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PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO
                      PUC-SP




               Rodrigo Cazarotto Mateus




Repercussões psicossomáticas da hipnose em pessoas com

                diabetes mellitus tipo 2




         MESTRADO EM PSICOLOGIA CLÍNICA




                     SÃO PAULO
                        2008
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO
                      PUC-SP




               Rodrigo Cazarotto Mateus




Repercussões psicossomáticas da hipnose em pessoas com

                diabetes mellitus tipo 2




         MESTRADO EM PSICOLOGIA CLÍNICA




                                Dissertação apresentada à
                           Banca      Examinadora      como
                           exigência parcial para obtenção
                           do titulo de MESTRE em
                           Psicologia Clínica, no Núcleo de
                           Psicossomática     e   Psicologia
                           Hospitalar, sob orientação da
                           Profa. Dra. Mathilde Neder.



                     SÃO PAULO
                        2008
BANCA EXAMINADORA

__________________________________

__________________________________

__________________________________
DEDICATÓRIA




         Dedico este trabalho aos meus pais, José e Edwirges,
    que com todo suporte, educação e afeto, permitiram tornar-me
    o homem que sou hoje. Também às minhas queridas irmãs,
    Camila e Daniela, por estarem comigo durante longos anos; e
    à minha querida companheira, Carolina, a mulher com quem
    escolhi trilhar esta longa jornada chamada vida.
AGRADECIMENTOS

      Agradeço a todos, que de alguma maneira, queimaram neurônios me

ajudando na confecção desta dissertação.

      À minha orientadora, Profa. Dra. Mathilde Neder, pela atenção e cuidado

despendidos para me ajudar nesta empreitada.

      Ao Prof. Dr. Esdras Guerreiro Vasconcellos, meu segundo orientador,

que com apoio e paciência me acolheu em seu grupo.

      Ao Prof. Dr. Maurício da Silva Neubern, por ter gentilmente aceitado

participar da banca de defesa e dar significativas contribuições para a

realização deste trabalho.

      À Profa. Dra. Céres Alves de Araújo, por me receber em suas aulas de

maneira gentil e dedicada.

      Às Professoras do Núcleo de Psicossomática e Psicologia Hospitalar:

Profa. Dra. Marlise Aparecida Bassani, Profa. Dra. Edna Kahalle e Profa. Dra.

Denise Gimenes Ramos, pelos ensinamentos recebidos.

      Ao Dr. Régis Cavini Ferreira, pelas orientações dadas a respeito do

diabetes.

      Ao Dr. José Roberto Leite, pelas importantes contribuições durante a

fase de qualificação.

      Às amigas Flávia Amaro e Maria Aparecida Mello, pela companhia,

ajuda e complacência durante os anos iniciais do mestrado.

      Ao amigo Ricardo dos Santos, pelas correções e orientações

acadêmicas.

      Aos amigos        Bayard Velloso Galvão e João Humberto Vanin por

introduzir-me ao vasto mundo do Dr. Milton H. Erickson.
RESUMO

MATEUS, RODRIGO CAZAROTTO. Repercussões psicossomáticas da

hipnose em pessoas com diabetes mellitus tipo II. São Paulo, 2008, pp.

168. Dissertação (Mestrado), Programa de Pós-graduação em Psicologia

Clinica, Núcleo de Psicossomática e Psicologia Hospitalar da PUC-SP.


Esta pesquisa é o resultado da dissertação de mestrado em Psicologia Clínica

do Núcleo de Psicossomática e Psicologia Hospitalar da PUC-SP. A pesquisa

teve como objetivo verificar se existe alteração no nível de glicemia e na

sensação de bem estar em pessoas com Diabetes Mellitus tipo II após

vivenciarem situações agradáveis através da hipnose Ericksoniana, bem como

analisar   os    resultados   encontrados    nessa    investigação.   Dez     sujeitos

compuseram o grupo intervenção e oito sujeitos compuseram o grupo controle.

Com suporte teórico obtido na revisão de literatura, procedeu-se à aplicação

dos   seguintes      instrumentos:   questionário    sócio-demográfico;     entrevista

semidirigida sobre situações agradáveis; escala de cores VAS; medida do nível

de glicemia e entrevista semi-dirigida sobre intervenção. Os resultados foram

separados       em   cinco    variáveis:   dados    sócio-demográficos;     vivências

agradáveis; nível de glicemia; sensações de bem estar e impressões sobre

intervenção. Foi concluído que a hipnose ajudou na diminuição do nível de

glicemia dos pacientes após a última sessão, com uma média de redução

percentual de 13,20%, e todos os sujeitos da amostra indicarem sentir melhora

na sensação de bem estar após a intervenção.

Palavra Chave: Hipnose Ericksoniana; Psicossomática; Diabetes Mellitus tipo

II; Situações Agradáveis.
ABSTRACT

MATEUS, RODRIGO CAZAROTTO. Psychosomatics Repercussions of

Hypnosis in people with Diabetes Mellitus type II. São Paulo, 2008, pp. 168.

Dissertation (Master Degree), Postgraduate Program in Clinic Psychology,

Hospital Psychology and Psychosomatic Nucleus at PUC-SP.


This research is the result of the Master dissertation in Clinic Psychology at

Hospital Psychology and Psychosomatic Nucleus from PUC-SP. The research

aimed to check alteration on the glycemia level and on well-being sensation in

people with Diabetes Mellitus type II after experiencing pleasure situations

through the ericksonian hypnosis, as well as analyze the outcomes of the

investigation. Ten subjects compounded the intervention group and eight

subjects compounded the control group. Based on the literature revision, there

were employed the following tools: socio-demographic questionnaire; semi-

guided interview about pleasure situation; VAS – Visual Analog Scale; glycemia

level measurement and semi-guided interview about the intervention. The

results were divided in five categories: socio-demographic data, pleasure

experiences,    glycemia    level,   well-being   sensations   and   intervention

perceptions. It was concluded that hypnosis helped decrease patients’ glycemia

level after the last session, with a percentage reducing average of 13.20%, and

the statement of every subject pointing out the improvement on the sensation of

well-being after the intervention.

Key Words: Ericksonian Hypnosis; Psychosomatic; Diabetes Mellitus type II;

Pleasure Situations.
SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO.................................................................................................5

2. OBJETIVO.....................................................................................................10

3. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA.........................................................................11

         3.1. Hipnose ..........................................................................................12

                   3.1.1. História da hipnose..........................................................12

                   3.1.2. Definição............................................................................16

                   3.1.3. Aplicações da hipnose.....................................................19

                   3.1.4. Abordagens.......................................................................20

                   3.1.5. Fisiologia do estado hipnótico........................................23

                   3.1.6. Formas de indução...........................................................24

                   3.1.7. Hipnose e efeitos orgânicos............................................26

         3.2. Diabetes Mellitus............................................................................28

                   3.2.1. Pâncreas............................................................................28

                   3.2.2. Insulina..............................................................................29

                   3.2.3. Tipos de Diabetes.............................................................31

                   3.2.4. Etiologia.............................................................................32

                   3.2.5. Tratamentos......................................................................33

         3.3. Saúde e Bem Estar.........................................................................36

4. MÉTODO.......................................................................................................41

         4.1. Características do Estudo.............................................................41

         4.2. Sujeitos...........................................................................................41

         4.3. Instrumentos e Materiais...............................................................42
4.4. Coleta de Dados ............................................................................43

         4.5. Procedimentos...............................................................................44

                   4.5.1. Seleção da Amostra.........................................................44

                   4.5.2. Duração e Seqüência de Aplicação dos Instrumentos.44

                   4.5.3 - Tratamento dos Dados....................................................48

         4.6. Cuidados Éticos.............................................................................49

5. RESULTADOS..............................................................................................51

         5.1. Dados sócio-demográficos...........................................................53

         5.2. Vivências agradáveis.....................................................................85

         5.3. Níveis de Glicemia..........................................................................95

         5.4. Sensação de Bem Estar ..............................................................106

         5.5. Impressões sobre a intervenção................................................112

6. ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS.........................................130

7. CONCLUSÃO..............................................................................................146

8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS...........................................................149

9. ANEXOS......................................................................................................158

         11.1 ANEXO 1.......................................................................................159

         11.2 ANEXO 2.......................................................................................161

         11.3 ANEXO 3.......................................................................................162

         11.4 ANEXO 4.......................................................................................163

         11.5 ANEXO 5.......................................................................................164

         11.6 ANEXO 6. .....................................................................................165

         11.7 ANEXO 7. .....................................................................................167

    11.8      ANEXO          8.......................................................................................168

                                                                                                                      4
1. INTRODUÇÃO

                                         “.se você sonhar que está sendo preso, seu

                                coração aumentara os batimentos como se isso estivesse

                                acontecendo de verdade. Para o seu cérebro e para o

                                seu coração, é verdade...”

                                                                          Hebert Benson



         O termo psicossomática remete hoje a uma visão ampliada e global do

ser humano, uma totalidade compreendida em todas suas dimensões, sejam

elas     físicas,   químicas,    biológicas,   sociais,      emocionais   ou   espirituais

(VASCONCELLOS, 2000). No passado, algumas doenças (hipertensão arterial,

retrocolite ulcerativa, úlcera gastroduodenal, asma brônquica, eczema e

psoríase, hipertireoidismo, artrite reumatóide, etc.) foram chamadas de

“doenças psicossomáticas”, tentando-se traçar perfis de personalidade

específicos para cada um desses grupos de pacientes. Essa concepção foi

progressivamente se mostrando inconsistente. (MELLO, 1992).

         Segundo Mello (1992), a psicossomática é uma atitude integral que

concebe o ser humano como ser biopsicossocial e não propriamente como um

ramo da psiquiatria. Compreende uma ideologia sobre a saúde (com suas

práticas e suas doenças), um campo de pesquisas sobre esses fatos e, ao

mesmo tempo, uma prática. Hoje a psicossomática estaria ligada à visão

ideológica desse movimento e às pesquisas acerca dessas idéias, sobre a

relação corpo-mente e sobre os mecanismos de produção de enfermidades. É

interessante pontuar que historicamente o termo foi evoluindo, mas desde

tempos remotos o ser humano vislumbra uma intrínseca relação entre mente-

corpo.

                                                                                        5
Existem várias intervenções tidas como psicossomáticas que mostram

essa ínfima relação da condição mente-corpo. Uma dessas intervenções é a

Hipnose, apresentada nesta pesquisa por integrar o trabalho clínico

desenvolvido por este autor, enquanto instrumento de intervenção, a saber, a

Hipnose Ericksoniana.

        Atualmente, a hipnose é um tema muito estudado em diversos campos

da área da saúde. Ciências como Medicina, Odontologia, Psicologia,

Fisioterapia, entre tantas outras, dedicam-se em certa medida ao estudo de tal

tema. Oficialmente, no Brasil, apenas os conselhos de Medicina, Odontologia e

Psicologia reconhecem, legal e cientificamente, a prática da hipnose. Seu

estudo tem crescido de modo considerável e sua aplicação clínica tomou

grande impulso, principalmente no campo das psicoterapias e no terreno da

psicossomática (FERREIRA, 2006).

        Baseado na observação da prática clínica, o autor do presente

trabalho pode notar interações interessantes entre vivências emocionais

proporcionadas através da hipnose e alterações orgânicas.

        Como os estudos sobre memória (BENSON, 1996) mostram que se

lembrar de forma intensa de algo já vivido gera alterações orgânicas

semelhantes ou até mesmo iguais ao momento em que o evento lembrado foi

registrado, pretendeu-se, neste trabalho, propiciar aos sujeitos da pesquisa

vivências   de   situações   agradáveis   através   da   hipnose   (lembranças

intensificadas) para averiguar:

        - possíveis alterações orgânicas que possam ser consideradas

        significativas;

        - se essa alteração propicia mais saúde ao paciente;


                                                                            6
- se também existem mudanças subjetivas após a experiência;

        - qual a qualidade dessas mudanças.

      Cabe ressaltar que são variáveis quantitativas e qualitativas que,

conforme indica Neder (1993), obrigam o pesquisador a trabalhar dentro de

uma postura rígida e controlada em relação aos dados quantitativos sem, no

entanto, deixar de trabalhar e respeitar os fenômenos individuais nas suas

especificidades em relação aos dados qualitativos.

       Para estudar tais dinâmicas, torna-se necessário limitar o campo de

pesquisa, por isso procurou-se verificar, neste trabalho, os efeitos da hipnose

sobre pessoas com Diabetes Mellitus (DM) tipo 2, conforme pontos detalhados

nos parágrafos a seguir.

      O Diabetes é uma enfermidade que reconhecidamente acomete o

mundo de forma assombrosa. Vários autores, assim como a própria

Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Banco Mundial, declaram que o

Diabetes Mellitus constitui atualmente reconhecido problema de Saúde Pública

em vários países do mundo, considerado uma enfermidade de prevalência

crescente que freqüentemente gera complicações de caráter invalidante,

contribuindo para um problema de saúde sério e para uma pesada carga

socioeconômica (BARCELÓ e RAJPATHAK, 2001). A OMS também estima

que para 2025 haja mais de 300 milhões de habitantes com diabetes em todo o

globo. O número de mortes diretas pela doença ainda não é estimado, mas

calcula-se que por ano morram mais de 9% do total de diabéticos. Altamirano

(2001) também corrobora com esses dados, afirmando que as mulheres entre

45 e 64 anos incorrem numa maior incidência da doença. Alega que tal




                                                                             7
enfermidade é um problema globalizado, pois atinge todas as populações

mundiais, independente de poder econômico, cultura ou etnia.

      Para o continente Americano, estima-se que em 2025 a população de

pessoas com Diabetes Mellitus será de aproximadamente 64 milhões e que 40

milhões delas estariam em países Caribenhos e Latino Americanos (BARCELÓ

e RAJPATHAK, 2001). Já no Brasil, segundo Andrade (1998), de toda a

população de diabéticos (aproximadamente 7% da população) 90% são

portadores do diabetes mellitus tipo II, que ocorre principalmente em adultos,

contra 10% do tipo I, predominante em jovens.

      Além do alto índice de ocorrência da doença, tanto em nível global,

como no próprio Brasil, existem diversas comorbidades resultantes e

associadas   à   enfermidade,   como    obesidade,   distúrbios   psiquiátricos,

problemas cardiovasculares, distúrbios alimentares, entre outras enfermidades

de menor ocorrência, mas que podem levar o indivíduo ao óbito. Para se ter

uma idéia, a Organização Mundial da Saúde (OMS) havia estimado que em

2000 as complicações crônicas do DM estariam entre as principais causas de

morte prematura em todo o mundo, sendo que, na maioria das vezes, estas

causas seriam evitáveis (GOLDENBERG et al., 2003).

      Baseado nas informações ora apresentadas, diversas justificativas se

fazem presentes como argumento de incentivo para a realização desta

pesquisa. Um primeiro ponto de destaque refere-se à intenção da pesquisa,

que busca, de alguma maneira, relacionar aspectos da psique com aspectos do

soma, ou seja, busca trabalhar com o conceito de psicossomática tão

defendida pelo núcleo de pesquisa que apóia este trabalho.




                                                                              8
Um segundo ponto de destaque seria o foco na utilização do instrumento

hipnose, que é pouco pesquisado em nosso país, apesar de ser reconhecido

cientificamente como válido pelos conselhos de Psicologia, Medicina e

Odontologia.

      Um terceiro ponto a se destacar seria a relevância em relação à doença,

considerada pela OMS como de ocorrência grave e alarmante. Pesquisas

sobre Diabetes Mellitus Tipo 2 poderiam agregar conteúdo tanto para

comunidade científica como para a sociedade. As pesquisas já realizadas

sobre esse tema enfocam em grande parte estratégias de diagnóstico e

prevenção da doença. Em menor escala são pesquisas relacionadas à

intervenção terapêutica, principalmente aquelas que incentivam intervenções

não medicamentosas, o que se constituiu em fator de motivação pessoal para o

desenvolvimento desta pesquisa.

      Um último fator, não menos importante, diz respeito ao interesse

pessoal deste pesquisador, que possui afinidade com o tema diabetes assim

como com o tema hipnose. Nesse sentido, contribuições diversas poderiam

ocorrer em níveis distintos com a realização da pesquisa: da contribuição

científica, passando pelas contribuições social, acadêmica e até mesmo

pessoal.




                                                                           9
2. OBJETIVO



      Verificar se existe alteração no nível de glicemia e na sensação de bem

estar em pessoas com Diabetes Mellitus tipo II após vivenciarem situações

agradáveis através da hipnose Ericksoniana.




                                                                          10
3. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA



      As pesquisas relacionadas à hipnose começam a ganhar corpo em

outros países a partir da década de 70, enquanto no Brasil, o interesse por tal

temática já é mais recente como se pode notar por meio de levantamento em

bases de dados como pubmed, sciencidirect, scielo e bireme. O trabalho

desenvolvido dentro dessa temática acaba se concentrando muitas vezes na

mão de poucos pesquisadores. Como ainda é um tema recente na área

científica, muitas vezes, sofre controvérsias quanto ao seu entendimento, seja

como definição, classificação ou até mesmo nos possíveis usos. É interessante

notar que historicamente o termo foi evoluindo, mas ainda há muita confusão

nessa área.

      Edelweiss (1994) afirma que a hipnose adquiriu fama de estar

supostamente superada e de se constituir em fenômeno pouco sério e banal,

cuja insignificância não valia a perda de tempo para quem se enveredasse por

estudá-la. Vários fatores consonantes foram e ainda são responsáveis por

desestimular as pesquisas científicas que tenham a hipnose como objeto de

estudo. Segundo o mesmo autor, idéias conturbadas e estigmatizadas sobre

seus fenômenos são reflexos de uma trajetória histórica em que a falta de

clareza sobre sua real natureza se constituiu em ameaça para a ordem

científica, política e moral da sociedade. Nesse sentido, é natural que o estudo

sobre a hipnose tenha caído sob um desprestígio e desinteresse comum

(EDELWEISS, 1994).




                                                                             11
Por esse motivo, antes de definir o termo hipnose torna-se necessário

contextualizar o termo historicamente para desfazer quaisquer confusões que

porventura possam estar associadas ao emprego do termo.



3.1. Hipnose

3.1.1. História da hipnose

      Segundo Galvão (2003), a hipnose e a utilização de estados hipnóticos

estiveram presentes em toda história da humanidade. Ao longo de seu

desenvolvimento pode-se perceber três momentos distintos de seu uso e

aplicações:

a) Hipnose utilizada pelos povos e civilizações antigas: há mais de 4 mil anos,

no Egito, Grécia, China, África, ente outros lugares, já se tem registro do uso

da hipnose dentro de contextos religiosos, assim como medida terapêutica,

indicando sucesso em casos como paralisia, epilepsia, cegueira, etc. (CORTEZ

e OLIVEIRA, 2003; ROQUE e VILLANUEVA, 2001). Sociedades primitivas já

usavam os sons repetitivos do ritmo dos tambores e as danças ritualísticas das

tribos para induzirem um estado de transe semelhante ao da hipnose, a

exemplo do Xamanismo (ERICKSON, HERSHMAN E SECTER, 1998; ELIADE,

1998). Nesse período, também se localiza a Idade Média, pois a hipnose era

usada com os mesmos propósitos que nas civilizações citadas, principalmente

associada a rituais mágicos, cantos e orações (GALVÃO, 2003).

b) Hipnose no período de experimentação científica – Séc. XVIII e XIX: é o

chamado período científico da hipnose, pois nesse momento vários

pesquisadores começaram a testar a eficácia de tal instrumento. A maioria dos

profissionais que usavam e pesquisavam o fenômeno eram médicos, que


                                                                            12
utilizaram a hipnose durante todo século XVIII e praticamente todo século XIX

como procedimento para aliviar a sensação de tato e de dor, visto que os

químicos   analgésicos e   anestésicos   como clorofórmio    vieram   a ser

desenvolvidos somente após a primeira metade do século XIX (GALVÃO,

2003). Como citam Roque e Villanueva (2001), os principais destaques dessa

época são Franz Anton Mesmer, Marquês de Puységur, James Braid, James

Esdaille, Charcot, Berheim, Coué, Freud e Pavlov. Mesmer foi um médico

alemão do século XVIII que acreditava na existência de um “magnetismo

humano”, de um “fluido magnético” capaz de influir sobre o ser humano,

realizando várias cirurgias e anestesias sobre o chamado “sono mesmérico”,

desenvolvendo-se a partir daí a expressão Mesmerismo. Induzia tal estado

através de movimentos realizados com as mãos associados à sua fala. Teve

como um de seus alunos o Marquês de Puységur, que ajudou a divulgar o

pensamento de Mésmer.       O médico britânico James Braid (1795-1859),

assistindo a uma cirurgia efetuada por Mesmer com anestesia geral provocada

pelo uso da hipnose, passou a estudar o processo vindo a reformular a teoria

de Mesmer. Braid definiu, inicialmente, o estado hipnótico como um estado

particular de “sono do sistema nervoso”, sendo citado erroneamente por muitos

autores como responsável por cunhar o termo hipnose. Méheust (1999) cita

que o termo na verdade surgiu por Henin de Cuvillers em 1823, que era

contrário à idéia de um fluido magnético de Mésmer, daí Henin de Cuvillers

referiu-se a "hipnose", como algo semelhante ao sono, um estado psíquico em

alusão ao termo grego Hypnus que simbolizava o Deus do sono na Mitologia

Grega. Segundo Méheust (1999) esse termo seria ainda mais antigo (1820),

mas não cita quem seria seu autor. De qualquer forma, ele só ganhou


                                                                          13
notoriedade com Braid, pois este o associou ao sistema nervoso e não a um

fluido ou a alguma noção psicológica. Isso lhe permitiu maior aceitação no meio

científico, até porque as idéias sobre algo psíquico ainda se encontravam

difusas entre vários autores que perambulavam entre medicina e filosofia.

Dessa forma, o termo hipnose ficou erroneamente associado à idéia de sono.

Logo depois de haver cunhado este termo, James Braid se arrependeu, pois

percebeu que cientificamente a hipnose não poderia ser comparada ao sono,

sendo um estado justamente oposto ao sono, de intensa atividade psíquica e

mental (atenção focada em alguma idéia). Braid utilizava basicamente a

hipnose como forma de se obter a anestesia cirúrgica e de se ensinar auto-

hipnose aos pacientes, lembrando que o éter foi introduzido somente em 1846

e o clorofórmio em 1847 (CORTEZ E OLIVEIRA, 2003; GALVÃO, 2003).

Também usando hipnose para induzir analgesia e anestesia, James Esdaille,

trabalhando na Índia com pacientes sob esse efeito, realizou uma grande

quantidade de operações que incluíam amputações de braços, extração de

tumores, entre outros trabalhos cirúrgicos (ROQUE e VILLANUEVA, 2001).

      Charcot (1835-1893), neurologista mais importante e conceituado de sua

época, estudou os estados hipnóticos para tratamento de pacientes histéricos.

Considerou a hipnose como um estado patológico de dissociação, comparando

o transe ao processo histérico e a anormalidades no sistema nervoso. Na

mesma época, Liébeault e Bernheim, também estudavam a hipnose e seus

fenômenos conforme descritos por Braid, pensando-a como um estado de

consciência normal e natural do ser humano, tendo um ponto de vista muito

distinto de Charcot. Liebeault e Bernheim retomaram a idéia original de Braid

de que a indução hipnótica decorria da sugestão, realizando inúmeros estudos


                                                                            14
e experimentações científicas (CORTEZ e OLIVEIRA, 2003; GALVÃO, 2003;

ROQUE e VILLANUEVA, 2001).

      Freud (1856-1939), juntamente com Breuer, deu início a um processo de

psicoterapia com hipnose em pacientes histéricos, vindo a publicar as

conclusões desse trabalho nos Estudos sobre histeria, em 1895. Freud

abandonou o uso da hipnose substituindo-a pelo método de associação livre e

vindo a desenvolver a teoria psicanalítica. Concomitantemente, Pavlov (1849-

1936), médico russo, estudou a hipnose segundo um ponto de vista

neurofisiológico. Utilizando as noções de excitação e inibição do sistema

nervoso, conseguiu posteriormente que sua teoria fosse comprovada, fazendo

com que a hipnose fosse aceita pela medicina oficial na Rússia, em especial no

tratamento das neuroses de guerra. Em meados do século XX, e

principalmente após as grandes Guerras, foi retomado o interesse pela hipnose

para tratamento das neuroses de guerra e traumas psíquicos. William

McDougall (1871-1944) e Clark Hull (1884-1952) nos Estados Unidos iniciaram

trabalhos e pesquisas experimentais nas universidades utilizando controles

científicos e estatísticos para sua mensuração (CORTEZ e OLIVEIRA, 2003;

GALVÃO, 2003).

c) Forma moderna de utilização da Hipnose: refere-se à chamada hipnoterapia

Ericksoniana, tendo sido desenvolvida por Milton Hyland Erickson (1901-

1980), psiquiatra americano do início do século XX, considerada um marco

divisório entre a hipnoterapia clássica da época da experimentação científica e

a época moderna atual. Demonstrando-a como um fenômeno natural da mente

humana, bem como sua existência e efeitos no cotidiano, utilizou a hipnose em

praticamente todos os problemas psicológicos, sendo autor de inúmeros


                                                                            15
artigos, livros e pesquisas científicas na área. Dentre as inúmeras contribuições

de Erickson para o campo da Psicologia pode-se citar o conceito de utilização

da realidade individual do paciente. Erickson resgata de modo radical a noção

de singularidade. Tal noção, em termos epistemológicos, implica em considerar

os indivíduos como seres únicos e inéditos (NEUBERN, 2002). Ele entende

que cada paciente tem uma história e memórias particulares, as quais devem

ser usadas para se levar o sujeito à hipnose (GAYA et al., 2002). Também

contribuindo com a chamada Terapia Naturalista, as diferentes formas de

comunicação indireta, a técnica de confusão e de entremear, é considerado o

maior Hipnoterapeuta do século XX devido à sua abordagem breve, estratégica

e voltada para a solução (CORTEZ e OLIVEIRA, 2003; GALVÃO, 2003).

      Conforme já mencionado, no Brasil apenas três conselhos validam o uso

de tal instrumento. Na Odontologia, o CFO (Conselho Federal de Odontologia)

foi o primeiro Conselho a regulamentar o uso da hipnose, em 1996, como

instrumento eficaz para indução de analgesia e anestesia. Na medicina, a partir

de 1999, o CFM (Conselho Federal de Medicina) autorizou seu uso. Na

psicologia, o CFP (Conselho Federal de Psicologia) reconheceu a partir de

2000 o uso da hipnose como regulamentado (BOCK, 2001).

3.1.2. Definição

      Existem diversas definições para hipnose desenvolvidas no decorrer da

história. Algumas definições ainda seguem postulados arcaicos, estabelecidas

no século XIX, mas ainda usados em pesquisas recentes, como no trabalho

realizado por Vilela e Ferreira (2006). Pesquisando o uso da hipnose em

pacientes cardíacos com dificuldade de sono, esses pesquisadores definem

hipnose como um estado de atividade motora mínima semelhante ao sono.

                                                                              16
Além de definições mais arcaicas como esta, outras sem muito embasamento

também podem ser encontradas em alguns artigos, entre elas podemos

destacar a definição de hipnose como um estado alterado de consciência no

qual as idéias são aceitas por sugestão ao invés do raciocínio lógico.

(FERNANDEZ et al., 2003). Estudos eletroencefalográficos, testes de reflexos,

pulso e pressão sanguínea revelam que a hipnose não é um estado de sono, e

sim, um estado alterado de consciência (ERICKSON, HERSHMAN e SECTER,

1998).

         Concordando com essa analogia em relação ao estado de sono, Passos

e Labate (1998) afirmam que a hipnose é um estado do estreitamento de

consciência provocado artificialmente, que geralmente (mas nem sempre) se

parece com o sono, porém fisiologicamente dele se distingue, caracterizando-

se pelo aparecimento espontâneo (ou em resposta a um estímulo verbal, ou a

outro qualquer) de uma variedade de fenômenos que incluem:

         1 - alteração da atenção;

         2 - alteração da memória;

         3 - aumento da sugestionabilidade;

         4 - produção, no paciente, de idéias e respostas diferentes daquelas do

seu estado mental normal,

         5 - alterações motoras e sensoriais;

         6- aumento da labilidade dos processos regulados pelo sistema nervoso

autônomo.

         A APA (Associação Americana de Psicologia) define hipnose como um

procedimento no qual o terapeuta ou pesquisador sugere ao paciente ou sujeito

da experiência mudanças em sensações, percepções, pensamentos ou


                                                                             17
comportamentos (KRINGS et al., 2004). Tal definição se mostra pouco

elucidativa e é rechaçada por pesquisadores da área que atualmente tem

consenso em torno da idéia de que a hipnose é um estado focado e lógico de

atenção. Corroborando com tal idéia, pode-se citar um recente artigo publicado

na revista Seed, que informa que apesar da exata definição do conceito de

hipnose ainda estar em discussão, é de consenso entre os pesquisadores

voltados para esse tema que a hipnose envolve intensa concentração, estado

temporário de atenção modificada, relaxamento e sugestibilidade aumentada

(ANTHES, 2006; SOLOVEY e MILECHNIN, 1988). Apesar de haver grande

confusão na área, é importante diferenciar os termos sugestão e hipnose. A

sugestão será tomada aqui apenas como a capacidade, em hipnose, de

influenciar o outro. Influenciá-lo sob certas condições – basicamente pela fala,

mas não exclusivamente por ela – à produção de fenômenos específicos. Já a

hipnose, é uma condição, um processo, uma alteração de consciência, em que

a sugestão pode ser um produto privilegiado, mas não necessariamente. A

hipnose não está circunscrita à sugestão, nem depende dela necessariamente

e muito menos é redutível a ela (MARTINS E BATISTA, 2002).

      Até mesmo o próprio Erickson, à sua maneira, poderia concordar com as

definições anteriores, já que em seus trabalhos, afirmava o estado de transe

ser um estado psicobiológico do homem, considerando que situações em que a

atenção e a percepção estão focalizadas e concentradas numa idéia, como

num momento de fantasia, distração ou preocupação que absorva a atenção,

são como um estado hipnótico (ROSEN, 1994).

       Galvão (2003) apresenta uma definição interessante e mais completa a

respeito da hipnose, segundo a qual o processo hipnótico consiste em pensar


                                                                             18
em algo que é sugerido por si ou por outro, de forma intensa (alta atenção) e

específica (pensamento focado). Tal processo geraria um estado no qual

seriam produzidos diversos fenômenos específicos, como regressão de idade

(reviver pensamentos de um tempo anterior), hipermnésia (rever pensamentos

passados de forma nítida), amnésia (esquecer pensamentos anteriores de

forma parcial ou total), hiperestesia (aumento da sensibilidade tátil), anestesia,

analgesia, pseudo-orientação no futuro (imaginar-se realizando algo no futuro)

entre outros, que poderiam implicar em alterações cognitivas ou fisiológicas.

3.1.3. Aplicações da hipnose

        São descritas múltiplas aplicações da hipnose nas áreas da medicina,

como pediatria, dermatologia, gastroenterologia, obstetrícia, ginecologia, assim

com no uso de transtornos psicológicos (ROQUE e VILLANUEVA, 2001).

Dentre os usos mais freqüentes da hipnose, destacam-se: tratamento para

depressão, ansiedade, fobias, distúrbios sexuais, enurese noturna, asmas,

pânico, gagueiras, insônia, vícios e até mesmo no tratamento de verrugas. Sua

lista de atuação inclui ainda tratamento para dor crônica de pacientes terminais,

distúrbios alimentares, e muitos outros problemas físicos e mentais. É também

usada como meio para indução de analgesia e anestesia em procedimentos

cirúrgicos das diferentes especialidades médicas e odontológicas (ARRUDA e

MELLO, 2000; CORTEZ e OLIVEIRA, 2003; GALVÃO, 2003).

        Labate (2006) confirma as citações anteriores, explicando que a

hipnose tem sido usada para alívio da dor, produzindo anestesia ou analgesia;

nos diferentes setores da clínica e cirurgia, notadamente em obstetrícia; como

tranqüilização para o alívio dos estados de ansiedade e apreensão, qualquer

que seja a sua causa; em qualquer condição na qual a psicoterapia possa ser


                                                                                19
útil; no controle de alguns hábitos, como o tabagismo; e experimentalmente em

qualquer pesquisa, no campo psicológico ou neurofisiológico.

      Cortez e Oliveira (2003) também indicam que pesquisas atuais

confirmam a eficiência da hipnose na solução ou alívio de vários sintomas que

acompanham transtornos físicos e psíquicos, sendo indicada como excelente

tratamento coadjuvante em vários casos. Esforços têm sido feitos no sentido

de demonstrar a hipnose como uma forma de tratamento específico, capaz de

solucionar diversas doenças em especial aquelas de origem psicossomática.

3.1.4. Abordagens

          Como pode ser constatado no item “histórico” deste trabalho, existem

basicamente dois tipos de abordagem em relação à hipnose, das quais derivam

quaisquer outros nomes posteriores. São conhecidas como Postura Tradicional

(Clássica) e Postura Ericksoniana (Naturalista). Cada qual apresenta

considerações, a saber:

                      Postura Tradicional        Postura Ericksoniana

Teóricos              Jean-Martin Charcot,       Milton H. Erickson

iniciadores da        Josef Breuer e Sigmund

abordagem             Freud

Entendimento do       Direcionada a busca e      Direcionada a possibilidade

problema              recordação do passado      de mudanças, usando o

                                                 passado ou não

Tipo de               Taxativo, possivelmente    Potente pelo direcionamento

diagnóstico           patologizante e/ou de      dado a uma mudança

realizado             impotência frente à        possível

                      mudança


                                                                               20
Comunicação         Muito diretivo, com         Postura chamada naturalista

                    comandos e ordens           através da noção de

                    diretas.                    utilização, conferindo

                                                eficiência

Indução do transe   Script, roteiro rígido, o   Flexível, direcionada a cada

e hipnose           mesmo para todos            paciente, feito sob medida

                    pacientes

Intervenções        Inúmeras técnicas           Variável de acordo com a

usadas                                          realidade individual do

                                                paciente

Compreensão da      De acordo com cada          Compreensões próprias

Hipnose             abordagem teórica

Hipnotizabilidade   Preocupação com             Necessária de acordo com

                    grandes intensidades dos    cada caso

                    fenômenos e

                    variabilidades

Mudanças na         Variabilidade e             Variabilidade e intensidade

Hipnotizabilidade   intensidade imutáveis       não apenas diferentes no dia

                                                a dia, como também

                                                dependendo da motivação e

                                                com possibilidade de serem

                                                melhoradas

Sugestionabilidade Tão mais sugestionável o     Noção de responsividade,

                    paciente, melhor            dependendo esta mais da

                                                capacidade de condução e


                                                                              21
estabelecimento de rapport

                                                      do hipnoterapeuta do que do

                                                      paciente

   Hipnotizabilidade e Acredita que apenas            Podem ocorrer complexas

   Sugestionabilidade pacientes com complexos mudanças com níveis leves

                          e intensos níveis podem     de transe, não importando os

                          passar por hipnoterapia     níveis de hipnotizabilidade e

                                                      sugestionabilidade

   Relação                Estabelecimento claro de    Noção não clara de

   Terapeuta-             autoridade e hierarquia     autoridade diminuindo a

   Paciente                                           resistência

   (CABALLO, 1996; GALVÃO, 2003 GILLIGAN, 1987; HALEY, 1991, ZEIG,

   1985)

      Segundo Zeig (1985), na abordagem ericksoniana, alguns pontos são

   cruciais no processo terapêutico, destacando-se:

a) A identificação dos recursos do paciente;

b) O diagnóstico dos valores do paciente, o desenvolvimento dos recursos

   utilizando tais valores;

c) Utilização do recurso usando comunicações diretas ou indiretas;

d) Estabelecimento do ARE (Absorção, Ratificação e Eliciação);

e) Aceitação e utilização do que é apresentado pelo paciente;

f) Usar semeaduras de idéias para facilitar mudanças e a própria indução;

      Rosen (1994) relata que, de acordo com a concepção de Erickson, o estado

   de transe possibilita maior probabilidade de se produzirem aprendizagens e

   apresenta mais disponibilidade para a ocorrência de mudanças.


                                                                                   22
3.1.5. Fisiologia do estado hipnótico

      Esse estado de atenção concentrada torna possível ao indivíduo reagir

aos estímulos e às sugestões do hipnotizador ou aos próprios comandos (auto-

hipnose). O desconhecimento pleno da mente humana dificulta a conceituação

e explicação dos mecanismos através dos quais a hipnose produz seus efeitos.

Ao contrário do que parece, durante a sessão hipnótica o córtex está em plena

atividade. Reações desencadeariam a produção de neurotransmissores

através do sistema nervoso, provocando diversas reações orgânicas.

Observam-se alterações na consciência e na memória, aumento da

susceptibilidade à sugestão, produção de reações e de idéias estranhas ao

indivíduo. Além disso, fenômenos como anestesia, analgesia, paralisia, rigidez

de músculos e alterações vasomotoras podem ser produzidos ou removidos

(VALE, 2006).

      Um recente artigo divulgado na revista cientifica Seed (2006), informa

que a hipnose tem sido atualmente objeto de várias pesquisas experimentais

que apontam, através de testes neurológicos, as alterações cerebrais que ela

causa. O autor Emily Anthes (2006) cita um experimento que demonstra que a

sugestão hipnótica pode produzir mudanças no centro de processamento de

dor no cérebro. Relata que quando as pessoas estão em estado hipnótico, as

áreas cerebrais que processam a dor ficam menos ativas, fornecendo

evidencias sobre as modificações provenientes do estado hipnótico.

        Parece haver uma correlação direta entre o fenômeno vivenciado

durante a hipnose as alterações neurofisiológicas correspondentes. Mathews et

al. (2000) dizem que estudos têm mostrado a ativação das regiões occipitais,

incluindo o córtex visual primário, V1. Já Damiani et al. (2006) observam que a


                                                                            23
hipnose tem atuado também no Sistema Nervoso Autônomo Parassimpático

   (SNAP) aumentando de forma intensa o tônus eferente vagal. Kosslyn (2000)

   diz que uma parte do cérebro chamada giro cingulado mostra alta atividade

   quando o sujeito está hipnotizado. Esta área está relacionada com a atenção e

   a emoção, concordando com Vale (2006) que afirma que diversas áreas do

   cérebro relacionadas com a emoção e a sensação são ativadas durante o

   estado hipnótico.

           Câmara (1998) afirma haver indícios de uma estrutura cerebral

   semelhante a uma rede, chamada formação reticular, funcionando como elo

   entre a voz do hipnotizador e a massa cinzenta do hipnotizado. A tese mais

   aceita é a de que as palavras do hipnotizador, processadas pelo nervo auditivo,

   alcançam a ponta dessa rede, na base do cérebro, e se espalham por toda a

   massa cinzenta. Quando elas chegam ao lobo frontal, concentram a atenção

   do paciente em um único foco, inibindo tudo o que está ao redor.

   3.1.6. Formas de indução

         Segundo Ferreira (2003), Galvão (2003) e Zeig (1993), atualmente, são

   seis as formas básicas pelas quais a indução à hipnose é empreendida

   (podendo ou não estar conjugadas em duas ou mais):



 Diminuição de estímulos tidos como inúteis: Sabendo-se ser o transe ou a

   hipnose um pensar específico e intenso, quanto menos houver estimulações

   que desviem do processo indutor de relaxamento, transe ou hipnose, melhor;

 Relaxamento: A diminuição significativa de atividade orgânica via pensamento

   (relaxando esse também), é das formas mais comuns de se possibilitar o

   transe ou hipnose. Na medida em que o sujeito estiver com uma baixa


                                                                                24
atividade do pensar, comunica-se a ele idéias a partir e com as quais se daria

   esta atividade, provocando assim, o transe ou hipnose juntamente com o

   processo psicoterapêutico.

 Cansaço: Criar o cansaço orgânico e/ou do pensar é uma forma de fazer com

   que a pessoa pense de acordo com o colocado pelo hipnoterapeuta. A

   princípio, o sujeito estaria cansado demais para fazê-lo sozinho;

 Direcionamento das Apreensões: Atenção é o direcionamento da atividade

   psíquica, ou seja, do pensar. Na medida em que o paciente começa a

   direcionar o seu raciocínio de acordo com o colocado pelo hipnoterapeuta,

   cada vez mais este poderá direcionar o pensar do paciente no sentido de ter

   um pensar que possibilite um melhor viver;

 Aumento da atividade do pensar (psíquica): Um aumento na estimulação

   neural via estimulação sensível (embora de maneira direcionada) pode ser

   utilizada para passar do relaxamento (ou sono) para transe ou hipnose;

 Confusão: Confusão é a quebra de raciocínio não possibilitando um raciocinar

   coerente   buscado    pelo   indivíduo.   Provocá-la   momentaneamente    para

   direcionar o raciocínio do sujeito, é uma possibilidade para que o paciente

   pense na medida (ou a partir) do colocado pelo hipnoterapeuta, criando ou não

   transe ou hipnose. Tal forma de indução é utilizada para que o paciente não

   tenha raciocínios considerados anti-terapêuticos pelo terapeuta. Forma muito

   bem apresentada por Milton H. Erickson no livro “O Homem de Fevereiro”.

         Dentre as formas citadas, a mais utilizada nos consultórios e pesquisas

   realizadas na área refere-se ao uso do relaxamento como método de indução

   para se levar o paciente à hipnose. É também comum encontrar nas pesquisas

   termos como imaginação intensa, imaginação guiada, que são entendidos


                                                                              25
também como hipnose, trocando-se apenas um nome por outro. Nesses

trabalhos os sujeitos normalmente são induzidos, após o relaxamento, a se

direcionarem mentalmente para um lugar confortável, ou para se lembrarem de

situações boas, situações essas semelhantes para o mesmo grupo de sujeitos

(GAYA et al., 2002; LEV et al., 2002; CARTLEDGE et al., 2004).

3.1.7. Hipnose e efeitos orgânicos

      Muitas pesquisas, principalmente as realizadas nas décadas anteriores,

focam seus estudos no efeito da hipnose sobre os estados de dor. Busca-se

com essas pesquisas, de alguma maneira, atenuar, evitar ou controlar estados

dolorosos, seja pela indução de analgesias ou anestesias (GAYA et al., 2002;

LEV et al., 2002). Em um experimento sobre dor, Oakley (2004) induziu,

através da hipnose, oito sujeitos a sentirem dores relacionadas a tocar em algo

muito quente e constatou que as mesmas áreas de processamento da dor no

cérebro (o tálamo, o córtex cingulado anterior e outras áreas) foram ativadas da

mesma maneira que as áreas de outros sujeitos que tocaram em uma barra de

metal a 50º C, demonstrado que a dor induzida por hipnose ativa as mesmas

áreas do cérebro ativadas pela dor real.

      Atualmente, além das pesquisas referentes à dor, trabalhos com hipnose

estão abarcando diversas áreas e seus efeitos são testados de diferentes

maneiras, como por exemplo, os efeitos sobre algumas doenças. Uma dessas

pesquisas mostra a ajuda da auto-hipnose no combate ao hábito de tossir e

seus sintomas somáticos (ANBAR e HALL, 2004). Outro estudo focando a

utilização da hipnose em tratamentos de enfermidades dermatológicas

demonstrou resultados bem interessantes, como melhora em mais de 70% da

pele de pacientes com psoríase, redução de problemas de pele tidos como


                                                                             26
corriqueiros como acne, ou até mesmo, no tratamento de verrugas

(SHENEFELT, 2002). Assim como esses, há diversos estudos em que os

pesquisadores tentam mostrar efeitos possíveis da hipnose sobre o organismo.

Nesse sentido, há que se ressaltar também, pesquisas sobre os efeitos da

hipnose em nível neuronal. Um desses estudos demonstra que alterações na

plasticidade neuronal ocorrem após uma sessão de hipnose, na qual o sujeito

vivencia imagens e sensações de formas até mais vívidas que durante o dia a

dia, o que pode ser comprovado através de exames como PET Scan

(HALSBAND, 2006; WINERMAN, 2006).

      Apesar de alguns pesquisadores indicarem que as bases biológicas do

processo hipnótico ainda são contestadas e necessitam de mais pesquisas,

alguns estudos indicam diversas influências sobre o sistema biológico. Alguns

estudos indicam que a hipnose influencia a mediação celular, que por sua vez

influencia a imunidade, afetando também o eixo adrenal pituitário-hipotalâmico,

o que influencia em uma boa regulação do sistema imune. Também se

constata uma ativação de várias áreas do córtex cerebral, dependendo do

estímulo/sugestão eliciados (GRUZELIER et al., 2001; HALSBAND, 2006).

      Vindo de encontro ao que foi apresentado na introdução do presente

trabalho, cabe destacar que é notadamente percebido que algo vivenciado

durante o processo hipnótico é tido como realmente vivido organicamente.

Gemignani (2000) relata um estudo em que se concluiu que a hipnose é muito

mais que uma simples sugestão. O estudo, que expôs os sujeitos a

vivenciaram situações fóbicas, demonstrou que todos os participantes da

pesquisa reagiram como se realmente estivessem diante do objeto fóbico,




                                                                            27
tendo    grandes   alterações   cardiorrespiratórias,   bem   como    alterações

registradas em seus EEGs (GEMIGNANI, 2000).

        Em outro estudo, Fernandez et al. (2003) citam os efeitos positivos da

hipnoterapia sobre a hipertensão, alegando que a hipnose é capaz de regular o

volume sangüíneo e, por conseguinte, propiciar um controle saudável sobre a

pressão arterial, além de promover uma ostensiva diminuição do tratamento

farmacológico.



3.2. Diabetes Mellitus


        O Diabetes Mellitus (DM) compreende um grupo heterogêneo de

distúrbios   metabólicos,   envolvendo    todos    os   substratos   energéticos

(carboidratos, proteínas e gorduras) e caracterizado principalmente pela

hiperglicemia, resultante da deficiência de secreção ou da ação da insulina

(FERREIRA et al., 2003). Como definido por Melo et al. (2003) a DM é

considerada uma "síndrome heterogênea de etiologia múltipla, decorrente da

falta de insulina ou, também, da incapacidade da insulina em exercer

adequadamente seus efeitos". O principal órgão responsável por esse controle

é o Pâncreas.


3.2.1. Pâncreas


        O pâncreas está localizado atrás e discretamente abaixo do estômago.

Sua porção endócrina é representada pelas ilhotas de Langerhans as quais

são compostas pelas células a, b, d e F e seus produtos são, respectivamente,

glucagon, insulina, somatostatina e polipeptídeo pancreático (GARCIA, 2006).

Destes, os principais hormônios são a insulina e o glucagon, responsáveis pelo

                                                                             28
principal controle da concentração de glicose plasmática. Quando este valor

está elevado (hiperglicemia), como após uma refeição, o pâncreas recebe

sinais para liberar insulina no sangue. Entre suas ações, a insulina facilita o

transporte de glicose para o interior das células, especialmente aquelas dos

músculos e do tecido conjuntivo, promove a glicogenólise e inibe a

gliconeogênese (GUYTON, 1992). O pâncreas secreta o glucagon quando a

concentração plasmática de glicose cai abaixo das concentrações normais

(hipoglicemia). Seus efeitos geralmente são opostos aos da insulina. O

glucagon promove o aumento da degradação do glicogênio hepático em

glicose (glicogenólise) e aumenta a gliconeogênese (GARCIA, 2006).

3.2.2. Insulina


      A insulina é um hormônio polipeptídico sintetizado, formado por duas

cadeias de aminoácidos. Segundo Guyton (1988), a insulina é um hormônio

produzido pelas células beta das ilhotas de Langherans pertencentes ao

pâncreas. Bioquimicamente, trata-se de um hormônio polipeptídico constituído

de   duas   cadeias   peptídicas,   desempenhando     papel   fundamental   no

metabolismo dos carboidratos, lipídios e proteínas (MAUGHAN et al., 2000). Ao

promover a entrada de glicose para o interior das células alvo, a insulina

apresenta efeitos de manutenção sobre o controle glicêmico, aumento da

utilização de glicose como fonte energética e promoção do armazenamento de

glicogênio no fígado e nos músculos (GUYTON, 1988). No que se refere

especificamente ao controle glicêmico, a Sociedade Americana de Diabetes

indica os seguintes valores de referência para glicemia-jejum (mínimo 8 horas):




                                                                             29
Classificação dos valores glicêmicos (mg/dl)

             Normal                                 < 99

             Pre-diabetes                           101 a 125

             Diabetes                               > 126


Fonte: American Diabetes Association, 2005


      Para aferência desses dados, usa-se a coleta do sangue capilar (padrão

adotado normalmente pelos pacientes portadores de DM, chamada de auto

monitoramento glicêmico, cujos valores são 10 a 15% mais baixos que os no

plasma). É uma metodologia de baixo custo (realizada através de aparelhos

portáteis), bem reproduzível, tendo poucos fatores interferentes, como o

estresse, e exigindo do paciente apenas período mínimo de 8 horas sem

ingestão alimentar. Todavia, a glicemia fornece apenas o grau de controle no

momento da coleta do sangue (SARTORI, 2005). Alterações significativas

nestes valores podem ser entendidas como ausência ou excesso de insulina,

quebrando o estado de homeostasia orgânica (COSTA, 2005).

      Devido à sua importância, pode-se perceber facilmente que a produção

deficiente de insulina, tal como acontece no diabético, irá causar diversos

malefícios ao organismo. Um deles é o elevado nível sangüíneo de glicose

(hiperglicemia), estado que pode levar à sobrecarga renal e até mesmo à

desidratação. Outro efeito observado é que as células passam a utilizar

quantidades significativas de lipídios e proteínas como fontes energéticas,

devido à ausência de glicose para exercer esta função, acarretando condições

de debilidade extrema como perda excessiva de massa corporal, deficiência de

crescimento orgânico e produção acentuada de corpos cetônicos no sangue, o


                                                                         30
que pode levar ao coma diabético (cetoacidose) (COSTA, 2006; GUYTON,

1988).

3.2.3. Tipos de Diabetes


         Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes, a enfermidade pode ser

dividida basicamente em três grupos de ocorrência:


         diabetes mellitus tipo 1 (insulino-dependente): aparece como

resultado de uma destruição das células beta produtoras de insulina por

engano, o que ocorre quando o organismo as entende como corpos estranhos.

Isso é chamado de resposta auto-imune. Este tipo de reação também ocorre

em outras doenças, como esclerose múltipla, Lúpus e doenças da tireóide.

         diabetes mellitus tipo 2 (não insulino-dependente): Sabe-se que o

diabetes do tipo 2 possui um fator hereditário maior que no tipo 1. Além disso,

há uma grande relação com a obesidade e o sedentarismo. Uma de suas

peculiaridades é a inabilidade do organismo responder adequadamente a ação

da insulina produzida pelo pâncreas. Por muitas razões suas células não

conseguem metabolizar glicose suficiente da corrente sangüínea. Esta é uma

anomalia chamada de "resistência insulínica". De início, a maior parte dos

pacientes do diabetes tipo II apresenta redução do efeito da insulina em seus

alvos (os tecidos muscular e adiposo): eles ainda a produzem, mas em

quantidade insuficiente para a demanda diária. Por isso, a maioria não precisa

ser tratada com insulina. Os níveis glicêmicos podem ser normalizados com

atividade física regular, controle do peso e medicação oral (que aumente a

sensibilidade dos tecidos à insulina ou à sua produção) (AITA, SOGAYAR e

ELIASCHEWITZ, 2004).


                                                                            31
diabetes gestacional: O diabetes gestacional é a alteração das taxas

de açúcar no sangue que aparece ou é detectada pela primeira vez na

gravidez. Pode persistir ou desaparecer depois do parto.

      Grande parte das pesquisas realizadas concentra seu estudos no

diabetes mellitus tipo 1 e 2. Para cada caso de diabetes tipo 1 estima-se de 8

a 10 casos do diabetes mellitus tipo 2.

3.2.4. Etiologia

      A etiologia específica do diabetes tipo 2 ainda não está estabelecida

como no diabetes tipo 1, e sabe-se que a destruição auto-imune não acontece

(GROSS et al., 2002). O diabetes mellitus tipo 2, chamado previamente de não-

insulinodependente, vem de uma forte associação da predisposição genética

do indivíduo, seu estilo de vida, os fatores ambientais e fatores emocionais

(OLIVEIRA e MILECH, 2004).

      Embora as causas do DM sejam obscuras, o que se sabe, com certeza,

é existirem alguns "gatilhos" que desencadeiam as crises. O principal desses

gatilhos é o estresse contínuo, estado em que as glândulas supra-renais

liberam doses elevadas de adrenalina. Este hormônio, além de acelerar o

coração, tem a capacidade de liberar no sangue a glicose estocada no fígado e

nos músculos. Esse processo se chama glicogenólise. Para compensar a

liberação aumentada de glicose produzida pela glicogenólise, o pâncreas se

esforça em produzir quantidades extras de insulina. Se esse esforço

pancreático não for suficiente para reduzir ao normal os níveis aumentados de

glicose pelo estresse ou, pior, se o pâncreas chegar a se esgotar, o resultado

é o surgimento ou agravamento do Diabetes. É também algo mais ou menos

semelhante ao que ocorre na obesidade. Quanto mais obeso e pesado, maior é


                                                                             32
a quantidade de insulina necessária, levando o pâncreas à fadiga. Certas

   infecções também funcionam como gatilho para o Diabetes, assim como os

   casos de algumas mulheres grávidas (BALLONE, 2002).

   3.2.5. Tratamentos

         Os tratamentos dividem-se em duas vias principais, considerados

   tratamentos medicamentosos e não medicamentosos. No caso dos tratamentos

   medicamentosos, dois grupos principais de químicos são usados: a insulina,

   que é essencial no tratamento de DM tipo 1, mas no caso do tipo 2 não é

   necessária e os medicamentos hipoglicemiantes, responsáveis por gerar a

   baixa da hiperglicemia presente no DM. Os tipos mais conhecidos são as

   sulfoniluréias (que aumentam a secreção de insulina pelo pâncreas), as

   biguanidas (que aumentam a sensibilidade do organismo à insulina já

   produzida) e a acarbose (que torna mais lenta a absorção da glicose no

   intestino, dando tempo ao organismo para manter a glicemia normal). Além

   destes três tipos básicos, surgiram recentemente os sensibilizadores de

   insulina de última geração, chamados thiazolidinedionas, cujo principal efeito

   metabólico é o aumento da sensibilidade à insulina nos tecidos periféricos,

   principalmente no músculo esquelético, além de reduzirem também, em altas

   doses, a produção hepática de glicose (HIRATA e HIRATA, 2006).

         Referindo-se agora à abordagem não medicamentosa, algumas vias são

   indicadas, a saber:

a) Educação alimentar: Adequar o paciente a alimentar-se de forma adequada e

   com os alimentos adequados para que a sua glicemia permaneça estável;

b) Realização de atividade física: A indicação de exercícios físicos aeróbios e

   anaeróbios, com duração, intensidade e freqüência adequadas, também traz


                                                                              33
benefícios para o portador de DM, principalmente para o portador de DM tipo 2.

  O cuidado com o excesso de atividade deve existir para que não se gere a

  hipoglicemia (COSTA, 2005). Pesquisas surgem para comprovar o valor da

  atividade física para o indivíduo diabético. Conforme em um grupo composto de

  doze indivíduos diabéticos tipo 2, um indivíduo com o tipo 1 e um com diabetes

  secundário, após atividades físicas durante um período de três meses, os

  valores da hemoglobina glicosada daqueles que persistiram no treinamento

  diminuíram drasticamente (DIAS et al., 2007). Em outro estudo foi constatado

  que a glicemia de jejum isolada após o treinamento físico baixou. Isso poderia

  ser justificado pelo efeito benéfico do exercício, tal como a melhora da

  captação de glicose que se encontra aumentada durante o exercício físico,

  mesmo com baixos níveis insulinêmicos. A pesquisa conclui que um programa

  de exercício físico regular, de intensidade moderada, auxilia no controle

  glicêmico do indivíduo com DM2, tratado ou não com insulina, sendo que seu

  efeito já é observado em uma sessão de exercício (SILVA e LIMA, 2002).

c) Tratamentos Complementares: Fazem parte desse grupo a indicação dos

  chamados     tratamentos     adjuvantes,     muitas   vezes     tidos    como

  acompanhamentos alternativos. São recomendados para uso em conjunto com

  os outros tratamentos, ou seja, não excluem as outras intervenções. Segundo

  Kostic e Secen (2000), pesquisas usando treinamento autógeno de Shultz têm

  mostrado eficiência no controle da glicemia de pacientes diabéticos tipo 2,

  ajudando a reduzir o nível de glicemia de maneira significante. Outro

  tratamento complementar indicado são aulas de gerenciamento de stress que

  tem ajudado a prevenir e controlar doenças como o diabetes (NODA e

  HAMADA, 2000).     Nessa    mesma    linha   de   pensamento,   a   Federação


                                                                             34
Americana de Diabetes (2005) indica algumas intervenções que também

podem ajudar o paciente diabético, dentre elas, exercícios de respiração,

terapias de relaxamento progressivo (Shultz e Jacobson) até mesmo substituir

maus pensamentos por bons pensamentos. De uma maneira um pouco mais

específica, estudos mostraram que uma técnica em particular, o biofeedback,

pode ser capaz de ajudar os pacientes com diabetes tipo 2 a manterem os

níveis de glicose sob controle. No biofeedback, um terapeuta pede ao paciente

para que ele relaxe. Enquanto isso, sensores aplicados à pele fornecem

informações a um monitor de computador sobre as alterações das funções

biológicas como a circulação, a temperatura da pele ou a tensão muscular.

Receber esse "feedback" reforça a capacidade inata do paciente de diminuir a

pulsação ou reduzir a tensão muscular, o que possui um efeito de relaxamento

(GOWER,     2007).   No    campo    das   chamadas     terapias   alternativas,

pesquisadores indicaram até mesmo o uso do Reike no cuidado com pacientes

diabéticos, constatando que o uso de tal intervenção ajuda a reduzir o

sofrimento dos pacientes e que, em associação a cuidados usuais de saúde, o

Reike poderia trazer benefícios terapêuticos diretos para o paciente

(GILLESPIE et al., 2007). Já em outro estudo, os autores apontam que o

potencial das terapias baseadas em energia é ótimo. Indica que tais terapias

têm poucos efeitos colaterais conhecidos e muitos efeitos benéficos possíveis,

como diminuir o nível de glicose no sangue e de sofrimento dos pacientes.

Entre essas terapias são       citadas massagem      corporal, acunpressura,

acupuntura, uso das cores, toque de cura, terapia magnética, ressonância de

microondas e Reiki, indicando que todas elas trabalhando equilibrando o fluxo

energético do corpo e promovem relaxamento (GUTHRIE e GAMBLE, 2001).


                                                                            35
Até mesmo recursos como hipnose tem sido usados com pacientes diabéticos.

Em uma pesquisa foi demonstrado o uso da hipnose com adolescentes para

melhorar a aderência deles ao tratamento para diabetes. O estudo mostrou em

um acompanhamento de seis meses que seis dos sete sujeitos aderiram e

tiveram uma incrível melhora na taxa de glicose no sangue (de 476 para 148)

(RATNER et al., 1990).

      Muitas dessas intervenções visam propiciar aos pacientes bem estar e

felicidade, proporcionados através de situações nas quais os portadores de

DM, seja tipo 1 ou 2, vivenciem situações prazerosas. Temática explanada logo

a seguir.



3.3. Saúde e Bem Estar

      A Organização Mundial da Saúde (OMS) define saúde como estado de

completo bem-estar físico, mental e social. Tal definição recebe várias criticas

de diversos profissionais da saúde, que buscam otimizar o conceito e diminuir a

idéia de que só existe saúde quando a totalidade dos critérios acima são

atendidos. É mais aceita a idéia de associação entre estar saudável e sentir-se

bem (JUNIOR, 2004).

      Também não é de senso comum a definição de bem estar. Como

definido pelo dicionário Webster, bem estar é o estado de sentir-se bem, de

felicidade, virtude essencial para o homem social. Em linhas mais aprimoradas,

Giacomoni (2004) afirma que bem-estar é uma área da psicologia que tem

crescido muito ultimamente, cobrindo estudos que têm utilizado as mais

diversas nomeações, tais como: felicidade, satisfação, estado de espírito e

afeto positivo. Mais especificamente, este construto diz respeito a como e por


                                                                             36
que as pessoas experienciam suas vidas positivamente. Também é

considerada a avaliação subjetiva da qualidade de vida. Seguindo essa linha,

de maneira mais elucidativa, Junior (2004) dá dois significados para bem estar:

o primeiro pode ser a noção subjetiva de sentir-se bem, não ter queixas, não

apresentar sofrimento somático ou psíquico, nem ter consciência de qualquer

lesão estrutural ou de prejuízo do desempenho pessoal ou social (inclusive

familiar e laboral). Aí, bem-estar significa sentir-se bem e não apenas não se

sentir mal. Mas bem-estar também significa condição de satisfação das

necessidades (conscientes ou inconscientes, naturais ou psicossociais). Nos

seres humanos, implica na satisfação das necessidades biológicas, o bem-

estar físico; das necessidades psicológicas, o bem-estar mental; e das

necessidades sociais, o bem-estar social. E não apenas satisfeitas todas essas

necessidades, mas perfeitamente (ou completamente) atendidas.

      De certa maneira os estudiosos da área relacionam bem estar ao estado

de felicidade e satisfação. Uma das maneiras de tal estado ser alcançado seria

através da vivência de sensações prazerosas e diminuição de estados

dolorosos (como stress), capazes de alterar o organismo de maneira saudável,

gerando bem estar, como várias pesquisas que estão sendo realizadas

atualmente tentam demonstrar. Em uma dessas pesquisas foi demonstrado

que emoções positivas diminuem os efeitos do stress e da resposta luta-luta,

diminuindo os efeitos do stress sobre o sistema imune que passa a funcionar

melhor, gerando saúde (POST, 2005). Outra pesquisa interessante sobre

sensações prazerosas e aversivas, demonstrou que os estímulos prazerosos

estimulam áreas cerebrais diferentes dos estímulos aversivos, definindo que

existem duas áreas distintas no cérebro: uma referente a recebimento de


                                                                            37
estímulos prazerosos (sistema de recompensa) e outra referente a estímulos

aversivos (sistema de punição) (DAGHER et al., 2001).

      Com os avanços tecnológicos, as pesquisas referentes a sensações de

bem estar, prazer e estado saudável têm ganhado respaldo em explicações do

funcionamento cerebral e seus sistemas, como indicado, por exemplo, por

Watanuki e Kim (2005), que desenvolveram um estudo sobre respostas

fisiológicas induzidas por estímulos prazerosos.        Eles estudaram várias

respostas do Sistema Nervoso Central, do Sistema Nervoso Autonômico, do

Sistema Imune e do Sistema Endócrino, quando estímulos prazerosos como

odores, figuras emotivas e uma história cômica típica do Japão foi apresentada

aos sujeitos. Os resultados revelaram que a atividade do córtex frontal

esquerdo aumentou com o odor agradável e um aumento da secreção de

imunoglobulina-A e uma diminuição do cortisol na saliva foram induzidos por

prazeres emocionais verbais vivenciados. Os diferentes sistemas envolvidos na

indução de emoções prazerosas são evocados por auto-estimulação do SNC e

particularmente pelo sistema de recompensa. Interessante também que a

amígdalas, próxima do sistema de recompensa, age como integradora das

emoções prazerosas. Parece que uma das principais ações de estados

prazerosos refere-se à auto-regulação e estimulação do sistema imune. Isso

pode ser constatado em um estudo sobre a concentração de IgA na saliva após

os sujeitos assistirem um vídeo de humor. O resultado indicou um aumento na

concentração de IgA na saliva dos sujeitos que se divertiram ao assistir o filme.

Em outro estudo, verificou-se que o otimismo estava relacionado a melhores

estados saudáveis, a alto número de células T-helpers e a alta de células NK.

Foi constatado também, que sentimentos mais pessimistas geram uma menor


                                                                              38
ativação do sistema imune. Para isso ser verificado, os participantes da

pesquisa foram inoculados com o vírus influenza e foi acompanhada a resposta

imune desses pacientes. Aquelas com sentimentos mais negativos tiveram

uma menor ativação do sistema imune do que aqueles com atitudes positivas

(BARAK, 2006).

      Mas não só o sistema imune parece ser ativado como resposta a

vivências emocionais positivas. Em outra pesquisa foi constatada uma alta

associação entre alta felicidade e baixa pressão sistólica, fator esse,

independente dos sujeitos fumarem, serem obesos ou da posição sócio

econômica. Em resumo, a pesquisa conclui que afetos positivos estão

relacionados ao bom funcionamento de diversos sistemas biológicos. Emoções

e sentimentos positivos estão associados com altos níveis do funcionamento

do centro serotonérgico, enquanto a deficiência da função seratonérgica está

associada a alto índice de massa corporal, resistência a insulina e pressão

sangüínea. Respostas neuroendocrinas e imunes também são examinadas

como possíveis mediadoras nos efeitos da saúde aos afetos positivos

(STEPTOE e WARDLE, 2005). Estudos realizados com imageamento cerebral

(PET e fMR) têm demonstrado uma íntima ligação entre áreas como o núcleo

acumbente, a amígdala, o hipocampo e o córtex pré-frontal, todas envolvidas

nos processos de recompensa e experiências prazerosas (PETERSON, 2005).

      Num sentindo evolucionário, as emoções positivas podem oferecer

vantagens biológicas, como indicado por Danner, Snowdon e Friesen (2001),

que encontraram em seus estudos uma grande correlação entre emoções

positivas e longevidade. Os medidores mais comuns utilizados nessas

pesquisas referiam-se a mapeamento cerebral (PET Scan e fMR), nível de


                                                                         39
cortisol e de imunoglobulinas no sangue, na saliva e na urina assim como

indicadores subjetivos como questionários, entrevistas e escalas, entre elas a

escala VAS (Visual Analog Scale), usada para determinar mudanças no índice

de bem estar e mal estar após as intervenções.

      Nesse sentido, a influência de sensações de bem estar relacionadas ao

prazer e emoções positivas parece ser benéfica para a saúde, seja ajudando

no combate ao stress, seja otimizando o funcionamento do sistema imune

(diretamente ou por diminuição dos efeitos negativos do stress), ou ainda por

estimulação de outros sistemas cerebrais. Outro estudo, corroborando com

essas idéias, mostra a influência positiva da Ocitocina (substância associada a

vivências prazerosas) sobre o organismo, seja atuando como hormônio anti-

stress, seja estimulando crescimento celular saudável, ou até mesmo

estimulando a indução de hormônios gastrintestinais como a insulina. O

interessante nesse estudo é a indicação de que a estimulação da ação de tal

substância possa ser condicionada a estados psicológicos e de imaginação,

indicando os benefícios reais de terapias como hipnose ou meditação

(UVNA¨S-MOBERG, 1998).




                                                                            40
4. MÉTODO




4.1. Características do Estudo




       O estudo caracterizou-se como uma pesquisa clínica, que visou

investigar o efeito da vivência de situações consideradas agradáveis (do ponto

de vista do sujeito) através da hipnose em pessoas com diabetes mellitus tipo

II. As vivências foram consideradas válidas desde que estivessem de acordo

com o Código Civil vigente no país no momento da pesquisa, seguindo crivo

pessoal do pesquisador, a fim de promover qualidade legal e ética para o

trabalho (vivências que contivessem conteúdo considerado pela lei como crime

seriam desconsideradas. Ex: Torturador da ditadura relata como vivência

prazerosa torturar um preso político).

       O estudo foi conduzido de acordo com os instrumentos e sujeitos

discriminados a seguir, a avaliação dos resultados foi feita de acordo com a

análise quantitativa e qualitativa.




4.2. Sujeitos




       Participaram    da   pesquisa     dezoito   sujeitos diagnosticados como

portadores de diabetes mellitus tipo 2, que não estão em tratamento com

insulina. Foram indicados por médicos endocrinologistas da cidade de

Campinas e por divulgação realizada através da internet.



                                                                             41
Critérios de inclusão:

1. Ter de 18 a 65 anos;

2. Ter diagnóstico clínico de diabetes mellitus tipo 2;

3. Não estar em tratamento com insulina;

4. Escolaridade mínima de 04 anos;

5. Que apresentassem condições cognitivas de compreensão e assinem o termo

   de consentimento.

   Critérios de exclusão:

1. Pacientes com diagnóstico psiquiátrico delineados;

2. Pacientes que por ventura fizessem uso abusivo de drogas ou álcool;

3. Pacientes portadores de diabetes gestacional.




   4.3. Instrumentos e Materiais




          Os pacientes que preencheram os critérios de inclusão propostos, após

   assinarem o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, foram submetidos

   aos seguintes instrumentos, descritos a seguir:



a. Entrevista semidirigida 1, para levantamento dos dados de caracterização da

   amostra (anexo 2);

b. Entrevista semidirigida 2, para levantamento de situações consideradas

   agradáveis aos sujeitos (anexo 3);



                                                                            42
c. Uso da escala VAS (Visual Analog Scale) – escala de cores, para avaliar

   sensação de bem estar, antes e depois da sessão de hipnose (anexo 4);

d. Dosagem do nível de glicemia do paciente antes e depois da sessão de

   hipnose, através do uso do medidor de glicemia Accu-Chek® Active,

   desenvolvido pela empresa Roche (Dados técnicos no anexo 5);

e. Aplicação do protocolo de Indução para vivências de situações agradáveis em

   hipnose (anexo 6);

f. Entrevista semidirigida 3, para investigar aspectos relacionados à percepção do

   paciente em relação à experiência vivenciada (anexo 7);

g. Uso de um mini-gravador digital San Disk 8 GB, usado para gravar a entrevista

   semidirigida 3;

h. Uso de um colchão e um travesseiro para que o paciente pudesse receber a

   indução.



   4.4. Coleta de Dados




         O local da coleta de dados foi no consultório particular do pesquisador, o

   que garantiu a privacidade de cada um dos sujeitos. O local também

   apresentou as condições necessárias de equipamentos para o trabalho

   (colchão, gravador digital, medidor de glicemia Accu-Chek® Active). A escolha

   do local foi determinante para que não houvesse interrupção nas sessões ou a

   entrada não programada de outras pessoas. O consultório situa-se na cidade

   de Campinas, no estado de São Paulo – SP.




                                                                                43
4.5. Procedimentos




4.5.1. Seleção da Amostra: os sujeitos foram contatados inicialmente via

telefone, tendo sido convidados a participarem de forma voluntária e gratuita.

Todos foram informados a respeito do conteúdo da pesquisa e da duração do

encontro.




4.5.2. Duração e Seqüência de Aplicação dos Instrumentos: os sujeitos

passaram pelo processo em consultório de psicologia particular e foram

divididos em dois grupos:

Grupo controle: composto por oito sujeitos submetidos a uma sessão com

duração de aproximadamente uma hora. Todos chegaram ao consultório sob a

orientação de estarem em jejum por um período de pelo menos oito horas.

      Foram sessões que ocorreram ao longo de uma semana, com horários

de inicio variando entre 6h30min da manhã a 8h00 da manhã. Após a coleta

desses dados, o grupo recebeu o mesmo tratamento que o grupo intervenção,

mas esses dados não fazem parte da pesquisa.

Os seguintes passos (na ordem apresentada) foram adotados em relação à

coleta dos dados junto aos sujeitos:

   a. Os sujeitos, ao chegarem ao consultório em horário pré-agendado,

      foram recebidos exclusivamente pelo pesquisador;

   b. Após um breve esclarecimento a respeito do trabalho a ser realizado, o

      pesquisador pediu ao sujeito para ler, compreender e assinar o termo de

      compromisso;

                                                                           44
c. Foi coletada a dosagem de glicemia do paciente;

   d. O pesquisador aplicou a entrevista semidirigida 1, para levantamento

        dos dados de caracterização do sujeito e a entrevista semidirigida 2,

        para levantar as situações consideradas agradáveis e que foram usados

        no protocolo de indução hipnótica.

   e. Cada sujeito indicou uma cor do instrumento VAS fazendo referência a

        qual estado de humor estaria sentido naquele momento;

   f. Foi coletada a dosagem de glicemia do paciente;

   g. A seguir foi pedido ao paciente que fechasse os olhos e se deitasse no

        colchão em silêncio.

   h. Após 20 minutos foi novamente coletada outra dosagem de glicemia;

   i.   Decorridos mais 20 minutos, foi pedido para o sujeito abrir os olhos;

   j.   Novamente foi pedido que o sujeito indicasse uma cor do instrumento

        VAS, referindo-se qual estado de humor sentia naquele momento;

   k. Outra dosagem de glicemia foi coletada;

   l.   Foi aplicada a entrevista semidirigida número 3, para levantamento das

        percepções do sujeito em relação à experiência vivenciada;

   m. Nova coleta da dosagem de glicemia do paciente;

   n. Encerramento do processo com retificação sobre devolutiva da

        pesquisa;

   o. Oferecimento de lanche após todo o processo.



Grupo Intervenção: composto por dez sujeitos submetidos a três sessões com

duração de aproximadamente uma hora. Chegaram ao consultório sob a

orientação de estarem em jejum por um período de pelo menos oito horas.


                                                                                45
Foram sessões que ocorreram ao longo de seis semanas (cada sujeito

vinha uma vez por semana, com horários de inicio variando entre 6h30min da

manhã a 8h00 da manhã.

Sessão 1:

Os seguintes passos (na ordem apresentada) foram adotados em relação à

coleta dos dados junto a esses sujeitos:

   a. Os sujeitos, ao chegarem ao consultório em horário pré-agendado,

      foram recebidos exclusivamente pelo pesquisador;

   b. Após um breve esclarecimento a respeito do trabalho a ser realizado, o

      pesquisador pediu ao sujeito para ler, compreender e assinar o termo de

      compromisso;

   c. Foi coletada a dosagem de glicemia do paciente;

   d. O pesquisador aplicou a entrevista semidirigida 1, para levantamento

      dos dados de caracterização do sujeito e a entrevista semidirigida 2,

      para levantar as situações consideradas agradáveis e que foram usadas

      no protocolo de indução hipnótica.

   e. O sujeito indicou uma cor do instrumento VAS fazendo referência ao

      estado de humor que sentia naquele momento;

   f. Foi coletada a dosagem de glicemia do paciente;

   g. A seguir foi pedido ao paciente que fechasse os olhos e se deitasse no

      colchão em silêncio.

   h. Inicio do protocolo de indução hipnótica adaptado aos dados levantado

      no item d; (é importante ressaltar que tal protocolo foi sendo adaptado à

      realidade do paciente, segundo observações do pesquisador, seguindo

      uma abordagem ericksoniana)
                                                                            46
i.   Após indução da parte 1 do processo (relaxamento) foi novamente

        coletado a dosagem de glicemia do paciente;

   j.   Continuação do protocolo de indução hipnótica adaptado aos dados

        levantados no item d (parte 2 de indução);

   k. Encerramento da indução;

   l.   O sujeito novamente indicou uma cor do instrumento VAS, referindo-se

        ao estado de humor sentido naquele momento;

   m. Nova coleta da dosagem de glicemia do paciente;

   n. Foi aplicada a entrevista semidirigida número 3, para levantamento das

        percepções do sujeito em relação à experiência vivenciada;

   o. Nova coleta da dosagem de glicemia do paciente;

   p. Encerramento do processo com            retificação sobre devolutiva da

        pesquisa;

   q. Oferecimento de lanche após todo o processo.

Sessões 2 e 3:

Os seguintes passos (na ordem apresentada) foram adotados em relação à

coleta dos dados junto a cada sujeito:

a. Os sujeitos, ao chegarem no consultório em horário pré-agendado, foram

   recebidos exclusivamente pelo pesquisador;

b. O sujeito indicou uma cor do instrumento VAS fazendo referência ao estado

   de humor que sentia naquele momento;

c. Foi coletada a dosagem de glicemia do paciente;

d. Foi pedido a cada paciente que indicasse se queria alterar ou adicionar

   alguma outra situação agradável para ser vivenciada.




                                                                           47
e. Foi pedido ao paciente que fechasse os olhos e e se deitasse no colchão

     em.

f. Início do protocolo de indução hipnótica adaptado aos dados levantados

     anteriormente (é importante ressaltar que tal protocolo foi sendo adaptado à

     realidade do paciente, segundo observações do pesquisador, seguindo uma

     abordagem ericksoniana)

g. Após indução da parte 1 do processo (relaxamento) foi novamente coletada

     a dosagem de glicemia do paciente;

h. Continuação do protocolo de indução hipnótica adaptado aos dados

     levantados (parte 2 de indução);

i.   Encerramento da indução;

j.   O sujeito novamente indicou uma cor do instrumento VAS referindo-se ao

     estado de humor sentido naquele momento;

k. Nova coleta da dosagem de glicemia do paciente;

l.   Foi aplicada a entrevista semidirigida número 3, para levantamento das

     percepções do sujeito em relação à experiência vivenciada;

m. Nova coleta da dosagem de glicemia do paciente;

n. encerramento do processo com retificação sobre devolutiva da pesquisa;

o. Oferecimento de lanche após todo o processo.




4.5.3 - Tratamento dos Dados:

        Com os dados coletados, foram feitas análises qualitativas e

quantitativas de forma descritiva e comparativa, em seguida, procedeu-se à

divisão dos dados em 5 variáveis analisadas estaticamente. Os dados



                                                                              48
qualitativos, em sua maioria, foram tratados por método comparativo. Os

resultados também foram apresentados através de tabelas e gráficos.




4.6. Cuidados Éticos

      A seguir, serão discriminados os cuidados éticos que foram devidamente

observados durante o desenvolvimento deste trabalho:

      4.6.1 - O projeto – “Situações agradáveis vivenciadas em hipnose e

diabetes mellitus tipo II”, foi submetido à aprovação do Comitê de Ética em

Pesquisa da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. O referido comitê

foi positivo permitindo ao pesquisador dar continuidade a pesquisa;

      4.6.2 - O pesquisador assinou o Termo de Compromisso do

pesquisador, comprometendo-se a: atender os deveres institucionais básicos

da honestidade, sinceridade, competência e da discrição; pesquisar adequada

e independentemente, além de buscar, aprimorar e promover o respeito à sua

profissão; não fazer pesquisa que possa causar riscos não justificados às

pessoas envolvidas; não violar as normas do consentimento informado;

comunicar ao possível sujeito todas as informações necessárias para um

adequado consentimento informado; propiciar ao sujeito plena oportunidade e

encorajamento para fazer perguntas; excluir a possibilidade de engano

injustificado, influência indevida e intimidação e obter de cada possível sujeito

um documento assinado como evidência do consentimento informado;

      4.6.3 - Foi utilizado o termo de Consentimento Livre e Esclarecido para

informar aos sujeitos da pesquisa a respeito das garantias de acesso a




                                                                              49
qualquer tempo às informações sobre procedimentos, riscos e benefícios

relacionados à pesquisa, inclusive para dirimir eventuais dúvidas.

      4.6.4 - O sujeito terá acesso ao pesquisador a qualquer momento via

telefone e/ou e-mail impressos no Consentimento Livre e Esclarecido cuja

cópia ficará em seu poder.

      4.6.5 - O sujeito terá liberdade de retirar seu consentimento a qualquer

momento e de deixar de participar do estudo, sem que isso traga prejuízo à

continuidade da assistência.

      4.6.6 - O sujeito terá a salvaguarda da confidencialidade, sigilo e

privacidade.

      4.6.7 - Será de conhecimento do sujeito, através do Termo de

Consentimento, que os resultados da Pesquisa serão utilizados como parte dos

requisitos para que o pesquisador obtenha o título de mestre em Psicologia; e

para futura publicação. Não haverá, no entanto, a identificação dos sujeitos,

sendo apenas mencionados os dados e local onde a pesquisa está sendo

realizada.

      4.6.8 - O pesquisador poderá sugerir ao sujeito que não continue o

processo caso perceba que o mesmo não se sente à vontade ou constrangido,

neste caso, em comum acordo, poderá encaminhar o sujeito.

      4.6.9 - Sempre que houver um diagnóstico médico ou uma suspeita de

indicação médica o sujeito será orientado para que procure um médico e faça

o tratamento indicado.

      4.6.10 - Os sujeitos serão informados que após a conclusão da

pesquisa, serão contatados para devolutiva em grupo, para que seja feita uma

explanação geral dos resultados e conclusões do estudo.


                                                                           50
5. RESULTADOS

         Os resultados apresentados referem-se a cinco variáveis que serão

   apresentadas separadamente para posterior análise na discussão dos

   resultados. São variáveis de cunho qualitativo e quantitativo tratadas por

   método comparativo entre os dois grupos da pesquisa . Os dados qualitativos

   foram tratados       por análise de conteúdo (BARDIN, 1977) usando     análise

   categorial temática, ou seja, foram criadas categorias baseadas nas

   informações coletadas nas entrevistas 1 e 2 em anexo e os dados, separados

   nessas categorias, que foram posteriormente quantificadas. Os dados

   quantitativos foram expressos de maneira estatística descritiva.

   As variáveis verificadas na pesquisa são:

1. Dados sócio-demográficos: Dados coletados através de entrevista dirigida

   (anexo 2), contendo questionamentos sobre idade, estado civil, nacionalidade,

   sexo, número de filhos, ocupação, escolaridade, religião, tempo de diagnóstico,

   tempo em tratamento, outras doenças, tipo de medicamento, exercícios físicos

   e dieta alimentar;

2. Vivências agradáveis: vivências citadas pelos sujeitos da pesquisa como

   agradáveis de serem vivenciadas em transe. Tais vivências foram divididas em

   dez categorias: presentes importantes, conquistas, relacionamentos afetuosos,

   viagens, sensações prazerosas, nascimentos, conhecer cônjuge, lugares

   agradáveis, experiências religiosas e aprendizagens;

3. Níveis de Glicemia: Referem-se aos níveis de glicemia (anexo 5) coletados

   durante a pesquisa. As medições foram realizadas antes, durante e após em

   dois momentos: imediatamente após e dez minutos após a intervenção;


                                                                               51
4. Sensação de bem estar: refere-se às sensações de bem estar descritas pelo

   sujeito antes e após a intervenção. São cinco cores possíveis de escolha (que

   foram apresentadas em uma escala visual aos sujeitos – anexo 4): Branco (1),

   Azul (2), Amarelo (3), Laranja (4) e Vermelho (5). A cor amarela é a cor

   mediana da escala, e representa o estado normal. As cores anteriores

   representam as sensações “mal” (azul) e “muito mal” (branco) e as cores

   posteriores representam as sensações “bem” (laranja) e “muito bem”

   (vermelha);

5. Impressões sobre a intervenção: Referem-se aos dados coletados na

   entrevista semi-dirigida 3 (anexo 7). As respostas fechadas são apresentadas

   quantitativamente, enquanto as respostas abertas foram também agrupadas

   em categorias de acordo com o conteúdo das respostas.



         Como a intenção da intervenção com o grupo controle foi ter apenas um

   padrão de comparação no tocante ao nível de glicemia e bem estar, as

   variáveis medidas foram: dados sócio-demográficos, nível de glicemia e

   sensação de bem estar, que serão apresentadas e, posteriormente, analisadas.




                                                                             52
5.1. Dados sócio-demográficos

FAIXA ETÁRIA:

Grupo Intervenção


                 Gráfico 1A. Faixa Etária - Grupo
                           Intervenção

                                                         Abaixo de 45
                                         30%
                   40%                                   De 45 a 56

                                                         Acima de 56




                                  30%


         No que se refere aos dados de faixa etária, a média de idade desse

grupo é de 52 anos: 30% dos sujeitos têm abaixo de 45 anos de idade, 30%

tem entre 45 e 56 anos de idade e 40% dos sujeitos têm acima de 56 anos de

idade.

Grupo Controle


           Gráfico 2A. Faixa Etária - Grupo Controle


                                         25%
                  38%                                     Abaixo de 45
                                                          De 46 a 56
                                                          Acima de 56




                                   37%


                                                                         53
No que se refere aos dados de faixa etária, a média de idade desse

grupo é de 51 anos: 25% dos sujeitos têm abaixo de 45 anos de idade, 37%

tem entre 45 e 56 anos de idade e 38% dos sujeitos têm acima de 56 anos de

idade.

Dois grupos


               Gráfico 3A. Faixa Etária - Dois Grupos

                                             28%
                         39%                                  Abaixo de 45
                                                              De 45 a 56
                                                              Acima de 56


                                       33%


         No que se refere aos dados de faixa etária, a média de idade desse

grupo é de 52 anos: 28% dos sujeitos têm abaixo de 45 anos de idade, 33%

tem entre 45 e 56 anos de idade e 39% dos sujeitos têm acima de 56 anos de

idade.

SEXO:

Grupo Intervenção


               Gráfico 4A. Sexo - Grupo Intervenção

                            20%
                                                                 Mulheres
                                                                 Homens



                                       80%


                                                                             54
No grupo de intervenção, de dez sujeitos, 80% são mulheres e 20% são

homens.

Grupo Controle


                 Gráfico 5A. Sexo - Grupo Controle

                           13%
                                                                Mulheres

                                                                Homens




                                   87%

      No grupo controle, de oito sujeitos, 87% são mulheres e 13% são

homens.

Dois grupos


                  Gráfico 6A. Sexo - Dois Grupos
                          17%


                                                                Mulheres
                                                                Homens


                                     83%


      Na combinação dos dois grupos, de dezoito sujeitos, 83% são mulheres

e 17% são homens.



ESTADO CIVIL:


                                                                         55
Grupo Intervenção


         Gráfico 7A. Estado Civil - Grupo Intervenção

                                10%
                         10%                                   Casados
                                                               Soletiro
                                                               Viúvo


                                         80%


      Neste grupo, pode ser observado que 80% dos sujeitos são casados,

10% é solteira e 10% é viúva.

Grupo Controle


           Gráfico 8A. Estado Civil - Grupo Controle




                                         100%

      Já no grupo controle, toda a amostra (100%) é casada.

Dois grupos


              Gráfico 9A. Estado Civil - Dois Grupos
                                5% 6%

                                                              Casados
                                                              Soletiro
                                                              Viúvo

                                        89%


                                                                       56
Neste grupo, pode ser observado que 89% dos sujeitos são casados,

5% é solteira e 6% é viúva.

OCUPAÇÃO:

      Como a amostra é pequena em ambos os grupos, a ocorrência por

ocupação foi bem diversificada, razão pela qual cada uma será apresentada

em seu respectivo grupo. Grupo Intervenção

      Essa amostra indica as seguintes ocupações: aposentada, psicóloga,

professora, funcionária pública, responsável por limpeza, agrônomo, dona de

Casa, engenheiro, dentista. Cabe ressaltar que a ocupação “aposentada” é

indicada duas vezes.

Grupo Controle

      Esta amostra indica as seguintes ocupações: aposentada, professora,

advogada, dona de casa, enfermeira, mecânico. Cabe ressaltar que as

ocupações “aposentada” e “dona de casa” são indicadas duas vezes.

ESCOLARIDADE:

Grupo Intervenção


           Gráfico 10A. Escolaridade - Grupo Intervenção

                                    20%                        Até 4 série

                                                               Até 8 série

                                                               Até 2 grau
                                          10%
                                                               3 grau incompleto
                       70%                                     3 grau completo




                                                                             57
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Efeitos da hipnose na diabetes

  • 1. PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO PUC-SP Rodrigo Cazarotto Mateus Repercussões psicossomáticas da hipnose em pessoas com diabetes mellitus tipo 2 MESTRADO EM PSICOLOGIA CLÍNICA SÃO PAULO 2008
  • 2. PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO PUC-SP Rodrigo Cazarotto Mateus Repercussões psicossomáticas da hipnose em pessoas com diabetes mellitus tipo 2 MESTRADO EM PSICOLOGIA CLÍNICA Dissertação apresentada à Banca Examinadora como exigência parcial para obtenção do titulo de MESTRE em Psicologia Clínica, no Núcleo de Psicossomática e Psicologia Hospitalar, sob orientação da Profa. Dra. Mathilde Neder. SÃO PAULO 2008
  • 4. DEDICATÓRIA Dedico este trabalho aos meus pais, José e Edwirges, que com todo suporte, educação e afeto, permitiram tornar-me o homem que sou hoje. Também às minhas queridas irmãs, Camila e Daniela, por estarem comigo durante longos anos; e à minha querida companheira, Carolina, a mulher com quem escolhi trilhar esta longa jornada chamada vida.
  • 5. AGRADECIMENTOS Agradeço a todos, que de alguma maneira, queimaram neurônios me ajudando na confecção desta dissertação. À minha orientadora, Profa. Dra. Mathilde Neder, pela atenção e cuidado despendidos para me ajudar nesta empreitada. Ao Prof. Dr. Esdras Guerreiro Vasconcellos, meu segundo orientador, que com apoio e paciência me acolheu em seu grupo. Ao Prof. Dr. Maurício da Silva Neubern, por ter gentilmente aceitado participar da banca de defesa e dar significativas contribuições para a realização deste trabalho. À Profa. Dra. Céres Alves de Araújo, por me receber em suas aulas de maneira gentil e dedicada. Às Professoras do Núcleo de Psicossomática e Psicologia Hospitalar: Profa. Dra. Marlise Aparecida Bassani, Profa. Dra. Edna Kahalle e Profa. Dra. Denise Gimenes Ramos, pelos ensinamentos recebidos. Ao Dr. Régis Cavini Ferreira, pelas orientações dadas a respeito do diabetes. Ao Dr. José Roberto Leite, pelas importantes contribuições durante a fase de qualificação. Às amigas Flávia Amaro e Maria Aparecida Mello, pela companhia, ajuda e complacência durante os anos iniciais do mestrado. Ao amigo Ricardo dos Santos, pelas correções e orientações acadêmicas. Aos amigos Bayard Velloso Galvão e João Humberto Vanin por introduzir-me ao vasto mundo do Dr. Milton H. Erickson.
  • 6. RESUMO MATEUS, RODRIGO CAZAROTTO. Repercussões psicossomáticas da hipnose em pessoas com diabetes mellitus tipo II. São Paulo, 2008, pp. 168. Dissertação (Mestrado), Programa de Pós-graduação em Psicologia Clinica, Núcleo de Psicossomática e Psicologia Hospitalar da PUC-SP. Esta pesquisa é o resultado da dissertação de mestrado em Psicologia Clínica do Núcleo de Psicossomática e Psicologia Hospitalar da PUC-SP. A pesquisa teve como objetivo verificar se existe alteração no nível de glicemia e na sensação de bem estar em pessoas com Diabetes Mellitus tipo II após vivenciarem situações agradáveis através da hipnose Ericksoniana, bem como analisar os resultados encontrados nessa investigação. Dez sujeitos compuseram o grupo intervenção e oito sujeitos compuseram o grupo controle. Com suporte teórico obtido na revisão de literatura, procedeu-se à aplicação dos seguintes instrumentos: questionário sócio-demográfico; entrevista semidirigida sobre situações agradáveis; escala de cores VAS; medida do nível de glicemia e entrevista semi-dirigida sobre intervenção. Os resultados foram separados em cinco variáveis: dados sócio-demográficos; vivências agradáveis; nível de glicemia; sensações de bem estar e impressões sobre intervenção. Foi concluído que a hipnose ajudou na diminuição do nível de glicemia dos pacientes após a última sessão, com uma média de redução percentual de 13,20%, e todos os sujeitos da amostra indicarem sentir melhora na sensação de bem estar após a intervenção. Palavra Chave: Hipnose Ericksoniana; Psicossomática; Diabetes Mellitus tipo II; Situações Agradáveis.
  • 7. ABSTRACT MATEUS, RODRIGO CAZAROTTO. Psychosomatics Repercussions of Hypnosis in people with Diabetes Mellitus type II. São Paulo, 2008, pp. 168. Dissertation (Master Degree), Postgraduate Program in Clinic Psychology, Hospital Psychology and Psychosomatic Nucleus at PUC-SP. This research is the result of the Master dissertation in Clinic Psychology at Hospital Psychology and Psychosomatic Nucleus from PUC-SP. The research aimed to check alteration on the glycemia level and on well-being sensation in people with Diabetes Mellitus type II after experiencing pleasure situations through the ericksonian hypnosis, as well as analyze the outcomes of the investigation. Ten subjects compounded the intervention group and eight subjects compounded the control group. Based on the literature revision, there were employed the following tools: socio-demographic questionnaire; semi- guided interview about pleasure situation; VAS – Visual Analog Scale; glycemia level measurement and semi-guided interview about the intervention. The results were divided in five categories: socio-demographic data, pleasure experiences, glycemia level, well-being sensations and intervention perceptions. It was concluded that hypnosis helped decrease patients’ glycemia level after the last session, with a percentage reducing average of 13.20%, and the statement of every subject pointing out the improvement on the sensation of well-being after the intervention. Key Words: Ericksonian Hypnosis; Psychosomatic; Diabetes Mellitus type II; Pleasure Situations.
  • 8. SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO.................................................................................................5 2. OBJETIVO.....................................................................................................10 3. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA.........................................................................11 3.1. Hipnose ..........................................................................................12 3.1.1. História da hipnose..........................................................12 3.1.2. Definição............................................................................16 3.1.3. Aplicações da hipnose.....................................................19 3.1.4. Abordagens.......................................................................20 3.1.5. Fisiologia do estado hipnótico........................................23 3.1.6. Formas de indução...........................................................24 3.1.7. Hipnose e efeitos orgânicos............................................26 3.2. Diabetes Mellitus............................................................................28 3.2.1. Pâncreas............................................................................28 3.2.2. Insulina..............................................................................29 3.2.3. Tipos de Diabetes.............................................................31 3.2.4. Etiologia.............................................................................32 3.2.5. Tratamentos......................................................................33 3.3. Saúde e Bem Estar.........................................................................36 4. MÉTODO.......................................................................................................41 4.1. Características do Estudo.............................................................41 4.2. Sujeitos...........................................................................................41 4.3. Instrumentos e Materiais...............................................................42
  • 9. 4.4. Coleta de Dados ............................................................................43 4.5. Procedimentos...............................................................................44 4.5.1. Seleção da Amostra.........................................................44 4.5.2. Duração e Seqüência de Aplicação dos Instrumentos.44 4.5.3 - Tratamento dos Dados....................................................48 4.6. Cuidados Éticos.............................................................................49 5. RESULTADOS..............................................................................................51 5.1. Dados sócio-demográficos...........................................................53 5.2. Vivências agradáveis.....................................................................85 5.3. Níveis de Glicemia..........................................................................95 5.4. Sensação de Bem Estar ..............................................................106 5.5. Impressões sobre a intervenção................................................112 6. ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS.........................................130 7. CONCLUSÃO..............................................................................................146 8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS...........................................................149 9. ANEXOS......................................................................................................158 11.1 ANEXO 1.......................................................................................159 11.2 ANEXO 2.......................................................................................161 11.3 ANEXO 3.......................................................................................162 11.4 ANEXO 4.......................................................................................163 11.5 ANEXO 5.......................................................................................164 11.6 ANEXO 6. .....................................................................................165 11.7 ANEXO 7. .....................................................................................167 11.8 ANEXO 8.......................................................................................168 4
  • 10. 1. INTRODUÇÃO “.se você sonhar que está sendo preso, seu coração aumentara os batimentos como se isso estivesse acontecendo de verdade. Para o seu cérebro e para o seu coração, é verdade...” Hebert Benson O termo psicossomática remete hoje a uma visão ampliada e global do ser humano, uma totalidade compreendida em todas suas dimensões, sejam elas físicas, químicas, biológicas, sociais, emocionais ou espirituais (VASCONCELLOS, 2000). No passado, algumas doenças (hipertensão arterial, retrocolite ulcerativa, úlcera gastroduodenal, asma brônquica, eczema e psoríase, hipertireoidismo, artrite reumatóide, etc.) foram chamadas de “doenças psicossomáticas”, tentando-se traçar perfis de personalidade específicos para cada um desses grupos de pacientes. Essa concepção foi progressivamente se mostrando inconsistente. (MELLO, 1992). Segundo Mello (1992), a psicossomática é uma atitude integral que concebe o ser humano como ser biopsicossocial e não propriamente como um ramo da psiquiatria. Compreende uma ideologia sobre a saúde (com suas práticas e suas doenças), um campo de pesquisas sobre esses fatos e, ao mesmo tempo, uma prática. Hoje a psicossomática estaria ligada à visão ideológica desse movimento e às pesquisas acerca dessas idéias, sobre a relação corpo-mente e sobre os mecanismos de produção de enfermidades. É interessante pontuar que historicamente o termo foi evoluindo, mas desde tempos remotos o ser humano vislumbra uma intrínseca relação entre mente- corpo. 5
  • 11. Existem várias intervenções tidas como psicossomáticas que mostram essa ínfima relação da condição mente-corpo. Uma dessas intervenções é a Hipnose, apresentada nesta pesquisa por integrar o trabalho clínico desenvolvido por este autor, enquanto instrumento de intervenção, a saber, a Hipnose Ericksoniana. Atualmente, a hipnose é um tema muito estudado em diversos campos da área da saúde. Ciências como Medicina, Odontologia, Psicologia, Fisioterapia, entre tantas outras, dedicam-se em certa medida ao estudo de tal tema. Oficialmente, no Brasil, apenas os conselhos de Medicina, Odontologia e Psicologia reconhecem, legal e cientificamente, a prática da hipnose. Seu estudo tem crescido de modo considerável e sua aplicação clínica tomou grande impulso, principalmente no campo das psicoterapias e no terreno da psicossomática (FERREIRA, 2006). Baseado na observação da prática clínica, o autor do presente trabalho pode notar interações interessantes entre vivências emocionais proporcionadas através da hipnose e alterações orgânicas. Como os estudos sobre memória (BENSON, 1996) mostram que se lembrar de forma intensa de algo já vivido gera alterações orgânicas semelhantes ou até mesmo iguais ao momento em que o evento lembrado foi registrado, pretendeu-se, neste trabalho, propiciar aos sujeitos da pesquisa vivências de situações agradáveis através da hipnose (lembranças intensificadas) para averiguar: - possíveis alterações orgânicas que possam ser consideradas significativas; - se essa alteração propicia mais saúde ao paciente; 6
  • 12. - se também existem mudanças subjetivas após a experiência; - qual a qualidade dessas mudanças. Cabe ressaltar que são variáveis quantitativas e qualitativas que, conforme indica Neder (1993), obrigam o pesquisador a trabalhar dentro de uma postura rígida e controlada em relação aos dados quantitativos sem, no entanto, deixar de trabalhar e respeitar os fenômenos individuais nas suas especificidades em relação aos dados qualitativos. Para estudar tais dinâmicas, torna-se necessário limitar o campo de pesquisa, por isso procurou-se verificar, neste trabalho, os efeitos da hipnose sobre pessoas com Diabetes Mellitus (DM) tipo 2, conforme pontos detalhados nos parágrafos a seguir. O Diabetes é uma enfermidade que reconhecidamente acomete o mundo de forma assombrosa. Vários autores, assim como a própria Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Banco Mundial, declaram que o Diabetes Mellitus constitui atualmente reconhecido problema de Saúde Pública em vários países do mundo, considerado uma enfermidade de prevalência crescente que freqüentemente gera complicações de caráter invalidante, contribuindo para um problema de saúde sério e para uma pesada carga socioeconômica (BARCELÓ e RAJPATHAK, 2001). A OMS também estima que para 2025 haja mais de 300 milhões de habitantes com diabetes em todo o globo. O número de mortes diretas pela doença ainda não é estimado, mas calcula-se que por ano morram mais de 9% do total de diabéticos. Altamirano (2001) também corrobora com esses dados, afirmando que as mulheres entre 45 e 64 anos incorrem numa maior incidência da doença. Alega que tal 7
  • 13. enfermidade é um problema globalizado, pois atinge todas as populações mundiais, independente de poder econômico, cultura ou etnia. Para o continente Americano, estima-se que em 2025 a população de pessoas com Diabetes Mellitus será de aproximadamente 64 milhões e que 40 milhões delas estariam em países Caribenhos e Latino Americanos (BARCELÓ e RAJPATHAK, 2001). Já no Brasil, segundo Andrade (1998), de toda a população de diabéticos (aproximadamente 7% da população) 90% são portadores do diabetes mellitus tipo II, que ocorre principalmente em adultos, contra 10% do tipo I, predominante em jovens. Além do alto índice de ocorrência da doença, tanto em nível global, como no próprio Brasil, existem diversas comorbidades resultantes e associadas à enfermidade, como obesidade, distúrbios psiquiátricos, problemas cardiovasculares, distúrbios alimentares, entre outras enfermidades de menor ocorrência, mas que podem levar o indivíduo ao óbito. Para se ter uma idéia, a Organização Mundial da Saúde (OMS) havia estimado que em 2000 as complicações crônicas do DM estariam entre as principais causas de morte prematura em todo o mundo, sendo que, na maioria das vezes, estas causas seriam evitáveis (GOLDENBERG et al., 2003). Baseado nas informações ora apresentadas, diversas justificativas se fazem presentes como argumento de incentivo para a realização desta pesquisa. Um primeiro ponto de destaque refere-se à intenção da pesquisa, que busca, de alguma maneira, relacionar aspectos da psique com aspectos do soma, ou seja, busca trabalhar com o conceito de psicossomática tão defendida pelo núcleo de pesquisa que apóia este trabalho. 8
  • 14. Um segundo ponto de destaque seria o foco na utilização do instrumento hipnose, que é pouco pesquisado em nosso país, apesar de ser reconhecido cientificamente como válido pelos conselhos de Psicologia, Medicina e Odontologia. Um terceiro ponto a se destacar seria a relevância em relação à doença, considerada pela OMS como de ocorrência grave e alarmante. Pesquisas sobre Diabetes Mellitus Tipo 2 poderiam agregar conteúdo tanto para comunidade científica como para a sociedade. As pesquisas já realizadas sobre esse tema enfocam em grande parte estratégias de diagnóstico e prevenção da doença. Em menor escala são pesquisas relacionadas à intervenção terapêutica, principalmente aquelas que incentivam intervenções não medicamentosas, o que se constituiu em fator de motivação pessoal para o desenvolvimento desta pesquisa. Um último fator, não menos importante, diz respeito ao interesse pessoal deste pesquisador, que possui afinidade com o tema diabetes assim como com o tema hipnose. Nesse sentido, contribuições diversas poderiam ocorrer em níveis distintos com a realização da pesquisa: da contribuição científica, passando pelas contribuições social, acadêmica e até mesmo pessoal. 9
  • 15. 2. OBJETIVO Verificar se existe alteração no nível de glicemia e na sensação de bem estar em pessoas com Diabetes Mellitus tipo II após vivenciarem situações agradáveis através da hipnose Ericksoniana. 10
  • 16. 3. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA As pesquisas relacionadas à hipnose começam a ganhar corpo em outros países a partir da década de 70, enquanto no Brasil, o interesse por tal temática já é mais recente como se pode notar por meio de levantamento em bases de dados como pubmed, sciencidirect, scielo e bireme. O trabalho desenvolvido dentro dessa temática acaba se concentrando muitas vezes na mão de poucos pesquisadores. Como ainda é um tema recente na área científica, muitas vezes, sofre controvérsias quanto ao seu entendimento, seja como definição, classificação ou até mesmo nos possíveis usos. É interessante notar que historicamente o termo foi evoluindo, mas ainda há muita confusão nessa área. Edelweiss (1994) afirma que a hipnose adquiriu fama de estar supostamente superada e de se constituir em fenômeno pouco sério e banal, cuja insignificância não valia a perda de tempo para quem se enveredasse por estudá-la. Vários fatores consonantes foram e ainda são responsáveis por desestimular as pesquisas científicas que tenham a hipnose como objeto de estudo. Segundo o mesmo autor, idéias conturbadas e estigmatizadas sobre seus fenômenos são reflexos de uma trajetória histórica em que a falta de clareza sobre sua real natureza se constituiu em ameaça para a ordem científica, política e moral da sociedade. Nesse sentido, é natural que o estudo sobre a hipnose tenha caído sob um desprestígio e desinteresse comum (EDELWEISS, 1994). 11
  • 17. Por esse motivo, antes de definir o termo hipnose torna-se necessário contextualizar o termo historicamente para desfazer quaisquer confusões que porventura possam estar associadas ao emprego do termo. 3.1. Hipnose 3.1.1. História da hipnose Segundo Galvão (2003), a hipnose e a utilização de estados hipnóticos estiveram presentes em toda história da humanidade. Ao longo de seu desenvolvimento pode-se perceber três momentos distintos de seu uso e aplicações: a) Hipnose utilizada pelos povos e civilizações antigas: há mais de 4 mil anos, no Egito, Grécia, China, África, ente outros lugares, já se tem registro do uso da hipnose dentro de contextos religiosos, assim como medida terapêutica, indicando sucesso em casos como paralisia, epilepsia, cegueira, etc. (CORTEZ e OLIVEIRA, 2003; ROQUE e VILLANUEVA, 2001). Sociedades primitivas já usavam os sons repetitivos do ritmo dos tambores e as danças ritualísticas das tribos para induzirem um estado de transe semelhante ao da hipnose, a exemplo do Xamanismo (ERICKSON, HERSHMAN E SECTER, 1998; ELIADE, 1998). Nesse período, também se localiza a Idade Média, pois a hipnose era usada com os mesmos propósitos que nas civilizações citadas, principalmente associada a rituais mágicos, cantos e orações (GALVÃO, 2003). b) Hipnose no período de experimentação científica – Séc. XVIII e XIX: é o chamado período científico da hipnose, pois nesse momento vários pesquisadores começaram a testar a eficácia de tal instrumento. A maioria dos profissionais que usavam e pesquisavam o fenômeno eram médicos, que 12
  • 18. utilizaram a hipnose durante todo século XVIII e praticamente todo século XIX como procedimento para aliviar a sensação de tato e de dor, visto que os químicos analgésicos e anestésicos como clorofórmio vieram a ser desenvolvidos somente após a primeira metade do século XIX (GALVÃO, 2003). Como citam Roque e Villanueva (2001), os principais destaques dessa época são Franz Anton Mesmer, Marquês de Puységur, James Braid, James Esdaille, Charcot, Berheim, Coué, Freud e Pavlov. Mesmer foi um médico alemão do século XVIII que acreditava na existência de um “magnetismo humano”, de um “fluido magnético” capaz de influir sobre o ser humano, realizando várias cirurgias e anestesias sobre o chamado “sono mesmérico”, desenvolvendo-se a partir daí a expressão Mesmerismo. Induzia tal estado através de movimentos realizados com as mãos associados à sua fala. Teve como um de seus alunos o Marquês de Puységur, que ajudou a divulgar o pensamento de Mésmer. O médico britânico James Braid (1795-1859), assistindo a uma cirurgia efetuada por Mesmer com anestesia geral provocada pelo uso da hipnose, passou a estudar o processo vindo a reformular a teoria de Mesmer. Braid definiu, inicialmente, o estado hipnótico como um estado particular de “sono do sistema nervoso”, sendo citado erroneamente por muitos autores como responsável por cunhar o termo hipnose. Méheust (1999) cita que o termo na verdade surgiu por Henin de Cuvillers em 1823, que era contrário à idéia de um fluido magnético de Mésmer, daí Henin de Cuvillers referiu-se a "hipnose", como algo semelhante ao sono, um estado psíquico em alusão ao termo grego Hypnus que simbolizava o Deus do sono na Mitologia Grega. Segundo Méheust (1999) esse termo seria ainda mais antigo (1820), mas não cita quem seria seu autor. De qualquer forma, ele só ganhou 13
  • 19. notoriedade com Braid, pois este o associou ao sistema nervoso e não a um fluido ou a alguma noção psicológica. Isso lhe permitiu maior aceitação no meio científico, até porque as idéias sobre algo psíquico ainda se encontravam difusas entre vários autores que perambulavam entre medicina e filosofia. Dessa forma, o termo hipnose ficou erroneamente associado à idéia de sono. Logo depois de haver cunhado este termo, James Braid se arrependeu, pois percebeu que cientificamente a hipnose não poderia ser comparada ao sono, sendo um estado justamente oposto ao sono, de intensa atividade psíquica e mental (atenção focada em alguma idéia). Braid utilizava basicamente a hipnose como forma de se obter a anestesia cirúrgica e de se ensinar auto- hipnose aos pacientes, lembrando que o éter foi introduzido somente em 1846 e o clorofórmio em 1847 (CORTEZ E OLIVEIRA, 2003; GALVÃO, 2003). Também usando hipnose para induzir analgesia e anestesia, James Esdaille, trabalhando na Índia com pacientes sob esse efeito, realizou uma grande quantidade de operações que incluíam amputações de braços, extração de tumores, entre outros trabalhos cirúrgicos (ROQUE e VILLANUEVA, 2001). Charcot (1835-1893), neurologista mais importante e conceituado de sua época, estudou os estados hipnóticos para tratamento de pacientes histéricos. Considerou a hipnose como um estado patológico de dissociação, comparando o transe ao processo histérico e a anormalidades no sistema nervoso. Na mesma época, Liébeault e Bernheim, também estudavam a hipnose e seus fenômenos conforme descritos por Braid, pensando-a como um estado de consciência normal e natural do ser humano, tendo um ponto de vista muito distinto de Charcot. Liebeault e Bernheim retomaram a idéia original de Braid de que a indução hipnótica decorria da sugestão, realizando inúmeros estudos 14
  • 20. e experimentações científicas (CORTEZ e OLIVEIRA, 2003; GALVÃO, 2003; ROQUE e VILLANUEVA, 2001). Freud (1856-1939), juntamente com Breuer, deu início a um processo de psicoterapia com hipnose em pacientes histéricos, vindo a publicar as conclusões desse trabalho nos Estudos sobre histeria, em 1895. Freud abandonou o uso da hipnose substituindo-a pelo método de associação livre e vindo a desenvolver a teoria psicanalítica. Concomitantemente, Pavlov (1849- 1936), médico russo, estudou a hipnose segundo um ponto de vista neurofisiológico. Utilizando as noções de excitação e inibição do sistema nervoso, conseguiu posteriormente que sua teoria fosse comprovada, fazendo com que a hipnose fosse aceita pela medicina oficial na Rússia, em especial no tratamento das neuroses de guerra. Em meados do século XX, e principalmente após as grandes Guerras, foi retomado o interesse pela hipnose para tratamento das neuroses de guerra e traumas psíquicos. William McDougall (1871-1944) e Clark Hull (1884-1952) nos Estados Unidos iniciaram trabalhos e pesquisas experimentais nas universidades utilizando controles científicos e estatísticos para sua mensuração (CORTEZ e OLIVEIRA, 2003; GALVÃO, 2003). c) Forma moderna de utilização da Hipnose: refere-se à chamada hipnoterapia Ericksoniana, tendo sido desenvolvida por Milton Hyland Erickson (1901- 1980), psiquiatra americano do início do século XX, considerada um marco divisório entre a hipnoterapia clássica da época da experimentação científica e a época moderna atual. Demonstrando-a como um fenômeno natural da mente humana, bem como sua existência e efeitos no cotidiano, utilizou a hipnose em praticamente todos os problemas psicológicos, sendo autor de inúmeros 15
  • 21. artigos, livros e pesquisas científicas na área. Dentre as inúmeras contribuições de Erickson para o campo da Psicologia pode-se citar o conceito de utilização da realidade individual do paciente. Erickson resgata de modo radical a noção de singularidade. Tal noção, em termos epistemológicos, implica em considerar os indivíduos como seres únicos e inéditos (NEUBERN, 2002). Ele entende que cada paciente tem uma história e memórias particulares, as quais devem ser usadas para se levar o sujeito à hipnose (GAYA et al., 2002). Também contribuindo com a chamada Terapia Naturalista, as diferentes formas de comunicação indireta, a técnica de confusão e de entremear, é considerado o maior Hipnoterapeuta do século XX devido à sua abordagem breve, estratégica e voltada para a solução (CORTEZ e OLIVEIRA, 2003; GALVÃO, 2003). Conforme já mencionado, no Brasil apenas três conselhos validam o uso de tal instrumento. Na Odontologia, o CFO (Conselho Federal de Odontologia) foi o primeiro Conselho a regulamentar o uso da hipnose, em 1996, como instrumento eficaz para indução de analgesia e anestesia. Na medicina, a partir de 1999, o CFM (Conselho Federal de Medicina) autorizou seu uso. Na psicologia, o CFP (Conselho Federal de Psicologia) reconheceu a partir de 2000 o uso da hipnose como regulamentado (BOCK, 2001). 3.1.2. Definição Existem diversas definições para hipnose desenvolvidas no decorrer da história. Algumas definições ainda seguem postulados arcaicos, estabelecidas no século XIX, mas ainda usados em pesquisas recentes, como no trabalho realizado por Vilela e Ferreira (2006). Pesquisando o uso da hipnose em pacientes cardíacos com dificuldade de sono, esses pesquisadores definem hipnose como um estado de atividade motora mínima semelhante ao sono. 16
  • 22. Além de definições mais arcaicas como esta, outras sem muito embasamento também podem ser encontradas em alguns artigos, entre elas podemos destacar a definição de hipnose como um estado alterado de consciência no qual as idéias são aceitas por sugestão ao invés do raciocínio lógico. (FERNANDEZ et al., 2003). Estudos eletroencefalográficos, testes de reflexos, pulso e pressão sanguínea revelam que a hipnose não é um estado de sono, e sim, um estado alterado de consciência (ERICKSON, HERSHMAN e SECTER, 1998). Concordando com essa analogia em relação ao estado de sono, Passos e Labate (1998) afirmam que a hipnose é um estado do estreitamento de consciência provocado artificialmente, que geralmente (mas nem sempre) se parece com o sono, porém fisiologicamente dele se distingue, caracterizando- se pelo aparecimento espontâneo (ou em resposta a um estímulo verbal, ou a outro qualquer) de uma variedade de fenômenos que incluem: 1 - alteração da atenção; 2 - alteração da memória; 3 - aumento da sugestionabilidade; 4 - produção, no paciente, de idéias e respostas diferentes daquelas do seu estado mental normal, 5 - alterações motoras e sensoriais; 6- aumento da labilidade dos processos regulados pelo sistema nervoso autônomo. A APA (Associação Americana de Psicologia) define hipnose como um procedimento no qual o terapeuta ou pesquisador sugere ao paciente ou sujeito da experiência mudanças em sensações, percepções, pensamentos ou 17
  • 23. comportamentos (KRINGS et al., 2004). Tal definição se mostra pouco elucidativa e é rechaçada por pesquisadores da área que atualmente tem consenso em torno da idéia de que a hipnose é um estado focado e lógico de atenção. Corroborando com tal idéia, pode-se citar um recente artigo publicado na revista Seed, que informa que apesar da exata definição do conceito de hipnose ainda estar em discussão, é de consenso entre os pesquisadores voltados para esse tema que a hipnose envolve intensa concentração, estado temporário de atenção modificada, relaxamento e sugestibilidade aumentada (ANTHES, 2006; SOLOVEY e MILECHNIN, 1988). Apesar de haver grande confusão na área, é importante diferenciar os termos sugestão e hipnose. A sugestão será tomada aqui apenas como a capacidade, em hipnose, de influenciar o outro. Influenciá-lo sob certas condições – basicamente pela fala, mas não exclusivamente por ela – à produção de fenômenos específicos. Já a hipnose, é uma condição, um processo, uma alteração de consciência, em que a sugestão pode ser um produto privilegiado, mas não necessariamente. A hipnose não está circunscrita à sugestão, nem depende dela necessariamente e muito menos é redutível a ela (MARTINS E BATISTA, 2002). Até mesmo o próprio Erickson, à sua maneira, poderia concordar com as definições anteriores, já que em seus trabalhos, afirmava o estado de transe ser um estado psicobiológico do homem, considerando que situações em que a atenção e a percepção estão focalizadas e concentradas numa idéia, como num momento de fantasia, distração ou preocupação que absorva a atenção, são como um estado hipnótico (ROSEN, 1994). Galvão (2003) apresenta uma definição interessante e mais completa a respeito da hipnose, segundo a qual o processo hipnótico consiste em pensar 18
  • 24. em algo que é sugerido por si ou por outro, de forma intensa (alta atenção) e específica (pensamento focado). Tal processo geraria um estado no qual seriam produzidos diversos fenômenos específicos, como regressão de idade (reviver pensamentos de um tempo anterior), hipermnésia (rever pensamentos passados de forma nítida), amnésia (esquecer pensamentos anteriores de forma parcial ou total), hiperestesia (aumento da sensibilidade tátil), anestesia, analgesia, pseudo-orientação no futuro (imaginar-se realizando algo no futuro) entre outros, que poderiam implicar em alterações cognitivas ou fisiológicas. 3.1.3. Aplicações da hipnose São descritas múltiplas aplicações da hipnose nas áreas da medicina, como pediatria, dermatologia, gastroenterologia, obstetrícia, ginecologia, assim com no uso de transtornos psicológicos (ROQUE e VILLANUEVA, 2001). Dentre os usos mais freqüentes da hipnose, destacam-se: tratamento para depressão, ansiedade, fobias, distúrbios sexuais, enurese noturna, asmas, pânico, gagueiras, insônia, vícios e até mesmo no tratamento de verrugas. Sua lista de atuação inclui ainda tratamento para dor crônica de pacientes terminais, distúrbios alimentares, e muitos outros problemas físicos e mentais. É também usada como meio para indução de analgesia e anestesia em procedimentos cirúrgicos das diferentes especialidades médicas e odontológicas (ARRUDA e MELLO, 2000; CORTEZ e OLIVEIRA, 2003; GALVÃO, 2003). Labate (2006) confirma as citações anteriores, explicando que a hipnose tem sido usada para alívio da dor, produzindo anestesia ou analgesia; nos diferentes setores da clínica e cirurgia, notadamente em obstetrícia; como tranqüilização para o alívio dos estados de ansiedade e apreensão, qualquer que seja a sua causa; em qualquer condição na qual a psicoterapia possa ser 19
  • 25. útil; no controle de alguns hábitos, como o tabagismo; e experimentalmente em qualquer pesquisa, no campo psicológico ou neurofisiológico. Cortez e Oliveira (2003) também indicam que pesquisas atuais confirmam a eficiência da hipnose na solução ou alívio de vários sintomas que acompanham transtornos físicos e psíquicos, sendo indicada como excelente tratamento coadjuvante em vários casos. Esforços têm sido feitos no sentido de demonstrar a hipnose como uma forma de tratamento específico, capaz de solucionar diversas doenças em especial aquelas de origem psicossomática. 3.1.4. Abordagens Como pode ser constatado no item “histórico” deste trabalho, existem basicamente dois tipos de abordagem em relação à hipnose, das quais derivam quaisquer outros nomes posteriores. São conhecidas como Postura Tradicional (Clássica) e Postura Ericksoniana (Naturalista). Cada qual apresenta considerações, a saber: Postura Tradicional Postura Ericksoniana Teóricos Jean-Martin Charcot, Milton H. Erickson iniciadores da Josef Breuer e Sigmund abordagem Freud Entendimento do Direcionada a busca e Direcionada a possibilidade problema recordação do passado de mudanças, usando o passado ou não Tipo de Taxativo, possivelmente Potente pelo direcionamento diagnóstico patologizante e/ou de dado a uma mudança realizado impotência frente à possível mudança 20
  • 26. Comunicação Muito diretivo, com Postura chamada naturalista comandos e ordens através da noção de diretas. utilização, conferindo eficiência Indução do transe Script, roteiro rígido, o Flexível, direcionada a cada e hipnose mesmo para todos paciente, feito sob medida pacientes Intervenções Inúmeras técnicas Variável de acordo com a usadas realidade individual do paciente Compreensão da De acordo com cada Compreensões próprias Hipnose abordagem teórica Hipnotizabilidade Preocupação com Necessária de acordo com grandes intensidades dos cada caso fenômenos e variabilidades Mudanças na Variabilidade e Variabilidade e intensidade Hipnotizabilidade intensidade imutáveis não apenas diferentes no dia a dia, como também dependendo da motivação e com possibilidade de serem melhoradas Sugestionabilidade Tão mais sugestionável o Noção de responsividade, paciente, melhor dependendo esta mais da capacidade de condução e 21
  • 27. estabelecimento de rapport do hipnoterapeuta do que do paciente Hipnotizabilidade e Acredita que apenas Podem ocorrer complexas Sugestionabilidade pacientes com complexos mudanças com níveis leves e intensos níveis podem de transe, não importando os passar por hipnoterapia níveis de hipnotizabilidade e sugestionabilidade Relação Estabelecimento claro de Noção não clara de Terapeuta- autoridade e hierarquia autoridade diminuindo a Paciente resistência (CABALLO, 1996; GALVÃO, 2003 GILLIGAN, 1987; HALEY, 1991, ZEIG, 1985) Segundo Zeig (1985), na abordagem ericksoniana, alguns pontos são cruciais no processo terapêutico, destacando-se: a) A identificação dos recursos do paciente; b) O diagnóstico dos valores do paciente, o desenvolvimento dos recursos utilizando tais valores; c) Utilização do recurso usando comunicações diretas ou indiretas; d) Estabelecimento do ARE (Absorção, Ratificação e Eliciação); e) Aceitação e utilização do que é apresentado pelo paciente; f) Usar semeaduras de idéias para facilitar mudanças e a própria indução; Rosen (1994) relata que, de acordo com a concepção de Erickson, o estado de transe possibilita maior probabilidade de se produzirem aprendizagens e apresenta mais disponibilidade para a ocorrência de mudanças. 22
  • 28. 3.1.5. Fisiologia do estado hipnótico Esse estado de atenção concentrada torna possível ao indivíduo reagir aos estímulos e às sugestões do hipnotizador ou aos próprios comandos (auto- hipnose). O desconhecimento pleno da mente humana dificulta a conceituação e explicação dos mecanismos através dos quais a hipnose produz seus efeitos. Ao contrário do que parece, durante a sessão hipnótica o córtex está em plena atividade. Reações desencadeariam a produção de neurotransmissores através do sistema nervoso, provocando diversas reações orgânicas. Observam-se alterações na consciência e na memória, aumento da susceptibilidade à sugestão, produção de reações e de idéias estranhas ao indivíduo. Além disso, fenômenos como anestesia, analgesia, paralisia, rigidez de músculos e alterações vasomotoras podem ser produzidos ou removidos (VALE, 2006). Um recente artigo divulgado na revista cientifica Seed (2006), informa que a hipnose tem sido atualmente objeto de várias pesquisas experimentais que apontam, através de testes neurológicos, as alterações cerebrais que ela causa. O autor Emily Anthes (2006) cita um experimento que demonstra que a sugestão hipnótica pode produzir mudanças no centro de processamento de dor no cérebro. Relata que quando as pessoas estão em estado hipnótico, as áreas cerebrais que processam a dor ficam menos ativas, fornecendo evidencias sobre as modificações provenientes do estado hipnótico. Parece haver uma correlação direta entre o fenômeno vivenciado durante a hipnose as alterações neurofisiológicas correspondentes. Mathews et al. (2000) dizem que estudos têm mostrado a ativação das regiões occipitais, incluindo o córtex visual primário, V1. Já Damiani et al. (2006) observam que a 23
  • 29. hipnose tem atuado também no Sistema Nervoso Autônomo Parassimpático (SNAP) aumentando de forma intensa o tônus eferente vagal. Kosslyn (2000) diz que uma parte do cérebro chamada giro cingulado mostra alta atividade quando o sujeito está hipnotizado. Esta área está relacionada com a atenção e a emoção, concordando com Vale (2006) que afirma que diversas áreas do cérebro relacionadas com a emoção e a sensação são ativadas durante o estado hipnótico. Câmara (1998) afirma haver indícios de uma estrutura cerebral semelhante a uma rede, chamada formação reticular, funcionando como elo entre a voz do hipnotizador e a massa cinzenta do hipnotizado. A tese mais aceita é a de que as palavras do hipnotizador, processadas pelo nervo auditivo, alcançam a ponta dessa rede, na base do cérebro, e se espalham por toda a massa cinzenta. Quando elas chegam ao lobo frontal, concentram a atenção do paciente em um único foco, inibindo tudo o que está ao redor. 3.1.6. Formas de indução Segundo Ferreira (2003), Galvão (2003) e Zeig (1993), atualmente, são seis as formas básicas pelas quais a indução à hipnose é empreendida (podendo ou não estar conjugadas em duas ou mais):  Diminuição de estímulos tidos como inúteis: Sabendo-se ser o transe ou a hipnose um pensar específico e intenso, quanto menos houver estimulações que desviem do processo indutor de relaxamento, transe ou hipnose, melhor;  Relaxamento: A diminuição significativa de atividade orgânica via pensamento (relaxando esse também), é das formas mais comuns de se possibilitar o transe ou hipnose. Na medida em que o sujeito estiver com uma baixa 24
  • 30. atividade do pensar, comunica-se a ele idéias a partir e com as quais se daria esta atividade, provocando assim, o transe ou hipnose juntamente com o processo psicoterapêutico.  Cansaço: Criar o cansaço orgânico e/ou do pensar é uma forma de fazer com que a pessoa pense de acordo com o colocado pelo hipnoterapeuta. A princípio, o sujeito estaria cansado demais para fazê-lo sozinho;  Direcionamento das Apreensões: Atenção é o direcionamento da atividade psíquica, ou seja, do pensar. Na medida em que o paciente começa a direcionar o seu raciocínio de acordo com o colocado pelo hipnoterapeuta, cada vez mais este poderá direcionar o pensar do paciente no sentido de ter um pensar que possibilite um melhor viver;  Aumento da atividade do pensar (psíquica): Um aumento na estimulação neural via estimulação sensível (embora de maneira direcionada) pode ser utilizada para passar do relaxamento (ou sono) para transe ou hipnose;  Confusão: Confusão é a quebra de raciocínio não possibilitando um raciocinar coerente buscado pelo indivíduo. Provocá-la momentaneamente para direcionar o raciocínio do sujeito, é uma possibilidade para que o paciente pense na medida (ou a partir) do colocado pelo hipnoterapeuta, criando ou não transe ou hipnose. Tal forma de indução é utilizada para que o paciente não tenha raciocínios considerados anti-terapêuticos pelo terapeuta. Forma muito bem apresentada por Milton H. Erickson no livro “O Homem de Fevereiro”. Dentre as formas citadas, a mais utilizada nos consultórios e pesquisas realizadas na área refere-se ao uso do relaxamento como método de indução para se levar o paciente à hipnose. É também comum encontrar nas pesquisas termos como imaginação intensa, imaginação guiada, que são entendidos 25
  • 31. também como hipnose, trocando-se apenas um nome por outro. Nesses trabalhos os sujeitos normalmente são induzidos, após o relaxamento, a se direcionarem mentalmente para um lugar confortável, ou para se lembrarem de situações boas, situações essas semelhantes para o mesmo grupo de sujeitos (GAYA et al., 2002; LEV et al., 2002; CARTLEDGE et al., 2004). 3.1.7. Hipnose e efeitos orgânicos Muitas pesquisas, principalmente as realizadas nas décadas anteriores, focam seus estudos no efeito da hipnose sobre os estados de dor. Busca-se com essas pesquisas, de alguma maneira, atenuar, evitar ou controlar estados dolorosos, seja pela indução de analgesias ou anestesias (GAYA et al., 2002; LEV et al., 2002). Em um experimento sobre dor, Oakley (2004) induziu, através da hipnose, oito sujeitos a sentirem dores relacionadas a tocar em algo muito quente e constatou que as mesmas áreas de processamento da dor no cérebro (o tálamo, o córtex cingulado anterior e outras áreas) foram ativadas da mesma maneira que as áreas de outros sujeitos que tocaram em uma barra de metal a 50º C, demonstrado que a dor induzida por hipnose ativa as mesmas áreas do cérebro ativadas pela dor real. Atualmente, além das pesquisas referentes à dor, trabalhos com hipnose estão abarcando diversas áreas e seus efeitos são testados de diferentes maneiras, como por exemplo, os efeitos sobre algumas doenças. Uma dessas pesquisas mostra a ajuda da auto-hipnose no combate ao hábito de tossir e seus sintomas somáticos (ANBAR e HALL, 2004). Outro estudo focando a utilização da hipnose em tratamentos de enfermidades dermatológicas demonstrou resultados bem interessantes, como melhora em mais de 70% da pele de pacientes com psoríase, redução de problemas de pele tidos como 26
  • 32. corriqueiros como acne, ou até mesmo, no tratamento de verrugas (SHENEFELT, 2002). Assim como esses, há diversos estudos em que os pesquisadores tentam mostrar efeitos possíveis da hipnose sobre o organismo. Nesse sentido, há que se ressaltar também, pesquisas sobre os efeitos da hipnose em nível neuronal. Um desses estudos demonstra que alterações na plasticidade neuronal ocorrem após uma sessão de hipnose, na qual o sujeito vivencia imagens e sensações de formas até mais vívidas que durante o dia a dia, o que pode ser comprovado através de exames como PET Scan (HALSBAND, 2006; WINERMAN, 2006). Apesar de alguns pesquisadores indicarem que as bases biológicas do processo hipnótico ainda são contestadas e necessitam de mais pesquisas, alguns estudos indicam diversas influências sobre o sistema biológico. Alguns estudos indicam que a hipnose influencia a mediação celular, que por sua vez influencia a imunidade, afetando também o eixo adrenal pituitário-hipotalâmico, o que influencia em uma boa regulação do sistema imune. Também se constata uma ativação de várias áreas do córtex cerebral, dependendo do estímulo/sugestão eliciados (GRUZELIER et al., 2001; HALSBAND, 2006). Vindo de encontro ao que foi apresentado na introdução do presente trabalho, cabe destacar que é notadamente percebido que algo vivenciado durante o processo hipnótico é tido como realmente vivido organicamente. Gemignani (2000) relata um estudo em que se concluiu que a hipnose é muito mais que uma simples sugestão. O estudo, que expôs os sujeitos a vivenciaram situações fóbicas, demonstrou que todos os participantes da pesquisa reagiram como se realmente estivessem diante do objeto fóbico, 27
  • 33. tendo grandes alterações cardiorrespiratórias, bem como alterações registradas em seus EEGs (GEMIGNANI, 2000). Em outro estudo, Fernandez et al. (2003) citam os efeitos positivos da hipnoterapia sobre a hipertensão, alegando que a hipnose é capaz de regular o volume sangüíneo e, por conseguinte, propiciar um controle saudável sobre a pressão arterial, além de promover uma ostensiva diminuição do tratamento farmacológico. 3.2. Diabetes Mellitus O Diabetes Mellitus (DM) compreende um grupo heterogêneo de distúrbios metabólicos, envolvendo todos os substratos energéticos (carboidratos, proteínas e gorduras) e caracterizado principalmente pela hiperglicemia, resultante da deficiência de secreção ou da ação da insulina (FERREIRA et al., 2003). Como definido por Melo et al. (2003) a DM é considerada uma "síndrome heterogênea de etiologia múltipla, decorrente da falta de insulina ou, também, da incapacidade da insulina em exercer adequadamente seus efeitos". O principal órgão responsável por esse controle é o Pâncreas. 3.2.1. Pâncreas O pâncreas está localizado atrás e discretamente abaixo do estômago. Sua porção endócrina é representada pelas ilhotas de Langerhans as quais são compostas pelas células a, b, d e F e seus produtos são, respectivamente, glucagon, insulina, somatostatina e polipeptídeo pancreático (GARCIA, 2006). Destes, os principais hormônios são a insulina e o glucagon, responsáveis pelo 28
  • 34. principal controle da concentração de glicose plasmática. Quando este valor está elevado (hiperglicemia), como após uma refeição, o pâncreas recebe sinais para liberar insulina no sangue. Entre suas ações, a insulina facilita o transporte de glicose para o interior das células, especialmente aquelas dos músculos e do tecido conjuntivo, promove a glicogenólise e inibe a gliconeogênese (GUYTON, 1992). O pâncreas secreta o glucagon quando a concentração plasmática de glicose cai abaixo das concentrações normais (hipoglicemia). Seus efeitos geralmente são opostos aos da insulina. O glucagon promove o aumento da degradação do glicogênio hepático em glicose (glicogenólise) e aumenta a gliconeogênese (GARCIA, 2006). 3.2.2. Insulina A insulina é um hormônio polipeptídico sintetizado, formado por duas cadeias de aminoácidos. Segundo Guyton (1988), a insulina é um hormônio produzido pelas células beta das ilhotas de Langherans pertencentes ao pâncreas. Bioquimicamente, trata-se de um hormônio polipeptídico constituído de duas cadeias peptídicas, desempenhando papel fundamental no metabolismo dos carboidratos, lipídios e proteínas (MAUGHAN et al., 2000). Ao promover a entrada de glicose para o interior das células alvo, a insulina apresenta efeitos de manutenção sobre o controle glicêmico, aumento da utilização de glicose como fonte energética e promoção do armazenamento de glicogênio no fígado e nos músculos (GUYTON, 1988). No que se refere especificamente ao controle glicêmico, a Sociedade Americana de Diabetes indica os seguintes valores de referência para glicemia-jejum (mínimo 8 horas): 29
  • 35. Classificação dos valores glicêmicos (mg/dl) Normal < 99 Pre-diabetes 101 a 125 Diabetes > 126 Fonte: American Diabetes Association, 2005 Para aferência desses dados, usa-se a coleta do sangue capilar (padrão adotado normalmente pelos pacientes portadores de DM, chamada de auto monitoramento glicêmico, cujos valores são 10 a 15% mais baixos que os no plasma). É uma metodologia de baixo custo (realizada através de aparelhos portáteis), bem reproduzível, tendo poucos fatores interferentes, como o estresse, e exigindo do paciente apenas período mínimo de 8 horas sem ingestão alimentar. Todavia, a glicemia fornece apenas o grau de controle no momento da coleta do sangue (SARTORI, 2005). Alterações significativas nestes valores podem ser entendidas como ausência ou excesso de insulina, quebrando o estado de homeostasia orgânica (COSTA, 2005). Devido à sua importância, pode-se perceber facilmente que a produção deficiente de insulina, tal como acontece no diabético, irá causar diversos malefícios ao organismo. Um deles é o elevado nível sangüíneo de glicose (hiperglicemia), estado que pode levar à sobrecarga renal e até mesmo à desidratação. Outro efeito observado é que as células passam a utilizar quantidades significativas de lipídios e proteínas como fontes energéticas, devido à ausência de glicose para exercer esta função, acarretando condições de debilidade extrema como perda excessiva de massa corporal, deficiência de crescimento orgânico e produção acentuada de corpos cetônicos no sangue, o 30
  • 36. que pode levar ao coma diabético (cetoacidose) (COSTA, 2006; GUYTON, 1988). 3.2.3. Tipos de Diabetes Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes, a enfermidade pode ser dividida basicamente em três grupos de ocorrência: diabetes mellitus tipo 1 (insulino-dependente): aparece como resultado de uma destruição das células beta produtoras de insulina por engano, o que ocorre quando o organismo as entende como corpos estranhos. Isso é chamado de resposta auto-imune. Este tipo de reação também ocorre em outras doenças, como esclerose múltipla, Lúpus e doenças da tireóide. diabetes mellitus tipo 2 (não insulino-dependente): Sabe-se que o diabetes do tipo 2 possui um fator hereditário maior que no tipo 1. Além disso, há uma grande relação com a obesidade e o sedentarismo. Uma de suas peculiaridades é a inabilidade do organismo responder adequadamente a ação da insulina produzida pelo pâncreas. Por muitas razões suas células não conseguem metabolizar glicose suficiente da corrente sangüínea. Esta é uma anomalia chamada de "resistência insulínica". De início, a maior parte dos pacientes do diabetes tipo II apresenta redução do efeito da insulina em seus alvos (os tecidos muscular e adiposo): eles ainda a produzem, mas em quantidade insuficiente para a demanda diária. Por isso, a maioria não precisa ser tratada com insulina. Os níveis glicêmicos podem ser normalizados com atividade física regular, controle do peso e medicação oral (que aumente a sensibilidade dos tecidos à insulina ou à sua produção) (AITA, SOGAYAR e ELIASCHEWITZ, 2004). 31
  • 37. diabetes gestacional: O diabetes gestacional é a alteração das taxas de açúcar no sangue que aparece ou é detectada pela primeira vez na gravidez. Pode persistir ou desaparecer depois do parto. Grande parte das pesquisas realizadas concentra seu estudos no diabetes mellitus tipo 1 e 2. Para cada caso de diabetes tipo 1 estima-se de 8 a 10 casos do diabetes mellitus tipo 2. 3.2.4. Etiologia A etiologia específica do diabetes tipo 2 ainda não está estabelecida como no diabetes tipo 1, e sabe-se que a destruição auto-imune não acontece (GROSS et al., 2002). O diabetes mellitus tipo 2, chamado previamente de não- insulinodependente, vem de uma forte associação da predisposição genética do indivíduo, seu estilo de vida, os fatores ambientais e fatores emocionais (OLIVEIRA e MILECH, 2004). Embora as causas do DM sejam obscuras, o que se sabe, com certeza, é existirem alguns "gatilhos" que desencadeiam as crises. O principal desses gatilhos é o estresse contínuo, estado em que as glândulas supra-renais liberam doses elevadas de adrenalina. Este hormônio, além de acelerar o coração, tem a capacidade de liberar no sangue a glicose estocada no fígado e nos músculos. Esse processo se chama glicogenólise. Para compensar a liberação aumentada de glicose produzida pela glicogenólise, o pâncreas se esforça em produzir quantidades extras de insulina. Se esse esforço pancreático não for suficiente para reduzir ao normal os níveis aumentados de glicose pelo estresse ou, pior, se o pâncreas chegar a se esgotar, o resultado é o surgimento ou agravamento do Diabetes. É também algo mais ou menos semelhante ao que ocorre na obesidade. Quanto mais obeso e pesado, maior é 32
  • 38. a quantidade de insulina necessária, levando o pâncreas à fadiga. Certas infecções também funcionam como gatilho para o Diabetes, assim como os casos de algumas mulheres grávidas (BALLONE, 2002). 3.2.5. Tratamentos Os tratamentos dividem-se em duas vias principais, considerados tratamentos medicamentosos e não medicamentosos. No caso dos tratamentos medicamentosos, dois grupos principais de químicos são usados: a insulina, que é essencial no tratamento de DM tipo 1, mas no caso do tipo 2 não é necessária e os medicamentos hipoglicemiantes, responsáveis por gerar a baixa da hiperglicemia presente no DM. Os tipos mais conhecidos são as sulfoniluréias (que aumentam a secreção de insulina pelo pâncreas), as biguanidas (que aumentam a sensibilidade do organismo à insulina já produzida) e a acarbose (que torna mais lenta a absorção da glicose no intestino, dando tempo ao organismo para manter a glicemia normal). Além destes três tipos básicos, surgiram recentemente os sensibilizadores de insulina de última geração, chamados thiazolidinedionas, cujo principal efeito metabólico é o aumento da sensibilidade à insulina nos tecidos periféricos, principalmente no músculo esquelético, além de reduzirem também, em altas doses, a produção hepática de glicose (HIRATA e HIRATA, 2006). Referindo-se agora à abordagem não medicamentosa, algumas vias são indicadas, a saber: a) Educação alimentar: Adequar o paciente a alimentar-se de forma adequada e com os alimentos adequados para que a sua glicemia permaneça estável; b) Realização de atividade física: A indicação de exercícios físicos aeróbios e anaeróbios, com duração, intensidade e freqüência adequadas, também traz 33
  • 39. benefícios para o portador de DM, principalmente para o portador de DM tipo 2. O cuidado com o excesso de atividade deve existir para que não se gere a hipoglicemia (COSTA, 2005). Pesquisas surgem para comprovar o valor da atividade física para o indivíduo diabético. Conforme em um grupo composto de doze indivíduos diabéticos tipo 2, um indivíduo com o tipo 1 e um com diabetes secundário, após atividades físicas durante um período de três meses, os valores da hemoglobina glicosada daqueles que persistiram no treinamento diminuíram drasticamente (DIAS et al., 2007). Em outro estudo foi constatado que a glicemia de jejum isolada após o treinamento físico baixou. Isso poderia ser justificado pelo efeito benéfico do exercício, tal como a melhora da captação de glicose que se encontra aumentada durante o exercício físico, mesmo com baixos níveis insulinêmicos. A pesquisa conclui que um programa de exercício físico regular, de intensidade moderada, auxilia no controle glicêmico do indivíduo com DM2, tratado ou não com insulina, sendo que seu efeito já é observado em uma sessão de exercício (SILVA e LIMA, 2002). c) Tratamentos Complementares: Fazem parte desse grupo a indicação dos chamados tratamentos adjuvantes, muitas vezes tidos como acompanhamentos alternativos. São recomendados para uso em conjunto com os outros tratamentos, ou seja, não excluem as outras intervenções. Segundo Kostic e Secen (2000), pesquisas usando treinamento autógeno de Shultz têm mostrado eficiência no controle da glicemia de pacientes diabéticos tipo 2, ajudando a reduzir o nível de glicemia de maneira significante. Outro tratamento complementar indicado são aulas de gerenciamento de stress que tem ajudado a prevenir e controlar doenças como o diabetes (NODA e HAMADA, 2000). Nessa mesma linha de pensamento, a Federação 34
  • 40. Americana de Diabetes (2005) indica algumas intervenções que também podem ajudar o paciente diabético, dentre elas, exercícios de respiração, terapias de relaxamento progressivo (Shultz e Jacobson) até mesmo substituir maus pensamentos por bons pensamentos. De uma maneira um pouco mais específica, estudos mostraram que uma técnica em particular, o biofeedback, pode ser capaz de ajudar os pacientes com diabetes tipo 2 a manterem os níveis de glicose sob controle. No biofeedback, um terapeuta pede ao paciente para que ele relaxe. Enquanto isso, sensores aplicados à pele fornecem informações a um monitor de computador sobre as alterações das funções biológicas como a circulação, a temperatura da pele ou a tensão muscular. Receber esse "feedback" reforça a capacidade inata do paciente de diminuir a pulsação ou reduzir a tensão muscular, o que possui um efeito de relaxamento (GOWER, 2007). No campo das chamadas terapias alternativas, pesquisadores indicaram até mesmo o uso do Reike no cuidado com pacientes diabéticos, constatando que o uso de tal intervenção ajuda a reduzir o sofrimento dos pacientes e que, em associação a cuidados usuais de saúde, o Reike poderia trazer benefícios terapêuticos diretos para o paciente (GILLESPIE et al., 2007). Já em outro estudo, os autores apontam que o potencial das terapias baseadas em energia é ótimo. Indica que tais terapias têm poucos efeitos colaterais conhecidos e muitos efeitos benéficos possíveis, como diminuir o nível de glicose no sangue e de sofrimento dos pacientes. Entre essas terapias são citadas massagem corporal, acunpressura, acupuntura, uso das cores, toque de cura, terapia magnética, ressonância de microondas e Reiki, indicando que todas elas trabalhando equilibrando o fluxo energético do corpo e promovem relaxamento (GUTHRIE e GAMBLE, 2001). 35
  • 41. Até mesmo recursos como hipnose tem sido usados com pacientes diabéticos. Em uma pesquisa foi demonstrado o uso da hipnose com adolescentes para melhorar a aderência deles ao tratamento para diabetes. O estudo mostrou em um acompanhamento de seis meses que seis dos sete sujeitos aderiram e tiveram uma incrível melhora na taxa de glicose no sangue (de 476 para 148) (RATNER et al., 1990). Muitas dessas intervenções visam propiciar aos pacientes bem estar e felicidade, proporcionados através de situações nas quais os portadores de DM, seja tipo 1 ou 2, vivenciem situações prazerosas. Temática explanada logo a seguir. 3.3. Saúde e Bem Estar A Organização Mundial da Saúde (OMS) define saúde como estado de completo bem-estar físico, mental e social. Tal definição recebe várias criticas de diversos profissionais da saúde, que buscam otimizar o conceito e diminuir a idéia de que só existe saúde quando a totalidade dos critérios acima são atendidos. É mais aceita a idéia de associação entre estar saudável e sentir-se bem (JUNIOR, 2004). Também não é de senso comum a definição de bem estar. Como definido pelo dicionário Webster, bem estar é o estado de sentir-se bem, de felicidade, virtude essencial para o homem social. Em linhas mais aprimoradas, Giacomoni (2004) afirma que bem-estar é uma área da psicologia que tem crescido muito ultimamente, cobrindo estudos que têm utilizado as mais diversas nomeações, tais como: felicidade, satisfação, estado de espírito e afeto positivo. Mais especificamente, este construto diz respeito a como e por 36
  • 42. que as pessoas experienciam suas vidas positivamente. Também é considerada a avaliação subjetiva da qualidade de vida. Seguindo essa linha, de maneira mais elucidativa, Junior (2004) dá dois significados para bem estar: o primeiro pode ser a noção subjetiva de sentir-se bem, não ter queixas, não apresentar sofrimento somático ou psíquico, nem ter consciência de qualquer lesão estrutural ou de prejuízo do desempenho pessoal ou social (inclusive familiar e laboral). Aí, bem-estar significa sentir-se bem e não apenas não se sentir mal. Mas bem-estar também significa condição de satisfação das necessidades (conscientes ou inconscientes, naturais ou psicossociais). Nos seres humanos, implica na satisfação das necessidades biológicas, o bem- estar físico; das necessidades psicológicas, o bem-estar mental; e das necessidades sociais, o bem-estar social. E não apenas satisfeitas todas essas necessidades, mas perfeitamente (ou completamente) atendidas. De certa maneira os estudiosos da área relacionam bem estar ao estado de felicidade e satisfação. Uma das maneiras de tal estado ser alcançado seria através da vivência de sensações prazerosas e diminuição de estados dolorosos (como stress), capazes de alterar o organismo de maneira saudável, gerando bem estar, como várias pesquisas que estão sendo realizadas atualmente tentam demonstrar. Em uma dessas pesquisas foi demonstrado que emoções positivas diminuem os efeitos do stress e da resposta luta-luta, diminuindo os efeitos do stress sobre o sistema imune que passa a funcionar melhor, gerando saúde (POST, 2005). Outra pesquisa interessante sobre sensações prazerosas e aversivas, demonstrou que os estímulos prazerosos estimulam áreas cerebrais diferentes dos estímulos aversivos, definindo que existem duas áreas distintas no cérebro: uma referente a recebimento de 37
  • 43. estímulos prazerosos (sistema de recompensa) e outra referente a estímulos aversivos (sistema de punição) (DAGHER et al., 2001). Com os avanços tecnológicos, as pesquisas referentes a sensações de bem estar, prazer e estado saudável têm ganhado respaldo em explicações do funcionamento cerebral e seus sistemas, como indicado, por exemplo, por Watanuki e Kim (2005), que desenvolveram um estudo sobre respostas fisiológicas induzidas por estímulos prazerosos. Eles estudaram várias respostas do Sistema Nervoso Central, do Sistema Nervoso Autonômico, do Sistema Imune e do Sistema Endócrino, quando estímulos prazerosos como odores, figuras emotivas e uma história cômica típica do Japão foi apresentada aos sujeitos. Os resultados revelaram que a atividade do córtex frontal esquerdo aumentou com o odor agradável e um aumento da secreção de imunoglobulina-A e uma diminuição do cortisol na saliva foram induzidos por prazeres emocionais verbais vivenciados. Os diferentes sistemas envolvidos na indução de emoções prazerosas são evocados por auto-estimulação do SNC e particularmente pelo sistema de recompensa. Interessante também que a amígdalas, próxima do sistema de recompensa, age como integradora das emoções prazerosas. Parece que uma das principais ações de estados prazerosos refere-se à auto-regulação e estimulação do sistema imune. Isso pode ser constatado em um estudo sobre a concentração de IgA na saliva após os sujeitos assistirem um vídeo de humor. O resultado indicou um aumento na concentração de IgA na saliva dos sujeitos que se divertiram ao assistir o filme. Em outro estudo, verificou-se que o otimismo estava relacionado a melhores estados saudáveis, a alto número de células T-helpers e a alta de células NK. Foi constatado também, que sentimentos mais pessimistas geram uma menor 38
  • 44. ativação do sistema imune. Para isso ser verificado, os participantes da pesquisa foram inoculados com o vírus influenza e foi acompanhada a resposta imune desses pacientes. Aquelas com sentimentos mais negativos tiveram uma menor ativação do sistema imune do que aqueles com atitudes positivas (BARAK, 2006). Mas não só o sistema imune parece ser ativado como resposta a vivências emocionais positivas. Em outra pesquisa foi constatada uma alta associação entre alta felicidade e baixa pressão sistólica, fator esse, independente dos sujeitos fumarem, serem obesos ou da posição sócio econômica. Em resumo, a pesquisa conclui que afetos positivos estão relacionados ao bom funcionamento de diversos sistemas biológicos. Emoções e sentimentos positivos estão associados com altos níveis do funcionamento do centro serotonérgico, enquanto a deficiência da função seratonérgica está associada a alto índice de massa corporal, resistência a insulina e pressão sangüínea. Respostas neuroendocrinas e imunes também são examinadas como possíveis mediadoras nos efeitos da saúde aos afetos positivos (STEPTOE e WARDLE, 2005). Estudos realizados com imageamento cerebral (PET e fMR) têm demonstrado uma íntima ligação entre áreas como o núcleo acumbente, a amígdala, o hipocampo e o córtex pré-frontal, todas envolvidas nos processos de recompensa e experiências prazerosas (PETERSON, 2005). Num sentindo evolucionário, as emoções positivas podem oferecer vantagens biológicas, como indicado por Danner, Snowdon e Friesen (2001), que encontraram em seus estudos uma grande correlação entre emoções positivas e longevidade. Os medidores mais comuns utilizados nessas pesquisas referiam-se a mapeamento cerebral (PET Scan e fMR), nível de 39
  • 45. cortisol e de imunoglobulinas no sangue, na saliva e na urina assim como indicadores subjetivos como questionários, entrevistas e escalas, entre elas a escala VAS (Visual Analog Scale), usada para determinar mudanças no índice de bem estar e mal estar após as intervenções. Nesse sentido, a influência de sensações de bem estar relacionadas ao prazer e emoções positivas parece ser benéfica para a saúde, seja ajudando no combate ao stress, seja otimizando o funcionamento do sistema imune (diretamente ou por diminuição dos efeitos negativos do stress), ou ainda por estimulação de outros sistemas cerebrais. Outro estudo, corroborando com essas idéias, mostra a influência positiva da Ocitocina (substância associada a vivências prazerosas) sobre o organismo, seja atuando como hormônio anti- stress, seja estimulando crescimento celular saudável, ou até mesmo estimulando a indução de hormônios gastrintestinais como a insulina. O interessante nesse estudo é a indicação de que a estimulação da ação de tal substância possa ser condicionada a estados psicológicos e de imaginação, indicando os benefícios reais de terapias como hipnose ou meditação (UVNA¨S-MOBERG, 1998). 40
  • 46. 4. MÉTODO 4.1. Características do Estudo O estudo caracterizou-se como uma pesquisa clínica, que visou investigar o efeito da vivência de situações consideradas agradáveis (do ponto de vista do sujeito) através da hipnose em pessoas com diabetes mellitus tipo II. As vivências foram consideradas válidas desde que estivessem de acordo com o Código Civil vigente no país no momento da pesquisa, seguindo crivo pessoal do pesquisador, a fim de promover qualidade legal e ética para o trabalho (vivências que contivessem conteúdo considerado pela lei como crime seriam desconsideradas. Ex: Torturador da ditadura relata como vivência prazerosa torturar um preso político). O estudo foi conduzido de acordo com os instrumentos e sujeitos discriminados a seguir, a avaliação dos resultados foi feita de acordo com a análise quantitativa e qualitativa. 4.2. Sujeitos Participaram da pesquisa dezoito sujeitos diagnosticados como portadores de diabetes mellitus tipo 2, que não estão em tratamento com insulina. Foram indicados por médicos endocrinologistas da cidade de Campinas e por divulgação realizada através da internet. 41
  • 47. Critérios de inclusão: 1. Ter de 18 a 65 anos; 2. Ter diagnóstico clínico de diabetes mellitus tipo 2; 3. Não estar em tratamento com insulina; 4. Escolaridade mínima de 04 anos; 5. Que apresentassem condições cognitivas de compreensão e assinem o termo de consentimento. Critérios de exclusão: 1. Pacientes com diagnóstico psiquiátrico delineados; 2. Pacientes que por ventura fizessem uso abusivo de drogas ou álcool; 3. Pacientes portadores de diabetes gestacional. 4.3. Instrumentos e Materiais Os pacientes que preencheram os critérios de inclusão propostos, após assinarem o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, foram submetidos aos seguintes instrumentos, descritos a seguir: a. Entrevista semidirigida 1, para levantamento dos dados de caracterização da amostra (anexo 2); b. Entrevista semidirigida 2, para levantamento de situações consideradas agradáveis aos sujeitos (anexo 3); 42
  • 48. c. Uso da escala VAS (Visual Analog Scale) – escala de cores, para avaliar sensação de bem estar, antes e depois da sessão de hipnose (anexo 4); d. Dosagem do nível de glicemia do paciente antes e depois da sessão de hipnose, através do uso do medidor de glicemia Accu-Chek® Active, desenvolvido pela empresa Roche (Dados técnicos no anexo 5); e. Aplicação do protocolo de Indução para vivências de situações agradáveis em hipnose (anexo 6); f. Entrevista semidirigida 3, para investigar aspectos relacionados à percepção do paciente em relação à experiência vivenciada (anexo 7); g. Uso de um mini-gravador digital San Disk 8 GB, usado para gravar a entrevista semidirigida 3; h. Uso de um colchão e um travesseiro para que o paciente pudesse receber a indução. 4.4. Coleta de Dados O local da coleta de dados foi no consultório particular do pesquisador, o que garantiu a privacidade de cada um dos sujeitos. O local também apresentou as condições necessárias de equipamentos para o trabalho (colchão, gravador digital, medidor de glicemia Accu-Chek® Active). A escolha do local foi determinante para que não houvesse interrupção nas sessões ou a entrada não programada de outras pessoas. O consultório situa-se na cidade de Campinas, no estado de São Paulo – SP. 43
  • 49. 4.5. Procedimentos 4.5.1. Seleção da Amostra: os sujeitos foram contatados inicialmente via telefone, tendo sido convidados a participarem de forma voluntária e gratuita. Todos foram informados a respeito do conteúdo da pesquisa e da duração do encontro. 4.5.2. Duração e Seqüência de Aplicação dos Instrumentos: os sujeitos passaram pelo processo em consultório de psicologia particular e foram divididos em dois grupos: Grupo controle: composto por oito sujeitos submetidos a uma sessão com duração de aproximadamente uma hora. Todos chegaram ao consultório sob a orientação de estarem em jejum por um período de pelo menos oito horas. Foram sessões que ocorreram ao longo de uma semana, com horários de inicio variando entre 6h30min da manhã a 8h00 da manhã. Após a coleta desses dados, o grupo recebeu o mesmo tratamento que o grupo intervenção, mas esses dados não fazem parte da pesquisa. Os seguintes passos (na ordem apresentada) foram adotados em relação à coleta dos dados junto aos sujeitos: a. Os sujeitos, ao chegarem ao consultório em horário pré-agendado, foram recebidos exclusivamente pelo pesquisador; b. Após um breve esclarecimento a respeito do trabalho a ser realizado, o pesquisador pediu ao sujeito para ler, compreender e assinar o termo de compromisso; 44
  • 50. c. Foi coletada a dosagem de glicemia do paciente; d. O pesquisador aplicou a entrevista semidirigida 1, para levantamento dos dados de caracterização do sujeito e a entrevista semidirigida 2, para levantar as situações consideradas agradáveis e que foram usados no protocolo de indução hipnótica. e. Cada sujeito indicou uma cor do instrumento VAS fazendo referência a qual estado de humor estaria sentido naquele momento; f. Foi coletada a dosagem de glicemia do paciente; g. A seguir foi pedido ao paciente que fechasse os olhos e se deitasse no colchão em silêncio. h. Após 20 minutos foi novamente coletada outra dosagem de glicemia; i. Decorridos mais 20 minutos, foi pedido para o sujeito abrir os olhos; j. Novamente foi pedido que o sujeito indicasse uma cor do instrumento VAS, referindo-se qual estado de humor sentia naquele momento; k. Outra dosagem de glicemia foi coletada; l. Foi aplicada a entrevista semidirigida número 3, para levantamento das percepções do sujeito em relação à experiência vivenciada; m. Nova coleta da dosagem de glicemia do paciente; n. Encerramento do processo com retificação sobre devolutiva da pesquisa; o. Oferecimento de lanche após todo o processo. Grupo Intervenção: composto por dez sujeitos submetidos a três sessões com duração de aproximadamente uma hora. Chegaram ao consultório sob a orientação de estarem em jejum por um período de pelo menos oito horas. 45
  • 51. Foram sessões que ocorreram ao longo de seis semanas (cada sujeito vinha uma vez por semana, com horários de inicio variando entre 6h30min da manhã a 8h00 da manhã. Sessão 1: Os seguintes passos (na ordem apresentada) foram adotados em relação à coleta dos dados junto a esses sujeitos: a. Os sujeitos, ao chegarem ao consultório em horário pré-agendado, foram recebidos exclusivamente pelo pesquisador; b. Após um breve esclarecimento a respeito do trabalho a ser realizado, o pesquisador pediu ao sujeito para ler, compreender e assinar o termo de compromisso; c. Foi coletada a dosagem de glicemia do paciente; d. O pesquisador aplicou a entrevista semidirigida 1, para levantamento dos dados de caracterização do sujeito e a entrevista semidirigida 2, para levantar as situações consideradas agradáveis e que foram usadas no protocolo de indução hipnótica. e. O sujeito indicou uma cor do instrumento VAS fazendo referência ao estado de humor que sentia naquele momento; f. Foi coletada a dosagem de glicemia do paciente; g. A seguir foi pedido ao paciente que fechasse os olhos e se deitasse no colchão em silêncio. h. Inicio do protocolo de indução hipnótica adaptado aos dados levantado no item d; (é importante ressaltar que tal protocolo foi sendo adaptado à realidade do paciente, segundo observações do pesquisador, seguindo uma abordagem ericksoniana) 46
  • 52. i. Após indução da parte 1 do processo (relaxamento) foi novamente coletado a dosagem de glicemia do paciente; j. Continuação do protocolo de indução hipnótica adaptado aos dados levantados no item d (parte 2 de indução); k. Encerramento da indução; l. O sujeito novamente indicou uma cor do instrumento VAS, referindo-se ao estado de humor sentido naquele momento; m. Nova coleta da dosagem de glicemia do paciente; n. Foi aplicada a entrevista semidirigida número 3, para levantamento das percepções do sujeito em relação à experiência vivenciada; o. Nova coleta da dosagem de glicemia do paciente; p. Encerramento do processo com retificação sobre devolutiva da pesquisa; q. Oferecimento de lanche após todo o processo. Sessões 2 e 3: Os seguintes passos (na ordem apresentada) foram adotados em relação à coleta dos dados junto a cada sujeito: a. Os sujeitos, ao chegarem no consultório em horário pré-agendado, foram recebidos exclusivamente pelo pesquisador; b. O sujeito indicou uma cor do instrumento VAS fazendo referência ao estado de humor que sentia naquele momento; c. Foi coletada a dosagem de glicemia do paciente; d. Foi pedido a cada paciente que indicasse se queria alterar ou adicionar alguma outra situação agradável para ser vivenciada. 47
  • 53. e. Foi pedido ao paciente que fechasse os olhos e e se deitasse no colchão em. f. Início do protocolo de indução hipnótica adaptado aos dados levantados anteriormente (é importante ressaltar que tal protocolo foi sendo adaptado à realidade do paciente, segundo observações do pesquisador, seguindo uma abordagem ericksoniana) g. Após indução da parte 1 do processo (relaxamento) foi novamente coletada a dosagem de glicemia do paciente; h. Continuação do protocolo de indução hipnótica adaptado aos dados levantados (parte 2 de indução); i. Encerramento da indução; j. O sujeito novamente indicou uma cor do instrumento VAS referindo-se ao estado de humor sentido naquele momento; k. Nova coleta da dosagem de glicemia do paciente; l. Foi aplicada a entrevista semidirigida número 3, para levantamento das percepções do sujeito em relação à experiência vivenciada; m. Nova coleta da dosagem de glicemia do paciente; n. encerramento do processo com retificação sobre devolutiva da pesquisa; o. Oferecimento de lanche após todo o processo. 4.5.3 - Tratamento dos Dados: Com os dados coletados, foram feitas análises qualitativas e quantitativas de forma descritiva e comparativa, em seguida, procedeu-se à divisão dos dados em 5 variáveis analisadas estaticamente. Os dados 48
  • 54. qualitativos, em sua maioria, foram tratados por método comparativo. Os resultados também foram apresentados através de tabelas e gráficos. 4.6. Cuidados Éticos A seguir, serão discriminados os cuidados éticos que foram devidamente observados durante o desenvolvimento deste trabalho: 4.6.1 - O projeto – “Situações agradáveis vivenciadas em hipnose e diabetes mellitus tipo II”, foi submetido à aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. O referido comitê foi positivo permitindo ao pesquisador dar continuidade a pesquisa; 4.6.2 - O pesquisador assinou o Termo de Compromisso do pesquisador, comprometendo-se a: atender os deveres institucionais básicos da honestidade, sinceridade, competência e da discrição; pesquisar adequada e independentemente, além de buscar, aprimorar e promover o respeito à sua profissão; não fazer pesquisa que possa causar riscos não justificados às pessoas envolvidas; não violar as normas do consentimento informado; comunicar ao possível sujeito todas as informações necessárias para um adequado consentimento informado; propiciar ao sujeito plena oportunidade e encorajamento para fazer perguntas; excluir a possibilidade de engano injustificado, influência indevida e intimidação e obter de cada possível sujeito um documento assinado como evidência do consentimento informado; 4.6.3 - Foi utilizado o termo de Consentimento Livre e Esclarecido para informar aos sujeitos da pesquisa a respeito das garantias de acesso a 49
  • 55. qualquer tempo às informações sobre procedimentos, riscos e benefícios relacionados à pesquisa, inclusive para dirimir eventuais dúvidas. 4.6.4 - O sujeito terá acesso ao pesquisador a qualquer momento via telefone e/ou e-mail impressos no Consentimento Livre e Esclarecido cuja cópia ficará em seu poder. 4.6.5 - O sujeito terá liberdade de retirar seu consentimento a qualquer momento e de deixar de participar do estudo, sem que isso traga prejuízo à continuidade da assistência. 4.6.6 - O sujeito terá a salvaguarda da confidencialidade, sigilo e privacidade. 4.6.7 - Será de conhecimento do sujeito, através do Termo de Consentimento, que os resultados da Pesquisa serão utilizados como parte dos requisitos para que o pesquisador obtenha o título de mestre em Psicologia; e para futura publicação. Não haverá, no entanto, a identificação dos sujeitos, sendo apenas mencionados os dados e local onde a pesquisa está sendo realizada. 4.6.8 - O pesquisador poderá sugerir ao sujeito que não continue o processo caso perceba que o mesmo não se sente à vontade ou constrangido, neste caso, em comum acordo, poderá encaminhar o sujeito. 4.6.9 - Sempre que houver um diagnóstico médico ou uma suspeita de indicação médica o sujeito será orientado para que procure um médico e faça o tratamento indicado. 4.6.10 - Os sujeitos serão informados que após a conclusão da pesquisa, serão contatados para devolutiva em grupo, para que seja feita uma explanação geral dos resultados e conclusões do estudo. 50
  • 56. 5. RESULTADOS Os resultados apresentados referem-se a cinco variáveis que serão apresentadas separadamente para posterior análise na discussão dos resultados. São variáveis de cunho qualitativo e quantitativo tratadas por método comparativo entre os dois grupos da pesquisa . Os dados qualitativos foram tratados por análise de conteúdo (BARDIN, 1977) usando análise categorial temática, ou seja, foram criadas categorias baseadas nas informações coletadas nas entrevistas 1 e 2 em anexo e os dados, separados nessas categorias, que foram posteriormente quantificadas. Os dados quantitativos foram expressos de maneira estatística descritiva. As variáveis verificadas na pesquisa são: 1. Dados sócio-demográficos: Dados coletados através de entrevista dirigida (anexo 2), contendo questionamentos sobre idade, estado civil, nacionalidade, sexo, número de filhos, ocupação, escolaridade, religião, tempo de diagnóstico, tempo em tratamento, outras doenças, tipo de medicamento, exercícios físicos e dieta alimentar; 2. Vivências agradáveis: vivências citadas pelos sujeitos da pesquisa como agradáveis de serem vivenciadas em transe. Tais vivências foram divididas em dez categorias: presentes importantes, conquistas, relacionamentos afetuosos, viagens, sensações prazerosas, nascimentos, conhecer cônjuge, lugares agradáveis, experiências religiosas e aprendizagens; 3. Níveis de Glicemia: Referem-se aos níveis de glicemia (anexo 5) coletados durante a pesquisa. As medições foram realizadas antes, durante e após em dois momentos: imediatamente após e dez minutos após a intervenção; 51
  • 57. 4. Sensação de bem estar: refere-se às sensações de bem estar descritas pelo sujeito antes e após a intervenção. São cinco cores possíveis de escolha (que foram apresentadas em uma escala visual aos sujeitos – anexo 4): Branco (1), Azul (2), Amarelo (3), Laranja (4) e Vermelho (5). A cor amarela é a cor mediana da escala, e representa o estado normal. As cores anteriores representam as sensações “mal” (azul) e “muito mal” (branco) e as cores posteriores representam as sensações “bem” (laranja) e “muito bem” (vermelha); 5. Impressões sobre a intervenção: Referem-se aos dados coletados na entrevista semi-dirigida 3 (anexo 7). As respostas fechadas são apresentadas quantitativamente, enquanto as respostas abertas foram também agrupadas em categorias de acordo com o conteúdo das respostas. Como a intenção da intervenção com o grupo controle foi ter apenas um padrão de comparação no tocante ao nível de glicemia e bem estar, as variáveis medidas foram: dados sócio-demográficos, nível de glicemia e sensação de bem estar, que serão apresentadas e, posteriormente, analisadas. 52
  • 58. 5.1. Dados sócio-demográficos FAIXA ETÁRIA: Grupo Intervenção Gráfico 1A. Faixa Etária - Grupo Intervenção Abaixo de 45 30% 40% De 45 a 56 Acima de 56 30% No que se refere aos dados de faixa etária, a média de idade desse grupo é de 52 anos: 30% dos sujeitos têm abaixo de 45 anos de idade, 30% tem entre 45 e 56 anos de idade e 40% dos sujeitos têm acima de 56 anos de idade. Grupo Controle Gráfico 2A. Faixa Etária - Grupo Controle 25% 38% Abaixo de 45 De 46 a 56 Acima de 56 37% 53
  • 59. No que se refere aos dados de faixa etária, a média de idade desse grupo é de 51 anos: 25% dos sujeitos têm abaixo de 45 anos de idade, 37% tem entre 45 e 56 anos de idade e 38% dos sujeitos têm acima de 56 anos de idade. Dois grupos Gráfico 3A. Faixa Etária - Dois Grupos 28% 39% Abaixo de 45 De 45 a 56 Acima de 56 33% No que se refere aos dados de faixa etária, a média de idade desse grupo é de 52 anos: 28% dos sujeitos têm abaixo de 45 anos de idade, 33% tem entre 45 e 56 anos de idade e 39% dos sujeitos têm acima de 56 anos de idade. SEXO: Grupo Intervenção Gráfico 4A. Sexo - Grupo Intervenção 20% Mulheres Homens 80% 54
  • 60. No grupo de intervenção, de dez sujeitos, 80% são mulheres e 20% são homens. Grupo Controle Gráfico 5A. Sexo - Grupo Controle 13% Mulheres Homens 87% No grupo controle, de oito sujeitos, 87% são mulheres e 13% são homens. Dois grupos Gráfico 6A. Sexo - Dois Grupos 17% Mulheres Homens 83% Na combinação dos dois grupos, de dezoito sujeitos, 83% são mulheres e 17% são homens. ESTADO CIVIL: 55
  • 61. Grupo Intervenção Gráfico 7A. Estado Civil - Grupo Intervenção 10% 10% Casados Soletiro Viúvo 80% Neste grupo, pode ser observado que 80% dos sujeitos são casados, 10% é solteira e 10% é viúva. Grupo Controle Gráfico 8A. Estado Civil - Grupo Controle 100% Já no grupo controle, toda a amostra (100%) é casada. Dois grupos Gráfico 9A. Estado Civil - Dois Grupos 5% 6% Casados Soletiro Viúvo 89% 56
  • 62. Neste grupo, pode ser observado que 89% dos sujeitos são casados, 5% é solteira e 6% é viúva. OCUPAÇÃO: Como a amostra é pequena em ambos os grupos, a ocorrência por ocupação foi bem diversificada, razão pela qual cada uma será apresentada em seu respectivo grupo. Grupo Intervenção Essa amostra indica as seguintes ocupações: aposentada, psicóloga, professora, funcionária pública, responsável por limpeza, agrônomo, dona de Casa, engenheiro, dentista. Cabe ressaltar que a ocupação “aposentada” é indicada duas vezes. Grupo Controle Esta amostra indica as seguintes ocupações: aposentada, professora, advogada, dona de casa, enfermeira, mecânico. Cabe ressaltar que as ocupações “aposentada” e “dona de casa” são indicadas duas vezes. ESCOLARIDADE: Grupo Intervenção Gráfico 10A. Escolaridade - Grupo Intervenção 20% Até 4 série Até 8 série Até 2 grau 10% 3 grau incompleto 70% 3 grau completo 57