Histórico
CONTEXTO
• Grandes Navegações
•Crise do feudalismo e
crescimento das cidades e do
comércio.
• Fortalecimento da burguesia,
que passou a financiar
• Fortalecimento das
descobertas científicas e
navegações marítimas.
• Homem no centro
(antropocentrismo) em
oposição ao teocentrismo
medieval.
RENASCIMENTO -
CLASSICISMO
6.
• Resgate doselementos artísticos da cultura greco-romana;
modelos de beleza, equilíbrio e perfeição.
• Retomada da mitologia; simbolizando valores humanos universais,
como coragem, amor e virtude.
• Idealismo- busca pela perfeição estética e pelo amor platônico e
elevado;
• Universalismo- os assuntos pessoais colocados de lado e as
preocupações universais devem ser priorizados; a passagem do tempo,
a virtude, a fé, o destino.
• Predomínio da razão a expressão dos sentimentos era
controlada pela razão; pensar antes de sentir, evitando exageros.
PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DO
CLASSICISMO
7.
PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DO
CLASSICISMO
SONETONO CLASSICISMO
Definição:
O soneto é uma composição poética de forma fixa, típica do Classicismo, com 14
versos e grande atenção à perfeição formal e métrica.
• Cada verso é geralmente decassílabo (10 sílabas poéticas) ou alexandrino (12
sílabas).
Busca pela perfeição das formas métricas, rima, correção gramatical,
tudo isso passa a ser motivo de atenção e preocupação;
Uso de figuras de linguagem: Antítese (ideias contrárias) e paradoxo
(contradição) para expressar a dualidade e o conflito do ser humano e dos
sentimentos.
8.
PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DO
CLASSICISMO
ESTRUTURADO SONETO
Quartetos (4 versos cada) marcam a primeira parte do poema e apresentam o
tema central ou problema.
Rima clássica italiana: ABBA ABBA.
Tercetos (3 versos cada) Marca a segunda parte do poema e desenvolvem a
ideia ou apresentam solução/reflexão.
Rimas mais flexíveis: CDC DCD, CDE CDE, etc.
9.
PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DO
CLASSICISMO
SONETONO CLASSICISMO: CAMÕES
Quarteto 1 (1–4):
1. Amor é fogo que arde sem se ver; (A)
2. É ferida que dói e não se sente; (B)
3. É um contentamento descontente; (A)
4. É dor que desatina sem doer; (B)
Quarteto 2 (5–8):
5. É um não querer mais que bem querer; (A)
6. É solitário andar por entre a gente; (B)
7. É nunca contentar-se de contente; (A)
8. É cuidar que se ganha em se perder. (B)
Terceto 1 (9–11):
9. É querer estar preso por vontade; (C)
10. É servir a quem vence, o vencedor; (D)
11. É ter com quem nos mata lealdade. (C)
Terceto 2 (12–14):
12. Mas como causar pode seu favor (D)
13. Nos corações humanos amizade, (C)
14. Se tão contrário a si é o mesmo Amor? (D)
10.
Luís Vaz deCamões
"Luís Vaz de Camões é um poeta e
dramaturgo português. Nasceu em Lisboa,
em 1524, e morreu em 1580. Durante 17
anos, esteve longe de Portugal. Em terras
estrangeiras, foi soldado, perdeu um olho
em batalha e escreveu a sua obra-prima Os
Lusíadas, publicada em 1572, dois anos
após o retorno do poeta a seu país natal."
11.
EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO
Períodohistórico do Classicismo:
O Classicismo surge no século XVI, durante o Renascimento,
período de redescoberta da cultura greco-romana.
Nesse contexto, a Europa valoriza a arte, a literatura, a filosofia
e a ciência da Antiguidade, promovendo grandes
transformações na educação, nas artes e no pensamento.
12.
EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO
Valoresexaltados durante o Renascimento:
• Razão e lógica: o homem passa a estudar e compreender o
mundo de forma crítica.
• Harmonia e equilíbrio: presentes na arte, na literatura e na
vida social.
• Beleza e perfeição estética: inspiradas na arquitetura e
literatura greco-romana.
• Humanismo: valorização do ser humano e da vida
13.
EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO
Eventohistórico em Portugal
Em Portugal, o Classicismo coincide com as grandes navegações dos
séculos XV e XVI.
Essas viagens ampliaram a visão de mundo e despertaram orgulho
nacional, inspirando a literatura da época.
Os poetas celebravam as conquistas portuguesas e o heroísmo dos
navegadores.
14.
EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO
Maiorpoeta do Classicismo português
O maior poeta do Classicismo português é Luís de Camões (1524–
1580).
Camões é conhecido por unir perfeição formal, linguagem erudita e
conteúdo histórico e mitológico.
Sua obra mais famosa, Os Lusíadas, exalta os navegadores
portugueses e mistura história e mitologia, tornando-se o marco do
Classicismo em Portugal.
15.
EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO
1.Emque período histórico surge o Classicismo?
2.Quais valores eram exaltados na Europa
durante o Renascimento?
3.Qual evento histórico em Portugal influenciou
a literatura do Classicismo?
4.Quem é considerado o maior poeta do
Classicismo português?
16.
Divisão da Obrade Camões
01 LÍRICO
• Sonetos, odes (poema de
exaltação, que celebra algo ou
alguém de forma elevada) e
églogas (poema pastoral ou
bucólico).
• Tema: amor, natureza, tempo,
sofrimento e idealização da
02 ÉPICO
Os Lusíadas, epopeia que
narra os feitos heroicos dos
navegadores portugueses.
17.
"Características literárias deLuís Vaz de Camões"
Nas obras de Luís Vaz de Camões, é possível apontar as seguintes característica
Antropocentrismo: valorização do ser humano e de sua racionalidade.
Rigor formal: versos regulares (metrificação e rimas).
Medida nova: uso de versos decassílabos (10 sílabas poéticas), principalmente nos
sonetos — um traço da poesia clássica.
Medida velha: uso de redondilhas (cinco ou sete sílabas poéticas) — uma
característica remanescente do período medieval.
Idealização da mulher: perfeita física e moralmente.
Idealização do amor: neoplatonismo, amor espiritualizado.
Valorização de elementos greco-latinos: mitologia, arte e poesia.
Figuras de linguagem: antítese (Contrapor ideias ou sentimentos opostos) e
paradoxo (ideia aparentemente contraditória).
18.
"Características literárias deLuís Vaz de Camões"
"Camões escreveu centenas de poemas,
entre sonetos, éclogas, canções,
redondilhas, sextinas, elegias, epístolas,
oitavas e odes. É autor das peças de teatro
El rei Seleuco (1645), Anfitriões (1587) e
Filodemo (1587). Além, é claro, de seu
poema épico Os Lusíadas. No entanto,
somente esse último foi publicado em
vida."
19.
Luís Vaz deCamões
Opoema épico Os Lusíadas a obra de Camões mais
apreciada pela crítica, que considera esse livro uma
das obras literárias mais importantes da língua
portuguesa. Tal poema é dividido em 10 cantos,
com um total de 8816 versos decassílabos (10
sílabas poéticas), distribuídos entre 1102
estrofes, compostas em oitava rima (estrofe de
oito versos com o esquema rítmico ABABABCC).
Conta a história do povo português pelas aventuras do
herói Vasco da Gama (1469-1524), representante dos
heroicos lusitanos.
20.
Luís Vaz deCamões
No início desse poema narrativo, o narrador, no “Canto I”, faz
a proposição (apresenta o tema e o herói):
"As armas e os Barões assinalados
Que da Ocidental praia Lusitana
Por mares nunca de antes navegados
Passaram ainda além da Taprobana,
Em perigos e guerras esforçados
Mais do que prometia a força humana,
E entre gente remota edificaram
Novo Reino, que tanto sublimaram;
E também as memórias gloriosas
Daqueles Reis que foram dilatando
A Fé, o Império, e as terras viciosas
De África e de Ásia andaram devastando,
E aqueles que por obras valorosas
Se vão da lei da Morte libertando,
Cantando espalharei por toda parte,
Se a tanto me ajudar o engenho e arte.
[...]"
21.
Luís Vaz deCamões
"Ainda no “Canto I”, é possível localizar a invocação e a
dedicatória:"
"E vós, Tágides|2| minhas, pois criado
Tendes em mi um novo engenho ardente,
Se sempre em verso humilde celebrado
Foi de mi vosso rio alegremente,
Dai-me agora um som alto e sublimado,
Um estilo grandíloco e corrente,
Por que de vossas águas Febo ordene
Que não tenham inveja às de Hipocrene."
"Dai-me uma fúria grande e sonorosa,
E não de agreste avena ou flauta ruda,
Mas de tuba canora e belicosa,
Que o peito acende e a cor ao gesto muda;
Dai-me igual canto aos feitos da famosa
Gente vossa, que a Marte tanto ajuda;
Que se espalhe e se cante no universo,
Se tão sublime preço cabe em verso."
22.
Luís Vaz deCamões
"A partir daí, do “Canto I” ao “Canto X”, é narrada a viagem
histórica de Vasco da Gama:"
"Está a gente marítima de Luso
Subida pela enxárcia, de admirada,
Notando o estrangeiro modo e uso
E a linguagem tão bárbara e enleada.
Também o Mouro astuto está confuso,
Olhando a cor, o trajo e a forte armada;
E, perguntando tudo, lhe dizia
Se porventura vinham de Turquia."
[...]
23.
"Exemplos de poesias"
"Amor,co’a esperança já perdida,
Teu soberano templo visitei;
Por sinal do naufrágio que passei,
Em lugar dos vestidos, pus a vida.
Que queres mais de mim, que
destruída
Me tens a glória toda que alcancei?
Não cuides de forçar-me, que não sei
Tornar a entrar onde não há saída."
"Vês aqui alma, vida e esperança,
Despojos doces de meu bem passado,
Enquanto quis aquela que eu adoro:
Nelas podes tomar de mim vingança;
E se inda não estás de mim vingado,
Contenta-te com as lágrimas que
choro."
24.
"Exemplos de poesias"
Aseguir, vamos ler e analisar dois sonetos de Camões. No primeiro, o eu lírico
dialoga com o Amor, entendido aqui como uma divindade greco-latina, e diz-lhe que,
sem esperança, visitou o seu templo, ou seja, acabou apaixonando-se, mas passou
por um naufrágio, ao qual sobreviveu.
Ele pergunta ao Amor o que mais essa divindade quer dele, já que toda a glória que o eu lírico
alcançou não existe mais, e pede ao deus para não o forçar a entrar “onde não há saída”, isto
é, a apaixonar-se de novo. Então entendemos que o eu lírico sofreu ao perder a sua amada e
só lhe sobraram restos de alma, vida e esperança.
É por meio dos “despojos doces”, isto é, “alma, vida e esperança”, que o Amor pode vingar-se
do eu lírico, e se essa vingança não o satisfizer, o deus deve contentar-se com as lágrimas que
ele chora:
25.
"Exemplos de poesias"
"Caraminha inimiga, em cuja mão
Pôs meus contentamentos a ventura,
Faltou-te a ti na terra sepultura,
Porque me falte a mim consolação.
Eternamente as águas lograrão
A tua peregrina formosura;
Mas, enquanto me a mim a vida dura,
Sempre viva em minh’alma te
acharão."
"E se meus rudes versos podem tanto
Que possam prometer-te longa
história
Daquele amor tão puro e verdadeiro,
Celebrada serás sempre em meu
canto;
Porque enquanto no mundo houver
memória,
Será minha escritura teu letreiro."
26.
"Exemplos de poesias"
"Tudoindica, já que Camões refere-se a um naufrágio, que a mulher a quem ele se refere, ao dizer “aquela que eu adoro”, é sua
amada Dinamene, que morreu em um naufrágio. Nesse sentido, o final do soneto, ao falar de vingança, pode estar referindo-se
ao fato de Camões ter preferido salvar o seu manuscrito d’Os Lusíadas em vez da amada, fato que motivaria a vingança do
Amor. No entanto, isso é só uma especulação.
Nessa perspectiva, Dinamene aparece novamente no segundo soneto que vamos analisar. Nele, o eu lírico chama-a
de “inimiga”. Nesse caso, porque o ser amado é também um inimigo, já que provoca o sofrimento de quem o ama.
Assim, o eu lírico dialoga com ela, nas mãos de quem o destino colocou a sua felicidade.
A inimiga, a amada, está morta. Ao que tudo indica, sua morte ocorreu em um naufrágio, já que lhe falta “na terra sepultura”, pois
seu corpo está no mar, e como não há uma sepultura, o eu lírico não tem um túmulo para visitar e, assim, consolar-se. A morte
por afogamento da amada fica evidente na segunda estrofe, quando o eu lírico diz que “Eternamente as águas lograrão/ A tua
peregrina formosura”, isto é, as águas terão para sempre a sua beleza.
No entanto, o eu lírico promete que, enquanto ele estiver vivo, a amada morta estará sempre viva em sua alma, e os versos dele,
se sobreviverem ao tempo, vão celebrar a sua amada e o “amor tão puro e verdadeiro” que tiveram. Assim, enquanto os poemas
dele sobreviverem, ela será lembrada:"