Os intestinos e os processos de
eliminação
Eunice M. Santos
Dennis Owusu-ansah / Dreamstime Stock Photo
Os intestinos exercem várias funções,
sendo as principais a digestão dos
alimentos ingeridos, a absorção dos
componentes nutritivos destes (no
intestino delgado) e a eliminação dos
resíduos que não foram absorvidos (no
intestino grosso).
O intestino delgado tem um
comprimento de cerca de 6 metros e o
cólon de 1 metro a 1,5 metro.
Intestinos e eliminação
Eunice M. Santos
Intestinos e eliminação
Eunice M. Santos
A superfície interior do
intestino delgado não é lisa,
mas apresenta-se com uma
série de pregas muito
pequenas em que estas
invaginações se denominam
de microvilosidades e
permitem aumentar a
superfície interna do
intestino em cerca de 1000
vezes (fig.1).
Fig.1: Vilosidades intestinais
Fonte: http://camilacurymarques.blogspot.pt/2012/06/como-
vai-seu-intestino.html
No intestino delgado encontramos três zonas principais. A primeira
com cerca de 25cm é o duodeno. Esta zona, além de receber os
alimentos semi-digeridos do estômago, recebe ainda os fluídos da
vesícula biliar (bilis) e do pâncreas (sucos digestivos).
A seguir encontramos o jejuno que é difícil de diferenciar da porção
final que é o íleo. O comprimento total pode ir de 5 a 7 metros.
Intestinos e eliminação
Eunice M. Santos
A digestão, que se iniciou na boca e continuou no estômago,
continua agora no duodeno. Aqui são lançados os sucos da
vesícula biliar, a bilis, os sucos digestivos pancreáticos e o
próprio duodeno segrega sucos digestivos.
Os ácidos biliares da bilis que são lançados para o duodeno a
partir da vesícula biliar têm várias funções: a de emulsionarem
as gorduras facilitando a sua digestão e a de impedir certos
microorganismos de proliferarem.
Intestinos e eliminação
Eunice M. Santos
No jejuno continua a digestão das substâncias
alimentares em moléculas cada vez menores. Para
além disto, é aqui que acontece em grande extenção a
absorção dos nutrientes resultantes da digestão, que
através das vilosidades passam para a corrente
sanguínea .
No íleo a digestão de elementos menores é concluída e
continua a absorção destes nutrientes para o sangue,
assim como a absorção dos glóbulos lipídicos para o
sistema linfatico.
Intestinos e eliminação
Eunice M. Santos
Ao nível do íleo, os ácidos gordos
resultantes das gorduras são
absorvidos para o sistema linfático e
os ácidos biliares seguem duas vias:
ou voltam a ser reabsorvidos em
direcção ao fígado ou são
excretados pelas fezes.
A este ciclo vesícula biliar-intestino-
fígado-vesícula bilar dá-se o nome
de ciclo entero-hepático.
Intestinos e eliminação
Figado
Vesícula biliar
Duodeno
Jejuno
Íleo
Intestino grosso
Ciclo
Entero-
hepático
Eliminação
Eunice M. Santos
Este ciclo entero-hepático tem importância
nos processos de destoxificação, pois tóxicos
que sejam excretados via vesícula bilar
apresentam um tempo de eliminação maior,
precisamente porque podem em parte entrar
neste ciclo e não serem totalmente
eliminados numa primeira vez.
Intestinos e eliminação
Eunice M. Santos
O intestino grosso é formado pelo ceco, cólon
ascendente (abdomén direito), cólon transverso, cólon
descendente (abdómen esquerdo) e recto. Não possui
vilosidades nem segrega sucos digestivos.
A função principal deste orgão é a reabsorção de água
e de sais minerais, ainda presentes nos resíduos, de
volta ao sangue pois o organismo não pode perder
demasiada água.
Esta reabsorção de água permite condensar os
resíduos para formar fezes de consistência adequada
para a sua evacuação.
Intestinos e eliminação
Eunice M. Santos
Intestinos e eliminação
Eunice M. Santos
O ideal é pelo menos uma evacuação por dia para que
não haja acumulação demasiada de resíduos. Tempos
maiores de retenção das fezes levam à formação de
blocos de resíduos mais secos, mais difíceis de
expulsar e tornam-se focos de inflamação e infecção
local.
Para além disto, estes resíduos secos e em pequenas
bolas fazem pressão nas paredes intestinais e podem
dar origem a divertículos, pequenas reentrâncias na
parede intestinal onde as fezes se acumulam e
causam danos nas mucosas.
Ao nível do intestino grosso habitam muitas bactérias e
fungos, a flora intestinal, que digerem resíduos que o
organismo não aproveitou, produzem vitaminas K e do
complexo B, protegem as mucosas de outros
microorganismos, nomeadamente os patogénicos, pois
competem com estes por alimento e /ou produzem
substâncias que lhes são nocivas.
Para além destas vantagens, a flora microbiana
benéfica produz como resultado do seu metabolismo
alguns compostos que vão proteger as mucosas
intestinais de diversas doenças, entre elas o cancro do
cólon.
Intestinos e eliminação
Eunice M. Santos
Para um bom processo de eliminação intestinal é
importante o consumo de fibras alimentares e a ingestão
de líquidos, principalmente de água.
Apesar das fibras não serem digeridas pelos sucos
digestivos, elas vão absorver água e substâncias que
podem ser tóxicas, assim como algumas destas fibras,
as mais solúveis, absorvem excesso de lípidos e de
açúcares.
Isto significa que elas também desempenham um papel
muito importante nos processos de depuração e limpeza
do organismo, facilitando a eliminação de toxinas.
Intestinos e eliminação
Eunice M. Santos
As fibras alimentares são também a principal fonte
alimentar da flora intestinal benéfica, permitindo que
esta se mantenha.
A ingestão de alimentos ricos em fibras alimentares
é o nosso contributo para manter a relação de
benefício mútuo entre nós e os microorganismos que
vivem nos intestinos, para além de potenciar a nossa
saúde em geral.
Intestinos e eliminação
Eunice M. Santos
Uma grande parte do sistema imunitário encontra-se
nos intestinos onde se estabelecem relações fortes e
complexas, desde anticorpos que protegem as
mucosas até estruturas nódulares como são as
placas de Peyer. Estas fazem parte do tecido linfóide
associado ao intestino (em inglês GALT – Gut
Associated Linfoid Tissue) e funcionam como
sensores do sistema imunológico intestinal.
Intestinos e eliminação
Eunice M. Santos
Não esquecer que tudo o que fizermos para a
saúde dos nossos intestinos vai ter repercussões
em todo o organismo, pois estão em contacto
permanente com a corrente sanguínea e linfática e
com o sistema imunitário.
Por sua vez, sangue, linfa e sistema imunitário
estão em ligação com todas as nossas células.
Intestinos e eliminação
Eunice M. Santos
Intestinos e eliminação
Eunice M. Santos
Para terminar, é importante salientar que um bom
processo de eliminação é fundamental para:
Manter a saúde intestinal;
Manter a saúde do sistema imunitário;
Manter o peso e evitar a obesidade;
Auxiliar a perda de peso;
Facilitar a eliminação de toxinas;
Manter a saúde geral.

Intestinos e processos eliminacao

  • 1.
    Os intestinos eos processos de eliminação Eunice M. Santos Dennis Owusu-ansah / Dreamstime Stock Photo
  • 2.
    Os intestinos exercemvárias funções, sendo as principais a digestão dos alimentos ingeridos, a absorção dos componentes nutritivos destes (no intestino delgado) e a eliminação dos resíduos que não foram absorvidos (no intestino grosso). O intestino delgado tem um comprimento de cerca de 6 metros e o cólon de 1 metro a 1,5 metro. Intestinos e eliminação Eunice M. Santos
  • 3.
    Intestinos e eliminação EuniceM. Santos A superfície interior do intestino delgado não é lisa, mas apresenta-se com uma série de pregas muito pequenas em que estas invaginações se denominam de microvilosidades e permitem aumentar a superfície interna do intestino em cerca de 1000 vezes (fig.1). Fig.1: Vilosidades intestinais Fonte: http://camilacurymarques.blogspot.pt/2012/06/como- vai-seu-intestino.html
  • 4.
    No intestino delgadoencontramos três zonas principais. A primeira com cerca de 25cm é o duodeno. Esta zona, além de receber os alimentos semi-digeridos do estômago, recebe ainda os fluídos da vesícula biliar (bilis) e do pâncreas (sucos digestivos). A seguir encontramos o jejuno que é difícil de diferenciar da porção final que é o íleo. O comprimento total pode ir de 5 a 7 metros. Intestinos e eliminação Eunice M. Santos
  • 5.
    A digestão, quese iniciou na boca e continuou no estômago, continua agora no duodeno. Aqui são lançados os sucos da vesícula biliar, a bilis, os sucos digestivos pancreáticos e o próprio duodeno segrega sucos digestivos. Os ácidos biliares da bilis que são lançados para o duodeno a partir da vesícula biliar têm várias funções: a de emulsionarem as gorduras facilitando a sua digestão e a de impedir certos microorganismos de proliferarem. Intestinos e eliminação Eunice M. Santos
  • 6.
    No jejuno continuaa digestão das substâncias alimentares em moléculas cada vez menores. Para além disto, é aqui que acontece em grande extenção a absorção dos nutrientes resultantes da digestão, que através das vilosidades passam para a corrente sanguínea . No íleo a digestão de elementos menores é concluída e continua a absorção destes nutrientes para o sangue, assim como a absorção dos glóbulos lipídicos para o sistema linfatico. Intestinos e eliminação Eunice M. Santos
  • 7.
    Ao nível doíleo, os ácidos gordos resultantes das gorduras são absorvidos para o sistema linfático e os ácidos biliares seguem duas vias: ou voltam a ser reabsorvidos em direcção ao fígado ou são excretados pelas fezes. A este ciclo vesícula biliar-intestino- fígado-vesícula bilar dá-se o nome de ciclo entero-hepático. Intestinos e eliminação Figado Vesícula biliar Duodeno Jejuno Íleo Intestino grosso Ciclo Entero- hepático Eliminação Eunice M. Santos
  • 8.
    Este ciclo entero-hepáticotem importância nos processos de destoxificação, pois tóxicos que sejam excretados via vesícula bilar apresentam um tempo de eliminação maior, precisamente porque podem em parte entrar neste ciclo e não serem totalmente eliminados numa primeira vez. Intestinos e eliminação Eunice M. Santos
  • 9.
    O intestino grossoé formado pelo ceco, cólon ascendente (abdomén direito), cólon transverso, cólon descendente (abdómen esquerdo) e recto. Não possui vilosidades nem segrega sucos digestivos. A função principal deste orgão é a reabsorção de água e de sais minerais, ainda presentes nos resíduos, de volta ao sangue pois o organismo não pode perder demasiada água. Esta reabsorção de água permite condensar os resíduos para formar fezes de consistência adequada para a sua evacuação. Intestinos e eliminação Eunice M. Santos
  • 10.
    Intestinos e eliminação EuniceM. Santos O ideal é pelo menos uma evacuação por dia para que não haja acumulação demasiada de resíduos. Tempos maiores de retenção das fezes levam à formação de blocos de resíduos mais secos, mais difíceis de expulsar e tornam-se focos de inflamação e infecção local. Para além disto, estes resíduos secos e em pequenas bolas fazem pressão nas paredes intestinais e podem dar origem a divertículos, pequenas reentrâncias na parede intestinal onde as fezes se acumulam e causam danos nas mucosas.
  • 11.
    Ao nível dointestino grosso habitam muitas bactérias e fungos, a flora intestinal, que digerem resíduos que o organismo não aproveitou, produzem vitaminas K e do complexo B, protegem as mucosas de outros microorganismos, nomeadamente os patogénicos, pois competem com estes por alimento e /ou produzem substâncias que lhes são nocivas. Para além destas vantagens, a flora microbiana benéfica produz como resultado do seu metabolismo alguns compostos que vão proteger as mucosas intestinais de diversas doenças, entre elas o cancro do cólon. Intestinos e eliminação Eunice M. Santos
  • 12.
    Para um bomprocesso de eliminação intestinal é importante o consumo de fibras alimentares e a ingestão de líquidos, principalmente de água. Apesar das fibras não serem digeridas pelos sucos digestivos, elas vão absorver água e substâncias que podem ser tóxicas, assim como algumas destas fibras, as mais solúveis, absorvem excesso de lípidos e de açúcares. Isto significa que elas também desempenham um papel muito importante nos processos de depuração e limpeza do organismo, facilitando a eliminação de toxinas. Intestinos e eliminação Eunice M. Santos
  • 13.
    As fibras alimentaressão também a principal fonte alimentar da flora intestinal benéfica, permitindo que esta se mantenha. A ingestão de alimentos ricos em fibras alimentares é o nosso contributo para manter a relação de benefício mútuo entre nós e os microorganismos que vivem nos intestinos, para além de potenciar a nossa saúde em geral. Intestinos e eliminação Eunice M. Santos
  • 14.
    Uma grande partedo sistema imunitário encontra-se nos intestinos onde se estabelecem relações fortes e complexas, desde anticorpos que protegem as mucosas até estruturas nódulares como são as placas de Peyer. Estas fazem parte do tecido linfóide associado ao intestino (em inglês GALT – Gut Associated Linfoid Tissue) e funcionam como sensores do sistema imunológico intestinal. Intestinos e eliminação Eunice M. Santos
  • 15.
    Não esquecer quetudo o que fizermos para a saúde dos nossos intestinos vai ter repercussões em todo o organismo, pois estão em contacto permanente com a corrente sanguínea e linfática e com o sistema imunitário. Por sua vez, sangue, linfa e sistema imunitário estão em ligação com todas as nossas células. Intestinos e eliminação Eunice M. Santos
  • 16.
    Intestinos e eliminação EuniceM. Santos Para terminar, é importante salientar que um bom processo de eliminação é fundamental para: Manter a saúde intestinal; Manter a saúde do sistema imunitário; Manter o peso e evitar a obesidade; Auxiliar a perda de peso; Facilitar a eliminação de toxinas; Manter a saúde geral.