Aconselhamento em DST/HIV: fundamentos, aplicações e desafios Silvia Perivolaris Psicóloga Aconselhadora  CTA Caio Fernando Abreu/HS Partenon POA
As DST acompanham a história da humanidade.  São, ainda hoje, mais conhecidas como  doenças venéreas , em referência a Vênus, a Deusa do Amor .
A mitologia grega faz referência às DST e à primeira ideia de preservativo no mundo ocidental: O rei Minos, filho de Zeus e Europa, era casado com Pasiphae. O monarca era conhecido por seu amor pelas mulheres e suas inúmeras amantes. Por obra de Pasiphae, Minos passou a ejacular serpentes, escorpiões e lacraias, que matavam todas aquelas que se deitassem com o soberano. Pasiphae era imune ao feitiço aplicado a Minos, mas este tornou o rei incapaz de procriar. Minos, no entanto, se apaixonou por Procris. Para evitar que a relação com Minos lhe trouxesse a morte, Procris introduziu em sua vagina uma bexiga de cabra. Os monstros ficaram aprisionados na bexiga e Minos voltou a poder ter filhos.
Sífilis Das Américas para a Europa no período dos Descobrimentos. Inicialmente muito infectante e com predominância das  manifestações cutâneas. 1º tratamento conhecido, até o final do século XVI,  era feito com purgantes e antídotos semi-mágicos para o envenenamento (droga guaiaco).
Sífilis Século XVI - Primeiros preservativos (luva de vênus) -  Gabrielle Fallopio ( forro de linho  do tamanho  do  pênis e  embebido em ervas, soluções químicas  precursoras dos espermicidas modernos) No século XVII, Comdom, um médico inglês, alarmado  com  o número de filhos ilegítimos de Carlos II da  Inglaterra criou para o rei um protetor feito com tripa  de  animais.
Sífilis Século XIII – mercúrio, na forma de minério cinábrio,  já usado para tratamento de doenças de pele pelos médicos árabes. Séculos XV a XVIII – administração oral de mercúrio, ungüentos e banhos de vapor (método da salivação). Prostitutas eram marcadas a ferro ou tinham as orelhas cortadas.
Sífilis 1839 Charles Goodyear descobriu o processo de  vulcanização da borracha . Preservativos grossos e caros, eram lavados e reutilizados até arrebentarem. 1840 – iodeto de potássio – para as fases avançadas da  doença. Século XX – descoberto o agente  Treponema pallidum   (várias subespécies são a causa dos tipos de sífilis venérea  e não venérea, mas da framboésia, pinta...) 1906-1907 –  teste de Wassermann (presença da sífilis mesmo latente).
Sífilis A partir de 1880. Em 1901,  a primeira camisinha  com  reservatório para o esperma ( Estados Unidos).   Paul Ehrlich, de Frankfurt, produziu o  1º anti-séptico  injetável  – composto de arsênico orgânico (“bala  mágica”). Eficaz somente para o grupo das espiroquetas  ou treponemas.  Produzia efeitos colaterais graves  (Salvarsan e Neosalvarsan). Guerras Mundiais –  Explosão  dos casos de Sífilis.  Introdução da penicilina, em 1943,  muito eficaz contra  sífilis e gonorréia.
Sífilis Século XIX, Países Escandinavos já atacavam o problema  abertamente. Inglaterra, 1916 – Relatório sugere diagnóstico e  tratamento gratuito . Asseguravam  anonimato  em detrimento da notificação para conseguir acesso aos infectados. Divulgavam locais de tratamento em mictórios públicos. 1925 – Programa de educação para prevenção. IIª Guerra - Divulgação dos locais de tratamento, investigação dos contatos, oferta do teste do Wassermann. Introdução da notificação e tratamento compulsório de sifilíticos que tivessem infectado mais de 2 contatos. Decréscimo até década de 60. Após, aumento de casos.
Origens do aconselhamento Protágoras (480-410 a. c.) Sócrates (470-399 a. c.) Platão (427-327 a.c.) Cura pela palavra
Diálogo de Platão:  O Espelho da Alma  Sócrates  – Perguntemo-nos, pois, que coisa permitirá melhor não apenas conhecermos a nós mesmos, como diz a inscrição délfica, mas enxergarmos a nós mesmos. Alcibíades  – Evidentemente, seria preciso dirigir o olhar para um espelho. Sócrates  – Tens razão. Mas o próprio olho não contém em sí  uma espécie de espelho? Alcibíades  – É verdade. Sócrates  – Certamente notastes que, quando olhamos alguém nos olhos, vemos seu próprio rosto se refletir no olho daquele que está diante de nós, como se tratasse de um espelho, e que a imagem daquele que olha se reflete no fundo da pupila?
Alcibíades  – Certamente. Sócrates  – Portanto, se quiser ver a si mesmo, o olho deve se contemplar num outro olho e naquilo que há de melhor, a pupila… Se quiser ver a si mesmo, é num olho que ele deve se olhar. Alcibiades  – É exatamente isso. Sócrates  – Então, caro Alcibíades, se uma alma quiser conhecer a sí mesma, não é numa outra alma que ela deve se olhar, e mais  precisamente para o lugar da alma em que mora aquilo que é mais precioso, ou seja, a sabedoria? Alcibíades  – É claro que sim. Sócrates  – Então seria justo dizermos que há na alma algo mais divino do que o fato de conhecer e o ato de pensar? … .
Fundamentos Counseling  –  a partir de 1900 -prática da área da educação. Inicialmente, consistia em oferecer aos jovens e pessoas inexperientes conselho e instrução sobre escolhas e atitudes (movimentos de orientação profissional e vocacional); I e II Guerras Mundiais – necessidade de outros profissinais (além de psiquiatras e psicanalistas) prestarem ajuda terapêutica às pessoas atingidas.
Após a publicação de  Counseling and Psychoterapy (1942),  de Carl Rogers, o aconselhamento, como um  serviço de ajuda humana , começou a transformar-se e aliar-se à psicologia e ao servico social. O Aconselhamento passou a ser chamado de  Terapia Centrada no Cliente.
Foco nos  aspectos saudáveis do cliente. Dificuldades, conflitos e problemas analisados são aqueles  vividos no presente , pois há o pressuposto de que eles se repetem ao longo da existência. Processo  focal, mais curto  quando comparado a outras terapias.
A partir daí, o papel do conselho e do ensino no aconselhamento perdeu espaço e o foco passou a ser  ajudar as pessoas a clarificarem seus próprios objetivos e construirem planos de ação  de acordo com os mesmos.  O conselheiro ou aconselhador passa a ser um  facilitador do crescimento pessoal.
Estrutura A estrutura básica do processo de ajuda no aconselhamento é a mesma. Possui os mesmos elementos, mesmo se realizado em uma clínica, escola, hospital ou qualquer outra instituição.  O que pode variar é a ênfase dada a cada um destes elementos.
Aconselhamento Profissional Religioso Genético Para amamentação Reprodução humana Hepatites virais DST/Hiv/aids
Objetivo Capacitar o cliente a dominar situações da vida, a engajar-se em atividade que produza crescimento e a tomar decisões eficazes, produzindo mudanças reais e duradouras. Resultado O aconselhamento aumenta o controle do individuo  sobre as adversidades atuais e as oportunidades presentes e futuras.
Porque?   O controle do cliente sobre seu próprio destino aumenta a medida que ele passa a ter maior compreensão das relações entre o eu e o ambiente. O indivíduo que tenha melhores percepções (insights) de suas próprias necessidades, desejos e capacidades em relação as oportunidades proporcionadas por seu meio particular, está capacitado a viver de modo mais efetivo.
No aconselhamento, as informações sobre as emoções do próprio cliente e a dos outros podem ser tão ou mais importantes que as informações factuais para a resolução de certos tipos de problemas.  Portanto, o  aconselhamento sempre enfoca  aspectos cognitivos e afetivos , tendo como pano-de-fundo o  contexto social e cultural.
Preceitos fundamentais da Ajuda Efetiva Patterson e Eisenberg (1979). Helping Clientes with Special Concerns Compreensão  – para ser verdadeiramente efetivo, o conselheiro deve ter uma compreensão total do comportamento humano e ser capaz de aplicá-la em situações individuais; Mudança no cliente  – o objetivo final do aconselhamento é ajudar o cliente a operar algum tipo de mudanca que ele julgue satisfatória;
Qualidade da relação  – respeito, empatia, coerência (consistência), revelação facilitadora, imediação, concreção. Processo seqüencial –  Tem um começo, meio e fim. Possui uma sequência bem definida; Auto-revelação e auto-confrontação –  O aconselhador, através de  feedbacks  (devoluções) de reafirmação e de confronto, auxilia o cliente a deparar-se  com novos modos de ver e compreender o próprio  eu  em determinadas situações de vida.
Intensa experiência de trabalho – Aconselhamento não é o mesmo que uma conversa. Envolve esforço mental e emocional e leva, necessariamente, à reflexão.  Conduta ética – A prática não-ética ocorre quando: Quando o profissional emvolve-se no atendimento de situações que vão além da sua capacidade e preparação; quando não compreende sua obrigação de respeitar os direitos do cliente a privacidade e livre-escolha.
Fases do processo de aconselhamento Descoberta inicial   Exploração em profundidade   Preparação para a ação Trabalho   Comunicar a natureza das  Desenvolver compreensão  Testar alternativas e construir do   preocupações, abrangendo  mais profunda dos significados  planos para conseguir os Cliente  conteúdo, sentimento e  de preocupações pessoais e  objetivos  desejados. e contexto.  formulação de  objetivos  Desenvolver confiança  Clarificar significados  suficientemente forte, nesses espontâneos das  planos, para sustentar a  preocupações durante a  ação. descoberta. Trabalho  Proporcionar condições  Ampliar os instrumentos  Ajudar a traçar um conjunto do   para desenvolver uma  do cliente para compreender  de alternativas. Aconse-  relação de confiança e  o próprio eu.  Estruturar o processo de  lhador  trabalho.  Comunicar percepções  tomada de decisão. diagnósticas ao cliente, de  Estimular avaliação e  modo experimental.  verificação da realidade.
Aconselhamento em DST/ hiv/aids/hepatites virais Relação de confiança através da qual conteúdos emocionais, sociais  e  informativos são integrados,  criando-se as condições necessárias para a realização de uma avaliação do lugar onde o indivíduo se  situa ( vulnerabilidade/riscos pessoais ), vislum-brando-se  o lugar onde este pode vir a ocupar, reconhecendo as possibilidades ainda não concretizadas e a forma de conquistá-las ( estratégias possíveis de cuidados e proteção ). TOMADA  DE  CONSCIÊNCIA
Risco biológico X vulnerabilidade Risco biológico  – atribui ao indivíduo, isoladamente, a sua condição de saúde ou doença, como algo puramente voluntário e descontextualizado. Vulnerabilidade  – Conjunto de fatores de natureza biológica, epidemiológica, social e cultural, cuja interação amplia ou reduz o risco ou a proteção de um grupo populacional, frente a uma determinada doença, condição ou dano.
Conceito  Problema-alvo  Resultado esperado Grupo de risco  Contato entre  Barreira a transmissão  infectado  e  (estigmatização) suscetível  Comportamento  Exposição  Práticas  de risco  ao virus  seguras  (mudanca comportamental)  Vulnerabilidade  Suscetibilidades  Resposta social populacionais  (mudar contextos e  relações)
Definição de risco “ É  a exposição de indivíduos ou grupo de pessoas a determinados contextos que envolvem comportamentos, modos de vida, orientação sexual e aspectos culturais e sociais em relação à construção e representação da sexualidade e do uso de drogas em determinada sociedade, tornando-se suscetível aos agravos a saúde”  MS, 2005.
Os  RISCOS  para  as  DST/IST: Não são mera casualidade… Devem ser compreendidos como a expressão, o resultado de um   PROCESSO
Condução do Aconselhamento Individual Esfera do íntimo, do oculto, do não-dito, dos segredos, dos temores, das fragilidades. Danaid, Rodin
“  Embora uma ampla gama de regulamentos e restrições possa governar as interações sexuais na vida pública, na vida privada, quando uma pessoa de alguma forma está longe dos olhares curiosos e vigilantes da sociedade, um conjunto muito diferente de possibilidades se define (...). Na intimidade das interações sexuais, as regras e regulamentos da vida cotidiana normal, deixam de funcionar, e uma liberdade de expressão sexual que seria estritamente proibida no mundo externo molda-se na privacidade de prática erótica (Parker, 1994:144)”.
  ACOLHER  MONITORAR  ESCUTAR  (acompanhar)  PLANEJAR  EXPLORAR (implicar)  (devolver) INFORMAR (desmistificar)
Condução do Aconselhamento Individual Assegurar sigilo e confidencialidade; Propor o aconselhamento: (Explorar as informações trazidas pelo sujeito, suas  impressões e entendimento sobre sua situação:) - Se tem sintomas, o que imagina ser? - Conversou sobre o problema com alguém? - Acha que adquiriu como?  -  O que ouviu falar sobre DST/hiv e a relação  entre ambos?
  Já tratou alguma DST? Qual? Quando? Onde tratou? Já fez teste anti-hiv/hepatites virais, vacina? (Quando? Resultado?  Motivo?) Como tem se sentido em relação a essa situação  (impacto na sua vida)
- Investigar quantas parcerias sexuais no último  ano (novas parcerias nos últimos meses?) - Práticas sexuais (oral, vaginal, anal) com ou sem  proteção? - Gravidez confirmada ou provável? Amamentação? - Filhos? Idade? - Tipo de parceria (homem, mulher, travesti, trans.) - Práticas de uso de drogas (álcool, cocaina injetável  ou aspirada, crack, anfetaminas etc). Uso  foi compartilhado? - Recebeu sangue em transfusão ou derivados?  (quando?)
  Parcerias sexuais: - Têm outras parcerias sexuais? - Apresentaram sintomas, queixas relativas a  DST? - Foram comunicadas da situação do paciente? - Têm ou já tiveram alguma DST? - Alguma parceira está grávida ou amamenta? - São portadores do HIV? Já realizaram teste? - Uso de drogas no passado ou atualmente?
  Atitudes de proteção? -Quais as ações de proteção que já experimentou  para proteger-se de DST e HIV? -Como foram essas experiências (dificuldades,  etc)? - Usa preservativo? Quando e como? Com que  freqüência? Com quem? - Como as parcerias reagem ao uso de  preservativo?   - Quais as atividades de baixo risco ou sexo  seguro que pratica? Com que freqüência?  Com quem?
  ASPECTOS  A SEREM  TRABALHADOS Trocar informações sobre DST, sintomas, formas de transmissão e danos à saúde; Explicar que nem sempre a pessoa infectada apresenta sintomas perceptíveis; Diferenciar DST de IST;  Explicar importância do tratamento completo; Orientar sobre a relação (sinergia) entre HIV e outras DST; Ofertar testagem para HIV; Explicar a diferença entre HIV e aids; Orientar sobre janela imunológica;
  Reforçar a necessidade de diagnóstico e tratamento das  parcerias sexuais; Explicar as possibilidades de reinfecção; Esclarecer sobre a responsabilidade em relação a comunicação das parcerias sexuais; Discutir possibilidades de adoção de medidas protetoras (preservativo, uso limpo de seringas e agulhas) Estabelecer, com o paciente, um plano viável de redução de riscos considerando questões de gênero, planejamento familiar, diversidade sexual e uso de drogas. Referenciar para outros serviços (vacina Hepatite B, acompanhamento psicossocial, tratamento para dependência quimica).
DESAFIOS NOVO CASO DE DST… FRACASSO! QUAIS FORAM AS OPORTUNIDADES PERDIDAS?
DESAFIOS Informação é importante mas não basta; Desconhecimento sobre DST (IST) Ênfase no HIV/aids Imaginário sobre quem tem DST Imaginário sobre quem tem HIV (negação, banalização) Imaginário sobre o preservativo e seu uso Responsabilidade em relação ao outro Idealização do objeto amoroso  (não proteger-se como moeda de troca na relação, contrato de monogamia mútua) Vulnerabilidade de gênero e construção da sexualidade (mulher inocente, pura/ homem corre riscos, não nega fogo, práticas bissexuais)
“ Em praticamente todos os seus significados, o termo sacanagem implica pelo menos slguma forma de rebelião ou transgressão simbólica – subvertendo as restrições que regem a interação social normal. É no sentido totalizador de tudo – ou fazendo de tudo que normalmente seria proibido – que esta transgressão se manifesta de forma mais nítida”. (Parker, 1994:146)
Aconselhamento coletivo Processo educativo participativo, que visa  despertar/ampliar a percepção de risco, a  identificação de sinais e sintomas e promover a discussão e a reflexão sobre o modo de  pensar e agir em relação a saúde e a prevenção  destes agravos.
Condução do aconselhamento coletivo Promover a interatividade/participação; Não “dar aula”; Focar no interesse/necessidade do grupo (características); Evitar conteúdos em excesso; Utilizar recursos visuais, se possível. Abordar características do hiv/aids/dst, formas de transmissão, prevenção, janela imunológica, tratamentos disponíveis.
[email_address] [email_address] (51) 33 36 18 83 Ludia Mondini  Coordenação do CTA

DST - Sífilis

  • 1.
    Aconselhamento em DST/HIV:fundamentos, aplicações e desafios Silvia Perivolaris Psicóloga Aconselhadora CTA Caio Fernando Abreu/HS Partenon POA
  • 2.
    As DST acompanhama história da humanidade. São, ainda hoje, mais conhecidas como doenças venéreas , em referência a Vênus, a Deusa do Amor .
  • 3.
    A mitologia gregafaz referência às DST e à primeira ideia de preservativo no mundo ocidental: O rei Minos, filho de Zeus e Europa, era casado com Pasiphae. O monarca era conhecido por seu amor pelas mulheres e suas inúmeras amantes. Por obra de Pasiphae, Minos passou a ejacular serpentes, escorpiões e lacraias, que matavam todas aquelas que se deitassem com o soberano. Pasiphae era imune ao feitiço aplicado a Minos, mas este tornou o rei incapaz de procriar. Minos, no entanto, se apaixonou por Procris. Para evitar que a relação com Minos lhe trouxesse a morte, Procris introduziu em sua vagina uma bexiga de cabra. Os monstros ficaram aprisionados na bexiga e Minos voltou a poder ter filhos.
  • 4.
    Sífilis Das Américaspara a Europa no período dos Descobrimentos. Inicialmente muito infectante e com predominância das manifestações cutâneas. 1º tratamento conhecido, até o final do século XVI, era feito com purgantes e antídotos semi-mágicos para o envenenamento (droga guaiaco).
  • 5.
    Sífilis Século XVI- Primeiros preservativos (luva de vênus) - Gabrielle Fallopio ( forro de linho do tamanho do pênis e embebido em ervas, soluções químicas precursoras dos espermicidas modernos) No século XVII, Comdom, um médico inglês, alarmado com o número de filhos ilegítimos de Carlos II da Inglaterra criou para o rei um protetor feito com tripa de animais.
  • 6.
    Sífilis Século XIII– mercúrio, na forma de minério cinábrio, já usado para tratamento de doenças de pele pelos médicos árabes. Séculos XV a XVIII – administração oral de mercúrio, ungüentos e banhos de vapor (método da salivação). Prostitutas eram marcadas a ferro ou tinham as orelhas cortadas.
  • 7.
    Sífilis 1839 CharlesGoodyear descobriu o processo de vulcanização da borracha . Preservativos grossos e caros, eram lavados e reutilizados até arrebentarem. 1840 – iodeto de potássio – para as fases avançadas da doença. Século XX – descoberto o agente Treponema pallidum (várias subespécies são a causa dos tipos de sífilis venérea e não venérea, mas da framboésia, pinta...) 1906-1907 – teste de Wassermann (presença da sífilis mesmo latente).
  • 8.
    Sífilis A partirde 1880. Em 1901, a primeira camisinha com reservatório para o esperma ( Estados Unidos). Paul Ehrlich, de Frankfurt, produziu o 1º anti-séptico injetável – composto de arsênico orgânico (“bala mágica”). Eficaz somente para o grupo das espiroquetas ou treponemas. Produzia efeitos colaterais graves (Salvarsan e Neosalvarsan). Guerras Mundiais – Explosão dos casos de Sífilis. Introdução da penicilina, em 1943, muito eficaz contra sífilis e gonorréia.
  • 9.
    Sífilis Século XIX,Países Escandinavos já atacavam o problema abertamente. Inglaterra, 1916 – Relatório sugere diagnóstico e tratamento gratuito . Asseguravam anonimato em detrimento da notificação para conseguir acesso aos infectados. Divulgavam locais de tratamento em mictórios públicos. 1925 – Programa de educação para prevenção. IIª Guerra - Divulgação dos locais de tratamento, investigação dos contatos, oferta do teste do Wassermann. Introdução da notificação e tratamento compulsório de sifilíticos que tivessem infectado mais de 2 contatos. Decréscimo até década de 60. Após, aumento de casos.
  • 10.
    Origens do aconselhamentoProtágoras (480-410 a. c.) Sócrates (470-399 a. c.) Platão (427-327 a.c.) Cura pela palavra
  • 11.
    Diálogo de Platão: O Espelho da Alma Sócrates – Perguntemo-nos, pois, que coisa permitirá melhor não apenas conhecermos a nós mesmos, como diz a inscrição délfica, mas enxergarmos a nós mesmos. Alcibíades – Evidentemente, seria preciso dirigir o olhar para um espelho. Sócrates – Tens razão. Mas o próprio olho não contém em sí uma espécie de espelho? Alcibíades – É verdade. Sócrates – Certamente notastes que, quando olhamos alguém nos olhos, vemos seu próprio rosto se refletir no olho daquele que está diante de nós, como se tratasse de um espelho, e que a imagem daquele que olha se reflete no fundo da pupila?
  • 12.
    Alcibíades –Certamente. Sócrates – Portanto, se quiser ver a si mesmo, o olho deve se contemplar num outro olho e naquilo que há de melhor, a pupila… Se quiser ver a si mesmo, é num olho que ele deve se olhar. Alcibiades – É exatamente isso. Sócrates – Então, caro Alcibíades, se uma alma quiser conhecer a sí mesma, não é numa outra alma que ela deve se olhar, e mais precisamente para o lugar da alma em que mora aquilo que é mais precioso, ou seja, a sabedoria? Alcibíades – É claro que sim. Sócrates – Então seria justo dizermos que há na alma algo mais divino do que o fato de conhecer e o ato de pensar? … .
  • 13.
    Fundamentos Counseling – a partir de 1900 -prática da área da educação. Inicialmente, consistia em oferecer aos jovens e pessoas inexperientes conselho e instrução sobre escolhas e atitudes (movimentos de orientação profissional e vocacional); I e II Guerras Mundiais – necessidade de outros profissinais (além de psiquiatras e psicanalistas) prestarem ajuda terapêutica às pessoas atingidas.
  • 14.
    Após a publicaçãode Counseling and Psychoterapy (1942), de Carl Rogers, o aconselhamento, como um serviço de ajuda humana , começou a transformar-se e aliar-se à psicologia e ao servico social. O Aconselhamento passou a ser chamado de Terapia Centrada no Cliente.
  • 15.
    Foco nos aspectos saudáveis do cliente. Dificuldades, conflitos e problemas analisados são aqueles vividos no presente , pois há o pressuposto de que eles se repetem ao longo da existência. Processo focal, mais curto quando comparado a outras terapias.
  • 16.
    A partir daí,o papel do conselho e do ensino no aconselhamento perdeu espaço e o foco passou a ser ajudar as pessoas a clarificarem seus próprios objetivos e construirem planos de ação de acordo com os mesmos. O conselheiro ou aconselhador passa a ser um facilitador do crescimento pessoal.
  • 17.
    Estrutura A estruturabásica do processo de ajuda no aconselhamento é a mesma. Possui os mesmos elementos, mesmo se realizado em uma clínica, escola, hospital ou qualquer outra instituição. O que pode variar é a ênfase dada a cada um destes elementos.
  • 18.
    Aconselhamento Profissional ReligiosoGenético Para amamentação Reprodução humana Hepatites virais DST/Hiv/aids
  • 19.
    Objetivo Capacitar ocliente a dominar situações da vida, a engajar-se em atividade que produza crescimento e a tomar decisões eficazes, produzindo mudanças reais e duradouras. Resultado O aconselhamento aumenta o controle do individuo sobre as adversidades atuais e as oportunidades presentes e futuras.
  • 20.
    Porque? O controle do cliente sobre seu próprio destino aumenta a medida que ele passa a ter maior compreensão das relações entre o eu e o ambiente. O indivíduo que tenha melhores percepções (insights) de suas próprias necessidades, desejos e capacidades em relação as oportunidades proporcionadas por seu meio particular, está capacitado a viver de modo mais efetivo.
  • 21.
    No aconselhamento, asinformações sobre as emoções do próprio cliente e a dos outros podem ser tão ou mais importantes que as informações factuais para a resolução de certos tipos de problemas. Portanto, o aconselhamento sempre enfoca aspectos cognitivos e afetivos , tendo como pano-de-fundo o contexto social e cultural.
  • 22.
    Preceitos fundamentais daAjuda Efetiva Patterson e Eisenberg (1979). Helping Clientes with Special Concerns Compreensão – para ser verdadeiramente efetivo, o conselheiro deve ter uma compreensão total do comportamento humano e ser capaz de aplicá-la em situações individuais; Mudança no cliente – o objetivo final do aconselhamento é ajudar o cliente a operar algum tipo de mudanca que ele julgue satisfatória;
  • 23.
    Qualidade da relação – respeito, empatia, coerência (consistência), revelação facilitadora, imediação, concreção. Processo seqüencial – Tem um começo, meio e fim. Possui uma sequência bem definida; Auto-revelação e auto-confrontação – O aconselhador, através de feedbacks (devoluções) de reafirmação e de confronto, auxilia o cliente a deparar-se com novos modos de ver e compreender o próprio eu em determinadas situações de vida.
  • 24.
    Intensa experiência detrabalho – Aconselhamento não é o mesmo que uma conversa. Envolve esforço mental e emocional e leva, necessariamente, à reflexão. Conduta ética – A prática não-ética ocorre quando: Quando o profissional emvolve-se no atendimento de situações que vão além da sua capacidade e preparação; quando não compreende sua obrigação de respeitar os direitos do cliente a privacidade e livre-escolha.
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    Fases do processode aconselhamento Descoberta inicial Exploração em profundidade Preparação para a ação Trabalho Comunicar a natureza das Desenvolver compreensão Testar alternativas e construir do preocupações, abrangendo mais profunda dos significados planos para conseguir os Cliente conteúdo, sentimento e de preocupações pessoais e objetivos desejados. e contexto. formulação de objetivos Desenvolver confiança Clarificar significados suficientemente forte, nesses espontâneos das planos, para sustentar a preocupações durante a ação. descoberta. Trabalho Proporcionar condições Ampliar os instrumentos Ajudar a traçar um conjunto do para desenvolver uma do cliente para compreender de alternativas. Aconse- relação de confiança e o próprio eu. Estruturar o processo de lhador trabalho. Comunicar percepções tomada de decisão. diagnósticas ao cliente, de Estimular avaliação e modo experimental. verificação da realidade.
  • 26.
    Aconselhamento em DST/hiv/aids/hepatites virais Relação de confiança através da qual conteúdos emocionais, sociais e informativos são integrados, criando-se as condições necessárias para a realização de uma avaliação do lugar onde o indivíduo se situa ( vulnerabilidade/riscos pessoais ), vislum-brando-se o lugar onde este pode vir a ocupar, reconhecendo as possibilidades ainda não concretizadas e a forma de conquistá-las ( estratégias possíveis de cuidados e proteção ). TOMADA DE CONSCIÊNCIA
  • 27.
    Risco biológico Xvulnerabilidade Risco biológico – atribui ao indivíduo, isoladamente, a sua condição de saúde ou doença, como algo puramente voluntário e descontextualizado. Vulnerabilidade – Conjunto de fatores de natureza biológica, epidemiológica, social e cultural, cuja interação amplia ou reduz o risco ou a proteção de um grupo populacional, frente a uma determinada doença, condição ou dano.
  • 28.
    Conceito Problema-alvo Resultado esperado Grupo de risco Contato entre Barreira a transmissão infectado e (estigmatização) suscetível Comportamento Exposição Práticas de risco ao virus seguras (mudanca comportamental) Vulnerabilidade Suscetibilidades Resposta social populacionais (mudar contextos e relações)
  • 29.
    Definição de risco“ É a exposição de indivíduos ou grupo de pessoas a determinados contextos que envolvem comportamentos, modos de vida, orientação sexual e aspectos culturais e sociais em relação à construção e representação da sexualidade e do uso de drogas em determinada sociedade, tornando-se suscetível aos agravos a saúde” MS, 2005.
  • 30.
    Os RISCOS para as DST/IST: Não são mera casualidade… Devem ser compreendidos como a expressão, o resultado de um PROCESSO
  • 31.
    Condução do AconselhamentoIndividual Esfera do íntimo, do oculto, do não-dito, dos segredos, dos temores, das fragilidades. Danaid, Rodin
  • 32.
    “ Emborauma ampla gama de regulamentos e restrições possa governar as interações sexuais na vida pública, na vida privada, quando uma pessoa de alguma forma está longe dos olhares curiosos e vigilantes da sociedade, um conjunto muito diferente de possibilidades se define (...). Na intimidade das interações sexuais, as regras e regulamentos da vida cotidiana normal, deixam de funcionar, e uma liberdade de expressão sexual que seria estritamente proibida no mundo externo molda-se na privacidade de prática erótica (Parker, 1994:144)”.
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    ACOLHER MONITORAR ESCUTAR (acompanhar) PLANEJAR EXPLORAR (implicar) (devolver) INFORMAR (desmistificar)
  • 34.
    Condução do AconselhamentoIndividual Assegurar sigilo e confidencialidade; Propor o aconselhamento: (Explorar as informações trazidas pelo sujeito, suas impressões e entendimento sobre sua situação:) - Se tem sintomas, o que imagina ser? - Conversou sobre o problema com alguém? - Acha que adquiriu como? - O que ouviu falar sobre DST/hiv e a relação entre ambos?
  • 35.
    tratou alguma DST? Qual? Quando? Onde tratou? Já fez teste anti-hiv/hepatites virais, vacina? (Quando? Resultado? Motivo?) Como tem se sentido em relação a essa situação (impacto na sua vida)
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    - Investigar quantasparcerias sexuais no último ano (novas parcerias nos últimos meses?) - Práticas sexuais (oral, vaginal, anal) com ou sem proteção? - Gravidez confirmada ou provável? Amamentação? - Filhos? Idade? - Tipo de parceria (homem, mulher, travesti, trans.) - Práticas de uso de drogas (álcool, cocaina injetável ou aspirada, crack, anfetaminas etc). Uso foi compartilhado? - Recebeu sangue em transfusão ou derivados? (quando?)
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    Parceriassexuais: - Têm outras parcerias sexuais? - Apresentaram sintomas, queixas relativas a DST? - Foram comunicadas da situação do paciente? - Têm ou já tiveram alguma DST? - Alguma parceira está grávida ou amamenta? - São portadores do HIV? Já realizaram teste? - Uso de drogas no passado ou atualmente?
  • 38.
    Atitudesde proteção? -Quais as ações de proteção que já experimentou para proteger-se de DST e HIV? -Como foram essas experiências (dificuldades, etc)? - Usa preservativo? Quando e como? Com que freqüência? Com quem? - Como as parcerias reagem ao uso de preservativo? - Quais as atividades de baixo risco ou sexo seguro que pratica? Com que freqüência? Com quem?
  • 39.
    ASPECTOS A SEREM TRABALHADOS Trocar informações sobre DST, sintomas, formas de transmissão e danos à saúde; Explicar que nem sempre a pessoa infectada apresenta sintomas perceptíveis; Diferenciar DST de IST; Explicar importância do tratamento completo; Orientar sobre a relação (sinergia) entre HIV e outras DST; Ofertar testagem para HIV; Explicar a diferença entre HIV e aids; Orientar sobre janela imunológica;
  • 40.
    Reforçara necessidade de diagnóstico e tratamento das parcerias sexuais; Explicar as possibilidades de reinfecção; Esclarecer sobre a responsabilidade em relação a comunicação das parcerias sexuais; Discutir possibilidades de adoção de medidas protetoras (preservativo, uso limpo de seringas e agulhas) Estabelecer, com o paciente, um plano viável de redução de riscos considerando questões de gênero, planejamento familiar, diversidade sexual e uso de drogas. Referenciar para outros serviços (vacina Hepatite B, acompanhamento psicossocial, tratamento para dependência quimica).
  • 41.
    DESAFIOS NOVO CASODE DST… FRACASSO! QUAIS FORAM AS OPORTUNIDADES PERDIDAS?
  • 42.
    DESAFIOS Informação éimportante mas não basta; Desconhecimento sobre DST (IST) Ênfase no HIV/aids Imaginário sobre quem tem DST Imaginário sobre quem tem HIV (negação, banalização) Imaginário sobre o preservativo e seu uso Responsabilidade em relação ao outro Idealização do objeto amoroso (não proteger-se como moeda de troca na relação, contrato de monogamia mútua) Vulnerabilidade de gênero e construção da sexualidade (mulher inocente, pura/ homem corre riscos, não nega fogo, práticas bissexuais)
  • 43.
    “ Em praticamentetodos os seus significados, o termo sacanagem implica pelo menos slguma forma de rebelião ou transgressão simbólica – subvertendo as restrições que regem a interação social normal. É no sentido totalizador de tudo – ou fazendo de tudo que normalmente seria proibido – que esta transgressão se manifesta de forma mais nítida”. (Parker, 1994:146)
  • 44.
    Aconselhamento coletivo Processoeducativo participativo, que visa despertar/ampliar a percepção de risco, a identificação de sinais e sintomas e promover a discussão e a reflexão sobre o modo de pensar e agir em relação a saúde e a prevenção destes agravos.
  • 45.
    Condução do aconselhamentocoletivo Promover a interatividade/participação; Não “dar aula”; Focar no interesse/necessidade do grupo (características); Evitar conteúdos em excesso; Utilizar recursos visuais, se possível. Abordar características do hiv/aids/dst, formas de transmissão, prevenção, janela imunológica, tratamentos disponíveis.
  • 46.
    [email_address] [email_address] (51)33 36 18 83 Ludia Mondini Coordenação do CTA