MARÇO DE 2008 | JORNAL DO SINTUPERJ 1
2008:2008: o ano do reajusteo ano do reajuste
Jornal do Sindicato dos Trabalhadores das Universidades Publicas Estaduais - RJ
Ano III - Nº 13 - Março de 2008
Campanha
Salarial:
nem mais um
ano sem reajuste
Aula inaugural
do pré-vestibular
debate
América Latina
Convenção 151
garante direito
à negociação
coletiva
Em entrevista,
Iná Meireles fala
sobre a mulher,
a saúde e a UERJ
33 55 77 88
Reposição imediata da defasagem salarial, hoje, em torno de
Regulamentação do adicional noturno
Restituição dos descontos do Rio-Previdência
Autonomia das universidades UERJ/UENF
com financiamento público pleno e especial atenção ao Hupe
Melhores condições de trabalho
Contra as Fundações de Direito Privado
Implantação total do Plano de Carreira
Pagamento de todos os precatórios da Uerj
Participação nas lutas gerais dos trabalhadores
65%
JORNAL DO SINTUPERJ | MARÇO DE 20082
O Sindicato
precisa de você
Luta continua na
Justiça pela devolução
de cobranças indevidas
EXPEDIENTE: JORNAL DO SINTUPERJ
deu ganho de causa ao Estado.
Entenderam que não houve cobrança
abusiva de tarifa pelo Banerj.
3. A Anacont entrou com recurso
especial pedindo que a matéria seja
apreciada pelo Superior Tribunal de
Justiça (STJ).
4. O envio do recurso ao STJ está a
cargo do desembargador titular da
3ª Vice-Presidência do Tribunal de
Justiça Estadual, a quem cabe fazer
o chamado juízo de admissibilidade.
Com base na lei processual civil, o
desembargador impôs à Anacont
o pagamento de multa, incidente
sobre o valor da causa, para proceder
a remessa do Recurso.
5. Como se trata de multa de alto valor,
a Anacont ingressou com o agravo
de instrumento no STJ pedindo o
cancelamento da multa para que seja
possível a remessa do recurso.
No momento, a Anacont espera
que o ministro do STJ, designado para
julgar o agravo de instrumento, cancele
a multa e receba a ação, possibilitan-
do o seu julgamento. O segundo passo
desejado é que os juízes da Suprema
Corte restabeleçam a decisão da primeira
instância. Ou seja: que houve cobrança
abusiva de tarifa pelo BANERJ.
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Tiragem: 4.000 exemplares - Fechamento: 03/03/2008
O
ano de 2008 iniciou-se de forma
positiva para os servidores da UERJ.
Em janeiro, após muita pressão do
Sindicato, o governo finalmente pagou o
enquadramento por titulação das parcelas
referentes ao ano de 2007 e ao décimo
terceiro. O pagamento, de certa forma,
trouxe um relativo alívio financeiro para
aproximadamente 1.300 servidores que o
receberam. Ainda faltam as parcelas de
julho a dezembro de 2006, que, segundo o
reitor, estão previstas para serem pagas em
folha suplementar no mês de abril.
Cabe ressaltar, também, o trabalho in-
cansável de parte da bancada dos servidores
técnico-administrativos
no Conselho Universitá-
rio, juntamente com o
apoio do conjunto dos
trabalhadores da Uni-
versidade na obtenção
desta vitória.
Outra boa notícia
refere-se ao precatório
do auxílio-alimentação
(atrasadinho) dos ser-
vidores do Campus/
Uerj: segundo o SAAE,
pagamento deverá ser
feito nos próximos dias
e cerca de 2.077 servidores serão contem-
plados. Estas vitórias demonstram o bom
momento em que vivemos e reforçam a
máxima da atual direção do Sintuperj:
“Quem luta, Conquista!”
Campanha Salarial
Este ano promete ser bem agitado.
Estamos iniciando a campanha salarial de
2008 e necessitamos intensificar as nossas
forças, ampliando a pressão e unidade para
alcançar e avançar em nossos objetivos. O
governo precisa reconhecer a nossa impor-
tância e valorizar o nosso trabalho, com a
correção imediata dos nossos salários. Hoje,
nossas perdas salariais alcançam o enorme
índice de 65%, a contar do último reajuste
que foi em abril de 2001.
VI Congresso
No mês de maio, estaremos realizando
nosso VI Congresso, com o tema “ Autono-
mia Universitária e o Papel do Movimento
Sindical”, temática de extrema relevância
para toda comunidade universitária. Ainda
neste ano, ocorrerão as eleições dos nossos
representantes para os órgãos superiores
da Uerj. A participação nestes importantes
espaços políticos da universidade exige,
de fato, representantes dispostos à luta e,
principalmente, ao diá-
logo. A implantação do
Plano de Cargos e Car-
reiras foi uma demons-
tração do que é possível
quando se tem bons
representantes. Temos
muitas batalhas à nossa
frente. Algumas já estão
sendo travadas com a
nova reitoria como, por
exemplo, a retomada
do acordo coletivo e a
inclusão de servidores
técnico-administrativos
no Conselho de Ensino e Pesquisa (CSEP).
Saíremos vitoriosos em todas as nos-
sas lutas se tivermos muita determinação
e unidade na ação. Portanto, precisamos
aumentar nossa organização, mobilização e
participação. Sua presença nas assembléias
e atos é fundamental para alcançarmos o
nosso reajuste e a implantação total do
nosso Plano de Cargos e Carreiras!
Como dizia o cantor Gonzaguinha:
“Eu ponho fé é na fé da moçada que não
foge da fera e enfrenta o leão”
Até a vitória!
Diretoria Executiva
O Sindicato sem
o trabalhador
é vazio.
Sem a sua
participação
nada se
resolve.
Em 1999, a Associação Nacional
de Defesa do Consumidor e Trabalhador
(Anacont) abriu um processo na justiça
contra o governo estadual exigindo a
devolução de tarifas cobradas indevida-
mente na conta-vencimento dos servido-
res do Estado.
Nessa mesma ocasião, o Sintuperj
propôs uma ação similar representando
um grande grupo de associados. Porém,
como a Anacont fora a primeira entidade
a reivindicar a cobrança, as ações patro-
cinadas pelo Sintuperj foram remetidas
para a Vara de Fazenda Pública, onde
também está a ação da Anacont.
Desde então, a Anacont, na qua-
lidade de entidade de defesa do consu-
midor reconhecida pelo poder público,
passou a representar todos os servidores
que tinham conta-corrente no Banerj na
ocasião da cobrança das taxas.
1. A ação teve decisão favorável à Ana-
cont em primeira instância.
2. Como se trata de cobrança judicial
contra a Fazenda Pública, é obri-
gatório o reexame da matéria em
segunda instância. O colegiado de
segunda instância, composto por três
desembargadores, em voto unânime,
FOTO:AGÊNCIABRASIL
Nossa Opinião
Seus Direitos
Retratos da Vida
Ação Banerj
Como está o andamento da ação
MARÇO DE 2008 | JORNAL DO SINTUPERJ 3
Campanha Salarial:
Nossa Luta
2008 é o ano do reajuste
Nossa perda salarial, acumulada nos últimos sete anos,
está em torno de 65%. Nós já decidimos que queremos mudar
este quadro. Mas, só querer não é suficiente. Precisamos agir
conjuntamente para conquistar nossas reivindicações.
Além da questão salarial, temos outras reivindicações
que já foram apresentadas ao governador Sérgio Cabral
e não receberam resposta.
No dia 12 de fevereiro, o Sintuperj, a Asduerj e o DCE enviaram
novo ofício ao governador no qual foi reafirmada a solicitação
de uma reunião.
As entidades cobram o cumprimento de promessa feita pelo
governador, em 17 de janeiro, durante visita à universidade.
Na ocasião, Cabral se comprometeu a marcar uma reunião para
negociar a pauta de reivindicações. Assim como conquistamos o
pagamento da titulação, podemos conquistar muito mais.
Nós não podemos e não vamos ficar esperando.
Nas diversas vezes em que esteve na universidade, o governador
Cabral afirmou que a Uerj é a “jóia da coroa”. Está na hora de
mostrar que, de fato, essa afirmação é verdadeira.
Para o Sintuperj, 2008 é o ano do reajuste, condição
fundamental para a valorização dos trabalhadores
da universidade. Isso foi reforçado na sessão do Conselho
Universitário do dia 29 de fevereiro, quando o professor
Marcos Fernandez lamentou a saída de servidores para outras
instituições para exercerem as mesmas funções,
com salários bem melhores.
A vitória de nossa campanha salarial de 2008 será
alcançada com a participação de todos. A força
de nossa categoria e a disposição de luta serão
as bases da conquista do reajuste salarial.
Exigimos REAJUSTE JÁ!
Sim, 7 anos sem reajuste. Nós, trabalhadores, não agüentamos mais.
Mas se depender do governo vamos ficar a ver navios mais uma vez.
Por isso, temos que ter claro que contamos com nossa força,
com nossa união e mobilização.
Só assim, garantiremos que, em 2008,
alcançaremos nossos objetivos.
todos juntos nesta luta
Essas são as reivindicações básicaspara o ano de 2008 que o nosso Sindicatoapresentou ao governador.
O que nós queremos
Reposição imediata da defesagem salarial.Nosso último reajuste foi em abril de 2001.Nossa perda salarial, hoje, ultrapassa os 65%.Pagamento dos processos TRT em fase de precatórios.Regulamentação do adicional noturno, através de lei,suspenso desde 1999.
Pela implantação total do PCC.
Pagamento integral da Titulação do Plano de CarreirasRestituição de descontos do Rio-Previdência.
Pagamento das dívidas trabalhistas da UENFcom os servidores.
Pagamento dos adicionais de periculosidadee insalubridade para os trabalhadores da UENF.Condições dignas de trabalho nas universidadescom destaque para os trabalhadores do campo, na UENF.Contra as Fundações de Direito Privado.
Autonomia das universidades UERJ/UENFcom financiamento público pleno,com especial atenção ao Hupe.
Abertura imediata de concursos públicos.
JORNAL DO SINTUPERJ | MARÇO DE 20084
A criação do Fórum em defesa
da saúde pública e contra as fundações
foi a maneira encontrada pelo
movimento social para lutar contra
o projeto de lei que cria as fundações
estatais de direito privado.
O
projeto do governo estadual prevê
a criação de três fundações para
gerir 24 unidades hospitalares.
Estes hospitais, hoje, são administrados
pelo próprio Poder Público. A lei nº 5.164,
que cria as fundações, já foi aprovada pela
Assembléia Legislativa do Estado Rio.
Em reunião, realizada no dia 18
de fevereiro, os participantes decidiram
entrar com uma ação direta de inconsti-
tucionalidade (ADIN) contra o projeto das
Fundações de Direito Privado.
O Fórum foi criado, em 2007, por
centrais sindicais, sindicatos, representan-
tes de conselhos estaduais e municipais
de saúde, representantes de projetos de
pesquisa universitária e diversas outras en-
tidades. Seu objetivo é unificar as reivindi-
cações dos servidores públicos estaduais.
N
o dia 13 de fevereiro, coordena-
dores do Sintuperj se reuniram
com os trabalhadores do campus
de Nova Friburgo (IPRJ) para discutir
questões gerais e específicas da cate-
goria. Campanha salarial, pagamento
da titulação, precatórios e plano de
carreira foram os temas mais debatidos.
Na ocasião, foi apresentada a reivindi-
cação de se abrir um posto do DESSAÚDE
na unidade para garantir, pelo menos,
os primeiros socorros a trabalhadores e
estudantes.
Na reunião, a direção do sindicato
O
Hospital Universitário Pedro Er-
nesto não passa por bons momentos.
Vários são os seus problemas: falta
de material de consumo, roupas, alimentos.
O número de trabalhadores só diminui por
recebeu informações sobre as obras de re-
cuperação da estrada e do muro principal
da entrada da unidade. Além das obras
estarem em ritmo lento, os salários dos
trabalhadores terceirizados estão sendo
pagos com atraso.
O Sintuperj vai cobrar da reitoria
soluções imediatas para a instalação de
um posto avançado naquela unidade, o
pagamento dos salários atrasados e maior
agilidade na conclusão das obras. Vale
lembrar que no dia 4 de janeiro comple-
tou um ano do desabamento de parte da
estrada e do muro.
A Diretoria do Sindicato dos Trabalhado-
res das Universidades Públicas no Estado
do Rio de Janeiro - SINTUPERJ - convoca
todos os trabalhadores de sua base para
o VI Congresso da Entidade com o tema
“Autonomia Universitária e o Papel do
Movimento Sindical”, em caráter extra-
ordinário, que se realizará nos dias 06 ,
07 e 08 de maio, das 08 às 19 horas, no
Campus Uerj Maracanã, situado à Rua
São Francisco Xavier nº 524 - Maracanã
- RJ. O Congresso terá como pauta os
seguintes temas: Conjuntura Interna-
cional e Nacional; Organização Sindical;
Plano de Carreiras, Saúde e Segurança
no Trabalho; Gênero e Etnia; Alterações
Estatutárias e Plano de Lutas.
RJ, 23 de fevereiro de 2008.
Diretoria Executiva Sintuperj
(Publicado na Tribuna da Imprensa
nos dias 23 e 24 /02/2008)
O dia 7 de abril, foi escolhido
para o lançamento de uma
campanha em defesa do serviço
público e contra as fundações. No
Rio, a partir das 15h, na Alerj
haverá um ato público seguido
de debate com convidados.
Educação,Educação,
A diretoria do Sintuperj
comemora o sucesso da
entrega do Kit-Educação
aos servidores sindicalizados.
Os Kits mais procurados foram
os destinados ao ensino
fundamental e médio.
A distribuição do kit-escolar
foi retomada no ano passado.
O objetivo do Sintuperj com esta
decisão é incentivar seus associados
e familiares a manterem-se
na escola. Sabemos como é difícil,
no início de cada ano, a compra
do material escolar.
Para o Sindicato, o acesso
à educação é direito de todos.
“Educação Cidadã para uma
Cidade Educadora III” é o tema
da terceira edição do Fórum
Mundial de Educação (FME).
O evento será realizado
novamente na cidade de Nova
Iguaçu, na Baixada Fluminense,
Estado do Rio de Janeiro, de
27 a 30 de março. Participar
deste encontro é somar-se
à luta mundial em defesa
do direito à educação.
Em 2006, o Fórum reuniu 30 mil
educadoras e educadores,
militantes sociais, jovens e
delegados de mais de 25 países.
Serão realizadas palestras,
mesas-redondas, apresentações
de trabalho e atividades auto
gestionadas.
AS INSCRIÇÕES,
podem ser feitas diretamente na
Secretaria do Fórum até
o dia 27 de março.
Mais informações pelo telefone
2667-1086 ou pelo e-mail:
fmeni@forummundialeducacao.
org ou na página:
www.forummundialeducacao.org
Kit-educação:
do pré-escolar
ao nível superior
III Fórum
Mundial de Educação
de 27 a 30 de março
Sindicato se reúne com trabalhadores,
debate problemas e comemora conquista
Velhos problemas atormentam servidores
Fórum em defesa
da saúde pública
e contra as fundações
Ronda nos Campi
IPRJ - Friburgo
HUPE
Em Movimento
um direito
de todos
Edital de convocação
do VI Congresso
do SINTUPERJ
O Dia Internacional
da Saúde
Linha de ônibus está circulando
Mas não só de problemas vive o IPRJ.
Os trabalhadores do campus comemoram
a conquista da reivindicação, feita pelo
Sintuperj à reitoria, para o funcionamento
de uma linha de ônibus que circulasse no
campus. A linha está operando em regime
de integração, ou seja, um servidor do IPRJ
pode dirigir-se do seu local de trabalho para
qualquer parte de Nova Friburgo, pagando
apenas uma passagem.
Esta vitória só foi possível devido à
luta e à unidade dos servidores! Venha para
a luta e fortaleça o seu sindicato!
conta das aposentadorias e há muito tempo
não são realizados concursos públicos.
O Sintuperj, em todas as reuniões e
na pauta de reivindicações entregue ao
governo, tem cobrado concurso público
para servidores efetivos e melhorias na
infra-estrutura. Foi solicitada uma reunião
com a nova direção do Hupe, mas até o
fechamento desta edição, a data não havia
sido marcada.
MARÇO DE 2008 | JORNAL DO SINTUPERJ 5
América Latina
Para Maringoni, a valorização do
privado em contraposição ao público não
se deu apenas no setor de e-ducação. “É
parte das reformas ne-
oliberais que passaram
a ser implementadas
no mundo a partir da
década de 80 e que
foram responsáveis
por grandes transfor-
mações na América
Latina”. O jornalista,
que esteve na Vene-
zuela e é autor do livro
“A Venezuela que se
inventa”, falou sobre
a situação específica
daquele país. Didático,
Maringoni tratou de quase 30 anos da his-
tória da Venezuela. Voltou a 1983. Naquele
ano, uma crise fiscal do Estado, aliada à
queda dos preços do petróleo no mercado
internacional, levou o país a uma grande
instabilidade.
1989: Caracazo
Em seguida, relatou os episódios que
levaram, em 1989, ao Caracazo, a revolta
popular fortemente reprimida. Estima-se
em 1,5 mil o número de mortos. Ela foi
fruto da insatisfação popular com o acordo
entre o presidente Carlos Andrés Pérez e
o FMI que triplicou o preço da gasolina.
Em 1992, entra em cena o tenente-
coronel Hugo Chávez, como líder de uma
tentativa de sublevação militar que se
propunha a mudar os rumos do país.
Derrotado, aceita se
entregar em troca de
uma fala na rádio e
na televisão, na qual
afirmou: “por enquan-
to, ainda não conse-
guimos fazer as mu-
danças”. Pouco tempo
depois, uma pesquisa
constatou que Chávez
era a personalidade
mais querida e popu-
lar do país e símbolo
do descontentamento
popular.
Chávez presidente
“Em 1998, Hugo Chávez é eleito
presidente e começa a fazer várias
reformas sociais, como a mudança na
estrutura agrária, o fortalecimento do
Estado e a apropriação da riqueza petro-
leira como um bem público e não fonte
de renda para as classes dominantes. As
elites passam a atacá-lo mundialmente
através dos meios de comunicação”,
afirma Maringoni. O recente referendo
que impôs uma derrota ao presidente em
sua proposta de reforma constitucional é
vista pelo jornalista “como uma etapa no
processo de transformação da Venezuela
a serviço do povo trabalhador”. A platéia
participou com perguntas, garantindo o
aprofundamento do tema e extraiu de
nosso palestrante informações relevantes
sobre o processo político na América La-
tina e, em especial, na Venezuela.
Dez anos de Pré-vestibular
Em 2008, o Pré-vestibular do
SINTUPERJ comemora dez anos de
existência. A aula inaugural foi a
primeira de uma série de ativida-
des que o Sindicato vai realizar
durante o ano.
A comemoração será em dobro
devido ao grande número de aprova-
dos para as Universidades Públicas.
Os estudantes que irão ingressar no
nível superior foram homenageados
e deram seus depoimentos aos novos
alunos do pré. Ressaltaram a qualidade
do trabalho e a importância da dedicação
para o êxito em seus objetivos.
A aula inaugural da nova turma
do Pré-vestibular do SINTUPERJ
para 2008 reuniu cerca de 150
pessoas, entre estudantes,
professores e convidados
no último dia 11 de fevereiro,
no Auditório 13.
O jornalista e cientista político,
Gilberto Maringoni, proferiu
a palestra “Mudanças na América
Latina: o caso da Venezuela”.
Antes, na abertura da cerimônia,
os novos alunos foram apresentados
aos professores e à direção
do Sindicato.
“O clima foi de muita empolgação”,
conta Alberto Dias Mendes,
da Coordenadoria de Formação
e Relação Sindical.
N
a palestra, Maringoni defendeu
com firmeza a universidade pú-
blica. Denunciou a propaganda
feita pela mídia com o objetivo de in-
Aula inaugural do pré-vestibular
discute América Latina
Notícias do SINTUPERJ
Universidade pública: um patrimônio a ser defendido
cutir nas pessoas a idéia de que o que é
público é ruim, e o que é privado é bom.
“Desta maneira, tira-se das pessoas o
sentimento de direito ao serviço público”.
O jornalista traçou um quadro histórico
da universidade brasileira, destacando a
sua transformação de espaço exclusivo da
elite que, ao longo do tempo foi sendo
ocupado também pelos filhos dos traba-
lhadores. “É preciso fortalecer o espaço
público e, por isto, chamo os alunos que
estão entrando neste Pré-vestibular a par-
ticipar da luta em defesa da universidade
pública”, afirmou.
Debate com Maringoni. Em destaque, alunos aprovados no vestibular 2008
Pré-vestibular
do Sintuperj
aprova grande
número
de alunos nas
universidades
públicas
A mídia procura
incutir nas
pessoas a idéia
de que tudo o que
é público é ruim
e tudo o que é
privado é bom
FOTOS:ARQUIVOSINTUPERJ
JORNAL DO SINTUPERJ | MARÇO DE 20086
Autonomia universitária, periculosidade, insalubridade
e espaço para a Delegacia Sindical foram os temas da reunião
O
Sintuperj se reuniu com o reitor
da Universidade Estadual do Norte
Fluminense (UENF), Almy Junior
Cordeiro de Carvalho,
na manhã da sexta-
feira, dia 15. A auto-
nomia e o financia-
mento público foram
os principais pontos
da pauta da reunião.
Para Carvalho, ela é
decisiva para que pro-
jetos que beneficiem a
universidade possam
ser implementados
com maior rapidez e
eficiência. “Sem au-
tonomia da gestão
política e financeira, o Conselho Uni-
versitário aprova um orçamento que,
depois, é cortado pelo governo estadu-
al”, afirmou.
O que quer o Sintuperj
Os representantes do Sintuperj na
reunião disseram que a autonomia uni-
versitária é uma das bandeiras de luta
do Sindicato. Além das atividades que
vem desenvolvendo, o Sindicato pretende
organizar, em conjunto com as universi-
dades e entidades, seminários específicos
sobre o tema, com a participação da
sociedade.
“A política de
cortes no orçamento
das universidades tem
como resultado a pre-
carização, a falta de
concursos, os salários
atrasados e defasados,
as dívidas trabalhistas.
Com essa preocupação,
o Sintuperj buscou a
conversa com o reitor,
para tratar de ques-
tões específicas dos
servidores da UENF”,
explica o coordenador-geral do Sintuperj,
José Arnaldo Gama.
A direção do Sintuperj apresentou
ao reitor importantes reivindicações
para os servidores da UENF: a necessi-
dade de um espaço físico próprio para o
funcionamento da delegacia sindical na
universidade, o pagamento do processo
de periculosidade e insalubridade, já
decidido judicialmente, e a questão da
precarização do trabalho. O Sindicato
O 8 de Março
na UERJ
Cortes no
orçamento têm
como resultado
a precarização
do trabalho e a
desvalorização
dos servidores
também tratou de um processo que é mo-
vido pela UENF contra o Sintuperj, devido
a uma faixa colocada no campus.
Quanto ao espaço físico, o reitor
disse que a reivindicação é justa e que
se dispõe a buscar soluções em conjunto
com as entidades. Sobre o pagamento das
dívidas trabalhistas e da periculosidade,
cobrado pelo Sintuperj, afirmou que
aguarda liberação de verbas.
A visita
A reunião, inicialmente, estava marca-
da para acontecer na própria universidade,
em Campos. Devido a problemas na agenda
do reitor, que teve de vir ao Rio na mesma
data para reunião no Palácio Guanabara,
foi transferida, por solicitação dele, para o
SINTUPERJ. Carvalho estava acompanhado
do secretário-geral da Reitoria, professor
Antonio T. do Amaral Jr.
O
Sintuperj promove no dia
sete de março, às 13h, o
debate “O papel e a luta
das mulheres no período da
ditadura”, em comemoração ao
Dia Internacional da Mulher. O
evento acontece no auditório
11, do campus Maracanã. O
objetivo é discutir a atuação
das mulheres na luta contra a
Ditadura Militar.
Para debater o tema fo-
ram convidadas a professora
Lená Medeiros (UERJ/SR-1),
Luiza Miriam (Grupo Tortura
Nunca Mais), professora Cecí-
lia Scmubsky (Pré-vestibular
do Sintuperj) e a médica Iná
Meireles (Hupe/Asduerj).
No mesmo dia, na parte
da manhã, o Sindicato vai pre-
sentear as servidoras da UERJ,
no campus do Maracanã e no
Hospital Universitário Pedro
Ernesto, com a cartilha “Origem
e significado do 8 de março”.
A publicação conta a his-
tória da data e traz uma crono-
logia das lutas do 8 de março,
no Brasil e no mundo. Jun-
tamente com a cartilha serão
distribuídas flores como forma
de homenagear todas as com-
panheiras.
Na década
de 60, as mulheres
estadunidenses
e européias
haviam descoberto
a pílula e as mulheres
do terceiro mundo
a metralhadora nas
guerrilhas lado a lado
com os homens
Sintuperj se reúne com reitor
e cobra melhorias
Notícias do SINTUPERJ
UENF
Você já ouviu falar na Lei nº 11.340,
batizada de Lei Maria da Penha? É uma
lei muito importante para as mulheres.
Ela está em vigor desde 7 de agosto de
2006 e cria mecanismos para coibir e
prevenir a violência doméstica e fami-
liar contra a mulher.
A lei aumenta as punições contra o
agressor e permite que o mesmo seja
preso em flagrante. Também dispõe
sobre o fim das penas pecuniárias, nas
quais a condenação era o pagamento
de multas ou cestas básicas.
A legislação prevê ainda proteção à
mulher em situação de violência ou
risco de vida, que vai desde a separa-
ção à restituição de bens. No âmbito
da assistência social, está previsto a
inclusão da mulher nos programas as-
sistenciais do governo federal, estadual
e municipal.
Conheça
a Lei Maria da Penha
Rosalina, Arnaldo e o reitor da UENF, Almy de Carvalho
FOTO:ARQUIVOSINTUPERJ
MARÇO DE 2008 | JORNAL DO SINTUPERJ 7
Saída de Fidel não interromperá
socialismo em Cuba
Fique Atento
Por dentro do Mundo
N
o dia 19 de fevereiro, aos 81 anos,
o líder da revolução cubana, Fidel
Castro, declarou que não aceitaria
uma reeleição decidida pelo Parlamento.
A notícia causou alvoroço no mundo
inteiro. E a mídia fez a festa. Uma torcida
desenfreada pelo fim da experiência socia-
lista em Cuba.
Na opinião do jornalista Ignácio
Ramonet, “o fato dele se afastar em vida
irá ajudar a assegurar uma transição em
paz. O povo cubano agora aceita que o
país ainda pode ser conduzido no mesmo
caminho, mas por um time diferente. Há
um ano e meio, eles estão se acostumando
com a idéia “.
O Jornal do Sintuperj reproduz,
nesta edição, entrevista feita pelo repór-
ter Jorge Pereira, do Jornal Brasil de Fato,
com o sociólogo e professor da UERJ, Emir
Sader.
Segundo Sader, embora muito se es-
pecule na mídia corporativa a respeito de
uma suposta queda do socialismo na ilha
sem a figura de Fidel Castro, pouco mudará
na prática. “Ele já não é dirigente político
da revolução. A transição foi feita no marco
da sociedade socialista”, afirma.
Para o Sintuperj, Fidel Castro é um
dos maiores dirigentes revolucionários da
história mundial.
Brasil de Fato: Qual o significado da re-
núncia do presidente Fidel Castro?
Emir Sader: É o final de sua carreira como
um dirigente político muito digno. De um
homem que mudou a história da América
Latina e do mundo. Ele fecha o seu ciclo
como um grande dirigente, de forma lúcida
e combativa. E a revolução cubana continua
e segue o seu curso.
Brasil de Fato: Diversas vezes o pre-
sidente George W. Bush anunciou que
esperava o afastamento de Fidel para
colocar em prática um plano para fazer
uma “transição democrática” em Cuba,
cogitando ações intervencionistas...
Sader: Eles podem fazer o que quiserem,
mas Fidel Castro já não é o dirigente polí-
tico da revolução. A transição foi feita no
marco da sociedade socialista. Com Fidel ou
sem Fidel, Cuba vai seguir. E a revolução
segue em uma nova etapa em seu processo
de transformação socialista.
Entrevista do professor Emir Sader
a Jorge Pereira do Jornal Brasil de Fato
Brasil de Fato: Qual o legado que a figura
de Fidel Castro deixa para a América
Latina?
Sader: A América Latina e a esquerda do
continente são uma antes e outra depois de
Fidel. A experiência dele mostrou que um
país pode ser justo, sem necessariamente
ser rico. Justiça social não é riqueza, mas
sim opção política.
Faixa do bloco Pacotão, de Brasília, com Evo Morales, da Bolívia;
Hugo Chávez, da Venezuela e Fidel Castro, de Cuba. Foto: José Cruz/ABr
Hoje, nós servidores públicos
somos tratados como trabalhadores
de segunda categoria. Não temos
direito à negociação coletiva.
No dia 14 de fevereiro,
o Governo Federal encaminhou
ao Congresso Nacional
a proposta de ratificação
das Convenções 151 e 158
da Organização Internacional
do Trabalho (OIT).
A Convenção 151 regulamenta
a negociação coletiva no serviço
público. A 158, trata
da demissão imotivada.
N
esta matéria, vamos abordar
aspectos da Convenção 151 que
dizem respeito aos servidores
públicos. A 151 trata da independência
das entidades sindicais, da autonomia dos
dirigentes sindicais e da garantia à data-
base para reajustes salariais do setor.
Ela é um avanço. E vem complementar
uma série de conquistas que os servidores
públicos obtiveram nos últimos 20 anos.
A Constituição de 1988 garantiu o direito
de greve e de organização sindical. Agora,
com a 151, alcança-se o reconhecimento
do direito à negociação.
Hoje, as negociações coletivas no
serviço público não são regulamentadas.
O que significa isto? Significa que os go-
vernos não têm a obrigação de negociar
reajustes salariais. As negociações só
ocorrem por conta da pressão e das greves
dos servidores.
Como já dissemos, a Convenção 151 é
um avanço. Mas não podemos nos esquecer
de que é fruto da luta das entidades sin-
dicais do setor público. Não veio de graça
e nem caiu do céu. E nem está totalmente
garantida.
A proposta da Presidência da Repúbli-
ca vai, agora, ser apreciada pela Câmara dos
Deputados. Se aprovada na Câmara, segue
Servidores terão direito à negociação coletiva
Por dentro do Brasil
O Dieese publicou em sua página, na
Internet, um estudo sobre a Convenção
151. Vamos ver, aqui, alguns pontos
importantes:
1- Proteção contra os atos de discrimi-
nação que acarretem violação da liberda-
de sindical em matéria de trabalho;
2- Independência das organizações de
trabalhadores da função pública face às
autoridades públicas;
3- Proteção contra atos de ingerência das
autoridadespúblicasnaformação,funcio-
namentoeadministraçãodasorganizações
de trabalhadores da função pública;
4- Concessão de facilidades aos re-
O que diz a convenção 151
presentantes das organizações reco-
nhecidas dos trabalhadores da função
pública, com permissão para cumprir
suas atividades, seja durante as suas
horas de trabalho ou fora delas.
5- Instauração de processos que per-
mitam a negociação das condições de
trabalho entre as autoridades públicas
interessadas e as organizações de tra-
balhadores da função pública;
6- Garantias dos direitos civis e polí-
ticos essenciais ao exercício normal da
liberdade sindical.
Fonte: www.dieese.org.br
para apreciação do Senado. Após aprovada
pelas duas instâncias do Congresso Nacio-
nal, será promulgada pelo presidente. Um
ano depois de sua promulgação, a Conven-
ção entra em vigor.
Até lá, então, os trabalhadores
devem ficar atentos para garantir sua
aprovação final.
JORNAL DO SINTUPERJ | MARÇO DE 20088
Por Raquel Junia
SINTUPERJ: Oito de Março é o Dia
Internacional da Mulher. O que essa
data significa para a senhora?
Iná Meireles: Ela marca a luta das
mulheres pelo seu espaço, pelo reco-
nhecimento da importância da mulher
na sociedade. É uma data que tem uma
história bonita, de luta das mulheres no
início do século passado. É importante
mantermos sempre essa data como uma
data de luta.
SINTUPERJ: Quando começa sua mili-
tância política?
Iná: Comecei minha militância como
estudante secundarista, nos anos 60.
Participei de um movimento que pre-
tendia fazer a revolução no país através
de um foco guerrilheiro, um movimento
armado. Fui presa em 1969. Fiquei um
ano e meio. Depois participei dos mo-
vimentos da anistia e pela redemocrati-
zação do país. Fui presidente da CUT do
Rio, fundadora do PT, saí do PT depois
de uma série de mudanças no caminho
do partido. Fui a primeira mulher presi-
dente do diretório municipal de Niterói,
primeira mulher a presidir a CUT-RJ. É
uma história longa e de coerência. Hoje
estou atuando mais na minha profissão
e participo da Asduerj. Estou militando
em um projeto de extensão que trabalha
com população afro-descendente na pre-
venção de DST-AIDS. Tenho trabalhado
com saúde da população negra. É uma
militância que se mistura com a minha
atividade profissional.
SINTUPERJ: As bandeiras de luta da
década de 60 permanecem?
Iná: Algumas, sim; outras, conquistamos.
Conquistamos o trabalho, mas a mulher
no mesmo trabalho, na mesma posição,
ainda ganha menos que o homem. Na
vida doméstica, houve mudanças im-
portantes. Ainda que a mulher continue
sendo responsabilizada e responsável pela
gerência da família, educação dos filhos
e etc, houve uma mudança na estrutura
familiar no Brasil. Hoje, é mais comum
você ver homens companheiros das mu-
lheres no cuidado com os filhos, dividindo
tarefas domésticas. Não é uma regra,
mas é melhor do que naquela época. E a
própria liberdade de comportamento. Foi
importante nos anos 60, a mulher quei-
mar sutiãs na praça pública. A questão
da liberdade sexual mudou muito com o
advento da pílula anticoncepcional. Ainda
há direitos que não conquistamos. Eu
defendo o direito ao aborto, a descriminali-
zação do aborto. A militância política, hoje,
é mais fácil do que naquela época quando,
independentemente dos resultados da luta,
só o fato de se estar lutando era importante.
A própria libertação do pensamento. Eu
acho que a gente foi privilegiado em ter
vivido e lutado nessa época.
SINTUPERJ: Mesmo tendo sido presa e
torturada ?
Iná: Pois é, mesmo assim.. Agora, eu não
acho que a gente possa dizer “ah aquela
época era melhor que hoje”. Ter repressão
nunca é melhor. Ditadura, prisão, tortura,
ninguém merece. Não pode ser melhor do
que lutar em uma situação na qual os direi-
tos estejam colocados. Ainda que eu ache
que, quem lutou naquela época, tenha tido
uma riqueza de vivência muito grande.
SINTUPERJ: A senhora acha que a tor-
tura deixou de existir?
Iná: Não, a tortura está aí, presente. Infe-
lizmente a tortura faz parte do nosso país,
de uma cultura da repressão brasileira,
institucionalizada. É uma coisa que faz
parte do cotidiano da nossa população. As
camadas sociais mais pobres estão habitu-
adas a conviver com a polícia. A tortura é
uma coisa abominável.
SINTUPERJ: Como a senhora disse, a
questão do aborto acaba sendo uma
discussão dentro da saúde pública tam-
bém. Que avanços tivemos e que outros
aspectos da saúde da mulher precisamos
conquistar?
Iná: Além da questão do aborto, a questão
do planejamento familiar. Agora, é uma
questão também difícil pela desigualda-
de social existente em nossa sociedade.
Você achar que as meninas sem nenhuma
perspectiva na vida vão ter a mesma visão
de planejamento familiar de uma pessoa
de classe média, que está estudando, que
tem um futuro, que terá uma profissão,
é se enganar. A educação para a saúde
da mulher sofre do mesmo problema da
nossa sociedade que é a desigualdade. A
mulher negra sofre mais no sistema de
saúde do que a mulher branca. Pesquisas
mostram que as mulheres brancas recebem
anestesia no parto mais do que as negras.
A mortalidade infantil é muito superior
nas crianças negras, isso não tem uma
justificativa biológica, é o acesso, ao pré
natal, é toda uma maneira de viver que é
diferenciada.
SINTUPERJ: A senhora trabalha com
pacientes contaminados por Doenças
A médica do Hupe, Iná Meireles, tem 59 anos.
Nesta entrevista ao Jornal do Sintuperj, ela fala da luta
das mulheres, da militância política durante a Ditadura, da
saúde no Rio de Janeiro e dos problemas dos servidores da UERJ.
O 8 de Março é um dia de luta
Entrevista com Iná Meireles
pital tem isso bem claro. As pessoas
se desmobilizaram, foram perdendo
a garra que tinham no trabalho. Isso
tem que ser reconquistado. Mas tem
que ter um mínimo de condições no
trabalho para a pessoa voltar a ter
amor próprio, a querer levantar o ser-
viço, a ter consciência da importância
do que você faz para a sociedade.
SINTUPERJ: Gostaria de deixar al-
guma mensagem final?
Iná: Temos que lutar sem esquecer
que somos mulheres. Muitas vezes a
mulher tem uma militância política,
mas não tem uma militância que fa-
voreça a própria mulher. Muitas vezes
a mulher acaba assumindo muito um
papel masculino. É importante termos
noção de que temos um papel femini-
no de transformação. É igual ao dos
homens mas não é igual, entendeu? É
igual, mas é diferente. Acho que se a
gente não perceber isso, acabamos nos
masculinizando na hora que a gente
passa a ter uma vida pública.
SINTUPERJ: Tem alguma fórmula?
Iná: Não tem fórmulas [risos]. Se
a gente estiver atenta é mais fácil.
Durante muito tempo, por uma visão
muito ortodoxa da luta da mulher,
do negro...eu tinha uma visão de que
fazendo a mudança econômica na so-
ciedade, mudavam também as outras
desigualdades. Hoje, estou convenci-
da de que não. Você não pode fazer
a revolução socialista no país, se não
estiver atento a questões de gênero,
racial e culturais. A esquerda mais
ortodoxa da qual eu venho, custou
muito a perceber isso. Votei contra
cotas de mulheres na CUT, um tempo
depois percebi que elas eram impor-
tantes. Eu acho que a gente tem que
fazer autocrítica publicamente.
Sexualmente Transmissíveis, inclusive
a AIDS. A mulher pobre tem a possibili-
dade de se tratar?
Iná: Ela tem possibilidade, existe acesso
aos serviços, com a dificuldade que todo
mundo tem no serviço público de saúde
hoje. Ele é desorganizado, principalmente
aqui no Rio de Janeiro, um horror. Essa
desorganização dificulta esse acesso.
SINTUPERJ: A mulher tem consciência
de que tem direito à rede pública?
Iná: Talvez sim, talvez não. Eu trabalho
com prevenção de DST Aids em popula-
ção adepta de terreiros de candomblé,
umbanda, de religiões afro-brasileiras.
Trabalhamos em uma abordagem específica
com essas pessoas, com a cultura, com as
lendas, etc. É muito interessante. Busca-
mos, com isso, aumentar a consciência
dos direitos. As pessoas precisam saber
que elas têm direitos e têm que brigar por
esses direitos.
SINTUPERJ: E a luta geral na Uerj?
Iná: Complicada. Vai desde a luta salarial,
o achatamento salarial já vem de longos
tempos, até condições de funcionamento
da universidade, e do hospital também.
Eu começaria com uma luta simples, por
exemplo, um banheiro decente. A gente
fica segurando xixi para não entrar no
banheiro no campus. Não tem um banhei-
ro que funcione decentemente dentro da
universidade. Trabalhamos em condições
muito ruins. Vai desde a decadência física
da universidade, até a necessidade de você
oferecer tanto aos alunos, quanto aos
usuários da universidade, um serviço de
qualidade. Há muito tempo que não tem
investimento do governo do estado, só
corte de verbas. Tem dois problemas que
gostaria de destacar: um objetivo, que é
trabalhar em más condições e ficar estres-
sada até adoecer; e a outra, é as pessoas
irem perdendo o amor ao trabalho. O hos-
Iná Meireles:
militante
revolucionária
e feminista

Jornal do sintuperj nº 13

  • 1.
    MARÇO DE 2008| JORNAL DO SINTUPERJ 1 2008:2008: o ano do reajusteo ano do reajuste Jornal do Sindicato dos Trabalhadores das Universidades Publicas Estaduais - RJ Ano III - Nº 13 - Março de 2008 Campanha Salarial: nem mais um ano sem reajuste Aula inaugural do pré-vestibular debate América Latina Convenção 151 garante direito à negociação coletiva Em entrevista, Iná Meireles fala sobre a mulher, a saúde e a UERJ 33 55 77 88 Reposição imediata da defasagem salarial, hoje, em torno de Regulamentação do adicional noturno Restituição dos descontos do Rio-Previdência Autonomia das universidades UERJ/UENF com financiamento público pleno e especial atenção ao Hupe Melhores condições de trabalho Contra as Fundações de Direito Privado Implantação total do Plano de Carreira Pagamento de todos os precatórios da Uerj Participação nas lutas gerais dos trabalhadores 65%
  • 2.
    JORNAL DO SINTUPERJ| MARÇO DE 20082 O Sindicato precisa de você Luta continua na Justiça pela devolução de cobranças indevidas EXPEDIENTE: JORNAL DO SINTUPERJ deu ganho de causa ao Estado. Entenderam que não houve cobrança abusiva de tarifa pelo Banerj. 3. A Anacont entrou com recurso especial pedindo que a matéria seja apreciada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). 4. O envio do recurso ao STJ está a cargo do desembargador titular da 3ª Vice-Presidência do Tribunal de Justiça Estadual, a quem cabe fazer o chamado juízo de admissibilidade. Com base na lei processual civil, o desembargador impôs à Anacont o pagamento de multa, incidente sobre o valor da causa, para proceder a remessa do Recurso. 5. Como se trata de multa de alto valor, a Anacont ingressou com o agravo de instrumento no STJ pedindo o cancelamento da multa para que seja possível a remessa do recurso. No momento, a Anacont espera que o ministro do STJ, designado para julgar o agravo de instrumento, cancele a multa e receba a ação, possibilitan- do o seu julgamento. O segundo passo desejado é que os juízes da Suprema Corte restabeleçam a decisão da primeira instância. Ou seja: que houve cobrança abusiva de tarifa pelo BANERJ. Rua São Francisco Xavier, 524 - sala 1020 D - Maracanã - Rio de Janeiro/RJ CEP: 20.550-013 - Tel: (21) 2587-7126 / 2234-0945 internet: www.sintuperj.org.br / sintuperj@sintuperj.org.br / imprensa@sintuperj.org.br Coordenação de Imprensa: Rosalina Barros Conselho Editorial: Alberto Dias Mendes, Carlos Alberto Crespo, José Arnaldo Gama da Silva, Mirian de Oliveira Pires, Rosalina Barros, Sandro Hilário Jornalista: Claudia Santiago (MTb 14915-RJ) - Estagiária: Jessica Santos Programação Visual: Claudia Santiago - Diagramação: Daniel Costa Tiragem: 4.000 exemplares - Fechamento: 03/03/2008 O ano de 2008 iniciou-se de forma positiva para os servidores da UERJ. Em janeiro, após muita pressão do Sindicato, o governo finalmente pagou o enquadramento por titulação das parcelas referentes ao ano de 2007 e ao décimo terceiro. O pagamento, de certa forma, trouxe um relativo alívio financeiro para aproximadamente 1.300 servidores que o receberam. Ainda faltam as parcelas de julho a dezembro de 2006, que, segundo o reitor, estão previstas para serem pagas em folha suplementar no mês de abril. Cabe ressaltar, também, o trabalho in- cansável de parte da bancada dos servidores técnico-administrativos no Conselho Universitá- rio, juntamente com o apoio do conjunto dos trabalhadores da Uni- versidade na obtenção desta vitória. Outra boa notícia refere-se ao precatório do auxílio-alimentação (atrasadinho) dos ser- vidores do Campus/ Uerj: segundo o SAAE, pagamento deverá ser feito nos próximos dias e cerca de 2.077 servidores serão contem- plados. Estas vitórias demonstram o bom momento em que vivemos e reforçam a máxima da atual direção do Sintuperj: “Quem luta, Conquista!” Campanha Salarial Este ano promete ser bem agitado. Estamos iniciando a campanha salarial de 2008 e necessitamos intensificar as nossas forças, ampliando a pressão e unidade para alcançar e avançar em nossos objetivos. O governo precisa reconhecer a nossa impor- tância e valorizar o nosso trabalho, com a correção imediata dos nossos salários. Hoje, nossas perdas salariais alcançam o enorme índice de 65%, a contar do último reajuste que foi em abril de 2001. VI Congresso No mês de maio, estaremos realizando nosso VI Congresso, com o tema “ Autono- mia Universitária e o Papel do Movimento Sindical”, temática de extrema relevância para toda comunidade universitária. Ainda neste ano, ocorrerão as eleições dos nossos representantes para os órgãos superiores da Uerj. A participação nestes importantes espaços políticos da universidade exige, de fato, representantes dispostos à luta e, principalmente, ao diá- logo. A implantação do Plano de Cargos e Car- reiras foi uma demons- tração do que é possível quando se tem bons representantes. Temos muitas batalhas à nossa frente. Algumas já estão sendo travadas com a nova reitoria como, por exemplo, a retomada do acordo coletivo e a inclusão de servidores técnico-administrativos no Conselho de Ensino e Pesquisa (CSEP). Saíremos vitoriosos em todas as nos- sas lutas se tivermos muita determinação e unidade na ação. Portanto, precisamos aumentar nossa organização, mobilização e participação. Sua presença nas assembléias e atos é fundamental para alcançarmos o nosso reajuste e a implantação total do nosso Plano de Cargos e Carreiras! Como dizia o cantor Gonzaguinha: “Eu ponho fé é na fé da moçada que não foge da fera e enfrenta o leão” Até a vitória! Diretoria Executiva O Sindicato sem o trabalhador é vazio. Sem a sua participação nada se resolve. Em 1999, a Associação Nacional de Defesa do Consumidor e Trabalhador (Anacont) abriu um processo na justiça contra o governo estadual exigindo a devolução de tarifas cobradas indevida- mente na conta-vencimento dos servido- res do Estado. Nessa mesma ocasião, o Sintuperj propôs uma ação similar representando um grande grupo de associados. Porém, como a Anacont fora a primeira entidade a reivindicar a cobrança, as ações patro- cinadas pelo Sintuperj foram remetidas para a Vara de Fazenda Pública, onde também está a ação da Anacont. Desde então, a Anacont, na qua- lidade de entidade de defesa do consu- midor reconhecida pelo poder público, passou a representar todos os servidores que tinham conta-corrente no Banerj na ocasião da cobrança das taxas. 1. A ação teve decisão favorável à Ana- cont em primeira instância. 2. Como se trata de cobrança judicial contra a Fazenda Pública, é obri- gatório o reexame da matéria em segunda instância. O colegiado de segunda instância, composto por três desembargadores, em voto unânime, FOTO:AGÊNCIABRASIL Nossa Opinião Seus Direitos Retratos da Vida Ação Banerj Como está o andamento da ação
  • 3.
    MARÇO DE 2008| JORNAL DO SINTUPERJ 3 Campanha Salarial: Nossa Luta 2008 é o ano do reajuste Nossa perda salarial, acumulada nos últimos sete anos, está em torno de 65%. Nós já decidimos que queremos mudar este quadro. Mas, só querer não é suficiente. Precisamos agir conjuntamente para conquistar nossas reivindicações. Além da questão salarial, temos outras reivindicações que já foram apresentadas ao governador Sérgio Cabral e não receberam resposta. No dia 12 de fevereiro, o Sintuperj, a Asduerj e o DCE enviaram novo ofício ao governador no qual foi reafirmada a solicitação de uma reunião. As entidades cobram o cumprimento de promessa feita pelo governador, em 17 de janeiro, durante visita à universidade. Na ocasião, Cabral se comprometeu a marcar uma reunião para negociar a pauta de reivindicações. Assim como conquistamos o pagamento da titulação, podemos conquistar muito mais. Nós não podemos e não vamos ficar esperando. Nas diversas vezes em que esteve na universidade, o governador Cabral afirmou que a Uerj é a “jóia da coroa”. Está na hora de mostrar que, de fato, essa afirmação é verdadeira. Para o Sintuperj, 2008 é o ano do reajuste, condição fundamental para a valorização dos trabalhadores da universidade. Isso foi reforçado na sessão do Conselho Universitário do dia 29 de fevereiro, quando o professor Marcos Fernandez lamentou a saída de servidores para outras instituições para exercerem as mesmas funções, com salários bem melhores. A vitória de nossa campanha salarial de 2008 será alcançada com a participação de todos. A força de nossa categoria e a disposição de luta serão as bases da conquista do reajuste salarial. Exigimos REAJUSTE JÁ! Sim, 7 anos sem reajuste. Nós, trabalhadores, não agüentamos mais. Mas se depender do governo vamos ficar a ver navios mais uma vez. Por isso, temos que ter claro que contamos com nossa força, com nossa união e mobilização. Só assim, garantiremos que, em 2008, alcançaremos nossos objetivos. todos juntos nesta luta Essas são as reivindicações básicaspara o ano de 2008 que o nosso Sindicatoapresentou ao governador. O que nós queremos Reposição imediata da defesagem salarial.Nosso último reajuste foi em abril de 2001.Nossa perda salarial, hoje, ultrapassa os 65%.Pagamento dos processos TRT em fase de precatórios.Regulamentação do adicional noturno, através de lei,suspenso desde 1999. Pela implantação total do PCC. Pagamento integral da Titulação do Plano de CarreirasRestituição de descontos do Rio-Previdência. Pagamento das dívidas trabalhistas da UENFcom os servidores. Pagamento dos adicionais de periculosidadee insalubridade para os trabalhadores da UENF.Condições dignas de trabalho nas universidadescom destaque para os trabalhadores do campo, na UENF.Contra as Fundações de Direito Privado. Autonomia das universidades UERJ/UENFcom financiamento público pleno,com especial atenção ao Hupe. Abertura imediata de concursos públicos.
  • 4.
    JORNAL DO SINTUPERJ| MARÇO DE 20084 A criação do Fórum em defesa da saúde pública e contra as fundações foi a maneira encontrada pelo movimento social para lutar contra o projeto de lei que cria as fundações estatais de direito privado. O projeto do governo estadual prevê a criação de três fundações para gerir 24 unidades hospitalares. Estes hospitais, hoje, são administrados pelo próprio Poder Público. A lei nº 5.164, que cria as fundações, já foi aprovada pela Assembléia Legislativa do Estado Rio. Em reunião, realizada no dia 18 de fevereiro, os participantes decidiram entrar com uma ação direta de inconsti- tucionalidade (ADIN) contra o projeto das Fundações de Direito Privado. O Fórum foi criado, em 2007, por centrais sindicais, sindicatos, representan- tes de conselhos estaduais e municipais de saúde, representantes de projetos de pesquisa universitária e diversas outras en- tidades. Seu objetivo é unificar as reivindi- cações dos servidores públicos estaduais. N o dia 13 de fevereiro, coordena- dores do Sintuperj se reuniram com os trabalhadores do campus de Nova Friburgo (IPRJ) para discutir questões gerais e específicas da cate- goria. Campanha salarial, pagamento da titulação, precatórios e plano de carreira foram os temas mais debatidos. Na ocasião, foi apresentada a reivindi- cação de se abrir um posto do DESSAÚDE na unidade para garantir, pelo menos, os primeiros socorros a trabalhadores e estudantes. Na reunião, a direção do sindicato O Hospital Universitário Pedro Er- nesto não passa por bons momentos. Vários são os seus problemas: falta de material de consumo, roupas, alimentos. O número de trabalhadores só diminui por recebeu informações sobre as obras de re- cuperação da estrada e do muro principal da entrada da unidade. Além das obras estarem em ritmo lento, os salários dos trabalhadores terceirizados estão sendo pagos com atraso. O Sintuperj vai cobrar da reitoria soluções imediatas para a instalação de um posto avançado naquela unidade, o pagamento dos salários atrasados e maior agilidade na conclusão das obras. Vale lembrar que no dia 4 de janeiro comple- tou um ano do desabamento de parte da estrada e do muro. A Diretoria do Sindicato dos Trabalhado- res das Universidades Públicas no Estado do Rio de Janeiro - SINTUPERJ - convoca todos os trabalhadores de sua base para o VI Congresso da Entidade com o tema “Autonomia Universitária e o Papel do Movimento Sindical”, em caráter extra- ordinário, que se realizará nos dias 06 , 07 e 08 de maio, das 08 às 19 horas, no Campus Uerj Maracanã, situado à Rua São Francisco Xavier nº 524 - Maracanã - RJ. O Congresso terá como pauta os seguintes temas: Conjuntura Interna- cional e Nacional; Organização Sindical; Plano de Carreiras, Saúde e Segurança no Trabalho; Gênero e Etnia; Alterações Estatutárias e Plano de Lutas. RJ, 23 de fevereiro de 2008. Diretoria Executiva Sintuperj (Publicado na Tribuna da Imprensa nos dias 23 e 24 /02/2008) O dia 7 de abril, foi escolhido para o lançamento de uma campanha em defesa do serviço público e contra as fundações. No Rio, a partir das 15h, na Alerj haverá um ato público seguido de debate com convidados. Educação,Educação, A diretoria do Sintuperj comemora o sucesso da entrega do Kit-Educação aos servidores sindicalizados. Os Kits mais procurados foram os destinados ao ensino fundamental e médio. A distribuição do kit-escolar foi retomada no ano passado. O objetivo do Sintuperj com esta decisão é incentivar seus associados e familiares a manterem-se na escola. Sabemos como é difícil, no início de cada ano, a compra do material escolar. Para o Sindicato, o acesso à educação é direito de todos. “Educação Cidadã para uma Cidade Educadora III” é o tema da terceira edição do Fórum Mundial de Educação (FME). O evento será realizado novamente na cidade de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, Estado do Rio de Janeiro, de 27 a 30 de março. Participar deste encontro é somar-se à luta mundial em defesa do direito à educação. Em 2006, o Fórum reuniu 30 mil educadoras e educadores, militantes sociais, jovens e delegados de mais de 25 países. Serão realizadas palestras, mesas-redondas, apresentações de trabalho e atividades auto gestionadas. AS INSCRIÇÕES, podem ser feitas diretamente na Secretaria do Fórum até o dia 27 de março. Mais informações pelo telefone 2667-1086 ou pelo e-mail: fmeni@forummundialeducacao. org ou na página: www.forummundialeducacao.org Kit-educação: do pré-escolar ao nível superior III Fórum Mundial de Educação de 27 a 30 de março Sindicato se reúne com trabalhadores, debate problemas e comemora conquista Velhos problemas atormentam servidores Fórum em defesa da saúde pública e contra as fundações Ronda nos Campi IPRJ - Friburgo HUPE Em Movimento um direito de todos Edital de convocação do VI Congresso do SINTUPERJ O Dia Internacional da Saúde Linha de ônibus está circulando Mas não só de problemas vive o IPRJ. Os trabalhadores do campus comemoram a conquista da reivindicação, feita pelo Sintuperj à reitoria, para o funcionamento de uma linha de ônibus que circulasse no campus. A linha está operando em regime de integração, ou seja, um servidor do IPRJ pode dirigir-se do seu local de trabalho para qualquer parte de Nova Friburgo, pagando apenas uma passagem. Esta vitória só foi possível devido à luta e à unidade dos servidores! Venha para a luta e fortaleça o seu sindicato! conta das aposentadorias e há muito tempo não são realizados concursos públicos. O Sintuperj, em todas as reuniões e na pauta de reivindicações entregue ao governo, tem cobrado concurso público para servidores efetivos e melhorias na infra-estrutura. Foi solicitada uma reunião com a nova direção do Hupe, mas até o fechamento desta edição, a data não havia sido marcada.
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    MARÇO DE 2008| JORNAL DO SINTUPERJ 5 América Latina Para Maringoni, a valorização do privado em contraposição ao público não se deu apenas no setor de e-ducação. “É parte das reformas ne- oliberais que passaram a ser implementadas no mundo a partir da década de 80 e que foram responsáveis por grandes transfor- mações na América Latina”. O jornalista, que esteve na Vene- zuela e é autor do livro “A Venezuela que se inventa”, falou sobre a situação específica daquele país. Didático, Maringoni tratou de quase 30 anos da his- tória da Venezuela. Voltou a 1983. Naquele ano, uma crise fiscal do Estado, aliada à queda dos preços do petróleo no mercado internacional, levou o país a uma grande instabilidade. 1989: Caracazo Em seguida, relatou os episódios que levaram, em 1989, ao Caracazo, a revolta popular fortemente reprimida. Estima-se em 1,5 mil o número de mortos. Ela foi fruto da insatisfação popular com o acordo entre o presidente Carlos Andrés Pérez e o FMI que triplicou o preço da gasolina. Em 1992, entra em cena o tenente- coronel Hugo Chávez, como líder de uma tentativa de sublevação militar que se propunha a mudar os rumos do país. Derrotado, aceita se entregar em troca de uma fala na rádio e na televisão, na qual afirmou: “por enquan- to, ainda não conse- guimos fazer as mu- danças”. Pouco tempo depois, uma pesquisa constatou que Chávez era a personalidade mais querida e popu- lar do país e símbolo do descontentamento popular. Chávez presidente “Em 1998, Hugo Chávez é eleito presidente e começa a fazer várias reformas sociais, como a mudança na estrutura agrária, o fortalecimento do Estado e a apropriação da riqueza petro- leira como um bem público e não fonte de renda para as classes dominantes. As elites passam a atacá-lo mundialmente através dos meios de comunicação”, afirma Maringoni. O recente referendo que impôs uma derrota ao presidente em sua proposta de reforma constitucional é vista pelo jornalista “como uma etapa no processo de transformação da Venezuela a serviço do povo trabalhador”. A platéia participou com perguntas, garantindo o aprofundamento do tema e extraiu de nosso palestrante informações relevantes sobre o processo político na América La- tina e, em especial, na Venezuela. Dez anos de Pré-vestibular Em 2008, o Pré-vestibular do SINTUPERJ comemora dez anos de existência. A aula inaugural foi a primeira de uma série de ativida- des que o Sindicato vai realizar durante o ano. A comemoração será em dobro devido ao grande número de aprova- dos para as Universidades Públicas. Os estudantes que irão ingressar no nível superior foram homenageados e deram seus depoimentos aos novos alunos do pré. Ressaltaram a qualidade do trabalho e a importância da dedicação para o êxito em seus objetivos. A aula inaugural da nova turma do Pré-vestibular do SINTUPERJ para 2008 reuniu cerca de 150 pessoas, entre estudantes, professores e convidados no último dia 11 de fevereiro, no Auditório 13. O jornalista e cientista político, Gilberto Maringoni, proferiu a palestra “Mudanças na América Latina: o caso da Venezuela”. Antes, na abertura da cerimônia, os novos alunos foram apresentados aos professores e à direção do Sindicato. “O clima foi de muita empolgação”, conta Alberto Dias Mendes, da Coordenadoria de Formação e Relação Sindical. N a palestra, Maringoni defendeu com firmeza a universidade pú- blica. Denunciou a propaganda feita pela mídia com o objetivo de in- Aula inaugural do pré-vestibular discute América Latina Notícias do SINTUPERJ Universidade pública: um patrimônio a ser defendido cutir nas pessoas a idéia de que o que é público é ruim, e o que é privado é bom. “Desta maneira, tira-se das pessoas o sentimento de direito ao serviço público”. O jornalista traçou um quadro histórico da universidade brasileira, destacando a sua transformação de espaço exclusivo da elite que, ao longo do tempo foi sendo ocupado também pelos filhos dos traba- lhadores. “É preciso fortalecer o espaço público e, por isto, chamo os alunos que estão entrando neste Pré-vestibular a par- ticipar da luta em defesa da universidade pública”, afirmou. Debate com Maringoni. Em destaque, alunos aprovados no vestibular 2008 Pré-vestibular do Sintuperj aprova grande número de alunos nas universidades públicas A mídia procura incutir nas pessoas a idéia de que tudo o que é público é ruim e tudo o que é privado é bom FOTOS:ARQUIVOSINTUPERJ
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    JORNAL DO SINTUPERJ| MARÇO DE 20086 Autonomia universitária, periculosidade, insalubridade e espaço para a Delegacia Sindical foram os temas da reunião O Sintuperj se reuniu com o reitor da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF), Almy Junior Cordeiro de Carvalho, na manhã da sexta- feira, dia 15. A auto- nomia e o financia- mento público foram os principais pontos da pauta da reunião. Para Carvalho, ela é decisiva para que pro- jetos que beneficiem a universidade possam ser implementados com maior rapidez e eficiência. “Sem au- tonomia da gestão política e financeira, o Conselho Uni- versitário aprova um orçamento que, depois, é cortado pelo governo estadu- al”, afirmou. O que quer o Sintuperj Os representantes do Sintuperj na reunião disseram que a autonomia uni- versitária é uma das bandeiras de luta do Sindicato. Além das atividades que vem desenvolvendo, o Sindicato pretende organizar, em conjunto com as universi- dades e entidades, seminários específicos sobre o tema, com a participação da sociedade. “A política de cortes no orçamento das universidades tem como resultado a pre- carização, a falta de concursos, os salários atrasados e defasados, as dívidas trabalhistas. Com essa preocupação, o Sintuperj buscou a conversa com o reitor, para tratar de ques- tões específicas dos servidores da UENF”, explica o coordenador-geral do Sintuperj, José Arnaldo Gama. A direção do Sintuperj apresentou ao reitor importantes reivindicações para os servidores da UENF: a necessi- dade de um espaço físico próprio para o funcionamento da delegacia sindical na universidade, o pagamento do processo de periculosidade e insalubridade, já decidido judicialmente, e a questão da precarização do trabalho. O Sindicato O 8 de Março na UERJ Cortes no orçamento têm como resultado a precarização do trabalho e a desvalorização dos servidores também tratou de um processo que é mo- vido pela UENF contra o Sintuperj, devido a uma faixa colocada no campus. Quanto ao espaço físico, o reitor disse que a reivindicação é justa e que se dispõe a buscar soluções em conjunto com as entidades. Sobre o pagamento das dívidas trabalhistas e da periculosidade, cobrado pelo Sintuperj, afirmou que aguarda liberação de verbas. A visita A reunião, inicialmente, estava marca- da para acontecer na própria universidade, em Campos. Devido a problemas na agenda do reitor, que teve de vir ao Rio na mesma data para reunião no Palácio Guanabara, foi transferida, por solicitação dele, para o SINTUPERJ. Carvalho estava acompanhado do secretário-geral da Reitoria, professor Antonio T. do Amaral Jr. O Sintuperj promove no dia sete de março, às 13h, o debate “O papel e a luta das mulheres no período da ditadura”, em comemoração ao Dia Internacional da Mulher. O evento acontece no auditório 11, do campus Maracanã. O objetivo é discutir a atuação das mulheres na luta contra a Ditadura Militar. Para debater o tema fo- ram convidadas a professora Lená Medeiros (UERJ/SR-1), Luiza Miriam (Grupo Tortura Nunca Mais), professora Cecí- lia Scmubsky (Pré-vestibular do Sintuperj) e a médica Iná Meireles (Hupe/Asduerj). No mesmo dia, na parte da manhã, o Sindicato vai pre- sentear as servidoras da UERJ, no campus do Maracanã e no Hospital Universitário Pedro Ernesto, com a cartilha “Origem e significado do 8 de março”. A publicação conta a his- tória da data e traz uma crono- logia das lutas do 8 de março, no Brasil e no mundo. Jun- tamente com a cartilha serão distribuídas flores como forma de homenagear todas as com- panheiras. Na década de 60, as mulheres estadunidenses e européias haviam descoberto a pílula e as mulheres do terceiro mundo a metralhadora nas guerrilhas lado a lado com os homens Sintuperj se reúne com reitor e cobra melhorias Notícias do SINTUPERJ UENF Você já ouviu falar na Lei nº 11.340, batizada de Lei Maria da Penha? É uma lei muito importante para as mulheres. Ela está em vigor desde 7 de agosto de 2006 e cria mecanismos para coibir e prevenir a violência doméstica e fami- liar contra a mulher. A lei aumenta as punições contra o agressor e permite que o mesmo seja preso em flagrante. Também dispõe sobre o fim das penas pecuniárias, nas quais a condenação era o pagamento de multas ou cestas básicas. A legislação prevê ainda proteção à mulher em situação de violência ou risco de vida, que vai desde a separa- ção à restituição de bens. No âmbito da assistência social, está previsto a inclusão da mulher nos programas as- sistenciais do governo federal, estadual e municipal. Conheça a Lei Maria da Penha Rosalina, Arnaldo e o reitor da UENF, Almy de Carvalho FOTO:ARQUIVOSINTUPERJ
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    MARÇO DE 2008| JORNAL DO SINTUPERJ 7 Saída de Fidel não interromperá socialismo em Cuba Fique Atento Por dentro do Mundo N o dia 19 de fevereiro, aos 81 anos, o líder da revolução cubana, Fidel Castro, declarou que não aceitaria uma reeleição decidida pelo Parlamento. A notícia causou alvoroço no mundo inteiro. E a mídia fez a festa. Uma torcida desenfreada pelo fim da experiência socia- lista em Cuba. Na opinião do jornalista Ignácio Ramonet, “o fato dele se afastar em vida irá ajudar a assegurar uma transição em paz. O povo cubano agora aceita que o país ainda pode ser conduzido no mesmo caminho, mas por um time diferente. Há um ano e meio, eles estão se acostumando com a idéia “. O Jornal do Sintuperj reproduz, nesta edição, entrevista feita pelo repór- ter Jorge Pereira, do Jornal Brasil de Fato, com o sociólogo e professor da UERJ, Emir Sader. Segundo Sader, embora muito se es- pecule na mídia corporativa a respeito de uma suposta queda do socialismo na ilha sem a figura de Fidel Castro, pouco mudará na prática. “Ele já não é dirigente político da revolução. A transição foi feita no marco da sociedade socialista”, afirma. Para o Sintuperj, Fidel Castro é um dos maiores dirigentes revolucionários da história mundial. Brasil de Fato: Qual o significado da re- núncia do presidente Fidel Castro? Emir Sader: É o final de sua carreira como um dirigente político muito digno. De um homem que mudou a história da América Latina e do mundo. Ele fecha o seu ciclo como um grande dirigente, de forma lúcida e combativa. E a revolução cubana continua e segue o seu curso. Brasil de Fato: Diversas vezes o pre- sidente George W. Bush anunciou que esperava o afastamento de Fidel para colocar em prática um plano para fazer uma “transição democrática” em Cuba, cogitando ações intervencionistas... Sader: Eles podem fazer o que quiserem, mas Fidel Castro já não é o dirigente polí- tico da revolução. A transição foi feita no marco da sociedade socialista. Com Fidel ou sem Fidel, Cuba vai seguir. E a revolução segue em uma nova etapa em seu processo de transformação socialista. Entrevista do professor Emir Sader a Jorge Pereira do Jornal Brasil de Fato Brasil de Fato: Qual o legado que a figura de Fidel Castro deixa para a América Latina? Sader: A América Latina e a esquerda do continente são uma antes e outra depois de Fidel. A experiência dele mostrou que um país pode ser justo, sem necessariamente ser rico. Justiça social não é riqueza, mas sim opção política. Faixa do bloco Pacotão, de Brasília, com Evo Morales, da Bolívia; Hugo Chávez, da Venezuela e Fidel Castro, de Cuba. Foto: José Cruz/ABr Hoje, nós servidores públicos somos tratados como trabalhadores de segunda categoria. Não temos direito à negociação coletiva. No dia 14 de fevereiro, o Governo Federal encaminhou ao Congresso Nacional a proposta de ratificação das Convenções 151 e 158 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). A Convenção 151 regulamenta a negociação coletiva no serviço público. A 158, trata da demissão imotivada. N esta matéria, vamos abordar aspectos da Convenção 151 que dizem respeito aos servidores públicos. A 151 trata da independência das entidades sindicais, da autonomia dos dirigentes sindicais e da garantia à data- base para reajustes salariais do setor. Ela é um avanço. E vem complementar uma série de conquistas que os servidores públicos obtiveram nos últimos 20 anos. A Constituição de 1988 garantiu o direito de greve e de organização sindical. Agora, com a 151, alcança-se o reconhecimento do direito à negociação. Hoje, as negociações coletivas no serviço público não são regulamentadas. O que significa isto? Significa que os go- vernos não têm a obrigação de negociar reajustes salariais. As negociações só ocorrem por conta da pressão e das greves dos servidores. Como já dissemos, a Convenção 151 é um avanço. Mas não podemos nos esquecer de que é fruto da luta das entidades sin- dicais do setor público. Não veio de graça e nem caiu do céu. E nem está totalmente garantida. A proposta da Presidência da Repúbli- ca vai, agora, ser apreciada pela Câmara dos Deputados. Se aprovada na Câmara, segue Servidores terão direito à negociação coletiva Por dentro do Brasil O Dieese publicou em sua página, na Internet, um estudo sobre a Convenção 151. Vamos ver, aqui, alguns pontos importantes: 1- Proteção contra os atos de discrimi- nação que acarretem violação da liberda- de sindical em matéria de trabalho; 2- Independência das organizações de trabalhadores da função pública face às autoridades públicas; 3- Proteção contra atos de ingerência das autoridadespúblicasnaformação,funcio- namentoeadministraçãodasorganizações de trabalhadores da função pública; 4- Concessão de facilidades aos re- O que diz a convenção 151 presentantes das organizações reco- nhecidas dos trabalhadores da função pública, com permissão para cumprir suas atividades, seja durante as suas horas de trabalho ou fora delas. 5- Instauração de processos que per- mitam a negociação das condições de trabalho entre as autoridades públicas interessadas e as organizações de tra- balhadores da função pública; 6- Garantias dos direitos civis e polí- ticos essenciais ao exercício normal da liberdade sindical. Fonte: www.dieese.org.br para apreciação do Senado. Após aprovada pelas duas instâncias do Congresso Nacio- nal, será promulgada pelo presidente. Um ano depois de sua promulgação, a Conven- ção entra em vigor. Até lá, então, os trabalhadores devem ficar atentos para garantir sua aprovação final.
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    JORNAL DO SINTUPERJ| MARÇO DE 20088 Por Raquel Junia SINTUPERJ: Oito de Março é o Dia Internacional da Mulher. O que essa data significa para a senhora? Iná Meireles: Ela marca a luta das mulheres pelo seu espaço, pelo reco- nhecimento da importância da mulher na sociedade. É uma data que tem uma história bonita, de luta das mulheres no início do século passado. É importante mantermos sempre essa data como uma data de luta. SINTUPERJ: Quando começa sua mili- tância política? Iná: Comecei minha militância como estudante secundarista, nos anos 60. Participei de um movimento que pre- tendia fazer a revolução no país através de um foco guerrilheiro, um movimento armado. Fui presa em 1969. Fiquei um ano e meio. Depois participei dos mo- vimentos da anistia e pela redemocrati- zação do país. Fui presidente da CUT do Rio, fundadora do PT, saí do PT depois de uma série de mudanças no caminho do partido. Fui a primeira mulher presi- dente do diretório municipal de Niterói, primeira mulher a presidir a CUT-RJ. É uma história longa e de coerência. Hoje estou atuando mais na minha profissão e participo da Asduerj. Estou militando em um projeto de extensão que trabalha com população afro-descendente na pre- venção de DST-AIDS. Tenho trabalhado com saúde da população negra. É uma militância que se mistura com a minha atividade profissional. SINTUPERJ: As bandeiras de luta da década de 60 permanecem? Iná: Algumas, sim; outras, conquistamos. Conquistamos o trabalho, mas a mulher no mesmo trabalho, na mesma posição, ainda ganha menos que o homem. Na vida doméstica, houve mudanças im- portantes. Ainda que a mulher continue sendo responsabilizada e responsável pela gerência da família, educação dos filhos e etc, houve uma mudança na estrutura familiar no Brasil. Hoje, é mais comum você ver homens companheiros das mu- lheres no cuidado com os filhos, dividindo tarefas domésticas. Não é uma regra, mas é melhor do que naquela época. E a própria liberdade de comportamento. Foi importante nos anos 60, a mulher quei- mar sutiãs na praça pública. A questão da liberdade sexual mudou muito com o advento da pílula anticoncepcional. Ainda há direitos que não conquistamos. Eu defendo o direito ao aborto, a descriminali- zação do aborto. A militância política, hoje, é mais fácil do que naquela época quando, independentemente dos resultados da luta, só o fato de se estar lutando era importante. A própria libertação do pensamento. Eu acho que a gente foi privilegiado em ter vivido e lutado nessa época. SINTUPERJ: Mesmo tendo sido presa e torturada ? Iná: Pois é, mesmo assim.. Agora, eu não acho que a gente possa dizer “ah aquela época era melhor que hoje”. Ter repressão nunca é melhor. Ditadura, prisão, tortura, ninguém merece. Não pode ser melhor do que lutar em uma situação na qual os direi- tos estejam colocados. Ainda que eu ache que, quem lutou naquela época, tenha tido uma riqueza de vivência muito grande. SINTUPERJ: A senhora acha que a tor- tura deixou de existir? Iná: Não, a tortura está aí, presente. Infe- lizmente a tortura faz parte do nosso país, de uma cultura da repressão brasileira, institucionalizada. É uma coisa que faz parte do cotidiano da nossa população. As camadas sociais mais pobres estão habitu- adas a conviver com a polícia. A tortura é uma coisa abominável. SINTUPERJ: Como a senhora disse, a questão do aborto acaba sendo uma discussão dentro da saúde pública tam- bém. Que avanços tivemos e que outros aspectos da saúde da mulher precisamos conquistar? Iná: Além da questão do aborto, a questão do planejamento familiar. Agora, é uma questão também difícil pela desigualda- de social existente em nossa sociedade. Você achar que as meninas sem nenhuma perspectiva na vida vão ter a mesma visão de planejamento familiar de uma pessoa de classe média, que está estudando, que tem um futuro, que terá uma profissão, é se enganar. A educação para a saúde da mulher sofre do mesmo problema da nossa sociedade que é a desigualdade. A mulher negra sofre mais no sistema de saúde do que a mulher branca. Pesquisas mostram que as mulheres brancas recebem anestesia no parto mais do que as negras. A mortalidade infantil é muito superior nas crianças negras, isso não tem uma justificativa biológica, é o acesso, ao pré natal, é toda uma maneira de viver que é diferenciada. SINTUPERJ: A senhora trabalha com pacientes contaminados por Doenças A médica do Hupe, Iná Meireles, tem 59 anos. Nesta entrevista ao Jornal do Sintuperj, ela fala da luta das mulheres, da militância política durante a Ditadura, da saúde no Rio de Janeiro e dos problemas dos servidores da UERJ. O 8 de Março é um dia de luta Entrevista com Iná Meireles pital tem isso bem claro. As pessoas se desmobilizaram, foram perdendo a garra que tinham no trabalho. Isso tem que ser reconquistado. Mas tem que ter um mínimo de condições no trabalho para a pessoa voltar a ter amor próprio, a querer levantar o ser- viço, a ter consciência da importância do que você faz para a sociedade. SINTUPERJ: Gostaria de deixar al- guma mensagem final? Iná: Temos que lutar sem esquecer que somos mulheres. Muitas vezes a mulher tem uma militância política, mas não tem uma militância que fa- voreça a própria mulher. Muitas vezes a mulher acaba assumindo muito um papel masculino. É importante termos noção de que temos um papel femini- no de transformação. É igual ao dos homens mas não é igual, entendeu? É igual, mas é diferente. Acho que se a gente não perceber isso, acabamos nos masculinizando na hora que a gente passa a ter uma vida pública. SINTUPERJ: Tem alguma fórmula? Iná: Não tem fórmulas [risos]. Se a gente estiver atenta é mais fácil. Durante muito tempo, por uma visão muito ortodoxa da luta da mulher, do negro...eu tinha uma visão de que fazendo a mudança econômica na so- ciedade, mudavam também as outras desigualdades. Hoje, estou convenci- da de que não. Você não pode fazer a revolução socialista no país, se não estiver atento a questões de gênero, racial e culturais. A esquerda mais ortodoxa da qual eu venho, custou muito a perceber isso. Votei contra cotas de mulheres na CUT, um tempo depois percebi que elas eram impor- tantes. Eu acho que a gente tem que fazer autocrítica publicamente. Sexualmente Transmissíveis, inclusive a AIDS. A mulher pobre tem a possibili- dade de se tratar? Iná: Ela tem possibilidade, existe acesso aos serviços, com a dificuldade que todo mundo tem no serviço público de saúde hoje. Ele é desorganizado, principalmente aqui no Rio de Janeiro, um horror. Essa desorganização dificulta esse acesso. SINTUPERJ: A mulher tem consciência de que tem direito à rede pública? Iná: Talvez sim, talvez não. Eu trabalho com prevenção de DST Aids em popula- ção adepta de terreiros de candomblé, umbanda, de religiões afro-brasileiras. Trabalhamos em uma abordagem específica com essas pessoas, com a cultura, com as lendas, etc. É muito interessante. Busca- mos, com isso, aumentar a consciência dos direitos. As pessoas precisam saber que elas têm direitos e têm que brigar por esses direitos. SINTUPERJ: E a luta geral na Uerj? Iná: Complicada. Vai desde a luta salarial, o achatamento salarial já vem de longos tempos, até condições de funcionamento da universidade, e do hospital também. Eu começaria com uma luta simples, por exemplo, um banheiro decente. A gente fica segurando xixi para não entrar no banheiro no campus. Não tem um banhei- ro que funcione decentemente dentro da universidade. Trabalhamos em condições muito ruins. Vai desde a decadência física da universidade, até a necessidade de você oferecer tanto aos alunos, quanto aos usuários da universidade, um serviço de qualidade. Há muito tempo que não tem investimento do governo do estado, só corte de verbas. Tem dois problemas que gostaria de destacar: um objetivo, que é trabalhar em más condições e ficar estres- sada até adoecer; e a outra, é as pessoas irem perdendo o amor ao trabalho. O hos- Iná Meireles: militante revolucionária e feminista