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O SUPERVISOR E SUA AÇÃO PEDAGÓGICA
LENI DE FÁTIMA VEDOY BARBON1
LUIZ VINHOLA2
RESUMO
A função do supervisor era de fiscalizar o trabalho do professor, conferindo planos de aula e
diários de classe; desenvolvendo um trabalho mais burocrático e controlador, exercendo certa
pressão sobre o professor do que sendo um articulador e facilitador do processo escolar. Depois,
com as transformações sociais e dos sistemas educacionais, a função do supervisor também
mudou, e hoje, suas atribuições são múltiplas; constituindo-se num articulador do processo
pedagógico, auxiliando o trabalho docente e a gestão escolar com sugestões de novas
metodologias, promovendo o desenvolvimento da proposta pedagógica da escola, solucionando
problemas e também desenvolvendo projetos, coordenando reuniões, acompanhando os
indicadores de qualidade na educação da escola na qual atua. Diante dessa nova perspectiva, a
educação pode ser concebida como um processo de transformação que permite ao ser humano
desenvolver suas potencialidades inatas e aprender a viver em sociedade.
Palavras chaves: Prática. Liderança. Funções. Construção Coletiva.
1
Aluna Acadêmica do programa de Pós - Graduação da UNIASSELVI, Curso: Administração Escolar,
Supervisão e Orientação, graduada em Letras/ Inglês.
2
Professor Orientador: Luiz Vinhola
2
INTRODUÇÃO
O presente artigo objetivou identificar o papel do supervisor e sua ação pedagógica na
escola, bem como, a relevância do seu trabalho. O supervisor exerce um papel extremamente
importante nas escolas, auxiliando todo o processo de ensino-aprendizagem com reflexos na
melhoria da qualidade de ensino. Este trabalho será desenvolvido por meio de pesquisas
bibliográficas de diferentes estudiosos do assunto.
O supervisor é responsável em atuar com o grupo de educadores coordenando e
promovendo reflexão no sentido da construção de uma competência docente coletiva. Enfim, a
supervisão tem um papel político-pedagógico e de liderança no espaço escolar. A liderança
educacional, coloca-se como desafio à ação Supervisora, que além de dar conta das questões
burocráticas e legais, precisa contribuir com a formação dos professores. Ainda é necessário
ressaltar sem desconsiderar o restante da equipe, que o supervisor escolar deve ser inovador,
ousado, criativo e, sobretudo um profissional de educação comprometido com seu grupo de
trabalho.
É uma atividade relativamente recente no contexto educacional brasileiro, mas mesmo
assim, a função do supervisor escolar já passou por vários processos de modificações
acompanhando as mudanças que ocorreram na sociedade e no âmbito educacional.
No início, a função do supervisor era de fiscalizar o trabalho do professor
conferindo planos de aula e diários de classe; desenvolvendo um trabalho mais burocrático e
controlador, exercendo certa pressão sobre o professor do que sendo um articulador e facilitador
do processo escolar.
Depois, com as transformações sociais e nos sistemas educacionais, a função do
supervisor também mudou, e hoje, suas atribuições são múltiplas; constituindo-se num
articulador do processo pedagógico, auxiliando o trabalho docente com sugestões de novas
metodologias, acompanhando o processo avaliativo e a relação professor e aluno, família e
escola, auxiliando na gestão escolar, promovendo o desenvolvimento da proposta pedagógica
da escola, solucionando problemas e também desenvolvendo projetos, coordenando reuniões,
acompanhando os indicadores de qualidade na educação da escola na qual atua. Vivemos em
um mundo em constante transformação, rodeados por muita informação, então o supervisor
precisa estar constantemente se atualizando, lendo, sendo crítico e reflexivo sobre sua realidade,
assim conseguirá desempenhar sua função com competência, podendo dialogar, argumentar e
auxiliar o professor em sua prática docente.
Devido à importância em que se constitui o trabalho do supervisor escolar e a diferença
que este, pode significar no processo de ensino-aprendizagem, sentiu-se a necessidade e
curiosidade em pesquisar sobre a relevância e atribuições do supervisor educacional para
futuramente poder avaliar e questionar a prática ocorrida nas escolas nas quais atuo, nos
municípios de Herveiras e Progresso – Rio Grande do Sul. Assim, busca-se o aperfeiçoamento
profissional e o conhecimento a cerca da prática da supervisão escolar.
Pretendo fazer um breve histórico sobre as transformações ocorridas no papel
desempenhado pelo supervisor. Acredito que o papel atrelado à gestão escolar e ao trabalho
docente pode contribuir significativamente na melhoria do processo educacional em todos seus
aspectos.
3
É através da educação que se pode mudar o mundo, pois a escola trabalha com pessoas
e tem a capacidade de trabalhar com a conscientização delas, encorajando mudanças de atitudes,
buscando assim, um mundo melhor, mais humano, solidário, de igualdade, socialmente justo e
sustentável, por isso, faz-se necessário, um ensino de qualidade e para tanto é preciso o apoio
pedagógico, estruturando a prática docente e a relação família-escola.
4
O PAPEL DO SUPERVISOR E A PRÁTICA PEDAGÓGICA
A aprendizagem é algo fenomenal que ocorre em toda a vida do indivíduo, sendo um
processo contínuo e que pode ocorrer de uma maneira formal em instituições com a finalidade
de produção de conhecimentos, ou informal ocorrendo em todos os lugares onde encontram-se
pessoas.
A supervisão escolar, para bem exercer a sua função, deve ter claro o conceito de
educação, seus fins e seus objetivos. É decorrência do conceito, fins e objetivos da educação
que se vai delineando a direção dispensada ao ensino, para que a escola possa realizar a que se
propõe.
Assim, o supervisor escolar deve ter uma sólida formação pedagógica e filosófica, para
poder dar um sentido preciso e profissional à ação da escola, para que se cumpra suas
finalidades de modo mais efetivo.
O papel do supervisor é resgatar valores culturais, morais, ético, com o intuito de formar
homens críticos, reflexivos que tornem-se agentes geradores de mudanças para que haja o
progresso, para que ocorra uma reestruturação da própria civilização, como explica Libâneo
(2004, p.150): “Numa concepção emancipatória, já que prepararia os indivíduos para participar
na reestruturação da própria civilização tendo em vista o desenvolvimento de toda uma
humanidade”.
Ao observar as grandes mudanças ocorridas no cenário educacional ao longo do tempo,
manifestou-se a necessidade de se aprofundar mais sobre a importância do processo educativo
dentro da escola, não só em relação à educação continuada dos educandos, como também dos
educadores.
Diante da especificidade das diferentes modalidades de ação pedagógica cabe ao
supervisor evoluir de acordo com as novas demandas do mundo globalizado e com a tecnologia
inovadora que cresce exorbitadamente, aperfeiçoar seus estudos para se adaptar a estas novas
tecnologias.
As mudanças pelas quais o mundo passa na atualidade, frente a realidades desafiadoras
e complexas como a questão de responder aos desafios de uma sociedade globalizada, centrada
na informação e nas tecnologias, requer da escola o repensar de suas ações de maneira que as
práticas pedagógicas estejam em contínua e permanente reconstrução.
O supervisor escolar e os demais participantes desse processo pedagógico precisam
esforçar-se para acompanhar as novas características dessa sociedade que se apresenta de forma
complexa, dinâmica e desafiadora.
Mediante as mudanças educacionais o Supervisor precisa romper com paradigmas
históricos e enfrentar o desafio da mudança. Afinal, a escola sofre acusações de ser um espaço
desconectado da realidade, pressupondo uma urgência em se trabalhar as necessidades que se
apresentam no contexto escolar.
A escola é, por excelência, o espaço do pensar, porém, estranhamente, num espaço em
que tanto se fala da sociedade da informação e do conhecimento, a qual conota o triunfo do
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esforço mental sobre o físico, num tempo que se considera autorreflexivo, em que os educandos
assumem cada vez mais uma postura autônoma, senhores de suas escolhas, capazes de usar as
reflexões para alterarem questões da vida e processos de trabalho.
É preciso agir e sentir porque o pensamento só é útil para quem não permanece
exclusivamente no pensar e para aqueles que também conseguem pensar em equipe e tornar o
pensamento em ação. De acordo com esse pensar configura-se as palavras de Libâneo.
"De fato, como toda instituição, as escolas buscam resultados, o que implica uma ação
racional, estruturada e coordenada. Ao mesmo tempo, sendo uma atividade coletiva,
não depende apenas das capacidades e responsabilidades individuais, mas de objetivos
comuns e compartilhados,de meios e ações coordenadas dos agentes do processo”
(LIBÂNEO,2004, p.132).
Atualmente, o supervisor precisa desenvolver uma visão critica e construtiva do trabalho
pedagógico, de modo a vitalizar as ações educativas, transformando reflexivamente a ação
individual e coletiva dos atores escolares. Dentro desse contexto, cabe ao supervisor planejar,
avaliar e aperfeiçoar o curso das ações pedagógicas, visando garantir a eficiência do processo
educacional e a eficácia de seus resultados. Igualmente, este profissional deve sempre ter o
objetivo de levar os participantes do ato educativo a estarem integralmente envolvidos. Sendo
assim, o principal papel do Supervisor Escolar é contribuir para a melhoria do processo
educacional, levando em consideração a relação professor – supervisor, professor-gestor,
professor-professor e professor-aluno.
Muitas vezes a escola é subdividida em grupos, é o grupo da diretoria, o grupo de
professores, o grupo de funcionários, etc. Geralmente, desencadeando uma dificuldade de se
trabalhar em equipe. Dentro desse contexto a função do Supervisor é o ponto de ligação, de dar
suporte, orientar no sentido de dar uma nova visão. O supervisor não pode apenas ser aquele
responsável por vigiar e criticar o trabalho do professor. E se tornar auxiliador é, muitas vezes,
pensar no lado do professor. Visando o desenvolvimento do relacionamento interpessoal, o
supervisor precisa compreender a dinâmica de interação e comunicação entre as pessoas,
buscando alcançar uma habilidade de se comunicar eficazmente, a fim de mobilizar a equipe
escolar e a comunidade local para realizar processos de atuação colaborativa. Assim, ele precisa
aprender a desenvolver o trabalho em equipe, valorizando a negociação e a resolução de
conflitos. No início deste século o foco do trabalho do supervisor escolar vem se modificando
por conta desse cenário. Nesse sentido e ao contrário do que acontecia no passado, fica afastado
qualquer indício de que o trabalho do supervisor deva estar centrado no controle puro e simples
do trabalho do professor, pois no início, o supervisor educacional exercia sua função como
controlador do processo de produção, fiscalizando os recursos que o professor supostamente
trabalharia em sala de aula, era também um fiscal de diários de classe – era mais um supervisor
burocrático.
Na atualidade, torna-se necessário e espera-se que o supervisor escolar desenvolva ações
baseadas na reflexão sobre o processo pedagógico, onde o professor torna-se o principal
instrumento dessa reflexão, e não mais um agente a ser controlado no interior das escolas. O
supervisor é o articulador do Projeto Político-Pedagógico da instituição, sistematizando e
integrando o trabalho conjunto por meio da interdisciplinaridade. Medina (2002, p. 32) ressalta
essa questão ao afirmar que:
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[...] é o trabalho do professor [...] que dá sentido ao trabalho do supervisor no interior
da escola. O trabalho do professor abre o espaço e indica o objeto da ação/reflexão,
ou de reflexão/ação para o desenvolvimento da ação supervisora.
Hoje, a função supervisora se mostra bem mais ampla e o profissional dessa área entende
a verdadeira essência desse termo: "supervisor", aquele que vê o geral, que vê além e articula
ações entre os elementos que envolvem a educação. O supervisor de hoje sabe que precisa ser
um constante pesquisador e com isso poderá contribuir para o trabalho docente, pois essa equipe
conta com a orientação e apoio. A fim de alcançar seus objetivos o supervisor deve voltar o
foco do seu trabalho para o aprimoramento do desempenho dos professores, valorizando o nível
de produção acadêmica dos docentes, assim como a riqueza de suas contribuições para os
fazeres pedagógicos. O supervisor, também precisa respeitar a personalidade dos profissionais
da educação, valorizando-os individualmente e profissionalmente.
Diante do exposto, percebe-se que esse profissional tem de ir além do conhecimento
teórico, pois para acompanhar o trabalho pedagógico e estimular os professores é preciso
percepção e sensibilidade para identificar as necessidades dos alunos e educadores, tendo de se
manter sempre atualizado, buscando fontes de informação e refletindo sobre a sua prática.
Dentro dessa perspectiva, Medina (2002, p. 36) afirma que:
[...] a ação do supervisor com o professor configura-se numa parceria na qual ambos,
politicamente, têm posições definidas com base nas quais refletem, criticam e
indagam a respeito de seus desempenhos como profissionais que trabalham numa
instituição social chamada escola, e em nível curricular específico.
É o Supervisor Educacional um criador de cultura e de aprendizagens não apenas
intelectual e/ou técnica, mas também afetiva, ética, social e política, que se questiona o
circunstancial, definindo e redefinindo propriedades em educação.
Como prática educativa ou como função, a supervisão educacional,
independentemente de formação especifica em habilitação no curso de Pedagogia,
constituiu-se num trabalho escolar que tem o compromisso de garantir a qualidade do
ensino, da educação, da formação humana. (...). Não se esgota, portanto, no saber
fazer bem e no saber o que ensinar, mas no trabalho articulador e orgânico entre a
verdadeira qualidade do trabalho pedagógico que se tornará mais verdadeiro em seus
compromissos humanizadores, quando expressar e servir de pólo-fonte de subsídios
para novas políticas e novas formas de gestão na intensidade espaço-temporal de
transformações que a "era da globalização" ocasionou.( FERREIRA, 2003, p.237)
Por definição, o supervisor não pode ser nem um puro e simples prático nem um puro e
simples teórico. Ele está entre os dois. A ligação deve ser ao mesmo tempo permanente e
irredutível, porque não pode existir um fosso entre a teoria e a prática.
Medina (2002, p.31) comenta que “o trabalho do supervisor centrado na ação do
professor não pode ser confundido com assessoria ou consultoria, por ser um trabalho que
requer envolvimento e comprometimento”.
O objetivo de trabalho do supervisor é a aprendizagem do aluno através do professor.
Considera-se o papel fundamental do supervisor: ser o grande harmonizador do ambiente da
escola. Conforme Medina (2002, p.135), “o supervisor tem como objetivo de trabalho a
produção do professor – o aprender do aluno, e preocupar-se de modo especial com a qualidade
dessa produção.” O supervisor constitui-se em um agente de mudanças, facilitador e mediador,
oportunizando uma relação de harmonia entre os interlocutores da instituição. Sua prática não
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deve estar dissociada da teoria e nem a teoria da prática. Conforme aponta a seguir Houssaye,
citado por Libâneo (2004, p.35).
A função do supervisor escolar está centrada na ação pedagógica, processos de ensino
e aprendizagem. O papel do supervisor escolar é muito importante, junto ao corpo
docente e discente e toda equipe técnica escolar; não apenas um solucionador de
problemas, mas também que o mesmo desenvolva projetos. Dessa forma, cabe ao
supervisor escolar analisar em ação conjunta com os professores, as contradições
existentes entre o fazer pedagógico e a proposta pedagógica.
O supervisor deve procurar ter consciência clara dos conceitos e crenças que
determinam sua maneira de agir, dos fins que pretendem atingir e dos meios a utilizar. Por outro
lado, faz-se necessário que ele conheça a natureza do homem com quem está lidando, conheça
a natureza da sociedade em que esse homem está inserido, bem com o perfil da escola, seu
Projeto Político Pedagógico: só assim será possível orientar e ajudar, de acordo com as
necessidades. Deve buscar o desenvolvimento contínuo de cada pessoa que com ele trabalha,
seja professor, aluno, funcionário, seja membro da comunidade sob sua responsabilidade.
O serviço de supervisão escolar deve trabalhar em conjunto com serviço de orientação
que também é um setor existente dentro da escola que se envolve com os alunos, realizando
mediações entre professores, alunos e pais para que, problemas relacionados à aprendizagem,
a determinados comportamentos, à inclusão dos alunos portadores de deficiência entre outras
pessoas, possam ser mediados de maneira efetiva e qualitativa. É necessário que a supervisão e
orientação escolar trabalhem juntas, buscando oferecer uma educação de qualidade; para isto
faz-se necessário o envolvimento de todos os segmentos na construção do Projeto Político
Pedagógico da escola de acordo com a realidade dos alunos. Para isto é fundamental conhecer
o contexto que a escola está inserida, para atender as necessidades dos educandos e o papel do
supervisor e orientador educacional é dar suporte e assessoramento à direção, professores,
alunos e comunidade. É necessário também o envolvimento da supervisão com o processo de
gestão escolar que caracteriza o elemento administrativo do seu trabalho. O termo “gestão” é
entendido por Alonso (2003, p. 176) como:
Todo o processo de organização e direção da escola, produto de uma equipe, que se
orienta por uma proposta com base no conhecimento da realidade, a partir do qual são
definidos os propósitos e previstos os meios necessários para a sua realização,
estabelecendo metas, definindo rumos e encaminhamentos necessários, sem,
entretanto, configurá-los dentro de esquemas rígidos de ação, permitindo alterações
sempre que necessário.
Assim, concebida a gestão, implica desconcentração de poder e cria possibilidades de
participação, adequadas a cada situação, e o supervisor, por sua importante contribuição
pedagógica, torna-se elemento fundamental nesse processo. Nesse sentido, para que o
supervisor pedagógico desenvolva um trabalho de qualidade carece estar comprometido,
principalmente, com o processo de ensino aprendizagem. Dessa forma, a supervisão
educacional constitui-se num trabalho profissional que tem o compromisso juntamente com os
professores e toda comunidade escolar, de assegurar o desenvolvimento do educando por meio
da qualidade do ensino. Supervisão é, portanto, o processo pelo qual, se orienta a escola como
um todo, para a consecução de suas finalidades. Enfim, o supervisor precisa administrar
planejamento, mediado pelo desenvolvimento profissional e a formação do educador e com as
relações sociais e interpessoais presentes nas escolas, administrar com a complexidade da
formação de um ser humano que pode ser sujeito transformador de si e da realidade. O
supervisor de uma escola deve diferenciar-se do modelo organizacional, cuja autoridade e poder
se estabelecem nas relações verticais de dominação, indicando quem deve mandar e quem deve
8
obedecer; ao contrário, na escola, o supervisor deve proporcionar um ambiente favorável ao
diálogo, nas relações com os professores, alunos, pais e com a gestão, pois o supervisor faz a
transposição da teoria para a prática escolar, reflete sobre o trabalho em sala de aula, estuda e
usa as teorias para fundamentar o fazer e o pensar dos docentes.
Na atualidade, a escola assume um papel essencialmente importante como espaço
generalizado de desenvolvimento das potencialidades humanas. Nas sociedades
contemporâneas, onde o desenvolvimento econômico e a viabilização de melhores condições
de vida para a população é uma realidade, é cada vez maior a exigência para o aumento da
escolaridade, principalmente a formação de nível superior. O supervisor deve assumir o
compromisso da transformação e da luta por condições de vida melhor, engajando-se num
projeto de conscientização critica, denunciando as desigualdades e injustiças e apontando
propostas para a superação dessas diferenças, através do questionamento e da problematização
destas questões. A esse respeito Silva Junior (1997, p. 96) acrescenta:
Se não cabe ao supervisor impor soluções, cabe – lhe, sem duvida, por ser brasileiro
e por ser um educador responsável, ajudar na construção da consciência histórica-
política necessária à luta contra a dominação. Isso implica uma posição de profunda
atenção aos fatos do cotidiano escolar e do cotidiano da sociedade que lhe assegure
condições de análise adequada do significado das ocorrências que vão acontecendo.
No entanto, educadores sejam professores ou supervisores, para avançar na construção
de um mundo e de uma educação adequada à necessidade da luta contra a dominação tem sido
uma tarefa delicada, árdua, que necessita de tempo, não tem sido fácil o caminho percorrido
por educadores para conseguir tal objetivo. Entende-se que fazer da supervisão uma ação
problematizadora, através da dialógica com todos os envolvidos na comunidade escolar
garantindo o espaço de participação, proporcionará a intervenção transformadora da prática
social.
[...] é importante lembrar que, antes de mais nada, a coordenação é exercida por um
educador, e como tal deve estar no combate a tudo aquilo que desumanizava a escola:
a reprodução da ideologia dominante, o autoritarismo, o conhecimento desvinculado
da realidade, a evasão, a lógica classificatória e excludente [...], a discriminação social
na e através da escola, etc.(VASCONCELOS, 2013, p.87).
Também é importante ressaltar que o supervisor escolar deva se colocar na função de
problematizador frente ao ofício do professor a fim de fazer com que este reflita constantemente
sobre sua ação na educação. Conviver com a diversidade é um dos desafios pelo qual passa a
escola moderna e, ao supervisor escolar, cabe trabalhar essa realidade com os professores no
sentido de explicitar as contradições e os conflitos consequentes dessa diversidade. A leitura
que se deve ter da escola hoje, é de uma escola singular, porém inserida numa pluralidade e, ao
supervisor, compete fazer com que o professor reflita sobre esse fato e aja de maneira tal, que
suas ações locais se reflitam globalmente. Ainda cabe ao supervisor escolar ter clareza e levar
os professores a refletirem sobre o fato de que o conhecimento é um dado relativo, ou seja, que
os procedimentos utilizados pelos professores não devem mais se apresentar de forma
linearizadas, uma vez que a produção deles se dá em um movimento de ensinar e aprender.
Além disso, também é necessário que o supervisor tenha uma atitude clara diante do processo
ensino-aprendizagem, diante da função social da escola e de todos os outros aspectos que
envolvem o fazer na e pela educação.
E é na proposta pedagógica da escola que o supervisor deve ver uma possibilidade de
reconstrução da mesma, propondo momentos de reflexão, confrontando a ação, principalmente
dos docentes, com o que se apresenta na proposta e desta, com a realidade social da escola. O
9
supervisor apresenta-se então como um líder, pela sua identificação com os interesses coletivos,
que mobiliza, que dinamiza encontros para a discussão e a atualização teórica das práticas. E,
entre as várias funções do supervisor, destacam-se, novamente, a consciência do propósito de
suas ações e a ampliação político social dos princípios e dos conceitos que as orientam. Para
Medina (2002, p.22)
O papel do supervisor passa, então, a ser redefinido com base em seu objeto de
trabalho, e o resultado da relação que ocorre entre o professor que ensina e o aluno
que aprende, passa a construir o núcleo do trabalho do supervisor na escola.
O conceito moderno de supervisão visa sempre ao aperfeiçoamento da situação total
ensino-aprendizagem através do conhecimento da situação; da avaliação dessa situação; das
modificações das condições que afetam a aprendizagem. Isso vem a ser, em outras palavras, as
três primordiais da supervisão: diagnosticar; avaliar; aperfeiçoar.
Os objetivos gerais da educação nacional são o desenvolvimento integral do aluno e a
sua integração no meio físico e social. Cabe ao supervisor, antes de tudo, conscientizar o pessoal
com quem trabalha, levando-o estabelecer objetivos específicos para sua escola e sua classe,
tendo como ponto de partida aqueles objetivos gerais; a usar esses objetivos como guias em
todos os processos da educação, a selecionar bem os meios para atingi-los e os meios de
avaliação dos resultados. E como diz Silva Junior (1997, p.100)
Ensinar supervisão no Brasil hoje significa necessariamente pesquisar
supervisão. Pesquisar “a” e “para” a supervisão. Significa consequentemente,
examinar criticamente a prática que se desenvolve e investigar as situações e
as condições que possam contribuir para o desenvolvimento qualitativo dessa
prática. A ciência da supervisão será construída sem abrigar a pretensão da
objetividade absoluta. É da unidade dialética das atividades teórica e prático-
experimental que deverá resultar a supervisão da educação adequada ao
atendimento das necessidades reais do conjunto da população.
Uma vez que a supervisão dirige atenção para os fundamentos da educação, é importante
que o supervisor promova estudos de equipe sobre as mudanças de crenças e valores da
sociedade que está em mudança.
No campo educacional, a supervisão pode ser vista como “liderança educacional em
ação” que visa à melhoria do processo ensino-aprendizagem, para o que leva em conta a
estrutura teórica, material e humana do sistema em que está inserida. Objetivamente, assentam-
se nas múltiplas funções de orientação, acompanhamento, avaliação e reorientação do processo
educacional.
O trabalho em supervisão visa, como produto final, à melhoria do processo ensino-
aprendizagem, atuando através do professor. Quanto melhor o trabalho do professor, melhores
serão os resultados do processo. A supervisão deve coordenar as atividades pedagógicas da
escola, aperfeiçoá-las de forma constante, evitando assim, uma defasagem entre a comunidade
escolar e a realidade educacional.
10
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O trabalho ora apresentado teve por escopo promover uma reflexão acerca do supervisor
pedagógico dentro das instituições de ensino sobre as dificuldades, os desafios e os avanços
que se refere à função do referido profissional. Teve em vista os múltiplos aspectos que
envolvem a área da supervisão escolar e a crescente preocupação com as formas de atuação
deste profissional, atualmente faz com que a supervisão deixa de ser função meramente técnica.
Ao final deste estudo percebi que o papel do supervisor assume no século XXI
dimensões políticas, pedagógicas e administrativas à medida que sua função é articular a
proposta da escola com toda a equipe que a compõe.
Neste sentido, o supervisor é peça fundamental no espaço escolar, pois busca integrar
os envolvidos no processo ensino-aprendizagem mantendo os demais segmentos que compõem
e administram relações interpessoais de maneira saudável, valorizando a formação do professor
e a sua, pois ele também é um professor, desenvolvendo habilidades para lidar com as
diferenças com o objetivo de ajudar efetivamente na construção de uma educação de qualidade.
O trabalho do supervisor dentro das escolas se torna indispensável quando este
profissional promove significativas mudanças, pois trabalha com formação e informação dos
docentes, principalmente, na construção de um espaço escolar dinâmico e reflexivo, sendo este
fundamental a superação de obstáculos, socialização de experiências e fortalecimento das
relações interpessoais, fundamental para a qualidade na educação.
A supervisão faz parte do processo da educação. Educação se faz com discernimento,
ousadia, pesquisa, determinação, trabalho participativo. O supervisor tem um papel político,
pedagógico e de liderança no espaço escolar, por isso, precisa ser inovador, ousado, criativo,
proativo, humilde, e, sobretudo, um profissional de educação comprometido com o seu grupo
de trabalho, eficiente e eficaz, pois não basta executar bem, o trabalho precisa trazer resultados.
Para que o papel do supervisor torne-se eficaz se faz necessário que ocupe no Sistema
Educacional um espaço de intermediação e articulação, atuando com a equipe de gestão,
auxiliando quanto à elaboração e implementação das propostas pedagógicas, facilitando o
desenvolvimento do processo ensino-aprendizagem e a melhoria da qualidade de ensino. Enfim
sua atuação deve estar voltada para promover a integração dos profissionais da educação
verificando as facilidades e dificuldades encontradas pelos mesmos e incentivando sua
formação.
Portanto, o supervisor pedagógico é responsável por atuar com o grupo de educadores,
coordenando e promovendo reflexão no sentido da construção de uma competência docente
coletiva, com o objetivo de alcançar a qualidade do processo ensino-aprendizagem. Dessa
forma, são inúmeras as dificuldades e os desafios nessa área, mas com pesquisa e
profissionalismo, com o desenvolvimento de uma metodologia de trabalho que possibilite
ressignificar a ação de todos os agentes da instituição, podem-se conseguir avanços
exponenciais para a qualidade do processo educativo.
A reflexão sobre o trabalho do supervisor escolar deve ser constante, pois ele precisa
pensar e propor junto com sua equipe escolar soluções para as dificuldades encontradas no
âmbito educacional. Por isso, seus objetivos educacionais sempre devem estar pautados na
melhoria do processo educativo, através de um trabalho cooperativo, onde as tarefas são dividas
a fim de somar esforços que diminuem o dispêndio de energias e multiplica o resultado final.
11
REFERÊNCIAS
ALONSO, Myrtes. A Supervisão e o desenvolvimento profissional do professor. In:
FERREIRA, Naura Syria Carapeto org. Supervisão escolar: para uma escola de qualidade da
formação à ação. 4 ed. São Paulo: Cortez, 2003.
FERREIRA, Naura Syria Carapeto org. Supervisão educacional: Para uma escola de qualidade
da formação à ação. 4 ed. São Paulo: Cortez, 2003.
LIBÂNEO, José Carlos. Organização e gestão da escola pública: teoria e prática. 7ªed.
Goiânia: Alternativa, 2004.
LIBÂNEO, José Carlos. Pedagogia e pedagogos para quê? 8 ed. São Paulo: Cortez, 2007.
MEDINA, Antônia da Silva. Supervisão escolar: da ação exercida à ação repensada. Porto
Alegre: EDIPUCRS, 2002.
SILVA JUNIOR, C. A. Organização do trabalho na escola pública; o pedagógico e o
administrativo na ação supervisora. In: JUNIOR, C. A. da S. e RANGEL, M.(orgs). Nove
olhares sobre a supervisão. Campinas, SP: Papirus, 1997.
SILVA JUNIOR, C.A. A Supervisão da educação: do autoritarismo ingênuo à vontade
coletiva. São Paulo: Loyola,1985.
VASCONCELLOS, Celso dos Santos. Coordenação do trabalho pedagógico: do projeto
político-pedagógico ao cotidiano da sala de aula. São Paulo: Libertad, 2013.
____________. Planejamento: plano de ensino-aprendizagem e projeto educativo. São Paulo:
Libertad, 2012.

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  • 1. 1 O SUPERVISOR E SUA AÇÃO PEDAGÓGICA LENI DE FÁTIMA VEDOY BARBON1 LUIZ VINHOLA2 RESUMO A função do supervisor era de fiscalizar o trabalho do professor, conferindo planos de aula e diários de classe; desenvolvendo um trabalho mais burocrático e controlador, exercendo certa pressão sobre o professor do que sendo um articulador e facilitador do processo escolar. Depois, com as transformações sociais e dos sistemas educacionais, a função do supervisor também mudou, e hoje, suas atribuições são múltiplas; constituindo-se num articulador do processo pedagógico, auxiliando o trabalho docente e a gestão escolar com sugestões de novas metodologias, promovendo o desenvolvimento da proposta pedagógica da escola, solucionando problemas e também desenvolvendo projetos, coordenando reuniões, acompanhando os indicadores de qualidade na educação da escola na qual atua. Diante dessa nova perspectiva, a educação pode ser concebida como um processo de transformação que permite ao ser humano desenvolver suas potencialidades inatas e aprender a viver em sociedade. Palavras chaves: Prática. Liderança. Funções. Construção Coletiva. 1 Aluna Acadêmica do programa de Pós - Graduação da UNIASSELVI, Curso: Administração Escolar, Supervisão e Orientação, graduada em Letras/ Inglês. 2 Professor Orientador: Luiz Vinhola
  • 2. 2 INTRODUÇÃO O presente artigo objetivou identificar o papel do supervisor e sua ação pedagógica na escola, bem como, a relevância do seu trabalho. O supervisor exerce um papel extremamente importante nas escolas, auxiliando todo o processo de ensino-aprendizagem com reflexos na melhoria da qualidade de ensino. Este trabalho será desenvolvido por meio de pesquisas bibliográficas de diferentes estudiosos do assunto. O supervisor é responsável em atuar com o grupo de educadores coordenando e promovendo reflexão no sentido da construção de uma competência docente coletiva. Enfim, a supervisão tem um papel político-pedagógico e de liderança no espaço escolar. A liderança educacional, coloca-se como desafio à ação Supervisora, que além de dar conta das questões burocráticas e legais, precisa contribuir com a formação dos professores. Ainda é necessário ressaltar sem desconsiderar o restante da equipe, que o supervisor escolar deve ser inovador, ousado, criativo e, sobretudo um profissional de educação comprometido com seu grupo de trabalho. É uma atividade relativamente recente no contexto educacional brasileiro, mas mesmo assim, a função do supervisor escolar já passou por vários processos de modificações acompanhando as mudanças que ocorreram na sociedade e no âmbito educacional. No início, a função do supervisor era de fiscalizar o trabalho do professor conferindo planos de aula e diários de classe; desenvolvendo um trabalho mais burocrático e controlador, exercendo certa pressão sobre o professor do que sendo um articulador e facilitador do processo escolar. Depois, com as transformações sociais e nos sistemas educacionais, a função do supervisor também mudou, e hoje, suas atribuições são múltiplas; constituindo-se num articulador do processo pedagógico, auxiliando o trabalho docente com sugestões de novas metodologias, acompanhando o processo avaliativo e a relação professor e aluno, família e escola, auxiliando na gestão escolar, promovendo o desenvolvimento da proposta pedagógica da escola, solucionando problemas e também desenvolvendo projetos, coordenando reuniões, acompanhando os indicadores de qualidade na educação da escola na qual atua. Vivemos em um mundo em constante transformação, rodeados por muita informação, então o supervisor precisa estar constantemente se atualizando, lendo, sendo crítico e reflexivo sobre sua realidade, assim conseguirá desempenhar sua função com competência, podendo dialogar, argumentar e auxiliar o professor em sua prática docente. Devido à importância em que se constitui o trabalho do supervisor escolar e a diferença que este, pode significar no processo de ensino-aprendizagem, sentiu-se a necessidade e curiosidade em pesquisar sobre a relevância e atribuições do supervisor educacional para futuramente poder avaliar e questionar a prática ocorrida nas escolas nas quais atuo, nos municípios de Herveiras e Progresso – Rio Grande do Sul. Assim, busca-se o aperfeiçoamento profissional e o conhecimento a cerca da prática da supervisão escolar. Pretendo fazer um breve histórico sobre as transformações ocorridas no papel desempenhado pelo supervisor. Acredito que o papel atrelado à gestão escolar e ao trabalho docente pode contribuir significativamente na melhoria do processo educacional em todos seus aspectos.
  • 3. 3 É através da educação que se pode mudar o mundo, pois a escola trabalha com pessoas e tem a capacidade de trabalhar com a conscientização delas, encorajando mudanças de atitudes, buscando assim, um mundo melhor, mais humano, solidário, de igualdade, socialmente justo e sustentável, por isso, faz-se necessário, um ensino de qualidade e para tanto é preciso o apoio pedagógico, estruturando a prática docente e a relação família-escola.
  • 4. 4 O PAPEL DO SUPERVISOR E A PRÁTICA PEDAGÓGICA A aprendizagem é algo fenomenal que ocorre em toda a vida do indivíduo, sendo um processo contínuo e que pode ocorrer de uma maneira formal em instituições com a finalidade de produção de conhecimentos, ou informal ocorrendo em todos os lugares onde encontram-se pessoas. A supervisão escolar, para bem exercer a sua função, deve ter claro o conceito de educação, seus fins e seus objetivos. É decorrência do conceito, fins e objetivos da educação que se vai delineando a direção dispensada ao ensino, para que a escola possa realizar a que se propõe. Assim, o supervisor escolar deve ter uma sólida formação pedagógica e filosófica, para poder dar um sentido preciso e profissional à ação da escola, para que se cumpra suas finalidades de modo mais efetivo. O papel do supervisor é resgatar valores culturais, morais, ético, com o intuito de formar homens críticos, reflexivos que tornem-se agentes geradores de mudanças para que haja o progresso, para que ocorra uma reestruturação da própria civilização, como explica Libâneo (2004, p.150): “Numa concepção emancipatória, já que prepararia os indivíduos para participar na reestruturação da própria civilização tendo em vista o desenvolvimento de toda uma humanidade”. Ao observar as grandes mudanças ocorridas no cenário educacional ao longo do tempo, manifestou-se a necessidade de se aprofundar mais sobre a importância do processo educativo dentro da escola, não só em relação à educação continuada dos educandos, como também dos educadores. Diante da especificidade das diferentes modalidades de ação pedagógica cabe ao supervisor evoluir de acordo com as novas demandas do mundo globalizado e com a tecnologia inovadora que cresce exorbitadamente, aperfeiçoar seus estudos para se adaptar a estas novas tecnologias. As mudanças pelas quais o mundo passa na atualidade, frente a realidades desafiadoras e complexas como a questão de responder aos desafios de uma sociedade globalizada, centrada na informação e nas tecnologias, requer da escola o repensar de suas ações de maneira que as práticas pedagógicas estejam em contínua e permanente reconstrução. O supervisor escolar e os demais participantes desse processo pedagógico precisam esforçar-se para acompanhar as novas características dessa sociedade que se apresenta de forma complexa, dinâmica e desafiadora. Mediante as mudanças educacionais o Supervisor precisa romper com paradigmas históricos e enfrentar o desafio da mudança. Afinal, a escola sofre acusações de ser um espaço desconectado da realidade, pressupondo uma urgência em se trabalhar as necessidades que se apresentam no contexto escolar. A escola é, por excelência, o espaço do pensar, porém, estranhamente, num espaço em que tanto se fala da sociedade da informação e do conhecimento, a qual conota o triunfo do
  • 5. 5 esforço mental sobre o físico, num tempo que se considera autorreflexivo, em que os educandos assumem cada vez mais uma postura autônoma, senhores de suas escolhas, capazes de usar as reflexões para alterarem questões da vida e processos de trabalho. É preciso agir e sentir porque o pensamento só é útil para quem não permanece exclusivamente no pensar e para aqueles que também conseguem pensar em equipe e tornar o pensamento em ação. De acordo com esse pensar configura-se as palavras de Libâneo. "De fato, como toda instituição, as escolas buscam resultados, o que implica uma ação racional, estruturada e coordenada. Ao mesmo tempo, sendo uma atividade coletiva, não depende apenas das capacidades e responsabilidades individuais, mas de objetivos comuns e compartilhados,de meios e ações coordenadas dos agentes do processo” (LIBÂNEO,2004, p.132). Atualmente, o supervisor precisa desenvolver uma visão critica e construtiva do trabalho pedagógico, de modo a vitalizar as ações educativas, transformando reflexivamente a ação individual e coletiva dos atores escolares. Dentro desse contexto, cabe ao supervisor planejar, avaliar e aperfeiçoar o curso das ações pedagógicas, visando garantir a eficiência do processo educacional e a eficácia de seus resultados. Igualmente, este profissional deve sempre ter o objetivo de levar os participantes do ato educativo a estarem integralmente envolvidos. Sendo assim, o principal papel do Supervisor Escolar é contribuir para a melhoria do processo educacional, levando em consideração a relação professor – supervisor, professor-gestor, professor-professor e professor-aluno. Muitas vezes a escola é subdividida em grupos, é o grupo da diretoria, o grupo de professores, o grupo de funcionários, etc. Geralmente, desencadeando uma dificuldade de se trabalhar em equipe. Dentro desse contexto a função do Supervisor é o ponto de ligação, de dar suporte, orientar no sentido de dar uma nova visão. O supervisor não pode apenas ser aquele responsável por vigiar e criticar o trabalho do professor. E se tornar auxiliador é, muitas vezes, pensar no lado do professor. Visando o desenvolvimento do relacionamento interpessoal, o supervisor precisa compreender a dinâmica de interação e comunicação entre as pessoas, buscando alcançar uma habilidade de se comunicar eficazmente, a fim de mobilizar a equipe escolar e a comunidade local para realizar processos de atuação colaborativa. Assim, ele precisa aprender a desenvolver o trabalho em equipe, valorizando a negociação e a resolução de conflitos. No início deste século o foco do trabalho do supervisor escolar vem se modificando por conta desse cenário. Nesse sentido e ao contrário do que acontecia no passado, fica afastado qualquer indício de que o trabalho do supervisor deva estar centrado no controle puro e simples do trabalho do professor, pois no início, o supervisor educacional exercia sua função como controlador do processo de produção, fiscalizando os recursos que o professor supostamente trabalharia em sala de aula, era também um fiscal de diários de classe – era mais um supervisor burocrático. Na atualidade, torna-se necessário e espera-se que o supervisor escolar desenvolva ações baseadas na reflexão sobre o processo pedagógico, onde o professor torna-se o principal instrumento dessa reflexão, e não mais um agente a ser controlado no interior das escolas. O supervisor é o articulador do Projeto Político-Pedagógico da instituição, sistematizando e integrando o trabalho conjunto por meio da interdisciplinaridade. Medina (2002, p. 32) ressalta essa questão ao afirmar que:
  • 6. 6 [...] é o trabalho do professor [...] que dá sentido ao trabalho do supervisor no interior da escola. O trabalho do professor abre o espaço e indica o objeto da ação/reflexão, ou de reflexão/ação para o desenvolvimento da ação supervisora. Hoje, a função supervisora se mostra bem mais ampla e o profissional dessa área entende a verdadeira essência desse termo: "supervisor", aquele que vê o geral, que vê além e articula ações entre os elementos que envolvem a educação. O supervisor de hoje sabe que precisa ser um constante pesquisador e com isso poderá contribuir para o trabalho docente, pois essa equipe conta com a orientação e apoio. A fim de alcançar seus objetivos o supervisor deve voltar o foco do seu trabalho para o aprimoramento do desempenho dos professores, valorizando o nível de produção acadêmica dos docentes, assim como a riqueza de suas contribuições para os fazeres pedagógicos. O supervisor, também precisa respeitar a personalidade dos profissionais da educação, valorizando-os individualmente e profissionalmente. Diante do exposto, percebe-se que esse profissional tem de ir além do conhecimento teórico, pois para acompanhar o trabalho pedagógico e estimular os professores é preciso percepção e sensibilidade para identificar as necessidades dos alunos e educadores, tendo de se manter sempre atualizado, buscando fontes de informação e refletindo sobre a sua prática. Dentro dessa perspectiva, Medina (2002, p. 36) afirma que: [...] a ação do supervisor com o professor configura-se numa parceria na qual ambos, politicamente, têm posições definidas com base nas quais refletem, criticam e indagam a respeito de seus desempenhos como profissionais que trabalham numa instituição social chamada escola, e em nível curricular específico. É o Supervisor Educacional um criador de cultura e de aprendizagens não apenas intelectual e/ou técnica, mas também afetiva, ética, social e política, que se questiona o circunstancial, definindo e redefinindo propriedades em educação. Como prática educativa ou como função, a supervisão educacional, independentemente de formação especifica em habilitação no curso de Pedagogia, constituiu-se num trabalho escolar que tem o compromisso de garantir a qualidade do ensino, da educação, da formação humana. (...). Não se esgota, portanto, no saber fazer bem e no saber o que ensinar, mas no trabalho articulador e orgânico entre a verdadeira qualidade do trabalho pedagógico que se tornará mais verdadeiro em seus compromissos humanizadores, quando expressar e servir de pólo-fonte de subsídios para novas políticas e novas formas de gestão na intensidade espaço-temporal de transformações que a "era da globalização" ocasionou.( FERREIRA, 2003, p.237) Por definição, o supervisor não pode ser nem um puro e simples prático nem um puro e simples teórico. Ele está entre os dois. A ligação deve ser ao mesmo tempo permanente e irredutível, porque não pode existir um fosso entre a teoria e a prática. Medina (2002, p.31) comenta que “o trabalho do supervisor centrado na ação do professor não pode ser confundido com assessoria ou consultoria, por ser um trabalho que requer envolvimento e comprometimento”. O objetivo de trabalho do supervisor é a aprendizagem do aluno através do professor. Considera-se o papel fundamental do supervisor: ser o grande harmonizador do ambiente da escola. Conforme Medina (2002, p.135), “o supervisor tem como objetivo de trabalho a produção do professor – o aprender do aluno, e preocupar-se de modo especial com a qualidade dessa produção.” O supervisor constitui-se em um agente de mudanças, facilitador e mediador, oportunizando uma relação de harmonia entre os interlocutores da instituição. Sua prática não
  • 7. 7 deve estar dissociada da teoria e nem a teoria da prática. Conforme aponta a seguir Houssaye, citado por Libâneo (2004, p.35). A função do supervisor escolar está centrada na ação pedagógica, processos de ensino e aprendizagem. O papel do supervisor escolar é muito importante, junto ao corpo docente e discente e toda equipe técnica escolar; não apenas um solucionador de problemas, mas também que o mesmo desenvolva projetos. Dessa forma, cabe ao supervisor escolar analisar em ação conjunta com os professores, as contradições existentes entre o fazer pedagógico e a proposta pedagógica. O supervisor deve procurar ter consciência clara dos conceitos e crenças que determinam sua maneira de agir, dos fins que pretendem atingir e dos meios a utilizar. Por outro lado, faz-se necessário que ele conheça a natureza do homem com quem está lidando, conheça a natureza da sociedade em que esse homem está inserido, bem com o perfil da escola, seu Projeto Político Pedagógico: só assim será possível orientar e ajudar, de acordo com as necessidades. Deve buscar o desenvolvimento contínuo de cada pessoa que com ele trabalha, seja professor, aluno, funcionário, seja membro da comunidade sob sua responsabilidade. O serviço de supervisão escolar deve trabalhar em conjunto com serviço de orientação que também é um setor existente dentro da escola que se envolve com os alunos, realizando mediações entre professores, alunos e pais para que, problemas relacionados à aprendizagem, a determinados comportamentos, à inclusão dos alunos portadores de deficiência entre outras pessoas, possam ser mediados de maneira efetiva e qualitativa. É necessário que a supervisão e orientação escolar trabalhem juntas, buscando oferecer uma educação de qualidade; para isto faz-se necessário o envolvimento de todos os segmentos na construção do Projeto Político Pedagógico da escola de acordo com a realidade dos alunos. Para isto é fundamental conhecer o contexto que a escola está inserida, para atender as necessidades dos educandos e o papel do supervisor e orientador educacional é dar suporte e assessoramento à direção, professores, alunos e comunidade. É necessário também o envolvimento da supervisão com o processo de gestão escolar que caracteriza o elemento administrativo do seu trabalho. O termo “gestão” é entendido por Alonso (2003, p. 176) como: Todo o processo de organização e direção da escola, produto de uma equipe, que se orienta por uma proposta com base no conhecimento da realidade, a partir do qual são definidos os propósitos e previstos os meios necessários para a sua realização, estabelecendo metas, definindo rumos e encaminhamentos necessários, sem, entretanto, configurá-los dentro de esquemas rígidos de ação, permitindo alterações sempre que necessário. Assim, concebida a gestão, implica desconcentração de poder e cria possibilidades de participação, adequadas a cada situação, e o supervisor, por sua importante contribuição pedagógica, torna-se elemento fundamental nesse processo. Nesse sentido, para que o supervisor pedagógico desenvolva um trabalho de qualidade carece estar comprometido, principalmente, com o processo de ensino aprendizagem. Dessa forma, a supervisão educacional constitui-se num trabalho profissional que tem o compromisso juntamente com os professores e toda comunidade escolar, de assegurar o desenvolvimento do educando por meio da qualidade do ensino. Supervisão é, portanto, o processo pelo qual, se orienta a escola como um todo, para a consecução de suas finalidades. Enfim, o supervisor precisa administrar planejamento, mediado pelo desenvolvimento profissional e a formação do educador e com as relações sociais e interpessoais presentes nas escolas, administrar com a complexidade da formação de um ser humano que pode ser sujeito transformador de si e da realidade. O supervisor de uma escola deve diferenciar-se do modelo organizacional, cuja autoridade e poder se estabelecem nas relações verticais de dominação, indicando quem deve mandar e quem deve
  • 8. 8 obedecer; ao contrário, na escola, o supervisor deve proporcionar um ambiente favorável ao diálogo, nas relações com os professores, alunos, pais e com a gestão, pois o supervisor faz a transposição da teoria para a prática escolar, reflete sobre o trabalho em sala de aula, estuda e usa as teorias para fundamentar o fazer e o pensar dos docentes. Na atualidade, a escola assume um papel essencialmente importante como espaço generalizado de desenvolvimento das potencialidades humanas. Nas sociedades contemporâneas, onde o desenvolvimento econômico e a viabilização de melhores condições de vida para a população é uma realidade, é cada vez maior a exigência para o aumento da escolaridade, principalmente a formação de nível superior. O supervisor deve assumir o compromisso da transformação e da luta por condições de vida melhor, engajando-se num projeto de conscientização critica, denunciando as desigualdades e injustiças e apontando propostas para a superação dessas diferenças, através do questionamento e da problematização destas questões. A esse respeito Silva Junior (1997, p. 96) acrescenta: Se não cabe ao supervisor impor soluções, cabe – lhe, sem duvida, por ser brasileiro e por ser um educador responsável, ajudar na construção da consciência histórica- política necessária à luta contra a dominação. Isso implica uma posição de profunda atenção aos fatos do cotidiano escolar e do cotidiano da sociedade que lhe assegure condições de análise adequada do significado das ocorrências que vão acontecendo. No entanto, educadores sejam professores ou supervisores, para avançar na construção de um mundo e de uma educação adequada à necessidade da luta contra a dominação tem sido uma tarefa delicada, árdua, que necessita de tempo, não tem sido fácil o caminho percorrido por educadores para conseguir tal objetivo. Entende-se que fazer da supervisão uma ação problematizadora, através da dialógica com todos os envolvidos na comunidade escolar garantindo o espaço de participação, proporcionará a intervenção transformadora da prática social. [...] é importante lembrar que, antes de mais nada, a coordenação é exercida por um educador, e como tal deve estar no combate a tudo aquilo que desumanizava a escola: a reprodução da ideologia dominante, o autoritarismo, o conhecimento desvinculado da realidade, a evasão, a lógica classificatória e excludente [...], a discriminação social na e através da escola, etc.(VASCONCELOS, 2013, p.87). Também é importante ressaltar que o supervisor escolar deva se colocar na função de problematizador frente ao ofício do professor a fim de fazer com que este reflita constantemente sobre sua ação na educação. Conviver com a diversidade é um dos desafios pelo qual passa a escola moderna e, ao supervisor escolar, cabe trabalhar essa realidade com os professores no sentido de explicitar as contradições e os conflitos consequentes dessa diversidade. A leitura que se deve ter da escola hoje, é de uma escola singular, porém inserida numa pluralidade e, ao supervisor, compete fazer com que o professor reflita sobre esse fato e aja de maneira tal, que suas ações locais se reflitam globalmente. Ainda cabe ao supervisor escolar ter clareza e levar os professores a refletirem sobre o fato de que o conhecimento é um dado relativo, ou seja, que os procedimentos utilizados pelos professores não devem mais se apresentar de forma linearizadas, uma vez que a produção deles se dá em um movimento de ensinar e aprender. Além disso, também é necessário que o supervisor tenha uma atitude clara diante do processo ensino-aprendizagem, diante da função social da escola e de todos os outros aspectos que envolvem o fazer na e pela educação. E é na proposta pedagógica da escola que o supervisor deve ver uma possibilidade de reconstrução da mesma, propondo momentos de reflexão, confrontando a ação, principalmente dos docentes, com o que se apresenta na proposta e desta, com a realidade social da escola. O
  • 9. 9 supervisor apresenta-se então como um líder, pela sua identificação com os interesses coletivos, que mobiliza, que dinamiza encontros para a discussão e a atualização teórica das práticas. E, entre as várias funções do supervisor, destacam-se, novamente, a consciência do propósito de suas ações e a ampliação político social dos princípios e dos conceitos que as orientam. Para Medina (2002, p.22) O papel do supervisor passa, então, a ser redefinido com base em seu objeto de trabalho, e o resultado da relação que ocorre entre o professor que ensina e o aluno que aprende, passa a construir o núcleo do trabalho do supervisor na escola. O conceito moderno de supervisão visa sempre ao aperfeiçoamento da situação total ensino-aprendizagem através do conhecimento da situação; da avaliação dessa situação; das modificações das condições que afetam a aprendizagem. Isso vem a ser, em outras palavras, as três primordiais da supervisão: diagnosticar; avaliar; aperfeiçoar. Os objetivos gerais da educação nacional são o desenvolvimento integral do aluno e a sua integração no meio físico e social. Cabe ao supervisor, antes de tudo, conscientizar o pessoal com quem trabalha, levando-o estabelecer objetivos específicos para sua escola e sua classe, tendo como ponto de partida aqueles objetivos gerais; a usar esses objetivos como guias em todos os processos da educação, a selecionar bem os meios para atingi-los e os meios de avaliação dos resultados. E como diz Silva Junior (1997, p.100) Ensinar supervisão no Brasil hoje significa necessariamente pesquisar supervisão. Pesquisar “a” e “para” a supervisão. Significa consequentemente, examinar criticamente a prática que se desenvolve e investigar as situações e as condições que possam contribuir para o desenvolvimento qualitativo dessa prática. A ciência da supervisão será construída sem abrigar a pretensão da objetividade absoluta. É da unidade dialética das atividades teórica e prático- experimental que deverá resultar a supervisão da educação adequada ao atendimento das necessidades reais do conjunto da população. Uma vez que a supervisão dirige atenção para os fundamentos da educação, é importante que o supervisor promova estudos de equipe sobre as mudanças de crenças e valores da sociedade que está em mudança. No campo educacional, a supervisão pode ser vista como “liderança educacional em ação” que visa à melhoria do processo ensino-aprendizagem, para o que leva em conta a estrutura teórica, material e humana do sistema em que está inserida. Objetivamente, assentam- se nas múltiplas funções de orientação, acompanhamento, avaliação e reorientação do processo educacional. O trabalho em supervisão visa, como produto final, à melhoria do processo ensino- aprendizagem, atuando através do professor. Quanto melhor o trabalho do professor, melhores serão os resultados do processo. A supervisão deve coordenar as atividades pedagógicas da escola, aperfeiçoá-las de forma constante, evitando assim, uma defasagem entre a comunidade escolar e a realidade educacional.
  • 10. 10 CONSIDERAÇÕES FINAIS O trabalho ora apresentado teve por escopo promover uma reflexão acerca do supervisor pedagógico dentro das instituições de ensino sobre as dificuldades, os desafios e os avanços que se refere à função do referido profissional. Teve em vista os múltiplos aspectos que envolvem a área da supervisão escolar e a crescente preocupação com as formas de atuação deste profissional, atualmente faz com que a supervisão deixa de ser função meramente técnica. Ao final deste estudo percebi que o papel do supervisor assume no século XXI dimensões políticas, pedagógicas e administrativas à medida que sua função é articular a proposta da escola com toda a equipe que a compõe. Neste sentido, o supervisor é peça fundamental no espaço escolar, pois busca integrar os envolvidos no processo ensino-aprendizagem mantendo os demais segmentos que compõem e administram relações interpessoais de maneira saudável, valorizando a formação do professor e a sua, pois ele também é um professor, desenvolvendo habilidades para lidar com as diferenças com o objetivo de ajudar efetivamente na construção de uma educação de qualidade. O trabalho do supervisor dentro das escolas se torna indispensável quando este profissional promove significativas mudanças, pois trabalha com formação e informação dos docentes, principalmente, na construção de um espaço escolar dinâmico e reflexivo, sendo este fundamental a superação de obstáculos, socialização de experiências e fortalecimento das relações interpessoais, fundamental para a qualidade na educação. A supervisão faz parte do processo da educação. Educação se faz com discernimento, ousadia, pesquisa, determinação, trabalho participativo. O supervisor tem um papel político, pedagógico e de liderança no espaço escolar, por isso, precisa ser inovador, ousado, criativo, proativo, humilde, e, sobretudo, um profissional de educação comprometido com o seu grupo de trabalho, eficiente e eficaz, pois não basta executar bem, o trabalho precisa trazer resultados. Para que o papel do supervisor torne-se eficaz se faz necessário que ocupe no Sistema Educacional um espaço de intermediação e articulação, atuando com a equipe de gestão, auxiliando quanto à elaboração e implementação das propostas pedagógicas, facilitando o desenvolvimento do processo ensino-aprendizagem e a melhoria da qualidade de ensino. Enfim sua atuação deve estar voltada para promover a integração dos profissionais da educação verificando as facilidades e dificuldades encontradas pelos mesmos e incentivando sua formação. Portanto, o supervisor pedagógico é responsável por atuar com o grupo de educadores, coordenando e promovendo reflexão no sentido da construção de uma competência docente coletiva, com o objetivo de alcançar a qualidade do processo ensino-aprendizagem. Dessa forma, são inúmeras as dificuldades e os desafios nessa área, mas com pesquisa e profissionalismo, com o desenvolvimento de uma metodologia de trabalho que possibilite ressignificar a ação de todos os agentes da instituição, podem-se conseguir avanços exponenciais para a qualidade do processo educativo. A reflexão sobre o trabalho do supervisor escolar deve ser constante, pois ele precisa pensar e propor junto com sua equipe escolar soluções para as dificuldades encontradas no âmbito educacional. Por isso, seus objetivos educacionais sempre devem estar pautados na melhoria do processo educativo, através de um trabalho cooperativo, onde as tarefas são dividas a fim de somar esforços que diminuem o dispêndio de energias e multiplica o resultado final.
  • 11. 11 REFERÊNCIAS ALONSO, Myrtes. A Supervisão e o desenvolvimento profissional do professor. In: FERREIRA, Naura Syria Carapeto org. Supervisão escolar: para uma escola de qualidade da formação à ação. 4 ed. São Paulo: Cortez, 2003. FERREIRA, Naura Syria Carapeto org. Supervisão educacional: Para uma escola de qualidade da formação à ação. 4 ed. São Paulo: Cortez, 2003. LIBÂNEO, José Carlos. Organização e gestão da escola pública: teoria e prática. 7ªed. Goiânia: Alternativa, 2004. LIBÂNEO, José Carlos. Pedagogia e pedagogos para quê? 8 ed. São Paulo: Cortez, 2007. MEDINA, Antônia da Silva. Supervisão escolar: da ação exercida à ação repensada. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2002. SILVA JUNIOR, C. A. Organização do trabalho na escola pública; o pedagógico e o administrativo na ação supervisora. In: JUNIOR, C. A. da S. e RANGEL, M.(orgs). Nove olhares sobre a supervisão. Campinas, SP: Papirus, 1997. SILVA JUNIOR, C.A. A Supervisão da educação: do autoritarismo ingênuo à vontade coletiva. São Paulo: Loyola,1985. VASCONCELLOS, Celso dos Santos. Coordenação do trabalho pedagógico: do projeto político-pedagógico ao cotidiano da sala de aula. São Paulo: Libertad, 2013. ____________. Planejamento: plano de ensino-aprendizagem e projeto educativo. São Paulo: Libertad, 2012.