Jornalismo no Terceiro Setor
   Primeiro Setor: setor público (governo,
    repartições públicas etc)

   Segundo Setor: setor privado (indústria,
    comércio, serviços)

   Terceiro Setor: organizações privadas com
    interesse público
TERCEIRO SETOR:

- Trata-se de um setor que não é público nem privado, mas sim uma
junção do setor estatal e do setor privado para uma finalidade maior:
suprir as falhas do governo e do setor privado (empresariado)
no atendimento às necessidades da população, numa relação
conjunta.

- Composição: organizações com natureza privada, mas sem fins
lucrativos, e finalidade pública, sem controle direto do Estado.

- Atividades: práticas de filantropia e ações e projetos sociais.
NOVA ORDEM SOCIAL
• Com o prevalecimento do ideal neoliberalista e da concepção de “Estado mínimo”,
ocorre a falência do Estado de bem-estar social (Welfare State ), principal provedor de
serviços sociais e protetor dos cidadãos.

• Uma legião de excluídos e desassistidos, todos órfãos dos serviços do Estado (agora
em boa parte reduzidos, sucateados e ineficientes por conta da falta de investimento),
passa a clamar por ajuda.

• O Segundo Setor (privado), nesse momento, mostra sua verdadeira face: sua
indiferença e seu ímpeto concentrador de renda, com favorecimento das elites e
promoção da desigualdade e exclusão social.

• Segundo o sociólogo alemão Claus Offe, é nesse momento que a sociedade civil
(representada pelas ONGs, movimentos sociais e entidades ligadas a diferentes religiões
e setores sociais engajados) cria uma NOVA ORDEM SOCIAL: onde além do Estado e do
setor privado, um TERCEIRO SETOR voltado às carências sociais passa a ter papel
fundamental. Nessa nova ordem, tanto o setor público como o privado passam a
reconhecer a importância do atendimento das demandas sociais, e se mobilizam em
favor desse Terceiro Setor.
ELEMENTOS DEFINIDORES     DESCRIÇÃO
Foco                      Bem-estar público;
                          Interesse social
Questões centrais         Pobreza, desigualdade e exclusão
                          social
Entidades participantes   ONGs, associações, fundações,
                          entidades de assistência social,
                          educação, saúde, esporte, meio
                          ambiente, cultura, ciência e tecnologia,
                          entre outras várias organizações da
                          sociedade civil.

Nível de atuação          Comunitário e de base
Tipos de ações            De caráter associativo e voluntarista.
Cuidados
-Uma vez que o Estado e o setor privado tiveram o
entendimento da necessidade de colaborar com o Terceiro
Setor, até por serem cobrados devido a princípios inegociáveis
hoje como o da Responsabilidade social, investir no social,
em países com alta demanda como o Brasil, VIROU UMA
VERDADEIRA INDÚSTRIA.

- Para as empresas, investir no social virou estratégia de
Marketing e uma forma de, muitas vezes, obter benefícios
fiscais.
- Para muitas entidades do Terceiro Setor, investir no social
virou um negócio altamente lucrativo.
Cuidados...

- Setor que cresce consideravelmente a cada ano.

- Movimenta mais de um trilhão de dólares por ano em todo
o mundo e é a oitava economia mundial, se comparado ao
PIB dos países.

- No Brasil,10,9 bilhões anuais, de acordo com uma pesquisa
realizada pela empresa de consultoria Kanitz e Associados.

- Muita gente é beneficiada com empregos e projetos sociais,
mas muita verba também é desviada...
Cuidados...
-O pesquisador Wilson Bueno, especialista na análise crítica do conceito de
Responsabilidade social no âmbito empresarial, questiona, por exemplo, a
forma como o Instituto Ethos, uma das entidades mais reconhecidas do
Terceiro Setor pela defesa e promoção da Responsabilidade Social, premia as
empresas com iniciativas sociais.

- Esse instituto incorpora em seu quadro de associados um grupo bastante
heterogêneo, com intenções variadas, muitas delas, obrigatoriamente,
oportunistas e não legítimas, como representantes de grandes empresas que,
na prática, não estão nem aí para o social.

Diz Bueno: “muitas vezes, quando se olha para o Instituto Ethos, à procura
de Jesus, encontra-se Judas, sentado confortavelmente ao seu lado.”

Ou seja, o que a responsabilidade social que o Instituto Ethos proclama não tem
sintonia com as empresas que são comumente premiadas pelo instituto. Filme:
The Corporation.
Cuidados...
“Há, na verdade, uma diferença importante entre o que Souza Cruz , a Philip Morris, ou
mesmo a Monsanto (um exemplo "magnífico" de cidadania, à luz deste conceito flexível,
porque produz transgênicos que, segundo seu discurso, estão associados à saúde da
população e podem, inclusive, salvar o mundo da fome!) costumam dizer por aí e o que,
efetivamente, se pode entender por responsabilidade social. Na medida em que o Instituto
Ethos chancela esta hipocrisia, o conceito vai ralo abaixo.
Uma empresa cujos produtos matam milhões de pessoas e tornam doentes outros milhões;
ou uma empresa cujos produtos são responsáveis por um número impressionante de mortes
por acidentes de trânsito e pelo aumento da violência familiar, podem, à luz de qualquer
conceito de responsabilidade social, aspirar à condição de cidadãs? Para o Instituto Ethos,
refém do conceito que administra, isso é possível, o que nos coloca, então, num dilema fatal:
então que organização não é socialmente responsável? Se até quem mata com os produtos
que fabrica (e os divulga com cinismo e recursos milionários) pode proclamar-se
socialmente responsável, legitimando-se com a divulgação do Instituto Ethos, então
voltamos à estaca zero. O conceito de responsabilidade social é apenas uma ficção, não é
íntegro” (WILSON BUENO)
O JORNALISMO NO TERCEIRO SETOR

- Em função desse quadro, o primeiro conselho aos jornalistas
que cobrem o Terceiro Setor é a necessidade de um
posicionamento crítico.

- Aos que desejam atuar em veículos segmentados de ONGs
e outras entidades, nem tudo está perdido: apesar dos
vários exemplos negativos, há gente séria trabalhando na
área, que realmente busca o bem social.
FONTES

•Responsabilidade Social & Cidadania Empresarial, de Francisco Paulo
de Melo Neto
•Comunicação Empresarial: teoria e pesquisa, de Wilson da Costa
Bueno

Jornalismo no terceiro setor

  • 1.
  • 2.
    Primeiro Setor: setor público (governo, repartições públicas etc)  Segundo Setor: setor privado (indústria, comércio, serviços)  Terceiro Setor: organizações privadas com interesse público
  • 3.
    TERCEIRO SETOR: - Trata-sede um setor que não é público nem privado, mas sim uma junção do setor estatal e do setor privado para uma finalidade maior: suprir as falhas do governo e do setor privado (empresariado) no atendimento às necessidades da população, numa relação conjunta. - Composição: organizações com natureza privada, mas sem fins lucrativos, e finalidade pública, sem controle direto do Estado. - Atividades: práticas de filantropia e ações e projetos sociais.
  • 4.
    NOVA ORDEM SOCIAL •Com o prevalecimento do ideal neoliberalista e da concepção de “Estado mínimo”, ocorre a falência do Estado de bem-estar social (Welfare State ), principal provedor de serviços sociais e protetor dos cidadãos. • Uma legião de excluídos e desassistidos, todos órfãos dos serviços do Estado (agora em boa parte reduzidos, sucateados e ineficientes por conta da falta de investimento), passa a clamar por ajuda. • O Segundo Setor (privado), nesse momento, mostra sua verdadeira face: sua indiferença e seu ímpeto concentrador de renda, com favorecimento das elites e promoção da desigualdade e exclusão social. • Segundo o sociólogo alemão Claus Offe, é nesse momento que a sociedade civil (representada pelas ONGs, movimentos sociais e entidades ligadas a diferentes religiões e setores sociais engajados) cria uma NOVA ORDEM SOCIAL: onde além do Estado e do setor privado, um TERCEIRO SETOR voltado às carências sociais passa a ter papel fundamental. Nessa nova ordem, tanto o setor público como o privado passam a reconhecer a importância do atendimento das demandas sociais, e se mobilizam em favor desse Terceiro Setor.
  • 5.
    ELEMENTOS DEFINIDORES DESCRIÇÃO Foco Bem-estar público; Interesse social Questões centrais Pobreza, desigualdade e exclusão social Entidades participantes ONGs, associações, fundações, entidades de assistência social, educação, saúde, esporte, meio ambiente, cultura, ciência e tecnologia, entre outras várias organizações da sociedade civil. Nível de atuação Comunitário e de base Tipos de ações De caráter associativo e voluntarista.
  • 6.
    Cuidados -Uma vez queo Estado e o setor privado tiveram o entendimento da necessidade de colaborar com o Terceiro Setor, até por serem cobrados devido a princípios inegociáveis hoje como o da Responsabilidade social, investir no social, em países com alta demanda como o Brasil, VIROU UMA VERDADEIRA INDÚSTRIA. - Para as empresas, investir no social virou estratégia de Marketing e uma forma de, muitas vezes, obter benefícios fiscais. - Para muitas entidades do Terceiro Setor, investir no social virou um negócio altamente lucrativo.
  • 7.
    Cuidados... - Setor quecresce consideravelmente a cada ano. - Movimenta mais de um trilhão de dólares por ano em todo o mundo e é a oitava economia mundial, se comparado ao PIB dos países. - No Brasil,10,9 bilhões anuais, de acordo com uma pesquisa realizada pela empresa de consultoria Kanitz e Associados. - Muita gente é beneficiada com empregos e projetos sociais, mas muita verba também é desviada...
  • 8.
    Cuidados... -O pesquisador WilsonBueno, especialista na análise crítica do conceito de Responsabilidade social no âmbito empresarial, questiona, por exemplo, a forma como o Instituto Ethos, uma das entidades mais reconhecidas do Terceiro Setor pela defesa e promoção da Responsabilidade Social, premia as empresas com iniciativas sociais. - Esse instituto incorpora em seu quadro de associados um grupo bastante heterogêneo, com intenções variadas, muitas delas, obrigatoriamente, oportunistas e não legítimas, como representantes de grandes empresas que, na prática, não estão nem aí para o social. Diz Bueno: “muitas vezes, quando se olha para o Instituto Ethos, à procura de Jesus, encontra-se Judas, sentado confortavelmente ao seu lado.” Ou seja, o que a responsabilidade social que o Instituto Ethos proclama não tem sintonia com as empresas que são comumente premiadas pelo instituto. Filme: The Corporation.
  • 9.
    Cuidados... “Há, na verdade,uma diferença importante entre o que Souza Cruz , a Philip Morris, ou mesmo a Monsanto (um exemplo "magnífico" de cidadania, à luz deste conceito flexível, porque produz transgênicos que, segundo seu discurso, estão associados à saúde da população e podem, inclusive, salvar o mundo da fome!) costumam dizer por aí e o que, efetivamente, se pode entender por responsabilidade social. Na medida em que o Instituto Ethos chancela esta hipocrisia, o conceito vai ralo abaixo. Uma empresa cujos produtos matam milhões de pessoas e tornam doentes outros milhões; ou uma empresa cujos produtos são responsáveis por um número impressionante de mortes por acidentes de trânsito e pelo aumento da violência familiar, podem, à luz de qualquer conceito de responsabilidade social, aspirar à condição de cidadãs? Para o Instituto Ethos, refém do conceito que administra, isso é possível, o que nos coloca, então, num dilema fatal: então que organização não é socialmente responsável? Se até quem mata com os produtos que fabrica (e os divulga com cinismo e recursos milionários) pode proclamar-se socialmente responsável, legitimando-se com a divulgação do Instituto Ethos, então voltamos à estaca zero. O conceito de responsabilidade social é apenas uma ficção, não é íntegro” (WILSON BUENO)
  • 10.
    O JORNALISMO NOTERCEIRO SETOR - Em função desse quadro, o primeiro conselho aos jornalistas que cobrem o Terceiro Setor é a necessidade de um posicionamento crítico. - Aos que desejam atuar em veículos segmentados de ONGs e outras entidades, nem tudo está perdido: apesar dos vários exemplos negativos, há gente séria trabalhando na área, que realmente busca o bem social.
  • 11.
    FONTES •Responsabilidade Social &Cidadania Empresarial, de Francisco Paulo de Melo Neto •Comunicação Empresarial: teoria e pesquisa, de Wilson da Costa Bueno