Serviço de Cirurgia Plástica e Queimados da Santa Casa de Misericórdia de
São José do Rio Preto
Regente : Dr Valdemar Mano Sanches
Atendimento do Trauma de Mão
Dr Brunno Rosique Lara
Introdução
Exceto pela sua anatomia complexa, o exame físico da mão é relativamente
fácil, pois a integridade de cada estrutura pode ser avaliada por um exame
funcional detalhado.
Uma abordagem ordenada e um conhecimento profundo da anatomia funcional
da mão são necessários para interpretação dos sinais e sintomas encontrados.
Deve-se realizar um rápido questionário com informações como:
Idade;Sexo;Ocupação;Data da lesão ou do início dos sintomas;Tratamento
prévio;Doenças sistêmicas;
A mão é examinada primeiramente em repouso, em seguida deve ser avaliada
a capacidade do paciente de realizar simples tarefas como abrir e fechar a mão.
Atendimento Inicial
Todo movimento da mão deve ser relatado. A determinação da sensibilidade é
essencial, porém a sua ausência não indica necessariamente uma lesão nervosa.
Os ferimentos hemorrágicos, que dificultam a avaliação, devem ser controlados
por compressão local ou por torniquete pneumático (250 – 300 mmHg) por curto
período de tempo. Não se deve realizar clampeamento de vasos na mão e nos
dedos devido ao alto risco de lesão neural.
Após rápido, porém cuidadoso, exame da mão esta deve ser recoberta com
curativo oclusivo estéril e elevada. Rx deve ser solicitado se houver suspeita de
fratura ou de corpo estranho.
Em todos os casos em que o paciente é incapaz de colaborar, o aspecto
topográfico da lesão e o reconhecimento de déficit funcional podem antecipar a
possibilidade de futura incapacidade e a necessidade de reconstrução em
segundo tempo. Essa possibilidade deve ser discutida precocemente com o
paciente e familiares.
A avaliação secundária e definitiva do trauma de mão é feito sob analgesia
regional ou geral, com iluminação adequada e hemostasia por torniquete.
Alguns ferimentos são facilmente avaliados e tratados na sala de emergência.
Anotações detalhadas de todo o exame e de qualquer procedimento cirúrgico
realizado são essenciais para revisar lesões que requeiram, tratamentos futuros.
Um simples desenho da mão com uma anotação resumida dos achados
pertinentes, produz um arquivo prático do paciente, e facilita consultas futuras.
Fotografias e Rx também são indispensáveis para documentação do caso.
Pele, Subcutâneo e Fáscia
A função da mão pode ser muito prejudicada, por uma cicatriz hipertrófica
palmar ou dorsal, secundária a uma lesão ou proveniente de uma incisão mal
planejada.
A liberação de retrações cicatriciais da pele é um dos maiores problemas na
cirurgia reparadora da mão.
Área de hiperemia, dor local, aumento de temperatura e linfangites são sinais de
processo inflamatório, geralmente observado na pele da região dorsal. A pele
normal da palma é firmemente aderida a fáscia, a drenagem venosa e linfática é
desviada para o dorso da mão onde o edema é observado.
Em lesões agudas dos nervos da mão, a ausência de transpiração (parestesia e
pele seca no território do nervo) é um importante sinal de desenervação no
paciente não cooperativo. Em casos de lesão antiga de nervo periférico as
alterações tróficas são evidentes.
Esqueleto e Articulações
Apesar do grande valor
diagnóstico do Rx o exame clínico
é indispensável.
O tubérculo do escafóide é
localizado lateral ao flexor radial
do carpo. É um ponto de
referência importante para
determinar desvio de rotação na
flexão dos dedos, normalmente,
na flexão, a projeção de um plano
de cada dedo passa próximo ao
tubérculo.
Um desvio deste plano pode ser
resultado de uma fratura
metacárpica ou falangeana, ou
lesão do ligamento colateral.
O osso trapézio é palpado
na tabaqueira anatômica distal ao
escafóide.
Uma depressão na porção central do dorso do carpo entre os tendões extensor
radial do carpo e extensor comum dos dedos indica a posição da cabeça do
capitato, o centro da flexão-extensão e do movimento lateral do punho.
A face dorsal dos cinco metacarpos e das articulações carpometacárpicas são
facilmente palpadas.
O pisiforme encontra-se na base da eminência hipotênar. Aproximadamente 1,5
a 2,0cm distal ao pisiforme, numa linha oblíqua do pisiforme até a cabeça do
terceiro metacarpo, está o hámulo do hamato, o qual pode ser local de fratura de
difícil diagnóstico.
Extensão e abdução dos dedos achata os arcos transverso e longitudinal;
oposição do polegar com o quinto dedo restaura a forma dos arcos. Limitação da
movimentação do arco transverso pode ser resultado de vários mecanismos
patológicos, incluindo, cicatriz dorsal, fixação das articulações com o carpo do 1º.,
4º. e 5º. metacarpos, ou paralisia dos músculos intrínsecos.
Fraturas do metacarpo são diagnosticadas por dor localizada, deformidade e
crepitação. O metacarpo está encurtado e flexionado na palma, com a articulação
metacarpofalangeana hiperestendida. Essa posição é resultado de desequilíbrio
entre os músculos interósseos e o tendão extensor do dedo.
As deformidades características da fratura da diáfise das falanges proximais,
incluem, encurtamento, angulação dorsal, e freqüentemente rotação do fragmento
distal.
Músculos e Tendões
Este sistema é geralmente afetado por paralisia e atrofia secundária a lesões de
nervos periféricos.
A contração dos músculos envolvidos deve ser avaliada por palpação e
determinação da força, estabilidade, alcance do movimento articular, fixação dos
tendões e movimentação da unidade músculo-tendão.
A função do extensor extrínseco dos dedos pode ser avaliada pela extensão da
falanges proximais. Com as articulações metacarpofalangeanas estabilizadas em
pequena flexão, tanto o sistema intrínseco como o extrínseco podem estender a
articulação interafalangeana próximal.
Exceto quando em extensão-abdução completa a falange distal do polegar pode
ser estendida pelo extensor longo do polegar e pelos músculos intrínsecos. Nesta
posição a falange distal é estendida pelo extensor longo do polegar. Em oposição
completa a extensão da falange distal do polegar é realizada pelo abdutor curto do
polegar e pelo adutor do polegar.
Os 4 flexores superficiais dos dedos (nervo mediano) são independentes e
podem ser examinados segurando os dedos adjacentes em extensão completa
(evitando que o flexor profundo flexione a art. Interfalangeana proximal). O flexor
profundo é avaliado solicitando que o paciente force a falange distal contra uma
resistência.

Atendimento do Trauma de Mão

  • 1.
    Serviço de CirurgiaPlástica e Queimados da Santa Casa de Misericórdia de São José do Rio Preto Regente : Dr Valdemar Mano Sanches Atendimento do Trauma de Mão Dr Brunno Rosique Lara Introdução Exceto pela sua anatomia complexa, o exame físico da mão é relativamente fácil, pois a integridade de cada estrutura pode ser avaliada por um exame funcional detalhado. Uma abordagem ordenada e um conhecimento profundo da anatomia funcional da mão são necessários para interpretação dos sinais e sintomas encontrados. Deve-se realizar um rápido questionário com informações como: Idade;Sexo;Ocupação;Data da lesão ou do início dos sintomas;Tratamento prévio;Doenças sistêmicas; A mão é examinada primeiramente em repouso, em seguida deve ser avaliada a capacidade do paciente de realizar simples tarefas como abrir e fechar a mão. Atendimento Inicial Todo movimento da mão deve ser relatado. A determinação da sensibilidade é essencial, porém a sua ausência não indica necessariamente uma lesão nervosa. Os ferimentos hemorrágicos, que dificultam a avaliação, devem ser controlados por compressão local ou por torniquete pneumático (250 – 300 mmHg) por curto período de tempo. Não se deve realizar clampeamento de vasos na mão e nos dedos devido ao alto risco de lesão neural. Após rápido, porém cuidadoso, exame da mão esta deve ser recoberta com curativo oclusivo estéril e elevada. Rx deve ser solicitado se houver suspeita de fratura ou de corpo estranho. Em todos os casos em que o paciente é incapaz de colaborar, o aspecto topográfico da lesão e o reconhecimento de déficit funcional podem antecipar a possibilidade de futura incapacidade e a necessidade de reconstrução em segundo tempo. Essa possibilidade deve ser discutida precocemente com o paciente e familiares. A avaliação secundária e definitiva do trauma de mão é feito sob analgesia regional ou geral, com iluminação adequada e hemostasia por torniquete. Alguns ferimentos são facilmente avaliados e tratados na sala de emergência. Anotações detalhadas de todo o exame e de qualquer procedimento cirúrgico realizado são essenciais para revisar lesões que requeiram, tratamentos futuros. Um simples desenho da mão com uma anotação resumida dos achados pertinentes, produz um arquivo prático do paciente, e facilita consultas futuras. Fotografias e Rx também são indispensáveis para documentação do caso.
  • 2.
    Pele, Subcutâneo eFáscia A função da mão pode ser muito prejudicada, por uma cicatriz hipertrófica palmar ou dorsal, secundária a uma lesão ou proveniente de uma incisão mal planejada. A liberação de retrações cicatriciais da pele é um dos maiores problemas na cirurgia reparadora da mão. Área de hiperemia, dor local, aumento de temperatura e linfangites são sinais de processo inflamatório, geralmente observado na pele da região dorsal. A pele normal da palma é firmemente aderida a fáscia, a drenagem venosa e linfática é desviada para o dorso da mão onde o edema é observado. Em lesões agudas dos nervos da mão, a ausência de transpiração (parestesia e pele seca no território do nervo) é um importante sinal de desenervação no paciente não cooperativo. Em casos de lesão antiga de nervo periférico as alterações tróficas são evidentes. Esqueleto e Articulações Apesar do grande valor diagnóstico do Rx o exame clínico é indispensável. O tubérculo do escafóide é localizado lateral ao flexor radial do carpo. É um ponto de referência importante para determinar desvio de rotação na flexão dos dedos, normalmente, na flexão, a projeção de um plano de cada dedo passa próximo ao tubérculo. Um desvio deste plano pode ser resultado de uma fratura metacárpica ou falangeana, ou lesão do ligamento colateral. O osso trapézio é palpado na tabaqueira anatômica distal ao escafóide.
  • 3.
    Uma depressão naporção central do dorso do carpo entre os tendões extensor radial do carpo e extensor comum dos dedos indica a posição da cabeça do capitato, o centro da flexão-extensão e do movimento lateral do punho. A face dorsal dos cinco metacarpos e das articulações carpometacárpicas são facilmente palpadas. O pisiforme encontra-se na base da eminência hipotênar. Aproximadamente 1,5 a 2,0cm distal ao pisiforme, numa linha oblíqua do pisiforme até a cabeça do terceiro metacarpo, está o hámulo do hamato, o qual pode ser local de fratura de difícil diagnóstico. Extensão e abdução dos dedos achata os arcos transverso e longitudinal; oposição do polegar com o quinto dedo restaura a forma dos arcos. Limitação da movimentação do arco transverso pode ser resultado de vários mecanismos patológicos, incluindo, cicatriz dorsal, fixação das articulações com o carpo do 1º., 4º. e 5º. metacarpos, ou paralisia dos músculos intrínsecos. Fraturas do metacarpo são diagnosticadas por dor localizada, deformidade e crepitação. O metacarpo está encurtado e flexionado na palma, com a articulação metacarpofalangeana hiperestendida. Essa posição é resultado de desequilíbrio entre os músculos interósseos e o tendão extensor do dedo. As deformidades características da fratura da diáfise das falanges proximais, incluem, encurtamento, angulação dorsal, e freqüentemente rotação do fragmento distal.
  • 4.
    Músculos e Tendões Estesistema é geralmente afetado por paralisia e atrofia secundária a lesões de nervos periféricos. A contração dos músculos envolvidos deve ser avaliada por palpação e determinação da força, estabilidade, alcance do movimento articular, fixação dos tendões e movimentação da unidade músculo-tendão. A função do extensor extrínseco dos dedos pode ser avaliada pela extensão da falanges proximais. Com as articulações metacarpofalangeanas estabilizadas em pequena flexão, tanto o sistema intrínseco como o extrínseco podem estender a articulação interafalangeana próximal. Exceto quando em extensão-abdução completa a falange distal do polegar pode ser estendida pelo extensor longo do polegar e pelos músculos intrínsecos. Nesta posição a falange distal é estendida pelo extensor longo do polegar. Em oposição completa a extensão da falange distal do polegar é realizada pelo abdutor curto do polegar e pelo adutor do polegar. Os 4 flexores superficiais dos dedos (nervo mediano) são independentes e podem ser examinados segurando os dedos adjacentes em extensão completa (evitando que o flexor profundo flexione a art. Interfalangeana proximal). O flexor profundo é avaliado solicitando que o paciente force a falange distal contra uma resistência.