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ÍNDICE
APRESENTAÇÃO ................................................................................................................	 3
O QUE É PATRIMÔNIO .......................................................................................................	 5
O Patrimônio Cultural da Baixada Santista ..........................................................................	 6
Comunidades e Patrimônio Material ....................................................................................	 6
Comunidades e Patrimônio Imaterial ...................................................................................	 7
O QUE É ARQUEOLOGIA ...................................................................................................	 12
O PATRIMÔNIO CULTURAL DO PORTO DE SANTOS ......................................................	15
O Valongo .............................................................................................................................	18
Paquetá e Canal do Mercado ...............................................................................................	22
Macuco .................................................................................................................................	29
A PRESERVAÇÃO DO PATRIMÔNIO CULTURAL: COMO POSSO AJUDAR? ..................	34
FICHA TÉCNICA .................................................................................................................. 37
1
2
3
APRESENTAÇÃO
Prepare-se para conhecer algo novo, porque esta cartilha que acaba de abrir não é como as que você vê no seu cotidiano escolar. Esta é
uma Cartilha Patrimonial e, a partir desta leitura, você ouvirá e entenderá muitas coisas sobre Patrimônio Histórico e Cultural.
Esta cartilha nasceu das pesquisas desenvolvidas pelo “Programa de Gestão de Patrimônio Cultural do Sistema Viário da Margem Direita
do Porto de Santos, Estado de São Paulo”. Este sistema viário (também conhecido como Av. Perimetral) está sendo implantado na área do
porto, começando no bairro da Alemoa e terminando próximo ao Canal 4, com cerca de 9 km de extensão.
Ao longo de seu trajeto existem diferentes bens históricos, culturais e sítios arqueológicos. Em cumprimento à legislação brasileira todos
eles foram, ao longo de quatro anos, estudados e resgatados por uma equipe de arqueólogos, historiadores, geógrafos, cientistas sociais,
arquitetos e outros profissionais.
O objetivo dessas pesquisas é registrar, conhecer, preservar e valorizar o patrimônio pré-histórico, histórico e cultural da região, ou seja:
a herança dos povos indígenas, dos colonizadores europeus, das comunidades tradicionais e de nós mesmos.
Agora que você já se inteirou do que está acontecendo, iniciará uma viagem ao mundo da Arqueologia. Ao longo da cartilha aprenderá
conceitos como patrimônio, arqueologia, sítios sambaquis, construção em palafita e muitos outros. Anote tudo que achar interessante e
as dúvidas que tiver, assim poderá debater em sala de aula com seus colegas e professores.
Então, vamos conhecer um pouco mais sobre o Patrimônio Arqueológico, Histórico e Cultural de Santos?
Boa Leitura!
4
5
Patrimônio pode ser definido como um bem, uma herança, um
conjuntodeelementosaquedamosvalorequetemosumarelação
de propriedade, de identidade. Você pode dizer que patrimônio
é tudo aquilo que se refere aos bens materiais e imateriais que
representam nossas ações, nossos costumes e crenças, nossas
memórias. Isso significa que o Patrimônio é constituído pelas
formas de expressão; pelos modos de criar, de fazer e de viver;
pelas criações científicas, artísticas e tecnológicas; pelas obras,
objetos, documentos, edificações e demais espaços destinados
às manifestações artístico-culturais; pelos conjuntos urbanos
e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico,
paleontológico, ecológico e científico.
De um modo geral, podemos classificar o Patrimônio Cultural em
três grupos: o Patrimônio Material, o Patrimônio Imaterial e o
Patrimônio Paisagístico.
Patrimônio Material compreende todo o tipo de objetos que
fazemos e usamos em nossas vidas, incluindo desde pequenos
utensílios domésticos a grandes edifícios. Aqui estão, também, os
sítios arqueológicos, que são lugares onde encontramos vestígios
de ocupações humanas do passado.
Por outro lado, as heranças culturais são igualmente importantes
e devem ser preservadas. As histórias, crenças, tradições e
costumes formam os “saberes” de um povo, e é esse conjunto de
conhecimentos e tradições que compõe o chamado Patrimônio
Imaterial.
Finalmente, o Patrimônio Paisagístico compreende lugares que
trazem marcas da interação entre o homem e o meio natural, ou
O QUE É PATRIMÔNIO?
então, lugares para os quais atribuímos valores. São exemplos de
Paisagens Culturais as relações entre o boiadeiro e o Pantanal,
o pescador e o ambiente marinho, o seringueiro e a floresta
Amazônica.
Agora que já sabemos os conceitos de Patrimônio, vamos dar
uma olhada em importantes exemplos de Patrimônio Cultural
que existem aqui perto de nós, na Baixada Santista?
6
O Patrimônio Cultural da Baixada Santista
Para que você entenda ainda melhor o que é Patrimônio Cultural e sua importância para
nossa vida, escolhemos alguns exemplos que podem ajudar. E quem vai nos ensinar são
moradores daqui mesmo da Baixada Santista, das comunidades de Conceiçãozinha, Santa
Cruz dos Navegantes, Monte Cabrão, Sítio Cachoeira e Ilha Diana.
Estas comunidades ainda guardam um modo de vida tradicional, especialmente em seus
hábitos de pesca e artesanato. Preservam costumes e tradições que foram passados por
seus pais e avôs. Vamos aprender com elas?
Comunidades e Patrimônio Material
Para estas comunidades de pescadores as embarcações são muito importantes,
não só para o trabalho, mas, também, para transporte e lazer. A comunidade do Sítio
Cachoeira conta que um barco
comumente utilizado é a chata.
Elas recebem este nome por
causa do seu fundo, que é
reto. A chata tradicional é em
madeira e para sua construção
usam a “tábua de forrão”, que
é proveniente de uma árvore
semelhante ao pinho. Outras
usam o cedrinho nas laterais e o
compensado naval no fundo. Os
pescadores cuidam muito bem
de seus barcos, que devem ser
lavados e envernizados. Assim,
duram muitos e muitos anos!
Sr. Orlando Coelho da Silva - aposentado - pescador
Sr. Braz Roberto dos Santos - pescador
“Chatinha” feita pelos moradores da comunidade Sítio Cachoeira Entrevista com a comunidade
7
Já a comunidade de Santa Cruz dos Navegantes vai nos ensinar sobre a tradição de construir casas através da técnica de palafita, que
serve para deixar a casa “mais alta”, protegida das cheias de maré e da umidade. Primeiro constroem fundações enterradas com uso de
pedras e juntadas com barro e cal. Logo acima das fundações erguem-se as bases de apoio, feitas em pedra ou tijolo de barro, que servem
de sustentação para o madeiramento principal das casas. As paredes, portas e janelas também são em madeira. Para que o vento não
entre na casa, uma tábua de madeira se encaixa na outra, ou então, prega-se uma ripa menor juntando as tábuas (conhecido como mata
junta).
Essas casas eram erguidas no centro do terreno e tinham grandes áreas livres. Hoje elas não são mais tão comuns, mas nem por isso
deixam de ser importantes. Para as pessoas da comunidade, as casas de palafitas formam o Patrimônio Edificado da região.
Exemplos de casas sobre palafitas da Comunidade Santa Cruz dos Navegantes
Comunidades e Patrimônio Imaterial
O conhecimento de receitas e comidas típicas constitui um dos itens ligados ao Patrimônio Imaterial. E a comunidade de Sítio Cachoeira
vai nos ensinar um pouco de sua culinária tradicional: o prato típico Azul Marinho, já ouviu falar? É feito com peixe, que pode ser o bagre,
a tainha ou a garoupa, acrescentando banana nanica. O peixe é cozido previamente em um molho. A banana é cozida separadamente.
Quando o peixe está pronto, acrescenta-se a banana, deixando descansar por cerca de 10 minutos. Uma delícia!
E por falar em comida, a comunidade de Conceiçãozinha tem também uma receita especial: o licor de jenipapo. A casca do jenipapo é
tirada, então se coloca a fruta em uma peneira e com um peso em cima, a fruta é esmagada devagar. Depois é adicionado o açúcar e, por
fim, a canela, que dá um sabor especial ao licor.
8
Sr. Adalberto Fernandes
Preparo da pesca Licor de Genipapo
Capela no Sitio conceiçãozinha.
Preparo da pesca
Sitio Conceiçãozinha.
9
Saiba mais
O jenipapo é o fruto do jenipapeiro, encontrado no Brasil na região Amazônica e Mata Atlântica. Na língua tupi-guarani, jenipapo
significa “fruta que serve para pintar”. Do sumo do fruto ainda verde se extrai uma tinta, da qual diversos grupos indígenas utilizam
para pintar o corpo. Sua polpa é apreciada na forma de compotas, doces, refrigerantes e licores, além de poder ser consumida ao
natural.
http://convidaplaneta.blogspot.com/2010/06/o-
jenipapo-e-o-fruto-do-jenipapeiro.html
http://www.arara.fr/BBJENIPAPO.html
http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/jeni-
papo/jenipapo-4.php
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Além da culinária, também as técnicas de artesanato fazem parte do Patrimônio
Imaterial. Na comunidade de Ilha Diana, por exemplo, muitas pessoas fazem
suas próprias redes de pesca, como o jerivá e a tarrafa. Jerivá é uma espécie de
rede de arrasto de pequena dimensão. É muito parecida com uma colcha e tem,
na sua parte de baixo, chumbos que a mantém esticada quando está dentro da
água. No centro do jerivá tem o samburá, uma espécie de saco, por onde os
camarões entram e ficam presos. Já a tarrafa é um tipo de rede de lanço, em
formato circular e feita com malha fina.
A comunidade de Monte Cabrão tem outro tipo de artesanato para nos ensinar:
a fabricação de fuxicos. O fuxico são flores feitas com restos de tecido que são
utilizados para decoração de roupas e acessórios, dando-lhes um toque todo
especial!
Tarrafa, Ilha Diana
Jerivá, Ilha Diana Fuxico. Fonte: http://lupriarte.blogspot.com/
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E agora, para fechar este tema, sabe o que a comunidade da Ilha Diana vai nos contar? A lenda do lobisomem do Saco da Embira! Pois é,
lendas e estórias também fazem parte do Patrimônio Imaterial. E esta lenda é assim:
“Uma moradora contou que, quando ficou com a família na casa de um amigo, viu a criatura. Uma das mulheres estava no quarto,
enquanto a outra estava na sala. Os cachorros da casa latiam para uma criatura peluda e grande. Assustada, a criatura se dirigiu para
as escadas da casa. O padrasto da moradora bateu na criatura com um mastro da embarcação. No dia seguinte havia no local em que a
criatura caiu, cachos de cabelo loiro e fezes humanas. As pessoas da comunidade acreditam que possa se tratar de um rapaz que vivia
sempre quieto e não conversava com ninguém.”
Pronto! Agora, com certeza, você já é um especialista em Patrimônio Cultural e pode escrever vários outros exemplos ligados à sua vida,
à vida da sua família e amigos:
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O QUE É ARQUEOLOGIA
Agora que você entendeu o que é Patrimônio Cultural e como ele está vivo e representado em todas as atividades de nosso dia-a-dia,
vamos aprender um pouco sobre nossa Herança Cultural do passado.
Bem.... mas para que isto seja possível, temos de entender um pouco sobre uma ciência chamada Arqueologia. Vamos lá?
O que significa a palavra Arqueologia?
A palavra “arqueologia” tem origem de duas palavras gregas, archaios e logos, e significa “estudo das coisas antigas”. Entretanto, nas
últimas décadas os arqueólogos não estudam apenas as sociedades do passado, mas também as do presente.
Como é o trabalho do Arqueólogo?
O trabalho do arqueólogo não é só a escavação. Antes de escavar é importante encontrar
o sítio arqueológico. Primeiro, o arqueólogo define a região que será estudada, os temas
da pesquisa e os métodos de investigação que vai utilizar. Este trabalho científico se chama
prospecção. Você já ouviu essa palavra?
Prospecção é a procura de sítios arqueológicos na área de pesquisa. Alguns vestígios
materiais são vistos na superfície dos terrenos e é possível reconhecê-los se você caminha
pelo local. Outra forma de encontrar os sítios arqueológicos é fazer sondagens. Sondar
significaprocurarosvestígiosmateriaisabaixodosolo.Comusodeferramentasadequadas,
é possível abrir orifícios no solo e verificar se eles apresentam vestígios que indicam a
presença humana.
O que vem a sua mente quando lê à palavra escavação? Você pensa em fazer buracos?
Se essa for a sua idéia, teve um bom raciocínio, pois no dicionário da língua portuguesa
escavação significa cova, vala. Mas, em arqueologia, o termo vai além de abrir uma cova:
escavação é sinônimo de investigação.
Quando é realizada uma escavação arqueológica, tudo é feito com muito cuidado e cada
objeto encontrado é registrado (com fichas de campo, desenhos e fotografias) para que,
depois, se reconstrua a vida das pessoas que ali estiveram.
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O que é vestígio arqueológico?
Se procurar a palavra “vestígio” em um dicionário da língua portuguesa, você verá que significa: sinal, pegada, marca ou rastro; sinal de
uma coisa que aconteceu, de uma pessoa que passou. E a palavra “material” se refere à matéria, ou seja, tudo aquilo que conseguimos
tocar, pegar. Por exemplo: conjuntos de obras, objetos de casa, ferramentas de trabalho, entre outras coisas.
Os arqueólogos estudam os vestígios materiais, ou seja, os objetos e marcas deixadas pelos povos do passado. São exemplos de vestígios
arqueológicos: ferramentas de pedra lascada, restos de fogueiras, restos de alimentação, pinturas e gravuras feitas em paredes de
cavernas, e muitos outros.
AscasaseprédiostambémsãoimportantesobjetosdeestudoparaaArqueologia,poisdemonstramváriosaspectosdavidadassociedades
humanas. Por exemplo, é possível verificar os tipos de materiais empregados para a construção das casas, os utensílios utilizados e como
as pessoas faziam uso desses espaços. Os cemitérios também são exemplos de espaços estudados pelos arqueólogos. O estudo do modo
como as pessoas enterravam seus mortos pode revelar aspectos de rituais e cerimônias religiosas do passado.
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O que é um sítio arqueológico?
Sítio arqueológico é o local onde encontramos os vestígios materiais deixados pelos grupos humanos que passaram por ali. Este local
pode ter sido, por exemplo, uma casa, um acampamento, um cemitério, um local de fabricação de ferramentas. Os sítios arqueológicos
são variados e apresentam grandes diferenças entre si.
Um tipo de sítio arqueológico bastante conhecido na Baixada Santista é o sambaqui. Esta palavra vem do tupi guarani, língua falada pelos
índios que moravam nesta região na época da chegada do colonizador português. A palavra era escrito assim: sãba´ki ou tãba´ki, que
significa “monte de conchas”.
Estes sítios são mesmo formados por
grandes amontoados de conchas, que
podem alcançar mais de 30 metros de
altura! Existem diversos sítios sambaqui
na Baixada Santista, e também em outras
partes do litoral brasileiro. Estes sítios
foram construídos e ocupados há mais de
6.000 anos atrás! Os arqueólogos contam
que estas construções serviam para várias
atividades, como marcar os territórios de
cada grupo, morar e enterrar os mortos.
Os sambaquis mais recentes são do século
IX a X de nossa era. Portanto, estes sítios
deixaram de ser construídos cerca de 500
anos antes da chegada do colonizador
português aqui na Baixada Santista.
Sambaqui: exemplo de sítio arqueológico.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Sambaqu
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O PATRIMÔNIO CULTURAL DO PORTO DE SANTOS
A Baixada Santista abrange um território com uma longa história de ocupação humana. Os vestígios mais antigos são formados por sítios
sambaqui, datados entre 4.400 e 1.200 anos atrás. Portanto, estes grupos indígenas ocuparam esta região por mais de 3.000 anos!
Mas muitos sambaquis foram destruídos com a chegada dos europeus. Naquela época, eles não sabiam que estes sítios integram o
Patrimônio Cultural Brasileiro. As conchas eram retiradas dos sambaquis para fabricação de cal, e foram usadas para recobrir grande
parte das ruas e calçamentos de Santos.
Foi justamente a luta pela preservação dos sambaquis da Baixada Santista que deu origem, em 1961, à lei de proteção ao patrimônio
arqueológico brasileiro (Lei n. 3924/61). A partir daí, a destruição dos sítios arqueológicos passou a ser crime contra o Patrimônio Nacional.
Depois dos grupos que construíam sambaquis, a Baixada Santista foi ocupada por outros grupos indígenas que, por volta de 1.500,
tiveram contato com o colonizador português. Estes falavam a língua tupi guarani e tinham aldeias espalhadas por um grande território,
que se estendia muito além da atual cidade de São Paulo. Faziam vasos de cerâmica de diferentes tamanhos, muitos deles pintados com
desenhos nas cores preto, branco e vermelho.
Depois da chegada do colonizador, muita coisa mudou. Mas a história de Santos continuou ligada ao mar. Naquela época, o porto de
Santos não era usado por grandes embarcações como hoje; ao contrário, na maioria das vezes era usado por pequenas canoas para
viagens curtas (chamada “navegação de cabotagem”).
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Veja que interessante: o embarque e desembarque de mercadorias era feito por pequenos trapiches e pontes; faróis eram instalados nos
morros e ilhas, mandando sinais visuais aos navegantes; e grandes fazendas ocupavam a região onde hoje está Santos e Guarujá.
A partir de 1892 começou a ser definida a estrutura que é vista hoje. A própria administração do porto torna-se diferente. As atividades
eram administradas pela Câmara Municipal, que concedia o uso a empresas particulares, como a Companhia Docas de Santos.
A partir de 1980 o porto passou a ser gerenciado pela CODESP (Companhia Docas do Estado de São Paulo). É ela que organiza a exploração
e atividades das empresas que operam na área.
Portanto, Santos tem mais de 4.000 anos de história para contar! E a região do porto foi, ao longo de todo este tempo, sempre uma área
muito importante. Com as pesquisas que foram realizadas no trajeto da Avenida Perimetral pudemos conhecer um pouquinho mais desta
história e selecionamos três bairros para conhecer melhor com vocês: Valongo, Paquetá e Macuco. Vamos lá?
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SAIBA MAIS:
O que é trapiche?
O Sr. Everandy Cirino dos Santos (Presidente do SINDAPORT) explica que trapiche era a ponte de madeira que ligava o cais ao navio.
Quando o navio aportava, os trabalhadores iam descarregar a carga andando pelo trapiche. Por isso estes trabalhadores foram,
inicialmente, chamados de “trapicheiros”. Foi a primeira categoria organizada de trabalhadores do Porto de Santos. Mais tarde o
nome passou para “estivadores”, como são conhecidos até hoje.
Estivadores carregando sacas de mercadoria
(retirado de http://turmab3doviso.blogspot.
com/2008_10_01_archive.html)
E os estivadores têmmuito orgulho de sua profissão! Leia aqui o depoimento do Sr. Jurandir
Rodrigues Cardoso, estivador aposentado:
“... eu sou filho de estivador e meu pai entrou na estiva em 1946. Quando meu pai ficava
trabalhando lá no cais, eu ficava só brincando em casa e na rua. Então, um dia, meu pai
me convidou para ir ver o serviço dele e eu comecei a acompanhá-lo. Depois eu comecei
a trabalhar e gostei do serviço, era um trabalho que sempre tinha novidade, pessoas,
navios, sempre era uma coisa diferente”. Sr. Jurandir Rodrigues Cardoso
Sr. Everandy Cirino dos Santos
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O Valongo
Planta de Santos em 1.798 – Valongo
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Então, vamos conhecer um pouco mais da região do Porto de Santos?
A região onde o porto de Santos nasceu é chamada de Valongo. A primeira vila foi estabelecida ali por Braz Cubas, e em seu entorno
foram construídos o Colégio dos Jesuítas, o Forte de Monte Serrat, o Outeiro de Santa Catarina, a Casa do Trem Bélico, a Casa da Câmara
e Cadeia.
Mas o que significa Valongo?
Valongo é uma palavra de origem latina (Vallis Longus). Seu significado remete aos terrenos amplos e abertos próximos a cursos de água,
os “vales longos”. O Valongo de Santos está ligado ao Ribeirão São Bento. No lugar onde ele desaguava no mar havia o “Porto do Bispo”.
Benedito Calixto pintou esta região em 1822, veja na figura 1, na próxima página, como era! Hoje o Ribeirão está canalizado e, no seu
lugar, passa a Rua São Bento, em homenagem ao nome do antigo ribeirão.
Ao passar dos anos, claro, surgiram muitas outras construções, especialmente casarões de comerciantes que operavam nos negócios do
porto. Estes casarões tinham geralmente 3 andares: o andar de baixo era usado para comércio (lojas, armazéns) e os dois andares de cima
eram usados como casa. Assim, o comerciante nem precisava pegar algum transporte para trabalhar: bastava descer a escada! Benedito
Calixto também pintou este cenário. Veja na figura 2, como era a região do Valongo em 1922. E veja a figura 3, como é curioso: o mapa
antigo de Santos sobre uma atual imagem de satélite!
“O plano de desenvolvimento do
Sistema Viário de Santos constitui
uma obra extremamente importante,
também pela sua recuperação dos sítios
arqueológicos. A CODESP afirma seu
compromisso de dar suporte para tal
trabalho, como forma de recuperação
do patrimônio histórico da cidade de
Santos.” (Sr. José Correia Serra, Diretor-
Presidente da CODESP)
20
Figura 1. O primitivo porto de Santos no Valongo, com o Ribeirão São Bento.
Pintura de Benedito Calixto, 1822
Figura 2. Os casarões do Valongo vistos do Morro do Pacheco.
Pintura de Benedito Calixto, 1922
Figura 3. Área do Valongo na planta de 1812, sobreposta à imagem da costa,
atual de satélite.
Figura 4. A linha amarela corresponde aproximadamente ao primitivo
traçado do aterro que formou o atual Porto de Santos.
A linha azul (hoje avenida) indica o antigo traçado do Ribeirão São Bento.
21
Porém, na segunda metade do século XIX (cerca de 150 anos atrás) a população de Santos sofreu com um grande surto de febre amarela
(naquela época não havia vacina). Muitos moradores do Valongo saíram em busca de lugares longe do porto, porque os mosquitos que
transmitem a doença gostam de ficar nas áreas úmidas e alagadiças.
A partir daí, a região do Valongo começou a ser mais ocupada por pessoas de outros países que vinham trabalhar aqui (chamados
imigrantes) e trabalhadores pobres, estimulados pelo crescimento do porto.
No final da década de 1880 a linha costeira do Valongo também foi transformada, com o desaparecimento dos antigos trapiches,
substituídos pelo novo porto encampado pela Companhia Docas de Santos. A formação de aterros ganhou mais espaço para o porto,
como mostra a figura 4 na página anterior.
Faça agora um exercício:
Compare as figuras 1 a 4 da página anterior e veja como a paisagem da região do Valongo foi sendo transformada ao longo do
tempo. Ela é um ótimo exemplo de Patrimônio Paisagístico: trata-se de uma parte do território brasileiro onde ocorreram várias
transformações, como resultado da interação do homem com a natureza. Discuta com seus colegas e professores quais as principais
transformações que você vê e anote aqui:
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Paquetá
Imagine que você está em Santos, há 50 anos, e hoje seria um lindo dia de domingo. O que você e sua família iriam fazer? Com certeza,
dar um passeio no Mercado Municipal.
Sim, naquela época visitar o Mercado era um programa muito procurado, como nos conta o Sr. Aníbal Fernandes, português, que trabalhou
ali por muitos e muitos anos. E o Sr. Amadin, que é comerciante do Mercado há mais de 20 anos, conta que tinha tanta freguesia no
Mercado, que as barracas tinham de ser abastecidas por filas de carregadores antes das 6 horas da manhã! Hoje os supermercados
tiraram muito a clientela do lugar, mas o Sr. Zeca da Casa Rio diz que a comunidade está voltando a dar valor para aquele patrimônio:
“está melhorando, não como há 50 anos, mas está melhor”.
Sr. Anibal Fernandes
Sr. Amadin
Sr. Zeca da Casa Rio
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A história do Mercado Municipal é muito interessante. Antes dele ser contruído, as pessoas faziam compras nas chamadas “casinhas”,
instaladas em terreno perto de onde, hoje, está a Praça da República. Chamados de “casinheiros”, os trabalhadores das casinhas vendiam
produtos como feijão, milho, toucinho, hortaliças e aguardente.
As casinhas foram substituídas pelo Mercado Público Provisório, localizado no terreno onde hoje está o Armazém 2 da CODESP. Veja como
esta área era através da pintura de Benedito Calixto.
Tela de Benedito Calixto (Mercado Provisório em 1887).
24
Mas o comércio de Santos não parava de crescer e tiveram de
construir um mercado ainda maior. O novo prédio foi projetado,
justamente, para a região do Paquetá, e o novo mercado – logo
conhecidocomoMercadoMunicipaloudoPaquetá–foiinaugurado
em 1902. A notícia saiu em revistas e jornais da época, olhe só as
fotos das reportagens:
Santos Illustrado n. 3, Anno I.
Revista da Semana, edição de janeiro/1902.
Mas a área onde estava localizado o Mercado era de difícil acesso,
com terrenos alagadiços formados pelo Ribeirão dos Soldados,
que passa ali do lado. Por isso foi feita a construção do Canal do
Mercado que, além de canalizar o ribeirão e secar os terrenos,
também permitia o acesso de barcos até bem perto do mercado,
facilitando a chegada e saída de pessoas e mercadorias.
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A construção do Canal do Mercado integrou as obras dos famosos
canais de Santos, projetadas pelo Engenheiro Saturnino de Brito,
que permitiram a expansão urbana e o saneamento de grande
parte do que é hoje a cidade de Santos. Veja na figura ao lado
como o núcleo de Santos ainda era pequeno em 1910, e a expansão
permitida pelos canais. Veja também a foto da construção do Canal
do Mercado, com o Mercado Municipal ao fundo.
Santos, Mercado Municipal. Editora M. Pontes & Comp.,Bazar de Paris.
Avanço da ocupação na década de 1910 em função das obras de saneamento.
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Em pouco tempo a navegação pelo Canal do Mercado cresceu, e até hoje constitui um importante meio de transporte para a população
de Santos e Vicente de Carvalho. Você já fez esta travessia? Antigamente era feita com barcos. Hoje são usadas as catraias. O Sr. Valter
conta que a movimentação delas quase não mudou, as pessoas continuam utilizando para se locomover. Compare as fotos acima:
Bacia do Mercado, começo do século XX. Catrais no Canal do Mercado, hoje.
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A arquitetura do Mercado Municipal e de grande parte das construções que ladeiam o Canal do Mercado é chamada, pelos arquitetos, de
Estilo Eclético. O Estilo Eclético pode ser definido como a combinação de diferentes estilos arquitetônicos em uma única obra, sobretudo
os estilos clássicos que foram criados pela arquitetura Greco Romana.
No Canal do Mercado existem também alguns edifícios no estilo Art Déco, que combina o Estilo Eclético com outros estilos modernos
para a época.
O Mercado Municipal foi depois reformado e ampliado, quando inclusive recebeu um segundo andar.
Comunidade Mercado MunicipalExposição Oficina Cultural, no interior do Mercado Municipal.
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Conjunto de construções ao lado da Bacia do Mercado.
Você sabia?
Toda esta área da Bacia do Mercado é protegida como Patrimônio Cultural de Santos pelo CONDEPASA (Conselho de Defesa do
Patrimônio Cultural de Santos). Constitui um belo conjunto do Patrimônio Edificado da cidade.
Macuco
OMacucoéumbairroonde,hámaisde100anos,foramconstruídos
estaleiros para que os barcos e navios pudessem ser docados.
Docados? Você conhece esta palavra? O Sr. Belmarcos Correa
Lopes, técnico de serviços portuários desde 1973, vai nos explicar:
“Uma embarcação maior, com motor, tem de ser docada de dois
em dois anos. É quando a embarcação é retirada da água e erguida
para reparos. É feita uma limpeza no casco, uma sondagem de
chapa para ver se ela está fina, se tem que trocar. Se tudo estiver
bom você pinta o casco para não corroer as chapas. Aí você
chama a Capitania, ela vem e faz uma vistoria no casco e libera. A
embarcação é então levada para o cais e colocada na água, onde
são feitos os acabamentos (ajuste de máquinas, pintura interna)”.
Os estaleiros, portanto, fazem parte da memória das pessoas do
bairro do Macuco, onde foi construído o complexo de estaleiros
chamado Mortona. Sua construção exigiu muitos equipamentos e
serviços especializados, e foi orçada, na época, em 1.042.668,641
réis, segundo informa o Relatório da Companhia Docas de Santos.
O nome Mortona vem do equipamento de tração para retirar
as embarcações da água, denominado “Sistema Morton”, em
homenagem ao engenheiro que o inventou. Além do estaleiro, o
complexo da Mortona contava com um grande cais. Confira nas
fotos da página ao lado, e no projeto inicial de engenharia, datado
de 26 de abril de 1897!
O complexo da Mortona recebeu muitas reformas ao longo do
tempo, e grande parte de seus edifícios foi demolida para dar
lugar a modernas instalações.
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Sr. Belmarcos
30
SAIBA MAIS - RÉIS
A primeira “moeda” brasileira foi o açúcar, que era trocado por outros itens necessários. Este comércio de materiais sem
envolver moedas (dinheiro) é chamado de “escambo”.
Em 1694 foi introduzida a primeira moeda no Brasil, os “réis portugueses”.
Com a independência do Brasil, em 1822, foi criada a primeira moeda genuinamente brasileira: o real. Depois disto nossa
moeda recebeu outros nomes, que inclusive muitas vezes se repetiram, de acordo com mudanças na política econômica do
país: cruzeiro, cruzeiro novo, cruzado, cruzado novo, novamente cruzeiro, cruzeiro real e....... finalmente real.
Ufa...são mais de 500 anos de história até chegarmos ao Real!
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http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/7/7f/Campos_Sales_na_nota_de_10_mil_r%C3%A9is_de_1925.jpg
O bairro do Macuco tem, portanto, uma longa história. Além do que sabemos através dos registros históricos, as pesquisas arqueológicas
realizadas na região por conta das obras da Avenida Perimetral revelaram novas informações.
Através destas pesquisas foi localizado um sítio arqueológico na área, denominado Sítio CODESP. O lugar, hoje, é ocupado por parte
das instalações da CODESP (carpintaria, garagem de automóveis), mas no passado era um lugar distante do núcleo histórico de Santos,
próximo aos morros dos Outeirinhos, que não existem mais. Veja como mostra o mapa abaixo.
Localização do sítio CODESP sobre a
“Planta Geral do Caes, de 1897”.
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As pesquisas arqueológicas revelaram a existência de uma área de descarte, uma lixeira
histórica que continha vestígios materiais ligados a diferentes momentos da ocupação
de Santos. Como vimos no mapa, esta era antigamente uma área de terrenos menos
ocupados, o “quintal” de Santos, e por isso deve ter sido ocupada para depositar os
materiais descartados.
Dentre estes materiais, foi retirado das escavações: fragmentos de faiança portuguesa
(antiga louça fina que era trazida da Europa), louça vidrada, metais (cravos, ferraduras) e
até um enfeite de cabelo feito em osso!
Foi também retirado do sítio arqueológico fragmentos de vasilhas em cerâmica,
confeccionadascomtécnicasemotivosindígenaseafricanos,demonstrandoaconvivência
destes povos ao longo dos primeiros períodos da história de Santos. Até mesmo um
cachimbo de cerâmica foi coletado, confira as fotos!
33
Todos os sítios arqueológicos são protegidos por lei e é proibido destruí-los ou retirar seus objetos, o que é considerado um crime contra
o Patrimônio Nacional. Assim, caso um dia você encontre um sítio arqueológico, pode, e muito, ajudar na sua preservação. Veja como:
•	Em primeiro lugar, é muito importante não recolher e nem retirar os objetos, pois para a pesquisa arqueológica é fundamental conhecer
o local em que os objetos foram encontrados;
•	Em segundo lugar, não cave, remova a terra ou retire a vegetação, não escreva ou desenhe sobre a arte rupestre encontrada nas lajes
ou paredes de abrigos ou cavernas, e não jogue lixo na região;
•	Por fim, conte a um adulto sobre sua descoberta, para que ele possa avisar o órgão responsável pela preservação do sítio arqueológico.
A PRESERVAÇÃO DO PATRIMÔNIO CULTURAL: COMO POSSO AJUDAR?
Devemos também respeitar as manifestações e os bens
de patrimônio material e imaterial, formado por todo o
conhecimento das diferentes sociedades que, ao longo de
milênios, viveram nesta região.
Destruir ou perder este Patrimônio é apagar de nossa memória
uma parte da vida. Todos estes testemunhos constituem a
herança cultural que nossos antepassados, desde mais de 4.000
anos atrás, deixaram para nós.
Cada um de nós participa deste Patrimônio, desde o dia em
que nasce. Por isso, para fazer este trabalho foi preciso contar
com o conhecimento e ajuda de muitas pessoas aqui da
Baixada Santista. Vire a página, e veja algumas delas. Faça você
também parte deste enorme grupo, e ajude na preservação do
Patrimônio Cultural brasileiro, que é de cada um de nós.
34
35
36
Ficha Técnica
37
Equipe Documento
Coordenação Geral
L.D. Dra. Erika M. Robrahn Gonzalez
(Historiadora, Arqueóloga e Antropóloga)
L.D. Dr. Paulo De Blasis
(Historiador, Arqueólogo e Antropólogo)
Consultor em Arqueologia Histórica
Dr. Wagner Gomes Bornal
(Arqueólogo)
Gestão de Projeto
Kelly Cristina de Melo
(Geógrafa)
Rafael Luz
(Gestor Ambiental)
Patrimônio Arqueológico
Pedro Miguel Narciso
(Arqueólogo)
Luis Vinícius Sanches Alvarenga
(Arqueólogo)
Rodrigo Germano
(Arqueólogo)
Roberto M. Perrota
(Arqueólogo)
Ms. Leilane Lima
(Arqueóloga)
Ms. Marlon B. Pestana
(Arqueólogo)
Paulo Afonso Vieira
(Arqueólogo)
Daniel Moreira
(Arqueólogo)
Ednelson Pereira
(Técnico em Arqueologia)
Douglas Morais
(Técnico em Arqueologia)
Patrimônio Histórico e Cultural
Everaldo Cristiano Silva
(Arquiteto)
Guilherme Galvez
(Arquiteto)
Rodrigo Silva
(Historiador)
Carlos Eduardo França
(Historiador)
Sâmela Wutzke de Oliveira
(Historiadora)
Lucas Lopes Queiroz
(Graduando em História)
Sabrina Alves
(Graduanda em História)
Sandra Sanchez
(Técnica em Patrimônio Cultural)
Estevan Prado
(Graduando em História)
Gabriella Rodrigues
(Técnica de Laboratório)
Marcela Fernandes
(Técnica de Laboratório)
Geoprocessamento
Rodolfo Alves da Luz
(Geógrafo)
Katiucia de Souza Silva
(Geógrafo)
Francisco David Ferreira de Carvalho
(Geógrafo)
Diogo Cruz
(Geógrafo)
Wiliian dos Santos
(Geógrafo)
Ficha Técnica
Fotos e Imagens Utilizadas: Para fins de Projeto Científico, Portaria N° 33 de 09 de Outubro de 2008, Portaria N° 09 de
27 de Abril de 2009, Portaria N° 08 de 16 de Abril de 2010 e Portaria N° 10 de 25 de Março de 2011, conforme Diário
Oficial da União. Acervo Documento Patrimônio Cultural, Antropologia e Arqueologia, e demais fontes caracterizadas.
38
Redação de Texto e Conteúdo da Cartilha
Raquel Honorato da Silva
(Pedagoga)
Cássia Belini de Almeida
(Pedagoga)
Silvia Cipriano
(Pedagoga)
Natalie Montemurro Copola
(Historiadora)
Daniela Maria Alves
(Arqueóloga)
Camila Gobo
(Historiadora)
Fernanda Baigan
(Estagiária)
Revisão de Texto
Cléber Santos de Mendonça
(Bacharel em Letras)
Andrea Ferreira
(Graduanda em Letras)
Paulo Marcel Ribeiro Cruz
(Graduando em Letras)
Marketing e Multimídia
Suzana Bugiani
(Gestora de Marketing)
Edir Sanches
(Gestor de Multimidia)
Eduardo Staudt
(Graduando em Artes Visuais)
Carlos Asanuma
(Graduando em Publicidade)
Renato Suzuki
(Fotógrafo)
José Luiz de Magalhães Castro Neto
(Artes Gráficas)
Equipe CODESP
José Correia Serra
(Diretor Presidente)
Paulino Vicente
(Diretor de Infraestrutura e Obras)
Alexandra Sofia Grota
(Superintendente DCQ)
Arlindo Manoel Monteiro
(Gerente de Meio Ambiente)
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Cartilha Patrimonial da Baía de Santos

  • 1.
  • 2. ÍNDICE APRESENTAÇÃO ................................................................................................................ 3 O QUE É PATRIMÔNIO ....................................................................................................... 5 O Patrimônio Cultural da Baixada Santista .......................................................................... 6 Comunidades e Patrimônio Material .................................................................................... 6 Comunidades e Patrimônio Imaterial ................................................................................... 7 O QUE É ARQUEOLOGIA ................................................................................................... 12 O PATRIMÔNIO CULTURAL DO PORTO DE SANTOS ...................................................... 15 O Valongo ............................................................................................................................. 18 Paquetá e Canal do Mercado ............................................................................................... 22 Macuco ................................................................................................................................. 29 A PRESERVAÇÃO DO PATRIMÔNIO CULTURAL: COMO POSSO AJUDAR? .................. 34 FICHA TÉCNICA .................................................................................................................. 37 1
  • 3. 2
  • 4. 3 APRESENTAÇÃO Prepare-se para conhecer algo novo, porque esta cartilha que acaba de abrir não é como as que você vê no seu cotidiano escolar. Esta é uma Cartilha Patrimonial e, a partir desta leitura, você ouvirá e entenderá muitas coisas sobre Patrimônio Histórico e Cultural. Esta cartilha nasceu das pesquisas desenvolvidas pelo “Programa de Gestão de Patrimônio Cultural do Sistema Viário da Margem Direita do Porto de Santos, Estado de São Paulo”. Este sistema viário (também conhecido como Av. Perimetral) está sendo implantado na área do porto, começando no bairro da Alemoa e terminando próximo ao Canal 4, com cerca de 9 km de extensão. Ao longo de seu trajeto existem diferentes bens históricos, culturais e sítios arqueológicos. Em cumprimento à legislação brasileira todos eles foram, ao longo de quatro anos, estudados e resgatados por uma equipe de arqueólogos, historiadores, geógrafos, cientistas sociais, arquitetos e outros profissionais. O objetivo dessas pesquisas é registrar, conhecer, preservar e valorizar o patrimônio pré-histórico, histórico e cultural da região, ou seja: a herança dos povos indígenas, dos colonizadores europeus, das comunidades tradicionais e de nós mesmos. Agora que você já se inteirou do que está acontecendo, iniciará uma viagem ao mundo da Arqueologia. Ao longo da cartilha aprenderá conceitos como patrimônio, arqueologia, sítios sambaquis, construção em palafita e muitos outros. Anote tudo que achar interessante e as dúvidas que tiver, assim poderá debater em sala de aula com seus colegas e professores. Então, vamos conhecer um pouco mais sobre o Patrimônio Arqueológico, Histórico e Cultural de Santos? Boa Leitura!
  • 5. 4
  • 6. 5 Patrimônio pode ser definido como um bem, uma herança, um conjuntodeelementosaquedamosvalorequetemosumarelação de propriedade, de identidade. Você pode dizer que patrimônio é tudo aquilo que se refere aos bens materiais e imateriais que representam nossas ações, nossos costumes e crenças, nossas memórias. Isso significa que o Patrimônio é constituído pelas formas de expressão; pelos modos de criar, de fazer e de viver; pelas criações científicas, artísticas e tecnológicas; pelas obras, objetos, documentos, edificações e demais espaços destinados às manifestações artístico-culturais; pelos conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico, paleontológico, ecológico e científico. De um modo geral, podemos classificar o Patrimônio Cultural em três grupos: o Patrimônio Material, o Patrimônio Imaterial e o Patrimônio Paisagístico. Patrimônio Material compreende todo o tipo de objetos que fazemos e usamos em nossas vidas, incluindo desde pequenos utensílios domésticos a grandes edifícios. Aqui estão, também, os sítios arqueológicos, que são lugares onde encontramos vestígios de ocupações humanas do passado. Por outro lado, as heranças culturais são igualmente importantes e devem ser preservadas. As histórias, crenças, tradições e costumes formam os “saberes” de um povo, e é esse conjunto de conhecimentos e tradições que compõe o chamado Patrimônio Imaterial. Finalmente, o Patrimônio Paisagístico compreende lugares que trazem marcas da interação entre o homem e o meio natural, ou O QUE É PATRIMÔNIO? então, lugares para os quais atribuímos valores. São exemplos de Paisagens Culturais as relações entre o boiadeiro e o Pantanal, o pescador e o ambiente marinho, o seringueiro e a floresta Amazônica. Agora que já sabemos os conceitos de Patrimônio, vamos dar uma olhada em importantes exemplos de Patrimônio Cultural que existem aqui perto de nós, na Baixada Santista?
  • 7. 6 O Patrimônio Cultural da Baixada Santista Para que você entenda ainda melhor o que é Patrimônio Cultural e sua importância para nossa vida, escolhemos alguns exemplos que podem ajudar. E quem vai nos ensinar são moradores daqui mesmo da Baixada Santista, das comunidades de Conceiçãozinha, Santa Cruz dos Navegantes, Monte Cabrão, Sítio Cachoeira e Ilha Diana. Estas comunidades ainda guardam um modo de vida tradicional, especialmente em seus hábitos de pesca e artesanato. Preservam costumes e tradições que foram passados por seus pais e avôs. Vamos aprender com elas? Comunidades e Patrimônio Material Para estas comunidades de pescadores as embarcações são muito importantes, não só para o trabalho, mas, também, para transporte e lazer. A comunidade do Sítio Cachoeira conta que um barco comumente utilizado é a chata. Elas recebem este nome por causa do seu fundo, que é reto. A chata tradicional é em madeira e para sua construção usam a “tábua de forrão”, que é proveniente de uma árvore semelhante ao pinho. Outras usam o cedrinho nas laterais e o compensado naval no fundo. Os pescadores cuidam muito bem de seus barcos, que devem ser lavados e envernizados. Assim, duram muitos e muitos anos! Sr. Orlando Coelho da Silva - aposentado - pescador Sr. Braz Roberto dos Santos - pescador “Chatinha” feita pelos moradores da comunidade Sítio Cachoeira Entrevista com a comunidade
  • 8. 7 Já a comunidade de Santa Cruz dos Navegantes vai nos ensinar sobre a tradição de construir casas através da técnica de palafita, que serve para deixar a casa “mais alta”, protegida das cheias de maré e da umidade. Primeiro constroem fundações enterradas com uso de pedras e juntadas com barro e cal. Logo acima das fundações erguem-se as bases de apoio, feitas em pedra ou tijolo de barro, que servem de sustentação para o madeiramento principal das casas. As paredes, portas e janelas também são em madeira. Para que o vento não entre na casa, uma tábua de madeira se encaixa na outra, ou então, prega-se uma ripa menor juntando as tábuas (conhecido como mata junta). Essas casas eram erguidas no centro do terreno e tinham grandes áreas livres. Hoje elas não são mais tão comuns, mas nem por isso deixam de ser importantes. Para as pessoas da comunidade, as casas de palafitas formam o Patrimônio Edificado da região. Exemplos de casas sobre palafitas da Comunidade Santa Cruz dos Navegantes
  • 9. Comunidades e Patrimônio Imaterial O conhecimento de receitas e comidas típicas constitui um dos itens ligados ao Patrimônio Imaterial. E a comunidade de Sítio Cachoeira vai nos ensinar um pouco de sua culinária tradicional: o prato típico Azul Marinho, já ouviu falar? É feito com peixe, que pode ser o bagre, a tainha ou a garoupa, acrescentando banana nanica. O peixe é cozido previamente em um molho. A banana é cozida separadamente. Quando o peixe está pronto, acrescenta-se a banana, deixando descansar por cerca de 10 minutos. Uma delícia! E por falar em comida, a comunidade de Conceiçãozinha tem também uma receita especial: o licor de jenipapo. A casca do jenipapo é tirada, então se coloca a fruta em uma peneira e com um peso em cima, a fruta é esmagada devagar. Depois é adicionado o açúcar e, por fim, a canela, que dá um sabor especial ao licor. 8 Sr. Adalberto Fernandes Preparo da pesca Licor de Genipapo Capela no Sitio conceiçãozinha. Preparo da pesca Sitio Conceiçãozinha.
  • 10. 9 Saiba mais O jenipapo é o fruto do jenipapeiro, encontrado no Brasil na região Amazônica e Mata Atlântica. Na língua tupi-guarani, jenipapo significa “fruta que serve para pintar”. Do sumo do fruto ainda verde se extrai uma tinta, da qual diversos grupos indígenas utilizam para pintar o corpo. Sua polpa é apreciada na forma de compotas, doces, refrigerantes e licores, além de poder ser consumida ao natural. http://convidaplaneta.blogspot.com/2010/06/o- jenipapo-e-o-fruto-do-jenipapeiro.html http://www.arara.fr/BBJENIPAPO.html http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/jeni- papo/jenipapo-4.php
  • 11. 10 Além da culinária, também as técnicas de artesanato fazem parte do Patrimônio Imaterial. Na comunidade de Ilha Diana, por exemplo, muitas pessoas fazem suas próprias redes de pesca, como o jerivá e a tarrafa. Jerivá é uma espécie de rede de arrasto de pequena dimensão. É muito parecida com uma colcha e tem, na sua parte de baixo, chumbos que a mantém esticada quando está dentro da água. No centro do jerivá tem o samburá, uma espécie de saco, por onde os camarões entram e ficam presos. Já a tarrafa é um tipo de rede de lanço, em formato circular e feita com malha fina. A comunidade de Monte Cabrão tem outro tipo de artesanato para nos ensinar: a fabricação de fuxicos. O fuxico são flores feitas com restos de tecido que são utilizados para decoração de roupas e acessórios, dando-lhes um toque todo especial! Tarrafa, Ilha Diana Jerivá, Ilha Diana Fuxico. Fonte: http://lupriarte.blogspot.com/
  • 12. 11 E agora, para fechar este tema, sabe o que a comunidade da Ilha Diana vai nos contar? A lenda do lobisomem do Saco da Embira! Pois é, lendas e estórias também fazem parte do Patrimônio Imaterial. E esta lenda é assim: “Uma moradora contou que, quando ficou com a família na casa de um amigo, viu a criatura. Uma das mulheres estava no quarto, enquanto a outra estava na sala. Os cachorros da casa latiam para uma criatura peluda e grande. Assustada, a criatura se dirigiu para as escadas da casa. O padrasto da moradora bateu na criatura com um mastro da embarcação. No dia seguinte havia no local em que a criatura caiu, cachos de cabelo loiro e fezes humanas. As pessoas da comunidade acreditam que possa se tratar de um rapaz que vivia sempre quieto e não conversava com ninguém.” Pronto! Agora, com certeza, você já é um especialista em Patrimônio Cultural e pode escrever vários outros exemplos ligados à sua vida, à vida da sua família e amigos:
  • 13. 12 O QUE É ARQUEOLOGIA Agora que você entendeu o que é Patrimônio Cultural e como ele está vivo e representado em todas as atividades de nosso dia-a-dia, vamos aprender um pouco sobre nossa Herança Cultural do passado. Bem.... mas para que isto seja possível, temos de entender um pouco sobre uma ciência chamada Arqueologia. Vamos lá? O que significa a palavra Arqueologia? A palavra “arqueologia” tem origem de duas palavras gregas, archaios e logos, e significa “estudo das coisas antigas”. Entretanto, nas últimas décadas os arqueólogos não estudam apenas as sociedades do passado, mas também as do presente. Como é o trabalho do Arqueólogo? O trabalho do arqueólogo não é só a escavação. Antes de escavar é importante encontrar o sítio arqueológico. Primeiro, o arqueólogo define a região que será estudada, os temas da pesquisa e os métodos de investigação que vai utilizar. Este trabalho científico se chama prospecção. Você já ouviu essa palavra? Prospecção é a procura de sítios arqueológicos na área de pesquisa. Alguns vestígios materiais são vistos na superfície dos terrenos e é possível reconhecê-los se você caminha pelo local. Outra forma de encontrar os sítios arqueológicos é fazer sondagens. Sondar significaprocurarosvestígiosmateriaisabaixodosolo.Comusodeferramentasadequadas, é possível abrir orifícios no solo e verificar se eles apresentam vestígios que indicam a presença humana. O que vem a sua mente quando lê à palavra escavação? Você pensa em fazer buracos? Se essa for a sua idéia, teve um bom raciocínio, pois no dicionário da língua portuguesa escavação significa cova, vala. Mas, em arqueologia, o termo vai além de abrir uma cova: escavação é sinônimo de investigação. Quando é realizada uma escavação arqueológica, tudo é feito com muito cuidado e cada objeto encontrado é registrado (com fichas de campo, desenhos e fotografias) para que, depois, se reconstrua a vida das pessoas que ali estiveram.
  • 14. 13 O que é vestígio arqueológico? Se procurar a palavra “vestígio” em um dicionário da língua portuguesa, você verá que significa: sinal, pegada, marca ou rastro; sinal de uma coisa que aconteceu, de uma pessoa que passou. E a palavra “material” se refere à matéria, ou seja, tudo aquilo que conseguimos tocar, pegar. Por exemplo: conjuntos de obras, objetos de casa, ferramentas de trabalho, entre outras coisas. Os arqueólogos estudam os vestígios materiais, ou seja, os objetos e marcas deixadas pelos povos do passado. São exemplos de vestígios arqueológicos: ferramentas de pedra lascada, restos de fogueiras, restos de alimentação, pinturas e gravuras feitas em paredes de cavernas, e muitos outros. AscasaseprédiostambémsãoimportantesobjetosdeestudoparaaArqueologia,poisdemonstramváriosaspectosdavidadassociedades humanas. Por exemplo, é possível verificar os tipos de materiais empregados para a construção das casas, os utensílios utilizados e como as pessoas faziam uso desses espaços. Os cemitérios também são exemplos de espaços estudados pelos arqueólogos. O estudo do modo como as pessoas enterravam seus mortos pode revelar aspectos de rituais e cerimônias religiosas do passado.
  • 15. 14 O que é um sítio arqueológico? Sítio arqueológico é o local onde encontramos os vestígios materiais deixados pelos grupos humanos que passaram por ali. Este local pode ter sido, por exemplo, uma casa, um acampamento, um cemitério, um local de fabricação de ferramentas. Os sítios arqueológicos são variados e apresentam grandes diferenças entre si. Um tipo de sítio arqueológico bastante conhecido na Baixada Santista é o sambaqui. Esta palavra vem do tupi guarani, língua falada pelos índios que moravam nesta região na época da chegada do colonizador português. A palavra era escrito assim: sãba´ki ou tãba´ki, que significa “monte de conchas”. Estes sítios são mesmo formados por grandes amontoados de conchas, que podem alcançar mais de 30 metros de altura! Existem diversos sítios sambaqui na Baixada Santista, e também em outras partes do litoral brasileiro. Estes sítios foram construídos e ocupados há mais de 6.000 anos atrás! Os arqueólogos contam que estas construções serviam para várias atividades, como marcar os territórios de cada grupo, morar e enterrar os mortos. Os sambaquis mais recentes são do século IX a X de nossa era. Portanto, estes sítios deixaram de ser construídos cerca de 500 anos antes da chegada do colonizador português aqui na Baixada Santista. Sambaqui: exemplo de sítio arqueológico. http://pt.wikipedia.org/wiki/Sambaqu
  • 16. 15 O PATRIMÔNIO CULTURAL DO PORTO DE SANTOS A Baixada Santista abrange um território com uma longa história de ocupação humana. Os vestígios mais antigos são formados por sítios sambaqui, datados entre 4.400 e 1.200 anos atrás. Portanto, estes grupos indígenas ocuparam esta região por mais de 3.000 anos! Mas muitos sambaquis foram destruídos com a chegada dos europeus. Naquela época, eles não sabiam que estes sítios integram o Patrimônio Cultural Brasileiro. As conchas eram retiradas dos sambaquis para fabricação de cal, e foram usadas para recobrir grande parte das ruas e calçamentos de Santos. Foi justamente a luta pela preservação dos sambaquis da Baixada Santista que deu origem, em 1961, à lei de proteção ao patrimônio arqueológico brasileiro (Lei n. 3924/61). A partir daí, a destruição dos sítios arqueológicos passou a ser crime contra o Patrimônio Nacional. Depois dos grupos que construíam sambaquis, a Baixada Santista foi ocupada por outros grupos indígenas que, por volta de 1.500, tiveram contato com o colonizador português. Estes falavam a língua tupi guarani e tinham aldeias espalhadas por um grande território, que se estendia muito além da atual cidade de São Paulo. Faziam vasos de cerâmica de diferentes tamanhos, muitos deles pintados com desenhos nas cores preto, branco e vermelho. Depois da chegada do colonizador, muita coisa mudou. Mas a história de Santos continuou ligada ao mar. Naquela época, o porto de Santos não era usado por grandes embarcações como hoje; ao contrário, na maioria das vezes era usado por pequenas canoas para viagens curtas (chamada “navegação de cabotagem”).
  • 17. 16 Veja que interessante: o embarque e desembarque de mercadorias era feito por pequenos trapiches e pontes; faróis eram instalados nos morros e ilhas, mandando sinais visuais aos navegantes; e grandes fazendas ocupavam a região onde hoje está Santos e Guarujá. A partir de 1892 começou a ser definida a estrutura que é vista hoje. A própria administração do porto torna-se diferente. As atividades eram administradas pela Câmara Municipal, que concedia o uso a empresas particulares, como a Companhia Docas de Santos. A partir de 1980 o porto passou a ser gerenciado pela CODESP (Companhia Docas do Estado de São Paulo). É ela que organiza a exploração e atividades das empresas que operam na área. Portanto, Santos tem mais de 4.000 anos de história para contar! E a região do porto foi, ao longo de todo este tempo, sempre uma área muito importante. Com as pesquisas que foram realizadas no trajeto da Avenida Perimetral pudemos conhecer um pouquinho mais desta história e selecionamos três bairros para conhecer melhor com vocês: Valongo, Paquetá e Macuco. Vamos lá?
  • 18. 17 SAIBA MAIS: O que é trapiche? O Sr. Everandy Cirino dos Santos (Presidente do SINDAPORT) explica que trapiche era a ponte de madeira que ligava o cais ao navio. Quando o navio aportava, os trabalhadores iam descarregar a carga andando pelo trapiche. Por isso estes trabalhadores foram, inicialmente, chamados de “trapicheiros”. Foi a primeira categoria organizada de trabalhadores do Porto de Santos. Mais tarde o nome passou para “estivadores”, como são conhecidos até hoje. Estivadores carregando sacas de mercadoria (retirado de http://turmab3doviso.blogspot. com/2008_10_01_archive.html) E os estivadores têmmuito orgulho de sua profissão! Leia aqui o depoimento do Sr. Jurandir Rodrigues Cardoso, estivador aposentado: “... eu sou filho de estivador e meu pai entrou na estiva em 1946. Quando meu pai ficava trabalhando lá no cais, eu ficava só brincando em casa e na rua. Então, um dia, meu pai me convidou para ir ver o serviço dele e eu comecei a acompanhá-lo. Depois eu comecei a trabalhar e gostei do serviço, era um trabalho que sempre tinha novidade, pessoas, navios, sempre era uma coisa diferente”. Sr. Jurandir Rodrigues Cardoso Sr. Everandy Cirino dos Santos
  • 19. 18 O Valongo Planta de Santos em 1.798 – Valongo
  • 20. 19 Então, vamos conhecer um pouco mais da região do Porto de Santos? A região onde o porto de Santos nasceu é chamada de Valongo. A primeira vila foi estabelecida ali por Braz Cubas, e em seu entorno foram construídos o Colégio dos Jesuítas, o Forte de Monte Serrat, o Outeiro de Santa Catarina, a Casa do Trem Bélico, a Casa da Câmara e Cadeia. Mas o que significa Valongo? Valongo é uma palavra de origem latina (Vallis Longus). Seu significado remete aos terrenos amplos e abertos próximos a cursos de água, os “vales longos”. O Valongo de Santos está ligado ao Ribeirão São Bento. No lugar onde ele desaguava no mar havia o “Porto do Bispo”. Benedito Calixto pintou esta região em 1822, veja na figura 1, na próxima página, como era! Hoje o Ribeirão está canalizado e, no seu lugar, passa a Rua São Bento, em homenagem ao nome do antigo ribeirão. Ao passar dos anos, claro, surgiram muitas outras construções, especialmente casarões de comerciantes que operavam nos negócios do porto. Estes casarões tinham geralmente 3 andares: o andar de baixo era usado para comércio (lojas, armazéns) e os dois andares de cima eram usados como casa. Assim, o comerciante nem precisava pegar algum transporte para trabalhar: bastava descer a escada! Benedito Calixto também pintou este cenário. Veja na figura 2, como era a região do Valongo em 1922. E veja a figura 3, como é curioso: o mapa antigo de Santos sobre uma atual imagem de satélite! “O plano de desenvolvimento do Sistema Viário de Santos constitui uma obra extremamente importante, também pela sua recuperação dos sítios arqueológicos. A CODESP afirma seu compromisso de dar suporte para tal trabalho, como forma de recuperação do patrimônio histórico da cidade de Santos.” (Sr. José Correia Serra, Diretor- Presidente da CODESP)
  • 21. 20 Figura 1. O primitivo porto de Santos no Valongo, com o Ribeirão São Bento. Pintura de Benedito Calixto, 1822 Figura 2. Os casarões do Valongo vistos do Morro do Pacheco. Pintura de Benedito Calixto, 1922 Figura 3. Área do Valongo na planta de 1812, sobreposta à imagem da costa, atual de satélite. Figura 4. A linha amarela corresponde aproximadamente ao primitivo traçado do aterro que formou o atual Porto de Santos. A linha azul (hoje avenida) indica o antigo traçado do Ribeirão São Bento.
  • 22. 21 Porém, na segunda metade do século XIX (cerca de 150 anos atrás) a população de Santos sofreu com um grande surto de febre amarela (naquela época não havia vacina). Muitos moradores do Valongo saíram em busca de lugares longe do porto, porque os mosquitos que transmitem a doença gostam de ficar nas áreas úmidas e alagadiças. A partir daí, a região do Valongo começou a ser mais ocupada por pessoas de outros países que vinham trabalhar aqui (chamados imigrantes) e trabalhadores pobres, estimulados pelo crescimento do porto. No final da década de 1880 a linha costeira do Valongo também foi transformada, com o desaparecimento dos antigos trapiches, substituídos pelo novo porto encampado pela Companhia Docas de Santos. A formação de aterros ganhou mais espaço para o porto, como mostra a figura 4 na página anterior. Faça agora um exercício: Compare as figuras 1 a 4 da página anterior e veja como a paisagem da região do Valongo foi sendo transformada ao longo do tempo. Ela é um ótimo exemplo de Patrimônio Paisagístico: trata-se de uma parte do território brasileiro onde ocorreram várias transformações, como resultado da interação do homem com a natureza. Discuta com seus colegas e professores quais as principais transformações que você vê e anote aqui:
  • 23. 22 Paquetá Imagine que você está em Santos, há 50 anos, e hoje seria um lindo dia de domingo. O que você e sua família iriam fazer? Com certeza, dar um passeio no Mercado Municipal. Sim, naquela época visitar o Mercado era um programa muito procurado, como nos conta o Sr. Aníbal Fernandes, português, que trabalhou ali por muitos e muitos anos. E o Sr. Amadin, que é comerciante do Mercado há mais de 20 anos, conta que tinha tanta freguesia no Mercado, que as barracas tinham de ser abastecidas por filas de carregadores antes das 6 horas da manhã! Hoje os supermercados tiraram muito a clientela do lugar, mas o Sr. Zeca da Casa Rio diz que a comunidade está voltando a dar valor para aquele patrimônio: “está melhorando, não como há 50 anos, mas está melhor”. Sr. Anibal Fernandes Sr. Amadin Sr. Zeca da Casa Rio
  • 24. 23 A história do Mercado Municipal é muito interessante. Antes dele ser contruído, as pessoas faziam compras nas chamadas “casinhas”, instaladas em terreno perto de onde, hoje, está a Praça da República. Chamados de “casinheiros”, os trabalhadores das casinhas vendiam produtos como feijão, milho, toucinho, hortaliças e aguardente. As casinhas foram substituídas pelo Mercado Público Provisório, localizado no terreno onde hoje está o Armazém 2 da CODESP. Veja como esta área era através da pintura de Benedito Calixto. Tela de Benedito Calixto (Mercado Provisório em 1887).
  • 25. 24 Mas o comércio de Santos não parava de crescer e tiveram de construir um mercado ainda maior. O novo prédio foi projetado, justamente, para a região do Paquetá, e o novo mercado – logo conhecidocomoMercadoMunicipaloudoPaquetá–foiinaugurado em 1902. A notícia saiu em revistas e jornais da época, olhe só as fotos das reportagens: Santos Illustrado n. 3, Anno I. Revista da Semana, edição de janeiro/1902. Mas a área onde estava localizado o Mercado era de difícil acesso, com terrenos alagadiços formados pelo Ribeirão dos Soldados, que passa ali do lado. Por isso foi feita a construção do Canal do Mercado que, além de canalizar o ribeirão e secar os terrenos, também permitia o acesso de barcos até bem perto do mercado, facilitando a chegada e saída de pessoas e mercadorias.
  • 26. 25 A construção do Canal do Mercado integrou as obras dos famosos canais de Santos, projetadas pelo Engenheiro Saturnino de Brito, que permitiram a expansão urbana e o saneamento de grande parte do que é hoje a cidade de Santos. Veja na figura ao lado como o núcleo de Santos ainda era pequeno em 1910, e a expansão permitida pelos canais. Veja também a foto da construção do Canal do Mercado, com o Mercado Municipal ao fundo. Santos, Mercado Municipal. Editora M. Pontes & Comp.,Bazar de Paris. Avanço da ocupação na década de 1910 em função das obras de saneamento.
  • 27. 26 Em pouco tempo a navegação pelo Canal do Mercado cresceu, e até hoje constitui um importante meio de transporte para a população de Santos e Vicente de Carvalho. Você já fez esta travessia? Antigamente era feita com barcos. Hoje são usadas as catraias. O Sr. Valter conta que a movimentação delas quase não mudou, as pessoas continuam utilizando para se locomover. Compare as fotos acima: Bacia do Mercado, começo do século XX. Catrais no Canal do Mercado, hoje.
  • 28. 27 A arquitetura do Mercado Municipal e de grande parte das construções que ladeiam o Canal do Mercado é chamada, pelos arquitetos, de Estilo Eclético. O Estilo Eclético pode ser definido como a combinação de diferentes estilos arquitetônicos em uma única obra, sobretudo os estilos clássicos que foram criados pela arquitetura Greco Romana. No Canal do Mercado existem também alguns edifícios no estilo Art Déco, que combina o Estilo Eclético com outros estilos modernos para a época. O Mercado Municipal foi depois reformado e ampliado, quando inclusive recebeu um segundo andar. Comunidade Mercado MunicipalExposição Oficina Cultural, no interior do Mercado Municipal.
  • 29. 28 Conjunto de construções ao lado da Bacia do Mercado. Você sabia? Toda esta área da Bacia do Mercado é protegida como Patrimônio Cultural de Santos pelo CONDEPASA (Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Santos). Constitui um belo conjunto do Patrimônio Edificado da cidade.
  • 30. Macuco OMacucoéumbairroonde,hámaisde100anos,foramconstruídos estaleiros para que os barcos e navios pudessem ser docados. Docados? Você conhece esta palavra? O Sr. Belmarcos Correa Lopes, técnico de serviços portuários desde 1973, vai nos explicar: “Uma embarcação maior, com motor, tem de ser docada de dois em dois anos. É quando a embarcação é retirada da água e erguida para reparos. É feita uma limpeza no casco, uma sondagem de chapa para ver se ela está fina, se tem que trocar. Se tudo estiver bom você pinta o casco para não corroer as chapas. Aí você chama a Capitania, ela vem e faz uma vistoria no casco e libera. A embarcação é então levada para o cais e colocada na água, onde são feitos os acabamentos (ajuste de máquinas, pintura interna)”. Os estaleiros, portanto, fazem parte da memória das pessoas do bairro do Macuco, onde foi construído o complexo de estaleiros chamado Mortona. Sua construção exigiu muitos equipamentos e serviços especializados, e foi orçada, na época, em 1.042.668,641 réis, segundo informa o Relatório da Companhia Docas de Santos. O nome Mortona vem do equipamento de tração para retirar as embarcações da água, denominado “Sistema Morton”, em homenagem ao engenheiro que o inventou. Além do estaleiro, o complexo da Mortona contava com um grande cais. Confira nas fotos da página ao lado, e no projeto inicial de engenharia, datado de 26 de abril de 1897! O complexo da Mortona recebeu muitas reformas ao longo do tempo, e grande parte de seus edifícios foi demolida para dar lugar a modernas instalações. 29 Sr. Belmarcos
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  • 32. SAIBA MAIS - RÉIS A primeira “moeda” brasileira foi o açúcar, que era trocado por outros itens necessários. Este comércio de materiais sem envolver moedas (dinheiro) é chamado de “escambo”. Em 1694 foi introduzida a primeira moeda no Brasil, os “réis portugueses”. Com a independência do Brasil, em 1822, foi criada a primeira moeda genuinamente brasileira: o real. Depois disto nossa moeda recebeu outros nomes, que inclusive muitas vezes se repetiram, de acordo com mudanças na política econômica do país: cruzeiro, cruzeiro novo, cruzado, cruzado novo, novamente cruzeiro, cruzeiro real e....... finalmente real. Ufa...são mais de 500 anos de história até chegarmos ao Real! 31 http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/7/7f/Campos_Sales_na_nota_de_10_mil_r%C3%A9is_de_1925.jpg
  • 33. O bairro do Macuco tem, portanto, uma longa história. Além do que sabemos através dos registros históricos, as pesquisas arqueológicas realizadas na região por conta das obras da Avenida Perimetral revelaram novas informações. Através destas pesquisas foi localizado um sítio arqueológico na área, denominado Sítio CODESP. O lugar, hoje, é ocupado por parte das instalações da CODESP (carpintaria, garagem de automóveis), mas no passado era um lugar distante do núcleo histórico de Santos, próximo aos morros dos Outeirinhos, que não existem mais. Veja como mostra o mapa abaixo. Localização do sítio CODESP sobre a “Planta Geral do Caes, de 1897”. 32
  • 34. As pesquisas arqueológicas revelaram a existência de uma área de descarte, uma lixeira histórica que continha vestígios materiais ligados a diferentes momentos da ocupação de Santos. Como vimos no mapa, esta era antigamente uma área de terrenos menos ocupados, o “quintal” de Santos, e por isso deve ter sido ocupada para depositar os materiais descartados. Dentre estes materiais, foi retirado das escavações: fragmentos de faiança portuguesa (antiga louça fina que era trazida da Europa), louça vidrada, metais (cravos, ferraduras) e até um enfeite de cabelo feito em osso! Foi também retirado do sítio arqueológico fragmentos de vasilhas em cerâmica, confeccionadascomtécnicasemotivosindígenaseafricanos,demonstrandoaconvivência destes povos ao longo dos primeiros períodos da história de Santos. Até mesmo um cachimbo de cerâmica foi coletado, confira as fotos! 33
  • 35. Todos os sítios arqueológicos são protegidos por lei e é proibido destruí-los ou retirar seus objetos, o que é considerado um crime contra o Patrimônio Nacional. Assim, caso um dia você encontre um sítio arqueológico, pode, e muito, ajudar na sua preservação. Veja como: • Em primeiro lugar, é muito importante não recolher e nem retirar os objetos, pois para a pesquisa arqueológica é fundamental conhecer o local em que os objetos foram encontrados; • Em segundo lugar, não cave, remova a terra ou retire a vegetação, não escreva ou desenhe sobre a arte rupestre encontrada nas lajes ou paredes de abrigos ou cavernas, e não jogue lixo na região; • Por fim, conte a um adulto sobre sua descoberta, para que ele possa avisar o órgão responsável pela preservação do sítio arqueológico. A PRESERVAÇÃO DO PATRIMÔNIO CULTURAL: COMO POSSO AJUDAR? Devemos também respeitar as manifestações e os bens de patrimônio material e imaterial, formado por todo o conhecimento das diferentes sociedades que, ao longo de milênios, viveram nesta região. Destruir ou perder este Patrimônio é apagar de nossa memória uma parte da vida. Todos estes testemunhos constituem a herança cultural que nossos antepassados, desde mais de 4.000 anos atrás, deixaram para nós. Cada um de nós participa deste Patrimônio, desde o dia em que nasce. Por isso, para fazer este trabalho foi preciso contar com o conhecimento e ajuda de muitas pessoas aqui da Baixada Santista. Vire a página, e veja algumas delas. Faça você também parte deste enorme grupo, e ajude na preservação do Patrimônio Cultural brasileiro, que é de cada um de nós. 34
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  • 38. Ficha Técnica 37 Equipe Documento Coordenação Geral L.D. Dra. Erika M. Robrahn Gonzalez (Historiadora, Arqueóloga e Antropóloga) L.D. Dr. Paulo De Blasis (Historiador, Arqueólogo e Antropólogo) Consultor em Arqueologia Histórica Dr. Wagner Gomes Bornal (Arqueólogo) Gestão de Projeto Kelly Cristina de Melo (Geógrafa) Rafael Luz (Gestor Ambiental) Patrimônio Arqueológico Pedro Miguel Narciso (Arqueólogo) Luis Vinícius Sanches Alvarenga (Arqueólogo) Rodrigo Germano (Arqueólogo) Roberto M. Perrota (Arqueólogo) Ms. Leilane Lima (Arqueóloga) Ms. Marlon B. Pestana (Arqueólogo) Paulo Afonso Vieira (Arqueólogo) Daniel Moreira (Arqueólogo) Ednelson Pereira (Técnico em Arqueologia) Douglas Morais (Técnico em Arqueologia) Patrimônio Histórico e Cultural Everaldo Cristiano Silva (Arquiteto) Guilherme Galvez (Arquiteto) Rodrigo Silva (Historiador) Carlos Eduardo França (Historiador) Sâmela Wutzke de Oliveira (Historiadora) Lucas Lopes Queiroz (Graduando em História) Sabrina Alves (Graduanda em História) Sandra Sanchez (Técnica em Patrimônio Cultural) Estevan Prado (Graduando em História) Gabriella Rodrigues (Técnica de Laboratório) Marcela Fernandes (Técnica de Laboratório) Geoprocessamento Rodolfo Alves da Luz (Geógrafo) Katiucia de Souza Silva (Geógrafo) Francisco David Ferreira de Carvalho (Geógrafo) Diogo Cruz (Geógrafo) Wiliian dos Santos (Geógrafo)
  • 39. Ficha Técnica Fotos e Imagens Utilizadas: Para fins de Projeto Científico, Portaria N° 33 de 09 de Outubro de 2008, Portaria N° 09 de 27 de Abril de 2009, Portaria N° 08 de 16 de Abril de 2010 e Portaria N° 10 de 25 de Março de 2011, conforme Diário Oficial da União. Acervo Documento Patrimônio Cultural, Antropologia e Arqueologia, e demais fontes caracterizadas. 38 Redação de Texto e Conteúdo da Cartilha Raquel Honorato da Silva (Pedagoga) Cássia Belini de Almeida (Pedagoga) Silvia Cipriano (Pedagoga) Natalie Montemurro Copola (Historiadora) Daniela Maria Alves (Arqueóloga) Camila Gobo (Historiadora) Fernanda Baigan (Estagiária) Revisão de Texto Cléber Santos de Mendonça (Bacharel em Letras) Andrea Ferreira (Graduanda em Letras) Paulo Marcel Ribeiro Cruz (Graduando em Letras) Marketing e Multimídia Suzana Bugiani (Gestora de Marketing) Edir Sanches (Gestor de Multimidia) Eduardo Staudt (Graduando em Artes Visuais) Carlos Asanuma (Graduando em Publicidade) Renato Suzuki (Fotógrafo) José Luiz de Magalhães Castro Neto (Artes Gráficas) Equipe CODESP José Correia Serra (Diretor Presidente) Paulino Vicente (Diretor de Infraestrutura e Obras) Alexandra Sofia Grota (Superintendente DCQ) Arlindo Manoel Monteiro (Gerente de Meio Ambiente)