e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes
Escola Técnica Aberta do Brasil
Vigilância em Saúde
Ectoparasitas e Animais
Peçonhentos
Wilson da Silva
Ministério da
Educação
e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes
Escola Técnica Aberta do Brasil
Vigilância em Saúde
Ectoparasitas e Animais
Peçonhentos
Wilson da Silva
Montes Claros - MG
2011
Ministro da Educação
Fernando Haddad
Secretário de Educação a Distância
Carlos Eduardo Bielschowsky
Coordenadora Geral do e-Tec Brasil
Iracy de Almeida Gallo Ritzmann
Governador do Estado de Minas Gerais
Antônio Augusto Junho Anastasia
Secretário de Estado de Ciência, Tecnologia
e Ensino Superior
Alberto Duque Portugal
Reitor
João dos Reis Canela
Vice-Reitora
Maria Ivete Soares de Almeida
Pró-Reitora de Ensino
Anete Marília Pereira
Diretor de Documentação e Informações
Huagner Cardoso da Silva
Coordenador do Ensino Profissionalizante
Edson Crisóstomo dos Santos
Diretor do Centro de Educação Profissonal e
Tecnólogica - CEPT
Maísa Tavares de Souza Leite
Diretor do Centro de Educação à Distância
- CEAD
Jânio Marques Dias
Coordenadora do e-Tec Brasil/Unimontes
Rita Tavares de Mello
Coordenadora Adjunta do e-Tec Brasil/
CEMF/Unimontes
Eliana Soares Barbosa Santos
Coordenadores de Cursos:
Coordenador do Curso Técnico em Agronegócio
Augusto Guilherme Dias
Coordenador do Curso Técnico em Comércio
Carlos Alberto Meira
Coordenador do Curso Técnico em Meio
Ambiente
Edna Helenice Almeida
Coordenador do Curso Técnico em Informática
Frederico Bida de Oliveira
Coordenador do Curso Técnico em
Vigilância em Saúde
Simária de Jesus Soares
Coordenador do Curso Técnico em Gestão
em Saúde
Zaida Ângela Marinho de Paiva Crispim
Ectoparasitas e Animais Peçonhentos
e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes
Elaboração
Wilson da Silva
Projeto Gráfico
e-Tec/MEC
Supervisão
Wendell Brito Mineiro
Diagramação
Hugo Daniel Duarte Silva
Marcos Aurélio de Almeida e Maia
Impressão
Gráfica RB Digital
Designer Instrucional
Angélica de Souza Coimbra Franco
Kátia Vanelli Leonardo Guedes Oliveira
Revisão
Maria Ieda Almeida Muniz
Patrícia Goulart Tondineli
Rita de Cássia Silva Dionísio
Presidência da República Federativa do Brasil
Ministério da Educação
Secretaria de Educação a Distância
e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas e Animais Peçonhentos
AULA 1
Alfabetização Digital
3
Prezado estudante,
Bem-vindo ao e-Tec Brasil/Unimontes!
Você faz parte de uma rede nacional pública de ensino, a Escola
Técnica Aberta do Brasil, instituída pelo Decreto nº 6.301, de 12 de dezembro
2007, com o objetivo de democratizar o acesso ao ensino técnico público,
na modalidade a distância. O programa é resultado de uma parceria entre
o Ministério da Educação, por meio das Secretarias de Educação a Distancia
(SEED) e de Educação Profissional e Tecnológica (SETEC), as universidades e
escola técnicas estaduais e federais.
A educação a distância no nosso país, de dimensões continentais e
grande diversidade regional e cultural, longe de distanciar, aproxima as pes-
soas ao garantir acesso à educação de qualidade, e promover o fortalecimen-
to da formação de jovens moradores de regiões distantes, geograficamente
ou economicamente, dos grandes centros.
O e-Tec Brasil/Unimontes leva os cursos técnicos a locais distantes
das instituições de ensino e para a periferia das grandes cidades, incenti-
vando os jovens a concluir o ensino médio. Os cursos são ofertados pelas
instituições públicas de ensino e o atendimento ao estudante é realizado em
escolas-polo integrantes das redes públicas municipais e estaduais.
O Ministério da Educação, as instituições públicas de ensino técnico,
seus servidores técnicos e professores acreditam que uma educação profis-
sional qualificada – integradora do ensino médio e educação técnica, – não só
é capaz de promover o cidadão com capacidades para produzir, mas também
com autonomia diante das diferentes dimensões da realidade: cultural, so-
cial, familiar, esportiva, política e ética.
Nós acreditamos em você!
Desejamos sucesso na sua formação profissional!
Ministério da Educação
Janeiro de 2010
Apresentação e-Tec Brasil/Unimontes
e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas e Animais Peçonhentos
AULA 1
Alfabetização Digital
5
Indicação de ícones
Os ícones são elementos gráficos utilizados para ampliar as formas
de linguagem e facilitar a organização e a leitura hipertextual.
Atenção: indica pontos de maior relevância no texto.
Saiba mais: oferece novas informações que enriquecem o assunto ou
“curiosidades” e notícias recentes relacionadas ao tema estudado.
Glossário: indica a definição de um termo, palavra ou expressão utilizada
no texto.
Mídias integradas: possibilita que os estudantes desenvolvam atividades
empregando diferentes mídias: vídeos, filmes, jornais, ambiente AVEA e
outras.
Atividades de aprendizagem: apresenta atividades em diferentes níveis
de aprendizagem para que o estudante possa realizá-las e conferir o seu
domínio do tema estudado.
e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas e Animais Peçonhentos
AULA 1
Alfabetização Digital
Sumário
7
Palavra do professor conteudista............................................ 11
Projeto instrucional............................................................ 13
Aula 1 – Ectoparasitas: conceito e pulgas................................... 15
	 1.1 Conceitos de ectoparasitas......................................... 15
	 1.2 Biologia e comportamento das pulgas............................ 15
	 1.3 As espécies mais importantes na saúde pública ................ 18
	Resumo.................................................................... 20
	 Atividades de Aprendizagem............................................ 20
Aula 2 – Ectoparasitas: pulgas................................................ 21
	 2.1 Métodos de prevenção.............................................. 21
	2.2 Métodos de controle mecânico..................................23
	2.3 Controle químico....................................................23
	Resumo.................................................................... 24
	 Atividades de Aprendizagem............................................ 24
Aula 3 – Ectoparasitas: bicho-de-pé......................................... 25
	 3.1 Biologia e comportamento do bicho de pé....................... 25
	 3.2 Sintomas de Tunga penetran.....................................27
	 3.3 Métodos de prevenção.............................................. 28
	 3.4 Métodos de controle...............................................29
	Resumo.................................................................... 30
	 Atividades de Aprendizagem............................................ 30
Aula 4 – Ectoparasitas: piolhos da cabeça em humanos.................. 31
	 4.1 Biologia e comportamento do piolho da cabeça................. 31
	 4.2 Sintomas de Pediculus humanus var capitis...................32
	 4.3 Métodos de prevenção.............................................. 33
	 4.4 Métodos de controle...............................................34
	Resumo.................................................................... 36
	 Atividades de Aprendizagem............................................ 36
Aula 5 – Ectoparasitas: percevejo de cama................................37
	 5.1 Biologia e comportamento do percevejo de cama.............37
	 5.2 Sintomas de Cimex lectularius...................................39
	 5.3 Métodos de prevenção do percevejo de cama................... 40
	 5.4 Métodos de controle...............................................40
	Resumo.................................................................... 41
	 Atividades de Aprendizagem............................................ 41
Aula 6 – Ectoparasitas: ácaros do pó doméstico........................... 43
	 6.1 Biologia e comportamento do ácaro.............................. 43
	 6.2 Sintomas do ácaro da poeira...................................... 45
	Resumo.................................................................... 47
	 Atividades de Aprendizagem............................................ 47
e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilância em Saúde8
Aula 7 – Ectoparasitas: ácaros do pó doméstico........................... 49
	 7.1 Métodos de prevenção e de controle.............................49
	 7.2 Métodos de controle químico....................................... 51
	Resumo.................................................................... 52
	 Atividades de Aprendizagem............................................ 53
Aula 8 – Ectoparasitas: carrapatos em humanos........................... 55
	 8.1. Biologia e comportamento dos carrapatos...................... 55
	 8.2 Biologia e comportamento do carrapato da família Ixodidae.57
	Resumo.................................................................... 60
	 Atividades de Aprendizagem............................................ 60
Aula 9 – Ectoparasitas: carrapatos em humanos........................... 61
	 9.1 Biologia e comportamento do carrapato da família Argasidae .61
	 9.2 Espécies de carrapatos mais comuns no Brasil ................62
	 9.3 Doenças transmitidas pelos carrapatos, patógenos veiculados 	
	 e sintomas................................................................63
	Resumo.................................................................... 66
	 Atividades de Aprendizagem............................................ 66
Aula 10 – Ectoparasitas: carrapatos em humanos.......................... 67
	10.1 Métodos de prevenção............................................. 67
	 10.2 Métodos de controle.............................................68
	Resumo.................................................................... 69
	 Atividades de Aprendizagem............................................ 69
Aula 11 – Ectoparasitas: larva migrans cutânea..........................71
	11.1. Biologia e comportamento da larva migrans cutânea.......71
	 11.2 Sintomas da larva migrans cutânea (LMC)..................... 72
	 11.3 Tratamento da larva migrans cutânea (LMC)................. 73
	11.4 Métodos de prevenção e controle............................... 74
	Resumo.................................................................... 75
	 Atividades de aprendizagem........................................... 75
Aula 12 – Animais peçonhentos............................................... 77
	 12.1 Conceitos de animais peçonhentos e de animais venenosos .77
	 12.2 Medidas de prevenção contra animais peçonhentos e animais .	
	venenosos ................................................................ 78
	Resumo.................................................................... 80
	 Atividades de aprendizagem............................................ 80
Aula 13 – Animais peçonhentos: Escorpiões ................................ 81
	 13.1 Biologia e comportamento dos escorpiões ..................... 81
	 13.2 Escorpião: vida, alimentação e hábitos ......................... 82
	Resumo.................................................................... 84
	 Atividades de Aprendizagem............................................ 84
Aula 14 – Animais peçonhentos: Escorpiões................................. 85
	 14.1 Métodos de prevenção e controle................................ 85
	 14.2 As espécies mais importantes na saúde pública ............... 86
	 14.3 Sintomas, tratamento e primeiros socorros .................... 89
	Resumo.................................................................... 90
e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas e Animais Peçonhentos 9
	 Atividades de Aprendizagem............................................ 90
Aula 15 – Animais peçonhentos: Aranhas ................................... 91
	 15.1 Biologia e comportamento das aranhas......................... 91
	 15.2 Métodos de prevenção, controle e sintomas.................... 94
	 15.3 As espécies mais importantes na saúde pública ............... 95
	Resumo...................................................................100
	 Atividades de Aprendizagem...........................................100
Aula 16 – Animais peçonhentos: Serpentes................................101
	 16.1 Biologia e comportamento das serpentes......................101
	 16.2 Métodos de prevenção de acidentes, primeiros socorros e sinto	
	mas........................................................................103
	 16.3 As espécies mais importantes na saúde pública no Brasil...104
	Resumo................................................................... 110
	 Atividades de Aprendizagem........................................... 110
Aula 17 – Animais peçonhentos: Lacraias.................................. 111
	 17.1 Biologia e comportamento das lacraias......................... 111
	 17.2 Métodos de prevenção de acidentes e sintomas.............. 112
	 17.3 As espécies mais importantes na saúde pública .............. 113
	Resumo................................................................... 114
	 Atividades de Aprendizagem........................................... 114
Aula 18 – Animais peçonhentos: abelhas, vespas e formigas............ 115
	 18.1 Biologia e comportamento das abelhas, vespas e formigas.. 115
	18.2 Métodos de prevenção de acidentes com abelhas, vespas e for	
	migas, primeiros socorros e sintomas...............................116
	 18.3 As espécies mais importantes na saúde pública no Brasil... 119
	Resumo................................................................... 121
	 Atividades de Aprendizagem........................................... 121
Aula 19 – Animais peçonhentos: lagartas...................................123
	 19.1 Biologia e diferenças entre borboletas e mariposas..........123
	19.2 Lepidóptera: Lonomia obliqua chamada de taturana assassi..	
	na..........................................................................125
	 19.3 Acidentes com taturanas da família Saturniidae............ 126
	Resumo...................................................................127
	 Atividades de Aprendizagem...........................................127
Referências.....................................................................128
Currículo do professor conteudista.........................................130
e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas e Animais Peçonhentos
AULA 1
Alfabetização Digital
11
Palavra do professor conteudista
Prezados alunos, sejam todos bem-vindos.
É com grande entusiasmo que estamos iniciando a nossa disciplina:
Ectoparasitas e Animais Peçonhentos.
O nosso objetivo nesta disciplina é dar conhecimento a todos os
alunos em Vigilância em Saúde, no módulo referente as Zoonoses, princi-
palmente, às oriundas das ectoparasitas e dos animais peçonhentos; com-
preender como se deve referir às atividades de prevenção das doenças e
manejo ambiental e, como as diferentes espécies de ectoparasitas e animais
peçonhentos provocam acidentes aos seres humanos; mobilizar ações de pre-
venção e controle das zoonoses, especialmente, no ambiente domiciliar e
peridomiciliar; bem como, conscientizar a população quanto à importância
da limpeza em todos os espaços da comunidade e quanto às condições do
terreno adequadas para que haja o controle dos ectoparasitas e dos ani-
mais peçonhentos. Apresentamos aqui uma visão abrangente da disciplina,
distribuída em aulas, com vários tópicos importantes, como definição de
ectoparasitas - biologia, comportamento, prevenção, controle e importância
dos ectoparasitas como pulgas, bicho-de-pé, piolho da cabeça, percevejo
de cama, ácaros do pó doméstico, carrapatos em humanos e larva migrans
cutânea na saúde pública. Apresentamos, ainda, conceitos de animais
peçonhentos e venenosos - biologia, comportamento, prevenção, controle,
acidentes e importância dos animais peçonhentos como escorpiões, aranha,
serpente, lacraias, abelhas, vespas, formigas e lagartas na saúde pública e
outros tópicos complementares da disciplina que são imprescindíveis para
sua formação. São temas que irão lhes auxiliar na sua formação profissional
e pessoal.
Busquei, de forma simples e resumida, contextualizar a nossa dis-
ciplina para melhor compreensão, no intuito de atingirmos os objetivos pro-
postos. Ressaltamos que se torna necessário o conhecimento de conceitos
relativos à disciplina, bem como, a interpretação de tabelas e figuras.
Desejo todo o êxito na conclusão da nossa disciplina. Que o seu
aprendizado eleve o seu conhecimento. Estou certo de que edificaremos,
juntos, esta caminhada.
Portanto, vamos começar os nossos estudos.
Abraços cordiais.
Prof. Wilson da Silva
e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas e Animais Peçonhentos
AULA 1
Alfabetização Digital
13
Projeto instrucional
Disciplina: Ectoparasitas e Animais Peçonhentos (carga horária:
60 h).
Ementa: Ectoparasitas e Animais Peçonhentos: saneamento bá-
sico e do meio: saneamento do ar, da água e do lixo, das habitações e dos
locais de trabalho; seleção, descarte e reciclagem de lixo; epidemiologia:
prevenção e controle de doenças infecto-contagiosas e infecto-parasitárias;
noções sobre o método epidemiológico, métodos de investigação, tipos de
estudo, conceito de risco, medidas das doenças, indicadores de saúde, aná-
lise de dados, aplicações e usos da Epidemiologia; fundamentos de saúde
pública.
AULA OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
MATERIAIS
CARGA
HORÁRIA
Aula 1 – Ectopara-
sitas: conceito e
pulgas
Inserir o conhecimento em ectopa-
rasitas, biologia e comportamento
das pulgas
Caderno
didático.
03
Aula 2 – Ectoparasi-
tas: pulgas
Oferecer uma visão sobre métodos
de prevenção, controle mecânico e
químico das pulgas.
Caderno
didático.
03
Aula 3 – Ectoparasi-
tas: bicho-de-pé
Conhecer a importância da bio-
logia, comportamento, sintomas,
prevenção, controle de bicho-de-pé,
Tunga penetran.
Caderno
didático.
03
Aula 4 – Ectopara-
sitas: piolhos da ca-
beça em humanos
Descrever a importância da bio-
logia, comportamento, sintomas,
prevenção, controle de piolhos da
cabeça, Pediculus humanus var
capitis.
Caderno
didático.
03
Aula 5 – Ectopara-
sitas: percevejo de
cama
Conhecer a importância da bio-
logia, comportamento, sintomas,
prevenção, controle do percevejo
de cama, Cimex lectularius.
Caderno
didático.
03
Aula 6 – Ectopara-
sitas: ácaros do pó
doméstico
Entender a importância da biolo-
gia, comportamento e sintomas do
ácaro da poeira.
Caderno
didático.
03
Aula 7 – Ectopara-
sitas: ácaros do pó
doméstico
Oferecer uma visão sobre méto-
dos de prevenção e de controle do
ácaro da poeira.
Caderno
didático.
03
Aula 8 – Ectoparasi-
tas: carrapatos em
humanos
Conhecer a importância da biolo-
gia, comportamento do carrapato
da família Ixodidae
Caderno
didático.
03
e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilância em Saúde14
Aula 9 – Ectopara-
sitas: carrapatos
em humanos
Entender a importância da bio-
logia, comportamento, sintomas
do carrapato da família Argasidae
e outras espécies de carrapatos
mais comuns no Brasil.
Caderno
didático.
03
Aula 10 – Ectopa-
rasitas: carrapatos
em humanos
Oferecer uma visão sobre méto-
dos de prevenção e controle dos
carrapatos.
Caderno
didático.
03
Aula 11 – Ectopara-
sitas: larva migrans
cutânea
Entender a importância da biolo-
gia, comportamento, sintomas, tra-
tamento e métodos de prevenção e
controle da larva migrans cutânea.
Aula 12 – Animais
peçonhentos
Identificar os conceitos de animais
peçonhentos e venenosos e medi-
das de prevenção.
Caderno
didático.
03
Aula 13 – Animais
peçonhentos: Es-
corpiões
Conhecer a importância da bio-
logia, comportamento, sintomas,
vida, alimentação e hábitos do
escorpião.
Caderno
didático.
03
Aula 14 – Animais
peçonhentos: Es-
corpiões
Entender a importância dos sinto-
mas, método de prevenção e con-
trole das espécies escorpiões mais
importantes na saúde pública.
Caderno
didático.
03
Aula 15 – Animais
peçonhentos:
Aranhas
Conhecer a importância da biolo-
gia, comportamento, método de
prevenção, controle e espécies de
aranhas mais importantes na saúde
pública.
Caderno
didático.
03
Aula 16 – Animais
peçonhentos: Ser-
pentes
Descrever a importância da biolo-
gia, comportamento, prevenção,
sintomas das serpentes.
Caderno
didático.
03
Aula 17 – Animais
peçonhentos:
Lacraias
Entender a importância da biolo-
gia, comportamento, prevenção
de acidentes, primeiros socorros e
sintomas das lacraias.
Caderno
didático.
03
Aula 18 – Animais
peçonhentos:
abelhas, vespas e
formigas
Descrever a importância da bio-
logia, comportamento, método
de prevenção, controle e espécies
mais importantes das abelhas,
vespas e formigas.
Caderno
didático.
03
Aula 19 – Animais
peçonhentos:
lagartas
Conhecer a biologia e a diferen-
ça entre borboletas e mariposas,
importância sobre Lonomia obliqua
e acidentes com taturanas.
Caderno
didático.
03
Aula 20 – Ectopara-
sitas: larva migrans
cutânea
Entender a importância da biolo-
gia, comportamento, sintomas, tra-
tamento e métodos de prevenção e
controle da larva migrans cutânea.
e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas e Animais Peçonhentos
AULA 1
Alfabetização Digital
15
Aula 1 – Ectoparasitas: conceito e pulgas
Objetivos
•	 Inserir o conhecimento em ectoparasitas;
•	 Descrever a importância da biologia e do comportamento das
pulgas;
•	 Listar as espécies mais importantes de pulgas na saúde pública.
1.1 Conceitos de ectoparasitas
São indivíduos denominados por ectoparasitas ou parasitas exter-
nos os que vivem sobre o corpo do hospedeiro, no exterior do corpo do hos-
pedeiro. Como exemplos há os carrapatos, as pulgas, os piolhos, o percevejo
de cama, os ácaros, o bicho-de-pé e a larva migrans cutânea. Há outros
conceitos sobre ectoparasitas, de acordo com Hopla:
Ectoparasitas são organismos que habitam a pele de um ou-
tro organismo, denominado hospedeiro, por determinado
período de tempo, dependendo totalmente de seus hospe-
deiros para sua sobrevivência, podendo ter efeito prejudicial
na saúde destes.(Hopla et al. 1994).
1.2 Biologia e comportamento das pulgas
As pulgas são ectoparasitos que pertencem à ordem Siphonaptera,
parasitando aves e mamíferos. Pequenos insetos com menos de 5 milímetros
de comprimento e sem asas, possuem três pares de pernas extremamente
fortes, especialmente o par posterior, que possibilitam as pulgas se movimen-
tarem velozmente e pularem distâncias muito maiores que o comprimento
de seu corpo. São achatadas, verticalmente, o que facilita seu movimento
entre os pêlos ou penas do hospedeiro. As partes bucais são adaptadas para
cortar a pele e sugar o sangue do hospedeiro. Os olhos são reduzidos ou
mesmo ausentes. Elas possuem coloração marrom avermelhada, corpo endu-
recido, que é difícil de esmagar entre os dedos para matar.
É importante ressaltar que as pulgas infestam locais com tranquilida-
de, dentro de casa ou em outros abrigos que são lugares propícios para o seu
desenvolvimento. A falta de movimento facilita os processos biológicos que in-
duzem as larvas a eclodirem dos ovos e os adultos a saírem de suas pupas.
Precisamos ressaltar que as pulgas trazem desconforto com sensa-
ção de coceiras ao corpo do homem e dos animais, além de proporcionarem
doenças como dermatites alérgicas e algumas doenças originadas por bacté-
Caro aluno, repare
como este ponto
é importante. Os
inseticidas são
impenetráveis nos
ovos e nas pupas das
pulgas, ou seja, não as
eliminam. Para as larvas
e os adultos da pulga, os
inseticidas são eficazes.
Deste modo, o controle
deste inseto deve
ser feito por meio de
medidas preventivas ou
curativas (de controle)
mais utilizados.
e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilância em Saúde16
rias, como peste bubônica, tularemia e salmonelose. Elas também transmi-
tem vermes e viroses. Embora alguns indivíduos não sintam as picadas das
pulgas, a irritação causada pelas secreções salivares delas pode se agravar
em algumas pessoas. É interessante que certos indivíduos sofrem uma reação
severa resultante de infecções secundárias causadas pela ação de coçar a
área irritada. Por exemplo, as picadas nas pernas e no tornozelo podem, em
alguns sujeitos, causar dor e, esta pode durar alguns minutos, horas ou dias,
que dependerá da sensibilidade da pessoa. Contudo, em certas pessoas não
acontece qualquer reação. A reação típica da picada é a formação de uma
pequena mancha dura, avermelhada, com um ponto em seu centro.
O ciclo biológico das pulgas abrange a fase de ovo, larva, pupa e
adulto. Este ciclo é concluído aproximadamente com 30 dias, e dependerá
das condições de umidade da temperatura ambiente.
Pode-se afirmar sem nenhuma dúvida que a pulga fêmea, alguns
dias após a fecundação, põe na superfície da pele de seu hospedeiro, comu-
mente, cães, gatos e ratos, uma quantidade de 200 a 400 ovos por dia, esses
ovos podem cair no solo com o movimento dos hospedeiros. Os ovos, quando
caem no solo, podem liberar a primeira larva, no período de dois até 14 dias,
dependendo das condições ambientais: umidade e temperatura. As três fa-
ses de larva que se seguem, muito pequenas, alimentam-se principalmente
das fezes das pulgas adultas, que contêm sangue semidigerido. Cerca de 7
a 10 dias depois, a larva III procura um local seco com ciscos e poeira para
formar um casulo, no interior do qual vai desenvolver-se a pupa.
É interessante lembrar que no intervalo de sete a quatorze dias
após, estará concluído, dentro do pupário, um pré-adulto completado para
emergir, se as condições ambientais forem favoráveis. No entanto, em condi-
ções ambientais desfavoráveis, o pré-adulto poderá continuar no interior do
casulo por um período de doze meses sem se alimentar. Assim que a pulga
adulta emergir do casulo, fica faminta e começa a dar enormes saltos até
atingir seu hospedeiro, um cão ou um gato (às vezes uma pessoa) onde pro-
cura sugar sangue. Depois de alimentados, machos e fêmeas podem copular
tanto sobre o hospedeiro quanto no solo, reiniciando o ciclo.
Os ovos das pulgas podem ser colocados sobre o hospedeiro, no
chão ou em seu ninho. Eles têm uma coloração clara, formato oval e liso,
como mostra a figura abaixo.
Figura 1: Ciclo biológico: os ovos da pulga.
Fonte: Disponível em: <http://www.casa-sem-inseto.com.br/pulgas.htm>. Acesso em: 06/08/2011.
Caro estudante,
somente o adulto das
pulgas é hematófago,
isto é, alimenta-se de
sangue.
e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas e Animais Peçonhentos 17
As larvas das pulgas não sugam sangue, não têm pernas, nem en-
xergam; por isso, evitam a luz solar. Depois da eclosão, a larva alimenta-se
de fezes das pulgas adultas, pêlo, penas e pele. Por este motivo, os adul-
tos ingerem mais sangue do que precisam. Sendo assim, uma pulga pode
alimentar-se de duas a três vezes ao dia e cada tempo de alimentação dura
cerca de dez minutos. A hematofagia é desempenhada tanto de dia como de
noite, e é essencial para que as fêmeas possam colocar seus ovos. Depois da
alimentação, a pulga segrega gotículas de sangue pelo ânus, que, na maio-
ria das vezes, vêm misturadas com as fezes. Será um sinal de que as pulgas
estão presentes, quando forem encontradas essas gotículas ressecadas em
roupas ou nos pêlos do animal.
Figura 2: Ciclo biológico: as larvas da pulga.
Fonte: Disponível em: <http://www.casa-sem-inseto.com.br/pulgas.htm>. Acesso em: 07/08/2011.
É importante observar que, no ciclo de vida das pulgas, as pupas
têm uma cavidade de seda fabricada pela larva de último instar, que per-
manecem coladas aos pêlos de animais, poeira e outras sujeiras. No período
de 5 a 14 dias as pulgas adultas saem ou continuam em descanso dentro
do casulo até a detecção de alguma vibração, que pode ser causada pela
circulação do homem ou de algum animal quando estas se põem sobre ele.
É curioso notar que o nascimento da pulga pode ser originado por barulho,
vibração, calor ou pela presença de dióxido de carbono, que significa que
uma fonte potencial de alimento está presente.
Falando um pouco mais sobre ciclo de vida das pulgas, ressaltamos
que as fêmeas adultas só conseguem colocar seus ovos após fazerem uma
refeição. Já os adultos (fêmeas e machos) são capazes de sobreviver sem
se alimentar num período de dois a doze meses. Às vezes, as pessoas ficam
ausentes de suas residências por alguns meses e, ao retornarem, podem
encontrar a casa infestada por estes insetos, principalmente, quando a casa
se encontrar fechada e sem hospedeiros, principalmente, com gatos e cães.
Assim que as pessoas retornam, elas são atacadas pelas pulgas que nasceram
no período de ausência.
Instar:
é estágio de
crescimento entre
duas mutações
(transformações)
sucessivas
e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilância em Saúde18
Figura 3: Ciclo biológico da pulga.
Fonte: Disponível em: <http://www.casa-sem-inseto.com.br/pulgas.htm>. Acesso em: 07/08/2011.
Pesquisas realizadas em condições de laboratório concluíram que Pu-
lex irritans pode viver até 513 dias e Xenopsylla cheopis 100 dias. Estas duas
espécies são extraordinárias saltadoras. Na posição vertical, elas saltam a uma
altura próxima de 18 cm e na posição horizontal podem alcançar 33 cm.
Falando um pouco mais sobre o comportamento das pulgas, deve-
-se notar que a sua longevidade é variável e depende da espécie e também
de outros fatores, como umidade e temperatura do ambiente, da atividade
e do estado de nutrição delas. Portanto, algumas pesquisas apontam sobre
longevidade de cada espécie desse inseto, de acordo, com o grupo de pulgas
estarem alimentadas ou sem alimentos. Os resultados foram: Xenopsylla che-
opis (pulga do rato): alimentada, vive 100 dias; sem alimento, 38 dias; Pulex
irritans (pulga do homem): alimentada, vive 513 dias; sem alimento, 125 dias;
Ctenocephalides canis (pulga do cão e do gato): alimentada, vive 234 dias;
sem alimento, 58 dias.
1.3 As espécies mais importantes na saúde pú-
blica
As principais pulgas domésticas são, em nosso país, Ctenocephali-
des felis (a pulga do gato) e Ctenocephalides canis (a pulga do cão). É inter-
resante salientar que a Pulex irritans não é tida como a pulga do ser humano;
na verdade, é uma pulga de hospedeiro indefinido, podendo sugar igualmen-
te cães, gatos, suínos, aves, etc., sendo uma espécie que se encontra em
grande parte do globo terrestre. Os roedores têm na Xenopsylla cheopis e
e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas e Animais Peçonhentos 19
na Xenopsylla brasiliensis seus principais ectoparasitas, transmissores poten-
ciais da temível peste bubônica em algumas regiões do Brasil.
Figura 4: A pulga do homem (Pulex irritans).
Fonte: Disponível em: <http://www.protech-online.com.br/pulgas.htm>. Acesso em 08/08/2011.
A pulga do gato (Ctenocephalides felis felis) tem a habilidade de
transmitir doenças e alergia ao ser humano. Esta espécie agride diversos
hospedeiros, entre os quais estão o homem, o cão, o rato e o gato. Já a
pulga do cão (Ctenocephalides canis), mais atuante em regiões de clima frio,
não é a mais frequente encontrada neste hospedeiro; muitas das vezes, o
cão possui a espécie Ctenocephalides felis felis. É importante ressaltar que
pulga do cão/gato (Ctenocephalides canis/felix) ataca, além do cão, também
o gato e o homem, podendo picar rato e outros animais; irá substituir a Pu-
lex irritans ao longo do tempo, tornando-se a principal inimiga do homem.
Ctenocephalides canis/felix tem como principal característica possuir uma
sutura (prega) dupla no segundo segmento do terceiro par de pernas.
Figura 5: A pulga do cão/gato (Ctenocephalides canis/felix).
Fonte: Disponível em: <http://www.protech-online.com.br/pulgas.htm>. Acesso em 08/082011.
A pulga do rato (Xenopsylla cheopis) é uma espécie que se encontra
na maior parte do globo terrestre e possui grande relevância para a saúde do
ser humano, porque ela transmite a peste bubônica. Embora este inseto não
seja uma praga doméstica, existem registros de pessoas que foram picadas
por Xenopsylla cheopis, em sua casa. O rato é o principal hospedeiro desta
espécie de inseto. As principais espécies de ratos que possuem X. cheopis
são as ratazanas, ou rato de esgoto, o rato de telhado ou rato preto e o
camundongo. X. cheopis ataca o rato e o homem. Suas peculiaridades são a
presença de pêlos em seu occipício (parte superior do cefalotórax) e tama-
nho mais reduzido que outras espécies de pulgas.
Caro aluno, observe
como este ponto é
importante: Pulex
irritans, a pulga do
homem, é uma espécie
que antigamente
se localizava,
abundantemente, em
domicílio humano;
hoje, se encontra
praticamente
irradicada, e vem
sendo substituída
gradualmente
pela pulga canina
(Ctenocephalides canis).
e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilância em Saúde20
Figura 6: A pulga do rato (Xenopsylla cheopis).
Fonte: Disponível em: <http://www.protech-online.com.br/pulgas.htm>. Acesso em 07/08/2011.
Resumo
Nesta aula, você aprendeu:
•	 Conceitos de ectoparasitas;
•	 Biologia e comportamento das pulgas;
•	 As espécies mais importantes na saúde pública.
Atividades de aprendizagem
1. Questão. O que é ectoparasita? Dê os exemplos.
2. Questão. Os inseticidas controlam todo estágio de vida da pulga? Justifi-
que.
3. Questão. As pulgas precisam concluir seu ciclo de vida em aproximada-
mente com 30 dias. Quais são os fatores externos de que as pulgas precisam
para completar seu ciclo biológico? Faça um breve comentário sobre o as-
sunto.
e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas e Animais Peçonhentos
AULA 1
Alfabetização Digital
21
Aula 2 – Ectoparasitas: pulgas
Objetivos
•	 Oferecer uma visão sobre métodos de prevenção das pulgas;
•	 Explicar o que são os métodos de controle mecânico e químico.
2.1 Métodos de prevenção
É importante conservar a higiene diária dos animais domésticos e
manutenção de convívio apropriado na residência humana. Além disso, é
interessante colocar, continuamente, um material que pode ser um tecido
ou uma toalha limpa onde animal vai dormir e, lave este material a cada
semana. Agindo, assim, pode dizer que é uma forma de se prevenir invasão
de pulgas, pois, os ovos que são depositados sobre o hospedeiro caem no
ambiente sobre este material. Desse jeito, os ovos são periodicamente des-
cartados.
Precisamos lembrar a importância dos pisos das casas: se eles fo-
rem de tacos ou tábuas corridas, ocorrem grandes riscos de todas as frestas
servirem de abrigo para pulgas, melhor maneira de evitar os abrigos é vetar
as frestas dos assoalhos e rodapés, e, ainda, lavar os tapetes e capachos,
periodicamente, para evitar novas infestações. Se houver tapetes ou carpe-
tes, passar o aspirador de pó; e, se possível, colocar esses materiais ao sol
durante uma hora.
As casas devem ser limpas uma ou duas vezes por semana com o
suprimento de um aspirador de pó. Desta maneira, evita-se o acúmulo de
poeiras nos tacos, tapetes e outros ambientes. É bom passar no assoalho um
tecido umedecido com querosene.
Figura 7: Aspirador é um importante aliado na luta contra pulgas.
Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.cpt.com.br/imagens/
enviadas/materias/materia1072/aspirador-pulga.JPG&imgrefurl=http://www.afe.com.br/noticia/1072/
eliminar-pulgas-fica-mais-facil-com-o-uso-de-aspirador-de-po&usg=__OTk1WPH_iIuvSsJvdIhhnTVAwg4=
&h=180&w=262&sz=12&hl=pt-BR&start=65&zoom=1&tbnid=uHMORUkKJh7YIM:&tbnh=77&tbnw=112&ei
=Q61yTrepLI--tgeCqryJCg&prev=/images%3Fq%3Dfoto%2Bde%2Bpulgas%2Bcom%2Bcontrole%26start%3D
63%26hl%3Dpt-BR%26sa%3DN%26tbm%3Disch&itbs=1>. Acesso em 09/08/2011.
Caro aluno, repare
como esse ponto é
importante. Devem ser
descartadas as sujeiras
que estiverem dentro
do filtro do aspirador,
após a limpeza, em
locais apropriados, pois,
as larvas das pulgas têm
a capacidade de eclodir
dos ovos recolhidos pelo
aspirador e, já as pulgas
adultas são capazes de
surgir de suas pupas e
reinfestar o ambiente.
e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilância em Saúde22
Precisamos deixar claro que, além da limpeza no interior da resi-
dência, é interessante que se faça a limpeza externa, como podar a grama
para que ela fique bem baixinha, fazer a limpeza periódica de quintais e
jardins para impedir que os ambientes fiquem úmidos e adequados para o
desenvolvimento das larvas das pulgas. Outros métodos de prevenção é evi-
tar o acúmulo de areia ao redor da casa por períodos longos e, também,
fazer o controle de roedores no lote da residência, sabe-se que os roedores
são hospedeiros de pulgas e que elas transmitem doenças.
As pulgas podem entrar em uma casa de várias maneiras, mesmo
quando os animais são conservados no exterior da casa. As pulgas têm hábito
de saltar, assim, elas podem saltar do jardim para o interior da residência,
também, elas podem ser introduzidas aderidas na pessoa ou mesmo ter sido
deixadas por moradores que residiram neste local.
Outro ponto essencial como métodos de prevenção é saber se ani-
mal de estimação possui pulgas. Abra os pêlos e examine se a pele dele
apresenta-se irritada e se no lugar da picada da pulga o animal coça, irrin-
tando a pele. É fundamental observar o grau de infestação de pulgas, pois,
quando a infestação está alta, pode acontecer queda de pêlo em algumas
partes do corpo, além de se formarem pequenas bolinhas marrons escuras
grudadas nos pêlos. Isto é sinal da presença das pulgas que excretam sangue
digerido. É importante também observar o local onde o animal dorme e pro-
curar pelas fezes das pulgas e pelos adultos.
Figura 8: Abrir os pêlos do animal e examinar se sua pele se apresenta irritada com
a picada da pulga é método de prevenção.
Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://i51.tinypic.com/
zxm92p.jpg&imgrefurl=http://forum.adestradoronline.com/showthread.php%3F10890-Consumo-
de-%25E1gua./page2&usg=__-2qW1XvjYsQ8O3kM6zxsrcMvT3A=&h=408&w=640&sz=28&hl=pt-
BR&start=303&zoom=1&tbnid=3Uba-qNVAxGm-M:&tbnh=87&tbnw=137&ei=IbNyTqOuDsmEtgeZ
mK2LBA&prev=/images%3Fq%3Dfoto%2Bde%2Bpulgas%2Bcom%2Bcontrole%26start%3D294%26hl%3D
pt-BR%26sa%3DN%26tbm%3Disch&itbs=1>. Acesso em 09 ago. 2011.
Falaremos agora sobre a presença pulgas nas residências. É bom
fazer o monitoramento das populações de pulgas, colocando-se uma vasilha
baixa com água juntamente com um pouco de detergente de lavar louças,
sobre o piso. Ponha uma vela acesa a uns 10 cm de altura, no meio da vasilha
que tem água com detergente. É interessante observar que as pulgas adultas
são seduzidas pela fonte de luz da vela e caem dentro da vasilha com solução
de água e detergente. Com a utilização deste método, pode-se examinar em
quais localidades da casa há infestação de pulgas.
Caro aluno, observe
como esse ponto é
importante. As larvas
das pulgas podem ficar
em estado dormente
por um período maior
de tempo; é a maneira
que esse inseto tem
para conservar esta
espécie, auxiliando na
infestação.
e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas e Animais Peçonhentos 23
2.2 Métodos de controle mecânico
Precisamos ressaltar que o controle de pulgas é mais eficiente quando
são adotados costumes simultâneos que abrangem limpeza periódica, tratamen-
to do animal de estimação e controle químico no domicílio como canis, quintais,
abrigos de animais, etc. Os métodos de controle de pulgas como os mecânicos,
os químicos ou os biológicos, usados corretamente, são eficientes.
Os métodos mecânicos no controle de pulgas são: catação manual
das pulgas nos animais domésticos, pela verificação dos pelos do hospedeiro
e escovação periódica da pelagem dele; banhar semanalmente os animais e
os imergid por alguns minutos em recipiente cheio de água; fazer aspiração
periódica do local; lavagem dos pisos internos; lavagem da cama do animal;
varreção e lavagem frequente do quintal e do canil.
A aspiração a cada dois dias remove o sangue digerido que pulgas
adultas deixam no ambiente e outras matérias orgânicas que servem de ali-
mentos para as larvas. É importante ressaltar que, ao aspirar, o aparelho
estimula vibração fazendo com que os adultos das pulgas saiam dos casulos,
estimulando, assim, a emergência dos adultos e uma nova população de pul-
gas. Desse jeito, o aparelho removerá, além das pulgas adultas, pupas e ovos
recém- depositados, impedindo a proliferação deste inseto.
Figura 9: Método mecânico de controle as pulgas com banho periódico no animal.
Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/images?q=foto+de+controle+de+pulgas&hl=pt-
BR&tbm=isch&ei=qzVzTrrLHoujtgeV34zYDA&start=630&sa=N>. Acesso em: 10/08/2011.
2.3 Controle químico
Falaremos agora sobre os métodos químicos que são mais usados pelos
profissionais da área de desinsetização. Existem empresas de desinsetização que
fazem o controle das pulgas de acordo com os tipos de inseticidas. Os inseticidas
que têm como produto ativo alguns organofosforados e piretróides, chamados
de knockdown. Existem no mercado diferentes tipos de inseticidas que o profis-
sional vai empregar no recinto; entre eles, estão os inseticidas de atividade resi-
dual ou de ação residual,que incluem parte dos organofosforados, carbamatos e
os inseticidas microencapsulados com ação residual por longo período.
Antes de fazer o controle químico de insetos que se alimentam de
sangue humano, principalmente pulgas, alguns cuidados precisam ser adota-
dos, entre eles estão remover da localidade pessoas, cães, pássaros, peixes,
gatos e outros animais domésticos. É importante que o dono do imóvel infor-
Inseticidas :
são produtos que
contêm substâncias
ou misturas delas
com ingrediente
próprio que objetiva
matar, controlar ou
repelir quaisquer
espécies de insetos,
em vários estágios
de crescimento.
Os inseticidas
são utilizados nos
domicílios, na
agricultura, na indústria
etc. e ambiente.
knockdown:
informa a capacidade
que certo inseticida
tem de matar as pulgas
alguns momentos após
do contato.
e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilância em Saúde24
me ao controlador sobre locais onde os animais dormem. Nos dormitórios há
maiores incidências de pulgas, e também em locais onde existem frestas os
ovos de pulgas se alojam com maior facilidade.
Ao aplicar inseticida líquido, por meio de pulverização, deve-se pul-
verizar colchões, camas, estrados, sofás, carpetes, tapetes, toda a expansão
do chão, canil, cama do animal, garagem e gramado ao redor da residência.
É importante salientar que pessoas ou animais não devem transitar e nem
permanecer na localidade até a secagem total do inseticida, ou seja, devem
se ausentar dos locais pulverizados pelo menos até três horas após aplicação
do inseticida. Depois desse tempo, não há problemas quanto à permanência
na área na qual foi aplicado o inseticida, exceto no caso pessoas idosas, ges-
tantes, crianças de colo e pessoas alérgicas a produtos químicos – as quais
terão que se ausentar por um período de 24 horas após aplicação, incluindo
neste período de tempo os animais domésticos.
Figura 10: Pulverização com inseticida no controle das pulgas.
Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.ddcip.com.br/
wp-content/uploads/1267578629_65582482_3-Insetos-formigas-baratas-cupins-aranhas-carrapatos-
pulgas-ligue-19-3388-4491-Outros-servicos-1267578629-560x374.jpg&imgrefurl=http://www.ddcip.
com.br/dedetizacao-de-baratas-em-prol-da-saude-publica/&usg=__fzjemoeaR37m6v-8GuXugxPra
pQ=&h=374&w=560&sz=45&hl=pt-BR&start=172&zoom=1&tbnid=u8FuV-L1kJGm8M:&tbnh=89&tbnw
=133&ei=VrByTpzYAcy4tgfX3MzqCQ&prev=/images%3Fq%3Dfoto%2Bde%2Bpulgas%2Bcom%2Bcontrol
e%26start%3D168%26hl%3Dpt-BR%26sa%3DN%26tbm%3Disch&itbs=1>. Acesso em 10/08/2011.
Resumo
Nesta aula, você aprendeu:
•	 Métodos de prevenção;
•	 Métodos de controle mecânico;
•	 Controle químico.
Atividades de aprendizagem
1. Questão. O aspirador de pó é muito importante como medida preventiva
no controle de pulgas. Que cuidado devemos ter ao descartar as sujeiras que
estiverem dentro do filtro do aspirador, após a limpeza?
2. Questão. Que medidas têm que ser tomadas antes de se fazer o controle
químico de pulgas?
e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas e Animais Peçonhentos
AULA 1
Alfabetização Digital
25
Aula 3 – Ectoparasitas: bicho-de-pé
Objetivos
1.	 Conhecer a biologia e comportamento do bicho-de-pé;
2.	 Oferecer uma visão sobre sintomas de Tunga penetran;
3.	 Explicar os métodos de prevenção e de controle mecânico e quí-
mico de bicho-de-pé.
3.1 Biologia e comportamento do bicho de pé
Este inseto é chamado de bicho-do-pé ou bicho do porco, pois, após
a fecundação, a fêmea parasita o hospedeiro. É conhecido também como
pulga da areia, cujo nome científico é Tunga penetran, e é distribuído em
quase todo globo terrestre com maiores incidências nas regiões da África,
Índias Ocidentais, nas regiões tropicais e subtropicais das Américas entre 30o
de latitude norte e 30o
de latitude sul. A ocorrência nas Américas vai desde o
sul dos Estados Unidos até América do Sul, incluindo o Paraguai. No Brasil, T.
penetran ocorre em todas as regiões, indo do estado do Amazonas ao estado
do Rio Grande do Sul. Este inseto existe com maior frequência em áreas mais
pobres urbanas e rurais e também em áreas indígenas.
É conhecida por ser a menor das pulgas. O adulto possui coloração
marrom avermelhada e mede 1 mm de comprimento, não possuem asas e o
corpo é achatado, além da fronte terminando em ponta aguda beneficiando
sua penetração na pele do hospedeiro. Tanto o macho como a fêmea são
exclusivamente hematófagos, somente a fêmea fecundada vira um parasita
intracutâneo permanente. Pelo meio de seu aparelho bucal, a fêmea grá-
vida possui a capacidade de perfurar a pele e alojar no hospedeiro (porco,
homem e outros mamíferos) para se alimentar do sangue. Esta espécie é
endêmica e uma grave questão de saúde pública.
Figura 11: Fronte em ponta aguda de Tunga penetrans favorece sua penetração na
pele do hospedeiro.
Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.portalsaofrancisco.com.br/
alfa/bicho-de-pe/imagens/bicho-de-pe-1.jpg&imgrefurl=http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/bicho-
de-pe/&usg=__4K2y-M0s1QgrOgWiCjUunU3WLPo=&h=222&w=250&sz=9&hl=pt-BR&start=1&zoom=1&tbnid=
CtxHGj7TZU4XWM:&tbnh=99&tbnw=111&ei=Iy57TvqkIMytgQfp3ozJAQ&prev=/images%3Fq%3Dfoto%2BTunga
%2Bpenetrans%26hl%3Dpt-BR%26sa%3DX%26tbm%3Disch&itbs=1>. Acesso em 11/08/2011.
e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilância em Saúde26
Assim que a fêmea grávida do bicho-de-pé se instala no hospedeiro,
começa a sucção de sangue para o desenvolvimento dos ovos, ocasião em
que seu abdômen pode obter o diâmetro de 1 cm. Isto ocorre em cerca de 1
a 2 semanas após contato. Ao adentrar no hospedeiro, seu último segmento
abdominal fica paralelo com a superfície da pele, assim, ela coloca a cabeça,
o tórax e a parte do abdome, permanecendo no exterior o estigma respira-
tório e o ânus, por meio do qual elimina fezes e ovos ao ambiente. Após a
penetração, a fêmea pode expelir de 150 a 200 ovos durante um tempo de
7 a 10 dias. Em seguida, a fêmea morre, em aproximadamente 3 a 4 dias, ela é
eliminada do local por contratura ou é expulsa pela reação inflamatória da pele,
ao romper a epiderme, e a pele fica exposta como uma escara.
Este inseto tem a preferência por viver em terreno arenoso não en-
charcado, chão úmido, com pouca iluminação e ventilação, onde dará origem
às larvas e pupas. Precisamos ressaltar sobre a forma de disseminação do
bicho-de–pé: a cada movimento dos reservatórios bióticos (homens e outros
mamíferos), existe o deslocamento de areia, leivas de grama, madeira e ou-
tros componentes abióticos da cadeia, introduzindo o inseto na forma adulta
ou de transição para outras áreas, gerando novos focos, ou reintroduzindo o
agente nas áreas infestadas (focos endêmicos).
Figura 12: Fêmea e macho de Tunga penetran.
Fonte: Disponível em: <http://cblogvs.blogspot.com/2011/08/tunga-penetrans-pulga.html>.
Acesso em 12/08/2011.
Falaremos agora sobre ciclo biológico de Tunga penetran que com-
preende a fase de ovo, larva, pupa e adulto. Às 58 horas após a postura,
nascem as larvas, no chamado primeiro estágio. As larvas do segundo instar
(estágio de crescimento entre duas alterações sucessivas) surgem 24 horas
depois da emergência da larva de primeiro instar. As duas formas de larvas
são subterrâneas, elas se alimentam com grande apetite dos detritos orgâni-
cos, principalmente, de fezes. As larvas geram as pupas que, em sua volta e
por um tipo de fios de seda delicado e pegajoso, tipo exoesqueleto, agregam
as partículas de areia, restos de folha e outros materiais. O período de pupa-
ção é de 3 dias. O estágio de pupa vai acontecer 14 dias depois da postura.
Quando esta está pronta, rompe o casulo e sai, e acontece o surgimento do
adulto, ou seja, 17 dias depois da postura começa o ciclo novamente. O ma-
cho e a fêmea no ambiente copulam. A fêmea grávida busca hospedeiro para
adentrar na sua pele. Jamais se acha um macho inserido num hospedeiro, ele
está sempre procurando uma fêmea para acasalar.
Escara:
é uma crosta resultante
da modificação da
epiderme devida à ferida
Caro estudante,
para que o biológico
de Tunga penetran
aconteça dentro de
17 dias, é preciso que
a temperatura esteja
entre 24-260
C; já em
temperaturas mais
baixas, o período de
ovulação é bem maior,
aproximadamente de
uma semana.
e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas e Animais Peçonhentos 27
Assim que os ovos de Tunga penetran são expelidos, eles caem em
chão úmido e sombreado onde eclodem as larvas e, em seguida, as pupas.
As larvas são de vida livre e vivem em locais sombreados com chão de terra,
em solos arenosos e praias. Já os adultos habitam em ambientes de solo are-
noso, quentes e secos, eles são mais frequentes em chiqueiros de porcos e
peridomícilio. Esta espécie tem como características residir em lugares que
tem fezes de animais. Muitas das vezes as fezes são usadas como adubo em
áreas cultivadas que causam infestações aos pés das pessoas ao trabalharem
nas lavouras, proporcionando, assim, um grande problema domissanitário
em áreas rurais.
Figura 13: Ciclo biológico de Tunga penetran.
Fonte: Disponível em: http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.dedetizadorailha.
com.br/imagens/pulga-ciclo.gif&imgrefurl=http://www.dedetizadorailha.com.br/pulga_
s1.html&usg=__v7nIl5MFYeIcqijtOmkcxC6NubE=&h=250&w=238&sz=10&hl=pt-BR&start=1&zoom=1&
tbnid=OKgPcgapr-aflM:&tbnh=111&tbnw=106&ei=9Rp7TuD4IdO_tgf4pYjyDw&prev=/images%3Fq%3D
foto%2Bdo%2Bciclo%2Bde%2Bvida%2Bde%2Bbicho%2Bde%2Bp%25C3%25A9%26hl%3Dpt-BR%26sa%3DG
%26tbm%3Disch&itbs=1. Acesso em 11/08/2011.
3.2 Sintomas de Tunga penetran
A tungíase é uma enfermidade causada pela pulga Tunga penetrans,
ectoparasito obrigatório em animais homeotérmicos. Os locais preferenciais
da fêmea parasita são os espaços interdigitais, sob as unhas e a sola dos pés,
calcanhar, porém, a fêmea pode-se alojar em qualquer local do corpo. Os
sintomas começam com uma leve coceira no local, até reação inflamatória
e inchaço, ocorrem também úlceras dolorosas e, ainda, depois da saída da
fêmea, pode acontecer infecção secundária por Clostridium tetani (tétano),
Clostridium perfringens ou fungos (Paracoccidioides brasiliensis). Dependen-
do do estágio da infecção, é bom que se procure o médico para a remo-
ção do bicho-do-pé e diagnóstico; assim, evitam-se ou diminuem os riscos
de complicações decorrentes da infecção. É essencial eliminar não somente
a fêmea, mas, também que seus ovos sejam completamente extraídos de
dentro da pele. Dependendo da gravidade da ferida, é interessante que se
vacine contra o tétano.
Animais
homeotérmicos ou
endotérmicos:
são os mamíferos e
as aves, que mantêm
a temperatura
corporal interna
sempre constante,
sem influência
das alterações da
temperatura do
ambiente externo.
e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilância em Saúde28
É importante que os ovos de Tunga penetran sejam completamente
retirados de dentro da pele. Durante esta operação, não se deve ferir a pele
saudável que o circula a área infectada. Terminando a remoção dos ovos,
deve se fazer curativo à base de antisépticos e bactericidas.
Falando um pouco mais sobre os sintomas do bicho-de–pé, deve-se
notar que existe ocorrência em que sujeitos sofreram contínuas infecções
causadas por esse inseto, podendo abranger até 200 desses indivíduos sob
a epiderme, a camada externa da pele. Isso origina feridas sérias. As le-
sões abertas servem de entrada para vários microorganismos causativos de
doenças. Precisamos deixar claro que infecção bacteriana das lesões pode
proporcionar tétano e gangrena.
Figura 14: Sintoma da tungíase causada pela pulga Tunga penetrans.
Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.portalsaofrancisco.
com.br/alfa/bicho-de-pe/imagens/bicho-de-pe-9.jpg&imgrefurl=http://www.portalsaofrancisco.
com.br/alfa/bicho-de-pe/bicho-de-pe-3.php&usg=__x632DW1mWZAaf-XhxQXzeaaItFk=&h=563&w=
750&sz=34&hl=pt-BR&start=126&zoom=1&tbnid=08LroFZy9BebBM:&tbnh=106&tbnw=141&ei=VRl7T
p3uOYGXtwfu65DkDw&prev=/images%3Fq%3Dfoto%2Bde%2Bbicho%2Bde%2Bp%25C3%25A9%26start%
3D105%26hl%3Dpt-BR%26sa%3DN%26tbm%3Disch&itbs=1>. Acesso em: 12/08/2011.
Falaremos agora sobre as reações alérgicas. Tanto as pessoas como
os mamíferos podem se deparar com esse sintoma ao serem picados por Tun-
ga penetran. As reações alérgicas trazem grande desconforto, pois a região
mordida apresenta forte coceira (prurido). É interessante ressaltar que pelo
ato de coçar pode se aumentar a ferida, que, posteriormente, pode infeccio-
nar. Há relatos de gatos e cães em que a pelagem dá lugar a lesões sérias.
3.3 Métodos de prevenção
Podemos dizer que em recinto doméstico onde existem animais de
estimação, deve-se conservar a higiene. Além da higiene, aconselha-se fazer
a dedetização periódica da localidade, com orientação de um profissional da
área. Ao aplicar produtos antipulgas, deve-se retirar as pessoas e os animais do
local para não intoxicá-los, e é bom que sejam seguidas as recomendações do
fabricante do produto no seu rótulo. Também é recomendável pedir orientação
do médico veterinário, para que o combate Tunga penetran seja eficiente e não
prejudique outros organismos que habitem no mesmo ambiente.
Precisamos deixar claro que a tungíase é uma doença com alta mor-
bidade em regiões urbanas e rurais pobres, onde algumas pesquisas apontam
Morbidade:
é a relação entre o
número de casos de
moléstias e o número
de habitantes em dado
lugar e momento
e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas e Animais Peçonhentos 29
que entre 16 e 54% das crianças são mais expostas e, frequentemente, mais
infestadas com tungíase; no entanto, muitas das vezes esta doença é negli-
genciada pelos serviços públicos de saúde e pela própria população que não
tem conhecimento sobre as prováveis complicações em função de infecções
secundárias. É importante que a população das regiões mais infestadas com
tungíase acione a Secretaria Municipal de Saúde de seu município, por meio
do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), que é um órgão responsável pela
saúde pública, para fazer o controle ou reduzir o número de casos dessa
doença.
O diagnóstico é basicamente clínico e o tratamento consiste, essen-
cialmente, na extração da pulga com material cirúrgico esterilizado. Embora
algumas pesquisas não tenham sido concluídas, o emprego de ivermectina
oral no tratamento de tungíase em seres humanos tem comprovado relativa
eficácia. Antes de se tomar qualquer remédio, o melhor é procurar um mé-
dico. Já para tratamento em animais, especialmente cães e gatos, pode-se
utilizar desse medicamento.
3.4 Métodos de controle
O controle de Tunga penetrans é um trabalho de campanha de saú-
de pública. Por isto, ele deverá ser atingido em área com problema de infes-
tação com esta espécie, pois é interessante pulverizar toda região infestada,
que podem ser áreas ao redor das habitações ocupadas ou não, ruas, ter-
renos baldios, incluindo residências particulares. Pode se pulverizar similar
com tanque de 150 litros e calibrada para 200 libras de pressão e pistola
HG aberta para leque. A máquina calibrada nessa condição pode pulverizar
3.936 m2
com os 150 litros de calda.
A calda pode ser preparada com uso de 15 envelopes do produto
Icon 10 PM por máquina, o que dá um consumo de 105 envelopes por dia de
trabalho. No mercado, há outros inseticidas que podem ser aplicados tam-
bém, e pode-se trocar o Icon pelo Cymperator. Antes de se fazer a aplica-
ção, deve-se procurar um profissional da área.
O controle químico de Tunga penetran deverá acompanhar seu ciclo
de vida, pois somente larvas e adultos são controladas. Em virtude de esse
ciclo de vida ser diferente entre larvas e adultos, deve-se repetir a operação
a cada 15 dias para interromper o ciclo do parasita, ou seja, fazer de 3 a 4
aplicações na área externa ao redor das residências sobre o chão de areia e,
ou argila, chiqueiros e outros locais infestados com esta praga.
Precisamos ressaltar que as medidas preventivas são essenciais no
controle do bicho-de-pé. Entre elas, estão algumas atividades que deverão
ser implementadas como: - captura de cães vadios que são importantes dis-
seminadores do parasita; - tratamento dos cães domiciliados infectados; -
tratamento das pessoas infectadas; - orientações nas escolas; - orientações
nas comunidades urbanas e rurais. Agindo assim, há grandes possibilidades
para se evitar novos focos de infestação do parasita e, consequentemente,
livrar as pessoas da tungíase.
e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilância em Saúde30
Resumo
Nesta aula, você aprendeu:
•	 Biologia e comportamento do bicho-de-pé;
•	 Sintomas de Tunga penetran;
•	 Métodos de prevenção;
•	 Métodos de controle.
Atividades de aprendizagem
1a
Questão. O que acontece quando a fêmea do bicho-de-pé morre? Explique.
2a
Questão. O macho e a fêmea do bicho-de-pé acasalam-se em ambiente nor-
mal. Após a cópula, o que acontece com a fêmea e o macho dessa espécie?
3a
Questão. Assista ao vídeo sobre bicho-de-pé e faça um breve comentário
relacionando-o com a educação sanitária. Esse vídeo está disponível no site:
<http://www.youtube.com/watch?v=V_o5Wd_yYAM>.
e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas e Animais Peçonhentos
AULA 1
Alfabetização Digital
31
Aula 4 – Ectoparasitas: piolhos da cabe-
ça em humanos
Objetivos
•	 Conhecer a biologia e comportamento do piolho da cabeça em
humanos;
•	 Descrever os sintomas de Pediculus humanus var capitis;
•	 Explicar os métodos de prevenção, controle e tratamento químico
de bicho-de-pé.
4.1 Biologia e comportamento do piolho da ca-
beça
Piolhos são ectoparasitas pertencentes à ordem Phtiraptera. Este
inseto tem o nome científico de Pediculus humanus var capitis, não tem asa
e nem salta, são visíveis e pequenos, chegando a 3 mm de tamanho com o
corpo achatado, possuem seis pernas curtas, adaptadas para segurar o cabe-
lo das pessoas. Esta espécie vive somente no couro cabeludo dos seres hu-
manos, não existe noutra parte do corpo nem em outros animais. Alimenta-
-se de sangue humano e parasita o couro cabeludo, onde se aquece. Muitas
das vezes esta espécie é difícil de ser achada, pois tem o comportamento
de se esconder, quando há uma alteração de cabelo, e também a cor deles
é, normalmente, parecida com a cor do cabelo. A fêmea põe oito a 10 ovos
lêndeas por dia, e 160, ao longo da vida, sobre o couro cabeludo. Estes ovos
são chamados de lêndeas, que são ovais, pequenas, de aproximadamente
0,5 mm, que ficam aderidos aos fios de cabelo por uma espécie de cimento
muito firme (substância quitinosa) liberada pela fêmea.
Figura 15: Pediculus humanus var capitis piolho da cabeça.
Fonte: Disponível em: <http://3.bp.blogspot.com/_qzozO6lSKWc/S3FMpGOPbhI/AAAAAAAAK_E/
tMkT74KlSvg/s1600-h/piolho-humano-um-devorador-de-sangue-2869797-1623.jpg>. Acesso em:
12/08/2011.
Casos autóctones:
Quando as pessoas são
infectadas no mesmo
lugar onde vivem. Ou
seja, a doença não
foi trazida de outras
regiões por onde
passaram.
e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilância em Saúde32
O período de duração das lêndeas é de aproximadamente 8 dias
depois da postura, chamado de período de incubação; dentro de mais oito
dias, temos um piolho adulto pronto para a reprodução, ou seja, rapidamen-
te, os piolhos alcançam o estado adulto e as fêmeas começam a pôr os ovos.
Os piolhos adultos têm uma expectativa de vida de 40 dias. Eles se alastram
muito rapidamente sobre a cabeça das pessoas, agarrando-se aos fios do
cabelo para se moverem depressa. Agarram-se com muita força, o que torna
difícil retirá-los do couro cabeludo e do cabelo.
Observaremos agora que as lêndeas (ovos) são esbranquiçadas, por
isto elas são mais fáceis de serem encontradas que os piolhos. Infelizmente,
as lêndeas são difíceis de serem retiradas quando penteamos, pois ficam
presas ao cabelo. As lêndeas são hermeticamente fechadas, o que dificulta
a ação dos medicamentos sobre elas, tornando-se mais resistentes aos pro-
dutos químicos que o próprio piolho; por isto, para que o tratamento seja
eficaz, é preciso conhecer o ciclo desta espécie.
Figura 16: Lêndea presa ao fio de cabelo.
Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://1.bp.blogspot.
com/_pMxMXFn7L-4/THvW88PJtMI/AAAAAAAAQQ0/yAG0xe3dEWg/s200/L%C3%AAndea.
jpg&imgrefurl=http://www.mdsaude.com/2010/08/piolho-lendeas-remedios-tratamento.html&usg=__
FoZVkgSlIioXxRyCts1P95Vor6I=&h=178&w=200&sz=3&hl=pt-BR&start=4&zoom=1&tbnid=msgT54jVmTGZ
yM:&tbnh=93&tbnw=104&ei=AhqCTumrJcW2twevwYz3AQ&prev=/images%3Fq%3Dfoto%2Bde%2Bl%25C3
%25AAndeas%26hl%3Dpt-BR%26sa%3DG%26tbm%3Disch&itbs=1>. Acesso em: 12/08/2011.
Os piolhos têm um bom apetite e a cada 3 horas alimentam-se do
sangue do couro cabeludo e, ao alimentar, eles injetam uma substância anes-
tésica na pele que provoca uma infestação, de contágio muito fácil e desen-
volvimento muito rápido, provocando dermatoses. Este parasita se prolifera,
sobretudo, em ambientes quentes e úmidos.
4.2 Sintomas de Pediculus humanus var capitis
O ato de coçar intensivamente pode gerar feridas no couro cabelu-
do. A pediculose é uma infecção provocada pela infestação do piolho adulto
e lêndeas no couro cabeludo. As consequências da pediculose são intensas
coceiras no couro cabeludo, podendo causar feridas com aspecto de crostas,
provocadas pela picada do parasita e, posteriormente, as feriadas se tornam
aberturas para infecções bacterianas, como impetigo, além do aparecimento
e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas e Animais Peçonhentos 33
de gânglios. Além do mais, as feridas podem facilitar o acesso de microorga-
nismos como germes e bactérias dentro da corrente sanguínea, uma vez que
a cabeça é ricamente vascularizada. As pessoas que adquiriram o parasita
devem se tratar imediatamente. Ressalta-se que a transmissão é mais fácil
em escolas, colônias de férias ou entre familiares.
Observaremos agora que, dependendo do grau de infestação do
parasita na pessoa, podem se apresentar coceiras intensas, vermelhidão,
manchas. Nas pessoas alérgicas podem ocorrer reações alérgicas, inflama-
ções, infecções, dermatites ou mesmo anemias. As principais causas de in-
festações por esses insetos são descuidos em relação à higiene pessoal, aglo-
merações e o uso objetos contaminados pelo piolho.
Figura 17: Pessoa com pediculose e piolho.
Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.reinaldoribela.
pro.br/galeria_imgs/saude/dst/pediculose_pubiana/images/pediculose%2520pubiana%2520-
%2520monte%2520de%2520venus_png.jpg&imgrefurl=http://www.reinaldoribela.pro.
br/galeria_imgs/saude/dst/pediculose_pubiana/pages/pediculose%2520pubiana%2520-
%2520monte%2520de%2520venus_png.htm&usg=__wV51nQe9Ih5bkiFZ6RtziMQygqw=&h=250&w=37
4&sz=33&hl=pt-BR&start=6&zoom=1&tbnid=db_We3kSnNxHCM:&tbnh=82&tbnw=122&ei=XRuCTrXH
C4O6tgfY-ZXmAQ&prev=/images%3Fq%3Dfoto%2Bde%2BPediculose%26hl%3Dpt-BR%26sa%3DG%26tb
m%3Disch&itbs=1>. Acesso em: 13/08/2011.
4.3 Métodos de prevenção
As pessoas adultas ficam bem mais envergonhadas que as crianças
com a presença deste inseto. Esse constrangimento normalmente ultrapas-
sa a importância que os piolhos possam representar para a saúde pública.
Muitas das pessoas não utilizam adequadamente os produtos químicos – o
que vem causar prejuízo. A aplicação constante de produtos químicos no
couro cabeludo pode originar reações graves na cabeça de algumas pessoas,
principalmente, as alérgicas. Precisamos deixar claro que muitas das vezes
os pais, na sua frustração no controle do parasita, podem usar como recurso
de controle os produtos que não foram examinados para emprego humano e
que não demonstram ter qualquer resultado na redução dos piolhos da cabe-
ça e que, às vezes podem intoxicar as pessoas. Portanto, as pesquisas têm
buscado um produto químico que altere as condições do habitat do parasita
no couro cabeludo. Até que os resultados das pesquisas não se realizem, uso
do pente fino de metal e exame periódico da cabeça dos seres humanos,
principalmente das crianças, é a melhor prevenção.
Falaremos agora sobre a propagação dos piolhos. A população de
piolhos numa cabeça humana não é atingida pela limpeza da casa, lavagem
e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilância em Saúde34
dos cobertores, lençóis, fronhas, etc. A propagação do inseto é realizada
pelo contacto humano com pessoas que possuem o parasita. Portanto, a
transmissão do piolho é realizada: pelo contato direto de pessoas infesta-
das; - pela utilização coletiva de objetos como travesseiro, almofada, lenço
de cabeça, presilha, boné, pente, encostos de cadeiras, assentos de carros
e outros.
Os métodos de prevenção contra os piolhos são: - vistoriar a cabeça
diariamente à procura de piolhos e lêndeas; lavar a cabeça de preferência
diariamente e não deixar que os cabelos fiquem úmidos e prendê-los somen-
te quando estiverem secos; - pentear constantemente com pente fino para
remover piolhos e ninfas, não utilizar roupa nem objetos de outras pessoas
que possam estar infectados, lembrando que os piolhos podem sobreviver
por três dias sem se alimentarem; ao entrar em contacto com pessoas que
tenham piolhos, empregar um repelente contra este parasita.
Pode-se afirmar, sem nenhuma dúvida, que as palestras feitas regu-
larmente em escolas particulares, da rede pública municipal, estadual, cre-
ches, orfanatos e igrejas, para alunos, pais e professores, ainda é o melhor
método de prevenção, pois leva o esclarecimento sobre o piolho de cabeça e
sua consequência para os seres humanos. As palestras sempre vão destacar
a importância de se verificar assiduamente a cabeça da criança à procura de
piolhos e, ou lêndeas, os quais devem ser retirados imediatamente e, a esco-
la, notificada de tal ocorrência, deve optar pela melhor forma para resolver
o problema, pois, a omissão somente beneficia a proliferação do parasita.
É lógico chegarmos à conclusão de que as palestras utilizadas com
álbum seriado, slides, vídeos só esclarecem de forma ilustrativa a biologia do
piolho e também como prevenir e tratar do parasita e suas consequências,
além da distribuição de panfletos educacionais, pente-fino, adesivo e imã do
programa contra a proliferação do piolho da cabeça.
4.4 Métodos de controle
É importante perceber que o piolho existe, e ele pode estar pre-
sente em vários lugares, e, quando a pessoa percebe, o parasita já está
atuando em seu couro cabeludo. Deve-se fazer o controle do piolho no couro
cabeludo, pois é quase impossível retirá-lo individualmente. Assim que se
detecta a infestação do inseto, pode se executar o tratamento com o produ-
to adequado indicado pelo médico. Portanto, precauções devem ser tomadas
no controle do parasita. Deve-se utilizar do mesmo tratamento para todas as
pessoas que tenham ou que estão infestadas com o parasita. Lembrando que
os produtos antipiolhos indicados pelo médico, ao serem aplicados no couro
cabeludo do sujeito, não podem entrar em contato com os olhos, boca ou
nariz; também é essencial lavar as mãos depois de cada aplicação e guardar
os produtos longe do alcance das crianças.
Falando um pouco mais sobre o tratamento com o uso do pente-
-fino, ressalta-se que é essencial usá-lo diariamente. Ao passá-lo, utilize sem-
pre um tecido branco para impedir que os piolhos caiam na veste. Lêndeas,
Ninfas:
são piolhos em estágio
de desenvolvimento
Caro aluno, repare
como esse ponto
é importante: por
motivo de segurança,
as mulheres grávidas
ou que estão
amamentando e
crianças até aos dois
anos não podem
usar todo o tipo de
produtos, pois pode
prejudicar a saúde.
e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas e Animais Peçonhentos 35
ninfas e piolhos que caírem no tecido devem ser colocados em uma solução
que contenha vinagre diluído em água, por um período de 30 minutos, para
que sejam mortos. As lêndeas devem ser retiradas empregando as seguintes
etapas: - molhar um pedaço de algodão em vinagre dissolvido em água na
proporção de 1:1; - selecionar três ou quatro fios de cabelo que estejam com
lêndeas; - com ajuda do algodão encharcado em vinagre dissolvido, envolver
os fios de cabelo de três ou quatro no máximo, apertando-os entre os dedos;
- puxar pausadamente no sentido da base do cabelo para a ponta e com a
outra mão, segurar a base do cabelo para não machucar a criança; - alterar
sempre que necessário o algodão, abandonando-o em um frasco com vinagre
dissolvido em água para matar as lêndeas.
Figura 18: Método de controle com pente-fino.
Fonte: Disponível em: <http://br.ruadireita.com/images/product/17033/5e771facc1905326fd58c35
0c54f2191.jpg>. Acesso em: 14/08/2011.
Podemos dizer que as pessoas que tenham piolhos não devem raspar
seu cabelo por causa do parasita, mesmo que seja um homem, pois há outros
métodos que o sujeito pode usar para se libertar do parasita sem precisar ficar
careca, como utilização de xampus próprios para o caso, produtos que acabem
com estes insetos, não se esquecendo de pentear seu cabelo com pente-fino
várias vezes ao dia. Tome cuidado com os objetos de outras pessoas que podem
conter estes insetos que se reproduzem rapidamente. Procure evitar o contato
muito próximo com indivíduos que tem lêndeas ou piolhos.
4.4.1 Tratamentos químicos
Antes de optar por um tratamento químico no controle do parasita
é importante verificar as observações mais relevantes, como: - certifique-se
antes de iniciar o tratamento químico na cabeça se há o parasita e, se não
existe, ignore este tratamento. É essencial lembrar que não tem tratamento
químico preventivo, por isso, ao aplicar o produto, ele não terá resultado
e poderá contribuir para que os piolhos criem resistência aos tratamentos
químicos; – crianças com menos de dois anos de idade, mulheres grávidas
ou que estejam amamentando ou indivíduos com irritação ou inflamação no
couro cabeludo não devem receber tratamentos químicos. Neste caso, o me-
lhor é procurar um médico; – ao aplicar os produtos na cabeça não deixe cair
Caro aluno, repare
como esse ponto é
importante: jamais
usar querosene, Neocid
ou qualquer outro
inseticida, pois são
tóxicos às pessoas.
Ferver os objetos
pessoais, tais como:
pente, boné, lençol e
roupas é outra medida
de prevenção.
e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilância em Saúde36
nos olhos, boca ou nariz; – observar o cheiro dos produtos, pois vários têm
cheiro muito ativo e isso pode causar irritação na pessoa, principalmente
quando ficar por um período maior de tempo; - antes de aplicar um produto,
leia primeiro o rótulo na embalagem e aplique a dose recomendada, e nunca
use uma dose acima da dose recomendada do produto, na tentativa de eli-
minar de vez o parasita.
Falando um pouco mais sobre tratamentos químicos; nunca utilize
inseticidas, álcool desnaturado, querosene, gasolina, etc. na cabeça; - não
utilize secador de cabelo após o tratamento, pois o calor pode deixar o
produto inativo e nem lave o cabelo pelo menos dois dias após o tratamen-
to; - aplique o produto em todos os fios de cabelo e faça massagem, deixe
ficar durante 20 minutos e penteie com pente-fino. - os produtos químicos,
na maioria das vezes, só matam os piolhos adultos e não apresentam efeitos
sobre as lêndeas. Por este motivo, deve se repetir a aplicação após sete dias
da primeira aplicação, com intuito de matar quaisquer piolhos que tenham
nascido após a aplicação inicial. No entanto, a existência de piolhos vivos
mostra que o produto aplicado não é eficaz. Portanto, deve ser aplicado um
novo produto com um ingrediente ativo diferente. Deve-se ler sempre o ró-
tulo da embalagem antes de se utilizar um produto químico.
Resumo
Nesta aula, você aprendeu:
•	 Biologia e comportamento do piolho da cabeça;
•	 Sintomas de Pediculus humanus var capitis;
•	 Métodos de prevenção;
•	 Métodos de controle;
•	 Tratamentos químicos.
Atividades de aprendizagem
1. Questão. O que são lêndeas e qual é sua cor?
2. Questão. Quais são os parasitas mais difíceis de serem retirados do couro
cabeludo, as lêndeas ou o pilho? Por quê?
e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas e Animais Peçonhentos
AULA 1
Alfabetização Digital
37
Aula 5 – Ectoparasitas: percevejo de cama
Objetivos
•	 Conhecer a biologia e comportamento do percevejo de cama;
•	 Descrever os sintomas de Cimex lectularius;
•	 Explicar os métodos de prevenção e controle do percevejo de
cama.
5.1 Biologia e comportamento do percevejo de
cama
O percevejo de cama pertence à ordem dos Hemípteros, da família
Cimicidae, cujo nome científico é Cimex lectularius, mundialmente conheci-
dos como bed bugs. Os adultos medem de 4,5 a 7,0 mm de comprimento e o
corpo tem formato oval e achatado no sentido dorso-ventral. Possuem uma
coloração castanho-avermelhada e, após alimentar-se de sangue do hospe-
deiro, seu corpo permanece inchado e com uma coloração vermelho escuro.
Esta espécie não tem asas e só pode rastejar de uma superfície para outra
com suas seis patas. Os mais novos dificilmente podem ser vistos a olho nu.
Figura 19: Adulto de Cimex lectularius.
Fonte: Disponível em: <http://www.guaruclean.com.br/2011/index.php?option=com_content&vie
w=article&id=76&Itemid=83>. Acesso em 14/08/2011.
Podemos dizer que os machos acabam o acasalamento, apenas as
fêmeas recém alimentadas, aproximadamente, 36 horas depois da última
alimentação. A fêmea ovipõe de forma isolada e no interior dos abrigos. O
tempo de incubação dos ovos está relacionado com a temperatura, isto é,
abaixo de 13ºC a eclosão cessa; com aproximadamente 18ºC, o tempo de
eclosão é de 23 dias; com a temperatura 28ºC, o tempo de eclosão dos ovos
oscila entre 5 e 6 dias; com a temperatura mais elevada, em torno de 23ºC,
e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilância em Saúde38
os ovos eclodem em 4 dias. Com a fêmea bem alimentada, a oviposição
persiste em torno de 11 dias, sendo que cada dia a fêmea ovipõe aproxima-
damente 3 ovos. Com o fornecimento adequado de sangue pelo hospedeiro
e a temperatura ambiente favorável, a reprodução continua até 12 meses
e a fêmea pode ovipositar em torno de 500 ovos. Os ovos têm uma colora-
ção branco-amarelada com um tamanho quase de 1 mm de comprimento
e, geralmente, a fêmea coloca os ovos deitados e aderentes aos abrigos em
virtude da substância adesiva que os envolve.
Figura 20: Fêmea e macho de Cimex lectularius.
Fonte: Disponível em: <http://www.pragas.com.br/pragas/geral/percevejo_cama.php>. Acesso
em: 15/08/2011.
O percevejo de cama reside nas frestas dos estrados das camas e
nos colchões, que são os locais mais comuns para se alimentar e pôr seus
ovos; ainda podem servir de esconderijo para esta espécie poltronas, cadei-
ras estofadas, fendas nas paredes e molduras de quadro e pilhas de roupa,
móveis, debaixo de carpetes, dentro de gaveta, por detrás dos rodapés e em
redor das esquadrias das janelas e portas, papéis de parede e tecidos para
decoração, ou seja, o percevejo de cama tem como moradia, praticamente,
local seco, com pouca ou nenhuma luminosidade e mínimo fluxo de vento,
onde esta espécie fica escondida durante o dia e ataca durante a noite na
hora que a pessoa está dormindo. Dependendo dessas características an-
teriormente citadas, esta espécie de inseto pode residir em casas, hotéis,
pensões, escolas, etc. O Cimex lectularius é rápido e ágil, e ao ser encon-
trado em um esconderijo, logo, irá passar rapidamente para outro refúgio.
Também gosta de trafegar em roupas, bagagem, móveis e outros meios de
transporte. Pode-se afirmar sem nenhuma dúvida que os locais onde residem
muitas pessoas, principalmente as hospedarias, são os lugares mais propícios
para a invasão desta praga.
O Cimex lectularius prefere alimentar-se de sangue do ser humano,
embora também se alimente de sangue de mamíferos e aves. Esta espécie
de inseto ataca à noite, sugando qualquer parte do corpo do sujeito, princi-
palmente na face, pescoço, tronco superior, braços e mãos. O percevejo de
cama pode sobreviver até seis meses sem alimento. Precisamos deixar claro
que tanto o macho como a fêmea sugam o sangue do hospedeiro.
e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas e Animais Peçonhentos 39
Falando um pouco mais sobre Cimex lectularius, na fase adulta, este
inseto consegue sobreviver até um ano sem se alimentar; ao ficar longe da
moradia por um período menor que 12 meses, não há segurança ao retornar
e achar que a residência esteja livre dessa praga. Pode-se estar enganado. A
ocorrência deste inseto não se relaciona com sujeira, pois ele se alimenta de
sangue e não de matéria orgânica, ou seja, uma habitação mais limpa pode
ter esta praga, porém, uma moradia desarranjada proporciona mais espaço
para que o percevejo de cama possa se alojar.
5.2 Sintomas de Cimex lectularius
É uma espécie de inseto hematófago, e normalmente fica escondido
durante o dia, pica as pessoas durante a noite principalmente quando elas
estão dormindo. Eles inserem uma extensão da boca, semelhante a uma se-
ringa, na pele do hospedeiro para fazer a refeição em qualquer parte expos-
ta da pele, isto é, não têm preferência por uma parte específica do corpo; o
tempo que o percevejo de cama leva para sugar o sangue e ficar saciado é
de três a dez minutos e, ainda, enquanto a pessoa está sendo picada é difícil
ser acordada. Atenção: Caro aluno, repare como esse ponto é importante:
a picada do percevejo de cama é mais irritante do que realmente nociva,
já que esta espécie não transmite doenças para os seres humanos. Quando
o inseto perfura a pele para sugar o sangue, ele libera um pouco de saliva
na pele machucada da pessoa, e com o decorrer do tempo, a exposição
constante à saliva pode proceder em uma reação alérgica, muitas das ve-
zes, acompanhada de coceira e inchaço, principalmente em indivíduos mais
sensíveis; as feridas ficam esbranquiçadas. Portanto, quando uma pessoa
for picada, o melhor é não coçar, senão as picadas podem causar irritação
e inflamação cutâneas. Outro método usado para detectar a presença do
percevejo de cama é através das manchas de cor marrom avermelhada nos
lençóis que também devem ser observadas, mostrando que Cimex lectularius
está se alimentando do sangue humano. Para acabarem com o desconforto,
os remédios anti-histamínicos ou anti-inflamatórios encontrados nas farmá-
cias, geralmente, são tudo de que o sujeito necessita.
Figura 21: Picadas de Cimex lectularius em humanos.
Fonte: Disponível em: <http://www.pragas.com.br/pragas/geral/percevejo_cama.php>. Acesso
em: 15/08/2011.
e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilância em Saúde40
5.3 Métodos de prevenção do percevejo de cama
É muito importante realizar busca nos possíveis esconderijos do
percevejo de cama e também verificar o surto de infestação, uma vez que
esta espécie pode se deslocar de um local para outro, por meio das roupas
de cama, malas e outros objetos. Portanto, uma limpeza doméstica frequen-
te nos potenciais esconderijos, que inclui a aspiração dos colchões, frestas
e orifícios, poderá ajudar a impedir uma infestação, e também a verificação
nesses esconderijos são primorosas medidas para se reduzir o problema.
Precisamos deixar claro que as paredes, assoalho e as junções precisam ser
vedados para dificultar a permanência do inseto e também impedir que as
fêmeas ponham seus ovos. Esta operação deve ser estendida, também, a
fendas e orifícios nas paredes dos abrigos dos animais domésticos, além de
mantê-los limpos. Outro método preventivo é expor ao sol, periodicamente,
colchões, roupas, roupas de camas, pois o calor e a luminosidade desabrigam
esta praga.
Figura 22: Adultos de Cimex lectularius escondidos nas dobras de cortinas.
Fonte: Disponível em: < http://encontrodaslobas.blogspot.com/2010/10/utilidade-publica-
percevejos-de-cama.html>. Acesso em: 15/08/2011.
Nos últimos anos, no país, tem aumentado a ocorrência de infes-
tações de Cimex lectularius, principalmente em lugares adequadamente hi-
gienizados, e também em locais que possuem um grande fluxo de pessoas,
como hotéis, hospitais, laboratórios e aeroportos, além de regiões com baixo
nível social e sanitário. Pesquisas realizadas por Nagem e Williams (1992)
constataram a presença de percevejo de cama nas favelas ou habitações da
periferia da Região Metropolitana de Belo Horizonte.
5.4 Métodos de controle
Quando houver suspeita de infestação de Cimex lectularius, deve-
-se notificar a ocorrência às autoridades competentes do município para
fazer o seu controle. Para que o controle fique mais preciso, antes de se
fazer a pulverização com inseticida, deve se fazer uma faxina em toda a
e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas e Animais Peçonhentos 41
habitação, incluindo a lavagem de roupas, tapetes, etc. a temperatura apro-
ximadamente de 60o
C; também devem ser removidos do local os animais
domésticos e pessoas. Depois de terem sido feitas as operações anteriores,
deve-se pulverizar a casa com inseticida, todos os esconderijos prováveis do
inseto. Após aplicação do inseticida, as pessoas devem ficar fora da casa por
mais que três horas.
A rapidez com que, nas populações dessa espécie de percevejo, se
desenvolve a resistência aos inseticidas de poder residual estimulou a pes-
quisa, visando a aplicação de outros meios de controle. O Cimex lectularius
praticamente desapareceu com o uso de inseticidas de efeito residual como
o DDT. Este inseticida proporcionou um eficiente controle desta praga, a
partir da década de 50. No entanto, nos últimos anos, a ocorrência de in-
festações de Cimex lectularius começou a aumentar depois vários anos sem
muita alteração. A proibição do emprego do DDT acompanhado com aumento
das viagens internacionais e, também, com o acréscimo da densidade popu-
lacional de baixas rendas nas periferias das grandes cidades são os motivos
mais aceitáveis para retorno desta praga.
Os inseticidas organoclorados mais empregados no controle de Ci-
mex lectularius foram DDT, BHC (isômero gama), Aldrin e Dieldrin, porém,
depois da proibição do uso pela Organização Mundial da Saúde (OMS), os or-
ganofosforados como Diazinon e Malation passaram a ser usados. Ultimamen-
te, os percevejos de cama têm se mostrado resistentes a esses inseticidas.
http://www.youtube.com/watch?v=3In90D2dsas
Resumo
Nesta aula, você aprendeu:
•	 Biologia e comportamento do percevejo de cama;
•	 Sintomas de Cimex lectularius;
•	 Métodos de prevenção do percevejo de cama;
•	 Métodos de controle.
Atividades de aprendizagem
1. Questão. Quais são as características mais comuns do percevejo de cama?
Faça um comentário.
2. Questão. A picada do percevejo de cama transmite doenças para as pes-
soas? Justifique.
3. Questão. Atenção: sugiro que você, aluno, faça uma pesquisa sobre per-
cevejo de cama no site <http://www.youtube.com/watch?v=3In90D2dsas>.
Acesse o vídeo e, de acordo com ele, responda: o que mais lhe chamou a
atenção no item educação sanitária?
e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas e Animais Peçonhentos
AULA 1
Alfabetização Digital
43
Aula 6 – Ectoparasitas: ácaros do pó do-
méstico
Objetivos
•	 Entender biologia e comportamento do ácaro;
•	 Reconhecer a importância dos sintomas do ácaro da poeira.
6.1 Biologia e comportamento do ácaro
Os ácaros pertencem à classe dos aracnídeos e a família dos aracní-
deos (aranhas), por isso, possuem oito patas, com aproximadamente 30.000
espécies catalogados e muitas espécies ainda para ser identificadas, por
exemplo, ácaros que causam a formação de cravos (Dermodex folliculorum)
e ácaros que proporcionam a sarna humana (Sarcoptes scabiei). Nessa disci-
plina, vamos dar ênfase aos ácaros da poeira ou ácaros do pó da casa, que
são da família Pyroglyhidae, presentes na poeira no interior dos domicílios,
no Brasil e também em todo globo terrestre. Existem duas espécies mais
importantes no Brasil que são Dermatophagoides pteronyssinus e Dermato-
phagoides farinae. O ácaro desse gênero (Dermatophagoides) é tido como o
principal agente causador de alergia respiratória em toda região brasileira
junto com outro ácaro conhecido como Blomia tropicalis. São organismos
com tamanho que varia de 0,3 a 0,5 mm ou 300 e 500 micrômetros de com-
primento, invisíveis a olho nu e visíveis apenas ao microscópico.
Os ácaros da poeira, ácaros do pó da casa ou ácaros do pó domésti-
co são importantes para a patologia humana, são parasitas de vida livre que
abrigam nas residências, gostam de se alimentar de escamas de pele humana
e de animais, fibras de tecidos, pólen e fungos presentes no ambiente.
Consideremos que o indivíduo perde 1g/dia de pedaços de pele seca cutânea
por dia, desta forma, os ácaros têm sempre alimentos em abundância, o que
auxilia no seu desenvolvimento. Assim, eles podem prosperar na poeira dos
travesseiros, colchões, roupas de cama, mantas de lã, almofadas de penas,
tapetes, artesanatos, sofás, móveis e pisos das casas, carpetes e outra fibras
naturais.
e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilância em Saúde44
Figura 23: Ácaro do pó doméstico.
Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://i604.photobucket.com/
albums/tt122/atrasdamoita/carodomsticosdicasdecomoevita-los.jpg&imgrefurl=http://www.
atrasdamoita.com/acaros-domesticos-dicas-de-como-evita-los.html&usg=__aV3o-ylIUyObRVuATdA
DYwNxxTU=&h=443&w=434&sz=29&hl=pt-BR&start=41&zoom=1&tbnid=K4fRD3ZhYdPsOM:&tbnh=1
27&tbnw=124&ei=1iqUTv_9BaLZ0QHh5MjHBw&prev=/images%3Fq%3Dfoto%2Bde%2B%25C3%25A1car
o%2Bp%25C3%25B3%2Bda%2Bcasa%26start%3D21%26hl%3Dpt-BR%26sa%3DN%26tbm%3Disch&itbs=1>.
Acesso em: 16/08/2011.
O ciclo de vida dos ácaros do pó da casa acontece com o período
de desenvolvimento que se inicia com o ovo até chegar à fase adulta.
Esse período tem uma duração de 60 a 115 dias, que vai depender da
abundância na alimentação, temperatura e umidade do ambiente em que
ele se encontra; eles morrem quando a umidade fica abaixo de 40 a 50%.
Os ácaros se desenvolvem melhor nos climas tropicais com a temperatura
superior 20º C e a umidade relativa do ar entre 70 a 80%, ou seja, eles
gostam de ambientes quentes e úmidos e, ainda, esta espécie prospera
em ambiente com ausência ou com baixa intensidade de luz, com baixo
arejamento e com acumulação de poeiras. Portanto, em altitudes acima
de 1200 m, o desenvolvimento dos ácaros fica afetado, por esta razão, a
população humana que mora acima desta altitude pode ter mais alívio de
certas alergias oriundas desta espécie.
O ciclo de vida do ácaro apresenta as seguintes fases: ovo, larva,
protoninfa, deutoninfa, tritoninfa e adulto. Os ovos eclodem as ninfas, que
são formas semelhantes aos adultos, mas de tamanho bem menor. As ninfas
sofrem diversas alterações até atingirem o estágio adulto. A cada muda, o
ácaro troca de pele. Estas peles velhas circulam pelo ambiente e podem ser
aspiradas pelas pessoas caindo nas vias respiratórias e ocasionando alergias.
Figura 24: Ciclo de vida do ácaro predador Neoseiulus californicus.
Fonte: Disponível em: <http://www.agripoint.com.br/default.asp?actA=2&noticiaID=46275>.
Acesso em 16/08/2011.
A cópula acontece até duas vezes, e a fêmea ovipõe cerca de 30 a
50 ovos, dependendo da abundância na alimentação, temperatura e umidade
relativa do ar. A fêmea de ácaro ovipõe seus ovos em vários substratos, como
Caro estudante, há
diversas espécies de
ácaros encontradas nos
municípios brasileiros
e estas espécies
alteram de região
para região. Dentro do
mesmo município, esta
diversidade pode mudar
de uma casa para outra.
e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas e Animais Peçonhentos 45
travesseiros, colchões, tapetes, carpetes, cortina, roupas, sofá, etc.; o local
de preferência para desenvolvimento da espécie e também para a fêmea
depositar seus ovos é a cama, principalmente, no espaço entre o colchão e
o lençol, pois, esse ambiente é apropriado em virtude da temperatura do
corpo humano e da umidade causada pela transpiração.
6.2 Sintomas do ácaro da poeira
O contágio é pelo contato de um novo hospedeiro, com locais infes-
tados, ou com a pele de seres infectados. Os ácaros causam sintomas devido à
substância alérgena. As partículas fecais são pequeninas, semelhantes ao grão
de pólen. Os excrementos dos ácaros e também os ácaros mortos dispersam-se
em poeira fina, sendo inalados e podendo provocar alergias. Algumas alergias
respiratórias, como a asma e a rinite alérgica, bem como dermatites alérgicas,
podem ser provocadas por esses minúsculos ácaros ou por seus produtos como
dejetos, secreções, fragmentos de ácaros mortos, etc. Quando encontrados no
meio ambiente, suspensos no ar com as poeiras, são inalados por pessoas, que
desenvolvem reação de hipersensibilidade a tais materiais.
De acordo com algumas pesquisas, aproximadamente 80% das aler-
gias respiratórias estão relacionadas com esses acarídeos. Outras espécies
de ácaros presentes nas residências podem provocar dermatites, como a
sarna. Portanto, há outros gêneros de ácaros importantes que parasitam e
proporcionam algumas doenças como: Demodex, ficam alojados nas glându-
las sebáceas causando a formação de cravos ou sarna demodécica; Ssarcop-
tes e Notoedres, que são responsáveis por sarnas penetrantes que formam
galerias na epiderme; Psoroptes, Octodectes e Chorioptes, que são gêneros
responsáveis por sarnas psorópticas, ectodéticas e cariótica, por fim, Der-
matophagoides, que é responsável pela maioria dos problemas de alergia
respiratória ou dermatites, como asma e rinite alérgica.
Figura 25: Impurezas dentro de nossas casas: bactérias, ácaros, resíduos de pó
fino, fezes, etc. são as causas de asma, rinites, dermatites, alergias, etc.
Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.encatho.com.
br/2002/imagens/expositores/incopar/resp.jpg&imgrefurl=http://www.encatho.com.br/2002/
principal/expositores/incopar.htm&usg=__y73SYmQAVHqrTp6Sg1P0HXITpMM=&h=192&w=276&sz=4
5&hl=pt-BR&start=101&zoom=1&tbnid=MeWwM7zLZ8db2M:&tbnh=79&tbnw=114&ei=7jGUTqGPD8u
Xtwf7va2MBw&prev=/images%3Fq%3Dfoto%2Bde%2B%25C3%25A1caro%2Bp%25C3%25B3%2Bda%2Bca
sa%26start%3D84%26hl%3Dpt-BR%26sa%3DN%26tbm%3Disch&itbs=1>. Acesso em 16/08/2011.
Caro estudante, use
a internet e acesse o
site da (http://people.
ufpr.br/~pimo.parana/
arquivos/schuber.
pdf) para ter mais
informações sobre ciclo
do ácaro predador
Neoseiulus californicus.
Substância alérgena:
é a que desencadeia
a alergia contida nos
dejetos, secreções,
fragmentos de ácaros
mortos
e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilância em Saúde46
Falando um pouco mais sobre alergias, ressalta-se que a concentra-
ção de 500 ácaros por grama de poeira é suficiente para provocar crise alér-
gica num ser humano, deixando-o com sintomas de falta de oxigênio. Binotti
e Oliveira (2011) esclarecem que a “concentração de 100 ácaros por grama
de poeira já é o bastante para provocar alergia, embora não gere crise”.
Esses autores mostram na pesquisa que Dermatophagoides pteronyssinus es-
tavam presente em 55% das casas e que Blomia tropicalis foram encontrados
em 14% dos domicílios investigados. Eles relataram que a presença das fezes
e as carcaças em decomposição dessas duas espécies, acarretam as alergias
e, quando ficam em suspensão no ar, são aspiradas pelos seres humanos,
proporcionando-lhes irritação das mucosas da garganta e do nariz e, ainda,
em contato com o pulmão, provocam a asma brônquica, chamada popular-
mente como bronquite.
Figura 26: Concentração da população de ácaros.
Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://3.bp.blogspot.
com/_-M9Z4n8s5gQ/TEzloMslWMI/AAAAAAAAB34/WdWQUUENhhk/s1600/limpeza%2Bcasa.
jpg&imgrefurl=http://blogdalergia.blogspot.com/2010/07/poeira-domiciliar.html&usg=__oT1UN8y
mfkAjp7nRmuZGntk5TB0=&h=423&w=493&sz=154&hl=pt-BR&start=54&zoom=1&tbnid=75LFjogViEc
rTM:&tbnh=112&tbnw=130&ei=4CuUTvOEPMujtgf7-f30Bg&prev=/images%3Fq%3Dfoto%2Bde%2B%25
C3%25A1caro%2Bp%25C3%25B3%2Bda%2Bcasa%26start%3D42%26hl%3Dpt-BR%26sa%3DN%26tbm%3Dis
ch&itbs=1>. Acesso em 17/08/2011.
Partindo do princípio de que os ácaros da poeira se desenvolvem
muito rapidamente em condições ideais de temperatura e umidade e, tam-
bém com abundância de alimentos, fica quase impraticável aboli-los do am-
biente doméstico.
e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas e Animais Peçonhentos 47
Figura 27: Temperatura, umidade e abundância de alimentos prosperam a vida dos ácaros.
Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.encatho.com.
br/2002/imagens/expositores/incopar/resp.jpg&imgrefurl=http://www.encatho.com.br/2002/
principal/expositores/incopar.htm&usg=__y73SYmQAVHqrTp6Sg1P0HXITpMM=&h=192&w=276&sz=4
5&hl=pt-BR&start=101&zoom=1&tbnid=MeWwM7zLZ8db2M:&tbnh=79&tbnw=114&ei=7jGUTqGPD8u
Xtwf7va2MBw&prev=/images%3Fq%3Dfoto%2Bde%2B%25C3%25A1caro%2Bp%25C3%25B3%2Bda%2Bca
sa%26start%3D84%26hl%3Dpt-BR%26sa%3DN%26tbm%3Disch&itbs=1>. Acesso em 18/08/2011.
Resumo
Nesta aula, você aprendeu:
•	 Biologia e comportamento do ácaro;
•	 Sintomas do ácaro da poeira.
Atividades de aprendizagem
1. Questão. Por que os ácaros da poeira são importantes para a patologia
humana?
2. Questão. Há alguma explicação para o fato de os ácaros do pó doméstico
gostarem de colchões? Explique.
3. Questão. Atenção: sugiro que você, aluno, faça uma pesquisa sobre áca-
ros do pó doméstico no site <http://www.osacaros.com/os-acaros-do-po-da-
-casa.html>. Acesse o vídeo e, de acordo com ele, responda: o que mais lhe
chamou a atenção no item vigilância em saúde?
e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas e Animais Peçonhentos
AULA 1
Alfabetização Digital
49
Aula 7 – Ectoparasitas: ácaros do pó do-
méstico
Objetivos
•	 Oferecer uma visão sobre métodos de prevenção e de controle
do ácaro da poeira;
•	 Descrever a importância do método de controle químico.
7.1 Métodos de prevenção e de controle
O melhor método para se prevenir contra os ácaros da poeira é
fazer o controle de sua população, ou seja, reduzir sua população a um
nível baixo, que não possa causar alergia ou mesmo crise nas pessoas.
Para isto, é importante a implantação de algumas práticas de higiene nas
residências que são capazes de reduzir a população dos ácaros, minimi-
zando, assim, os problemas de saúde que eles podem proporcionar. Algu-
mas medidas trazem bons resultados, como: - colocar o colchão (objeto
com o qual as pessoas mantêm um contato mais prolongado na casa, por
isto, torna-se o lugar com maior existência da concentração de ácaros)
juntamente com o travesseiro ao sol e mudar o seu lado, quinzenalmente;
usar coberturas de plástico para colchões e travesseiros; - não utilizar
cortinas e tapetes, no lugar das cortinas, é bom colocar por persianas
plásticas; - conservar a residência sempre arejada e iluminada é impres-
cindível para combater os ácaros; - conservar os alimentos bem fechados
nas despensas e não fazer as refeições no sofá ou na cama; - exposição
ao ar e sol de utensílios domésticos; - remover com frequência poeira
com utilização de aspiradores de pó, lavagem do piso ou limpeza com
pano úmido; trocar e lavar com frequência lençóis, fronhas, toalhas, rou-
pas, cortinas, etc.; - utilizar coberturas anti-ácaros em poliuretano nos
colchões, edredons e almofadas; - fazer a limpeza pessoal e ambiental,
incluindo os animais domésticos, cuja presença deve ser impedida no in-
terior das residências; - lavagem semanal dos bonecos de pelos.
e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilância em Saúde50
Figura 28: Trocar a roupa de cama semanalmente e utilizar protetores de colchão
e de travesseiros são alternativas eficazes para manter uma cama mais limpa e
saudável, garantindo o bom sino.
Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.altenburg.com.br/
blog/wp-content/uploads/2010/05/protetor-foto08.jpg&imgrefurl=http://www.altenburg.com.br/
blog/tag/acaros/&usg=__fEmxIiU1b2taftTCI89DMmS-cDA=&h=365&w=410&sz=90&hl=pt-BR&start
=556&zoom=1&tbnid=DtXprV9OuHIBRM:&tbnh=111&tbnw=125&ei=QziUTsupG9K4tgeYp5SOBw&pr
ev=/images%3Fq%3Dfoto%2Bde%2B%25C3%25A1caro%2Bp%25C3%25B3%2Bda%2Bcasa%26start%3D546
%26hl%3Dpt-BR%26sa%3DN%26tbm%3Disch&itbs=1>. Acesso em 19/08/2011.
Podemos dizer que no quarto de dormir é preciso tomar medidas
particulares para amenizar a presença de ácaros, tais como: - devem ser
eliminados os tapetes e carpetes; - o assoalho precisa ser liso, por exemplo,
em madeira ou outro objeto que facilita a limpeza; - as paredes devem estar
sem papel e ser lisas; - usar de preferência móveis lisos para não acumu-
lar poeira; - não possuir aparelhos de música, computador, televisão e nem
guardar livros, discos, CD´s, brinquedos e bonecos de peluche no dormitório,
ou seja, quanto menos objetos estiverem no quarto, melhor será a redução
da concentração da população de ácaros. Precisamos deixar claro que os
colchões velhos, acima de 10 anos, auxiliam no aumento da população do
parasita e sustâncias alérgenas produzidas por eles no seu interior, o que
dificulta a sua eliminação. Por isto, deve-se recobrir o colchão para evitar
acúmulo desses parasitas. Usar de preferência edredons de material sinté-
tico e não utilizar os de penas e nem cobertores, os lençóis usados devem
ser com tecidos de algodão. Esses objetos devem ser lavados a temperatura
superior a 60ºC, pois, só assim é provável a retirada eficaz dos ácaros e das
suas partículas.
A cozinha é outro ambiente predileto dos ácaros, por isto, deve
estar sempre bem limpa e ventilada. É importante manter os alimentos bem
fechados para que o parasita que habita na cozinha não se alimente de restos
de comida ou outros alimentos. Devem-se manter limpos os panos de pratos
e armários. A limpeza com pano úmido com vinagre passado regularmente
no chão e nas paredes é um grande desinfetante, eficiente e barato no con-
trole dos ácaros.
Caro aluno, repare
como este ponto é
importante: algumas
pesquisas apontam
que o colchão é o
local preferido dos
ácaros, e que a
maior concentração
da população desse
parasita está na inserida
na parte de baixo dele,
que permanece em
contato com o estrado,
sendo três vezes maior
do que na parte de
cima.
e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas e Animais Peçonhentos 51
Figura 29: Temperatura, umidade e abundância de alimentos prosperam a vida dos
ácaros.
Fonte: Disponível em: <http://www.discoverybrasil.com/_hhdocs/images/265x160/gettyRF_dust_
mites_img.jpg>. Acesso em 20/08/2011.
Assim como nos quartos e na cozinha, o banheiro deve ser também
ventilado e seco. Por ser um local mais úmido da residência, ocorre maior
incidência de focos de infiltração e manchas de bolor, os quais devem ser eli-
minados. Não se deve deixa as toalhas no banheiro, elas devem ser retiradas,
diariamente, para secarem ao sol, trocando-as pelo menos duas vezes por
semana. Passar pano úmido com uma solução de vinagre (duas colheres de
sopa de vinagre para cada litro de água) pelo menos, no chão, nas paredes,
na bancada e no vaso sanitário.
Precisamos deixar claro que as outras dependências da residência
devem ser limpas, retirando-se o pó, de preferência duas vezes/semana,
priorizando o uso do aspirador na luta contra os ácaros domésticos.
Atualmente, há vacina específica para imunoterapia recomendada
para doentes sensibilizados aos ácaros domésticos, porém, essa deve ser
receitada pelo médico especialista em alergia.
7.2 Métodos de controle químico
Fazer exames microbióticos com de placas de Petri que podem ser
espalhadas pelo ambiente, ou então pelo meio de amostragem empregando
um aparelho chamado Impínger, é um método de avaliar a concentração da
população de ácaros. Porém, para a realização da pesquisa, é necessário o
auxílio de um profissional competente, o que aumenta o custo. Por isso, só
é feito em indústrias que necessitam de um controle rigoroso do ar. Outro
método de se combater os ácaros é com o uso de um aparelho chamado “Ste-
rilair”, no entanto, para se chegar aos resultados almejados são necessários
mais de um aparelho, dependendo da área e também do ambiente.
Acaricidas são substâncias químicas, não tóxicas para o homem,
com habilidade para extinguir os ácaros domésticos. Usar purificadores de
ar com filtro e desumidificadores quando a umidade estiver superior a 60%,
são medidas complementares para o controle de infestações de ácaros na
residência e devem ser adotadas com orientação de especialistas. A adoção
dessas medidas pode melhorar qualidade de vida e reduzir crises alérgicas
proporcionadas pelos ácaros.
e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilância em Saúde52
Existem substâncias químicas que matam os ácaros ou desativam
seus alérgenos, mas elas podem ser irritantes respiratórios para certas pes-
soas. Em geral, utilização dessas substâncias químicas só está reservada para
situações quando as medidas anteriores falharam. Por exemplo, o ácido tâni-
co: destrói os alérgenos dos ácaros, porém, não os mata e seu efeito é tempo-
rário, fazendo com que os ácaros vivos permaneçam produzindo alérgenos.
O ácido tânico pode ser distribuído nos carpetes e nos móveis para destruir
os alérgenos dos ácaros. Quando o alérgeno é inativado, deixa de causar os
sintomas da alergia. É importante ressaltar que a utilização do ácido tânico
é limitada, em virtude de esse produto manchar móveis, carpetes, etc.
Figura 30: Melhor controle dos ácaros é manter o ambiente da casa limpo
utilizando serviços profissionais para uma limpeza, lavagem, higienização,etc.
Fonte: Disponível em: <http://delas.ig.com.br/cs/Satellite?blobcol=urldata&blobkey=id&blobtable
=MungoBlobs&blobwhere=5797205107188&ssbinary=true>. Acesso em 20 ago. 2011.
Podemos citar como exemplo outro produto químico, com benzoato
de benzila, que mata os ácaros e facilita sua remoção dos carpetes. Esse
produto é vendido em solução aquosa, o que facilita seu emprego em carpe-
tes. Depois que este produto seca num intervalo de 8 a 12 horas, ele deve
ser retirado por aspiração. O benzoato de benzila deve ser usado a cada seis
meses, o que auxilia a manter os ácaros sob controle. O efeito do benzoato
de benzila é mais longo do que o efeito do ácido tânico. Ele pode ser um
irritante para os alérgicos. Podemos dizer que o uso de vinagre para fazer a
limpeza é eficiente e barato no controle dos ácaros. Passar um pano úmido
com vinagre regularmente nas paredes e no chão é um grande desinfetante.
Resumo
Nesta aula, você aprendeu:
•	 Métodos de prevenção e de controle de ácaros;
•	 Métodos de controle químico de ácaros.
e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas e Animais Peçonhentos 53
Atividades de aprendizagem
1. Questão. Por que na parte de baixo do colchão há maior concentração da
população de ácaros em comparação com a parte de cima? Justifique.
2. Questão. Qual é o melhor método de controle dos ácaros?
e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas e Animais Peçonhentos
AULA 1
Alfabetização Digital
55
Aula 8 – Ectoparasitas: carrapatos em
humanos
Objetivos
•	 Entender biologia e comportamento do carrapato da família Ar-
gasidae;
•	 Reconhecer as espécies de carrapatos mais comuns no Brasil;
•	 Oferecer uma visão sobre as doenças transmitidas pelos carra-
patos, patógenos veiculados e sintomas.
8.1 Biologia e comportamento dos carrapatos
Os carrapatos têm os nomes vulgares como: carrapato, carraça,
chato, carrapato estrela, carrapato do cão, carrapato do cavalo e micuim.
Possuem vários nomes científicos. São artrópodes da ordem Acarina, classi-
ficados nas famílias Ixodidae e Argasidae. Os carrapatos são ectoparasitas de
animais domésticos, silvestres e do homem, pertencentes à classe Arachnida
e possuem quatro pares de patas. Hoje, são conhecidas aproximadamente
800 espécies de carrapatos em todo globo terrestre, parasitando mamíferos,
aves, répteis ou anfíbios. Os carrapatos pertencentes aos gêneros Amblyom-
ma e Rhipicephalus são ectoparasitos cosmopolitas heteroxenos que parasi-
tam várias espécies de animais. Já o gênero Boophilus é originário do conti-
nente asiático. São carrapatos monoxenos. No Brasil, foram encontradas 33
espécies. Eles têm grande importância, pois desempenham a função como
vetores de microrganismos patogênicos, incluindo protozoários, rickétsias,
bactérias, vírus, etc., e também pelos danos que proporcionam diretamente
ou indiretamente causados em consequência do seu parasitismo.
Atualmente, os carrapatos estão classificados em duas famílias: Ar-
gasidae e Ixodidae. Os argasídeos são conhecidos como “carrapatos moles”,
recebem esta denominação porque não têm o escudo quitinoso, que co-
bre parte de suas costas. Quando se olha para um carrapato duro de cima
para baixo, também se pode ver seu capítulo, que parece com uma cabeça.
Fazem parte dessa família os carrapatos de cão e os carrapatos de aves;
enquanto que os ixodideos são denominados “carrapatos duros”, pois, apre-
sentam um escudo rígido e quitinoso.
O carrapato duro possui uma placa chamada escudo, que cobre
parte de suas costas. Ao observar um carrapato duro de cima para baixo,
também se pode enxergar seu capítulo, que parece com uma cabeça. Po-
rém, os carrapatos moles não possuem escudos e as únicas partes que você
consegue ver quando o olha de cima são suas patas e costas.
Heteroxenos ou
digenéticos :
são os parasitas que
somente concluem
o seu ciclo evolutivo
passando pelo menos
em dois hospedeiros
Monoxenos:
são os parasitas que
concluem o seu ciclo
evolutivo hospedando-
se em apenas em um
único hospedeiro
e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilância em Saúde56
Figura 31: Classificados dos carrapatos família Argasidae conhecidos como
“carrapatos moles” e família Ixodidae conhecidos como “carrapatos duros”.
Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://static.hsw.com.br/gif/tick-8.
gif&imgrefurl=http://ciencia.hsw.uol.com.br/carrapato.htm&usg=__IQi6qKAHqcl7lENnsRqvTtw9LRA=&
h=357&w=400&sz=28&hl=pt-BR&start=49&zoom=1&tbnid=3OV8ArTwT-Ra8M:&tbnh=111&tbnw=124&ei=
QG6fTpHmMMO1sQLT-LX_BA&prev=/images%3Fq%3Dfoto%2Bde%2Bcarrapato%2Bem%2Bhumanos%26sta
rt%3D42%26hl%3Dpt-BR%26sa%3DN%26tbm%3Disch&itbs=1>. Acesso em: 21/08/2011.
O carrapato inicia sua vida como um ovo; quando o ovo eclode,
origina uma larva de seis patas. Embora os aracnídeos tenham quatro pares
de patas, as larvas, mesmo com a falta de duas patas, se parecem muito
com um carrapato adulto. Elas precisam achar um hospedeiro para crescer
e, após a sua alimentação, elas voltam para o solo para digerir a comida e
inicia-se o crescimento. Esta fase varia de uma a três semanas, dependendo
das condições climáticas e da alimentação. A larva faz a muda e se torna
uma ninfa. A ninfa possui oito patas e, embora menor, é semelhante ao
carrapato adulto. A ninfa tem que se alimentar novamente e, para isso, tem
que encontrar outro hospedeiro, que pode ser outro mamífero, pássaro ou
lagarto, antes que possa fazer a muda mais uma vez. Após a ninfa concluir
sua alimentação, ela retorna para o solo e prossegue o seu desenvolvimento;
depois de fazer a última muda, a ninfa se transforma em carrapato adulto.
Os carrapatos também podem sentir fome até morrerem, contu-
do, esse processo costuma levar meses e até anos. Porém, na ausência de
sangue, os carrapatos não podem completar seu ciclo. Eles necessitam da
energia que vem do sangue para crescerem, se desenvolverem e colocarem
ovos. Eles utilizam seus aparelhos bucais para perfurar a pele de seus hos-
pedeiros e sugar o sangue, até se tornarem carrapatos ingurgitados. Cada
fêmea, dependendo da espécie, pode colocar de 200 a 3000 ovos por dia. Os
carrapatos vivem em touceiras, capim, no chão, entre as madeiras, frestas,
etc., em climas secos ou úmidos.
Ingurgitado:
está cheio de sangue.
e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas e Animais Peçonhentos 57
Figura 32: Ciclo de vida dos carrapatos.
Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.losrochame.
com.br/wp-content/uploads/2011/04/img_ciclo_vida_carrapato.gif&imgrefurl=http://www.
losrochame.com.br/&usg=__zL-GfRuzMTvpum27oR3eOX4PsYY=&h=500&w=400&sz=23&hl=pt-
BR&start=189&zoom=1&tbnid=_qztWPdZOvLfXM:&tbnh=130&tbnw=104&ei=GXGfTrukE8SNsQKM4M
mZBQ&prev=/images%3Fq%3Dfoto%2Bde%2Bcarrapato%2Bem%2Bhumanos%26start%3D168%26hl%3D
pt-BR%26sa%3DN%26tbm%3Disch&itbs=1>. Acesso em 22/08/2011.
8.2 Biologia e comportamento do carrapato da
família Ixodidae
Os carrapatos da família Ixodidae apresentam duas fases durante
seu desenvolvimento, como: uma parasita, que acontece sobre o hospedeiro,
e outra fase é a vida livre, que ocorre no solo, depois de abandonar seu hos-
pedeiro. É interessante destacar que, na fase parasitária, o tempo de vida do
carrapato é menos de 10%, é uma fase em que esses organismos apropriam
para alimentação sanguínea no hospedeiro. Eles necessitam de um ou mais
hospedeiros para concluir seu ciclo de vida. O ciclo de vida dos carrapatos
consiste de três fases: larva, ninfa e adulto. No estágio adulto os carrapatos
são móveis e hematófagos.
Figura 33: Fases de vida do carrapato ovos, larvas, ninfas, fêmea e macho .
Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.portalsaofrancisco.
com.br/alfa/carrapato/imagens/carrapato12.jpg&imgrefurl=http://www.portalsaofrancisco.com.
br/alfa/carrapato/carrapato-2.php&usg=__sVUcN3MuQ-tqfNLbIHYvs4nbSQ4=&h=257&w=250&sz=12
&hl=pt-BR&start=66&zoom=1&tbnid=2sn55QdDOFUdOM:&tbnh=112&tbnw=109&ei=M4mfTu33BqTls
QLvlsCUBQ&prev=/images%3Fq%3Dfoto%2Bde%2Bcarrapato%2Bem%2Bhumanos%26start%3D63%26hl
%3Dpt-BR%26sa%3DN%26tbm%3Disch&itbs=1>. Acesso em 23/08/2011.
e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilância em Saúde58
Consideremos que, depois do acasalamento, as fêmeas devoram
excessivamente o sangue do hospedeiro, desprendem-se do hospedeiro e
buscam lugares para se abrigar no solo. A partir daí, inicia-se a fase de vida
livre do ciclo biológico. A temperatura influencia no tempo de duração da
fase de vida livre do carrapato, podendo se estender quando essas forem
mais baixas, dependendo de cada espécie. O número de ovos colocados pe-
las fêmeas está relacionado com sua respectiva massa corporal, dentro de
cada grupo de carrapato.
As larvas dos carrapatos apresentam uma aparência semelhante à
dos adultos assim que elas eclodem dos ovos. É necessário destacar que as
larvas são sexualmente imaturas e tem somente três pares de pernas. Elas
continuam inativas nas plantas rente ao solo por alguns dias até sua cutícu-
la endurecer, após o endurecimento, as larvas estão aptas a infestarem os
hospedeiros. Elas começam a se deslocar em direção ao ápice das plantas ao
redor do lugar onde nasceram.
Pode-se afirmar sem nenhuma dúvida que as larvas têm a habi-
lidade de detectar calor, gás carbônico, odor e vibração do ar em virtude
do movimento dos animais hospedeiros. Elas ficam agrupadas na vegetação
evitando, dessa forma, a perda de umidade e também se protegendo da inci-
dência direta dos raios solares, esperando a passagem de mamíferos e aves.
Consideremos que depois da primeira muda das larvas, surgem as
ninfas. É interresante que nessa fase as ninfas já possuem quatro pares de
pernas. As ninfas, como as larvas, são imaturas sexualmente. Depois da úl-
tima muda, as ninfas transformam-se em adultos, fêmeas ou machos. As
fêmeas só sugam excessivamente o sangue do hospedeiro depois do acasala-
mento. Enquanto os machos continuam no hospedeiro por algumas semanas
ou meses, eles acasalando-se com diferentes fêmeas. O encontro dos carra-
patos da família Ixodidae com os hospedeiros no campo é feito ao acaso. Os
carrapatos percorrem distâncias muito pequenas e quase não se dispersão;
eles têm a capacidade de detectar a proximidade do hospedeiro na vege-
tação, e para isto ocorrer é preciso que exista contato físico para que eles
sejam transferidos e deem início à fase parasitária.
Caro estudante, o
acasalamento dos
carrapatos do gênero
Ixodes só ocorre nos
hospedeiros.
e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas e Animais Peçonhentos 59
Figura 34: Fases de vida do carrapato em seu hospedeiro (cão).
Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.elumaveterinaria.
com.br/imgnoticias/16_0img_carrapato.png&imgrefurl=http://www.elumaveterinaria.com.br/
detalhanoticia.php%3Fcod%3D16&usg=__OMFtqyCgsccF2ZFRoISsemqFsKw=&h=183&w=188&sz=9&h
l=pt-BR&start=170&zoom=1&tbnid=WFphmkdzmwPksM:&tbnh=99&tbnw=102&ei=Y3ufTsHvJ4WnsQL
0wNXGBQ&prev=/images%3Fq%3Dfoto%2Bde%2Bcarrapato%2Bem%2Bhumanos%26start%3D168%26hl
%3Dpt-BR%26sa%3DN%26tbm%3Disch&itbs=1>. Acesso em 22/08/2011.
Precisamos deixar claro que muitos dos carrapatos morrem antes
mesmo de acharem seus hospedeiros, pois podem estar dependentes dos
predadores e das condições adversas do clima. Para compensar a vulnerabili-
dade imposta na fase de vida livre do seu ciclo biológico, as fêmeas colocam
milhares de ovos no ambiente, os quais, em sua maior parte, eclodem e ori-
ginam grande maioria das larvas. As larvas, portanto, são muito resistentes
e são hábeis de suportar longos períodos em jejum, até acharem condições
favoráveis para parasitar sobre o hospedeiro.
Falaremos agora sobre o desenvolvimento completo do ciclo dos
carrapatos, que pode acontecer em um, dois ou três hospedeiros, dependen-
do da frequência de animais parasitados durante seu ciclo evolutivo. Assim,
no primeiro caso, larvas, ninfas e adultos permanecem toda a vida parasi-
tária sobre um só animal; no segundo caso, larvas e ninfas alimentam-se em
um animal, as ninfas caem no solo, sofrem uma modificação e os adultos pro-
curam um novo hospedeiro; no terceiro caso, a cada alteração de estádio, o
carrapato abandona o hospedeiro, realiza a modificação no ambiente, e volta
a se estabelecer no hospedeiro. É importante lembrar que o tempo necessá-
rio para que o carrapato complete o seu ciclo biológico vai depender do tipo
de ciclo evolutivo e das condições climáticas. Assim, esse tempo pode variar
de alguns meses, em países tropicais, até anos, em países de clima frio.
e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilância em Saúde60
Resumo
Nesta aula, você aprendeu:
•	 Biologia e comportamento dos carrapatos;
•	 Biologia e comportamento do carrapato da família Ixodidae.
Atividades de aprendizagem
1. Questão. Comente a diferença que há entre os carrapatos heteroxenos e
carrapatos monoxenos.
2. Questão. Por que na ausência de sangue os carrapatos não completam seu
ciclo biológico?
e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas e Animais Peçonhentos
AULA 1
Alfabetização Digital
61
Aula 9 – Ectoparasitas: carrapatos em
humanos
Objetivos
•	 Entender a biologia o e comportamento do carrapato da família
Argasidae;
•	 Reconhecer as espécies de carrapatos mais comuns no Brasil;
•	 Obter uma visão sobre as doenças transmitidas pelos carrapa-
tos, patógenos veiculados e sintomas.
9.1 Biologia e comportamento do carrapato da
família Argasidae
Os gêneros da família Argasidae são mais frequentes nas regiões
que têm longas estações secas. Grande parte das espécies dessa família é
parasita de aves e outras espécies, parasitas de cães. Os carrapatos da fa-
mília Argasidae têm como seus habitats, ambientes relacionados ao homem
e animais domésticos, como: galinheiros, pocilgas, pombais ou cabanas rús-
ticas. Os carrapatos do grupo dos argasídeos residem em um habitat relati-
vamente estável, têm a habilidade de se alimentar no mesmo animal várias
vezes ou em vários animais que podem ser da mesma espécie ou espécie
diferente durante seu ciclo de vida. Esses carrapatos se reproduzem conti-
nuamente durante o ano.
Podemos dizer que os carrapatos da família Argasidae normalmente
não continuam fixados no hospedeiro por períodos prolongados; eles buscam
os hospedeiros somente para se alimentar, normalmente, quando estes dor-
mem. Eles têm o hábito de ficar escondidos, na maior parte do tempo, em
lugares que possuem fissuras, principalmente, nos abrigos dos animais. Esses
carrapatos podem permanecer em jejum por mais de um ano, esperando
pela chance de se alimentar.
É possível destacar que acasalamento ocorre na fase adulta, fora
do hospedeiro, e que a fêmea realiza postura depois de cada repasto
sanguíneo, salientando que o ciclo de vida envolve ovo, larva, ninfas com
vários estágios e adultos. As ninfas e os adultos da maioria das espécies
desse grupo alimentam-se muito rapidamente, aproximadamente de 30
a 40 minutos. Já as larvas permanecem sobre seus hospedeiros por um
período de 7 a 10 dias.
e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilância em Saúde62
9.2 Espécies de carrapatos mais comuns no Brasil
O carrapato-de-boi tem o nome científico de Boophilus microplus e
transmite ao gado a doença tristeza bovina. Já o carrapato-de-galinha tem
o nome científico de Argas miniatus, sendo a espécie que transmite aos gali-
nheiros a bouba, doença infecciosa parecida com a sífilis.
O carrapato-de-cavalo ou carrapato-estrela, com o nome científico
de Amblyomma cajennense, é a espécie que mais parasita o homem. Esta
espécie também infesta aves e os mamíferos silvestres e os domésticos, che-
gando, na fase adulta, a ser do tamanho de um grão de feijão verde, ou até
maior. A sua forma larval, chamada de micuim, hospeda-se nos pastos no
período de março a julho, período da seca. É importante lembrar que esse
tipo de micuim pode permanecer até 2 anos sem se alimentar, esperando um
hospedeiro. Ao grudar no ser humano, causa terrível coceira e inflamação,
que pode durar mais de um mês.
Carrapato-vermelho-do-cão tem o nome científico de Rhipicephalus
sanguineus, e é característico de gatos e de cães. Os adultos preferem abri-
go na pele, entre o coxim plantar e as orelhas do cão. Sobem pelas cercas,
muros, e se disseminam pela casa, canil, etc. É de difícil controle.
Figura 35: Carrapato-vermelho-do-cão tem o nome científico Rhipicephalus
sanguineus.
Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://
grandesamigospetshopsalvador.files.wordpress.com/2010/05/rhipicephalus-sanguineus.
jpg&imgrefurl=http://grandesamigospetshopsalvador.wordpress.com/category/pets/saude-pet/
carrapatos/&usg=__otFBM_4QoGo8RiRTp_4K6zdyKmU=&h=212&w=225&sz=38&hl=pt-BR&start=205
&zoom=1&tbnid=VE7AUrmOiSqluM:&tbnh=102&tbnw=108&ei=zn6fTpjNDMOIsALZ6PCtBQ&prev=/im
ages%3Fq%3Dfoto%2Bde%2Bcarrapato%2Bem%2Bhumanos%26start%3D189%26hl%3Dpt-BR%26sa%3DN
%26tbm%3Disch&itbs=1>. Acesso em 25/08/2011.
No Brasil, é mais fácil de se encontrar os carrapatos-de-boi, de
cavalo, de galinha e do cão e alguns deles têm a capacidade de transmitir
doenças, entre as quais está a encefalite humana, que é transmitida quando
o carrapato suga os ratos e, ou, as aves e, posteriormente, suga a pessoa,
transmitindo-lhe o vírus. A encefalite é uma doença que afeta tanto os ho-
mens quanto as mulheres.
e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas e Animais Peçonhentos 63
9.3 Doenças transmitidas pelos carrapatos, pa-
tógenos veiculados e sintomas
Consideremos que a perda de sangue nos hospedeiros é um assunto
de grande importância quando se abordam as infestações pelos carrapatos.
Partindo do princípio de que cada fêmea consome mais de 8 mL, dependen-
do da espécie, assim, em alguns casos, os hospedeiros ficam tão infestados
por carrapatos que podem falecer, devido à perda de sangue ou por se tor-
narem susceptíveis a outras doenças, em virtude do estado abatido.
Precisamos deixar claro que os carrapatos têm a capacidade de
transmitir algumas doenças aos seres humanos e também aos animais, po-
dendo ocasionar doenças graves ou até mesmo levar à morte. Dentre as
doenças mais comuns, pode-se mencionar a febre maculosa, a babesiose
canina, a doença de Lyme e a erliquiose canina.
Os carrapatos necessitam de sangue para se alimentar, por isto,
eles têm a capacidade de transmitir doenças de um hospedeiro para o outro.
As larvas, ao saírem dos ovos, podem estar livres de doenças, porém, ao se
alimentarem de um hospedeiro infectado, elas se tornam um vetor de do-
enças. Portanto, os carrapatos podem ser agentes de transmissão de várias
doenças mais do que qualquer outro artrópode do planeta. A eficácia em dis-
seminar infecções vem do modo como eles se alimentam. Algumas espécies
de carrapatos têm o hábito de se alimentar em mais de um hospedeiro antes
de morrer. Podemos dizer que, se um hospedeiro estiver doente, ele trans-
mite a doença para os outros hospedeiros. Os carrapatos da família Ixodidae,
chamados de carrapatos duros, mantêm seus aparelhos bucais incrustados na
pele de seus hospedeiros por um período que varia por algumas horas ou até
alguns dias para que completem a sua alimentação. Esse período é suficiente
para eles transmitirem os patógenos para outros hospedeiros.
Figura 36: Homem atacado por uma população de carrapatos.
Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.labcdl.com.br/
artigos/febre_maculosa/imagem/humano_corpo_peq.jpg&imgrefurl=http://www.labcdl.com.br/
artigos/febre_maculosa/default.htm&usg=__s_cWww73Zr8Ujfj8f3r1Cjpe9hI=&h=394&w=250&sz=2
0&hl=pt-BR&start=59&zoom=1&tbnid=FoxdJ3PWeNVBqM:&tbnh=124&tbnw=79&ei=XY6fTrWCCsaNs
QLfvIGEBQ&prev=/images%3Fq%3Dfoto%2Bde%2Bcarrapato%2Bem%2Bhumanos%26start%3D42%26hl
%3Dpt-BR%26sa%3DN%26tbm%3Disch&itbs=1>. Acesso em: 26/08/2011.
e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilância em Saúde64
Podemos dizer que os carrapatos funcionam como um vetor de do-
ença, por exemplo, uma larva, ninfa ou adulto suga o sangue de hospedeiro
infectado. Neste ato de sugar, a larva, ninfa e, ou, adulto introduz os orga-
nismos patogênicos para dentro do corpo do hospedeiro. Os organismos pa-
togênicos permanecem no aparelho bucal e nas glândulas salivares do carra-
pato. A saliva contaminada do carrapato entra na ferida do hospedeiro e não
deixa que o sangue coagule. É importante não deixar que o carrapato possa
regurgitar o sangue infectado dentro da ferida do hospedeiro, na tentativa
de ser espremido enquanto estiver preso na pele ou durante uma tentativa
de removê-lo. É bom lembrar que hospedeiro infectado se torna um novo
reservatório de doença para outros carrapatos.
Dentre as principais doenças transmitidas por carrapatos, temos:
Febre maculosa, que é uma doença febril aguda causada por uma espécie
de bactéria conhecida como Rickettsia ricketsii. Ela é transmitida, especial-
mente, pelo carrapato-estrela ou carrapato-de-cavalo co,m o nome científico
de Amblyomma cajennense. Outras espécies de carrapatos também podem
transmitir a doença. A transmissão da febre maculosa acontece por meio da
picada do carrapato infectado, podendo acontecer depois de 4 a 6 horas do
início da fixação do carrapato na pele. O cão, além de ser o reservatório de
Rickettsia ricketsii, também age como um verdadeiro vetor, introduzindo os
carrapatos para dentro das residências.
A febre maculosa, nas pessoas, acontece com o surgimento dos sin-
tomas de jeito súbito, acompanhados de dores musculares, febre alta, dores
de cabeça e manchas no corpo, que surgem no quarto dia. As manchas são de
coloração rósea nas extremidades, em torno dos punhos e tornozelos, palmas
das mãos, face, pescoço, tronco, e solas dos pés das pessoas. Uma das maiores
dificuldades para se diagnosticar a febre maculosa é porque esta doença é se-
melhante aos sintomas iniciais de febre, dor de cabeça, etc., de outras doenças
mais comuns como a gripe. Devido a este fato, as pessoas geralmente não bus-
cam o tratamento adequado no início do processo da doença, e esta evolui para
um quadro mais grave. Aproximadamente 80% das pessoas com a forma grave da
doença, se não diagnosticadas e tratadas no tempo certo, evoluem para óbito.
Figura 37: Sintoma da febre maculosa na perna de uma pessoa.
Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.riscobiologico.
org/upload/arquivos/imagem_zLVy6cNJsz.jpg&imgrefurl=http://www.riscobiologico.org/pagina_
basica.asp%3Fid_pagina%3D199&usg=__-QfO5pF83MckGqMDyLojZkQcZi0=&h=280&w=340&sz=3
0&hl=pt-BR&start=1&zoom=1&tbnid=Ns0MJoWRA2a9HM:&tbnh=98&tbnw=119&ei=YE2gTp3TM8e
gsQKn3ZWLBQ&prev=/images%3Fq%3Dfoto%2Bde%2Bhumana%2Bcom%2Bfebre%2Bmaculosa%26hl%3
Dpt-BR%26sa%3DX%26tbm%3Disch&itbs=1>. Acesso em: 26/08/2011.
e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas e Animais Peçonhentos 65
A babesiose canina é uma doença grave, causada por um protozoá-
rio chamado de Babesia canis, que infecciona os glóbulos vermelhos dos cães
e multiplica-se. A febre marca o estágio em que essas células são rompidas
e os protozoários se deslocam para outras células. O principal transmissor
é o carrapato-vermelho-do–cão, chamado de Rhipicephalus sanguineus. Os
cachorros doentes apresentam febre, anemia, anorexia, prostração, triste-
za e emagrecimento progressivo. O diagnóstico da doença é realizado pelo
veterinário, que pode tratar os animais com medicamentos específicos. Não
têm vacinas disponíveis contra a babesiose canina, e o melhor método de
prevenção dessa doença é o controle da população dos carrapatos, princi-
palmente, dos infectados.
No homem, as infecções ocorrem por meio do protozoário Babe-
sia microti, que é transmitida pelo carrapato Ixodes scapularis. Podemos
dizer que foram registradas inúmeras ocorrências, com inclusão coinfec-
ção com Borrelia burgdorferi, que proporciona a doença de Lyme nas
pessoas.
Erlichiose canina é doença infecciosa grave causada pela bac-
téria cuja principal espécie é a Erlichia canis, transmitida por carrapatos
aos cães. Esta bactéria tem três fases: a) a aguda, no início da infecção;
b) a subclínica, que geralmente não tem sintomas; c) a crônica, que tem
infecção persistente. No cão, esta bactéria proporciona: perda de peso,
anemia grave, prostração, febre, vômitos e sangramento pelo nariz, na
pele, etc. O veterinário pode realizar diagnóstico da doença por meio
de exames laboratoriais. O tratamento pode ser feito com o emprego de
medicamentos específicos. Ainda não há vacinas disponíveis no mercado
para prevenção da erliquiose canina que, em virtude de sua gravidade, a
sua prevenção deve ser feita por meio de um controle restrito da infesta-
ção por carrapatos.
Borreliose ou doença de Lyme é uma infecção transmitida por
carrapatos aos cães e aos homens, especialmente, pelas ninfas do carrapa-
to Ixodes scapularis, causada pela bactéria Borrelia burgdorferi. A infecção
pode causar o acometimento de diversos órgãos, inclusive a pele, o sistema
nervoso, o coração e as articulações.
Nas pessoas, pode haver ainda o surgimento de lesões eritema-
tosas na pele com uma coloração avermelhadas que evoluem de forma
centrífuga do local da picada do carrapato chamado de eritema migrató-
rio. Porém, esse achado nem sempre é frequente. Em cães, os sintomas
mais comuns são dor articular aguda, letargia e febre. No Brasil, não
existem vacinas para esta doença, a única maneira de prevenção ainda é
o controle dos carrapatos. A borreliose já foi diagnosticada em cães no
município de São Paulo, nos municípios da Baixada Fluminense e em áreas
rurais do Estado do Rio de Janeiro. A doença já foi também diagnosticada
em seres humanos.
e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilância em Saúde66
Figura 38: Lesões provocadas pelos carrapatos.
Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.labcdl.com.br/
artigos/febre_maculosa/imagem/humano_corpo_peq.jpg&imgrefurl=http://www.labcdl.com.br/
artigos/febre_maculosa/default.htm&usg=__s_cWww73Zr8Ujfj8f3r1Cjpe9hI=&h=394&w=250&sz=2
0&hl=pt-BR&start=59&zoom=1&tbnid=FoxdJ3PWeNVBqM:&tbnh=124&tbnw=79&ei=XY6fTrWCCsaNs
QLfvIGEBQ&prev=/images%3Fq%3Dfoto%2Bde%2Bcarrapato%2Bem%2Bhumanos%26start%3D42%26hl
%3Dpt-BR%26sa%3DN%26tbm%3Disch&itbs=1>. Acesso em: 27/08/2011.
Resumo
Nesta aula, você aprendeu:
•	 Biologia e comportamento do carrapato da família Argasidae;
•	 Espécies de carrapatos mais comuns no Brasil;
•	 Doenças transmitidas pelos carrapatos, patógenos veiculados e
sintomas.
Atividades de aprendizagem
1. Questão. Por que os carrapatos da família Argasidae normalmente não
continuam fixados no hospedeiro por períodos prolongados?
2. Questão. Por que os carrapatos são considerados vetores de doenças?
e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas e Animais Peçonhentos
AULA 1
Alfabetização Digital
67
Aula 10 – Ectoparasitas: carrapatos em
humanos
Objetivos
•	 Oferecer uma visão sobre métodos de prevenção das pulgas;
•	 Explicar os métodos de controle das pulgas.
10.1 Métodos de prevenção
A higiene e o monitoramento dos lugares onde os carrapatos po-
dem ser localizados são de grande importância, pois a prevenção depende
das espécies, das fases e da localidade onde se encontram os carrapatos. É
importante observar que os carrapatos habitam em locais onde o gramado
ou a vegetação estão fechados, principalmente nas proximidades dos lugares
de criação dos animais e áreas de circulação do ser humano. Essas condições
facilitam o desenvolvimento desse ectoparasita. Para isto, é necessário que
os ínstares (estágios de crescimento entre duas mutações sucessivas) possam
estar presentes no ambiente. Ao conservar o gramado ou a vegetação apa-
rados, as condições ambientais tornam-se adversas, levando os carrapatos
nestas fases à morte, principalmente, por desidratação, além de evitar que
roedores que servem como hospedeiros intermediários de doenças se abri-
guem nessa localidade.
Algumas medidas preventivas para não contrair os carrapatos de-
vem ser tomadas, entre elas estão: - em ambientes infestados por esse ec-
toparasita como pastos ou gramado, deve-se evitar sentar no solo e expor
partes do corpo desprotegidas à vegetação. Ao adentrar nestes lugares, usar
roupas claras que facilitam a visualização dos carrapatos e também utili-
zar roupas de mangas longas, botas, calça comprida com a parte inferior
dentro das botas; - revistar o corpo depois de frequentar áreas de mata
ou conhecidamente infestadas por carrapatos; - evitar andar ou frequentar
ambientes infestados por carrapatos; - deslocar o lixo ou restos alimentares
expostos, a fim de impedir que estes sirvam de alimento para animais; - os
animais devem ser revistados semanalmente e, quando apresentarem esses
ectoparasitas, devem ser tratados com produtos indicados pelo veterinário e
conservados em lugar restrito.
Há outras medidas preventivas para não se contrair os carrapatos,
como: - quando for extrair carrapatos, não se deve empregar fósforo acesso
ou outros objetos aquecidos, bem como produtos químicos. Deve-se girar
levemente o corpo do carrapato até que se desprenda do hospedeiro. Não
puxar ou comprimir o carrapato quando estiver preso na pele do hospedeiro,
e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilância em Saúde68
pois, dessa forma, só será eliminado o corpo do parasita, visto que a parte
da boca que está presa à pele do hospedeiro continua no lugar. Assim, o pro-
cedimento pode ocasionar reações locais e inflamação prolongada ou pode
fazer com que o parasita penetre ainda mais nos tecidos, já que a bactéria
pode adentrar em algum ferimento do hospedeiro.
Figura 39: Capivara é o principal hospedeiro do carrapato que transmite a febre
maculosa.
Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/images?q=foto+de+humana+com+febre+maculo
sa&hl=pt-BR&tbm=isch&ei=YlCgTqvYBNGBsgLc_fm6BQ&start=147&sa=N>. Acesso em 08/09/2011.
10.2 Métodos de controle
Há diferentes produtos químicos de uso veterinário recomendados
para o controle de carrapatos. Na prática, há táticas de controle desses ecto-
parasitas que dependem da espécie e também da região onde se encontram.
Os métodos de controle dependem de fatores biológicos e epidemiológicos
e devem ser realizados por profissional capacitados. Portanto, o emprego
de produtos que controlem a infestação de carrapatos no meio ambiente e
sobre os animais é essencial para o controle e prevenção das doenças trans-
mitidas por esse ectoparasita.
A utilização mensal de Frontline mata rapidamente os carrapatos
que tiverem contato com os animais como os gatos e os cães. É importante
ressaltar que o Frontline não é um repelente e, sim, um produto residual de
contato que deve ser aplicado no hospedeiro com carrapatos, para matar
os parasitas. Os piretróides são produtos repelentes e têm menor período
residual, ou seja, menor duração. Os piretróides têm desvantagem, pois,
ao serem aplicados no animal, os carrapatos repelidos podem se locomover
para outros animais e se alojar noutro animal que não tenha repelentes ou
até mesmo se alojar numa pessoa. Pesquisas evidenciam que o emprego
mensal de Frontline é eficiente na prevenção da erlichiose canina em 96,4%
dos animais tratados.
Existe no mercado carrapaticida para controlar carrapatos em ani-
mais. A aplicação de produtos químicos, com propriedades carrapaticidas
nos animais é a técnica mais tradicional para se combater os carrapatos. Esta
técnica é usualmente aconselhada, exclusivamente, quando há participação
de animais domésticos como hospedeiros primários para o carrapato, embo-
ra não haja métodos adequados para tratamentos carrapaticidas contínuos
em animais silvestres de vida livre.
Carrapaticida:
é uma substância
química que seve para
matar carrapatos
e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas e Animais Peçonhentos 69
Figura 40: Aplicação de carrapaticida em equino.
Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.labcdl.com.br/
artigos/febre_maculosa/imagem/humano_corpo_peq.jpg&imgrefurl=http://www.labcdl.com.br/
artigos/febre_maculosa/default.htm&usg=__s_cWww73Zr8Ujfj8f3r1Cjpe9hI=&h=394&w=250&sz=2
0&hl=pt-BR&start=59&zoom=1&tbnid=FoxdJ3PWeNVBqM:&tbnh=124&tbnw=79&ei=XY6fTrWCCsaNs
QLfvIGEBQ&prev=/images%3Fq%3Dfoto%2Bde%2Bcarrapato%2Bem%2Bhumanos%26start%3D42%26hl
%3Dpt-BR%26sa%3DN%26tbm%3Disch&itbs=1>. Acesso em: 09/08/2011.
Pode-se afirmar sem nenhuma dúvida que em uma situação de ele-
vada infestação por carrapatos, os efeitos imediatos com uma única aplica-
ção de carrapaticida servem apenas para combater infestação momentânea
de um animal com grande infestação. Por isso, deve-se avaliar a implantação
contínua de algum programa de controle de carrapato, mesmo que os seus
resultados possam ser comprovados somente a médio ou longo prazo. O ob-
jetivo principal do programa de controle de carrapatos deve ser a redução
da infestação desse ectoparasita no ambiente, em todas as fases de vida
livre do carrapato, por meio de tratamentos contínuos dos animais.
Resumo
Nesta aula, você aprendeu:
•	 Métodos de prevenção da infestação por carrapatos;
•	 Métodos de controle de carrapatos.
Atividades de aprendizagem
1. Questão. Quais são as medidas de prevenção contra carrapatos?
2. Questão. Como se deve agir para extrair carrapato de uma pessoa?
e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas e Animais Peçonhentos
AULA 1
Alfabetização Digital
71
Aula 11 – Ectoparasitas: larva migrans
cutânea
Objetivos:
•	 Entender a biologia e comportamento da larva migrans cutânea;
•	 Descrever a importância dos sintomas, tratamento e métodos
de prevenção e controle da larva migrans cutânea.
11.1 Biologia e comportamento da larva migrans
cutânea
A larva migrans cutânea (LMC) é também conhecida como bicho
de praia, bicho geográfico e larva serpiginosa, chamada popularmente como
bicho-geográfico, sendo uma dermatite provocada pela migração errática
das larvas imaturas de ancilostomídeos que parasitam os intestinos de cães e
gatos. Existem duas espécies de parasitas: Ancylostoma caninum (comum em
cães) e Ancylostoma brasiliensise (comum em gatos). Essa zoonose é típica
de países de clima subtropical e tropical, principalmente regiões litorâneas.
As larvas vão incidir mais em areias de praias, parquinhos e tanques que
retêm umidade e protegem as larvas da luz do sol, pois, nesses lugares, os
gatos e cães costumam defecar. Em alguns locais, são os gatos as principais
fontes de infecção.
Cada fêmea ovipõe em média 16.000 ovos/dia no intestino delgado
de gatos e cães, e esses ovos, juntamente com as fezes, alcançam o meio
ambiente onde ocorre a liberação das larvas de 1o
estágio (L1), passando para
larvas de 2o
estágio (L2) e, após, larvas de 3o
estágio (L3). Após uma semana,
a larva (L1) sofre duas alterações e transforma-se (L3) em larva infectante.
As (L3) são diferentes das (L1), não se alimentam e têm um índice de sobre-
vivência alto no ambiente, de até várias semanas. Nesses animais, a infecção
pode acontecer pela via cutânea, oral e transplacentária. Cerca de um mês
depois, as larvas atingem seu estado maduro e são eliminadas nas fezes dos
cães e gatos.
Falaremos agora sobre a infecção no homem, que é dada pelo con-
tato da pele com as larvas de 3o estágio (L3), que são as infectantes. Embo-
ra as larvas de 3o estágio (L3) sejam comuns nas areias das praias, os ovos
desenvolvem-se em qualquer solo que lhes garanta condições favoráveis de
temperatura de 23 a 30ºC e umidade relativa superior a 70%, para, então,
transformarem-se em larvas. Portanto, é comum encontrar larvas migrans
cutânea (LMC) em outros locais onde gatos e cães evacuam, como parquinhos
e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilância em Saúde72
e tanques de areia. As pessoas, ao pisarem ou sentarem em lugares infes-
tados, podem ter a pele perfurada superficialmente pelas larvas, as quais
iniciam a caminhada que abrirá verdadeiros túneis na pele da vítima. A pes-
soa torna-se hospedeira de forma casual ao entrar em contato com as larvas
infectantes que penetram em sua pele por meio das glândulas sudoríparas,
fissuras cutâneas, folículos pilosos ou por meio da pele intacta.
Figura 41: Infestação de larva migrans cutânea na pele humana.
Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/images?q=foto+de+larvas+migrans+cut%C3%A2n
ea&btnG=Pesquisar&hl=pt-BR&source=hp&gs_sm=s&gs_upl=0l0l0l5296l0l0l0l0l0l0l0l0ll0l0&oq=fot
o+de+larvas+migrans+cut%C3%A2nea&aq=f&aqi=&aql=&oi=image_result_group&sa=X>. Acesso em:
01/10/2011.
Precisamos deixar claro que, no homem, as larvas não têm a capa-
cidade de concluir seu ciclo vital, pois, por serem parasitas de animais (gatos
e cães), morrem algumas semanas após a infestação, continuando entre a
epiderme e a derme. Mas lembramos que elas penetram na pele do gato ou
do cão, vão para o intestino desses animais e dão origem aos vermes adultos,
que reiniciam o ciclo.
11.2 Sintomas da larva migrans cutânea (LMC)
Os animais contaminados com os nematódeos apresentam infecções
agudas, anemia, fadiga e, também, dificuldade respiratória. No caso de in-
fecções crônicas, o animal frequentemente apresenta o peso abaixo do nor-
mal, lesões cutâneas, a pelagem fica com falhas, além de perda de apetite
e dificuldade respiratória.
Podemos dizer que a dermatite ocorre quando as larvas de terceiro
estágio desses nematódeos, presentes em solos contaminados por fezes de
gatos e cães, penetram na pele humana e migram para o tecido subcutâneo.
Nesse tecido, as larvas infectantes se movimentam, dando uma impressão
de rastros parecidos ao desenho de um mapa - motivo que origina o nome
popular de bicho geográfico; geralmente, estes episódios são estabelecidos
nos pés, mãos, costas e nádegas; estas regiões do corpo são as que mais
entram em contato com o solo.
e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas e Animais Peçonhentos 73
Figura 42: Pele humana infestada pela larva migrans cutânea.
Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/images?q=foto+de+larvas+migrans+cut%C3%A2nea&
btnG=Pesquisar&hl=pt-BR&source=hp&gs_sm=s&gs_upl=0l0l0l5296l0l0l0l0l0l0l0l0ll0l0&oq=foto+de+lar
vas+migrans+cut%C3%A2nea&aq=f&aqi=&aql=&oi=image_result_group&sa=X>. Acesso em: 03/10/2011.
Falaremos agora sobre sintomas que a larva migrans cutânea pro-
porciona nos seres humanos. No momento em que o parasita penetra no or-
ganismo das pessoas, às vezes não ocasiona nenhuma mudança perceptível,
porém, os sintomas mais característicos são reações inflamatórias, inchaço e
bastante coceira, principalmente, à noite. Esses sintomas podem atrapalhar
o sono, propiciando irritabilidade. Quando as pessoas começam a coçar com
mais frequência, pode ocasionar infecções secundárias. Além desses sinto-
mas, as larvas eliminam substâncias tóxicas que podem originar tosse,
alergias e falta de ar. As larvas não conseguem se aprofundar para atingir o
intestino do homem, como acontece no gato e no cão, mas caminham sob a
pele formando um túnel tortuoso e avermelhado.
11.3 Tratamento da larva migrans cutânea (LMC)
Dependendo da dimensão da doença, o tratamento pode ser reali-
zado por via oral para as ocorrências mais extensas. Quando as infestações
das larvas forem pequenas, o tratamento pode ser realizado com pomadas
específicas. Na ocorrência de infestações maciças ou em que o medicamento
local não funcione, faz-se o tratamento por via oral. O remédio de escolha
aplicado por via tópica contém como princípio ativo o tiabendazol. Em infec-
ções múltiplas e mais duráveis, tiabendazol é associado ao tiabendazol por
via oral. Há, no mercado, o uso de albendazol e ivermectina via oral para
tratamento de larva migrans cutânea. No entanto, esse tratamento pode
gerar efeitos colaterais como diarréias, anorexia, náuseas, tontura, dor de
cabeça e alergia. Antes de se automedicar, é bom que se procure um médico
para acompanhar a doença.
e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilância em Saúde74
11.4 Métodos de prevenção e controle
Andar calçado em lugares onde os gatos e os cães caminham é uma
medida preventiva contra o bicho geográfico. É interessante coletar as fezes
de seu cão, ou deixá-lo em sua residência quando for à praia. Levar o cão ao
veterinário periodicamente impede que você e outras pessoas se contami-
nem com as larvas. Além disso, deve-se evitar o contato direto com a areia
da praia e outros locais que tenham areia, principalmente quando a areia
estiver em ambiente úmido e sombreado, pois, esse ambiente é favorável ao
desenvolvimento das larvas migrans.
É fundamental a proteção do corpo nas praias com calçados, toa-
lhas, esteiras, etc., a fim de se evitar o contato com a areia. É recomendável
fazer a proteção contra fezes de cães e gatos em tanques de areia em par-
ques e escolas e coletar as fezes do seu animal quando ele evacuar em luga-
res públicos, dando-lhes um destino sanitário adequado. Nas praias, deve-se
procurar as áreas que são periodicamente cobertas pelas cheias da maré.
Figura 43: Fezes caninas espalhadas no ambiente é uma forma de fazer prosperar
larva migrans cutânea.
Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/images?q=foto+de+larvas+migrans+cut%C3%A2n
ea&hl=pt-BR&tbm=isch&ei=9PepTrGPMMS_gQe__qwy&start=126&sa=N>. Acesso em: 04/10/2011.
É importante conservar os animais em boas condições de higiene,
juntamente com o diagnóstico por meio de exames de fezes periódicos, de
acordo com a recomendação do médico veterinário. São medidas que au-
xiliam na redução da contaminação ambiental por ovos das larvas migrans
cutânea. Outra medida de controle é evitar o ingresso de cães em luga-
res que são frequentados por seres humanos, principalmente as crianças.
Deve-se impedir que crianças brinquem em locais que ofereçam risco à saú-
de. Além disso, é bom que se atue em campanhas de conscientização, com
orientações nas escolas e na comunidade, para aperfeiçoar os cuidados com
os animais e diminuir o número de animais de rua, pois, normalmente, esses
animais são mais suscetíveis de apresentar alto índice de contaminação as
larvas migrans cutânea.
e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas e Animais Peçonhentos 75
Resumo
Nesta aula, você aprendeu:
•	 Biologia e comportamento da larva migrans cutânea;
•	 Sintomas da larva migrans cutânea (LMC);
•	 Tratamento da larva migrans cutânea (LMC);
•	 Métodos de prevenção e controle.
Atividades de aprendizagem
1. Por que as larvas migrans cutânea têm o nome de bicho geográfico?
2a
Quais são as medidas preventivas contra o bicho geográfico?
e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas e Animais Peçonhentos
AULA 1
Alfabetização Digital
77
Aula 12 – Animais peçonhentos
Objetivos
•	 Descrever os conceitos de animais peçonhentos e de animais
venenosos;
•	 Explicar as medidas de prevenção contra animais peçonhentos
e animais venenosos.
12.1 Conceitos de animais peçonhentos e de
animais venenosos
Os animais peçonhentos são aqueles que têm glândulas de veneno
e também têm o hábito de se comunicar com ferrões, dentes ocos ou agui-
lhões – locais por onde o veneno sai ativamente; isto é, esses animais têm
uma habilidade de inocular seu veneno em outro animal. Há alguns exemplos
desses animais, algumas serpentes que têm os dentes ocos ligados a glân-
dulas de veneno. Esses dentes são utilizados para injetar o veneno, que, em
determinados casos, pode até matar a vítima. Os escorpiões injetam o vene-
no produzido na glândula ligada ao aguilhão, e as abelhas empregam o ferrão
para picar e injetar o veneno na vítima. Esses animais agem por instinto de
sobrevivência, pois eles, ao se sentirem ameaçados, imobilizam o agressor e
fogem para um lugar mais protegido. Há outros animais peçonhentos como
vespas, aranhas, lacraias, etc.
Os animais que produzem peçonha são chamados de peçonhentos
porque empregam seu veneno de forma ativa para caçar ou defender. No en-
tanto, os animais venenosos produzem venenos que são empregados de for-
ma passiva para defesa. Os animais venenosos produzem veneno, porém, não
têm um aparelho inoculador como aguilhões, dentes e ferrões. Deste modo,
esses animais, ao utilizar seu veneno, dependem da circunstância, para pro-
vocar envenenamento passivo, por exemplo, por contato como a taturana,
que tem pêlos por onde sai o veneno por um simples contato; o veneno pode
sair por compressão, como no sapo, ao se apertar as glândulas localizadas
no dorso perto da cabeça; ou por ingestão, como no peixe baiacu, que tem
toxinas em diversos órgãos como intestinos, fígado, brânquias e podem pro-
porcionar envenenamento, caso seja ingerido pelo predador.
Veneno:
é uma sustância que
altera ou destrói as
funções vitais de um
organismo, também
chamado de peçonha,
que é o nome dado
a toxinas (substância
venenosa segregada por
seres vivos e capaz de,
injetada em animal,
provocar a formação
de antitoxina) que são
usadas ativamente para
caça ou defesa
e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilância em Saúde78
Figura 44: Dentes ocos por onde o veneno é inoculado na vítima.
Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/images?q=foto+de+animais+pe%C3%A7onhen
tos&hl=pt-BR&tbm=isch&prmd=ivns&ei=-8yrTszhGonfgQf4u_XXDw&start=147&sa=N>. Acesso em
14/10/2011.
Podemos dizer que os sapos possuem um líquido que jorra numa oca-
sião de perigo e stress, porém, este líquido não é veneno. Ocorre o esvaziamen-
to da bexiga sobre o predador no intuito de assustá-lo, no entanto, a urina não
é tóxica. Os sapos só liberam seu veneno quando são pressionados. Os sapos
usam um truque: quando estão em perigo, enchem os pulmões de ar e isso faz
com que as glândulas de veneno fiquem mais expostas, assim, um predador, ao
encostar, o veneno será liberado.
Os animais peçonhentos que estão presentes tanto em ambientes rurais
como em ambientes urbanos são responsáveis por gerarem inúmeros acidentes,
em diversas regiões do Brasil. Os acidentes com esses animais estão aumentando
a cada ano que passa. São exemplos de animais peçonhentos aranhas, cobras,
lacraias, escorpiões, taturanas, formigas, vespas, abelhas e marimbondos.
Exemplo de serpentes: cascavel, jararaca, coral, surucucu e outras.
12.2 Medidas de prevenção contra animais pe-
çonhentos e animais venenosos
Embora exista uma diferença de conceito, biologicamente falando,
os termos referentes a animal peçonhento e a animal venenoso são aborda-
dos como sinônimos. Podemos dizer que os efeitos ocasionados pelo veneno
na vítima não implica que haja diferença se o animal é peçonhento ou vene-
noso. O que influencia é o tipo e a quantidade de veneno, a massa corporal
e as condições de saúde da vítima e o modo como ela reage.
Precisamos deixar claro que, no caso de pessoas, quando ocorre
um acidente com um animal venenoso ou peçonhento, é essencial que o aci-
dentado permaneça com calma e fique tranquilo, pois, se a vítima entrar em
pânico, gera a aceleração dos batimentos cardíacos e, como consequência,
a dispersão mais rápida do veneno. Portanto, é importante manter a calma,
buscando tratamento rápido e realizado por profissionais de saúde qualifica-
dos, em unidades de atendimento médico especializadas.
e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas e Animais Peçonhentos 79
É importante ressaltar que algumas precauções precisam ser toma-
das para se evitar acidentes com animais peçonhentos e venenosos, entre as
quais estão: manter limpos terrenos baldios e quintais; não deixar acumular
lixo doméstico e entulhos, pois, debaixo de pedras, tijolos e madeira velha
e outros objetos costumam se abrigar escorpiões, aranhas e lacraias; cor-
tar com frequência a grama dos jardins e recolher as folhas caídas. Vedar
soleiras de portas, tanque, chão e ralos de pia, colocar telas nas janelas.
É importante também colocar lixo em sacos plásticos, os quais devem ser
mantidos fechados para impedir o aparecimento de moscas, baratas e outros
insetos, pois, estes são os alimentos preferidos de aranhas e escorpiões; já os
pequenos roedores são propícios alimentos para as serpentes. Outra medida
preventiva é observar as roupas, toalhas, roupas de cama e calçados antes
de utilizá-los, pois, as aranhas gostam desses lugares.
Figura 45: Terreno baldio acúmulo de lixão e abrigo para animais peçonhentos.
Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.tribunadeindaia.
com.br/img/news/5898.jpg&imgrefurl=http://www.tribunadeindaia.com.br/noticias/cidade/2381-
terreno-serve-de-lixao-e-ponto-de-drogas.html&usg=__29-vqxK-MPnxdOn0WNIIZ4b9DQo=&h=530
&w=795&sz=135&hl=pt-BR&start=363&zoom=1&tbnid=Zfm84H4ITYjrmM:&tbnh=95&tbnw=143&ei=p
dCrTrT1F8-UtweWm8HaDg&prev=/images%3Fq%3Dfoto%2Bde%2Banimais%2Bpe%25C3%25A7onhent
os%26start%3D357%26hl%3Dpt-BR%26sa%3DN%26tbm%3Disch%26prmd%3Divns&itbs=1>. Acesso em:
14/10/2011.
Outras medidas importantes de prevenção contra esses animais é
andar sempre calçado e utilizar luvas de raspa de couro ao trabalhar com
material de construção, lenha, etc. Outra maneira melhor para evitar um
acidente é conhecer os animais e os hábitos deles, principalmente, nos cen-
tros urbanos. Portanto, é importante salientar que esses animais agem por
instinto de defesa. Geralmente, a maior parte dos acidentes ocorre por des-
cuido ou imprudência das pessoas. Ao colocar o pé no sapato sem olhar em
seu interior, uma pessoa pode comprimir um animal que estaria alojado ali
dentro, aumentando as possibilidades de uma picada como reação. Se caso
acontecer algum acidente com este tipo de animal, é importante buscar
imediatamente o serviço de saúde mais próximo.
Precisamos deixar claro que à época das chuvas, em geral, aumen-
ta o número de acidentes com animais peçonhentos. Uma das hipóteses é
que, com os alagamentos, esses animais são obrigados a sair dos seus refú-
gios naturais, principalmente, as serpentes, lagartas, aranhas e outros. Já as
e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilância em Saúde80
queimadas nos entulhos de uma área ou pisotear ou até mesmo encurralá-los
oferecem riscos à sua vida. Deve-se lembrar que, quando não são oferecidos
os cuidados necessários em um acidente ocasionado por animal peçonhento,
a situação da vítima pode se agravar, principalmente, quando se tratar de
pessoas mais vulneráveis como crianças, idosos ou pessoas com o organismo
debilitado.
Resumo
Nesta aula, você aprendeu:
•	 Conceitos de animais peçonhentos e de animais venenosos;
•	 Medidas de prevenção contra animais peçonhentos e animais ve-
nenosos.
Atividades de aprendizagem
1. Comente a diferença que há entre animais peçonhentos e animais vene-
nosos.
2. Qual é a época do ano em que aumenta o número de acidentes com ani-
mais peçonhentos?
e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas e Animais Peçonhentos
AULA 1
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81
Aula 13 – Animais peçonhentos: Escor-
piões
Objetivos:
•	 Entender a biologia e comportamento dos escorpiões;
•	 Explicar sobre a vida, alimentação e hábitos do escorpião.
13.1 Biologia e comportamento dos escorpiões
Os escorpionídeos, chamados popularmente como escorpiões, jun-
tos com os carrapatos, aranhas e ácaros pertencem ao filo dos artrópodes e à
classe dos aracnídeos e à ordem Scorpionida. Os aracnídeos possuem quatro
pares de patas e dois palpos, também chamados de pedipalpos. Precisamos
ressaltar que os escorpiões não são insetos.
Os escorpiões existem em várias partes do mundo, com exceção
da Nova Zelândia e da Antártida. Eles vivem em regiões com uma tempe-
ratura entre 20 e 37o
C, porém, sobrevivem em temperaturas que variam de
14 a 56o
C, e ainda, adaptam-se às condições climáticas do deserto, supor-
tam uma amplitude térmica diária na ordem dos 40o
C. No Brasil, existem
aproximadamente 75 espécies distribuídas nas cinco regiões e podem ser
encontrados tanto em áreas urbanas quanto rurais. Eles ocupam quase todos
os ecossistemas terrestres como cerrados, desertos, savanas, florestas tro-
picais e temperadas. Os escorpiões têm o hábito de se enterrar na areia dos
desertos, no solo úmido das matas, ao longo das praias, na zona entre marés
ou em cavernas. Certas espécies são mais ativas quando a temperatura está
mais elevada. As cores variam do amarelo-palha ao negro total, passando por
tons intermediários, como o amarelo-avermelhado, vermelho-amarronzado,
marrom e coloração que de vai de verde ou mesmo de azul.
Falaremos agora sobre a reprodução dos escorpiões. Antes da có-
pula, o macho e a fêmea se agarram pelas pinças, fazendo estranha dança
nupcial. Quando tudo termina, a fêmea comumente alimenta do macho. A
reprodução pode acontecer, no caso do escorpião amarelo, por partenogê-
nese. Os escorpiões são vivíparos, ou seja, incubam seus ovos no interior do
trato feminino e dão à luz formas jovens. Daí, os filhotes nascem da própria
mãe, e não de ovos, como no caso dos ovíparos, e o tempo de gestação pode
ser de 3 a 9 meses, podendo gerar de 6 a 90 filhotes, o que varia de acor-
do com as espécies. Os filhotes nascem totalmente brancos e por meio de
parto, por meio de uma fenda genital. Eles nascem com poucos milímetros
de comprimento e imediatamente se arrastam sobre o dorso da mãe e ficam
Partenogênese:
é quando ovo se
desenvolve sem
a precisão de ser
fecundado por um
espermatozóide.
e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilância em Saúde82
grudados no seu dorso por, aproximadamente, 10 a 14 dias, até completar-se
a primeira muda; quanto mais jovem for o escorpião, mais mudas ele com-
pletará, até que consiga arrumar seu próprio alimento sozinho. Os filhotes
nascem totalmente formados, no entanto, a sua casca é mole e seus ferrões não são
afiados. Eles não estão prontos para caçar aranhas ou insetos por conta própria, por
isso permanecem grudados nas costas maternas e protegidos pelo ferrão venenoso da
sua cauda. A idade adulta é obtida por volta dos 12 meses de vida, podendo
alcançar até 20 cm de comprimento, e, dependendo da espécie, eles podem
viver de 3 ou 5 anos.
Figura 46: Os filhotes de escorpião grudados no dorso da mãe .
Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/images?btnG=Pesquisar&hl=pt-BR&gs_upl=331
3l3313l0l4328l1l1l0l0l0l0l0l0ll0l0&oq=Foto+de+escorpi%C3%A3o++&aq=f&aqi=g1&oi=image_result_
group&sa=X&q=Foto%20de%20escorpi%C3%A3o&tbm=isch>. Acesso em: 17/10/2011.
13.2 Escorpião: vida, alimentação e hábitos
Precisamos deixar claro que os escorpiões são carnívoros, alimen-
tam-se somente de animais vivos e têm geralmente hábitos noturnos e cre-
pusculares, quando caçam e se reproduzem. Eles preferem, para sua dieta,
baratas, grilos, aranhas, outro aracnídeo, cupins e pequenos vertebrados. A
visão é considerada precária, impedindo que eles captem imagens definidas.
Eles localizam suas presas por meio das vibrações do solo e do ar captadas
por cerdas sensoriais, espalhadas por todo seu corpo. Podemos dizer que
nem sempre os escorpiões empregam seu veneno para capturar suas presas,
principalmente os pequenos animais, pois, eles têm duas garras ou pinças
grandes e fortes que são hábeis para esmagar e devorar a presa. Quando é
atacado por animais de seu porte ou maiores, geralmente, utiliza o ferrão
venenoso. Os escorpiões conseguem comer quantidades imensas de alimen-
to, entretanto, conseguem sobreviver com 10% da comida de que precisam
e podem ficar até um ano sem alimentar e bebendo pouquíssima quantidade
de água, quase nada durante seu ciclo de vida.
O veneno do escorpião está no extremo do pós-abdômen, encon-
tra-se nas glândulas de veneno, numa dilatação chamada de telson, com
aguilhão inoculador. Ele é injetado por dois orifícios existentes próximos da
e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas e Animais Peçonhentos 83
ponta do ferrão. O veneno é bastante ativo em certas espécies de escorpi-
ões, e age sobre o sistema nervoso das vítimas, proporcionando, em muitas
vezes, a morte por paralisia dos centros respiratórios. O veneno chega a ma-
tar as pessoas, principalmente as crianças. O ferrão do escorpião, chamado
de telson, tem as seguintes funções: segurar e inocular na presa o veneno,
defender, e auxiliar no acasalamento.
Figura 47: Gota de veneno saindo do ferrão de um escorpião.
Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/images?q=Foto+de+escorpi%C3%A3o+injetando
+veneno&btnG=Pesquisar&hl=pt-BR&tbm=isch>. Acesso em 17/10/2011.
A espécie de escorpião Tityus serrulatus, na América do Sul, apre-
senta seu veneno como o mais tóxico que as demais espécies de escorpiões.
O veneno age sobre o sistema nervoso periférico dos seres humanos, au-
mentando a pulsação cardíaca, acarretando dor, diminuindo a temperatura
corporal e provocando sensação de pontadas. Estes sintomas são mais pro-
pícios em criança, em virtude de menor massa corporal, e em idosos devido
às condições físicas. Todos os escorpiões são venenosos, contudo, apenas 25
espécies podem ser mortais às pessoas. Sua ferroada assemelha-se em grau
de toxicidade à ferroada de uma abelha.
Os escorpiões vivem isolados ou em grupos, desde que as condições
ambientais beneficiem sua instalação. Uma curiosidade a destacar é o fato
de, quando estiverem escassos animais vivos dos quais eles se alimentam,
os escorpiões praticam o canibalismo para sobreviver, ou seja, devoram a
própria espécie. Outra ocasião em que ocorre a prática de canibalismo é
em cativeiro ou quando eles estão em situações estressantes. Eles têm duas
glândulas de veneno que finalizam num ferrão. Ao caminhar, sua cauda se
conserva erguida e arqueada sobre o dorso.
Os escorpiões apresentam hábitos noturnos, escondendo-se durante
o dia, gostam de se abrigar sob pedras, em plantas, troncos podres, cascas
de árvores, madeiras empilhadas, dormentes de linha de trem, em galerias
no solo úmido das matas, em entulhos, telhas ou frestas nas paredes, sapa-
tos, toalhas, dentro das casas, etc. Algumas espécies habitam em áreas ur-
e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilância em Saúde84
banas, onde se deparam com abrigo dentro e próximo das casas, bem como
com alimentação abundante. Os escorpiões podem sobreviver vários meses
sem alimento e mesmo sem água, o que torna seu combate muito difícil.
Os predadores naturais do escorpião são os macacos, galinhas, aranhas,
sapos, lacraias, louva-deus, lagartos, seriemas, corujas, gaviões, quatis, ca-
mundongos, algumas formigas e os próprios escorpiões.
Figura 48: Entulhos: esconderijos prediletos dos escorpiões.
Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/images?q=Foto+de+escorpi%C3%A3o+abrigo&hl
=pt-BR&tbm=isch&ei=8KCsToaTDpO_gQeTu93xDw&start=21&sa=N>. Acesso em 20 Out. 2011.
Resumo
Nesta aula, você aprendeu:
•	 Biologia e comportamento dos escorpiões;
•	 Escorpião: vida, alimentação e hábitos.
Atividades de aprendizagem
1. O que é reprodução por partenogênese?
2. Os escorpiões são onívoros?
3. Qual é a espécie de escorpião, no Brasil, que apresenta o veneno como
o mais tóxico? Onde age o veneno e quais são os sintomas que esta espécie
proporciona?
e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas e Animais Peçonhentos
AULA 1
Alfabetização Digital
85
Aula 14 – Animais peçonhentos: Escor-
piões
Objetivos
•	 Descrever a importância do método de prevenção e controle
de escorpiões;
•	 Reconhecer as espécies de escorpião mais importantes na saú-
de pública;
•	 Oferecer uma visão sobre os sintomas, tratamento e primeiros
socorros.
14.1 Métodos de prevenção e controle
Os escorpiões podem sobreviver por vários meses sem alimentar
ou beber água, por isto, torna-se difícil sua erradicação por inseticidas
e outros produtos, pois, os inseticidas têm curta ação com aracnídeos.
Ainda não há produtos químicos comprovados para se combater esse arac-
nídeo. Assim sendo, o mais importante é prevenir contra os acidentes,
o que deve ser efetivado com base em seus hábitos e também em seu
habitat. Portanto, precisamos deixar claro que, para reduzir o risco de
um acidente com escorpião é muito importante acabar com os chamados
criadouros. Veja a seguir coisas simples que as pessoas podem fazer para
ajudar na solução dos problemas com os escorpiões, entre elas estão:
verificar as roupas pessoais, de banho, cama e calçados antes de utilizá-
-los; não deixar acumular lixo orgânico que atrai os insetos, pois esses
são alimentos preferidos dos escorpiões; não deixar acumular entulhos e
materiais de construção; vedar fissuras e buracos em assoalhos, forros e
paredes e rodapés das residências; usar telas, vedantes ou sacos de areia
em portas e janelas; os ralos devem ser bem tampados; conservar limpos
jardins e os lugares próximos das habitações como paióis, quintais e ce-
leiros; materiais de construção, madeiras, garrafas devem ser empilhados
longe do chão, da parede e do teto, em local bem arejado; utilizar luvas
e calçados nas atividades rurais e de jardinagem ou em outros trabalhos
onde possa haver escorpiões; evitar ter plantas ornamentais densas, ar-
bustos e trepadeiras junto a paredes e muros da sua habitação; ficar
atento aos terrenos vizinhos a sua morada, pois terrenos baldios são um
chamado para escorpiões e baratas; na área rural, tomar cuidado com
barrancos, cupinzeiros e troncos de árvore abandonados.
Os escorpiões se alimentam de insetos, aracnídeos e outros animais
pequenos, por isto, é bom combater a proliferação, principalmente, de ba-
e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilância em Saúde86
ratas, cupins e grilos. Outra maneira de combater os escorpiões é preservar
predadores naturais como lagartixas, galinhas, patos, corujas e sapos. Tam-
bém, deve-se limpar os terrenos baldios e manter a casa limpa, impedindo
acúmulo de lixo. A limpeza e a eliminação de fontes de alimentos para os es-
corpiões compõem a sua principal medida de controle. Medidas preventivas
para se evitar o aparecimento dos escorpiões ainda funcionam, uma delas é
vetar ralos e caixas de gordura pois, muitas vezes, os escorpiões entram nas
residências pelas redes de esgoto.
É importante ressaltar que os escorpiões só podem proporcionar o
mal quando eles forem ameaçados, assim eles utilizam de seu ferrão para
se defender. Poucas espécies de escorpiões têm veneno nocivo ao homem,
mas, suas picadas podem ser doloridas. Uma curiosidade: o veneno do escor-
pião não tem qualquer efeito no seu próprio corpo ou no de espécies afins.
Outra curiosidade é que os escorpiões emitem fluorescência que pode ser
notada durante a noite e com auxílio de uma luz ultravioleta.
14.2 As espécies mais importantes na saúde
pública
Existem cerca de 30 espécies, possivelmente todas com possibi-
lidade de envenenamento em seres humanos. Porém, vamos dar destaque
somente a 5 espécies mais importantes, pertencentes ao gênero Tityus. En-
tre elas estão: Tityus serrulatus, Tityus bahiensis, Tityus stigmurus, Tityus
metuendus e Tityus costatus. Contudo, as outras espécies desse gênero não
podem ser descartadas, pois o acidentado dificilmente captura o escorpião
causador do acidente para futuramente ser identificado pelos especialistas.
É interessante ressantar que muitos acidentes são comumente ocasionados
por escorpiões que apresentam uma capacidade de se adaptar ao ambiente
urbano. Portanto, é possível que haja outras espécies de escorpiões vene-
nosos capazes de provocar acidentes graves em seres humanos até então
desconhecidos.
O escorpião amarelo tem nome científico Tityus serrulatus, com
manchas escuras sobre o tronco e na parte inferior do fim da cauda, e o
restante do seu corpo é amarelo. Tityus serrulatus, o escorpião amarelo,
é encontrado nos estados de Goiás, Bahia, Rio de Janeiro, Espírito San-
to, Minas Gerais, São Paulo, Distrito Federal, Paraná e Santa Catarina.
Tityus serrulatus é muito comum em Minas Gerais, principalmente em
Belo Horizonte. É uma espécie de escorpião que poderá ser encontrada
facilmente em ambientes urbanos, e ainda é considerada a mais veneno-
sa e causadora de acidentes graves, principalmente, em Minas Gerais. É
interessante destacar que a Tityus serrulatus é uma característica rara
entre os escorpiões.
e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas e Animais Peçonhentos 87
Figura 49: Tityus serrulatus chamado de escorpião amarelo.
Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/search?q=Tityus+serrulatus&hl=pt-
BR&client=firefox-a&hs=PtC&sa=G&rls=org.mozilla:pt-BR:official&channel=s&biw=1024&bih=610
&prmd=imvns&tbm=isch&tbo=u&source=univ&ei=zJeuTrO7MMi9gAforpyKCQ&ved=0CCUQsAQ>.
Acesso em 22/10/2011.
Escorpião marrom, conhecido também como escorpião preto, tem o
nome científico de Tityus bahiensis. Esta espécie apresenta uma coloração com
tom marrom-escuro e algumas vezes marrom-avermelhado, tem coloração mui-
to escura e patas castanhas, e é encontrada nos estados de Minas Gerais, São
Paulo, Paraná e Santa Catarina. Tityus bahiensis mede de 5 a 7 cm de compri-
mento e é responsável, no Brasil, pelo maior número de casos de acidentes,
principalmente, em áreas rurais. Esta espécie tem como característica principal
a ausência de serras na cauda, facilitando, assim identificação.
Figura 50: Tityus bahiensis chamado de escorpião marrom ou escorpião preto.
Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/search?q=Tityus+serrulatus&hl=pt-
BR&client=firefox-a&hs=PtC&sa=G&rls=org.mozilla:pt-BR:official&channel=s&biw=1024&bih=610
&prmd=imvns&tbm=isch&tbo=u&source=univ&ei=zJeuTrO7MMi9gAforpyKCQ&ved=0CCUQsAQ>.
Acesso em: 22/10/2011.
Tityus stigmurus apresenta uma coloração amarelo-claro com um tri-
ângulo negro na cabeça e uma faixa longitudinal mediana e manchas laterais
no tronco, mede 7 cm comprimento. Esta espécie é conhecida pelo povo como
escorpião do nordeste do Brasil. Tem uma característica de se camuflar com o
solo, para se confundir com o solo arenoso das regiões áridas em que habita.
Tityus stigmurus possui uma especialidade na identificação, por ter um triângulo
de coloração negra sobre o celotórax, acompanhado de uma faixa, de coloração
também escura, ao longo do corpo.
Celotórax:
é a parte da maioria do
corpo dos artrópodes
que agrupa a cabeça e
o tórax
e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilância em Saúde88
Figura 51: Tityus stigmurus apresenta uma coloração amarelo-claro.
Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/search?q=Tityus+stigmurus&hl=pt-
BR&client=firefox-a&hs=f6u&rls=org.mozilla:pt-BR:official&channel=s&biw=1024&bih=610&tbm=isc
h&prmd=imvns&ei=EMOuTuu3HojKgQfhwsjTDw&start=20&sa=N>. Acesso em: 24/10/2011.
Tityus metuendus é uma espécie que tem uma coloração vermelho-
-escuro no tronco, quase negro, com manchas amarelo-avermelhadas, pa-
tas com manchas amareladas; cauda da mesma cor do tronco. Esta espécie
mede de 6 a 7 cm de comprimento e está distribuída nos estados da Amazo-
nas, Pará e Acre.
Figura 52: Tityus metuendus apresenta uma coloração vermelho-escuro.
Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/search?q=Tityus+metuendus&hl=pt-
BR&client=firefox-a&hs=PrF&rls=org.mozilla:pt-BR:official&channel=s&biw=1024&bih=581&tbm=isc
h&prmd=imvns&ei=XMSuTrnjEMPYgAetvZHkDw&start=20&sa=N>. Acesso em: 26/10/2011.
Tityus costatus, chamado de escorpião-manchado, não é tão fre-
quente quanto o escorpião marrom ou o preto, contudo, também é encon-
trado nos estados Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio
Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Seu corpo é escuro, e apresenta a
cauda e as patas manchadas de marrom e amarelo.
Figura 53: Tityus costatus, chamado de escorpião-manchado.
Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/images?q=foto+Tityus+costatus&hl=pt-BR&tbm=
isch&ei=k96uTtP3D8OdgQfztP3JDw&start=0&sa=N>. Acesso em: 26/10/2011.
e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas e Animais Peçonhentos 89
14.3 Sintomas, tratamento e primeiros socorros
O ferrão do escorpião apresenta-se preso à parte posterior do úl-
timo segmento e compõe a parte de uma base bulbar e uma ponta curva
aguda que injeta o veneno. Ele é produzido por um par de glândulas ovais,
cada uma envolta por uma capa de fibras musculares lisas na sua base. Pela
contração forte do envoltório muscular, o veneno na forma líquida é elimina-
do das glândulas a um ducto comum esclerotizado que o conduz ao exterior.
O escorpião eleva o pós-abdome sobre o corpo, dobrando-o para frente,
usando um movimento de punhalada ao executar a picada.
Os acidentes com escorpião acontecem mais à noite, pois, duran-
te o dia, ficam escondidos em lugares escuros. As picadas são geralmente
acidentais e acontecem quando as pessoas movem os materiais onde os es-
corpiões estão abrigados. Esse aracnídeo fica quieto no abrigo, parecendo
estar morto, e é confundido com o ambiente. É importante não mexer com o
escorpião mesmo que ele pareça morto, pois, a sua picada é muito dolorosa.
A pessoa que for picada deve procurar um pronto-socorro e, se puder, levar
consigo o escorpião.
A dor é o principal sintoma em acidentes com escorpião, e pode
acontecer no local da picada ou não. O veneno age especialmente sobre o
sistema nervoso, podendo levar a vítima à morte por insuficiência respirató-
ria e cardíaca. Outros sintomas como sudorese, agitação, náuseas e vômitos
podem acontecer. A pessoa acidentada por escorpião deve ser encaminhada
imediatamente para o posto de saúde ou hospital, pois só o médico irá ava-
liar se há necessidade de aplicação de soro antiescorpiônico.
A toxicidade do veneno do escorpião nos seres humanos, de acordo
com relatos clínicos, parece estar relacionada aos seguintes fatores: a toxi-
dez do veneno é referente à espécie de escorpião; a quantidade de veneno
injetada; o tamanho do corpo da vítima e também das suas condições clíni-
cas. Por exemplo, as crianças sofrem maior risco de envenenamento grave
do que os adultos, em virtude do seu pequeno tamanho. Os maiores casos de
óbitos por picadas de escorpião acontecem em crianças pequenas. É impor-
tante ressaltar que certas pessoas são alérgicas ao veneno dos escorpiões,
por isso, nessas pessoas, as consequências são mais graves, podendo levar à
morte rapidamente, especialmente devido à alergia do que pela toxicidade
do veneno.
O veneno da espécie Tityus serrulatus atua sobre o sistema ner-
voso periférico, ocasionando sintomas de dor muito intensa, com pontadas
intermitentes e ainda acontecem aceleração da pulsação e abaixamento da
temperatura do corpo. O sinal da picada do escorpião geralmente não é per-
ceptível, mas, a dor é forte e imediata. É fundamental informar se o aciden-
tado teve a picada de escorpião ou aranha, já que os sintomas das picadas de
ambos os aracnídeos são semelhantes com veneno neurotóxico.
Falaremos agora sobre os primeiros socorros que são muito impor-
tantes, sob o ponto de vista dos médicos, os quais salientam que: - nos aci-
e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilância em Saúde90
dentes por aranhas e escorpiões, que provocam dor intensa, práticas como
pressionar ou sugar o lugar da picada têm comprovado ser de pouca eficácia;
- o tratamento sintomático, à base de anestésicos e analgésicos, tem sido
usado com resultados satisfatórios na maioria dos casos; - levar a vítima
imediatamente ao serviço de saúde mais próximo para que possa receber o
tratamento a tempo. Se a vítima for criança menor de 7 anos, o procedimen-
to mais indicado é levá-la ao posto de saúde mais próximo, para o médico
diagnosticar e fazer tratamento correto e, se for possível, levar o escorpião
que causou o acidente; - lavar o local da picada do escorpião, de preferência
com água e sabão; - fazer compressas mornas para alívio da dor até chegar
a um serviço de saúde para as medidas necessárias; - mantenha a vítima
deitada e evitar que ela se movimente para não beneficiar a absorção do
veneno; - se a picada for na perna ou no braço, colocá-los em posição mais
elevada; - Não fazer torniquete para impedir a circulação do sangue, pois
isso pode proporcionar gangrena ou necrose; - não pode furar, cortar, quei-
mar, espremer, não fazer sucção no local da ferida e nem aplicar folhas, pó
de café ou terra sobre ela para não gerar infecção.
Resumo
Nesta aula, você aprendeu:
•	 Métodos de prevenção e controle de acidentes com escorpiões;
•	 As espécies mais importantes na saúde pública;
•	 Sintomas, tratamento e primeiros socorros.
Atividades de aprendizagem
1. Por que é difícil a erradicação dos escorpiões?
2. Por que os acidentes com escorpiões acontecem mais à noite?
e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas e Animais Peçonhentos
AULA 1
Alfabetização Digital
91
Aula 15 – Animais peçonhentos: Aranhas
Objetivos
•	 Entender a biologia e comportamento das aranhas;
•	 Descrever a importância do método de prevenção, controle e
sintomas;
•	 Reconhecer as espécies mais importantes na saúde pública.
15.1 Biologia e comportamento das aranhas
Os aracnídeos são uma classe do filo dos artrópodes que incluem
escorpiões, carrapatos e ácaros. Já foram catalogadas aproximadamente
35.000 espécies de aranhas em todo globo terrestre. As aranhas são essen-
ciais no ecossistema, pois fazem parte da cadeia alimentar e são predadoras
apropriadas para equilibrar a população, principalmente, os insetos que em
maior frequência podem se tornar pragas. As aranhas são divididas em dois
grandes grupos, segundo a posição das quelíceras e a direção que os fer-
rões se abrem e fecham. As aranhas da subordem Labidognatha, chamadas
aranhas verdadeiras, picam de fora para dentro, isto é, picam na posição
horizontal. As aranhas têm quatro pares de pernas e o corpo dividido
em duas partes, cefalotórax e abdômen, e sem antenas. Já na cabeça,
elas têm dois pares de apêndices: as quelíceras, em forma de ferrão, forma-
das por quitina negra com uma ponta muito fina, e os pedipalpos (também
chamados de palpos), que são usados para manipular alimentos. Existe um
par de quelíceras, membro que possui uma abertura por onde passa o
veneno ou peçonha. Porém, algumas aranhas conseguem morder a pele
da pessoa para introduzir o veneno. O veneno, produzido por duas glân-
dulas situadas na região das quelíceras, pode ser empregado na captura de
presas e como defesa. A aranha produz o veneno para paralisar ou matar
a vítima. No abdômen delas se localizam as fiandeiras que são glându-
las que segregam a seda usada para fazer a teia. Os olhos das aranhas
são simples, a maioria delas tem oito olhos, elas podem ter 6, 4, 2 ou
mesmo nenhum olho, como no caso de algumas aranhas cavernícolas. Essa
característica de número de olhos é importante para a identificação das
diferentes famílias de aranhas.
Quelíceras :
servem para as aranhas
injetarem veneno em
suas presas
e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilância em Saúde92
Figura 54: Divisão do corpo da aranha.
Fonte: Disponível em: <http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/aracnideos/classe-
aracnidea-15.php>. Acesso em: 27/10/2011.
Falaremos agora sobre os dois grupos de aranhas segundo a
posição das quelíceras e a direção que os ferrões se abrem e fe-
cham. Elas se distinguem em duas subordens, que são Labidognatha e
Ortognatha. As aranhas pertencentes à subordem Labidognatha são
chamadas de aranhas verdadeiras e têm como característica ferrões
inoculadores de veneno, perpendiculares ao eixo longitudinal do corpo.
Essas aranhas picam suas presas movimentando os mesmos lateralmen-
te, de fora para dentro. Por isto são consideradas as mais perigosas e
acarretam acidentes mais graves. Porém, as aranhas pertencentes à
subordem Ortognatha apresentam os ferrões inoculadores de veneno
paralelos entre si e paralelos também ao eixo longitudinal do corpo. Essas
aranhas picam suas presas movimentando seus ferrões na posição vertical
de cima para baixo; incluem-se nessa subordem as caranguejeiras, que
não são consideradas aranhas perigosas.
As aranhas são carnívoras e têm a preferência de se alimen-
tarem principalmente de insetos, e também se alimentam de pequenos
invertebrados. Certas espécies de caranguejeiras da Amazônia têm habili-
dade para se alimentar de roedores e pássaros menores. As aranhas fazem
uma digestão prévia antes de ingerir a presa, com intuito de eliminar pela
boca sucos digestivos produzidos pelas glândulas salivares que são alastrados
sobre as vítimas. Esse processo acontece para que o alimento seja transfor-
mado em uma pasta semilíquida que é, então, absorvida por esse aracnídeo.
Quando uma presa cai na teia, as aranhas seguram e a imobilizam com os
pedipalpos. Porém, as aranhas têm como inimigos naturais as rãs, sapos,
lagartixas, algumas espécies de peixes e pássaros. As aranhas têm como ha-
e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas e Animais Peçonhentos 93
bitat os cupinzeiros, quaisquer buracos, cascas, galhos e folhas das árvores,
sob troncos caídos, gramados, bem como próximo e dentro das residências.
É interessante notar que certas espécies de aranhas constroem teias para
capturar insetos que passam. Outras espécies desse aracnídeo procuram
suas presas pelo chão e, ainda, há espécies que colocam armadilhas cavando
buracos, os cobrem com terra e teia e ficam esperando a presa passar. Ou-
tras espécies se escondem dentro de flores para pegar de surpresa insetos
que vêm se alimentar.
Nas aranhas, ocorre o dimorfismo sexual, que é caracterizado pela
presença de bulbo copulador que fica nas extremidades dos pedipalpos, nos
machos. A cópula acontece com o macho penetrando o bulbo copulador que
contém o esperma na abertura genital da fêmea. Depois da cópula, o conte-
údo espermático permanece guardado numa estrutura chamada de esperma-
teca. É interessante ressaltar que os ovos são fertilizados no instante em que
a fêmea alcança a postura. A fêmea deposita os ovos dentro de uma ooteca,
que é um saco de seda onde ficam abrigados os ovos. A ooteca é depositada
na teia ou pode ser enlaçada às folhas ou galhos dos vegetais ou ainda pode
ser transportada pela fêmea até a eclosão dos filhotes. A fêmea continua
junto à ooteca até o momento da eclosão dos filhotes. Os jovens são muito
semelhantes aos adultos e quase sempre são canibais. Algumas espécies de
aranhas podem se alimentar de pequenos vertebrados.
Figura 55: Espécies diferentes de aranhas com suas ootecas.
Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/search?q=foto+de+ooteca+de+aranha&hl=pt-
BR&client=firefox-a&hs=RfX&sa=G&rls=org.mozilla:pt-BR:official&channel=s&biw=1024&bih=610
&prmd=imvns&tbm=isch&tbo=u&source=univ&ei=nRW3Tq-KKYHHgAfssIGZBA&ved=0CCAQsAQ>.
Acesso em: 28/10/2011.
As aranhas, bem como os escorpiões, possuem o corpo recoberto
de quitina, (exoesqueleto), que é trocado periodicamente até a maturida-
de. As fêmeas das aranhas caranguejeiras fazem anualmente a mudança da
pele, mesmo depois de adultas. Por possuírem quelíceras muito grandes,
sua picada é bastante dolorida, contudo, não há necessidade de aplica-
ção de soro antiaracnídeo. Quando houver acidentes com este tipo de
aracnídeo, a pessoa deve procurar um posto de saúde ou hospital para
medicação.
e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilância em Saúde94
15.2 Métodos de prevenção, controle e sintomas
Ainda não há produtos químicos comprovados para combater as
aranhas. Portanto, o mais interessante é prevenir contra os acidentes, o
que deve ser feito por meio de costumes e, também, em seu habitat. Veja
a seguir coisas simples que as pessoas podem fazer para ajudar na solução
dos problemas com as aranhas: - manter limpos jardins, terrenos baldios,
quintais, forros de telhados, não acumulando entulho como telhas, madei-
ras, tijolos e lixo doméstico. É muito importante cortar a grama dos jardins
e recolher as folhas caídas com frequência; vedar soleiras de portas com
saquinhos de areia ou friso de borracha, colocar telas nas janelas, vedar
chão com tela ou válvula apropriada; depositar o lixo em sacos plásticos e
mantê-los fechados para impedir o aparecimento de moscas e baratas e ou-
tros insetos que são os alimentos preferidos das aranhas. As aranhas gostam
de habitar em calçados, roupas, toalhas e roupas de cama; antes de usá-las,
essas devem ser examinadas; andar sempre calçado e usar luvas de raspa de
couro ao trabalhar com material de construção, lenha, e ao fazer a limpeza
de seu quintal, e, ainda, manter caixas de gordura bem vedadas para não
atrair baratas, que são alimento para esse aracnídeo.
Precisamos deixar claro que o uso periódico de inseticidas não é so-
lução para se evitar aranhas, pois, além de custo elevado, a aplicação desses
produtos tem pouco efeito sobre as aranhas e pode provocar intoxicações
em animais domésticos e nas pessoas. Uma boa solução é retirar o material
acumulado onde as aranhas possam se esconder, o que evitaria reinfestação.
Se, por acaso, precisar de aplicação de inseticida, deve ser aplicada a calda
do produto diretamente nos esconderijos e abrigos localizados nas pequenas
frestas, rachaduras, reentrâncias, gretas e nichos existentes nas superfícies,
por meio de pulverizadores manuais, visando principalmente o extermínio
das baratas e aranhas. Além das que foram citadas anteriormente, as ações
educativas orientadas nas áreas de risco constituem a melhor das medidas
de prevenção de acidente contra as aranhas. É importante esclarecer que
as aranhas só atacam quando forem atacadas, elas não são agressivas. As
aranhas apresentam uma peculiaridade: possuem hábitos domésticos, muitas
vezes fazendo seus ninhos dentro de nossas habitações; talvez por isso os
acidentes com esse aracnídeos sejam mais comuns, comparados com os que
ocorrem com escorpiões.
Existe uma pequena porcentagem de aranhas venenosa para os se-
res humanos, o que significa que elas podem injetar perigosas peçonhas. É
importante perceber que os efeitos do veneno desse aracnídeo se diferem,
segundo espécie, idade e sexo da aranha e também da idade e da saúde
da pessoa que foi picada. Nos venenos, há neurotoxinas que podem afetar
o sistema nervoso, causando alguns sintomas como dificuldade de respirar,
tonturas, embaçamento da visão, náusea e músculos rígidos, etc. O veneno
pode, ainda, necrosar o tecido em volta da mordida. A pessoa que for picada
deve procurar o médico, pois, assim, o dano será menor. Embora seja raro,
e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas e Animais Peçonhentos 95
uma picada de aranha sem o devido tratamento pode matar, principalmente
as crianças. Há relatos em países onde as aranhas perigosas como a viúva-ne-
gra e a reclusa marrom teriam matado, mas o perigo é menor para adultos
saudáveis. Essas aranhas ficam reclusas por natureza e só agridem quando se
sentem ameaçadas.
Figura 56: Tecido necrosado em volta da mordida da aranha.
Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/images?q=foto+de+mordida+da+aranha&bt
nG=Pesquisar&hl=pt-BR&source=hp&gbv=2&gs_sm=s&gs_upl=3266l23219l0l24953l40l40l0l18l18
l2l797l6438l4-1.8.2l11l0&oq=foto+de+mordida+da+aranha&aq=f&aqi=&aql=&oi=image_result_
group&sa=X>. Acesso em: 29/10/2011.
Em caso de acidentes com aranhas venenosas, os primeiros socor-
ros são essenciais, principalmente, para as crianças menores de 7 anos. É im-
portante capturar o animal que causou o acidente e levar junto com a pessoa
picada para se fazer o diagnóstico e o tratamento correto. Um ponto muito
importante é que nunca deve aprisionar as aranhas em saco de plásticos,
pois as fugas e acidentes são inevitáveis. Procure capturar esse aracnídeo em
frascos de vidro e nunca pegar diretamente com as mãos. Os acidentes que
envolvem as aranhas geram dor intensa, a prática de espremer ou sugar o
local da picada é quase sem efeito. Os resultados são satisfatórios, na maio-
ria dos casos de picadas de aranha, com uso de tratamento sintomático, à
base de anestésicos e analgésicos. O procedimento mais eficiente e indicado
é levar a vítima à Unidade Básica de Saúde (posto de saúde) mais próxima.
Os primeiros socorros para uma vítima picada por uma aranha é
semelhante aos do escorpião. (Ver no item 14.3 Sintomas, tratamento e pri-
meiros socorros.)
15.3 As espécies mais importantes na saúde
pública
As espécies mais perigosas, no Brasil, são as aranhas que costumam
causar acidentes com envenenamento nos seres humanos, principalmente,
as espécies que pertencem aos gêneros Loxosceles, Phoneutria e Latrodec-
tus. Abaixo, estão as principais espécies de aranha brasileiras.
e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilância em Saúde96
A viúva-negra ou aranha-do-linho tem o nome científico de La-
trodectus mactans, é uma espécie pouco agressiva, pica somente quando é
comprimida ao corpo, por exemplo, ao se calçar um sapato ou usar roupas,
bonés, etc., porém, a sua picada é muitas vezes fatal. Vivem em grupo e em
teias que constroem sob vegetação rasteira, em arbustos, jardins, barrancos,
residências, etc., em lugares escuros e frescos. Têm cor preta, com manchas
vermelhas no abdômen e às vezes nas pernas, o que caracteriza esta espé-
cie. Essa espécie é pequena, a fêmea apresenta de 2,5 a 3 cm e o macho é
de 3 a 4 vezes menor. O nome deriva do fato de a fêmea comumente se ali-
mentar do macho após o acasalamento. As viúvas-negras podem tecer teias.
Os sintomas da picada da viúva-negra aparecem num período de 40
e 60 minutos depois da picada, a vítima apresenta como característica dor
local intensa, dor no abdômen, dores musculares, perda de calor, sudorese,
que é eliminação excessiva de suor nas glândulas, angústia, excitação, con-
fusão mental, rigidez do abdômen, e em casos graves ocorrem choques. É
importante levar a vítima para fazer tratamento com soroterapia.
Figura 57: Viúva-negra e sua ooteca.
Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://calphotos.berkeley.edu/
imgs/512x768/0000_0000/1200/0110.jpeg&imgrefurl=http://calphotos.berkeley.edu/cgi/img_quer
y%3Fenlarge%3D0000%2B0000%2B1200%2B0110&usg=__NaBVxZtuHpQjmxUlopfGc2wpxJA=&h=567
&w=645&sz=99&hl=pt-BR&start=123&zoom=1&tbnid=958SlUO8iLovDM:&tbnh=120&tbnw=137&ei=6
v24ToeHIMa3tgf_w8DLBw&prev=/images%3Fq%3Dfoto%2Bde%2BLatrodectus%2Bmactans%26start%3
D105%26hl%3Dpt-BR%26sa%3DN%26gbv%3D2%26tbm%3Disch&itbs=1>. Acesso em: 30/10/2011.
Phoneutria nigriventer, chamada de aranha armadeira, tem uma
coloração marrom, com pares de anchas ao longo da parte dorsal do abdô-
men; possuem oito olhos e têm o tamanho aproximado de 6 cm de compri-
mento, podendo atingir até 12 cm, incluindo as pernas. Vivem em bananeiras,
sob troncos caídos, bem como, próximo e dentro das moradias. Phoneutria
nigriventer não fazem teia e assumem posição de defesa quando se sentem
ameaçadas. Os acidentes ocorrem quando são transportadas junto com as
bananas para o exterior e, também, quando colocamos a mão em ambientes
escuros, ou dentro de caixas, calçamos os sapatos, caixas, papéis, etc. A ara-
nha pica ao sentir o movimento à sua frente, o que para ela é uma ameaça.
e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas e Animais Peçonhentos 97
Essa espécie vive aproximadamente dois anos e se acasala no inver-
no, sua ooteca é branca e tem um formato parecido com prato. É na ooteca
que a mãe fica por cima cuidando dos ovos. O desenvolvimento se dá entre
20 e 25 dias, a postura tem aproximadamente 700 ovos. Após o nascimento,
os filhotes tecem seu próprio fio, o que leva desenvolver um lençol horizon-
tal, e, a cada noite, eles tecem um novo lençol, até que esse alcance meio
metro do chão. Esses fios servem para capturar a presa. Os filhotes dessa
espécie podem ter como a sua primeira refeição a prática do canibalismo e
ficar longe de predadores até que alcancem uma vida independente.
A aranha armadeira tem hábitos crepusculares e noturnos, alimen-
tam-se de insetos, em geral, não constroem teias e caminham em vários
lugares a fim de buscar alimento. A picada provoca dor intensa por toda a
região, as quais prosseguem durantes algumas horas. Sintomas mais caracte-
rísticos são tontura, queda de pressão, vômitos, sudorese, prostração, disp-
néia, aumento das secreções glandulares e espasmos. Esta espécie é típica
dos Estados do Espírito Santo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Goiás, Rio de
Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Figura 58: Aranha armadeira.
Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/images?q=foto+de+Phoneutria+nigriventer&hl=
pt-BR&gbv=2&tbm=isch&ei=4v-4Tr2lGMq5tgeGkdmeBw&start=21&sa=N>. Acesso em: 31/10/2011.
As aranhas marrons têm o nome científico de Loxosceles spp., são
espécies venenosas, pois sua picada proporciona necroses na vítima. São
membros da família Sicaridae. Elas têm uma cor típica de marrom. Algumas
espécies apresentam o desenho de uma estrela no cefalotórax. As espécies
marrons tecem as teias de formas irregulares, seu hábito é fazer a peregri-
nação noturna e possui alta atividade no verão. Durante o dia, continuam
escondidas sob cascas de árvores e folhas secas das plantas, atrás de móveis,
em sótãos, porões e garagens, no ambiente doméstico. As aranhas marrons
possuem 6 olhos em três pares, são pequenas, com aproximadamente 1,5cm
de tamanho. Não são agressivas, picam somente quando são comprimidas ao
corpo, como por exemplo, quando vestimos uma calça, um sapato, um boné,
etc. É uma espécie que vive entre os seres humanos, por isso, é considerada
uma aranha doméstica. Não são exclusivamente silvestres – o que proporcio-
e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilância em Saúde98
na mais os acidentes nas pessoas. Esta espécie está infestando certas cida-
des da Região Sul, por isso tem sido feito um trabalho de controle da aranha.
A aranha marrom faz uma teia que se parece com fios de algodão,
em formato de lençol e sem uma forma definida, onde afunilam para um bu-
raco nas raízes, folhas caídas, barranco, montes de telhas, tijolos, etc., habi-
tam em ambientes escuros e úmidos. Esta espécie alimenta-se de pequenos
insetos como grilos e baratas que penetram na região de seu abrigo e ficam
presos em sua teia para depois servirem de alimentos. Produzem uma ooteca
arredondada, de coloração branca, que contém de 60 a 200 ovos, com gesta-
ção de aproximadamente 23 dias. Duram cerca de um ano e meio. É interes-
sante notar que o veneno da aranha marrom não gera muito efeito quando
aplicado em camundongos, ratos, coelhos, e outros animais de laboratório.
Entretanto, para as pessoas, seu efeito é muito intenso, podendo levar à
morte uma criança ou um adulto debilitado. Sua toxina tem ação necrosante,
provocando ações lesivas como proteolítica, hemolítica e coagulante.
Figura 59: Aranha marrom.
Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/images?hl=pt-BR&source=hp&btnG=Pesquisa+
Google&gbv=2&oq=foto+Loxosceles+&aq=f&aqi=&gs_upl=2594l7438l0l8844l6l6l0l0l0l1l531l1891l3-
1.2.1l4l0&oi=image_result_group&sa=X&q=foto%20Loxosceles&tbm=isch>. Acesso em: 01/11/2011.
Lycosa erythrognatha tem nome comum de aranha-de-grama,
aranha-de-jardim, aranha-lobo e tarântula. Pertence à família Lycosidae
e possui cor marrom-clara, por vezes acinzentada, e ventre negro, com pelos
vermelhos perto dos ferrões e uma mancha escura em forma de flecha sobre
o corpo. As quelíceras com pelos alaranjados ou avermelhados, e, ainda, no
dorso do abdome tem um desenho negro no formato de seta. Atinge até 5 cm
de comprimento, incluindo as pernas. Vivem em gramados e casas. É uma
espécie encontrada com frequência em todo território do Brasil.
Apesar de ocasionarem acidentes com frequência, o veneno de
Lycosa erythrognatha é pouco tóxico para o ser humano, não é considerado
perigoso para o homem, não precisando de tratamento com soro. O veneno
dessa espécie proporciona uma dor intensa e transitória no local da picada,
com sensação de queima, e pode provocar reações alérgicas. No entanto,
e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas e Animais Peçonhentos 99
a mordida não causa problemas mais graves. O tratamento geralmente não
é necessário, eventualmente a dor poderá ser controlada com analgésicos
orais. É interessante destacar que esta espécie é ativa tanto durante a noite
como também durante o dia. Alimenta-se principalmente de insetos e outras
aranhas. Quanto à reprodução, é ovípara e rápida, podendo penetrar em
habitações humanas, tentando fugir quando molestadas.
Figura 60: Aranha-de-grama e sua ooteca.
Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/images?q=foto+Lycosa+erythrognatha&hl=pt-BR
&gbv=2&tbm=isch&ei=zAO5TpPOAtHngQf0svC1CA&start=21&sa=N>. Acesso em: 02/11/2011.
Aranhas caranguejeiras ou tarântulas pertencem à família Therapho-
sidae. Esse aracnídeo é temido, devido ao seu tamanho e aparência e, geral-
mente, atingem 10 cm de corpo e 30 cm de envergadura e, ainda se caracteriza
por ter patas longas e com duas garras na ponta, e o corpo é revestido de pelos.
Todavia, no Brasil, não são catalogadas espécies responsáveis por envenenamen-
to no ser humano. Mas, as picadas provocam somente dor de curta duração e de
pequena intensidade. Aranhas caranguejeiras vivem, geralmente, em locais iso-
lados das pessoas, como galerias subterrâneas, buracos em barrancos, cupinzei-
ros, árvores e etc. O ferrão em posição vertical diminui o efeito do mecanismo
de picada. Portanto, essas aranhas raramente provocam acidentes, principal-
mente as aranhas de espécies de grande porte e peludas. É importante lembrar
que, além da inoculação de veneno, que não tem toxinas nocivas ao homem, as
aranhas caranguejeiras têm outro mecanismo de defesa, que inclui, com mais
frequência, o uso de espalhar nuvem de pelos com ação irritante em direção ao
inimigo. Esses pelos podem ocasionar alergias com manifestações cutâneas ou
problemas nas vias respiratórias altas. As aranhas caranguejeiras são agressivas
e possuem ferrões grandes, responsáveis por ferroadas dolorosas. O tratamento
não precisa de soro. As tarântulas habitam as regiões temperadas e tropicais das
Américas, África, Oriente Médio e Ásia.
A caranguejeira da Amazônia pode alcançar a até 26 cm, sendo,
neste caso,, a maior aranha do mundo. Elas possuem pelos compridos nas
pernas e no abdômen. Esse aracnídeo utiliza as teias apenas para colocar
seus ovos, não para caçar suas vítimas. Apesar de ele ser muito temido, os
acidentes com esse aracnídeo são raros e sem gravidade, no entanto, essa
aranha tem pelos soltos e os utilizam quando são ameaçadas. Estes pelos
podem proporcionar coceira, irritações e lesões. Não se produz o soro contra
seu veneno. As caranguejeiras ocorrem em florestas e matas de todo o país.
e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilância em Saúde100
Figura 61: Aranhas caranguejeiras.
Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/images?q=foto+de+Aranhas+caranguejeiras&hl=
pt-BR&gbv=2&tbm=isch&ei=_gS5ToKnE8vPgAej2vjmCA&start=21&sa=N>. Acesso em: 02/11/2011.
Resumo
Nesta aula, você aprendeu:
•	 Biologia e comportamento das aranhas;
•	 Métodos de prevenção, controle e sintomas;
•	 As espécies mais importantes na saúde pública.
Atividades de aprendizagem
1. Há uma pequena porcentagem de aranhas venenosas para os seres hu-
manos, o que significa que elas podem injetar em suas vítimas perigosas
peçonhas. Quais são as características peculiares das aranhas que fazem os
efeitos do veneno modificar?
2. Atenção: sugiro que você, aluno, faça uma pesquisa sobre aranhas no site
http://pt.scribd.com/doc/52779427/23/As-aranhas-de-importancia-medica.
Acesse o vídeo e, de acordo com ele, responda: o que mais lhe chamou a
atenção no item vigilância em saúde?
e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas e Animais Peçonhentos
AULA 1
Alfabetização Digital
101
Aula 16 – Animais peçonhentos: Serpentes
Objetivos
•	 Entender a biologia e o comportamento das serpentes;
•	 Descrever a importância do método de prevenção de aciden-
tes, primeiros socorros e sintomas;
•	 Reconhecer as espécies de serpentes mais importantes na saú-
de pública no Brasil.
16.1 Biologia e comportamento das serpentes
As serpentes têm o nome de cobras ou ofídios, são répteis peci-
lotérmicos ou poiquilotérmicos, pertencentes ao filo Chordata, classe Rep-
tilia, ordem Squamata e a subordem Serpentes ou Ophidia. As serpentes
não possuem patas, seu corpo é alongado e recoberto por escamas. Elas
também são desprovidas de pálpebras e de aparelho auditivo externo. Elas
se enrolam para não perder calor, pois seu metabolismo não tem um sistema
de controle da temperatura. Sua visão é deficiente e utilizam outros órgãos
sensoriais para equilibrar esta carência. As cobras usam a língua bifurcada
ou bífida para examinarem o ambiente ao seu redor. Muitas são venenosas
sem, no entanto, serem consideradas peçonhentas, já que esta classificação
implica que tenham condições de inocularem este veneno. No Brasil, exis-
tem mais de 370 espécies de ofídios, distribuídas em dez famílias: Viperidae,
Elapidae, Anomalepididae, Aniliidae, Leptotyphlopidae, Colubridae, Typhlo-
pidae, Dipsadidae, Tropidophiidae e Boidae. As serpentes peçonhentas per-
tencem às famílias Elapidae e Viperidae.
Observemos que há diferença entre serpentes quanto à reprodução.
Algumas serpentes são ovíparas e colocam seus ovos em locais protegidos da
luz solar. No entanto, as fêmeas de outras espécies geram seus filhotes no
interior do corpo. Em geral, os órgãos genitais ficam protegidos na cauda do
macho. O tempo da cópula pode variar de alguns minutos e atingir até 72
horas. Interessante citar que os filhotes, quando nascem, são abandonados
pelos pais, e por isso são obrigados a procurar alimento e água. Na fase adul-
ta ocorre a mudança de pele, pois a camada externa de escamas é rígida e
não acompanha o crescimento do corpo.
A dentição das serpentes peçonhentas tem dois tipos de caracterís-
ticas. No primeiro caso, há a dentição peculiar da cobra coral verdadeira,
onde o veneno é injetado por um par de dentes dianteiro, fixo e peque-
no, chamada dentição proteróglifa, isto é, a coral verdadeira é obrigada a
morder para inocular seu veneno. No segundo caso, há a dentição peculiar,
Poiquilotérmicos:
são animais de
sangue frio, que não
possuem mecanismo
interno próprio para
regular a temperatura
do seu corpo, ou
seja, a temperatura
de seu corpo é
variável e depende
da temperatura
do ambiente onde
estiverem inseridos.
e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilância em Saúde102
chamada solenóglifa, de onde o veneno sai de dois dentes móveis e grandes
da jararaca, cascavel, urutu, surucucu, etc. Esses dentes longos são seme-
lhantes a uma agulha de injeção. Quando os dentes ficam curvados para trás,
a cobra está com a boca fechada e, quando os dentes se movem para frente
é o momento em que a serpente abre a boca para dar o bote, ou seja, cas-
cavel, jararaca, urutu, surucucus, etc., não mordem, porém, essas espécies
apenas batem com a boca aberta na vítima e introduzem o veneno com suas
presas como se fossem duas agulhas de injeção (picada).
Precisamos deixar claro que as serpentes são carnívoras e, em ge-
ral, algumas espécies se alimentam de ratos, rãs, sapos, peixes, moluscos,
pássaros, pequenas aves, lagartos, e, também, de outras espécies de ser-
pentes. As peçonhentas usam seu veneno para paralisar e matar a presa.
Depois da morte, a serpente engole sua presa inteira sem mastigar. A diges-
tão se dá totalmente no estômago. É importante a presença dos ofióideos no
equilíbrio ecológico, pois as cobras caçam certas espécies de animais,
principalmente as pragas como os ratos, impedindo o aumento da população
dos roedores. As serpentes também agem no controle de populações de ou-
tras cobras. É o caso da muçurana, que se alimenta de jararacas.
Figura 62: Serpente alimentando-se com um rato.
Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/images?q=foto+de+Bothrops&hl=pt-BR&gbv=2&t
bm=isch&ei=pZ67TsTcDYnqgQf817WMBw&start=42&sa=N>. Acesso em: Acesso em: 06/11/2011.
Consideremos que as cobras peçonhentas, geralmente, não são agres-
sivas, elas picam apenas quando são molestadas, ou seja, elas agem mais no
sentido de defesa do que de ataque. Como exemplo, podemos citar a coral
verdadeira, que é relativamente dócil, procurando fugir quando perseguida ou
molestada. Já cascavel é pouca agressiva, que anuncia sua presença com o
ruído típico de seu guizo. Porém, a surucucu é apontada por ser mais violenta
e hábil para perseguir as pessoas. É preciso destacar que o bote da serpente é
proporcional ao seu comprimento, pois o bote alcança, em média, um terço do
comprimento do animal, no entanto, pode alcançar quatro quintos do seu com-
primento, como ocorre com a espécie surucucu. A pessoa não pode esquecer
que as serpentes, quando estão nadando, picam sem dar botes.
e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas e Animais Peçonhentos 103
16.2 Métodos de prevenção de acidentes, pri-
meiros socorros e sintomas
Precisamos ressaltar a importância de se prevenir de picadas dos
ofídios peçonhentos, conhecendo os hábitos e habitats, que são medidas
simples e eficientes que as pessoas podem empregar, como: - o uso de botas
de cano alto ou perneira de couro, botinas ou sapatos pode evitar acidentes,
pois cerca de 80% das picadas atingem as pernas abaixo dos joelhos; utilizar
luvas de aparas de couro para manipular montes de lixo, folhas secas, palha,
lenha, etc. e não botar as mãos em buracos ou sob montes de pedras (pode-
-se usar, para isso, um pedaço de pau ou uma enxada); as cobras gostam de
habitar em lugares escuros, quentes e úmidos; verificar os calçados, pois
serpentes podem refugiar-se dentro deles. É interessante ter o cuidado ao
mexer em palhas de arroz, feijão, milho ou cana, pilhas de lenha e revirar
cupinzeiros, onde as serpentes costumam residir. Fazer a limpeza de paióis
e terreiros e não deixar amontoar lixo, para evitar a presença de ratos, pois,
onde há ratos, pode haver serpentes. Fechar os buracos nos muros, assoalhos
e as frestas das portas; evitar acúmulo de entulho de pedras, tijolos, telhas,
madeiras, lixo e não deixar as plantas invasoras crescerem próximo da casa,
pois podem atrair e abrigar pequenos animais que servem de alimentos às
serpentes. É muito importante preservar inimigos naturais das cobras, entre
eles estão o gambá, a raposa, os gaviões e corujas, e criar aves domésticas,
que se alimentam de serpentes.
Em caso de acidentes com serpentes peçonhentas, os primeiros
socorros são essenciais. Poucos acidentados levam até o hospital a cobra
causadora do acidente. Assim, o mais importante é reconhecer o gênero
causador, pois, na maioria das vezes, é por meio desse gênero que o médico
observa os sintomas e se faz o diagnóstico clínico. No entanto, pode ocorrer
o perigo de confusão com os nomes populares e a associação destes com
os nomes científicos, pois uma espécie de serpente pode ter mais de dois
nomes populares.
Os primeiros socorros em caso de picada de cobra são: - procurar
ajuda imediatamente e correr contra o tempo, pois o tratamento deve ser
realizado antes de 30 minutos depois da picada; - a vítima tem que ficar dei-
tada e não deve se locomover com os próprios meios, ficando calma; - lavar
o local da picada apenas com água e sabão ou com água; - colocar compressa
de gelo no local; - manter o paciente hidratado; - transportar o acidentado
em maca ou com outro recurso até o médico mais próximo para fazer o tra-
tamento com aplicação do soro. Sempre comunicar o comando sobre o ocor-
rido, para as medidas mais urgentes. É proibido fazer garrote ou torniquete e
perfurar ou cortar o local próximo da picada e, ainda, não se deve colocar pó
de café, folhas ou outras substâncias que possam contaminar a ferida; jamais
dar bebidas alcoólicas, querosene ou outros líquidos tóxicos ou utilizar de
outras práticas que possam retardar o atendimento médico. A melhor ajuda
é levar a vítima imediatamente para ser socorrido pelo médico.
e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilância em Saúde104
Os sintomas e sinais são decorrentes da picada das serpentes peço-
nhentas e são ajustados de acordo com quantidade de veneno inoculado na víti-
ma. Entre os sinais e sintomas característicos estão: marca dos dentes na pele,
dor local e inflamação, problemas de visão, náuseas e vômitos, hemorragias,
pulso acelerado, respiração dificultosa e debilidade física. As serpentes per-
tencentes a diferentes grupos, como Botrópico, Crotálico e Elapídico, os quais
apresentam suas peculiaridades de sintoma, de acordo com a Tabela 1.
TABELA 1
Sintomas que podem orientar na classificação das serpentes causadoras do acidente
  GRUPO BOTRÓPICO
(Jararaca, Urutu,
etc.)
GRUPO CROTÁLICO
(Cascavel)
GRUPO ELAPÍDICO
(Coral verdadeira)
Picada e re-
ações locais
Dor local persisten-
te, com aumento
progressivo. Incha-
ção, vermelhidão,
arrocheamento,
podendo aparecer
bolhas.
A dor local é pouco
comum e, quan-
do ocorre, não é
intensa. A região
da picada perma-
nece normal ou
mostra pequeno
aumento de volume,
com sensação de
adormecimento ou
formigamento.
Em geral não há
dor ou outra reação
local. Sensação de
adormecimento
ou formigamento
na região atingida,
que se difunde para
a raiz do membro
afetado.
Fácies (ex-
pressão da
face)
Normal Fácies neurotó-
xica: pálpebras
superiores caídas ou
semicerradas. Di-
minuição ou mesmo
perda da visão.
Fácies neurotóxi-
ca, que pode ser
acompanhada de
salivação grossa,
dificuldade de
engolir, às vezes,
de falar (articular
palavras).
Dores Mus-
culares
- Podem ocorrer
em uma ou várias
partes do corpo,
particularmente na
região da nuca.
-
Sangue Incoagulável (caso
grave)
- -
Urina - Diminuição do vo-
lume, cor de vinho
tinto (caso grave).
-
Fonte: Disponível em: <http://www.citycastelo.com.br/ajuda/zoonoses/serpente.htm>.
16.3 As espécies mais importantes na saúde
pública no Brasil
Os ofídios peçonhentos são responsáveis por muitos acidentes no
Brasil e, de acordo com a quantidade de veneno injetado, podem matar ou
Caro estudante, use
a internet e acesse o
site da (http://www.
portalsaofrancisco.
com.br/alfa/acidentes-
animais-peconhentos/
acidentes-animais-
peconhentos-2.
php) para ter mais
informações sobre
serpentes peçonhentas
e sobre as pesquisas
sobre o assunto. Fique
atento para as pesquisas
que possam ser usadas
na sua região.
e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas e Animais Peçonhentos 105
incapacitar os acidentados, quando esses não forem atendidos em tempo
hábil e tratados de forma adequada, com a aplicação dos soros apropriados.
Os acidentados mais comuns são com os trabalhadores rurais. É importante
conhecer as espécies de cobras peçonhentas e, também, seu comportamen-
to e habitats. Com isto, auxilia-se muito na prevenção de acidentes com
esses animais.
Falaremos agora sobre ofidismo, que é o nome dado a acidentes
que envolvem as serpentes. No Brasil, a ocorrência anual de ofidismo é de
aproximadamente quinze casos para cem mil habitantes. Os casos de vítima
aumentam nos meses chuvosos e quentes do ano.
Serpentes do gênero Micrurus são serpentes da família Elapidae;
são as corais verdadeiras, têm nome científico de Micrurus sp., são cosmopo-
litas, exceto no Norte da Eurásia e do Norte da América do Norte. Elas não
apresentam a fosseta loreal e a pupila do olho é redonda, as escamas dorsais
são lisas. Essas corais verdadeiras apresentam o padrão de colorido com
anéis vermelhos, pretos, amarelos ou brancos em toda a circunferência do
corpo. Seu veneno é muito perigoso ao homem. Sua picada causa dificuldade
em abrir os olhos e visão dupla com cara de bêbado, pálpebras caídas, falta
de ar, dificuldade para engolir e, nesse caso, a vítima fica sufocada. O trata-
mento de acidentado com as corais verdadeiras consiste somente na aplica-
ção do soro antielapídico. Os acidentes dessa espécie representam menos de
1% dos acidentes ofídicos. As corais verdadeiras existem em todo o território
brasileiro. Há diferença da falsa coral: na falsa coral, os anéis não contornam
todo o corpo; já coral verdadeira os anéis contornam todo seu corpo.
Figura 63: Micrurus sp. Coral verdadeira.
Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/images?q=foto+de+Micrurus+sp+coral+verdade
ira&btnG=Pesquisar&hl=pt-BR&source=hp&gbv=2&gs_sm=s&gs_upl=2578l7422l0l9156l17l16l0l10l0
l0l578l578l5-1l1l0&oq=foto+de+Micrurus+sp+coral+verdadeira&aq=f&aqi=&aql=&oi=image_result_
group&sa=X>. Acesso em: 07/11/2011.
O gênero Bothrops compreende cerca de 30 espécies, que são dis-
tribuídas na América do Sul, principalmente, em todo território brasileiro.
Essas serpentes existem em todo tipo de vegetação e solo dos biomas do
Brasil e podem, também,ser encontradas nas zonas rurais, em terrenos agrí-
colas e periferias de zona urbana. Esses ofídios gostam de ambientes úmidos
onde possuem alimentos, principalmente, onde exista grande número de
e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilância em Saúde106
roedores, que faz parte de sua alimentação, e esses roedores habitam depó-
sitos de lenha, paióis, celeiros e outros locais. As espécies desse gênero de
serpente possuem hábitos predominantemente noturnos ou crepusculares,
que pode ser antes do nascer do sol e depois o pôr do sol.
As serpentes desse gênero têm nomes populares conhecidos como
jararaca, jararacuçu, urutu-cruzeiro, cotiara, jararaca-pintada, caiçara e
outros mais. Podem alcançar mais de um metro de comprimento e apre-
sentar comportamento agressivo quando se sentem molestadas, desferindo
botes sem produzirem ruídos. Sua picada causa inchaço e perda de sangue,
inclusive pelas gengivas. Como tratamento, usa-se o soro antiofídico, o soro
antibotrópico, que é o específico, mas pode aplicar ainda o soro antibotró-
pico-laquético. O acidente botrópico é responsável por cerca de 90% dos en-
venenamentos no Brasil. Podemos citar aqui algumas espécies do Bothrops,
entre as quais estão Bothrops jararaca, Bothrops jararacussu, Bothrops alter-
natus e Bothrops neuwiedi.
Popularmente conhecida como jararaca, jararaca ilhoa, jararaca
pintada, jararaca-do-rabo-branco, jararacuçu, urutu ou cruzeira, esta es-
pécie tem colorido muito variável, consistindo de uma cor de fundo dorsal,
que pode ser bege, cinza, amarelo, verde-oliva, marrom ou quase preta.
Têm corpo delgado, medindo aproximadamente 1 metro. Essa serpente é
ágil, sobe com facilidade em telhados baixos e arbustos e ainda têm grande
capacidade adaptativa, ocupando e colonizando áreas agrícolas, suburbanas,
urbanas e silvestres. Esse réptil é encontrado no Brasil, desde o Rio Grande
do Sul até a Bahia, em especial na região de cerrado, mas também é encon-
trada em regiões adjacentes – no Paraguai e na Argentina.
Figura 64: Jararaca (Bothrops jararaca).
Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://rpg_ficcao.sites.
uol.com.br/Bestiario/surucucu.jpg&imgrefurl=http://rpg_ficcao.sites.uol.com.br/Bestiario/
Jararaca.htm&usg=__Jl4A0drjR2eCEH_zkkVl4dfMl9U=&h=161&w=240&sz=13&hl=pt-
BR&start=4&zoom=1&tbnid=yhE9wu-To7G68M:&tbnh=74&tbnw=110&ei=XbW7TvOBC4zrtger3PDABw
&prev=/images%3Fq%3DBothrops%2Bjararaca%26hl%3Dpt-BR%26sa%3DX%26gbv%3D2%26tbm%3Disch
&itbs=1>. Acesso em: 07/11/2011.
Bothrops jararacussu, chamada de jararacuçu, é uma das mais
importantes serpentes do gênero Bothrops, alcança até 2 m de comprimento
e é bem corpulenta. Esse ofídio é muito temido pela quantidade de veneno
que pode injetar e, também, por ser muito bravo e perigoso. O colorido
e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas e Animais Peçonhentos 107
apresenta diferenciação, dependendo da idade e do sexo do animal. Quando
jovens, têm a cor em tons marrons, já nos adultos geralmente as manchas
são pretas sobre fundo amarelo nas fêmeas, e sobre fundo marrom e cinza
nos machos. É difícil localizar uma jararacuçu no meio da floresta, porque
passa o dia enrodilhada se aquecendo e tem hábitos noturnos, além disto,
esta espécie se camuflada com o ambiente. É encontrada no Brasil na Região
Sul, Centro-Oeste, Sudeste e no Estado da Bahia e, também,na Argentina,
Paraguai e Bolívia.
Figura 65: Jararacuçu Bothrops jararacussu.
Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/images?q=Bothrops+jararacussu&hl=pt-BR&gbv
=2&tbm=isch&ei=J8C7TpXKKcWCtgeJwZCiBw&start=168&sa=N>. Acesso em: 08/11/2011.
Bothrops alternatus, conhecida como urutu-cruzeiro, urutu ou cru-
zeira, é uma serpente muito temida, talvez por ser uma das maiores produtoras
de veneno do Bothrops. É um animal corpulento, que pode atingir até 2 m de
comprimento. A coloração é marrom, porém, varia do tom mais claro “amarela-
do”, para um tom de marrom escuro. Vive nos campos e em outras áreas aber-
tas e solos pedregosos. Bothrops alternatus é mais comum de se encontrar
no extremo sul do Brasil e áreas próximas. Ao longo do corpo, há formas que
lembram um gancho de telefone ou uma ferradura, e cujo contorno interno tem
uma forma aproximada de uma cruz.
Figura 66: Urutu cruzeiro (Bothrops alternatus).
Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/images?q=Bothrops+alternatus&hl=pt-BR&gbv=2
&tbm=isch&ei=LtO7Tv7APJCgtwfs_cCxBw&start=21&sa=N>. Acesso em: 09/11/2011.
e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilância em Saúde108
Crotalus durissus é o nome científico da espécie de cascavel, co-
nhecida também como cascavel-de-quatro-ventas, boiquira, maracá, mara-
caboia e boiçununga. Os machos são maiores que as fêmeas, podendo alcan-
çar 1,5 m de comprimento. A cascavel é identificada pelo chocalho ou guizo
em sua cauda, que é uma característica marcante, que a cobra faz vibrar,
produzindo um som. Sua intenção é advertir animais de grande porte de sua
presença, para não ser incomodada. Pode ser encontrada nas regiões de
campos, cerrados e regiões secas em todo o Brasil, com exceção da floresta
amazônica, pois nunca são encontradas no interior das florestas. É distribuí-
da no continente americano, que vai do México até Argentina.
A cascavel tem uma coloração marrom do corpo com losangos ver-
ticais escuros, e cores claras na margem. A parte dorsal da cauda é escura
com barras transversais da mesma tonalidade. A região ventral é mais clara.
Os sintomas da sua picada são a dificuldade de abrir os olhos, a visão dupla,
a chamada “cara de bêbado” e a urina cor de coca-cola. O tratamento con-
siste na aplicação do soro anticrotático ou do soro antiofídico polivalente. Os
componentes de sua peçonha agem especialmente em nível renal e nervoso.
Alimentam-se de pequenos mamíferos e aves. Seus principais predadores
naturais são os gambás, emas, gaviões, seriemas, guarás, corujas, cobra mu-
çurana e coral verdadeira. Possui hábitos noturnos e crepusculares. Contudo,
pode caçar também durante o dia. Como a maioria das cobras peçonhentas,
possui fosseta loreal que lhe permite “ver” no infravermelho.
Figura 67: Cascavel (Crotalus durissus).
Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/imgres?q=foto+de+Crotalus+caracteristic
as+com+chocalho&hl=pt-BR&client=firefox-a&hs=sNY&sa=G&rls=org.mozilla:pt-BR:official&c
hannel=s&biw=1024&bih=578&tbm=isch&prmd=imvns&tbnid=ikoBMrYCRqV63M:&imgrefurl=h
ttp://brunochavesanimais.blogspot.com/2011/10/cascavel-do-campo.html&docid=GolO63w-
VUd8GM&imgurl=http://www.thegeorgewalkerhouse.com/83638740.jpg&w=568&h=372&ei=oPm7T
oTYM4v1gAfEuPSvBw&zoom=1>. Acesso em: 09/11/2011.
Lachesis muta, também conhecida como surucucu pico-de-jaca,
surucucu de fogo e sucutinga, é a segunda serpente peçonhenta maior do
mundo e é considerada a maior das Américas em comprimento, podendo
alcançar mais de 4 metros e também é a maior em peso. A coloração é
amarela, com desenhos negros. No Brasil, podem ser encontradas na região
e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas e Animais Peçonhentos 109
de matas fechadas, escuras e úmidas da Amazônica e em áreas de Mata
Atlântica. Esse ofídio apresenta como características a fosseta loreal e a
ponta da cauda com escamas em forma de “espinhos”. Os hábitos são prefe-
rencialmente noturnos. Suas presas inoculadoras de veneno têm 38 mm de
comprimento. Alimenta-se de pequenos mamíferos e roedores, proporcionais
a seu tamanho. Sua cauda finaliza em uma vértebra córnea em forma de um
espinho e suas escamas finais são arrepiadas. Essa espécie faz ruído com
a cauda deliberadamente, agitando-a quando passa no meio dos arbustos,
para advertir animais de grande porte de que está passando e não quer ser
incomodada, semelhante à moda da cascavel agitando seu chocalho. Suru-
cucus apresentam veneno neurotóxico e coagulante, provocando braquicar-
dia, hipotensão, diarreia e hemorragias. Os sintomas são inchaço no local da
picada, dor local, hemorragia, diarreia, alteração dos batimentos cardíacos.
Figura 68: Sururucucu (Lachesis muta).
Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/images?q=foto+de+Lachesis+muta,+surucucu&hl=
pt-BR&gbv=2&tbm=isch&ei=owm8TtTSMsWJgwfZoNi_Bw&start=21&sa=N>. Acesso em: 10/11/2011.
Podemos dizer que é importante identificar uma cobra venenosa e
não venosa, pois existem características que podem auxiliar como: tipo cabeça,
tamanho dos olhos, fosseta loreal, espessura da cauda, desenho das escamas,
dentição e formato da picada (Tabela 2). Essa tabela de reconhecimento mostra
a particularidade que há entre uma cobra venenosa e não venosa.
TABELA 2
Sintomas que podem orientar na classificação das serpentes causadoras do acidente
COMO IDENTIFICAR UMA COBRA VENENOSA
  VENENOSA NÃO VENENOSA
CABEÇA Triangular Arredondada
OLHOS Pequenos Grandes
FOSSETA Tem Não tem
DESENHOS DAS
ESCAMAS
Irregulares Simétricos
CAUDA Afina rapidamente Afina gradativamente
DENTES 2 presas Dentes pequenos e iguais
PICADA 2 marcas mais profundas Orifícios pequenos e iguais
Fonte: Disponível em: <http://www.ufrrj.br/institutos/it/de/acidentes/peconha.htm>. Acesso em:
06/11/2011.
Caro estudante, use
a internet e acesse o
site da (http://www.
saudetotal.com.br/
artigos/meioambiente/
animais/cobras/
reconhecimento.
asp) para ter mais
informações sobre
identificação de uma
cobra venenosa e
não venosa e sobre
as suas respectivas
características.
e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilância em Saúde110
Resumo
Nesta aula, você aprendeu:
•	 Biologia e comportamento das serpentes;
•	 Métodos de prevenção de acidentes, primeiros socorros e sinto-
mas;
•	 As espécies mais importantes na saúde pública no Brasil.
Atividades de aprendizagem
1. Qual é o significado de animais poiquilotérmicos?
2. As pessoas dizem que todas as espécies de cobras colocam seus ovos em
ambientes protegidos e depois nascem os filhotes. Esta frase é verdadeira?
Faça um breve comentário.
3. A dentição das serpentes peçonhentas é a mesma para todas as espécies?
Justifique.
e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas e Animais Peçonhentos
AULA 1
Alfabetização Digital
111
Aula 17 – Animais peçonhentos: Lacraias
Objetivos
•	 Entender a biologia e comportamento das lacraias;
•	 Descrever a importância do método de prevenção de aciden-
tes, primeiros socorros e sintomas;
•	 Reconhecer as espécies de lacraias mais importantes na saúde
pública.
17.1 Biologia e comportamento das lacraias
As lacraias são conhecidas como centopeias ou escolopenderas,
com nome científico de Scolopendra viridicornis, pertencentes ao filo Ar-
thropoda, classe Chilopoda, ordem Scolopendromorpha e a família Scolo-
pendridae. As centopeias são animais que têm na cabeça um par de antenas
articuladas, um de mandíbulas, dois pares de maxilas, sendo o primeiro par
ventromediano e o segundo par ventrolateral, um par de forcípulas, onde
estão contidas as glândulas e estruturas terminais quitinosas inoculadoras
de veneno, e um conjunto de ocelos laterais (olhos simples). Seu corpo de
forma achatada pode apresentar 21 segmentos; cada segmento tem um par
de patas pontiagudas; o último par de patas não serve para a locomoção, e
sim como órgão sensorial e de captura de alimentos. Seu tamanho varia de
1,5 cm a 26,0 cm de comprimento e a coloração tem tons diferentes, que vai
da tonalidade clara de vermelho, amarelo e azul, ou vinho e verde escuro. O
veneno contém histamina e outros compostos que podem intensificar a possi-
bilidade de surgirem reações alérgicas na pessoa acidentada por esse animal.
Devido à dificuldade em coletar quantidades adequadas de veneno, pouco se
conhece sobre seu mecanismo de ação, sugerindo-se apenas atividade local.
Figura 69: Lacraia (Scolopendra viridicornis).
Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.biota.org.br/image/
livros/cap_070.jpg&imgrefurl=http://www.biota.org.br/iRead%3F57%2Blivros.biota%2B30&usg=__d__
aOvTFhUzCjqFsF1Lp3aCAKlU=&h=299&w=229&sz=35&hl=pt-BR&start=4&zoom=1&tbnid=piR8Z4Jc4hy7A
M:&tbnh=116&tbnw=89&ei=X1i9Tr_vK4bbgQeG6KG-Bw&prev=/images%3Fq%3Dfoto%2Bde%2BScolopend
ra%2Bviridicornis%26hl%3Dpt-BR%26sa%3DX%26tbm%3Disch&itbs=1>. Acesso em: 11/11/2011.
e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilância em Saúde112
As lacraias são animais terrestres, de vida solitária e hábitos noturnos,
são carnívoras e caçadoras noturnas muito rápidas, preferindo alimentar-se de
insetos, larvas, vermes, minhocas, lagartixas, filhotes de pássaros e camundon-
gos. Elas empregam suas garras venenosas para paralisar as presas. As lacraias
ficam durante o dia escondidas em locais úmidos e escuros como: sob folhas
caídas, pedras, entulhos, troncos de árvores, buracos, frestas, hortas, entulhos,
vasos, xaxins, sob tijolos, enfim, em qualquer ambiente úmido e que não receba
luz solar. Esses esconderijos proporcionam proteção não apenas contra possíveis
predadores, mas também contra a desidratação. Estão espalhadas em regiões
tropicais e temperadas. A fecundação sexuada é interna, onde o macho deposita
suas células sexuais no corpo da fêmea, dentro da qual encontram as células se-
xuais femininas. A fêmea coloca aproximadamente 35 ovos num período de dias.
Esses ovos são depositados no solo durante o verão. As lacraias adultas podem
viver um ano e algumas delas vivem até 6 anos.
17.2 Métodos de prevenção de acidentes e
sintomas
Precisamos ressaltar a importância de se prevenir contra os aci-
dentes ocasionados pelas lacraias, e, por isso, conhecer seus hábitos e seus
lugares prediletos são medidas simples e eficientes que podemos utilizar
no nosso cotidiano. É possível destacar algumas medidas, tais como: uso
de luvas de raspas de couro ao trabalhar no jardim e mexer com material
de construção, colocar telas nos ralos de pias, limpar e manter fechadas as
caixas de gordura, esgotos, chão e tanques, manter o terreno sempre lim-
po e roçado, limpar periodicamente terrenos baldios dos arredores; fechar
frestas em muros e paredes, evitar acúmulo de objetos e materiais em locais
úmidos e escuros; examinar roupas e toalhas antes de utilizar. Evitar que as
lacraias se introduzam em lugares fechados, como porões úmidos e interio-
res dos armários. Os jardins devem ser limpos, a grama aparada e as plantas
ornamentais e trepadeiras devem ser afastadas das casas e podadas para
que os galhos não toquem o chão e sirvam de esconderijo para as lacraias.
Tomando-se esses cuidados, a incidência com lacraias irá diminuir. Mas, em
caso de acidente, evite beber álcool, querosene, cachaça, etc., pois isso só
lhe causaria intoxicação. Mantenha o local da picada o mais limpo possível.
Embora o veneno das lacraias não seja muito perigoso para o ser humano, é
bom procurar orientação médica.
É importante tomar cuidado ao manejar certos locais sem a devida
proteção, pois as pessoas podem acabar se acidentando com o veneno das la-
craias. No Brasil, a espécie mais comum é Scolopendra viridicornis. Quando ino-
cula seu veneno, provoca sintomas como inchaço com edemas no local da pica-
da, acompanhado de dor instantânea, em alguns casos acompanhado de febre
intensa, náuseas e vômitos, calafrios, tremores e suores, além de uma pequena
ferida. Para o tratamento contra o veneno da lacraia ainda não existe antídoto.
Vale salientar que o veneno das lacraias é pouco tóxico para o homem.
e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas e Animais Peçonhentos 113
As centopéias ou lacraias são animais peçonhentos, pois têm glân-
dula de veneno e presas inoculadoras que podem causar acidentes doloro-
sos. Os acidentes mais comuns nas pessoas, geralmente, ocorrem na mani-
pulação de locais onde este animal possa estar abrigado. O sintoma varia
de acordo com o número de picadas e da hipersensibilidade ao veneno por
parte do acidentado. É interessante destacar que as lacraias são benéficas
na natureza, porque auxiliam no controle de outras pragas, principalmente
os insetos nocivos. Quando estão em lugares fechados ou acuados, são con-
sideradas perigosas, apesar do seu veneno não matar, provoca dor intensa.
Segundo alguns registros, os acidentes com lacraias, representam apenas
0,5% de atendimentos por animais peçonhentos.
17.3 As espécies mais importantes na saúde pública
Algumas espécies de lacraias costumam proporcionar acidentes com
maior frequência ao ser humano: são as pertencentes aos gêneros Crytops,
Otostigmus e Scolopendra. A espécie mais comum no Brasil é Scolopendra
viridicornis. O indivíduo acidentado pela lacraia sente dor localizada intensa
e a evolução da picada depende da sensibilidade da vítima ao seu veneno.
Em áreas urbanas, as lacraias são localizadas normalmente em jardins, sob
matéria orgânica acumulada de cascas de árvore e folhas, sempre em locais
úmidos. Ocasionalmente podem ser encontradas dentro da residência.
Falaremos agora sobre três espécies, que são: - lacraia gigante,
que alimenta de insetos, vermes e lesmas. É uma espécie muito feroz, com
o auxílio de duas longas antenas, a lacraia gigante localiza a presa e essa é
imobilizada por uma picada certeira de seus afiados ferrões, é também hábil
para inocular o veneno na vítima e com suas mandíbulas, destroça a presa;
- lacraia comum: a lacraia comum ataca geralmente animais de seu pró-
prio tamanho, entre os quais, outras lacraias. Essa espécie tem 15 pares de
patas. Vivem em ambientes úmidos, sob troncos, pedras e folhas; - lacraia
venenosa: algumas espécies do gênero Scolopendra, que são distribuídas
nas Américas, Ásia e África, e alcançam até 30 cm de comprimento. O vene-
no proveniente de sua picada é letal para suas presas, que são os pequenos
animais, mas ao homem provoca intoxicações. Às vezes, as lacraias entram
nas residências para procurar alimentos.
Figura 70: Lacraia gigante.
Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/images?hl=pt-BR&source=hp&btnG=Pesquisa+G
oogle&oq=foto+de+Scolopendra+viridicornis+&aq=f&aqi=&gs_upl=3234l6703l0l10016l9l6l0l0l0l0l64
1l1094l4-1.1l2l0&oi=image_result_g>. Acesso em: 13/11/2011.
e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilância em Saúde114
Resumo
Nesta aula, você aprendeu:
•	 Biologia e comportamento das lacraias;
•	 Métodos de prevenção de acidentes e sintomas;
•	 As espécies mais importantes na saúde pública.
Atividades de aprendizagem
1. Como é formado o corpo da centopeias?
2. Faça um breve comentário sobre a vida da centopeias.
e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas e Animais Peçonhentos
AULA 1
Alfabetização Digital
115
Aula 18 – Animais peçonhentos: abelhas,
vespas e formigas
Objetivos
•	 Entender a biologia e comportamento das abelhas, vespas e
formigas;
•	 Descrever a importância do método de prevenção de acidentes
com abelhas, vespas e formigas, primeiros socorros e sintomas;
•	 Reconhecer as espécies mais importantes na saúde pública no Brasil.
18.1 Biologia e comportamento das abelhas,
vespas e formigas
As abelhas, as vespas e as formigas são os únicos insetos pertencentes
à ordem Hymenoptera que têm ferrões verdadeiros, e a subordem Aculeata,
com acúleo ou ferrão. Dentro dessa ordem, há três famílias de insetos peço-
nhentos: na Apidae, temos abelhas e mamangavas, na Vespidae, temos o ma-
rimbondo, a vespa amarela e o vespão, e na Formicidae temos as formigas.
Podemos dizer que as abelhas, os marimbondos e as formigas,
como os demais insetos, apresentam o corpo dividido em cabeça, tórax e
abdome. Portanto, há diferença entre os marimbondos e as abelhas, pois os
marimbondos têm o abdome mais afilado entre o tórax e o abdome, conhe-
cida como cintura, que é uma estrutura relativamente alongada, chamada
pedicelo. Já as abelhas têm pelos ramificados ou plumosos, especialmente
na região da cabeça e tórax. O ferrão da subordem Aculeata é dividido em
duas partes: a primeira é formada por uma estrutura muscular e quitinosa,
responsável pela introdução do ferrão e do veneno, e a segunda parte por
uma glândula que secreta e guarda o veneno. Essa glândula de veneno do
Aculeata apresenta muitas altercações, e, é formada por dois filamentos
excretores, um depósito de veneno e um canal que une o depósito ao ferrão.
Falando um pouco mais sobre as espécies da subordem Aculeata,
lembramos que, segundo o ato de empregar o aparelho de ferrar, as espécies
dividem-se em dois grupos: o primeiro grupo pertence às espécies que, ao
ferroar, perdem o ferrão, conhecidas como espécies que apresentam auto-
tomia ou autoamputação; o segundo grupo são as espécies que não apresen-
tam autotomia, isto é, são as espécies que não perdem o ferrão. As espécies
que possuem autotomia, em geral, injetam maior quantidade de veneno e
morrem depois da ferroada pela perda do aparelho de ferroar e parte das
estruturas do abdome, exemplo: as abelhas. Já nas espécies sem autotomia,
o aparelho de ferroar pode ser usado por várias vezes.
e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilância em Saúde116
Figura 71: Abelha liberando seu ferrão.
Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.ocontexto.com/wp-
content/uploads/2011/10/bee-stinger-724392-1.jpg&imgrefurl=http://www.ocontexto.com/como-
tratar-picada-de-abelha/&usg=__5q7pX5dX4UMYPTTAUYpN7IJ_DqM=&h=268&w=400&sz=19&hl=pt-
BR&start=7&zoom=1&tbnid=QdKTeZ9auDD0wM:&tbnh=83&tbnw=124&ei=ZVHBTrP8ErCt0A
Gc-YyXCg&prev=/images%3Fq%3Dfoto%2Bde%2Bferrao%2Bde%2Babelha%26hl%3Dpt-BR%26sa%3DX%2
6tbm%3Disch&itbs=1>. Acesso em: 14/11/2011.
As abelhas são conhecidas por produzirem o mel e viverem em co-
lônias, nas quais se encontra uma rainha fértil, os zangões, que são machos
férteis, e milhares de operárias fêmeas que são inférteis. No entanto, há
bastantes espécies de abelhas que não são produtoras de mel e vivem como
animais solitários. Elas habitam em todos os continentes, com exceção do
Antártico, e são indivíduos importantes de diversos ecossistemas que de-
sempenham a função insetos polinizadores. O mel produzido nas colmeias
é empregado na alimentação da própria colônia e dos seres humanos. É im-
portante informar que somente as abelhas operárias são responsáveis pela
defesa da colônia, ou seja, elas que picam, e ao picarem perdem parte do
aparato inoculador, morrendo, em seguida. Este aparato tem músculos pró-
prios que permanecem injetando a peçonha mesmo depois da separação do
restante do corpo. Porém, as mamangavas ou mamangabas, que são abelhas
das subfamílias Bombinae e Euglossinae, não perdem o ferrão, podendo fer-
roar diversas vezes. As abelhas da subfamília Meliponinae, conhecidas como
abelhas sem ferrão, embora tenham este aparato, não ocasionam acidentes
por picadas, contudo, podem produzir mel tóxico.
As formigas são insetos que têm em sua estrutura social as guer-
reiras e operárias, que são incapazes de reprodução e, as rainhas e machos
alados, responsáveis pelo nascimento de novas colônias. Certas espécies têm
aguilhão abdominal ligado a glândulas de veneno. Em geral, elas atacam
quando são molestadas e o acidente envolvendo múltiplas picadas é raro.
18.2 Métodos de prevenção de acidentes com
abelhas, vespas e formigas, primeiros socorros
e sintomas
Precisamos ressaltar a importância de se prevenir contra as picadas
dos insetos peçonhentos, conhecendo os seus hábitos e habitats. São me-
didas simples e eficientes que as pessoas podem empregar: a remoção das
e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas e Animais Peçonhentos 117
colônias de abelhas e vespas localizadas em locais públicos ou residências;
lembrando que deve ser realizada por profissionais devidamente treinados
e equipados; as pessoas devem evitar aproximar-se de colmeias de abelhas
africanizadas Apis mellifera, que são mais agressivas, sem estarem com ves-
tuário e equipamento apropriados como macacão, máscara, luvas, botas,
fumigador, etc.; evitar a aproximação dos ninhos dos marimbondos quando
eles estiverem em intensa atividade, que pode ocorrer entre 10 e 12 horas;
evitar correr e caminhar na rota de vôo percorrida pelas vespas e abelhas;
evitar aproximar o rosto de determinados ninhos de vespas, pois algumas
espécies esguicham o veneno no rosto do operador, podendo provocar sérias
reações nos olhos; evitar a aproximação dos locais onde as vespas estejam:
hortaliças e outras plantações colhendo nas flores o néctar ou procurando
por lagartas e outros insetos para alimentar sua prole; evitar a aproximação
dos locais onde os marimbondos estejam, por exemplo, em troncos, galhos e
folhas para coletarem fibras de celulose para construir ninhos; não se aproxi-
mar dos lugares onde as abelhas e marimbondos estejam bebendo água em
dias quentes ou outras fontes de proteína animal e carboidratos, tais como
frutas caídas, caldo de cana-de-açúcar de carrinhos de garapeiros, pedaços
de carne e lixo doméstico.
Figura 72: Casa de marimbondos.
Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://timblindim.files.
wordpress.com/2008/04/marimbondo_01x.jpg&imgrefurl=http://timblindim.wordpress.
com/2008/04/&usg=__XdKtiV0S0ycXPZIjg8oCVXLqlkc=&h=768&w=1024&sz=309&hl=pt-BR&start
=2&zoom=1&tbnid=DnVTF5ulnzBY9M:&tbnh=113&tbnw=150&ei=s0nBTsqZBube0QG6wbn2BA&pr
ev=/images%3Fq%3DFoto%2Bde%2Bcaixa%2Bde%2Bmarimbondo%26hl%3Dpt-BR%26sa%3DG%26tbm%
3Disch&itbs=1>. Acesso em: 14/11/2011.
Falando um pouco mais sobre o assunto, destacamos algumas me-
didas preventivas contra os insetos peçonhentos, tais como: evitar fazer ba-
rulhos, usar perfumes fortes ou desodorantes, cores escuras, principalmente
pretas e azul-marinho e juntamente com o suor do corpo, pois isso desen-
cadeia o comportamento agressivo e consequentemente o ataque de vespas
e abelhas. As abelhas liberam hormônio que é um sistema de comunicação
muito eficiente entre as abelhas de uma mesma comunidade, existindo 4 ti-
pos diferentes de hormônios, cada um transmitindo uma orientação distinta.
Esses hormônios são volatilizados no ar em menos de dois segundos depois
da picada da abelha operária, e continuam até 20 segundos para atrair ra-
pidamente outras operárias com sinal que devem atacar a vítima. Esse é o
motivo pelo qual grande parte das ocorrências de ataques acontece com
e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilância em Saúde118
grandes números de picadas concentradas em pequenas regiões do corpo e,
outra área do corpo, com poucas ou nenhuma picada. Essas picadas podem
ocorrer imediatamente em poucos minutos. Ao contrário das vespas, que
podem picar em áreas indefinidas; as abelhas, quando picam, morrem, pois
seu aparelho excretor e reprodutor sai arrancado pelas ligações que tem com
o ferrão e bolsa de veneno. É interessante destacar que, quando uma abelha
pica a pessoa, seu ferrão fica pendurado e deve ser retirado por causa do
cheiro que pode atrair outras abelhas para picar.
Observaremos agora sobre a prevenção contra as abelhas. Em certa
época do ano ocorre redução de néctar das flores e as abelhas costumam
invadir padarias, lojas e residências à procura de alimentos que possam subs-
tituir o néctar. Nesse caso, as pessoas não precisam ficar com receio; a
prática mais simples é cobrir os alimentos, e nunca utilizar inseticida. Se o
problema continuar, é bom verificar se há colmeia instalada por perto. Ao
localizar uma colmeia, não se aproxime dela e nem jogue querosene, álcool
ou inseticida, porque esses produtos não terão efeitos satisfatórios sobre
as abelhas que estão na colméia, e as abelhas, ao saírem de lá, ficam mais
agressivas e, com isso, podem provocar maior risco de acidentes. A melhor
opção é chamar um profissional que saiba lidar com esse problema, princi-
palmente pessoa relacionada com o centro de zoonoses do município, que
são os únicos habilitados a remover colmeias.
Figura 73: Enxame de abelha.
Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://3.bp.blogspot.com/-7v-
wndl0MEo/TfrIbNr1xMI/AAAAAAAACrw/SHqj6lhnz2U/s1600/abelhas%2B01.jpg&imgrefurl=http://
www.caraubas24horas.com.br/2011/06/enxame-da-abelhas-continua-preocupando.html&usg=__
GU4WT9RVEGQwqGNYtMEKurWadfg=&h=300&w=400&sz=32&hl=pt-BR&start=12&zoom=1&tbnid=Tx
pJhLPitxkDZM:&tbnh=93&tbnw=124&ei=rUrBTqSeEeHW0QHx_ZRJ&prev=/images%3Fq%3DFoto%2Be
nxame%2Bde%2Babelha%26hl%3Dpt-BR%26sa%3DG%26tbm%3Disch&itbs=1>. Acesso em: 15/11/2011.
Quando a pessoa habilitada estiver removendo a colmeia, animais
e pessoas devem ser retirados de imediato do local,. Depois da retirada da
colmeia, se for possível, deve-se retirar as ceras e própoles restantes para
impedir nova instalação da colmeia.
Os primeiros socorros em caso de picada de abelha e marimbondos
são: em caso de acidente, provocado por múltiplas picadas de abelhas ou
vespas, encaminhar a vítima e alguns dos insetos que provocaram o acidente
rapidamente ao hospital. Pois, em indivíduos hipersensíveis, uma única pica-
e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas e Animais Peçonhentos 119
da pode desencadear reação anafilática e óbito. A remoção dos ferrões pode
ser realizada com raspagem, utilizando lâminas; deve-se evitar retirar os
ferrões com pinças, pois as pinças podem proporcionar a compressão dos de-
pósitos de veneno, o que resultaria na inoculação do veneno ainda existente
no ferrão. Utilizar compressa fria com gelo reduz o efeito local.
18.3 As espécies mais importantes na saúde
pública no Brasil
As espécies de abelhas, em geral, não estão envolvidas em aci-
dentes. Os acidentes que mais ocorrem estão relacionados com as espécies
da família Apidae, principalmente as abelhas africanizadas, que são as mais
agressivas e, também, as mamangavas, que são grandes, robustas, com o
corpo coberto de cerdas, que atacam a pessoa se forem molestadas. As
mamangavas não perdem o ferrão quando ferroam a vítima. A abelha euro-
peia chamada de Apis mellifera e abelha africana chamada de Apis mellifera
adamsoni, no Brasil, cruzaram e produziram as abelhas africanizadas. Essas
espécies são extremamente agressivas e são responsáveis pela maior parte
dos acidentes envolvendo abelhas que ocorrem em todo território brasileiro.
Possuem faixas marrons que se alternam com amarelas no abdome. Quando
são molestadas, ficam furiosas; em geral, atacam em massa, perseguindo o
inimigo por mais de 700 metros.
Figura 74: Mamangavas na flor de ipê amarelo.
Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://ecoparquesperry.com.
br/wordpress/wp-content/uploads/2009/11/DSC00108-Small-460x345.jpg&imgrefurl=http://www.
ecoparquesperry.com.br/sperry/index.php%3Foption%3Dcom_content%26view%3Darticle%26id%3D123
:o-ipe-amarelo-e-sua-estrategia-de-reproducao%26catid%3D16:noticias%26Itemid%3D10&usg=__b89Oh
DB1LzMzq1S4OtSuyMVaBGE=&h=345&w=460&sz=40&hl=pt-BR&start=46&zoom=1&tbnid=mBgjMPzkRm
MArM:&tbnh=96&tbnw=128&ei=u0vBTuOgOObs0gGk9ZDnBA&prev=/images%3Fq%3DFoto%2Bde%2Bma
mangavas%26start%3D42%26hl%3Dpt-BR%26sa%3DN%26tbm%3Disch&itbs=1>. Acesso em: 15/11/2011.
As vespas ou maribondos pertencem à família Vespidae, têm ferrão
e peçonha que proporciona edema e forte dor local. As suas picadas múl-
tiplas podem ser responsáveis por edema generalizado e grave dificuldade
respiratória. No gênero Polybia tem o marimbondo-chumbinho, que faz o
ninho fechado com uma única abertura, cuja ferroada proporciona dor mui-
e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilância em Saúde120
ta intensa. No Brasil, existem também a espécie Synoeca cyanea chamado
de marimbondo-tatu e Pepsis fabricius conhecido como marimbondo-cavalo,
cujas picadas proporcionam muita dor com sintoma de edema e eritema lo-
cais, sudorese, calafrios e taquicardia.
Figura 75: Synoeca cyanea chamado de marimbondo-tatu.
Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.dmpragas.
com.br/uploads/NoticiasArtigos%255Cmarimbondo.jpg&imgrefurl=http://www.dmpragas.
com.br/Noticias.asp%3FNoticiaArtigoID%3D30&usg=__wVJMBBqPIMf-YbxenM_Q_
BpsYaQ=&h=190&w=154&sz=7&hl=pt-BR&start=7&zoom=1&tbnid=H0jnxTUP3p8SHM:&tbnh=103&tbn
w=83&ei=tE3BToC7KeTq0gGz49mxBA&prev=/images%3Fq%3DFoto%2Bde%2BSynoeca%2Bcyanea%2B
marimbondo%2Btatu%26hl%3Dpt-BR%26sa%3DN%26tbm%3Disch&itbs=1>. Acesso em: 15/11/2011.
As formigas pertencem a uma subfamília Ponerinae e família For-
micidae – a que inclui a espécie Paraponera clavata – e possuem nomes
populares como formiga cabo-verde, tocandira e vinte-e-quatro-horas. Essa
espécie atinge até 3 cm de comprimento e ocasionar uma picada extrema-
mente dolorosa com sintoma de edema e eritema locais, sudorese, calafrios
e taquicardia. Já as formigas de correição pertencem ao gênero Eciton, são
carnívoras, locomovem-se em grande número e proporcionam picadas pouco
dolorosas. As formigas lava-pés do gênero Solenopsis atacam em grande nú-
mero e se tornam agressivas se o formigueiro é invadido. Deve-se destacar
que uma só formiga lava-pés tem uma capacidade de ferroar, no mesmo
local, de dez a doze vezes, porque fixa sua mandíbula na pele da vítima. Sua
picada é muito dolorosa. São localizadas no Brasil a Solenopsis invicta (for-
miga lava-pés vermelha) e a Solenopsis richteri (formiga lava-pés negra), que
causam o quadro clássico do acidente. O formigueiro dessas espécies de for-
migas tem inúmeras aberturas e fica localizado em jardins, hortas, quintais
etc. Sua picada é dolorida, provoca bolhas, alergias e até choque anafilático.
Sua cor varia do amarelo claro ao marrom até o preto brilhante; é de difícil
identificação, pois existem várias espécies.
Figura 76: Solenopsis spp. formiga lava-pés.
Fonte: Disponível em: <http://www.agrobyte.com.br/formigas.htm>. Acesso em: 16/11/2011.
e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas e Animais Peçonhentos 121
As formigas Ephuta temperalis, conhecidas como formigas chiadei-
ras, pertencem à família Mutillidae, são coberta por cerdas coloridas, curtas
e finas. Esta espécie, em geral, tem uma coloração negra com manchas ver-
melhas ou amarelas, formando algum desenho. Os machos são alados e as
fêmeas são ápteras e sua ferroada causa forte dor local.
Resumo
Nesta aula, você aprendeu:
•	 Biologia e comportamento das abelhas, das vespas e das formi-
gas;
•	 Métodos de prevenção de acidentes com abelhas, vespas e for-
migas, primeiros socorros e sintomas;
•	 As espécies mais importantes na saúde pública no Brasil.
Atividades de aprendizagem
1. Comente a diferença que há entre abelha e vespas.
2. Ao picar uma pessoa, quais insetos liberam o ferrão: as abelhas ou as ves-
pas? Faça um breve comentário sobre isso.
3. O que deve ser feito quando ocorre acidente com abelhas ou vespas? Ex-
plique.
e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas e Animais Peçonhentos
AULA 1
Alfabetização Digital
123
Aula 19 – Animais peçonhentos: lagartas
Objetivos
•	 Entender a biologia e a diferenças entre borboletas e maripo-
sas;
•	 Descrever a importância da Lonomia obliqua, conhecida como
de taturana assassina;
•	 Listar os acidentes com taturanas da família Saturniidae.
19.1 Biologia e diferenças entre borboletas e
mariposas
As borboletas e mariposas são pertencentes a diversas famílias
da ordem Lepidóptera, que significa insetos que possuem asas cobertas
de escamas. As larvas ou lagartas das borboletas e mariposas são formas
jovens, equipadas com pelos portadores de veneno. Os pelos das formas
adultas também podem provocar reações semelhantes às das lagartas.
Normalmente, uma lagarta é portadora, em alguma fase de seu desenvol-
vimento, de pelos ou espinhos e/ou cerdas que, direta ou indiretamente,
causam acidentes nos seres humanos. Estas estruturas, quando em conta-
to com as vítimas, desprendem-se e inoculam o veneno, sendo causa de
profundo mal-estar.
Os insetos da ordem Lepidoptera – incluindo as borboletas e
mariposas – são muito diversificados no Brasil. O ciclo de vida dos le-
pidópteros engloba as seguintes etapas: ovo, larva, chamada também
de lagarta, pupa e a fase adulta. Seu tempo de vida modifica muito
conforme a espécie e o número de mudas que borboletas e maripo-
sas realizam. A existência de uma mariposa ou borboleta pode durar
poucas semanas, alguns meses e até um ano. Tanto borboletas quanto
mariposas são insetos que pertencem à ordem dos lepidópteros. Essa
ordem divide-se em 127 grupos de famílias e abrange cerca de 180 mil
espécies catalogadas.
Mudas:
são as transformações
de um estágio de
desenvolvimento para
o outro.
e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilância em Saúde124
Figura 77: Estágio de desenvolvimento dos lepidópteros com ovo, larva, pupa e adulto.
Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/images?btnG=Pesquisar&hl=pt-
BR&source=hp&gs_upl=2344l2344l0l3641l1l1l0l0l0l0l0l0ll0l0&oi=image_result_group&sa=X&tbm=is
ch&oq=foto+de+metamorfose+de+mariposa+&aq=f&aqi=&q=foto%20de%20metamorfose%20de%20
mariposa >. Acesso em: 16/11/2011.
A divisão dos lepidópteros em borboletas e mariposas foi baseada
em certas características observáveis, tanto em relação ao comportamento,
como quanto à forma de seus corpos ou morfologia. Quanto às antenas, as
mariposas têm antenas parecidas com plumas e têm cerdas sensoriais que
servem para captar feromônios do sexo oposto, enquanto que as borboletas
têm antenas fininhas com a ponta dilatada. A maior parte das borboletas tem
hábito diurno, enquanto a maioria das mariposas é noturna ou crepuscular.
As borboletas são em geral coloridas; as traças têm coloração monótona
adaptada ao modo de vida noturna. A metamorfose das traças faz-se dentro
de um casulo mole; as borboletas segregam uma crisálida rígida. O corpo das
borboletas é fino e alongado; as traças são mais arredondadas e robustas. As
traças pousam com as asas abertas; a maioria das borboletas dobra as asas
para cima enquanto repousam.
e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas e Animais Peçonhentos 125
19.2 Lepidóptera: Lonomia obliqua chamada de
taturana assassina
A mariposa de coloração cinza, chamada de Lonomia obliqua da famí-
lia Saturniidae, é uma lagarta conhecida por taturana, mandorová, mandruvá,
mandrová, etc. Lagarta é uma das fases do ciclo biológico de uma mariposa de
coloração cinza para as fêmeas e coloração amarelo-alaranjado para os machos,
tanto a fêmea quanto o macho têm uma listra transversal sobre as asas. Na fase
adulta, essas mariposas vivem aproximadamente 15 dias. Elas se acasalam e
põem seus os ovos com mais frequência nos meses de novembro a março. Cerca
de 10 dias depois da postura, os ovos, que depositados nas folhas e troncos das
árvores que podem ser frutíferas ou não, vão eclodir, e surgir as lagartas que
irão se alimentar de plantas durante a noite.
Figura 78: Coloração cinza para as fêmeas e coloração amarelo-alaranjado para os
machos de Lonomia obliqua.
Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.saude.pr.gov.
br/arquivos/Image/vig.ambient/zoonoses_intox/mariposa.jpg&imgrefurl=http://www.saude.
pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php%3Fconteudo%3D388&usg=__4tyawJkbYt5wF3lN5r4g0
6v_hVs=&h=184&w=218&sz=12&hl=pt-BR&start=31&zoom=1&tbnid=b91MMMdVMULU-M:&tbnh=90&
tbnw=107&ei=V5nDTryvNomJgweKtsHmDg&prev=/images%3Fq%3Dfoto%2Bda%2Bmariposa%2Badul
ta%2Bde%2BLonomia%2Bobliqua%26start%3D21%26hl%3Dpt-BR%26sa%3DN%26tbm%3Disch&itbs=1>.
Acesso em: 16/11/011.
As lagartas de Lonomia obliqua chamadas de taturanas assassinas
têm pilosidades e são extremamente perigosas, pois nessa espécie ocorrem
alguns tipos de venenos poderosos que podem provocar sintomas como in-
suficiência renal, hemorragia e até levar à morte. Elas estão distribuídas
nos Estados do Sul do Brasil, que atingiram mais de mil casos de acidentes
com lagartas do gênero Lonomia, vários dos quais resultaram em morte. É
necessário destacar que a proliferação de Lonomia obliqua deve-se ao fato
de alguns predadores naturais terem desaparecido com a devastação do am-
biente natural. Portanto, as larvas que antes se alimentavam das folhas da
aroeira e do cedro passaram a alimentar-se das folhas de árvores frutíferas.
É importante ressaltar que as taturanas assassinas têm a prioridade
para alimentar-se de árvores frutíferas, por isto a ocorrência dos acidentes
são maiores nos pomares, pois vivem em grupos e podem ser observadas
durante o dia nos troncos das árvores. O período larval dura cerca de três
meses, período suficiente para que as taturanas cresçam em tamanho de até
e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilância em Saúde126
8 cm de comprimento e troquem a pele por várias vezes. Depois da última
ecdise, as taturanas entram na fase de pupa, que pode durar aproximada-
mente 3 meses, ficam aderidas sob as folhas caídas e restos vegetais no solo
próximo das árvores. Depois desse período, as pupas vão se transformar em
mariposas adultas que, em seguida, vão se acasalar para completarem o
ciclo evolutivo.
Figura 79: Coloração cinza para as fêmeas e coloração amarelo-alaranjado para os
machos de Lonomia obliqua.
Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://cienciahoje.uol.com.
br/banco-de-imagens/lg/web/images/chdia/n170a.jpg&imgrefurl=http://cienciahoje.uol.com.br/
noticias/ecologia-e-meio-ambiente/populacao-de-taturanas-aumenta-com-desmatamento&usg=__
lT7aXZ4AWIcx9FnAH_MHU29Cu3Y=&h=248&w=400&sz=33&hl=pt-BR&start=4&zoom=1&tbnid=adui
QssxYiRjjM:&tbnh=77&tbnw=124&ei=fJbDTs-BAsKAgwf215m5Aw&prev=/images%3Fq%3Dfoto%2BLon
omia%2Bobliqua%26hl%3Dpt-BR%26sa%3DX%26tbm%3Disch&itbs=1>. Acesso em: 17/11/2011.
19.3 Acidentes com taturanas da família Satur-
niidae
O acidente com taturanas é ocasionado pela introdução do líquido
urticante na pele da pessoa através de espinhos. Estes espinhos ou cerdas
são estruturas de ponta frágil e aguda que, ao entrar em contato com as
partes descobertas do corpo, liberam o líquido. No caso das espécies da fa-
mília Saturniidae, esta glândula se situa próxima da ponta do espinho que, ao
quebrar-se, no contato com a pele, libera o líquido. Nessa família inclui-se a
Lonomia obliqua. Esses espinhos podem estar espalhados ao longo do corpo
da lagarta em algumas espécies, ou ocultos sob pelos longos e sedosos em
outras, ou, ainda, unidos a tubérculos que se projetam da pele da lagarta
formando vários pequenos pinheiros esverdeados chamados de SCOLI.
Os acidentes com taturanas, normalmente, acontecem quando as
pessoas, ao manejar as plantas, tocam na lagarta com as mãos ou a apertam
entre os dedos. O contato com as cerdas pontiagudas proporciona a saída
do veneno contido nos espinhos que são injetados na pele do homem. Este
veneno provoca uma dor violenta com queimadura e irritação no local do
acidente. Os acidentes com as taturanas do gênero Lonomias podem propor-
cionar complicações como aparecimento de sangue na urina e sangramento
na gengiva.
Ecdise:
que significa troca de
pele
e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas e Animais Peçonhentos 127
Os sintomas com acidentes das espécies do gênero Lonomias da
família Saturniidae são: dor e desconforto geral, o local acidentado fica com
irritação e manchas escuras da cor de vinho devido à hemorragia abaixo da
pele; o acidentado pode ter sangramento pelo nariz, gengivas, urina e pe-
quenos ferimentos em outras partes do corpo. O veneno ainda pode provocar
alterações na coagulação do sangue, que pode evoluir e complicar o funcio-
namento dos rins e também podem acontecer hemorragias no cérebro. Ao
acontecer o acidente com Lonomias, deve-se levar a vítima imediatamente
ao médico para ser socorrida. O soro específico para os acidentes com Lono-
mia ainda está em fase de testes pelo Instituto Butantã.
Figura 80: Acidente com a taturana Lonomia obliqua.
Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.saude.pr.gov.
br/arquivos/Image/vig.ambient/zoonoses_intox/mariposa.jpg&imgrefurl=http://www.saude.
pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php%3Fconteudo%3D388&usg=__4tyawJkbYt5wF3lN5r4g0
6v_hVs=&h=184&w=218&sz=12&hl=pt-BR&start=31&zoom=1&tbnid=b91MMMdVMULU-M:&tbnh=90&
tbnw=107&ei=V5nDTryvNomJgweKtsHmDg&prev=/images%3Fq%3Dfoto%2Bda%2Bmariposa%2Badul
ta%2Bde%2BLonomia%2Bobliqua%26start%3D21%26hl%3Dpt-BR%26sa%3DN%26tbm%3Disch&itbs=1>.
Acesso em: 17/11/2011.
Resumo
Nesta aula, você aprendeu:
•	 Biologia e diferenças entre borboletas e mariposas;
•	 Lepidóptera: Lonomia obliqua chamada de taturana assassina;
•	 Acidentes com taturanas da família Saturniidae.
Atividades de aprendizagem
1. Comente a diferença que há entre mariposas e borboletas, de acordo com
o comportamento, forma de seus corpos ou morfologia.
2. Quais são os sintomas que os acidentes com as lagartas de Lonomia obli-
qua podem proporcionar?
Caro estudante, use a
internet e acesse o site
da (http://pt.scribd.
com/doc/52779427/
manu-peconhentos)
para ter mais
informações sobre a
Lepidóptera e sobre
a identificação das
famílias Megalopydae,
Saturniidae e Arctiidae,
bem como, acidentes
por coleópteros do
gênero Paederus e
Epicauta e sobre as
características que os
envolvem.
e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilância em Saúde128
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e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilância em Saúde130
Currículo do professor conteudista
Wilson da Silva
Possui graduação em Engenharia Florestal pela Universidade Federal de Vi-
çosa (1985), mestrado em Fitotecnia (Produção Vegetal) pela Universidade
Federal de Viçosa (1992) e doutorado em Fitotecnia (Produção Vegetal) pela
Universidade Federal de Viçosa (1997). Tem experiência na área de Agrono-
mia, com ênfase em Agronomia (Ciências Agrárias). Atua como professor nas
Faculdades Integradas do Norte de Minas (FUNORTE) e no Instituto Superior
de Educação Ibituruna (ISEIB). Tem experiência nos cursos de Ciências Bioló-
gicas, Pedagogia, Geografia e Gestão Ambiental, atuando principalmente nas
seguintes disciplinas: Biogeografia (Botânica e Zoologia), Ecologia, Biomas
Brasileiros, Educação e Meio Ambiente, Educação do Campo, Geomorfologia,
Taxonomia das Espermatófitas e Geografia Agrária.
e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilância em Saúde132
e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes
Escola Técnica Aberta do Brasil

Ectoparasitas e animais peçonhentos (2011).

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    e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Escola TécnicaAberta do Brasil Vigilância em Saúde Ectoparasitas e Animais Peçonhentos Wilson da Silva Ministério da Educação
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    e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Escola TécnicaAberta do Brasil Vigilância em Saúde Ectoparasitas e Animais Peçonhentos Wilson da Silva Montes Claros - MG 2011
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    Ministro da Educação FernandoHaddad Secretário de Educação a Distância Carlos Eduardo Bielschowsky Coordenadora Geral do e-Tec Brasil Iracy de Almeida Gallo Ritzmann Governador do Estado de Minas Gerais Antônio Augusto Junho Anastasia Secretário de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior Alberto Duque Portugal Reitor João dos Reis Canela Vice-Reitora Maria Ivete Soares de Almeida Pró-Reitora de Ensino Anete Marília Pereira Diretor de Documentação e Informações Huagner Cardoso da Silva Coordenador do Ensino Profissionalizante Edson Crisóstomo dos Santos Diretor do Centro de Educação Profissonal e Tecnólogica - CEPT Maísa Tavares de Souza Leite Diretor do Centro de Educação à Distância - CEAD Jânio Marques Dias Coordenadora do e-Tec Brasil/Unimontes Rita Tavares de Mello Coordenadora Adjunta do e-Tec Brasil/ CEMF/Unimontes Eliana Soares Barbosa Santos Coordenadores de Cursos: Coordenador do Curso Técnico em Agronegócio Augusto Guilherme Dias Coordenador do Curso Técnico em Comércio Carlos Alberto Meira Coordenador do Curso Técnico em Meio Ambiente Edna Helenice Almeida Coordenador do Curso Técnico em Informática Frederico Bida de Oliveira Coordenador do Curso Técnico em Vigilância em Saúde Simária de Jesus Soares Coordenador do Curso Técnico em Gestão em Saúde Zaida Ângela Marinho de Paiva Crispim Ectoparasitas e Animais Peçonhentos e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Elaboração Wilson da Silva Projeto Gráfico e-Tec/MEC Supervisão Wendell Brito Mineiro Diagramação Hugo Daniel Duarte Silva Marcos Aurélio de Almeida e Maia Impressão Gráfica RB Digital Designer Instrucional Angélica de Souza Coimbra Franco Kátia Vanelli Leonardo Guedes Oliveira Revisão Maria Ieda Almeida Muniz Patrícia Goulart Tondineli Rita de Cássia Silva Dionísio Presidência da República Federativa do Brasil Ministério da Educação Secretaria de Educação a Distância
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    e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas eAnimais Peçonhentos AULA 1 Alfabetização Digital 3 Prezado estudante, Bem-vindo ao e-Tec Brasil/Unimontes! Você faz parte de uma rede nacional pública de ensino, a Escola Técnica Aberta do Brasil, instituída pelo Decreto nº 6.301, de 12 de dezembro 2007, com o objetivo de democratizar o acesso ao ensino técnico público, na modalidade a distância. O programa é resultado de uma parceria entre o Ministério da Educação, por meio das Secretarias de Educação a Distancia (SEED) e de Educação Profissional e Tecnológica (SETEC), as universidades e escola técnicas estaduais e federais. A educação a distância no nosso país, de dimensões continentais e grande diversidade regional e cultural, longe de distanciar, aproxima as pes- soas ao garantir acesso à educação de qualidade, e promover o fortalecimen- to da formação de jovens moradores de regiões distantes, geograficamente ou economicamente, dos grandes centros. O e-Tec Brasil/Unimontes leva os cursos técnicos a locais distantes das instituições de ensino e para a periferia das grandes cidades, incenti- vando os jovens a concluir o ensino médio. Os cursos são ofertados pelas instituições públicas de ensino e o atendimento ao estudante é realizado em escolas-polo integrantes das redes públicas municipais e estaduais. O Ministério da Educação, as instituições públicas de ensino técnico, seus servidores técnicos e professores acreditam que uma educação profis- sional qualificada – integradora do ensino médio e educação técnica, – não só é capaz de promover o cidadão com capacidades para produzir, mas também com autonomia diante das diferentes dimensões da realidade: cultural, so- cial, familiar, esportiva, política e ética. Nós acreditamos em você! Desejamos sucesso na sua formação profissional! Ministério da Educação Janeiro de 2010 Apresentação e-Tec Brasil/Unimontes
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    e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas eAnimais Peçonhentos AULA 1 Alfabetização Digital 5 Indicação de ícones Os ícones são elementos gráficos utilizados para ampliar as formas de linguagem e facilitar a organização e a leitura hipertextual. Atenção: indica pontos de maior relevância no texto. Saiba mais: oferece novas informações que enriquecem o assunto ou “curiosidades” e notícias recentes relacionadas ao tema estudado. Glossário: indica a definição de um termo, palavra ou expressão utilizada no texto. Mídias integradas: possibilita que os estudantes desenvolvam atividades empregando diferentes mídias: vídeos, filmes, jornais, ambiente AVEA e outras. Atividades de aprendizagem: apresenta atividades em diferentes níveis de aprendizagem para que o estudante possa realizá-las e conferir o seu domínio do tema estudado.
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    e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas eAnimais Peçonhentos AULA 1 Alfabetização Digital Sumário 7 Palavra do professor conteudista............................................ 11 Projeto instrucional............................................................ 13 Aula 1 – Ectoparasitas: conceito e pulgas................................... 15 1.1 Conceitos de ectoparasitas......................................... 15 1.2 Biologia e comportamento das pulgas............................ 15 1.3 As espécies mais importantes na saúde pública ................ 18 Resumo.................................................................... 20 Atividades de Aprendizagem............................................ 20 Aula 2 – Ectoparasitas: pulgas................................................ 21 2.1 Métodos de prevenção.............................................. 21 2.2 Métodos de controle mecânico..................................23 2.3 Controle químico....................................................23 Resumo.................................................................... 24 Atividades de Aprendizagem............................................ 24 Aula 3 – Ectoparasitas: bicho-de-pé......................................... 25 3.1 Biologia e comportamento do bicho de pé....................... 25 3.2 Sintomas de Tunga penetran.....................................27 3.3 Métodos de prevenção.............................................. 28 3.4 Métodos de controle...............................................29 Resumo.................................................................... 30 Atividades de Aprendizagem............................................ 30 Aula 4 – Ectoparasitas: piolhos da cabeça em humanos.................. 31 4.1 Biologia e comportamento do piolho da cabeça................. 31 4.2 Sintomas de Pediculus humanus var capitis...................32 4.3 Métodos de prevenção.............................................. 33 4.4 Métodos de controle...............................................34 Resumo.................................................................... 36 Atividades de Aprendizagem............................................ 36 Aula 5 – Ectoparasitas: percevejo de cama................................37 5.1 Biologia e comportamento do percevejo de cama.............37 5.2 Sintomas de Cimex lectularius...................................39 5.3 Métodos de prevenção do percevejo de cama................... 40 5.4 Métodos de controle...............................................40 Resumo.................................................................... 41 Atividades de Aprendizagem............................................ 41 Aula 6 – Ectoparasitas: ácaros do pó doméstico........................... 43 6.1 Biologia e comportamento do ácaro.............................. 43 6.2 Sintomas do ácaro da poeira...................................... 45 Resumo.................................................................... 47 Atividades de Aprendizagem............................................ 47
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    e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilânciaem Saúde8 Aula 7 – Ectoparasitas: ácaros do pó doméstico........................... 49 7.1 Métodos de prevenção e de controle.............................49 7.2 Métodos de controle químico....................................... 51 Resumo.................................................................... 52 Atividades de Aprendizagem............................................ 53 Aula 8 – Ectoparasitas: carrapatos em humanos........................... 55 8.1. Biologia e comportamento dos carrapatos...................... 55 8.2 Biologia e comportamento do carrapato da família Ixodidae.57 Resumo.................................................................... 60 Atividades de Aprendizagem............................................ 60 Aula 9 – Ectoparasitas: carrapatos em humanos........................... 61 9.1 Biologia e comportamento do carrapato da família Argasidae .61 9.2 Espécies de carrapatos mais comuns no Brasil ................62 9.3 Doenças transmitidas pelos carrapatos, patógenos veiculados e sintomas................................................................63 Resumo.................................................................... 66 Atividades de Aprendizagem............................................ 66 Aula 10 – Ectoparasitas: carrapatos em humanos.......................... 67 10.1 Métodos de prevenção............................................. 67 10.2 Métodos de controle.............................................68 Resumo.................................................................... 69 Atividades de Aprendizagem............................................ 69 Aula 11 – Ectoparasitas: larva migrans cutânea..........................71 11.1. Biologia e comportamento da larva migrans cutânea.......71 11.2 Sintomas da larva migrans cutânea (LMC)..................... 72 11.3 Tratamento da larva migrans cutânea (LMC)................. 73 11.4 Métodos de prevenção e controle............................... 74 Resumo.................................................................... 75 Atividades de aprendizagem........................................... 75 Aula 12 – Animais peçonhentos............................................... 77 12.1 Conceitos de animais peçonhentos e de animais venenosos .77 12.2 Medidas de prevenção contra animais peçonhentos e animais . venenosos ................................................................ 78 Resumo.................................................................... 80 Atividades de aprendizagem............................................ 80 Aula 13 – Animais peçonhentos: Escorpiões ................................ 81 13.1 Biologia e comportamento dos escorpiões ..................... 81 13.2 Escorpião: vida, alimentação e hábitos ......................... 82 Resumo.................................................................... 84 Atividades de Aprendizagem............................................ 84 Aula 14 – Animais peçonhentos: Escorpiões................................. 85 14.1 Métodos de prevenção e controle................................ 85 14.2 As espécies mais importantes na saúde pública ............... 86 14.3 Sintomas, tratamento e primeiros socorros .................... 89 Resumo.................................................................... 90
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    e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas eAnimais Peçonhentos 9 Atividades de Aprendizagem............................................ 90 Aula 15 – Animais peçonhentos: Aranhas ................................... 91 15.1 Biologia e comportamento das aranhas......................... 91 15.2 Métodos de prevenção, controle e sintomas.................... 94 15.3 As espécies mais importantes na saúde pública ............... 95 Resumo...................................................................100 Atividades de Aprendizagem...........................................100 Aula 16 – Animais peçonhentos: Serpentes................................101 16.1 Biologia e comportamento das serpentes......................101 16.2 Métodos de prevenção de acidentes, primeiros socorros e sinto mas........................................................................103 16.3 As espécies mais importantes na saúde pública no Brasil...104 Resumo................................................................... 110 Atividades de Aprendizagem........................................... 110 Aula 17 – Animais peçonhentos: Lacraias.................................. 111 17.1 Biologia e comportamento das lacraias......................... 111 17.2 Métodos de prevenção de acidentes e sintomas.............. 112 17.3 As espécies mais importantes na saúde pública .............. 113 Resumo................................................................... 114 Atividades de Aprendizagem........................................... 114 Aula 18 – Animais peçonhentos: abelhas, vespas e formigas............ 115 18.1 Biologia e comportamento das abelhas, vespas e formigas.. 115 18.2 Métodos de prevenção de acidentes com abelhas, vespas e for migas, primeiros socorros e sintomas...............................116 18.3 As espécies mais importantes na saúde pública no Brasil... 119 Resumo................................................................... 121 Atividades de Aprendizagem........................................... 121 Aula 19 – Animais peçonhentos: lagartas...................................123 19.1 Biologia e diferenças entre borboletas e mariposas..........123 19.2 Lepidóptera: Lonomia obliqua chamada de taturana assassi.. na..........................................................................125 19.3 Acidentes com taturanas da família Saturniidae............ 126 Resumo...................................................................127 Atividades de Aprendizagem...........................................127 Referências.....................................................................128 Currículo do professor conteudista.........................................130
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    e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas eAnimais Peçonhentos AULA 1 Alfabetização Digital 11 Palavra do professor conteudista Prezados alunos, sejam todos bem-vindos. É com grande entusiasmo que estamos iniciando a nossa disciplina: Ectoparasitas e Animais Peçonhentos. O nosso objetivo nesta disciplina é dar conhecimento a todos os alunos em Vigilância em Saúde, no módulo referente as Zoonoses, princi- palmente, às oriundas das ectoparasitas e dos animais peçonhentos; com- preender como se deve referir às atividades de prevenção das doenças e manejo ambiental e, como as diferentes espécies de ectoparasitas e animais peçonhentos provocam acidentes aos seres humanos; mobilizar ações de pre- venção e controle das zoonoses, especialmente, no ambiente domiciliar e peridomiciliar; bem como, conscientizar a população quanto à importância da limpeza em todos os espaços da comunidade e quanto às condições do terreno adequadas para que haja o controle dos ectoparasitas e dos ani- mais peçonhentos. Apresentamos aqui uma visão abrangente da disciplina, distribuída em aulas, com vários tópicos importantes, como definição de ectoparasitas - biologia, comportamento, prevenção, controle e importância dos ectoparasitas como pulgas, bicho-de-pé, piolho da cabeça, percevejo de cama, ácaros do pó doméstico, carrapatos em humanos e larva migrans cutânea na saúde pública. Apresentamos, ainda, conceitos de animais peçonhentos e venenosos - biologia, comportamento, prevenção, controle, acidentes e importância dos animais peçonhentos como escorpiões, aranha, serpente, lacraias, abelhas, vespas, formigas e lagartas na saúde pública e outros tópicos complementares da disciplina que são imprescindíveis para sua formação. São temas que irão lhes auxiliar na sua formação profissional e pessoal. Busquei, de forma simples e resumida, contextualizar a nossa dis- ciplina para melhor compreensão, no intuito de atingirmos os objetivos pro- postos. Ressaltamos que se torna necessário o conhecimento de conceitos relativos à disciplina, bem como, a interpretação de tabelas e figuras. Desejo todo o êxito na conclusão da nossa disciplina. Que o seu aprendizado eleve o seu conhecimento. Estou certo de que edificaremos, juntos, esta caminhada. Portanto, vamos começar os nossos estudos. Abraços cordiais. Prof. Wilson da Silva
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    e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas eAnimais Peçonhentos AULA 1 Alfabetização Digital 13 Projeto instrucional Disciplina: Ectoparasitas e Animais Peçonhentos (carga horária: 60 h). Ementa: Ectoparasitas e Animais Peçonhentos: saneamento bá- sico e do meio: saneamento do ar, da água e do lixo, das habitações e dos locais de trabalho; seleção, descarte e reciclagem de lixo; epidemiologia: prevenção e controle de doenças infecto-contagiosas e infecto-parasitárias; noções sobre o método epidemiológico, métodos de investigação, tipos de estudo, conceito de risco, medidas das doenças, indicadores de saúde, aná- lise de dados, aplicações e usos da Epidemiologia; fundamentos de saúde pública. AULA OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM MATERIAIS CARGA HORÁRIA Aula 1 – Ectopara- sitas: conceito e pulgas Inserir o conhecimento em ectopa- rasitas, biologia e comportamento das pulgas Caderno didático. 03 Aula 2 – Ectoparasi- tas: pulgas Oferecer uma visão sobre métodos de prevenção, controle mecânico e químico das pulgas. Caderno didático. 03 Aula 3 – Ectoparasi- tas: bicho-de-pé Conhecer a importância da bio- logia, comportamento, sintomas, prevenção, controle de bicho-de-pé, Tunga penetran. Caderno didático. 03 Aula 4 – Ectopara- sitas: piolhos da ca- beça em humanos Descrever a importância da bio- logia, comportamento, sintomas, prevenção, controle de piolhos da cabeça, Pediculus humanus var capitis. Caderno didático. 03 Aula 5 – Ectopara- sitas: percevejo de cama Conhecer a importância da bio- logia, comportamento, sintomas, prevenção, controle do percevejo de cama, Cimex lectularius. Caderno didático. 03 Aula 6 – Ectopara- sitas: ácaros do pó doméstico Entender a importância da biolo- gia, comportamento e sintomas do ácaro da poeira. Caderno didático. 03 Aula 7 – Ectopara- sitas: ácaros do pó doméstico Oferecer uma visão sobre méto- dos de prevenção e de controle do ácaro da poeira. Caderno didático. 03 Aula 8 – Ectoparasi- tas: carrapatos em humanos Conhecer a importância da biolo- gia, comportamento do carrapato da família Ixodidae Caderno didático. 03
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    e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilânciaem Saúde14 Aula 9 – Ectopara- sitas: carrapatos em humanos Entender a importância da bio- logia, comportamento, sintomas do carrapato da família Argasidae e outras espécies de carrapatos mais comuns no Brasil. Caderno didático. 03 Aula 10 – Ectopa- rasitas: carrapatos em humanos Oferecer uma visão sobre méto- dos de prevenção e controle dos carrapatos. Caderno didático. 03 Aula 11 – Ectopara- sitas: larva migrans cutânea Entender a importância da biolo- gia, comportamento, sintomas, tra- tamento e métodos de prevenção e controle da larva migrans cutânea. Aula 12 – Animais peçonhentos Identificar os conceitos de animais peçonhentos e venenosos e medi- das de prevenção. Caderno didático. 03 Aula 13 – Animais peçonhentos: Es- corpiões Conhecer a importância da bio- logia, comportamento, sintomas, vida, alimentação e hábitos do escorpião. Caderno didático. 03 Aula 14 – Animais peçonhentos: Es- corpiões Entender a importância dos sinto- mas, método de prevenção e con- trole das espécies escorpiões mais importantes na saúde pública. Caderno didático. 03 Aula 15 – Animais peçonhentos: Aranhas Conhecer a importância da biolo- gia, comportamento, método de prevenção, controle e espécies de aranhas mais importantes na saúde pública. Caderno didático. 03 Aula 16 – Animais peçonhentos: Ser- pentes Descrever a importância da biolo- gia, comportamento, prevenção, sintomas das serpentes. Caderno didático. 03 Aula 17 – Animais peçonhentos: Lacraias Entender a importância da biolo- gia, comportamento, prevenção de acidentes, primeiros socorros e sintomas das lacraias. Caderno didático. 03 Aula 18 – Animais peçonhentos: abelhas, vespas e formigas Descrever a importância da bio- logia, comportamento, método de prevenção, controle e espécies mais importantes das abelhas, vespas e formigas. Caderno didático. 03 Aula 19 – Animais peçonhentos: lagartas Conhecer a biologia e a diferen- ça entre borboletas e mariposas, importância sobre Lonomia obliqua e acidentes com taturanas. Caderno didático. 03 Aula 20 – Ectopara- sitas: larva migrans cutânea Entender a importância da biolo- gia, comportamento, sintomas, tra- tamento e métodos de prevenção e controle da larva migrans cutânea.
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    e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas eAnimais Peçonhentos AULA 1 Alfabetização Digital 15 Aula 1 – Ectoparasitas: conceito e pulgas Objetivos • Inserir o conhecimento em ectoparasitas; • Descrever a importância da biologia e do comportamento das pulgas; • Listar as espécies mais importantes de pulgas na saúde pública. 1.1 Conceitos de ectoparasitas São indivíduos denominados por ectoparasitas ou parasitas exter- nos os que vivem sobre o corpo do hospedeiro, no exterior do corpo do hos- pedeiro. Como exemplos há os carrapatos, as pulgas, os piolhos, o percevejo de cama, os ácaros, o bicho-de-pé e a larva migrans cutânea. Há outros conceitos sobre ectoparasitas, de acordo com Hopla: Ectoparasitas são organismos que habitam a pele de um ou- tro organismo, denominado hospedeiro, por determinado período de tempo, dependendo totalmente de seus hospe- deiros para sua sobrevivência, podendo ter efeito prejudicial na saúde destes.(Hopla et al. 1994). 1.2 Biologia e comportamento das pulgas As pulgas são ectoparasitos que pertencem à ordem Siphonaptera, parasitando aves e mamíferos. Pequenos insetos com menos de 5 milímetros de comprimento e sem asas, possuem três pares de pernas extremamente fortes, especialmente o par posterior, que possibilitam as pulgas se movimen- tarem velozmente e pularem distâncias muito maiores que o comprimento de seu corpo. São achatadas, verticalmente, o que facilita seu movimento entre os pêlos ou penas do hospedeiro. As partes bucais são adaptadas para cortar a pele e sugar o sangue do hospedeiro. Os olhos são reduzidos ou mesmo ausentes. Elas possuem coloração marrom avermelhada, corpo endu- recido, que é difícil de esmagar entre os dedos para matar. É importante ressaltar que as pulgas infestam locais com tranquilida- de, dentro de casa ou em outros abrigos que são lugares propícios para o seu desenvolvimento. A falta de movimento facilita os processos biológicos que in- duzem as larvas a eclodirem dos ovos e os adultos a saírem de suas pupas. Precisamos ressaltar que as pulgas trazem desconforto com sensa- ção de coceiras ao corpo do homem e dos animais, além de proporcionarem doenças como dermatites alérgicas e algumas doenças originadas por bacté- Caro aluno, repare como este ponto é importante. Os inseticidas são impenetráveis nos ovos e nas pupas das pulgas, ou seja, não as eliminam. Para as larvas e os adultos da pulga, os inseticidas são eficazes. Deste modo, o controle deste inseto deve ser feito por meio de medidas preventivas ou curativas (de controle) mais utilizados.
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    e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilânciaem Saúde16 rias, como peste bubônica, tularemia e salmonelose. Elas também transmi- tem vermes e viroses. Embora alguns indivíduos não sintam as picadas das pulgas, a irritação causada pelas secreções salivares delas pode se agravar em algumas pessoas. É interessante que certos indivíduos sofrem uma reação severa resultante de infecções secundárias causadas pela ação de coçar a área irritada. Por exemplo, as picadas nas pernas e no tornozelo podem, em alguns sujeitos, causar dor e, esta pode durar alguns minutos, horas ou dias, que dependerá da sensibilidade da pessoa. Contudo, em certas pessoas não acontece qualquer reação. A reação típica da picada é a formação de uma pequena mancha dura, avermelhada, com um ponto em seu centro. O ciclo biológico das pulgas abrange a fase de ovo, larva, pupa e adulto. Este ciclo é concluído aproximadamente com 30 dias, e dependerá das condições de umidade da temperatura ambiente. Pode-se afirmar sem nenhuma dúvida que a pulga fêmea, alguns dias após a fecundação, põe na superfície da pele de seu hospedeiro, comu- mente, cães, gatos e ratos, uma quantidade de 200 a 400 ovos por dia, esses ovos podem cair no solo com o movimento dos hospedeiros. Os ovos, quando caem no solo, podem liberar a primeira larva, no período de dois até 14 dias, dependendo das condições ambientais: umidade e temperatura. As três fa- ses de larva que se seguem, muito pequenas, alimentam-se principalmente das fezes das pulgas adultas, que contêm sangue semidigerido. Cerca de 7 a 10 dias depois, a larva III procura um local seco com ciscos e poeira para formar um casulo, no interior do qual vai desenvolver-se a pupa. É interessante lembrar que no intervalo de sete a quatorze dias após, estará concluído, dentro do pupário, um pré-adulto completado para emergir, se as condições ambientais forem favoráveis. No entanto, em condi- ções ambientais desfavoráveis, o pré-adulto poderá continuar no interior do casulo por um período de doze meses sem se alimentar. Assim que a pulga adulta emergir do casulo, fica faminta e começa a dar enormes saltos até atingir seu hospedeiro, um cão ou um gato (às vezes uma pessoa) onde pro- cura sugar sangue. Depois de alimentados, machos e fêmeas podem copular tanto sobre o hospedeiro quanto no solo, reiniciando o ciclo. Os ovos das pulgas podem ser colocados sobre o hospedeiro, no chão ou em seu ninho. Eles têm uma coloração clara, formato oval e liso, como mostra a figura abaixo. Figura 1: Ciclo biológico: os ovos da pulga. Fonte: Disponível em: <http://www.casa-sem-inseto.com.br/pulgas.htm>. Acesso em: 06/08/2011. Caro estudante, somente o adulto das pulgas é hematófago, isto é, alimenta-se de sangue.
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    e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas eAnimais Peçonhentos 17 As larvas das pulgas não sugam sangue, não têm pernas, nem en- xergam; por isso, evitam a luz solar. Depois da eclosão, a larva alimenta-se de fezes das pulgas adultas, pêlo, penas e pele. Por este motivo, os adul- tos ingerem mais sangue do que precisam. Sendo assim, uma pulga pode alimentar-se de duas a três vezes ao dia e cada tempo de alimentação dura cerca de dez minutos. A hematofagia é desempenhada tanto de dia como de noite, e é essencial para que as fêmeas possam colocar seus ovos. Depois da alimentação, a pulga segrega gotículas de sangue pelo ânus, que, na maio- ria das vezes, vêm misturadas com as fezes. Será um sinal de que as pulgas estão presentes, quando forem encontradas essas gotículas ressecadas em roupas ou nos pêlos do animal. Figura 2: Ciclo biológico: as larvas da pulga. Fonte: Disponível em: <http://www.casa-sem-inseto.com.br/pulgas.htm>. Acesso em: 07/08/2011. É importante observar que, no ciclo de vida das pulgas, as pupas têm uma cavidade de seda fabricada pela larva de último instar, que per- manecem coladas aos pêlos de animais, poeira e outras sujeiras. No período de 5 a 14 dias as pulgas adultas saem ou continuam em descanso dentro do casulo até a detecção de alguma vibração, que pode ser causada pela circulação do homem ou de algum animal quando estas se põem sobre ele. É curioso notar que o nascimento da pulga pode ser originado por barulho, vibração, calor ou pela presença de dióxido de carbono, que significa que uma fonte potencial de alimento está presente. Falando um pouco mais sobre ciclo de vida das pulgas, ressaltamos que as fêmeas adultas só conseguem colocar seus ovos após fazerem uma refeição. Já os adultos (fêmeas e machos) são capazes de sobreviver sem se alimentar num período de dois a doze meses. Às vezes, as pessoas ficam ausentes de suas residências por alguns meses e, ao retornarem, podem encontrar a casa infestada por estes insetos, principalmente, quando a casa se encontrar fechada e sem hospedeiros, principalmente, com gatos e cães. Assim que as pessoas retornam, elas são atacadas pelas pulgas que nasceram no período de ausência. Instar: é estágio de crescimento entre duas mutações (transformações) sucessivas
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    e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilânciaem Saúde18 Figura 3: Ciclo biológico da pulga. Fonte: Disponível em: <http://www.casa-sem-inseto.com.br/pulgas.htm>. Acesso em: 07/08/2011. Pesquisas realizadas em condições de laboratório concluíram que Pu- lex irritans pode viver até 513 dias e Xenopsylla cheopis 100 dias. Estas duas espécies são extraordinárias saltadoras. Na posição vertical, elas saltam a uma altura próxima de 18 cm e na posição horizontal podem alcançar 33 cm. Falando um pouco mais sobre o comportamento das pulgas, deve- -se notar que a sua longevidade é variável e depende da espécie e também de outros fatores, como umidade e temperatura do ambiente, da atividade e do estado de nutrição delas. Portanto, algumas pesquisas apontam sobre longevidade de cada espécie desse inseto, de acordo, com o grupo de pulgas estarem alimentadas ou sem alimentos. Os resultados foram: Xenopsylla che- opis (pulga do rato): alimentada, vive 100 dias; sem alimento, 38 dias; Pulex irritans (pulga do homem): alimentada, vive 513 dias; sem alimento, 125 dias; Ctenocephalides canis (pulga do cão e do gato): alimentada, vive 234 dias; sem alimento, 58 dias. 1.3 As espécies mais importantes na saúde pú- blica As principais pulgas domésticas são, em nosso país, Ctenocephali- des felis (a pulga do gato) e Ctenocephalides canis (a pulga do cão). É inter- resante salientar que a Pulex irritans não é tida como a pulga do ser humano; na verdade, é uma pulga de hospedeiro indefinido, podendo sugar igualmen- te cães, gatos, suínos, aves, etc., sendo uma espécie que se encontra em grande parte do globo terrestre. Os roedores têm na Xenopsylla cheopis e
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    e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas eAnimais Peçonhentos 19 na Xenopsylla brasiliensis seus principais ectoparasitas, transmissores poten- ciais da temível peste bubônica em algumas regiões do Brasil. Figura 4: A pulga do homem (Pulex irritans). Fonte: Disponível em: <http://www.protech-online.com.br/pulgas.htm>. Acesso em 08/08/2011. A pulga do gato (Ctenocephalides felis felis) tem a habilidade de transmitir doenças e alergia ao ser humano. Esta espécie agride diversos hospedeiros, entre os quais estão o homem, o cão, o rato e o gato. Já a pulga do cão (Ctenocephalides canis), mais atuante em regiões de clima frio, não é a mais frequente encontrada neste hospedeiro; muitas das vezes, o cão possui a espécie Ctenocephalides felis felis. É importante ressaltar que pulga do cão/gato (Ctenocephalides canis/felix) ataca, além do cão, também o gato e o homem, podendo picar rato e outros animais; irá substituir a Pu- lex irritans ao longo do tempo, tornando-se a principal inimiga do homem. Ctenocephalides canis/felix tem como principal característica possuir uma sutura (prega) dupla no segundo segmento do terceiro par de pernas. Figura 5: A pulga do cão/gato (Ctenocephalides canis/felix). Fonte: Disponível em: <http://www.protech-online.com.br/pulgas.htm>. Acesso em 08/082011. A pulga do rato (Xenopsylla cheopis) é uma espécie que se encontra na maior parte do globo terrestre e possui grande relevância para a saúde do ser humano, porque ela transmite a peste bubônica. Embora este inseto não seja uma praga doméstica, existem registros de pessoas que foram picadas por Xenopsylla cheopis, em sua casa. O rato é o principal hospedeiro desta espécie de inseto. As principais espécies de ratos que possuem X. cheopis são as ratazanas, ou rato de esgoto, o rato de telhado ou rato preto e o camundongo. X. cheopis ataca o rato e o homem. Suas peculiaridades são a presença de pêlos em seu occipício (parte superior do cefalotórax) e tama- nho mais reduzido que outras espécies de pulgas. Caro aluno, observe como este ponto é importante: Pulex irritans, a pulga do homem, é uma espécie que antigamente se localizava, abundantemente, em domicílio humano; hoje, se encontra praticamente irradicada, e vem sendo substituída gradualmente pela pulga canina (Ctenocephalides canis).
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    e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilânciaem Saúde20 Figura 6: A pulga do rato (Xenopsylla cheopis). Fonte: Disponível em: <http://www.protech-online.com.br/pulgas.htm>. Acesso em 07/08/2011. Resumo Nesta aula, você aprendeu: • Conceitos de ectoparasitas; • Biologia e comportamento das pulgas; • As espécies mais importantes na saúde pública. Atividades de aprendizagem 1. Questão. O que é ectoparasita? Dê os exemplos. 2. Questão. Os inseticidas controlam todo estágio de vida da pulga? Justifi- que. 3. Questão. As pulgas precisam concluir seu ciclo de vida em aproximada- mente com 30 dias. Quais são os fatores externos de que as pulgas precisam para completar seu ciclo biológico? Faça um breve comentário sobre o as- sunto.
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    e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas eAnimais Peçonhentos AULA 1 Alfabetização Digital 21 Aula 2 – Ectoparasitas: pulgas Objetivos • Oferecer uma visão sobre métodos de prevenção das pulgas; • Explicar o que são os métodos de controle mecânico e químico. 2.1 Métodos de prevenção É importante conservar a higiene diária dos animais domésticos e manutenção de convívio apropriado na residência humana. Além disso, é interessante colocar, continuamente, um material que pode ser um tecido ou uma toalha limpa onde animal vai dormir e, lave este material a cada semana. Agindo, assim, pode dizer que é uma forma de se prevenir invasão de pulgas, pois, os ovos que são depositados sobre o hospedeiro caem no ambiente sobre este material. Desse jeito, os ovos são periodicamente des- cartados. Precisamos lembrar a importância dos pisos das casas: se eles fo- rem de tacos ou tábuas corridas, ocorrem grandes riscos de todas as frestas servirem de abrigo para pulgas, melhor maneira de evitar os abrigos é vetar as frestas dos assoalhos e rodapés, e, ainda, lavar os tapetes e capachos, periodicamente, para evitar novas infestações. Se houver tapetes ou carpe- tes, passar o aspirador de pó; e, se possível, colocar esses materiais ao sol durante uma hora. As casas devem ser limpas uma ou duas vezes por semana com o suprimento de um aspirador de pó. Desta maneira, evita-se o acúmulo de poeiras nos tacos, tapetes e outros ambientes. É bom passar no assoalho um tecido umedecido com querosene. Figura 7: Aspirador é um importante aliado na luta contra pulgas. Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.cpt.com.br/imagens/ enviadas/materias/materia1072/aspirador-pulga.JPG&imgrefurl=http://www.afe.com.br/noticia/1072/ eliminar-pulgas-fica-mais-facil-com-o-uso-de-aspirador-de-po&usg=__OTk1WPH_iIuvSsJvdIhhnTVAwg4= &h=180&w=262&sz=12&hl=pt-BR&start=65&zoom=1&tbnid=uHMORUkKJh7YIM:&tbnh=77&tbnw=112&ei =Q61yTrepLI--tgeCqryJCg&prev=/images%3Fq%3Dfoto%2Bde%2Bpulgas%2Bcom%2Bcontrole%26start%3D 63%26hl%3Dpt-BR%26sa%3DN%26tbm%3Disch&itbs=1>. Acesso em 09/08/2011. Caro aluno, repare como esse ponto é importante. Devem ser descartadas as sujeiras que estiverem dentro do filtro do aspirador, após a limpeza, em locais apropriados, pois, as larvas das pulgas têm a capacidade de eclodir dos ovos recolhidos pelo aspirador e, já as pulgas adultas são capazes de surgir de suas pupas e reinfestar o ambiente.
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    e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilânciaem Saúde22 Precisamos deixar claro que, além da limpeza no interior da resi- dência, é interessante que se faça a limpeza externa, como podar a grama para que ela fique bem baixinha, fazer a limpeza periódica de quintais e jardins para impedir que os ambientes fiquem úmidos e adequados para o desenvolvimento das larvas das pulgas. Outros métodos de prevenção é evi- tar o acúmulo de areia ao redor da casa por períodos longos e, também, fazer o controle de roedores no lote da residência, sabe-se que os roedores são hospedeiros de pulgas e que elas transmitem doenças. As pulgas podem entrar em uma casa de várias maneiras, mesmo quando os animais são conservados no exterior da casa. As pulgas têm hábito de saltar, assim, elas podem saltar do jardim para o interior da residência, também, elas podem ser introduzidas aderidas na pessoa ou mesmo ter sido deixadas por moradores que residiram neste local. Outro ponto essencial como métodos de prevenção é saber se ani- mal de estimação possui pulgas. Abra os pêlos e examine se a pele dele apresenta-se irritada e se no lugar da picada da pulga o animal coça, irrin- tando a pele. É fundamental observar o grau de infestação de pulgas, pois, quando a infestação está alta, pode acontecer queda de pêlo em algumas partes do corpo, além de se formarem pequenas bolinhas marrons escuras grudadas nos pêlos. Isto é sinal da presença das pulgas que excretam sangue digerido. É importante também observar o local onde o animal dorme e pro- curar pelas fezes das pulgas e pelos adultos. Figura 8: Abrir os pêlos do animal e examinar se sua pele se apresenta irritada com a picada da pulga é método de prevenção. Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://i51.tinypic.com/ zxm92p.jpg&imgrefurl=http://forum.adestradoronline.com/showthread.php%3F10890-Consumo- de-%25E1gua./page2&usg=__-2qW1XvjYsQ8O3kM6zxsrcMvT3A=&h=408&w=640&sz=28&hl=pt- BR&start=303&zoom=1&tbnid=3Uba-qNVAxGm-M:&tbnh=87&tbnw=137&ei=IbNyTqOuDsmEtgeZ mK2LBA&prev=/images%3Fq%3Dfoto%2Bde%2Bpulgas%2Bcom%2Bcontrole%26start%3D294%26hl%3D pt-BR%26sa%3DN%26tbm%3Disch&itbs=1>. Acesso em 09 ago. 2011. Falaremos agora sobre a presença pulgas nas residências. É bom fazer o monitoramento das populações de pulgas, colocando-se uma vasilha baixa com água juntamente com um pouco de detergente de lavar louças, sobre o piso. Ponha uma vela acesa a uns 10 cm de altura, no meio da vasilha que tem água com detergente. É interessante observar que as pulgas adultas são seduzidas pela fonte de luz da vela e caem dentro da vasilha com solução de água e detergente. Com a utilização deste método, pode-se examinar em quais localidades da casa há infestação de pulgas. Caro aluno, observe como esse ponto é importante. As larvas das pulgas podem ficar em estado dormente por um período maior de tempo; é a maneira que esse inseto tem para conservar esta espécie, auxiliando na infestação.
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    e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas eAnimais Peçonhentos 23 2.2 Métodos de controle mecânico Precisamos ressaltar que o controle de pulgas é mais eficiente quando são adotados costumes simultâneos que abrangem limpeza periódica, tratamen- to do animal de estimação e controle químico no domicílio como canis, quintais, abrigos de animais, etc. Os métodos de controle de pulgas como os mecânicos, os químicos ou os biológicos, usados corretamente, são eficientes. Os métodos mecânicos no controle de pulgas são: catação manual das pulgas nos animais domésticos, pela verificação dos pelos do hospedeiro e escovação periódica da pelagem dele; banhar semanalmente os animais e os imergid por alguns minutos em recipiente cheio de água; fazer aspiração periódica do local; lavagem dos pisos internos; lavagem da cama do animal; varreção e lavagem frequente do quintal e do canil. A aspiração a cada dois dias remove o sangue digerido que pulgas adultas deixam no ambiente e outras matérias orgânicas que servem de ali- mentos para as larvas. É importante ressaltar que, ao aspirar, o aparelho estimula vibração fazendo com que os adultos das pulgas saiam dos casulos, estimulando, assim, a emergência dos adultos e uma nova população de pul- gas. Desse jeito, o aparelho removerá, além das pulgas adultas, pupas e ovos recém- depositados, impedindo a proliferação deste inseto. Figura 9: Método mecânico de controle as pulgas com banho periódico no animal. Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/images?q=foto+de+controle+de+pulgas&hl=pt- BR&tbm=isch&ei=qzVzTrrLHoujtgeV34zYDA&start=630&sa=N>. Acesso em: 10/08/2011. 2.3 Controle químico Falaremos agora sobre os métodos químicos que são mais usados pelos profissionais da área de desinsetização. Existem empresas de desinsetização que fazem o controle das pulgas de acordo com os tipos de inseticidas. Os inseticidas que têm como produto ativo alguns organofosforados e piretróides, chamados de knockdown. Existem no mercado diferentes tipos de inseticidas que o profis- sional vai empregar no recinto; entre eles, estão os inseticidas de atividade resi- dual ou de ação residual,que incluem parte dos organofosforados, carbamatos e os inseticidas microencapsulados com ação residual por longo período. Antes de fazer o controle químico de insetos que se alimentam de sangue humano, principalmente pulgas, alguns cuidados precisam ser adota- dos, entre eles estão remover da localidade pessoas, cães, pássaros, peixes, gatos e outros animais domésticos. É importante que o dono do imóvel infor- Inseticidas : são produtos que contêm substâncias ou misturas delas com ingrediente próprio que objetiva matar, controlar ou repelir quaisquer espécies de insetos, em vários estágios de crescimento. Os inseticidas são utilizados nos domicílios, na agricultura, na indústria etc. e ambiente. knockdown: informa a capacidade que certo inseticida tem de matar as pulgas alguns momentos após do contato.
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    e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilânciaem Saúde24 me ao controlador sobre locais onde os animais dormem. Nos dormitórios há maiores incidências de pulgas, e também em locais onde existem frestas os ovos de pulgas se alojam com maior facilidade. Ao aplicar inseticida líquido, por meio de pulverização, deve-se pul- verizar colchões, camas, estrados, sofás, carpetes, tapetes, toda a expansão do chão, canil, cama do animal, garagem e gramado ao redor da residência. É importante salientar que pessoas ou animais não devem transitar e nem permanecer na localidade até a secagem total do inseticida, ou seja, devem se ausentar dos locais pulverizados pelo menos até três horas após aplicação do inseticida. Depois desse tempo, não há problemas quanto à permanência na área na qual foi aplicado o inseticida, exceto no caso pessoas idosas, ges- tantes, crianças de colo e pessoas alérgicas a produtos químicos – as quais terão que se ausentar por um período de 24 horas após aplicação, incluindo neste período de tempo os animais domésticos. Figura 10: Pulverização com inseticida no controle das pulgas. Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.ddcip.com.br/ wp-content/uploads/1267578629_65582482_3-Insetos-formigas-baratas-cupins-aranhas-carrapatos- pulgas-ligue-19-3388-4491-Outros-servicos-1267578629-560x374.jpg&imgrefurl=http://www.ddcip. com.br/dedetizacao-de-baratas-em-prol-da-saude-publica/&usg=__fzjemoeaR37m6v-8GuXugxPra pQ=&h=374&w=560&sz=45&hl=pt-BR&start=172&zoom=1&tbnid=u8FuV-L1kJGm8M:&tbnh=89&tbnw =133&ei=VrByTpzYAcy4tgfX3MzqCQ&prev=/images%3Fq%3Dfoto%2Bde%2Bpulgas%2Bcom%2Bcontrol e%26start%3D168%26hl%3Dpt-BR%26sa%3DN%26tbm%3Disch&itbs=1>. Acesso em 10/08/2011. Resumo Nesta aula, você aprendeu: • Métodos de prevenção; • Métodos de controle mecânico; • Controle químico. Atividades de aprendizagem 1. Questão. O aspirador de pó é muito importante como medida preventiva no controle de pulgas. Que cuidado devemos ter ao descartar as sujeiras que estiverem dentro do filtro do aspirador, após a limpeza? 2. Questão. Que medidas têm que ser tomadas antes de se fazer o controle químico de pulgas?
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    e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas eAnimais Peçonhentos AULA 1 Alfabetização Digital 25 Aula 3 – Ectoparasitas: bicho-de-pé Objetivos 1. Conhecer a biologia e comportamento do bicho-de-pé; 2. Oferecer uma visão sobre sintomas de Tunga penetran; 3. Explicar os métodos de prevenção e de controle mecânico e quí- mico de bicho-de-pé. 3.1 Biologia e comportamento do bicho de pé Este inseto é chamado de bicho-do-pé ou bicho do porco, pois, após a fecundação, a fêmea parasita o hospedeiro. É conhecido também como pulga da areia, cujo nome científico é Tunga penetran, e é distribuído em quase todo globo terrestre com maiores incidências nas regiões da África, Índias Ocidentais, nas regiões tropicais e subtropicais das Américas entre 30o de latitude norte e 30o de latitude sul. A ocorrência nas Américas vai desde o sul dos Estados Unidos até América do Sul, incluindo o Paraguai. No Brasil, T. penetran ocorre em todas as regiões, indo do estado do Amazonas ao estado do Rio Grande do Sul. Este inseto existe com maior frequência em áreas mais pobres urbanas e rurais e também em áreas indígenas. É conhecida por ser a menor das pulgas. O adulto possui coloração marrom avermelhada e mede 1 mm de comprimento, não possuem asas e o corpo é achatado, além da fronte terminando em ponta aguda beneficiando sua penetração na pele do hospedeiro. Tanto o macho como a fêmea são exclusivamente hematófagos, somente a fêmea fecundada vira um parasita intracutâneo permanente. Pelo meio de seu aparelho bucal, a fêmea grá- vida possui a capacidade de perfurar a pele e alojar no hospedeiro (porco, homem e outros mamíferos) para se alimentar do sangue. Esta espécie é endêmica e uma grave questão de saúde pública. Figura 11: Fronte em ponta aguda de Tunga penetrans favorece sua penetração na pele do hospedeiro. Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.portalsaofrancisco.com.br/ alfa/bicho-de-pe/imagens/bicho-de-pe-1.jpg&imgrefurl=http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/bicho- de-pe/&usg=__4K2y-M0s1QgrOgWiCjUunU3WLPo=&h=222&w=250&sz=9&hl=pt-BR&start=1&zoom=1&tbnid= CtxHGj7TZU4XWM:&tbnh=99&tbnw=111&ei=Iy57TvqkIMytgQfp3ozJAQ&prev=/images%3Fq%3Dfoto%2BTunga %2Bpenetrans%26hl%3Dpt-BR%26sa%3DX%26tbm%3Disch&itbs=1>. Acesso em 11/08/2011.
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    e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilânciaem Saúde26 Assim que a fêmea grávida do bicho-de-pé se instala no hospedeiro, começa a sucção de sangue para o desenvolvimento dos ovos, ocasião em que seu abdômen pode obter o diâmetro de 1 cm. Isto ocorre em cerca de 1 a 2 semanas após contato. Ao adentrar no hospedeiro, seu último segmento abdominal fica paralelo com a superfície da pele, assim, ela coloca a cabeça, o tórax e a parte do abdome, permanecendo no exterior o estigma respira- tório e o ânus, por meio do qual elimina fezes e ovos ao ambiente. Após a penetração, a fêmea pode expelir de 150 a 200 ovos durante um tempo de 7 a 10 dias. Em seguida, a fêmea morre, em aproximadamente 3 a 4 dias, ela é eliminada do local por contratura ou é expulsa pela reação inflamatória da pele, ao romper a epiderme, e a pele fica exposta como uma escara. Este inseto tem a preferência por viver em terreno arenoso não en- charcado, chão úmido, com pouca iluminação e ventilação, onde dará origem às larvas e pupas. Precisamos ressaltar sobre a forma de disseminação do bicho-de–pé: a cada movimento dos reservatórios bióticos (homens e outros mamíferos), existe o deslocamento de areia, leivas de grama, madeira e ou- tros componentes abióticos da cadeia, introduzindo o inseto na forma adulta ou de transição para outras áreas, gerando novos focos, ou reintroduzindo o agente nas áreas infestadas (focos endêmicos). Figura 12: Fêmea e macho de Tunga penetran. Fonte: Disponível em: <http://cblogvs.blogspot.com/2011/08/tunga-penetrans-pulga.html>. Acesso em 12/08/2011. Falaremos agora sobre ciclo biológico de Tunga penetran que com- preende a fase de ovo, larva, pupa e adulto. Às 58 horas após a postura, nascem as larvas, no chamado primeiro estágio. As larvas do segundo instar (estágio de crescimento entre duas alterações sucessivas) surgem 24 horas depois da emergência da larva de primeiro instar. As duas formas de larvas são subterrâneas, elas se alimentam com grande apetite dos detritos orgâni- cos, principalmente, de fezes. As larvas geram as pupas que, em sua volta e por um tipo de fios de seda delicado e pegajoso, tipo exoesqueleto, agregam as partículas de areia, restos de folha e outros materiais. O período de pupa- ção é de 3 dias. O estágio de pupa vai acontecer 14 dias depois da postura. Quando esta está pronta, rompe o casulo e sai, e acontece o surgimento do adulto, ou seja, 17 dias depois da postura começa o ciclo novamente. O ma- cho e a fêmea no ambiente copulam. A fêmea grávida busca hospedeiro para adentrar na sua pele. Jamais se acha um macho inserido num hospedeiro, ele está sempre procurando uma fêmea para acasalar. Escara: é uma crosta resultante da modificação da epiderme devida à ferida Caro estudante, para que o biológico de Tunga penetran aconteça dentro de 17 dias, é preciso que a temperatura esteja entre 24-260 C; já em temperaturas mais baixas, o período de ovulação é bem maior, aproximadamente de uma semana.
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    e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas eAnimais Peçonhentos 27 Assim que os ovos de Tunga penetran são expelidos, eles caem em chão úmido e sombreado onde eclodem as larvas e, em seguida, as pupas. As larvas são de vida livre e vivem em locais sombreados com chão de terra, em solos arenosos e praias. Já os adultos habitam em ambientes de solo are- noso, quentes e secos, eles são mais frequentes em chiqueiros de porcos e peridomícilio. Esta espécie tem como características residir em lugares que tem fezes de animais. Muitas das vezes as fezes são usadas como adubo em áreas cultivadas que causam infestações aos pés das pessoas ao trabalharem nas lavouras, proporcionando, assim, um grande problema domissanitário em áreas rurais. Figura 13: Ciclo biológico de Tunga penetran. Fonte: Disponível em: http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.dedetizadorailha. com.br/imagens/pulga-ciclo.gif&imgrefurl=http://www.dedetizadorailha.com.br/pulga_ s1.html&usg=__v7nIl5MFYeIcqijtOmkcxC6NubE=&h=250&w=238&sz=10&hl=pt-BR&start=1&zoom=1& tbnid=OKgPcgapr-aflM:&tbnh=111&tbnw=106&ei=9Rp7TuD4IdO_tgf4pYjyDw&prev=/images%3Fq%3D foto%2Bdo%2Bciclo%2Bde%2Bvida%2Bde%2Bbicho%2Bde%2Bp%25C3%25A9%26hl%3Dpt-BR%26sa%3DG %26tbm%3Disch&itbs=1. Acesso em 11/08/2011. 3.2 Sintomas de Tunga penetran A tungíase é uma enfermidade causada pela pulga Tunga penetrans, ectoparasito obrigatório em animais homeotérmicos. Os locais preferenciais da fêmea parasita são os espaços interdigitais, sob as unhas e a sola dos pés, calcanhar, porém, a fêmea pode-se alojar em qualquer local do corpo. Os sintomas começam com uma leve coceira no local, até reação inflamatória e inchaço, ocorrem também úlceras dolorosas e, ainda, depois da saída da fêmea, pode acontecer infecção secundária por Clostridium tetani (tétano), Clostridium perfringens ou fungos (Paracoccidioides brasiliensis). Dependen- do do estágio da infecção, é bom que se procure o médico para a remo- ção do bicho-do-pé e diagnóstico; assim, evitam-se ou diminuem os riscos de complicações decorrentes da infecção. É essencial eliminar não somente a fêmea, mas, também que seus ovos sejam completamente extraídos de dentro da pele. Dependendo da gravidade da ferida, é interessante que se vacine contra o tétano. Animais homeotérmicos ou endotérmicos: são os mamíferos e as aves, que mantêm a temperatura corporal interna sempre constante, sem influência das alterações da temperatura do ambiente externo.
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    e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilânciaem Saúde28 É importante que os ovos de Tunga penetran sejam completamente retirados de dentro da pele. Durante esta operação, não se deve ferir a pele saudável que o circula a área infectada. Terminando a remoção dos ovos, deve se fazer curativo à base de antisépticos e bactericidas. Falando um pouco mais sobre os sintomas do bicho-de–pé, deve-se notar que existe ocorrência em que sujeitos sofreram contínuas infecções causadas por esse inseto, podendo abranger até 200 desses indivíduos sob a epiderme, a camada externa da pele. Isso origina feridas sérias. As le- sões abertas servem de entrada para vários microorganismos causativos de doenças. Precisamos deixar claro que infecção bacteriana das lesões pode proporcionar tétano e gangrena. Figura 14: Sintoma da tungíase causada pela pulga Tunga penetrans. Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.portalsaofrancisco. com.br/alfa/bicho-de-pe/imagens/bicho-de-pe-9.jpg&imgrefurl=http://www.portalsaofrancisco. com.br/alfa/bicho-de-pe/bicho-de-pe-3.php&usg=__x632DW1mWZAaf-XhxQXzeaaItFk=&h=563&w= 750&sz=34&hl=pt-BR&start=126&zoom=1&tbnid=08LroFZy9BebBM:&tbnh=106&tbnw=141&ei=VRl7T p3uOYGXtwfu65DkDw&prev=/images%3Fq%3Dfoto%2Bde%2Bbicho%2Bde%2Bp%25C3%25A9%26start% 3D105%26hl%3Dpt-BR%26sa%3DN%26tbm%3Disch&itbs=1>. Acesso em: 12/08/2011. Falaremos agora sobre as reações alérgicas. Tanto as pessoas como os mamíferos podem se deparar com esse sintoma ao serem picados por Tun- ga penetran. As reações alérgicas trazem grande desconforto, pois a região mordida apresenta forte coceira (prurido). É interessante ressaltar que pelo ato de coçar pode se aumentar a ferida, que, posteriormente, pode infeccio- nar. Há relatos de gatos e cães em que a pelagem dá lugar a lesões sérias. 3.3 Métodos de prevenção Podemos dizer que em recinto doméstico onde existem animais de estimação, deve-se conservar a higiene. Além da higiene, aconselha-se fazer a dedetização periódica da localidade, com orientação de um profissional da área. Ao aplicar produtos antipulgas, deve-se retirar as pessoas e os animais do local para não intoxicá-los, e é bom que sejam seguidas as recomendações do fabricante do produto no seu rótulo. Também é recomendável pedir orientação do médico veterinário, para que o combate Tunga penetran seja eficiente e não prejudique outros organismos que habitem no mesmo ambiente. Precisamos deixar claro que a tungíase é uma doença com alta mor- bidade em regiões urbanas e rurais pobres, onde algumas pesquisas apontam Morbidade: é a relação entre o número de casos de moléstias e o número de habitantes em dado lugar e momento
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    e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas eAnimais Peçonhentos 29 que entre 16 e 54% das crianças são mais expostas e, frequentemente, mais infestadas com tungíase; no entanto, muitas das vezes esta doença é negli- genciada pelos serviços públicos de saúde e pela própria população que não tem conhecimento sobre as prováveis complicações em função de infecções secundárias. É importante que a população das regiões mais infestadas com tungíase acione a Secretaria Municipal de Saúde de seu município, por meio do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), que é um órgão responsável pela saúde pública, para fazer o controle ou reduzir o número de casos dessa doença. O diagnóstico é basicamente clínico e o tratamento consiste, essen- cialmente, na extração da pulga com material cirúrgico esterilizado. Embora algumas pesquisas não tenham sido concluídas, o emprego de ivermectina oral no tratamento de tungíase em seres humanos tem comprovado relativa eficácia. Antes de se tomar qualquer remédio, o melhor é procurar um mé- dico. Já para tratamento em animais, especialmente cães e gatos, pode-se utilizar desse medicamento. 3.4 Métodos de controle O controle de Tunga penetrans é um trabalho de campanha de saú- de pública. Por isto, ele deverá ser atingido em área com problema de infes- tação com esta espécie, pois é interessante pulverizar toda região infestada, que podem ser áreas ao redor das habitações ocupadas ou não, ruas, ter- renos baldios, incluindo residências particulares. Pode se pulverizar similar com tanque de 150 litros e calibrada para 200 libras de pressão e pistola HG aberta para leque. A máquina calibrada nessa condição pode pulverizar 3.936 m2 com os 150 litros de calda. A calda pode ser preparada com uso de 15 envelopes do produto Icon 10 PM por máquina, o que dá um consumo de 105 envelopes por dia de trabalho. No mercado, há outros inseticidas que podem ser aplicados tam- bém, e pode-se trocar o Icon pelo Cymperator. Antes de se fazer a aplica- ção, deve-se procurar um profissional da área. O controle químico de Tunga penetran deverá acompanhar seu ciclo de vida, pois somente larvas e adultos são controladas. Em virtude de esse ciclo de vida ser diferente entre larvas e adultos, deve-se repetir a operação a cada 15 dias para interromper o ciclo do parasita, ou seja, fazer de 3 a 4 aplicações na área externa ao redor das residências sobre o chão de areia e, ou argila, chiqueiros e outros locais infestados com esta praga. Precisamos ressaltar que as medidas preventivas são essenciais no controle do bicho-de-pé. Entre elas, estão algumas atividades que deverão ser implementadas como: - captura de cães vadios que são importantes dis- seminadores do parasita; - tratamento dos cães domiciliados infectados; - tratamento das pessoas infectadas; - orientações nas escolas; - orientações nas comunidades urbanas e rurais. Agindo assim, há grandes possibilidades para se evitar novos focos de infestação do parasita e, consequentemente, livrar as pessoas da tungíase.
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    e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilânciaem Saúde30 Resumo Nesta aula, você aprendeu: • Biologia e comportamento do bicho-de-pé; • Sintomas de Tunga penetran; • Métodos de prevenção; • Métodos de controle. Atividades de aprendizagem 1a Questão. O que acontece quando a fêmea do bicho-de-pé morre? Explique. 2a Questão. O macho e a fêmea do bicho-de-pé acasalam-se em ambiente nor- mal. Após a cópula, o que acontece com a fêmea e o macho dessa espécie? 3a Questão. Assista ao vídeo sobre bicho-de-pé e faça um breve comentário relacionando-o com a educação sanitária. Esse vídeo está disponível no site: <http://www.youtube.com/watch?v=V_o5Wd_yYAM>.
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    e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas eAnimais Peçonhentos AULA 1 Alfabetização Digital 31 Aula 4 – Ectoparasitas: piolhos da cabe- ça em humanos Objetivos • Conhecer a biologia e comportamento do piolho da cabeça em humanos; • Descrever os sintomas de Pediculus humanus var capitis; • Explicar os métodos de prevenção, controle e tratamento químico de bicho-de-pé. 4.1 Biologia e comportamento do piolho da ca- beça Piolhos são ectoparasitas pertencentes à ordem Phtiraptera. Este inseto tem o nome científico de Pediculus humanus var capitis, não tem asa e nem salta, são visíveis e pequenos, chegando a 3 mm de tamanho com o corpo achatado, possuem seis pernas curtas, adaptadas para segurar o cabe- lo das pessoas. Esta espécie vive somente no couro cabeludo dos seres hu- manos, não existe noutra parte do corpo nem em outros animais. Alimenta- -se de sangue humano e parasita o couro cabeludo, onde se aquece. Muitas das vezes esta espécie é difícil de ser achada, pois tem o comportamento de se esconder, quando há uma alteração de cabelo, e também a cor deles é, normalmente, parecida com a cor do cabelo. A fêmea põe oito a 10 ovos lêndeas por dia, e 160, ao longo da vida, sobre o couro cabeludo. Estes ovos são chamados de lêndeas, que são ovais, pequenas, de aproximadamente 0,5 mm, que ficam aderidos aos fios de cabelo por uma espécie de cimento muito firme (substância quitinosa) liberada pela fêmea. Figura 15: Pediculus humanus var capitis piolho da cabeça. Fonte: Disponível em: <http://3.bp.blogspot.com/_qzozO6lSKWc/S3FMpGOPbhI/AAAAAAAAK_E/ tMkT74KlSvg/s1600-h/piolho-humano-um-devorador-de-sangue-2869797-1623.jpg>. Acesso em: 12/08/2011. Casos autóctones: Quando as pessoas são infectadas no mesmo lugar onde vivem. Ou seja, a doença não foi trazida de outras regiões por onde passaram.
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    e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilânciaem Saúde32 O período de duração das lêndeas é de aproximadamente 8 dias depois da postura, chamado de período de incubação; dentro de mais oito dias, temos um piolho adulto pronto para a reprodução, ou seja, rapidamen- te, os piolhos alcançam o estado adulto e as fêmeas começam a pôr os ovos. Os piolhos adultos têm uma expectativa de vida de 40 dias. Eles se alastram muito rapidamente sobre a cabeça das pessoas, agarrando-se aos fios do cabelo para se moverem depressa. Agarram-se com muita força, o que torna difícil retirá-los do couro cabeludo e do cabelo. Observaremos agora que as lêndeas (ovos) são esbranquiçadas, por isto elas são mais fáceis de serem encontradas que os piolhos. Infelizmente, as lêndeas são difíceis de serem retiradas quando penteamos, pois ficam presas ao cabelo. As lêndeas são hermeticamente fechadas, o que dificulta a ação dos medicamentos sobre elas, tornando-se mais resistentes aos pro- dutos químicos que o próprio piolho; por isto, para que o tratamento seja eficaz, é preciso conhecer o ciclo desta espécie. Figura 16: Lêndea presa ao fio de cabelo. Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://1.bp.blogspot. com/_pMxMXFn7L-4/THvW88PJtMI/AAAAAAAAQQ0/yAG0xe3dEWg/s200/L%C3%AAndea. jpg&imgrefurl=http://www.mdsaude.com/2010/08/piolho-lendeas-remedios-tratamento.html&usg=__ FoZVkgSlIioXxRyCts1P95Vor6I=&h=178&w=200&sz=3&hl=pt-BR&start=4&zoom=1&tbnid=msgT54jVmTGZ yM:&tbnh=93&tbnw=104&ei=AhqCTumrJcW2twevwYz3AQ&prev=/images%3Fq%3Dfoto%2Bde%2Bl%25C3 %25AAndeas%26hl%3Dpt-BR%26sa%3DG%26tbm%3Disch&itbs=1>. Acesso em: 12/08/2011. Os piolhos têm um bom apetite e a cada 3 horas alimentam-se do sangue do couro cabeludo e, ao alimentar, eles injetam uma substância anes- tésica na pele que provoca uma infestação, de contágio muito fácil e desen- volvimento muito rápido, provocando dermatoses. Este parasita se prolifera, sobretudo, em ambientes quentes e úmidos. 4.2 Sintomas de Pediculus humanus var capitis O ato de coçar intensivamente pode gerar feridas no couro cabelu- do. A pediculose é uma infecção provocada pela infestação do piolho adulto e lêndeas no couro cabeludo. As consequências da pediculose são intensas coceiras no couro cabeludo, podendo causar feridas com aspecto de crostas, provocadas pela picada do parasita e, posteriormente, as feriadas se tornam aberturas para infecções bacterianas, como impetigo, além do aparecimento
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    e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas eAnimais Peçonhentos 33 de gânglios. Além do mais, as feridas podem facilitar o acesso de microorga- nismos como germes e bactérias dentro da corrente sanguínea, uma vez que a cabeça é ricamente vascularizada. As pessoas que adquiriram o parasita devem se tratar imediatamente. Ressalta-se que a transmissão é mais fácil em escolas, colônias de férias ou entre familiares. Observaremos agora que, dependendo do grau de infestação do parasita na pessoa, podem se apresentar coceiras intensas, vermelhidão, manchas. Nas pessoas alérgicas podem ocorrer reações alérgicas, inflama- ções, infecções, dermatites ou mesmo anemias. As principais causas de in- festações por esses insetos são descuidos em relação à higiene pessoal, aglo- merações e o uso objetos contaminados pelo piolho. Figura 17: Pessoa com pediculose e piolho. Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.reinaldoribela. pro.br/galeria_imgs/saude/dst/pediculose_pubiana/images/pediculose%2520pubiana%2520- %2520monte%2520de%2520venus_png.jpg&imgrefurl=http://www.reinaldoribela.pro. br/galeria_imgs/saude/dst/pediculose_pubiana/pages/pediculose%2520pubiana%2520- %2520monte%2520de%2520venus_png.htm&usg=__wV51nQe9Ih5bkiFZ6RtziMQygqw=&h=250&w=37 4&sz=33&hl=pt-BR&start=6&zoom=1&tbnid=db_We3kSnNxHCM:&tbnh=82&tbnw=122&ei=XRuCTrXH C4O6tgfY-ZXmAQ&prev=/images%3Fq%3Dfoto%2Bde%2BPediculose%26hl%3Dpt-BR%26sa%3DG%26tb m%3Disch&itbs=1>. Acesso em: 13/08/2011. 4.3 Métodos de prevenção As pessoas adultas ficam bem mais envergonhadas que as crianças com a presença deste inseto. Esse constrangimento normalmente ultrapas- sa a importância que os piolhos possam representar para a saúde pública. Muitas das pessoas não utilizam adequadamente os produtos químicos – o que vem causar prejuízo. A aplicação constante de produtos químicos no couro cabeludo pode originar reações graves na cabeça de algumas pessoas, principalmente, as alérgicas. Precisamos deixar claro que muitas das vezes os pais, na sua frustração no controle do parasita, podem usar como recurso de controle os produtos que não foram examinados para emprego humano e que não demonstram ter qualquer resultado na redução dos piolhos da cabe- ça e que, às vezes podem intoxicar as pessoas. Portanto, as pesquisas têm buscado um produto químico que altere as condições do habitat do parasita no couro cabeludo. Até que os resultados das pesquisas não se realizem, uso do pente fino de metal e exame periódico da cabeça dos seres humanos, principalmente das crianças, é a melhor prevenção. Falaremos agora sobre a propagação dos piolhos. A população de piolhos numa cabeça humana não é atingida pela limpeza da casa, lavagem
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    e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilânciaem Saúde34 dos cobertores, lençóis, fronhas, etc. A propagação do inseto é realizada pelo contacto humano com pessoas que possuem o parasita. Portanto, a transmissão do piolho é realizada: pelo contato direto de pessoas infesta- das; - pela utilização coletiva de objetos como travesseiro, almofada, lenço de cabeça, presilha, boné, pente, encostos de cadeiras, assentos de carros e outros. Os métodos de prevenção contra os piolhos são: - vistoriar a cabeça diariamente à procura de piolhos e lêndeas; lavar a cabeça de preferência diariamente e não deixar que os cabelos fiquem úmidos e prendê-los somen- te quando estiverem secos; - pentear constantemente com pente fino para remover piolhos e ninfas, não utilizar roupa nem objetos de outras pessoas que possam estar infectados, lembrando que os piolhos podem sobreviver por três dias sem se alimentarem; ao entrar em contacto com pessoas que tenham piolhos, empregar um repelente contra este parasita. Pode-se afirmar, sem nenhuma dúvida, que as palestras feitas regu- larmente em escolas particulares, da rede pública municipal, estadual, cre- ches, orfanatos e igrejas, para alunos, pais e professores, ainda é o melhor método de prevenção, pois leva o esclarecimento sobre o piolho de cabeça e sua consequência para os seres humanos. As palestras sempre vão destacar a importância de se verificar assiduamente a cabeça da criança à procura de piolhos e, ou lêndeas, os quais devem ser retirados imediatamente e, a esco- la, notificada de tal ocorrência, deve optar pela melhor forma para resolver o problema, pois, a omissão somente beneficia a proliferação do parasita. É lógico chegarmos à conclusão de que as palestras utilizadas com álbum seriado, slides, vídeos só esclarecem de forma ilustrativa a biologia do piolho e também como prevenir e tratar do parasita e suas consequências, além da distribuição de panfletos educacionais, pente-fino, adesivo e imã do programa contra a proliferação do piolho da cabeça. 4.4 Métodos de controle É importante perceber que o piolho existe, e ele pode estar pre- sente em vários lugares, e, quando a pessoa percebe, o parasita já está atuando em seu couro cabeludo. Deve-se fazer o controle do piolho no couro cabeludo, pois é quase impossível retirá-lo individualmente. Assim que se detecta a infestação do inseto, pode se executar o tratamento com o produ- to adequado indicado pelo médico. Portanto, precauções devem ser tomadas no controle do parasita. Deve-se utilizar do mesmo tratamento para todas as pessoas que tenham ou que estão infestadas com o parasita. Lembrando que os produtos antipiolhos indicados pelo médico, ao serem aplicados no couro cabeludo do sujeito, não podem entrar em contato com os olhos, boca ou nariz; também é essencial lavar as mãos depois de cada aplicação e guardar os produtos longe do alcance das crianças. Falando um pouco mais sobre o tratamento com o uso do pente- -fino, ressalta-se que é essencial usá-lo diariamente. Ao passá-lo, utilize sem- pre um tecido branco para impedir que os piolhos caiam na veste. Lêndeas, Ninfas: são piolhos em estágio de desenvolvimento Caro aluno, repare como esse ponto é importante: por motivo de segurança, as mulheres grávidas ou que estão amamentando e crianças até aos dois anos não podem usar todo o tipo de produtos, pois pode prejudicar a saúde.
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    e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas eAnimais Peçonhentos 35 ninfas e piolhos que caírem no tecido devem ser colocados em uma solução que contenha vinagre diluído em água, por um período de 30 minutos, para que sejam mortos. As lêndeas devem ser retiradas empregando as seguintes etapas: - molhar um pedaço de algodão em vinagre dissolvido em água na proporção de 1:1; - selecionar três ou quatro fios de cabelo que estejam com lêndeas; - com ajuda do algodão encharcado em vinagre dissolvido, envolver os fios de cabelo de três ou quatro no máximo, apertando-os entre os dedos; - puxar pausadamente no sentido da base do cabelo para a ponta e com a outra mão, segurar a base do cabelo para não machucar a criança; - alterar sempre que necessário o algodão, abandonando-o em um frasco com vinagre dissolvido em água para matar as lêndeas. Figura 18: Método de controle com pente-fino. Fonte: Disponível em: <http://br.ruadireita.com/images/product/17033/5e771facc1905326fd58c35 0c54f2191.jpg>. Acesso em: 14/08/2011. Podemos dizer que as pessoas que tenham piolhos não devem raspar seu cabelo por causa do parasita, mesmo que seja um homem, pois há outros métodos que o sujeito pode usar para se libertar do parasita sem precisar ficar careca, como utilização de xampus próprios para o caso, produtos que acabem com estes insetos, não se esquecendo de pentear seu cabelo com pente-fino várias vezes ao dia. Tome cuidado com os objetos de outras pessoas que podem conter estes insetos que se reproduzem rapidamente. Procure evitar o contato muito próximo com indivíduos que tem lêndeas ou piolhos. 4.4.1 Tratamentos químicos Antes de optar por um tratamento químico no controle do parasita é importante verificar as observações mais relevantes, como: - certifique-se antes de iniciar o tratamento químico na cabeça se há o parasita e, se não existe, ignore este tratamento. É essencial lembrar que não tem tratamento químico preventivo, por isso, ao aplicar o produto, ele não terá resultado e poderá contribuir para que os piolhos criem resistência aos tratamentos químicos; – crianças com menos de dois anos de idade, mulheres grávidas ou que estejam amamentando ou indivíduos com irritação ou inflamação no couro cabeludo não devem receber tratamentos químicos. Neste caso, o me- lhor é procurar um médico; – ao aplicar os produtos na cabeça não deixe cair Caro aluno, repare como esse ponto é importante: jamais usar querosene, Neocid ou qualquer outro inseticida, pois são tóxicos às pessoas. Ferver os objetos pessoais, tais como: pente, boné, lençol e roupas é outra medida de prevenção.
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    e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilânciaem Saúde36 nos olhos, boca ou nariz; – observar o cheiro dos produtos, pois vários têm cheiro muito ativo e isso pode causar irritação na pessoa, principalmente quando ficar por um período maior de tempo; - antes de aplicar um produto, leia primeiro o rótulo na embalagem e aplique a dose recomendada, e nunca use uma dose acima da dose recomendada do produto, na tentativa de eli- minar de vez o parasita. Falando um pouco mais sobre tratamentos químicos; nunca utilize inseticidas, álcool desnaturado, querosene, gasolina, etc. na cabeça; - não utilize secador de cabelo após o tratamento, pois o calor pode deixar o produto inativo e nem lave o cabelo pelo menos dois dias após o tratamen- to; - aplique o produto em todos os fios de cabelo e faça massagem, deixe ficar durante 20 minutos e penteie com pente-fino. - os produtos químicos, na maioria das vezes, só matam os piolhos adultos e não apresentam efeitos sobre as lêndeas. Por este motivo, deve se repetir a aplicação após sete dias da primeira aplicação, com intuito de matar quaisquer piolhos que tenham nascido após a aplicação inicial. No entanto, a existência de piolhos vivos mostra que o produto aplicado não é eficaz. Portanto, deve ser aplicado um novo produto com um ingrediente ativo diferente. Deve-se ler sempre o ró- tulo da embalagem antes de se utilizar um produto químico. Resumo Nesta aula, você aprendeu: • Biologia e comportamento do piolho da cabeça; • Sintomas de Pediculus humanus var capitis; • Métodos de prevenção; • Métodos de controle; • Tratamentos químicos. Atividades de aprendizagem 1. Questão. O que são lêndeas e qual é sua cor? 2. Questão. Quais são os parasitas mais difíceis de serem retirados do couro cabeludo, as lêndeas ou o pilho? Por quê?
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    e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas eAnimais Peçonhentos AULA 1 Alfabetização Digital 37 Aula 5 – Ectoparasitas: percevejo de cama Objetivos • Conhecer a biologia e comportamento do percevejo de cama; • Descrever os sintomas de Cimex lectularius; • Explicar os métodos de prevenção e controle do percevejo de cama. 5.1 Biologia e comportamento do percevejo de cama O percevejo de cama pertence à ordem dos Hemípteros, da família Cimicidae, cujo nome científico é Cimex lectularius, mundialmente conheci- dos como bed bugs. Os adultos medem de 4,5 a 7,0 mm de comprimento e o corpo tem formato oval e achatado no sentido dorso-ventral. Possuem uma coloração castanho-avermelhada e, após alimentar-se de sangue do hospe- deiro, seu corpo permanece inchado e com uma coloração vermelho escuro. Esta espécie não tem asas e só pode rastejar de uma superfície para outra com suas seis patas. Os mais novos dificilmente podem ser vistos a olho nu. Figura 19: Adulto de Cimex lectularius. Fonte: Disponível em: <http://www.guaruclean.com.br/2011/index.php?option=com_content&vie w=article&id=76&Itemid=83>. Acesso em 14/08/2011. Podemos dizer que os machos acabam o acasalamento, apenas as fêmeas recém alimentadas, aproximadamente, 36 horas depois da última alimentação. A fêmea ovipõe de forma isolada e no interior dos abrigos. O tempo de incubação dos ovos está relacionado com a temperatura, isto é, abaixo de 13ºC a eclosão cessa; com aproximadamente 18ºC, o tempo de eclosão é de 23 dias; com a temperatura 28ºC, o tempo de eclosão dos ovos oscila entre 5 e 6 dias; com a temperatura mais elevada, em torno de 23ºC,
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    e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilânciaem Saúde38 os ovos eclodem em 4 dias. Com a fêmea bem alimentada, a oviposição persiste em torno de 11 dias, sendo que cada dia a fêmea ovipõe aproxima- damente 3 ovos. Com o fornecimento adequado de sangue pelo hospedeiro e a temperatura ambiente favorável, a reprodução continua até 12 meses e a fêmea pode ovipositar em torno de 500 ovos. Os ovos têm uma colora- ção branco-amarelada com um tamanho quase de 1 mm de comprimento e, geralmente, a fêmea coloca os ovos deitados e aderentes aos abrigos em virtude da substância adesiva que os envolve. Figura 20: Fêmea e macho de Cimex lectularius. Fonte: Disponível em: <http://www.pragas.com.br/pragas/geral/percevejo_cama.php>. Acesso em: 15/08/2011. O percevejo de cama reside nas frestas dos estrados das camas e nos colchões, que são os locais mais comuns para se alimentar e pôr seus ovos; ainda podem servir de esconderijo para esta espécie poltronas, cadei- ras estofadas, fendas nas paredes e molduras de quadro e pilhas de roupa, móveis, debaixo de carpetes, dentro de gaveta, por detrás dos rodapés e em redor das esquadrias das janelas e portas, papéis de parede e tecidos para decoração, ou seja, o percevejo de cama tem como moradia, praticamente, local seco, com pouca ou nenhuma luminosidade e mínimo fluxo de vento, onde esta espécie fica escondida durante o dia e ataca durante a noite na hora que a pessoa está dormindo. Dependendo dessas características an- teriormente citadas, esta espécie de inseto pode residir em casas, hotéis, pensões, escolas, etc. O Cimex lectularius é rápido e ágil, e ao ser encon- trado em um esconderijo, logo, irá passar rapidamente para outro refúgio. Também gosta de trafegar em roupas, bagagem, móveis e outros meios de transporte. Pode-se afirmar sem nenhuma dúvida que os locais onde residem muitas pessoas, principalmente as hospedarias, são os lugares mais propícios para a invasão desta praga. O Cimex lectularius prefere alimentar-se de sangue do ser humano, embora também se alimente de sangue de mamíferos e aves. Esta espécie de inseto ataca à noite, sugando qualquer parte do corpo do sujeito, princi- palmente na face, pescoço, tronco superior, braços e mãos. O percevejo de cama pode sobreviver até seis meses sem alimento. Precisamos deixar claro que tanto o macho como a fêmea sugam o sangue do hospedeiro.
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    e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas eAnimais Peçonhentos 39 Falando um pouco mais sobre Cimex lectularius, na fase adulta, este inseto consegue sobreviver até um ano sem se alimentar; ao ficar longe da moradia por um período menor que 12 meses, não há segurança ao retornar e achar que a residência esteja livre dessa praga. Pode-se estar enganado. A ocorrência deste inseto não se relaciona com sujeira, pois ele se alimenta de sangue e não de matéria orgânica, ou seja, uma habitação mais limpa pode ter esta praga, porém, uma moradia desarranjada proporciona mais espaço para que o percevejo de cama possa se alojar. 5.2 Sintomas de Cimex lectularius É uma espécie de inseto hematófago, e normalmente fica escondido durante o dia, pica as pessoas durante a noite principalmente quando elas estão dormindo. Eles inserem uma extensão da boca, semelhante a uma se- ringa, na pele do hospedeiro para fazer a refeição em qualquer parte expos- ta da pele, isto é, não têm preferência por uma parte específica do corpo; o tempo que o percevejo de cama leva para sugar o sangue e ficar saciado é de três a dez minutos e, ainda, enquanto a pessoa está sendo picada é difícil ser acordada. Atenção: Caro aluno, repare como esse ponto é importante: a picada do percevejo de cama é mais irritante do que realmente nociva, já que esta espécie não transmite doenças para os seres humanos. Quando o inseto perfura a pele para sugar o sangue, ele libera um pouco de saliva na pele machucada da pessoa, e com o decorrer do tempo, a exposição constante à saliva pode proceder em uma reação alérgica, muitas das ve- zes, acompanhada de coceira e inchaço, principalmente em indivíduos mais sensíveis; as feridas ficam esbranquiçadas. Portanto, quando uma pessoa for picada, o melhor é não coçar, senão as picadas podem causar irritação e inflamação cutâneas. Outro método usado para detectar a presença do percevejo de cama é através das manchas de cor marrom avermelhada nos lençóis que também devem ser observadas, mostrando que Cimex lectularius está se alimentando do sangue humano. Para acabarem com o desconforto, os remédios anti-histamínicos ou anti-inflamatórios encontrados nas farmá- cias, geralmente, são tudo de que o sujeito necessita. Figura 21: Picadas de Cimex lectularius em humanos. Fonte: Disponível em: <http://www.pragas.com.br/pragas/geral/percevejo_cama.php>. Acesso em: 15/08/2011.
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    e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilânciaem Saúde40 5.3 Métodos de prevenção do percevejo de cama É muito importante realizar busca nos possíveis esconderijos do percevejo de cama e também verificar o surto de infestação, uma vez que esta espécie pode se deslocar de um local para outro, por meio das roupas de cama, malas e outros objetos. Portanto, uma limpeza doméstica frequen- te nos potenciais esconderijos, que inclui a aspiração dos colchões, frestas e orifícios, poderá ajudar a impedir uma infestação, e também a verificação nesses esconderijos são primorosas medidas para se reduzir o problema. Precisamos deixar claro que as paredes, assoalho e as junções precisam ser vedados para dificultar a permanência do inseto e também impedir que as fêmeas ponham seus ovos. Esta operação deve ser estendida, também, a fendas e orifícios nas paredes dos abrigos dos animais domésticos, além de mantê-los limpos. Outro método preventivo é expor ao sol, periodicamente, colchões, roupas, roupas de camas, pois o calor e a luminosidade desabrigam esta praga. Figura 22: Adultos de Cimex lectularius escondidos nas dobras de cortinas. Fonte: Disponível em: < http://encontrodaslobas.blogspot.com/2010/10/utilidade-publica- percevejos-de-cama.html>. Acesso em: 15/08/2011. Nos últimos anos, no país, tem aumentado a ocorrência de infes- tações de Cimex lectularius, principalmente em lugares adequadamente hi- gienizados, e também em locais que possuem um grande fluxo de pessoas, como hotéis, hospitais, laboratórios e aeroportos, além de regiões com baixo nível social e sanitário. Pesquisas realizadas por Nagem e Williams (1992) constataram a presença de percevejo de cama nas favelas ou habitações da periferia da Região Metropolitana de Belo Horizonte. 5.4 Métodos de controle Quando houver suspeita de infestação de Cimex lectularius, deve- -se notificar a ocorrência às autoridades competentes do município para fazer o seu controle. Para que o controle fique mais preciso, antes de se fazer a pulverização com inseticida, deve se fazer uma faxina em toda a
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    e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas eAnimais Peçonhentos 41 habitação, incluindo a lavagem de roupas, tapetes, etc. a temperatura apro- ximadamente de 60o C; também devem ser removidos do local os animais domésticos e pessoas. Depois de terem sido feitas as operações anteriores, deve-se pulverizar a casa com inseticida, todos os esconderijos prováveis do inseto. Após aplicação do inseticida, as pessoas devem ficar fora da casa por mais que três horas. A rapidez com que, nas populações dessa espécie de percevejo, se desenvolve a resistência aos inseticidas de poder residual estimulou a pes- quisa, visando a aplicação de outros meios de controle. O Cimex lectularius praticamente desapareceu com o uso de inseticidas de efeito residual como o DDT. Este inseticida proporcionou um eficiente controle desta praga, a partir da década de 50. No entanto, nos últimos anos, a ocorrência de in- festações de Cimex lectularius começou a aumentar depois vários anos sem muita alteração. A proibição do emprego do DDT acompanhado com aumento das viagens internacionais e, também, com o acréscimo da densidade popu- lacional de baixas rendas nas periferias das grandes cidades são os motivos mais aceitáveis para retorno desta praga. Os inseticidas organoclorados mais empregados no controle de Ci- mex lectularius foram DDT, BHC (isômero gama), Aldrin e Dieldrin, porém, depois da proibição do uso pela Organização Mundial da Saúde (OMS), os or- ganofosforados como Diazinon e Malation passaram a ser usados. Ultimamen- te, os percevejos de cama têm se mostrado resistentes a esses inseticidas. http://www.youtube.com/watch?v=3In90D2dsas Resumo Nesta aula, você aprendeu: • Biologia e comportamento do percevejo de cama; • Sintomas de Cimex lectularius; • Métodos de prevenção do percevejo de cama; • Métodos de controle. Atividades de aprendizagem 1. Questão. Quais são as características mais comuns do percevejo de cama? Faça um comentário. 2. Questão. A picada do percevejo de cama transmite doenças para as pes- soas? Justifique. 3. Questão. Atenção: sugiro que você, aluno, faça uma pesquisa sobre per- cevejo de cama no site <http://www.youtube.com/watch?v=3In90D2dsas>. Acesse o vídeo e, de acordo com ele, responda: o que mais lhe chamou a atenção no item educação sanitária?
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    e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas eAnimais Peçonhentos AULA 1 Alfabetização Digital 43 Aula 6 – Ectoparasitas: ácaros do pó do- méstico Objetivos • Entender biologia e comportamento do ácaro; • Reconhecer a importância dos sintomas do ácaro da poeira. 6.1 Biologia e comportamento do ácaro Os ácaros pertencem à classe dos aracnídeos e a família dos aracní- deos (aranhas), por isso, possuem oito patas, com aproximadamente 30.000 espécies catalogados e muitas espécies ainda para ser identificadas, por exemplo, ácaros que causam a formação de cravos (Dermodex folliculorum) e ácaros que proporcionam a sarna humana (Sarcoptes scabiei). Nessa disci- plina, vamos dar ênfase aos ácaros da poeira ou ácaros do pó da casa, que são da família Pyroglyhidae, presentes na poeira no interior dos domicílios, no Brasil e também em todo globo terrestre. Existem duas espécies mais importantes no Brasil que são Dermatophagoides pteronyssinus e Dermato- phagoides farinae. O ácaro desse gênero (Dermatophagoides) é tido como o principal agente causador de alergia respiratória em toda região brasileira junto com outro ácaro conhecido como Blomia tropicalis. São organismos com tamanho que varia de 0,3 a 0,5 mm ou 300 e 500 micrômetros de com- primento, invisíveis a olho nu e visíveis apenas ao microscópico. Os ácaros da poeira, ácaros do pó da casa ou ácaros do pó domésti- co são importantes para a patologia humana, são parasitas de vida livre que abrigam nas residências, gostam de se alimentar de escamas de pele humana e de animais, fibras de tecidos, pólen e fungos presentes no ambiente. Consideremos que o indivíduo perde 1g/dia de pedaços de pele seca cutânea por dia, desta forma, os ácaros têm sempre alimentos em abundância, o que auxilia no seu desenvolvimento. Assim, eles podem prosperar na poeira dos travesseiros, colchões, roupas de cama, mantas de lã, almofadas de penas, tapetes, artesanatos, sofás, móveis e pisos das casas, carpetes e outra fibras naturais.
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    e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilânciaem Saúde44 Figura 23: Ácaro do pó doméstico. Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://i604.photobucket.com/ albums/tt122/atrasdamoita/carodomsticosdicasdecomoevita-los.jpg&imgrefurl=http://www. atrasdamoita.com/acaros-domesticos-dicas-de-como-evita-los.html&usg=__aV3o-ylIUyObRVuATdA DYwNxxTU=&h=443&w=434&sz=29&hl=pt-BR&start=41&zoom=1&tbnid=K4fRD3ZhYdPsOM:&tbnh=1 27&tbnw=124&ei=1iqUTv_9BaLZ0QHh5MjHBw&prev=/images%3Fq%3Dfoto%2Bde%2B%25C3%25A1car o%2Bp%25C3%25B3%2Bda%2Bcasa%26start%3D21%26hl%3Dpt-BR%26sa%3DN%26tbm%3Disch&itbs=1>. Acesso em: 16/08/2011. O ciclo de vida dos ácaros do pó da casa acontece com o período de desenvolvimento que se inicia com o ovo até chegar à fase adulta. Esse período tem uma duração de 60 a 115 dias, que vai depender da abundância na alimentação, temperatura e umidade do ambiente em que ele se encontra; eles morrem quando a umidade fica abaixo de 40 a 50%. Os ácaros se desenvolvem melhor nos climas tropicais com a temperatura superior 20º C e a umidade relativa do ar entre 70 a 80%, ou seja, eles gostam de ambientes quentes e úmidos e, ainda, esta espécie prospera em ambiente com ausência ou com baixa intensidade de luz, com baixo arejamento e com acumulação de poeiras. Portanto, em altitudes acima de 1200 m, o desenvolvimento dos ácaros fica afetado, por esta razão, a população humana que mora acima desta altitude pode ter mais alívio de certas alergias oriundas desta espécie. O ciclo de vida do ácaro apresenta as seguintes fases: ovo, larva, protoninfa, deutoninfa, tritoninfa e adulto. Os ovos eclodem as ninfas, que são formas semelhantes aos adultos, mas de tamanho bem menor. As ninfas sofrem diversas alterações até atingirem o estágio adulto. A cada muda, o ácaro troca de pele. Estas peles velhas circulam pelo ambiente e podem ser aspiradas pelas pessoas caindo nas vias respiratórias e ocasionando alergias. Figura 24: Ciclo de vida do ácaro predador Neoseiulus californicus. Fonte: Disponível em: <http://www.agripoint.com.br/default.asp?actA=2&noticiaID=46275>. Acesso em 16/08/2011. A cópula acontece até duas vezes, e a fêmea ovipõe cerca de 30 a 50 ovos, dependendo da abundância na alimentação, temperatura e umidade relativa do ar. A fêmea de ácaro ovipõe seus ovos em vários substratos, como Caro estudante, há diversas espécies de ácaros encontradas nos municípios brasileiros e estas espécies alteram de região para região. Dentro do mesmo município, esta diversidade pode mudar de uma casa para outra.
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    e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas eAnimais Peçonhentos 45 travesseiros, colchões, tapetes, carpetes, cortina, roupas, sofá, etc.; o local de preferência para desenvolvimento da espécie e também para a fêmea depositar seus ovos é a cama, principalmente, no espaço entre o colchão e o lençol, pois, esse ambiente é apropriado em virtude da temperatura do corpo humano e da umidade causada pela transpiração. 6.2 Sintomas do ácaro da poeira O contágio é pelo contato de um novo hospedeiro, com locais infes- tados, ou com a pele de seres infectados. Os ácaros causam sintomas devido à substância alérgena. As partículas fecais são pequeninas, semelhantes ao grão de pólen. Os excrementos dos ácaros e também os ácaros mortos dispersam-se em poeira fina, sendo inalados e podendo provocar alergias. Algumas alergias respiratórias, como a asma e a rinite alérgica, bem como dermatites alérgicas, podem ser provocadas por esses minúsculos ácaros ou por seus produtos como dejetos, secreções, fragmentos de ácaros mortos, etc. Quando encontrados no meio ambiente, suspensos no ar com as poeiras, são inalados por pessoas, que desenvolvem reação de hipersensibilidade a tais materiais. De acordo com algumas pesquisas, aproximadamente 80% das aler- gias respiratórias estão relacionadas com esses acarídeos. Outras espécies de ácaros presentes nas residências podem provocar dermatites, como a sarna. Portanto, há outros gêneros de ácaros importantes que parasitam e proporcionam algumas doenças como: Demodex, ficam alojados nas glându- las sebáceas causando a formação de cravos ou sarna demodécica; Ssarcop- tes e Notoedres, que são responsáveis por sarnas penetrantes que formam galerias na epiderme; Psoroptes, Octodectes e Chorioptes, que são gêneros responsáveis por sarnas psorópticas, ectodéticas e cariótica, por fim, Der- matophagoides, que é responsável pela maioria dos problemas de alergia respiratória ou dermatites, como asma e rinite alérgica. Figura 25: Impurezas dentro de nossas casas: bactérias, ácaros, resíduos de pó fino, fezes, etc. são as causas de asma, rinites, dermatites, alergias, etc. Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.encatho.com. br/2002/imagens/expositores/incopar/resp.jpg&imgrefurl=http://www.encatho.com.br/2002/ principal/expositores/incopar.htm&usg=__y73SYmQAVHqrTp6Sg1P0HXITpMM=&h=192&w=276&sz=4 5&hl=pt-BR&start=101&zoom=1&tbnid=MeWwM7zLZ8db2M:&tbnh=79&tbnw=114&ei=7jGUTqGPD8u Xtwf7va2MBw&prev=/images%3Fq%3Dfoto%2Bde%2B%25C3%25A1caro%2Bp%25C3%25B3%2Bda%2Bca sa%26start%3D84%26hl%3Dpt-BR%26sa%3DN%26tbm%3Disch&itbs=1>. Acesso em 16/08/2011. Caro estudante, use a internet e acesse o site da (http://people. ufpr.br/~pimo.parana/ arquivos/schuber. pdf) para ter mais informações sobre ciclo do ácaro predador Neoseiulus californicus. Substância alérgena: é a que desencadeia a alergia contida nos dejetos, secreções, fragmentos de ácaros mortos
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    e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilânciaem Saúde46 Falando um pouco mais sobre alergias, ressalta-se que a concentra- ção de 500 ácaros por grama de poeira é suficiente para provocar crise alér- gica num ser humano, deixando-o com sintomas de falta de oxigênio. Binotti e Oliveira (2011) esclarecem que a “concentração de 100 ácaros por grama de poeira já é o bastante para provocar alergia, embora não gere crise”. Esses autores mostram na pesquisa que Dermatophagoides pteronyssinus es- tavam presente em 55% das casas e que Blomia tropicalis foram encontrados em 14% dos domicílios investigados. Eles relataram que a presença das fezes e as carcaças em decomposição dessas duas espécies, acarretam as alergias e, quando ficam em suspensão no ar, são aspiradas pelos seres humanos, proporcionando-lhes irritação das mucosas da garganta e do nariz e, ainda, em contato com o pulmão, provocam a asma brônquica, chamada popular- mente como bronquite. Figura 26: Concentração da população de ácaros. Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://3.bp.blogspot. com/_-M9Z4n8s5gQ/TEzloMslWMI/AAAAAAAAB34/WdWQUUENhhk/s1600/limpeza%2Bcasa. jpg&imgrefurl=http://blogdalergia.blogspot.com/2010/07/poeira-domiciliar.html&usg=__oT1UN8y mfkAjp7nRmuZGntk5TB0=&h=423&w=493&sz=154&hl=pt-BR&start=54&zoom=1&tbnid=75LFjogViEc rTM:&tbnh=112&tbnw=130&ei=4CuUTvOEPMujtgf7-f30Bg&prev=/images%3Fq%3Dfoto%2Bde%2B%25 C3%25A1caro%2Bp%25C3%25B3%2Bda%2Bcasa%26start%3D42%26hl%3Dpt-BR%26sa%3DN%26tbm%3Dis ch&itbs=1>. Acesso em 17/08/2011. Partindo do princípio de que os ácaros da poeira se desenvolvem muito rapidamente em condições ideais de temperatura e umidade e, tam- bém com abundância de alimentos, fica quase impraticável aboli-los do am- biente doméstico.
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    e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas eAnimais Peçonhentos 47 Figura 27: Temperatura, umidade e abundância de alimentos prosperam a vida dos ácaros. Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.encatho.com. br/2002/imagens/expositores/incopar/resp.jpg&imgrefurl=http://www.encatho.com.br/2002/ principal/expositores/incopar.htm&usg=__y73SYmQAVHqrTp6Sg1P0HXITpMM=&h=192&w=276&sz=4 5&hl=pt-BR&start=101&zoom=1&tbnid=MeWwM7zLZ8db2M:&tbnh=79&tbnw=114&ei=7jGUTqGPD8u Xtwf7va2MBw&prev=/images%3Fq%3Dfoto%2Bde%2B%25C3%25A1caro%2Bp%25C3%25B3%2Bda%2Bca sa%26start%3D84%26hl%3Dpt-BR%26sa%3DN%26tbm%3Disch&itbs=1>. Acesso em 18/08/2011. Resumo Nesta aula, você aprendeu: • Biologia e comportamento do ácaro; • Sintomas do ácaro da poeira. Atividades de aprendizagem 1. Questão. Por que os ácaros da poeira são importantes para a patologia humana? 2. Questão. Há alguma explicação para o fato de os ácaros do pó doméstico gostarem de colchões? Explique. 3. Questão. Atenção: sugiro que você, aluno, faça uma pesquisa sobre áca- ros do pó doméstico no site <http://www.osacaros.com/os-acaros-do-po-da- -casa.html>. Acesse o vídeo e, de acordo com ele, responda: o que mais lhe chamou a atenção no item vigilância em saúde?
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    e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas eAnimais Peçonhentos AULA 1 Alfabetização Digital 49 Aula 7 – Ectoparasitas: ácaros do pó do- méstico Objetivos • Oferecer uma visão sobre métodos de prevenção e de controle do ácaro da poeira; • Descrever a importância do método de controle químico. 7.1 Métodos de prevenção e de controle O melhor método para se prevenir contra os ácaros da poeira é fazer o controle de sua população, ou seja, reduzir sua população a um nível baixo, que não possa causar alergia ou mesmo crise nas pessoas. Para isto, é importante a implantação de algumas práticas de higiene nas residências que são capazes de reduzir a população dos ácaros, minimi- zando, assim, os problemas de saúde que eles podem proporcionar. Algu- mas medidas trazem bons resultados, como: - colocar o colchão (objeto com o qual as pessoas mantêm um contato mais prolongado na casa, por isto, torna-se o lugar com maior existência da concentração de ácaros) juntamente com o travesseiro ao sol e mudar o seu lado, quinzenalmente; usar coberturas de plástico para colchões e travesseiros; - não utilizar cortinas e tapetes, no lugar das cortinas, é bom colocar por persianas plásticas; - conservar a residência sempre arejada e iluminada é impres- cindível para combater os ácaros; - conservar os alimentos bem fechados nas despensas e não fazer as refeições no sofá ou na cama; - exposição ao ar e sol de utensílios domésticos; - remover com frequência poeira com utilização de aspiradores de pó, lavagem do piso ou limpeza com pano úmido; trocar e lavar com frequência lençóis, fronhas, toalhas, rou- pas, cortinas, etc.; - utilizar coberturas anti-ácaros em poliuretano nos colchões, edredons e almofadas; - fazer a limpeza pessoal e ambiental, incluindo os animais domésticos, cuja presença deve ser impedida no in- terior das residências; - lavagem semanal dos bonecos de pelos.
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    e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilânciaem Saúde50 Figura 28: Trocar a roupa de cama semanalmente e utilizar protetores de colchão e de travesseiros são alternativas eficazes para manter uma cama mais limpa e saudável, garantindo o bom sino. Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.altenburg.com.br/ blog/wp-content/uploads/2010/05/protetor-foto08.jpg&imgrefurl=http://www.altenburg.com.br/ blog/tag/acaros/&usg=__fEmxIiU1b2taftTCI89DMmS-cDA=&h=365&w=410&sz=90&hl=pt-BR&start =556&zoom=1&tbnid=DtXprV9OuHIBRM:&tbnh=111&tbnw=125&ei=QziUTsupG9K4tgeYp5SOBw&pr ev=/images%3Fq%3Dfoto%2Bde%2B%25C3%25A1caro%2Bp%25C3%25B3%2Bda%2Bcasa%26start%3D546 %26hl%3Dpt-BR%26sa%3DN%26tbm%3Disch&itbs=1>. Acesso em 19/08/2011. Podemos dizer que no quarto de dormir é preciso tomar medidas particulares para amenizar a presença de ácaros, tais como: - devem ser eliminados os tapetes e carpetes; - o assoalho precisa ser liso, por exemplo, em madeira ou outro objeto que facilita a limpeza; - as paredes devem estar sem papel e ser lisas; - usar de preferência móveis lisos para não acumu- lar poeira; - não possuir aparelhos de música, computador, televisão e nem guardar livros, discos, CD´s, brinquedos e bonecos de peluche no dormitório, ou seja, quanto menos objetos estiverem no quarto, melhor será a redução da concentração da população de ácaros. Precisamos deixar claro que os colchões velhos, acima de 10 anos, auxiliam no aumento da população do parasita e sustâncias alérgenas produzidas por eles no seu interior, o que dificulta a sua eliminação. Por isto, deve-se recobrir o colchão para evitar acúmulo desses parasitas. Usar de preferência edredons de material sinté- tico e não utilizar os de penas e nem cobertores, os lençóis usados devem ser com tecidos de algodão. Esses objetos devem ser lavados a temperatura superior a 60ºC, pois, só assim é provável a retirada eficaz dos ácaros e das suas partículas. A cozinha é outro ambiente predileto dos ácaros, por isto, deve estar sempre bem limpa e ventilada. É importante manter os alimentos bem fechados para que o parasita que habita na cozinha não se alimente de restos de comida ou outros alimentos. Devem-se manter limpos os panos de pratos e armários. A limpeza com pano úmido com vinagre passado regularmente no chão e nas paredes é um grande desinfetante, eficiente e barato no con- trole dos ácaros. Caro aluno, repare como este ponto é importante: algumas pesquisas apontam que o colchão é o local preferido dos ácaros, e que a maior concentração da população desse parasita está na inserida na parte de baixo dele, que permanece em contato com o estrado, sendo três vezes maior do que na parte de cima.
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    e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas eAnimais Peçonhentos 51 Figura 29: Temperatura, umidade e abundância de alimentos prosperam a vida dos ácaros. Fonte: Disponível em: <http://www.discoverybrasil.com/_hhdocs/images/265x160/gettyRF_dust_ mites_img.jpg>. Acesso em 20/08/2011. Assim como nos quartos e na cozinha, o banheiro deve ser também ventilado e seco. Por ser um local mais úmido da residência, ocorre maior incidência de focos de infiltração e manchas de bolor, os quais devem ser eli- minados. Não se deve deixa as toalhas no banheiro, elas devem ser retiradas, diariamente, para secarem ao sol, trocando-as pelo menos duas vezes por semana. Passar pano úmido com uma solução de vinagre (duas colheres de sopa de vinagre para cada litro de água) pelo menos, no chão, nas paredes, na bancada e no vaso sanitário. Precisamos deixar claro que as outras dependências da residência devem ser limpas, retirando-se o pó, de preferência duas vezes/semana, priorizando o uso do aspirador na luta contra os ácaros domésticos. Atualmente, há vacina específica para imunoterapia recomendada para doentes sensibilizados aos ácaros domésticos, porém, essa deve ser receitada pelo médico especialista em alergia. 7.2 Métodos de controle químico Fazer exames microbióticos com de placas de Petri que podem ser espalhadas pelo ambiente, ou então pelo meio de amostragem empregando um aparelho chamado Impínger, é um método de avaliar a concentração da população de ácaros. Porém, para a realização da pesquisa, é necessário o auxílio de um profissional competente, o que aumenta o custo. Por isso, só é feito em indústrias que necessitam de um controle rigoroso do ar. Outro método de se combater os ácaros é com o uso de um aparelho chamado “Ste- rilair”, no entanto, para se chegar aos resultados almejados são necessários mais de um aparelho, dependendo da área e também do ambiente. Acaricidas são substâncias químicas, não tóxicas para o homem, com habilidade para extinguir os ácaros domésticos. Usar purificadores de ar com filtro e desumidificadores quando a umidade estiver superior a 60%, são medidas complementares para o controle de infestações de ácaros na residência e devem ser adotadas com orientação de especialistas. A adoção dessas medidas pode melhorar qualidade de vida e reduzir crises alérgicas proporcionadas pelos ácaros.
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    e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilânciaem Saúde52 Existem substâncias químicas que matam os ácaros ou desativam seus alérgenos, mas elas podem ser irritantes respiratórios para certas pes- soas. Em geral, utilização dessas substâncias químicas só está reservada para situações quando as medidas anteriores falharam. Por exemplo, o ácido tâni- co: destrói os alérgenos dos ácaros, porém, não os mata e seu efeito é tempo- rário, fazendo com que os ácaros vivos permaneçam produzindo alérgenos. O ácido tânico pode ser distribuído nos carpetes e nos móveis para destruir os alérgenos dos ácaros. Quando o alérgeno é inativado, deixa de causar os sintomas da alergia. É importante ressaltar que a utilização do ácido tânico é limitada, em virtude de esse produto manchar móveis, carpetes, etc. Figura 30: Melhor controle dos ácaros é manter o ambiente da casa limpo utilizando serviços profissionais para uma limpeza, lavagem, higienização,etc. Fonte: Disponível em: <http://delas.ig.com.br/cs/Satellite?blobcol=urldata&blobkey=id&blobtable =MungoBlobs&blobwhere=5797205107188&ssbinary=true>. Acesso em 20 ago. 2011. Podemos citar como exemplo outro produto químico, com benzoato de benzila, que mata os ácaros e facilita sua remoção dos carpetes. Esse produto é vendido em solução aquosa, o que facilita seu emprego em carpe- tes. Depois que este produto seca num intervalo de 8 a 12 horas, ele deve ser retirado por aspiração. O benzoato de benzila deve ser usado a cada seis meses, o que auxilia a manter os ácaros sob controle. O efeito do benzoato de benzila é mais longo do que o efeito do ácido tânico. Ele pode ser um irritante para os alérgicos. Podemos dizer que o uso de vinagre para fazer a limpeza é eficiente e barato no controle dos ácaros. Passar um pano úmido com vinagre regularmente nas paredes e no chão é um grande desinfetante. Resumo Nesta aula, você aprendeu: • Métodos de prevenção e de controle de ácaros; • Métodos de controle químico de ácaros.
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    e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas eAnimais Peçonhentos 53 Atividades de aprendizagem 1. Questão. Por que na parte de baixo do colchão há maior concentração da população de ácaros em comparação com a parte de cima? Justifique. 2. Questão. Qual é o melhor método de controle dos ácaros?
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    e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas eAnimais Peçonhentos AULA 1 Alfabetização Digital 55 Aula 8 – Ectoparasitas: carrapatos em humanos Objetivos • Entender biologia e comportamento do carrapato da família Ar- gasidae; • Reconhecer as espécies de carrapatos mais comuns no Brasil; • Oferecer uma visão sobre as doenças transmitidas pelos carra- patos, patógenos veiculados e sintomas. 8.1 Biologia e comportamento dos carrapatos Os carrapatos têm os nomes vulgares como: carrapato, carraça, chato, carrapato estrela, carrapato do cão, carrapato do cavalo e micuim. Possuem vários nomes científicos. São artrópodes da ordem Acarina, classi- ficados nas famílias Ixodidae e Argasidae. Os carrapatos são ectoparasitas de animais domésticos, silvestres e do homem, pertencentes à classe Arachnida e possuem quatro pares de patas. Hoje, são conhecidas aproximadamente 800 espécies de carrapatos em todo globo terrestre, parasitando mamíferos, aves, répteis ou anfíbios. Os carrapatos pertencentes aos gêneros Amblyom- ma e Rhipicephalus são ectoparasitos cosmopolitas heteroxenos que parasi- tam várias espécies de animais. Já o gênero Boophilus é originário do conti- nente asiático. São carrapatos monoxenos. No Brasil, foram encontradas 33 espécies. Eles têm grande importância, pois desempenham a função como vetores de microrganismos patogênicos, incluindo protozoários, rickétsias, bactérias, vírus, etc., e também pelos danos que proporcionam diretamente ou indiretamente causados em consequência do seu parasitismo. Atualmente, os carrapatos estão classificados em duas famílias: Ar- gasidae e Ixodidae. Os argasídeos são conhecidos como “carrapatos moles”, recebem esta denominação porque não têm o escudo quitinoso, que co- bre parte de suas costas. Quando se olha para um carrapato duro de cima para baixo, também se pode ver seu capítulo, que parece com uma cabeça. Fazem parte dessa família os carrapatos de cão e os carrapatos de aves; enquanto que os ixodideos são denominados “carrapatos duros”, pois, apre- sentam um escudo rígido e quitinoso. O carrapato duro possui uma placa chamada escudo, que cobre parte de suas costas. Ao observar um carrapato duro de cima para baixo, também se pode enxergar seu capítulo, que parece com uma cabeça. Po- rém, os carrapatos moles não possuem escudos e as únicas partes que você consegue ver quando o olha de cima são suas patas e costas. Heteroxenos ou digenéticos : são os parasitas que somente concluem o seu ciclo evolutivo passando pelo menos em dois hospedeiros Monoxenos: são os parasitas que concluem o seu ciclo evolutivo hospedando- se em apenas em um único hospedeiro
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    e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilânciaem Saúde56 Figura 31: Classificados dos carrapatos família Argasidae conhecidos como “carrapatos moles” e família Ixodidae conhecidos como “carrapatos duros”. Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://static.hsw.com.br/gif/tick-8. gif&imgrefurl=http://ciencia.hsw.uol.com.br/carrapato.htm&usg=__IQi6qKAHqcl7lENnsRqvTtw9LRA=& h=357&w=400&sz=28&hl=pt-BR&start=49&zoom=1&tbnid=3OV8ArTwT-Ra8M:&tbnh=111&tbnw=124&ei= QG6fTpHmMMO1sQLT-LX_BA&prev=/images%3Fq%3Dfoto%2Bde%2Bcarrapato%2Bem%2Bhumanos%26sta rt%3D42%26hl%3Dpt-BR%26sa%3DN%26tbm%3Disch&itbs=1>. Acesso em: 21/08/2011. O carrapato inicia sua vida como um ovo; quando o ovo eclode, origina uma larva de seis patas. Embora os aracnídeos tenham quatro pares de patas, as larvas, mesmo com a falta de duas patas, se parecem muito com um carrapato adulto. Elas precisam achar um hospedeiro para crescer e, após a sua alimentação, elas voltam para o solo para digerir a comida e inicia-se o crescimento. Esta fase varia de uma a três semanas, dependendo das condições climáticas e da alimentação. A larva faz a muda e se torna uma ninfa. A ninfa possui oito patas e, embora menor, é semelhante ao carrapato adulto. A ninfa tem que se alimentar novamente e, para isso, tem que encontrar outro hospedeiro, que pode ser outro mamífero, pássaro ou lagarto, antes que possa fazer a muda mais uma vez. Após a ninfa concluir sua alimentação, ela retorna para o solo e prossegue o seu desenvolvimento; depois de fazer a última muda, a ninfa se transforma em carrapato adulto. Os carrapatos também podem sentir fome até morrerem, contu- do, esse processo costuma levar meses e até anos. Porém, na ausência de sangue, os carrapatos não podem completar seu ciclo. Eles necessitam da energia que vem do sangue para crescerem, se desenvolverem e colocarem ovos. Eles utilizam seus aparelhos bucais para perfurar a pele de seus hos- pedeiros e sugar o sangue, até se tornarem carrapatos ingurgitados. Cada fêmea, dependendo da espécie, pode colocar de 200 a 3000 ovos por dia. Os carrapatos vivem em touceiras, capim, no chão, entre as madeiras, frestas, etc., em climas secos ou úmidos. Ingurgitado: está cheio de sangue.
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    e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas eAnimais Peçonhentos 57 Figura 32: Ciclo de vida dos carrapatos. Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.losrochame. com.br/wp-content/uploads/2011/04/img_ciclo_vida_carrapato.gif&imgrefurl=http://www. losrochame.com.br/&usg=__zL-GfRuzMTvpum27oR3eOX4PsYY=&h=500&w=400&sz=23&hl=pt- BR&start=189&zoom=1&tbnid=_qztWPdZOvLfXM:&tbnh=130&tbnw=104&ei=GXGfTrukE8SNsQKM4M mZBQ&prev=/images%3Fq%3Dfoto%2Bde%2Bcarrapato%2Bem%2Bhumanos%26start%3D168%26hl%3D pt-BR%26sa%3DN%26tbm%3Disch&itbs=1>. Acesso em 22/08/2011. 8.2 Biologia e comportamento do carrapato da família Ixodidae Os carrapatos da família Ixodidae apresentam duas fases durante seu desenvolvimento, como: uma parasita, que acontece sobre o hospedeiro, e outra fase é a vida livre, que ocorre no solo, depois de abandonar seu hos- pedeiro. É interessante destacar que, na fase parasitária, o tempo de vida do carrapato é menos de 10%, é uma fase em que esses organismos apropriam para alimentação sanguínea no hospedeiro. Eles necessitam de um ou mais hospedeiros para concluir seu ciclo de vida. O ciclo de vida dos carrapatos consiste de três fases: larva, ninfa e adulto. No estágio adulto os carrapatos são móveis e hematófagos. Figura 33: Fases de vida do carrapato ovos, larvas, ninfas, fêmea e macho . Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.portalsaofrancisco. com.br/alfa/carrapato/imagens/carrapato12.jpg&imgrefurl=http://www.portalsaofrancisco.com. br/alfa/carrapato/carrapato-2.php&usg=__sVUcN3MuQ-tqfNLbIHYvs4nbSQ4=&h=257&w=250&sz=12 &hl=pt-BR&start=66&zoom=1&tbnid=2sn55QdDOFUdOM:&tbnh=112&tbnw=109&ei=M4mfTu33BqTls QLvlsCUBQ&prev=/images%3Fq%3Dfoto%2Bde%2Bcarrapato%2Bem%2Bhumanos%26start%3D63%26hl %3Dpt-BR%26sa%3DN%26tbm%3Disch&itbs=1>. Acesso em 23/08/2011.
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    e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilânciaem Saúde58 Consideremos que, depois do acasalamento, as fêmeas devoram excessivamente o sangue do hospedeiro, desprendem-se do hospedeiro e buscam lugares para se abrigar no solo. A partir daí, inicia-se a fase de vida livre do ciclo biológico. A temperatura influencia no tempo de duração da fase de vida livre do carrapato, podendo se estender quando essas forem mais baixas, dependendo de cada espécie. O número de ovos colocados pe- las fêmeas está relacionado com sua respectiva massa corporal, dentro de cada grupo de carrapato. As larvas dos carrapatos apresentam uma aparência semelhante à dos adultos assim que elas eclodem dos ovos. É necessário destacar que as larvas são sexualmente imaturas e tem somente três pares de pernas. Elas continuam inativas nas plantas rente ao solo por alguns dias até sua cutícu- la endurecer, após o endurecimento, as larvas estão aptas a infestarem os hospedeiros. Elas começam a se deslocar em direção ao ápice das plantas ao redor do lugar onde nasceram. Pode-se afirmar sem nenhuma dúvida que as larvas têm a habi- lidade de detectar calor, gás carbônico, odor e vibração do ar em virtude do movimento dos animais hospedeiros. Elas ficam agrupadas na vegetação evitando, dessa forma, a perda de umidade e também se protegendo da inci- dência direta dos raios solares, esperando a passagem de mamíferos e aves. Consideremos que depois da primeira muda das larvas, surgem as ninfas. É interresante que nessa fase as ninfas já possuem quatro pares de pernas. As ninfas, como as larvas, são imaturas sexualmente. Depois da úl- tima muda, as ninfas transformam-se em adultos, fêmeas ou machos. As fêmeas só sugam excessivamente o sangue do hospedeiro depois do acasala- mento. Enquanto os machos continuam no hospedeiro por algumas semanas ou meses, eles acasalando-se com diferentes fêmeas. O encontro dos carra- patos da família Ixodidae com os hospedeiros no campo é feito ao acaso. Os carrapatos percorrem distâncias muito pequenas e quase não se dispersão; eles têm a capacidade de detectar a proximidade do hospedeiro na vege- tação, e para isto ocorrer é preciso que exista contato físico para que eles sejam transferidos e deem início à fase parasitária. Caro estudante, o acasalamento dos carrapatos do gênero Ixodes só ocorre nos hospedeiros.
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    e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas eAnimais Peçonhentos 59 Figura 34: Fases de vida do carrapato em seu hospedeiro (cão). Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.elumaveterinaria. com.br/imgnoticias/16_0img_carrapato.png&imgrefurl=http://www.elumaveterinaria.com.br/ detalhanoticia.php%3Fcod%3D16&usg=__OMFtqyCgsccF2ZFRoISsemqFsKw=&h=183&w=188&sz=9&h l=pt-BR&start=170&zoom=1&tbnid=WFphmkdzmwPksM:&tbnh=99&tbnw=102&ei=Y3ufTsHvJ4WnsQL 0wNXGBQ&prev=/images%3Fq%3Dfoto%2Bde%2Bcarrapato%2Bem%2Bhumanos%26start%3D168%26hl %3Dpt-BR%26sa%3DN%26tbm%3Disch&itbs=1>. Acesso em 22/08/2011. Precisamos deixar claro que muitos dos carrapatos morrem antes mesmo de acharem seus hospedeiros, pois podem estar dependentes dos predadores e das condições adversas do clima. Para compensar a vulnerabili- dade imposta na fase de vida livre do seu ciclo biológico, as fêmeas colocam milhares de ovos no ambiente, os quais, em sua maior parte, eclodem e ori- ginam grande maioria das larvas. As larvas, portanto, são muito resistentes e são hábeis de suportar longos períodos em jejum, até acharem condições favoráveis para parasitar sobre o hospedeiro. Falaremos agora sobre o desenvolvimento completo do ciclo dos carrapatos, que pode acontecer em um, dois ou três hospedeiros, dependen- do da frequência de animais parasitados durante seu ciclo evolutivo. Assim, no primeiro caso, larvas, ninfas e adultos permanecem toda a vida parasi- tária sobre um só animal; no segundo caso, larvas e ninfas alimentam-se em um animal, as ninfas caem no solo, sofrem uma modificação e os adultos pro- curam um novo hospedeiro; no terceiro caso, a cada alteração de estádio, o carrapato abandona o hospedeiro, realiza a modificação no ambiente, e volta a se estabelecer no hospedeiro. É importante lembrar que o tempo necessá- rio para que o carrapato complete o seu ciclo biológico vai depender do tipo de ciclo evolutivo e das condições climáticas. Assim, esse tempo pode variar de alguns meses, em países tropicais, até anos, em países de clima frio.
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    e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilânciaem Saúde60 Resumo Nesta aula, você aprendeu: • Biologia e comportamento dos carrapatos; • Biologia e comportamento do carrapato da família Ixodidae. Atividades de aprendizagem 1. Questão. Comente a diferença que há entre os carrapatos heteroxenos e carrapatos monoxenos. 2. Questão. Por que na ausência de sangue os carrapatos não completam seu ciclo biológico?
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    e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas eAnimais Peçonhentos AULA 1 Alfabetização Digital 61 Aula 9 – Ectoparasitas: carrapatos em humanos Objetivos • Entender a biologia o e comportamento do carrapato da família Argasidae; • Reconhecer as espécies de carrapatos mais comuns no Brasil; • Obter uma visão sobre as doenças transmitidas pelos carrapa- tos, patógenos veiculados e sintomas. 9.1 Biologia e comportamento do carrapato da família Argasidae Os gêneros da família Argasidae são mais frequentes nas regiões que têm longas estações secas. Grande parte das espécies dessa família é parasita de aves e outras espécies, parasitas de cães. Os carrapatos da fa- mília Argasidae têm como seus habitats, ambientes relacionados ao homem e animais domésticos, como: galinheiros, pocilgas, pombais ou cabanas rús- ticas. Os carrapatos do grupo dos argasídeos residem em um habitat relati- vamente estável, têm a habilidade de se alimentar no mesmo animal várias vezes ou em vários animais que podem ser da mesma espécie ou espécie diferente durante seu ciclo de vida. Esses carrapatos se reproduzem conti- nuamente durante o ano. Podemos dizer que os carrapatos da família Argasidae normalmente não continuam fixados no hospedeiro por períodos prolongados; eles buscam os hospedeiros somente para se alimentar, normalmente, quando estes dor- mem. Eles têm o hábito de ficar escondidos, na maior parte do tempo, em lugares que possuem fissuras, principalmente, nos abrigos dos animais. Esses carrapatos podem permanecer em jejum por mais de um ano, esperando pela chance de se alimentar. É possível destacar que acasalamento ocorre na fase adulta, fora do hospedeiro, e que a fêmea realiza postura depois de cada repasto sanguíneo, salientando que o ciclo de vida envolve ovo, larva, ninfas com vários estágios e adultos. As ninfas e os adultos da maioria das espécies desse grupo alimentam-se muito rapidamente, aproximadamente de 30 a 40 minutos. Já as larvas permanecem sobre seus hospedeiros por um período de 7 a 10 dias.
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    e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilânciaem Saúde62 9.2 Espécies de carrapatos mais comuns no Brasil O carrapato-de-boi tem o nome científico de Boophilus microplus e transmite ao gado a doença tristeza bovina. Já o carrapato-de-galinha tem o nome científico de Argas miniatus, sendo a espécie que transmite aos gali- nheiros a bouba, doença infecciosa parecida com a sífilis. O carrapato-de-cavalo ou carrapato-estrela, com o nome científico de Amblyomma cajennense, é a espécie que mais parasita o homem. Esta espécie também infesta aves e os mamíferos silvestres e os domésticos, che- gando, na fase adulta, a ser do tamanho de um grão de feijão verde, ou até maior. A sua forma larval, chamada de micuim, hospeda-se nos pastos no período de março a julho, período da seca. É importante lembrar que esse tipo de micuim pode permanecer até 2 anos sem se alimentar, esperando um hospedeiro. Ao grudar no ser humano, causa terrível coceira e inflamação, que pode durar mais de um mês. Carrapato-vermelho-do-cão tem o nome científico de Rhipicephalus sanguineus, e é característico de gatos e de cães. Os adultos preferem abri- go na pele, entre o coxim plantar e as orelhas do cão. Sobem pelas cercas, muros, e se disseminam pela casa, canil, etc. É de difícil controle. Figura 35: Carrapato-vermelho-do-cão tem o nome científico Rhipicephalus sanguineus. Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http:// grandesamigospetshopsalvador.files.wordpress.com/2010/05/rhipicephalus-sanguineus. jpg&imgrefurl=http://grandesamigospetshopsalvador.wordpress.com/category/pets/saude-pet/ carrapatos/&usg=__otFBM_4QoGo8RiRTp_4K6zdyKmU=&h=212&w=225&sz=38&hl=pt-BR&start=205 &zoom=1&tbnid=VE7AUrmOiSqluM:&tbnh=102&tbnw=108&ei=zn6fTpjNDMOIsALZ6PCtBQ&prev=/im ages%3Fq%3Dfoto%2Bde%2Bcarrapato%2Bem%2Bhumanos%26start%3D189%26hl%3Dpt-BR%26sa%3DN %26tbm%3Disch&itbs=1>. Acesso em 25/08/2011. No Brasil, é mais fácil de se encontrar os carrapatos-de-boi, de cavalo, de galinha e do cão e alguns deles têm a capacidade de transmitir doenças, entre as quais está a encefalite humana, que é transmitida quando o carrapato suga os ratos e, ou, as aves e, posteriormente, suga a pessoa, transmitindo-lhe o vírus. A encefalite é uma doença que afeta tanto os ho- mens quanto as mulheres.
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    e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas eAnimais Peçonhentos 63 9.3 Doenças transmitidas pelos carrapatos, pa- tógenos veiculados e sintomas Consideremos que a perda de sangue nos hospedeiros é um assunto de grande importância quando se abordam as infestações pelos carrapatos. Partindo do princípio de que cada fêmea consome mais de 8 mL, dependen- do da espécie, assim, em alguns casos, os hospedeiros ficam tão infestados por carrapatos que podem falecer, devido à perda de sangue ou por se tor- narem susceptíveis a outras doenças, em virtude do estado abatido. Precisamos deixar claro que os carrapatos têm a capacidade de transmitir algumas doenças aos seres humanos e também aos animais, po- dendo ocasionar doenças graves ou até mesmo levar à morte. Dentre as doenças mais comuns, pode-se mencionar a febre maculosa, a babesiose canina, a doença de Lyme e a erliquiose canina. Os carrapatos necessitam de sangue para se alimentar, por isto, eles têm a capacidade de transmitir doenças de um hospedeiro para o outro. As larvas, ao saírem dos ovos, podem estar livres de doenças, porém, ao se alimentarem de um hospedeiro infectado, elas se tornam um vetor de do- enças. Portanto, os carrapatos podem ser agentes de transmissão de várias doenças mais do que qualquer outro artrópode do planeta. A eficácia em dis- seminar infecções vem do modo como eles se alimentam. Algumas espécies de carrapatos têm o hábito de se alimentar em mais de um hospedeiro antes de morrer. Podemos dizer que, se um hospedeiro estiver doente, ele trans- mite a doença para os outros hospedeiros. Os carrapatos da família Ixodidae, chamados de carrapatos duros, mantêm seus aparelhos bucais incrustados na pele de seus hospedeiros por um período que varia por algumas horas ou até alguns dias para que completem a sua alimentação. Esse período é suficiente para eles transmitirem os patógenos para outros hospedeiros. Figura 36: Homem atacado por uma população de carrapatos. Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.labcdl.com.br/ artigos/febre_maculosa/imagem/humano_corpo_peq.jpg&imgrefurl=http://www.labcdl.com.br/ artigos/febre_maculosa/default.htm&usg=__s_cWww73Zr8Ujfj8f3r1Cjpe9hI=&h=394&w=250&sz=2 0&hl=pt-BR&start=59&zoom=1&tbnid=FoxdJ3PWeNVBqM:&tbnh=124&tbnw=79&ei=XY6fTrWCCsaNs QLfvIGEBQ&prev=/images%3Fq%3Dfoto%2Bde%2Bcarrapato%2Bem%2Bhumanos%26start%3D42%26hl %3Dpt-BR%26sa%3DN%26tbm%3Disch&itbs=1>. Acesso em: 26/08/2011.
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    e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilânciaem Saúde64 Podemos dizer que os carrapatos funcionam como um vetor de do- ença, por exemplo, uma larva, ninfa ou adulto suga o sangue de hospedeiro infectado. Neste ato de sugar, a larva, ninfa e, ou, adulto introduz os orga- nismos patogênicos para dentro do corpo do hospedeiro. Os organismos pa- togênicos permanecem no aparelho bucal e nas glândulas salivares do carra- pato. A saliva contaminada do carrapato entra na ferida do hospedeiro e não deixa que o sangue coagule. É importante não deixar que o carrapato possa regurgitar o sangue infectado dentro da ferida do hospedeiro, na tentativa de ser espremido enquanto estiver preso na pele ou durante uma tentativa de removê-lo. É bom lembrar que hospedeiro infectado se torna um novo reservatório de doença para outros carrapatos. Dentre as principais doenças transmitidas por carrapatos, temos: Febre maculosa, que é uma doença febril aguda causada por uma espécie de bactéria conhecida como Rickettsia ricketsii. Ela é transmitida, especial- mente, pelo carrapato-estrela ou carrapato-de-cavalo co,m o nome científico de Amblyomma cajennense. Outras espécies de carrapatos também podem transmitir a doença. A transmissão da febre maculosa acontece por meio da picada do carrapato infectado, podendo acontecer depois de 4 a 6 horas do início da fixação do carrapato na pele. O cão, além de ser o reservatório de Rickettsia ricketsii, também age como um verdadeiro vetor, introduzindo os carrapatos para dentro das residências. A febre maculosa, nas pessoas, acontece com o surgimento dos sin- tomas de jeito súbito, acompanhados de dores musculares, febre alta, dores de cabeça e manchas no corpo, que surgem no quarto dia. As manchas são de coloração rósea nas extremidades, em torno dos punhos e tornozelos, palmas das mãos, face, pescoço, tronco, e solas dos pés das pessoas. Uma das maiores dificuldades para se diagnosticar a febre maculosa é porque esta doença é se- melhante aos sintomas iniciais de febre, dor de cabeça, etc., de outras doenças mais comuns como a gripe. Devido a este fato, as pessoas geralmente não bus- cam o tratamento adequado no início do processo da doença, e esta evolui para um quadro mais grave. Aproximadamente 80% das pessoas com a forma grave da doença, se não diagnosticadas e tratadas no tempo certo, evoluem para óbito. Figura 37: Sintoma da febre maculosa na perna de uma pessoa. Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.riscobiologico. org/upload/arquivos/imagem_zLVy6cNJsz.jpg&imgrefurl=http://www.riscobiologico.org/pagina_ basica.asp%3Fid_pagina%3D199&usg=__-QfO5pF83MckGqMDyLojZkQcZi0=&h=280&w=340&sz=3 0&hl=pt-BR&start=1&zoom=1&tbnid=Ns0MJoWRA2a9HM:&tbnh=98&tbnw=119&ei=YE2gTp3TM8e gsQKn3ZWLBQ&prev=/images%3Fq%3Dfoto%2Bde%2Bhumana%2Bcom%2Bfebre%2Bmaculosa%26hl%3 Dpt-BR%26sa%3DX%26tbm%3Disch&itbs=1>. Acesso em: 26/08/2011.
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    e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas eAnimais Peçonhentos 65 A babesiose canina é uma doença grave, causada por um protozoá- rio chamado de Babesia canis, que infecciona os glóbulos vermelhos dos cães e multiplica-se. A febre marca o estágio em que essas células são rompidas e os protozoários se deslocam para outras células. O principal transmissor é o carrapato-vermelho-do–cão, chamado de Rhipicephalus sanguineus. Os cachorros doentes apresentam febre, anemia, anorexia, prostração, triste- za e emagrecimento progressivo. O diagnóstico da doença é realizado pelo veterinário, que pode tratar os animais com medicamentos específicos. Não têm vacinas disponíveis contra a babesiose canina, e o melhor método de prevenção dessa doença é o controle da população dos carrapatos, princi- palmente, dos infectados. No homem, as infecções ocorrem por meio do protozoário Babe- sia microti, que é transmitida pelo carrapato Ixodes scapularis. Podemos dizer que foram registradas inúmeras ocorrências, com inclusão coinfec- ção com Borrelia burgdorferi, que proporciona a doença de Lyme nas pessoas. Erlichiose canina é doença infecciosa grave causada pela bac- téria cuja principal espécie é a Erlichia canis, transmitida por carrapatos aos cães. Esta bactéria tem três fases: a) a aguda, no início da infecção; b) a subclínica, que geralmente não tem sintomas; c) a crônica, que tem infecção persistente. No cão, esta bactéria proporciona: perda de peso, anemia grave, prostração, febre, vômitos e sangramento pelo nariz, na pele, etc. O veterinário pode realizar diagnóstico da doença por meio de exames laboratoriais. O tratamento pode ser feito com o emprego de medicamentos específicos. Ainda não há vacinas disponíveis no mercado para prevenção da erliquiose canina que, em virtude de sua gravidade, a sua prevenção deve ser feita por meio de um controle restrito da infesta- ção por carrapatos. Borreliose ou doença de Lyme é uma infecção transmitida por carrapatos aos cães e aos homens, especialmente, pelas ninfas do carrapa- to Ixodes scapularis, causada pela bactéria Borrelia burgdorferi. A infecção pode causar o acometimento de diversos órgãos, inclusive a pele, o sistema nervoso, o coração e as articulações. Nas pessoas, pode haver ainda o surgimento de lesões eritema- tosas na pele com uma coloração avermelhadas que evoluem de forma centrífuga do local da picada do carrapato chamado de eritema migrató- rio. Porém, esse achado nem sempre é frequente. Em cães, os sintomas mais comuns são dor articular aguda, letargia e febre. No Brasil, não existem vacinas para esta doença, a única maneira de prevenção ainda é o controle dos carrapatos. A borreliose já foi diagnosticada em cães no município de São Paulo, nos municípios da Baixada Fluminense e em áreas rurais do Estado do Rio de Janeiro. A doença já foi também diagnosticada em seres humanos.
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    e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilânciaem Saúde66 Figura 38: Lesões provocadas pelos carrapatos. Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.labcdl.com.br/ artigos/febre_maculosa/imagem/humano_corpo_peq.jpg&imgrefurl=http://www.labcdl.com.br/ artigos/febre_maculosa/default.htm&usg=__s_cWww73Zr8Ujfj8f3r1Cjpe9hI=&h=394&w=250&sz=2 0&hl=pt-BR&start=59&zoom=1&tbnid=FoxdJ3PWeNVBqM:&tbnh=124&tbnw=79&ei=XY6fTrWCCsaNs QLfvIGEBQ&prev=/images%3Fq%3Dfoto%2Bde%2Bcarrapato%2Bem%2Bhumanos%26start%3D42%26hl %3Dpt-BR%26sa%3DN%26tbm%3Disch&itbs=1>. Acesso em: 27/08/2011. Resumo Nesta aula, você aprendeu: • Biologia e comportamento do carrapato da família Argasidae; • Espécies de carrapatos mais comuns no Brasil; • Doenças transmitidas pelos carrapatos, patógenos veiculados e sintomas. Atividades de aprendizagem 1. Questão. Por que os carrapatos da família Argasidae normalmente não continuam fixados no hospedeiro por períodos prolongados? 2. Questão. Por que os carrapatos são considerados vetores de doenças?
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    e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas eAnimais Peçonhentos AULA 1 Alfabetização Digital 67 Aula 10 – Ectoparasitas: carrapatos em humanos Objetivos • Oferecer uma visão sobre métodos de prevenção das pulgas; • Explicar os métodos de controle das pulgas. 10.1 Métodos de prevenção A higiene e o monitoramento dos lugares onde os carrapatos po- dem ser localizados são de grande importância, pois a prevenção depende das espécies, das fases e da localidade onde se encontram os carrapatos. É importante observar que os carrapatos habitam em locais onde o gramado ou a vegetação estão fechados, principalmente nas proximidades dos lugares de criação dos animais e áreas de circulação do ser humano. Essas condições facilitam o desenvolvimento desse ectoparasita. Para isto, é necessário que os ínstares (estágios de crescimento entre duas mutações sucessivas) possam estar presentes no ambiente. Ao conservar o gramado ou a vegetação apa- rados, as condições ambientais tornam-se adversas, levando os carrapatos nestas fases à morte, principalmente, por desidratação, além de evitar que roedores que servem como hospedeiros intermediários de doenças se abri- guem nessa localidade. Algumas medidas preventivas para não contrair os carrapatos de- vem ser tomadas, entre elas estão: - em ambientes infestados por esse ec- toparasita como pastos ou gramado, deve-se evitar sentar no solo e expor partes do corpo desprotegidas à vegetação. Ao adentrar nestes lugares, usar roupas claras que facilitam a visualização dos carrapatos e também utili- zar roupas de mangas longas, botas, calça comprida com a parte inferior dentro das botas; - revistar o corpo depois de frequentar áreas de mata ou conhecidamente infestadas por carrapatos; - evitar andar ou frequentar ambientes infestados por carrapatos; - deslocar o lixo ou restos alimentares expostos, a fim de impedir que estes sirvam de alimento para animais; - os animais devem ser revistados semanalmente e, quando apresentarem esses ectoparasitas, devem ser tratados com produtos indicados pelo veterinário e conservados em lugar restrito. Há outras medidas preventivas para não se contrair os carrapatos, como: - quando for extrair carrapatos, não se deve empregar fósforo acesso ou outros objetos aquecidos, bem como produtos químicos. Deve-se girar levemente o corpo do carrapato até que se desprenda do hospedeiro. Não puxar ou comprimir o carrapato quando estiver preso na pele do hospedeiro,
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    e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilânciaem Saúde68 pois, dessa forma, só será eliminado o corpo do parasita, visto que a parte da boca que está presa à pele do hospedeiro continua no lugar. Assim, o pro- cedimento pode ocasionar reações locais e inflamação prolongada ou pode fazer com que o parasita penetre ainda mais nos tecidos, já que a bactéria pode adentrar em algum ferimento do hospedeiro. Figura 39: Capivara é o principal hospedeiro do carrapato que transmite a febre maculosa. Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/images?q=foto+de+humana+com+febre+maculo sa&hl=pt-BR&tbm=isch&ei=YlCgTqvYBNGBsgLc_fm6BQ&start=147&sa=N>. Acesso em 08/09/2011. 10.2 Métodos de controle Há diferentes produtos químicos de uso veterinário recomendados para o controle de carrapatos. Na prática, há táticas de controle desses ecto- parasitas que dependem da espécie e também da região onde se encontram. Os métodos de controle dependem de fatores biológicos e epidemiológicos e devem ser realizados por profissional capacitados. Portanto, o emprego de produtos que controlem a infestação de carrapatos no meio ambiente e sobre os animais é essencial para o controle e prevenção das doenças trans- mitidas por esse ectoparasita. A utilização mensal de Frontline mata rapidamente os carrapatos que tiverem contato com os animais como os gatos e os cães. É importante ressaltar que o Frontline não é um repelente e, sim, um produto residual de contato que deve ser aplicado no hospedeiro com carrapatos, para matar os parasitas. Os piretróides são produtos repelentes e têm menor período residual, ou seja, menor duração. Os piretróides têm desvantagem, pois, ao serem aplicados no animal, os carrapatos repelidos podem se locomover para outros animais e se alojar noutro animal que não tenha repelentes ou até mesmo se alojar numa pessoa. Pesquisas evidenciam que o emprego mensal de Frontline é eficiente na prevenção da erlichiose canina em 96,4% dos animais tratados. Existe no mercado carrapaticida para controlar carrapatos em ani- mais. A aplicação de produtos químicos, com propriedades carrapaticidas nos animais é a técnica mais tradicional para se combater os carrapatos. Esta técnica é usualmente aconselhada, exclusivamente, quando há participação de animais domésticos como hospedeiros primários para o carrapato, embo- ra não haja métodos adequados para tratamentos carrapaticidas contínuos em animais silvestres de vida livre. Carrapaticida: é uma substância química que seve para matar carrapatos
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    e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas eAnimais Peçonhentos 69 Figura 40: Aplicação de carrapaticida em equino. Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.labcdl.com.br/ artigos/febre_maculosa/imagem/humano_corpo_peq.jpg&imgrefurl=http://www.labcdl.com.br/ artigos/febre_maculosa/default.htm&usg=__s_cWww73Zr8Ujfj8f3r1Cjpe9hI=&h=394&w=250&sz=2 0&hl=pt-BR&start=59&zoom=1&tbnid=FoxdJ3PWeNVBqM:&tbnh=124&tbnw=79&ei=XY6fTrWCCsaNs QLfvIGEBQ&prev=/images%3Fq%3Dfoto%2Bde%2Bcarrapato%2Bem%2Bhumanos%26start%3D42%26hl %3Dpt-BR%26sa%3DN%26tbm%3Disch&itbs=1>. Acesso em: 09/08/2011. Pode-se afirmar sem nenhuma dúvida que em uma situação de ele- vada infestação por carrapatos, os efeitos imediatos com uma única aplica- ção de carrapaticida servem apenas para combater infestação momentânea de um animal com grande infestação. Por isso, deve-se avaliar a implantação contínua de algum programa de controle de carrapato, mesmo que os seus resultados possam ser comprovados somente a médio ou longo prazo. O ob- jetivo principal do programa de controle de carrapatos deve ser a redução da infestação desse ectoparasita no ambiente, em todas as fases de vida livre do carrapato, por meio de tratamentos contínuos dos animais. Resumo Nesta aula, você aprendeu: • Métodos de prevenção da infestação por carrapatos; • Métodos de controle de carrapatos. Atividades de aprendizagem 1. Questão. Quais são as medidas de prevenção contra carrapatos? 2. Questão. Como se deve agir para extrair carrapato de uma pessoa?
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    e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas eAnimais Peçonhentos AULA 1 Alfabetização Digital 71 Aula 11 – Ectoparasitas: larva migrans cutânea Objetivos: • Entender a biologia e comportamento da larva migrans cutânea; • Descrever a importância dos sintomas, tratamento e métodos de prevenção e controle da larva migrans cutânea. 11.1 Biologia e comportamento da larva migrans cutânea A larva migrans cutânea (LMC) é também conhecida como bicho de praia, bicho geográfico e larva serpiginosa, chamada popularmente como bicho-geográfico, sendo uma dermatite provocada pela migração errática das larvas imaturas de ancilostomídeos que parasitam os intestinos de cães e gatos. Existem duas espécies de parasitas: Ancylostoma caninum (comum em cães) e Ancylostoma brasiliensise (comum em gatos). Essa zoonose é típica de países de clima subtropical e tropical, principalmente regiões litorâneas. As larvas vão incidir mais em areias de praias, parquinhos e tanques que retêm umidade e protegem as larvas da luz do sol, pois, nesses lugares, os gatos e cães costumam defecar. Em alguns locais, são os gatos as principais fontes de infecção. Cada fêmea ovipõe em média 16.000 ovos/dia no intestino delgado de gatos e cães, e esses ovos, juntamente com as fezes, alcançam o meio ambiente onde ocorre a liberação das larvas de 1o estágio (L1), passando para larvas de 2o estágio (L2) e, após, larvas de 3o estágio (L3). Após uma semana, a larva (L1) sofre duas alterações e transforma-se (L3) em larva infectante. As (L3) são diferentes das (L1), não se alimentam e têm um índice de sobre- vivência alto no ambiente, de até várias semanas. Nesses animais, a infecção pode acontecer pela via cutânea, oral e transplacentária. Cerca de um mês depois, as larvas atingem seu estado maduro e são eliminadas nas fezes dos cães e gatos. Falaremos agora sobre a infecção no homem, que é dada pelo con- tato da pele com as larvas de 3o estágio (L3), que são as infectantes. Embo- ra as larvas de 3o estágio (L3) sejam comuns nas areias das praias, os ovos desenvolvem-se em qualquer solo que lhes garanta condições favoráveis de temperatura de 23 a 30ºC e umidade relativa superior a 70%, para, então, transformarem-se em larvas. Portanto, é comum encontrar larvas migrans cutânea (LMC) em outros locais onde gatos e cães evacuam, como parquinhos
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    e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilânciaem Saúde72 e tanques de areia. As pessoas, ao pisarem ou sentarem em lugares infes- tados, podem ter a pele perfurada superficialmente pelas larvas, as quais iniciam a caminhada que abrirá verdadeiros túneis na pele da vítima. A pes- soa torna-se hospedeira de forma casual ao entrar em contato com as larvas infectantes que penetram em sua pele por meio das glândulas sudoríparas, fissuras cutâneas, folículos pilosos ou por meio da pele intacta. Figura 41: Infestação de larva migrans cutânea na pele humana. Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/images?q=foto+de+larvas+migrans+cut%C3%A2n ea&btnG=Pesquisar&hl=pt-BR&source=hp&gs_sm=s&gs_upl=0l0l0l5296l0l0l0l0l0l0l0l0ll0l0&oq=fot o+de+larvas+migrans+cut%C3%A2nea&aq=f&aqi=&aql=&oi=image_result_group&sa=X>. Acesso em: 01/10/2011. Precisamos deixar claro que, no homem, as larvas não têm a capa- cidade de concluir seu ciclo vital, pois, por serem parasitas de animais (gatos e cães), morrem algumas semanas após a infestação, continuando entre a epiderme e a derme. Mas lembramos que elas penetram na pele do gato ou do cão, vão para o intestino desses animais e dão origem aos vermes adultos, que reiniciam o ciclo. 11.2 Sintomas da larva migrans cutânea (LMC) Os animais contaminados com os nematódeos apresentam infecções agudas, anemia, fadiga e, também, dificuldade respiratória. No caso de in- fecções crônicas, o animal frequentemente apresenta o peso abaixo do nor- mal, lesões cutâneas, a pelagem fica com falhas, além de perda de apetite e dificuldade respiratória. Podemos dizer que a dermatite ocorre quando as larvas de terceiro estágio desses nematódeos, presentes em solos contaminados por fezes de gatos e cães, penetram na pele humana e migram para o tecido subcutâneo. Nesse tecido, as larvas infectantes se movimentam, dando uma impressão de rastros parecidos ao desenho de um mapa - motivo que origina o nome popular de bicho geográfico; geralmente, estes episódios são estabelecidos nos pés, mãos, costas e nádegas; estas regiões do corpo são as que mais entram em contato com o solo.
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    e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas eAnimais Peçonhentos 73 Figura 42: Pele humana infestada pela larva migrans cutânea. Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/images?q=foto+de+larvas+migrans+cut%C3%A2nea& btnG=Pesquisar&hl=pt-BR&source=hp&gs_sm=s&gs_upl=0l0l0l5296l0l0l0l0l0l0l0l0ll0l0&oq=foto+de+lar vas+migrans+cut%C3%A2nea&aq=f&aqi=&aql=&oi=image_result_group&sa=X>. Acesso em: 03/10/2011. Falaremos agora sobre sintomas que a larva migrans cutânea pro- porciona nos seres humanos. No momento em que o parasita penetra no or- ganismo das pessoas, às vezes não ocasiona nenhuma mudança perceptível, porém, os sintomas mais característicos são reações inflamatórias, inchaço e bastante coceira, principalmente, à noite. Esses sintomas podem atrapalhar o sono, propiciando irritabilidade. Quando as pessoas começam a coçar com mais frequência, pode ocasionar infecções secundárias. Além desses sinto- mas, as larvas eliminam substâncias tóxicas que podem originar tosse, alergias e falta de ar. As larvas não conseguem se aprofundar para atingir o intestino do homem, como acontece no gato e no cão, mas caminham sob a pele formando um túnel tortuoso e avermelhado. 11.3 Tratamento da larva migrans cutânea (LMC) Dependendo da dimensão da doença, o tratamento pode ser reali- zado por via oral para as ocorrências mais extensas. Quando as infestações das larvas forem pequenas, o tratamento pode ser realizado com pomadas específicas. Na ocorrência de infestações maciças ou em que o medicamento local não funcione, faz-se o tratamento por via oral. O remédio de escolha aplicado por via tópica contém como princípio ativo o tiabendazol. Em infec- ções múltiplas e mais duráveis, tiabendazol é associado ao tiabendazol por via oral. Há, no mercado, o uso de albendazol e ivermectina via oral para tratamento de larva migrans cutânea. No entanto, esse tratamento pode gerar efeitos colaterais como diarréias, anorexia, náuseas, tontura, dor de cabeça e alergia. Antes de se automedicar, é bom que se procure um médico para acompanhar a doença.
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    e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilânciaem Saúde74 11.4 Métodos de prevenção e controle Andar calçado em lugares onde os gatos e os cães caminham é uma medida preventiva contra o bicho geográfico. É interessante coletar as fezes de seu cão, ou deixá-lo em sua residência quando for à praia. Levar o cão ao veterinário periodicamente impede que você e outras pessoas se contami- nem com as larvas. Além disso, deve-se evitar o contato direto com a areia da praia e outros locais que tenham areia, principalmente quando a areia estiver em ambiente úmido e sombreado, pois, esse ambiente é favorável ao desenvolvimento das larvas migrans. É fundamental a proteção do corpo nas praias com calçados, toa- lhas, esteiras, etc., a fim de se evitar o contato com a areia. É recomendável fazer a proteção contra fezes de cães e gatos em tanques de areia em par- ques e escolas e coletar as fezes do seu animal quando ele evacuar em luga- res públicos, dando-lhes um destino sanitário adequado. Nas praias, deve-se procurar as áreas que são periodicamente cobertas pelas cheias da maré. Figura 43: Fezes caninas espalhadas no ambiente é uma forma de fazer prosperar larva migrans cutânea. Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/images?q=foto+de+larvas+migrans+cut%C3%A2n ea&hl=pt-BR&tbm=isch&ei=9PepTrGPMMS_gQe__qwy&start=126&sa=N>. Acesso em: 04/10/2011. É importante conservar os animais em boas condições de higiene, juntamente com o diagnóstico por meio de exames de fezes periódicos, de acordo com a recomendação do médico veterinário. São medidas que au- xiliam na redução da contaminação ambiental por ovos das larvas migrans cutânea. Outra medida de controle é evitar o ingresso de cães em luga- res que são frequentados por seres humanos, principalmente as crianças. Deve-se impedir que crianças brinquem em locais que ofereçam risco à saú- de. Além disso, é bom que se atue em campanhas de conscientização, com orientações nas escolas e na comunidade, para aperfeiçoar os cuidados com os animais e diminuir o número de animais de rua, pois, normalmente, esses animais são mais suscetíveis de apresentar alto índice de contaminação as larvas migrans cutânea.
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    e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas eAnimais Peçonhentos 75 Resumo Nesta aula, você aprendeu: • Biologia e comportamento da larva migrans cutânea; • Sintomas da larva migrans cutânea (LMC); • Tratamento da larva migrans cutânea (LMC); • Métodos de prevenção e controle. Atividades de aprendizagem 1. Por que as larvas migrans cutânea têm o nome de bicho geográfico? 2a Quais são as medidas preventivas contra o bicho geográfico?
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    e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas eAnimais Peçonhentos AULA 1 Alfabetização Digital 77 Aula 12 – Animais peçonhentos Objetivos • Descrever os conceitos de animais peçonhentos e de animais venenosos; • Explicar as medidas de prevenção contra animais peçonhentos e animais venenosos. 12.1 Conceitos de animais peçonhentos e de animais venenosos Os animais peçonhentos são aqueles que têm glândulas de veneno e também têm o hábito de se comunicar com ferrões, dentes ocos ou agui- lhões – locais por onde o veneno sai ativamente; isto é, esses animais têm uma habilidade de inocular seu veneno em outro animal. Há alguns exemplos desses animais, algumas serpentes que têm os dentes ocos ligados a glân- dulas de veneno. Esses dentes são utilizados para injetar o veneno, que, em determinados casos, pode até matar a vítima. Os escorpiões injetam o vene- no produzido na glândula ligada ao aguilhão, e as abelhas empregam o ferrão para picar e injetar o veneno na vítima. Esses animais agem por instinto de sobrevivência, pois eles, ao se sentirem ameaçados, imobilizam o agressor e fogem para um lugar mais protegido. Há outros animais peçonhentos como vespas, aranhas, lacraias, etc. Os animais que produzem peçonha são chamados de peçonhentos porque empregam seu veneno de forma ativa para caçar ou defender. No en- tanto, os animais venenosos produzem venenos que são empregados de for- ma passiva para defesa. Os animais venenosos produzem veneno, porém, não têm um aparelho inoculador como aguilhões, dentes e ferrões. Deste modo, esses animais, ao utilizar seu veneno, dependem da circunstância, para pro- vocar envenenamento passivo, por exemplo, por contato como a taturana, que tem pêlos por onde sai o veneno por um simples contato; o veneno pode sair por compressão, como no sapo, ao se apertar as glândulas localizadas no dorso perto da cabeça; ou por ingestão, como no peixe baiacu, que tem toxinas em diversos órgãos como intestinos, fígado, brânquias e podem pro- porcionar envenenamento, caso seja ingerido pelo predador. Veneno: é uma sustância que altera ou destrói as funções vitais de um organismo, também chamado de peçonha, que é o nome dado a toxinas (substância venenosa segregada por seres vivos e capaz de, injetada em animal, provocar a formação de antitoxina) que são usadas ativamente para caça ou defesa
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    e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilânciaem Saúde78 Figura 44: Dentes ocos por onde o veneno é inoculado na vítima. Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/images?q=foto+de+animais+pe%C3%A7onhen tos&hl=pt-BR&tbm=isch&prmd=ivns&ei=-8yrTszhGonfgQf4u_XXDw&start=147&sa=N>. Acesso em 14/10/2011. Podemos dizer que os sapos possuem um líquido que jorra numa oca- sião de perigo e stress, porém, este líquido não é veneno. Ocorre o esvaziamen- to da bexiga sobre o predador no intuito de assustá-lo, no entanto, a urina não é tóxica. Os sapos só liberam seu veneno quando são pressionados. Os sapos usam um truque: quando estão em perigo, enchem os pulmões de ar e isso faz com que as glândulas de veneno fiquem mais expostas, assim, um predador, ao encostar, o veneno será liberado. Os animais peçonhentos que estão presentes tanto em ambientes rurais como em ambientes urbanos são responsáveis por gerarem inúmeros acidentes, em diversas regiões do Brasil. Os acidentes com esses animais estão aumentando a cada ano que passa. São exemplos de animais peçonhentos aranhas, cobras, lacraias, escorpiões, taturanas, formigas, vespas, abelhas e marimbondos. Exemplo de serpentes: cascavel, jararaca, coral, surucucu e outras. 12.2 Medidas de prevenção contra animais pe- çonhentos e animais venenosos Embora exista uma diferença de conceito, biologicamente falando, os termos referentes a animal peçonhento e a animal venenoso são aborda- dos como sinônimos. Podemos dizer que os efeitos ocasionados pelo veneno na vítima não implica que haja diferença se o animal é peçonhento ou vene- noso. O que influencia é o tipo e a quantidade de veneno, a massa corporal e as condições de saúde da vítima e o modo como ela reage. Precisamos deixar claro que, no caso de pessoas, quando ocorre um acidente com um animal venenoso ou peçonhento, é essencial que o aci- dentado permaneça com calma e fique tranquilo, pois, se a vítima entrar em pânico, gera a aceleração dos batimentos cardíacos e, como consequência, a dispersão mais rápida do veneno. Portanto, é importante manter a calma, buscando tratamento rápido e realizado por profissionais de saúde qualifica- dos, em unidades de atendimento médico especializadas.
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    e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas eAnimais Peçonhentos 79 É importante ressaltar que algumas precauções precisam ser toma- das para se evitar acidentes com animais peçonhentos e venenosos, entre as quais estão: manter limpos terrenos baldios e quintais; não deixar acumular lixo doméstico e entulhos, pois, debaixo de pedras, tijolos e madeira velha e outros objetos costumam se abrigar escorpiões, aranhas e lacraias; cor- tar com frequência a grama dos jardins e recolher as folhas caídas. Vedar soleiras de portas, tanque, chão e ralos de pia, colocar telas nas janelas. É importante também colocar lixo em sacos plásticos, os quais devem ser mantidos fechados para impedir o aparecimento de moscas, baratas e outros insetos, pois, estes são os alimentos preferidos de aranhas e escorpiões; já os pequenos roedores são propícios alimentos para as serpentes. Outra medida preventiva é observar as roupas, toalhas, roupas de cama e calçados antes de utilizá-los, pois, as aranhas gostam desses lugares. Figura 45: Terreno baldio acúmulo de lixão e abrigo para animais peçonhentos. Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.tribunadeindaia. com.br/img/news/5898.jpg&imgrefurl=http://www.tribunadeindaia.com.br/noticias/cidade/2381- terreno-serve-de-lixao-e-ponto-de-drogas.html&usg=__29-vqxK-MPnxdOn0WNIIZ4b9DQo=&h=530 &w=795&sz=135&hl=pt-BR&start=363&zoom=1&tbnid=Zfm84H4ITYjrmM:&tbnh=95&tbnw=143&ei=p dCrTrT1F8-UtweWm8HaDg&prev=/images%3Fq%3Dfoto%2Bde%2Banimais%2Bpe%25C3%25A7onhent os%26start%3D357%26hl%3Dpt-BR%26sa%3DN%26tbm%3Disch%26prmd%3Divns&itbs=1>. Acesso em: 14/10/2011. Outras medidas importantes de prevenção contra esses animais é andar sempre calçado e utilizar luvas de raspa de couro ao trabalhar com material de construção, lenha, etc. Outra maneira melhor para evitar um acidente é conhecer os animais e os hábitos deles, principalmente, nos cen- tros urbanos. Portanto, é importante salientar que esses animais agem por instinto de defesa. Geralmente, a maior parte dos acidentes ocorre por des- cuido ou imprudência das pessoas. Ao colocar o pé no sapato sem olhar em seu interior, uma pessoa pode comprimir um animal que estaria alojado ali dentro, aumentando as possibilidades de uma picada como reação. Se caso acontecer algum acidente com este tipo de animal, é importante buscar imediatamente o serviço de saúde mais próximo. Precisamos deixar claro que à época das chuvas, em geral, aumen- ta o número de acidentes com animais peçonhentos. Uma das hipóteses é que, com os alagamentos, esses animais são obrigados a sair dos seus refú- gios naturais, principalmente, as serpentes, lagartas, aranhas e outros. Já as
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    e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilânciaem Saúde80 queimadas nos entulhos de uma área ou pisotear ou até mesmo encurralá-los oferecem riscos à sua vida. Deve-se lembrar que, quando não são oferecidos os cuidados necessários em um acidente ocasionado por animal peçonhento, a situação da vítima pode se agravar, principalmente, quando se tratar de pessoas mais vulneráveis como crianças, idosos ou pessoas com o organismo debilitado. Resumo Nesta aula, você aprendeu: • Conceitos de animais peçonhentos e de animais venenosos; • Medidas de prevenção contra animais peçonhentos e animais ve- nenosos. Atividades de aprendizagem 1. Comente a diferença que há entre animais peçonhentos e animais vene- nosos. 2. Qual é a época do ano em que aumenta o número de acidentes com ani- mais peçonhentos?
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    e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas eAnimais Peçonhentos AULA 1 Alfabetização Digital 81 Aula 13 – Animais peçonhentos: Escor- piões Objetivos: • Entender a biologia e comportamento dos escorpiões; • Explicar sobre a vida, alimentação e hábitos do escorpião. 13.1 Biologia e comportamento dos escorpiões Os escorpionídeos, chamados popularmente como escorpiões, jun- tos com os carrapatos, aranhas e ácaros pertencem ao filo dos artrópodes e à classe dos aracnídeos e à ordem Scorpionida. Os aracnídeos possuem quatro pares de patas e dois palpos, também chamados de pedipalpos. Precisamos ressaltar que os escorpiões não são insetos. Os escorpiões existem em várias partes do mundo, com exceção da Nova Zelândia e da Antártida. Eles vivem em regiões com uma tempe- ratura entre 20 e 37o C, porém, sobrevivem em temperaturas que variam de 14 a 56o C, e ainda, adaptam-se às condições climáticas do deserto, supor- tam uma amplitude térmica diária na ordem dos 40o C. No Brasil, existem aproximadamente 75 espécies distribuídas nas cinco regiões e podem ser encontrados tanto em áreas urbanas quanto rurais. Eles ocupam quase todos os ecossistemas terrestres como cerrados, desertos, savanas, florestas tro- picais e temperadas. Os escorpiões têm o hábito de se enterrar na areia dos desertos, no solo úmido das matas, ao longo das praias, na zona entre marés ou em cavernas. Certas espécies são mais ativas quando a temperatura está mais elevada. As cores variam do amarelo-palha ao negro total, passando por tons intermediários, como o amarelo-avermelhado, vermelho-amarronzado, marrom e coloração que de vai de verde ou mesmo de azul. Falaremos agora sobre a reprodução dos escorpiões. Antes da có- pula, o macho e a fêmea se agarram pelas pinças, fazendo estranha dança nupcial. Quando tudo termina, a fêmea comumente alimenta do macho. A reprodução pode acontecer, no caso do escorpião amarelo, por partenogê- nese. Os escorpiões são vivíparos, ou seja, incubam seus ovos no interior do trato feminino e dão à luz formas jovens. Daí, os filhotes nascem da própria mãe, e não de ovos, como no caso dos ovíparos, e o tempo de gestação pode ser de 3 a 9 meses, podendo gerar de 6 a 90 filhotes, o que varia de acor- do com as espécies. Os filhotes nascem totalmente brancos e por meio de parto, por meio de uma fenda genital. Eles nascem com poucos milímetros de comprimento e imediatamente se arrastam sobre o dorso da mãe e ficam Partenogênese: é quando ovo se desenvolve sem a precisão de ser fecundado por um espermatozóide.
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    e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilânciaem Saúde82 grudados no seu dorso por, aproximadamente, 10 a 14 dias, até completar-se a primeira muda; quanto mais jovem for o escorpião, mais mudas ele com- pletará, até que consiga arrumar seu próprio alimento sozinho. Os filhotes nascem totalmente formados, no entanto, a sua casca é mole e seus ferrões não são afiados. Eles não estão prontos para caçar aranhas ou insetos por conta própria, por isso permanecem grudados nas costas maternas e protegidos pelo ferrão venenoso da sua cauda. A idade adulta é obtida por volta dos 12 meses de vida, podendo alcançar até 20 cm de comprimento, e, dependendo da espécie, eles podem viver de 3 ou 5 anos. Figura 46: Os filhotes de escorpião grudados no dorso da mãe . Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/images?btnG=Pesquisar&hl=pt-BR&gs_upl=331 3l3313l0l4328l1l1l0l0l0l0l0l0ll0l0&oq=Foto+de+escorpi%C3%A3o++&aq=f&aqi=g1&oi=image_result_ group&sa=X&q=Foto%20de%20escorpi%C3%A3o&tbm=isch>. Acesso em: 17/10/2011. 13.2 Escorpião: vida, alimentação e hábitos Precisamos deixar claro que os escorpiões são carnívoros, alimen- tam-se somente de animais vivos e têm geralmente hábitos noturnos e cre- pusculares, quando caçam e se reproduzem. Eles preferem, para sua dieta, baratas, grilos, aranhas, outro aracnídeo, cupins e pequenos vertebrados. A visão é considerada precária, impedindo que eles captem imagens definidas. Eles localizam suas presas por meio das vibrações do solo e do ar captadas por cerdas sensoriais, espalhadas por todo seu corpo. Podemos dizer que nem sempre os escorpiões empregam seu veneno para capturar suas presas, principalmente os pequenos animais, pois, eles têm duas garras ou pinças grandes e fortes que são hábeis para esmagar e devorar a presa. Quando é atacado por animais de seu porte ou maiores, geralmente, utiliza o ferrão venenoso. Os escorpiões conseguem comer quantidades imensas de alimen- to, entretanto, conseguem sobreviver com 10% da comida de que precisam e podem ficar até um ano sem alimentar e bebendo pouquíssima quantidade de água, quase nada durante seu ciclo de vida. O veneno do escorpião está no extremo do pós-abdômen, encon- tra-se nas glândulas de veneno, numa dilatação chamada de telson, com aguilhão inoculador. Ele é injetado por dois orifícios existentes próximos da
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    e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas eAnimais Peçonhentos 83 ponta do ferrão. O veneno é bastante ativo em certas espécies de escorpi- ões, e age sobre o sistema nervoso das vítimas, proporcionando, em muitas vezes, a morte por paralisia dos centros respiratórios. O veneno chega a ma- tar as pessoas, principalmente as crianças. O ferrão do escorpião, chamado de telson, tem as seguintes funções: segurar e inocular na presa o veneno, defender, e auxiliar no acasalamento. Figura 47: Gota de veneno saindo do ferrão de um escorpião. Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/images?q=Foto+de+escorpi%C3%A3o+injetando +veneno&btnG=Pesquisar&hl=pt-BR&tbm=isch>. Acesso em 17/10/2011. A espécie de escorpião Tityus serrulatus, na América do Sul, apre- senta seu veneno como o mais tóxico que as demais espécies de escorpiões. O veneno age sobre o sistema nervoso periférico dos seres humanos, au- mentando a pulsação cardíaca, acarretando dor, diminuindo a temperatura corporal e provocando sensação de pontadas. Estes sintomas são mais pro- pícios em criança, em virtude de menor massa corporal, e em idosos devido às condições físicas. Todos os escorpiões são venenosos, contudo, apenas 25 espécies podem ser mortais às pessoas. Sua ferroada assemelha-se em grau de toxicidade à ferroada de uma abelha. Os escorpiões vivem isolados ou em grupos, desde que as condições ambientais beneficiem sua instalação. Uma curiosidade a destacar é o fato de, quando estiverem escassos animais vivos dos quais eles se alimentam, os escorpiões praticam o canibalismo para sobreviver, ou seja, devoram a própria espécie. Outra ocasião em que ocorre a prática de canibalismo é em cativeiro ou quando eles estão em situações estressantes. Eles têm duas glândulas de veneno que finalizam num ferrão. Ao caminhar, sua cauda se conserva erguida e arqueada sobre o dorso. Os escorpiões apresentam hábitos noturnos, escondendo-se durante o dia, gostam de se abrigar sob pedras, em plantas, troncos podres, cascas de árvores, madeiras empilhadas, dormentes de linha de trem, em galerias no solo úmido das matas, em entulhos, telhas ou frestas nas paredes, sapa- tos, toalhas, dentro das casas, etc. Algumas espécies habitam em áreas ur-
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    e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilânciaem Saúde84 banas, onde se deparam com abrigo dentro e próximo das casas, bem como com alimentação abundante. Os escorpiões podem sobreviver vários meses sem alimento e mesmo sem água, o que torna seu combate muito difícil. Os predadores naturais do escorpião são os macacos, galinhas, aranhas, sapos, lacraias, louva-deus, lagartos, seriemas, corujas, gaviões, quatis, ca- mundongos, algumas formigas e os próprios escorpiões. Figura 48: Entulhos: esconderijos prediletos dos escorpiões. Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/images?q=Foto+de+escorpi%C3%A3o+abrigo&hl =pt-BR&tbm=isch&ei=8KCsToaTDpO_gQeTu93xDw&start=21&sa=N>. Acesso em 20 Out. 2011. Resumo Nesta aula, você aprendeu: • Biologia e comportamento dos escorpiões; • Escorpião: vida, alimentação e hábitos. Atividades de aprendizagem 1. O que é reprodução por partenogênese? 2. Os escorpiões são onívoros? 3. Qual é a espécie de escorpião, no Brasil, que apresenta o veneno como o mais tóxico? Onde age o veneno e quais são os sintomas que esta espécie proporciona?
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    e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas eAnimais Peçonhentos AULA 1 Alfabetização Digital 85 Aula 14 – Animais peçonhentos: Escor- piões Objetivos • Descrever a importância do método de prevenção e controle de escorpiões; • Reconhecer as espécies de escorpião mais importantes na saú- de pública; • Oferecer uma visão sobre os sintomas, tratamento e primeiros socorros. 14.1 Métodos de prevenção e controle Os escorpiões podem sobreviver por vários meses sem alimentar ou beber água, por isto, torna-se difícil sua erradicação por inseticidas e outros produtos, pois, os inseticidas têm curta ação com aracnídeos. Ainda não há produtos químicos comprovados para se combater esse arac- nídeo. Assim sendo, o mais importante é prevenir contra os acidentes, o que deve ser efetivado com base em seus hábitos e também em seu habitat. Portanto, precisamos deixar claro que, para reduzir o risco de um acidente com escorpião é muito importante acabar com os chamados criadouros. Veja a seguir coisas simples que as pessoas podem fazer para ajudar na solução dos problemas com os escorpiões, entre elas estão: verificar as roupas pessoais, de banho, cama e calçados antes de utilizá- -los; não deixar acumular lixo orgânico que atrai os insetos, pois esses são alimentos preferidos dos escorpiões; não deixar acumular entulhos e materiais de construção; vedar fissuras e buracos em assoalhos, forros e paredes e rodapés das residências; usar telas, vedantes ou sacos de areia em portas e janelas; os ralos devem ser bem tampados; conservar limpos jardins e os lugares próximos das habitações como paióis, quintais e ce- leiros; materiais de construção, madeiras, garrafas devem ser empilhados longe do chão, da parede e do teto, em local bem arejado; utilizar luvas e calçados nas atividades rurais e de jardinagem ou em outros trabalhos onde possa haver escorpiões; evitar ter plantas ornamentais densas, ar- bustos e trepadeiras junto a paredes e muros da sua habitação; ficar atento aos terrenos vizinhos a sua morada, pois terrenos baldios são um chamado para escorpiões e baratas; na área rural, tomar cuidado com barrancos, cupinzeiros e troncos de árvore abandonados. Os escorpiões se alimentam de insetos, aracnídeos e outros animais pequenos, por isto, é bom combater a proliferação, principalmente, de ba-
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    e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilânciaem Saúde86 ratas, cupins e grilos. Outra maneira de combater os escorpiões é preservar predadores naturais como lagartixas, galinhas, patos, corujas e sapos. Tam- bém, deve-se limpar os terrenos baldios e manter a casa limpa, impedindo acúmulo de lixo. A limpeza e a eliminação de fontes de alimentos para os es- corpiões compõem a sua principal medida de controle. Medidas preventivas para se evitar o aparecimento dos escorpiões ainda funcionam, uma delas é vetar ralos e caixas de gordura pois, muitas vezes, os escorpiões entram nas residências pelas redes de esgoto. É importante ressaltar que os escorpiões só podem proporcionar o mal quando eles forem ameaçados, assim eles utilizam de seu ferrão para se defender. Poucas espécies de escorpiões têm veneno nocivo ao homem, mas, suas picadas podem ser doloridas. Uma curiosidade: o veneno do escor- pião não tem qualquer efeito no seu próprio corpo ou no de espécies afins. Outra curiosidade é que os escorpiões emitem fluorescência que pode ser notada durante a noite e com auxílio de uma luz ultravioleta. 14.2 As espécies mais importantes na saúde pública Existem cerca de 30 espécies, possivelmente todas com possibi- lidade de envenenamento em seres humanos. Porém, vamos dar destaque somente a 5 espécies mais importantes, pertencentes ao gênero Tityus. En- tre elas estão: Tityus serrulatus, Tityus bahiensis, Tityus stigmurus, Tityus metuendus e Tityus costatus. Contudo, as outras espécies desse gênero não podem ser descartadas, pois o acidentado dificilmente captura o escorpião causador do acidente para futuramente ser identificado pelos especialistas. É interessante ressantar que muitos acidentes são comumente ocasionados por escorpiões que apresentam uma capacidade de se adaptar ao ambiente urbano. Portanto, é possível que haja outras espécies de escorpiões vene- nosos capazes de provocar acidentes graves em seres humanos até então desconhecidos. O escorpião amarelo tem nome científico Tityus serrulatus, com manchas escuras sobre o tronco e na parte inferior do fim da cauda, e o restante do seu corpo é amarelo. Tityus serrulatus, o escorpião amarelo, é encontrado nos estados de Goiás, Bahia, Rio de Janeiro, Espírito San- to, Minas Gerais, São Paulo, Distrito Federal, Paraná e Santa Catarina. Tityus serrulatus é muito comum em Minas Gerais, principalmente em Belo Horizonte. É uma espécie de escorpião que poderá ser encontrada facilmente em ambientes urbanos, e ainda é considerada a mais veneno- sa e causadora de acidentes graves, principalmente, em Minas Gerais. É interessante destacar que a Tityus serrulatus é uma característica rara entre os escorpiões.
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    e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas eAnimais Peçonhentos 87 Figura 49: Tityus serrulatus chamado de escorpião amarelo. Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/search?q=Tityus+serrulatus&hl=pt- BR&client=firefox-a&hs=PtC&sa=G&rls=org.mozilla:pt-BR:official&channel=s&biw=1024&bih=610 &prmd=imvns&tbm=isch&tbo=u&source=univ&ei=zJeuTrO7MMi9gAforpyKCQ&ved=0CCUQsAQ>. Acesso em 22/10/2011. Escorpião marrom, conhecido também como escorpião preto, tem o nome científico de Tityus bahiensis. Esta espécie apresenta uma coloração com tom marrom-escuro e algumas vezes marrom-avermelhado, tem coloração mui- to escura e patas castanhas, e é encontrada nos estados de Minas Gerais, São Paulo, Paraná e Santa Catarina. Tityus bahiensis mede de 5 a 7 cm de compri- mento e é responsável, no Brasil, pelo maior número de casos de acidentes, principalmente, em áreas rurais. Esta espécie tem como característica principal a ausência de serras na cauda, facilitando, assim identificação. Figura 50: Tityus bahiensis chamado de escorpião marrom ou escorpião preto. Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/search?q=Tityus+serrulatus&hl=pt- BR&client=firefox-a&hs=PtC&sa=G&rls=org.mozilla:pt-BR:official&channel=s&biw=1024&bih=610 &prmd=imvns&tbm=isch&tbo=u&source=univ&ei=zJeuTrO7MMi9gAforpyKCQ&ved=0CCUQsAQ>. Acesso em: 22/10/2011. Tityus stigmurus apresenta uma coloração amarelo-claro com um tri- ângulo negro na cabeça e uma faixa longitudinal mediana e manchas laterais no tronco, mede 7 cm comprimento. Esta espécie é conhecida pelo povo como escorpião do nordeste do Brasil. Tem uma característica de se camuflar com o solo, para se confundir com o solo arenoso das regiões áridas em que habita. Tityus stigmurus possui uma especialidade na identificação, por ter um triângulo de coloração negra sobre o celotórax, acompanhado de uma faixa, de coloração também escura, ao longo do corpo. Celotórax: é a parte da maioria do corpo dos artrópodes que agrupa a cabeça e o tórax
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    e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilânciaem Saúde88 Figura 51: Tityus stigmurus apresenta uma coloração amarelo-claro. Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/search?q=Tityus+stigmurus&hl=pt- BR&client=firefox-a&hs=f6u&rls=org.mozilla:pt-BR:official&channel=s&biw=1024&bih=610&tbm=isc h&prmd=imvns&ei=EMOuTuu3HojKgQfhwsjTDw&start=20&sa=N>. Acesso em: 24/10/2011. Tityus metuendus é uma espécie que tem uma coloração vermelho- -escuro no tronco, quase negro, com manchas amarelo-avermelhadas, pa- tas com manchas amareladas; cauda da mesma cor do tronco. Esta espécie mede de 6 a 7 cm de comprimento e está distribuída nos estados da Amazo- nas, Pará e Acre. Figura 52: Tityus metuendus apresenta uma coloração vermelho-escuro. Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/search?q=Tityus+metuendus&hl=pt- BR&client=firefox-a&hs=PrF&rls=org.mozilla:pt-BR:official&channel=s&biw=1024&bih=581&tbm=isc h&prmd=imvns&ei=XMSuTrnjEMPYgAetvZHkDw&start=20&sa=N>. Acesso em: 26/10/2011. Tityus costatus, chamado de escorpião-manchado, não é tão fre- quente quanto o escorpião marrom ou o preto, contudo, também é encon- trado nos estados Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Seu corpo é escuro, e apresenta a cauda e as patas manchadas de marrom e amarelo. Figura 53: Tityus costatus, chamado de escorpião-manchado. Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/images?q=foto+Tityus+costatus&hl=pt-BR&tbm= isch&ei=k96uTtP3D8OdgQfztP3JDw&start=0&sa=N>. Acesso em: 26/10/2011.
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    e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas eAnimais Peçonhentos 89 14.3 Sintomas, tratamento e primeiros socorros O ferrão do escorpião apresenta-se preso à parte posterior do úl- timo segmento e compõe a parte de uma base bulbar e uma ponta curva aguda que injeta o veneno. Ele é produzido por um par de glândulas ovais, cada uma envolta por uma capa de fibras musculares lisas na sua base. Pela contração forte do envoltório muscular, o veneno na forma líquida é elimina- do das glândulas a um ducto comum esclerotizado que o conduz ao exterior. O escorpião eleva o pós-abdome sobre o corpo, dobrando-o para frente, usando um movimento de punhalada ao executar a picada. Os acidentes com escorpião acontecem mais à noite, pois, duran- te o dia, ficam escondidos em lugares escuros. As picadas são geralmente acidentais e acontecem quando as pessoas movem os materiais onde os es- corpiões estão abrigados. Esse aracnídeo fica quieto no abrigo, parecendo estar morto, e é confundido com o ambiente. É importante não mexer com o escorpião mesmo que ele pareça morto, pois, a sua picada é muito dolorosa. A pessoa que for picada deve procurar um pronto-socorro e, se puder, levar consigo o escorpião. A dor é o principal sintoma em acidentes com escorpião, e pode acontecer no local da picada ou não. O veneno age especialmente sobre o sistema nervoso, podendo levar a vítima à morte por insuficiência respirató- ria e cardíaca. Outros sintomas como sudorese, agitação, náuseas e vômitos podem acontecer. A pessoa acidentada por escorpião deve ser encaminhada imediatamente para o posto de saúde ou hospital, pois só o médico irá ava- liar se há necessidade de aplicação de soro antiescorpiônico. A toxicidade do veneno do escorpião nos seres humanos, de acordo com relatos clínicos, parece estar relacionada aos seguintes fatores: a toxi- dez do veneno é referente à espécie de escorpião; a quantidade de veneno injetada; o tamanho do corpo da vítima e também das suas condições clíni- cas. Por exemplo, as crianças sofrem maior risco de envenenamento grave do que os adultos, em virtude do seu pequeno tamanho. Os maiores casos de óbitos por picadas de escorpião acontecem em crianças pequenas. É impor- tante ressaltar que certas pessoas são alérgicas ao veneno dos escorpiões, por isso, nessas pessoas, as consequências são mais graves, podendo levar à morte rapidamente, especialmente devido à alergia do que pela toxicidade do veneno. O veneno da espécie Tityus serrulatus atua sobre o sistema ner- voso periférico, ocasionando sintomas de dor muito intensa, com pontadas intermitentes e ainda acontecem aceleração da pulsação e abaixamento da temperatura do corpo. O sinal da picada do escorpião geralmente não é per- ceptível, mas, a dor é forte e imediata. É fundamental informar se o aciden- tado teve a picada de escorpião ou aranha, já que os sintomas das picadas de ambos os aracnídeos são semelhantes com veneno neurotóxico. Falaremos agora sobre os primeiros socorros que são muito impor- tantes, sob o ponto de vista dos médicos, os quais salientam que: - nos aci-
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    e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilânciaem Saúde90 dentes por aranhas e escorpiões, que provocam dor intensa, práticas como pressionar ou sugar o lugar da picada têm comprovado ser de pouca eficácia; - o tratamento sintomático, à base de anestésicos e analgésicos, tem sido usado com resultados satisfatórios na maioria dos casos; - levar a vítima imediatamente ao serviço de saúde mais próximo para que possa receber o tratamento a tempo. Se a vítima for criança menor de 7 anos, o procedimen- to mais indicado é levá-la ao posto de saúde mais próximo, para o médico diagnosticar e fazer tratamento correto e, se for possível, levar o escorpião que causou o acidente; - lavar o local da picada do escorpião, de preferência com água e sabão; - fazer compressas mornas para alívio da dor até chegar a um serviço de saúde para as medidas necessárias; - mantenha a vítima deitada e evitar que ela se movimente para não beneficiar a absorção do veneno; - se a picada for na perna ou no braço, colocá-los em posição mais elevada; - Não fazer torniquete para impedir a circulação do sangue, pois isso pode proporcionar gangrena ou necrose; - não pode furar, cortar, quei- mar, espremer, não fazer sucção no local da ferida e nem aplicar folhas, pó de café ou terra sobre ela para não gerar infecção. Resumo Nesta aula, você aprendeu: • Métodos de prevenção e controle de acidentes com escorpiões; • As espécies mais importantes na saúde pública; • Sintomas, tratamento e primeiros socorros. Atividades de aprendizagem 1. Por que é difícil a erradicação dos escorpiões? 2. Por que os acidentes com escorpiões acontecem mais à noite?
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    e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas eAnimais Peçonhentos AULA 1 Alfabetização Digital 91 Aula 15 – Animais peçonhentos: Aranhas Objetivos • Entender a biologia e comportamento das aranhas; • Descrever a importância do método de prevenção, controle e sintomas; • Reconhecer as espécies mais importantes na saúde pública. 15.1 Biologia e comportamento das aranhas Os aracnídeos são uma classe do filo dos artrópodes que incluem escorpiões, carrapatos e ácaros. Já foram catalogadas aproximadamente 35.000 espécies de aranhas em todo globo terrestre. As aranhas são essen- ciais no ecossistema, pois fazem parte da cadeia alimentar e são predadoras apropriadas para equilibrar a população, principalmente, os insetos que em maior frequência podem se tornar pragas. As aranhas são divididas em dois grandes grupos, segundo a posição das quelíceras e a direção que os fer- rões se abrem e fecham. As aranhas da subordem Labidognatha, chamadas aranhas verdadeiras, picam de fora para dentro, isto é, picam na posição horizontal. As aranhas têm quatro pares de pernas e o corpo dividido em duas partes, cefalotórax e abdômen, e sem antenas. Já na cabeça, elas têm dois pares de apêndices: as quelíceras, em forma de ferrão, forma- das por quitina negra com uma ponta muito fina, e os pedipalpos (também chamados de palpos), que são usados para manipular alimentos. Existe um par de quelíceras, membro que possui uma abertura por onde passa o veneno ou peçonha. Porém, algumas aranhas conseguem morder a pele da pessoa para introduzir o veneno. O veneno, produzido por duas glân- dulas situadas na região das quelíceras, pode ser empregado na captura de presas e como defesa. A aranha produz o veneno para paralisar ou matar a vítima. No abdômen delas se localizam as fiandeiras que são glându- las que segregam a seda usada para fazer a teia. Os olhos das aranhas são simples, a maioria delas tem oito olhos, elas podem ter 6, 4, 2 ou mesmo nenhum olho, como no caso de algumas aranhas cavernícolas. Essa característica de número de olhos é importante para a identificação das diferentes famílias de aranhas. Quelíceras : servem para as aranhas injetarem veneno em suas presas
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    e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilânciaem Saúde92 Figura 54: Divisão do corpo da aranha. Fonte: Disponível em: <http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/aracnideos/classe- aracnidea-15.php>. Acesso em: 27/10/2011. Falaremos agora sobre os dois grupos de aranhas segundo a posição das quelíceras e a direção que os ferrões se abrem e fe- cham. Elas se distinguem em duas subordens, que são Labidognatha e Ortognatha. As aranhas pertencentes à subordem Labidognatha são chamadas de aranhas verdadeiras e têm como característica ferrões inoculadores de veneno, perpendiculares ao eixo longitudinal do corpo. Essas aranhas picam suas presas movimentando os mesmos lateralmen- te, de fora para dentro. Por isto são consideradas as mais perigosas e acarretam acidentes mais graves. Porém, as aranhas pertencentes à subordem Ortognatha apresentam os ferrões inoculadores de veneno paralelos entre si e paralelos também ao eixo longitudinal do corpo. Essas aranhas picam suas presas movimentando seus ferrões na posição vertical de cima para baixo; incluem-se nessa subordem as caranguejeiras, que não são consideradas aranhas perigosas. As aranhas são carnívoras e têm a preferência de se alimen- tarem principalmente de insetos, e também se alimentam de pequenos invertebrados. Certas espécies de caranguejeiras da Amazônia têm habili- dade para se alimentar de roedores e pássaros menores. As aranhas fazem uma digestão prévia antes de ingerir a presa, com intuito de eliminar pela boca sucos digestivos produzidos pelas glândulas salivares que são alastrados sobre as vítimas. Esse processo acontece para que o alimento seja transfor- mado em uma pasta semilíquida que é, então, absorvida por esse aracnídeo. Quando uma presa cai na teia, as aranhas seguram e a imobilizam com os pedipalpos. Porém, as aranhas têm como inimigos naturais as rãs, sapos, lagartixas, algumas espécies de peixes e pássaros. As aranhas têm como ha-
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    e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas eAnimais Peçonhentos 93 bitat os cupinzeiros, quaisquer buracos, cascas, galhos e folhas das árvores, sob troncos caídos, gramados, bem como próximo e dentro das residências. É interessante notar que certas espécies de aranhas constroem teias para capturar insetos que passam. Outras espécies desse aracnídeo procuram suas presas pelo chão e, ainda, há espécies que colocam armadilhas cavando buracos, os cobrem com terra e teia e ficam esperando a presa passar. Ou- tras espécies se escondem dentro de flores para pegar de surpresa insetos que vêm se alimentar. Nas aranhas, ocorre o dimorfismo sexual, que é caracterizado pela presença de bulbo copulador que fica nas extremidades dos pedipalpos, nos machos. A cópula acontece com o macho penetrando o bulbo copulador que contém o esperma na abertura genital da fêmea. Depois da cópula, o conte- údo espermático permanece guardado numa estrutura chamada de esperma- teca. É interessante ressaltar que os ovos são fertilizados no instante em que a fêmea alcança a postura. A fêmea deposita os ovos dentro de uma ooteca, que é um saco de seda onde ficam abrigados os ovos. A ooteca é depositada na teia ou pode ser enlaçada às folhas ou galhos dos vegetais ou ainda pode ser transportada pela fêmea até a eclosão dos filhotes. A fêmea continua junto à ooteca até o momento da eclosão dos filhotes. Os jovens são muito semelhantes aos adultos e quase sempre são canibais. Algumas espécies de aranhas podem se alimentar de pequenos vertebrados. Figura 55: Espécies diferentes de aranhas com suas ootecas. Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/search?q=foto+de+ooteca+de+aranha&hl=pt- BR&client=firefox-a&hs=RfX&sa=G&rls=org.mozilla:pt-BR:official&channel=s&biw=1024&bih=610 &prmd=imvns&tbm=isch&tbo=u&source=univ&ei=nRW3Tq-KKYHHgAfssIGZBA&ved=0CCAQsAQ>. Acesso em: 28/10/2011. As aranhas, bem como os escorpiões, possuem o corpo recoberto de quitina, (exoesqueleto), que é trocado periodicamente até a maturida- de. As fêmeas das aranhas caranguejeiras fazem anualmente a mudança da pele, mesmo depois de adultas. Por possuírem quelíceras muito grandes, sua picada é bastante dolorida, contudo, não há necessidade de aplica- ção de soro antiaracnídeo. Quando houver acidentes com este tipo de aracnídeo, a pessoa deve procurar um posto de saúde ou hospital para medicação.
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    e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilânciaem Saúde94 15.2 Métodos de prevenção, controle e sintomas Ainda não há produtos químicos comprovados para combater as aranhas. Portanto, o mais interessante é prevenir contra os acidentes, o que deve ser feito por meio de costumes e, também, em seu habitat. Veja a seguir coisas simples que as pessoas podem fazer para ajudar na solução dos problemas com as aranhas: - manter limpos jardins, terrenos baldios, quintais, forros de telhados, não acumulando entulho como telhas, madei- ras, tijolos e lixo doméstico. É muito importante cortar a grama dos jardins e recolher as folhas caídas com frequência; vedar soleiras de portas com saquinhos de areia ou friso de borracha, colocar telas nas janelas, vedar chão com tela ou válvula apropriada; depositar o lixo em sacos plásticos e mantê-los fechados para impedir o aparecimento de moscas e baratas e ou- tros insetos que são os alimentos preferidos das aranhas. As aranhas gostam de habitar em calçados, roupas, toalhas e roupas de cama; antes de usá-las, essas devem ser examinadas; andar sempre calçado e usar luvas de raspa de couro ao trabalhar com material de construção, lenha, e ao fazer a limpeza de seu quintal, e, ainda, manter caixas de gordura bem vedadas para não atrair baratas, que são alimento para esse aracnídeo. Precisamos deixar claro que o uso periódico de inseticidas não é so- lução para se evitar aranhas, pois, além de custo elevado, a aplicação desses produtos tem pouco efeito sobre as aranhas e pode provocar intoxicações em animais domésticos e nas pessoas. Uma boa solução é retirar o material acumulado onde as aranhas possam se esconder, o que evitaria reinfestação. Se, por acaso, precisar de aplicação de inseticida, deve ser aplicada a calda do produto diretamente nos esconderijos e abrigos localizados nas pequenas frestas, rachaduras, reentrâncias, gretas e nichos existentes nas superfícies, por meio de pulverizadores manuais, visando principalmente o extermínio das baratas e aranhas. Além das que foram citadas anteriormente, as ações educativas orientadas nas áreas de risco constituem a melhor das medidas de prevenção de acidente contra as aranhas. É importante esclarecer que as aranhas só atacam quando forem atacadas, elas não são agressivas. As aranhas apresentam uma peculiaridade: possuem hábitos domésticos, muitas vezes fazendo seus ninhos dentro de nossas habitações; talvez por isso os acidentes com esse aracnídeos sejam mais comuns, comparados com os que ocorrem com escorpiões. Existe uma pequena porcentagem de aranhas venenosa para os se- res humanos, o que significa que elas podem injetar perigosas peçonhas. É importante perceber que os efeitos do veneno desse aracnídeo se diferem, segundo espécie, idade e sexo da aranha e também da idade e da saúde da pessoa que foi picada. Nos venenos, há neurotoxinas que podem afetar o sistema nervoso, causando alguns sintomas como dificuldade de respirar, tonturas, embaçamento da visão, náusea e músculos rígidos, etc. O veneno pode, ainda, necrosar o tecido em volta da mordida. A pessoa que for picada deve procurar o médico, pois, assim, o dano será menor. Embora seja raro,
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    e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas eAnimais Peçonhentos 95 uma picada de aranha sem o devido tratamento pode matar, principalmente as crianças. Há relatos em países onde as aranhas perigosas como a viúva-ne- gra e a reclusa marrom teriam matado, mas o perigo é menor para adultos saudáveis. Essas aranhas ficam reclusas por natureza e só agridem quando se sentem ameaçadas. Figura 56: Tecido necrosado em volta da mordida da aranha. Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/images?q=foto+de+mordida+da+aranha&bt nG=Pesquisar&hl=pt-BR&source=hp&gbv=2&gs_sm=s&gs_upl=3266l23219l0l24953l40l40l0l18l18 l2l797l6438l4-1.8.2l11l0&oq=foto+de+mordida+da+aranha&aq=f&aqi=&aql=&oi=image_result_ group&sa=X>. Acesso em: 29/10/2011. Em caso de acidentes com aranhas venenosas, os primeiros socor- ros são essenciais, principalmente, para as crianças menores de 7 anos. É im- portante capturar o animal que causou o acidente e levar junto com a pessoa picada para se fazer o diagnóstico e o tratamento correto. Um ponto muito importante é que nunca deve aprisionar as aranhas em saco de plásticos, pois as fugas e acidentes são inevitáveis. Procure capturar esse aracnídeo em frascos de vidro e nunca pegar diretamente com as mãos. Os acidentes que envolvem as aranhas geram dor intensa, a prática de espremer ou sugar o local da picada é quase sem efeito. Os resultados são satisfatórios, na maio- ria dos casos de picadas de aranha, com uso de tratamento sintomático, à base de anestésicos e analgésicos. O procedimento mais eficiente e indicado é levar a vítima à Unidade Básica de Saúde (posto de saúde) mais próxima. Os primeiros socorros para uma vítima picada por uma aranha é semelhante aos do escorpião. (Ver no item 14.3 Sintomas, tratamento e pri- meiros socorros.) 15.3 As espécies mais importantes na saúde pública As espécies mais perigosas, no Brasil, são as aranhas que costumam causar acidentes com envenenamento nos seres humanos, principalmente, as espécies que pertencem aos gêneros Loxosceles, Phoneutria e Latrodec- tus. Abaixo, estão as principais espécies de aranha brasileiras.
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    e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilânciaem Saúde96 A viúva-negra ou aranha-do-linho tem o nome científico de La- trodectus mactans, é uma espécie pouco agressiva, pica somente quando é comprimida ao corpo, por exemplo, ao se calçar um sapato ou usar roupas, bonés, etc., porém, a sua picada é muitas vezes fatal. Vivem em grupo e em teias que constroem sob vegetação rasteira, em arbustos, jardins, barrancos, residências, etc., em lugares escuros e frescos. Têm cor preta, com manchas vermelhas no abdômen e às vezes nas pernas, o que caracteriza esta espé- cie. Essa espécie é pequena, a fêmea apresenta de 2,5 a 3 cm e o macho é de 3 a 4 vezes menor. O nome deriva do fato de a fêmea comumente se ali- mentar do macho após o acasalamento. As viúvas-negras podem tecer teias. Os sintomas da picada da viúva-negra aparecem num período de 40 e 60 minutos depois da picada, a vítima apresenta como característica dor local intensa, dor no abdômen, dores musculares, perda de calor, sudorese, que é eliminação excessiva de suor nas glândulas, angústia, excitação, con- fusão mental, rigidez do abdômen, e em casos graves ocorrem choques. É importante levar a vítima para fazer tratamento com soroterapia. Figura 57: Viúva-negra e sua ooteca. Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://calphotos.berkeley.edu/ imgs/512x768/0000_0000/1200/0110.jpeg&imgrefurl=http://calphotos.berkeley.edu/cgi/img_quer y%3Fenlarge%3D0000%2B0000%2B1200%2B0110&usg=__NaBVxZtuHpQjmxUlopfGc2wpxJA=&h=567 &w=645&sz=99&hl=pt-BR&start=123&zoom=1&tbnid=958SlUO8iLovDM:&tbnh=120&tbnw=137&ei=6 v24ToeHIMa3tgf_w8DLBw&prev=/images%3Fq%3Dfoto%2Bde%2BLatrodectus%2Bmactans%26start%3 D105%26hl%3Dpt-BR%26sa%3DN%26gbv%3D2%26tbm%3Disch&itbs=1>. Acesso em: 30/10/2011. Phoneutria nigriventer, chamada de aranha armadeira, tem uma coloração marrom, com pares de anchas ao longo da parte dorsal do abdô- men; possuem oito olhos e têm o tamanho aproximado de 6 cm de compri- mento, podendo atingir até 12 cm, incluindo as pernas. Vivem em bananeiras, sob troncos caídos, bem como, próximo e dentro das moradias. Phoneutria nigriventer não fazem teia e assumem posição de defesa quando se sentem ameaçadas. Os acidentes ocorrem quando são transportadas junto com as bananas para o exterior e, também, quando colocamos a mão em ambientes escuros, ou dentro de caixas, calçamos os sapatos, caixas, papéis, etc. A ara- nha pica ao sentir o movimento à sua frente, o que para ela é uma ameaça.
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    e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas eAnimais Peçonhentos 97 Essa espécie vive aproximadamente dois anos e se acasala no inver- no, sua ooteca é branca e tem um formato parecido com prato. É na ooteca que a mãe fica por cima cuidando dos ovos. O desenvolvimento se dá entre 20 e 25 dias, a postura tem aproximadamente 700 ovos. Após o nascimento, os filhotes tecem seu próprio fio, o que leva desenvolver um lençol horizon- tal, e, a cada noite, eles tecem um novo lençol, até que esse alcance meio metro do chão. Esses fios servem para capturar a presa. Os filhotes dessa espécie podem ter como a sua primeira refeição a prática do canibalismo e ficar longe de predadores até que alcancem uma vida independente. A aranha armadeira tem hábitos crepusculares e noturnos, alimen- tam-se de insetos, em geral, não constroem teias e caminham em vários lugares a fim de buscar alimento. A picada provoca dor intensa por toda a região, as quais prosseguem durantes algumas horas. Sintomas mais caracte- rísticos são tontura, queda de pressão, vômitos, sudorese, prostração, disp- néia, aumento das secreções glandulares e espasmos. Esta espécie é típica dos Estados do Espírito Santo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Goiás, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Figura 58: Aranha armadeira. Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/images?q=foto+de+Phoneutria+nigriventer&hl= pt-BR&gbv=2&tbm=isch&ei=4v-4Tr2lGMq5tgeGkdmeBw&start=21&sa=N>. Acesso em: 31/10/2011. As aranhas marrons têm o nome científico de Loxosceles spp., são espécies venenosas, pois sua picada proporciona necroses na vítima. São membros da família Sicaridae. Elas têm uma cor típica de marrom. Algumas espécies apresentam o desenho de uma estrela no cefalotórax. As espécies marrons tecem as teias de formas irregulares, seu hábito é fazer a peregri- nação noturna e possui alta atividade no verão. Durante o dia, continuam escondidas sob cascas de árvores e folhas secas das plantas, atrás de móveis, em sótãos, porões e garagens, no ambiente doméstico. As aranhas marrons possuem 6 olhos em três pares, são pequenas, com aproximadamente 1,5cm de tamanho. Não são agressivas, picam somente quando são comprimidas ao corpo, como por exemplo, quando vestimos uma calça, um sapato, um boné, etc. É uma espécie que vive entre os seres humanos, por isso, é considerada uma aranha doméstica. Não são exclusivamente silvestres – o que proporcio-
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    e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilânciaem Saúde98 na mais os acidentes nas pessoas. Esta espécie está infestando certas cida- des da Região Sul, por isso tem sido feito um trabalho de controle da aranha. A aranha marrom faz uma teia que se parece com fios de algodão, em formato de lençol e sem uma forma definida, onde afunilam para um bu- raco nas raízes, folhas caídas, barranco, montes de telhas, tijolos, etc., habi- tam em ambientes escuros e úmidos. Esta espécie alimenta-se de pequenos insetos como grilos e baratas que penetram na região de seu abrigo e ficam presos em sua teia para depois servirem de alimentos. Produzem uma ooteca arredondada, de coloração branca, que contém de 60 a 200 ovos, com gesta- ção de aproximadamente 23 dias. Duram cerca de um ano e meio. É interes- sante notar que o veneno da aranha marrom não gera muito efeito quando aplicado em camundongos, ratos, coelhos, e outros animais de laboratório. Entretanto, para as pessoas, seu efeito é muito intenso, podendo levar à morte uma criança ou um adulto debilitado. Sua toxina tem ação necrosante, provocando ações lesivas como proteolítica, hemolítica e coagulante. Figura 59: Aranha marrom. Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/images?hl=pt-BR&source=hp&btnG=Pesquisa+ Google&gbv=2&oq=foto+Loxosceles+&aq=f&aqi=&gs_upl=2594l7438l0l8844l6l6l0l0l0l1l531l1891l3- 1.2.1l4l0&oi=image_result_group&sa=X&q=foto%20Loxosceles&tbm=isch>. Acesso em: 01/11/2011. Lycosa erythrognatha tem nome comum de aranha-de-grama, aranha-de-jardim, aranha-lobo e tarântula. Pertence à família Lycosidae e possui cor marrom-clara, por vezes acinzentada, e ventre negro, com pelos vermelhos perto dos ferrões e uma mancha escura em forma de flecha sobre o corpo. As quelíceras com pelos alaranjados ou avermelhados, e, ainda, no dorso do abdome tem um desenho negro no formato de seta. Atinge até 5 cm de comprimento, incluindo as pernas. Vivem em gramados e casas. É uma espécie encontrada com frequência em todo território do Brasil. Apesar de ocasionarem acidentes com frequência, o veneno de Lycosa erythrognatha é pouco tóxico para o ser humano, não é considerado perigoso para o homem, não precisando de tratamento com soro. O veneno dessa espécie proporciona uma dor intensa e transitória no local da picada, com sensação de queima, e pode provocar reações alérgicas. No entanto,
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    e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas eAnimais Peçonhentos 99 a mordida não causa problemas mais graves. O tratamento geralmente não é necessário, eventualmente a dor poderá ser controlada com analgésicos orais. É interessante destacar que esta espécie é ativa tanto durante a noite como também durante o dia. Alimenta-se principalmente de insetos e outras aranhas. Quanto à reprodução, é ovípara e rápida, podendo penetrar em habitações humanas, tentando fugir quando molestadas. Figura 60: Aranha-de-grama e sua ooteca. Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/images?q=foto+Lycosa+erythrognatha&hl=pt-BR &gbv=2&tbm=isch&ei=zAO5TpPOAtHngQf0svC1CA&start=21&sa=N>. Acesso em: 02/11/2011. Aranhas caranguejeiras ou tarântulas pertencem à família Therapho- sidae. Esse aracnídeo é temido, devido ao seu tamanho e aparência e, geral- mente, atingem 10 cm de corpo e 30 cm de envergadura e, ainda se caracteriza por ter patas longas e com duas garras na ponta, e o corpo é revestido de pelos. Todavia, no Brasil, não são catalogadas espécies responsáveis por envenenamen- to no ser humano. Mas, as picadas provocam somente dor de curta duração e de pequena intensidade. Aranhas caranguejeiras vivem, geralmente, em locais iso- lados das pessoas, como galerias subterrâneas, buracos em barrancos, cupinzei- ros, árvores e etc. O ferrão em posição vertical diminui o efeito do mecanismo de picada. Portanto, essas aranhas raramente provocam acidentes, principal- mente as aranhas de espécies de grande porte e peludas. É importante lembrar que, além da inoculação de veneno, que não tem toxinas nocivas ao homem, as aranhas caranguejeiras têm outro mecanismo de defesa, que inclui, com mais frequência, o uso de espalhar nuvem de pelos com ação irritante em direção ao inimigo. Esses pelos podem ocasionar alergias com manifestações cutâneas ou problemas nas vias respiratórias altas. As aranhas caranguejeiras são agressivas e possuem ferrões grandes, responsáveis por ferroadas dolorosas. O tratamento não precisa de soro. As tarântulas habitam as regiões temperadas e tropicais das Américas, África, Oriente Médio e Ásia. A caranguejeira da Amazônia pode alcançar a até 26 cm, sendo, neste caso,, a maior aranha do mundo. Elas possuem pelos compridos nas pernas e no abdômen. Esse aracnídeo utiliza as teias apenas para colocar seus ovos, não para caçar suas vítimas. Apesar de ele ser muito temido, os acidentes com esse aracnídeo são raros e sem gravidade, no entanto, essa aranha tem pelos soltos e os utilizam quando são ameaçadas. Estes pelos podem proporcionar coceira, irritações e lesões. Não se produz o soro contra seu veneno. As caranguejeiras ocorrem em florestas e matas de todo o país.
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    e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilânciaem Saúde100 Figura 61: Aranhas caranguejeiras. Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/images?q=foto+de+Aranhas+caranguejeiras&hl= pt-BR&gbv=2&tbm=isch&ei=_gS5ToKnE8vPgAej2vjmCA&start=21&sa=N>. Acesso em: 02/11/2011. Resumo Nesta aula, você aprendeu: • Biologia e comportamento das aranhas; • Métodos de prevenção, controle e sintomas; • As espécies mais importantes na saúde pública. Atividades de aprendizagem 1. Há uma pequena porcentagem de aranhas venenosas para os seres hu- manos, o que significa que elas podem injetar em suas vítimas perigosas peçonhas. Quais são as características peculiares das aranhas que fazem os efeitos do veneno modificar? 2. Atenção: sugiro que você, aluno, faça uma pesquisa sobre aranhas no site http://pt.scribd.com/doc/52779427/23/As-aranhas-de-importancia-medica. Acesse o vídeo e, de acordo com ele, responda: o que mais lhe chamou a atenção no item vigilância em saúde?
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    e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas eAnimais Peçonhentos AULA 1 Alfabetização Digital 101 Aula 16 – Animais peçonhentos: Serpentes Objetivos • Entender a biologia e o comportamento das serpentes; • Descrever a importância do método de prevenção de aciden- tes, primeiros socorros e sintomas; • Reconhecer as espécies de serpentes mais importantes na saú- de pública no Brasil. 16.1 Biologia e comportamento das serpentes As serpentes têm o nome de cobras ou ofídios, são répteis peci- lotérmicos ou poiquilotérmicos, pertencentes ao filo Chordata, classe Rep- tilia, ordem Squamata e a subordem Serpentes ou Ophidia. As serpentes não possuem patas, seu corpo é alongado e recoberto por escamas. Elas também são desprovidas de pálpebras e de aparelho auditivo externo. Elas se enrolam para não perder calor, pois seu metabolismo não tem um sistema de controle da temperatura. Sua visão é deficiente e utilizam outros órgãos sensoriais para equilibrar esta carência. As cobras usam a língua bifurcada ou bífida para examinarem o ambiente ao seu redor. Muitas são venenosas sem, no entanto, serem consideradas peçonhentas, já que esta classificação implica que tenham condições de inocularem este veneno. No Brasil, exis- tem mais de 370 espécies de ofídios, distribuídas em dez famílias: Viperidae, Elapidae, Anomalepididae, Aniliidae, Leptotyphlopidae, Colubridae, Typhlo- pidae, Dipsadidae, Tropidophiidae e Boidae. As serpentes peçonhentas per- tencem às famílias Elapidae e Viperidae. Observemos que há diferença entre serpentes quanto à reprodução. Algumas serpentes são ovíparas e colocam seus ovos em locais protegidos da luz solar. No entanto, as fêmeas de outras espécies geram seus filhotes no interior do corpo. Em geral, os órgãos genitais ficam protegidos na cauda do macho. O tempo da cópula pode variar de alguns minutos e atingir até 72 horas. Interessante citar que os filhotes, quando nascem, são abandonados pelos pais, e por isso são obrigados a procurar alimento e água. Na fase adul- ta ocorre a mudança de pele, pois a camada externa de escamas é rígida e não acompanha o crescimento do corpo. A dentição das serpentes peçonhentas tem dois tipos de caracterís- ticas. No primeiro caso, há a dentição peculiar da cobra coral verdadeira, onde o veneno é injetado por um par de dentes dianteiro, fixo e peque- no, chamada dentição proteróglifa, isto é, a coral verdadeira é obrigada a morder para inocular seu veneno. No segundo caso, há a dentição peculiar, Poiquilotérmicos: são animais de sangue frio, que não possuem mecanismo interno próprio para regular a temperatura do seu corpo, ou seja, a temperatura de seu corpo é variável e depende da temperatura do ambiente onde estiverem inseridos.
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    e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilânciaem Saúde102 chamada solenóglifa, de onde o veneno sai de dois dentes móveis e grandes da jararaca, cascavel, urutu, surucucu, etc. Esses dentes longos são seme- lhantes a uma agulha de injeção. Quando os dentes ficam curvados para trás, a cobra está com a boca fechada e, quando os dentes se movem para frente é o momento em que a serpente abre a boca para dar o bote, ou seja, cas- cavel, jararaca, urutu, surucucus, etc., não mordem, porém, essas espécies apenas batem com a boca aberta na vítima e introduzem o veneno com suas presas como se fossem duas agulhas de injeção (picada). Precisamos deixar claro que as serpentes são carnívoras e, em ge- ral, algumas espécies se alimentam de ratos, rãs, sapos, peixes, moluscos, pássaros, pequenas aves, lagartos, e, também, de outras espécies de ser- pentes. As peçonhentas usam seu veneno para paralisar e matar a presa. Depois da morte, a serpente engole sua presa inteira sem mastigar. A diges- tão se dá totalmente no estômago. É importante a presença dos ofióideos no equilíbrio ecológico, pois as cobras caçam certas espécies de animais, principalmente as pragas como os ratos, impedindo o aumento da população dos roedores. As serpentes também agem no controle de populações de ou- tras cobras. É o caso da muçurana, que se alimenta de jararacas. Figura 62: Serpente alimentando-se com um rato. Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/images?q=foto+de+Bothrops&hl=pt-BR&gbv=2&t bm=isch&ei=pZ67TsTcDYnqgQf817WMBw&start=42&sa=N>. Acesso em: Acesso em: 06/11/2011. Consideremos que as cobras peçonhentas, geralmente, não são agres- sivas, elas picam apenas quando são molestadas, ou seja, elas agem mais no sentido de defesa do que de ataque. Como exemplo, podemos citar a coral verdadeira, que é relativamente dócil, procurando fugir quando perseguida ou molestada. Já cascavel é pouca agressiva, que anuncia sua presença com o ruído típico de seu guizo. Porém, a surucucu é apontada por ser mais violenta e hábil para perseguir as pessoas. É preciso destacar que o bote da serpente é proporcional ao seu comprimento, pois o bote alcança, em média, um terço do comprimento do animal, no entanto, pode alcançar quatro quintos do seu com- primento, como ocorre com a espécie surucucu. A pessoa não pode esquecer que as serpentes, quando estão nadando, picam sem dar botes.
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    e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas eAnimais Peçonhentos 103 16.2 Métodos de prevenção de acidentes, pri- meiros socorros e sintomas Precisamos ressaltar a importância de se prevenir de picadas dos ofídios peçonhentos, conhecendo os hábitos e habitats, que são medidas simples e eficientes que as pessoas podem empregar, como: - o uso de botas de cano alto ou perneira de couro, botinas ou sapatos pode evitar acidentes, pois cerca de 80% das picadas atingem as pernas abaixo dos joelhos; utilizar luvas de aparas de couro para manipular montes de lixo, folhas secas, palha, lenha, etc. e não botar as mãos em buracos ou sob montes de pedras (pode- -se usar, para isso, um pedaço de pau ou uma enxada); as cobras gostam de habitar em lugares escuros, quentes e úmidos; verificar os calçados, pois serpentes podem refugiar-se dentro deles. É interessante ter o cuidado ao mexer em palhas de arroz, feijão, milho ou cana, pilhas de lenha e revirar cupinzeiros, onde as serpentes costumam residir. Fazer a limpeza de paióis e terreiros e não deixar amontoar lixo, para evitar a presença de ratos, pois, onde há ratos, pode haver serpentes. Fechar os buracos nos muros, assoalhos e as frestas das portas; evitar acúmulo de entulho de pedras, tijolos, telhas, madeiras, lixo e não deixar as plantas invasoras crescerem próximo da casa, pois podem atrair e abrigar pequenos animais que servem de alimentos às serpentes. É muito importante preservar inimigos naturais das cobras, entre eles estão o gambá, a raposa, os gaviões e corujas, e criar aves domésticas, que se alimentam de serpentes. Em caso de acidentes com serpentes peçonhentas, os primeiros socorros são essenciais. Poucos acidentados levam até o hospital a cobra causadora do acidente. Assim, o mais importante é reconhecer o gênero causador, pois, na maioria das vezes, é por meio desse gênero que o médico observa os sintomas e se faz o diagnóstico clínico. No entanto, pode ocorrer o perigo de confusão com os nomes populares e a associação destes com os nomes científicos, pois uma espécie de serpente pode ter mais de dois nomes populares. Os primeiros socorros em caso de picada de cobra são: - procurar ajuda imediatamente e correr contra o tempo, pois o tratamento deve ser realizado antes de 30 minutos depois da picada; - a vítima tem que ficar dei- tada e não deve se locomover com os próprios meios, ficando calma; - lavar o local da picada apenas com água e sabão ou com água; - colocar compressa de gelo no local; - manter o paciente hidratado; - transportar o acidentado em maca ou com outro recurso até o médico mais próximo para fazer o tra- tamento com aplicação do soro. Sempre comunicar o comando sobre o ocor- rido, para as medidas mais urgentes. É proibido fazer garrote ou torniquete e perfurar ou cortar o local próximo da picada e, ainda, não se deve colocar pó de café, folhas ou outras substâncias que possam contaminar a ferida; jamais dar bebidas alcoólicas, querosene ou outros líquidos tóxicos ou utilizar de outras práticas que possam retardar o atendimento médico. A melhor ajuda é levar a vítima imediatamente para ser socorrido pelo médico.
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    e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilânciaem Saúde104 Os sintomas e sinais são decorrentes da picada das serpentes peço- nhentas e são ajustados de acordo com quantidade de veneno inoculado na víti- ma. Entre os sinais e sintomas característicos estão: marca dos dentes na pele, dor local e inflamação, problemas de visão, náuseas e vômitos, hemorragias, pulso acelerado, respiração dificultosa e debilidade física. As serpentes per- tencentes a diferentes grupos, como Botrópico, Crotálico e Elapídico, os quais apresentam suas peculiaridades de sintoma, de acordo com a Tabela 1. TABELA 1 Sintomas que podem orientar na classificação das serpentes causadoras do acidente   GRUPO BOTRÓPICO (Jararaca, Urutu, etc.) GRUPO CROTÁLICO (Cascavel) GRUPO ELAPÍDICO (Coral verdadeira) Picada e re- ações locais Dor local persisten- te, com aumento progressivo. Incha- ção, vermelhidão, arrocheamento, podendo aparecer bolhas. A dor local é pouco comum e, quan- do ocorre, não é intensa. A região da picada perma- nece normal ou mostra pequeno aumento de volume, com sensação de adormecimento ou formigamento. Em geral não há dor ou outra reação local. Sensação de adormecimento ou formigamento na região atingida, que se difunde para a raiz do membro afetado. Fácies (ex- pressão da face) Normal Fácies neurotó- xica: pálpebras superiores caídas ou semicerradas. Di- minuição ou mesmo perda da visão. Fácies neurotóxi- ca, que pode ser acompanhada de salivação grossa, dificuldade de engolir, às vezes, de falar (articular palavras). Dores Mus- culares - Podem ocorrer em uma ou várias partes do corpo, particularmente na região da nuca. - Sangue Incoagulável (caso grave) - - Urina - Diminuição do vo- lume, cor de vinho tinto (caso grave). - Fonte: Disponível em: <http://www.citycastelo.com.br/ajuda/zoonoses/serpente.htm>. 16.3 As espécies mais importantes na saúde pública no Brasil Os ofídios peçonhentos são responsáveis por muitos acidentes no Brasil e, de acordo com a quantidade de veneno injetado, podem matar ou Caro estudante, use a internet e acesse o site da (http://www. portalsaofrancisco. com.br/alfa/acidentes- animais-peconhentos/ acidentes-animais- peconhentos-2. php) para ter mais informações sobre serpentes peçonhentas e sobre as pesquisas sobre o assunto. Fique atento para as pesquisas que possam ser usadas na sua região.
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    e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas eAnimais Peçonhentos 105 incapacitar os acidentados, quando esses não forem atendidos em tempo hábil e tratados de forma adequada, com a aplicação dos soros apropriados. Os acidentados mais comuns são com os trabalhadores rurais. É importante conhecer as espécies de cobras peçonhentas e, também, seu comportamen- to e habitats. Com isto, auxilia-se muito na prevenção de acidentes com esses animais. Falaremos agora sobre ofidismo, que é o nome dado a acidentes que envolvem as serpentes. No Brasil, a ocorrência anual de ofidismo é de aproximadamente quinze casos para cem mil habitantes. Os casos de vítima aumentam nos meses chuvosos e quentes do ano. Serpentes do gênero Micrurus são serpentes da família Elapidae; são as corais verdadeiras, têm nome científico de Micrurus sp., são cosmopo- litas, exceto no Norte da Eurásia e do Norte da América do Norte. Elas não apresentam a fosseta loreal e a pupila do olho é redonda, as escamas dorsais são lisas. Essas corais verdadeiras apresentam o padrão de colorido com anéis vermelhos, pretos, amarelos ou brancos em toda a circunferência do corpo. Seu veneno é muito perigoso ao homem. Sua picada causa dificuldade em abrir os olhos e visão dupla com cara de bêbado, pálpebras caídas, falta de ar, dificuldade para engolir e, nesse caso, a vítima fica sufocada. O trata- mento de acidentado com as corais verdadeiras consiste somente na aplica- ção do soro antielapídico. Os acidentes dessa espécie representam menos de 1% dos acidentes ofídicos. As corais verdadeiras existem em todo o território brasileiro. Há diferença da falsa coral: na falsa coral, os anéis não contornam todo o corpo; já coral verdadeira os anéis contornam todo seu corpo. Figura 63: Micrurus sp. Coral verdadeira. Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/images?q=foto+de+Micrurus+sp+coral+verdade ira&btnG=Pesquisar&hl=pt-BR&source=hp&gbv=2&gs_sm=s&gs_upl=2578l7422l0l9156l17l16l0l10l0 l0l578l578l5-1l1l0&oq=foto+de+Micrurus+sp+coral+verdadeira&aq=f&aqi=&aql=&oi=image_result_ group&sa=X>. Acesso em: 07/11/2011. O gênero Bothrops compreende cerca de 30 espécies, que são dis- tribuídas na América do Sul, principalmente, em todo território brasileiro. Essas serpentes existem em todo tipo de vegetação e solo dos biomas do Brasil e podem, também,ser encontradas nas zonas rurais, em terrenos agrí- colas e periferias de zona urbana. Esses ofídios gostam de ambientes úmidos onde possuem alimentos, principalmente, onde exista grande número de
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    e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilânciaem Saúde106 roedores, que faz parte de sua alimentação, e esses roedores habitam depó- sitos de lenha, paióis, celeiros e outros locais. As espécies desse gênero de serpente possuem hábitos predominantemente noturnos ou crepusculares, que pode ser antes do nascer do sol e depois o pôr do sol. As serpentes desse gênero têm nomes populares conhecidos como jararaca, jararacuçu, urutu-cruzeiro, cotiara, jararaca-pintada, caiçara e outros mais. Podem alcançar mais de um metro de comprimento e apre- sentar comportamento agressivo quando se sentem molestadas, desferindo botes sem produzirem ruídos. Sua picada causa inchaço e perda de sangue, inclusive pelas gengivas. Como tratamento, usa-se o soro antiofídico, o soro antibotrópico, que é o específico, mas pode aplicar ainda o soro antibotró- pico-laquético. O acidente botrópico é responsável por cerca de 90% dos en- venenamentos no Brasil. Podemos citar aqui algumas espécies do Bothrops, entre as quais estão Bothrops jararaca, Bothrops jararacussu, Bothrops alter- natus e Bothrops neuwiedi. Popularmente conhecida como jararaca, jararaca ilhoa, jararaca pintada, jararaca-do-rabo-branco, jararacuçu, urutu ou cruzeira, esta es- pécie tem colorido muito variável, consistindo de uma cor de fundo dorsal, que pode ser bege, cinza, amarelo, verde-oliva, marrom ou quase preta. Têm corpo delgado, medindo aproximadamente 1 metro. Essa serpente é ágil, sobe com facilidade em telhados baixos e arbustos e ainda têm grande capacidade adaptativa, ocupando e colonizando áreas agrícolas, suburbanas, urbanas e silvestres. Esse réptil é encontrado no Brasil, desde o Rio Grande do Sul até a Bahia, em especial na região de cerrado, mas também é encon- trada em regiões adjacentes – no Paraguai e na Argentina. Figura 64: Jararaca (Bothrops jararaca). Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://rpg_ficcao.sites. uol.com.br/Bestiario/surucucu.jpg&imgrefurl=http://rpg_ficcao.sites.uol.com.br/Bestiario/ Jararaca.htm&usg=__Jl4A0drjR2eCEH_zkkVl4dfMl9U=&h=161&w=240&sz=13&hl=pt- BR&start=4&zoom=1&tbnid=yhE9wu-To7G68M:&tbnh=74&tbnw=110&ei=XbW7TvOBC4zrtger3PDABw &prev=/images%3Fq%3DBothrops%2Bjararaca%26hl%3Dpt-BR%26sa%3DX%26gbv%3D2%26tbm%3Disch &itbs=1>. Acesso em: 07/11/2011. Bothrops jararacussu, chamada de jararacuçu, é uma das mais importantes serpentes do gênero Bothrops, alcança até 2 m de comprimento e é bem corpulenta. Esse ofídio é muito temido pela quantidade de veneno que pode injetar e, também, por ser muito bravo e perigoso. O colorido
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    e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas eAnimais Peçonhentos 107 apresenta diferenciação, dependendo da idade e do sexo do animal. Quando jovens, têm a cor em tons marrons, já nos adultos geralmente as manchas são pretas sobre fundo amarelo nas fêmeas, e sobre fundo marrom e cinza nos machos. É difícil localizar uma jararacuçu no meio da floresta, porque passa o dia enrodilhada se aquecendo e tem hábitos noturnos, além disto, esta espécie se camuflada com o ambiente. É encontrada no Brasil na Região Sul, Centro-Oeste, Sudeste e no Estado da Bahia e, também,na Argentina, Paraguai e Bolívia. Figura 65: Jararacuçu Bothrops jararacussu. Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/images?q=Bothrops+jararacussu&hl=pt-BR&gbv =2&tbm=isch&ei=J8C7TpXKKcWCtgeJwZCiBw&start=168&sa=N>. Acesso em: 08/11/2011. Bothrops alternatus, conhecida como urutu-cruzeiro, urutu ou cru- zeira, é uma serpente muito temida, talvez por ser uma das maiores produtoras de veneno do Bothrops. É um animal corpulento, que pode atingir até 2 m de comprimento. A coloração é marrom, porém, varia do tom mais claro “amarela- do”, para um tom de marrom escuro. Vive nos campos e em outras áreas aber- tas e solos pedregosos. Bothrops alternatus é mais comum de se encontrar no extremo sul do Brasil e áreas próximas. Ao longo do corpo, há formas que lembram um gancho de telefone ou uma ferradura, e cujo contorno interno tem uma forma aproximada de uma cruz. Figura 66: Urutu cruzeiro (Bothrops alternatus). Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/images?q=Bothrops+alternatus&hl=pt-BR&gbv=2 &tbm=isch&ei=LtO7Tv7APJCgtwfs_cCxBw&start=21&sa=N>. Acesso em: 09/11/2011.
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    e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilânciaem Saúde108 Crotalus durissus é o nome científico da espécie de cascavel, co- nhecida também como cascavel-de-quatro-ventas, boiquira, maracá, mara- caboia e boiçununga. Os machos são maiores que as fêmeas, podendo alcan- çar 1,5 m de comprimento. A cascavel é identificada pelo chocalho ou guizo em sua cauda, que é uma característica marcante, que a cobra faz vibrar, produzindo um som. Sua intenção é advertir animais de grande porte de sua presença, para não ser incomodada. Pode ser encontrada nas regiões de campos, cerrados e regiões secas em todo o Brasil, com exceção da floresta amazônica, pois nunca são encontradas no interior das florestas. É distribuí- da no continente americano, que vai do México até Argentina. A cascavel tem uma coloração marrom do corpo com losangos ver- ticais escuros, e cores claras na margem. A parte dorsal da cauda é escura com barras transversais da mesma tonalidade. A região ventral é mais clara. Os sintomas da sua picada são a dificuldade de abrir os olhos, a visão dupla, a chamada “cara de bêbado” e a urina cor de coca-cola. O tratamento con- siste na aplicação do soro anticrotático ou do soro antiofídico polivalente. Os componentes de sua peçonha agem especialmente em nível renal e nervoso. Alimentam-se de pequenos mamíferos e aves. Seus principais predadores naturais são os gambás, emas, gaviões, seriemas, guarás, corujas, cobra mu- çurana e coral verdadeira. Possui hábitos noturnos e crepusculares. Contudo, pode caçar também durante o dia. Como a maioria das cobras peçonhentas, possui fosseta loreal que lhe permite “ver” no infravermelho. Figura 67: Cascavel (Crotalus durissus). Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/imgres?q=foto+de+Crotalus+caracteristic as+com+chocalho&hl=pt-BR&client=firefox-a&hs=sNY&sa=G&rls=org.mozilla:pt-BR:official&c hannel=s&biw=1024&bih=578&tbm=isch&prmd=imvns&tbnid=ikoBMrYCRqV63M:&imgrefurl=h ttp://brunochavesanimais.blogspot.com/2011/10/cascavel-do-campo.html&docid=GolO63w- VUd8GM&imgurl=http://www.thegeorgewalkerhouse.com/83638740.jpg&w=568&h=372&ei=oPm7T oTYM4v1gAfEuPSvBw&zoom=1>. Acesso em: 09/11/2011. Lachesis muta, também conhecida como surucucu pico-de-jaca, surucucu de fogo e sucutinga, é a segunda serpente peçonhenta maior do mundo e é considerada a maior das Américas em comprimento, podendo alcançar mais de 4 metros e também é a maior em peso. A coloração é amarela, com desenhos negros. No Brasil, podem ser encontradas na região
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    e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas eAnimais Peçonhentos 109 de matas fechadas, escuras e úmidas da Amazônica e em áreas de Mata Atlântica. Esse ofídio apresenta como características a fosseta loreal e a ponta da cauda com escamas em forma de “espinhos”. Os hábitos são prefe- rencialmente noturnos. Suas presas inoculadoras de veneno têm 38 mm de comprimento. Alimenta-se de pequenos mamíferos e roedores, proporcionais a seu tamanho. Sua cauda finaliza em uma vértebra córnea em forma de um espinho e suas escamas finais são arrepiadas. Essa espécie faz ruído com a cauda deliberadamente, agitando-a quando passa no meio dos arbustos, para advertir animais de grande porte de que está passando e não quer ser incomodada, semelhante à moda da cascavel agitando seu chocalho. Suru- cucus apresentam veneno neurotóxico e coagulante, provocando braquicar- dia, hipotensão, diarreia e hemorragias. Os sintomas são inchaço no local da picada, dor local, hemorragia, diarreia, alteração dos batimentos cardíacos. Figura 68: Sururucucu (Lachesis muta). Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/images?q=foto+de+Lachesis+muta,+surucucu&hl= pt-BR&gbv=2&tbm=isch&ei=owm8TtTSMsWJgwfZoNi_Bw&start=21&sa=N>. Acesso em: 10/11/2011. Podemos dizer que é importante identificar uma cobra venenosa e não venosa, pois existem características que podem auxiliar como: tipo cabeça, tamanho dos olhos, fosseta loreal, espessura da cauda, desenho das escamas, dentição e formato da picada (Tabela 2). Essa tabela de reconhecimento mostra a particularidade que há entre uma cobra venenosa e não venosa. TABELA 2 Sintomas que podem orientar na classificação das serpentes causadoras do acidente COMO IDENTIFICAR UMA COBRA VENENOSA   VENENOSA NÃO VENENOSA CABEÇA Triangular Arredondada OLHOS Pequenos Grandes FOSSETA Tem Não tem DESENHOS DAS ESCAMAS Irregulares Simétricos CAUDA Afina rapidamente Afina gradativamente DENTES 2 presas Dentes pequenos e iguais PICADA 2 marcas mais profundas Orifícios pequenos e iguais Fonte: Disponível em: <http://www.ufrrj.br/institutos/it/de/acidentes/peconha.htm>. Acesso em: 06/11/2011. Caro estudante, use a internet e acesse o site da (http://www. saudetotal.com.br/ artigos/meioambiente/ animais/cobras/ reconhecimento. asp) para ter mais informações sobre identificação de uma cobra venenosa e não venosa e sobre as suas respectivas características.
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    e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilânciaem Saúde110 Resumo Nesta aula, você aprendeu: • Biologia e comportamento das serpentes; • Métodos de prevenção de acidentes, primeiros socorros e sinto- mas; • As espécies mais importantes na saúde pública no Brasil. Atividades de aprendizagem 1. Qual é o significado de animais poiquilotérmicos? 2. As pessoas dizem que todas as espécies de cobras colocam seus ovos em ambientes protegidos e depois nascem os filhotes. Esta frase é verdadeira? Faça um breve comentário. 3. A dentição das serpentes peçonhentas é a mesma para todas as espécies? Justifique.
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    e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas eAnimais Peçonhentos AULA 1 Alfabetização Digital 111 Aula 17 – Animais peçonhentos: Lacraias Objetivos • Entender a biologia e comportamento das lacraias; • Descrever a importância do método de prevenção de aciden- tes, primeiros socorros e sintomas; • Reconhecer as espécies de lacraias mais importantes na saúde pública. 17.1 Biologia e comportamento das lacraias As lacraias são conhecidas como centopeias ou escolopenderas, com nome científico de Scolopendra viridicornis, pertencentes ao filo Ar- thropoda, classe Chilopoda, ordem Scolopendromorpha e a família Scolo- pendridae. As centopeias são animais que têm na cabeça um par de antenas articuladas, um de mandíbulas, dois pares de maxilas, sendo o primeiro par ventromediano e o segundo par ventrolateral, um par de forcípulas, onde estão contidas as glândulas e estruturas terminais quitinosas inoculadoras de veneno, e um conjunto de ocelos laterais (olhos simples). Seu corpo de forma achatada pode apresentar 21 segmentos; cada segmento tem um par de patas pontiagudas; o último par de patas não serve para a locomoção, e sim como órgão sensorial e de captura de alimentos. Seu tamanho varia de 1,5 cm a 26,0 cm de comprimento e a coloração tem tons diferentes, que vai da tonalidade clara de vermelho, amarelo e azul, ou vinho e verde escuro. O veneno contém histamina e outros compostos que podem intensificar a possi- bilidade de surgirem reações alérgicas na pessoa acidentada por esse animal. Devido à dificuldade em coletar quantidades adequadas de veneno, pouco se conhece sobre seu mecanismo de ação, sugerindo-se apenas atividade local. Figura 69: Lacraia (Scolopendra viridicornis). Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.biota.org.br/image/ livros/cap_070.jpg&imgrefurl=http://www.biota.org.br/iRead%3F57%2Blivros.biota%2B30&usg=__d__ aOvTFhUzCjqFsF1Lp3aCAKlU=&h=299&w=229&sz=35&hl=pt-BR&start=4&zoom=1&tbnid=piR8Z4Jc4hy7A M:&tbnh=116&tbnw=89&ei=X1i9Tr_vK4bbgQeG6KG-Bw&prev=/images%3Fq%3Dfoto%2Bde%2BScolopend ra%2Bviridicornis%26hl%3Dpt-BR%26sa%3DX%26tbm%3Disch&itbs=1>. Acesso em: 11/11/2011.
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    e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilânciaem Saúde112 As lacraias são animais terrestres, de vida solitária e hábitos noturnos, são carnívoras e caçadoras noturnas muito rápidas, preferindo alimentar-se de insetos, larvas, vermes, minhocas, lagartixas, filhotes de pássaros e camundon- gos. Elas empregam suas garras venenosas para paralisar as presas. As lacraias ficam durante o dia escondidas em locais úmidos e escuros como: sob folhas caídas, pedras, entulhos, troncos de árvores, buracos, frestas, hortas, entulhos, vasos, xaxins, sob tijolos, enfim, em qualquer ambiente úmido e que não receba luz solar. Esses esconderijos proporcionam proteção não apenas contra possíveis predadores, mas também contra a desidratação. Estão espalhadas em regiões tropicais e temperadas. A fecundação sexuada é interna, onde o macho deposita suas células sexuais no corpo da fêmea, dentro da qual encontram as células se- xuais femininas. A fêmea coloca aproximadamente 35 ovos num período de dias. Esses ovos são depositados no solo durante o verão. As lacraias adultas podem viver um ano e algumas delas vivem até 6 anos. 17.2 Métodos de prevenção de acidentes e sintomas Precisamos ressaltar a importância de se prevenir contra os aci- dentes ocasionados pelas lacraias, e, por isso, conhecer seus hábitos e seus lugares prediletos são medidas simples e eficientes que podemos utilizar no nosso cotidiano. É possível destacar algumas medidas, tais como: uso de luvas de raspas de couro ao trabalhar no jardim e mexer com material de construção, colocar telas nos ralos de pias, limpar e manter fechadas as caixas de gordura, esgotos, chão e tanques, manter o terreno sempre lim- po e roçado, limpar periodicamente terrenos baldios dos arredores; fechar frestas em muros e paredes, evitar acúmulo de objetos e materiais em locais úmidos e escuros; examinar roupas e toalhas antes de utilizar. Evitar que as lacraias se introduzam em lugares fechados, como porões úmidos e interio- res dos armários. Os jardins devem ser limpos, a grama aparada e as plantas ornamentais e trepadeiras devem ser afastadas das casas e podadas para que os galhos não toquem o chão e sirvam de esconderijo para as lacraias. Tomando-se esses cuidados, a incidência com lacraias irá diminuir. Mas, em caso de acidente, evite beber álcool, querosene, cachaça, etc., pois isso só lhe causaria intoxicação. Mantenha o local da picada o mais limpo possível. Embora o veneno das lacraias não seja muito perigoso para o ser humano, é bom procurar orientação médica. É importante tomar cuidado ao manejar certos locais sem a devida proteção, pois as pessoas podem acabar se acidentando com o veneno das la- craias. No Brasil, a espécie mais comum é Scolopendra viridicornis. Quando ino- cula seu veneno, provoca sintomas como inchaço com edemas no local da pica- da, acompanhado de dor instantânea, em alguns casos acompanhado de febre intensa, náuseas e vômitos, calafrios, tremores e suores, além de uma pequena ferida. Para o tratamento contra o veneno da lacraia ainda não existe antídoto. Vale salientar que o veneno das lacraias é pouco tóxico para o homem.
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    e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas eAnimais Peçonhentos 113 As centopéias ou lacraias são animais peçonhentos, pois têm glân- dula de veneno e presas inoculadoras que podem causar acidentes doloro- sos. Os acidentes mais comuns nas pessoas, geralmente, ocorrem na mani- pulação de locais onde este animal possa estar abrigado. O sintoma varia de acordo com o número de picadas e da hipersensibilidade ao veneno por parte do acidentado. É interessante destacar que as lacraias são benéficas na natureza, porque auxiliam no controle de outras pragas, principalmente os insetos nocivos. Quando estão em lugares fechados ou acuados, são con- sideradas perigosas, apesar do seu veneno não matar, provoca dor intensa. Segundo alguns registros, os acidentes com lacraias, representam apenas 0,5% de atendimentos por animais peçonhentos. 17.3 As espécies mais importantes na saúde pública Algumas espécies de lacraias costumam proporcionar acidentes com maior frequência ao ser humano: são as pertencentes aos gêneros Crytops, Otostigmus e Scolopendra. A espécie mais comum no Brasil é Scolopendra viridicornis. O indivíduo acidentado pela lacraia sente dor localizada intensa e a evolução da picada depende da sensibilidade da vítima ao seu veneno. Em áreas urbanas, as lacraias são localizadas normalmente em jardins, sob matéria orgânica acumulada de cascas de árvore e folhas, sempre em locais úmidos. Ocasionalmente podem ser encontradas dentro da residência. Falaremos agora sobre três espécies, que são: - lacraia gigante, que alimenta de insetos, vermes e lesmas. É uma espécie muito feroz, com o auxílio de duas longas antenas, a lacraia gigante localiza a presa e essa é imobilizada por uma picada certeira de seus afiados ferrões, é também hábil para inocular o veneno na vítima e com suas mandíbulas, destroça a presa; - lacraia comum: a lacraia comum ataca geralmente animais de seu pró- prio tamanho, entre os quais, outras lacraias. Essa espécie tem 15 pares de patas. Vivem em ambientes úmidos, sob troncos, pedras e folhas; - lacraia venenosa: algumas espécies do gênero Scolopendra, que são distribuídas nas Américas, Ásia e África, e alcançam até 30 cm de comprimento. O vene- no proveniente de sua picada é letal para suas presas, que são os pequenos animais, mas ao homem provoca intoxicações. Às vezes, as lacraias entram nas residências para procurar alimentos. Figura 70: Lacraia gigante. Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/images?hl=pt-BR&source=hp&btnG=Pesquisa+G oogle&oq=foto+de+Scolopendra+viridicornis+&aq=f&aqi=&gs_upl=3234l6703l0l10016l9l6l0l0l0l0l64 1l1094l4-1.1l2l0&oi=image_result_g>. Acesso em: 13/11/2011.
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    e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilânciaem Saúde114 Resumo Nesta aula, você aprendeu: • Biologia e comportamento das lacraias; • Métodos de prevenção de acidentes e sintomas; • As espécies mais importantes na saúde pública. Atividades de aprendizagem 1. Como é formado o corpo da centopeias? 2. Faça um breve comentário sobre a vida da centopeias.
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    e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas eAnimais Peçonhentos AULA 1 Alfabetização Digital 115 Aula 18 – Animais peçonhentos: abelhas, vespas e formigas Objetivos • Entender a biologia e comportamento das abelhas, vespas e formigas; • Descrever a importância do método de prevenção de acidentes com abelhas, vespas e formigas, primeiros socorros e sintomas; • Reconhecer as espécies mais importantes na saúde pública no Brasil. 18.1 Biologia e comportamento das abelhas, vespas e formigas As abelhas, as vespas e as formigas são os únicos insetos pertencentes à ordem Hymenoptera que têm ferrões verdadeiros, e a subordem Aculeata, com acúleo ou ferrão. Dentro dessa ordem, há três famílias de insetos peço- nhentos: na Apidae, temos abelhas e mamangavas, na Vespidae, temos o ma- rimbondo, a vespa amarela e o vespão, e na Formicidae temos as formigas. Podemos dizer que as abelhas, os marimbondos e as formigas, como os demais insetos, apresentam o corpo dividido em cabeça, tórax e abdome. Portanto, há diferença entre os marimbondos e as abelhas, pois os marimbondos têm o abdome mais afilado entre o tórax e o abdome, conhe- cida como cintura, que é uma estrutura relativamente alongada, chamada pedicelo. Já as abelhas têm pelos ramificados ou plumosos, especialmente na região da cabeça e tórax. O ferrão da subordem Aculeata é dividido em duas partes: a primeira é formada por uma estrutura muscular e quitinosa, responsável pela introdução do ferrão e do veneno, e a segunda parte por uma glândula que secreta e guarda o veneno. Essa glândula de veneno do Aculeata apresenta muitas altercações, e, é formada por dois filamentos excretores, um depósito de veneno e um canal que une o depósito ao ferrão. Falando um pouco mais sobre as espécies da subordem Aculeata, lembramos que, segundo o ato de empregar o aparelho de ferrar, as espécies dividem-se em dois grupos: o primeiro grupo pertence às espécies que, ao ferroar, perdem o ferrão, conhecidas como espécies que apresentam auto- tomia ou autoamputação; o segundo grupo são as espécies que não apresen- tam autotomia, isto é, são as espécies que não perdem o ferrão. As espécies que possuem autotomia, em geral, injetam maior quantidade de veneno e morrem depois da ferroada pela perda do aparelho de ferroar e parte das estruturas do abdome, exemplo: as abelhas. Já nas espécies sem autotomia, o aparelho de ferroar pode ser usado por várias vezes.
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    e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilânciaem Saúde116 Figura 71: Abelha liberando seu ferrão. Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.ocontexto.com/wp- content/uploads/2011/10/bee-stinger-724392-1.jpg&imgrefurl=http://www.ocontexto.com/como- tratar-picada-de-abelha/&usg=__5q7pX5dX4UMYPTTAUYpN7IJ_DqM=&h=268&w=400&sz=19&hl=pt- BR&start=7&zoom=1&tbnid=QdKTeZ9auDD0wM:&tbnh=83&tbnw=124&ei=ZVHBTrP8ErCt0A Gc-YyXCg&prev=/images%3Fq%3Dfoto%2Bde%2Bferrao%2Bde%2Babelha%26hl%3Dpt-BR%26sa%3DX%2 6tbm%3Disch&itbs=1>. Acesso em: 14/11/2011. As abelhas são conhecidas por produzirem o mel e viverem em co- lônias, nas quais se encontra uma rainha fértil, os zangões, que são machos férteis, e milhares de operárias fêmeas que são inférteis. No entanto, há bastantes espécies de abelhas que não são produtoras de mel e vivem como animais solitários. Elas habitam em todos os continentes, com exceção do Antártico, e são indivíduos importantes de diversos ecossistemas que de- sempenham a função insetos polinizadores. O mel produzido nas colmeias é empregado na alimentação da própria colônia e dos seres humanos. É im- portante informar que somente as abelhas operárias são responsáveis pela defesa da colônia, ou seja, elas que picam, e ao picarem perdem parte do aparato inoculador, morrendo, em seguida. Este aparato tem músculos pró- prios que permanecem injetando a peçonha mesmo depois da separação do restante do corpo. Porém, as mamangavas ou mamangabas, que são abelhas das subfamílias Bombinae e Euglossinae, não perdem o ferrão, podendo fer- roar diversas vezes. As abelhas da subfamília Meliponinae, conhecidas como abelhas sem ferrão, embora tenham este aparato, não ocasionam acidentes por picadas, contudo, podem produzir mel tóxico. As formigas são insetos que têm em sua estrutura social as guer- reiras e operárias, que são incapazes de reprodução e, as rainhas e machos alados, responsáveis pelo nascimento de novas colônias. Certas espécies têm aguilhão abdominal ligado a glândulas de veneno. Em geral, elas atacam quando são molestadas e o acidente envolvendo múltiplas picadas é raro. 18.2 Métodos de prevenção de acidentes com abelhas, vespas e formigas, primeiros socorros e sintomas Precisamos ressaltar a importância de se prevenir contra as picadas dos insetos peçonhentos, conhecendo os seus hábitos e habitats. São me- didas simples e eficientes que as pessoas podem empregar: a remoção das
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    e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas eAnimais Peçonhentos 117 colônias de abelhas e vespas localizadas em locais públicos ou residências; lembrando que deve ser realizada por profissionais devidamente treinados e equipados; as pessoas devem evitar aproximar-se de colmeias de abelhas africanizadas Apis mellifera, que são mais agressivas, sem estarem com ves- tuário e equipamento apropriados como macacão, máscara, luvas, botas, fumigador, etc.; evitar a aproximação dos ninhos dos marimbondos quando eles estiverem em intensa atividade, que pode ocorrer entre 10 e 12 horas; evitar correr e caminhar na rota de vôo percorrida pelas vespas e abelhas; evitar aproximar o rosto de determinados ninhos de vespas, pois algumas espécies esguicham o veneno no rosto do operador, podendo provocar sérias reações nos olhos; evitar a aproximação dos locais onde as vespas estejam: hortaliças e outras plantações colhendo nas flores o néctar ou procurando por lagartas e outros insetos para alimentar sua prole; evitar a aproximação dos locais onde os marimbondos estejam, por exemplo, em troncos, galhos e folhas para coletarem fibras de celulose para construir ninhos; não se aproxi- mar dos lugares onde as abelhas e marimbondos estejam bebendo água em dias quentes ou outras fontes de proteína animal e carboidratos, tais como frutas caídas, caldo de cana-de-açúcar de carrinhos de garapeiros, pedaços de carne e lixo doméstico. Figura 72: Casa de marimbondos. Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://timblindim.files. wordpress.com/2008/04/marimbondo_01x.jpg&imgrefurl=http://timblindim.wordpress. com/2008/04/&usg=__XdKtiV0S0ycXPZIjg8oCVXLqlkc=&h=768&w=1024&sz=309&hl=pt-BR&start =2&zoom=1&tbnid=DnVTF5ulnzBY9M:&tbnh=113&tbnw=150&ei=s0nBTsqZBube0QG6wbn2BA&pr ev=/images%3Fq%3DFoto%2Bde%2Bcaixa%2Bde%2Bmarimbondo%26hl%3Dpt-BR%26sa%3DG%26tbm% 3Disch&itbs=1>. Acesso em: 14/11/2011. Falando um pouco mais sobre o assunto, destacamos algumas me- didas preventivas contra os insetos peçonhentos, tais como: evitar fazer ba- rulhos, usar perfumes fortes ou desodorantes, cores escuras, principalmente pretas e azul-marinho e juntamente com o suor do corpo, pois isso desen- cadeia o comportamento agressivo e consequentemente o ataque de vespas e abelhas. As abelhas liberam hormônio que é um sistema de comunicação muito eficiente entre as abelhas de uma mesma comunidade, existindo 4 ti- pos diferentes de hormônios, cada um transmitindo uma orientação distinta. Esses hormônios são volatilizados no ar em menos de dois segundos depois da picada da abelha operária, e continuam até 20 segundos para atrair ra- pidamente outras operárias com sinal que devem atacar a vítima. Esse é o motivo pelo qual grande parte das ocorrências de ataques acontece com
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    e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilânciaem Saúde118 grandes números de picadas concentradas em pequenas regiões do corpo e, outra área do corpo, com poucas ou nenhuma picada. Essas picadas podem ocorrer imediatamente em poucos minutos. Ao contrário das vespas, que podem picar em áreas indefinidas; as abelhas, quando picam, morrem, pois seu aparelho excretor e reprodutor sai arrancado pelas ligações que tem com o ferrão e bolsa de veneno. É interessante destacar que, quando uma abelha pica a pessoa, seu ferrão fica pendurado e deve ser retirado por causa do cheiro que pode atrair outras abelhas para picar. Observaremos agora sobre a prevenção contra as abelhas. Em certa época do ano ocorre redução de néctar das flores e as abelhas costumam invadir padarias, lojas e residências à procura de alimentos que possam subs- tituir o néctar. Nesse caso, as pessoas não precisam ficar com receio; a prática mais simples é cobrir os alimentos, e nunca utilizar inseticida. Se o problema continuar, é bom verificar se há colmeia instalada por perto. Ao localizar uma colmeia, não se aproxime dela e nem jogue querosene, álcool ou inseticida, porque esses produtos não terão efeitos satisfatórios sobre as abelhas que estão na colméia, e as abelhas, ao saírem de lá, ficam mais agressivas e, com isso, podem provocar maior risco de acidentes. A melhor opção é chamar um profissional que saiba lidar com esse problema, princi- palmente pessoa relacionada com o centro de zoonoses do município, que são os únicos habilitados a remover colmeias. Figura 73: Enxame de abelha. Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://3.bp.blogspot.com/-7v- wndl0MEo/TfrIbNr1xMI/AAAAAAAACrw/SHqj6lhnz2U/s1600/abelhas%2B01.jpg&imgrefurl=http:// www.caraubas24horas.com.br/2011/06/enxame-da-abelhas-continua-preocupando.html&usg=__ GU4WT9RVEGQwqGNYtMEKurWadfg=&h=300&w=400&sz=32&hl=pt-BR&start=12&zoom=1&tbnid=Tx pJhLPitxkDZM:&tbnh=93&tbnw=124&ei=rUrBTqSeEeHW0QHx_ZRJ&prev=/images%3Fq%3DFoto%2Be nxame%2Bde%2Babelha%26hl%3Dpt-BR%26sa%3DG%26tbm%3Disch&itbs=1>. Acesso em: 15/11/2011. Quando a pessoa habilitada estiver removendo a colmeia, animais e pessoas devem ser retirados de imediato do local,. Depois da retirada da colmeia, se for possível, deve-se retirar as ceras e própoles restantes para impedir nova instalação da colmeia. Os primeiros socorros em caso de picada de abelha e marimbondos são: em caso de acidente, provocado por múltiplas picadas de abelhas ou vespas, encaminhar a vítima e alguns dos insetos que provocaram o acidente rapidamente ao hospital. Pois, em indivíduos hipersensíveis, uma única pica-
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    e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas eAnimais Peçonhentos 119 da pode desencadear reação anafilática e óbito. A remoção dos ferrões pode ser realizada com raspagem, utilizando lâminas; deve-se evitar retirar os ferrões com pinças, pois as pinças podem proporcionar a compressão dos de- pósitos de veneno, o que resultaria na inoculação do veneno ainda existente no ferrão. Utilizar compressa fria com gelo reduz o efeito local. 18.3 As espécies mais importantes na saúde pública no Brasil As espécies de abelhas, em geral, não estão envolvidas em aci- dentes. Os acidentes que mais ocorrem estão relacionados com as espécies da família Apidae, principalmente as abelhas africanizadas, que são as mais agressivas e, também, as mamangavas, que são grandes, robustas, com o corpo coberto de cerdas, que atacam a pessoa se forem molestadas. As mamangavas não perdem o ferrão quando ferroam a vítima. A abelha euro- peia chamada de Apis mellifera e abelha africana chamada de Apis mellifera adamsoni, no Brasil, cruzaram e produziram as abelhas africanizadas. Essas espécies são extremamente agressivas e são responsáveis pela maior parte dos acidentes envolvendo abelhas que ocorrem em todo território brasileiro. Possuem faixas marrons que se alternam com amarelas no abdome. Quando são molestadas, ficam furiosas; em geral, atacam em massa, perseguindo o inimigo por mais de 700 metros. Figura 74: Mamangavas na flor de ipê amarelo. Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://ecoparquesperry.com. br/wordpress/wp-content/uploads/2009/11/DSC00108-Small-460x345.jpg&imgrefurl=http://www. ecoparquesperry.com.br/sperry/index.php%3Foption%3Dcom_content%26view%3Darticle%26id%3D123 :o-ipe-amarelo-e-sua-estrategia-de-reproducao%26catid%3D16:noticias%26Itemid%3D10&usg=__b89Oh DB1LzMzq1S4OtSuyMVaBGE=&h=345&w=460&sz=40&hl=pt-BR&start=46&zoom=1&tbnid=mBgjMPzkRm MArM:&tbnh=96&tbnw=128&ei=u0vBTuOgOObs0gGk9ZDnBA&prev=/images%3Fq%3DFoto%2Bde%2Bma mangavas%26start%3D42%26hl%3Dpt-BR%26sa%3DN%26tbm%3Disch&itbs=1>. Acesso em: 15/11/2011. As vespas ou maribondos pertencem à família Vespidae, têm ferrão e peçonha que proporciona edema e forte dor local. As suas picadas múl- tiplas podem ser responsáveis por edema generalizado e grave dificuldade respiratória. No gênero Polybia tem o marimbondo-chumbinho, que faz o ninho fechado com uma única abertura, cuja ferroada proporciona dor mui-
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    e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilânciaem Saúde120 ta intensa. No Brasil, existem também a espécie Synoeca cyanea chamado de marimbondo-tatu e Pepsis fabricius conhecido como marimbondo-cavalo, cujas picadas proporcionam muita dor com sintoma de edema e eritema lo- cais, sudorese, calafrios e taquicardia. Figura 75: Synoeca cyanea chamado de marimbondo-tatu. Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.dmpragas. com.br/uploads/NoticiasArtigos%255Cmarimbondo.jpg&imgrefurl=http://www.dmpragas. com.br/Noticias.asp%3FNoticiaArtigoID%3D30&usg=__wVJMBBqPIMf-YbxenM_Q_ BpsYaQ=&h=190&w=154&sz=7&hl=pt-BR&start=7&zoom=1&tbnid=H0jnxTUP3p8SHM:&tbnh=103&tbn w=83&ei=tE3BToC7KeTq0gGz49mxBA&prev=/images%3Fq%3DFoto%2Bde%2BSynoeca%2Bcyanea%2B marimbondo%2Btatu%26hl%3Dpt-BR%26sa%3DN%26tbm%3Disch&itbs=1>. Acesso em: 15/11/2011. As formigas pertencem a uma subfamília Ponerinae e família For- micidae – a que inclui a espécie Paraponera clavata – e possuem nomes populares como formiga cabo-verde, tocandira e vinte-e-quatro-horas. Essa espécie atinge até 3 cm de comprimento e ocasionar uma picada extrema- mente dolorosa com sintoma de edema e eritema locais, sudorese, calafrios e taquicardia. Já as formigas de correição pertencem ao gênero Eciton, são carnívoras, locomovem-se em grande número e proporcionam picadas pouco dolorosas. As formigas lava-pés do gênero Solenopsis atacam em grande nú- mero e se tornam agressivas se o formigueiro é invadido. Deve-se destacar que uma só formiga lava-pés tem uma capacidade de ferroar, no mesmo local, de dez a doze vezes, porque fixa sua mandíbula na pele da vítima. Sua picada é muito dolorosa. São localizadas no Brasil a Solenopsis invicta (for- miga lava-pés vermelha) e a Solenopsis richteri (formiga lava-pés negra), que causam o quadro clássico do acidente. O formigueiro dessas espécies de for- migas tem inúmeras aberturas e fica localizado em jardins, hortas, quintais etc. Sua picada é dolorida, provoca bolhas, alergias e até choque anafilático. Sua cor varia do amarelo claro ao marrom até o preto brilhante; é de difícil identificação, pois existem várias espécies. Figura 76: Solenopsis spp. formiga lava-pés. Fonte: Disponível em: <http://www.agrobyte.com.br/formigas.htm>. Acesso em: 16/11/2011.
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    e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas eAnimais Peçonhentos 121 As formigas Ephuta temperalis, conhecidas como formigas chiadei- ras, pertencem à família Mutillidae, são coberta por cerdas coloridas, curtas e finas. Esta espécie, em geral, tem uma coloração negra com manchas ver- melhas ou amarelas, formando algum desenho. Os machos são alados e as fêmeas são ápteras e sua ferroada causa forte dor local. Resumo Nesta aula, você aprendeu: • Biologia e comportamento das abelhas, das vespas e das formi- gas; • Métodos de prevenção de acidentes com abelhas, vespas e for- migas, primeiros socorros e sintomas; • As espécies mais importantes na saúde pública no Brasil. Atividades de aprendizagem 1. Comente a diferença que há entre abelha e vespas. 2. Ao picar uma pessoa, quais insetos liberam o ferrão: as abelhas ou as ves- pas? Faça um breve comentário sobre isso. 3. O que deve ser feito quando ocorre acidente com abelhas ou vespas? Ex- plique.
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    e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas eAnimais Peçonhentos AULA 1 Alfabetização Digital 123 Aula 19 – Animais peçonhentos: lagartas Objetivos • Entender a biologia e a diferenças entre borboletas e maripo- sas; • Descrever a importância da Lonomia obliqua, conhecida como de taturana assassina; • Listar os acidentes com taturanas da família Saturniidae. 19.1 Biologia e diferenças entre borboletas e mariposas As borboletas e mariposas são pertencentes a diversas famílias da ordem Lepidóptera, que significa insetos que possuem asas cobertas de escamas. As larvas ou lagartas das borboletas e mariposas são formas jovens, equipadas com pelos portadores de veneno. Os pelos das formas adultas também podem provocar reações semelhantes às das lagartas. Normalmente, uma lagarta é portadora, em alguma fase de seu desenvol- vimento, de pelos ou espinhos e/ou cerdas que, direta ou indiretamente, causam acidentes nos seres humanos. Estas estruturas, quando em conta- to com as vítimas, desprendem-se e inoculam o veneno, sendo causa de profundo mal-estar. Os insetos da ordem Lepidoptera – incluindo as borboletas e mariposas – são muito diversificados no Brasil. O ciclo de vida dos le- pidópteros engloba as seguintes etapas: ovo, larva, chamada também de lagarta, pupa e a fase adulta. Seu tempo de vida modifica muito conforme a espécie e o número de mudas que borboletas e maripo- sas realizam. A existência de uma mariposa ou borboleta pode durar poucas semanas, alguns meses e até um ano. Tanto borboletas quanto mariposas são insetos que pertencem à ordem dos lepidópteros. Essa ordem divide-se em 127 grupos de famílias e abrange cerca de 180 mil espécies catalogadas. Mudas: são as transformações de um estágio de desenvolvimento para o outro.
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    e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilânciaem Saúde124 Figura 77: Estágio de desenvolvimento dos lepidópteros com ovo, larva, pupa e adulto. Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/images?btnG=Pesquisar&hl=pt- BR&source=hp&gs_upl=2344l2344l0l3641l1l1l0l0l0l0l0l0ll0l0&oi=image_result_group&sa=X&tbm=is ch&oq=foto+de+metamorfose+de+mariposa+&aq=f&aqi=&q=foto%20de%20metamorfose%20de%20 mariposa >. Acesso em: 16/11/2011. A divisão dos lepidópteros em borboletas e mariposas foi baseada em certas características observáveis, tanto em relação ao comportamento, como quanto à forma de seus corpos ou morfologia. Quanto às antenas, as mariposas têm antenas parecidas com plumas e têm cerdas sensoriais que servem para captar feromônios do sexo oposto, enquanto que as borboletas têm antenas fininhas com a ponta dilatada. A maior parte das borboletas tem hábito diurno, enquanto a maioria das mariposas é noturna ou crepuscular. As borboletas são em geral coloridas; as traças têm coloração monótona adaptada ao modo de vida noturna. A metamorfose das traças faz-se dentro de um casulo mole; as borboletas segregam uma crisálida rígida. O corpo das borboletas é fino e alongado; as traças são mais arredondadas e robustas. As traças pousam com as asas abertas; a maioria das borboletas dobra as asas para cima enquanto repousam.
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    e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas eAnimais Peçonhentos 125 19.2 Lepidóptera: Lonomia obliqua chamada de taturana assassina A mariposa de coloração cinza, chamada de Lonomia obliqua da famí- lia Saturniidae, é uma lagarta conhecida por taturana, mandorová, mandruvá, mandrová, etc. Lagarta é uma das fases do ciclo biológico de uma mariposa de coloração cinza para as fêmeas e coloração amarelo-alaranjado para os machos, tanto a fêmea quanto o macho têm uma listra transversal sobre as asas. Na fase adulta, essas mariposas vivem aproximadamente 15 dias. Elas se acasalam e põem seus os ovos com mais frequência nos meses de novembro a março. Cerca de 10 dias depois da postura, os ovos, que depositados nas folhas e troncos das árvores que podem ser frutíferas ou não, vão eclodir, e surgir as lagartas que irão se alimentar de plantas durante a noite. Figura 78: Coloração cinza para as fêmeas e coloração amarelo-alaranjado para os machos de Lonomia obliqua. Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.saude.pr.gov. br/arquivos/Image/vig.ambient/zoonoses_intox/mariposa.jpg&imgrefurl=http://www.saude. pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php%3Fconteudo%3D388&usg=__4tyawJkbYt5wF3lN5r4g0 6v_hVs=&h=184&w=218&sz=12&hl=pt-BR&start=31&zoom=1&tbnid=b91MMMdVMULU-M:&tbnh=90& tbnw=107&ei=V5nDTryvNomJgweKtsHmDg&prev=/images%3Fq%3Dfoto%2Bda%2Bmariposa%2Badul ta%2Bde%2BLonomia%2Bobliqua%26start%3D21%26hl%3Dpt-BR%26sa%3DN%26tbm%3Disch&itbs=1>. Acesso em: 16/11/011. As lagartas de Lonomia obliqua chamadas de taturanas assassinas têm pilosidades e são extremamente perigosas, pois nessa espécie ocorrem alguns tipos de venenos poderosos que podem provocar sintomas como in- suficiência renal, hemorragia e até levar à morte. Elas estão distribuídas nos Estados do Sul do Brasil, que atingiram mais de mil casos de acidentes com lagartas do gênero Lonomia, vários dos quais resultaram em morte. É necessário destacar que a proliferação de Lonomia obliqua deve-se ao fato de alguns predadores naturais terem desaparecido com a devastação do am- biente natural. Portanto, as larvas que antes se alimentavam das folhas da aroeira e do cedro passaram a alimentar-se das folhas de árvores frutíferas. É importante ressaltar que as taturanas assassinas têm a prioridade para alimentar-se de árvores frutíferas, por isto a ocorrência dos acidentes são maiores nos pomares, pois vivem em grupos e podem ser observadas durante o dia nos troncos das árvores. O período larval dura cerca de três meses, período suficiente para que as taturanas cresçam em tamanho de até
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    e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilânciaem Saúde126 8 cm de comprimento e troquem a pele por várias vezes. Depois da última ecdise, as taturanas entram na fase de pupa, que pode durar aproximada- mente 3 meses, ficam aderidas sob as folhas caídas e restos vegetais no solo próximo das árvores. Depois desse período, as pupas vão se transformar em mariposas adultas que, em seguida, vão se acasalar para completarem o ciclo evolutivo. Figura 79: Coloração cinza para as fêmeas e coloração amarelo-alaranjado para os machos de Lonomia obliqua. Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://cienciahoje.uol.com. br/banco-de-imagens/lg/web/images/chdia/n170a.jpg&imgrefurl=http://cienciahoje.uol.com.br/ noticias/ecologia-e-meio-ambiente/populacao-de-taturanas-aumenta-com-desmatamento&usg=__ lT7aXZ4AWIcx9FnAH_MHU29Cu3Y=&h=248&w=400&sz=33&hl=pt-BR&start=4&zoom=1&tbnid=adui QssxYiRjjM:&tbnh=77&tbnw=124&ei=fJbDTs-BAsKAgwf215m5Aw&prev=/images%3Fq%3Dfoto%2BLon omia%2Bobliqua%26hl%3Dpt-BR%26sa%3DX%26tbm%3Disch&itbs=1>. Acesso em: 17/11/2011. 19.3 Acidentes com taturanas da família Satur- niidae O acidente com taturanas é ocasionado pela introdução do líquido urticante na pele da pessoa através de espinhos. Estes espinhos ou cerdas são estruturas de ponta frágil e aguda que, ao entrar em contato com as partes descobertas do corpo, liberam o líquido. No caso das espécies da fa- mília Saturniidae, esta glândula se situa próxima da ponta do espinho que, ao quebrar-se, no contato com a pele, libera o líquido. Nessa família inclui-se a Lonomia obliqua. Esses espinhos podem estar espalhados ao longo do corpo da lagarta em algumas espécies, ou ocultos sob pelos longos e sedosos em outras, ou, ainda, unidos a tubérculos que se projetam da pele da lagarta formando vários pequenos pinheiros esverdeados chamados de SCOLI. Os acidentes com taturanas, normalmente, acontecem quando as pessoas, ao manejar as plantas, tocam na lagarta com as mãos ou a apertam entre os dedos. O contato com as cerdas pontiagudas proporciona a saída do veneno contido nos espinhos que são injetados na pele do homem. Este veneno provoca uma dor violenta com queimadura e irritação no local do acidente. Os acidentes com as taturanas do gênero Lonomias podem propor- cionar complicações como aparecimento de sangue na urina e sangramento na gengiva. Ecdise: que significa troca de pele
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    e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas eAnimais Peçonhentos 127 Os sintomas com acidentes das espécies do gênero Lonomias da família Saturniidae são: dor e desconforto geral, o local acidentado fica com irritação e manchas escuras da cor de vinho devido à hemorragia abaixo da pele; o acidentado pode ter sangramento pelo nariz, gengivas, urina e pe- quenos ferimentos em outras partes do corpo. O veneno ainda pode provocar alterações na coagulação do sangue, que pode evoluir e complicar o funcio- namento dos rins e também podem acontecer hemorragias no cérebro. Ao acontecer o acidente com Lonomias, deve-se levar a vítima imediatamente ao médico para ser socorrida. O soro específico para os acidentes com Lono- mia ainda está em fase de testes pelo Instituto Butantã. Figura 80: Acidente com a taturana Lonomia obliqua. Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.saude.pr.gov. br/arquivos/Image/vig.ambient/zoonoses_intox/mariposa.jpg&imgrefurl=http://www.saude. pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php%3Fconteudo%3D388&usg=__4tyawJkbYt5wF3lN5r4g0 6v_hVs=&h=184&w=218&sz=12&hl=pt-BR&start=31&zoom=1&tbnid=b91MMMdVMULU-M:&tbnh=90& tbnw=107&ei=V5nDTryvNomJgweKtsHmDg&prev=/images%3Fq%3Dfoto%2Bda%2Bmariposa%2Badul ta%2Bde%2BLonomia%2Bobliqua%26start%3D21%26hl%3Dpt-BR%26sa%3DN%26tbm%3Disch&itbs=1>. Acesso em: 17/11/2011. Resumo Nesta aula, você aprendeu: • Biologia e diferenças entre borboletas e mariposas; • Lepidóptera: Lonomia obliqua chamada de taturana assassina; • Acidentes com taturanas da família Saturniidae. Atividades de aprendizagem 1. Comente a diferença que há entre mariposas e borboletas, de acordo com o comportamento, forma de seus corpos ou morfologia. 2. Quais são os sintomas que os acidentes com as lagartas de Lonomia obli- qua podem proporcionar? Caro estudante, use a internet e acesse o site da (http://pt.scribd. com/doc/52779427/ manu-peconhentos) para ter mais informações sobre a Lepidóptera e sobre a identificação das famílias Megalopydae, Saturniidae e Arctiidae, bem como, acidentes por coleópteros do gênero Paederus e Epicauta e sobre as características que os envolvem.
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    e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilânciaem Saúde128 Referências ARAÚJO, F. R.; Araújo, C. P.; Werneck, M. R.; Górski, A. Larva migrans cutâ- nea em crianças de uma escola em área do Centro-Oeste do Brasil. Revista de Saúde Pública, 34: 84-85, 2000. AZEVEDO-Marques, M. M. Diagnóstico e condutas nos acidentes por escorpi- ões e abelhas. Rev. Soe. Bras. Med. Trop. 1994; 27(Supl. IV): 683-8. BINOTTI, Raquel; Oliveira, Celso Henrique de. Colchões são abrigos prefe- ridos de ácaros. Jornal da Unicamp. Disponível em: <http://www.unicamp. br/unicamp/unicamp_hoje/ju/maio2003/ju211pg9a.html>. Acesso em 10 de outubro de 2011. Brasil. Guia de Vigilância Epidemiológica. 6. ed. Brasília, 2005. Brasil. Manual de Diagnóstico e Tratamento de Acidentes por Animais Peço- nhentos. 2. ed. Brasília, 2001 Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamen- to de Vigilância Epidemiológica. Doenças infecciosas e parasitárias: guia de bolsoIMinistério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Vigilância Epidemiológica. 8. ed. rev. - Brasília: Ministério da Saúde, 2010. 448 p. BUCARETCHI, F. Análise das principais diferenças clínicas e epidemiológicas dos acidentes por escorpiões das espécies T. serrulatus e T. bahiensis, e por aranhas do gênero Phoneutria, atendidos no CCI-HC-UNICAMp, no período de janeiro de 1984 a julho de 1988. [dissertação de mestrado]. Campinas: UNICAMP; 1990. CAMPOS JÁ; Costa, D. M.; Oliveira, J. S. Acidentes por animais peçonhentos. In: Marcondes, E. ed. Pediatria básica. São Paulo: Savier; 1985. CARVALHO NETO, Constâncio. Manual de Biologia: controle de escorpiões. São Paulo: CIBA-GEIGY, 1997. CORTEZ, J.A. Epidemiologia: conceitos e princípios fundamentais. São Paulo, 1997. DUARTE AC, Caovilla J, Lorini D et aI. Insuficiência renal aguda por acidentes com lagartas. J Bras Nefro11990; 12(4):184-7. Fundação Nacional de Saúde. Manual de diagnóstico e tratamento de aciden- tes por animais peçonhentos. Brasília; 1992. GLASSER, C. M.; Cardoso, J. L.; Carréri-Bruno, G. C. et aI. Surtos epidêmicos de dermatite causada por mariposas do gênero Hylesia (Lepidoptera: Hemi- lucidae) no Estado de S.Paulo, Brasil. Rev Saúde Pública 1993; 27(3}:217 -20. Guia Brasileiro de Vigilância Epidemiológica. Ministério da Saúde. Fundação Nacional de Saúde. 1998.
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    e-Tec Brasil/CEMF/UnimontesEctoparasitas eAnimais Peçonhentos 129 HADDAD Jr, V.; Cardoso, J. L. C; França, F. O. S et aI. Acidentes por formigas: um problema dermatológico. ‘Anais Bras Dermatol.1996; 71 (6}:527-30. HOPLA, C. E., Durden, L. A.; Keirans, J. E. Ectoparasites and classification. Rev. Sci. Tech. Off. Int. Epiz. 1994. 13 (4): 985-1017. JORGE, M. T; Ribeiro, L. A. R. Acidentes por serpentes peçonhentas do Bra- sil. Ver. Assoc. Med. Bros. 1990; 36(2): 66-77. KNYSAK, I.; MARTINS, R.; BERTIM, C. R.; WEN, F. H. Lacraias de importância médica no Estado de São Paulo: biologia e aspectos epidemiológicos. São Paulo. Centro de Vigilância Epidemiológica. Secretaria de Estado da Saúde, 1994. [Documento Técnico]. LIMA, W. S.; Camargo, M. C. V.; Guimarães, M. P. Surto de larva migrans em uma creche de Belo Horizonte, Minas Gerais (Brasil). Rev Inst Med Trop São Paulo 1984;26:122-4. LINARDI, P. M. Tungíase: uma pulga diferente que provoca um problema per- sistente. Vetores & Pragas. 1998; 2:19-21. LINARDI, P. M.; BARATA, J. M. S.; URBINATTI, P. R.; SOUZA, D.; BOTELHO, J. R. & MARIA, M., 1998. Infestação por Pediculus humanus (Anoplura: Pe- diculidae) no Município de São Paulo, SP, Brasil. Revista de Saúde Pública, 32:77-81. MORANDINI, Clézio. Zoologia. São Paulo: Editora Nobel, 1982. 374p. NAGEM, Ronaldo L.; WILLIAMS, Paul. Teste de susceptibilidade do per- cevejo, Cimex lectularius L. (Hemiptera, Cimicidae) ao DDT em Belo Ho- rizonte, MG (Brasil). Rev. Saúde Pública vol.26, no.2, São Paulo, Apr. 1992. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0034- -89101992000200009&script=sci_arttext>. Acesso em: 09 set. 2011. PHILIPPI JÚNIOR, Arlindo. Saneamento do Meio. São Paulo: USP, 1997. SOARES, José Luís. Biologia: os seres vivos, estrutura e funções: 2o grau. São Paulo: Scipione, 1996. SOERENSEN, Bruno. Acidentes por animais peçonhentos: reconhecimento, clínica e tratamento. São Paulo: Atheneu, 2000.
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    e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilânciaem Saúde130 Currículo do professor conteudista Wilson da Silva Possui graduação em Engenharia Florestal pela Universidade Federal de Vi- çosa (1985), mestrado em Fitotecnia (Produção Vegetal) pela Universidade Federal de Viçosa (1992) e doutorado em Fitotecnia (Produção Vegetal) pela Universidade Federal de Viçosa (1997). Tem experiência na área de Agrono- mia, com ênfase em Agronomia (Ciências Agrárias). Atua como professor nas Faculdades Integradas do Norte de Minas (FUNORTE) e no Instituto Superior de Educação Ibituruna (ISEIB). Tem experiência nos cursos de Ciências Bioló- gicas, Pedagogia, Geografia e Gestão Ambiental, atuando principalmente nas seguintes disciplinas: Biogeografia (Botânica e Zoologia), Ecologia, Biomas Brasileiros, Educação e Meio Ambiente, Educação do Campo, Geomorfologia, Taxonomia das Espermatófitas e Geografia Agrária.
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    e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Vigilânciaem Saúde132 e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes Escola Técnica Aberta do Brasil