SlideShare uma empresa Scribd logo
1 de 29
Baixar para ler offline
ALGUMAS REFLEXÕES SOBRE A EVOLUÇÃO DO
TRABALHO DA ENFERMAGEM EM SAÚDE MENTAL
NO BRASIL
Prof. Me. Aroldo Gavioli
Obra: o manto do juízo final de Arthur Bispo do
Rosário
O TRABALHO DE ENFERMAGEM NA SOCIEDADE
CAPITALISTA
Marco inicial: 9 de julho de 1860 - emergência do
sistema capitalista europeu
Divisão social e técnica do trabalho.
Relações de compra e venda de força de trabalho.
Em seu DNA: divisão do trabalho e a utilização de
mulheres.
Trabalho doméstico e mal remunerado.
CARACTERÍSTICAS DA DIVISÃO SOCIAL E TÉCNICA
DO TRABALHO DE ENFERMAGEM
Padrão
curricular
hegemônico com
duas categorias:
as lady-nurses e
as nurses.
As primeiras,
oriundas da
burguesia → o
ensino e
supervisão.
As nurses,
oriundas da
classe baixa →
execução do
cuidado direto
dos doentes.
TREINAMENTO DISCIPLINAR X SABER DE ENFERMAGEM
Transformação do
espaço hospitalar em
local de cura.
Disciplinamento dos
trabalhadores e das
tarefas.
Direção médica.
Espaço geográfico
imediato – limpeza,
luz, calor e outros – e
não aos cuidados dos
doentes diretamente.
O objeto de trabalho
de enfermagem vem
se transformando, não
é estático.
ENFERMAGEM: PRÁTICA HISTORICAMENTE
ESTRUTURADA
Práticas
determinadas
pelas relações
sociais de
cada momento
histórico.
• Especializada, dividida e hierarquizada de
acordo com a complexidade de concepção
e execução.
Autônoma: • porém subordina-se aos “atos médicos”
O processo de
trabalho:
• Finalidade – a ação terapêutica de saúde
• Objeto – o indivíduo ou grupos
• Instrumental de trabalho – nível técnico do
conhecimento que é o saber de saúde.
• Produto final - prestação da assistência de
saúde.
O TRABALHO DE ENFERMAGEM EM SAÚDE MENTAL NO PROCESSO DE
EMERGÊNCIA DA ENFERMAGEM MODERNA
Nascimento
da
psiquiatria:
Primeira
especialidade
médica
Medicina moderna → interesse no corpo
individual → Perspectiva totalizante.
Estratégia de
controle social
na
modernidade.
Projeto de
conhecimento e
transformação
da sociedade,
característico
da Europa do
século XVIII.
No Brasil, se
fez presente a
partir do século
XIX.
CRIAÇÃO DO HOSPÍCIO
Inserção do "louco" em normas de
higiene.
A loucura adquiriu o "estatuto
de doença mental” Doença
adjetivada → saber médico
específico, técnica e métodos
também específicos.
Encontro entre uma prática social
sistemática de reclusão de
incapazes e um pensar médico
positivo.
O HOSPÍCIO MODERNO:
Substitui enfermarias em Santa Casas e Misericórdias.
Visa reordenação do espaço de exclusão dos considerados
loucos.
Busca interferir na sociedade "sadia" com o objetivo de reduzir as
causas de alienação.
Aplicação de princípios científicos à vida social e política.
Higiene social, além da higiene física.
A ENFERMAGEM
Participante desse processo.
Papel importante relacionado ao conhecimento e
organização interna do espaço asilar/hospitalar.
"Enfermeiro" Pussin:
• Importante ideólogo e colaborador de Pinel nas intervenções
reformistas nos asilos franceses de Bicêtre e Salpetrière.
NO BRASIL:
1890:
• Criação de uma primeira escola de enfermagem
ligada ao Hospital Nacional de Alienados, a
Escola Profissional de Enfermeiros e Enfermeiras,
inspirada no modelo francês.
Objetivava a preparação de pessoal
para o trabalho de cuidar dos alienados
num espaço medicamente concebido e,
portanto, necessitado de mão-de-obra
também médico-cientificamente
orientada.
A PSIQUIATRIA E A ENFERMAGEM PSIQUIÁTRICA
SURGIRAM NO HOSPÍCIO.
Hospício:
• Instituição disciplinar
para reeducação do
louco/alienado.
Médico/alienista:
• Figura de
autoridade a ser
respeitada e imitada
nesse projeto
pedagógico.
Trabalhadores de
enfermagem:
• Atores coadjuvantes
nesse processo, os
executores da ordem
disciplinar emanada
dos médicos.
OS LOUCOS NÃO FORAM OBJETO DE INTERESSE
EXPLÍCITO PARA A ENFERMAGEM MODERNA
Os cursos eram orientados por médicos.
Acompanhou o processo de medicalização dos asilos.
A Escola Anna Nery, fundada em 1923, não incluiu em seu currículo, até o
ano de 1949, nenhuma matéria relacionada às doenças mentais.
A formação existente na época tinha o objetivo de formar profissionais
para os hospitais psiquiátricos e militares existentes no país.
Instrução e profissionalização de mulheres pobres = subordinação
garantida dessas aos médicos.
MOTIVAÇÕES PARA TRABALHAR NOS
ESTABELECIMENTOS PSIQUIÁTRICOS:
A enfermagem passou a ser profissão e adquiriu certa valorização social.
Alternativa de profissionalização principalmente para as mulheres pobres.
Possibilidade de ascensão social.
Formação relacionada com o processo de transformação dos asilos em espaço terapêutico
da loucura e às necessidades de disciplinarização de um determinado segmento social.
A REFORMA PSIQUIÁTRICA NO BRASIL
Após II Guerra Mundial
• Emergência dos movimentos de contestação do saber e práticas psiquiátricas.
• Psiquiatria de Setor na França
• Comunidades Terapêuticas na Inglaterra
• Psiquiatria Preventiva nos EUA
Movimentos de "reforma" da assistência psiquiátrica no sentido de apontarem para
um rearranjo técnico-científico e administrativo da Psiquiatria, sem a radicalidade
da desisntitucionalização, proposta pelo movimento italiano, a partir de 1960.
REFORMA PSIQUIÁTRICA NO BRASIL
1º momento: Trajetória alternativa: As ideias de Foucault, Goffman, Castel,
Szaz, Basaglia e outros tiveram forte influência na psiquiatria brasiliera.
2º momento: trajetória institucionalizante: ideia de que uma nova
administração estatal resolveria os problemas de saúde/saúde mental da
população.
3º momento: desisntitucionalização – “Por uma sociedade sem manicômios” –
Influência de Franco Basaglia.
REFORMA PSIQUIÁTRICA NO BRASIL
Desisntitucionalização foi o processo crítico-prático para a reorientação
de todos os elementos constitutivos da instituição para este objeto
bastante diferente do anterior:
• [...] Mas, se o objeto ao invés de ser "a doença" torna-se a "existência-sofrimento dos
pacientes".
Como processo histórico, insere-se numa totalidade complexa e
dinâmica, portanto, também determinado nacionalmente pelo processo
de redemocratização em curso no País a partir daquela época.
TRABALHO DE ENFERMAGEM EM SAÚDE MENTAL ATUALMENTE CARACTERIZA-SE:
Transição entre uma prática de cuidado hospitalar que visava a contenção do
comportamento dos "doentes mentais".
Incorporação de princípios novos e desconhecidos.
Adequação a uma prática interdisciplinar, aberta às contingências dos sujeitos
envolvidos em cada momento e em cada contexto.
Superação da perspectiva disciplinar das ações.
Período crítico para a profissão e favorável para o conhecimento e análise do
processo de trabalho nessa área.
ENFERMAGEM COMO UM INSTRUMENTO DO SEU
PROCESSO DE TRABALHO
Historicamente
Hospício – compreendido como a
reclusão, os métodos físicos, a figura de
autoridade do médico/alienista e a
disciplina e higiene impostas pelos
enfermeiros.
Instrumento adequado para a finalidade
- cura/reeducação do "louco" - nesse
momento considerado "alienado".
atualmente
Instrumentos materiais - CAPS (Centros
de Atendimento Psicossocial); hospitais-
dia, enfermarias e ambulatórios em
hospitais gerais.
Instrumentos não materiais do
Enfermeiro: ????
TRABALHO DE ENFERMAGEM EM SAÚDE MENTAL
Várias tendências teóricas influenciando a prática psiquiátrica
atualmente.
• Deficiências no processo de formação de enfermeiros que atuam em psiquiatria.
• Indefinição dos profissionais de enfermagem psiquiátrica sobre o seu papel na
assistência.
"Fuga" e indefinição de seu papéis.
• "agente terapêutico”
• Auxiliar o paciente a aceitar a si próprio e a melhorar as suas relações pessoais"
• O trabalho centra-se no desenvolvimento de atividades burocrático-administrativas.
SERVIÇOS EXTRA HOSPITALARES
CAPS:
• os enfermeiros são aqueles que menos realizam atendimentos diretos à clientela
• Gerenciamento intermediário que organiza e facilita o trabalho de toda a
equipe.
“A maioria dos enfermeiros não se sente preparada para atuar
em Enfermagem Psiquiátrica ou Saúde Mental”
• “Não está adequadamente informada sobre as mudanças políticas que vêm
ocorrendo na área” → Práticas tradicionais: ocupam-se da "doença mental"
pautado pelo modelo organicista - não se percebem como agentes de
transformação dessa realidade.
DISTÂNCIA ENTRE O DISCURSO E O TRABALHO DE
ENFERMAGEM ÁREA:
"doente mental” → "portador de transtornos mentais" →
características psicossociais.
• Grande parte do tempo: atividades administrativo-burocráticas e não de
administração da assistência, que é uma atividade de enfermagem.
Meio/instrumento do trabalho médico e psicológico, com escassa
ou nenhuma atuação técnico-assistencial específica.
• Falta incorporação de trabalhadores "atípicos" na equipe.
• Admite a noção de "cura" ao invés da reabilitação, reinserção social.
• Falta a escuta e a valorização do sujeito-cidadão que sofre mentalmente.
RELAÇÕES DE PODER
Pressuposto:
• Coexistência de ações técnicas privativas dos profissionais e a execução de
algumas ações comuns com tendência à horizontalização das relações de poder.
O que se observa?
• Tensão no aspecto dos valores dos diferentes trabalhos
• Relações hierárquicas são mantidas e reproduzidas, principalmente entre os
profissionais médicos e não-médicos
• Salário.
• Médico é o responsável pela atenção ao usuário.
AUTONOMIA PROFISSIONAL
Falta de autonomia.
• Ingerência do médico na assistência de enfermagem.
• Submissão do trabalho de enfermagem ao trabalho médico.
Porque os enfermeiros permanecem comodamente nessa
situação?
• Enfermeiros: dificuldade na definição do objeto de trabalho no paradigma da
Reforma Psiquiátrica.
• Pouca visibilidade do trabalho do enfermeiro em saúde mental.
REFORMA PSIQUIÁTRICA:
• Potencialidade implícita de autonomia profissional dos
enfermeiros.
• Utilização de mecanismos de resistência velada, difusa e até
explícita aos saberes e práticas médico-psiquiátricas dominantes.
• Apensar da sujeição à ideologia dominante → possibilidade de
ruptura com essa ideologia.
• Superação das práticas custodiais e burocráticas do trabalho de
enfermagem em saúde mental.
Resgate os atores envolvidos (trabalhadores e
usuários) como sujeitos sociais.
CONCLUSÃO:
Trabalho de enfermagem em saúde
mental, marcado historicamente pelo
modelo médico disciplinador de sujeitos e
de comunidades, onde as práticas de
enfermagem eram subordinadas e
coadjuvantes do processo médico-político
disciplinador.
CONCLUSÃO:
O enfermeiro é, potencialmente,
importante agente de mudança.
A potencialidade estará diretamente
relacionada ao grau de consciência desses
trabalhadores.
CONCLUSÃO:
Quanto mais consciente de sua condição pessoal e social, de seu
papel de trabalhador inserido num contexto social e de cidadão num
sistema político, mais apto estará para eleger instrumentos de
trabalho que visem o resgate dessa mesma condição de sujeito-
cidadão às pessoas com transtornos mentais.
Quanto menos consciente de sua condição de sujeito social e de
cidadão, mais aderido estará ao antigo modelo médico-disciplinar e
mais subordinada e coadjuvante será a sua atuação nas intervenções
desse modelo.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
Oliveira Alice G. Bottaro de, Alessi Neiry Primo. O trabalho de enfermagem em
saúde mental: contradições e potencialidades atuais. Rev. Latino-Am. Enfermagem.
2003; 11( 3 ): 333-340.
Silveira, Renato Diniz. (2008). A correspondência entre Juliano Moreira e Hermelino
Lopes Rodrigues: as relações de um mestre e seu discípulo na constituição do campo
psiquiátrico em Minas Gerais. Revista Latinoamericana de Psicopatologia
Fundamental, 11(2), 315-328.

Mais conteúdo relacionado

Mais procurados

Gerenciamento de enfermagem: avaliação de serviços de saúde
Gerenciamento de enfermagem: avaliação de serviços de saúdeGerenciamento de enfermagem: avaliação de serviços de saúde
Gerenciamento de enfermagem: avaliação de serviços de saúdeAroldo Gavioli
 
Estrutura organizacional dos serviços de saúde - Redes de Atenção à Saúde (RAS)
Estrutura organizacional dos serviços de saúde - Redes de Atenção à Saúde (RAS)Estrutura organizacional dos serviços de saúde - Redes de Atenção à Saúde (RAS)
Estrutura organizacional dos serviços de saúde - Redes de Atenção à Saúde (RAS)Patrícia Cruz Rodrigues Marion
 
Humanização Intensiva: Eu humanizo, Tu humanizas... Ele melhora!
Humanização Intensiva: Eu humanizo, Tu humanizas... Ele melhora!Humanização Intensiva: Eu humanizo, Tu humanizas... Ele melhora!
Humanização Intensiva: Eu humanizo, Tu humanizas... Ele melhora!Associação Viva e Deixe Viver
 
A Política Nacional de Saúde Mental e a Organização da Rede de Atenção Psicos...
A Política Nacional de Saúde Mental e a Organização da Rede de Atenção Psicos...A Política Nacional de Saúde Mental e a Organização da Rede de Atenção Psicos...
A Política Nacional de Saúde Mental e a Organização da Rede de Atenção Psicos...Aroldo Gavioli
 
Aula - 1 Processo Trabalho em Saúde
Aula - 1 Processo Trabalho em SaúdeAula - 1 Processo Trabalho em Saúde
Aula - 1 Processo Trabalho em SaúdeJesiele Spindler
 
Aula 1- Assistência ao Paciente Grave.pdf
Aula 1- Assistência ao Paciente Grave.pdfAula 1- Assistência ao Paciente Grave.pdf
Aula 1- Assistência ao Paciente Grave.pdfThiagoCunha93
 
O Processo de enfermagem na enfermagem em saúde mental
O Processo de enfermagem na enfermagem em saúde mentalO Processo de enfermagem na enfermagem em saúde mental
O Processo de enfermagem na enfermagem em saúde mentalAroldo Gavioli
 
Apresentação do caps
Apresentação do capsApresentação do caps
Apresentação do capsAdriana Emidio
 
Aula de humanização plt
Aula de humanização pltAula de humanização plt
Aula de humanização pltenfanhanguera
 
O papel do enfermeiro em Saúde Mental e Psiquiatria
O papel do enfermeiro em Saúde Mental e PsiquiatriaO papel do enfermeiro em Saúde Mental e Psiquiatria
O papel do enfermeiro em Saúde Mental e PsiquiatriaAliny Lima
 
Humanização na Unidade de terapia intensiva (UTI)
Humanização na Unidade de terapia intensiva (UTI)Humanização na Unidade de terapia intensiva (UTI)
Humanização na Unidade de terapia intensiva (UTI)Tezin Maciel
 
INTRODUÇÃO À GERÊNCIA EM SAÚDE
INTRODUÇÃO À GERÊNCIA EM SAÚDEINTRODUÇÃO À GERÊNCIA EM SAÚDE
INTRODUÇÃO À GERÊNCIA EM SAÚDEValdirene1977
 
Terapias Complementares em Cuidados Paliativos
Terapias Complementares em Cuidados PaliativosTerapias Complementares em Cuidados Paliativos
Terapias Complementares em Cuidados PaliativosLuciana Mateus
 
Humanização da assistência de enfermagem na Emergência
Humanização da assistência de enfermagem na EmergênciaHumanização da assistência de enfermagem na Emergência
Humanização da assistência de enfermagem na EmergênciaNayaneQuirino
 
AULA 12 - PROGRANA NACIONAL DE SAUDE MENTAL.pptx
AULA 12 - PROGRANA NACIONAL DE SAUDE MENTAL.pptxAULA 12 - PROGRANA NACIONAL DE SAUDE MENTAL.pptx
AULA 12 - PROGRANA NACIONAL DE SAUDE MENTAL.pptxVanessaAlvesDeSouza4
 
Humanização na Saúde
Humanização na SaúdeHumanização na Saúde
Humanização na SaúdeYlla Cohim
 
Aula 1 - Urgência e emergência
Aula 1 - Urgência e emergênciaAula 1 - Urgência e emergência
Aula 1 - Urgência e emergênciaRicardo Augusto
 
Politicas de saúde mental: organização da rede de assistência psicossocial no...
Politicas de saúde mental: organização da rede de assistência psicossocial no...Politicas de saúde mental: organização da rede de assistência psicossocial no...
Politicas de saúde mental: organização da rede de assistência psicossocial no...Aroldo Gavioli
 
Humanização Na Assistencia de Enfermagem
Humanização Na Assistencia de  EnfermagemHumanização Na Assistencia de  Enfermagem
Humanização Na Assistencia de EnfermagemCharles Lima
 

Mais procurados (20)

Gerenciamento de enfermagem: avaliação de serviços de saúde
Gerenciamento de enfermagem: avaliação de serviços de saúdeGerenciamento de enfermagem: avaliação de serviços de saúde
Gerenciamento de enfermagem: avaliação de serviços de saúde
 
Estrutura organizacional dos serviços de saúde - Redes de Atenção à Saúde (RAS)
Estrutura organizacional dos serviços de saúde - Redes de Atenção à Saúde (RAS)Estrutura organizacional dos serviços de saúde - Redes de Atenção à Saúde (RAS)
Estrutura organizacional dos serviços de saúde - Redes de Atenção à Saúde (RAS)
 
Humanização Intensiva: Eu humanizo, Tu humanizas... Ele melhora!
Humanização Intensiva: Eu humanizo, Tu humanizas... Ele melhora!Humanização Intensiva: Eu humanizo, Tu humanizas... Ele melhora!
Humanização Intensiva: Eu humanizo, Tu humanizas... Ele melhora!
 
A Política Nacional de Saúde Mental e a Organização da Rede de Atenção Psicos...
A Política Nacional de Saúde Mental e a Organização da Rede de Atenção Psicos...A Política Nacional de Saúde Mental e a Organização da Rede de Atenção Psicos...
A Política Nacional de Saúde Mental e a Organização da Rede de Atenção Psicos...
 
Aula - 1 Processo Trabalho em Saúde
Aula - 1 Processo Trabalho em SaúdeAula - 1 Processo Trabalho em Saúde
Aula - 1 Processo Trabalho em Saúde
 
Aula 1- Assistência ao Paciente Grave.pdf
Aula 1- Assistência ao Paciente Grave.pdfAula 1- Assistência ao Paciente Grave.pdf
Aula 1- Assistência ao Paciente Grave.pdf
 
O Processo de enfermagem na enfermagem em saúde mental
O Processo de enfermagem na enfermagem em saúde mentalO Processo de enfermagem na enfermagem em saúde mental
O Processo de enfermagem na enfermagem em saúde mental
 
Apresentação do caps
Apresentação do capsApresentação do caps
Apresentação do caps
 
Aula de humanização plt
Aula de humanização pltAula de humanização plt
Aula de humanização plt
 
O papel do enfermeiro em Saúde Mental e Psiquiatria
O papel do enfermeiro em Saúde Mental e PsiquiatriaO papel do enfermeiro em Saúde Mental e Psiquiatria
O papel do enfermeiro em Saúde Mental e Psiquiatria
 
Humanização na Unidade de terapia intensiva (UTI)
Humanização na Unidade de terapia intensiva (UTI)Humanização na Unidade de terapia intensiva (UTI)
Humanização na Unidade de terapia intensiva (UTI)
 
INTRODUÇÃO À GERÊNCIA EM SAÚDE
INTRODUÇÃO À GERÊNCIA EM SAÚDEINTRODUÇÃO À GERÊNCIA EM SAÚDE
INTRODUÇÃO À GERÊNCIA EM SAÚDE
 
Terapias Complementares em Cuidados Paliativos
Terapias Complementares em Cuidados PaliativosTerapias Complementares em Cuidados Paliativos
Terapias Complementares em Cuidados Paliativos
 
Humanização da assistência de enfermagem na Emergência
Humanização da assistência de enfermagem na EmergênciaHumanização da assistência de enfermagem na Emergência
Humanização da assistência de enfermagem na Emergência
 
AULA 12 - PROGRANA NACIONAL DE SAUDE MENTAL.pptx
AULA 12 - PROGRANA NACIONAL DE SAUDE MENTAL.pptxAULA 12 - PROGRANA NACIONAL DE SAUDE MENTAL.pptx
AULA 12 - PROGRANA NACIONAL DE SAUDE MENTAL.pptx
 
Humanização na Saúde
Humanização na SaúdeHumanização na Saúde
Humanização na Saúde
 
Aula 1 - Urgência e emergência
Aula 1 - Urgência e emergênciaAula 1 - Urgência e emergência
Aula 1 - Urgência e emergência
 
Politicas de saúde mental: organização da rede de assistência psicossocial no...
Politicas de saúde mental: organização da rede de assistência psicossocial no...Politicas de saúde mental: organização da rede de assistência psicossocial no...
Politicas de saúde mental: organização da rede de assistência psicossocial no...
 
Humanização Na Assistencia de Enfermagem
Humanização Na Assistencia de  EnfermagemHumanização Na Assistencia de  Enfermagem
Humanização Na Assistencia de Enfermagem
 
Processo de Enfermagem
Processo de Enfermagem Processo de Enfermagem
Processo de Enfermagem
 

Semelhante a Evolução do Trabalho de Enfermagem em Saúde Mental no Brasil

Seminário grupo c (1)
Seminário grupo c (1)Seminário grupo c (1)
Seminário grupo c (1)Tathiane Souza
 
AULA APRESENTAÇÃO PROCESSO HISTÓRICO DA PSIQUIATRIA E DA SAÚDE MENTAL.pdf
AULA APRESENTAÇÃO PROCESSO HISTÓRICO DA PSIQUIATRIA E DA SAÚDE MENTAL.pdfAULA APRESENTAÇÃO PROCESSO HISTÓRICO DA PSIQUIATRIA E DA SAÚDE MENTAL.pdf
AULA APRESENTAÇÃO PROCESSO HISTÓRICO DA PSIQUIATRIA E DA SAÚDE MENTAL.pdfRonaldoAlves895997
 
A história da psicologia hospitalar
A história da psicologia hospitalarA história da psicologia hospitalar
A história da psicologia hospitalarAnderson Souza
 
EVOLUÇAO DA ASSISTENCIA PSIQUIÁTRICA E PAPEL DO ENFERMEIRO PSIQUIATRICO
EVOLUÇAO DA ASSISTENCIA PSIQUIÁTRICA E PAPEL DO ENFERMEIRO PSIQUIATRICOEVOLUÇAO DA ASSISTENCIA PSIQUIÁTRICA E PAPEL DO ENFERMEIRO PSIQUIATRICO
EVOLUÇAO DA ASSISTENCIA PSIQUIÁTRICA E PAPEL DO ENFERMEIRO PSIQUIATRICOsara jane brazao pinto
 
EVOLUÇAO DA ASSISTENCIA PSIQUIÁTRICA E PAPEL DO ENFERMEIRO PSIQUIATRICO
EVOLUÇAO DA ASSISTENCIA PSIQUIÁTRICA E PAPEL DO ENFERMEIRO PSIQUIATRICOEVOLUÇAO DA ASSISTENCIA PSIQUIÁTRICA E PAPEL DO ENFERMEIRO PSIQUIATRICO
EVOLUÇAO DA ASSISTENCIA PSIQUIÁTRICA E PAPEL DO ENFERMEIRO PSIQUIATRICOsara jane brazao pinto
 
As teorias de enfermagem
As teorias de enfermagemAs teorias de enfermagem
As teorias de enfermagemjakemarques
 
Texto 5 psicologia e humanização
Texto 5   psicologia e humanizaçãoTexto 5   psicologia e humanização
Texto 5 psicologia e humanizaçãoPsicologia_2015
 
Serviço Social e Saúde Mental
Serviço Social e Saúde MentalServiço Social e Saúde Mental
Serviço Social e Saúde MentalCarol Alves
 
Pet e Clínica Ampliada
Pet e Clínica AmpliadaPet e Clínica Ampliada
Pet e Clínica Ampliadapetsmufrn
 
Um futuro incerto: Projetos e expectativas de familiares que convivem com pes...
Um futuro incerto: Projetos e expectativas de familiares que convivem com pes...Um futuro incerto: Projetos e expectativas de familiares que convivem com pes...
Um futuro incerto: Projetos e expectativas de familiares que convivem com pes...Simone Elisa Heitor
 
Opapeldoenfermeiroemsm 160515095244 (1)
Opapeldoenfermeiroemsm 160515095244 (1)Opapeldoenfermeiroemsm 160515095244 (1)
Opapeldoenfermeiroemsm 160515095244 (1)Rodrigo Professor
 
Texto 1 - ACONSELHAMENTO PSICOLOGICO
Texto 1 - ACONSELHAMENTO PSICOLOGICOTexto 1 - ACONSELHAMENTO PSICOLOGICO
Texto 1 - ACONSELHAMENTO PSICOLOGICOPsicologia_2015
 
Conteúdo_teórico_MODULO_3_Bioética_e_Atribuições
Conteúdo_teórico_MODULO_3_Bioética_e_AtribuiçõesConteúdo_teórico_MODULO_3_Bioética_e_Atribuições
Conteúdo_teórico_MODULO_3_Bioética_e_Atribuiçõesaagapesantamarcelina
 
Livro cuidado paliativo_cremesp
Livro cuidado paliativo_cremespLivro cuidado paliativo_cremesp
Livro cuidado paliativo_cremespLaryssasampaio
 

Semelhante a Evolução do Trabalho de Enfermagem em Saúde Mental no Brasil (20)

Seminário grupo c (1)
Seminário grupo c (1)Seminário grupo c (1)
Seminário grupo c (1)
 
AULA APRESENTAÇÃO PROCESSO HISTÓRICO DA PSIQUIATRIA E DA SAÚDE MENTAL.pdf
AULA APRESENTAÇÃO PROCESSO HISTÓRICO DA PSIQUIATRIA E DA SAÚDE MENTAL.pdfAULA APRESENTAÇÃO PROCESSO HISTÓRICO DA PSIQUIATRIA E DA SAÚDE MENTAL.pdf
AULA APRESENTAÇÃO PROCESSO HISTÓRICO DA PSIQUIATRIA E DA SAÚDE MENTAL.pdf
 
A história da psicologia hospitalar
A história da psicologia hospitalarA história da psicologia hospitalar
A história da psicologia hospitalar
 
EVOLUÇAO DA ASSISTENCIA PSIQUIÁTRICA E PAPEL DO ENFERMEIRO PSIQUIATRICO
EVOLUÇAO DA ASSISTENCIA PSIQUIÁTRICA E PAPEL DO ENFERMEIRO PSIQUIATRICOEVOLUÇAO DA ASSISTENCIA PSIQUIÁTRICA E PAPEL DO ENFERMEIRO PSIQUIATRICO
EVOLUÇAO DA ASSISTENCIA PSIQUIÁTRICA E PAPEL DO ENFERMEIRO PSIQUIATRICO
 
EVOLUÇAO DA ASSISTENCIA PSIQUIÁTRICA E PAPEL DO ENFERMEIRO PSIQUIATRICO
EVOLUÇAO DA ASSISTENCIA PSIQUIÁTRICA E PAPEL DO ENFERMEIRO PSIQUIATRICOEVOLUÇAO DA ASSISTENCIA PSIQUIÁTRICA E PAPEL DO ENFERMEIRO PSIQUIATRICO
EVOLUÇAO DA ASSISTENCIA PSIQUIÁTRICA E PAPEL DO ENFERMEIRO PSIQUIATRICO
 
As teorias de enfermagem
As teorias de enfermagemAs teorias de enfermagem
As teorias de enfermagem
 
Texto 5 psicologia e humanização
Texto 5   psicologia e humanizaçãoTexto 5   psicologia e humanização
Texto 5 psicologia e humanização
 
Serviço Social e Saúde Mental
Serviço Social e Saúde MentalServiço Social e Saúde Mental
Serviço Social e Saúde Mental
 
Teorias de enfermagem
Teorias de enfermagemTeorias de enfermagem
Teorias de enfermagem
 
apresentação saude mental.pptx
apresentação saude mental.pptxapresentação saude mental.pptx
apresentação saude mental.pptx
 
Conceções sobre hipnose
Conceções sobre hipnoseConceções sobre hipnose
Conceções sobre hipnose
 
Pet e Clínica Ampliada
Pet e Clínica AmpliadaPet e Clínica Ampliada
Pet e Clínica Ampliada
 
Um futuro incerto: Projetos e expectativas de familiares que convivem com pes...
Um futuro incerto: Projetos e expectativas de familiares que convivem com pes...Um futuro incerto: Projetos e expectativas de familiares que convivem com pes...
Um futuro incerto: Projetos e expectativas de familiares que convivem com pes...
 
Opapeldoenfermeiroemsm 160515095244 (1)
Opapeldoenfermeiroemsm 160515095244 (1)Opapeldoenfermeiroemsm 160515095244 (1)
Opapeldoenfermeiroemsm 160515095244 (1)
 
Texto 1 - ACONSELHAMENTO PSICOLOGICO
Texto 1 - ACONSELHAMENTO PSICOLOGICOTexto 1 - ACONSELHAMENTO PSICOLOGICO
Texto 1 - ACONSELHAMENTO PSICOLOGICO
 
Saude mental aula 3
Saude mental aula 3Saude mental aula 3
Saude mental aula 3
 
Conteúdo_teórico_MODULO_3_Bioética_e_Atribuições
Conteúdo_teórico_MODULO_3_Bioética_e_AtribuiçõesConteúdo_teórico_MODULO_3_Bioética_e_Atribuições
Conteúdo_teórico_MODULO_3_Bioética_e_Atribuições
 
Livro cuidado paliativo_cremesp
Livro cuidado paliativo_cremespLivro cuidado paliativo_cremesp
Livro cuidado paliativo_cremesp
 
Homeopatia
HomeopatiaHomeopatia
Homeopatia
 
Teorias de enfermagem
Teorias de enfermagemTeorias de enfermagem
Teorias de enfermagem
 

Mais de Aroldo Gavioli

Transtornos mentais orgânicos
Transtornos mentais orgânicosTranstornos mentais orgânicos
Transtornos mentais orgânicosAroldo Gavioli
 
Síndrome de dependência de substâncias – aspectos neurobiológicos
Síndrome de dependência de substâncias – aspectos neurobiológicosSíndrome de dependência de substâncias – aspectos neurobiológicos
Síndrome de dependência de substâncias – aspectos neurobiológicosAroldo Gavioli
 
Grupos terapêuticos e intervenção em família
Grupos terapêuticos e intervenção em famíliaGrupos terapêuticos e intervenção em família
Grupos terapêuticos e intervenção em famíliaAroldo Gavioli
 
O diagnóstico de enfermagem em saúde mental
O diagnóstico de enfermagem em saúde mentalO diagnóstico de enfermagem em saúde mental
O diagnóstico de enfermagem em saúde mentalAroldo Gavioli
 
Exame Físico em Saúde Mental
Exame Físico em Saúde MentalExame Físico em Saúde Mental
Exame Físico em Saúde MentalAroldo Gavioli
 
Rede de atenção em saude mental
Rede de atenção em saude mentalRede de atenção em saude mental
Rede de atenção em saude mentalAroldo Gavioli
 
Transtornos mentais e comportamentais devido ao uso de substância psicoativa
Transtornos mentais e comportamentais devido ao uso de substância psicoativaTranstornos mentais e comportamentais devido ao uso de substância psicoativa
Transtornos mentais e comportamentais devido ao uso de substância psicoativaAroldo Gavioli
 
Critérios de admissão em Unidade de Terapia Intensiva
Critérios de admissão em Unidade de Terapia IntensivaCritérios de admissão em Unidade de Terapia Intensiva
Critérios de admissão em Unidade de Terapia IntensivaAroldo Gavioli
 
Intervenção em crises
Intervenção em crisesIntervenção em crises
Intervenção em crisesAroldo Gavioli
 
Segurança do paciente em unidades de urgência
Segurança do paciente em unidades de urgênciaSegurança do paciente em unidades de urgência
Segurança do paciente em unidades de urgênciaAroldo Gavioli
 
Métodos dialíticos intermitentes
Métodos dialíticos intermitentesMétodos dialíticos intermitentes
Métodos dialíticos intermitentesAroldo Gavioli
 
Métodos dialíticos contínuos
Métodos dialíticos contínuosMétodos dialíticos contínuos
Métodos dialíticos contínuosAroldo Gavioli
 
Time de resposta rápida e escore news
Time de resposta rápida e escore newsTime de resposta rápida e escore news
Time de resposta rápida e escore newsAroldo Gavioli
 
Organização do sistema de saúde brasileiro, a atenção às urgências e o papel ...
Organização do sistema de saúde brasileiro, a atenção às urgências e o papel ...Organização do sistema de saúde brasileiro, a atenção às urgências e o papel ...
Organização do sistema de saúde brasileiro, a atenção às urgências e o papel ...Aroldo Gavioli
 

Mais de Aroldo Gavioli (20)

Transtornos mentais orgânicos
Transtornos mentais orgânicosTranstornos mentais orgânicos
Transtornos mentais orgânicos
 
Transtornos ansiosos
Transtornos ansiososTranstornos ansiosos
Transtornos ansiosos
 
Síndrome de dependência de substâncias – aspectos neurobiológicos
Síndrome de dependência de substâncias – aspectos neurobiológicosSíndrome de dependência de substâncias – aspectos neurobiológicos
Síndrome de dependência de substâncias – aspectos neurobiológicos
 
psicofarmacologia 2
psicofarmacologia 2psicofarmacologia 2
psicofarmacologia 2
 
Grupos terapêuticos e intervenção em família
Grupos terapêuticos e intervenção em famíliaGrupos terapêuticos e intervenção em família
Grupos terapêuticos e intervenção em família
 
O diagnóstico de enfermagem em saúde mental
O diagnóstico de enfermagem em saúde mentalO diagnóstico de enfermagem em saúde mental
O diagnóstico de enfermagem em saúde mental
 
Exame Físico em Saúde Mental
Exame Físico em Saúde MentalExame Físico em Saúde Mental
Exame Físico em Saúde Mental
 
Rede de atenção em saude mental
Rede de atenção em saude mentalRede de atenção em saude mental
Rede de atenção em saude mental
 
Drogas psicotrópica
Drogas psicotrópicaDrogas psicotrópica
Drogas psicotrópica
 
Doença de Alzheimer
Doença de AlzheimerDoença de Alzheimer
Doença de Alzheimer
 
Transtornos mentais e comportamentais devido ao uso de substância psicoativa
Transtornos mentais e comportamentais devido ao uso de substância psicoativaTranstornos mentais e comportamentais devido ao uso de substância psicoativa
Transtornos mentais e comportamentais devido ao uso de substância psicoativa
 
Psicofarmacologia
PsicofarmacologiaPsicofarmacologia
Psicofarmacologia
 
Critérios de admissão em Unidade de Terapia Intensiva
Critérios de admissão em Unidade de Terapia IntensivaCritérios de admissão em Unidade de Terapia Intensiva
Critérios de admissão em Unidade de Terapia Intensiva
 
Intervenção em crises
Intervenção em crisesIntervenção em crises
Intervenção em crises
 
Segurança do paciente em unidades de urgência
Segurança do paciente em unidades de urgênciaSegurança do paciente em unidades de urgência
Segurança do paciente em unidades de urgência
 
Métodos dialíticos intermitentes
Métodos dialíticos intermitentesMétodos dialíticos intermitentes
Métodos dialíticos intermitentes
 
Métodos dialíticos contínuos
Métodos dialíticos contínuosMétodos dialíticos contínuos
Métodos dialíticos contínuos
 
Transtornos do humor
Transtornos do humorTranstornos do humor
Transtornos do humor
 
Time de resposta rápida e escore news
Time de resposta rápida e escore newsTime de resposta rápida e escore news
Time de resposta rápida e escore news
 
Organização do sistema de saúde brasileiro, a atenção às urgências e o papel ...
Organização do sistema de saúde brasileiro, a atenção às urgências e o papel ...Organização do sistema de saúde brasileiro, a atenção às urgências e o papel ...
Organização do sistema de saúde brasileiro, a atenção às urgências e o papel ...
 

Evolução do Trabalho de Enfermagem em Saúde Mental no Brasil

  • 1. ALGUMAS REFLEXÕES SOBRE A EVOLUÇÃO DO TRABALHO DA ENFERMAGEM EM SAÚDE MENTAL NO BRASIL Prof. Me. Aroldo Gavioli
  • 2. Obra: o manto do juízo final de Arthur Bispo do Rosário
  • 3. O TRABALHO DE ENFERMAGEM NA SOCIEDADE CAPITALISTA Marco inicial: 9 de julho de 1860 - emergência do sistema capitalista europeu Divisão social e técnica do trabalho. Relações de compra e venda de força de trabalho. Em seu DNA: divisão do trabalho e a utilização de mulheres. Trabalho doméstico e mal remunerado.
  • 4. CARACTERÍSTICAS DA DIVISÃO SOCIAL E TÉCNICA DO TRABALHO DE ENFERMAGEM Padrão curricular hegemônico com duas categorias: as lady-nurses e as nurses. As primeiras, oriundas da burguesia → o ensino e supervisão. As nurses, oriundas da classe baixa → execução do cuidado direto dos doentes.
  • 5. TREINAMENTO DISCIPLINAR X SABER DE ENFERMAGEM Transformação do espaço hospitalar em local de cura. Disciplinamento dos trabalhadores e das tarefas. Direção médica. Espaço geográfico imediato – limpeza, luz, calor e outros – e não aos cuidados dos doentes diretamente. O objeto de trabalho de enfermagem vem se transformando, não é estático.
  • 6. ENFERMAGEM: PRÁTICA HISTORICAMENTE ESTRUTURADA Práticas determinadas pelas relações sociais de cada momento histórico. • Especializada, dividida e hierarquizada de acordo com a complexidade de concepção e execução. Autônoma: • porém subordina-se aos “atos médicos” O processo de trabalho: • Finalidade – a ação terapêutica de saúde • Objeto – o indivíduo ou grupos • Instrumental de trabalho – nível técnico do conhecimento que é o saber de saúde. • Produto final - prestação da assistência de saúde.
  • 7. O TRABALHO DE ENFERMAGEM EM SAÚDE MENTAL NO PROCESSO DE EMERGÊNCIA DA ENFERMAGEM MODERNA Nascimento da psiquiatria: Primeira especialidade médica Medicina moderna → interesse no corpo individual → Perspectiva totalizante. Estratégia de controle social na modernidade. Projeto de conhecimento e transformação da sociedade, característico da Europa do século XVIII. No Brasil, se fez presente a partir do século XIX.
  • 8. CRIAÇÃO DO HOSPÍCIO Inserção do "louco" em normas de higiene. A loucura adquiriu o "estatuto de doença mental” Doença adjetivada → saber médico específico, técnica e métodos também específicos. Encontro entre uma prática social sistemática de reclusão de incapazes e um pensar médico positivo.
  • 9. O HOSPÍCIO MODERNO: Substitui enfermarias em Santa Casas e Misericórdias. Visa reordenação do espaço de exclusão dos considerados loucos. Busca interferir na sociedade "sadia" com o objetivo de reduzir as causas de alienação. Aplicação de princípios científicos à vida social e política. Higiene social, além da higiene física.
  • 10. A ENFERMAGEM Participante desse processo. Papel importante relacionado ao conhecimento e organização interna do espaço asilar/hospitalar. "Enfermeiro" Pussin: • Importante ideólogo e colaborador de Pinel nas intervenções reformistas nos asilos franceses de Bicêtre e Salpetrière.
  • 11. NO BRASIL: 1890: • Criação de uma primeira escola de enfermagem ligada ao Hospital Nacional de Alienados, a Escola Profissional de Enfermeiros e Enfermeiras, inspirada no modelo francês. Objetivava a preparação de pessoal para o trabalho de cuidar dos alienados num espaço medicamente concebido e, portanto, necessitado de mão-de-obra também médico-cientificamente orientada.
  • 12. A PSIQUIATRIA E A ENFERMAGEM PSIQUIÁTRICA SURGIRAM NO HOSPÍCIO. Hospício: • Instituição disciplinar para reeducação do louco/alienado. Médico/alienista: • Figura de autoridade a ser respeitada e imitada nesse projeto pedagógico. Trabalhadores de enfermagem: • Atores coadjuvantes nesse processo, os executores da ordem disciplinar emanada dos médicos.
  • 13. OS LOUCOS NÃO FORAM OBJETO DE INTERESSE EXPLÍCITO PARA A ENFERMAGEM MODERNA Os cursos eram orientados por médicos. Acompanhou o processo de medicalização dos asilos. A Escola Anna Nery, fundada em 1923, não incluiu em seu currículo, até o ano de 1949, nenhuma matéria relacionada às doenças mentais. A formação existente na época tinha o objetivo de formar profissionais para os hospitais psiquiátricos e militares existentes no país. Instrução e profissionalização de mulheres pobres = subordinação garantida dessas aos médicos.
  • 14. MOTIVAÇÕES PARA TRABALHAR NOS ESTABELECIMENTOS PSIQUIÁTRICOS: A enfermagem passou a ser profissão e adquiriu certa valorização social. Alternativa de profissionalização principalmente para as mulheres pobres. Possibilidade de ascensão social. Formação relacionada com o processo de transformação dos asilos em espaço terapêutico da loucura e às necessidades de disciplinarização de um determinado segmento social.
  • 15. A REFORMA PSIQUIÁTRICA NO BRASIL Após II Guerra Mundial • Emergência dos movimentos de contestação do saber e práticas psiquiátricas. • Psiquiatria de Setor na França • Comunidades Terapêuticas na Inglaterra • Psiquiatria Preventiva nos EUA Movimentos de "reforma" da assistência psiquiátrica no sentido de apontarem para um rearranjo técnico-científico e administrativo da Psiquiatria, sem a radicalidade da desisntitucionalização, proposta pelo movimento italiano, a partir de 1960.
  • 16. REFORMA PSIQUIÁTRICA NO BRASIL 1º momento: Trajetória alternativa: As ideias de Foucault, Goffman, Castel, Szaz, Basaglia e outros tiveram forte influência na psiquiatria brasiliera. 2º momento: trajetória institucionalizante: ideia de que uma nova administração estatal resolveria os problemas de saúde/saúde mental da população. 3º momento: desisntitucionalização – “Por uma sociedade sem manicômios” – Influência de Franco Basaglia.
  • 17. REFORMA PSIQUIÁTRICA NO BRASIL Desisntitucionalização foi o processo crítico-prático para a reorientação de todos os elementos constitutivos da instituição para este objeto bastante diferente do anterior: • [...] Mas, se o objeto ao invés de ser "a doença" torna-se a "existência-sofrimento dos pacientes". Como processo histórico, insere-se numa totalidade complexa e dinâmica, portanto, também determinado nacionalmente pelo processo de redemocratização em curso no País a partir daquela época.
  • 18. TRABALHO DE ENFERMAGEM EM SAÚDE MENTAL ATUALMENTE CARACTERIZA-SE: Transição entre uma prática de cuidado hospitalar que visava a contenção do comportamento dos "doentes mentais". Incorporação de princípios novos e desconhecidos. Adequação a uma prática interdisciplinar, aberta às contingências dos sujeitos envolvidos em cada momento e em cada contexto. Superação da perspectiva disciplinar das ações. Período crítico para a profissão e favorável para o conhecimento e análise do processo de trabalho nessa área.
  • 19. ENFERMAGEM COMO UM INSTRUMENTO DO SEU PROCESSO DE TRABALHO Historicamente Hospício – compreendido como a reclusão, os métodos físicos, a figura de autoridade do médico/alienista e a disciplina e higiene impostas pelos enfermeiros. Instrumento adequado para a finalidade - cura/reeducação do "louco" - nesse momento considerado "alienado". atualmente Instrumentos materiais - CAPS (Centros de Atendimento Psicossocial); hospitais- dia, enfermarias e ambulatórios em hospitais gerais. Instrumentos não materiais do Enfermeiro: ????
  • 20. TRABALHO DE ENFERMAGEM EM SAÚDE MENTAL Várias tendências teóricas influenciando a prática psiquiátrica atualmente. • Deficiências no processo de formação de enfermeiros que atuam em psiquiatria. • Indefinição dos profissionais de enfermagem psiquiátrica sobre o seu papel na assistência. "Fuga" e indefinição de seu papéis. • "agente terapêutico” • Auxiliar o paciente a aceitar a si próprio e a melhorar as suas relações pessoais" • O trabalho centra-se no desenvolvimento de atividades burocrático-administrativas.
  • 21. SERVIÇOS EXTRA HOSPITALARES CAPS: • os enfermeiros são aqueles que menos realizam atendimentos diretos à clientela • Gerenciamento intermediário que organiza e facilita o trabalho de toda a equipe. “A maioria dos enfermeiros não se sente preparada para atuar em Enfermagem Psiquiátrica ou Saúde Mental” • “Não está adequadamente informada sobre as mudanças políticas que vêm ocorrendo na área” → Práticas tradicionais: ocupam-se da "doença mental" pautado pelo modelo organicista - não se percebem como agentes de transformação dessa realidade.
  • 22. DISTÂNCIA ENTRE O DISCURSO E O TRABALHO DE ENFERMAGEM ÁREA: "doente mental” → "portador de transtornos mentais" → características psicossociais. • Grande parte do tempo: atividades administrativo-burocráticas e não de administração da assistência, que é uma atividade de enfermagem. Meio/instrumento do trabalho médico e psicológico, com escassa ou nenhuma atuação técnico-assistencial específica. • Falta incorporação de trabalhadores "atípicos" na equipe. • Admite a noção de "cura" ao invés da reabilitação, reinserção social. • Falta a escuta e a valorização do sujeito-cidadão que sofre mentalmente.
  • 23. RELAÇÕES DE PODER Pressuposto: • Coexistência de ações técnicas privativas dos profissionais e a execução de algumas ações comuns com tendência à horizontalização das relações de poder. O que se observa? • Tensão no aspecto dos valores dos diferentes trabalhos • Relações hierárquicas são mantidas e reproduzidas, principalmente entre os profissionais médicos e não-médicos • Salário. • Médico é o responsável pela atenção ao usuário.
  • 24. AUTONOMIA PROFISSIONAL Falta de autonomia. • Ingerência do médico na assistência de enfermagem. • Submissão do trabalho de enfermagem ao trabalho médico. Porque os enfermeiros permanecem comodamente nessa situação? • Enfermeiros: dificuldade na definição do objeto de trabalho no paradigma da Reforma Psiquiátrica. • Pouca visibilidade do trabalho do enfermeiro em saúde mental.
  • 25. REFORMA PSIQUIÁTRICA: • Potencialidade implícita de autonomia profissional dos enfermeiros. • Utilização de mecanismos de resistência velada, difusa e até explícita aos saberes e práticas médico-psiquiátricas dominantes. • Apensar da sujeição à ideologia dominante → possibilidade de ruptura com essa ideologia. • Superação das práticas custodiais e burocráticas do trabalho de enfermagem em saúde mental. Resgate os atores envolvidos (trabalhadores e usuários) como sujeitos sociais.
  • 26. CONCLUSÃO: Trabalho de enfermagem em saúde mental, marcado historicamente pelo modelo médico disciplinador de sujeitos e de comunidades, onde as práticas de enfermagem eram subordinadas e coadjuvantes do processo médico-político disciplinador.
  • 27. CONCLUSÃO: O enfermeiro é, potencialmente, importante agente de mudança. A potencialidade estará diretamente relacionada ao grau de consciência desses trabalhadores.
  • 28. CONCLUSÃO: Quanto mais consciente de sua condição pessoal e social, de seu papel de trabalhador inserido num contexto social e de cidadão num sistema político, mais apto estará para eleger instrumentos de trabalho que visem o resgate dessa mesma condição de sujeito- cidadão às pessoas com transtornos mentais. Quanto menos consciente de sua condição de sujeito social e de cidadão, mais aderido estará ao antigo modelo médico-disciplinar e mais subordinada e coadjuvante será a sua atuação nas intervenções desse modelo.
  • 29. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: Oliveira Alice G. Bottaro de, Alessi Neiry Primo. O trabalho de enfermagem em saúde mental: contradições e potencialidades atuais. Rev. Latino-Am. Enfermagem. 2003; 11( 3 ): 333-340. Silveira, Renato Diniz. (2008). A correspondência entre Juliano Moreira e Hermelino Lopes Rodrigues: as relações de um mestre e seu discípulo na constituição do campo psiquiátrico em Minas Gerais. Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, 11(2), 315-328.