FISIOLOGIA ARTICULAR
A minha mulher
A. I. KAPANDJI
                     Ex-Interno dos Hospitais de Paris
             Ex-Chefe de Clínica-Auxiliar dos Hospitais de Paris
   Membro da Sociedade Francesa de Ortopedia e Traurnatologia (S.O.F.C. . T.)
                                                                      O
         Membro da Sociedade Francesa de Cirurgia da Mão (GEM.)




FISIOLOGIA ARTICULAR
  ESQUEMAS COMENTADOS                     DE MECÂNICA HUMANA




                                 VOLUME       I
                                  5ª edição

                       MEMBRO SUPERIOR

                        I. - O OMBRO
                       11. - O COTOVELO
                      111.- A PRONAÇÃO-SUPINAÇÃO
                      IV. - O PUNHO
                       V. - A MÃO




                   Com 550 desenhos originais do autor




                                                                                   ~

                                                                                  ~r
                                                                                MALOINE
Título do original em francês
PHYSIOLOGIE ARTICULAIRE. 1. Membre Supérieur
© Éditions MALOL'lE. 27, Rue de l'École de Médecine. 75006 Paris.




Tradução de
Editorial Médica Panamericana        S.A.
Revisão Científica e Supervisão por Soraya Pacheco da Costa, fisioterapeuta




ISBN (do volume): 85-303-0043-2
ISBN (obra completa): 85-303-0042-4
© 2000 Éditions 1IALOINE.
27, rue de l'École de Médecine. 75006 Paris.




                                          CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO-NA-FONTE
                                    SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS,                                      RJ.>


K26f
v.1
           Kapandji, A. L (Ibrahim Adalbert)
                Fisiologia articular, volume 1 : esquemas comentados de
           mecânica humana / A. L Kapandji ; com desenhos originais
           do autor; [tradução da 5.ed. original de Editorial Médica
           Panamericana S.A. ; revisão científica e supervisão por
           Soraya Pacheco da Costa]. - São Paulo: Panamericana ; Rio
           de Janeiro: Guanabara Koogan, 2000
                            : 550 il.

                Tradução de: Physio1ogie articulaire, 1 : membre
            supérieur
                Inclui bibliografia
                Conteúdo: V.l. Membro superior: O ombro - O cotovelo -
            A pronação-supinação    - O punho - A mão
                ISBN 85-303-0043-2

                 l. j!ecânica humana. 2. Articulações - Atlas. 3.
            Articulações - Fisiologia - Atlas. L Título.

00-1623.                                                       CDD 612.75
                                                               CDU 612.75

231100      241100                                                                          009947


                             Todos os direitos reservados para a língua portuguesa. Excetuando críticas e resenhas científico-
              literárias. nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida, armazenada em sistemas computadorizados         ou transmitida
                   de nenhuma forma e por nenhum meio, sejam eletrônicos, mecânicos, fotocopiadoras, gravadoras ou qualquer outro,
                                                             sem a prévia pennissão deste Editor
                                                      (Medicina Panamericana Editora do Brasil Ltda.)




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Depósito Legal: M-53.355-2001
Impreso en Espana
ADVERTÊNCIA          DO AUTOR À QUINTA EDIÇÃO


         A partir de sua primeira edição, há sete anos atrás, este livro, inspirado principalmente por
 Duchenne de Boulogne, o "grande precursor" da Biomecânica, permâneceufiel a si mesmo, exceção
feita por algumas pequenas correções. Neste momento. na oportunidade do aparecimento da quinta
 edição, achamos necessário incluir modificações importantes. em especial no que se refere à mão. De
fato, o rápido desenvolvimento da cirurgia da mão exige um incessante aprofundamento quanto ao
 conhecimento de sua fisiologia. Este é o motivo pelo qual, à lu: de recentes trabalhos, temos escrito e
 desenhado novamente tudo relacionado ao polegar e ao mecanismo de oposição: a função da articu-
 lação trapézio-metacarpeana na orientação e rotação longitudinal da coluna do polegar se explica de
 maneira matemática a partir da teoria das articulações de dois eixos tipo cardan; assim mesmo, se es-
 clarece afunção da articulação metacalpofalangeana no "bloqueio" da preensão de grandes objetos
 e, enfim, a função da articulação intelfalangeana na "distribuição" da oposição do polegar sobre a
 polpa de cada um dos quatro dedos. A riqueza na variedade de preensão e preensões associadas às
 ações está ilustrada com novos desenhos. Temos apelfeiçoado a definição das distintas posições fun-
 cionais e de imobilização. Porfim, com o objeti,'o de estabelecer um balanço funcional rápido da mão,
 propõe-se uma série de provas de movimentos, as "preensões mais ação" que, melhor do que as va-
 lorações analíticas da amplitude de cada uma das articulações e da potência de cada mÚsculo,faci-
 litam uma apreciação sintética do valor da utilização da mão.
          No final do livro suprimimos alguns modelos obsoletos ou que não oferecem muito interesse,
 e substituímos por um modelo da mão que explica. neste caso de maneira satisfatória, a oposição do
 polegar.
          Em resumo, este é um livro renovado e enriquecido em profundidade.
PREFÁCIO À EDIÇÃO EM PORTUGUÊS


                 Passaram mais de vinte e cinco anos desde o momento em que se escreveram estes três volu-
         mes de Esquemas Comentados de Fisiologia Articular obtendo grande sucesso entre os leitores de
         todo tipo, estudantes de medicina e fisioterapia, médicos, fisioterapeutas e cirurgiões. O fato de que
         continue atual se deve ao particular caráter destas obras, cujo objetivo é o ensino do funcionamento
         do Aparelho Locomotor de maneira atrativa, privilegiando a imagem diante do texto: o princípio é
         explicar uma Única idéia através do desenho, o qual permite uma memorização e uma compreensão
         definitims. O fato de que estes livros não tenham competidor sério demonstra nitidamente o seu valor
         intrínseco. Na verdade, é a clareza da representação espacial do funcionamento dos mÚsculos e das
         articulações o que faz com que seja tão evidente: estes esquemas não integram unicamente as três
         dimensões do espaço, mas também uma quarta dimensão, a do Tempo, porque a Anatomia Funcional
         está viva e, conseqüentemente, móvel-      isto é, inscrita no Tempo. Isto diferencia a Biomecânica da
         Mecânica propriamente dita, ou Mecânica Industrial. A Biomecânica é a Ciência das estruturas evo-
         lutivas, que se mod!ficám segundo os contratempos e evolu,em em função das necessidades, capazes
         de renovar-se constantemente para compensar o desuso. E uma mecânica sem eixo materializado,
         móvel inclusive no percurso do movimento. As suas supeifícies articulares integram um jogo mecâni-
         co que seria por completo impossível na mecânica industrial, porém lhe outorga possibilidades adi-
         clOnazs.
                  Eis aqui o espírito que impregna estes volumes, ao mesmo tempo que deixa a porta aberta aos
         outros métodos de ensino para o futuro. Este é, na verdade, o segredo da sua perenidade.

                                                                                              A. I. KAPANDJI




1- ---
ÍNDICE


                                                   o OMBRO
FÍsiologia do ombro                                                  12
A flexão-extensão e a adução                                         14
A abdução                                                            16
A rotação do braço sobre o seu eixo longitudinal                     18
Movimentos do coto do ombro no plano horizontal                      18
Flexão-extensão horizontal                                           20
O movimento de circundução                                           22
O "paradoxo" de Codman                                               24
Avaliação dos movimentos do ombro                                    26
Movimentos de exploração global do ombro                             28
O complexo articular do ombro                                        30
As superfícies articulares da articulação escápulo-umeral            32
Centros instantâneos de rotação                                      34
A cápsula e os ligamentos do ombro                                   36
O tendão da porção longa do bíceps intra-articular                   38
Função do ligamento glenoumeral                                      40
O ligamento córaco-umeral na flexão-extensão                         42
A coaptação muscular do ombro                                        44
A "articulação" subdeltóide                                          46
A articulação escápulo-torácica                                      48
Movimentos da cintura escapular                                      50
Os movimentos reais da articulação escápulo-torácica                 52
A articulação estemocostoclavicular   (As superfícies articulares)   54
A articulação estemocostoclavicular   (Os movimentos)                56
A articulação acrômio-clavicular                                     58
Função dos ligamentos córaco-claviculares                            62
Músculos motores da cintura escapular                                64
O supra-espinhal e a abdução                                         68
Fisiologia da abdução                                                70
As três fases da abdução                                             74
As três fases da flexão                                              76
Músculos rotadores                                                   78
A adução e a extensão                                                80


                                              o COTOVELO
Flexão-extensão                                                      82

O cotovelo: Articulação de separação e aproximação da mão            84
8 ÍNDICE




As superfícies articulares                                        86

A paleta umeral                                                   88
Os ligamentos do cotovelo                                         90
A cabeça radial                                                   92
A tróclea umeral                                                  94
As limitações da flexão-extensão                                  96
Os músculos motores da flexão                                     98
Os músculos motores da extensão                                   100

Os fatores de coaptação articular                                 102

A amplitude dos movimentos do cotovelo                            104

As referências clínicas da articulação do cotovelo                104

Posição funcional e posição de imobilização                       106

Eficácia dos grupos flexor e extensor                             106

                                        A PRONAÇÃO-SUPINAÇÃO

Significado                                                       108
Definição                                                         110

Utilidade da pronação-supinação                                   112

Disposição geral                                                  114

Anatomia fisiológica da articulação rádio-ulnar superior          116

Anatomia fisiológica da articulação rádio-ulnar inferior          118

Dinâmica da articulação rádio-ulnar superior                      122

Dinâmica da articulação rádio-ulnar inferior                      124

O eixo de pronação-supinação                                      128
As duas articulações rádio-ulnar são co-congruentes               132

Os motores da pronação-supinação:       os músculos               134
As alterações mecânicas da pronação-supinação                     136
Compensações e posição funcional                                  138

                                                      O PUNHO

Significado                                                       140
Definição dos movimentos do punho                                 142

Amplitude dos movimentos do punho                                 144

O movimento de circundução                                        146

O complexo articular do punho                                     148
As articulações rádio-carpeanas e médio-carpeanas                 150
Os ligamentos da articulação rádio-carpeana e da médio-carpeana   152
Função estabilizadora dos ligamentos                              154
A dinâmica do carpo                                               158
 O par escafóide-semilunar                                        162

 O carpo de geometria variável                                    164
ÍNDICE 9




As alterações patológicas                                              166
Os músculos motores do punho                                           168
Ação dos músculos motores do punho                                     170

                                                        A MÃO

A sua função                                                           174
Topografia da mão                                                      176
Arquitetura da mão                                                     178
O maciço do carpo                                                      182
A escavação palmar                                                     184
As articulações metacarpofalangeanas                                   186
O aparelho fibroso das articulações metacarpofalangeanas                190
A amplitude dos movimentos das articulações metacarpofalangeanas        194
As articulações interfalangeanas                                        196
Sulcos ou canais e bainhas dos tendões tlexores                        200
Os tendões dos músculos flexores longos dos dedos                      202
Os tendões dos músculos extensores dos dedos                           206
Músculos interósseos e lumbricais                                      208
A extensão dos dedos                                                   210
Atitudes patológicas da mão e dos dedos                                214
Os músculos da eminência hipotenar                                     216
O polegar                                                              218
Geometria da oposição do polegar                                       220
A articulação trapézio-metacarpeana                                    222
A articulação metacarpofalangeana       do polegar                     238
A interfalangeana   do polegar                                         246
Os músculos motores do polegar                                         248
As ações dos músculos extrínsecos do polegar                           252
As ações dos músculos intrínsecos do polegar                            254
A oposição do polegar                                                   258
A oposição e a contra-oposição                                          264
Os tipos de preensão                                                    266
As percussões - O contato   -=-   A expressão gestual                   284
Posições funcionais e de imobilização                                   286
As mãos ficções                                                         288
A mão do homem                                                          290
Modelos de mecânica articular para cortar                               292



BIBLI OG RAFIA                                                          296
10 FISIOLOGIA ARTICULAR
1. MEfBRO   SUPERIOR   11




Fig.1-1
12 FISIOLOGIA ARTICULAR




                                   FISIOLOGIA DO OMBRO


     o ombro, articulação proximal do mem-            bro superior, de duas maneiras diferentes:
bro superior (fig. 1-1, pág. 11), é a mais móvel
                                                               a rotação voluntária (também deno-
de todas as articulações do corpo humano.
                                                               minada "rotação adjunta') que utiliza
       Possui três graus de liberdade (fig. 1-2), o            o terceiro grau de liberdade e não é
que permite orientar o membro superior em re-                  possível se,não for em articulações de
lação aos três planos do espaço, graças a três
  ....                                                         três eixos (as enartroses). Deve-se à
eixos pnnClpals:                                               contração dos.músculos rotadores;
     1) Eixo transverso,      incluído no plano                a rotação automática (também deno-
        frontal:
                                                               minada "rotação conjunta") que apa-
        Permite movimentos de fIexão-exten-                    rece sem nenhuma ação voluntária nas
        são realizados no plano sagital (ver                   articulações de dois eixos, ou nas arti-
        figo 1-3 e plano A da figo 1-9).                       culações de três eixos quando funcio-
     2) Eixo ântero-posterior,       incluído   no             nam como articulações de dois eixos.
        plano sagital:                                         Mais adiante trataremos o paradoxo
                                                               de CODMAN.
        Permite os movimentos de abdução (o
        membro superior se afasta do plano de              A posição de referência é definida como
        simetria do corpo), adução (o membro          decrevemos a seguir:
        superior se aproxima ao plano de sime-
                                                            O membro superior pende ao longo do
        tria) realizados no plano frontal (ver
                                                      corpo, verticalmente, de maneira que o eixo
        figs. 1-4 e 1-5 e plano B da figo 1-9).
                                                      longitudinal do úmero (4) coincide com o eixo
     3) Eixo vertical, determinado pela inter-        vertical (3). Na posição de abdução a 90° o ei-
        secção do plano sagital e do plano            xo longitudinal (4) coincide com o eixo trans-
        frontal:                                      versal (1). Na posição de fIexão de 90°, coinci-
        Corresponde à terceira dimensão do es-        de como o eixo ântero-posterior (2).
        paço; dirige os movimentos de fIexão e             Portanto, o ombro é uma articulação com
        de extensão realizados no plano hori-         três eixos principais e três graus de liberdade;
        zontal, o braço em abdução de 90° (ver        o eixo longitudinal do úmero pode coincidir
        também figo 1-8 e plano C da figo 1-9).       com um dos dois eixos ou se situar em qual-
     O eixo longitudinal do úmero (4) permite         quer posição intermédia para permitir o movi-
a rotação externalinterna do braço e do mem-          mento de rotação externa/interna.
1. MEMBRO   SUPERIOR   13




    ,2-4. ,- -.,
    I J


    i/0
I   I
    ,
    I
                   (
                   (




                       Fig.1-2
14 FISIOLOGIA ARTICULAR




                          A FLEXÃO-EXTENSÃO E A ADUÇÃO


      Os movimentos      de flexão-extensão       do "coto" do ombro no plano horizontal (pág.
(fig.1-3) se realizam no plano sagital (plano     18) e por isso é preferível não utilizá-los quan-
A, figo 1-9), ao redor de um eixo transversal     do nos referimos aos movimentos do membro
(1, figo 1-2):                                    supenor.
     a) extensão: movimento de escassa ampli-          A partir da posição anatômica (máxima
        tude, 45 a 50°;                           adução), a adução (fig. 1-4) no plano frontal é
     b) flexão: movimento de grande ampli-        mecanicamente impossível devido à presença
        tude, 180°; observar que a mesma          do tronco.
        posição de flexão a 180° pode ser              A partir da posição anatômica, não é pos-
        definida também como uma abdução de       sível a adução se não for associada com:
        180°, próxima à rotação longitudinal
                                                       a) uma extensão: adução muito leve;
        (ver mais adiante o paradoxo de
        CODMAN).                                       b) uma flexão: a adução alcança de 30 a 45°.
      Com freqüência se utilizam, embora de            A partir de qualquer posição de abdução, a
modo errôneo, os termos de antepulsão para se     adução, neste caso denominada "adução relati-
referir à flexão e retropulsão para a extensão.   va", é sempre possível no plano frontal, até a
Isto leva a uma confusão com os movimentos        posição anatômica.
L MEMBRO SUPERIOR   15




               b
    Fig. 1-3




a                  b
    Fig.1-4
16 FISIOLOGIA ARTICULAR




                                         AABDUÇÃO


     A abdução (fig. 1-5), movimento que                   (b) abdução de 0° a 60°, que unicamen-
afasta o membro superior do tronco, se realiza                 te pode se realizar na articulação es-
no plano frontal (plano B, figo 1-9), ao redor                 cápulo-umeral;
do eixo ântero-posterior (fig. 1-2, eixo 2).               (c) abdução de 60° a 120° que necessita
     A amplitude da abdução alcança os 180°:                   da participação da articulação escá-
o braço está em posição vertical por cima do                   pulo-torácica;
tronco (d).                                                (d) abdução de 120° a 180° que utiliza,
    Duas advertências:                                         além das articulações escápulo-
                                                               umeral e escápulo-torácica, a incli-
    -   a partir dos 90°, a abdução aproxima o                 nação do lado oposto do tronco.
        membro superior ao plano de simetria
                                                        Observar que a abdução pura, descrita uni-
        do corpo; também é possível chegar à       camente no plano frontal, é um movimento pou-
        posição final de abdução de 180° me-       co comum. Pelo contrário, a abdução associada
        diante um movimento de flexão de
                                                   com uma fiexão determinada, isto é, a elevação
        180°;
                                                   do braço no plano da escápula, formando um
    -   do ponto de vista das ações musculares     ângulo de 30° em sentido anterior com relação
        e do jogo articular, a abdução, a partir   ao plano frontal, é o movimento mais utilizado,
        da posição anatômica (a), passa por        principalmente para levar a mão até a nuca ou à
        três fases:                                boca.
1. JIEMBRO SUPERIOR   17




.


           /




           a             b




    /  1/

       c                     d
               Fig.1-5
18 FISIOLOGIA ARTICULAR




          A ROTAÇÃO DO BRAÇO SOBRE O SEU EIXO LONGITUDINAL


      A rotação do braço sobre o seu eixo longi-         ao longo do corpo. Pelo contrário, a ro-
tudinal (fig. 1-2, eixo 3) pode ser realizada em         tação externa mais utilizada, portanto a
qualquer posição do ombro. Trata-se da rotação           mais importante do ponto de vista fun-
voluntária ou adjunta das articulações com três          cional, é o setor compreendido entre a
eixos e três graus de liberdade. Em geral, esta          posição anatõmica fisiológica (rotação
rotação se mede na posição anatõmica do braço            externa -30°) e a posição anatõmica
que pende verticalmente ao longo do corpo (fig.          clássica (rotação 0°).
 1-6, vista superior).                                 c) Rotação interna: a sua amplitude é de
     a) Posição anatômica, denominada rota-               100 a 110°, Para conseguir realizar essa
        ção externa/interna 0°: para medir a am-          rotação, o antebraço deve passar ne-
        plitude destes movimentos de rotação, o           cessariamente.por trás do tronco, o que
        cotovelo deve estar necessariamente jle-          exige um certo grau de extensão do om-
        xionado a 90° de maneira que o antebra-           bro. A liberdade deste movimento é in-
        ço esteja no plano sagital. Se não toma-          dispensável para que a mão possa che-
        mos esta precaução, à amplitude dos               gar até as costas. É a condição para se
        movimentos de rotação externa/interna             poder realizar a higiene perineal poste-
        do braço se somaria à dos movimentos              rior. Com relação aos primeiros 90
        de pronação-supinação do antebraço.               graus de rotação interna, é exigida ne-
        Esta posição anatõmica, o antebraço no            cessariamente uma flexão do ombro
        plano sagital, se utiliza de maneira total-       sempre que a mão estiver na frente do
        mente arbitrária. Na prática, a posição           tronco.
        de partida mais utilizada, porque se cor- .      Os músculos motores da rotação longitudi-
        responde com o equilíbrio dos rotadores,    nal serão estudados na página 78. No que se re-
        é a de rotação interna de 30° com relação   fere à rotação longitudinal de braço nas outras
        à posição anatõmica, de maneira que a       posições que não seja a anatõmica, não é possí-
        mão fica na frente do tronco. Poder-se-ia   vel medir de maneira precisa se não for median-
        se denominar posição de referência fi-      te um sistema de coordenadas polares (ver pág.
        siológica.                                  26). Os músculos rotadores intervêm de manei-
     b) Rotação externa: a sua amplitude é de       ra diferente em cada posição, uns perdem a sua
        80°, jamais alcança os 90°. Esta amplitu-   ação rotadora, enquanto outros a adquirem. Isto
        de total de 80° normalmente não é utili-    é um exemplo da lei da inversão das ações mus-
        zada nesta posição, com o braço vertical    culares segundo a posição.


          MOVIMENTOS DO COTO DO OMBRO NO PLANO HORIZONTAL


    Estes movimentos desencadeiam a ação           é maior do que a da retroposição.
da articulação escápulo-torácica (fig. 1-7):           Ação muscular:
     a)   posição anatômica;                           Anteposição: peitoral maior, peitoral me-
     b) retroposição do coto do ombro;                              nor, serrátil anterior.
     c) anteposição do coto do ombro.                  Retroposição: rombóides, trapézio (por-
     Observar que a amplitude da anteposição                         ção média), grande dorsal.
1. MEMBRO SUPERIOR   19




o




          a




    Fig.1-6           c




              a




                  c
    Fig.1-7
20   FISIOLOGIA ARTICULAR




                            FLEXÃO-EXTENSÃO HORIZONTAL


     É o movimento do membro superior no pla-            Extensão horizontal, movimento que as-
no horizontal (fig. 1-8 e plano C da figo 1-9) ao   socia a extensão e a adução de menor amplitude,
redor do eixo vertical ou, mais exatamente, em      30-40°, ativa os seguintes músculos:
tomo de uma sucessão de eixos verticais, dado
que o movimento se realiza não só na articula-              deltóide (fascículos póstero-extemos
ção escápulo-umeral (fig. 1-2, eixo 4), mas tam-            IV e V, e póstero-intemos VI e VII em
bém na escápulo-torácica (ver figo 1-37).                   proporção variável entre eles e com o
                                                            fascículo IIl),          ,
     Posição anatõmica: o membro superior
está em abdução de 90° no plano frontal, o qual             supra-espinhal,
provoca a contração da seguinte musculatura:                infra-espinhal,
      -   deltóide (principalmente a sua porção             redondos maior e menor,
          acromial, figo 1-65, IIl),
                                                            rombóides,
      -   supra-espinhal,
                                                            trapézio (fascículo espinhal que se so-
      -   trapézio: porções superior (acromial e
                                                            ma aos outros dois),
           clavicular) e inferior (tubercular),
      -   serrátil anterior.                                grande dorsal (em antagonismo-siner-
                                                            gismo com o deltóide que anula o im-
     Flexão horizontal, movimento que associa               portante componente de adução do
a flexão e a adução de 140° de amplitude, ativa             grande dorsal).
os seguintes músculos:
          deltóide (fascículos ântero-intemo I e         A amplitude total deste movimento de fle-
          ântero-extemo II em proporção variá-      xão-extensão horizontal alcança quase os 180°.
          vel entre eles e com o fascículo IIl),    Da posição extrema anterior à posição extrema
                                                    posterior se ativam, sucessivamente, como se
          subescapular,
                                                    fosse uma escala musical de piano, as diferentes
          peitorais maior e menor,                  porções do deltóide (ver pág. 70), que é o prin-
          serrátil anterior.                        cipal músculo deste movimento.
1. MEMBRO SUPERIOR   21




       b




a




              c
    Fig.1-8
22   FISIOLOGIA ARTICULAR




                            o MOVIMENTO            DE CIRCUNDUÇÃO


        A circundução combina os movimentos              por trás do setor III e à esquerda do setor V.
elementares ao redor de três eixos (fig. 1-9).           O setor VII, não visível, se situa por cima).
Quando esta circundução alcança a sua amplitu-            A seta, prolongamento da direção do braço,
de máxima, o braço descreve no espaço um co-         indica o eixo do cone de circundução e a sua
ne irregular: o cone de circundução. Este cone
                                                     orientação no espaço se corresponde levemente
delimita, na esfera cujo centro é o ombro e cujo
                                                     com a definida como posição funcional (ver figo
raio é igual à longitude do membro superior, um      1-16), mas neste caso o cotovelo se encontra em
setor esférico de acessibilidade, em cujo interior
                                                     extensão. O setor V que inclui o eixo do cone de
a mão pode pegar objetos sem deslocar o tron-
                                                     circundução é o ~etor de acessibilidade prefe-
co, para eventualmente levá-Ios à boca.
                                                     rencial. A orientação para a frente do eixo do
     Neste esquema, a curva representa a base        cone de circundução r.esponde à necessidade de
do cone de circundução (trajetória da extremida-     proteger as mãos que trabalham sob o controle
de dos dedos), percorrendo os diferentes setores     visual. O cruzamento parcial e para frente dos
do espaço determinados pelos planos de referên-      dois setores de acessibilidade dos membros su-
cia da articulação:                                  periores obedece à mesma necessidade, permi-
      a) plano sagital (ftexão-extensão),            tindo que ambas as mãos trabalhem simultanea-
      b) plano frontal (adução-abdução),             mente sob controle visual, cooperem entre si e,
                                                     se for necessário, se substituam uma à outra; de
      c) plano horizontal (ftexão horizontal ou      modo que o conjunto dos dois setores esféricos
         extensão horizontal).
                                                     de acessibilidade dos membros superiores é con-
        A partir da posição de referência - repre-   trolado pelo campo visual dos olhos até seus
sentada por um ponto espesso - a curva passa         movimentos extremos, mantendo a cabeça fixa
sucessivamente (para o membro superior direi-        no plano sagital. Os campos visuais e os setores
to) pelos setores:                                   de acessibilidade das mãos se superpõem quase
      lU - abaixo, na frente e   à   esquerda;       completamente.
      II - acima, na frente e à esquerda;                 É necessário ressaltar que esta disposição
      VI - acima, atrás e à direita;                 só é possível no percurso da filogenia graças ao
                                                     deslocamento para baixo do forame occipitaL
      V - abaixo, atrás e à direita;                 permitindo assim que a superfície possa se diri-
      VIII - abaixo, atrás e à esquerda, em um       gir para a frente e que o olhar adote uma dire-
      trajeto muito curto, porque a extensão-adu-    ção perpendicular ao eixo longitudinal do cor-
      ção tem pouca amplitude (no esquema o se-      po, enquanto nos quadrúpedes o olhar está diri-
      tor VIII se localiza por baixo do plano C,     gido em direção ao eixo do corpo.
1. MEMBRO   SUPERIOR   23




                        I         B
                        11
VI


     I




V


                            111
         IV


              Fig.1-9
24   FISIOLOGIA   ARTICULAR




                               o "PARADOXO" DE CODMAN

      Quando, a partir da posição anatômica (fig.    de descrever um ciclo ergonômico; tais ciclos se
1-10, a e b), o membro superior vertical ao lon-     utilizam com freqüência nos gestos profissionais
go do corpo, a palma da mão girada para den-         ou esportivos repetidos, por exemplo na natação.
tro, o polegar apontando para a frente (a), pedi-    Esta rotação longitudinal voluntária que Mac Co-
mos a um sujeito que realize, com o seu mem-         naill denomina rotação adjunta, só é viável em
bro superior, um movimento de abdução de             articulações com três graus de liberdade e é indis-
+180° no plano frontal (c), seguido por um mo-       pensável durante o ciclo ergonômi€o. Isto fica de-
vimento de extensão relativa de -180° no plano       monstrado na seguinte experiência: a partir da po-
sagital (d), o membro superior se encontra no-       sição anatômica, em rotação interna, com a palma
vamente vertical ao longo do corpo mas com a         da mão girada pará fora e o polegar para trás, ab-
palma da mão girada para fora e o polegar            dução até os 180°, a partir dos 90° de abdução, o
apontando para trás (e).                             movimento fica bloqueado e é necessário realizar
     Também é possível realizar o ciclo inverso:     uma rotação externa voluntária para continuar. De
flexão de 180° e, a seguir, uma adução de 180°,      fato, causas anatômicas, tensão ligamentar e mus-
mas os sinais estão invertidos e obtemos uma         cular, não permitem que a rotação conjunta conti-
rotação externa de 180°.                             nue no sentido da rotação interna e é necessário
      É fácil constatar que a palma da mão modi-     recorrer a uma rotação adjunta externa para anular
fica a sua orientação, provocando um movimen-        a rotação conjunta interna e finalizar o ciclo ergo-
to de rotação longitudinal de 180°.                  nômico. Isto explica a necessidade de uma articu-
                                                     lação de três eixos na raiz dos membros.
     Neste duplo movimento de abdução segui-
do por uma extensão, se produz AUTOMATI-                  Em resumo, o ombro é capaz de realizar
CAMENTE uma rotação interna de 180°: um              dois tipos de rotação longitudinal: a rotação vo-
movimento sucessivo em tomo de dois dos eixos        luntária ou adjunta e a rotação automática ou
do ombro dirige mecanicamente e involuntaria-        conjunta. Em todo momento estas duas rotações
mente um movimento ao redor do eixo longitu-         se somam algebricamente:
dinal do membro superior. É o que Mac Conaill             - se a rotação voluntária (adjunta) é nula,
denominou rotação conjunta, que aparece num                 a rotação automática (conjunta) aparece
movimento diadocal, isto é, realizado sucessiva-
                                                            com claridade: é o (pseudo) paradoxo de
mente em tomo dos dois eixos de uma articula-
                                                            Codman,
ção com dois graus de liberdade. Neste exem-
plo, a articulação do ombro, que possui três              - se a rotação voluntária tem a mesma di-
graus de liberdade, é utilizada como uma articu-            reção que a rotação automática, ela se
lação de dois eixos.                                        amplifica,
      Se utilizamos o terceiro eixo para realizar,        - se a rotação voluntária tem direção con-
voluntária e simultaneamente, uma rotação inver-            trária, esta diminui ou até mesmo anula
sa de 180°, desta vez, a mão retoma à posição de            a rotação automática: é o ciclo ergonô-
partida, o polegar apontando para a frente, depois          mlCO.
1. MEMBRO SUPERIOR 25




                       + 1800




                           c
        b
a




                                e
    d       Fig.1-10
26   FISIOLOGIA ARTICULAR




                     AVALIAÇÃO DOS MOVIMENTOS DO OMBRO


        A avaliação dos movimentos e das posi-        braço pela posição que ocupa o cotovelo P nu-
ções nas articulações com três eixos principais e     ma esfera cujo centro é o ombro O e o raio OP
três graus de liberdade, como o ombro, repre-         equivale à longitude do úmero. Do mesmo mo-
senta uma dificuldade, porque existem ambigüi-        do que no globo terráqueo, a posição do ponto
dades. Por exemplo, se de maneira geral defini-       P se define mediante dois ângulos, a longitude
mos a abdução como um movimento de separa-            e a latitude. O ponto P se localiza na interse-
ção do membro superior do plano de simetria,          cção de um grande círculo cuja lqngitude pas-
esta definição só é válida até os. 90°, já que, a     sa pelos dois pólos e de um círculo pequeno de
partir daí, o membro superior se aproxima do          latitude cujo plano é paralelo ao do Equador,
plano de simetria por cima e, contudo, continua-      representado aqui J?elo grande círculo do plano
mos com a denominação de abdução; para ava-           sagital S. A linha dos pólos é a interseção do
liar a rotação longitudinal o problema é ainda        plano frontal F e do plano transversal T, o me-
mais árduo.                                           ridiano O é o semicírculo inferior do plano
                                                      frontal F. Mede-se aflexão como uma longitu-
        Embora seja simples avaliar um movi-          de contada para a frente, ou como o ângulo
mento quando o membro se desloca no plano de          BÔL (L é a intersecção do meridiano que pas-
referência, frontal ou sagital, sem dúvida sele-      sa por P e do Equador), e a abdução como uma
cionado arbitrariamente, a questão é mais com-        latitude, isto é, o ângulo AÔK, ou melhor ain-
plicada quando nos referimos aos setores inter-       da o seu suplementar BÔK. Além disso é viá-
médios; são necessárias pelo menos duas coor-         vel avaliar a rotação longitudinal do úmero co-
denadas angulares que utilizam um sistema de          mo um cabo em relação com um meridiano
coordenadas retangulares, ou um sistema de            vertic~l BPA que passe por P: este cabo é o ân-
coordenadas polares.                                  gulo C determinado a partir de AP.
         No sistema de coordenadas retangula-                 Portanto, este sistema de avaliação é
res (fig. 1-11), medimos o ponto de projeção do       bem mais preciso e completo que o primeiro; in-
eixo longitudinal do braço, pelo menos em dois        clusive é o único que permite representar o cone
dos três planos de referência: frontal, F, sagital,   de circundução como uma trajetória fechada na
Se transerso, T, localizando o "centro" do om-       esfera, embora se utilize menos na prática devi-
bro na interseção O dos três planos. A projeção       do à sua complexidade.
do ponto P no plano frontal F em M e no plano              Apresenta uma diferença importante com o
sagitalAS em Q permite medir o ân~ulo de abdu-        sistema de coordenadas retangulares (fig. 1-13):
ção SO?vl e o ângulo de flexão SOQ. Observar          se o ângulo de flexão BÔL é o mesmo, o ângu-
que a posição do ponto N, projeção de P no plano      lo de abdução BÔK é diferente de BÔM (em
transverso T, pode ser definido sem ambigüidade       coordenadas retangulares) e esta diferença é
a partir do momento em que conhecemos M e Q.          mais importante quanto mais se aproxime a fle-
Contudo, neste sistema, não existe nenhum modo        xão aos 90°. De fato, para uma flexão de 90° o
de avaliar a rotação sobre o eixo longitudinal        ponto P se situa no meridiano horizontal que
OP.
                                                      passa por E. O ângulo BÔM, então, é sempre
        No sistema das coordenadas polares            igual a 90°, enquanto o ângulo AÔK pode variar
(fig. 1-12) ou acimutais, se define a direção do      de O a 90°.
1. MEIBRO   SUPERIOR   27




Fig.1-11




Fig.1-12




Fig.1-13
28   FISIOLOGIA ARTICULAR




               MOVIMENTOS DE EXPLORAÇÃO GLOBAL DO OMBRO


     Primeiro movimento de exploração glo-                   terna, a mão entra em contato com a re-
bal do ombro (fig. 1-14)                                     gião lombar.
      a) pentear-se;                                      Quando está livre e a sua amplitude é nor-
      b) levar a mão à nuca.                         mal, este movimento dirige a mão até a parte in-
                                                     ferior da região escapular contralateral.
       Quando está livre e a sua amplitude é nor-
  lal, este movimento dirige a mão em direção à          Posição funcional do ombro (fig. 1-16)
   °elhaoposta e da parte superior da região esca-        O eixo longitudinal do braço está em flexão
r'ular contralateral.                                de 45° e abdução de 60°, isto é, se encontra no
       Este movimento realizado com o cotovelo       plano vertical formando um ângulo diedro de
em flexão explora tanto a abdução (120°) quan-       45° com o plano sagital (ou frontal) e o braço es-
to a rotação externa (90°).                          tá em rotação interna de 30-40°.
     Segundo movimento de exploração glo-                 Esta posição se corresponde com o estado
bal do ombro (fig. 1-15)                             de equilíbrio dos músculos periarticulares do
                                                     ombro: por isso se utiliza esta posição para a
     Vestir um casaco:
                                                     imobilização das fraturas da diáfise umeral já
      -   o braço que se introduz na primeira        que, nestas condições, o fragmento inferior, o
          manga (braço esquerdo na figura) rea-      único sobre o qual podemos atuar, se encontra
          liza um movimento de flexão-abdução;       no eixo do fragmento superior sobre o qual
      -   o braço que vai procurar a segunda         atuam os músculos periarticulares.
          manga (braço direito na figura) realiza         Corresponde-se também com o eixo do co-
          um movimento de extensão-rotação in-       ne de circundução (fig. 1-9).
1. MEMBRO SUPERIOR   29




a

               Fig.1-14




    Fig.1-16
                          Fig.1-15
30   FISIOLOGIA ARTICULAR




                         o COMPLEXO         ARTICULAR DO OMBRO


     o ombro não está constituído por uma arti-                  grupo, contudo não pode atuar sem as
culação, mas por cinco articulações que confor-                  outras duas, já que está mecanicamen-
mam o COMPLEXO ARTICULAR DO OM-                                  te unida a elas ..
BRO (fig. 1-17), cujos movimentos com relação               4) Articulação acrômio-clavicular
ao membro superior acabamos de explicar. Estas
cinco articulações se classificam em dois grupos:                Articulação verdadeira, localizada na
                                                                 porção externa da clavícula.
      Primeiro grupo: duas articulações:
                                                            S)   Articulação esternocostoclavicular
         1) Articulação escápulo-umeral
                                                                 Articulação verdadeira, localizada na
           Articulação verdadeira do ponto de                    porção interna da clavícula.
           vista anatômico (contato de duas su-
           perfícies cartilaginosas de desliza-          Em geral, o complexo articular do ombro
           mento)                                    pode ser esquematizado da seguinte maneira:
           Esta articulação é a mais importante             Primeiro grupo:
           do grupo.                                              uma articulação verdadeira e princi-
         2) Articulação subdeltóide ou "segun-                    pal: a articulação escápulo-umeral;
            da articulação do ombro"                              uma articulação "falsa" e acessória:
           Do ponto de vista estritamente anatô-                  a articulação subdeltóide.
           mico não se trata de uma articulação;            Segundo grupo:
           contudo podemos considerar do pon-                     uma articulação "falsa" e principal;
           to de vista fisiológico, devido ser                    a articulação escápulo-torácica;
           composta por duas superfícies que
           deslizam uma sobre a outra. A articu-                  duas articulações verdadeiras e aces-
                                                                  sórias: a acrômio-clavicular e a es-
           lação subdeltóide está mecanicamente
                                                                  tem o-costo-cIavicular.
           unida à articulação escápulo-umeral:
           qualquer movimento na articulação              Em cada um dos grupos, as articulações es-
           escápulo-umeral provoca um movi-          tão unidas mecanicamente, isto é, atuam neces-
           mento na subdeltóide.                     sariamente ao mesmo tempo. Na prática, os dois
      Segundo grupo: três articulações.              grupos também funcionam simultanearnente, se-
                                                     gundo proporções variáveis no percurso dos mo-
         3) Articulação escápulo-torácica            vimentos. De maneira que podemos afirmar que
            Neste caso se trata outra vez de uma     as cinco articulações do complexo articular do
            articulação fisiológica e não anatômi-   ombro funcionam simultaneamente e em pro-
            ca. É a articulação mais importante do   porções variáveis de um grupo ao outro.
1. MEMBRO SUPERIOR   31
32    FISIOLOGIA ARTICULAR




     AS SUPERFÍCIES ARTICULARES DA ARTICULAÇÃO ESCÂPULO-UMERAL


       Superfícies   esféricas,características de         - tuberosidade     menor ou troquino,    ante-
uma enartrose e, portanto, articulação de três ei-        rior,                          I

xos e com três graus de liberdade (fig. 1-18).            -   tuberosidade   maior ou troquino, externa.
       a)   Cabeça umeral                                 b) A cavidad'e glenóide da escápula
     Orientada para cima, para dentro e trás, po-          Localizada no ângulo superior-externo do
de ser comparada com um terço de esfera de 30        corpo da escápula, se orienta para fora, para a
mm de raio. Na verdade, esta esfera está longe       frente e levemente para cima. É côncava em am-
de ser regular devido a seu diâmetro vertical ser    bos os sentidos (vertical e transversal), mas a sua
3 a 4 mm maior do que o seu diâmetro ântero-         concavidade é irregular e menos acentuada do
posterior. Além disso, num corte vértico- frontal    que a convexidade da cabeça. Está rodeada pela
(quadro) podemos comprovar que o seu raio de         proeminente margem glenóide, interrompida pela
curva diminui levemente de cima para baixo e         incisura glenóide na sua parte ântero-superior. A
que não existe um único centro da curva, mas         sua superfície é menor que a da cabeça umeral.
uma série de centros de curva alinhados ao lon-
                                                          c) O lábio glenóide
go de uma espiral. Portanto, quando a parte su-
                                                           Trata-se de um anel fibrocartilaginoso lo-
perior da cabeça umeralentra em contato com a
                                                     calizado na margem glenóide, de maneira que
glenóide, a região de apoio é maior e a articula-
                                                     ocupa a incisura glenóide e aumenta ligeiramen-
ção é mais estável, quanto mais tensos estejam
                                                     te a superfície da glenóide, embora, principal-
os fascículos médio e inferior do ligamento gle-
                                                     mente, acentua a sua concavidade restabelecen-
noumeral. Esta posição de abdução de 90° co-
                                                     do a congruência (coincidência) das superfícies
rresponde à posição de bloqueio ou close-pac-        articulares.
ked position de Mac Conaill.
                                                          Triangular, quando está seccionado,       apre-
       O seu eixo forma com o eixo diafisário um
                                                     senta três superfícies:
ângulo denominado "inclinação" de 135° e, com
o plano frontal, um ângulo denominado "decli-             -   uma superfície interna que se insere no
nação" de 30°.                                                contorno glenóide;

      Está separada do resto da epífise superior          -   uma superfície periférica onde se inse-
do úmero pelo colo anatômico, cujo plano está                 rem algumas fibras da cápsula;
inclinado 45° com relação à horizontal (ângulo
                                                          -   uma superfície central (ou axial) cuja
suplementar do ângulo de inclinação).                         cartilagem é um prolongamento da gle-
      Contém duas proeminências nas quais se                  nóide óssea e que entra em contato com
inserem os músculos periarticulares:                          a cabeça umeral.
1. MEMBRO SUPERIOR 33




Fig.1-18
34   FISIOLOGIA   ARTICULAR




                         CENTROS INSTANTÂNEOS DE ROTAÇÃO


      o centro da curva de uma superfície articu-   po se situa em outro "centro de dispersão" C2,
lar não necessariamente coincide com o centro       situado na metade superior da cabeça. Os dois
de rotação porque, além da forma da superfície,     círculos estão separados pela descontinuidade.
intervêm também o jogo mecânico da articula-
                                                          Com relação ao movimento de abdução,
ção, a tensão dos ligamentos e a contração dos
músculos.                                           podemos comparar a articulação escápulo-ume-
                                                    ral (fig. 1-20) com duas articulações:
     No que se refere à cabeça umeral, não exis-          - no início do movimento até os 500, a ro-
te, como se acreditava durante muito tempo                    tação da cabeça umeral se realiza ao re-
quando se comparava a sua forma com uma por-                  dor de um ponto situado em algum lu-
ção de esfera, um centro fixo e imutável durante              gar do círculo Ci;
o movimento, mas sim, como demonstraram os
recentes trabalhos de Fischer e cols., uma série         -   no fim da abdução entre 50 e 900, o cen-
de centros instantâneos de rotação (CIR) que se              tro de rotação se localiza no círculo C2;
correspondem com o centro do movimento rea-              -   ao redor dos 500, a descontinuidade do
lizado entre duas posições muito próximas entre              movimento acontece cujo centro se lo-
elas. Estes pontos se determinam mediante a                  caliza claramente por cima e por dentro
análise informática de uma série de radiografias             da cabeça.
suceSSivas.
                                                          Durante o movimento de flexão (fig. 1-21,
     Assim sendo, durante o.movimento de ab-        vista externa) a mesma análise demonstra que
dução considerado plano, isto é, mantendo uni-      não existe uma grande descontinuidade na tra-
camente o componente de rotação de úmero no         jetória dos CIR, o que corresponde a um único
plano frontal, existem dois grupos de CIR (fig.     "círculo de dispersão" centrado na parte infe-
1-19) dentre os quais aparece uma descontinui-      rior da cabeça à mesma distância de ambas as
dade (3-4) até hoje sem explicação viável. O pri-   margens.
meiro grupo se localiza num "círculo de disper-           Por último, durante o movimento de rota-
são" C1, situado perto da parte inferior-interna     ção longitudinal (fig. 1-22, vista superior), o cír-
da cabeça umeral, cujo centro é o baricentro dos    culo de dispersão se localiza perpendicularmen-
CIR e cujo raio é a média das distâncias desde o    te à cortical diafisária interna e à mesma distân-
baricentro até cada um dos CIR. O segundo gru-       cia das duas margens da cabeça.
1. MEMBRO SUPERIOR   35




3-4




           Fig.1-19      Fig. 1-20   '00




Fig.1-21



                      Fig.1-22
36 FISIOLOGIA ARTICULAR




                         A CÁPSULA E OS LIGAMENTOS DO OMBRO


     As superfícies articulares e a bainha cap-                      raco-umeral fecha, na parte de cima,
sular (fig. 1-23, segundo Rouviere).                                 a incisura intertuberositária, por onde
         a) A cabeça wneral (vista interna)                          o tendão da porção longa do bíceps
                                                                     sai da articulação: este percorre o sul-
           Rodeada pela cápsula como se fosse uma                    co intertuberositário,    convertido em
           gorjeira (1) na qual se distingue:
                                                                     canal pelo ligamento umeral trans-
               os "frenula capsulae" (2) por baixo                   verso (8).
               do pólo inferior da cabeça; trata-se de
                                                                     ligamento glenoumeral, com os seus
               pregas sinoviais elevadas por fibras
                                                                     três fascículos, superior supragleno-
               recorrentes da cápsula;
                                                                     supra-umeral (9), médio suprag1eno-
               o engrossamento formado pelo fascí-                   pré-umeral (10) e inferior pré-g1e-
               culo superior do ligamento     gle-                   nossubumeral    (11).
               noumeral (3).
                                                               O conjunto forma um Z expandido sobre a su-
     Dentro da cápsula podemos ver o tendão sec-         perfície anterior da cápsula.
cionado da porção longa do bíceps (4).
                                                              Entre os três fascículos existem pontos fracos:
      Por fora da cápsula podemos apreciar a sec-
                                                               Forame de Weitbrecht (12) e forame de Rou-
ção do músculo subescapular (5), perto de sua in-
                                                         viere (13), por onde a sinovial articular pode-se co-
serção na tuberosidade menor.                            municar com a bolsa serosa subcoracóide.
         b) A cavidade glenóide (vista externa)
                                                                 -   a porção longa do tríceps (14).
      Com o lábio g1enóide (1) que passa por cima
                                                             Vista posterior da articulação escápulo-
da incisura glenóide formando uma ponte (2) e cu-
                                                         umeral (fig. 1-24 bis, segundo Rouviere)
jo pólo superior serve de inserção para as fibras da
porção longa do bíceps (intracapsular) (3), neste              Na parte posterior da cápsula, abrimos uma
 caso seccionado.                                        "janela" e a cabeça umeral foi removida (1). A las-
                                                         sidão da cápsula permite separar 3 cm das superfí-
         Com a cápsula (4) e os seus reforços ligamen-
tares:                                                   cies articulares no cadáver, de maneira que pode-
                                                         mos distinguir:
                                                                      os fascículos médio (2) e inferior (3)
                                                                      do ligamento glenoumeral (vistos des-
                                                                      de a sua superfície profunda);
                                                                      ligamento córaco-umeral (4), ao qual
                                                                      está unido o ligamento córaco-gle-
                                                                      nóide (5), que não possui função me-
                                                                      cânica;
                                                                      a parte intra-articular da porção longa
                                                                      do bíceps (6);
                                                                      a cavidade glenóide (7) e o lábio gle-
                                                                      nóide (8);
                                                                      dois ligamentos que não possuem ação
                                                                      mecânica: o ligamento coracóide (9) e o
                                                                      ligamento espinho-g1enóide (10);
                                                                      as inserções dos três músculos pe-
                                                                      riarticulares: o supra-espinhal (11), o
                                                                      infra-espinhal (12) e o redondo me-
                                                                      nor (13).
1. .1E~'1BRO SUPERIOR        37




           4


    3




5
                                              8




                Fig.1-23




           14
                           9   10   5
Fig.1-24
                                                            11

                                                                 12



                                                                      13


                     .!



                                        Fig. 1-24bis
38   FISIOLOGIA ARTICULAR




          o TENDÃO        DA PORÇÃO LONGA DO BÍCEPS INTRA-ARTICULAR


     Em corte frontal da articulação escápulo-           se afastam da inserção tendinosa. Mas, em todo
umeral (fig. 1-25, segundo Rouviere), podemos            caso, o tendão, embora intracapsular, permanece
observar:                                                extra-sinovial.
      -   as irregularidades da cavidade glenóide ós-            N a atualidade sabemos que o tendão da
          sea desaparecem na cartilagem glenóide;        porção longa do bíceps desempenha um papel im-
      -   margem cotilóide (2) acentua a profundi-       portante na fisiologia e na patologia do ombro.
          dade da cavidade glenóide; contudo, o en-               Quando o bíceps se contrai 'para levantar
          caixe desta articulação não é muito com-       um objeto pesado, as suas duas porções desem-
          pacto, o qual explica as freqiientes luxa-     penham um papel muito importante para manter a
          ções. Na sua parte superior (3) a margem       coaptação simultânea do ombro: a porção curta
          glenóide não está totalmente fixa: a sua       e1e"a o úmero com relação à escápula e se apóia
          margem central cortante fica livre dentro      sobre o processo coracóide; assim sendo, junto
          da cavidade, como se fosse um menisco;         com os outros músculos longitudinais (porção
      -   na posição anatômica, a parte superior da      longa do tríceps, coracobraquial, deltóide), impe-
          cápsula (4) está tensa, enquanto a inferior    de a luxação da cabeça umeral para baixo. Simul-
          (5) apresenta pregas: esta "elasticidade"      taneamente, a porção longa coapta a cabeça ume-
          capsular e o "despregamento" dos frenula       ral na glenóide; isto é exatamente assim no caso
          capsulae (6) possibilitam a abdução;           da abdução do ombro (fig. 1-26), porque a porção
                                                         longa do bíceps também forma parte dos abduto-
      -   tendão da porção longa do bíceps (7) se        res: quando sofre mptura a força da abdução dimi-
          insere no tubérculo subglenóide e no pólo      nui 29%.
          superior do lábio glenóide. Para sair da ar-
          ticulação pela incisura intertuberositária              O grau de tensão inicial da porção longa
          (8) se desliza por baixo da cápsula (4).       do bíceps depende da longitude do trajeto percorri-
                                                         do pela porção horizontal intra-articular (fig. 1-27,
      Corte que mostra as conexões do tendão com         vista superior). Esta longitude é máxima em posi-
a sinovial (quadro):                                     ção intermédia (A) e em rotação externa (B): nes-
     Na cavidade alticular o tendão da porção lon-       te caso a eficácia da porção longa é máxima. Pelo
ga do bíceps pode estabelecer ligações com a si-         contrário, em rotação interna (C) o trajeto intra-ar-
novial mediante três posições diferentes:                ticular é o mais curto e a eficácia da porção longa
                                                         é mínima.
      1) aderido à superfície profunda da cápsula
         (c) pela sinovial (s);                                    Também podemos compreender, conside-
      2) a sinovial forma duas pequenas pontas           rando a reflexo do tendão da porção longa do bí-
         (fundos de saco) entre a cápsula e o ten-       ceps na incisura intertuberositária, que neste pon-
         dão que, desta maneira, se une à cápsula        to ele sofre uma grande fadiga mecânica à qual
         mediante um fino septo denominado me-           não pode resistir se o seu trofismo não é excelen-
         sotendão;                                       te, considerando que isto também se acentua pelo
                                                         fato de não contar com um sesamóide neste pon-
      3) estando dois "fundos de saco" unidos de         to crítico. Se, com a idade, aparece a degeneração
         tal maneira que desaparecem, o tendão fi-       das fibras colágenas, o tendão termina se rompen-
         ca liberado, mas envolvido por uma pe-          do pela sua porção intra-articular, na entrada do
         quena lâmina sinovial.                          sulco ou canal bicipital, inclusive com um esforço
       Normalmente, estas três disposições po-           mínimo, produzindo um quadro clínico caracterís-
dem observar-se de dentro para fora à medida que         tico das periartrites escápulo-umerais.
1. MEMBRO SUPERIOR   39




 8    7    4   3 1 1




                                      32Z//////~c
                                           ~.:.I
                                  2~                      S




                       Fig.1-25




Fig.1-26




                                  B
                                                   Fig.1-27
40   FISIOLOGIA ARTICULAR




                       FUNÇÃO DO LIGAMENTO                   GLENOUl:1ERAL


      Durante a abdução (fig. 1-28)                   rior da glenóide e da margem cotilóide. A rota-
                                                      ção externa desloca a tuberosidade do úmero
      a) posição anatõmica (as franjas tracejadas
                                                      para trás no fim da abdução, que se encontra
         representam os fascículos médio e infe-
                                                      por baixo da abóbada acrõmio-coracóide e a in-
         rior do ligamento);
                                                      cisura intertuberositária, e distende ligeiramen-
      b) durante a abdução podemos comprovar          te o fascículo inferior do ligamento glenoume-
         como estão tensos os fascículos médio e      ral de maneira que consegue retardar o impac-
         inferior do ligamento glenoumeral, en-       to. Assim sendo, a amplitude da abdução é de
         quanto o fascículo superior e o ligamen-     90°.
         to córaco-umeral - não representado no
         desenho - se distendem. A tensão máxi-            Quando a abdução se realiza com uma fle-
                                                      xão de 30°, no plano do corpo da escápula, a
         ma dos ligamentos, associada à maior
                                                      tensão do ligamento glenoumeral é retardada,
         superfície de contato possível das carti-
                                                      permitindo que a abdução atinja uma amplitu-
         lagens articulares (o raio da curva da ca-   de de 110° na articulação escápulo-umeral.
         beça umeral é ligeiramente maior em ci-
         ma que embaixo) fazem da abdução a                  Durante a rotação (fig. 1-29)
         posição de bloqueio do ombro, a close-              a) a rotação externa provoca a tensão dos
         packed position de Mac Conaill.                        três fascículos do ligamento g1enoume-
                                                                ral,
        Outro fator limitante é o impacto da tu-
berosidade maior do úmero contra a parte supe-               b) a rotação interna os distende.
1. MEMBRO SUPERIOR   41




a                        b
            Fig.1-28




                                  b
    a
        Fig.1-29
42   FISIOLOGIA ARTICULAR




            o LIGAMENTO         CÓRACO-UMERAL NA FLEXÃO-EXTENSÃO


        Em vista esquemática extema (fig. 1-30)        tuberosidade menor do úmero durante a ex-
podemos observar a tensão relativa dos dois fascí-     tensão;
culos do ligamento córaco-umeral:                    c) tensão predominante sobre o fascículo da
     a) posição anatômica mostrando o ligamen-          tuberosidade maior do úmero durante a
        to córaco-umeral com os seus dois fascí-       fiexão.
        culos (tuberosidade maior do úmero por         A rotação intema do úmero que aparece no
        trás e tuberosidade menor do úmero pela        fim da flexão distende os ligamentos córa-
        frente);                                       co-umeral e glenoumeral, possibilitando
     b) tensão predominante sobre o fascículo da       uma maior amplitude de movimento.
1. MEMBRO SUPERIOR   43




                   c
b




               a




    Fig.1-30
44   FISIOLOGIA   ARTICULAR




                            A COAPTAÇÃO MUSCULAR DO OMBRO


         Os músculos periarticulares transversais    ombro se paralisam. Contudo, recentes trabalhos
(fig. 1-31), verdadeiros ligamentos ativos da ar-    eletromiográficos demonstram que só intervêm
ticulação, proporcionam a coaptação das super-       ativamente quando o membro superior suporta
fícies articulares: encaixam a cabeça umeml na       grandes cargas, desempenhando o papel de su-
cavidade glenóide:                                   porte em situação normal e não, como se acre-
      a) vista posterior,                            ditava até então, ô ligamento córaco-umeral,
                                                     clássica faixa de fixação de Farabeuf, mas a
      b) vista anterior,
                                                     porção inferior da cáp·sula, como se demonstra
      c) vista superior.                             nos trabalhos de Fischer e cols.
     Nestes esquemas podemos observar os se-              Contudo, a presença da abóbada acrômio-
guintes músculos:                                    coracóide acolchoada pela porção final do su-
       1) supra-espinhal,                            pra-espinhal impede e limita a luxação da cabe-
                                                     ça para cima, sob influência de uma potente
      2) subescapular,                               contração destes músculos longitudinais.
      3) infra-espinhal,                             Quando é destruída esta abóbada acolchoada
      4) redondo menor,                              pela terminação do supra-espinhal, a cabeça
                                                     umeral realiza um impacto direto contra a su-
      5) tendão da porção longa do bíceps. Quan-
         do este músculo se contrai, o tendão, su-   perfície inferior do acrômio e do ligamento
                                                     acrômio-coracóide, e isto é a causa das dores da
         jeito ao tubérculo supraglenóide, desloca
                                                     periartrite escápulo-umeral ou, mais concreta-
          a cabeça para dentro.
                                                     mente, da síndrome da ruptura da bainha rota-
     Alguns autores mencionam um papel               tória.
coaptador da pressão atmosférica, que não atua
                                                          a) vista posterior,
na glenóide, mas por baixo da camada dos mÚs-
culos periarticulares (ver também figs. 1-33 e 1-         b) vista anterior.
34).                                                      Nos desenhos podemos observar:
     Os mÚsculos longitudinais do braço e da              (5') a porção curta do bíceps,
cintura escapular (fig. 1-32) impedem, median-
                                                          (6) o córaco-braquial,
te a sua contração tônica, que a cabeça umeral
se luxe por baixo da glenóide sob tração de uma           (7) a porção longa do tríceps,
carga mantida na mão ou o próprio peso do                 (8 e 8') fascículos do deltóide,
membro superior. Esta luxação inferior se ob-
serva na síndrome do "ombro caído" quando,                (9) o fascículo clavicular do peitoral maior.
por qualquer motivo, os mÚsculos do braço e do            (A seta preta indica a tração para baixo.)
1. MEMBRO SUPERIOR   45




c           Fig.1-31




Fig. 1-32
46   FISIOLOGIA ARTICULAR




                             A "ARTICULAÇÃO"           SUBDELTÓIDE


      Articulação subdeltóide aberta (fig. 1-33,           Em corte vertical-frontal do coto do om-
segundo Rouviere)                                     bro (fig. 1-34)   ,
     O deltóide está seccionado horizontalmen-             a) com o braço vertical ao longo do corpo
te e deslocado para um lado (1), permitindo,~                 podemos     distinguir:  o supra-espinhal
desta maneira, a vista da "superfície" profunda               (1), que se desliza para baixo da articula-
do plano de deslizamento anatômico subdeltói-                 ção acrômio-clavicular    (2) para se inserir
de, constituído por:                                          na tuberosidade maior do úmero, e o del-
      -   extremidade   superior do úmero (2);                tóide (4) acima do qual se situa a bolsa
                                                              serosa suldeltóide (5).
      -   bainha dos músculos periarticulares: su-
          pra-espinhal (3), infra-espinhal (4), re-        b) durante   a abdução: o infra-espinhal (1)
          dondo menor (5). O subescapular não                 desloca   a tuberosidade maior do úmero
          está representado no desenho, contudo,              (3) para cima e para dentro, de maneira
          podemos claramente distinguir o tendão              que:
          da porção longa do bíceps (6) ao sair do            -   o fundo superior da bolsa se desloca
          canal bicipital.                                        e se situa debaixo da articulação
     Entre a superfície descrita e a abóbada                      acrômio-clavicular (2),
acrômio-coracóide formada pela superfície infe-
                                                              -   a lâmina profunda da bolsa se des-
rior do acrômio e do ligamento acrômio-cora-
                                                                  loca para dentro com relação à lâ-
cóide que se prolonga pela frente ao tendão do
                                                                  mina superficial (6), que se enruga.
córaco-bíceps, o plano de deslizamento anatô-
                                                                  Desta forma, a cabeça umeral pode-
mico celular adiposo contém uma bolsa se rosa
                                                                  se deslizar por baixo da abóbada
subdeltóide (7), aberta no desenho.
                                                                  acrômio-deltóide.
      Outros músculos visíveis no desenho são: o
                                                            Por outro lado, o fundo da bolsa inferior da
redondo maior (8), a porção longa do tríceps (9),
                                                      articulação escápulo-umeral    (7) se desdobra e
a porção lateral do tríceps (10), o córaco-bra-
                                                      está tenso.
quial (11), a porção curta do bíceps (12), o pei-
toral menor (13) e o peitoral maior (14).                  Porção longa do tríceps (8).
7
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                                                                                 _.,   •••.   'J   2
                                                                                                        13
 9                     v///' -.~                                    g-'"""--T"                    -    6
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                                                                                                        .14




 9

10




                                           Fig.1-33

     5      4         3




                                                     Fig.1-34                                      b
48   FISIOLOGIA ARTICULAR




                           A ARTICULAÇÃO             ESCÁPULO- TORÁCICA


      É fácil entender a articulação escápulo-to-                 ra fora e de trás para adiante, formando
rácica num corte horizontal do tórax (fig. 1-35).                 com o plano frontal um ângulo diedro
      Na metade esquerda do corte (posição ana-                   de 30°, aberto para fora e para a frente;
tômica), podemos observar as duas zonas de                    -   a direção geral da clavícula é oblíqua
deslizamento desta falsa articulação:                             para fora e atrás e forma com o plano da
      1) Zona escápulo-serrática, compreendi-                     escápula um ângulo de 60° aberto para
         da entre:                                                dentro.                      I


          -   por trás e por fora: a escápula reco-            Em vista posterior do tórax (fig. 1-36) é
              berta pelo músculo subescapular;            possível localizar a éscápula.

          -   pela frente e por dentro: a camada               A escápula, em posição normal, se estende
              muscular do serrátil anterior, que se       da 2a à 7a costela. Com relação à linha dos pro-
              estende da margem interna da escápu-        cessos espinhosos (linha média):
              Ia até a parede ântero-Iateral do tórax.        -   seu ângulo superior-interno  se corres-
      2) Zona tóraco-serrática ou parieto-ser-                    ponde com o 1.° processo espinhoso to-
         rática, compreendida entre:                              rácico;
          -   por dentro e pela frente: a parede to-          -   seu ângulo inferior ao 7.° ou 8.° proces-
              rácica (costelas e músculos intercos-               so espinhoso torácico;
              tais);
                                                              -   a porção interna da espinha da escápula
          -   por trás e por fora: o serrátil anterior.           (ângulo constituído pelos dois segmen-
     N a metade direita do corte (estrutura fun-                  tos da margem interna) ao 3.° processo
cional da cintura escapular), podemos compro-                     espinhoso torácico.
var que:                                                        A margem interna ou espinhal da escápula
      -   a escápula não se localiza no plano fron-       se situa a 5 ou 6 cm da linha dos processos es-
          tal, mas no plano oblíquo de dentro pa-         pinhosos.
Fig. 1-35




Fig.1-36
50   FISIOLOGIA ARTICULAR




                         MOVIMENTOS DA CINTURA ESCAPULAR


        Moyimentos de deslocamento lateral                   2) Lado esquerdo: translação externa.
da escápula (fig. 1-37, corte esquemático hori-              3) A amplitude total entre estas duas posi-
zontal)
                                                                ções extremas é de 15 cm.
                                                                                            I
      1) Lado direito do corte: quando a escápula
                                                            Moyimentos de translação yertical da es-
         se desloca para dentro:
                                                        cápula (fig. 1-39)
         -   tende a orientar-se no plano frontal;
                                                             1) Lado direito: descenso.
         -   a cavidade glenóide está dirigida mais
             diretamente para fora;                          2) Lado esquerd0: ascenso.

         -   a porção externa da clavícula se dirige         3) Amplitude total: 10 a 12 cm.
             para dentro e atrás;                            Estes movimentos verticais vão acompanha-
         -   ângulo entre a clavícula e a escápula      dos, necessariamente, de uma certa basculação.
             mostra tendência a abrir-se.                    Moyimentos denominados "sino" ou
      2) Lado esquerdo do corte: quando a escápu-       basculação da escápula (fig. 1-40)
         Ia se desloca para fora:                             Rotação da escápula ao redor de um eixo
         -   tende a se orientar no plano sagital;      perpendicular  ao plano da escápula localizado
                                                        ligeiramente por baixo da espinha; não muito
         -   a porção externa da clavícula está diri-
                                                        longe do ângulo superior-externo.
             gida para fora e para frente e o seu ei-
             xo longitudinal tem a tendência de es-          1) Lado direito: rotação "para baixo" (no
             tar no plano frontal; assim sendo, o       caso da escápula direita, no sentido dos pontei-
             diâmetro transversal dos ombros chega      ros do relógio): o ângulo inferior se desloca pa-
             até a sua máxima amplitude;                ra dentro, o ângulo superior e externo para bai-
         -   o ângulo entre a clavícula e a escápula    xo e a glenóide tem a tendência a se dirigir para
             tende afechar-se.                          baixo.
     Entre estas duas posições extremas, o plano             2) Lado esquerdo: rotação "para cima":
da escápula forma um ângulo diedro de 40 a 45°,         movimento inverso, a glenóide é orientada mais
que corresponde à amplitude global da mudança           diretamente para cima e o ângulo externo se
de orientação da glenóide no plano horizontal,          eleva.
isto é, em tomo de um eixo vertical fictício.
    Moyimentos de translação lateral da es-                  3) Amplitude total: 60°.
cápula (fig. 1-38; vista superior)                          4) Deslocamento do ângulo inferior: 10 a
      1) Lado direito: translação interna (obser-       12 cm; do ângulo superior-externo: de 5 a
         var uma ligeira basculação).                   6 cm.
1. MEMBRO SUPERIOR   51




           Fig.1-37




           Fig.1-38




                 Fig.1-39




Fig.1-40
52   FISIOLOGIA ARTICULAR




      OS MOVIMENTOS REAIS DA ARTICULAÇÃO ESCÁPULO- TORÁCICA


          Antes existia uma descrição dos movi-                  cando a ponta da escápula para a frente
mentos elementares da articulação escápulo-to-                   e para cima, enquanto a porção superior
rácica, mas, na atualidade, sabemos que durante                  do osso se desloca para trás e para bai-
os movimentos      de abdução ou de fiexão do                    xo, movimento que imita o de um ho-
membro superior estes movimentos diferentes                      mem inclinado para trás para olhar o to-
elementares se combinam em um grau variável.                     po de um arranha-céus. A sua amplitude
Graças a uma série de radiografias (fig. 1-41)                   é de 23° durante a abdução de O a 45°.
realizadas no percurso do movimento de abdu-
                                                            -    um movimento de "pÍvô" ao redor de
ção, J. '{ de Ia Caffiniere pôde, comparando-as
                                                                 um eixo vertical cuja característica é a
com fotografias da escápula "seca" em diferen-                   de ser difásico:
tes atitudes, estudar os componentes do seu mo-
vimento real; as vistas em perspectiva do acrô-                 • no primeiro momento, durante a abdu-
mio (fig. 1-42), da coracóide e da glenóide (fig.                 ção de O a 90°, a glenóide tende parado-
 1-43) permitem estabelecer que, durante a abdu-                  xalmente a orientar-se para trás seguin-
ção ativa, a escápula realiza quatro movimentos:                  do um ângulo de 10°,
      -   um ascenso de 8 a 10 cm aproximada-                   • a seguir, a partir dos 90° de abdução, a
          mente sem ter associado, como classica-                 glenóide tende a recuperar a orientação
          mente é afirmado, um deslocamento pa-                   para cima seguindo um ângulo de 6°;
          ra frente.                                              em realidade, não recupera a sua orien-
      -   um movimento de sino de progressão                      tação inicial no plano ântero-posterior.
          praticamente linear, de 38° quando a ab-               No percurso da abdução, a glenóide so-
          dução do membro superior passa de O a         fre um deslocamento    complexo, ascendendo e
          145°. A partir de 120° de abdução, a ro-      aproximando-se     da linha média, ao mesmo
          tação angular é igual na articulação es-      tempo que realiza uma mudança de orientação
          cápulo-umeral e na escápulo-torácica.         de tal maneira que a tuberosidade     maior do
      -   um movimento de basculaçc70 ao redor          úmero "escapa" pela frente do acrômio para se
          de um eixo transversal, oblíquo de den-       deslizar para baixo do ligamento acrômio-co-
          tro para fora e de trás para diante, deslo-   racóide.
1. MEMBRO SUPERIOR   53




                      145




Fig.1-43
     I
     I
     I
     I
     I




                            Fig.1-42




           Fig.1-41
54   FISIOLOGIA ARTICULAR




                   A ARTICULAÇÃO            ESTERNOCOSTOCLAVICULAR
                                        (As superfícies articulares)


         Estas duas superfícies articulares (fig. 1-          -   eixo 1 se corresponde com a concavi-
44), representadas aqui em separado, têm afor-                    dade da superfície c1avicular e permite
ma de uma sela usada para cavalgar (superfície                    os moviméntos c1a'iculares no plano
"toróide negativa", ver mais adiante quando                       horizontal;
mencionarmos a articulação trapézio-metacar-                  -   eixo 2 se corresponde com a concavi-
peana), com uma curva dupla, mas no sentido                       dade da superfície esternocostal e per-
inverso; são convexas num sentido e côncavas                      mite os movimentos c1aviculares no
no outro. Da curva côncava um eixo perpendi-                      plano vertical.
cular no espaço corresponde ao eixo da curva
convexa; estes dois eixos se localizam em um e               Portanto, esta articulação possui dois
noutro lado da superfície com forma de sela. A          eixos e dois graus de liberdade. O seu mode-
de menor superfície (1) é c1avicular, a de maior        lo mecânico é o "CARDÃO", Contudo, existe
superfície (2) é esternocostal. Na verdade, a su-       um movimento de rotação longitudinal (ver
perfície c1avicular (1), mais estendida horizon-        pág. 56).
talmente que verticalmente, ultrapassa pela fren-             A articulação esternocostoc1avicular direi-
te e, principalmente, para trás, os limites da su-      ta está representada aberta na sua superfície an-
perfície esternocostal (2).                             terior (fig. 1-46).
     A superfície c1avicular encaixa com facili-             A porção interna da c1a'ícula (1), cuja su-
dade (fig. 1-45) na superfície esternocostal, da        perfície articular podemos observar (2), foi re-
mesma maneira que o cavaleiro se adapta à sela          movida depois da secção do ligamento superior
e esta, por sua vez, ao cavalo. A curva côncava         (3), do ligamento anterior (-1.) e do ligamento
da primeira e a curva convexa da segunda encai-         costoc1avicular (5), o mais poderoso. Só se
xam-se perfeitamente. Os dois eixos de cada             conserva o ligamento posterior (6). A superfí-
uma das superfícies coincidem de dois em dois,          cie esternocostal (7) se vê nitidamente junto
de maneira que o sistema só possui dois eixos           com as suas duas curvas: concavidade no sen-
perpendiculares no espaço, representados no de-         tido vertical e convexidade no sentido ântero-
senho em perspectiva:                                   posterior.
1. MEMBRO SUPERIOR   55




                                 2

Fig.1-44




                 Fig.1-45



           423




                      Fig.1-46
56   FISIOLOGIA ARTICULAR




                    A ARTICULAÇÃO            ESTERNOCOSTOCLAVICULAR
                                              (Os movimentos)

       Vista composta da articulação esternocosto-              30° de amplitude. Até agora acreditava-
clavicular (fig. 1-47, segundo Rouviere).                       se que isso era possível graças ao jogo
      - Metade direita: corte vértico-frontal no                mecânico da articulação, devido à lassi-
          qual podemos observar:                                 dão ligamentar. Porem, é mais que pro-
      -ligamento      costoclavicular (1) que, a par-           vável que, como todas as articulações de
          tir de sua inserção na superfície superior             dois graus de liberdade, a esternocos-
          da primeira costela se dirige para cima e             toclavicular   realize uma rotação con-
          para fora, em direção à superfície infe-              junta durante a rotação ao redor de dois
          rior da clavícula;                                     eixos. Isto se confirma pelo fato de que,
      -   com freqüência, as duas superfícies arti-              na prática, á rotação longitudinal da cla-
          culares não têm os mesmos raios de cur-                vículajamais   aparece isolada fora de um
          va; um menisco (3) reestabelece a con-                 movimento de élevação-retroposição      ou
          cordância, como a sela entre o cavaleiro               descenso-anteposição.
          e o cavalo. Este menisco subdivide a ar-           Movimentos da clavícula no plano hori-
          ticulação em duas cavidades secundá-          zontal (fig. 1-48, vista superior)
          rias, que podem ou não se comunicar               -   posição média da clavícula (traço escuro);
          entre elas, dependendo se o menisco es-           -   o ponto Y' se corresponde com o eixo
          tá ou não perfurado na sua parte central;             mecânico do movimento;
      -ligamento      estemoc1avicular (4), ligamento       -   as duas cruzes representam as posições
          superior da articulação, está recoberto por           extremas da inserção clavicular do liga-
          cima pelo ligamento interclavicular (5).              mento costoclavicular.
      - Metade esquerda: "istaanterior que mostra:               No quadro: corte no nível do ligamento
      -ligamento       costoc1avicular (1) e o múscu-   costoclavicular mostrando sua tensão nas posi-
          lo subclávio (2);                             ções extremas.
      - eixo X, horizontal e levemente oblíquo               - a anteposição está limitada pela tensão do
          para a frente e para fora, se corresponde              ligamento costoclavicular e do ligamento
          com os movimentos da clavícula no pla-                 anterior (1);
           no vertical. Amplitude: elevação 10 cm;           - a retroposição está limitada pela tensão do
           descenso 3 cm;                                        ligamento costoclavicular e do ligamento
      -   o eixo Y, localizado no plano vertical,                posterior (2).
          oblíquo para baixo e levemente para fo-            Movimentos da clavícula no plano frontal
          ra, passando pela parte média do liga-        (fig. 1-49, vista anterior)
          mento costoclavicular,    se corresponde            - a cruz se corresponde com o eixo X;
          com os movimentos da clavícula no pla-              - quando a porção externa da clavícula se
          no horizontal. Amplitude:                              eleva (traço escuro), sua porção interna se
          • anteposição da porção externa da cla-                desliza para baixo e para fora (seta bran-
             vícula: 10 cm;                                      ca). O movimento está limitado pela ten-
          • retroposição da porção interna da cla-               são do ligamento costoclavicular (faixa
            vícula: 3 cm.                                        tracejada) e pelo tônus do músculo sub-
      Do ponto de vista estritamente mecânico, o                  clávio (seta grande estriada);
 verdadeiro eixo (Y') deste movimento é paralelo              - quando a clavícula descende, a sua porção
 ao eixo Y; mas está situado por dentro da articula-              interna se eleva. O movimento está limi-
 ção (ver eixo 1, figo 1-45).                                    tado pela tensão do ligamento superior e
      - também existe um terceiro movimento,                     pelo contato da clavícula com a superfí-
          a rotação longitudinal da clavícula de                 cie superior da primeira costela.
1. MEMBRO SUPERIOR   57




           Fig.1-47




                          2


Fig.1-48
                              y'




                      Fig.1-49
58   FISIOLOGIA ARTICULAR




                         A ARTICULAÇÃO            ACRÔMIO-CLA VICULAR


         Em vista póstero-externa da articulação             - a existência de uma cápsula reforçada
acrômio-clavicular (fig. l-50) estão separados                 por cima por um potente ligamento
artificialmente a escápula e a clavícula, uma da               acrômio-clavicular (15); ,
outra. De tal modo que podemos observar:                     - a presença - num terço dos casos - de
      -   a espinha da escápula (1) prolongada                 uma fibrocártilagem interarticular (11)
          para fora pelo acrômio (2) que possui                que restabelece a congruência das su-
          uma superfície articular plana e ligeira-            perfícies articulares. É excepcional que
          mente convexa na sua margem ântero-                  esta fibrocartilagem chegue a constituir
          interna - esta articulação é uma artró-              um me'nisco completo;
          dia ~ orientada para a frente, para den-           - a obliqÜidade do plano articular: a claví-
          tro e para cima;                                     cula está como "pousada" sobre o acrô-
      -   a clavícula (3), cuja porção extema está               nuo.
          seccionada à custa de sua superfície in-             A vista anterior do processo coracóide direi-
          ferior por uma superfície articular (5)        to (fig. l-51) permite observar ligamentos córaco-
          plana ou ligeiramente convexa "orienta-        c1aviculares.
          da" para baixo, para trás e para fora;
                                                              - o ligamento conóide (C), que se insere
      -   da base do processo coracóide (6) par-                no vértice da dobra do processo coracói-
          tem dois potentes ligamentos:                         de, com forma de leque de vértice infe-
          • o ligamento conóide (7) que se insere               rior, situado no plano frontal;
            na superfície inferior da clavícula no            - o ligamento trapezóide (T), que se insere
            tubérculo conóide, próximo a sua mar-               na margem intema do segmento horizon-
            gem posterior;                                      tal do processo, dirigindo-se para cima e
          • o ligamento trapezóide (8) que se diri-             para fora, lâmina fibrosa com forma de
            ge obliquamente para cima e para fora,              quadrilátero, orientada obliquamente de
            em direção à tuberosidade coracóide,                tal maneira que a sua superfície ântero-in-
            zona mgosa e triangular que prolonga o              tema esteja dirigida para dentro, para a
            tubérculo conóide para a frente e para              frente e para cima e a sua superfície póste-
            fora, na superfície inferior da clavícula;          ro-externa para trás, para fora e para baixo.
      -   fossa supra-espinhal (9) e cavidade gle-            A margem posterior do ligamento trapezóide
          nóide (10).                                    faz contato com o ligamento conóide e, em geral,
        O plano vertical P secciona a articulação        no nível de sua margem externa.
acrômio-clavicular pela sua parte média. Este                 Estes ligamentos estão dispostos em dois
corte representado no quadro permite localizar           planos mais ou menos perpendiculares e formam
os diferentes elementos já descritos e, além dis-        um ângulo diedro aberto para a frente e para
so, observar:                                            dentro.
58   FISIOLOGIA ARTICULAR




                         A ARTICULAÇÃO            ACRÔMIO-CLA VICULAR


         Em vista póstero-externa da articulação             -   a existência de uma cápsula reforçada
acrômio-cIavicular (fig. l-50) estão separados                   por cima por um potente ligamento
artificialmente a escápula e a clavícula, uma da                 acrômio-cIavicular (15); ,
outra. De tal modo que podemos observar:                     - a presença - num terço dos casos - de
      -   a espinha da escápula (I) prolongada                 uma fibrocdrtilagem interarticular (11)
          para fora pelo acrômio (2) que possui                que restabelece a congruência das su-
          uma superfície articular plana e ligeira-            perfícies articulares. É excepcional que
          mente convexa na sua margem ântero-                  esta fibrocartilagem chegue a constituir
          interna - esta articulação é uma artró-              um me·nisco completo;
          dia - orientada para a frente, para den-           - a obliqÜidade do plano articular: a claví-
          tro e para cima;                                     cula está como "pousada" sobre o acrô-
      -   a clavícula (3), cuja porção externa está              mIO.
          seccionada à custa de sua superfície in-             A vista anterior do processo coracóide direi-
          ferior por uma superfície articular (5)        to (fig. l-51) permite observar ligamentos córaco-
          plana ou ligeiramente convexa "orienta-        claviculares.
          da" para baixo, para trás e para fora;
                                                              - o ligamento conóide (C), que se insere
      -   da base do processo coracóide (6) par-                no vértice da dobra do processo coracói-
          tem dois potentes ligamentos:                         de, com forma de leque de vértice infe-
          • o ligamento conóide (7) que se insere               rior, situado no plano frontal;
            na superfície inferior da clavícula no            - o ligamento trapezóide (T), que se insere
            tubérculo conóide, próximo a sua mar-               na margem interna do segmento horizon-
            gem posterior;                                      tal do processo, dirigindo-se para cima e
          • o ligamento trapezóide (8) que se diri-             para fora, lâmina fibrosa com forma de
            ge obliquamente para cima e para fora,              quadrilátero, orientada obliquamente de
            em direção à tuberosidade coracóide,                tal maneira que a sua superfície ântero-in-
            zona rugosa e triangular que prolonga o             tema esteja dirigida para dentro, para a
            tubérculo conóide para a frente e para              frente e para cima e a sua superfície póste-
            fora, na superfície inferior da clavícula;          ro-externa para trás, para fora e para baixo.
      -   fossa supra-espinhal (9) e cavidade gle-            A margem posterior do ligamento trapezóide
          nóide (10).                                    faz contato com o ligamento conóide e, em geral,
        O plano vertical P secciona a articulação        no nível de sua margem externa.
acrômio-clavicular pela sua parte média. Este                 Estes ligamentos estão dispostos em dois
corte representado no quadro permite localizar           planos mais ou menos perpendiculares e formam
os diferentes elementos já descritos e, além dis-        um ângulo diedro aberto para a frente e para
so, observar:                                            dentro.
1. MEMBRO SUPERIOR   59




        Fig. 1-50




        c
T




    Fig.1-51
60   FISIOLOGIA ARTICULAR




                       A ARTICULAÇÃO ACRÔMIO-CLAVICULAR
                                            (continuação)


    Em vista póstero-externa da articulação                 -   superficialmente se localiza a camada
acrômio-clavicular direita (fig. 1-52, segundo                  aponeurótica   do deltóide e do trapézio,
Rouviere)                                                       não representada no desenho, constituí-
      -   o plano superficial do ligamento acrô-                da por fibras aponeuróticas que unem as
                                                                fibras musculares do deltóide e do trapé-
          mio-clavicular (11) está seccionado
                                                                zio. Esta formação recentemente descri-
          para mostrar o seu plano profundo que
                                                                ta desempenha um papel importante na
          reforça a cápsula;
                                                                coaptação da articulação, e é o único fa-
      -   além dos ligamentos conóide (7) e tra-                tor limitante da amplitude da luxação
          pezóide (8), podemos observar o liga-                 acrômio-clavicular.
          mento córaco-clavicular interno (12),
                                                         A clavícula aparece "em laço" na sua por-
          também denominado ligamento bicor-
                                                    ção interna (fig. l-53, vista inferior-externa, se-
          ne de CALDANI;
                                                    gundo Rouviere). Podemos observar novamen-
      -   o ligamento acrômio-coracóide (13),       te os elementos antes descritos e o ligamento
          que não tem ação mecânica, contribui-     coracóide (14) que se estende de uma margem
          para formar o canal do supra-espinhal     a outra da incisura coracóide, carente de ação
          (ver fig. 1-49);                          mecânica.
1. MEMBRO SUPERIOR   61




Fig.1-52




      Fig.1-53
62   FISIOLOGIA ARTICULAR




                  FUNÇÃO DOS LIGAiVIENTOS CÓRACO-CLAVICULARES


     Vista superior esquemática da articulação                  caso de urna pá de debulhadeira no ex-
acrômio-clavicular (fig. 1-54) que mostra a fun-                tremo do cabo.
ção do ligamento conóide:                                    Podemos có'mprovar a tensão dos liga-
      -   em pontilhado, a escápula vista desde        mentos conóide (faixa tracejada) e trapezóide
          Cima;                                        (pontilhado). A amp1itude desta rotação (30°)
                                                       se sorna à rotação de 30° da articulação ester-
      -   em traços descontínuos, a silhueta da cla-
                                                       nocostoclavicular para possibilitar os 60° de
          vícula em posição de partida;
                                                       amplitude dos movimentos de "sino" da escá-
      -   em traços contínuos, posição extrema da      pula.
          clavlcula.
                                                             Um estudo recente realizado por Fischer e
     Este desenho mostra como quando o ângulo          co1s. demonstra, graças a uma série de fotogra-
formado pela clavícula e a escápula se abre, o li-     fias, a complexidade dos movimentos da arti-
gamento conóide (as duas faixas tracejadas repre-      culação acrômio-clavicular, artródia debilmen-
sentam a suas duas posições sucessivas) está ten-      te encaixada.
so e limita o movimento.
                                                            Durante a abdução, tornando como ponto
     Uma vista semelhante (fig. l-55) mostra a         de referência fixo a escápula, podemos com-
função do ligamento trapezóide.                        provar:
     Quando o ângulo formado pela clavícula e a            -    urna elevação de 10° da porção interna
escápula sefecha, o ligamento trapezóide está ten-              da clavícula;
so e limita o movimento.                                    -   urna abertura até 70° do ângulo escápu-
     O movimento de rotação axial na articu-                    lo-clavicular;
lação acrômio-clavicular (fig. 1-56) se vê com              -   e urna rotação longitudinal de 45° da
clareza nesta vista ântero-intema:                              clavícula para trás.
      -   a cruz representa o centro de rotação da          Durante a flexão os movimentos elemen-
          articulação;                                 tares são semelhantes, embora um pouco me-
      -   os traços contínuos, a posição inicial da    nos acentuados no que diz respeito à abertura
          escápula (cuja metade inferior foi remo-     do ângulo escápulo-clavicular.
          vida);                                            Durante a extensão, o ângulo escápulo-
                                                       clavicular se fecha 10°.
      -   a superfície tracejada representa a posi-
          ção final da escápu1a após ter osciJado           Durante a rotação interna, o ângulo escá-
          na extremidade da clavícula, como no         pulo-clavicular só se abre 13°.
I. MEMBRO SUPERlOR   63




           Fig.1-54




Fig.1-56
64   FISIOLOGIA ARTICULAR




                      MÚSCULOS MOTORES DA CINTURA ESCAPULAR


     Neste esquema do tórax (fig. l-57) a meta-                  • gira a escápula para baixo: a glenóide
de direita representa uma vista posterior:                         fica orientada para baixo;
      1) Trapézio: dividido em três porções cu-                  • fixa o ângulo inferior da escápula con-
         jas ações são diferentes:                                 tra as costelas; a sua paralisia provoca
                                                                   um "descolamento" das escápulas.
          Porção superior (1); acrômio-clavicular.
          Ação:                                                3) Angular: direção oblíqua para cima e
          - eleva o coto do ombro, evita a sua                    para dentro. Ação (parecida 'com a dos
                                                                  rombóides):
             queda sob o peso de uma carga;
                                                                 -    desloca o ângulo superior interno pa-
          -     hiperlordose cervical + rotação da ca-
                                                                      ra cima (2 a 3 cm) e para dentro (ação
                beça para o lado contrário, quando                    de levantar os ombros). Contrai-se
                este fascículo toma o ombro como
                                                                      quando seguramos algo pesado. A
                ponto fixo.                                           paralisia deste músculo provoca a
          Porção média (1'); espinhal. Direção                        queda do coto do ombro;
          transversal. Ação:                                      -   leve rotação da glenóide para baixo.
          -     aproxima de 2 a 3 cm a margem inter-           4) Serrátil anterior: (Yer figo l-58).
                na da escápula à linha dos processos es-
                pinhosos, encaixa a escápula no tórax;         A metade esquerda (fig. l-57) representa
                                                           uma vista anterior.
          -     desloca o coto do ombro para trás.
                                                               5) Peitoral menor: direção oblíqua para
          Porçcio inferior (1 "). Direção oblíqua                 baixo, para frente e para dentro. Ação:
          para baixo e para dentro. Ação:
                                                                  - descende o coto do ombro, deslocan-
          -     desloca a escápula para baixo e para                 do a glenóide para baixo. Esta ação é
                dentro.                                              exercida, por exemplo, nos movi-
      Contração simultânea das três porções:                         mentos que realizamos nas barras
                                                                     paralelas;
      - desloca a escápula para dentro e para trás;
                                                                  -   desliza a escápula para fora e para a
      -   gira a escápula para cima (20°): desem-
                                                                      frente, descolando a sua margem pos-
          penha um modesto papel na abdução,                          terior.
          embora importante na hora de levar car-
          gas pesadas;                                         6) Subclávio: direção oblíqua para baixo e
                                                                  para dentro, quase paralela à clavícula.
      -       impede a queda do braço e o descola-
                                                                  Ação:
              mento da escápula.
                                                                  -   descende a clavícula e, portanto, o
       2) Rombóide: direção oblíqua para cima e                       coto do ombro;
          para dentro. Ação:
                                                                  -   encaixa a porção interna da clavícula
          -     desloca o ângulo inferior para cima e                 contra o manúbrio esternal de manei-
                para dentro, de maneira que:                          ra que coapta a articulação ester-
          • eleva a escápula;                                         nocostoclavicular.
1. lIEMBRO SUPERIOR   65




Fig. 1-57
66   FISIOLOGIA ARTICuLAR




                     MÚSCULOS MOTORES DA CINTURA ESCAPULAR
                                                 (continuação)

     No esquema do tórax visto de perfil (fig.                     te de cargas pesadas, mas só quando a
l-58), podemos observar com nitidez o mús-                         abdução do braço ultrapassa os 30° (é o
culo serrátil anterior com as suas duas por-                       caso de transporte de um balde cheio de
ções:                                                              água).
      - porção superior: direção geral horizon-               Neste corte horizontal do tórax (fig. l-59),
        tal para frente. Ação:                            podemos observar:
        o   dirige a escápula de 12 a 15 cm para a               - do lado esquerdo: ação dos músculos
            frente e para fora, ao mesmo tempo que                 trapézio (porção média), angular, rom-
            a impede de retroceder quando empurra-                 bóides, todos eles adutores da escápula:
            mos um objeto pesado para a frente                     a aproximam da linha média. Também
                                                                   são, em conjunto (com exceção da por-
            (prova de paralisia: ao realizar esta ação
                                                                   ção inferior do trapézio), elevadores da
            a margem interna se "descola");
                                                                   escápula;
      - porção inferior: direção geral oblíqua
                                                                 - do lado direito: ação dos músculos ser-
        para a frente e para baixo. Ação:
                                                                   rátil anterior e peitoral menor como ab-
        • realiza a basculação da escápula para ci-                dutores da escápula: a afastam da linha
          ma: a glenóide tem a tendência a se                      média. Por outro lado, o peitoral menor
          orientar para a frente. Esta ação inter-                 e o subc1ávio descendem pela cintura es-
          vém na flexão, na abdução, no transpor-                  capular.
I. MEMBRO SUPERIOR   67




           Fig.1-58




Fig.1-59
68   FISIOLOGIA ARTICULAR




                             o SUPRA-ESPINHAL         E A ABDUÇÃO


     o canal do supra-espinhal (representado        que se estende da fossa supra-espinhal até a tu-
por uma estrela) comunica a fossa supra-es-         berosidade maior do úmero, se desliza por baixo
pinhal com a região subdeltóide (fig. 1-60, vista   do ligamento acrômio-coracóide.
externa da escápula) e está limitada:
                                                         Os quatro músculos responsáveis da ab-
      -   por trás, pela espinha da escápula e do   dução, esquematizados (fig. 1-61) numa vista
          acrômio;                                  posterior da escápula e do úmero, são os
      -   pela frente, pelo processo coracóide;     seguintes:
      -   por cima, pelo ligamento acrômio-cora-        • o deltóide;
          cóide. Acrômio, ligamento e coracóide
          constituem uma abóbada ósteo-liga-            • o supra-espinhal; estes dois músculos for-
          mentar: a abóbada acrômio-coracóide.            mam um par funcional, motor da abdu-
                                                          ção da articulação escápulo-umeral;
      Este canal do supra-espinhal forma um anel
rígido e sem possibilidade de estender; se o ten-       • o serrátil anterior;
dão do músculo aumenta em volume, devido a
                                                        • o trapézio; estes dois músculos formam
uma cicatriz ou um processo inflamatório, já não
                                                          um par funcional, motor da abdução da
pode-se deslizar pelo canal e se bloqueia. Se o
                                                          articulação escápulo-torácica.
nódulo consegue vencer a dificuldade, o movi-
mento de abdução pode continuar com um res-              Sem representar no esquema, mas não por
salto: é o fenômeno, não muito freqüente, do        isso menos úteis para a abdução segundo con-
ombro em ressalto.                                  ceitos recentes, participam também os músculos
     Nas perfurações da bainha rotatória, o ten-    subescapular, infra-espinhal e redondo menor.
dão do supra-espinhal degenerado e roto já não      Deslocam a cabeça umeral para baixo e· para
se interpõe entre a cabeça umeral e a abóbada. O    dentro, formando junto com o deltóide um se-
contato direto da cabeça umeral e da abóbada        gundo par funcional responsável pela abdução
acrômio-coracóide durante a abdução é, para         da articulação escápulo-umeral.
muitos autores contemporâneos, a causa das do-           Por último, o tendão da porção longa do bí-
res da "síndrome de ruptura da bainha".             ceps é também motor da abdução, já que a sua
    Em vista ântero-superior da escápula (fig.      ruptura produz uma perda de 20% da força da
1-62), podemos observar como o supra-espinhal,      abdução.
1. MEMBRO SUPERIOR   67




            Fig.1-58

        J



        I
        I
        I
        I
     I
     I
     I
     I
    I
   1~
    I
Fig.1-59
68   FISIOLOGIA ARTICULAR




                             o SUPRA-ESPINHAL         E A ABDUÇÃO


     o canal do supra-espinhal (representado        que se estende da fossa supra-espinhal até a tu-
por uma estrela) comunica a fossa supra-es-         berosidade maior do úmero, se desliza por baixo
pinhal com a região subdeltóide (fig. 1-60, vista   do ligamento acrômio-coracóide.
externa da escápula) e está limitada:
                                                         Os quatro músculos responsáveis da ab-
      -   por trás, pela espinha da escápula e do   dução, esquematizados (fig. 1-61) numa vista
          acrômio;                                  posterior da escápula e do úmero, são os
      -   pela frente, pelo processo coracóide;     seguintes:
      -   por cima, pelo ligamento acrômio-cora-        • o deltóide;
          cóide. Acrômio, ligamento e coracóide
          constituem uma abóbada ósteo-liga-            • o supra-espinhal; estes dois músculos for-
          mentar: a abóbada acrômio-coracóide.            mam um par funcional, motor da abdu-
                                                          ção da articulação escápulo-umeral;
      Este canal do supra-espinhal forma um anel
rígido e sem possibilidade de estender; se o ten-       • o serrátil anterior;
dão do músculo aumenta em volume, devido a
                                                        • o trapézio; estes dois músculos formam
uma cicatriz ou um processo inflamatório, já não
                                                          um par funcional, motor da abdução da
pode-se deslizar pelo canal e se bloqueia. Se o
                                                          articulação escápulo-torácica.
nódulo consegue vencer a dificuldade, o movi-
mento de abdução pode continuar com um res-              Sem representar no esquema, mas não por
salto: é o fenômeno, não muito freqÜente, do        isso menos úteis para a abdução segundo con-
ombro em ressalto.                                  ceitos recentes, participam também os músculos
     Nas perfurações da bainha rotatória, o ten-    subescapular, infra-espinhal e redondo menor.
dão do supra-espinhal degenerado e roto já não      Deslocam a cabeça umeral para baixo e· para
se interpõe entre a cabeça umeral e a abóbada. O    dentro, formando junto com o deltóide um se-
contato direto da cabeça umeral e da abóbada        gundo par funcional responsável pela abdução
acrômio-coracóide durante a abdução é, para         da articulação escápulo-umeral.
muitos autores contemporâneos, a causa das do-           Por último, o tendão da porção longa do bí-
res da "síndrome de ruptura da bainha".             ceps é também motor da abdução, já que a sua
    Em vista ântero-superior da escápula (fig.      ruptura produz uma perda de 20% da força da
1-62), podemos observar como o supra-espinhal,      abdução.
1. MEMBRO SUPERIOR   69




Fig.1-60              Fig.1-61




           Fig.1-62
70   FISIOLOGIA ARTICULAR




                                   FISIOLOGIA DA ABDUÇÃO


     À primeira vista, a fisiologia da abdução         pula, isto é, com uma flexão de 30° ao redor de
parece simples: é o resultado da ação de dois          um eixo BB' (fig. 1-65) perpendicular ao plano
músculos, o deltóide e o supra-espinhal. Contu-        da escápula, quase todo o fascículo clavicular é,
do, não existe uma opinião unânime sobre o pa-         de aferência, abdutora.
pel que desempenha cada um deles, nem sobre                     Os estudos eletromiográficos demons-
as suas ações recíprocas. Recentes estudos ele-        tram que as diferentes porções atuam sucessiva-
tromiográficos realizados por J.J. Comtet e Y.         mente à medida que a abdução progride, com
Auffray (1970) aportam uma nova visão a res-           um intervalo de tempo maior quanto mais adu-
peito.                                                 toras sejam no início do movimento, como se
      Papel do deltóide                                fossem dirigidas pôr um quadro de comandos.
     Para Fick (1911) podemos distinguir sete          Por isso, as porçõe.s abdutoras não estão
porções funcionais no deltóide (fig. 1-65, corte       restringidas pelas antagonistas. Neste caso se
                                                       trata de um exemplo do fenômeno de inervação
esquemático horizontal, parte inferior):
                                                       recíproca de Sherrington.
     - fascículo anterior, clavicular, inclui
        dois: I e lI;                                       Durante a abdução pura, a ordem de en-
                                                       trada em ação é a seguinte:
      -   fascículo médio, acromial, só um: III;
                                                            - fascículo acromial III;
      -   fascículo posterior, espinhal, quatro: IV,
          V, VI e VII.                                      -   porções IV e V quase imediatamente de-
                                                                pOIS;
     Considerando estas porções com relação à
                                                            - por último, a porção II a partir dos 20-30°.
sua localização em função do eixo de abdução
puro AA' (fig. 1-63, vista anterior e figo 1-64,           Durante a abdução associada a uma fle-
vista posterior), podemos comprovar que algu-          xão de 30°:
mas delas são em princípio abdutoras, como é o              -   as porções III e II atuam imediatamente;
caso de todo o fascículo acromial (III), a parte
                                                            -   as porções IV e V cada vez mais tarde.
mais externa da porção II do fascículo clavicular
                                                                como a porção L
e a porção IV do fascículo espinhal, porque es-
tão situadas por fora do eixo (fig. 1-65). Pelo             Quando a rotação externa do úmero se
contrário, as outras restantes (I, V, VI e VII) são         associa com a abdução:
adutoras quando o membro superior pende ao                  -   a porção II se contrai desde o primeiro
longo do corpo. Por isso, estas porções do del-                 momento;
tóide são antagonistas das primeiras. Elas vão,
                                                            -   as porções IV e V nem sequer intervêm
se convertindo em abdutoras à medida que o                      no fim da abdução.
movimento de abdução as desloca para fora do
eixo sagital. De maneira que, no que se refere a            Quando a rotação interna do úmero se
estas porções, podemos ver uma inversão de sua         associa com a abdução:
ação dependendo da posição de início do movi-               - se observa o mecanismo inverso.
mento. De todas as maneiras, algumas permane-               Em resumo, o deltóide, ativo desde o iní-
cem como adutoras (VI e VII) seja qual for o           cio da abdução, pode realizar a abdução sozinho
grau de abdução.                                       até a sua máxima amplitude. A sua atividade
     Em linhas gerais, Strasser (1917) está de         máxima se estabelece ao redor dos 90° de abdu-
acordo com este conceito, embora ressalte que,         ção. Para Inman, sua força seria equivalente a
no caso da abdução realizada no plano da escá-         8,2 vezes o peso do membro superior.
1. MEMBRO SUPERIOR   71




Fig.1-63
                       Fig.1-64




           Fig.1-65
72   FISIOLOGIA ARTICULAR




                                 FISIOLOGIA DA ABDUÇÃO
                                             (continuação)


      Papel dos músculos rotadores                   realizar a abdução, nem sequer para iniciá-la
      Depois de fazer com que a sinergia deltói-     isoladamente abdução; o deltóide não é sufi-
de supra-espinhal desempenhe um papel impor-         ciente para obter uma abdução completa.
tante, inclusive fundamental, parece agora que             Contudo, e ao contrário, o supra-espinhal é
os outros músculos da bainha são indispensáveis      capaz de realizar uma abdução da mesma am-
para a eficácia do deltóide (Inman).                 plitude que a do deltóide (experiência de excita-
     De fato, durante a abdução (fig. 1-66), a de-   ção elétrica de Duchenne de Boulogne e obser-
composição da força do deltóide D provoca a          vações clínicas da :earalisia isolada do deltóide).
aparição de um componente longitudinal Dr,                 A eletromiografia demonstra que ele se con-
que, diminuído do componente longitudinal Pr         trai ao longo de toda a abdução e que a sua ativi-
do peso P do membro superior (atuando sobre o        dade máxima aparece aos 90° de abdução, como
centro de gravidade), se aplica como força R ao      no caso do deltóide.
centro da cabeça umeral. Contudo, esta força R              No início da abdução (fig. 1-67) o seu com-
pode, por sua vez, se decomponer em uma força         ponente tangencial Et é proporcionalmente mais
Rc que encaixa a cabeça na glenóide, e em oura        forte que o do deltóide Dt, embora o seu braço de
força Ri, mais potente, que tem a tendência de        alavanca seja mais curto. O seu componente ra-
provocar uma luxação para cima e para fora. Se        dial Er encaixa com força a cabeça umeral sobre
os músculos rotadores (infra-espinhal, subesca-       a g1enóide e contribui vigorosamente para evitar a
pular, redondo menor) se contraem neste preci-        sua luxação para cima e sob ação do componente
so momento, a sua força global Rm se opõe di-         radial Dr do deltóide. Assim sendo, desempenha
retamente ao componente de luxação Ri e a ca-         um papel coaptador idêntico ao dos músculos ro-
beça não pode luxar-se para cima e para fora          tadores. De igual maneira, provoca a tensão da
(quadro em destaque). Desta maneira, a força          parte superior da cápsula e se opõe à subluxação
descendente Rm dos músculos rotadores cria,           inferior da cabeça umeral (Dautry e Gosset).
com a força de elevação Dt do deltóide, um par
de rotação que dá origem à abdução. A força dos            Desse modo, o supra-espinhal é sinérgico
músculos rotadores é máxima aos 60° de abdu-          dos outros musculos da bainha, os músculos ro-
ção. A eletromiografia (Inman) confirma dita ati-     tadores. Ajuda com força e eficácia ao deltóide
vidade máxima no caso do infra-espinhal.              que, quando atua isoladamente, se fatiga com ra-
                                                      pidez.
      Papel do supra-espinhal                               Em resumo, a sua ação é ao mesmo tempo
     Até então, o músculo supra-espinhal era          qualitativa sobre a copatação articular, e quanti-
considerado como o iniciador da abdução (o            tativa sobre a resistência e potência da abdução.
"abductor starter" dos autores anglo-saxões). A       A sua fisiologia, bastante simples, se opõe à do
"deixada de escanteio" do supra-espinhal me-          deltóide, já complexa por si mesma. Sem dar o
diante bloqueio anestésico do nervo supra-esca-       título de abductor-starter que teve até hoje, po-
pular (B. Van Linge e l.D. Mulder) possibilita        demos afirmar que é útil e eficiente principal-
demonstrar que ele não é indispensável para           mente no início da abdução.
3. TRONCO E COLUNA VERTEBRAL   71




                   13




    6

    10

    11

    12

    4


                        5


2
                        4




3

4




     3

         2

             5
                 Fig.2-27
72 FISIOLOGIA ARTICULAR




 INFLUÊNCIA         DA POSIÇÃO SOBRE AS ARTICULAÇÕES                        DA CINTURA PÉLVICA


         Em posição ortostática simétrica, as arti-      aparece um desnível (d) na margem superior de
. culações da cintura pélvica são solicitadas pelo       cada um dos púbis durante a marcha. Do mesmo
  peso do corpo. O mecanismo destas pressões se          modo, se pode entender que as articulações sacro-
  pode analisar em uma vista lateral (fig. 2-29), na     ilíacas se solicitem de forma oposta em cada pas-
  qual o osso ilíaco, supostamente transparente,         so. A sua resistência aos movimentos se deve à
  permite ver o fêmur. O conjunto formado pela co-       força dos seus ligamentos, mas quando uma das
  luna vertebral, sacro, osso ilíaco e membros infe-     sacroilíacas está lesada por um deslocamento
  riores constitui um sistema articulado: por um la-     traumático, aparecem movimentos que provocam
  do, na articulação coxofemoral e, por outro, na ar-    dor em cada passo. A solidez mecânica do anel
  ticUlação sacroilíaca. O peso do tronco (seta P),      pélvico condiciona assim tanto a posição ortostá-
  ao recair sobre a face superior da primeira vérte-     tica quanto a marcha.
  bra sacral, tem a tendência de deslocar o promon-            Em decúbito, as articulações sacroilíacas se
  tório para baixo. Portanto, o sacro é solicitado no    solicitam de diferente maneira (fig. 2-33) depen-
  sentido da nutação (NJ Este movimento é rapi-          dendo se os quadris estão em flexão (A) ou em
  damente limitado pelos ligamentos sacroilíacos         extensão (B).
  anteriores, o freio de nutação, e principalmente,
  pelos dois ligamentos sacrociáticos que impedem              Quando os quadris estão estendidos (fig.
  a separação do vértice do sacro com relação à tu-      2-32), a tração sobre os músculos flexores (seta
  berosidade isquiática.                                 branca) bascula a pelve em anteversão, ao mes-
                                                         mo tempo em que o vértice do sacro está impul-
        Simultaneamente, a reação do chão (seta R),
                                                         sado para a frente. Produz-se uma diminução da
  transmitida pelos fêmures e exercida no nível das      distância entre o vértice do sacro e a tuberosida-
  articulações coxofemorais, forma, com o peso do
  corpo sobre o sacro, um par de rotação, que tem        de isquiática e, simultaneamente, uma rotação na
  a tendência de bascular o osso ilíaco para trás (se-   sacroilíaca no sentido da contranutação (a seta 2
                                                         indica o movimento do osso ilíaco ao redor do ei-
  ta NJ Esta retroversão da pelve acentua mais a
  nutação nas articulações sacroilíacas.                 xo de nutação). Esta posição corresponde ao iní-
                                                         cio do parto e a contranutação, que alarga a aber-
        Embora esta análise trate dos movimentos,
                                                         tura superior da pelve, favorece a descida da ca-
  na verdade, deveria referir-se às forças que os        beça letal em direção à escavação pélvica.
  provocam, visto que os movimentos são quase
  nulos; se trata mais de tendência de movimentos,             Quando os quadris estão flexionados (fig.
  do que movimentos propriamente ditos, porque           2-31), a tração dos músculos ísquio-tibiais (seta I)
   os sistemas ligamentares são extremamente po-         tem a tendência de bascular a pelve em retrover-
  tentes e impedem imediatamente qualquer deslo-         são com relação ao sacro. Isto constitui, então, um
   camento.                                              movimento de nutação (a seta 1 indica o movi-
                                                         mento do osso ilíaco com relação ao sacro); este
        Em apoio monopodal (fig. 2-30), e em cada
                                                         movimento diminui o diâmetro ântero-posterior
  passo durante a marcha, a reação do chão (seta
  R), transmitida pelo membro que suporta o peso,        da abertura superior da pelve e aumenta os dois
                                                         diâmetros da abertura inferior da pelve. Esta posi-
  levanta a articulação coxofemoral corresponden-
  te, enquanto do outro lado, o peso do membro em        ção adotada durante o momento expulsivo do par-
                                                         to favorece, assim, a saída da cabeça letal duran-
  suspensão tem a tendência de fazer descer a coxo-
  femoral oposta. Isto provoca uma compressão em         te a sua passagem pela abertura inferior da pelve.
  cisalhamento da sínfise púbica que apresenta a               Durante a mudança de posição entre a exten-
  tendência de levantar o púbis do lado que suporta       são e a flexão das coxas, a amplitude média do
, o peso (A) e a descer o púbis do lado em suspen-       deslocamento do promontório é de 5,6 mm. As
  são (B). Normalmente, a solidez da sínfise púbica      mudanças de posição das coxas modificam, nota-
  impede qualquer deslocamento nesta articulação,        velmente, as dimensões da escavação pélvica pa-
  porém quando está deslocada, se pode ver como          ra facilitar a passagem do feto durante o parto.
1. MEMBRO SUPERIOR   73




Pr




     Fig.1-67
74 FISIOLOGIA ARTICULAR




                               AS TRÊS FASES DAABDUÇÃü


     Primeira fase da abdução (fig. 1-68): de O          -     os músculos motores desta segunda fase
a 90°                                                          são:
     Os músculos motores desta primeira fase                 • o trapézio (3 e 4);
são principalmente:
                                                             • o serrátil anterior (5).
    -    deltóide (1);
                                                          Constituem o par ~bdutor da articulação es-
    -    supra-espinhal (2).                         cápulo-torácica.
      Estes dois músculos formam o par da abdu-           O movimento está limitado perto dos 150°
ção da articulação escápulo-umeral. De fato, nes-    (90° + 60° de amplitude do mo"imento pendular
ta articulação é onde se inicia o movimento de       da escápula) pela resistência dos músculos adu-
abdução. Esta primeira fase finaliza perto dos       tores: grande dorsal e peitoral maior.
90°, quando a articulação escápulo-umeral se
bloqueia devido ao impacto da tuberosidade               Terceira fase da abdução (fig. 1-70): de
maior do úmero contra a margem superior da           150° a 180°
glenóide. A rotação externa, e também uma ligei-          É necessário que a coluna vertebral parti-
ra ftexão, desloca a tuberosidade maior do úme-      cipe deste movimento para chegar à vertical.
ro para trás e atrasa dito bloqueio. Com Steind-
ler, podemos considerar que a abdução associada           Se só um braço realiza a abdução, basta
com uma ftexão de 30° no plano do corpo da es-       uma inclinação lateral sob ação dos músculos
cápula é a verdadeira abdução fisiológica.           espinhais do lado contrário (6).
     Segunda fase da abdução (fig. 1-69): de              Se os dois braços realizam a abdução, não
90 a 150°                                            podem estar paralelos se não estiverem emfte-
                                                     xão máxima. Para chegar à vertical é necessária
      Com a articulação escápulo-umeral blo-
                                                     uma hiperlordose lombar, também sob depen-
queada, a abdução só pode continuar graças à
                                                     dência dos músculos espinhais.
participação da cintura escapular:
                                                          Esta descrição da abdução em três fases é,
     -   movimento pendular da escápula, rota-
         ção no sentido inverso aos ponteiros do     naturalmente, esquemática: em realidade, as
         relógio (no caso da escápula direita) que   participações musculares estão inter-relaciona-
         dirige a glenóide mais diretamente para     das e "encadeadas intimamente"; é fácil com-
         cima; sabemos que a amplitude deste         provar que a escápula começa um "giro" antes
         movimento é de 60°;                         que o membro superior chegue a uma abdução
                                                     de 90°. Igualmente, a coluna vertebral começa a
     -   movimento de rotação longitudinal, do
                                                     se inclinar antes de chegar a uma abdução de
         ponto de vista mecânico, das articula-      150°.
         ções esternocostoclavicular e acrômio-
         clavicular, cuja amplitude de movimen-           No fim da abdução, todos os músculos mo-
         to é de 30° cada uma;                       tores da abdução estão contraídos.
1. MEMBRO SUPERIOR   75




J    I)




                             Fig.1-69
    Fig.1-68




                         /



          Fig.1-70
                     (
76   FISIOLOGIA ARTICULAR




                                AS TRÊS FASES DAFLEXÃO


    Primeira fase da flexão (fig. 1-71): de 0° a             cular e acrômio-clavicular, cuja ampli-
50-60°                                                       tude é de 30° cada uma.
      Os músculos motores desta primeira fase são:         Os músculos motores são os mesmos que
      - fascículo anterior, c1avicular, do del-      participam da abdução:
         tóide (1);                                      -   trapézio (4 e 5);
      - córaco-braquial (2);                             -   serrátil anterior.
      - fascículo superior, clavicular, do peito-         Esta flexão escápulo-umeral está limitada
        ral maior (3).                               pela resistência do músculo grande dorsal e da
    Estafiexão está limitada na articulação es-      porção inferior do peitoral maior.
cápulo-umeral por dois fatores:                          Terceira fase da flexão (fig. 1-73): de
                                                     120° a 180°
      - a tensão do ligamento córaco-umeral
        (ver figo 1-30, c);                               O movimento de flexão está bloqueado pe-
      - a resistência dos músculos redondo me-       la articulação escápulo-umeral e a intervenção
        nor, redondo maior e infra-espinhal.         da coluna vertebral na escápulo-torácica é ne-
                                                     cessária.
     Segunda fase da flexão (fig. 1-72): de
60° a 120°                                                Se a flexão é unilateral, é possível finalizar
                                                     o movimento realizando uma abdução máxima
      Função da cintura escapular:                   do braço e, a seguir, uma inclinação lateral da
      - rotação da escápula 60° mediante um          coluna.
        movimento pendular que orienta a gle-             Se a flexão é bilateral, o fim do movimen-
        nóide para cima e para a frente;             to é idêntico ao da abdução associada a uma
      - rotação axial, do ponto de vista mecâni-     hiperlordose por ação dos músculos lombares
        co, das articulações esternocostoc1avi-      (7).
1. J'lEMBRO SUPERIOR   77




Fig.1-71   Fig.1-72           Fig.1-73
78   FISIOLOGIA ARTICULAR




                                   MÚSCULOS ROTADORES


     a) Vista superior esquemática (Fig. 1-74)             Observe-se que, embora estes dois músculos
da articulação escápulo-umeral, que mostra os         possuam um nervo diferente (nervo supra-escapu-
músculos rotadores;                                   lar no caso do infra-espinhal e nervo circunflexo
      b) Rotadores internos (desenho):                no caso do redondo menor), ambos os nervos têm
                                                      origem na mesma raiz (Cs) do plexo braquial, de
         1) grande dorsal;
                                                      maneira que podem paralisar-se simultaneamente
         2) redondo maior;                            nos alongamentos do plexo braquial nas quedas
         3) subescapular;                             sobre o coto do ombro (acidente de motocicleta).
         4) peitoral maior.                                Mas a rotação da articulação escápulo-
                                                      umeral não é suficiente para completar a máxi-
      c) Rotadores externos (desenho):
                                                      ma rotação do membro superior: é necessário
         5) infra-espinhal;                           acrescentar modificações na orientação da escá-
         6) redondo menor.                            pula (e da glenóide) durante os movimentos de
                                                      translação lateral da articulação (ver figo 1-37);
     Diante da quantidade e da potência dos rota-
                                                      esta mudança de orientação de 40° a 45° aumen-
dores internos, os rotadores externos são fracos;
                                                      ta. na mesma medida, a amplitude da rotação.
contudo, são indispensáveis para a correta utiliza-   Os músculos motores são:
ção do membro superior, porque só eles podem
afastar a mão da superfície anterior do tronco,           -   no caso da rotação externa (adução da
deslocando-a para a frente e para fora; este movi-            escápula): rombóide e trapézio;
mento da mão direita de dentro para fora é im-            - no caso da rotação interna (abdução da es-
prescindível para a escritura.                              cápula): serráti1anterior e peitoral menor.
1. MEMBRO SUPERIOR   79




                                        5
                                        6
        2



,
    b                     c




            Fig.1-74
80   FISIOLOGIA ARTICULAR




                                 AADUÇÃO E A EXTENSÃO


     Os músculos adutores são representados                    A contraç~o do grande dorsal, músculo
em vista anterior (fig. 1-75) e em vista póstero-              adutor muito potente, tende a luxar a ca-
externa (fig. 1-76).                                           beça umeral para baixo (seta preta);
      Números comuns para ambas as figuras:                    A porção longa do tríceps, que é ligeira-
      (1) redondo maior;                                       mente adutora, quando se contrai simul-
                                                               taneamente, se opõe a esta luxação e ele-
      (2) grande dorsal;
                                                               va a cabeça umeral (seta branca).
      (3) peitoral maior;
                                                         Os músculos extensores estão representa-
      (4) rombóide.
                                                    dos em vista póstero-extema (fig. 1-77).
     No quadro: esquemas que explicam o fun-               Extensão da articulação escápulo-wne-
cionamento dos dois pares musculares da adução:     ral:
      a) par rombóide (1) redondo maior (2)                -   redondo maior (1);
         A ação sinérgica destes dois músculos é
                                                           -   redondo menor (5);
         indispensável para a adução. De fato, se
         o redondo maior se contrai sozinho, o             - porção posterior, espinhal, do deltóide (6);
         membro superior resiste à adução e a es-          -   grande dorsal (2).
         cápula gira para cima sobre o seu eixo
                                                         Extensão da articulação escápulo-toráci-
         (representado por uma cruz).
                                                    ca, por adução da escápula:
         A contração do rombóide evita esta rota-
                                                           -   rombóide (4);
         ção e possibilita a ação adutora do re-
         dondo maior.                                      -   porção média, transversal, do trapézio
                                                               (7);
      b) par porção longa do tríceps (4) grande
         dorsal (3)                                        -   grande dorsal (2).
Fig.1-76
Fig.1-75
82   FISIOLOGIA ARTICULAR




                                    FLEXÃO-EXTENSÃO


       Anatomicamente O cotovelo só contém         -   a f1exão-extensão, que precisa da ação
uma articulação: de fato, só existe uma cavidade       de duas articulacões:
articular.
                                                       • a articulação úmero-ulnar;
     Contudo, a fisiologia permite distinguir          • a articulação úmero-radial.
duas funções diferentes:
                                                   Neste capítulo, será analisada únIca e
      -   a pronação-supinação, que envolve a      exclusivamente a função da FLEXÃO-
          articulação rádio-ulnar superior;        EXTENSÃO.
1. MEMBRO SUPERlOR   83
84   FISIOLOGIA   ARTICULAR




o COTOVELO:            ARTICULAÇÃO DE SEPARAÇÃO E APROXIMAÇÃO DA MÃO


      o cotovelo é a articulação intermédia do           o cotovelo constitui junto com o braço e o
membro superior: ao realizar a união mecânica      antebraço um compasso (fig. 2-2, a) que possi-
entre o primeiro segmento - o braço - e o segun-   bilita a aproximação, até quase tocar, do punho
do - o antebraço - do membro superior, possi-      P ao ombro O (a distância que os separa é o que
bilita, orientado nos três planos do espaço        mede o punho), de maneira que a mão chega
graças ao ombro, deslocar mais ou menos longe      com facilidade ao ombro e à boca. Na mon-
do corpo a sua extremidade ativa: a mão.           tagem telescópica (fig. 2-2, b) a mão não pode
      O homem pode levar os alimentos à boca       alcançar a boca porque o comprimento mínimo
graças à flexão do cotovelo. Quando pegamos        é a soma da longitude L de um segmento e da
um alimento com extensão-pronação (fig. 2-1),      coaptação necessária para manter a rigidez da
este é levado à boca mediante um movimento         montagem. No caso do cotOelo, a solução tipo
de flexão-supinação; assim sendo, podemos          "compasso" é mais lógica e melhor em com-
afirmar que o bíceps é o músculo da alimen-        paração com a do tipo "telescópico", supondo
tação.                                             que esta última seja viável.
1. 11EMBRO SUPERIOR   85




      Fig.2-1




a
    Fig.2-2   . b
86 FISIOLOGIA ARTICULAR




                              AS SUPERFÍCIES ARTICULARES
                           (as explicações são as mesmas para todas as figuras)


    No nível da porção inferior do úmero:                       por cima, com o bico do olécrano (11),
duas superfícies articulares (figo 2-3, segundo                 por baixo e pela frente com o bico do
Rouviere):                                                      processo coronóide (12); a cada lado da
    - a tróclea umeral (2), em forma de polia                   crista,. que se corresponde com a gar-
      ou diabolô (fig. 2-3, a), com urna gargan-                ganta da tróclea, se localizam duas ver-
      ta que se localiza no plano sagital, entre                tentes côncavas (13), que se correspon-
      duas "superfícies articulares" convexas;                  dem com as "superfícies articulares"
                                                                trocIeares. A forma geral desta superfí-
    -    côndilo umeral, superfície esférica (3),               cie articular é_,comparáve1(fig. 2-4, b) à
         situada por fora da tróclea.                           superfície de urna prancha de ferro on-
     Podemos comparar o conjunto côndilo-tró-                   dulada, da que só.tomamos um elemen-
elea com a associação (figo2-4) de um diabolô e                 to (seta branca): uma nervura (10) e
de wna bola, atravessados por um mesmo eixo.                    dois canais (11).
Este eixo representa - numa primeira aproxima-              -   a abóbada radial (fig. 1-3), superfície su-
ção - o eixo de flexão-extensão do cotovelo.                    perior da cabeça radial, cuja concavidade
    São necessárias duas observações:                           (14) possui a mesma curva que o côndilo
    -    o côndilo não é uma esfera completa,                   (3) sobre a qual se adapta. Está limitada
         mas sim uma hellliesfera (a metade an-                 por uma margem (ver pág. 93) que se ar-
                                                                ticula com a zona côndilo-troclear.
         terior da esfera) "localizada" pela frente
         da porção inferior do úmero. Conse-               Estas duas superfícies constituem um con-
         qÜentemente, o côndilo, ao contrário da      junto único graças ao ligamento anular (16).
         tróclea, não existe na parte posterior; se
         interrompe na extremidade inferior do               As figuras 2-5 e 2-6 mostram o encaixe das
         osso sem ascender para trás;                  superfícies articulares. Figura 2-5, vista ante-
                                                       rior (lado direito) com: a fosseta coronóidea (5)
    -    no espaço (4) situado entre o côndilo e a     por cima da tróclea, e a fosseta supracondilar
         tróc1ea (figo 2-4), existe urna zona de       (6), a epitróclea (7) e o epicôndilo (8). Figura 2-
         transição, a superfície ou canal côndilo-     6, vista posterior (lado esquerdo), que também
         trodear (figo 2-3), com forma de cone         mostra a fosseta olecraniana (17) receptora do
         cuja base maior se apóia na superfície        bico do olécrano (20).
         articular externa da tróclea. Mais adian-
         te esclareceremos a utilidade desta zona            Na secção vértico-frontal da articulação
         côndilo-troclearo                             (fig. 2-7, segundo Testut), podemos observar co-
                                                       rno a cápsula (17) constitui só urna cavidade arti-
     No nível da porção superior dos dois os-          cular para duas articulações funcionais: (fig. 2~8,
sos do antebraço, duas superfícies correspon-          corte esquemático) a articulação de flexão-exten-
dentes:
                                                       são (traços verticais) com a interlinha trócleo-ul-
     -   a grande cavidade sigmóide da ulna            nar (18) (fig. 2-7) e a interlinha côndilo-radial (19)
         (fig. 1-3) que se articula com a tróc1ea,     e a articulação rádio-ulnar superior (traços hori-
         de modo que a sua conformação é in-           zontais) no caso da pronação-supinação. Também
         versa, isto é, que apresenta urna crista      podemos distinguir o bico do olécrano (11) que,
         romba longitudinal (10) que finaliza,         na extensão, ocupa a fosseta olecraniana.
2
     8




                                                        13
                  14

             15
                                                         12

             16

                                                                      b


                                                                   Fig.2-4


                                                                                         Fig.2-5
                              Fig.2-3




                                                                                 14
                                     .ltlflUJJ//~
                       "'('111.·':~,i~~                 20
                                                    8
                                                              1
                                                                     Fig.2-8
18           17




             ~~




                                                                               Fig.2-6
88   FISIOLOGIA ARTICULAR




                                       A PALETA UMERAL


      Denomina-se paleta umeral à porção infe-        junto articular côndilo-troclear. Esta estmtura
rior do úmero (fig. 1-12, vista anterior e figo2-     em forquilha é a que faz a redução tão delicada
13, vista posterior), plana de diante para trás e     e, principalmente, a correta imobilização das
em cuja margem inferior se localizam as super-        fraturas da porção inferior do úmero.
fícies articulares, tróclea e côndilo.
                                                          2) a paleta umeral, em conjunto, se encon-
      É importante conhecer a estrutura e a forma            tra deslocada para a frente (fig.2-15,
desta paleta umeral para compreender a fisiolo-              a). O plano da paleta forma um ângulo
gia do cotovelo.                                             de aproximadamente 45° com o eixo da
      1) a paleta umeral possui a estrutura de               diáfise. Esta ..configuração tem uma con-
         uma forquilha que suporta entre os seus             seqüência mecânica: toda a tróclea se si-
         dois ramos o eixo das superfícies articu-           tua pela frente do eixo diafisário.
         lares (fig. 2-14), como se fosse uma for-          Igualmente, a grande cavidade sigmóide
         quilha de bicicleta.                         da u/na, orientada para frente e para cima se-
     De fato, na sua parte central, a paleta ume-     guindo um eixo inclinado 45° sobre a horizontal
ral apresenta duas cavidades:                         (a), também se situa totalmente pela frente do
      -   pela frente, a fosseta supratroclear, re-   eixo diafisário da ulna. Isto está esquematizado
          ceptora do bico do processo coronóide       em (b).
          durante a flexão (fig. 2-11);                    O deslocamento das superfícies articulares
      -   por trás, a fosseta olecraniana, recep~     para frente junto com sua orientação de 45° fa-
          tora do olécrano durante a extensão         vorece a flexão por dois motivos (e):
          (fig. 2-9).                                      I) o impacto do bico coronóide não ocorre
     Estas duas fossetas são imprescindíveis pa-              até que os dois ossos estejam paralelos
ra que o cotovelo tenha uma determinada ampli-                (flexão teórica: 80°);
tude de flexão-extensão: atrasam o momento em
                                                           2)   inclusive em flexão máxima, persiste
que os bicos da coronóide ou do olécrano im-                    uma separação (seta dupla) entre os dois
pactam contra a paleta. Sem elas, a grande cavi-                ossos, o que permite paIpar as massas
dade sigmóidea da ulna, que realiza um arco de                  musculares.
180°, só percorreria um trajeto muito curto sobre
a tróclea, ao redor da posição média (fig. 2-10).           Se estas duas condições mecânicas não
                                                      existissem (f), é fácil entender:
     Em algumas ocasiões, ditas fossetas são tão
profundas que a fina lâmina óssea que as separa            - que a flexão estaria limitada a 90° devi-
se perfura: neste moemento é quando entram em                do ao impacto coronóide (g);
contato entre si.
                                                           -    e, supondo que não existisse tal impac-
     Seja como for, a sólida estrutura da paleta                to (como seria o caso de uma perfura-
se localiza a cada lado das fossetas, conforman-                ção importante da paleta), os dois os-
do dois pilares divergentes (fig. 1-13) que finali-             sos entrariam em contato durante a fle-
zam por dentro da epitróclea, por fora do epi-                  xão sem deixar lugar para as massas
côndilo e que, no seu intervalo, contêm o con-                  musculares (h).
1. MEMBRO SUPERIOR    89




              Fig.2-13


                                                                    Fig.2-14



                                            Fig.2-11




                                                              Fig.2-12
Fig.2-9
                             Fig.2-10




                                                                         o
                                                                         h
   a      b    c         d              e                 9


                             Fig.2-15
90   FISIOLOGIA ARTICULAR




                               OS LIGAMENTOS DO COTOVELO
                             (as explicações são as mesmas para todas as figuras)


      Os ligamentos da articulação do cotovelo           que possa produzir o movimento de lateralidade
têm a função de manter as superfícies articitla-         para o lado oposto (seta preta) e para que as su-
res em contato. São autênticos tensores, dispos-         perfícies articulares percam contato: é o meca-
tos a cada lado da articulação: o ligamento late-        nismo habitual da luxação do cotovelo, que nu-
ral interno (fig. 2-16, segundo Rouviere) e o li-        ma primeira fase, é uma entorse grave do coto-
gamento lateral externo (fig. 2-17, segundo Rou-         velo (ruptura do ligamento lateral i~terno).
viere).                                                       Particularidades:
     Em conjunto, têm a forma de um leque fi-                 -   o ligamento~ lateral interno (LU) está
broso que se estende de cada uma das duas proe-                   constituído por três fascículos (fig. 2-16):
minências para-articulares - epicôndilo por fora,
                                                                  • um fascículo anterior (1), cujas fibras
epitróc1ea por dentro -, onde o vértice do leque
                                                                   mais anteriores reforçam (fig. 2-17) o
se fixa num ponto que se corresponde, aproxi-
                                                                   ligamento anular (2);
madamente, com o eixo xx' de flexão-extensão
(fig. 2-18, segundo Rouviere), até o contorno da                  • um fascículo médio (3), o mais potente;
grande cavidade sigmóide da ulna onde se inse-                    • um fascículo posterior (4), ou liga-
re a periferia do leque.                                           mento de Bardinet, reforçado pelas
    Por isso, podemos imaginar o modelo                            fibras transversais do ligamento de
mecânico do cotovelo como vemos a seguir                           Cooper (5).
(fig. 2-19):                                                  Além disso, neste esquema podemos dis-
      -   na parte superior, a forquilha da paleta            tinguir: a epitróc1ea (6), de onde sai o leque
                                                              do LU, o olécrano (7), a corda de Weit-
          umeral, suporte da polia articular;
                                                              brecht (8), o tendão do bíceps (9) que se in-
      -   na   parte inferior, um semi-anel (a gran-          sere na tuberosidade bicipital do rádio.
          de   cavidade sigmóide) unido ao braço
                                                              - o ligamento lateral externo (LLE),
          de   alavanca antebraquial e que se encai-
                                                                  constituído também por três fascículos
          xa   na polia;
                                                                  (fig. 1-17):
      -   o sistema ligamentar está representado
                                                                  • um fascículo anterior (10), que refor-
          por dois tensores unidos ao "talo" que
                                                                    ça o ligamento anular pela frente;
          simula o antebraço, e que se articula
          com os dois extremos do eixo da polia.                  • um fascículo médio (11), que reforça
                                                                    o ligamento anular por trás;
      É fácil entender que estes "tensores" late-
rais desempenhem um duplo papel (fig. 2-20, a):                   • um fascículo posterior (12). Epicôn-
                                                                    dilo (13).
      -   manter o semi-anel encaixado      na polia
          (coaptação articular);                              -   a cápsula se encontra reforçada, pela
                                                                  frente, pelo ligamento anterior (14) e o
      -   impedir qualquer movimento       de latera-
                                                                  ligamento oblíquo anterior (15). Por
          lidade.
                                                                  trás, está reforçada por fibras transver-
      Basta (fig. 2-20, b) a ruptura de um dos ten-               sais úmero-umerais e por fibras úmero-
sores, por exemplo o interno (seta branca), para                  olecranianas.
1. MEMBRO SUPERIOR   91




 Fig.2-16              Fig.2-17




                        X'

                       15
                                       a




Fig.2-19
                                       b

            Fig.2-18
                                  Fig.2-20
92   FISIOLOGIA ARTICULAR




                                       A CABEÇA RADIAL


    A forma da cabeça radial está totalmente                   rado uma porção da margem da abó-
condicionada pela sua função articular:                        bada;
      -   função de rotação axial (ver capítulo              • por último, a função da cabeça radial
          IIl: pronação~supinação): é cilíndrica;              não consist_~unicamente em se desli-
                                                               zar sobre o côndilo e a zona côndilo-
      -   função de flexão-extensão em tomo ao
          eixo xx' do côndilo:                                 troclear girando em tomo ao eixo xx',
                                                               mas pode girar ao mesmo tempo em
          • em primeiro lugar, a cabeça radial de-             tomo de seu eixo vertical yy' , durante
            ve-se adaptar (fig. 2-21) à forma esfé-            a pronação-supinação (B); a secção
            rica do côndilo umeral (A): por isso, a            praticada no contorno da abóbada (C)
            sua superfície superior (B) é côncava,             se estende sobre uma porção de sua
            é a abóbada radial. Para que isto                  circunferência, como se, no percurso
            aconteça basta remover (C) um cas-                 desta rotação (B), uma navalha tivesse
            quete esférico, cujo raio de curva seja            recortado uma lâmina espiral no bor-
            igual ao do côndilo; de modo que du-               do (fig. 2-23).
            rante a pronação-supinação a abóbada
            radial possa pivotar sobre o côndilo          Ligações articulares da abóbada radial
            umeral seja qual for o grau de flexão-    nas posições extremas (fig. 2-24):
            extensão do cotovelo;                         - em extensão máxima (a), só a metade an-
                                                             terior da abóbada se articula com o côndi-
          • porém o côndilo umeral se encontra
            limitado (fig. 2-22), por dentro, por            10; de fato, a superfície cartilaginosa do
            uma superfície troncocônica, a zona              côndilo se interrompe no limite inferior
            côndilo-troclear (A). Desta forma, du-           da paleta umeral e não ascende para trás;
            rantea flexão-extensão, para que pos-         - emjlexão máxima (b), O contorno da ca-
            samos realizar a adaptação da cabeça            beça radial ultrapassa, por cima, a super-
            radial, é necessário que uma "esqui-            fície do côndilo e se introduz na fosseta
            na" (C) do contorno interno dela de-            supracondilar (ver figo 2-5), muito me-
            sapareça, como se um plano (B) tan-             nos profunda que a fosseta supratroclear
            gente ao tronco do cone tivesse sepa-           ou coronóide.
1. MEMBRO   SUPERIOR   93




               x
A




B




c




    Fig.2-21       Fig.2-22           Fig.2-23




                                  b
                   a

                       Fig.2-24
94   FISIOLOGIA   ARTICULAR




                                         A TRÓCLEA UMERAL
                                                 (variações)

     A primeira vista, afirmamos anteriormente                 Em conjunto    (c), a garganta descreve uma
(pág. 86) que a garganta da tróclea se localiza no      autêntica espiral em tomo do eixo.
plano sagital. A realidade é bastante mais com-               Durante a extensão (d), o antebraço fica
plexa.                                                   oblíquo para baixo e para fora: é a ulna em val-
     De fato, a garganta da tróclea não é verti-         go fisiológico, como no caso anterior.
cal, mas é oblíqua; além disso, esta obliqÜidade               Durante a ftexão (e), a obliqüid~de da parte
varia segundo o sujeito. A figura 2-25 é um re-          anterior da garganta determina a obliqüidade do
sumo destas situações diferentes e as suas con-          antebraço: este último se projeta levemente por
seqüências do ponto de vista fisiológico:               fora do braço.
      1)   Caso mais freqüente (fileira superior)              3) Caso muito rar~ (fileira inferior)
      De frente (a), a garganta da tróclea é verti-            De frente (a), a garganta da tróclea é oblí-
cal: por trás, a parte posterior da garganta (b: vis-    qua para cima e para dentro.
ta posterior) é oblíqua para baixo e para fora.
                                                               A parte posterior     da garganta (b) é oblíqua
      Em conjunto (c), a garganta da tróclea se          para baixo e para fora.
enrola em espiral em tomo do eixo. As conse-
qüências fisiológicas são as seguintes:                       Em conjunto (c), a garganta da tróclea des-
                                                         creve um círculo, cujo plano é oblíquo para baixo
      -    em extensão (d) (esquema inspirado em         e para fora, ou uma espiral muito fechada e incli-
           Roud), a parte posterior da garganta faz      nada para dentro. Conseqüências fisiológicas:
           conexão com a cavidade sigmóidea; de
           modo que a sua obliqüidade provoca a                -   na extensão (d): valgo fisiológico;
           do antebraço; portanto, o antebraço se              -   na ftexão (e): o antebraço se projeta por
           posiciona levemente oblíquo para baixo                  dentro do braço.
           e para fora e o seu eixo não prolonga o            Outra conseqüência desta fOffi1a em espiral
           do braço, porque forma com ele um ân-         da garganta é que não existe um eixo da tróclea,
           gulo obtuso aberto para fora, claramen-       mas uma série de eixos instantâneos entre duas
           te definido na mulher e denominado val-
                                                         posições extremas (fig. 2-27):
           go fisiológico (fig. 2-26);
                                                               - um eixo naflexão (traço contínuo): é per-
      -    em ftexão, é a parte anterior da gargan-                pendicular à direção do antebraço ftexio-
           ta a que determina a direção do antebra-                nado (aparece ilustrado o caso mais fre-
           ço e, como esta parte da garganta é ver-                qüente: ver I);
           tical, durante a ftexão (e), o antebraço
           acaba-se projetando exatamente pela                 - um eixo na extensão (traço descontínuo):
           frente do braço.                                        é perpendicular    ao eixo do antebraço es-
                                                                   tendido.
     2) Caso menos freqüente (fileira          inter-
média)                                                        A direção do eixo de ftexão-extensão varia
                                                         continuamente entre duas posições extremas,
       De frente (a), a garganta da tróclea é oblí-      durante    os movimentos       de ftexão-extensão   do
qua para cima e para fora.                               cotovelo, diz-se que o eixo é evolutivo. A figura
       A parte posterior   da garganta (b) é oblíqua     2-28 ilustra estas duas posições extremas no es-
para baixo e para fora.                                  queleto.
1. MEMBRO SUPERIOR   9S




lU          Fig.2-26
                          '"
                                              a
                                                   b
                                                       /';9.2-27
                                                                -  •..•.




                                                   ~




                                       
                                        

     II                        '''
                                   
                                    
                                          
                                           


            ~I        I
             I
             I      I
                     I

             L._J




      111




                                                                           a
                                           d

                                                             Fig.2-25
96 FISIOLOGIA ARTICt:LAR




                       AS LIMITAÇÕES DA FLEXÃÜ-EXTENSÃü


    A limitação da extensão (fig. 2-29) se                      compartimento anterior do braço e do
deve a três fatores:                                            antebraço, endurecida pela contração.
    1) o impacto do bico olecraniano no fundo                   Este mecânismo explica que a flexão
       da fosseta olecraniana;                                  ativa não pC!de ultrapassar os 145°,
                                                                fato que se acentua quanto mais mus-
    2) a tensão da parte anterior da cápsula                    culoso é o indivíduo.
       articular;
                                                         -      os outros fatores, impacto ósseo (2)
      3) a resistência que opõem os músculos
                                                                e tensão capsular (3), quase não inter-
         flexores (bíceps, braquial anterior e                  vêm.
         braquirradial).
      Se a extensão continua. um dos menciona-            Se a flexão é passiva (fig. 2-33) pela ação
dos ji-eios se rompe:                                de uma força (seta preta) que "fecha" a articu-
                                                     lação:
    ~ fratura do olécrano (1) (fig. 2-30), segui-
                                                         -      as massas musculares sem contrair (1)
      da de desgane capsular (2);
                                                                podem - se achatar ltma contra a outra
    -o     olécrano (1) resiste (fig. 2-31), mas a              de modo que a flexão possa ultrapassar os
         cápsula (2) e os ligamentos se rompem,                 145°;
         e se produz uma luxação posterior (3)
         do cotovelo. Os músculos, em geral,             -      neste momento aparecem         os outros
                                                                fatores limitantes:
         p<.:rmanecemintatos. Contudo, a artéria
         umeral pode romper-se ou, pelo menos,                 • impacto da cabeça radial contra a fosse-
         sofrer uma contusão.                                    ta supracondílea e do processo coro-
    A limitação da flexão é diferente, depen-                    nóide contra a fosseta supratroclear (2);
dendo de ser uma flexão ativa ou passiva.                      • tensão da parte posterior da cápsula (3);
    Se a flexão é atim (fig. 2-32):                            • tensão passiva do tríceps braquial (4).
    -    o primeiro fator de limitação é o con-              Nestas condições, a flexão pode alcançar os
         tato das massas musculares (1) do           160°.
1. MEMBRO SUPERIOR   97




    Fig.2-29
                          Fig.2-31




1




               Fig.2-32     Fig.2-33
98   FISIOLOGIA ARTICULAR




                            OS MÚSCULOS MOTORES DA FLEXÃO


     Os músculos motores da ftexão do cotove-               A eficácia dos músculos fiexores é máxima
lo são essencialmente três:                             com o cotovelo fiexionado a 90°.
      -   o braquial anterior (1) que se estende              De fato, quando o cotovelo está estendido
          do tubérculo do processo coronóide da         (fig. 2-36), a direção da força muscular é quase
          ulna até a superfície anterior do úmero       paralela (seta branca) à direção do braço de ala-
          (fig. 2-34): mono articular, é exclusiva-
                                                        vanca. O componente centrípeto ç dirigido ao
          mente ftexor do cotovelo; é um dos raros
                                                        centro da articulação é preponderante, mas ine-
          músculos do corpo que realizarp uma           ficaz. O componente tangencial ou transversal T,
          única função;
                                                        o único realmente éncaz, é relativamente insig-
      -   o braquiorradial (2) que se estende do        nificante, quase nulo.
          processo estilóide do rádio até a mar-
          gem externa do úmero (fig. 2-34): a sua            Contudo, na semifiexão (fig. 2-37), a força
          função principal é a fiexão do cotovelo.      muscular está perpendicular à direção do braço
          Como músculo acessório e só na prona-         de alavanca (seta branca: bíceps, seta preta: bra-
          çâo máxima se converte em supinador,          quirradial), o componente centrípeto se anula e
          igualmente é pronador na supinação má-        o componente tangencial se confunde com a
          XIma;                                         própria força muscular: assim, toda a força mus-
                                                        cular se utiliza na ftexão.
      -   o bíceps braquial (3) é o fiexor princi-
          pal (fig. 2-35). A sua inserção inferior se        Este ângulo de máxima eficácia se situa en-
          localiza na tuberosidade bicipital do rá-     tre os 80 e 90° no caso do bíceps.
          dio. As suas inserções superiores não se
                                                              Com relação ao braquirradial, a 90° a força
          situam no úmero (se trata de um múscu-
                                                        muscular não se confunde com o componente
          lo biarticular), mas na escápula median-
          te duas porções:                              tangencial; isso não se apresenta até os 100-
                                                        II 0°, isto é, numa fiexão mais acentuada que a
          • (Iporção longa (3') no tubérculo su-        do bíceps.
            praglenóide após ter atravessado a ar-
            ticulação (ver capítulo I: o ombro);             A ação dos músculos fiexores se realiza se-
                                                        gundo o esquema das alavancas de terceiro gê-
          • a porçâo curta (3") no bico do pro-
            cesso coracóide.                            nero: de modo que favorece a amplitude e a ra-
                                                        pidez dos movimentos a expensas de sua potên-
     Mediante as suas duas inserções superiores,        CIa.
o músculo bíceps coapta o ombro e sua porção
                                                             Músculos ftexores fundamentalmente aces-
longa o abduz.
                                                        sórios:
      A sua ação principal é a ftexão do cotovelo.
     A sua ação secundária, porém importante, é                -   extensor radial (RI): debaixo do bra-
a supinação (ver capítulo III: a pronação-supina-                  quirradial (fig. 2-37);
ção), máxima quando o cotovelo está fiexionado                 - pronador redondo: sua retração, provo-
a 90°.                                                           cada pela síndrome de Volkmann, cons-
     Com o cotovelo fiexionado, o bíceps tende                   titui uma corda que impede a extensão
a luxar o rádio (ver pág. 102).                                  completa do cotovelo.
1. MEMBRO SUPERIOR   99




Fig.2-34




                          Fig.2-35




           T




               Fig.2-37

Fig.2-36
100 FISIOLOGIA ARTICULAR




                        OS MÚSCULOS MOTORES DA EXTENSÃO


      A extensão do cotovelo se deve à ação de só         -na flexão completa (fig. 2-42), o tendão tri-
um músculo: o tríceps braquial (fig. 2-38); de fa-           cipital se reflete na superfície superior do
to, a ação do ancôneo (A), embora notável para               olécrano, como se fosse uma polia, o que
Duchenne de Boulogne, não vale a pena tratar no              contribui a compensar a sua perda de efi-
plano fisiológico devido à debilidade do seu mo-             cácia. Por outro lado, com as fibras muscu-
mento de ação.                                               lares em máxima tensão, a sua potência de
     °  tríceps braquial está constituído por três           contração é máxima de mopo que se trans-
                                                             forma em outro fator de compensação.
corpos carnosos que finalizam num tendão co-
mum que se insere no olécrano.                            A eficácia da porção longa do tríceps e,
      Os três corpos musculares do tríceps têm       conseqüentementé, todo o músculo, também de-
uma inserção superior diferente:
                                                     pende da posição do ombro: este fato deriva de
                                                     sua natureza biarticulâr (fig. 2-43).
     -   a cabeça (ou porção) medial (1) se fixa
         na superfície posterior do úmero, para
                                                          É fácil comprovar que a distância que sepa-
         baixo do canal ou sulco do nervo radial;    ra os dois pontos de inserção da porção longa do
                                                     tríceps é maior na posição de flexão de 90° que
     -   a cabeça (ou porção) lateral (2) se fixa    na posição vertical do braço (o cotovelo perma-
         sobre a margem externa da diáfise ume-      nece no mesmo grau de flexão). De fato, os cen-
         ral, principalmente por cima do canal do    tros dos dois círculos "traçados" pelo úmero (1)
         nervo radial;                               e pela porção longa do tríceps (2) estão separa-
     Portanto, estas duas porções são monoarti-      dos. Se a longitude do tríceps não varia, se situa-
culares.                                             ria em O', mas como o olécrano se encontra em
     -   a porção longa (3), que não se insere so-   02' necessariamente, o músculo se alonga passi-
       bre o úmero, mas sobre a escápula, no tu-     vamente uma distância 0'02'
       bérculo subglenóide: de modo que esta              De modo que a força do tríceps é maior
       porção é um músculo biarticular.              quando o ombro está flexionado. A porção longa
    A eficácia do tríceps é diferente dependen-      do tríceps reforça uma parte da potência dos mús-
do do grau de flexão do cotovelo:                    culos flexores do ombro com o cotovelo estendi-
    - em extensão completa (fig. 2-39), a força      do (fascículos claviculares do peitoral maior e do
        muscular se decompõe em:                     deltóide); este é um exemplo do papel que desem-
                                                     penham os músculos biarticulares. Também é
        • um componente centrífugo C, que ten-
                                                     maior para o movimento que associa a extensão
          de a luxar a ulna para trás;
                                                     do cotovelo e a extensão do ombro (a partir da po-
        • um componente tangencial ou transver-      sição de flexão de 90°), como é o caso do movi-
          sal T, o único eficaz e predominante;      mento do lenhador ao bater com o machado.
    - em ligeira flexão (fig. 2-40), entre 20 e           Pelo contrário, a força do tríceps é menor
        30°, o componente radial (anteriormente      quando o movimento que associa a extensão do
        centrífugo) se anula, e o componente efi-    cotovelo com a flexão do ombro, como por
        caz se confunde com a força muscular: é      exemplo dar um soco para a frente (a porção
        a posição na qual o músculo desenvolve       longa do tríceps fica "cercada" entre dois impe-
         a sua máxima eficácia;                      rativos contraditórios: alongar (flexão), encurtar
     -   em conseqüência (fig. 2-41), quanto mais    (extensão do cotovelo).
         aumenta a flexão mais diminui o compo-           É bom lembrar que a porção longa do tríceps
         nente eficaz T em benefício do compo-       constitui junto com o grande dorsal um par adu-
         nente centrípeto C;                         tor do ombro (ver pág. 80).
1. MEMBRO SUPERIOR          101




                               c




 Fig.2-38       b
                                                Fig.2-39
            T



                                    
                                        
                                            




                                        Fig.2-41
0'                 Fig.2-40

  I

 I




                                   Fig.2-42
102   FISIOLOGIA ARTICULAR




                       OS FATORES DE COAPTAÇÃO ARTICULAR


      A coaptação longitudinal impede que a           para baixo com relação ao ligamento anular: é o
articulação do cotovelo em extensão se deslo-         mecanismo desencadeado no caso da "pronação
que:                                                  dolorosa das crianças". O único elemento anatô-
      • tanto quando se exerce uma força para         mico que impede o "descenso" do rádio com re-
        baixo (fig. 2-44, vista externa e figo2A5,    lação à ulna é a membrana interóssea.
        vista interna), como quando transporta-           2) Resistência à pressão longitudinal
                                                                                       ,
        mos um balde de água;                             Só a resistência óssea intervém mecanica-
      • quanto quando exercemos uma força pa-         mente:
        ra cima (figs. 2-47 e 2-48), como acon-
                                                          -   no rádio: é a cabeça a que transmite as
        tece na queda com as mãos para a frente
        e os cotovelos em extensão.                           forças de pressão e a que se fratura
                                                              (fig. 2-47);
      1) Resistência à tração longitudinal
                                                          -   na ulna, é o processo coronóide o que
     O fato de que a grande cavidade sigmóide                 transmite as pressões, daí vem a deno-
não ultrapasse os 180° de arco faz com que a tró-             minação processo consolador que o de-
clea não fique fixa mecanicamente devido à au-                ra Henle. Se fratura por efeito do impac-
sência de partes moles. A coaptação é assegura-               to, permite a luxação posterior da ulna.
da por:                                                       Devido a isso, a luxação é irredutível
     -ligamentos:     LU (1) e LLE (2);                       (fig. 2-48).
     - os músculos: não unicamente os do bra-              Coaptação em flexão (fig. 2-46)
         ço: tríceps (3), bíceps (4), braquial (5),         Na posição de ftexão de 90°, a ulna é per-
         mas também os do antebraço: braquirra-       feitamente estável (a) porque a grande cavidade
         dial (6), músculos epicondilares (7),        sigmóide está limitada pelas duas potentes inser-
         músculos epitrocleares (8).                  ções musculares do tríceps (3) e do braquial an-
     Em máxima extensão, o bico do olécrano           terior (5) que mantêm o contato entre as superfí-
se engancha por cima da tróclea na fosseta ole-       cies articulares.
craniana, o qual proporciona à articulação úme-            Contudo (b), o rádio tende a se luxar para
ro-ulnar certa resistência mecânica em sentido
                                                      cima sob a tração do bíceps (4). Somente o liga-
longitudinal.                                         mento anular evita esta luxação. Quando o liga-
      Contudo, é preciso ressaltar que a articula-    mento se rompe, a luxação do rádio para cima e
ção côndi10-radial está mal disposta para resis-      para a frente acontece com a menor tentativa de
tir às forças de tração: a cabeça radial se luxa      flexão do cotovelo (contração do bíceps).
1. MEMBRO SUPERIOR   103




                        a




Fig.2-44   Fig.2-45


                            Fig.2-46
104   FISIOLOGIA   ARTICULAR




                   A AMPLITUDE             DOS MOVIMENTOS DO COTOVELO


      A posição de referência (fig. 2-49) é defi-          40°, estando o cotovelo flexionado em 40° quan-
nida da seguinte maneira: o eixo do antebraço se           do tentamos estender o mesmo completamente.
localiza no prolongamento   do eixo do braço.
                                                                 Neste esquema (fig. 2-50), o déficit de ex-
      A extensão é o movimento que dirige o                tensão é -y, a flexão + x (Df representa então o
antebraço para trás. A posição de referência               déficit de flexão) e a amplitude útil de flexão-ex-
corresponde    à extensão completa (fig. 2-49);            tensão é x - y.
por definição, não existe amplitude no caso da
                                                                A flexão é o movimento que dirige o ante-
extensão do cotovelo, menos em alguns sujei-
tos que possuem uma grande lassidão ligamen-               braço para diante, de tal maneira que a superfí-
tar, como as mulheres e as crianças, que podem             cie anterior do antebraço entra em contato com
alcançar de 5 a 10° de hiperextensão do cotove-            a superfície anterior .do braço.
lo (fig. 2-50, z).                                              A amplitude   dafiexão   ativa é de 145° (fig.
     Contudo, a extensão relativa sempre é viá-            2-51).
vel em qualquer posição de flexão do cotovelo.                   A amplitude da fiexão passiva é de 160° (a
     Quando a extensão é incompleta se mede                distância entre o coto do ombro e o punho corres-
negativamente;   por exemplo, uma extensão de              ponde à medida de lima mão fechada: o punho
- 40° corresponde a um déficit de extensão de              não entra em contato com o ombro.




           AS REFERÊNCIAS CLÍNICAS DA ARTICULAÇÃO DO COTOVELO


     Os três pontos de referência,       visíveis e pal-   mão). No lado externo, por baixo do epicôndilo,
páveis, do cotovelo são:                                   podemos palpar o giro da cabeça radial durante
       -   o olécrano (2), proeminência       do coto-     os movimentos de pronação-supinação.
           velo, na linha média;                                 Em posição de flexão (fig. 2-53), estes três
       -   a epitróclea (1), por dentro;                   pontos de referência formam um triângulo eqÜi-
                                                           látero (b), situado no plano vértico-frontal tan-
       -   o epicôndilo (3), por fora.                     gente à superfície posterior do braço (a).
      Em posição de extensão (fig. 2-52), estes                  Nas luxações de cotovelo estas conexões se
três pontos de referência estão alinhados na ho-           alteram:
rizontal. Entre o olécrano (2) e a epitróclea (1)
se localiza o canal epitrócleo-olecraniano,   por               -   em extensão, o olécrano ascende por ci-
onde passa verticalmente (seta tracejada) o ner-                    ma da linha epicôndilo-epitroclear (lu-
vo ulnar ou cubital: um impacto violento neste                      xação posterior);
ponto provoca uma dor de tipo elétrico que se                   -   em flexão, o olécrano recua para trás do
irradia por toda a zona ulnar (borda interna da                     plano frontal (luxação posterior).
1. MEMBRO SUPERIOR   lOS




                                      1
                                      ./


       Fig.2-51   Fig.2-50                 Fig.2-49




                                                  3




                                  •
                             ~/   3




                  Fig.2-53
Fig.2-52
106 FISIOLOGIA ARTIClJLAR




               POSIÇÃO FUNCIONAL E POSIÇÃO DE IMOBILIZAÇÃO


     A posição funcional do cotovelo e a sua po-          -   fiexão de 90°;
sição de imobilização     se definem   como segue         -   pronação-supinação    neutra (mão no pla-
(fig. 2-54):                                                  no vertical; ver capítulo IlI).




                     EFICÁCIA DOS GRUPOS FLEXOR E EXTENSOR


     Em conjunto, os flexores são um pouco                -   a força de flexão (seta 2), como quan-
mais eficazes que os extensores: em posição de                do elevamos um corpo em suspensão, é
relaxamento, braço pendente ao longo do corpo,                de 83 kg.
o cotOl'elo ligeiramente fiexionado, proporcio-           2) Braço em flexão de 90° (AV):
nalmente mais flexionado quanto mais musculo-
so seja o indivíduo.                                      -   a força de extensão (seta 3), como quan-
                                                              do empurramos um objeto pesado para
     A força dos flexores é diferente dependen-               frente, é de 37 kg;
do da posição de pronação-supinação:
                                                          -   a força de fiexão (seta 4), como quando
     -    a força de flexão em pronação é maior que           remamos, é de 66 kg.
      -   a força de flexão em supinação.                 3) Braço vertical ao longo do corpo (B):
      De fato, o bíceps está mais alongado e, por-        -   a força de fiexão (seta 5), como para le-
tanto, é mais eficaz quando o antebraço está em               vantar um objeto pesado, é de 52 kg;
pronação.
                                                          -   a força de extensão (seta 6), como a que
      A relação entre ambas as potências    é de:             realizamos   ao levantarmos    para cima
               5        (F em pronação)                       em barras paralelas, é de 51 kg.
               3        (F em supinação)                    De modo que existem posições preferen-
      Por último, a força dos grupos musculares       ciais nas que a eficácia dos grupos é máxima:
é diferente, dependendo da posição do ombro:              -   no caso da extensão, para baixo (seta 6);
isto se sintetiza no esquema da figura 2-55:              -   no caso da fiexão, para cima (seta 2).
      1) Braço vertical por cima do ombro (O)              Isto significa que a musculatura dos mem-
      -   a força de extensão (seta 1), como no ca-   bros superiores está totalmente adaptada para
          so do levantamento de pesos, é de 43 kg;    trepar (fig. 2-56).
1. .MEMBRO SUPERIOR   107




Fig.2-54




           Fig.2-56
108 FISIOLOGIA ARTICULAR




                                        SIGNIFICADO


     A pronação-supinação é o movimento de         talar" na extremidade móvel, o carpo por exem-
rotaçc7odo antebraço ao redor do seu eixo lon-     plo, proeminências apofisiárias que pudessem
gitudinal.                                         serÚr como braço de alavanca aos músculos ro-
                                                   tadores; além disso, seria mecanicamente im-
    Este movimento precisa da intervenção de
DUAS ARTICULAÇÕES MECANICAMEN-                     possível que os tendões dos músculos do ante-
                                                   braço "franqueassem" o punho, devido à torção
TE UNIDAS (fig. 3-1):
                                                   que realizaria sobre si mesmo durante a rotação
    - a articulaçc70 rádio-ulnar superior          ao redor do seu eixo longitudinal; conseqüente-
      (RUS), que pertence anatomicamente à         mente a maior parte dos músculos extrínsecos se
      articulação do cotovelo;                     encontrariam na mão de tal maneira que a sua
    -   a articulaçc70 rádio-ulnar inferior        potência diminuiria e a mão seria pesada e volu-
        (RUI) que é diferente anatomicamente       mosa.
        da articulação rádio-carpeana.                  Esta rotação longitudinal no antebraço é a
     Esta rotação longitudinal de antebraço in-    solução lógica e elegante, cuja única conseqüên-
troduz um terceiro grau de liberdade no com-       cia é complicar um pouco o esqueleto deste seg-
plexo articular do punho. Deste modo, a mão,       mento, introduzindo um segundo osso, o rádio,
como "extremidade realizadora" do membro su-       que suporta a mão e a ulna gira ao seu redor, gra-
perior, pode-se situar em qualquer ângulo para     ças às duas articulações rádio-ulnares.
poder pegar ou segurar um objeto. Se refletimos         Esta estrutura do segundo segmento do
corretamente, a presença de uma articulação ti-    membro apareceu na filogenia a 400 milhões de
po enartrose com três graus de liberdade no pu-    anos atrás, quando alguns peixes abandonaram o
nho, complicaria extraordinariamente os proble-    mar e colonizaram a terra se convertendo em an-
mas mecânicos: neste caso seria necessário "ins-   fíbios tetrápodes.
1. MEMBRO SUPERlOR   109




Fig.3-1
110 FISIOLOGIA ARTICULAR




                                            DEFINIÇÃO


     Só é possível analisar a pronação-supina-            -    a mão em posição de supinação (fig. 3-6)
ção com o cotovelo flexionado a 90° e encosta-                 se situa no plano horizontal; assim sendo,
do no corpo. De fato, se o cotovelo está estendi-              a amplitude de mm'imento de supinação
do, o antebraço se encontra no prolongamento                   é de 90°.
do braço e na rotação longitudinal do antebraço           -    a mão em posição de pronação (fig. 3-7)
se acrescenta a rotação do braço ao redor do seu               só chega até o plano horizontal; a ampli-
eixo longitudinal, graças aos movimentos de ro-                tude de pronação é de 85° ( mais adian-
tação externa e interna do ombro.                              te poderemos ver por que não chega até
     Com o cotovelo em flexão de 90°:                          os 90°)
    -    a posição de supinação (fig. 3-2) se              Em resumo, a amplitude total da verdadei-
         realiza quando a palma da mão se dirige      ra pronação-supinação, isto é, quando unica-
         para cima com o polegar para fora;           mente participa a rotação axial do antebraço, é
                                                      de aproximadamente 180°.
    -    a posição de pronação (fig. 3-3) se rea-
         liza quando a palma da mão "se orienta"           Quando também participam os movimentos
         para baixo e o polegar para dentro;          de rotação do ombro, com o cotovelo em exten-
                                                      são total, esta amplitude total alcança:
     -   a posição intermédia (fig.3-4) é deter-
         minada pela direção do polegar para ci-          -    360° quando o membro superior está
         ma e da palma para dentro, ou seja, nem               vertical ao longo do tronco;
         pronação, nem supinação. As amplitu-              - 360° quando o membro superior está em
         des dos movimentos de pronação-supi-                abdução de 90°;
         nação se medem a partir desta pósição             - 270° em flexão de 90° e em extensão
         intermédia ou posição zero.                         de 90°;
     De fato, quando observamos o antebraço e              -   ultrapassa um pouco os 180° quando o
a mão alinhados e de frente, quer dizer, no pro-               membro superior está vertical, em posi-
longamento do eixo longitudinal:                               ção de máxima abdução. Isto confirma
     -   a mão em posição intermédia (fig. 3-5) se             que o ombro tem uma amplitude de ro-
         situa no plano vertical, paralela ao plano            tação axial quase nula em abdução de
         sagital, plano de simetria do corpo;                  180°.
. 1. MEMBRO SUPERIOR 111




                                Fig.3-3
Fig.3-2




                                                Fig.3-4




                      1




          Fig.3-6   Fig:--3-5                Fig.3-7
112 FISIOLOGIA   ARTICULAR




                        UTILIDADE DA PRONAÇÃO-SUPINAÇÃO


     Dos sete graus de liberdade que comporta a     toda a palma da mão em contato com o cabo
cadeia articular do membro superior, começan-       (fig. 3-10), a pronação-supinação modifica a
do pelo ombro e terminando na mão, a prona-         orientação da ferramenta através do mecanismo
ção-supinação é um dos mais importantes,            da rotação cônica: como conseqüência da assi-
porque é indispensável para o controle da atitu-    metria da mão, o cabo pode-se situar no espaço
de da mão. De fato, este controle permite que a     sobre um segmento de cone centralizado pelo
mão esteja perfeitamente colocada para alcançar     eixo de pronação-supinação, de modo que o
um objeto num setor esférico de espaço centra-      martelo bate no prego sob uma incidência regu-
lizado no ombro e levá-Io à boca (função de ali-    lável.
mentação). Também permite que a mão chegue               Neste caso, podemos comprovar um dos
a qualquer ponto do corpo com a finalidade de       aspectos do encaixe funcional entre a pronação-
proteção ou higiene (função de limpeza). Além       supinação e a articulação rádio-carpeana, onde
disso, a pronação-supinação desempenha um           podemos observar outro exemplo na variação da
papel essencial em todas as ações da mão, prin-     abdução-adução do punho em função da prona-
cipalmente durante o trabalho.                      ção-supinação: a atitude normal da mão em pro-
      Graças à pronação-supinação, a mão pode       nação ou em posição intermédia é o desvio ulnar
(fig 3-8) segurar uma bandeja ou um objeto, em      que "centraliza" a pinça tridigital sobre o eixo
supinação, ou comprimir um objeto para baixo e      da pronação-supinação, enquanto na supinação
inclusive se apoiar em pronação.                    a mão se coloca mais em desvio radial, favore-
      Também permite que se realize um movi-        cendo a preensão de sustentação, como quando
mento de rotação nas preensões centradas e ro-      carregamos uma bandeja.
tativas, como no caso em que utilizamos uma               Este encaixe funcional obriga a integração
chave de fenda (fig. 3-9) na qual o eixo do uten-   fisiológica da articulação rádio-ulnar inferior
sílio coincide com o eixo de pronação-supina-       com a do punho, embora mecanicamente esteja
ção. Por causa da obliqiiidade da preensão com      unida à articulação rádio-ulnar superior.
1. MEMBRO SUPERIOR   113




Fig.3-8




Fig.3-9




Fig. 3-10
114 FISIOLOGIA ARTICULAR




                                       DISPOSIÇÃO GERAL


     Em posição de supinação (figs. 3-11, 3-12                  • ligamento posterior da articulação rá-
e 3-13 e diagramas a e b, figo3-17):                              dio-ulnar posterior (2);
     A ulna e o rádio estão um ao lado do outro,                • ligamento anular (3) reforçado pelo fas-
a ulna por dentro e o rádio por fora. Os seus ei-                 cículo médio do LLE do cotovelo (4);
xos longitudinais são paralelos (fig. 3-17, a). Po-        - em vista externa (fig. 3-13) o rádio ocul-
demos observar:
                                                             ta em parte a ulna, e podemos compro-
     - no esquema frontal (fig. 3-11), onde ve-              var que há uma leve concavidade ante-
       mos:                                                  rior do rádio, acentuada no desenho e
          • a membrana interóssea, com a camada              esquematizada no diagrama b da figura
                                                             3-17.
            superior (1) cujas fibras são oblíquas
            para baixo e para dentro e sua camada           Em posição de pronação (figs. 3-14, 3-15
            posterior (2) de obliqüidade inversa,      e 3-16 e diagramas c e d da figo3-17):
            realiza o principal da ligação mecâni-           A ulna e o rádio não estão paralelos, mas
            ca em sentido longitudinal e transver-     estão cruzados: isto pode ser apreciado tanto no
            sal: impede o deslocamento do rádio        esquema frontal (fig. 3-14) quanto no dorsal
            para baixo, porque o deslocamento pa-      (fig. 3-15), e está esquematizado no diagrama
            ra cima é bloqueado pelo côndilo ume-      da figura 3-17. Em pronação (fig. 3-17, d) o rá-
            ral, e inclusive após uma secção dos li-   dio está:
            gamentos das duas articulações rádio-
            ulnares, é por si mesma suficiente para        -    por cima, externo com relação à ulna, e
            manter os dois ossos em contato. De
                                                            -   por baixo, interno com relação à ulna.
            modo que é a grande desconhecida do
            antebraço;                                      Em vista de perfil externo (fig. 3-16) pode-
                                                       mos observar que o rádio é deslocado pela fren-
          • a corda de Weitbrecht (3), elemento fi-
                                                       te da ulna. A sua concavidade, dirigida para trás,
            broso;
                                                       lhe permite "cavalgar" literalmente sobre a ul-
          • o ligamento anterior da articulação rá-    na. Ver esquema do diagrama c da figura 3-17.
            dio-ulnar inferior (4).
                                                             Assim sendo, podemos entender que a pro-
                Estes três elementos estão em ten-
                                                       nação só pode~se aproximar de 90° de amplitu-
          são durante a supinação e a limitam;         de, sem conseguir alcançar esta cifra, graças à
          • o ligamento anular (5), reforçado pelo     curva do rádio no plano sagital. Também pode-
          • fascículo anterior do ligamento lateral    mos entender que os músculos flexores, que se
            externo do cotovelo (6) (LLE) e pelo       localizam pela frente do esqueleto na supinação
                                                       (fig. 3-18, a), se interpõem entre o rádio e a ul-
          • fascículo anterior do ligamento lateral    na (fig. 3-18, b) durante a pronação, para cons-
            interno do cotovelo (7) (LLI);             tituir, ao final desta (fig. 3-18, c), um "colchão"
          • ligamento triangular (8) visto em sec-     que amortece o contato entre ambos os ossos.
            ção;                                       Simultaneamente a membrana interóssea se en-
                                                       rola ao redor da ulna, de modo que, junto com
     -     no esquema dorsal (fig. 3-11):
                                                       o "acolchoado" muscular, desloca a ulna por
         • a membrana interóssea (1) com suas          trás do rádio, produzindo a subluxação poste-
           duas camadas;                               rior da cabeça ulnar no fim da pronação.
1. MEMBRO SUPERIOR   115




                 Fig.3-15
                                                       Fig.3-13

           7

                                                4
                                                3




                        2



                            Fig.3-12
       a




                                 I
                                 b     c    d

                                 Fig.3-17


Fig.3-18   Fig.3-14                                 Fig.3-16
116 FISIOLOGIA ARTICULAR




  ANATOMIA FISIOLÓGICA DA ARTICULAÇÃO RÁDIO-ULNAR SUPERIOR
                     (os números das explicações se correspondem em todas as figuras)

     A ,articulação rádio-ulnar superior é uma                • ligamento anular (5), intato na figura
TROCOIDE, as suas superfícies são cilíndricas                   3-19 e seccionado na figura 3-21. Fai-
e possui só um grau de liberdade: rotação ao re-                xa fibrosa inserida nas margens ante-
dor do eixo dos dois cilindros encaixados. Pode-                rior e posterior da pequena cavidade
mos comparar, em mecânica, com um simples                       sigmóide, a sua superfície interna está
amortecedor ou, melhor ainda, com um verda-                     preenchida por uma cartilagem, pro-
deiro rolamento de bolas (fig. 3-20).                           longamento da pequena cavidade que
     Portanto, está constituída por duas superfí-               ao mesmo tempo é:
cies cilíndricas:                                              * um meio de união: rodeia a cabeça ra-
    -    a cabeça radial (fig. 3-21) com o seu                   dial e a encaixa contra a pequena cavi-
         contorno cilíndrico (1) preenchido de                   dade sigmóide;
         cartilagem, mais ampla pela frente e por              * uma superfície articular: se articula
         dentro e que se corresponde com o anel                  com o contorno da cabeça radial e ao
         central (1) do amortecedor ou rolamen-                  revés da pequena cavidade sigmóide,
         to de bolas. Outras particularidades:                   se deforma.
         • a abóbada (2), côncava, que se articula
                                                            O ligamento quadrado de Dénucé (4),
           (fig. 3-25, secção sagital) com o côndilo
                                                       segundo meio de união, está seccionado na fi-
           umeral (9). Dado que o côndilo não se
                                                       gura 3-21, intato na figura 3-22 (ligamento
           expande para trás, a abóbada entra em
           contato com ele durante a extensão só       anular seccionado e rádio deslocado, segundo
                                                       Testut) e na figura 3-23 (vista superior, olécra-
           pela metade anterior da sua superfície;
                                                       no e ligamento anular seccionados, segundo
         • o biseI (3) do contorno (ver figo3-21).     Testut). É uma faixa fibrosa que se insere na
     -   um anel osteofibroso, claramente visí-        margem inferior da pequena cavidade sigmóide
         vel na figura 3-19 (segundo Testut), no       da ulna e na base do contorno interno da cabe-
         qual a cabeça radial está removida. Se        ça radial (fig. 3-24, secção central). Estas duas
         corresponde com o anel periférico (5 e        margens estão reforçadas (figs. 3-21 e 3-22)
         6) do rolamento de bolas (fig. 3-20) e es-    por fibras originadas da margem superior do li-
         tá constituído por:                           gamento anular.
         • pequena cavidade sigmóide da ulna                O ligamento quadrado representa um refor-
           (6) preenchida de cartilagem, côncava       ço da parte inferior da cápsula; o resto desta (10)
           de diante para trás, separada da grande     une as articulações do cotovelo em um conjunto
           cavidade (8) por uma crista romba (7):      anatômico.
1. MEMBRO SUPERIOR   117




               5-6



                                                                               6




                Fig.3-20
    Fig.3-19


                                               Fig.3-21



2
1

                     5

                         Fig.3-22




                                                          2          Fig.3-23

     1
     5




                                    Fig.3-25
118 FISIOLOGIA ARTICULAR




  ANATOMIA FISIOLÓGICA DA ARTICULAÇÃO                               RÁDIO-ULNAR INFERIOR
                       (estrutura e constituição mecânica da porção inferior da ulna)


      Como a articulação rádio-ulnar superior, a        rolada" num cilindro, com uma haste pela fren-
articulação rádio-ulnar inferior também é uma           te e outra por trás, que "limitam" o processo es-
trocóide: as suas superfícies são cilíndricas e so-     tilóide da ulna (8), deslocado-a em direção pós-
mente possui um grau de liberdade, ou seja, a           tero-interna da epítise. Na verdade, esta superfí-
rotação em tomo ao eixo dos dois cilindros en-          cie não é totalmente cilíndrica (tig. 3-27) já que
caixados.                                               o seu gerador está levemente convexo para fora,
      A primeira destas superfícies cilíndricas         o que lhe dá uma forma de barrilÚnho inclinado
(tig.3-26) está presa pela cabeça da ulna. Pode-        para baixo e para dentro, embora esteja inscrita
mos considerar que a porção inferior da ulna es-        num cone de vértice inferior cujo eixo é parale-
tá formada (a) pela penetração de um cilindro           lo ao eixo diatisário da ulna d. A superfície peri-
diatisário (1) num cone epitisário (2). Mas, é ne-      férica da cabeça da ulna (A, vista de perfil, B,
cessário ressaltar que o eixo do cone está deslo-       vista anterior) apresenta uma altura máxima (h)
cado para fora com relação ao do cone do cilin-         para frente e levemente para fora.
dro. Por cima desta sólida composição (b), o                  A superfície inferior da cabeça da ulna (D)
plano horizontal (3) desprende um tronco de co-         apresenta uma superfície semilunar cuja largu-
ne (c) e forma a superfície inferior (4) da cabe-       ra máxima corresponde com o ponto de máxi-
ça da ulna. A seguir (d), um segundo cilindro se-       ma altura (h) da superfície periférica. Desta
cante (5) desprende uma meia-lua sólida (6) e           maneira, sobre o plano de simetria (seta) estão
determina (e) a formação da superfície cilíndri-        alinhados: a inserção do LU da rádio-ulnar
ca (7) da cabeça da ulna. É necessário destacar         (quadrado) sobre o processo estilóide, a inser-
que o cilindro secante (5) não é concêntrico ao         ção principal do vértice do ligamento triangu-
cilindro diatisário (1), nem ao cone epitisário         lar (estrela), o centro da curva da superfície pe-
(2), estando deslocado para fora. Isto explica a        riférica (cruz) e o ponto de máxima altura do
forma da superfície articular: uma meia-lua "en-        contorno.
1. MEMBRO SUPERIOR   119




                                  8~
                                       
                    c

        Fig.3-26




B   A


         Fig.3-27
120 FISIOLOGIA ARTICULAR




  ANATOMIA FISIOLÓGICA                   DA ARTICULAÇÃO             RÁDIO-ULNAR INFERIOR
                                                (continuação)
                            (as explicações são as mesmas para todas as figuras)



      A segunda superfície, a cavidade sigmóide             Desta forma, o ligamento triangular ao
do rádio (3), está presa pela epífise do rádio          mesmo tempo é:
(figs. 3-28 e 3-29), onde está incluída nos ramos            - um meio de união da articulação rádio-
de desdobramento da margem interna (2). Esta                   ulnar inferior;
superfície (3) está "orientada" para dentro (fig.
3-29), é côncava de diante para trás, plana ou le-           - uma supeifície articular; acima se arti-
vemente côncava de cima para baixo, está ins-                  cula com a cabeça ulnar e abaixo com o
crita na superfície de um cone de vértice inferior             côndilo carpeano. Devemos ressaltar
(fig. 3-27, c). A sua máxima altura se localiza na             que a cabeça ulnar não se articula com
parte média e se articula com a superfície cilín-              o côndilo carpeano;
drica (4) da cabeça radial.                                  -   um septo entre a articulação rádio-ulnar
      Na sua margem inferior se insere o liga-                   inferior (acima) e a articulação rádio-
mento triangular (5) situado no plano horizon-                   carpeana (abaixo) (fig. 3-30), que são
tal (fig. 5-30, secção frontal). O seu vértice se in-            anatomicamente diferentes, menos nos
sere por dentro, em três níveis:                                 casos em que:
     -   a fossa localizada entre o processo es-                 • o ligamento triangular, muito bicônca-
         tilóide e a superfície inferior da cabeça                 vo, esteja perfurado no seu centro;
         da ulna;                                                • a inserção da sua base esteja incomple-
     -   a superfície externa do processo estilói-                 ta (figs. 3-28 e 3-29) e .deixe uma pe-
         de da ulna;                                               quena fenda (6), mais freqüente com a
                                                                   idade, o que, para alguns autores, seria
     -   a superfície profunda do LU da articu-
                                                                   a prova de sua origem atrófica.
         lação rádio-carpeana.
                                                              Forma uma cavidade receptora (fig. 3-29)
     Assim sendo, o ligamento triangular ocupa
                                                        para a cabeça radial junto com a cavidade sig-
o espaço entre a cabeça da ulna e o piramidal,
                                                        móide do rádio. Parte desta cavidade receptora
constituindo uma "almofada elástica" que se
                                                        tem a propriedade de se deformar.
comprime no curso da adução do punho. As suas
margens anterior e posterior são mais espessas,               Funcionando como um autêntico "menisco
apesar de a secção ser bicôncava (fig. 3-29, vis-       suspenso" entre a articulação rádio-cubital infe-
ta ântero-superior interna). A sua superfície su-       rior e a rádio-carpeana, o ligamento triangular
perior, preenchida de cartilagem, prolonga a ca-        está submetido a importantes forças (fig. 3-31):
vidade glenóide do rádio (8) para dentro, limita-       tração (seta horizontal), compressão (setas verti-
da por fora pelo processo estilóide radial (1), e       cais), movimento de ziguezague (setas horizon-
se articula com o côndilo carpeano (13).                tais) Freqüentemente, estas forças se combinam.
1. MEMBRO Sl.JPERIOR   121




                          5
            Fig.3-29
Fig.3-28




            Fig.3-31


 Fig.3-30
122 FISIOLOGIA   ARTICULAR




             DINÂMICA DA ARTICULAÇÃO RÁDIO-ULNAR SUPERIOR
(nas figuras 3-32, 3-33, 3-34 e 3-35, a fileira superior (a) corresponde à supinação,   a inferior (b) à pronação;
                                 os números das explicações são os mesmos)



     o  movimento principal (fig. 3-32) é um                       se afaste da ulna no momento ideal para
movimento de rotação da cabeça radial (1), ao                      que a tuberosidade bicipital possa pas-
redor do seu eixo xx', no interior de um anel (2)                  sar pela fossa supinadora (nela se inse-
osteofibroso, ligamento anular-pequena cavida-                     re o músculo supinador). A seta branca
de sigmóide.                                                       da figura 3-32, b, indica esta insinuação
     Este movimento        está limitado     (fig.                 da tuberosidade bicipital "entre" o rádio
                                                                   e a ulna.
3-33) pela tensão do ligamento quadrado de Dé-
nucé (3) que, desta forma, atua como freio.                     4) o plano da superfície da cabeça radial
     Por outro lado, não é cilíndrica, mas leve-                   se inclina para baixo e para fora, duran-
mente ovalada: o seu eixo maior (fig. 3-34, a),                    te a pronação (fig. 3-37). Isto se deve ao
oblíquo de diante para trás, mede 28 mm, em                        movimento de rotação do rádio ao redor
comparação com os 24 mm do eixo menor. Isto                        da ulna durante a pronação:
explica que o anel que aperta a cabeça radial não                   -   no início do movimento, em supina-
pode ser ósseo, rígido. Está constituído, nas                           ção (a), o eixo diafisário do rádio é
suas três partes, pelo ligamento anular, flexível,                      vertical e paralelo ao da ulna;
o que permite que se deforme, ao mesmo tempo
                                                                    -  no fim do movimento, em pronação
que proporciona à cabeça radial uma fixação
                                                                       (b), o eixo do rádio é oblíquo para
permanente.
                                                                      baixo e para dentro: o plano da abó-
     Os movimentos secundários são quatro:                             bada radial, que é perpendicular a es-
     1) abóbada radial (1) gira ao contato do                          te eixo, se inclina para baixo e para
       côndilo umeral (fig. 3-36);                                     fora e forma um ângulo (y) com o
                                                                       plano horizontal.
     2) o bisel radial (2) (ver pág. 92) se desliza
        por baixo da cabeça conóide (fig. 3-36);                 Neste movimento, o eixo diafisário do rá-
     3) o eixo da cabeça radial se desloca para            dio "varre" uma porção da superfície cônica cu-
                                                           jo eixo (pontilhado fino) é o eixo comum para as
       fora durante a pronação (fig. 3-35). Este
        fato se deve à forma "ovalada" da cabe-            duas articulações rádio-ulnares.
        ça radial: na pronação (b) o eixo maior                 Observamos também que a ulna valga (ver
        da abóbada está transversal, deslocando            também figo 3-26, pág. 95) que, em supinação
        o eixo xx' para fora, a uma distância (e)          aparece claramente (c), pode desaparecer em
        igual à metade da diferença entre os dois          pronação (d) devido à mudança de obliqüidade
        eixos da abóbada e equivalente a 2 mm.             do eixo diafisário do rádio: em pronação, o eixo
        A importância deste deslocamento me-               global do antebraço se localiza no prolonga-
        cânico é primordial: permite que o rádio           mento do eixo do braço.
1. MEMBRO SUPERIOR   123




2

                                  2
                                            a            a




                                                    ~        b
                          b
               Fig.3-33               Fig.3-34    Fig.3-35


         X'

    Fig.3-32




                              b

                  Fig.3-37
124 FISIOLOGIA ARTICULAR




            DINÂMICA DA ARTICULAÇÃO RÁDIO-ULNAR INFERIOR


     Podemos começar pensando que a nIna                -   o deslocamento circular (seta tracejada,
permanece fixa e que só o rádio é móvel. Nes-               figo 3-40, manivela em supinação) em
te caso (fig. 3-38), o eixo de pronação-supina-             torno de um cilindro, que corresponde à
ção na mão se localiza no nível do lado ulnar e             cabeça ulnar;
do quinto dedo (o eixo está indicado por uma            -   rotação sobre si mesma, manifestada pe-
cruz preta). Isto acontece quando o antebraço,              la mudança de direção da seta branca
apoiado sobre uma mesa, realiza movimentos de               (fig. 3-41): o processo estilóide radial
pronação-supinação sem perder o contato com a               "se orienta" para fora durante a supina-
mesa.                                                       ção e para dentro durante a pronação.
     O principal movimento (fig. 3-39) é uma              Quando o rádio gira ao redor da ulna, pas-
translação circunferencial da porção inferior do    sando da supinação à pronação, a congruência
rádio ao redor da ulna.                             articular (concordância geométrica das superfí-
    -   supinação: rádio e ulna vistos de baixo     cies) varia.
        após ablação do carpo e do ligamento              Isto é devido a:
        triangular. Amplitude de 90°.                   -   por um lado, as superfícies articulares
    -   pronação: amplitude de 85°.                         não são superfícies de revolução; o seu
                                                            raio de curva varia: é mais curto no cen-
      Este movimento de translação circunferen-
cial fica explícito quando o rádio é comparado a            tro que nas extremidades;
uma manivela (figs. 3-40 e 3-41): a trajetória de       -   por outro lado, o raio de curva da cavi-
um ramo (o outro permanece fixo) é uma trans-               dade sigmóide é levemente maior que o
lação circunferencial:                                      da cabeça ulnar.
1. 1-lEMBRO SUPERIOR   125




SUPINAÇÃO              PRONAÇÃO


            Fig.3-39

                                      Fig.3-38




                                      I --
                                      I
                   Fig.3-40       Fig.3-41
126 FISIOLOGIA ARTICULAR




             DINÂMICA DA ARTICULAÇÃO RÁDIO-ULNAR INFERIOR
                                            (continuação)

         Portanto, existem posições incongruen-     das superfícies associada com tensão ligamentar
tes (fig. 3-42), em supinação (B), a cabeça ulnar   máxima. Neste caso não é uma posição de blo-
só entra em contato com a cavidade sigmóide         queio intermédio, embora possamos observar a
através de uma pequena parte da sua superfície      distribuição de funções entre o ligamento trian-
e os raios de curva são pouco concordantes, daí     gular e a membrana interóssea:
vem esta escassa congmência; e em máxima
                                                            -   em máximas pronação e supinação, o li-
pronação (C), está agravada por uma verdadeira
                                                                gamento triangular está estendido, po-
subluxação posterior da cabeça ulnar, e uma po-                 rém a membrana interóssea está tensa.
sição de máxima congruência que, em geral se
                                                                Observamos que os ligamentos anterior
corresponde com a posição intermédia ou posi-
                                                                e posterior da articulação rádio-ulnar in-
ção zero (nula): a máxima altura da superfície
                                                                ferior, pequenos espessamentos capsu-
periférica coincide com a altura máxima da ca-
                                                                lares, não desempenham nenhuma fun-
vidade sigmóide de maneira que, simultanea-
                                                                ção nem na coaptação, nem na limitação
mente, o contato entre as superfícies é máximo
                                                                dos movimentos;
enquanto coincidam os raios da curva.
        Durante os movimentos de pronação-su-               -   em posição de estabilidade máxima,
pinação, o ligamento triangular "varre" literal-                perto da posição intermédia, o ligamen-
mente a superfície inferior da cabeça ulnar (fig.               to triangular está tenso e a membrana
3-43) como se fosse um limpador de pára-brisas,                 interóssea está distendida, a menos que
mas o que provoca a descentralização do seu                     os músculos que se inserem nela provo-
ponto de inserção ulnar é o que proporciona a                   quem a sua tensão novamente.
notável variação do seu estado de tensão:                Em resumo, podemos afirmar que a coapta-
     -   a tensão é mínima em máximas supina-       ção da articulação rádio-ulnar inferior está fixa
         ção e pronação (B e C);                    por duas formações anatômicas desconhecidas
                                                    freqüentemente no tratamento das lesões trau-
     -   pelo contrário, a tensão é máxima na       máticas desta zona: a membrana interóssea, cu-
         posição de máxima congruência, que se
                                                    ja função é primordial, e o ligamento triangular.
         corresponde com a maior altura da su-
         perfície periférica da cabeça ulnar,             A pronação está limitada pelo impacto de
         porque o ligamento "percorre" o cami-       rádio contra a ulna, daí vem a importância da le-
         nho mais longo entre a sua inserção e o     ve concavidade da diáfise radial para frente, de
         contorno da cabeça (D).                     maneira que atrasa o contato.
      De maneira que podemos nos referir a uma            A supinação está limitada pelo impacto do
posição de estabilidade máxima da articulação        extremo posterior da cavidade sigmóide contra o
rádio-ulnar inferior, que se corresponde, em ge-     processo estilóide ulnar através do tendão do ex-
ral, co~ a posição intermédia de pronação-supi-      tensor ulnar do carpo. Nenhum ligamento pode
nação. E o que denominamos "c1ose-packed po-         deter este movimento que, apesar disso, consegue
sition" de Mac Conai11: congmência máxima            amortecer o tônus dos músculos pronadores.
1. MEMBRO SUPERIOR 127




        A




B
                       c

        Fig.3-42




    B
                 D




                A

            Fig.3-43
128 FISIOLOGIA   ARTICULAR




                             o EIXO     DE PRONAÇÃO-SUPINAÇÃO


     Até agora tratamos a fisiologia da articula-            Quando estas duas articulações deixam de
ção rádio-ulnar inferior (RUI) isoladamente,            ser co-axiais, devido a uma fratura mal reduzi-
mas é fácil compreender que existe um par fun-          da de um ou de ambos os ossos, a pronação-su-
cional entre a articulação rádio-ulnar inferior e a     pinação se encontra comprometida dado que
superior, porque estas duas articulações estão          não existem duas charneiras para o mesmo
mecanicamente unidas de maneira que uma não             segmento móvel: é o caso de uma porta cujas
pode funcionar sem a outra.                             dobradiças deixam de estar alinhadas e que ne-
     Este par funcional se encontra em dois ní-         cessitaria se partir em duas para poder abrir to-
                                                        talmente.
veis: o dos eixos e o da congruência.
     As duas articulações rádio-ulnares são co-              Se a pronação-supinação se realiza ao re-
axiais: o seu funcionamento normal necessita de         dor de um eixo que passa pela coluna do pole-
que o eixo de uma seja o prolongamento do eixo          gar, o rádio gira ao redor do processo estilóide
da outra (fig. 3-44) sobre uma mesma reta XX'           radial (fig. 3-46), ao redor de um eixo que não
que constitui a charneira de pronação-supinação         é a charneira da pronação-supinação, e a extre-
e passa pelo centro das cabeças ulnar e radial.         midade inferior da ulna sofre urna translação
                                                        seguindo um semicírculo que a desloca para
      Durante o seu movimento com relação à ul-
                                                        baixo e para fora, sem deixar de permanecer
na, ao redor deste eixo, o rádio se desloca sobre
                                                        paralela a si mesma. O componente vertical
um segmento de superfície cônica, aberto por
                                                        deste movimento pode-se explicar por um mo-
trás, de base inferior e cujo vértice se situa no ní-
                                                        vimento de extensão seguido por um movi-
vel da articulação côndilo-radial.
                                                        mento de flexão na articulação úmero-ulnar.
      Estando a cabeça ulnar fixa, a pronação-su-       Com relação ao deslocamento para fora, pare-
pinação se realiza por rotação da epífise radial        ce difícil, em vista da sua amplitude (quase
inferior ao redor do eixo da articulação rádio-ul-      duas vezes a amplitude do punho) explicar, co-
nar inferior que também é o da rádio-ulnar supe-        mo fazemos até agora, por um movimento de
rior. Esta situação é a única em que o eixo de          lateralidade numa articulação troclear tão fe-
pronação-supinação se confunde com a chernei-           chada quanto a da úmero-ulnar. M.C. Dbjay
ra de pronação-supinação.                               propôs recentemente uma explicação mais me-
      As duas articulações rádio-ulnares são co-        cânica e satisfatória: a rotação externa asso-
axiais igual às duas dobradiças de uma porta            ciada com o úmero sobre o seu eixo longitudi-
(fig. 3-45): os seus eixos estão sobre uma mes-         nal (fig. 3-47) que provoca o deslocamento ex-
ma reta. Neste caso a porta pode-se abrir sem di-       terno da cabeça ulnar (A) enquanto o rádio gi-
ficuldade (a).                                          ra sobre si mesmo (B).
1. MEMBRO SUPERIOR   129




                              Fig.3-46




           A              B
               Fig.3-45




Fig.3-44
130 FISIOLOGIA ARTICULAR




                          o EIXO DE PRONAÇÃO-SUPINAÇÃO
                                             (continuação)

     Para confirmar esta hipótese seriam neces-      perto da cavidade sigmóide (fig. 3-49): o rádio
sárias radiografias precisas ou registros eletro-    gira sobre si mesmo aproximadamente 180° e a
miográficos dos rotadores, para ser objetivos,       ulna desloca, sem nenhuma rotação, por uma
demonstrando que a sua amplitude é de 5° a 20°.      trajetória em arco de círculo de igual centro, in-
Se a experiência a confirmasse, esta hipótese so-    tegrando um componente de extensão E e um
mente seria válida no caso da pronação-supina-       componente de lateralidade externa L.
ção com o cotovelo flexionado em um ângulo
                                                           O eixo de pronação-supinação ZZ', sem
reto, quando alcança a sua amplitude máxima           materializar, é na verdade totalmente diferente
(supinação de 90° e pronação de 80-85°). Com o        da charneira de pronação-supinação (fig. 3-50)
cotovelo em extensão total, a ulna está imobili-
                                                      que, deslocado de XX' para YY' pela cabeça ul-
zada devido ao encaixe do olécrano na sua fossa       nar descreve um segmento de superfície cônica
e se o cotovelo for imobilizado com firmeza po-       cuja cavidade está "orientada" para frente.
demos comprovar que a pronação é quase nula,
                                                           Definitivamente, não existe uma pronação-
enquanto a supinação se mantém intata em toda
                                                      supinação, mas várias pronações-supinações,
a sua amplitude. A pronação perdida é compen-
                                                      das quais a mais comum se realiza sobre um ei-
sada por uma rotação interna do úmero. No cur-
                                                      xo que passa pelo rádio e ao redor do qual "gi-
so da extensão do cotovelo existiria um "ponto
                                                      ram" os dois ossos. O eixo de pronação-supina-
de transição" no qual a rotação associada com o
úmero seria nula.                                     ção, geralmente diferente da charneira de pro-
                                                      nação-supinação, é um eixo sem materializar,
      Que podemos dizer sobre a limitação da          variável e evolutivo.
pronação em 45° com o cotovelo completamen-
                                                           O fato de que este eixo de pronação-supina-
te tlexionado? Parece que o úmero não pode gi-
                                                      ção esteja sem materializar e não esteja fixo não
rar sobre o seu eixo longitudinal, de maneira que
                                                      significa de jeito nenhum que não exista; neste
é necessário um deslocamento para fora da ca-         caso também não existiria o eixo de rotação da
beça ulnar mediante um movimento de laterali-         Terra. O fato de que a pronação-supinação seja
dade externa na tróc1ea do cotovelo.
                                                      uma rotação permite deduzir exatamente que o
      Entre os dois casos extremos, em que o ei-      eixo de pronação-supinação existe, real embora
xo de pronação-supinação passa pelo lado ulnar        imaterial, e que se confunde com a chameira de
ou pelo lado radial do punho, a pronação-supi-        pronação-supinação excepcionalmente, mas a
nação normal baseada na preensão tridigital           sua posição com relação ao esqueleto depende
(fig. 3-48) se realiza ao redor de um eixo inter-     tanto do tipo de pronação~supinação quanto do
mediário que passa pela epífise inferior do rádio,    seu estado em cada instante.
1. MEMBRO    SUPERIOR   131




Fig.3-48




                    L

 i
 ~111111111111111111111111111111l~
 I
                                     1

                                     I
 I                                   ,
                                     I
                                     I
                                     I
                                     I
                                     I




                                                              s
     Fig.3-49



                                         Y'   Z''f   p
                                                 Fig.3-50
132   FISIOLOGIA   ARTICULAR




       AS DUAS ARTICULAÇÕES RÁDIO-ULNAR SÃO CO-CONGRUENTES


      o par funcional das articulações rádio-ul-           nação e a posição de estabilidade máxi-
nar se destaca pela sua congruência simultânea:            ma coincide com a posição intermédia
a posição de estabilidade máxima da articulação            de pronação-supinação;
rádio-ulnar inferior (RUI) e a da articulação rá-
                                                        b) o processo estilóide está situado por trás
dio-ulnar superior (RUS) se consegue com o
                                                           e levemente para dentro: o plano de si-
mesmo grau de pronação-supinação (fig. 3-51).
                                                           metria da cabeça ulnar (S) forma um ân-
Ou seja, quando a cabeça da ulna se situa na sua
                                                           gulo aberto para frente e para fora de 20°
altura máxima (h) na éavidade sigmóide do rá-
                                                           com o plano sagital (F). Se avalia em
dio, o contorno da cabeça radial também alcan-
                                                           -20° e se diz que existe um "atraso de
ça a sua altura máxima (y) na pequena cavidade
                                                           20° da pronação". A posição de estabili-
sigmóide da ulna. O plano de simetria da cavi-
dade sigmóide do rádio (s) e o da cabeça radial            dade máxima não coincide com a posi-
                                                           ção intermédia. Está em supinação de
(T), que passam pelo ponto de maior altura do
contorno, formam um ângulo diedro para dentro              20° de maneira que a pronação completa
e para frente ou um ângulo de torção do rádio              é menos ampla que no caso anterior;
igual ao ângulo de torção da ulna determinado            c) o processo estilóide está situado por trás
da mesma maneira pelo plano de simetria da ca-              e levemente para fora: desta vez existe
beça ulnar (passando pelo ponto de maior altura             um ângulo de "avanço da pronação",
do contorno) e pelo da pequena cavidade sig-                por exemplo de 15°, avaliado + 15°, e a
móide da ulna.                                              posição de estabilidade máxima é a de
      Porém, este ângulo varia dependendo de                15° de pronação, e a amplitude da pro-
cada pessoa (fig. 3-52). Para se convencer é su-            nação máxima é maior que nos dois ca-
ficiente observar uma ulna "em escapada" pela               sos anteriores.
sua extremidade inferior.                                Para cada um dos três casos existe um ân-
     Dependendo da posição do estilóide ulnar e     gulo diferente de torção da ulna, sendo mais
do ponto de máxima altura no contorno da cabe-      agudo quanto mais acentuado seja o "avanço da
ça, podem aparecer três casos:                      pronação". Embora em todos os casos o ângulo
      a) o processo estilóide está situado exata-   de torção da ulna (u) seja igual ao ângulo de tor-
         mente por trás: o plano de simetria (S)    ção do rádio (r), o que determina a congruência
         da cabeça ulnar coincide com o plano sa-   simultânea das duas articulações rádio-ulnares.
         gital (F), que contém a crista romba da         Um estudo estatístico sobre numerosos ca-
         grande cavidade sigmóide. Não existe       sos permitiria, sem dúvida, conhecer as varia-
         nem "avanço" nem "atraso" para a pro-      ções e as distribuições dos ângulos.
1. MEMBRO SUPERIOR   133




             t)




    B




             A


         Fig.3-51

                  SnF       Fn +150




B                  A         c
        Fig.3-52
134 FISIOLOGIA ARTICULAR




              OS MOTORES DA PRONAÇÃO-SUPINAÇÃO:                         OS MÚSCULOS


      Para poder compreender a forma de atuar             Os músculos pronadores-supinadores       são
dos músculos rotadores devemos analisar, desde       quatro, associados de dois em dois. Para cada um
um ponto de vista mecânico, a forma do rádio         dos movimentos existem:
(fig. 3-53).                                            ,-    um músculo curto e plano, cuja ação é a
     Este osso está constituído por três segmen-              de "desenrolar" (ver seta 1);
tos cuja união representa, de maneira aproxima-           -   um músculo longo que se insere no vérti-
da, uma manivela.                                             ce de uma curva (ver seta 2).
    -   o colo (segmento superior, oblíquo para           Músculos motores da supinação (figs.
        baixo e para dentro) forma com o seg-        3-55 e 3-56; secções, lado direito, vista do frag-
        mento médio (porção média da diáfise,        mento inferior). São os seguintes:
        oblíqua para baixo e para fora) um ângu-          1) o supinador (1), enrolado em tomo do co-
        lo obtuso aberto para fora, cujo vértice             lo do rádio (fig. 3-56, a): atua ao "desenro-
        (seta 1) está ocupado pela tuberosidade              lar-se";
        bicipital, inserção do bíceps. Estes dois         2) o bíceps (2), que se insere no vértice da
        segmentos descrevem, em conjunto, a                  curva supinadora no nível da tuberosidade
         "curva supinadora" do rádio;                        bicipital (fig. 3-56, b): atua por tração e
    -   o segmento médio constitui, com o seg-               mostra a sua máxima eficácia quando o co-
        mento inferior (oblíquo para baixo e pa-             tovelo está em ftexão de 900• E o músculo
        ra dentro), um ângulo obtuso aberto pa-              mais potente de todos os que intervêm na
        ra dentro, cujo vértice (seta 2) é o ponto           pronação-supinação,    o que explica que se
        de inserção do pronador redondo. Am-                 enrole como um parafuso "supinando",
        bos os segmentos descrevem, em con-                  com o cotovelo ftexionado.
        junto, a "curva pronadora" do rádio.              Músculos motores da pronação (figs.
     É preciso ressaltar que a "manivela radial"     3-57 e 3-58). São os seguintes:
é oblíqua com respeito ao seu eixo (esquema pe-           1) o pronador quadrado (1), enrolado ao re-
queno): de fato, este eixo xx', que é o eixo de              dor da extremidade inferior da ulna: atua
pronação-supinação,    passa pelos extremos dos              "desenrolando" a ulna com relação ao rá-
ramos e não pelos próprios ramos. De maneira                 dio (fig. 3-58, vista inferior, lado direito);
que os vértices das duas curvas se localizam a            2) o pronador redondo (2), que se insere no
um lado e a outro do eixo.                                   vértice da curva pronadora, atua por tra-
     O eixo xx' é comum para as duas articula-               ção, mas o seu momento de ação é fraco,
ções rádio-ulnares; esta coincidência dos dois ei-           especialmente com o cotovelo em exten-
                                                             são.
xos é indispensável para poder realizar a prona-
ção-supinação. Isto requer que os dois ossos es-          Os músculos pronadores são menos potentes
tejam íntegros, sem fraturas, seja em conjunto ou    que os supinadores: na tentativa de desaparafusar
em separado.                                         um parafuso bloqueado, é necessária a ajuda da
     Existem duas formas de mover essa mani-         pronação obtida mediante a abdução do ombro.
                                                          Apesar do seu nome, o braquiorradial não é
vela (fig. 3-54):
                                                     supinador, mas ftexor do cotovelo. Não é supina-
     - "desenrolar" um tracionador enrolado em
                                                     dor inclusive na posição zero, a não ser a partir da
         um dos ramos (seta 1);
                                                     pronação completa. Paradoxalmente, a partir da
     ~ puxar do vértice de uma das curvas (seta      supinação completa, é pronador até a posição zero.
        2).                                               Existe somente um nervo para a pronação: o
     Esta é a forma de atuar dos músculos prona-     mediano. Dois nervos para a supinação: o radial é
dores-supinadores.                                   o músculo-cutâneo (no caso do bíceps).
1. tvfEMBRO SUPERIOR   135




                             Fig.3-57




                      Fig.3-58



Fig.3-54   Fig.3-56
136 FISIOLOGIA ARTICULAR




            AS ALTERAÇÕES MECÂNICAS DA PRONAÇÃO-SUPINAÇÃO

     Fraturas dos dois ossos do antebraço (figs.              da ulna, pela parte de cima (fig. 3-61)
3-59 e 3-60, segundo Merle D'Aubigne).                        (operação de M. Kapandji e Sauvé);
     O deslocamento dos fragmentos é diferente             2) luxação da cabeça radial
dependendo da localização das linhas de fratura;              Associa-se com freqüência (fig. 3-62) a
está condicionado pelas ações musculares.                     uma fratura por impacto direto (seta bran-
      1) se a linha de fratura radial se localiza             ca) da ulna (fratura de Monteggia). A lu-
         no terço superior (fig. 3-59), separa                xação da cabeça radial para cima (seta
         fragmentos sobre os que atuam múscu-                 preta) se produz quando o bíceps se con-
         los com a mesma função: supinadores no               trai (seta tracejada): para realizar a opo-
         fragmento superior, pronadores no frag-              nência desta ação luxante do bíceps, é ne-
         mento inferior. Neste caso, o desloca-               cessário reconstruir cirurgicamente um li-
         mento (rotação dos fragmentos um com                 gamento anular.
         relação ao outro) será máximo: o frag-             Fraturas da porção inferior do rádio
         mento superior estará em pronação má-               Durante as fraturas da porção inferior do rá-
         xima e o inferior em supinação máxima;
                                                       dio (fig. 3-63), a basculação externa da epífise ra-
      2) se a linha de fratura radial se localiza na   dial (A) provoca uma incongruência da articula-
         porção média (fig. 3-60), o deslocamento      ção rádio-ulnar inferior e uma tensão exagerada
         será normal. De fato:
                                                       do ligamento triangular. Se não reduzimos o des-
        -  a pronação do fragmento inferior é          locamento com precisão e se a consolidação se
           realizada exclusivamente pelo prona-        realiza com um calo vicioso, a pronação-supina-
           dor quadrado;                               ção pode estar gravemente alterada.
        - a supinação do fragmento superior é                Quando o traumatismo é suficientemente in-
           moderada pelo pronador redondo.             tenso para arrancar o ligamento triangular, fato
         O deslocamento fica reduzido pela me-         que observamos em radiografias, o resultado é o
         tade.                                         mesmo.
     A redução deve corrigir o desvio angular e             Em alguns casos (B), o ligamento triangular
também restabelecer as curvas de ambos os ossos,       arranca a sua inserção interna, isto é, a estilóide ra-
principalmente do rádio:                               dial (fratura de Gerard-Marchant). Isto provoca
     - curva no plano sagital, de concavidade          duas conseqüências:
        anterior. Se desaparece ou fica invertida, a        - uma luxação da articulação rádio-ulnar
        pronação é menos ampla;                                  inferior com diástase, limitada unicamen-
     ~ curvas no plano frontal, na prática a CUI-                te pela membrana interóssea;
        va pronadora, sem a qual a pronação fi-             - uma entorse grave do ligamento lateral
        ca limitada pela ineficácia do pronador                  interno da articulação rádio-carpeana.
        redondo.
                                                             A basculação posterior das fraturas da porção
     Luxações das articulações rádio-ulnares           inferior do rádio (fig. 3-64) também prejudica a
     1) luxação da articulação rádio-ulnar inferior    pronação-supinação:
        Pode ocorrer de forma isolada ou associa-            a) em estado normal os eixos das superfícies
        da com uma fratura da diáfise radial. O                 radial e ulnar se confundem;
        seu tratamento é complicado e pode pro-              b) quando o fragmento epifisário inferior do
        vocar a ressecção da cabeça ulnar (opera-               rádio realiza a basculação para trás, o eixo
        ção de Darrach) ou a sua reposição.                     da superfície radial forma com o da super-
         Somente podemos repor e fixar com para-                fície ulnar um ângulo aberto para baixo e
        fuso se provocamos uma pseudo-artrose                   para trás: a congruência das superfícies ar-
         intencionada por ressecção segmentária                 ticulares desaparece.
s




           .•..••..•
                "1
                 I
                 ,
                f
                I
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                I
                I
                       p



Fig.3-59

                                          Fig.3-61



                           Fig.3-63




                                      Fig.3-62
138 FISIOLOGIA ARTICULAR




                        COMPENSAÇÕES             E POSIÇÃO FUNCIONAL


     "A supinação se realiza com o antebra-                 -   e a posição de semi-pronação (figs. 3-68
ço" (fig. 3-65)                                                 e 3-69): segurar uma colher ou escre-
                                                                ver.
     De fato, como a posição normal do membro
superior é ao longo do corpo com o cotovelo fle-           A posição funcional corresponde a um es-
xionado, não existe outra possibilidade de reali-      tado de equilíbrio natural entre os grupos
zar a supinação se não for nas articulações rádio-     musculares antagonistas e, portanto, com o mí-
ulnares exclusivamente: verdadeira supinação.          nimo gasto muscular possível.
 . É o movimento que se realiza quando abri-                 O movimento de pronação-supinação é im-
mos uma fechadura com chave.                           prescindível para levar os alimentos à boca. De
      O fato de que o ombro não intervém na supi-      fato, quando pegamos um alimento de um plano
nação explica a dificuldade para compensar a para-     horizontal (uma mesa ou o chão), a mão realiza a
lisia da supinação. Contudo, isto se atenua porque     sua aproximação em pronação, para pegar o ob-
a paralisia completa da supinação é rara, porque o     jeto por cima e o cotovelo se estende. Para levar
                                                       o alimento até a boca é necessário flexionar o co-
bíceps possui uma inervação diferente (nervo mús-
culo-cutâneo) da do supinador (nervo radial).          tovelo ao mesmo tempo que se apresenta o ali-
                                                       mento realizando um movimento de supinaçâo.
      "A pronação     se realiza com o ombro"
                                                             É necessário fazer duas advertências:
(fig. 3-66)
      Porém, no caso da pronação, a ação dos                -   a supinação "poupa" a flexão do co-
                                                                tovelo: se fosse necessário levar o
músculos pronadores puros pode-se ampliar
com relativa facilidade ou pode-se compensar                    mesmo objeto até a boca mantendo
com uma abdução do ombro. É O movimento                         uma atitude de pronação, para realizar
realizado para virar o conteúdo de uma panela.                  este gesto precisamos de uma maior
                                                                flexão do cotovelo;
     Posição funcional
                                                            -   o bíceps é o músculo que melhor se
     Esta posição se situa entre:                               adapta a este movimento "alimen-
     -   a posição intermédia (fig. 3-67) utilizada,            tar", já que é flexor do cotovelo e su-
         por exemplo, para segurar um martelo;                  pinador.
1. MEMBRO SUPERIOR   139




           Fig.3-66




                       Fig.3-68
Fig.3-67




                        ~.




                      Fig.3-69
140 FISIOLOGIA ARTICULAR




                                       SIGNIFICADO


    o punho,   articulação distal do membro su-    qualquer ângulo para pegar ou segurar um ob-
perior, permite que a mão - segmento realiza-     jeto.
dor - se coloque numa posição ótima para a              O complexo articular do punho compreen-
preensão.                                          de duas articulações:
     De fato, o complexo articular do punho             - a rádio-carpeana, que articula a glenóide
possui dois graus de liberdade. Com a prona-               antebraquial com o côndilo carpeano;
ção-supinação, rotação do antebraço sobre o seu         - a médio-carpeana, que articula entre elas
eixo longitudinal, a mão pode-se orientar em               as duas fileiras dos ossos do carpo.
1. MEMBRO SUPERIOR 141
142 FISIOLOGIA   ARTICULAR




                      DEFINIÇÃO DOS MOVIMENTOS DO PUNHO


     Os movimentos do punho (fig. 4-1) se rea-        -   um eixo BB', ântero-posterior que per-
lizam em torno de dois eixos, com a mão em po-            tence ao plano sagital (tracejado hori-
sição anatômica, isto é, em máxima supinação:             zontal). Este eixo condiciona os movi-
                                                          mentos de adução-abdução que se reali-
     -.- um eixo AA', transversal, que pertence
         ao plano frontal (tracejado vertical). Es-       zam no plano frontal (tracejado verti-
         te eixo condiciona os movimentos de              cal):
         ftexão-extensão que se realizam no pla-          • adução ou desvio ulnar (seta 3): a mão
         no sagital (tracejado horizontal):                 se aproxima do eixo do corpo e o seu
        • flexão (seta 1): a superfície anterior ou         lado interno - ou lado ulnar (do dedo
          palmar da mão se aproxima da super-               mínimo) -, forma, com o lado interno
          fície anterior do antebraço;                      do antebraço, um ângulo obtuso aber-
                                                            to para dentro;
        • extensão (seta 2): a superfície poste-
          rior ou dorsal da mão se aproxima da            • abdução ou desvio radial (seta 4): a
          superfície posterior do antebraço. É              mão se afasta do eixo do corpo e o seu
          preferível não utilizar os termos fte-            lado externo - ou lado radial (do po~
          xão dorsal e, com maior motivo, fte-              legar) -, forma, com o lado externo
          xão palmar, por tratar-se de uma tau-             do antebraço, um ângulo obtuso aber-
          tologia.                                          to para fora.
1. MEMBRO SUPERIOR 143




fg.4-"




      ----------
144 FISIOLOGIA ARTICULAR




                     AMPLITUDE DOS MOVIMENTOS DO PUNHO


    Movimento de abdução-adução (fig. 4-2)                  -    em geral, a amplitude dos movimentos
      A amplitude dos movimentos é medida a                      de adução-abdução é mínima em flexão
partir da posição de referência (a): o eixo da                  forçada ou em extensão do punho, posi-
mão, representado pelo terceiro metacarpeano e                   ções nas quais os ligamentos do carpo
terceiro dedo, se localiza no prolongamento do                   estão tensos. É máxima na posição de
eixo do antebraço.                                               referência ou em leve flexão, porque os
                                                                 ligamentos se distendem.
      A amplitude do movimento de abdução ou
desvio radial (b) não excede os 150•                        Movimentos de flexão-extensão (fig. 4-3)
     A amplitude de adução ou desvio ulnar (c)             A amplitude dos movimentos é medida a
é de 450, quando medimos o ângulo na linha que       partir da posição de referência (a): punho
une o centro do punho com a porção distal do         alinhado, superfície dorsal da mão no pro-
terceiro dedo (linha tracejada).                     longamento da superfície posterior do ante-
     Contudo, esta amplitude é diferente depen-      braço.
dendo do que consideramos:                               A amplitude da flexão (b) é de 850, isto é,
   - o eixo da mão: em cujo caso é de 300;           que não alcança os 900•
   -    o eixo do dedo médio: em cujo caso é de          A amplitude da extensão (c), incorreta-
        550•                                         mente denominada "flexão dorsal", também é
     Isto se deve a que a adução da mão se asso-     de 850, de modo que também não alcança os
                                                     900•
cia com a adução dos dedos.
     Todavia, na prática, podemos considerar              Como no caso dos movimentos laterais, a
que a amplitude da adução é de 450•                  amplitude dos movimentos depende do grau de
     Devemos ressaltar vários fatos:                 distensão dos ligamentos do carpo:
    -   o desvio ulnar é de duas a três vezes mais          -   a flexão-extensão é máxima quando a
        amplo do que o desvio radial;                           mão não se encontra nem em abdução
                                                                nem emadução;
    -   o desvio ulnar é mais amplo em supina-
        ção que em pronação (Sterling Bunnel),              -- a flexão-extensão é de menor amplitude
        quando não ultrapassa os 25-300;                       quando o punho está em pronação.
1. MEMBRO SUPERIOR   145




             a             c
b
        Fig.4-2




    b        a    c

        Fig.4-3
146 FISIOLOGIA ARTICULAR




                           o MOVIMENTO             DE CIRCUNDUÇÃO


     omovimento de circundução se define co-              A figura 4-5 mostra a parte da base do co-
mo a combinação dos movimentos de flexão-ex-         ne de circundução (c):
tensão com os movimentos de adução-abdução.              -   o corte do cone pelo plano frontal (a)
      Então, é um movimento que se realiza, si-              com a posição de abdução R-adução C
multaneamente, com relação aos dois eixos da ar-             e o eixo do cone de circundução OA;
ticulação do punho.
                                                         -   o corte do cone pelo plano sagital (b)
     Quando o movimento de circundução alcan-                com a posição de flexão F e a posição
ça a sua máxima amplitude, o eixo da mão des-                de extensão E.
creve uma superfície cônica no espaço, denomi-
                                                          A amplitude dos movimentos do punho é
nada "cone de circundução" (fig. 4-4).
                                                     menor em pronação do que em supinação, de
      Este cone tem um vértice O, localizado no      modo que o cone de circundução    é menos
"centro" do punho, e uma base, representada na       "aberto" em pronação.
figura pelos pontos F, R, E, C, que descrevem a
                                                          Contudo, graças aos movimentos asso-
trajetória que segue a ponta do dedo médio duran-
                                                     ciados de pronação-supinação, o achatamento
te o movimento de máxima circundução.
                                                     do cone de circundução pode-se compensar de
      Além disso, o citado cone não é regular, a     certo modo, e o eixo da mão pode ocupar to-
sua base não é circular. Isto se deve a que a am-    das as posições no interior de um cone cujo
plitude dos diferentes movimentos elementares        ângulo de abertura é de 160 a 170°.
não é simétrica com relação ao prolongamento do
                                                          Além disso, como em todas as articula-
eixo do antebraço 00'.
                                                     ções com dois eixos e dois graus de liberdade,
     Sendo a amplitude máxima no plano sagita!       do mesmo modo que vamos expor mais adian-
FOE e mínima no plano frontal ROC, o cone é          te ao falar da articulação trapézio-metacarpea-
achatado no sentido transversal e podemos com-       na, um movimento         simultâneo  ou sucessivo
parar a sua base com uma elipse (fig. 4-5, c) com    em torno de dois eixos ocasiona uma rotação
um eixo maior ântero-posterior FE.                   automática ou inclusive uma rotação conjunta
     Inclusive está deformada pela parte interna     (Mac Conaill) em torno do eixo longitudinal
C, devido à maior amplitude do desvio ulnar. Por     do segmento móvel, a mão, que orienta a pal-
conseguinte, o eixo do cone de circundução OA        ma em direção oblíqua com relação ao plano
não se confunde com 00', mas que se encontra         da superfície anterior do antebraço. Isto não
em desvio ulnar de 15°. Por outro lado, a posição    está claro, salvo nas posições de extensão-adu-
da mão em adução de 15° corresponde à posição        ção e de flexão-adução,        embora não tenha a
de equilíbrio entre os músculos que dirigem o        mesma importância       funcional que no caso do
desvio. É um elemento da posição funcionaL           polegar.
1. MEMBRO SUPERIOR       147




                                  Fig.4-4




                                             E




    o
         /
         •
        / O'

                                                    E



         c
             R
R



    a


                 E
                     Fig.4-5
148 FISIOLOGIA ARTICULAR




                              o COMPLEXO           ARTICULAR DO PUNHO


     o complexo        articular    do punho (fig. 4-6)        Os ligamentos anterior e posterior (fig.
inclui duas articulações:                                 4-11, vista externa esquemática) que serão estu-
                                                          dados com detalhe mais adiante:
     1)   a articulação rádio-carpeana entre a
          porção inferior do rádio e os ossos da fi-           3) o ligamento anterior (ou melhor, sistema
          leira superior do carpo;                                ligamentar anterior) se insere no lado an-
     2) a articulação médio-carpeana entre a                      terior da glenóide radial e do colo do osso
        fileira superior e a fileira inferior do                  capitato;
        carpo.                                                 4) o ligamento (ou complexo ligamentar)
     A articulação rádio-carpeana                                 posterior, que também constitui uma faixa
                                                                  posterior.
     A articulação rádio-carpeana é uma articu-
lação condilar (fig. 4-7): a superfície do côndi-              Os dois ligamentos anterior e posterior se fi-
                                                          xam no carpo nos pontos de "início" do eixo BB'
10 carpeano, considerada como um bloco, apre-
senta duas curvas convexas:                               de abdução-adução.
                                                               Sempre considerando, numa primeira apro-
     -    uma curva transversal (seta 1), de raio
                                                          ximação, que o carpo constitui um bloco único, o
          R e cujo eixo BB' é ântero-posterior: es-
                                                          que está longe de ser verdade como veremos mais
          ta curva se corresponde com os movi-
                                                          adiante, a entrada em ação dos ligamentos da
          mentos de adução-abdução;
                                                          rádio-carpeana se decompõe da seguinte manei-
     -    uma curva ântero-posterior (seta 2),            ra:
          de raio r (menor que R) e cujo eixo AA'              -   nos movimentos de adução-abdução
          é transversal: esta curva se corresponde                 (figs. 4-8, 4-9 e 4-10, vistas anteriores),
          com os movimentos de flexão-extensão.                    são os ligamentos anteriores os que tra-
     No esqueleto:                                                 balham. Partindo da posição de repouso
     -    eixo AA' de f1exão-extensão        passa pela            (fig. 4-8), podemos observar que:
          interlinha semilunar-osso capitato;                      -   durante a adução (fig. 4-9), o liga-
                                                                       mento externo está tenso e o interno
     -    eixo BB' de adução-abdução passa pela                        está distendido;
          cabeça do osso capitato, perto de sua
          superfície   articular.                                  -   durante a abdução (fig. 4-10), se pro-
                                                                       duz o fenômeno inverso.
    Os ligamentos da articulação rádio-car-                     O ligamento anterior, fixo perto do centro de
peana se organizam em dois sistemas:                      rotação, participa pouco.
     Os ligamentos laterais (fig. 4-8):                         Nos movimentos de flexão-extensão (figs.
     1) o ligamento lateral externo, que se esten-        4-11, 4-12 e 4-13, vistas laterais), são, principal-
       de do processo estilóide radial até o esca-        mente os ligamentos anterior e posterior os que
       fóide;                                             mais trabalham. Partindo da posição de repouso
                                                          (fig. 4-11), podemos observar que:
     2) o ligamento lateral interno, que se esten-
       de do processo estilóide ulnar ao pirami-               -   o ligamento posterior está tenso durante a
       dal e ao pisiforme.                                         f1exão (fig. 4-12);

     A inserção inferior destes dois ligamentos                -   o ligamento anterior está tenso durante a
se localiza, aproximadamente,   no ponto de "iní-                  extensão (fig. 4-13).
cio" do eixo AA' de flexão-extensão.                           Os ligamentos laterais participam pouco.
A'




            A

                                Fig.4-7




      Fig.4-9




                  ....
                   ....
                   ....
                            -
                            =


                4~4J.· L3                     I
Fig.4-12         Fig.4-11                 Fig.4-13
150 FISIOLOGIA ARTICULAR




         AS ARTICULAÇÕES RÁDIO-CARPEANAS E MÉDIO-CARPEANAS


      As superfícies articulares da rádio-carpeana                 • escafóide, com: duas superfícies articu-
são (figs. 4-14 e 4-15): o côndilo carpeano e a gle-                 lares inferiores, levemente convexas,
nóide antebraquial.                                                  uma (1) para o trapézio, outra (2), por
      Na vista anterior do carpo (fig. 4-15), pode-                  dentro, para o trapezóide; uma superfície
mos observar como o côndilo carpeano é formado                       articular interna (3), de concavidade
pela justaposição da superfície superior dos três os-                acentuada, para o osso capitato;
sos da fileira superior que são, de fora para dentro:              • superfície articular inferior do semillllzar
       -- o escafóide (1), o semilunar (2), o pirami-                (4), côncava abaixo, que se articula com
          dal (3), unidos entre si pelos ligamentos                  a cabeça do osso capitato;
           escafo-Iunar (el) e piramido-Iunar (pl).                • superfície articular inferior do piramidal
      Observar que o pisiforme (4) não participa da                  (5), côncava abaixo e para fora, que se
formação do côndilo carpeano, e com mais razão                       articula com a superfície superior do os-
os ossos da fileira inferior, o trapézio (5), o trape-               so hamato.
zóide (6), o capitato ou grande (7) e o hamato ou                 O pisiforme, articulado sobre a superfície an-
ganchoso (8), unidos entre si pelos três ligamentos        terior do piramidal, não participa na formação da
trapézio-trapezóideo       (tt), trapézio-osso capitato    interlinha médio-carpeana.
(toc) e hamato-osso capitato (hoc).
                                                                  - a superfície inferior, em vista póstero-su-
      A superfície superior do escafóide, do semilu-                 perior. Está constituída de fora para dentro
nar e do piramidal tem uma camada de cartilagem,                     por:
igual aos ligamentos que unem estes três ossos en-
                                                                     • superfície articular superior do trapé:.:io
tre si, formando uma superfície contínua.
                                                                       (6) e do trapezóide (7);
      Numa vista da articulação aberta (fig. 4-14, se-
                                                                     • cabeça do osso capitato (8), que se arti-
gundo Testut), podemos observar, além do côndilo
                                                                       cula com o escafóide e o osso capitato;
carpeano com as superfícies articulares do escafóide
(1), do semilunar (2) e do piramidal (3), a superfície               • superfície superior do osso hamato (9), sua
côncava da glenóide antebraquial constituída por:                      maior parte se articula com o piramidaL e
                                                                       uma pequena superfície articular (I O) que
       - porção inferior do rádio (9), por fora, cu-                   entra em contato com o semilunar.
          ja superfície inferior, côncava e coberta
          com cartilagem fica dividida por uma cris-            Considerando que cada uma das fileiras do
          ta romba em duas superfícies articulares         carpo formam um bloco, podemos comprovar que
          que se correspondem aproximadamente              a interlinha médio-carpeana está constituída por
          com o escafóide (10) e o semilunar (11);         duas partes:
       - superfície inferior do ligamento triangular             - uma parte externa, formada por superfí-
           (12), côncavo e coberto com cartilagem, o                 cies articulares planas (trapézio e trape-
           seu vértice se insere no processo estilóide               zóide sobre a base do escafóide), articula-
           ulnar (13); a cabeça ulnar (14) o ultrapas-               ção tipo artródia;
           sa levemente pela frente e por trás; algu-            - uma parte interna, constituída pela super-
           mas vezes, a sua base não se insere total-                fície convexa, em todos os sentidos, da ca-
           mente, provocando o aparecimento de                       beça do osso capitato e do osso hamato, que
           uma pequena fenda (15) que comunica a                     se encaixa na superfície côncava dos três
           rádio-carpeana com a rádio-ulnar inferior.                ossos da fileira superior: é uma articulação
       A cápsula (16), desenhada intata na sua parte                 condilar.
 posterior, une o côndilo com a glenóide. A médio-               Os movimentos numa articulação deste tipo
 carpeana (fig. 4-16, segundo Testut: representada         estão condicionados pela maior ou menor elastici-
,aberta por sua superfície posterior), situada entre       dade dos ligamentos que permite um determinado
 as duas fileiras do ossos do carpo, compreende:           'jogo" mecânico. São os movimentos de flexão-ex-
        - a superfície superior, em vista póstero-         tensão, de desvio lateral e de rotação em tomo do
            inferior. Está constituída de fora para den-   eixo longitudinal. Mais adiante poderemos estudá-
            tro por:                                       los mais detalhadamente.
1. MEMBRO SUPERIOR 151




           . 10
             I               14




Fig.4-14




                  Fig.4-15




Fig.4-16
152 FISIOLOGIA ARTICULAR




                 OS LIGAMENTOS DA ARTICULAÇÃO RÁDIO-CARPEANA
                             E DA MÉDIO-CARPEANA

       Usamos como referência a N. Kuhlmann (1978) pa-                      nar à superfície anterior do colo do osso capita-
ra ressaltar os elementos novos na descrição dos ligamen-                   to, prolonga para baixo o ligamento rádio-lunar;
tos da articulação rádio-carpeana e da médio-carpeana.                   • o ligamento triqueto-capital (11), que se esten-
Como poderemos ver mais adiante, este conceito moder-                       de obliquamente por baixo e por fora da super-
no do aparelho ligamentar pennite explicar muito melhor                     fície anterior do piramidal ao colo do osso capi-
o papel que desempenha na estabilidade do carpa e, na                       tato onde constitui, com os dois ligamentos pre-
verdade, na sua adaptação às alterações que derivam dos                     cedentes, um autêntico aparelho ligamentar;
movimentos do punho.                                                     • o ligamento trapézio-escaf6ide (12), curto,
       Em vista anterior (fig. 4-17), se distinguem:                        mas largo e resistente, une o tubérculo do esca-
       - os dois ligamentos laterais da rádio-carpeana:                     fóide com a superfície anterior do trapézio, por
           • o ligamento lateral interno, que se origina no                 cima da sua crista oblíqua;
              processo estilóide ulnar e se entrelaça com a              • o ligamento triqueto-ganchoso (ou triqueto-ha-
              inserção do triangular (1), no nível de seu vér-              mata!) (13), verdadeiro ligamento lateral inter-
              tice. A seguir, se divide num fascículo poste-                no da médio-carpeana;
              rior estilo piramidal (2) e um fascículo ante-             • finalmente, os ligamentos pisiunciforme (14) e
              rior estilo-pisiforme (3);                                    pisimetacarpeano (15), este último participa na
           • o ligamento lateral externo, também constituí-                 articulação carpometacarpeana.
              do por dois fascículos que se originam no pro-        Em   vista posterior (fig. 4-17 bis), podemos localizar:
              cesso estilóide radial: um fascículo posterior
                                                                     -    o ligamento lateral externo da rádio-carpeana,
              (4), que se expande do vértice do processo esti-
                                                                          pelo seu fascículo posterior (4);
              lóide até a superfície extema do escafóide para
              inserir-se por baixo da superfície articular supe-    -     o ligamento lateral interno da rádio-carpeana,
              rior, e umfascículo anterior (5), muito espesso             também pelo seu fascículo posterior (2), cujas
              e resistente que se estende do lado anterior do             inserções estão entrelaçadas com o vértice do li-
              processo estilóide até o tubérculo do escafóide;            gamento triangular (1);
       - o ligamento anterior da rádio-carpeana, consti-             -    o ligamento posterior da rádio-carpeana
            tuído por dois fascículos:                                    constituído por dois fascículos oblíquos para
                                                                          baixo e para dentro:
           • por fora, o fascículo rádio-lunar anterior (6),
              que se estende obliquamente por baixo e por                 • ofascículo rádio-lunar posterior (16), ou freio
              dentro do lado anterior da glenóide radial até o              posterior do lunar;
              haste anterior do semilunar; daí vem a denomi-              • o fascículo rádio-piramidal posterior (17), cu-
              nação de freio anterior do lunar;                             jas inserções são mais ou menos simétricas com
           ••por dentro, ofascículo rádio-piramidal anterior                 as do seu homólogo anterior, incluída a sua
              (7), recentemente individualizado por N. Kuhl-                 união com a terminação do ligamento posterior
              mann; suas inserções superiores ocupam a me-                   da rádio-ulnar inferior (18) sobre o lado poste-
              tade interna do lado anterior da glenóide e todo               rior da cavidade sigmóide do rádio: este fascí-
              o lado anterior da cavidade sigmóide do rádio,                 culo posterior completa a "tira do piramidal";
              onde se entrelaça com as inserções radiais do li-     -     as duas faixas transversais posteriores do carpo:
              gamento anterior (8) da rádio-ulnar inferior; es-           • afaixa da primeira fileira (19), que se esten-
              te ligamento, de forma triangular, forte e resis-              de transversalmente da superfície posterior
              tente, se dirige para baixo e para dentro para in-             do piramidal até a do escafóide, para se inse-
              serir-se na superfície anterior do piramidal, por              rir no haste posterior do lunar e enviando
              fora da sua superfície articular junto com o pisi-             uma expansão (20) ao ligamento lateral ex-
              forme; constitui a parte anterior da "tira do pira-            terno e uma expansão (21) ao ligamento rá-
              midal", que voltaremos a ver mais adiante;                     dio-piramidal posterior;
        - os ligamentos da médio-carpeana:                                • afaixa da segunda fileira (22) que se estende
            • o ligamento rádio-capital (9), que se estende                  obliquamente por fora e levemente por baixo
              obliquamente por baixo e por dentro da parte                   da superfície posterior do piramidal à do trape-
              externa do lado anterior da glenóide até a su-                 zóide (23) e a do trapézio (24), passando por
              perfície anterior do osso capitato. Está incluído              trás do osso capitato;
              no mesmo plano fibroso que 9s fascículos rá-           -    por último, o ligamento triqueto-hamatal (13),
              dio-lunar e rádio-piramidal. E um ligamento                 cuja parte posterior se insere na superfície poste-
               anterior da rádio-carpeana e da médio-carpea-              rior do piramidal que, de tal forma desempenha,
              na ao mesmo tempo;                                          para a parte posterior do carpa, o papel de segu-
            • o ligamento lunatocapital (10), que se estende              rar o ligamento atribuído ao colo do osso capita-
               verticalmente desde o haste anterior do semilu-            to na sua superfície anterior.
1. MEMBRO SUPERIOR   153




                     8


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                10
                12




Fig.4-17




Fig. 4-17 bis
154 FISIOLOGIA ARTICULAR




                  FUNÇÃO ESTABILIZADORA DOS LIGAMENTOS


    Estabilização no plano frontal                  pressão de origem muscular acentua a instabili-
                                                    dade e acarreta urna tendência ao deslocamento
     A primeira função dos ligamentos do
punho é a de estabilizar o carpo nos dois planos    do côndilo carpeano para cima e para dentro.
frontal e sagita!.                                       Os ligamentos laterais da rádio-carpeana
     No plano frontal, o papel que desem-           não são suficientes para "atrapalhar" este movi-
penham os ligamentos é necessário, devido à         mento devido à sua direção longitudinal. Corno
                                                    o demonstrara N. Kuhlmann, esta função é pró-
orientação da glenóide antebraquial (fig. 4-18,
                                                    pria (fig. 4-21) dos dois ligamentos rádio-pira-
vista anterior esquemática) que "se orienta" para
                                                    midais anterior e posterior cuja direção oblíqua
baixo e para dentro, de tal modo que pode pare-
                                                    para cima e para fora permite centralizar de no-
cer, no seu conjunto, com um plano oblíquo de
                                                    vo e de maneira permanente o côndilo carpeano
cima para baixo e de dentro para fora, formando
                                                    de modo que evita o seu deslocamento para
com a horizontal um ângulo de 25 a 30°. Sob a       dentro.
pressão das forças musculares longitudinais, o
carpo alinhado tende a deslizar para cima e para          Em vista póstero-interna (fig. 4-22) da por-
dentro, no sentido da seta branca.                  ção inferior do rádio, após ter sido removida a
                                                    porção inferior da ulna, de modo que podemos
     Contudo, (fig. 4-19) se o carpo se aduz
                                                    observar a cavidade sigmóide do rádio (1) e o
aproximadamente 30°, a força da compressão de
                                                    piramidal (2), acompanhado pelo pisiforme (3),
origem muscular se exerce perpendicularmente
                                                    e removidos também os outros ossos do carpo,
ao plano de deslizamento descrito anteriormen-
                                                    se observa que o piramidal se une com o rádio
te, o que estabiliza e centraliza novamente o       mediante os dois ligamentos rádio-piramidal an-
côndilo carpeano na glenóide. Além disso, esta      terior (4) e posterior (5). Constituem em conjun-
posição em leve adução é a posição natural do       to uma "faixa ligamentar" que dirige perma-
punho, a posição funcional, que coincide com a      nentemente o piramidal para cima e para dentro.
sua máxima estabilidade.
                                                    Também desempenham, como veremos mais
     Pelo contrário (fig. 4-20), quando o carpo     adiante, urna função importante na mecânica in-
se abduz, por escassa que seja a abdução, a com-    terna do carpo durante a abdução.
1. MEMBRO SUPERIOR   155




Fig.4-18         Fig.4-19




Fig.4-20




           3
156 FISIOLOGlAARTICULAR




                   FUNÇÃO ESTABILIZADORA DOS LIGAMENTOS
                                              (continuação)



     Estabilização no plano sagital                    sal da primeira fileira se encontram tensos, o que
     No plano sagital, as condições são muito          coapta o semilunar na glenóide radial.
parecidas.                                                  Em posição de alinhamento (fig. 4-26), a
      Devido à orientação para baixo e para dian-      tensão dos ligamentos anteriores e posteriores se
te da glenóide (fig. 4-23, vista esquemática de        equilibra, estabilizando o côndilo na glenóide.
perfil), o côndilo carpeano tem a tendência de              Pelo contrário, em extensão (fig. 4-27), a
"escapar" para cima e para frente, na direção da       tendência a que o côndilo carpeano escape para
seta branca), deslizando-se sobre o "plano" da         cima e para diante se reforça.
glenóide que forma um ângulo de 20 a 25° com
a horizontal.                                                A função dos ligamentos (fig. 4-28) é essen-
                                                       cial, não tanto a dos ligamentos posteriores, que
     A flexão do punho de 30 a 40° (fig. 4-24)         permanecem distendidos, mas a dos anteriores,
orienta o deslocamento ósseo, sob pressão das          cuja tensão é proporcional ao grau de extensão.
forças musculares, perpendicularmente ao "pla-         Pela sua superfície profunda, comprimem o se-
no" da glenóide, o que estabiliza e centraliza no-     milunar e a cabeça do osso capitato para cima e
vamente o côndilo carpeano.                            para trás, produzindo ao mesmo tempo a estabi-
      Assim sendo, a função dos ligamentos (fig.       lização e a recentralização do côndilo carpeano;
4-25) se reduz relativamente: os ligamentos an-        o que corresponde à posição de tensão ligamen-
teriores, distendidos, não intervêm; pelo contrá-      tar e de máxima compressão articular, ou tam-
rio, o freio posterior do lunar e a faixa transver-    bém "close packed position" de Mac Conaill.
1. MEMBRO SUPERIOR   157




       Fig.4-24


  Fig.4-23




                     Fig.4-28


Fig.4-26
158 FISIOLOGIA ARTICULAR




                                   A DINÂMICA DO CARPO


     Coluna do semilunar                              que anula, em parte, os efeitos: deste modo, em
      Se é conveniente, numa primeira aproxima-       alinhamento, o centro da cabeça do osso capita-
ção, considerar o maciço do carpa como um blo-        to é o mais afastado do fundo da glenóide, no
co imutável, os recentes trabalhos de anatomia        sentido do eixo longitudinal do rádio. Em ex-
funcional mostram que este conceito monolítico        tensão (fig. 4-34), a "subida" do centro da cabe-
já não corresponde à realidade: é melhor ter em       ça do osso capitato se anula em parte pela "des-
mente um carpo de geometria variável no qual          cida" do lado posterior da glenóide. Em flexão
se produzem, por ação de pressões ósseas e de         (fig. 4-35), sua descida se anula, em parte, pela
resistências ligamentares, movimentos relativos       "subida" do lado anterior da glenóide. Porém, o
dos ossos no interior do carpa que modificam          centro da cabeça do osso capitato se localiza,
 sensivelmente a sua forma.                           em ambos os casos, aproximadamente no mes-
     N. Kuhlmann estudou recentemente estes           mo nível h por cima de sua posição de alinha-
                                                      mento.
movimentos elementares, principalmente no que
se refere à coluna média do semilunar e do osso            Por outro lado, em flexão (fig. 4-35), este
capitato, além da coluna externa do escafóide e       centro se submete a um deslocamento anterior a
do par trapézio-trapezóide.                           igual a mais de duas vezes a retrocessão r asso-
                                                      ciada à extensão (fig. 4-34), o que modifica ao
      A dinâmica da coluna média depende da
                                                      contrário o grau de tensão e o momento de ação
forma assimétrica do semilunar, mais avultado,
                                                      dos flexores em relação aos extensores.
 mais espesso pela frente que por trás: depen-
 dendo dos casos, a cabeça do osso capitato está           Tradicionalmente, a flexão é maior na rá-
 coberta por um capuz frígio (fig. 4-29), um bo-      dio-carpeana (50°) que na médio-carpeana (35°),
 né de cossaco (fig. 4-30) ou um turbante (fig. 4-    e ao contrário, a extensão é maior na médio-c ar-
 31); é raro que esteja coberto por um bicorne        peana (50°) que na rádio-carpeana (35°). Isto é
 "primeiro império" (fig. 4-32) simétrico e neste     correto para as amplitudes extremas, mas nos
 caso, a cabeça do osso capitato é assimétrica,       setores de escassa amplitude, o grau de flexão ou
 mais oblíqua pela frente. Aproximadamente na         de extensão é mais ou menos o mesmo em cada
 metade dos casos, o "capuz frigia" se coloca en-     uma das articulações.
 tre o osso capitato e a glenóide radial, como se           A assimetria do semilunar faz com que a
 fosse uma cunha curva. Conseqüentemente, esta        estática do carpo seja muito sensível à sua posi-
 distância útil entre a cabeça do osso capitato e a   ção relativa na cadeia articular. Se, a partir da
 glenóide radial varia dependendo do grau de fle-     posição de alinhamento (fig. 4-36) que corres-
 xão-extensão do punho.                               ponde a um adosamento normal do semilunar
     Em posição de alinhamento (fig. 4-33), a         pelos seus dois freios anterior e posterior, se in-
distância útil corresponde à espessura média do       troduz, sem nenhuma flexão-extensão do osso
semilunar.                                            capitato com relação ao rádio, uma basculação
     Na extensão (fig. 4-34) esta distância útil      do lunar para frente (fig. 4-37), ou uma bascula-
diminui já que corresponde à menor espessura          ção para trás (fig. 4-38), podemos constatar que
do semilunar.                                         o centro da cabeça do osso capitato se desloca
                                                      para cima (e) e respectivamente para trás (c) ou
      Pelo contrário, esta aumenta na flexão (fig.    para frente (b): a instabilidade localizada do se-
 4-35), já que se interpõe a maior espessura da       mil~tnar, por ruptura ou distensão do freio ante-
,cunha lunar.
                                                      rior (fig. 4-37) ou do freio posterior (fig. 4-38),
    Contudo, a obliqüidade da glenóide se             repercute, mediante o osso capitato, em todo o
combina com esta variação da distância útil, o        carpa.
1. MEMBRO SUPERIOR   159




               V   Fig.
                      4-30   VFi9.4-31             VFí9.4-32




                                         a
Fig.4-34                                       Fig.4-35




                       Fig.4-36               Fig.4-38
           c                         b
160 FISIOLOGIA ARTICULAR




                                     A DINÂMICA DO CARPO
                                                (continuação)

     Coluna do escafóide                                        Isto envolve três observações:
      A dinâmica da coluna externa depende da                   1) os pontos de contato se deslocam sobre a
forma e orientação do escafóide.                                   glenóide radial e o escafóide (fig. 4-46):
      De perfil (fig. 4-39), o escafóide possui uma               -      na glenóide radial, o contato em ex-
silhueta renifonne, ou em forma de feijão, a parte                       tensão c' se localiza pela frente do pon-
mais alta, arredondada, corresponde à superfície                         to de contato em posição de alinha-
superior convexa, articulada com a glenóide ra-                          mento a', e estes dois últimos pela fren-
dial, a parte inferior representa a parte alta do tu-                    te do ponto de contato em flexão e';
bérculo escafóide, em cuja superfície inferior se                  -     no escafóide:
articulam o trapezóide e o trapézio; só este último
está representado aqui; situa-se claramente mais                         • no nível da supeifície superior, o
para frente que o trapezóide e o osso capitato, já                         contato em flexão e é anterior, o
que, com ele, se inicia a anteposição da coluna do                         contato em extensão c é posterior, e
polegar com relação ao plano da mão. Deste mo-                             o contato em posição de alinhamen-
do, o escafóide fica intercalado obliquamente en-                          to a entre ambos;
tre o rádio e o trapézio, embora esta obliqüidade                        • no nível da supeifíGie infe ri 01; a or-
 esteja mais ou menos acentuada dependendo da                              dem dos pontos correspondentes f
 sua forma. Assim sendo, podemos encontrar esca-                           para a flexão, d para a extensão, b
fóides renifonnes "deitados" (fig. 4-39), escafói-                         para a posição de alinhamento é a
 des dobrados "sentados" (fig. 4-40) e escafóides                          mesma (j para diante, d para trás e b
 quase erguidos "em pé" (fig. 4-41). Nos esque-                            entre ambos).
 mas está representado o escafóide "deitado" por                2) os diâmetros      úteis no escafóide ab, cd e
 tratar-se do mais freqüente.                                      eJ,que correspondem respectivamente à
       A forma alongada do escafóide permite ob-                   posição de alinhamento, à de extensão e
 servar dois diâmetros (fig. 4-42), os diâmetros                   à de flexão, são quase paralelos e prati-
 maior e menor, que aparecem, dependendo da po-                    camente iguais:
 sição, em contato com a glenóide radial e a super-
                                                                   -     cd e ef são paralelos;
 fície articular superior do trapézio; isto determina
 as variações do "espaço útil" entre estes dois os-                -     ab e ef são iguais, cd é levemente mais
 sos.                                                                    curto.
      Em posição neutra ou de "alinhamento" (fig.               3) deslocamento do trapézio com relaçâo ao
4-43) é quando a distância é maior entre o rádio e                 rádio (fig. 4-47)
o trapézio; o contato entre o escafóide e a glenói-              As posições de alinhamento A, de flexão
de radial se localiza nos dois pontos correspon-                 F e de extensão E, se realizam pratica-
dentes a a e a', e entre o ponto central g da super-             mente num círculo concêntrico com curva
fície superior do trapézio e o escafóide em b.                   ântero-posterior da glenóide radial, en-
      Em extensão (fig. 4-44), a distância útil dimi-            quanto o trapézio realiza uma rotação so-
nui enquanto o escafóide se "ergue" e o trapézio                 bre si mesmo, aproximadamente igual ao
se desloca para trás; o contato entre a glenóide e o             ângulo do arco que descreve: dito de outra
escafóide se produz nos pontos homólogos c e c' ,                forma, a sua superfície articular superior
e entre o trapézio e o escafóide nos pontos de g.                se dirige para o centro do círculo C.
      Em fiexão (fig. 4-45), a distância rádio-trapé-         Toda esta dinâmica se refere aos movimentos
zio também diminui quando o escafóide está total-        simultâneos do escafóide e do trapézio. Mais
mente deitado e o trapézio se desloca para frente;       adiante exporemos o resultado dos movimentos
os pontos de contato se situam em e, e' eJ, g.           isolados do escafóide.
1. MEMBRO SUPERIOR   161




           Fig.4-43      Fig.4-45
Fig.4-44
162   FlSIOLOGIA   ARTICULAR




                               o PAR ESCAFÓIDE-SEMILUNAR
      Nos movimentos de flexão-extensão do                     carpo, ou uma fratura ou luxação, como
punho, N. Kuhlmann distingue quatro setores                    veremos mais adiante.
(fig. 4-48):
                                                             O fato de se repetir a idéia do bloqueio ar-
      -   o setor de adaptação pennanente (I) até      ticular foi necessário para esclarecer o assincro-
          20°: as amplitudes dos deslocamentos
          elementares são escassas e difíceis de       nismo do bloqueio em extensão das colunas do
                                                       semilunar e do escafóide.
          apreciar; os ligamentos estão distendi-
          dos e a pressão sobre as superfícies arti-        De fato, o bloqueio em extensão da coluna
          culares é mínima. Os movimentos mais
                             ..                        do escafóide (fig. 4-49), causado pela tensão
          comuns e que preCIsam necessanamen-          máxima dos ligamentos rádio-escafóide (1) e
          te restabelecer a sua mobilidade após        trapézio-escafóide (2), provoca um autêntico en-
          uma intervenção cirúrgica ou traumatis-
                                                       caixamento do escafóide entre o trapézio e a gle-
          mo se realizam neste setor;
                                                       nóide radial, que acontece antes do bloqueio em
      -   o setor de mobilidade comum (lI) até         extensão da coluna do semilunar (fig. 4-50):
          40°; o jogo ligamentar começa a se ma-
                                                       neste bloqueio intervêm não só a tensão dos li-
          nifestar e as pressões articulares se no-
          tam. Até este ponto, as amplitudes na        gamentos rádio-lunar anterior (3) e lunatocapital
          rádio-carpeana e na médio-carpeana           (4), mas também o impacto ósseo da superfície
          são quase iguais;                            posterior do colo do osso capitato contra o lado
      -   o setor de alteração fisiológica mo-         posterior da glenóide; de modo que o movimen-
          mentânea (IlI) até 80°; as tensões liga-     to de extensão continua na coluna do semilunar,
          mentares e as pressões articulares al-       enquanto já está parado na do escafóide.
          cançam o seu ponto máximo, para rea-               Se partirmos da posição de flexão (fig. 4-51)
          lizar no fim do trajeto a posição de blo-    (vista conjunta de perfil do semilunar e do esca-
          queio ou dose packed position (Mac
                                                       fóide), num primeiro momento (fig. 4-52), a ex-
          Conaill);
                                                       tensão arrasta simultaneamente o escafóide e o
      -   O setor de alteração patológica (IV) su-
                                                       semilunar, a seguir (fig. 4-53) o escafóide se de-
          perior aos 80°: a partir deste ponto, a
                                                       tém, enquanto o semilunar continua a sua bascu-
          continuação do movimento ocasiona
          obrigatoriamente umà ruptura ou uma          lação anterior 30° mais, graças à elasticidade do
          distensão ligarnentar que, lamentavel-       ligamento interósseo escafolunar. Assim sendo a
          mente, passa despercebida com freqüên-       amplitude total do movimento do semilunar é
          Cia, provocando uma instabilidade do         30° maior que a do escafóide.
1. MEMBRO SUPERIOR   163




 Fig.4-48   3

            Fig.4-50




Fig.4-51
164 FISIOLOGIA ARTICULAR




                                 o CARPO           DE GEOMETRIA VARIÁVEL


      A abdução-adução                                              baixo do rádio, enquanto o trapézio e o trapezóide
       Mais que como um bloco monolítico, o carpo deve ser con-     descem (seta 1) aumentando o espaço útil para o es-
siderado uma bolsa de bolinhas de gude, principalmente no que se    cafóide. Este, deslocado para baixo pelo ligamento
refere aos movimentos de abdução-adução no percurso dos quais a     trapézio-escafóide, se endireita (fig. 4-58) em exten-
sua forma se modifica sob pressões ósseas e tensões ligamentares.   são (e) da rádio-carpeana, de modo que ganha altura
O estudo minucioso das radiografias frontais em abdução e em        e preenche o espaço que estava vazio debaixo do rá-
adução permite constatá-lo: os esquemas desta página correspon-
dem a este estudo.                                                  dio. Simultaneamente, o trapézio se desliza em fle-
                                                                    xão (f) da médio-carpeana debaixo do escafóide;
     Durante a abdução (fig. 4-54), num primeiro                    quando a descida do escafóide (seta 2) fica inter-
momento, o carpo gira em conjunto em tomo de um                     rompida pelo ligamento lateral externo (LLE), a ab-
centro situado na cabeça do osso capitato, a fileira                dução continua na segunda fileira; provocando um
superior se desloca (seta 1) para cima e para dentro                deslizamento relativo em relação à primeira fileira
de tal maneira que a metade do semilunar se situa                   (setas pretas): a cabeça do osso capitato se afunda na
abaixo da cabeça ulnar e o piramidal, no seu movi-                  superfície côncava do escafóide, o semilunar se des-
mento para baixo, aumenta o espaço que o separa.                    liza sobre a cabeça do osso capitato e toca o osso ha-
Mas a tensão do ligamento lateral interno (LU) e                    mato, o piramidal "desce" pela rampa do osso hama-
principalmente a "faixa" do piramidal (C) detêm                     to. Ao mesmo tempo, o piramidal sobe (seta 3) em
muito cedo este deslocamento, transformando o pi-                   direção à cabeça ulnar que constitui um topo, me-
ramidal num bloco contra o qual impacta o semilu-                   diante o ligamento triangular, transmitindo as forças
nar. Como a abdução continua, a segunda fileira é a                 que provêm do antebraço para os dois raios internos
única que continua o seu movimento:                                 da mão; o osso capitato ascende (seta 5) reduzindo o
      -   o trapézio e o trapezóide ascendem (seta 2),              espaço útil para o semilunar, o qual, graças à disten-
          diminuindo o espaço útil entre o trapézio e               são do seu freio anterior pode bascular para frente
          o rádio, por efeito da compressão entre o                 (fig. 4-59) em extensão (e) na rádio-carpeana, de
          trapézio (2) e o rádio (3), o escafóide perde             modo que apresenta a sua menor espessura, enquan-
          a sua altura "encostando-se" por flexão (f)                to o osso capitato se flexiona (f) na médio-carpeana.
          na rádio-carpeana (fig. 4-56), enquanto a                      Também neste caso, por ter esgotado todos os
          médio-carpeana se estende (e);                            movimentos relativos dos ossos do carpo, o conjun-
      -   o osso capitato "desce" (seta 4), aumentando              to constitui um bloco travado em adução (close
          o espaço útil do semilunar; retido pelo seu               packed position).
          freio anterior. de modo que pode bascular                        Em resumo, se compararmos (esquema em detalhe) o par
          (fig. 4-57) para trás por flexão (f) na rádio-            escafóide-semilunar em abdução (cor cinza) e em adução (cor cla-
                                                                    ra), podemos comprovar que cada um dos dois ossos se transforma
          carpeana, apresentando a sua maior espessu-
                                                                    ao contrário: em abdução, o escafóide diminui de superfície e o se-
          ra; simultaneamente, o osso capitato se aco-              milunar aumenta; em adução ocorre o contrário. Esta "metamorfo-
          pIa (e) na médio-carpeana; a diminuição da                se" se deve aos movimentos de f1exão-extensão nas duas articula-
          altura do escafóide permite um deslizamen-                ções do carpo:
          to relativo do osso capitato e do osso hama-                    -    em abdução (figs. 4-56 e 4-57), a f1exão na rádio-carpea-
          to por baixo da primeira fileira (setas pretas):                     na desaparece devido à extensão na médio-carpeana;
          o piramidal, retido pelos seus três ligamen-                    -    em adução (figs. 4-58 e 4-59), ao contrário, a extensão na
          tos, "sobe" pela rampa do osso hamato em                             rádio-carpeana se compensa pela f1exão na médio-car-
          direção à cabeça do osso capitato. Como os                           peana.
          movimentos relativos dos ossos do carpa es-                      Por lógica, se considerarmos a proposta recíproca, podemos
          tão esgotados. o conjunto constitui um bloco              afirmar que:
          travado em abdução (close packed position).                     -    a f1exão de punho se associa com uma abdução da rádio-
     Durante a adução (fig. 4-55), num primeiro                                carpeana e uma adução da médio-carpeana;
momento, o carpo gira em conjunto, mas desta vez,                          -   a extensão de punho provoca uma adução da rádio-car-
a primeira fileira se desloca para baixo e para fora,                          peana e uma abdução da médio-carpeana.
de modo que o semilunar se desliza totalmente por                          Deste modo, se confirma o mecanismo descrito por Henke.
1. MEMBRO SUPERIOR     165




Fig.4-54

                                     Fig.4-55




           U
                          Fig.4-56               Fig.4-58


               Fig.4-57
166   FISIOLOGIA ARTICULAR




                               AS ALTERAÇÕES PATOLÓGICAS


     Os dois movimentos cujo esforço máximo                     perfície externa do corpo do osso que se
gera mais desgastes anatômicos são a abdução e                  fratura neste ponto devido ao cisalha-
a extensão, com freqüência associados.                          mento.
     A abdução levada além da posição de blo-                A extensão exagerada acarreta, com muita
queio pode provocar dois tipos de lesões:               freqüência, como' acabamos de comentar (fig. 4-
      -   umafratllra   da porção inferior do rádio     61), uma fratura de Pouteau-Colles. Muito pou-
          (fig. 4-60): a pressão do escafóide sobre     cas vezes provoca desgastes ligamentares cujo
          a SALIÊNCIA externa da glenóide ra-           primeiro momento é a ruptura do ligamento lu-
          dial fratura a epífise mais frágil devido à   natocapital; em segundo lugar podem existir
          osteoporose do indivíduo de idade avan-       duas possibilidades:
          çada; o deslocamento se realiza para fo-          -   o osso capitato ascende em extensão e a
          ra e se associa com uma basculação pos-               sua cabeça se encaixa por trás da haste
          terior pela extensão do punho (fig. 4-61).            posterior do semilunar que permanece
          Este tipo de fratura permite notar a resis-           no lugar: é a lllxação retrollll1ar do car-
          tência do escafóide, sem dúvida bem                   po (fig. 4-64):
          protegido quando está "ftexionado" (fig.          -   o freio posterior do semilunar, solicitado
          4-61), situado totalmente debaixo do                  pela hiperextensão e a cabeça do osso
          processo estilóide radial; também indica              capitato, se desprende, provocando a
          a resistência dos ligamentos anteriores; o            enucleação para frente do lunar que, ao
          processo estilóide ulnar sob tração asso-             ficar fixo pela sua haste anterior, realiza
          ciada do ligamento triangular e do liga-              uma rotação sobre si mesmo de 90 a
          mento lateral interno da rádio-carpeana               120° em tomo de um eixo transversal,
          se fratura com freqüência na sua base;                de modo que a sua superfície inferior se
      -   ou umafratura do escafóide (fig. 4-62):               dirige para cima; então, a cabeça do os-
          o escafóide, desta vez se encontra em                 so capitato ascende por baixo da glenói-
          extensão e se localiza, em toda a sua                 de, deslocando o lunar para frente no ca-
          longitude, debaixo da saliência da gle-               nal carpeano onde comprime o nervo
          nóide radial; por conseguinte, o proces-              mediano. É a lllxação anterior do semi-
          so estilóide radial impacta contra a su-              lunar (fig. 4-65).




                                                                            -------
1. MEMBRO SUPERIOR   167




Fig.4-60




              ~
           Fig.4-63   .

                                   Fig.4-64
168 FISIOLOGIA   ARTICULAR




                          OS MÚSCULOS MOTORES DO PUNHO


    Em vista anterior do punho (fig. 4-66),                   ca, se inserem, o primeiro (6) na base do
podemos observar:                                             segundo metacarpeano e o segundo (5)
    -    o palmar maior (1) que, após ter per-                na base do terceiro metacarpeano.
         corrido um canal especial por baixo do           Para simplificar, nesta vista posterior não se
         ligamento anular anterior do carpa, se      representaram:
         insere na superfície anterior da base do         -   os quatro tendões extensores comuns;
         segundo metacarpeano e, de maneira
         acessória, no trapézio e base do tercei-         -   o tendão do extensor p~óprio do dedo in-
                                                              dicador;
         ro metacarpeano;
    -    o palmar menor (2), menos potente,               -   o tendão do extensor próprio do dedo
                                                              mínimo.
         entrelaça as suas fibras verticais com as
         fibras transversais do ligamento anular          Poderemos ver mais adiante no corte (fig.
         anterior do carpo e envia quatro faixas     4-71).
         pré-tendíneas que se inserem na superfí-          Numa vista do lado interno do punho
         cie profunda da dermis da palma da          (fig. 4-68), podemos observar os tendões:
         mão;
                                                          -   do flexor ulnar do carpo (3), a sua in-
    -    o flexor ulnar do carpo (3) que, após                serção, deslocada para frente pelo pisi-
         ter passado pela frente do processo esti-            forme, aumenta a sua eficácia;
         lóide ulnar, se insere no pólo superior
                                                          -  do extensor ulnar do carpo (4).
         do pisiforme e, de maneira acessória, no
         ligamento anular, osso hamato e o quar-          Estes dois tendões delimitam lateralmente
         to e quinto metacarpeanos.                  o processo estilóide ulnar.
     Para não sobrecarregar este esquema, não              Numa vista do lado externo do punho
desenhamos os tendões flexores dos dedos que         (fig. 4-69), podemos observar os tendões:
passam pelo canal carpeano junto com o nervo               - do extensor radial longo (6) e curto (5)
mediano:                                                      do carpo;
     -   os quatro tendões flexores profundos;            -   do abdutor longo do polegar (7), que
     -   os quatro tendões flexores superficiais;             se insere na parte externa da base do
                                                              primeiro metacarpeano;
     -   o flexor longo próprio do polegar.
                                                          -   do extenso r curto do polegar (8), que
     Estão representados no corte (fig. 4-71).                se insere na superfície dorsal da base da
    Em vista posterior do punho (fig. 4-67),                  primeira falange do polegar;
podemos observar:                                         -   do extenso r longo do polegar (9), que
     -   o extensor ulnar do carpo (4) que,                   se insere na segundafalange do polegar.
         após passar por trás do processo estilói-        Tanto os extensores radiais quanto os mús-
         de ulnar, se insere na supeifície poste-    culos do polegar delimitam o processo estilóide
         rior da base do quinto metacarpeano;        radial. O tendão do extensor longo do polegar
     -   os dois extensores radiais longo e cur-     constitui o limite posterior da tabaqueira anatô-
         to do carpo (5 e 6) que, após percorrer     mim. Os tendões do abdutor longo e do extensor
         a parte superior da tabaqueira anatômi-     curto do polegar constituem o seu limite anterior.
1. MEMBRO SUPERIOR   169




            Fig.4-68




           Fig.4-69
170 FISIOLOGIA   ARTICULAR




                    AÇÃO DOS MÚSCULOS MOTORES DO PUNHO


     Na superfície posterior do punho, os ten-               3.° grupo: os palmares, o maior (2) e o menor
dões extensores passam por baixo do ligamento            (3), são:
anular dorsal do carpo (fig. 4-70; as explicações               -   flexores do punho (localizados pela frente
são as mesmas para a figura seguinte) por seis                      do eixo AA');
túneis osteofibrosos acompanhados de seis
bainhas sinoviais. São de dentro para fora:                     -   abdutores (localizados por fora do eixo
                                                                    BB').                      I
    -    o túnel do extensor ulnar do carpo;
                                                             4.° grupo: os extensores radiais do carpo, o
    -    o do extensor próprio do dedo mínimo;           longo (4) e o curto (5), são:
    -    o dos quatro extensores comuns e o do                  -   extensóres do punho (localizados por trás
         extensor próprio do dedo indicador;                        do eixo AA');
    - - o do extensor próprio do polegar;                       -   abdutores do punho (localizados por fora
    - o dos dois extensores radiais;                                do eixo BB').
     -   o do abdutor longo e o do extensor cur-              Pela sua situação com relação aos dois eixos
         to do polegar.                                  da rádio-carpeana, nenhuma ação dos músculos
                                                         motores do punho é pura, o qual significa que pa-
     O ligamento anular e os túneis osteofibro-          ra obter uma ação pura será sempre necessária a
sos constituem para os tendões polias de refle-          ação simultânea de dois grupos para anular um
xão quando o punho se encontra em extensão.              componente: este é um exemplo de relação anta-
     Tradicionalmente,   os músculos motores             gonismo-sinergia muscular.
do punho se classificam em quatro grupos. O                     -   Flexão (a): 1.0 (flexor ulnar do carpo) e 3.°
esquema 4-71 representa esta classificação em                       grupos (palmares);
relação aos dois eixos do punho:
                                                                -   Extensão (b): 2.° (extensor ulnar do carpo)
     -   o eixo AA': flexão-extensão;                               e 4.° grupos (radiais);
     -   o eixo BB': adução-abdução.                            -Adução    (c): 1.°(flexorulnar do carpo) e 2.°
      (O esquema representa um corte do punho                      grupos (extensor ulnar do carpo);
direito, parte inferior do corte, pelo qual B' na               -Abdução      (d): 3.° (palmares) e 4.° grupos
frente, B por trás, A' por fora e A por dentro. Os                 (radiais).
tendões assombreados são os motores do punho,                 Na verdade, estas ações estão mais matiza-
os brancos são os motores dos dedos.)
                                                          das. As experiências de excitação elétrica de Du-
     1.0 grupo: o fiexor ulnar do carpo (1) é:            chenne de Boulogne (1867) demonstraram que:
     -   flexor do punho (localizado para dian-                 -   só o extensor radial longo (4) é extensor-
         te do eixo AA') e                                          abdutor; o extensor radial curto é direta-
                                                                    mente extensor, daí vem a sua importân-
     -   adutor (localizado para dentro do eixo                     cia fisiológica;
         BB'), mas em menor grau que o extensor
         ulnar do carpo. Exemplo de flexão-adu-                 -   palmar menor é diretamente flexor; o pal-
                                                                    mar maior é também diretamente flexor; e
         ção: mão esquerda tocando o violino.
                                                                    também flexiona o segundo metacarpeano
     2.° grupo: o extensor ulnar do carpo (6) é:                    sobre o camo de maneira que prona a mão.
                                                                    Portanto, o palmar maior excitado de ma-
     -   extensor do punho (localizado por trás
                                                                    neira isolada não é abdutor, e se se con-
         do eixo AA');
                                                                    trai durante a desvio radial, é para contra-
     -   adutor (localizado por dentro do eixo                      balançar o componente extensor do radial
         BB').                                                      longo, principal motor da abdução.




                                               --------------            -   ---   ---------
1. MEMBRO SUPERIOR   171




           4




Fig.4-70
172 FISIOLOGIA ARTICl.JLAR




                     AÇÃO DOS MÚSCULOS MOTORES DO PUNHO
                                              (continuação)


    -    Os músculos motores dos dedos não po-                -   os músculos extensores do punho são
         dem mover o punho se não for em deter-                   sinérgicos dos flexores dos dedos (a):
         minadas condições:                                       ao estender o punho, os dedos se flexio-
         Os flexores dos dedos, flexores comuns                   nam automaticamente, para estender os
                                                                  dedos nesta posição, é necessária uma
         profundos (7), flexores comuns superfi-
                                                                  ação voluntária.
         ciais (12) e o flexor longo próprio do po-
         legar (13) só são flexores do punho se a                 Além disso, nesta posição de extensão
         flexão dos dedos se detém antes do que                    do punho, os flexores possuem a sua má-
         o trajeto dos tendões se esgote: por                      xima eficácia, porque os tendões flexo-
         exemplo, se a mão segura um objeto vo-                    res são relativamente mais curtos que na
         lumoso, como uma garrafa, a flexão do                     posição de alinhamento do punho e, con-
         punho pode ser ajudada com a flexão                       seqüentemente, em flexão do punho: a
         dos dedos.                                               força dos fiexores dos dedos, medida com
                                                                   o dinamômetro é, em fiexão do punho, a
         Assim sendo, os extensores dos dedos,
                                                                   quarta parte da que desenvolvem em ex-
         os extensores curtos (8), o extensor pró-                 tensão.
         prio do dedo mínimo (14) e o extensor
         próprio do dedo indicador (15) partici-              -   os músculos flexores do punho são si-
         pam na extensão do punho quando a                        nérgicos dos extensores dos dedos (b):
         mão está fechada.                                        quando se flexiona o punho, a extensão
                                                                  da primeira falange dos dedos é auto-
    -    O abdutor longo (9) e o extensor curto                   mática; é necessária uma ação voluntá-
         do polegar (10) se converiem em abdu-                    ria para flexionar os dedos sobre a pal-
         tores do punho se a sua ação não é con-                  ma da mão e esta flexão carece de for-
         trabalançada pela do extensor ulnar do                   ça. Assim sendo, a tensão dos flexores
         carpo. Se o extensor ulnar do carpo se                   dos dedos limita a flexão do punho; é
         contrai simultaneamente, a abdução iso-                  suficiente estender os dedos para que a
         lada do polegar se realiza por ação do                   flexão do punho aumente 10°.
         abdutor longo. De modo que a ação si-
                                                                  Este delicado equilíbrio muscular pode-
         nérgica do extensor ulnar do carpo é in-
                                                                  se alterar com facilidade: a deformação
         dispensável para a abdução do polegar.                   de uma fratura de Pouteau-Colles sem
         Neste caso, podemos inclusive afirmar
                                                                  reduzir não só determina uma mudança
         que o extensor ulnar do carpo estabiliza
                                                                  de orientação da glenóide antebraquial,
         o punho.
                                                                  mas também provoca um alongamento
     -   O extensor longo do polegar (11), que                    relativo dos extensores do punho, de mo-
         realiza uma extensão e uma retropulsão                   do que repercute na eficácia dos flexores
         do polegar, pode acarretar uma abdução                   dos dedos.
         e uma extensão do punho se o flexor ul-            A posição funcional de punho (fig. 4-73)
         nar do carpo está distendido.                 se corresponde com a máxima eficácia dos mús-
     -    Outro estabilizador do punho, o exten-       culos motores dos dedos, e sobretudo, dos flexo-
          sor radial longo do carpo (4), é impres-     res. Esta posição funcional é definida como:
          cindível para manter uma posição corre-           - leve extensão do punho, de 40-45°;
          ta da mão: a sua paralisia provoca um
          desvio ulnar pemwnente.                             -leve     adução (desvio u1nar), de 15°.
    A ação sinérgica e estabilizadora          dos         Nesta posição do punho é que a mão se
músculos do punho (fig. 4-72):                         adapta melhor para realizar apreensão.
1. MEMBRO SUPERIOR   173




  Fig.4-72




  Fig.4-73
174 FISIOLOGIA ARTICULAR




                                        A SUA FUNÇAO


      A mão do homem é uma ferramenta mara-         te adotar a posição mais favorável para uma
vilhosa, capaz de executar inumeráveis acões        ação determinada. Porém, a mão não é unica-
graças à sua função principal: a preensão. E "o     mente um órgão de execução, também é um re-
instrumento dos instrumentos" como disse Aris-      ceptor funcional extremamente sensível e preci-
tóteles.                                            so, cujos dados são imprescindíveis para a sua
     Está dotada de uma grande riqueza funcio-      própria ação. Por último, graças ao conheci-
nal que lhe proporciona uma superabundância         mento da espessura e das distâncias que lhe
de possibilidades nas posições, nos movimentos      proporciona o córtex cerebral, a mão é a educa-
e nas ações.                                        dora da visão, permitindo-lhe controlar e inter-
                                                    pretar as informações: sem ela a nossa visão do
     Esta função de preensão pode-se encontrar      mundo seria plana e sem relevo. Ela constitui a
desde a pinça do caranguejo à mão do símio,         base deste sentido tão específico que é a este-
mas em nenhum outro ser, que não seja o ho-         reognosia, conhecimento do relevo, da forma, da
mem, alcança este grau de perfeição. Isto se de-    espessura, em resumo, do espaço. Também é a
ve à posição peculiar que apresenta o polegar de    educadora do cérebro devido às noções de su-
poder opor-se a todos os outros dedos. Em ma-       perfície, peso e temperatura. É capaz, por si
cacos avançados, o polegar é oponente, mas a        mesma, de reconhecer um objeto, sem sequer re-
amplitude desta oposição jamais alcança a do        correr à vista.                               I




polegar humano.
                                                          Portanto, a mão constitui junto com o cére-
     Ao mesmo tempo, a ausência de especiali-        bro um par funcional indissociável, onde cada
zação da mão do homem é um fator de adapta-          termo reage logicamente sobre o outro, e é gra-
bilidade e de criatividade.
                                                     çasà proximidade desta inter-relação que o ho-
     Do ponto de vista fisiológico, a mão repre-     mem pode modificar a natureza segundo os seus
senta a "extremidade realizadora" do membro          desígnios e ser superior a todas as espécies terres-
superior que constitui o seu suporte e lhe permi-    tres viventes.




                                               ------~-----------~--------~-                 ---------
1. MEMBRO SUPERIOR   175
176 FISIOLOGIA ARTICULAR




                                         TOPOGRAFIA DA MÃO


    Podemos estudar a topografia das duas superfícies       (20) que estão ao redor da sua metacarpofalangeana; a
da mão: a palmar e a dorsal.                                primeirafalange (21) está separada da polpa do polegar
     A superfície palmar (fig. 5-1), ou anterior da mão,    (22), superfície anterior da segunda falange, pela prega
consta de duas partes possíveis de descrever: a palma e     da inteifalangeana (23) localizada um pouco acima da
a superfície palmar dos dedos.                              sua articulação.
    Assim sendo, a palma da mão inclui três partes:               A superfície dorsal (fig. 5-2), ou posterior da
    -    no centro, a palma propriamente dita (1), o        mão, também compreende duas regiões, a superfície
                                                            dorsal da mão e a dos dedos.
         "oco" da mão, que corresponde à cela palmar
         média com os tendões flexores, os vasos e os             A supeifície dorsal da mão, coberta com uma pele
         nervos, limitada por duas pregas transversais:     fina e móvel, percorrida pela rede venosa que drena todo
         a prega palmar inferior (2), que se correspon-     o sangue da mão e dos dedos, elevada pelos tendões ex-
         de com as três últimas articulações metacar-       tensores (24), está limitada por baixo por três eminências
         pofalangeanas e a prega palmar média (3),          duras e arredondadas, qu·e correspondem às cabeças dos
         que corresponde, por fora, com a metacarpo-        metacarpeanos (25), e pelas três comissuras interdigitais
         falangeana do dedo indicador;                      (26) profundamente marcadas na superfície dorsal.
     -   por fora, uma zona especialmente convexa, car-          Por dentro, o bordo ulnar da mão (27) está acol-
         nosa, contígua à base do polegar, a eminência      choado pelo adutor do dedo mínimo.
         tenar (4), limitada por dentro pela prega palmar
                                                                  Por fora (fig. 5-3), se localizam a primeira comis-
         superior (5), também denominada prega de opo-
                                                            sura (19) e a tabaqueira anatômica (28); esta última li-
         sição do polegar, inclui os músculos tenares que
                                                            geiramente côncava, situada na união do punho com o
         são motores intrínsecos do polegar; na sua por-
                                                            polegar, está limitada pelos tendões do abdutor longo
         ção superior, a palpação indica a proeminência
                                                            adosado ao do extensor curto (29) e pelo do extenso r
         óssea dura do tubérculo do escafóide (1);
                                                            longo do polegar (30); no fundo da tabaqueira anatômi-
     -    por dentro, a eminência hipotenar (7), menos      ca se situam de cima para baixo o processo estilóide ra-
          proeminente que a anterior, inclui os músculos    dial, a articulação trapézio-metacarpeana (31) e a arté-
          hipotenares, que são motores intrínsecos do       ria radial; os tendões convergem sobre a superfície dor-
          dedo mínimo: a palpação permite localizar na      sal do primeiro metacarpeano (32) no nível da metacar-
          sua parte superior a proeminência dura do pisi-   pofalangeana do polegar (33).
         forme (8), lugar de inserção da corda tendínea
          do ulnar anterior.                                      Na parte interna da superfície dorsal do punho apa-
                                                            rece, só na pronação, a proeminência dura e arredonda-
      Acima da palma, o punho se corresponde com o          da da cabeça ulnar (34).
maciço do carpo, a articulação rádio-carpeana no nível
da prega de fiexão do punho (9), sobre o qual finalizam           A superfície dorsal dos dedos está indicada pelas
perpendicularmente o tendão do palmar maior (10); que       pregas de extensão da inteifalangeana proximal (35)
limita por dentro o canal do pulso (11), o ligamento anu-   que correspondem à sua articulação. A última e terceira
lar anterior do carpo que forma um septo transversal        falange contém a unha, inserida no limbo periungueal
nesta zona e a porção superior da palma.                    (37). A zona situada entre a unha e as pregas da interfa-
                                                            langeana distal cobre a matriz ungueal (38).
     A supeifície palmar dos dedos tem origem na pre-
ga dígito-palmar (12) localizada de 10 a 15 mm abaixo            A topografia funcional (fig. 5-4) permite ~ividir a
da metacarpofalangeana. Os quatro últimos dedos estão       mão em três partes dependendo da sua utilização:
separados entre si pela segunda, terceira e quarta comis-         O polegar (I) que representa por si mesmo quase
suras (13), menos profundas que na superfície dorsal. A     todas as funções da mão, graças à sua propriedade de
prega defiexão da inteifalangena proximal (14) é dupla      oposição em relação aos outros dedos;
e se situa um pouco acima da sua articulação; separa a
primeirafalange (15) da segunda (16); a prega de fiexão           O dedo indicador e o médio (lI) que constituem
da inteifalangeana distal é simples (17), também locali-    junto com o polegar as preensões de precisão, as pinças
zada um pouco acima da sua articulação; constitui o li-     do polegar com os dedos, bidigitais ou tridigitais;
mite superior da polpa do dedo (18), superfície anterior          O anular e o dedo mínimo (III) que, com o res-
da terceira falange. O polegar, situado na base do lado     to da mão, são indispensáveis para as preensões palma-
externo da mão está separado pela primeira comissura        res, porque bloqueiam as preensões dos cabos das fer-
(19), ampla e profunda; está unido à eminência tenar        ramentas pelo lado ulnar, mantendo, dessa forma, a fir-
mediante duas pregas de fiexão do polegar com a palma       meza do punho.
1. MEMBRO SUPERIOR   177




  Fig.5-1




            Fig.5-4
Fig.5-2
178 FISIOLOGIA   ARTICULAR




                                     ARQUITETURA DA MÃO


     Para pegar objetos a mão deve adaptar a                    • arco do dedo indicador OD2 (fig. 5-8)
sua forma.                                                       que é o que se opõe com maior fre·
      Numa superfície plana, um vidro por                        qüência ao do polegar;
exemplo (fig. 5-5), a mão se estende e se aplai-            -   no sentido oblíquo (figs. 5-7, 5-8 e 5-9).
na, entrando em contato (fig. 5-6) com a eminên-                os arcos de oposição do polegar com
cia tenar (1), a eminência hipotenar (2), a cabeça              os outros quatro dedos:
dos metacarpeanos (3) e a superfície palmar das
                                                                • o mais importante destes arcos oblí-
falanges (4). Só a parte inferior-externa da palma
                                                                  quos une é opõe o polegar e o dedo in-
permanece à distância.
                                                                  dicador: D1-D2 (fig. 5-8);
     Quando desejamos pegar um objeto volu-
moso, a mão se escava e se formam uns arcos                     • mais extremo dos arcos de oposição
orientados em três direções:                                      passa pelo polegar e o dedo mínimo:
                                                                  D -D s (figs. 5-7 ' 5-8 e 5-9) .
                                                                   1

     -    no sentido transversal (fig. 5-7): o arco
          do carpo XOY que corresponde à conca-             Em conjunto, quando a mão se "escava",
          vidade do maciço do carpo. Prolonga-se        forma um canal de concavidade anterior, cujas
          para baixo mediante o arco metacarpea-        margens estão limitadas por três pontos:
          DO, no qual se alinham as cabeças meta-           -   o polegar (D), que constitui por si mes-
          carpeanas. O eixo longitudinal do canal               mo a superfície externa;
          do carpo passa pelo semilunar, o osso ca-
          pitato e o terceiro metacarpo;                    -    o dedo indicador (D 2) e o dedo mínimo
                                                                 (Ds)' que limitam a superfície interna.
     -    no sentido longitudinal (figs. 5-7 e 5-8):
                                                              Os quatro arcos oblíquos de oposição se
          os arcos carpometacarpofalangeanos
                                                        localizam entre ambas as superfícies.
          que assumem uma posição radiada do
          maciço do carpo e estão constituídos, em            A direção geral, oblíqua, deste canal pal-
          cada dedo, pelo metacarpeano e as falan-      mar - representado pela seta enorme que man-
          ges correspondentes. A concavidade des-       tém a mão (figs. 5-8 e 5-9) - está cruzada com re-
          tes arcos se orienta para a frente da palma   lação aos arcos de oposição: se localiza em uma
          e a chave da abóbada se localiza na arti-     linha que se estende da base da eminência hipo-
          culação metacarpofalangeana:       um dese-   tenar (X) (fig. 5-7) - onde podemos palpar o pi-
          quilíbrio muscular neste ponto provoca        siforme - à cabeça do segundo metacarpo (2)
          uma ruptura da curva (ver figo 5-98, b,       (fig. 5-7). Esta direção se obtém, na palma da
          pág. 215). Os dois arcos longitudinais        mão, pela parte média da prega de oposição do
          mais importantes são:                         polegar ("linha da vida"). Também é a direção
         • arco do dedo médio OD3 (fig. 5-7), arco      que segue um objeto cilíndrico segurado com to-
          axial, porque prolonga o eixo do canal        da a mão, como por exemplo o cabo de um ins-
          do carpo, e especialmente                     trumento.
1. MEMBRO SUPERIOR 179




                      2     Fig.5-6




Fig.5-7



          Fig.5-9
180 FISIOLOGIA   ARTICULAR




                                  ARQUITETURA DA MÃO
                                             (continuação)



     Quando os dedos se separam, vollmtaria-               Quando permitimos que os dedos assu-
mente (fig. 5-10), o eixo de cada um deles con-      mam uma posição natural (fig. 5-11) - posi-
verge com a base da eminência tenar, num ponto       ção a partir da qual podemos realizar os movi-
que cOlTesponde aproximadamente ao tubérculo         mentos de separação ou aproximação - ficam
do escafóide, fácil de palpar. Na mão, os movi-      ligeiramente afastados entre si, mas os seus ei-
mentos dos dedos no plano frontal normalmente        xos não convergem todos num único ponto. No
não se realizam com relação ao plano de simetria     exemplo que se expõe, existe um paralelismo
do corpo (movimentos de adução-abdução), mas         entre os três últimos dedos e uma divergência
sim em relação ao eixo da mão, constituído pelo      entre os três primeiros, sempre considerando
terceiro metacarpeano e o dedo médio; assim          que o médio constitui o eixo da mão e serve de
sendo nos referimos aos movimentos de separa-        zona de transição.
ção (fig. 5-10) e de aproximação (fig. 5-12) dos          Quando fechamos a mão com as articula-
dedos. Durante estes movimentos, o dedo médio
                                                     ções interfalangeanas distais estendidas (fig.
permanece praticamente imóvel. Porém, é possí-       5-13), os eixos das duas últimas falanges dos
vel que realize movimentos voluntários para fora     quatro últimos dedos e o eixo do polegar, me-
(verdadeira abdução, em relação ao plano de si-      nos a sua última falange, convergem num
metria) e para dentro (autêntica adução).            ponto situado na parte inferior do canal do pul-
     Quando se aproximam voluntariamente os          so. Observe-se que desta vez, o eixo longitudi-
dedos uns dos outros (fig. 5-12), os eixos dos de-   nal é o do dedo indicador, enquanto os eixos
dos não são paralelos, mas convergem num pon-        dos três últimos dedos são mais oblíquos
to bastante afastado, que se localiza fora da ex-    quanto mais se afastam do dedo indicador.
tremidade da mão. Isto se deve ao fato de que os     Mais adiante poderemos ver (pág. 198) a uti-
dedos não são cilíndricos, sendo de calibre de-      lidade e o motivo desta flexão oblíqua dos
crescente da base até a ponta.                       dedos.
1. ':'IEMBRO SUPERIOR   181




.' ''-. ~              Fig.5-13

   -~    Fig.5-10




             Fig.5-11    Fig.5-12
182 FISIOLOGIA ARTICULAR




                                    o MACIÇO          DO CARPO


     o maciço do carpo constitui um corredor          po se aumenta ligeiramente graças aos pequenos
de concavidade anteri07; convertida em canal          movimentos de deslizamento nas artródias que
pelo ligamento anular anterior do carpo, que se       se localizam entre os diferentes ossos do carpo.
estende de lado a lado do corredor.                   A cavidade glenóide do escafóide se desliza so-
     Esta disposição em forma de sulco ou canal       bre a convexidade da cabeça do osso capitato
pode ser apreciada com bastante evidência             num movimento de "parafuso" para baixo e pa-
quando observamos o esqueleto da mão, com o           ra frente; o piramidal e o osso ):1amatose deslo-
punho em hiperextensão (fig. 5-14). Nesta posi-       cam simetricamente para frente, e especialmen-
ção, a direção do olhar se encontra exatamente        te o trapezóide e o trapézio se deslizam sobre as
no eixo do canal do carpo, cujas margens pode-        duas superfícies articulares inferiores do esca-
mos distinguir facilmente:                            fóide: o trapézio, em particular, percorre para
                                                      frente e para dentro da superfície articular de
    - por fora: o tubérculo do escafóide (1) e        forma cilíndrica que se estende até a superfície
      a crista do trapézio;                           inferior do tubérculo do escafóide. Os motores
    - por dentro: o pisiforme (3) e o processo        destes movimentos são os músculos tenares (se-
      unciforme do osso hamato (4) (estas             ta X) e hipotenares (seta Y) cujas inserções su-
      anotações levam a mesma numeração               periores provocam a tensão do ligamento anular
      nas figuras seguintes).                         (fig. 5-16), de modo que os dois lados se aproxi-
      Uma radiografia especial permite tanto ob-      mam (representação em pontilhado).
servar o mesmo aspecto em sulco quanto encon-               No sentido longitudinal, podemos conside-
trar as mesmas referências.                           rar que o maciço do carpo (fig. 5-17) está cons-
    Dois cortes horizontais confirmam esta for-       tituído por três colunas (fig. 5-18):
ma em sulco:                                               -   a coluna externa (a) (traços verticais):
    -   o primeiro (fig. 5-15) passa pela fileira              a mais importante, por se tratar da co-
                                                               luna do polegar de Destot. Está consti-
        sllperi07; nível A (fig. 5-13): se distin-
        guem, de fora para dentro, o escafóide                 tuída pelo escafóide, o trapézio e o pri-
                                                               meiro metacarpo;
        (1), a cabeça do osso capitato (5), limi-
        tada pelos dois comas do semilunar, o              -   a coluna média (b) (traços oblíquos):
        piramidal (7) e o pisiforme (3);                       constituída pelo semilunar, o osso capi-
                                                               tato e o terceiro metacarpo, e forma,
    -   o segundo (fig. 5-16) passa pela fileira               como mencionado anteriormente, o ei-
        inferior, nível B (fig. 5-13): de fora para            xo da mão;
        dentro se localizam o trapézio (2), o tra-
        pezóide (6), o osso capitato (5) e o osso          -   a coluna interna (c) (traços horizon-
        hamato (4).                                            tais): desemboca nos dois últimos de-
                                                               dos. Está constituída pelo pir~midal e o
     Nestes dois cortes, o ligamento anular ante-              osso hamato, que se articula com o
rior do carpo está representado por uma linha                  quarto e o quinto metacarpeanos. O pi-
tracejada.                                                     siforme se desloca pela frente do pira-
    Durante os movimentos de "escavação da                     midal, de modo que não intervém na
palma da mão", a concavidade do túnel do car-                  transmissão de forças.
1. MEMBRO SUPERIOR   183




3




                        Fig.5-16
               ~A
                    3




    Fig.5-17
184 FISIOLOGIAARTICliLAR




                                   A ESCAVAÇÃO PALMAR


     A escavação da palma se deve principal-                tá claramente oblíquo em relação ao
mente aos movimentos dos quatro últimos meta-               plano frontal (traço preto): está oblíquo
carpeanos (por enquanto se exclui o primeiro                de fora para dentro e de trás para diante.
metacarpeano) em relação ao carpo. Estes movi-              Qualquer movimento de flexão ao redor
mentos, realizados nas articulações carpometa-              deste eixo desloca, logicamente, a cabe-
carpeanas, consistem em movimentos de fle-                  ça do quinto metacarpeano para frente e
xão-extensão de escassa amplitude, como                     para fora (direção da seta branca);
acontece com todas as artródias. Porém, dita             2) o eixo XX' desta articulação não é estri-
amplitude vai aumentando do segundo ao quin-                tamente~perpendicular ao eixo diafisário
to metacarpo:                                               OA do quinto metacarpeano, mas forma
    -   quando a mão está plana, as cabeças                 um ângulo XOA um pouco menor que o
        dos quatro últimos metacarpeanos es-                ângulo reto (fig. 5-18). Esta disposição
        tão alinhadas numa mesma reta AB                    também contribui para deslocar a cabeça
        (fig. 5-20: mão "em pé");                           do quinto metacarpo para fora, pelo me-
                                                            canismo de rotação cônica:
    -   quando se torna "oca", a cabeça dos três
        últimos metacarpeanos "vão para fren-            -   quando um segmento OA (fig. 5-23) gi-
        te" (fig. 5-19), quanto mais se aproxima             ra ao redor de um eixo perpendicular
        do quinto metacarpeano. Assim as cabe-               YY', o ponto A descreve um círculo de
        ças dos metacarpeanos se dispõem ao                  centro 0, incluído no plano P perpendi-
        longo de uma linha curvaA'B (fig. 5-20):             cular ao eixo YY' (rotação plana);
        o arco transversal metacarpeano.                 -   após certo grau de rotação, o ponto A se
    É necessário salientar duas observações:                 situa em A';
    a) a cabeça do segundo metacarpeano B                -   se este segmento OA gira ao redor de
       quase não avança: os movimentos de fie-               um eixo XX' não perpendicular, já não
       xão-extensão na articulação trapez.óide-              descreve um círculo, e sim um cone de
       segundo metacarpeano são, praticamen-                 vértice 0, tangencial ao plano P em re-
       te, inexistentes;                                     lação ao segmento OA. Após o mesmo
                                                             grau de rotação, o ponto A se localiza
    b) a cabeça do quinto metacarpeano A, do-
                                                             num ponto A' da base do cone (rotação
       tada do movimento mais amplo, se deslo-
                                                             cônica), e este ponto A' se situa, em re-
       ca não somente para frente, mas também
                                                             lação ao plano P, do mesmo lado que o
       ligeiramente para fora, até a posição A' .            ângulo agudo que formam o eixo XX' e
   Isto conduz ao estudo da articulação osso                 o segmento OA.
hamato-quinto metacarpeano:                               Se transportarmos esta demonstração geo~
     Trata-se de uma artródia (fig. 5-22) cujassu-   métrica ao esquema da articulação (fig. 5-22), en-
perfícies são ligeiramente cilíndricas e cujo eixo   tendermos que a cabeça do metacarpeano sai do
XX' apresenta uma dupla obliqüidade. Esta dupla      plano sagital para situar-se ligeiramente para fora.
obliqüidade explica os deslocamentos da cabeça            Este movimento do quinto metacarpo para
do metacarpeano no sentido lateral externo.          frente e para fora ao mesmo tempo que realiza
     I) quando se observa a superfície inferior      uma ligeira supinação por rotação longitudinal
        do maciço do carpo (fig. 5-21), o eixo       automática pode ser semelhante a uma oposição
        XX' da superfície articular interna (indi-   em direção ao polegar, participando na oposição
        cado com uma cruz) do osso hamato es-        simétrica do quinto dedo.
1. MEMBRO SUPERIOR   185




                                   Fig.5-20




                              XI

Fig.5-19




               Fig.5-21
                                                   ~XI
               XI




                          X




    Fig.5-22
186 FISIOLOGIA ARTICULAR




                  AS ARTICULAÇÕES METACARPOFALANGEANAS


     As articulações metacarpofalangeanas       são    limitando     o movimento.   A liberdade   de movi-
de tipo condilar (fig. 5-24).                          mento da flexão-extensão é possível graças à
    Possuem dois graus de liberdade:                   ponta arredondada posterior (4) e anterior (5) da
                                                        cápsula. A profImdidade da ponta arredondada
    - fiexão-extensão,   no plano sagital,       em
                                                        anterior é indispensável para o deslizamento da
        tomo do eixo transversal yy';
                                                       fibrocartilagem gle.nóide. Na parte posterior da
    - desvio lateral, no plano frontal, em tor-         base falangeana, se insere a lingüeta profunda
        no do eixo ântero-posterior     xx'.            (6) do tendão extensor.
      A cabeça do metacarpeano possui uma                   A cada lado da articulação       se estendem
superfície articular A, o côndilo, convexa em          dois tipos de ligamentos:
ambos os sentidos e mais extensa e larga pela
                                                            -    um ligamento metacarpoglenóide (ver
frente que por trás.
                                                                 mais adiante) que controla os movimen-
      A base da primeira falange está "escava-                   tos da fibrocartilagem glenóide;
da" por uma superfície B, a cavidade glenóide,
                                                            -      um ligamento lateral, mostrado num
côncava em ambos os sentidos, de menor super-
                                                                   corte (1) da figura 5-24. Os dois liga-
fície que a cabeça do metacarpeano. Prolonga-se
pela frente mediante uma superfície de "apoio":                    mentos laterais mantêm as superfícies
                                                                   articulares em contato e limitam os mo-
afibrocartilagem glenóide (2), pequena lingüeta
fibrosa inserida no bordo anterior da base falan-                  vimentos.
geana, com uma pequena       incisura    (3) que lhe       Na cabeça metacarpeana (fig. 5-26, segun-
serve de charneira.                                    do Dubousset), a inserção proximal A do liga-
                                                       mento lateral não se situa no centro da curva ar-
      De fato (fig. 5-25), na extensão (a), a super-
fície profunda e cartilaginosa da fibrocartilagem      ticular, estando claramente por trás; por outro
se encontra em contato com a cabeça do meta-           lado, existe toda uma série de centros de Cllrra
carpo. Enquanto na flexão (b), a fibrocartilagem       que formam uma espiral, o que indica a variação
ultrapassa a cabeça e, pivotando em tomo da            do raio de curva da cabeça metacarpeana. Deste
sua chameira, desliza sobre a superfície anterior      modo, a distância entre o ponto de inserção pro-
do metacarpeano, o que é possível graças à sua         ximal A e o ponto de inserção distal B na pri-
flexibilidade. A fibrocartilagem     permite conci-    meira falange em extensão e B' em flexão passa
liar dois imperativos aparentemente contraditó-        de 27 mm a 34 mm. Por conseguinte, o ligamen-
rios: uma superfície de máximo contato entre as        to lateral se distende na extensão e está tenso na
duas extremidades ósseas e a ausência de pico,         jlexão.
1. MEMBRO SUPERlOR   187




                    X'




                A




                                        6



                         5              4




            2


                                              Fig. 5-25 a
    3




Fig.5-24




        6




                             Fig.5-26
188 FISIOLOGIA ARTICULAR




                  AS ARTICULAÇÕES METACARPOFALANGEANAS                                !
                                             (continuação)

      Assim sendo, é fácil entender (fig. 5-27,      te) e, por outra parte, segundo R. Tubiana, no
corte frontal) que na extensão (a) a distensão dos   mecanismo das inclinações ulnares durante o
ligamentos laterais permite os movimentos de         seu processo reumático.
lateralidade (b): um está tenso, enquanto o outro          A cabeça do II metacarpeano (fig. 5-28) é
se distende.
                                                     claramente as simétrica devido à sua grande su-
      Por isso, a estabilização da metacarpofa-      perfície posterior-interna e ao seu aplainamento
langeana se mantém na flexão pelos ligamentos        externo; o ligamento lateral interno é mais gros-
laterais e na extensão pelos músculos interós-       so e mais longo que o externo cuja inserção é
seos.                                                mais posterior.
      Outra conseqüência importante desta con-             A cabeça do III metacarpeano (fig. 5-29)
sideração é que as metacarpofalangeanas     ja-       possui uma assimetria similar à do II metacarpo.
mais devem imobilizar-se em extensão a não            embora menos acentuada; os seus ligamentos
ser em caso de rigidez quase impossível de re-        possuem características idênticas.
cuperar: a distensão dos ligamentos laterais               A cabeça do IV metacarpeano (fig. 5-30) é
permite a sua retração, algo que não pode acon-       mais simétrica com superfícies dorsais iguais: os
tecer na flexão.                                      ligamentos laterais são de espessura e obliqüida-
      A forma das cabeças metacarpeanas (figs.        de idênticos, sendo o externo ligeiramente mais
5-28, 5-29, 5-30 e 5-31, cabeças dos metacar-         longo.
peanos lI, IlI, IV e V do lado direito) e a longi-         A cabeça do V metacarpeano       (fig. 5-31)
tude dos ligamentos, bem como a sua direção,          possui uma assimetria inversa à do dedo indica-
desempenham um papel essencial, por uma par-          dor e à do médio; os ligamentos laterais se apre-
te, na flexão oblíqua dos dedos (ver mais adian-      sentam como os da IV cabeça.
1. MEMBRO SUPERIOR 189




           Fig.5-27




                      Fig.5-29
Fig.5-28




Fig.5-30              Fig.5-31
190 FISIOLOGIA   ARTICULAR




o APARELHO            FIBROSO DAS ARTICULAÇÕES METACARPOFALANGEANAS


      Os ligamentos laterais da metacarpofalangea-                  contra a cabeça de metacarpeano de modo a
na se integram num aparelho fibroso mais com-                       manter a sua estabilidade;
plexo que levanta e "c entra" os tendões extensores             -   o fascículo falangoglenóide (11) mais fino,
e ftexores.
                                                                    que realiza a "chamada" da fibrocartilagem
      Numa vista em perspectiva posterior, superior e               glenóide durante a extensão;
lateral da articulação (fig. 5-32), podemos observar                • ligamento transverso intermetacarpea-
os seguintes tendões:                                                 no (4) se insere nas margens adjacentes
     -   o extensor comum (1), que, na superfície                     das fibrocartilagens glenóides vizinhas, de
         dorsal da cápsula dirige a sua expansão                      tal forma que as suas fibras se estendem de
         profunda (a) para a base da primeira falan-                  um ládo ao outro da mão, no nível das ar-
         ge na qual se insere; a seguir, o tendão se                  ticulações metacarpofalangeanas com as
         divide numafaixa média (b) e duas faixas                     que delinlitam túneis osteofibrosos por cu-
         laterais (c), que recebem as expansões dos                   jo interior passam os tendões dos interós-
         interósseos (não representadas nas figu-                      seos (sem representação nas figuras); pela
         ras). Pouco antes da separação da expan-                     frente do ligamento transverso se desliza o
         são profunda, podemos observar como se                        tendão do músculo lumbrical (sem repre-
         desprendem das margens laterais do exten-                     sentação nas figuras).
         sor umas faixas sagitais (d), supostamente               Deste modo, a polia metacarpeana (5), que se
         transparentes    nos desenhos, que atra-          insere nas superfícies laterais da fibrocartilagem, fica
         vessam as margens laterais da articulação         literalmente suspensa na cabeça metacarpeana me-
         para inserir-se no ligamento transverso in-       diante o fascículo metacarpoglenóideo e a fibrocarti-
         tercarpeano (4); deste modo, o tendão ex-         lagem glenóide.
         tensor se mantém no eixo sobre a superfí-
         cie dorsal convexa da cabeça metacarpea-               Este dispositivo desempenha um papel muito
         na, no percurso da ftexão da articulação;         importante durante a flexão da metacarpofalan-
                                                           geana:
     -    os flexores, o profundo (2) e o superficial
          (3), se introduzem na polia metacarpeana              - em estado normal (fig. 5-33), a polia, cujas
          (5) que tem origem nafibrocartilagem gle-               fibras se '·arregaçam" distalmente, transmite
          nóide (5) e se prolonga (5) sobre a superfí-            todo o "componente de decolagem" (seta) à
          cie palmar da primeira falange: neste ponto,            cabeça do metacarpeano, através do fascícu-
          o ftexor superficial se divide em suas duas             lo glenóide: os tendões ftexores permane-
         faixas (3') antes que o tendão do ftexor pro-            cem aderidos ao esqueleto e a base falangea-
                                                                  na fica estável;
          fundo o perfure (2).
      Também podemos observar o aparelho cápsu-                 - em estado patológico (fig. 5-34), quando os
lo-ligamentar:                                                    fascículos do ligamento lateral se distendem
                                                                  até destruir-se por um processo reumático, o
     -   a cápsula articular (7) reforçada por:
                                                                  "componente de decolagem" (seta), provo-
         • ligamento lateral que se insere no tubér-              cado pela tração dos ftexores, já não se exer-
           culo lateral (8) da cabeça metacarpeana,               ce sobre a cabeça do metacarpeano, mas sim
           deslocada por trás da linha dos centros de             sobre a base da primeira falange que se luxa
           curva (ver antes) e se divide em três partes:          anteriormente e para cima, de modo que pro-
     - um fascículo metacarpofalangeano (9) oblí-                 voca uma proeminência acentuada da cabe-
       quo para baixo e para frente em direção à ba-              ça do metacarpeano;
       se da primeira falange; mencionado anterior-             -   a correção de tal situação (fig. 5-35) pode-
       mente;                                                       se conseguir, em certa medida, mediante
     - o fascículo metacarpoglenóide (10), que se                   uma remoção da parte proximal da polia
       dirige para frente para inserir-se nas margens               metacarpeana, mas em detrimento da eficá-
       da fibrocartilagem glenóide (6) que o adapta                 cia dos ftexores.
1. MEMBRO SUPERIOR    191




                                      2




M




Fig.5-33

                                 Fig.5-34

           Fig.5-35
] 92 FISIOLOGIA ARTICULAR




o APARELHO         FIBROSO DAS ARTICULAÇÕES METACARPOFALANGEANAS
                                          (continuação)


     Os tendões extensores comuns (fig. 5-36)     nas), as lesões degenerativas destroem não so-
que convergem na superfície dorsal do punho       mente os ligamentos laterais (10), o que "de-
são extremamente solicitados para dentro (se-     sengancha" a placa palmar (6) ou fibrocartila-
tas brancas) do bordo ulnar, devido ao "ângulo    gem glenóide na qual se insere a polia meta-
de distração" formado entre o metacarpeano e      carpeana (5) que inclui os flexores profundo
a primeira falange, mais acentuado no caso do     (2) e superficial (3), mas também distendem
dedo mínimo (14°) e do anular (13°) que no ca-    ou despegam a faixa sagital (d) do bordo ra-
so do dedo indicador (8°) e especialmente do      dial, permitindo assim o deslocamento do ten-
médio (4°). Unicamente a faixa sagital do ex-     dão extensor (1) do bordo ulnar e a sua "luxa-
tensor, situada no bordo radial, se opõe a este   ção" nos "vales" intermetacarpeanos. Em con-
componente de luxação ulnar do tendão exten-      dições normais, este espaço intermetacarpeano
sor sobre a superfície dorsal convexa da cabe-    só contêm os tendões dos interósseos (12) pe-
ça do metacarpeano.                               la frente do ligamento intermetacarpeano (4),
     No curso de um processo reumático (fig.      enquanto o tendão do lumbrical (13) se locali-
5-37, vista em corte das cabeças metacarpea-      za por trás.
1. MEj1BRO SUPERIOR   193




 Fig.5-36




Fig.5-37
194 FISIOLOGIA ARTICULAR




             A AMPLITUDE DOS MOVIMENTOS DAS ARTICULAÇÕES
                        METACARPOFALANGEANAS


      A amplitude da flexão (fig. 5-38) é aproxi-   posição de equiltbrio - tamb~m denominada
madamente de 90°; todavia, é necessário ressal-     funcional - da articulação metacarpofalangeana
tar que, embora alcance os 90° justos no caso do     do dedo indicador.
dedo indicador, aumenta progressivamente até o           As articulações de tipo condilar não pos-
quinto dedo. Além disso, a flexão isolada de um
                                                    suem normalmente p terceiro grau de liberdade
dedo (neste caso o dedo médio) está limitada pe-
                                                    (rotação longitudinal). É o caso das articulações
la tensão do ligamento palmar interdigital.
                                                    metacarpofalangeanas dos quatro últimos dedos
     A amplitude da extensão ativa varia em         que não possuem rotação longitudinal ativa.
cada indivíduo: pode atingir de 30 a 40° (fig. 5-
                                                        Contudo, a laxitude ligamentar permite cer-
40). A extensão passiva pode atingir quase os
                                                    ta amplitude de rotação axial passiva. A sua
90° em indivíduos com uma grande lassidão li-
                                                    amplitude é de 60° aproximadamente (Roud).
gamentar (fig. 5-41).
      De todos os dedos (exceto o polegar), o
                                                         É necessário ressaltar que no caso do dedo
dedo indicador é o que possui (fig. 5-42) a         indicador, a amplitude da rotação axial passiva
maior amplitude de movimento em direção la-         interna - ou pronação - é muito maior (45°) que
teral (30°) e, como é fácil movê-l o de forma       a amplitude da rotação axial externa - supinação
isolada, podemos nos referir à abdução (A) e        - quase nula.
adução (B). O dedo indicador deve a sua deno-            Se não possuem movimento de rotação
minação, índice = indicador, à esta mobilida-       longitudinal ativa individualizada, as metacar-
de privilegiada.                                    pofalangeanas possuem, porém, devido à as si-
      Combinando movimentos em diferentes           metria do côndilo metacarpeano e da desigual-
graus (fig. 5-43) de abdução (A)-adução (B) e de    dade de tensão e de comprimento dos ligamen-
extensão (C)-flexão (D), o dedo indicador pode      tos laterais, um movimento de rotação longi-
realizar movimentos de circundução. Estes           tudinal automática no sentido da supinação.
movimentos se limitam ao interior do cone de        Este movimento cujo mecanismo é idêntico ao
circundução definido pela sua base (ACBD) e o       da interfalangeana do polegar é mais acentuado
seu vértice (articulação metacarpofalangeana).      quanto mais interno seja o dedo, de modo que
Este cone está achatado transversalmente devido     é máximo no caso do dedo mínimo onde se in-
à maior amplitude dos movimentos de flexão-         tegra no movimento de oposição simétrica ao
extensão. O seu eixo (seta branca) representa a     do polegar.
1. MEMBRO SUPERIOR   195




                       Fig.5-40
Fig.5-38




 Fig.5-42   Fig.5-41                   Fig.5-43
196 FISIOLOGIA ARTICULAR




                          ASARTICULAÇÕESINTERFALANGEANAS


     As articulações interfalangeanas são do                  Outro fator de rigidez em fiexão está cons-
tipo troclear: possuem só um grau de liber-             tituído pela retração dos "freios da extensão".
dade:                                                   O autores anglo-saxões recentemente decreve-
                                                        ram estas estruturas nas articulações interfalan-
     -   a cabeça da falange (fig. 5-44 e figo5-45,
                                                        geanas proximais (fig. 5-48, vista palmar exter-
         A) tem a forma de uma polia e possui só
         um eixo XX', transversal, em tomo do           na e superior de uma articulação interfalangeana
                                                        proximal) com a denominação ,de "check rein li-
         qual se realizam os movimentos de fie-         gaments": estão constituídas por um fascículo
         xão-extensão, no plano sagital;
                                                        de fibras longitudinais (8) localizado na superfí-
     -   a base da falange distal (B), que lhe          cie anterior da placa palmar (2) em um e noutro
         corresponde (fig. 5-45), está escavada         lado dos tendões fiexores profundo (11) e super-
         por duas pequenas cavidades glenóides          ficial (12), entre a 'inserção da polia da segunda
         que se encaixam sobre as duas superfí-         falange (10) e a da primeira (sem represen-
         cies articulares da tróclea. A crista rom-     tação), formando o limite lateral das fibras dia-
         ba que separa ambas as cavidades gle-          gonais (9) da polia da interfalangeana proximal.
         nóides se aloja na garganta da polia.          Estes freios da extensão impedem a hiperexten-
                                                        são da interfalangeana proximal e, pela sua re-
     Como no caso das articulações metacar-
                                                        tração, são uma causa primordial da rigidez em
pofalangeanas, e pelas mesmas razões me-
                                                        ftexão; de modo que devem remover-se cirurgi-
cânicas, existe uma fibrocartilagem glenóide            camente.
(2) (os números cOlTespondem aos da figura
5-24).                                                      Em resumo, as interfalangeanas, especial-
                                                        mente as proximais, devem ser imobilizadas nu-
     Em fiexão (fig. 5-46), a fibrocartilagem gle-
                                                        ma posição próxima à extensão.
nóide desliza sobre a superfície anterior da fa-
lange proximal.                                              A amplitude dafiexão nas articulações inter-
                                                        falangeanas proximais (fig. 5-49) ultrapassa os
      Em vista lateral (fig. 5-47), podemos distin-     90°: por conseguinte. F I e F formam entre si um
                                                                                     _
guir, além dos ligamentos laterais (1), as expan-       ângulo agudo (neste esquema, as falanges não se
sões do tendão extensor (6) e os ligamentos fa-         "êm exatamente de perfil, o qual faz com que os
langoglenóides   (7).                                   ângulos pareçam obtusos). Como no caso das
                                                        metacarpofalangeanas, esta amplitude de fiexão
      É necessário ressaltar que os ligamentos la-
                                                        aumenta progressivamente do segundo ao quin-
terais estão mais tensos na fiexão que no caso
                                                        to dedo, para alcançar os 135° no dedo mínimo.
das articulações metacarpofalangeanas: de fato
(fig. 5-45), a polia falangeana (A) se alarga no-             A amplitude da fiexão nas articulações in-
tavelmente para frente, de modo que a tensão            terfalangeanas distais (fig. 5-50) é ligeiramente
dos ligamentos aumenta e proporciona um apoio           inferior a 90° (o ângulo entre F2 e F3 permanece
mais amplo para a base da falange distal. Portan-       obtuso). Como no caso anterior, esta amplitude
to, os movimentos       de lateralidade   não existem   aumenta do segundo ao quinto dedos, para atin-
no caso da fiexão.                                      gir os 90° no dedo mínimo.
     Também estão tensos durante a máxima ex-                A amplitude   da extensão ativa (fig.j-51)
                                                        nas articulações interfalangeanas é:
tensão que representa uma posição de estabilida-
de lateral absoluta. Contudo, estão distendidos              -   inexistente nas articulações proximais
na posição de fiexão intermédia, que jamais deye                 (P);
ser uma posição de imobilização porque favore-               -   inexistente ou muito pequena (5°) nas
ceria a sua retração e uma rigidez posterior.                    articulações distais (D).
1. MEMBRO SUPERIOR   197




                                 •
                                XI




                                                        Fig.5-49

                             Fig.5-47   Fig.5-46
Fig.5-50
           11



                12


                     8                         9

                     1
                     2
                         7
                                                             Fig.5-45
                     Fig.5-48




                                         tP        D
198 FISIOLOGIA   ARTICULAR




                       ASARTICULAÇÕESINTERFALANGEANAS
                                            (continuação)

      Com relação à extensão passiva (fig. 5-        (ver no final deste volume) facilitam a com-
52), esta é inexistente na interfalangeana pro-      preensão:
ximal (P), mas bastante acentuada (30°) na in-              -   uma tira estreita de papelão (a) repre-
terfalangeana distal (D).                                       senta a cadeia articular de um dedo: o
      As articulações interfalangeanas possuem                  metacarpeano (M) e as três falanges (FI'
só um grau de liberdade, nesse caso não exis-                   F2 e F);
tem movimentos ativos de lateralidade. Se
                                                            -   se a dobra, que representa o eixo de fle-
existem alguns movimentos passivos de late-                     xão de uma interfalangeana, é perpendi-
ralidade no caso da interfalangeana distal                      cular (xx') ao eixo longitudinal da tira, a
(fig. 5-53), pelo contrário, a interfalangeana                  falange vai se flexionar diretamente no
proximal é bastante estável lateralmente, o                     plano sagital (d) e vai cobrir exatamen-
que explica o transtorno que traz uma ruptura                   te a falange suprajacente;
de um ligamento lateral neste nível.
                                                            -   pelo contrário, se a dobra é levemente
      Um ponto importante é o plano no qual                      oblíqua para dentro (xx'), a flexão já
se realiza a flexão dos quatro últimos dedos                     não se produz no plano sagital e a fa-
(fig. 5-54):                                                     lange flexionada (b) desdobrará para
      - o dedo indicador se flexiona diretamente                fora a falange suprajacente;
         no plano sagital (P), em direção à base            -   basta uma leve obliqüidade do eixo de
         da eminência tenar (seta branca grande);               flexão, já que se multiplica por três
     -   porém, vimos anteriormente (ver figo                   (xx', yy', zz'), para que o dedo míni-
         5-13) que, na flexão dos dedos, os seus                mo totalmente flexionado (c), sua obli-
         eixos convergem num ponto situado na                   qüidade lhe permita atingir o polegar:
         parte inferior do canal do pulso. Portan-          -esta demonstração é válida, em graus
         to, para que isto aconteça, é necessário            decrescentes, para o anular e o médio.
         que os três últimos dedos se flexionem,
         não como o dedo indicador no plano sa-           Na realidade, os eixos de flexão das meta-
         gital, mas sim numa direção mais oblí-      carpofalangeanas e das interfalangeanas não
         qua quanto mais interno seja o dedo;        são fixos nem imutáveis: perpendiculares em
                                                     máxima extensão, se tornam progressivamente
     -   com relação ao dedo mínimo, esta dire-      oblíquos no decurso da flexão; assim, dizemos
         cão, oblíqua ao máximo, está representa-    que são evolutivos.
         da no esquema pela seta branca pequena.
                                                           A evolução dos eixos de flexão das articu-
     A importância deste tipo de flexão "oblí-       lações dos dedos se deve à assimetria das su-
qua" é que permite que os dedos mais internos        perfícies articulares metacarpeanas (ver aci-
realizem o movimento de oposição ao polegar          ma) e falangeanas e à tensão diferencial dos li-
do mesmo modo que o faz o dedo indicador.            gamentos laterais, como teremos ocasião de
   Como é possível esta flexão "oblíqua"?            comprovar no caso da metacarpofalangeana e
Um esquema simples (fig. 5-55) e um encaixe          interfalangeana do polegar.
Fig.5-52                         Fig.5-53




   -
   ---n
                  '




           /""
                 .111
                                                 ~...•............   ,
                                                 :                   :



                                                  :F~1
                                 y'
                                                 x@lx.
                                                   d I
                        y




                                 z'
                        z·


                             M




                             a        b     c


Fig.5-54                         Fig.5-55
200 FISIOLOGIA ARTICULAR




             SULCOS OU CANAIS E BAINHAS DOS TENDÕES FLEXORES


       Para percorrer as porções côncavas da sua trajetó-      responde a esta disposição simples. Quando o tendão se
ria, os tendões devem estar ligados ao esqueleto median-       desloca no seu sulco, a lâmina visceral, lubrificada por
te sulcos ou canais fibrosos, porque senão, a tensão pro-      uma pequena quantidade de líquido sinovial, desliza so-
vocaria que seguissem a corda do arco do esqueleto, de         bre a lâmina parietal (semelhante ao movimento da cor-
modo que seriam ineficazes devido ao relativo alonga-          rente de um trator). Se, por conseqüência da infecção de
mento em relação ao esqueleto.                                 uma bainha, as duas lâminas se aderem entre si, o tendão
      Entre as duas margens do canal do carpo (fig. 5-         já não pode deslizar pelo seu canal, fica "entalado" co-
56) se estende uma faixa fibrosa, o ligamento anular            mo se fosse um cabo de freio enferrujado: deixa de fun-
                                                               cionar.
anterior do carpo (1). Assim, se constitui um primeiro
sulco osteofibroso, o canal do carpo (fig. 5-57, segundo             Em algumas zonas (corte B) vasos destinados ao
Rouviere) pelo qual passam (seta branca) todos os ten-         tendão deslocam arÍlbas as lâminas, de modo que cons-
dões flexores que se dirigem do antebraço à mão.               tituem um "mesotendão" (e), os vincula tendinorum, es-
      No corte do canal do carpo (fig. 5-58), podemos          pécie de septo longitudlnal que parece manter o tendão
                                                               no interior da cavidade sinovial (c). Trata-se de uma des-
observar os dois planos dos tendões flexores superficiais
                                                               crição bastante simplificada, principalmente com rela-
(2) e profundos (3), bem como o tendão do flexor longo
                                                               ção aos recessos (ver a descrição num tratado de anato-
próprio do polegar (4). O tendão do palmar maior (5)
                                                               mia).
passa por um compartimento especial do canal do carpo
para inserir-se no segundo metacarpeano (fig. 5-57). O               Na palma da mão, os tendões deslizam por três
nervo mediano (6) também passa pelo canal, onde, em            bainhas carpeanas (fig. 5-56) que são, de fora para
determinadas circunstâncias, pode ficar comprimido, o          dentro:
qual não acontece com freqÜência no caso do nervo ul-                -   a bainha rádio-carpeana    (13), que envolve o
nar (7) que, acompanhado da sua artéria, passa por um
                                                                         tendão do flexor longo do polegar e se continua
canal especial, o canal de Guyon, pela frente do liga-
                                                                         com a bainha digital do polegar;
mento anular.
                                                                     -   a bainha média (12), anexa ao tendão flexor
       Os tendões flexores estão mantidos por três polias
                                                                         profundo do dedo indicador;
fibrosas em cada dedo (figs. 5-56 e 5-59): a primeira (8)
ligeiramente acima da cabeça do metacarpeano, a segun-               -   a bainha ulnocarpeana      (14), que desloca três
da (9) na superfície anterior da primeira falange, a tercei-             recessos para frente, para trás e entre os tendões
ra (10) na superfície anterior da segunda falange. Desse                 superficiais e profundos (fig. 5-58) e se prolon-
modo, com a superfície anterior ligeiramente côncava                     ga com a bainha digital do quinto dedo.
das falanges, as polias constituem (destaque na figo5-56)            No plano topográfico,    é importante ressaltar:
autênticos canais osteofibrosos. Entre estes três canais,
                                                                     1) as pontas superiores das bainhas do carpo
os tendões estão mantidos por um sistema de fibras tan-
                                                                        ultrapassam amplamente por cima do liga-
to oblíquas quanto cruzadas (11) que passam "em fan-
                                                                        mento anular, em direção ao antebraço
farra", diante da articulação metacarpofalangeana e in-
                                                                        (fig. 5-56);
terfalangeana proximal.
                                                                     2) as bainhas digitais dos três dedos médios ascen-
      As bainhas serosas permitem o deslizamento
dos tendões no interior dos sulcos, como se fossem as                   dem quase até a metade da palma e as suas pon-
bainhas dos cabos de freio.                                             tas superiores se correspondem com a prega pal-
                                                                        mar inferior (ppi) para o terceiro e quarto dedo
       As bainhas digitais têm a estrutura mais simples                 e com a prega palmar média (ppm) para o se-
no caso dos três dedos médios (fig. 5-60, esquema sim-                  gundo (fig. 5-56),
plificado): o tendão (para simplificar só está representa-
do um deles) está envolvido numa bainha serosa (uma                  3) as pregas palmares (setas pretas) de flexão dos
                                                                        dedos (fig. 5-59) são - salvo a prega superior
parte do qual foi removida no esquema) constituído por
duas lâminas: uma lâmina "visceral" (a) em contato                      - suprajacentes às articulações corresponden-
                                                                        tes; neste caso a pele entra diretamente em con-
com o tendão e uma lâmina "parietal" que recobre a su-
                                                                        tato com a bainha que pode ser inoculada por
perfície profunda do sulco osteofibroso. Entre estas duas
lâminas se encontra uma cavidade virtual fechada (c),                   uma injeção séptica.
porque as duas lâminas continuam uma com a outra for-                 Observar também que as pregas dorsais (setas
mando dois recessos peritendinosos (d); o corte A cor-          brancas) são suprajacentes à sua articulação.
1. MEMBRO SUPERIOR   201




                                     Fig.5-57
ppi




          B

      Fig.5-60




                     ) J
              ---.....
        Fig.5-59
202 FISIOLOGIA ARTICULAR




         OS-TENDÕES DOS MÚSCULOS FLEXORES LONGOS DOS DEDOS


    o corpo carnoso   dos músculos flexores dos                  • distal, para a zona B, pelos vasos do
dedos se localiza no compartimento anterior do                     vinculum brevis (3) nas inserções das
antebraço: portanto, se trata de músculos ex-                      faixas laterais da segunda falange;
trínsecos, com relação à mão. Após haver estu-
                                                              Entre as duas zonas, existe um segmento
dado o seu trajeto no punho e na palma da mão,
                                                         avascular (4) que se corresponde com a divi-
resta considerar de que maneira finalizam e que          são das faixas.              I
ação realizam.
      O músculo mais superficial - o flexor co-              -   o siste~ma do flexor comum profundo,
mum superficial dos dedos (sem tracejar, figo 5-                 por três aportes:
61, a) - deve terminar antes (em F) que o múscu-                 • proximal, para a zona A, com os dois
lo mais profundo - o flexor comum profundo dos                     tipos de vasos (5) e (6) comparáveis
dedos (tracejado, figo5-61, a). De modo que é ne-                  aos do flexor superficial;
cessário que estes dois tendões se Cnlzem no es-
paço e de forma simétrica a não ser que seja in-                 • intermédio, para a zona B, pelos va-
troduzido um componente lateral prejudicial. A                     sos do vinculum longus (7) dependen-
única solução é que um dos tendões passe atra-                     te por sua vez do vinculum brevis do
-rés do outro. Mas, qual dos dois deve perfurar o                  flexor superficial;
outro? Podemos entender com facilidade que o
                                                                 • distal, para a zona C, pelos vasos do
profundo é o que perfura o supe1jicial. Os esque-
                                                                   vinculum brevis, que se insere na ter-
mas tradicionais de anatomia (fig. 5-61) mostram
as diferentes modalidades do cruzamento:                           ceira falange (8).

     -   o tendão superficial (b) se divide em duas           No caso do flexor profundo, existem três
         lingüetas no nível da articulação metacar-      zonas avasculares:
         pofalangeana; ditas lingüetas rodeiam as            -   um segmento (9) entre as zonas A e B;
         margens do tendão profundo (c) antes de
         reunir-se na articulação FoF 1 para se inse-
                                     "
                                                             -   um outro segmento (10) entre as zonas
         rir nas superfícies laterais de F2• Isto fica           B e C;
         claro nos cortes e na vista em perspectiva          -   e por último, no nível da "terra de nin-
         (fig. 5-62), na qual podemos observar                   guém", na frente da interfalangeana
         também os mesotendões (ver figo5-60).                   proximal, urna zona periférica (11) de
      Estes vincula tendinorum asseguram a vas-                  um milímetro de espessura, ou seja a
cularização dos tendões, segundo Lundborg e                      quarta parte do diâmetro do tendão.
cols., conforme dois sistemas (fig. 5-62):                    O conhecimento desses sistemas de vas-
     -   o sistema do flexor comum superficial,          cularização tendinosa é indispensável para o
         por dois aportes:                               cirurgião da mão, se ele não quiser comprome-
         • proximal, para a zona A, pelos micro-         ter ou destruir os aportes vasculares necessá-
           vasos longitudinais intrínsecos (1) e os      rios para o bom trofismo dos tendões. Além
           vasos da ponta proximal da bainha si-         disso, as zonas avasculares têm o maior risco
           novial (2);                                   de desco1amento das suturas.
1. MEMBRO SUPERIOR   203




a   b          c




    Fig.5-61




    Fig.5-62
204 FISIOLOGIA ARTICULAR




         OS TENDÕES DOS MÚSCULOSFLEXORES                              LONGOS DOS DEDOS
                                              (continuação)



      Poderíamos  conceber     uma disposição                      tração do extensor comum (antagonis-
mais simples na qual os tendões não deveriam                       mo-sinergia) ,
se cruzar (o tendão que termina em Fo seria                       • seu ângulo de aproximação, e portanto
profundo e o que se insere em F3 seria süperfi-                     a sua eficácia, aumenta progressiva-
cial) de modo que seria útil perguntar: qual é a                    mente à medida que F2 se flexiona.
necessidade mecânica deste cruzamento tão
complicado? Sem cair na posição finalista, é                  -   flexor comum profundo dos dedos (fig.
                                                                  5-64); que se insere na base da terceira
conveniente assinalar (fig. 5-63) que permane-
                                                                  falange, é antes de tudo flexor da terceira
cendo superficial quase até a sua terminação o
                                                                  falange:
tendão flexor da segunda falange forma com
esta um ângulo de tração ou ângulo de aproxi-                     • mas esta flexão de F3 se associa rapida-
mação. maior que se estivesse em contato com                        mente com a flexão de Fo, porque não
o esqueleto; isto aumenta a sua eficácia e pode-                    existe extensor seletivo de Fo capaz de
mos dar uma explicação lógica ao fato de que o                      realizar a oposição a esta flexão. Para
tendão superficial e não o profundo é o que é                       explorar a força do flexor profundo é
perfurado.                                                          necessário manter manualmente F2 em
                                                                   extensão;
     A ação destes dois músculos se pode dedu-
zir pela sua inserção:                                            • quando FI e F2 se colocam manualmen-
                                                                    te em flexão de 900, o flexor profundo
     -   o flexor comum superficial dos dedos
                                                                    é incapaz de flexionar F3: fica distendi-
         (fig. 5-63) que se insere, como foi com-
                                                                    do demais e, portanto, é ineficaz;
         provado anteriormente, na segunda fa-
         lange, é fiexor da segunda falange:                      • a sua eficácia é máxima quando a pri-
                                                                   meira falange se mantém em extensão
         • naturalmente, está privado de ação so-
                                                                   por contração do extenso r comum (an-
           bre a terceira falange;
                                                                   tagonismo-sinergia)   .
         • é pouco flexor da primeira falange e in-          Apesar dessas limitações, se pode demons-
           clusive é necessário que a segunda es-      trar a importante função do flexor profundo. Os
           teja completamente flexionada;              extensores radiais longo e curto do carpo (Rs)e o
         • a sua eficácia é máxima quando a pri-       extensor comum (EC) são sinérgicos dos fiexores
          meira falange está estendida pela con-       (fig. 5-65).
1. MEMBRO SUPERIOR   205




           Fig.5-63
                               EC




                              EC
             Fig.5-64




                        ~EC
                                         Rs


Fig.5-65
                •
206 FISIOLOGIA ARTICULAR




               OS TENDÕES DOS MÚSCULOS EXTENSORES DOS DEDOS


      Os músculos extensores dos dedos também         da cápsula da metacarpofalangeana, para inserir-
são músculos extrínsecos. Percorrem os sulcos,        se junto com a cápsula na base de FI: em uma
mas como o seu trajeto é, em conjunto, convexo,       vista dorsal (a), um segmento de tendão removi-
são menos numerosos. Só existem no punho,             do deixa ver esta expansão profunda (1).
único ponto onde o trajeto dos tendões se trans-           Pelo contrário, a ação sobre a segunda
forma em côncavo durante a extensão. Neste ca-
                                                      falange - através da lingüeta média (2)- e so-
so, o sulco osteofibroso está constituído pela        bre a terceira falange - através das duas lingüe-
porção inferior dos dois ossos do antebraço e pe-     tas laterais (3) - depende do grau de tensão
lo ligamento anular posterior do carpo (fig. 5-       do tendão e, por conseguinte, da posição do
66). Este sulco, por sua vez, está subdividido        punho (fig. 5-69), e também do grau de fie-
em seis túneis por septos fibrosos que se esten-      xão da metacarpofalangeana:
dem da superfície profunda do ligamento anular
ao esqueleto. Podemos observar, de dentro para             - só é relevante quando o punho está fle-
fora (de esquerda à direita no esquema), os tú-                xionado (A);
neIS:                                                     -    é parcial e incompleta em posição de
        1) do extensor ulnar do carpo;                         alinhamento (B);

        2) do extensor do dedo mínimo cujo tendão          -   é inexistente quando o punho está esten-
           se une mais abaixo com o do extensor co-            dido (C).
           mum destinado também ao quinto dedo;            De fato, a ação do extensor comum sobre
        3) dos quatro tendões do extensor comum,      as duas últimas falanges depende do grau de ten-
                                                      são dos flexores:
           acompanhado em profundidade pelo
           tendão do extensor próprio do dedo indi-        -   se os tendões estão tensos devido à exten-
           cador, que se une um pouco mais abaixo              são do punho ou da metacarpofalangea-
           do tendão do extensor comum destinado               na, o extensor comum é incapaz, por si
           ao dedo indicador;                                  só, de estender as duas últimas falanges;
        4) do extensor longo próprio do polegar;           -   se, pelo contrário, os tendões estão dis-
        5) dos extensores radiais longo e curto do             tendidos devido à flexão do punho ou da
           carpo;                                              metacarpofalangeana (ou por sua sec-
                                                               ção), o extensor comum pode estender
      6) do extensor próprio curto do polegar e                facilmente as duas últimas falanges.
         do abdutor longo do polegar.
                                                            O tendão do extensor próprio do dedo in-
      Nestes sulcos osteofibrosos, os tendões ex-     dicador e o do dedo mínimo possuem a mesma
postos estão envolvidos por bainhas serosas           fisiologia que o tendão correspondente do exten-
(fig. 5-67) que passam por cima do ligamento          sor comum com o qual se confundem. Permitem
anular dorsal e se estendem bastante abaixo so-
                                                      a extensão isolada do dedo indicador e do quin-
bre a superfície dorsal da mão.                       to dedo (gesto de "pôr chifres").
     Do ponto de vista fisiológico, o extenso r             De maneira acessória, no caso do dedo indi-
comum dos dedos é, principalmente, o exten-           cador, os tendões extensores têm, segundo Du-
sor da primeira falange sobre o metacarpeano.         chenne de Boulogne, uma ação de lateralidade
      Esta ação se manifesta com força e evidên-      (fig. 5-70): o extensor próprio (EP) realiza a
cia, seja qual for a posição do punho (fig. 5-69).    "adução" e o extensor comum (EC) a "abdução".
Transmite-se à primeira falange pela expansão         Esta ação aparece quando a flexão das duas últi-
profunda (1), longa de 10 a 12 mm, que se des-        mas falanges e a extensão da primeira anulam a
cola da superfície profunda do tendão, diferente      ação dos interósseos correspondentes.
1. MEMBRO SUPERIOR    207




                   Fig.5-66




Fig.5-67                          a              b



           -                          Fig.5-68




               J



Fig.5-69                                         EP
                                                 EC




                     Fig.5-70
208 FISIOLOGIA ARTICULAR




                          MÚSCULOS INTERÓSSEOS                        E LUMBRICAIS


      Não descreveremos de novo as inserções dos in-                   dão se desloca para frente e perde a sua ação de
terósseos; e:'.tão resumidas nas figuras 5-71, 5-72 e 5-               abdução para se converter em flexor.
73. Estas inserções não interessam se não for para escla-          A sua ação sobre a flexão-extensão não pode ser
recer as ações musculares.                                   entendida sem descrever previamente a estrutura da
      No plano fisiológico, os interósseos possuem dois      aponeurose dorsal do dedo (figs. 5- 74, 5-75 e 5-76):
tipos de ações: ação de lateralidade e ação sobre a fle-          -    após ter emitido a sua inserção (1) para o tubér-
xão-extensão.
                                                                       culo lateral de FI' o tendão do interósseo cons-
      Sua ação de lateralidade sobre os dedos está de-                 titui uma lâmina fibrosa que,' passando sobre a
terminada pela inserção de uma parte do tendão termi-                  superfície dorsal de F. vai continuar na sua ho-
nal sobre o tubérculo lateral da base da primeirafalan-                móloga cOfltralateral:' se trata da correia dos
ge (1); esta ação é tão diferente que esta inserção inclu-             interósseos (2). Vista pela sua superfície pro-
sive se cOlTesponde, às vezes, com um corpo muscular                   funda (foram removidas as falanges), a apo-
diferente (disposição encontrada no primeiro interósseo                neurose dorsal·(fig. 5-75) permite observar es-
dorsal, segundo Winslow).                                              ta cOlTeia formada de uma parte relativan1ente
                                                                       espessa (2) e de uma parte mais fina (2'), fibras
      O sClllido do movimento de lateralidade está regu-
                                                                       oblíquas que se expandem em direção às lin-
lado pela direção do corpo muscular:
                                                                       gÜetas laterais (7) do extensor comum. A parte
      -   quando se dirige em direção ao eixo da mão                   espessa (2) desliza sobre a superfície dorsal de
          (terceiro dedo) - é o caso dos interósseos dor-              FI e da articulação metacarpofalangeana me-
          sais (traços verticais, figs. 5-71 e 5-73) - o               diante uma pequena bolsa selvsa (9), debaixo
          músculo ordena a separação dos dedos (setas                  da qual se descola a lingÜeta profunda (4) do
          brancas, figo 5-71).                                         extensor comum;
          É evidente que, se o segundo e o terceiro inte-         -    uma terceira expansão do tendão do interós-
          rósseos se contraem simultaneamente, a sua                   seo constitui uma fina lingÜeta (3) que se di-
          ação de lateralidade sobre o médio se anula.                 rige em dois contingentes de fibras para o ex-
          Com relação ao quinto interósseo, a separação                tensor:
          é realizada pelo adutor do quinto (5) (fig. 5-               • algumas fibras oblíquas (10) para a lingÜeta
          72), que equivale a um interósseo dorsal. No                   média constituem a lâmina triangular;
          polegar, a escassa separação que produz o ab-
                                                                       • a maior parte das fibras se fundem com a lin-
          dutor curto do polegar (6) está compensada pe-
                                                                         gÜeta lateral pouco antes da sua passagem pe-
          la realizada pelo abdutor longo que age sobre o
                                                                         la interfalangeana proximal, para formar uma
          primeiro metacarpeano;
                                                                         faixa (12), que vai inserir-se sobre F, com a
      -   quando se afasta do eixo da mão - é o caso dos                 sua homóloga contralateral:            '
          interósseos palmares (traços horizontais, figs.
                                                                       • observar (fig. 5-76) que a faixa lateral (12)
          5-72 e 5-73) - o músculo dirige a aproximação
                                                                         não passa exatamente pela superfície dorsal
          dos dedos (setas brancas, figo 5-72);
                                                                         da interfalangeana proximal, mas sim ligeira-
      -   os interósseos dorsais são mais volumosos e                    mente sobre o lado onde está colada à cápsu-
          portanto mais potentes que os pa1mares, o que                  la por algumas fibras transversais, a expan-
          explica que estes últimos sejam menos eficazes                 são capsular (11):
          quanto à aproximação dos dedos;
                                                                  -    os quatro lumbricais (fig. 5-77), numerados
      -   os tendões dos interósseos, envolvidos em for-               de fora para dentro. se inserem nas margens
          mações fibroaponeuróticas anexadas ao liga-                  dos tendões fiexores profundos, principal-
          mento transverso intermetacarpeano, não po-                  mente na margem radial. O seu tendão (13)
          dem se luxar para frente durante a flexão das                se dirige para baixo e volta para dentro. Em
          metacarpofalangeanas,     porque o ligamento                 primeiro lugar o ligamento transverso inter-
          transverso, localizado na frente deles, os man-              metacarpeano o separa do tendão do interós-
          tém no seu lugar. Não é o caso do primeiro in-               seo (fig. 5-76), dando-o, assim, uma posição
          terósseo dorsal que carece deste mecanismo:                  mais palmar. A seguir (figs. 5-75 e 5-76), se
          quando a faixa fibrosa que o mantém seguro se                funde com a terceira expansão do interósseo,
          distende por um processo reumático, o seu ten-               mais abaixo do que a correia.
1. MEMBRO SUPERIOR   209




Fig.5-77   Fig.5-76   Fig.5-75      Fig.5-74
210 FISIOLOGIA       ARTICULAR




                                                A EXTENSÃO DOS DEDOS


       A extensão dos dedos se deve à ação combinada                           -   se a metacarpofalangeana se flexiona (fig. 5-82)
do extensor comum (EC), dos interósseos (Is), dos lum-                             por distensão do extensor comum (a) e contração
bricais (Ls) e também em certa medida, do flexor super-                            do lumbrical (sem representação na figura);
ficial (FCS); todos estes músculos intervêm nas liga-
                                                                               -   a correia desliza sobre o dorso de FI (b); o seu
ções de sinergia-antagonismo variáveis dependendo da                               trajeto é de 7 rnm (Sterling Bunnel);
posição da articulação metacarpofalangeana (MP) e do
punho. Acrescente-se a ação totalmente passiva do liga-                        -   a contração dos interósseos (c) atuando sobre a
mento retinacular, que coordena a extensão das duas                                correia flexiona com potênc~a a metacarpofalan-
últimas falanges.                                                                  geana;
      O extensor comum                                                         -   embora, por este fato, as expansões laterais, man-
                                                                                   tidas pela correia, se distendessem (d) e a sua ação
      Já vimos anteriormente (pág. 206) que o extensor                             extensora sobre FI e F2 desaparecesse, quanto
comum não é verdadeiro extensor salvo no caso da pri-                              mais flexionada estiver a metacarpofalangeana;
meirafalange (F) e que não atua sobre F2 e F3 se os flexo-
res não estão distendidos (flexão do punho, flexão da me-                      -   contudo, neste preciso momento é quando o ex-
tacarpofalangeana, secção dos flexores). Numa peça ana-                            tensor comum é eficaz sobre FI e F2•
tômica. a tração do extensor comum determina uma exten-                         Portanto existe, cómo o demonstrara Sterling Bun-
são completa da FI e incompleta de F2 e F3 (fig. 5-69, C).                nel, um balanço sinérgico na ação de extensão do exten-
       O grau de tensão das diferentes inserções do extensor comum        sor comum e dos interósseos sobre FI e F2 (fig. 5-89):
depende praticamente da flexão das falanges:                                   -   metacarpofalangeana flexionada 90°: ação máxi-
       -   a flexão isolada de F, (fig. 5-78) distende 3 rum a faixa               ma do extensor comum sobre F2 e F3; ação máxi-
           média e a expansão profunda; de modo que o extensor co-                 ma dos lumbricais estando as faixas laterais ten-
           mum já não atua diretamente    sobre F, e F,;                           sas outra vez (fig. 5-84), sendo ineficazes os inte-
       -   a flexão de F, (fig. 5-79) tem duas conseqüências:                      rósseos;
           • distende 3 rum as faixas laterais (a) graças à "derrapa-          -   metacarpofalangeana  em posição intermédia:
             gem" das faixas que deslizam em posição palmar, atraí-                ação complementar do extensor comum e dos in-
             das pela expansão capsular (fig. 5-75, 11). Durante a ex-             terósseos;
            tensão de F, voltam à sua posição dorsal devido à elasti-
            cidade da lâmina triangular (fig. 5-75, 10);                       -   metacarpofalangeana estendida: ação inexistente
           • distende de 7 a 8 rum a expansão profunda (c) o que anu-              do extensor comum sobre F2 e F,; ação máxima
                                                                                   dos interósseos estando as faixas laterais tensas
            la a ação direta sobre F, do extensor comum. Porém, po-
            de estender indiretamente F, através de F" se esta última              outra vez (fig. 5-81, b).
            está estabilizada em flexão pelo flexor comum superfi-             Os lumbricais
            cial' que desempenha assim um papel coadjuvante do ex-
            tensor comum na extensão da metacarpofalangeana       (fig.         Flexores de FI e extensores de F2 e F3 possuem, ao
            5-80): e" e f" se anulam, e' e f" se somam e se decom-        contrário dos interósseos, estas funções seja qual for a
            põem sobre FI em A, componente axial e em B, compo-           flexão da metacarpofalangeana. São músculos extrema-
            nente de extensão, incluindo uma parte da ação do flexor
                                                                          mente importantes para os movimentos dos dedos. Devem
            comum superficial (R. Tubiana e P. Valentin).
                                                                          esta eficácia a duas disposições anatôrnicas:
       Os interósseos
                                                                               - a sua localização mais palma/; pela frente do li-
      Os interósseos são flexores de FJ e extensores de F2                       gamento transverso intermetacarpeano, lhes ou-
e F3, mas a sua ação sobre as falanges depende do grau de                        torga um ângulo de aproximação de 35° com
flexão da metacarpofalangeana e do estado de tensão do                           FI (fig. 5-83): deste modo, podem flexionar a
extensor comum:                                                                  metacarpofalangeana inclusive se está hiperes-
                                                                                 tendIda. São, assim, os "iniciadores" da flexão
       -   se a metacarpofalangeana está estendida (fig. 5-
           81) por contração do extensor comum;                                  de FI (flexor-starters), os interósseos atuam se-
                                                                                 cundariamente sobre a correia;
       -   se a correia se desloca (a) por cima da metacar-
                                                                               -   a sua inserção distal se localiza (fig. 5-84) nas ex-
           pofalangeana em direção à superfície dorsal do
                                                                                   pansões laterais debaixo do nível da correia. Ao
           primeiro metacarpo (Sterling Bunnel);
                                                                                   não estar mantidos por este último, podem tensio-
       -   deste modo, as expansões laterais podem estar                           nar de novo o sistema extensor de F2 e F3seja qual
           tensas (b) e produzir a extensão de FI e F2;                            for o grau de flexão da metacarpofalangeana.
1. MEMBRO   SUPERIOR    211




                                 EC




b

                                      Fig.5-81                  a
                                                                    Ec




                          Fig.5-83                       Fig.5-82




                      Fig.5-85




Fig.5-84
                          Fig.5-86




           Fig.5-87                   Fig.5-88
212 FISIOLOGIA    ARTICULAR




                                         A EXTENSÃO DOS DEDOS
                                                       (continuação)


     -   Eyler e Marquée, e Landsmeer demonstraram                    Em caso de patologia, a retração do ligamento reti-
         que em certos indivíduos os interósseos possuem        nacular:
         duas porções, uma porção para a correia e outra              - instaura a deformação do dedo denominada "em
         porção para a expansão lateral;                                 casa de botão", devido à ruptura da aponeurose
     -   para Recklinghausen, os lumbricais facilitam a                  dorsal;
         extensão de F2 e F3 (fig. 5-85) produzindo a dis-             - provoca a hiperextensão da interfalangeana distal
         tensão da porção distal dos tendões do fiexor co-               na doença de Dupuytren nO,seu terceiro grau.
         mUln superficial (a) nos quais se localiza a sua in-         Resumo das ações musculares para a flexão-ex-
         serção superior (b). Graças a este sistema diago-      tensão dos dedos
         naI, a contração dos lumbricais desloca funcio-
         nalmente a inserção teI1lÚnal do flexor comum                 Extensão simultânea de Fj + F2 + FJ (fig. 5-89, A):
                                                                       Sinergia EC + Is + Ls.
         superficial da superfície palmar à superfície dor-
         sal de F3' transformando-o num extensor, equiva-              Ação passiva e automática do ligamento retinacular.
         lente a um interósseo; este sistema é semelhante,             Extensão isolada de Fj: EC.
         em eletrônica, a um transistor que troca a passa-
         gem da corrente num sentido ou outro dependen-                  (coadjuv~nte do EC)    relaxamento dos Is
         do do seu estado de excitação. Este "efeito tran-
                                                                       + Flexão F : FCS
                                                                       + Flexão F): FCP       )
         sistor" conduz, graças a uma baixa potência - a
         do lumbrical -, à derivação de uma forte potên-               + Flexão F2: FCS (Id.)
         cia - a do flexor comum profundo - para o siste-              + Extensão F3: Ls + Is (esta última ação é muito
         ma extensor;                                                     difícil).
     -   por último, os lumbricais, possuidores de nume-               Flexão isolada de FI: Ls (starters) + ls (antagonis-
         rosos receptores proprioceptivos, recolhem in-                mo EC/Is: relaxamento EC).
         fOlmações essenciais para coordenar o tônus                   + Extensão F, e F, (fig. 5-89, C): Ls (extensores em
         dos extensores e dos flexores entre os quais es-                qualquer põsição da metacarpofalangeana) + ba-
         tão tensos formando uma diagonaI.                               lanço sinérgico EC + Is (fig. 5-89, B).
      O ligamento retinacular     (LR)                                 + Flexão F,: FCS.
       O ligamento retinacular (Landsmeer, 1949) está                  + Extensão F}: Ls (ação difícil porque a ftexão das
constituído por fibras (fig. 5-86) que partem da superfície              interfalangeanas proximais distende as faixas late-
palmar (a) de F, e se projetam (b) sobre as faixas laterais              rais).
do extensor comum e, através destas, sobre F). Todavia, é              + Flexão F,: FCS.
necessário ressaltar como algo essencial o fato de que, ao
contrálio das faixas laterais do extensor comum, as fibras             + Flexão F3: FCP (a sua ação está facilitada pela
                                                                         "derrapagem das faixas laterais devido à ftexão da
do ligamento retinacular cruzam a interfalangeana proxi-
                                                                         interfalangeana proximal ").
mal (IFP) pela frente do seu eixo (c), isto é, em posição
                                                                         Os movimentos   habituais   dos dedos ilustram as seguintes     si-
palmar. Então podemos deduzir que (fig. 5-87) a exten-           tuações:
são da interfalangeana     proximal provoca a tensão das               -   os movimentos que se realizam       durante a escritura     (Du-
fibras do ligamento retinacular e produz a extensão da                     chenne de Boulogne):
interfalangeana distal(IFD) na metade do seu recorrido,                       -   quando empurramos o lápis para frente (fig. 5-90),
passando de uma flexão de 80° a uma flexão de 40°. Esta                           o interósseo flexiona F, e estende F, e F,;
tensão do ligamento retinacular pela extensão da interfa-                     - quando conduzimos         novamente o lápis para trás
langeana proximal é fácil de comprovar (fig. 5-88): se                            (fig. 5-91), o extensor comum estende F, e o tlexor
seccionarmos o ligamento retinacular em B, a extensão                             comum superficial tlexiona F,:
da F, já não se associa com a extensão automática de F3 '              -   os movimentos dos dedos em gancho (fg. 5-92): o fle-
                                                                           xor comum superficial e o flexor comum profundo se
enqllamo é possível observar a separação de uma distân-                    contraem e os interósseos se relaxam. Este movimento é
cia CD (D representa a posição final de B, ponto do liga-                  indispensável para o alpinista que se agarra a uma pare-
mento retinacular que gira em tomo de A, enquanto C re-                    de rochosa vertical;
presenta a posição final de B, ponto de Fo girando em tor-             -   os movimentos dos dedos em martelo (fig. 5-93): o ex-
no de O) das duas margens do ligamentõ retinacular.                        tensor comum intervém para estender FI enquanto o fle-
                                                                           xor comum superficial e o flexor comum profundo fle-
       Ao contrário, é possível obter, mediante uma flexão
                                                                           xionam F, e F, . É a posição inicial dos dedos do pianis-
passiva da interfalangeana distal, e estando intacto o liga-               ta. O dedo percute a tecla por contração dos interósseos
mento retinacular, a flexão automática da interfaIangeana                  e dos lumbricais que tlexionam a metacarpofalangeana
proximal.                                                                  quando o extensor comum se relaxa.
1. iIEMBRO SUPERIOR   213




    Fig.5-89




-
214 FISIOLOGIAARTIClJLAR




                   ATITUDES PATOLÓGICAS                    DA MÃO E DOS DEDOS


     A insuficiência ou o excesso de ação de qualquer          f) a insuficiência    dos interósseos, implica
dos músculos que acabamos de expor pode desenca-                  uma hiperextensão de M/FI sob a ação do
dear múltiplas atitudes ,iciosas.                                 extensor comum e por uma fiexão acentuada
    Entre as atitudes viciosas dos dedos (fig. 5-94),             das duas últimas falanges sob a ação do fle-
devemos conhecer:                                                 xor comum superficial e do flexor comum
                                                                  profundo. Deste modo, a paralisia dos mús-
     a) a ruptura da aponeurose dorsal, na lâmina                 culos intrínsecos rompe o arco longitudinal
        triangular, que se estende entre as duas faixas           na "chave" da sua abóbada. Esta atitude, de-
        laterais e cuja elasticidade é necessária para            nominada "em garra" (fig. 5-96) ou "intrín-
        que estas faixas voltem à posição dorsal quan-            seca menos", aparece principalmente na pa-
        do a interfalangeana proximal se estenda de               ralisia dó nervo ulnar - que inerva os inte-
        novo. Neste caso. a superfície dorsal da articu-          rósseos - e é a razão pela qual também se de-
        lação produz uma hérnia na fenda aponeuróti-              nomina garra ulnar. Acompanha-se de uma
        ca, e as faixas se luxam sobre as suas superfí-           atrofia da eminência tenar e dos espaços in-
        cies laterais; se mantém assim em semi-fiexão,            terósseos.
        enquanto a interfalangeana proximal está em
                                                                 A perda dos extensores do punho e dos dedos,
        hiperextensão. Esta mesma atitude denomina-
                                                           com freqüência no curso de uma paralisia radial,
        da "em casa de botão" aparece ante uma sec-        determina uma atitude caraterística de "mão caÍda"
        ção do extensor na interfalangeana proximal;       (fig. 5-95) com flexão acentuada do punho e flexão
     b) a ruptura do tendão extenso r imediata-            das articulações metacarpofalangeanas, estando as
        mente anterior à sua inserção em F} provo-         duas últimas falanges estendidas pelos interósseos.
        ca a fiexão de F,. que pode reduzir-se de for-           Na doença de Dupuytren (fig. 5-97), a retra-
        ma passiva, mas não ativa. A flexão se deve à      ção das faixas pré-tendíneas da aponeurose palmar
        tonicidade do flexor comum profundo não            média acarreta umafiexão irredutível dos dedos so-
        compensada pelo extensor comum; a defor-           bre a palma: flexão da metacarpofalangeana e da in-
        mação se denomina "dedo em martelo" (ou            terfalangeana proximal e extensão da interfalangea-
        mallet finger);                                    na distal. Freqüentemente, esta atitude viciosa é
     c) a ruptura do tendão do extenso r longo por         mais acentuada nos dois últimos dedos, o dedo indi-
        cima da metacarpofalangeana se deve àfie-          cador e o médio se afetam posteriormente e poucas
        xão da metacarpofalangeana sob a ação pre-         vezes afeta o polegar.
        dominante da correia dos interósseos; esta ati-          A doença de Volkmann (fig. 5-98) se deve à
        tude "intrínseca plus" se observa quando os        retração isquêmica dos músculos fiexores e determi-
        interósseos predominam sobre o extensor co-        na uma atitude em garra dos dedos, muito nítida na
        mum,                                               extensão do punho (a), e menos visível na flexão (b),
     d) a ruptura ou a insuficiência do flexor co-         que distende os flexores.
        mum superficial determina uma hiperexten-                Outra atitude en garra (fig. 5-99) que se corres-
        são da interfalangeana proximal sob a influên-     ponde com a inflamação da bainha ulnocarpeana.
        cia predominante dos interósseos. Esta atitude     A garra é mais acentuada quanto mais interno é o de-
        "em inversão" da interfalangeana proximal se       do (atinge o seu máximo no quinto dedo). Qualquer
        associa com uma ligeira flexão da interfalan-      tentativa de reduzir esta garra resulta muito dolorosa.
        geana distal devido ao encurtamento relativo             Por último, a atitude em "rajada ulnar" (fig.
        do flexor comum profundo (por hiperextensão        5-100, segundo o quadro de G. La Tour, "Briga de
        da interfalangeana proxirnal), daí a sua deno-     mendigos") se caracteriza pelo desvio simultâneo
        minação de deformação "em pescoço de cis-          dos quatro últimos dedos em direção à superfície in-
        ne";
                                                           terna da mão; também podemos apreciar a proemi-
      e) a paralisia ou a secção do tendão do flexor       nência anormal das cabeças metacarpeanas. Este
         comum profundo conduz à impossibilidade           conjunto de deformações permite considerar o diag-
         de flexionar ativamente a última falange;         nóstico (retrospectivo) de poliartrite reumatóide.
1. MEMBRO SUPERIOR   215




~/rc




c.~
~~~

       d               e
                           Fig.5-95




  ~           Fig.5-94




                                                    -

                                              Fig.5-98




           Fig.5-100
216 FISIOLOGIA ARTICULAR




                      OS MÚSCULOS          DA ElVIINÊNCIA HIPOTENAR


     A eminência hipotenar     está composta   por    XX", o qual o desloca para frente (seta 1) e pa-
três mÚsculos (fig. 5-101):                           rafora (seta 2). Esta direção oblíqua é a do cor-
     1) o flexor curto do quinto dedo (1); se in-     po muscular (seta branca).
        sere abaixo, no tubérculo interno da ba-            Mas, ao mesmo tempo, proporciona        ao
       se de FI' a sua direção é oblíqua para ci-     quinto metacarpeano   um movimento de rota-
       ma e para fora em direção à sua inserção       ção em torno ao seu eixo longitudinal   (repre-
       carnosa na superfície anterior do liga-        sentado por uma cruz) no sentido da seta 3, em
       mento anular e do processo unciforme;          supinação, isto é, de tal maneira que a parte
                                                      anterior do metacarpeano   se orienta para fo-
     2) o adutor do quinto dedo (2); adutor em
                                                      ra, em direção ao polegar. Portanto, o oponen-
        relação ao plano de simetria do corpo.
        termina abaixo como um interósseo no          te merece a sua denominação    porque realiza a
        tubérculo lateral de F I (com o fiexor CUf-   oposição do dedo mínimo com relação ao po-
                                                      legar.
        to), por uma correia comum com o quar-
        to interósseo palmar e por uma expansão             Ofle_xor curto (1) e o adutor do quinto de-
        para a faixa lateral do extensor comum.       do (2) exercem     em conjunto uma ação quase
        Por cima, se insere na superfície anterior    idêntica (fig. 5-103):
        do ligamento anular e no pisiforme;
                                                           -   o fiexor curto (1) fiexiona a primeira fa-
     3) o oponente do quinto dedo (3) se inse-                 lange sobre o metacarpeano e separa o
        re abaixo na superfície interna do quinto              quinto dedo em relação ao eixo da mão;
        metacarpeano, rodeia a sua margem (fig.
        5-88) para se dirigir (seta branca) para           -   o adutor (2) possui a mesma ação: de
        cima e para fora em direção à margem                   modo que é abdutor com relação ao ei-
        inferior do ligamento anular e do proces-              xo da mão (terceiro dedo) e pode ser
        so unciforme, no qual se insere.                       considerado equivalente a um interós-
                                                               seo dorsal. Como os interósseos,  fle-
     No plano fisiológico                                      xiona a primeira falange, por ação da
     O oponente (fig. 5-102) fiexiona o quinto                 correia, e estende duas falanges por
metacarpeano sobre o carpo, em tomo do eixo                    ação de sua expansão lateral.
1. MEMBRO SUPERIOR   217




            Fig.5-102




Fig.5-103
218 FlSIOLOGIAARTICULAR




                                           o POLEGAR

      o polegar ocupa uma posição e desem-              -   maiS curto, como seria o caso após
penha uma função à parte na mão, porque é in-               uma amputação falângica, perde as
dispensável para realizar as pinças polegar-digi-           suas possibilidades de oposição por
tais com cada um dos outros dedos, e principal-             não ter suficiente longitude, nem sufi-
mente com o dedo indicador, e também para a                 ciente separação, nem suficiente fle-
constituição de uma preensão de força com os                xão global;
outros quatro dedos. Também pode participar             -   mais longo, como seria o caso de uma
em ações associadas às preensões que se refe-               malfor,mação congênita com três fa-
rem à própria mão. Sem o polegar, a mão perde               langes, a oposição fina ponta do dedo-
a maior parte de suas capacidades.                          ponta do ~edo (término-terminal) po-
     O polegar deve esta função eminente, por               de se ver perturbada pela flexão insu-
uma parte, à sua localização para frente tanto              ficiente da interfalangeana distal do
da palma da mão quanto dos outros dedos (fig.               dedo ao qual se opõe.
5-104) que lhe permite, no movimento de opo-
                                                         Então, isto é um exemplo do princípio de
sição, se dirigir aos outros dedos, de forma iso-
                                                    economia universal (princípio de OCCAM).
lada ou global, ou se separar pelo movimento de     segundo o qual qualquer função está assegura-
contra-oposição para relaxar a preensão. Por        da pela mínima estrutura e organização: para
outro lado, deve a sua função à grande flexibili-   uma função ótima do polegar, são necessárias
dade funcional que lhe proporciona a organiza-      e suficientes cinco peças.
ção tão peculiar da sua coluna articular e dos
seus motores musculares.                                As articulações da coluna do polegar são
                                                    quatro:
    A coluna ósteo-articular do polegar (fig.
5-105) contêm cinco peças ósseas que consti-            -   a trapéÚo-escafóidea      (TE) artródia
tuem o raio externo da mão:                                 que, como já vimos, permite que o tra-
                                                            pézio realize um curto deslocamento
     -   o escafóide (esc);                                 para frente sobre a superfície articular
     - o trapézio (T) que os embriologistas con-            inferior, a qual se apóia sobre o tubér-
       sideram equivalente a um metacarpeano;               culo do escafóide: neste caso se esbo-
                                                            ça um movimento de flexão de escas-
     -   o primeiro metacarpeano   (Mr);
                                                            sa amplitude;
     -   a primeira falange (F);
                                                        -   a trapéÚo-metacarpeana (TM) dotada
      - a segunda falange (F).                              de dois graus de liberdade;
      O polegar anatomicamente só possui duas           -   a metacarpofalangeana (MF) que pos-
falanges, mas, o que é importante, a sua coluna             sui dois graus de liberdade;
 se articula com a mão num ponto muito mais
proximal que no caso dos outros dedos. A sua            -   a interfalangeana (IF) com só um grau
 coluna é claramente mais curta e o seu extremo             de liberdade;
 só alcança a parte média da primeira falange do            ou seja, em total, CINCO GRAUS DE
 dedo indicador. Este é o seu comprimento per-              LIBERDADE necessários e suficientes
feito porque:                                               para se realizar a oposição do polegar.
1. MEMBRO SUPERIOR   219




                              Fig.5-104




     Fig.5-105


TOTAL: 5 GRAUS




                 ,_1F:10
220 FISIOLOGIA ARTICULAR




                      GEOMETRIA DA OPOSIÇÃO DO POLEGAR


      Desde um ponto de vista estritamente geo-     móveis M 1, F 1 e F 2 da coluna do polegar em tor-
métrico (fig. 5-106), a oposição do polegar con-    no dos três eixos de flexão yy' para a TM, fi pa-
siste em que, num ponto dado A' , a polpa do po-    ra a MF e f, para a IF, podemos constatar que são
legar seja tangente à polpa do outro dedo, como     necessários dois graus para situar o extremo de
por exemplo o dedo indicador, num ponto A: is-      F2 num ponto H do plano: se se bloqueia fi ou f:.
to é, fazer coincidir no espaço num único ponto     só existe uma forma para ambos os casos alcan-
A + A' os planos das polpas tangentes A e A' .      çarem o ponto H. Porém, introduzir um terceiro
                                                    grau permite chegar a H com diferentes incidên-
      Para começar, para coincidir dois pontos no
                                                    cias: estão representadas na figura duas orienta-
espaço (fig. 5-107) são necessários três graus de
                                                    ções O e O' da polpa, de modo que podemos
liberdade segundo as coordenadas x, y e z. A se-    constatar como este mecanismo necessita de três
guir, são necessários mais dois graus de liberda-
                                                    graus de liberdade no plano.
de para que possam coincidir os planos das pol-
pas, plano sobre plano e direção sobre direção,          No espaço (fig. 5-109), se acrescenta um
por rotação em tomo aos eixos teu (como as pol-     quarto grau de liberdade, em tomo do segun-
pas não podem entrar em contato pela superfície     do eixo xx' da TM, permitindo uma orientação
dorsal, é inútil um terceiro grau em tomo de um     adicional da polpa que "se orienta" numa dire-
                                                    ção diferente, a qual autoriza uma verdadeira
eixo y e perpendicular aos dois precedentes).
                                                    escolha da oposição com um determinado dedo
     Em resumo, a coincidência dos planos das       do dedo indicador ao dedo mínimo.
polpas necessita de cinco graus de liberdade:            Um quinto grau de liberdade (fig. 5-110)
     -   três para que coincidam os pontos de       conseguido graças ao segundo eixo da MF me-
         contato;                                   lhora ainda mais a coincidência dos planos das
                                                    polpas, permitindo uma rotação limitada de um
     -   dois para que coincidam mais ou menos
                                                    plano sobre outro em torno do ponto de tangên-
         os planos das polpas.
                                                    cia. De fato, podemos comprovar que o eixo de
     Como podemos demonstrar de forma sim-          flexão f 1 da MF não é estritamente transversal
ples que cada eixo de uma articulação constitui     a não ser no curso da flexão direta; na verdade.
um grau de liberdade que se soma aos outros pa-     durante a maior parte do tempo é oblíquo num
ra contribuir para o resultado final, podemos de-   sentido ou outro:
duzir que os cinco graus de liberdade da coluna          -   oblíquo em f' 1: a flexão se associa com
do polegar são imprescindíveis e suficientes pa-             um desvio ulnar e com uma supinação:
ra se realizar a oposição.
                                                         -   oblíquo em f" 1: neste caso se associa
      Se considerarmos, unicamente no plano                  com um desvio radial e com uma pro-
(fig. 5-108), o movimento dos três segmentos                 nação.
1. MEMBRO   SUPERIOR   221




                                                  tI
                                       z




    Fig.5-106
                                      Fig.5-107

                                                  y




     x



                                           H

                             Xl




                             X

y
                                  Fig.5-108


     Xl         Fig. 5-110                                 Fig.5-109
222 FISIOLOGIA   ARTICULAR




                    A ARTICULAÇÃO           TRAPÉZIO-META          CARPEANA


     Topografia das superfícies                              convexidade ântero-externa. A parte
     A articulação trapézio-metacarpeana (TM)                posterior-externa E é quase plana;
se localiza na base da coluna móvel do polegar           -   a superfície metacarpeana M) se forma
e desempenha um papel primordial dado que as-                ao contrário, apresentando uma crista
segura a sua orientação e participa de maneira               A'B' que corresponde ao sulco AB da
preponderante no mecanismo da oposição.                      superfície do trapézio e um sulco C'D'
     Os anatomistas a denominam articulação                  que encaixa sobre a crista do trapézio
                                                             CD.       -
por encaixamento recíproco, o que não significa
muito, ou também articulação selar (fig. 5-111),           Encaixada sobre a superfície do trapézio
o que parece mais correto porque esta última de-     (fig. 5-113), a metacarpeana a ultrapassa por
nominação lembra a forma de sela de cavalgar,        ambos os extremos a e b do sulco. Além disso,
côncava num sentido e convexa no outro. Exis-        num corte (fig. 5-114) se pode observar que a
tem duas superfícies em sela, uma no trapézio e      concordância das duas superfícies não é absolu-
a outra na base do primeiro metacarpeano que só      ta. Porém, encaixadas com firmeza uma contra
se correspondem por causa de uma rotação de          a olltra, "o encaixamento" das superfícies não
90° que faz coincidir a curva convexa de uma         permite nenhuma rotação sobre o eixo longitu-
com a curva côncava da outra e vice-versa.           dinal do primeiro metacarpo, sempre segundo
      A topografia exata das superfícies desta ar-   Kuczynski.
ticulação tem sido causa de numerosos estudos e            A causa da curva da sela sobre o seu eixo
debates. A descrição mais precisa foi exposta re-    longitudinal, Kuczynski a compara com uma se-
centemente por K. Kuczynski (1974). Com a            la (mole) colocada sobre o lombo de um "cava-
trapézio-metacarpeana aberta (fig. 5-112) e a ba-    lo com escoliose" (fig. 5-115). Também pode-
se do primeiro metacarpeano deslocada para fo-       mos compará-Ia com um desfiladeiro (fig. 5-
ra, as superfícies articulares do trapézio T e do     116) entre duas montanhas, percorrido por uma
primeiro metacarpeano M1 apresentan as seguin-       rodovia curva: a direção do caminhão que sobe
tes particularidades:                                pela rodovia forma um ângulo r com a do ca-
     -   a superfície do trapézio T apresenta uma    minhão que desce por ela. Para Kuczynski, este
         crista média CD ligeiramente curva se-      ângulo que atinge os 90° entre os pontos a e b do
         guindo uma concavidade orientada para       sulco do trapézio explicaria a rotação do primei-
         dentro e para frente. A parte dorsal C      ro metacarpo sobre o seu eixo longitudinal no
         desta crista é claramente mais convexa      percurso da oposição. Todavia, para que isto se-
         que a sua parte palmar F que é quase        ja assim, seria necessário que a base de M) per-
         plana. Esta crista aparece deprimida na      corresse (como o caminhão no desfiladeiro) to-
         sua parte média por um sulco AB que a       do o sulco do trapézio, o que requereria uma lu-
         cruza transversalmente e se estende da       xação completa da articulação num sentido e/ou
         margem dorsal externa A à margem pal-        no outro, enquanto o deslocamento só é parcial:
         mar interna B onde é evidentemente           o importante desta rotação longitudinal se reali-
         mais escavada. Um fato importante é          za, então, segundo a nossa opinião, graças a ou-
         que este sulco é curvo e apresenta uma       tro mecanismo que será exposto mais adiante.
1. MDIBRO SUPERIOR 223
224 FISIOLOGIA ARTICULAR




                   A ARTICULA çÃO TRAPÉZIO- METACARPEANA
                                            (continuação)



    Coaptação                                               -   o ligamento oblíqUf( póstero-interno
     A cápsula da articulação trapézio-metacar-                 (LOPI), descrito pelos clássicos, se trata
peana é conhecida pela sua lassidão, de modo                    de uma faixa larga mas fina que envolve
que permite um importante jogo mecânico,                        a articulação por trás como uma grava-
                                                                ta, para se enrolar por dentro da base do
que, segundo os autores clássicos e inclusive
                                                                primeiro rnetacarpeano se dirigindo pa-
segundo os modernos, origina a rotação do pri-
                                                                ra frente;
meiro metacarpeano sobre o seu eixo longitudi-
nal, o que, como se poderá comprovar mais                   -   o ligamento oblíquo ântero-interno
adiante, é falso.                                               (LOAI) se estende da parte distal da
                                                                crista do trapézio até a zona justaco-
     De fato, a lassidão capsular só tem como
                                                                missural da base do primeiro metacar-
efeito, na prática, permitir o deslocamento da
                                                                peano, cruza a superfície anterior da
superfície metacarpeana sobre a do trapézio,
                                                                articulação se enrolando no sentido in-
mas esta articulação trabalha em compressão,
                                                                verso ao precedente;
semelhante a um pivô (fig. 5-117), permitindo
assim orientar o primeiro metacarpeano em to-               -   o ligamento       reto ântero-externo
das as direções do espaço, como se se tratasse                  (LRAE) se estende diretamente entre o
de uma capa cuj a orientação se pode variar                     trapézio e a base do primeiro metacar-
modificando a tensão das cordas representadas                   peano até a superfície ântero-externa da
neste caso pelos músculos tenares. Estes asse-                  articulação, o seu claro e agudo limite
guram a coaptação articular em qualquer posi-                   interno delimita um hiato capsular por
çao.                                                            onde passa uma bolsa serosa para o ten-
                                                                dão do abdutor longo (AbL).
     Os ligamentos da trapézio-metacarpeana
dirigem o movimento e asseguram, segundo o               Para J.Y. de Ia Caffiniere, estes ligamentos
seu grau de tensão, a coaptação em cada posi-        podem se associar de dois em dois:
ção. A sua descrição e a sua função foram recen-            -   UM e LRAE, a abertura da primeira co-
temente particularizados por J.Y. da Caffiniere                 missura no plano da palma da mão é li-
(1970) que diferencia quatro (figs. 5-118, vista                mitada pelo LIM e o seu fechamento pe-
anterior, e 5-119, vista posterior).                            lo LRAE;
     -   o ligamento intermetacarpeano (UM).                -   LOPI e LOAI são solicitados principal-
         Ramo fibroso, espesso e curto, se esten-               mente durante a rotação do primeiro
         de das bases do primeiro e do segundo                  metacarpeano sobre o seu eixo longitu-
         metacarpeanos até a parte superior da
           ..         .                                         dinal. O LOPI limita a pronação e o
         pnmelra cormssura;                                     LOAI a supinação .
1. 1IEMBRO SUPERIOR   225




            I
            •
                Fig.5-117
                            •



                                                AbL




                    UM




Fig.5-118                       Fig.5-119
226 FISIOLOGIA ARTICULAR




                    A ARTICULAÇÃO            TRAPÉZIO-lVIETACARPEANA
                                              (continuação)



     Função dos ligamentos                             bre o trapézio e M2M) o LOPI e o LOAI contro-
     Segundo a nossa opinião, estes fenômenos          lam a estabilidade rotatória de M sobre o seu
                                                                                             1


são algo mais complexos, já que precisamos             eixo longitudinal.
descrever a ação dos ligamentos em relação aos                -   o LOAI está tenso durante a pronação;
movimentos de anteposição e retroposição, e de                    de modo que a sua tensão isolada acar-
flexão e extensão do primeiro metacarpeano tal                    retaria urna supinação;
como serão definidos mais adiante.
                                                              -   o LOPI é solicitado durante a supinação;
     N o curso dos movimentos de anteposição e                    podemos afirmar que a sua tensão inde-
retroposição podemos observar:                                    pendente dos outros acarretaria uma
     -   numa vista anterior (fig. 5-120) em ante-                pronação do primeiro metacarpeano.
         posição, como o LOAI está tenso e se               Na oposição que associa a anteposição e a
         distende o LRAE ao passo que para trás        flexão, todos os ligamentos (UM, LOAI, LOPI)
         (fig. 5-121) o LOPI está tenso;               estão tensos exceto o LRAE, o que é normal
     -   numa vista anterior (fig. 5-122) em re-       porque este ligamento é paralelo aos músculos
         troposição, como o LRAE está tenso e          contraídos (abdutor curto, oponente, flexor cur-
         se distende o LOAI, ao passo que para         to). É notável que o mais tenso seja o LOPI que
         trás (fig. 5-123) se distende o LOPI;         assegura deste modo a estabilidade da articula-
                                                       ção para trás. A oposição se corresponde então
     -. com relação ao UM (fig. 5-124, vista
        anterior), como está tenso, tanto em an-       com a close packed position, como já havia res-
        teposição (AP), onde "traciona" a base         saltado Mac Conaill: é a posição na qual as su-
                                                       perfícies articulares estão mais firmemente en-
        de M1 para ;"12, quanto em retroposição
                                                       caixadas uma contra a outra, o que, somado ao
        (RP) onde "retém" a base de M1 ante-
        riormente subluxada pelo trapézio. Dis-        fato de que os dois ligamentos oblíquos estão si-
        tende-se em posição intermédia.                multaneamente tensos, exclui toda rotação so-
                                                       bre o eixo longitudinal do primeiro metacar-
     No curso dos movimentos de flexão-exten-
                                                       peano que corresponderia a um jogo mecânico
são podemos observar:                                  entre as superfícies articulares.
     -   como na extensão (fig. 5-125) os liga-            Na posição intermédia, que será definida
         mentos anteriores LRAE e LOAI estão
                                                       mais adiante, todos os ligamentos estão disten-
         tensos e o LOPI se distende;                  didos e, conseqüentemente, o jogo mecânico é
     -   como naflexão (fig. 5-126) se produz a        máximo, o qual não aporta nenhuma vantagem
         situação contrária: distensão dos LRAE        com relação à rotação longitudinal de M.
         e LOAI e tensão do LOPI.
                                                           Na contra-oposição, a tensão quase isolada
     Ao estar enrolados em sentido contrário so-       do LOAI é capaz de produzir certo grau de supi-
bre a base de M1 (fig. 5-127, vista axial de M1 so-    nação de M1 sobre o seu eixo longitudinal.
1. MEMBRO SUPERIOR   227




                                                                 LRAE$
                                                      LOPI ffi
                                                                 LOAI8



   ~
ANTEPOSIÇÃO
                                             ~

    Fig.5-120
                                           ANTEPOSIÇÃÓ                   ."-t>
                                                                 RETROPOSIÇÃO


                                                                     Fig.5-122



                         LOPI      e
                         UM   EB




              <}---'
             RETROPOSIÇÃO

             Fig.5-123
                                                                   Fig.5-125



 LOPI   EB
                               LRAE    8
                               LOAI    e




                         Fig.5-126               Fig.5-127
228 FISIOLOGIA ARTICULAR




                   A ARTICULAÇÃO TRAPÉZIO-METACARPEANA
                                              (continuação)


     Geometria das superfícies                        ralmente de tal modo que os raios li, v, 1', que
      Se a rotação do primeiro metacarpeano so-       passam por cada ponto da crista, convergem
bre o seu eixo longitudinal não se pode explicar      num ponto O' situado no eixo xx' do tara para
nem pelo jogo mecânico nem pela ação dos liga-        fora do seu plano de simetria. Esta superfície se-
mentos, a única explicação que resta é pelas pro-     lar sempre é uma superfície, toróide negativa
priedades das superfícies articulares (além dis-      com dois eixos principais ortogonais e dois
so, esta explicação não foi contestada no caso do     graus de liberdade. Claro que isto só é certo pa-
quadril).                                             ra um pequeno segmento de superfície, porque,
                                                      caso contrário, a multiplicidade dos eixos con-
      As superfícies selares possuem, como afir-      verteria em "caduca" a comparação. De fato, en-
mam os matemáticos, uma curva negativa, isto          quanto a superfície for pequena, os eixos suces-
é que sendo convexas num sentido e côncavas           sivos (p, q, s, etc ... ) estarão suficientemente pró-
no outro, não podem fechar-se sobre si mesmas,        ximos entre si para que o jogo mecânico com-
como seria o caso da esfera, exemplo perfeito de      pense as discordâncias. É o caso das superfícies
curva positiva. Tentaram comparar estas superfí-      do trapézio e das metacarpeanas cujas curvas
cies selares a um segmento hiperbolóide de re-        são relativamente moderadas, menos acentuadas
volução (fig. 5-128) como Bausenhart e Littler,       que nos esquemas.
ou com um segmento hiperbolóide parabólico
(fig. 5-129, a hipérbole H se apóia sobre uma pa-            Nestas condições, é totalmente lógico e lí-
rábola P), ou inclusive hiperbólico (fig. 5-130, a    cito modelar a articulação trapé::.io-metacar-
hipérbole H se apoia sobre outra hipérbole H').       peana do mesmo modo que os biomecânicos
No nosso caso, parece mais interessante compa-        modelam o quadril, como se se tratasse de uma
rá-Ias com um segmento axial de superfície tóri-      articulação "de patela", embora saibamos de so-
ca (fig. 5-131): na parte central de uma câmara       bra que a cabeça femoral não é uma esfera per-
de ar, que representa o toro ou bocel, existe uma     feita.
curva côncava cujo centro é o eixo da roda O e
uma curva convexa cujo centro é o eixo da "mol-
                                                              o modelo mecânico de uma    articulação de
                                                       dois eixos é o "Cardão" (fig. 5-133): dois eixos
dura" (na verdade, existem uma série de eixos p,
                                                       xx' e yy' perpendiculares    e concorrentes que
q, s, etc ... um dos quais, q, corresponde à posi-
                                                       permitem movimentos em dois planos perpendi-
ção média). Esta superfície selar ou "toróide ne-
                                                       culares AB e CD. Do mesmo modo, duas super-
gativa" possui dois eixos principais ortogonais        fícies selares A e B situadas uma sobre a outra
e, por conseguinte, dois graus de liberdade. Se
                                                       (fig. 5-134) permitem, uma em relação à outra
considerarmos     a descrição de K. Kuczynski,
                                                       (fig. 5-135), movimentos AB e CD em dois pla-
com a curva lateral da crista da sela (o "cavalo
                                                       nos perpendiculares.
com escoliose"), este segmento axial de superfí-
cie tórica deve delimitar-se assimetricamente               Porém, o estudo da mecânica do cardão
(fig. 5-132) sobre o toro, como se a sela se tives-    mostra que as articulações de dois eixos pos-
se deformado, deslizando lateralmente sobre o          suem uma possibilidade adicional, a rotação au-
lombo de um cavalo normal. O eixo maior lon-           tomática do segmento móvel sobre o seu eixo
gitudinal (a crista) da sela nm está curvado late-     longitudinal, neste caso o primeiro metacarpo.
1. MEMBRO SUPERIOR   229




                                                          ®



Fig.5-128
                     x
                                                              o                 Fig.5-129
                                                                                            x
                                                                                                    .®      Fig.5-130




                                   Fig.5-131                                                    Fig.5-132




 I,,, - ,",'
    -
             ...            ....


                                            
                                                
                                                 
                                                 
                                                     II
                                                     I
                                                ,:
                                                 ,
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        Fig.5-134                                                               Fig.5-133          Fig.5-135
230 FISIOLOGIA ARTICULAR




                   A ARTICULAÇÃO TRAPÉZIO-METACARPEANA
                                            (continuação)



    A rotação sobre o eixo longitudinal             nas quais é variável em função do grau de flexão
     É fácil construir um cardão cortando e co-     prévia. Podemos calcular com uma fórmula tri-
lando (fig. 5-136): sobre as duas superfícies de    gonométrica simples considerando as duas rota-
um círculo a, colar os semicírculos de duas tiras   ções.
b e c pregadas em ângulo reto em 1-2 e 3-4, de            Um caso particular interessante desta rota-
tal maneira que as pregas sejam perpendiculares.    ção conjunta automática, ocorre durante a rota-
Este cardão de demonstração (faça-o!) permiti-      ção cilíndrica (fig. 5-140): sendo de 90° a flexão
rá materializar a rotação automática em torno       prévia sobre o eixo 3-4, toda rotação a em torno
ao eixo longitudinal do segmento móvel.             do eixo 1-2 produz uma mudança de orientação
                                                    grau a grau do segmento móvel; neste caso, a ro-
     Em primeiro lugar, podemos constatar (fig.
                                                    tação automática é máxima.
5-137), que estando um dos segmentos fixos,
pode mobilizar o segundo ao redor dos dois ei-             Claro que entre a rotação conjunta automá-
xos do cardão; seja em torno do eixo 1-2 num         tica nula da rotação plana e o máximo da rotação
movimento a no curso do qual permanece no            cilíndrica, são viáveis todos os valores intern1é-
mesmo plano, ou ao redor do eixo 3-4 num mo-         dios nas articulações de dois eixos de tipo car-
vimento b que faz formar um ângulo diedro com        dão.
a sua posição inicial.                                     É possível encontrar de novo esta rotação
      Se considerarmos   (fig. 5-138) o primeiro     cilíndrica (fig. 5-141) se se articulam ao cardão
movimento em torno do eixo 1-2, sem que se           três segmentos pelo eixo 3-4, paralelos aos ou-
realizem flexão ou extensão prévias em torno do      tros dois 5-6 e 7-8. A flexão de 90° sobre o eixo
eixo 3-4 que permanece perpendicular ao seg-         3-4, podemos, então, distribuir sobre os três ei-
mento móvel, podemos constatar, que este "se         xos, o que faz com que o último segmento seja
orienta" sempre na mesma direção, indicada pe-       paralelo ao eixo 1-2. Observamos como a rota-
las setas: é uma rotação plana, igual às que se      ção conjunta automática aumenta do primeiro ao
observam nas articulações de charneira onde o        último segmento para atingir o seu valor máxi-
eixo é perpendicular ao segmento móvel.              mo no segmento distal. Isto modela a coluna do
                                                     polegar articulada na sua base por um cardão e
      Se anteriormente (fig. 5-139), o segmento
                                                     cuja segunda falange sofre uma rotação conjun-
móvel realiza uma flexão b, inferior a 90°, em
                                                     ta automática sem que em nenhum momento in-
torno do eixo 3-4, a rotação a em torno do eixo
                                                     tervenha qualquer jogo mecânico na trapézio-
1-2 provoca uma mudança de orientação do seg-
                                                     metacarpeana.
mento móvel, representado nesta figura pelas se-
tas que apontam para um ponto P situado no pro-            Graças à ação coordenada das três articula-
longamento do eixo 1-2. Esta troca de orienta-       ções trapézio-metacarpeana,       metacarpofalan-
ção do segmento móvel no curso de uma rota-          geana e interfalangeana se realiza a rotação do
ção cônica realiza uma rotação automática so-        polegar sobre o seu eixo longitudinal, mas é a
bre o eixo longitudinal que Mac Conaill deno-        trapézio-metacarpeana,   "a rainha", a que inicia o
                                                     movimento.
mina rotação conjunta. Esta existe nas articula-
ções de charneira cujo eixo é oblíquo em relação          Esta demonstração pode se reproduzir com
ao segmento móvel; é de valor constante. Existe      o modelo mecânico da mão mostrado ao final
principalmente    nas articulações de dois eixos     deste volume.
1. MEMBRO SUPERIOR   231




       a
   ~




                        Fig.5-136




Fig.5-137




                                    I     Fig.5-140

                I
                I




                ~
                 I
                 I
                 I
                 ,
                    I
                    I
                    




            Fig.5-139                   Fig.5-141
232 FISIOLOGIA ARTICULAR




                            A ARTICULAÇÃO TRAPÉZIO-METACARPEANA
                                                                   (continuação)


       Os movimentos do primeiro metacarpeano                                           rige o polegar para frente, quase perpendicular
       o primeiro   metacarpeano     pode realizar, de forma isolada ou                 ao plano da palma da mão, numa posição que
simultânea, movimentos      em tomo de dois eixos ortogonais e um                       os autores da língua inglesa denominam abdu-
movimento sobre o seu eixo longitudinal que deriva dos movimen-                         ção (o que não contribui para esclarecer muito);
tos precedentes.  Resta definir a posição no espaço de dois eixos
principais da trapézio-metacarpeana.
                                                                                    -   em tomo ao eixo yy' que, por referência ao pri-
                                                                                        meiro, se denominará secundário, se realiza um
        Numa peça anatômica (fig. 5-142), se inserirmos um espeto
                                                                                        movimento de flexão-extens&o num plano FOE
metálico no centro da curva média de cada uma das superfícies do
trapézio e do metacarpeano, podemos materializar:                                       perpendicular ao eixo yy' e ao plano precedente.
       -   na base do primeiro metacarpeano,  o eixo xx' que corres-                    A extensãç E dirige o primeiro metacarpeano
           ponde à curva côncava do trapézio;                                           para cima, para trás e para fora e se prolonga
       -   no trapézio, o eixo yy' que corresponde       à curva côncava                pela extensão da primeira e da segunda falan-
           da sela metacarpeana.                                                        ges, conduzi na o a coluna do polegar quase ao
      Claro que na realidade viva, estes eixos não são imutáveis
                                                                                        plano da palma da mão.
mas sim móveis, evolutivos no curso mesmo do movimento, o es-                           Aflexão F dirige o primeiro metacarpeano pa-
peto representa uma posição média. Contudo, numa primeira apro-
                                                                                        ra baixo, para frente e para dentro, sem ultra-
ximação. podemos considerá-Ios,    com objetivo de modela1; isto é,
de representar parcialmente a realidade para facilitar a compreen-
                                                                                        passar nesta direção o plano sagital que passa
são de um fenômeno complexo, como os dois eixos da trapézio-                            pelo segundo metacarpeano, embora prolon-
metacarpeana.    Constituem   o que os mecânicos    denominam    um                     gando-se através da f1exão das falanges que faz
cardão porque são ortogonais, ou seja, perpendiculares   entre si no                    com que a polpa contate com a palma da mão
espaço. Portanto, a articulação possui as propriedades de um car-                       no nível da base do dedo mínimo.
dcio.
                                                                                        Assim, a noção de f1exão-extensão do primeiro
       Além disso, observamos     duas características    importantes:
                                                                                        metacarpeano é perfeitamente justificada por-
       -   por uma parte, o eixo xx' é paralelo aos eixos de flexão-                    que se complementa com o movimento homó-
           extensão da metacarpofalangeana     fi e da interfalangeana
                                                                                        logo nas outras duas articulações da coluna do
           f" fato que se poderá ver as conseqüências;
                                                                                        polegar.
       -   por outra parte, o eixo xx', ortogonal    a yy', também       o é
           ao fi e f, e, portanto, está incluído no plano de flexão da               Além destes movimentos puros de ante-retroposi-
           primeira e da segunda falange; isto é, no plano de flexão           ção e de flexão-extensão, todos os outros movimentos do
           da coluna do polegar.                                               primeiro metacarpeano são movimentos complexos que
        Por último, como fato essencial, os dois eixos xx' e yy' da            associam, em diversos graus, movimentos em tomo dos
trapézio-metacarpeana    são oblíquos em relação aos três planos de            dois eixos, sucessivos ou simultâneos e que integram, co-
referência frontal (F), sagital (5) e transversal (T). Podemos dedu-           mo ficou demonstrado anteriormente, uma rotação auto-
zir que os movimentos puros do primeiro metacarpeano       se realizam         mática ou uma rotação conjunta sobre o eixo longitudi-
nos planos oblíquos em relação aos três planos de referência clás-
                                                                               naL Esta, como teremos ocasião de comprovar, desem-
sicos e não podemos designá-los pelos termos inventados pelos an-
tigos anatomistas, ao menos quanto à abdução cujo plano é frontal.             penha uma função essencial na oposição do polegar.
                                                                                     Os movimentos de f1exão-extensão e de ante-re-
      Desse modo, podemos definir os movimentos pu-
ros do primeiro metacarpeano (fig. 5-143) no sistema                           troposição do primeiro metacarpeano se originam na
de referência do trapézio:                                                     posição neutra ou de repouso muscular do polegar (fig.
                                                                               5-144), como a definiram C. Hamonet e P. Valentin, se
       -   em torno do eixo XX' que se denominará prin-
                                                                               correspondendo com a posição de "silêncio" eletromio-
           cipal, porque graças a este eixo o polegar "es-
                                                                               gráfico: nenhum dos músculos do polegar, em estado de
           colhe" o dedo ao qual vai se opor, se realiza um
                                                                               descontração, libera potencial de ação. Esta posição N é
           movimento de anteposição-retroposição          no
                                                                               importante nas radiografias: a projeção sobre o plano
           percurso do qual a coluna do polegar suposta-
           mente estendida se desloca num plano AOR                            frontal de Mj com M2 forma um ângulo de 30°. No pla-
                                                                               no sagital, o mesmo ângulo é de 40°.
           perpendicular ao eixo xx' e que inclui a unha
           do polegar. A retroposição R dirige a unha do                              Devemos lembrar que esta posição N corresponde
           polegar para trás para conduzi-Io ao plano da                       à distensão dos ligamentos e à máxima congruência das
           palma da mão, afastado aproximadamente 60°                          superfícies articulares que, neste caso, se recobrem to-
           do segundo metacarpeano. A anteposição A di-                        talmente.
1. MEMBRO SUPERIOR   233




                        Fig.5-142




Fig.5-143




            Fig.5-144
234 FISIOLOGIA ARTICULAR




                   A ARTICULAÇÃO TRAPÉZIO-METACARPEANA
                                             (continuação)



    Avaliação dos movimentos do primeiro                     Este sistema apresenta dois inconvenientes:
metacarpeano                                                 -   medir projeções sobre p'lanos abstratos e
     Após definir os movimentos reais do pri-                    não sobre ângulos reais;
meiro metacarpeano, convém explicar corno                    -- não avaliar a rotação sobre o eixo longi-
avaliá-Ias na prática. Existem três sistemas, o                 tudinal. ~
que não ajuda a esclarecer o problema.
                                                           O segundo sistema, que poderia se denomi-
     O primeiro sistema que poderia se deno-          nar moderno (fig. 5-146), proposto por J. Du-
minar clássico (fig. 5-145): o primeiro meta-         pare, J.Y de Ia Caffiniere e H. Pineau, não defi-
carpeano evolui num triedro de referência re-
                                                      ne movimentos, mas sim, posições do primeiro
tangular constituído pelos três planos perpendi-
                                                      metacarpeano seguindo um sistema de coorde-
culares. transversal T, frontal F e sagital S, es-
                                                      nadas polares. A localização do primeiro meta-
tes dois últimos se cortam no eixo longitudinal
                                                      carpeano se define pela sua posição sobre um
do segundo metacarpeano e a intersecção dos
                                                      cone cujo eixo se confunde com o eixo longitu-
três planos se situa na trapézio-metacarpeana.
                                                      dinal do segundo metacarpeano e o vértice se si-
A posição de referência se consegue quando o
                                                      tua na trapézio-metacarpeana. O semi-ângulo no
primeiro metacarpeano está "colado" ao segun-
                                                      vértice do cone (seta 1) é o ângulo de separação
do no plano da palma da mão, a grosso modo o
                                                      a, válido quando o primeiro metacarpeano se
plano F. Convém ressaltar duas observações:
                                                      desloca sobre a superfície do cone. A sua posi-
esta posição não é natural e o primeiro meta-
                                                      ção se particulariza sem ambigüidade alguma,
carpeano não pode ser estritamente paralelo ao
                                                      graças ao ângulo (seta 2) que forma o plano que
segundo.
                                                      passa pelo eixo dos dois primeiros metacarpea-
     A abdução (seta 1) é a separação do pri-         nos com o plano frontal. Este ângulo b é deno-
meiro em relação ao segundo metacarpeano no           minado por alguns autores "ângulo de rotação
plano F, a adução ou aproximação, o movimen-          espacial", o que é urna tautologia porque qual-
to contrário.
                                                      quer rotação somente pode ocorrer no espaço.
      A flexão (seta 2), ou avanço, é o movi-         Assim sendo, seria mais indicado denominá-Io
mento que dirige o primeiro metacarpeano pa-          ângulo de circundução, já que o deslocamento
ra frente, a extensão ou retrocesso, o movimen-       do primeiro metacarpeano sobre a superfície do
to contrário.                                         cone é uma circundução.
     A posição do primeiro metacarpeano se                  O mais interessante deste sistema de avalia-
define mediante dois ângulos (ilustração              ção é que estes dois ângulos são bastante fáceis
menor): a abdução a e a flexão b.                     de medir com um esquadro.
1. MEMBRO SUPERIOR 235




T                              s




    Fig.5-146
236 FISIOLOGIA ARTICULAR




                   A ARTICULA çÃO TRAPÉZIO-META CARPEANA
                                            (continuação)



    o sistema   do trapézio                                 -   quando se dispõe a coluna do polegar
     Porém, o maior inconveniente destes siste-                 de perfil (fig. 5-148), a curva convexa do
mas de avaliação, é que medem movimentos                        trapézio e a curva côncava do metacar-
complexos da trapézio-metacarpeana integran-                    peano se vêm sem nenhuma defomlação
do obrigatoriamente um componente de rotação                    em perspectiva. Uma radiografia da co-
longitudinal, produto das rotações em tomo dos                  luna do polegar em máximafiexão e ou-
dois eixos da articulação.                                      tra em extensão permitem constatar que:

      O terceiro sistema que se propõe é um sis-                • afiexão de 20 a 25° de amplitude colo-
tema de referência do trapézio que só pode ex-                    ca quase paralelo o eixo dos dois pri-
plorar-se com radiografias em incidências espe-                   meiros metacarpeanos;
cíficas:                                                        • a extensão de 30 a 45° de amplitude faz
    -   quando colocamos a coluna do polegar                      com que o eixo do primeiro metacar-
        de frente (fig. 5-147), a curva côncava                   peano forme um ângulo de 65° com o
        do trapézio e a curva convexa do pri-                     do segundo. Também, neste caso, o
        meiro metacarpo se vêm estritamente                       deslizamento da superfície basal côn-
        de perfil, sem nenhum efeito de pers-                     cava do primeiro metacarpeano sobre o
        pectiva. Se realizamos uma radiografia                    trapézio se entende perfeitamente co-
        em retroposição e outra em anteposi-                      mo o resultado de uma rotação em tor-
                                                                  no do centro da curva convexa do
        ção e se constata que:
                                                                  trapézio, se projetando no trapé~io co-
        • a retroposição de 15 a 25° de amplitu-                  mo o eixo secundário YY' da trapézio-
          de conduz o eixo do primeiro metacar-                   metacarpeana.
          peano a estar quase paralelo ao do se-
          gundo, enquanto a sua base se "sublu-           Em resumo, a amplitude dos movimentos
          xa" por fora da superfície do trapézio;    na trapézio-metacarpeana é mais reduzida do
                                                     que podíamos pensar pela grande mobilidade da
        • a anteposição de 25 a 35° de amplitu-      coluna do polegar:
          de "abre" o ângulo entre os dois pri-
          meiros metacarpeanos até 65°, enquan-             -   trajeto de 40 a 60° entre a anteposição e
          to a base do primeiro desliza por den-                retroposição máximas;
          tro em direção a do segundo.                      -   trajeto de 50 a 70° entre a flexão e a ex-
                                                                tensão máximas.
        Estes deslocamentos da base do primei-
        ro metacarpo sobre a sela do trapézio se           Só a realização de radiografias em incidên-
        entendem perfeitamente como o resulta-        cias específicas da trapézio-metacarpeana, co-
        do de uma rotação em tomo centro da           locando a coluna do polegar de frente e de per-
        curva côncava do trapézio, projeção          fil, permite explorar convenientemente a fisiolo-
        na base de M] do eixo principal xx' da        gia desta articulação e apreciar as limitações
        trapézio- metacarpeana.                       (Kapandji, 1980).
1. MEMBRO SUPERIOR   237




                        25-85°




ANTEPOSIÇÃO-   RETROPOSIÇÃO      = 40-60'




                                                          Fig.5-147




                                     FLEXÃO-EXTENSÃO   = 50-70'




                                    Fig.5-148
238 FISIOLOGIA ARTICULAR




          A ARTICULAÇÃO lVIETACARPOFALANGEANA DO POLEGAR


     Os anatomistas consideram a articulação         metacarpeana pelos ligamentos metacarpoglenói-
metacarpofalangeana uma condilar, uma ovóide,        des interno (18) e externo (19) e à base da primei-
como denominam os autores ingleses. Portanto,        ra falange pelas fibras falango-sesamóides diretas
possui, como todas as condilares, dois graus de      (20) e cruzadas (21). Os músculos sesamóides in-
liberdade, a flexão-extensão e a lateralidade. Na    ternos (6) se inserem no sesamóide interno e en-
verdade, a sua complexa biomecânica associa          viam uma expansão (22) à base da falange ocul-
um terceiro grau de liberdade, a rotação da pri-     tando parcialmente o ligament0 lateral interno
meira falange sobre o seu eixo longitudinal, se-     (13). Está seccionada a expansão falangeana (23)
ja em supinação ou em pronação, movimento            dos sesamóides externos (7) para poder observar
não somente passivo, mas principalmente ativo        melhor o ligameÍlto lateral externo (14).
indispensável na oposição.                                 Em vista lateral interna (fig. 5-152) e em
      Com a metacarpofalangeana aberta pela          vista lateral externa (fig. 5-153) podemos obser-
frente (fig. 5-149) e a primeira falange desloca-    var também o recesso capsular posterior (24) e o
 da para trás, a cabeça do metacarpeano (1) apa-     anterior (25), bem como a inserção do tendão do
 rece convexa em ambos os sentidos, mais longa       extensor curto próprio do polegar (26), e é pre-
 que larga, prolongada para frente por dois espal-   ciso ressaltar a inserção do metacarpo claramen-
 dões assimétricos, o interno (a) mais proeminen-    te descentrada dos ligamentos laterais interno
 te que o externo (b). A base da primeirafalange     (13) e externo (14) e dos ligamentos metacar-
 está ocupada por uma superfície cartilaginosa       poglenóides (18) e (19). Também podemos
 (2) côncava nos dois sentidos e a sua margem        constatar que o ligamento lateral interno (fig. 5-
 anterior serve de inserção àfibrocartilagem gle-    152), mais curto, está tenso antes que o externo
 nóide (3) ou placa palmar que contém, próxi-        (fig. 5-153), o que provoca um deslocamento
 mos à sua margem inferior, os dois ossos sesa-      mais limitado da base da falange sobre a mar-
 móides internos (6) e externos (7). O corte da      gem interna da cabeça do metacarpeano que so-
 cápsllla (8) se caracteriza, de um lado ao outro,   bre a margem externa. Uma vista esquemática
 pelo espessamente que formam os ligamentos          superior (fig. 5-157, página 241) da cabeça do
 metacarpoglenóides interno (9) e externo (10).      metacarpeano (tracejada) explica como este des-
 Podemos observar os recessos capslllares ante-      locamento diferencial, I para dentro, L para fora,
 rior (11) e posterior (12), bem como os liga-       provoca uma rotação longitudinal em pronação
 mentos laterais, o interno (13) mais curto e que    da base da falange, especialmente quando os se-
 está tenso antes que o externo (14). As setas xx'   samóides externos (SE) se contraem mais vigo-
 representam o eixo de fiexão-extensão e a seta      rosamente que os internos (SI).
 yy' o eixo de lateralidade.                              Este fenômeno se acentua ainda mais pela
     Em vista anterior (fig. 5-150), podemos ob-     assimetria da cabeça do metacarpeano (fig. 5-
servar os mesmos elementos: o metacarpeano           151, vista de frente), onde o espaldão ântero-in-
(15) abaixo, a primeira falange (16) acima, embo-    terno (a) mais proeminente desce menos que o
ra se distingam muito melhor os detalhes da pla-     externo (b): no lado externo a base da falange se
ca palmar com a fibrocartilagem glenóide (3), o      desloca mais para frente e para baixo o que, na
sesamóide interno (4) e o externo (5) unidos pelo    flexão, provoca uma pronação e um desvio ra-
ligamento intersesamóide (17) e fixos à cabeça       dial da primeira falange.
1. MEMBRO SUPERIOR       239




                      6                                             7

                      4
                                                                5
                      9                                         10
                  3
                                                                8
                  2

              12
              13                                                           13                                        23
                                                                14      21_
                  1                                                     20~                                      -14
                                                                           22                                   20
                                                                           4
                                                                                                                _21
                                                                                                                ~19
                                                                          18                                    17
                  8                                                                                             23
                                                                b
                  a                                                        6
                                                                10                                              7
                  9
                                                                11
                                                                                15

                          Fig.5-149
                                                                                          Fig.5-150

                                             a
                                                                                 b


                                                                                     Fig.5-151



                                                 -
                    ' ~,y
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            n~_ I H:o-:
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             1.--24 f.,
            r.~           /   .Ç:;: ~   19 14         l.~
                                                            7
      4
             3
          1~~!;;/A:nr~                     2220_21 25
                                              3""lU,.
Fig.5-153
240 FISIOLOGIA ARTICULAR




          A ARTICULAÇÃO METACARPOFALANGEANA DO POLEGAR
                                             (continuação)



     As possibilidades de inclinação e de rota-        tenares externos. É a dose packed position      de
ção longitudinal da falange dependem de seu            Mac Conaill. Trata-se da segunda posição        de
grau de flexão.                                        bloqueio, em flexão.          '
    Em posição de alinhamento     ou de extensc70           Em resumo (Kapandji, 1980), a metacarpo-
(fig. 5-154) os ligamentos laterais estão disten-      falangeana do polegar pode realizar dois tipos
didos, mas o sistema da placa palmar e dos liga-       de movimentos a partir da posição de alinha-
mentos metacarpoglenóides está tenso (como as          mento (fig. 5-158, vista posterior da cabeça do
superfícies articulares condilares do joelho em        metacarpeano com os eixos de diferentes movi-
extensão), o que impede a rotação longitudinal e       mentos):
a lateralidade. É a primeira posiçc7o de bloqueio,           -   afiexc70 plira (seta 1) em tomo de um ei-
em extensão.
                                                                 xo transversal fi' por ação equilibrada
     Em posição    intermédia   ou de sel71ifle:rc7o             dos músculos sesamóides externos e in-
(fig. 5-155), os ligamentos laterais ainda estão                 ternos até a semiflexão;
distendidos, o externo mais que o interno, e o               -   os movimentos complexos de fiexão-
sistema da placa palmar se distende, devido à                                 longitudinal:
                                                                 desvio-rotação
basculação dos sesamóides debaixo dos espal-
dões anteriores da cabeça do metacarpeano. Tra-                  • seja a fiexc7o-desvio ulnar-supinação
ta-se da posição de máxima mobilidade na qual                      (seta 2) ao redor de um eixo oblíquo (e
os movimentos de lateralidade e rotação longitu-                   evolutivo) f" o que produz uma rotação
dinal são viáveis pela ação dos músculos sesa-                     cônica. Este movimento se deve à ação
móides: a contração dos internos determina um                      predominante dos sesamóides internos;
desvio ulnar e uma leve supinação e a dos exter-                 • seja a fiexc7o-desvio radial-pronação
nos um desvio radial e uma pronação.                               (seta 3) em tomo de outro eixo oblíquo
     Em posição    de fiexc70 máxima Oli de blo-
                                                                   no outro sentido (e também evolutivo)
queio (fig. 5-156), o sistema da placa palmar se                   de obliqÜidade mais acentuada f3'Tam-
distende, mas os ligamentos laterais estão tensos                  bém neste caso se trata de uma rotação
ao máximo, o que acarreta um deslocamento da                       cônica e o movimento se deve à ação
base da falange em desvio radial e pronação. A                     predominante dos sesamóides externos.
articulação fica literalmente bloqueada pela ten-           A máxima flexão sempre conduz ao desvio
são dos ligamentos laterais e o recesso dorsal         radial-pronação devido à forma assimétrica da
numa posição de oposição máxima pela ação              cabeça do metacarpeano e à tensão desigual dos
predominante e quase exclusiva dos músculos            ligamentos laterais.
1. MEMBRO SUPERIOR   241




                                 Fig.5-156
Fig.5-154     Fig.5-155




  Fig.5-157




                          Fig.5-158
242 FISIOLOGIA ARTICULAR




          A ARTICULAÇÃO METACARPOFALANGEAN~                             DO POLEGAR
                                            (continuação)


     Os movimentos                                        Em posição de semifiexão podem-se con-
      Aposição de referência da metacarpofalan-     trair tanto os sesamóides internos quanto os ex-
                                                    ternos.
geana do polegar é a posição de alinhamento
(fig. 5-159): o eixo da primeira falange se loca-        A contração dos sesamóides internos (fig.
liza no prolongamento do eixo do primeiro me-       5-162, vista distal com o polegar em leve ante-
tacarpeano. A partir desta posição, a extensão      posição e figo5-163, vista proximal com o pole-
num indivíduo normal, seja ativa ou passiva, é      gar em retroposição no plano da palma) leva a
inexistente. A fiexão ativa (fig. 5-160) é de 60-   um desvio ulnar de alguns graus e a uma supina-
70°, afiexão passiva pode atingir 80° e inclusive
90°, As amplitudes dos diferentes componentes
                                                    ção de 5 a  r
                                                          A contração dos sesamóides externos (fig.
do movimento na metacarpofalangeana podem
                                                     5-164, vista distal e figo 5-165, vista proximal)
ser observadas, fixando sobre a superfície dorsal
                                                     produz um desvio radial, muito visível na vista
do polegar, de um lado e outro da articulação,
                                                     proximal, claramente maior que o desvio ulnar
um triedro de referência construído com fósfo-
                                                     precedente e uma pronação de 20°.
ros, de tal modo que na posição de alinhamento
sejam paralelas (ou no prolongamento uma da               Poderemos ver mais adiante toda a impor-
outra) (fig. 5-161). Dessa forma, podemos evi-       tância deste movimento de fiexão-desvio radial-
denciar os componentes de rotação e desvio.          pronação na oposição do polegar.
1. MEMBRO             SUPERIOR   243




                                    '~
                               '"      '   ,       Fig. 5-161

                                                      ~


                 Fig.5-160                        ~




                                         Fig.5-163
     Fig.5-162




Fig.5-165                    Fig.5-164
244 FISIOLOGIA ARTICULAR




          A ARTICULAÇÃO METACARPOFALANGEANA DO POLEGAR
                                             (continuação)


    Os movimentos                                    permite que o polegar entre em contato com o
     Nas preensões cilíndricas com toda a pal-       objeto com a máxima superfície da sua superfí-
ma da mão, a ação dos músculos sesamóides ex-        cie palmar e não com a sua margem interna. Au-
ternos sobre a metacarpofalangeana é a que as-       mentando a superfície de contato, a pronação da
segura o bloqueio da preensão. Quando o pole-        primeira falange é um fator de consolidação da
gar não intervém (fig. 5-166) e permanece para-      preensão.
lelo ao eixo do cilindro, a preensão não é blo-            Quando, por causa do diâmetro mais redu-
queada e o objeto pode cair facilmente pelo es-       zido do cilindro (fig. 5-170). o polegar cobre
paço que fica livre entre os dedos e a eminência      parcialmente o dedo indicador, o anel da preen-
tenar.                                                são é ainda mais estreito, o bloqueio é absoluto
      Se, por outro lado, o polegar se dirige aos     e a preensão é mais firme.
outros dedos (fig. 5-167), o cilindro já não pode          A fisiologia peculiar da metacarpofalan-
cair: o desvio radial da primeira falange, clara-     geana do polegar e dos seus músculos motores
mente visível no desenho, completa o movimen-         se adapta notavelmente à função de preensão.
to de anteposição do primeiro metacarpeano.
                                                            A estabilidade da metacarpofalangeana
Desta maneira, o polegar percorre o caminho
mais curto em tomo do cilindro, isto é, o círcu-      do polegar não somente depende de fatores ar-
                                                      ticulares, mas também de fatores musculares.
lo gerado (f), enquanto sem desvio radial segui-
                                                      Normalmente, no movimento de oposição do
ria um trajeto elíptico mais longo (d).
                                                      polegar (fig. 5-171), as duas cadeias articulares
      Portanto, o desvio radial é indispensável       do dedo indicador e do polegar se estabilizam
para o bloqueio da preensão, cada vez melhor          pela ação de músculos antagonistas (representa-
quanto mais fechado esteja o anel formado pelo        dos por pequenas setas pretas). Em alguns casos
polegar e o dedo indicador que segura o objeto e      (fig. 5-172, segundo Sterling Bunnel), podemos
percorre na sua superfície o trajeto mais curto       constatar como "se inverte a metacarpofalangea-
(fig. 5-168): da posição onde o polegar está si-      na" em extensão (seta branca):
tuado ao longo de um gerador do cilindro e pela
                                                             1) quando uma insuficiência do abdutor
qual se rompe o anel da preensão, passando pe-
                                                                curto e do flexor curto provoca um des-
las posições sucessivas b-c-d-e pelas quais o
anel vai se fechando progressivamente até che-                  locamento da falange:
gar, finalmente, à posição f onde o polegar segue            2) quando uma retração dos músculos do
o círculo gerador, o que fecha totalmente o anel                primeiro espaço interósseo aproxima o
e dá firmeza à preensão.                                        primeiro metacarpeano do segundo;
     Além disso, a pronação da primeira falan-               3) quando uma insuficiência do abdutor
ge (fig. 5-169), visível pelo ângulo de 12° forma-              longo impede a abdução do primeiro
do pelos dois pontos de referência transversais,                metacarpeano.
1. MEMBRO SUPERIOR   245




Fig.5-166               Fig.5-168




                                             Fig.5-170




    Fig.5-169




            Fig.5-171
                                        Fig.5-172
246 FISIOLOGIA ARTIClJLAR




                            A INTERFALANGEANA DO POLEGAR


      À primeira vista, a articulação interfalan-     5-177), podemos observar as diferenças entre
geana do polegar não tem mistério: de tipo tro-       ambos os côndilos: o interno é mais proeminen-
clear, possui só um eixo transversal e fixo, que      te, se estende mais para frente e para dentro que
passa pelo centro da curva dos côndilos da pri-       o externo. O raio de curva do externo é menor,
meira falange, ao redor do qual se realizam os        embora a sua parte anterior "desça" de forma
movimentos de fiexão-extensão.                        mais abrupta em direção à superfície palmar.
     Flexão (fig. 5-173) ativa de 75 a 800, passi-    Assim sendo, podemos deduzir que o ligamento
va de 900•                                            lateral interno (LU), que está rapidamente mais
                                                      tenso que o externo durante a fiexão, freia a par-
      Extensão (fig. 5-174) ativa de 5 a 10°, mas     te interna da falange, enquanto a parte externa
é especialmente notável a hiperextensão passiva       da base da falange continua o seu trajeto.
(fig. 5-175) que pode ser muito pronunciada
(30°) em alguns profissionais, como é o caso dos            Em outros termos (fig. 5-178), o trajeto per-
                                                      corrido AA' sobre o côndilo interno é levemente
escultores que utilizam o polegar como espátula
para trabalhar a argila.                              mais curto que o trajeto sobre o externo BB', o
                                                      que acarreta a rotação longitudinal da pequena
      A realidade é muito mais complexa porque,       falange. De modo que podemos afirmar que não
à medida que se fiexiona, a segunda falange roda      existe um eixo de fiexão-extensão, mas sim, uma
longitudinalmente no sentido da pronação.             série de eixos instantâneos e evolutivos entre a
     Numa peça anatômica (fig. 5-176), após           posição inicial i e a posição final.f
haver inserido dois espetos paralelos, a na cabe-           Se temos a intenção de modelar esta articu-
ça da primeira falange e b na base da segunda,        lação, sobre uma lâmina de papelão, por exem-
em máxima extensãCY.a fiexão da interfalangea-        plo, (fig. 5-179), basta traçar uma prega de fie-
na produz a aparição de um ângulo de 5 a 100,         xão, que não seja perpendicular ao eixo longitu-
aberto do lado interno. no sentido da pronação.       dinal do dedo, mas sim inclinada uns 5-10°: a
      A mesma experiência, realizada no ser vivo      pequena falange descreverá o seu trajeto em fie-
com fósforos colados paralelos entre si na super-     xão corno uma rotação cônica provocando uma
fície dorsal de F e F . conduz ao mesmo resul-
                 I    2                               mudança de orientação proporcional ao grau de
tado: a segunda falange do polegar realiza a pro-     fiexão.
nação de 5 a 10° no curso da sua fiexão.                   Este componente de pronação na interfa-
      A explicação deste fenômeno se consegue         langeana se integra, como poderemos conferir
com argumentos puramente anatômicos: com a            mais adiante, na pronação global da coluna do
articulação aberta pela sua superfície dorsal (fig.   polegar no percurso da oposição.
1. MEMBRO SUPERIOR   247




                                           Fig.5-175



LU



                         Fig.5-174




     Fig.5-177


                                     Fig.5-176




                     Fig.5-178
         Fig.5-179
248 FISIOLOGIA ARTICULAR




                        OS MÚSCULOS MOTORES DO POLEGAR


     o polegar possui nove músculos motores:                bre o primeiro metacarpeano (fig. 5-181,
esta riqueza muscular, que ultrapassa com                   vista externa e proximal do punho em
evidência à dos outros dedos, condiciona a mobi-            posição de fuga);
lidade superior e a principal função deste dedo.          - um quadrante x'y situado por trás do ei-
     Estes músculos se classificam em dois                  xo xx' e por trás do eixo yy', que inclui
grupos:                                                     os dois tendões extensores:
     a) os músculos extrínsecos, ou músculos                 • o extensor:.curto (2),
        longos, são quatro e se localizam no an-             • o extensor longo (3);
        tebraço. Três são abdutores e extensores
        e se utilizam para soltar a preensão, o úl-       - um quadrante Xy localizado pela frente
        timo é flexor e a sua potência se utiliza           do eixo yy' e por trás do eixo xx', ocu-
        para o bloqueio das preensões de força;             pado por dois músculos situados no pri-
                                                            meiro espaço e que produzem uma retro-
     b) os músculos intrínsecos, incluídos na               posição associada a uma ligeira f1exão
        eminência tenar e no primeiro espaço                na trapézio-metacarpeana:
        interósseo, são cinco. Participam na rea-
        lização de diferentes preensões e em par-           • o adutor com os seus dois fascículos (8),
        ticular na oposição. Não se trata de mo-             • o primeiro interósseo palmar (9) quan-
        tores de potência. mas de precisão e                   do existe.
        coordenação.                                       Estes dois músculos são adutores do pri-
      Para entender a ação dos motores sobre o        meiro metacarpeano: fecham a primeira comis-
conjunto da coluna do polegar, é necessário si-       sura. aproximando o primeiro metacarpeano do
tuar o seu trajeto em relação aos dois eixos teó-     segundo (fig. 5-182);
ricos da trapézio-metÇlcmpeana (fig. 5-180): o            - um quadrante xy' situado pela frente dos
eixo yy' de flexão-extensão, paralelo aos eixos             dois eixos xx' e yy' que inclui os princi-
fi' e f2 de f1exão da metacarpofalangeana e da              pais músculos da oposição, por reali-
interfalangeana, e o eixo xx' de anteposição e              zarem ao mesmo tempo uma f1exão e
retroposição delimitam entre eles quatro qua-               uma anteposição do primeiro metacar-
drantes:
                                                            peano:
     - um quadrante x'y' localizado atrás do                 • o oponente (6),
       eixo yy' de f1exão-extensão da trapézio-
                                                             • o abdutor curto (7).
       metacarpeana e diante do eixo xx' de an-
       tepu1são/retropulsão, ocupado pelo ten-            Com relação aos dois últimos:
       dão de só um músculo, o abdutor longo                 • o flexor longo próprio do polegar (4),
       (1), que se localiza muito perto deste úl-
       timo eixo xx'. Isto explica a escassa im-             • e o flexor curto (5).
       portância do seu componente de antepo-              Situam-se no eixo xx' e, portanto, são f1e-
       sição e a sua forte ação de extensão so-       xores puros da trapézio-metacarpeana.
1. MEMBRO SUPERIOR   249




                                                         y'




Fig.5-181               Fig.5-180




            Fig.5-182
250 FISIOLOGIA   ARTICULAR




                        OS MÚSCULOS MOTORES DO POLEGAR
                                              (continuação)


     Uma breve lembrança de anatomia esclare-                    do ligamento anular e do tubérculo do
ce a fisiologia dos músculos motores do polegar.                 trapézio; terminam mediante um tendão
                                                                 comum no sesamóide externo e no tu-
      Músculos extrÍnsecos (fig. 5-183, vista an-
terior e 5-184, vista externa):                                  bérculo externo da base da primeira fa-
                                                                 lange; direção oblíqua para cima e para
     - o abdutor longo do polegar (1) se insere                  dentro;
       na parte ântero-externa da base do pri-
                                                              - o oponente (6) se insere na parte externa
       meiro metacarpeano;
                                                                da superfície anterior do metacarpeano, se
     - o extensor curto do polegar (2) paralelo                 dirige pata cima, para dentro e para frente
       ao anterior (fig. 5-184) se insere na par-               para se inserir na metade externa da super-
       te dorsal da base da primeira falange;                   fície anterior' do ligamento anular;
     - o extenso r longo do polegar (3) se inse-              - o abdutor curto (7) se fixa no ligamento
       re na parte dorsal da base da segunda fa-                anular, acima do anterior e sobre o tubér-
       lange;                                                   culo do escafóide, constituindo o plano
    Com relação a estes três músculos pode-                     superficial dos músculos tenares e se in-
mos constatar duas observações:                                 sere no tubérculo externo da primeira fa-
                                                                lange; uma expansão dorsal forma um
        • no plano anatômico: estes três ten-                   espaldão com o primeiro interósseo pal-
          dões, visíveis na superfície dorsal e ex-             mar (9), este músculo não se localiza pa-
          terna do polegar, delimitam entre si um               ra fora, mas para frente e para dentro do
          espaço triangular de vértice inferior, a              primeiro metacarpeano, e se dirige, co-
          tabaqueira anatõmica, em cujo fundo                   mo o oponente, para cima, para dentro e
          deslizam os tendões paralelos do pri-                 para a frente.
          meiro (10) e segundo radial (11);
                                                            Estes três músculos constituem o grupo ex-
        • no plano "funcional: cada um deles é         terno porque se inserem na parte e:rterna do me-
          motor de um segmento do esqueleto do         tacarpeano e da primeira falange. O flexor cur-
          polegar e os três em conjunto no senti-      to e o abdutor curto formam os sesamóides ex-
          do da extensão;                              temos.
     - o fiexor próprio do polegar (4) corre pe-            O grupo interno contém dois músculos
       lo túnel do carpo, passa entre os dois fas-     inervados pelo ulnar que se inserem na margem
       cículos musculares do flexor curto, des-        interna da articulação metacarpofalangeana:
       liza entre os dois ossos sesamóides (fig.
                                                              - o primeiro interósseo palmar (9), cujo
       5-183) para se inserir na superfície pal-                tendão se insere no tubérculo interno da
       mar da base da segunda falange.
                                                                base da primeira falange e envia uma ex-
    Músculos intrínsecos (figs. 5-183             e             pansão dorsal;
5-184). Classificam-se em dois grupos:
                                                            - o adutor do polegar (8), cujos dois fas-
     O grupo externo contêm três músculos,                     cículos oblíquo e transverso se inserem
inervados pelo mediano, que são, da profundida-                no sesamóide interno e no tubérculo in-
de à superfície:                                               terno da base da primeira falange.
     - o fiexor curto (5) constituído por dois              Por motivo de simetria, estes dois músculos
       fascículos, um se fixa no fundo do canal        constituem os sesamóides internos. São sinérgi-
       do carpo e o outro na margem inferior           cos-antagonistas dos sesamóides externos.
Fig.5-183




Fig.5-185          Fig.5-186
252 FISIOLOGIA ARTICULAR




                AS AÇÕES DOS MÚSCULOS EXTRÍNSECOS DO POLEGAR


     o abdutor      longo do polegar (AL) (fig. 5-187)               esta abdução se relize de maneira isolada, é ne-
desloca    o primeiro metacarpeano para fora e para                  cessário estabilizar o punho mediante a contra-
frente. Portanto, não só é abdutor mas também an-                    ção sinérgica do flexor ulnar do carpo e princi-
 tepulsor do metacarpeano, especialmente quando o                    palmente do extensor ulnar do carpo, caso
 punho está em flexão leve. Este componente ante-                    contrário, o extensor curto também realiza a
 rior se deve ao fato de que o tendão do abdutor lon-                abdução do punho.
 go é o mais anterior dos tendões da tabaqueira ana-                 O extensor longo do polegar (EL) (fig. 5-189)
 tômica (ver figo 5-184). Quando o punho não está
                                                                tem três ações:
 estabilizado   pelos extensores radiais - principal-
 mente o curto - o abdutor longo também é fiexor do                  a) estende a segundafa/ange     sobre a primeira:
punho. Quando o punho está estendido, o abdutor                      b) estende a primeirafalange     sobre o metacar-
 longo se transforma em retropulsor do primeiro me-                     peano;
 tacarpeano.
                                                                     c) desloca   o metacarpeano    para dentro e para
    No p/ano funcional, o par abdutor longo e                           trás:
músculos do grupo externo desempenha um papel
                                                                         • para dentro: "fecha"   o primeiro espaço
primordial na oposição. De fato, para que o polegar
                                                                          interósseo,   de modo que é adutor do pri-
se coloque em oposição, é necessário que o primei-
                                                                          meiro metacarpeano;
ro metacarpeano     se desloque perpendicularmente
pela frente do plano da palma da mão, com a emi-                         • por trás do plano da mão: é retropulsor
nência tenar formando um cone proeminente por ci-                          do primeiro metacarpeano graças a sua
ma da margem externa da palma da mão. Esta ação                           reflexão sobre o tubérculo de Lister (fig.
é o resultado do funcionamento       do par funcional                     5-181). Devido a isto, o extensor longo é
(figs. 5-185 e 5-186, página anterior: o primeiro me-                     um antagonista da oposição: contribui a
tacarpeano aparece estilizado):                                           aplanar a palma da mão; a polpa do pole-
      - primeira fase (fig. 5-185): o abdutor longo                       gar se orienta para frente.
           (]) estende o metacarpeano,    para frente       e         O extensor longo forma um par antagonista-
           para fora, da posição  I
                                  à posição   II;               sinérgico com o grupo externo dos mLÍsculos tena-
      - segunda fase (fig. 5-186): a partir desta po-           res: de fato, quando queremos estender a segunda
           sição II, os músculos do grupo externo, fle-         falange sem deslocar o polegar para trás, é necessá-
           xor curto e abdutor curto (5 e 7) e oponente         rio que o grupo tenar externo estabilize o metacar-
           (6) deslocam o metacarpeano para frente e            peano e a primeira falange pela frente. O grupo te-
                                                                nar externo atua como moderador do extenso r lon-
           para dentro (posição lU) e o rodam sobre o
           seu eixo longitudinal.                               go do polegar: quando os músculos tenares se para-
                                                                lisam, o polegar se desloca irresistivelmente    para
     Para maior comodidade     da descrição         vamos
                                                                dentro e para trás. De maneira acessória, o extensor
expor as duas fases de maneira sucessiva.
                                                                longo também é extenso r do punho quando esta
      Na verdade, são simultâneas e a posição final             ação não está anulada pela contração do palmar
lII do metacarpeano é o resultado da ação sincrôni-             maIOr.
ca dos dois elementos do par funcional.
                                                                     O flexor longo próprio do polegar (FL) (fig.
         O extensor curto do polegar (EC) (fig. 5-188)          5-190) é fiexor da segunda falange sobre a primei-
possui duas ações:                                              ra, e de maneira acessória flexiona levemente     a pri-
         a) estende a primeirafalange   sobre o metacar-        meira falange sobre o metacarpeano.    Para que    a fle-
            peano;                                              xão da segunda falange se realize de maneira      isola-
                                                                da, o extensor curto, mediante sua contração,      deve
         b) desloca o primeiro metacarpeano     e, por
                                                                impedir a flexão da primeira (par sinérgico).
         conseguinte o polegar, diretamente para fora:
         se trata do verdadeiro abdutor do polegar, o                 Mais adiante poderemos analisar o papel in-
         que corresponde a uma extensão e a uma retro-          discutível que desempenha o fiexor longo do polegar
         posição da trapézio-metacarpeana.   Para que           na preensão terminal (ver figs. 5-211 e 5-212).
EC
                      EL




AL                         Fig.5-189




          Fig.5-187
254 FISIOLOGIA ARTICULAR




             AS AÇÕES DOS MÚSCULOS INTRÍNSECOS DO POLEGAR


     Grupo interno dos músculos tenares,                     aos outros dedos, intervém mais ativa-
também denominados músculos sesamóides in-                   mente quanto mais o polegar realiza a
ternos:                                                      oposição a um dedo mais interno. Por-
      O adutor do polegar (fig. 5-191), com os               tanto, sua ação é máxima para a opo-
seus dois fascículos (I, fascículo transverso; 1',           sição polegar/dedo mínimo.
fascículo oblíquo), estende sua ação sobre as               O adutor não intervém na abdução, na
três peças ósseas do polegar:                               antepulsão, na preensão tetminal-termi-
     a) no primeiro metacarpeano (esquema,                  nal (pulpoungueal).
        figo5-192), a contração do adutor deslo-            Posteriores -trabalhos eletromiográficos
        ca o primeiro metacarpo para uma posi-              confirmaram que "a sua atividade se ma-
        ção de equilíbrio ligeiramente para fora            nifesta principalmente no movimento
        e para frente do segundo metacarpeano               que aproxima o polegar do segundo me-
        (posição A), embora o sentido do movi-              tacarpeano, e isto em todos os setores da
        mento dependa da posição inicial do                 oposição. Sua atividade é menor num
        metacarpeano (segundo Duchenne de                   trajeto maior que em outro menor" (fig.
        Boulogne):                                          5-193, esquema de ação do adutor se-
        • o adutor é realmente adutor se o meta-            gundo Hamonet, de Ia Caffiniere e Opso-
                                                            mer).
          carpeano parte de uma posição de má-
          xima abdução (posição 1);                      b) na primeira falange (fig. 5-191) a ação é
        • mas se transforma em abdutor se o me-             tripla: ligeira fiexão, inclinação sobre a
                                                            margem interna (margem ulnar), rota-
          tacarpeano está, no ponto de partida,
                                                            ção longitudinal em supinação (rotação
          em máxima adução (posição 2);
                                                            externa) (seta preta);
        • se o metacarpeano está em máxima re-
                                                         c) na segllndafalange: extensão, na medi-
          tropulsão, sob a influência do extensor
                                                            da em que as inserções terminais do adu-
          longo próprió (posição 3), o adutor se
                                                            tor são comuns com as do primeiro inte-
          transforma em antepulsor;                         rósseo.
        • ao contrário, se o metacarpeano é colo-
                                                          O primeiro interósseo palmar possui uma
          cado previamente em anteposição pelo
                                                     ação muito semelhante:
          abdutor curto (posição 4), se transfor-
          ma em retropulsor;                             - adllção (aproximação do primeiro meta-
                                                           carpeano ao eixo da mão);
         (R indica a posição de repouso do pri-
         meiro metacarpeano);                            - fiexão da primeirafalange pelo espaldão;
         Recentes estudos eletromiográficos de-          - extensão da segunda por expansão lateral.
         monstraram que o adutor do polegar               A contração global dos músculos do grupo
         não intervém ativamente durante a adu-      tenar interno provoca que a polpa do polegar en-
         ção somente, mas também durante a re-       tre em contato com a superfície externa da pri-
         tropulsão do polegar, durante a preen-      meira falange do dedo indicador e, ao mesmo
         são com toda a palma e no percurso da       tempo, uma supinação da coluna do polegar (fig.
         preensão subterminal (pulpar) e princi-     5-191). Estes músculos são indispensáveis para
         palmente subterminal-lateral (pulpar-       segurar com firmeza os objetos entre o polegar e
         lateral). Durante a oposição do polegar     o dedo indicador.
1. MEMBRO SUPERIOR   255




Fig.5-191

            ~p
             ~~




                  ~~~
                                            @
                        Fig.5-192
256 FlSIOLOGIAARTICULAR




                 AS AÇÕES DOS MÚSCULOS INTRÍNSECOS DO POLEGAR
                                               (continuação)

     Grupo externo dos músculos            tenares           O flexor curto (4) participa na ação geral dos
(fig.5-194)                                            músculos do grupo externo (fig. 5-197). Porém,
     O oponente (2) possui três ações, simétricas      quando se contrai de maneira isolada (experiências
às do oponente do quinto (ver figo 5-102); o dia-      de excitação elétrica de Duchenne de Boulogne),
grama eletromiográfico (fig. 5-195, mesma ori-         podemos constatar que a sua ação de adução é mui-
gem) ressalta os setores:                              to mais pronunciada, porque desloca a polpa do po-
                                                       legar em oposição com os dois útimos dedos. Pelo
     -    antepulsão do primeiro metacarpeano sobre
                                                       contrário, sua ação de antepulsão do primeiro meta-
          o carpo, principalmente no maior trajeto;
                                                       carpeano (projeção para frente) é menos ampla,
     -    adução, aproximando o primeiro metacar-      porque o seu fascículo profundo (4') realiza a opo-
          peano ao segundo nas posições extremas;      sição neste ponto ao superficial (4). Possui uma
     -    rotação longitudinal no sentido da prona-    ação de rotação longitudinal muito acentuada no
          ção.                                         sentido da pronação.
     Sendo estas três ações simultâneas necessárias           A concentração dos potenciais sobre o seu fas-
para a oposição, este músculo faz jus ao seu nome.      cículo superficial (fig. 5-198, esquema segundo a
                                                        mesma origem) mostra que existe uma atividade se-
     De modo que o oponente intervém ativamente
                                                        melhante à do oponente: sua ação máxima se reali-
em qualquer tipo de preensão que necessita da inter-
                                                        za durante o maior trajeto da oposição.
venção do polegar. Além disso, a eletromiografia
demonstra sua atuação paradoxal na abdução, no                Este também é fiexor da primeira falange so-
curso da qual desempenharia uma função estabili-        bre o metacarpeano, porém o abdutor curto. com o
zadora sobre a coluna do polegm:                        qual forma o grupo dos sesamóides externos. e o
                                                        primeiro interósseo palmar que fonna o espaldão da
     O abdutor curto (3) afasta o primeiro meta-
                                                        primeira falange, também participam ajudando-o a
carpeano do segundo no final da oposição (fig.
                                                        realizar esta ação.
5-196, esquema eletromiográfico; mesma origem):
                                                              A contração global dos músculos do grupo te-
     -     desloca o primeiro metacarpeano para
                                                        nar externo, reforçada pela do abdutor longo. reali-
          frente e para dentro no percurso do maior
                                                        za a oposição do polegar.
           trajeto da oposição, durante a máxima se-
           paração do segundo;                                A extensão da segunda falange se realiza
                                                        (experiências de Duchenne de Boulogne) por três
      - jfexiona a primeira falange sobre o meta-
                                                        músculos ou grupos musculares que intervêm em
         carpeano,provocando:                           circunstâncias diferentes:
         • um movimento de desvio radial (sobre a
                                                               1) pelo extenso r longo próprio do polegar: se
           margem externa) e                                      associa com uma extensão da primeira fa-
          • uma rotação longitudinal no sentido da                lange e uma diminuição da eminência te-
            pronação (rotação interna) (seta preta)               nar. Estas ações acontecem quando abri~
      -   por último, estende a segunda falange so-               mos e aplanamos a mão;
          bre a primeira mediante a sua expansão ao            2) pelos músculos do grupo tenar interno
          extensor longo.                                         (primeiro interósseo palmar): se associa
      Quando se contrai de maneira isolada (exci-                 com uma adução do polegar. Estas ações
tação elétrica), o abdutor curto desloca a polpa do               acontecem quando fazemos a oposição da
polegar em oposição com o dedo indicador e o                      polpa do polegar à superfície externa da
médio (fig. 5-194). Portanto, se trata de um mús-                 primeira falange do dedo indicador (ver figo
culo essencial na oposição. Já vimos anteriormen-                 5-214);
te (figs. 5-185 e 5-186) que constitui, com o abdu-            3) pelos músculos do grupo tenar externo
tor longo, um par funcional indispensável para a                  (principalmente o abdutor curto) na ação
oposição.                                                         de oposição da polpa (ver figo5-213).
1. MEMBRO SUPERIOR   257




                 Fig.5-194




            .




                             Fig.5-196




Fig.5-197
258 FISIOLOGIA ARTICULAR




                                A OPOSIÇÃO DO POLEGAR


     A oposição é o principal movimento do po-      cone de oposição. Na verdade, este cone é bas-
legar: é a ação de deslocar a polpa do polegar      tante deformado porque a sua base está limitada
em contato com a polpa de um dos outros qua-        pelos "trajetos maior e menor de oposição". O
tro dedos para constituir uma pinça polegar-di-     trajeto maior (fig. 5-199) descrito perfeitamen-
gital. Portanto, não existe uma única oposição,     te por Sterling Bunnel durante a sua clássica ex-
mas toda uma gama de oposições que realizam         periência dos "fósforos" (fig. 5-203). O trajeto
uma grande variedade de preensões e de ações        menor (fig. 5-200), no percurso do qual "o pri-
dependendo do número de dedos envolvidos e          meiro metacarpeano realiza num plano e de for-
de sua modalidade de associação. O polegar ad-      ma praticamente linear um movimento que des-
quire todo o seu significado funcional em rela-     loca progressivamente a sua cabeça pela frente
ção aos outros dedos e vice-versa. Sem o pole-      do segundo metacarpeano", é, na verdade, uma
gar, a mão perde quase totalmente o seu valor       reptação do polegar pela palma da mão, muito
funcional até o ponto que as intervenções cirúr-    pouco utilizada e pouco funcional, que não me-
gicas complexas planejam a sua reconstrução         rece a denominação de oposição porque não se
partindo dos elementos remanescentes: se trata      associa praticamente com este componente de
das operações de "polegarização" de um dedo e       rotação que é, como já vimos, fundamental para
atualmente, de transplante.                         a oposição. Por outra parte, esta reptação do po-
     Todos os tipos de oposição estão incluídos     legar pelo interior da palma da mão se observa
no interior de um setor cônico de espaço em cu-     justamente nas paralisias da oposição por déficit
jo vértice se localiza a trapézio-metacarpeana, o   do nervo mediano.
1. MEMBRO SUPERIOR   259




Fig.5-199




  Fig.5-200
260 FISIOLOGIA ARTICULAR




                                 A OPOSIÇÃO DO POLEGAR
                                             (continuação)



     Do ponto de vista mecânico, a oposição do                     do que atinja o seu objetivo;
polegar é um movimento complexo que associa,                 -    a pronação (fig. 5-203), componente
em diversos graus, três componentes: a anteposi-                  essencial da oposição do polegar, gra-
ção, a flexão e a pronação da coluna ósteo-articu-                ças a qual as polpas dos dedos podem
lar do polegar:                                                   tocar umas às outras, é definida como
     - a anteposição ou projeção (fig. 5-201) é                   a mudança de atitude da última falan-
       o movimento que desloca o polegar pa-                      ge do polegar que "se orienta" em di-
       ra frente com relação ao plano da pal-                     reções diferentes dependendo do seu
       ma da mão, de modo que a eminência                         grau de rótação sobre o seu eixo longi-
       tenar constitui um cone no ângulo súpe-                    tudinal. A denominação de pronação se
       ro-externo da mão. Realiza-se principal-                   deve à analogia com o movimento do
       mente no nível da trapézio-metacarpea-                     antebraço e se realiza no mesmo senti-
       na e de maneira acessória na metacar-                      do. Esta rotação da primeira falange
       pofalangeana, onde o desvio radial                         sobre o seu eixo longitudinal é o resul-
       acentua o alinhamento da coluna do po-                     tado da atividade da coluna do polegar
       legar. Esta separação do primeiro                          em conjunto, onde todas as articula-
       metacarpeano com relação ao segundo                        ções estão envolvidas em graus e por
       se denomina abdução no caso dos auto-                      mecanismos diversos. A experiência
       res ingleses, o que se contradiz com o                     "dos fósforos" de Sterling Bunnel
       segundo componente de adução que                           (fig. 5-203) o comprova: após ter cola-
                                                                  do um fósforo transversalmente na ba-
       desloca o dedo para dentro. De modo
       que, se desejamos utilizar o termo de                      se da unha do polegar, e observando a
       abdução, devemos reservá-lo para a se-                     mão "em pé", medimos um ângulo de
       paração do primeiro metacarpeano do                        90 a 1200 entre a sua posição inicial A,
       segundo no plano fron tal;                                  mão plana, e a sua posição final B, po-
                                                                   sição de máxima oposição, polegar
     - a flexão (fig. 5-202) desloca toda a colu-                  contra dedo mínimo. Em princípio,
       na do polegar para dentro, e este é o                      pensamos que a rotação da coluna do
       motivo pelo qual se denomina adução na                      polegar sobre o seu eixo longitudinal
       terminologia clássica. Participam as três                   se realizava graças à lassidão da cáp-
       articulações do polegar:                                    sula da trapézio-metacarpeana. Porém,
       • principalmente a trapézio-metacarpea-                     trabalhos recentes demonstram que
         na, embora não possa deslocar o pri-                      durante a oposição é quando a articula-
         meiro metacarpeano além do plano sa-                      ção está mais "fechada" (close packed
         gital que passa pelo eixo longitudinal                   position) e que o jogo mecânico é me-
         do segundo. Trata-se de um movimento                      nor.
         de flexão porque se continua com a fle-
                                                                 Hoje sabemos que se o essencial da ro-
         xão da segunda articulação;
                                                                 tação provém da trapézio-metacarpeana,
       • a metacarpofalangeana que acrescenta                    é graças a outro mecanismo, o do "c ar-
         sua flexão em diversos graus dependen-                  dão" desta articulação de dois eixos. Por
         do do dedo "enfocado" pelo polegar no                   conseguinte, uma prótese de dois eixos
         seu movimento de oposição;                              da trapézio-metacarpeana realizada se-
       • por último, a interfalangeana se flexio-                guindo estes princípios desempenha per-
         na para dar o "toque final" prolongando                 feitamente a sua função, permitindo uma
         a ação da metacarpofalangeana de mo-                    oposição normal.
1. MEMBRO SUPERIOR   261




                            Fig.5-202




    Fig.5-201




A




                Fig.5-203
262 FISIOLOGIA ARTICULAR




                                  A OPOSIÇÃO DO POLEGAR
                                               (continuação)



    o componente      de pronação                              1) rotação na trapézio-metacarpeana em tor-
    A pronação da coluna do polegar provém                        no do eixo xx' da peça inter,média do car-
de dois contingentes de rotação:                                  dão no sentido da anteposição (seta 1) des-
                                                                  locando o primeiro metacarpeano da posi-
    -   a rotação automática produzida pela
                                                                  ção 1 à posição 2 e o eixo YIYI' a y2y2';
        ação da trapézio-metacarpeana,    como se
        mencionou     anteriormente    (ver pág.               2) rotação da trap~zio-metacarpeana da pri-
        230), lembrando que as duas outras arti-                  meira falange em tomo do eixo fi;
        culações metacarpofalangeana     e interfa-            3) flexão da metacarpofalangeana    da pri-
        langeana intervêm acrescentando a sua                     meira falange em torno do eixo fi;
        flexão à da trapézio-metacarpeana;      isto
                                                               4) flexão da interfalangeana         da segunda fa-
        faz com que o eixo longitudinal da se-
                                                                  lange em tomo do eixo       f2•
        gunda falange seja quase paralelo ao ei-
        xo principal xx' de anteposição e retro-             Desse modo se demonstra, não mediante
        posição, conseguindo que esta falange           argumentos teóricos, mas por trabalhos práticos,
        terminal realize uma rotação cilíndrica         a importante função do cardão da trapézio-meta-
        onde toda rotação da trapézio-metacar-          carpeana na rotação longitudinal do polegar.
        peana ao redor deste eixo realize uma                  ~ a rotação "acrescentada" (fig. 5-207)
        rotação igual, uma mesma mudança de                       que aparece com clareza após ter fixado
        atitude, da polpa do polegar.                             os fósforos de referência transversais
     Este mecanismo é fácil de verificar graças                   sobre os três segmentos móveis do pole-
ao modelo mecânico da mão (ver ao final deste                     gar cuja posição é a máxima oposição.
volume).                                                          Assim, podemos constatar que a prona-
                                                                  ção aproximada de 30° que se soma à
    Da posição de partida (fig. 5-204) à posi-                    anterior se situa em dois níveis:
ção de chegada (fig. 5-205) a mudança de atitu-
de da segunda falange e a sua oposição com a úl-                  • na metacarpofalangeana onde uma pro-
tima falange do dedo mínimo se obtém median-                        nação de 24° é o resultado da ação dos
te a mobilização em tomo dos quatro eixos xx',                      músculos sesamóides externos, abdutor
yy', fi e f2, sem necessidade de torcer o papelão                   curto e flexor curto. É uma rotação ati-
que seria equivalente a "um jogo mecânico" nu-                      va;
ma das articulações.                                              • na inteifalangeana onde uma pronação
      Resumindo (fig. 5-206), basta realizar su-                    de 7°, puramente automática, é o resul-
cessivamente   (ou simultaneamente)   as quatro                     tado do fenômeno de rotação cônica
operações seguintes:                                                (ver figo 5-176).
1. MEMBRO SUPERlOR 263




Fig.5-204   Fig.5-206    Fig.5-205




             Fig.5-207
264 FISIOLOGIA   ARTICULAR




                             A OPOSIÇÃO E A CONTRA-OPOSIÇÃO


      Já mencionamos a função essencial que de-      que permite soltá-Ios ou preparar a mão para ob-
sempenha a trapézio-metacarpeana, "a rainha",        jetos mais volumosos. Este movimento (fig. 5-
poderíamos dizer, da oposição do polegar; só         209) é definido por três componentes a partir da
falta dizer que a trapézio-metacarpeana e a inter-   oposição:
falangeana permitem distribuir a oposição sobre           - extensão; "
cada um dos últimos quatro dedos. De fato, é
graças ao grau de flexão mais ou menos acentua-             -   retroposição;
do destas duas articulações que o polegar pode              - supinação da coluna do polegar.
escolher o dedo que vai realizar a oposição.                Os seus motores são:
      Na oposição polegar-dedo indicador, polpa             -   o abdutor longo;
contra polpa (fig. 5-208), a metacarpofalangea-
                                                            -   o abdutor curto;
na se ftexiona muito pouco sem nenhuma prona-
ção nem desvio radial. É o seu ligamento lateral            - e, principalmente, o extensor longo do
interno o que se opõe ao desvio radial do pole-               polegar, que é o único capaz de deslocá-
gar sob o deslizamento do dedo indicador; a in-               10 em máxima retroposição, no plano da
terfalangeana está estendida; mas existem outras              mão.
formas de oposição polegar-dedo indicador, a                Os nervos motores do polegar (fig. 5-210)
ponta do dedo-ponta do dedo (término-terminal)       são:
por exemplo, onde, pelo contrário, a metacarpo-
                                                            -   o radial no caso da contra-oposição;
falangeana está totalmente estendida e a interfa-
langeana ftexionada.                                        -  o ulnar e especialmente o mediano para
                                                               a oposição.
     Na oposição polegar-dedo mínimo térmi-
                                                            Os testes de movimentos são:
no-terminal (fig. 5-208 bis), a metacarpofalan-
geana se ftexiona com desvio radial e pronação,             -   a extensão do punho e das metacarpofa-
e a interfalangeana se flexiona. Na oposição da                 langeanas dos quatro últimos dedos, a
polpa, a interfalangeana está estendida.                        extensão e separação do polegar para a
      Portanto, é totalmente viável afirmar que a               integridade do radial;
partir de uma posição de base do primeiro meta-             -   a extensão das duas últimas falanges dos
carpeano em oposição, a metacarpofalangeana                     dedos e separação e aproximação para o
éa que permite escolher a oposição.                             ulnar;
     A oposição, indispensável para pegar obje-             -   o fechamento da mão e a oposição do
tos, não serviria de nada sem a contra-oposição                 polegar para o mediano.
1. MEMBRO SUPERIOR   265




                        Fig. 5-208 bis
            Fig.5-208




                                            Fig.5-210
Fig.5-209
266 FISIOLOGIA ARTICULAR




                                               OS TIPOS DE PREENSÃO


        A complexa organização anatõmica e funcional da mão con-       2) a preensão por oposição subterminal ou
verge na preensão; porém, não existe só um tipo de preensão, mas vá-
rios tipos que se classificam em três grandes grupos: as preensões
                                                                          da polpa (fig. 5-213) é o tipo mais co-
propriamente ditas, as preensões com a gravidade e as preensões com       mum. Permite segurar objetos relativa-
ação. Isto não resume todas as possibilidades de ação da mão: além        mente mais grossos: um lápis ou uma fol-
da preensão, também pode realizar percussões, contato e expressão         ha de papel: o teste de eficácia da preen-
gestual. De modo que vamos analisar sucessivamente: a preensão, a
percussão, o contato manual e a expressão gestual da mão.                 são da polpa sub-terminal consiste em
                                                                          tentar arrancar uma folha de papel segura-
      APREENSÃO
                                                                          do com firmeza pelo polegar e o dedo in-
      As preensões propriamente ditas se classificam                      dicador. Se a oposição é boa, a folha não
em três grupos: as preensões digitais, as preensões pal-                  se pode arrancar. Também denominamos
mares, as preensões centradas. Todas têm um ponto em                      signo de Froment, que avalia tanto a po-
comum: ao contrário das que vamos expor a seguir, não                     tência do adutor quanto a integridade do
necessitam da participação da gravidade.                                  nervo ulnar que o inerva.
      A) As preensões digitais se dividem por sua vez                    Neste tipo de preensão, o polegar e o dedo
         em dois subgrupos: as preensões bidigitais e as                 indicador (ou qualquer outro dedo) realizam
         preensões pluridigitais:                                        a oposição pela superfície palmar da polpa.
      a) as preensões bidigitais constituem a clássica                   Naturalmente, o estado da polpa é importan-
         pinça polegar-digital, geralmente polegar-dedo                  te, porém a articulação interfalangeana distal
         indicador. Assim, são de três tipos, dependendo                 pode estar em extensão ou inclusive blo-
         de que a oposição seja terminal, subterminal o                  queada em semifiexão mediante uma artro-
         subterminal-lateral:                                            dese. Os principais músculos deste tipo de
          1)   a preensão por oposição terminal ou ter-                  preensão são:
               minal-polpa (figs. 5-211 e 5-212) é a mais                -    o fiexor superficial (lado dedo indicador)
               fina e precisa. Permite segurar um objeto de                   para a estabilização em flexão da segun-
               pequeno calibre (fig. 5-211) ou pegar um ob-                   da falange;
               jeto muito fino: um fósforo ou um alfinete
                                                                         -     os músculos tenares fiexores da primeira
                (fig. 5-212). O polegar e o dedo indicador
                                                                              falange do polegar: flexor curto, primeiro
               (ou o médio) realizam a oposição pela extre-
                                                                               interósseo palmar, abdutor curto e espe-
               midade da pàlpa e inclusive no caso de al-
                                                                               cialmente o adutor;
               guns objetos extremamente finos (pegar um
               cabelo) com a ponta da unha. Portanto, pre-             3) a preensão por oposição subterminal-Iate-
               cisa de uma polpa elástica e corretamente                  ralou pulpolateral (fig. 5-214), como quan-
               terminada pela unha, cuja função é primor-                 do seguramos uma moeda. Este tipo de
               dial neste tipo de preensão. Por este motivo,              preensão pode substituir a oposição terminal
               também podemos denominá-Ia preensão                        ou a sub-terminal no caso de amputação das
                pulpoungueal. É a preensão mais fácil de                  duas últimas falanges do dedo indicador: a
                ser prejudicada, mesmo com uma mínima al-                 preensão não é tão fina embora continue sen-
               teração da mão; de fato, precisa de um máxi-               do sólída. A superfície palmar da polpa do
                mo jogo articular (a fiexão é máxima) e prin-             polegar entra em contato com a superfície
                cipalmente necessita de que os grupos mus-                externa da primeira falange do dedo indica-
                culares e os tendões estejam íntegros, e espe-            dor. Os músculos mais importantes deste ti-
                cialmente:                                                po de preensão são:
               -   o fiexor profundo (lado dedo indicador),              -    o primeiro interósseo dorsal (lado dedo
                   que estabiliza a pequena falange em fie-                   indicador) para estabilízar o dedo indica-
                   xão, daí a importância de uma reparação                    dor lateralmente (além de estar auxiliado
                   prioritária do fiexor comum profundo                       pelos outros dedos);
                   quando ambos os fiexores estão seccio-                 -   o fiexor curto, o primeiro interósseo pal-
                   nados;
                                                                              mar e especialmente o adutor do polegar.
               - fiexor longo próprio do polegar (lado po-                    A atividade deste último músculo está
                  legar), pela mesma razão;                                   confirmada por eletromiografia.
1. MEMBRO SUPERIOR   267




            Fig.5-212




                        Fig.5-214




Fig.5-213
268 FISIOLOGIA ARTICULAR




                                  OS TIPOS DE PREENSÃO
                                             (continuação)



      4) entre as preensões digitais, existe uma             muito direcional e é semelhante às
         que não constitui uma pinça polegar-di-             preensões centradas e às preensões
         gital, se trata da:                                 ativas, que poderemos analisar mais
         preensão interdigital lateral-lateral               adiante, já que a escritura não é so-
                                                             mente o resultado dos m'Ovimentos do
         (fig. 5-215): é um tipo de preensão aces-
         sória: por exemplo segurar um cigarro.              ombro e da mão que se desliza pela
         Geralmente, se realiza entre o dedo in-             mesa sobre o seu bordo ulnar e o de-
         dicador e o médio, o polegar não inter-             do mínimo, mas também dos movi-
         vém. O diâmetro do objeto que se dese-              mentos dos .três primeiros dedos que
         ja pegar deve ser pequeno. Os músculos              provocam a participação do ftexor
         que participam são os interósseos (se-              longo próprio do polegar e do ftexor
         gundos interósseos palmar e dorsal). É              superficial do dedo indicador para o
         uma preensão débil e sem precisão, em-              vaivém do lápis e dos músculos sesa-
         bora os indivíduos que tenham sofrido               móides externos e do segundo inte-
         amputação do polegar a realizem de                  rósseo dorsal para segurá-Io.
         maneira surpreendente;                              A ação de desenroscar a tampa de uma
       b) as preensões pluridigitais provocam a              garrafa (fig. 5-208) é uma preensão tri-
          participação, além do polegar, dos ou-             digital, lateral para o polegar e a se-
          tros dois, três ou quatro dedos. Permi-            gunda falange do médio que realizam
          tem uma preensão muito mais firme que              a oposição diretamente e da polpa pa-
          a bidigital que persiste como preensão             ra o dedo indicador que bloqueia o
          de precisão;                                       objeto sobre o terceiro lado. O dedo
                                                             médio serve de pico, encaixado entre o
       I) as preensões tridigitais envolvem o
                                                             anular e o dedo mínimo. O polegar
          polegar, dedo indicador e o médio e
                                                             aperta com força a tampa contra o mé-
          são as que se utilizam com maior fre-
                                                             dio graças à contração de todos os
          qüência. Uma parte importante, para
                                                             músculos tenares; o bloqueio se inicia
          não dizer preponderante, da humani-
                                                             graças ao ftexor longo próprio e termi-
          dade que não usa o garfo, utiliza esta
                                                             na com o dedo indicador por ação do
          preensão para levar os alimentos à
          boca. É semelhante à preensão tridi-
                                                             seu ftexor superficial. Quando abrimos
          gital da polpa (fig. 5-216), que se uti-
                                                             a tampa, para desenroscar, não neces-
          liza para segurar uma bola pequena                 sitamos de ajuda do dedo indicador,
          em que o polegar realiza a oposição                com o polegar e o médio: ftexão do po-
          da sua polpa à do dedo indicador e à               legar, extensão do médio.
          do médio com relação ao objeto. Por                Se no início a tampa não estiver muito
          exemplo, para escrever com um lápis                apertada, podemos realizar apreensão
          (fig. 5-217), necessitamos de uma                  tridigital da polpa para os três dedos
          preensão tridigital, da polpa, no caso             com movimento de desenroscar por
          do dedo indicador e do polegar, e do               ftexão do polegar, extensão do médio e
          lateral para a terceirafalange do mé-              participação do dedo indicador em ab-
          dio que serve de suporte da mesma                  dução (primeiro interósseo dorsal).
          maneira que o fundo da primeira co-                Também é considerada como uma
          missura. Assim sendo, esta preensão é              preensão ativa.
Fig.5-217




                                        /
                            Fig.5-216




Fig.5-215




                        Fig.5-218
270 FISIOLOGIA ARTICULAR




                                   OS TIPOS DE PREENSÃO
                                           (continuação)



    2) as preensões tetradigitais se utilizam                dio; é lateral e da polpa na segunda fa-
       quando um objeto é muito grande e deve                lange do anular que bloqueia o objeto
       ser segurado com maior firmeza. Então,                por dentro. "A volta" da tampa pelos
       a preensão pode ser:                                  quatro dedos produz um movimento
       - tetradigital   da polpa    (fig. 5-219)             em espiral sobre o segundo, o terceiro
          quando pegamos um objeto esférico                  e o quarto dedos e podemos demons-
          como uma bola de pingue-pongue.                    trar que a resultante das forças que
          Neste caso podemos observar que o                  exercem se anula no centro da tampa,
          contato se faz com a polpa no caso do              que se projeta para a metacarpofalan-
          polegar, dedo indicador e médio, sen-              geana do dedo indicador;
          do lateral no caso da terceira falange           - tetradigital da polpa do polegar-tridi-
          do anular, cuja função é evitar que o              gital (fig. 5-221), como quando se
          objeto escape para dentro da mão,                  mantém um crayon, um pincel ou um
       - tetradigital da polpa-lateral (fig. 5-              lápis: a polpa do polegar dirige e man-
          220) quando desenroscamos uma tam-                 tém o objeto com força contra a polpa
          pa. Neste caso, o contato do polegar é             do dedo indicador, do médio e do anu-
          amplo, abrangendo a polpa e a super-               lar quase em máxima extensão. Tam-
          fície palmar da primeira falange, bem              bém é a maneira como o violinista e o
          como sobre o dedo indicador e o mé-                 violoncelista   seguram o seu arco.
1. MEMBRO SUPERIOR   271




     /      I/
                       Fig.5-221
Fig.5-219




                 0
                 ;/;
                 (   Fig.5-220
272 FISIOLOGIA ARTICULAR




                                 OS TIPOS DE PREENSÃO
                                           (continuação)


    3) as preensões pentadigitais utilizam to-     precisa de uma grande flexibilidade e possibili-
       dos os dedos, o polegar realiza a opo-      dades normais de separação da primeira comis-
       sição de forma variada com relação aos      sura. Este não é o caso após fraturas do primei-
       outros dedos. São utilizadas geralmente     ro metacarpeano ou feridas do primeiro espaço
       para pegar grandes objetos. Porém,          que acarretam uma~retração da primeira comissu-
       quando se trata de um objeto pequeno,       ra. Além do mais, seg~ramos o prato (fig. 5-225)
       podemos pegar com urna preensão pen-        com os dedos médio, anular e mínimo, que só en-
       tadigital da polpa (fig. 5-222), de modo    tram em contato por meio das suas duas últimas
       que só o quinto dedo realiza um conta-      falanges. Portanto, se trata de uma preensão di-
       to lateral. Se o objeto é um pouco mais     gital e não palmar.
       volumoso, como urna bola de tênis, a               Apreensão pentadigital "panorâmica" (fig
       preensão se converte em pentadigital         5-226) permite pegar grandes objetos pla-
       polpa-lateral (fig. 5-223): os quatro        nos, uma travessa, por exemplo. Para poder rea-
       primeiros dedos entram em contato            lizá-Ia necessitamos de uma grande separação
       com toda a sua superfície palmar e en-       dos dedos, amplamente divergentes, o polegar se
       volvem o objeto quase totalmente, o po-      coloca em retroposição e em máxima extensão,
       legar realiza a oposição aos três outros     de modo que é em máxima contra-oposição. A
       dedos e o dedo mínimo evita, mediante
                                                    preensão se realiza diametralmente ao anular
       sua superfície externa, qualquer possí-      (setas brancas) com o qual tensiona um arco de
       vel deslocamento do objeto para dentro        180° sobre o que se engancham o dedo indica-
       e em sentido proximal. Embora não se         dor e o médio. O dedo mínimo "morde" o outro
       trate de uma preensão palmar, a bola se      semicírculo de tal maneira que o arco estabele-
       localiza mais nos dedos que na palma         cido entre ele e o polegar é de 215°; estes dois
       da mão, também é uma preensão firme.         dedos, em máxima separação. uma oitava segun-
     Outra preensão pentadigital que poderia ser    do os pianistas, formam com o dedo indicador
denominada pentadigital comissural (fig. 5-224)     uma preensão "triangular" quase regular e, com
pega objetos grossos semi-esféricos, um prato       os outros dedos, uma preensão tipo "gancho" da
de sobremesa por exemplo, envolvendo-o com a        qual o objeto não pode escapar. Observamos que
primeira comissura: polegar e dedo indicador        a eficácia desta preensão depende da integridade
amplamente estendidos e separados entram em         das interfalangeanas distais e da ação dos flexo-
contato com toda sua superfície palmar, o qual      res profundos.
1. MEMBRO SUPERIOR   273




                Fig.5-223
Fig.5-222




                            Fig.5-225




    Fig.5-224                           Fig.5-226
274 FISIOLOGIA   ARTICULAR




                                  OS TIPOS DE PREENSÃO
                                             (continuação)


     B) Nas preensões palmares particIpam                    da eminência hipotenar à base do de-
        tanto os dedos quanto a palma da mão.                do indicador. Com relàção à base da
        São de dois tipos, dependendo da utili-              mão e do antebraço, esta obliqüidade
        zação ou não do polegar:                             se corresponde com a inclinação do
       a) apreensão      digital-palmar (fig. 5-             cabo das ferramentas (fig. 5-230) que
          227) realiza a oponência da palma da               forma um ângulo de 100 a 110°. É fá-
          mão com os últimos quatro dedos. É                 cil constatar que é possível compen-
          um tipo de preensão acessória, mas                 sar com mais facilidade um ângulo
          utilizada com freqüência quando acio-              muito aberto (120 a 130°) graças ao
          namos uma alavanca ou seguramos                    desvio ulnar do punho, do que um ân-
          um volante. O objeto, de escasso diâ-              gulo muito fechado (90°), já que o
                                                             desvio radial é bastante menos am-
          metro (de 3 a 4 cm), está segurado en-
          tre os dedos flexionados e a palma da              plo.
          mão, o polegar não participa: a preen-             O volume do objeto que seguramos
          são, até certo ponto, só é firme no sen-           condiciona a força da preensão: é per-
          tido distal; o objeto pode deslizar com            feita quando o polegar pode entrar em
          facilidade em direção ao punho,                    contato (ou quase) com o dedo indica-
          porque a preensão não está bloquea-                dor. De fato, o polegar constitui o úni-
          da. Além disso, podemos constatar                  co elemento que realiza a oposição
          que o eixo da preensão é perpendicu-               com relação à força dos outros quatro
          lar ao eixo da mão e não segue a dire-             dedos, e sua eficácia é maior quanto
          ção oblíqua do sulco palmar. Esta                  mais flexionado esteja. O diâmetro
          preensão digital-palmar também pode                dos cabos das ferramentas depende
          ser utilizada para se pegar um objeto              desta constatação.
          mais volumoso, um copo, por exem-                    A forma do objeto que seguramos
          plo, (fig. 5-228), mas quanto mais im-             também não é indiferente e na atuali-
          portante seja o diâmetro do objeto,                dade se fabricam cabos que contêm
          menos firmeza possui apreensão.                    as marcas dos dedos.
       b) apreensão palmar com toda a mão                       Os principais músculos deste tipo
          ou toda a palma (figs. 5-229 e 5-                  de preensão são:
          230) é a preensão de força para os
          objetos pesados e relativamente vo-                -   os flexores superficiais e profundos
          lumosos. Um termo antigo e pouco                       e especialmente os interósseos para
          usado, mão fechada, é idôneo para                      a flexão potente da primeira falan-
          denominar este tipo de preensão e                      ge dos dedos;
          merece esta honra. A mão literalmen-               -   todos os músculos da eminência te-
          te se fecha ao redor de objetos cilín-                 nar,especialmente o adutor e o fle-
          dricos (fig. 5-229); o eixo do objeto                  xor longo próprio do polegar para
          fica na mesma direção que o eixo do                    bloquear a preensão graças à flexão
          sulco palmar, isto é, oblíquo da base                  da segunda falange.
1. MEMBRO SUPERIOR 275




Fig.5-228




             Fig.5-227




 Fig.5-230
276 FISIOLOGIA ARTICULAR




                                  OS TIPOS DE PREENSÃO
                                             (continuação)


     1) Quando utilizamos apreensão palmar                   dos. Quando intervêm três (fig. 5-233)
        cilíndrica para objetos de diâmetro                  ou quatro dedos (fig. 5-234), o último
        grande (figs. 5-231 e 5-232), apreensão              dedo envolvido por dentro, seja o mé-
        é menos firme quanto maior seja o diâ-               dio na preensão esférica tridigital, ou o
        metro. De modo que o bloqueio depen-                 anular na preensão esférica tetradigi-
        de, como já vimos anteriormente, da                  tal, entram em contato com o objeto pe-
        ação da metacarpofa1angeana que per-                 la superfície lateral externa, constituin-
        mite que o polegar percorra uma direção              do assim um elemento interno, reforça-
        do cilindro, ou seja, um círculo, ou o ca-           do pelos outros dedos (dedo mínimo
        minho mais curto para dar a volta. Por               sozinho ou junto com o anular). Este
        outro lado, o volume do objeto exige a               elemento realiza a oposição à pressão
        máxima liberdade de separação da pri-
            ..                                               do polegar de modo que o objeto fica
        melra comlssura;                                     bloqueado distalmente pelos "ganchos"
     2) as preensões palmares esféricas po-                  dos dedos que mantêm um contato pal-
       dem envolver três, quatro ou cinco de-                mar com o objeto.
1. MEMBRO SUPERIOR   277




            Fig.5-232




;-
Fig.5-233
                        Fig.5-234
278 FISIOLOGIA ARTICULAR




                                  OS TIPOS DE PREENSÃO
                                             (continuação)



       Na preensão palmar esférica pentadigi-        com relação à sua função de assinalar. Isto é in-
tal (fig. 5-235) todos os dedos entram em conta-     dispensável   do ponto' de vista mecânico na
to com o objeto pela sua superfície palmar. O        preensão da chave de fenda (fig. 5-237) que se
polegar realiza a oponência ao anular; em con-       confunde com o eixo de pronação-supinação      no
junto ocupam o maior diâmetro e o bloqueio da        ato de parafusar ou desparafusar. Também está
preensão está assegurada distalmente pelo dedo       bastante claro na preensão de um gaifo (fig. 5-
indicador e o médio e proximalmente pelaemi-         238) ou de uma faca que tem o objetivo de pro-
nência tenar e pelo dedo mínimo. O objeto, se-       longar a mão distalmente.
gurado com firmeza por todos os dedos em for-
                                                           Em todo caso, o objeto de forma alongada
ma de gancho, o que supõe tanto as máximas
possibilidades    de separação das comissuras        se agarra com firmeza mediante uma preensão
quanto a eficácia dos f1exores superficiais e pro-   palmar na qual participam o polegar e os últimos
 fundos, entra em contato com toda a palma da        três dedos, o dedo indicador, neste caso, desem-
mão. Esta preensão é muito mais simétrica que        penha uma função orientativa indispensável pa-
 as duas anteriores e, assim sendo, constitui a      ra dirigir o talher.
 transição para as seguintes.                                As preensões centradas ou direcionais se
      C) As preensões centradas realizam, de fa-      utilizam com freqüência; requerem a integrida-
to. uma simetria em tomo do eixo longitudinal         de da flexão dos três últimos dedos, a extensão
que. em geral, se confunde com o eixo do antebra-     completa do dedo indicador cujos f1exores de-
ço. Isto é evidente no caso da batuta do maestro      vem ser eficazes, e um mínimo de oposição do
(fig. 5-236) cuja função é prolongar a mão e re-      polegar para o qual a flexão da interfalangeana
presenta uma extrapolação do dedo indicador           não é indispensável.
1. MEMBRO SUPERIOR         279




                         Fig.5-236




Fig.5-235




                                               I




                                               (

            Fig.5-238
                           ---~---
                           I) '-"---
                           --.-r-
                                       

                                           
                                       Fig.5-237
280 FISIOLOGIA ARTICULAR




                                  OS TIPOS DE PREENSÃO
                                            (continuação)



     Até aqui analisamos os tipos de preensão        pode constituir uma~cavidade muito mais ampla.
nos casos em que a gravidade não intervém, mas             Todos estes tipos de preensão de suporte
existem outros nos que a ação da gravidade é in-     necessitam de que a supinação esteja íntegra: de
dispensável, de modo que não podem utilizar-se       fato, sem ela, a palma da mão, única parte da
em meios sem gravidade, como é o caso de uma         mão capaz de constituir uma parede côncava,
cápsula espacial.                                    não pode orientar-se para cima. Desse modo, o
     Nestas preensões em que a gravidade aju-        teste da travessa permite constatar a recuperação
da, a mão serve de suporte, como quando segura-      da supinação já que não existe nenhuma possibi-
mos uma travessa (fig. 5-239), o que supõe que       lidade de compensação do ombro.
podemos aplanar, com a palma da mão horizontal,            A preensão de uma xícara com três dedos
orientada para cima (e, portanto, sem os dedos em    (fig. 5-242) utiliza a gravidade porque a sua
forma de gancho) ou que podemos constituir um        circunferência está segurada por dois elemen-
trípode debaixo do objeto que queremos segurar.      tos, constituídos pelo polegar e dedo médio,
      Graças à gravidade, a mão também pode-se       além de um gancho formado pelo dedo indica-
comportar como uma colher que contém grãos           dor. Esta preensão necessita de uma grande es-
(fig. 5-240) ou um líquido. A escavação da pal-      tabilidade do polegar e do médio, bem como a
ma da mão se prolonga pela dos dedos aduzidos        integridade do flexor profundo do dedo indica-
ao máximo, pela ação dos interósseos palmares,       dor cuja terceira falange mantém a margem da
para evitar as possíveis fugas. O polegar, muito     xícara. O adutor do polegar também é impres-
                                                     cindível.
importante nesta ação, fecha o sulco palmar por
fora: em semiflexão, se aproxima do segundo                 As preensões em forma de gancho com
metacarpeano e da primeira falange do dedo in-        um ou vários dedos, como quando se transpor-
dicador, pela ação do adutor. A aproximação das       ta um balde ou uma mala ou, inclusive, no caso
duas mãos "ocas" (fig. 5-241) em forma de dois        de se agarrar nas pontas de uma parede rochosa,
semipratos fundos unidos pelo seu bordo ulnar         também utilizam a ação da gravidade.
1. MEMBRO SUPERIOR   281




            Fig.5-239




Fig.5-240




                              Fig.5-241




                                            j




                  Fig.5-242
282 FISIOLOGIA ARTICULAR




                                     OS TIPOS DE PREENSÃO
                                                (continuação)


      As preensões estáticas analisadas até aqui não            - a ação de comer com pauzinhos chineses
bastam para esgotar todas as possibilidades  da mão.              (fig. 5-248), em que um dos pauzinhos                    per-
A mão também é capaz de "atuar pegando algo". É                   manece          fixo, bloqueado      pelo anular na co-
o que se denominará de preensões ativas ou preen-
                                                                  missura          do polegar,      e o outro        pauzinho
sões-ação.
                                                                  móvel           mediante     uma preensão          tridigital
     Algumas destas ações são elementares como                    polegar-dedo           indicador-médio          forma uma
                                                                                                              I
por exemplo lançar um pião (fig. 5-243) mediante
                                                                  pinça com o primeiro. Isto constitui, sem
uma preensão polegar-dedo indicador tangencial,
                                                                  dúvida, um teste excelente de habilidade
ou também lançar uma bolinha de gude (fig. 5-244)
mediante um impulso abrupto da segunda falange                    manual para úm europeu, já que os asiáti-
do polegar (ação do extensor longo); a bolinha de                 cos o realizam de forma inconsciente;
gude está mantida previamente na concavidade do
                                                                - a ação defazer nós só com uma mão (fig. 5-
dedo indicador totalmente ftexionado (ação do fte-
                                                                  249). Neste caso, também se trata de um tes-
xor profundo).
                                                                  te de habilidade           manual que supõe a ação in-
      Existem ainda outras ações mais complexas,
                                                                  dependente          e coordenada      de duas pinças bi-
nas quais a mão realiza uma ação reflexa sobre si
mesma. Neste caso, o objeto que seguramos por
                                                                  digitais; uma dedo indicador-médio,                       que
uma parte da mão sofre uma ação que provém de                     atua de preensão lateral-lateral,               e a outra po-
outra parte. Estas preensões-ação em que a mão atua               legar-anular,        que atua de preensão           polegar-
sobre si mesma são inumeráveis; podemos mencio-                   digital embora muito pouco utilizada. Os ci-
nar como exemplos:                                                rurgiões utilizam um método muito parecido
     - a ação de acender um isqueiro (fig. 5-245)                 para fazer nós com uma mão só. Estas ações
        que se parece bastante com a ação de lançar               múltiplas,         com uma mão só, são muito fre-
        uma bolinha de gude; seguramos o isqueiro                     qüentes nos digitadores         e nos mágicos, cuja
        na concavidade do dedo indicador e dos ou-
                                                                      destreza,     aperfeiçoada     constantemente        com
        tros últimos dedos, enquanto o polegar, em
                                                                      exercícios     cotidianos,    é claramente      superior
        forma de gancho, atua sobre o mecanismo
                                                                      à média;
        (ação do ftexor próprio e dos músculos tena-
        res);                                                   - a mão esquerda de um violinista (fig. 5-250)
     - a ação de apertar a tampa de um frasco de                  ou a do guitarrista realiza uma preensão ati-
       aerosol (fig. 5-246): desta vez, seguramos o               va móvel: o polegar segura o "cabo" do vio-
        objeto por uma preensão palmar e a ftexão                     lino e, mesmo que se mova, serve de contra-
        do dedo indicador em forma de gancho é a
                                                                      apoio à ação dos outros quatro dedos que,
        que atua sobre a tampa (ação do ftexor pro-
                                                                      ao tocar as cordas, formam as notas. Esta
        fundo);
                                                                      pressão que se exerce sobre a corda deve ser
     - a ação de cortar com tesoura (fig. 5-247): os
                                                                      ao mesmo tempo precisa, firme e modulada
        anéis se inserem, por uma parte, com o pole-
                                                                      para conseguir         a vibração.    Estas ações tão
        gar e, por outra, com o dedo médio ou o anu-
        lar. A ação do polegar é principalmente mo-                   complexas       são o resultado        de uma longa
        tora tanto para fechar a tesoura (músculos te-                aprendizagem        e devem-se       manter e aperfei-
        nares) quanto para abri-Ia (extensor longo                    çoar com exercícios          cotidianos.
        próprio). A separação dos anéis pode, quan-
                                                                Cada leitor pode descobrir por si mesmo a in-
        do se repete como um ato profissional, pro-
        vocar a ruptura do extensor longo. O dedo         finita variedade de preensões ativas que represen-
        indicador orienta a tesoura, o que constitui      tam a atividade         mais elaborada      da mão em plena in-
        um exemplo de preensão ativa orientativa;         tegridade     funcional.
:/:
        '/
Fig.5-250
             Fig.5-244
284 FISIOLOGIA ARTICULAR




            AS PERCUSSÕES - O CONTATO - A EXPRESSÃO                            GESTUAL


     A mão do homem não é utilizada somente            tros subcorticais, tal corno o demonstra o seu
para a preensão, mas também a podemos utilizar         desaparecimento na doença de Parkinson. Esta
corno instrumento de percussão:                        linguagem da mão e do rosto está codificada pa-
     -   seja no trabalho, por exemplo quando se       ra a comunicação entre surdo-mudos, mas a ges-
         utiliza uma calculadora (fig. 5-251) ou       ticulação instintiva constitui uma segunda lin-
         urna máquina de escrever, ou quando to-       guagem; com diferença do sistema I de comuni-
         camos piano: cada dedo se comporta co-        cação falado, o seu significado é universal. Este
         rno um martelo diminuto que toca a te-        tipo de comunicação compõe inumeráveis for-
         cla, graças à ação coordenada dos inte-       mas, que podem contar com algumas variações
         rósseos e dos flexores, especialmente o       regionais, mas que, em 'geral, se compreendem
         profundo. A dificuldade consiste em ad-       em todos os lugares do planeta, tanto se se trata
         quirir a independência funcional dos de-      da mão fechada em sinal de ameaça (fig. 5-252),
         dos entre si e das mãos entre si, o que re-   quanto do cumprimento com a mão amplamente
         quer urna aprendizagem cerebral e mus-        aberta em sinal de paz, do dedo apontando (fig. 5-
         cular, bem como um treino permanente;         255, segundo Mathias Gnmewald no desenho de
                                                       Isenheim) como sinal de acusação, ou inclusive
     -   seja na luta onde os golpes são dados
                                                       dos aplausos em sinal de aprovação. Esta gesticu-
         com a mão fechada (fig. 5-255) corno
         no boxe, com o bordo ulnar da mão ou          lação está "trabalhada" profissionalmente pelos
                                                       atores de teatro, mas é instintiva no caso do ho-
         a extremidade dos dedos, no karatê, ou
                                                       mem comum, mais irreprimível quanto mais
         também a mão amplamente estendida
                                                       meridional seja a sua origem. O seu objetivo é o
         como numa tapa comum.
                                                       de ressaltar e acentuar o sentido da expressão,
      O contato da mão no caso de uma carícia          mas, com freqüência, o gesto ultrapassa à pa-
(fig. 5~253) é menos brusco; a mão desempenha          lavra e, se basta por si só para expressar senti-
uma função primordial no contato social e prin-        mentos e situações, o que explica a grande abun-
cipalmente afetivo. Também devemos ressaltar a         dância da "mão gesticuladora" nas obras pictó-
necessidade de urna sensibilidade cutânea intata,      ricas e nas esculturas. Esta função da mão não é
tanto para a mão que acaricia quanto para o ob-        a menos importante ao lado da sua utilidade fun-
jeto da carícia. Em alguns casos, o contato de         cional e sensorial. Em certas atividades artesa-
ambas as mãos pode desempenhar urna função             nais, como é o caso das mãos do alfareiro (fig.
terapêutica na imposição de mãos que pode ser          5-256), a ação da mão se realiza em todos os
"eficaz", mesmo a distância. Por último, o gesto       planos de maneira simultânea: função realizado-
mais trivial da vida cotidiana do homem ociden-
                                                       ra na modelagem do objeto, função sensorial pa-
tal, o aperto de mãos (fig. 5-254), representa um      ra reconhecer sua forma que se modifica conti-
contato social cheio de significado simbólico.         nuamente sob a sua carícia-trabalho e, por últi-
      Isto conduz, sem dúvida, a urna função in-       mo, o seu significado simbólico, gesto de ofere-
substituível da mão na expressão gestual. De           cimento da sua criação à coletividade dos ho-
fato, esta expressão se realiza em estreita cola-      mens. Este caráter completo do gesto criativo
boração com o rosto e a mão; depende de cen-            do artesão é o que lhe dá todo o seu valor.
1. MEMBRO   SUPERlOR   285




                Fig.5-251




                            Fig.5-252




ô
~
    Fig.5-255




                                    Fig.5-256
286 FISIOLOGLc ARTICULAR




                                    POSIÇÕES FUNCIONAIS E DE IMOBILIZAÇÃO


       Descrita inicialmente por S. Bunnell (1948), como a posi-                 -   quando os dedos perdem a sua função de preensão, o
ção da mão em repouso, a posição funcional da mão é, na verda-                       bloqueio do punho é mais vantajoso em flexão;
de, bastante diferente da que se observa no indivíduo adormeci-                  -   se os dois punhos estão definitivamente imobilizados,
do (fig. 5-257, segundo Miguel Ángel), igualmente denominada
                                                                                     necessitamos do bloqueio de um deles para a higiene
posição de rela"Xamento, que também constitui a posição anti-                        perineal;
álgica da mão lesada: antebraço em pronação, punho jlexionado,
polegar em aduçãolretroposição, comissura fechada, dedos rela-                   -   a utilização de uma muleta ou de uma bengala induz ao
tivamente estendidos principalmente no nível das metacarpofa-                        bloqueio do punho em posição de alinhamento. A uti-
langeanas.                                                                           lização de duas muletas conduz a uma artrodese em ex-
                                                                                     tensão de 10° da mão dominante e uma artrodese em
        W. Littler (1951) mencionou a posição funcional (figs. 5-                    flexão de 10° da outra;
258 e 5-259): antebraço em semipronação, punho em extensão
de 30° e adução que situa o polegar, especialmente o primeiro                        • para imobilizar o antebraço em pronação mais ou
metacarpo, em alinhamento com o rádio, constituindo com o se-                          menos completa;
gundo metacarpo um ângulo aproximado de 45°, metacarpofa-                            o    no relativo às metr;zcarpofalangeanas, a posição de
langeana e interfalangeana quase em posição de alinhamento,                               flexão varia de 35" no caso do dedo indicador a 50°
dedos ligeiramentê flexionados, mais no nível das metacarpofa-                            no caso do dedo ilÚnimo;
langeanas quanto mais interno seja o dedo. Em resumo, a posi-                        o    com relação às intelfalangeanas proximais a flexão
ção funcional é aquela a partir da qual poderíamos realizar a                             vai de 40 a 60°;
preensão com o núnimo de mobilidade articular se uma ou vá-
rias articulações dos dedos ou do polegar estivessem anquilosa-                      o    a artrodese da trapézio-metacmpeana se realiza nu-
das ou a partir da qual a recuperação dos movimentos resultasse                           ma posição adaptada a cada caso. mas cada vez que
relativamente fácil. realizando a oposição quase em sua totalida-                         se bloqueia definitivamente um dos elementos da
de e bastando para completá-Ia alguns graus de flexão numa das                            pinça polegar-digital, devemos considerar necessa-
articulações remanescentes.                                                               riamente as possibilidades da zona que fica móvel;
       Contudo. segundo R. Tubiana (1973), na prática é preferí-                 -   as posições não funcionais denominadas "imobili-
vel definir três tipos de posições de imobilizaçlio:                                 zação temporal"-posições  de imobilização parcial.

      -            a posição de imobilização temporal, denominada                    Só se justificam num período de tempo mais curto
                   "proteção" (fig. 5-260), que tenta preservar a mesma              possível para se obterem uma maior estabilidade num
                   mobilidade da mão:                                                foco de fratura ou um relaxamento numa sutura tendi-
                                                                                     nosa ou nervosa.
                   o   antebraço em semiflexão, pronação, cotovelo flexio-
                       nadl 100°.                                                    Existe um grave risco de rigidez por estase venosa e
                                                                                      linfática. Este perigo diminui consideravelmente se as
                   o   punbü em extensão a 20° e ligeira adução,                      articulações adjacentes às imobilizadas se movi-
                   o   ded"s mais flexionados quanto mais internos sejam.             mentam ativamente:
                   As métacarpofalangeanas flexionadas entre 50 e 80°,                o   após uma sutura do mediano. do ulnar ou dos flexo-
                   aumc'otando em proporção quanto menos estejam fle-                     res. podemos flexionar o punho até os 40° sem gran-
                   xionclJas as interfalangeanas proximais.                               des conseqüências durante três semanas, porém é
                   As imerfalangeanas moderadamente flexionadas. pro-                     imprescindível imobilizar as metacarpofalangeanas
                   porcionalmente menos quanto se quer diminuir a ten-                    em flexão aproximadamente de 80°, deixando as in-
                   são e a isquemia neste ponto:                                          terfalangeanas no seu grau de extensão natural
                                                                                          porque a sua extensão é difícil de recuperar após
      -            no caso das interfalangeanas proximais entre 10 e 40°,                 uma flexão forçada;
      -            no caso das interfalangeanas distais entre 10 e 20°,               o   após a reparação dos elementos dorsais, as articula-
           o       polegar preparado para realizar a oposição: primeiro                   ções devem ser imobilizadas em extensão, porém é
                   metacarpo em ligeira adução e também em anteposição,                   necessário conservar sempre pelo menos 10° de fle-
                   de modo que a abertura da primeira comissura esteja as-                xão nas metacarpofalangeanas. Com relação às inter-
                   segurada. metacarpofalangeana e interfalangeana numa                   falangeanas a flexão pode ser de 200 se a secção se lo-
                   breve flexão de tal modo que a polpa do polegar esteja                 caliza acima das metacarpofalangeanas, mas deverá
                   dirigida em direção ao dedo indicador e médio.                         ser nula se a secção se localiza na primeira falange;
       -           as posições de imobilização      funcionais     definitivas        o   após tratamento das lesões denominadas "em casa de
                   denominadas "fixação".                                                 botão", se imobiliza a interfalangeana proximal em
                                                                                          extensão e a interfalangeana distal em flexão para
           Dependem de cada caso particular:
                                                                                          realizar a tração distal do aparelho extensor;
               o   no caso do punho:                                                  o   ao contrário, se a lesão está localizada perto da in-
       -           quando os dedos mantêm as suas possibilidades de                       terfalangeana distal, esta articulação ficaria imobi-
                   preensão. devemos realizar uma artrodese do punho em                   lizada em extensão e a interfalangeana proximal
                   extensão de 25° para colocar a mão em posição de                       em flexão para relaxar, desta maneira, as faixas la-
                   preensão:                                                              terais do extensor.
1. MEMBRO SUPERIOR   287




            Fig.5-259




Fig.5-258     Fig.5-260
288 FISIOLOGIA ARTICULAR




                                      AS MÃOS FICÇÕES


     As mãos ficções não são um simples exer-        nar, acarretaria uma mudança de obliqüidade do
cício de imaginação, mas permitem uma melhor         sulco palmar: em pronação-supinação neutra, o
compreensão das razões arquitetõnicas da mão.        cabo de um martelo em vez de estar oblíquo pa-
De fato, poderíamos imaginar, sem problemas,         ra cima, estaria oblíquo para baixo, o que impe-
outras soluções que não fossem a mão normal,         diria bater um prego de cima para baixo, a não
por exemplo a mão assimétrica ou a simétrica.        ser que houvesse uma alteração de + 1800 da po-
     As mãos assimétricas derivam da mão             sição neutra de pronação-supinaçã0, a palma da
normal por redução ou aumento do número de           mão estaria orientada para fora! Desse modo, a
dedos, ou por inversão da simetria.                  ulna passaria por cima do rádio e a inserção do
     O aumento do nÚmero de dedos, seis ou se-       bíceps sobre este osso careceria de eficácia. Em
                                                     resumo, se deveria mop.ificar toda a arquitetura
te dedos, depois do dedo núnimo no lado ulnar
da mão, com certeza aumentaria a preensão com        do membro superior sem nenhuma evidência de
toda a palma da mão, mas à custa de uma com-         vantagem funcional.
plicação funcional proibitiva.                            As mãos simétricas teriam dois polega-
      A redução do nÚmero de dedos a quatro ou       res, um radial, outro ulnar, limitando um, dois
três faz com que a mão perca as suas possibili-      ou três dedos médios. A mais simples, a mão si-
dades. Alguns macacos de América Central pos-        métrica com três dedos (fig. 5-263) pode reali-
suem, no membro superior, uma mão com qua-           zar duas pinças polegar-digitais, uma pinça bi-
tro dedos sem polegar, e a única ação que podem      polegar (entre ambos os polegares) e uma
realizar é a de se agarrarem nos ramos, mas no       preensão tridigital (fig. 5-264) por oposição
membro inferior possuem uma "mão" de cinco           dos dois polegares sobre o dedo indicador, sen-
dedos com polegar capaz de realizar a oposição.      do quatro preensões de precisão. Também é im-
A mâo com três dedos (fig. 5-261), como pode-        possível imaginar uma preensão "com toda a
mos observar após determinadas amputações,           palma da mão" (fig. 5-265) entre os dois pole-
conserva as preensões tridigitais e bidigitais, as   gares por uma parte e, pela outra, entre a palma
mais freqüentes e as mais precisas, mas perde a      da mão e o dedo indicador. Porém, dotada de
preensão com toda a palma da mão, indispensá-        certa firmeza, esta preensão teria um sério in-
vel para pegar os cabos das ferramentas. A mão       conveniente, a sua simetria converteria o cabo
com dois dedos (fig. 5-262), polegar e dedo in-      da ferramenta perpendicular ao eixo do ante-
dicador, pode realizar um gancho, com o dedo         braço; entretanto, vimos anteriormente que a
indicador e uma pinça bidigital para as preen-       obliqüidade do cabo unida à pronação-supina-
 sões finas, mas não pode realizar, de jeito ne-     ção permite orientar a ferramenta. O mesmo
nhum, as preensões tridigitais e as preensões        aconteceria no caso de qualquer mão simétrica
com toda a palma da mão; contudo, podemos            com dois ou três dedos médios (fig. 5-266), ou
notar o resultado inesperado que pode oferecer a     seja, de cinco dedos dos quais dois são polega-
conservação ou a restituição de uma mão com          res. Os papagaios possuem dois dedos poste-
 dois dedos em alguns mutilados!                     riores que realizam uma garra simétrica que os
     Observamos também que esta mão chega a          permite se segurar com firmeza a um galho.
ser simétrica com os defeitos inerentes a esta            Uma conseqüência inoportuna da mão com
disposição.                                          dois polegares seria a estrutura simétrica do an-
    A mão de simetria inversa, isto é, uma           tebraço. Nestas condições, o que aconteceria
mão com cinco dedos, mas com um polegar ul-          com a pronação-supinação?
1. MEMBRO SUPERIOR   289




                             Fig.5-262

Fig.5-261




                Fig.5-263




                                    1I



                               Fig.5-265

    Fig.5-264




                Fig.5-266
290 FISIOLOGIA ARTICULAR




                                    A MÃO DO HOMEM


     A mão do homem, na sua complexidade,         sua arquitetura reflete o princípio da economia
se realiza como uma estrutura perfeitamente       universal. É um dos mais belos logros do uni-
lógica e adaptada às suas diferentes funções. A   verso.
1. MEMBRO SUPERIOR   291




Fig.5-267
292 FISIOLOGIA ARTICULAR




                            MODELOS DE MECÂNICA ARTICULAR                    PARA CORTAR



      Estes modelos mecânicos, construídos mediante cor-             Dobradura
tes, dobradiças e colagens, estão destinados a concretizar
                                                                      Não se deve realizar nenhuma dobradiça sobre o pa-
no espaço noções expostas ao longo deste volume; são es-
                                                                pelão sem recortar antes com a pequena faca ou o estilete
quemas em três dimensões, com possibilidade de movi-
                                                                a terceira parte ou a metade da espessura do papelão
mento. Com a sua montagem podemos adquirir, sem nen-
hum esforço, graças ao sentido cinestésico que adquirem,             - incisão na parte da frente para as linhas tracejadas;
conhecimentos difíceis de descobrir de outra forma. Por-
                                                                     - incisão no verso para as linhas de pontos e traços;
tanto, recomendamos que o leitor dedique um pouco de                   para transportar estas últimas com precisão ao ver-
tempo e paciência; terá a sua recompensa.                              so, é conveniente assinalar os seus extremos perfu-
      Antes de começar, é necessário ler atentamente to-               rando o papelão com uma agulha ou a ponta de um
das as indicações.                                                     compasso.
                                                                      Após haver reaÍizado a incisão, se dobra o papelão
                                                                com facilidade e de forma precisa pelo lado oposto à inci-
                                                                são; durante a realização das dobradiças, a flexão do pape-
Pranchas   I e lI: Modelo   mecânico da mão                     lão nunca deve ultrapassar, no início, os 4SO. As duas do-
                                                                bradiças longitudinais da peça A se marcam levemente e
                                                                representam a escavação da mão. As dobradiças marcadas
      Este modelo está composto por quatro peças A, B, C        eixo I sobre A e eixo 2 sobre C são de 90°. As duas pregas
e D. distribuídas nas pranchas I e 11. Na parte inferior da     convergentes a partir dos extremos do eixo I sobre a peça
prancha II aparecem os esquemas de montagem a, b e c.           A são superiores a 90°, igual que as das lingüetas j e h. A
      Por razões inerentes à edição deste livro, o papel so-    peça B não contém nenhuma dobradiça.
bre o qual estão impressos os desenhos não tem a espessu-              Observar sobre a peça C a obliqüidade das dobradi-
ra necessária para dar uma boa consistência ao modelo, is-      ças de flexão da interfalangeana e da metacarpofalangea-
to significa que o melhor resultado pode se obter transfe-      na, que traduzem o tipo de flexão tão particular destas duas
rindo os desenhos das quatro peças A, B, C e D para um          articulações; quanto à metacarpofalangeana, considera-
papelão de pelo menos um milímetro de espessura.                mos um dos três eixos. o que. no curso da oposição do po-
                                                                legar, permite a flexão-pronação-desvio radial.
      Corte

      Cortam-se com tesouras as quatro peças seguindo o               A10ntagem
traço contínuo da linha de contorno. Algumas peças con-
                                                                      O esquema a mostra a montagem dos elementos:
têm recortes de linhas interiores que deverão ser feitos
com uma lâmina Olfa ou estilete:                                      . a peanha (peça D) se monta aproximando e fazen-
                                                                        do coincidir m sobre m' e n sobre n'. Pode-se co-
      - peça A: entre as lingüetas h, j e k;
                                                                        lar as lingüetas m e 11 nas superfícies tracejadas m'
      - peça D: linha reta perto de m e n -linha composta               e n'; se posteriormente desejamos desmontar o
        por três segmentos perto de m' e n'.                            modelo, podemos unir as duas com dois grampos
      Também se indicam algumas partes que ficarão va-                  que passem através dos furos m, m', n, n ';
zias mediante:                                                        . na mão (peça A) após haver assinalado as dobra-
      - traços espessos                                                 diças dos dedos e da palma da mão, devemos pre-
                                                                        parar o suporte da articulação trapézio-metacar-
       • peça A: perto de k';                                           peana:
       • peça D: fenda central;                                         1. invertemos a superfície semicircular tracejada
      - traços duplos paralelos sobre as peças A e C: se deve              90° para trás;
        realizar uma fenda estreita entre os dois traços uma           2. pregamos para frente os dois triângulos para
        vez aproximados, de modo que possamos receber                     constituir uma pirâmide triangular de base su-
        posteriormente as polias tendinosas (ver esquema c).              penor;
      Também se devem perfurar alguns furos:                           3. esta pirâmide está fixa:
      - furos circulares: passagem dos tendões cujos núme-                - colando as lingüetas h e j sobre as superfícies
        ros correspondem ao esquema c;                                      h' e j' (montagem definitiva);
      - furos circulares marcados com uma cruz: inserções                 - fixando a lingüeta k, que vai passar pelo espa-
        tendinosas;
                                                                            ço vazio entre h' e j'. dobrada por trás de k' e
      - cruz simples: fixação de faixas elásticas de lem-                   fixa por um grampo nos furos k e k' (modelo
        brança.                                                             desmontável);
1. MEMBRO SUPERIOR        293




        - o polegar (peça C), após preparado pela dobra-        circulares assinalados com uma cruz), passando a seguir
          diça do eixo 2 para trás (seta 1) e colado (seta 2)   pelas "polias" preparadas nas falanges e os furos realiza-
          na parte da frente da peça B,fsobref',    fazendo     dos na base. Cada tendão tem um número em todo o seu
          com que os furos e as linhas do eixo 2 coinci-        trajeto:
          dam. A seguir, colar este conjunto (seta 3) na
                                                                      1.   abdutor longo do polegar: fixo na peça B, mobili-
          pirâmide que suporta o polegar, unindo o verso
                                                                           za a trapézio-metacarpeana ao redor do seu eixo
          g' da peça B sobre a parte da frente g da peça
                                                                           principal (eixo 1);
          A, de tal forma que tanto os furos quanto as
          linhas do eixo 1 coincidam.                                 2. flexor próprio do polegar: fixo sobre a 2: falange,
                                                                           passa pelo sulco (2) da primeira falange na peça
      Deste modo, se realiza a articulação de tipo cardão
                                                                           B. Flexiona as duas falanges do polegar;
de dois eixos 1 e 2 da trapézio-metacarpeana.
                                                                      3. este "tendão" de direção transvt;rsal, fixo sobre o
      O esquema b mostra como se fixa a mão sobre a sua
base, introduzindo-a na fenda central.                                   primeiro metacarpo (3), e que desenha numa po-
                                                                         lia da palma da mão (3), é ao mesmo tempo equi-
                                                                         valente do adl1tor e do flexor curto;
     Utilização                                                       4. flexor profundo do dedo indicador fixo sobre a
     Tal como está, este modelo permite entender por                     terceira falange do dedo indicador (4) e que passa
mobilização passiva três características funcionais funda-               através de três poÍias: flexiona totalmente o dedo
mentais da mão:                                                          indicador;

      I. a escavação da palma da mão, por flexão das                  5. este "tendão" de direção transversal, simétrico ao
         duas dobradiças longitudinais que simula os mo-                 3, se fixa sobre uma cunha de 6 a 7 mm de espes-
         vimentos de oposição do 4.° e principalmente do                 sura (trapézio tracejado 5); se reflete na palma da
         5.° metacarpo;                                                  mão sobre a polia 5, equivale ao oponente do de-
                                                                         do mínimo;
     2. a ftexão oblíqua dos dedos, que os faz converger
        para a base da eminência terrar, graças à obliqÜi-            6. flexor profundo do dedo mínimo (o mesmo traje-
        dade cada vez mais acentuada dos eixos das inter-                to, a mesma função que 04).
        falangeanas e das metacarpofalangeanas, quando                   Nota: Os ftexores do 3.° e do 4.° dedos não estão
        se dirige o dedo indicador em direção ao mínimo                  instalados com a finalidade de simplificar. apesar
        (exemplo de rotação cônica). Este fenômeno é re-                 de se poder fazer isto sem dificuldade;
        forçado pela oposição dos raios metacarpeanos
        internos (4.° e principalmente 5.° metacarpo);                7. este tendão não está visível no esquema. Trata-se
                                                                         do extensor longo próprio do polegar: se fixa na
     3. a oposição do polegar: os três casos de rotação                  face dorsal de sua segunda falange no mesmo fu-
        plana, rotação cônica e rotação cilíndrica expostos              ro que o ftexor próprio (os dois nós estão opostos).
        no texto podem se verificar aqui, considerando o                 passa pela polia 7 da face dorsal da sua primeira
        eixo I como eixo principal e o eixo 2 como eixo                  falange e logo após por um furo na peça B.
        secundário; deste modo, podemos comprovar que
        a flexão sllcessiva no eixo 2 e as duas outras arti-           As polias podem ser construídas com facilidade me·
        culações do polegar (metacarpofalangeana e in-          diante pequenas faixas de papelão de 6 mm de largura, su-
        terfalangeana) permitem realizar uma rotação ci-        ficientemente flexíveis para poder penetrar num túnel; ca-
        líndrica da última falange do polegar que provoca       da um dos seus extremos se passa de diante para trás pelas
        uma mudança de orientação sem que esteja mar-           fendas realizadas nas peças A e C, e se cola sobre a sua fa-
        cada a flexão na trapézio-metacarpeana e sem que        ce dorsal, depois de dobrar para o (em ômega).
        a rotação do primeiro metacarpeano sobre o seu                A única exceção é a polia dupla 2-7 da peça C : é
        eixo longitudinal seja relevante. Podemos com-          ventral para 2 e dorsal para 7 (dois ômegas invertidos um
        provar que sem a intervenção de nenhum jogo me-         com relação ao outro).
        cânico nas articulações do polegar, é possível rea-
        lizar a oposição em "pequeno e grande trajeto" do             No extremo de cada tendão podem se fazer rolos pa-
        dedo indicador até o mínimo com uma mudança             ra passar os dedos, ou fixar anéis que permitam mobilizar
                                                                os tendões com mais facilidade.
        de orientação da polpa do polegar que se corres-
        ponde rigorosamente com a realidade.                         Para estabilizar o polegar numa posição funcional,
      A flexão-pronação da interfalangeana e a da meta-         podemos utilizar elásticos para manter os eixos 1 e 2 nu-
carpofalangeana aparecem graças à obliqÜidade das do-           ma posição média.
bradiças.                                                              No caso do eixo 1, o elástico tem origem num dos
                                                                furos el da peça B, se reflete no furo el da base da peça A
      Instalação dos "tendões"
                                                                e se fixa de novo na peça B, no nível do outro furo   e,- a
                                                                posição média se obtém deslizando o elástico pelo furo da
      É possível animar este modelo instalando "tendões"        peça A. Fixamos o elástico com um pouco de cola em ca-
(esquema c). Estes são constituídos por um cordãozinho          da extremo. Para estabilizar o eixo 2 entre os três furos
bloqueado por um nó na sua inserção falangeana (furos           marcados e2 nas peças B e C se realiza a mesma operação.
294   FISIOLOGIA ARTICULAR




      Para ter certeza de que o dedo indicador e o míni-       de M. Quando a cola das falanges e do metacarpeano está
mo voltem à exten"são, podemos colocar um elástico em          bem seca, procedemos à montagem das articulações, co-
tensão sobre a sua face dorsal, entre os furos 4 e 6 e ou-     mo se indica no esquema 5: o eixo é constituído por um
tros furos que se realizarão na face palmar da peça A.         alfinete ou um arame fino, passando pelos furos de eixo
Também neste caso é possível regular a tensão com um           anteriormente perfurados. Porém, na articulação F/ F2 o
pouco de cola.                                                 eixo de arame (um grampo de cabelo fino é bastante ma-
                                                               leável) se dobra em forma de garfo de cada lado (esque-
                                                               ma 7).
      Animação do modelo
                                                                     Enquanto as falanges se secam, podemos construir
      Graças aos tendões podemos realizar praticamente         a base. Cortar a peça C, com as suas três fendas marca-
todos os modelos da mão:
                                                               das f e as suas dobradiças (seguindo o mesmo código);
      1. escavação da palma da mão: puxando o tendão           colar a lingüeta tracejada sobre o lado aposto de manei-
         5 (a eficácia desta manobra depende da altura do      ra que se forme uma espécie de chaminé com quatro lin-
         cuneiforme 5);                                        güetas na base. Inspirando-se no esquema 6, colar por
      2. flexão do dedo indicador e do mínimo mediante         suas lingüetas de base. a chaminé sobre um quadrado de
                                                               papelão de 6 x 6 cm, no seu centro, cortar um segundo
         tração dos tendões 4 e 6;                             quadrado de 6 x 6 e depois de esvaziar no centro um re-
       3. animação do polegar                                  tângulo com as dimensões exteriores do pé da chaminé,
                                                               colar no primeiro quadrado encaixando-o sobre a chami-
          a) colocação do polegar no plano da palma da
                                                               né (esquema 6). Uma vez constituída a base, encaixar o
             mão (mão plana: posição inicial da experiência
                                                               metacarpeano (a chaminé, levemente cônica, se coloca
             de Sterling-Bunnel): puxando de forma equili-
             brada os tendões 7 e 3;                           com facilidade na base do metacarpeano).

          b) oposição polegar-dedo indicador: enquan-                 Resta construir e   fixar, como se indica nos esque-
             to flexionamos o dedo indicador é necessá-        mas em perspectiva 8       e 9, os diferentes tendões: com
             rio puxar simultaneamente os tendões 1. 3 e       elásticos planos de 3-4    mm de largura (se encontram em
             7:                                                papelarias ou nas lojas    de modelos de aviões):
          c) oposição polegar-dedo mínimo: enquanto tle-             - o flexor comum profundo (FCP) se coloca com
             xionamos o dedo mínimo é preciso puxar si-                facilidade como se indica no esquema 9, passan-
             multaneamente os tendões 1,3 e 4;                         do um elástico pelas três polias e fixando o extre-
                                                                       mo na face palmar de FJ mediante um alfinete ou
          d) oposição polegar-base do dedo mínimo: é                   uma fita adesiva;
             preciso puxar os tendões 1 e 2 e eventualmen-
             te o 3;                                                 - o flexor comum superficial (FCS), constituído
          e) oposição término-lateral polegar-dedo indi-               por um elástico separado 2,5 cm no seu extremo
             cador: como no caso b), mas tlexionando mais              (esquema 9), passa, a seguir, pelas duas primeiras
             o dedo indicador.                                         polias, e logo as suas pontas se fixam nas faces
                                                                       laterais de F2 (ponto v);
                                                                     - o extensor comum (EC) é mais difícil de realizar
Prancha    III                                                         (esquema 8); podemos cortar longitudinalmente
                                                                       o elástico ou juntar três cabos de 1 mm com fios
                                                                       aos pontos p, q, r, S, t.
      Modelo de um dedo com as suas articulações e os
seus tendões.                                                         De tas os três cabos estão colados. A partir de s
                                                               se descola a expansão profunda Ep que se fixa na face
       Cortar com cuidado as quatro peças M, FI' F, e F]
que representam o metacarpeano e as três falanges. dei-        dorsal de FI (fixa com o alfinete). Novamente, de r a q
                                                               com três cabos colados. A partir de q o cabo central fi-
xando vazia a fenda lateral de M, FI e F2• Marcar as dobra-
diças incidindo levemente com uma pequena faca, na par-        gura a lingüeta mediana 1M que se fixa na face dorsal da
te da frente sobre as linhas tracejadas e no verso sobre as    base de F2' os dois cabos laterais representam as faixas
linhas de pontos. Perfurar com uma agulha os passos do         laterais BI que passam pelos grampos do eixo da articu-
eixo no nível das cruzes. Uma vez dobrada em ângulo re-        lação FI / F2 antes de se unir em p para, por último, se fi-
to a face lateral esquerda, pregar e colar como se indica no   xar na face dorsal de F];
esquema 1 a lingüeta da base das falanges (depositar a co-            - os interósseos e lumbricais estão constituídos por
la no canto da lingüeta). Dobrar a segunda face lateral co-             duas partes diferentes:
lando igualmente a lingüeta e colar a face palmar com a                a) a expansão lateral El, constituída por um fino
sua lingüeta para colar, tal como se indica no esquema 2.                 cordão amarrado firmemente na faixa lateral,
Deste modo podemos dar forma e colar a polia de ~1, Fie                   antes dos grampos do eixo FI / F2, e que passa
F, como se indica no esquema 3 (a lingüeta para colar de-                 pelos sulcos B e A;
ve passar pela fenda antes de se colar no interior). Cortar
as peças A e B, dobrar copiando do esquema 4 e colar nos               b) o espaldão Es, localizado na face dorsal de FI
seus correspondentes lugares, marcar A eB na face dorsal                  (esquema 8), fixos nas faces laterais de FI com
1. MEMBRO SUPERIOR         295




          um alfinete que perfura o ponto u e que final-     3. ação de flexão do espaldão sobre FI quando se
          mente .passa pelo sulco A;                            relaxa ligeiramente o EC;
      - o ligamento retinacular (sem representação na        4. eficácia do FCS na flexão de F, aumentada pela
        prancha) : se bloqueia um fio apertado a cada la-       sua posição superficial, que aumenta o seu ângu-
        do da expansão lateral do extensor no nível de F2,      lo de ataque;
        o mais perto possível da articulação F3/ F2' O de-   5. "luxação" lateral das faixas laterais do EC no ní-
        do em extensão máxima, depois se fixa cada um
                                                                vel da articulação FI / F" que ao distender o siste-
        dos fios com adesivos na polia de FI procurando
        que esteja moderadamente tenso e passe para             ma extensor facilita a flexão de F3' Neste caso não
                                                                existe sistema elástico dorsal para que retomem à
        diante do eixo FI / F2•
                                                                sua posição dorsal o que se corresponde com uma
      Este modelo permite verificar praticamente todas as       ruptura da aponeurose dorsal; ,
ações dos músculos motores dos dedos:
                                                             6. a função do ligamento retinacular: F2 e F3 flexio-
     1. ação de extensão preferente do EC sobre FI;             nados, se a tensão do fio é regulada corretamente,
     2. ação de extensão preferente dos interósseos e lum-      podemos comprovar que a extensão passiva de F2
        bricais sobre F2e F, quando o EC é ineficiente;         acarreta a extensão automática de F,.
296 FISIOLOGIA ARTICULAR




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PRANCHA    11




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Kapandji Vol 1

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    A. I. KAPANDJI Ex-Interno dos Hospitais de Paris Ex-Chefe de Clínica-Auxiliar dos Hospitais de Paris Membro da Sociedade Francesa de Ortopedia e Traurnatologia (S.O.F.C. . T.) O Membro da Sociedade Francesa de Cirurgia da Mão (GEM.) FISIOLOGIA ARTICULAR ESQUEMAS COMENTADOS DE MECÂNICA HUMANA VOLUME I 5ª edição MEMBRO SUPERIOR I. - O OMBRO 11. - O COTOVELO 111.- A PRONAÇÃO-SUPINAÇÃO IV. - O PUNHO V. - A MÃO Com 550 desenhos originais do autor ~ ~r MALOINE
  • 4.
    Título do originalem francês PHYSIOLOGIE ARTICULAIRE. 1. Membre Supérieur © Éditions MALOL'lE. 27, Rue de l'École de Médecine. 75006 Paris. Tradução de Editorial Médica Panamericana S.A. Revisão Científica e Supervisão por Soraya Pacheco da Costa, fisioterapeuta ISBN (do volume): 85-303-0043-2 ISBN (obra completa): 85-303-0042-4 © 2000 Éditions 1IALOINE. 27, rue de l'École de Médecine. 75006 Paris. CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO-NA-FONTE SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ.> K26f v.1 Kapandji, A. L (Ibrahim Adalbert) Fisiologia articular, volume 1 : esquemas comentados de mecânica humana / A. L Kapandji ; com desenhos originais do autor; [tradução da 5.ed. original de Editorial Médica Panamericana S.A. ; revisão científica e supervisão por Soraya Pacheco da Costa]. - São Paulo: Panamericana ; Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2000 : 550 il. Tradução de: Physio1ogie articulaire, 1 : membre supérieur Inclui bibliografia Conteúdo: V.l. Membro superior: O ombro - O cotovelo - A pronação-supinação - O punho - A mão ISBN 85-303-0043-2 l. j!ecânica humana. 2. Articulações - Atlas. 3. Articulações - Fisiologia - Atlas. L Título. 00-1623. CDD 612.75 CDU 612.75 231100 241100 009947 Todos os direitos reservados para a língua portuguesa. Excetuando críticas e resenhas científico- literárias. nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida, armazenada em sistemas computadorizados ou transmitida de nenhuma forma e por nenhum meio, sejam eletrônicos, mecânicos, fotocopiadoras, gravadoras ou qualquer outro, sem a prévia pennissão deste Editor (Medicina Panamericana Editora do Brasil Ltda.) Medicina Panamericana Editora do Brasil LIDA. Rua Butantã, 500 - 10º Andar - CEP 05424000 - Pinheiros - São Paulo - Brasil Distribuição exc1usi'a para a língua portuguesa por Editora Guanabara Koogan S.A. Travessa do Ouvidor, 11 - Rio de Janeiro - RJ - 20040-040 Te!.: 21-2221-9621 Fax: 21-2221-3202 www.editoraguanabara.com.br Depósito Legal: M-53.355-2001 Impreso en Espana
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    ADVERTÊNCIA DO AUTOR À QUINTA EDIÇÃO A partir de sua primeira edição, há sete anos atrás, este livro, inspirado principalmente por Duchenne de Boulogne, o "grande precursor" da Biomecânica, permâneceufiel a si mesmo, exceção feita por algumas pequenas correções. Neste momento. na oportunidade do aparecimento da quinta edição, achamos necessário incluir modificações importantes. em especial no que se refere à mão. De fato, o rápido desenvolvimento da cirurgia da mão exige um incessante aprofundamento quanto ao conhecimento de sua fisiologia. Este é o motivo pelo qual, à lu: de recentes trabalhos, temos escrito e desenhado novamente tudo relacionado ao polegar e ao mecanismo de oposição: a função da articu- lação trapézio-metacarpeana na orientação e rotação longitudinal da coluna do polegar se explica de maneira matemática a partir da teoria das articulações de dois eixos tipo cardan; assim mesmo, se es- clarece afunção da articulação metacalpofalangeana no "bloqueio" da preensão de grandes objetos e, enfim, a função da articulação intelfalangeana na "distribuição" da oposição do polegar sobre a polpa de cada um dos quatro dedos. A riqueza na variedade de preensão e preensões associadas às ações está ilustrada com novos desenhos. Temos apelfeiçoado a definição das distintas posições fun- cionais e de imobilização. Porfim, com o objeti,'o de estabelecer um balanço funcional rápido da mão, propõe-se uma série de provas de movimentos, as "preensões mais ação" que, melhor do que as va- lorações analíticas da amplitude de cada uma das articulações e da potência de cada mÚsculo,faci- litam uma apreciação sintética do valor da utilização da mão. No final do livro suprimimos alguns modelos obsoletos ou que não oferecem muito interesse, e substituímos por um modelo da mão que explica. neste caso de maneira satisfatória, a oposição do polegar. Em resumo, este é um livro renovado e enriquecido em profundidade.
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    PREFÁCIO À EDIÇÃOEM PORTUGUÊS Passaram mais de vinte e cinco anos desde o momento em que se escreveram estes três volu- mes de Esquemas Comentados de Fisiologia Articular obtendo grande sucesso entre os leitores de todo tipo, estudantes de medicina e fisioterapia, médicos, fisioterapeutas e cirurgiões. O fato de que continue atual se deve ao particular caráter destas obras, cujo objetivo é o ensino do funcionamento do Aparelho Locomotor de maneira atrativa, privilegiando a imagem diante do texto: o princípio é explicar uma Única idéia através do desenho, o qual permite uma memorização e uma compreensão definitims. O fato de que estes livros não tenham competidor sério demonstra nitidamente o seu valor intrínseco. Na verdade, é a clareza da representação espacial do funcionamento dos mÚsculos e das articulações o que faz com que seja tão evidente: estes esquemas não integram unicamente as três dimensões do espaço, mas também uma quarta dimensão, a do Tempo, porque a Anatomia Funcional está viva e, conseqüentemente, móvel- isto é, inscrita no Tempo. Isto diferencia a Biomecânica da Mecânica propriamente dita, ou Mecânica Industrial. A Biomecânica é a Ciência das estruturas evo- lutivas, que se mod!ficám segundo os contratempos e evolu,em em função das necessidades, capazes de renovar-se constantemente para compensar o desuso. E uma mecânica sem eixo materializado, móvel inclusive no percurso do movimento. As suas supeifícies articulares integram um jogo mecâni- co que seria por completo impossível na mecânica industrial, porém lhe outorga possibilidades adi- clOnazs. Eis aqui o espírito que impregna estes volumes, ao mesmo tempo que deixa a porta aberta aos outros métodos de ensino para o futuro. Este é, na verdade, o segredo da sua perenidade. A. I. KAPANDJI 1- ---
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    ÍNDICE o OMBRO FÍsiologia do ombro 12 A flexão-extensão e a adução 14 A abdução 16 A rotação do braço sobre o seu eixo longitudinal 18 Movimentos do coto do ombro no plano horizontal 18 Flexão-extensão horizontal 20 O movimento de circundução 22 O "paradoxo" de Codman 24 Avaliação dos movimentos do ombro 26 Movimentos de exploração global do ombro 28 O complexo articular do ombro 30 As superfícies articulares da articulação escápulo-umeral 32 Centros instantâneos de rotação 34 A cápsula e os ligamentos do ombro 36 O tendão da porção longa do bíceps intra-articular 38 Função do ligamento glenoumeral 40 O ligamento córaco-umeral na flexão-extensão 42 A coaptação muscular do ombro 44 A "articulação" subdeltóide 46 A articulação escápulo-torácica 48 Movimentos da cintura escapular 50 Os movimentos reais da articulação escápulo-torácica 52 A articulação estemocostoclavicular (As superfícies articulares) 54 A articulação estemocostoclavicular (Os movimentos) 56 A articulação acrômio-clavicular 58 Função dos ligamentos córaco-claviculares 62 Músculos motores da cintura escapular 64 O supra-espinhal e a abdução 68 Fisiologia da abdução 70 As três fases da abdução 74 As três fases da flexão 76 Músculos rotadores 78 A adução e a extensão 80 o COTOVELO Flexão-extensão 82 O cotovelo: Articulação de separação e aproximação da mão 84
  • 8.
    8 ÍNDICE As superfíciesarticulares 86 A paleta umeral 88 Os ligamentos do cotovelo 90 A cabeça radial 92 A tróclea umeral 94 As limitações da flexão-extensão 96 Os músculos motores da flexão 98 Os músculos motores da extensão 100 Os fatores de coaptação articular 102 A amplitude dos movimentos do cotovelo 104 As referências clínicas da articulação do cotovelo 104 Posição funcional e posição de imobilização 106 Eficácia dos grupos flexor e extensor 106 A PRONAÇÃO-SUPINAÇÃO Significado 108 Definição 110 Utilidade da pronação-supinação 112 Disposição geral 114 Anatomia fisiológica da articulação rádio-ulnar superior 116 Anatomia fisiológica da articulação rádio-ulnar inferior 118 Dinâmica da articulação rádio-ulnar superior 122 Dinâmica da articulação rádio-ulnar inferior 124 O eixo de pronação-supinação 128 As duas articulações rádio-ulnar são co-congruentes 132 Os motores da pronação-supinação: os músculos 134 As alterações mecânicas da pronação-supinação 136 Compensações e posição funcional 138 O PUNHO Significado 140 Definição dos movimentos do punho 142 Amplitude dos movimentos do punho 144 O movimento de circundução 146 O complexo articular do punho 148 As articulações rádio-carpeanas e médio-carpeanas 150 Os ligamentos da articulação rádio-carpeana e da médio-carpeana 152 Função estabilizadora dos ligamentos 154 A dinâmica do carpo 158 O par escafóide-semilunar 162 O carpo de geometria variável 164
  • 9.
    ÍNDICE 9 As alteraçõespatológicas 166 Os músculos motores do punho 168 Ação dos músculos motores do punho 170 A MÃO A sua função 174 Topografia da mão 176 Arquitetura da mão 178 O maciço do carpo 182 A escavação palmar 184 As articulações metacarpofalangeanas 186 O aparelho fibroso das articulações metacarpofalangeanas 190 A amplitude dos movimentos das articulações metacarpofalangeanas 194 As articulações interfalangeanas 196 Sulcos ou canais e bainhas dos tendões tlexores 200 Os tendões dos músculos flexores longos dos dedos 202 Os tendões dos músculos extensores dos dedos 206 Músculos interósseos e lumbricais 208 A extensão dos dedos 210 Atitudes patológicas da mão e dos dedos 214 Os músculos da eminência hipotenar 216 O polegar 218 Geometria da oposição do polegar 220 A articulação trapézio-metacarpeana 222 A articulação metacarpofalangeana do polegar 238 A interfalangeana do polegar 246 Os músculos motores do polegar 248 As ações dos músculos extrínsecos do polegar 252 As ações dos músculos intrínsecos do polegar 254 A oposição do polegar 258 A oposição e a contra-oposição 264 Os tipos de preensão 266 As percussões - O contato -=- A expressão gestual 284 Posições funcionais e de imobilização 286 As mãos ficções 288 A mão do homem 290 Modelos de mecânica articular para cortar 292 BIBLI OG RAFIA 296
  • 10.
  • 11.
    1. MEfBRO SUPERIOR 11 Fig.1-1
  • 12.
    12 FISIOLOGIA ARTICULAR FISIOLOGIA DO OMBRO o ombro, articulação proximal do mem- bro superior, de duas maneiras diferentes: bro superior (fig. 1-1, pág. 11), é a mais móvel a rotação voluntária (também deno- de todas as articulações do corpo humano. minada "rotação adjunta') que utiliza Possui três graus de liberdade (fig. 1-2), o o terceiro grau de liberdade e não é que permite orientar o membro superior em re- possível se,não for em articulações de lação aos três planos do espaço, graças a três .... três eixos (as enartroses). Deve-se à eixos pnnClpals: contração dos.músculos rotadores; 1) Eixo transverso, incluído no plano a rotação automática (também deno- frontal: minada "rotação conjunta") que apa- Permite movimentos de fIexão-exten- rece sem nenhuma ação voluntária nas são realizados no plano sagital (ver articulações de dois eixos, ou nas arti- figo 1-3 e plano A da figo 1-9). culações de três eixos quando funcio- 2) Eixo ântero-posterior, incluído no nam como articulações de dois eixos. plano sagital: Mais adiante trataremos o paradoxo de CODMAN. Permite os movimentos de abdução (o membro superior se afasta do plano de A posição de referência é definida como simetria do corpo), adução (o membro decrevemos a seguir: superior se aproxima ao plano de sime- O membro superior pende ao longo do tria) realizados no plano frontal (ver corpo, verticalmente, de maneira que o eixo figs. 1-4 e 1-5 e plano B da figo 1-9). longitudinal do úmero (4) coincide com o eixo 3) Eixo vertical, determinado pela inter- vertical (3). Na posição de abdução a 90° o ei- secção do plano sagital e do plano xo longitudinal (4) coincide com o eixo trans- frontal: versal (1). Na posição de fIexão de 90°, coinci- Corresponde à terceira dimensão do es- de como o eixo ântero-posterior (2). paço; dirige os movimentos de fIexão e Portanto, o ombro é uma articulação com de extensão realizados no plano hori- três eixos principais e três graus de liberdade; zontal, o braço em abdução de 90° (ver o eixo longitudinal do úmero pode coincidir também figo 1-8 e plano C da figo 1-9). com um dos dois eixos ou se situar em qual- O eixo longitudinal do úmero (4) permite quer posição intermédia para permitir o movi- a rotação externalinterna do braço e do mem- mento de rotação externa/interna.
  • 13.
    1. MEMBRO SUPERIOR 13 ,2-4. ,- -., I J i/0 I I , I ( ( Fig.1-2
  • 14.
    14 FISIOLOGIA ARTICULAR A FLEXÃO-EXTENSÃO E A ADUÇÃO Os movimentos de flexão-extensão do "coto" do ombro no plano horizontal (pág. (fig.1-3) se realizam no plano sagital (plano 18) e por isso é preferível não utilizá-los quan- A, figo 1-9), ao redor de um eixo transversal do nos referimos aos movimentos do membro (1, figo 1-2): supenor. a) extensão: movimento de escassa ampli- A partir da posição anatômica (máxima tude, 45 a 50°; adução), a adução (fig. 1-4) no plano frontal é b) flexão: movimento de grande ampli- mecanicamente impossível devido à presença tude, 180°; observar que a mesma do tronco. posição de flexão a 180° pode ser A partir da posição anatômica, não é pos- definida também como uma abdução de sível a adução se não for associada com: 180°, próxima à rotação longitudinal a) uma extensão: adução muito leve; (ver mais adiante o paradoxo de CODMAN). b) uma flexão: a adução alcança de 30 a 45°. Com freqüência se utilizam, embora de A partir de qualquer posição de abdução, a modo errôneo, os termos de antepulsão para se adução, neste caso denominada "adução relati- referir à flexão e retropulsão para a extensão. va", é sempre possível no plano frontal, até a Isto leva a uma confusão com os movimentos posição anatômica.
  • 15.
    L MEMBRO SUPERIOR 15 b Fig. 1-3 a b Fig.1-4
  • 16.
    16 FISIOLOGIA ARTICULAR AABDUÇÃO A abdução (fig. 1-5), movimento que (b) abdução de 0° a 60°, que unicamen- afasta o membro superior do tronco, se realiza te pode se realizar na articulação es- no plano frontal (plano B, figo 1-9), ao redor cápulo-umeral; do eixo ântero-posterior (fig. 1-2, eixo 2). (c) abdução de 60° a 120° que necessita A amplitude da abdução alcança os 180°: da participação da articulação escá- o braço está em posição vertical por cima do pulo-torácica; tronco (d). (d) abdução de 120° a 180° que utiliza, Duas advertências: além das articulações escápulo- umeral e escápulo-torácica, a incli- - a partir dos 90°, a abdução aproxima o nação do lado oposto do tronco. membro superior ao plano de simetria Observar que a abdução pura, descrita uni- do corpo; também é possível chegar à camente no plano frontal, é um movimento pou- posição final de abdução de 180° me- co comum. Pelo contrário, a abdução associada diante um movimento de flexão de com uma fiexão determinada, isto é, a elevação 180°; do braço no plano da escápula, formando um - do ponto de vista das ações musculares ângulo de 30° em sentido anterior com relação e do jogo articular, a abdução, a partir ao plano frontal, é o movimento mais utilizado, da posição anatômica (a), passa por principalmente para levar a mão até a nuca ou à três fases: boca.
  • 17.
    1. JIEMBRO SUPERIOR 17 . / a b / 1/ c d Fig.1-5
  • 18.
    18 FISIOLOGIA ARTICULAR A ROTAÇÃO DO BRAÇO SOBRE O SEU EIXO LONGITUDINAL A rotação do braço sobre o seu eixo longi- ao longo do corpo. Pelo contrário, a ro- tudinal (fig. 1-2, eixo 3) pode ser realizada em tação externa mais utilizada, portanto a qualquer posição do ombro. Trata-se da rotação mais importante do ponto de vista fun- voluntária ou adjunta das articulações com três cional, é o setor compreendido entre a eixos e três graus de liberdade. Em geral, esta posição anatõmica fisiológica (rotação rotação se mede na posição anatõmica do braço externa -30°) e a posição anatõmica que pende verticalmente ao longo do corpo (fig. clássica (rotação 0°). 1-6, vista superior). c) Rotação interna: a sua amplitude é de a) Posição anatômica, denominada rota- 100 a 110°, Para conseguir realizar essa ção externa/interna 0°: para medir a am- rotação, o antebraço deve passar ne- plitude destes movimentos de rotação, o cessariamente.por trás do tronco, o que cotovelo deve estar necessariamente jle- exige um certo grau de extensão do om- xionado a 90° de maneira que o antebra- bro. A liberdade deste movimento é in- ço esteja no plano sagital. Se não toma- dispensável para que a mão possa che- mos esta precaução, à amplitude dos gar até as costas. É a condição para se movimentos de rotação externa/interna poder realizar a higiene perineal poste- do braço se somaria à dos movimentos rior. Com relação aos primeiros 90 de pronação-supinação do antebraço. graus de rotação interna, é exigida ne- Esta posição anatõmica, o antebraço no cessariamente uma flexão do ombro plano sagital, se utiliza de maneira total- sempre que a mão estiver na frente do mente arbitrária. Na prática, a posição tronco. de partida mais utilizada, porque se cor- . Os músculos motores da rotação longitudi- responde com o equilíbrio dos rotadores, nal serão estudados na página 78. No que se re- é a de rotação interna de 30° com relação fere à rotação longitudinal de braço nas outras à posição anatõmica, de maneira que a posições que não seja a anatõmica, não é possí- mão fica na frente do tronco. Poder-se-ia vel medir de maneira precisa se não for median- se denominar posição de referência fi- te um sistema de coordenadas polares (ver pág. siológica. 26). Os músculos rotadores intervêm de manei- b) Rotação externa: a sua amplitude é de ra diferente em cada posição, uns perdem a sua 80°, jamais alcança os 90°. Esta amplitu- ação rotadora, enquanto outros a adquirem. Isto de total de 80° normalmente não é utili- é um exemplo da lei da inversão das ações mus- zada nesta posição, com o braço vertical culares segundo a posição. MOVIMENTOS DO COTO DO OMBRO NO PLANO HORIZONTAL Estes movimentos desencadeiam a ação é maior do que a da retroposição. da articulação escápulo-torácica (fig. 1-7): Ação muscular: a) posição anatômica; Anteposição: peitoral maior, peitoral me- b) retroposição do coto do ombro; nor, serrátil anterior. c) anteposição do coto do ombro. Retroposição: rombóides, trapézio (por- Observar que a amplitude da anteposição ção média), grande dorsal.
  • 19.
    1. MEMBRO SUPERIOR 19 o a Fig.1-6 c a c Fig.1-7
  • 20.
    20 FISIOLOGIA ARTICULAR FLEXÃO-EXTENSÃO HORIZONTAL É o movimento do membro superior no pla- Extensão horizontal, movimento que as- no horizontal (fig. 1-8 e plano C da figo 1-9) ao socia a extensão e a adução de menor amplitude, redor do eixo vertical ou, mais exatamente, em 30-40°, ativa os seguintes músculos: tomo de uma sucessão de eixos verticais, dado que o movimento se realiza não só na articula- deltóide (fascículos póstero-extemos ção escápulo-umeral (fig. 1-2, eixo 4), mas tam- IV e V, e póstero-intemos VI e VII em bém na escápulo-torácica (ver figo 1-37). proporção variável entre eles e com o fascículo IIl), , Posição anatõmica: o membro superior está em abdução de 90° no plano frontal, o qual supra-espinhal, provoca a contração da seguinte musculatura: infra-espinhal, - deltóide (principalmente a sua porção redondos maior e menor, acromial, figo 1-65, IIl), rombóides, - supra-espinhal, trapézio (fascículo espinhal que se so- - trapézio: porções superior (acromial e ma aos outros dois), clavicular) e inferior (tubercular), - serrátil anterior. grande dorsal (em antagonismo-siner- gismo com o deltóide que anula o im- Flexão horizontal, movimento que associa portante componente de adução do a flexão e a adução de 140° de amplitude, ativa grande dorsal). os seguintes músculos: deltóide (fascículos ântero-intemo I e A amplitude total deste movimento de fle- ântero-extemo II em proporção variá- xão-extensão horizontal alcança quase os 180°. vel entre eles e com o fascículo IIl), Da posição extrema anterior à posição extrema posterior se ativam, sucessivamente, como se subescapular, fosse uma escala musical de piano, as diferentes peitorais maior e menor, porções do deltóide (ver pág. 70), que é o prin- serrátil anterior. cipal músculo deste movimento.
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    1. MEMBRO SUPERIOR 21 b a c Fig.1-8
  • 22.
    22 FISIOLOGIA ARTICULAR o MOVIMENTO DE CIRCUNDUÇÃO A circundução combina os movimentos por trás do setor III e à esquerda do setor V. elementares ao redor de três eixos (fig. 1-9). O setor VII, não visível, se situa por cima). Quando esta circundução alcança a sua amplitu- A seta, prolongamento da direção do braço, de máxima, o braço descreve no espaço um co- indica o eixo do cone de circundução e a sua ne irregular: o cone de circundução. Este cone orientação no espaço se corresponde levemente delimita, na esfera cujo centro é o ombro e cujo com a definida como posição funcional (ver figo raio é igual à longitude do membro superior, um 1-16), mas neste caso o cotovelo se encontra em setor esférico de acessibilidade, em cujo interior extensão. O setor V que inclui o eixo do cone de a mão pode pegar objetos sem deslocar o tron- circundução é o ~etor de acessibilidade prefe- co, para eventualmente levá-Ios à boca. rencial. A orientação para a frente do eixo do Neste esquema, a curva representa a base cone de circundução r.esponde à necessidade de do cone de circundução (trajetória da extremida- proteger as mãos que trabalham sob o controle de dos dedos), percorrendo os diferentes setores visual. O cruzamento parcial e para frente dos do espaço determinados pelos planos de referên- dois setores de acessibilidade dos membros su- cia da articulação: periores obedece à mesma necessidade, permi- a) plano sagital (ftexão-extensão), tindo que ambas as mãos trabalhem simultanea- b) plano frontal (adução-abdução), mente sob controle visual, cooperem entre si e, se for necessário, se substituam uma à outra; de c) plano horizontal (ftexão horizontal ou modo que o conjunto dos dois setores esféricos extensão horizontal). de acessibilidade dos membros superiores é con- A partir da posição de referência - repre- trolado pelo campo visual dos olhos até seus sentada por um ponto espesso - a curva passa movimentos extremos, mantendo a cabeça fixa sucessivamente (para o membro superior direi- no plano sagital. Os campos visuais e os setores to) pelos setores: de acessibilidade das mãos se superpõem quase lU - abaixo, na frente e à esquerda; completamente. II - acima, na frente e à esquerda; É necessário ressaltar que esta disposição VI - acima, atrás e à direita; só é possível no percurso da filogenia graças ao deslocamento para baixo do forame occipitaL V - abaixo, atrás e à direita; permitindo assim que a superfície possa se diri- VIII - abaixo, atrás e à esquerda, em um gir para a frente e que o olhar adote uma dire- trajeto muito curto, porque a extensão-adu- ção perpendicular ao eixo longitudinal do cor- ção tem pouca amplitude (no esquema o se- po, enquanto nos quadrúpedes o olhar está diri- tor VIII se localiza por baixo do plano C, gido em direção ao eixo do corpo.
  • 23.
    1. MEMBRO SUPERIOR 23 I B 11 VI I V 111 IV Fig.1-9
  • 24.
    24 FISIOLOGIA ARTICULAR o "PARADOXO" DE CODMAN Quando, a partir da posição anatômica (fig. de descrever um ciclo ergonômico; tais ciclos se 1-10, a e b), o membro superior vertical ao lon- utilizam com freqüência nos gestos profissionais go do corpo, a palma da mão girada para den- ou esportivos repetidos, por exemplo na natação. tro, o polegar apontando para a frente (a), pedi- Esta rotação longitudinal voluntária que Mac Co- mos a um sujeito que realize, com o seu mem- naill denomina rotação adjunta, só é viável em bro superior, um movimento de abdução de articulações com três graus de liberdade e é indis- +180° no plano frontal (c), seguido por um mo- pensável durante o ciclo ergonômi€o. Isto fica de- vimento de extensão relativa de -180° no plano monstrado na seguinte experiência: a partir da po- sagital (d), o membro superior se encontra no- sição anatômica, em rotação interna, com a palma vamente vertical ao longo do corpo mas com a da mão girada pará fora e o polegar para trás, ab- palma da mão girada para fora e o polegar dução até os 180°, a partir dos 90° de abdução, o apontando para trás (e). movimento fica bloqueado e é necessário realizar Também é possível realizar o ciclo inverso: uma rotação externa voluntária para continuar. De flexão de 180° e, a seguir, uma adução de 180°, fato, causas anatômicas, tensão ligamentar e mus- mas os sinais estão invertidos e obtemos uma cular, não permitem que a rotação conjunta conti- rotação externa de 180°. nue no sentido da rotação interna e é necessário É fácil constatar que a palma da mão modi- recorrer a uma rotação adjunta externa para anular fica a sua orientação, provocando um movimen- a rotação conjunta interna e finalizar o ciclo ergo- to de rotação longitudinal de 180°. nômico. Isto explica a necessidade de uma articu- lação de três eixos na raiz dos membros. Neste duplo movimento de abdução segui- do por uma extensão, se produz AUTOMATI- Em resumo, o ombro é capaz de realizar CAMENTE uma rotação interna de 180°: um dois tipos de rotação longitudinal: a rotação vo- movimento sucessivo em tomo de dois dos eixos luntária ou adjunta e a rotação automática ou do ombro dirige mecanicamente e involuntaria- conjunta. Em todo momento estas duas rotações mente um movimento ao redor do eixo longitu- se somam algebricamente: dinal do membro superior. É o que Mac Conaill - se a rotação voluntária (adjunta) é nula, denominou rotação conjunta, que aparece num a rotação automática (conjunta) aparece movimento diadocal, isto é, realizado sucessiva- com claridade: é o (pseudo) paradoxo de mente em tomo dos dois eixos de uma articula- Codman, ção com dois graus de liberdade. Neste exem- plo, a articulação do ombro, que possui três - se a rotação voluntária tem a mesma di- graus de liberdade, é utilizada como uma articu- reção que a rotação automática, ela se lação de dois eixos. amplifica, Se utilizamos o terceiro eixo para realizar, - se a rotação voluntária tem direção con- voluntária e simultaneamente, uma rotação inver- trária, esta diminui ou até mesmo anula sa de 180°, desta vez, a mão retoma à posição de a rotação automática: é o ciclo ergonô- partida, o polegar apontando para a frente, depois mlCO.
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    1. MEMBRO SUPERIOR25 + 1800 c b a e d Fig.1-10
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    26 FISIOLOGIA ARTICULAR AVALIAÇÃO DOS MOVIMENTOS DO OMBRO A avaliação dos movimentos e das posi- braço pela posição que ocupa o cotovelo P nu- ções nas articulações com três eixos principais e ma esfera cujo centro é o ombro O e o raio OP três graus de liberdade, como o ombro, repre- equivale à longitude do úmero. Do mesmo mo- senta uma dificuldade, porque existem ambigüi- do que no globo terráqueo, a posição do ponto dades. Por exemplo, se de maneira geral defini- P se define mediante dois ângulos, a longitude mos a abdução como um movimento de separa- e a latitude. O ponto P se localiza na interse- ção do membro superior do plano de simetria, cção de um grande círculo cuja lqngitude pas- esta definição só é válida até os. 90°, já que, a sa pelos dois pólos e de um círculo pequeno de partir daí, o membro superior se aproxima do latitude cujo plano é paralelo ao do Equador, plano de simetria por cima e, contudo, continua- representado aqui J?elo grande círculo do plano mos com a denominação de abdução; para ava- sagital S. A linha dos pólos é a interseção do liar a rotação longitudinal o problema é ainda plano frontal F e do plano transversal T, o me- mais árduo. ridiano O é o semicírculo inferior do plano frontal F. Mede-se aflexão como uma longitu- Embora seja simples avaliar um movi- de contada para a frente, ou como o ângulo mento quando o membro se desloca no plano de BÔL (L é a intersecção do meridiano que pas- referência, frontal ou sagital, sem dúvida sele- sa por P e do Equador), e a abdução como uma cionado arbitrariamente, a questão é mais com- latitude, isto é, o ângulo AÔK, ou melhor ain- plicada quando nos referimos aos setores inter- da o seu suplementar BÔK. Além disso é viá- médios; são necessárias pelo menos duas coor- vel avaliar a rotação longitudinal do úmero co- denadas angulares que utilizam um sistema de mo um cabo em relação com um meridiano coordenadas retangulares, ou um sistema de vertic~l BPA que passe por P: este cabo é o ân- coordenadas polares. gulo C determinado a partir de AP. No sistema de coordenadas retangula- Portanto, este sistema de avaliação é res (fig. 1-11), medimos o ponto de projeção do bem mais preciso e completo que o primeiro; in- eixo longitudinal do braço, pelo menos em dois clusive é o único que permite representar o cone dos três planos de referência: frontal, F, sagital, de circundução como uma trajetória fechada na Se transerso, T, localizando o "centro" do om- esfera, embora se utilize menos na prática devi- bro na interseção O dos três planos. A projeção do à sua complexidade. do ponto P no plano frontal F em M e no plano Apresenta uma diferença importante com o sagitalAS em Q permite medir o ân~ulo de abdu- sistema de coordenadas retangulares (fig. 1-13): ção SO?vl e o ângulo de flexão SOQ. Observar se o ângulo de flexão BÔL é o mesmo, o ângu- que a posição do ponto N, projeção de P no plano lo de abdução BÔK é diferente de BÔM (em transverso T, pode ser definido sem ambigüidade coordenadas retangulares) e esta diferença é a partir do momento em que conhecemos M e Q. mais importante quanto mais se aproxime a fle- Contudo, neste sistema, não existe nenhum modo xão aos 90°. De fato, para uma flexão de 90° o de avaliar a rotação sobre o eixo longitudinal ponto P se situa no meridiano horizontal que OP. passa por E. O ângulo BÔM, então, é sempre No sistema das coordenadas polares igual a 90°, enquanto o ângulo AÔK pode variar (fig. 1-12) ou acimutais, se define a direção do de O a 90°.
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    1. MEIBRO SUPERIOR 27 Fig.1-11 Fig.1-12 Fig.1-13
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    28 FISIOLOGIA ARTICULAR MOVIMENTOS DE EXPLORAÇÃO GLOBAL DO OMBRO Primeiro movimento de exploração glo- terna, a mão entra em contato com a re- bal do ombro (fig. 1-14) gião lombar. a) pentear-se; Quando está livre e a sua amplitude é nor- b) levar a mão à nuca. mal, este movimento dirige a mão até a parte in- ferior da região escapular contralateral. Quando está livre e a sua amplitude é nor- lal, este movimento dirige a mão em direção à Posição funcional do ombro (fig. 1-16) °elhaoposta e da parte superior da região esca- O eixo longitudinal do braço está em flexão r'ular contralateral. de 45° e abdução de 60°, isto é, se encontra no Este movimento realizado com o cotovelo plano vertical formando um ângulo diedro de em flexão explora tanto a abdução (120°) quan- 45° com o plano sagital (ou frontal) e o braço es- to a rotação externa (90°). tá em rotação interna de 30-40°. Segundo movimento de exploração glo- Esta posição se corresponde com o estado bal do ombro (fig. 1-15) de equilíbrio dos músculos periarticulares do ombro: por isso se utiliza esta posição para a Vestir um casaco: imobilização das fraturas da diáfise umeral já - o braço que se introduz na primeira que, nestas condições, o fragmento inferior, o manga (braço esquerdo na figura) rea- único sobre o qual podemos atuar, se encontra liza um movimento de flexão-abdução; no eixo do fragmento superior sobre o qual - o braço que vai procurar a segunda atuam os músculos periarticulares. manga (braço direito na figura) realiza Corresponde-se também com o eixo do co- um movimento de extensão-rotação in- ne de circundução (fig. 1-9).
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    1. MEMBRO SUPERIOR 29 a Fig.1-14 Fig.1-16 Fig.1-15
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    30 FISIOLOGIA ARTICULAR o COMPLEXO ARTICULAR DO OMBRO o ombro não está constituído por uma arti- grupo, contudo não pode atuar sem as culação, mas por cinco articulações que confor- outras duas, já que está mecanicamen- mam o COMPLEXO ARTICULAR DO OM- te unida a elas .. BRO (fig. 1-17), cujos movimentos com relação 4) Articulação acrômio-clavicular ao membro superior acabamos de explicar. Estas cinco articulações se classificam em dois grupos: Articulação verdadeira, localizada na porção externa da clavícula. Primeiro grupo: duas articulações: S) Articulação esternocostoclavicular 1) Articulação escápulo-umeral Articulação verdadeira, localizada na Articulação verdadeira do ponto de porção interna da clavícula. vista anatômico (contato de duas su- perfícies cartilaginosas de desliza- Em geral, o complexo articular do ombro mento) pode ser esquematizado da seguinte maneira: Esta articulação é a mais importante Primeiro grupo: do grupo. uma articulação verdadeira e princi- 2) Articulação subdeltóide ou "segun- pal: a articulação escápulo-umeral; da articulação do ombro" uma articulação "falsa" e acessória: Do ponto de vista estritamente anatô- a articulação subdeltóide. mico não se trata de uma articulação; Segundo grupo: contudo podemos considerar do pon- uma articulação "falsa" e principal; to de vista fisiológico, devido ser a articulação escápulo-torácica; composta por duas superfícies que deslizam uma sobre a outra. A articu- duas articulações verdadeiras e aces- sórias: a acrômio-clavicular e a es- lação subdeltóide está mecanicamente tem o-costo-cIavicular. unida à articulação escápulo-umeral: qualquer movimento na articulação Em cada um dos grupos, as articulações es- escápulo-umeral provoca um movi- tão unidas mecanicamente, isto é, atuam neces- mento na subdeltóide. sariamente ao mesmo tempo. Na prática, os dois Segundo grupo: três articulações. grupos também funcionam simultanearnente, se- gundo proporções variáveis no percurso dos mo- 3) Articulação escápulo-torácica vimentos. De maneira que podemos afirmar que Neste caso se trata outra vez de uma as cinco articulações do complexo articular do articulação fisiológica e não anatômi- ombro funcionam simultaneamente e em pro- ca. É a articulação mais importante do porções variáveis de um grupo ao outro.
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    32 FISIOLOGIA ARTICULAR AS SUPERFÍCIES ARTICULARES DA ARTICULAÇÃO ESCÂPULO-UMERAL Superfícies esféricas,características de - tuberosidade menor ou troquino, ante- uma enartrose e, portanto, articulação de três ei- rior, I xos e com três graus de liberdade (fig. 1-18). - tuberosidade maior ou troquino, externa. a) Cabeça umeral b) A cavidad'e glenóide da escápula Orientada para cima, para dentro e trás, po- Localizada no ângulo superior-externo do de ser comparada com um terço de esfera de 30 corpo da escápula, se orienta para fora, para a mm de raio. Na verdade, esta esfera está longe frente e levemente para cima. É côncava em am- de ser regular devido a seu diâmetro vertical ser bos os sentidos (vertical e transversal), mas a sua 3 a 4 mm maior do que o seu diâmetro ântero- concavidade é irregular e menos acentuada do posterior. Além disso, num corte vértico- frontal que a convexidade da cabeça. Está rodeada pela (quadro) podemos comprovar que o seu raio de proeminente margem glenóide, interrompida pela curva diminui levemente de cima para baixo e incisura glenóide na sua parte ântero-superior. A que não existe um único centro da curva, mas sua superfície é menor que a da cabeça umeral. uma série de centros de curva alinhados ao lon- c) O lábio glenóide go de uma espiral. Portanto, quando a parte su- Trata-se de um anel fibrocartilaginoso lo- perior da cabeça umeralentra em contato com a calizado na margem glenóide, de maneira que glenóide, a região de apoio é maior e a articula- ocupa a incisura glenóide e aumenta ligeiramen- ção é mais estável, quanto mais tensos estejam te a superfície da glenóide, embora, principal- os fascículos médio e inferior do ligamento gle- mente, acentua a sua concavidade restabelecen- noumeral. Esta posição de abdução de 90° co- do a congruência (coincidência) das superfícies rresponde à posição de bloqueio ou close-pac- articulares. ked position de Mac Conaill. Triangular, quando está seccionado, apre- O seu eixo forma com o eixo diafisário um senta três superfícies: ângulo denominado "inclinação" de 135° e, com o plano frontal, um ângulo denominado "decli- - uma superfície interna que se insere no nação" de 30°. contorno glenóide; Está separada do resto da epífise superior - uma superfície periférica onde se inse- do úmero pelo colo anatômico, cujo plano está rem algumas fibras da cápsula; inclinado 45° com relação à horizontal (ângulo - uma superfície central (ou axial) cuja suplementar do ângulo de inclinação). cartilagem é um prolongamento da gle- Contém duas proeminências nas quais se nóide óssea e que entra em contato com inserem os músculos periarticulares: a cabeça umeral.
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    1. MEMBRO SUPERIOR33 Fig.1-18
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    34 FISIOLOGIA ARTICULAR CENTROS INSTANTÂNEOS DE ROTAÇÃO o centro da curva de uma superfície articu- po se situa em outro "centro de dispersão" C2, lar não necessariamente coincide com o centro situado na metade superior da cabeça. Os dois de rotação porque, além da forma da superfície, círculos estão separados pela descontinuidade. intervêm também o jogo mecânico da articula- Com relação ao movimento de abdução, ção, a tensão dos ligamentos e a contração dos músculos. podemos comparar a articulação escápulo-ume- ral (fig. 1-20) com duas articulações: No que se refere à cabeça umeral, não exis- - no início do movimento até os 500, a ro- te, como se acreditava durante muito tempo tação da cabeça umeral se realiza ao re- quando se comparava a sua forma com uma por- dor de um ponto situado em algum lu- ção de esfera, um centro fixo e imutável durante gar do círculo Ci; o movimento, mas sim, como demonstraram os recentes trabalhos de Fischer e cols., uma série - no fim da abdução entre 50 e 900, o cen- de centros instantâneos de rotação (CIR) que se tro de rotação se localiza no círculo C2; correspondem com o centro do movimento rea- - ao redor dos 500, a descontinuidade do lizado entre duas posições muito próximas entre movimento acontece cujo centro se lo- elas. Estes pontos se determinam mediante a caliza claramente por cima e por dentro análise informática de uma série de radiografias da cabeça. suceSSivas. Durante o movimento de flexão (fig. 1-21, Assim sendo, durante o.movimento de ab- vista externa) a mesma análise demonstra que dução considerado plano, isto é, mantendo uni- não existe uma grande descontinuidade na tra- camente o componente de rotação de úmero no jetória dos CIR, o que corresponde a um único plano frontal, existem dois grupos de CIR (fig. "círculo de dispersão" centrado na parte infe- 1-19) dentre os quais aparece uma descontinui- rior da cabeça à mesma distância de ambas as dade (3-4) até hoje sem explicação viável. O pri- margens. meiro grupo se localiza num "círculo de disper- Por último, durante o movimento de rota- são" C1, situado perto da parte inferior-interna ção longitudinal (fig. 1-22, vista superior), o cír- da cabeça umeral, cujo centro é o baricentro dos culo de dispersão se localiza perpendicularmen- CIR e cujo raio é a média das distâncias desde o te à cortical diafisária interna e à mesma distân- baricentro até cada um dos CIR. O segundo gru- cia das duas margens da cabeça.
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    1. MEMBRO SUPERIOR 35 3-4 Fig.1-19 Fig. 1-20 '00 Fig.1-21 Fig.1-22
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    36 FISIOLOGIA ARTICULAR A CÁPSULA E OS LIGAMENTOS DO OMBRO As superfícies articulares e a bainha cap- raco-umeral fecha, na parte de cima, sular (fig. 1-23, segundo Rouviere). a incisura intertuberositária, por onde a) A cabeça wneral (vista interna) o tendão da porção longa do bíceps sai da articulação: este percorre o sul- Rodeada pela cápsula como se fosse uma co intertuberositário, convertido em gorjeira (1) na qual se distingue: canal pelo ligamento umeral trans- os "frenula capsulae" (2) por baixo verso (8). do pólo inferior da cabeça; trata-se de ligamento glenoumeral, com os seus pregas sinoviais elevadas por fibras três fascículos, superior supragleno- recorrentes da cápsula; supra-umeral (9), médio suprag1eno- o engrossamento formado pelo fascí- pré-umeral (10) e inferior pré-g1e- culo superior do ligamento gle- nossubumeral (11). noumeral (3). O conjunto forma um Z expandido sobre a su- Dentro da cápsula podemos ver o tendão sec- perfície anterior da cápsula. cionado da porção longa do bíceps (4). Entre os três fascículos existem pontos fracos: Por fora da cápsula podemos apreciar a sec- Forame de Weitbrecht (12) e forame de Rou- ção do músculo subescapular (5), perto de sua in- viere (13), por onde a sinovial articular pode-se co- serção na tuberosidade menor. municar com a bolsa serosa subcoracóide. b) A cavidade glenóide (vista externa) - a porção longa do tríceps (14). Com o lábio g1enóide (1) que passa por cima Vista posterior da articulação escápulo- da incisura glenóide formando uma ponte (2) e cu- umeral (fig. 1-24 bis, segundo Rouviere) jo pólo superior serve de inserção para as fibras da porção longa do bíceps (intracapsular) (3), neste Na parte posterior da cápsula, abrimos uma caso seccionado. "janela" e a cabeça umeral foi removida (1). A las- sidão da cápsula permite separar 3 cm das superfí- Com a cápsula (4) e os seus reforços ligamen- tares: cies articulares no cadáver, de maneira que pode- mos distinguir: os fascículos médio (2) e inferior (3) do ligamento glenoumeral (vistos des- de a sua superfície profunda); ligamento córaco-umeral (4), ao qual está unido o ligamento córaco-gle- nóide (5), que não possui função me- cânica; a parte intra-articular da porção longa do bíceps (6); a cavidade glenóide (7) e o lábio gle- nóide (8); dois ligamentos que não possuem ação mecânica: o ligamento coracóide (9) e o ligamento espinho-g1enóide (10); as inserções dos três músculos pe- riarticulares: o supra-espinhal (11), o infra-espinhal (12) e o redondo me- nor (13).
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    1. .1E~'1BRO SUPERIOR 37 4 3 5 8 Fig.1-23 14 9 10 5 Fig.1-24 11 12 13 .! Fig. 1-24bis
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    38 FISIOLOGIA ARTICULAR o TENDÃO DA PORÇÃO LONGA DO BÍCEPS INTRA-ARTICULAR Em corte frontal da articulação escápulo- se afastam da inserção tendinosa. Mas, em todo umeral (fig. 1-25, segundo Rouviere), podemos caso, o tendão, embora intracapsular, permanece observar: extra-sinovial. - as irregularidades da cavidade glenóide ós- N a atualidade sabemos que o tendão da sea desaparecem na cartilagem glenóide; porção longa do bíceps desempenha um papel im- - margem cotilóide (2) acentua a profundi- portante na fisiologia e na patologia do ombro. dade da cavidade glenóide; contudo, o en- Quando o bíceps se contrai 'para levantar caixe desta articulação não é muito com- um objeto pesado, as suas duas porções desem- pacto, o qual explica as freqiientes luxa- penham um papel muito importante para manter a ções. Na sua parte superior (3) a margem coaptação simultânea do ombro: a porção curta glenóide não está totalmente fixa: a sua e1e"a o úmero com relação à escápula e se apóia margem central cortante fica livre dentro sobre o processo coracóide; assim sendo, junto da cavidade, como se fosse um menisco; com os outros músculos longitudinais (porção - na posição anatômica, a parte superior da longa do tríceps, coracobraquial, deltóide), impe- cápsula (4) está tensa, enquanto a inferior de a luxação da cabeça umeral para baixo. Simul- (5) apresenta pregas: esta "elasticidade" taneamente, a porção longa coapta a cabeça ume- capsular e o "despregamento" dos frenula ral na glenóide; isto é exatamente assim no caso capsulae (6) possibilitam a abdução; da abdução do ombro (fig. 1-26), porque a porção longa do bíceps também forma parte dos abduto- - tendão da porção longa do bíceps (7) se res: quando sofre mptura a força da abdução dimi- insere no tubérculo subglenóide e no pólo nui 29%. superior do lábio glenóide. Para sair da ar- ticulação pela incisura intertuberositária O grau de tensão inicial da porção longa (8) se desliza por baixo da cápsula (4). do bíceps depende da longitude do trajeto percorri- do pela porção horizontal intra-articular (fig. 1-27, Corte que mostra as conexões do tendão com vista superior). Esta longitude é máxima em posi- a sinovial (quadro): ção intermédia (A) e em rotação externa (B): nes- Na cavidade alticular o tendão da porção lon- te caso a eficácia da porção longa é máxima. Pelo ga do bíceps pode estabelecer ligações com a si- contrário, em rotação interna (C) o trajeto intra-ar- novial mediante três posições diferentes: ticular é o mais curto e a eficácia da porção longa é mínima. 1) aderido à superfície profunda da cápsula (c) pela sinovial (s); Também podemos compreender, conside- 2) a sinovial forma duas pequenas pontas rando a reflexo do tendão da porção longa do bí- (fundos de saco) entre a cápsula e o ten- ceps na incisura intertuberositária, que neste pon- dão que, desta maneira, se une à cápsula to ele sofre uma grande fadiga mecânica à qual mediante um fino septo denominado me- não pode resistir se o seu trofismo não é excelen- sotendão; te, considerando que isto também se acentua pelo fato de não contar com um sesamóide neste pon- 3) estando dois "fundos de saco" unidos de to crítico. Se, com a idade, aparece a degeneração tal maneira que desaparecem, o tendão fi- das fibras colágenas, o tendão termina se rompen- ca liberado, mas envolvido por uma pe- do pela sua porção intra-articular, na entrada do quena lâmina sinovial. sulco ou canal bicipital, inclusive com um esforço Normalmente, estas três disposições po- mínimo, produzindo um quadro clínico caracterís- dem observar-se de dentro para fora à medida que tico das periartrites escápulo-umerais.
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    1. MEMBRO SUPERIOR 39 8 7 4 3 1 1 32Z//////~c ~.:.I 2~ S Fig.1-25 Fig.1-26 B Fig.1-27
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    40 FISIOLOGIA ARTICULAR FUNÇÃO DO LIGAMENTO GLENOUl:1ERAL Durante a abdução (fig. 1-28) rior da glenóide e da margem cotilóide. A rota- ção externa desloca a tuberosidade do úmero a) posição anatõmica (as franjas tracejadas para trás no fim da abdução, que se encontra representam os fascículos médio e infe- por baixo da abóbada acrõmio-coracóide e a in- rior do ligamento); cisura intertuberositária, e distende ligeiramen- b) durante a abdução podemos comprovar te o fascículo inferior do ligamento glenoume- como estão tensos os fascículos médio e ral de maneira que consegue retardar o impac- inferior do ligamento glenoumeral, en- to. Assim sendo, a amplitude da abdução é de quanto o fascículo superior e o ligamen- 90°. to córaco-umeral - não representado no desenho - se distendem. A tensão máxi- Quando a abdução se realiza com uma fle- xão de 30°, no plano do corpo da escápula, a ma dos ligamentos, associada à maior tensão do ligamento glenoumeral é retardada, superfície de contato possível das carti- permitindo que a abdução atinja uma amplitu- lagens articulares (o raio da curva da ca- de de 110° na articulação escápulo-umeral. beça umeral é ligeiramente maior em ci- ma que embaixo) fazem da abdução a Durante a rotação (fig. 1-29) posição de bloqueio do ombro, a close- a) a rotação externa provoca a tensão dos packed position de Mac Conaill. três fascículos do ligamento g1enoume- ral, Outro fator limitante é o impacto da tu- berosidade maior do úmero contra a parte supe- b) a rotação interna os distende.
  • 41.
    1. MEMBRO SUPERIOR 41 a b Fig.1-28 b a Fig.1-29
  • 42.
    42 FISIOLOGIA ARTICULAR o LIGAMENTO CÓRACO-UMERAL NA FLEXÃO-EXTENSÃO Em vista esquemática extema (fig. 1-30) tuberosidade menor do úmero durante a ex- podemos observar a tensão relativa dos dois fascí- tensão; culos do ligamento córaco-umeral: c) tensão predominante sobre o fascículo da a) posição anatômica mostrando o ligamen- tuberosidade maior do úmero durante a to córaco-umeral com os seus dois fascí- fiexão. culos (tuberosidade maior do úmero por A rotação intema do úmero que aparece no trás e tuberosidade menor do úmero pela fim da flexão distende os ligamentos córa- frente); co-umeral e glenoumeral, possibilitando b) tensão predominante sobre o fascículo da uma maior amplitude de movimento.
  • 43.
    1. MEMBRO SUPERIOR 43 c b a Fig.1-30
  • 44.
    44 FISIOLOGIA ARTICULAR A COAPTAÇÃO MUSCULAR DO OMBRO Os músculos periarticulares transversais ombro se paralisam. Contudo, recentes trabalhos (fig. 1-31), verdadeiros ligamentos ativos da ar- eletromiográficos demonstram que só intervêm ticulação, proporcionam a coaptação das super- ativamente quando o membro superior suporta fícies articulares: encaixam a cabeça umeml na grandes cargas, desempenhando o papel de su- cavidade glenóide: porte em situação normal e não, como se acre- a) vista posterior, ditava até então, ô ligamento córaco-umeral, clássica faixa de fixação de Farabeuf, mas a b) vista anterior, porção inferior da cáp·sula, como se demonstra c) vista superior. nos trabalhos de Fischer e cols. Nestes esquemas podemos observar os se- Contudo, a presença da abóbada acrômio- guintes músculos: coracóide acolchoada pela porção final do su- 1) supra-espinhal, pra-espinhal impede e limita a luxação da cabe- ça para cima, sob influência de uma potente 2) subescapular, contração destes músculos longitudinais. 3) infra-espinhal, Quando é destruída esta abóbada acolchoada 4) redondo menor, pela terminação do supra-espinhal, a cabeça umeral realiza um impacto direto contra a su- 5) tendão da porção longa do bíceps. Quan- do este músculo se contrai, o tendão, su- perfície inferior do acrômio e do ligamento acrômio-coracóide, e isto é a causa das dores da jeito ao tubérculo supraglenóide, desloca periartrite escápulo-umeral ou, mais concreta- a cabeça para dentro. mente, da síndrome da ruptura da bainha rota- Alguns autores mencionam um papel tória. coaptador da pressão atmosférica, que não atua a) vista posterior, na glenóide, mas por baixo da camada dos mÚs- culos periarticulares (ver também figs. 1-33 e 1- b) vista anterior. 34). Nos desenhos podemos observar: Os mÚsculos longitudinais do braço e da (5') a porção curta do bíceps, cintura escapular (fig. 1-32) impedem, median- (6) o córaco-braquial, te a sua contração tônica, que a cabeça umeral se luxe por baixo da glenóide sob tração de uma (7) a porção longa do tríceps, carga mantida na mão ou o próprio peso do (8 e 8') fascículos do deltóide, membro superior. Esta luxação inferior se ob- serva na síndrome do "ombro caído" quando, (9) o fascículo clavicular do peitoral maior. por qualquer motivo, os mÚsculos do braço e do (A seta preta indica a tração para baixo.)
  • 45.
    1. MEMBRO SUPERIOR 45 c Fig.1-31 Fig. 1-32
  • 46.
    46 FISIOLOGIA ARTICULAR A "ARTICULAÇÃO" SUBDELTÓIDE Articulação subdeltóide aberta (fig. 1-33, Em corte vertical-frontal do coto do om- segundo Rouviere) bro (fig. 1-34) , O deltóide está seccionado horizontalmen- a) com o braço vertical ao longo do corpo te e deslocado para um lado (1), permitindo,~ podemos distinguir: o supra-espinhal desta maneira, a vista da "superfície" profunda (1), que se desliza para baixo da articula- do plano de deslizamento anatômico subdeltói- ção acrômio-clavicular (2) para se inserir de, constituído por: na tuberosidade maior do úmero, e o del- - extremidade superior do úmero (2); tóide (4) acima do qual se situa a bolsa serosa suldeltóide (5). - bainha dos músculos periarticulares: su- pra-espinhal (3), infra-espinhal (4), re- b) durante a abdução: o infra-espinhal (1) dondo menor (5). O subescapular não desloca a tuberosidade maior do úmero está representado no desenho, contudo, (3) para cima e para dentro, de maneira podemos claramente distinguir o tendão que: da porção longa do bíceps (6) ao sair do - o fundo superior da bolsa se desloca canal bicipital. e se situa debaixo da articulação Entre a superfície descrita e a abóbada acrômio-clavicular (2), acrômio-coracóide formada pela superfície infe- - a lâmina profunda da bolsa se des- rior do acrômio e do ligamento acrômio-cora- loca para dentro com relação à lâ- cóide que se prolonga pela frente ao tendão do mina superficial (6), que se enruga. córaco-bíceps, o plano de deslizamento anatô- Desta forma, a cabeça umeral pode- mico celular adiposo contém uma bolsa se rosa se deslizar por baixo da abóbada subdeltóide (7), aberta no desenho. acrômio-deltóide. Outros músculos visíveis no desenho são: o Por outro lado, o fundo da bolsa inferior da redondo maior (8), a porção longa do tríceps (9), articulação escápulo-umeral (7) se desdobra e a porção lateral do tríceps (10), o córaco-bra- está tenso. quial (11), a porção curta do bíceps (12), o pei- toral menor (13) e o peitoral maior (14). Porção longa do tríceps (8).
  • 47.
    7 L ,~'-"""'''WIl:l:b..~~U;;;hj //.J 3 5 4 ~ ' ','/ ", '/, ,..-- " >,,;:,,:;',~ ~ •. ~-~ ~ - ,.,/1. , I' ,/;.,",' ./~--' ~ ,,-'•• jl//i ..• ~fl"~1,, ! •• ' _., •••. 'J 2 13 9 v///' -.~ g-'"""--T" - 6 . - .. '"" 111' / / / 12 8 1('(1- = -rr;:;--~,·",'~'I!S;:.. H,IU~"':'~:',,/"" ; ' 11 .14 9 10 Fig.1-33 5 4 3 Fig.1-34 b
  • 48.
    48 FISIOLOGIA ARTICULAR A ARTICULAÇÃO ESCÁPULO- TORÁCICA É fácil entender a articulação escápulo-to- ra fora e de trás para adiante, formando rácica num corte horizontal do tórax (fig. 1-35). com o plano frontal um ângulo diedro Na metade esquerda do corte (posição ana- de 30°, aberto para fora e para a frente; tômica), podemos observar as duas zonas de - a direção geral da clavícula é oblíqua deslizamento desta falsa articulação: para fora e atrás e forma com o plano da 1) Zona escápulo-serrática, compreendi- escápula um ângulo de 60° aberto para da entre: dentro. I - por trás e por fora: a escápula reco- Em vista posterior do tórax (fig. 1-36) é berta pelo músculo subescapular; possível localizar a éscápula. - pela frente e por dentro: a camada A escápula, em posição normal, se estende muscular do serrátil anterior, que se da 2a à 7a costela. Com relação à linha dos pro- estende da margem interna da escápu- cessos espinhosos (linha média): Ia até a parede ântero-Iateral do tórax. - seu ângulo superior-interno se corres- 2) Zona tóraco-serrática ou parieto-ser- ponde com o 1.° processo espinhoso to- rática, compreendida entre: rácico; - por dentro e pela frente: a parede to- - seu ângulo inferior ao 7.° ou 8.° proces- rácica (costelas e músculos intercos- so espinhoso torácico; tais); - a porção interna da espinha da escápula - por trás e por fora: o serrátil anterior. (ângulo constituído pelos dois segmen- N a metade direita do corte (estrutura fun- tos da margem interna) ao 3.° processo cional da cintura escapular), podemos compro- espinhoso torácico. var que: A margem interna ou espinhal da escápula - a escápula não se localiza no plano fron- se situa a 5 ou 6 cm da linha dos processos es- tal, mas no plano oblíquo de dentro pa- pinhosos.
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  • 50.
    50 FISIOLOGIA ARTICULAR MOVIMENTOS DA CINTURA ESCAPULAR Moyimentos de deslocamento lateral 2) Lado esquerdo: translação externa. da escápula (fig. 1-37, corte esquemático hori- 3) A amplitude total entre estas duas posi- zontal) ções extremas é de 15 cm. I 1) Lado direito do corte: quando a escápula Moyimentos de translação yertical da es- se desloca para dentro: cápula (fig. 1-39) - tende a orientar-se no plano frontal; 1) Lado direito: descenso. - a cavidade glenóide está dirigida mais diretamente para fora; 2) Lado esquerd0: ascenso. - a porção externa da clavícula se dirige 3) Amplitude total: 10 a 12 cm. para dentro e atrás; Estes movimentos verticais vão acompanha- - ângulo entre a clavícula e a escápula dos, necessariamente, de uma certa basculação. mostra tendência a abrir-se. Moyimentos denominados "sino" ou 2) Lado esquerdo do corte: quando a escápu- basculação da escápula (fig. 1-40) Ia se desloca para fora: Rotação da escápula ao redor de um eixo - tende a se orientar no plano sagital; perpendicular ao plano da escápula localizado ligeiramente por baixo da espinha; não muito - a porção externa da clavícula está diri- longe do ângulo superior-externo. gida para fora e para frente e o seu ei- xo longitudinal tem a tendência de es- 1) Lado direito: rotação "para baixo" (no tar no plano frontal; assim sendo, o caso da escápula direita, no sentido dos pontei- diâmetro transversal dos ombros chega ros do relógio): o ângulo inferior se desloca pa- até a sua máxima amplitude; ra dentro, o ângulo superior e externo para bai- - o ângulo entre a clavícula e a escápula xo e a glenóide tem a tendência a se dirigir para tende afechar-se. baixo. Entre estas duas posições extremas, o plano 2) Lado esquerdo: rotação "para cima": da escápula forma um ângulo diedro de 40 a 45°, movimento inverso, a glenóide é orientada mais que corresponde à amplitude global da mudança diretamente para cima e o ângulo externo se de orientação da glenóide no plano horizontal, eleva. isto é, em tomo de um eixo vertical fictício. Moyimentos de translação lateral da es- 3) Amplitude total: 60°. cápula (fig. 1-38; vista superior) 4) Deslocamento do ângulo inferior: 10 a 1) Lado direito: translação interna (obser- 12 cm; do ângulo superior-externo: de 5 a var uma ligeira basculação). 6 cm.
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    1. MEMBRO SUPERIOR 51 Fig.1-37 Fig.1-38 Fig.1-39 Fig.1-40
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    52 FISIOLOGIA ARTICULAR OS MOVIMENTOS REAIS DA ARTICULAÇÃO ESCÁPULO- TORÁCICA Antes existia uma descrição dos movi- cando a ponta da escápula para a frente mentos elementares da articulação escápulo-to- e para cima, enquanto a porção superior rácica, mas, na atualidade, sabemos que durante do osso se desloca para trás e para bai- os movimentos de abdução ou de fiexão do xo, movimento que imita o de um ho- membro superior estes movimentos diferentes mem inclinado para trás para olhar o to- elementares se combinam em um grau variável. po de um arranha-céus. A sua amplitude Graças a uma série de radiografias (fig. 1-41) é de 23° durante a abdução de O a 45°. realizadas no percurso do movimento de abdu- - um movimento de "pÍvô" ao redor de ção, J. '{ de Ia Caffiniere pôde, comparando-as um eixo vertical cuja característica é a com fotografias da escápula "seca" em diferen- de ser difásico: tes atitudes, estudar os componentes do seu mo- vimento real; as vistas em perspectiva do acrô- • no primeiro momento, durante a abdu- mio (fig. 1-42), da coracóide e da glenóide (fig. ção de O a 90°, a glenóide tende parado- 1-43) permitem estabelecer que, durante a abdu- xalmente a orientar-se para trás seguin- ção ativa, a escápula realiza quatro movimentos: do um ângulo de 10°, - um ascenso de 8 a 10 cm aproximada- • a seguir, a partir dos 90° de abdução, a mente sem ter associado, como classica- glenóide tende a recuperar a orientação mente é afirmado, um deslocamento pa- para cima seguindo um ângulo de 6°; ra frente. em realidade, não recupera a sua orien- - um movimento de sino de progressão tação inicial no plano ântero-posterior. praticamente linear, de 38° quando a ab- No percurso da abdução, a glenóide so- dução do membro superior passa de O a fre um deslocamento complexo, ascendendo e 145°. A partir de 120° de abdução, a ro- aproximando-se da linha média, ao mesmo tação angular é igual na articulação es- tempo que realiza uma mudança de orientação cápulo-umeral e na escápulo-torácica. de tal maneira que a tuberosidade maior do - um movimento de basculaçc70 ao redor úmero "escapa" pela frente do acrômio para se de um eixo transversal, oblíquo de den- deslizar para baixo do ligamento acrômio-co- tro para fora e de trás para diante, deslo- racóide.
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    1. MEMBRO SUPERIOR 53 145 Fig.1-43 I I I I I Fig.1-42 Fig.1-41
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    54 FISIOLOGIA ARTICULAR A ARTICULAÇÃO ESTERNOCOSTOCLAVICULAR (As superfícies articulares) Estas duas superfícies articulares (fig. 1- - eixo 1 se corresponde com a concavi- 44), representadas aqui em separado, têm afor- dade da superfície c1avicular e permite ma de uma sela usada para cavalgar (superfície os moviméntos c1a'iculares no plano "toróide negativa", ver mais adiante quando horizontal; mencionarmos a articulação trapézio-metacar- - eixo 2 se corresponde com a concavi- peana), com uma curva dupla, mas no sentido dade da superfície esternocostal e per- inverso; são convexas num sentido e côncavas mite os movimentos c1aviculares no no outro. Da curva côncava um eixo perpendi- plano vertical. cular no espaço corresponde ao eixo da curva convexa; estes dois eixos se localizam em um e Portanto, esta articulação possui dois noutro lado da superfície com forma de sela. A eixos e dois graus de liberdade. O seu mode- de menor superfície (1) é c1avicular, a de maior lo mecânico é o "CARDÃO", Contudo, existe superfície (2) é esternocostal. Na verdade, a su- um movimento de rotação longitudinal (ver perfície c1avicular (1), mais estendida horizon- pág. 56). talmente que verticalmente, ultrapassa pela fren- A articulação esternocostoc1avicular direi- te e, principalmente, para trás, os limites da su- ta está representada aberta na sua superfície an- perfície esternocostal (2). terior (fig. 1-46). A superfície c1avicular encaixa com facili- A porção interna da c1a'ícula (1), cuja su- dade (fig. 1-45) na superfície esternocostal, da perfície articular podemos observar (2), foi re- mesma maneira que o cavaleiro se adapta à sela movida depois da secção do ligamento superior e esta, por sua vez, ao cavalo. A curva côncava (3), do ligamento anterior (-1.) e do ligamento da primeira e a curva convexa da segunda encai- costoc1avicular (5), o mais poderoso. Só se xam-se perfeitamente. Os dois eixos de cada conserva o ligamento posterior (6). A superfí- uma das superfícies coincidem de dois em dois, cie esternocostal (7) se vê nitidamente junto de maneira que o sistema só possui dois eixos com as suas duas curvas: concavidade no sen- perpendiculares no espaço, representados no de- tido vertical e convexidade no sentido ântero- senho em perspectiva: posterior.
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    1. MEMBRO SUPERIOR 55 2 Fig.1-44 Fig.1-45 423 Fig.1-46
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    56 FISIOLOGIA ARTICULAR A ARTICULAÇÃO ESTERNOCOSTOCLAVICULAR (Os movimentos) Vista composta da articulação esternocosto- 30° de amplitude. Até agora acreditava- clavicular (fig. 1-47, segundo Rouviere). se que isso era possível graças ao jogo - Metade direita: corte vértico-frontal no mecânico da articulação, devido à lassi- qual podemos observar: dão ligamentar. Porem, é mais que pro- -ligamento costoclavicular (1) que, a par- vável que, como todas as articulações de tir de sua inserção na superfície superior dois graus de liberdade, a esternocos- da primeira costela se dirige para cima e toclavicular realize uma rotação con- para fora, em direção à superfície infe- junta durante a rotação ao redor de dois rior da clavícula; eixos. Isto se confirma pelo fato de que, - com freqüência, as duas superfícies arti- na prática, á rotação longitudinal da cla- culares não têm os mesmos raios de cur- vículajamais aparece isolada fora de um va; um menisco (3) reestabelece a con- movimento de élevação-retroposição ou cordância, como a sela entre o cavaleiro descenso-anteposição. e o cavalo. Este menisco subdivide a ar- Movimentos da clavícula no plano hori- ticulação em duas cavidades secundá- zontal (fig. 1-48, vista superior) rias, que podem ou não se comunicar - posição média da clavícula (traço escuro); entre elas, dependendo se o menisco es- - o ponto Y' se corresponde com o eixo tá ou não perfurado na sua parte central; mecânico do movimento; -ligamento estemoc1avicular (4), ligamento - as duas cruzes representam as posições superior da articulação, está recoberto por extremas da inserção clavicular do liga- cima pelo ligamento interclavicular (5). mento costoclavicular. - Metade esquerda: "istaanterior que mostra: No quadro: corte no nível do ligamento -ligamento costoc1avicular (1) e o múscu- costoclavicular mostrando sua tensão nas posi- lo subclávio (2); ções extremas. - eixo X, horizontal e levemente oblíquo - a anteposição está limitada pela tensão do para a frente e para fora, se corresponde ligamento costoclavicular e do ligamento com os movimentos da clavícula no pla- anterior (1); no vertical. Amplitude: elevação 10 cm; - a retroposição está limitada pela tensão do descenso 3 cm; ligamento costoclavicular e do ligamento - o eixo Y, localizado no plano vertical, posterior (2). oblíquo para baixo e levemente para fo- Movimentos da clavícula no plano frontal ra, passando pela parte média do liga- (fig. 1-49, vista anterior) mento costoclavicular, se corresponde - a cruz se corresponde com o eixo X; com os movimentos da clavícula no pla- - quando a porção externa da clavícula se no horizontal. Amplitude: eleva (traço escuro), sua porção interna se • anteposição da porção externa da cla- desliza para baixo e para fora (seta bran- vícula: 10 cm; ca). O movimento está limitado pela ten- • retroposição da porção interna da cla- são do ligamento costoclavicular (faixa vícula: 3 cm. tracejada) e pelo tônus do músculo sub- Do ponto de vista estritamente mecânico, o clávio (seta grande estriada); verdadeiro eixo (Y') deste movimento é paralelo - quando a clavícula descende, a sua porção ao eixo Y; mas está situado por dentro da articula- interna se eleva. O movimento está limi- ção (ver eixo 1, figo 1-45). tado pela tensão do ligamento superior e - também existe um terceiro movimento, pelo contato da clavícula com a superfí- a rotação longitudinal da clavícula de cie superior da primeira costela.
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    1. MEMBRO SUPERIOR 57 Fig.1-47 2 Fig.1-48 y' Fig.1-49
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    58 FISIOLOGIA ARTICULAR A ARTICULAÇÃO ACRÔMIO-CLA VICULAR Em vista póstero-externa da articulação - a existência de uma cápsula reforçada acrômio-clavicular (fig. l-50) estão separados por cima por um potente ligamento artificialmente a escápula e a clavícula, uma da acrômio-clavicular (15); , outra. De tal modo que podemos observar: - a presença - num terço dos casos - de - a espinha da escápula (1) prolongada uma fibrocártilagem interarticular (11) para fora pelo acrômio (2) que possui que restabelece a congruência das su- uma superfície articular plana e ligeira- perfícies articulares. É excepcional que mente convexa na sua margem ântero- esta fibrocartilagem chegue a constituir interna - esta articulação é uma artró- um me'nisco completo; dia ~ orientada para a frente, para den- - a obliqÜidade do plano articular: a claví- tro e para cima; cula está como "pousada" sobre o acrô- - a clavícula (3), cuja porção extema está nuo. seccionada à custa de sua superfície in- A vista anterior do processo coracóide direi- ferior por uma superfície articular (5) to (fig. l-51) permite observar ligamentos córaco- plana ou ligeiramente convexa "orienta- c1aviculares. da" para baixo, para trás e para fora; - o ligamento conóide (C), que se insere - da base do processo coracóide (6) par- no vértice da dobra do processo coracói- tem dois potentes ligamentos: de, com forma de leque de vértice infe- • o ligamento conóide (7) que se insere rior, situado no plano frontal; na superfície inferior da clavícula no - o ligamento trapezóide (T), que se insere tubérculo conóide, próximo a sua mar- na margem intema do segmento horizon- gem posterior; tal do processo, dirigindo-se para cima e • o ligamento trapezóide (8) que se diri- para fora, lâmina fibrosa com forma de ge obliquamente para cima e para fora, quadrilátero, orientada obliquamente de em direção à tuberosidade coracóide, tal maneira que a sua superfície ântero-in- zona mgosa e triangular que prolonga o tema esteja dirigida para dentro, para a tubérculo conóide para a frente e para frente e para cima e a sua superfície póste- fora, na superfície inferior da clavícula; ro-externa para trás, para fora e para baixo. - fossa supra-espinhal (9) e cavidade gle- A margem posterior do ligamento trapezóide nóide (10). faz contato com o ligamento conóide e, em geral, O plano vertical P secciona a articulação no nível de sua margem externa. acrômio-clavicular pela sua parte média. Este Estes ligamentos estão dispostos em dois corte representado no quadro permite localizar planos mais ou menos perpendiculares e formam os diferentes elementos já descritos e, além dis- um ângulo diedro aberto para a frente e para so, observar: dentro.
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    58 FISIOLOGIA ARTICULAR A ARTICULAÇÃO ACRÔMIO-CLA VICULAR Em vista póstero-externa da articulação - a existência de uma cápsula reforçada acrômio-cIavicular (fig. l-50) estão separados por cima por um potente ligamento artificialmente a escápula e a clavícula, uma da acrômio-cIavicular (15); , outra. De tal modo que podemos observar: - a presença - num terço dos casos - de - a espinha da escápula (I) prolongada uma fibrocdrtilagem interarticular (11) para fora pelo acrômio (2) que possui que restabelece a congruência das su- uma superfície articular plana e ligeira- perfícies articulares. É excepcional que mente convexa na sua margem ântero- esta fibrocartilagem chegue a constituir interna - esta articulação é uma artró- um me·nisco completo; dia - orientada para a frente, para den- - a obliqÜidade do plano articular: a claví- tro e para cima; cula está como "pousada" sobre o acrô- - a clavícula (3), cuja porção externa está mIO. seccionada à custa de sua superfície in- A vista anterior do processo coracóide direi- ferior por uma superfície articular (5) to (fig. l-51) permite observar ligamentos córaco- plana ou ligeiramente convexa "orienta- claviculares. da" para baixo, para trás e para fora; - o ligamento conóide (C), que se insere - da base do processo coracóide (6) par- no vértice da dobra do processo coracói- tem dois potentes ligamentos: de, com forma de leque de vértice infe- • o ligamento conóide (7) que se insere rior, situado no plano frontal; na superfície inferior da clavícula no - o ligamento trapezóide (T), que se insere tubérculo conóide, próximo a sua mar- na margem interna do segmento horizon- gem posterior; tal do processo, dirigindo-se para cima e • o ligamento trapezóide (8) que se diri- para fora, lâmina fibrosa com forma de ge obliquamente para cima e para fora, quadrilátero, orientada obliquamente de em direção à tuberosidade coracóide, tal maneira que a sua superfície ântero-in- zona rugosa e triangular que prolonga o tema esteja dirigida para dentro, para a tubérculo conóide para a frente e para frente e para cima e a sua superfície póste- fora, na superfície inferior da clavícula; ro-externa para trás, para fora e para baixo. - fossa supra-espinhal (9) e cavidade gle- A margem posterior do ligamento trapezóide nóide (10). faz contato com o ligamento conóide e, em geral, O plano vertical P secciona a articulação no nível de sua margem externa. acrômio-clavicular pela sua parte média. Este Estes ligamentos estão dispostos em dois corte representado no quadro permite localizar planos mais ou menos perpendiculares e formam os diferentes elementos já descritos e, além dis- um ângulo diedro aberto para a frente e para so, observar: dentro.
  • 60.
    1. MEMBRO SUPERIOR 59 Fig. 1-50 c T Fig.1-51
  • 61.
    60 FISIOLOGIA ARTICULAR A ARTICULAÇÃO ACRÔMIO-CLAVICULAR (continuação) Em vista póstero-externa da articulação - superficialmente se localiza a camada acrômio-clavicular direita (fig. 1-52, segundo aponeurótica do deltóide e do trapézio, Rouviere) não representada no desenho, constituí- - o plano superficial do ligamento acrô- da por fibras aponeuróticas que unem as fibras musculares do deltóide e do trapé- mio-clavicular (11) está seccionado zio. Esta formação recentemente descri- para mostrar o seu plano profundo que ta desempenha um papel importante na reforça a cápsula; coaptação da articulação, e é o único fa- - além dos ligamentos conóide (7) e tra- tor limitante da amplitude da luxação pezóide (8), podemos observar o liga- acrômio-clavicular. mento córaco-clavicular interno (12), A clavícula aparece "em laço" na sua por- também denominado ligamento bicor- ção interna (fig. l-53, vista inferior-externa, se- ne de CALDANI; gundo Rouviere). Podemos observar novamen- - o ligamento acrômio-coracóide (13), te os elementos antes descritos e o ligamento que não tem ação mecânica, contribui- coracóide (14) que se estende de uma margem para formar o canal do supra-espinhal a outra da incisura coracóide, carente de ação (ver fig. 1-49); mecânica.
  • 62.
    1. MEMBRO SUPERIOR 61 Fig.1-52 Fig.1-53
  • 63.
    62 FISIOLOGIA ARTICULAR FUNÇÃO DOS LIGAiVIENTOS CÓRACO-CLAVICULARES Vista superior esquemática da articulação caso de urna pá de debulhadeira no ex- acrômio-clavicular (fig. 1-54) que mostra a fun- tremo do cabo. ção do ligamento conóide: Podemos có'mprovar a tensão dos liga- - em pontilhado, a escápula vista desde mentos conóide (faixa tracejada) e trapezóide Cima; (pontilhado). A amp1itude desta rotação (30°) se sorna à rotação de 30° da articulação ester- - em traços descontínuos, a silhueta da cla- nocostoclavicular para possibilitar os 60° de vícula em posição de partida; amplitude dos movimentos de "sino" da escá- - em traços contínuos, posição extrema da pula. clavlcula. Um estudo recente realizado por Fischer e Este desenho mostra como quando o ângulo co1s. demonstra, graças a uma série de fotogra- formado pela clavícula e a escápula se abre, o li- fias, a complexidade dos movimentos da arti- gamento conóide (as duas faixas tracejadas repre- culação acrômio-clavicular, artródia debilmen- sentam a suas duas posições sucessivas) está ten- te encaixada. so e limita o movimento. Durante a abdução, tornando como ponto Uma vista semelhante (fig. l-55) mostra a de referência fixo a escápula, podemos com- função do ligamento trapezóide. provar: Quando o ângulo formado pela clavícula e a - urna elevação de 10° da porção interna escápula sefecha, o ligamento trapezóide está ten- da clavícula; so e limita o movimento. - urna abertura até 70° do ângulo escápu- O movimento de rotação axial na articu- lo-clavicular; lação acrômio-clavicular (fig. 1-56) se vê com - e urna rotação longitudinal de 45° da clareza nesta vista ântero-intema: clavícula para trás. - a cruz representa o centro de rotação da Durante a flexão os movimentos elemen- articulação; tares são semelhantes, embora um pouco me- - os traços contínuos, a posição inicial da nos acentuados no que diz respeito à abertura escápula (cuja metade inferior foi remo- do ângulo escápulo-clavicular. vida); Durante a extensão, o ângulo escápulo- clavicular se fecha 10°. - a superfície tracejada representa a posi- ção final da escápu1a após ter osciJado Durante a rotação interna, o ângulo escá- na extremidade da clavícula, como no pulo-clavicular só se abre 13°.
  • 64.
    I. MEMBRO SUPERlOR 63 Fig.1-54 Fig.1-56
  • 65.
    64 FISIOLOGIA ARTICULAR MÚSCULOS MOTORES DA CINTURA ESCAPULAR Neste esquema do tórax (fig. l-57) a meta- • gira a escápula para baixo: a glenóide de direita representa uma vista posterior: fica orientada para baixo; 1) Trapézio: dividido em três porções cu- • fixa o ângulo inferior da escápula con- jas ações são diferentes: tra as costelas; a sua paralisia provoca um "descolamento" das escápulas. Porção superior (1); acrômio-clavicular. Ação: 3) Angular: direção oblíqua para cima e - eleva o coto do ombro, evita a sua para dentro. Ação (parecida 'com a dos rombóides): queda sob o peso de uma carga; - desloca o ângulo superior interno pa- - hiperlordose cervical + rotação da ca- ra cima (2 a 3 cm) e para dentro (ação beça para o lado contrário, quando de levantar os ombros). Contrai-se este fascículo toma o ombro como quando seguramos algo pesado. A ponto fixo. paralisia deste músculo provoca a Porção média (1'); espinhal. Direção queda do coto do ombro; transversal. Ação: - leve rotação da glenóide para baixo. - aproxima de 2 a 3 cm a margem inter- 4) Serrátil anterior: (Yer figo l-58). na da escápula à linha dos processos es- pinhosos, encaixa a escápula no tórax; A metade esquerda (fig. l-57) representa uma vista anterior. - desloca o coto do ombro para trás. 5) Peitoral menor: direção oblíqua para Porçcio inferior (1 "). Direção oblíqua baixo, para frente e para dentro. Ação: para baixo e para dentro. Ação: - descende o coto do ombro, deslocan- - desloca a escápula para baixo e para do a glenóide para baixo. Esta ação é dentro. exercida, por exemplo, nos movi- Contração simultânea das três porções: mentos que realizamos nas barras paralelas; - desloca a escápula para dentro e para trás; - desliza a escápula para fora e para a - gira a escápula para cima (20°): desem- frente, descolando a sua margem pos- penha um modesto papel na abdução, terior. embora importante na hora de levar car- gas pesadas; 6) Subclávio: direção oblíqua para baixo e para dentro, quase paralela à clavícula. - impede a queda do braço e o descola- Ação: mento da escápula. - descende a clavícula e, portanto, o 2) Rombóide: direção oblíqua para cima e coto do ombro; para dentro. Ação: - encaixa a porção interna da clavícula - desloca o ângulo inferior para cima e contra o manúbrio esternal de manei- para dentro, de maneira que: ra que coapta a articulação ester- • eleva a escápula; nocostoclavicular.
  • 66.
    1. lIEMBRO SUPERIOR 65 Fig. 1-57
  • 67.
    66 FISIOLOGIA ARTICuLAR MÚSCULOS MOTORES DA CINTURA ESCAPULAR (continuação) No esquema do tórax visto de perfil (fig. te de cargas pesadas, mas só quando a l-58), podemos observar com nitidez o mús- abdução do braço ultrapassa os 30° (é o culo serrátil anterior com as suas duas por- caso de transporte de um balde cheio de ções: água). - porção superior: direção geral horizon- Neste corte horizontal do tórax (fig. l-59), tal para frente. Ação: podemos observar: o dirige a escápula de 12 a 15 cm para a - do lado esquerdo: ação dos músculos frente e para fora, ao mesmo tempo que trapézio (porção média), angular, rom- a impede de retroceder quando empurra- bóides, todos eles adutores da escápula: mos um objeto pesado para a frente a aproximam da linha média. Também são, em conjunto (com exceção da por- (prova de paralisia: ao realizar esta ação ção inferior do trapézio), elevadores da a margem interna se "descola"); escápula; - porção inferior: direção geral oblíqua - do lado direito: ação dos músculos ser- para a frente e para baixo. Ação: rátil anterior e peitoral menor como ab- • realiza a basculação da escápula para ci- dutores da escápula: a afastam da linha ma: a glenóide tem a tendência a se média. Por outro lado, o peitoral menor orientar para a frente. Esta ação inter- e o subc1ávio descendem pela cintura es- vém na flexão, na abdução, no transpor- capular.
  • 68.
    I. MEMBRO SUPERIOR 67 Fig.1-58 Fig.1-59
  • 69.
    68 FISIOLOGIA ARTICULAR o SUPRA-ESPINHAL E A ABDUÇÃO o canal do supra-espinhal (representado que se estende da fossa supra-espinhal até a tu- por uma estrela) comunica a fossa supra-es- berosidade maior do úmero, se desliza por baixo pinhal com a região subdeltóide (fig. 1-60, vista do ligamento acrômio-coracóide. externa da escápula) e está limitada: Os quatro músculos responsáveis da ab- - por trás, pela espinha da escápula e do dução, esquematizados (fig. 1-61) numa vista acrômio; posterior da escápula e do úmero, são os - pela frente, pelo processo coracóide; seguintes: - por cima, pelo ligamento acrômio-cora- • o deltóide; cóide. Acrômio, ligamento e coracóide constituem uma abóbada ósteo-liga- • o supra-espinhal; estes dois músculos for- mentar: a abóbada acrômio-coracóide. mam um par funcional, motor da abdu- ção da articulação escápulo-umeral; Este canal do supra-espinhal forma um anel rígido e sem possibilidade de estender; se o ten- • o serrátil anterior; dão do músculo aumenta em volume, devido a • o trapézio; estes dois músculos formam uma cicatriz ou um processo inflamatório, já não um par funcional, motor da abdução da pode-se deslizar pelo canal e se bloqueia. Se o articulação escápulo-torácica. nódulo consegue vencer a dificuldade, o movi- mento de abdução pode continuar com um res- Sem representar no esquema, mas não por salto: é o fenômeno, não muito freqüente, do isso menos úteis para a abdução segundo con- ombro em ressalto. ceitos recentes, participam também os músculos Nas perfurações da bainha rotatória, o ten- subescapular, infra-espinhal e redondo menor. dão do supra-espinhal degenerado e roto já não Deslocam a cabeça umeral para baixo e· para se interpõe entre a cabeça umeral e a abóbada. O dentro, formando junto com o deltóide um se- contato direto da cabeça umeral e da abóbada gundo par funcional responsável pela abdução acrômio-coracóide durante a abdução é, para da articulação escápulo-umeral. muitos autores contemporâneos, a causa das do- Por último, o tendão da porção longa do bí- res da "síndrome de ruptura da bainha". ceps é também motor da abdução, já que a sua Em vista ântero-superior da escápula (fig. ruptura produz uma perda de 20% da força da 1-62), podemos observar como o supra-espinhal, abdução.
  • 70.
    1. MEMBRO SUPERIOR 67 Fig.1-58 J I I I I I I I I I 1~ I Fig.1-59
  • 71.
    68 FISIOLOGIA ARTICULAR o SUPRA-ESPINHAL E A ABDUÇÃO o canal do supra-espinhal (representado que se estende da fossa supra-espinhal até a tu- por uma estrela) comunica a fossa supra-es- berosidade maior do úmero, se desliza por baixo pinhal com a região subdeltóide (fig. 1-60, vista do ligamento acrômio-coracóide. externa da escápula) e está limitada: Os quatro músculos responsáveis da ab- - por trás, pela espinha da escápula e do dução, esquematizados (fig. 1-61) numa vista acrômio; posterior da escápula e do úmero, são os - pela frente, pelo processo coracóide; seguintes: - por cima, pelo ligamento acrômio-cora- • o deltóide; cóide. Acrômio, ligamento e coracóide constituem uma abóbada ósteo-liga- • o supra-espinhal; estes dois músculos for- mentar: a abóbada acrômio-coracóide. mam um par funcional, motor da abdu- ção da articulação escápulo-umeral; Este canal do supra-espinhal forma um anel rígido e sem possibilidade de estender; se o ten- • o serrátil anterior; dão do músculo aumenta em volume, devido a • o trapézio; estes dois músculos formam uma cicatriz ou um processo inflamatório, já não um par funcional, motor da abdução da pode-se deslizar pelo canal e se bloqueia. Se o articulação escápulo-torácica. nódulo consegue vencer a dificuldade, o movi- mento de abdução pode continuar com um res- Sem representar no esquema, mas não por salto: é o fenômeno, não muito freqÜente, do isso menos úteis para a abdução segundo con- ombro em ressalto. ceitos recentes, participam também os músculos Nas perfurações da bainha rotatória, o ten- subescapular, infra-espinhal e redondo menor. dão do supra-espinhal degenerado e roto já não Deslocam a cabeça umeral para baixo e· para se interpõe entre a cabeça umeral e a abóbada. O dentro, formando junto com o deltóide um se- contato direto da cabeça umeral e da abóbada gundo par funcional responsável pela abdução acrômio-coracóide durante a abdução é, para da articulação escápulo-umeral. muitos autores contemporâneos, a causa das do- Por último, o tendão da porção longa do bí- res da "síndrome de ruptura da bainha". ceps é também motor da abdução, já que a sua Em vista ântero-superior da escápula (fig. ruptura produz uma perda de 20% da força da 1-62), podemos observar como o supra-espinhal, abdução.
  • 72.
    1. MEMBRO SUPERIOR 69 Fig.1-60 Fig.1-61 Fig.1-62
  • 73.
    70 FISIOLOGIA ARTICULAR FISIOLOGIA DA ABDUÇÃO À primeira vista, a fisiologia da abdução pula, isto é, com uma flexão de 30° ao redor de parece simples: é o resultado da ação de dois um eixo BB' (fig. 1-65) perpendicular ao plano músculos, o deltóide e o supra-espinhal. Contu- da escápula, quase todo o fascículo clavicular é, do, não existe uma opinião unânime sobre o pa- de aferência, abdutora. pel que desempenha cada um deles, nem sobre Os estudos eletromiográficos demons- as suas ações recíprocas. Recentes estudos ele- tram que as diferentes porções atuam sucessiva- tromiográficos realizados por J.J. Comtet e Y. mente à medida que a abdução progride, com Auffray (1970) aportam uma nova visão a res- um intervalo de tempo maior quanto mais adu- peito. toras sejam no início do movimento, como se Papel do deltóide fossem dirigidas pôr um quadro de comandos. Para Fick (1911) podemos distinguir sete Por isso, as porçõe.s abdutoras não estão porções funcionais no deltóide (fig. 1-65, corte restringidas pelas antagonistas. Neste caso se trata de um exemplo do fenômeno de inervação esquemático horizontal, parte inferior): recíproca de Sherrington. - fascículo anterior, clavicular, inclui dois: I e lI; Durante a abdução pura, a ordem de en- trada em ação é a seguinte: - fascículo médio, acromial, só um: III; - fascículo acromial III; - fascículo posterior, espinhal, quatro: IV, V, VI e VII. - porções IV e V quase imediatamente de- pOIS; Considerando estas porções com relação à - por último, a porção II a partir dos 20-30°. sua localização em função do eixo de abdução puro AA' (fig. 1-63, vista anterior e figo 1-64, Durante a abdução associada a uma fle- vista posterior), podemos comprovar que algu- xão de 30°: mas delas são em princípio abdutoras, como é o - as porções III e II atuam imediatamente; caso de todo o fascículo acromial (III), a parte - as porções IV e V cada vez mais tarde. mais externa da porção II do fascículo clavicular como a porção L e a porção IV do fascículo espinhal, porque es- tão situadas por fora do eixo (fig. 1-65). Pelo Quando a rotação externa do úmero se contrário, as outras restantes (I, V, VI e VII) são associa com a abdução: adutoras quando o membro superior pende ao - a porção II se contrai desde o primeiro longo do corpo. Por isso, estas porções do del- momento; tóide são antagonistas das primeiras. Elas vão, - as porções IV e V nem sequer intervêm se convertindo em abdutoras à medida que o no fim da abdução. movimento de abdução as desloca para fora do eixo sagital. De maneira que, no que se refere a Quando a rotação interna do úmero se estas porções, podemos ver uma inversão de sua associa com a abdução: ação dependendo da posição de início do movi- - se observa o mecanismo inverso. mento. De todas as maneiras, algumas permane- Em resumo, o deltóide, ativo desde o iní- cem como adutoras (VI e VII) seja qual for o cio da abdução, pode realizar a abdução sozinho grau de abdução. até a sua máxima amplitude. A sua atividade Em linhas gerais, Strasser (1917) está de máxima se estabelece ao redor dos 90° de abdu- acordo com este conceito, embora ressalte que, ção. Para Inman, sua força seria equivalente a no caso da abdução realizada no plano da escá- 8,2 vezes o peso do membro superior.
  • 74.
    1. MEMBRO SUPERIOR 71 Fig.1-63 Fig.1-64 Fig.1-65
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    72 FISIOLOGIA ARTICULAR FISIOLOGIA DA ABDUÇÃO (continuação) Papel dos músculos rotadores realizar a abdução, nem sequer para iniciá-la Depois de fazer com que a sinergia deltói- isoladamente abdução; o deltóide não é sufi- de supra-espinhal desempenhe um papel impor- ciente para obter uma abdução completa. tante, inclusive fundamental, parece agora que Contudo, e ao contrário, o supra-espinhal é os outros músculos da bainha são indispensáveis capaz de realizar uma abdução da mesma am- para a eficácia do deltóide (Inman). plitude que a do deltóide (experiência de excita- De fato, durante a abdução (fig. 1-66), a de- ção elétrica de Duchenne de Boulogne e obser- composição da força do deltóide D provoca a vações clínicas da :earalisia isolada do deltóide). aparição de um componente longitudinal Dr, A eletromiografia demonstra que ele se con- que, diminuído do componente longitudinal Pr trai ao longo de toda a abdução e que a sua ativi- do peso P do membro superior (atuando sobre o dade máxima aparece aos 90° de abdução, como centro de gravidade), se aplica como força R ao no caso do deltóide. centro da cabeça umeral. Contudo, esta força R No início da abdução (fig. 1-67) o seu com- pode, por sua vez, se decomponer em uma força ponente tangencial Et é proporcionalmente mais Rc que encaixa a cabeça na glenóide, e em oura forte que o do deltóide Dt, embora o seu braço de força Ri, mais potente, que tem a tendência de alavanca seja mais curto. O seu componente ra- provocar uma luxação para cima e para fora. Se dial Er encaixa com força a cabeça umeral sobre os músculos rotadores (infra-espinhal, subesca- a g1enóide e contribui vigorosamente para evitar a pular, redondo menor) se contraem neste preci- sua luxação para cima e sob ação do componente so momento, a sua força global Rm se opõe di- radial Dr do deltóide. Assim sendo, desempenha retamente ao componente de luxação Ri e a ca- um papel coaptador idêntico ao dos músculos ro- beça não pode luxar-se para cima e para fora tadores. De igual maneira, provoca a tensão da (quadro em destaque). Desta maneira, a força parte superior da cápsula e se opõe à subluxação descendente Rm dos músculos rotadores cria, inferior da cabeça umeral (Dautry e Gosset). com a força de elevação Dt do deltóide, um par de rotação que dá origem à abdução. A força dos Desse modo, o supra-espinhal é sinérgico músculos rotadores é máxima aos 60° de abdu- dos outros musculos da bainha, os músculos ro- ção. A eletromiografia (Inman) confirma dita ati- tadores. Ajuda com força e eficácia ao deltóide vidade máxima no caso do infra-espinhal. que, quando atua isoladamente, se fatiga com ra- pidez. Papel do supra-espinhal Em resumo, a sua ação é ao mesmo tempo Até então, o músculo supra-espinhal era qualitativa sobre a copatação articular, e quanti- considerado como o iniciador da abdução (o tativa sobre a resistência e potência da abdução. "abductor starter" dos autores anglo-saxões). A A sua fisiologia, bastante simples, se opõe à do "deixada de escanteio" do supra-espinhal me- deltóide, já complexa por si mesma. Sem dar o diante bloqueio anestésico do nervo supra-esca- título de abductor-starter que teve até hoje, po- pular (B. Van Linge e l.D. Mulder) possibilita demos afirmar que é útil e eficiente principal- demonstrar que ele não é indispensável para mente no início da abdução.
  • 76.
    3. TRONCO ECOLUNA VERTEBRAL 71 13 6 10 11 12 4 5 2 4 3 4 3 2 5 Fig.2-27
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    72 FISIOLOGIA ARTICULAR INFLUÊNCIA DA POSIÇÃO SOBRE AS ARTICULAÇÕES DA CINTURA PÉLVICA Em posição ortostática simétrica, as arti- aparece um desnível (d) na margem superior de . culações da cintura pélvica são solicitadas pelo cada um dos púbis durante a marcha. Do mesmo peso do corpo. O mecanismo destas pressões se modo, se pode entender que as articulações sacro- pode analisar em uma vista lateral (fig. 2-29), na ilíacas se solicitem de forma oposta em cada pas- qual o osso ilíaco, supostamente transparente, so. A sua resistência aos movimentos se deve à permite ver o fêmur. O conjunto formado pela co- força dos seus ligamentos, mas quando uma das luna vertebral, sacro, osso ilíaco e membros infe- sacroilíacas está lesada por um deslocamento riores constitui um sistema articulado: por um la- traumático, aparecem movimentos que provocam do, na articulação coxofemoral e, por outro, na ar- dor em cada passo. A solidez mecânica do anel ticUlação sacroilíaca. O peso do tronco (seta P), pélvico condiciona assim tanto a posição ortostá- ao recair sobre a face superior da primeira vérte- tica quanto a marcha. bra sacral, tem a tendência de deslocar o promon- Em decúbito, as articulações sacroilíacas se tório para baixo. Portanto, o sacro é solicitado no solicitam de diferente maneira (fig. 2-33) depen- sentido da nutação (NJ Este movimento é rapi- dendo se os quadris estão em flexão (A) ou em damente limitado pelos ligamentos sacroilíacos extensão (B). anteriores, o freio de nutação, e principalmente, pelos dois ligamentos sacrociáticos que impedem Quando os quadris estão estendidos (fig. a separação do vértice do sacro com relação à tu- 2-32), a tração sobre os músculos flexores (seta berosidade isquiática. branca) bascula a pelve em anteversão, ao mes- mo tempo em que o vértice do sacro está impul- Simultaneamente, a reação do chão (seta R), sado para a frente. Produz-se uma diminução da transmitida pelos fêmures e exercida no nível das distância entre o vértice do sacro e a tuberosida- articulações coxofemorais, forma, com o peso do corpo sobre o sacro, um par de rotação, que tem de isquiática e, simultaneamente, uma rotação na a tendência de bascular o osso ilíaco para trás (se- sacroilíaca no sentido da contranutação (a seta 2 indica o movimento do osso ilíaco ao redor do ei- ta NJ Esta retroversão da pelve acentua mais a nutação nas articulações sacroilíacas. xo de nutação). Esta posição corresponde ao iní- cio do parto e a contranutação, que alarga a aber- Embora esta análise trate dos movimentos, tura superior da pelve, favorece a descida da ca- na verdade, deveria referir-se às forças que os beça letal em direção à escavação pélvica. provocam, visto que os movimentos são quase nulos; se trata mais de tendência de movimentos, Quando os quadris estão flexionados (fig. do que movimentos propriamente ditos, porque 2-31), a tração dos músculos ísquio-tibiais (seta I) os sistemas ligamentares são extremamente po- tem a tendência de bascular a pelve em retrover- tentes e impedem imediatamente qualquer deslo- são com relação ao sacro. Isto constitui, então, um camento. movimento de nutação (a seta 1 indica o movi- mento do osso ilíaco com relação ao sacro); este Em apoio monopodal (fig. 2-30), e em cada movimento diminui o diâmetro ântero-posterior passo durante a marcha, a reação do chão (seta R), transmitida pelo membro que suporta o peso, da abertura superior da pelve e aumenta os dois diâmetros da abertura inferior da pelve. Esta posi- levanta a articulação coxofemoral corresponden- te, enquanto do outro lado, o peso do membro em ção adotada durante o momento expulsivo do par- to favorece, assim, a saída da cabeça letal duran- suspensão tem a tendência de fazer descer a coxo- femoral oposta. Isto provoca uma compressão em te a sua passagem pela abertura inferior da pelve. cisalhamento da sínfise púbica que apresenta a Durante a mudança de posição entre a exten- tendência de levantar o púbis do lado que suporta são e a flexão das coxas, a amplitude média do , o peso (A) e a descer o púbis do lado em suspen- deslocamento do promontório é de 5,6 mm. As são (B). Normalmente, a solidez da sínfise púbica mudanças de posição das coxas modificam, nota- impede qualquer deslocamento nesta articulação, velmente, as dimensões da escavação pélvica pa- porém quando está deslocada, se pode ver como ra facilitar a passagem do feto durante o parto.
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    1. MEMBRO SUPERIOR 73 Pr Fig.1-67
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    74 FISIOLOGIA ARTICULAR AS TRÊS FASES DAABDUÇÃü Primeira fase da abdução (fig. 1-68): de O - os músculos motores desta segunda fase a 90° são: Os músculos motores desta primeira fase • o trapézio (3 e 4); são principalmente: • o serrátil anterior (5). - deltóide (1); Constituem o par ~bdutor da articulação es- - supra-espinhal (2). cápulo-torácica. Estes dois músculos formam o par da abdu- O movimento está limitado perto dos 150° ção da articulação escápulo-umeral. De fato, nes- (90° + 60° de amplitude do mo"imento pendular ta articulação é onde se inicia o movimento de da escápula) pela resistência dos músculos adu- abdução. Esta primeira fase finaliza perto dos tores: grande dorsal e peitoral maior. 90°, quando a articulação escápulo-umeral se bloqueia devido ao impacto da tuberosidade Terceira fase da abdução (fig. 1-70): de maior do úmero contra a margem superior da 150° a 180° glenóide. A rotação externa, e também uma ligei- É necessário que a coluna vertebral parti- ra ftexão, desloca a tuberosidade maior do úme- cipe deste movimento para chegar à vertical. ro para trás e atrasa dito bloqueio. Com Steind- ler, podemos considerar que a abdução associada Se só um braço realiza a abdução, basta com uma ftexão de 30° no plano do corpo da es- uma inclinação lateral sob ação dos músculos cápula é a verdadeira abdução fisiológica. espinhais do lado contrário (6). Segunda fase da abdução (fig. 1-69): de Se os dois braços realizam a abdução, não 90 a 150° podem estar paralelos se não estiverem emfte- xão máxima. Para chegar à vertical é necessária Com a articulação escápulo-umeral blo- uma hiperlordose lombar, também sob depen- queada, a abdução só pode continuar graças à dência dos músculos espinhais. participação da cintura escapular: Esta descrição da abdução em três fases é, - movimento pendular da escápula, rota- ção no sentido inverso aos ponteiros do naturalmente, esquemática: em realidade, as relógio (no caso da escápula direita) que participações musculares estão inter-relaciona- dirige a glenóide mais diretamente para das e "encadeadas intimamente"; é fácil com- cima; sabemos que a amplitude deste provar que a escápula começa um "giro" antes movimento é de 60°; que o membro superior chegue a uma abdução de 90°. Igualmente, a coluna vertebral começa a - movimento de rotação longitudinal, do se inclinar antes de chegar a uma abdução de ponto de vista mecânico, das articula- 150°. ções esternocostoclavicular e acrômio- clavicular, cuja amplitude de movimen- No fim da abdução, todos os músculos mo- to é de 30° cada uma; tores da abdução estão contraídos.
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    1. MEMBRO SUPERIOR 75 J I) Fig.1-69 Fig.1-68 / Fig.1-70 (
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    76 FISIOLOGIA ARTICULAR AS TRÊS FASES DAFLEXÃO Primeira fase da flexão (fig. 1-71): de 0° a cular e acrômio-clavicular, cuja ampli- 50-60° tude é de 30° cada uma. Os músculos motores desta primeira fase são: Os músculos motores são os mesmos que - fascículo anterior, c1avicular, do del- participam da abdução: tóide (1); - trapézio (4 e 5); - córaco-braquial (2); - serrátil anterior. - fascículo superior, clavicular, do peito- Esta flexão escápulo-umeral está limitada ral maior (3). pela resistência do músculo grande dorsal e da Estafiexão está limitada na articulação es- porção inferior do peitoral maior. cápulo-umeral por dois fatores: Terceira fase da flexão (fig. 1-73): de 120° a 180° - a tensão do ligamento córaco-umeral (ver figo 1-30, c); O movimento de flexão está bloqueado pe- - a resistência dos músculos redondo me- la articulação escápulo-umeral e a intervenção nor, redondo maior e infra-espinhal. da coluna vertebral na escápulo-torácica é ne- cessária. Segunda fase da flexão (fig. 1-72): de 60° a 120° Se a flexão é unilateral, é possível finalizar o movimento realizando uma abdução máxima Função da cintura escapular: do braço e, a seguir, uma inclinação lateral da - rotação da escápula 60° mediante um coluna. movimento pendular que orienta a gle- Se a flexão é bilateral, o fim do movimen- nóide para cima e para a frente; to é idêntico ao da abdução associada a uma - rotação axial, do ponto de vista mecâni- hiperlordose por ação dos músculos lombares co, das articulações esternocostoc1avi- (7).
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    1. J'lEMBRO SUPERIOR 77 Fig.1-71 Fig.1-72 Fig.1-73
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    78 FISIOLOGIA ARTICULAR MÚSCULOS ROTADORES a) Vista superior esquemática (Fig. 1-74) Observe-se que, embora estes dois músculos da articulação escápulo-umeral, que mostra os possuam um nervo diferente (nervo supra-escapu- músculos rotadores; lar no caso do infra-espinhal e nervo circunflexo b) Rotadores internos (desenho): no caso do redondo menor), ambos os nervos têm origem na mesma raiz (Cs) do plexo braquial, de 1) grande dorsal; maneira que podem paralisar-se simultaneamente 2) redondo maior; nos alongamentos do plexo braquial nas quedas 3) subescapular; sobre o coto do ombro (acidente de motocicleta). 4) peitoral maior. Mas a rotação da articulação escápulo- umeral não é suficiente para completar a máxi- c) Rotadores externos (desenho): ma rotação do membro superior: é necessário 5) infra-espinhal; acrescentar modificações na orientação da escá- 6) redondo menor. pula (e da glenóide) durante os movimentos de translação lateral da articulação (ver figo 1-37); Diante da quantidade e da potência dos rota- esta mudança de orientação de 40° a 45° aumen- dores internos, os rotadores externos são fracos; ta. na mesma medida, a amplitude da rotação. contudo, são indispensáveis para a correta utiliza- Os músculos motores são: ção do membro superior, porque só eles podem afastar a mão da superfície anterior do tronco, - no caso da rotação externa (adução da deslocando-a para a frente e para fora; este movi- escápula): rombóide e trapézio; mento da mão direita de dentro para fora é im- - no caso da rotação interna (abdução da es- prescindível para a escritura. cápula): serráti1anterior e peitoral menor.
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    1. MEMBRO SUPERIOR 79 5 6 2 , b c Fig.1-74
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    80 FISIOLOGIA ARTICULAR AADUÇÃO E A EXTENSÃO Os músculos adutores são representados A contraç~o do grande dorsal, músculo em vista anterior (fig. 1-75) e em vista póstero- adutor muito potente, tende a luxar a ca- externa (fig. 1-76). beça umeral para baixo (seta preta); Números comuns para ambas as figuras: A porção longa do tríceps, que é ligeira- (1) redondo maior; mente adutora, quando se contrai simul- taneamente, se opõe a esta luxação e ele- (2) grande dorsal; va a cabeça umeral (seta branca). (3) peitoral maior; Os músculos extensores estão representa- (4) rombóide. dos em vista póstero-extema (fig. 1-77). No quadro: esquemas que explicam o fun- Extensão da articulação escápulo-wne- cionamento dos dois pares musculares da adução: ral: a) par rombóide (1) redondo maior (2) - redondo maior (1); A ação sinérgica destes dois músculos é - redondo menor (5); indispensável para a adução. De fato, se o redondo maior se contrai sozinho, o - porção posterior, espinhal, do deltóide (6); membro superior resiste à adução e a es- - grande dorsal (2). cápula gira para cima sobre o seu eixo Extensão da articulação escápulo-toráci- (representado por uma cruz). ca, por adução da escápula: A contração do rombóide evita esta rota- - rombóide (4); ção e possibilita a ação adutora do re- dondo maior. - porção média, transversal, do trapézio (7); b) par porção longa do tríceps (4) grande dorsal (3) - grande dorsal (2).
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    82 FISIOLOGIA ARTICULAR FLEXÃO-EXTENSÃO Anatomicamente O cotovelo só contém - a f1exão-extensão, que precisa da ação uma articulação: de fato, só existe uma cavidade de duas articulacões: articular. • a articulação úmero-ulnar; Contudo, a fisiologia permite distinguir • a articulação úmero-radial. duas funções diferentes: Neste capítulo, será analisada únIca e - a pronação-supinação, que envolve a exclusivamente a função da FLEXÃO- articulação rádio-ulnar superior; EXTENSÃO.
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    84 FISIOLOGIA ARTICULAR o COTOVELO: ARTICULAÇÃO DE SEPARAÇÃO E APROXIMAÇÃO DA MÃO o cotovelo é a articulação intermédia do o cotovelo constitui junto com o braço e o membro superior: ao realizar a união mecânica antebraço um compasso (fig. 2-2, a) que possi- entre o primeiro segmento - o braço - e o segun- bilita a aproximação, até quase tocar, do punho do - o antebraço - do membro superior, possi- P ao ombro O (a distância que os separa é o que bilita, orientado nos três planos do espaço mede o punho), de maneira que a mão chega graças ao ombro, deslocar mais ou menos longe com facilidade ao ombro e à boca. Na mon- do corpo a sua extremidade ativa: a mão. tagem telescópica (fig. 2-2, b) a mão não pode O homem pode levar os alimentos à boca alcançar a boca porque o comprimento mínimo graças à flexão do cotovelo. Quando pegamos é a soma da longitude L de um segmento e da um alimento com extensão-pronação (fig. 2-1), coaptação necessária para manter a rigidez da este é levado à boca mediante um movimento montagem. No caso do cotOelo, a solução tipo de flexão-supinação; assim sendo, podemos "compasso" é mais lógica e melhor em com- afirmar que o bíceps é o músculo da alimen- paração com a do tipo "telescópico", supondo tação. que esta última seja viável.
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    1. 11EMBRO SUPERIOR 85 Fig.2-1 a Fig.2-2 . b
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    86 FISIOLOGIA ARTICULAR AS SUPERFÍCIES ARTICULARES (as explicações são as mesmas para todas as figuras) No nível da porção inferior do úmero: por cima, com o bico do olécrano (11), duas superfícies articulares (figo 2-3, segundo por baixo e pela frente com o bico do Rouviere): processo coronóide (12); a cada lado da - a tróclea umeral (2), em forma de polia crista,. que se corresponde com a gar- ou diabolô (fig. 2-3, a), com urna gargan- ganta da tróclea, se localizam duas ver- ta que se localiza no plano sagital, entre tentes côncavas (13), que se correspon- duas "superfícies articulares" convexas; dem com as "superfícies articulares" trocIeares. A forma geral desta superfí- - côndilo umeral, superfície esférica (3), cie articular é_,comparáve1(fig. 2-4, b) à situada por fora da tróclea. superfície de urna prancha de ferro on- Podemos comparar o conjunto côndilo-tró- dulada, da que só.tomamos um elemen- elea com a associação (figo2-4) de um diabolô e to (seta branca): uma nervura (10) e de wna bola, atravessados por um mesmo eixo. dois canais (11). Este eixo representa - numa primeira aproxima- - a abóbada radial (fig. 1-3), superfície su- ção - o eixo de flexão-extensão do cotovelo. perior da cabeça radial, cuja concavidade São necessárias duas observações: (14) possui a mesma curva que o côndilo - o côndilo não é uma esfera completa, (3) sobre a qual se adapta. Está limitada mas sim uma hellliesfera (a metade an- por uma margem (ver pág. 93) que se ar- ticula com a zona côndilo-troclear. terior da esfera) "localizada" pela frente da porção inferior do úmero. Conse- Estas duas superfícies constituem um con- qÜentemente, o côndilo, ao contrário da junto único graças ao ligamento anular (16). tróclea, não existe na parte posterior; se interrompe na extremidade inferior do As figuras 2-5 e 2-6 mostram o encaixe das osso sem ascender para trás; superfícies articulares. Figura 2-5, vista ante- rior (lado direito) com: a fosseta coronóidea (5) - no espaço (4) situado entre o côndilo e a por cima da tróclea, e a fosseta supracondilar tróc1ea (figo 2-4), existe urna zona de (6), a epitróclea (7) e o epicôndilo (8). Figura 2- transição, a superfície ou canal côndilo- 6, vista posterior (lado esquerdo), que também trodear (figo 2-3), com forma de cone mostra a fosseta olecraniana (17) receptora do cuja base maior se apóia na superfície bico do olécrano (20). articular externa da tróclea. Mais adian- te esclareceremos a utilidade desta zona Na secção vértico-frontal da articulação côndilo-troclearo (fig. 2-7, segundo Testut), podemos observar co- rno a cápsula (17) constitui só urna cavidade arti- No nível da porção superior dos dois os- cular para duas articulações funcionais: (fig. 2~8, sos do antebraço, duas superfícies correspon- corte esquemático) a articulação de flexão-exten- dentes: são (traços verticais) com a interlinha trócleo-ul- - a grande cavidade sigmóide da ulna nar (18) (fig. 2-7) e a interlinha côndilo-radial (19) (fig. 1-3) que se articula com a tróc1ea, e a articulação rádio-ulnar superior (traços hori- de modo que a sua conformação é in- zontais) no caso da pronação-supinação. Também versa, isto é, que apresenta urna crista podemos distinguir o bico do olécrano (11) que, romba longitudinal (10) que finaliza, na extensão, ocupa a fosseta olecraniana.
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    2 8 13 14 15 12 16 b Fig.2-4 Fig.2-5 Fig.2-3 14 .ltlflUJJ//~ "'('111.·':~,i~~ 20 8 1 Fig.2-8 18 17 ~~ Fig.2-6
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    88 FISIOLOGIA ARTICULAR A PALETA UMERAL Denomina-se paleta umeral à porção infe- junto articular côndilo-troclear. Esta estmtura rior do úmero (fig. 1-12, vista anterior e figo2- em forquilha é a que faz a redução tão delicada 13, vista posterior), plana de diante para trás e e, principalmente, a correta imobilização das em cuja margem inferior se localizam as super- fraturas da porção inferior do úmero. fícies articulares, tróclea e côndilo. 2) a paleta umeral, em conjunto, se encon- É importante conhecer a estrutura e a forma tra deslocada para a frente (fig.2-15, desta paleta umeral para compreender a fisiolo- a). O plano da paleta forma um ângulo gia do cotovelo. de aproximadamente 45° com o eixo da 1) a paleta umeral possui a estrutura de diáfise. Esta ..configuração tem uma con- uma forquilha que suporta entre os seus seqüência mecânica: toda a tróclea se si- dois ramos o eixo das superfícies articu- tua pela frente do eixo diafisário. lares (fig. 2-14), como se fosse uma for- Igualmente, a grande cavidade sigmóide quilha de bicicleta. da u/na, orientada para frente e para cima se- De fato, na sua parte central, a paleta ume- guindo um eixo inclinado 45° sobre a horizontal ral apresenta duas cavidades: (a), também se situa totalmente pela frente do - pela frente, a fosseta supratroclear, re- eixo diafisário da ulna. Isto está esquematizado ceptora do bico do processo coronóide em (b). durante a flexão (fig. 2-11); O deslocamento das superfícies articulares - por trás, a fosseta olecraniana, recep~ para frente junto com sua orientação de 45° fa- tora do olécrano durante a extensão vorece a flexão por dois motivos (e): (fig. 2-9). I) o impacto do bico coronóide não ocorre Estas duas fossetas são imprescindíveis pa- até que os dois ossos estejam paralelos ra que o cotovelo tenha uma determinada ampli- (flexão teórica: 80°); tude de flexão-extensão: atrasam o momento em 2) inclusive em flexão máxima, persiste que os bicos da coronóide ou do olécrano im- uma separação (seta dupla) entre os dois pactam contra a paleta. Sem elas, a grande cavi- ossos, o que permite paIpar as massas dade sigmóidea da ulna, que realiza um arco de musculares. 180°, só percorreria um trajeto muito curto sobre a tróclea, ao redor da posição média (fig. 2-10). Se estas duas condições mecânicas não existissem (f), é fácil entender: Em algumas ocasiões, ditas fossetas são tão profundas que a fina lâmina óssea que as separa - que a flexão estaria limitada a 90° devi- se perfura: neste moemento é quando entram em do ao impacto coronóide (g); contato entre si. - e, supondo que não existisse tal impac- Seja como for, a sólida estrutura da paleta to (como seria o caso de uma perfura- se localiza a cada lado das fossetas, conforman- ção importante da paleta), os dois os- do dois pilares divergentes (fig. 1-13) que finali- sos entrariam em contato durante a fle- zam por dentro da epitróclea, por fora do epi- xão sem deixar lugar para as massas côndilo e que, no seu intervalo, contêm o con- musculares (h).
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    1. MEMBRO SUPERIOR 89 Fig.2-13 Fig.2-14 Fig.2-11 Fig.2-12 Fig.2-9 Fig.2-10 o h a b c d e 9 Fig.2-15
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    90 FISIOLOGIA ARTICULAR OS LIGAMENTOS DO COTOVELO (as explicações são as mesmas para todas as figuras) Os ligamentos da articulação do cotovelo que possa produzir o movimento de lateralidade têm a função de manter as superfícies articitla- para o lado oposto (seta preta) e para que as su- res em contato. São autênticos tensores, dispos- perfícies articulares percam contato: é o meca- tos a cada lado da articulação: o ligamento late- nismo habitual da luxação do cotovelo, que nu- ral interno (fig. 2-16, segundo Rouviere) e o li- ma primeira fase, é uma entorse grave do coto- gamento lateral externo (fig. 2-17, segundo Rou- velo (ruptura do ligamento lateral i~terno). viere). Particularidades: Em conjunto, têm a forma de um leque fi- - o ligamento~ lateral interno (LU) está broso que se estende de cada uma das duas proe- constituído por três fascículos (fig. 2-16): minências para-articulares - epicôndilo por fora, • um fascículo anterior (1), cujas fibras epitróc1ea por dentro -, onde o vértice do leque mais anteriores reforçam (fig. 2-17) o se fixa num ponto que se corresponde, aproxi- ligamento anular (2); madamente, com o eixo xx' de flexão-extensão (fig. 2-18, segundo Rouviere), até o contorno da • um fascículo médio (3), o mais potente; grande cavidade sigmóide da ulna onde se inse- • um fascículo posterior (4), ou liga- re a periferia do leque. mento de Bardinet, reforçado pelas Por isso, podemos imaginar o modelo fibras transversais do ligamento de mecânico do cotovelo como vemos a seguir Cooper (5). (fig. 2-19): Além disso, neste esquema podemos dis- - na parte superior, a forquilha da paleta tinguir: a epitróc1ea (6), de onde sai o leque do LU, o olécrano (7), a corda de Weit- umeral, suporte da polia articular; brecht (8), o tendão do bíceps (9) que se in- - na parte inferior, um semi-anel (a gran- sere na tuberosidade bicipital do rádio. de cavidade sigmóide) unido ao braço - o ligamento lateral externo (LLE), de alavanca antebraquial e que se encai- constituído também por três fascículos xa na polia; (fig. 1-17): - o sistema ligamentar está representado • um fascículo anterior (10), que refor- por dois tensores unidos ao "talo" que ça o ligamento anular pela frente; simula o antebraço, e que se articula com os dois extremos do eixo da polia. • um fascículo médio (11), que reforça o ligamento anular por trás; É fácil entender que estes "tensores" late- rais desempenhem um duplo papel (fig. 2-20, a): • um fascículo posterior (12). Epicôn- dilo (13). - manter o semi-anel encaixado na polia (coaptação articular); - a cápsula se encontra reforçada, pela frente, pelo ligamento anterior (14) e o - impedir qualquer movimento de latera- ligamento oblíquo anterior (15). Por lidade. trás, está reforçada por fibras transver- Basta (fig. 2-20, b) a ruptura de um dos ten- sais úmero-umerais e por fibras úmero- sores, por exemplo o interno (seta branca), para olecranianas.
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    1. MEMBRO SUPERIOR 91 Fig.2-16 Fig.2-17 X' 15 a Fig.2-19 b Fig.2-18 Fig.2-20
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    92 FISIOLOGIA ARTICULAR A CABEÇA RADIAL A forma da cabeça radial está totalmente rado uma porção da margem da abó- condicionada pela sua função articular: bada; - função de rotação axial (ver capítulo • por último, a função da cabeça radial IIl: pronação~supinação): é cilíndrica; não consist_~unicamente em se desli- zar sobre o côndilo e a zona côndilo- - função de flexão-extensão em tomo ao eixo xx' do côndilo: troclear girando em tomo ao eixo xx', mas pode girar ao mesmo tempo em • em primeiro lugar, a cabeça radial de- tomo de seu eixo vertical yy' , durante ve-se adaptar (fig. 2-21) à forma esfé- a pronação-supinação (B); a secção rica do côndilo umeral (A): por isso, a praticada no contorno da abóbada (C) sua superfície superior (B) é côncava, se estende sobre uma porção de sua é a abóbada radial. Para que isto circunferência, como se, no percurso aconteça basta remover (C) um cas- desta rotação (B), uma navalha tivesse quete esférico, cujo raio de curva seja recortado uma lâmina espiral no bor- igual ao do côndilo; de modo que du- do (fig. 2-23). rante a pronação-supinação a abóbada radial possa pivotar sobre o côndilo Ligações articulares da abóbada radial umeral seja qual for o grau de flexão- nas posições extremas (fig. 2-24): extensão do cotovelo; - em extensão máxima (a), só a metade an- terior da abóbada se articula com o côndi- • porém o côndilo umeral se encontra limitado (fig. 2-22), por dentro, por 10; de fato, a superfície cartilaginosa do uma superfície troncocônica, a zona côndilo se interrompe no limite inferior côndilo-troclear (A). Desta forma, du- da paleta umeral e não ascende para trás; rantea flexão-extensão, para que pos- - emjlexão máxima (b), O contorno da ca- samos realizar a adaptação da cabeça beça radial ultrapassa, por cima, a super- radial, é necessário que uma "esqui- fície do côndilo e se introduz na fosseta na" (C) do contorno interno dela de- supracondilar (ver figo 2-5), muito me- sapareça, como se um plano (B) tan- nos profunda que a fosseta supratroclear gente ao tronco do cone tivesse sepa- ou coronóide.
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    1. MEMBRO SUPERIOR 93 x A B c Fig.2-21 Fig.2-22 Fig.2-23 b a Fig.2-24
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    94 FISIOLOGIA ARTICULAR A TRÓCLEA UMERAL (variações) A primeira vista, afirmamos anteriormente Em conjunto (c), a garganta descreve uma (pág. 86) que a garganta da tróclea se localiza no autêntica espiral em tomo do eixo. plano sagital. A realidade é bastante mais com- Durante a extensão (d), o antebraço fica plexa. oblíquo para baixo e para fora: é a ulna em val- De fato, a garganta da tróclea não é verti- go fisiológico, como no caso anterior. cal, mas é oblíqua; além disso, esta obliqÜidade Durante a ftexão (e), a obliqüid~de da parte varia segundo o sujeito. A figura 2-25 é um re- anterior da garganta determina a obliqüidade do sumo destas situações diferentes e as suas con- antebraço: este último se projeta levemente por seqüências do ponto de vista fisiológico: fora do braço. 1) Caso mais freqüente (fileira superior) 3) Caso muito rar~ (fileira inferior) De frente (a), a garganta da tróclea é verti- De frente (a), a garganta da tróclea é oblí- cal: por trás, a parte posterior da garganta (b: vis- qua para cima e para dentro. ta posterior) é oblíqua para baixo e para fora. A parte posterior da garganta (b) é oblíqua Em conjunto (c), a garganta da tróclea se para baixo e para fora. enrola em espiral em tomo do eixo. As conse- qüências fisiológicas são as seguintes: Em conjunto (c), a garganta da tróclea des- creve um círculo, cujo plano é oblíquo para baixo - em extensão (d) (esquema inspirado em e para fora, ou uma espiral muito fechada e incli- Roud), a parte posterior da garganta faz nada para dentro. Conseqüências fisiológicas: conexão com a cavidade sigmóidea; de modo que a sua obliqüidade provoca a - na extensão (d): valgo fisiológico; do antebraço; portanto, o antebraço se - na ftexão (e): o antebraço se projeta por posiciona levemente oblíquo para baixo dentro do braço. e para fora e o seu eixo não prolonga o Outra conseqüência desta fOffi1a em espiral do braço, porque forma com ele um ân- da garganta é que não existe um eixo da tróclea, gulo obtuso aberto para fora, claramen- mas uma série de eixos instantâneos entre duas te definido na mulher e denominado val- posições extremas (fig. 2-27): go fisiológico (fig. 2-26); - um eixo naflexão (traço contínuo): é per- - em ftexão, é a parte anterior da gargan- pendicular à direção do antebraço ftexio- ta a que determina a direção do antebra- nado (aparece ilustrado o caso mais fre- ço e, como esta parte da garganta é ver- qüente: ver I); tical, durante a ftexão (e), o antebraço acaba-se projetando exatamente pela - um eixo na extensão (traço descontínuo): frente do braço. é perpendicular ao eixo do antebraço es- tendido. 2) Caso menos freqüente (fileira inter- média) A direção do eixo de ftexão-extensão varia continuamente entre duas posições extremas, De frente (a), a garganta da tróclea é oblí- durante os movimentos de ftexão-extensão do qua para cima e para fora. cotovelo, diz-se que o eixo é evolutivo. A figura A parte posterior da garganta (b) é oblíqua 2-28 ilustra estas duas posições extremas no es- para baixo e para fora. queleto.
  • 100.
    1. MEMBRO SUPERIOR 9S lU Fig.2-26 '" a b /';9.2-27 - •..•. ~ II ''' ~I I I I I I L._J 111 a d Fig.2-25
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    96 FISIOLOGIA ARTICt:LAR AS LIMITAÇÕES DA FLEXÃÜ-EXTENSÃü A limitação da extensão (fig. 2-29) se compartimento anterior do braço e do deve a três fatores: antebraço, endurecida pela contração. 1) o impacto do bico olecraniano no fundo Este mecânismo explica que a flexão da fosseta olecraniana; ativa não pC!de ultrapassar os 145°, fato que se acentua quanto mais mus- 2) a tensão da parte anterior da cápsula culoso é o indivíduo. articular; - os outros fatores, impacto ósseo (2) 3) a resistência que opõem os músculos e tensão capsular (3), quase não inter- flexores (bíceps, braquial anterior e vêm. braquirradial). Se a extensão continua. um dos menciona- Se a flexão é passiva (fig. 2-33) pela ação dos ji-eios se rompe: de uma força (seta preta) que "fecha" a articu- lação: ~ fratura do olécrano (1) (fig. 2-30), segui- - as massas musculares sem contrair (1) da de desgane capsular (2); podem - se achatar ltma contra a outra -o olécrano (1) resiste (fig. 2-31), mas a de modo que a flexão possa ultrapassar os cápsula (2) e os ligamentos se rompem, 145°; e se produz uma luxação posterior (3) do cotovelo. Os músculos, em geral, - neste momento aparecem os outros fatores limitantes: p<.:rmanecemintatos. Contudo, a artéria umeral pode romper-se ou, pelo menos, • impacto da cabeça radial contra a fosse- sofrer uma contusão. ta supracondílea e do processo coro- A limitação da flexão é diferente, depen- nóide contra a fosseta supratroclear (2); dendo de ser uma flexão ativa ou passiva. • tensão da parte posterior da cápsula (3); Se a flexão é atim (fig. 2-32): • tensão passiva do tríceps braquial (4). - o primeiro fator de limitação é o con- Nestas condições, a flexão pode alcançar os tato das massas musculares (1) do 160°.
  • 102.
    1. MEMBRO SUPERIOR 97 Fig.2-29 Fig.2-31 1 Fig.2-32 Fig.2-33
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    98 FISIOLOGIA ARTICULAR OS MÚSCULOS MOTORES DA FLEXÃO Os músculos motores da ftexão do cotove- A eficácia dos músculos fiexores é máxima lo são essencialmente três: com o cotovelo fiexionado a 90°. - o braquial anterior (1) que se estende De fato, quando o cotovelo está estendido do tubérculo do processo coronóide da (fig. 2-36), a direção da força muscular é quase ulna até a superfície anterior do úmero paralela (seta branca) à direção do braço de ala- (fig. 2-34): mono articular, é exclusiva- vanca. O componente centrípeto ç dirigido ao mente ftexor do cotovelo; é um dos raros centro da articulação é preponderante, mas ine- músculos do corpo que realizarp uma ficaz. O componente tangencial ou transversal T, única função; o único realmente éncaz, é relativamente insig- - o braquiorradial (2) que se estende do nificante, quase nulo. processo estilóide do rádio até a mar- gem externa do úmero (fig. 2-34): a sua Contudo, na semifiexão (fig. 2-37), a força função principal é a fiexão do cotovelo. muscular está perpendicular à direção do braço Como músculo acessório e só na prona- de alavanca (seta branca: bíceps, seta preta: bra- çâo máxima se converte em supinador, quirradial), o componente centrípeto se anula e igualmente é pronador na supinação má- o componente tangencial se confunde com a XIma; própria força muscular: assim, toda a força mus- cular se utiliza na ftexão. - o bíceps braquial (3) é o fiexor princi- pal (fig. 2-35). A sua inserção inferior se Este ângulo de máxima eficácia se situa en- localiza na tuberosidade bicipital do rá- tre os 80 e 90° no caso do bíceps. dio. As suas inserções superiores não se Com relação ao braquirradial, a 90° a força situam no úmero (se trata de um múscu- muscular não se confunde com o componente lo biarticular), mas na escápula median- te duas porções: tangencial; isso não se apresenta até os 100- II 0°, isto é, numa fiexão mais acentuada que a • (Iporção longa (3') no tubérculo su- do bíceps. praglenóide após ter atravessado a ar- ticulação (ver capítulo I: o ombro); A ação dos músculos fiexores se realiza se- gundo o esquema das alavancas de terceiro gê- • a porçâo curta (3") no bico do pro- cesso coracóide. nero: de modo que favorece a amplitude e a ra- pidez dos movimentos a expensas de sua potên- Mediante as suas duas inserções superiores, CIa. o músculo bíceps coapta o ombro e sua porção Músculos ftexores fundamentalmente aces- longa o abduz. sórios: A sua ação principal é a ftexão do cotovelo. A sua ação secundária, porém importante, é - extensor radial (RI): debaixo do bra- a supinação (ver capítulo III: a pronação-supina- quirradial (fig. 2-37); ção), máxima quando o cotovelo está fiexionado - pronador redondo: sua retração, provo- a 90°. cada pela síndrome de Volkmann, cons- Com o cotovelo fiexionado, o bíceps tende titui uma corda que impede a extensão a luxar o rádio (ver pág. 102). completa do cotovelo.
  • 104.
    1. MEMBRO SUPERIOR 99 Fig.2-34 Fig.2-35 T Fig.2-37 Fig.2-36
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    100 FISIOLOGIA ARTICULAR OS MÚSCULOS MOTORES DA EXTENSÃO A extensão do cotovelo se deve à ação de só -na flexão completa (fig. 2-42), o tendão tri- um músculo: o tríceps braquial (fig. 2-38); de fa- cipital se reflete na superfície superior do to, a ação do ancôneo (A), embora notável para olécrano, como se fosse uma polia, o que Duchenne de Boulogne, não vale a pena tratar no contribui a compensar a sua perda de efi- plano fisiológico devido à debilidade do seu mo- cácia. Por outro lado, com as fibras muscu- mento de ação. lares em máxima tensão, a sua potência de ° tríceps braquial está constituído por três contração é máxima de mopo que se trans- forma em outro fator de compensação. corpos carnosos que finalizam num tendão co- mum que se insere no olécrano. A eficácia da porção longa do tríceps e, Os três corpos musculares do tríceps têm conseqüentementé, todo o músculo, também de- uma inserção superior diferente: pende da posição do ombro: este fato deriva de sua natureza biarticulâr (fig. 2-43). - a cabeça (ou porção) medial (1) se fixa na superfície posterior do úmero, para É fácil comprovar que a distância que sepa- baixo do canal ou sulco do nervo radial; ra os dois pontos de inserção da porção longa do tríceps é maior na posição de flexão de 90° que - a cabeça (ou porção) lateral (2) se fixa na posição vertical do braço (o cotovelo perma- sobre a margem externa da diáfise ume- nece no mesmo grau de flexão). De fato, os cen- ral, principalmente por cima do canal do tros dos dois círculos "traçados" pelo úmero (1) nervo radial; e pela porção longa do tríceps (2) estão separa- Portanto, estas duas porções são monoarti- dos. Se a longitude do tríceps não varia, se situa- culares. ria em O', mas como o olécrano se encontra em - a porção longa (3), que não se insere so- 02' necessariamente, o músculo se alonga passi- bre o úmero, mas sobre a escápula, no tu- vamente uma distância 0'02' bérculo subglenóide: de modo que esta De modo que a força do tríceps é maior porção é um músculo biarticular. quando o ombro está flexionado. A porção longa A eficácia do tríceps é diferente dependen- do tríceps reforça uma parte da potência dos mús- do do grau de flexão do cotovelo: culos flexores do ombro com o cotovelo estendi- - em extensão completa (fig. 2-39), a força do (fascículos claviculares do peitoral maior e do muscular se decompõe em: deltóide); este é um exemplo do papel que desem- penham os músculos biarticulares. Também é • um componente centrífugo C, que ten- maior para o movimento que associa a extensão de a luxar a ulna para trás; do cotovelo e a extensão do ombro (a partir da po- • um componente tangencial ou transver- sição de flexão de 90°), como é o caso do movi- sal T, o único eficaz e predominante; mento do lenhador ao bater com o machado. - em ligeira flexão (fig. 2-40), entre 20 e Pelo contrário, a força do tríceps é menor 30°, o componente radial (anteriormente quando o movimento que associa a extensão do centrífugo) se anula, e o componente efi- cotovelo com a flexão do ombro, como por caz se confunde com a força muscular: é exemplo dar um soco para a frente (a porção a posição na qual o músculo desenvolve longa do tríceps fica "cercada" entre dois impe- a sua máxima eficácia; rativos contraditórios: alongar (flexão), encurtar - em conseqüência (fig. 2-41), quanto mais (extensão do cotovelo). aumenta a flexão mais diminui o compo- É bom lembrar que a porção longa do tríceps nente eficaz T em benefício do compo- constitui junto com o grande dorsal um par adu- nente centrípeto C; tor do ombro (ver pág. 80).
  • 106.
    1. MEMBRO SUPERIOR 101 c Fig.2-38 b Fig.2-39 T Fig.2-41 0' Fig.2-40 I I Fig.2-42
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    102 FISIOLOGIA ARTICULAR OS FATORES DE COAPTAÇÃO ARTICULAR A coaptação longitudinal impede que a para baixo com relação ao ligamento anular: é o articulação do cotovelo em extensão se deslo- mecanismo desencadeado no caso da "pronação que: dolorosa das crianças". O único elemento anatô- • tanto quando se exerce uma força para mico que impede o "descenso" do rádio com re- baixo (fig. 2-44, vista externa e figo2A5, lação à ulna é a membrana interóssea. vista interna), como quando transporta- 2) Resistência à pressão longitudinal , mos um balde de água; Só a resistência óssea intervém mecanica- • quanto quando exercemos uma força pa- mente: ra cima (figs. 2-47 e 2-48), como acon- - no rádio: é a cabeça a que transmite as tece na queda com as mãos para a frente e os cotovelos em extensão. forças de pressão e a que se fratura (fig. 2-47); 1) Resistência à tração longitudinal - na ulna, é o processo coronóide o que O fato de que a grande cavidade sigmóide transmite as pressões, daí vem a deno- não ultrapasse os 180° de arco faz com que a tró- minação processo consolador que o de- clea não fique fixa mecanicamente devido à au- ra Henle. Se fratura por efeito do impac- sência de partes moles. A coaptação é assegura- to, permite a luxação posterior da ulna. da por: Devido a isso, a luxação é irredutível -ligamentos: LU (1) e LLE (2); (fig. 2-48). - os músculos: não unicamente os do bra- Coaptação em flexão (fig. 2-46) ço: tríceps (3), bíceps (4), braquial (5), Na posição de ftexão de 90°, a ulna é per- mas também os do antebraço: braquirra- feitamente estável (a) porque a grande cavidade dial (6), músculos epicondilares (7), sigmóide está limitada pelas duas potentes inser- músculos epitrocleares (8). ções musculares do tríceps (3) e do braquial an- Em máxima extensão, o bico do olécrano terior (5) que mantêm o contato entre as superfí- se engancha por cima da tróclea na fosseta ole- cies articulares. craniana, o qual proporciona à articulação úme- Contudo (b), o rádio tende a se luxar para ro-ulnar certa resistência mecânica em sentido cima sob a tração do bíceps (4). Somente o liga- longitudinal. mento anular evita esta luxação. Quando o liga- Contudo, é preciso ressaltar que a articula- mento se rompe, a luxação do rádio para cima e ção côndi10-radial está mal disposta para resis- para a frente acontece com a menor tentativa de tir às forças de tração: a cabeça radial se luxa flexão do cotovelo (contração do bíceps).
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    1. MEMBRO SUPERIOR 103 a Fig.2-44 Fig.2-45 Fig.2-46
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    104 FISIOLOGIA ARTICULAR A AMPLITUDE DOS MOVIMENTOS DO COTOVELO A posição de referência (fig. 2-49) é defi- 40°, estando o cotovelo flexionado em 40° quan- nida da seguinte maneira: o eixo do antebraço se do tentamos estender o mesmo completamente. localiza no prolongamento do eixo do braço. Neste esquema (fig. 2-50), o déficit de ex- A extensão é o movimento que dirige o tensão é -y, a flexão + x (Df representa então o antebraço para trás. A posição de referência déficit de flexão) e a amplitude útil de flexão-ex- corresponde à extensão completa (fig. 2-49); tensão é x - y. por definição, não existe amplitude no caso da A flexão é o movimento que dirige o ante- extensão do cotovelo, menos em alguns sujei- tos que possuem uma grande lassidão ligamen- braço para diante, de tal maneira que a superfí- tar, como as mulheres e as crianças, que podem cie anterior do antebraço entra em contato com alcançar de 5 a 10° de hiperextensão do cotove- a superfície anterior .do braço. lo (fig. 2-50, z). A amplitude dafiexão ativa é de 145° (fig. Contudo, a extensão relativa sempre é viá- 2-51). vel em qualquer posição de flexão do cotovelo. A amplitude da fiexão passiva é de 160° (a Quando a extensão é incompleta se mede distância entre o coto do ombro e o punho corres- negativamente; por exemplo, uma extensão de ponde à medida de lima mão fechada: o punho - 40° corresponde a um déficit de extensão de não entra em contato com o ombro. AS REFERÊNCIAS CLÍNICAS DA ARTICULAÇÃO DO COTOVELO Os três pontos de referência, visíveis e pal- mão). No lado externo, por baixo do epicôndilo, páveis, do cotovelo são: podemos palpar o giro da cabeça radial durante - o olécrano (2), proeminência do coto- os movimentos de pronação-supinação. velo, na linha média; Em posição de flexão (fig. 2-53), estes três - a epitróclea (1), por dentro; pontos de referência formam um triângulo eqÜi- látero (b), situado no plano vértico-frontal tan- - o epicôndilo (3), por fora. gente à superfície posterior do braço (a). Em posição de extensão (fig. 2-52), estes Nas luxações de cotovelo estas conexões se três pontos de referência estão alinhados na ho- alteram: rizontal. Entre o olécrano (2) e a epitróclea (1) se localiza o canal epitrócleo-olecraniano, por - em extensão, o olécrano ascende por ci- onde passa verticalmente (seta tracejada) o ner- ma da linha epicôndilo-epitroclear (lu- vo ulnar ou cubital: um impacto violento neste xação posterior); ponto provoca uma dor de tipo elétrico que se - em flexão, o olécrano recua para trás do irradia por toda a zona ulnar (borda interna da plano frontal (luxação posterior).
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    1. MEMBRO SUPERIOR lOS 1 ./ Fig.2-51 Fig.2-50 Fig.2-49 3 • ~/ 3 Fig.2-53 Fig.2-52
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    106 FISIOLOGIA ARTIClJLAR POSIÇÃO FUNCIONAL E POSIÇÃO DE IMOBILIZAÇÃO A posição funcional do cotovelo e a sua po- - fiexão de 90°; sição de imobilização se definem como segue - pronação-supinação neutra (mão no pla- (fig. 2-54): no vertical; ver capítulo IlI). EFICÁCIA DOS GRUPOS FLEXOR E EXTENSOR Em conjunto, os flexores são um pouco - a força de flexão (seta 2), como quan- mais eficazes que os extensores: em posição de do elevamos um corpo em suspensão, é relaxamento, braço pendente ao longo do corpo, de 83 kg. o cotOl'elo ligeiramente fiexionado, proporcio- 2) Braço em flexão de 90° (AV): nalmente mais flexionado quanto mais musculo- so seja o indivíduo. - a força de extensão (seta 3), como quan- do empurramos um objeto pesado para A força dos flexores é diferente dependen- frente, é de 37 kg; do da posição de pronação-supinação: - a força de fiexão (seta 4), como quando - a força de flexão em pronação é maior que remamos, é de 66 kg. - a força de flexão em supinação. 3) Braço vertical ao longo do corpo (B): De fato, o bíceps está mais alongado e, por- - a força de fiexão (seta 5), como para le- tanto, é mais eficaz quando o antebraço está em vantar um objeto pesado, é de 52 kg; pronação. - a força de extensão (seta 6), como a que A relação entre ambas as potências é de: realizamos ao levantarmos para cima 5 (F em pronação) em barras paralelas, é de 51 kg. 3 (F em supinação) De modo que existem posições preferen- Por último, a força dos grupos musculares ciais nas que a eficácia dos grupos é máxima: é diferente, dependendo da posição do ombro: - no caso da extensão, para baixo (seta 6); isto se sintetiza no esquema da figura 2-55: - no caso da fiexão, para cima (seta 2). 1) Braço vertical por cima do ombro (O) Isto significa que a musculatura dos mem- - a força de extensão (seta 1), como no ca- bros superiores está totalmente adaptada para so do levantamento de pesos, é de 43 kg; trepar (fig. 2-56).
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    1. .MEMBRO SUPERIOR 107 Fig.2-54 Fig.2-56
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    108 FISIOLOGIA ARTICULAR SIGNIFICADO A pronação-supinação é o movimento de talar" na extremidade móvel, o carpo por exem- rotaçc7odo antebraço ao redor do seu eixo lon- plo, proeminências apofisiárias que pudessem gitudinal. serÚr como braço de alavanca aos músculos ro- tadores; além disso, seria mecanicamente im- Este movimento precisa da intervenção de DUAS ARTICULAÇÕES MECANICAMEN- possível que os tendões dos músculos do ante- braço "franqueassem" o punho, devido à torção TE UNIDAS (fig. 3-1): que realizaria sobre si mesmo durante a rotação - a articulaçc70 rádio-ulnar superior ao redor do seu eixo longitudinal; conseqüente- (RUS), que pertence anatomicamente à mente a maior parte dos músculos extrínsecos se articulação do cotovelo; encontrariam na mão de tal maneira que a sua - a articulaçc70 rádio-ulnar inferior potência diminuiria e a mão seria pesada e volu- (RUI) que é diferente anatomicamente mosa. da articulação rádio-carpeana. Esta rotação longitudinal no antebraço é a Esta rotação longitudinal de antebraço in- solução lógica e elegante, cuja única conseqüên- troduz um terceiro grau de liberdade no com- cia é complicar um pouco o esqueleto deste seg- plexo articular do punho. Deste modo, a mão, mento, introduzindo um segundo osso, o rádio, como "extremidade realizadora" do membro su- que suporta a mão e a ulna gira ao seu redor, gra- perior, pode-se situar em qualquer ângulo para ças às duas articulações rádio-ulnares. poder pegar ou segurar um objeto. Se refletimos Esta estrutura do segundo segmento do corretamente, a presença de uma articulação ti- membro apareceu na filogenia a 400 milhões de po enartrose com três graus de liberdade no pu- anos atrás, quando alguns peixes abandonaram o nho, complicaria extraordinariamente os proble- mar e colonizaram a terra se convertendo em an- mas mecânicos: neste caso seria necessário "ins- fíbios tetrápodes.
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    1. MEMBRO SUPERlOR 109 Fig.3-1
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    110 FISIOLOGIA ARTICULAR DEFINIÇÃO Só é possível analisar a pronação-supina- - a mão em posição de supinação (fig. 3-6) ção com o cotovelo flexionado a 90° e encosta- se situa no plano horizontal; assim sendo, do no corpo. De fato, se o cotovelo está estendi- a amplitude de mm'imento de supinação do, o antebraço se encontra no prolongamento é de 90°. do braço e na rotação longitudinal do antebraço - a mão em posição de pronação (fig. 3-7) se acrescenta a rotação do braço ao redor do seu só chega até o plano horizontal; a ampli- eixo longitudinal, graças aos movimentos de ro- tude de pronação é de 85° ( mais adian- tação externa e interna do ombro. te poderemos ver por que não chega até Com o cotovelo em flexão de 90°: os 90°) - a posição de supinação (fig. 3-2) se Em resumo, a amplitude total da verdadei- realiza quando a palma da mão se dirige ra pronação-supinação, isto é, quando unica- para cima com o polegar para fora; mente participa a rotação axial do antebraço, é de aproximadamente 180°. - a posição de pronação (fig. 3-3) se rea- liza quando a palma da mão "se orienta" Quando também participam os movimentos para baixo e o polegar para dentro; de rotação do ombro, com o cotovelo em exten- são total, esta amplitude total alcança: - a posição intermédia (fig.3-4) é deter- minada pela direção do polegar para ci- - 360° quando o membro superior está ma e da palma para dentro, ou seja, nem vertical ao longo do tronco; pronação, nem supinação. As amplitu- - 360° quando o membro superior está em des dos movimentos de pronação-supi- abdução de 90°; nação se medem a partir desta pósição - 270° em flexão de 90° e em extensão intermédia ou posição zero. de 90°; De fato, quando observamos o antebraço e - ultrapassa um pouco os 180° quando o a mão alinhados e de frente, quer dizer, no pro- membro superior está vertical, em posi- longamento do eixo longitudinal: ção de máxima abdução. Isto confirma - a mão em posição intermédia (fig. 3-5) se que o ombro tem uma amplitude de ro- situa no plano vertical, paralela ao plano tação axial quase nula em abdução de sagital, plano de simetria do corpo; 180°.
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    . 1. MEMBROSUPERIOR 111 Fig.3-3 Fig.3-2 Fig.3-4 1 Fig.3-6 Fig:--3-5 Fig.3-7
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    112 FISIOLOGIA ARTICULAR UTILIDADE DA PRONAÇÃO-SUPINAÇÃO Dos sete graus de liberdade que comporta a toda a palma da mão em contato com o cabo cadeia articular do membro superior, começan- (fig. 3-10), a pronação-supinação modifica a do pelo ombro e terminando na mão, a prona- orientação da ferramenta através do mecanismo ção-supinação é um dos mais importantes, da rotação cônica: como conseqüência da assi- porque é indispensável para o controle da atitu- metria da mão, o cabo pode-se situar no espaço de da mão. De fato, este controle permite que a sobre um segmento de cone centralizado pelo mão esteja perfeitamente colocada para alcançar eixo de pronação-supinação, de modo que o um objeto num setor esférico de espaço centra- martelo bate no prego sob uma incidência regu- lizado no ombro e levá-Io à boca (função de ali- lável. mentação). Também permite que a mão chegue Neste caso, podemos comprovar um dos a qualquer ponto do corpo com a finalidade de aspectos do encaixe funcional entre a pronação- proteção ou higiene (função de limpeza). Além supinação e a articulação rádio-carpeana, onde disso, a pronação-supinação desempenha um podemos observar outro exemplo na variação da papel essencial em todas as ações da mão, prin- abdução-adução do punho em função da prona- cipalmente durante o trabalho. ção-supinação: a atitude normal da mão em pro- Graças à pronação-supinação, a mão pode nação ou em posição intermédia é o desvio ulnar (fig 3-8) segurar uma bandeja ou um objeto, em que "centraliza" a pinça tridigital sobre o eixo supinação, ou comprimir um objeto para baixo e da pronação-supinação, enquanto na supinação inclusive se apoiar em pronação. a mão se coloca mais em desvio radial, favore- Também permite que se realize um movi- cendo a preensão de sustentação, como quando mento de rotação nas preensões centradas e ro- carregamos uma bandeja. tativas, como no caso em que utilizamos uma Este encaixe funcional obriga a integração chave de fenda (fig. 3-9) na qual o eixo do uten- fisiológica da articulação rádio-ulnar inferior sílio coincide com o eixo de pronação-supina- com a do punho, embora mecanicamente esteja ção. Por causa da obliqiiidade da preensão com unida à articulação rádio-ulnar superior.
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    1. MEMBRO SUPERIOR 113 Fig.3-8 Fig.3-9 Fig. 3-10
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    114 FISIOLOGIA ARTICULAR DISPOSIÇÃO GERAL Em posição de supinação (figs. 3-11, 3-12 • ligamento posterior da articulação rá- e 3-13 e diagramas a e b, figo3-17): dio-ulnar posterior (2); A ulna e o rádio estão um ao lado do outro, • ligamento anular (3) reforçado pelo fas- a ulna por dentro e o rádio por fora. Os seus ei- cículo médio do LLE do cotovelo (4); xos longitudinais são paralelos (fig. 3-17, a). Po- - em vista externa (fig. 3-13) o rádio ocul- demos observar: ta em parte a ulna, e podemos compro- - no esquema frontal (fig. 3-11), onde ve- var que há uma leve concavidade ante- mos: rior do rádio, acentuada no desenho e • a membrana interóssea, com a camada esquematizada no diagrama b da figura 3-17. superior (1) cujas fibras são oblíquas para baixo e para dentro e sua camada Em posição de pronação (figs. 3-14, 3-15 posterior (2) de obliqüidade inversa, e 3-16 e diagramas c e d da figo3-17): realiza o principal da ligação mecâni- A ulna e o rádio não estão paralelos, mas ca em sentido longitudinal e transver- estão cruzados: isto pode ser apreciado tanto no sal: impede o deslocamento do rádio esquema frontal (fig. 3-14) quanto no dorsal para baixo, porque o deslocamento pa- (fig. 3-15), e está esquematizado no diagrama ra cima é bloqueado pelo côndilo ume- da figura 3-17. Em pronação (fig. 3-17, d) o rá- ral, e inclusive após uma secção dos li- dio está: gamentos das duas articulações rádio- ulnares, é por si mesma suficiente para - por cima, externo com relação à ulna, e manter os dois ossos em contato. De - por baixo, interno com relação à ulna. modo que é a grande desconhecida do antebraço; Em vista de perfil externo (fig. 3-16) pode- mos observar que o rádio é deslocado pela fren- • a corda de Weitbrecht (3), elemento fi- te da ulna. A sua concavidade, dirigida para trás, broso; lhe permite "cavalgar" literalmente sobre a ul- • o ligamento anterior da articulação rá- na. Ver esquema do diagrama c da figura 3-17. dio-ulnar inferior (4). Assim sendo, podemos entender que a pro- Estes três elementos estão em ten- nação só pode~se aproximar de 90° de amplitu- são durante a supinação e a limitam; de, sem conseguir alcançar esta cifra, graças à • o ligamento anular (5), reforçado pelo curva do rádio no plano sagital. Também pode- • fascículo anterior do ligamento lateral mos entender que os músculos flexores, que se externo do cotovelo (6) (LLE) e pelo localizam pela frente do esqueleto na supinação (fig. 3-18, a), se interpõem entre o rádio e a ul- • fascículo anterior do ligamento lateral na (fig. 3-18, b) durante a pronação, para cons- interno do cotovelo (7) (LLI); tituir, ao final desta (fig. 3-18, c), um "colchão" • ligamento triangular (8) visto em sec- que amortece o contato entre ambos os ossos. ção; Simultaneamente a membrana interóssea se en- rola ao redor da ulna, de modo que, junto com - no esquema dorsal (fig. 3-11): o "acolchoado" muscular, desloca a ulna por • a membrana interóssea (1) com suas trás do rádio, produzindo a subluxação poste- duas camadas; rior da cabeça ulnar no fim da pronação.
  • 120.
    1. MEMBRO SUPERIOR 115 Fig.3-15 Fig.3-13 7 4 3 2 Fig.3-12 a I b c d Fig.3-17 Fig.3-18 Fig.3-14 Fig.3-16
  • 121.
    116 FISIOLOGIA ARTICULAR ANATOMIA FISIOLÓGICA DA ARTICULAÇÃO RÁDIO-ULNAR SUPERIOR (os números das explicações se correspondem em todas as figuras) A ,articulação rádio-ulnar superior é uma • ligamento anular (5), intato na figura TROCOIDE, as suas superfícies são cilíndricas 3-19 e seccionado na figura 3-21. Fai- e possui só um grau de liberdade: rotação ao re- xa fibrosa inserida nas margens ante- dor do eixo dos dois cilindros encaixados. Pode- rior e posterior da pequena cavidade mos comparar, em mecânica, com um simples sigmóide, a sua superfície interna está amortecedor ou, melhor ainda, com um verda- preenchida por uma cartilagem, pro- deiro rolamento de bolas (fig. 3-20). longamento da pequena cavidade que Portanto, está constituída por duas superfí- ao mesmo tempo é: cies cilíndricas: * um meio de união: rodeia a cabeça ra- - a cabeça radial (fig. 3-21) com o seu dial e a encaixa contra a pequena cavi- contorno cilíndrico (1) preenchido de dade sigmóide; cartilagem, mais ampla pela frente e por * uma superfície articular: se articula dentro e que se corresponde com o anel com o contorno da cabeça radial e ao central (1) do amortecedor ou rolamen- revés da pequena cavidade sigmóide, to de bolas. Outras particularidades: se deforma. • a abóbada (2), côncava, que se articula O ligamento quadrado de Dénucé (4), (fig. 3-25, secção sagital) com o côndilo segundo meio de união, está seccionado na fi- umeral (9). Dado que o côndilo não se gura 3-21, intato na figura 3-22 (ligamento expande para trás, a abóbada entra em contato com ele durante a extensão só anular seccionado e rádio deslocado, segundo Testut) e na figura 3-23 (vista superior, olécra- pela metade anterior da sua superfície; no e ligamento anular seccionados, segundo • o biseI (3) do contorno (ver figo3-21). Testut). É uma faixa fibrosa que se insere na - um anel osteofibroso, claramente visí- margem inferior da pequena cavidade sigmóide vel na figura 3-19 (segundo Testut), no da ulna e na base do contorno interno da cabe- qual a cabeça radial está removida. Se ça radial (fig. 3-24, secção central). Estas duas corresponde com o anel periférico (5 e margens estão reforçadas (figs. 3-21 e 3-22) 6) do rolamento de bolas (fig. 3-20) e es- por fibras originadas da margem superior do li- tá constituído por: gamento anular. • pequena cavidade sigmóide da ulna O ligamento quadrado representa um refor- (6) preenchida de cartilagem, côncava ço da parte inferior da cápsula; o resto desta (10) de diante para trás, separada da grande une as articulações do cotovelo em um conjunto cavidade (8) por uma crista romba (7): anatômico.
  • 122.
    1. MEMBRO SUPERIOR 117 5-6 6 Fig.3-20 Fig.3-19 Fig.3-21 2 1 5 Fig.3-22 2 Fig.3-23 1 5 Fig.3-25
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    118 FISIOLOGIA ARTICULAR ANATOMIA FISIOLÓGICA DA ARTICULAÇÃO RÁDIO-ULNAR INFERIOR (estrutura e constituição mecânica da porção inferior da ulna) Como a articulação rádio-ulnar superior, a rolada" num cilindro, com uma haste pela fren- articulação rádio-ulnar inferior também é uma te e outra por trás, que "limitam" o processo es- trocóide: as suas superfícies são cilíndricas e so- tilóide da ulna (8), deslocado-a em direção pós- mente possui um grau de liberdade, ou seja, a tero-interna da epítise. Na verdade, esta superfí- rotação em tomo ao eixo dos dois cilindros en- cie não é totalmente cilíndrica (tig. 3-27) já que caixados. o seu gerador está levemente convexo para fora, A primeira destas superfícies cilíndricas o que lhe dá uma forma de barrilÚnho inclinado (tig.3-26) está presa pela cabeça da ulna. Pode- para baixo e para dentro, embora esteja inscrita mos considerar que a porção inferior da ulna es- num cone de vértice inferior cujo eixo é parale- tá formada (a) pela penetração de um cilindro lo ao eixo diatisário da ulna d. A superfície peri- diatisário (1) num cone epitisário (2). Mas, é ne- férica da cabeça da ulna (A, vista de perfil, B, cessário ressaltar que o eixo do cone está deslo- vista anterior) apresenta uma altura máxima (h) cado para fora com relação ao do cone do cilin- para frente e levemente para fora. dro. Por cima desta sólida composição (b), o A superfície inferior da cabeça da ulna (D) plano horizontal (3) desprende um tronco de co- apresenta uma superfície semilunar cuja largu- ne (c) e forma a superfície inferior (4) da cabe- ra máxima corresponde com o ponto de máxi- ça da ulna. A seguir (d), um segundo cilindro se- ma altura (h) da superfície periférica. Desta cante (5) desprende uma meia-lua sólida (6) e maneira, sobre o plano de simetria (seta) estão determina (e) a formação da superfície cilíndri- alinhados: a inserção do LU da rádio-ulnar ca (7) da cabeça da ulna. É necessário destacar (quadrado) sobre o processo estilóide, a inser- que o cilindro secante (5) não é concêntrico ao ção principal do vértice do ligamento triangu- cilindro diatisário (1), nem ao cone epitisário lar (estrela), o centro da curva da superfície pe- (2), estando deslocado para fora. Isto explica a riférica (cruz) e o ponto de máxima altura do forma da superfície articular: uma meia-lua "en- contorno.
  • 124.
    1. MEMBRO SUPERIOR 119 8~ c Fig.3-26 B A Fig.3-27
  • 125.
    120 FISIOLOGIA ARTICULAR ANATOMIA FISIOLÓGICA DA ARTICULAÇÃO RÁDIO-ULNAR INFERIOR (continuação) (as explicações são as mesmas para todas as figuras) A segunda superfície, a cavidade sigmóide Desta forma, o ligamento triangular ao do rádio (3), está presa pela epífise do rádio mesmo tempo é: (figs. 3-28 e 3-29), onde está incluída nos ramos - um meio de união da articulação rádio- de desdobramento da margem interna (2). Esta ulnar inferior; superfície (3) está "orientada" para dentro (fig. 3-29), é côncava de diante para trás, plana ou le- - uma supeifície articular; acima se arti- vemente côncava de cima para baixo, está ins- cula com a cabeça ulnar e abaixo com o crita na superfície de um cone de vértice inferior côndilo carpeano. Devemos ressaltar (fig. 3-27, c). A sua máxima altura se localiza na que a cabeça ulnar não se articula com parte média e se articula com a superfície cilín- o côndilo carpeano; drica (4) da cabeça radial. - um septo entre a articulação rádio-ulnar Na sua margem inferior se insere o liga- inferior (acima) e a articulação rádio- mento triangular (5) situado no plano horizon- carpeana (abaixo) (fig. 3-30), que são tal (fig. 5-30, secção frontal). O seu vértice se in- anatomicamente diferentes, menos nos sere por dentro, em três níveis: casos em que: - a fossa localizada entre o processo es- • o ligamento triangular, muito bicônca- tilóide e a superfície inferior da cabeça vo, esteja perfurado no seu centro; da ulna; • a inserção da sua base esteja incomple- - a superfície externa do processo estilói- ta (figs. 3-28 e 3-29) e .deixe uma pe- de da ulna; quena fenda (6), mais freqüente com a idade, o que, para alguns autores, seria - a superfície profunda do LU da articu- a prova de sua origem atrófica. lação rádio-carpeana. Forma uma cavidade receptora (fig. 3-29) Assim sendo, o ligamento triangular ocupa para a cabeça radial junto com a cavidade sig- o espaço entre a cabeça da ulna e o piramidal, móide do rádio. Parte desta cavidade receptora constituindo uma "almofada elástica" que se tem a propriedade de se deformar. comprime no curso da adução do punho. As suas margens anterior e posterior são mais espessas, Funcionando como um autêntico "menisco apesar de a secção ser bicôncava (fig. 3-29, vis- suspenso" entre a articulação rádio-cubital infe- ta ântero-superior interna). A sua superfície su- rior e a rádio-carpeana, o ligamento triangular perior, preenchida de cartilagem, prolonga a ca- está submetido a importantes forças (fig. 3-31): vidade glenóide do rádio (8) para dentro, limita- tração (seta horizontal), compressão (setas verti- da por fora pelo processo estilóide radial (1), e cais), movimento de ziguezague (setas horizon- se articula com o côndilo carpeano (13). tais) Freqüentemente, estas forças se combinam.
  • 126.
    1. MEMBRO Sl.JPERIOR 121 5 Fig.3-29 Fig.3-28 Fig.3-31 Fig.3-30
  • 127.
    122 FISIOLOGIA ARTICULAR DINÂMICA DA ARTICULAÇÃO RÁDIO-ULNAR SUPERIOR (nas figuras 3-32, 3-33, 3-34 e 3-35, a fileira superior (a) corresponde à supinação, a inferior (b) à pronação; os números das explicações são os mesmos) o movimento principal (fig. 3-32) é um se afaste da ulna no momento ideal para movimento de rotação da cabeça radial (1), ao que a tuberosidade bicipital possa pas- redor do seu eixo xx', no interior de um anel (2) sar pela fossa supinadora (nela se inse- osteofibroso, ligamento anular-pequena cavida- re o músculo supinador). A seta branca de sigmóide. da figura 3-32, b, indica esta insinuação Este movimento está limitado (fig. da tuberosidade bicipital "entre" o rádio e a ulna. 3-33) pela tensão do ligamento quadrado de Dé- nucé (3) que, desta forma, atua como freio. 4) o plano da superfície da cabeça radial Por outro lado, não é cilíndrica, mas leve- se inclina para baixo e para fora, duran- mente ovalada: o seu eixo maior (fig. 3-34, a), te a pronação (fig. 3-37). Isto se deve ao oblíquo de diante para trás, mede 28 mm, em movimento de rotação do rádio ao redor comparação com os 24 mm do eixo menor. Isto da ulna durante a pronação: explica que o anel que aperta a cabeça radial não - no início do movimento, em supina- pode ser ósseo, rígido. Está constituído, nas ção (a), o eixo diafisário do rádio é suas três partes, pelo ligamento anular, flexível, vertical e paralelo ao da ulna; o que permite que se deforme, ao mesmo tempo - no fim do movimento, em pronação que proporciona à cabeça radial uma fixação (b), o eixo do rádio é oblíquo para permanente. baixo e para dentro: o plano da abó- Os movimentos secundários são quatro: bada radial, que é perpendicular a es- 1) abóbada radial (1) gira ao contato do te eixo, se inclina para baixo e para côndilo umeral (fig. 3-36); fora e forma um ângulo (y) com o plano horizontal. 2) o bisel radial (2) (ver pág. 92) se desliza por baixo da cabeça conóide (fig. 3-36); Neste movimento, o eixo diafisário do rá- 3) o eixo da cabeça radial se desloca para dio "varre" uma porção da superfície cônica cu- jo eixo (pontilhado fino) é o eixo comum para as fora durante a pronação (fig. 3-35). Este fato se deve à forma "ovalada" da cabe- duas articulações rádio-ulnares. ça radial: na pronação (b) o eixo maior Observamos também que a ulna valga (ver da abóbada está transversal, deslocando também figo 3-26, pág. 95) que, em supinação o eixo xx' para fora, a uma distância (e) aparece claramente (c), pode desaparecer em igual à metade da diferença entre os dois pronação (d) devido à mudança de obliqüidade eixos da abóbada e equivalente a 2 mm. do eixo diafisário do rádio: em pronação, o eixo A importância deste deslocamento me- global do antebraço se localiza no prolonga- cânico é primordial: permite que o rádio mento do eixo do braço.
  • 128.
    1. MEMBRO SUPERIOR 123 2 2 a a ~ b b Fig.3-33 Fig.3-34 Fig.3-35 X' Fig.3-32 b Fig.3-37
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    124 FISIOLOGIA ARTICULAR DINÂMICA DA ARTICULAÇÃO RÁDIO-ULNAR INFERIOR Podemos começar pensando que a nIna - o deslocamento circular (seta tracejada, permanece fixa e que só o rádio é móvel. Nes- figo 3-40, manivela em supinação) em te caso (fig. 3-38), o eixo de pronação-supina- torno de um cilindro, que corresponde à ção na mão se localiza no nível do lado ulnar e cabeça ulnar; do quinto dedo (o eixo está indicado por uma - rotação sobre si mesma, manifestada pe- cruz preta). Isto acontece quando o antebraço, la mudança de direção da seta branca apoiado sobre uma mesa, realiza movimentos de (fig. 3-41): o processo estilóide radial pronação-supinação sem perder o contato com a "se orienta" para fora durante a supina- mesa. ção e para dentro durante a pronação. O principal movimento (fig. 3-39) é uma Quando o rádio gira ao redor da ulna, pas- translação circunferencial da porção inferior do sando da supinação à pronação, a congruência rádio ao redor da ulna. articular (concordância geométrica das superfí- - supinação: rádio e ulna vistos de baixo cies) varia. após ablação do carpo e do ligamento Isto é devido a: triangular. Amplitude de 90°. - por um lado, as superfícies articulares - pronação: amplitude de 85°. não são superfícies de revolução; o seu raio de curva varia: é mais curto no cen- Este movimento de translação circunferen- cial fica explícito quando o rádio é comparado a tro que nas extremidades; uma manivela (figs. 3-40 e 3-41): a trajetória de - por outro lado, o raio de curva da cavi- um ramo (o outro permanece fixo) é uma trans- dade sigmóide é levemente maior que o lação circunferencial: da cabeça ulnar.
  • 130.
    1. 1-lEMBRO SUPERIOR 125 SUPINAÇÃO PRONAÇÃO Fig.3-39 Fig.3-38 I -- I Fig.3-40 Fig.3-41
  • 131.
    126 FISIOLOGIA ARTICULAR DINÂMICA DA ARTICULAÇÃO RÁDIO-ULNAR INFERIOR (continuação) Portanto, existem posições incongruen- das superfícies associada com tensão ligamentar tes (fig. 3-42), em supinação (B), a cabeça ulnar máxima. Neste caso não é uma posição de blo- só entra em contato com a cavidade sigmóide queio intermédio, embora possamos observar a através de uma pequena parte da sua superfície distribuição de funções entre o ligamento trian- e os raios de curva são pouco concordantes, daí gular e a membrana interóssea: vem esta escassa congmência; e em máxima - em máximas pronação e supinação, o li- pronação (C), está agravada por uma verdadeira gamento triangular está estendido, po- subluxação posterior da cabeça ulnar, e uma po- rém a membrana interóssea está tensa. sição de máxima congruência que, em geral se Observamos que os ligamentos anterior corresponde com a posição intermédia ou posi- e posterior da articulação rádio-ulnar in- ção zero (nula): a máxima altura da superfície ferior, pequenos espessamentos capsu- periférica coincide com a altura máxima da ca- lares, não desempenham nenhuma fun- vidade sigmóide de maneira que, simultanea- ção nem na coaptação, nem na limitação mente, o contato entre as superfícies é máximo dos movimentos; enquanto coincidam os raios da curva. Durante os movimentos de pronação-su- - em posição de estabilidade máxima, pinação, o ligamento triangular "varre" literal- perto da posição intermédia, o ligamen- mente a superfície inferior da cabeça ulnar (fig. to triangular está tenso e a membrana 3-43) como se fosse um limpador de pára-brisas, interóssea está distendida, a menos que mas o que provoca a descentralização do seu os músculos que se inserem nela provo- ponto de inserção ulnar é o que proporciona a quem a sua tensão novamente. notável variação do seu estado de tensão: Em resumo, podemos afirmar que a coapta- - a tensão é mínima em máximas supina- ção da articulação rádio-ulnar inferior está fixa ção e pronação (B e C); por duas formações anatômicas desconhecidas freqüentemente no tratamento das lesões trau- - pelo contrário, a tensão é máxima na máticas desta zona: a membrana interóssea, cu- posição de máxima congruência, que se ja função é primordial, e o ligamento triangular. corresponde com a maior altura da su- perfície periférica da cabeça ulnar, A pronação está limitada pelo impacto de porque o ligamento "percorre" o cami- rádio contra a ulna, daí vem a importância da le- nho mais longo entre a sua inserção e o ve concavidade da diáfise radial para frente, de contorno da cabeça (D). maneira que atrasa o contato. De maneira que podemos nos referir a uma A supinação está limitada pelo impacto do posição de estabilidade máxima da articulação extremo posterior da cavidade sigmóide contra o rádio-ulnar inferior, que se corresponde, em ge- processo estilóide ulnar através do tendão do ex- ral, co~ a posição intermédia de pronação-supi- tensor ulnar do carpo. Nenhum ligamento pode nação. E o que denominamos "c1ose-packed po- deter este movimento que, apesar disso, consegue sition" de Mac Conai11: congmência máxima amortecer o tônus dos músculos pronadores.
  • 132.
    1. MEMBRO SUPERIOR127 A B c Fig.3-42 B D A Fig.3-43
  • 133.
    128 FISIOLOGIA ARTICULAR o EIXO DE PRONAÇÃO-SUPINAÇÃO Até agora tratamos a fisiologia da articula- Quando estas duas articulações deixam de ção rádio-ulnar inferior (RUI) isoladamente, ser co-axiais, devido a uma fratura mal reduzi- mas é fácil compreender que existe um par fun- da de um ou de ambos os ossos, a pronação-su- cional entre a articulação rádio-ulnar inferior e a pinação se encontra comprometida dado que superior, porque estas duas articulações estão não existem duas charneiras para o mesmo mecanicamente unidas de maneira que uma não segmento móvel: é o caso de uma porta cujas pode funcionar sem a outra. dobradiças deixam de estar alinhadas e que ne- Este par funcional se encontra em dois ní- cessitaria se partir em duas para poder abrir to- talmente. veis: o dos eixos e o da congruência. As duas articulações rádio-ulnares são co- Se a pronação-supinação se realiza ao re- axiais: o seu funcionamento normal necessita de dor de um eixo que passa pela coluna do pole- que o eixo de uma seja o prolongamento do eixo gar, o rádio gira ao redor do processo estilóide da outra (fig. 3-44) sobre uma mesma reta XX' radial (fig. 3-46), ao redor de um eixo que não que constitui a charneira de pronação-supinação é a charneira da pronação-supinação, e a extre- e passa pelo centro das cabeças ulnar e radial. midade inferior da ulna sofre urna translação seguindo um semicírculo que a desloca para Durante o seu movimento com relação à ul- baixo e para fora, sem deixar de permanecer na, ao redor deste eixo, o rádio se desloca sobre paralela a si mesma. O componente vertical um segmento de superfície cônica, aberto por deste movimento pode-se explicar por um mo- trás, de base inferior e cujo vértice se situa no ní- vimento de extensão seguido por um movi- vel da articulação côndilo-radial. mento de flexão na articulação úmero-ulnar. Estando a cabeça ulnar fixa, a pronação-su- Com relação ao deslocamento para fora, pare- pinação se realiza por rotação da epífise radial ce difícil, em vista da sua amplitude (quase inferior ao redor do eixo da articulação rádio-ul- duas vezes a amplitude do punho) explicar, co- nar inferior que também é o da rádio-ulnar supe- mo fazemos até agora, por um movimento de rior. Esta situação é a única em que o eixo de lateralidade numa articulação troclear tão fe- pronação-supinação se confunde com a chernei- chada quanto a da úmero-ulnar. M.C. Dbjay ra de pronação-supinação. propôs recentemente uma explicação mais me- As duas articulações rádio-ulnares são co- cânica e satisfatória: a rotação externa asso- axiais igual às duas dobradiças de uma porta ciada com o úmero sobre o seu eixo longitudi- (fig. 3-45): os seus eixos estão sobre uma mes- nal (fig. 3-47) que provoca o deslocamento ex- ma reta. Neste caso a porta pode-se abrir sem di- terno da cabeça ulnar (A) enquanto o rádio gi- ficuldade (a). ra sobre si mesmo (B).
  • 134.
    1. MEMBRO SUPERIOR 129 Fig.3-46 A B Fig.3-45 Fig.3-44
  • 135.
    130 FISIOLOGIA ARTICULAR o EIXO DE PRONAÇÃO-SUPINAÇÃO (continuação) Para confirmar esta hipótese seriam neces- perto da cavidade sigmóide (fig. 3-49): o rádio sárias radiografias precisas ou registros eletro- gira sobre si mesmo aproximadamente 180° e a miográficos dos rotadores, para ser objetivos, ulna desloca, sem nenhuma rotação, por uma demonstrando que a sua amplitude é de 5° a 20°. trajetória em arco de círculo de igual centro, in- Se a experiência a confirmasse, esta hipótese so- tegrando um componente de extensão E e um mente seria válida no caso da pronação-supina- componente de lateralidade externa L. ção com o cotovelo flexionado em um ângulo O eixo de pronação-supinação ZZ', sem reto, quando alcança a sua amplitude máxima materializar, é na verdade totalmente diferente (supinação de 90° e pronação de 80-85°). Com o da charneira de pronação-supinação (fig. 3-50) cotovelo em extensão total, a ulna está imobili- que, deslocado de XX' para YY' pela cabeça ul- zada devido ao encaixe do olécrano na sua fossa nar descreve um segmento de superfície cônica e se o cotovelo for imobilizado com firmeza po- cuja cavidade está "orientada" para frente. demos comprovar que a pronação é quase nula, Definitivamente, não existe uma pronação- enquanto a supinação se mantém intata em toda supinação, mas várias pronações-supinações, a sua amplitude. A pronação perdida é compen- das quais a mais comum se realiza sobre um ei- sada por uma rotação interna do úmero. No cur- xo que passa pelo rádio e ao redor do qual "gi- so da extensão do cotovelo existiria um "ponto ram" os dois ossos. O eixo de pronação-supina- de transição" no qual a rotação associada com o úmero seria nula. ção, geralmente diferente da charneira de pro- nação-supinação, é um eixo sem materializar, Que podemos dizer sobre a limitação da variável e evolutivo. pronação em 45° com o cotovelo completamen- O fato de que este eixo de pronação-supina- te tlexionado? Parece que o úmero não pode gi- ção esteja sem materializar e não esteja fixo não rar sobre o seu eixo longitudinal, de maneira que significa de jeito nenhum que não exista; neste é necessário um deslocamento para fora da ca- caso também não existiria o eixo de rotação da beça ulnar mediante um movimento de laterali- Terra. O fato de que a pronação-supinação seja dade externa na tróc1ea do cotovelo. uma rotação permite deduzir exatamente que o Entre os dois casos extremos, em que o ei- eixo de pronação-supinação existe, real embora xo de pronação-supinação passa pelo lado ulnar imaterial, e que se confunde com a chameira de ou pelo lado radial do punho, a pronação-supi- pronação-supinação excepcionalmente, mas a nação normal baseada na preensão tridigital sua posição com relação ao esqueleto depende (fig. 3-48) se realiza ao redor de um eixo inter- tanto do tipo de pronação~supinação quanto do mediário que passa pela epífise inferior do rádio, seu estado em cada instante.
  • 136.
    1. MEMBRO SUPERIOR 131 Fig.3-48 L i ~111111111111111111111111111111l~ I 1 I I , I I I I I s Fig.3-49 Y' Z''f p Fig.3-50
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    132 FISIOLOGIA ARTICULAR AS DUAS ARTICULAÇÕES RÁDIO-ULNAR SÃO CO-CONGRUENTES o par funcional das articulações rádio-ul- nação e a posição de estabilidade máxi- nar se destaca pela sua congruência simultânea: ma coincide com a posição intermédia a posição de estabilidade máxima da articulação de pronação-supinação; rádio-ulnar inferior (RUI) e a da articulação rá- b) o processo estilóide está situado por trás dio-ulnar superior (RUS) se consegue com o e levemente para dentro: o plano de si- mesmo grau de pronação-supinação (fig. 3-51). metria da cabeça ulnar (S) forma um ân- Ou seja, quando a cabeça da ulna se situa na sua gulo aberto para frente e para fora de 20° altura máxima (h) na éavidade sigmóide do rá- com o plano sagital (F). Se avalia em dio, o contorno da cabeça radial também alcan- -20° e se diz que existe um "atraso de ça a sua altura máxima (y) na pequena cavidade 20° da pronação". A posição de estabili- sigmóide da ulna. O plano de simetria da cavi- dade sigmóide do rádio (s) e o da cabeça radial dade máxima não coincide com a posi- ção intermédia. Está em supinação de (T), que passam pelo ponto de maior altura do contorno, formam um ângulo diedro para dentro 20° de maneira que a pronação completa e para frente ou um ângulo de torção do rádio é menos ampla que no caso anterior; igual ao ângulo de torção da ulna determinado c) o processo estilóide está situado por trás da mesma maneira pelo plano de simetria da ca- e levemente para fora: desta vez existe beça ulnar (passando pelo ponto de maior altura um ângulo de "avanço da pronação", do contorno) e pelo da pequena cavidade sig- por exemplo de 15°, avaliado + 15°, e a móide da ulna. posição de estabilidade máxima é a de Porém, este ângulo varia dependendo de 15° de pronação, e a amplitude da pro- cada pessoa (fig. 3-52). Para se convencer é su- nação máxima é maior que nos dois ca- ficiente observar uma ulna "em escapada" pela sos anteriores. sua extremidade inferior. Para cada um dos três casos existe um ân- Dependendo da posição do estilóide ulnar e gulo diferente de torção da ulna, sendo mais do ponto de máxima altura no contorno da cabe- agudo quanto mais acentuado seja o "avanço da ça, podem aparecer três casos: pronação". Embora em todos os casos o ângulo a) o processo estilóide está situado exata- de torção da ulna (u) seja igual ao ângulo de tor- mente por trás: o plano de simetria (S) ção do rádio (r), o que determina a congruência da cabeça ulnar coincide com o plano sa- simultânea das duas articulações rádio-ulnares. gital (F), que contém a crista romba da Um estudo estatístico sobre numerosos ca- grande cavidade sigmóide. Não existe sos permitiria, sem dúvida, conhecer as varia- nem "avanço" nem "atraso" para a pro- ções e as distribuições dos ângulos.
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    1. MEMBRO SUPERIOR 133 t) B A Fig.3-51 SnF Fn +150 B A c Fig.3-52
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    134 FISIOLOGIA ARTICULAR OS MOTORES DA PRONAÇÃO-SUPINAÇÃO: OS MÚSCULOS Para poder compreender a forma de atuar Os músculos pronadores-supinadores são dos músculos rotadores devemos analisar, desde quatro, associados de dois em dois. Para cada um um ponto de vista mecânico, a forma do rádio dos movimentos existem: (fig. 3-53). ,- um músculo curto e plano, cuja ação é a Este osso está constituído por três segmen- de "desenrolar" (ver seta 1); tos cuja união representa, de maneira aproxima- - um músculo longo que se insere no vérti- da, uma manivela. ce de uma curva (ver seta 2). - o colo (segmento superior, oblíquo para Músculos motores da supinação (figs. baixo e para dentro) forma com o seg- 3-55 e 3-56; secções, lado direito, vista do frag- mento médio (porção média da diáfise, mento inferior). São os seguintes: oblíqua para baixo e para fora) um ângu- 1) o supinador (1), enrolado em tomo do co- lo obtuso aberto para fora, cujo vértice lo do rádio (fig. 3-56, a): atua ao "desenro- (seta 1) está ocupado pela tuberosidade lar-se"; bicipital, inserção do bíceps. Estes dois 2) o bíceps (2), que se insere no vértice da segmentos descrevem, em conjunto, a curva supinadora no nível da tuberosidade "curva supinadora" do rádio; bicipital (fig. 3-56, b): atua por tração e - o segmento médio constitui, com o seg- mostra a sua máxima eficácia quando o co- mento inferior (oblíquo para baixo e pa- tovelo está em ftexão de 900• E o músculo ra dentro), um ângulo obtuso aberto pa- mais potente de todos os que intervêm na ra dentro, cujo vértice (seta 2) é o ponto pronação-supinação, o que explica que se de inserção do pronador redondo. Am- enrole como um parafuso "supinando", bos os segmentos descrevem, em con- com o cotovelo ftexionado. junto, a "curva pronadora" do rádio. Músculos motores da pronação (figs. É preciso ressaltar que a "manivela radial" 3-57 e 3-58). São os seguintes: é oblíqua com respeito ao seu eixo (esquema pe- 1) o pronador quadrado (1), enrolado ao re- queno): de fato, este eixo xx', que é o eixo de dor da extremidade inferior da ulna: atua pronação-supinação, passa pelos extremos dos "desenrolando" a ulna com relação ao rá- ramos e não pelos próprios ramos. De maneira dio (fig. 3-58, vista inferior, lado direito); que os vértices das duas curvas se localizam a 2) o pronador redondo (2), que se insere no um lado e a outro do eixo. vértice da curva pronadora, atua por tra- O eixo xx' é comum para as duas articula- ção, mas o seu momento de ação é fraco, ções rádio-ulnares; esta coincidência dos dois ei- especialmente com o cotovelo em exten- são. xos é indispensável para poder realizar a prona- ção-supinação. Isto requer que os dois ossos es- Os músculos pronadores são menos potentes tejam íntegros, sem fraturas, seja em conjunto ou que os supinadores: na tentativa de desaparafusar em separado. um parafuso bloqueado, é necessária a ajuda da Existem duas formas de mover essa mani- pronação obtida mediante a abdução do ombro. Apesar do seu nome, o braquiorradial não é vela (fig. 3-54): supinador, mas ftexor do cotovelo. Não é supina- - "desenrolar" um tracionador enrolado em dor inclusive na posição zero, a não ser a partir da um dos ramos (seta 1); pronação completa. Paradoxalmente, a partir da ~ puxar do vértice de uma das curvas (seta supinação completa, é pronador até a posição zero. 2). Existe somente um nervo para a pronação: o Esta é a forma de atuar dos músculos prona- mediano. Dois nervos para a supinação: o radial é dores-supinadores. o músculo-cutâneo (no caso do bíceps).
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    1. tvfEMBRO SUPERIOR 135 Fig.3-57 Fig.3-58 Fig.3-54 Fig.3-56
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    136 FISIOLOGIA ARTICULAR AS ALTERAÇÕES MECÂNICAS DA PRONAÇÃO-SUPINAÇÃO Fraturas dos dois ossos do antebraço (figs. da ulna, pela parte de cima (fig. 3-61) 3-59 e 3-60, segundo Merle D'Aubigne). (operação de M. Kapandji e Sauvé); O deslocamento dos fragmentos é diferente 2) luxação da cabeça radial dependendo da localização das linhas de fratura; Associa-se com freqüência (fig. 3-62) a está condicionado pelas ações musculares. uma fratura por impacto direto (seta bran- 1) se a linha de fratura radial se localiza ca) da ulna (fratura de Monteggia). A lu- no terço superior (fig. 3-59), separa xação da cabeça radial para cima (seta fragmentos sobre os que atuam múscu- preta) se produz quando o bíceps se con- los com a mesma função: supinadores no trai (seta tracejada): para realizar a opo- fragmento superior, pronadores no frag- nência desta ação luxante do bíceps, é ne- mento inferior. Neste caso, o desloca- cessário reconstruir cirurgicamente um li- mento (rotação dos fragmentos um com gamento anular. relação ao outro) será máximo: o frag- Fraturas da porção inferior do rádio mento superior estará em pronação má- Durante as fraturas da porção inferior do rá- xima e o inferior em supinação máxima; dio (fig. 3-63), a basculação externa da epífise ra- 2) se a linha de fratura radial se localiza na dial (A) provoca uma incongruência da articula- porção média (fig. 3-60), o deslocamento ção rádio-ulnar inferior e uma tensão exagerada será normal. De fato: do ligamento triangular. Se não reduzimos o des- - a pronação do fragmento inferior é locamento com precisão e se a consolidação se realizada exclusivamente pelo prona- realiza com um calo vicioso, a pronação-supina- dor quadrado; ção pode estar gravemente alterada. - a supinação do fragmento superior é Quando o traumatismo é suficientemente in- moderada pelo pronador redondo. tenso para arrancar o ligamento triangular, fato O deslocamento fica reduzido pela me- que observamos em radiografias, o resultado é o tade. mesmo. A redução deve corrigir o desvio angular e Em alguns casos (B), o ligamento triangular também restabelecer as curvas de ambos os ossos, arranca a sua inserção interna, isto é, a estilóide ra- principalmente do rádio: dial (fratura de Gerard-Marchant). Isto provoca - curva no plano sagital, de concavidade duas conseqüências: anterior. Se desaparece ou fica invertida, a - uma luxação da articulação rádio-ulnar pronação é menos ampla; inferior com diástase, limitada unicamen- ~ curvas no plano frontal, na prática a CUI- te pela membrana interóssea; va pronadora, sem a qual a pronação fi- - uma entorse grave do ligamento lateral ca limitada pela ineficácia do pronador interno da articulação rádio-carpeana. redondo. A basculação posterior das fraturas da porção Luxações das articulações rádio-ulnares inferior do rádio (fig. 3-64) também prejudica a 1) luxação da articulação rádio-ulnar inferior pronação-supinação: Pode ocorrer de forma isolada ou associa- a) em estado normal os eixos das superfícies da com uma fratura da diáfise radial. O radial e ulnar se confundem; seu tratamento é complicado e pode pro- b) quando o fragmento epifisário inferior do vocar a ressecção da cabeça ulnar (opera- rádio realiza a basculação para trás, o eixo ção de Darrach) ou a sua reposição. da superfície radial forma com o da super- Somente podemos repor e fixar com para- fície ulnar um ângulo aberto para baixo e fuso se provocamos uma pseudo-artrose para trás: a congruência das superfícies ar- intencionada por ressecção segmentária ticulares desaparece.
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    s .•..••..• "1 I , f I I I I I I I p Fig.3-59 Fig.3-61 Fig.3-63 Fig.3-62
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    138 FISIOLOGIA ARTICULAR COMPENSAÇÕES E POSIÇÃO FUNCIONAL "A supinação se realiza com o antebra- - e a posição de semi-pronação (figs. 3-68 ço" (fig. 3-65) e 3-69): segurar uma colher ou escre- ver. De fato, como a posição normal do membro superior é ao longo do corpo com o cotovelo fle- A posição funcional corresponde a um es- xionado, não existe outra possibilidade de reali- tado de equilíbrio natural entre os grupos zar a supinação se não for nas articulações rádio- musculares antagonistas e, portanto, com o mí- ulnares exclusivamente: verdadeira supinação. nimo gasto muscular possível. . É o movimento que se realiza quando abri- O movimento de pronação-supinação é im- mos uma fechadura com chave. prescindível para levar os alimentos à boca. De O fato de que o ombro não intervém na supi- fato, quando pegamos um alimento de um plano nação explica a dificuldade para compensar a para- horizontal (uma mesa ou o chão), a mão realiza a lisia da supinação. Contudo, isto se atenua porque sua aproximação em pronação, para pegar o ob- a paralisia completa da supinação é rara, porque o jeto por cima e o cotovelo se estende. Para levar o alimento até a boca é necessário flexionar o co- bíceps possui uma inervação diferente (nervo mús- culo-cutâneo) da do supinador (nervo radial). tovelo ao mesmo tempo que se apresenta o ali- mento realizando um movimento de supinaçâo. "A pronação se realiza com o ombro" É necessário fazer duas advertências: (fig. 3-66) Porém, no caso da pronação, a ação dos - a supinação "poupa" a flexão do co- tovelo: se fosse necessário levar o músculos pronadores puros pode-se ampliar com relativa facilidade ou pode-se compensar mesmo objeto até a boca mantendo com uma abdução do ombro. É O movimento uma atitude de pronação, para realizar realizado para virar o conteúdo de uma panela. este gesto precisamos de uma maior flexão do cotovelo; Posição funcional - o bíceps é o músculo que melhor se Esta posição se situa entre: adapta a este movimento "alimen- - a posição intermédia (fig. 3-67) utilizada, tar", já que é flexor do cotovelo e su- por exemplo, para segurar um martelo; pinador.
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    1. MEMBRO SUPERIOR 139 Fig.3-66 Fig.3-68 Fig.3-67 ~. Fig.3-69
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    140 FISIOLOGIA ARTICULAR SIGNIFICADO o punho, articulação distal do membro su- qualquer ângulo para pegar ou segurar um ob- perior, permite que a mão - segmento realiza- jeto. dor - se coloque numa posição ótima para a O complexo articular do punho compreen- preensão. de duas articulações: De fato, o complexo articular do punho - a rádio-carpeana, que articula a glenóide possui dois graus de liberdade. Com a prona- antebraquial com o côndilo carpeano; ção-supinação, rotação do antebraço sobre o seu - a médio-carpeana, que articula entre elas eixo longitudinal, a mão pode-se orientar em as duas fileiras dos ossos do carpo.
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    142 FISIOLOGIA ARTICULAR DEFINIÇÃO DOS MOVIMENTOS DO PUNHO Os movimentos do punho (fig. 4-1) se rea- - um eixo BB', ântero-posterior que per- lizam em torno de dois eixos, com a mão em po- tence ao plano sagital (tracejado hori- sição anatômica, isto é, em máxima supinação: zontal). Este eixo condiciona os movi- mentos de adução-abdução que se reali- -.- um eixo AA', transversal, que pertence ao plano frontal (tracejado vertical). Es- zam no plano frontal (tracejado verti- te eixo condiciona os movimentos de cal): ftexão-extensão que se realizam no pla- • adução ou desvio ulnar (seta 3): a mão no sagital (tracejado horizontal): se aproxima do eixo do corpo e o seu • flexão (seta 1): a superfície anterior ou lado interno - ou lado ulnar (do dedo palmar da mão se aproxima da super- mínimo) -, forma, com o lado interno fície anterior do antebraço; do antebraço, um ângulo obtuso aber- to para dentro; • extensão (seta 2): a superfície poste- rior ou dorsal da mão se aproxima da • abdução ou desvio radial (seta 4): a superfície posterior do antebraço. É mão se afasta do eixo do corpo e o seu preferível não utilizar os termos fte- lado externo - ou lado radial (do po~ xão dorsal e, com maior motivo, fte- legar) -, forma, com o lado externo xão palmar, por tratar-se de uma tau- do antebraço, um ângulo obtuso aber- tologia. to para fora.
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    1. MEMBRO SUPERIOR143 fg.4-" ----------
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    144 FISIOLOGIA ARTICULAR AMPLITUDE DOS MOVIMENTOS DO PUNHO Movimento de abdução-adução (fig. 4-2) - em geral, a amplitude dos movimentos A amplitude dos movimentos é medida a de adução-abdução é mínima em flexão partir da posição de referência (a): o eixo da forçada ou em extensão do punho, posi- mão, representado pelo terceiro metacarpeano e ções nas quais os ligamentos do carpo terceiro dedo, se localiza no prolongamento do estão tensos. É máxima na posição de eixo do antebraço. referência ou em leve flexão, porque os ligamentos se distendem. A amplitude do movimento de abdução ou desvio radial (b) não excede os 150• Movimentos de flexão-extensão (fig. 4-3) A amplitude de adução ou desvio ulnar (c) A amplitude dos movimentos é medida a é de 450, quando medimos o ângulo na linha que partir da posição de referência (a): punho une o centro do punho com a porção distal do alinhado, superfície dorsal da mão no pro- terceiro dedo (linha tracejada). longamento da superfície posterior do ante- Contudo, esta amplitude é diferente depen- braço. dendo do que consideramos: A amplitude da flexão (b) é de 850, isto é, - o eixo da mão: em cujo caso é de 300; que não alcança os 900• - o eixo do dedo médio: em cujo caso é de A amplitude da extensão (c), incorreta- 550• mente denominada "flexão dorsal", também é Isto se deve a que a adução da mão se asso- de 850, de modo que também não alcança os 900• cia com a adução dos dedos. Todavia, na prática, podemos considerar Como no caso dos movimentos laterais, a que a amplitude da adução é de 450• amplitude dos movimentos depende do grau de Devemos ressaltar vários fatos: distensão dos ligamentos do carpo: - o desvio ulnar é de duas a três vezes mais - a flexão-extensão é máxima quando a amplo do que o desvio radial; mão não se encontra nem em abdução nem emadução; - o desvio ulnar é mais amplo em supina- ção que em pronação (Sterling Bunnel), -- a flexão-extensão é de menor amplitude quando não ultrapassa os 25-300; quando o punho está em pronação.
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    1. MEMBRO SUPERIOR 145 a c b Fig.4-2 b a c Fig.4-3
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    146 FISIOLOGIA ARTICULAR o MOVIMENTO DE CIRCUNDUÇÃO omovimento de circundução se define co- A figura 4-5 mostra a parte da base do co- mo a combinação dos movimentos de flexão-ex- ne de circundução (c): tensão com os movimentos de adução-abdução. - o corte do cone pelo plano frontal (a) Então, é um movimento que se realiza, si- com a posição de abdução R-adução C multaneamente, com relação aos dois eixos da ar- e o eixo do cone de circundução OA; ticulação do punho. - o corte do cone pelo plano sagital (b) Quando o movimento de circundução alcan- com a posição de flexão F e a posição ça a sua máxima amplitude, o eixo da mão des- de extensão E. creve uma superfície cônica no espaço, denomi- A amplitude dos movimentos do punho é nada "cone de circundução" (fig. 4-4). menor em pronação do que em supinação, de Este cone tem um vértice O, localizado no modo que o cone de circundução é menos "centro" do punho, e uma base, representada na "aberto" em pronação. figura pelos pontos F, R, E, C, que descrevem a Contudo, graças aos movimentos asso- trajetória que segue a ponta do dedo médio duran- ciados de pronação-supinação, o achatamento te o movimento de máxima circundução. do cone de circundução pode-se compensar de Além disso, o citado cone não é regular, a certo modo, e o eixo da mão pode ocupar to- sua base não é circular. Isto se deve a que a am- das as posições no interior de um cone cujo plitude dos diferentes movimentos elementares ângulo de abertura é de 160 a 170°. não é simétrica com relação ao prolongamento do Além disso, como em todas as articula- eixo do antebraço 00'. ções com dois eixos e dois graus de liberdade, Sendo a amplitude máxima no plano sagita! do mesmo modo que vamos expor mais adian- FOE e mínima no plano frontal ROC, o cone é te ao falar da articulação trapézio-metacarpea- achatado no sentido transversal e podemos com- na, um movimento simultâneo ou sucessivo parar a sua base com uma elipse (fig. 4-5, c) com em torno de dois eixos ocasiona uma rotação um eixo maior ântero-posterior FE. automática ou inclusive uma rotação conjunta Inclusive está deformada pela parte interna (Mac Conaill) em torno do eixo longitudinal C, devido à maior amplitude do desvio ulnar. Por do segmento móvel, a mão, que orienta a pal- conseguinte, o eixo do cone de circundução OA ma em direção oblíqua com relação ao plano não se confunde com 00', mas que se encontra da superfície anterior do antebraço. Isto não em desvio ulnar de 15°. Por outro lado, a posição está claro, salvo nas posições de extensão-adu- da mão em adução de 15° corresponde à posição ção e de flexão-adução, embora não tenha a de equilíbrio entre os músculos que dirigem o mesma importância funcional que no caso do desvio. É um elemento da posição funcionaL polegar.
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    1. MEMBRO SUPERIOR 147 Fig.4-4 E o / • / O' E c R R a E Fig.4-5
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    148 FISIOLOGIA ARTICULAR o COMPLEXO ARTICULAR DO PUNHO o complexo articular do punho (fig. 4-6) Os ligamentos anterior e posterior (fig. inclui duas articulações: 4-11, vista externa esquemática) que serão estu- dados com detalhe mais adiante: 1) a articulação rádio-carpeana entre a porção inferior do rádio e os ossos da fi- 3) o ligamento anterior (ou melhor, sistema leira superior do carpo; ligamentar anterior) se insere no lado an- 2) a articulação médio-carpeana entre a terior da glenóide radial e do colo do osso fileira superior e a fileira inferior do capitato; carpo. 4) o ligamento (ou complexo ligamentar) A articulação rádio-carpeana posterior, que também constitui uma faixa posterior. A articulação rádio-carpeana é uma articu- lação condilar (fig. 4-7): a superfície do côndi- Os dois ligamentos anterior e posterior se fi- xam no carpo nos pontos de "início" do eixo BB' 10 carpeano, considerada como um bloco, apre- senta duas curvas convexas: de abdução-adução. Sempre considerando, numa primeira apro- - uma curva transversal (seta 1), de raio ximação, que o carpo constitui um bloco único, o R e cujo eixo BB' é ântero-posterior: es- que está longe de ser verdade como veremos mais ta curva se corresponde com os movi- adiante, a entrada em ação dos ligamentos da mentos de adução-abdução; rádio-carpeana se decompõe da seguinte manei- - uma curva ântero-posterior (seta 2), ra: de raio r (menor que R) e cujo eixo AA' - nos movimentos de adução-abdução é transversal: esta curva se corresponde (figs. 4-8, 4-9 e 4-10, vistas anteriores), com os movimentos de flexão-extensão. são os ligamentos anteriores os que tra- No esqueleto: balham. Partindo da posição de repouso - eixo AA' de f1exão-extensão passa pela (fig. 4-8), podemos observar que: interlinha semilunar-osso capitato; - durante a adução (fig. 4-9), o liga- mento externo está tenso e o interno - eixo BB' de adução-abdução passa pela está distendido; cabeça do osso capitato, perto de sua superfície articular. - durante a abdução (fig. 4-10), se pro- duz o fenômeno inverso. Os ligamentos da articulação rádio-car- O ligamento anterior, fixo perto do centro de peana se organizam em dois sistemas: rotação, participa pouco. Os ligamentos laterais (fig. 4-8): Nos movimentos de flexão-extensão (figs. 1) o ligamento lateral externo, que se esten- 4-11, 4-12 e 4-13, vistas laterais), são, principal- de do processo estilóide radial até o esca- mente os ligamentos anterior e posterior os que fóide; mais trabalham. Partindo da posição de repouso (fig. 4-11), podemos observar que: 2) o ligamento lateral interno, que se esten- de do processo estilóide ulnar ao pirami- - o ligamento posterior está tenso durante a dal e ao pisiforme. f1exão (fig. 4-12); A inserção inferior destes dois ligamentos - o ligamento anterior está tenso durante a se localiza, aproximadamente, no ponto de "iní- extensão (fig. 4-13). cio" do eixo AA' de flexão-extensão. Os ligamentos laterais participam pouco.
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    A' A Fig.4-7 Fig.4-9 .... .... .... - = 4~4J.· L3 I Fig.4-12 Fig.4-11 Fig.4-13
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    150 FISIOLOGIA ARTICULAR AS ARTICULAÇÕES RÁDIO-CARPEANAS E MÉDIO-CARPEANAS As superfícies articulares da rádio-carpeana • escafóide, com: duas superfícies articu- são (figs. 4-14 e 4-15): o côndilo carpeano e a gle- lares inferiores, levemente convexas, nóide antebraquial. uma (1) para o trapézio, outra (2), por Na vista anterior do carpo (fig. 4-15), pode- dentro, para o trapezóide; uma superfície mos observar como o côndilo carpeano é formado articular interna (3), de concavidade pela justaposição da superfície superior dos três os- acentuada, para o osso capitato; sos da fileira superior que são, de fora para dentro: • superfície articular inferior do semillllzar -- o escafóide (1), o semilunar (2), o pirami- (4), côncava abaixo, que se articula com dal (3), unidos entre si pelos ligamentos a cabeça do osso capitato; escafo-Iunar (el) e piramido-Iunar (pl). • superfície articular inferior do piramidal Observar que o pisiforme (4) não participa da (5), côncava abaixo e para fora, que se formação do côndilo carpeano, e com mais razão articula com a superfície superior do os- os ossos da fileira inferior, o trapézio (5), o trape- so hamato. zóide (6), o capitato ou grande (7) e o hamato ou O pisiforme, articulado sobre a superfície an- ganchoso (8), unidos entre si pelos três ligamentos terior do piramidal, não participa na formação da trapézio-trapezóideo (tt), trapézio-osso capitato interlinha médio-carpeana. (toc) e hamato-osso capitato (hoc). - a superfície inferior, em vista póstero-su- A superfície superior do escafóide, do semilu- perior. Está constituída de fora para dentro nar e do piramidal tem uma camada de cartilagem, por: igual aos ligamentos que unem estes três ossos en- • superfície articular superior do trapé:.:io tre si, formando uma superfície contínua. (6) e do trapezóide (7); Numa vista da articulação aberta (fig. 4-14, se- • cabeça do osso capitato (8), que se arti- gundo Testut), podemos observar, além do côndilo cula com o escafóide e o osso capitato; carpeano com as superfícies articulares do escafóide (1), do semilunar (2) e do piramidal (3), a superfície • superfície superior do osso hamato (9), sua côncava da glenóide antebraquial constituída por: maior parte se articula com o piramidaL e uma pequena superfície articular (I O) que - porção inferior do rádio (9), por fora, cu- entra em contato com o semilunar. ja superfície inferior, côncava e coberta com cartilagem fica dividida por uma cris- Considerando que cada uma das fileiras do ta romba em duas superfícies articulares carpo formam um bloco, podemos comprovar que que se correspondem aproximadamente a interlinha médio-carpeana está constituída por com o escafóide (10) e o semilunar (11); duas partes: - superfície inferior do ligamento triangular - uma parte externa, formada por superfí- (12), côncavo e coberto com cartilagem, o cies articulares planas (trapézio e trape- seu vértice se insere no processo estilóide zóide sobre a base do escafóide), articula- ulnar (13); a cabeça ulnar (14) o ultrapas- ção tipo artródia; sa levemente pela frente e por trás; algu- - uma parte interna, constituída pela super- mas vezes, a sua base não se insere total- fície convexa, em todos os sentidos, da ca- mente, provocando o aparecimento de beça do osso capitato e do osso hamato, que uma pequena fenda (15) que comunica a se encaixa na superfície côncava dos três rádio-carpeana com a rádio-ulnar inferior. ossos da fileira superior: é uma articulação A cápsula (16), desenhada intata na sua parte condilar. posterior, une o côndilo com a glenóide. A médio- Os movimentos numa articulação deste tipo carpeana (fig. 4-16, segundo Testut: representada estão condicionados pela maior ou menor elastici- ,aberta por sua superfície posterior), situada entre dade dos ligamentos que permite um determinado as duas fileiras do ossos do carpo, compreende: 'jogo" mecânico. São os movimentos de flexão-ex- - a superfície superior, em vista póstero- tensão, de desvio lateral e de rotação em tomo do inferior. Está constituída de fora para den- eixo longitudinal. Mais adiante poderemos estudá- tro por: los mais detalhadamente.
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    1. MEMBRO SUPERIOR151 . 10 I 14 Fig.4-14 Fig.4-15 Fig.4-16
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    152 FISIOLOGIA ARTICULAR OS LIGAMENTOS DA ARTICULAÇÃO RÁDIO-CARPEANA E DA MÉDIO-CARPEANA Usamos como referência a N. Kuhlmann (1978) pa- nar à superfície anterior do colo do osso capita- ra ressaltar os elementos novos na descrição dos ligamen- to, prolonga para baixo o ligamento rádio-lunar; tos da articulação rádio-carpeana e da médio-carpeana. • o ligamento triqueto-capital (11), que se esten- Como poderemos ver mais adiante, este conceito moder- de obliquamente por baixo e por fora da super- no do aparelho ligamentar pennite explicar muito melhor fície anterior do piramidal ao colo do osso capi- o papel que desempenha na estabilidade do carpa e, na tato onde constitui, com os dois ligamentos pre- verdade, na sua adaptação às alterações que derivam dos cedentes, um autêntico aparelho ligamentar; movimentos do punho. • o ligamento trapézio-escaf6ide (12), curto, Em vista anterior (fig. 4-17), se distinguem: mas largo e resistente, une o tubérculo do esca- - os dois ligamentos laterais da rádio-carpeana: fóide com a superfície anterior do trapézio, por • o ligamento lateral interno, que se origina no cima da sua crista oblíqua; processo estilóide ulnar e se entrelaça com a • o ligamento triqueto-ganchoso (ou triqueto-ha- inserção do triangular (1), no nível de seu vér- mata!) (13), verdadeiro ligamento lateral inter- tice. A seguir, se divide num fascículo poste- no da médio-carpeana; rior estilo piramidal (2) e um fascículo ante- • finalmente, os ligamentos pisiunciforme (14) e rior estilo-pisiforme (3); pisimetacarpeano (15), este último participa na • o ligamento lateral externo, também constituí- articulação carpometacarpeana. do por dois fascículos que se originam no pro- Em vista posterior (fig. 4-17 bis), podemos localizar: cesso estilóide radial: um fascículo posterior - o ligamento lateral externo da rádio-carpeana, (4), que se expande do vértice do processo esti- pelo seu fascículo posterior (4); lóide até a superfície extema do escafóide para inserir-se por baixo da superfície articular supe- - o ligamento lateral interno da rádio-carpeana, rior, e umfascículo anterior (5), muito espesso também pelo seu fascículo posterior (2), cujas e resistente que se estende do lado anterior do inserções estão entrelaçadas com o vértice do li- processo estilóide até o tubérculo do escafóide; gamento triangular (1); - o ligamento anterior da rádio-carpeana, consti- - o ligamento posterior da rádio-carpeana tuído por dois fascículos: constituído por dois fascículos oblíquos para baixo e para dentro: • por fora, o fascículo rádio-lunar anterior (6), que se estende obliquamente por baixo e por • ofascículo rádio-lunar posterior (16), ou freio dentro do lado anterior da glenóide radial até o posterior do lunar; haste anterior do semilunar; daí vem a denomi- • o fascículo rádio-piramidal posterior (17), cu- nação de freio anterior do lunar; jas inserções são mais ou menos simétricas com ••por dentro, ofascículo rádio-piramidal anterior as do seu homólogo anterior, incluída a sua (7), recentemente individualizado por N. Kuhl- união com a terminação do ligamento posterior mann; suas inserções superiores ocupam a me- da rádio-ulnar inferior (18) sobre o lado poste- tade interna do lado anterior da glenóide e todo rior da cavidade sigmóide do rádio: este fascí- o lado anterior da cavidade sigmóide do rádio, culo posterior completa a "tira do piramidal"; onde se entrelaça com as inserções radiais do li- - as duas faixas transversais posteriores do carpo: gamento anterior (8) da rádio-ulnar inferior; es- • afaixa da primeira fileira (19), que se esten- te ligamento, de forma triangular, forte e resis- de transversalmente da superfície posterior tente, se dirige para baixo e para dentro para in- do piramidal até a do escafóide, para se inse- serir-se na superfície anterior do piramidal, por rir no haste posterior do lunar e enviando fora da sua superfície articular junto com o pisi- uma expansão (20) ao ligamento lateral ex- forme; constitui a parte anterior da "tira do pira- terno e uma expansão (21) ao ligamento rá- midal", que voltaremos a ver mais adiante; dio-piramidal posterior; - os ligamentos da médio-carpeana: • afaixa da segunda fileira (22) que se estende • o ligamento rádio-capital (9), que se estende obliquamente por fora e levemente por baixo obliquamente por baixo e por dentro da parte da superfície posterior do piramidal à do trape- externa do lado anterior da glenóide até a su- zóide (23) e a do trapézio (24), passando por perfície anterior do osso capitato. Está incluído trás do osso capitato; no mesmo plano fibroso que 9s fascículos rá- - por último, o ligamento triqueto-hamatal (13), dio-lunar e rádio-piramidal. E um ligamento cuja parte posterior se insere na superfície poste- anterior da rádio-carpeana e da médio-carpea- rior do piramidal que, de tal forma desempenha, na ao mesmo tempo; para a parte posterior do carpa, o papel de segu- • o ligamento lunatocapital (10), que se estende rar o ligamento atribuído ao colo do osso capita- verticalmente desde o haste anterior do semilu- to na sua superfície anterior.
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    1. MEMBRO SUPERIOR 153 8 6 9 4 5 10 12 Fig.4-17 Fig. 4-17 bis
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    154 FISIOLOGIA ARTICULAR FUNÇÃO ESTABILIZADORA DOS LIGAMENTOS Estabilização no plano frontal pressão de origem muscular acentua a instabili- dade e acarreta urna tendência ao deslocamento A primeira função dos ligamentos do punho é a de estabilizar o carpo nos dois planos do côndilo carpeano para cima e para dentro. frontal e sagita!. Os ligamentos laterais da rádio-carpeana No plano frontal, o papel que desem- não são suficientes para "atrapalhar" este movi- penham os ligamentos é necessário, devido à mento devido à sua direção longitudinal. Corno o demonstrara N. Kuhlmann, esta função é pró- orientação da glenóide antebraquial (fig. 4-18, pria (fig. 4-21) dos dois ligamentos rádio-pira- vista anterior esquemática) que "se orienta" para midais anterior e posterior cuja direção oblíqua baixo e para dentro, de tal modo que pode pare- para cima e para fora permite centralizar de no- cer, no seu conjunto, com um plano oblíquo de vo e de maneira permanente o côndilo carpeano cima para baixo e de dentro para fora, formando de modo que evita o seu deslocamento para com a horizontal um ângulo de 25 a 30°. Sob a dentro. pressão das forças musculares longitudinais, o carpo alinhado tende a deslizar para cima e para Em vista póstero-interna (fig. 4-22) da por- dentro, no sentido da seta branca. ção inferior do rádio, após ter sido removida a porção inferior da ulna, de modo que podemos Contudo, (fig. 4-19) se o carpo se aduz observar a cavidade sigmóide do rádio (1) e o aproximadamente 30°, a força da compressão de piramidal (2), acompanhado pelo pisiforme (3), origem muscular se exerce perpendicularmente e removidos também os outros ossos do carpo, ao plano de deslizamento descrito anteriormen- se observa que o piramidal se une com o rádio te, o que estabiliza e centraliza novamente o mediante os dois ligamentos rádio-piramidal an- côndilo carpeano na glenóide. Além disso, esta terior (4) e posterior (5). Constituem em conjun- posição em leve adução é a posição natural do to uma "faixa ligamentar" que dirige perma- punho, a posição funcional, que coincide com a nentemente o piramidal para cima e para dentro. sua máxima estabilidade. Também desempenham, como veremos mais Pelo contrário (fig. 4-20), quando o carpo adiante, urna função importante na mecânica in- se abduz, por escassa que seja a abdução, a com- terna do carpo durante a abdução.
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    1. MEMBRO SUPERIOR 155 Fig.4-18 Fig.4-19 Fig.4-20 3
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    156 FISIOLOGlAARTICULAR FUNÇÃO ESTABILIZADORA DOS LIGAMENTOS (continuação) Estabilização no plano sagital sal da primeira fileira se encontram tensos, o que No plano sagital, as condições são muito coapta o semilunar na glenóide radial. parecidas. Em posição de alinhamento (fig. 4-26), a Devido à orientação para baixo e para dian- tensão dos ligamentos anteriores e posteriores se te da glenóide (fig. 4-23, vista esquemática de equilibra, estabilizando o côndilo na glenóide. perfil), o côndilo carpeano tem a tendência de Pelo contrário, em extensão (fig. 4-27), a "escapar" para cima e para frente, na direção da tendência a que o côndilo carpeano escape para seta branca), deslizando-se sobre o "plano" da cima e para diante se reforça. glenóide que forma um ângulo de 20 a 25° com a horizontal. A função dos ligamentos (fig. 4-28) é essen- cial, não tanto a dos ligamentos posteriores, que A flexão do punho de 30 a 40° (fig. 4-24) permanecem distendidos, mas a dos anteriores, orienta o deslocamento ósseo, sob pressão das cuja tensão é proporcional ao grau de extensão. forças musculares, perpendicularmente ao "pla- Pela sua superfície profunda, comprimem o se- no" da glenóide, o que estabiliza e centraliza no- milunar e a cabeça do osso capitato para cima e vamente o côndilo carpeano. para trás, produzindo ao mesmo tempo a estabi- Assim sendo, a função dos ligamentos (fig. lização e a recentralização do côndilo carpeano; 4-25) se reduz relativamente: os ligamentos an- o que corresponde à posição de tensão ligamen- teriores, distendidos, não intervêm; pelo contrá- tar e de máxima compressão articular, ou tam- rio, o freio posterior do lunar e a faixa transver- bém "close packed position" de Mac Conaill.
  • 162.
    1. MEMBRO SUPERIOR 157 Fig.4-24 Fig.4-23 Fig.4-28 Fig.4-26
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    158 FISIOLOGIA ARTICULAR A DINÂMICA DO CARPO Coluna do semilunar que anula, em parte, os efeitos: deste modo, em Se é conveniente, numa primeira aproxima- alinhamento, o centro da cabeça do osso capita- ção, considerar o maciço do carpa como um blo- to é o mais afastado do fundo da glenóide, no co imutável, os recentes trabalhos de anatomia sentido do eixo longitudinal do rádio. Em ex- funcional mostram que este conceito monolítico tensão (fig. 4-34), a "subida" do centro da cabe- já não corresponde à realidade: é melhor ter em ça do osso capitato se anula em parte pela "des- mente um carpo de geometria variável no qual cida" do lado posterior da glenóide. Em flexão se produzem, por ação de pressões ósseas e de (fig. 4-35), sua descida se anula, em parte, pela resistências ligamentares, movimentos relativos "subida" do lado anterior da glenóide. Porém, o dos ossos no interior do carpa que modificam centro da cabeça do osso capitato se localiza, sensivelmente a sua forma. em ambos os casos, aproximadamente no mes- N. Kuhlmann estudou recentemente estes mo nível h por cima de sua posição de alinha- mento. movimentos elementares, principalmente no que se refere à coluna média do semilunar e do osso Por outro lado, em flexão (fig. 4-35), este capitato, além da coluna externa do escafóide e centro se submete a um deslocamento anterior a do par trapézio-trapezóide. igual a mais de duas vezes a retrocessão r asso- ciada à extensão (fig. 4-34), o que modifica ao A dinâmica da coluna média depende da contrário o grau de tensão e o momento de ação forma assimétrica do semilunar, mais avultado, dos flexores em relação aos extensores. mais espesso pela frente que por trás: depen- dendo dos casos, a cabeça do osso capitato está Tradicionalmente, a flexão é maior na rá- coberta por um capuz frígio (fig. 4-29), um bo- dio-carpeana (50°) que na médio-carpeana (35°), né de cossaco (fig. 4-30) ou um turbante (fig. 4- e ao contrário, a extensão é maior na médio-c ar- 31); é raro que esteja coberto por um bicorne peana (50°) que na rádio-carpeana (35°). Isto é "primeiro império" (fig. 4-32) simétrico e neste correto para as amplitudes extremas, mas nos caso, a cabeça do osso capitato é assimétrica, setores de escassa amplitude, o grau de flexão ou mais oblíqua pela frente. Aproximadamente na de extensão é mais ou menos o mesmo em cada metade dos casos, o "capuz frigia" se coloca en- uma das articulações. tre o osso capitato e a glenóide radial, como se A assimetria do semilunar faz com que a fosse uma cunha curva. Conseqüentemente, esta estática do carpo seja muito sensível à sua posi- distância útil entre a cabeça do osso capitato e a ção relativa na cadeia articular. Se, a partir da glenóide radial varia dependendo do grau de fle- posição de alinhamento (fig. 4-36) que corres- xão-extensão do punho. ponde a um adosamento normal do semilunar Em posição de alinhamento (fig. 4-33), a pelos seus dois freios anterior e posterior, se in- distância útil corresponde à espessura média do troduz, sem nenhuma flexão-extensão do osso semilunar. capitato com relação ao rádio, uma basculação Na extensão (fig. 4-34) esta distância útil do lunar para frente (fig. 4-37), ou uma bascula- diminui já que corresponde à menor espessura ção para trás (fig. 4-38), podemos constatar que do semilunar. o centro da cabeça do osso capitato se desloca para cima (e) e respectivamente para trás (c) ou Pelo contrário, esta aumenta na flexão (fig. para frente (b): a instabilidade localizada do se- 4-35), já que se interpõe a maior espessura da mil~tnar, por ruptura ou distensão do freio ante- ,cunha lunar. rior (fig. 4-37) ou do freio posterior (fig. 4-38), Contudo, a obliqüidade da glenóide se repercute, mediante o osso capitato, em todo o combina com esta variação da distância útil, o carpa.
  • 164.
    1. MEMBRO SUPERIOR 159 V Fig. 4-30 VFi9.4-31 VFí9.4-32 a Fig.4-34 Fig.4-35 Fig.4-36 Fig.4-38 c b
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    160 FISIOLOGIA ARTICULAR A DINÂMICA DO CARPO (continuação) Coluna do escafóide Isto envolve três observações: A dinâmica da coluna externa depende da 1) os pontos de contato se deslocam sobre a forma e orientação do escafóide. glenóide radial e o escafóide (fig. 4-46): De perfil (fig. 4-39), o escafóide possui uma - na glenóide radial, o contato em ex- silhueta renifonne, ou em forma de feijão, a parte tensão c' se localiza pela frente do pon- mais alta, arredondada, corresponde à superfície to de contato em posição de alinha- superior convexa, articulada com a glenóide ra- mento a', e estes dois últimos pela fren- dial, a parte inferior representa a parte alta do tu- te do ponto de contato em flexão e'; bérculo escafóide, em cuja superfície inferior se - no escafóide: articulam o trapezóide e o trapézio; só este último está representado aqui; situa-se claramente mais • no nível da supeifície superior, o para frente que o trapezóide e o osso capitato, já contato em flexão e é anterior, o que, com ele, se inicia a anteposição da coluna do contato em extensão c é posterior, e polegar com relação ao plano da mão. Deste mo- o contato em posição de alinhamen- do, o escafóide fica intercalado obliquamente en- to a entre ambos; tre o rádio e o trapézio, embora esta obliqüidade • no nível da supeifíGie infe ri 01; a or- esteja mais ou menos acentuada dependendo da dem dos pontos correspondentes f sua forma. Assim sendo, podemos encontrar esca- para a flexão, d para a extensão, b fóides renifonnes "deitados" (fig. 4-39), escafói- para a posição de alinhamento é a des dobrados "sentados" (fig. 4-40) e escafóides mesma (j para diante, d para trás e b quase erguidos "em pé" (fig. 4-41). Nos esque- entre ambos). mas está representado o escafóide "deitado" por 2) os diâmetros úteis no escafóide ab, cd e tratar-se do mais freqüente. eJ,que correspondem respectivamente à A forma alongada do escafóide permite ob- posição de alinhamento, à de extensão e servar dois diâmetros (fig. 4-42), os diâmetros à de flexão, são quase paralelos e prati- maior e menor, que aparecem, dependendo da po- camente iguais: sição, em contato com a glenóide radial e a super- - cd e ef são paralelos; fície articular superior do trapézio; isto determina as variações do "espaço útil" entre estes dois os- - ab e ef são iguais, cd é levemente mais sos. curto. Em posição neutra ou de "alinhamento" (fig. 3) deslocamento do trapézio com relaçâo ao 4-43) é quando a distância é maior entre o rádio e rádio (fig. 4-47) o trapézio; o contato entre o escafóide e a glenói- As posições de alinhamento A, de flexão de radial se localiza nos dois pontos correspon- F e de extensão E, se realizam pratica- dentes a a e a', e entre o ponto central g da super- mente num círculo concêntrico com curva fície superior do trapézio e o escafóide em b. ântero-posterior da glenóide radial, en- Em extensão (fig. 4-44), a distância útil dimi- quanto o trapézio realiza uma rotação so- nui enquanto o escafóide se "ergue" e o trapézio bre si mesmo, aproximadamente igual ao se desloca para trás; o contato entre a glenóide e o ângulo do arco que descreve: dito de outra escafóide se produz nos pontos homólogos c e c' , forma, a sua superfície articular superior e entre o trapézio e o escafóide nos pontos de g. se dirige para o centro do círculo C. Em fiexão (fig. 4-45), a distância rádio-trapé- Toda esta dinâmica se refere aos movimentos zio também diminui quando o escafóide está total- simultâneos do escafóide e do trapézio. Mais mente deitado e o trapézio se desloca para frente; adiante exporemos o resultado dos movimentos os pontos de contato se situam em e, e' eJ, g. isolados do escafóide.
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    1. MEMBRO SUPERIOR 161 Fig.4-43 Fig.4-45 Fig.4-44
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    162 FlSIOLOGIA ARTICULAR o PAR ESCAFÓIDE-SEMILUNAR Nos movimentos de flexão-extensão do carpo, ou uma fratura ou luxação, como punho, N. Kuhlmann distingue quatro setores veremos mais adiante. (fig. 4-48): O fato de se repetir a idéia do bloqueio ar- - o setor de adaptação pennanente (I) até ticular foi necessário para esclarecer o assincro- 20°: as amplitudes dos deslocamentos elementares são escassas e difíceis de nismo do bloqueio em extensão das colunas do semilunar e do escafóide. apreciar; os ligamentos estão distendi- dos e a pressão sobre as superfícies arti- De fato, o bloqueio em extensão da coluna culares é mínima. Os movimentos mais .. do escafóide (fig. 4-49), causado pela tensão comuns e que preCIsam necessanamen- máxima dos ligamentos rádio-escafóide (1) e te restabelecer a sua mobilidade após trapézio-escafóide (2), provoca um autêntico en- uma intervenção cirúrgica ou traumatis- caixamento do escafóide entre o trapézio e a gle- mo se realizam neste setor; nóide radial, que acontece antes do bloqueio em - o setor de mobilidade comum (lI) até extensão da coluna do semilunar (fig. 4-50): 40°; o jogo ligamentar começa a se ma- neste bloqueio intervêm não só a tensão dos li- nifestar e as pressões articulares se no- tam. Até este ponto, as amplitudes na gamentos rádio-lunar anterior (3) e lunatocapital rádio-carpeana e na médio-carpeana (4), mas também o impacto ósseo da superfície são quase iguais; posterior do colo do osso capitato contra o lado - o setor de alteração fisiológica mo- posterior da glenóide; de modo que o movimen- mentânea (IlI) até 80°; as tensões liga- to de extensão continua na coluna do semilunar, mentares e as pressões articulares al- enquanto já está parado na do escafóide. cançam o seu ponto máximo, para rea- Se partirmos da posição de flexão (fig. 4-51) lizar no fim do trajeto a posição de blo- (vista conjunta de perfil do semilunar e do esca- queio ou dose packed position (Mac fóide), num primeiro momento (fig. 4-52), a ex- Conaill); tensão arrasta simultaneamente o escafóide e o - O setor de alteração patológica (IV) su- semilunar, a seguir (fig. 4-53) o escafóide se de- perior aos 80°: a partir deste ponto, a tém, enquanto o semilunar continua a sua bascu- continuação do movimento ocasiona obrigatoriamente umà ruptura ou uma lação anterior 30° mais, graças à elasticidade do distensão ligarnentar que, lamentavel- ligamento interósseo escafolunar. Assim sendo a mente, passa despercebida com freqüên- amplitude total do movimento do semilunar é Cia, provocando uma instabilidade do 30° maior que a do escafóide.
  • 168.
    1. MEMBRO SUPERIOR 163 Fig.4-48 3 Fig.4-50 Fig.4-51
  • 169.
    164 FISIOLOGIA ARTICULAR o CARPO DE GEOMETRIA VARIÁVEL A abdução-adução baixo do rádio, enquanto o trapézio e o trapezóide Mais que como um bloco monolítico, o carpo deve ser con- descem (seta 1) aumentando o espaço útil para o es- siderado uma bolsa de bolinhas de gude, principalmente no que se cafóide. Este, deslocado para baixo pelo ligamento refere aos movimentos de abdução-adução no percurso dos quais a trapézio-escafóide, se endireita (fig. 4-58) em exten- sua forma se modifica sob pressões ósseas e tensões ligamentares. são (e) da rádio-carpeana, de modo que ganha altura O estudo minucioso das radiografias frontais em abdução e em e preenche o espaço que estava vazio debaixo do rá- adução permite constatá-lo: os esquemas desta página correspon- dem a este estudo. dio. Simultaneamente, o trapézio se desliza em fle- xão (f) da médio-carpeana debaixo do escafóide; Durante a abdução (fig. 4-54), num primeiro quando a descida do escafóide (seta 2) fica inter- momento, o carpo gira em conjunto em tomo de um rompida pelo ligamento lateral externo (LLE), a ab- centro situado na cabeça do osso capitato, a fileira dução continua na segunda fileira; provocando um superior se desloca (seta 1) para cima e para dentro deslizamento relativo em relação à primeira fileira de tal maneira que a metade do semilunar se situa (setas pretas): a cabeça do osso capitato se afunda na abaixo da cabeça ulnar e o piramidal, no seu movi- superfície côncava do escafóide, o semilunar se des- mento para baixo, aumenta o espaço que o separa. liza sobre a cabeça do osso capitato e toca o osso ha- Mas a tensão do ligamento lateral interno (LU) e mato, o piramidal "desce" pela rampa do osso hama- principalmente a "faixa" do piramidal (C) detêm to. Ao mesmo tempo, o piramidal sobe (seta 3) em muito cedo este deslocamento, transformando o pi- direção à cabeça ulnar que constitui um topo, me- ramidal num bloco contra o qual impacta o semilu- diante o ligamento triangular, transmitindo as forças nar. Como a abdução continua, a segunda fileira é a que provêm do antebraço para os dois raios internos única que continua o seu movimento: da mão; o osso capitato ascende (seta 5) reduzindo o - o trapézio e o trapezóide ascendem (seta 2), espaço útil para o semilunar, o qual, graças à disten- diminuindo o espaço útil entre o trapézio e são do seu freio anterior pode bascular para frente o rádio, por efeito da compressão entre o (fig. 4-59) em extensão (e) na rádio-carpeana, de trapézio (2) e o rádio (3), o escafóide perde modo que apresenta a sua menor espessura, enquan- a sua altura "encostando-se" por flexão (f) to o osso capitato se flexiona (f) na médio-carpeana. na rádio-carpeana (fig. 4-56), enquanto a Também neste caso, por ter esgotado todos os médio-carpeana se estende (e); movimentos relativos dos ossos do carpo, o conjun- - o osso capitato "desce" (seta 4), aumentando to constitui um bloco travado em adução (close o espaço útil do semilunar; retido pelo seu packed position). freio anterior. de modo que pode bascular Em resumo, se compararmos (esquema em detalhe) o par (fig. 4-57) para trás por flexão (f) na rádio- escafóide-semilunar em abdução (cor cinza) e em adução (cor cla- ra), podemos comprovar que cada um dos dois ossos se transforma carpeana, apresentando a sua maior espessu- ao contrário: em abdução, o escafóide diminui de superfície e o se- ra; simultaneamente, o osso capitato se aco- milunar aumenta; em adução ocorre o contrário. Esta "metamorfo- pIa (e) na médio-carpeana; a diminuição da se" se deve aos movimentos de f1exão-extensão nas duas articula- altura do escafóide permite um deslizamen- ções do carpo: to relativo do osso capitato e do osso hama- - em abdução (figs. 4-56 e 4-57), a f1exão na rádio-carpea- to por baixo da primeira fileira (setas pretas): na desaparece devido à extensão na médio-carpeana; o piramidal, retido pelos seus três ligamen- - em adução (figs. 4-58 e 4-59), ao contrário, a extensão na tos, "sobe" pela rampa do osso hamato em rádio-carpeana se compensa pela f1exão na médio-car- direção à cabeça do osso capitato. Como os peana. movimentos relativos dos ossos do carpa es- Por lógica, se considerarmos a proposta recíproca, podemos tão esgotados. o conjunto constitui um bloco afirmar que: travado em abdução (close packed position). - a f1exão de punho se associa com uma abdução da rádio- Durante a adução (fig. 4-55), num primeiro carpeana e uma adução da médio-carpeana; momento, o carpo gira em conjunto, mas desta vez, - a extensão de punho provoca uma adução da rádio-car- a primeira fileira se desloca para baixo e para fora, peana e uma abdução da médio-carpeana. de modo que o semilunar se desliza totalmente por Deste modo, se confirma o mecanismo descrito por Henke.
  • 170.
    1. MEMBRO SUPERIOR 165 Fig.4-54 Fig.4-55 U Fig.4-56 Fig.4-58 Fig.4-57
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    166 FISIOLOGIA ARTICULAR AS ALTERAÇÕES PATOLÓGICAS Os dois movimentos cujo esforço máximo perfície externa do corpo do osso que se gera mais desgastes anatômicos são a abdução e fratura neste ponto devido ao cisalha- a extensão, com freqüência associados. mento. A abdução levada além da posição de blo- A extensão exagerada acarreta, com muita queio pode provocar dois tipos de lesões: freqüência, como' acabamos de comentar (fig. 4- - umafratllra da porção inferior do rádio 61), uma fratura de Pouteau-Colles. Muito pou- (fig. 4-60): a pressão do escafóide sobre cas vezes provoca desgastes ligamentares cujo a SALIÊNCIA externa da glenóide ra- primeiro momento é a ruptura do ligamento lu- dial fratura a epífise mais frágil devido à natocapital; em segundo lugar podem existir osteoporose do indivíduo de idade avan- duas possibilidades: çada; o deslocamento se realiza para fo- - o osso capitato ascende em extensão e a ra e se associa com uma basculação pos- sua cabeça se encaixa por trás da haste terior pela extensão do punho (fig. 4-61). posterior do semilunar que permanece Este tipo de fratura permite notar a resis- no lugar: é a lllxação retrollll1ar do car- tência do escafóide, sem dúvida bem po (fig. 4-64): protegido quando está "ftexionado" (fig. - o freio posterior do semilunar, solicitado 4-61), situado totalmente debaixo do pela hiperextensão e a cabeça do osso processo estilóide radial; também indica capitato, se desprende, provocando a a resistência dos ligamentos anteriores; o enucleação para frente do lunar que, ao processo estilóide ulnar sob tração asso- ficar fixo pela sua haste anterior, realiza ciada do ligamento triangular e do liga- uma rotação sobre si mesmo de 90 a mento lateral interno da rádio-carpeana 120° em tomo de um eixo transversal, se fratura com freqüência na sua base; de modo que a sua superfície inferior se - ou umafratura do escafóide (fig. 4-62): dirige para cima; então, a cabeça do os- o escafóide, desta vez se encontra em so capitato ascende por baixo da glenói- extensão e se localiza, em toda a sua de, deslocando o lunar para frente no ca- longitude, debaixo da saliência da gle- nal carpeano onde comprime o nervo nóide radial; por conseguinte, o proces- mediano. É a lllxação anterior do semi- so estilóide radial impacta contra a su- lunar (fig. 4-65). -------
  • 172.
    1. MEMBRO SUPERIOR 167 Fig.4-60 ~ Fig.4-63 . Fig.4-64
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    168 FISIOLOGIA ARTICULAR OS MÚSCULOS MOTORES DO PUNHO Em vista anterior do punho (fig. 4-66), ca, se inserem, o primeiro (6) na base do podemos observar: segundo metacarpeano e o segundo (5) - o palmar maior (1) que, após ter per- na base do terceiro metacarpeano. corrido um canal especial por baixo do Para simplificar, nesta vista posterior não se ligamento anular anterior do carpa, se representaram: insere na superfície anterior da base do - os quatro tendões extensores comuns; segundo metacarpeano e, de maneira acessória, no trapézio e base do tercei- - o tendão do extensor p~óprio do dedo in- dicador; ro metacarpeano; - o palmar menor (2), menos potente, - o tendão do extensor próprio do dedo mínimo. entrelaça as suas fibras verticais com as fibras transversais do ligamento anular Poderemos ver mais adiante no corte (fig. anterior do carpo e envia quatro faixas 4-71). pré-tendíneas que se inserem na superfí- Numa vista do lado interno do punho cie profunda da dermis da palma da (fig. 4-68), podemos observar os tendões: mão; - do flexor ulnar do carpo (3), a sua in- - o flexor ulnar do carpo (3) que, após serção, deslocada para frente pelo pisi- ter passado pela frente do processo esti- forme, aumenta a sua eficácia; lóide ulnar, se insere no pólo superior - do extensor ulnar do carpo (4). do pisiforme e, de maneira acessória, no ligamento anular, osso hamato e o quar- Estes dois tendões delimitam lateralmente to e quinto metacarpeanos. o processo estilóide ulnar. Para não sobrecarregar este esquema, não Numa vista do lado externo do punho desenhamos os tendões flexores dos dedos que (fig. 4-69), podemos observar os tendões: passam pelo canal carpeano junto com o nervo - do extensor radial longo (6) e curto (5) mediano: do carpo; - os quatro tendões flexores profundos; - do abdutor longo do polegar (7), que - os quatro tendões flexores superficiais; se insere na parte externa da base do primeiro metacarpeano; - o flexor longo próprio do polegar. - do extenso r curto do polegar (8), que Estão representados no corte (fig. 4-71). se insere na superfície dorsal da base da Em vista posterior do punho (fig. 4-67), primeira falange do polegar; podemos observar: - do extenso r longo do polegar (9), que - o extensor ulnar do carpo (4) que, se insere na segundafalange do polegar. após passar por trás do processo estilói- Tanto os extensores radiais quanto os mús- de ulnar, se insere na supeifície poste- culos do polegar delimitam o processo estilóide rior da base do quinto metacarpeano; radial. O tendão do extensor longo do polegar - os dois extensores radiais longo e cur- constitui o limite posterior da tabaqueira anatô- to do carpo (5 e 6) que, após percorrer mim. Os tendões do abdutor longo e do extensor a parte superior da tabaqueira anatômi- curto do polegar constituem o seu limite anterior.
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    1. MEMBRO SUPERIOR 169 Fig.4-68 Fig.4-69
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    170 FISIOLOGIA ARTICULAR AÇÃO DOS MÚSCULOS MOTORES DO PUNHO Na superfície posterior do punho, os ten- 3.° grupo: os palmares, o maior (2) e o menor dões extensores passam por baixo do ligamento (3), são: anular dorsal do carpo (fig. 4-70; as explicações - flexores do punho (localizados pela frente são as mesmas para a figura seguinte) por seis do eixo AA'); túneis osteofibrosos acompanhados de seis bainhas sinoviais. São de dentro para fora: - abdutores (localizados por fora do eixo BB'). I - o túnel do extensor ulnar do carpo; 4.° grupo: os extensores radiais do carpo, o - o do extensor próprio do dedo mínimo; longo (4) e o curto (5), são: - o dos quatro extensores comuns e o do - extensóres do punho (localizados por trás extensor próprio do dedo indicador; do eixo AA'); - - o do extensor próprio do polegar; - abdutores do punho (localizados por fora - o dos dois extensores radiais; do eixo BB'). - o do abdutor longo e o do extensor cur- Pela sua situação com relação aos dois eixos to do polegar. da rádio-carpeana, nenhuma ação dos músculos motores do punho é pura, o qual significa que pa- O ligamento anular e os túneis osteofibro- ra obter uma ação pura será sempre necessária a sos constituem para os tendões polias de refle- ação simultânea de dois grupos para anular um xão quando o punho se encontra em extensão. componente: este é um exemplo de relação anta- Tradicionalmente, os músculos motores gonismo-sinergia muscular. do punho se classificam em quatro grupos. O - Flexão (a): 1.0 (flexor ulnar do carpo) e 3.° esquema 4-71 representa esta classificação em grupos (palmares); relação aos dois eixos do punho: - Extensão (b): 2.° (extensor ulnar do carpo) - o eixo AA': flexão-extensão; e 4.° grupos (radiais); - o eixo BB': adução-abdução. -Adução (c): 1.°(flexorulnar do carpo) e 2.° (O esquema representa um corte do punho grupos (extensor ulnar do carpo); direito, parte inferior do corte, pelo qual B' na -Abdução (d): 3.° (palmares) e 4.° grupos frente, B por trás, A' por fora e A por dentro. Os (radiais). tendões assombreados são os motores do punho, Na verdade, estas ações estão mais matiza- os brancos são os motores dos dedos.) das. As experiências de excitação elétrica de Du- 1.0 grupo: o fiexor ulnar do carpo (1) é: chenne de Boulogne (1867) demonstraram que: - flexor do punho (localizado para dian- - só o extensor radial longo (4) é extensor- te do eixo AA') e abdutor; o extensor radial curto é direta- mente extensor, daí vem a sua importân- - adutor (localizado para dentro do eixo cia fisiológica; BB'), mas em menor grau que o extensor ulnar do carpo. Exemplo de flexão-adu- - palmar menor é diretamente flexor; o pal- mar maior é também diretamente flexor; e ção: mão esquerda tocando o violino. também flexiona o segundo metacarpeano 2.° grupo: o extensor ulnar do carpo (6) é: sobre o camo de maneira que prona a mão. Portanto, o palmar maior excitado de ma- - extensor do punho (localizado por trás neira isolada não é abdutor, e se se con- do eixo AA'); trai durante a desvio radial, é para contra- - adutor (localizado por dentro do eixo balançar o componente extensor do radial BB'). longo, principal motor da abdução. -------------- - --- ---------
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    1. MEMBRO SUPERIOR 171 4 Fig.4-70
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    172 FISIOLOGIA ARTICl.JLAR AÇÃO DOS MÚSCULOS MOTORES DO PUNHO (continuação) - Os músculos motores dos dedos não po- - os músculos extensores do punho são dem mover o punho se não for em deter- sinérgicos dos flexores dos dedos (a): minadas condições: ao estender o punho, os dedos se flexio- Os flexores dos dedos, flexores comuns nam automaticamente, para estender os dedos nesta posição, é necessária uma profundos (7), flexores comuns superfi- ação voluntária. ciais (12) e o flexor longo próprio do po- legar (13) só são flexores do punho se a Além disso, nesta posição de extensão flexão dos dedos se detém antes do que do punho, os flexores possuem a sua má- o trajeto dos tendões se esgote: por xima eficácia, porque os tendões flexo- exemplo, se a mão segura um objeto vo- res são relativamente mais curtos que na lumoso, como uma garrafa, a flexão do posição de alinhamento do punho e, con- punho pode ser ajudada com a flexão seqüentemente, em flexão do punho: a dos dedos. força dos fiexores dos dedos, medida com o dinamômetro é, em fiexão do punho, a Assim sendo, os extensores dos dedos, quarta parte da que desenvolvem em ex- os extensores curtos (8), o extensor pró- tensão. prio do dedo mínimo (14) e o extensor próprio do dedo indicador (15) partici- - os músculos flexores do punho são si- pam na extensão do punho quando a nérgicos dos extensores dos dedos (b): mão está fechada. quando se flexiona o punho, a extensão da primeira falange dos dedos é auto- - O abdutor longo (9) e o extensor curto mática; é necessária uma ação voluntá- do polegar (10) se converiem em abdu- ria para flexionar os dedos sobre a pal- tores do punho se a sua ação não é con- ma da mão e esta flexão carece de for- trabalançada pela do extensor ulnar do ça. Assim sendo, a tensão dos flexores carpo. Se o extensor ulnar do carpo se dos dedos limita a flexão do punho; é contrai simultaneamente, a abdução iso- suficiente estender os dedos para que a lada do polegar se realiza por ação do flexão do punho aumente 10°. abdutor longo. De modo que a ação si- Este delicado equilíbrio muscular pode- nérgica do extensor ulnar do carpo é in- se alterar com facilidade: a deformação dispensável para a abdução do polegar. de uma fratura de Pouteau-Colles sem Neste caso, podemos inclusive afirmar reduzir não só determina uma mudança que o extensor ulnar do carpo estabiliza de orientação da glenóide antebraquial, o punho. mas também provoca um alongamento - O extensor longo do polegar (11), que relativo dos extensores do punho, de mo- realiza uma extensão e uma retropulsão do que repercute na eficácia dos flexores do polegar, pode acarretar uma abdução dos dedos. e uma extensão do punho se o flexor ul- A posição funcional de punho (fig. 4-73) nar do carpo está distendido. se corresponde com a máxima eficácia dos mús- - Outro estabilizador do punho, o exten- culos motores dos dedos, e sobretudo, dos flexo- sor radial longo do carpo (4), é impres- res. Esta posição funcional é definida como: cindível para manter uma posição corre- - leve extensão do punho, de 40-45°; ta da mão: a sua paralisia provoca um desvio ulnar pemwnente. -leve adução (desvio u1nar), de 15°. A ação sinérgica e estabilizadora dos Nesta posição do punho é que a mão se músculos do punho (fig. 4-72): adapta melhor para realizar apreensão.
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    1. MEMBRO SUPERIOR 173 Fig.4-72 Fig.4-73
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    174 FISIOLOGIA ARTICULAR A SUA FUNÇAO A mão do homem é uma ferramenta mara- te adotar a posição mais favorável para uma vilhosa, capaz de executar inumeráveis acões ação determinada. Porém, a mão não é unica- graças à sua função principal: a preensão. E "o mente um órgão de execução, também é um re- instrumento dos instrumentos" como disse Aris- ceptor funcional extremamente sensível e preci- tóteles. so, cujos dados são imprescindíveis para a sua Está dotada de uma grande riqueza funcio- própria ação. Por último, graças ao conheci- nal que lhe proporciona uma superabundância mento da espessura e das distâncias que lhe de possibilidades nas posições, nos movimentos proporciona o córtex cerebral, a mão é a educa- e nas ações. dora da visão, permitindo-lhe controlar e inter- pretar as informações: sem ela a nossa visão do Esta função de preensão pode-se encontrar mundo seria plana e sem relevo. Ela constitui a desde a pinça do caranguejo à mão do símio, base deste sentido tão específico que é a este- mas em nenhum outro ser, que não seja o ho- reognosia, conhecimento do relevo, da forma, da mem, alcança este grau de perfeição. Isto se de- espessura, em resumo, do espaço. Também é a ve à posição peculiar que apresenta o polegar de educadora do cérebro devido às noções de su- poder opor-se a todos os outros dedos. Em ma- perfície, peso e temperatura. É capaz, por si cacos avançados, o polegar é oponente, mas a mesma, de reconhecer um objeto, sem sequer re- amplitude desta oposição jamais alcança a do correr à vista. I polegar humano. Portanto, a mão constitui junto com o cére- Ao mesmo tempo, a ausência de especiali- bro um par funcional indissociável, onde cada zação da mão do homem é um fator de adapta- termo reage logicamente sobre o outro, e é gra- bilidade e de criatividade. çasà proximidade desta inter-relação que o ho- Do ponto de vista fisiológico, a mão repre- mem pode modificar a natureza segundo os seus senta a "extremidade realizadora" do membro desígnios e ser superior a todas as espécies terres- superior que constitui o seu suporte e lhe permi- tres viventes. ------~-----------~--------~- ---------
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    176 FISIOLOGIA ARTICULAR TOPOGRAFIA DA MÃO Podemos estudar a topografia das duas superfícies (20) que estão ao redor da sua metacarpofalangeana; a da mão: a palmar e a dorsal. primeirafalange (21) está separada da polpa do polegar A superfície palmar (fig. 5-1), ou anterior da mão, (22), superfície anterior da segunda falange, pela prega consta de duas partes possíveis de descrever: a palma e da inteifalangeana (23) localizada um pouco acima da a superfície palmar dos dedos. sua articulação. Assim sendo, a palma da mão inclui três partes: A superfície dorsal (fig. 5-2), ou posterior da - no centro, a palma propriamente dita (1), o mão, também compreende duas regiões, a superfície dorsal da mão e a dos dedos. "oco" da mão, que corresponde à cela palmar média com os tendões flexores, os vasos e os A supeifície dorsal da mão, coberta com uma pele nervos, limitada por duas pregas transversais: fina e móvel, percorrida pela rede venosa que drena todo a prega palmar inferior (2), que se correspon- o sangue da mão e dos dedos, elevada pelos tendões ex- de com as três últimas articulações metacar- tensores (24), está limitada por baixo por três eminências pofalangeanas e a prega palmar média (3), duras e arredondadas, qu·e correspondem às cabeças dos que corresponde, por fora, com a metacarpo- metacarpeanos (25), e pelas três comissuras interdigitais falangeana do dedo indicador; (26) profundamente marcadas na superfície dorsal. - por fora, uma zona especialmente convexa, car- Por dentro, o bordo ulnar da mão (27) está acol- nosa, contígua à base do polegar, a eminência choado pelo adutor do dedo mínimo. tenar (4), limitada por dentro pela prega palmar Por fora (fig. 5-3), se localizam a primeira comis- superior (5), também denominada prega de opo- sura (19) e a tabaqueira anatômica (28); esta última li- sição do polegar, inclui os músculos tenares que geiramente côncava, situada na união do punho com o são motores intrínsecos do polegar; na sua por- polegar, está limitada pelos tendões do abdutor longo ção superior, a palpação indica a proeminência adosado ao do extensor curto (29) e pelo do extenso r óssea dura do tubérculo do escafóide (1); longo do polegar (30); no fundo da tabaqueira anatômi- - por dentro, a eminência hipotenar (7), menos ca se situam de cima para baixo o processo estilóide ra- proeminente que a anterior, inclui os músculos dial, a articulação trapézio-metacarpeana (31) e a arté- hipotenares, que são motores intrínsecos do ria radial; os tendões convergem sobre a superfície dor- dedo mínimo: a palpação permite localizar na sal do primeiro metacarpeano (32) no nível da metacar- sua parte superior a proeminência dura do pisi- pofalangeana do polegar (33). forme (8), lugar de inserção da corda tendínea do ulnar anterior. Na parte interna da superfície dorsal do punho apa- rece, só na pronação, a proeminência dura e arredonda- Acima da palma, o punho se corresponde com o da da cabeça ulnar (34). maciço do carpo, a articulação rádio-carpeana no nível da prega de fiexão do punho (9), sobre o qual finalizam A superfície dorsal dos dedos está indicada pelas perpendicularmente o tendão do palmar maior (10); que pregas de extensão da inteifalangeana proximal (35) limita por dentro o canal do pulso (11), o ligamento anu- que correspondem à sua articulação. A última e terceira lar anterior do carpo que forma um septo transversal falange contém a unha, inserida no limbo periungueal nesta zona e a porção superior da palma. (37). A zona situada entre a unha e as pregas da interfa- langeana distal cobre a matriz ungueal (38). A supeifície palmar dos dedos tem origem na pre- ga dígito-palmar (12) localizada de 10 a 15 mm abaixo A topografia funcional (fig. 5-4) permite ~ividir a da metacarpofalangeana. Os quatro últimos dedos estão mão em três partes dependendo da sua utilização: separados entre si pela segunda, terceira e quarta comis- O polegar (I) que representa por si mesmo quase suras (13), menos profundas que na superfície dorsal. A todas as funções da mão, graças à sua propriedade de prega defiexão da inteifalangena proximal (14) é dupla oposição em relação aos outros dedos; e se situa um pouco acima da sua articulação; separa a primeirafalange (15) da segunda (16); a prega de fiexão O dedo indicador e o médio (lI) que constituem da inteifalangeana distal é simples (17), também locali- junto com o polegar as preensões de precisão, as pinças zada um pouco acima da sua articulação; constitui o li- do polegar com os dedos, bidigitais ou tridigitais; mite superior da polpa do dedo (18), superfície anterior O anular e o dedo mínimo (III) que, com o res- da terceira falange. O polegar, situado na base do lado to da mão, são indispensáveis para as preensões palma- externo da mão está separado pela primeira comissura res, porque bloqueiam as preensões dos cabos das fer- (19), ampla e profunda; está unido à eminência tenar ramentas pelo lado ulnar, mantendo, dessa forma, a fir- mediante duas pregas de fiexão do polegar com a palma meza do punho.
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    1. MEMBRO SUPERIOR 177 Fig.5-1 Fig.5-4 Fig.5-2
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    178 FISIOLOGIA ARTICULAR ARQUITETURA DA MÃO Para pegar objetos a mão deve adaptar a • arco do dedo indicador OD2 (fig. 5-8) sua forma. que é o que se opõe com maior fre· Numa superfície plana, um vidro por qüência ao do polegar; exemplo (fig. 5-5), a mão se estende e se aplai- - no sentido oblíquo (figs. 5-7, 5-8 e 5-9). na, entrando em contato (fig. 5-6) com a eminên- os arcos de oposição do polegar com cia tenar (1), a eminência hipotenar (2), a cabeça os outros quatro dedos: dos metacarpeanos (3) e a superfície palmar das • o mais importante destes arcos oblí- falanges (4). Só a parte inferior-externa da palma quos une é opõe o polegar e o dedo in- permanece à distância. dicador: D1-D2 (fig. 5-8); Quando desejamos pegar um objeto volu- moso, a mão se escava e se formam uns arcos • mais extremo dos arcos de oposição orientados em três direções: passa pelo polegar e o dedo mínimo: D -D s (figs. 5-7 ' 5-8 e 5-9) . 1 - no sentido transversal (fig. 5-7): o arco do carpo XOY que corresponde à conca- Em conjunto, quando a mão se "escava", vidade do maciço do carpo. Prolonga-se forma um canal de concavidade anterior, cujas para baixo mediante o arco metacarpea- margens estão limitadas por três pontos: DO, no qual se alinham as cabeças meta- - o polegar (D), que constitui por si mes- carpeanas. O eixo longitudinal do canal mo a superfície externa; do carpo passa pelo semilunar, o osso ca- pitato e o terceiro metacarpo; - o dedo indicador (D 2) e o dedo mínimo (Ds)' que limitam a superfície interna. - no sentido longitudinal (figs. 5-7 e 5-8): Os quatro arcos oblíquos de oposição se os arcos carpometacarpofalangeanos localizam entre ambas as superfícies. que assumem uma posição radiada do maciço do carpo e estão constituídos, em A direção geral, oblíqua, deste canal pal- cada dedo, pelo metacarpeano e as falan- mar - representado pela seta enorme que man- ges correspondentes. A concavidade des- tém a mão (figs. 5-8 e 5-9) - está cruzada com re- tes arcos se orienta para a frente da palma lação aos arcos de oposição: se localiza em uma e a chave da abóbada se localiza na arti- linha que se estende da base da eminência hipo- culação metacarpofalangeana: um dese- tenar (X) (fig. 5-7) - onde podemos palpar o pi- quilíbrio muscular neste ponto provoca siforme - à cabeça do segundo metacarpo (2) uma ruptura da curva (ver figo 5-98, b, (fig. 5-7). Esta direção se obtém, na palma da pág. 215). Os dois arcos longitudinais mão, pela parte média da prega de oposição do mais importantes são: polegar ("linha da vida"). Também é a direção • arco do dedo médio OD3 (fig. 5-7), arco que segue um objeto cilíndrico segurado com to- axial, porque prolonga o eixo do canal da a mão, como por exemplo o cabo de um ins- do carpo, e especialmente trumento.
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    1. MEMBRO SUPERIOR179 2 Fig.5-6 Fig.5-7 Fig.5-9
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    180 FISIOLOGIA ARTICULAR ARQUITETURA DA MÃO (continuação) Quando os dedos se separam, vollmtaria- Quando permitimos que os dedos assu- mente (fig. 5-10), o eixo de cada um deles con- mam uma posição natural (fig. 5-11) - posi- verge com a base da eminência tenar, num ponto ção a partir da qual podemos realizar os movi- que cOlTesponde aproximadamente ao tubérculo mentos de separação ou aproximação - ficam do escafóide, fácil de palpar. Na mão, os movi- ligeiramente afastados entre si, mas os seus ei- mentos dos dedos no plano frontal normalmente xos não convergem todos num único ponto. No não se realizam com relação ao plano de simetria exemplo que se expõe, existe um paralelismo do corpo (movimentos de adução-abdução), mas entre os três últimos dedos e uma divergência sim em relação ao eixo da mão, constituído pelo entre os três primeiros, sempre considerando terceiro metacarpeano e o dedo médio; assim que o médio constitui o eixo da mão e serve de sendo nos referimos aos movimentos de separa- zona de transição. ção (fig. 5-10) e de aproximação (fig. 5-12) dos Quando fechamos a mão com as articula- dedos. Durante estes movimentos, o dedo médio ções interfalangeanas distais estendidas (fig. permanece praticamente imóvel. Porém, é possí- 5-13), os eixos das duas últimas falanges dos vel que realize movimentos voluntários para fora quatro últimos dedos e o eixo do polegar, me- (verdadeira abdução, em relação ao plano de si- nos a sua última falange, convergem num metria) e para dentro (autêntica adução). ponto situado na parte inferior do canal do pul- Quando se aproximam voluntariamente os so. Observe-se que desta vez, o eixo longitudi- dedos uns dos outros (fig. 5-12), os eixos dos de- nal é o do dedo indicador, enquanto os eixos dos não são paralelos, mas convergem num pon- dos três últimos dedos são mais oblíquos to bastante afastado, que se localiza fora da ex- quanto mais se afastam do dedo indicador. tremidade da mão. Isto se deve ao fato de que os Mais adiante poderemos ver (pág. 198) a uti- dedos não são cilíndricos, sendo de calibre de- lidade e o motivo desta flexão oblíqua dos crescente da base até a ponta. dedos.
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    1. ':'IEMBRO SUPERIOR 181 .' ''-. ~ Fig.5-13 -~ Fig.5-10 Fig.5-11 Fig.5-12
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    182 FISIOLOGIA ARTICULAR o MACIÇO DO CARPO o maciço do carpo constitui um corredor po se aumenta ligeiramente graças aos pequenos de concavidade anteri07; convertida em canal movimentos de deslizamento nas artródias que pelo ligamento anular anterior do carpo, que se se localizam entre os diferentes ossos do carpo. estende de lado a lado do corredor. A cavidade glenóide do escafóide se desliza so- Esta disposição em forma de sulco ou canal bre a convexidade da cabeça do osso capitato pode ser apreciada com bastante evidência num movimento de "parafuso" para baixo e pa- quando observamos o esqueleto da mão, com o ra frente; o piramidal e o osso ):1amatose deslo- punho em hiperextensão (fig. 5-14). Nesta posi- cam simetricamente para frente, e especialmen- ção, a direção do olhar se encontra exatamente te o trapezóide e o trapézio se deslizam sobre as no eixo do canal do carpo, cujas margens pode- duas superfícies articulares inferiores do esca- mos distinguir facilmente: fóide: o trapézio, em particular, percorre para frente e para dentro da superfície articular de - por fora: o tubérculo do escafóide (1) e forma cilíndrica que se estende até a superfície a crista do trapézio; inferior do tubérculo do escafóide. Os motores - por dentro: o pisiforme (3) e o processo destes movimentos são os músculos tenares (se- unciforme do osso hamato (4) (estas ta X) e hipotenares (seta Y) cujas inserções su- anotações levam a mesma numeração periores provocam a tensão do ligamento anular nas figuras seguintes). (fig. 5-16), de modo que os dois lados se aproxi- Uma radiografia especial permite tanto ob- mam (representação em pontilhado). servar o mesmo aspecto em sulco quanto encon- No sentido longitudinal, podemos conside- trar as mesmas referências. rar que o maciço do carpo (fig. 5-17) está cons- Dois cortes horizontais confirmam esta for- tituído por três colunas (fig. 5-18): ma em sulco: - a coluna externa (a) (traços verticais): - o primeiro (fig. 5-15) passa pela fileira a mais importante, por se tratar da co- luna do polegar de Destot. Está consti- sllperi07; nível A (fig. 5-13): se distin- guem, de fora para dentro, o escafóide tuída pelo escafóide, o trapézio e o pri- meiro metacarpo; (1), a cabeça do osso capitato (5), limi- tada pelos dois comas do semilunar, o - a coluna média (b) (traços oblíquos): piramidal (7) e o pisiforme (3); constituída pelo semilunar, o osso capi- tato e o terceiro metacarpo, e forma, - o segundo (fig. 5-16) passa pela fileira como mencionado anteriormente, o ei- inferior, nível B (fig. 5-13): de fora para xo da mão; dentro se localizam o trapézio (2), o tra- pezóide (6), o osso capitato (5) e o osso - a coluna interna (c) (traços horizon- hamato (4). tais): desemboca nos dois últimos de- dos. Está constituída pelo pir~midal e o Nestes dois cortes, o ligamento anular ante- osso hamato, que se articula com o rior do carpo está representado por uma linha quarto e o quinto metacarpeanos. O pi- tracejada. siforme se desloca pela frente do pira- Durante os movimentos de "escavação da midal, de modo que não intervém na palma da mão", a concavidade do túnel do car- transmissão de forças.
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    1. MEMBRO SUPERIOR 183 3 Fig.5-16 ~A 3 Fig.5-17
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    184 FISIOLOGIAARTICliLAR A ESCAVAÇÃO PALMAR A escavação da palma se deve principal- tá claramente oblíquo em relação ao mente aos movimentos dos quatro últimos meta- plano frontal (traço preto): está oblíquo carpeanos (por enquanto se exclui o primeiro de fora para dentro e de trás para diante. metacarpeano) em relação ao carpo. Estes movi- Qualquer movimento de flexão ao redor mentos, realizados nas articulações carpometa- deste eixo desloca, logicamente, a cabe- carpeanas, consistem em movimentos de fle- ça do quinto metacarpeano para frente e xão-extensão de escassa amplitude, como para fora (direção da seta branca); acontece com todas as artródias. Porém, dita 2) o eixo XX' desta articulação não é estri- amplitude vai aumentando do segundo ao quin- tamente~perpendicular ao eixo diafisário to metacarpo: OA do quinto metacarpeano, mas forma - quando a mão está plana, as cabeças um ângulo XOA um pouco menor que o dos quatro últimos metacarpeanos es- ângulo reto (fig. 5-18). Esta disposição tão alinhadas numa mesma reta AB também contribui para deslocar a cabeça (fig. 5-20: mão "em pé"); do quinto metacarpo para fora, pelo me- canismo de rotação cônica: - quando se torna "oca", a cabeça dos três últimos metacarpeanos "vão para fren- - quando um segmento OA (fig. 5-23) gi- te" (fig. 5-19), quanto mais se aproxima ra ao redor de um eixo perpendicular do quinto metacarpeano. Assim as cabe- YY', o ponto A descreve um círculo de ças dos metacarpeanos se dispõem ao centro 0, incluído no plano P perpendi- longo de uma linha curvaA'B (fig. 5-20): cular ao eixo YY' (rotação plana); o arco transversal metacarpeano. - após certo grau de rotação, o ponto A se É necessário salientar duas observações: situa em A'; a) a cabeça do segundo metacarpeano B - se este segmento OA gira ao redor de quase não avança: os movimentos de fie- um eixo XX' não perpendicular, já não xão-extensão na articulação trapez.óide- descreve um círculo, e sim um cone de segundo metacarpeano são, praticamen- vértice 0, tangencial ao plano P em re- te, inexistentes; lação ao segmento OA. Após o mesmo grau de rotação, o ponto A se localiza b) a cabeça do quinto metacarpeano A, do- num ponto A' da base do cone (rotação tada do movimento mais amplo, se deslo- cônica), e este ponto A' se situa, em re- ca não somente para frente, mas também lação ao plano P, do mesmo lado que o ligeiramente para fora, até a posição A' . ângulo agudo que formam o eixo XX' e Isto conduz ao estudo da articulação osso o segmento OA. hamato-quinto metacarpeano: Se transportarmos esta demonstração geo~ Trata-se de uma artródia (fig. 5-22) cujassu- métrica ao esquema da articulação (fig. 5-22), en- perfícies são ligeiramente cilíndricas e cujo eixo tendermos que a cabeça do metacarpeano sai do XX' apresenta uma dupla obliqüidade. Esta dupla plano sagital para situar-se ligeiramente para fora. obliqüidade explica os deslocamentos da cabeça Este movimento do quinto metacarpo para do metacarpeano no sentido lateral externo. frente e para fora ao mesmo tempo que realiza I) quando se observa a superfície inferior uma ligeira supinação por rotação longitudinal do maciço do carpo (fig. 5-21), o eixo automática pode ser semelhante a uma oposição XX' da superfície articular interna (indi- em direção ao polegar, participando na oposição cado com uma cruz) do osso hamato es- simétrica do quinto dedo.
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    1. MEMBRO SUPERIOR 185 Fig.5-20 XI Fig.5-19 Fig.5-21 ~XI XI X Fig.5-22
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    186 FISIOLOGIA ARTICULAR AS ARTICULAÇÕES METACARPOFALANGEANAS As articulações metacarpofalangeanas são limitando o movimento. A liberdade de movi- de tipo condilar (fig. 5-24). mento da flexão-extensão é possível graças à Possuem dois graus de liberdade: ponta arredondada posterior (4) e anterior (5) da cápsula. A profImdidade da ponta arredondada - fiexão-extensão, no plano sagital, em anterior é indispensável para o deslizamento da tomo do eixo transversal yy'; fibrocartilagem gle.nóide. Na parte posterior da - desvio lateral, no plano frontal, em tor- base falangeana, se insere a lingüeta profunda no do eixo ântero-posterior xx'. (6) do tendão extensor. A cabeça do metacarpeano possui uma A cada lado da articulação se estendem superfície articular A, o côndilo, convexa em dois tipos de ligamentos: ambos os sentidos e mais extensa e larga pela - um ligamento metacarpoglenóide (ver frente que por trás. mais adiante) que controla os movimen- A base da primeira falange está "escava- tos da fibrocartilagem glenóide; da" por uma superfície B, a cavidade glenóide, - um ligamento lateral, mostrado num côncava em ambos os sentidos, de menor super- corte (1) da figura 5-24. Os dois liga- fície que a cabeça do metacarpeano. Prolonga-se pela frente mediante uma superfície de "apoio": mentos laterais mantêm as superfícies articulares em contato e limitam os mo- afibrocartilagem glenóide (2), pequena lingüeta fibrosa inserida no bordo anterior da base falan- vimentos. geana, com uma pequena incisura (3) que lhe Na cabeça metacarpeana (fig. 5-26, segun- serve de charneira. do Dubousset), a inserção proximal A do liga- mento lateral não se situa no centro da curva ar- De fato (fig. 5-25), na extensão (a), a super- fície profunda e cartilaginosa da fibrocartilagem ticular, estando claramente por trás; por outro se encontra em contato com a cabeça do meta- lado, existe toda uma série de centros de Cllrra carpo. Enquanto na flexão (b), a fibrocartilagem que formam uma espiral, o que indica a variação ultrapassa a cabeça e, pivotando em tomo da do raio de curva da cabeça metacarpeana. Deste sua chameira, desliza sobre a superfície anterior modo, a distância entre o ponto de inserção pro- do metacarpeano, o que é possível graças à sua ximal A e o ponto de inserção distal B na pri- flexibilidade. A fibrocartilagem permite conci- meira falange em extensão e B' em flexão passa liar dois imperativos aparentemente contraditó- de 27 mm a 34 mm. Por conseguinte, o ligamen- rios: uma superfície de máximo contato entre as to lateral se distende na extensão e está tenso na duas extremidades ósseas e a ausência de pico, jlexão.
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    1. MEMBRO SUPERlOR 187 X' A 6 5 4 2 Fig. 5-25 a 3 Fig.5-24 6 Fig.5-26
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    188 FISIOLOGIA ARTICULAR AS ARTICULAÇÕES METACARPOFALANGEANAS ! (continuação) Assim sendo, é fácil entender (fig. 5-27, te) e, por outra parte, segundo R. Tubiana, no corte frontal) que na extensão (a) a distensão dos mecanismo das inclinações ulnares durante o ligamentos laterais permite os movimentos de seu processo reumático. lateralidade (b): um está tenso, enquanto o outro A cabeça do II metacarpeano (fig. 5-28) é se distende. claramente as simétrica devido à sua grande su- Por isso, a estabilização da metacarpofa- perfície posterior-interna e ao seu aplainamento langeana se mantém na flexão pelos ligamentos externo; o ligamento lateral interno é mais gros- laterais e na extensão pelos músculos interós- so e mais longo que o externo cuja inserção é seos. mais posterior. Outra conseqüência importante desta con- A cabeça do III metacarpeano (fig. 5-29) sideração é que as metacarpofalangeanas ja- possui uma assimetria similar à do II metacarpo. mais devem imobilizar-se em extensão a não embora menos acentuada; os seus ligamentos ser em caso de rigidez quase impossível de re- possuem características idênticas. cuperar: a distensão dos ligamentos laterais A cabeça do IV metacarpeano (fig. 5-30) é permite a sua retração, algo que não pode acon- mais simétrica com superfícies dorsais iguais: os tecer na flexão. ligamentos laterais são de espessura e obliqüida- A forma das cabeças metacarpeanas (figs. de idênticos, sendo o externo ligeiramente mais 5-28, 5-29, 5-30 e 5-31, cabeças dos metacar- longo. peanos lI, IlI, IV e V do lado direito) e a longi- A cabeça do V metacarpeano (fig. 5-31) tude dos ligamentos, bem como a sua direção, possui uma assimetria inversa à do dedo indica- desempenham um papel essencial, por uma par- dor e à do médio; os ligamentos laterais se apre- te, na flexão oblíqua dos dedos (ver mais adian- sentam como os da IV cabeça.
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    1. MEMBRO SUPERIOR189 Fig.5-27 Fig.5-29 Fig.5-28 Fig.5-30 Fig.5-31
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    190 FISIOLOGIA ARTICULAR o APARELHO FIBROSO DAS ARTICULAÇÕES METACARPOFALANGEANAS Os ligamentos laterais da metacarpofalangea- contra a cabeça de metacarpeano de modo a na se integram num aparelho fibroso mais com- manter a sua estabilidade; plexo que levanta e "c entra" os tendões extensores - o fascículo falangoglenóide (11) mais fino, e ftexores. que realiza a "chamada" da fibrocartilagem Numa vista em perspectiva posterior, superior e glenóide durante a extensão; lateral da articulação (fig. 5-32), podemos observar • ligamento transverso intermetacarpea- os seguintes tendões: no (4) se insere nas margens adjacentes - o extensor comum (1), que, na superfície das fibrocartilagens glenóides vizinhas, de dorsal da cápsula dirige a sua expansão tal forma que as suas fibras se estendem de profunda (a) para a base da primeira falan- um ládo ao outro da mão, no nível das ar- ge na qual se insere; a seguir, o tendão se ticulações metacarpofalangeanas com as divide numafaixa média (b) e duas faixas que delinlitam túneis osteofibrosos por cu- laterais (c), que recebem as expansões dos jo interior passam os tendões dos interós- interósseos (não representadas nas figu- seos (sem representação nas figuras); pela ras). Pouco antes da separação da expan- frente do ligamento transverso se desliza o são profunda, podemos observar como se tendão do músculo lumbrical (sem repre- desprendem das margens laterais do exten- sentação nas figuras). sor umas faixas sagitais (d), supostamente Deste modo, a polia metacarpeana (5), que se transparentes nos desenhos, que atra- insere nas superfícies laterais da fibrocartilagem, fica vessam as margens laterais da articulação literalmente suspensa na cabeça metacarpeana me- para inserir-se no ligamento transverso in- diante o fascículo metacarpoglenóideo e a fibrocarti- tercarpeano (4); deste modo, o tendão ex- lagem glenóide. tensor se mantém no eixo sobre a superfí- cie dorsal convexa da cabeça metacarpea- Este dispositivo desempenha um papel muito na, no percurso da ftexão da articulação; importante durante a flexão da metacarpofalan- geana: - os flexores, o profundo (2) e o superficial (3), se introduzem na polia metacarpeana - em estado normal (fig. 5-33), a polia, cujas (5) que tem origem nafibrocartilagem gle- fibras se '·arregaçam" distalmente, transmite nóide (5) e se prolonga (5) sobre a superfí- todo o "componente de decolagem" (seta) à cie palmar da primeira falange: neste ponto, cabeça do metacarpeano, através do fascícu- o ftexor superficial se divide em suas duas lo glenóide: os tendões ftexores permane- faixas (3') antes que o tendão do ftexor pro- cem aderidos ao esqueleto e a base falangea- na fica estável; fundo o perfure (2). Também podemos observar o aparelho cápsu- - em estado patológico (fig. 5-34), quando os lo-ligamentar: fascículos do ligamento lateral se distendem até destruir-se por um processo reumático, o - a cápsula articular (7) reforçada por: "componente de decolagem" (seta), provo- • ligamento lateral que se insere no tubér- cado pela tração dos ftexores, já não se exer- culo lateral (8) da cabeça metacarpeana, ce sobre a cabeça do metacarpeano, mas sim deslocada por trás da linha dos centros de sobre a base da primeira falange que se luxa curva (ver antes) e se divide em três partes: anteriormente e para cima, de modo que pro- - um fascículo metacarpofalangeano (9) oblí- voca uma proeminência acentuada da cabe- quo para baixo e para frente em direção à ba- ça do metacarpeano; se da primeira falange; mencionado anterior- - a correção de tal situação (fig. 5-35) pode- mente; se conseguir, em certa medida, mediante - o fascículo metacarpoglenóide (10), que se uma remoção da parte proximal da polia dirige para frente para inserir-se nas margens metacarpeana, mas em detrimento da eficá- da fibrocartilagem glenóide (6) que o adapta cia dos ftexores.
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    1. MEMBRO SUPERIOR 191 2 M Fig.5-33 Fig.5-34 Fig.5-35
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    ] 92 FISIOLOGIAARTICULAR o APARELHO FIBROSO DAS ARTICULAÇÕES METACARPOFALANGEANAS (continuação) Os tendões extensores comuns (fig. 5-36) nas), as lesões degenerativas destroem não so- que convergem na superfície dorsal do punho mente os ligamentos laterais (10), o que "de- são extremamente solicitados para dentro (se- sengancha" a placa palmar (6) ou fibrocartila- tas brancas) do bordo ulnar, devido ao "ângulo gem glenóide na qual se insere a polia meta- de distração" formado entre o metacarpeano e carpeana (5) que inclui os flexores profundo a primeira falange, mais acentuado no caso do (2) e superficial (3), mas também distendem dedo mínimo (14°) e do anular (13°) que no ca- ou despegam a faixa sagital (d) do bordo ra- so do dedo indicador (8°) e especialmente do dial, permitindo assim o deslocamento do ten- médio (4°). Unicamente a faixa sagital do ex- dão extensor (1) do bordo ulnar e a sua "luxa- tensor, situada no bordo radial, se opõe a este ção" nos "vales" intermetacarpeanos. Em con- componente de luxação ulnar do tendão exten- dições normais, este espaço intermetacarpeano sor sobre a superfície dorsal convexa da cabe- só contêm os tendões dos interósseos (12) pe- ça do metacarpeano. la frente do ligamento intermetacarpeano (4), No curso de um processo reumático (fig. enquanto o tendão do lumbrical (13) se locali- 5-37, vista em corte das cabeças metacarpea- za por trás.
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    1. MEj1BRO SUPERIOR 193 Fig.5-36 Fig.5-37
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    194 FISIOLOGIA ARTICULAR A AMPLITUDE DOS MOVIMENTOS DAS ARTICULAÇÕES METACARPOFALANGEANAS A amplitude da flexão (fig. 5-38) é aproxi- posição de equiltbrio - tamb~m denominada madamente de 90°; todavia, é necessário ressal- funcional - da articulação metacarpofalangeana tar que, embora alcance os 90° justos no caso do do dedo indicador. dedo indicador, aumenta progressivamente até o As articulações de tipo condilar não pos- quinto dedo. Além disso, a flexão isolada de um suem normalmente p terceiro grau de liberdade dedo (neste caso o dedo médio) está limitada pe- (rotação longitudinal). É o caso das articulações la tensão do ligamento palmar interdigital. metacarpofalangeanas dos quatro últimos dedos A amplitude da extensão ativa varia em que não possuem rotação longitudinal ativa. cada indivíduo: pode atingir de 30 a 40° (fig. 5- Contudo, a laxitude ligamentar permite cer- 40). A extensão passiva pode atingir quase os ta amplitude de rotação axial passiva. A sua 90° em indivíduos com uma grande lassidão li- amplitude é de 60° aproximadamente (Roud). gamentar (fig. 5-41). De todos os dedos (exceto o polegar), o É necessário ressaltar que no caso do dedo dedo indicador é o que possui (fig. 5-42) a indicador, a amplitude da rotação axial passiva maior amplitude de movimento em direção la- interna - ou pronação - é muito maior (45°) que teral (30°) e, como é fácil movê-l o de forma a amplitude da rotação axial externa - supinação isolada, podemos nos referir à abdução (A) e - quase nula. adução (B). O dedo indicador deve a sua deno- Se não possuem movimento de rotação minação, índice = indicador, à esta mobilida- longitudinal ativa individualizada, as metacar- de privilegiada. pofalangeanas possuem, porém, devido à as si- Combinando movimentos em diferentes metria do côndilo metacarpeano e da desigual- graus (fig. 5-43) de abdução (A)-adução (B) e de dade de tensão e de comprimento dos ligamen- extensão (C)-flexão (D), o dedo indicador pode tos laterais, um movimento de rotação longi- realizar movimentos de circundução. Estes tudinal automática no sentido da supinação. movimentos se limitam ao interior do cone de Este movimento cujo mecanismo é idêntico ao circundução definido pela sua base (ACBD) e o da interfalangeana do polegar é mais acentuado seu vértice (articulação metacarpofalangeana). quanto mais interno seja o dedo, de modo que Este cone está achatado transversalmente devido é máximo no caso do dedo mínimo onde se in- à maior amplitude dos movimentos de flexão- tegra no movimento de oposição simétrica ao extensão. O seu eixo (seta branca) representa a do polegar.
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    1. MEMBRO SUPERIOR 195 Fig.5-40 Fig.5-38 Fig.5-42 Fig.5-41 Fig.5-43
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    196 FISIOLOGIA ARTICULAR ASARTICULAÇÕESINTERFALANGEANAS As articulações interfalangeanas são do Outro fator de rigidez em fiexão está cons- tipo troclear: possuem só um grau de liber- tituído pela retração dos "freios da extensão". dade: O autores anglo-saxões recentemente decreve- ram estas estruturas nas articulações interfalan- - a cabeça da falange (fig. 5-44 e figo5-45, geanas proximais (fig. 5-48, vista palmar exter- A) tem a forma de uma polia e possui só um eixo XX', transversal, em tomo do na e superior de uma articulação interfalangeana proximal) com a denominação ,de "check rein li- qual se realizam os movimentos de fie- gaments": estão constituídas por um fascículo xão-extensão, no plano sagital; de fibras longitudinais (8) localizado na superfí- - a base da falange distal (B), que lhe cie anterior da placa palmar (2) em um e noutro corresponde (fig. 5-45), está escavada lado dos tendões fiexores profundo (11) e super- por duas pequenas cavidades glenóides ficial (12), entre a 'inserção da polia da segunda que se encaixam sobre as duas superfí- falange (10) e a da primeira (sem represen- cies articulares da tróclea. A crista rom- tação), formando o limite lateral das fibras dia- ba que separa ambas as cavidades gle- gonais (9) da polia da interfalangeana proximal. nóides se aloja na garganta da polia. Estes freios da extensão impedem a hiperexten- são da interfalangeana proximal e, pela sua re- Como no caso das articulações metacar- tração, são uma causa primordial da rigidez em pofalangeanas, e pelas mesmas razões me- ftexão; de modo que devem remover-se cirurgi- cânicas, existe uma fibrocartilagem glenóide camente. (2) (os números cOlTespondem aos da figura 5-24). Em resumo, as interfalangeanas, especial- mente as proximais, devem ser imobilizadas nu- Em fiexão (fig. 5-46), a fibrocartilagem gle- ma posição próxima à extensão. nóide desliza sobre a superfície anterior da fa- lange proximal. A amplitude dafiexão nas articulações inter- falangeanas proximais (fig. 5-49) ultrapassa os Em vista lateral (fig. 5-47), podemos distin- 90°: por conseguinte. F I e F formam entre si um _ guir, além dos ligamentos laterais (1), as expan- ângulo agudo (neste esquema, as falanges não se sões do tendão extensor (6) e os ligamentos fa- "êm exatamente de perfil, o qual faz com que os langoglenóides (7). ângulos pareçam obtusos). Como no caso das metacarpofalangeanas, esta amplitude de fiexão É necessário ressaltar que os ligamentos la- aumenta progressivamente do segundo ao quin- terais estão mais tensos na fiexão que no caso to dedo, para alcançar os 135° no dedo mínimo. das articulações metacarpofalangeanas: de fato (fig. 5-45), a polia falangeana (A) se alarga no- A amplitude da fiexão nas articulações in- tavelmente para frente, de modo que a tensão terfalangeanas distais (fig. 5-50) é ligeiramente dos ligamentos aumenta e proporciona um apoio inferior a 90° (o ângulo entre F2 e F3 permanece mais amplo para a base da falange distal. Portan- obtuso). Como no caso anterior, esta amplitude to, os movimentos de lateralidade não existem aumenta do segundo ao quinto dedos, para atin- no caso da fiexão. gir os 90° no dedo mínimo. Também estão tensos durante a máxima ex- A amplitude da extensão ativa (fig.j-51) nas articulações interfalangeanas é: tensão que representa uma posição de estabilida- de lateral absoluta. Contudo, estão distendidos - inexistente nas articulações proximais na posição de fiexão intermédia, que jamais deye (P); ser uma posição de imobilização porque favore- - inexistente ou muito pequena (5°) nas ceria a sua retração e uma rigidez posterior. articulações distais (D).
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    1. MEMBRO SUPERIOR 197 • XI Fig.5-49 Fig.5-47 Fig.5-46 Fig.5-50 11 12 8 9 1 2 7 Fig.5-45 Fig.5-48 tP D
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    198 FISIOLOGIA ARTICULAR ASARTICULAÇÕESINTERFALANGEANAS (continuação) Com relação à extensão passiva (fig. 5- (ver no final deste volume) facilitam a com- 52), esta é inexistente na interfalangeana pro- preensão: ximal (P), mas bastante acentuada (30°) na in- - uma tira estreita de papelão (a) repre- terfalangeana distal (D). senta a cadeia articular de um dedo: o As articulações interfalangeanas possuem metacarpeano (M) e as três falanges (FI' só um grau de liberdade, nesse caso não exis- F2 e F); tem movimentos ativos de lateralidade. Se - se a dobra, que representa o eixo de fle- existem alguns movimentos passivos de late- xão de uma interfalangeana, é perpendi- ralidade no caso da interfalangeana distal cular (xx') ao eixo longitudinal da tira, a (fig. 5-53), pelo contrário, a interfalangeana falange vai se flexionar diretamente no proximal é bastante estável lateralmente, o plano sagital (d) e vai cobrir exatamen- que explica o transtorno que traz uma ruptura te a falange suprajacente; de um ligamento lateral neste nível. - pelo contrário, se a dobra é levemente Um ponto importante é o plano no qual oblíqua para dentro (xx'), a flexão já se realiza a flexão dos quatro últimos dedos não se produz no plano sagital e a fa- (fig. 5-54): lange flexionada (b) desdobrará para - o dedo indicador se flexiona diretamente fora a falange suprajacente; no plano sagital (P), em direção à base - basta uma leve obliqüidade do eixo de da eminência tenar (seta branca grande); flexão, já que se multiplica por três - porém, vimos anteriormente (ver figo (xx', yy', zz'), para que o dedo míni- 5-13) que, na flexão dos dedos, os seus mo totalmente flexionado (c), sua obli- eixos convergem num ponto situado na qüidade lhe permita atingir o polegar: parte inferior do canal do pulso. Portan- -esta demonstração é válida, em graus to, para que isto aconteça, é necessário decrescentes, para o anular e o médio. que os três últimos dedos se flexionem, não como o dedo indicador no plano sa- Na realidade, os eixos de flexão das meta- gital, mas sim numa direção mais oblí- carpofalangeanas e das interfalangeanas não qua quanto mais interno seja o dedo; são fixos nem imutáveis: perpendiculares em máxima extensão, se tornam progressivamente - com relação ao dedo mínimo, esta dire- oblíquos no decurso da flexão; assim, dizemos cão, oblíqua ao máximo, está representa- que são evolutivos. da no esquema pela seta branca pequena. A evolução dos eixos de flexão das articu- A importância deste tipo de flexão "oblí- lações dos dedos se deve à assimetria das su- qua" é que permite que os dedos mais internos perfícies articulares metacarpeanas (ver aci- realizem o movimento de oposição ao polegar ma) e falangeanas e à tensão diferencial dos li- do mesmo modo que o faz o dedo indicador. gamentos laterais, como teremos ocasião de Como é possível esta flexão "oblíqua"? comprovar no caso da metacarpofalangeana e Um esquema simples (fig. 5-55) e um encaixe interfalangeana do polegar.
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    Fig.5-52 Fig.5-53 - ---n ' /"" .111 ~...•............ , : : :F~1 y' x@lx. d I y z' z· M a b c Fig.5-54 Fig.5-55
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    200 FISIOLOGIA ARTICULAR SULCOS OU CANAIS E BAINHAS DOS TENDÕES FLEXORES Para percorrer as porções côncavas da sua trajetó- responde a esta disposição simples. Quando o tendão se ria, os tendões devem estar ligados ao esqueleto median- desloca no seu sulco, a lâmina visceral, lubrificada por te sulcos ou canais fibrosos, porque senão, a tensão pro- uma pequena quantidade de líquido sinovial, desliza so- vocaria que seguissem a corda do arco do esqueleto, de bre a lâmina parietal (semelhante ao movimento da cor- modo que seriam ineficazes devido ao relativo alonga- rente de um trator). Se, por conseqüência da infecção de mento em relação ao esqueleto. uma bainha, as duas lâminas se aderem entre si, o tendão Entre as duas margens do canal do carpo (fig. 5- já não pode deslizar pelo seu canal, fica "entalado" co- 56) se estende uma faixa fibrosa, o ligamento anular mo se fosse um cabo de freio enferrujado: deixa de fun- cionar. anterior do carpo (1). Assim, se constitui um primeiro sulco osteofibroso, o canal do carpo (fig. 5-57, segundo Em algumas zonas (corte B) vasos destinados ao Rouviere) pelo qual passam (seta branca) todos os ten- tendão deslocam arÍlbas as lâminas, de modo que cons- dões flexores que se dirigem do antebraço à mão. tituem um "mesotendão" (e), os vincula tendinorum, es- No corte do canal do carpo (fig. 5-58), podemos pécie de septo longitudlnal que parece manter o tendão no interior da cavidade sinovial (c). Trata-se de uma des- observar os dois planos dos tendões flexores superficiais crição bastante simplificada, principalmente com rela- (2) e profundos (3), bem como o tendão do flexor longo ção aos recessos (ver a descrição num tratado de anato- próprio do polegar (4). O tendão do palmar maior (5) mia). passa por um compartimento especial do canal do carpo para inserir-se no segundo metacarpeano (fig. 5-57). O Na palma da mão, os tendões deslizam por três nervo mediano (6) também passa pelo canal, onde, em bainhas carpeanas (fig. 5-56) que são, de fora para determinadas circunstâncias, pode ficar comprimido, o dentro: qual não acontece com freqÜência no caso do nervo ul- - a bainha rádio-carpeana (13), que envolve o nar (7) que, acompanhado da sua artéria, passa por um tendão do flexor longo do polegar e se continua canal especial, o canal de Guyon, pela frente do liga- com a bainha digital do polegar; mento anular. - a bainha média (12), anexa ao tendão flexor Os tendões flexores estão mantidos por três polias profundo do dedo indicador; fibrosas em cada dedo (figs. 5-56 e 5-59): a primeira (8) ligeiramente acima da cabeça do metacarpeano, a segun- - a bainha ulnocarpeana (14), que desloca três da (9) na superfície anterior da primeira falange, a tercei- recessos para frente, para trás e entre os tendões ra (10) na superfície anterior da segunda falange. Desse superficiais e profundos (fig. 5-58) e se prolon- modo, com a superfície anterior ligeiramente côncava ga com a bainha digital do quinto dedo. das falanges, as polias constituem (destaque na figo5-56) No plano topográfico, é importante ressaltar: autênticos canais osteofibrosos. Entre estes três canais, 1) as pontas superiores das bainhas do carpo os tendões estão mantidos por um sistema de fibras tan- ultrapassam amplamente por cima do liga- to oblíquas quanto cruzadas (11) que passam "em fan- mento anular, em direção ao antebraço farra", diante da articulação metacarpofalangeana e in- (fig. 5-56); terfalangeana proximal. 2) as bainhas digitais dos três dedos médios ascen- As bainhas serosas permitem o deslizamento dos tendões no interior dos sulcos, como se fossem as dem quase até a metade da palma e as suas pon- bainhas dos cabos de freio. tas superiores se correspondem com a prega pal- mar inferior (ppi) para o terceiro e quarto dedo As bainhas digitais têm a estrutura mais simples e com a prega palmar média (ppm) para o se- no caso dos três dedos médios (fig. 5-60, esquema sim- gundo (fig. 5-56), plificado): o tendão (para simplificar só está representa- do um deles) está envolvido numa bainha serosa (uma 3) as pregas palmares (setas pretas) de flexão dos dedos (fig. 5-59) são - salvo a prega superior parte do qual foi removida no esquema) constituído por duas lâminas: uma lâmina "visceral" (a) em contato - suprajacentes às articulações corresponden- tes; neste caso a pele entra diretamente em con- com o tendão e uma lâmina "parietal" que recobre a su- tato com a bainha que pode ser inoculada por perfície profunda do sulco osteofibroso. Entre estas duas lâminas se encontra uma cavidade virtual fechada (c), uma injeção séptica. porque as duas lâminas continuam uma com a outra for- Observar também que as pregas dorsais (setas mando dois recessos peritendinosos (d); o corte A cor- brancas) são suprajacentes à sua articulação.
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    1. MEMBRO SUPERIOR 201 Fig.5-57 ppi B Fig.5-60 ) J ---..... Fig.5-59
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    202 FISIOLOGIA ARTICULAR OS-TENDÕES DOS MÚSCULOS FLEXORES LONGOS DOS DEDOS o corpo carnoso dos músculos flexores dos • distal, para a zona B, pelos vasos do dedos se localiza no compartimento anterior do vinculum brevis (3) nas inserções das antebraço: portanto, se trata de músculos ex- faixas laterais da segunda falange; trínsecos, com relação à mão. Após haver estu- Entre as duas zonas, existe um segmento dado o seu trajeto no punho e na palma da mão, avascular (4) que se corresponde com a divi- resta considerar de que maneira finalizam e que são das faixas. I ação realizam. O músculo mais superficial - o flexor co- - o siste~ma do flexor comum profundo, mum superficial dos dedos (sem tracejar, figo 5- por três aportes: 61, a) - deve terminar antes (em F) que o múscu- • proximal, para a zona A, com os dois lo mais profundo - o flexor comum profundo dos tipos de vasos (5) e (6) comparáveis dedos (tracejado, figo5-61, a). De modo que é ne- aos do flexor superficial; cessário que estes dois tendões se Cnlzem no es- paço e de forma simétrica a não ser que seja in- • intermédio, para a zona B, pelos va- troduzido um componente lateral prejudicial. A sos do vinculum longus (7) dependen- única solução é que um dos tendões passe atra- te por sua vez do vinculum brevis do -rés do outro. Mas, qual dos dois deve perfurar o flexor superficial; outro? Podemos entender com facilidade que o • distal, para a zona C, pelos vasos do profundo é o que perfura o supe1jicial. Os esque- vinculum brevis, que se insere na ter- mas tradicionais de anatomia (fig. 5-61) mostram as diferentes modalidades do cruzamento: ceira falange (8). - o tendão superficial (b) se divide em duas No caso do flexor profundo, existem três lingüetas no nível da articulação metacar- zonas avasculares: pofalangeana; ditas lingüetas rodeiam as - um segmento (9) entre as zonas A e B; margens do tendão profundo (c) antes de reunir-se na articulação FoF 1 para se inse- " - um outro segmento (10) entre as zonas rir nas superfícies laterais de F2• Isto fica B e C; claro nos cortes e na vista em perspectiva - e por último, no nível da "terra de nin- (fig. 5-62), na qual podemos observar guém", na frente da interfalangeana também os mesotendões (ver figo5-60). proximal, urna zona periférica (11) de Estes vincula tendinorum asseguram a vas- um milímetro de espessura, ou seja a cularização dos tendões, segundo Lundborg e quarta parte do diâmetro do tendão. cols., conforme dois sistemas (fig. 5-62): O conhecimento desses sistemas de vas- - o sistema do flexor comum superficial, cularização tendinosa é indispensável para o por dois aportes: cirurgião da mão, se ele não quiser comprome- • proximal, para a zona A, pelos micro- ter ou destruir os aportes vasculares necessá- vasos longitudinais intrínsecos (1) e os rios para o bom trofismo dos tendões. Além vasos da ponta proximal da bainha si- disso, as zonas avasculares têm o maior risco novial (2); de desco1amento das suturas.
  • 208.
    1. MEMBRO SUPERIOR 203 a b c Fig.5-61 Fig.5-62
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    204 FISIOLOGIA ARTICULAR OS TENDÕES DOS MÚSCULOSFLEXORES LONGOS DOS DEDOS (continuação) Poderíamos conceber uma disposição tração do extensor comum (antagonis- mais simples na qual os tendões não deveriam mo-sinergia) , se cruzar (o tendão que termina em Fo seria • seu ângulo de aproximação, e portanto profundo e o que se insere em F3 seria süperfi- a sua eficácia, aumenta progressiva- cial) de modo que seria útil perguntar: qual é a mente à medida que F2 se flexiona. necessidade mecânica deste cruzamento tão complicado? Sem cair na posição finalista, é - flexor comum profundo dos dedos (fig. 5-64); que se insere na base da terceira conveniente assinalar (fig. 5-63) que permane- falange, é antes de tudo flexor da terceira cendo superficial quase até a sua terminação o falange: tendão flexor da segunda falange forma com esta um ângulo de tração ou ângulo de aproxi- • mas esta flexão de F3 se associa rapida- mação. maior que se estivesse em contato com mente com a flexão de Fo, porque não o esqueleto; isto aumenta a sua eficácia e pode- existe extensor seletivo de Fo capaz de mos dar uma explicação lógica ao fato de que o realizar a oposição a esta flexão. Para tendão superficial e não o profundo é o que é explorar a força do flexor profundo é perfurado. necessário manter manualmente F2 em extensão; A ação destes dois músculos se pode dedu- zir pela sua inserção: • quando FI e F2 se colocam manualmen- te em flexão de 900, o flexor profundo - o flexor comum superficial dos dedos é incapaz de flexionar F3: fica distendi- (fig. 5-63) que se insere, como foi com- do demais e, portanto, é ineficaz; provado anteriormente, na segunda fa- lange, é fiexor da segunda falange: • a sua eficácia é máxima quando a pri- meira falange se mantém em extensão • naturalmente, está privado de ação so- por contração do extenso r comum (an- bre a terceira falange; tagonismo-sinergia) . • é pouco flexor da primeira falange e in- Apesar dessas limitações, se pode demons- clusive é necessário que a segunda es- trar a importante função do flexor profundo. Os teja completamente flexionada; extensores radiais longo e curto do carpo (Rs)e o • a sua eficácia é máxima quando a pri- extensor comum (EC) são sinérgicos dos fiexores meira falange está estendida pela con- (fig. 5-65).
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    1. MEMBRO SUPERIOR 205 Fig.5-63 EC EC Fig.5-64 ~EC Rs Fig.5-65 •
  • 211.
    206 FISIOLOGIA ARTICULAR OS TENDÕES DOS MÚSCULOS EXTENSORES DOS DEDOS Os músculos extensores dos dedos também da cápsula da metacarpofalangeana, para inserir- são músculos extrínsecos. Percorrem os sulcos, se junto com a cápsula na base de FI: em uma mas como o seu trajeto é, em conjunto, convexo, vista dorsal (a), um segmento de tendão removi- são menos numerosos. Só existem no punho, do deixa ver esta expansão profunda (1). único ponto onde o trajeto dos tendões se trans- Pelo contrário, a ação sobre a segunda forma em côncavo durante a extensão. Neste ca- falange - através da lingüeta média (2)- e so- so, o sulco osteofibroso está constituído pela bre a terceira falange - através das duas lingüe- porção inferior dos dois ossos do antebraço e pe- tas laterais (3) - depende do grau de tensão lo ligamento anular posterior do carpo (fig. 5- do tendão e, por conseguinte, da posição do 66). Este sulco, por sua vez, está subdividido punho (fig. 5-69), e também do grau de fie- em seis túneis por septos fibrosos que se esten- xão da metacarpofalangeana: dem da superfície profunda do ligamento anular ao esqueleto. Podemos observar, de dentro para - só é relevante quando o punho está fle- fora (de esquerda à direita no esquema), os tú- xionado (A); neIS: - é parcial e incompleta em posição de 1) do extensor ulnar do carpo; alinhamento (B); 2) do extensor do dedo mínimo cujo tendão - é inexistente quando o punho está esten- se une mais abaixo com o do extensor co- dido (C). mum destinado também ao quinto dedo; De fato, a ação do extensor comum sobre 3) dos quatro tendões do extensor comum, as duas últimas falanges depende do grau de ten- são dos flexores: acompanhado em profundidade pelo tendão do extensor próprio do dedo indi- - se os tendões estão tensos devido à exten- cador, que se une um pouco mais abaixo são do punho ou da metacarpofalangea- do tendão do extensor comum destinado na, o extensor comum é incapaz, por si ao dedo indicador; só, de estender as duas últimas falanges; 4) do extensor longo próprio do polegar; - se, pelo contrário, os tendões estão dis- 5) dos extensores radiais longo e curto do tendidos devido à flexão do punho ou da carpo; metacarpofalangeana (ou por sua sec- ção), o extensor comum pode estender 6) do extensor próprio curto do polegar e facilmente as duas últimas falanges. do abdutor longo do polegar. O tendão do extensor próprio do dedo in- Nestes sulcos osteofibrosos, os tendões ex- dicador e o do dedo mínimo possuem a mesma postos estão envolvidos por bainhas serosas fisiologia que o tendão correspondente do exten- (fig. 5-67) que passam por cima do ligamento sor comum com o qual se confundem. Permitem anular dorsal e se estendem bastante abaixo so- a extensão isolada do dedo indicador e do quin- bre a superfície dorsal da mão. to dedo (gesto de "pôr chifres"). Do ponto de vista fisiológico, o extenso r De maneira acessória, no caso do dedo indi- comum dos dedos é, principalmente, o exten- cador, os tendões extensores têm, segundo Du- sor da primeira falange sobre o metacarpeano. chenne de Boulogne, uma ação de lateralidade Esta ação se manifesta com força e evidên- (fig. 5-70): o extensor próprio (EP) realiza a cia, seja qual for a posição do punho (fig. 5-69). "adução" e o extensor comum (EC) a "abdução". Transmite-se à primeira falange pela expansão Esta ação aparece quando a flexão das duas últi- profunda (1), longa de 10 a 12 mm, que se des- mas falanges e a extensão da primeira anulam a cola da superfície profunda do tendão, diferente ação dos interósseos correspondentes.
  • 212.
    1. MEMBRO SUPERIOR 207 Fig.5-66 Fig.5-67 a b - Fig.5-68 J Fig.5-69 EP EC Fig.5-70
  • 213.
    208 FISIOLOGIA ARTICULAR MÚSCULOS INTERÓSSEOS E LUMBRICAIS Não descreveremos de novo as inserções dos in- dão se desloca para frente e perde a sua ação de terósseos; e:'.tão resumidas nas figuras 5-71, 5-72 e 5- abdução para se converter em flexor. 73. Estas inserções não interessam se não for para escla- A sua ação sobre a flexão-extensão não pode ser recer as ações musculares. entendida sem descrever previamente a estrutura da No plano fisiológico, os interósseos possuem dois aponeurose dorsal do dedo (figs. 5- 74, 5-75 e 5-76): tipos de ações: ação de lateralidade e ação sobre a fle- - após ter emitido a sua inserção (1) para o tubér- xão-extensão. culo lateral de FI' o tendão do interósseo cons- Sua ação de lateralidade sobre os dedos está de- titui uma lâmina fibrosa que,' passando sobre a terminada pela inserção de uma parte do tendão termi- superfície dorsal de F. vai continuar na sua ho- nal sobre o tubérculo lateral da base da primeirafalan- móloga cOfltralateral:' se trata da correia dos ge (1); esta ação é tão diferente que esta inserção inclu- interósseos (2). Vista pela sua superfície pro- sive se cOlTesponde, às vezes, com um corpo muscular funda (foram removidas as falanges), a apo- diferente (disposição encontrada no primeiro interósseo neurose dorsal·(fig. 5-75) permite observar es- dorsal, segundo Winslow). ta cOlTeia formada de uma parte relativan1ente espessa (2) e de uma parte mais fina (2'), fibras O sClllido do movimento de lateralidade está regu- oblíquas que se expandem em direção às lin- lado pela direção do corpo muscular: gÜetas laterais (7) do extensor comum. A parte - quando se dirige em direção ao eixo da mão espessa (2) desliza sobre a superfície dorsal de (terceiro dedo) - é o caso dos interósseos dor- FI e da articulação metacarpofalangeana me- sais (traços verticais, figs. 5-71 e 5-73) - o diante uma pequena bolsa selvsa (9), debaixo músculo ordena a separação dos dedos (setas da qual se descola a lingÜeta profunda (4) do brancas, figo 5-71). extensor comum; É evidente que, se o segundo e o terceiro inte- - uma terceira expansão do tendão do interós- rósseos se contraem simultaneamente, a sua seo constitui uma fina lingÜeta (3) que se di- ação de lateralidade sobre o médio se anula. rige em dois contingentes de fibras para o ex- Com relação ao quinto interósseo, a separação tensor: é realizada pelo adutor do quinto (5) (fig. 5- • algumas fibras oblíquas (10) para a lingÜeta 72), que equivale a um interósseo dorsal. No média constituem a lâmina triangular; polegar, a escassa separação que produz o ab- • a maior parte das fibras se fundem com a lin- dutor curto do polegar (6) está compensada pe- gÜeta lateral pouco antes da sua passagem pe- la realizada pelo abdutor longo que age sobre o la interfalangeana proximal, para formar uma primeiro metacarpeano; faixa (12), que vai inserir-se sobre F, com a - quando se afasta do eixo da mão - é o caso dos sua homóloga contralateral: ' interósseos palmares (traços horizontais, figs. • observar (fig. 5-76) que a faixa lateral (12) 5-72 e 5-73) - o músculo dirige a aproximação não passa exatamente pela superfície dorsal dos dedos (setas brancas, figo 5-72); da interfalangeana proximal, mas sim ligeira- - os interósseos dorsais são mais volumosos e mente sobre o lado onde está colada à cápsu- portanto mais potentes que os pa1mares, o que la por algumas fibras transversais, a expan- explica que estes últimos sejam menos eficazes são capsular (11): quanto à aproximação dos dedos; - os quatro lumbricais (fig. 5-77), numerados - os tendões dos interósseos, envolvidos em for- de fora para dentro. se inserem nas margens mações fibroaponeuróticas anexadas ao liga- dos tendões fiexores profundos, principal- mento transverso intermetacarpeano, não po- mente na margem radial. O seu tendão (13) dem se luxar para frente durante a flexão das se dirige para baixo e volta para dentro. Em metacarpofalangeanas, porque o ligamento primeiro lugar o ligamento transverso inter- transverso, localizado na frente deles, os man- metacarpeano o separa do tendão do interós- tém no seu lugar. Não é o caso do primeiro in- seo (fig. 5-76), dando-o, assim, uma posição terósseo dorsal que carece deste mecanismo: mais palmar. A seguir (figs. 5-75 e 5-76), se quando a faixa fibrosa que o mantém seguro se funde com a terceira expansão do interósseo, distende por um processo reumático, o seu ten- mais abaixo do que a correia.
  • 214.
    1. MEMBRO SUPERIOR 209 Fig.5-77 Fig.5-76 Fig.5-75 Fig.5-74
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    210 FISIOLOGIA ARTICULAR A EXTENSÃO DOS DEDOS A extensão dos dedos se deve à ação combinada - se a metacarpofalangeana se flexiona (fig. 5-82) do extensor comum (EC), dos interósseos (Is), dos lum- por distensão do extensor comum (a) e contração bricais (Ls) e também em certa medida, do flexor super- do lumbrical (sem representação na figura); ficial (FCS); todos estes músculos intervêm nas liga- - a correia desliza sobre o dorso de FI (b); o seu ções de sinergia-antagonismo variáveis dependendo da trajeto é de 7 rnm (Sterling Bunnel); posição da articulação metacarpofalangeana (MP) e do punho. Acrescente-se a ação totalmente passiva do liga- - a contração dos interósseos (c) atuando sobre a mento retinacular, que coordena a extensão das duas correia flexiona com potênc~a a metacarpofalan- últimas falanges. geana; O extensor comum - embora, por este fato, as expansões laterais, man- tidas pela correia, se distendessem (d) e a sua ação Já vimos anteriormente (pág. 206) que o extensor extensora sobre FI e F2 desaparecesse, quanto comum não é verdadeiro extensor salvo no caso da pri- mais flexionada estiver a metacarpofalangeana; meirafalange (F) e que não atua sobre F2 e F3 se os flexo- res não estão distendidos (flexão do punho, flexão da me- - contudo, neste preciso momento é quando o ex- tacarpofalangeana, secção dos flexores). Numa peça ana- tensor comum é eficaz sobre FI e F2• tômica. a tração do extensor comum determina uma exten- Portanto existe, cómo o demonstrara Sterling Bun- são completa da FI e incompleta de F2 e F3 (fig. 5-69, C). nel, um balanço sinérgico na ação de extensão do exten- O grau de tensão das diferentes inserções do extensor comum sor comum e dos interósseos sobre FI e F2 (fig. 5-89): depende praticamente da flexão das falanges: - metacarpofalangeana flexionada 90°: ação máxi- - a flexão isolada de F, (fig. 5-78) distende 3 rum a faixa ma do extensor comum sobre F2 e F3; ação máxi- média e a expansão profunda; de modo que o extensor co- ma dos lumbricais estando as faixas laterais ten- mum já não atua diretamente sobre F, e F,; sas outra vez (fig. 5-84), sendo ineficazes os inte- - a flexão de F, (fig. 5-79) tem duas conseqüências: rósseos; • distende 3 rum as faixas laterais (a) graças à "derrapa- - metacarpofalangeana em posição intermédia: gem" das faixas que deslizam em posição palmar, atraí- ação complementar do extensor comum e dos in- das pela expansão capsular (fig. 5-75, 11). Durante a ex- terósseos; tensão de F, voltam à sua posição dorsal devido à elasti- cidade da lâmina triangular (fig. 5-75, 10); - metacarpofalangeana estendida: ação inexistente • distende de 7 a 8 rum a expansão profunda (c) o que anu- do extensor comum sobre F2 e F,; ação máxima dos interósseos estando as faixas laterais tensas la a ação direta sobre F, do extensor comum. Porém, po- de estender indiretamente F, através de F" se esta última outra vez (fig. 5-81, b). está estabilizada em flexão pelo flexor comum superfi- Os lumbricais cial' que desempenha assim um papel coadjuvante do ex- tensor comum na extensão da metacarpofalangeana (fig. Flexores de FI e extensores de F2 e F3 possuem, ao 5-80): e" e f" se anulam, e' e f" se somam e se decom- contrário dos interósseos, estas funções seja qual for a põem sobre FI em A, componente axial e em B, compo- flexão da metacarpofalangeana. São músculos extrema- nente de extensão, incluindo uma parte da ação do flexor mente importantes para os movimentos dos dedos. Devem comum superficial (R. Tubiana e P. Valentin). esta eficácia a duas disposições anatôrnicas: Os interósseos - a sua localização mais palma/; pela frente do li- Os interósseos são flexores de FJ e extensores de F2 gamento transverso intermetacarpeano, lhes ou- e F3, mas a sua ação sobre as falanges depende do grau de torga um ângulo de aproximação de 35° com flexão da metacarpofalangeana e do estado de tensão do FI (fig. 5-83): deste modo, podem flexionar a extensor comum: metacarpofalangeana inclusive se está hiperes- tendIda. São, assim, os "iniciadores" da flexão - se a metacarpofalangeana está estendida (fig. 5- 81) por contração do extensor comum; de FI (flexor-starters), os interósseos atuam se- cundariamente sobre a correia; - se a correia se desloca (a) por cima da metacar- - a sua inserção distal se localiza (fig. 5-84) nas ex- pofalangeana em direção à superfície dorsal do pansões laterais debaixo do nível da correia. Ao primeiro metacarpo (Sterling Bunnel); não estar mantidos por este último, podem tensio- - deste modo, as expansões laterais podem estar nar de novo o sistema extensor de F2 e F3seja qual tensas (b) e produzir a extensão de FI e F2; for o grau de flexão da metacarpofalangeana.
  • 216.
    1. MEMBRO SUPERIOR 211 EC b Fig.5-81 a Ec Fig.5-83 Fig.5-82 Fig.5-85 Fig.5-84 Fig.5-86 Fig.5-87 Fig.5-88
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    212 FISIOLOGIA ARTICULAR A EXTENSÃO DOS DEDOS (continuação) - Eyler e Marquée, e Landsmeer demonstraram Em caso de patologia, a retração do ligamento reti- que em certos indivíduos os interósseos possuem nacular: duas porções, uma porção para a correia e outra - instaura a deformação do dedo denominada "em porção para a expansão lateral; casa de botão", devido à ruptura da aponeurose - para Recklinghausen, os lumbricais facilitam a dorsal; extensão de F2 e F3 (fig. 5-85) produzindo a dis- - provoca a hiperextensão da interfalangeana distal tensão da porção distal dos tendões do fiexor co- na doença de Dupuytren nO,seu terceiro grau. mUln superficial (a) nos quais se localiza a sua in- Resumo das ações musculares para a flexão-ex- serção superior (b). Graças a este sistema diago- tensão dos dedos naI, a contração dos lumbricais desloca funcio- nalmente a inserção teI1lÚnal do flexor comum Extensão simultânea de Fj + F2 + FJ (fig. 5-89, A): Sinergia EC + Is + Ls. superficial da superfície palmar à superfície dor- sal de F3' transformando-o num extensor, equiva- Ação passiva e automática do ligamento retinacular. lente a um interósseo; este sistema é semelhante, Extensão isolada de Fj: EC. em eletrônica, a um transistor que troca a passa- gem da corrente num sentido ou outro dependen- (coadjuv~nte do EC) relaxamento dos Is do do seu estado de excitação. Este "efeito tran- + Flexão F : FCS + Flexão F): FCP ) sistor" conduz, graças a uma baixa potência - a do lumbrical -, à derivação de uma forte potên- + Flexão F2: FCS (Id.) cia - a do flexor comum profundo - para o siste- + Extensão F3: Ls + Is (esta última ação é muito ma extensor; difícil). - por último, os lumbricais, possuidores de nume- Flexão isolada de FI: Ls (starters) + ls (antagonis- rosos receptores proprioceptivos, recolhem in- mo EC/Is: relaxamento EC). fOlmações essenciais para coordenar o tônus + Extensão F, e F, (fig. 5-89, C): Ls (extensores em dos extensores e dos flexores entre os quais es- qualquer põsição da metacarpofalangeana) + ba- tão tensos formando uma diagonaI. lanço sinérgico EC + Is (fig. 5-89, B). O ligamento retinacular (LR) + Flexão F,: FCS. O ligamento retinacular (Landsmeer, 1949) está + Extensão F}: Ls (ação difícil porque a ftexão das constituído por fibras (fig. 5-86) que partem da superfície interfalangeanas proximais distende as faixas late- palmar (a) de F, e se projetam (b) sobre as faixas laterais rais). do extensor comum e, através destas, sobre F). Todavia, é + Flexão F,: FCS. necessário ressaltar como algo essencial o fato de que, ao contrálio das faixas laterais do extensor comum, as fibras + Flexão F3: FCP (a sua ação está facilitada pela "derrapagem das faixas laterais devido à ftexão da do ligamento retinacular cruzam a interfalangeana proxi- interfalangeana proximal "). mal (IFP) pela frente do seu eixo (c), isto é, em posição Os movimentos habituais dos dedos ilustram as seguintes si- palmar. Então podemos deduzir que (fig. 5-87) a exten- tuações: são da interfalangeana proximal provoca a tensão das - os movimentos que se realizam durante a escritura (Du- fibras do ligamento retinacular e produz a extensão da chenne de Boulogne): interfalangeana distal(IFD) na metade do seu recorrido, - quando empurramos o lápis para frente (fig. 5-90), passando de uma flexão de 80° a uma flexão de 40°. Esta o interósseo flexiona F, e estende F, e F,; tensão do ligamento retinacular pela extensão da interfa- - quando conduzimos novamente o lápis para trás langeana proximal é fácil de comprovar (fig. 5-88): se (fig. 5-91), o extensor comum estende F, e o tlexor seccionarmos o ligamento retinacular em B, a extensão comum superficial tlexiona F,: da F, já não se associa com a extensão automática de F3 ' - os movimentos dos dedos em gancho (fg. 5-92): o fle- xor comum superficial e o flexor comum profundo se enqllamo é possível observar a separação de uma distân- contraem e os interósseos se relaxam. Este movimento é cia CD (D representa a posição final de B, ponto do liga- indispensável para o alpinista que se agarra a uma pare- mento retinacular que gira em tomo de A, enquanto C re- de rochosa vertical; presenta a posição final de B, ponto de Fo girando em tor- - os movimentos dos dedos em martelo (fig. 5-93): o ex- no de O) das duas margens do ligamentõ retinacular. tensor comum intervém para estender FI enquanto o fle- xor comum superficial e o flexor comum profundo fle- Ao contrário, é possível obter, mediante uma flexão xionam F, e F, . É a posição inicial dos dedos do pianis- passiva da interfalangeana distal, e estando intacto o liga- ta. O dedo percute a tecla por contração dos interósseos mento retinacular, a flexão automática da interfaIangeana e dos lumbricais que tlexionam a metacarpofalangeana proximal. quando o extensor comum se relaxa.
  • 218.
    1. iIEMBRO SUPERIOR 213 Fig.5-89 -
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    214 FISIOLOGIAARTIClJLAR ATITUDES PATOLÓGICAS DA MÃO E DOS DEDOS A insuficiência ou o excesso de ação de qualquer f) a insuficiência dos interósseos, implica dos músculos que acabamos de expor pode desenca- uma hiperextensão de M/FI sob a ação do dear múltiplas atitudes ,iciosas. extensor comum e por uma fiexão acentuada Entre as atitudes viciosas dos dedos (fig. 5-94), das duas últimas falanges sob a ação do fle- devemos conhecer: xor comum superficial e do flexor comum profundo. Deste modo, a paralisia dos mús- a) a ruptura da aponeurose dorsal, na lâmina culos intrínsecos rompe o arco longitudinal triangular, que se estende entre as duas faixas na "chave" da sua abóbada. Esta atitude, de- laterais e cuja elasticidade é necessária para nominada "em garra" (fig. 5-96) ou "intrín- que estas faixas voltem à posição dorsal quan- seca menos", aparece principalmente na pa- do a interfalangeana proximal se estenda de ralisia dó nervo ulnar - que inerva os inte- novo. Neste caso. a superfície dorsal da articu- rósseos - e é a razão pela qual também se de- lação produz uma hérnia na fenda aponeuróti- nomina garra ulnar. Acompanha-se de uma ca, e as faixas se luxam sobre as suas superfí- atrofia da eminência tenar e dos espaços in- cies laterais; se mantém assim em semi-fiexão, terósseos. enquanto a interfalangeana proximal está em A perda dos extensores do punho e dos dedos, hiperextensão. Esta mesma atitude denomina- com freqüência no curso de uma paralisia radial, da "em casa de botão" aparece ante uma sec- determina uma atitude caraterística de "mão caÍda" ção do extensor na interfalangeana proximal; (fig. 5-95) com flexão acentuada do punho e flexão b) a ruptura do tendão extenso r imediata- das articulações metacarpofalangeanas, estando as mente anterior à sua inserção em F} provo- duas últimas falanges estendidas pelos interósseos. ca a fiexão de F,. que pode reduzir-se de for- Na doença de Dupuytren (fig. 5-97), a retra- ma passiva, mas não ativa. A flexão se deve à ção das faixas pré-tendíneas da aponeurose palmar tonicidade do flexor comum profundo não média acarreta umafiexão irredutível dos dedos so- compensada pelo extensor comum; a defor- bre a palma: flexão da metacarpofalangeana e da in- mação se denomina "dedo em martelo" (ou terfalangeana proximal e extensão da interfalangea- mallet finger); na distal. Freqüentemente, esta atitude viciosa é c) a ruptura do tendão do extenso r longo por mais acentuada nos dois últimos dedos, o dedo indi- cima da metacarpofalangeana se deve àfie- cador e o médio se afetam posteriormente e poucas xão da metacarpofalangeana sob a ação pre- vezes afeta o polegar. dominante da correia dos interósseos; esta ati- A doença de Volkmann (fig. 5-98) se deve à tude "intrínseca plus" se observa quando os retração isquêmica dos músculos fiexores e determi- interósseos predominam sobre o extensor co- na uma atitude em garra dos dedos, muito nítida na mum, extensão do punho (a), e menos visível na flexão (b), d) a ruptura ou a insuficiência do flexor co- que distende os flexores. mum superficial determina uma hiperexten- Outra atitude en garra (fig. 5-99) que se corres- são da interfalangeana proximal sob a influên- ponde com a inflamação da bainha ulnocarpeana. cia predominante dos interósseos. Esta atitude A garra é mais acentuada quanto mais interno é o de- "em inversão" da interfalangeana proximal se do (atinge o seu máximo no quinto dedo). Qualquer associa com uma ligeira flexão da interfalan- tentativa de reduzir esta garra resulta muito dolorosa. geana distal devido ao encurtamento relativo Por último, a atitude em "rajada ulnar" (fig. do flexor comum profundo (por hiperextensão 5-100, segundo o quadro de G. La Tour, "Briga de da interfalangeana proxirnal), daí a sua deno- mendigos") se caracteriza pelo desvio simultâneo minação de deformação "em pescoço de cis- dos quatro últimos dedos em direção à superfície in- ne"; terna da mão; também podemos apreciar a proemi- e) a paralisia ou a secção do tendão do flexor nência anormal das cabeças metacarpeanas. Este comum profundo conduz à impossibilidade conjunto de deformações permite considerar o diag- de flexionar ativamente a última falange; nóstico (retrospectivo) de poliartrite reumatóide.
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    1. MEMBRO SUPERIOR 215 ~/rc c.~ ~~~ d e Fig.5-95 ~ Fig.5-94 - Fig.5-98 Fig.5-100
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    216 FISIOLOGIA ARTICULAR OS MÚSCULOS DA ElVIINÊNCIA HIPOTENAR A eminência hipotenar está composta por XX", o qual o desloca para frente (seta 1) e pa- três mÚsculos (fig. 5-101): rafora (seta 2). Esta direção oblíqua é a do cor- 1) o flexor curto do quinto dedo (1); se in- po muscular (seta branca). sere abaixo, no tubérculo interno da ba- Mas, ao mesmo tempo, proporciona ao se de FI' a sua direção é oblíqua para ci- quinto metacarpeano um movimento de rota- ma e para fora em direção à sua inserção ção em torno ao seu eixo longitudinal (repre- carnosa na superfície anterior do liga- sentado por uma cruz) no sentido da seta 3, em mento anular e do processo unciforme; supinação, isto é, de tal maneira que a parte anterior do metacarpeano se orienta para fo- 2) o adutor do quinto dedo (2); adutor em ra, em direção ao polegar. Portanto, o oponen- relação ao plano de simetria do corpo. termina abaixo como um interósseo no te merece a sua denominação porque realiza a tubérculo lateral de F I (com o fiexor CUf- oposição do dedo mínimo com relação ao po- legar. to), por uma correia comum com o quar- to interósseo palmar e por uma expansão Ofle_xor curto (1) e o adutor do quinto de- para a faixa lateral do extensor comum. do (2) exercem em conjunto uma ação quase Por cima, se insere na superfície anterior idêntica (fig. 5-103): do ligamento anular e no pisiforme; - o fiexor curto (1) fiexiona a primeira fa- 3) o oponente do quinto dedo (3) se inse- lange sobre o metacarpeano e separa o re abaixo na superfície interna do quinto quinto dedo em relação ao eixo da mão; metacarpeano, rodeia a sua margem (fig. 5-88) para se dirigir (seta branca) para - o adutor (2) possui a mesma ação: de cima e para fora em direção à margem modo que é abdutor com relação ao ei- inferior do ligamento anular e do proces- xo da mão (terceiro dedo) e pode ser so unciforme, no qual se insere. considerado equivalente a um interós- seo dorsal. Como os interósseos, fle- No plano fisiológico xiona a primeira falange, por ação da O oponente (fig. 5-102) fiexiona o quinto correia, e estende duas falanges por metacarpeano sobre o carpo, em tomo do eixo ação de sua expansão lateral.
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    1. MEMBRO SUPERIOR 217 Fig.5-102 Fig.5-103
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    218 FlSIOLOGIAARTICULAR o POLEGAR o polegar ocupa uma posição e desem- - maiS curto, como seria o caso após penha uma função à parte na mão, porque é in- uma amputação falângica, perde as dispensável para realizar as pinças polegar-digi- suas possibilidades de oposição por tais com cada um dos outros dedos, e principal- não ter suficiente longitude, nem sufi- mente com o dedo indicador, e também para a ciente separação, nem suficiente fle- constituição de uma preensão de força com os xão global; outros quatro dedos. Também pode participar - mais longo, como seria o caso de uma em ações associadas às preensões que se refe- malfor,mação congênita com três fa- rem à própria mão. Sem o polegar, a mão perde langes, a oposição fina ponta do dedo- a maior parte de suas capacidades. ponta do ~edo (término-terminal) po- O polegar deve esta função eminente, por de se ver perturbada pela flexão insu- uma parte, à sua localização para frente tanto ficiente da interfalangeana distal do da palma da mão quanto dos outros dedos (fig. dedo ao qual se opõe. 5-104) que lhe permite, no movimento de opo- Então, isto é um exemplo do princípio de sição, se dirigir aos outros dedos, de forma iso- economia universal (princípio de OCCAM). lada ou global, ou se separar pelo movimento de segundo o qual qualquer função está assegura- contra-oposição para relaxar a preensão. Por da pela mínima estrutura e organização: para outro lado, deve a sua função à grande flexibili- uma função ótima do polegar, são necessárias dade funcional que lhe proporciona a organiza- e suficientes cinco peças. ção tão peculiar da sua coluna articular e dos seus motores musculares. As articulações da coluna do polegar são quatro: A coluna ósteo-articular do polegar (fig. 5-105) contêm cinco peças ósseas que consti- - a trapéÚo-escafóidea (TE) artródia tuem o raio externo da mão: que, como já vimos, permite que o tra- pézio realize um curto deslocamento - o escafóide (esc); para frente sobre a superfície articular - o trapézio (T) que os embriologistas con- inferior, a qual se apóia sobre o tubér- sideram equivalente a um metacarpeano; culo do escafóide: neste caso se esbo- ça um movimento de flexão de escas- - o primeiro metacarpeano (Mr); sa amplitude; - a primeira falange (F); - a trapéÚo-metacarpeana (TM) dotada - a segunda falange (F). de dois graus de liberdade; O polegar anatomicamente só possui duas - a metacarpofalangeana (MF) que pos- falanges, mas, o que é importante, a sua coluna sui dois graus de liberdade; se articula com a mão num ponto muito mais proximal que no caso dos outros dedos. A sua - a interfalangeana (IF) com só um grau coluna é claramente mais curta e o seu extremo de liberdade; só alcança a parte média da primeira falange do ou seja, em total, CINCO GRAUS DE dedo indicador. Este é o seu comprimento per- LIBERDADE necessários e suficientes feito porque: para se realizar a oposição do polegar.
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    1. MEMBRO SUPERIOR 219 Fig.5-104 Fig.5-105 TOTAL: 5 GRAUS ,_1F:10
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    220 FISIOLOGIA ARTICULAR GEOMETRIA DA OPOSIÇÃO DO POLEGAR Desde um ponto de vista estritamente geo- móveis M 1, F 1 e F 2 da coluna do polegar em tor- métrico (fig. 5-106), a oposição do polegar con- no dos três eixos de flexão yy' para a TM, fi pa- siste em que, num ponto dado A' , a polpa do po- ra a MF e f, para a IF, podemos constatar que são legar seja tangente à polpa do outro dedo, como necessários dois graus para situar o extremo de por exemplo o dedo indicador, num ponto A: is- F2 num ponto H do plano: se se bloqueia fi ou f:. to é, fazer coincidir no espaço num único ponto só existe uma forma para ambos os casos alcan- A + A' os planos das polpas tangentes A e A' . çarem o ponto H. Porém, introduzir um terceiro grau permite chegar a H com diferentes incidên- Para começar, para coincidir dois pontos no cias: estão representadas na figura duas orienta- espaço (fig. 5-107) são necessários três graus de ções O e O' da polpa, de modo que podemos liberdade segundo as coordenadas x, y e z. A se- constatar como este mecanismo necessita de três guir, são necessários mais dois graus de liberda- graus de liberdade no plano. de para que possam coincidir os planos das pol- pas, plano sobre plano e direção sobre direção, No espaço (fig. 5-109), se acrescenta um por rotação em tomo aos eixos teu (como as pol- quarto grau de liberdade, em tomo do segun- pas não podem entrar em contato pela superfície do eixo xx' da TM, permitindo uma orientação dorsal, é inútil um terceiro grau em tomo de um adicional da polpa que "se orienta" numa dire- ção diferente, a qual autoriza uma verdadeira eixo y e perpendicular aos dois precedentes). escolha da oposição com um determinado dedo Em resumo, a coincidência dos planos das do dedo indicador ao dedo mínimo. polpas necessita de cinco graus de liberdade: Um quinto grau de liberdade (fig. 5-110) - três para que coincidam os pontos de conseguido graças ao segundo eixo da MF me- contato; lhora ainda mais a coincidência dos planos das polpas, permitindo uma rotação limitada de um - dois para que coincidam mais ou menos plano sobre outro em torno do ponto de tangên- os planos das polpas. cia. De fato, podemos comprovar que o eixo de Como podemos demonstrar de forma sim- flexão f 1 da MF não é estritamente transversal ples que cada eixo de uma articulação constitui a não ser no curso da flexão direta; na verdade. um grau de liberdade que se soma aos outros pa- durante a maior parte do tempo é oblíquo num ra contribuir para o resultado final, podemos de- sentido ou outro: duzir que os cinco graus de liberdade da coluna - oblíquo em f' 1: a flexão se associa com do polegar são imprescindíveis e suficientes pa- um desvio ulnar e com uma supinação: ra se realizar a oposição. - oblíquo em f" 1: neste caso se associa Se considerarmos, unicamente no plano com um desvio radial e com uma pro- (fig. 5-108), o movimento dos três segmentos nação.
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    1. MEMBRO SUPERIOR 221 tI z Fig.5-106 Fig.5-107 y x H Xl X y Fig.5-108 Xl Fig. 5-110 Fig.5-109
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    222 FISIOLOGIA ARTICULAR A ARTICULAÇÃO TRAPÉZIO-META CARPEANA Topografia das superfícies convexidade ântero-externa. A parte A articulação trapézio-metacarpeana (TM) posterior-externa E é quase plana; se localiza na base da coluna móvel do polegar - a superfície metacarpeana M) se forma e desempenha um papel primordial dado que as- ao contrário, apresentando uma crista segura a sua orientação e participa de maneira A'B' que corresponde ao sulco AB da preponderante no mecanismo da oposição. superfície do trapézio e um sulco C'D' Os anatomistas a denominam articulação que encaixa sobre a crista do trapézio CD. - por encaixamento recíproco, o que não significa muito, ou também articulação selar (fig. 5-111), Encaixada sobre a superfície do trapézio o que parece mais correto porque esta última de- (fig. 5-113), a metacarpeana a ultrapassa por nominação lembra a forma de sela de cavalgar, ambos os extremos a e b do sulco. Além disso, côncava num sentido e convexa no outro. Exis- num corte (fig. 5-114) se pode observar que a tem duas superfícies em sela, uma no trapézio e concordância das duas superfícies não é absolu- a outra na base do primeiro metacarpeano que só ta. Porém, encaixadas com firmeza uma contra se correspondem por causa de uma rotação de a olltra, "o encaixamento" das superfícies não 90° que faz coincidir a curva convexa de uma permite nenhuma rotação sobre o eixo longitu- com a curva côncava da outra e vice-versa. dinal do primeiro metacarpo, sempre segundo A topografia exata das superfícies desta ar- Kuczynski. ticulação tem sido causa de numerosos estudos e A causa da curva da sela sobre o seu eixo debates. A descrição mais precisa foi exposta re- longitudinal, Kuczynski a compara com uma se- centemente por K. Kuczynski (1974). Com a la (mole) colocada sobre o lombo de um "cava- trapézio-metacarpeana aberta (fig. 5-112) e a ba- lo com escoliose" (fig. 5-115). Também pode- se do primeiro metacarpeano deslocada para fo- mos compará-Ia com um desfiladeiro (fig. 5- ra, as superfícies articulares do trapézio T e do 116) entre duas montanhas, percorrido por uma primeiro metacarpeano M1 apresentan as seguin- rodovia curva: a direção do caminhão que sobe tes particularidades: pela rodovia forma um ângulo r com a do ca- - a superfície do trapézio T apresenta uma minhão que desce por ela. Para Kuczynski, este crista média CD ligeiramente curva se- ângulo que atinge os 90° entre os pontos a e b do guindo uma concavidade orientada para sulco do trapézio explicaria a rotação do primei- dentro e para frente. A parte dorsal C ro metacarpo sobre o seu eixo longitudinal no desta crista é claramente mais convexa percurso da oposição. Todavia, para que isto se- que a sua parte palmar F que é quase ja assim, seria necessário que a base de M) per- plana. Esta crista aparece deprimida na corresse (como o caminhão no desfiladeiro) to- sua parte média por um sulco AB que a do o sulco do trapézio, o que requereria uma lu- cruza transversalmente e se estende da xação completa da articulação num sentido e/ou margem dorsal externa A à margem pal- no outro, enquanto o deslocamento só é parcial: mar interna B onde é evidentemente o importante desta rotação longitudinal se reali- mais escavada. Um fato importante é za, então, segundo a nossa opinião, graças a ou- que este sulco é curvo e apresenta uma tro mecanismo que será exposto mais adiante.
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    224 FISIOLOGIA ARTICULAR A ARTICULA çÃO TRAPÉZIO- METACARPEANA (continuação) Coaptação - o ligamento oblíqUf( póstero-interno A cápsula da articulação trapézio-metacar- (LOPI), descrito pelos clássicos, se trata peana é conhecida pela sua lassidão, de modo de uma faixa larga mas fina que envolve que permite um importante jogo mecânico, a articulação por trás como uma grava- ta, para se enrolar por dentro da base do que, segundo os autores clássicos e inclusive primeiro rnetacarpeano se dirigindo pa- segundo os modernos, origina a rotação do pri- ra frente; meiro metacarpeano sobre o seu eixo longitudi- nal, o que, como se poderá comprovar mais - o ligamento oblíquo ântero-interno adiante, é falso. (LOAI) se estende da parte distal da crista do trapézio até a zona justaco- De fato, a lassidão capsular só tem como missural da base do primeiro metacar- efeito, na prática, permitir o deslocamento da peano, cruza a superfície anterior da superfície metacarpeana sobre a do trapézio, articulação se enrolando no sentido in- mas esta articulação trabalha em compressão, verso ao precedente; semelhante a um pivô (fig. 5-117), permitindo assim orientar o primeiro metacarpeano em to- - o ligamento reto ântero-externo das as direções do espaço, como se se tratasse (LRAE) se estende diretamente entre o de uma capa cuj a orientação se pode variar trapézio e a base do primeiro metacar- modificando a tensão das cordas representadas peano até a superfície ântero-externa da neste caso pelos músculos tenares. Estes asse- articulação, o seu claro e agudo limite guram a coaptação articular em qualquer posi- interno delimita um hiato capsular por çao. onde passa uma bolsa serosa para o ten- dão do abdutor longo (AbL). Os ligamentos da trapézio-metacarpeana dirigem o movimento e asseguram, segundo o Para J.Y. de Ia Caffiniere, estes ligamentos seu grau de tensão, a coaptação em cada posi- podem se associar de dois em dois: ção. A sua descrição e a sua função foram recen- - UM e LRAE, a abertura da primeira co- temente particularizados por J.Y. da Caffiniere missura no plano da palma da mão é li- (1970) que diferencia quatro (figs. 5-118, vista mitada pelo LIM e o seu fechamento pe- anterior, e 5-119, vista posterior). lo LRAE; - o ligamento intermetacarpeano (UM). - LOPI e LOAI são solicitados principal- Ramo fibroso, espesso e curto, se esten- mente durante a rotação do primeiro de das bases do primeiro e do segundo metacarpeano sobre o seu eixo longitu- metacarpeanos até a parte superior da .. . dinal. O LOPI limita a pronação e o pnmelra cormssura; LOAI a supinação .
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    1. 1IEMBRO SUPERIOR 225 I • Fig.5-117 • AbL UM Fig.5-118 Fig.5-119
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    226 FISIOLOGIA ARTICULAR A ARTICULAÇÃO TRAPÉZIO-lVIETACARPEANA (continuação) Função dos ligamentos bre o trapézio e M2M) o LOPI e o LOAI contro- Segundo a nossa opinião, estes fenômenos lam a estabilidade rotatória de M sobre o seu 1 são algo mais complexos, já que precisamos eixo longitudinal. descrever a ação dos ligamentos em relação aos - o LOAI está tenso durante a pronação; movimentos de anteposição e retroposição, e de de modo que a sua tensão isolada acar- flexão e extensão do primeiro metacarpeano tal retaria urna supinação; como serão definidos mais adiante. - o LOPI é solicitado durante a supinação; N o curso dos movimentos de anteposição e podemos afirmar que a sua tensão inde- retroposição podemos observar: pendente dos outros acarretaria uma - numa vista anterior (fig. 5-120) em ante- pronação do primeiro metacarpeano. posição, como o LOAI está tenso e se Na oposição que associa a anteposição e a distende o LRAE ao passo que para trás flexão, todos os ligamentos (UM, LOAI, LOPI) (fig. 5-121) o LOPI está tenso; estão tensos exceto o LRAE, o que é normal - numa vista anterior (fig. 5-122) em re- porque este ligamento é paralelo aos músculos troposição, como o LRAE está tenso e contraídos (abdutor curto, oponente, flexor cur- se distende o LOAI, ao passo que para to). É notável que o mais tenso seja o LOPI que trás (fig. 5-123) se distende o LOPI; assegura deste modo a estabilidade da articula- ção para trás. A oposição se corresponde então -. com relação ao UM (fig. 5-124, vista anterior), como está tenso, tanto em an- com a close packed position, como já havia res- teposição (AP), onde "traciona" a base saltado Mac Conaill: é a posição na qual as su- perfícies articulares estão mais firmemente en- de M1 para ;"12, quanto em retroposição caixadas uma contra a outra, o que, somado ao (RP) onde "retém" a base de M1 ante- riormente subluxada pelo trapézio. Dis- fato de que os dois ligamentos oblíquos estão si- tende-se em posição intermédia. multaneamente tensos, exclui toda rotação so- bre o eixo longitudinal do primeiro metacar- No curso dos movimentos de flexão-exten- peano que corresponderia a um jogo mecânico são podemos observar: entre as superfícies articulares. - como na extensão (fig. 5-125) os liga- Na posição intermédia, que será definida mentos anteriores LRAE e LOAI estão mais adiante, todos os ligamentos estão disten- tensos e o LOPI se distende; didos e, conseqüentemente, o jogo mecânico é - como naflexão (fig. 5-126) se produz a máximo, o qual não aporta nenhuma vantagem situação contrária: distensão dos LRAE com relação à rotação longitudinal de M. e LOAI e tensão do LOPI. Na contra-oposição, a tensão quase isolada Ao estar enrolados em sentido contrário so- do LOAI é capaz de produzir certo grau de supi- bre a base de M1 (fig. 5-127, vista axial de M1 so- nação de M1 sobre o seu eixo longitudinal.
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    1. MEMBRO SUPERIOR 227 LRAE$ LOPI ffi LOAI8 ~ ANTEPOSIÇÃO ~ Fig.5-120 ANTEPOSIÇÃÓ ."-t> RETROPOSIÇÃO Fig.5-122 LOPI e UM EB <}---' RETROPOSIÇÃO Fig.5-123 Fig.5-125 LOPI EB LRAE 8 LOAI e Fig.5-126 Fig.5-127
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    228 FISIOLOGIA ARTICULAR A ARTICULAÇÃO TRAPÉZIO-METACARPEANA (continuação) Geometria das superfícies ralmente de tal modo que os raios li, v, 1', que Se a rotação do primeiro metacarpeano so- passam por cada ponto da crista, convergem bre o seu eixo longitudinal não se pode explicar num ponto O' situado no eixo xx' do tara para nem pelo jogo mecânico nem pela ação dos liga- fora do seu plano de simetria. Esta superfície se- mentos, a única explicação que resta é pelas pro- lar sempre é uma superfície, toróide negativa priedades das superfícies articulares (além dis- com dois eixos principais ortogonais e dois so, esta explicação não foi contestada no caso do graus de liberdade. Claro que isto só é certo pa- quadril). ra um pequeno segmento de superfície, porque, caso contrário, a multiplicidade dos eixos con- As superfícies selares possuem, como afir- verteria em "caduca" a comparação. De fato, en- mam os matemáticos, uma curva negativa, isto quanto a superfície for pequena, os eixos suces- é que sendo convexas num sentido e côncavas sivos (p, q, s, etc ... ) estarão suficientemente pró- no outro, não podem fechar-se sobre si mesmas, ximos entre si para que o jogo mecânico com- como seria o caso da esfera, exemplo perfeito de pense as discordâncias. É o caso das superfícies curva positiva. Tentaram comparar estas superfí- do trapézio e das metacarpeanas cujas curvas cies selares a um segmento hiperbolóide de re- são relativamente moderadas, menos acentuadas volução (fig. 5-128) como Bausenhart e Littler, que nos esquemas. ou com um segmento hiperbolóide parabólico (fig. 5-129, a hipérbole H se apóia sobre uma pa- Nestas condições, é totalmente lógico e lí- rábola P), ou inclusive hiperbólico (fig. 5-130, a cito modelar a articulação trapé::.io-metacar- hipérbole H se apoia sobre outra hipérbole H'). peana do mesmo modo que os biomecânicos No nosso caso, parece mais interessante compa- modelam o quadril, como se se tratasse de uma rá-Ias com um segmento axial de superfície tóri- articulação "de patela", embora saibamos de so- ca (fig. 5-131): na parte central de uma câmara bra que a cabeça femoral não é uma esfera per- de ar, que representa o toro ou bocel, existe uma feita. curva côncava cujo centro é o eixo da roda O e uma curva convexa cujo centro é o eixo da "mol- o modelo mecânico de uma articulação de dois eixos é o "Cardão" (fig. 5-133): dois eixos dura" (na verdade, existem uma série de eixos p, xx' e yy' perpendiculares e concorrentes que q, s, etc ... um dos quais, q, corresponde à posi- permitem movimentos em dois planos perpendi- ção média). Esta superfície selar ou "toróide ne- culares AB e CD. Do mesmo modo, duas super- gativa" possui dois eixos principais ortogonais fícies selares A e B situadas uma sobre a outra e, por conseguinte, dois graus de liberdade. Se (fig. 5-134) permitem, uma em relação à outra considerarmos a descrição de K. Kuczynski, (fig. 5-135), movimentos AB e CD em dois pla- com a curva lateral da crista da sela (o "cavalo nos perpendiculares. com escoliose"), este segmento axial de superfí- cie tórica deve delimitar-se assimetricamente Porém, o estudo da mecânica do cardão (fig. 5-132) sobre o toro, como se a sela se tives- mostra que as articulações de dois eixos pos- se deformado, deslizando lateralmente sobre o suem uma possibilidade adicional, a rotação au- lombo de um cavalo normal. O eixo maior lon- tomática do segmento móvel sobre o seu eixo gitudinal (a crista) da sela nm está curvado late- longitudinal, neste caso o primeiro metacarpo.
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    1. MEMBRO SUPERIOR 229 ® Fig.5-128 x o Fig.5-129 x .® Fig.5-130 Fig.5-131 Fig.5-132 I,,, - ,",' - ... .... II I ,: , I I , " ,,,, ,", -, .•.... '" / Fig.5-134 Fig.5-133 Fig.5-135
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    230 FISIOLOGIA ARTICULAR A ARTICULAÇÃO TRAPÉZIO-METACARPEANA (continuação) A rotação sobre o eixo longitudinal nas quais é variável em função do grau de flexão É fácil construir um cardão cortando e co- prévia. Podemos calcular com uma fórmula tri- lando (fig. 5-136): sobre as duas superfícies de gonométrica simples considerando as duas rota- um círculo a, colar os semicírculos de duas tiras ções. b e c pregadas em ângulo reto em 1-2 e 3-4, de Um caso particular interessante desta rota- tal maneira que as pregas sejam perpendiculares. ção conjunta automática, ocorre durante a rota- Este cardão de demonstração (faça-o!) permiti- ção cilíndrica (fig. 5-140): sendo de 90° a flexão rá materializar a rotação automática em torno prévia sobre o eixo 3-4, toda rotação a em torno ao eixo longitudinal do segmento móvel. do eixo 1-2 produz uma mudança de orientação grau a grau do segmento móvel; neste caso, a ro- Em primeiro lugar, podemos constatar (fig. tação automática é máxima. 5-137), que estando um dos segmentos fixos, pode mobilizar o segundo ao redor dos dois ei- Claro que entre a rotação conjunta automá- xos do cardão; seja em torno do eixo 1-2 num tica nula da rotação plana e o máximo da rotação movimento a no curso do qual permanece no cilíndrica, são viáveis todos os valores intern1é- mesmo plano, ou ao redor do eixo 3-4 num mo- dios nas articulações de dois eixos de tipo car- vimento b que faz formar um ângulo diedro com dão. a sua posição inicial. É possível encontrar de novo esta rotação Se considerarmos (fig. 5-138) o primeiro cilíndrica (fig. 5-141) se se articulam ao cardão movimento em torno do eixo 1-2, sem que se três segmentos pelo eixo 3-4, paralelos aos ou- realizem flexão ou extensão prévias em torno do tros dois 5-6 e 7-8. A flexão de 90° sobre o eixo eixo 3-4 que permanece perpendicular ao seg- 3-4, podemos, então, distribuir sobre os três ei- mento móvel, podemos constatar, que este "se xos, o que faz com que o último segmento seja orienta" sempre na mesma direção, indicada pe- paralelo ao eixo 1-2. Observamos como a rota- las setas: é uma rotação plana, igual às que se ção conjunta automática aumenta do primeiro ao observam nas articulações de charneira onde o último segmento para atingir o seu valor máxi- eixo é perpendicular ao segmento móvel. mo no segmento distal. Isto modela a coluna do polegar articulada na sua base por um cardão e Se anteriormente (fig. 5-139), o segmento cuja segunda falange sofre uma rotação conjun- móvel realiza uma flexão b, inferior a 90°, em ta automática sem que em nenhum momento in- torno do eixo 3-4, a rotação a em torno do eixo tervenha qualquer jogo mecânico na trapézio- 1-2 provoca uma mudança de orientação do seg- metacarpeana. mento móvel, representado nesta figura pelas se- tas que apontam para um ponto P situado no pro- Graças à ação coordenada das três articula- longamento do eixo 1-2. Esta troca de orienta- ções trapézio-metacarpeana, metacarpofalan- ção do segmento móvel no curso de uma rota- geana e interfalangeana se realiza a rotação do ção cônica realiza uma rotação automática so- polegar sobre o seu eixo longitudinal, mas é a bre o eixo longitudinal que Mac Conaill deno- trapézio-metacarpeana, "a rainha", a que inicia o movimento. mina rotação conjunta. Esta existe nas articula- ções de charneira cujo eixo é oblíquo em relação Esta demonstração pode se reproduzir com ao segmento móvel; é de valor constante. Existe o modelo mecânico da mão mostrado ao final principalmente nas articulações de dois eixos deste volume.
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    1. MEMBRO SUPERIOR 231 a ~ Fig.5-136 Fig.5-137 I Fig.5-140 I I ~ I I I , I I Fig.5-139 Fig.5-141
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    232 FISIOLOGIA ARTICULAR A ARTICULAÇÃO TRAPÉZIO-METACARPEANA (continuação) Os movimentos do primeiro metacarpeano rige o polegar para frente, quase perpendicular o primeiro metacarpeano pode realizar, de forma isolada ou ao plano da palma da mão, numa posição que simultânea, movimentos em tomo de dois eixos ortogonais e um os autores da língua inglesa denominam abdu- movimento sobre o seu eixo longitudinal que deriva dos movimen- ção (o que não contribui para esclarecer muito); tos precedentes. Resta definir a posição no espaço de dois eixos principais da trapézio-metacarpeana. - em tomo ao eixo yy' que, por referência ao pri- meiro, se denominará secundário, se realiza um Numa peça anatômica (fig. 5-142), se inserirmos um espeto movimento de flexão-extens&o num plano FOE metálico no centro da curva média de cada uma das superfícies do trapézio e do metacarpeano, podemos materializar: perpendicular ao eixo yy' e ao plano precedente. - na base do primeiro metacarpeano, o eixo xx' que corres- A extensãç E dirige o primeiro metacarpeano ponde à curva côncava do trapézio; para cima, para trás e para fora e se prolonga - no trapézio, o eixo yy' que corresponde à curva côncava pela extensão da primeira e da segunda falan- da sela metacarpeana. ges, conduzi na o a coluna do polegar quase ao Claro que na realidade viva, estes eixos não são imutáveis plano da palma da mão. mas sim móveis, evolutivos no curso mesmo do movimento, o es- Aflexão F dirige o primeiro metacarpeano pa- peto representa uma posição média. Contudo, numa primeira apro- ra baixo, para frente e para dentro, sem ultra- ximação. podemos considerá-Ios, com objetivo de modela1; isto é, de representar parcialmente a realidade para facilitar a compreen- passar nesta direção o plano sagital que passa são de um fenômeno complexo, como os dois eixos da trapézio- pelo segundo metacarpeano, embora prolon- metacarpeana. Constituem o que os mecânicos denominam um gando-se através da f1exão das falanges que faz cardão porque são ortogonais, ou seja, perpendiculares entre si no com que a polpa contate com a palma da mão espaço. Portanto, a articulação possui as propriedades de um car- no nível da base do dedo mínimo. dcio. Assim, a noção de f1exão-extensão do primeiro Além disso, observamos duas características importantes: metacarpeano é perfeitamente justificada por- - por uma parte, o eixo xx' é paralelo aos eixos de flexão- que se complementa com o movimento homó- extensão da metacarpofalangeana fi e da interfalangeana logo nas outras duas articulações da coluna do f" fato que se poderá ver as conseqüências; polegar. - por outra parte, o eixo xx', ortogonal a yy', também o é ao fi e f, e, portanto, está incluído no plano de flexão da Além destes movimentos puros de ante-retroposi- primeira e da segunda falange; isto é, no plano de flexão ção e de flexão-extensão, todos os outros movimentos do da coluna do polegar. primeiro metacarpeano são movimentos complexos que Por último, como fato essencial, os dois eixos xx' e yy' da associam, em diversos graus, movimentos em tomo dos trapézio-metacarpeana são oblíquos em relação aos três planos de dois eixos, sucessivos ou simultâneos e que integram, co- referência frontal (F), sagital (5) e transversal (T). Podemos dedu- mo ficou demonstrado anteriormente, uma rotação auto- zir que os movimentos puros do primeiro metacarpeano se realizam mática ou uma rotação conjunta sobre o eixo longitudi- nos planos oblíquos em relação aos três planos de referência clás- naL Esta, como teremos ocasião de comprovar, desem- sicos e não podemos designá-los pelos termos inventados pelos an- tigos anatomistas, ao menos quanto à abdução cujo plano é frontal. penha uma função essencial na oposição do polegar. Os movimentos de f1exão-extensão e de ante-re- Desse modo, podemos definir os movimentos pu- ros do primeiro metacarpeano (fig. 5-143) no sistema troposição do primeiro metacarpeano se originam na de referência do trapézio: posição neutra ou de repouso muscular do polegar (fig. 5-144), como a definiram C. Hamonet e P. Valentin, se - em torno do eixo XX' que se denominará prin- correspondendo com a posição de "silêncio" eletromio- cipal, porque graças a este eixo o polegar "es- gráfico: nenhum dos músculos do polegar, em estado de colhe" o dedo ao qual vai se opor, se realiza um descontração, libera potencial de ação. Esta posição N é movimento de anteposição-retroposição no importante nas radiografias: a projeção sobre o plano percurso do qual a coluna do polegar suposta- mente estendida se desloca num plano AOR frontal de Mj com M2 forma um ângulo de 30°. No pla- no sagital, o mesmo ângulo é de 40°. perpendicular ao eixo xx' e que inclui a unha do polegar. A retroposição R dirige a unha do Devemos lembrar que esta posição N corresponde polegar para trás para conduzi-Io ao plano da à distensão dos ligamentos e à máxima congruência das palma da mão, afastado aproximadamente 60° superfícies articulares que, neste caso, se recobrem to- do segundo metacarpeano. A anteposição A di- talmente.
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    1. MEMBRO SUPERIOR 233 Fig.5-142 Fig.5-143 Fig.5-144
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    234 FISIOLOGIA ARTICULAR A ARTICULAÇÃO TRAPÉZIO-METACARPEANA (continuação) Avaliação dos movimentos do primeiro Este sistema apresenta dois inconvenientes: metacarpeano - medir projeções sobre p'lanos abstratos e Após definir os movimentos reais do pri- não sobre ângulos reais; meiro metacarpeano, convém explicar corno -- não avaliar a rotação sobre o eixo longi- avaliá-Ias na prática. Existem três sistemas, o tudinal. ~ que não ajuda a esclarecer o problema. O segundo sistema, que poderia se denomi- O primeiro sistema que poderia se deno- nar moderno (fig. 5-146), proposto por J. Du- minar clássico (fig. 5-145): o primeiro meta- pare, J.Y de Ia Caffiniere e H. Pineau, não defi- carpeano evolui num triedro de referência re- ne movimentos, mas sim, posições do primeiro tangular constituído pelos três planos perpendi- metacarpeano seguindo um sistema de coorde- culares. transversal T, frontal F e sagital S, es- nadas polares. A localização do primeiro meta- tes dois últimos se cortam no eixo longitudinal carpeano se define pela sua posição sobre um do segundo metacarpeano e a intersecção dos cone cujo eixo se confunde com o eixo longitu- três planos se situa na trapézio-metacarpeana. dinal do segundo metacarpeano e o vértice se si- A posição de referência se consegue quando o tua na trapézio-metacarpeana. O semi-ângulo no primeiro metacarpeano está "colado" ao segun- vértice do cone (seta 1) é o ângulo de separação do no plano da palma da mão, a grosso modo o a, válido quando o primeiro metacarpeano se plano F. Convém ressaltar duas observações: desloca sobre a superfície do cone. A sua posi- esta posição não é natural e o primeiro meta- ção se particulariza sem ambigüidade alguma, carpeano não pode ser estritamente paralelo ao graças ao ângulo (seta 2) que forma o plano que segundo. passa pelo eixo dos dois primeiros metacarpea- A abdução (seta 1) é a separação do pri- nos com o plano frontal. Este ângulo b é deno- meiro em relação ao segundo metacarpeano no minado por alguns autores "ângulo de rotação plano F, a adução ou aproximação, o movimen- espacial", o que é urna tautologia porque qual- to contrário. quer rotação somente pode ocorrer no espaço. A flexão (seta 2), ou avanço, é o movi- Assim sendo, seria mais indicado denominá-Io mento que dirige o primeiro metacarpeano pa- ângulo de circundução, já que o deslocamento ra frente, a extensão ou retrocesso, o movimen- do primeiro metacarpeano sobre a superfície do to contrário. cone é uma circundução. A posição do primeiro metacarpeano se O mais interessante deste sistema de avalia- define mediante dois ângulos (ilustração ção é que estes dois ângulos são bastante fáceis menor): a abdução a e a flexão b. de medir com um esquadro.
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    1. MEMBRO SUPERIOR235 T s Fig.5-146
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    236 FISIOLOGIA ARTICULAR A ARTICULA çÃO TRAPÉZIO-META CARPEANA (continuação) o sistema do trapézio - quando se dispõe a coluna do polegar Porém, o maior inconveniente destes siste- de perfil (fig. 5-148), a curva convexa do mas de avaliação, é que medem movimentos trapézio e a curva côncava do metacar- complexos da trapézio-metacarpeana integran- peano se vêm sem nenhuma defomlação do obrigatoriamente um componente de rotação em perspectiva. Uma radiografia da co- longitudinal, produto das rotações em tomo dos luna do polegar em máximafiexão e ou- dois eixos da articulação. tra em extensão permitem constatar que: O terceiro sistema que se propõe é um sis- • afiexão de 20 a 25° de amplitude colo- tema de referência do trapézio que só pode ex- ca quase paralelo o eixo dos dois pri- plorar-se com radiografias em incidências espe- meiros metacarpeanos; cíficas: • a extensão de 30 a 45° de amplitude faz - quando colocamos a coluna do polegar com que o eixo do primeiro metacar- de frente (fig. 5-147), a curva côncava peano forme um ângulo de 65° com o do trapézio e a curva convexa do pri- do segundo. Também, neste caso, o meiro metacarpo se vêm estritamente deslizamento da superfície basal côn- de perfil, sem nenhum efeito de pers- cava do primeiro metacarpeano sobre o pectiva. Se realizamos uma radiografia trapézio se entende perfeitamente co- em retroposição e outra em anteposi- mo o resultado de uma rotação em tor- no do centro da curva convexa do ção e se constata que: trapézio, se projetando no trapé~io co- • a retroposição de 15 a 25° de amplitu- mo o eixo secundário YY' da trapézio- de conduz o eixo do primeiro metacar- metacarpeana. peano a estar quase paralelo ao do se- gundo, enquanto a sua base se "sublu- Em resumo, a amplitude dos movimentos xa" por fora da superfície do trapézio; na trapézio-metacarpeana é mais reduzida do que podíamos pensar pela grande mobilidade da • a anteposição de 25 a 35° de amplitu- coluna do polegar: de "abre" o ângulo entre os dois pri- meiros metacarpeanos até 65°, enquan- - trajeto de 40 a 60° entre a anteposição e to a base do primeiro desliza por den- retroposição máximas; tro em direção a do segundo. - trajeto de 50 a 70° entre a flexão e a ex- tensão máximas. Estes deslocamentos da base do primei- ro metacarpo sobre a sela do trapézio se Só a realização de radiografias em incidên- entendem perfeitamente como o resulta- cias específicas da trapézio-metacarpeana, co- do de uma rotação em tomo centro da locando a coluna do polegar de frente e de per- curva côncava do trapézio, projeção fil, permite explorar convenientemente a fisiolo- na base de M] do eixo principal xx' da gia desta articulação e apreciar as limitações trapézio- metacarpeana. (Kapandji, 1980).
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    1. MEMBRO SUPERIOR 237 25-85° ANTEPOSIÇÃO- RETROPOSIÇÃO = 40-60' Fig.5-147 FLEXÃO-EXTENSÃO = 50-70' Fig.5-148
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    238 FISIOLOGIA ARTICULAR A ARTICULAÇÃO lVIETACARPOFALANGEANA DO POLEGAR Os anatomistas consideram a articulação metacarpeana pelos ligamentos metacarpoglenói- metacarpofalangeana uma condilar, uma ovóide, des interno (18) e externo (19) e à base da primei- como denominam os autores ingleses. Portanto, ra falange pelas fibras falango-sesamóides diretas possui, como todas as condilares, dois graus de (20) e cruzadas (21). Os músculos sesamóides in- liberdade, a flexão-extensão e a lateralidade. Na ternos (6) se inserem no sesamóide interno e en- verdade, a sua complexa biomecânica associa viam uma expansão (22) à base da falange ocul- um terceiro grau de liberdade, a rotação da pri- tando parcialmente o ligament0 lateral interno meira falange sobre o seu eixo longitudinal, se- (13). Está seccionada a expansão falangeana (23) ja em supinação ou em pronação, movimento dos sesamóides externos (7) para poder observar não somente passivo, mas principalmente ativo melhor o ligameÍlto lateral externo (14). indispensável na oposição. Em vista lateral interna (fig. 5-152) e em Com a metacarpofalangeana aberta pela vista lateral externa (fig. 5-153) podemos obser- frente (fig. 5-149) e a primeira falange desloca- var também o recesso capsular posterior (24) e o da para trás, a cabeça do metacarpeano (1) apa- anterior (25), bem como a inserção do tendão do rece convexa em ambos os sentidos, mais longa extensor curto próprio do polegar (26), e é pre- que larga, prolongada para frente por dois espal- ciso ressaltar a inserção do metacarpo claramen- dões assimétricos, o interno (a) mais proeminen- te descentrada dos ligamentos laterais interno te que o externo (b). A base da primeirafalange (13) e externo (14) e dos ligamentos metacar- está ocupada por uma superfície cartilaginosa poglenóides (18) e (19). Também podemos (2) côncava nos dois sentidos e a sua margem constatar que o ligamento lateral interno (fig. 5- anterior serve de inserção àfibrocartilagem gle- 152), mais curto, está tenso antes que o externo nóide (3) ou placa palmar que contém, próxi- (fig. 5-153), o que provoca um deslocamento mos à sua margem inferior, os dois ossos sesa- mais limitado da base da falange sobre a mar- móides internos (6) e externos (7). O corte da gem interna da cabeça do metacarpeano que so- cápsllla (8) se caracteriza, de um lado ao outro, bre a margem externa. Uma vista esquemática pelo espessamente que formam os ligamentos superior (fig. 5-157, página 241) da cabeça do metacarpoglenóides interno (9) e externo (10). metacarpeano (tracejada) explica como este des- Podemos observar os recessos capslllares ante- locamento diferencial, I para dentro, L para fora, rior (11) e posterior (12), bem como os liga- provoca uma rotação longitudinal em pronação mentos laterais, o interno (13) mais curto e que da base da falange, especialmente quando os se- está tenso antes que o externo (14). As setas xx' samóides externos (SE) se contraem mais vigo- representam o eixo de fiexão-extensão e a seta rosamente que os internos (SI). yy' o eixo de lateralidade. Este fenômeno se acentua ainda mais pela Em vista anterior (fig. 5-150), podemos ob- assimetria da cabeça do metacarpeano (fig. 5- servar os mesmos elementos: o metacarpeano 151, vista de frente), onde o espaldão ântero-in- (15) abaixo, a primeira falange (16) acima, embo- terno (a) mais proeminente desce menos que o ra se distingam muito melhor os detalhes da pla- externo (b): no lado externo a base da falange se ca palmar com a fibrocartilagem glenóide (3), o desloca mais para frente e para baixo o que, na sesamóide interno (4) e o externo (5) unidos pelo flexão, provoca uma pronação e um desvio ra- ligamento intersesamóide (17) e fixos à cabeça dial da primeira falange.
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    1. MEMBRO SUPERIOR 239 6 7 4 5 9 10 3 8 2 12 13 13 23 14 21_ 1 20~ -14 22 20 4 _21 ~19 18 17 8 23 b a 6 10 7 9 11 15 Fig.5-149 Fig.5-150 a b Fig.5-151 - ' ~,y ~-:.J26~~18 ~ n~_ I H:o-: ~~~·~~~rgA"" 1.--24 f., r.~ / .Ç:;: ~ 19 14 l.~ 7 4 3 1~~!;;/A:nr~ 2220_21 25 3""lU,. Fig.5-153
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    240 FISIOLOGIA ARTICULAR A ARTICULAÇÃO METACARPOFALANGEANA DO POLEGAR (continuação) As possibilidades de inclinação e de rota- tenares externos. É a dose packed position de ção longitudinal da falange dependem de seu Mac Conaill. Trata-se da segunda posição de grau de flexão. bloqueio, em flexão. ' Em posição de alinhamento ou de extensc70 Em resumo (Kapandji, 1980), a metacarpo- (fig. 5-154) os ligamentos laterais estão disten- falangeana do polegar pode realizar dois tipos didos, mas o sistema da placa palmar e dos liga- de movimentos a partir da posição de alinha- mentos metacarpoglenóides está tenso (como as mento (fig. 5-158, vista posterior da cabeça do superfícies articulares condilares do joelho em metacarpeano com os eixos de diferentes movi- extensão), o que impede a rotação longitudinal e mentos): a lateralidade. É a primeira posiçc7o de bloqueio, - afiexc70 plira (seta 1) em tomo de um ei- em extensão. xo transversal fi' por ação equilibrada Em posição intermédia ou de sel71ifle:rc7o dos músculos sesamóides externos e in- (fig. 5-155), os ligamentos laterais ainda estão ternos até a semiflexão; distendidos, o externo mais que o interno, e o - os movimentos complexos de fiexão- sistema da placa palmar se distende, devido à longitudinal: desvio-rotação basculação dos sesamóides debaixo dos espal- dões anteriores da cabeça do metacarpeano. Tra- • seja a fiexc7o-desvio ulnar-supinação ta-se da posição de máxima mobilidade na qual (seta 2) ao redor de um eixo oblíquo (e os movimentos de lateralidade e rotação longitu- evolutivo) f" o que produz uma rotação dinal são viáveis pela ação dos músculos sesa- cônica. Este movimento se deve à ação móides: a contração dos internos determina um predominante dos sesamóides internos; desvio ulnar e uma leve supinação e a dos exter- • seja a fiexc7o-desvio radial-pronação nos um desvio radial e uma pronação. (seta 3) em tomo de outro eixo oblíquo Em posição de fiexc70 máxima Oli de blo- no outro sentido (e também evolutivo) queio (fig. 5-156), o sistema da placa palmar se de obliqÜidade mais acentuada f3'Tam- distende, mas os ligamentos laterais estão tensos bém neste caso se trata de uma rotação ao máximo, o que acarreta um deslocamento da cônica e o movimento se deve à ação base da falange em desvio radial e pronação. A predominante dos sesamóides externos. articulação fica literalmente bloqueada pela ten- A máxima flexão sempre conduz ao desvio são dos ligamentos laterais e o recesso dorsal radial-pronação devido à forma assimétrica da numa posição de oposição máxima pela ação cabeça do metacarpeano e à tensão desigual dos predominante e quase exclusiva dos músculos ligamentos laterais.
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    1. MEMBRO SUPERIOR 241 Fig.5-156 Fig.5-154 Fig.5-155 Fig.5-157 Fig.5-158
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    242 FISIOLOGIA ARTICULAR A ARTICULAÇÃO METACARPOFALANGEAN~ DO POLEGAR (continuação) Os movimentos Em posição de semifiexão podem-se con- Aposição de referência da metacarpofalan- trair tanto os sesamóides internos quanto os ex- ternos. geana do polegar é a posição de alinhamento (fig. 5-159): o eixo da primeira falange se loca- A contração dos sesamóides internos (fig. liza no prolongamento do eixo do primeiro me- 5-162, vista distal com o polegar em leve ante- tacarpeano. A partir desta posição, a extensão posição e figo5-163, vista proximal com o pole- num indivíduo normal, seja ativa ou passiva, é gar em retroposição no plano da palma) leva a inexistente. A fiexão ativa (fig. 5-160) é de 60- um desvio ulnar de alguns graus e a uma supina- 70°, afiexão passiva pode atingir 80° e inclusive 90°, As amplitudes dos diferentes componentes ção de 5 a r A contração dos sesamóides externos (fig. do movimento na metacarpofalangeana podem 5-164, vista distal e figo 5-165, vista proximal) ser observadas, fixando sobre a superfície dorsal produz um desvio radial, muito visível na vista do polegar, de um lado e outro da articulação, proximal, claramente maior que o desvio ulnar um triedro de referência construído com fósfo- precedente e uma pronação de 20°. ros, de tal modo que na posição de alinhamento sejam paralelas (ou no prolongamento uma da Poderemos ver mais adiante toda a impor- outra) (fig. 5-161). Dessa forma, podemos evi- tância deste movimento de fiexão-desvio radial- denciar os componentes de rotação e desvio. pronação na oposição do polegar.
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    1. MEMBRO SUPERIOR 243 '~ '" ' , Fig. 5-161 ~ Fig.5-160 ~ Fig.5-163 Fig.5-162 Fig.5-165 Fig.5-164
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    244 FISIOLOGIA ARTICULAR A ARTICULAÇÃO METACARPOFALANGEANA DO POLEGAR (continuação) Os movimentos permite que o polegar entre em contato com o Nas preensões cilíndricas com toda a pal- objeto com a máxima superfície da sua superfí- ma da mão, a ação dos músculos sesamóides ex- cie palmar e não com a sua margem interna. Au- ternos sobre a metacarpofalangeana é a que as- mentando a superfície de contato, a pronação da segura o bloqueio da preensão. Quando o pole- primeira falange é um fator de consolidação da gar não intervém (fig. 5-166) e permanece para- preensão. lelo ao eixo do cilindro, a preensão não é blo- Quando, por causa do diâmetro mais redu- queada e o objeto pode cair facilmente pelo es- zido do cilindro (fig. 5-170). o polegar cobre paço que fica livre entre os dedos e a eminência parcialmente o dedo indicador, o anel da preen- tenar. são é ainda mais estreito, o bloqueio é absoluto Se, por outro lado, o polegar se dirige aos e a preensão é mais firme. outros dedos (fig. 5-167), o cilindro já não pode A fisiologia peculiar da metacarpofalan- cair: o desvio radial da primeira falange, clara- geana do polegar e dos seus músculos motores mente visível no desenho, completa o movimen- se adapta notavelmente à função de preensão. to de anteposição do primeiro metacarpeano. A estabilidade da metacarpofalangeana Desta maneira, o polegar percorre o caminho mais curto em tomo do cilindro, isto é, o círcu- do polegar não somente depende de fatores ar- ticulares, mas também de fatores musculares. lo gerado (f), enquanto sem desvio radial segui- Normalmente, no movimento de oposição do ria um trajeto elíptico mais longo (d). polegar (fig. 5-171), as duas cadeias articulares Portanto, o desvio radial é indispensável do dedo indicador e do polegar se estabilizam para o bloqueio da preensão, cada vez melhor pela ação de músculos antagonistas (representa- quanto mais fechado esteja o anel formado pelo dos por pequenas setas pretas). Em alguns casos polegar e o dedo indicador que segura o objeto e (fig. 5-172, segundo Sterling Bunnel), podemos percorre na sua superfície o trajeto mais curto constatar como "se inverte a metacarpofalangea- (fig. 5-168): da posição onde o polegar está si- na" em extensão (seta branca): tuado ao longo de um gerador do cilindro e pela 1) quando uma insuficiência do abdutor qual se rompe o anel da preensão, passando pe- curto e do flexor curto provoca um des- las posições sucessivas b-c-d-e pelas quais o anel vai se fechando progressivamente até che- locamento da falange: gar, finalmente, à posição f onde o polegar segue 2) quando uma retração dos músculos do o círculo gerador, o que fecha totalmente o anel primeiro espaço interósseo aproxima o e dá firmeza à preensão. primeiro metacarpeano do segundo; Além disso, a pronação da primeira falan- 3) quando uma insuficiência do abdutor ge (fig. 5-169), visível pelo ângulo de 12° forma- longo impede a abdução do primeiro do pelos dois pontos de referência transversais, metacarpeano.
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    1. MEMBRO SUPERIOR 245 Fig.5-166 Fig.5-168 Fig.5-170 Fig.5-169 Fig.5-171 Fig.5-172
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    246 FISIOLOGIA ARTIClJLAR A INTERFALANGEANA DO POLEGAR À primeira vista, a articulação interfalan- 5-177), podemos observar as diferenças entre geana do polegar não tem mistério: de tipo tro- ambos os côndilos: o interno é mais proeminen- clear, possui só um eixo transversal e fixo, que te, se estende mais para frente e para dentro que passa pelo centro da curva dos côndilos da pri- o externo. O raio de curva do externo é menor, meira falange, ao redor do qual se realizam os embora a sua parte anterior "desça" de forma movimentos de fiexão-extensão. mais abrupta em direção à superfície palmar. Flexão (fig. 5-173) ativa de 75 a 800, passi- Assim sendo, podemos deduzir que o ligamento va de 900• lateral interno (LU), que está rapidamente mais tenso que o externo durante a fiexão, freia a par- Extensão (fig. 5-174) ativa de 5 a 10°, mas te interna da falange, enquanto a parte externa é especialmente notável a hiperextensão passiva da base da falange continua o seu trajeto. (fig. 5-175) que pode ser muito pronunciada (30°) em alguns profissionais, como é o caso dos Em outros termos (fig. 5-178), o trajeto per- corrido AA' sobre o côndilo interno é levemente escultores que utilizam o polegar como espátula para trabalhar a argila. mais curto que o trajeto sobre o externo BB', o que acarreta a rotação longitudinal da pequena A realidade é muito mais complexa porque, falange. De modo que podemos afirmar que não à medida que se fiexiona, a segunda falange roda existe um eixo de fiexão-extensão, mas sim, uma longitudinalmente no sentido da pronação. série de eixos instantâneos e evolutivos entre a Numa peça anatômica (fig. 5-176), após posição inicial i e a posição final.f haver inserido dois espetos paralelos, a na cabe- Se temos a intenção de modelar esta articu- ça da primeira falange e b na base da segunda, lação, sobre uma lâmina de papelão, por exem- em máxima extensãCY.a fiexão da interfalangea- plo, (fig. 5-179), basta traçar uma prega de fie- na produz a aparição de um ângulo de 5 a 100, xão, que não seja perpendicular ao eixo longitu- aberto do lado interno. no sentido da pronação. dinal do dedo, mas sim inclinada uns 5-10°: a A mesma experiência, realizada no ser vivo pequena falange descreverá o seu trajeto em fie- com fósforos colados paralelos entre si na super- xão corno uma rotação cônica provocando uma fície dorsal de F e F . conduz ao mesmo resul- I 2 mudança de orientação proporcional ao grau de tado: a segunda falange do polegar realiza a pro- fiexão. nação de 5 a 10° no curso da sua fiexão. Este componente de pronação na interfa- A explicação deste fenômeno se consegue langeana se integra, como poderemos conferir com argumentos puramente anatômicos: com a mais adiante, na pronação global da coluna do articulação aberta pela sua superfície dorsal (fig. polegar no percurso da oposição.
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    1. MEMBRO SUPERIOR 247 Fig.5-175 LU Fig.5-174 Fig.5-177 Fig.5-176 Fig.5-178 Fig.5-179
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    248 FISIOLOGIA ARTICULAR OS MÚSCULOS MOTORES DO POLEGAR o polegar possui nove músculos motores: bre o primeiro metacarpeano (fig. 5-181, esta riqueza muscular, que ultrapassa com vista externa e proximal do punho em evidência à dos outros dedos, condiciona a mobi- posição de fuga); lidade superior e a principal função deste dedo. - um quadrante x'y situado por trás do ei- Estes músculos se classificam em dois xo xx' e por trás do eixo yy', que inclui grupos: os dois tendões extensores: a) os músculos extrínsecos, ou músculos • o extensor:.curto (2), longos, são quatro e se localizam no an- • o extensor longo (3); tebraço. Três são abdutores e extensores e se utilizam para soltar a preensão, o úl- - um quadrante Xy localizado pela frente timo é flexor e a sua potência se utiliza do eixo yy' e por trás do eixo xx', ocu- para o bloqueio das preensões de força; pado por dois músculos situados no pri- meiro espaço e que produzem uma retro- b) os músculos intrínsecos, incluídos na posição associada a uma ligeira f1exão eminência tenar e no primeiro espaço na trapézio-metacarpeana: interósseo, são cinco. Participam na rea- lização de diferentes preensões e em par- • o adutor com os seus dois fascículos (8), ticular na oposição. Não se trata de mo- • o primeiro interósseo palmar (9) quan- tores de potência. mas de precisão e do existe. coordenação. Estes dois músculos são adutores do pri- Para entender a ação dos motores sobre o meiro metacarpeano: fecham a primeira comis- conjunto da coluna do polegar, é necessário si- sura. aproximando o primeiro metacarpeano do tuar o seu trajeto em relação aos dois eixos teó- segundo (fig. 5-182); ricos da trapézio-metÇlcmpeana (fig. 5-180): o - um quadrante xy' situado pela frente dos eixo yy' de flexão-extensão, paralelo aos eixos dois eixos xx' e yy' que inclui os princi- fi' e f2 de f1exão da metacarpofalangeana e da pais músculos da oposição, por reali- interfalangeana, e o eixo xx' de anteposição e zarem ao mesmo tempo uma f1exão e retroposição delimitam entre eles quatro qua- uma anteposição do primeiro metacar- drantes: peano: - um quadrante x'y' localizado atrás do • o oponente (6), eixo yy' de f1exão-extensão da trapézio- • o abdutor curto (7). metacarpeana e diante do eixo xx' de an- tepu1são/retropulsão, ocupado pelo ten- Com relação aos dois últimos: dão de só um músculo, o abdutor longo • o flexor longo próprio do polegar (4), (1), que se localiza muito perto deste úl- timo eixo xx'. Isto explica a escassa im- • e o flexor curto (5). portância do seu componente de antepo- Situam-se no eixo xx' e, portanto, são f1e- sição e a sua forte ação de extensão so- xores puros da trapézio-metacarpeana.
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    1. MEMBRO SUPERIOR 249 y' Fig.5-181 Fig.5-180 Fig.5-182
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    250 FISIOLOGIA ARTICULAR OS MÚSCULOS MOTORES DO POLEGAR (continuação) Uma breve lembrança de anatomia esclare- do ligamento anular e do tubérculo do ce a fisiologia dos músculos motores do polegar. trapézio; terminam mediante um tendão comum no sesamóide externo e no tu- Músculos extrÍnsecos (fig. 5-183, vista an- terior e 5-184, vista externa): bérculo externo da base da primeira fa- lange; direção oblíqua para cima e para - o abdutor longo do polegar (1) se insere dentro; na parte ântero-externa da base do pri- - o oponente (6) se insere na parte externa meiro metacarpeano; da superfície anterior do metacarpeano, se - o extensor curto do polegar (2) paralelo dirige pata cima, para dentro e para frente ao anterior (fig. 5-184) se insere na par- para se inserir na metade externa da super- te dorsal da base da primeira falange; fície anterior' do ligamento anular; - o extenso r longo do polegar (3) se inse- - o abdutor curto (7) se fixa no ligamento re na parte dorsal da base da segunda fa- anular, acima do anterior e sobre o tubér- lange; culo do escafóide, constituindo o plano Com relação a estes três músculos pode- superficial dos músculos tenares e se in- mos constatar duas observações: sere no tubérculo externo da primeira fa- lange; uma expansão dorsal forma um • no plano anatômico: estes três ten- espaldão com o primeiro interósseo pal- dões, visíveis na superfície dorsal e ex- mar (9), este músculo não se localiza pa- terna do polegar, delimitam entre si um ra fora, mas para frente e para dentro do espaço triangular de vértice inferior, a primeiro metacarpeano, e se dirige, co- tabaqueira anatõmica, em cujo fundo mo o oponente, para cima, para dentro e deslizam os tendões paralelos do pri- para a frente. meiro (10) e segundo radial (11); Estes três músculos constituem o grupo ex- • no plano "funcional: cada um deles é terno porque se inserem na parte e:rterna do me- motor de um segmento do esqueleto do tacarpeano e da primeira falange. O flexor cur- polegar e os três em conjunto no senti- to e o abdutor curto formam os sesamóides ex- do da extensão; temos. - o fiexor próprio do polegar (4) corre pe- O grupo interno contém dois músculos lo túnel do carpo, passa entre os dois fas- inervados pelo ulnar que se inserem na margem cículos musculares do flexor curto, des- interna da articulação metacarpofalangeana: liza entre os dois ossos sesamóides (fig. - o primeiro interósseo palmar (9), cujo 5-183) para se inserir na superfície pal- tendão se insere no tubérculo interno da mar da base da segunda falange. base da primeira falange e envia uma ex- Músculos intrínsecos (figs. 5-183 e pansão dorsal; 5-184). Classificam-se em dois grupos: - o adutor do polegar (8), cujos dois fas- O grupo externo contêm três músculos, cículos oblíquo e transverso se inserem inervados pelo mediano, que são, da profundida- no sesamóide interno e no tubérculo in- de à superfície: terno da base da primeira falange. - o fiexor curto (5) constituído por dois Por motivo de simetria, estes dois músculos fascículos, um se fixa no fundo do canal constituem os sesamóides internos. São sinérgi- do carpo e o outro na margem inferior cos-antagonistas dos sesamóides externos.
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  • 257.
    252 FISIOLOGIA ARTICULAR AS AÇÕES DOS MÚSCULOS EXTRÍNSECOS DO POLEGAR o abdutor longo do polegar (AL) (fig. 5-187) esta abdução se relize de maneira isolada, é ne- desloca o primeiro metacarpeano para fora e para cessário estabilizar o punho mediante a contra- frente. Portanto, não só é abdutor mas também an- ção sinérgica do flexor ulnar do carpo e princi- tepulsor do metacarpeano, especialmente quando o palmente do extensor ulnar do carpo, caso punho está em flexão leve. Este componente ante- contrário, o extensor curto também realiza a rior se deve ao fato de que o tendão do abdutor lon- abdução do punho. go é o mais anterior dos tendões da tabaqueira ana- O extensor longo do polegar (EL) (fig. 5-189) tômica (ver figo 5-184). Quando o punho não está tem três ações: estabilizado pelos extensores radiais - principal- mente o curto - o abdutor longo também é fiexor do a) estende a segundafa/ange sobre a primeira: punho. Quando o punho está estendido, o abdutor b) estende a primeirafalange sobre o metacar- longo se transforma em retropulsor do primeiro me- peano; tacarpeano. c) desloca o metacarpeano para dentro e para No p/ano funcional, o par abdutor longo e trás: músculos do grupo externo desempenha um papel • para dentro: "fecha" o primeiro espaço primordial na oposição. De fato, para que o polegar interósseo, de modo que é adutor do pri- se coloque em oposição, é necessário que o primei- meiro metacarpeano; ro metacarpeano se desloque perpendicularmente pela frente do plano da palma da mão, com a emi- • por trás do plano da mão: é retropulsor nência tenar formando um cone proeminente por ci- do primeiro metacarpeano graças a sua ma da margem externa da palma da mão. Esta ação reflexão sobre o tubérculo de Lister (fig. é o resultado do funcionamento do par funcional 5-181). Devido a isto, o extensor longo é (figs. 5-185 e 5-186, página anterior: o primeiro me- um antagonista da oposição: contribui a tacarpeano aparece estilizado): aplanar a palma da mão; a polpa do pole- - primeira fase (fig. 5-185): o abdutor longo gar se orienta para frente. (]) estende o metacarpeano, para frente e O extensor longo forma um par antagonista- para fora, da posição I à posição II; sinérgico com o grupo externo dos mLÍsculos tena- - segunda fase (fig. 5-186): a partir desta po- res: de fato, quando queremos estender a segunda sição II, os músculos do grupo externo, fle- falange sem deslocar o polegar para trás, é necessá- xor curto e abdutor curto (5 e 7) e oponente rio que o grupo tenar externo estabilize o metacar- (6) deslocam o metacarpeano para frente e peano e a primeira falange pela frente. O grupo te- nar externo atua como moderador do extenso r lon- para dentro (posição lU) e o rodam sobre o seu eixo longitudinal. go do polegar: quando os músculos tenares se para- lisam, o polegar se desloca irresistivelmente para Para maior comodidade da descrição vamos dentro e para trás. De maneira acessória, o extensor expor as duas fases de maneira sucessiva. longo também é extenso r do punho quando esta Na verdade, são simultâneas e a posição final ação não está anulada pela contração do palmar lII do metacarpeano é o resultado da ação sincrôni- maIOr. ca dos dois elementos do par funcional. O flexor longo próprio do polegar (FL) (fig. O extensor curto do polegar (EC) (fig. 5-188) 5-190) é fiexor da segunda falange sobre a primei- possui duas ações: ra, e de maneira acessória flexiona levemente a pri- a) estende a primeirafalange sobre o metacar- meira falange sobre o metacarpeano. Para que a fle- peano; xão da segunda falange se realize de maneira isola- da, o extensor curto, mediante sua contração, deve b) desloca o primeiro metacarpeano e, por impedir a flexão da primeira (par sinérgico). conseguinte o polegar, diretamente para fora: se trata do verdadeiro abdutor do polegar, o Mais adiante poderemos analisar o papel in- que corresponde a uma extensão e a uma retro- discutível que desempenha o fiexor longo do polegar posição da trapézio-metacarpeana. Para que na preensão terminal (ver figs. 5-211 e 5-212).
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    EC EL AL Fig.5-189 Fig.5-187
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    254 FISIOLOGIA ARTICULAR AS AÇÕES DOS MÚSCULOS INTRÍNSECOS DO POLEGAR Grupo interno dos músculos tenares, aos outros dedos, intervém mais ativa- também denominados músculos sesamóides in- mente quanto mais o polegar realiza a ternos: oposição a um dedo mais interno. Por- O adutor do polegar (fig. 5-191), com os tanto, sua ação é máxima para a opo- seus dois fascículos (I, fascículo transverso; 1', sição polegar/dedo mínimo. fascículo oblíquo), estende sua ação sobre as O adutor não intervém na abdução, na três peças ósseas do polegar: antepulsão, na preensão tetminal-termi- a) no primeiro metacarpeano (esquema, nal (pulpoungueal). figo5-192), a contração do adutor deslo- Posteriores -trabalhos eletromiográficos ca o primeiro metacarpo para uma posi- confirmaram que "a sua atividade se ma- ção de equilíbrio ligeiramente para fora nifesta principalmente no movimento e para frente do segundo metacarpeano que aproxima o polegar do segundo me- (posição A), embora o sentido do movi- tacarpeano, e isto em todos os setores da mento dependa da posição inicial do oposição. Sua atividade é menor num metacarpeano (segundo Duchenne de trajeto maior que em outro menor" (fig. Boulogne): 5-193, esquema de ação do adutor se- • o adutor é realmente adutor se o meta- gundo Hamonet, de Ia Caffiniere e Opso- mer). carpeano parte de uma posição de má- xima abdução (posição 1); b) na primeira falange (fig. 5-191) a ação é • mas se transforma em abdutor se o me- tripla: ligeira fiexão, inclinação sobre a margem interna (margem ulnar), rota- tacarpeano está, no ponto de partida, ção longitudinal em supinação (rotação em máxima adução (posição 2); externa) (seta preta); • se o metacarpeano está em máxima re- c) na segllndafalange: extensão, na medi- tropulsão, sob a influência do extensor da em que as inserções terminais do adu- longo próprió (posição 3), o adutor se tor são comuns com as do primeiro inte- transforma em antepulsor; rósseo. • ao contrário, se o metacarpeano é colo- O primeiro interósseo palmar possui uma cado previamente em anteposição pelo ação muito semelhante: abdutor curto (posição 4), se transfor- ma em retropulsor; - adllção (aproximação do primeiro meta- carpeano ao eixo da mão); (R indica a posição de repouso do pri- meiro metacarpeano); - fiexão da primeirafalange pelo espaldão; Recentes estudos eletromiográficos de- - extensão da segunda por expansão lateral. monstraram que o adutor do polegar A contração global dos músculos do grupo não intervém ativamente durante a adu- tenar interno provoca que a polpa do polegar en- ção somente, mas também durante a re- tre em contato com a superfície externa da pri- tropulsão do polegar, durante a preen- meira falange do dedo indicador e, ao mesmo são com toda a palma e no percurso da tempo, uma supinação da coluna do polegar (fig. preensão subterminal (pulpar) e princi- 5-191). Estes músculos são indispensáveis para palmente subterminal-lateral (pulpar- segurar com firmeza os objetos entre o polegar e lateral). Durante a oposição do polegar o dedo indicador.
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    1. MEMBRO SUPERIOR 255 Fig.5-191 ~p ~~ ~~~ @ Fig.5-192
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    256 FlSIOLOGIAARTICULAR AS AÇÕES DOS MÚSCULOS INTRÍNSECOS DO POLEGAR (continuação) Grupo externo dos músculos tenares O flexor curto (4) participa na ação geral dos (fig.5-194) músculos do grupo externo (fig. 5-197). Porém, O oponente (2) possui três ações, simétricas quando se contrai de maneira isolada (experiências às do oponente do quinto (ver figo 5-102); o dia- de excitação elétrica de Duchenne de Boulogne), grama eletromiográfico (fig. 5-195, mesma ori- podemos constatar que a sua ação de adução é mui- gem) ressalta os setores: to mais pronunciada, porque desloca a polpa do po- legar em oposição com os dois útimos dedos. Pelo - antepulsão do primeiro metacarpeano sobre contrário, sua ação de antepulsão do primeiro meta- o carpo, principalmente no maior trajeto; carpeano (projeção para frente) é menos ampla, - adução, aproximando o primeiro metacar- porque o seu fascículo profundo (4') realiza a opo- peano ao segundo nas posições extremas; sição neste ponto ao superficial (4). Possui uma - rotação longitudinal no sentido da prona- ação de rotação longitudinal muito acentuada no ção. sentido da pronação. Sendo estas três ações simultâneas necessárias A concentração dos potenciais sobre o seu fas- para a oposição, este músculo faz jus ao seu nome. cículo superficial (fig. 5-198, esquema segundo a mesma origem) mostra que existe uma atividade se- De modo que o oponente intervém ativamente melhante à do oponente: sua ação máxima se reali- em qualquer tipo de preensão que necessita da inter- za durante o maior trajeto da oposição. venção do polegar. Além disso, a eletromiografia demonstra sua atuação paradoxal na abdução, no Este também é fiexor da primeira falange so- curso da qual desempenharia uma função estabili- bre o metacarpeano, porém o abdutor curto. com o zadora sobre a coluna do polegm: qual forma o grupo dos sesamóides externos. e o primeiro interósseo palmar que fonna o espaldão da O abdutor curto (3) afasta o primeiro meta- primeira falange, também participam ajudando-o a carpeano do segundo no final da oposição (fig. realizar esta ação. 5-196, esquema eletromiográfico; mesma origem): A contração global dos músculos do grupo te- - desloca o primeiro metacarpeano para nar externo, reforçada pela do abdutor longo. reali- frente e para dentro no percurso do maior za a oposição do polegar. trajeto da oposição, durante a máxima se- paração do segundo; A extensão da segunda falange se realiza (experiências de Duchenne de Boulogne) por três - jfexiona a primeira falange sobre o meta- músculos ou grupos musculares que intervêm em carpeano,provocando: circunstâncias diferentes: • um movimento de desvio radial (sobre a 1) pelo extenso r longo próprio do polegar: se margem externa) e associa com uma extensão da primeira fa- • uma rotação longitudinal no sentido da lange e uma diminuição da eminência te- pronação (rotação interna) (seta preta) nar. Estas ações acontecem quando abri~ - por último, estende a segunda falange so- mos e aplanamos a mão; bre a primeira mediante a sua expansão ao 2) pelos músculos do grupo tenar interno extensor longo. (primeiro interósseo palmar): se associa Quando se contrai de maneira isolada (exci- com uma adução do polegar. Estas ações tação elétrica), o abdutor curto desloca a polpa do acontecem quando fazemos a oposição da polegar em oposição com o dedo indicador e o polpa do polegar à superfície externa da médio (fig. 5-194). Portanto, se trata de um mús- primeira falange do dedo indicador (ver figo culo essencial na oposição. Já vimos anteriormen- 5-214); te (figs. 5-185 e 5-186) que constitui, com o abdu- 3) pelos músculos do grupo tenar externo tor longo, um par funcional indispensável para a (principalmente o abdutor curto) na ação oposição. de oposição da polpa (ver figo5-213).
  • 262.
    1. MEMBRO SUPERIOR 257 Fig.5-194 . Fig.5-196 Fig.5-197
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    258 FISIOLOGIA ARTICULAR A OPOSIÇÃO DO POLEGAR A oposição é o principal movimento do po- cone de oposição. Na verdade, este cone é bas- legar: é a ação de deslocar a polpa do polegar tante deformado porque a sua base está limitada em contato com a polpa de um dos outros qua- pelos "trajetos maior e menor de oposição". O tro dedos para constituir uma pinça polegar-di- trajeto maior (fig. 5-199) descrito perfeitamen- gital. Portanto, não existe uma única oposição, te por Sterling Bunnel durante a sua clássica ex- mas toda uma gama de oposições que realizam periência dos "fósforos" (fig. 5-203). O trajeto uma grande variedade de preensões e de ações menor (fig. 5-200), no percurso do qual "o pri- dependendo do número de dedos envolvidos e meiro metacarpeano realiza num plano e de for- de sua modalidade de associação. O polegar ad- ma praticamente linear um movimento que des- quire todo o seu significado funcional em rela- loca progressivamente a sua cabeça pela frente ção aos outros dedos e vice-versa. Sem o pole- do segundo metacarpeano", é, na verdade, uma gar, a mão perde quase totalmente o seu valor reptação do polegar pela palma da mão, muito funcional até o ponto que as intervenções cirúr- pouco utilizada e pouco funcional, que não me- gicas complexas planejam a sua reconstrução rece a denominação de oposição porque não se partindo dos elementos remanescentes: se trata associa praticamente com este componente de das operações de "polegarização" de um dedo e rotação que é, como já vimos, fundamental para atualmente, de transplante. a oposição. Por outra parte, esta reptação do po- Todos os tipos de oposição estão incluídos legar pelo interior da palma da mão se observa no interior de um setor cônico de espaço em cu- justamente nas paralisias da oposição por déficit jo vértice se localiza a trapézio-metacarpeana, o do nervo mediano.
  • 264.
    1. MEMBRO SUPERIOR 259 Fig.5-199 Fig.5-200
  • 265.
    260 FISIOLOGIA ARTICULAR A OPOSIÇÃO DO POLEGAR (continuação) Do ponto de vista mecânico, a oposição do do que atinja o seu objetivo; polegar é um movimento complexo que associa, - a pronação (fig. 5-203), componente em diversos graus, três componentes: a anteposi- essencial da oposição do polegar, gra- ção, a flexão e a pronação da coluna ósteo-articu- ças a qual as polpas dos dedos podem lar do polegar: tocar umas às outras, é definida como - a anteposição ou projeção (fig. 5-201) é a mudança de atitude da última falan- o movimento que desloca o polegar pa- ge do polegar que "se orienta" em di- ra frente com relação ao plano da pal- reções diferentes dependendo do seu ma da mão, de modo que a eminência grau de rótação sobre o seu eixo longi- tenar constitui um cone no ângulo súpe- tudinal. A denominação de pronação se ro-externo da mão. Realiza-se principal- deve à analogia com o movimento do mente no nível da trapézio-metacarpea- antebraço e se realiza no mesmo senti- na e de maneira acessória na metacar- do. Esta rotação da primeira falange pofalangeana, onde o desvio radial sobre o seu eixo longitudinal é o resul- acentua o alinhamento da coluna do po- tado da atividade da coluna do polegar legar. Esta separação do primeiro em conjunto, onde todas as articula- metacarpeano com relação ao segundo ções estão envolvidas em graus e por se denomina abdução no caso dos auto- mecanismos diversos. A experiência res ingleses, o que se contradiz com o "dos fósforos" de Sterling Bunnel segundo componente de adução que (fig. 5-203) o comprova: após ter cola- do um fósforo transversalmente na ba- desloca o dedo para dentro. De modo que, se desejamos utilizar o termo de se da unha do polegar, e observando a abdução, devemos reservá-lo para a se- mão "em pé", medimos um ângulo de paração do primeiro metacarpeano do 90 a 1200 entre a sua posição inicial A, segundo no plano fron tal; mão plana, e a sua posição final B, po- sição de máxima oposição, polegar - a flexão (fig. 5-202) desloca toda a colu- contra dedo mínimo. Em princípio, na do polegar para dentro, e este é o pensamos que a rotação da coluna do motivo pelo qual se denomina adução na polegar sobre o seu eixo longitudinal terminologia clássica. Participam as três se realizava graças à lassidão da cáp- articulações do polegar: sula da trapézio-metacarpeana. Porém, • principalmente a trapézio-metacarpea- trabalhos recentes demonstram que na, embora não possa deslocar o pri- durante a oposição é quando a articula- meiro metacarpeano além do plano sa- ção está mais "fechada" (close packed gital que passa pelo eixo longitudinal position) e que o jogo mecânico é me- do segundo. Trata-se de um movimento nor. de flexão porque se continua com a fle- Hoje sabemos que se o essencial da ro- xão da segunda articulação; tação provém da trapézio-metacarpeana, • a metacarpofalangeana que acrescenta é graças a outro mecanismo, o do "c ar- sua flexão em diversos graus dependen- dão" desta articulação de dois eixos. Por do do dedo "enfocado" pelo polegar no conseguinte, uma prótese de dois eixos seu movimento de oposição; da trapézio-metacarpeana realizada se- • por último, a interfalangeana se flexio- guindo estes princípios desempenha per- na para dar o "toque final" prolongando feitamente a sua função, permitindo uma a ação da metacarpofalangeana de mo- oposição normal.
  • 266.
    1. MEMBRO SUPERIOR 261 Fig.5-202 Fig.5-201 A Fig.5-203
  • 267.
    262 FISIOLOGIA ARTICULAR A OPOSIÇÃO DO POLEGAR (continuação) o componente de pronação 1) rotação na trapézio-metacarpeana em tor- A pronação da coluna do polegar provém no do eixo xx' da peça inter,média do car- de dois contingentes de rotação: dão no sentido da anteposição (seta 1) des- locando o primeiro metacarpeano da posi- - a rotação automática produzida pela ção 1 à posição 2 e o eixo YIYI' a y2y2'; ação da trapézio-metacarpeana, como se mencionou anteriormente (ver pág. 2) rotação da trap~zio-metacarpeana da pri- 230), lembrando que as duas outras arti- meira falange em tomo do eixo fi; culações metacarpofalangeana e interfa- 3) flexão da metacarpofalangeana da pri- langeana intervêm acrescentando a sua meira falange em torno do eixo fi; flexão à da trapézio-metacarpeana; isto 4) flexão da interfalangeana da segunda fa- faz com que o eixo longitudinal da se- lange em tomo do eixo f2• gunda falange seja quase paralelo ao ei- xo principal xx' de anteposição e retro- Desse modo se demonstra, não mediante posição, conseguindo que esta falange argumentos teóricos, mas por trabalhos práticos, terminal realize uma rotação cilíndrica a importante função do cardão da trapézio-meta- onde toda rotação da trapézio-metacar- carpeana na rotação longitudinal do polegar. peana ao redor deste eixo realize uma ~ a rotação "acrescentada" (fig. 5-207) rotação igual, uma mesma mudança de que aparece com clareza após ter fixado atitude, da polpa do polegar. os fósforos de referência transversais Este mecanismo é fácil de verificar graças sobre os três segmentos móveis do pole- ao modelo mecânico da mão (ver ao final deste gar cuja posição é a máxima oposição. volume). Assim, podemos constatar que a prona- ção aproximada de 30° que se soma à Da posição de partida (fig. 5-204) à posi- anterior se situa em dois níveis: ção de chegada (fig. 5-205) a mudança de atitu- de da segunda falange e a sua oposição com a úl- • na metacarpofalangeana onde uma pro- tima falange do dedo mínimo se obtém median- nação de 24° é o resultado da ação dos te a mobilização em tomo dos quatro eixos xx', músculos sesamóides externos, abdutor yy', fi e f2, sem necessidade de torcer o papelão curto e flexor curto. É uma rotação ati- que seria equivalente a "um jogo mecânico" nu- va; ma das articulações. • na inteifalangeana onde uma pronação Resumindo (fig. 5-206), basta realizar su- de 7°, puramente automática, é o resul- cessivamente (ou simultaneamente) as quatro tado do fenômeno de rotação cônica operações seguintes: (ver figo 5-176).
  • 268.
    1. MEMBRO SUPERlOR263 Fig.5-204 Fig.5-206 Fig.5-205 Fig.5-207
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    264 FISIOLOGIA ARTICULAR A OPOSIÇÃO E A CONTRA-OPOSIÇÃO Já mencionamos a função essencial que de- que permite soltá-Ios ou preparar a mão para ob- sempenha a trapézio-metacarpeana, "a rainha", jetos mais volumosos. Este movimento (fig. 5- poderíamos dizer, da oposição do polegar; só 209) é definido por três componentes a partir da falta dizer que a trapézio-metacarpeana e a inter- oposição: falangeana permitem distribuir a oposição sobre - extensão; " cada um dos últimos quatro dedos. De fato, é graças ao grau de flexão mais ou menos acentua- - retroposição; do destas duas articulações que o polegar pode - supinação da coluna do polegar. escolher o dedo que vai realizar a oposição. Os seus motores são: Na oposição polegar-dedo indicador, polpa - o abdutor longo; contra polpa (fig. 5-208), a metacarpofalangea- - o abdutor curto; na se ftexiona muito pouco sem nenhuma prona- ção nem desvio radial. É o seu ligamento lateral - e, principalmente, o extensor longo do interno o que se opõe ao desvio radial do pole- polegar, que é o único capaz de deslocá- gar sob o deslizamento do dedo indicador; a in- 10 em máxima retroposição, no plano da terfalangeana está estendida; mas existem outras mão. formas de oposição polegar-dedo indicador, a Os nervos motores do polegar (fig. 5-210) ponta do dedo-ponta do dedo (término-terminal) são: por exemplo, onde, pelo contrário, a metacarpo- - o radial no caso da contra-oposição; falangeana está totalmente estendida e a interfa- langeana ftexionada. - o ulnar e especialmente o mediano para a oposição. Na oposição polegar-dedo mínimo térmi- Os testes de movimentos são: no-terminal (fig. 5-208 bis), a metacarpofalan- geana se ftexiona com desvio radial e pronação, - a extensão do punho e das metacarpofa- e a interfalangeana se flexiona. Na oposição da langeanas dos quatro últimos dedos, a polpa, a interfalangeana está estendida. extensão e separação do polegar para a Portanto, é totalmente viável afirmar que a integridade do radial; partir de uma posição de base do primeiro meta- - a extensão das duas últimas falanges dos carpeano em oposição, a metacarpofalangeana dedos e separação e aproximação para o éa que permite escolher a oposição. ulnar; A oposição, indispensável para pegar obje- - o fechamento da mão e a oposição do tos, não serviria de nada sem a contra-oposição polegar para o mediano.
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    1. MEMBRO SUPERIOR 265 Fig. 5-208 bis Fig.5-208 Fig.5-210 Fig.5-209
  • 271.
    266 FISIOLOGIA ARTICULAR OS TIPOS DE PREENSÃO A complexa organização anatõmica e funcional da mão con- 2) a preensão por oposição subterminal ou verge na preensão; porém, não existe só um tipo de preensão, mas vá- rios tipos que se classificam em três grandes grupos: as preensões da polpa (fig. 5-213) é o tipo mais co- propriamente ditas, as preensões com a gravidade e as preensões com mum. Permite segurar objetos relativa- ação. Isto não resume todas as possibilidades de ação da mão: além mente mais grossos: um lápis ou uma fol- da preensão, também pode realizar percussões, contato e expressão ha de papel: o teste de eficácia da preen- gestual. De modo que vamos analisar sucessivamente: a preensão, a percussão, o contato manual e a expressão gestual da mão. são da polpa sub-terminal consiste em tentar arrancar uma folha de papel segura- APREENSÃO do com firmeza pelo polegar e o dedo in- As preensões propriamente ditas se classificam dicador. Se a oposição é boa, a folha não em três grupos: as preensões digitais, as preensões pal- se pode arrancar. Também denominamos mares, as preensões centradas. Todas têm um ponto em signo de Froment, que avalia tanto a po- comum: ao contrário das que vamos expor a seguir, não tência do adutor quanto a integridade do necessitam da participação da gravidade. nervo ulnar que o inerva. A) As preensões digitais se dividem por sua vez Neste tipo de preensão, o polegar e o dedo em dois subgrupos: as preensões bidigitais e as indicador (ou qualquer outro dedo) realizam preensões pluridigitais: a oposição pela superfície palmar da polpa. a) as preensões bidigitais constituem a clássica Naturalmente, o estado da polpa é importan- pinça polegar-digital, geralmente polegar-dedo te, porém a articulação interfalangeana distal indicador. Assim, são de três tipos, dependendo pode estar em extensão ou inclusive blo- de que a oposição seja terminal, subterminal o queada em semifiexão mediante uma artro- subterminal-lateral: dese. Os principais músculos deste tipo de 1) a preensão por oposição terminal ou ter- preensão são: minal-polpa (figs. 5-211 e 5-212) é a mais - o fiexor superficial (lado dedo indicador) fina e precisa. Permite segurar um objeto de para a estabilização em flexão da segun- pequeno calibre (fig. 5-211) ou pegar um ob- da falange; jeto muito fino: um fósforo ou um alfinete - os músculos tenares fiexores da primeira (fig. 5-212). O polegar e o dedo indicador falange do polegar: flexor curto, primeiro (ou o médio) realizam a oposição pela extre- interósseo palmar, abdutor curto e espe- midade da pàlpa e inclusive no caso de al- cialmente o adutor; guns objetos extremamente finos (pegar um cabelo) com a ponta da unha. Portanto, pre- 3) a preensão por oposição subterminal-Iate- cisa de uma polpa elástica e corretamente ralou pulpolateral (fig. 5-214), como quan- terminada pela unha, cuja função é primor- do seguramos uma moeda. Este tipo de dial neste tipo de preensão. Por este motivo, preensão pode substituir a oposição terminal também podemos denominá-Ia preensão ou a sub-terminal no caso de amputação das pulpoungueal. É a preensão mais fácil de duas últimas falanges do dedo indicador: a ser prejudicada, mesmo com uma mínima al- preensão não é tão fina embora continue sen- teração da mão; de fato, precisa de um máxi- do sólída. A superfície palmar da polpa do mo jogo articular (a fiexão é máxima) e prin- polegar entra em contato com a superfície cipalmente necessita de que os grupos mus- externa da primeira falange do dedo indica- culares e os tendões estejam íntegros, e espe- dor. Os músculos mais importantes deste ti- cialmente: po de preensão são: - o fiexor profundo (lado dedo indicador), - o primeiro interósseo dorsal (lado dedo que estabiliza a pequena falange em fie- indicador) para estabilízar o dedo indica- xão, daí a importância de uma reparação dor lateralmente (além de estar auxiliado prioritária do fiexor comum profundo pelos outros dedos); quando ambos os fiexores estão seccio- - o fiexor curto, o primeiro interósseo pal- nados; mar e especialmente o adutor do polegar. - fiexor longo próprio do polegar (lado po- A atividade deste último músculo está legar), pela mesma razão; confirmada por eletromiografia.
  • 272.
    1. MEMBRO SUPERIOR 267 Fig.5-212 Fig.5-214 Fig.5-213
  • 273.
    268 FISIOLOGIA ARTICULAR OS TIPOS DE PREENSÃO (continuação) 4) entre as preensões digitais, existe uma muito direcional e é semelhante às que não constitui uma pinça polegar-di- preensões centradas e às preensões gital, se trata da: ativas, que poderemos analisar mais preensão interdigital lateral-lateral adiante, já que a escritura não é so- mente o resultado dos m'Ovimentos do (fig. 5-215): é um tipo de preensão aces- sória: por exemplo segurar um cigarro. ombro e da mão que se desliza pela Geralmente, se realiza entre o dedo in- mesa sobre o seu bordo ulnar e o de- dicador e o médio, o polegar não inter- do mínimo, mas também dos movi- vém. O diâmetro do objeto que se dese- mentos dos .três primeiros dedos que ja pegar deve ser pequeno. Os músculos provocam a participação do ftexor que participam são os interósseos (se- longo próprio do polegar e do ftexor gundos interósseos palmar e dorsal). É superficial do dedo indicador para o uma preensão débil e sem precisão, em- vaivém do lápis e dos músculos sesa- bora os indivíduos que tenham sofrido móides externos e do segundo inte- amputação do polegar a realizem de rósseo dorsal para segurá-Io. maneira surpreendente; A ação de desenroscar a tampa de uma b) as preensões pluridigitais provocam a garrafa (fig. 5-208) é uma preensão tri- participação, além do polegar, dos ou- digital, lateral para o polegar e a se- tros dois, três ou quatro dedos. Permi- gunda falange do médio que realizam tem uma preensão muito mais firme que a oposição diretamente e da polpa pa- a bidigital que persiste como preensão ra o dedo indicador que bloqueia o de precisão; objeto sobre o terceiro lado. O dedo médio serve de pico, encaixado entre o I) as preensões tridigitais envolvem o anular e o dedo mínimo. O polegar polegar, dedo indicador e o médio e aperta com força a tampa contra o mé- são as que se utilizam com maior fre- dio graças à contração de todos os qüência. Uma parte importante, para músculos tenares; o bloqueio se inicia não dizer preponderante, da humani- graças ao ftexor longo próprio e termi- dade que não usa o garfo, utiliza esta na com o dedo indicador por ação do preensão para levar os alimentos à boca. É semelhante à preensão tridi- seu ftexor superficial. Quando abrimos gital da polpa (fig. 5-216), que se uti- a tampa, para desenroscar, não neces- liza para segurar uma bola pequena sitamos de ajuda do dedo indicador, em que o polegar realiza a oposição com o polegar e o médio: ftexão do po- da sua polpa à do dedo indicador e à legar, extensão do médio. do médio com relação ao objeto. Por Se no início a tampa não estiver muito exemplo, para escrever com um lápis apertada, podemos realizar apreensão (fig. 5-217), necessitamos de uma tridigital da polpa para os três dedos preensão tridigital, da polpa, no caso com movimento de desenroscar por do dedo indicador e do polegar, e do ftexão do polegar, extensão do médio e lateral para a terceirafalange do mé- participação do dedo indicador em ab- dio que serve de suporte da mesma dução (primeiro interósseo dorsal). maneira que o fundo da primeira co- Também é considerada como uma missura. Assim sendo, esta preensão é preensão ativa.
  • 274.
    Fig.5-217 / Fig.5-216 Fig.5-215 Fig.5-218
  • 275.
    270 FISIOLOGIA ARTICULAR OS TIPOS DE PREENSÃO (continuação) 2) as preensões tetradigitais se utilizam dio; é lateral e da polpa na segunda fa- quando um objeto é muito grande e deve lange do anular que bloqueia o objeto ser segurado com maior firmeza. Então, por dentro. "A volta" da tampa pelos a preensão pode ser: quatro dedos produz um movimento - tetradigital da polpa (fig. 5-219) em espiral sobre o segundo, o terceiro quando pegamos um objeto esférico e o quarto dedos e podemos demons- como uma bola de pingue-pongue. trar que a resultante das forças que Neste caso podemos observar que o exercem se anula no centro da tampa, contato se faz com a polpa no caso do que se projeta para a metacarpofalan- polegar, dedo indicador e médio, sen- geana do dedo indicador; do lateral no caso da terceira falange - tetradigital da polpa do polegar-tridi- do anular, cuja função é evitar que o gital (fig. 5-221), como quando se objeto escape para dentro da mão, mantém um crayon, um pincel ou um - tetradigital da polpa-lateral (fig. 5- lápis: a polpa do polegar dirige e man- 220) quando desenroscamos uma tam- tém o objeto com força contra a polpa pa. Neste caso, o contato do polegar é do dedo indicador, do médio e do anu- amplo, abrangendo a polpa e a super- lar quase em máxima extensão. Tam- fície palmar da primeira falange, bem bém é a maneira como o violinista e o como sobre o dedo indicador e o mé- violoncelista seguram o seu arco.
  • 276.
    1. MEMBRO SUPERIOR 271 / I/ Fig.5-221 Fig.5-219 0 ;/; ( Fig.5-220
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    272 FISIOLOGIA ARTICULAR OS TIPOS DE PREENSÃO (continuação) 3) as preensões pentadigitais utilizam to- precisa de uma grande flexibilidade e possibili- dos os dedos, o polegar realiza a opo- dades normais de separação da primeira comis- sição de forma variada com relação aos sura. Este não é o caso após fraturas do primei- outros dedos. São utilizadas geralmente ro metacarpeano ou feridas do primeiro espaço para pegar grandes objetos. Porém, que acarretam uma~retração da primeira comissu- quando se trata de um objeto pequeno, ra. Além do mais, seg~ramos o prato (fig. 5-225) podemos pegar com urna preensão pen- com os dedos médio, anular e mínimo, que só en- tadigital da polpa (fig. 5-222), de modo tram em contato por meio das suas duas últimas que só o quinto dedo realiza um conta- falanges. Portanto, se trata de uma preensão di- to lateral. Se o objeto é um pouco mais gital e não palmar. volumoso, como urna bola de tênis, a Apreensão pentadigital "panorâmica" (fig preensão se converte em pentadigital 5-226) permite pegar grandes objetos pla- polpa-lateral (fig. 5-223): os quatro nos, uma travessa, por exemplo. Para poder rea- primeiros dedos entram em contato lizá-Ia necessitamos de uma grande separação com toda a sua superfície palmar e en- dos dedos, amplamente divergentes, o polegar se volvem o objeto quase totalmente, o po- coloca em retroposição e em máxima extensão, legar realiza a oposição aos três outros de modo que é em máxima contra-oposição. A dedos e o dedo mínimo evita, mediante preensão se realiza diametralmente ao anular sua superfície externa, qualquer possí- (setas brancas) com o qual tensiona um arco de vel deslocamento do objeto para dentro 180° sobre o que se engancham o dedo indica- e em sentido proximal. Embora não se dor e o médio. O dedo mínimo "morde" o outro trate de uma preensão palmar, a bola se semicírculo de tal maneira que o arco estabele- localiza mais nos dedos que na palma cido entre ele e o polegar é de 215°; estes dois da mão, também é uma preensão firme. dedos, em máxima separação. uma oitava segun- Outra preensão pentadigital que poderia ser do os pianistas, formam com o dedo indicador denominada pentadigital comissural (fig. 5-224) uma preensão "triangular" quase regular e, com pega objetos grossos semi-esféricos, um prato os outros dedos, uma preensão tipo "gancho" da de sobremesa por exemplo, envolvendo-o com a qual o objeto não pode escapar. Observamos que primeira comissura: polegar e dedo indicador a eficácia desta preensão depende da integridade amplamente estendidos e separados entram em das interfalangeanas distais e da ação dos flexo- contato com toda sua superfície palmar, o qual res profundos.
  • 278.
    1. MEMBRO SUPERIOR 273 Fig.5-223 Fig.5-222 Fig.5-225 Fig.5-224 Fig.5-226
  • 279.
    274 FISIOLOGIA ARTICULAR OS TIPOS DE PREENSÃO (continuação) B) Nas preensões palmares particIpam da eminência hipotenar à base do de- tanto os dedos quanto a palma da mão. do indicador. Com relàção à base da São de dois tipos, dependendo da utili- mão e do antebraço, esta obliqüidade zação ou não do polegar: se corresponde com a inclinação do a) apreensão digital-palmar (fig. 5- cabo das ferramentas (fig. 5-230) que 227) realiza a oponência da palma da forma um ângulo de 100 a 110°. É fá- mão com os últimos quatro dedos. É cil constatar que é possível compen- um tipo de preensão acessória, mas sar com mais facilidade um ângulo utilizada com freqüência quando acio- muito aberto (120 a 130°) graças ao namos uma alavanca ou seguramos desvio ulnar do punho, do que um ân- um volante. O objeto, de escasso diâ- gulo muito fechado (90°), já que o desvio radial é bastante menos am- metro (de 3 a 4 cm), está segurado en- tre os dedos flexionados e a palma da plo. mão, o polegar não participa: a preen- O volume do objeto que seguramos são, até certo ponto, só é firme no sen- condiciona a força da preensão: é per- tido distal; o objeto pode deslizar com feita quando o polegar pode entrar em facilidade em direção ao punho, contato (ou quase) com o dedo indica- porque a preensão não está bloquea- dor. De fato, o polegar constitui o úni- da. Além disso, podemos constatar co elemento que realiza a oposição que o eixo da preensão é perpendicu- com relação à força dos outros quatro lar ao eixo da mão e não segue a dire- dedos, e sua eficácia é maior quanto ção oblíqua do sulco palmar. Esta mais flexionado esteja. O diâmetro preensão digital-palmar também pode dos cabos das ferramentas depende ser utilizada para se pegar um objeto desta constatação. mais volumoso, um copo, por exem- A forma do objeto que seguramos plo, (fig. 5-228), mas quanto mais im- também não é indiferente e na atuali- portante seja o diâmetro do objeto, dade se fabricam cabos que contêm menos firmeza possui apreensão. as marcas dos dedos. b) apreensão palmar com toda a mão Os principais músculos deste tipo ou toda a palma (figs. 5-229 e 5- de preensão são: 230) é a preensão de força para os objetos pesados e relativamente vo- - os flexores superficiais e profundos lumosos. Um termo antigo e pouco e especialmente os interósseos para usado, mão fechada, é idôneo para a flexão potente da primeira falan- denominar este tipo de preensão e ge dos dedos; merece esta honra. A mão literalmen- - todos os músculos da eminência te- te se fecha ao redor de objetos cilín- nar,especialmente o adutor e o fle- dricos (fig. 5-229); o eixo do objeto xor longo próprio do polegar para fica na mesma direção que o eixo do bloquear a preensão graças à flexão sulco palmar, isto é, oblíquo da base da segunda falange.
  • 280.
    1. MEMBRO SUPERIOR275 Fig.5-228 Fig.5-227 Fig.5-230
  • 281.
    276 FISIOLOGIA ARTICULAR OS TIPOS DE PREENSÃO (continuação) 1) Quando utilizamos apreensão palmar dos. Quando intervêm três (fig. 5-233) cilíndrica para objetos de diâmetro ou quatro dedos (fig. 5-234), o último grande (figs. 5-231 e 5-232), apreensão dedo envolvido por dentro, seja o mé- é menos firme quanto maior seja o diâ- dio na preensão esférica tridigital, ou o metro. De modo que o bloqueio depen- anular na preensão esférica tetradigi- de, como já vimos anteriormente, da tal, entram em contato com o objeto pe- ação da metacarpofa1angeana que per- la superfície lateral externa, constituin- mite que o polegar percorra uma direção do assim um elemento interno, reforça- do cilindro, ou seja, um círculo, ou o ca- do pelos outros dedos (dedo mínimo minho mais curto para dar a volta. Por sozinho ou junto com o anular). Este outro lado, o volume do objeto exige a elemento realiza a oposição à pressão máxima liberdade de separação da pri- .. do polegar de modo que o objeto fica melra comlssura; bloqueado distalmente pelos "ganchos" 2) as preensões palmares esféricas po- dos dedos que mantêm um contato pal- dem envolver três, quatro ou cinco de- mar com o objeto.
  • 282.
    1. MEMBRO SUPERIOR 277 Fig.5-232 ;- Fig.5-233 Fig.5-234
  • 283.
    278 FISIOLOGIA ARTICULAR OS TIPOS DE PREENSÃO (continuação) Na preensão palmar esférica pentadigi- com relação à sua função de assinalar. Isto é in- tal (fig. 5-235) todos os dedos entram em conta- dispensável do ponto' de vista mecânico na to com o objeto pela sua superfície palmar. O preensão da chave de fenda (fig. 5-237) que se polegar realiza a oponência ao anular; em con- confunde com o eixo de pronação-supinação no junto ocupam o maior diâmetro e o bloqueio da ato de parafusar ou desparafusar. Também está preensão está assegurada distalmente pelo dedo bastante claro na preensão de um gaifo (fig. 5- indicador e o médio e proximalmente pelaemi- 238) ou de uma faca que tem o objetivo de pro- nência tenar e pelo dedo mínimo. O objeto, se- longar a mão distalmente. gurado com firmeza por todos os dedos em for- Em todo caso, o objeto de forma alongada ma de gancho, o que supõe tanto as máximas possibilidades de separação das comissuras se agarra com firmeza mediante uma preensão quanto a eficácia dos f1exores superficiais e pro- palmar na qual participam o polegar e os últimos fundos, entra em contato com toda a palma da três dedos, o dedo indicador, neste caso, desem- mão. Esta preensão é muito mais simétrica que penha uma função orientativa indispensável pa- as duas anteriores e, assim sendo, constitui a ra dirigir o talher. transição para as seguintes. As preensões centradas ou direcionais se C) As preensões centradas realizam, de fa- utilizam com freqüência; requerem a integrida- to. uma simetria em tomo do eixo longitudinal de da flexão dos três últimos dedos, a extensão que. em geral, se confunde com o eixo do antebra- completa do dedo indicador cujos f1exores de- ço. Isto é evidente no caso da batuta do maestro vem ser eficazes, e um mínimo de oposição do (fig. 5-236) cuja função é prolongar a mão e re- polegar para o qual a flexão da interfalangeana presenta uma extrapolação do dedo indicador não é indispensável.
  • 284.
    1. MEMBRO SUPERIOR 279 Fig.5-236 Fig.5-235 I ( Fig.5-238 ---~--- I) '-"--- --.-r- Fig.5-237
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    280 FISIOLOGIA ARTICULAR OS TIPOS DE PREENSÃO (continuação) Até aqui analisamos os tipos de preensão pode constituir uma~cavidade muito mais ampla. nos casos em que a gravidade não intervém, mas Todos estes tipos de preensão de suporte existem outros nos que a ação da gravidade é in- necessitam de que a supinação esteja íntegra: de dispensável, de modo que não podem utilizar-se fato, sem ela, a palma da mão, única parte da em meios sem gravidade, como é o caso de uma mão capaz de constituir uma parede côncava, cápsula espacial. não pode orientar-se para cima. Desse modo, o Nestas preensões em que a gravidade aju- teste da travessa permite constatar a recuperação da, a mão serve de suporte, como quando segura- da supinação já que não existe nenhuma possibi- mos uma travessa (fig. 5-239), o que supõe que lidade de compensação do ombro. podemos aplanar, com a palma da mão horizontal, A preensão de uma xícara com três dedos orientada para cima (e, portanto, sem os dedos em (fig. 5-242) utiliza a gravidade porque a sua forma de gancho) ou que podemos constituir um circunferência está segurada por dois elemen- trípode debaixo do objeto que queremos segurar. tos, constituídos pelo polegar e dedo médio, Graças à gravidade, a mão também pode-se além de um gancho formado pelo dedo indica- comportar como uma colher que contém grãos dor. Esta preensão necessita de uma grande es- (fig. 5-240) ou um líquido. A escavação da pal- tabilidade do polegar e do médio, bem como a ma da mão se prolonga pela dos dedos aduzidos integridade do flexor profundo do dedo indica- ao máximo, pela ação dos interósseos palmares, dor cuja terceira falange mantém a margem da para evitar as possíveis fugas. O polegar, muito xícara. O adutor do polegar também é impres- cindível. importante nesta ação, fecha o sulco palmar por fora: em semiflexão, se aproxima do segundo As preensões em forma de gancho com metacarpeano e da primeira falange do dedo in- um ou vários dedos, como quando se transpor- dicador, pela ação do adutor. A aproximação das ta um balde ou uma mala ou, inclusive, no caso duas mãos "ocas" (fig. 5-241) em forma de dois de se agarrar nas pontas de uma parede rochosa, semipratos fundos unidos pelo seu bordo ulnar também utilizam a ação da gravidade.
  • 286.
    1. MEMBRO SUPERIOR 281 Fig.5-239 Fig.5-240 Fig.5-241 j Fig.5-242
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    282 FISIOLOGIA ARTICULAR OS TIPOS DE PREENSÃO (continuação) As preensões estáticas analisadas até aqui não - a ação de comer com pauzinhos chineses bastam para esgotar todas as possibilidades da mão. (fig. 5-248), em que um dos pauzinhos per- A mão também é capaz de "atuar pegando algo". É manece fixo, bloqueado pelo anular na co- o que se denominará de preensões ativas ou preen- missura do polegar, e o outro pauzinho sões-ação. móvel mediante uma preensão tridigital Algumas destas ações são elementares como polegar-dedo indicador-médio forma uma I por exemplo lançar um pião (fig. 5-243) mediante pinça com o primeiro. Isto constitui, sem uma preensão polegar-dedo indicador tangencial, dúvida, um teste excelente de habilidade ou também lançar uma bolinha de gude (fig. 5-244) mediante um impulso abrupto da segunda falange manual para úm europeu, já que os asiáti- do polegar (ação do extensor longo); a bolinha de cos o realizam de forma inconsciente; gude está mantida previamente na concavidade do - a ação defazer nós só com uma mão (fig. 5- dedo indicador totalmente ftexionado (ação do fte- 249). Neste caso, também se trata de um tes- xor profundo). te de habilidade manual que supõe a ação in- Existem ainda outras ações mais complexas, dependente e coordenada de duas pinças bi- nas quais a mão realiza uma ação reflexa sobre si mesma. Neste caso, o objeto que seguramos por digitais; uma dedo indicador-médio, que uma parte da mão sofre uma ação que provém de atua de preensão lateral-lateral, e a outra po- outra parte. Estas preensões-ação em que a mão atua legar-anular, que atua de preensão polegar- sobre si mesma são inumeráveis; podemos mencio- digital embora muito pouco utilizada. Os ci- nar como exemplos: rurgiões utilizam um método muito parecido - a ação de acender um isqueiro (fig. 5-245) para fazer nós com uma mão só. Estas ações que se parece bastante com a ação de lançar múltiplas, com uma mão só, são muito fre- uma bolinha de gude; seguramos o isqueiro qüentes nos digitadores e nos mágicos, cuja na concavidade do dedo indicador e dos ou- destreza, aperfeiçoada constantemente com tros últimos dedos, enquanto o polegar, em exercícios cotidianos, é claramente superior forma de gancho, atua sobre o mecanismo à média; (ação do ftexor próprio e dos músculos tena- res); - a mão esquerda de um violinista (fig. 5-250) - a ação de apertar a tampa de um frasco de ou a do guitarrista realiza uma preensão ati- aerosol (fig. 5-246): desta vez, seguramos o va móvel: o polegar segura o "cabo" do vio- objeto por uma preensão palmar e a ftexão lino e, mesmo que se mova, serve de contra- do dedo indicador em forma de gancho é a apoio à ação dos outros quatro dedos que, que atua sobre a tampa (ação do ftexor pro- ao tocar as cordas, formam as notas. Esta fundo); pressão que se exerce sobre a corda deve ser - a ação de cortar com tesoura (fig. 5-247): os ao mesmo tempo precisa, firme e modulada anéis se inserem, por uma parte, com o pole- para conseguir a vibração. Estas ações tão gar e, por outra, com o dedo médio ou o anu- lar. A ação do polegar é principalmente mo- complexas são o resultado de uma longa tora tanto para fechar a tesoura (músculos te- aprendizagem e devem-se manter e aperfei- nares) quanto para abri-Ia (extensor longo çoar com exercícios cotidianos. próprio). A separação dos anéis pode, quan- Cada leitor pode descobrir por si mesmo a in- do se repete como um ato profissional, pro- vocar a ruptura do extensor longo. O dedo finita variedade de preensões ativas que represen- indicador orienta a tesoura, o que constitui tam a atividade mais elaborada da mão em plena in- um exemplo de preensão ativa orientativa; tegridade funcional.
  • 288.
    :/: '/ Fig.5-250 Fig.5-244
  • 289.
    284 FISIOLOGIA ARTICULAR AS PERCUSSÕES - O CONTATO - A EXPRESSÃO GESTUAL A mão do homem não é utilizada somente tros subcorticais, tal corno o demonstra o seu para a preensão, mas também a podemos utilizar desaparecimento na doença de Parkinson. Esta corno instrumento de percussão: linguagem da mão e do rosto está codificada pa- - seja no trabalho, por exemplo quando se ra a comunicação entre surdo-mudos, mas a ges- utiliza uma calculadora (fig. 5-251) ou ticulação instintiva constitui uma segunda lin- urna máquina de escrever, ou quando to- guagem; com diferença do sistema I de comuni- camos piano: cada dedo se comporta co- cação falado, o seu significado é universal. Este rno um martelo diminuto que toca a te- tipo de comunicação compõe inumeráveis for- cla, graças à ação coordenada dos inte- mas, que podem contar com algumas variações rósseos e dos flexores, especialmente o regionais, mas que, em 'geral, se compreendem profundo. A dificuldade consiste em ad- em todos os lugares do planeta, tanto se se trata quirir a independência funcional dos de- da mão fechada em sinal de ameaça (fig. 5-252), dos entre si e das mãos entre si, o que re- quanto do cumprimento com a mão amplamente quer urna aprendizagem cerebral e mus- aberta em sinal de paz, do dedo apontando (fig. 5- cular, bem como um treino permanente; 255, segundo Mathias Gnmewald no desenho de Isenheim) como sinal de acusação, ou inclusive - seja na luta onde os golpes são dados dos aplausos em sinal de aprovação. Esta gesticu- com a mão fechada (fig. 5-255) corno no boxe, com o bordo ulnar da mão ou lação está "trabalhada" profissionalmente pelos atores de teatro, mas é instintiva no caso do ho- a extremidade dos dedos, no karatê, ou mem comum, mais irreprimível quanto mais também a mão amplamente estendida meridional seja a sua origem. O seu objetivo é o como numa tapa comum. de ressaltar e acentuar o sentido da expressão, O contato da mão no caso de uma carícia mas, com freqüência, o gesto ultrapassa à pa- (fig. 5~253) é menos brusco; a mão desempenha lavra e, se basta por si só para expressar senti- uma função primordial no contato social e prin- mentos e situações, o que explica a grande abun- cipalmente afetivo. Também devemos ressaltar a dância da "mão gesticuladora" nas obras pictó- necessidade de urna sensibilidade cutânea intata, ricas e nas esculturas. Esta função da mão não é tanto para a mão que acaricia quanto para o ob- a menos importante ao lado da sua utilidade fun- jeto da carícia. Em alguns casos, o contato de cional e sensorial. Em certas atividades artesa- ambas as mãos pode desempenhar urna função nais, como é o caso das mãos do alfareiro (fig. terapêutica na imposição de mãos que pode ser 5-256), a ação da mão se realiza em todos os "eficaz", mesmo a distância. Por último, o gesto planos de maneira simultânea: função realizado- mais trivial da vida cotidiana do homem ociden- ra na modelagem do objeto, função sensorial pa- tal, o aperto de mãos (fig. 5-254), representa um ra reconhecer sua forma que se modifica conti- contato social cheio de significado simbólico. nuamente sob a sua carícia-trabalho e, por últi- Isto conduz, sem dúvida, a urna função in- mo, o seu significado simbólico, gesto de ofere- substituível da mão na expressão gestual. De cimento da sua criação à coletividade dos ho- fato, esta expressão se realiza em estreita cola- mens. Este caráter completo do gesto criativo boração com o rosto e a mão; depende de cen- do artesão é o que lhe dá todo o seu valor.
  • 290.
    1. MEMBRO SUPERlOR 285 Fig.5-251 Fig.5-252 ô ~ Fig.5-255 Fig.5-256
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    286 FISIOLOGLc ARTICULAR POSIÇÕES FUNCIONAIS E DE IMOBILIZAÇÃO Descrita inicialmente por S. Bunnell (1948), como a posi- - quando os dedos perdem a sua função de preensão, o ção da mão em repouso, a posição funcional da mão é, na verda- bloqueio do punho é mais vantajoso em flexão; de, bastante diferente da que se observa no indivíduo adormeci- - se os dois punhos estão definitivamente imobilizados, do (fig. 5-257, segundo Miguel Ángel), igualmente denominada necessitamos do bloqueio de um deles para a higiene posição de rela"Xamento, que também constitui a posição anti- perineal; álgica da mão lesada: antebraço em pronação, punho jlexionado, polegar em aduçãolretroposição, comissura fechada, dedos rela- - a utilização de uma muleta ou de uma bengala induz ao tivamente estendidos principalmente no nível das metacarpofa- bloqueio do punho em posição de alinhamento. A uti- langeanas. lização de duas muletas conduz a uma artrodese em ex- tensão de 10° da mão dominante e uma artrodese em W. Littler (1951) mencionou a posição funcional (figs. 5- flexão de 10° da outra; 258 e 5-259): antebraço em semipronação, punho em extensão de 30° e adução que situa o polegar, especialmente o primeiro • para imobilizar o antebraço em pronação mais ou metacarpo, em alinhamento com o rádio, constituindo com o se- menos completa; gundo metacarpo um ângulo aproximado de 45°, metacarpofa- o no relativo às metr;zcarpofalangeanas, a posição de langeana e interfalangeana quase em posição de alinhamento, flexão varia de 35" no caso do dedo indicador a 50° dedos ligeiramentê flexionados, mais no nível das metacarpofa- no caso do dedo ilÚnimo; langeanas quanto mais interno seja o dedo. Em resumo, a posi- o com relação às intelfalangeanas proximais a flexão ção funcional é aquela a partir da qual poderíamos realizar a vai de 40 a 60°; preensão com o núnimo de mobilidade articular se uma ou vá- rias articulações dos dedos ou do polegar estivessem anquilosa- o a artrodese da trapézio-metacmpeana se realiza nu- das ou a partir da qual a recuperação dos movimentos resultasse ma posição adaptada a cada caso. mas cada vez que relativamente fácil. realizando a oposição quase em sua totalida- se bloqueia definitivamente um dos elementos da de e bastando para completá-Ia alguns graus de flexão numa das pinça polegar-digital, devemos considerar necessa- articulações remanescentes. riamente as possibilidades da zona que fica móvel; Contudo. segundo R. Tubiana (1973), na prática é preferí- - as posições não funcionais denominadas "imobili- vel definir três tipos de posições de imobilizaçlio: zação temporal"-posições de imobilização parcial. - a posição de imobilização temporal, denominada Só se justificam num período de tempo mais curto "proteção" (fig. 5-260), que tenta preservar a mesma possível para se obterem uma maior estabilidade num mobilidade da mão: foco de fratura ou um relaxamento numa sutura tendi- nosa ou nervosa. o antebraço em semiflexão, pronação, cotovelo flexio- nadl 100°. Existe um grave risco de rigidez por estase venosa e linfática. Este perigo diminui consideravelmente se as o punbü em extensão a 20° e ligeira adução, articulações adjacentes às imobilizadas se movi- o ded"s mais flexionados quanto mais internos sejam. mentam ativamente: As métacarpofalangeanas flexionadas entre 50 e 80°, o após uma sutura do mediano. do ulnar ou dos flexo- aumc'otando em proporção quanto menos estejam fle- res. podemos flexionar o punho até os 40° sem gran- xionclJas as interfalangeanas proximais. des conseqüências durante três semanas, porém é As imerfalangeanas moderadamente flexionadas. pro- imprescindível imobilizar as metacarpofalangeanas porcionalmente menos quanto se quer diminuir a ten- em flexão aproximadamente de 80°, deixando as in- são e a isquemia neste ponto: terfalangeanas no seu grau de extensão natural porque a sua extensão é difícil de recuperar após - no caso das interfalangeanas proximais entre 10 e 40°, uma flexão forçada; - no caso das interfalangeanas distais entre 10 e 20°, o após a reparação dos elementos dorsais, as articula- o polegar preparado para realizar a oposição: primeiro ções devem ser imobilizadas em extensão, porém é metacarpo em ligeira adução e também em anteposição, necessário conservar sempre pelo menos 10° de fle- de modo que a abertura da primeira comissura esteja as- xão nas metacarpofalangeanas. Com relação às inter- segurada. metacarpofalangeana e interfalangeana numa falangeanas a flexão pode ser de 200 se a secção se lo- breve flexão de tal modo que a polpa do polegar esteja caliza acima das metacarpofalangeanas, mas deverá dirigida em direção ao dedo indicador e médio. ser nula se a secção se localiza na primeira falange; - as posições de imobilização funcionais definitivas o após tratamento das lesões denominadas "em casa de denominadas "fixação". botão", se imobiliza a interfalangeana proximal em extensão e a interfalangeana distal em flexão para Dependem de cada caso particular: realizar a tração distal do aparelho extensor; o no caso do punho: o ao contrário, se a lesão está localizada perto da in- - quando os dedos mantêm as suas possibilidades de terfalangeana distal, esta articulação ficaria imobi- preensão. devemos realizar uma artrodese do punho em lizada em extensão e a interfalangeana proximal extensão de 25° para colocar a mão em posição de em flexão para relaxar, desta maneira, as faixas la- preensão: terais do extensor.
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    1. MEMBRO SUPERIOR 287 Fig.5-259 Fig.5-258 Fig.5-260
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    288 FISIOLOGIA ARTICULAR AS MÃOS FICÇÕES As mãos ficções não são um simples exer- nar, acarretaria uma mudança de obliqüidade do cício de imaginação, mas permitem uma melhor sulco palmar: em pronação-supinação neutra, o compreensão das razões arquitetõnicas da mão. cabo de um martelo em vez de estar oblíquo pa- De fato, poderíamos imaginar, sem problemas, ra cima, estaria oblíquo para baixo, o que impe- outras soluções que não fossem a mão normal, diria bater um prego de cima para baixo, a não por exemplo a mão assimétrica ou a simétrica. ser que houvesse uma alteração de + 1800 da po- As mãos assimétricas derivam da mão sição neutra de pronação-supinaçã0, a palma da normal por redução ou aumento do número de mão estaria orientada para fora! Desse modo, a dedos, ou por inversão da simetria. ulna passaria por cima do rádio e a inserção do O aumento do nÚmero de dedos, seis ou se- bíceps sobre este osso careceria de eficácia. Em resumo, se deveria mop.ificar toda a arquitetura te dedos, depois do dedo núnimo no lado ulnar da mão, com certeza aumentaria a preensão com do membro superior sem nenhuma evidência de toda a palma da mão, mas à custa de uma com- vantagem funcional. plicação funcional proibitiva. As mãos simétricas teriam dois polega- A redução do nÚmero de dedos a quatro ou res, um radial, outro ulnar, limitando um, dois três faz com que a mão perca as suas possibili- ou três dedos médios. A mais simples, a mão si- dades. Alguns macacos de América Central pos- métrica com três dedos (fig. 5-263) pode reali- suem, no membro superior, uma mão com qua- zar duas pinças polegar-digitais, uma pinça bi- tro dedos sem polegar, e a única ação que podem polegar (entre ambos os polegares) e uma realizar é a de se agarrarem nos ramos, mas no preensão tridigital (fig. 5-264) por oposição membro inferior possuem uma "mão" de cinco dos dois polegares sobre o dedo indicador, sen- dedos com polegar capaz de realizar a oposição. do quatro preensões de precisão. Também é im- A mâo com três dedos (fig. 5-261), como pode- possível imaginar uma preensão "com toda a mos observar após determinadas amputações, palma da mão" (fig. 5-265) entre os dois pole- conserva as preensões tridigitais e bidigitais, as gares por uma parte e, pela outra, entre a palma mais freqüentes e as mais precisas, mas perde a da mão e o dedo indicador. Porém, dotada de preensão com toda a palma da mão, indispensá- certa firmeza, esta preensão teria um sério in- vel para pegar os cabos das ferramentas. A mão conveniente, a sua simetria converteria o cabo com dois dedos (fig. 5-262), polegar e dedo in- da ferramenta perpendicular ao eixo do ante- dicador, pode realizar um gancho, com o dedo braço; entretanto, vimos anteriormente que a indicador e uma pinça bidigital para as preen- obliqüidade do cabo unida à pronação-supina- sões finas, mas não pode realizar, de jeito ne- ção permite orientar a ferramenta. O mesmo nhum, as preensões tridigitais e as preensões aconteceria no caso de qualquer mão simétrica com toda a palma da mão; contudo, podemos com dois ou três dedos médios (fig. 5-266), ou notar o resultado inesperado que pode oferecer a seja, de cinco dedos dos quais dois são polega- conservação ou a restituição de uma mão com res. Os papagaios possuem dois dedos poste- dois dedos em alguns mutilados! riores que realizam uma garra simétrica que os Observamos também que esta mão chega a permite se segurar com firmeza a um galho. ser simétrica com os defeitos inerentes a esta Uma conseqüência inoportuna da mão com disposição. dois polegares seria a estrutura simétrica do an- A mão de simetria inversa, isto é, uma tebraço. Nestas condições, o que aconteceria mão com cinco dedos, mas com um polegar ul- com a pronação-supinação?
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    1. MEMBRO SUPERIOR 289 Fig.5-262 Fig.5-261 Fig.5-263 1I Fig.5-265 Fig.5-264 Fig.5-266
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    290 FISIOLOGIA ARTICULAR A MÃO DO HOMEM A mão do homem, na sua complexidade, sua arquitetura reflete o princípio da economia se realiza como uma estrutura perfeitamente universal. É um dos mais belos logros do uni- lógica e adaptada às suas diferentes funções. A verso.
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    1. MEMBRO SUPERIOR 291 Fig.5-267
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    292 FISIOLOGIA ARTICULAR MODELOS DE MECÂNICA ARTICULAR PARA CORTAR Estes modelos mecânicos, construídos mediante cor- Dobradura tes, dobradiças e colagens, estão destinados a concretizar Não se deve realizar nenhuma dobradiça sobre o pa- no espaço noções expostas ao longo deste volume; são es- pelão sem recortar antes com a pequena faca ou o estilete quemas em três dimensões, com possibilidade de movi- a terceira parte ou a metade da espessura do papelão mento. Com a sua montagem podemos adquirir, sem nen- hum esforço, graças ao sentido cinestésico que adquirem, - incisão na parte da frente para as linhas tracejadas; conhecimentos difíceis de descobrir de outra forma. Por- - incisão no verso para as linhas de pontos e traços; tanto, recomendamos que o leitor dedique um pouco de para transportar estas últimas com precisão ao ver- tempo e paciência; terá a sua recompensa. so, é conveniente assinalar os seus extremos perfu- Antes de começar, é necessário ler atentamente to- rando o papelão com uma agulha ou a ponta de um das as indicações. compasso. Após haver reaÍizado a incisão, se dobra o papelão com facilidade e de forma precisa pelo lado oposto à inci- são; durante a realização das dobradiças, a flexão do pape- Pranchas I e lI: Modelo mecânico da mão lão nunca deve ultrapassar, no início, os 4SO. As duas do- bradiças longitudinais da peça A se marcam levemente e representam a escavação da mão. As dobradiças marcadas Este modelo está composto por quatro peças A, B, C eixo I sobre A e eixo 2 sobre C são de 90°. As duas pregas e D. distribuídas nas pranchas I e 11. Na parte inferior da convergentes a partir dos extremos do eixo I sobre a peça prancha II aparecem os esquemas de montagem a, b e c. A são superiores a 90°, igual que as das lingüetas j e h. A Por razões inerentes à edição deste livro, o papel so- peça B não contém nenhuma dobradiça. bre o qual estão impressos os desenhos não tem a espessu- Observar sobre a peça C a obliqüidade das dobradi- ra necessária para dar uma boa consistência ao modelo, is- ças de flexão da interfalangeana e da metacarpofalangea- to significa que o melhor resultado pode se obter transfe- na, que traduzem o tipo de flexão tão particular destas duas rindo os desenhos das quatro peças A, B, C e D para um articulações; quanto à metacarpofalangeana, considera- papelão de pelo menos um milímetro de espessura. mos um dos três eixos. o que. no curso da oposição do po- legar, permite a flexão-pronação-desvio radial. Corte Cortam-se com tesouras as quatro peças seguindo o A10ntagem traço contínuo da linha de contorno. Algumas peças con- O esquema a mostra a montagem dos elementos: têm recortes de linhas interiores que deverão ser feitos com uma lâmina Olfa ou estilete: . a peanha (peça D) se monta aproximando e fazen- do coincidir m sobre m' e n sobre n'. Pode-se co- - peça A: entre as lingüetas h, j e k; lar as lingüetas m e 11 nas superfícies tracejadas m' - peça D: linha reta perto de m e n -linha composta e n'; se posteriormente desejamos desmontar o por três segmentos perto de m' e n'. modelo, podemos unir as duas com dois grampos Também se indicam algumas partes que ficarão va- que passem através dos furos m, m', n, n '; zias mediante: . na mão (peça A) após haver assinalado as dobra- - traços espessos diças dos dedos e da palma da mão, devemos pre- parar o suporte da articulação trapézio-metacar- • peça A: perto de k'; peana: • peça D: fenda central; 1. invertemos a superfície semicircular tracejada - traços duplos paralelos sobre as peças A e C: se deve 90° para trás; realizar uma fenda estreita entre os dois traços uma 2. pregamos para frente os dois triângulos para vez aproximados, de modo que possamos receber constituir uma pirâmide triangular de base su- posteriormente as polias tendinosas (ver esquema c). penor; Também se devem perfurar alguns furos: 3. esta pirâmide está fixa: - furos circulares: passagem dos tendões cujos núme- - colando as lingüetas h e j sobre as superfícies ros correspondem ao esquema c; h' e j' (montagem definitiva); - furos circulares marcados com uma cruz: inserções - fixando a lingüeta k, que vai passar pelo espa- tendinosas; ço vazio entre h' e j'. dobrada por trás de k' e - cruz simples: fixação de faixas elásticas de lem- fixa por um grampo nos furos k e k' (modelo brança. desmontável);
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    1. MEMBRO SUPERIOR 293 - o polegar (peça C), após preparado pela dobra- circulares assinalados com uma cruz), passando a seguir diça do eixo 2 para trás (seta 1) e colado (seta 2) pelas "polias" preparadas nas falanges e os furos realiza- na parte da frente da peça B,fsobref', fazendo dos na base. Cada tendão tem um número em todo o seu com que os furos e as linhas do eixo 2 coinci- trajeto: dam. A seguir, colar este conjunto (seta 3) na 1. abdutor longo do polegar: fixo na peça B, mobili- pirâmide que suporta o polegar, unindo o verso za a trapézio-metacarpeana ao redor do seu eixo g' da peça B sobre a parte da frente g da peça principal (eixo 1); A, de tal forma que tanto os furos quanto as linhas do eixo 1 coincidam. 2. flexor próprio do polegar: fixo sobre a 2: falange, passa pelo sulco (2) da primeira falange na peça Deste modo, se realiza a articulação de tipo cardão B. Flexiona as duas falanges do polegar; de dois eixos 1 e 2 da trapézio-metacarpeana. 3. este "tendão" de direção transvt;rsal, fixo sobre o O esquema b mostra como se fixa a mão sobre a sua base, introduzindo-a na fenda central. primeiro metacarpo (3), e que desenha numa po- lia da palma da mão (3), é ao mesmo tempo equi- valente do adl1tor e do flexor curto; Utilização 4. flexor profundo do dedo indicador fixo sobre a Tal como está, este modelo permite entender por terceira falange do dedo indicador (4) e que passa mobilização passiva três características funcionais funda- através de três poÍias: flexiona totalmente o dedo mentais da mão: indicador; I. a escavação da palma da mão, por flexão das 5. este "tendão" de direção transversal, simétrico ao duas dobradiças longitudinais que simula os mo- 3, se fixa sobre uma cunha de 6 a 7 mm de espes- vimentos de oposição do 4.° e principalmente do sura (trapézio tracejado 5); se reflete na palma da 5.° metacarpo; mão sobre a polia 5, equivale ao oponente do de- do mínimo; 2. a ftexão oblíqua dos dedos, que os faz converger para a base da eminência terrar, graças à obliqÜi- 6. flexor profundo do dedo mínimo (o mesmo traje- dade cada vez mais acentuada dos eixos das inter- to, a mesma função que 04). falangeanas e das metacarpofalangeanas, quando Nota: Os ftexores do 3.° e do 4.° dedos não estão se dirige o dedo indicador em direção ao mínimo instalados com a finalidade de simplificar. apesar (exemplo de rotação cônica). Este fenômeno é re- de se poder fazer isto sem dificuldade; forçado pela oposição dos raios metacarpeanos internos (4.° e principalmente 5.° metacarpo); 7. este tendão não está visível no esquema. Trata-se do extensor longo próprio do polegar: se fixa na 3. a oposição do polegar: os três casos de rotação face dorsal de sua segunda falange no mesmo fu- plana, rotação cônica e rotação cilíndrica expostos ro que o ftexor próprio (os dois nós estão opostos). no texto podem se verificar aqui, considerando o passa pela polia 7 da face dorsal da sua primeira eixo I como eixo principal e o eixo 2 como eixo falange e logo após por um furo na peça B. secundário; deste modo, podemos comprovar que a flexão sllcessiva no eixo 2 e as duas outras arti- As polias podem ser construídas com facilidade me· culações do polegar (metacarpofalangeana e in- diante pequenas faixas de papelão de 6 mm de largura, su- terfalangeana) permitem realizar uma rotação ci- ficientemente flexíveis para poder penetrar num túnel; ca- líndrica da última falange do polegar que provoca da um dos seus extremos se passa de diante para trás pelas uma mudança de orientação sem que esteja mar- fendas realizadas nas peças A e C, e se cola sobre a sua fa- cada a flexão na trapézio-metacarpeana e sem que ce dorsal, depois de dobrar para o (em ômega). a rotação do primeiro metacarpeano sobre o seu A única exceção é a polia dupla 2-7 da peça C : é eixo longitudinal seja relevante. Podemos com- ventral para 2 e dorsal para 7 (dois ômegas invertidos um provar que sem a intervenção de nenhum jogo me- com relação ao outro). cânico nas articulações do polegar, é possível rea- lizar a oposição em "pequeno e grande trajeto" do No extremo de cada tendão podem se fazer rolos pa- dedo indicador até o mínimo com uma mudança ra passar os dedos, ou fixar anéis que permitam mobilizar os tendões com mais facilidade. de orientação da polpa do polegar que se corres- ponde rigorosamente com a realidade. Para estabilizar o polegar numa posição funcional, A flexão-pronação da interfalangeana e a da meta- podemos utilizar elásticos para manter os eixos 1 e 2 nu- carpofalangeana aparecem graças à obliqÜidade das do- ma posição média. bradiças. No caso do eixo 1, o elástico tem origem num dos furos el da peça B, se reflete no furo el da base da peça A Instalação dos "tendões" e se fixa de novo na peça B, no nível do outro furo e,- a posição média se obtém deslizando o elástico pelo furo da É possível animar este modelo instalando "tendões" peça A. Fixamos o elástico com um pouco de cola em ca- (esquema c). Estes são constituídos por um cordãozinho da extremo. Para estabilizar o eixo 2 entre os três furos bloqueado por um nó na sua inserção falangeana (furos marcados e2 nas peças B e C se realiza a mesma operação.
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    294 FISIOLOGIA ARTICULAR Para ter certeza de que o dedo indicador e o míni- de M. Quando a cola das falanges e do metacarpeano está mo voltem à exten"são, podemos colocar um elástico em bem seca, procedemos à montagem das articulações, co- tensão sobre a sua face dorsal, entre os furos 4 e 6 e ou- mo se indica no esquema 5: o eixo é constituído por um tros furos que se realizarão na face palmar da peça A. alfinete ou um arame fino, passando pelos furos de eixo Também neste caso é possível regular a tensão com um anteriormente perfurados. Porém, na articulação F/ F2 o pouco de cola. eixo de arame (um grampo de cabelo fino é bastante ma- leável) se dobra em forma de garfo de cada lado (esque- ma 7). Animação do modelo Enquanto as falanges se secam, podemos construir Graças aos tendões podemos realizar praticamente a base. Cortar a peça C, com as suas três fendas marca- todos os modelos da mão: das f e as suas dobradiças (seguindo o mesmo código); 1. escavação da palma da mão: puxando o tendão colar a lingüeta tracejada sobre o lado aposto de manei- 5 (a eficácia desta manobra depende da altura do ra que se forme uma espécie de chaminé com quatro lin- cuneiforme 5); güetas na base. Inspirando-se no esquema 6, colar por 2. flexão do dedo indicador e do mínimo mediante suas lingüetas de base. a chaminé sobre um quadrado de papelão de 6 x 6 cm, no seu centro, cortar um segundo tração dos tendões 4 e 6; quadrado de 6 x 6 e depois de esvaziar no centro um re- 3. animação do polegar tângulo com as dimensões exteriores do pé da chaminé, colar no primeiro quadrado encaixando-o sobre a chami- a) colocação do polegar no plano da palma da né (esquema 6). Uma vez constituída a base, encaixar o mão (mão plana: posição inicial da experiência metacarpeano (a chaminé, levemente cônica, se coloca de Sterling-Bunnel): puxando de forma equili- brada os tendões 7 e 3; com facilidade na base do metacarpeano). b) oposição polegar-dedo indicador: enquan- Resta construir e fixar, como se indica nos esque- to flexionamos o dedo indicador é necessá- mas em perspectiva 8 e 9, os diferentes tendões: com rio puxar simultaneamente os tendões 1. 3 e elásticos planos de 3-4 mm de largura (se encontram em 7: papelarias ou nas lojas de modelos de aviões): c) oposição polegar-dedo mínimo: enquanto tle- - o flexor comum profundo (FCP) se coloca com xionamos o dedo mínimo é preciso puxar si- facilidade como se indica no esquema 9, passan- multaneamente os tendões 1,3 e 4; do um elástico pelas três polias e fixando o extre- mo na face palmar de FJ mediante um alfinete ou d) oposição polegar-base do dedo mínimo: é uma fita adesiva; preciso puxar os tendões 1 e 2 e eventualmen- te o 3; - o flexor comum superficial (FCS), constituído e) oposição término-lateral polegar-dedo indi- por um elástico separado 2,5 cm no seu extremo cador: como no caso b), mas tlexionando mais (esquema 9), passa, a seguir, pelas duas primeiras o dedo indicador. polias, e logo as suas pontas se fixam nas faces laterais de F2 (ponto v); - o extensor comum (EC) é mais difícil de realizar Prancha III (esquema 8); podemos cortar longitudinalmente o elástico ou juntar três cabos de 1 mm com fios aos pontos p, q, r, S, t. Modelo de um dedo com as suas articulações e os seus tendões. De tas os três cabos estão colados. A partir de s se descola a expansão profunda Ep que se fixa na face Cortar com cuidado as quatro peças M, FI' F, e F] que representam o metacarpeano e as três falanges. dei- dorsal de FI (fixa com o alfinete). Novamente, de r a q com três cabos colados. A partir de q o cabo central fi- xando vazia a fenda lateral de M, FI e F2• Marcar as dobra- diças incidindo levemente com uma pequena faca, na par- gura a lingüeta mediana 1M que se fixa na face dorsal da te da frente sobre as linhas tracejadas e no verso sobre as base de F2' os dois cabos laterais representam as faixas linhas de pontos. Perfurar com uma agulha os passos do laterais BI que passam pelos grampos do eixo da articu- eixo no nível das cruzes. Uma vez dobrada em ângulo re- lação FI / F2 antes de se unir em p para, por último, se fi- to a face lateral esquerda, pregar e colar como se indica no xar na face dorsal de F]; esquema 1 a lingüeta da base das falanges (depositar a co- - os interósseos e lumbricais estão constituídos por la no canto da lingüeta). Dobrar a segunda face lateral co- duas partes diferentes: lando igualmente a lingüeta e colar a face palmar com a a) a expansão lateral El, constituída por um fino sua lingüeta para colar, tal como se indica no esquema 2. cordão amarrado firmemente na faixa lateral, Deste modo podemos dar forma e colar a polia de ~1, Fie antes dos grampos do eixo FI / F2, e que passa F, como se indica no esquema 3 (a lingüeta para colar de- pelos sulcos B e A; ve passar pela fenda antes de se colar no interior). Cortar as peças A e B, dobrar copiando do esquema 4 e colar nos b) o espaldão Es, localizado na face dorsal de FI seus correspondentes lugares, marcar A eB na face dorsal (esquema 8), fixos nas faces laterais de FI com
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    1. MEMBRO SUPERIOR 295 um alfinete que perfura o ponto u e que final- 3. ação de flexão do espaldão sobre FI quando se mente .passa pelo sulco A; relaxa ligeiramente o EC; - o ligamento retinacular (sem representação na 4. eficácia do FCS na flexão de F, aumentada pela prancha) : se bloqueia um fio apertado a cada la- sua posição superficial, que aumenta o seu ângu- do da expansão lateral do extensor no nível de F2, lo de ataque; o mais perto possível da articulação F3/ F2' O de- 5. "luxação" lateral das faixas laterais do EC no ní- do em extensão máxima, depois se fixa cada um vel da articulação FI / F" que ao distender o siste- dos fios com adesivos na polia de FI procurando que esteja moderadamente tenso e passe para ma extensor facilita a flexão de F3' Neste caso não existe sistema elástico dorsal para que retomem à diante do eixo FI / F2• sua posição dorsal o que se corresponde com uma Este modelo permite verificar praticamente todas as ruptura da aponeurose dorsal; , ações dos músculos motores dos dedos: 6. a função do ligamento retinacular: F2 e F3 flexio- 1. ação de extensão preferente do EC sobre FI; nados, se a tensão do fio é regulada corretamente, 2. ação de extensão preferente dos interósseos e lum- podemos comprovar que a extensão passiva de F2 bricais sobre F2e F, quando o EC é ineficiente; acarreta a extensão automática de F,.
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    PRANCHA 11 . I 7! I I O I . : I k"""""""""'~"""""""'~"~ O O I O O O i . 6 5 : 3 I 4 1 I . I I 2 O I 6 5 3 4 2 1
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    PRANCHA 11I F ' T II 11,. CD I (+fi+~ ~ 3 1II11111!111 <V~ A ~ FCS~CS ® Es ® FC - B ~ - ! I 11 ~ "/1 -.'~'''''J / : I I I I I I I I I I c --- -- - ---- - -- - - M ®