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Ser humano é lutar
pela plenitude da vida.
Frei Betto
Um outro mundo
é possível.
De 27 de janeiro a 1o
de fevereiro de 2009, a
cidade de Belém, Pará, sediou a nona edição do
Fórum Social Mundial.
Um evento que contou com
aproximadamente cem mil inscritos,
provindos de mais de 160 países.
Representantes de movimentos sociais, de tradições
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A confluência das mais variadas lutas
em prol da dignidade humana.
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sutis do capital procurarão se refazer.
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mostram que, se o
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Qual o mundo que
iremos deixar para
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Qual o mundo que
iremos deixar para
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Alimentar novas
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A interculturalidade,
- o diálogo entre
o chamado saber
ocidental e o saber
tradicional, milenar,
a cosmovisão indígena.
As tradições dos
povos nativos
falam do ser
humano
como jardineiro.
Conforme ensinam
tais tradições,
o ser humano deve
cultivar a Terra com
cuidado e senso de
justiça e estética.
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da vitalidade,
diversidade e beleza
da Terra é
nosso dever
sagrado.
Devemos lançar
um novo olhar
sobre a realidade,
adotar um novo
paradigma de
relacionamento com
todos os seres.
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15 bilhões de anos para
produzir o planeta
que habitamos,
essa admirável obra
que nós, seres
humanos, recebemos como
herança,
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e preservar como
guardiões fiéis.
Somos todos
interdependentes
uns dos outros,
coexistimos no
mesmo cosmos
e na mesma
natureza.
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tão belo quanto
curto,que deve ser
cultivado como
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o destino comum nos
conclama a buscar um novo
começo.
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a comunidade de vida.
Coexistir com respeito,
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com os demais
moradores deste
pequeno planeta,
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o encontro com
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enriquece a nossa
visão do mundo
e da vida.
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são diferentes.
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voz, as suas melodias,
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Habitamos todos uma Casa comum.
Temos uma origem comum e,
certamente, um mesmo destino comum.
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cores e formas distintas.
Diferenças superficiais, pois a terra
que as nutre e sustenta é uma.
Um único Sopro as anima,
conferindo-lhes significado,
sentido e vida.
O desafio do tempo presente é o de
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uma única Alma,
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E em meio à agitada
rotina da vida moderna,
encontrar tempo para refletir
sobre perguntas metafísicas...
E em meio à agitada
rotina da vida moderna,
encontrar tempo para refletir
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Ter ouvidos para a voz que fala em nós,
que nos convoca para
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“Quem sustenta e se esconde
atrás daquelas estrelas?...”
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um recém-nascido, com
respeito e admiração pergunta:
“Quem foi que
produziu esta vida?...”
“Onde é que,
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acaba a terra?”
O texto desta apresentação se baseia em
palestra proferida por Leonardo Boff
durante o Fórum Social Mundial,
Belém, Pará, janeiro de 2009.
Para saber mais acerca do tema, acesse:
www.forumsocialmundial.org.br
www.leonardoboff.com.br
Tema musical:
Unchained Melody,
Righteous Brothers
(versão instrumental)
Formatação:
um_peregrino@hotmail.com
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Fórum Social

  • 1. Ser humano é lutar pela plenitude da vida. Frei Betto
  • 2. Um outro mundo é possível.
  • 3. De 27 de janeiro a 1o de fevereiro de 2009, a cidade de Belém, Pará, sediou a nona edição do Fórum Social Mundial.
  • 4. Um evento que contou com aproximadamente cem mil inscritos, provindos de mais de 160 países.
  • 5. Representantes de movimentos sociais, de tradições religiosas e espirituais, ONGs, intelectuais solidários, universitários, estudantes, cidadãos do mundo.
  • 6. A confluência das mais variadas lutas em prol da dignidade humana.
  • 7. Cem mil mentes e corações em busca de caminhos para um outro mundo possível.
  • 8. Um outro mundo possível, que comporte os sonhos da menina palestina e da menina brasileira.
  • 9. Um outro mundo possível, onde sejam respeitados os direitos básicos da menina africana, da menina peruana,...
  • 10. ...e da menina afegã.
  • 11. E dentre as tantas atividades realizadas durante o Fórum Social estavam as palestras proferidas pelo teólogo, professor e escritor Leonardo Boff.
  • 12. Num dos encontros, cujo tema era “Diálogos com os movimentos de Juventude pelo Meio Ambiente ”, ele se reuniu especificamente com os jovens.
  • 13. Estudantes, universitários, ativistas, sonhadores, em busca de um outro mundo possível.
  • 14. A enorme tenda mostrou-se pequena para abrigar todos os interessados por ouvir as suas palavras.
  • 16. E iniciou a sua exposição, Leonardo Boff, falando sobre a crise financeira que assola o mundo.
  • 17. US$ 15 trilhões de dólares evaporados em questão de poucos dias, levando consigo imensas corporações, grandes bancos e tradicionais fábricas.
  • 18. E deixando para trás, em meio às frias estatísticas, as demissões em massa, o desemprego, a fome, o desespero, as lágrimas.
  • 19. Uma crise que não assolou a periferia, mas o coração do império.
  • 20. E lembrou-nos Leonardo Boff que as artimanhas sutis do capital procurarão se refazer.
  • 21. Dirão - os economistas, as corporações transnacionais e os detentores do poder - que o capitalismo vive de crises, e que esta é mais uma crise cíclica.
  • 22. E tentarão nos empurrar mais do mesmo, mais consumo, mais conflitos, mais individualismo...
  • 23. Porém, a crise atual é terminal. O desafio não é remediar o que não tem conserto, mas buscar novas alternativas.
  • 24. que, em sua natureza, é voraz, acumulador, depredador do meio ambiente, criador de desigualdades e sem sentido de solidariedade, atesta a sua própria falência. O sistema atual, regido pelo capital e pelas leis do mercado,
  • 25. Um sistema onde a cada quatro minutos uma pessoa perde a visão, em decorrência da carência de vitamina A,declara o seu próprio fracasso.
  • 26. Um sistema onde a cada cinco segundos uma criança com menos de cinco anos morre de fome ou desnutrição atesta a sua própria falência.
  • 27. Um sistema que criou desumanos sofrimentos e gritantes desigualdades.
  • 28. O sistema vigente, que tem como pilar um individualismo avassalador, demonstrou-se incapaz de assegurar o bem-estar da humanidade.
  • 29. Um individualismo que se revela na linguagem cotidiana: O meu emprego, o meu salário, a minha casa, o meu carro, a minha família...
  • 30. Um sistema onde ninguém é levado a construir algo em comum, onde a competição, o acúmulo e a ostentação predominam em detrimento da solidariedade, da caridade e da compaixão.
  • 31. Um sistema onde as crianças aprendem tão cedo a conjugar o verbo comprar, mas que desconhecem o que seja compartilhar.
  • 32. Um sistema que incentiva o consumismo inconsequente e desenfreado, e que tanto cultua os bens materiais.
  • 33. Uma cultura que dissemina compulsão e consumismo,que associa o produto a um conceito de felicidade.
  • 34. Um sistema que desconhece o amor, a caridade e a compaixão, e que se fez cego e surdo para o apelo do excluído, do necessitado.
  • 35.
  • 36. O oposto do amor não é o ódio, mas a indiferença.
  • 37. Um sistema que por longas décadas alega não possuir recursos para promover a educação, a saúde e para aplacar a fome mundial, mas que tanto gasta com guerras, conflitos e com a indústria bélica,...
  • 38. ...e que se mostra capaz de mobilizar em poucas horas três trilhões de dólares para socorrer bancos, montadoras e corretoras, atesta seu próprio fracasso terminal.
  • 39. Como foi que permitimos chegar a este ponto? Quanto tempo ainda haverá de passar até que resgatemos a nossa humanidade perdida?
  • 40. Um punhado de farinha e água para enganar a fome, acrescido, nos dias de sorte, de um pouco de sal.
  • 41.
  • 42. Além da crise financeira, nos deparamos também com a crise ambiental.
  • 43. A falta de solidariedade que impera nas nossas relações sociais. E a falta de solidariedade para com a Natureza.
  • 44. A ânsia pelo crescimento econômico, aliada ao consumismo compulsivo, resultou na dilapidação sem precedentes da Natureza.
  • 45. O atual modelo econômico fracassou contra a própria humanidade e contra o planeta.
  • 46. O bem-estar de todos e a preservação da Terra são sacrificados ao lucro de poucos.
  • 47. O consumo inconsequente aumentou o desperdício, a produção de lixo, e os impactos ambientais.
  • 49.
  • 50.
  • 51. O desenvolvimento técnico-científico, dissociado da consciência ecológica, fez com que saqueássemos os recursos naturais numa escala sem precedentes.
  • 52. E a ruptura entre o trabalho e o cuidado fez com que o afã desmedido de produção se revertesse na ânsia incontida de dominação das forças da natureza.
  • 53. Os limites do capitalismo são os limites da Terra. Já encostamos nestes limites, tanto da Terra quanto do capitalismo.
  • 54. Já não mais podemos prosseguir com a perversa lógica do capital, baseada no acúmulo e no desperdício:
  • 55. “Quem não tem quer; quem tem quer mais; quem tem mais diz que nunca é suficiente.”
  • 56. A lógica do capital que tanto incentiva o supérfluo, a ostentação e o desperdício...
  • 57.
  • 58. Imagem de celulares descartados, quase todos em perfeitas condições de uso. Somente nos EUA, 426.000 aparelhos são jogados fora diariamente, trocados por modelos mais novos.
  • 59. E juntamente com os aparelhos vão-se embora também carregadores, baterias, acessórios...
  • 60.
  • 61. Os atuais padrões de extração, produção e consumo, mostraram-se insustentáveis,...
  • 62. ...além da capacidade de reposição e regeneração do planeta.
  • 63. A Terra está dando sinais inequívocos de que já não aguenta mais.
  • 64. Sinais como a escassez de água potável, e o aquecimento global.
  • 65. Sinais como as mudanças climáticas, que já começaram a afligir crescentes parcelas da população ao redor do planeta.
  • 66. A Terra é um planeta pequeno, velho e limitado que não suporta um projeto de exploração ilimitada.
  • 67. As crises financeira, climática, energética, alimentar e outras, - todas elas nos remetem para a crise do paradigma dominante.
  • 68. Precisamos de um novo paradigma de civilização porque o atual chegou ao seu fim e exauriu suas possibilidades.
  • 69. Projeções feitas por pesquisadores e cientistas ambientais mostram que, se o consumo continuar no ritmo atual, em 2050 precisaremos de dois planetas Terra.
  • 70. Qual o mundo que iremos deixar para as próximas gerações?...
  • 71. Qual o mundo que iremos deixar para as próximas gerações?...
  • 72. Cultivar a solidariedade intergeracional, para com os que virão depois de nós.
  • 73. Eles também precisam satisfazer suas necessidades, e habitar um planeta minimamente saudável.
  • 76. A interculturalidade, - o diálogo entre o chamado saber ocidental e o saber tradicional, milenar, a cosmovisão indígena.
  • 77. As tradições dos povos nativos falam do ser humano como jardineiro.
  • 78. Conforme ensinam tais tradições, o ser humano deve cultivar a Terra com cuidado e senso de justiça e estética.
  • 79. A proteção da vitalidade, diversidade e beleza da Terra é nosso dever sagrado.
  • 80. Devemos lançar um novo olhar sobre a realidade, adotar um novo paradigma de relacionamento com todos os seres.
  • 81. O universo caminhou 15 bilhões de anos para produzir o planeta que habitamos, essa admirável obra que nós, seres humanos, recebemos como herança, para cuidar como jardineiros, e preservar como guardiões fiéis.
  • 82. Somos todos interdependentes uns dos outros, coexistimos no mesmo cosmos e na mesma natureza.
  • 83. Uma mesma Fonte alimentadora, misteriosa e inominável, sustenta e confere vida a tudo que existe. O mesmo Sopro permeia toda a existência.
  • 84. A vida é milagre, tão belo quanto curto,que deve ser cultivado como as flores mais belas.
  • 85. Como nunca antes na história o destino comum nos conclama a buscar um novo começo.
  • 86. Promover a ecologia do cuidado, que zela pelos interesses de toda a comunidade de vida. Coexistir com respeito, cooperação e harmonia com os demais moradores deste pequeno planeta, - animais, vegetais, seres humanos.
  • 87. A interculturalidade, o encontro com outras tradições, outras culturas, enriquece a nossa visão do mundo e da vida.
  • 88. Ter olhos para os que são diferentes. Ter ouvidos para a sua voz, as suas melodias, canções, histórias...
  • 89. Habitamos todos uma Casa comum. Temos uma origem comum e, certamente, um mesmo destino comum.
  • 90. As tantas flores, com suas cores e formas distintas. Diferenças superficiais, pois a terra que as nutre e sustenta é uma.
  • 91. Um único Sopro as anima, conferindo-lhes significado, sentido e vida.
  • 92. O desafio do tempo presente é o de resgatar as utopias esquecidas, reescrever o nosso sonho comum.
  • 93. Um único Sopro, uma única Alma, uma mesma esperança.
  • 94. E em meio à agitada rotina da vida moderna, encontrar tempo para refletir sobre perguntas metafísicas...
  • 95. E em meio à agitada rotina da vida moderna, encontrar tempo para refletir sobre perguntas metafísicas...
  • 96. Ter ouvidos para a voz que fala em nós, que nos convoca para a prática do bem...
  • 97. ...e que diante de uma noite estrelada nos pergunta:
  • 98. “Quem sustenta e se esconde atrás daquelas estrelas?...”
  • 99. A voz que, quando diante de um recém-nascido, com respeito e admiração pergunta:
  • 100. “Quem foi que produziu esta vida?...”
  • 101. “Onde é que, no olhar da criança, começa o céu e acaba a terra?”
  • 102.
  • 103. O texto desta apresentação se baseia em palestra proferida por Leonardo Boff durante o Fórum Social Mundial, Belém, Pará, janeiro de 2009. Para saber mais acerca do tema, acesse: www.forumsocialmundial.org.br www.leonardoboff.com.br
  • 104. Tema musical: Unchained Melody, Righteous Brothers (versão instrumental)
  • 106. Um outro mundo é possível.