“O POTENCIAL INESPLORADO DAS NOSSAS HIDROVIAS”
Informativo Mensal - Volume 52
Hoje estamos vivenciando no País as consequências de um modal de
transporte, em que mais de 60% é rodoviário. Neste momento de crise
surgem vários questionamentos sobre o potencial das nossas hidrovias,
acreditamos ser oportuno, nesta edição, explorarmos um pouco mais
sobre este importante tema.
APENAS 4% DE TODA A CARGA BRASILEIRA É
TRANSPORTADA ATRAVÉS DOS RIOS!
Desde 2009, atendendo a um pedido do Governo do Estadual, a
Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo
Realiza estudos de como utilizar os rios e represas da capital paulista
para criar um grande anel hidroviário. A rede de transportes hidroviários
deverá ser implantada em São Paulo até 2040, mas já é muito comum
em outras partes do país e regiões metropolitanas de outros países.
Até 2040, São Paulo terá um anel hidroviário de 170km de extensão, que
passará por 15 municípios da Região Metropolitana (Foto: Divulgação/
Grupo Metrópole Fluvial)
A VOZ DO TIETÊ
Desde 2005 o Instituto Navega
São Paulo tem o objetivo de
atrair a atenção da população
para o rio Tietê a partir do seu
trecho mais degradado que é a
região metropolitana de São
Paulo. Conseguimos atingir
nosso proposito por meio das
navegações monitoradas na
embarcação Almirante do Lago,
entre as pontes dos Remédios e
das Bandeiras. Agora nossa
proposta com este informativo
mensal é atrair sua atenção,
levando até você informações
sobre o nosso Tietê para que
juntos identifiquemos o que
fazer para revitalizar tão
precioso patrimônio ambiental.
DIA DO TIETÊ 22.09.2011 – PTE. DAS BANDEIRAS
Ligando os rios Tietê e Pinheiros e as represas Billings e Taiaçupeba, o anel hidroviário terá 170km de comprimento e
vai passar por 15 municípios da Grande São Paulo. Alexandre Delijaicov, professor da FAU-USP e coordenador do
Grupo Metrópole Fluvial, explica que será construído um canal entre as duas barragens, além de estruturas que
cuidem do lixo da cidade, eliminando os aterros sanitários.
“Vamos construir três
triportos na Região
Metropolitana. Eles
integrarão hidrovias,
rodovias e ferrovias com o
objetivo de acabar com os
aterros na cidade”, comenta
Alexandre. Ele explica que os
triportos servirão para
transformar entulho, lixo
doméstico, terra de
escavação, lodo e resíduos
de estações de tratamento
em materiais que poderão
ser reaproveitados, não
apenas na capital paulista, mas também em outras cidades e estados. Esse transporte intermunicipal será realizado
por caminhões e trens.
Alexandre destaca que o
hidroanel de São Paulo
será voltado para a
própria cidade. “Não
estamos planejando
fazer o transporte para
outras regiões do país
através dos rios. O
hidroanel vai transportar
material produzido na
cidade para a própria
cidade”, comenta. A
princípio, as hidrovias
paulistas serão utilizadas
para saneamento, mas
também poderão ser
usadas para transporte
de passageiros e lazer.
POTENCIAL SUBAPROVEITADO
De acordo com relatório da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), o Brasil tem cerca de 13 mil
quilômetros de hidrovias economicamente utilizáveis. Se fossem realizadas as obras estruturais adequadas, além da
exploração de outros rios e lagos com potencial econômico, a malha hidroviária do Brasil poderia chegar a 63 mil
quilômetros.
Apesar desse potencial, o volume de cargas transportadas
nos rios brasileiros ainda é muito pequeno. Anualmente,
navegam pelas hidrovias nacionais cerca de 45 milhões de
toneladas de carga, o que equivale a apenas 4% do total
transportado em todo o Brasil. Para fins de comparação, as
estradas brasileiras são responsáveis por 58% da
movimentação de cargas, o que equivale a 652,5 milhões de
toneladas.
O investimento em hidrovias traria ao país uma série de
vantagens econômicas e ambientais. O estudo aponta que o
transporte de cargas através dos rios tem eficiência
energética 29 vezes maior do que nas rodovias, além de
consumir 19 vezes menos combustíveis. Com isso, a poluição emitida pelos barcos é seis vezes menor que aquela
produzida pelos caminhões que transportariam a mesma quantidade de carga.
Pelo viés econômico, as hidrovias também representam a forma mais vantajosa de se transportar carga por longas
distâncias. O frete hidroviário de produtos agrícolas e minerais é duas vezes menor que o ferroviário e quatro vezes
mais baixo que o rodoviário. Atualmente, o Governo subsidia 1 bilhão de reais para o escoamento da produção
agrícola através de rodovias. Se o escoamento fosse feito pelos rios, o gasto seria muito menor.
HIDROVIAS PELO MUNDO
O modelo de hidrovia que São Paulo deverá receber nas próximas décadas é semelhante àqueles existentes em
cidades da Europa, como Londres, Paris, Moscou e Viena.
Não só na Europa, mas também na Ásia e América há grandes - e antigos - projetos de hidrovias. O rio artificial mais
antigo do mundo é o Grande Canal Jing-Han, na China. Em 605, o imperador Yang Guang ordenou a construção de
um grande canal entre Pequim e Hangzhou, utilizando trechos construidos em, pelo menos 486 a.C. A obra foi
concluída em meados de 1280 e hoje é considerado o maior canal do mundo, com 1.776km.
Alexandre destaca também os canais construídos pelos
astecas, na época da fundação da antiga capital do império,
Tenochtitlán, por volta de 1325. Criada em um arquipélago, a
cidade tinha um complexo sistema de canais que permitiam a
passagem de canoas e barcaças maiores, utilizada para a
limpeza das ruas. Hoje, porém, os canais não existem mais.
Quando os colonos espanhóis chegaram ao México,
destruíram grande parte dos diques construídos pelos
astecas, diminuindo a área do Lago Texoco. "Grande parte da
Cidade do México está localizada no antigo leito do lago. Isso
explica a grande instabilidade do solo local", comenta o
professor.
Hoje, a hidrovia é um dos principais modos de se transportar cargas e passageiros pela Europa. As principais capitais
europeias, como Londres, Paris, Berlim, Moscou, Viena e Amsterdã são pontos de convergência de hidrovias que as
ligam às demais cidades de seus territórios e a países vizinhos. De acordo com a Inland Navigation Europe,
companhia que promove o uso da navegação, o continente conta com 40 mil quilômetros de hidrovias.
A rede de hidrovias da Inglaterra contribuiu para a
Revolução Industrial no fim do Século 18
Um exemplo de país interligado por canais
artificiais é o Reino Unido. “A navegação entre
cidades britânicas feita pelo mar era muito
perigosa. Por isso, os ingleses construíram cerca de
8 mil quilômetros de canais no Século 18”. Na
verdade, de acordo com o professor, a Revolução
Industrial só foi possível graças às hidrovias
britânicas. Em uma época em que ainda não
existiam ferrovias, os rios e canais possibilitaram
um grande escoamento de produtos, além da
transferência de material e de tecnologia para se
construir fábricas longe de Londres.
Carta da Terra – Princípios
Avançar o estudo da sustentabilidade ecológica e promover a troca aberta e a
ampla aplicação do conhecimento adquirido.
Apoiar a cooperação científica e técnica internacional relacionada a
sustentabilidade, com especial atenção às necessidades das nações em
desenvolvimento.

Informativo insp 52

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    “O POTENCIAL INESPLORADODAS NOSSAS HIDROVIAS” Informativo Mensal - Volume 52 Hoje estamos vivenciando no País as consequências de um modal de transporte, em que mais de 60% é rodoviário. Neste momento de crise surgem vários questionamentos sobre o potencial das nossas hidrovias, acreditamos ser oportuno, nesta edição, explorarmos um pouco mais sobre este importante tema. APENAS 4% DE TODA A CARGA BRASILEIRA É TRANSPORTADA ATRAVÉS DOS RIOS! Desde 2009, atendendo a um pedido do Governo do Estadual, a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo Realiza estudos de como utilizar os rios e represas da capital paulista para criar um grande anel hidroviário. A rede de transportes hidroviários deverá ser implantada em São Paulo até 2040, mas já é muito comum em outras partes do país e regiões metropolitanas de outros países. Até 2040, São Paulo terá um anel hidroviário de 170km de extensão, que passará por 15 municípios da Região Metropolitana (Foto: Divulgação/ Grupo Metrópole Fluvial) A VOZ DO TIETÊ Desde 2005 o Instituto Navega São Paulo tem o objetivo de atrair a atenção da população para o rio Tietê a partir do seu trecho mais degradado que é a região metropolitana de São Paulo. Conseguimos atingir nosso proposito por meio das navegações monitoradas na embarcação Almirante do Lago, entre as pontes dos Remédios e das Bandeiras. Agora nossa proposta com este informativo mensal é atrair sua atenção, levando até você informações sobre o nosso Tietê para que juntos identifiquemos o que fazer para revitalizar tão precioso patrimônio ambiental. DIA DO TIETÊ 22.09.2011 – PTE. DAS BANDEIRAS
  • 2.
    Ligando os riosTietê e Pinheiros e as represas Billings e Taiaçupeba, o anel hidroviário terá 170km de comprimento e vai passar por 15 municípios da Grande São Paulo. Alexandre Delijaicov, professor da FAU-USP e coordenador do Grupo Metrópole Fluvial, explica que será construído um canal entre as duas barragens, além de estruturas que cuidem do lixo da cidade, eliminando os aterros sanitários. “Vamos construir três triportos na Região Metropolitana. Eles integrarão hidrovias, rodovias e ferrovias com o objetivo de acabar com os aterros na cidade”, comenta Alexandre. Ele explica que os triportos servirão para transformar entulho, lixo doméstico, terra de escavação, lodo e resíduos de estações de tratamento em materiais que poderão ser reaproveitados, não apenas na capital paulista, mas também em outras cidades e estados. Esse transporte intermunicipal será realizado por caminhões e trens.
  • 3.
    Alexandre destaca queo hidroanel de São Paulo será voltado para a própria cidade. “Não estamos planejando fazer o transporte para outras regiões do país através dos rios. O hidroanel vai transportar material produzido na cidade para a própria cidade”, comenta. A princípio, as hidrovias paulistas serão utilizadas para saneamento, mas também poderão ser usadas para transporte de passageiros e lazer. POTENCIAL SUBAPROVEITADO De acordo com relatório da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), o Brasil tem cerca de 13 mil quilômetros de hidrovias economicamente utilizáveis. Se fossem realizadas as obras estruturais adequadas, além da exploração de outros rios e lagos com potencial econômico, a malha hidroviária do Brasil poderia chegar a 63 mil quilômetros. Apesar desse potencial, o volume de cargas transportadas nos rios brasileiros ainda é muito pequeno. Anualmente, navegam pelas hidrovias nacionais cerca de 45 milhões de toneladas de carga, o que equivale a apenas 4% do total transportado em todo o Brasil. Para fins de comparação, as estradas brasileiras são responsáveis por 58% da movimentação de cargas, o que equivale a 652,5 milhões de toneladas. O investimento em hidrovias traria ao país uma série de vantagens econômicas e ambientais. O estudo aponta que o transporte de cargas através dos rios tem eficiência energética 29 vezes maior do que nas rodovias, além de consumir 19 vezes menos combustíveis. Com isso, a poluição emitida pelos barcos é seis vezes menor que aquela produzida pelos caminhões que transportariam a mesma quantidade de carga. Pelo viés econômico, as hidrovias também representam a forma mais vantajosa de se transportar carga por longas distâncias. O frete hidroviário de produtos agrícolas e minerais é duas vezes menor que o ferroviário e quatro vezes mais baixo que o rodoviário. Atualmente, o Governo subsidia 1 bilhão de reais para o escoamento da produção agrícola através de rodovias. Se o escoamento fosse feito pelos rios, o gasto seria muito menor. HIDROVIAS PELO MUNDO O modelo de hidrovia que São Paulo deverá receber nas próximas décadas é semelhante àqueles existentes em cidades da Europa, como Londres, Paris, Moscou e Viena. Não só na Europa, mas também na Ásia e América há grandes - e antigos - projetos de hidrovias. O rio artificial mais antigo do mundo é o Grande Canal Jing-Han, na China. Em 605, o imperador Yang Guang ordenou a construção de um grande canal entre Pequim e Hangzhou, utilizando trechos construidos em, pelo menos 486 a.C. A obra foi concluída em meados de 1280 e hoje é considerado o maior canal do mundo, com 1.776km.
  • 4.
    Alexandre destaca tambémos canais construídos pelos astecas, na época da fundação da antiga capital do império, Tenochtitlán, por volta de 1325. Criada em um arquipélago, a cidade tinha um complexo sistema de canais que permitiam a passagem de canoas e barcaças maiores, utilizada para a limpeza das ruas. Hoje, porém, os canais não existem mais. Quando os colonos espanhóis chegaram ao México, destruíram grande parte dos diques construídos pelos astecas, diminuindo a área do Lago Texoco. "Grande parte da Cidade do México está localizada no antigo leito do lago. Isso explica a grande instabilidade do solo local", comenta o professor. Hoje, a hidrovia é um dos principais modos de se transportar cargas e passageiros pela Europa. As principais capitais europeias, como Londres, Paris, Berlim, Moscou, Viena e Amsterdã são pontos de convergência de hidrovias que as ligam às demais cidades de seus territórios e a países vizinhos. De acordo com a Inland Navigation Europe, companhia que promove o uso da navegação, o continente conta com 40 mil quilômetros de hidrovias. A rede de hidrovias da Inglaterra contribuiu para a Revolução Industrial no fim do Século 18 Um exemplo de país interligado por canais artificiais é o Reino Unido. “A navegação entre cidades britânicas feita pelo mar era muito perigosa. Por isso, os ingleses construíram cerca de 8 mil quilômetros de canais no Século 18”. Na verdade, de acordo com o professor, a Revolução Industrial só foi possível graças às hidrovias britânicas. Em uma época em que ainda não existiam ferrovias, os rios e canais possibilitaram um grande escoamento de produtos, além da transferência de material e de tecnologia para se construir fábricas longe de Londres. Carta da Terra – Princípios Avançar o estudo da sustentabilidade ecológica e promover a troca aberta e a ampla aplicação do conhecimento adquirido. Apoiar a cooperação científica e técnica internacional relacionada a sustentabilidade, com especial atenção às necessidades das nações em desenvolvimento.