CAMINHOS DA INCLUSÃO

         CARTILHA 2007
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A Direção Geral e Acadêmica das Faculdades Estácio de Sá do Espírito Santo juntamente com a
Coordenação do Núcleo de Responsabilidade Social e a Equipe de Suporte à Inclusão Educacional
vêm disponibilizar para a comunidade acadêmica da Estácio e público em geral a versão 2007 da
cartilha “Inclusão: Caminhos e Possibilidades”.


Esta atualização e o propósito de disponibilizá-la em nosso site, beneficiando a um número bem
maior de interessados, contemplam a Missão da Instituição criando condições para a
transformação da realidade educacional de nossos estudantes com necessidades educativas
diferenciadas, permitindo que cada um amplie suas habilidades e competências individuais e
profissionais.


Esperamos que esta seja apenas uma das inúmeras ações que irão reafirmar nosso
compromisso de contribuir para minimizar as desigualdades e promover cada vez mais a
inclusão com responsabilidade social.




                                                                             Direção Geral
                                                    Marcia Cristina Targueta de Souza Cruz




                                                                        Direção Acadêmica
                                                                     Jorge Luiz D’Ambrósio




                                                         Núcleo de Responsabilidade Social
                                                                      Divina Márcia Santos
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INCLUSÃO: CAMINHOS E POSSIBILIDADES

O Projeto de Inclusão Social e Educacional da Faculdade Estácio de Sá-ES tem como objetivo
oferecer suporte aos alunos com deficiência, viabilizando igualdade de condições para que o
processo de ensino-aprendizagem ocorra de maneira eficaz. É, portanto, necessário promover
a sensibilização e a conscientização da comunidade acadêmica com relação à relevância dos
temas referentes à inclusão, valorizando a diversidade humana.


Eis o desafio de construir uma Instituição que se comprometa com a inclusão, viabilizando
uma educação com excelência. Nesse sentido, o envolvimento de toda a comunidade
acadêmica pode ser iniciado conforme a orientação de Carrasco (2006), que diz: “ao
conhecer alguém com deficiência, não se deve perguntar: ‘O que posso fazer por ele?’, mas
estar aberto ao que ele pode ensinar” (p. 66).


A inclusão é mais do que pensar nas dificuldades aparentes dos alunos, assim como é mais
do que garantir que o aluno com deficiência tenha acesso às salas de aula ou que seja
estimulado a construir uma relação amistosa com os colegas.



Para que a inclusão aconteça, é primordial que se promova um ensino em que os conteúdos
tenham sentido para o aluno. E o cuidado com a experiência sensorial faz toda a diferença.
Logo, é necessário um tratamento diversificado que explore todo o potencial dos educandos e
respeite os seus limites.


Para alcançar esse objetivo, foi criada uma Equipe Interdisciplinar que atua realizando um
acompanhamento dos alunos com deficiência que não requerem apenas adaptação do
material didático. Essa atuação compreende entrevista com a família, tendo a presença do
aluno, quando é possível avaliar quais encaminhamentos devem ser realizados, podendo
abranger as áreas: Fonoaudiologia, Psicopedagogia, Psicologia e Neurociências, entre outras,
conforme cada caso.


Essa foi a maneira que encontramos para organizar melhor as informações que possam
contribuir para um processo de ensino-aprendizagem eficaz, orientando os professores e
realizando encontros periódicos com o aluno para avaliar seu desempenho acadêmico.
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Apresentamos    novas   considerações   por   meio   da   Cartilha   “Inclusão:   Caminhos   e
Possibilidades - 2007”, além de retomar as informações que constituíram a Cartilha de
2006.


No Tópico 1, comentamos sobre características particulares das deficiências visual, auditiva,
física e mental. Nesse momento, serão destacadas informações importantes como definição e
as implicações dessas deficiências no cotidiano.


Os recursos que permitem a adaptação do material didático e que facilitam o acesso dos
alunos com deficiência aos conteúdos divulgados nas aulas serão apresentados no Tópico 2.


O leitor também poderá ter acesso a indicações de leitura e de filmes, caso seu interesse se
torne ainda maior ao se dedicar à leitura dessa Cartilha. Eis o que apresentamos no Tópico 3.


A legislação sobre a diversidade é abordada no Tópico 4, onde foram destacados alguns
documentos que possam ser úteis ao conhecimento da comunidade acadêmica.


A inclusão educacional é responsabilidade de todos, a começar pelo aluno e por sua família.
Sem essa participação, os maiores esforços da Equipe Estácio de Sá-ES seriam reduzidos a
um resultado pouco satisfatório. Cá entre nós, o que estamos buscando é exatamente o
contrário...


No mais, desejamos que a leitura dessa Cartilha seja agradável e que suscite novos
questionamentos.



Alline Nunes Andrade – Coordenação Pedagógica
Joelva Gomes Pagotto – Suporte à Inclusão Educacional
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TÓPICO 1: DEFINIÇÃO E TIPOS DE DEFICIÊNCIA


Apresentaremos algumas definições a respeito dos tipos de deficiência. Assim como considera
Fonseca (1995), fazemos a ressalva de que algumas definições são necessárias a fim de
“facilitar a comunicação, a investigação e a intervenção” (p. 44). Fica, porém, o alerta para as
expectativas que possam ser geradas a partir delas.


A pessoa com deficiência se desvia da média em: “1) características mentais; 2) aptidões
sensoriais; 3) características neuromusculares e corporais; 4) comportamento emocional; 5)
aptidões de comunicação; 6) múltiplas deficiências” (Fonseca, 1995, p. 25), de modo a
justificar e requerer mudanças nas práticas pedagógicas, assim como a criação de serviços
que estimulem o desenvolvimento de suas potencialidades.



VISUAL

A cegueira é uma deficiência sensorial que se caracteriza por um déficit no sistema de coleta
de informações por meio da visão. Assim algumas pessoas podem ter baixa visão ou então
serem totalmente cegas, o que implica em coleta de informações por meio do tato e da
audição, principalmente, mas também pelo olfato e paladar. Existem diferentes tipos de
deficiência visual, sendo: cegueira, baixa visão com resíduo visual para leitura e baixa visão
com resíduo somente para locomoção.


O conhecimento do mundo por meio do tato fica restrito aos objetos mais próximos. Se com
um lance de olhar as pessoas videntes apreendem um objeto, o mesmo não ocorre com as
que têm deficiência visual, já que a exploração tátil ocorre de maneira mais lenta e
fragmentária. A audição é outro importante sentido utilizado por pessoas cegas, por meio do
qual é possível estabelecer comunicação verbal e localizar e identificar pessoas e objetos no
espaço, só que de forma menos precisa do que a visão. O olfato também auxilia os cegos a
identificar pessoas e objetos, assim como localizá-las no espaço.


É importante ressaltar, de acordo com Ochaíta e Espinosa (2006), que “os cegos não têm
patamares sensoriais mais baixos que os videntes, não ouvem melhor nem têm maior
sensibilidade tátil ou olfativa; contudo aprendem a utilizá-los melhor ou para outras
finalidades distintas do que fazem os videntes” (p. 152). Assim as pessoas com deficiência
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visual constroem um aprendizado compensando a falta de um dos sentidos, por meio da
utilização de alternativas que favoreçam o seu desenvolvimento.


Essas informações são relevantes ao professor que leciona para um aluno com
deficiência visual. Inicialmente, ressaltamos a importância das leituras feitas em voz alta
ou em dupla para que o aluno possa acompanhar. No intervalo dessas leituras, o professor
deve se certificar de que todos estão compreendendo, inclusive o aluno com deficiência
visual. Ao se posicionar ao quadro, o professor deve falar em voz alta o que está escrevendo.
Deve também dizer sempre o nome do objeto ou figura que forem apresentados à turma
assim como mencionar o nome do aluno com deficiência visual sempre que desejar chamá-lo,
evitando somente apontar para ele.


Ao emitir considerações, orientamos o professor a usar uma estratégia clara e eficaz,
evitando a prática de apontar para o quadro ou outro recurso visual que estiver usando.
Nesse caso, o professor deve informar à turma qual o tipo de recurso que adotará (quadro,
texto, transparência, etc), para situar o aluno com deficiência visual.


Ao usar recursos audiovisuais como TV/DVD/VHS, o professor deve trazer o material dublado,
pois o aluno com deficiência visual terá dificuldades de compreensão caso a mídia seja
legendada.


Observações orais como “Essa lei aqui revogou essa outra ali”, ou “essa imagem tem o
mesmo contexto que essa outra aqui” ou, ainda, “O primeiro exercício complementa aquele
outro ali” são inadequadas devido à dificuldade colocada ao aluno cego.


Para que o aluno tenha melhor aproveitamento quanto ao uso do gravador de voz, é
aconselhável que o professor evite se posicionar ao fundo da sala de aula, uma vez que esse
procedimento dificulta a nitidez da gravação e o aluno com deficiência visual costuma se
sentar na primeira fila. Informe quando for se ausentar da sala.


O material a ser disponibilizado na Central de Cópias (textos, livros, capítulos de livros, etc)
deve ser encaminhado, com antecedência, para o Suporte à Inclusão Educacional a fim de
que as devidas providências sejam tomadas, tais como: digitalização, escaneamento,
ampliação ou conversão para o Braille. O atraso no encaminhamento desse material prejudica
o aluno com deficiência visual, uma vez que não poderá acompanhar as aulas. Caso o
docente tenha o referido material no computador, ele poderá enviá-lo por e-mail para que o
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Suporte adapte o material e o repasse ao aluno. O mesmo vale quando o professor alterar
algum material didático na Central de Cópias.


Os alunos com deficiência visual que tenham resíduo para leitura utilizarão o material
ampliado. Os demais usarão sistema DosVox ou material impresso em Braille.


Com relação às avaliações, é necessário que os professores enviem as provas com
antecedência para a Coordenação Pedagógica, tanto em forma escrita quanto digitalizada,
para que as adaptações sejam providenciadas. O e-mail da Coordenação Pedagógica em
Vitória é allineandrade@es.estacio.br e em Vila Velha é dianacosta@es.estacio.br.


Os alunos que utilizam o material ampliado farão as provas na própria sala de aula, exceto os
casos específicos que serão informados pelo Suporte às coordenações de curso e aos
professores, quando necessário.


O laboratório de informática será utilizado pelos alunos que fazem provas por meio do
sistema DosVox. Os alunos serão acompanhados pela equipe de Suporte à Inclusão.


Lembramos que os alunos com deficiência visual obedecerão aos mesmos critérios de
avaliação que os demais, assim como em todas as atividades de sala de aula. A ESTÁCIO DE
SÁ-ES apenas fará as adaptações para oferecer igualdade de condições no processo de
ensino-aprendizagem.


Quanto aos trabalhos em grupo, principalmente no 1º período, sugerimos que o professor
procure inserir o aluno com deficiência visual em um grupo no qual se perceba que poderá
oferecer condições de participação e que esteja comprometido com os objetivos propostos.
Esse cuidado vale para os casos em que o professor perceba uma falta de integração do aluno
em questão, mas não significa que o aluno não deverá participar ativamente da construção
do conhecimento em grupo.



Em âmbito geral, qualquer pessoa pode adotar novas atitudes ao se relacionar com
pessoas cegas ou com deficiência visual. Se você quiser auxiliar, ofereça ajuda. Caso a
pessoa cega aceite ajuda, coloque a mão da pessoa no seu cotovelo dobrado. Assim ela
poderá te acompanhar, reconhecendo os obstáculos, como degraus, ao sentir o movimento do
seu corpo enquanto você anda. Mesmo assim, avise, antes, quando tiver obstáculos, por
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exemplo, buracos nas calçadas ou poças d’água. Se você estiver em um local cuja passagem
só permita uma pessoa por vez, coloque o seu braço para trás, mantendo contato com a
pessoa cega, para que ela continue a te seguir.


Quanto a auxiliá-la a se sentar em uma cadeira, leve a mão da pessoa cega no encosto da
cadeira, informando caso a cadeira tenha braço ou não. Informe também quando se tratar de
uma banqueta, já que não tem encosto.


No momento de uma conversa, não é necessário aumentar o tom de voz ou falar
pausadamente, a menos que a pessoa, além de cega, tenha uma deficiência auditiva. Quando
a conversa acabar e você se retirar do local, informe à pessoa com deficiência visual.



AUDITIVA/SURDEZ



As pessoas com deficiência auditiva constituem um grupo muito heterogêneo, podendo ser
hipoacúsicas ou surdas profundas. Por essa razão, existem diversas possibilidades de
comunicação. Essas características repercutem valiosamente na educação de pessoas com
deficiência auditiva.


Conforme esclarece Marchesi (2004), as pessoas hipoacúsicas têm dificuldades em ouvir,
porém isso não impede que elas desenvolvam uma linguagem oral. Nesse caso, pode ser
necessário o uso de próteses auditivas. Os surdos profundos, por terem perdas auditivas
maiores, têm dificuldade em adquirir a linguagem oral via audição, assim como o uso de
próteses é ineficaz. Logo, a visão torna-se o principal canal para haver a comunicação e o
estabelecimento de vínculo com o mundo exterior.


Portanto, tendo identificado as peculiaridades de um aluno com deficiência auditiva,
caso ele faça leitura labial para complementar a comunicação, é necessário que o professor
se posicione à frente da sala de aula e voltado para este aluno durante a explicação oral. No
caso de o aluno utilizar a Língua de Sinais Brasileira (Libras), será necessária a presença de
um intérprete, funcionário da Instituição, em sala de aula. Esse intérprete tem o
compromisso de traduzir todo o conteúdo expresso pelo professor em sala de aula e auxiliar o
aluno surdo na integração ao ambiente acadêmico de forma geral.
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O fato de um aluno ser surdo ou ter deficiência auditiva não o impede de participar de
atividades em grupo. Quando ocorrerem apresentações de trabalho, o aluno que utiliza Libras
deverá ter um intérprete para realizar a tradução da Libras para o português, quando o aluno
surdo estiver apresentando, ou do português para a Libras quando os demais alunos forem
responsáveis pela apresentação.


Com relação às avaliações escritas, o aluno com deficiência auditiva que interpreta a
língua portuguesa não necessita de adequação, podendo fazer a prova normalmente, como os
demais alunos. Em contrapartida, se o aluno for surdo e solicitar um atendimento especial, as
avaliações necessitarão de um intérprete de Libras que fará a tradução dos enunciados. O
aluno deverá, a partir da compreensão do que lhe é solicitado, responder às questões por
escrito, em português. O professor deverá ter atenção especial ao conteúdo semântico,
adotando flexibilidade no momento da correção, uma vez que é comum que alunos surdos
tenham dificuldades com relação à ortografia e à gramática da Língua Portuguesa


Em âmbito geral, qualquer pessoa pode adotar novas atitudes ao se relacionar com
pessoas surdas ou com deficiência auditiva. Ao chamar a atenção de uma pessoa surda,
basta fazer um leve aceno ou tocar levemente em seu braço.


Ao falar, é preciso que a boca esteja bem visível, sem objetos ou sem fazer gestos que
atrapalhem a leitura labial. Pronuncie bem as palavras, mas sem exageros, sem falar alto ou
muito devagar. O fato de uma pessoa fazer leitura labial não significa que ela compreenderá
regionalismos ou gírias. Caso isso aconteça, a pessoa surda pedirá para que você repita. Não
se irrite, fale pausadamente e articule melhor as palavras.


Se você souber alguma língua de sinais, tente usá-la. Se a pessoa surda tiver dificuldade em
entender, avisará. De modo geral, suas tentativas serão apreciadas e estimuladas. Utilize
expressões faciais e corporais ao falar, pois as pessoas surdas não percebem as mudanças de
tom de voz. Dessa forma, a expressão corporo-facial será excelente para indicar o que você
quer dizer.


Mantenha contato visual durante a conversa. O desvio do olhar indica ao surdo que a
conversa acabou.
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Nem sempre entendemos o que uma pessoa surda diz. Quando tiver alguma dificuldade de
compreensão, peça ao surdo para que repita. Caso seja necessário, escreva bilhetes para
estabelecer a comunicação.


FÍSICA


A deficiência física compreende uma ampla gama de condições orgânicas que resultam em
um funcionamento alterado do aparelho locomotor; essas alterações, que podem ocorrer em
nível ósseo, articular, muscular e nervoso, comprometem a movimentação da pessoa com
deficiência física. Dependendo da causa da deficiência, a pessoa não terá privação no sistema
de coleta de informações, o que é essencial para o seu processo de desenvolvimento.


Em alguns casos, pode ocorrer de a pessoa com deficiência física ter dificuldades motoras
para realizar atividades manuscritas, necessitando, por exemplo, utilizar um gravador de voz.
Neste caso, o professor deve se posicionar próximo ao gravador, para não comprometer a
qualidade da gravação.


No que concerne a atividades manuais, o professor precisa ter em mente se o aluno com
deficiência física poderá realizá-las. Caso contrário, garanta sua participação em um grupo de
alunos, porém de maneira dialógica e ativa.


Com relação às avaliações escritas, será necessário que a prova tenha questões
objetivas, caso o aluno tenha dificuldades motoras para manuscrever ou para falar por certo
tempo. Nessa ocasião, o aluno deverá realizar a avaliação na sala da Coordenação
Pedagógica. A coordenadora poderá auxiliar na escrita ou no manuseio de algum material,
quando for atividade com consulta.


Em âmbito geral, qualquer pessoa pode adotar novas atitudes ao se relacionar com
pessoas com deficiência física.


Quando nos relacionamos com pessoas com deficiência física, o que abrange diversas
dificuldades motoras, prontamente refletimos sobre as mais variadas formas que as barreiras
arquitetônicas se apresentam. Um leve ressalto no piso pode ser um grande problema,
portanto intransponível sem auxílio de alguém. Porém, nunca movimente a cadeira de rodas
sem antes pedir permissão para a pessoa, mesmo que seja para auxiliá-la. A cadeira de rodas
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pode ser compreendida como a extensão do corpo daquela pessoa e qualquer movimento sem
conhecimento dela não é bem-vindo.


Tenha cuidado ao conduzir uma cadeira de rodas. É preciso ter atenção nas pessoas à frente
para não serem esbarradas, bem como notar se há obstáculos pelo caminho. Caso você
esteja em companhia de uma pessoa com deficiência física, que faça uso de muleta ou
cadeira de rodas, acompanhe o seu ritmo, evitando que ela se canse fisicamente. Se você
parar para conversar com alguém, vire a cadeira de frente, com o consentimento da pessoa,
para que ela também interaja.


Lembre-se é cansativo para quem está sentado manter uma conversação olhando para cima.
Procure se colocar em seu nível, basta buscar uma cadeira, sentar e continuar a conversar.
Assim se mantém o contato visual, além de ser mais confortável para ambos.


As pessoas em cadeira de rodas desenvolvem técnicas pessoais para facilitar a sua
locomoção. Às vezes, ajudar atrapalha, portanto, é sempre válido perguntar se elas precisam
de ajuda. Caso positivo, peça orientação sobre como agir. Em geral, são atitudes válidas
inclinar a cadeira para trás ao subir degraus, evitando que a pessoa seja jogada para a frente.
Vale ressaltar que para descer um degrau, é adequado que seja com a cadeira de costas para
ele, apoiando para que não ocorram solavancos. Se a escada for grande, peça ajuda de mais
uma pessoa.




MENTAL


Durante   muito   tempo,   a   deficiência   mental   foi   definida   por   meio   da   psicometria,
estabelecendo escores de coeficiente intelectual abaixo da média como critérios suficientes.
Porém, a definição atual do tema destaca as habilidades adaptativas, além das intelectuais.
Apresentamos a definição que consta em Fierro (2006), baseado no manual de definição e
classificação da American Association on Mental Retardation, a seguir:


              A deficiência mental refere-se a limitações substanciais no desenvolvimento
              corrente. Caracteriza-se por um funcionamento intelectual significativamente
              inferior à média, que ocorre juntamente com limitações associadas em duas ou
              mais das seguintes áreas de habilidades adaptativas possíveis: comunicação,
              cuidado pessoal, vida doméstica, habilidades sociais, utilização da comunidade,
              autogoverno, saúde e segurança, habilidades acadêmicas funcionais, lazer e
              trabalho. A deficiência mental manifesta-se antes dos 18 anos (p. 195).
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Pessoas com deficiência mental costumam apresentar padrões rígidos de comportamento. É
comum que se sintam à vontade ao realizar atividades repetitivas. Logo, é possível que
situações novas que exijam habilidade de adaptação gerem ansiedade e insegurança à pessoa
com deficiência mental. Para estimular seu desenvolvimento, é válido que a novidade seja
ministrada aos poucos, sem que isso perturbe emocionalmente a pessoa com deficiência
mental.


Com relação à educação, o aluno com deficiência mental tem uma maneira particular de lidar
com   o   conhecimento,   assim   como   de   demonstrar    sua   capacidade   cognitiva,   não
correspondendo com os processos comumente adotados pela maioria das instituições de
ensino. Importa, portanto, levantar a seguinte questão: Que estratégias educativas
precisamos adotar?


Inicialmente, é necessário admitir que determinadas medidas de adaptação curricular devem
ser tomadas, bem como medidas individuais. Para Fierro (2006), essa adaptação deve
abranger como objetivo primordial o desenvolvimento dinâmico das capacidades do alunos
com deficiência mental, aumentando sua capacidade de fazer coisas por si mesmos e sua
capacidade de aprender.


A adaptação curricular depende de uma avaliação diagnóstica das habilidades do aluno com
deficiência mental, mas também de suas limitações. Tendo esse diagnóstico, será possível
estabelecer os recursos adequados. Portanto, não estabeleceremos, nesse momento, as
adaptações a serem adotadas, uma vez que cada aluno com deficiência mental, ingresso na
Estácio de Sá-ES, será encaminhado à Equipe Interdisciplinar para entrevista inicial e
encaminhamentos aos profissionais. A partir de então, a equipe docente será orientada
quanto às peculiaridades a serem adotadas para cada caso.
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TÓPICO 2: RECURSOS E MATERIAIS ADAPTADOS

Para alunos que não enxergam ou têm baixa visão, bem como para aqueles que têm
dificuldades motoras ou de comunicação, é possível a adaptação do seu material didático ou o
acesso a recursos que facilitam o aprendizado. Selecionamos alguns materiais e recursos
demonstrados a seguir.




                                     Alfabeto Braille




                                                          Punção para efetuar pontos em
                                                          relevo em diversos materiais em
             Reglete de mesa com
                                                          Braille.
             régua metálica para a
             escrita em relevo, no
             sistema Braille.
                                                          Punção apagador para corrigir a
                                                          escrita Braille em reglete ou em
                                                          máquina de escrever.




               Máquina de datilografia,                       Impressora Braille que pode
               Perkins Braille que                            ser utilizada por meio dos
               começou a ser produzida                        softwares Dosvox , Braille Fácil,
               no Brasil, em 1999, pela                       Virtual Vision.
               Associação Laramara.
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Alunos da Estácio de Sá de Vitória que    Recurso didático desenvolvido para o
fazem uso do Braille para a escrita e a    aprendizado de operações lógico-
               leitura.                              matemáticas.




 Globo terrestre adaptado em relevo.          Lâmina histológica de tecido ósseo
                                            confeccionada em acetato moldado em
                                                       alta temperatura




Instalação do sistema DosVox para         Acessibilidade do site Estácio de Sá
 uso dos alunos e funcionários com               pelo sistema DosVox.
deficiência visual – Estácio de Sá-ES.
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LÍNGUA DE SINAIS BRASILEIRA - LIBRAS




                                   ALFABETO LIBRAS




SOFTWARES PARA ACESSIBILIDADE


Deficiência Visual


DosVox - Sistema operacional desenvolvido pelo Núcleo de Computação Eletrônica da UFRJ
que permite a utilização, pelas pessoas cegas ou com baixa visão, de um microcomputador
comum, desempenhando diversas tarefas com independência, tanto na vida acadêmica
quanto na profissional. Disponível: http://intervox.nce.ufrj.br/dosvox/


Braille Fácil – Software também desenvolvido pelo Núcleo de Computação Eletrônica da
UFRJ que facilita o comando de impressão em Braille. Disponível:
http://intervox.nce.ufrj.br/brfacil/



Virtual Vision é um software desenvolvido pela Micropower que permite aos usuários com
deficiência visual utilizar todos os recursos do Windows e seus aplicativos. Disponível:
http://www.micropower.com.br/v3/pt/acessibilidade/vv5/index.asp
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Deficiência Auditiva


Rybená – Desenvolvido no Brasil, pelo Centro de Tecnologia de Software. Esse software
realiza a tradução de textos em português para a Língua de Sinais Brasileira (Libras). Essa
tecnologia permite a acessibilidade em sites Internet, de telefonia celular com tradutor para
LIBRAS; apoio técnico para atendimento em LIBRAS entre outras possibilidades. Disponível:
http://www.rybena.org.br/rybena/default/index.jsp




                                    Player Rybená em uso




Deficiência Física e/ou Motora


Microfênix – Desenvolvido pelo Núcleo de Computação Eletrônica da UFRJ para promover a
acessibilidade de pessoas com deficiência física que tiveram a comunicação comprometida. O
programa simula o uso do mouse e teclado, para que programas e funções sejam acionados
no ambiente Windows. Os programas e funções são acionados por meio do microfone (com a
emissão de um som qualquer) ou da tecla control.
Disponível: http://intervox.nce.ufrj.br/microfenix/
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                                   Tela Inicial do microFênix



Motrix - Software desenvolvido pelo Núcleo de Computação Eletrônica da UFRJ para pessoas
com deficiências motoras graves, em especial tetraplegia e distrofia muscular. O Motrix
permite o acesso a microcomputadores, na realização de atividades envolvendo a escrita,
leitura e comunicação. O sistema é acionado por meio de comandos vocais em um microfone.
Disponível: http://intervox.nce.ufrj.br/motrix/
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TÓPICO 3: DICAS DE FILMES E LIVROS



Apresentamos uma lista de filmes e livros que tratam a respeito de deficiência. Essa lista
pode ser modificada conforme sugestão dos leitores.




PARA ASSISTIR

(Relação de filmes e respectivos diretores)


Deficiência auditiva                             Deficiência física

A Música e o Silêncio (1996)                     Amargo regresso (1978)
Caroline Link                                    Hal Ashby

Filhos do silêncio (1986)                        Carne trêmula (1997)
Randa Haines                                     Pedro Almodóvar

Mr. Holland - Adorável professor                 Feliz Ano Velho (1988)
(1995)                                           Roberto Gervitz
Stephen Herek
                                                 Johnny vai à Guerra (1971)
Minha Amada Imortal (1994)                       Dalton Trumbo
Bernard Rose
                                                 Nascido em 4 de Julho (1989)
O Filme Surdo de Beethoven (1998)                Direção: Oliver Stone
Ana Torfs                                        O óleo de Lorenzo (1992)
                                                 Direção: George Miller
O País dos surdos (1992)
Nicolas Philibert                                Uma janela para o céu (Parte 1 e 2)
                                                 (1975/1978)
O Piano (1993)                                   Larry Peerce
Jane Campion

The Dancer (2000)
Frédéric Garson
19

Deficiência mental
                                        Deficiência Múltipla
Do Luto à Luta
(2005)                                  Hellen Keller and Her Teacher (1970)
Direção: Evaldo Morcazel                Noah Keen

Forrest Gump, o contador de histórias   Milagre de Anne Sullivan (1962)
(1994)                                  Arthur Penn
Direção: Robert Zemeckis
                                        The Unconquered (1954)
Gaby, uma história verdadeira (1989)    Nancy Hamilton
Direção: Luis Mandoki

Gilbert Grape - Aprendiz de Sonhador
(1993)
Direção: Lasse Hallström
                                        Deficiência visual
Meu filho, meu mundo (1979)
Direção: Glenn Jordan                   A cor do paraíso (Rang-e-Khoda)
                                        (1999)
Meu pé esquerdo (1989)                  Majid Majidi
Direção: Jim Sheridan
                                        À primeira vista (1999)
Nell (1994)                             Irwin Winkler
Direção: Michael Apted
                                        Além dos meus olhos (1987)
Nick and Gino (1988)                    John Korty
Robert M. Young
                                        Castelos de Gelo (1978)
O oitavo dia (1996)                     Donald Wrye
Jaco van Dormael
                                        Dançando no escuro (2000)
Rain Man (1988)                         Lars von Tries
Barry Levinson
                                        Perfume de mulher (1996)
Simples como amar (1999)                Martin Brest
Garry Marshall
                                        Ray (2004)
Uma Lição de Amor (2001)                Taylor Hackford
Jessie Nelson
20

PARA LER

                               Fisioterapia na
                               equoterapia: análise de
Carta sobre os surdos-
                               seus efeitos sobre o
mudos (para uso dos que
                               portador de necessidades
ouvem e falam)
                               especiais
Denis Direrot
                               Sabrina Lombardi Martinez dos
Nova Alexandria
                               Santos
                               Idéias & letras


Compreendendo o cego:
uma visão psicanalítica da
                               Inclusão escolar e suas
cegueira por meio de
                               implicações
desenhos-estórias
                               José Raimundo Facion
Maria Lucia Toledo Moraes
                               Ibpex
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Casa do Psicólogo


Desenvolvimento
psicológico e educação –
                               Os deficientes e seus pais
2ª ed. Vol. 3
                               Leo F. Buscaglia
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                               Vendo vozes - uma viagem
Direitos do portador de        ao mundo dos surdos
necessidades especiais         Oliver Sacks (Laura Motta,
Antonio Rulli Neto             trad.)
Fiúza                          Cia das Letras




Estimulação precoce para
                               Tudo bem ser diferente
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                               Panda Books
Sprint
21

TÓPICO 4: LEIS SOBRE DIVERSIDADE

“Desculpe, não estamos preparados”. Com essa frase, Cavalcante (2006) inicia considerações
a respeito da legislação sobre a diversidade. Recusar alunos com deficiência é crime previsto
por lei (vide abaixo). É necessário, portanto que alunos com deficiência convivam com
aqueles sem deficiência, em ambiente comum. Nesse caso, ocorre Educação Especial, quando
o atendimento oferece recursos especiais e novas estratégias de ensino. Vejamos algumas
leis e documentos que estabelecem os direitos das pessoas com deficiência. Outros
documentos podem ser acessados pelo portal do MEC: http://portal.mec.gov.br.



 1988 – Constituição da República

Prevê a igualdade de todos os cidadãos perante a Lei, sem distinção, tendo seus direitos
sociais resguardados. No que concerne à Educação, o art. 205 prevê o pleno desenvolvimento
da pessoa, o preparo para o exercício da cidadania e a qualificação para o trabalho.




 1989 – Lei nº 7.853


Prevê medidas na área da educação, saúde, recursos humanos e edificações. Ainda, define
como crime punível com reclusão de 1 a 4 anos, com multa, entre outros procedimentos,
“recusar, suspender, procrastinar, cancelar ou fazer cessar, sem justa causa, a inscrição de
aluno em estabelecimento de ensino de qualquer curso ou grau, público ou privado, por
motivos derivados da deficiência”. Estabelece um órgão, do Ministério de Assistência Social,
para coordenar os assuntos, as ações governamentais e as medidas voltados a pessoas com
deficiência, denominado Coordenadoria Nacional para a Pessoa Portadora de Deficiência
(Corde).




 1994 – Lei nº 8.859

Estende aos alunos de ensino especial o direito à participação em atividades de estágio.
22

 2000 – Lei nº 10.098


Estabelece normais gerais e critérios básicos para promoção da acessibilidade das pessoas
com deficiência ou com mobilidade reduzida e dá outras providências.


 2003 – Portaria nº 3.284


Estabelece requisitos de acessibilidade de pessoas portadoras de deficiências, para instruir os
processos de autorização e de reconhecimento de cursos, e de credenciamento de
instituições. São requisitos de acessibilidade a remoção de barreiras arquitetônicas, a criação
de sala de apoio para adaptação de material didático, intérprete de Libras/língua portuguesa,
sempre que necessário e solicitado pelo aluno, flexibilidade na correção de provas.


 2005 – Decreto nº 5.626


Dispõe sobre a Língua de Sinais Brasileira (Libras) como disciplina curricular nos cursos de
formação de professores para o exercício de magistério, em nível médio e superior, como
Pedagogia e Educação, e nos cursos de Fonoaudiologia. A Libras é considerada disciplina
optativa nos demais cursos de educação superior e formação profissional.



 2005 – Lei nº 11.126


Dispõe sobre o direito da pessoa com deficiência visual de ingressar e permanecer em
ambientes de uso coletivo acompanhado de cão-guia.
23


CONTATO


Suporte à Inclusão Educacional
Íris Saldanha: irissaldanha@es.estacio.br
Joelva Gomes Pagotto: joelva.gomes@es.estacio.br
Tel: 3395-1138


Coordenação Pedagógica

Vitória:
Alline Andrade: allineandrade@es.estacio.br
Tel: 3395-1104


Vila Velha:
Diana Costa: dianacosta@es.estacio.br
Tel: 3349-3180
24

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS




Brasil. (2003). Portaria nº 3284, de 7 de novembro de 2003. Brasília: MEC/SEESP.
Disponível: http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/port3284.pdf

Brasil (2004). Direito à Educação: subsídios para a gestão dos sistemas educacionais.-
Orientações gerais e marcos legais. Brasília: MEC/SEESP.

Brasil. (2005a). Decreto nº 5.626, de 22 de dezembro de 2005. Brasília: Casa Civil;
Subchefia para assuntos jurídicos.

Brasil (2005b). Educação Inclusiva: Atendimento educacional especializado para a Deficiência
Mental. Brasíia: MEC/SEESP. Disponível:
http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/ed.%20inclusiva%20-%20def.%20mental.pdf

Brasil. (2005c). Lei nº 11.126, de 27 de junho de 2005. Brasília: Casa Civil/Subchefia para
assuntos jurídicos. Disponível:
https://www.planalto.gov.br/ccivil/_Ato2004-2006/2005/Lei/L11126.htm

Carrasco, W. (2006). Quem ensina quem. In: Nova Escola. Edição especial: Inclusão, 11,
Outubro.

Fierro, A. (2006). Os alunos com deficiência mental. In: Coll, C.; Marchesi, A.; Palacios, J.
Desenvolvimento psicológico e educação: transtornos de desenvolvimento e
necessidades educativas especiais. (2ª ed., vol. 3). Porto Alegre: Artmed.

Fonseca, V. da. (1995). Educação Especial: programa de estimulação precoce – uma
introdução às idéias de Feuerstein. (2. ed. rev. aumentada). Porto Alegre: Artmed.

Marchesi, A. (2006). Desenvolvimento e educação das crianças surdas. In: Coll, C.; Marchesi,
A.; Palacios, J. Desenvolvimento psicológico e educação: transtornos de
desenvolvimento e necessidades educativas especiais. (2ª ed., vol. 3). Porto Alegre: Artmed.


Ochaíta, E.; Espinosa, M. A. (2006). Desenvolvimento e intervenção educativa nas crianças
cegas ou deficientes visuais. In: Coll, C.; Marchesi, A.; Palacios, J. Desenvolvimento
psicológico e educação: transtornos de desenvolvimento e necessidades educativas
especiais. (2ª ed., vol. 3). Porto Alegre: Artmed.

Cartilhainclusao

  • 1.
  • 2.
    2 A Direção Gerale Acadêmica das Faculdades Estácio de Sá do Espírito Santo juntamente com a Coordenação do Núcleo de Responsabilidade Social e a Equipe de Suporte à Inclusão Educacional vêm disponibilizar para a comunidade acadêmica da Estácio e público em geral a versão 2007 da cartilha “Inclusão: Caminhos e Possibilidades”. Esta atualização e o propósito de disponibilizá-la em nosso site, beneficiando a um número bem maior de interessados, contemplam a Missão da Instituição criando condições para a transformação da realidade educacional de nossos estudantes com necessidades educativas diferenciadas, permitindo que cada um amplie suas habilidades e competências individuais e profissionais. Esperamos que esta seja apenas uma das inúmeras ações que irão reafirmar nosso compromisso de contribuir para minimizar as desigualdades e promover cada vez mais a inclusão com responsabilidade social. Direção Geral Marcia Cristina Targueta de Souza Cruz Direção Acadêmica Jorge Luiz D’Ambrósio Núcleo de Responsabilidade Social Divina Márcia Santos
  • 3.
    3 INCLUSÃO: CAMINHOS EPOSSIBILIDADES O Projeto de Inclusão Social e Educacional da Faculdade Estácio de Sá-ES tem como objetivo oferecer suporte aos alunos com deficiência, viabilizando igualdade de condições para que o processo de ensino-aprendizagem ocorra de maneira eficaz. É, portanto, necessário promover a sensibilização e a conscientização da comunidade acadêmica com relação à relevância dos temas referentes à inclusão, valorizando a diversidade humana. Eis o desafio de construir uma Instituição que se comprometa com a inclusão, viabilizando uma educação com excelência. Nesse sentido, o envolvimento de toda a comunidade acadêmica pode ser iniciado conforme a orientação de Carrasco (2006), que diz: “ao conhecer alguém com deficiência, não se deve perguntar: ‘O que posso fazer por ele?’, mas estar aberto ao que ele pode ensinar” (p. 66). A inclusão é mais do que pensar nas dificuldades aparentes dos alunos, assim como é mais do que garantir que o aluno com deficiência tenha acesso às salas de aula ou que seja estimulado a construir uma relação amistosa com os colegas. Para que a inclusão aconteça, é primordial que se promova um ensino em que os conteúdos tenham sentido para o aluno. E o cuidado com a experiência sensorial faz toda a diferença. Logo, é necessário um tratamento diversificado que explore todo o potencial dos educandos e respeite os seus limites. Para alcançar esse objetivo, foi criada uma Equipe Interdisciplinar que atua realizando um acompanhamento dos alunos com deficiência que não requerem apenas adaptação do material didático. Essa atuação compreende entrevista com a família, tendo a presença do aluno, quando é possível avaliar quais encaminhamentos devem ser realizados, podendo abranger as áreas: Fonoaudiologia, Psicopedagogia, Psicologia e Neurociências, entre outras, conforme cada caso. Essa foi a maneira que encontramos para organizar melhor as informações que possam contribuir para um processo de ensino-aprendizagem eficaz, orientando os professores e realizando encontros periódicos com o aluno para avaliar seu desempenho acadêmico.
  • 4.
    4 Apresentamos novas considerações por meio da Cartilha “Inclusão: Caminhos e Possibilidades - 2007”, além de retomar as informações que constituíram a Cartilha de 2006. No Tópico 1, comentamos sobre características particulares das deficiências visual, auditiva, física e mental. Nesse momento, serão destacadas informações importantes como definição e as implicações dessas deficiências no cotidiano. Os recursos que permitem a adaptação do material didático e que facilitam o acesso dos alunos com deficiência aos conteúdos divulgados nas aulas serão apresentados no Tópico 2. O leitor também poderá ter acesso a indicações de leitura e de filmes, caso seu interesse se torne ainda maior ao se dedicar à leitura dessa Cartilha. Eis o que apresentamos no Tópico 3. A legislação sobre a diversidade é abordada no Tópico 4, onde foram destacados alguns documentos que possam ser úteis ao conhecimento da comunidade acadêmica. A inclusão educacional é responsabilidade de todos, a começar pelo aluno e por sua família. Sem essa participação, os maiores esforços da Equipe Estácio de Sá-ES seriam reduzidos a um resultado pouco satisfatório. Cá entre nós, o que estamos buscando é exatamente o contrário... No mais, desejamos que a leitura dessa Cartilha seja agradável e que suscite novos questionamentos. Alline Nunes Andrade – Coordenação Pedagógica Joelva Gomes Pagotto – Suporte à Inclusão Educacional
  • 5.
    5 TÓPICO 1: DEFINIÇÃOE TIPOS DE DEFICIÊNCIA Apresentaremos algumas definições a respeito dos tipos de deficiência. Assim como considera Fonseca (1995), fazemos a ressalva de que algumas definições são necessárias a fim de “facilitar a comunicação, a investigação e a intervenção” (p. 44). Fica, porém, o alerta para as expectativas que possam ser geradas a partir delas. A pessoa com deficiência se desvia da média em: “1) características mentais; 2) aptidões sensoriais; 3) características neuromusculares e corporais; 4) comportamento emocional; 5) aptidões de comunicação; 6) múltiplas deficiências” (Fonseca, 1995, p. 25), de modo a justificar e requerer mudanças nas práticas pedagógicas, assim como a criação de serviços que estimulem o desenvolvimento de suas potencialidades. VISUAL A cegueira é uma deficiência sensorial que se caracteriza por um déficit no sistema de coleta de informações por meio da visão. Assim algumas pessoas podem ter baixa visão ou então serem totalmente cegas, o que implica em coleta de informações por meio do tato e da audição, principalmente, mas também pelo olfato e paladar. Existem diferentes tipos de deficiência visual, sendo: cegueira, baixa visão com resíduo visual para leitura e baixa visão com resíduo somente para locomoção. O conhecimento do mundo por meio do tato fica restrito aos objetos mais próximos. Se com um lance de olhar as pessoas videntes apreendem um objeto, o mesmo não ocorre com as que têm deficiência visual, já que a exploração tátil ocorre de maneira mais lenta e fragmentária. A audição é outro importante sentido utilizado por pessoas cegas, por meio do qual é possível estabelecer comunicação verbal e localizar e identificar pessoas e objetos no espaço, só que de forma menos precisa do que a visão. O olfato também auxilia os cegos a identificar pessoas e objetos, assim como localizá-las no espaço. É importante ressaltar, de acordo com Ochaíta e Espinosa (2006), que “os cegos não têm patamares sensoriais mais baixos que os videntes, não ouvem melhor nem têm maior sensibilidade tátil ou olfativa; contudo aprendem a utilizá-los melhor ou para outras finalidades distintas do que fazem os videntes” (p. 152). Assim as pessoas com deficiência
  • 6.
    6 visual constroem umaprendizado compensando a falta de um dos sentidos, por meio da utilização de alternativas que favoreçam o seu desenvolvimento. Essas informações são relevantes ao professor que leciona para um aluno com deficiência visual. Inicialmente, ressaltamos a importância das leituras feitas em voz alta ou em dupla para que o aluno possa acompanhar. No intervalo dessas leituras, o professor deve se certificar de que todos estão compreendendo, inclusive o aluno com deficiência visual. Ao se posicionar ao quadro, o professor deve falar em voz alta o que está escrevendo. Deve também dizer sempre o nome do objeto ou figura que forem apresentados à turma assim como mencionar o nome do aluno com deficiência visual sempre que desejar chamá-lo, evitando somente apontar para ele. Ao emitir considerações, orientamos o professor a usar uma estratégia clara e eficaz, evitando a prática de apontar para o quadro ou outro recurso visual que estiver usando. Nesse caso, o professor deve informar à turma qual o tipo de recurso que adotará (quadro, texto, transparência, etc), para situar o aluno com deficiência visual. Ao usar recursos audiovisuais como TV/DVD/VHS, o professor deve trazer o material dublado, pois o aluno com deficiência visual terá dificuldades de compreensão caso a mídia seja legendada. Observações orais como “Essa lei aqui revogou essa outra ali”, ou “essa imagem tem o mesmo contexto que essa outra aqui” ou, ainda, “O primeiro exercício complementa aquele outro ali” são inadequadas devido à dificuldade colocada ao aluno cego. Para que o aluno tenha melhor aproveitamento quanto ao uso do gravador de voz, é aconselhável que o professor evite se posicionar ao fundo da sala de aula, uma vez que esse procedimento dificulta a nitidez da gravação e o aluno com deficiência visual costuma se sentar na primeira fila. Informe quando for se ausentar da sala. O material a ser disponibilizado na Central de Cópias (textos, livros, capítulos de livros, etc) deve ser encaminhado, com antecedência, para o Suporte à Inclusão Educacional a fim de que as devidas providências sejam tomadas, tais como: digitalização, escaneamento, ampliação ou conversão para o Braille. O atraso no encaminhamento desse material prejudica o aluno com deficiência visual, uma vez que não poderá acompanhar as aulas. Caso o docente tenha o referido material no computador, ele poderá enviá-lo por e-mail para que o
  • 7.
    7 Suporte adapte omaterial e o repasse ao aluno. O mesmo vale quando o professor alterar algum material didático na Central de Cópias. Os alunos com deficiência visual que tenham resíduo para leitura utilizarão o material ampliado. Os demais usarão sistema DosVox ou material impresso em Braille. Com relação às avaliações, é necessário que os professores enviem as provas com antecedência para a Coordenação Pedagógica, tanto em forma escrita quanto digitalizada, para que as adaptações sejam providenciadas. O e-mail da Coordenação Pedagógica em Vitória é allineandrade@es.estacio.br e em Vila Velha é dianacosta@es.estacio.br. Os alunos que utilizam o material ampliado farão as provas na própria sala de aula, exceto os casos específicos que serão informados pelo Suporte às coordenações de curso e aos professores, quando necessário. O laboratório de informática será utilizado pelos alunos que fazem provas por meio do sistema DosVox. Os alunos serão acompanhados pela equipe de Suporte à Inclusão. Lembramos que os alunos com deficiência visual obedecerão aos mesmos critérios de avaliação que os demais, assim como em todas as atividades de sala de aula. A ESTÁCIO DE SÁ-ES apenas fará as adaptações para oferecer igualdade de condições no processo de ensino-aprendizagem. Quanto aos trabalhos em grupo, principalmente no 1º período, sugerimos que o professor procure inserir o aluno com deficiência visual em um grupo no qual se perceba que poderá oferecer condições de participação e que esteja comprometido com os objetivos propostos. Esse cuidado vale para os casos em que o professor perceba uma falta de integração do aluno em questão, mas não significa que o aluno não deverá participar ativamente da construção do conhecimento em grupo. Em âmbito geral, qualquer pessoa pode adotar novas atitudes ao se relacionar com pessoas cegas ou com deficiência visual. Se você quiser auxiliar, ofereça ajuda. Caso a pessoa cega aceite ajuda, coloque a mão da pessoa no seu cotovelo dobrado. Assim ela poderá te acompanhar, reconhecendo os obstáculos, como degraus, ao sentir o movimento do seu corpo enquanto você anda. Mesmo assim, avise, antes, quando tiver obstáculos, por
  • 8.
    8 exemplo, buracos nascalçadas ou poças d’água. Se você estiver em um local cuja passagem só permita uma pessoa por vez, coloque o seu braço para trás, mantendo contato com a pessoa cega, para que ela continue a te seguir. Quanto a auxiliá-la a se sentar em uma cadeira, leve a mão da pessoa cega no encosto da cadeira, informando caso a cadeira tenha braço ou não. Informe também quando se tratar de uma banqueta, já que não tem encosto. No momento de uma conversa, não é necessário aumentar o tom de voz ou falar pausadamente, a menos que a pessoa, além de cega, tenha uma deficiência auditiva. Quando a conversa acabar e você se retirar do local, informe à pessoa com deficiência visual. AUDITIVA/SURDEZ As pessoas com deficiência auditiva constituem um grupo muito heterogêneo, podendo ser hipoacúsicas ou surdas profundas. Por essa razão, existem diversas possibilidades de comunicação. Essas características repercutem valiosamente na educação de pessoas com deficiência auditiva. Conforme esclarece Marchesi (2004), as pessoas hipoacúsicas têm dificuldades em ouvir, porém isso não impede que elas desenvolvam uma linguagem oral. Nesse caso, pode ser necessário o uso de próteses auditivas. Os surdos profundos, por terem perdas auditivas maiores, têm dificuldade em adquirir a linguagem oral via audição, assim como o uso de próteses é ineficaz. Logo, a visão torna-se o principal canal para haver a comunicação e o estabelecimento de vínculo com o mundo exterior. Portanto, tendo identificado as peculiaridades de um aluno com deficiência auditiva, caso ele faça leitura labial para complementar a comunicação, é necessário que o professor se posicione à frente da sala de aula e voltado para este aluno durante a explicação oral. No caso de o aluno utilizar a Língua de Sinais Brasileira (Libras), será necessária a presença de um intérprete, funcionário da Instituição, em sala de aula. Esse intérprete tem o compromisso de traduzir todo o conteúdo expresso pelo professor em sala de aula e auxiliar o aluno surdo na integração ao ambiente acadêmico de forma geral.
  • 9.
    9 O fato deum aluno ser surdo ou ter deficiência auditiva não o impede de participar de atividades em grupo. Quando ocorrerem apresentações de trabalho, o aluno que utiliza Libras deverá ter um intérprete para realizar a tradução da Libras para o português, quando o aluno surdo estiver apresentando, ou do português para a Libras quando os demais alunos forem responsáveis pela apresentação. Com relação às avaliações escritas, o aluno com deficiência auditiva que interpreta a língua portuguesa não necessita de adequação, podendo fazer a prova normalmente, como os demais alunos. Em contrapartida, se o aluno for surdo e solicitar um atendimento especial, as avaliações necessitarão de um intérprete de Libras que fará a tradução dos enunciados. O aluno deverá, a partir da compreensão do que lhe é solicitado, responder às questões por escrito, em português. O professor deverá ter atenção especial ao conteúdo semântico, adotando flexibilidade no momento da correção, uma vez que é comum que alunos surdos tenham dificuldades com relação à ortografia e à gramática da Língua Portuguesa Em âmbito geral, qualquer pessoa pode adotar novas atitudes ao se relacionar com pessoas surdas ou com deficiência auditiva. Ao chamar a atenção de uma pessoa surda, basta fazer um leve aceno ou tocar levemente em seu braço. Ao falar, é preciso que a boca esteja bem visível, sem objetos ou sem fazer gestos que atrapalhem a leitura labial. Pronuncie bem as palavras, mas sem exageros, sem falar alto ou muito devagar. O fato de uma pessoa fazer leitura labial não significa que ela compreenderá regionalismos ou gírias. Caso isso aconteça, a pessoa surda pedirá para que você repita. Não se irrite, fale pausadamente e articule melhor as palavras. Se você souber alguma língua de sinais, tente usá-la. Se a pessoa surda tiver dificuldade em entender, avisará. De modo geral, suas tentativas serão apreciadas e estimuladas. Utilize expressões faciais e corporais ao falar, pois as pessoas surdas não percebem as mudanças de tom de voz. Dessa forma, a expressão corporo-facial será excelente para indicar o que você quer dizer. Mantenha contato visual durante a conversa. O desvio do olhar indica ao surdo que a conversa acabou.
  • 10.
    10 Nem sempre entendemoso que uma pessoa surda diz. Quando tiver alguma dificuldade de compreensão, peça ao surdo para que repita. Caso seja necessário, escreva bilhetes para estabelecer a comunicação. FÍSICA A deficiência física compreende uma ampla gama de condições orgânicas que resultam em um funcionamento alterado do aparelho locomotor; essas alterações, que podem ocorrer em nível ósseo, articular, muscular e nervoso, comprometem a movimentação da pessoa com deficiência física. Dependendo da causa da deficiência, a pessoa não terá privação no sistema de coleta de informações, o que é essencial para o seu processo de desenvolvimento. Em alguns casos, pode ocorrer de a pessoa com deficiência física ter dificuldades motoras para realizar atividades manuscritas, necessitando, por exemplo, utilizar um gravador de voz. Neste caso, o professor deve se posicionar próximo ao gravador, para não comprometer a qualidade da gravação. No que concerne a atividades manuais, o professor precisa ter em mente se o aluno com deficiência física poderá realizá-las. Caso contrário, garanta sua participação em um grupo de alunos, porém de maneira dialógica e ativa. Com relação às avaliações escritas, será necessário que a prova tenha questões objetivas, caso o aluno tenha dificuldades motoras para manuscrever ou para falar por certo tempo. Nessa ocasião, o aluno deverá realizar a avaliação na sala da Coordenação Pedagógica. A coordenadora poderá auxiliar na escrita ou no manuseio de algum material, quando for atividade com consulta. Em âmbito geral, qualquer pessoa pode adotar novas atitudes ao se relacionar com pessoas com deficiência física. Quando nos relacionamos com pessoas com deficiência física, o que abrange diversas dificuldades motoras, prontamente refletimos sobre as mais variadas formas que as barreiras arquitetônicas se apresentam. Um leve ressalto no piso pode ser um grande problema, portanto intransponível sem auxílio de alguém. Porém, nunca movimente a cadeira de rodas sem antes pedir permissão para a pessoa, mesmo que seja para auxiliá-la. A cadeira de rodas
  • 11.
    11 pode ser compreendidacomo a extensão do corpo daquela pessoa e qualquer movimento sem conhecimento dela não é bem-vindo. Tenha cuidado ao conduzir uma cadeira de rodas. É preciso ter atenção nas pessoas à frente para não serem esbarradas, bem como notar se há obstáculos pelo caminho. Caso você esteja em companhia de uma pessoa com deficiência física, que faça uso de muleta ou cadeira de rodas, acompanhe o seu ritmo, evitando que ela se canse fisicamente. Se você parar para conversar com alguém, vire a cadeira de frente, com o consentimento da pessoa, para que ela também interaja. Lembre-se é cansativo para quem está sentado manter uma conversação olhando para cima. Procure se colocar em seu nível, basta buscar uma cadeira, sentar e continuar a conversar. Assim se mantém o contato visual, além de ser mais confortável para ambos. As pessoas em cadeira de rodas desenvolvem técnicas pessoais para facilitar a sua locomoção. Às vezes, ajudar atrapalha, portanto, é sempre válido perguntar se elas precisam de ajuda. Caso positivo, peça orientação sobre como agir. Em geral, são atitudes válidas inclinar a cadeira para trás ao subir degraus, evitando que a pessoa seja jogada para a frente. Vale ressaltar que para descer um degrau, é adequado que seja com a cadeira de costas para ele, apoiando para que não ocorram solavancos. Se a escada for grande, peça ajuda de mais uma pessoa. MENTAL Durante muito tempo, a deficiência mental foi definida por meio da psicometria, estabelecendo escores de coeficiente intelectual abaixo da média como critérios suficientes. Porém, a definição atual do tema destaca as habilidades adaptativas, além das intelectuais. Apresentamos a definição que consta em Fierro (2006), baseado no manual de definição e classificação da American Association on Mental Retardation, a seguir: A deficiência mental refere-se a limitações substanciais no desenvolvimento corrente. Caracteriza-se por um funcionamento intelectual significativamente inferior à média, que ocorre juntamente com limitações associadas em duas ou mais das seguintes áreas de habilidades adaptativas possíveis: comunicação, cuidado pessoal, vida doméstica, habilidades sociais, utilização da comunidade, autogoverno, saúde e segurança, habilidades acadêmicas funcionais, lazer e trabalho. A deficiência mental manifesta-se antes dos 18 anos (p. 195).
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    12 Pessoas com deficiênciamental costumam apresentar padrões rígidos de comportamento. É comum que se sintam à vontade ao realizar atividades repetitivas. Logo, é possível que situações novas que exijam habilidade de adaptação gerem ansiedade e insegurança à pessoa com deficiência mental. Para estimular seu desenvolvimento, é válido que a novidade seja ministrada aos poucos, sem que isso perturbe emocionalmente a pessoa com deficiência mental. Com relação à educação, o aluno com deficiência mental tem uma maneira particular de lidar com o conhecimento, assim como de demonstrar sua capacidade cognitiva, não correspondendo com os processos comumente adotados pela maioria das instituições de ensino. Importa, portanto, levantar a seguinte questão: Que estratégias educativas precisamos adotar? Inicialmente, é necessário admitir que determinadas medidas de adaptação curricular devem ser tomadas, bem como medidas individuais. Para Fierro (2006), essa adaptação deve abranger como objetivo primordial o desenvolvimento dinâmico das capacidades do alunos com deficiência mental, aumentando sua capacidade de fazer coisas por si mesmos e sua capacidade de aprender. A adaptação curricular depende de uma avaliação diagnóstica das habilidades do aluno com deficiência mental, mas também de suas limitações. Tendo esse diagnóstico, será possível estabelecer os recursos adequados. Portanto, não estabeleceremos, nesse momento, as adaptações a serem adotadas, uma vez que cada aluno com deficiência mental, ingresso na Estácio de Sá-ES, será encaminhado à Equipe Interdisciplinar para entrevista inicial e encaminhamentos aos profissionais. A partir de então, a equipe docente será orientada quanto às peculiaridades a serem adotadas para cada caso.
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    13 TÓPICO 2: RECURSOSE MATERIAIS ADAPTADOS Para alunos que não enxergam ou têm baixa visão, bem como para aqueles que têm dificuldades motoras ou de comunicação, é possível a adaptação do seu material didático ou o acesso a recursos que facilitam o aprendizado. Selecionamos alguns materiais e recursos demonstrados a seguir. Alfabeto Braille Punção para efetuar pontos em relevo em diversos materiais em Reglete de mesa com Braille. régua metálica para a escrita em relevo, no sistema Braille. Punção apagador para corrigir a escrita Braille em reglete ou em máquina de escrever. Máquina de datilografia, Impressora Braille que pode Perkins Braille que ser utilizada por meio dos começou a ser produzida softwares Dosvox , Braille Fácil, no Brasil, em 1999, pela Virtual Vision. Associação Laramara.
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    14 Alunos da Estáciode Sá de Vitória que Recurso didático desenvolvido para o fazem uso do Braille para a escrita e a aprendizado de operações lógico- leitura. matemáticas. Globo terrestre adaptado em relevo. Lâmina histológica de tecido ósseo confeccionada em acetato moldado em alta temperatura Instalação do sistema DosVox para Acessibilidade do site Estácio de Sá uso dos alunos e funcionários com pelo sistema DosVox. deficiência visual – Estácio de Sá-ES.
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    15 LÍNGUA DE SINAISBRASILEIRA - LIBRAS ALFABETO LIBRAS SOFTWARES PARA ACESSIBILIDADE Deficiência Visual DosVox - Sistema operacional desenvolvido pelo Núcleo de Computação Eletrônica da UFRJ que permite a utilização, pelas pessoas cegas ou com baixa visão, de um microcomputador comum, desempenhando diversas tarefas com independência, tanto na vida acadêmica quanto na profissional. Disponível: http://intervox.nce.ufrj.br/dosvox/ Braille Fácil – Software também desenvolvido pelo Núcleo de Computação Eletrônica da UFRJ que facilita o comando de impressão em Braille. Disponível: http://intervox.nce.ufrj.br/brfacil/ Virtual Vision é um software desenvolvido pela Micropower que permite aos usuários com deficiência visual utilizar todos os recursos do Windows e seus aplicativos. Disponível: http://www.micropower.com.br/v3/pt/acessibilidade/vv5/index.asp
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    16 Deficiência Auditiva Rybená –Desenvolvido no Brasil, pelo Centro de Tecnologia de Software. Esse software realiza a tradução de textos em português para a Língua de Sinais Brasileira (Libras). Essa tecnologia permite a acessibilidade em sites Internet, de telefonia celular com tradutor para LIBRAS; apoio técnico para atendimento em LIBRAS entre outras possibilidades. Disponível: http://www.rybena.org.br/rybena/default/index.jsp Player Rybená em uso Deficiência Física e/ou Motora Microfênix – Desenvolvido pelo Núcleo de Computação Eletrônica da UFRJ para promover a acessibilidade de pessoas com deficiência física que tiveram a comunicação comprometida. O programa simula o uso do mouse e teclado, para que programas e funções sejam acionados no ambiente Windows. Os programas e funções são acionados por meio do microfone (com a emissão de um som qualquer) ou da tecla control. Disponível: http://intervox.nce.ufrj.br/microfenix/
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    17 Tela Inicial do microFênix Motrix - Software desenvolvido pelo Núcleo de Computação Eletrônica da UFRJ para pessoas com deficiências motoras graves, em especial tetraplegia e distrofia muscular. O Motrix permite o acesso a microcomputadores, na realização de atividades envolvendo a escrita, leitura e comunicação. O sistema é acionado por meio de comandos vocais em um microfone. Disponível: http://intervox.nce.ufrj.br/motrix/
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    18 TÓPICO 3: DICASDE FILMES E LIVROS Apresentamos uma lista de filmes e livros que tratam a respeito de deficiência. Essa lista pode ser modificada conforme sugestão dos leitores. PARA ASSISTIR (Relação de filmes e respectivos diretores) Deficiência auditiva Deficiência física A Música e o Silêncio (1996) Amargo regresso (1978) Caroline Link Hal Ashby Filhos do silêncio (1986) Carne trêmula (1997) Randa Haines Pedro Almodóvar Mr. Holland - Adorável professor Feliz Ano Velho (1988) (1995) Roberto Gervitz Stephen Herek Johnny vai à Guerra (1971) Minha Amada Imortal (1994) Dalton Trumbo Bernard Rose Nascido em 4 de Julho (1989) O Filme Surdo de Beethoven (1998) Direção: Oliver Stone Ana Torfs O óleo de Lorenzo (1992) Direção: George Miller O País dos surdos (1992) Nicolas Philibert Uma janela para o céu (Parte 1 e 2) (1975/1978) O Piano (1993) Larry Peerce Jane Campion The Dancer (2000) Frédéric Garson
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    19 Deficiência mental Deficiência Múltipla Do Luto à Luta (2005) Hellen Keller and Her Teacher (1970) Direção: Evaldo Morcazel Noah Keen Forrest Gump, o contador de histórias Milagre de Anne Sullivan (1962) (1994) Arthur Penn Direção: Robert Zemeckis The Unconquered (1954) Gaby, uma história verdadeira (1989) Nancy Hamilton Direção: Luis Mandoki Gilbert Grape - Aprendiz de Sonhador (1993) Direção: Lasse Hallström Deficiência visual Meu filho, meu mundo (1979) Direção: Glenn Jordan A cor do paraíso (Rang-e-Khoda) (1999) Meu pé esquerdo (1989) Majid Majidi Direção: Jim Sheridan À primeira vista (1999) Nell (1994) Irwin Winkler Direção: Michael Apted Além dos meus olhos (1987) Nick and Gino (1988) John Korty Robert M. Young Castelos de Gelo (1978) O oitavo dia (1996) Donald Wrye Jaco van Dormael Dançando no escuro (2000) Rain Man (1988) Lars von Tries Barry Levinson Perfume de mulher (1996) Simples como amar (1999) Martin Brest Garry Marshall Ray (2004) Uma Lição de Amor (2001) Taylor Hackford Jessie Nelson
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    20 PARA LER Fisioterapia na equoterapia: análise de Carta sobre os surdos- seus efeitos sobre o mudos (para uso dos que portador de necessidades ouvem e falam) especiais Denis Direrot Sabrina Lombardi Martinez dos Nova Alexandria Santos Idéias & letras Compreendendo o cego: uma visão psicanalítica da Inclusão escolar e suas cegueira por meio de implicações desenhos-estórias José Raimundo Facion Maria Lucia Toledo Moraes Ibpex Amiralian Casa do Psicólogo Desenvolvimento psicológico e educação – Os deficientes e seus pais 2ª ed. Vol. 3 Leo F. Buscaglia Cesar Coll, Jesus Palacios e Record Álvaro Marchesi Artmed Vendo vozes - uma viagem Direitos do portador de ao mundo dos surdos necessidades especiais Oliver Sacks (Laura Motta, Antonio Rulli Neto trad.) Fiúza Cia das Letras Estimulação precoce para Tudo bem ser diferente bebês Todd Parr Laura Tisi Panda Books Sprint
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    21 TÓPICO 4: LEISSOBRE DIVERSIDADE “Desculpe, não estamos preparados”. Com essa frase, Cavalcante (2006) inicia considerações a respeito da legislação sobre a diversidade. Recusar alunos com deficiência é crime previsto por lei (vide abaixo). É necessário, portanto que alunos com deficiência convivam com aqueles sem deficiência, em ambiente comum. Nesse caso, ocorre Educação Especial, quando o atendimento oferece recursos especiais e novas estratégias de ensino. Vejamos algumas leis e documentos que estabelecem os direitos das pessoas com deficiência. Outros documentos podem ser acessados pelo portal do MEC: http://portal.mec.gov.br. 1988 – Constituição da República Prevê a igualdade de todos os cidadãos perante a Lei, sem distinção, tendo seus direitos sociais resguardados. No que concerne à Educação, o art. 205 prevê o pleno desenvolvimento da pessoa, o preparo para o exercício da cidadania e a qualificação para o trabalho. 1989 – Lei nº 7.853 Prevê medidas na área da educação, saúde, recursos humanos e edificações. Ainda, define como crime punível com reclusão de 1 a 4 anos, com multa, entre outros procedimentos, “recusar, suspender, procrastinar, cancelar ou fazer cessar, sem justa causa, a inscrição de aluno em estabelecimento de ensino de qualquer curso ou grau, público ou privado, por motivos derivados da deficiência”. Estabelece um órgão, do Ministério de Assistência Social, para coordenar os assuntos, as ações governamentais e as medidas voltados a pessoas com deficiência, denominado Coordenadoria Nacional para a Pessoa Portadora de Deficiência (Corde). 1994 – Lei nº 8.859 Estende aos alunos de ensino especial o direito à participação em atividades de estágio.
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    22 2000 –Lei nº 10.098 Estabelece normais gerais e critérios básicos para promoção da acessibilidade das pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida e dá outras providências. 2003 – Portaria nº 3.284 Estabelece requisitos de acessibilidade de pessoas portadoras de deficiências, para instruir os processos de autorização e de reconhecimento de cursos, e de credenciamento de instituições. São requisitos de acessibilidade a remoção de barreiras arquitetônicas, a criação de sala de apoio para adaptação de material didático, intérprete de Libras/língua portuguesa, sempre que necessário e solicitado pelo aluno, flexibilidade na correção de provas. 2005 – Decreto nº 5.626 Dispõe sobre a Língua de Sinais Brasileira (Libras) como disciplina curricular nos cursos de formação de professores para o exercício de magistério, em nível médio e superior, como Pedagogia e Educação, e nos cursos de Fonoaudiologia. A Libras é considerada disciplina optativa nos demais cursos de educação superior e formação profissional. 2005 – Lei nº 11.126 Dispõe sobre o direito da pessoa com deficiência visual de ingressar e permanecer em ambientes de uso coletivo acompanhado de cão-guia.
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    23 CONTATO Suporte à InclusãoEducacional Íris Saldanha: irissaldanha@es.estacio.br Joelva Gomes Pagotto: joelva.gomes@es.estacio.br Tel: 3395-1138 Coordenação Pedagógica Vitória: Alline Andrade: allineandrade@es.estacio.br Tel: 3395-1104 Vila Velha: Diana Costa: dianacosta@es.estacio.br Tel: 3349-3180
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    24 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Brasil. (2003).Portaria nº 3284, de 7 de novembro de 2003. Brasília: MEC/SEESP. Disponível: http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/port3284.pdf Brasil (2004). Direito à Educação: subsídios para a gestão dos sistemas educacionais.- Orientações gerais e marcos legais. Brasília: MEC/SEESP. Brasil. (2005a). Decreto nº 5.626, de 22 de dezembro de 2005. Brasília: Casa Civil; Subchefia para assuntos jurídicos. Brasil (2005b). Educação Inclusiva: Atendimento educacional especializado para a Deficiência Mental. Brasíia: MEC/SEESP. Disponível: http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/ed.%20inclusiva%20-%20def.%20mental.pdf Brasil. (2005c). Lei nº 11.126, de 27 de junho de 2005. Brasília: Casa Civil/Subchefia para assuntos jurídicos. Disponível: https://www.planalto.gov.br/ccivil/_Ato2004-2006/2005/Lei/L11126.htm Carrasco, W. (2006). Quem ensina quem. In: Nova Escola. Edição especial: Inclusão, 11, Outubro. Fierro, A. (2006). Os alunos com deficiência mental. In: Coll, C.; Marchesi, A.; Palacios, J. Desenvolvimento psicológico e educação: transtornos de desenvolvimento e necessidades educativas especiais. (2ª ed., vol. 3). Porto Alegre: Artmed. Fonseca, V. da. (1995). Educação Especial: programa de estimulação precoce – uma introdução às idéias de Feuerstein. (2. ed. rev. aumentada). Porto Alegre: Artmed. Marchesi, A. (2006). Desenvolvimento e educação das crianças surdas. In: Coll, C.; Marchesi, A.; Palacios, J. Desenvolvimento psicológico e educação: transtornos de desenvolvimento e necessidades educativas especiais. (2ª ed., vol. 3). Porto Alegre: Artmed. Ochaíta, E.; Espinosa, M. A. (2006). Desenvolvimento e intervenção educativa nas crianças cegas ou deficientes visuais. In: Coll, C.; Marchesi, A.; Palacios, J. Desenvolvimento psicológico e educação: transtornos de desenvolvimento e necessidades educativas especiais. (2ª ed., vol. 3). Porto Alegre: Artmed.