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SÍNTESE ESPECIAL
SUBSÍDIOS PARA DEBATE
Número 14 – 20/07/2023
Considerações sobre o Plano Safra
2023/2024 da Agricultura Familiar1
Em 28 de junho de 2023, o governo federal lançou o Plano Safra 2023/2024 da
Agricultura Familiar, que disponibiliza crédito de R$ 71,6 bilhões para o Programa
Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). Esse montante representa
o maior valor estipulado em toda a série histórica do Plano e significa 34% de aumento
em relação ao valor decretado pelo governo anterior.
TABELA 1
Dados gerais do Plano Safra da Agricultura Familiar 2023/2024
Programas Recursos
Pronaf R$ 71,6 bilhões
Proagro Mais R$ 1,9 bilhões
Garantia Safra R$ 960 milhões
PGPM-Bio R$ 50 milhões
Assistência Técnica e Extensão Rural R$ 200 milhões
Compras Públicas (PAA/MDS e PNAE/FNDE) R$ 3 bilhões
Total 77,7 bilhões
Fonte: Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA)
Além do Pronaf, o Plano Safra compreende mais cinco programas, totalizando R$
77,7 bilhões em recursos, conforme demonstrado na Tabela. Desses, destacam-se as
compras públicas, que somam recursos de R$ 3 bilhões.
1
Texto produzido a partir de informações do site da Conab, https://www.conab.gov.br/ultimas-noticias; IBGE. Censo
Agropecuário 2017, disponível em https://www.ibge.gov.br/estatisticas/economicas/agricultura-e-pecuaria/21814-
2017-censo-agropecuario.html
Considerações sobre o Plano Safra
2023/2024 da Agricultura Familiar
Destaca-se no conjunto das medidas a redução da taxa de juros de 5% para 4%
ao ano para os agricultores que produzem alimentos essenciais, como, entre outros,
feijão, arroz e ovos. As alíquotas para a produção de alimentos previstas no Proagro
Mais, por exemplo, serão reduzidas em 50%. Segundo o governo, essa medida tem a
finalidade de contribuir para a segurança alimentar.
Os juros para custeio e investimento serão de 3% e 4% ao ano, respectivamente,
para todos os agricultores familiares que optarem pela produção sustentável de
alimentos saudáveis, com foco em orgânicos, produtos da sociobiodiversidade,
bioeconomia ou agroecologia.
O Plano também prevê mudanças no microcrédito produtivo (Pronaf B), que
contempla os agricultores familiares de baixa renda, ampliando o enquadramento da
renda familiar anual de R$ 23 mil para R$ 40 mil e o limite de crédito de R$ 6 mil para
R$ 10 mil.
Os recursos destinados aos agricultores em situação de pobreza, ou seja, o
Fomento Produtivo Rural, que é um recurso não reembolsável, será corrigido de R$ 2,4
mil para R$ 4,6 mil, o que corresponde a um reajuste de 91,7%. Essa é uma ação que
está a cargo do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate
à Fome.
O Plano Safra da Agricultura Familiar e as mulheres
O plano também criou nova faixa no Pronaf mulher, com limite de financiamento
de R$ 25.000 ao ano e taxa de juros de 4% a.a, incluindo mulheres agricultoras com
renda anual de até R$ 100.000. Além dessa medida, foi duplicado o limite de
financiamento para as mulheres abrangidas pelo Pronaf B, que pode chegar a R$ 12.000,
com desconto de adimplência variando de 25% a 40%. Na modalidade de crédito
Fomento Mulher, as mulheres quilombolas assentadas da reforma agrária terão aumento
no percentual de desconto de 80% para 90%.
O Programa Mais Alimentos (PMA) retornou ao Plano Safra, com medidas de
estímulo à produção e à aquisição de máquinas e implementos agrícolas específicos
para a agricultura familiar. O PMA tem como objetivo melhorar a qualidade de vida das
Considerações sobre o Plano Safra
2023/2024 da Agricultura Familiar
agricultoras e agricultores familiares, incrementar a produtividade no campo e contribuir
para o aquecimento da indústria. Houve diminuição da taxa de juros de 6% para 5% na
linha do Pronaf para máquinas e implementos agrícolas. Além disso, passam a ser
beneficiários do Pronaf A os povos e comunidades tradicionais e indígenas.
O Plano Safra da Agricultura Familiar e o acesso à terra
O governo anunciou ainda que deve assinar decretos que retomem as políticas
públicas de acesso à terra, como a concessão de crédito para a instalação de famílias,
viabilizando a aquisição de produtos essenciais e bens duráveis para seu próprio
consumo, além de equipamentos para iniciar ou investir na produção. Também deverá
criar nova modalidade de crédito voltado à juventude rural e disponibilizar mais recursos
e melhores condições para os produtores de alimentos e para os assentados do
semiárido. Essa política deverá ser estendida aos povos quilombolas.
O Plano Safra e a importância da agricultura familiar
É importante reafirmar que a agricultura familiar é parte fundamental do sistema
produtivo agrícola nacional. Essa é uma atividade essencial na economia brasileira, no
fornecimento de alimentos para a mesa dos brasileiros e na permanência dos jovens no
campo. Os dados a seguir mostram sua dimensão e importância e revelam algumas das
dificuldades enfrentadas por esses agricultores.
A Lei 11.326/2006, que estabeleceu as diretrizes da agricultura familiar, determina
que o agricultor familiar se caracteriza por ser proprietário de um pedaço de terra
correspondente a até quatro módulos fiscais que variem de 5 a 110 hectares (10.000
m2), a depender da região; utilize predominantemente mão de obra da própria família
para a produção; tenha percentual mínimo da renda familiar originada de seu
empreendimento e dirija seu estabelecimento com sua família.
Tendo em vista esses parâmetros, o mais recente Censo Agropecuário (2017) do
IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) registra 5,1 milhões de
estabelecimentos rurais, dos quais 3,9 milhões são enquadrados como propriedades de
agricultura familiar, o que equivale a 76,5% do total de propriedades rurais. Ainda
segundo o IBGE, a agricultura familiar abrange apenas 23% da área total cultivada no
país, e estima-se que seja responsável por mais de 65% da produção dos alimentos que
chegam às mesas dos brasileiros.
Considerações sobre o Plano Safra
2023/2024 da Agricultura Familiar
Do total de propriedades da agricultura familiar, por volta de 46% têm menos de
cinco hectares (aproximadamente 4,6 campos de futebol), ou seja, quase metade dos
agricultores familiares possuem propriedades de dimensão inferior ao mínimo
considerado por lei. Soma-se a isso problemas como: ausência de titulação da terra;
distância entre os assentamentos e os mercados consumidores; infraestrutura deficiente;
carência de mecanização; acesso ao crédito, entre outros.
Esses são alguns dos desafios colocados para a agricultura familiar para os quais
o governo federal deve olhar com muita atenção. Nesse sentido, os programas e os
recursos financeiros previstos no Plano Safra 2023/2024 trazem alívio para a agricultura
familiar, mas ainda estão muito distantes de suprir as carências e necessidades
apontadas. Espera-se que o próximo Plano Safra 2024/2025 amplie de forma
significativa o montante de recursos creditícios e estabeleça ações específicas que
possam contornar os desafios enfrentados pelos agricultores e agricultoras familiares
brasileiros.
Comentários finais
Além do maior volume de recursos destinados ao segmento da agricultura familiar,
que, ao todo, soma aproximadamente R$ 78 bilhões, o Plano Safra 2023/2024 retoma
muitas das políticas públicas do segmento que haviam sido esvaziadas ou extintas pelo
governo anterior. Há também uma série de mudanças que beneficiam povos quilombolas
e indígenas.
A redução das taxas de juros para custeio e investimento para agricultores e
agricultoras familiares; a nova linha de crédito para as mulheres agricultoras; o retorno
do Programa Mais Alimentos ao Plano; e o aumento no desconto do Fomento Mulher
para as quilombolas assentadas da reforma agrária são algumas das medidas previstas
no Plano.
A promessa do governo federal de assinar um conjunto de decretos que retomam
as políticas públicas de acesso à terra é uma iniciativa que visa a assegurar mais crédito
para a instalação das famílias e deve propiciar condições mais adequadas para a
melhoria da produção agrícola.
Considerações sobre o Plano Safra
2023/2024 da Agricultura Familiar
Cabe destacar ainda que após quatro anos de esvaziamento das políticas
públicas para a agricultura familiar e corte expressivo de recursos para seu
financiamento, é fundamental ter o retorno da política de garantia de preços mínimos e
de estoques reguladores, instrumentos fundamentais para a segurança dos agricultores
e garantia de uma produção mais sustentável e saudável, ao contrário do que acontece
com a agricultura empresarial.
Por último, é importante salientar que o Plano Safra é um instrumento fundamental
de apoio à agricultura familiar, mas há necessidade da implementação de outras políticas
públicas voltadas para o enfrentamento dos problemas, não somente aqueles relativos à
produção agrícola, mas a adoção de ações complementares que contribuam
efetivamente para a melhoria das condições de vida no campo. Ressalte-se, aqui a
importância da regulamentação da titulação da terra e da implementação de medidas
relativas à educação, cultura e lazer para a juventude rural, de modo a incentivar a
permanência dos jovens no campo.
Considerações sobre o Plano Safra
2023/2024 da Agricultura Familiar
Escritório Nacional
Rua Aurora, 957, Centro, São Paulo, SP CEP 01209-001
Tel.: 11 3874-5366 – 11 3821-2199
www.dieese.org.br
Presidente: Maria Aparecida Faria
Sindicato dos Trabalhadores Públicos de Saúde do Estado de São Paulo – SP
Vice-presidente: José Gonzaga da Cruz
Sindicato dos Comerciários de São Paulo – SP
Secretário Nacional: Paulo Roberto Dos Santos Pissinini Junior
Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas de Máquinas Mecânicas de Material Elétrico de Veículos e
Peças Automotivas da Grande Curitiba - PR
Diretor Executivo: Alex Sandro Ferreira da Silva
Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas Mecânicas e de Material Elétrico de Osasco e Região - SP
Diretor Executivo: Carlos Andreu Ortiz
Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas Mecânicas e de Material Elétrico de São Paulo Mogi das
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Sindicato dos Servidores Públicos Federais do Estado de Pernambuco - PE
Diretor Executivo: Gabriel Cesar Anselmo Soares
Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Energia Elétrica de São Paulo - SP
Diretor Executivo: José Carlos Santos Oliveira
Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas Mecânicas e de Materiais Elétricos de Guarulhos Arujá
Mairiporã e Santa Isabel - SP
Diretora Executiva: Mara Luzia Feltes
Sindicato dos Empregados em Empresas de Assessoramentos Perícias Informações Pesquisas e de Fundações
Estaduais do Rio Grande do Sul - RS
Diretora Executiva: Maria Rosani Gregorutti Akiyama Hashizumi
Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários de São Paulo Osasco e Região - SP
Diretor Executivo: Paulo de Tarso Guedes de Brito Costa
Sindicato dos Eletricitários da Bahia - BA
Diretora Executiva: Zenaide Honório
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Direção Técnica
Fausto Augusto Júnior – Diretor Técnico
Patrícia Pelatieri - Diretora Adjunta
Victor Pagani – Diretor Adjunto
Eliana Elias – Diretora da Escola DIEESE de Ciências do Trabalho
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Vera Gebrim (revisão)

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DIEESE - Considerações sobre o Plano Safra 23 /24 da Agricultura Familiar

  • 1. SÍNTESE ESPECIAL SUBSÍDIOS PARA DEBATE Número 14 – 20/07/2023 Considerações sobre o Plano Safra 2023/2024 da Agricultura Familiar1 Em 28 de junho de 2023, o governo federal lançou o Plano Safra 2023/2024 da Agricultura Familiar, que disponibiliza crédito de R$ 71,6 bilhões para o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). Esse montante representa o maior valor estipulado em toda a série histórica do Plano e significa 34% de aumento em relação ao valor decretado pelo governo anterior. TABELA 1 Dados gerais do Plano Safra da Agricultura Familiar 2023/2024 Programas Recursos Pronaf R$ 71,6 bilhões Proagro Mais R$ 1,9 bilhões Garantia Safra R$ 960 milhões PGPM-Bio R$ 50 milhões Assistência Técnica e Extensão Rural R$ 200 milhões Compras Públicas (PAA/MDS e PNAE/FNDE) R$ 3 bilhões Total 77,7 bilhões Fonte: Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) Além do Pronaf, o Plano Safra compreende mais cinco programas, totalizando R$ 77,7 bilhões em recursos, conforme demonstrado na Tabela. Desses, destacam-se as compras públicas, que somam recursos de R$ 3 bilhões. 1 Texto produzido a partir de informações do site da Conab, https://www.conab.gov.br/ultimas-noticias; IBGE. Censo Agropecuário 2017, disponível em https://www.ibge.gov.br/estatisticas/economicas/agricultura-e-pecuaria/21814- 2017-censo-agropecuario.html
  • 2. Considerações sobre o Plano Safra 2023/2024 da Agricultura Familiar Destaca-se no conjunto das medidas a redução da taxa de juros de 5% para 4% ao ano para os agricultores que produzem alimentos essenciais, como, entre outros, feijão, arroz e ovos. As alíquotas para a produção de alimentos previstas no Proagro Mais, por exemplo, serão reduzidas em 50%. Segundo o governo, essa medida tem a finalidade de contribuir para a segurança alimentar. Os juros para custeio e investimento serão de 3% e 4% ao ano, respectivamente, para todos os agricultores familiares que optarem pela produção sustentável de alimentos saudáveis, com foco em orgânicos, produtos da sociobiodiversidade, bioeconomia ou agroecologia. O Plano também prevê mudanças no microcrédito produtivo (Pronaf B), que contempla os agricultores familiares de baixa renda, ampliando o enquadramento da renda familiar anual de R$ 23 mil para R$ 40 mil e o limite de crédito de R$ 6 mil para R$ 10 mil. Os recursos destinados aos agricultores em situação de pobreza, ou seja, o Fomento Produtivo Rural, que é um recurso não reembolsável, será corrigido de R$ 2,4 mil para R$ 4,6 mil, o que corresponde a um reajuste de 91,7%. Essa é uma ação que está a cargo do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome. O Plano Safra da Agricultura Familiar e as mulheres O plano também criou nova faixa no Pronaf mulher, com limite de financiamento de R$ 25.000 ao ano e taxa de juros de 4% a.a, incluindo mulheres agricultoras com renda anual de até R$ 100.000. Além dessa medida, foi duplicado o limite de financiamento para as mulheres abrangidas pelo Pronaf B, que pode chegar a R$ 12.000, com desconto de adimplência variando de 25% a 40%. Na modalidade de crédito Fomento Mulher, as mulheres quilombolas assentadas da reforma agrária terão aumento no percentual de desconto de 80% para 90%. O Programa Mais Alimentos (PMA) retornou ao Plano Safra, com medidas de estímulo à produção e à aquisição de máquinas e implementos agrícolas específicos para a agricultura familiar. O PMA tem como objetivo melhorar a qualidade de vida das
  • 3. Considerações sobre o Plano Safra 2023/2024 da Agricultura Familiar agricultoras e agricultores familiares, incrementar a produtividade no campo e contribuir para o aquecimento da indústria. Houve diminuição da taxa de juros de 6% para 5% na linha do Pronaf para máquinas e implementos agrícolas. Além disso, passam a ser beneficiários do Pronaf A os povos e comunidades tradicionais e indígenas. O Plano Safra da Agricultura Familiar e o acesso à terra O governo anunciou ainda que deve assinar decretos que retomem as políticas públicas de acesso à terra, como a concessão de crédito para a instalação de famílias, viabilizando a aquisição de produtos essenciais e bens duráveis para seu próprio consumo, além de equipamentos para iniciar ou investir na produção. Também deverá criar nova modalidade de crédito voltado à juventude rural e disponibilizar mais recursos e melhores condições para os produtores de alimentos e para os assentados do semiárido. Essa política deverá ser estendida aos povos quilombolas. O Plano Safra e a importância da agricultura familiar É importante reafirmar que a agricultura familiar é parte fundamental do sistema produtivo agrícola nacional. Essa é uma atividade essencial na economia brasileira, no fornecimento de alimentos para a mesa dos brasileiros e na permanência dos jovens no campo. Os dados a seguir mostram sua dimensão e importância e revelam algumas das dificuldades enfrentadas por esses agricultores. A Lei 11.326/2006, que estabeleceu as diretrizes da agricultura familiar, determina que o agricultor familiar se caracteriza por ser proprietário de um pedaço de terra correspondente a até quatro módulos fiscais que variem de 5 a 110 hectares (10.000 m2), a depender da região; utilize predominantemente mão de obra da própria família para a produção; tenha percentual mínimo da renda familiar originada de seu empreendimento e dirija seu estabelecimento com sua família. Tendo em vista esses parâmetros, o mais recente Censo Agropecuário (2017) do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) registra 5,1 milhões de estabelecimentos rurais, dos quais 3,9 milhões são enquadrados como propriedades de agricultura familiar, o que equivale a 76,5% do total de propriedades rurais. Ainda segundo o IBGE, a agricultura familiar abrange apenas 23% da área total cultivada no país, e estima-se que seja responsável por mais de 65% da produção dos alimentos que chegam às mesas dos brasileiros.
  • 4. Considerações sobre o Plano Safra 2023/2024 da Agricultura Familiar Do total de propriedades da agricultura familiar, por volta de 46% têm menos de cinco hectares (aproximadamente 4,6 campos de futebol), ou seja, quase metade dos agricultores familiares possuem propriedades de dimensão inferior ao mínimo considerado por lei. Soma-se a isso problemas como: ausência de titulação da terra; distância entre os assentamentos e os mercados consumidores; infraestrutura deficiente; carência de mecanização; acesso ao crédito, entre outros. Esses são alguns dos desafios colocados para a agricultura familiar para os quais o governo federal deve olhar com muita atenção. Nesse sentido, os programas e os recursos financeiros previstos no Plano Safra 2023/2024 trazem alívio para a agricultura familiar, mas ainda estão muito distantes de suprir as carências e necessidades apontadas. Espera-se que o próximo Plano Safra 2024/2025 amplie de forma significativa o montante de recursos creditícios e estabeleça ações específicas que possam contornar os desafios enfrentados pelos agricultores e agricultoras familiares brasileiros. Comentários finais Além do maior volume de recursos destinados ao segmento da agricultura familiar, que, ao todo, soma aproximadamente R$ 78 bilhões, o Plano Safra 2023/2024 retoma muitas das políticas públicas do segmento que haviam sido esvaziadas ou extintas pelo governo anterior. Há também uma série de mudanças que beneficiam povos quilombolas e indígenas. A redução das taxas de juros para custeio e investimento para agricultores e agricultoras familiares; a nova linha de crédito para as mulheres agricultoras; o retorno do Programa Mais Alimentos ao Plano; e o aumento no desconto do Fomento Mulher para as quilombolas assentadas da reforma agrária são algumas das medidas previstas no Plano. A promessa do governo federal de assinar um conjunto de decretos que retomam as políticas públicas de acesso à terra é uma iniciativa que visa a assegurar mais crédito para a instalação das famílias e deve propiciar condições mais adequadas para a melhoria da produção agrícola.
  • 5. Considerações sobre o Plano Safra 2023/2024 da Agricultura Familiar Cabe destacar ainda que após quatro anos de esvaziamento das políticas públicas para a agricultura familiar e corte expressivo de recursos para seu financiamento, é fundamental ter o retorno da política de garantia de preços mínimos e de estoques reguladores, instrumentos fundamentais para a segurança dos agricultores e garantia de uma produção mais sustentável e saudável, ao contrário do que acontece com a agricultura empresarial. Por último, é importante salientar que o Plano Safra é um instrumento fundamental de apoio à agricultura familiar, mas há necessidade da implementação de outras políticas públicas voltadas para o enfrentamento dos problemas, não somente aqueles relativos à produção agrícola, mas a adoção de ações complementares que contribuam efetivamente para a melhoria das condições de vida no campo. Ressalte-se, aqui a importância da regulamentação da titulação da terra e da implementação de medidas relativas à educação, cultura e lazer para a juventude rural, de modo a incentivar a permanência dos jovens no campo.
  • 6. Considerações sobre o Plano Safra 2023/2024 da Agricultura Familiar Escritório Nacional Rua Aurora, 957, Centro, São Paulo, SP CEP 01209-001 Tel.: 11 3874-5366 – 11 3821-2199 www.dieese.org.br Presidente: Maria Aparecida Faria Sindicato dos Trabalhadores Públicos de Saúde do Estado de São Paulo – SP Vice-presidente: José Gonzaga da Cruz Sindicato dos Comerciários de São Paulo – SP Secretário Nacional: Paulo Roberto Dos Santos Pissinini Junior Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas de Máquinas Mecânicas de Material Elétrico de Veículos e Peças Automotivas da Grande Curitiba - PR Diretor Executivo: Alex Sandro Ferreira da Silva Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas Mecânicas e de Material Elétrico de Osasco e Região - SP Diretor Executivo: Carlos Andreu Ortiz Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas Mecânicas e de Material Elétrico de São Paulo Mogi das Cruzes e Região - SP Diretor Executivo: Claudionor Vieira do Nascimento Sindicato dos Metalúrgicos do ABC - SP Diretor Executivo: Elna Maria de Barros Melo Sindicato dos Servidores Públicos Federais do Estado de Pernambuco - PE Diretor Executivo: Gabriel Cesar Anselmo Soares Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Energia Elétrica de São Paulo - SP Diretor Executivo: José Carlos Santos Oliveira Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas Mecânicas e de Materiais Elétricos de Guarulhos Arujá Mairiporã e Santa Isabel - SP Diretora Executiva: Mara Luzia Feltes Sindicato dos Empregados em Empresas de Assessoramentos Perícias Informações Pesquisas e de Fundações Estaduais do Rio Grande do Sul - RS Diretora Executiva: Maria Rosani Gregorutti Akiyama Hashizumi Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários de São Paulo Osasco e Região - SP Diretor Executivo: Paulo de Tarso Guedes de Brito Costa Sindicato dos Eletricitários da Bahia - BA Diretora Executiva: Zenaide Honório Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo - SP Direção Técnica Fausto Augusto Júnior – Diretor Técnico Patrícia Pelatieri - Diretora Adjunta Victor Pagani – Diretor Adjunto Eliana Elias – Diretora da Escola DIEESE de Ciências do Trabalho Equipe técnica José Silvestre Prado de Oliveira Vera Gebrim (revisão)