CLASSICISMO
ESCOLA LITERÁRIA
SÉC XV E XVI
A Criação de Adão
Afresco de Michelangelo
“Deus criou o homem, ou o Homem criou Deus?”
“O Nascimento de Vênus”
de Sandro Botticelli (1485)
A VOLTA À
ANTIGUIDADE
O homem vitruviano
de Leonardo dVinci
Histórico
CONTEXTO
• Grandes Navegações
• Crise do feudalismo e
crescimento das cidades e do
comércio.
• Fortalecimento da burguesia,
que passou a financiar
• Fortalecimento das
descobertas científicas e
navegações marítimas.
• Homem no centro
(antropocentrismo) em
oposição ao teocentrismo
medieval.
RENASCIMENTO -
CLASSICISMO
• Resgate dos elementos artísticos da cultura greco-romana;
modelos de beleza, equilíbrio e perfeição.
• Retomada da mitologia; simbolizando valores humanos universais,
como coragem, amor e virtude.
• Idealismo- busca pela perfeição estética e pelo amor platônico e
elevado;
• Universalismo- os assuntos pessoais colocados de lado e as
preocupações universais devem ser priorizados; a passagem do tempo,
a virtude, a fé, o destino.
• Predomínio da razão a expressão dos sentimentos era
controlada pela razão; pensar antes de sentir, evitando exageros.
PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DO
CLASSICISMO
PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DO
CLASSICISMO
SONETO NO CLASSICISMO
Definição:
O soneto é uma composição poética de forma fixa, típica do Classicismo, com 14
versos e grande atenção à perfeição formal e métrica.
• Cada verso é geralmente decassílabo (10 sílabas poéticas) ou alexandrino (12
sílabas).
Busca pela perfeição das formas métricas, rima, correção gramatical,
tudo isso passa a ser motivo de atenção e preocupação;
Uso de figuras de linguagem: Antítese (ideias contrárias) e paradoxo
(contradição) para expressar a dualidade e o conflito do ser humano e dos
sentimentos.
PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DO
CLASSICISMO
ESTRUTURA DO SONETO
Quartetos (4 versos cada) marcam a primeira parte do poema e apresentam o
tema central ou problema.
Rima clássica italiana: ABBA ABBA.
Tercetos (3 versos cada) Marca a segunda parte do poema e desenvolvem a
ideia ou apresentam solução/reflexão.
Rimas mais flexíveis: CDC DCD, CDE CDE, etc.
PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DO
CLASSICISMO
SONETO NO CLASSICISMO: CAMÕES
Quarteto 1 (1–4):
1. Amor é fogo que arde sem se ver; (A)
2. É ferida que dói e não se sente; (B)
3. É um contentamento descontente; (A)
4. É dor que desatina sem doer; (B)
Quarteto 2 (5–8):
5. É um não querer mais que bem querer; (A)
6. É solitário andar por entre a gente; (B)
7. É nunca contentar-se de contente; (A)
8. É cuidar que se ganha em se perder. (B)
Terceto 1 (9–11):
9. É querer estar preso por vontade; (C)
10. É servir a quem vence, o vencedor; (D)
11. É ter com quem nos mata lealdade. (C)
Terceto 2 (12–14):
12. Mas como causar pode seu favor (D)
13. Nos corações humanos amizade, (C)
14. Se tão contrário a si é o mesmo Amor? (D)
Luís Vaz de Camões
"Luís Vaz de Camões é um poeta e
dramaturgo português. Nasceu em Lisboa,
em 1524, e morreu em 1580. Durante 17
anos, esteve longe de Portugal. Em terras
estrangeiras, foi soldado, perdeu um olho
em batalha e escreveu a sua obra-prima Os
Lusíadas, publicada em 1572, dois anos
após o retorno do poeta a seu país natal."
EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO
Período histórico do Classicismo:
O Classicismo surge no século XVI, durante o Renascimento,
período de redescoberta da cultura greco-romana.
Nesse contexto, a Europa valoriza a arte, a literatura, a filosofia
e a ciência da Antiguidade, promovendo grandes
transformações na educação, nas artes e no pensamento.
EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO
Valores exaltados durante o Renascimento:
• Razão e lógica: o homem passa a estudar e compreender o
mundo de forma crítica.
• Harmonia e equilíbrio: presentes na arte, na literatura e na
vida social.
• Beleza e perfeição estética: inspiradas na arquitetura e
literatura greco-romana.
• Humanismo: valorização do ser humano e da vida
EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO
Evento histórico em Portugal
Em Portugal, o Classicismo coincide com as grandes navegações dos
séculos XV e XVI.
Essas viagens ampliaram a visão de mundo e despertaram orgulho
nacional, inspirando a literatura da época.
Os poetas celebravam as conquistas portuguesas e o heroísmo dos
navegadores.
EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO
Maior poeta do Classicismo português
O maior poeta do Classicismo português é Luís de Camões (1524–
1580).
Camões é conhecido por unir perfeição formal, linguagem erudita e
conteúdo histórico e mitológico.
Sua obra mais famosa, Os Lusíadas, exalta os navegadores
portugueses e mistura história e mitologia, tornando-se o marco do
Classicismo em Portugal.
EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO
1.Em que período histórico surge o Classicismo?
2.Quais valores eram exaltados na Europa
durante o Renascimento?
3.Qual evento histórico em Portugal influenciou
a literatura do Classicismo?
4.Quem é considerado o maior poeta do
Classicismo português?
Divisão da Obra de Camões
01 LÍRICO
• Sonetos, odes (poema de
exaltação, que celebra algo ou
alguém de forma elevada) e
églogas (poema pastoral ou
bucólico).
• Tema: amor, natureza, tempo,
sofrimento e idealização da
02 ÉPICO
Os Lusíadas, epopeia que
narra os feitos heroicos dos
navegadores portugueses.
"Características literárias de Luís Vaz de Camões"
Nas obras de Luís Vaz de Camões, é possível apontar as seguintes característica
Antropocentrismo: valorização do ser humano e de sua racionalidade.
Rigor formal: versos regulares (metrificação e rimas).
Medida nova: uso de versos decassílabos (10 sílabas poéticas), principalmente nos
sonetos — um traço da poesia clássica.
Medida velha: uso de redondilhas (cinco ou sete sílabas poéticas) — uma
característica remanescente do período medieval.
Idealização da mulher: perfeita física e moralmente.
Idealização do amor: neoplatonismo, amor espiritualizado.
Valorização de elementos greco-latinos: mitologia, arte e poesia.
Figuras de linguagem: antítese (Contrapor ideias ou sentimentos opostos) e
paradoxo (ideia aparentemente contraditória).
"Características literárias de Luís Vaz de Camões"
"Camões escreveu centenas de poemas,
entre sonetos, éclogas, canções,
redondilhas, sextinas, elegias, epístolas,
oitavas e odes. É autor das peças de teatro
El rei Seleuco (1645), Anfitriões (1587) e
Filodemo (1587). Além, é claro, de seu
poema épico Os Lusíadas. No entanto,
somente esse último foi publicado em
vida."
Luís Vaz de Camões
Opoema épico Os Lusíadas a obra de Camões mais
apreciada pela crítica, que considera esse livro uma
das obras literárias mais importantes da língua
portuguesa. Tal poema é dividido em 10 cantos,
com um total de 8816 versos decassílabos (10
sílabas poéticas), distribuídos entre 1102
estrofes, compostas em oitava rima (estrofe de
oito versos com o esquema rítmico ABABABCC).
Conta a história do povo português pelas aventuras do
herói Vasco da Gama (1469-1524), representante dos
heroicos lusitanos.
Luís Vaz de Camões
No início desse poema narrativo, o narrador, no “Canto I”, faz
a proposição (apresenta o tema e o herói):
"As armas e os Barões assinalados
Que da Ocidental praia Lusitana
Por mares nunca de antes navegados
Passaram ainda além da Taprobana,
Em perigos e guerras esforçados
Mais do que prometia a força humana,
E entre gente remota edificaram
Novo Reino, que tanto sublimaram;
E também as memórias gloriosas
Daqueles Reis que foram dilatando
A Fé, o Império, e as terras viciosas
De África e de Ásia andaram devastando,
E aqueles que por obras valorosas
Se vão da lei da Morte libertando,
Cantando espalharei por toda parte,
Se a tanto me ajudar o engenho e arte.
[...]"
Luís Vaz de Camões
"Ainda no “Canto I”, é possível localizar a invocação e a
dedicatória:"
"E vós, Tágides|2| minhas, pois criado
Tendes em mi um novo engenho ardente,
Se sempre em verso humilde celebrado
Foi de mi vosso rio alegremente,
Dai-me agora um som alto e sublimado,
Um estilo grandíloco e corrente,
Por que de vossas águas Febo ordene
Que não tenham inveja às de Hipocrene."
"Dai-me uma fúria grande e sonorosa,
E não de agreste avena ou flauta ruda,
Mas de tuba canora e belicosa,
Que o peito acende e a cor ao gesto muda;
Dai-me igual canto aos feitos da famosa
Gente vossa, que a Marte tanto ajuda;
Que se espalhe e se cante no universo,
Se tão sublime preço cabe em verso."
Luís Vaz de Camões
"A partir daí, do “Canto I” ao “Canto X”, é narrada a viagem
histórica de Vasco da Gama:"
"Está a gente marítima de Luso
Subida pela enxárcia, de admirada,
Notando o estrangeiro modo e uso
E a linguagem tão bárbara e enleada.
Também o Mouro astuto está confuso,
Olhando a cor, o trajo e a forte armada;
E, perguntando tudo, lhe dizia
Se porventura vinham de Turquia."
[...]
"Exemplos de poesias"
"Amor, co’a esperança já perdida,
Teu soberano templo visitei;
Por sinal do naufrágio que passei,
Em lugar dos vestidos, pus a vida.
Que queres mais de mim, que
destruída
Me tens a glória toda que alcancei?
Não cuides de forçar-me, que não sei
Tornar a entrar onde não há saída."
"Vês aqui alma, vida e esperança,
Despojos doces de meu bem passado,
Enquanto quis aquela que eu adoro:
Nelas podes tomar de mim vingança;
E se inda não estás de mim vingado,
Contenta-te com as lágrimas que
choro."
"Exemplos de poesias"
A seguir, vamos ler e analisar dois sonetos de Camões. No primeiro, o eu lírico
dialoga com o Amor, entendido aqui como uma divindade greco-latina, e diz-lhe que,
sem esperança, visitou o seu templo, ou seja, acabou apaixonando-se, mas passou
por um naufrágio, ao qual sobreviveu.
Ele pergunta ao Amor o que mais essa divindade quer dele, já que toda a glória que o eu lírico
alcançou não existe mais, e pede ao deus para não o forçar a entrar “onde não há saída”, isto
é, a apaixonar-se de novo. Então entendemos que o eu lírico sofreu ao perder a sua amada e
só lhe sobraram restos de alma, vida e esperança.
É por meio dos “despojos doces”, isto é, “alma, vida e esperança”, que o Amor pode vingar-se
do eu lírico, e se essa vingança não o satisfizer, o deus deve contentar-se com as lágrimas que
ele chora:
"Exemplos de poesias"
"Cara minha inimiga, em cuja mão
Pôs meus contentamentos a ventura,
Faltou-te a ti na terra sepultura,
Porque me falte a mim consolação.
Eternamente as águas lograrão
A tua peregrina formosura;
Mas, enquanto me a mim a vida dura,
Sempre viva em minh’alma te
acharão."
"E se meus rudes versos podem tanto
Que possam prometer-te longa
história
Daquele amor tão puro e verdadeiro,
Celebrada serás sempre em meu
canto;
Porque enquanto no mundo houver
memória,
Será minha escritura teu letreiro."
"Exemplos de poesias"
"Tudo indica, já que Camões refere-se a um naufrágio, que a mulher a quem ele se refere, ao dizer “aquela que eu adoro”, é sua
amada Dinamene, que morreu em um naufrágio. Nesse sentido, o final do soneto, ao falar de vingança, pode estar referindo-se
ao fato de Camões ter preferido salvar o seu manuscrito d’Os Lusíadas em vez da amada, fato que motivaria a vingança do
Amor. No entanto, isso é só uma especulação.
Nessa perspectiva, Dinamene aparece novamente no segundo soneto que vamos analisar. Nele, o eu lírico chama-a
de “inimiga”. Nesse caso, porque o ser amado é também um inimigo, já que provoca o sofrimento de quem o ama.
Assim, o eu lírico dialoga com ela, nas mãos de quem o destino colocou a sua felicidade.
A inimiga, a amada, está morta. Ao que tudo indica, sua morte ocorreu em um naufrágio, já que lhe falta “na terra sepultura”, pois
seu corpo está no mar, e como não há uma sepultura, o eu lírico não tem um túmulo para visitar e, assim, consolar-se. A morte
por afogamento da amada fica evidente na segunda estrofe, quando o eu lírico diz que “Eternamente as águas lograrão/ A tua
peregrina formosura”, isto é, as águas terão para sempre a sua beleza.
No entanto, o eu lírico promete que, enquanto ele estiver vivo, a amada morta estará sempre viva em sua alma, e os versos dele,
se sobreviverem ao tempo, vão celebrar a sua amada e o “amor tão puro e verdadeiro” que tiveram. Assim, enquanto os poemas
dele sobreviverem, ela será lembrada:"

ESCOLA LITERÁRIA CLASSICISMO SEC XV E XVI .pptx

  • 1.
  • 2.
    A Criação deAdão Afresco de Michelangelo “Deus criou o homem, ou o Homem criou Deus?”
  • 3.
    “O Nascimento deVênus” de Sandro Botticelli (1485) A VOLTA À ANTIGUIDADE
  • 4.
    O homem vitruviano deLeonardo dVinci
  • 5.
    Histórico CONTEXTO • Grandes Navegações •Crise do feudalismo e crescimento das cidades e do comércio. • Fortalecimento da burguesia, que passou a financiar • Fortalecimento das descobertas científicas e navegações marítimas. • Homem no centro (antropocentrismo) em oposição ao teocentrismo medieval. RENASCIMENTO - CLASSICISMO
  • 6.
    • Resgate doselementos artísticos da cultura greco-romana; modelos de beleza, equilíbrio e perfeição. • Retomada da mitologia; simbolizando valores humanos universais, como coragem, amor e virtude. • Idealismo- busca pela perfeição estética e pelo amor platônico e elevado; • Universalismo- os assuntos pessoais colocados de lado e as preocupações universais devem ser priorizados; a passagem do tempo, a virtude, a fé, o destino. • Predomínio da razão a expressão dos sentimentos era controlada pela razão; pensar antes de sentir, evitando exageros. PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DO CLASSICISMO
  • 7.
    PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DO CLASSICISMO SONETONO CLASSICISMO Definição: O soneto é uma composição poética de forma fixa, típica do Classicismo, com 14 versos e grande atenção à perfeição formal e métrica. • Cada verso é geralmente decassílabo (10 sílabas poéticas) ou alexandrino (12 sílabas). Busca pela perfeição das formas métricas, rima, correção gramatical, tudo isso passa a ser motivo de atenção e preocupação; Uso de figuras de linguagem: Antítese (ideias contrárias) e paradoxo (contradição) para expressar a dualidade e o conflito do ser humano e dos sentimentos.
  • 8.
    PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DO CLASSICISMO ESTRUTURADO SONETO Quartetos (4 versos cada) marcam a primeira parte do poema e apresentam o tema central ou problema. Rima clássica italiana: ABBA ABBA. Tercetos (3 versos cada) Marca a segunda parte do poema e desenvolvem a ideia ou apresentam solução/reflexão. Rimas mais flexíveis: CDC DCD, CDE CDE, etc.
  • 9.
    PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DO CLASSICISMO SONETONO CLASSICISMO: CAMÕES Quarteto 1 (1–4): 1. Amor é fogo que arde sem se ver; (A) 2. É ferida que dói e não se sente; (B) 3. É um contentamento descontente; (A) 4. É dor que desatina sem doer; (B) Quarteto 2 (5–8): 5. É um não querer mais que bem querer; (A) 6. É solitário andar por entre a gente; (B) 7. É nunca contentar-se de contente; (A) 8. É cuidar que se ganha em se perder. (B) Terceto 1 (9–11): 9. É querer estar preso por vontade; (C) 10. É servir a quem vence, o vencedor; (D) 11. É ter com quem nos mata lealdade. (C) Terceto 2 (12–14): 12. Mas como causar pode seu favor (D) 13. Nos corações humanos amizade, (C) 14. Se tão contrário a si é o mesmo Amor? (D)
  • 10.
    Luís Vaz deCamões "Luís Vaz de Camões é um poeta e dramaturgo português. Nasceu em Lisboa, em 1524, e morreu em 1580. Durante 17 anos, esteve longe de Portugal. Em terras estrangeiras, foi soldado, perdeu um olho em batalha e escreveu a sua obra-prima Os Lusíadas, publicada em 1572, dois anos após o retorno do poeta a seu país natal."
  • 11.
    EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO Períodohistórico do Classicismo: O Classicismo surge no século XVI, durante o Renascimento, período de redescoberta da cultura greco-romana. Nesse contexto, a Europa valoriza a arte, a literatura, a filosofia e a ciência da Antiguidade, promovendo grandes transformações na educação, nas artes e no pensamento.
  • 12.
    EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO Valoresexaltados durante o Renascimento: • Razão e lógica: o homem passa a estudar e compreender o mundo de forma crítica. • Harmonia e equilíbrio: presentes na arte, na literatura e na vida social. • Beleza e perfeição estética: inspiradas na arquitetura e literatura greco-romana. • Humanismo: valorização do ser humano e da vida
  • 13.
    EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO Eventohistórico em Portugal Em Portugal, o Classicismo coincide com as grandes navegações dos séculos XV e XVI. Essas viagens ampliaram a visão de mundo e despertaram orgulho nacional, inspirando a literatura da época. Os poetas celebravam as conquistas portuguesas e o heroísmo dos navegadores.
  • 14.
    EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO Maiorpoeta do Classicismo português O maior poeta do Classicismo português é Luís de Camões (1524– 1580). Camões é conhecido por unir perfeição formal, linguagem erudita e conteúdo histórico e mitológico. Sua obra mais famosa, Os Lusíadas, exalta os navegadores portugueses e mistura história e mitologia, tornando-se o marco do Classicismo em Portugal.
  • 15.
    EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO 1.Emque período histórico surge o Classicismo? 2.Quais valores eram exaltados na Europa durante o Renascimento? 3.Qual evento histórico em Portugal influenciou a literatura do Classicismo? 4.Quem é considerado o maior poeta do Classicismo português?
  • 16.
    Divisão da Obrade Camões 01 LÍRICO • Sonetos, odes (poema de exaltação, que celebra algo ou alguém de forma elevada) e églogas (poema pastoral ou bucólico). • Tema: amor, natureza, tempo, sofrimento e idealização da 02 ÉPICO Os Lusíadas, epopeia que narra os feitos heroicos dos navegadores portugueses.
  • 17.
    "Características literárias deLuís Vaz de Camões" Nas obras de Luís Vaz de Camões, é possível apontar as seguintes característica Antropocentrismo: valorização do ser humano e de sua racionalidade. Rigor formal: versos regulares (metrificação e rimas). Medida nova: uso de versos decassílabos (10 sílabas poéticas), principalmente nos sonetos — um traço da poesia clássica. Medida velha: uso de redondilhas (cinco ou sete sílabas poéticas) — uma característica remanescente do período medieval. Idealização da mulher: perfeita física e moralmente. Idealização do amor: neoplatonismo, amor espiritualizado. Valorização de elementos greco-latinos: mitologia, arte e poesia. Figuras de linguagem: antítese (Contrapor ideias ou sentimentos opostos) e paradoxo (ideia aparentemente contraditória).
  • 18.
    "Características literárias deLuís Vaz de Camões" "Camões escreveu centenas de poemas, entre sonetos, éclogas, canções, redondilhas, sextinas, elegias, epístolas, oitavas e odes. É autor das peças de teatro El rei Seleuco (1645), Anfitriões (1587) e Filodemo (1587). Além, é claro, de seu poema épico Os Lusíadas. No entanto, somente esse último foi publicado em vida."
  • 19.
    Luís Vaz deCamões Opoema épico Os Lusíadas a obra de Camões mais apreciada pela crítica, que considera esse livro uma das obras literárias mais importantes da língua portuguesa. Tal poema é dividido em 10 cantos, com um total de 8816 versos decassílabos (10 sílabas poéticas), distribuídos entre 1102 estrofes, compostas em oitava rima (estrofe de oito versos com o esquema rítmico ABABABCC). Conta a história do povo português pelas aventuras do herói Vasco da Gama (1469-1524), representante dos heroicos lusitanos.
  • 20.
    Luís Vaz deCamões No início desse poema narrativo, o narrador, no “Canto I”, faz a proposição (apresenta o tema e o herói): "As armas e os Barões assinalados Que da Ocidental praia Lusitana Por mares nunca de antes navegados Passaram ainda além da Taprobana, Em perigos e guerras esforçados Mais do que prometia a força humana, E entre gente remota edificaram Novo Reino, que tanto sublimaram; E também as memórias gloriosas Daqueles Reis que foram dilatando A Fé, o Império, e as terras viciosas De África e de Ásia andaram devastando, E aqueles que por obras valorosas Se vão da lei da Morte libertando, Cantando espalharei por toda parte, Se a tanto me ajudar o engenho e arte. [...]"
  • 21.
    Luís Vaz deCamões "Ainda no “Canto I”, é possível localizar a invocação e a dedicatória:" "E vós, Tágides|2| minhas, pois criado Tendes em mi um novo engenho ardente, Se sempre em verso humilde celebrado Foi de mi vosso rio alegremente, Dai-me agora um som alto e sublimado, Um estilo grandíloco e corrente, Por que de vossas águas Febo ordene Que não tenham inveja às de Hipocrene." "Dai-me uma fúria grande e sonorosa, E não de agreste avena ou flauta ruda, Mas de tuba canora e belicosa, Que o peito acende e a cor ao gesto muda; Dai-me igual canto aos feitos da famosa Gente vossa, que a Marte tanto ajuda; Que se espalhe e se cante no universo, Se tão sublime preço cabe em verso."
  • 22.
    Luís Vaz deCamões "A partir daí, do “Canto I” ao “Canto X”, é narrada a viagem histórica de Vasco da Gama:" "Está a gente marítima de Luso Subida pela enxárcia, de admirada, Notando o estrangeiro modo e uso E a linguagem tão bárbara e enleada. Também o Mouro astuto está confuso, Olhando a cor, o trajo e a forte armada; E, perguntando tudo, lhe dizia Se porventura vinham de Turquia." [...]
  • 23.
    "Exemplos de poesias" "Amor,co’a esperança já perdida, Teu soberano templo visitei; Por sinal do naufrágio que passei, Em lugar dos vestidos, pus a vida. Que queres mais de mim, que destruída Me tens a glória toda que alcancei? Não cuides de forçar-me, que não sei Tornar a entrar onde não há saída." "Vês aqui alma, vida e esperança, Despojos doces de meu bem passado, Enquanto quis aquela que eu adoro: Nelas podes tomar de mim vingança; E se inda não estás de mim vingado, Contenta-te com as lágrimas que choro."
  • 24.
    "Exemplos de poesias" Aseguir, vamos ler e analisar dois sonetos de Camões. No primeiro, o eu lírico dialoga com o Amor, entendido aqui como uma divindade greco-latina, e diz-lhe que, sem esperança, visitou o seu templo, ou seja, acabou apaixonando-se, mas passou por um naufrágio, ao qual sobreviveu. Ele pergunta ao Amor o que mais essa divindade quer dele, já que toda a glória que o eu lírico alcançou não existe mais, e pede ao deus para não o forçar a entrar “onde não há saída”, isto é, a apaixonar-se de novo. Então entendemos que o eu lírico sofreu ao perder a sua amada e só lhe sobraram restos de alma, vida e esperança. É por meio dos “despojos doces”, isto é, “alma, vida e esperança”, que o Amor pode vingar-se do eu lírico, e se essa vingança não o satisfizer, o deus deve contentar-se com as lágrimas que ele chora:
  • 25.
    "Exemplos de poesias" "Caraminha inimiga, em cuja mão Pôs meus contentamentos a ventura, Faltou-te a ti na terra sepultura, Porque me falte a mim consolação. Eternamente as águas lograrão A tua peregrina formosura; Mas, enquanto me a mim a vida dura, Sempre viva em minh’alma te acharão." "E se meus rudes versos podem tanto Que possam prometer-te longa história Daquele amor tão puro e verdadeiro, Celebrada serás sempre em meu canto; Porque enquanto no mundo houver memória, Será minha escritura teu letreiro."
  • 26.
    "Exemplos de poesias" "Tudoindica, já que Camões refere-se a um naufrágio, que a mulher a quem ele se refere, ao dizer “aquela que eu adoro”, é sua amada Dinamene, que morreu em um naufrágio. Nesse sentido, o final do soneto, ao falar de vingança, pode estar referindo-se ao fato de Camões ter preferido salvar o seu manuscrito d’Os Lusíadas em vez da amada, fato que motivaria a vingança do Amor. No entanto, isso é só uma especulação. Nessa perspectiva, Dinamene aparece novamente no segundo soneto que vamos analisar. Nele, o eu lírico chama-a de “inimiga”. Nesse caso, porque o ser amado é também um inimigo, já que provoca o sofrimento de quem o ama. Assim, o eu lírico dialoga com ela, nas mãos de quem o destino colocou a sua felicidade. A inimiga, a amada, está morta. Ao que tudo indica, sua morte ocorreu em um naufrágio, já que lhe falta “na terra sepultura”, pois seu corpo está no mar, e como não há uma sepultura, o eu lírico não tem um túmulo para visitar e, assim, consolar-se. A morte por afogamento da amada fica evidente na segunda estrofe, quando o eu lírico diz que “Eternamente as águas lograrão/ A tua peregrina formosura”, isto é, as águas terão para sempre a sua beleza. No entanto, o eu lírico promete que, enquanto ele estiver vivo, a amada morta estará sempre viva em sua alma, e os versos dele, se sobreviverem ao tempo, vão celebrar a sua amada e o “amor tão puro e verdadeiro” que tiveram. Assim, enquanto os poemas dele sobreviverem, ela será lembrada:"