
   desobediência; conseqüentemente, a causa básica das maldições é a DESOBEDIÊNCIA.
           No Velho Testamento, a quebra da Lei gerava maldição: ”(...) a maldição, se não cumprirdes os man-
   damentos do SENHOR, vosso Deus, mas vos desviardes do caminho que hoje vos ordeno, para seguirdes
   outros deuses que não conhecestes” (Deuteronômio 11.28).
           Entretanto, no Novo Testamento, Deus traz a luz de uma nova revelação: Cristo nos resgatou da
   maldição da Lei. Observe isso de forma clara neste versículo: “Cristo nos resgatou da maldição da Lei, fa-
   zendo-se ele próprio maldição em nosso lugar (porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado
   em madeiro), (...)” (Gálatas 3.13).
           A palavra resgate significa: ato ou efeito de resgatar; preço por que se resgata; liberdade; redenção;
   quitação. Concluímos, portanto, que sem Cristo o homem está diretamente debaixo de maldição. Ele não
   precisa fazer nada para estar debaixo de maldição, porém para sair é preciso uma ação: reconhecer, pela
   fé, Jesus Cristo como único Senhor e Salvador de sua vida.
           Observe que Deus providenciou a forma correta para resgatar o homem da maldição: Tornando Seu
   próprio Filho maldição em nosso lugar. Alguém teria que pagar o preço (e que preço!).
           Ao aceitar essa verdade, pela fé, posso declarar que estou debaixo das bênçãos celestiais que Deus
   já preparou para mim:”Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos tem abençoado com
   toda sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo, (...)” (Efésios 1.3).
           Logo podemos dizer que em Cristo somos resgatados da maldição e em Cristo recebemos toda sorte
   de benção espiritual.

   REFLEXÃO SOBRE A REALIDADE ATUAL

          “Como o pássaro que foge, como a andorinha no seu vôo, assim a maldição sem causa não se
   cumpre” (Provérbios 26.2).
          Cristo tornou-se maldição em nosso lugar. Quando cremos e aceitamos essa verdade podemos dizer:
   nenhuma maldição irá se cumprir na nossa vida. Aleluia!

   MINISTRAÇÃO E APLICAÇÃO PRÁTICA

           Obrigado Senhor Jesus por ter pago o preço e ter me resgatado da maldição da lei. Concede-me a
   cada dia, mais e mais da Tua graça, para que eu possa viver a vida abundante que prometeste.




   O conceito de Lei e sua importância                        4                                           AULA 2
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   Cruz de Cristo: a linha divisória entre Lei e graça                                                AULA 3
   OBJETIVO

          Reconhecer que através da cruz de Cristo Deus realizou uma obra tremenda no processo da nossa
   redenção.

   INTRODUÇÃO

            A morte de Jesus na cruz é um grande marco na história da humanidade. Muitos vêem apenas como
   um acontecimento histórico; entretanto, para nós que somos salvos o ato de Jesus tem um propósito divino:
   a redenção do ser humano.
            Nesta aula estudaremos o poder da morte de Jesus naquela rude cruz, encerrando-se assim o regime
   da Lei, introduzindo uma Nova Aliança, baseada na graça e misericórdia de Deus.
            O poder da cruz de Cristo
            “Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que a graça abunde? (Romanos 6. 1).
            Paulo foi taxativo na sua resposta: “De modo nenhum”. Por que não devemos permanecer no pecado?
   Porque já morremos para o pecado. Quando morremos? Quando Cristo morreu, ou seja, há quase 2.006
   anos atrás.
            A morte de Jesus Cristo na cruz do calvário veio trazer uma tremenda libertação para todos aqueles
   que crêem; pois na cruz Jesus realizou, por nós, uma tripla libertação:

               I) Libertação do pecado

             Não temos dúvidas com relação à morte de Jesus na cruz. É a mensagem mais pregada pelos
   evangélicos; entretanto a morte de Jesus tem um significado extremamente importante quando se trata da
   nossa libertação com relação ao pecado. Você já parou para pensar que Deus incluiu cada ser humano na
   morte de Jesus, ou seja: a Bíblia relata que quando Jesus morreu, eu (velho homem) também morri. Como
   base bíblica para isso vamos analisar alguns versículos escritos por Paulo na carta aos Romanos. Observe:
   “Pois sabendo isto, que o nosso velho homem foi com ele (Jesus) crucificado, para que o corpo do pecado
   seja desfeito, a fim de não servirmos mais ao pecado; (...)” (Romanos 6.6). Em ainda: “Pois quanto a ter
   morrido, de uma vez morreu para o pecado; (...)” (Romanos 6.10).
             Portanto, conforme Romanos 6.6 o nosso velho homem foi crucificado com Cristo, logo concluo: se
   Cristo morreu, eu também morri. Morri para quê, para o pecado. É da morte para o pecado que Paulo fala
   em Romanos 6.10, portanto a Bíblia afirma que a cruz de Cristo foi essencial para o plano de Deus em nos
   libertar do pecado.

               II) Libertação da lei.

             Como vimos nas aulas anteriores, a lei foi de suma importância para revelar ao homem sua condição
   de pecador e principalmente como meio usado por Deus para nos conduzir a Cristo. Porém a lei não tem o
   poder de salvar o homem, muito menos de libertá-lo do pecado, pelo contrário, ela veio para que a ofensa
   abundasse (Romanos 5.20).
             Na verdade, para nos libertar do pecado, Deus precisaria nos libertar também da lei; pois até o
   regime da lei o pecado exercia domínio sobre nós. Observe isso no seguinte versículo: “Pois o pecado não
   terá domínio sobre vós, porque não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça” (Romanos 6.14).
             Logo, podemos reiterar que a cruz de Cristo introduziu uma Nova Aliança entre Deus e a Igreja, esta
   firmada e eternizada mediante o sangue de Jesus. A partir dessa linha divisória entra em vigor a graça de
   Deus, que através do Espírito Santo nos concede poder para vencermos o pecado, por isso podemos dizer:
   “(...) o pecado não terá domínio sobre nós”, pois a graça veio para nos libertar do regime da lei.
             A lei exerceu seu domínio até o dia em que Jesus agonizou naquela rude cruz. Até os últimos instantes
   Cruz de Cristo: a linha divisória entre Lei e graça        5                                             AULA 3
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   da Sua morte ela estava lá, apontando-nos os pecado. Todavia, antes do último suspiro Jesus declarou: “Está
   consumado! E inclinado a cabeça, entregou o espírito” (João 19.30). Aleluia, pois aquele foi também o último
   suspiro do velho homem, da velha natureza carnal que herdamos em Adão. Foi também naquele momento
   que a lei deixou de exercer o seu domínio e conseqüentemente Deus derrama Sua imensa e maravilhosa
   graça sobre a humanidade. Hoje todos aqueles que ouvem esse evangelho da graça e reconhecem que a
   salvação só é possível mediante o sacrifício vicário do Senhor Jesus Cristo, imediatamente recebe a salvação
   e a vida eterna.
             “Assim, meus irmãos, também vós estais mortos para a lei pelo corpo de Cristo, para que sejais de
   outro, daquele que ressurgiu dentre os mortos, a fim de darmos frutos para Deus” (Romanos 7.4). E ainda:
   “Mas agora, estamos livres da lei, pois morremos para aquilo em que estávamos retidos, a fim de servirmos
   em novidade de espírito, e não na velhice da letra” (Romanos 7.6).
             Esse versículo evidencia para nós que foi mediante o corpo de Cristo, que morremos também para
   a lei, visando pertencer, pela graça, somente a Jesus Cristo, para darmos frutos para Deus.

               III) Libertação do mundo

            Da mesma forma que Paulo recebeu de Deus revelação de que mediante a cruz de Cristo foi liberto
   do pecado e da lei, escrevendo aos Gálatas trouxe a revelação que também mediante a cruz ocorreu a nossa
   libertação do mundo. Observe: “Mas longe de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus
   Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo” (Gálatas 6.14).
            Cremos que o mundo ao qual Paulo se refere nesse versículo é o sistema formado por todos os
   raciocínios humanos que agem em oposição à verdade absoluta contida na Palavra de Deus.
            A partir do momento em que conheceu a Cristo, Paulo não teve outro pensamento a não ser des-
   ligar-se completamente de todos os ensinamentos, conceitos, sofismas e filosofias aprendidos na tradição
   judaica, para anunciar “(...) a sabedoria de Deus oculta em mistério, a qual Deus ordenou (...)” (1 Coríntios
   2.7). E ainda: “Disto também falamos, não com palavras de sabedoria humana, mas com as que o Espírito
   Santo ensina, comparando as coisas espirituais com as espirituais” (1 Coríntios 2.13).
            O mundo com sua sabedoria, prazer e brilhantismo perde completamente a sua glória, quando
   olhamos para a cruz e contemplamos tão grande libertação conquistada por nós, mediante o sacrifício do
   Senhor Jesus Cristo.
            Somente um Deus sábio e tremendo poderia planejar e realizar por nós mesmos a nossa libertação
   do pecado, da lei e do mundo.

   REFLEXÃO SOBRE A REALIDADE ATUAL

           A Igreja contemporânea tem gozado da liberdade conquistada mediante o sacrifício do Senhor Jesus
   na cruz do calvário? É o conhecimento da Palavra, a meditação na Palavra e a prática da Palavra de Deus
   que nos trará revelação e poder para viver a plenitude do evangelho.

   MINISTRAÇÃO E APLICAÇÃO PRÁTICA

            Senhor Jesus, com nossas mentes finitas, jamais poderíamos imaginar a grandeza da Tua paixão e
   morte pela Igreja. Queremos, louvá-Lo pela graça, pela libertação do pecado, da lei e do mundo. Adoramos-
   Te pelo imenso amor.




   Cruz de Cristo: a linha divisória entre Lei e graça        6                                           AULA 3
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   Graça e justificação                                                                                AULA 4
   OBJETIVO

              Reconhecer que por um único ato de justiça, Deus derramou a Sua graça sobre todos os homens.

   INTRODUÇÃO

           O Brasil é um país extremamente religioso. Várias religiões do nosso país ensinam sobre a importância
   das obras para alcançarmos os favores divinos. Sabemos, pela Palavra que Deus se agrada quando prati-
   camos boas obras. Ele é glorificado quando assim agimos, entretanto, a mesma Palavra nos alerta dizendo
   que nossas obras ou atos de justiça são como trapo de imundícia.
           Pensamos que a salvação depende de nossos atos, por isso procuramos e tentamos, sem sucesso,
   agradar a Deus através das nossas obras.
           Nesta aula estudaremos sobre o único ato de justiça que Deus aceita. Quando aceitamos essa ver-
   dade o Espírito Santo inicia uma tremenda obra de transformação, levando-nos a uma vida plena de louvor
   e adoração a Deus.

   DESENVOLVIMENTO

              1. A justificação pela fé

             Estudamos em aulas anteriores que a palavra “justificar” no grego é dikaioo, que tem o significado
   de “ser justo ou reto diante de Deus”, “tornado justo”, “estabelecer como certo”, isto é, colocar-se num rela-
   cionamento correto com Deus.
             Seria possível ao homem, por esforço próprio tornar-se justo e colocar-se num relacionamento cor-
   reto com Deus? Você, prezado aluno conseguiria? Por acaso conhece alguém, a não ser Jesus Cristo, que
   tenha atingido tal proeza? A resposta óbvia à primeira pergunta é um simples não; isto é, seria impossível ao
   ser humano tornar-se justo por esforço próprio. Da mesma forma que um pé de laranja produz naturalmente
   laranjas e não uvas, nós seres humanos, por sermos descendentes de Adão, produziremos atos de injustiça,
   somos impuros e incapazes de produzir ou reproduzir a justiça, a pureza e a santidade de Deus.
             É claro que existem pessoas boas e más, entretanto, o homem, por si só, sem o poder de Deus
   agindo na sua vida, jamais atingiria o padrão (estatura de Varão perfeito) estabelecido por Deus.
             Deus mesmo estabeleceu como padrão o Seu Filho, Jesus Cristo. Porém não desanime, dizendo ser
   o padrão muito elevado e que tal estatura só será possível no céu. Cremos e ensinamos, como fizemos em
   outras aulas, que tal padrão exigido por Deus será completado por Ele mesmo no seio da Sua amada Igreja;
   pois é para atingir esse padrão que Ele tem nos chamado. A obra é dEle, através do Seu Espírito Santo.
             Não nos esqueçamos de que a obra expiatória de Jesus Cristo na cruz do calvário foi completa. Deus
   não começa uma obra e pára, como alguns de nós fazemos. Quando Ele começa, termina. Observe:”(...)
   tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Cristo
   Jesus” (Filipenses 1.6).
             Portanto, nossa justificação só seria possível se o próprio Deus a realizasse por nós. Ele sabia de
   nossas limitações humana, por isso providenciou um meio de nos justificar, de colocar-nos num pleno rela-
   cionamento com Ele.
             Deus não usou a lei para nos justificar, se assim o fosse, teríamos de que nos gloriar, mas usou a Sua
   imensa graça e misericórdia para promover nossa justificação, visando não dividir Sua glória com ninguém.
   Observe essa verdade nos versículos abaixo:
             “Mas agora se manifestou, sem a lei, a justiça de Deus, tendo o testemunho da lei e dos profetas.
   Isto é, a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo para todos [e sobre todos] os que crêem. Não há distinção,
   pois todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus, e são justificados gratuitamente pela sua graça,
   Graça e justificação                                        7                                             AULA 4
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   pela redenção que há em Cristo Jesus” (Romanos 3.21-24).
           A justificação, segundo a Palavra ocorre mediante a redenção que há em Cristo. Ela está (ainda está)
   à disposição para todos os que crêem. Portanto, o fato do homem aceitar ou rejeitar essa verdade torna-se
   extremamente importante para a justificação e conseqüentemente para a sua salvação.

              2. A condenação do homem

           A Bíblia nos informa que por um único homem (Adão) entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a
   morte, a qual passou a todos os homens, porque todos pecaram (Romanos 5.12).
           O plano arquitetado por Satanás e colocado em prática no jardim do Éden foi um tremendo desastre
   para a humanidade. Como vimos nas aulas sobre a Doutrina do Anjos, Satanás, antes da queda, foi um
   querubim ungido por Deus, designado para serviços específicos na presença do Criador; entretanto, rebelou-
   se contra Deus e foi deposto eternamente do seu cargo; não somente ele, mas um número incontável de
   outros anjos (agora chamados de demônios), que também não se submeteram à autoridade do Criador.
           Qual foi o plano arquitetado por Satanás? Levar o homem, obra prima do Criador, a desobedecer a
   Deus, trazendo condenação para todos os demais descendentes. Infelizmente, sabemos que Satanás obteve
   sucesso no seu maligno intento, pois o homem desobedeceu às ordens de Deus, trazendo para seus descen-
   dentes e para toda a criação, a devida maldição e ainda o pior, a herança do pecado, que gera sofrimento,
   separação de Deus, culminando com a morte. É por isso que a Bíblia diz: “(...) todos pecaram e destituídos
   estão da glória de Deus,...” (Romanos 3.23). Nesse versículo estão inclusos todos os seres humanos gera-
   dos a partir de Adão, exceto o Senhor Jesus Cristo, que foi gerado pelo poder do Espírito Santo. Logo, eu e
   você estamos inclusos entre os descendentes de Adão, por isso, o simples ato do nosso nascimento físico,
   já nos coloca na mesma condição de nossos ancestrais, Adão e Eva, e conseqüentemente, com o passar
   dos meses e anos, percebemos quão má é a nossa natureza, por isso carecemos da graça de Deus.
           Percebemos que é impossível ao homem, estribado na natureza adâmica, levar uma vida isenta de
   pecados, por isso chegamos à conclusão de que a única forma de não sermos condenados é mediante a
   aceitação da graça redentora do nosso maravilhoso Deus, pois “Quem nele crê não é condenado, mas quem
   não crê já está condenado, porque não crê no nome do unigênito Filho de Deus” (João 3.18).

              3. O único ato de justiça aceito por Deus

           “Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens, para condenação, assim
   também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens, para justificação e vida, pois como
   pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores, assim pela obediência de um muitos
   serão feitos justos” (Romanos 5.18-19).
           É maravilhoso receber a graça e a misericórdia do nosso Deus. Ele jamais deixou de nos amar. Seu
   amor vai muito além daquele amor, que como humanos experimentamos algumas vezes na vida. Deus nos
   amou com o amor ágape, isto é, um amor despretensioso e incondicional. Ele não poupou o próprio Filho
   (João 3.16), não mediu esforços, para nos resgatar da condenação eterna. Deus sabia que Sua obra prima
   estava contaminada e condenada a não mais desfrutar da Sua doce presença, por isso se fez homem e
   habitou entre nós (Filipenses 2.6-8).
           Jesus pagou o preço (1 Pedro 1.19) para nos comprar, para sermos “a nação santa, o povo adquirido”
   (1 Pedro 2.9) para prestar a devida adoração ao Criador.
           Jesus praticou no Seu corpo um único ato de justiça que aplacou para sempre a justa ira Divina
   sobre todos os homens. Deus aceitou o ato de justiça oferecido por Jesus, o único sacrifício que foi capaz
   de impressionar a santidade do Criador. Foi, portanto, o sacrifício de Jesus na cruz, Seu sangue derramado
   que nos trouxe a justificação para a vida e a certeza de que um dia voltará para apresentar-nos sem ruga,
   sem mácula, sem defeito algum na presença do Pai. Aleluia! Ora vem, Senhor Jesus.


   REFLEXÃO SOBRE A REALIDADE ATUAL
   Graça e justificação                                        8                                         AULA 4
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           É comum, em alguns feriados religiosos, observarmos pela televisão, jornais e revistas, pessoas
   pagando promessa, cometendo auto-flagelo, realizando algum ritual, etc..., visando alcançar favores divinos.
   Essas pessoas ainda não experimentaram o amor de Deus, a Sua graça e infinita misericórdia, que em Cristo
   Jesus, através do Seu único e suficiente sacrifício (ato de justiça) conquistou tudo o que precisaríamos para
   o louvor do nosso Deus.
           Paulo nos desafia a pregar o genuíno evangelho para essas pessoas e para todos aqueles que ainda
   não são salvos, dizendo: “(...) e como crerão naquele de quem nunca ouviram? E como ouvirão, se não há
   quem pregue?
           Portanto, cabe a nós, Igreja do Senhor Jesus Cristo anunciar as verdades do evangelho, para que
   o poder de Deus se manifeste e retire essas pessoas da escravidão gerada pelo inimigo.

   MINISTRAÇÃO E APLICAÇÃO PRÁTICA

           Senhor Jesus reconheço minha dependência de Ti. Agora estou mais consciente de que apenas o
   Teu ato de justiça, praticado naquela cruz, me justifica, santifica e me salva da ira vindoura.
           Concede-me ousadia e intrepidez para anunciar essas verdades a todos aqueles que ainda não
   experimentaram a Tua graça. Revela-Te mais e mais para a Tua Igreja distribuída na face da Terra. Para o
   louvor e a glória do nosso Deus. Amém!




   Graça e justificação                                        9                                          AULA 4
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   O fim da Lei é Cristo                                                                               AULA 5
   OBJETIVO

           Reconhecer que em Cristo encerra-se completamente o regime da lei e Deus introduz a graça eterna
   para salvar o homem.

   INTRODUÇÃO

             Como vimos Cristo satisfez completamente a justiça de Deus. Ele cumpriu todos os requisitos exigidos
   pela lei. Foi o único a viver em plenitude a vontade do Pai. Jesus sabia da Sua imensa responsabilidade, por
   isso esvaziou-se de si mesmo para não desviar-se de cumprir o objetivo da Sua vinda: revelar a graça divina
   para a salvação da humanidade.
             Nesta aula, Deus irá nos revelar a grandeza do Filho e Seu caráter justo e santo no cumprimento de
   toda a lei.

   DESENVOLVIMENTO

              1. A rigidez da lei x a misericórdia Divina

             Moisés foi o homem escolhido por Deus para revelar a Lei aos israelitas, povo escolhido. A nação
   de Israel, a exemplo de Adão desobedeceu a Deus; pois jamais conseguiu praticar os preceitos da lei.
             É comum no Velho Testamento, observarmos as seguintes orações: “Temos procedido perversamente
   contra ti, e não temos obedecido aos mandamentos, nem aos estatutos, nem aos juízos, que ordenaste a teu
   servo Moisés” (Neemias 1.7). “Ao Senhor, nosso Deus, pertence a misericórdia e o perdão; pois nos rebelamos
   contra ele, e não obedecemos à voz do Senhor, nosso Deus, para andarmos nas suas leis, que nos deu por
   intermédio de seus servos, os profetas. Sim, todo o Israel transgrediu a tua lei, (...)” (Daniel 9.9-11a ).
             Portanto, transgredir a lei era o que mais o povo israelita sabia fazer. Entretanto, podemos observar
   na oração de Daniel que eles sabiam também que o Deus de Israel era um Deus de misericórdia e perdão.
   Na verdade Deus tinha um profundo amor pelos israelitas, e jamais queria perdê-los. O amor de Deus não
   diminuiu, porém hoje a nação escolhida é a Igreja do Senhor Jesus, a Noiva que Ele ama, cuida e adorna
   com todo carinho.
             A misericórdia do Senhor sempre foi destaque no Velho Testamento, observe: “As misericórdias do
   Senhor são a causa de não sermos consumidos, pois as suas misericórdias não têm fim” (Lamentações
   3.22).
             Portanto, apesar de toda rigidez da lei, Deus jamais se esqueceu da Sua misericórdia; pois a cada
   transgressão provocada pelo povo, Deus levantava Seus profetas que pregavam o arrependimento. Através do
   arrependimento o povo voltava novamente para Deus e Ele, com eterno amor manifestava o Seu perdão.

              2. O amor cumpre a lei

            Jesus sintetizou a lei em dois únicos mandamentos: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração,
   de toda a tua alma e de todo o teu entendimento (...)” e “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mateus
   22.37,38), e acrescentou: “Destes dois mandamentos depende toda a lei e os profetas” (Mateus 22.40).
            Paulo escrevendo aos Gálatas também diz que: “Toda lei se cumpre numa só palavra, a saber:
   Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Gálatas 5.14). E ainda aos Romanos escreveu: “O amor não faz
   mal ao próximo. De sorte que o cumprimento da lei é o amor” (Romanos 13.10).
            Deus providenciou também o Seu amor em nossos corações para que através desse amor possamos
   viver o evangelho na sua plenitude: “(...) porque o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo
   Espírito Santo que nos foi dado” (Romanos 5.5).
   O fim da Lei é Cristo                                       10                                            AULA 5
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              3. Porque o fim da lei é Cristo

            “O fim da lei é Cristo para a justiça de todo aquele que crê” (Romanos 10.4).
            Esse versículo resume tudo que dissemos nessas cinco aulas sobre Lei e Graça, pois Cristo cumpriu
   toda lei em nosso favor. Ele chamou para Si toda responsabilidade, e mesmo sem cometer pecado algum,
   levou sobre Si o pecado de toda humanidade, desde Adão até o último homem que ira nascer na face da
   Terra.
            Ele cumpriu, sem reservas, todos os ditames da lei, satisfazendo totalmente e plenamente a justiça
   de Deus.

   REFLEXÃO SOBRE A REALIDADE ATUAL

           “A glória de Jesus Cristo brilha ainda mais claramente quando O vemos em Sua relação apropriada
   com o Antigo Testamento. Ele tem uma relação magnificente com tudo o que foi escrito. Não é surpresa que
   este seja o caso, pois Ele é chamado de a Palavra de Deus encarnada (João 1.14). Não seria a Palavra de
   Deus encarnada a soma e a consumação da Palavra de Deus escrita?”

              John Piper

   MINISTRAÇÃO E APLICAÇÃO PRÁTICA

          Gostaríamos de terminar essa seqüência de estudos Lei x Graça com a música: “Porque o Fim da
   Lei é Cristo”, de Ademar de Campos. Creio que ela expressa, de forma resumida a grandeza do Senhor
   Jesus Cristo na Sua obra da salvar todos aqueles que crêem:

                                                Porque o fim da lei é Cristo
                                                Prá justiça de todo que crê
                                                  A justiça que é pela fé
                                                     No Filho de Deus
                                                 A quem Deus ressuscitou
                                                  Para nossa justificação

                                                          Aleluia
                                                      Grande salvação
                                                          Aleluia
                                                      Grande salvação
                                                          Aleluia
                                                      Grande salvação.




   O fim da Lei é Cristo                                       11                                        AULA 5

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Lei E GraçA Modulo 2

  • 1. ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL | FUNDAMENTOS DA EDUCAÇÃO CRISTÃ 2 DISCIPLINA: DOUTRINAS BÍBLICAS TEMA: LEI X GRAÇA O conceito de graça AULA 1 OBJETIVO(S) Conceituar biblicamente a palavra graça. INTRODUÇÃO Estaremos, nas próximas aulas, buscando a revelação de Deus sobre a graça como influência do Espírito para nos salvar, em contraste com a lei que foi de suma importância para nos conduzir a Cristo. DESENVOLVIMENTO 1. O conceito de graça No Antigo Testamento graça significa favor, especialmente na frase ‘achar graça’ (Gênesis 6.8). No Novo Testamento a palavra graça refere-se àquele favor que o homem não merece, mas que Deus livremente lhe concede. Paulo destacou em Romanos 6.14 a graça como algo que se contrasta com a lei. Entretanto, graça também exprime a corrente de misericórdia divina, pela qual o homem é chamado, é salvo, é justificado, e habilitado para viver bem e achar isso suficiente para ele. Em Romanos, capítulo 6, Paulo, inspirado pelo Espírito Santo nos mostra que a graça não nos deixa permanecer no pecado, antes, nos livra do poder do pecado. 2. A graça como uma influencia divina Vamos nos aprofundar um pouco mais no conceito de graça. Muitas pessoas usam a graça para justificar seus pecados. Já que é a graça que nos salva, então, vamos pecar! Esta falta de conhecimento leva o crente para uma vida de derrotas e fora dos princípios de Deus. Queremos ressaltar nesta aula, que graça é muito mais que um favor imerecido. Essa dimensão de graça pode ser percebida em alguns versículos da Palavra de Deus (Lucas 2. 40). Com relação a Jesus, fica claro que ele não recebeu um favor imerecido de Deus, pois não pecou como nós pecamos. Ele não estava entre aqueles que se rebelaram contra Deus, pois era o Filho de Deus e veio para ser obediente. Logo, graça neste sentido tem a ver com a direção do Espírito Santo em sua vida; e não como um favor imerecido (João 1.14-17). Jesus estava cheio da graça Divina, por isso pôde refletir a plenitude e a glória de Deus! Diz-nos o texto que todos nós temos recebido desta plenitude de Cristo e graça sobre graça. Dia após dia estamos sendo ensinados por Jesus através do Espírito Santo (Atos 20. 32). O Espírito Santo fala ao nosso coração. A palavra da Sua graça é poderosa para nos edificar e nos dar herança entre todos os que são santificados. Em Romanos 6. 14, podemos ver que o pecado, por causa da graça, não tem mais domínio sobre nós. Quando éramos do mundo o pecado nos escravizava, mas agora que somos de Cristo, somos livres para vivermos em novidade de vida. A graça é a vida de Jesus em nossas vidas. Graça é o Seu poder se manifestando em nós para o cumprimento das Escrituras em nós. Não somente isso, mas estarmos de tal forma vivendo em obediência, visando agradar ao nosso Pai celestial no dia-a-dia de nossas vidas. O conceito de graça 1 AULA 1
  • 2. ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL | FUNDAMENTOS DA EDUCAÇÃO CRISTÃ 2 Se a graça é a vida de Jesus em nós, então ela se manifesta de forma muito clara e maravilhosa. Graça é a ajuda divina quando necessitamos. Em (Gênesis 20. 6 ), Deus impediu Abimeleque de pecar contra Ele. Jó afirma que a presença de Deus preservava o seu espírito (Jó 10. 12). No salmo 84. 11 a ajuda divina é certa para todos aqueles que andam corretamente diante d’Ele. Em 1 Coríntios 10.13, a ajuda divina é manifestada no guardar o indivíduo de pecar contra Deus. Em 1 Pedro 1. 5 somos guardados por Deus através da fé. Ele nos concede fé para que possamos estar andando segundo a graça que nos foi dada. A graça nos conduz ao crescimento espiritual, concedendo-nos entendimento da Palavra e do amor de Deus. O desejo de Deus é que cresçamos na graça d’Ele. A graça nos leva à oração intercessora. Leva- nos também a preocupar-nos com os outros. Ela nos leva a ter um profundo amor pelas almas pecadoras e a orarmos para que estas venham a se arrepender de seus pecados. Jesus nos ensina uma grande lição em João 17.11: orarmos uns pelos outros. Ele pediu ao Seu Pai por nós afim de que fôssemos um com Ele, assim como Ele é com o Pai. Paulo intercedeu pela igreja a fim de que eles recebessem abundantes favores do Senhor (1 Tes- salonicenses 1.1-2). A graça nos faz alcançar almas preciosíssimas ( João 6. 44 ). Somente a graça pode trazer um homem para Jesus, através da: a) Redenção. Ele nos redimiu do pecado trazendo-nos para o Seu infinito amor (Efésios 1. 5-9, 11, 12); b) Justificação. Fomos declarados inocentes perante Deus mediante a morte de Jesus (Romanos 3. 22-24; 4. 4,5,16 e 5. 2,6-8,15-21 ). A graça afeta o caráter e conduta do crente. Em 2 Coríntios 1.12, Paulo afirma que a nossa capa- cidade de viver no mundo não vem de uma inteligência humana e sim da graça de Jesus. É Ele quem nos capacita a viver no mundo, sem sermos influenciados pelo mundo. É Deus quem opera em nós o querer e efetuar o bem. Ele nos conduz em direção à Sua vontade (Filipenses 2. 13). Concluímos então que graça é a ação do Espírito Santo no coração do homem, levando-o a estar dentro da vontade de Deus (Romanos 1.7). Somente mediante a graça de Deus é que podemos ter paz. REFLEXÃO SOBRE A REALIDADE ATUAL Atualmente, o número de religiões tem aumentado consideravelmente; entretanto devemos ficar atentos à verdade imutável da palavra de Deus. Discernir a graça de Deus é fundamental para não sermos ludibriados com as vãs filosofias. MINISTRAÇÃO E APLICAÇÃO PRÁTICA Senhor, obrigado pela Tua graça, pela ação e influência do Espírito Santo em minha vida. Leva-me para mais perto de Ti e a descansar diariamente na Tua maravilhosa graça. O conceito de graça 2 AULA 1
  • 3. ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL | FUNDAMENTOS DA EDUCAÇÃO CRISTÃ 2 O conceito de Lei e sua importância AULA 2 OBJETIVO(S) Identificar a Lei como o meio usado por Deus para: (a) revelar o pecado, (b) destacar a graça como o meio usado por Deus para salvar o homem, (c) meio usado por Deus para conduzir o homem a Cristo. Reconhecer que em Cristo fomos resgatados da maldição da Lei. INTRODUÇÃO A lei foi um verdadeiro presente de Deus para o homem. Através da lei Deus pôde resgatar o homem das terríveis garras do pecado. Nesta aula veremos a importância da lei estabelecida por Deus na Sua palavra, visando conduzir o homem a Cristo, único meio de salvação e libertação do pecado. DESENVOLVIMENTO 1. A definição de Lei De uma foram bastante simples, a palavra lei significa preceito que exprime a vontade de Deus. A palavra Torah, traduzida por lei, significa propriamente uma direção, que era primitivamente ritual. Observa-se em algumas passagens da Bíblia que a palavra lei designa a vontade de Deus revelada (Salmos 1.2 - 19.7 – 119; Isaias 8.20 - 42.12 e Jeremias 31.33). Outras vezes, num sentido mais restrito, significa as observâncias rituais ou cerimoniais da religião judaica (Efésios 2.15 e Hebreus 10.1). Dentro deste contexto, Paulo afirma que ‘ninguém será justificado diante dele por obras da lei’ (Romanos 3.20). 2. A importância da Lei a) Na revelação do pecado. A Bíblia é bastante clara quando relata que sem Lei não há pecado. Ob- serve: “Porque até ao regime da Lei havia pecado no mundo, mas o pecado não é levado em conta quando não há lei” (Romanos 5.13). ”Que diremos, pois? É a Lei pecado? De modo nenhum! Mas eu não teria conhecido o pecado, senão por intermédio da lei; pois não teria eu conhecido a cobiça, se a lei não dissera: Não cobiçarás” (Romanos 7.7). ”O aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a Lei” I (Coríntios 15.56). b) Destacar a graça como o meio usado por Deus para salvar o homem. A lei foi de suma importância para revelar ao homem sua condição de pecador. A lei revela o pecado com um senhor que exige absoluta obediência. Entretanto, a mesma lei que foi importante para destacar o pecado também serve como elemento fundamental para destacar a necessidade da graça como a única e exclusiva forma de Deus salvar o homem. “Sobreveio a Lei para que avultasse a ofensa; mas onde abundou o pecado, superabundou a graça, (...)” (Romanos 5.20). c) Meio usado por Deus para conduzir o homem a Cristo. A lei revela a santidade e a perfeição de Deus. A Bíblia revela ainda que a lei é espiritual, entretanto, nós seres humanos somos carnais (Romanos 7.14), logo, por mais que nos esforcemos, por nós mesmos, jamais conseguiremos atingir o elevado padrão espiritual estabelecido pela lei. Sendo assim, só há uma saída para o homem, reconhecer que sua salvação depende exclusivamente de Jesus Cristo, o único que cumpriu todos os preceitos da lei. Dessa forma, a lei nos serviu como aio (pessoa encarregada da educação de crianças nobres ou ricas) para nos conduzir a Cristo, ou seja, para nos revelar que em Cristo é possível a libertação do pecado. “Porque o fim da Lei é Cristo, para justiça de todo aquele que crê” (Romanos 10.4). O conceito de Lei e sua importância 3 AULA 2
  • 4. ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL | FUNDAMENTOS DA EDUCAÇÃO CRISTÃ 2 3. Cristo nos resgatou da maldição da Lei “Eis que, hoje, eu ponho diante de vós a bênção e a maldição (...)” (Deuteronômio 11.26). No livro de Deuteronômio, Capítulo 11, Moisés relaciona bênção com obediência e maldição com desobediência; conseqüentemente, a causa básica das maldições é a DESOBEDIÊNCIA. No Velho Testamento, a quebra da Lei gerava maldição: ”(...) a maldição, se não cumprirdes os man- damentos do SENHOR, vosso Deus, mas vos desviardes do caminho que hoje vos ordeno, para seguirdes outros deuses que não conhecestes” (Deuteronômio 11.28). Entretanto, no Novo Testamento, Deus traz a luz de uma nova revelação: Cristo nos resgatou da maldição da Lei. Observe isso de forma clara neste versículo: “Cristo nos resgatou da maldição da Lei, fa- zendo-se ele próprio maldição em nosso lugar (porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado em madeiro), (...)” (Gálatas 3.13). A palavra resgate significa: ato ou efeito de resgatar; preço por que se resgata; liberdade; redenção; quitação. Concluímos, portanto, que sem Cristo o homem está diretamente debaixo de maldição. Ele não precisa fazer nada para estar debaixo de maldição, porém para sair é preciso uma ação: reconhecer, pela fé, Jesus Cristo como único Senhor e Salvador de sua vida. Observe que Deus providenciou a forma correta para resgatar o homem da maldição: Tornando Seu próprio Filho maldição em nosso lugar. Alguém teria que pagar o preço (e que preço!). Ao aceitar essa verdade, pela fé, posso declarar que estou debaixo das bênçãos celestiais que Deus já preparou para mim:”Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos tem abençoado com toda sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo, (...)” (Efésios 1.3). Logo podemos dizer que em Cristo somos resgatados da maldição e em Cristo recebemos toda sorte de benção espiritual. REFLEXÃO SOBRE A REALIDADE ATUAL “Como o pássaro que foge, como a andorinha no seu vôo, assim a maldição sem causa não se cumpre” (Provérbios 26.2). Cristo tornou-se maldição em nosso lugar. Quando cremos e aceitamos essa verdade podemos dizer: nenhuma maldição irá se cumprir na nossa vida. Aleluia! MINISTRAÇÃO E APLICAÇÃO PRÁTICA Obrigado Senhor Jesus por ter pago o preço e ter me resgatado da maldição da lei. Concede-me a cada dia, mais e mais da Tua graça, para que eu possa viver a vida abundante que prometeste. O conceito de Lei e sua importância 4 AULA 2
  • 5. ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL | FUNDAMENTOS DA EDUCAÇÃO CRISTÃ 2 Cruz de Cristo: a linha divisória entre Lei e graça AULA 3 OBJETIVO Reconhecer que através da cruz de Cristo Deus realizou uma obra tremenda no processo da nossa redenção. INTRODUÇÃO A morte de Jesus na cruz é um grande marco na história da humanidade. Muitos vêem apenas como um acontecimento histórico; entretanto, para nós que somos salvos o ato de Jesus tem um propósito divino: a redenção do ser humano. Nesta aula estudaremos o poder da morte de Jesus naquela rude cruz, encerrando-se assim o regime da Lei, introduzindo uma Nova Aliança, baseada na graça e misericórdia de Deus. O poder da cruz de Cristo “Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que a graça abunde? (Romanos 6. 1). Paulo foi taxativo na sua resposta: “De modo nenhum”. Por que não devemos permanecer no pecado? Porque já morremos para o pecado. Quando morremos? Quando Cristo morreu, ou seja, há quase 2.006 anos atrás. A morte de Jesus Cristo na cruz do calvário veio trazer uma tremenda libertação para todos aqueles que crêem; pois na cruz Jesus realizou, por nós, uma tripla libertação: I) Libertação do pecado Não temos dúvidas com relação à morte de Jesus na cruz. É a mensagem mais pregada pelos evangélicos; entretanto a morte de Jesus tem um significado extremamente importante quando se trata da nossa libertação com relação ao pecado. Você já parou para pensar que Deus incluiu cada ser humano na morte de Jesus, ou seja: a Bíblia relata que quando Jesus morreu, eu (velho homem) também morri. Como base bíblica para isso vamos analisar alguns versículos escritos por Paulo na carta aos Romanos. Observe: “Pois sabendo isto, que o nosso velho homem foi com ele (Jesus) crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, a fim de não servirmos mais ao pecado; (...)” (Romanos 6.6). Em ainda: “Pois quanto a ter morrido, de uma vez morreu para o pecado; (...)” (Romanos 6.10). Portanto, conforme Romanos 6.6 o nosso velho homem foi crucificado com Cristo, logo concluo: se Cristo morreu, eu também morri. Morri para quê, para o pecado. É da morte para o pecado que Paulo fala em Romanos 6.10, portanto a Bíblia afirma que a cruz de Cristo foi essencial para o plano de Deus em nos libertar do pecado. II) Libertação da lei. Como vimos nas aulas anteriores, a lei foi de suma importância para revelar ao homem sua condição de pecador e principalmente como meio usado por Deus para nos conduzir a Cristo. Porém a lei não tem o poder de salvar o homem, muito menos de libertá-lo do pecado, pelo contrário, ela veio para que a ofensa abundasse (Romanos 5.20). Na verdade, para nos libertar do pecado, Deus precisaria nos libertar também da lei; pois até o regime da lei o pecado exercia domínio sobre nós. Observe isso no seguinte versículo: “Pois o pecado não terá domínio sobre vós, porque não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça” (Romanos 6.14). Logo, podemos reiterar que a cruz de Cristo introduziu uma Nova Aliança entre Deus e a Igreja, esta firmada e eternizada mediante o sangue de Jesus. A partir dessa linha divisória entra em vigor a graça de Deus, que através do Espírito Santo nos concede poder para vencermos o pecado, por isso podemos dizer: “(...) o pecado não terá domínio sobre nós”, pois a graça veio para nos libertar do regime da lei. A lei exerceu seu domínio até o dia em que Jesus agonizou naquela rude cruz. Até os últimos instantes Cruz de Cristo: a linha divisória entre Lei e graça 5 AULA 3
  • 6. ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL | FUNDAMENTOS DA EDUCAÇÃO CRISTÃ 2 da Sua morte ela estava lá, apontando-nos os pecado. Todavia, antes do último suspiro Jesus declarou: “Está consumado! E inclinado a cabeça, entregou o espírito” (João 19.30). Aleluia, pois aquele foi também o último suspiro do velho homem, da velha natureza carnal que herdamos em Adão. Foi também naquele momento que a lei deixou de exercer o seu domínio e conseqüentemente Deus derrama Sua imensa e maravilhosa graça sobre a humanidade. Hoje todos aqueles que ouvem esse evangelho da graça e reconhecem que a salvação só é possível mediante o sacrifício vicário do Senhor Jesus Cristo, imediatamente recebe a salvação e a vida eterna. “Assim, meus irmãos, também vós estais mortos para a lei pelo corpo de Cristo, para que sejais de outro, daquele que ressurgiu dentre os mortos, a fim de darmos frutos para Deus” (Romanos 7.4). E ainda: “Mas agora, estamos livres da lei, pois morremos para aquilo em que estávamos retidos, a fim de servirmos em novidade de espírito, e não na velhice da letra” (Romanos 7.6). Esse versículo evidencia para nós que foi mediante o corpo de Cristo, que morremos também para a lei, visando pertencer, pela graça, somente a Jesus Cristo, para darmos frutos para Deus. III) Libertação do mundo Da mesma forma que Paulo recebeu de Deus revelação de que mediante a cruz de Cristo foi liberto do pecado e da lei, escrevendo aos Gálatas trouxe a revelação que também mediante a cruz ocorreu a nossa libertação do mundo. Observe: “Mas longe de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo” (Gálatas 6.14). Cremos que o mundo ao qual Paulo se refere nesse versículo é o sistema formado por todos os raciocínios humanos que agem em oposição à verdade absoluta contida na Palavra de Deus. A partir do momento em que conheceu a Cristo, Paulo não teve outro pensamento a não ser des- ligar-se completamente de todos os ensinamentos, conceitos, sofismas e filosofias aprendidos na tradição judaica, para anunciar “(...) a sabedoria de Deus oculta em mistério, a qual Deus ordenou (...)” (1 Coríntios 2.7). E ainda: “Disto também falamos, não com palavras de sabedoria humana, mas com as que o Espírito Santo ensina, comparando as coisas espirituais com as espirituais” (1 Coríntios 2.13). O mundo com sua sabedoria, prazer e brilhantismo perde completamente a sua glória, quando olhamos para a cruz e contemplamos tão grande libertação conquistada por nós, mediante o sacrifício do Senhor Jesus Cristo. Somente um Deus sábio e tremendo poderia planejar e realizar por nós mesmos a nossa libertação do pecado, da lei e do mundo. REFLEXÃO SOBRE A REALIDADE ATUAL A Igreja contemporânea tem gozado da liberdade conquistada mediante o sacrifício do Senhor Jesus na cruz do calvário? É o conhecimento da Palavra, a meditação na Palavra e a prática da Palavra de Deus que nos trará revelação e poder para viver a plenitude do evangelho. MINISTRAÇÃO E APLICAÇÃO PRÁTICA Senhor Jesus, com nossas mentes finitas, jamais poderíamos imaginar a grandeza da Tua paixão e morte pela Igreja. Queremos, louvá-Lo pela graça, pela libertação do pecado, da lei e do mundo. Adoramos- Te pelo imenso amor. Cruz de Cristo: a linha divisória entre Lei e graça 6 AULA 3
  • 7. ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL | FUNDAMENTOS DA EDUCAÇÃO CRISTÃ 2 Graça e justificação AULA 4 OBJETIVO Reconhecer que por um único ato de justiça, Deus derramou a Sua graça sobre todos os homens. INTRODUÇÃO O Brasil é um país extremamente religioso. Várias religiões do nosso país ensinam sobre a importância das obras para alcançarmos os favores divinos. Sabemos, pela Palavra que Deus se agrada quando prati- camos boas obras. Ele é glorificado quando assim agimos, entretanto, a mesma Palavra nos alerta dizendo que nossas obras ou atos de justiça são como trapo de imundícia. Pensamos que a salvação depende de nossos atos, por isso procuramos e tentamos, sem sucesso, agradar a Deus através das nossas obras. Nesta aula estudaremos sobre o único ato de justiça que Deus aceita. Quando aceitamos essa ver- dade o Espírito Santo inicia uma tremenda obra de transformação, levando-nos a uma vida plena de louvor e adoração a Deus. DESENVOLVIMENTO 1. A justificação pela fé Estudamos em aulas anteriores que a palavra “justificar” no grego é dikaioo, que tem o significado de “ser justo ou reto diante de Deus”, “tornado justo”, “estabelecer como certo”, isto é, colocar-se num rela- cionamento correto com Deus. Seria possível ao homem, por esforço próprio tornar-se justo e colocar-se num relacionamento cor- reto com Deus? Você, prezado aluno conseguiria? Por acaso conhece alguém, a não ser Jesus Cristo, que tenha atingido tal proeza? A resposta óbvia à primeira pergunta é um simples não; isto é, seria impossível ao ser humano tornar-se justo por esforço próprio. Da mesma forma que um pé de laranja produz naturalmente laranjas e não uvas, nós seres humanos, por sermos descendentes de Adão, produziremos atos de injustiça, somos impuros e incapazes de produzir ou reproduzir a justiça, a pureza e a santidade de Deus. É claro que existem pessoas boas e más, entretanto, o homem, por si só, sem o poder de Deus agindo na sua vida, jamais atingiria o padrão (estatura de Varão perfeito) estabelecido por Deus. Deus mesmo estabeleceu como padrão o Seu Filho, Jesus Cristo. Porém não desanime, dizendo ser o padrão muito elevado e que tal estatura só será possível no céu. Cremos e ensinamos, como fizemos em outras aulas, que tal padrão exigido por Deus será completado por Ele mesmo no seio da Sua amada Igreja; pois é para atingir esse padrão que Ele tem nos chamado. A obra é dEle, através do Seu Espírito Santo. Não nos esqueçamos de que a obra expiatória de Jesus Cristo na cruz do calvário foi completa. Deus não começa uma obra e pára, como alguns de nós fazemos. Quando Ele começa, termina. Observe:”(...) tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Cristo Jesus” (Filipenses 1.6). Portanto, nossa justificação só seria possível se o próprio Deus a realizasse por nós. Ele sabia de nossas limitações humana, por isso providenciou um meio de nos justificar, de colocar-nos num pleno rela- cionamento com Ele. Deus não usou a lei para nos justificar, se assim o fosse, teríamos de que nos gloriar, mas usou a Sua imensa graça e misericórdia para promover nossa justificação, visando não dividir Sua glória com ninguém. Observe essa verdade nos versículos abaixo: “Mas agora se manifestou, sem a lei, a justiça de Deus, tendo o testemunho da lei e dos profetas. Isto é, a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo para todos [e sobre todos] os que crêem. Não há distinção, pois todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus, e são justificados gratuitamente pela sua graça, Graça e justificação 7 AULA 4
  • 8. ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL | FUNDAMENTOS DA EDUCAÇÃO CRISTÃ 2 pela redenção que há em Cristo Jesus” (Romanos 3.21-24). A justificação, segundo a Palavra ocorre mediante a redenção que há em Cristo. Ela está (ainda está) à disposição para todos os que crêem. Portanto, o fato do homem aceitar ou rejeitar essa verdade torna-se extremamente importante para a justificação e conseqüentemente para a sua salvação. 2. A condenação do homem A Bíblia nos informa que por um único homem (Adão) entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, a qual passou a todos os homens, porque todos pecaram (Romanos 5.12). O plano arquitetado por Satanás e colocado em prática no jardim do Éden foi um tremendo desastre para a humanidade. Como vimos nas aulas sobre a Doutrina do Anjos, Satanás, antes da queda, foi um querubim ungido por Deus, designado para serviços específicos na presença do Criador; entretanto, rebelou- se contra Deus e foi deposto eternamente do seu cargo; não somente ele, mas um número incontável de outros anjos (agora chamados de demônios), que também não se submeteram à autoridade do Criador. Qual foi o plano arquitetado por Satanás? Levar o homem, obra prima do Criador, a desobedecer a Deus, trazendo condenação para todos os demais descendentes. Infelizmente, sabemos que Satanás obteve sucesso no seu maligno intento, pois o homem desobedeceu às ordens de Deus, trazendo para seus descen- dentes e para toda a criação, a devida maldição e ainda o pior, a herança do pecado, que gera sofrimento, separação de Deus, culminando com a morte. É por isso que a Bíblia diz: “(...) todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus,...” (Romanos 3.23). Nesse versículo estão inclusos todos os seres humanos gera- dos a partir de Adão, exceto o Senhor Jesus Cristo, que foi gerado pelo poder do Espírito Santo. Logo, eu e você estamos inclusos entre os descendentes de Adão, por isso, o simples ato do nosso nascimento físico, já nos coloca na mesma condição de nossos ancestrais, Adão e Eva, e conseqüentemente, com o passar dos meses e anos, percebemos quão má é a nossa natureza, por isso carecemos da graça de Deus. Percebemos que é impossível ao homem, estribado na natureza adâmica, levar uma vida isenta de pecados, por isso chegamos à conclusão de que a única forma de não sermos condenados é mediante a aceitação da graça redentora do nosso maravilhoso Deus, pois “Quem nele crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado, porque não crê no nome do unigênito Filho de Deus” (João 3.18). 3. O único ato de justiça aceito por Deus “Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens, para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens, para justificação e vida, pois como pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores, assim pela obediência de um muitos serão feitos justos” (Romanos 5.18-19). É maravilhoso receber a graça e a misericórdia do nosso Deus. Ele jamais deixou de nos amar. Seu amor vai muito além daquele amor, que como humanos experimentamos algumas vezes na vida. Deus nos amou com o amor ágape, isto é, um amor despretensioso e incondicional. Ele não poupou o próprio Filho (João 3.16), não mediu esforços, para nos resgatar da condenação eterna. Deus sabia que Sua obra prima estava contaminada e condenada a não mais desfrutar da Sua doce presença, por isso se fez homem e habitou entre nós (Filipenses 2.6-8). Jesus pagou o preço (1 Pedro 1.19) para nos comprar, para sermos “a nação santa, o povo adquirido” (1 Pedro 2.9) para prestar a devida adoração ao Criador. Jesus praticou no Seu corpo um único ato de justiça que aplacou para sempre a justa ira Divina sobre todos os homens. Deus aceitou o ato de justiça oferecido por Jesus, o único sacrifício que foi capaz de impressionar a santidade do Criador. Foi, portanto, o sacrifício de Jesus na cruz, Seu sangue derramado que nos trouxe a justificação para a vida e a certeza de que um dia voltará para apresentar-nos sem ruga, sem mácula, sem defeito algum na presença do Pai. Aleluia! Ora vem, Senhor Jesus. REFLEXÃO SOBRE A REALIDADE ATUAL Graça e justificação 8 AULA 4
  • 9. ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL | FUNDAMENTOS DA EDUCAÇÃO CRISTÃ 2 É comum, em alguns feriados religiosos, observarmos pela televisão, jornais e revistas, pessoas pagando promessa, cometendo auto-flagelo, realizando algum ritual, etc..., visando alcançar favores divinos. Essas pessoas ainda não experimentaram o amor de Deus, a Sua graça e infinita misericórdia, que em Cristo Jesus, através do Seu único e suficiente sacrifício (ato de justiça) conquistou tudo o que precisaríamos para o louvor do nosso Deus. Paulo nos desafia a pregar o genuíno evangelho para essas pessoas e para todos aqueles que ainda não são salvos, dizendo: “(...) e como crerão naquele de quem nunca ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue? Portanto, cabe a nós, Igreja do Senhor Jesus Cristo anunciar as verdades do evangelho, para que o poder de Deus se manifeste e retire essas pessoas da escravidão gerada pelo inimigo. MINISTRAÇÃO E APLICAÇÃO PRÁTICA Senhor Jesus reconheço minha dependência de Ti. Agora estou mais consciente de que apenas o Teu ato de justiça, praticado naquela cruz, me justifica, santifica e me salva da ira vindoura. Concede-me ousadia e intrepidez para anunciar essas verdades a todos aqueles que ainda não experimentaram a Tua graça. Revela-Te mais e mais para a Tua Igreja distribuída na face da Terra. Para o louvor e a glória do nosso Deus. Amém! Graça e justificação 9 AULA 4
  • 10. ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL | FUNDAMENTOS DA EDUCAÇÃO CRISTÃ 2 O fim da Lei é Cristo AULA 5 OBJETIVO Reconhecer que em Cristo encerra-se completamente o regime da lei e Deus introduz a graça eterna para salvar o homem. INTRODUÇÃO Como vimos Cristo satisfez completamente a justiça de Deus. Ele cumpriu todos os requisitos exigidos pela lei. Foi o único a viver em plenitude a vontade do Pai. Jesus sabia da Sua imensa responsabilidade, por isso esvaziou-se de si mesmo para não desviar-se de cumprir o objetivo da Sua vinda: revelar a graça divina para a salvação da humanidade. Nesta aula, Deus irá nos revelar a grandeza do Filho e Seu caráter justo e santo no cumprimento de toda a lei. DESENVOLVIMENTO 1. A rigidez da lei x a misericórdia Divina Moisés foi o homem escolhido por Deus para revelar a Lei aos israelitas, povo escolhido. A nação de Israel, a exemplo de Adão desobedeceu a Deus; pois jamais conseguiu praticar os preceitos da lei. É comum no Velho Testamento, observarmos as seguintes orações: “Temos procedido perversamente contra ti, e não temos obedecido aos mandamentos, nem aos estatutos, nem aos juízos, que ordenaste a teu servo Moisés” (Neemias 1.7). “Ao Senhor, nosso Deus, pertence a misericórdia e o perdão; pois nos rebelamos contra ele, e não obedecemos à voz do Senhor, nosso Deus, para andarmos nas suas leis, que nos deu por intermédio de seus servos, os profetas. Sim, todo o Israel transgrediu a tua lei, (...)” (Daniel 9.9-11a ). Portanto, transgredir a lei era o que mais o povo israelita sabia fazer. Entretanto, podemos observar na oração de Daniel que eles sabiam também que o Deus de Israel era um Deus de misericórdia e perdão. Na verdade Deus tinha um profundo amor pelos israelitas, e jamais queria perdê-los. O amor de Deus não diminuiu, porém hoje a nação escolhida é a Igreja do Senhor Jesus, a Noiva que Ele ama, cuida e adorna com todo carinho. A misericórdia do Senhor sempre foi destaque no Velho Testamento, observe: “As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, pois as suas misericórdias não têm fim” (Lamentações 3.22). Portanto, apesar de toda rigidez da lei, Deus jamais se esqueceu da Sua misericórdia; pois a cada transgressão provocada pelo povo, Deus levantava Seus profetas que pregavam o arrependimento. Através do arrependimento o povo voltava novamente para Deus e Ele, com eterno amor manifestava o Seu perdão. 2. O amor cumpre a lei Jesus sintetizou a lei em dois únicos mandamentos: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento (...)” e “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mateus 22.37,38), e acrescentou: “Destes dois mandamentos depende toda a lei e os profetas” (Mateus 22.40). Paulo escrevendo aos Gálatas também diz que: “Toda lei se cumpre numa só palavra, a saber: Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Gálatas 5.14). E ainda aos Romanos escreveu: “O amor não faz mal ao próximo. De sorte que o cumprimento da lei é o amor” (Romanos 13.10). Deus providenciou também o Seu amor em nossos corações para que através desse amor possamos viver o evangelho na sua plenitude: “(...) porque o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Romanos 5.5). O fim da Lei é Cristo 10 AULA 5
  • 11. ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL | FUNDAMENTOS DA EDUCAÇÃO CRISTÃ 2 3. Porque o fim da lei é Cristo “O fim da lei é Cristo para a justiça de todo aquele que crê” (Romanos 10.4). Esse versículo resume tudo que dissemos nessas cinco aulas sobre Lei e Graça, pois Cristo cumpriu toda lei em nosso favor. Ele chamou para Si toda responsabilidade, e mesmo sem cometer pecado algum, levou sobre Si o pecado de toda humanidade, desde Adão até o último homem que ira nascer na face da Terra. Ele cumpriu, sem reservas, todos os ditames da lei, satisfazendo totalmente e plenamente a justiça de Deus. REFLEXÃO SOBRE A REALIDADE ATUAL “A glória de Jesus Cristo brilha ainda mais claramente quando O vemos em Sua relação apropriada com o Antigo Testamento. Ele tem uma relação magnificente com tudo o que foi escrito. Não é surpresa que este seja o caso, pois Ele é chamado de a Palavra de Deus encarnada (João 1.14). Não seria a Palavra de Deus encarnada a soma e a consumação da Palavra de Deus escrita?” John Piper MINISTRAÇÃO E APLICAÇÃO PRÁTICA Gostaríamos de terminar essa seqüência de estudos Lei x Graça com a música: “Porque o Fim da Lei é Cristo”, de Ademar de Campos. Creio que ela expressa, de forma resumida a grandeza do Senhor Jesus Cristo na Sua obra da salvar todos aqueles que crêem: Porque o fim da lei é Cristo Prá justiça de todo que crê A justiça que é pela fé No Filho de Deus A quem Deus ressuscitou Para nossa justificação Aleluia Grande salvação Aleluia Grande salvação Aleluia Grande salvação. O fim da Lei é Cristo 11 AULA 5