1.1 
CAPÍTULO 1 - INTRODUCÃO À LUBRIFICACÃO E MANCAIS 
1.1 – PROPRIEDADES FÍSICAS DOS ÓLEOS LUBRIFICANTES 
1.1.1 - Viscosidade Dinâmica, K 
A Figura 1.1, ao lado, mostra esquematicamente uma 
placa A movendo-se com uma velocidade U relativamente a 
uma superfície estacionária. Um filme de lubrificante de 
espessura h é mantido entre a placa móvel e a base fixa. 
Imaginemos que o filme de lubrificante seja compos-to 
de uma série de camadas horizontais sobrepostas (como 
as cartas de um baralho). A força F aplicada sobre a placa A 
acarreta o movimento desta, provocando o deslocamento de 
cada camada horizontal sobre as outras. 
A camada em contato com a placa móvel tem a mesma velocidade U desta, enquanto que a ca-mada 
em contato com a superfície estacionária tem velocidade nula. As camadas intermediárias têm 
velocidades que dependem de suas distâncias "y" à superfície estacionária. Segundo a lei de Newton 
para um escoamento viscoso, a tensão de cisalhamento no fluido é proporcional à taxa de variação da 
velocidade relativamente a y, ou seja: 
d u 
d y 
A F 
W     K (1.1) 
onde K é a constante de proporcionalidade, definida como viscosidade absoluta ou dinâmica. 
A derivada du/dy é a taxa de variação da velocidade com a distância e pode ser chamada de "taxa de 
cisalhamento", ou gradiente de velocidade. A viscosidade K é, portanto, uma medida da resistência in-terna 
de atrito do fluido. Considerando que a taxa de cisalhamento é uma constante, então du/dy = U/h, 
e, da equação (1.1), resulta: 
h U 
A F 
W     K (1.2) 
Portanto, da equação (1.2) é evidente que a viscosidade dinâmica tem a seguinte dimensão no 
sistema FLT: 
K   [FºT / L2 ]. 
N º s 
No sistema internacional K = [Pa . s] = m2 
No sistema Inglês K = [Reyn] = 
lb s 
pol 
2 
º 
No sistema cgs K = [Poise] = 
dina . s 
cm 
2 = [P] 
Conversão de unidades: 
1cP  102 P 1 Reyn  6,89 x103 Pa ºs 
1Pa º s  103 cP 1 Reyn  6,89 x106 cP 
1.1.2 - Viscosidade Cinemática, Q 
A viscosidade cinemática Q é uma propriedade dos fluidos amplamente empregada no estudo da 
lubrificação. É definida como a razão entre a viscosidade absoluta e a massa específica do fluido, 
Q = K/U e tem, portanto, a dimensão [L2/T]. 
A unidade mais comumente empregada é o centi-Stoke [cSt], [mm2/s]. 
Óleos minerais refinados são empregados para a grande maioria dos mancais de deslizamento, 
bem como dos mancais de rolamento lubrificados a banho de óleo. 
Fig. 1.1
1.2 
Geralmente os óleos lubrificantes são especificados pela viscosidade cinemática, Q, à temperatu-ra 
de 40oC, conforme mostrado na Tab. 1.1, por exemplo, que mostra a classificação ISO para lubrifi-cantes 
industriais. A Tabela 1.1 mostra também a massa específica e o calor específico de cada óleo a 
três temperaturas diferentes. 
Tabela 1.1 – Viscosidade cinemática a 40°C, massa específica e calor específico dos óleos lubrificantes 
da classificação ISO industrial. 
Graus ISO 
de viscosidade 
Viscosidade 
média a 40oC 
cSt 
Massa específica, U Calor específico, Cp 
a 60oC 
a 70oC 
a 80oC 
kg/m3 
kg/m3 
kg/m3 
a 60oC 
kcal/kg oC 
a 70oC 
kcal/kg oC 
a 80oC 
kcal/kg oC 
ISO 2 2,2 
ISO 3 3,3 
ISO 5 4,6 
ISO 7 6,8 
ISO 10 10 
ISO 15 15 
ISO 22 22 
ISO 32 32 860 857 852 0,460 0,469 0,479 
ISO 46 46 864 860 854 
ISO 68 68 869 864 858 
ISO 100 100 
ISO 150 150 
ISO 220 220 
ISO 320 320 
ISO 460 460 
ISO 680 680 
ISO 1000 1000 
ISO 1500 1500 
Observação: Os dados da Tab. 1.1 podem apresentar alguma diferença, devido a diferentes aditivos 
contidos no óleo e outros fatores. 
1.1.3 - Viscosidade de um Lubrificante - Variação com a Temperatura 
Viscosidade e sua variação com a 
temperatura são os fatores mais importantes a 
serem considerados ao selecionar um lubrifi-cante 
para mancais de rolamento ou de desli-zamento. 
Existem várias fórmulas teóricas 
para calcular a variação da viscosidade com a 
temperatura, sendo que a fórmula empírica da 
ASTM (Walther) é que fornece melhores 
resultados para uma faixa relativamente am-pla 
de temperatura: 
log [log (Q + 0,6)] = k1 log Tabs + k2 (1.3) 
onde Q é a viscosidade em cSt (mm2/s) 
Tabs = T + 273,15 T = [°C] 
A Figura 1.2 mostra, em escala linear, 
a variação da viscosidade cinemática com a 
temperatura de quatro óleos lubrificantes da 
classificação SAE para veículos automotivos. 
Fig. 1.2 – Variação da viscosidade com a temperatura. 
Óleos SAE para veículos automotivos.
1.3 
1.1.4 – Índice de viscosidade 
A Figura 1.3 mostra o conceito de Índice de 
Viscosidade, I.V. de um óleo A (naftênico) e de um 
óleo B (parafínico). O óleo B possui maior índice de 
viscosidade que o óleo A. Isso significa que o óleo B 
apresenta menor variação da viscosidade com a tempe-ratura. 
Historicamente, durante a revolução industrial, 
um óleo lubrificante obtido a partir de um petróleo 
naftênico apresentava uma variação muito acentuada 
da viscosidade com a temperatura, sendo portanto ina-dequado 
para a lubrificação automotiva. Por outro la-do, 
um óleo obtido a partir de um petróleo parafínico 
apresentou menor variação da viscosidade com a tem-peratura, 
sendo portanto mais adequado. 
Fig. 1.3. – Índice de Viscosidade, I. V. 
A Figura 1.4 mostra, em escala logarítmica, de acordo com o padrão ASTM, a variação da vis-cosidade 
com a temperatura dos óleos ISO mais utilizados. 
Fig. 1.4 – Variação da viscosidade com a temperatura - Óleos ISO industriais (I.V. = 100). 
Observação: pode-se aplicar a equação (1.3) para representar a variação da viscosidade com a tempe-ratura 
de cada óleo lubrificante, bastando considerar as viscosidades a duas temperaturas diferentes 
(cerca de 40°C e 100°C), substituir sucessivamente esses dois valores de viscosidade e as duas tempe-raturas 
correspondentes na equação (1.3) e calcular então as constantes k1 e k2 do óleo lubrificante con-siderado. 
Sugestão ao estudante: obtenha as constantes k1 e k2 dos óleos ISO 22, 32, 46, 68 e 100.
1.4 
A Figura 1.5 mostra, em escala logarítmica, de acordo com o padrão ASTM, a variação da vis-cosidade 
dinâmica ou absoluta com a temperatura dos óleos ISO mais utilizados, para os quais também 
é possível aplicar a equação (1.3), modificada, em termos da viscosidade dinâmica, K, como segue: 
log [log (K+0,6)] = k1 log (tm + 273,15) + k2 (1.4) 
Óleo k1 k2 
ISO 22 
ISO 32 
ISO 46 4,01195 10,21927 
ISO 68 
ISO 100 
ISO 150 
Fig. 1.5 – Variação da viscosidade dinâmica com a temperatura de alguns óleos lubrificantes da escala 
ISO para lubrificantes industriais (I.V. = 100) 
Sugestão ao estudante: obtenha as constantes k1 e k2 dos óleos ISO 22, 32, 46, 68, 100 e 150, e com-plete 
a tabela logo acima da Fig. 1.5, para a equação (1.4).
1.5 
1.1.5 – Classificações de viscosidade 
Há várias classificações de viscosidade ou “especificação de óleos lubrificantes”, tais como: 
š Graus ISO (ASTM) de viscosidade (óleos ISO industriais), conforme Tab. 1.1. 
š Graus SAE de viscosidade de óleos lubrificantes para motores de combustão interna. 
š Graus SAE de viscosidade de óleos lubrificantes para caixas de câmbio e diferenciais. 
š Graus AGMA de viscosidade para óleos lubrificantes. A American Gears Manufacturing Asso-ciation 
(AGMA) apresenta 11 graus de viscosidade, isto é, AGMA 1, AGMA2,......., AGMA 11. 
A Figura 1. 6 mostra a correspondência entre essas classificações de viscosidade para a faixa de 
óleos lubrificantes mais utilizados na prática. 
Fig. 1.6 – Comparação de várias classificações de viscosidade. 
Observações: 
1) De acordo com normais internacionais em vigor, na indústria mecânica em geral, os óleos lubri-ficantes 
devem ser especificados de acordo com a norma ISO (International Standardization 
Organization). 
2) Atualmente, na quase totalidade, os óleos lubrificantes para veículos automotivos, contêm aditi-vos 
aumentadores do índice de viscosidade (ver Tab. 1.2), que é, portanto, maior do que 100. 
Esses óleos são referidos como “óleos multiviscosos”; por exemplo, um óleo SAE 10W/50, 
comporta-se como um SAE 10W a baixas temperaturas e como um SAE 50 a altas temperatu-ras, 
cerca de 100°C. O sufixo W vem da língua inglesa Winter que significa inverno.
1.6 
1.2 - INTRODUCÃO À LUBRIFICAÇÃO 
1.2.1 - Fundamentos da Lubrificação 
A lubrificação visa, principalmente, a reduzir a 
resistência de atrito decorrente da interação das super-fícies 
de dois sólidos, quando um deles se move em 
relação ao outro. 
Qualquer substância introduzida entre duas 
dessas superfícies, para obter redução de atrito, é de-nominada 
lubrificante. O lubrificante também serve 
para remover o calor gerado pela interação das super-fícies, 
função essa da maior importância em alguns 
casos. 
Há três regimes de lubrificação, denominados 
de película fluida (ou total), película mista (ou parcial) 
e lubrificação-limite como indicado na Figura 1.7, ao 
lado. 
A lubrificação por película fluida é mantida 
enquanto existir uma película ininterrupta de 
lubrificante entre as superfícies em movimento. 
Isso é determinado pela relação entre espessura de 
película e rugosidade superficial combinada, normal-mente 
definida como “parâmetro da lubrificação”, O. 
A espessura de película é função da viscosidade do 
lubrificante, da velocidade das superfícies móveis e da 
carga. Considera-se como existindo condições de pelí-cula 
fluida quando O é superior a quatro. Não há con-tato 
metal com metal, portanto, praticamente não deve 
haver desgaste. 
Em muitos casos, as condições são tais que dão 
origem à lubrificação mista, na qual parte da carga é 
suportada pela pressão desenvolvida na película 
lubrificante e parte pelo contato das superfícies. 
Sob tais condições a película fluida é muito fina para 
evitar o contato das mais altas asperezas de cada 
superfície. Em outras palavras, O é igual a dois, 
aproximadamente, sendo que a película-limite 
contribui apenas parcialmente na lubrificação. 
Finalmente, no caso de cargas muito elevadas e 
velocidades muito baixas não existe película de óleo 
lubrificante, sendo a separação das superfícies mantida 
por uma fina camada de dimensão molecular referida 
como camada limite. Nesse regime, O é muito menor 
que dois e predomina a natureza química da interface 
entre as superfícies lubrificante-metal. 
Observação: os valores de O acima são válidos para 
mancais de rolamento e engrenagens. Para o caso de 
mancais de deslizamento deve-se multiplicar por 2 os 
limites de O, ou seja: 
š Lubrificação fluida ou plena, O ≥ 8 
š Lubrificação parcial ou mista, 4 ≤ O ≤ 8 
š Lubrificação limite ou limítrofe, O  4 
LUBRIFICAÇÃO POR PELÍCULA FLUIDA  
SUPERFÍCIES TOTALMENTE SEPARADAS 
POR ESPESSA PELÍCULA DE LUBRIFICANTE. 
LUBRIFICAÇÃO POR PELÍCULA PARCIAL OU 
MISTA  REGIME COM PELÍCULA ESPESSA E 
PELÍCULA LIMITE. 
LUBRIFICAÇÃO LIMITE  O DESEMPENHO 
DEPENDE ESSENCIALMENTE DA PELÍCULA 
LIMITE. 
Fig. 1.7. Condições existentes nos regimes 
de película fluida, película mista e de lubri-ficação- 
limite. As superfícies mostradas 
estão bastante exageradas para fins elucida-tivos. 
Em escala, as superfícies reais apare-ceriam 
como suaves colinas onduladas, em 
vez de picos abruptos.
1.7 
1.2.2 - Influência da Lubrificação – Coeficiente de Atrito 
A introdução de qualquer material entre duas superfícies deslizantes, com o objetivo de reduzir 
o atrito e o desgaste, constitui-se numa LUBRIFICAÇÃO. 
Dependendo das condições, as seguintes situações podem ser enumeradas: 
A - “Lubrificação completa em que não ocorre contato 
entre as superfícies que estão separadas por uma pelícu-la 
contínua de lubrificante (O – 8, para mancais de des-lizamento). 
O coeficiente de atrito, P, para o caso de lubrificantes 
líquidos está na faixa de 0,001 a 0,01. 
B - Lubrificação Mista onde a lubrificação é menos efeti-va, 
de modo que algum contato ocorre entre as superfí-cies 
(4 † O † 8, para mancais de deslizamento). 
O coeficiente de atrito, P, varia de 0,01 a 0,1. . 
C – “Lubrificação de camada limite em que, não obstante a 
presença do lubrificante, há contato em cerca de 99% 
das superfícies (O † 4, para mancais de deslizamento). 
O coeficiente de atrito, P, varia entre 0,1 e 0,3. 
D - Quando são usados lubrificantes sólidos como grafite 
ou bissulfeto de molibdênio obtêm-se uma situação in-termediária 
entre a lubrificação de camada limite e a 
lubrificação mista (P = 0,05 a 0,20). 
1.2.3 - Aditivos 
Aditivos são produtos adicionados aos lubrificantes básicos (óleos ou graxas) para melhorar ou 
acrescentar propriedades aos mesmos, com o objetivo de aumentar a eficiência da lubrificação e prote-ção 
das peças mecânicas em geral. Os principais aditivos estão relacionados na tabela seguinte. 
TABELA 1.2 – ADITIVOS DE LUBRIFICANTES COMUMENTE USADOS 
Tipo de 
aditivo 
Tipo de compostos usados Razões de uso Mecanismo de ação 
Antioxidante 
ou inibidores 
de oxidação 
Compostos orgânicos con-tendo 
enxofre, fósforo 
ou nitrogênio, tais como 
aminas orgânicas, sulfetos, 
hidróxidos de sulfetos, 
fenóis. Metais como zinco 
ou bário, são algumas vezes 
incorporados. 
Impedir a forma-ção 
de verniz e 
borras nas peças 
metálicas. Impedir 
a corrosão de man-cais 
de liga. 
Reduz o volume de oxigênio 
absorvido pelo óleo, reduzindo 
assim a formação de compos-tos 
ácidos. Termina as reações 
de oxidação do óleo pela for-mação 
de compostos solúveis 
inativos ou pela absorção de 
oxigênio. O aditivo pode oxi-dar- 
se de preferência ao óleo. 
Anticorrosivos, 
ou preventivos 
de corrosão, ou 
inibidores da 
ação de catali-sadores 
Compostos orgânicos con-tendo 
enxofre ativo, fósforo 
ou nitrogênio, tais como 
sulfetos orgânicos, fosfetos, 
sais metálicos de ácido tri-fosfórico 
e ceras sulfuriza-das. 
Impedir a falha de 
mancais de liga 
pelo ataque corro-sivo 
nas superfícies 
de outros metais. 
Inibe a oxidação, de modo que 
não se formam compostos 
ácidos, ou permite formar uma 
película protetora nos mancais 
ou outras superfícies metáli-cas. 
A formação da película 
química nas superfícies metá-licas 
reduz a oxidação do óleo 
por efeito catalítico.
1.8 
(continuação) TABELA 1.2 – ADITIVOS DE LUBRIFICANTES COMUMENTE USADOS 
Tipo de 
aditivo 
Tipo de compostos usados Razões de uso Mecanismo de ação 
Detergentes Sabões de elevado peso 
molecular de alquil-fenolatos, 
sulfonatos e 
alcoolatos de bário, cálcio e 
magnésio. Podem conter 
sais metálicos dispersos. 
Manter limpas as 
superfícies metáli-cas 
e impedir a 
formação de depó-sitos 
de todos os 
tipos. 
Por meio da reação química, 
os produtos de oxidação solú-veis 
em óleo são impedidos de 
se tornarem insolúveis e se 
depositarem nas várias partes 
do motor. 
Dispersantes Alquil-sucinamidas de ele-vado 
peso molecular, ami-nas 
e tiofosfatos. 
Manter em suspen-são 
a borra poten-cial 
que formaria 
insolúveis, impe-dindo 
sua deposi-ção 
nas partes me-tálicas. 
A aglomeração e deposição de 
fuligem do combustível e pro-dutos 
insolúveis da decompo-sição 
de óleo são evitadas pela 
particulação das mesmas num 
estado finamente dividido. As 
partículas de contaminação em 
forma coloidal permanecem 
em suspensão no óleo. 
Agentes de 
oleosidade ou 
polares 
Compostos de elevado peso 
molecular contendo carbo-no, 
hidrogênio e oxigênio, 
tais como óleos graxos, 
certos ácidos graxos, sabões 
de chumbo, ceras oxidan-tes. 
Reduz o atrito sob 
condições parciais 
de lubrificação 
limite. 
Adsorção preferencial de ma-teriais 
tipo polar aderindo for-temente 
às superfícies metáli-cas. 
Agentes de 
oleosidade, 
resistência de 
película, ex-trema 
pressão 
(EP) e antides-gaste 
Compostos orgânicos con-tendo 
cloro, fósforo e enxo-fre, 
tais como ceras clora-das, 
fosfatos e fosfetos or-gânicos, 
tais como tricresil 
fosfato e ditiofosfato de 
zinco e sabões de chumbo, 
tais como naftenato de 
chumbo. 
Reduzir o atrito, a 
deformação, esco-riação 
e grimpa-mento. 
Pela reação química, é forma-da 
uma película nas superfí-cies 
metálicas em contato, a 
qual tem menor resistência ao 
cisalhamento do que o metal 
básico, reduzindo assim o atri-to 
e impedindo o caldeamento 
e grimpamento das superfícies 
em contato, quando há ruptura 
da película. 
Preventivos de 
ferrugem 
Sulfonatos, aminas, óleos 
graxos e certos ácidos gra-xos, 
ácidos de cera oxidada, 
fosfatos, derivados haloge-nados 
de certos ácidos gra-xos. 
Impedir a ferrugem 
das partes metáli-cas 
durante os pe-ríodos 
de paralisa-ção 
ou trânsito, ou 
de equipamento 
novo ou reparado. 
Adsorção preferencial na su-perfície 
metálica de tipos de 
materiais polares superficial-mente 
ativos. Esta película 
repele o ataque pela água. 
Neutraliza ácidos corrosivos. 
Desativadores 
metálicos 
Compostos orgânicos com-plexos 
contendo nitrogênio 
e enxofre, tais como certas 
aminas e sulfetos comple-xos. 
Alguns sabões. 
Passiva, impede ou 
contra-ataca o efei-to 
catalítico de 
metais em oxida-ção. 
Formam película protetora 
inativa pela adsorção ou ab-sorção 
física ou química. 
Formam um complexo catali-ticamente 
inativo com íons 
metálicos solúveis ou insolú-veis. 
Depressantes 
de ponto de 
fluidez 
Naftaleno ou fenol alquila-do 
de cera e seus polímeros. 
Polímeros de metacrilato. 
Baixar o ponto de 
fluidez de óleos 
lubrificantes. 
Encobrem os cristais de cera 
no óleo pra evitar o seu cres-cimento 
e a absorção do óleo a 
baixas temperaturas.
1.9 
(continuação) TABELA 1.2 – ADITIVOS DE LUBRIFICANTES COMUMENTE USADOS 
Tipo de 
aditivo 
Tipo de compostos usados Razões de uso Mecanismo de ação 
Melhoradores 
de índice de 
viscosidade 
Olefinas ou isoolefinas po-limerizadas. 
Polímeros de 
butileno, polímeros, éster 
ácido metacrílico, polímero 
de estireno alquilado. 
Baixar a intensida-de 
de mudança de 
viscosidade com 
relação à tempera-tura. 
Aumenta mais a viscosidade a 
100ºC, proporcionalmente, do 
que a 40ºC, devido à sua alte-ração 
de solubilidade. 
Inibidores de 
espuma 
Polímeros de silicone. Impedir a forma-ção 
de espuma 
estável. 
Reduzem a tensão interfacial 
de modo que as pequenas bo-lhas 
de ar possam combinar-se 
para formar bolhas maiores 
que se separam mais rapida-mente. 
Lubrificação Polar 
Certos materiais, tais como ácidos gra-xos 
ou outros agentes de oleosidade, são efica-zes 
na redução do atrito sob parciais condições 
de lubrificação-limite. A molécula graxa (gor-durosa), 
que tem a propriedade de oleosidade 
(lubricidade) em condições de película fina, 
difere da molécula de óleo lubrificante porque 
um de seus extremos é altamente reativo e tem a 
capacidade de estabelecer uma forte união com 
a superfície metálica. Ela é denominada molé-cula 
polar, pois é atraída pela superfície metá-lica 
a exemplo do que ocorre com a limalha de 
ferro ao ser atraída por um imã. Os materiais 
polares podem reagir com os metais que conta-tam, 
formando pequena quantidade de sabão 
metálico que aumenta as boas qualidades lubri-ficantes 
dos materiais polares. 
Nos casos em que grandes cargas, baixas 
velocidades ou operação intermitente impedem 
a formação de uma película espessa, é recomen-dável 
usar lubrificantes que contenham agentes 
de oleosidade do tipo polar. 
Fig. 1.8 – Lubrificação polar 
Lubrificação de Extrema Pressão (EP) 
Em algumas condições de lubrificação-limite, 
nas quais os óleos minerais contendo aditi-vos 
polares já não são eficazes, os lubrificantes de 
extrema-pressão (EP) podem ser necessários. A 
finalidade dos aditivos EP é modificar as superfí-cies 
de atrito de tal modo que se evite a soldagem 
dos pontos altos e escoriações (crateração ou pit-ting 
destrutivo) devido à inadequada resistência 
da película de óleo nas superfícies. Sob condições 
de contato metal-com-metal, nas velocidades e 
pressões reinantes, originam-se altas temperaturas 
devidas ao atrito e, nessas circunstâncias, a pelícu-la 
de lubrificação limite é formada por reação 
química entre os aditivos EP e as superfícies me-tálicas. 
Isso só ocorre para superfícies de aço ou 
ferro fundido. No caso de superfícies mais moles 
(bronze ou latão, por exemplo), as temperaturas 
instantâneas de contato não são suficientemente 
altas para gerar a reação química entre o aditivo 
EP e as superfícies. 
Fig. 1.9 – Lubrificação com aditivo EP
1.10 
1.3 - MANCAIS 
Os mancais são basicamente suportes ou guias de partes móveis. São elementos essenciais na 
grande maioria das máquinas e seu bom funcionamento é, portanto, fundamental para o bom desempe-nho 
das mesmas. 
1.3.1 - Classificação dos Mancais 
1.3.1.1 - Quanto à Construção 
Considerando-se a definição de que mancais são guias ou suportes fixos dos componentes mó-veis 
das máquinas, podemos classificar os mancais em: 
a) Mancal de guia axial - quando uma peça desliza sobre a outra, como no caso da mesa de uma 
frezadora que desliza sobre suas guias. 
b) Mancal guia radial - cuja finalidade é simplesmente posicionar o eixo de uma turbina de eixo 
vertical, por exemplo, (ver Fig. 1.24) 
c) Mancal de Deslizamento - na classificação mais comum, é o mancal que serve de apoio a um 
eixo em rotação, havendo deslizamento da superfície do eixo relativamente à superfície do 
mancal (Fig. 1.10, Fig. 1.12). 
d) Mancal de Rolamento ou de Anti-Fricção - elementos rolantes (pequenas esferas ou rolos) são 
interpostos entre a superfície fixa de apoio e a superfície em movimento (rotatória) do eixo. 
Dessa maneira, em condições ideais, a superfície em movimento do eixo irá rolar sobre os 
elementos rolantes, não havendo deslizamento entre as superfícies do eixo e do suporte fixo. 
Portanto, as perdas de potência por atrito podem ser reduzidas consideravelmente, daí o nome 
de mancal Anti-Fricção (Fig. 1.11 e Fig. 1.13). Observação: na prática, quase sempre, os man-cais 
de rolamento são simplesmente designados por “rolamentos” 
Fig. 1.10 – Mancal de deslizamento – grande área 
efetiva de “contato” e, portanto, grande capacida-de 
de carga 
Fig. 1.11 – Mancal de rolamento – menor área 
efetiva de contato e, portanto, menor capacidade 
de carga em relação a um mancal de deslizamento
1.11 
1.3.1.2 - Quanto à Lubrificação 
a) Mancal de Contato Direto ou Seco (Fig. 1.12a) - mancal cuja 
superfície de apoio é constituída de materiais de baixo coefici-ente 
de atrito, tais como Teflon, Nylon, e muitos outros (Ref. 1) 
que dispensam, portanto, o uso de lubrificantes. Também po-dem 
ser classificados nessa categoria os mancais lubrificados 
com lubrificantes sólidos, tais como o bissulfeto de Molibdênio 
(MoS2) e o Grafite. 
Fig. 1.12 – Mancal radial 
b) Mancal de Deslizamento Lubrificado (Fig. 1.12b, Fig. 1.14) - se o filme de lubrificante é for-mado 
unicamente devido à velocidade de rotação do eixo, viscosidade do lubrificante e confor-mação 
geométrica do mancal, este é denominado como segue: 
Mancal Hidrodinâmico ⇒ lubrificante líquido ou graxa 
Mancal Aerodinâmico ⇒ lubrificante gasoso. 
Por outro lado, se o filme de lubrificante é formado devido à ação de uma pressão externa 
(bomba hidráulica ou compressor de ar) o mancal é designado como: 
Hidrostático ⇒ lubrificante líquido (ver Figs. 4.40 e 4.41) 
Aerostático ⇒ lubrificante gasoso. 
1.3.1.3 - Quanto à Direção da Carga Aplicada 
a) Mancais Radiais - a carga é aplicada na direção radial, normal ao eixo (Fig. 1.10, Fig. 1.12). 
b) Mancais Axiais ou de Escora - a carga é aplicada na direção do eixo (Fig. 1.13, Fig. 1.14). 
c) Mancais Mistos ou Combinados - suportam car-gas 
radiais e axiais simultaneamente. Podem ser 
constituídos por uma única peça, como a bucha 
flangeada da Fig. 1.15, ou por um mancal radial e 
um mancal axial adjacentes entre si e fixados à 
carcaça da máquina (Fig. 1.16) ou a uma caixa de 
mancal combinado (Fig. 1.17). 
Fig. 1.15 – Mancal misto 
Fig. 1.13 - Rolamento Axial Auto-compensador 
de Rolos - quando em funcionamento atua co-mo 
uma “bomba de óleo”, no sentido indicado 
pelas setas. 
Fig. 1.14 – Mancal axial de deslizamento 
hidrodinâmico, de sapatas setoriais pivota-das 
(ver princípio de formação do filme de 
óleo e geração da pressão hidrodinâmica na 
Fig. 1.20 e na Fig. 1.21).
1.12 
Fig. 1.17 – Mancal misto em caixa de aço 
Fig. 1.16 – Mancal misto – composto por 
uma bucha radial bipartida e um mancal 
axial de sapatas setoriais pivotadas, 
1.3.2 – Mancal “fixo” ou “bloqueado”/mancal “livre” 
Em geral, um eixo é apoiado em um ou mais mancais “livres” e em um mancal “fixo” ou 
“bloqueado”; tanto para mancais de deslizamento como para mancais de rolamento. O mancal “fixo” 
posiciona o eixo e suporta carga axial e carga radial simultaneamente, enquanto que o mancal “livre” 
suporta somente carga radial e permite, portanto, qualquer alongamento ou contração térmica do eixo. 
Os mancais mistos mostrados nas Figs. 1.16 e 1.17 são exemplos típicos de mancais “fixos” de 
deslizamento, enquanto que o rolamento de uma carreira de esferas da Fig. 1.11 pode ser utilizado 
como mancal “fixo” de rolamento, pois além de carga radial, ele pode suportar simultaneamente uma 
carga axial, em qualquer dos dois sentidos (veja também a Fig. 1.18). 
De maneira semelhante, o mancal misto mostrado na Fig. 4.22 suporta carga axial ora num sen-tido, 
ora no outro. 
Rolamento “fixo” 
ou “bloqueado” 
Rolamento “livre” 
Fig. 1.18 – Eixo apoiado em rolamentos
1.13 
A Figura 1.19 mostra outro exemplo de eixo apoiado em um mancal fixo e um mancal livre, 
sendo que o mancal “fixo” é constituído por dois rolamentos de uma carreira de esferas de contato 
angular (precisão P4) montados em “O”, enquanto que o mancal “livre” é um rolamento de duas 
carreiras de rolos cilíndricos (precisão UP). 
Mancal “fixo” Mancal “livre” 
Fig. 1.19 – Árvore principal de um torno mecânico – acionamento por correia V. 
1.3.3 – Princípio de formação do filme de óleo em um mancal de deslizamento hidrodinâmico 
As Figuras 1.20 e 1.21 mostram o princípio de formação do filme de óleo e geração da pressão 
hidrodinâmica em um mancal axial de sapatas setoriais. O processo depende essencialmente da 
velocidade de rotação do colar, da viscosidade do óleo lubrificante e da existência de uma superfície 
inclinada na sapata, em “contato” com o colar giratório. Observação: como será visto no Capítulo 4, o 
princípio é praticamente idêntico, para o caso de um mancal radial (ver item 4.3.1 e Figs. 4.6 e 4.7). 
Mancal de sapatas fixas 
Formação do filme de óleo 
Mancal de sapatas pivotadas Sapata pivotada 
Fig. 1.20 – Princípio de funcionamento de um mancal de deslizamento axial de eixo vertical, de 
sapatas setoriais. As sapatas e o disco rotativo ficam mergulhados dentro do óleo. Por aderência, o 
óleo é arrastado pelo disco rotativo (colar) sobre as sapatas, formando um filme de óleo que separa as 
superfícies em atrito e suporta a carga exercida pelas partes rotativas.
1.14 
Fig. 1.21 – Formação do filme de óleo entre o colar e as sapatas setoriais pivotadas de um mancal 
Kingsbury. As sapatas são apoiadas sobre placas niveladoras. 
Fig. 1.22 - Mancal axial de eixo vertical – refrigeração do óleo por meio de serpentinas
1.15 
Fig. 1.23 – Mancal de escora de uma turbina Kaplan
1.16 
Fig. 1.24 – Localização dos mancais guia e de escora de uma turbina Kaplan de eixo vertical
1.17 
Fig. 1.25 – Turbina Francis, destacando-se o mancal de escora no comprimento médio do eixo, entre os 
rotores da turbina e do gerador
1.18 
1.3.4 – Vantagens e desvantagens dos mancais de deslizamento em relação aos rolamentos 
De uma maneira geral, os mancais de deslizamento apresentam várias vantagens em relação aos 
rolamentos, tais como: 
š Maior capacidade de carga, devido à maior área efetiva de “contato” 
š Podem trabalhar em maiores velocidades e a temperaturas mais elevadas 
š Maior resistência à ferrugem e corrosão 
š Maior facilidade de montagem e desmontagem na máquina em questão 
š O filme de óleo amortece vibrações e diminui ruídos 
š Menor custo para o caso de mancais de grande porte 
No entanto, os mancais de deslizamento apresentam algumas desvantagens, tais como: 
š Maior custo para o caso de mancais pequenos e médios, devido à maior padronização e quanti-dade 
de fabricação dos rolamentos 
š Não podem trabalhar em baixas velocidades de rotação, exceto os mancais hidrostáticos 
š Apresentam maior dificuldade de alinhamento durante a montagem 
Observação: Uma descrição detalhada de todos os tipos de mancais, seu projeto e lubrificação, bem 
como a lubrificação dos mais variados elementos de máquinas (tais como Engrenagens, Correntes, 
Cabos de Aço, Cames, etc.), pode ser encontrada na Ref. 1. 
BIBLIOGRAFIA: 
1) Neale, M.J. Tribology Handbook. Butterworths, England, 1973. 
2) Jacobson, B.O. Rheology and Elastohydrodynamic Lubrication. Amsterdam: Elsevier, 1991. 
382 p. 
3) Gross, W. A; Castelli, V. Fluid Film Lubrication. New York: Wiley-Interscience, 1980. 774 p. 
4) Powell, J. W. Design of Aerostatic Bearings. Brighton: Machinery, 1970. 280 p. 
5) Dowson, D; Higginson, G. R. Elasto-Hydrodynamic Lubrication. Oxford: Pergamon Press, 
235 p. 
6) Stansfield, F. M. Hydrostatic Bearings for Machine Tools and Similar Applications. 
Brighton: Machinery, 1970. 227 p.

introducao a lubrificacao e mancais

  • 1.
    1.1 CAPÍTULO 1- INTRODUCÃO À LUBRIFICACÃO E MANCAIS 1.1 – PROPRIEDADES FÍSICAS DOS ÓLEOS LUBRIFICANTES 1.1.1 - Viscosidade Dinâmica, K A Figura 1.1, ao lado, mostra esquematicamente uma placa A movendo-se com uma velocidade U relativamente a uma superfície estacionária. Um filme de lubrificante de espessura h é mantido entre a placa móvel e a base fixa. Imaginemos que o filme de lubrificante seja compos-to de uma série de camadas horizontais sobrepostas (como as cartas de um baralho). A força F aplicada sobre a placa A acarreta o movimento desta, provocando o deslocamento de cada camada horizontal sobre as outras. A camada em contato com a placa móvel tem a mesma velocidade U desta, enquanto que a ca-mada em contato com a superfície estacionária tem velocidade nula. As camadas intermediárias têm velocidades que dependem de suas distâncias "y" à superfície estacionária. Segundo a lei de Newton para um escoamento viscoso, a tensão de cisalhamento no fluido é proporcional à taxa de variação da velocidade relativamente a y, ou seja: d u d y A F W K (1.1) onde K é a constante de proporcionalidade, definida como viscosidade absoluta ou dinâmica. A derivada du/dy é a taxa de variação da velocidade com a distância e pode ser chamada de "taxa de cisalhamento", ou gradiente de velocidade. A viscosidade K é, portanto, uma medida da resistência in-terna de atrito do fluido. Considerando que a taxa de cisalhamento é uma constante, então du/dy = U/h, e, da equação (1.1), resulta: h U A F W K (1.2) Portanto, da equação (1.2) é evidente que a viscosidade dinâmica tem a seguinte dimensão no sistema FLT: K [FºT / L2 ]. N º s No sistema internacional K = [Pa . s] = m2 No sistema Inglês K = [Reyn] = lb s pol 2 º No sistema cgs K = [Poise] = dina . s cm 2 = [P] Conversão de unidades: 1cP 102 P 1 Reyn 6,89 x103 Pa ºs 1Pa º s 103 cP 1 Reyn 6,89 x106 cP 1.1.2 - Viscosidade Cinemática, Q A viscosidade cinemática Q é uma propriedade dos fluidos amplamente empregada no estudo da lubrificação. É definida como a razão entre a viscosidade absoluta e a massa específica do fluido, Q = K/U e tem, portanto, a dimensão [L2/T]. A unidade mais comumente empregada é o centi-Stoke [cSt], [mm2/s]. Óleos minerais refinados são empregados para a grande maioria dos mancais de deslizamento, bem como dos mancais de rolamento lubrificados a banho de óleo. Fig. 1.1
  • 2.
    1.2 Geralmente osóleos lubrificantes são especificados pela viscosidade cinemática, Q, à temperatu-ra de 40oC, conforme mostrado na Tab. 1.1, por exemplo, que mostra a classificação ISO para lubrifi-cantes industriais. A Tabela 1.1 mostra também a massa específica e o calor específico de cada óleo a três temperaturas diferentes. Tabela 1.1 – Viscosidade cinemática a 40°C, massa específica e calor específico dos óleos lubrificantes da classificação ISO industrial. Graus ISO de viscosidade Viscosidade média a 40oC cSt Massa específica, U Calor específico, Cp a 60oC a 70oC a 80oC kg/m3 kg/m3 kg/m3 a 60oC kcal/kg oC a 70oC kcal/kg oC a 80oC kcal/kg oC ISO 2 2,2 ISO 3 3,3 ISO 5 4,6 ISO 7 6,8 ISO 10 10 ISO 15 15 ISO 22 22 ISO 32 32 860 857 852 0,460 0,469 0,479 ISO 46 46 864 860 854 ISO 68 68 869 864 858 ISO 100 100 ISO 150 150 ISO 220 220 ISO 320 320 ISO 460 460 ISO 680 680 ISO 1000 1000 ISO 1500 1500 Observação: Os dados da Tab. 1.1 podem apresentar alguma diferença, devido a diferentes aditivos contidos no óleo e outros fatores. 1.1.3 - Viscosidade de um Lubrificante - Variação com a Temperatura Viscosidade e sua variação com a temperatura são os fatores mais importantes a serem considerados ao selecionar um lubrifi-cante para mancais de rolamento ou de desli-zamento. Existem várias fórmulas teóricas para calcular a variação da viscosidade com a temperatura, sendo que a fórmula empírica da ASTM (Walther) é que fornece melhores resultados para uma faixa relativamente am-pla de temperatura: log [log (Q + 0,6)] = k1 log Tabs + k2 (1.3) onde Q é a viscosidade em cSt (mm2/s) Tabs = T + 273,15 T = [°C] A Figura 1.2 mostra, em escala linear, a variação da viscosidade cinemática com a temperatura de quatro óleos lubrificantes da classificação SAE para veículos automotivos. Fig. 1.2 – Variação da viscosidade com a temperatura. Óleos SAE para veículos automotivos.
  • 3.
    1.3 1.1.4 –Índice de viscosidade A Figura 1.3 mostra o conceito de Índice de Viscosidade, I.V. de um óleo A (naftênico) e de um óleo B (parafínico). O óleo B possui maior índice de viscosidade que o óleo A. Isso significa que o óleo B apresenta menor variação da viscosidade com a tempe-ratura. Historicamente, durante a revolução industrial, um óleo lubrificante obtido a partir de um petróleo naftênico apresentava uma variação muito acentuada da viscosidade com a temperatura, sendo portanto ina-dequado para a lubrificação automotiva. Por outro la-do, um óleo obtido a partir de um petróleo parafínico apresentou menor variação da viscosidade com a tem-peratura, sendo portanto mais adequado. Fig. 1.3. – Índice de Viscosidade, I. V. A Figura 1.4 mostra, em escala logarítmica, de acordo com o padrão ASTM, a variação da vis-cosidade com a temperatura dos óleos ISO mais utilizados. Fig. 1.4 – Variação da viscosidade com a temperatura - Óleos ISO industriais (I.V. = 100). Observação: pode-se aplicar a equação (1.3) para representar a variação da viscosidade com a tempe-ratura de cada óleo lubrificante, bastando considerar as viscosidades a duas temperaturas diferentes (cerca de 40°C e 100°C), substituir sucessivamente esses dois valores de viscosidade e as duas tempe-raturas correspondentes na equação (1.3) e calcular então as constantes k1 e k2 do óleo lubrificante con-siderado. Sugestão ao estudante: obtenha as constantes k1 e k2 dos óleos ISO 22, 32, 46, 68 e 100.
  • 4.
    1.4 A Figura1.5 mostra, em escala logarítmica, de acordo com o padrão ASTM, a variação da vis-cosidade dinâmica ou absoluta com a temperatura dos óleos ISO mais utilizados, para os quais também é possível aplicar a equação (1.3), modificada, em termos da viscosidade dinâmica, K, como segue: log [log (K+0,6)] = k1 log (tm + 273,15) + k2 (1.4) Óleo k1 k2 ISO 22 ISO 32 ISO 46 4,01195 10,21927 ISO 68 ISO 100 ISO 150 Fig. 1.5 – Variação da viscosidade dinâmica com a temperatura de alguns óleos lubrificantes da escala ISO para lubrificantes industriais (I.V. = 100) Sugestão ao estudante: obtenha as constantes k1 e k2 dos óleos ISO 22, 32, 46, 68, 100 e 150, e com-plete a tabela logo acima da Fig. 1.5, para a equação (1.4).
  • 5.
    1.5 1.1.5 –Classificações de viscosidade Há várias classificações de viscosidade ou “especificação de óleos lubrificantes”, tais como: š Graus ISO (ASTM) de viscosidade (óleos ISO industriais), conforme Tab. 1.1. š Graus SAE de viscosidade de óleos lubrificantes para motores de combustão interna. š Graus SAE de viscosidade de óleos lubrificantes para caixas de câmbio e diferenciais. š Graus AGMA de viscosidade para óleos lubrificantes. A American Gears Manufacturing Asso-ciation (AGMA) apresenta 11 graus de viscosidade, isto é, AGMA 1, AGMA2,......., AGMA 11. A Figura 1. 6 mostra a correspondência entre essas classificações de viscosidade para a faixa de óleos lubrificantes mais utilizados na prática. Fig. 1.6 – Comparação de várias classificações de viscosidade. Observações: 1) De acordo com normais internacionais em vigor, na indústria mecânica em geral, os óleos lubri-ficantes devem ser especificados de acordo com a norma ISO (International Standardization Organization). 2) Atualmente, na quase totalidade, os óleos lubrificantes para veículos automotivos, contêm aditi-vos aumentadores do índice de viscosidade (ver Tab. 1.2), que é, portanto, maior do que 100. Esses óleos são referidos como “óleos multiviscosos”; por exemplo, um óleo SAE 10W/50, comporta-se como um SAE 10W a baixas temperaturas e como um SAE 50 a altas temperatu-ras, cerca de 100°C. O sufixo W vem da língua inglesa Winter que significa inverno.
  • 6.
    1.6 1.2 -INTRODUCÃO À LUBRIFICAÇÃO 1.2.1 - Fundamentos da Lubrificação A lubrificação visa, principalmente, a reduzir a resistência de atrito decorrente da interação das super-fícies de dois sólidos, quando um deles se move em relação ao outro. Qualquer substância introduzida entre duas dessas superfícies, para obter redução de atrito, é de-nominada lubrificante. O lubrificante também serve para remover o calor gerado pela interação das super-fícies, função essa da maior importância em alguns casos. Há três regimes de lubrificação, denominados de película fluida (ou total), película mista (ou parcial) e lubrificação-limite como indicado na Figura 1.7, ao lado. A lubrificação por película fluida é mantida enquanto existir uma película ininterrupta de lubrificante entre as superfícies em movimento. Isso é determinado pela relação entre espessura de película e rugosidade superficial combinada, normal-mente definida como “parâmetro da lubrificação”, O. A espessura de película é função da viscosidade do lubrificante, da velocidade das superfícies móveis e da carga. Considera-se como existindo condições de pelí-cula fluida quando O é superior a quatro. Não há con-tato metal com metal, portanto, praticamente não deve haver desgaste. Em muitos casos, as condições são tais que dão origem à lubrificação mista, na qual parte da carga é suportada pela pressão desenvolvida na película lubrificante e parte pelo contato das superfícies. Sob tais condições a película fluida é muito fina para evitar o contato das mais altas asperezas de cada superfície. Em outras palavras, O é igual a dois, aproximadamente, sendo que a película-limite contribui apenas parcialmente na lubrificação. Finalmente, no caso de cargas muito elevadas e velocidades muito baixas não existe película de óleo lubrificante, sendo a separação das superfícies mantida por uma fina camada de dimensão molecular referida como camada limite. Nesse regime, O é muito menor que dois e predomina a natureza química da interface entre as superfícies lubrificante-metal. Observação: os valores de O acima são válidos para mancais de rolamento e engrenagens. Para o caso de mancais de deslizamento deve-se multiplicar por 2 os limites de O, ou seja: š Lubrificação fluida ou plena, O ≥ 8 š Lubrificação parcial ou mista, 4 ≤ O ≤ 8 š Lubrificação limite ou limítrofe, O 4 LUBRIFICAÇÃO POR PELÍCULA FLUIDA SUPERFÍCIES TOTALMENTE SEPARADAS POR ESPESSA PELÍCULA DE LUBRIFICANTE. LUBRIFICAÇÃO POR PELÍCULA PARCIAL OU MISTA REGIME COM PELÍCULA ESPESSA E PELÍCULA LIMITE. LUBRIFICAÇÃO LIMITE O DESEMPENHO DEPENDE ESSENCIALMENTE DA PELÍCULA LIMITE. Fig. 1.7. Condições existentes nos regimes de película fluida, película mista e de lubri-ficação- limite. As superfícies mostradas estão bastante exageradas para fins elucida-tivos. Em escala, as superfícies reais apare-ceriam como suaves colinas onduladas, em vez de picos abruptos.
  • 7.
    1.7 1.2.2 -Influência da Lubrificação – Coeficiente de Atrito A introdução de qualquer material entre duas superfícies deslizantes, com o objetivo de reduzir o atrito e o desgaste, constitui-se numa LUBRIFICAÇÃO. Dependendo das condições, as seguintes situações podem ser enumeradas: A - “Lubrificação completa em que não ocorre contato entre as superfícies que estão separadas por uma pelícu-la contínua de lubrificante (O – 8, para mancais de des-lizamento). O coeficiente de atrito, P, para o caso de lubrificantes líquidos está na faixa de 0,001 a 0,01. B - Lubrificação Mista onde a lubrificação é menos efeti-va, de modo que algum contato ocorre entre as superfí-cies (4 † O † 8, para mancais de deslizamento). O coeficiente de atrito, P, varia de 0,01 a 0,1. . C – “Lubrificação de camada limite em que, não obstante a presença do lubrificante, há contato em cerca de 99% das superfícies (O † 4, para mancais de deslizamento). O coeficiente de atrito, P, varia entre 0,1 e 0,3. D - Quando são usados lubrificantes sólidos como grafite ou bissulfeto de molibdênio obtêm-se uma situação in-termediária entre a lubrificação de camada limite e a lubrificação mista (P = 0,05 a 0,20). 1.2.3 - Aditivos Aditivos são produtos adicionados aos lubrificantes básicos (óleos ou graxas) para melhorar ou acrescentar propriedades aos mesmos, com o objetivo de aumentar a eficiência da lubrificação e prote-ção das peças mecânicas em geral. Os principais aditivos estão relacionados na tabela seguinte. TABELA 1.2 – ADITIVOS DE LUBRIFICANTES COMUMENTE USADOS Tipo de aditivo Tipo de compostos usados Razões de uso Mecanismo de ação Antioxidante ou inibidores de oxidação Compostos orgânicos con-tendo enxofre, fósforo ou nitrogênio, tais como aminas orgânicas, sulfetos, hidróxidos de sulfetos, fenóis. Metais como zinco ou bário, são algumas vezes incorporados. Impedir a forma-ção de verniz e borras nas peças metálicas. Impedir a corrosão de man-cais de liga. Reduz o volume de oxigênio absorvido pelo óleo, reduzindo assim a formação de compos-tos ácidos. Termina as reações de oxidação do óleo pela for-mação de compostos solúveis inativos ou pela absorção de oxigênio. O aditivo pode oxi-dar- se de preferência ao óleo. Anticorrosivos, ou preventivos de corrosão, ou inibidores da ação de catali-sadores Compostos orgânicos con-tendo enxofre ativo, fósforo ou nitrogênio, tais como sulfetos orgânicos, fosfetos, sais metálicos de ácido tri-fosfórico e ceras sulfuriza-das. Impedir a falha de mancais de liga pelo ataque corro-sivo nas superfícies de outros metais. Inibe a oxidação, de modo que não se formam compostos ácidos, ou permite formar uma película protetora nos mancais ou outras superfícies metáli-cas. A formação da película química nas superfícies metá-licas reduz a oxidação do óleo por efeito catalítico.
  • 8.
    1.8 (continuação) TABELA1.2 – ADITIVOS DE LUBRIFICANTES COMUMENTE USADOS Tipo de aditivo Tipo de compostos usados Razões de uso Mecanismo de ação Detergentes Sabões de elevado peso molecular de alquil-fenolatos, sulfonatos e alcoolatos de bário, cálcio e magnésio. Podem conter sais metálicos dispersos. Manter limpas as superfícies metáli-cas e impedir a formação de depó-sitos de todos os tipos. Por meio da reação química, os produtos de oxidação solú-veis em óleo são impedidos de se tornarem insolúveis e se depositarem nas várias partes do motor. Dispersantes Alquil-sucinamidas de ele-vado peso molecular, ami-nas e tiofosfatos. Manter em suspen-são a borra poten-cial que formaria insolúveis, impe-dindo sua deposi-ção nas partes me-tálicas. A aglomeração e deposição de fuligem do combustível e pro-dutos insolúveis da decompo-sição de óleo são evitadas pela particulação das mesmas num estado finamente dividido. As partículas de contaminação em forma coloidal permanecem em suspensão no óleo. Agentes de oleosidade ou polares Compostos de elevado peso molecular contendo carbo-no, hidrogênio e oxigênio, tais como óleos graxos, certos ácidos graxos, sabões de chumbo, ceras oxidan-tes. Reduz o atrito sob condições parciais de lubrificação limite. Adsorção preferencial de ma-teriais tipo polar aderindo for-temente às superfícies metáli-cas. Agentes de oleosidade, resistência de película, ex-trema pressão (EP) e antides-gaste Compostos orgânicos con-tendo cloro, fósforo e enxo-fre, tais como ceras clora-das, fosfatos e fosfetos or-gânicos, tais como tricresil fosfato e ditiofosfato de zinco e sabões de chumbo, tais como naftenato de chumbo. Reduzir o atrito, a deformação, esco-riação e grimpa-mento. Pela reação química, é forma-da uma película nas superfí-cies metálicas em contato, a qual tem menor resistência ao cisalhamento do que o metal básico, reduzindo assim o atri-to e impedindo o caldeamento e grimpamento das superfícies em contato, quando há ruptura da película. Preventivos de ferrugem Sulfonatos, aminas, óleos graxos e certos ácidos gra-xos, ácidos de cera oxidada, fosfatos, derivados haloge-nados de certos ácidos gra-xos. Impedir a ferrugem das partes metáli-cas durante os pe-ríodos de paralisa-ção ou trânsito, ou de equipamento novo ou reparado. Adsorção preferencial na su-perfície metálica de tipos de materiais polares superficial-mente ativos. Esta película repele o ataque pela água. Neutraliza ácidos corrosivos. Desativadores metálicos Compostos orgânicos com-plexos contendo nitrogênio e enxofre, tais como certas aminas e sulfetos comple-xos. Alguns sabões. Passiva, impede ou contra-ataca o efei-to catalítico de metais em oxida-ção. Formam película protetora inativa pela adsorção ou ab-sorção física ou química. Formam um complexo catali-ticamente inativo com íons metálicos solúveis ou insolú-veis. Depressantes de ponto de fluidez Naftaleno ou fenol alquila-do de cera e seus polímeros. Polímeros de metacrilato. Baixar o ponto de fluidez de óleos lubrificantes. Encobrem os cristais de cera no óleo pra evitar o seu cres-cimento e a absorção do óleo a baixas temperaturas.
  • 9.
    1.9 (continuação) TABELA1.2 – ADITIVOS DE LUBRIFICANTES COMUMENTE USADOS Tipo de aditivo Tipo de compostos usados Razões de uso Mecanismo de ação Melhoradores de índice de viscosidade Olefinas ou isoolefinas po-limerizadas. Polímeros de butileno, polímeros, éster ácido metacrílico, polímero de estireno alquilado. Baixar a intensida-de de mudança de viscosidade com relação à tempera-tura. Aumenta mais a viscosidade a 100ºC, proporcionalmente, do que a 40ºC, devido à sua alte-ração de solubilidade. Inibidores de espuma Polímeros de silicone. Impedir a forma-ção de espuma estável. Reduzem a tensão interfacial de modo que as pequenas bo-lhas de ar possam combinar-se para formar bolhas maiores que se separam mais rapida-mente. Lubrificação Polar Certos materiais, tais como ácidos gra-xos ou outros agentes de oleosidade, são efica-zes na redução do atrito sob parciais condições de lubrificação-limite. A molécula graxa (gor-durosa), que tem a propriedade de oleosidade (lubricidade) em condições de película fina, difere da molécula de óleo lubrificante porque um de seus extremos é altamente reativo e tem a capacidade de estabelecer uma forte união com a superfície metálica. Ela é denominada molé-cula polar, pois é atraída pela superfície metá-lica a exemplo do que ocorre com a limalha de ferro ao ser atraída por um imã. Os materiais polares podem reagir com os metais que conta-tam, formando pequena quantidade de sabão metálico que aumenta as boas qualidades lubri-ficantes dos materiais polares. Nos casos em que grandes cargas, baixas velocidades ou operação intermitente impedem a formação de uma película espessa, é recomen-dável usar lubrificantes que contenham agentes de oleosidade do tipo polar. Fig. 1.8 – Lubrificação polar Lubrificação de Extrema Pressão (EP) Em algumas condições de lubrificação-limite, nas quais os óleos minerais contendo aditi-vos polares já não são eficazes, os lubrificantes de extrema-pressão (EP) podem ser necessários. A finalidade dos aditivos EP é modificar as superfí-cies de atrito de tal modo que se evite a soldagem dos pontos altos e escoriações (crateração ou pit-ting destrutivo) devido à inadequada resistência da película de óleo nas superfícies. Sob condições de contato metal-com-metal, nas velocidades e pressões reinantes, originam-se altas temperaturas devidas ao atrito e, nessas circunstâncias, a pelícu-la de lubrificação limite é formada por reação química entre os aditivos EP e as superfícies me-tálicas. Isso só ocorre para superfícies de aço ou ferro fundido. No caso de superfícies mais moles (bronze ou latão, por exemplo), as temperaturas instantâneas de contato não são suficientemente altas para gerar a reação química entre o aditivo EP e as superfícies. Fig. 1.9 – Lubrificação com aditivo EP
  • 10.
    1.10 1.3 -MANCAIS Os mancais são basicamente suportes ou guias de partes móveis. São elementos essenciais na grande maioria das máquinas e seu bom funcionamento é, portanto, fundamental para o bom desempe-nho das mesmas. 1.3.1 - Classificação dos Mancais 1.3.1.1 - Quanto à Construção Considerando-se a definição de que mancais são guias ou suportes fixos dos componentes mó-veis das máquinas, podemos classificar os mancais em: a) Mancal de guia axial - quando uma peça desliza sobre a outra, como no caso da mesa de uma frezadora que desliza sobre suas guias. b) Mancal guia radial - cuja finalidade é simplesmente posicionar o eixo de uma turbina de eixo vertical, por exemplo, (ver Fig. 1.24) c) Mancal de Deslizamento - na classificação mais comum, é o mancal que serve de apoio a um eixo em rotação, havendo deslizamento da superfície do eixo relativamente à superfície do mancal (Fig. 1.10, Fig. 1.12). d) Mancal de Rolamento ou de Anti-Fricção - elementos rolantes (pequenas esferas ou rolos) são interpostos entre a superfície fixa de apoio e a superfície em movimento (rotatória) do eixo. Dessa maneira, em condições ideais, a superfície em movimento do eixo irá rolar sobre os elementos rolantes, não havendo deslizamento entre as superfícies do eixo e do suporte fixo. Portanto, as perdas de potência por atrito podem ser reduzidas consideravelmente, daí o nome de mancal Anti-Fricção (Fig. 1.11 e Fig. 1.13). Observação: na prática, quase sempre, os man-cais de rolamento são simplesmente designados por “rolamentos” Fig. 1.10 – Mancal de deslizamento – grande área efetiva de “contato” e, portanto, grande capacida-de de carga Fig. 1.11 – Mancal de rolamento – menor área efetiva de contato e, portanto, menor capacidade de carga em relação a um mancal de deslizamento
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    1.11 1.3.1.2 -Quanto à Lubrificação a) Mancal de Contato Direto ou Seco (Fig. 1.12a) - mancal cuja superfície de apoio é constituída de materiais de baixo coefici-ente de atrito, tais como Teflon, Nylon, e muitos outros (Ref. 1) que dispensam, portanto, o uso de lubrificantes. Também po-dem ser classificados nessa categoria os mancais lubrificados com lubrificantes sólidos, tais como o bissulfeto de Molibdênio (MoS2) e o Grafite. Fig. 1.12 – Mancal radial b) Mancal de Deslizamento Lubrificado (Fig. 1.12b, Fig. 1.14) - se o filme de lubrificante é for-mado unicamente devido à velocidade de rotação do eixo, viscosidade do lubrificante e confor-mação geométrica do mancal, este é denominado como segue: Mancal Hidrodinâmico ⇒ lubrificante líquido ou graxa Mancal Aerodinâmico ⇒ lubrificante gasoso. Por outro lado, se o filme de lubrificante é formado devido à ação de uma pressão externa (bomba hidráulica ou compressor de ar) o mancal é designado como: Hidrostático ⇒ lubrificante líquido (ver Figs. 4.40 e 4.41) Aerostático ⇒ lubrificante gasoso. 1.3.1.3 - Quanto à Direção da Carga Aplicada a) Mancais Radiais - a carga é aplicada na direção radial, normal ao eixo (Fig. 1.10, Fig. 1.12). b) Mancais Axiais ou de Escora - a carga é aplicada na direção do eixo (Fig. 1.13, Fig. 1.14). c) Mancais Mistos ou Combinados - suportam car-gas radiais e axiais simultaneamente. Podem ser constituídos por uma única peça, como a bucha flangeada da Fig. 1.15, ou por um mancal radial e um mancal axial adjacentes entre si e fixados à carcaça da máquina (Fig. 1.16) ou a uma caixa de mancal combinado (Fig. 1.17). Fig. 1.15 – Mancal misto Fig. 1.13 - Rolamento Axial Auto-compensador de Rolos - quando em funcionamento atua co-mo uma “bomba de óleo”, no sentido indicado pelas setas. Fig. 1.14 – Mancal axial de deslizamento hidrodinâmico, de sapatas setoriais pivota-das (ver princípio de formação do filme de óleo e geração da pressão hidrodinâmica na Fig. 1.20 e na Fig. 1.21).
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    1.12 Fig. 1.17– Mancal misto em caixa de aço Fig. 1.16 – Mancal misto – composto por uma bucha radial bipartida e um mancal axial de sapatas setoriais pivotadas, 1.3.2 – Mancal “fixo” ou “bloqueado”/mancal “livre” Em geral, um eixo é apoiado em um ou mais mancais “livres” e em um mancal “fixo” ou “bloqueado”; tanto para mancais de deslizamento como para mancais de rolamento. O mancal “fixo” posiciona o eixo e suporta carga axial e carga radial simultaneamente, enquanto que o mancal “livre” suporta somente carga radial e permite, portanto, qualquer alongamento ou contração térmica do eixo. Os mancais mistos mostrados nas Figs. 1.16 e 1.17 são exemplos típicos de mancais “fixos” de deslizamento, enquanto que o rolamento de uma carreira de esferas da Fig. 1.11 pode ser utilizado como mancal “fixo” de rolamento, pois além de carga radial, ele pode suportar simultaneamente uma carga axial, em qualquer dos dois sentidos (veja também a Fig. 1.18). De maneira semelhante, o mancal misto mostrado na Fig. 4.22 suporta carga axial ora num sen-tido, ora no outro. Rolamento “fixo” ou “bloqueado” Rolamento “livre” Fig. 1.18 – Eixo apoiado em rolamentos
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    1.13 A Figura1.19 mostra outro exemplo de eixo apoiado em um mancal fixo e um mancal livre, sendo que o mancal “fixo” é constituído por dois rolamentos de uma carreira de esferas de contato angular (precisão P4) montados em “O”, enquanto que o mancal “livre” é um rolamento de duas carreiras de rolos cilíndricos (precisão UP). Mancal “fixo” Mancal “livre” Fig. 1.19 – Árvore principal de um torno mecânico – acionamento por correia V. 1.3.3 – Princípio de formação do filme de óleo em um mancal de deslizamento hidrodinâmico As Figuras 1.20 e 1.21 mostram o princípio de formação do filme de óleo e geração da pressão hidrodinâmica em um mancal axial de sapatas setoriais. O processo depende essencialmente da velocidade de rotação do colar, da viscosidade do óleo lubrificante e da existência de uma superfície inclinada na sapata, em “contato” com o colar giratório. Observação: como será visto no Capítulo 4, o princípio é praticamente idêntico, para o caso de um mancal radial (ver item 4.3.1 e Figs. 4.6 e 4.7). Mancal de sapatas fixas Formação do filme de óleo Mancal de sapatas pivotadas Sapata pivotada Fig. 1.20 – Princípio de funcionamento de um mancal de deslizamento axial de eixo vertical, de sapatas setoriais. As sapatas e o disco rotativo ficam mergulhados dentro do óleo. Por aderência, o óleo é arrastado pelo disco rotativo (colar) sobre as sapatas, formando um filme de óleo que separa as superfícies em atrito e suporta a carga exercida pelas partes rotativas.
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    1.14 Fig. 1.21– Formação do filme de óleo entre o colar e as sapatas setoriais pivotadas de um mancal Kingsbury. As sapatas são apoiadas sobre placas niveladoras. Fig. 1.22 - Mancal axial de eixo vertical – refrigeração do óleo por meio de serpentinas
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    1.15 Fig. 1.23– Mancal de escora de uma turbina Kaplan
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    1.16 Fig. 1.24– Localização dos mancais guia e de escora de uma turbina Kaplan de eixo vertical
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    1.17 Fig. 1.25– Turbina Francis, destacando-se o mancal de escora no comprimento médio do eixo, entre os rotores da turbina e do gerador
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    1.18 1.3.4 –Vantagens e desvantagens dos mancais de deslizamento em relação aos rolamentos De uma maneira geral, os mancais de deslizamento apresentam várias vantagens em relação aos rolamentos, tais como: š Maior capacidade de carga, devido à maior área efetiva de “contato” š Podem trabalhar em maiores velocidades e a temperaturas mais elevadas š Maior resistência à ferrugem e corrosão š Maior facilidade de montagem e desmontagem na máquina em questão š O filme de óleo amortece vibrações e diminui ruídos š Menor custo para o caso de mancais de grande porte No entanto, os mancais de deslizamento apresentam algumas desvantagens, tais como: š Maior custo para o caso de mancais pequenos e médios, devido à maior padronização e quanti-dade de fabricação dos rolamentos š Não podem trabalhar em baixas velocidades de rotação, exceto os mancais hidrostáticos š Apresentam maior dificuldade de alinhamento durante a montagem Observação: Uma descrição detalhada de todos os tipos de mancais, seu projeto e lubrificação, bem como a lubrificação dos mais variados elementos de máquinas (tais como Engrenagens, Correntes, Cabos de Aço, Cames, etc.), pode ser encontrada na Ref. 1. BIBLIOGRAFIA: 1) Neale, M.J. Tribology Handbook. Butterworths, England, 1973. 2) Jacobson, B.O. Rheology and Elastohydrodynamic Lubrication. Amsterdam: Elsevier, 1991. 382 p. 3) Gross, W. A; Castelli, V. Fluid Film Lubrication. New York: Wiley-Interscience, 1980. 774 p. 4) Powell, J. W. Design of Aerostatic Bearings. Brighton: Machinery, 1970. 280 p. 5) Dowson, D; Higginson, G. R. Elasto-Hydrodynamic Lubrication. Oxford: Pergamon Press, 235 p. 6) Stansfield, F. M. Hydrostatic Bearings for Machine Tools and Similar Applications. Brighton: Machinery, 1970. 227 p.