Objeto de conhecimento: O que é Realismo e Naturalismo Aula: 01 e 0 2 / 1º semana
Disciplina: Língua Portuguesa Professora: Andrea Passos
Estudante:__________________________
Série/Turma:________________________
O que é Realismo e Naturalismo
Realismo e Naturalismo são movimentos literários surgidos na Europa, durante o século XIX (anos 1800),
como negação do Romantismo. Normalmente, são citadas duas obras principais como as primeiras destes
estilos de escrita (também chamadas de estéticas narrativas):
Obra fundadora do Realismo: Madame Bovary (1857), de Gustave Flaubert.
Obra fundadora do Naturalismo: Thérèse Raquin (1867), de Émile Zola.
Também é importante saber a diferença entre Realismo e Naturalismo. Neste momento, o importante é
entender os conceitos gerais, que podem ser resumidos em uma única ideia: a representação realista da
sociedade.
Ou seja, era o oposto do Romantismo, que produzia histórias ambientadas em mundos idealizados, com
personagens heroicos e inspiradores. Portanto, Realismo e Naturalismo se caracterizam por personagens
realistas, com problemas do cotidiano e também pela busca de uma representação fiel da sociedade.
Características do Realismo
Linguagem direta, objetiva e descritiva;
Ritmo lento, com foco na construção da realidade social (ambientação);
Determinismo social (o ser humano é fruto do meio);
Personagens comuns e cotidianos, mas construídos com profundidade;
Crítica a sociedade burguesa.
Características do Naturalismo
Linguagem simples, impessoal, clara e detalhista;
Foco nas características animais e sexuais dos seres humanos;
Determinismo social e biológico (o ser humano também é fruto da evolução);
Personagens construídos com ênfase nos aspectos psicológicos (patologia);
Obras socialmente engajadas.
À primeira vista, você pode achar que as listas são praticamente a mesma coisa, mas podemos resumi-las em
duas diferenças mais importantes.
Se você reparar nos três primeiros pontos de cada lista, verá que ambos os movimentos utilizam lingu agem
similar, porém, com objetivos diferentes.
O Realismo procura descrever a sociedade de forma realista, para construir personagens que são fruto do seu
meio.
O Naturalismo procura descrever os seres humanos de forma realista, incluindo o aspecto sexual como um
fator biológico determinante na formação do caráter.
A outra grande diferença é que o Realismo usa personagens realistas para fazer críticas a sociedade burguesa.
Já o Naturalismo usa a patologia (o estudo das alterações) de seus personagens para analisar a natureza humana
e a sociedade como um todo.
Contexto histórico do Realismo e Naturalismo
Quando explicamos o que é Realismo e Naturalismo, dissemos que foram movimentos literários típicos dos
anos 1800.
Naquele contexto, após a turbulência social vivida durante as revoluções do século anterior (como a Revolução
Francesa), a sociedade burguesa estava estabelecida.
Isso significa que as tradições monárquicas e a influência da igreja sobre o Estado haviam sido reduzidas e,
assim, as estruturas sociais se modificaram.
Principalmente pelo estabelecimento de uma visão científica sobre as formas de organização social e sobre a
humanidade em si.
Isso pode parecer um pouco filosófico, mas não se engane, a ideia era encontrar a verdade por trás de tudo,
entender e descrever a realidade da melhor forma possível.
Por isso, ao longo daquele século, a literatura também se tornou uma forma de tentar representar a sociedade
realisticamente.
Um movimento que começou na Europa e, mais especificamente, na França, mas rapidamente se espalhou por
boa parte do mundo.
Para nós, estudantes brasileiros, os dois países mais importantes deste movimento são Portugal e, obviamente,
o Brasil. Então vamos a eles.
Realismo e Naturalismo no Brasil
Finalmente, chegamos ao Brasil, onde o Realismo também teve um grande expoente que você deve conhecer:
Machado de Assis.
Porém, no caso brasileiro, precisamos começar a dividir Realismo e Naturalismo, para que você não se
confunda nos estudos.
Realismo no Brasil
Apesar de Machado de Assis ser o maior nome do Realismo brasileiro, suas obras costumam ser apontadas
como únicas dentro daquele movimento literário. Principalmente, porque carregam um tom pessimista, além
do autor não romper totalmente com o Romantismo.
Ou seja, Machado é um autor complexo demais para ser rotulado apenas como realista. De qualquer forma,
suas principais obras são:
Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881), a primeira do Realismo brasileiro;
Dom Casmurro (1899);
Esaú e Jacó (1904);
Memorial de Aires (1908).
E para que você não seja pego de surpresa, é bom conhecer outras duas obras de autores do Realismo no
Brasil, também muito cobradas em exames:
O Ateneu (1888), de Raul Pompeia;
Inocência (1872), do Visconde de Taunay.
Naturalismo no Brasil
Nesta parte, vamos apenas estabelecer uma pequena lista das obras mais importantes do Naturalismo
brasileiro, para que saiba o que pode ser cobrado sobre o assunto:
O Mulato (1881), de Aluízio de Azevedo, a primeira do Naturalismo brasileiro;
O Cortiço (1890), também de Aluízio de Azevedo;
A Normalista (1893), de Adolfo Ferreira Caminha.
E agora que você já tem uma visão ampla das obras e autores brasileiros, vamos explicar de uma vez a
diferença entre Realismo e Naturalismo, através das suas características.
Realismo e Naturalismo em Portugal
O Realismo e Naturalismo de Portugal é importante porque aquele país adotou estes estilos rapidamente,
servindo de influência para autores brasileiros.
Além disso, entre os portugueses, há pelo menos um autor que você precisa conhecer para exames como o
Enem: Eça de Queiroz, cujas principais obras são:
O Crime do Padre Amaro (1875);
O Primo Basílio (1878);
Os Maias (1888).
Objeto de conhecimento: Realismo e naturalismo Aula: 03 / 1º semana
Disciplina: Língua Portuguesa Professora: Andrea Passos
Estudante:__________________________
Série/Turma:________________________
Realismo-Naturalismo
01. (USF-SP) Pode-se entender o Naturalismo como uma particularização do Realismo que:
a) se volta para a Natureza a fim de analisar-lhe os processos cíclicos de renovação.
b) pretende expressar com naturalidade a vida simples dos homens rústicos nas comunidades primitivas.
c) defende a arte pela arte, isto é, desvinculada de compromissos com a realidade social.
d) analisa as perversões sexuais, condenando-as em nome da moral religiosa.
e) estabelece um nexo de causa e efeito entre alguns fatores sociológicos e biológicos e a conduta das personagens.
02. (UCS-RS) Embora tradicionalmente se considere o ano de 1893 como data final do Realismo e suas manifestações
no Brasil, sabe-se que, na verdade, durante os primeiros vinte anos do século XX, essa estética desenvolveu-se
paralelamente:
a) ao Romantismo e ao Parnasianismo.
b) ao Pré-Modernismo e ao Modernismo.
c) ao Simbolismo e ao Modernismo.
d) ao Simbolismo e ao Pré-Modernismo.
e) ao Parnasianismo e ao Modernismo.
03. (PUC-PR) Assinale a alternativa que contém a afirmação correta sobre o Naturalismo no Brasil.
a)O Naturalismo, por seusprincípios científicos, considerava asnarrativas literárias exemplos de demonstração de teses
e ideias sobre a sociedade e o homem.
b) O Naturalismo usou elementos da natureza selvagem do Brasil do século XIX para defender teses sobre os defeitos
da cultura primitiva.
c) A valorização da natureza rude verificada nos poetas árcades se prolonga na visão naturalista do século XIX, que
toma a natureza decadente dos cortiços para provar os malefícios da mestiçagem.
d) O Naturalismo no Brasil esteve sempre ligado à beleza das paisagens das cidades e do interior do Brasil.
e) O Naturalismo do século XIX no Brasil difundiu na literatura uma linguagem científica e hermética, fazendo com
que os textos literários fossem lidos apenas por intelectuais.
04. (FUVEST) “E naquela terra encharcada e fumegante, naquela umidade quente e lodosa, começou a minhocar, e
esfervilhar, a crescer, um mundo, uma coisa viva, uma geração, que parecia brotar espontânea, ali mesmo, daquele
lameiro, a multiplicar-se como larvas no esterco.”
O fragmento de “O cortiço”, romance de Aluísio Azevedo, apresenta uma característica fundamental do Naturalismo.
Qual?
a) Uma compreensão psicológica do Homem.
b) Uma compreensão biológica do Mundo.
c) Uma concepção idealista do Universo.
d) Uma concepção religiosa da Vida.
e) Uma visão sentimental da Natureza.
05. (PUC-PR) Sobre o Realismo, assinale a alternativa INCORRETA.
a) O Realismo surgiu na Europa, como reação ao Naturalismo.
b) O Realismo e o Naturalismo têm as mesmas bases, embora sejam movimentos diferentes.
c) O Realismo surgiu como consequência do cientificismo do século XIX.
d) Gustave Flaubert foi um dos precursores do Realismo. Escreveu Madame Bovary.
e) Emile Zola escreveu romances de tese e influenciou escritores brasileiros.
06. (UFTM) Assinale a alternativa em que se encontram características da prosa do Realismo:
a) Objetivismo; subordinação dos sentimentos a interesses sociais; críticas às instituições decadentes da sociedade
burguesa.
b) Idealização do herói; amor visto como redenção; oposição aos valores sociais.
c) Casamento visto como arranjo de conveniência; descrição objetiva; idealização da mulher.
d) Linguagem metafórica; protagonista tratado como anti-herói; sentimentalismo.
e) Espírito de aventura; narrativa lenta; impasse amoroso solucionado pelo final feliz.
07. (MACK-SP) Assinale a alternativa incorreta sobre a prosa naturalista:
a) As personagens expressam a dependência do homem às leis naturais.
b) estilo caracteriza-se por um descritivismo intenso, capaz de refletir a visualização pictórica dos ambientes.
c) Os tipos são muito bem delimitados, física e moralmente, compondo verdadeiras representações caricaturais.
d) Tem como objetivo maior aprofundar a dimensão psicológica das personagens.
e) comportamento das personagens e sua movimentação no espaço determinam-lhe a condição narrativa.
08. (UFPA) Os personagens realistas-naturalistas têm seus destinos marcados pelo determinismo. Identifica-se esse
determinismo:
a) pela preocupação dos autores em criar personagens perfeitos, sem defeitos físicos ou morais.
b) pelas forças atávicas e/ou sociais que condicionam a conduta dessas criaturas.
c) por ser fruto, especificamente, da imaginação e da fantasia dos autores.
d) por se notar a preocupação dos autores de voltarem para o passado ou para o futuro ao criarem seus
personagens.
e) por representarem a tentativa dos autores nacionais de reabilitar uma faculdade perdida do homem: o senso do
mistério.
09. (VPNE) Das características abaixo, assinale a que não pertence ao Realismo:
a) Preocupação critica.
b) Visão materialista da realidade.
c) Ênfase nos problemas morais e sociais.
d) Valorização da Igreja.
e) Determinismo na atuação das personagens.
10. (VPNE) O realismo, como escola literária, é caracterizado:
a) pelo exagero da imaginação;
b) pelo culto da forma;
c) pela preocupação com o fundo;
d) pelo subjetivismo;
e) pelo objetivismo.
Objeto de conhecimento: Parnasianismo Aula: 01 e 02 / 2º semana
Disciplina: Língua Portuguesa Professora: Andrea Passos
Estudante:__________________________
Série/Turma:________________________
Parnasianismo
Parnasianismoé umestilode épocacaracterizadopelaobjetividade e pelodescritivismo,além daretomadade temas
da Antiguidade clássica e rigor formal na construção do texto poético. O estilo surgiu na França, no século XIX, no
contexto da Revolução Industrial, portanto, em uma época marcada pelo desenvolvimento tecnocientífico e
valorização da razão.
Em Portugal,os principaisautoresparnasianossão:JoãoPenha,GonçalvesCrespo,AntónioFeijóe CesárioVerde.Já
noBrasil,temos:OlavoBilac,RaimundoCorreia,Albertode Oliveira,Vicentede Carvalhoe FranciscaJúlia.Noentanto,
omaiornome doparnasianismobrasileiroé OlavoBilac,cujapoesia,muitasvezes,acabadesviando-se daobjetividade
do estilo, apesar de seu rigor formal.
Contexto histórico e origem do parnasianismo
O séculoXIXfoi uma épocade desenvolvimentotecnológiconossetoresde comunicaçãoe transporte:RobertFulton
(1765-1815) criouo barco a vapor em1807; George Stephenson(1781-1848) projetoualocomotivaavapor em 1814;
e, em 1837, Samuel Morse (1791-1872) inventou o telégrafo.
Assim, na segunda metade do século XIX, o pensamento científico estava em alta, pois a ciência mostrava-se
responsável pelo desenvolvimento tecnológico associado à Revolução Industrial (iniciada no século XVIII),em que o
uso de máquinas propiciou o crescimento da economia.
Contudo,essaprosperidade e odesenvolvimentotecnocientíficonãoimpediramadisparidade entre aburguesiae o
proletariado, gerando forte conflito social.
Nesse sentido,aprosarealistaocupou-senaexposiçãoe discussãodesseproblema.Noentanto,apoesiarealista,isto
é, o parnasianismo, isentou-se desse tipo de questão e optou por uma postura de alienação (indiferença) social,
econômicae política.Ainda,seusautores,influenciadospelopositivismo(correntefilosóficaque defendiaaprimazia
da razão e, portanto, a supremacia do conhecimento científico), recorreram à objetividade na composição de suas
poesias.
Nesse século, houve uma revolução tecnocientífica nunca vista até então, a ciência propiciava a diminuição das
distâncias e o aumento da produção nas indústrias. Portanto, como fator científico essencial, a razão passou a ser
supervalorizada, vista como solução para todos os males da sociedade.
Como indivíduos de seu tempo, os parnasianos, então, viram na objetividade científica um elemento definidor da
sociedade europeia. Assim, entenderam que a razão superava o sentimentalismoromântico e empreenderam um
projeto de “poesia científica”, pois racional e objetiva.
Desse modo, o movimento parnasianosurgiu a partir da publicação, em três volumes (1866, 1871 e 1876), de uma
coleção de poesias editada por Alphonse Lemerre (1838-1912) e intitulada O Parnaso contemporâneo. A palavra
“Parnaso”refere-seaumamontanhadaGrécia,moradadodeusApoloe dasmusasinspiradorasdosartistas.Ostextos
dessa coletânea trabalham com a perspectiva de uma poesia objetiva. Daí surgiu o nome para o estilo de época
parnasianismo.
Características do parnasianismo
O parnasianismo é assim caracterizado:
Antirromantismo: poesia antissentimental.
Objetividade e rigor formal (metrificação e rima).
Arte como sinônimo de beleza formal.
Alienação social, pois o objetivo da arte seria produzir o belo.
Poesia descritiva, com distanciamento do eu lírico da coisa focalizada.
Resgate de temas da Antiguidade clássica.
Uso do polissíndeto (repetição da conjunção “e”).
Arte pelaarte, pois,segundoThéophile Gautier(1811-1872), a arte não existe paraa humanidade,paraa sociedade
ou para a moral, mas para si mesma.
Portanto, na poesia parnasiana, a finalidade da arte é a própria arte.
Parnasianismo em Portugal
O parnasianismo,emPortugal,nãoapresentouumprojetoconsistente.Porisso,nãohá um períodoinicial e final do
movimento,que é,comumente,integradoàprodução do realismo-naturalismoportuguês(1865-1900). De qualquer
forma, são considerados parnasianos os seguintes poetas portugueses:
João Penha (1838-1919): Rimas (1882).
Gonçalves Crespo (1846-1883): Miniaturas (1871).
António Feijó (1859-1917): Líricas e bucólicas (1884).
Cesário Verde (1855-1886): O livro de Cesário Verde (1901).
A seguir, vamos analisar o soneto “O camarim”, do livro Miniaturas, de Gonçalves Crespo, poeta da literatura
portuguesa,masque nasceu no Brasil e aqui viveuaté os 10 anos de idade.Nesse poema,é possível perceber,como
características parnasianas, a objetividade e a descrição, com versos regulares decassílabos (10 sílabas poéticas):
O camarim
A luz do sol afaga docemente
As bordadas cortinas de escomilha;
Penetrantes aromas de baunilha
Ondulam pelo tépido ambiente.
Sobre a estante do piano reluzente
Repousa a Norma, e ao lado uma quadrilha;
E do leito francês nas colchas brilha
De um cão de raça o olhar inteligente.
Ao pé das longas vestes, descuidadas
Dormem nos arabescos do tapete
Duas leves botinas delicadas.
Sobre a mesa emurchece um ramilhete,
E entre um leque e umas luvas perfumadas
Cintila um caprichoso bracelete.
Assim,noprimeiroquarteto,oeulíricocomeçaa descreverumambiente,dizque aluzdo sol toca nas cortinase que
o lugar,morno,temum aroma de baunilha.Nesse ambiente,de acordocomo segundoquarteto,háumpiano,sobre
o qual estãoduas partituras,da Norma — de VicenzoBellini (1801-1835) — e de uma quadrilha,e o olhar de um cão
de raça brilhanas colchas de um leito.Noentanto,não sabemosse o cão está no leitoouse é uma imagembordada
nas colchas.
Já no primeiro terceto, o eu lírico diz que sobre os desenhos do tapete estão duas botinas delicadas. Por fim, no
segundo terceto, o eu lírico fala que há um ramalhete de flores murchas sobre a mesa, além de um leque, luvas
perfumadas e um bracelete.
Desse modo, entendemos que o eu lírico está descrevendoo camarim de uma mulher, possivelmente uma cantora,
pianistaouatriz.Porser parnasiano,osonetoé objetivoe,portanto,apresenta poucaounenhumaplurissignificação.
Há um total afastamento do eu lírico da poesia, já que ele não se coloca no texto, apenas descreve o ambiente.
Objeto de conhecimento: Parnasianismo Aula: 03 / 2º semana
Disciplina: Língua Portuguesa Professora: Andrea Passos
Estudante:__________________________
Série/Turma:________________________
Parnasianismo no Brasil
Segundo alguns estudiosos, o livro Fanfarras, de Teófilo Dias (1854-1889), inaugurou o parnasianismo no Brasil em
1882, estilo que, oficialmente,perdurou até 1893. No entanto, os principais autores da poesia parnasiana brasileira
são:
Olavo Bilac (1865-1918): Poesias (1888).
Raimundo Correia (1859-1911): Versos e versões (1887).
Alberto de Oliveira (1857-1937): Sonetos e poemas (1885).
Vicente de Carvalho (1866-1924): Ardentias (1885).
Francisca Júlia (1871-1920): Mármores (1895).
No entanto, Olavo Bilac é o mais famoso poeta parnasiano brasileiro.É preciso mencionar que sua poesia, contudo,
apesarde ser consideradaparnasiana,muitasvezestrai a objetividade doestiloe acaba recorrendoa exclamaçõese
outras subjetividades. Portanto,escolhemos, para analisar aqui,uma de suas poesias descritivas — um dos sonetos
de Via Láctea, escrito com o rigor formal (metrificação e rima) parnasiano:
Como a floresta secular, sombria,
Virgem do passo humano e do machado,
Onde apenas, horrendo, ecoa o brado
Do tigre, e cuja agreste ramaria
Não atravessa nunca a luz do dia,
Assim também, da luz do amor privado,
Tinhas o coração ermo e fechado,
Como a floresta secular, sombria...
Hoje, entre os ramos, a canção sonora
Soltam festivamente os passarinhos.
Tinge o cimo das árvores a aurora...
Palpitam flores, estremecem ninhos...
E o sol do amor, que não entrava outrora,
Entra dourando a areia dos caminhos.
Na primeiraestrofe dessesoneto,oeulíricodescreve umaflorestaantigae sombria,“Virgemdopassohumanoe do
machado”, isto é, nunca um ser humano esteve nessa floresta e, portanto, nenhum machado foi usado para cortar
suas árvores. Nessa paisagem, o brado do tigre é ouvido. Além disso, ela possui uma ramaria agreste, a qual, como
será dito na segunda estrofe, a luz do dia nunca atravessa, afinal é uma floresta sombria.
Na sequência,entendemosporque aprimeiraestrofe começacoma conjunçãocomparativa“como”,poiso eu lírico
está comparando a floresta com um coração humano, já que diz que esse coração não tem a luz do amor, pois é
solitário e fechado, da mesma forma que a floresta. Por fim, o verbo [tu] “tinhas” demonstra a interlocução do eu
lírico com alguma pessoa, o que demonstra alguma subjetividade, já que o eu lírico, indiretamente, coloca-se na
poesia.
Na terceiraestrofe,oeu lírico afirmaque,hoje,no meiodosramos da floresta,ospassarinhoscantam, e a aurora (a
primeira luz da manhã) colore o topo das árvores.
Na últimaestrofe,eledizque asflorespalpitame osninhosestremecem,oque sugere que aflorestaestáagoracheia
de vida.Comojá sabemosque a floresta,naverdade,é umametáforae refere-se aocoraçãode alguém, entendemos
que essapessoaestáapaixonada,poiso“sol do amor”, que antesnão entravanesse coração,agora “Entra dourando
a areia dos caminhos”.
Exercícios
Questão 1 - (Enem)
Ouvir estrelas
“Ora, (direis) ouvir estrelas! Certo
perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto,
que, para ouvi-las, muita vez desperto
e abro as janelas, pálido de espanto...
E conversamos toda noite, enquanto
a Via-Láctea, como um pálio aberto,
cintila. E, ao vir o Sol, saudoso e em pranto,
inda as procuro pelo céu deserto.
Direis agora: “Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
tem o que dizem, quando estão contigo?”
E eu vos direi: “Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas”.
BILAC, Olavo. Ouvir estrelas. In: Tarde, 1919.
Ouvir estrelas
Ora, direis, ouvir estrelas! Vejo
que estás beirando a maluquice extrema.
No entanto o certo é que não perco o ensejo
De ouvi-las nos programas de cinema.
Não perco fita; e dir-vos-ei sem pejo
que mais eu gozo se escabroso é o tema.
Uma boca de estrela dando beijo
é, meu amigo, assunto p’ra um poema.
Direis agora: Mas, enfim, meu caro,
As estrelas que dizem? Que sentido
têm suas frases de sabor tão raro?
Amigo, aprende inglês para entendê-las,
Pois só sabendo inglês se tem ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas.
TIGRE, Bastos. Ouvir estrelas. In: BECKER, I. Humor e humorismo: antologia. São Paulo: Brasiliense, 1961.
Com base na comparação entre os poemas, verifica-se que,
a) no texto de Bilac, a construção do eixo temático deu-se em linguagem denotativa, enquanto no de Tigre, em
linguagem conotativa.
b) no texto de Bilac, as estrelas são inacessíveis, distantes, e no texto de Tigre, são próximas, acessíveis aos que as
ouvem e entendem-nas.
c) no texto de Tigre, a linguagem é mais formal, mais trabalhada,como se observa no uso de estruturas como “dir-
vos-ei sem pejo” e “entendê-las”.
d) no textode Tigre,percebe-se ousoda linguagemmetalinguísticanotrecho “Uma boca de estreladandobeijo/é,
meu amigo, assunto p’ra um poema”.
e) no texto de Tigre, a visão romântica apresentada para alcançar as estrelas é enfatizada na última estrofe de seu
poema com a recomendação de compreensão de outras línguas.
Questão 2 - (Enem)
Mal secreto
Se a cólera que espuma, a dor que mora
N’alma, e destrói cada ilusão que nasce,
Tudo o que punge, tudo o que devora
O coração, no rosto se estampasse;
Se se pudesse, o espírito que chora,
Ver através da máscara da face,
Quanta gente, talvez, que inveja agora
Nos causa, então piedade nos causasse!
Quanta gente que ri, talvez, consigo
Guarda um atroz, recôndito inimigo,
Como invisível chaga cancerosa!
Quanta gente que ri, talvez existe,
Cuja ventura única consiste
Em parecer aos outros venturosa!
CORREIA, R. In: PATRIOTA, M. Para compreender Raimundo Correia. Brasília: Alhambra, 1995.
Coerente comapropostaparnasianade cuidadoformal e racionalidade naconduçãotemática,osonetode Raimundo
Correia reflete sobre a forma como as emoções do indivíduosão julgadas em sociedade. Na concepção do eu lírico,
esse julgamento revela que
a) a necessidade de ser socialmente aceito leva o indivíduo a agir de forma dissimulada.
b) o sofrimento íntimo torna-se mais ameno quando compartilhado por um grupo social.
c) a capacidade de perdoar e aceitar as diferenças neutraliza o sentimento de inveja.
d) o instinto de solidariedade conduz o indivíduo a apiedar-se do próximo.
e) a transfiguração da angústia em alegria é um artifício nocivo ao convívio social.
Questão 3 - (Enem)
A pátria
Ama, com fé e orgulho, a terra em que nasceste!
Criança! não verás nenhum país como este!
Olha que céu! que mar! que rios! que floresta!
A Natureza, aqui, perpetuamente em festa,
É um seio de mãe a transbordar carinhos.
Vê que vida há no chão! vê que vida há nos ninhos,
Que se balançam no ar, entre os ramos inquietos!
Vê que luz, que calor, que multidão de insetos!
Vê que grande extensão de matas, onde impera,
Fecunda e luminosa, a eterna primavera!
Boa terra! jamais negou a quem trabalha
O pão que mata a fome, o teto que agasalha...
Quem com o seu suor a fecunda e umedece,
Vê pago o seu esforço, e é feliz, e enriquece!
Criança! não verás país nenhum como este:
Imita na grandeza a terra em que nasceste!
BILAC, O. Poesias infantis. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1929.
Publicado em 1904, o poema “A pátria” harmoniza-se com um projeto ideológico em construção na Primeira
República. O discurso poético de Olavo Bilac ecoa esse projeto, na medida em que
a) a paisagem natural ganha contornos surreais, como o projeto brasileiro de grandeza.
b) a prosperidade individual, como a exuberância da terra, independe de políticas de governo.
c) os valores afetivos atribuídos à família devem ser aplicados também aos ícones nacionais.
d) a capacidade produtiva da terra garante ao país a riqueza que se verifica naquele momento.
e) a valorização do trabalhador passa a integrar o conceito de bem-estar social experimentado.

apostila segundo ano.docx

  • 1.
    Objeto de conhecimento:O que é Realismo e Naturalismo Aula: 01 e 0 2 / 1º semana Disciplina: Língua Portuguesa Professora: Andrea Passos Estudante:__________________________ Série/Turma:________________________ O que é Realismo e Naturalismo Realismo e Naturalismo são movimentos literários surgidos na Europa, durante o século XIX (anos 1800), como negação do Romantismo. Normalmente, são citadas duas obras principais como as primeiras destes estilos de escrita (também chamadas de estéticas narrativas): Obra fundadora do Realismo: Madame Bovary (1857), de Gustave Flaubert. Obra fundadora do Naturalismo: Thérèse Raquin (1867), de Émile Zola. Também é importante saber a diferença entre Realismo e Naturalismo. Neste momento, o importante é entender os conceitos gerais, que podem ser resumidos em uma única ideia: a representação realista da sociedade. Ou seja, era o oposto do Romantismo, que produzia histórias ambientadas em mundos idealizados, com personagens heroicos e inspiradores. Portanto, Realismo e Naturalismo se caracterizam por personagens realistas, com problemas do cotidiano e também pela busca de uma representação fiel da sociedade. Características do Realismo Linguagem direta, objetiva e descritiva; Ritmo lento, com foco na construção da realidade social (ambientação); Determinismo social (o ser humano é fruto do meio); Personagens comuns e cotidianos, mas construídos com profundidade; Crítica a sociedade burguesa. Características do Naturalismo Linguagem simples, impessoal, clara e detalhista; Foco nas características animais e sexuais dos seres humanos; Determinismo social e biológico (o ser humano também é fruto da evolução); Personagens construídos com ênfase nos aspectos psicológicos (patologia); Obras socialmente engajadas. À primeira vista, você pode achar que as listas são praticamente a mesma coisa, mas podemos resumi-las em duas diferenças mais importantes. Se você reparar nos três primeiros pontos de cada lista, verá que ambos os movimentos utilizam lingu agem similar, porém, com objetivos diferentes. O Realismo procura descrever a sociedade de forma realista, para construir personagens que são fruto do seu meio. O Naturalismo procura descrever os seres humanos de forma realista, incluindo o aspecto sexual como um fator biológico determinante na formação do caráter. A outra grande diferença é que o Realismo usa personagens realistas para fazer críticas a sociedade burguesa. Já o Naturalismo usa a patologia (o estudo das alterações) de seus personagens para analisar a natureza humana e a sociedade como um todo. Contexto histórico do Realismo e Naturalismo Quando explicamos o que é Realismo e Naturalismo, dissemos que foram movimentos literários típicos dos anos 1800.
  • 2.
    Naquele contexto, apósa turbulência social vivida durante as revoluções do século anterior (como a Revolução Francesa), a sociedade burguesa estava estabelecida. Isso significa que as tradições monárquicas e a influência da igreja sobre o Estado haviam sido reduzidas e, assim, as estruturas sociais se modificaram. Principalmente pelo estabelecimento de uma visão científica sobre as formas de organização social e sobre a humanidade em si. Isso pode parecer um pouco filosófico, mas não se engane, a ideia era encontrar a verdade por trás de tudo, entender e descrever a realidade da melhor forma possível. Por isso, ao longo daquele século, a literatura também se tornou uma forma de tentar representar a sociedade realisticamente. Um movimento que começou na Europa e, mais especificamente, na França, mas rapidamente se espalhou por boa parte do mundo. Para nós, estudantes brasileiros, os dois países mais importantes deste movimento são Portugal e, obviamente, o Brasil. Então vamos a eles. Realismo e Naturalismo no Brasil Finalmente, chegamos ao Brasil, onde o Realismo também teve um grande expoente que você deve conhecer: Machado de Assis. Porém, no caso brasileiro, precisamos começar a dividir Realismo e Naturalismo, para que você não se confunda nos estudos. Realismo no Brasil Apesar de Machado de Assis ser o maior nome do Realismo brasileiro, suas obras costumam ser apontadas como únicas dentro daquele movimento literário. Principalmente, porque carregam um tom pessimista, além do autor não romper totalmente com o Romantismo. Ou seja, Machado é um autor complexo demais para ser rotulado apenas como realista. De qualquer forma, suas principais obras são: Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881), a primeira do Realismo brasileiro; Dom Casmurro (1899); Esaú e Jacó (1904); Memorial de Aires (1908). E para que você não seja pego de surpresa, é bom conhecer outras duas obras de autores do Realismo no Brasil, também muito cobradas em exames: O Ateneu (1888), de Raul Pompeia; Inocência (1872), do Visconde de Taunay. Naturalismo no Brasil Nesta parte, vamos apenas estabelecer uma pequena lista das obras mais importantes do Naturalismo brasileiro, para que saiba o que pode ser cobrado sobre o assunto: O Mulato (1881), de Aluízio de Azevedo, a primeira do Naturalismo brasileiro; O Cortiço (1890), também de Aluízio de Azevedo; A Normalista (1893), de Adolfo Ferreira Caminha. E agora que você já tem uma visão ampla das obras e autores brasileiros, vamos explicar de uma vez a diferença entre Realismo e Naturalismo, através das suas características.
  • 3.
    Realismo e Naturalismoem Portugal O Realismo e Naturalismo de Portugal é importante porque aquele país adotou estes estilos rapidamente, servindo de influência para autores brasileiros. Além disso, entre os portugueses, há pelo menos um autor que você precisa conhecer para exames como o Enem: Eça de Queiroz, cujas principais obras são: O Crime do Padre Amaro (1875); O Primo Basílio (1878); Os Maias (1888).
  • 4.
    Objeto de conhecimento:Realismo e naturalismo Aula: 03 / 1º semana Disciplina: Língua Portuguesa Professora: Andrea Passos Estudante:__________________________ Série/Turma:________________________ Realismo-Naturalismo 01. (USF-SP) Pode-se entender o Naturalismo como uma particularização do Realismo que: a) se volta para a Natureza a fim de analisar-lhe os processos cíclicos de renovação. b) pretende expressar com naturalidade a vida simples dos homens rústicos nas comunidades primitivas. c) defende a arte pela arte, isto é, desvinculada de compromissos com a realidade social. d) analisa as perversões sexuais, condenando-as em nome da moral religiosa. e) estabelece um nexo de causa e efeito entre alguns fatores sociológicos e biológicos e a conduta das personagens. 02. (UCS-RS) Embora tradicionalmente se considere o ano de 1893 como data final do Realismo e suas manifestações no Brasil, sabe-se que, na verdade, durante os primeiros vinte anos do século XX, essa estética desenvolveu-se paralelamente: a) ao Romantismo e ao Parnasianismo. b) ao Pré-Modernismo e ao Modernismo. c) ao Simbolismo e ao Modernismo. d) ao Simbolismo e ao Pré-Modernismo. e) ao Parnasianismo e ao Modernismo. 03. (PUC-PR) Assinale a alternativa que contém a afirmação correta sobre o Naturalismo no Brasil. a)O Naturalismo, por seusprincípios científicos, considerava asnarrativas literárias exemplos de demonstração de teses e ideias sobre a sociedade e o homem. b) O Naturalismo usou elementos da natureza selvagem do Brasil do século XIX para defender teses sobre os defeitos da cultura primitiva. c) A valorização da natureza rude verificada nos poetas árcades se prolonga na visão naturalista do século XIX, que toma a natureza decadente dos cortiços para provar os malefícios da mestiçagem. d) O Naturalismo no Brasil esteve sempre ligado à beleza das paisagens das cidades e do interior do Brasil. e) O Naturalismo do século XIX no Brasil difundiu na literatura uma linguagem científica e hermética, fazendo com que os textos literários fossem lidos apenas por intelectuais. 04. (FUVEST) “E naquela terra encharcada e fumegante, naquela umidade quente e lodosa, começou a minhocar, e esfervilhar, a crescer, um mundo, uma coisa viva, uma geração, que parecia brotar espontânea, ali mesmo, daquele lameiro, a multiplicar-se como larvas no esterco.” O fragmento de “O cortiço”, romance de Aluísio Azevedo, apresenta uma característica fundamental do Naturalismo. Qual? a) Uma compreensão psicológica do Homem. b) Uma compreensão biológica do Mundo. c) Uma concepção idealista do Universo. d) Uma concepção religiosa da Vida. e) Uma visão sentimental da Natureza. 05. (PUC-PR) Sobre o Realismo, assinale a alternativa INCORRETA. a) O Realismo surgiu na Europa, como reação ao Naturalismo. b) O Realismo e o Naturalismo têm as mesmas bases, embora sejam movimentos diferentes. c) O Realismo surgiu como consequência do cientificismo do século XIX. d) Gustave Flaubert foi um dos precursores do Realismo. Escreveu Madame Bovary. e) Emile Zola escreveu romances de tese e influenciou escritores brasileiros.
  • 5.
    06. (UFTM) Assinalea alternativa em que se encontram características da prosa do Realismo: a) Objetivismo; subordinação dos sentimentos a interesses sociais; críticas às instituições decadentes da sociedade burguesa. b) Idealização do herói; amor visto como redenção; oposição aos valores sociais. c) Casamento visto como arranjo de conveniência; descrição objetiva; idealização da mulher. d) Linguagem metafórica; protagonista tratado como anti-herói; sentimentalismo. e) Espírito de aventura; narrativa lenta; impasse amoroso solucionado pelo final feliz. 07. (MACK-SP) Assinale a alternativa incorreta sobre a prosa naturalista: a) As personagens expressam a dependência do homem às leis naturais. b) estilo caracteriza-se por um descritivismo intenso, capaz de refletir a visualização pictórica dos ambientes. c) Os tipos são muito bem delimitados, física e moralmente, compondo verdadeiras representações caricaturais. d) Tem como objetivo maior aprofundar a dimensão psicológica das personagens. e) comportamento das personagens e sua movimentação no espaço determinam-lhe a condição narrativa. 08. (UFPA) Os personagens realistas-naturalistas têm seus destinos marcados pelo determinismo. Identifica-se esse determinismo: a) pela preocupação dos autores em criar personagens perfeitos, sem defeitos físicos ou morais. b) pelas forças atávicas e/ou sociais que condicionam a conduta dessas criaturas. c) por ser fruto, especificamente, da imaginação e da fantasia dos autores. d) por se notar a preocupação dos autores de voltarem para o passado ou para o futuro ao criarem seus personagens. e) por representarem a tentativa dos autores nacionais de reabilitar uma faculdade perdida do homem: o senso do mistério. 09. (VPNE) Das características abaixo, assinale a que não pertence ao Realismo: a) Preocupação critica. b) Visão materialista da realidade. c) Ênfase nos problemas morais e sociais. d) Valorização da Igreja. e) Determinismo na atuação das personagens. 10. (VPNE) O realismo, como escola literária, é caracterizado: a) pelo exagero da imaginação; b) pelo culto da forma; c) pela preocupação com o fundo; d) pelo subjetivismo; e) pelo objetivismo.
  • 6.
    Objeto de conhecimento:Parnasianismo Aula: 01 e 02 / 2º semana Disciplina: Língua Portuguesa Professora: Andrea Passos Estudante:__________________________ Série/Turma:________________________ Parnasianismo Parnasianismoé umestilode épocacaracterizadopelaobjetividade e pelodescritivismo,além daretomadade temas da Antiguidade clássica e rigor formal na construção do texto poético. O estilo surgiu na França, no século XIX, no contexto da Revolução Industrial, portanto, em uma época marcada pelo desenvolvimento tecnocientífico e valorização da razão. Em Portugal,os principaisautoresparnasianossão:JoãoPenha,GonçalvesCrespo,AntónioFeijóe CesárioVerde.Já noBrasil,temos:OlavoBilac,RaimundoCorreia,Albertode Oliveira,Vicentede Carvalhoe FranciscaJúlia.Noentanto, omaiornome doparnasianismobrasileiroé OlavoBilac,cujapoesia,muitasvezes,acabadesviando-se daobjetividade do estilo, apesar de seu rigor formal. Contexto histórico e origem do parnasianismo O séculoXIXfoi uma épocade desenvolvimentotecnológiconossetoresde comunicaçãoe transporte:RobertFulton (1765-1815) criouo barco a vapor em1807; George Stephenson(1781-1848) projetoualocomotivaavapor em 1814; e, em 1837, Samuel Morse (1791-1872) inventou o telégrafo. Assim, na segunda metade do século XIX, o pensamento científico estava em alta, pois a ciência mostrava-se responsável pelo desenvolvimento tecnológico associado à Revolução Industrial (iniciada no século XVIII),em que o uso de máquinas propiciou o crescimento da economia. Contudo,essaprosperidade e odesenvolvimentotecnocientíficonãoimpediramadisparidade entre aburguesiae o proletariado, gerando forte conflito social. Nesse sentido,aprosarealistaocupou-senaexposiçãoe discussãodesseproblema.Noentanto,apoesiarealista,isto é, o parnasianismo, isentou-se desse tipo de questão e optou por uma postura de alienação (indiferença) social, econômicae política.Ainda,seusautores,influenciadospelopositivismo(correntefilosóficaque defendiaaprimazia da razão e, portanto, a supremacia do conhecimento científico), recorreram à objetividade na composição de suas poesias. Nesse século, houve uma revolução tecnocientífica nunca vista até então, a ciência propiciava a diminuição das distâncias e o aumento da produção nas indústrias. Portanto, como fator científico essencial, a razão passou a ser supervalorizada, vista como solução para todos os males da sociedade. Como indivíduos de seu tempo, os parnasianos, então, viram na objetividade científica um elemento definidor da sociedade europeia. Assim, entenderam que a razão superava o sentimentalismoromântico e empreenderam um projeto de “poesia científica”, pois racional e objetiva. Desse modo, o movimento parnasianosurgiu a partir da publicação, em três volumes (1866, 1871 e 1876), de uma coleção de poesias editada por Alphonse Lemerre (1838-1912) e intitulada O Parnaso contemporâneo. A palavra “Parnaso”refere-seaumamontanhadaGrécia,moradadodeusApoloe dasmusasinspiradorasdosartistas.Ostextos dessa coletânea trabalham com a perspectiva de uma poesia objetiva. Daí surgiu o nome para o estilo de época parnasianismo. Características do parnasianismo O parnasianismo é assim caracterizado: Antirromantismo: poesia antissentimental.
  • 7.
    Objetividade e rigorformal (metrificação e rima). Arte como sinônimo de beleza formal. Alienação social, pois o objetivo da arte seria produzir o belo. Poesia descritiva, com distanciamento do eu lírico da coisa focalizada. Resgate de temas da Antiguidade clássica. Uso do polissíndeto (repetição da conjunção “e”). Arte pelaarte, pois,segundoThéophile Gautier(1811-1872), a arte não existe paraa humanidade,paraa sociedade ou para a moral, mas para si mesma. Portanto, na poesia parnasiana, a finalidade da arte é a própria arte. Parnasianismo em Portugal O parnasianismo,emPortugal,nãoapresentouumprojetoconsistente.Porisso,nãohá um períodoinicial e final do movimento,que é,comumente,integradoàprodução do realismo-naturalismoportuguês(1865-1900). De qualquer forma, são considerados parnasianos os seguintes poetas portugueses: João Penha (1838-1919): Rimas (1882). Gonçalves Crespo (1846-1883): Miniaturas (1871). António Feijó (1859-1917): Líricas e bucólicas (1884). Cesário Verde (1855-1886): O livro de Cesário Verde (1901). A seguir, vamos analisar o soneto “O camarim”, do livro Miniaturas, de Gonçalves Crespo, poeta da literatura portuguesa,masque nasceu no Brasil e aqui viveuaté os 10 anos de idade.Nesse poema,é possível perceber,como características parnasianas, a objetividade e a descrição, com versos regulares decassílabos (10 sílabas poéticas): O camarim A luz do sol afaga docemente As bordadas cortinas de escomilha; Penetrantes aromas de baunilha Ondulam pelo tépido ambiente. Sobre a estante do piano reluzente Repousa a Norma, e ao lado uma quadrilha; E do leito francês nas colchas brilha De um cão de raça o olhar inteligente. Ao pé das longas vestes, descuidadas Dormem nos arabescos do tapete Duas leves botinas delicadas. Sobre a mesa emurchece um ramilhete, E entre um leque e umas luvas perfumadas Cintila um caprichoso bracelete. Assim,noprimeiroquarteto,oeulíricocomeçaa descreverumambiente,dizque aluzdo sol toca nas cortinase que o lugar,morno,temum aroma de baunilha.Nesse ambiente,de acordocomo segundoquarteto,háumpiano,sobre o qual estãoduas partituras,da Norma — de VicenzoBellini (1801-1835) — e de uma quadrilha,e o olhar de um cão
  • 8.
    de raça brilhanascolchas de um leito.Noentanto,não sabemosse o cão está no leitoouse é uma imagembordada nas colchas. Já no primeiro terceto, o eu lírico diz que sobre os desenhos do tapete estão duas botinas delicadas. Por fim, no segundo terceto, o eu lírico fala que há um ramalhete de flores murchas sobre a mesa, além de um leque, luvas perfumadas e um bracelete. Desse modo, entendemos que o eu lírico está descrevendoo camarim de uma mulher, possivelmente uma cantora, pianistaouatriz.Porser parnasiano,osonetoé objetivoe,portanto,apresenta poucaounenhumaplurissignificação. Há um total afastamento do eu lírico da poesia, já que ele não se coloca no texto, apenas descreve o ambiente.
  • 9.
    Objeto de conhecimento:Parnasianismo Aula: 03 / 2º semana Disciplina: Língua Portuguesa Professora: Andrea Passos Estudante:__________________________ Série/Turma:________________________ Parnasianismo no Brasil Segundo alguns estudiosos, o livro Fanfarras, de Teófilo Dias (1854-1889), inaugurou o parnasianismo no Brasil em 1882, estilo que, oficialmente,perdurou até 1893. No entanto, os principais autores da poesia parnasiana brasileira são: Olavo Bilac (1865-1918): Poesias (1888). Raimundo Correia (1859-1911): Versos e versões (1887). Alberto de Oliveira (1857-1937): Sonetos e poemas (1885). Vicente de Carvalho (1866-1924): Ardentias (1885). Francisca Júlia (1871-1920): Mármores (1895). No entanto, Olavo Bilac é o mais famoso poeta parnasiano brasileiro.É preciso mencionar que sua poesia, contudo, apesarde ser consideradaparnasiana,muitasvezestrai a objetividade doestiloe acaba recorrendoa exclamaçõese outras subjetividades. Portanto,escolhemos, para analisar aqui,uma de suas poesias descritivas — um dos sonetos de Via Láctea, escrito com o rigor formal (metrificação e rima) parnasiano: Como a floresta secular, sombria, Virgem do passo humano e do machado, Onde apenas, horrendo, ecoa o brado Do tigre, e cuja agreste ramaria Não atravessa nunca a luz do dia, Assim também, da luz do amor privado, Tinhas o coração ermo e fechado, Como a floresta secular, sombria... Hoje, entre os ramos, a canção sonora Soltam festivamente os passarinhos. Tinge o cimo das árvores a aurora... Palpitam flores, estremecem ninhos... E o sol do amor, que não entrava outrora, Entra dourando a areia dos caminhos. Na primeiraestrofe dessesoneto,oeulíricodescreve umaflorestaantigae sombria,“Virgemdopassohumanoe do machado”, isto é, nunca um ser humano esteve nessa floresta e, portanto, nenhum machado foi usado para cortar suas árvores. Nessa paisagem, o brado do tigre é ouvido. Além disso, ela possui uma ramaria agreste, a qual, como será dito na segunda estrofe, a luz do dia nunca atravessa, afinal é uma floresta sombria. Na sequência,entendemosporque aprimeiraestrofe começacoma conjunçãocomparativa“como”,poiso eu lírico está comparando a floresta com um coração humano, já que diz que esse coração não tem a luz do amor, pois é solitário e fechado, da mesma forma que a floresta. Por fim, o verbo [tu] “tinhas” demonstra a interlocução do eu lírico com alguma pessoa, o que demonstra alguma subjetividade, já que o eu lírico, indiretamente, coloca-se na poesia. Na terceiraestrofe,oeu lírico afirmaque,hoje,no meiodosramos da floresta,ospassarinhoscantam, e a aurora (a primeira luz da manhã) colore o topo das árvores.
  • 10.
    Na últimaestrofe,eledizque asflorespalpitameosninhosestremecem,oque sugere que aflorestaestáagoracheia de vida.Comojá sabemosque a floresta,naverdade,é umametáforae refere-se aocoraçãode alguém, entendemos que essapessoaestáapaixonada,poiso“sol do amor”, que antesnão entravanesse coração,agora “Entra dourando a areia dos caminhos”. Exercícios Questão 1 - (Enem) Ouvir estrelas “Ora, (direis) ouvir estrelas! Certo perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto, que, para ouvi-las, muita vez desperto e abro as janelas, pálido de espanto... E conversamos toda noite, enquanto a Via-Láctea, como um pálio aberto, cintila. E, ao vir o Sol, saudoso e em pranto, inda as procuro pelo céu deserto. Direis agora: “Tresloucado amigo! Que conversas com elas? Que sentido tem o que dizem, quando estão contigo?” E eu vos direi: “Amai para entendê-las! Pois só quem ama pode ter ouvido Capaz de ouvir e de entender estrelas”. BILAC, Olavo. Ouvir estrelas. In: Tarde, 1919. Ouvir estrelas Ora, direis, ouvir estrelas! Vejo que estás beirando a maluquice extrema. No entanto o certo é que não perco o ensejo De ouvi-las nos programas de cinema. Não perco fita; e dir-vos-ei sem pejo que mais eu gozo se escabroso é o tema. Uma boca de estrela dando beijo é, meu amigo, assunto p’ra um poema. Direis agora: Mas, enfim, meu caro, As estrelas que dizem? Que sentido têm suas frases de sabor tão raro? Amigo, aprende inglês para entendê-las, Pois só sabendo inglês se tem ouvido Capaz de ouvir e de entender estrelas. TIGRE, Bastos. Ouvir estrelas. In: BECKER, I. Humor e humorismo: antologia. São Paulo: Brasiliense, 1961. Com base na comparação entre os poemas, verifica-se que,
  • 11.
    a) no textode Bilac, a construção do eixo temático deu-se em linguagem denotativa, enquanto no de Tigre, em linguagem conotativa. b) no texto de Bilac, as estrelas são inacessíveis, distantes, e no texto de Tigre, são próximas, acessíveis aos que as ouvem e entendem-nas. c) no texto de Tigre, a linguagem é mais formal, mais trabalhada,como se observa no uso de estruturas como “dir- vos-ei sem pejo” e “entendê-las”. d) no textode Tigre,percebe-se ousoda linguagemmetalinguísticanotrecho “Uma boca de estreladandobeijo/é, meu amigo, assunto p’ra um poema”. e) no texto de Tigre, a visão romântica apresentada para alcançar as estrelas é enfatizada na última estrofe de seu poema com a recomendação de compreensão de outras línguas. Questão 2 - (Enem) Mal secreto Se a cólera que espuma, a dor que mora N’alma, e destrói cada ilusão que nasce, Tudo o que punge, tudo o que devora O coração, no rosto se estampasse; Se se pudesse, o espírito que chora, Ver através da máscara da face, Quanta gente, talvez, que inveja agora Nos causa, então piedade nos causasse! Quanta gente que ri, talvez, consigo Guarda um atroz, recôndito inimigo, Como invisível chaga cancerosa! Quanta gente que ri, talvez existe, Cuja ventura única consiste Em parecer aos outros venturosa! CORREIA, R. In: PATRIOTA, M. Para compreender Raimundo Correia. Brasília: Alhambra, 1995. Coerente comapropostaparnasianade cuidadoformal e racionalidade naconduçãotemática,osonetode Raimundo Correia reflete sobre a forma como as emoções do indivíduosão julgadas em sociedade. Na concepção do eu lírico, esse julgamento revela que a) a necessidade de ser socialmente aceito leva o indivíduo a agir de forma dissimulada. b) o sofrimento íntimo torna-se mais ameno quando compartilhado por um grupo social. c) a capacidade de perdoar e aceitar as diferenças neutraliza o sentimento de inveja. d) o instinto de solidariedade conduz o indivíduo a apiedar-se do próximo. e) a transfiguração da angústia em alegria é um artifício nocivo ao convívio social.
  • 12.
    Questão 3 -(Enem) A pátria Ama, com fé e orgulho, a terra em que nasceste! Criança! não verás nenhum país como este! Olha que céu! que mar! que rios! que floresta! A Natureza, aqui, perpetuamente em festa, É um seio de mãe a transbordar carinhos. Vê que vida há no chão! vê que vida há nos ninhos, Que se balançam no ar, entre os ramos inquietos! Vê que luz, que calor, que multidão de insetos! Vê que grande extensão de matas, onde impera, Fecunda e luminosa, a eterna primavera! Boa terra! jamais negou a quem trabalha O pão que mata a fome, o teto que agasalha... Quem com o seu suor a fecunda e umedece, Vê pago o seu esforço, e é feliz, e enriquece! Criança! não verás país nenhum como este: Imita na grandeza a terra em que nasceste! BILAC, O. Poesias infantis. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1929. Publicado em 1904, o poema “A pátria” harmoniza-se com um projeto ideológico em construção na Primeira República. O discurso poético de Olavo Bilac ecoa esse projeto, na medida em que a) a paisagem natural ganha contornos surreais, como o projeto brasileiro de grandeza. b) a prosperidade individual, como a exuberância da terra, independe de políticas de governo. c) os valores afetivos atribuídos à família devem ser aplicados também aos ícones nacionais. d) a capacidade produtiva da terra garante ao país a riqueza que se verifica naquele momento. e) a valorização do trabalhador passa a integrar o conceito de bem-estar social experimentado.