Breve histórico da educação de jovens e adultos no Brasil Cássia Brandão Cássia Brandão
Década de  1940 a 1950 Fatos políticos e ou sociais Organização do sistema público de educação no Brasil; Primeira campanha nacional de educação de adultos, orientada por Lourenço Filho; Analfabetismo  compreendido como causa do subdesenvolvimento do país. Visão de aluno: jovem e adulto Sujeitos incapazes e marginais, identificados e tratados na escola como criança. Concepção de ensino aprendizagem O processo de escolarização estava restrito a alfabetização, no sentido de ensinar a ler e escrever. A Cartilha é o recurso, a silabação - o método.
Década de 1960 Fatos políticos e ou sociais Artistas, intelectuais e estudantes engajam-se em centros de cultura e alfabetização popular. Movimentos de Educação e Cultura Popular Lançado o  Plano Nacional de Alfabetização , orientado pelas idéias de Paulo Freire. Visão de aluno: jovem e adulto Portadores de cultura e sujeitos da aprendizagem. Concepção de ensino aprendizagem Ainda restrita  a alfabetização, todavia orientada pelas idéias de Paulo Freire. Ênfase na dimensão política da alfabetização e na conscientização. Método baseado em  palavras geradoras  retiradas do universo vocabular dos educandos. Proposta pedagógica baseada no diálogo.
Década de 1970 Fatos políticos e ou sociais Ditadura militar reprime o movimento popular e obriga Paulo Freire a deixar o país. Dissemina-se no país  o Mobral . O Mobral, programa correspondente ao primário. Mensagens apelam para esforço individual e integração no desenvolvimento do país. Visão de aluno: jovem e adulto Pessoas incapazes Concepção de ensino aprendizagem Compensatória e assistencialista Utilização do método das palavras geradoras esvaziadas de conteúdos críticos.
Década de 80 Fatos políticos e ou sociais Abertura, volta de eleições diretas para governadores e prefeitos. Extinção do Mobral, criação da Fundação Educar com parcerias entre governos e sociedade civil. Promulgação da Constituição de 1988 Art. 208, inciso I – ensino fundamental obrigatório e gratuito, assegurada, inclusive, sua oferta gratuita para todos os que a ele não tiveram acesso na idade própria. 1º. O acesso  ao ensino obrigatório  e gratuito é direito público subjetivo Visão de aluno: jovem e adulto Com a Constituição de 1988 os jovens e adultos passam a ser reconhecidos como  sujeitos de direitos . Todavia, não se tem nesse período uma organização e sistematização da EJA. Concepção de ensino aprendizagem Pode ser compreendida como uma década perdida, pela falta de ações governamentais na área da EJA.
Década de 90 Fatos políticos e ou sociais Extinção da Fundação Educar, retração da ação federal, municípios assumem a Educação de Jovens e Adultos. Governo Federal lança o Programa de Alfabetização Solidária. Conferência de Hamburgo Promulgação da  LDB nº 9.394/96 Visão de aluno: jovem e adulto Jovens e adultos analfabetos considerados como capazes de elaborar hipóteses sobre a escrita e sobre o sistema de numeração mesmo antes de terem freqüentado a escola.  Concepção de ensino aprendizagem Alfabetização vista como um processo que exige continuidade e sedimentação. Propostas pedagógicas para a alfabetização partem de textos reais e produções dos alunos. Reconhecimento da especificidade da aprendizagem escolar.
Dias atuais Fatos políticos e ou sociais Governo “popular” Mudanças no mundo da produção Desenvolvimento tecnológico, científico e informacional Visão de aluno: jovem e adulto Sujeitos de direito e aprendizagem. Todavia, faz-se necessário especificar quem são essas pessoas: trabalhadores rurais, domésticas, desempregados, pessoas que vivem no mercado informal, etc.  Concepção de ensino aprendizagem Direito de aprender ao longo da vida.  Qualificadora  no sentido de promover aprendizagens contínuas, próprias da era em que nos encontramos

Aula 2 histórico da EJA

  • 1.
    Breve histórico daeducação de jovens e adultos no Brasil Cássia Brandão Cássia Brandão
  • 2.
    Década de 1940 a 1950 Fatos políticos e ou sociais Organização do sistema público de educação no Brasil; Primeira campanha nacional de educação de adultos, orientada por Lourenço Filho; Analfabetismo compreendido como causa do subdesenvolvimento do país. Visão de aluno: jovem e adulto Sujeitos incapazes e marginais, identificados e tratados na escola como criança. Concepção de ensino aprendizagem O processo de escolarização estava restrito a alfabetização, no sentido de ensinar a ler e escrever. A Cartilha é o recurso, a silabação - o método.
  • 3.
    Década de 1960Fatos políticos e ou sociais Artistas, intelectuais e estudantes engajam-se em centros de cultura e alfabetização popular. Movimentos de Educação e Cultura Popular Lançado o Plano Nacional de Alfabetização , orientado pelas idéias de Paulo Freire. Visão de aluno: jovem e adulto Portadores de cultura e sujeitos da aprendizagem. Concepção de ensino aprendizagem Ainda restrita a alfabetização, todavia orientada pelas idéias de Paulo Freire. Ênfase na dimensão política da alfabetização e na conscientização. Método baseado em palavras geradoras retiradas do universo vocabular dos educandos. Proposta pedagógica baseada no diálogo.
  • 4.
    Década de 1970Fatos políticos e ou sociais Ditadura militar reprime o movimento popular e obriga Paulo Freire a deixar o país. Dissemina-se no país o Mobral . O Mobral, programa correspondente ao primário. Mensagens apelam para esforço individual e integração no desenvolvimento do país. Visão de aluno: jovem e adulto Pessoas incapazes Concepção de ensino aprendizagem Compensatória e assistencialista Utilização do método das palavras geradoras esvaziadas de conteúdos críticos.
  • 5.
    Década de 80Fatos políticos e ou sociais Abertura, volta de eleições diretas para governadores e prefeitos. Extinção do Mobral, criação da Fundação Educar com parcerias entre governos e sociedade civil. Promulgação da Constituição de 1988 Art. 208, inciso I – ensino fundamental obrigatório e gratuito, assegurada, inclusive, sua oferta gratuita para todos os que a ele não tiveram acesso na idade própria. 1º. O acesso ao ensino obrigatório e gratuito é direito público subjetivo Visão de aluno: jovem e adulto Com a Constituição de 1988 os jovens e adultos passam a ser reconhecidos como sujeitos de direitos . Todavia, não se tem nesse período uma organização e sistematização da EJA. Concepção de ensino aprendizagem Pode ser compreendida como uma década perdida, pela falta de ações governamentais na área da EJA.
  • 6.
    Década de 90Fatos políticos e ou sociais Extinção da Fundação Educar, retração da ação federal, municípios assumem a Educação de Jovens e Adultos. Governo Federal lança o Programa de Alfabetização Solidária. Conferência de Hamburgo Promulgação da LDB nº 9.394/96 Visão de aluno: jovem e adulto Jovens e adultos analfabetos considerados como capazes de elaborar hipóteses sobre a escrita e sobre o sistema de numeração mesmo antes de terem freqüentado a escola. Concepção de ensino aprendizagem Alfabetização vista como um processo que exige continuidade e sedimentação. Propostas pedagógicas para a alfabetização partem de textos reais e produções dos alunos. Reconhecimento da especificidade da aprendizagem escolar.
  • 7.
    Dias atuais Fatospolíticos e ou sociais Governo “popular” Mudanças no mundo da produção Desenvolvimento tecnológico, científico e informacional Visão de aluno: jovem e adulto Sujeitos de direito e aprendizagem. Todavia, faz-se necessário especificar quem são essas pessoas: trabalhadores rurais, domésticas, desempregados, pessoas que vivem no mercado informal, etc. Concepção de ensino aprendizagem Direito de aprender ao longo da vida. Qualificadora no sentido de promover aprendizagens contínuas, próprias da era em que nos encontramos