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Universidade BandeiranteUniversidade Bandeirante
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História e Cultura Africana e Afro BrasileiraHistória e Cultura Africana e Afro Brasileira
Mário Alves da Silva FilhoMário Alves da Silva Filho
Matéria e ementaMatéria e ementa
• África Colonial e moderna - política e
sociedade.
- Abordar-se-ão os elementos culturais que
modelaram a identidade da África pré-
colonial e discutir suas transformações
históricas a partir das invasões árabes do
século VII e europeia do século XV e sua
influência político-social até o século XX.
Imagens sobre África
Cena do filme Madagascar em que a África é o habitat natural de várias
espécies animais. O único ser humano africano que aparece é um guia turístico,
o qual perde a liderança para a “velhinha” de Nova Iorque. Os animais têm
caráter humano e sua “sociedade” aparece como tribal, supersticiosa e tendo
um líder desequilibrado. Os personagens principais, vindos do Zoológico de
Nova Iorque, ensinam aos habitantes naturais da África a desvalorizarem a
violência e a valorizarem a amizade e os salvam, resolvendo os seus problemas
de forma diplomática e não “supersticiosa”.
Macrorregiões da África
O mundo muçulmano africanoO mundo muçulmano africano
• A partir do século VII da era cristã, apesar das dissidências e lutas intestinas, oA partir do século VII da era cristã, apesar das dissidências e lutas intestinas, o
mundo muçulmano foi capaz de conservar através dos séculos uma unidade quemundo muçulmano foi capaz de conservar através dos séculos uma unidade que
transcendia as divisões de tempo e de espaço: a língua árabe; um conjunto detranscendia as divisões de tempo e de espaço: a língua árabe; um conjunto de
conhecimentos comuns, transmitidos por uma sequência conhecida de professores,conhecimentos comuns, transmitidos por uma sequência conhecida de professores,
que preservava a comunidade moral; os mesmos e imutáveis locais deque preservava a comunidade moral; os mesmos e imutáveis locais de
peregrinação (Meca e Jerusalém) e a crença num mesmo Deus único.peregrinação (Meca e Jerusalém) e a crença num mesmo Deus único.
• O Norte do continente africano, do mar Vermelho ao Atlântico, era parteO Norte do continente africano, do mar Vermelho ao Atlântico, era parte
integrante deste mundo. O Egito e o Magrebe (Região do norte da África formadaintegrante deste mundo. O Egito e o Magrebe (Região do norte da África formada
pela Tunísia, Argélia e Marrocos; o grande magrebe inclui também a Líbia e apela Tunísia, Argélia e Marrocos; o grande magrebe inclui também a Líbia e a
Mauritânia) foram palcos de acontecimentos marcantes, tanto para a evolução doMauritânia) foram palcos de acontecimentos marcantes, tanto para a evolução do
Islã (Islam em árabe significa “submissão”, “entrega”, derivada de outra palavraIslã (Islam em árabe significa “submissão”, “entrega”, derivada de outra palavra
– Salam - que significa paz. No sentido religioso, Islã significa “total submissão– Salam - que significa paz. No sentido religioso, Islã significa “total submissão
voluntária à vontade de Deus - Allah”) como para a história da humanidade.voluntária à vontade de Deus - Allah”) como para a história da humanidade.
Islamização da ÁfricaIslamização da África
• Como aponta Ney Lopes é em 639 que se inicia o processo de islamização daComo aponta Ney Lopes é em 639 que se inicia o processo de islamização da
África pelo estabelecimento de comunidades muçulmanas no Egito.África pelo estabelecimento de comunidades muçulmanas no Egito.
• Segundo o mesmo autor, em 640 acontecem as primeiras investidas do GeneralSegundo o mesmo autor, em 640 acontecem as primeiras investidas do General
‘Amr Ibn al-‘As nas terras do‘Amr Ibn al-‘As nas terras do Bilad as-SudanBilad as-Sudan (País dos Negros), região que(País dos Negros), região que
compreende o sul do deserto do Saara, desde a fronteira do Mar Vermelho até ocompreende o sul do deserto do Saara, desde a fronteira do Mar Vermelho até o
Golfo da Guiné, no Atlântico, abrangendo toda a faixa saeliana (da costa Leste àGolfo da Guiné, no Atlântico, abrangendo toda a faixa saeliana (da costa Leste à
Costa Oeste, ou seja, desde as atuais Somália e Etiópia ao Senegal e Mauritânia).Costa Oeste, ou seja, desde as atuais Somália e Etiópia ao Senegal e Mauritânia).
•A difusão do Islã, no Bilad as-Sudan foi um processo relativamente pacífico até o
século XVIII, excetuando-se os processos de escravização, aos quais serviu de
respaldo ideológico. O Islã foi por séculos um fator de integração política, mas
poucas foram as regiões que tiveram a religiosidade dos povos modificada em
profundidade. "O Islã acabou sendo mais manipulado do que manipulador".
(Coquery-Vidrovich, 1985)
• De maneira geral, o Islã era uma religião de letrados e de príncipes. Estes o
ostentavam como cenário de prestígio para uso externo. As religiões tradicionais
eram a verdadeira devoção dos chefes africanos, em particular dos sultões hauçás.
•Os muçulmanos que viviam nessa região e eram dirigidos por "pagãos" ou
pseudo-muçulmanos, encontravam-se na contradição entre a fé e as obrigações de
súditos, tanto fiscais como militares. Muitos deles foram atraídos para participar
dos jihad, isto é, do "esforço" para restabelecer a integralidade do Islã, na região.
• O Egito foi a primeira região da África a ser ocupada pelosO Egito foi a primeira região da África a ser ocupada pelos
árabes muçulmanos. O afrontamento que aí se verificava entreárabes muçulmanos. O afrontamento que aí se verificava entre
as duas Igrejas cristãs, a ortodoxa bizantina no poder e a copta,as duas Igrejas cristãs, a ortodoxa bizantina no poder e a copta,
abriu espaço para a conversão rápida dos egípcios ao Islã. Asabriu espaço para a conversão rápida dos egípcios ao Islã. As
questões abstratas e metafísicas envolvidas na disputa entrequestões abstratas e metafísicas envolvidas na disputa entre
cristãos estavam distantes da compreensão da maioria dos fiéis,cristãos estavam distantes da compreensão da maioria dos fiéis,
que foram seduzidos pela clareza e simplicidade da mensagemque foram seduzidos pela clareza e simplicidade da mensagem
da nova religião.da nova religião.
• Vários outros fatores contribuíram para a arabização eVários outros fatores contribuíram para a arabização e
islamizacão do Egito, como a chegada de grande número deislamizacão do Egito, como a chegada de grande número de
imigrantes de origem árabe, as conversões sinceras, e ainda, aimigrantes de origem árabe, as conversões sinceras, e ainda, a
busca de vantagens fiscais e sociais, a decadência da Igrejabusca de vantagens fiscais e sociais, a decadência da Igreja
copta, a substituição progressiva da língua copta local pelocopta, a substituição progressiva da língua copta local pelo
árabe, graças à liberdade religiosa e à tolerância do poder emárabe, graças à liberdade religiosa e à tolerância do poder em
face aos não muçulmanos.face aos não muçulmanos.
• Apesar de o Islã estar presente no continente aficano desde muitoApesar de o Islã estar presente no continente aficano desde muito
cedo, menos de dez anos do início da pregação de Muhammad, estecedo, menos de dez anos do início da pregação de Muhammad, este
foi sendo estabelecido frouxamente, ou seja, sem o peso da ortodoxiafoi sendo estabelecido frouxamente, ou seja, sem o peso da ortodoxia
árabe, culminando em que muitos dos costumes e crenças pré-árabe, culminando em que muitos dos costumes e crenças pré-
islâmicas acabaram se amalgamando a práticas islâmicas. Ney Lopesislâmicas acabaram se amalgamando a práticas islâmicas. Ney Lopes
aponta que só com a ascenção do Império Almorávida (Séc. XI),aponta que só com a ascenção do Império Almorávida (Séc. XI),
considerada uma dinastia de muçulmanos rigorosos é que as coisasconsiderada uma dinastia de muçulmanos rigorosos é que as coisas
mudam de figura, iniciando-se uma campanha de puritanismo, amudam de figura, iniciando-se uma campanha de puritanismo, a
qual, na verdade, não ocorreu, pois a prática de alguns costumesqual, na verdade, não ocorreu, pois a prática de alguns costumes
religiosos não foram abandonados pelos africanos.[1]religiosos não foram abandonados pelos africanos.[1]
• Pode-se afirmar que o desenvolvimento do Islã em África não sePode-se afirmar que o desenvolvimento do Islã em África não se
limitou tão-somente ao aspecto religioso, mas desempenhou umlimitou tão-somente ao aspecto religioso, mas desempenhou um
papel chave na consolidação de uma nova ordem social: sedentária,papel chave na consolidação de uma nova ordem social: sedentária,
urbana e comercial, a qual acabou se estendendo a múltiplasurbana e comercial, a qual acabou se estendendo a múltiplas
geografias, nas quais gerou realidades sociopolíticas diversas,geografias, nas quais gerou realidades sociopolíticas diversas,
extrapolando, sem dúvida, o âmbito religioso.extrapolando, sem dúvida, o âmbito religioso.
[1] LOPES (2008). Op. Cit., p. 33.
• Trimingham apresenta dois períodos históricos da expansão do IslãTrimingham apresenta dois períodos históricos da expansão do Islã
na região do sael: no primeiro período o Islã é adotado como umana região do sael: no primeiro período o Islã é adotado como uma
religião de classe e não parece, ainda, incompatível com outrasreligião de classe e não parece, ainda, incompatível com outras
religiões africanas; no segundo vê-se produzir uma mudança radical,religiões africanas; no segundo vê-se produzir uma mudança radical,
a ênfase está na singularidade e exclusividade do Islã e suaa ênfase está na singularidade e exclusividade do Islã e sua
incompatibilidade com os cultos autóctones, ainda que, na prática,incompatibilidade com os cultos autóctones, ainda que, na prática,
subsistam numerosas possibilidades de acomodação.[1] Vê-se, assim,subsistam numerosas possibilidades de acomodação.[1] Vê-se, assim,
que as possibilidades de amalgamento, sincretismo e adaptações sãoque as possibilidades de amalgamento, sincretismo e adaptações são
bastante fortes. Assim, observa Martine Quéchon:bastante fortes. Assim, observa Martine Quéchon:
– Do contato da cultura animista e da cultura islâmica surge umDo contato da cultura animista e da cultura islâmica surge um
sincretismo que facilita o processo de mudança religiosa. Esta mudançasincretismo que facilita o processo de mudança religiosa. Esta mudança
acontece gradualmente a partir de uma condição preparatória, na qualacontece gradualmente a partir de uma condição preparatória, na qual
certos aspectos da religião e da cultura islâmicas são adotados, sem que acertos aspectos da religião e da cultura islâmicas são adotados, sem que a
religião ou a vida social sejam afetadas. O ponto de ruptura é atingidoreligião ou a vida social sejam afetadas. O ponto de ruptura é atingido
quando é o Islã, e não mais a religião tradicional, que passa a governar aquando é o Islã, e não mais a religião tradicional, que passa a governar a
vida.[2]vida.[2]
[1] TRIMINGHAM, J. S.. The phases os Islamic Expansion. In: LEWIS, I. M.. Islam in Tropical Africa.
Londres: Oxford University Press, 1966, p. 128-129
[2] QUÈCHON, Martine. Réflexions sur certains aspects du syncrétisme dans l’Islam oust-afrcain. Paris:
Editions de l'Ecole des Hautes Etudes en Sciences Sociales, Cahiers d’études africaines. Vol. 11, nº 42, 1971,
p. 212.
• Agustín Gorostegui diz que o processo de islamização doAgustín Gorostegui diz que o processo de islamização do
Bilad as-SudanBilad as-Sudan foi bastante lento, mais por adoção que porfoi bastante lento, mais por adoção que por
meios violentos. Um processo em que o tempo exerceu ummeios violentos. Um processo em que o tempo exerceu um
papel importante. A adesão dos africanos ao Islã sepapel importante. A adesão dos africanos ao Islã se
produziu, em princípio, só entre as pessoas mais influentesproduziu, em princípio, só entre as pessoas mais influentes
da sociedade. Com o passar do tempo, o Islã foi ganhandoda sociedade. Com o passar do tempo, o Islã foi ganhando
mais adeptos, mas sempre ao modo dos africanos e segundomais adeptos, mas sempre ao modo dos africanos e segundo
a maneira de ser africana.[1]a maneira de ser africana.[1]
• Passaram séculos antes deste Islão elitista e minoritárioPassaram séculos antes deste Islão elitista e minoritário
penetrar nas generalidades das populações urbanas, nospenetrar nas generalidades das populações urbanas, nos
campos, nos habitantes das regiões à beira do deserto, noscampos, nos habitantes das regiões à beira do deserto, nos
grupos do interior. Até ao século XVIII os centros regionais,grupos do interior. Até ao século XVIII os centros regionais,
parcialmente islamizados continuaram cercados por umparcialmente islamizados continuaram cercados por um
“mar animista”.[2]“mar animista”.[2]
[1] GOROSTEGUI, Agustín A.. Islam em Africa Subsahariana. Revista Cuadernos,
Madrid: Fundación Sur, 2009, p. 5.
[2] DONINI, Giovanni. Op. Cit. p. 47-48.
• Essa penetração gradual era baseada em dois alicerces:Essa penetração gradual era baseada em dois alicerces:
- Conhecimento do Alcorão, mesmo que parcial e essencial para os- Conhecimento do Alcorão, mesmo que parcial e essencial para os
recém-convertidos executarem as cinco orações diárias (um dos cincorecém-convertidos executarem as cinco orações diárias (um dos cinco
Pilares do Islã) em que alguns versículos do Alcorão eram recitados; ePilares do Islã) em que alguns versículos do Alcorão eram recitados; e
-Educação inseparável da instrução, na medida em que elas mantêmEducação inseparável da instrução, na medida em que elas mantêm
relações complementares: a primeira oferece a leitura, a escrita e arelações complementares: a primeira oferece a leitura, a escrita e a
compreensão da mensagem (compreensão da mensagem (ar-risalaar-risala) e das ciências religiosas () e das ciências religiosas (Usul al-Usul al-
fiqhfiqh); a segunda se refere à socialização do jovem crente, baseada na); a segunda se refere à socialização do jovem crente, baseada na
formação técnica e na aprendizagem de valores morais indispensáveisformação técnica e na aprendizagem de valores morais indispensáveis
para a formação de sua personalidade islâmica e sua inserção social napara a formação de sua personalidade islâmica e sua inserção social na
comunidade muçulmana (comunidade muçulmana (UmmaUmma).).
Assim, a Mesquita (Assim, a Mesquita (MasjidMasjid), elemento aglutinador da identidade), elemento aglutinador da identidade
islâmica, o qual criava um sentimento de pertença, era o lugar de cultoislâmica, o qual criava um sentimento de pertença, era o lugar de culto
e debates, que influenciavam sobremaneira o dia a dia da comunidade ee debates, que influenciavam sobremaneira o dia a dia da comunidade e
servia, também, de lugar de formação. Algumas se tornaram,servia, também, de lugar de formação. Algumas se tornaram,
progressivamente, centros de altos estudos em várias áreas doprogressivamente, centros de altos estudos em várias áreas do
conhecimento, além das ciências religiosas. As escolas (conhecimento, além das ciências religiosas. As escolas (MadrasaMadrasa))
formavam eruditos e sábios, os quais eram enviados para difundir aformavam eruditos e sábios, os quais eram enviados para difundir a
cultura e o saber islâmicos a outros lugares da África.cultura e o saber islâmicos a outros lugares da África.
1º Fase de conquista do Magrebe1º Fase de conquista do Magrebe
• A conquista do Magrebe pelos árabes iniciou-se em 642. AA conquista do Magrebe pelos árabes iniciou-se em 642. A
região era habitada pelos berberes que viviam organizados emregião era habitada pelos berberes que viviam organizados em
grandes confederações degrandes confederações de kabilas (tribos).kabilas (tribos). Umas resistiram, outrasUmas resistiram, outras
aderiram aos ocupantes e se converteram ao Islã ao longo doaderiram aos ocupantes e se converteram ao Islã ao longo do
período que durou a conquista.período que durou a conquista.
• Em 643, os árabes conquistam, sem encontrar resistência, aEm 643, os árabes conquistam, sem encontrar resistência, a
Tripolitânia e a Cirenaica, duas grandes regiões ao norte da LíbiaTripolitânia e a Cirenaica, duas grandes regiões ao norte da Líbia
atual. Na época, o Imperador Bizantino as havia anexado aoatual. Na época, o Imperador Bizantino as havia anexado ao
Egito. Trípoli foi em seguida ocupada, bem como Waddan, o maisEgito. Trípoli foi em seguida ocupada, bem como Waddan, o mais
importante oásis da região.importante oásis da região.
• A Tunísia atual foi conquistada em 647 pelo novo governador doA Tunísia atual foi conquistada em 647 pelo novo governador do
Egito, à frente de 20 mil cavaleiros de elite. A região foi tomadaEgito, à frente de 20 mil cavaleiros de elite. A região foi tomada
após uma batalha decisiva contra o governador bizantino doapós uma batalha decisiva contra o governador bizantino do
Magrebe. Mas a conquista da região ainda não estava consolidadaMagrebe. Mas a conquista da região ainda não estava consolidada
quando as tropas árabes decidiram terminar esta campanha emquando as tropas árabes decidiram terminar esta campanha em
649.649.
2ª Fase da conquista do Magrebe
• Com a fundação da dinastia omíada, em 661, retoma-se a expansão. Nesta fase,
um dos fatos mais importantes foi a criação da cidade de Cairuão, base militar e o
centro da administração da região. Com ela nascia a primeira província
muçulmana da África do Norte, batizada Ifríquia, na região da atual Tunísia.
• Líderes berberes representavam obstáculos ao avanço. O maior deles foi
Kusayla, chefe berbere que dominava o Magrebe central. Ele tomou Cairuão e se
tornou o primeiro chefe berbere a governar um território árabe-muçulmano, sem
abjurar ao Islã ao qual se convertera. Recusou-se a se submeter a uma potência
estrangeira e, ao mesmo tempo, os Omíadas não podiam aceitar que um chefe
local não árabe, mesmo sendo muçulmano, assumisse o poder em Ifríquia.
• Colocava-se assim a problemática das relações conflituosas entre árabes e não
árabes na construção do mundo islâmico, que iria se manifestar futuramente
também na península Ibérica e, mais amplamente, no processo de
enfraquecimento da dinastia omíada no poder. Em 690, Kusayla foi derrotado.
• Outras tribos resistiram, como a liderada por Kahina, a chefe de uma kabila
berbere, mas a maioria delas acaba se convertendo ao Islã.
• Em 702 construiu-se o porto de Tarshish, hoje Tunis, que se tornou um
importante centro marítimo da província de Ifríquia. Esta passou a ser
solidamente organizada, tornando-se o apoio principal da estrutura árabe no
Norte da África.
Árabes, berberes e a independência do Magrebe
• A total conquista do norte da África se dá em 711, mudando completamente suas
estruturas sociais e étnicas, modo de vida, maneira de pensar e a concepção de
mundo. Havia uma nova população que se espelhava no oriente muçulmano e
árabe, e adquiria um forte sentimento de pertencer a esse mundo.
• Na época, ser árabe era ser muçulmano e vice-versa. O poder central
encontrava-se nas mãos dos omíadas, uma aristocracia da Meca, que já havia
transgredido os princípios democráticos das origens do islã, ao não conceder aos
convertidos os mesmos privilégios dados aos muçulmanos de origem árabe.
• Na conquista da África do norte, os berberes foram tratados como cidadãos de
segunda categoria, como estrangeiros derrotados, apesar da sua conversão e
participação maciça nas conquistas da expansão muçulmana à Europa. Eles
aderiram assim à dissidência Kharijita e se afastaram da ortodoxia sunita
representada pelos omíadas.
• Em 741 ocorreu um levante geral dos muçulmanos berberes contra a
administração omíada, reclamando que eram excluídos da repartição dos bens
tomados aos inimigos, colocados na linha de frente nas batalhas mais violentas,
que seus rebanhos eram capturados e abatidos, e as jovens e as mulheres berberes
eram raptadas. Este levante marcou o início da independência do Magrebe. A
partir desta data, e durante toda a Idade Média, o Islã no norte da África dará
provas de sua independência política face a Bagdá, para onde foi transferida a
capital do califado sob a dinastia abássida, que sucedeu à dinastia omíada.
As dinastias
• Em Ifriquia, os fatímidas (ramo Xiita do Islã) fundaram uma dinastia do
império que se estendeu do Atlântico à Síria e durou mais de dois séculos.
• Um duelo de grandes dimensões pela hegemonia opôs, no século X, os omíadas
da Espanha aos fatímidas de Ifríquia, através dos respectivos aliados na
população berbere.
• A política imperial dos fatímidas os levou ao Mediterrâneo, sobre o qual
conquistam a supremacia graças à posse da Sicília. Palermo tornou-se uma
importante base naval. A frota fatímida pilhava regularmente as margens do
Adriático, a costa do mar Tirreno e o sul da Itália. Ela devastou também a costa
meridional da França, tomou Gênova e fez uma incursão ao longo da costa
calabresa.
• Conquistam o Egito em 969, construíram uma nova capital, Al-Qahira, o Cairo,
e transferiram para lá o centro do seu império (foi nesta época que se constroi a
primeira universidade do mundo, Al-Azhar). Este deslocamento para leste do
centro do Estado fatímida teve profundas consequências sobre a história da África
do Norte.
• Em Ifríquia assumiu então uma nova dinastia, os ziristas, que se tornou a
primeira família reinante de origem berbere, inaugurando o período onde o poder
político passou a pertencer exclusivamente a dinastias berberes: almorávidas,
almoadas etc.
• Estas dinastias expandiram suas conquistas no norte da África, incluindo grande
região ao sul da Espanha, e marcaram, já com os almoadas, no início do século
XII, o apogeu da unificação do Magrebe e do ocidente muçulmano.
Fases da expansão do Islã pela África:
- 1ª Fase: Berbere (Séc. XI ao XIII)
• Correspondente à jihad (“guerra santa”) dos almorávidas, com a influência
islâmica vinda notadamente da Espanha, com a conquista do Magrebe e dos
atuais Mali, Senegal e Gana.
• O Islã entra na África pelo Norte. Não foi fácil, pois encontrou reação feroz dos
habitantes autóctones. Apesar de a campanha militar ser muito efetiva, a
conversão ao Islã se dava de forma lenta, as quais se iniciam nas cidades,
especialmente entre os governantes, e posteriormente ao campo. Isso reforça a
teoria de vários estudiosos de que o Islã é uma religião essencilamente urbana.
• Não se pode deixar de apontar que o Califado de Córdoba, já estabelecido no
século X, exerce profunda influência na penetração do Islã pela África, pois os
berberes, nesta época, eram a base expansionista do Islã à Espanha. O movimento
dos almorávidas é fruto da tentativa de se dominar a rota ocidental do ouro e do
tráfego de caravanas que abasteciam a Europa.
• Com a conversão dos tucolores do Senegal e dos soninques do Mali e Gana eles,
conhecidos comerciantes, acabaram se tornando os propagandistas do Islã pela
África Ocidental, contribuindo para união de várias tribos e povos nômades. Isto
acabou por melhorar sua situação sócio-econômica, baseando-se no princípio
comunitário islâmico (ummah), que oferecia grande atrativo à nova religião.
• Os almorávidas são derrotados por outra dinastia: os almoadas da Espanha, que
descontentes com as ações daqueles iniciam uma campanha para derrotá-los.
2ª Fase: Mandinga (Séc. XIII ao XV)
• Hegemonia de Gana e Mali e ascenção do Império Mandinga, que unificou grande
parte da África Ocidental. A jihad é deixada de lado e outras formas de expansão são
utilizadas, como, por exemplo, o Sufismo e o comércio, maiores responsáveis pela
expansão islâmica.
• Os Sufis foram os maiores divulgadores do Islã na África do Oeste, pelo dinamismo
com o qual se caracteriza, que conferiu ao Sufismo enorme grau de adaptabilidade às
culturas locais, fazendo com que ele se tornasse um dos principais veículos de
islamização das populações.
• A dinastia dos Keita se estabelece como grande Império do Mali. Os Keita criam uma
pretensa ligação ancestral e familiar com Bilal Ibn Rabah, um escravo etíope, liberto
pelo Profeta Muhammad, e que se tornou o primeiro Mu'adhdhin (aquele que convoca
os muçulmanos para as cinco orações dirárias). Bilal, um escravo negro e não árabe,
teve papel de destaque na nascente comunidade muçulmana. Com a pretensa ligação
dos Keita com a figura de Bilal estes adquirem um status diferenciado, alcançando
grande prestígio. Não podemos deixar de avaliar, também, que nesse jogo de poder
militar a grandeza do Império e o sucesso econômico, levado a cabo pelo clã dos Keita,
foram elementos importantes para criar uma nova percepção de poder. Além disso, o
“poder espiritual”, que o Sufismo pretensamente proporcionava, foi também muito
útil, sendo utilizado para promover a sua própria posição, com um capital simbólico
que poderia promover a ascensão social.
• A influência das Ordens Sufis na composição social da sociedade tribal não é uma
novidade, pois nos primórdios do desenvolvimento da estrutura do Sufismo no Saara,
as bolsas de estudo oferecidas e a piedade dos dervixes, verificada na distribuição do
zakat, funcionavam como capital simbólico que as famílias, comunidades e tribos
poderiam utilizar para melhorar sua posição social. Como a adesão ao Sufismo se
iniciava pelos mais abastados, incluam-se os governantes, era possível a mobilização de
recurso e de capital de vários tipos, culminando em atrair cada vez mais pessoas.
3ª Fase: Songai (Séc. XV ao XVII)
• Com o declínio do Mali, na metade do Séc. XV, nasce ao longo do rio Níger o império
songai, fundado por Sunni Ali, que prospera graças a menor distância às rotas do
comércio.
• Há uma nova jihad, especialmente contra os “pagãos” e contra comunidades cujos
habitantes não praticavam o Islã que os dirigentes Songai entendiam como ideal,
apesar de estes praticarem, também, um Islã bastante sincrético.
• No final do Séc. XVI e início do XVII a tradição do império islâmico tinha sido
reprimida; em seu lugar os muitos pequenos estados lutavam entre si para conquistar
escravos e terras. Essas guerras eram feitas entre estados muçulmanos e não-
muçulmanos; entre governos muçulmanos por disputa de terras e poder. Destes
embates, cristãos, muçulmanos ou “pagãos” acabavam se tornando escravos.
• Os Imperadores Songai são influenciados pelo jurista, Muhammad al-Maghili,
contratado para elaborar um tratado sobre a jihad. Al-Maghili diz ao Soberano: “As
pessoas deste país pretendem ser muçulmanas e assim o são exteriormente: tem uma
Mesquita, uma comunidade, a oração da sexta-feira, a prática das cinco orações, mas
esses que descrevi mesclam o verdadeiro com o falso e, desta maneira, perdem-se, pois
convertem-se em pagãos sem se darem conta. A aplicação da jihad está justificada
contra esses infiéis. Contra eles opere a guerra, mate aos seus homens, submeta à
escravidão suas mulheres e crianças, apodere-se de seus bens. Matar aos homens
injustos, perversos e seus comparsas, ainda que rezem, jejuem e vão em peregrinação à
Meca, não é pecado; mate-os...”
• Assim, há a justificativa teológica para que uma campanha jihadista seja feita contra
qualquer um, mesmo muçulmano, o que contraria entendimentos jurídicos anteriores.
4ª Fase Fulani ou Peule (Séc. XVIII e XIX)
• Inicia-se com a jihad de Uthman Dan Fodyo (Futi, Fodio), o qual funda o reino
de Sokoto (na atual Nigéria).
• Uthman Dan Fodyo possuía cultura islâmica invejável. Aos trinta anos já
tinha discípulos que o consideravam um homem extremamente pio e dotado de
baraka (poder espiritual). Foi convidado para ser o educador dos filhos de
vários governantes, o que fez durante muito tempo. Esses governantes se
diziam muçulmanos e dervixes, mas continuavam com as práticas religiosas
tradicionais. Isso não agradava Dan Fodyo, que começou a criticar
abertamente esse comportamento, resultando em seu abandono da Corte. Em
seguida, Dan Fodyo se insurge, declarando guerra aos governantes. Como era
estrito na observância do Islã promove intensas perseguições aos “pagãos” e
àqueles que, para ele, não praticavam o Islã “corretamente”.
• Há que se lembrar que a corte era composta pelos reis locais (os Ọba), por
grandes comerciantes e pelos conselheiros e alguns deles pertenciam à alguma
Tariqa (Ordem Sufi) e estes, mesmo que se aliassem a Uthman Dan Fodyo,
acabaram sendo vistos como suspeitos, o que os levou à prisão e à escravidão.
• Mas com o começo do século XIX, a antiga casta respeitada de comerciantes,
geomantes e conselheiros torna-se suspeita, precisamente por seus
conhecimentos. Sabiam escrever, e escreveram tudo o que viram. Esta
curiosidade e esta exatidão lhes foi funesta: foram levados à prisão,
4ª Fase Fulani ou Peule (Séc. XVIII e XIX) - Continuação
• Em sua obra, Tamiyz al-Muslim min al-kafirin, Uthman Dan Fodyo descreve oito
categorias de pessoas que existem no Bilad as-Sudan, classificando-as em fiéis
(muçulmanas) ou infiéis, sendo destacadas três delas, para nossa análise, as
seguintes categorias:
- 4ª - Os infiéis que nunca aceitaram o Islã, nesse caso são claramente infiéis;
- 5ª - Os que misturam práticas infiéis e islâmicas. Eles aceitaram o Islã, mas
não conseguiram abandonar as antigas práticas pagãs. São definitivamente
infiéis;
- 6ª - A sexta categoria, como a quinta, mescla práticas pagãs com islâmicas.
Desdenham da religião de Deus e negam (algumas) determinações da shari’ah.
São também infiéis.
• As pessoas que se enquadram nas três categorias, das oito elencadas por Dan
Fodyo, são as que podem ser escravizadas, portanto, apesar de em duas delas os
categorizados terem abraçado o Islã, não são considerados como muçulmanos “de
verdade”, o que permitia que os considerados “verdadeiros” muçulmanos
pudessem escravizá-los, com a permissão de Allah. Mais uma vez pode-se
observar a influência que o jurista Muhammad ibn Abd al-Karim al-Maghili,
citado anteriormente, exerceu em Dan Fodyo.
• Uthman Dan Fodyo foi inspirador para outros movimentos jihadistas, levados a
cabo no Mali, Senegal, Namíbia, Níger e Chade

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História e Cultura Africana - Aula 1 - O mundo muçulmano em África

  • 1. Universidade BandeiranteUniversidade Bandeirante AnhangueraAnhanguera História e Cultura Africana e Afro BrasileiraHistória e Cultura Africana e Afro Brasileira Mário Alves da Silva FilhoMário Alves da Silva Filho
  • 2. Matéria e ementaMatéria e ementa • África Colonial e moderna - política e sociedade. - Abordar-se-ão os elementos culturais que modelaram a identidade da África pré- colonial e discutir suas transformações históricas a partir das invasões árabes do século VII e europeia do século XV e sua influência político-social até o século XX.
  • 4. Cena do filme Madagascar em que a África é o habitat natural de várias espécies animais. O único ser humano africano que aparece é um guia turístico, o qual perde a liderança para a “velhinha” de Nova Iorque. Os animais têm caráter humano e sua “sociedade” aparece como tribal, supersticiosa e tendo um líder desequilibrado. Os personagens principais, vindos do Zoológico de Nova Iorque, ensinam aos habitantes naturais da África a desvalorizarem a violência e a valorizarem a amizade e os salvam, resolvendo os seus problemas de forma diplomática e não “supersticiosa”.
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  • 7. O mundo muçulmano africanoO mundo muçulmano africano • A partir do século VII da era cristã, apesar das dissidências e lutas intestinas, oA partir do século VII da era cristã, apesar das dissidências e lutas intestinas, o mundo muçulmano foi capaz de conservar através dos séculos uma unidade quemundo muçulmano foi capaz de conservar através dos séculos uma unidade que transcendia as divisões de tempo e de espaço: a língua árabe; um conjunto detranscendia as divisões de tempo e de espaço: a língua árabe; um conjunto de conhecimentos comuns, transmitidos por uma sequência conhecida de professores,conhecimentos comuns, transmitidos por uma sequência conhecida de professores, que preservava a comunidade moral; os mesmos e imutáveis locais deque preservava a comunidade moral; os mesmos e imutáveis locais de peregrinação (Meca e Jerusalém) e a crença num mesmo Deus único.peregrinação (Meca e Jerusalém) e a crença num mesmo Deus único. • O Norte do continente africano, do mar Vermelho ao Atlântico, era parteO Norte do continente africano, do mar Vermelho ao Atlântico, era parte integrante deste mundo. O Egito e o Magrebe (Região do norte da África formadaintegrante deste mundo. O Egito e o Magrebe (Região do norte da África formada pela Tunísia, Argélia e Marrocos; o grande magrebe inclui também a Líbia e apela Tunísia, Argélia e Marrocos; o grande magrebe inclui também a Líbia e a Mauritânia) foram palcos de acontecimentos marcantes, tanto para a evolução doMauritânia) foram palcos de acontecimentos marcantes, tanto para a evolução do Islã (Islam em árabe significa “submissão”, “entrega”, derivada de outra palavraIslã (Islam em árabe significa “submissão”, “entrega”, derivada de outra palavra – Salam - que significa paz. No sentido religioso, Islã significa “total submissão– Salam - que significa paz. No sentido religioso, Islã significa “total submissão voluntária à vontade de Deus - Allah”) como para a história da humanidade.voluntária à vontade de Deus - Allah”) como para a história da humanidade.
  • 8. Islamização da ÁfricaIslamização da África • Como aponta Ney Lopes é em 639 que se inicia o processo de islamização daComo aponta Ney Lopes é em 639 que se inicia o processo de islamização da África pelo estabelecimento de comunidades muçulmanas no Egito.África pelo estabelecimento de comunidades muçulmanas no Egito. • Segundo o mesmo autor, em 640 acontecem as primeiras investidas do GeneralSegundo o mesmo autor, em 640 acontecem as primeiras investidas do General ‘Amr Ibn al-‘As nas terras do‘Amr Ibn al-‘As nas terras do Bilad as-SudanBilad as-Sudan (País dos Negros), região que(País dos Negros), região que compreende o sul do deserto do Saara, desde a fronteira do Mar Vermelho até ocompreende o sul do deserto do Saara, desde a fronteira do Mar Vermelho até o Golfo da Guiné, no Atlântico, abrangendo toda a faixa saeliana (da costa Leste àGolfo da Guiné, no Atlântico, abrangendo toda a faixa saeliana (da costa Leste à Costa Oeste, ou seja, desde as atuais Somália e Etiópia ao Senegal e Mauritânia).Costa Oeste, ou seja, desde as atuais Somália e Etiópia ao Senegal e Mauritânia). •A difusão do Islã, no Bilad as-Sudan foi um processo relativamente pacífico até o século XVIII, excetuando-se os processos de escravização, aos quais serviu de respaldo ideológico. O Islã foi por séculos um fator de integração política, mas poucas foram as regiões que tiveram a religiosidade dos povos modificada em profundidade. "O Islã acabou sendo mais manipulado do que manipulador". (Coquery-Vidrovich, 1985) • De maneira geral, o Islã era uma religião de letrados e de príncipes. Estes o ostentavam como cenário de prestígio para uso externo. As religiões tradicionais eram a verdadeira devoção dos chefes africanos, em particular dos sultões hauçás. •Os muçulmanos que viviam nessa região e eram dirigidos por "pagãos" ou pseudo-muçulmanos, encontravam-se na contradição entre a fé e as obrigações de súditos, tanto fiscais como militares. Muitos deles foram atraídos para participar dos jihad, isto é, do "esforço" para restabelecer a integralidade do Islã, na região.
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  • 10. • O Egito foi a primeira região da África a ser ocupada pelosO Egito foi a primeira região da África a ser ocupada pelos árabes muçulmanos. O afrontamento que aí se verificava entreárabes muçulmanos. O afrontamento que aí se verificava entre as duas Igrejas cristãs, a ortodoxa bizantina no poder e a copta,as duas Igrejas cristãs, a ortodoxa bizantina no poder e a copta, abriu espaço para a conversão rápida dos egípcios ao Islã. Asabriu espaço para a conversão rápida dos egípcios ao Islã. As questões abstratas e metafísicas envolvidas na disputa entrequestões abstratas e metafísicas envolvidas na disputa entre cristãos estavam distantes da compreensão da maioria dos fiéis,cristãos estavam distantes da compreensão da maioria dos fiéis, que foram seduzidos pela clareza e simplicidade da mensagemque foram seduzidos pela clareza e simplicidade da mensagem da nova religião.da nova religião. • Vários outros fatores contribuíram para a arabização eVários outros fatores contribuíram para a arabização e islamizacão do Egito, como a chegada de grande número deislamizacão do Egito, como a chegada de grande número de imigrantes de origem árabe, as conversões sinceras, e ainda, aimigrantes de origem árabe, as conversões sinceras, e ainda, a busca de vantagens fiscais e sociais, a decadência da Igrejabusca de vantagens fiscais e sociais, a decadência da Igreja copta, a substituição progressiva da língua copta local pelocopta, a substituição progressiva da língua copta local pelo árabe, graças à liberdade religiosa e à tolerância do poder emárabe, graças à liberdade religiosa e à tolerância do poder em face aos não muçulmanos.face aos não muçulmanos.
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  • 12. • Apesar de o Islã estar presente no continente aficano desde muitoApesar de o Islã estar presente no continente aficano desde muito cedo, menos de dez anos do início da pregação de Muhammad, estecedo, menos de dez anos do início da pregação de Muhammad, este foi sendo estabelecido frouxamente, ou seja, sem o peso da ortodoxiafoi sendo estabelecido frouxamente, ou seja, sem o peso da ortodoxia árabe, culminando em que muitos dos costumes e crenças pré-árabe, culminando em que muitos dos costumes e crenças pré- islâmicas acabaram se amalgamando a práticas islâmicas. Ney Lopesislâmicas acabaram se amalgamando a práticas islâmicas. Ney Lopes aponta que só com a ascenção do Império Almorávida (Séc. XI),aponta que só com a ascenção do Império Almorávida (Séc. XI), considerada uma dinastia de muçulmanos rigorosos é que as coisasconsiderada uma dinastia de muçulmanos rigorosos é que as coisas mudam de figura, iniciando-se uma campanha de puritanismo, amudam de figura, iniciando-se uma campanha de puritanismo, a qual, na verdade, não ocorreu, pois a prática de alguns costumesqual, na verdade, não ocorreu, pois a prática de alguns costumes religiosos não foram abandonados pelos africanos.[1]religiosos não foram abandonados pelos africanos.[1] • Pode-se afirmar que o desenvolvimento do Islã em África não sePode-se afirmar que o desenvolvimento do Islã em África não se limitou tão-somente ao aspecto religioso, mas desempenhou umlimitou tão-somente ao aspecto religioso, mas desempenhou um papel chave na consolidação de uma nova ordem social: sedentária,papel chave na consolidação de uma nova ordem social: sedentária, urbana e comercial, a qual acabou se estendendo a múltiplasurbana e comercial, a qual acabou se estendendo a múltiplas geografias, nas quais gerou realidades sociopolíticas diversas,geografias, nas quais gerou realidades sociopolíticas diversas, extrapolando, sem dúvida, o âmbito religioso.extrapolando, sem dúvida, o âmbito religioso. [1] LOPES (2008). Op. Cit., p. 33.
  • 13. • Trimingham apresenta dois períodos históricos da expansão do IslãTrimingham apresenta dois períodos históricos da expansão do Islã na região do sael: no primeiro período o Islã é adotado como umana região do sael: no primeiro período o Islã é adotado como uma religião de classe e não parece, ainda, incompatível com outrasreligião de classe e não parece, ainda, incompatível com outras religiões africanas; no segundo vê-se produzir uma mudança radical,religiões africanas; no segundo vê-se produzir uma mudança radical, a ênfase está na singularidade e exclusividade do Islã e suaa ênfase está na singularidade e exclusividade do Islã e sua incompatibilidade com os cultos autóctones, ainda que, na prática,incompatibilidade com os cultos autóctones, ainda que, na prática, subsistam numerosas possibilidades de acomodação.[1] Vê-se, assim,subsistam numerosas possibilidades de acomodação.[1] Vê-se, assim, que as possibilidades de amalgamento, sincretismo e adaptações sãoque as possibilidades de amalgamento, sincretismo e adaptações são bastante fortes. Assim, observa Martine Quéchon:bastante fortes. Assim, observa Martine Quéchon: – Do contato da cultura animista e da cultura islâmica surge umDo contato da cultura animista e da cultura islâmica surge um sincretismo que facilita o processo de mudança religiosa. Esta mudançasincretismo que facilita o processo de mudança religiosa. Esta mudança acontece gradualmente a partir de uma condição preparatória, na qualacontece gradualmente a partir de uma condição preparatória, na qual certos aspectos da religião e da cultura islâmicas são adotados, sem que acertos aspectos da religião e da cultura islâmicas são adotados, sem que a religião ou a vida social sejam afetadas. O ponto de ruptura é atingidoreligião ou a vida social sejam afetadas. O ponto de ruptura é atingido quando é o Islã, e não mais a religião tradicional, que passa a governar aquando é o Islã, e não mais a religião tradicional, que passa a governar a vida.[2]vida.[2] [1] TRIMINGHAM, J. S.. The phases os Islamic Expansion. In: LEWIS, I. M.. Islam in Tropical Africa. Londres: Oxford University Press, 1966, p. 128-129 [2] QUÈCHON, Martine. Réflexions sur certains aspects du syncrétisme dans l’Islam oust-afrcain. Paris: Editions de l'Ecole des Hautes Etudes en Sciences Sociales, Cahiers d’études africaines. Vol. 11, nº 42, 1971, p. 212.
  • 14. • Agustín Gorostegui diz que o processo de islamização doAgustín Gorostegui diz que o processo de islamização do Bilad as-SudanBilad as-Sudan foi bastante lento, mais por adoção que porfoi bastante lento, mais por adoção que por meios violentos. Um processo em que o tempo exerceu ummeios violentos. Um processo em que o tempo exerceu um papel importante. A adesão dos africanos ao Islã sepapel importante. A adesão dos africanos ao Islã se produziu, em princípio, só entre as pessoas mais influentesproduziu, em princípio, só entre as pessoas mais influentes da sociedade. Com o passar do tempo, o Islã foi ganhandoda sociedade. Com o passar do tempo, o Islã foi ganhando mais adeptos, mas sempre ao modo dos africanos e segundomais adeptos, mas sempre ao modo dos africanos e segundo a maneira de ser africana.[1]a maneira de ser africana.[1] • Passaram séculos antes deste Islão elitista e minoritárioPassaram séculos antes deste Islão elitista e minoritário penetrar nas generalidades das populações urbanas, nospenetrar nas generalidades das populações urbanas, nos campos, nos habitantes das regiões à beira do deserto, noscampos, nos habitantes das regiões à beira do deserto, nos grupos do interior. Até ao século XVIII os centros regionais,grupos do interior. Até ao século XVIII os centros regionais, parcialmente islamizados continuaram cercados por umparcialmente islamizados continuaram cercados por um “mar animista”.[2]“mar animista”.[2] [1] GOROSTEGUI, Agustín A.. Islam em Africa Subsahariana. Revista Cuadernos, Madrid: Fundación Sur, 2009, p. 5. [2] DONINI, Giovanni. Op. Cit. p. 47-48.
  • 15. • Essa penetração gradual era baseada em dois alicerces:Essa penetração gradual era baseada em dois alicerces: - Conhecimento do Alcorão, mesmo que parcial e essencial para os- Conhecimento do Alcorão, mesmo que parcial e essencial para os recém-convertidos executarem as cinco orações diárias (um dos cincorecém-convertidos executarem as cinco orações diárias (um dos cinco Pilares do Islã) em que alguns versículos do Alcorão eram recitados; ePilares do Islã) em que alguns versículos do Alcorão eram recitados; e -Educação inseparável da instrução, na medida em que elas mantêmEducação inseparável da instrução, na medida em que elas mantêm relações complementares: a primeira oferece a leitura, a escrita e arelações complementares: a primeira oferece a leitura, a escrita e a compreensão da mensagem (compreensão da mensagem (ar-risalaar-risala) e das ciências religiosas () e das ciências religiosas (Usul al-Usul al- fiqhfiqh); a segunda se refere à socialização do jovem crente, baseada na); a segunda se refere à socialização do jovem crente, baseada na formação técnica e na aprendizagem de valores morais indispensáveisformação técnica e na aprendizagem de valores morais indispensáveis para a formação de sua personalidade islâmica e sua inserção social napara a formação de sua personalidade islâmica e sua inserção social na comunidade muçulmana (comunidade muçulmana (UmmaUmma).). Assim, a Mesquita (Assim, a Mesquita (MasjidMasjid), elemento aglutinador da identidade), elemento aglutinador da identidade islâmica, o qual criava um sentimento de pertença, era o lugar de cultoislâmica, o qual criava um sentimento de pertença, era o lugar de culto e debates, que influenciavam sobremaneira o dia a dia da comunidade ee debates, que influenciavam sobremaneira o dia a dia da comunidade e servia, também, de lugar de formação. Algumas se tornaram,servia, também, de lugar de formação. Algumas se tornaram, progressivamente, centros de altos estudos em várias áreas doprogressivamente, centros de altos estudos em várias áreas do conhecimento, além das ciências religiosas. As escolas (conhecimento, além das ciências religiosas. As escolas (MadrasaMadrasa)) formavam eruditos e sábios, os quais eram enviados para difundir aformavam eruditos e sábios, os quais eram enviados para difundir a cultura e o saber islâmicos a outros lugares da África.cultura e o saber islâmicos a outros lugares da África.
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  • 17. 1º Fase de conquista do Magrebe1º Fase de conquista do Magrebe • A conquista do Magrebe pelos árabes iniciou-se em 642. AA conquista do Magrebe pelos árabes iniciou-se em 642. A região era habitada pelos berberes que viviam organizados emregião era habitada pelos berberes que viviam organizados em grandes confederações degrandes confederações de kabilas (tribos).kabilas (tribos). Umas resistiram, outrasUmas resistiram, outras aderiram aos ocupantes e se converteram ao Islã ao longo doaderiram aos ocupantes e se converteram ao Islã ao longo do período que durou a conquista.período que durou a conquista. • Em 643, os árabes conquistam, sem encontrar resistência, aEm 643, os árabes conquistam, sem encontrar resistência, a Tripolitânia e a Cirenaica, duas grandes regiões ao norte da LíbiaTripolitânia e a Cirenaica, duas grandes regiões ao norte da Líbia atual. Na época, o Imperador Bizantino as havia anexado aoatual. Na época, o Imperador Bizantino as havia anexado ao Egito. Trípoli foi em seguida ocupada, bem como Waddan, o maisEgito. Trípoli foi em seguida ocupada, bem como Waddan, o mais importante oásis da região.importante oásis da região. • A Tunísia atual foi conquistada em 647 pelo novo governador doA Tunísia atual foi conquistada em 647 pelo novo governador do Egito, à frente de 20 mil cavaleiros de elite. A região foi tomadaEgito, à frente de 20 mil cavaleiros de elite. A região foi tomada após uma batalha decisiva contra o governador bizantino doapós uma batalha decisiva contra o governador bizantino do Magrebe. Mas a conquista da região ainda não estava consolidadaMagrebe. Mas a conquista da região ainda não estava consolidada quando as tropas árabes decidiram terminar esta campanha emquando as tropas árabes decidiram terminar esta campanha em 649.649.
  • 18. 2ª Fase da conquista do Magrebe • Com a fundação da dinastia omíada, em 661, retoma-se a expansão. Nesta fase, um dos fatos mais importantes foi a criação da cidade de Cairuão, base militar e o centro da administração da região. Com ela nascia a primeira província muçulmana da África do Norte, batizada Ifríquia, na região da atual Tunísia. • Líderes berberes representavam obstáculos ao avanço. O maior deles foi Kusayla, chefe berbere que dominava o Magrebe central. Ele tomou Cairuão e se tornou o primeiro chefe berbere a governar um território árabe-muçulmano, sem abjurar ao Islã ao qual se convertera. Recusou-se a se submeter a uma potência estrangeira e, ao mesmo tempo, os Omíadas não podiam aceitar que um chefe local não árabe, mesmo sendo muçulmano, assumisse o poder em Ifríquia. • Colocava-se assim a problemática das relações conflituosas entre árabes e não árabes na construção do mundo islâmico, que iria se manifestar futuramente também na península Ibérica e, mais amplamente, no processo de enfraquecimento da dinastia omíada no poder. Em 690, Kusayla foi derrotado. • Outras tribos resistiram, como a liderada por Kahina, a chefe de uma kabila berbere, mas a maioria delas acaba se convertendo ao Islã. • Em 702 construiu-se o porto de Tarshish, hoje Tunis, que se tornou um importante centro marítimo da província de Ifríquia. Esta passou a ser solidamente organizada, tornando-se o apoio principal da estrutura árabe no Norte da África.
  • 19. Árabes, berberes e a independência do Magrebe • A total conquista do norte da África se dá em 711, mudando completamente suas estruturas sociais e étnicas, modo de vida, maneira de pensar e a concepção de mundo. Havia uma nova população que se espelhava no oriente muçulmano e árabe, e adquiria um forte sentimento de pertencer a esse mundo. • Na época, ser árabe era ser muçulmano e vice-versa. O poder central encontrava-se nas mãos dos omíadas, uma aristocracia da Meca, que já havia transgredido os princípios democráticos das origens do islã, ao não conceder aos convertidos os mesmos privilégios dados aos muçulmanos de origem árabe. • Na conquista da África do norte, os berberes foram tratados como cidadãos de segunda categoria, como estrangeiros derrotados, apesar da sua conversão e participação maciça nas conquistas da expansão muçulmana à Europa. Eles aderiram assim à dissidência Kharijita e se afastaram da ortodoxia sunita representada pelos omíadas. • Em 741 ocorreu um levante geral dos muçulmanos berberes contra a administração omíada, reclamando que eram excluídos da repartição dos bens tomados aos inimigos, colocados na linha de frente nas batalhas mais violentas, que seus rebanhos eram capturados e abatidos, e as jovens e as mulheres berberes eram raptadas. Este levante marcou o início da independência do Magrebe. A partir desta data, e durante toda a Idade Média, o Islã no norte da África dará provas de sua independência política face a Bagdá, para onde foi transferida a capital do califado sob a dinastia abássida, que sucedeu à dinastia omíada.
  • 20. As dinastias • Em Ifriquia, os fatímidas (ramo Xiita do Islã) fundaram uma dinastia do império que se estendeu do Atlântico à Síria e durou mais de dois séculos. • Um duelo de grandes dimensões pela hegemonia opôs, no século X, os omíadas da Espanha aos fatímidas de Ifríquia, através dos respectivos aliados na população berbere. • A política imperial dos fatímidas os levou ao Mediterrâneo, sobre o qual conquistam a supremacia graças à posse da Sicília. Palermo tornou-se uma importante base naval. A frota fatímida pilhava regularmente as margens do Adriático, a costa do mar Tirreno e o sul da Itália. Ela devastou também a costa meridional da França, tomou Gênova e fez uma incursão ao longo da costa calabresa. • Conquistam o Egito em 969, construíram uma nova capital, Al-Qahira, o Cairo, e transferiram para lá o centro do seu império (foi nesta época que se constroi a primeira universidade do mundo, Al-Azhar). Este deslocamento para leste do centro do Estado fatímida teve profundas consequências sobre a história da África do Norte. • Em Ifríquia assumiu então uma nova dinastia, os ziristas, que se tornou a primeira família reinante de origem berbere, inaugurando o período onde o poder político passou a pertencer exclusivamente a dinastias berberes: almorávidas, almoadas etc. • Estas dinastias expandiram suas conquistas no norte da África, incluindo grande região ao sul da Espanha, e marcaram, já com os almoadas, no início do século XII, o apogeu da unificação do Magrebe e do ocidente muçulmano.
  • 21. Fases da expansão do Islã pela África: - 1ª Fase: Berbere (Séc. XI ao XIII) • Correspondente à jihad (“guerra santa”) dos almorávidas, com a influência islâmica vinda notadamente da Espanha, com a conquista do Magrebe e dos atuais Mali, Senegal e Gana. • O Islã entra na África pelo Norte. Não foi fácil, pois encontrou reação feroz dos habitantes autóctones. Apesar de a campanha militar ser muito efetiva, a conversão ao Islã se dava de forma lenta, as quais se iniciam nas cidades, especialmente entre os governantes, e posteriormente ao campo. Isso reforça a teoria de vários estudiosos de que o Islã é uma religião essencilamente urbana. • Não se pode deixar de apontar que o Califado de Córdoba, já estabelecido no século X, exerce profunda influência na penetração do Islã pela África, pois os berberes, nesta época, eram a base expansionista do Islã à Espanha. O movimento dos almorávidas é fruto da tentativa de se dominar a rota ocidental do ouro e do tráfego de caravanas que abasteciam a Europa. • Com a conversão dos tucolores do Senegal e dos soninques do Mali e Gana eles, conhecidos comerciantes, acabaram se tornando os propagandistas do Islã pela África Ocidental, contribuindo para união de várias tribos e povos nômades. Isto acabou por melhorar sua situação sócio-econômica, baseando-se no princípio comunitário islâmico (ummah), que oferecia grande atrativo à nova religião. • Os almorávidas são derrotados por outra dinastia: os almoadas da Espanha, que descontentes com as ações daqueles iniciam uma campanha para derrotá-los.
  • 22. 2ª Fase: Mandinga (Séc. XIII ao XV) • Hegemonia de Gana e Mali e ascenção do Império Mandinga, que unificou grande parte da África Ocidental. A jihad é deixada de lado e outras formas de expansão são utilizadas, como, por exemplo, o Sufismo e o comércio, maiores responsáveis pela expansão islâmica. • Os Sufis foram os maiores divulgadores do Islã na África do Oeste, pelo dinamismo com o qual se caracteriza, que conferiu ao Sufismo enorme grau de adaptabilidade às culturas locais, fazendo com que ele se tornasse um dos principais veículos de islamização das populações. • A dinastia dos Keita se estabelece como grande Império do Mali. Os Keita criam uma pretensa ligação ancestral e familiar com Bilal Ibn Rabah, um escravo etíope, liberto pelo Profeta Muhammad, e que se tornou o primeiro Mu'adhdhin (aquele que convoca os muçulmanos para as cinco orações dirárias). Bilal, um escravo negro e não árabe, teve papel de destaque na nascente comunidade muçulmana. Com a pretensa ligação dos Keita com a figura de Bilal estes adquirem um status diferenciado, alcançando grande prestígio. Não podemos deixar de avaliar, também, que nesse jogo de poder militar a grandeza do Império e o sucesso econômico, levado a cabo pelo clã dos Keita, foram elementos importantes para criar uma nova percepção de poder. Além disso, o “poder espiritual”, que o Sufismo pretensamente proporcionava, foi também muito útil, sendo utilizado para promover a sua própria posição, com um capital simbólico que poderia promover a ascensão social. • A influência das Ordens Sufis na composição social da sociedade tribal não é uma novidade, pois nos primórdios do desenvolvimento da estrutura do Sufismo no Saara, as bolsas de estudo oferecidas e a piedade dos dervixes, verificada na distribuição do zakat, funcionavam como capital simbólico que as famílias, comunidades e tribos poderiam utilizar para melhorar sua posição social. Como a adesão ao Sufismo se iniciava pelos mais abastados, incluam-se os governantes, era possível a mobilização de recurso e de capital de vários tipos, culminando em atrair cada vez mais pessoas.
  • 23. 3ª Fase: Songai (Séc. XV ao XVII) • Com o declínio do Mali, na metade do Séc. XV, nasce ao longo do rio Níger o império songai, fundado por Sunni Ali, que prospera graças a menor distância às rotas do comércio. • Há uma nova jihad, especialmente contra os “pagãos” e contra comunidades cujos habitantes não praticavam o Islã que os dirigentes Songai entendiam como ideal, apesar de estes praticarem, também, um Islã bastante sincrético. • No final do Séc. XVI e início do XVII a tradição do império islâmico tinha sido reprimida; em seu lugar os muitos pequenos estados lutavam entre si para conquistar escravos e terras. Essas guerras eram feitas entre estados muçulmanos e não- muçulmanos; entre governos muçulmanos por disputa de terras e poder. Destes embates, cristãos, muçulmanos ou “pagãos” acabavam se tornando escravos. • Os Imperadores Songai são influenciados pelo jurista, Muhammad al-Maghili, contratado para elaborar um tratado sobre a jihad. Al-Maghili diz ao Soberano: “As pessoas deste país pretendem ser muçulmanas e assim o são exteriormente: tem uma Mesquita, uma comunidade, a oração da sexta-feira, a prática das cinco orações, mas esses que descrevi mesclam o verdadeiro com o falso e, desta maneira, perdem-se, pois convertem-se em pagãos sem se darem conta. A aplicação da jihad está justificada contra esses infiéis. Contra eles opere a guerra, mate aos seus homens, submeta à escravidão suas mulheres e crianças, apodere-se de seus bens. Matar aos homens injustos, perversos e seus comparsas, ainda que rezem, jejuem e vão em peregrinação à Meca, não é pecado; mate-os...” • Assim, há a justificativa teológica para que uma campanha jihadista seja feita contra qualquer um, mesmo muçulmano, o que contraria entendimentos jurídicos anteriores.
  • 24. 4ª Fase Fulani ou Peule (Séc. XVIII e XIX) • Inicia-se com a jihad de Uthman Dan Fodyo (Futi, Fodio), o qual funda o reino de Sokoto (na atual Nigéria). • Uthman Dan Fodyo possuía cultura islâmica invejável. Aos trinta anos já tinha discípulos que o consideravam um homem extremamente pio e dotado de baraka (poder espiritual). Foi convidado para ser o educador dos filhos de vários governantes, o que fez durante muito tempo. Esses governantes se diziam muçulmanos e dervixes, mas continuavam com as práticas religiosas tradicionais. Isso não agradava Dan Fodyo, que começou a criticar abertamente esse comportamento, resultando em seu abandono da Corte. Em seguida, Dan Fodyo se insurge, declarando guerra aos governantes. Como era estrito na observância do Islã promove intensas perseguições aos “pagãos” e àqueles que, para ele, não praticavam o Islã “corretamente”. • Há que se lembrar que a corte era composta pelos reis locais (os Ọba), por grandes comerciantes e pelos conselheiros e alguns deles pertenciam à alguma Tariqa (Ordem Sufi) e estes, mesmo que se aliassem a Uthman Dan Fodyo, acabaram sendo vistos como suspeitos, o que os levou à prisão e à escravidão. • Mas com o começo do século XIX, a antiga casta respeitada de comerciantes, geomantes e conselheiros torna-se suspeita, precisamente por seus conhecimentos. Sabiam escrever, e escreveram tudo o que viram. Esta curiosidade e esta exatidão lhes foi funesta: foram levados à prisão,
  • 25. 4ª Fase Fulani ou Peule (Séc. XVIII e XIX) - Continuação • Em sua obra, Tamiyz al-Muslim min al-kafirin, Uthman Dan Fodyo descreve oito categorias de pessoas que existem no Bilad as-Sudan, classificando-as em fiéis (muçulmanas) ou infiéis, sendo destacadas três delas, para nossa análise, as seguintes categorias: - 4ª - Os infiéis que nunca aceitaram o Islã, nesse caso são claramente infiéis; - 5ª - Os que misturam práticas infiéis e islâmicas. Eles aceitaram o Islã, mas não conseguiram abandonar as antigas práticas pagãs. São definitivamente infiéis; - 6ª - A sexta categoria, como a quinta, mescla práticas pagãs com islâmicas. Desdenham da religião de Deus e negam (algumas) determinações da shari’ah. São também infiéis. • As pessoas que se enquadram nas três categorias, das oito elencadas por Dan Fodyo, são as que podem ser escravizadas, portanto, apesar de em duas delas os categorizados terem abraçado o Islã, não são considerados como muçulmanos “de verdade”, o que permitia que os considerados “verdadeiros” muçulmanos pudessem escravizá-los, com a permissão de Allah. Mais uma vez pode-se observar a influência que o jurista Muhammad ibn Abd al-Karim al-Maghili, citado anteriormente, exerceu em Dan Fodyo. • Uthman Dan Fodyo foi inspirador para outros movimentos jihadistas, levados a cabo no Mali, Senegal, Namíbia, Níger e Chade