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EDUCAÇÃO BILINGUE
     PARA SURDOS

Professora: Eliane Oliveira de Almeida
       eliane-br@hotmail.com
BILINGUISMO
BILINGUISMO
CASO DOS SURDOS
Pauta de trabalho
 A situação bilíngue dos surdos
 O surdo e a aquisição da linguagem
O     papel   da     língua   materna/natural   no
  desenvolvimento da pessoa surda.
 O direito de ser bilíngue
 Proposta educacional bilíngue
 Os diferentes contextos da Educação bilíngue no
  Brasil
 O desafio da inclusão
BILINGUISMO
• Situação linguística que envolve o uso de
 duas línguas distintas na comunicação.

            L1- Língua materna
           L2- Língua estrangeira
Quando falamos de bilínguismo no campo da
 educação de surdos, estamos nos referindo à

existência de duas línguas no ambiente do
 surdo
e estamos, ao mesmo tempo, reconhecendo
 que os surdos vivem em uma situação
 bilíngüe.

         • L1- Língua natural - libras
  • L2- Língua oficial do país – L. Portuguesa
Por que o português é considerado uma
 segunda língua para os surdos se eles
 nasceram no Brasil?
A primeira língua da criança, em termos
 psicolingüísticos, é sempre uma Língua
 Natural.

Língua Natural: é aquela aprendida sem
 barreiras de qualquer ordem para sua
 aquisição, são aprendidas naturalmente,
 bastando estar em contato com as pessoas
 que a utilizam.
– Para crianças ouvintes: línguas orais-auditivas.




– Para crianças surdas: línguas de modalidade
  visual-espacial.




Diferença na modalidade de recepção e produção
  de L1 e L2
L1        DIFERENÇAS ENTRE L1 E L2
                        L2
         L1                         L2
•Aquisição espontânea;     •Aquisição formal,
•Ambiente natural;         ambiente artificial;
•É adquirida não           •Requer
aprendida;                 metodologias de
•A aquisição é essencial   ensino, pois é
                           aprendida;
                           •A aquisição é
                           opcional
Em função da perda auditiva as crianças surdas
    não se apropriam de maneira natural das
      linguas de modalidade oral-auditiva.



  há um impedimento biológico para a
  aquisição da L. portuguesa pelos surdos
A aprendizagem da Língua Portuguesa pela
 criança surda ocorrerá em um processo
 formal com metodologias específicas e
 professores especializados.

  – L1 – Língua natural ou materna.
  – L2 – Língua Portuguesa: oral, escrita.
Primeiras experiências linguísticas
         crianças surdas
            e ouvintes
Crianças ouvintes:
– Desde o nascimento, recebem informações
  interagindo em sua língua materna/natural na
  família e em outros espaços de formação.
– A língua materna/natural lhes permite:
   • Ter acesso às mais variadas informações;
   • A construir hipóteses, categorizações,
     generalizações e conhecimento sobre o
     mundo;
   • Desenvolver juízos de valor;
   • Permite sua identificação cultural com seu
     grupos de referência.
Crianças surdas – pais ouvintes:
  • Interações limitadas à poucos gestos
    naturais, que reduzem enormemente as
    trocas simbólicas com o meio.
  • O conhecimento sobre o mundo e as
    operações cognitivas que se estabelecem são
    limitadas, já que não são significados e
    mediados por uma língua.
  • O sentimento de identificação com seus
    pares, tão necessários ao fortalecimento de
    sua identidade surda, é inexistente,
    originando problemas emocionais.
A situação de carência de estímulos para o
 desenvolvimento da linguagem, acarretam
 problemas:

  • Na formação e interiorização de conceitos,
   abstração, raciocínio hipotético-dedutivo, entre
   outras funções psicológicas mediadas pela
   linguagem.

     “É imenso o abismo que separa o universo de
      vivências e representações entre uma criança
    ouvinte e uma surda, sendo a criança surda filha
   de pais ouvintes, para qual não foi oportunizado o
          acesso precoce a uma língua natural”
• Crianças surdas – pais surdos:


  – Interações significativas com a L.S.;

  – Desenvolvimento     lingüístico  e cognitivos
    seguindo as mesmas etapas com a mesma
    qualidade das crianças ouvintes.
ASSIM…

 Pais ouvintes de crianças surdas devem
 aprender o quando antes, e da melhor
 maneira possível a língua dos sinais, que
 lhes permitirá comunicar-se com seu filho,
 ofertando-lhe um ambiente lingüístico
 favorável à comunicação.
A criança surda e a aquisição da
            linguagem
Período pré -linguístico
balbucio: balbucio manual e oral até por volta de 6 m


Balbucio manual: 14m
                      Gesticulação
             (Não apresent a organização interna)
                      Balbucio quirológico
    ( combinações   que fazem parte do sistema articulatório da LS.)
• Bebês surdos e ouvintes realizam balbucio oral e
  manual
• Em um determinado estágio desenvolvem o
  balbucio em apenas uma das modalidades.
As semelhanças encontradas nas duas formas de
   balbuciar sugerem haver no ser humano uma
    capacidade linguística que sustenta a
          aquisição da linguagem
    independente da modalidade da língua
        oral-auditiva ou espacial-visual
Período Linguístico
Estágio de um sinal – 12m a 2a
• Crianças surdas produzem as primeiras palavras
  entre o 5 a 7 m.
• Começam a nomear as coisas
• Aprendem a relacionar o sinal com os objetos
• Articulam os sinais com erros nos parâmetros
• Os sinais não são flexionados – formas congeladas
• Não fazem uso dos dispositivos indicativos em LS
Período Linguístico
Estágio das primeiras combinações 2 a
• forma sentenças simples usando a ordem sv,vo ou
  svo.
• começa a usar o sistema pronominal, mas de
  forma inconsistente (omissão)
• apresenta erros de reversão pronominal ( eu e
  você)
• usa verbos sem flexionar
Estágio das Multiplas combinações:
3 anos
• Explosão de vocabulário
• Diferencia nome de verbos
• Empilha os referentes não presentes em um único
  lugar no espaço.
• Usa flexão verbal generalizada, como se todos
  pertencessem a classe dos dos verbos direcionais
Estágio das Multiplas combinações:
4 anos
• A concordancia verbal ainda não é utilizada corretamente
• Deixam de empilhar os referentes não presentes em um
  único ponto , porém, pode estabelecer mais de um ponto no
  espaço para o mesmo referente.

5 anos
• Dominio completo dos recursos morfologicos da lingua
• Uso do verbo flexionado de forma adequada
• Coloca e mantem um ponto no espaço para referentes não
  presentes.
Pode-se concluir então…

 Que o sistema de aquisisão das Língua de
                  Sinais
são semelhantes ao sistema de aquisição das
                línguas orais
O papel da Linguagem no
desenvolvimento da criança surda
O papel da Linguagem no desenvolvimento da
                criança surda

1. Comunicar-se com seus pais e familiares o
     mais cedo possível através da linguagem
     ocorre grande parte do estabelecimento de
     vínculos afetivos entre crianças/pais.
2.   Desenvolver suas capacidades cognitivas
     durante a infância.
3.   Adquirir conhecimento sobre o mundo.
4.   Comunicar-se integralmente com o mundo
     circundante.
5.   Pertencer culturalmente a dois mundos.
• Segundo Vygotsky:
  – O desenvolvimento das funções psicológicas
    superiores,   não    é    algo      que   ocorre
    “naturalmente” – requer mediação cultura e um
    instrumento cultural. E o mais importante
    desses instrumentos culturais é a língua.

  – Na educação dos surdos o instrumento cultural
    alternativo é a L.S. – uma língua que foi criada
    para e por eles.

  – Educar os surdos na L.S. é respeitar sua
    diferença sua singularidade favorecendo seu
    desenvolvimento educacional, cognitivo e social.
A criança surda e o direito de
        crescer bilíngue
A criança surda e o direito de
        crescer bilingüe

• Se a L.S é uma língua natural adquirida de
   forma espontânea pela pessoa surda em
   contato com pessoas que usam essa língua
   e se a língua oral é adquirida de forma
   sistematizada, então as pessoas surdas
   tem o direito de ser ensinadas nas línguas
   de sinais.
• Em nosso país, uma política lingüística
   para a língua brasileira de sinais começa a
   ser instaurada por meio legal.

• A lei 10.436 de 2002 reconhece o estatuto
   lingüístico da L.S e, ao mesmo tempo,
   assinala que esta não pode substituir o
   português.
• Recomendação atual do MEC/SEESP –
  Constituição Federal – determina-se o uso
  da língua portuguesa nas relações sociais,
  culturais, econômicas, jurídica e nas
  instituições de ensino.

• Sendo surdos cidadãos brasileiros tem o
  direito de utilizar esta língua oficial   tão
  importante para o exercício de            sua
  cidadania.
• O decreto 5626/2005 assinala que a
  Educação dos surdos no Brasil deve ser
  bilíngüe, garantindo o acesso à Educação
  por meio da L.S e o ensino da língua
  portuguesa como segunda língua.
Dec. 5626/05 - Dispõe ainda sobre:
• A inclusão da libras como disciplina
   curricular;
• A formação de professores de libras e
   instrutores de libras;
• O uso e a difusão da L.S e da L.P para
   acesso das pessoas surdas à educação;
• A formação do tradutor interprete de
   libras-língua portuguesa;
• A garantia e o direito á educação das
   pessoas surdas …
• A necessidade psicolingüística de uma
  proposta bilíngüe está relacionada a
  concepção    da   gramática   universal
  (CHOMSKY).

• Se há um dispositivo de aquisição comum
  a todos ser humanos que precisa ser
  acionado mediante a experiência lingüística
  positiva, a criança surda deve ter acesso a
  LIBRAS o quanto antes para acionar de
  forma natural esse dispositivo.
• SKUTNABB – KANGAS (1994) afirmam que
  o nível ótimo de bilingüísmo deve ser o
  objeto educacional sobre direitos humanos
  lingüísticos. Tais direitos devem garantir:

  b) Que todos os seres humanos têm direito de
     identificarem-se com uma língua materna e de
     serem aceitos e respeitados por isso;

  d) Que todos tem o direito de aprender a língua
     materna completamente, nas suas formas oral
     (quando fisiologicamente possível) e escrita;
– Que todos tem o direito de usar a sua língua
  materna em todas as situações oficiais
  (inclusive na escola);

– Que qualquer mudança que ocorra na língua
  materna seja voluntária e nunca imposta;

– Que todos os usuários de uma língua materna
  não oficial em um país tem o direito de serem
  bilíngües.
 Garantindo cada um desses direitos
  as crianças surdas brasileiras, ter-se-
  á o delineamento de uma proposta
  bilíngüe.
Proposta Educacional Bilíngue
Proposta Educacional Bilingüe

• O bilingüismo: língua oral/língua de sinais é a
   única via através da qual a criança surda poderá
   ser atendida em suas necessidades.

• Que tipo de bilingüismo:

  –   Língua de Sinais-Língua Portuguesa: oral / escrita

                   Simultâneo ou sucessivo
Em cada criança as duas línguas exercerão
 papéis diferentes:

  • Em algumas predominará a língua de sinais;
  • Em outras predominará a língua oral;
  • Em outras haverá um certo equilíbrio em
    identificar ambas as línguas.
Podemos encontrar então, diferentes níveis
 de bilingüismo e biculturalismo.

  Bicultural: significa identificar-se culturalmente
   com duas comunidades lingüísticas.
O papel das Línguas na
        Educação Bilíngüe

• Língua de Sinais:
  – Desempenha um papel importante no
    desenvolvimento cognitivo e social da criança
    surda e permite a aquisição de conhecimento
    sobre o mundo;
  – Permite à criança surda um desenvolvimento
    de sua identificação com o mundo surdo;
  – Facilita a aquisição da língua, seja na
    modalidade escrita ou falada.
• Língua Oral:

  – A língua oral, principalmente na sua
    modalidade escrita será um meio importante
    para a aquisição de conhecimentos;

  – Permite à criança surda a possibilidade de
    comunicação com ouvintes que não utilizam a
    L.S.;

  – Oportuniza maior possibilidade      de   êxito
    acadêmico e sucesso profissional.
–   A criança nasce imersa em relações sociais que se
    dão na linguagem;

–   Na criança surda esta imersão se torna restrita ou
    impossível, por depender de recursos da audição;

–   Os problemas tradicionais apontados como
    característicos da pessoa surda são produzidos por
    condições sociais.
Não há limitações cognitivas ou afetivas inerentes à
 surdez, tudo depende das possibilidades oferecidas
  pelo grupo social para o seu desenvolvimento, em
  especial para a consolidação da linguagem (GÓES,
                        1996).
• É nosso dever permitir à criança surda a
   aquisição de duas línguas – a LS da comunidade
   surda e língua oral da maioria ouvinte.

• Para isso a criança deve ter contato com as duas
   comunidades lingüísticas e deve sentir       a
   necessidade de usar ambas as línguas.

• Optar apenas pela língua oral, devido aos
   recentes avanços tecnológicos, é jogar com o
   futuro    da  criança   surda,  arriscar  seu
   desenvolvimento cognitivo e negar-lhe a
   possibilidade de se identificar com os dois
   mundos aos quais pertence.
• Uma proposta educacional além de ser
  bilíngüe, deve ser bicultural para permitir o
  acesso natural da criança surda à
  comunidade ouvinte e para que ela se
  reconheça como parte de uma comunidade
  surda.

• Isso somente será possível quando os
  educadores e surdos trabalharem juntos.
Considerando o aspecto psicossocial, a
  criança surda
•    irá integrar-se satisfatóriamente a
  comunidade ouvinte somente se tiver uma
  identificação bastante sólida com seu
  grupo, caso contrário, ela terá dificuldade
  tanto numa comunidade como na outra,
• apresentando       limitações    sociais   e
  lingüísticas, algumas vezes irreversíveis.
Quanto ao ensino da língua portuguesa

• baseia-se em técnicas de segundas
  línguas.
• tais técnicas partem das habilidades
  interativas e cognitivas adquiridas pelas
  experiências naturais com a LIBRAS.
• A criança surda filha de pais ouvintes
  nasce num ambiente que não favorece o
  desenvolvimento de sua primeira língua.
O DESAFIO…

 Como uma criança surda, filha de pais
     ouvintes que nunca viram a língua de
     sinais , não conhecem pessoas surdas e
     nem imaginam o que fazer para
     comunicar-se com seu filho, vai adquirir
     sua primeira língua?



Gr
A proposta bilíngüe deve considerar essa
  situação

• ofertando contato com surdos adultos
  na mais tenra idade no ambiente escolar,
  com objetivo de desenvolver a linguagem
  e o pensamento da criança surda,
• assim será possível o ensino de uma
  segunda língua, caso contrário, não terá
  chances de apresentar um domínio
  razoável da língua portuguesa.
• Vale ressaltar que o domínio da língua
   natural, apesar de essencial, não garante o
   acesso a uma segunda língua.


• O domínio de L1 apesar de ser pressuposto
   para o ensino de L2, não parece ser
   suficiente para o processo de aquisição de
   L2 se concretize.
Fatores que podem determinar            o
   processo de aquisição de L2:

• a idade do diagnóstico;
• A metodologia utilizada;
• A idade de aquisisão de L1 e contato com
  L2;
• Envolvimento familiar;
• Fatores afetivos
Fatores que podem determinar      o
   processo de aquisição de L2:

•   Ambiente
•   Interação
•   Interesse do aluno
•   Práticas sociais
• Quanto o ensino da língua oral, deveria
  centralizar-se mais na aquisição de
  conceitos e desenvolvimento do sistema
  semântico, processo através do qual a
  forma seria mais facilmente apreendida
  pelo surdo.
Formas de bilinguismo.

• Modelo sucessivo: ensino de L2 apenas
   após aquisisão de L1

• Modelo simultâneo: L1 e L2 apresentadas
   simultaneamente, em momentos
   linguísticos distintos
• O objetivo educacional do enfoque bilíngue,
 seria que o indivíduo surdo fosse capaz de
 comunicar-se através das duas línguas,
 utilizando-as em situações linguísticas
 distintas.




• video
O Bilínguismo Praticado no
            Brasil
• Primeiro país a implantar a educação
  bilíngüe para surdos – Suécia – início dos
  anos 80.
• Expandiu-se para: EUA, Alemanha, Rússia,
  Bélgica, Dinamarca, Uruguai, Venezuela e
  Colômbia.
• No Brasil foi instituída na década de 90,
  vem se desenvolvendo de forma incipiente,
  à partir da introdução de intérpretes de
  LIBRAS e educadores surdos.
 No contexto atual a Educação Bilíngüe
   deveria contemplar um projeto
   educacional que tenha como princípio
   norteador

• a utilização da L.S, em todos os
  contextos de aquisição de acesso à
  informação,
• seguida da aprendizagem da língua
  portuguesa, como segunda língua no
  currículo escolar.
• O Bilinguismo praticado no Brasil no caso
   dos surdos, é incipiente por inúmeras
   razões:

  a) Ausência de uma política lingüística oficial e
     séria de preservação da LIBRAS;

  c) Falta de uma política lingüística na escola que
     atribua à LIBRAS a qualidade de língua
     principal para o ensino – o que requer
     professores surdos e ouvintes fluentes em
     LIBRAS;
– Ausência de educadores surdos contribuindo no
  planejamento e na execução das políticas
  educacionais;

– As fortes pressões exercidas pelos surdo para o
  domínio do português;

– Por força da política nacional de inclusão, alunos
  surdos tem que concluir seus estudos nas escolas
  monolíngües;

– A confinação da LIBRAS a limitados espaços
  sociais, contribuindo para seu desconhecimento
  pela a sociedade.
• Estudantes surdos ainda são discriminados
   em suas manifestações em L.S e
   marginalizados por avaliações arbitrárias
   em suas produções escritas na língua
   portuguesa – L2.


• Sua diferença lingüística, manifestada por
   um processo de comunicação visual, que
   tem na LIBRAS sua representação principal
   é ignorada.
• As práticas metodológicas e avaliativas
  buscam, para eles os mesmos resultados
  ou “desempenho” esperado para os alunos
  ouvintes, desencadeando um processo de
  expulsão.
• Não é apenas a mudança na língua que
  são transmitidos os conteúdos, ou critérios
  de avaliação mais justos em relação as
  diferenças lingüísticas que os surdos
  apresentam,
• o que vai garantir ou orientar uma nova
  abordagem curricular, mas a compreensão
  do sujeito surdo em sua totalidade sócio-
  histórico-cultural e a legitimação do seu
  “lugar” nas práticas sociais (FERNANDES,
  1998).
 Alguns       fatores que devem ser
     considerados na implantação da
     abordagem      educacional bilíngüe-
     bicultural:
 •    O envolvimento de todos os participantes da
      comunidade escolar e da comunidade surda,
      inclusive nas tomadas de decisão;

 •    A formação de professores com competência
      em Língua de Sinais, de intérpretes de Línguas
      de Sinais e de profissionais surdos;
•   A identificação da situação linguística da
    comunidade escolar e das variantes locais das
    línguas de sinais, o conhecimento da
    gramática da língua de sinais e a produção de
    material didático para seu ensino;

•   A construção de uma metodologia para o
    ensino de segunda língua, que considere as
    interferências de língua de sinais na escrita da
    língua oral e o papel da interlíngua produzida
    pelos surdos no processo de aprendizagem da
    segunda língua, após a aquisição da primeira
    língua;
•   A problematização dos estereótipos, das visões
    sobre os surdos e a surdez e das questões que
    envolvem as relações de poder existentes
    entre as duas línguas;

•   A posição política e ideológica frente a escola
    inclusiva;
• Estabelecer as concepções de língua /
  linguagem e de ensino aprendizagem
  presentes nos projetos de educação
  bilíngüe também são fatores relevantes:

  “A escolha da primeira língua de instrução não pode
  ser encarada como o reconhecimento de uma
  deficiência por parte do aprendiz, uma minimização
  de sua capacidade intelectual, mas sim como uma
  estratégia consciente de como alcançar os objetivos
  estabelecidos, levando-se em conta a função social
  da aprendizagem”.
O QUE PERCEBEMOS…

 Continua-se a reproduzir velhas práticas
  oralistas, com os mesmos objetivos e
  pressupostos, agregando a língua de sinais
  ao processo educacional,
 a língua de sinais passa a ser tolerada
  pelos     educadores,    encarada   como
  panacéia para todos os problemas
  educacionais dos surdos e mais um
  “recurso” para o acesso a língua “mais
  importante”: a língua portuguesa.
 Nesse sentido temos como conseqüência
  um pseudobilinguismo, no qual a língua
  minoritária é apenas valorizada como meio
  de acesso à verdadeira língua.

 A    maior contradição no processo
  educacional dos surdos é a “insistência
  metodológica” no aprendizado de L2 sem
  que a maioria dos alunos surdos tenha
  vivenciado experiências lingüísticas por
  meio de L1.
 Dentre as muitas premissas implicadas na
   implementação da educação               bilíngüe    para
   surdos, apontam-se:

  a) O reconhecimento político (não a tolerância) dos
     surdos como grupo que constrói aspectos de sua
     identidade lingüística e cultural pelo uso de uma língua
     natural – a língua de sinais – tal como outros grupos
     étnicos minoritários;

  c) O reconhecimento do estudo científico da língua de
     sinais e sua incorporação ao currículo escolar como
     língua principal na mediação das atividades
     pedagógicas.
a) A superação da perspectiva clínica na educação de
   surdos, o que os submete a uma pedagogia
   terapêutica (de correção/normalização) nas práticas
   escolares;

c) A ocupação do espaço prioritário dos adultos e
   profissionais surdos no processo educacional,
   favorecendo a formação da identidade das crianças e
   a vivência de aspectos culturais;

e) O domínio efetivo da língua de sinais por parte dos
   professores de surdos, necessário ao encaminhamento
   de questões essenciais à prática pedagógica, como é o
   caso do aprendizado da língua portuguesa.
• Há inúmeros fatores que devem ser
  discutidos, repensados e redimensionados
  no território escolar, a fim de que
  tenhamos programas de educação bilíngüe
  que permitam o desenvolvimento do
  sujeito surdo enquanto cidadão.
Diferentes Contextos da
   Educação Bilíngue
• A     educação bilíngüe vai apresentar
   diferentes contextos dependendo das
   ações de cada município e de cada estado
   brasileiro.

• Alguns estados – escolas bilíngües – língua
   da instrução é L.S e língua portuguesa é
   ensinado como L2.
• Em outros estados – LIBRAS –é a língua
  de instrução nas séries iniciais do ensino
  fundamental. Nas demais séries – a língua
  portuguesa – língua de instrução –
  presença de intérpretes de L.S nas salas
  de aula – ensino da língua portuguesa,
  como L2, realizada em salas de recursos.
• Ainda há estados – serviços de intérprete
   de L.S estão presentes desde o início da
   escolarização. Séries iniciais – intérpretes
   assumem função de professores – L.S
   como língua de instrução.

• Também,      há estado – professores
   desconhecem LIBRAS e a escola não tem
   estrutura ou recursos humanos para
   garantir ao surdo o direito a educação, a
   comunicação e a informação.
• Independentemente do contexto de cada
  estado, a educação bilíngüe depende da
  presença de professores bilíngües.
• Assim, pensar em ensinar uma segunda
  língua pressupõe a existência de uma
  primeira língua.
• O professor que assumir essa tarefa estará
  imbuído da necessidade de aprender a
  língua brasileira de sinais.
O que prevê a legislação:
Decreto 5626/05
     Art. 22. As instituições federais de ensino
  responsáveis pela educação básica devem
  garantir a inclusão de alunos surdos ou com
  deficiência auditiva, por meio da organização de:
    I - escolas e classes de educação bilíngüe,
  abertas a alunos surdos e ouvintes, com
  professores bilíngües, na educação infantil e nos
  anos iniciais do ensino fundamental;
Decreto 5626/05


            II - escolas bilíngües ou escolas comuns
  da rede regular de ensino, abertas a alunos
  surdos e ouvintes, para os anos finais do ensino
  fundamental, ensino médio ou educação
  profissional, com docentes das diferentes áreas
  do conhecimento, cientes da singularidade
  lingüística dos alunos surdos, bem como com a
  presença de tradutores e intérpretes de Libras -
  Língua Portuguesa.
Decreto 5626/05
•           § 1o São denominadas escolas ou classes de educação
    bilíngüe aquelas em que a Libras e a modalidade escrita da
    Língua Portuguesa sejam línguas de instrução utilizadas no
    desenvolvimento de todo o processo educativo.
•         § 2o Os alunos têm o direito à escolarização em um
    turno diferenciado ao do atendimento educacional
    especializado para o desenvolvimento de complementação
    curricular, com utilização de equipamentos e tecnologias de
    informação.
•         § 3o As mudanças decorrentes da implementação dos
    incisos I e II implicam a formalização, pelos pais e pelos
    próprios alunos, de sua opção ou preferência pela educação
    sem o uso de Libras.
•         § 4o O disposto no § 2o deste artigo deve ser garantido
    também para os alunos não usuários da Libras.
Decreto 5626/05
•              Art. 23. As instituições federais de ensino, de
    educação básica e superior, devem proporcionar aos alunos
    surdos os serviços de tradutor e intérprete de Libras - Língua
    Portuguesa em sala de aula e em outros espaços educacionais,
    bem como equipamentos e tecnologias que viabilizem o acesso
    à comunicação, à informação e à educação.
•          § 1o Deve ser proporcionado aos professores acesso à
    literatura e informações sobre a especificidade lingüística do
    aluno surdo.
•          § 2o As instituições privadas e as públicas dos sistemas
    de ensino federal, estadual, municipal e do Distrito Federal
    buscarão implementar as medidas referidas neste artigo como
    meio de assegurar aos alunos surdos ou com deficiência
    auditiva o acesso à comunicação, à informação e à educação.

•
–CLASSE REGULAR
                      APOIO ESCOLA
                       ESPECIAL e/ou
                        INTÉRPRETE
                           –INCLUSÃO




                        –Bilingüismo?          –CLASSE REGULAR
ESCOLA Especial,
                                                APOIO CAES e/ou
para/de surdos                                    INTÉRPRETE
                                                    –INCLUSÃO


                            –PERAE
                   –Programa de Escolaridade
                    Regular com Atendimento
                          Especializado

                      –(classes bilíngües)
O Desafio da Inclusão
do aluno surdo na escola
        comum
Politica Nacional da Educação Especial
    Perspectiva da Educação Inclusiva/2008
•    Para a inclusão dos alunos surdos, nas escolas comuns, a educação
    bilíngüe – Língua Portuguesa/LIBRAS, desenvolve o ensino escolar
    na Língua Portuguesa e na língua de sinais, o ensino da Língua
    Portuguesa como segunda língua de modalidade escrita para alunos
    surdos,
•   os serviços de tradutor/intérprete de Libras e Língua Portuguesa e o
    ensino de Libras para os demais alunos da escola.
•   O atendimento educacional especializado é ofertado, tanto na
    modalidade oral e escrita, quanto na língua de sinais. Devido à
    diferença lingüística,
•   na medida do possível, o aluno surdo deve estar com outros
    pares surdos em turmas comuns na escola regular.
Politica Nacional da Educação Especial
    Perspectiva da Educação Inclusiva/2008

•    O atendimento educacional especializado é
    realizado mediante a atuação de profissionais
    com conhecimentos específicos no ensino da
    Língua Brasileira de Sinais, da Língua Portuguesa
    na modalidade escrita como segunda língua...
Politica Nacional da Educação Especial
    Perspectiva da Educação Inclusiva/2008

•     Cabe aos sistemas de ensino, ao organizar a
    educação especial na perspectiva da educação
    inclusiva,  disponibilizar as   funções    de
    instrutor, tradutor/intérprete de Libras e
    guia de intérprete,
Segundo as Diretrizes Nacionais para
      Educação Especial na Educação Básica.

•      A oferta de educação especial deve ocorrer
    nas escolas públicas e privadas da rede regular
    de ensino.
•           A escola deve assegurar uma reposta
    educativa     adequada       as      necessidades
    educacionais de todos os seus alunos, em seu
    processo de aprender, buscando implantar os
    serviços de apoio pedagógico especializados
Serviço de apoio pedagógico
                 especializado

• trabalho de complementação curricular, que visa o
  enriquecimento das atividades desenvolvidas em sala.

• aquisição de novos conceitos e expansão lexical, por meio
  da leitura e interpretação de textos que tragam à tona a
  discussão de novas informações e conceitos.
Serviço de apoio pedagógico
                   especializado

•   Salas de Recursos
•   Profissional Interprete
•   Instrutor Surdo
•   Professor itinerante
•   Escola Especial
•   Equipes multidisciplinares
Atendimento Educacional Especializado

  Considerando a necessidade do desenvolvimento da
  capacidade representativa e lingüística dos alunos com
  surdez

 a escola comum deve viabilizar sua escolarização em
  um turno e o Atendimento Educacional
  Especializado em outro, contemplando
 o ensino de libras,
 o ensino em libras e
 o ensino em língua portuguesa.
Atendimento Educacional Especializado


        Atendimento Educacional Especializado em
    Libras
         todos os conhecimentos dos diferentes conteúdos
    curriculares, são explicados nessa língua por um professor,
    sendo o mesmo preferencialmente surdo. Esse trabalho é
    realizado todos os dias, e destina-se aos alunos com
    surdez.
Atendimento Educacional Especializado

        Atendimento Educacional Especializado para o
    ensino de Libras
•   os alunos com surdez terão aulas de Libras, favorecendo o
    conhecimento e a aquisição, principalmente de termos
    científicos.
•   realizado pelo professor e/ou instrutor de Libras
    (preferencialmente surdo), de acordo com o estágio de
    desenvolvimento da Língua de Sinais em que o aluno se
    encontra.
•   O atendimento deve ser planejado a partir do diagnóstico
    do conhecimento que o aluno tem a respeito da Língua de
    Sinais.
Atendimento Educacional Especializado

       Atendimento Educacional Especializado para o
    ensino da Língua Portuguesa
•   São trabalhadas as especificidades dessa língua para
    pessoas com surdez
•   Realizado todos os dias, à parte das aulas da turma
    comum, por uma professora de Língua Portuguesa,
    graduada nesta área, preferencialmente.
•   O atendimento deve ser planejado a partir do diagnóstico
    do conhecimento que o aluno tem a respeito da Língua
    Portuguesa.
Planejando o Atendimento Educacional
                Especializado

•   planejamento coletivo
•   Definição de conteúdo
•   Elaboração do plano de ensino
•   Preparação do caderno de estudos (conteúdos inter-
    relacionados)
•   Seleção e elaboração de recursos didáticos
•   Observação dos aspectos: sociabilidade,cognição,
    linguagem(oral,escrita e viso-espacial), afetividade,
    aptidões e interesses.
•   Registro das observações em relatórios
A surdez não é uma realidade homogênea, mas
  multicultural.
 A escola poderá se deparar com diferentes identidades
    surdas:
•   Surdos que têm consciência de sua diferença e reivindicam
    recursos essencialmente visuais;
•   Surdos que nasceram de pais ouvintes e conhecem a
    experiência auditiva e o português como primeira língua;
•   Surdos que passaram por experiências educacionais
    oralistas e desconhecem a língua de sinais;
•   Surdos que viveram isolados de toda e qualquer referencia
    identificatoria e desconhece sua situação de diferença.
O intérprete de libras/língua portuguesa
 A atuação do interprete na ótica da inclusão;
• interpretar conteúdos em sala de aula.
• mediar a comunicação entre professores e alunos, alunos e
    alunos, pais, funcionários e demais pessoas da comunidade
    em todo o âmbito da escola e também em seminários,
    palestras, fóruns, debates, reuniões e demais eventos de
    caráter educacional.
•   agir como difusor dos conhecimentos que tem sobre Libras
    e comunicação entre pessoas com surdez e ouvintes.
•   saber o valor e limites de sua interferência no ambiente
    escolar, para dar esclarecimentos e orientação aos que
    necessitam de seus conhecimentos específicos.
O intérprete de libras/língua portuguesa

• intérprete é apenas um mediador da comunicação e não
    um facilitador da aprendizagem.
•   Não cabe ao intérprete a tutoria dos alunos com surdez
•   O espaço da sala de aula pertence ao professor sendo o
    aluno de sua responsabilidade
•   esses papéis são absolutamente diferentes e precisam ser
    devidamente distinguidos e respeitados nas escolas de
    nível básico e superior.
O intérprete de libras/língua portuguesa

                    Conduta profissional
•   responsabilidade,
•   assiduidade,
•   pontualidade,
•   posicionamento no espaço de interpretação,
•   aparência pessoal,
•   domínio de suas funções,
•   interação com os alunos,
•   postura durante as avaliações.
 Mesmo sendo a presença de interpretes de língua de
  sinais o ideal, nos casos em que houver alunos surdos
  estudando nas classes comuns

• Há o fato de nem todos os alunos serem usuários da libras
  e a demanda de interpretes ser mínima geralmente,
  apenas nos grandes centros urbanos.

• Diante disso, o professor deve lançar mão de todos os
  recursos e estratégias visuais que acompanhem a
  oralidade, pois, ao contrário, seu aluno surdo em nada se
  beneficiará das aulas.
Outras Formas de
 Comunicação:
Outras Formas de
          Comunicação:

• Os surdos lançam mão de formas
   alternativas de apropriação de linguagem
   fazendo uso de processos cognitivos e
   simbólicos visuais;

• As práticas pedagógicas baseiam-se ainda
   em sua maioria nas exposições orais.
• É fundamental em qualquer ato de
  observação e análise de como se processa
  a aprendizagem do aluno surdo, que o
  professor    de    atenção   especial    a
  comunicação visual, estando presentes na
  sala de aula beneficiando a relação entre
  professor/alunos surdos e demais alunos.
• Alfabeto manual;
• Mímica dramatização;
• Desenhos / ilustrações / fotográficas;
• Recursos tecnológicos (vídeo / TV /
  retroprojetor / computador / slides / entre
  outros);
• Língua portuguesa escrita;
• Língua portuguesa oral / leitura labial.
• Diante disso o professor deve lançar mão
   de todos os recursos     e estratégias visuais
   que acompanhem a         oralidade, pois, ao
   contrário, seu aluno     surdo em nada se
   beneficiará das aulas.
Problematizando a Educação
          Inclusiva
        para surdos
Resolução nº 02/2001

“Deve ser assegurada, no processo educativo que
apresentam dificuldades de comunicação e sinalização
diferenciadas dos demais educandos, a acessibilidades
aos conteúdos curriculares, mediante a utilização de
linguagens e aprendizado da língua portuguesa,
facultando-lhes e às suas famílias a opção pela
abordagem pedagógica que julgarem adequada, ouvidos
os profissionais especializados em cada caso.”
Declaração de Salamanca – art. 21
“As   políticas educativas deverão levar em conta as
diferenças individuais e as diversas situações. Deve ser
levada em consideração, por exemplo, a importância da
linguagem dos sinais como meio de comunicação para os
surdos, e ser assegurado a todos os surdos acesso ao
ensino da linguagem dos sinais de seus país.

   Face às necessidade específicas de comunicação de
surdos e de surdos-cegos, seria mais conveniente que a
educação lhe fosse ministrada em escolas especiais ou
em classes ou unidades especiais nas escolas comuns.”
Embora os discursos e as políticas reconheçam a
    importância da Língua de Sinais teórica e textualmente,
    na prática, a escola inclusiva não consegue responder as
    duas contradições fundamentais:

     Como os surdos, em sua maioria, provenientes de
    família de ouvintes, sem contato com a comunidade
    surda, poderão adquirir e se desenvolver na Língua de
    Sinais?

      Como a escola inclusiva sem garantir a aquisição da
    língua de sinais vai ensinar a Língua Portuguesa como
    segunda língua, como os documentos oficiais
    recomendam?
Esses são, sem dúvida, paradoxos da escola
inclusiva, mesmo naquelas que utilizam
intérpretes de LIBRAS na sala de aula,
uma vez que a presença desse profissional não
garante a aquisição de Língua de Sinais.
Implicações da política inclusiva no
        desenvolvimento das
     potencialidades dos alunos
     surdos e na defesa de seus
        direitos lingüísticos.
Implicações lingüísticas
 Aquisição da LS - Como a escola inclusiva garante a
    aquisição e aprendizagem da Língua de Sinais e com
    quem as crianças surdas conversam na escolar
    regular?
 LS como língua de instrução – Como a escola
    inclusiva se organiza para ensinar os conteúdos em
    língua de sinais de forma equânime aos ouvintes?
                     Escola monolíngue
 Aprendizagem de Língua Portuguesa - como
    segunda língua – como nas salas de aula inclusivas, a
    Língua Portuguesa será ensinada, simultaneamente,
    como a segunda língua para os surdos e como
    primeira língua para os ouvintes?
Implicações sócio-políticas:-

 Constituição das identidades sociais e culturais –a
    maioria das crianças surdas crescem na fronteira surdo-
    ouvinte sem referências de adultos surdos, sentindo-se
    como uma estrangeira e muitas vezes discriminados.
•   Não é rara a incidência de problemas psicossociais,
    provenientes da incomunicabilidade nas relações afetivas
    e sociais e da ausência do encontro surdo-surdo.

        Como as escolas inclusivas pensam as
    repercussões de suas práticas na constituição das
             identidades dos alunos surdos?
Implicações sócio-políticas:-
• - Desarticulação da comunidade surda – Se a inclusão
   escolar implica na dispersão dos surdos em escolas
   regulares.
    como as escolas inclusivas se organizam para
     incluir a participação da comunidade surda nas
      atividades escolares, de forma não episódica e
                           folclórica?
• - Desigualdade de oportunidades – Em decorrência das
   questões anteriores, as atividades nas escolares
   regulares são voltadas majoritariamente para os
   ouvintes.
   como a escola inclusiva garante a participação
    efetiva dos alunos surdos em todas as atividades
                          propostas?
c) Implicações Culturais: -
• Não participação da comunidade surda – Diante da
   tendência à homogeneização da produção cultural,
        Como a escola inclusiva pode garantir o
      desenvolvimento de diferentes manifestações
   culturais? e, em particular, como os surdos podem
       desenvolver suas manifestações culturais?
• As expressões culturais dos surdos são silenciadas ou,
   então, obrigados a se manifestarem de forma não
   significativa, em representações que dependem do som
   e da audição. O sentimento de incapacidade e de
   inferioridade por não conseguirem se expressar
   acentuam a existência de uma cultura do silêncio.
Implicações Educacionais:
• - Fracasso escolar – Na medida que as escolas inclusivas
  direcionam     todo     o    processo    educacional    no
  desenvolvimento do Português oral e escrito, esta passa
  a ser fator que justifica todo o fracasso escolar, sem que
  se pense em outros fatores e em novas propostas de
  trabalho.
• Desigualdade no acesso aos conhecimentos – Sem
  resolver a questão da transmissão dos conhecimentos
  em Língua de Sinais e sem abordar no currículo aspectos
  diretamente relacionados aos interesses dos surdos, a
  escola inclusiva, de modo geral, oferece aos alunos
  surdos conhecimentos, em termos qualitativos e
  quantitativos, de forma restrita e fragmentada.
Então as questões são…

 Como a escola inclusiva garante a aquisição e
  aprendizagem da Língua de Sinais?
 Como a escola inclusiva se organiza para ensinar os
  conteúdos em língua de sinais de forma equânime aos
  ouvintes?
 Como nas salas de aula inclusivas, a L P será ensinada,
  simultaneamente, como a L2 para os surdos e como L1
  para os ouvintes?
 Como as escolas inclusivas pensam as repercussões de
  suas práticas na constituição das identidades dos alunos
  surdos?
 Como as escolas inclusivas se organizam para incluir a participação
  da comunidade surda nas atividades escolares, de forma não
  episódica e folclórica?

 Como a escola inclusiva garante a participação efetiva dos alunos
  surdos em todas as atividades propostas?


 Como a escola inclusiva pode garantir o desenvolvimento de
  diferentes manifestações culturais? e, em particular, como os
  surdos podem desenvolver suas manifestações culturais?


 Como a escola inclusiva pode garantir a igualdade no
  acesso aos conhecimentos?
Devemos considerar a forma excludente que tem
caracterizado o atual modelo de inclusão escolar de
surdos.

No mundo da História, da cultura e da política ‘constato’
       não para me ‘adaptar’ mas para ‘mudar’
                            Paulo Freire
REMOVENDO BARREIRAS À
    APRENDIZAGEM E À
 PARTICIPAÇÃO DE ALUNOS
         SURDOS.


        Fernandes
        SEED/DEE
Eliane EducaçãO BilingüE
Criando culturas inclusivas (sociedade em geral e
  comunidade escolar)
•      Oportunizar diferentes situações que informem a
  comunidade escolar sobre a surdez e suas implicações
  para o desenvolvimento e aprendizagem das pessoas
  surdas.
• Conhecer a língua brasileira de sinais e sua importância
  nos processos de interação e comunicação com pessoas
  surdas.
• Divulgar, na comunidade escolar, especificidades
  culturais das comunidades surdas relacionadas a sua
  produção lingüística, literária, artística e tecnológica.
• Viabilizar a presença de adultos surdos na escola, por
  meio de relações com associações de surdos ou outras
  referências comunitárias, favorecendo a experiência
  bilíngue e as trocas culturais.
Produzindo Políticas Inclusivas ( Poder
  Público/Órgão gestor da educação)
• Assegurar o desenvolvimento da proposta de educação
  bilíngue para surdos, Libras e Língua Portuguesa, desde
  a Educação Infantil.
• Viabilizar formas para aquisição e desenvolvimento da
  libras, como primeira língua, pelas pessoas surdas,
  preferencialmente de 0 à 3 anos.
• Assegurar espaços e profissionais capacitados para o
  desenvolvimento da proposta de ensino de português –
  modalidade escrita - como segunda língua para os
  surdos, no currículo escolar.
Produzindo Políticas Inclusivas ( Poder
  Público/Órgão gestor da educação)
• Oportunizar a aprendizagem da língua de sinais por
  todos os integrantes da comunidade escolar, com ênfase
  aos pais, professores do aluno e colegas de sala de
  aula.
• Prever estratégias de formação continuada dos
  professores de alunos surdos, destacando-se o
  aprendizado da língua de sinais e o trabalho com o
  português como segunda língua.
• Introduzir libras como disciplina, na parte diversificada
  da grade curricular, favorecendo sua aprendizagem por
  todos os alunos.
Produzindo Políticas Inclusivas ( Poder
  Público/Órgão gestor da educação)

• Prever a atuação de educadores surdos (monitores,
  instrutores e/ou professores) no contexto escolar,
  atuando como modelos para a identificação lingüístico-
  cultural das crianças surdas e sendo responsáveis pela
  difusão e ensino da libras na escola e na comunidade.

• Oferecer o tipo de apoio pedagógico especializado mais
  adequado ás necessidades dos alunos: profissionais
  intérpretes de libras/língua portuguesa, atendimento
  especializado, escolas especiais.
c) Desenvolvendo Práticas Inclusivas ( Professores
  e Equipe técnico-pedagógica)

• Utilizar a língua de sinais na mediação do processo
  ensino/aprendizagem e desenvolvimento das atividades
  escolares, quando estiverem presentes alunos surdos.

• Desenvolver, desde a educação Infantil, estratégias para
  o ensino da modalidade escrita do português, como
  segunda língua.
c) Desenvolvendo Práticas Inclusivas ( Professores
  e Equipe técnico-pedagógica)
• Introduzir métodos e estratégias visuais, complementares ou
  alternativas (língua de sinais, alfabeto manual, gestos naturais,
  dramatizações, mímica, ilustrações, vídeo/TV, retroprojetor, data
  show etc.) no desenvolvimento das atividades curriculares, a fim de
  facilitar a comunicação e a aprendizagem dos alunos surdos.

• Flexibilizar os critérios de avaliação nas diferentes áreas do
  conhecimento, valorizando o conteúdo apresentado, ainda que a
  escrita não corresponda aos padrões exigidos para nível/série em
  que o aluno se encontra matriculado (palavras inadequadas,
  omissão ou trocas no uso de elementos de ligação, verbos...),
  decorrentes da interferência da libras, ou da pouca fluência em
  língua portuguesa.
c) Desenvolvendo Práticas Inclusivas ( Professores
  e Equipe técnico-pedagógica)
• Utilizar estratégias de avaliação que permitam o uso de
  diferentes linguagens como é o caso da libras, das artes
  plásticas (desenho, pintura,escultura, murais, maquetes,
  etc.) e cênicas (teatro,dramatização, mímica, etc.)

• Eliminar critérios de avaliação que tenham como pré-
  requisitos a oralidade ou a percepção auditiva para a
  perfeita compreensão (acentuação tônica, tonicidade,
  pontuação, ditados e exercícios ortográficos,
  discriminação de fonemas...)
c) Desenvolvendo Práticas Inclusivas ( Professores
  e Equipe técnico-pedagógica)
• Planejar atividades com diferentes graus de dificuldades
  e que permitam diferentes possibilidades de execução
  (pesquisa, questionário, entrevista, etc.) e expressão
  (   apresentação escrita,      desenho, dramatização
  maquetes,etc.).

• Combinar diferentes tipos de agrupamentos de alunos,
  facilitando a visualização dos alunos surdos e sua
  conseqüente interação com professores e os colegas
  (círculos, duplas grupos, etc.)
“Não é a surdez que define o destino das pessoas,
mas o resultado do olhar da sociedade sobre a surdez.”




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  • 1. EDUCAÇÃO BILINGUE PARA SURDOS Professora: Eliane Oliveira de Almeida eliane-br@hotmail.com
  • 4. Pauta de trabalho  A situação bilíngue dos surdos  O surdo e a aquisição da linguagem O papel da língua materna/natural no desenvolvimento da pessoa surda.  O direito de ser bilíngue  Proposta educacional bilíngue  Os diferentes contextos da Educação bilíngue no Brasil  O desafio da inclusão
  • 5. BILINGUISMO • Situação linguística que envolve o uso de duas línguas distintas na comunicação. L1- Língua materna L2- Língua estrangeira
  • 6. Quando falamos de bilínguismo no campo da educação de surdos, estamos nos referindo à existência de duas línguas no ambiente do surdo e estamos, ao mesmo tempo, reconhecendo que os surdos vivem em uma situação bilíngüe. • L1- Língua natural - libras • L2- Língua oficial do país – L. Portuguesa
  • 7. Por que o português é considerado uma segunda língua para os surdos se eles nasceram no Brasil?
  • 8. A primeira língua da criança, em termos psicolingüísticos, é sempre uma Língua Natural. Língua Natural: é aquela aprendida sem barreiras de qualquer ordem para sua aquisição, são aprendidas naturalmente, bastando estar em contato com as pessoas que a utilizam.
  • 9. – Para crianças ouvintes: línguas orais-auditivas. – Para crianças surdas: línguas de modalidade visual-espacial. Diferença na modalidade de recepção e produção de L1 e L2
  • 10. L1 DIFERENÇAS ENTRE L1 E L2 L2 L1 L2 •Aquisição espontânea; •Aquisição formal, •Ambiente natural; ambiente artificial; •É adquirida não •Requer aprendida; metodologias de •A aquisição é essencial ensino, pois é aprendida; •A aquisição é opcional
  • 11. Em função da perda auditiva as crianças surdas não se apropriam de maneira natural das linguas de modalidade oral-auditiva. há um impedimento biológico para a aquisição da L. portuguesa pelos surdos
  • 12. A aprendizagem da Língua Portuguesa pela criança surda ocorrerá em um processo formal com metodologias específicas e professores especializados. – L1 – Língua natural ou materna. – L2 – Língua Portuguesa: oral, escrita.
  • 13. Primeiras experiências linguísticas crianças surdas e ouvintes
  • 14. Crianças ouvintes: – Desde o nascimento, recebem informações interagindo em sua língua materna/natural na família e em outros espaços de formação. – A língua materna/natural lhes permite: • Ter acesso às mais variadas informações; • A construir hipóteses, categorizações, generalizações e conhecimento sobre o mundo; • Desenvolver juízos de valor; • Permite sua identificação cultural com seu grupos de referência.
  • 15. Crianças surdas – pais ouvintes: • Interações limitadas à poucos gestos naturais, que reduzem enormemente as trocas simbólicas com o meio. • O conhecimento sobre o mundo e as operações cognitivas que se estabelecem são limitadas, já que não são significados e mediados por uma língua. • O sentimento de identificação com seus pares, tão necessários ao fortalecimento de sua identidade surda, é inexistente, originando problemas emocionais.
  • 16. A situação de carência de estímulos para o desenvolvimento da linguagem, acarretam problemas: • Na formação e interiorização de conceitos, abstração, raciocínio hipotético-dedutivo, entre outras funções psicológicas mediadas pela linguagem. “É imenso o abismo que separa o universo de vivências e representações entre uma criança ouvinte e uma surda, sendo a criança surda filha de pais ouvintes, para qual não foi oportunizado o acesso precoce a uma língua natural”
  • 17. • Crianças surdas – pais surdos: – Interações significativas com a L.S.; – Desenvolvimento lingüístico e cognitivos seguindo as mesmas etapas com a mesma qualidade das crianças ouvintes.
  • 18. ASSIM…  Pais ouvintes de crianças surdas devem aprender o quando antes, e da melhor maneira possível a língua dos sinais, que lhes permitirá comunicar-se com seu filho, ofertando-lhe um ambiente lingüístico favorável à comunicação.
  • 19. A criança surda e a aquisição da linguagem
  • 20. Período pré -linguístico balbucio: balbucio manual e oral até por volta de 6 m Balbucio manual: 14m Gesticulação (Não apresent a organização interna) Balbucio quirológico ( combinações que fazem parte do sistema articulatório da LS.)
  • 21. • Bebês surdos e ouvintes realizam balbucio oral e manual • Em um determinado estágio desenvolvem o balbucio em apenas uma das modalidades.
  • 22. As semelhanças encontradas nas duas formas de balbuciar sugerem haver no ser humano uma capacidade linguística que sustenta a aquisição da linguagem independente da modalidade da língua oral-auditiva ou espacial-visual
  • 23. Período Linguístico Estágio de um sinal – 12m a 2a • Crianças surdas produzem as primeiras palavras entre o 5 a 7 m. • Começam a nomear as coisas • Aprendem a relacionar o sinal com os objetos • Articulam os sinais com erros nos parâmetros • Os sinais não são flexionados – formas congeladas • Não fazem uso dos dispositivos indicativos em LS
  • 24. Período Linguístico Estágio das primeiras combinações 2 a • forma sentenças simples usando a ordem sv,vo ou svo. • começa a usar o sistema pronominal, mas de forma inconsistente (omissão) • apresenta erros de reversão pronominal ( eu e você) • usa verbos sem flexionar
  • 25. Estágio das Multiplas combinações: 3 anos • Explosão de vocabulário • Diferencia nome de verbos • Empilha os referentes não presentes em um único lugar no espaço. • Usa flexão verbal generalizada, como se todos pertencessem a classe dos dos verbos direcionais
  • 26. Estágio das Multiplas combinações: 4 anos • A concordancia verbal ainda não é utilizada corretamente • Deixam de empilhar os referentes não presentes em um único ponto , porém, pode estabelecer mais de um ponto no espaço para o mesmo referente. 5 anos • Dominio completo dos recursos morfologicos da lingua • Uso do verbo flexionado de forma adequada • Coloca e mantem um ponto no espaço para referentes não presentes.
  • 27. Pode-se concluir então… Que o sistema de aquisisão das Língua de Sinais são semelhantes ao sistema de aquisição das línguas orais
  • 28. O papel da Linguagem no desenvolvimento da criança surda
  • 29. O papel da Linguagem no desenvolvimento da criança surda 1. Comunicar-se com seus pais e familiares o mais cedo possível através da linguagem ocorre grande parte do estabelecimento de vínculos afetivos entre crianças/pais. 2. Desenvolver suas capacidades cognitivas durante a infância. 3. Adquirir conhecimento sobre o mundo. 4. Comunicar-se integralmente com o mundo circundante. 5. Pertencer culturalmente a dois mundos.
  • 30. • Segundo Vygotsky: – O desenvolvimento das funções psicológicas superiores, não é algo que ocorre “naturalmente” – requer mediação cultura e um instrumento cultural. E o mais importante desses instrumentos culturais é a língua. – Na educação dos surdos o instrumento cultural alternativo é a L.S. – uma língua que foi criada para e por eles. – Educar os surdos na L.S. é respeitar sua diferença sua singularidade favorecendo seu desenvolvimento educacional, cognitivo e social.
  • 31. A criança surda e o direito de crescer bilíngue
  • 32. A criança surda e o direito de crescer bilingüe • Se a L.S é uma língua natural adquirida de forma espontânea pela pessoa surda em contato com pessoas que usam essa língua e se a língua oral é adquirida de forma sistematizada, então as pessoas surdas tem o direito de ser ensinadas nas línguas de sinais.
  • 33. • Em nosso país, uma política lingüística para a língua brasileira de sinais começa a ser instaurada por meio legal. • A lei 10.436 de 2002 reconhece o estatuto lingüístico da L.S e, ao mesmo tempo, assinala que esta não pode substituir o português.
  • 34. • Recomendação atual do MEC/SEESP – Constituição Federal – determina-se o uso da língua portuguesa nas relações sociais, culturais, econômicas, jurídica e nas instituições de ensino. • Sendo surdos cidadãos brasileiros tem o direito de utilizar esta língua oficial tão importante para o exercício de sua cidadania.
  • 35. • O decreto 5626/2005 assinala que a Educação dos surdos no Brasil deve ser bilíngüe, garantindo o acesso à Educação por meio da L.S e o ensino da língua portuguesa como segunda língua.
  • 36. Dec. 5626/05 - Dispõe ainda sobre: • A inclusão da libras como disciplina curricular; • A formação de professores de libras e instrutores de libras; • O uso e a difusão da L.S e da L.P para acesso das pessoas surdas à educação; • A formação do tradutor interprete de libras-língua portuguesa; • A garantia e o direito á educação das pessoas surdas …
  • 37. • A necessidade psicolingüística de uma proposta bilíngüe está relacionada a concepção da gramática universal (CHOMSKY). • Se há um dispositivo de aquisição comum a todos ser humanos que precisa ser acionado mediante a experiência lingüística positiva, a criança surda deve ter acesso a LIBRAS o quanto antes para acionar de forma natural esse dispositivo.
  • 38. • SKUTNABB – KANGAS (1994) afirmam que o nível ótimo de bilingüísmo deve ser o objeto educacional sobre direitos humanos lingüísticos. Tais direitos devem garantir: b) Que todos os seres humanos têm direito de identificarem-se com uma língua materna e de serem aceitos e respeitados por isso; d) Que todos tem o direito de aprender a língua materna completamente, nas suas formas oral (quando fisiologicamente possível) e escrita;
  • 39. – Que todos tem o direito de usar a sua língua materna em todas as situações oficiais (inclusive na escola); – Que qualquer mudança que ocorra na língua materna seja voluntária e nunca imposta; – Que todos os usuários de uma língua materna não oficial em um país tem o direito de serem bilíngües.
  • 40.  Garantindo cada um desses direitos as crianças surdas brasileiras, ter-se- á o delineamento de uma proposta bilíngüe.
  • 42. Proposta Educacional Bilingüe • O bilingüismo: língua oral/língua de sinais é a única via através da qual a criança surda poderá ser atendida em suas necessidades. • Que tipo de bilingüismo: – Língua de Sinais-Língua Portuguesa: oral / escrita Simultâneo ou sucessivo
  • 43. Em cada criança as duas línguas exercerão papéis diferentes: • Em algumas predominará a língua de sinais; • Em outras predominará a língua oral; • Em outras haverá um certo equilíbrio em identificar ambas as línguas. Podemos encontrar então, diferentes níveis de bilingüismo e biculturalismo. Bicultural: significa identificar-se culturalmente com duas comunidades lingüísticas.
  • 44. O papel das Línguas na Educação Bilíngüe • Língua de Sinais: – Desempenha um papel importante no desenvolvimento cognitivo e social da criança surda e permite a aquisição de conhecimento sobre o mundo; – Permite à criança surda um desenvolvimento de sua identificação com o mundo surdo; – Facilita a aquisição da língua, seja na modalidade escrita ou falada.
  • 45. • Língua Oral: – A língua oral, principalmente na sua modalidade escrita será um meio importante para a aquisição de conhecimentos; – Permite à criança surda a possibilidade de comunicação com ouvintes que não utilizam a L.S.; – Oportuniza maior possibilidade de êxito acadêmico e sucesso profissional.
  • 46. A criança nasce imersa em relações sociais que se dão na linguagem; – Na criança surda esta imersão se torna restrita ou impossível, por depender de recursos da audição; – Os problemas tradicionais apontados como característicos da pessoa surda são produzidos por condições sociais.
  • 47. Não há limitações cognitivas ou afetivas inerentes à surdez, tudo depende das possibilidades oferecidas pelo grupo social para o seu desenvolvimento, em especial para a consolidação da linguagem (GÓES, 1996).
  • 48. • É nosso dever permitir à criança surda a aquisição de duas línguas – a LS da comunidade surda e língua oral da maioria ouvinte. • Para isso a criança deve ter contato com as duas comunidades lingüísticas e deve sentir a necessidade de usar ambas as línguas. • Optar apenas pela língua oral, devido aos recentes avanços tecnológicos, é jogar com o futuro da criança surda, arriscar seu desenvolvimento cognitivo e negar-lhe a possibilidade de se identificar com os dois mundos aos quais pertence.
  • 49. • Uma proposta educacional além de ser bilíngüe, deve ser bicultural para permitir o acesso natural da criança surda à comunidade ouvinte e para que ela se reconheça como parte de uma comunidade surda. • Isso somente será possível quando os educadores e surdos trabalharem juntos.
  • 50. Considerando o aspecto psicossocial, a criança surda • irá integrar-se satisfatóriamente a comunidade ouvinte somente se tiver uma identificação bastante sólida com seu grupo, caso contrário, ela terá dificuldade tanto numa comunidade como na outra, • apresentando limitações sociais e lingüísticas, algumas vezes irreversíveis.
  • 51. Quanto ao ensino da língua portuguesa • baseia-se em técnicas de segundas línguas. • tais técnicas partem das habilidades interativas e cognitivas adquiridas pelas experiências naturais com a LIBRAS.
  • 52. • A criança surda filha de pais ouvintes nasce num ambiente que não favorece o desenvolvimento de sua primeira língua.
  • 53. O DESAFIO…  Como uma criança surda, filha de pais ouvintes que nunca viram a língua de sinais , não conhecem pessoas surdas e nem imaginam o que fazer para comunicar-se com seu filho, vai adquirir sua primeira língua? Gr
  • 54. A proposta bilíngüe deve considerar essa situação • ofertando contato com surdos adultos na mais tenra idade no ambiente escolar, com objetivo de desenvolver a linguagem e o pensamento da criança surda, • assim será possível o ensino de uma segunda língua, caso contrário, não terá chances de apresentar um domínio razoável da língua portuguesa.
  • 55. • Vale ressaltar que o domínio da língua natural, apesar de essencial, não garante o acesso a uma segunda língua. • O domínio de L1 apesar de ser pressuposto para o ensino de L2, não parece ser suficiente para o processo de aquisição de L2 se concretize.
  • 56. Fatores que podem determinar o processo de aquisição de L2: • a idade do diagnóstico; • A metodologia utilizada; • A idade de aquisisão de L1 e contato com L2; • Envolvimento familiar; • Fatores afetivos
  • 57. Fatores que podem determinar o processo de aquisição de L2: • Ambiente • Interação • Interesse do aluno • Práticas sociais
  • 58. • Quanto o ensino da língua oral, deveria centralizar-se mais na aquisição de conceitos e desenvolvimento do sistema semântico, processo através do qual a forma seria mais facilmente apreendida pelo surdo.
  • 59. Formas de bilinguismo. • Modelo sucessivo: ensino de L2 apenas após aquisisão de L1 • Modelo simultâneo: L1 e L2 apresentadas simultaneamente, em momentos linguísticos distintos
  • 60. • O objetivo educacional do enfoque bilíngue, seria que o indivíduo surdo fosse capaz de comunicar-se através das duas línguas, utilizando-as em situações linguísticas distintas. • video
  • 62. • Primeiro país a implantar a educação bilíngüe para surdos – Suécia – início dos anos 80. • Expandiu-se para: EUA, Alemanha, Rússia, Bélgica, Dinamarca, Uruguai, Venezuela e Colômbia. • No Brasil foi instituída na década de 90, vem se desenvolvendo de forma incipiente, à partir da introdução de intérpretes de LIBRAS e educadores surdos.
  • 63.  No contexto atual a Educação Bilíngüe deveria contemplar um projeto educacional que tenha como princípio norteador • a utilização da L.S, em todos os contextos de aquisição de acesso à informação, • seguida da aprendizagem da língua portuguesa, como segunda língua no currículo escolar.
  • 64. • O Bilinguismo praticado no Brasil no caso dos surdos, é incipiente por inúmeras razões: a) Ausência de uma política lingüística oficial e séria de preservação da LIBRAS; c) Falta de uma política lingüística na escola que atribua à LIBRAS a qualidade de língua principal para o ensino – o que requer professores surdos e ouvintes fluentes em LIBRAS;
  • 65. – Ausência de educadores surdos contribuindo no planejamento e na execução das políticas educacionais; – As fortes pressões exercidas pelos surdo para o domínio do português; – Por força da política nacional de inclusão, alunos surdos tem que concluir seus estudos nas escolas monolíngües; – A confinação da LIBRAS a limitados espaços sociais, contribuindo para seu desconhecimento pela a sociedade.
  • 66. • Estudantes surdos ainda são discriminados em suas manifestações em L.S e marginalizados por avaliações arbitrárias em suas produções escritas na língua portuguesa – L2. • Sua diferença lingüística, manifestada por um processo de comunicação visual, que tem na LIBRAS sua representação principal é ignorada.
  • 67. • As práticas metodológicas e avaliativas buscam, para eles os mesmos resultados ou “desempenho” esperado para os alunos ouvintes, desencadeando um processo de expulsão.
  • 68. • Não é apenas a mudança na língua que são transmitidos os conteúdos, ou critérios de avaliação mais justos em relação as diferenças lingüísticas que os surdos apresentam, • o que vai garantir ou orientar uma nova abordagem curricular, mas a compreensão do sujeito surdo em sua totalidade sócio- histórico-cultural e a legitimação do seu “lugar” nas práticas sociais (FERNANDES, 1998).
  • 69.  Alguns fatores que devem ser considerados na implantação da abordagem educacional bilíngüe- bicultural: • O envolvimento de todos os participantes da comunidade escolar e da comunidade surda, inclusive nas tomadas de decisão; • A formação de professores com competência em Língua de Sinais, de intérpretes de Línguas de Sinais e de profissionais surdos;
  • 70. A identificação da situação linguística da comunidade escolar e das variantes locais das línguas de sinais, o conhecimento da gramática da língua de sinais e a produção de material didático para seu ensino; • A construção de uma metodologia para o ensino de segunda língua, que considere as interferências de língua de sinais na escrita da língua oral e o papel da interlíngua produzida pelos surdos no processo de aprendizagem da segunda língua, após a aquisição da primeira língua;
  • 71. A problematização dos estereótipos, das visões sobre os surdos e a surdez e das questões que envolvem as relações de poder existentes entre as duas línguas; • A posição política e ideológica frente a escola inclusiva;
  • 72. • Estabelecer as concepções de língua / linguagem e de ensino aprendizagem presentes nos projetos de educação bilíngüe também são fatores relevantes: “A escolha da primeira língua de instrução não pode ser encarada como o reconhecimento de uma deficiência por parte do aprendiz, uma minimização de sua capacidade intelectual, mas sim como uma estratégia consciente de como alcançar os objetivos estabelecidos, levando-se em conta a função social da aprendizagem”.
  • 73. O QUE PERCEBEMOS…  Continua-se a reproduzir velhas práticas oralistas, com os mesmos objetivos e pressupostos, agregando a língua de sinais ao processo educacional,  a língua de sinais passa a ser tolerada pelos educadores, encarada como panacéia para todos os problemas educacionais dos surdos e mais um “recurso” para o acesso a língua “mais importante”: a língua portuguesa.
  • 74.  Nesse sentido temos como conseqüência um pseudobilinguismo, no qual a língua minoritária é apenas valorizada como meio de acesso à verdadeira língua.  A maior contradição no processo educacional dos surdos é a “insistência metodológica” no aprendizado de L2 sem que a maioria dos alunos surdos tenha vivenciado experiências lingüísticas por meio de L1.
  • 75.  Dentre as muitas premissas implicadas na implementação da educação bilíngüe para surdos, apontam-se: a) O reconhecimento político (não a tolerância) dos surdos como grupo que constrói aspectos de sua identidade lingüística e cultural pelo uso de uma língua natural – a língua de sinais – tal como outros grupos étnicos minoritários; c) O reconhecimento do estudo científico da língua de sinais e sua incorporação ao currículo escolar como língua principal na mediação das atividades pedagógicas.
  • 76. a) A superação da perspectiva clínica na educação de surdos, o que os submete a uma pedagogia terapêutica (de correção/normalização) nas práticas escolares; c) A ocupação do espaço prioritário dos adultos e profissionais surdos no processo educacional, favorecendo a formação da identidade das crianças e a vivência de aspectos culturais; e) O domínio efetivo da língua de sinais por parte dos professores de surdos, necessário ao encaminhamento de questões essenciais à prática pedagógica, como é o caso do aprendizado da língua portuguesa.
  • 77. • Há inúmeros fatores que devem ser discutidos, repensados e redimensionados no território escolar, a fim de que tenhamos programas de educação bilíngüe que permitam o desenvolvimento do sujeito surdo enquanto cidadão.
  • 78. Diferentes Contextos da Educação Bilíngue
  • 79. • A educação bilíngüe vai apresentar diferentes contextos dependendo das ações de cada município e de cada estado brasileiro. • Alguns estados – escolas bilíngües – língua da instrução é L.S e língua portuguesa é ensinado como L2.
  • 80. • Em outros estados – LIBRAS –é a língua de instrução nas séries iniciais do ensino fundamental. Nas demais séries – a língua portuguesa – língua de instrução – presença de intérpretes de L.S nas salas de aula – ensino da língua portuguesa, como L2, realizada em salas de recursos.
  • 81. • Ainda há estados – serviços de intérprete de L.S estão presentes desde o início da escolarização. Séries iniciais – intérpretes assumem função de professores – L.S como língua de instrução. • Também, há estado – professores desconhecem LIBRAS e a escola não tem estrutura ou recursos humanos para garantir ao surdo o direito a educação, a comunicação e a informação.
  • 82. • Independentemente do contexto de cada estado, a educação bilíngüe depende da presença de professores bilíngües. • Assim, pensar em ensinar uma segunda língua pressupõe a existência de uma primeira língua. • O professor que assumir essa tarefa estará imbuído da necessidade de aprender a língua brasileira de sinais.
  • 83. O que prevê a legislação: Decreto 5626/05 Art. 22. As instituições federais de ensino responsáveis pela educação básica devem garantir a inclusão de alunos surdos ou com deficiência auditiva, por meio da organização de: I - escolas e classes de educação bilíngüe, abertas a alunos surdos e ouvintes, com professores bilíngües, na educação infantil e nos anos iniciais do ensino fundamental;
  • 84. Decreto 5626/05 II - escolas bilíngües ou escolas comuns da rede regular de ensino, abertas a alunos surdos e ouvintes, para os anos finais do ensino fundamental, ensino médio ou educação profissional, com docentes das diferentes áreas do conhecimento, cientes da singularidade lingüística dos alunos surdos, bem como com a presença de tradutores e intérpretes de Libras - Língua Portuguesa.
  • 85. Decreto 5626/05 • § 1o São denominadas escolas ou classes de educação bilíngüe aquelas em que a Libras e a modalidade escrita da Língua Portuguesa sejam línguas de instrução utilizadas no desenvolvimento de todo o processo educativo. • § 2o Os alunos têm o direito à escolarização em um turno diferenciado ao do atendimento educacional especializado para o desenvolvimento de complementação curricular, com utilização de equipamentos e tecnologias de informação. • § 3o As mudanças decorrentes da implementação dos incisos I e II implicam a formalização, pelos pais e pelos próprios alunos, de sua opção ou preferência pela educação sem o uso de Libras. • § 4o O disposto no § 2o deste artigo deve ser garantido também para os alunos não usuários da Libras.
  • 86. Decreto 5626/05 • Art. 23. As instituições federais de ensino, de educação básica e superior, devem proporcionar aos alunos surdos os serviços de tradutor e intérprete de Libras - Língua Portuguesa em sala de aula e em outros espaços educacionais, bem como equipamentos e tecnologias que viabilizem o acesso à comunicação, à informação e à educação. • § 1o Deve ser proporcionado aos professores acesso à literatura e informações sobre a especificidade lingüística do aluno surdo. • § 2o As instituições privadas e as públicas dos sistemas de ensino federal, estadual, municipal e do Distrito Federal buscarão implementar as medidas referidas neste artigo como meio de assegurar aos alunos surdos ou com deficiência auditiva o acesso à comunicação, à informação e à educação. •
  • 87. –CLASSE REGULAR APOIO ESCOLA ESPECIAL e/ou INTÉRPRETE –INCLUSÃO –Bilingüismo? –CLASSE REGULAR ESCOLA Especial, APOIO CAES e/ou para/de surdos INTÉRPRETE –INCLUSÃO –PERAE –Programa de Escolaridade Regular com Atendimento Especializado –(classes bilíngües)
  • 88. O Desafio da Inclusão do aluno surdo na escola comum
  • 89. Politica Nacional da Educação Especial Perspectiva da Educação Inclusiva/2008 • Para a inclusão dos alunos surdos, nas escolas comuns, a educação bilíngüe – Língua Portuguesa/LIBRAS, desenvolve o ensino escolar na Língua Portuguesa e na língua de sinais, o ensino da Língua Portuguesa como segunda língua de modalidade escrita para alunos surdos, • os serviços de tradutor/intérprete de Libras e Língua Portuguesa e o ensino de Libras para os demais alunos da escola. • O atendimento educacional especializado é ofertado, tanto na modalidade oral e escrita, quanto na língua de sinais. Devido à diferença lingüística, • na medida do possível, o aluno surdo deve estar com outros pares surdos em turmas comuns na escola regular.
  • 90. Politica Nacional da Educação Especial Perspectiva da Educação Inclusiva/2008 • O atendimento educacional especializado é realizado mediante a atuação de profissionais com conhecimentos específicos no ensino da Língua Brasileira de Sinais, da Língua Portuguesa na modalidade escrita como segunda língua...
  • 91. Politica Nacional da Educação Especial Perspectiva da Educação Inclusiva/2008 • Cabe aos sistemas de ensino, ao organizar a educação especial na perspectiva da educação inclusiva, disponibilizar as funções de instrutor, tradutor/intérprete de Libras e guia de intérprete,
  • 92. Segundo as Diretrizes Nacionais para Educação Especial na Educação Básica. • A oferta de educação especial deve ocorrer nas escolas públicas e privadas da rede regular de ensino. • A escola deve assegurar uma reposta educativa adequada as necessidades educacionais de todos os seus alunos, em seu processo de aprender, buscando implantar os serviços de apoio pedagógico especializados
  • 93. Serviço de apoio pedagógico especializado • trabalho de complementação curricular, que visa o enriquecimento das atividades desenvolvidas em sala. • aquisição de novos conceitos e expansão lexical, por meio da leitura e interpretação de textos que tragam à tona a discussão de novas informações e conceitos.
  • 94. Serviço de apoio pedagógico especializado • Salas de Recursos • Profissional Interprete • Instrutor Surdo • Professor itinerante • Escola Especial • Equipes multidisciplinares
  • 95. Atendimento Educacional Especializado Considerando a necessidade do desenvolvimento da capacidade representativa e lingüística dos alunos com surdez a escola comum deve viabilizar sua escolarização em um turno e o Atendimento Educacional Especializado em outro, contemplando  o ensino de libras,  o ensino em libras e  o ensino em língua portuguesa.
  • 96. Atendimento Educacional Especializado  Atendimento Educacional Especializado em Libras todos os conhecimentos dos diferentes conteúdos curriculares, são explicados nessa língua por um professor, sendo o mesmo preferencialmente surdo. Esse trabalho é realizado todos os dias, e destina-se aos alunos com surdez.
  • 97. Atendimento Educacional Especializado  Atendimento Educacional Especializado para o ensino de Libras • os alunos com surdez terão aulas de Libras, favorecendo o conhecimento e a aquisição, principalmente de termos científicos. • realizado pelo professor e/ou instrutor de Libras (preferencialmente surdo), de acordo com o estágio de desenvolvimento da Língua de Sinais em que o aluno se encontra. • O atendimento deve ser planejado a partir do diagnóstico do conhecimento que o aluno tem a respeito da Língua de Sinais.
  • 98. Atendimento Educacional Especializado  Atendimento Educacional Especializado para o ensino da Língua Portuguesa • São trabalhadas as especificidades dessa língua para pessoas com surdez • Realizado todos os dias, à parte das aulas da turma comum, por uma professora de Língua Portuguesa, graduada nesta área, preferencialmente. • O atendimento deve ser planejado a partir do diagnóstico do conhecimento que o aluno tem a respeito da Língua Portuguesa.
  • 99. Planejando o Atendimento Educacional Especializado • planejamento coletivo • Definição de conteúdo • Elaboração do plano de ensino • Preparação do caderno de estudos (conteúdos inter- relacionados) • Seleção e elaboração de recursos didáticos • Observação dos aspectos: sociabilidade,cognição, linguagem(oral,escrita e viso-espacial), afetividade, aptidões e interesses. • Registro das observações em relatórios
  • 100. A surdez não é uma realidade homogênea, mas multicultural.  A escola poderá se deparar com diferentes identidades surdas: • Surdos que têm consciência de sua diferença e reivindicam recursos essencialmente visuais; • Surdos que nasceram de pais ouvintes e conhecem a experiência auditiva e o português como primeira língua; • Surdos que passaram por experiências educacionais oralistas e desconhecem a língua de sinais; • Surdos que viveram isolados de toda e qualquer referencia identificatoria e desconhece sua situação de diferença.
  • 101. O intérprete de libras/língua portuguesa  A atuação do interprete na ótica da inclusão; • interpretar conteúdos em sala de aula. • mediar a comunicação entre professores e alunos, alunos e alunos, pais, funcionários e demais pessoas da comunidade em todo o âmbito da escola e também em seminários, palestras, fóruns, debates, reuniões e demais eventos de caráter educacional. • agir como difusor dos conhecimentos que tem sobre Libras e comunicação entre pessoas com surdez e ouvintes. • saber o valor e limites de sua interferência no ambiente escolar, para dar esclarecimentos e orientação aos que necessitam de seus conhecimentos específicos.
  • 102. O intérprete de libras/língua portuguesa • intérprete é apenas um mediador da comunicação e não um facilitador da aprendizagem. • Não cabe ao intérprete a tutoria dos alunos com surdez • O espaço da sala de aula pertence ao professor sendo o aluno de sua responsabilidade • esses papéis são absolutamente diferentes e precisam ser devidamente distinguidos e respeitados nas escolas de nível básico e superior.
  • 103. O intérprete de libras/língua portuguesa Conduta profissional • responsabilidade, • assiduidade, • pontualidade, • posicionamento no espaço de interpretação, • aparência pessoal, • domínio de suas funções, • interação com os alunos, • postura durante as avaliações.
  • 104.  Mesmo sendo a presença de interpretes de língua de sinais o ideal, nos casos em que houver alunos surdos estudando nas classes comuns • Há o fato de nem todos os alunos serem usuários da libras e a demanda de interpretes ser mínima geralmente, apenas nos grandes centros urbanos. • Diante disso, o professor deve lançar mão de todos os recursos e estratégias visuais que acompanhem a oralidade, pois, ao contrário, seu aluno surdo em nada se beneficiará das aulas.
  • 105. Outras Formas de Comunicação:
  • 106. Outras Formas de Comunicação: • Os surdos lançam mão de formas alternativas de apropriação de linguagem fazendo uso de processos cognitivos e simbólicos visuais; • As práticas pedagógicas baseiam-se ainda em sua maioria nas exposições orais.
  • 107. • É fundamental em qualquer ato de observação e análise de como se processa a aprendizagem do aluno surdo, que o professor de atenção especial a comunicação visual, estando presentes na sala de aula beneficiando a relação entre professor/alunos surdos e demais alunos.
  • 108. • Alfabeto manual; • Mímica dramatização; • Desenhos / ilustrações / fotográficas; • Recursos tecnológicos (vídeo / TV / retroprojetor / computador / slides / entre outros); • Língua portuguesa escrita; • Língua portuguesa oral / leitura labial.
  • 109. • Diante disso o professor deve lançar mão de todos os recursos e estratégias visuais que acompanhem a oralidade, pois, ao contrário, seu aluno surdo em nada se beneficiará das aulas.
  • 110. Problematizando a Educação Inclusiva para surdos
  • 111. Resolução nº 02/2001 “Deve ser assegurada, no processo educativo que apresentam dificuldades de comunicação e sinalização diferenciadas dos demais educandos, a acessibilidades aos conteúdos curriculares, mediante a utilização de linguagens e aprendizado da língua portuguesa, facultando-lhes e às suas famílias a opção pela abordagem pedagógica que julgarem adequada, ouvidos os profissionais especializados em cada caso.”
  • 112. Declaração de Salamanca – art. 21 “As políticas educativas deverão levar em conta as diferenças individuais e as diversas situações. Deve ser levada em consideração, por exemplo, a importância da linguagem dos sinais como meio de comunicação para os surdos, e ser assegurado a todos os surdos acesso ao ensino da linguagem dos sinais de seus país. Face às necessidade específicas de comunicação de surdos e de surdos-cegos, seria mais conveniente que a educação lhe fosse ministrada em escolas especiais ou em classes ou unidades especiais nas escolas comuns.”
  • 113. Embora os discursos e as políticas reconheçam a importância da Língua de Sinais teórica e textualmente, na prática, a escola inclusiva não consegue responder as duas contradições fundamentais:  Como os surdos, em sua maioria, provenientes de família de ouvintes, sem contato com a comunidade surda, poderão adquirir e se desenvolver na Língua de Sinais?  Como a escola inclusiva sem garantir a aquisição da língua de sinais vai ensinar a Língua Portuguesa como segunda língua, como os documentos oficiais recomendam?
  • 114. Esses são, sem dúvida, paradoxos da escola inclusiva, mesmo naquelas que utilizam intérpretes de LIBRAS na sala de aula, uma vez que a presença desse profissional não garante a aquisição de Língua de Sinais.
  • 115. Implicações da política inclusiva no desenvolvimento das potencialidades dos alunos surdos e na defesa de seus direitos lingüísticos.
  • 116. Implicações lingüísticas  Aquisição da LS - Como a escola inclusiva garante a aquisição e aprendizagem da Língua de Sinais e com quem as crianças surdas conversam na escolar regular?  LS como língua de instrução – Como a escola inclusiva se organiza para ensinar os conteúdos em língua de sinais de forma equânime aos ouvintes? Escola monolíngue  Aprendizagem de Língua Portuguesa - como segunda língua – como nas salas de aula inclusivas, a Língua Portuguesa será ensinada, simultaneamente, como a segunda língua para os surdos e como primeira língua para os ouvintes?
  • 117. Implicações sócio-políticas:-  Constituição das identidades sociais e culturais –a maioria das crianças surdas crescem na fronteira surdo- ouvinte sem referências de adultos surdos, sentindo-se como uma estrangeira e muitas vezes discriminados. • Não é rara a incidência de problemas psicossociais, provenientes da incomunicabilidade nas relações afetivas e sociais e da ausência do encontro surdo-surdo.  Como as escolas inclusivas pensam as repercussões de suas práticas na constituição das identidades dos alunos surdos?
  • 118. Implicações sócio-políticas:- • - Desarticulação da comunidade surda – Se a inclusão escolar implica na dispersão dos surdos em escolas regulares.  como as escolas inclusivas se organizam para incluir a participação da comunidade surda nas atividades escolares, de forma não episódica e folclórica? • - Desigualdade de oportunidades – Em decorrência das questões anteriores, as atividades nas escolares regulares são voltadas majoritariamente para os ouvintes.  como a escola inclusiva garante a participação efetiva dos alunos surdos em todas as atividades propostas?
  • 119. c) Implicações Culturais: - • Não participação da comunidade surda – Diante da tendência à homogeneização da produção cultural,  Como a escola inclusiva pode garantir o desenvolvimento de diferentes manifestações culturais? e, em particular, como os surdos podem desenvolver suas manifestações culturais? • As expressões culturais dos surdos são silenciadas ou, então, obrigados a se manifestarem de forma não significativa, em representações que dependem do som e da audição. O sentimento de incapacidade e de inferioridade por não conseguirem se expressar acentuam a existência de uma cultura do silêncio.
  • 120. Implicações Educacionais: • - Fracasso escolar – Na medida que as escolas inclusivas direcionam todo o processo educacional no desenvolvimento do Português oral e escrito, esta passa a ser fator que justifica todo o fracasso escolar, sem que se pense em outros fatores e em novas propostas de trabalho. • Desigualdade no acesso aos conhecimentos – Sem resolver a questão da transmissão dos conhecimentos em Língua de Sinais e sem abordar no currículo aspectos diretamente relacionados aos interesses dos surdos, a escola inclusiva, de modo geral, oferece aos alunos surdos conhecimentos, em termos qualitativos e quantitativos, de forma restrita e fragmentada.
  • 121. Então as questões são…  Como a escola inclusiva garante a aquisição e aprendizagem da Língua de Sinais?  Como a escola inclusiva se organiza para ensinar os conteúdos em língua de sinais de forma equânime aos ouvintes?  Como nas salas de aula inclusivas, a L P será ensinada, simultaneamente, como a L2 para os surdos e como L1 para os ouvintes?  Como as escolas inclusivas pensam as repercussões de suas práticas na constituição das identidades dos alunos surdos?
  • 122.  Como as escolas inclusivas se organizam para incluir a participação da comunidade surda nas atividades escolares, de forma não episódica e folclórica?  Como a escola inclusiva garante a participação efetiva dos alunos surdos em todas as atividades propostas?  Como a escola inclusiva pode garantir o desenvolvimento de diferentes manifestações culturais? e, em particular, como os surdos podem desenvolver suas manifestações culturais?  Como a escola inclusiva pode garantir a igualdade no acesso aos conhecimentos?
  • 123. Devemos considerar a forma excludente que tem caracterizado o atual modelo de inclusão escolar de surdos. No mundo da História, da cultura e da política ‘constato’ não para me ‘adaptar’ mas para ‘mudar’ Paulo Freire
  • 124. REMOVENDO BARREIRAS À APRENDIZAGEM E À PARTICIPAÇÃO DE ALUNOS SURDOS. Fernandes SEED/DEE
  • 126. Criando culturas inclusivas (sociedade em geral e comunidade escolar) • Oportunizar diferentes situações que informem a comunidade escolar sobre a surdez e suas implicações para o desenvolvimento e aprendizagem das pessoas surdas. • Conhecer a língua brasileira de sinais e sua importância nos processos de interação e comunicação com pessoas surdas. • Divulgar, na comunidade escolar, especificidades culturais das comunidades surdas relacionadas a sua produção lingüística, literária, artística e tecnológica. • Viabilizar a presença de adultos surdos na escola, por meio de relações com associações de surdos ou outras referências comunitárias, favorecendo a experiência bilíngue e as trocas culturais.
  • 127. Produzindo Políticas Inclusivas ( Poder Público/Órgão gestor da educação) • Assegurar o desenvolvimento da proposta de educação bilíngue para surdos, Libras e Língua Portuguesa, desde a Educação Infantil. • Viabilizar formas para aquisição e desenvolvimento da libras, como primeira língua, pelas pessoas surdas, preferencialmente de 0 à 3 anos. • Assegurar espaços e profissionais capacitados para o desenvolvimento da proposta de ensino de português – modalidade escrita - como segunda língua para os surdos, no currículo escolar.
  • 128. Produzindo Políticas Inclusivas ( Poder Público/Órgão gestor da educação) • Oportunizar a aprendizagem da língua de sinais por todos os integrantes da comunidade escolar, com ênfase aos pais, professores do aluno e colegas de sala de aula. • Prever estratégias de formação continuada dos professores de alunos surdos, destacando-se o aprendizado da língua de sinais e o trabalho com o português como segunda língua. • Introduzir libras como disciplina, na parte diversificada da grade curricular, favorecendo sua aprendizagem por todos os alunos.
  • 129. Produzindo Políticas Inclusivas ( Poder Público/Órgão gestor da educação) • Prever a atuação de educadores surdos (monitores, instrutores e/ou professores) no contexto escolar, atuando como modelos para a identificação lingüístico- cultural das crianças surdas e sendo responsáveis pela difusão e ensino da libras na escola e na comunidade. • Oferecer o tipo de apoio pedagógico especializado mais adequado ás necessidades dos alunos: profissionais intérpretes de libras/língua portuguesa, atendimento especializado, escolas especiais.
  • 130. c) Desenvolvendo Práticas Inclusivas ( Professores e Equipe técnico-pedagógica) • Utilizar a língua de sinais na mediação do processo ensino/aprendizagem e desenvolvimento das atividades escolares, quando estiverem presentes alunos surdos. • Desenvolver, desde a educação Infantil, estratégias para o ensino da modalidade escrita do português, como segunda língua.
  • 131. c) Desenvolvendo Práticas Inclusivas ( Professores e Equipe técnico-pedagógica) • Introduzir métodos e estratégias visuais, complementares ou alternativas (língua de sinais, alfabeto manual, gestos naturais, dramatizações, mímica, ilustrações, vídeo/TV, retroprojetor, data show etc.) no desenvolvimento das atividades curriculares, a fim de facilitar a comunicação e a aprendizagem dos alunos surdos. • Flexibilizar os critérios de avaliação nas diferentes áreas do conhecimento, valorizando o conteúdo apresentado, ainda que a escrita não corresponda aos padrões exigidos para nível/série em que o aluno se encontra matriculado (palavras inadequadas, omissão ou trocas no uso de elementos de ligação, verbos...), decorrentes da interferência da libras, ou da pouca fluência em língua portuguesa.
  • 132. c) Desenvolvendo Práticas Inclusivas ( Professores e Equipe técnico-pedagógica) • Utilizar estratégias de avaliação que permitam o uso de diferentes linguagens como é o caso da libras, das artes plásticas (desenho, pintura,escultura, murais, maquetes, etc.) e cênicas (teatro,dramatização, mímica, etc.) • Eliminar critérios de avaliação que tenham como pré- requisitos a oralidade ou a percepção auditiva para a perfeita compreensão (acentuação tônica, tonicidade, pontuação, ditados e exercícios ortográficos, discriminação de fonemas...)
  • 133. c) Desenvolvendo Práticas Inclusivas ( Professores e Equipe técnico-pedagógica) • Planejar atividades com diferentes graus de dificuldades e que permitam diferentes possibilidades de execução (pesquisa, questionário, entrevista, etc.) e expressão ( apresentação escrita, desenho, dramatização maquetes,etc.). • Combinar diferentes tipos de agrupamentos de alunos, facilitando a visualização dos alunos surdos e sua conseqüente interação com professores e os colegas (círculos, duplas grupos, etc.)
  • 134. “Não é a surdez que define o destino das pessoas, mas o resultado do olhar da sociedade sobre a surdez.” Vygotsky