“A REVITALIZAÇÃO DOS RIOS NO MUNDO!”
Informativo Mensal - Volume 79
EXEMPLO A SER SEGUIDO!
Quem vê a água limpa descendo pelo rio Cheonggyecheon, em
Seul, na Coréia do Sul, e pode usufruir das áreas verdes que
tornaram o centro de cidade mais agradável, não imagina que, até
o início desta década de 2000, aquela era apenas mais uma zona
urbana degradada, a exemplo de tantas outras pelo mundo afora.
Para garantir a recuperação ambiental, a prefeitura local tomou
decisões radicais, incluindo a demolição de um viaduto que cobria
esse canal urbano totalmente poluído. Cerca de 620 mil toneladas
de concreto foram ao chão e investimentos de US$ 380 milhões
tornaram realidade o que parecia impossível: assegurar a melhoria
da qualidade de vida dos cidadãos a partir da paisagem
restaurada.
Rio Cheonggyecheon, em Seul, na Coréia do Sul. antes da demolição do viaduto que
cobria o canal.
A VOZ DOS RIOS!
Desde 2005 o Instituto Navega São
Paulo tem o objetivo de atrair a
atenção da população para os rios
Pinheiros e Tietê, a partir dos seus
trechos mais degradados que é na
região metropolitana de São Paulo.
Por anos, conseguimos atingir
nossos propósitos por meio das
navegações monitoradas na
embarcação Almirante do Lago,
entre as pontes dos Remédios e
das Bandeiras no rio Tietê. Agora
nossa proposta, nesta nova
década, é darmos início ao projeto
“Viva o rio Pinheiros" e
continuarmos com este
informativo mensal para contar
com a sua atenção, levando até
você informações sobre os nossos
rios e juntos identificarmos o que
podemos fazer para revitalizá-los.
DIA DO TIETÊ 22.09.2011 – PTE. DAS BANDEIRAS
A recuperação do rio Cheonggyecheon é
considerada uma referência mundial em
humanização de cidades, não só pela
despoluição das águas, mas pela
construção de parques lineares que
devolveram o contato das margens aos
moradores da cidade que é a sétima
maior do mundo em número de
habitantes? tem 10,3 milhões de
pessoas.
O concreto do viaduto derrubado foi
reciclado, e as obras de recuperação,
iniciadas em meados de 2003. Três anos depois, parte do canal de 80 metros de largura foi aberto ao
público.
Para facilitar o acesso ao local, além da
construção de novas pontes, o sistema
de transporte coletivo foi ampliado, o
que significou uma redução no número
de veículos nos arredores. As
interferências urbanísticas e as obras de
melhoria ambiental fizeram a
temperatura na área do canal cair em
média 3,6°C em relação a outras regiões
da cidade.
O projeto entregou aos moradores da
região áreas verdes que totalizam 400
hectares.
Esse é certamente um belo exemplo de
melhoria da qualidade de vida da
população e é importante destacar que
para realizar o projeto e demolir o
viaduto por onde passavam
aproximadamente 160 mil automóveis
por dia a prefeitura de Seul enfrentou
resistências, sobretudo de comerciantes,
que foram realocados. Símbolo da
expansão urbana e da busca por
soluções para dar conta do incremento
do tráfego no centro da cidade, aquela
estrutura de concreto, com seis pistas de
alta velocidade, havia coberto
totalmente o antigo canal, onde no passado, as mulheres lavavam roupas.
SEM VIADUTO E COM MENOS TRÂNSITO
A polêmica obra da prefeitura de Seul começou em 1999. O prefeito daquela época Lee Myung Bak, foi o
responsável pela mobilização para despoluir o canal, demolir o viaduto e criar os parques lineares. Para
tocar a empreitada foi chamado o urbanista Kee Yeon Hwang, que, após várias consultas à população,
desenvolveu o projeto de recuperação ambiental e urbanística. A equipe dele também passou mais de seis
meses investigando alternativas para melhorar o tráfego.
Foi criado um semianel viário para desviar o tráfego da área do antigo viaduto.
A cidade passou a respirar mais e o pedestre pode vê-la melhor. Para os urbanistas, Seul conseguiu uma
proeza que parece impossível para outras metrópoles mundiais, entre as quais São Paulo.
No caso da capital paulista, arquitetos citam o Minhocão, viaduto que, além de interferir negativamente na
paisagem, concentra degradação social e ambiental no seu entorno, problema que considera desafiador
quando se pensa na sustentabilidade das cidades. Ao elaborar um projeto, o urbanista tem que pensar em
questões que transcendem os limites da arquitetura. Isso inclui os problemas sociais que uma obra pode
evidenciar no longo prazo afirmam.
INSPIRAÇÃO CURITIBANA
Seul, como Barcelona, na Espanha, é um exemplo
de metrópole cujo espaço urbano foi fortemente
requalificado para sediar os Jogos Olímpicos. A
recuperação do rio no centro da cidade é
continuidade do processo de outras grandes
reformas estruturais que ficaram como legado da
Olimpíada de 1988. As preocupações com o
crescimento do tráfego de veículos, no entanto,
levaram gestores coreanos a buscarem experiências
inovadoras ao redor do mundo a de Curitiba é uma
delas.
Na capital sul-coreana, por onde circulam 2,8
milhões de automóveis, o sistema de ônibus
transporta 25% dos passageiros da cidade,
enquanto o metrô faz 35% dos deslocamentos. Seul
se inspirou no projeto desenvolvido em Curitiba, de
vias segregadas. Essas pistas, exclusivas para ônibus,
começaram a tomar forma em 1974 e
transformaram Curitiba em referência de cidade
que melhorou a infraestrutura viária para dar vazão
ao transporte de massa.
A paisagem urbana preservada, ou revitalizada, é
parte da qualidade de vida nas cidades. É por isso
que, ao pensar em ampliar as soluções de
transporte urbano, Curitiba construiu o metrô
aproveitando canaletas criadas para as vias segregadas. Escavando apenas sete metros e sem necessidade
de desapropriar imóveis, os custos das obras caíram, além de o impacto ambiental ser menor.
RIOS TIETÊ E PINHEIROS
No caso de São Paulo, com um programa complexo como a despoluição dos rios Tietê e Pinheiros, um dos
grandes desafios, em nossa opinião, é fazer com que a população se aproxime dos espaços cortados pelos
rios. Como fazer isso em áreas adensadas ao longo das marginais Pinheiros e Tietê? Essa, certamente, é
uma questão relevante. Pois entendemos que a cidade precisa de humanização, e os rios têm papel
fundamental nesse processo.
Já o professor Mário Thadeu Leme de Barros, da Universidade de São Paulo (USP), afirma: “Ainda temos
grandes problemas sociais a resolver, o que torna complexos projetos de grande porte como é o caso da
despoluição dos rios Pinheiros e Tietê”.
É POSSÍVEL REVITALIZARMOS NOSSOS
RIOS EM SÃO PAULO?
Entendemos que é um grande e fundamental passo
melhorar a qualidade das águas do rio Pinheiros que
possui 25 quilômetros, fluindo nas regiões sul e oeste
da cidade sendo um importante afluente do rio Tietê.
E assim, somar para avançar nas marcas conquistadas
no Projeto Tietê de despoluição e saneamento,
iniciado em 1992, o qual contribuiu com a redução da
mancha de sujeiras de 530 quilômetros registrada em
1992 para 160 quilômetros durante está década.
Podemos considerar que o Projeto Tietê em São Paulo
alcançou resultados positivos. Pois entre 1991 e 1992,
a mancha crítica de poluição causada pelo lançamento
de esgoto sem tratamento no Tietê chegava a Barra
Bonita, a cerca de 300 km da capital.
Hoje ela foi reduzida a 160 km e alcança os municípios de Pirapora e Salto. Esse é o tipo de iniciativa que
tem resultados a médio e longo prazo, principalmente se somado a programas de conscientização
socioambiental da população.
A recuperação do Tâmisa [rio que corta Londres], por exemplo, levou mais de 100 anos. No Oriente, apesar
de menos complexo, o problema foi solucionado rapidamente. É torcer para que eles nos inspirem nas
tomadas de decisões por aqui.
Carta da Terra – Princípios
Assegurar a generosidade e a beleza da Terra para as atuais e às futuras
gerações.
Transmitir às futuras gerações valores, tradições e instituições que apoiem a
prosperidade das comunidades humanas e ecológicas da Terra a longo prazo.

Informativo INSP 79

  • 1.
    “A REVITALIZAÇÃO DOSRIOS NO MUNDO!” Informativo Mensal - Volume 79 EXEMPLO A SER SEGUIDO! Quem vê a água limpa descendo pelo rio Cheonggyecheon, em Seul, na Coréia do Sul, e pode usufruir das áreas verdes que tornaram o centro de cidade mais agradável, não imagina que, até o início desta década de 2000, aquela era apenas mais uma zona urbana degradada, a exemplo de tantas outras pelo mundo afora. Para garantir a recuperação ambiental, a prefeitura local tomou decisões radicais, incluindo a demolição de um viaduto que cobria esse canal urbano totalmente poluído. Cerca de 620 mil toneladas de concreto foram ao chão e investimentos de US$ 380 milhões tornaram realidade o que parecia impossível: assegurar a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos a partir da paisagem restaurada. Rio Cheonggyecheon, em Seul, na Coréia do Sul. antes da demolição do viaduto que cobria o canal. A VOZ DOS RIOS! Desde 2005 o Instituto Navega São Paulo tem o objetivo de atrair a atenção da população para os rios Pinheiros e Tietê, a partir dos seus trechos mais degradados que é na região metropolitana de São Paulo. Por anos, conseguimos atingir nossos propósitos por meio das navegações monitoradas na embarcação Almirante do Lago, entre as pontes dos Remédios e das Bandeiras no rio Tietê. Agora nossa proposta, nesta nova década, é darmos início ao projeto “Viva o rio Pinheiros" e continuarmos com este informativo mensal para contar com a sua atenção, levando até você informações sobre os nossos rios e juntos identificarmos o que podemos fazer para revitalizá-los. DIA DO TIETÊ 22.09.2011 – PTE. DAS BANDEIRAS
  • 2.
    A recuperação dorio Cheonggyecheon é considerada uma referência mundial em humanização de cidades, não só pela despoluição das águas, mas pela construção de parques lineares que devolveram o contato das margens aos moradores da cidade que é a sétima maior do mundo em número de habitantes? tem 10,3 milhões de pessoas. O concreto do viaduto derrubado foi reciclado, e as obras de recuperação, iniciadas em meados de 2003. Três anos depois, parte do canal de 80 metros de largura foi aberto ao público. Para facilitar o acesso ao local, além da construção de novas pontes, o sistema de transporte coletivo foi ampliado, o que significou uma redução no número de veículos nos arredores. As interferências urbanísticas e as obras de melhoria ambiental fizeram a temperatura na área do canal cair em média 3,6°C em relação a outras regiões da cidade. O projeto entregou aos moradores da região áreas verdes que totalizam 400 hectares. Esse é certamente um belo exemplo de melhoria da qualidade de vida da população e é importante destacar que para realizar o projeto e demolir o viaduto por onde passavam aproximadamente 160 mil automóveis por dia a prefeitura de Seul enfrentou resistências, sobretudo de comerciantes, que foram realocados. Símbolo da expansão urbana e da busca por soluções para dar conta do incremento do tráfego no centro da cidade, aquela estrutura de concreto, com seis pistas de alta velocidade, havia coberto totalmente o antigo canal, onde no passado, as mulheres lavavam roupas.
  • 3.
    SEM VIADUTO ECOM MENOS TRÂNSITO A polêmica obra da prefeitura de Seul começou em 1999. O prefeito daquela época Lee Myung Bak, foi o responsável pela mobilização para despoluir o canal, demolir o viaduto e criar os parques lineares. Para tocar a empreitada foi chamado o urbanista Kee Yeon Hwang, que, após várias consultas à população, desenvolveu o projeto de recuperação ambiental e urbanística. A equipe dele também passou mais de seis meses investigando alternativas para melhorar o tráfego. Foi criado um semianel viário para desviar o tráfego da área do antigo viaduto. A cidade passou a respirar mais e o pedestre pode vê-la melhor. Para os urbanistas, Seul conseguiu uma proeza que parece impossível para outras metrópoles mundiais, entre as quais São Paulo. No caso da capital paulista, arquitetos citam o Minhocão, viaduto que, além de interferir negativamente na paisagem, concentra degradação social e ambiental no seu entorno, problema que considera desafiador quando se pensa na sustentabilidade das cidades. Ao elaborar um projeto, o urbanista tem que pensar em questões que transcendem os limites da arquitetura. Isso inclui os problemas sociais que uma obra pode evidenciar no longo prazo afirmam. INSPIRAÇÃO CURITIBANA Seul, como Barcelona, na Espanha, é um exemplo de metrópole cujo espaço urbano foi fortemente requalificado para sediar os Jogos Olímpicos. A recuperação do rio no centro da cidade é continuidade do processo de outras grandes reformas estruturais que ficaram como legado da Olimpíada de 1988. As preocupações com o crescimento do tráfego de veículos, no entanto, levaram gestores coreanos a buscarem experiências inovadoras ao redor do mundo a de Curitiba é uma delas. Na capital sul-coreana, por onde circulam 2,8 milhões de automóveis, o sistema de ônibus transporta 25% dos passageiros da cidade, enquanto o metrô faz 35% dos deslocamentos. Seul se inspirou no projeto desenvolvido em Curitiba, de vias segregadas. Essas pistas, exclusivas para ônibus, começaram a tomar forma em 1974 e transformaram Curitiba em referência de cidade que melhorou a infraestrutura viária para dar vazão ao transporte de massa. A paisagem urbana preservada, ou revitalizada, é parte da qualidade de vida nas cidades. É por isso que, ao pensar em ampliar as soluções de transporte urbano, Curitiba construiu o metrô aproveitando canaletas criadas para as vias segregadas. Escavando apenas sete metros e sem necessidade de desapropriar imóveis, os custos das obras caíram, além de o impacto ambiental ser menor.
  • 4.
    RIOS TIETÊ EPINHEIROS No caso de São Paulo, com um programa complexo como a despoluição dos rios Tietê e Pinheiros, um dos grandes desafios, em nossa opinião, é fazer com que a população se aproxime dos espaços cortados pelos rios. Como fazer isso em áreas adensadas ao longo das marginais Pinheiros e Tietê? Essa, certamente, é uma questão relevante. Pois entendemos que a cidade precisa de humanização, e os rios têm papel fundamental nesse processo. Já o professor Mário Thadeu Leme de Barros, da Universidade de São Paulo (USP), afirma: “Ainda temos grandes problemas sociais a resolver, o que torna complexos projetos de grande porte como é o caso da despoluição dos rios Pinheiros e Tietê”. É POSSÍVEL REVITALIZARMOS NOSSOS RIOS EM SÃO PAULO? Entendemos que é um grande e fundamental passo melhorar a qualidade das águas do rio Pinheiros que possui 25 quilômetros, fluindo nas regiões sul e oeste da cidade sendo um importante afluente do rio Tietê. E assim, somar para avançar nas marcas conquistadas no Projeto Tietê de despoluição e saneamento, iniciado em 1992, o qual contribuiu com a redução da mancha de sujeiras de 530 quilômetros registrada em 1992 para 160 quilômetros durante está década. Podemos considerar que o Projeto Tietê em São Paulo alcançou resultados positivos. Pois entre 1991 e 1992, a mancha crítica de poluição causada pelo lançamento de esgoto sem tratamento no Tietê chegava a Barra Bonita, a cerca de 300 km da capital. Hoje ela foi reduzida a 160 km e alcança os municípios de Pirapora e Salto. Esse é o tipo de iniciativa que tem resultados a médio e longo prazo, principalmente se somado a programas de conscientização socioambiental da população. A recuperação do Tâmisa [rio que corta Londres], por exemplo, levou mais de 100 anos. No Oriente, apesar de menos complexo, o problema foi solucionado rapidamente. É torcer para que eles nos inspirem nas tomadas de decisões por aqui. Carta da Terra – Princípios Assegurar a generosidade e a beleza da Terra para as atuais e às futuras gerações. Transmitir às futuras gerações valores, tradições e instituições que apoiem a prosperidade das comunidades humanas e ecológicas da Terra a longo prazo.