Ler as letras de uma página é apenas um de seus muitos disfarces. O astrônomo lendo um mapa de estrelas que não existe mais; o arquiteto japonês lendo a terra sobre a qual será erguida uma casa, de modo a protegê-la das forças malignas; o zoólogo lendo os rastros de animais na floresta; o jogador lendo os gestos do parceiro antes de jogar a carta vencedora; a bailarina lendo as notações do coreógrafo e o público lendo os movimentos da bailarina no palco; o tecelão lendo o desenho intricado de um tapete sendo tecido; o organista  lendo  várias  linhas  musicais
simultâneas orquestradas na página; os pais lendo no rosto do bebê sinais de alegria, medo ou admiração; o adivinho chinês lendo as marcas antigas na carapaça de uma tartaruga; o amante lendo cegamente o corpo amado à noite, sob os lençóis; o psiquiatra ajudando os pacientes a ler (sic) seus sonhos perturbadores; o pescador havaiano lendo as correntes do oceano ao mergulhar a mão na água; o agricultor lendo o tempo no céu – todos eles compartilham com os leitores de livros a arte de decifrar e traduzir signos. (Alberto Manguel,  Uma história da leitura , 1997, pp. 19-20).
GESTAR II
CARACTERÍSTICAS É um programa de formação continuada semipresencial orientado para a formação de professores de Matemática e de Língua Portuguesa, objetivando a melhoria do processo de ensino aprendizagem.
FINALIDADE Elevar a competência dos professores e de seus alunos e, conseqüentemente, melhorar a capacidade de compreensão e intervenção sobre a realidade sócio-cultural.
ATIVIDADES Troca de experiências e reflexão individual e em grupos; Esclarecimentos de dúvidas e questionamentos; Planejamento e elaboração de situações didáticas; Análise crítica da prática em sala de aula e de atividades dos alunos.
Currículo do Gestar II – Língua Portuguesa Possibilitar ao professor de Língua Portuguesa de 5ª a 8ª séries (6º ao 9º anos) um trabalho que propicie aos alunos o desenvolvimento de habilidades de compreensão, interpretação e produção dos mais diferentes textos.
Currículo do Gestar II – Matemática Tornar os professores competentes e autônomos para desencadear e conduzir um processo de ensino contextualizado, desenvolvendo as suas capacidades para o uso do conhecimento matemático, bem como o planejamento e a avaliação de situações didáticas que articulem atividades apoiadas em pressupostos da Educação Matemática.
MATERIAL Cada área tem seis Cadernos de Teoria e Prática (TP) – nos Módulos I e II. O Caderno de Teoria e Prática possui quatro unidades e cada Unidade contém três Seções, totalizando12 Seções por TP, sendo que a cada Seção corresponde um objetivo de aprendizagem. A parte I contém as Unidades; a parte II contém a Lição de Casa ou Socialização; e a parte III, as Oficinas ou Sessão Coletiva.
Direitos como professor cursista Receber todo material instrucional do programa destinado aos professores. Participar de todas as Oficinas e seminários de formação continuada. Ter um formador e tutor que o acompanhe durante todo o curso, até mesmo tirando dúvidas, orientando e realizando sessões de observação em sala de aula para apoio e incetivo às mudanças.
Receber um certificado de conclusão do curso, caso tenha cumprido todos os requisitos necessários à certificação.
Deveres como professor cursista Freqüência de 90% às atividades presenciais do programa, seminários e Oficinas coletivas. Leitura dos Cadernos de  Teoria e Prática para discussão nas Oficinas coletivas com o seu formador. Realização das atividades pedagógicas recomendadas no programa(lição de casa relatórios).
Realização e entrega, de acordo com o previstos no Caderno de Teoria e Prática, das atividades denominadas: Lição de Casa ou Socializando o seu Conhecimento. Realização  do  projeto  para  se conseguir a certificação. Realização de auto-avaliações. Compromisso  de  realizar  o planejamento de ensino com base nas diretrizes do programa.
Organização do tempo de estudo dos professores cursistas
Livro: a troca  Lygia Bojunga Nunes Pra mim, livro é vida; desde que eu era muito pequena os livros me deram casa e comida. Foi assim: eu brincava de construtora, livro era tijolo; em pé, fazia parede, deitado, fazia degrau de escada; inclinado, encostava num outro e fazia telhado.
E quando a casinha ficava pronta eu me espremia lá dentro pra brincar de morar em livro.  De casa em casa eu fui descobrindo o mundo (de tanto olhar pras paredes). Primeiro, olhando desenhos; depois, decifrando palavras. Fui crescendo; e derrubei telhados com a cabeça.
Mas fui pegando intimidade com as palavras. E quanto mais íntimas a gente ficava, menos eu ia me lembrando de consertar o telhado ou de construir novas casas. Só por causa de uma razão: o livro agora alimentava a minha imaginação. Todo dia a minha imaginação comia, comia e comia; e de barriga assim toda cheia, me levava pra morar no mundo inteiro: iglu, cabana, palácio, arranha-céu, era só escolher e pronto, o livro me dava.
Foi assim que, devagarinho, me habituei com essa troca tão gostosa que – no meu jeito de ver as coisas – é a troca da própria vida; quanto mais eu buscava no livro, mais ele me dava.  Mas, como a gente tem mania de sempre querer mais, eu cismei um dia de alargar a troca: comecei a fabricar tijolo pra – em algum lugar – uma criança juntar com outros, e levantar a casa onde ela vai morar. FIM

Gestar II A Troca

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  • 2.
    Ler as letrasde uma página é apenas um de seus muitos disfarces. O astrônomo lendo um mapa de estrelas que não existe mais; o arquiteto japonês lendo a terra sobre a qual será erguida uma casa, de modo a protegê-la das forças malignas; o zoólogo lendo os rastros de animais na floresta; o jogador lendo os gestos do parceiro antes de jogar a carta vencedora; a bailarina lendo as notações do coreógrafo e o público lendo os movimentos da bailarina no palco; o tecelão lendo o desenho intricado de um tapete sendo tecido; o organista lendo várias linhas musicais
  • 3.
    simultâneas orquestradas napágina; os pais lendo no rosto do bebê sinais de alegria, medo ou admiração; o adivinho chinês lendo as marcas antigas na carapaça de uma tartaruga; o amante lendo cegamente o corpo amado à noite, sob os lençóis; o psiquiatra ajudando os pacientes a ler (sic) seus sonhos perturbadores; o pescador havaiano lendo as correntes do oceano ao mergulhar a mão na água; o agricultor lendo o tempo no céu – todos eles compartilham com os leitores de livros a arte de decifrar e traduzir signos. (Alberto Manguel, Uma história da leitura , 1997, pp. 19-20).
  • 4.
  • 5.
    CARACTERÍSTICAS É umprograma de formação continuada semipresencial orientado para a formação de professores de Matemática e de Língua Portuguesa, objetivando a melhoria do processo de ensino aprendizagem.
  • 6.
    FINALIDADE Elevar acompetência dos professores e de seus alunos e, conseqüentemente, melhorar a capacidade de compreensão e intervenção sobre a realidade sócio-cultural.
  • 7.
    ATIVIDADES Troca deexperiências e reflexão individual e em grupos; Esclarecimentos de dúvidas e questionamentos; Planejamento e elaboração de situações didáticas; Análise crítica da prática em sala de aula e de atividades dos alunos.
  • 8.
    Currículo do GestarII – Língua Portuguesa Possibilitar ao professor de Língua Portuguesa de 5ª a 8ª séries (6º ao 9º anos) um trabalho que propicie aos alunos o desenvolvimento de habilidades de compreensão, interpretação e produção dos mais diferentes textos.
  • 9.
    Currículo do GestarII – Matemática Tornar os professores competentes e autônomos para desencadear e conduzir um processo de ensino contextualizado, desenvolvendo as suas capacidades para o uso do conhecimento matemático, bem como o planejamento e a avaliação de situações didáticas que articulem atividades apoiadas em pressupostos da Educação Matemática.
  • 10.
    MATERIAL Cada áreatem seis Cadernos de Teoria e Prática (TP) – nos Módulos I e II. O Caderno de Teoria e Prática possui quatro unidades e cada Unidade contém três Seções, totalizando12 Seções por TP, sendo que a cada Seção corresponde um objetivo de aprendizagem. A parte I contém as Unidades; a parte II contém a Lição de Casa ou Socialização; e a parte III, as Oficinas ou Sessão Coletiva.
  • 11.
    Direitos como professorcursista Receber todo material instrucional do programa destinado aos professores. Participar de todas as Oficinas e seminários de formação continuada. Ter um formador e tutor que o acompanhe durante todo o curso, até mesmo tirando dúvidas, orientando e realizando sessões de observação em sala de aula para apoio e incetivo às mudanças.
  • 12.
    Receber um certificadode conclusão do curso, caso tenha cumprido todos os requisitos necessários à certificação.
  • 13.
    Deveres como professorcursista Freqüência de 90% às atividades presenciais do programa, seminários e Oficinas coletivas. Leitura dos Cadernos de Teoria e Prática para discussão nas Oficinas coletivas com o seu formador. Realização das atividades pedagógicas recomendadas no programa(lição de casa relatórios).
  • 14.
    Realização e entrega,de acordo com o previstos no Caderno de Teoria e Prática, das atividades denominadas: Lição de Casa ou Socializando o seu Conhecimento. Realização do projeto para se conseguir a certificação. Realização de auto-avaliações. Compromisso de realizar o planejamento de ensino com base nas diretrizes do programa.
  • 15.
    Organização do tempode estudo dos professores cursistas
  • 16.
    Livro: a troca Lygia Bojunga Nunes Pra mim, livro é vida; desde que eu era muito pequena os livros me deram casa e comida. Foi assim: eu brincava de construtora, livro era tijolo; em pé, fazia parede, deitado, fazia degrau de escada; inclinado, encostava num outro e fazia telhado.
  • 17.
    E quando acasinha ficava pronta eu me espremia lá dentro pra brincar de morar em livro. De casa em casa eu fui descobrindo o mundo (de tanto olhar pras paredes). Primeiro, olhando desenhos; depois, decifrando palavras. Fui crescendo; e derrubei telhados com a cabeça.
  • 18.
    Mas fui pegandointimidade com as palavras. E quanto mais íntimas a gente ficava, menos eu ia me lembrando de consertar o telhado ou de construir novas casas. Só por causa de uma razão: o livro agora alimentava a minha imaginação. Todo dia a minha imaginação comia, comia e comia; e de barriga assim toda cheia, me levava pra morar no mundo inteiro: iglu, cabana, palácio, arranha-céu, era só escolher e pronto, o livro me dava.
  • 19.
    Foi assim que,devagarinho, me habituei com essa troca tão gostosa que – no meu jeito de ver as coisas – é a troca da própria vida; quanto mais eu buscava no livro, mais ele me dava. Mas, como a gente tem mania de sempre querer mais, eu cismei um dia de alargar a troca: comecei a fabricar tijolo pra – em algum lugar – uma criança juntar com outros, e levantar a casa onde ela vai morar. FIM